Você está na página 1de 13

Mini-hídrica

Cláudio Monteiro

Mini-Hídricas
Motivações e vantagens

o Tecnologia com elevada eficiência (70% a 90%)

o Elevado factor de capacidade (P/Pmax ), mais de 50% o que é


elevado comparado com solar (10%) e eólica (30%).

o Recurso facilmente previsível

o Taxas de variação e intermitência suaves, pequenas variações


de dia para dia.

o É uma tecnologia muito robusta e matura à mais de 40 anos.

o Como é baseada essencialmente em aproveitamentos de fio de


água os seus impactos ambientais não são muito significativos

1
Mini-Hídricas
Classificação
o São classificadas como “renováveis” por terem diminutos impactos
ambientais relativamente às grandes hídricas.

o A designação central mini-hídrica é usada em Portugal para


designar os aproveitamentos hidroeléctricos de potência inferior a 10
MW. Mas a UNIPEDE recomenda a seguinte classificação:
Potência

Queda

o Em regra, as mini-hídricas são centrais de fio de água, não sendo


possível grande regularização do caudal afluente como ocorre nas
centrais de albufeira.

Mini-Hídricas
Características
o As mini-hídricas não são uma c ópia reduzida das grandes centrais
hídicas, têm características próprias:
n Novas tecnologias com vista a reduzir custos

n Obra civil orientada para sistemas compactos e simples, para reduzir


trabalhos no local

n Turbinas normalizadas com bons rendimentos para uma larga gama de


regimes de funcionamento

n Maior simplicidade de operação incluindo a automatização total da


central

n O maior número de locais com bom potencial encontra-se em


aproveitamento de baixas quedas.

n Utilização de máquinas assíncronas como geradores

2
Mini-Hídricas
Situação em Portugal
o existiam no final de 2001 em Portugal 98 centrais, num
total de 256 MW, sendo 78 (200 MW) centrais do PRE, e
20 (56 MW) centrais do SENV.

o Nos últimos anos a capacidade mini-hídrica estagnou


devido às dificuldades de licenciamento

o Prevê-se para 2010 uma capacidade de 400 MW mas as


dificuldades de licenciamento tornarão esta meta difícil
de alcançar

o As tarifas mantém-se interessantes, tanto para


empreendimentos <10 MW (74€/MWh) como para
10MW<P<30MW que usufruiu um incentivo
recentemente

Mini-Hídricas
Composição de uma mini-hídrica

Barragem

Comporta
de limpeza
Reservatório

Canal de
adução
Caudal Câmara de CondutaCaudal Queda
turbinado carga forçada
ecológico
Casa das
Turbina
máquinas

Caudal
afluente Gerador
Transformador
Restituição
Linha

3
Mini-Hídricas
Caudal
o Caudal modular Qmod (m3/s)
n É o caudal médio anual medido durante vários anos

o Caudal ecol ógico Qe (m3/s)


n É o caudal que não pode ser turbinável por razões
ecológicas e ambientais

o Caudal instalado Qi (m3/s)


n Também designado por caudal máximo turbinável,
é o caudal garantido durante 20% (Q20%) a 30%
(Q30%) do ano. É usual ser superior ao caudal
modular (que estará entre Q15% a Q20%)
n É o caudal usado para dimensionar o equipamento

Mini-Hídricas
Análise do recurso hidrográfico
o Deve ser realizado por especialistas em hidrografia, mas pode ser
medida aproximadamente com base na velocidade da superfície
v(m/s) e a secção transversal S (m2).
8
Q= ×V × S
10
o O instituto da água dispõe de registos em determinados pontos.
Para o local que pretendemos correlacionar com os locais de
referência, com base na relação entre as bacias associadas aos
locais S
Qa = a
× Qb
Sb
o Também é possível correlacionar os caudais com a pluviosidade
média nas bacias hidrográficas

o É necessária uma análise de registos ao longo de vários anos de


forma a calcular o recurso hídrico ao longo do tempo de vida da
mini-hídrica

4
Mini-Hídricas
Análise do recurso hidrográfico
o Podem ser fornecidos os seguintes dados
n Caudais médios diários
n Caudais médios mensais
o Para calcular a energia média produzida
n Caudais em ano seco, húmido e normal
o Útil para estudar cenários
n Caudais de cheias
o Útil para dimensionamento de estruturas de
retenção de água e descarregadores
n Caudais ecoló gicos
o Importante para calcular o caudal turbinável

Mini-Hídricas
Análise do recurso hidrográfico

Curva de caudais cronológicos Curva de caudais classificados

Quantos dias por ano temos caudais 15 dias


superiores a 5 m3/s ?

5
Mini-Hídricas
Análise do recurso hidrográfico
Caudal Uso das curvas
de cheias caudais classificados

Caudal máximo Caudal modular


turbinável
VT
Q mod =
8760× 60 × 60
Caudal instalado
Volume de água
turbinada V T

Caudal mínimo
turbinável

25%

Mini-Hídricas
Caudal mínimo e máximo das turbinas

6
Mini-Hídricas
Altura da queda
o Altura da queda bruta máxima Hbmax (m)
n Diferença máxima entre a altura máxima na
tomada de carga e a altura mínima no rio no ponto
de restituição

o Altura da queda bruta Hb (m)


n Diferença máxima entre a altura na tomada de
carga e a altura no rio no ponto de restituição e
situações de caudal nominal (caudal médio)

o Altura de queda útil H (m)


n Altura da queda bruta menos a altura equivalente
a todas as perdas hidráulicas

Mini-Hídricas
características energéticas
o Potência bruta máxima
Pb max = 9,81× Qi × H b max

o Potência disponível média


Pmed = 9,81 × ηT ×η G × Qmed × H med

o Potência Instalada
Pi = 9,81×ηT ×ηG × Qi × H max

7
Mini-Hídricas
Cálculo da energia anual produzida
Wanual = ∑ 9,81 ×ηT ×ηG × Q × H
P = 9,81×ηT ×η G × Q × H t

ηT Exemplo de uma função para Exemplo de uma função que representa


representar a eficiência a curva de caudais classificados
Q −
t

t

Eficiencia =
a Q = a1 × e b1
+ a2 × e b2

1+ e( −b×Q +c )

125%
Q min V = ∑a × e

t
b

100%
VT
Qi
Q mod =
8760 × 60 × 60
25% Q min

toptimo

Mini-Hídricas
Cálculo da energia anual produzida
o Sabe-se da experiência que o valor óptimo de
dimensionamento (com maior TIR) se encontra para t
entre 20% e 30%.

o Este valor pode ser encontrado por optimização sobre o


modelo de avaliação económica e sendo t variável
independente e o TIR a variável a maximizar. (para
fazer na aula prática)

o O dimensionamento óptimo económico não corresponde


ao óptimo de energia produzida, que é conseguido para
valores de t bastante mais baixos

8
Mini-Hídricas
Cálculo da energia anual produzida
o É usual utilizar múltiplos grupos para aproveitar
melhor os caudais mínimos e para conseguir melhores
curvas de eficiência.
2 grupos a turbinar

Aproveitamento
de caudais mínimos
Q i=5 com 1 grupo a turbinar
1 grupo

2 grupo
3 grupo
Melhor eficiência
Q i=10

A desvantagem de ter vários grupos é que o


custo €/kW é maior

Mini-Hídricas
Diferentes configurações
o Central com canal de
adução e conduta forçada
n alta queda, longe da
barragem

o Central só com conduta


forçada
n Alta queda, perto da
barragem

9
Mini-Hídricas
Diferentes configurações
o Central encastrada na
barragem
n Baixa queda, central na
própria barragem

o Central só com canal de


adução e câmara de carga
n Baixa queda, com central
afastada da barragem

Mini-Hídricas
Viabilidade – “há primeira vista”
o Um empreendimento abaixo dos 100 kW
dificilmente será viável devido aos custos
elevados. Usando turbinas Banki–Mitchell poderá
ter alguma viabilidade.

o Para quedas de mais de 10m poderão ser


rentáveis pequenas bacias (50km 2). Para
menores quedas serão necessitarão bacias
maiores.

o As altas quedas são mais económicas devido à


menor dimensão dos equipamentos e maior
energia

10
Mini-Hídricas
Turbinas de acção - Pelton
o São classificadas como turbinas
de acção por possuírem a
característica de transformar a
energia cinética no jacto injector.

o O uso é adequado para locais


onde haja altas quedas e pequeno
caudal.

o Apresenta bons rendimentos


onde há grande variação de
carga, podendo ser operadas
entre 10 e 100% de sua potência
máxima.

Mini-Hídricas
Turbinas de acção - Banki–Mitchell
o O seu rendimento é inferior aos das
turbinas de projecto convencional, mas
mantém-se num valor elevado ao longo de
uma extensa gama de caudais.

o De tecnologia bastante simples requer


poucos equipamentos para a sua
fabrico e manutenção.

o O seu campo de aplicação atende


quedas de 3 a 100 metros, vazões de
0,02 a 2,0 m3 /s e potência de 1 a 100
kW.

o Devido à sua facilidade de


padronização pode apresentar
rotações espec íficas entre 40 e 200
rpm.

11
Mini-Hídricas
Turbinas de reacção – Kaplan e de hélice
o As turbinas de hélice não são
reguláveis, este tipo de turbinas
permite pouca variação no
caudal (apenas controlado pelo
distribuidor).

o As Kaplan são reguláveis, esta


regulação pode ser dupla,
mobilidade das pás da roda e do
distribuidor.

o Usadas para grandes caudais e


baixas quedas.

o dificuldade de dimensionamento
e custo de fabrico elevado.

Mini-Hídricas
Turbinas de reacção – Francis
o são turbinas adequadas para
operação com condições
intermédias de queda e de
caudal.

o É a turbina de maior uso em


quedas e caudais médios.

o Apresentam um alto rendimento


(80% a 90%), tanto mais alto
quanto maior for a potência.

o Esta turbina pode ser instalada


em caixa espiral (média quedas,
acima de 10 m), ou em caixa
aberta (baixa queda, abaixo de
10 m).

12
Mini-Hídricas
Comparação de turbinas

Mini-Hídricas
Comparação de turbinas

13