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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVATES CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL

DÉBORA LEONHARDT

DIAGNÓSTICO DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL RECOLHIDOS POR CAÇAMBAS DE TELE- ENTULHO NO MUNICÍPIO DE LAJEADO - RS

Lajeado

2010

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DÉBORA LEONHARDT

BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) DÉBORA LEONHARDT DIAGNÓSTICO DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL RECOLHIDOS

DIAGNÓSTICO DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL RECOLHIDOS POR CAÇAMBAS DE TELE-ENTULHO NO MUNICÍPIO DE LAJEADO - RS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas do Centro Universitário UNIVATES, como parte dos requisitos para a obtenção do título de bacharel em Engenharia Ambiental. Área de concentração: Engenharia Ambiental

ORIENTADOR: Prof. Ms. Everaldo Rigelo Ferreira

Lajeado

2010

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DÉBORA LEONHARDT

DIAGNÓSTICO DOS RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL RECOLHIDOS POR CAÇAMBAS DE TELE-ENTULHO NO MUNICÍPIO DE LAJEADO - RS

Banca Examinadora: Prof. Ms. Michely Zat, UNIVATES. Prof. Ms. Cátia Viviane Gonçalves, UNIVATES.
Banca Examinadora:
Prof. Ms. Michely Zat, UNIVATES.
Prof. Ms. Cátia Viviane Gonçalves, UNIVATES.

Este trabalho foi julgado adequado para a obtenção do título de bacharel em Engenharia Ambiental do CETEC e aprovado em sua forma final pelo Orientador e pela Banca Examinadora.

Orientador: Everaldo Rigelo Ferreira, UNIVATES Mestre em Geologia Marinha pela UFRGS – Porto Alegre, Brasil

Lajeado, Novembro de 2010.

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Dedico este trabalho em especial a minha família, meu namorado e também a todos os meus amigos, colegas, e ainda aos professores pelo apoio, compreensão, e dedicação.

BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Dedico este trabalho em especial a minha família, meu

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AGRADECIMENTOS

À Deus por ter me dado a vida, a saúde, a força, e a coragem. Aos meus pais, Sérgio e Roseli, e aos meus irmãos Rodrigo e Sérgio Júnior pela ajuda, compreensão, carinho e incentivo em todos os momentos. Ao meu namorado Irineu pela compreensão nos momentos de estudo, apoio, carinho e incentivo. Ao professor Everaldo Rigelo Ferreira por ter aceitado a missão desta orientação, pelo material indicado, e por ter a vontade de juntamente comigo saber a situação atual dos resíduos da construção civil no município de Lajeado. Aos meus colegas de faculdade, pelo incentivo, amizade, coleguismo, ajuda, pelos inúmeros materiais indicados para este trabalho, além da companhia durante toda minha graduação. Aos meus amigos, pela compreensão. A UNIVATES pela oportunidade de ensino de qualidade. E a todos que de uma maneira ou de outra contribuíram para a execução deste trabalho. Muito Obrigado!

BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) AGRADECIMENTOS À Deus por ter me dado a vida,

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RESUMO

O Brasil vem enfrentando um grande problema com a destinação dos resíduos sólidos gerados, onde a urbanização e o aumento do poder aquisitivo da população ocasionam o aumento no consumo de bens duráveis e não duráveis e consequentemente o aumento significativo da quantidade de resíduos sólidos. Os resíduos sólidos por sua vez, podem ser oriundos de atividades domésticas, industriais, hospitalares, de obras civis e inúmeras outras atividades que gerem resíduos. O presente trabalho realizará um diagnóstico dos resíduos de Construção Civil recolhidos por caçambas de tele-entulho no Município de Lajeado - RS. Para a realização deste diagnóstico será analisado o equivalente a 20% da produção mensal destes resíduos, o que corresponde a 70 cargas. A análise consiste em classificar os Resíduos da Construção Civil nas classes A, B, C e D, conforme a Resolução 307 do CONAMA - (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Após a análise dos resíduos de construção civil gerados no município, pretende-se propor a melhor alternativa de disposição final para este tipo de resíduo. Mesmo que os resíduos da construção civil não sejam considerados resíduos significativamente perigosos pela sua composição, apresentam inúmeros problemas e impactos ambientais devido ao seu volume e a variedade de subprodutos utilizados no ramo da construção civil.

BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) RESUMO O Brasil vem enfrentando um grande problema com

Palavras - chave: resíduo, construção civil, destinação final correta.

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ABSTRACT

Brazil is facing a big problem with the disposal of solid waste, where the urbanization and the increase of purchasing power of the population cause the increase of consumption of durable and nondurable goods and consequently the significantly increase of solid waste. Solid waste may be generated by domestic, industrial and medical activities and also constructions and many other activities that generate waste. This study will perform a diagnostic of construction waste collected by containers in the City of Lajeado - RS. To perform this diagnostic it will be analyzed the equivalent of 20% of the monthly production of these wastes, which corresponds to 70 containers. The analysis consists in classify the construction waste in classes A, B, C and D according to Resolution 307 of CONAMA - (National Council of Environment). After the analysis of construction waste generated in the city, we intend to propose the best alternative to disposal it. Even if the construction wastes are not considered dangerous, they represent several problems and environmental impacts due to volume and quantity of byproducts used in the construction industry.

Keywords: waste, construction, proper disposal.
Keywords: waste, construction, proper disposal.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Confecção de blocos de concreto com agregados reciclados 29 ......................

Figura 2 – Confecção de mobiliário urbano com agregados reciclados de concreto. .. 29 Figura 3
Figura 2 – Confecção de mobiliário urbano com agregados reciclados de
concreto. ..
29
Figura 3 – Usina de reciclagem de Belo Horizonte ......................................................30
Figura 4 – Veículo dotado de poliguindaste, realizando o carregamento de caçamba
basculante estacionária, para posterior deposição de
RCC. .........................................
38
Figura
5
Caçamba
estacionária
basculante
com
presença
de
resíduos
sólido
domésticos. ...................................................................................................................
56
Figura 6 – Detalhamento dos resíduos sólidos domésticos encontrados na caçamba 57 ..
Figura 7 – Disposição irregular de RCC no município de Lajeado 58 ..............................
Figura 8 – Disposição irregular e poluição visual causada pelos RCC no município de
Lajeado. ........................................................................................................................
58
Figura 9 - Disposição inadequada dos RCC no município de Lajeado 59 ........................
Figura 10 – Disposição irregular de RCC em trevos de acesso a cidade de Lajeado 60 ...
Figura 11 – Deposição irregular de RCC em área nobre da cidade, degradando o

ecossistema existente

....................................................................................................

60

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Ilustração 1 – Divisão da participação da indústria da construção civil no PIB 2001. 19

Ilustração 2 – Percentual representado nas analises por classe. ................................... 41 Ilustração 3 - Caracterização e
Ilustração 2 – Percentual representado nas analises por
classe. ...................................
41
Ilustração 3 - Caracterização e classificação dos resíduos provenientes de demolição e
reformas
........................................................................................................................
44
Ilustração 4 - Caracterização e classificação dos resíduos provenientes de obras
residenciais. ..................................................................................................................
46
Ilustração 5 - Caracterização e classificação dos resíduos provenientes de prédios em
construção
.....................................................................................................................
49
Ilustração 6 - Caracterização e classificação dos resíduos provenientes de outras obras
civis
...............................................................................................................................
51
Ilustração 7 - Classificação conforme a Resolução 307 do CONAMA dos RCC no
município de
Lajeado. ..................................................................................................
53
Ilustração 8 – Caracterização e classificação dos RCC gerados no município de
Lajeado. ........................................................................................................................
54

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Quantidades de resíduos da construção civil produzidas no país e no exterior ..........................................................................................................................
Tabela 1 - Quantidades
de resíduos da construção civil
produzidas no país
e
no
exterior
..........................................................................................................................
25
Tabela 2 - Modelo de ficha para caracterização do tipo de
resíduo. ............................
33
Tabela 3- Modelo de ficha para classificação e caracterização dos
RCC. ...................
35
Tabela 4- Modelo de tabela para classificação dos RCC conforme Resolução
CONAMA 307 e Resolução do CONSEMA 109, no município de Lajeado, nos meses
de pesquisa
....................................................................................................................
36
Tabela 5 – Dados referente ao total de cargas coletadas pelas empresas X, Y, Z em
Lajeado. ........................................................................................................................
42
Tabela 6 - Classificação e caracterização dos resíduos provenientes das demolições e
reformas em..................................................................................................................43
Tabela
7
-
Classificação
e
caracterização
dos
resíduos
provenientes
de
obras
residenciais em Lajeado
................................................................................................
45
Tabela 8 - Classificação e caracterização dos resíduos provenientes de prédios em
construção em
...............................................................................................................
48

Tabela 9 - Classificação e caracterização dos resíduos provenientes de outras obras

civis em Lajeado

...........................................................................................................

50

Tabela 10 - Classificação e caracterização dos RCC em Lajeado 52 ................................

Tabela 11 – Comparativo dos resíduos da construção civil Brasileiro e Lajeadense 55 ...

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

%: por cento ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas APP: Área de Preservação Permanente CONAMA: Conselho Nacional do Meio Ambiente CONSEMA: Conselho Estadual do Meio Ambiente CO2: Dióxido de Carbono EUA: Estados Unidos da América hab: Habitante kg: quilograma m²: metros quadrados m 3 : metros cúbicos NBR: Norma Brasileira pH: Potencial Hidrogeniônico PIB: Produto Interno Bruto PNRS: Política Nacional dos Resíduos Sólidos RCC: Resíduos da Construção Civil RCPA: Resource Conservation and Recoverin RS: Rio Grande do Sul RSCCD: Resíduos Sólidos da Construção Civil e Demolição t: tonelada

BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS %: por cento ABNT:

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SUMÁRIO

  • 1. INTRODUÇÃO

................................................................................................................

14

  • 2 REVISÃO LITERÁRIA

17

................................................................................................... 2.1 Resíduos sólidos ........................................................................................................... 17 2.2 O problema dos resíduos sólidos .................................................................................. 17 2.3 A
...................................................................................................
2.1
Resíduos sólidos
...........................................................................................................
17
2.2
O problema dos resíduos sólidos
..................................................................................
17
2.3
A indústria da Construção Civil
...................................................................................
18
2.4
Resíduos da Construção Civil
......................................................................................
20
2.4.1
Composição dos Resíduos da Construção Civil
.......................................................
20
2.4.2
Classificação dos Resíduos da Construção Civil
......................................................
21
2.5
Legislação que Regulamenta a Gestão de Resíduos Sólidos 22 ........................................
2.6
A geração de Resíduos da Construção Civil e seus Impactos Ambientais 24 ...................
2.7
Destinações para os Resíduos da Construção Civil
......................................................
27
2.7.1
Reutilização de resíduos da construção civil
............................................................
27
2.7.2
Reciclagem de Resíduos da Construção Civil
..........................................................
28
2.7.3
Aterro de Resíduos da Construção Civil
..................................................................
31
3
METODOLOGIA
.............................................................................................................
32
3.1
Proposta de Trabalho
....................................................................................................
32
4
RESULTADOS E DISCUSSÕES
....................................................................................
37
4.1
Identificação dos envolvidos na geração de Resíduos da Construção Civil e suas
responsabilidades
......................................................................................................................
37

4.2

4.3

Geração de Resíduos da Construção Civil no Município 40 .............................................

Caracterização e classificação dos Resíduos da Construção Civil gerados no

Município de Lajeado

...............................................................................................................

41

  • 4.3.1 Demolição e reforma

42

  • 4.3.2 Obras residenciais

.....................................................................................................

44

  • 4.3.3 Prédios em construção

47

  • 4.3.4 Outras Obras Civis

...................................................................................................

49

  • 4.3.5 Análise Geral – Diagnóstico dos RCC em Lajeado

51

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  • 4.4 Avaliação do fluxo dos Resíduos da Construção Civil gerados no Município de

Lajeado

56

  • 4.5 Proposta para gestão e disposição adequada para os Resíduos de Construção Civil

61

CONCLUSÃO

63

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

65

ANEXOS

68

13 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 4.4 Avaliação do fluxo dos Resíduos da Construção

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1. INTRODUÇÃO

O mundo atravessa graves problemas da ordem ecológica, devido ao desmatamento e as queimadas de florestas, a emissão excessiva de gases poluentes, a poluição de águas superficiais e subterrâneas e aos graves problemas urbanos causados pelo lixo doméstico, industrial, hospitalar e os provenientes de obras civis, entulhos gerados pelas novas construções, reformas e demolições, entre muitos outros resíduos (Amorin et al., 1999).

14 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 1. INTRODUÇÃO O mundo atravessa graves problemas da

Desde a antiguidade, o homem sempre dependeu das rochas, inicialmente usadas como abrigo e depois, como arma e ferramenta de trabalho. Hoje mesmo com toda a sofisticação e tecnologia de que dispomos é indiscutível a nossa dependência aos recursos minerais, que alimentam a indústria da Construção Civil (Amorin et al., 1999).

A indústria da construção civil ocupa posição de destaque na economia nacional, sendo responsável por uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Dados recentes indicam que o macro complexo da construção civil responde por 15% do PIB nacional (Construbussines, apud Souza et al., 2004).

Além desta participação direta no PIB, destaca-se também o grande contingente de mão-de-obra direta empregada, o que corresponde a 3,92 milhões de empregos, sendo o maior setor empregador da economia nacional (Construbussines, apud Souza et al., 2004).

Segundo informações apresentadas pela Revista Ecologia & Meio Ambiente, Ano VI, n. 7 de Porto Alegre, o incremento populacional, a industrialização e o desenvolvimento alimentam o crescimento econômico que, pelas reduções de prazos e custos, produz um crescimento acelerado, que origina todo o tipo de resíduo, em maior quantidade nas regiões metropolitanas, levando a degradação natural e à desagregação social.

Desta maneira o setor da construção civil é responsável por diversos impactos ambientais tais como o uso intenso de recursos naturais não renováveis e grande geração de resíduos sólidos. Embora outras indústrias tenham problemas semelhantes, a ineficiência em alguns processos produtivos e, principalmente, o seu tamanho faz com que a indústria da construção civil seja reconhecidamente como uma grande geradora de resíduos (John, 2000).

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Logo, a preocupação com os resíduos sólidos, como os da construção civil, de uma maneira geral é relativamente recente no Brasil. Diferentemente de países como dos Estados Unidos da América (EUA) onde no final da década de 1960 já existia uma política para resíduos, chamada de Resource Conservation and Recoverin (Lei da Conservação e Reciclagem de Recursos - RCPA), no Brasil recentemente foi sancionada no Congresso Nacional a Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas o Programa Brasileiro de Reciclagem ainda não saiu do papel. Apesar de algum avanço na reciclagem de resíduos domiciliares, obrigatoriedade de recolhimento de pneus e baterias, estamos certamente ainda longe de políticas abrangentes como a política do governo dos EUA (John, 2000). Além dos EUA, Japão, Inglaterra e Holanda também apresentam políticas para gerenciamento de seus resíduos sólidos (Lima, 1999).

15 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Logo, a preocupação com os resíduos sólidos, como

Quanto aos resíduos da construção civil, embora não sejam os resíduos mais incômodos, sob o ponto de vista da toxidade, assustam pelo seu volume crescente, e requerem medidas imediatas. Hoje no Brasil, apenas alguns municípios possuem políticas adequadas para o gerenciamento deste tipo de resíduo. Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2000), apenas 32,2% dos municípios brasileiros destinam adequadamente seus resíduos sólidos, sendo 13,8% em aterros sanitários e 18,4% em aterros controlados, e 5% dos municípios não informou para onde destinam seus resíduos. No restante, os resíduos sólidos são descartados em depósitos irregulares, conhecidos como “lixões”, os quais são caracterizados por não possuírem qualquer tipo de controle.

Para evitar problemas ambientais ainda maiores, decorrentes da deposição irregular de resíduos da construção civil, é necessário estudar alternativas para a destinação correta que possa ser aplicada a realidade brasileira para o gerenciamento de resíduos sólidos da construção civil e demolição (RSCCD). Muitos trabalhos já vêm sendo desenvolvidos, mas a idéia de redução de contaminação do solo por RSCCD deve ser ampliada e continua.

No Brasil, a legislação que regulamenta a gestão dos resíduos sólidos, mesmo que de uma maneira ampla, é a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) 307/2002. No Rio Grande do Sul (RS), foi instituída a resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) 109/2005, ambas estabelecem as diretrizes para a elaboração dos Planos Integrados dos Resíduos da Construção Civil.

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Dentro deste contexto, o município de Lajeado – RS, como a maioria dos demais municípios do Estado, ainda está se organizando para cumprir estas Resoluções. Diante deste quadro, este trabalho consiste em realizar um diagnóstico dos Resíduos da Construção Civil (RCC) recolhidos por caçambas de tele-entulho no município de Lajeado, onde os objetivos específicos do trabalho são:

Identificar

os

agentes

envolvidos

na

disposição

dada

aos

RCC

e

as

suas

responsabilidades, com embasamento das legislações vigentes;

Identificar e caracterizar os componentes dos RCC gerados no município; Identificar a disposição atual dada aos
Identificar e caracterizar os componentes dos RCC gerados no município;
Identificar a disposição atual dada aos RCC;
Propor a melhor alternativa para a destinação final correta dos RCC.

Conforme a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 225, “todos tem o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem como o uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Para obtenção dos resultados esperados buscou-se informações confiáveis com os Órgãos Municipais pertinentes, como Secretaria Municipal do Meio Ambiente e de Obras, além do acompanhamento nas obras civis onde continham as caçambas de tele-entulho, e ainda buscou-se conhecer o transporte e os locais de deposição dos resíduos gerados nestas obras.

Este trabalho está dividido em capítulos, sendo que após esta introdução é apresentada a revisão literária, capítulo 2, onde são abordados com maior profundidade os temas referenciados ao presente trabalho. No Capítulo 3 apresenta a proposta de trabalho, por fim, no capítulo 4, estão os resultados obtidos durante o desenvolvimento do trabalho, seguido de uma proposta para o gerenciamento dos RCC no município de Lajeado. Após, será realizado o fechamento com a conclusão de trabalho.

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  • 2 REVISÃO LITERÁRIA

    • 2.1 Resíduos Sólidos

Segundo a norma brasileira NBR 10.004, “Classificação dos Resíduos Sólidos”, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), atribui-se a resíduos sólidos,

17 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 2 REVISÃO LITERÁRIA 2.1 Resíduos Sólidos Segundo a

Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face a melhor tecnologia disponível.

Atribui-se ainda a resíduos sólidos, resto ou sobra das mais diversas atividades diárias do homem em sociedade, animais ou de fenômenos naturais, cuja destinação deverá ser ambientalmente e sanitariamente adequada. Os resíduos sólidos, popularmente conhecidos como lixos, podem ser oriundos das mais diversas atividades, sejam elas, domésticas, comerciais, industriais, agrícolas, de construção civil, hospitalar, entre inúmeras outras.

Estes resíduos em sua maioria são gerados após a produção ou transformação de bens de consumo, gerando uma quantidade significativa de lixo, principalmente nos grandes centros urbanos. Grande quantidade dos resíduos sólidos é composto por materiais recicláveis que podendo retornar à cadeia de produção, já outros componentes são altamente perigosos ao meio ambiente e necessitam um tratamento adequado.

  • 2.2 O problema dos Resíduos Sólidos

A sociedade segue exposta diariamente aos riscos ambientais, decorrentes da industrialização, crescimento populacional, elevação de consumo e má disposição de resíduos sólidos, enquanto novos casos surgem a toda hora, muitas vezes decorrentes de erros e omissões do passado (Saraiva, 2008).

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Segundo Silva (2002), o crescimento urbano, a industrialização e a elevação do consumo vêm provocando o aumento da geração de resíduos sólidos causando grandes preocupações à sociedade, principalmente nas regiões metropolitanas, impondo grandes demandas, tanto pela quantidade, quanto pelas características dos resíduos gerados. A interação entre os resíduos e o meio ambiente, paralelamente com o esgotamento de sua capacidade de depuração, vem causando impactos ambientais.

O Brasil produz de 125 a 130 mil toneladas/dia de resíduo, resultando em 45 milhões de toneladas por ano. Analisando estes números fica claro que o Brasil que concentra 3% da população mundial é responsável por 6,5% da produção de resíduos no mundo. Fica evidente que estamos vivendo em uma sociedade consumista e que gera muitos resíduos, sendo que apenas 11% desses recebem a destinação correta (Brasil & Santos, 2004).

18 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Segundo Silva (2002), o crescimento urbano, a industrialização

Enquanto países em desenvolvimento, como o Brasil destinam apenas 11% dos resíduos para aterros sanitários controlados, países como Suécia e Noruega, estão muito a frente. A união Européia é progressiva, o não comprimento significa advertência e punições. Na Suécia, a proposta é eliminar a coleta de resíduos domiciliares, com a instalação de postos públicos para receber o lixo do cidadão. Já na Noruega, onde o território é pequeno, o governo investe em composteiras (Brasil & Santos, 2004).

Segundo Filho et al. (2007), tudo que nos cerca será resíduo um dia, casas, pontes, veículos, móveis. A esse total, devemos somar todos os resíduos do processo de extração de matéria-prima e a produção destes bens. Assim, em qualquer sociedade, a quantidade de resíduo gerado supera a quantidade de bens consumidos.

Devido à variedade enorme de resíduos existentes nas diversas regiões do país, e a complexidade do tema, faz-se necessário a adequação das políticas para o gerenciamento dos resíduos sólidos, uma vez que o mais difícil já se encontra superado, implantação de legislação: a Resolução 307 de CONAMA em 2002, ao definir entre outros, o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil.

  • 2.3 A Indústria da Construção Civil

A indústria da Construção Civil, que ocupa posição de destaque na economia nacional, apresenta uma parcela significativa no PIB (Ilustração 1), conta com um grande contingente de mão de obra direta, além de ser responsável por um consumo considerável de materiais,

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seja em quantidade e em diversidade. Conforme, Souza (2005), quando se fala em resíduo da construção civil no cenário nacional, surge a comparação com a indústria automobilística, pois a quantidade de metros quadrados produzidos pela indústria da construção civil é bastante superior ao número de veículos novos disponibilizados a cada ano no país, chegando a uma relação de 100 a 200 vezes maior o consumo em massa de materiais na indústria da construção civil, em relação à indústria automobilística.

12% 23% 6% 59% Material da Construção Civil - produção + comercilização Bens de Capital para
12%
23%
6%
59%
Material da Construção Civil - produção + comercilização
Bens de Capital para Construção
Construção de Edificações + Construção Pesada
Serviços Diversos - Atividades Imobiliárias e Outros Serviços
Ilustração 1 – Divisão da participação da indústria da construção civil no PIB 2001.
Fonte: CONSTRUBUSSINESS, apud, SOUZA, 2004.

Embora, os demais setores da economia nacional também apresentam problemas, a indústria da construção civil sofre com o reconhecimento de maior geradora de resíduos sólidos. O interesse em saber a quantidade exata de resíduos gerados pelo setor existe a muitos anos, muitas vezes inserido na discussão da redução de desperdícios (Souza, 2005).

A geração de resíduos sólidos neste ramo da indústria, que utiliza quase sempre recursos não-renováveis, e onde resíduos sempre são gerados, ocorrem por meio de diversos processos produtivos relacionados à execução de empreendimentos imobiliários, como modernização, demolição e construção de novas obras, devido principalmente ao crescimento populacional e o aumento do número de pessoas em centros urbanos (John, 2000).

É importante ressaltar que a cadeia produtiva da construção civil consome entre 14 e 50% dos recursos naturais extraídos do planeta, no Japão corresponde a cerca de 50% dos materiais que circulam na economia e nos EUA, o consumo de mais de dois bilhões de toneladas representa cerca de 75% dos materiais circulantes (John, 2000).

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Este assunto voltou às discussões devido às questões ambientais atuais, pois uma vez que desperdiçar materiais, seja na forma de resíduo, ou sob a forma natural, de uma maneira geral significa desperdiçar recursos naturais e perdas financeiras, fato este que coloca a construção civil no centro das discussões na busca do desenvolvimento sustentável nas suas diversas dimensões.

  • 2.4 Resíduos da Construção Civil

Os resíduos da construção civil são provenientes de construções, reformas, reparos e demolição de obras de construção civil, restos de preparações e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidro, plásticos, tubulações, fiação elétrica e outros, comumente chamados de entulho de obras, caliça ou metralha.

20 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Este assunto voltou às discussões devido às questões

Este tipo de resíduo, da construção civil e demolição é classificado conforme a NBR 10.004 como resíduos classe II B - Inertes, ou seja, quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma representativa, segundo a NBR 10.007 da ABNT, e submetidos a testes de solubilidade com água destilada ou deionizada, não tem nenhum de seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água.

Porém devido a sua composição alguns RCC podem ser classificados como resíduos perigosos, classe I, ou seja, são aqueles resíduos cuja suas propriedades físicas, químicas ou infectocontagiosas podem acarretar em riscos à saúde pública e/ou riscos ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de forma inadequada, conforme NBR 10.0004.

  • 2.4.1 Composição dos Resíduos da Construção Civil

A composição dos RCC originado da construção civil apresenta variações consideráveis em cada região do país, em função da diversidade de tecnologias construtivas utilizadas. A madeira é muito presente nas construções de origem americana e japonesa, tendo presença menos significativa na construção de moradias de europeus e de brasileiros; o gesso é fartamente encontrado na construção americana e européia e só recentemente vem sendo utilizado de forma mais significativa nas construções dos centros urbanos brasileiros.

Segundo Lucena apud Bernardes et al. (2008), a composição dos resíduos de construção provenientes das atividades construtivas varia muito em quantidade e volume. Foi

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constatado no Brasil que os resíduos de construção civil são compostos, principalmente, de tijolos, areias e argamassas (em torno de 80%). Numa menor proporção foram encontrados ainda restos de concreto (9%), pedras, rochas naturais (6%), cerâmica (3%), gesso (2%) e madeira e seus derivados (1%), além disso, encontra-se em um pequeno percentual aço e outros metais, plásticos, vidros e papéis. Ainda os resíduos de tijolo, argamassa e areia são os mais gerados, independentemente do tipo de obra considerada, uma vez que as suas porcentagens não variam significativamente entre um tipo e outro.

Classificação dos Resíduos da Construção Civil São resíduos reutilizáveis como agregados, tais como os oriundos de:
Classificação dos Resíduos da Construção Civil
São resíduos reutilizáveis como agregados, tais como os oriundos de:

Conforme informações apresentados acima, os RCC apresentam uma diversidade da composição muito grande, decorrente da tradição construtiva e do local de realização da obra civil, mas mesmo assim permitem ainda assegurar que a imensa maioria dos resíduos gerados, em qualquer das localidades do Brasil, é formada por parcelas de resíduos recicláveis.

2.4.2

Os resíduos sólidos da construção civil e demolição talvez sejam os mais heterogêneos dentro dos diversos resíduos gerados atualmente, pois ele é constituído de restos de praticamente todos os materiais e componentes utilizados pela indústria da construção, conforme artigo três da Resolução CONAMA 307, de 5 de junho de 2002, que estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil; estes são classificados como classe A, B, C, e D, e o art. 10º dispões sobre a destinação correta para cada classe, onde:

2.4.2.1 Classe A

Pavimentos e de outras obras de infra-estrutura, inclusive solos provenientes de terraplenagem.

Edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, etc.) argamassas e concreto;

Processos de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios-fios, e tc.) produzidas nos canteiros de obras.

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Deverão ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados, ou encaminhados a áreas de aterro de resíduos da construção civil, sendo dispostos de modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura.

2.4.2.2 Classe B

São resíduos recicláveis para outra destinação, tais como plásticos, papel / papelão, metais vidros, madeiras e outros.

Estes resíduos deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário, sendo dispostos de
Estes resíduos deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de
armazenamento
temporário,
sendo
dispostos
de
modo
a
permitir
a
sua
utilização
ou
reciclagem futura.
2.4.2.3
Classe C
São os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações
economicamente viáveis que permitam sua reciclagem, recuperação, tais como produtos
fabricados de gesso.
Tais resíduos deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade
com as normas técnicas especificas.
2.4.2.4
Classe D
São os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como: tintas,
solventes, óleos, amianto e outros, ou aqueles contaminantes oriundos de demolições,
reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros.

Estes resíduos deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas especificas.

  • 2.5 Legislação que Regulamenta a Gestão de Resíduos Sólidos Em

31

de Agosto

de 1981,

foi

instituída a Lei 6.938, conhecida como Política

Nacional do Meio ambiente, que tem objetivo a preservação, melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar no País, condições ao

desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana.

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Já em 1988 a Constituição Federal Brasileira, em seu artigo número 225, diz que:

Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem como o uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e a coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

O mesmo foi trazido na Constituição do Estado do Rio Grande do Sul em seu artigo número 251.

23 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Já em 1988 a Constituição Federal Brasileira, em

Dando continuidade, com intuito de mitigar e reduzir os impactos ambientais causados por estes resíduos sólidos, em 2002, surgiu a Resolução do CONAMA 307, para estabelecer e determinar aos municípios, a obrigatoriedade de executar um Plano de Gerenciamento de RCC, buscando soluções para os pequenos volumes, bem como o disciplinamento dos grandes geradores.

Conforme a Resolução do CONAMA 307, no primeiro momento os municípios deveriam elaborar, implementar e coordenar a destinação dos RCC, com prazo máximo de 12 meses para a elaboração (prazo esse que expirou em janeiro/2004) e 18 meses para a implementação (prazo esgotado em julho/2004).

Num segundo momento, os RCC devem ser caracterizados, triados, acondicionados, receber transporte e destinação final adequada. Vale ressaltar que cada Município é responsável pela definição de quem é pequeno gerador, conforme seus próprios critérios de classificação.

Além disso, a resolução determinou um prazo de 18 meses (até julho/2004) para que os Municípios e o Distrito Federal parem de dispor os RCC em aterros de resíduos domiciliares, ou em áreas impróprias e irregulares.

Ainda, a Resolução diz também que os geradores deverão ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e secundariamente a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final deste tipo de resíduo. Conforme informações contidas na própria Resolução, reutilização é o processo de reaplicação de um resíduo, sem transformação do mesmo, e reciclagem é o processo de reaproveitamento de um resíduo, após ter sido submetido à transformação.

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No ano de 2005, o CONSEMA criou a Resolução 109 que estabeleceu diretrizes para elaboração do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, a ser elaborado pelos Municípios. Esta resolução foi embasada na Resolução CONAMA 307.

Desta maneira cabe aos municípios legislar sobre o gerenciamento dos RCC, facilitando a proteção ao Meio Ambiente, através da escolha inteligente do local para deposição dos mesmos, as penalidades pelos despejos em locais inadequados, entre outras ações. Mas ao mesmo tempo, conforme Silva & Brito (2006) identificar um local para a deposição destes resíduos é um desafio complexo ao órgão municipal, pois além de levar em consideração a preservação dos recursos naturais, evitando impactos ambientais, se deve também assegurar condições de vida digna a população menos favorecida, proporcionando a toda a sociedade o processo de desenvolvimento das cidades.

24 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) No ano de 2005, o CONSEMA criou a

Através desta legislação fica clara a responsabilidade do gerador deste tipo de resíduo, (construtoras e pessoas físicas) pelo transporte e destinação final dos mesmos. Com isso alimentando mais um ramo da indústria da construção civil, as empresas de armazenamento e transporte de RCC em caçambas basculantes estacionárias que facilitam o transporte até o local destinado pelo órgão ambiental para deposição adequado destes resíduos.

Recentemente foi instituída no Brasil a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), Lei nº 12.305, de 02 de Agosto de 2010, que dispõe sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis.

  • 2.6 A Geração de Resíduos da Construção Civil e seus Impactos Ambientais

Os resíduos sólidos apresentam uma variedade muito grande em sua quantidade e composição. Os RCC representam de 41 a 70% em massa dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil, esses resíduos, quando mal gerenciados, degradam a qualidade da vida urbana e sobrecarregam os serviços de limpeza pública.

Em cidades de médio e grande porte a produção de RCC varia de 230 a 760 hg/hab ano, média de 500 hg/hab ano, pode-se então, estimar um montante de 68,5x10 6 t RCC/ano visto que, no Brasil, 137 milhões de pessoas vivem no meio urbano (John, 2004).

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Grande parte dos resíduos gerados no setor da construção civil são oriundos das perdas e desperdícios durante a realização de obras civis, processos como incorporação de instalações em paredes de alvenaria que exigem a quebra parcial da parede recém construída e sua reconstrução com argamassa, serve como exemplo (John, 2004).

O Brasil desperdiça uma quantidade muito grande de resíduos, o que pode variar dos diversos estados da federação, mas este problema não atinge somente países em desenvolvimento como o Brasil, alguns países desenvolvidos também sofrem com este tipo de problema, conforme tabela 1.

Local de geração Geração estimada (t/mês) Brasil São Paulo Rio de Janeiro Porto Alegre Belo Horizonte
Local de geração
Geração estimada
(t/mês)
Brasil
São Paulo
Rio de Janeiro
Porto Alegre
Belo Horizonte
Salvador
Curitiba
Fortaleza
Florianópolis
Brasília
372.000
27.000
58.000
102.000
44.000
74.000
50.000
33.000
160.000
Europa
16.000 a 25.000
Reino Unido
6.000
Japão
7.000
Fonte: SILVA (2006).

Tabela 1 - Quantidades de resíduos da construção civil produzidas no país e no exterior.

Como vimos na tabela 1, na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, a quantidade de resíduos gerados é bastante significativa, correspondendo a 58.000 t/mês.

A falta de efetividade ou, em alguns casos, a inexistência de políticas públicas que disciplinam e ordenam os fluxos da destinação dos resíduos da construção civil nas cidades, associada ao descompromisso da legislação por parte dos geradores, a destinação incorreta e ilegal dos resíduos, provocam inúmeros impactos ambientais (John, 2004).

Sendo que, conforme a Resolução CONAMA de 1986, impacto ambiental é conceituado como “qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente afetem a saúde, a segurança e o bem estar da população;

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as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos naturais”.

Entre os impactos ambientais que a disposição inadequada dos RCC pode gerar a sociedade e ao meio ambiente, cito:

Degradação e obstrução de recursos hídricos (rios e córregos);

Degradação áreas de preservação permanente (APP); Degradação de ecossistemas; Proliferação de vetores, agentes transmissores de doenças;
Degradação áreas de preservação permanente (APP);
Degradação de ecossistemas;
Proliferação de vetores, agentes transmissores de doenças;
Utilização de grande quantidade de recursos naturais;
Poluição visual.

Obstrução dos sistemas de drenagem, tais como piscinões, galerias, sarjetas, etc;

Ocupação de vias e logradouros públicos por resíduos, com prejuízo à circulação de pessoas e veículos, além da própria degradação da paisagem urbana;

Existência e acúmulo de resíduos que podem gerar risco por sua periculosidade;

Além dos impactos ambientais citados acima, deve-se levar em consideração os impactos negativos ao meio ambiente advindos da extração de matéria-prima para uso da construção civil, pois a mineração e o processamento de minerais desempenham um importante papel na determinação de problemas ambientais como o desmatamento, a erosão do solo e a poluição do ar e da água.

A indústria de materiais de construção é igualmente responsável por outra gama de impactos negativos. A indústria cimenteira no Brasil, por exemplo, é responsável pela geração de mais de 6% do total de CO2 gerado no país (John, 2000).

Outro aspecto importante é a grande semelhança dos RCC aos agregados naturais e solos, em razão de suas características químicas e minerais. Entretanto, os RCC podem apresentar outros tipos de resíduos como óleos de maquinários utilizados na construção,

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pinturas e restos de telhas de cimento amianto, que podem causar impactos ao solo, águas e ar.

Conforme Schneider (2003) os RCC podem apresentar riscos à saúde pública decorrente do acondicionamento em caçambas metálicas localizadas em vias públicas, devido a presença de material orgânico, produtos perigosos e de embalagens vazias que podem reter água e outros líquidos além de favorecer a proliferação de mosquitos e outros vetores de doenças.

27 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) pinturas e restos de telhas de cimento amianto,
  • 2.7 Destinações para os Resíduos da Construção Civil

A relação entre os conceitos de Meio Ambiente, valorização de resíduos, saúde pública e saneamento básico vem aumentando consideravelmente e as ações nestes setores começam a se interligar, para garantir uma qualidade de vida melhor para população brasileira. Desta maneira, no que se refere à destinação correta de RCC, destaca-se a possibilidade de realizar o aproveitamento de resíduos para desenvolvimento de novos materiais e processos construtivos.

Sendo assim, o princípio de responsabilidade, atribuindo ao gerador e a sua responsabilidade pelo seu resíduo, é um elemento facilitador no que tange às etapas de acondicionamento, transporte, aproveitamento (reutilização ou reciclagem) e destinação final dos RCC em aterros de resíduos inertes.

  • 2.7.1 Reutilização de Resíduos da Construção Civil

No contexto acima descrito, podemos considerar a reutilização de RCC como o aproveitamento dos resíduos da construção civil sem transformação física ou físico-química, assegurando, quando necessário, o tratamento destinado ao cumprimento dos padrões de Saúde Pública e Meio Ambiente.

O reaproveitamento das sobras de materiais dentro da própria obra é uma maneira de fazer com que os materiais que seriam descartados, e que apresentam um determinado custo financeiro e ambiental retornem em forma de materiais novos e sejam re-inseridos na construção evitando a retirada de novas matérias-primas do Meio Ambiente.

Desta maneira, entre os materiais que podem ser reutilizados, cito:

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Resíduos de limpeza de terreno, solos e rochas podem ser reutilizados como aterro e reaterros.

Rochas também podem ser utilizadas na jardinagem.

Blocos cerâmicos, blocos de concreto, areia e brita, podem ser reutilizados como bases de pisos e enchimentos.

•

Madeira pode ser reutilizada na construção de cercas, portões, além de ser utilizada como escoras e travamento.

Outra alternativa é a transformação dos RCC em novos produtos, através do processo de reciclagem.

  • 2.7.2 Reciclagem de Resíduos da Construção Civil

A reciclagem de resíduos da construção civil consiste no processo de transformação de RCC que envolve a alteração das propriedades físicas e físico-químicas dos mesmos, tornando-os insumos destinados novamente a processos produtivos. Este tipo de destinação para os RCC já vem sendo utilizado em algumas cidades brasileiras, e cada vez mais se apresenta como um material de construção com desempenho satisfatório, principalmente para a realização das atividades citadas abaixo:

Pavimentações: É a forma mais simples de reciclagem de resíduos utilizados como base, sub-base, revestimento primário, na forma de brita corrida ou ainda em mistura do resíduo com solo.

Agregado para concreto: Os resíduos processados pelas usinas de reciclagem podem ser utilizados como agregado para concreto não estrutural, a partir da substituição dos agregados convencionais (areia e brita), como confecção de blocos de concreto e mobiliário urbano, conforme figuras 1 e 2.

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29 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 1 – Confecção de blocos de concreto
Figura 1 – Confecção de blocos de concreto com agregados reciclados. Fonte: Lima, 2009.
Figura 1 – Confecção de blocos de concreto com agregados reciclados.
Fonte: Lima, 2009.
29 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 1 – Confecção de blocos de concreto

Figura 2 – Confecção de mobiliário urbano com agregados reciclados de concreto.

Fonte: Lima, 2009.

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Agregado para confecção de argamassa: Após processado por equipamentos denominados britadores, que moem o entulho na própria obra, em granulometrias semelhantes as da areia, ele pode ser utilizado como agregado para argamassas de assentamento e revestimento.

Existem ainda, outros usos para os resíduos reciclados da construção civil, como:

cascalhamento de estradas, preenchimento de vazios em construções, preenchimento de valas de instalações e reforços de aterros (gabiões).

30 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) • Agregado para confecção de argamassa: Após processado

Conforme Lima (2009), algumas prefeituras como Belo Horizonte, estão implantando locais apropriados para receber os RCC, locais conhecidos como usinas para reciclagem de entulhos. Estes locais são constituídas basicamente por um espaço para deposição do resíduo, uma linha de separação, um britador que processa o resíduo na granulometria desejada e um local de armazenamento, onde o entulho já processado aguarda para ser utilizado, conforme figura 3.

30 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) • Agregado para confecção de argamassa: Após processado

Figura 3 – Usina de reciclagem de Belo Horizonte.

Fonte: Fundação Educacional e Cultura de Belo Horizonte, (www.metro.org.br/sebastiao/entulho) acessado em

27/09/2010.

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É importante ressaltar que a aceitação, além da participação da população, na procura por materiais produzidos a partir de resíduos ou de matérias-primas secundárias, pode ser propulsor na aplicação deste ramo da indústria da construção civil, o da reutilização e reciclagem, considerando que a indústria da construção civil apresenta-se, dentro deste contexto, como um grande potencial para reutilizar e reciclar seus resíduos, devido a viabilidade que apresenta de incorporação desses resíduos nos materiais de construção, possibilitando ainda inúmeros benefícios ao meio ambiente, entre eles:

• Redução nos custos dos produtos da construção; • Preservação dos recursos naturais; • Prolongamento da
Redução nos custos dos produtos da construção;
Preservação dos recursos naturais;
Prolongamento da vida útil das reservas naturais; fauna e flora devido à
diminuição, por exemplo, da extração de matérias de jazida natural de solos e
rochas;
Aumento da vida útil das áreas de destinação final dos RCC;
Além de ser, sem dúvida, a melhor alternativa para destinação correta dos
RCC.
Aterro de Resíduos da Construção Civil

2.7.3

Aterro de resíduos da construção civil é uma área destinada a disposição final dos RCC gerados. Este aterro pode funcionar para recebimento de pequenas quantidades de resíduo, apenas para nivelamento de terreno (terraplenagem) ou como área para recebimento de resíduos inerteis.

O aterro de resíduos inerteis, assim como a terraplenagem são áreas onde são empregadas técnicas de disposição de RCC Classe A, ou seja, resíduos inertes. Estas alternativas visam apenas a estocagem de material segregado, de forma a possibilitar o uso futuro da área. Neste local também são empregados princípios de engenharia para confiná-los ao menor volume possível, de maneira a não causar danos à Saúde Pública, e ao Meio Ambiente.

Logo, os resíduos devem receber outro forma de destinação, onde cabe ao gerador obter informações junto ao fabricante.

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3 METODOLOGIA

  • 3.1 Proposta de Trabalho

O estudo foi realizado no município de Lajeado, localizado em uma região estratégica, do Vale do Taquari, no Estado do Rio Grande do Sul, com uma população de aproximadamente 68 mil habitantes, conforme dados da Prefeitura Municipal de Lajeado.

32 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 3 METODOLOGIA 3.1 Proposta de Trabalho O estudo

O diagnóstico dos RCC recolhidos por caçambas de tele-entulho no município de Lajeado foi desenvolvido em três etapas, a primeira delas, foi a busca de informações na Secretaria do Meio Ambiente do Municipal de Lajeado e as legislações vigentes, sendo assim possível realizar a identificação dos geradores de RCC, os prestadores de serviço/transportadores de RCC, a área destinada no município para deposição destes resíduos e a responsabilidade do Poder Público no gerenciamento dos RCC.

Os prestadores de serviços também foram identificados nas ruas da cidade, através das caçambas basculantes estacionárias identificadas com a logo-marca da Empresa.

Ainda nesta etapa, foi realizado o levantamento de dados referentes à quantidade de empresas (prestadoras de serviço/transportadoras), que possuem Licença Ambiental para realizar o armazenamento de RCC em caçambas basculantes estacionárias e transportá-las com resíduo no território municipal. Além de obter informações sobre a quantidade de áreas licenciadas no município para o recebimento deste tipo de resíduo e a existência ou não de locais de recebimento irregular dos RCC.

Finalizando a primeira etapa, foi verificado que o município de Lajeado não está enquadrado na Resolução 307 do CONAMA e Resolução do CONSEMA 109, ou seja, não elaborou e implantou o Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, previsto pelas Resoluções.

Na segunda etapa foi realizada a caracterização e classificação dos resíduos conforme previsto na Resolução 307 do CONAMA e Resolução do CONSEMA 109. Para isto foram analisados 20% das cargas geradas em um mês no município de Lajeado, o que corresponde a 70 cargas analisadas, conforme informações das empresas de tele-entulho.

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As caçambas analisadas foram escolhidas de maneira aleatória dentro do município, onde foi tomado o cuidado para escolher caçambas que estão vazias, ou seja, que foi locada a recentemente da obras, e que não havia recebido nenhum tipo de material. Desta maneira, com a escolha de caçambas vazias, facilitaria as analises e o acompanhamento da deposição do material para caracterização.

Para a realização da caracterização e classificação dos RCC depositados em cada uma das caçambas de tele-entulho analisadas, foi realizado contato com o chefe da obra onde se encontra locada a caçamba, para obter maiores informações sobre o tipo de obra civil que estava sendo executada, e quais seriam os principais resíduos gerados durante a execução dos trabalhos. Além disso, foi realizado um acompanhamento de cada obra e o preenchimento da caçamba de tele-entulho, o que possibilitou uma análise mais eficiente dos resíduos depositados em cada uma das caçambas analisadas, obtendo o percentual real de cada tipo de resíduo sólido da construção civil presente nas caçambas de tele-entulhos.

Tabela 2 - Modelo de ficha para caracterização do tipo de resíduo.
Tabela 2 - Modelo de ficha para caracterização do tipo de resíduo.

Juntamente com o acompanhamento das obras e o preenchimento das caçambas de tele-entulho foi realizado acompanhamento fotográfico, com objetivo de facilitar no processo de caracterização e classificação dos RCC gerados no município de Lajeado.

Para isso, foram desenvolvidas fichas para auxiliar a caracterização e classificação, e obter maior detalhamento nas análises, onde consta a empresa que realizar o serviço, a localização da caçamba e a data da coleta dos dados. Além disso, os RCC encontrados nas caçambas foram classificados em: demolições e reforma, obras residenciais (construções horizontais), prédios em construção (construções verticais) e outras obras, conforme tabela 2.

FICHA DE IDENTIFICAÇÃO DE ENTULHO

Empresa:

Endereço:

Data:

Identificação do Local

a - Demolição e Reforma b - Obras Residenciais

 
  • c - Prédios em Construção

  • d – Outras

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Após a classificação dos resíduos entre as quatro Classes acima, estes ainda foram classificados e quantificados através da utilização de percentual de cada tipo de resíduo presente em cada caçamba basculante estacionária analisada, conforme tabela 3.

34 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Após a classificação dos resíduos entre as quatro

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Tabela 3- Modelo de ficha para classificação e caracterização dos RCC.

Classificação (Resolução 307 Resíduo Percentual (%) Volume (m³) CONAMA) Areia Argamassa Brita Carpete Cerâmica Concreto Gesso
Classificação
(Resolução 307
Resíduo
Percentual (%)
Volume (m³)
CONAMA)
Areia
Argamassa
Brita
Carpete
Cerâmica
Concreto
Gesso
Isopor
Lâmpadas
Louças
Madeira
Manta Asfáltica
Material elétrico
Material orgânico *
Metais
Óleos e graxas
Papel e papelão **
Plásticos
PVC
Rolos e pincel ***
Solos (rochas)
Solos (terra)
Tecido
Telhas
Tijolos
Tintas
Vidros
A
A
A
B
A
A
C
-
-
A
B
C
B
-
B
D
B
B
B
D
A
A
-
A
A
D
B
*Material orgânico compreende resíduo orgânico doméstico e resíduo verde (oriundo de podas de árvores e arbustos).
**Papel e papelão contaminados com argamassa.
***Rolos e pinceis contaminados por tintas e/ou solventes.

Na tabela 3 os resíduos como isopor, material orgânico e tecido, não recebem classificação conforme Resolução 307 CONAMA (A, B, C, D), pois não se tratam de resíduos da construção civil.

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Além disso, não foi considerada a possibilidade de contaminação do resíduo com óleos de maquinário utilizado na construção civil e restos de pintura em tijolos e argamassas, devido a necessidade de análises mais específicas.

Após a classificação e caracterização dos RCC com a utilização das tabelas acima, os RCC puderem ser classificados de acordo com a Resolução CONAMA 307 e Resolução do CONSEMA 109, em suas classes A, B, C e D, conforme tabela 4.

Tabela 4- Modelo de tabela para classificação dos RCC conforme Resolução CONAMA 307 e Resolução do
Tabela 4- Modelo de tabela para classificação dos RCC conforme Resolução CONAMA 307 e
Resolução do CONSEMA 109, no município de Lajeado, nos meses de pesquisa.
Classe de
Resíduos
Percentual
Classe A
Classe B
Classe C
Classe D
Total
Finalmente, pode-se concluir o diagnóstico da situação atual dos RCC no município de
Lajeado.
A terceira etapa do trabalho consistiu em propor a melhor alternativa para a disposição
final para dos RCC gerados e recolhidos por empresa de tele-entulho no município de
Lajeado, com base nos dados obtidos na caracterização e classificação dos mesmos.

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  • 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Abaixo serão apresentados os resultados obtidos durante o desenvolvimento do projeto e do trabalho de conclusão do curso de Engenharia Ambiental e suas discussões.

Gerador do Resíduo Prestador de Serviço/Transportador
Gerador do Resíduo
Prestador de Serviço/Transportador
  • 4.1 Identificação dos envolvidos na geração de Resíduos da Construção Civil e suas

responsabilidades

4.1.1

No município de Lajeado, os geradores de RCC, podem ser representados por pessoas físicas, em obras particulares de pequeno e médio porte, e ainda por pessoas jurídicas, como construtoras e incorporadoras.

Conforme previsto nas Resoluções, os geradores seriam responsáveis desde a geração do resíduo até a destinação final do mesmo, através da adoção de métodos, técnicas e processos de manejos compatíveis com a destinação corretas no meio ambiente. Que visem também atender as demandas sanitárias e econômicas locais.

4.1.2

No município de Lajeado, os prestadores de serviços/transportadores são representados por empresas de tele-entulho, que em sua maioria utilizam coletores com capacidade de 3 a 5 m³ por carga, operados por veículo dotado de poliguindaste e caçambas basculantes estacionárias, conforme figura 4. Esta atividade é regulamentada pela Lei Municipal nº 6.039, referente ao transporte, e posicionamento das caçambas de RCC no município de Lajeado.

Estas empresas privadas realizam o recolhimento dos RCC gerados no Município e realizam o transporte dos RCC até uma área de disposição final, na maioria das vezes áreas irregulares.

38

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38 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Conforme dados nas empresas X, Y, Z atualmente
Conforme dados nas empresas X, Y, Z atualmente são geradas
Conforme dados nas empresas X,
Y,
Z atualmente são
geradas

Figura 4 – Veículo dotado de poliguindaste, realizando o carregamento de caçamba basculante estacionária, para posterior deposição de RCC.

O município conta com diversas empresas que realizam este tipo de atividade, sendo que duas empresas destacam-se e são responsáveis pela maior parte do recolhimento e transporte dos RCC gerados no município, já as demais empresas recolhem quantidades relativamente menores.

Portanto, para o desenvolvimento deste trabalho, será mantido o sigilo das empresas, onde estas serão chamadas de: Empresa X, Empresa Y, Empresa Z.

município

no

aproximadamente 350 cargas mensais, que varias de 3 m³ até 5 m³ por carga.

Onde:

Empresa X é responsável pelo recolhimento de 130 cargas mensais;

Empresa Y é responsável pelo recolhimento de 120 cargas mensais;

Empresa Z é responsável pelo recolhimento de 100 cargas mensais.

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É importante ressaltar que este tipo de atividade não possui Licença Ambiental emitida pelo Órgão Municipal competente, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, devido à dificuldade de enquadramento da atividade conforme a Resolução CONSEMA 102 de 24 de maio de 2005, que dispõe sobre a competência do Licenciamento Municipal de atividades e empreendimentos com Impacto Ambiental Local.

Sendo assim, conforme Resoluções do CONAMA e CONSEMA seria de responsabilidade do prestador de serviço/transportador, cumprir e fazer cumprir as determinações que disciplinam os procedimentos e operações de processos de gerenciamento de resíduos sólidos e de resíduos de obras civis.

4.1.3

Cedente da Área para o Recebimento de Resíduos Inertes
Cedente da Área para o Recebimento de Resíduos Inertes

É responsabilidade do cedente da área cumprir e fazer cumprir as determinações e normativas que disciplinam os procedimentos e operações de aterros de resíduos inertes, em especial, o seu controle ambiental.

No município de Lajeado, o cedente da área pode ser representado por pessoas físicas, que solicitam a deposição de RCC para a realização de aterros/terraplenagem (nivelamento de terreno), ou ainda a própria prefeitura municipal, através da disponibilização de área para deposição de RCC. O município atualmente, não disponibiliza área licenciada pelo Órgão Ambiental competente para o recebimento de RCC, e sim área licenciada para a deposição de resíduos verdes.

Em maio de 2010, foi levantada pelo Jornal A Hora dos Vales, a existência de um lixão clandestino no Bairro Jardim do Centro, onde havia um grande volume de resíduos orgânicos e resíduos de construção civil, na área que esta reservada para deposição de restos de plantas e árvores cortadas pela Prefeitura, conforme reportagem em anexo 1, ficando evidente a deposição dos RCC nesta área.

Sendo assim, uma fração significativa de RCC gerado no município não recebe a disposição final correta, em áreas adequadas. O que fica evidente pela existência de inúmeros pontos críticos em vias e logradouros públicos que sofrem pela sistemática deposição irregular de RCC, o que comprometem a paisagem urbana (poluição visual), o tráfego de pedestres e de veículos, a drenagem urbana, o risco de contaminação do solo e recursos

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hídricos pelos resíduos não inertes perigosos. Além da possibilidade de multiplicação de vetores causadores de doenças e outros efeitos, tornando-se assim também um problema de Saúde Pública.

  • 4.1.4 Poder Público

É de responsabilidade do Poder Público normatizar, orientar e fiscalizar a conformidade da execução dos processos de gerenciamento do Plano Integrado de Resíduos da Construção Civil. É também de responsabilidade do poder público disponibilizar estruturas como áreas de recebimento, centrais de triagem, armazenamento temporário de pequenos volumes de RCC (Resolução CONAMA 307 e Resolução do CONSEMA109).

Geração de Resíduos da Construção Civil no Município
Geração de Resíduos da Construção Civil no Município

O município de Lajeado não apresenta legislação específica para o gerenciamento dos RCC, e também não está enquadrado na Resolução do CONAMA 307, pela qual os municípios deveriam elaborar, implementar e coordenar a destinação dos RCC, através de um Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, com data prevista para a implantação até Julho de 2004.

Portanto, como o Poder Público do município de Lajeado não elaborou e não implantou o Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, tanto geradores, quanto os prestadores de serviço e os cedentes da área, ficam sem normas a serem cumpridas e muito menos fiscalizadas.

4.2

Considerando-se que o número de caçambas de tele-entulho geradas mensalmente no município de Lajeado é de 350 caçambas/mês e o volume médio das caçambas de 4m³, obtém-se um volume médio de 1.400 m³/mês em RCC, que equivale a 47 m³/dia, aproximadamente 11 caçambas/dia.

Conforme Junior (2007) adotou-se uma massa específica para os RCC de 1.200 kg/m³ obtém-se uma geração de 1.680 t/mês ou 56 t/dia no município de Lajeado. Considerando que a população do município é de aproximadamente 68.000 habitantes, estima-se uma geração per capta de 0,82 kg/hab.dia ou aproximadamente 300 kg/hab.ano. Sendo assim, verifica-se que o valor de 300 kg/hab.ano encontrado está na faixa de valores de 230-760 kg/hab.ano relatados por John (2004).

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Logo, quantidade de resíduo gerado durante um mês em Lajeado, 1.680 t, é bastante pequena quando comparada a quantidade gerada pela capital do Estado, Porto Alegre, 58.000 t/mês, que tem uma população em torno de 1.300.000 habitantes.

4.3 Caracterização

e

classificação

dos

Resíduos

da

Construção

Civil

gerados

no

Município de Lajeado

De acordo com a metodologia descrita acima, foram analisadas 70 caçambas de tele- entulho, o equivalente a 20% dos RCC gerados em um mês no município de Lajeado. Estas caçambas foram divididas em quatro classes conforme o tipo de obra, aquelas oriundas de demolição e reforma, de obras residenciais, de prédios em construção, além de outras obras civis.

Outras Obras1; 9% Prédios em Construção; 10% Obras Residenciais; 16% Demolição e Reforma; 65%
Outras Obras1; 9%
Prédios em
Construção; 10%
Obras Residenciais;
16%
Demolição e
Reforma; 65%

Dentre as 70 cargas analisadas, o percentual mais expressivo foi das obras de demolição e reformas, 46 cargas, totalizando 65%, seguido das obras residenciais e de prédios em construção que juntas totalizaram 18 cargas, equivalente a 26% dos resíduos analisados, e

as demais obras civis correspondem a 6 cargas, 9% do total dos resíduos, conforme ilustração

2.

Ilustração 2 – Percentual representado nas analises por classe.

Na tabela 5, são apresentados os totais de caçambas analisadas por empresa, onde se pode observar a dominância absoluta da empresa X, responsável pelo carregamento de 36

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caçambas, o equivalente a 52% no material analisado, as empresas Y e Z se igualam, e são responsável por 17 caçambas cada empresa, totalizando cada empresa 24% dos resíduos analisados.

Tabela 5 – Dados referente ao total de cargas coletadas pelas empresas X, Y, Z em Lajeado.

Empresa X Y Z Tipo de Resíduo Total Nº Cargas Nº Cargas Nº Cargas a- Demolições
Empresa
X
Y
Z
Tipo de Resíduo
Total
Nº Cargas
Nº Cargas
Nº Cargas
a- Demolições e Reformas
b- Obras Residenciais
c - Prédios em Construção
d – Outros
Total
27
10
9
46
3
5
3
11
2
2
3
7
4
0
2
6
36 17
17 70
Demolição e Reforma

Após a realização da análise mostrada acima, os RCC foram caracterizados e classificados detalhadamente em cada uma das classes já descritas, como pode ser visto a seguir.

4.3.1

Nesta classe foram analisadas 46 caçambas de RCC, totalizando 65% das caçambas. As informações dos resíduos encontrados neste grupo estão demonstradas na tabela 6, onde consta o tipo de resíduos encontrados, o percentual, bem como a classificação de acordo com a Resolução 307 do CONAMA.

Nessas caçambas foi constatada uma variedade muito grande de resíduos como tijolos, concretos, argamassa, solos (terra), cerâmica, gesso, madeira, material orgânico, entre outros. A maior parte dos resíduos foi classificada, de acordo com a Resolução 307 do CONAMA, como resíduos Classe A, com percentuais próximos de 71,29%, seguido os resíduos Classe B com aproximadamente 11,48%, 6,98% de resíduo Classe C e um percentual muito pequeno de resíduo Classe D, 2,11%.

Além dos resíduos Classe A, B, C e D, conforme Resolução 307 do CONAMA, neste grupo foi encontrado um percentual significativo de matéria orgânica, 8,14%, material estes que não se enquadra nesta Resolução, portanto não deveriam ser encontrados nas caçambas de tele-entulho, e sim ser encaminhados a Coleta Seletiva do município.

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Tabela 6 - Classificação e caracterização dos resíduos provenientes das demolições e reformas em Lajeado.

Classificação (Resolução 307 Resíduo Percentual (%) Volume (m³) CONAMA) Areia Argamassa Brita Carpete Cerâmica Concreto Gesso
Classificação
(Resolução 307
Resíduo
Percentual (%)
Volume (m³)
CONAMA)
Areia
Argamassa
Brita
Carpete
Cerâmica
Concreto
Gesso
Isopor
Lâmpadas
Louças
Madeira
Manta Asfáltica
Material elétrico
Material orgânico *
Metais
Óleos e graxas
Papel e papelão **
Plásticos
PVC
Rolos e pincel ***
Solos (rochas)
Solos (terra)
Tecido
Telhas
Tijolos
Tintas
Vidros
2,78
5,12
A
11,26
20,72
A
0,00
0,00
A
0,13
0,24
B
7,72
14,20
A
16,41
30,19
A
6,98
12,84
C
0,17
0,31
-
0,04
0,07
-
0,76
1,40
A
3,70
6,81
B
0,00
0,00
C
0,22
0,40
B
7,76
14,28
-
0,54
0,99
B
0,11
0,20
D
2,80
5,15
B
3,50
6,44
B
0,26
0,48
B
0,00
0,00
D
0,00
0,00
A
9,59
17,65
A
0,17
0,31
-
0,43
0,79
A
22,34
41,11
A
2,00
3,68
D
0,33
0,61
B

*Material orgânico compreende resíduo orgânico doméstico e resíduo verde (oriundo de podas de árvores e arbustos). **Papel e papelão contaminados com argamassa. ***Rolos e pinceis contaminados por tintas e/ou solventes.

Ainda neste grupo, observam-se a inexistência de resíduos como brita, manta asfáltica, rolos e pinceis, solos (rochas). Todas as informações acima citadas podem ser analisadas com maior detalhamento na ilustração 3.

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Tijolos Concreto Argamassa Solos (terra) Material orgânico Cerâmica Gesso Outros * Madeira Plásticos Papel e papelão
Tijolos
Concreto
Argamassa
Solos (terra)
Material orgânico
Cerâmica
Gesso
Outros *
Madeira
Plásticos
Papel e papelão
Areia
Tintas
22,34%
16,46%
11,26%
9,59%
7,76%
7,72%
6,98%
3,16%
3,70%
3,50%
2,80%
2,78%
2,00%
* Resíduos que individualmente não atingiram um percentual de 1% (brita, carpete, isopor, louças, manta
asfaltica, material elétrico, metais, óleos e graxas, PVC, rolos e pinceis, solos (rochas), tecidos, telhas, vidro,
lâmpadas).
Ilustração 3 - Caracterização e classificação dos resíduos provenientes de demolição e reformas.
Neste grupo encontra-se um percentual bastante elevado de tijolos, concreto e
argamassa, que totalizam aproximadamente 50% do material gerado, justamente por se tratar
de demolição e reforma, onde consequentemente estes são os materiais mais descartados.
Além disso, também se encontrou um percentual significativo de cerâmicas e gesso,
devido as modernizações realizadas durante as reformas. Ficando claro que não existe uma
gestão de obra eficiente, que evite os desperdícios de materiais, uma vez que todos estes
apresentam custos ao proprietário da obra.
  • 4.3.2 Obras Residenciais

As caçambas de tele-entulho procedentes de obras residenciais, ou seja, construções horizontais totalizaram 11 cargas, correspondente a 16% das caçambas analisadas. As informações obtidas durante as análises estão demonstradas na tabela 7, onde constam informações dos resíduos encontrados, o percentual, bem como a classificação de acordo com a Resolução 307 do CONAMA.

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Tabela 7 - Classificação e caracterização dos resíduos provenientes de obras residenciais em Lajeado.

Classificação Volume (Resolução 307 Resíduo Percentual (m³) CONAMA) Areia Argamassa Brita Carpete Cerâmica Concreto Gesso Isopor
Classificação
Volume
(Resolução 307
Resíduo
Percentual
(m³)
CONAMA)
Areia
Argamassa
Brita
Carpete
Cerâmica
Concreto
Gesso
Isopor
Lâmpadas
Louças
Madeira
Manta Asfáltica
Material elétrico
Material orgânico *
Metais
Óleos e graxas
Papel e papelão **
Plásticos
PVC
Rolos e pincel ***
Solos (rochas)
Solos (terra)
Tecido
Telhas
Tijolos
Tintas
Vidros
11,36
5,00
A
11,36
5,00
A
0,82
0,36
A
0,00
0,00
B
6,36
2,80
A
10,00
4,40
A
0,00
0,00
C
0,27
0,12
-
0,00
0,00
-
0,00
0,00
A
3,82
1,68
B
0,00
0,00
C
0,00
0,00
B
4,64
2,04
-
0,91
0,40
B
0,00
0,00
D
3,27
1,44
B
4,34
1,91
B
0,18
0,08
B
0,09
0,04
D
0,00
0,00
A
29,00
12,76
A
0,00
0,00
-
0,00
0,00
A
9,09
4,00
A
4,49
1,98
D
0,00
0,00
B

*Material orgânico compreende resíduo orgânico doméstico e resíduo verde (oriundo de podas de árvores e arbustos). **Papel e papelão contaminados com argamassa. ***Rolos e pinceis contaminados por tintas e/ou solventes.

Nas caçambas desta classe, os resíduos como solos (terra), areia, argamassa, concreto e tijolos em conjunto chegam a aproximadamente 70%, mas o destaque maior fica por conta dos solos (terra) que corresponde sozinho a 29% dos resíduos analisados.

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Analisando os resíduos deste grupo pela classificação do CONAMA, os resíduos da Classe A tiveram a maior representatividade, com 77,99%. Os resíduos da classe B representam 12,52% dos resíduos, onde os percentuais de cada resíduo ficam em média de 3 a 4%, como é o caso dos papeis, plásticos e madeira. Os resíduos da Classe D totalizam 4,58% dos resíduos e são representados pelas tintas, óleos e graxas.

Neste grupo não foi encontrado nenhum percentual de resíduos da Classe C, tais como manta asfáltica e gesso. Porém, assim como na classe anterior o percentual de material orgânico também apresenta-se de maneira significativa, totalizando 4,91%. E os demais resíduos como brita, carpete, isopor, louças, metais, PVC, rolos e pinceis, solos (rochas), tecido, vidro, lâmpada que individualmente não atingiram 1%, foram demonstrados na ilustração 4, como outros resíduos.

Solos (terra) 29,00% Areia 11,36% Argamassa 11,36% Concreto 10,00% Tijolos 9,09% Cerâmica 6,36% Tintas 4,49% Material
Solos (terra)
29,00%
Areia
11,36%
Argamassa
11,36%
Concreto
10,00%
Tijolos
9,09%
Cerâmica
6,36%
Tintas
4,49%
Material orgânico
4,64%
Plásticos
4,34%
Madeira
3,82%
Papel e papelão
3,27%
Outros
2,26%

Ilustração 4 - Caracterização e classificação dos resíduos provenientes de obras residenciais.

Neste grupo foi encontrado um percentual bastante significativo de solos (terra) devido a grande quantidade de implantação de fossas sépticas e piscinas, obras que necessitam de escavações. Além disso, neste grupo também ocorre muito desperdício elevado de materiais Classe A, principalmente areia, argamassa, concreto e tijolos, devido má gestão da obra.

47

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  • 4.3.3 Prédios em Construção

As caçambas de tele-entulho procedentes de prédios em construção, ou seja, construções verticais totalizaram 7 cargas, correspondente a 10% das caçambas analisadas. Informações estas que estão demonstradas na tabela 8, onde constam os resíduos encontrados, o percentual de cada resíduo, bem como a classificação de acordo com a Resolução 307 do CONAMA.

47 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) 4.3.3 Prédios em Construção As caçambas de tele-entulho

Entre o material encontrado neste grupo, destacam-se os resíduos de Classe A, totalizando 81,01%, e representados principalmente por solos (terra), concreto, tijolos, argamassas e cerâmicas.

Dando continuidade as análises, observa-se que o percentual das demais classes foi muito pequeno, sendo encontrado 9% de resíduos Classe B, aqueles que são considerados recicláveis para outros fins, como papel e papelão, PVC, vidros e outros. Além de, apenas 2,14% de resíduos da Classe C, gesso, e 3% de resíduo contaminado, Classe D.

Neste grupo também foi encontrado um percentual de material orgânico, o equivalente a 4,85%, resíduo este que pode vir a causar prejuízos ao Meio Ambiente, além de proporcionar a proliferação de micro e macro vetores, agentes transmissores de doenças.

Neste grupo foram analisadas somente 7 cargas, pois na maioria das vezes a execução de obra de novos prédios é realizada por grandes construtoras, que realizam a segregação dos seus RCC dentro da própria obras, não utilizando os serviços de tele-entulho terceirizado. Logo, o material segregado por estas empresas não foi considerado na realização deste trabalho.

48

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Tabela 8 - Classificação e caracterização dos resíduos provenientes de prédios em construção em Lajeado.

Classificação Percentual Volume (Resolução 307 Resíduo (%) (m³) CONAMA) Areia Argamassa Brita Carpete Cerâmica Concreto Gesso
Classificação
Percentual
Volume
(Resolução 307
Resíduo
(%)
(m³)
CONAMA)
Areia
Argamassa
Brita
Carpete
Cerâmica
Concreto
Gesso
Isopor
Lâmpadas
Louças
Madeira
Manta Asfáltica
Material elétrico
Material orgânico *
Metais
Óleos e graxas
Papel e papelão **
Plásticos
PVC
Rolos e pincel ***
Solos (rochas)
Solos (terra)
Tecido
Telhas
Tijolos
Tintas
Vidros
0,29
0,08
A
12,14
3,40
A
2,14
0,60
A
0,00
0,00
B
6,43
1,80
A
18,57
5,20
A
2,14
0,60
C
0,00
0,00
-
0,14
0,04
-
0,00
0,00
A
2,86
0,80
B
0,00
0,00
C
0,43
0,12
B
4,71
1,32
-
1,71
0,48
B
0,71
0,20
D
1,43
0,40
B
0,71
0,20
B
0,86
0,24
B
0,00
0,00
D
0,00
0,00
A
27,15
7,60
A
0,00
0,00
-
0,00
0,00
A
14,29
4,00
A
2,29
0,64
D
1,00
0,28
B

*Material orgânico compreende resíduo orgânico doméstico e resíduo verde (oriundo de podas de árvores e arbustos). **Papel e papelão contaminados com argamassa. ***Rolos e pinceis contaminados por tintas e/ou solventes.

Nestas análises não foi encontrado nenhum percentual de carpete, isopor, louças, manta asfáltica, rolos e pinceis, solos (rochas), tecidos e telhas. E para facilitar o entendimento, os demais resíduos da tabela 9, tais como areia, material elétrico, óleos e graxas, plásticos, PVC e lâmpadas, que individualmente não atingiram 1% foram demonstrados na ilustração 5 como outros resíduos.

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Solos (terra) Concreto Tijolos Argamassa Cerâmica Material orgânico Outros Madeira Tintas Gesso Brita Metais Papel e
Solos (terra)
Concreto
Tijolos
Argamassa
Cerâmica
Material orgânico
Outros
Madeira
Tintas
Gesso
Brita
Metais
Papel e papelão
Vidros
27,15%
18,57%
14,29%
12,14%
6,43%
4,71%
3,14%
2,86%
2,29%
2,14%
2,14%
1,71%
1,43%
1,00%
Ilustração 5 - Caracterização e classificação dos resíduos provenientes de prédios em construção.
Outras Obras Civis

Nesta classe, assim como nas demais, os materiais como concreto, tijolos, argamassa e cerâmica apresentam um percentual significativo de destarte, podendo concluir que este tipo de resíduo é gerado independente do tipo de obra devido a ineficiência de alguns processos construtivos e má gestão da obra.

4.3.4

Neste são consideradas as caçambas de tele-entulho que não se enquadram nas classes acima, por não se tratar nem de reforma, demolições, obras residências e nem construções de prédios. Estas caçambas totalizaram 6 cargas, correspondente a 9% das caçambas analisadas, informações estas demonstrados na tabela 9, onde consta os resíduos encontrados, o percentual, bem como a classificação de acordo com a Resolução 307 do CONAMA.

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Tabela 9 - Classificação e caracterização dos resíduos provenientes de outras obras civis em Lajeado.

 

Classificação

 

Volume

(Resolução 307

Resíduo

Percentual (%)

(m³)

CONAMA)

Areia Argamassa Brita Carpete Cerâmica Concreto Gesso Isopor Lâmpadas Louças Madeira Manta Asfáltica Material elétrico Material orgânico * Metais Óleos e graxas Papel e papelão ** Plásticos PVC Rolos e pincel *** Solos (rochas) Solos (terra) Tecido Telhas Tijolos Tintas Vidros

47,00 11,28 A 2,60 0,62 A 0,00 0,00 A 0,00 0,00 B 6,69 1,61 A 0,00
47,00
11,28
A
2,60
0,62
A
0,00
0,00
A
0,00
0,00
B
6,69
1,61
A
0,00
0,00
A
0,00
0,00
C
0,00
0,00
-
0,00
0,00
-
0,00
0,00
A
1,67
0,40
B
0,00
0,00
C
0,00
0,00
B
2,50
0,60
-
1,70
0,41
B
0,00
0,00
D
1,67
0,40
B
2,50
0,60
B
0,00
0,00
B
0,00
0,00
D
0,00
0,00
A
33,67
8,08
A
0,00
0,00
-
0,00
0,00
A
0,00
0,00
A
0,00
0,00
D
0,00
0,00
B

*Material orgânico compreende resíduo orgânico doméstico e resíduo verde (oriundo de podas de árvores e arbustos). **Papel e papelão contaminados com argamassa. ***Rolos e pinceis contaminados por tintas e/ou solventes.

Nas análises deste grupo novamente os resíduos Classe de A tiveram maior percentual e se destacaram, sendo responsáveis por 89,96% dos resíduos deste grupo, compostos principalmente por areia, solos (terra), cerâmicas e argamassa. Já os resíduos Classe B totalizaram 7,54% do material, representado por papel e papelão, plásticos, metais e madeira.

51

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Já os materiais Classe C e D não foram detectados neste grupo. Porém 2,5% do material analisado é representado por material orgânico, o qual não deveria ser encontrado nestas análises, por não se tratar de RCC, conforme ilustração 6.

Não foi encontrado neste grupo, nenhum percentual de brita, carpete, gesso, concreto, isopor, louças, manta asfáltica, material elétrico, PVC, rolos e pinceis, solos (rochas), tecidos, telhas, tijolos, tintas, vidros e lâmpadas.

Areia Solos (terra) Cerâmica Argamassa Material orgânico Plásticos Metais Papel e papelão Madeira 47,00% 33,67% 6,69%
Areia
Solos (terra)
Cerâmica
Argamassa
Material orgânico
Plásticos
Metais
Papel e papelão
Madeira
47,00%
33,67%
6,69%
2,60%
2,50%
2,50%
1,70%
1,67%
1,67%
Ilustração 6 - Caracterização e classificação dos resíduos provenientes de outras obras civis.

Neste grupo foi detectado um percentual elevado de solos (terra) e areia, devido a análise de caçambas de tele-entulho que continham praticamente somente estes resíduos, oriundas de escavações.

Quanto ao percentual de areia encontrado nestas análises, suspeita-se que as empresas do ramo da construção civil estejam usando as caçambas de tele-entulho de maneira inadequada, para colocação de matéria-prima, e não resíduo. Porém, não se descarta a possibilidade do material encontrado nestas caçambas estar contaminado de maneira que não pudesse ser utilizado na obra, e seja considerado resíduo.

  • 4.3.5 Análise Geral – Diagnóstico dos RCC em Lajeado

Após a análise individual de cada classe acima demonstrada é possível realizar um diagnóstico geral das 70 caçambas, além de obter a caracterização e classificação dos RCC gerados no município de Lajeado, conforme tabela 10, onde constam informações dos

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resíduos encontrados, o percentual, bem como a classificação de acordo com a Resolução 307 do CONAMA.

Tabela 10 - Classificação e caracterização dos RCC em Lajeado.

Classificação (Resolução 307 Resíduo Percentual (%) Volume (m³) CONAMA) Areia Argamassa Brita Carpete Cerâmica Concreto Gesso
Classificação
(Resolução 307
Resíduo
Percentual (%)
Volume (m³)
CONAMA)
Areia
Argamassa
Brita
Carpete
Cerâmica
Concreto
Gesso
Isopor
Lâmpadas
Louças
Madeira
Manta Asfáltica
Material elétrico
Material orgânico
Metais
Óleos e graxas
Papel e papelão
Plásticos
PVC
Rolos e pincel
Solos (rochas)
Solos (terra)
Tecido
Telhas
Tijolos
Tintas
Vidros
15,36
10,75
A
9,34
6,54
A
0,74
0,52
A
0,03
0,02
B
6,80
4,76
A
11,25
7,87
A
2,28
1,60
C
0,11
0,08
-
0,05
0,03
-
0,19
0,13
A
3,01
2,11
B
0,00
0,00
C
0,16
0,11
B
4,90
3,43
-
1,22
0,85
B
0,21
0,14
D
2,29
1,60
B
2,76
1,93
B
0,33
0,23
B
0,02
0,02
D
0,00
0,00
A
24,85
17,40
A
0,04
0,03
-
0,11
0,08
A
11,43
8,00
A
2,20
1,54
D
0,33
0,23
B

*Material orgânico compreende resíduo orgânico doméstico e resíduo verde (oriundo de podas de árvores e arbustos). **Papel e papelão contaminados com argamassa. ***Rolos e pinceis contaminados por tintas e/ou solventes.

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Com os dados obtidos é possível perceber o elevado percentual de resíduo da Classe A, aproximadamente 80,06 %, representados principalmente por solos (terra) areia, tijolos, concreto e argamassa. Seguido de 10,13% de resíduos da Classe da B, onde destacam-se a madeira, papel e papelão e os plásticos.

Continuando as análises, os resíduos Classe C representam 2,28% do material analisado e é representado unicamente pelo gesso. Já na Classe D o percentual é de 2,42%, e o resíduo com maior ênfase é a tinta.

Outros; 5,10% Classe D; 2,42% Classe C; 2,28% Classe A; 80,06% Classe B; 10,13%
Outros; 5,10%
Classe D; 2,42%
Classe C; 2,28%
Classe A; 80,06%
Classe B; 10,13%

Além do material acima descrito outros resíduos também foram encontrados, como material orgânico, isopor, lâmpadas e tecidos, representando 5,10% do material analisado. Informações estas contidas na ilustração 7, onde é possível analisar o percentual de cada tipo resíduo encontrado nas 70 cargas conforme a classificação conforme a Resolução 307 do CONAMA.

53 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Com os dados obtidos é possível perceber o

Ilustração 7 - Classificação conforme a Resolução 307 do CONAMA dos RCC no município de Lajeado.

Na ilustração 8 pode ser analisada a caracterização e a classificação geral dos RCC encontrados durante a realização deste trabalho. Deve-se observar a grande quantidade de resíduos como solos (terra), areia, tijolos, resíduos estes gerados em qualquer tipo de obra, além da inexistência de materiais como manta asfáltica e solos (rochas).

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Solos (terra) Areia Tijolos Concreto Argamassa Cerâmica Material orgânico Madeira Plásticos Papel e papelão Gesso Tintas
Solos (terra)
Areia
Tijolos
Concreto
Argamassa
Cerâmica
Material orgânico
Madeira
Plásticos
Papel e papelão
Gesso
Tintas
Metais
Brita
Vidros
PVC
Oléos e graxas
Louças
Material elétrico
Telhas
Isopor
Lâmpadas
Tecido
Carpete
Rolos e pincel
Solos (rochas)
Manta Asfáltica
24,85%
15,36%
11,43%
11,25%
9,36%
6,80%
4,90%
3,01%
2,76%
2,29%
2,28%
2,20%
1,21%
0,74%
0,33%
0,33%
0,21%
0,19%
0,16%
0,11%
0,11%
0,05%
0,04%
0,03%
0,02%
0,00%
0,00%

Ilustração 8 – Caracterização e classificação dos RCC gerados no município de Lajeado.

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Além disso, pode se observar que os lajeadenses estão desperdiçando um percentual elevado de resíduos de alto custo, como argamassa, concreto, cerâmicas, madeira, entre outros, e mais uma vez ressalto que este desperdício é causado pela má gestão dos materiais e dos processos durante a realização da obra civil, além dos erros causados pelo desconhecimento dos trabalhos executados por parte dos operários e chefes de obras, ou seja, falta de mão de obra qualificada.

Continuando as análises dos resultados, estes podem ser comparados aos estudos feitos por Lucena apud Bernardes
Continuando as análises dos resultados, estes podem ser comparados aos estudos feitos
por Lucena apud Bernardes et al. (2008), já apresentados durante o desenvolvimento deste
trabalho. Onde a autora comenta que foram constatados no Brasil que os resíduos de
construção civil são compostos, principalmente, de tijolos, areias e argamassas, resíduos de
concreto, cerâmica, gesso e madeira e seus derivados, conforme tabela
Tabela 11 – Comparativo dos resíduos da construção civil Brasileiro e Lajeadense.
Tipo de Resíduo da
Construção Civil
Resíduos da Construção
Civil Brasileiros
Lucena apud Bernardes et al.
Resíduos encontrados no
Diagnóstico realizado em
Lajeado-RS
(2008)
Tijolos, areia, argamassa
Concreto
Cerâmica
Gesso
Madeira
80%
36,49%
9%
11,25%
3%
6,79%
2%
2,28%
1%
3,01%
A diferença em alguns valores pode ser devido às tecnologias construtivas utilizadas,
além origem dos povos habitantes da região. O gesso, por exemplo, é muito utilizado em
construções em estilo americano e europeu, assim como a madeira é muito utilizada em
construções de estilo americano.

Além das tecnologias construtivas, a relação acima demonstra a diferença nos valores de cerâmica, gesso e madeira. Fato este ligado diretamente ao poder aquisitivo dos Lajeadenses, quando comparada com a média nacional dos brasileiros.

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De uma maneira geral, pode ser observar que grande parte dos RCC gerados é oriundo de perdas e desperdícios durante a realização da obra civil, ou seja, inexistência ou ineficiência da gestão de obra.

4.4 Avaliação do fluxo dos Resíduos da Construção Civil gerados no Município de Lajeado

A qualidade dos trabalhos realizados pelas empresas prestadoras de serviços/transportadoras foi avaliada através de observações in loco do sistema de transporte. Verificou-se que as caçambas de tele-entulho estacionadas nas vias públicas não possuem qualquer tipo cobertura e identificação volumétrica. Além de ser inexistente a indicação de quais os resíduos que tal recipiente pode abrigar e transportar.

56 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) De uma maneira geral, pode ser observar que

Os munícipes, principalmente os que trafegam em vias públicas, utilizam as caçambas estacionadas em logradouros públicos para depósito de outros tipos de resíduos como, por exemplo, resíduo sólido doméstico, conforme mostra a figura 5 e 6.

56 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) De uma maneira geral, pode ser observar que

Figura 5 – Caçamba estacionária basculante com presença de resíduos sólido domésticos.

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57 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 6 – Detalhamento dos resíduos sólidos domésticos
Figura 6 – Detalhamento dos resíduos sólidos domésticos encontrados na caçamba.
Figura 6 – Detalhamento dos resíduos sólidos domésticos encontrados na caçamba.

Tal atitude é tomada por falta de conscientização ambiental dos munícipes, pois toda a cidade é servida de coleta seletiva regular, além do número considerável de lixeiras distribuídas pela cidade.

Este problema é causado principalmente pela falta de informação e conhecimento da atual legislação por parte dos geradores, prestadores de serviço/transportadores e o órgão ambiental municipal. Associado ainda a falta de fiscalização pelo órgão competente, e pela disciplina das empresas de tele-entulho as quais não deveriam transportar caçambas contendo outro tipo de resíduos, além dos RCC.

Outro ponto de destaque é a inexistência de um sistema de triagem, reutilização, reciclagem e infra-estrutura básica para a disposição final dos RCC no município. Nas figuras a seguir são demonstrados alguns dos locais, entre vários identificados durante o desenvolvimento do trabalho, que além de serem utilizados para disposição final de resíduos por empresas prestadoras de serviços/transportadoras, também são utilizados por geradores de pequenos volumes de RCC.

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58 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 7 – Disposição irregular de RCC no
Figura 7 – Disposição irregular de RCC no município de Lajeado.
Figura 7 – Disposição irregular de RCC no município de Lajeado.
58 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 7 – Disposição irregular de RCC no

Figura 8 – Disposição irregular e poluição visual causada pelos RCC no município de Lajeado.

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59 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 9 - Disposição inadequada dos RCC no
Figura 9 - Disposição inadequada dos RCC no município de Lajeado.
Figura 9 - Disposição inadequada dos RCC no município de Lajeado.

Os locais que recebem RCC de maneira incorreta tornam-se locais atrativos para a deposição de outros tipos de resíduos como, resíduos domésticos, resíduos comercial, além de resíduos perigosos como lâmpadas fluorescentes, latas de tintas entre outros. Além desses locais se serem atração de macrovetores, como: cães, gatos, ratos.

Assim como em diversas outras cidades do Vale do Taquari, em Lajeado a deposição irregular de RCC acontece em áreas de acesso a cidade, como trevos e avenidas principais, muitas vezes em áreas nobres da cidade, causando poluição visual e impactos aos ecossistemas locais, conforme figura 10 e 11.

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60 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 10 – Disposição irregular de RCC em
Figura 10 – Disposição irregular de RCC em trevos de acesso a cidade de Lajeado.
Figura 10 – Disposição irregular de RCC em trevos de acesso a cidade de Lajeado.
60 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) Figura 10 – Disposição irregular de RCC em

Figura 11 – Deposição irregular de RCC em área nobre da cidade, degradando o ecossistema existente.

Durante a realização dos trabalhos não foi constatado a disposição dos RCC em mananciais hídricos e em suas APPs.

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4.5 Proposta para gestão e disposição adequada para os Resíduos de Construção Civil

Diante os resultados deste trabalho, pretende-se propor ações para melhorar a gestão dos RCC no município de Lajeado, respeitando as características dos resíduos gerados no município, e as diretrizes da Resolução 307 do CONAMA.

As ações a serem propostas são se suma importância para o gerenciamento dos RCC a curto e médio prazo, uma vez que o município apresenta-se bastante atrasado em relação às diretrizes determinadas pelo CONAMA e com inúmeros impactos ambientais detectados.

•

As ações propostas estão alicerçadas em alterações ligadas a relação existente entre geradores de RCC e as empresas prestadoras de serviços/transportadoras do município, além de adequações nas estruturas das caçambas de tele-entulho e alternativa correta para destinação dos RCC.

Entre as ações propostas para melhorar a relação do gerador e as empresas prestadoras de serviço/transportadora sugere-se as seguintes ações:

Repassar ao contratante dos serviços informações referente às suas responsabilidades como gerador de RCC, ou seja, da sua responsabilidade pela destinação final correta através da adoção de métodos e técnicas que não causem danos ao meio ambiente;

Implantar cartilhas explicativas focadas na separação e deposição correta dos RCC nas caçambas basculantes estacionárias. Cartilhas estas a serem distribuídas aos contratantes, seguida de treinamentos para as empresas e funcionários do ramo da construção civil e demais interessados que utilizam os serviços;

Além das ações já descritas sugere-se a realização de adequações caçambas basculantes estacionárias, entre elas:

simples nas

Implantar sistema de identificação do tipo de resíduo que pode ser acondicionado nas caçambas basculante estacionária. Sugere-se a implantação de adesivo ou pintura, “Somente deposição de Resíduo de Construção Civil”, “Proibido a colocação de lixo orgânico”, entre outras.

62

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Implantar

cobertura

plástica

ou

metálica

nas

caçambas

basculantes

estacionárias, o que evita a exposição dos resíduos as alterações climáticas, além de diminuir os riscos de queda dos RCC durante ao transporte;

Com base na caracterização e classificação dos RCC gerados no município de Lajeado propõe-se a realização e implantação das seguintes ações:

Dos 25 tipos de RCC identificados, os que representaram os maiores percentuais foram os provenientes de solos (terra), tijolos, concreto, argamassa, cerâmica, que somados, chegaram a aproximadamente 79% dos resíduos coletados; classificados como Classe A, remetem à importância da implantação do Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção para o município de Lajeado, pois, na sua totalidade, são passíveis de reaproveitamento e reciclagem, diminuindo as áreas de disposição final e, assim, causando menor impacto ao meio ambiente;

•

Juntamente com a ação acima sugere-se a implantação de uma central de triagem, uma usina de reciclagem, e criação e regularização de área para disposição final para resíduos provenientes de construção civil, aterro de resíduos inerteis, conforme exige a Resolução n 307 do CONAMA.

Ações estas que além de diminuir o impacto ambiental, possibilidade a destinação correta dos resíduos e a utilização dos subprodutos oriundos da reciclagem dentro do município, além da venda dos mesmos a população.

Juntamente com as ações propostas acima, deve-se buscar informações e auxílio com os Órgãos Ambientais para obter o Licenciamento Ambiental da atividade, pois se trata de uma atividade de gerenciamento e processamento de resíduos sólidos, que de um maneira geral apresentam risco ambiental.

Além de todas as ações propostas para a correta gestão dos RCC no município de Lajeado, é necessário o desenvolvimento de ações que divulguem o projeto junto as empresas do ramo da construção civil. Outro pilar para a consolidação do sistema é o estabelecimento de um programa de fiscalização ambiental municipal abrangente, rigoroso, capaz de ampliar e difundir a necessidade do cumprimento aos compromissos legais em realizar a gestão de RCC de maneira sustentável.

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CONCLUSÃO

O município de Lajeado, assim como a maioria dos municípios brasileiros, ainda não realiza o manejo correto dos RCC de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Resolução 307 do CONAMA/109 do CONSEMA. O município possui sistema de transporte eficiente, realizado por empresas privadas, porém não possui um local adequado de disposição final e, além disto, muitos geradores desconhecem ou ignoram a atual legislação.

63 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) CONCLUSÃO O município de Lajeado, assim como a

Durante a realização do trabalho os RCC foram coletados por 03 (três) empresas prestadoras de serviço/transportadoras, empresas conhecidas como empresas de “tele- entulhos”, o equivalente a 1.400 m³/mês, que equivale a 47 m³/dia de resíduos, aproximadamente 11 caçambas/dia. Estimou-se que a geração dos RCC em massa corresponde a 1.680 t/mês ou 56 t/dia. Considerando a população urbana de 68.000 habitantes, verifica-se uma geração per capita de 0,82 kg/hab.dia ou 300 kg/hab.ano.

Sendo que destes 1.400 m³/mês, em torno de 80,06 % dos resíduos correspondem a materiais Classe A, representados por areia, argamassa, concreto, cerâmicas, solos, tijolos entre outros. Já os resíduos recicláveis como papel, papelão, plástico e metais representam 10,13% do material analisado. O percentual de resíduo Classe C foi representado somente pelo gesso, pela inexistência de manta asfáltica no material analisado, totalizando 2,28%. E os resíduos contaminados, Classe D, representaram 2,42%, onde foram encontrados tintas, óleos e graxas.

Além dos resíduos classificados pela Resolução CONAMA 307, foi encontrado um percentual de 5,10% de outros materiais, onde o material orgânico, resíduo doméstico, representada 4,90% do material, e o restante são tecidos, isopor e lâmpadas.

Desta maneira, observa-se o grande percentual de resíduos passíveis de reciclagem, reforçando assim a necessidade de implantação de um sistema de gestão de Resíduos da Construção Civil, que contemple Plano de Gerenciamento de resíduos da Construção Civil, com estrutura para recebimento, armazenamento e triagem destes resíduos, além de uma usina de reciclagem.

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Todo e qualquer sistema de gestão de resíduos da construção civil, somente alcançará os seus objetivos de redução, reutilização e reciclagem, se o município criar um sistema de controle eficiente e, principalmente, em conjunto com um sistema de fiscalização ambiental.

Sendo assim, a indústria da construção civil deve enfrentar os grandes desafios do momento, como a
Sendo assim, a indústria da construção civil deve enfrentar os grandes desafios do
momento, como a diminuição do déficit habitacional, a criação e o melhoramento da infra-
estrutura de transporte, saneamento e energia, porém sem esquecer os problemas ambientais
causados por essa demanda. De maneira que as soluções dos problemas ambientais façam
parte da rotina das empresas, e do gerenciamento das obras pelos engenheiros e operários.
Isso deve ocorrer, não só com o intuito de proporcionar uma melhor qualidade de vida atual,
mas também, proporcionar às futuras gerações, um meio ambiente ecologicamente
equilibrado.
Sugestões para futuros trabalhos
Estabelecer número de caçambas por regiões (bairro) da cidade;
Realizar parceria com as empresas de tele-entulho, para preenchimento das fichas na
obra;
Utilizar balanças, para obter informações de quantidade de resíduo em quilogramas ou
toneladas;
Realizar análises e estabelecer a massa especifica dos RCC gerados em Lajeado;
Aumentar o percentual de analise, para 30 ou 50%.

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ANEXOS

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68 BDU – Biblioteca Digital da UNIVATES (http://www.univates.br/bdu) ANEXOS Anexo 1 – Reportagem do Jornal A

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