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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO – FAVENI

APOSTILA
CONCEITOS E CONSIDERAÇÕES
GERAIS SOBRE EDUCAÇÃO

ESPÍRITO SANTO
1
O QUE É EDUCAÇÃO EM SAÚDE

http://aves.edu.pt/educacaosaude/?cat=5

A educação em saúde constitui um conjunto de saberes e práticas


orientados para a prevenção de doenças e promoção da saúde (Costa & López,
1996). Trata-se de um recurso por meio do qual o conhecimento cientificamente
produzido no campo da saúde, intermediado pelos profissionais de saúde, atinge
a vida cotidiana das pessoas, uma vez que a compreensão dos condicionantes
do processo saúde-doença oferece subsídios para a adoção de novos hábitos e
condutas de saúde.

Uma das concepções mais generalizadas sobre educação e saúde é


aquela cujas atividades se desenvolvem mediante situações formais de ensino-
aprendizagem, funcionando como agregadas aos espaços das práticas de
saúde. Os traços mais evidentes das relações que se estabelecem em situações
desse tipo são o didatismo e a assimetria expressa na ação que parte do
profissional de saúde na condição de “educador” em direção ao usuário dos
serviços de saúde na condição de “educando”.

O didatismo ocorre na medida em que essas atividades tendem a ser


desenvolvidas sem considerar as situações de risco de cada comunidade e sem

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levar em conta o conjunto das ações de saúde desencadeadas nesse sentido,
ou seja, desenvolvem-se aparentemente como um fim em si mesmas. A eficácia
da educação em saúde estruturada nestes termos estaria assentada apenas
naqueles aspectos relativos a conteúdos e tecnologias de ensino, sem
questionar os seus resultados em termos individuais e coletivos e até mesmo,
sem estabelecer a vinculação dos problemas de saúde de grupos sociais
específicos com as suas condições reais de vida.

Protagonizado por múltiplos atores da sociedade civil: movimentos


sociais, profissionais que atuam nos serviços de saúde, professores e
pesquisadores de universidades, educadores populares e agentes populares de
saúde, o processo de construção tem como base a reflexão sobre o estado da
arte das práticas de educação em saúde nos serviços e a formulação de
proposições com possibilidades de transformar tais práticas.

https://www.google.com.br/search?q=educação+em+saude+pdf&espv=2&biw=1366&bih=667&source

Critica-se a concepção positivista, na qual a educação em saúde é vista


de forma reducionista, cujas práticas são consideradas impositivas, prescritivas
de comportamentos ideais desvinculados da realidade e distantes dos sujeitos
sociais, tornados objetos passivos das intervenções, na maioria das vezes,
preconceituosas, coercitivas e punitivas. E afirma-se a educação em saúde
como prática na qual existe a participação ativa da comunidade, que proporciona

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informação, educação sanitária e aperfeiçoa as atitudes indispensáveis para a
vida.

A essência humana é a resultante das relações que homens e


mulheres têm estabelecido historicamente (Misik.2006). Isto equivale a afirmar
que é no processo de trabalho em que homens e mulheres, em interação com o
outro e com o meio, constroem-se diante dos outros; constroem-se
reciprocamente; acrescentam à natureza tudo aquilo a que denominamos
cultura. Por isso considera-se que o trabalho é uma prática social. Em outras
palavras, nos constituímos como sujeitos, nos educamos, aprendemos a ser,
tomamos consciência de nós e do outro no processo de relações que produz e
reproduz a sociedade da qual participamos.

O trabalho em saúde, por sua vez, demarca um espaço parcial desse


processo mais geral e permanente de construção da sociedade. Por isso
também é visto como uma prática social, porque também se desenrola tendo por
finalidade a produção e reprodução da sociedade e só por isso constitui,
também, uma prática educativa.

Nesse sentido, o espaço da saúde materializa-se com base em


distintos projetos, que visam à transformação de uma situação de saúde em uma
nova situação, orientados por diferentes concepções de mundo e de homem.

Logo, nesses projetos estão postas distintas direções e


intencionalidades, que se expressam nos seus respectivos projetos político-
pedagógicos, que como já foi afirmado estão na base das relações que
caracterizam o Sistema Único de Saúde, hoje.

Em termos práticos, isto significa que a forma dominante como as


práticas de saúde são realizadas expressam um projeto específico para a
sociedade brasileira, o que supõe que outros projetos são possíveis de co-
existir, coerentes com propostas alternativos de sociedade que apontem, por
exemplo, para a extinção das iniquidades e das injustiças sociais.

Isto implica por sua vez que, além da transformação da situação de


saúde da sociedade brasileira, impõe-se ao trabalhador da saúde a necessidade

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de uma permanente transformação da consciência sanitária dos brasileiros, de
modo a torná-la consentânea com o projeto de uma nova sociedade.

Em síntese, o agir em saúde não é um que fazer neutro. O trabalho


em saúde como prática social, contém uma dimensão política e ideológica,
sempre referidas a um projeto de sociedade, o que implica um comprometimento
ético por parte de todos os sujeitos em relação neste campo, sejam eles os
grupos sociais usuários da rede de atenção à saúde, os profissionais das
equipes de saúde, os gestores (Mehry et alli. 2003).

https://www.google.com.br/search?q=educação+em+saude+pdf&espv

Vista como uma prática política, o trabalho em saúde evidencia o


componente do poder em termos técnicos, políticos e administrativos, que
expressam o projeto dominante no campo da saúde; os conflitos existentes nesta
área; as opções em termos tecnológicos e organizacionais; as formas como se
encaminham as relações entre os grupos sociais e as autoridades da saúde; o

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modo como a atenção em saúde assume os seus contornos em termos
estruturais, físicos, de atos e procedimentos.

Dessa forma, se é verdade que nos educamos e nos constituímos


como sujeitos mediante as relações sociais que estabelecemos, no campo da
saúde a construção da nossa individualidade; a emergência da nossa
consciência sanitária; o sentimento de pertinência a um grupo social específico
dependerá da qualidade das práticas de atenção à saúde expressas nas suas
estruturas físicas, nos seus processos, e nas relações
usuários/equipes/gestores.

Nestes termos, a prática educativa em saúde amplia-se, visto que


ultrapassa uma mera relação de ensino/aprendizagem didatizada e assimétrica;
extrapola o cultivo de hábitos e Diretrizes de Educação em Saúde Documento
base 11 comportamentos saudáveis; incorpora a concepção de direção e
intencionalidade, visando à um projeto de sociedade; será sempre construída
tendo por referência situações de saúde de um grupo social ou de uma classe
específica; supõe uma relação dialógica pautada na horizontalidade entre os
seus sujeitos; recoloca-se como atribuição de todo o trabalhador de saúde. Isto
porque não são as atividades formais de ensino que educam, mas sim, as
relações mediante as quais, num processo de trabalho, transformamos a nossa
consciência em uma nova consciência.

O modelo tradicional, historicamente hegemônico, focalizando a


doença e a intervenção curativa e fundamentado no referencial biologicista do
processo saúde-doença, preconiza que a prevenção das doenças prima pela
mudança de atitudes e comportamentos individuais (Smeke & Oliveira, 2001;
Chiesa & Veríssimo, 2003). As estratégias desta prática educativa em saúde
incluem informações verticalizadas que ditam comportamentos a serem
adotados para a manutenção da saúde.

Os usuários são tomados como indivíduos carentes de informação


em saúde (Briceño-Léon, 1996). Desta maneira, a relação estabelecida entre
profissionais e usuários é essencialmente assimétrica, uma vez que um detém
um saber técnico-científico, com status de verdade, enquanto o outro precisa

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ser devidamente informado. Desta maneira, a comunicação profissional-usuário
caracteriza-se pelo caráter informativo, na qual o primeiro, assumindo uma
atitude paternalista, explicita ao segundo hábitos e comportamentos saudáveis,
o que fazer e como fazer para a manutenção da saúde. Pressupõe-se, ainda,
que a partir da informação recebida os usuários serão capazes de tomar
decisões para a prevenção de doenças e agravos, bem como poderão assumir
novos hábitos e condutas.

http://mixdetemas.com.br/saude-e-bem-estar/

Quanto à disseminação de informação em saúde, particularmente por


meio de campanhas e veiculadas pelos meios de comunicação de massa, Rice
& Candeias (1989) falam do efeito temporário desta estratégia em relação a
mudanças de hábitos e condutas. As autoras afirmam que a população não
muda de comportamento em definitivo, mas apenas reage a um estímulo
temporário. Com a supressão do estímulo, o comportamento tende à extinção.

A principal crítica a este modelo de educação, entretanto, tem sido


referente a não consideração dos determinantes psicossociais e culturais dos
comportamentos de saúde. Ao tomar os usuários como objeto das práticas
educativas e carentes de um saber sobre a saúde, perde-se de vista que os
comportamentos são orientados por crenças, valores, representações sobre o
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processo saúde-doença – todos estes representantes de formas outras de saber.
Neste sentido, tem-se discutido sobre a consideração dos determinantes
psicossociais e culturais nas práticas de educação em saúde (Gogna, 1998;
Chor, 1999; Filgueiras & Deslandes, 1999). Propõe-se que estas sejam sensíveis
às necessidades subjetivas e culturais dos usuários. Para tanto, reconhece-se a
necessidade de abandonar estratégias comunicacionais informativas e a adoção
de uma comunicação dialógica.

PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE

https://www.google.com.br/search?q=educação+em+saude+pdf&espv=2&biw=1366&bih=667&source

A despeito da emergência de um novo discurso no campo da


educação em saúde, prevalecem as práticas educativas hegemônicas. Da
convivência entre as práticas emergentes e hegemônicas é possível delinear
dois modelos de práticas de educação em saúde, que podem ser referidos como

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modelo tradicional e modelo dialógico. Estes se encontram em polos extremos,
sendo possível reconhecer modelos intermediários.

O modelo tradicional, historicamente hegemônico, focalizando a


doença e a intervenção curativa e fundamentado no referencial biologicista do
processo saúde-doença, preconiza que a prevenção das doenças prima pela
mudança de atitudes e comportamentos individuais (Smeke & Oliveira, 2001;
Chiesa & Veríssimo, 2003). As estratégias desta prática educativa em saúde
incluem informações verticalizadas que ditam comportamentos a serem
adotados para a manutenção da saúde.

Os usuários são tomados como indivíduos carentes de


informação em saúde (Briceño-Léon, 1996). Desta maneira, a relação
estabelecida entre profissionais e usuários é essencialmente assimétrica, uma
vez que um detém um saber técnico-científico, com status de verdade, enquanto
o outro precisa ser devidamente informado. Desta maneira, a comunicação
profissional-usuário caracteriza-se pelo caráter informativo, na qual o primeiro,
assumindo uma atitude paternalista, explicita ao segundo hábitos e
comportamentos saudáveis, o que fazer e como fazer para a manutenção da
saúde. Pressupõe-se, ainda, que a partir da informação recebida os usuários
serão capazes de tomar decisões para a prevenção de doenças e agravos, bem
como poderão assumir novos hábitos e condutas.

Dito isto, aos trabalhadores da saúde impõe-se a necessidade de um


comprometimento ético, diante do qual cada um deles revela-se como detentor
da função de sistematizador da situação de saúde em favor de grupos sociais
específicos, supondo-se nessa relação o estabelecimento de vínculos de
identidade, pertinência ou de solidariedade, por exemplo (Gramscci.1982).

Seria este o fundamento do caráter educativo das práticas de saúde;


seria esta a essência do papel de educador do qual todo e qualquer trabalhador
do campo da saúde está investido.

Isto posto, quais seriam então, as possibilidades de ser dos


servidores da Funasa que atuam na área de educação em saúde?

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Primeiramente, torna-se evidente que, uma vez que as práticas de
saúde são constituintes da sociedade brasileira, o trabalhador em saúde, assim,
como qualquer outro trabalhador, está eticamente vinculado a um projeto para a
sociedade brasileira, esteja ele consciente ou não deste fato.

Esse compromisso se expressará na maneira como o seu agir estiver


estruturado, o qual redundará em um tipo de estrutura; um padrão de processo
de trabalho; uma qualidade de relação entre os sujeitos; uma forma específica
de vinculação Fundação Nacional de Saúde 12 dos sujeitos fundamentais nesse
campo, diga-se: os grupos sociais usuários da rede de serviços; os trabalhadores
do setor; os gestores do setor.

http://fortebens.com.br/site/produtos/seguro-saude

Na medida em que o agir de todo o trabalhador em saúde é um agir


educativo; ele se transforma em um que fazer que assume uma direção e uma
intencionalidade que desemboca em um dado projeto de sociedade. Este projeto

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pode estar condicionado a sua reprodução ou manutenção nos termos em que
ela já existe ou estar empenhado em uma transformação radical das bases da
sua estrutura e do seu funcionamento.

A principal crítica a este modelo de educação, entretanto, tem sido


referente a não consideração dos determinantes psicossociais e culturais dos
comportamentos de saúde. Ao tomar os usuários como objeto das práticas
educativas e carentes de um saber sobre a saúde, perde-se de vista que os
comportamentos são orientados por crenças, valores, representações sobre o
processo saúde-doença – todos estes representantes de formas outras de saber.
Neste sentido, tem-se discutido sobre a consideração dos determinantes
psicossociais e culturais nas práticas de educação em saúde (Gogna, 1998;
Chor, 1999; Filgueiras & Deslandes, 1999). Propõe-se que estas sejam sensíveis
às necessidades subjetivas e culturais dos usuários. Para tanto, reconhece-se a
necessidade de abandonar estratégias comunicacionais informativas e a adoção
de uma comunicação dialógica.

A proposição de práticas educativas sensíveis às necessidades dos


usuários insere-se no discurso emergente de educação em saúde – o modelo
dialógico. Em oposição ao modelo tradicional, trabalha-se com a perspectiva de
sujeitos das práticas de saúde (Ayres, 2001). Neste sentido, Briceño-Léon 4 8
ALVES, V. S. Interface - Comunic, Saúde, Educ, v.9, n.16, p.39-52,
set.2004/fev.2005 (1996) apresenta dois princípios básicos na orientação das
ações de saúde. Primeiramente, é necessário conhecer os indivíduos para os
quais se destinam as ações de saúde, incluindo suas crenças, hábitos e papéis,
e as condições objetivas em que vivem. O segundo princípio parte da premissa
de que é preciso envolver os indivíduos nas ações, o que se contrapõe a sua
imposição. O autor pondera que apenas com a participação comunitária é
possível assegurar sustentabilidade e efetividade das ações de saúde.

Educação Popular – busca promover a participação dos sujeitos


sociais, incentivando a reflexão, o diálogo e a expressão da afetividade,
potencializando sua criatividade e sua autonomia.

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http://bvsalud.org/portal-lis/2014/09/09/semana-do-bem-estar-nas-americas/

Educação popular em saúde – volta-se para a promoção da


participação social no processo de formulação e gestão da política de saúde,
direcionando-se para o cumprimento efetivo dos princípios ético-políticos do
SUS: universalidade, integralidade, equidade, descentralização, participação e
controle social.

Considerando que a Educação Popular em Saúde representa o


conjunto de conceitos polissêmicos, que ganham expressão concreta nas ações
sociais orientadas pela construção de correspondência entre as necessidades
sociais e a configuração de políticas públicas, proporcionando lutas coletivas em
torno de projetos que levem à autonomia, solidariedade, justiça e equidade.

As ações de Educação Popular em Saúde impulsionam


movimentos voltados para a promoção da participação social no processo de
formulação e gestão das políticas públicas de saúde direcionando-as para o
cumprimento efetivo das diretrizes e dos princípios do SUS: universalidade,
integralidade, equidade, descentralização, participação e controle social.

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Ao trabalhar com atores sociais, a Educação Popular contribui para
a construção de cenários nos quais os movimentos populares possam se fazer
presentes, apresentando novas temáticas, experiências e desejos.

Educação permanente – estratégia de reestruturação dos serviços,


a partir da análise dos determinantes sociais e econômicos, mas sobretudo de
valores e conceitos dos profissionais. Propõe transformar o profissional em
sujeito, colocando-o no centro do processo ensino-aprendizagem (Mota)”

A ‘educação permanente em saúde’ precisa ser entendida, ao


mesmo tempo, como uma ‘prática de ensino-aprendizagem’ e como uma ‘política
de educação na saúde’. Ela se parece com muitas vertentes brasileiras da
educação popular em saúde e compartilha muitos de seus conceitos, mas
enquanto a educação popular tem em vista a cidadania, a educação permanente
tem em vista o trabalho.

Como ‘prática de ensino-aprendizagem’ significa a produção de


conhecimentos no cotidiano das instituições de saúde, a partir da realidade vivida
pelos atores envolvidos, tendo os problemas enfrentados no dia-a-dia do
trabalho e as experiências desses atores como base de interrogação e mudança.
A ‘educação permanente em saúde’ se apóia no conceito de ‘ensino
problematizador’ (inserido de maneira crítica na realidade e sem superioridade
do educador em relação ao educando) e de ‘aprendizagem significativa’
(interessada nas experiências anteriores e nas vivências pessoais dos alunos,
desafiante do desejar aprender mais), ou seja, ensino-aprendizagem embasado
na produção de conhecimentos que respondam a perguntas que pertencem ao
universo de experiências e vivências de quem aprende e que gerem novas
perguntas sobre o ser e o atuar no mundo. É contrária ao ensino-aprendizagem
mecânico, quando os conhecimentos são considerados em si, sem a necessária
conexão com o cotidiano, e os alunos se tornam meros escutadores e
absorvedores do conhecimento do outro.

Portanto, apesar de parecer, em uma compreensão mais apressada,


apenas um nome diferente ou uma designação da moda para justificar a
formação contínua e o desenvolvimento continuado dos trabalhadores, é um

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conceito forte e desafiante para pensar as ligações entre a educação e o trabalho
em saúde, para colocar em questão a relevância social do ensino e as
articulações da formação com a mudança no conhecimento e no exercício
profissional, trazendo, junto dos saberes técnicos e científicos, as dimensões
éticas da vida, do trabalho, do homem, da saúde, da educação e das relações.

Mobilização social – “a mobilização ocorre quando um grupo de


pessoas, uma comunidade, uma sociedade decide e age com objetivo comum,
buscando, quotidianamente, os resultados desejados por todos. Por isso se diz
que Mobilização Social: é convocar vontades para atuar na busca de um
propósito comum, sob uma interpretação e um sentido também compartilhado
(José Bernardo Toro, 1996)”.

Processos educativos com ênfase na participação popular têm sido,


segundo Bógus (2007), cada vez mais valorizados na área da saúde coletiva, e
seu encaminhamento tem ocorrido inclusive fora dos espaços institucionais mais
tradicionais, pois têm se mostrado capazes de melhor atender a diversidade e a
heterogeneidade dos grupos sociais envolvidos, garantindo a troca de saberes,
a interlocução e aproximação necessária entre os diversos atores. Ressalta
ainda a autora outra característica importante da educação popular, que é
considerar o contexto grupal e local, ou seja, os conhecimentos e as experiências
prévias de cada participante, para melhor compreensão dos determinantes das
situações-problema e a elaboração de propostas de soluções e ações.

Agir educativo – Segundo documentos do Ministério da Saúde, é ação


social que se alimenta do processo de construção de um substrato teórico
metodológico de sustentação, de projetos políticos que suscitem a participação
da sociedade e de ações capazes de produzirem novos sentidos nas relações
entre necessidades de saúde da população e organização do cuidado da saúde.

Na medida em que o agir de todo o trabalhador em saúde é um agir


educativo; ele se transforma em um que fazer que assume uma direção e uma
intencionalidade que desemboca em um dado projeto de sociedade. Este projeto
pode estar condicionado a sua reprodução ou manutenção nos termos em que

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ela já existe ou estar empenhado em uma transformação radical das bases da
sua estrutura e do seu funcionamento.

Projeto pedagógico da enfermagem

O processo pedagógico da enfermagem, com ênfase na educação em


saúde, encontra-se em evidência, já que atualmente é reconhecido como uma
estratégia promissora no enfrentamento dos múltiplos problemas de saúde que
afetam as populações e seus contextos sociais. O enfermeiro tem destaque, já
que é o principal atuante no processo de cuidar por meio da educação em saúde.

A educação em saúde se insere no contexto da atuação da enfermagem


como meio para o estabelecimento de uma relação dialógico-reflexiva entre
enfermeiro e cliente, em que este busque conscientizar-se sobre sua situação
de saúde-doença e perceba-se como sujeito de transformação de sua própria
vida.

A educação em saúde constitui instrumento para a promoção da


qualidade de vida de indivíduos, famílias e comunidades por meio da articulação
de saberes técnicos e populares, de recursos institucionais e comunitários, de
iniciativas públicas e privadas, superando a conceituação biomédica de
assistência à saúde e abrangendo multideterminantes do processo saúde
enfermidade-cuidado.

Atualmente, uma nova abordagem de educação em saúde vem se


destacando por valorizar o desenvolvimento da consciência crítica das pessoas,
favorecendo o despertar, inclusive, da necessidade da luta por direitos à saúde
e à qualidade de vida. Compreende-se, portanto, que a educação em saúde
atingiu dimensões além do biológico, considerando, também, a necessidade de
mobilizar fatores políticos, ambientais, culturais, entre outros.

Todo o processo evolutivo da educação em saúde no Brasil ocorreu com


base em eventos políticos e econômicos que suscitaram reflexão sobre a
necessidade de transformações sobre a forma de interação entre profissional de
saúde-cliente em busca da promoção da saúde. A enfermagem presenciou todo
esse processo de transformação e sofreu influências sobre suas práticas.

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O resgate das práticas de educação em saúde da enfermagem realizadas
no Brasil desde o início das intervenções na saúde pública até os dias atuais é
importante para que se compreendam avanços e perspectivas do processo,
como também para que se possa refletir acerca das influências de determinantes
além das áreas da saúde propriamente dita sobre as práticas e políticas de
saúde.

A promoção da saúde exige uma visão ampliada do processo saúde-


doença, no qual as práticas dos enfermeiros substituam a noção de cura das
doenças do modelo clínico por outra que amplie a capacidade de autonomia dos
indivíduos e grupos para o alcance dos seus objetivos pessoais (de ser saudável)
e sociais (de agir no grupo para transformação social).

A educação em saúde, como pluralidade de ações para a promoção da


saúde, necessita utilizar estratégias didáticas que transformem indivíduos
socialmente inseridos no mundo, ampliando sua capacidade de compreensão da
complexidade dos determinantes de ser saudável.

A educação em saúde visa a adoção de um novo paradigma educacional


centrado na promoção de escolhas saudáveis, livres e racionais, descartando a
visão de mudança de comportamento como uma das metas da promoção da
saúde que acabava complicando a superação de um modelo da educação em
saúde arcaico, baseado na mudança de estilos de vida individuais.

A educação em saúde, realizada de forma precipitada e arcaica, culpava


a vítima pelo seu próprio infortúnio, considerando isso como uma falha moral da
pessoa, e utilizava a persuasão dos indivíduos, para que esses adotassem
modos de vida saudáveis ou comportamentos considerados pelos profissionais
do campo da biomedicina como compatíveis com a saúde.

A educação em saúde deve superar essa conceituação biomédica de


saúde e abranger objetivos mais amplos, descartando as ações de caráter
individual e coercitivo. A educação, nesse sentido, deve deixar de ser um simples
instrumento de transmissão de informações, no qual o educando é visto como
um passivo recipiente do conhecimento que será fornecido pelo professor que

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tudo sabe. A promoção da saúde exige o rompimento desses paradigmas, já que
o tradicional modelo clínico centrado na doença torna-se adverso à saúde
pública.

O enfermeiro como educador em saúde deve contribuir para a


conscientização individual e coletiva, questionando as responsabilidades e os
direitos à saúde, estimulando ações que atendam aos princípios do SUS,
principalmente acessibilidade, equidade, universalidade e participação popular.
Entendendo, então, que o principal objetivo da educação em saúde é promover
a saúde para que indivíduos vivam a vida com qualidade, formar-se-ão
indivíduos conscientes capazes de se responsabilizar pela sua própria saúde e
intervir no ambiente que gere manutenção da sua saúde. Para isso, o processo
educacional utilizado deve contemplar uma relação igualitária entre educando e
educador. Há, assim, a necessidade de incorporar o empoderamento de
indivíduos e comunidades, tornando-os mais autônomos para fazer escolhas
informadas.

PROMOÇÃO DA SAÚDE

É um paradigma que ganhou visibilidade com a Carta de


Ottawa, ao definir que a melhoria da qualidade de vida é “resultante de um

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conjunto de fatores sociais, econômicos, políticos, culturais, ambientais,
comportamentais e, também, biológicos.”

Este conceito foi fortalecido nas demais conferências mundiais de


saúde, como: Adelaide; Sundsvall; Bogotá; Jacarta; V Conferência Global sobre
Promoção da Saúde, realizada em junho de 2000, na Cidade do México e, mais
recentemente, na VI Conferência Global de Promoção da Saúde, realizada em
Bangkok, na Tailândia, em 2005. Esta Conferência teve saldo positivo por
promover uma ampla discussão do contexto atual e suas repercussões para a
saúde e qualidade de vida da população.

A promoção da saúde, portanto, tem interface com diversos


setores para que possa ser consolidada.

Na Funasa, esta é uma prática adotada “mediante ações integradas


de educação em saneamento ambiental para a prevenção e controle de doenças
e outros agravos, bem como em atendimento integral à saúde dos povos
indígenas, com vistas à melhoria da qualidade de vida da população.

Da promoção da saúde decorrem importantes estratégias, dentre


as quais “a necessidade de uma ação ordenada entre governo, setores da saúde
e setores econômicos, organizações voluntárias e não-governamentais,
autoridades locais, indústria e mídia”, respeitando diferenças sociais, culturais e
econômicas.

Outra estratégia decorrente da promoção da saúde é reforçar a


ação comunitária, objetivando a formulação local de políticas saudáveis e
permitindo uma maior influência da sociedade na definição de prioridades. Neste
sentido, o processo de descentralização e as experiências exitosas de diversos
sistemas municipais de saúde e comunitários no país são fatores favoráveis à
adoção do paradigma da promoção da saúde no Brasil.

As estratégias que podem ser utilizadas num processo contínuo e


permanente de educação e promoção à saúde para impactar ou melhorar
determinada situação devem ser construídas levando-se em consideração os
direitos de cidadania.

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METODOLOGIA

https://www.google.com.br/search?q=promoção+saude&espv=2&biw

A Educação em Saúde utiliza métodos e processos participativos e


problematizadores, preconizados e consolidados, buscando práticas inovadoras
a partir da realidade num processo dialógico e horizontalizado de construção e
reconstrução compartilhada do conhecimento e na ação coletiva para a
transformação social. Os profissionais dos serviços, os parceiros e a população
são sujeitos (atores), que debruçados sobre a realidade procuram conhecê-la,
compreendê- la, desvendá-la e atuar sobre ela para transformá-la.

E à medida que vão transformando-a, os sujeitos se transformam


dentro deste processo, num respeito mútuo de saberes (científico e popular) que
não sobrepõe um ao outro mas, se reconstroem. Esta metodologia valoriza as
experiências e conhecimentos vividos, bem como os valores étnico-culturais em

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consonância com os atores, princípios e diretrizes do SUS “num processo de
diálogo, envolvendo as pessoas:

a) na reflexão sobre aspectos de sua realidade (problemas de saúde, habitação,


produção, renda, educação, saneamento, meio ambiente entre outros);

b) na busca das causas dessa realidade;

c) no desenvolvimento de um plano de ação para solucionar os problemas


identificados pelos grupos

d) na organização de um grupo permanente para execução e avaliação das


ações de continuidade.

Diretrizes

https://www.google.com.br/search?q=educação+em+saude+pdf&espv=2&biw=1366&bih

As ações de Educação em Saúde são na Funasa são integradas


às ações de saneamento na prevenção e controle de doenças e outros agravos

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à saúde, e à atenção integral à saúde dos povos indígenas. Afirma-se a
necessidade da inserção da Instituição na lógica da ação horizontal e
intersetorial.

Portanto, ao incorporar a influência das dimensões sociais, econô-


micas, políticas e culturais na saúde, a Instituição supera o conceito de
“educação sanitária” e passa a buscar a mudança de práticas de vida nos
indivíduos e na população.

https://www.google.com.br/search?q=saude+e+educação&espv=2&biw=1366&bih

O Ministério da Saúde outorgou à Funasa a responsabilidade de gerir o


Subsistema de atenção à Saúde Indígena, articulado com o Sistema Único de
Saúde (SUS), instituindo, a partir de agosto de 1999, a Política Nacional de

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Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, preconizada na Constituição e na Lei
Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990).

Em sua nova missão, em estudo no processo de realinhamento


institucional, a Funasa propõe “realizar ações de saneamento ambiental em
todos municípios brasileiros e de atenção integral à saúde indígena, promovendo
a saúde pública e inclusão social, com excelência de gestão, em consonância
com o SUS e com as metas de desenvolvimento do milênio”

Esta missão demanda à Funasa um papel de normalização e


assessoramento técnico que permita o fortalecimento de estados e municípios,
de modo que cada um deles possa desenvolver suas próprias ações seguindo
as diretrizes estabelecidas pela Funasa, adaptadas às peculiaridades regionais.

As diretrizes da Política de Educação em Saúde da Funasa, visando à


promoção da saúde e melhoria da condição de vida da população, devem estar
estruturadas nos seguintes pilares:

• Os fundamentos teóricos da educação;

• Os princípios do Sistema Único de Saúde e o Controle Social;

• Financiamento; • convênios;

• Estudos e pesquisas.

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http://blog.uniasselvi.com.br/post/atividades-gratuitas-neste-sabado-no-sesc

O conceito de educação em saúde se sobrepõe o conceito de


promoção da saúde, como uma definição mais ampla de um processo que
abrange a participação de toda a população no contexto de sua vida cotidiana e
não apenas das pessoas sob risco de adoecer. Essa noção está baseada em
um conceito de saúde ampliado, considerado como um estado positivo e
dinâmico de busca de bem-estar, que integra os aspectos físico e mental
(ausência de doença), ambiental (ajustamento ao ambiente), pessoal/emocional
(auto- realização pessoal e afetiva) e sócio- ecológico (comprometimento com a
igualdade social e com a preservação da natureza). Entretanto, a par dessa
noção ampliada de saúde, observando-se a prática, verifica- se que atualmente
persistem diversos modelos ou diferentes paradigmas de educação em saúde,
os quais condicionam diferentes práticas, muitas das quais reducionistas, o que
requer questionamentos e o alcance de perspectivas mais integradas e
participativas.

Uma educação em saúde ampliada inclui políticas públicas,


ambientes apropriados e reorientação dos serviços de saúde para além dos
tratamentos clínicos e curativos, assim como propostas pedagógicas
libertadoras, comprometidas com o desenvolvimento da solidariedade e da

23
cidadania, orientando-se para ações cuja essência está na melhoria da
qualidade de vida e na ‘promoção do homem’.

Nas últimas décadas, observa-se uma grande ebulição de programas


e pesquisas nessa área, o que motivou a iniciativa de se organizar este número
temático, o qual não tem intenção nem espaço para retratar a vasta diversidade
das ações e produções em desenvolvimento, sobretudo no Brasil. Por meio de
convites a pesquisadores e educadores nacionais e internacionais, o que se
buscou foi apresentar um pouco dessa multiplicidade, incluindo aspectos históri-
cos, análises de pro g ramas de formação de pessoal desde o nível elementar
até a pós-graduação, avaliação de metodologias, estratégias e materiais educa-
tivos, assim como algumas considerações teóricas sobre as tendências da
atualidade. Esperamos que o conteúdo deste número seja um estímulo ao
debate, à reflexão, a propostas e ações para além dos processos de prevenção
a doenças e promoção da saúde, ampliando-se na direção da formação de
pessoas comprometidas com a luta contra as desigualdades sociais e em busca
de encontros humanos mais solidários.

“ A nosso entender, é necessário pensar a Educação e a Saúde não mais como


uma educação sanitarizada (educação sanitária) ou localizada no interior da
saúde (educação em saúde) ou ainda educação para a saúde (como se a saúde
pudesse ser um estado que se atingisse depois de educado!). É preciso re c u p
e rar a dimensão da Educação e da Saúde/doença e estabelecer as art iculações
entre esses dois campos e os movimentos (organizados) sociais. E mais – como
práticas sociais articuladas com as necessidades e possibilidades das classes
populares na formulação de políticas sociais e das formas de organização social
que lhes interessam. (Joaquim A. C. Me l o, 1987).”

24
PROGRAMA SAÚDE NAS ESCOLAS

http://ijui.educacaoadventista.org.br/fotos/9/1-bimestre-2013/112/projeto-educacao-saude

O Programa Saúde na Escola (PSE) visa à integração e articulação


permanente da educação e da saúde, proporcionando melhoria da qualidade de
vida da população brasileira. Como consolidar essa atitude dentro das escolas?
Essa é a questão que nos guiou para elaboração da metodologia das Agendas
de Educação e Saúde, a serem executadas como projetos didáticos nas Escolas.

O PSE tem como objetivo contribuir para a formação integral dos


estudantes por meio de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde, com
vistas ao enfrentamento das vulnerabilidades que comprometem o pleno
desenvolvimento de crianças e jovens da rede pública de ensino.

O público beneficiário do PSE são os estudantes da Educação


Básica, gestores e profissionais de educação e saúde, comunidade escolar e, de

25
forma mais amplificada, estudantes da Rede Federal de Educação Profissional
e Tecnológica e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

As atividades de educação e saúde do PSE ocorrerão nos Territórios


definidos segundo a área de abrangência da Estratégia Saúde da Família
(Ministério da Saúde), tornando possível o exercício de criação de núcleos e
ligações entre os equipamentos públicos da saúde e da educação (escolas,
centros de saúde, áreas de lazer como praças e ginásios esportivos, etc).

http://www.odontomagazine.com.br/2011-09-prevencao-e-educacao-em-saude-bucal-10572

No PSE a criação dos Territórios locais é elaborada a partir das


estratégias firmadas entre a escola, a partir de seu projeto político-pedagógico e
a unidade básica de saúde. O planejamento destas ações do PSE considera: o
contexto escolar e social, o diagnóstico local em saúde do escolar e a
capacidade operativa em saúde do escolar.

A Escola é a área institucional privilegiada deste encontro da


educação e da saúde: espaço para a convivência social e para o

26
estabelecimento de relações favoráveis à promoção da saúde pelo viés de uma
Educação Integral.
Para o alcance dos objetivos e sucesso do PSE é de fundamental
importância compreender a Educação Integral como um conceito que
compreende a proteção, a atenção e o pleno desenvolvimento da comunidade
escolar. Na esfera da saúde, as práticas das equipes de Saúde da Família,
incluem prevenção, promoção, recuperação e manutenção da saúde dos
indivíduos e coletivos humanos.

http://embudasartes.sp.gov.br/noticia/ver/734

Para alcançar estes propósitos o PSE foi constituído por cinco


componentes:

a) Avaliação das Condições de Saúde das crianças, adolescentes e jovens que


estão na escola pública;

b) Promoção da Saúde e de atividades de Prevenção;

27
c) Educação Permanente e Capacitação dos Profissionais da Educação e da
Saúde e de Jovens;

d) Monitoramento e Avaliação da Saúde dos Estudantes;

e) Monitoramento e Avaliação do Programa.

Mais do que uma estratégia de integração das políticas setoriais, o PSE


se propõe a ser um novo desenho da política de educação e saúde já que:

1- trata a saúde e educação integrais como parte de uma formação ampla para
a cidadania e o usufruto pleno dos direitos humanos;

2- permite a progressiva ampliação das ações executadas pelos sistemas de


saúde e educação com vistas à atenção integral à saúde de crianças e
adolescentes; e

3- promove a articulação de saberes, a participação de estudantes, pais,


comunidade escolar e sociedade em geral na construção e controle social da
política pública.

28
PROJETO MUNICIPAL

http://www.jcregional.com.br/6a-conferencia-municipal-de-saude/

O Projeto Municipal é um dos requisitos do processo de adesão,


como “leitura técnica” da situação municipal, elaborada para iniciar o processo
de construção coletiva para a ação, visando a implementação do PSE.
Documento desenvolvido a partir da articulação de informações de diversas
fontes, acessíveis nas bases de dados dos órgãos federais, estaduais e
municipais. O Projeto identifica as prioridades e aspectos que precisam ser
redimensionados e/ou qualificados no âmbito das ações de educação e saúde
no território municipal.

Em uma espécie de “recorte” da área de atuação, o Projeto Municipal


delimita os territórios de responsabilidade, definidos segundo a área de
abrangência das equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e define o
conjunto de escolas integrantes de cada território, apresentando informações
sobre:

29
• O diagnóstico situacional com as questões referentes a determinantes sociais,
cenário epidemiológico e modalidades de ensino das escolas vinculadas às
equipes da ESF e que atuarão no PSE;

• O mapeamento da Rede SUS de AB/SF e das Redes de Ensino - estadual e


municipal, criando espaços comuns, os territórios de responsabilidade;

http://www.patos1.com.br/noticias/?n=Nqodht18Y5

• As atribuições das equipes da ESF e das escolas em cada um dos territórios


de responsabilidade, quantificando o número de escolas, de estudantes de
cada estabelecimento e as questões prioritárias do perfil desses alunos.
Definição dos responsáveis das áreas da saúde e da educação pelo projeto
dentro de cada território;

• A identificação das instituições de ensino atendidas pelo Programa Saúde na


Escola. Definição do professor responsável pela articulação das ações de
prevenção e promoção da saúde na escola.

30
AGENDA DE EDUCAÇÃO E SAÚDE

http://www.saudeativa.net/educacao-em-saude-conceito-metas-e-objetivos/

A Agenda de Educação e Saúde é uma estratégia fundamental de


implementação das ações compartilhadas nos territórios municipais. São
escolhidos “recortes” do território integrando escolas e unidades de saúde, a fim
de gerar uma articulação das práticas. A Agenda definirá as propostas
comunitárias para estes microterritórios onde as escolas estão inseridas,
refletindo as expectativas comunitárias em relação à interface educação e
saúde.

No âmbito da escola as atividades de planejamento e gestão do


coletivo, formulação dos inventários detalhados e da condução de processos
participativos integrados aos estudos e ao Projeto Político Pedagógico
representam uma oportunidade ímpar para os exercícios de cidadania.

31
Por meio do diálogo entre comunidade escolar e equipe da Estratégia
Saúde da Família, a Agenda de Educação e Saúde envolve interlocuções entre
diferentes setores da sociedade e dos programas/políticas já em
desenvolvimento na escola e com parceiros locais.

http://www.treslagoas.ms.gov.br/noticia/escola-do-parque-sao-carlos-promove-saude-bucal/5865/

Nas sociedades ocidentais, tem predominado a compreensão da


educação como um ato normativo, no qual a prescrição e a instrumentalização
são as práticas dominantes. Essa forma de conceber a educação, baseada numa
pretensa objetividade e neutralidade do conhecimento, produzido pela razão
cientificamente fundada, guarda correspondência com uma compreensão da
saúde como fenômeno objetivo e produto de relações causais imediatamente
apreensíveis pela ciência hegemônica no campo, a biologia.

A busca por uma objetivação das ações humanas, fruto de um


racionalismo de ímpeto controlador, tanto na educação quanto na saúde, acaba
contribuindo para um processo de objetivação dos próprios sujeitos destas
ações. Assim, o professor pode reduzir-se a um transmissor das informações, e
o aluno, um seu correspondente, um mero receptor passivo das informações

32
educativas. Por sua vez, o profissional de saúde pode tornar-se um operador de
protocolos e condutas, e o ‘doente’, um corpo onde se dá a doença e,
consequentemente, o ato médico. Em geral, homens desempenhando um papel
pré- defindo e apassivado nas relações professor-aluno e profissional de saúde-
doente.

Outros resultados não menos importantes desse processo são, no caso


da educação, a adaptação dos educandos à realidade social apresentada como
a ordem natural das coisas, como única forma de existência possível e racional;
assim como, no caso do processo saúde-doença, a compreensão deste como o
percurso natural do desenvolvimento da doença, seja esta compreendida como
um fenômeno uni causal ou multicausal.

Poderíamos situar o final do séc. XIX e o início do século XX como um


momento histórico importante na construção de concepções e práticas de
educação e saúde que tiveram em sua base a Higiene, enquanto um campo de
conhecimentos que se articulam, produzindo uma forma de conceber, explicar e
intervir sobre os problemas de saúde. Nesse momento histórico, a Higiene está
fortemente associada à ideologia liberal, encontrando neste pensamento os seus
fundamentos políticos. Destarte, a Higiene centrava-se nas responsabilidades
individuais na produção da saúde e construía formas de intervenção
caracterizadas como a prescrição de normas, voltadas para os mais diferentes
âmbitos da vida social (casa, escola, família, trabalho), que deveriam ser
incorporadas pelos indivíduos como meio de conservar a saúde. Arouca (2003),
ressalta que a Higiene acaba por reduzir à aplicação de medidas higiênicas a
solução dos problemas de saúde, que se constituem a partir das condições de
existência.

33
http://www.docepreco.com.br/dicas/como-higienizar-corretamente-legumes-verduras.html

É nesse período que a filosofia da educação de John Dewey, formulada


em estreito diálogo com a psicologia experimental e com o evolucionismo
biológico, sofre grande apropriação pelo pensamento e pelas práticas de
educação para a saúde. Muitos elementos merecem ser destacados do
pensamento filosófico de Dewey, mas é a ênfase que este pensador atribui à
primazia das características dos indivíduos para o desenvolvimento do processo
educativo e o fato de tomar a construção de hábitos como um norte para a
educação que são claramente identificáveis no que denominamos como
educação sanitária.

O desenvolvimento da educação sanitária, a partir dos EUA, deu-se de


forma associada à saúde pública, tendo sido instrumento das ações de
prevenção das doenças, caracterizando-se pela transmissão de conhecimento.
Mesmo que realizada de forma massiva, como no caso das campanhas
sanitárias no Brasil, a perspectiva não contemplava a dimensão histórico-social
do processo saúde-doença.

34
http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term=Sa%C3%BAde+P%C3%BAblica&lang=3

Cardoso de Melo (1976), no bojo do movimento pela Reforma Sanitária


no Brasil, fez uma crítica severa aos efeitos do distanciamento da saúde pública
em relação ao social, afirmando que “como o social não é considerado na prática
da saúde pública, senão em perspectiva restrita, a educação passa a ser uma
atividade paralela, tendo como finalidade auxiliar a efetivação dos objetivos
eminentemente técnicos dos programas de saúde pública” (p. 13).

Entretanto, numa perspectiva crítica, a educação parte da análise das


realidades sociais, buscando revelar as suas características e as relações que
as condicionam e determinam. Essa perspectiva pode ater-se à explicação das
finalidades reprodutivistas dos processos educativos ou trabalhar no âmbito das
suas contradições, buscando transformar estas finalidades, estabelecendo como
meta a construção de sujeitos e de projetos societários transformadores.

Da mesma forma, no campo da saúde, a compreensão do processo


saúde-doença como expressão das condições objetivas de vida, isto é, como
resultante das condições de “habitação, alimentação, educação, renda, meio

35
ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da
terra e acesso a serviços de saúde” (Brasil, 1986, p. 04) descortina a saúde e a
doença como produções sociais, passíveis de ação e transformação, e aponta
também para um plano coletivo e, não somente individual de intervenção.

Essa forma de conceber a saúde tem sido caracterizada como um


‘conceito ampliado’, pois não reduz a saúde à ausência de doença, promovendo
a ideia de que uma situação de vida saudável não se resolve somente com a
garantia do acesso aos serviços de saúde – o que também é fundamental –, mas
depende, sobretudo, da garantia de condições de vida dignas que, em conjunto,
podem proporcionar a situação de saúde. Nesse sentido, são indissociáveis o
conceito de saúde e a noção de direito social.

https://www.google.com.br/search?q=educação+em+saúde&espv=2&biw=1366&bih=667&source

Na interface da educação e da saúde, constituída com base no


pensamento crítico sobre a realidade, torna-se possível pensar educação em
saúde como formas do homem reunir e dispor recursos para intervir e

36
transformar as condições objetivas, visando a alcançar a saúde como um direito
socialmente conquistado, a partir da atuação individual e coletiva de sujeitos
político-sociais.

Quanto ao trabalho em saúde, a forma histórica hegemônica por ele


assumida estruturou-se a partir da biomedicina, organizando o processo de
trabalho de forma médico-centrada, caracterizando-se pela hierarquização,
reproduzindo a divisão intelectual e social do trabalho e do saber em saúde.
Dessa forma, a educação em saúde, produzida no âmbito dos serviços de saúde,
esteve muito subordinada a esse modelo, assim como, as práticas de educação
sanitária, dirigidas à sociedade em geral e suas instituições, reproduziram em
larga escala o poder biomédico, tendo funcionado, muitas vezes, como braços
do controle estatal sobre os indivíduos e as relações sociais.

http://www.dicadesaude.com/a-importancia-do-fluor-na-saude-bucal

Atualmente, considerando a importância adquirida pelo projeto de


promoção da saúde, que busca capilarizar- se em várias dimensões da vida
social (família, escola, comunidade) e individual (cuidados com o corpo,
desenvolvimento de hábitos saudáveis), a discussão sobre as dimensões
individuais e coletivas da saúde/doença torna-se oportuna e particularmente
importante.

37
No movimento constante em defesa do Sistema Único de Saúde(SUS)
como projeto de um sistema universal, público, equânime, integral e
democrático, encontra-se a necessidade de se buscar uma concepção da
relação educação e saúde que se configura como resultado da ação política de
indivíduos e da coletividade, com base no entendimento da saúde e da educação
em suas múltiplas dimensões: social, ética, política, cultural e científica.

A categoria práxis tem centralidade nessa perspectiva, uma vez que


estabelece uma relação de continuidade e complementaridade entre a teoria e a
prática, compreendendo o conhecimento e as técnicas como uma produção
social, historicamente constituídos e implicados entre si, não-neutros, isto é,
orientados por um projeto societário transformador. Nesse sentido, os sujeitos
da ação-reflexão não são redutíveis a objeto e não são considerados senão nas
suas várias dimensões, como sujeitos históricos, políticos, sociais.

http://www.mundodastribos.com/programa-saude-nao-tem-preco.html

O potencial da educação como processo emancipatório, na


interface com os movimentos sociais, tem na categoria de práxis social,
criadora/transformadora da realidade, um aspecto central que está presente nas
teses que permeiam o pensamento de Paulo Freire. Esse pensador exerceu forte
influência no Movimento da Educação Popular em Saúde, na América Latina e,
particularmente, no Brasil.

38
São marcas da pedagogia freireana a concepção de processo
ensino-aprendizagem como uma troca, como um processo dialógico entre
educador e educando, que se dá numa realidade vivida. O conhecimento advém
da reflexão crítica sobre essa realidade, construindo-se, ao mesmo tempo em
que o homem vai se constituindo e se posicionando como um ser histórico.
Nesse sentido, não cabem relações verticais entre educador e educando, ou a
transferência de conhecimentos e a normatização de hábitos, que marcaram o
pensamento hegemônico da educação sanitária no século passado e que ainda
hoje estão presentes nas práticas educativas em saúde.

Como campo de disputas, a educação em saúde é permeada por


essas várias concepções que se enfrentam, ainda hoje, nas práticas dos
diversos trabalhadores da saúde que realizam o SUS. Em certa medida, cumpre
reforçar que não são somente perspectivas ou correntes educacionais ou
sanitárias que se defrontam, mas formas de conceber os homens, a relação
entre estes, as formas de organizar a sociedade e partilhar os bens por ela
produzidos.

A educação em saúde pode ser entendida como uma forma de


abordagem que, enquanto um processo amplo na educação, proporciona
construir um espaço muito importante na veiculação de novos conhecimentos e
práticas relacionadas.

Existem diversidades nos modelos de educação em saúde, sendo que


todas evidenciam um objetivo em comum, que é a mudança de hábitos, atitudes,
e comportamentos individuais, em grupos e no coletivo. Tal mudança de

39
comportamento está atrelada a aquisição de novos conhecimentos e adoção de
atitudes favoráveis à saúde.

Diante disso é possível verificar que o termo educação em saúde está


condicionado às ações que são transmitidas aos indivíduos com intuito de elevar
a sua qualidade de vida e consequentemente de saúde. Neste processo os
profissionais de saúde possuem papel primordial, uma vez que, são eles próprios
os responsáveis pela disseminação de conhecimentos concretos para o alcance
dos objetivos de melhorar a saúde das pessoas.

http://ergoconsultoria.com.br/pcmso/o-que-e-pcmso-ou-programa-de-controle-medico-de-saude-ocupacional

Contudo, devemos nos atentar que esta transmissão de conhecimento


constitui-se também em um modelo de educação, sendo necessário
primeiramente que o ser educador (neste exemplo, o profissional de saúde) seja
capacitado para tal tarefa (realização da educação em saúde). Ao contrário, os
resultados serão insatisfatórios.

Visualiza-se que nas instituições de saúde onde o profissional participa


de programas de educação, o mesmo possui maiores embasamentos e
interesse por ensinar, é possível então identificar que ocorre um ciclo de
informações, onde aquele que conhece o processo, o compreende e assimila de
alguma maneira, entende melhor a importância da questão educativa para o

40
cliente/paciente.

O processo de educação na área da saúde pode ser representado


pelas mais diferentes atividades, as quais estão interligadas a partir de ações de
educação correspondentes aos estímulos na busca por atrair o indivíduo a
participar do processo de educação, seguido de formas práticas de aquisição e
formação de hábitos em prol da assimilação, construção e reconstrução de
experiências. Os mecanismos de orientação, didática e terapêutica também
fazem parte de um enfoque entre os métodos de transmissão e veiculação de
conhecimentos.

http://www.mundodastribos.com/programa-saude-nao-tem-preco.html

Segundo a OMS a educação em saúde é entendida como sendo uma


combinação de ações e experiências de aprendizado planejado com o intuito de
habilitar as pessoas a obterem controle sobre fatores determinantes e
comportamentos de saúde.

Na busca da saúde de forma integral, a educação tem tido um


significado muito importante por colaborar na orientação de ações práticas,

41
trazendo com isso resultados e melhorias na qualidade de vida e no
fortalecimento do sujeito como um todo.

A ESCOLA COMO ESPAÇO DA


AFETIVIDADE E DO CUIDADO COM A
SAÚDE.

http://www.oestemania.net/index2.php?pg=desc_noticia&id=4778&nome=Profissionais-da-Saude-de-Itapiranga-e-
Educacao-desenvolvem-o-Programa-Saude-na-Escola

Para reforçar a importância das perguntas como base para a reflexão


e a busca de parceria na compreensão do contexto escolar, apresentamos
algumas ideias, a fim de estimular um movimento de pesquisa e curiosidade em
relação às questões de saúde e educação:

42
• Uma escola é saudável quando estimula as crianças a fazerem perguntas e
buscarem respostas de modo coletivo e compartilhado.

• Uma escola é saudável quando seu ambiente é prazeroso, alegre, solidário e


cooperativo.

• Uma escola é saudável quando nela há espaço para todos, sem limitações ao
acesso físico ou cultural.

• Uma escola é saudável quando o conhecimento se constrói de modo


compartilhado e solidário, sem incentivar a competição entre alunos e entre
turmas.

• Uma escola é saudável quando o agente de ensino (o professor) é também


agente da aprendizagem, do conhecimento, da pesquisa em vários momentos
da prática escolar.

• Uma escola é saudável quando abre espaços de diálogos para seus diferentes
atores e se relaciona com seus diferentes contextos.

• Uma escola é saudável quando abriga a diversidade e quando o centro da


escola é a singularidade de cada um.

• Uma escola é saudável quando professores e diretores se compreendem como


uma equipe de trabalho em parceria com alunos, familiares e comunidade e
supera normas e regras, reconstruindo-as na prática educativa promotora de
saúde.

• Uma escola é saudável quando a comunidade escolar reconhece a importância


da prevenção e da aquisição de hábitos de vida saudáveis que transformem as
relações com o próprio corpo e com o ambiente.

• Uma escola é saudável quando promove o cuidado de modo solidário e atento.

• Uma escola é saudável quando a sua prática está baseada na promoção da


saúde e na participação social.

• Uma escola é saudável quando estabelece relações a partir do afeto e da


inclusão.
43
Para desenvolver as ideias e conhecer as experiências sobre a
participação da comunidade dentro da escola, haverá o destaque ao
protagonismo de crianças, adolescentes e jovens nos processos de educação e
saúde da comunidade.

Todos os processos que passam pela escola, contribuindo para o seu


desenvolvimento, dependem do apoio e envolvimento concreto de cada pessoa
inserida nesse contexto, por isso a apropriação das ações é muito importante
para o seu sucesso. As ações devem estar fortemente integradas aos projetos
político-pedagógicos das escolas, passando a ser parte destas.

A escola deve deixar de agregar conteúdos em saúde e passar a


exercitá-los, a construir uma prática saudável de atuação. A comunidade em que
está inserida a escola deve se constituir em sua primeira ponte entre o
conhecimento e o seu ator, entre a sociedade e os diferentes sujeitos que dela
fazem parte.

Produzir uma escola mais saudável, em que o diálogo prevaleça como


principal e mais potente instrumento para construção do conhecimento, é um
caminho simples e possível de ser construído, muito mais simples do que
perpetuar os sentimentos de medo e de opressão vivenciados inúmeras vezes
por professores/as e alunos/as em nossas escolas. O diálogo e a abertura de
“pontes” reais entre a comunidade e a escola e entre alunos/as e professores/as
podem ser caminhos mais curtos para uma escola promotora de saúde e
solidariedade.

44
PERFIL DO TÉCNICO DA ÁREA DE
EDUCAÇÃO EM SAÚDE

http://www.iscal.com.br/educacao/porque.asp

• Ter formação na área de pedagogia com especialização em educação em


saúde ou saúde pública ou saúde coletiva; ou ter formação na área de ciências
humanas, ou ciências sociais ou de saúde, com especialização em educação em
saúde ou saúde pública ou saúde coletiva;

• Identidade e compromisso com a área de Educação em Saúde;

• Identidade e compromisso social;

• Visão crítica e abrangente dos determinantes sociais;

• Experiência na área de Educação em Saúde;

• Experiência de trabalho em equipe;

• Disponibilidade para deslocamentos.

45
EDUCAÇÃO EM SAÚDE E GESTÃO
COLEGIADA

http://www.echsvr.uff.br/admpubead

A gestão das práticas de Educação em Saúde deve ser colegiada


considerando o atual modelo de gestão que enfatiza o compromisso com a
mudança. Este compromisso se expressa em:

• suprimir a imagem da pirâmide e a noção de níveis de gerenciamento;

• desenvolver capacidade de valorizar o potencial de mobilização e de ruptura


das estruturas tradicionais ultrapassadas;

• articular interinstitucionalmente a gestão colegiada, com a quebra da regra da


verticalidade do comando e hierarquia rígida nos fluxos, de forma a superar
racionalidade gerencial hegemônica.

46
PRINCIPAIS ENTIDADES E ATORES DO
PROCESSO

http://www.meirafernandes.com.br/site/destaques/?id=12

• Ministério da Saúde/Funasa; • secretarias estaduais e municipais como


instâncias gestoras do SUS;

• instituições públicas e privadas nas diversas instâncias que atuam com


Educação em Saúde, saneamento ambiental, meio ambiente, recursos hídricos
e com população indígena;

• movimentos populares e de educação popular;

• instâncias de controle social;

• Conass, Conasems;

• universidades;

• associações e organizações da comunidade;

• organizações não-governamentais e outras da sociedade civil organizadas;

47
• trabalhadores de saúde, educação e de saneamento;

• a comunidade.

https://www.google.com.br/search?q=saúde+programa&espv=2&biw=1366&bih=667&source=lnms&tbm

Os dados da pesquisa apontam que a Educação em Saúde tem se


tornado uma importante ferramenta para o trabalho das equipes na Estratégia
Saúde da Família o que denota a necessidade de ampliarem os estudos e
pesquisas sobre o tema.

Considerando a grande expansão da ESF no Brasil observa-se que


os estudos ainda são muito tímidos, pois atingem somente uma pequena parcela
dos programas implantados.

Os estudos sobre Educação em Saúde referidos à enfermagem


sugerem que embora as concepções de Educação em Saúde fundamentada
num modelo dialógico e emancipatório estejam presentes como norte nos
estudos sobre as práticas educativas do enfermeiro inserido no contexto da ESF,
as discussões apontam que na prática cotidiana os profissionais ainda

48
desenvolvem suas ações, na sua maioria, tomando como base o modelo
tradicional.

A análise dos estudos permite concluir que o principal entrave para o


desenvolvimento do modelo dialógico/problematizador é a falta de formação dos
profissionais da equipe de enfermagem voltada para uma mudança de
paradigma profissional para a prática da Educação em Saúde.

Assim, ao se realizar este estudo espera-se contribuir para a


discussão sobre a inserção da Educação em Saúde com base em um modelo
dialógico e emancipatório nas práticas cotidianas do profissional enfermeiro no
contexto da ESF.

SAÚDE E EDUCAÇÃO: INTERFACES


POSSÍVEIS

http://horoscopovirtual.uol.com.br/artigos/astrologia-saude

A discussão em torno da produção social da saúde e o papel da escola


nesta construção é retomada veementemente em um contexto de fomento à

49
repolitização da luta pelo direito à saúde. Em face das comemorações dos 20
anos do Sistema Único de Saúde (SUS), a discussão é refletida no despertar
dos gestores da saúde para atuar e intervir sobre o que determina e condiciona
socialmente a saúde dos sujeitos e comunidades.

O direito à saúde foi reconhecido internacionalmente em 1948 (Declaração


Universal dos Direitos Humanos pela Organização das Nações Unidas - ONU).
No Brasil, a assistência à saúde dos trabalhadores esteve relacionada ao vínculo
formal de trabalho, contemplando somente a parcela da população que
contribuía para a previdência social. A saúde não era tratada como um direito e
sim como um benefício da previdência social para seus contribuintes. Uma
considerável parte da população estava, então, excluída da assistência à saúde
ofertada pelo Governo e as entidades filantrópicas atendiam aos que não podiam
arcar com despesas no crescente sistema de saúde privado.

A luta social pela Reforma Sanitária se iniciou na década de 60 pela


sociedade civil, frente às iniqüidades do setor, e o ponto nevrálgico do
movimento da Reforma foi a realização da 8.ª Conferência Nacional de Saúde
em 1986, com o tema “Saúde como direito de todos e dever do Estado”. No texto
da Constituição Federal de 1988, a saúde passou a integrar o Sistema da
Seguridade Social, com a previdência e a assistência social. O SUS foi, então,
instituído como um sistema universal de atenção e cuidados, com base na
integralidade das ações, abrangendo ações de vigilância e promoção da saúde
e recuperação de doenças e agravos.

Os princípios do SUS, definidos na Constituição Federal, são detalhados


na Lei n.º 8.080 (de 19 de setembro de 1990) e Lei n.º 8.142 (de 28 de dezembro
de 1990), conhecidas como Leis Orgânicas da Saúde.

50
http://maisituverava.com.br/dilma-sanciona-lei-sobre-plastica-no-sus-para-mulher-vitima-de-violencia

OS PRINCÍPIOS ÉTICO-POLÍTICOS DO SUS


SÃO:

• a universalidade do acesso, compreendida como a garantia de acesso aos


serviços de saúde para toda a população, em todos os níveis de assistência,
sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie;

A universalidade é um princípio finalístico, ou seja, é um ideal a ser alcançado,


indicando, portanto, uma das características do sistema que se pretende
construir e um caminho para sua construção. Para que o SUS venha a ser
universal é preciso se desencadear um processo de universalização, isto é, um
processo de extensão de cobertura dos serviços, de modo que venham,

51
paulatinamente, a se tornar acessíveis a toda a população. Para isso, é preciso
eliminar barreiras jurídicas, econômicas, culturais e sociais que se interpõem
entre a população e os serviços.

A primeira delas, a barreira jurídica, foi eliminada com a Constituição Federal de


88, na medida em que universalizou o direito à saúde, e com isso, eliminou a
necessidade do usuário do sistema público colocar-se como trabalhador ou
como “indigente”, situações que condicionavam o acesso aos serviços públicos
antes do SUS.

O pleno exercício desse direito, entretanto, exige a superação das barreiras


econômicas, sociais e culturais que ainda se interpõem entre os usuários e o
sistema de serviços de saúde. Do ponto de vista econômico, ainda que a
população não precise pagar diretamente pelos serviços (o financiamento é
assegurado pelo Estado, mediante a utilização de fundos públicos), não se pode
negar que a enorme parcela 3 da população pobre, que vive em pequenos
municípios com baixo grau de desenvolvimento econômico ou habitam a
periferia das grandes cidades, não dispõem de condições mínimas de acesso
aos serviços, às vezes até porque não tem como pagar o transporte necessário
para chegar a uma unidade de saúde. Por outro lado, o Estado precisa dispor de
um volume de recursos financeiros capaz de ser investido na ampliação da
infraestrutura do sistema, isto é, na construção e reforma de unidades de saúde,
na compra de equipamentos e insumos, na contratação e pagamento de pessoal
qualificado a trabalhar na produção de ações e serviços de saúde de distintas
naturezas e graus de complexidade. Enfim, para garantir a universalização do
acesso, a construção do SUS tem demandado um esforço enorme para a
garantia do Financiamento do sistema, bem como para o Gerenciamento dos
recursos financeiros de modo a que sejam utilizados na expansão e qualificação
dos serviços públicos de saúde em todo o país.

Do ponto de vista sociocultural também existem barreiras, sendo a principal


delas, sem dúvida, a barreira da linguagem, da comunicação entre os
prestadores de serviços e os usuários. Ainda quando chega aos serviços, grande
parte da população não dispõe de condições educacionais e culturais que

52
facilitem o diálogo com os profissionais e trabalhadores de saúde, o que se
reflete, muitas vezes, na dificuldade de entendimento e de aprendizado acerca
do comportamento que deve adotar para se tornar coadjuvante do processo de
prevenção de riscos e de recuperação da sua saúde. Uma simples receita
médica pode ser um texto ininteligível para grande parte da população que não
sabe ler.

• a integralidade da atenção, como um conjunto articulado e contínuo de ações


e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, em todos os níveis de
complexidade do sistema;

A noção de integralidade diz respeito ao leque de ações possíveis para a


promoção da saúde, prevenção de riscos e agravos e assistência a doentes,
implicando a sistematização do conjunto de práticas que vem sendo
desenvolvidas para o enfrentamento dos problemas e o atendimento das
necessidades de saúde. A integralidade é (ou não), um atributo do modelo de
atenção, entendendo-se que um “modelo de atenção integral à saúde”
contempla o conjunto de ações de promoção da saúde, prevenção de riscos e
agravos, assistência e recuperação. Um modelo “integral”, portanto, é aquele
que dispõe de estabelecimentos, unidades de prestação de serviços, pessoal
capacitado e recursos necessários, à produção de ações de saúde que vão
desde as ações inespecíficas de promoção da saúde em grupos populacionais
definidos, às ações específicas de vigilância ambiental, sanitária e
epidemiológica dirigidas ao controle de riscos e danos, até ações de assistência
e recuperação de indivíduos enfermos, sejam ações para a detecção precoce de
doenças, sejam ações de diagnóstico, tratamento e reabilitação.

• a equidade, que embasa a promoção da igualdade com base no


reconhecimento das desigualdades que atingem grupos e indivíduos e na
implementação de ações estratégicas voltadas para sua superação.

A noção de equidade diz respeito à necessidade de se “tratar desigualmente os


desiguais” de modo a se alcançar a igualdade de oportunidades de
sobrevivência, de desenvolvimento pessoal e social entre os membros de uma
dada sociedade. O ponto de partida da noção de equidade é o reconhecimento

53
da desigualdade entre as pessoas e os grupos sociais e o reconhecimento de
que muitas dessas desigualdades são injustas e devem ser superadas. Em
saúde, especificamente, as desigualdades sociais se apresentam como
desigualdades diante do adoecer e do morrer, reconhecendo-se a possibilidade
de redução dessas desigualdades, de modo a garantir condições de vida e saúde
mais iguais para todos.

A contribuição que um sistema de serviços de saúde pode dar à superação das


desigualdades sociais em saúde implica redistribuição da oferta de ações e
serviços, e na redefinição do perfil dessa oferta, de modo a priorizar a atenção
em grupos sociais cujas condições de vida e saúde sejam mais precárias, bem
como enfatizar ações específicas para determinados grupos e pessoas que
apresentem riscos diferenciados de adoecer e morrer por determinados
problemas.

Nesse sentido, cabe destacar os esforços que vem sendo feitos para a
formulação e implementação de Políticas específicas voltadas ao atendimento
de necessidades de segmentos da população que estão expostos a riscos
diferenciados de adoecer e morrer, em função de características genético-
hereditárias, econômico sociais ou histórica-política e culturais, como é o caso
da população indígena, da população negra, da população GLBTT, e outras. Nos
últimos anos, particularmente, os movimentos sociais organizados em torno das
reivindicações e demandas políticas destes grupos tem gerado a adoção de
propostas que se desdobram em programas e projetos específicos no âmbito
das secretarias estaduais e municipais de saúde.

• a participação social, que estabelece o direito da população de participar das


instâncias de gestão do SUS, por meio da gestão participativa, e dos conselhos
de saúde, que são as instâncias de controle social. Essa participação social
significa a corresponsabilidade entre Estado e sociedade civil na produção da
saúde, ou seja, na formulação, na execução, no monitoramento e na avaliação
das políticas e programas de saúde.

Ao estabelecer como princípio organizativo do Sistema Único de Saúde (SUS) a


participação comunitária, a Constituição Federal de 1988 apontou para a

54
relevância da inserção da população brasileira na formulação de políticas
públicas em defesa do direito à saúde. Além disso, atribuiu importância a
instâncias populares na fiscalização e controle das ações do Estado,
considerando as especificidades de cada região brasileira.

A participação social é também denominada “participação comunitária” no


contexto da saúde, sendo estabelecida e regulada pela Lei nº 8.142/90, a partir
da criação de Conselhos de Saúde e Conferências de Saúde, nas três esferas
de governo, bem como de colegiados de gestão nos serviços de saúde. Busca-
se, desta maneira, que atores sociais historicamente não incluídos nos
processos decisórios do país participem, com o objetivo de influenciarem a
definição e a execução da política de saúde.

Os Conselhos de Saúde são órgãos deliberativos que atuam como espaços


participativos estratégicos na reivindicação, formulação, controle e avaliação da
execução das políticas públicas de saúde. Já as Conferências de
Saúde consistem em fóruns públicos que acontecem de quatro em quatro anos,
por meio de discussões realizadas em etapas locais, estaduais e nacional, com
a participação de segmentos sociais representativos do SUS (prestadores,
gestores, trabalhadores e usuários), para avaliar e propor diretrizes para a
formulação da política de saúde.
Juntamente com a gestão destas instâncias e de outras redes de articulação em
prol da garantia da participação social, o desafio que se coloca é a criação de
uma eficiente rede de informação e comunicação ao cidadão sobre estes
espaços de participação. E mais, do cidadão perceber-se como ator fundamental
na reivindicação pelo direito à saúde.

OS PRINCÍPIOS ORGANIZATIVOS DO SUS


SÃO:

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• a intersetorialidade, que prescreve o comprometimento dos diversos setores
do Estado com a produção da saúde e o bem-estar da população – destaca-se
o setor educação como um dos principais setores parceiros na produção social
da saúde.

A atual legislação brasileira ampliou a definição de saúde, considerando-a


resultado de vários fatores determinantes e condicionantes, como alimentação,
moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, educação,
transporte, lazer, acesso a bens e serviços essenciais.

Por isso mesmo, as gestões municipais do SUS – em articulação com as demais


esferas de governo – devem desenvolver ações conjuntas com outros setores
governamentais, como meio ambiente, educação, urbanismo etc., que possam
contribuir, direta ou indiretamente, para a promoção de melhores condições de
vida e da saúde para a população.

• a descentralização político-administrativa, conforme a lógica de um sistema


único, que prevê, para cada esfera de Governo, atribuições próprias e comando
único; • a hierarquização e a regionalização, que organizam a atenção à saúde
segundo níveis de complexidade – básica, média e alta –, oferecidos por área
de abrangência territorial e populacional, conhecidas como regiões de saúde.

Municipalização: O princípio de descentralização que norteia o SUS se dá,


especialmente, pela transferência de responsabilidades e recursos para a esfera
municipal, estimulando novas competências e capacidades político-institucionais
dos gestores locais, além de meios adequados à gestão de redes assistenciais
de caráter regional e macrorregional, permitindo o acesso, a integralidade da
atenção e a racionalização de recursos. Os estados e a União devem contribuir
para a descentralização do SUS, fornecendo cooperação técnica e financeira
para o processo de municipalização.

Regionalização: As ações e os serviços de saúde não podem ser estruturados


apenas na escala dos municípios. Existem no Brasil milhares de pequenas
municipalidades que não possuem em seus territórios condições de oferecer
serviços de alta e média complexidade; por outro lado, existem municípios que

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apresentam serviços de referência, tornando-se polos regionais que garantem o
atendimento da sua população e de municípios vizinhos. Em áreas de divisas
interestaduais, são frequentes os intercâmbios de serviços entre cidades
próximas, mas de estados diferentes. Por isso mesmo, a construção de
consensos e estratégias regionais é uma solução fundamental, que permitirá ao
SUS superar as restrições de acesso, ampliando a capacidade de atendimento
e o processo de descentralização.

• a transversalidade, que estabelece a necessidade de coerência,


complementaridade e reforço recíproco entre órgãos, políticas, programas e
ações de saúde” (Brasil, MS/SGEP, 2007).

No SUS, Transversalidade é um dos princípios da Política Nacional de


Humanização (PNH), que, visa estar presente em todos os programas e políticas
do SUS. Com isso, o resultado esperado é um grau de contato e comunicação
entre pessoas e grupos ampliados, sem hierarquia, reforçando a produção de
saúde com qualidade.

Transversalizar, princípio da PNH, é colocar os saberes e práticas de saúde no


mesmo plano comunicacional, provocando a desestabilização das fronteiras dos
saberes, territórios de poder e modos instituídos nas relações de trabalho, para
produção de um plano comum. Não é, portanto, uma comunicação vertical que
mantém e sustenta a separação de quem elabora daquele que executa, nem é
tão-somente uma prática horizontal que se dá entre iguais. Esta última pode ser
expressa, por exemplo, no distanciamento entre as categorias profissionais a ser
enfrentado nas diferentes instâncias do SUS, desde a formação do profissional
de saúde, a sua atuação na gestão e na atenção, até os sentidos populares
atribuídos a esses profissionais.

Logo, a consolidação do SUS, como um sistema de atenção e


cuidados em saúde, não é suficiente para a efetivação do direito da população à
saúde. São claras as evidências que apontam para os limites da atuação de um

57
sistema de assistência. A conquista da saúde precisa estar articulada à ação
sistemática e intersetorial do Estado sobre os determinantes sociais de saúde,
ou seja, o conjunto dos fatores de ordem econômico-social e cultural que
exercem influência direta ou indireta sobre as condições de saúde da população.

http://www.conass.org.br/consensus/construindo-o-sus-brasil/

Há evidências sobre as limitações de um sistema de saúde


assistencial para a melhoria da qualidade de vida da população, que deve ser
almejada e alcançada frente às articulações intersetoriais do Governo,
sociedade civil, setor privado e outros, para que se possa atuar nos
determinantes e condicionantes da saúde, como educação, trabalho, moradia,
transporte, acesso a lazer, cultura.

A relação dos setores educação e saúde é bastante antiga. Somente


em 1953, o então Ministério da Educação e Saúde se desdobrou em dois: no
Ministério da Saúde e no Ministério da Educação e Cultura. As ações
desenvolvidas pelo Departamento Nacional de Saúde passaram a ser
responsabilidade do Ministério da Saúde. Desde então, os Ministérios da
Educação e da Saúde têm autonomia institucional para elaboração e
implementação de suas políticas.

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A relação dos setores educação e saúde é bastante antiga. Somente
em 1953, o então Ministério da Educação e Saúde se desdobrou em dois: no
Ministério da Saúde e no Ministério da Educação e Cultura. As ações
desenvolvidas pelo Departamento Nacional de Saúde passaram a ser
responsabilidade do Ministério da Saúde. Desde então, os Ministérios da
Educação e da Saúde têm autonomia institucional para elaboração e
implementação de suas políticas.

http://cbnsantos.com.br/sv-promove-a-xi-conferencia-municipal-de-saude-neste-sabado

Diversas articulações entre os Ministérios da Saúde e da Educação


foram potencializadas através da criação de espaços institucionais que têm por
objetivo elaborar propostas de ações em saúde no espaço escolar. A construção
compartilhada destas propostas deve considerar os saberes e práticas de ambos
os setores, além de suas culturas institucionais. Entende-se que outros saberes
e práticas serão concebidos pelos atores envolvidos no processo, de forma a
ressignificar as propostas para que façam sentido para os trabalhadores de
ambos os setores e outros, e atendam às demandas das diferentes comunidades
escolares, coo- responsabilizando os sujeitos na busca de soluções para seus
problemas, visando à melhoria da qualidade de vida.
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PROMOÇÃO DA SAÚDE

https://catracalivre.com.br/sp/saude-bem-estar/indicacao/club-homs-recebe-atividades-para-promocao-da-saude

O SUS construiu-se numa relação intrínseca com os movimentos


sociais pela redemocratização no Brasil, de modo que a saúde fez-se direito
social fundamental e inalienável que não poderia ser pensado nem
adequadamente assegurado desvinculado da cidadania.

Trata-se, desde 1986, por ocasião da 8ª Conferência Nacional de


Saúde, de ratificar o compromisso ético com a produção de políticas sanitárias
que garantam a igualdade de oportunidades e a universalização dos direitos
sociais. Trata-se, partindo do conceito ampliado de saúde, de construir
mecanismos de intervenção na melhoria da qualidade de vida de sujeitos e
coletividades. Em última instância, trata-se de trabalhar pela equidade, pela

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possibilidade de oportunizar condições a sujeitos e coletividades, de construir
modos de viver mais favoráveis à vida e à saúde.

A partir de 2003, os compromissos assumidos desde a construção


do SUS e os desafios colocados no mundo contemporâneo têm sido focos de
reflexão, análise e construção de alternativas políticas e de gestão por parte de
gestores do sistema de saúde brasileiro. Frente a questões cada vez mais
complexas, como a violência, a contaminação ambiental, a urbanização
desordenada ou a produção de saúde nas grandes metrópoles, por exemplo,
evidenciou-se o limite das ações efetuadas isoladamente pelo setor saúde, e/ou
aquelas ações que se valiam exclusivamente do modelo biomédico tradicional.

Nesse cenário, fortaleceu-se a importância de estabelecer modos de


organização do trabalho que privilegiem o diálogo intersetorial, abordem os
determinantes sociais da saúde, invistam na mobilização e na participação
sociais, o que levou à aprovação da Política Nacional de Promoção da Saúde
(PNPS), em 30 de março de 2006 (Brasil, MS, 2006).

A promoção da saúde é definida pela Carta de Ottawa, de 1986, como


“o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua
qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste
processo”. Considerando a influência de aspectos macrossociais, econômicos,
políticos e culturais sobre as condições de vida e saúde da população (WHO,
1986), e reforçando a responsabilidade e os direitos dos indivíduos e da
comunidade pela sua própria saúde, o conceito de promoção da saúde vai
ampliando seus significados.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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http://www.saude.ba.gov.br/pdf/OS_PRINCIPIOS_DO_SUS.pdf. Data de
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