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EXAME 37° OAB/RJ – PROVA PRÁTICO-PROFISSIONAL – DIREITO CIVIL, ADAPTADA.

Gustavo ajuizou, em face de seu vizinho Leonardo, ação com pedido de indenização por dano material
suportado em razão de ter sido atacado pelo cão pastor alemão de propriedade do vizinho.
Segundo relato do autor, o animal, que estava desamarrado dentro do quintal de Leonardo, o atacara,
provocando-lhe corte profundo na face. Em consequência do ocorrido, Gustavo alegou ter gasto R$ 3 mil em
atendimento hospitalar e R$ 2 mil em medicamentos. Os gastos hospitalares foram comprovados por meio
de notas fiscais emitidas pelo hospital no qual Gustavo fora atendido, entretanto ele não apresentou os
comprovantes fiscais relativos aos gastos com medicamentos, alegando ter-se esquecido de pegá-los na
farmácia.
Leonardo, devidamente citado, apresentou contestação, alegando que o ataque ocorrera por provocação
de Gustavo, que jogava pedras no cachorro. Alegou, ainda, que, ante a falta de comprovantes, não poderia
ser computado na indenização o valor gasto com medicamentos. Houve audiência de instrução e
julgamento, na qual as testemunhas ouvidas declararam que a mureta da casa de Leonardo media cerca de
um metro e vinte centímetros e que, de fato, Gustavo atirava pedras no animal antes do evento lesivo.
O juiz da 40.ª Vara Cível de Curitiba proferiu sentença condenando Leonardo a indenizar Gustavo pelos
danos materiais, no valor de R$ 5 mil, sob o argumento de que o proprietário do animal falhara em seu
dever de guarda e por considerar razoável a quantia que o autor alegara ter gasto com medicamentos. Pelos
danos morais decorrentes dos incômodos evidentes em razão do fato, Leonardo foi condenado a pagar
indenização no valor de R$ 6 mil. A sentença foi publicada em 12/1/2015. Após uma semana, Leonardo, não
se conformando com a sentença, procurou advogado. Em face da situação hipotética apresentada, na
qualidade de advogado contratado por Leonardo, elabore a peça processual cabível para a defesa dos
interesses de seu cliente.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 40ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE CURITIBA DO
ESTADO DO PARANÁ.

Processo n....

LEONARDO (NOME COMPLETO), nacionalidade, estado civil, profissão, portador da carteira de identidade
n...., inscrito no CPF n...., endereço eletrônico, domiciliado..., residente (endereço completo), vem por seu
advogado, inconformado com a sentença de fls...., nos autos da AÇÃO COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR
DANO MATERIAL, movida por GUSTAVO (NOME COMPLETO), nacionalidade, estado civil, profissão, portador
da carteira de n...., inscrito no CPF n...., endereço eletrônico, domiciliado..., residente (endereço completo),
tempestivamente, após o devido preparo, interpor:

RECURSO DE APELAÇÃO

para o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, apresentando as razões, anexo.


Diante do exposto, requer que o presente recurso seja recebido nos efeitos previstos em leis, isto é
devolutivo e suspensivo.

Espera deferimento.
Local e data.

Advogado
OAB/UF n....
RAZÕES DO RECURSO DE APELAÇÃO
Apelante: Leonardo
Apelado: Gustavo
Ação: com pedido de indenização por dano material
Processo n....
Egrégio Tribunal,
Não merece prosperar a sentença proferida pelo juiz a quo pelas razões a seguir expostas:

EXPOSIÇÃO DO FATO E DO DIREITO


O apelado ajuizou ação com pedido de indenização por dano material em face do apelante, em razão
de ter sido atacado pelo cão pastor alemão, de propriedade do apelante, seu vizinho.
Segundo relato do apelado, o animal, que estava desamarrado dentro do quintal do apelante, o
atacara, provocando-lhe corte profundo na face. Em consequência do ocorrido, o apelado alegou ter gasto
R$ 3.000,00 em atendimento hospitalar e R$ 2.000,00 em medicamentos. Os gastos hospitalares foram
comprovados pelo apelado através de notas fiscais emitidas pelo hospital em que o mesmo fora atendido,
entretanto este não apresentou os comprovantes fiscais relativos aos gastos com medicamentos, alegando
ter-se esquecido de pegá-los na farmácia.
O apelante, citado, apresentou contestação, alegando que o ataque ocorrera por provocação do
apelado que jogava pedras no cachorro. Alegou, ainda, que, ante a falta de comprovantes, não poderia ser
computado, na indenização, o valor gasto com medicamentos.
Houve audiência de instrução e julgamento, na qual as testemunhas ouvidas declararam que a mureta da
casa do apelante media cerca de um metro e vinte centímetros e que, de fato, o apelado atirava pedras no
animal antes do evento lesivo.
Contudo, o magistrado proferiu sentença condenando o apelante a indenizar o apelado pelos danos
materiais, no valor de R$ 5.000,00, sob o argumento de que o proprietário do animal falhara em seu dever
de guarda e por considerar razoável a quantia que o apelado alegara ter gasto com medicamentos. Pelos
danos morais decorrentes dos incômodos evidentes em razão do fato, o apelante foi condenado a pagar
indenização no valor de R$ 6.000,00.

RAZÕES DO PEDIDO DE REFORMA


Cabe esclarecer que o animal do apelante apenas avançou no apelado, causando as lesões que este
alega ter sofrido, uma vez que o mesmo jogava pedra no animal, tratando-se assim de culpa exclusiva da
vítima conforme preceitua o artigo 936, do CC/02, que dispõe que “o dono, ou o detentor, do animal
ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior”.
Alega ainda o apelado que, em face do ocorrido, gastou R$ 3.000,00 em atendimento hospitalar e R$
2.000,00 em medicamentos, porém, os gastos com medicamentos não foram comprovados através de notas
fiscais, alegando tê-los esquecido de pegá-los na farmácia, sendo assim não há a sua comprovação desses
gastos, não há que se falar em indenização dos mesmos.

RAZÕES DE DECRETAÇÃO DE NULIDADE


O magistrado, ao proferir a sua sentença, além de condenar o apelante ao pagamento de indenização
por danos materiais ao apelado, no valor total de R$ 5.000,00, também o condenou ao pagamento de
indenização por danos morais decorrentes dos incômodos evidentes em razão do fato, no valor de R$
6.000,00, ocorre que em nenhum momento o apelado pleiteou dano moral ao apelante, sendo assim, essa
parte da sentença extra petita, uma vez que o juiz concedeu algo distinto do pedido formulado na inicial
pelo apelado, isto é, o dano moral em momento algum foi pleiteado pelo apelado em sua exordial.

PEDIDO DE NOVA DECISÃO


Requer que o recurso seja conhecido e, ao final, dê provimento para reformar parcialmente a
sentença proferida pelo magistrado para julgar improcedente o pedido de indenização por danos materiais
no valor de R$ 5.000,00, e anular a outra parte da sentença que condenou o apelante em indenização por
danos morais, no valor de R$ 6.000,00, uma vez que estes jamais foram pleiteados pelo apelante.
Espera deferimento. Local e data. Advogado OAB/UF n....