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ATIVIDADES PEDAGÓGICAS –

UFCD
ACOMPANHAMENTO, ESTUDOS E
3261
TEMPOS LIVRES DA CRIANÇA
ufcd 3261 – Atividades pedagógicas – acompanhamento, estudos e tempos livres da criança

Índice

Introdução .................................................................................................................. 4

Âmbito do manual..................................................................................................... 4

Objetivos ................................................................................................................. 4

Conteúdos programáticos .......................................................................................... 4

Carga horária ........................................................................................................... 6

1.Actividades pedagógicas - acompanhamento, estudos e tempos livres ........................... 7

1.1.Participação em reuniões de equipa educativa e de pais ......................................... 7

1.2.Elaboração de lista de material de acordo com as necessidades ............................ 10

1.3.Participação na elaboração de horários de acordo com o funcionamento escolar ..... 12

1.4.Dinamização da biblioteca .................................................................................. 14

1.5.Acompanhamento de crianças no recreio............................................................. 17

1.6.Promoção da discussão de diferentes temas ........................................................ 19

1.7.Promoção de técnicas de expressão plástica ........................................................ 21

1.8.Promoção de jogos ............................................................................................ 23

1.9.Acompanhamento de crianças à praia ................................................................. 25

1.10.Acompanhamento de crianças nas visitas de estudo ou passeios ......................... 28

1.11.Participação na promoção de festas .................................................................. 30

1.12.Organização e montagem de exposições de trabalhos efetuados pelas crianças .... 32

2.Actividades pedagógicas - trabalhos de casa .............................................................. 34

2.1.Trabalho escolar individualizado ......................................................................... 35

2.1.1.Sensibilização para a qualidade .................................................................... 35

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2.1.2.Acompanhamento individualizado das dificuldades ao nível da aprendizagem


escolar................................................................................................................ 36

2.1.3.Estimular a investigação .............................................................................. 38

3.Actividades pedagógicas - higiene, saúde e refeições ................................................. 40

3.1.Regras de higiene e saúde ................................................................................. 41

3.1.1.Antes e depois das refeições ........................................................................ 41

3.1.2.Antes, durante e depois das atividades ......................................................... 42

3.2.Refeições .......................................................................................................... 46

3.2.1. Pôr a mesa ................................................................................................ 46

3.2.2.Servir a refeição .......................................................................................... 48

3.2.3.Incutir nas crianças regras sociais ................................................................. 49

3.2.4.A utilização dos talheres e copos .................................................................. 50

3.2.5.A relação com os colegas do lado ................................................................. 51

3.2.6.Ajuda personalizada a crianças com maior dificuldade de alimentação ............. 52

4.Actividades específicas de apoio a crianças deficientes ............................................... 55

4.1.Apoio a crianças deficientes ............................................................................... 55

4.1.1.Apoio à socialização..................................................................................... 56

4.1.2.Desenvolvimento da autonomia .................................................................... 58

4.1.3.Desenvolvimento da motricidade .................................................................. 59

4.1.4.Incentivo da linguagem ............................................................................... 60

5.Aconselhamento, higiene, manutenção e preparação de materiais e equipamentos ....... 62

5.1.Acções de aconselhamento, acompanhamento e cuidados primários de saúde........ 63

5.2.Higiene, manutenção e preparação de materiais, equipamentos e espaços............. 65

5.3.Acompanhamento de entradas, acolhimentos e saídas de crianças ........................ 68

5.4.Acolhimento aos pais, famílias e/ou encarregados de educação ............................. 70

5.5.Prestação de cuidados primários de saúde........................................................... 71

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5.5.1.Ministra os remédios.................................................................................... 71

5.5.2.Limpa e cuida pequenas feridas .................................................................... 72

5.5.3.Acompanha a serviços públicos de saúde ...................................................... 73

5.5.4.Informa os pais de situações de acidente ...................................................... 73

Bibliografia ................................................................................................................ 75

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta
duração nº 3261 – Atividades pedagógicas – acompanhamento, estudos e tempos
livres da criança, de acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Planear e desenvolver atividades pedagógicas de acompanhamento e tempos livres.


 Planificar e orientar os trabalhos de casa e os procedimentos relativos à higiene e às
refeições da criança.

Conteúdos programáticos

 Atividades pedagógicas - acompanhamento, estudos e tempos livres


o Participação em reuniões de equipa educativa e de pais
o Elaboração de lista de material de acordo com as necessidades
o Participação na elaboração de horários de acordo com o funcionamento
escolar
o Participação na organização de festas e passeios
o Dinamização da biblioteca
o Acompanhamento de crianças no recreio
o Promoção da discussão de diferentes temas
o Promoção de técnicas de expressão plástica
o Promoção de jogos
o Acompanhamento de crianças à praia
o Acompanhamento de crianças nas visitas de estudo ou passeios

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o Participação na promoção de festas


o Organização e montagem de exposições de trabalhos efetuados pelas crianças
 Atividades pedagógicas - trabalhos de casa
o Trabalho escolar individualizado
 - Sensibilização para a qualidade
 - Acompanhamento individualizado das dificuldades ao nível da
aprendizagem escolar
 - Estimular a investigação
 Atividades pedagógicas - higiene, saúde e refeições
o Regras de higiene e saúde
 - Antes e depois das refeições
 - Antes, durante e depois das atividades
o Refeições
 - Pôr a mesa
 - Servir a refeição
 - Incutir nas crianças regras sociais
 - A utilização dos talheres e copos
 - A relação com os colegas do lado
 - Ajuda personalizada a crianças com maior dificuldade de alimentação
 Atividades especificas de apoio a crianças deficientes
o Apoio a crianças deficientes
 - Apoio à socialização
 - Desenvolvimento da autonomia
 - Desenvolvimento da motricidade
 - Incentivo da linguagem
 Aconselhamento, higiene, manutenção e preparação de materiais e equipamentos
o Ações de aconselhamento, acompanhamento e cuidados primários de saúde
 - Higiene, manutenção e preparação de materiais, equipamentos e
espaços
 - Acompanhamento de entradas, acolhimentos e saídas de crianças
 - Acolhimento aos pais, famílias e/ou encarregados de educação
 - Prestação de cuidados primários de saúde

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 - Ministra os remédios
 - Limpa e cuida pequenas feridas
 - Acompanha a serviços públicos de saúde
 - Informa os pais de situações de acidente

Carga horária

 50 horas

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1.Actividades pedagógicas - acompanhamento, estudos e


tempos livres

1.1.Participação em reuniões de equipa educativa e de pais


1.2.Elaboração de lista de material de acordo com as necessidades
1.3.Participação na elaboração de horários de acordo com o funcionamento escolar
1.4.Dinamização da biblioteca
1.5.Acompanhamento de crianças no recreio
1.6.Promoção da discussão de diferentes temas
1.7.Promoção de técnicas de expressão plástica
1.8.Promoção de jogos
1.9.Acompanhamento de crianças à praia
1.10.Acompanhamento de crianças nas visitas de estudo ou passeios
1.11.Participação na promoção de festas
1.12.Organização e montagem de exposições de trabalhos efetuados pelas crianças

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1.1.Participação em reuniões de equipa educativa e de pais

Pensa-se que o primeiro contacto dos pais com a instituição, mesmo quando só para pedir
informações, deve ser feito com a responsável, reservando-se algum tempo, exatamente,
para permitir uma melhor informação.

Durante este primeiro contacto devem ser discutidos os princípios de educação utilizados nas
várias experiências e rotinas da vida diária da criança.

Geralmente, se os pais mantêm o interesse na admissão, é feita uma inscrição provisória, e


mais tarde uma definitiva. Nesta última situação, há outros aspetos a incluir e prepara-se
então, mais em pormenor a entrada da criança.

Da parte da instituição já existe, ou pelo menos, deve existir a preocupação de conhecer


mais sobre a criança e sobre os pais. No que se refere à criança há vantagem em utilizar um
questionário de admissão para indagar hábitos e preferências, maneiras de tratar com ela,
maneiras de ela reagir.

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É fundamental discutir a necessidade de a instituição ser uma espécie de prolongamento da


casa, o que só poderá ser conseguido, se os pais e o pessoal compreenderem e aderirem à
facilitação de contactos família – instituição.

Para iniciar a frequência, combina-se o dia e a hora e discute-se com a mãe a forma como
se orientará o período de adaptação, devendo, se possível antes desse dia, apresentar-se a
educadora e a auxiliar.

Neste dia, de preferência entregam-se as normas de funcionamento da instituição se os pais


ainda não as tiverem. Pede-se para as lerem e discutirem com a responsável, que as assina
ficando estas na sua posse, levando os pais um duplicado.

O compromisso em que há um assumir de responsabilidades e que resulta de um documento


escrito e assinado, é importante, tanto para a instituição, como para os pais e considera-se
que deve existir sempre.

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1.2.Elaboração de lista de material de acordo com as necessidades

As instalações dos centros de atividades de tempos livres devem compreender


nomeadamente os seguintes compartimentos e espaços, de harmonia com os requisitos
definidos nas normas seguintes: salas de atividades, instalações sanitárias para as crianças,
sala polivalente, área para alimentação, gabinetes e outros espaços.

Salas de atividades
As salas de atividades destinam-se às atividades pedagógicas e recreativas dos grupos.

Sempre que possível, deverá existir um espaço destinado a ateliers para algumas atividades
específicas das crianças, uma pequena biblioteca ou sala de leitura.

Sala polivalente
A sala polivalente destina-se nomeadamente ao convívio, reuniões de pais e outras,
passagem de filmes, teatro, exposições, encontros vários e refeições das crianças.

Equipamento e material pedagógico

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Os diferentes espaços deverão ser equipados, qualitativa e quantitativamente, com o material


necessário ao desenvolvimento das atividades e de acordo com os interesses das crianças.
O equipamento a ser utilizado pelas crianças deve possuir as seguintes características:
a) Ser adequado às diferentes idades;
b) Ser robusto, oferecer segurança, conforto e proporcionar uma correta postura;
c) Ter formas simples e oferecer boas condições de higiene.

Na escolha dos materiais serão de privilegiar:


 A originalidade – diferentes dos que são habitualmente utilizados em tempo
curricular.
 A versatilidade – possibilidades diversas de utilização e transformação.

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1.3.Participação na elaboração de horários de acordo com o funcionamento


escolar

O horário terá que ser adaptado à diversidade e especificidade de cada estabelecimento


educativo:
 Número de crianças
 Horários de entrada/saída
 Pessoal disponível
 Instalações
 Necessidades e interesses dos pais.

Exemplos:

Jardim de Infância Público

Componente educativa
09h00m ----------12h00m
13h00m ----------15h00m

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Dando resposta às necessidades das famílias e após auscultação efetuada no ato da inscrição,
as crianças podem contar com atividades de prolongamento de horário, no seguinte horário:

Componente Sócio Educativa


08h30m----------09h00m (acolhimento)
12h00m----------13h00m (período de almoço)
15h00m----------18h30m (atividades de tempos livres)

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1.4.Dinamização da biblioteca

Na época atual a maioria das crianças não tem oportunidade de ouvir histórias no seio
familiar. Cabe ao jardim-de-infância e à escola assegurar que lhes não falte essa experiência
tão enriquecedora e tão importante para a aprendizagem da leitura.

Ouvir contar histórias na infância leva à interiorização de um mundo de enredos,


personagens, situações, problemas e soluções, que proporciona às crianças um enorme
enriquecimento pessoal e contribui para a formação de estruturas mentais que lhes
permitirão compreender melhor e mais rapidamente não só as histórias escritas como os
acontecimentos do seu quotidiano.

Um bom contador de histórias tem que saber adaptar-se ao público. Esse ajuste é feito ao
vivo, de uma forma rápida e quase impercetível.

Se a assistência se distrai, há que mudar o relato abreviando o enredo, introduzindo novas


peripécias, criando suspense. Se a assistência se mostra fascinada, vale a pena prolongar o
efeito e ir adiando o desfecho.

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A mesma narrativa terá de apresentar cambiantes conforme a idade das crianças e as


características dos vários grupos.

Etapas da leitura

1.ª Etapa: Apresentação do Livro/Leitura


 Apresentar o livro de forma sugestiva, chamando a atenção para as imagens, para as
personagens e situações, despertando a curiosidade pelo enredo.
 Ler e contar a história, mostrando bem o livro e cada uma das páginas, apresentar
as ilustrações, chamar a atenção para pormenores engraçados a fim de prender a
atenção das crianças e assegurar a compreensão da história.
 Sempre que possível, criar empatia com as personagens e um clima de emoção.

2.ª Etapa: Reconto/Diálogo


 Terminada a leitura/apresentação, promover o reconto da história em diálogo,
assegurando que todas as crianças participam.
 Explicar o que for necessário recorrendo às imagens para esclarecer passagens que
não tenham sido bem compreendidas.
 Tentar captar na expressão das crianças se todas compreenderam a história e
construíram imagens mentais.

3.ª Etapa: Atividades para Reforço do Interesse pelo Livro e pela História e para
Desenvolvimento de Outras Competências
Alguns exemplos:
 Ilustrações feitas individualmente ou em grupo.
 Recorte e colagem de figuras e pintura de cenas alusivas à história, para elaboração
de cartaz a afixar na sala ou noutro espaço da escola.
 Reconto da história com base nas ilustrações dos alunos, recorrendo a retroprojetor
e acetatos, projetor e diapositivos feitos em acetato, fotografia ou digitalização de
desenhos ou cartazes e respetiva projeção com data show.
 Trabalhos de expressão plástica, recorrendo a estampagem, moldagem em barro ou
plasticina e a outras técnicas centradas em cenas, figuras ou pormenores da história.

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 Elaboração de versos sobre a história que encaixem em músicas conhecidas para


poderem ser cantadas.
 Dramatização de cenas que reproduzam os momentos da história.
 Elaboração de máscaras para apoiar a dramatização.
 Elaboração de fantoches, de silhuetas para teatro de sombras e dramatização de
cenas que reproduzam os momentos da história.
 Jogos de descoberta e de adivinhas para verificar a compreensão e a adesão.

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1.5.Acompanhamento de crianças no recreio

O recreio é, por excelência, um local de brincadeiras e divertimento. É suposto que


proporcione também segurança aos mais pequenos.

O pavimento deve estar em boas condições, sem raízes de árvores à superfície, buracos ou
saliências, que possam provocar ferimentos.

Deve existir um espaço considerável entre os diversos equipamentos, para que as crianças
se possam movimentar à vontade, sem chocarem umas com as outras.

Mas não é só o parque que deve ser seguro. O mesmo deverá acontecer com a zona que o
rodeia e os acessos, assim como com a respetiva vedação. Esta deverá encontrar-se intacta,
de modo a impedir que as crianças saiam facilmente do parque e fiquem expostas aos perigos
do exterior (por exemplo, a automóveis).

Os adultos devem vigiar e prestar atenção constante e de perto a cada criança com idade
inferior a 3 anos.

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Os adultos devem ser sempre responsáveis pelas crianças entre os 3 e os 5 anos, num meio
suficientemente aberto que permita tal responsabilização.

As crianças com idade superior a 5 anos podem, numa base individual, ser julgadas
suficientemente maduras para deixar a sala de aula e fazer um recado dentro do edifício.
Isto só deve acontecer com a autorização e conhecimento específico do adulto.

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1.6.Promoção da discussão de diferentes temas

É importante que o educador conduza os trabalhos no sentido da descoberta de formas


assertivas de relacionamento, estabelecendo com os participantes um clima de
autoafirmação, que permita desenvolver:
• O sentido do humor, da simpatia e do acolhimento;
• A capacidade de observação das situações;
• Um relacionamento aberto e franco fundado na segurança da personalidade;
• A qualidade da informação/comunicação, ou de dar/receber feedback;
• A capacidade de escutar e apreciar os outros.

Ao nível dos comportamentos e atitudes:


• Usar a linguagem verbal para identificar os sentimentos e as preocupações das
crianças;
• Pedir às crianças que exprimam por palavras os seus desejos e sentimentos;
• Levar as crianças a apresentar as suas próprias soluções para a resolução de
problemas;
• Dar às crianças escolha para a resolução de um problema, apenas quando elas se
apresentem como opções possíveis de concretizar.

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As crianças vão, gradualmente, percebendo-se e percebendo os outros como diferentes,


permitindo que possam acionar seus próprios recursos e em questões situadas no plano das
ações concretas, poderão gradualmente fazê-lo no plano das ideias e dos valores.

Assim, é preciso planejar oportunidades em que as crianças dirijam as suas próprias ações,
tendo em vista seus recursos individuais e os limites inerentes ao ambiente.

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1.7.Promoção de técnicas de expressão plástica

Área da Expressão Plástica permite representar coisas que fizeram, viram e imaginaram.
Permite aprender a criar e observar mudanças: encaixar coisas, separá-las, ordená-las,
combiná-las e transformá-las. Permite experimentar materiais e técnicas, sem interessar os
resultados.

Esta área deve ser colocada perto de um ponto de água e o chão deve ser facilmente lavável.
É uma área que necessita de muito espaço de trabalho: mesa grande, bancadas, espaço para
bibes, espaço para expor trabalhos ou corda para secar trabalhos.

Os materiais devem ser introduzidos gradualmente para que as crianças aprendam a usá-los
e a cuidar deles.

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Exemplos e objetivos de atividades de expressão plástica

ACTIVIDADES OBJECTIVOS

 Trabalhos com pasta de moldar  Promover a exploração e descoberta


 Trabalhos com plasticina de diferentes, técnicas e materiais,
 Pintura, recorte e colagens  Conduzir à tomada de decisões
 Desenho  Iniciativas e a organizar-se no
 Bordados sentido de conseguir desempenhar
 Pintura de vidro tarefas simples, procurando nos
 Cerâmica outros a colaboração necessária.
 Técnica de pontilho  Trabalhar a destreza manual, a
 Técnica de Stencil imaginação e a cooperação,
 Trabalhos com materiais de  Fomentar o prazer de brincar,
desperdício criando.
 Reciclagem de papel  Desenvolver a criatividade,
utilizando diferentes materiais de
trabalho, nomeadamente materiais
de desperdício.
 Desenvolver a capacidade de
observação e concentração
 Fomentar o trabalho de grupo.
 Desenvolver o trabalho assertivo.

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1.8.Promoção de jogos

O jogo é uma necessidade infantil, tem uma finalidade educacional porque começa como
exercício funcional. A criança que joga, torna-se um adulto preparado. O jogo tem um papel
amplo: leva a criança a pensar.

O jogo funciona para a criança como um "espaço intermediário" entre a fantasia e a


realidade, servindo como meio de aprendizagem e conhecimento do mundo exterior,
permitindo-lhe uma construção de identidade sólida. Assumindo um papel de grande
importância na construção da personalidade e definição de valores.

O facto de o jogo estar presente no desenvolvimento do indivíduo e intervir diretamente no


processo de socialização, indica que este é uma parte integrante da cultura e uma das
características incontornáveis da sociedade.

O jogo começa desde muito cedo a ser parte integrante da vida e do desenvolvimento da
criança, mas essa importância e preponderância não termina com o crescimento,
continuando até ao fim da vida a constituir um fator importante para a estabilização da
personalidade e como atividade lúdica, lazer e competição.

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O facto de jogar, permite a entrada num «novo mundo» que possibilita nunca morrer e
mergulhar numa fantasia criada por quem joga, levando o jogador a desfrutar dos
sentimentos de liberdade e obtendo por momentos uma nova vida.

Dentro de uma metodologia da utilização pedagógica convém sempre respeitar o nível de


desenvolvimento da criança. Nesta perspetiva, podem ser propostas as seguintes atividades:

Crianças de 3 a 4 anos:
 Brincadeiras que exploram atividades de equilíbrio do corpo, subir, correr, transportar
objetos;
 Exploração ativa do meio ambiente, descoberta da novidade, do mundo exterior;
 Exploração das brincadeiras de imitação e iniciação das atividades de socialização;
 Intensificação de atividades de grafismo e colagem;
 Jogos do "porquê", para atender à necessidade da curiosidade da criança

Crianças de 5 a 6 anos:
 Exploração de jogos para enriquecer o vocabulário e introduzi-lo na estrutura da
frase;
 Exploração do imaginário: contar e inventar histórias; improvisação e teatro infantil;
 Jogos para desenvolver a memória;
 Brincadeiras de observação de detalhes;
 Atividades para criação de hábitos de respeito às regras;
 Jogos coletivos para intensificar atitudes de integração, visando a adaptação da
criança à realidade.

Crianças acima dos 6 anos:


 Jogos de concentração, precisão, de resistência e perseverança;
 Brincadeiras de grupo e de desafio;
 Jogos de aperfeiçoamento de habilidades;
 Jogos de classificação e organização.

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1.9.Acompanhamento de crianças à praia

Viagem
Nas idas à praia ou a visitas de estudos/passeios, o professor/educador/animador/técnico de
ação educativa, pode ocupar a função de vigilante.

Nº de vigilantes por veículo


 1, se o veículo transportar menos de 30 crianças;
 2, se o veículo transportar 30 ou mais crianças;
 2, se o veículo tiver dois pisos;

Funções do vigilante
 Utilizar colete retro refletor e raquete de sinalização vermelha em ambas as faces
para acompanhar as crianças no atravessamento da via;
 Garantir o cumprimento dos seguintes aspetos: lotação do veículo e utilização dos
sistemas de retenção para crianças/cintos de segurança.
 Manter-se sempre atento durante a viagem, poderão haver crianças que podem
conseguir tirar o cinto e levantarem-se;
 Fazer uma paragem após uma hora de viagem se esta demorar 2 horas ou mais.
(lanchar, ir à casa-de-banho…);

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 Animar as crianças com canções/músicas.

Chegada à praia
 Manter as crianças sempre juntas.
 Certificar-se onde se situam a farmácia, posto de socorro, mercearia…;
 Escolher um local limpo na areia para estender as mantas;
 Colocar os chapéus-de-sol e montar tendas;
 Colocar as mochilas das crianças à sombra;
 Renovar a aplicação do protetor solar nas crianças;
 Certificar-se que todas as crianças têm boné;
 Explicar-lhes novamente o comportamento que estas devem ter na praia (regras
estabelecidas pelo educador/animador/professor/técnico de ação educativa);
 Se possível, combinem um lugar de fácil acesso, caso uma criança se perca, saber
deslocar-se a esse local;

Vestuário
 Evitar tecidos porosos (quanto mais transparente menos protege);
 Deve ser confortável;
 Deve ser de algodão e fino;
 Os fatos de banho devem ser logo retirados após a ida à água
 A roupa molhada em contacto com a pele favorece o surgimento de micoses.

Idas à água
 Antes de se deslocarem à praia, explicar às crianças o significado da cor das
bandeiras;
 ATENÇÃO: Algumas crianças ficam muito entusiasmadas com a ideia de irem tomar
banho… manter-se atento para evitar fugas de crianças para a água.
 Cada adulto pode levar duas crianças à água, segurando-as pelas mãos e mantendo-
as sempre à borda da água. Se possível, colocar colete salva-vidas nas crianças.

Refeições

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 As crianças podem comer na praia (dentro das tendas, em cima das mantas) ou
podem deslocar-se a um parque que esteja próximo;
 A alimentação e o seu transporte fica a cargo da instituição;
 A alimentação deve ser transportada em lancheiras térmicas;
 Para evitar as intoxicações alimentares e a desidratação com diarreias e vómitos não
deixar as crianças comer fritos ou sandes com molhos.
 Levar frutas, água, sumo de frutas, iogurtes…;
 As crianças devem beber muita água.

Regresso
 Contar as crianças antes de entrar no autocarro
 Identificar as crianças com crachás ou pulseiras (nome da criança, nome do
estabelecimento de ensino, e dois n.ºs de telemóveis de adultos);
 Os adultos não devem ausentar-se todos ao mesmo tempo;
 Ter em atenção as normas de transporte de crianças, aplicáveis e veículos de
transporte coletivo.

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1.10.Acompanhamento de crianças nas visitas de estudo ou passeios

O local a visitar depende dos objetivos que se pretendem atingir. Se a visita se enquadra
num projeto em que intervêm várias disciplinas, a deslocação deve prever a visita a diferentes
locais ou a um local que possibilite leituras diversas.

A data da visita terá de ter em conta a planificação. As marcações deverão ser feitas com
antecedência porque, em muitos casos, é necessária a autorização das instituições que
tutelam o local a visitar. Por outro lado, há que gerir a saída dos alunos, dado que podem
ser programadas outras visitas, podem ser necessários subsídios e apoios para a sua
realização, etc.

O guião ou dossier-guia deverá conter as informações básicas: dia e horário da partida e da


chegada, material necessário, percurso… Contudo, se incluir outros elementos, poderá
constituir um instrumento que oriente e rendibilize a visita de estudo.

Assim, o tema deve ser enunciado, podendo ser acompanhado por um ou mais textos. Os
objetivos gerais e específicos devem ser registados; em muitos casos, os professores
transcrevem os conteúdos programáticos relacionados com a visita.

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Deverão ser assinaladas as paragens previstas durante o percurso, bem como os aspetos
que merecem ser observados: um rio, um monumento, uma atividade agrícola, uma
produção artística…

Estas paragens, que serão sugeridas pelos professores, tendo como critério o interesse que
têm para as suas disciplinas, poderão ser assinaladas pelos alunos num mapa, que deve
constar do dossier.

O pedido de autorização dirigido aos Encarregados de Educação deve fornecer informação


sobre o horário, itinerário, custo e material necessário. Mas, além disso, deve esclarecer os
objetivos da visita.

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1.11.Participação na promoção de festas

Ao nível da formação integral e global das crianças, os objetivos fundamentais preconizados


pelas atividades a realizar são os que se seguem:
 Desenvolver a capacidade de construção e aceitação de regras elementares e de
convivência;
 Desenvolver a solidariedade, compreensão e respeito pelo outro;
 Desenvolver o sentido de autonomia e responsabilidade;
 Fomentar a cooperação no grupo, e promover o trabalho em equipa;
 Estimular o crescimento saudável e o desenvolvimento de cidadãos conscientes e
atentos ao mundo que os rodeia;
 Estimular a criatividade e a capacidade crítica;
 Adquirir e desenvolver atitudes que contribuam para a sua formação e
desenvolvimento (social, afetivo, cognitivo, psicomotor, linguístico…);
 Usufruir momentos de lazer e divertimento.

Em suma, a promoção de festas visa, de uma maneira geral, a promoção do sucesso


educativo das crianças (não apenas o escolar); a formação pessoal e social das crianças e o
desenvolvimento comunitário (desenvolvimento da cultura local).

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O envolvimento das crianças nas atividades comemorativas deve ser estimulado, de forma a
alcançar os seguintes objetivos:
 Promoção da autonomia;
 Estabelecimento de regras de interação grupal;
 Estabelecimento de regras de gestão do tempo e espaço;
 Promoção de uma ponte com a comunidade envolvente.

Desta forma, a distribuição de tarefas (de forma individual ou em grupo) permite estimular
a motivação e fomentar o cumprimento de objetivos, iniciando as crianças nas regras de
trabalhar em projeto.

A sua participação poderá ser enquadrada consoante:


 A diversidade de tarefas disponível para uma mesma atividade;
 A concretização da mesma tarefa ao longo do programa anual de atividades.

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ufcd 3261 – Atividades pedagógicas – acompanhamento, estudos e tempos livres da criança

1.12.Organização e montagem de exposições de trabalhos efetuados pelas


crianças

Na sala de atividades deverão existir existem vários espaços de exposição, que se destinam
à afixação dos trabalhos elaborados durante o ano bem como, instrumentos de pilotagem:
quadro de presenças, dos aniversários, do tempo e toda a informação para a comunidade
educativa.

Uma sala de aula repleta de textos nas paredes mostra claramente que, naquele espaço, a
leitura e a escrita são valorizadas. Da mesma forma, paredes que exibem desenhos e
trabalhos dos alunos dão mostras de que sua produção é valorizada, ou melhor, que o aluno
é valorizado.

Os murais também desempenham papel importante no processo de construção do


conhecimento e, principalmente, da identidade da escola.

Eles transformam a sala em um ambiente que comunica o que os alunos estão aprendendo,
explicita os valores da escola como instituição, especialmente aqueles relacionados ao papel

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da leitura e da escrita na formação dos cidadãos. Ali estão expostas características


fundamentais das práticas e intenções da formação.

Os murais, dentro e fora da sala, podem expor desde:


 Uma lista com o nome dos alunos desenhos e produções escritas por eles;
 Um painel com notícias de jornal, poemas ou letras de músicas;
 Listas dos títulos dos livros ou das histórias que já foram lidas;
 Dicas para resolver um problema de matemática;
 Os resultados de uma pesquisa de ciências;
 Cartazes relacionados a eventos e campanhas na área da saúde e do meio ambiente;
 Trabalhos realizados pelas crianças na área de expressão plástica.

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2.Actividades pedagógicas - trabalhos de casa

2.1.Trabalho escolar individualizado

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2.1.Trabalho escolar individualizado

2.1.1.Sensibilização para a qualidade

Aprender exige concentração. Para aprender alguma coisa, crianças e adultos necessitam de
estar atentos ou seja focar a sua atenção durante um período de tempo. A menos que as
crianças prestem atenção, não se vão lembrar do que se lhes disse, mostrou ou que ela
própria leu.

É necessário ajudar a criança a programar o ano letivo e tudo o que lhe diz respeito. Antes
de mais, é importante incentivar a criança a fazer um horário de estudo. O horário vai permitir
que organize eficazmente o tempo.

Deve ser feito semanalmente, tendo em conta os seguintes princípios:


 Começar pelo horário de dormir, incluir as atividades fixas (refeições, aulas, atividades
de tempos livres, etc.).
 Distribuir o tempo de estudo em função da dificuldade da tarefa.
 Fazer períodos de estudo de cerca de 30/40 minutos e fazer pausas de 10 minutos.
Durante as pausas, aproveitar para relaxar.

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 Colocar os períodos de estudo o mais próximo possível das disciplinas a que dizem
respeito.
 Começar a fazer as tarefas escolares antes do programa favorito de televisão ou de
outra atividade de lazer.

Ninguém nasce a saber como se deve estudar. Para se estudar de forma adequada e eficaz
é necessário seguir determinados passos. Os educadores podem ajudar a criança a aprender
a estudar eficazmente.

Passos a seguir para estudar eficazmente:


 Fazer uma leitura geral.
 Fazer uma segunda leitura mais cuidadosa, sublinhando os aspetos principais.
 Se não perceber alguma coisa ir ao dicionário ou a livros e cadernos onde tenha essa
palavra escrita (é importante que se habitue a consultar o dicionário e outros livros).
 Fazer apontamentos ou um resumo que organize as ideias principais da matéria
(aquelas que foram sublinhadas).
 Ler muitas vezes os apontamentos ou resumos.
 Fazer perguntas a ela própria sobre a matéria estudada.

2.1.2.Acompanhamento individualizado das dificuldades ao nível da


aprendizagem escolar

Apoio pedagógico ou escolar “é o conjunto de atividades proporcionadas pela escola que têm
por objetivo melhorar o rendimento escolar dos alunos”. Pode concretizar-se através de
aulas, atividades em oficinas da disciplina ou disciplinas em que os alunos apresentam
dificuldades.

Para que as medidas de apoio possam conduzir ao sucesso é essencial que se tenham em
conta as diferentes necessidades das crianças, respondendo de forma adequada e
diferenciada às dificuldades apresentadas pelas crianças.

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Se todos forem tratados da mesma maneira, apenas se conseguem aumentar ainda mais as
desigualdades que já existiam na vida escolar.

Cada aluno é um caso especial, rodeado de ambientes favoráveis e desfavoráveis e de


potencialidades, que são um espelho do contexto social em que está inserido.

É fundamental diversificar, imaginar, criar e incentivar um conjunto de atividades que possam


ser, ao mesmo tempo, aliciantes e geradoras de situações de aprendizagem.

É um caminho que professores, auxiliares educativos, pais e alunos têm de trilhar juntos.
O caminho a percorrer leva a uma necessidade constante de se adaptar e adequar a
diferentes etapas e a cada situação individual.

É um percurso que tem de ser flexível e maleável, ao qual o adulto responsável pelo apoio
escolar terá de se adaptar, mudando as estratégias de acordo com o meio escolar onde estar
inserido e ajustando-se às carências de cada criança, dotando-se dos meios necessários para
responder às questões problemáticas que lhe aparecem diariamente.

Devem ser estabelecidas regras no início das atividades de apoio pedagógico:


• Todos vão ter oportunidade de falar;
• Todos devem ser ouvidos sem ser interrompidos;
• Todas as opiniões devem ser respeitadas;
• Ninguém deve ser posto a ridículo, por qualquer razão que seja.

O adulto deve:
• Ser calmo;
• Ser um orientador;
• Dar atenção a todas as crianças;
• Incentivar a participação;
• Mostrar que está a ouvir;
• Observar bem as reações;
• Aceitar todos os sentimentos;

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• Explicar bem o tema de cada atividade;


• Chamar as crianças pelo nome;
• Elogiar as intervenções de todos.

2.1.3.Estimular a investigação

Enraíza-se na curiosidade natural da criança e no seu desejo de saber e compreender porquê.


Curiosidade que é fomentada e alargada na educação pré-escolar através de oportunidades
de contactar com novas situações simultaneamente ocasiões de descoberta e de exploração
do mundo

Um dos objetivos principais é necessariamente é a tentativa de compreender e dar sentido


ao Mundo; partindo da curiosidade e do desejo de saber das crianças: com finalidade de
desenvolvimento das ciências, técnicas, artes, desenvolver formas elaboradas do
pensamento, e até mesmo, a abertura a novos horizontes.

A curiosidade das crianças leva-as muitas vezes a colocarem questões para as quais nem
sempre o(a) educador(a) tem respostas. Por isso, a melhor forma de lhes responder é
organizar atividades de experimentação/investigação a partir das quais elas chegam às suas
próprias conclusões.

Para isso é necessário organizar material, que pode ser arranjado facilmente, a partir de
desperdícios conseguidos quer pelas crianças, quer pelos familiares ou educadores(as).

Sugestões para os (as) educadores (as)


• Desenvolver pequenos projetos ou centros de interesse à volta de tópicos
interessantes a partir das visitas, histórias ou acontecimentos.
• Fazer convites para pessoas virem ao jardim-de-infância, contar às crianças o que
fazem nos seus trabalhos: costureira, carpinteiro, padeiro, médico, correio, agricultor,
etc.;
• Planear atividades para o conhecimento do corpo e os cuidados a ter para a criança
constatar que cresce comparando etapas do seu próprio crescimento desde bebé

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(através de fotografias por exemplo) - os meios de locomoção, os órgãos do corpo.


A exploração de aspetos ligados ao funcionamento do corpo permitirá o tratamento
de questões ligadas à educação para a saúde (alimentação, higiene, etc.);
• Dinamizar pequenos projetos e/ou atividades sobre a família (os elementos da
família, os vínculos, os papéis desempenhando pelos seus membros, os cuidados,
etc.);
• Proporcionar condições para a criança investigar um animal - observar diretamente,
ouvir histórias, ver imagens em fotografias, postais, conversar com pessoas que
tenham ou tratem dos animais, fazer um álbum com desenhos dos animais);
• Dar a conhecer algumas plantas e ajudar a criança a aprender a cuidar delas:
construir uma pequena horta, fazer sementeiras; fazer um herbário;
• Propor e organizar atividades de culinária (um bolo, pãezinhos; uma sopa; salada
de frutas; refrescos; iogurtes) que proporcionam grande prazer às crianças e a partir
das quais elas aprendem noções matemáticas (pesagem e medidas), desenvolvem os
sentimentos (tato, gosto, olfato, visão) e aprendem conceitos sobre os produtos
utilizados;
• Construir uma balança simples e organizar atividades de pesagem;
• Organizar atividades de medição nas atividades de descoberta (utilizando várias
Unidades de medida: um pau ou uma vara, o palmo, o metro etc.)

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3.Actividades pedagógicas - higiene, saúde e refeições

3.1.Regras de higiene e saúde


3.2.Refeições

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3.1.Regras de higiene e saúde

3.1.1.Antes e depois das refeições

A preparação e oferta de refeições em ambientes coletivos requerem técnicas específicas,


incluindo controlo de qualidade permanente, tanto para prevenir contaminações e
intoxicações alimentares quanto para avaliar a qualidade da ementa oferecida às crianças.

O planeamento, junto com as crianças, de ementas equilibradas, de cuidados com a


preparação e oferta de lanches ou outras refeições, de projetos pedagógicos que envolvam
o conhecimento sobre os alimentos, de preparações culinárias quotidianas ou que façam
parte de festividades, permite que elas aprendam sobre a função social da alimentação e as
práticas culturais.

É recomendável que os educadores ofereçam uma variedade de alimentos e cuidem para


que a criança experimente de tudo. O respeito às suas preferências e às suas necessidades
indica que nunca devem ser forçadas a comer, embora possam ser ajudadas por meio da
oferta de alimentos atraentes, bem preparados, oferecidos em ambientes afetivos, tranquilos
e agradáveis.

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Recomenda-se organizar os lanches e/ou demais refeições de forma que as crianças possam
vivenciá-las de acordo com as diversas práticas sociais em torno da alimentação, sempre
permeadas pelo prazer e pela afetividade, permitindo que as crianças conversem entre si.

Seguem algumas recomendações sobre procedimentos na organização das refeições e


algumas sugestões de atividades que visam a integração dos cuidados com a ampliação das
experiências das crianças e que podem ser desenvolvidas nos diversos grupos etários, de
acordo com os interesses e desenvolvimento infantil:
• Arrumar os ambientes onde são servidos pequenos lanches ou demais refeições de
forma a permitir a conversa e a interação entre diferentes grupos, mas, quando o
número de grupos infantis forem grandes (creches e pré-escolas com mais de
cinquenta crianças), evitar oferecê-las para todos os grupos ao mesmo tempo em
grandes refeitórios;
• Permitir que as crianças sentem com quem desejarem para comer e possam
conversar com os seus companheiros;
• Servir refeições em ambientes higiénicos, confortáveis, tranquilos e bonitos, de
acordo com as singularidades de cada grupo etário e com as diversas práticas
culturais de alimentação;
• Possibilitar às crianças oportunidades que propiciem o acesso e conhecimento sobre
os diversos alimentos, o desenvolvimento de habilidades para escolher a sua
alimentação, servir-se e alimentar-se com segurança, prazer e independência.

Assim como os demais cuidados, a alimentação envolve parceria com os familiares. Os bebés
que estão a ser sendo desmamados e recebendo novos alimentos ou crianças que não fazem
todas as refeições na instituição, por exemplo, necessitam que haja um planeamento
conjunto sobre as suas refeições.

3.1.2.Antes, durante e depois das atividades

Uma criança saudável não é apenas aquela que tem o corpo nutrido e limpo, mas aquela que
pode utilizar e desenvolver o seu potencial biológico, emocional e cognitivo, próprio da
espécie humana, em um dado momento histórico e em dada cultura.

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A promoção do crescimento e do desenvolvimento saudável das crianças na instituição


educativa está baseada no desenvolvimento de todas as atitudes e procedimentos que
atendem as necessidades de afeto, alimentação, segurança e integridade corporal e psíquica
durante o período do dia em que elas permanecem na instituição.

Oferecer conforto, segurança física e proteger não significa cercear as oportunidades das
crianças em explorar o ambiente e em conquistar novas habilidades. Significa proporcionar
ambiente seguro e confortável, acompanhar e avaliar constantemente as capacidades das
crianças, pesar os riscos e benefícios de cada atitude e procedimento, além do ambiente.

Ao organizar um ambiente e adotar atitudes e procedimentos de cuidado com a segurança,


conforto e proteção da criança na instituição, os educadores oferecem oportunidades para
que ela desenvolva atitudes e aprenda procedimentos que valorizem o seu bem-estar.

Tanto a creche quanto a pré-escola precisam considerar os cuidados com a ventilação,


insolação, segurança, conforto, estética e higiene do ambiente, objetos, utensílios e
brinquedos.

As cadeiras e mesas utilizadas pelas crianças, os berços e os sanitários precisam ser


adequados ao seu tamanho, confortáveis e permitir que sejam usados com independência e
segurança.

No berçário e nas salas é aconselhável prever a redução da iluminação nos locais onde os
bebés e crianças pequenas dormem, assim como prever a luminosidade adequada à
exploração do ambiente e objetos, às atividades de desenho, leitura e escrita etc.

Os tanques de areia precisam ser ensolarados, revolvidos constantemente e protegidos de


animais. Os brinquedos, tintas e lápis precisam ser seguro, tanto do ponto de vista físico
quanto químico, evitando-se aqueles que contenham pinturas ou outros materiais tóxicos.

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As superfícies dos objetos e pisos precisam facilitar a manutenção da higiene e ao mesmo


tempo serem acolhedores e confortáveis, oferecendo oportunidades para os bebés e as
demais crianças permanecerem livres para explorar o ambiente.

A prestação dos cuidados de higiene é aproveitada como ocasião para estabelecer relação
com a criança e promover a aquisição de competências por parte desta, processando-se de
forma individualizada (p.e. as crianças não são colocadas todas ao mesmo tempo na sanita
ou a lavar as mãos).

Os colaboradores lidam com os acidentes de asseio das crianças de forma calma e adequada.

Os colaboradores explicam à criança a razão de determinados procedimentos de higiene, no


momento em que as crianças os executam (p.e. lavar as mãos, puxar o autoclismo).

Na realização de determinadas atividades ou tarefas, as crianças devem utilizar vestuário de


proteção adequado (p.e. bata, bibe, avental de pintura).

Quando são identificadas situações que indiciam falta de higiene (p.e. fralda não foi mudada,
criança com frequentes eczemas) deve-se proceder ao seu registo.

As crianças são incentivadas a lavar as mãos antes de comer, depois de brincar na terra, de
mexer em animais, limpar o nariz e de ir à casa de banho.

As crianças são encorajadas a ser autónomas e independentes no seu arranjo pessoal (p.e.
a cooperarem na tarefa de vestir e despir, lavar as mãos, ir ao bacio/sanita sozinhas), de
acordo com as suas capacidades e desenvolvimento.

O arranjo pessoal das crianças é um período utilizado para promover experiências de


aprendizagem.

Os colaboradores procuram tornar as tarefas de cuidados pessoais agradáveis para as


crianças (p.e. cantar canções enquanto se lava a cara da criança ou penteia o cabelo).

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O estabelecimento tem um plano de cuidados dentários para as crianças de acordo com as


recomendações dos especialistas (p.e. lavar os dentes depois das refeições com material
individual para cada criança).

Os colaboradores prestam informação às famílias sobre os cuidados de higiene e sobre


estratégias promotoras de uma maior autonomia das crianças neste domínio, promovendo
uma continuidade entre os cuidados prestados em casa e os prestados no estabelecimento
(p.e. informação sobre cuidados dentários, controle de esfíncteres/deixar a fralda, cuidados
com a higiene do corpo).

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3.2.Refeições

3.2.1. Pôr a mesa

O Serviço de alimentação contempla as seguintes refeições diárias:


 Merenda/ lanche da manhã
 Almoço
 Lanche
 Suplemento da tarde (crianças que permaneçam até mais tarde – 18h ou 19h).

As ementas devem ser elaboradas por pessoas especializadas (nutricionista) e devem estar
afixadas, em local visível.

A alimentação deverá ser ajustada a alergias, a intolerâncias alimentares e/ ou à necessidade


de dieta, desde que:
 Estas situações sejam prescritas por médico ou nutricionista
 Os recursos disponíveis permitam a preparação e confeção dessas refeições

Na preparação para as refeições deve haver uma pessoa responsável por recolher informação
sobre o número de refeições (presenças).

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As atividades de apoio na alimentação são aproveitadas como ocasião para estabelecer uma
relação individualizada com a criança.

Em crianças pequenas as refeições proporcionam um contacto físico próprio com um adulto


atento. Aprendem a confiar no mundo como um local onde as pessoas reconhecem e
respondem às suas necessidades.

Em crianças mais crescidas proporcionam a exploração de novos paladares, cheiros e


texturas. Desenvolvem a autonomia e a motricidade: tentam comer sozinhos com os dedos,
uma colher ou uma caneca.

É um momento de convívio social e de interação. Formam atitudes positivas e aprendem


competências sociais vitais que perdurarão vida fora. Aprende através de uma abordagem
ativa enquanto comem.

De acordo com o ritmo de desenvolvimento da criança e as suas competências, as atividades


de apoio na alimentação são aproveitadas como ocasião para estabelecer relação
individualizada com a criança e promover a aquisição de competências por parte desta,
nomeadamente:
 Na realização de pequenas tarefas de preparação do espaço da refeição (p.e. ajudar
a colocar os pratos, guardanapos e talheres na mesa);
 No período de refeições (p.e. usa a colher sozinha para comer, segura o copo para
beber);
 No período pós-refeições (p.e. lavar as mãos depois de comer).

Há uma série de atividades e tarefas que as crianças podem realizar de modo a apoiar as
refeições:
• Distribuir pratos, tigelas, canecas, guardanapos…
• Servir sumo ou leite do jarro para canecas.
• Servirem-se sozinhas da comida que está na travessa.
• Deitar guardanapos para o cesto de papéis.

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• Tirar os restos de comida dos pratos.


• Empilhar os pratos sujos em alguidares para serem lavados.
• Limpar a mesa com água, detergente e esponja.

Todas as crianças adoram cozinhar, mas podem ajudá-la de muitas outras maneiras. Deixe
a criança ajudar a fazer uma salada de fruta, a pôr o fiambre no pão, a colocar comida nos
pratos, a pôr e levantar a mesa.

As crianças gostam de ser úteis, e ajudar na preparação de comida ajuda:


 A torná-la mais independente, pois escolhe o que vai comer e tem mais prazer no ato
de comer.
 A ter um maior controlo das mãos e do pulso;
 A adquirir conhecimentos matemáticos, pois lida com quantidades, pesos e medidas
 A conhecer os diferentes alimentos e explorar com eles as aptidões sensoriais (cheiro,
gosto, as cores, as texturas);
 A trabalhar para um fim, pois está a trabalhar para conseguir qualquer coisa: um
bolo, uma tarte, uma gelatina, etc.

3.2.2.Servir a refeição

Rotina geral
Devem ser estipuladas e cumpridas as seguintes regras antes de cada refeição:
• Lavar as mãos;
• Entrar ordeiramente no refeitório;
• Bonés fora da cabeça;
• Sentar de forma organizada;

Tarefas a realizar pelos auxiliares no período da refeição:


• Ajudar as crianças a lavarem as mãos e colocarem os babetes.
• Colocar as mesas e incentivar as crianças a fazê-lo.
• Ajudar a sentarem-se.

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• Servir as crianças - Preparar a comida de modo a que as crianças possam comer em


segurança (espinhas, temperatura dos alimentos, ….).
• Ter em atenção as crianças que necessitam de uma dieta alimentar ou cuidados
especiais.
• Auxiliá-las sempre e transmitir regras de higiene e comportamento à mesa sempre
que necessário.

Durante as refeições os auxiliares e educadores devem sentar-se à mesa com as crianças e


usar esse tempo para:
• Desenvolver competências e autonomias;
• Encorajá-las a apreciar diferentes tipos de comidas e a utilizar os diferentes utensílios;
• Alertar a criança para não comer alimentos ou usar utensílios que tenham caído no
chão.
• Manter as mesas limpas.
• Retirar os pratos sujos.
• Preparar a fruta.
• Gerir os conflitos.
• Tomar atenção à refeição e posteriormente comunicar aos familiares a falta de apetite
da criança ou outras situações.

3.2.3.Incutir nas crianças regras sociais

As boas maneiras constituem a base do relacionamento em todos os aspetos da nossa vida.


A sua importância no ambiente escolar e na educação de uma criança equipara-se à de
aprender a ler, escrever e contar.

Cabe ao educador consciencializar-se de sua função, para promover e manter um ambiente


alegre, agradável e saudável na sala de aula, com a participação e a colaboração dos alunos.

Muitas crianças estão habituadas a comer em casa de formas diversas e necessitam de


compreender que não está em causa a cultura familiar, mas a necessidade de também
saberem estar à mesa de formas socialmente aceites.

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ufcd 3261 – Atividades pedagógicas – acompanhamento, estudos e tempos livres da criança

Contudo, este tempo pode com facilidade ser um espaço de conflito e mágoa em que se
avoluma o mal-estar entre adultos e crianças.

Para lidar com todos estes aspetos é necessário gerir a ansiedade e ter presente que, mais
importante do que a quantidade que a criança come, é o gosto com que o faz.

Regras gerais de boas maneiras a incutir nas crianças:


• Sempre que possível ajudar a servir os companheiros (crianças mais velhas)
• Comer sempre a sopa (ponto de honra)
• Falar baixo e um de cada vez
• Mastigar os alimentos
• Não comer nem muito depressa nem muito devagar
• Levantar o dedo sempre que necessite de algo
• Arrumar e limpar adequadamente o seu lugar
• Não deitar papéis ou água para o chão.

3.2.4.A utilização dos talheres e copos

Regras a serem cumpridas quanto à posição dos talheres:


 Disposição: prato, faca ao lado direito, garfo ao lado esquerdo, em cima do
guardanapo;
 Durante a refeição: garfo e faca ficam na mão direita, pode-se passar o garfo para a
mão esquerda, mas nunca a faca.
 Enquanto a faca não é usada descanse-a no canto superior do prato, com a serra
voltada para dentro, toda no prato e não com o cabo na mesa;
 Quando terminar a refeição: garfo e faca ficam inteiramente apoiados no centro do
prato, isso indica que a refeição foi encerrada. Eles devem ficar paralelos e não
cruzados.

Em relação à sua utilização:


 Não por nunca a mão na comida, manipulá-la sempre com os talheres;

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 Segurar os talheres graciosamente;


 Não deixe cair comida fora do prato;
 Não gesticular com os talheres na mão;
 Evitar que os alimentos caiam na roupa ou na mesa - e, se isso acontecer, não levá-
los à boca novamente;
 Não brincar com os talheres nem com a comida;
 Não soprar a comida;
 Manter a boca fechada durante a mastigação.

3.2.5.A relação com os colegas do lado

As refeições constituem uma oportunidade diária de:


• Fortalecer relações com as crianças.
• Apoiar as crianças na conversação.
• Ajudar as crianças na exploração.
• Implementar a repetição.

As horas de refeições são momentos onde se podem desenvolver a socialização, o respeito


mútuo, as boas maneiras, a cooperação, entre outros aspetos.

Nessas situações, é preciso que as crianças aprendam a organizar o seu espaço, a


descontrair-se, a comemorar seu aniversário, confraternizando com os colegas, a descobrir
aromas e sabores, a compartilhar essa hora especial do dia-a-dia de cada um. Mais
importante, ainda, é aprender a importância de ter uma boa alimentação.

Ao educador compete respeitar as características, o ritmo, as necessidades e possibilidades


de cada criança, nas diferentes faixas etárias.

Assim acontece com todas as situações, especialmente nas atividades culinárias feitas em
sala, onde as áreas do conhecimento e todos os conteúdos acabam sendo trabalhados de
forma lúdica e de acordo com a vivência das crianças na rotina diária escolar.

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Os adultos ao tomarem parte integrante das refeições das crianças, transmitem uma
mensagem positiva não só sobre o ato de comer como também sobre as relações sociais.
Normalmente as conversas à hora das refeições ocorrem durante os intervalos, quando as
crianças fazem uma pausa para comerem.

As explorações que as crianças fazem durante as refeições, são um processo normal de


satisfazer a curiosidade crescente sobre os objetos e sobre o modo como as suas ações
podem ter efeitos sobre eles.

O facto de os adultos comerem com as crianças, também apoia a necessidade que têm de
repetição, que lhes permite ter domínio sobre uma série de competências de auto ajuda.

3.2.6.Ajuda personalizada a crianças com maior dificuldade de alimentação

É bastante preocupante quando uma criança desenvolve um problema de qualquer tipo


relativamente à comida.

Em todas estas situações, saber o mais possível sobre o que causou o problema e ter uma
estratégia prática para o enfrentar podem ajudar a manter a calma enquanto a criança supera
ou, pelo menos, aprende a viver com o problema.

Problemas com alimentos sólidos


A maioria dos denominados “problemas” não o é de todo; trata-se apenas de uma parte
normal do desmame, à medida que o bebé se habitua a comer com a colher.

Contudo, a relutância em comer alimentos sólidos, por vezes, deve-se a uma doença menor
ou à dentição.

Deve ser consultado um médico se suspeitar de uma doença e experimente um gel de


dentição para aliviar as gengivas doridas. Recusar a comida, cuspi-la, vomitá-la, exigir
qualquer outra coisa ou querer ser alimentado mais lenta ou mais rapidamente são sintomas
normais.

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Por isso:
 Seja paciente, dê tempo ao bebé e encoraje-o.
 Se o bebé parecer não aceitar realmente os alimentos sólidos, tente deixá-los de lado
durante uma semana e em seguida tente novamente.
 Não parta do princípio de que um alimento rejeitado está permanentemente afastado
da ementa: os bebés têm uma memória curta e podem comer hoje com agrado aquilo
que ontem rejeitaram.
 Mantenha-se descontraída. A tensão é contagiosa, e o bebé captará quaisquer sinais
de ansiedade por parte do adulto.

Falta de apetite
O aumento de peso do bebé abranda depois dos seis meses de idade e, por isso, é possível
que se preocupe desnecessariamente com a falta de apetite. Se lhe for dada uma seleção
razoável de alimentos, nenhum bebé passa fome por vontade própria.

O leite pode afetar o apetite por comida sólida, mas não restrinja a ingestão de leite do bebé:
ainda é a sua principal fonte de alimentação. Certifique-se de que não lhe dá comida de mais
entre as refeições para compensar aquilo que não come às horas delas.

Não se preocupe se o bebé comer muito pouco, ingerindo apenas determinado alimento.
Continue a oferecer-lhe outros alimentos e o bebé acabará por comer uma gama mais vasta.

Como tentar uma criança com falta de apetite:


 Preste atenção à apresentação. Certifique-se de que o lugar onde a criança se senta
para comer está limpo e atraente.
 Utilize panos de mesa, pratos e copos coloridos e sejam criativas na apresentação.
 Sirva porções pequenas. Para uma criança com falte de apetite, a comida a mais pode
ser desmotivante.
 Certifique-se de que a criança ingere pelo menos um alimento favorito em cada
refeição.
 Envolva a criança na preparação da refeição e arranjo da mesa.

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 Ofereça novos alimentos sem fazer muito alarido. Disfarce os alimentos novos com
os conhecidos.
 Evite dar-lhe coisas doces como recompensa por ele ter comido algo saboroso.
 Procure garantir que a criança na hora da refeição não esteja demasiado cansada ou
esfomeada.

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4.Actividades específicas de apoio a crianças deficientes

4.1.Apoio a crianças deficientes

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4.1.Apoio a crianças deficientes

4.1.1.Apoio à socialização

A criança desenvolve novas competências por causas da aproximação dos outros sociais,
esses outros entendidos, por um lado, como as novas apropriações semióticas (a linguagem
fundamentalmente) que a criança faz no grupo cultural, e, por outro, o adulto ou par mais
desenvolvido como mediador das novas competências.

A criança com necessidades especiais não é uma criança marcada, pelo déficit, porém alguém
que reúne uma série de atributos que podem pesar favoravelmente para uma aprendizagem
significativa e eficaz.

A socialização e as amizades estão entre os principais objetivos educacionais que permitem


aos alunos serem membros ativos das suas comunidades.

Entretanto é importante que todos os alunos aprendam o máximo que puderem, ou seja,
através da socialização com diferentes colegas em ambientes escolares que as crianças com
necessidades especiais aprendem e conseguem um maior entendimento das disciplinas, e
podem ter muitas oportunidades para uma aprendizagem significativa.

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O papel do professor/educador é importante no sentido de proporcionar à criança diferentes


oportunidades de aprendizagem através de:
 Construir um forte vínculo afetivo;
 Motivar para a interação comunicativa;
 Estimular a capacidade comunicativa;
 Usar estratégias facilitadoras do desenvolvimento;
 Propiciar a compreensão,
 Partilhar as mesmas experiências;
 Facilitar a aprendizagem.

Estratégias para favorecer a socialização:


 Facilitar o contacto com diferentes alunos, promovendo o convívio entre os mesmos:
na sala de aula, no recreio, no bar, no ginásio, etc.
 Visitar outras escolas, assim como outros locais onde se propicie o contacto com
diferentes pares.
 Deixar o aluno explorar objetos, alimentos e pessoas.
 Integrar os alunos multideficientes nas saídas ao exterior, nomeadamente: visitas de
estudo, visitas de carácter recreativo e cultural.
 Ensinar/ estimular a criança a aproximar-se e a tocar nos outros.
 Organizar atividades em que haja a participação de diferentes adultos ou crianças
nas atividades do grupo.
 Envolver encarregados de educação e as famílias neste processo, convidando-os a
organizar atividades, a colaborar no processo ensino-aprendizagem do aluno,
cooperar nas deslocações, auxiliar na organização das atividades, etc.
 Reduzir os tempos e duração de algumas atividades, de forma a aumentar o nível de
participação dos alunos.
 Construir rotinas de apoio de modo a que os colegas possam colaborar e participar
na adaptação do aluno multideficiente às atividades na sala de aula.
 Realizar intercâmbios com outras escolas, instituições e outras entidades, a fim de
promover a interação com diferentes pessoas e diferentes ambientes.

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4.1.2.Desenvolvimento da autonomia

A intervenção pedagógica exige uma avaliação anterior e o seguimento de estratégias


definidas às necessidades educativas especiais de cada criança e dos problemas de
aprendizagem dela emergentes.

A intervenção pedagógica deve começar aquando do início da escolaridade da criança e,


preferencialmente, no período antecedente para que o binómio avaliação / intervenção se
adeque, numa estratégia pluridisciplinar, à resolução e/ ou reeducação das necessidades
específicas da criança.

Nas áreas de maior dificuldade, os educadores devem ministrar exercícios e atividades que
promovam estratégias seletivas e o uso de métodos, materiais, espaços e atividades em
tempo útil.

Face à criança que demonstre necessidades educativas especiais, é formado um plano


educativo individual que a caracteriza, fundamenta as medidas adotadas, estabelece os
objetivos e as prioridades educativas e identifica os elementos que colaboram no
desenvolvimento do mesmo.

Para responder à especificidade das necessidades da criança, o plano é um instrumento


fundamental na operacionalidade e eficácia de adequação dos processos de ensino e de
aprendizagem e é válido para todo o ano letivo.

Estratégias para desenvolver a autonomia:


 Promover a participação dos alunos de forma parcial, ou seja, dar a possibilidade ao
aluno de realizar alguns passos da tarefa, com ou sem ajuda, na ausência da
capacidade de realização da mesma.
 Comer sozinho (ou com pouca ajuda).
 Diversificar os ambientes de realização das tarefas.
 Realizar as atividades de higiene, como lavar a cara, as mãos, tomar banho, lavar os
dentes.

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 Ter formas de comunicação que lhes permitam chamar a atenção, pedir ajuda,
recusar ou pedir mais.
 Deslocar-se com pouca ajuda em espaços da sua rotina diária.
 Conhecer os espaços onde se desloca e move, assim como as pessoas que os
compõem, com a escola, casa e comunidade.
 Trabalhar a independência no uso da casa de banho (ser o mais independente
possível e pedir ajuda quando não consegue ser autónomo).
 Proporcionar atividades que facilitem o alargamento de experiências, em diferentes
ambientes.

4.1.3.Desenvolvimento da motricidade

Uma criança multideficiente apresenta um quadro complexo, específico e bastante


individualizado, resultante de alterações nas funções motoras devido a limitações do sistema
ósseo – articular, muscular e/ou nervoso que, de modo variado, limita as atividades e
interações da criança.

As limitações podem ser:


 Ao nível das articulações e da estrutura óssea;
 Ao nível muscular;
 Ao nível do movimento.

Estratégias para desenvolver a motricidade:


 Aplicar materiais/ objetos surpresa durante as atividades para auxiliar no
desenvolvimento de tarefas manuais.
 Realizar atividades variando os espaços de realização das mesmas.
 Aproveitar materiais/ equipamentos que permitam o trabalho de habilidades motoras,
como: puxar, largar objetos.
 Utilizar materiais estimuladores e diversificados.
 Realizar atividades que promovam e desenvolvam a consciência do próprio corpo, a
lateralidade, coordenação geral, o equilíbrio, organização do esquema corporal e
organização espacial.

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 Realizar atividades que auxiliem o desenvolvimento da motricidade fina e grosseira.


 Ter em conta os posicionamentos da criança (recorrer à ajuda de um terapeuta
ocupacional ou fisioterapeuta, se necessário).
 Realizar atividades de carácter individual e em grupos.
 Planificar atividades tendo em conta as capacidades e as limitações do aluno,
realizando as devidas adaptações, assim como as progressões pedagógicas.

4.1.4.Incentivo da linguagem

O atraso no desenvolvimento da linguagem pode ter consequências cognitivas, sociais e


emocionais de grande alcance.

As crianças que mostram uma tendência fora do habitual para pronunciar inadequadamente
palavras aos 2 anos, que têm um vocabulário pobre aos 3 anos ou que têm problemas a
nomear objetos aos 5 anos, são mais propensas a ter dificuldades de leitura mais tarde.

As crianças que não falam ou compreendem tão bem como os seus pares, tendem a ser
julgadas negativamente pelos adultos e pelas outras crianças.

A terapia da fala e da linguagem para crianças com atraso no desenvolvimento da linguagem


deve começar com uma avaliação profissional tanto da criança como da família.

Pode incluir estratégias terapêuticas focando formas linguísticas específicas, um programa


pré-escolar especializado para as competências linguísticas e programas de seguimento,
tanto dentro como fora da escola, durante o período da escolaridade básica.

Os atrasos da fala formam, na realidade, um contínuo com os atrasos da linguagem. Quando


nos referimos a estes últimos, incluímos as dificuldades gerais da linguagem, o desajuste
cronológico que existe em todos os níveis do sistema, tanto no fonológico como no
morfossintático e de vocabulário.

Estratégias para desenvolver a comunicação:

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 Criar atividades diversificadas que propiciem a informação e originem a necessidade


de comunicar - variando os espaços, as atividades, falar de temas de acordo com os
seus interesses, etc.
 Identificar os parceiros com quem comunica através dos nomes, dum gesto ou de um
objeto de referência - apresentar as crianças uma às outras, colocar questões ao
grupo acerca das presenças e ausências, estabelecer uma rotina clara e com
consequências das ações, dizer o nome das crianças para obter a sua atenção, etc.
 Estruturar as ações no tempo de forma sistemática - lavar as mãos antes de comer,
vestir o casaco antes de ir para casa, etc.
 Organizar o calendário do tempo onde se indiquem as ações diárias e a sua sequência,
utilizando desenhos, objetos e escrita, de acordo com as capacidades do aluno.
 Ter formas de comunicação variadas de acordo com as capacidades do aluno e para
que todos os presentes entendam - representar a mesma atividade de diversas
formas, colocar a mão da criança sobre a sua para que esta sinta o que está a realizar
e se sinta motivada para imitar, etc.
 Tomar atenção às formas de resposta do aluno (como: movimentos corporais,
expressões, posturas, respirações, etc.).
 Dar tempo para que a criança responda às iniciativas propostas.
 Diversificar os contextos e parceiros de comunicação - levá-lo à sala de aula, ao
recreio, etc.
 Levar o aluno a pedir materiais em função das atividades propostas, estimulando
assim a comunicação - ao almoço não lhe dar o copo com água, não colocar o talher,
etc.
 Responder de forma positiva a todas as formas e tentativas de comunicação -
incentivar, dar pistas.
 Dar informação verbal acerca da atividade que a criança realiza, utilizando sempre a
fala em conjugação com outras formas de comunicação.
 Mediar a quantidade de informação e a forma como é transmitida à criança, uma vez
que muita informação e mal estruturada podem ser motivo de confusão e mesmo de
desmotivação para a criança.

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5.Aconselhamento, higiene, manutenção e preparação de


materiais e equipamentos

5.1.Acções de aconselhamento, acompanhamento e cuidados primários de saúde


5.2.Higiene, manutenção e preparação de materiais, equipamentos e espaços
5.3.Acompanhamento de entradas, acolhimentos e saídas de crianças
5.4.Acolhimento aos pais, famílias e/ou encarregados de educação
5.5.Prestação de cuidados primários de saúde

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5.1.Acções de aconselhamento, acompanhamento e cuidados primários de


saúde

É recomendável que todos os educadores reconheçam e saibam como proceder diante de


crianças com sinais de mal-estar, como febre, vómito, convulsão, sangramento nasal, ou
quando ocorre um acidente.

As famílias têm conhecimento das regras de atuação do estabelecimento em situações de


emergência médica ou de doença da criança.

Para prestar cuidados de saúde o estabelecimento dispõe de apoio de um médico ou


enfermeiro (p.e. através do estabelecimento de protocolos de colaboração com o centro de
saúde da área do estabelecimento).

No estabelecimento existe um colaborador com formação na área de primeiros socorros. Na


sua ausência deve estar nomeado um substituto.

Os colaboradores possuem formação para a identificação e deteção de doenças contagiosas,


sobretudo para as mais frequentes nesta faixa etária (p.e. sarampo, varicela, papeira).

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ufcd 3261 – Atividades pedagógicas – acompanhamento, estudos e tempos livres da criança

Em todas as situações de acidente, o colaborador respeita as normas de higiene


estabelecidas no âmbito dos cuidados de primeiros socorros.

No caso em que a criança tenha que permanecer em casa por motivos de saúde, o
estabelecimento entra em contacto com a família para tomar conhecimento da situação de
saúde da criança.

No caso de doença contagiosa deve ser avaliada a situação de possível contágio a outras
crianças e serem tomadas as medidas necessárias, nomeadamente, alertar as entidades
responsáveis.

Em situação de doença prolongada que implique a permanência da criança em casa por mais
de três dias úteis, esta só poderá voltar a frequentar o estabelecimento após apresentação
de uma declaração médica que ateste a sua situação de saúde.

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5.2.Higiene, manutenção e preparação de materiais, equipamentos e


espaços

A estruturação do espaço, a forma como os materiais estão organizados, a qualidade e


adequação dos mesmos são elementos essenciais de um projeto educativo.

Espaço físico, materiais, brinquedos, instrumentos sonoros e mobiliários não devem ser vistos
como elementos passivos, mas como componentes ativos do processo educacional que
refletem a conceção de educação assumida pela instituição.

Constituem-se em poderosos auxiliares da aprendizagem. A sua presença desponta como


um dos indicadores importantes para a definição de práticas educativas de qualidade em
instituição de educação infantil.

No entanto, a melhoria da ação educativa não depende exclusivamente da existência destes


objetos, mas está condicionada ao uso que fazem deles os professores junto às crianças com
as quais trabalham.

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Os professores preparam o ambiente para que a criança possa aprender de forma ativa na
interação com outras crianças e com os adultos.

O espaço na instituição de educação infantil deve propiciar condições para que as crianças
possam usufruí-lo em benefício do seu desenvolvimento e aprendizagem. Para tanto, é
preciso que o espaço seja versátil e permeável à sua ação, sujeito às modificações propostas
pelas crianças e pelos professores em função das ações desenvolvidas.

Deve ser pensado e rearranjado, considerando as diferentes necessidades de cada faixa


etária, assim como os diferentes projetos e atividades que estão sendo desenvolvidos.

Particularmente, as crianças de zero a um ano de idade necessitam de um espaço


especialmente preparado onde possam engatinhar livremente, ensaiar os primeiros passos,
brincar, interagir com outras crianças, repousar quando sentirem necessidade etc.

Os vários momentos do dia que demandam mais espaço livre para movimentação corporal
ou ambientes para aconchego e/ou para maior concentração, ou ainda, atividades de
cuidados implicam, também, planejar, organizar e mudar constantemente o espaço.

Nas salas, a forma de organização pode comportar ambientes que permitem o


desenvolvimento de atividades diversificadas e simultâneas, como, por exemplo, ambientes
para jogos, artes, faz-de-conta, leitura etc.

Pesquisas indicam que ambientes divididos são mais indicados para estruturar espaços para
crianças pequenas ao invés de grandes áreas livres. Os pequenos interagem melhor em
grupos quando estão em espaços menores e mais aconchegantes de onde podem visualizar
o adulto.

Os elementos que dividem o espaço são variados, podendo ser prateleiras baixas, pequenas
casinhas, caixas, biombos baixos dos mais diversos tipos etc. Esse tipo de organização
favorece à criança ficar sozinha, se assim o desejar.

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Na área externa, há que se criar espaços lúdicos que sejam alternativos e permitam que as
crianças corram, balancem, subam, desçam e escalem ambientes diferenciados, pendurem-
se, escorreguem, rolem, joguem bola, brinquem com água e areia, escondam-se etc.

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5.3.Acompanhamento de entradas, acolhimentos e saídas de crianças

É à chegada, de manhã, que muitas vezes as crianças se manifestam à separação dos pais,
ficando depois bem durante o resto do dia. Isto pode acontecer com uma criança que até já
estava adaptada e, a certa altura, começa outra vez a reagir à separação.

Quando a criança entra no primeiro dia e seguintes, embora não exista exatamente uma
“receita” de atitudes, porque cada criança é diferente e cada educadora ou auxiliar é também
diferente, há contudo, alguns pontos que merecem estar presentes, para orientação do
período de adaptação.

Estes pontos são os seguintes:


• Interessa fundamentalmente adaptar a criança a “uma pessoa” e não ao ambiente,
porque a adaptação ao ambiente vai ser conseguida através dessa pessoa adulta;
• A observação que é feita à criança no que se refere ao seu comportamento é que
serve de guia para as atitudes a tomar;
• A criança deve ser entregue à pessoa que vai prestar-lhe cuidados durante o maior
número de horas, na sua frequência diária;

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• A adaptação da criança, entre os 8 e os 18 meses de idade é, por via de regra, mais


difícil;
• Deve existir uma atmosfera acolhedora e agradável que permita aos pais sentirem
que são sempre bem-vindos, sendo encorajados a visitarem a criança em qualquer
altura. Esta estratégia irá tranquilizar os pais facilitando muito o processo de
separação mãe/criança;
• O adulto (que recebe a criança) tem de utilizar as informações recolhidas sobre a
criança – hábitos, preferências e ambiente – e procurar no contacto com os pais
adquirir mais informações, para saber conduzir melhor o período de adaptação,
procurando que a criança se adapte gradualmente;
• Deve distribuir o seu tempo de trabalho de forma a ter mais tempo para as crianças
recém-admitidas, e contactos com os pais para troca de informações;
• Deve manter uma atitude permissiva à presença dos pais, tentando quanto possível
que a mãe esteja mais tempo na creche, durante e fase de admissão;
• O adulto deve receber e entregar as crianças em condições que evitem atropelos e
dificuldade de comunicação. Deve assegurar que a criança só seja entregue aos pais
ou pessoa previamente indicada por estes e, devidamente identificada.

É à saída que se devem dar as informações acerca da forma como a criança passou o dia, e
verifica-se que por vezes as mães têm tendência a sentar-se e falar um pouco de si.

Tal como o momento da chegada no início do dia, a saída deve ser agradável, contribuindo
para as boas relações entre os pais e o adulto.

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5.4.Acolhimento aos pais, famílias e/ou encarregados de educação

Na resposta de uma instituição educativa um dos aspetos mais importantes é o


relacionamento e o respeito que os colaboradores mantêm e demonstram para com a família
e sua criança.

As crianças, ao sentir uma continuidade nos cuidados que lhe são prestados entre o ambiente
de casa e o ambiente de instituição desenvolvem maiores sentimentos de segurança e de
capacidade de confiar no outro. Tal também permite uma transição mais fácil para um
ambiente que lhe é novo.

Os membros das famílias são bem-vindos no estabelecimento e contribuem com o seu


conhecimento e capacidades para enriquecer o programa de atividades a implementar na
resposta de instituição, sendo eles os principais responsáveis pelo bem-estar das crianças aí
acolhidas e as pessoas que melhor as conhecem.

Os colaboradores procuram manter um contacto consistente com cada criança, procurando


ficar a conhecê-la e à sua família. Tal promove o estabelecer de laços de segurança e
confiança, aspetos promotores de uma melhor adaptação e de um desenvolvimento
psicossocial global mais adequado e adaptado das crianças.

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5.5.Prestação de cuidados primários de saúde

5.5.1.Ministra os remédios

O estabelecimento só deverá administrar medicamentos mediante a apresentação de


prescrição ou declaração médica pelas famílias.

Na ausência de declaração médica, deve ser solicitado às famílias um termo de


responsabilidade, identificando a forma e horário de administração do medicamento.

Os medicamentos são guardados em local seguro, nas embalagens originais,


salvaguardando-se as suas condições de preservação e de validade.

O responsável pela assistência efetua os registos da assistência medicamentosa.

No final do dia, deve ser transmitida à família informação relativa ao estado de saúde da
criança e como decorreu a administração de medicamentos à criança.

Quando a administração de medicamentos envolve conhecimentos técnicos específicos ou a


execução de determinados procedimentos, os colaboradores diretamente envolvidos devem

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ter formação adequada (p.e. na administração de insulina, que fazer perante um ataque de
epilepsia).

5.5.2.Limpa e cuida pequenas feridas

Ferimentos na pele
Como atuar:
 Lave a região com água e sabão, preferencialmente de glicerina ou de coco, por dois
minutos. Depois cubra-a com uma gaze limpa ou curativo adequado.
 Evite movimentos bruscos, mantendo a parte ferida em posição normal, sem o apoio
de tipóias ou algo semelhante.
 Havendo sangramento intenso, comprima o local afetado com outra gaze limpa até
que a vítima pare de sangrar.
 Quando o objeto que causou o acidente estiver sujo ou enferrujado, caso a carteira
de vacinação não esteja em dia, será necessária a vacina antitetânica, que pode ser
aplicada em hospitais ou postos de saúde.

Cortes
Como atuar:
 Em casos de pequenos cortes, lavar com água e sabão, retirando a sujidade
 Fazer compressão local com pano limpo, até parar o sangramento.
 Cobrir com um curativo hipoalergénico e semipermeável
 • Em caso de ferimentos maiores, lavar com água e sabão, comprimir com pano
limpo, encaminhando a criança para a emergência médica.

Queimaduras em geral
Como atuar:
 Para aliviar a dor, humedecer a região queimada com compressas ou toalhas
dobradas embebidas em água fria.
 Mãos e braços podem ser mergulhados na água, mas não coloque o acidentado sob
o chuveiro frio. Sacos de gelo não têm eficácia. Após estes procedimentos, deixe a
queimadura livre, sem nada por cima.

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 Objetos que ainda estejam na região afetada (anéis, relógios, pulseiras) devem ser
removidos antes que o inchaço crie mais problemas. Porém, se a retirada for
traumática, deixe que um médico o faça. Não use cremes ou antissépticos. Se
formarem-se bolhas, não mexa nelas.

5.5.3.Acompanha a serviços públicos de saúde

Nas situações em que a criança fique doente ou ocorra um acidente durante a sua
permanência no estabelecimento, o responsável realiza uma avaliação sumária da gravidade
da situação:
• Se a criança necessitar de cuidados médicos urgentes, o responsável entra em
contacto com a família e dirige-se ao serviço de saúde. Caso a criança regresse ao
estabelecimento, deve permanecer em local destinado para o efeito e se necessário
acompanhada até à chegada da família;
• Se a criança não necessitar de cuidados médicos urgentes, o estabelecimento entra
em contacto a família, para a entregar aos seus cuidados.

Para prevenir situações de contágio a criança deve permanecer acompanhada num espaço
destinado para o efeito.

Existe uma caixa de primeiros socorros em todas as salas de atividades para as crianças,
acessível aos colaboradores e fora do alcance das crianças. O seu conteúdo é verificado
regularmente (p.e. prazos de validade e respetivo conteúdo) e reconhecido pelas autoridades
nacionais de saúde.

5.5.4.Informa os pais de situações de acidente

Existe um colaborador responsável pelos procedimentos necessários em situação de


acidentes ou de doença.

Estes procedimentos estão sempre acessíveis a todos os colaboradores.

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O estabelecimento disponibiliza informação às famílias sobre cuidados de saúde e de


desenvolvimento das crianças (p.e. nutrição, doenças relacionadas com crianças e respetivos
procedimentos, serviços e locais de saúde, reconhecimento de problemas de saúde,
encaminhamento das situações e despistagem de saúde gratuitos).

Todos os contactos necessários para resolução de situações de emergência de uma criança


(p.e. contactos da família, do médico assistente, de seguros de saúde, do número de
emergência nacional, do serviço de bombeiros, do hospital), estão em local acessível aos
colaboradores.

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Bibliografia

AA VV., Organização da componente de apoio à família, Ministério de Educação:


Departamento de Educação Básica, 2002

AA VV., Orientações curriculares para a educação pré-escolar, Ministério de Educação:


Departamento de Educação Básica, 1997

AA VV., Pensar formação – Formação de pessoal não-docente (animadores e auxiliares/


assistentes de ação educativa), Ministério de Educação: Departamento de Educação Básica,
2003

Alves, Ana Paula, Apoio ao desenvolvimento infantil: manual do formando, Projeto Delfim/
Subprojecto Igualdade de Oportunidades, 2000

Webgrafia

 Como organizar um ATL – Guia prático ANJE


http://www.anje.pt
 Estratégias de intervenção em crianças com necessidades educativas especiais (NEE)
http://especialid.blogspot.pt/

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Termos e condições de utilização

AVISO LEGAL

O presente manual de formação destina-se a utilização em contexto educativo.


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