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AVALIAÇÃO DA PHDA

ESCALAS REVISTAS DE CONNERS (1997)

Texto de

Ana Nascimento Rodrigues


Faculdade de Motricidade Humana

Educação Especial e Reabilitação

Este texto faz parte integrante da Monografia de Doutoramento.

Rodrigues, Ana (2004). Contributos para a Avaliação da Criança com Perturbação de


Hiperactividade e Défice de Atenção. Estudo de Estandardização e Propriedades
Psicométricas das Formas Reduzidas das Escalas de Conners Revistas para Professores e
Pais em crianças do primeiro ciclo. Monografia apresentada com vista à obtenção do grau
de Doutor em Motricidade Humana na Especialidade de Educação Especial. Faculdade de
Motricidade Humana. Fevereiro de 2004. Trabalho não publicado.
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
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Escalas Revistas de Conners (1997)

Introdução

As Escalas de Conners – Versões Revistas (Revised Conners Ratting Scales –


CRS – R), na abreviatura portuguesa EC-R, avaliam os problemas de comportamento,

obtendo (e conjugando quando possível) respostas de professores, pais (ou outras pessoas
responsáveis pela educação da criança) e adolescentes. Têm uma função imprescindível
no processo de avaliação multimodal da PHDA e, em conjunto com outros instrumentos de
avaliação e outras fontes de informação, são uma preciosa ajuda no processo de avaliação
e diagnóstico em Saúde Mental Infantil.

As Escalas de Conners – Versões Revistas (EC-R) são o culminar de 30 anos de


investigação no domínio da Psicopatologia da Infância e Adolescência e no âmbito
específico dos problemas de comportamento. A Revisão das Escalas de Conners tem sido
um facto ao longo destes 30 anos da sua utilização, no entanto a revisão resultante na
publicação das Escalas em 1997 foi efectivamente a mais substancial. Existiram muitas
razões para esta revisão, que são expostas pelo autor ao longo de todo o Manual de
Utilização, mas só nos referimos às três principais por serem também as razões que nos
conduziram na escolha deste instrumento para o nosso estudo:

1. Relação directa com os critérios de diagnóstico publicados no DSM-IV (1994) - A


publicação dos critérios de diagnóstico da PHDA pela Associação de Psiquiatria
Americana em 1994, a partir do Manual Estatístico de Diagnóstico – 4ª edição (DSM-
IV), conduziu à necessidade de reestruturar os itens de forma a encontrar uma maior
coerência entre diferentes formas de estabelecer o diagnóstico. Assim, as EC-R
incluem os 18 itens do DSM-IV distribuídos por três sub-escalas presentes na forma
completa das versões de Pais, Professores e Adolescentes.

2. Publicação de normas de cotação e interpretação actualizadas – Das 11.000


respostas obtidas para todas as versões das EC-R, cerca de 8.000 casos foram
utilizados na reestandardização das EC-R. A amostra a que o autor se refere é não
apenas de grande dimensão, mas representativa da população em termos de cobertura

de cerca de 95% dos estados norte-americanos (Conners, C.K., 1997). Os resultados


cobriram também todas as faixas de idades entre os 3 e os 17 anos e amostras
representativas para ambos os sexos. Do mesmo modo se obtiveram amostras
representativas para minorias étnicas. 1

1
O número de adolescente de raça negra foi, inclusive, suficientemente elevado para se estabelecerem normas
específicas que o autor apresenta em anexo, no seu Manual de utilização das ECR. (Conners, C.K., 1997)

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3 – Escalas de Auto-avaliação para Adolescentes – As EC-R incluem novas escalas
que permitem uma avaliação de adolescentes entre os 12 e os 17 anos. As Escalas de
Auto-avaliação de Conners-Wells para Adolescentes (Conner-Wells´ Adolescent Self-
Report Scale – CASS). Esta auto-avaliação deve ser conjugada com a avaliação
regular feitas pelas EC-R para Pais e Professores.

A actual revisão apresenta um certo número de melhorias relativamente ao conjunto de


anteriores instrumentos que permitem avaliar a perturbação de Hiperactividade e Défice de
Atenção (PHDA), tal como outros problemas relacionados com esta problemática da
criança e do adolescente. A edição das formas revistas das EC-R é um avanço na
perspectiva de avaliação multimodal preconizada pela clínica e investigação no campo da
psicopatologia e problemas de comportamento.

Os dados normativos desta Versão Revista foram obtidos a partir de uma larga
amostra de indivíduos da comunidade em geral (pais, professores, crianças e
adolescentes) colectados de várias zonas dos Estados Unidos e do Canadá entre os anos
de 1993 e 1996.(Conners, 1997). Tal como as versões anteriores, as escalas de Conners
na sua versão revista são sensíveis a alterações de comportamentos decorrentes de
programas de intervenção, tal como são muito úteis em situações de avaliação,
investigação, clínica e despiste. A especificação das formas de cotação dos itens (ainda
que mantendo uma cotação segundo uma escala de Likert em 4 pontos) com o acrescento
da palavra “verdadeiro” e a explicitação entre parêntesis, permite uma menor margem de
subjectividade.2

Ainda que as anteriores versões das Escalas de Conners (adiante EC) sejam
actualmente utilizadas é necessário que a utilização das EC-R ou das EC seja feita de
forma independente com as respectivas normas.3

História das Escalas de Conners

As primeiras Escalas para Pais e Professores foram desenvolvidas na Clínica


Harriet Lane do Hospital John Hopkins nos anos 60. O seu objectivo era permitir uma
listagem abrangente de problemas de comportamento que permitisse aos pais e

2
Por exemplo os itens passaram de “Nunca” para “Não é definitivamente verdadeiro” (Nunca, Ocasionalmente).
3
Utilizamos para designar o instrumento o termo Escala e não Questionário como surge em algumas situações,
porque “Escala” é uma designação para um instrumento de avaliação construído com base num questionário
(assumindo que os testes, inventários e escalas são verdadeiramente questionários, isto é conjuntos de questões
sobre determinado assunto). Este questionário tem a particularidade de se constituir como uma colecção de itens
cujas respostas são classificadas e combinadas para produzirem uma nota da escala (Dawis, 1987, cit. por
Ribeiro, J.L.P., 1999). Assim, as questões de uma escala foram criadas para avaliar a mesma dimensão, atributo,
constructo, factor, traço, etc. Quando por vezes utilizamos o termo questionário estamos a fazê-lo enquanto
referência ao instrumento em si e porque fica mais correcto na construção frásica.

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professores de crianças em idade escolar avaliar os problemas existentes. Estas escalas
geralmente constituíam a base de uma entrevista em especial no que se refere aos pais. A
utilização destas escalas revelou-se muito útil no controlo dos efeitos da medicação e da
psicoterapia. Estes estudos foram inicialmente desenvolvidos pelo Professor Eisenberg
com doentes externos da clínica psiquiátrica. (Conners, 1997 p.83). A constituição factorial
das escalas tornada evidente com a progressão da investigação permitiu a organização dos
problemas da psicopatologia por categorias, actualmente descritas e consignadas no
Manual Estatístico de Diagnóstico. As primeiras versões das Escalas de Conners foram
feitas com base nos estudos do Professor Eisenberg, tendo surgido em primeira-mão uma
versão para pais.

As Escalas de Conners para Pais

A escala de Conners inicial na sua versão de pais foi desenvolvida como uma lista
de verificação abrangente que permitia recolher respostas e informações por parte dos
pais, sobre os problemas dos filhos referenciando as crianças de risco psiquiátrico
(Conners, 1970 cit. por Conners e col. 1998b). Na sua forma srcinal a escala de Conners
para Pais, contêm itens agrupados nas seguintes categorias: problemas de sono,
desordens da alimentação, problemas de temperamento, problemas em fazer e manter
amizades, problemas escolares, etc. e posteriormente adicionaram-se outras categorias
relacionadas com os sintomas nucleares da desordem de atenção com hiperactividade: a
impulsividade, a desatenção e o excesso de actividade motora. Desde esta inovação que
as escalas de Conners têm sido alvo de muitos estudos. Os métodos srcinais de cotação
das escalas implicavam somatórios de itens de acordo com categorias derivadas. Só
depois de alguns estudos de análise factorial (Blouin, Conners, Seidel e Blouin, 1989;
Conners, 1970, 1973 cit. por Conners e col. 1998b) é que se estabeleceram metodologias
de correlação com resultados empíricos. Os estudos de análise factorial das escalas para
pais levados a cabo em 1970 e 1973 utilizaram amostras com 316 indivíduos
diagnosticados e 367 indivíduos não referenciados cujos pais foram recrutados na área
escolar pública de Baltimore. Utilizando a Escala de Conners para Pais - 93 itens, como
uma unidade de análise resultaram 8 factores que passamos a identificar: Desordens da
Conduta; Ansiedade/Timidez; Inquietação/Desorganização; Problemas de Aprendizagem;
Comportamentos Anti-sociais; Psicossomática; Obsessivo/Compulsivo e
Hiperactividade/Imaturidade. A estrutura factorial e as normas foram utilizadas para

estabelecer a metodologia de cotação da Escala de Conners para Pais - 93 itens (Conners,


1989 cit. por Conners e col. 1998b).

Com o tempo a escala de Conners para Pais tornou-se um instrumento de


despiste e avaliação de problemas de comportamento e tornou-se uma escala de pais
muito útil na avaliação psicossocial e resposta ao tratamento farmacológico de crianças
com problemas de comportamento. São muitas as versões das escalas de Conners para
Pais actualmente em uso; uma com 48 itens que resultou da reestandardização da escala

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srcinal (Goyette, Conners e Ulrich, 1978) e uma outra com 10 itens (questionário
abreviado) construída a partir dos itens com melhores índices factoriais (Conners, 1994 cit.
por Conners e col., 1998b).

Alguns estudos de análise factorial das escalas srcinais foram revelando estruturas
factoriais diferentes (Cohen, DuRant e Cook, 1988; O´Connor, Foch, Sherry e Plomin,
1980). Por exemplo no estudo de Cohen e col. (1988) o factor Problemas de
Aprendizagem, não surgia separadamente numa amostra de tipo clínico, mas aparecia
conjuntamente com o factor Hiperactividade/Impulsividade o que deu srcem a um factor de
Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção. Estes resultados foram argumentados
como consistentes com a ideia de que os problemas de aprendizagem, excesso de
actividade motora e impulsividade se constituem como uma entidade clínica indissociável
na população com diagnóstico clínico prévio (Cohen e Hynd 1986; Werry, Sprague e
Cohen, 1975).

Embora existam algumas diferenças nos estudos de análise factorial, as


propriedades psicométricas da Escala de Conners para Pais permitiram que a mesma se
constituísse como um instrumento clínico e de investigação muito interessante. As
propriedades da Escala de Conners para pais têm mostrado uma boa garantia teste-reteste
(Glow, Glow e Rump, 1982) validade inter observadores (Conners, 1973 cit. por Conners, e
col., 1998b). Adicionalmente a validade concorrente é elevada com factores semelhantes
de outras escalas para pais como a Lista de Verificação de Comportamentos da Crianças
(Child Behavior Checklist: Achenbach e Edelbrock, 1983; Mash e Jonhston, 1983, cit. por
Conners e col., 1998b); a Lista de Verificação de Problemas (Arnold, Barnebey e Smeltzer,
1981; Campbell e Steiner, 1978 cit. por Conners e col., 1998b). Posterior evidência da sua
validade vem da investigação que revela o seu poder de discriminação entre crianças com
e sem diagnóstico clínico (Prior e Wood, 1983 cit. por Conners e col., 1998b Ross e Ross,
1976, 1982) e entre diferentes tipos de distúrbios (Conners, 1970; Kuhehne, Kehle e
Mcmahon, 1987; Leon, Kendall e Garber, 1980, todos cit. por Conners e col., 1998b).

Ainda que as escalas de Conners para Pais continuem a ser muito utilizadas quer
em clínica quer na investigação, muitas edições têm demonstrado que uma actualização e
reestandardização da escala era necessária. Em primeiro lugar as normas existentes eram
baseadas numa amostra pequena e restrita geograficamente (área escolar de Baltimore)
recolhida em 1960. As características desta amostra não eram consideradas
representativas para a aplicação que a escala tem hoje em dia. Não havia estudos
actualizados que confirmassem a estrutura factorial da escala quer utilizado um desenho de
validação cruzada (cross-validation), ou de replicação ou ainda uma análise factorial
confirmatória. Assim ainda não estava estabelecida uma análise factorial definitiva. Da
mesma forma os itens srcinais que foram concebidos para uma avaliação de uma grande
variedade de problemas da infância, não abrangiam problemas de carácter mais interno
(depressão e ansiedade). Tornava-se ainda necessária a existência de uma escala de

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menor abrangência mais útil e de mais fácil administração aos pais. Da mesma forma a
reestruturação da escala permitiria que se incluíssem itens actualizados face à nova
investigação sobre a perturbação de hiperactividade e défice de atenção (critérios
actualizados publicados pelo DSM-IV). Foram estas as razões que conduziram Conners e
outros investigadores (Connners, 1997; Conners e col. 1998b) a encetar a tarefa de revisão
e reestandardização das escalas existentes.

As Escalas de Conners para Professores


As Escalas de Conners para Professores têm sido utilizadas nestes últimos 30
anos como um instrumento de avaliação do comportamento de crianças na sala de aula.
Os primeiros estudos sobre as propriedades das Escalas de Conners para Professores
centraram-se na garantia teste-reteste, e na sua sensibilidade ao tratamento
medicamentoso e comportamental com crianças com problemas de comportamento
(Conners e Eisenberg 1963; Conners, Eisenberg e Barcai, 1967 cit. por Conners e col.
1998a).

Com a introdução da escala srcinal (Conners-39 itens) desenvolveram-se formas


reduzidas como a Conners-28 itens (Goyette, Conners e Ulrich, 1978), O Questionário
Abreviado de Sintomas ou Índice de Hiperactividade (Sprague e Sleator, 1973) e a Escala
IOWA Conners (Pelham, Milich, Murphy e Murphy, 1989).

Todas as escalas de Conners para Professores apresentam uma boa fidelidade


(Conners, 1969; Edelbrock, Greenbaum e Conover, 1985 ; Epstein e Nieminen,1983;
Roberts, Milich, Loney e Caputo, 1981; Zentall e Barak, 1979); validade (Camp e Zimet,
1974 cit. por Conners e col., 1998 a; Kendall e Brophy, 1981 cit. por Conners e col., 1998a;
Klee e Garfinkel, 1983; Roberts e col. 1981) e utilidade clínica (Brown, 1985; cit. por
Conners e col. 1998a; Satin, Winsberg, Monetti, Sverd e Foss, 1985; cit. por Conners e
col., 1998a Stein e O´Donnell, 1985). De facto, é devido às suas boas propriedades
psicométricas que as Escalas de Conners para professores têm sido muito utilizadas.
(Conners, e col. 1998a). Em consequência o Instituto Nacional de Saúde Mental (National
Institute of Mental Health – NIMH) adoptou estas escalas iniciais como fazendo parte do
protocolo de avaliação inicial dos efeitos de tratamento medicamentoso em saúde mental.
Gradualmente, as escalas assumem um valor inequívoco na avaliação da hiperactividade,

ainda que incluam um vasto conjunto de comportamentos.


Os principais objectivos da utilização deste tipo de escalas prendem-se com a
possibilidade de ajudar clínicos e investigadores ao nível do despiste de crianças e
adolescentes com problemas de comportamento. Esta informação é considerada
actualmente como imprescindível no processo de avaliação, diagnóstico e monitorização do
tratamento. Este tipo de informação de despiste permite e tomada de decisões sobre
futuras observações na sala de aula, sobre aspectos epidemiológicos ou sobre outras

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avaliações clínicas. As escalas de Conners para professores têm também muita utilização
inseridas em baterias de avaliação mais abrangentes (Barkley, 1990, 1998). Actualmente
são uma fonte de informação imprescindível, visto que os critérios de diagnóstico da PHDA,
proposto pelo DSM-IV pressupõem que os problemas ocorram em mais do que uma
situação do quotidiano da criança e como tal, não basta a avaliação feita através das
respostas dos Pais.

Outro dos objectivos destas escalas prende-se com a sensibilidade demonstrada


aos efeitos de tratamento com medicamentos. Alguns estudos de investigação
demonstraram que estas escalas são capazes de medir alterações comportamentais em
tratamentos com estimulantes (Abikoff e Gittelman, 1985) e antidepressivos (Gualtieri,
Keenan e Chandler, 1991 cit. por Conners e col. 1998a). A investigação também tem
verificado que as escalas são sensíveis a alterações provocadas por tratamentos não
farmacológicos (Abikoff e Gittelman,1985; Horn, Ialongo, Popovich e Peradotto, 1987;
Kendall e Braswell, 1982, todos cit. por Conners e col. 1998a).

Ainda que a utilização destas escalas seja muito alargada, existiam razões que
conduziram à revisão e reestandardização da mesma e que, do mesmo modo que para a
Escala dos Pais, passamos a resumir:

1. A estandardização srcinal não foi sistemática, tendo sido utilizadas diferentes


amostras geograficamente localizadas e não representativas (Conners, 1969; Goyette e
col. 1978; Trites, Blouin e Laprade, 1982 cit. por Conners e col. 1998a). A amostra de
Trites e col. (1982 cit. por Conners e col 1998a) foi até à data a mais extensa (9583
crianças canadianas em idade escolar) e foi a estandardização mais utilizada (Conners,
1989 cit. por Conners, 1998a), ainda que a mesma se cingisse à província de Ottawa,
no Canadá.

2. A escala srcinal (Conners-39) não apresentava ainda estudos suficientes no que


se refere à sua estrutura factorial definitiva. Os vários estudos levados a cabo sobre
esta questão demonstraram que era possível a identificação de alguns factores como
Problemas de Conduta, Sonhador/desatento, Ansiedade/Medo; Comportamento de
Hiperactividade (Conners, 1969). No entanto, outros estudos demonstraram outras
estruturas factoriais possíveis (Leung, Luk e Lee, 1989; Luk, Leung e Lee, 1988 cit. por
Conners e col. 1998a; O´Leary, Vivian e Nisi, 1985; Taylor e Sandberg, 1984; Trites e
col. 1982; cit. por Conners e col., 1998; Werry e Hawthorne, 1976 cit. por Conners e
col., 1998). As diferenças apresentadas pelos estudos justificavam uma maior
sistematização deste processo de análise factorial, implicando a análise factorial
confirmatória.

3. O conteúdo da escala necessitava ser revisto dada a publicação dos novos critérios
de diagnóstico do DSM-IV e as recentes investigações sobre as situações de
comorbilidade com a PHDA . A título de exemplo, as escalas srcinais não incluem itens

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relacionados com os Problemas Cognitivos que são situações muito frequentes em
termos de comorbilidade com a PHDA

4. A fidelidade e validade da escala necessitavam também um estudo de revisão.

Podemos verificar que em ambas as situações, a evolução foi acontecendo até 1989,
altura em que se efectivaram algumas modificações e se publicaram as escalas pela
primeira vez. Este facto permitiu uma mais vasta utilização destas escalas, quer no plano
clínico, quer da investigação. De facto as EC revelaram-se um dos instrumentos mais

utilizados na avaliação dos problemas de comportamento em todo o mundo, com estudos


de tipo epidemiológico efectuados especificamente na Inglaterra (Taylor e Sandberg, 1984)
Brasil (Brito, G.N., 1987); Portugal (Fonseca, A.C. e col. 1998); Itália (O´Leary e col. 1985),
Nova Zelândia (Werry, J.S. e Hawthorne, D, 1976 cit. por O´Leary e col., 1985); Espanha
(Arias, I e O´Leary, K.D., 1983 cit. por O´Leary e col. 1985); Alemanha (Sprague, R.L.,
Cohen, M. e Eichlseder, W. 1977 cit. por O´Leary e col. 1985); Suécia (Kadesko, C., 2001)
E.U.A (Fantuzzo, J. 2001; Langsdorf, R., Anderson, R.F., Waltcher, D., Madrigal, J.F. e
Juarez, L.J., 1979, cit. por O´Leary e col. 1985).

As EC foram já sujeitas a centenas de estudos que as têm validado. Wainrigth e o Staff


da MHS publicaram em 1996 um documento com a bibliografia anotada de mais de 450
estudos de validação das Escalas de Conners (Wainrigth e MHS Staff, 1996 cit. por
Conners, 1997 p84). A tabela 5.20 apresenta um pequeno resumo das várias versões da
EC.

Tabela 5.21 – Resumo das várias versões das EC

Conners Teacher Rating Scale – 39 (1969) (Conners, CK 1969) – Conners-39


39 itens, 5 factores (agressividade, sonhar
acordado/desatenção, ansiedade/medos - ,
excesso de actividade motora e
saúde/sociabilização) . Estandardização com 103
indivíduos. Estudada para medir alterações do
comportamento mediante a intervenção
farmacológica. Escala de 4 pontos de Likert
Conners Parent Rating Scale (1973); 93 itens (Conners, 1973) Conners-93
organizados em 8 factores (desordem da
conduta, ansiedade,
impulsividade/hiperactividade, dificuldades de
aprendizagem, psicossomática, perfeccionismo,
anti-social e tensão muscular. Itens cotados de 0
a3
Abreviated Teacher Rating Scale (ATRS) e Escalas Abreviadas de Conners (Conners, 1972
Abreviated Parent Rating Scale (APRS) cada e 1973, mais tarde estandardizadas por (Prinz,
uma com 10 itens todos retirados das versões Connor e Wilson, 1981; Ullman e col., 1985)
srcinais e unidimensionais (Hiperactividade).
Itens de 0 a 3. Estas versões têm uma outra
denominada de Adelaide Version
Revised Conners Teacher Rating Scale e (Goyette e col. 1978)
Revised Parent Rating Scale (respectivamente a
Conners-28 e Conners 48). Com 3 factores para
a versão de professores (Desordem da conduta,
Hi eractividade e Desaten ão e a dos ais or 4

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factores (desordem da conduta, dificuldades de
aprendizagem, ansiedade/afastamento social e
hiperactividade
IOWA Conners (Inattention, Overactivity and (Atkins, Pelham e Litch, 1985; Loney e Milich,
Agression) com o objectivo de diferenciar 1982)
crianças com e sem agressividade

As Escalas Revistas de Conners (Conners, 1997)

A Versão Revista das Escalas de Conners apresenta três tipos de escala:

1. Escala para Professores

2. Escala para Pais

3. Escala para Adolescentes (medida directa)

As três escalas apresentam-se sob duas versões: Forma Completa e Forma


Reduzida.

O anterior Índice de Hiperactividade, largamente utilizado, quer na clínica quer na


investigação, foi renomeado para índice Global de Conners e pertence a ambas as escalas
de Pais e Professores.

As formas completas são constituídas por um largo conjunto de sub escalas que
foram empiricamente derivadas para avaliar um largo espectro de problemas de
comportamento, tais como problemas de conduta, problemas cognitivos, problemas de
ansiedade e problemas sociais. Estas formas completas são de administração e cotação
mais demorada, necessitam de informação mais detalhada e correspondem aos critérios
oficiais de diagnóstico da PHDA veiculados pelo DSM-IV (DSM-IV, 1994). A administração
das formas reduzidas faz-se em casos de tempo de aplicação limitado, ou quando se
necessitam de uma administração repetida ao longo de determinado período de tempo. As
formas reduzidas contemplam apenas aqueles itens mais pertinentes.

A tabela 5.22 apresenta as escalas da versão revista e respectivas abreviaturas:

Tabela 5.22 – Escalas de Conners Revistas (EC-R); Designação e Abreviaturas

Escalas Principais Abreviaturas

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Escala de Conners para Pais – Versão Revista – Forma Completa ECPR - C
Escala de Conners para Pais – Versão Revista – Forma Reduzida ECPR - R
Escala de Conners para Professores – Versão Revista – Forma Completa ECPFR - C
Escala de Conners para Professores – Versão Revista – Forma Reduzida ECPFR - R
Escala de Conners-Wells para Adolescentes – Versão Revista – Forma Completa ECAR - C
Escala de Conners-Wells para Adolescentes – Versão Revista – Forma Reduzida ECAR – R

Escalas Auxiliares
Índice Global de Conners – Pais IGC-P
Índice Global de Conners – Professores IGC-PF
Escala de Conners para avaliação de PHDA (segundo critérios do DSM-IV) – Pais ECHD-P
Escala de Conners para avaliação de PHDA (segundo critérios do DSM-IV) – ECHD-PF
Professores
Escala de Conners para avaliação de PHDA (segundo critérios do DSM-IV) – ECHD-A
Adolescentes

In Conners, C. Keith (1997)

As escalas de Conners são apropriadas para avaliar indivíduos entre os 3 e os 17


anos. As novas escalas de auto-avaliação são adequadas para jovens entre os 12 e os 17
anos. Os dados normativos desta Versão Revista foram obtidos a partir de uma larga
amostra de indivíduos da comunidade em geral (pais, professores, crianças e
adolescentes) colectados de várias zonas dos Estados Unidos e do Canadá entre os anos
de 1993 e 1996. Tal como as versões anteriores, as escalas de Conners na sua versão
revista são sensíveis a alterações de comportamentos decorrentes de programas de
intervenção, tal como são muito úteis em situações de avaliação, investigação, clínica e
despiste.

Principais características das EC-R.

As escalas de Conners – Versão Revista, foram baseadas nas anteriores Escalas


de Conners e representam uma integração única de aspectos teóricos, experiência clínica e
dados empíricos e revelam as seguintes características:

1. Uma amostra normativa bastante alargada


2. Sub-escalas multidimensionais que avaliam a PHDA e outras situações de
comorbilidade

3. Ligação directa ao DSM-IV


4. O Índice Global de Conners (antigo Índice de Hiperactividade)
5. Relevância clínica e de diagnóstico
6. Formas completas e reduzidas para todas as versões (Pais, Professores e
Adolescentes)
7. Itens de características internalizadas e externalizadas

8. Índice de PHDA

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9. Aplicabilidade em contextos de intervenção

10. Fácil administração, cotação e concepção do perfil individual.

11. Gráficos que permitem fazer o seguimento terapêutico

12. Fichas que permitem a visualização em feedback e a apresentação formal


de resultados

13. Uma excelente fidelidade e validade.

Amostra normativa alargada.

Antes de editar esta versão das Escalas de Conners foram necessários vários
anos de investigação para estabelecer as normas e as propriedades psicométricas
(fidelidade e validade). Para as versões de Pais e Professores estão disponíveis normas
separadas para rapazes e raparigas entre os 3 e os 17 anos em faixas etárias organizadas
em grupos de 3 idades. Para as escalas de autoavaliação estão disponíveis normas
separadas para rapazes e raparigas em faixas de idade organizadas em grupos de 3
idades entre os 12 e os 17 anos. As amostras alargadas de crianças e adolescentes estão
resumidas na 5.23 para cada uma das versões das EC-R.

Tabela 5.23 – Dimensões das amostras de estandardização das versões srcinais das ECR

Escala 3-5 anos 6-8 anos 9-11 anos 12-14 anos 15-17 anos Total
ECPR - C
Rapazes 198 326 265 278 168 1235
Raparigas 177 307 281 277 205 1247
Total 375 633 546 555 373 2487
ECPR - R
Rapazes 1633 332 266 291 168 1220
Raparigas 140 309 282 265 210 1206
Total 303 641 548 556 378 2426
ECPFR - C
Rapazes 102 274 230 246 113 965
Raparigas 96 266 256 262 128 1008
Total 198 540 486 508 241 1973
ECPFR - R
Rapazes 62 284 240 247 112 945
Raparigas 47 261 256 262 126 952
Total 109 545 496 509 238 1897
ECAR – C
Rapazes 469 1089 1558
Raparigas 510 1326 1836
Total 979 2415 3394

11
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
ECAR-R
Rapazes 477 1146 1623
Raparigas 511 1352 1863
Total 988 2498 3486
In Conners, C. Keith (1997)

Formas Reduzidas e Completas; Versões para Pais, Professores e Adolescentes

As Escalas de Conners – Versão Revista apresentam formas completas e


reduzidas para as Versões de Pais e Professores. A escala para Professores representa a
forma mais económica e objectiva de obter informação relevante, porque providenciam uma
forma ideal de descrever os problemas apresentados no domínio académico, social e
emocional na sala de aula. As versões de Pais complementam a dos Professores. Os pais
revelam o comportamento da criança em casa e em outros ambientes do quotidiano, onde
têm oportunidade de observar os seus filhos. Enquanto que os Pais têm a oportunidade de
observar os seus filhos em muitos contextos e circunstâncias, os professores possuem a
noção de comportamento adequado na sala de aula (referência à norma).

De forma a dar resposta à cada vez maior necessidade de estabelecer uma


avaliação multimodal, as escalas de Conners-Wells – Auto-avaliação para Adolescentes,
foram incluídas nas Escalas de Conners-Revistas. Estas escalas permitem adquirir
informação de uma terceira fonte para além dos Pais e Professores e são de fácil
compreensão para todo o adolescente com um nível de leitura equivalente ao do 6 ano de
escolaridade. Estas escalas foram desenvolvidas em colaboração com a Dra. Karen Wells
Directora do Programa de Estudos Familiares do Centro Médico da Universidade de Duke
desde 1989.

As Formas Reduzidas: breve descrição

A Forma Reduzida para Pais das EC-R é constituída por 27 itens, e inclui
algumas das sub-escalas da Forma Completa, sendo os itens designados precisamente do
mesmo modo. As sub-escalas são também nomeadas de forma idêntica. É solicitado aos
Pais que pensem no comportamento da criança no último mês. A Forma Reduzida inclui
as 4 sub-escalas a seguir nomeadas:


Oposição (6 itens)
• Problemas Cognitivos – Desatenção (6 itens)
• Excesso de Actividade Motora (6 itens)
• Índice de PHDA (12 itens)

A sub escala de Comportamentos de Oposição é constituída pelos seguintes itens:

2. Furioso (zanga-se com facilidade) e ressentido


6 Discute/argumenta com os adultos
11. Perde o controlo

12
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
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16. Irritável
20. Provocador ou recusa em satisfazer os pedidos de um adulto
24. Deliberadamente faz coisas para irritar os outros

A subescala de Problemas Cognitivos/ desatenção é constituída pelos seguintes

itens:

3. Dificuldade em fazer ou acabar os trabalhos de casa


8. Não consegue completar o que começa
12. Precisa de acompanhamento para executar as suas tarefas
17. Evita, tem relutância ou tem dificuldade em empreender tarefas que
21. Tem problemas em concentrar-se nas aulas
25. Não segue instruções e não acaba os trabalhos no lugar ( Não é dificuldade em entender as
instruções ou recusa )

A sub escala de Excesso de Actividade Motora é constituída pelos seguintes itens:

4. Está sempre a movimentar-se ou age como "tendo as pilhas carregadas” ou como se “estivesse
ligado a um motor”.
9. Difícil de controlar em centros comerciais ou sítios públicos
14. Corre e trepa em situações inapropriadas
18. Irrequieto, "tem bicho-carpinteiro”
22. Tem dificuldade em manter-se numa fila ou esperar a sua vez num jogo ou trabalho de grupo
26. Tem dificuldade em brincar ou trabalhar calmamente

A Forma Reduzida para Professores das EC-R é constituída por 28 itens, e


inclui algumas das sub-escalas da Forma Completa, sendo os itens designados
precisamente do mesmo modo. As sub-escalas são também nomeadas de forma idêntica e
são as mesmas presentes na Forma Reduzida para Pais. É solicitado aos Professores que
pensem no comportamento da criança no último mês. A Forma Reduzida inclui as 4 sub-
escalas a seguir nomeadas:

Oposição (5 itens)
Problemas Cognitivos – Desatenção (5 itens)
Excesso de Actividade Motora (7 itens)
Índice de PHDA (12 itens)

A sub escala de Comportamentos de Oposição é constituída pelos seguintes itens

2. Comportamento de desafio face ao adulto


6. Desafia o adulto e não colabora com os pedidos que lhe são feitos
10. Vingativo(a) e “maldoso(a)”
15. Argumenta com os adultos
20. Tem um temperamento explosivo e imprevisível
A sub escala de Problemas Cognitivos/ desatenção é constituída pelos seguintes
itens:

4.Esquece-se de coisas que ele ou ela já aprenderam


8.Soletra de forma pobre
13.Capacidades de leitura abaixo do esperado
18.Não se interessa pelo trabalho escolar
22. Pobre em aritmética
A sub escala de Excesso de Actividade Motora é constituída pelos seguintes itens:

13
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
3.Inquieto, “Tem bichos-carpinteiros” (mexe o corpo sem sair do lugar)
7.Mexe-se muito como se estivesse sempre “ligado a um motor”
11.Levanta-se do lugar na sala de aula ou noutras situações em que deveria ficar sentado(a)
17.Tem dificuldade em esperar a sua vez
21., Corre em volta do espaço ou trepa de forma excessiva em situações em que esses
comportamentos não são adequados
24.Tem dificuldade em empenhar-se em jogos ou actividades de lazer, de forma sossegada
27. Excitável e impulsivo

As Formas Reduzidas das versões das EC-R para Pais, Professores e


Adolescentes foram desenvolvidas de forma a conterem os factores de derivação

clinicamente mais significativos a partir do estudo das Formas Completas. Do mesmo modo
estas Formas Reduzidas contêm ainda o Índice de PHDA para avaliar e despistar casos de
crianças em risco de uma PHDA. Todos os factores e itens escolhidos para as Formas
Reduzidas apresentam excelentes propriedades psicométricas.

A constituição destas três Formas Reduzidas é em tudo semelhante ainda que as


sub-escalas apresentem designações diferentes, itens também diferentes em número e
designação.

No caso da ECP-R:R, o modelo em três factores ou sub-escalas (Oposição;


Problemas Cognitivos/desatenção e Excesso de Actividade Motora) conseguido numa
análise exploratória através dos itens com coeficientes mais elevados (18 itens), foi sujeito
a uma análise factorial confirmatória utilizando o STATISTICA 5,0 (StatSoft, 1995). Foi
utilizada para o efeito uma amostra de 2.426 sujeitos e utilizaram-se na avaliação do
“goodness-of-fit” do modelo os critérios recomendados por Cole (1987, cit. por Conners,
1997) e por Marsh, Bala e McDonald (1988, cit. por Conners, 1997): O “Godness-of-fi
Index” (GFI; Joreskog e Sorbom, 1986 cit. por Conners, 1997); o “Adjusted GFI (AGFI;
Joreskog e Sorbom, 1986 cit. por Conners, 1997) e o “Root Mean Square Residual” (RMS;
Joreskog e Sorbom, 1986 cit. por Conners, 1997). Foram utilizados mais do que um critério
visto que cada índice tem a sua força e a sua fraqueza na avaliação do grau de
ajustamento entre o modelo teórico e a realidade dos dados (Cole, 1987 cit. por Conners,
1997, p.112). Com base nas recomendações de Aderson e Gerbing (1984, cit. por Conners,
1997, p.112), Cole (1987 cit. por Conners, 1997, p.112) e Marsh e col. (1988 cit. por
Conners, 1997, p.112), foram utilizados os seguintes critérios para cada índice: GFI > 0,850
; AGFI > 0,800 e RMS<0,100. Os parâmetros obtidos para a ECRP-R foram os seguintes:
GFI(0.936); AGFI(0,928); RMS (0,042)

Todos estes parâmetros respeitam os critérios de validade propostos. Isto quer


dizer que os dados da ECP-R:R estão muito adequados ao modelo de três factores. As
relações entre as três sub-escalas foram estimadas com os seguintes valores: Oposição
com Problemas Cognitivos/desatenção= 0,58; Oposição com Excesso de Actividade
Motora=0,60 e Problemas Cognitivos/Desatenção com Excesso de Actividade Motora=0,58
(todos os valores foram significativos com p<0,05). Estes resultados suportam a ideia de
que a ECRP-R se estrutura em três sub-escalas.

14
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
De forma a testar a possibilidade de existirem diferenças na estrutura factorial da
escala, por influência do sexo foi feito um teste de igualdade entre matrizes de correlação,
utilizando o STATISCA 5,0 (StatSoft, 1995). Verificou-se que a matriz de correlações para
as três sub-escalas se revelou idêntica para o sexo feminino e masculino (SRLI=0,043;
PGI=0,997 E APGI=0,991). Consistente com o objectivo de que as três sub-escalas medem
dimensões diferentes de problemas de comportamento e de psicopatologia foram
encontradas correlações moderadas entre as três sub-escalas derivadas 4

No caso da ECPF-R:R, a análise factorial exploratória dos itens resultou também


num modelo de três factores ou componentes que foram denominados do mesmo modo
que para a escala dos Pais. Este modelo conseguido numa análise exploratória através dos
itens com coeficientes mais elevados (17itens), foi sujeito a uma análise factorial
confirmatória utilizando o STATISTICA 5,0 (StatSoft, 1995). Foi utilizada para o efeito uma
amostra de 1.897 sujeitos e utilizaram-se na avaliação do “goodness-of-fit” do modelo os
critérios recomendados por Cole (1987, cit. por Conners, 1997) e por Marsh, Bala e
McDonald (1988, cit. por Conners, 1997): O “Godness-of-fit Index” (GFI; Joreskog e
Sorbom, 1986 cit. por Conners, 1997); o “Adjusted GFI (AGFI; Joreskog e Sorbom, 1986 cit.
por Conners, 1997) e o “Root Mean Square Residual” (RMS; Joreskog e Sorbom, 1986 cit.
por Conners, 1997). Foram utilizados mais do que um critério visto que cada índice tem a
sua força e a sua fraqueza na avaliação do grau de ajustamento entre o modelo teórico e
a realidade dos dados (Cole, 1987 cit. por Conners, 1997, p.112). Com base nas

recomendações de Aderson e Gerbing (1984, cit. por Conners, 1997, p.112), Cole (1987 cit.
por Conners, 1997, p.112) e Marsh e col. (1988 cit. por Conners, 1997, p.112), foram
utilizados os seguintes critérios para cada índice: GFI > 0,850 ; AGFI > 0,800 e
RMS<0,100. Os parâmetros obtidos para a EC-R foram os seguintes: GFI(0.907);
AGFI(0,877); RMS (0,062).

Todos estes parâmetros respeitam os critérios de validade propostos. Isto quer


dizer que os dados da ECRP-R estão muito adequados ao modelo de três factores. As
relações entre as três sub-escalas foram estimadas com os seguintes valores: Oposição
com Problemas Cognitivos/desatenção= 0,66; Oposição com Excesso de Actividade
Motora=0,37 e Problemas Cognitivos/Desatenção com Excesso de Actividade Motora=0,46
(todos os valores forma significativos com p<0,05). Estes resultados suportam a ideia de
que a ECRP-R se estrutura em três sub-escalas.

De forma a testar a possibilidade de existirem diferenças na estrutura factorial da


escala, por influência do sexo foi feito um texto de equalidade entre matrizes de correlação,
utilizando o STATISCA 5,0 (StatSoft, 1995). Verificou-se que a matriz de correlações para
as três sub-escalas se revelou idêntica para o sexo feminino e masculino (SRLI=0,074;
PGI=0,992 E APGI=0,973). Consistente com o objectivo de que as três sub-escalas medem

4
. O valor médio das correlações entre sub-escalas apresentado para o sexo feminino foi de 0,49 e para o
masculino de 0,55

15
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
dimensões diferentes de problemas de comportamento e de psicopatologia, foram
encontradas correlações moderadas entre as três sub-escalas derivadas 5

Um exemplar de cada uma das Formas Reduzidas, na sua versão srcinal


encontra-se no Apêndice E.

Índice de Hiperactividade e Défice de Atenção.

Um novo índice designado de Índice de Hiperactividade e Défice de Atenção


também foi incluído em todas as versões e formas das escalas. Este índice contém o
melhor conjunto itens para distinguir crianças com uma Perturbação de Hiperactividade e
Défice de Atenção daquelas sem problemas (Conners, 1997) O índice permite despistar
crianças e adolescentes que estejam em risco de apresentar sintomas passíveis de
diagnóstico.

Ainda que existam muitas medidas desenvolvidas para o despiste da PHDA, esta
foram elaboradas antes da publicação do DSM-IV (APA, 1994). Em todas as EC-R o Índice
de PHDA é constituído por 12 itens que variam no seu conteúdo de avaliação e na ordem
como são colocados consoante a escala em causa. Os três índices de PHDA foram
desenvolvidos por Parker, Sitanerios e Conners (1996 cit. por Conners, 1997). Para o
desenvolvimento destes três índices os autores utilizaram sempre dois grupos de
comparação, sendo um de crianças ou adolescentes com o diagnóstico de PHDA feito por
um psicólogo ou médico a partir dos critérios do DSM-IV e outro grupo de controlo com

sujeitos recrutados do ensino regular (população em geral) e sem diagnóstico. Os grupos


foram emparelhados com base na idade, sexo e etnia. A tabela 5.24 apresenta as amostras
utilizadas para a determinação destes índices.

Tabela 5.24 – Amostras utilizadas na construção do índice de PHDA

Grupo de Estudo Grupo Experimental


Rapazes Raparigas Rapazes Raparigas
A
D N 36 16 36 16
H
P
Idade 9,94 9,88 9,88 9,94
E
C média
I
D
N
I N total 52 52
In Conners, K. (1997, p.96)

O desenvolvimento do Índice de Hiperactividade derivou da dificuldade de obter


respostas sistemáticas6 por parte de pais e professores. O índice foi então criado a partir
dos 10 itens com coeficientes mais elevados apresentados nas análises factoriais
efectuadas. As escalas então organizadas receberam a designação de “Índice de

5
O valor médio das correlações entre sub-escalas apresentado para o sexo feminino foi de 0,42 e para o
masculino de 0,49
6
Dado que as escalas eram sobretudo utilizadas na monitorização dos efeitos de tratamentos com medicamentos,
tornou-se necessária a criação de uma escala mais reduzida, dado os pais e professores mostravam alguma
relutância em responder de forma sistemática a formas mais longas.

16
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
Hiperactividade” e demonstraram ser efectivas na distinção de crianças com e sem
hiperactividade e crianças com hiperactividade e ansiedade. Contudo, este índice foi
sempre encarado como uma medida global de psicopatologia (ver tabela 5.25)..

A tabela 5.25 resumo os itens dos Índices de PHDA nas Escalas de Pais e Professores
Índice de PHDA – Pais N N Índice de PHDA – Professores

Desatento, distrai-se facilmente 1º 1º Desatento(a) e distráctil (facilmente distráctil)


Atento por curtos períodos de tempo 5 5 Perturba as outras crianças
Mexe muito os pés e as mãos e mexe-se 7 9 Não consegue manter-se sossegado(a)
ainda que sentado no lugar.
Desarrumado ou desorganizado em casa 1 1 Mexe os pés e as mãos e está irrequieto(a) no
ou na escola 0 2 seu lugar
Só presta atenção quando é uma coisa 1 1 Tem um tempo curto de atenção
que lhe interessa 3 4
Distraído e com tempo de atenção curto 1 1 Dá apenas atenção a coisas em que está
5 6 realmente interessado(a)
Evita, tem relutância ou tem dificuldade 1 1 Distraído(a) ou apresentando curto tempo de
em empreender tarefas que exigem um 7 9 atenção
esforço continuado (tal como trabalhos na
escola ou de casa)
Distrai-se quando lhe estão a dar 1 2 Interrompe e intromete-se (por exemplo nos
instruções para fazer uma coisa 9 3 jogos ou conversas de outros)
Tem problemas em concentrar-se nas 2 2 Não termina as coisas que começa
aulas 1 5
Levanta-se na sala ou em lugares onde 2 2 Não termina as tarefas inerentes a instruções
deveria ficar sentado. 3 6 que lhe foram dadas, bem como não termina o
trabalho escolar
comportamentos (não nemdevido
de oposição por falta dea
compreensão do que lhe foi pedido)
Não segue instruções e não acaba os 2 2 Excitável e impulsivo
trabalhos no lugar ( Não é dificuldade em 5 7
entender as instruções ou recusa )
Fica frustrado quando não consegue fazer 2 2 Inquieto(a), sempre a levantar-se e a
qualquer coisa 7 8 movimentar-se pelo espaço

Novas escalas baseadas nos critérios do DM-IV

Cada uma das versões contém sub escalas derivadas directamente dos critérios
de diagnóstico do DSM-IV. Estas sub escalas podem ser cotadas contando os sintomas
presentes ou por comparação a uma norma. Esta dupla possibilidade de cotação permite
contornar as questões problemáticas levantadas pela forma de estabelecimento do
diagnóstico através da contagem de sintomas pelo DSM-IV. Muitos autores (Barkley, 1990
cit. por Conners, 1997) tem referido que o diagnóstico baseado na contagem simples da
presença de sintomas pode ser problemática dado que os mesmos variam com a idade,
pelo que se torna mais fiável a utilização de uma comparação à norma. Desta forma é
possível avaliar da existência ou não de uma PHDA e também avaliar o grau de severidade
da mesma.

Relevância clínica e diagnóstica

17
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
Ainda que seja verdade que as escalas por si mesmas não permitem o
estabelecimento de um diagnóstico, a inclusão de sub escalas que estão directamente
relacionadas com o DSM-IV e permitem uma avaliação multimodal, fazem com que as
Escalas de Conners – Revistas sejam clinicamente significativas para o estabelecimento de
um diagnóstico.

Representatividade de itens de comportamentos “externalizados” e


“internalizados”.
As escalas de Conners-Revistas apresentam ambos os tipos de comportamentos
“internalizados” e “externalizados”. Os comportamentos “Externalizados” referem-se
aqueles que são abertamente demonstrados e agidos (problemas de conduta,
agressividade), enquanto que os “internalizados” são aqueles se referem a emoções ou
sentimentos que não são directamente observáveis (ansiedade e depressão). As novas
escalas adicionam um maior número de itens que as anteriores.

As crianças com PHDA, geralmente manifestam uma grande variedade de


comportamentos “externalizados”. Estas características geralmente envolvem
comportamentos como “desafiar o outro em especial o adulto”; “não cumprimento de
instruções ou regras”, “disrupção de actividades em curso”, “argumentação”,
“temperamento explosivo”, “hostilidade verbal” e “agressividade” (Loney e Milich, 1982 cit.
por Conners, 1997). Estes comportamentos são geralmente suficientes para estabelecer
um diagnóstico de Perturbação de Oposição ou em casos mais sérios de comportamento

anti-social de Desordem da Conduta.


Do mesmo modo os comportamentos “internalizados” estão comummente
relacionados com a PHDA, em especial a ansiedade. Todas as escalas de Conners –
Versão Revista na sua forma completa incluem sub escalas de ansiedade. Também
incluídas estão as sub escalas de problemas emocionais, psicossomática e perfeccionismo.
A inclusão da versão de auto-avaliação é particularmente útil devido à possibilidade de se
avaliar a componente natureza não observável dos comportamentos “internalizados”.

Índice Global de Conners (previamente índice de Hiperactividade).

As formas completas das versões para Pais e Professores mantiveram o Índice de


Hiperactividade das anteriores escalas com a excepção do nome que passou a ser Índice
Global de Conners ( a escala para Adolescente não contém este índice dado que
anteriormente não existia nenhuma versão desta natureza). Muitos anos de investigação
neste campo permitem aos autores dizer que esta é uma das melhores medidas de
natureza reduzida para avaliar a psicopatologia em geral e monitorizar as alterações
decorrentes da intervenção. A anterior designação de Índice de Hiperactividade ou
Questionário Abreviado de Sintomas não reflecte da melhor forma a intenção srcinal do
instrumento e era muitas vezes confundido com as sub escalas de hiperactividade das
escalas de Professores. O índice contém actualmente 10 itens de natureza global que são

18
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
sensíveis ao tratamento e úteis em medições repetidas. O Índice Global de Conners é
constituídos pelos itens mais significativos da escala srcinal.

Aplicabilidade a contextos de intervenção.

As Escalas de Conners Revistas são perfeitamente utilizáveis em contextos de


intervenção, pois permitem a quantificação e medição de um conjunto considerável de
problemas de comportamento. Os scores das escalas tem comprovado ser de ajuda
imprescindível em situações de tratamento com medicação, identificando se o tratamento é

necessário, se está a fazer efeito e quando deve ser terminado. Também são sensíveis a
outras formas de tratamento para além da medicação. As versões reduzidas são
particularmente úteis em situações de aplicações sucessivas (monitorização).

Excelentes propriedades psicométricas (fidelidade e validade)

Em termos de garantia, os coeficientes de garantia interna rodam os .75 a .90 e os


coeficientes de teste-reteste com intervalos de 6 a 8 semanas rodam os .60 a .90. Em
termos de validade, a validade de estrutura foi obtida através de técnicas de Análise
Factorial e amostras cruzadas de validação. A Validade Convergente e Divergente foi
obtida comparando os resultados das escalas de Conners com outras escalas. A Validade
Discriminativa foi também muito significativa e suportada na capacidade das escalas de
Conners diferenciarem indivíduos com PHDA de outros sem problemas e de indivíduos
com outras situações de psicopatologia.

Posteriormente a 1997, a equipa de Keith Conners tem-se dedicado a aprofundar


os estudos com estas novas versões., tal como outros investigadores se têm dedicado à
sua utilização e estudo em todo o mundo.

Fantuzzo, J. E col. (2001) verificaram que as anteriores versões (Conners-28 para


professores) se revela com boas propriedades (validade e fidelidade) para a avaliação de
crianças em idade pré-escolar de uma zona urbana e de etnia Afro-americana.

Fichas de Cotação Rápida e Fichas de Perfil Individual

Todas as Escalas de Conners permitem a cotação e registo das respostas dos


indivíduos inquiridos em Fichas de Cotação Rápida e Fichas de Perfil Individual. Estas
fichas permitem uma administração e cotação rápidas. Quando as Fichas de Perfil estão
preenchidas permitem uma transformação imediata dos scores brutos em scores

normativos (Tscores) o que facilita a leitura imediata dos resultados sob a forma de um
perfil individual. Este perfil é utilizado para a avaliação do indivíduo, para apresentar os
resultados aos Pais, Professores ou Outros.

Fichas de “Feedback”

Outros acessórios muito úteis para apresentar os resultados das escalas de


Conners são as Fichas de Feedback das escalas de auto-avaliação e que são em tudo
idênticas às existentes nas anteriores versões. Estas fichas permitem uma visualização por

19
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
parte do adolescente ou da criança dos resultados obtidos em termos de “melhor que a
média”, “média” e ”necessita ser melhorado”. Alguma descrição da escala apropriada a
indivíduos leigos encontra-se ao lado das zonas de cotação e são utilizados termos não
ofensivos para não provocar situações de alarme. São também incluídos conselhos de
intervenção, estratégias de intervenção e bibliografia adequada.

Novas Fichas de Gráficos de Pontos Coloridos para Monitorização do Tratamento.

As Fichas de Gráficos de Pontos Coloridos para Monitorização do Tratamento

incluídas na Versão Revista são destinadas a registar em sistema de pontos a variação dos
scores em várias administrações ou são utilizadas para a monitorização da variação de
scores no decorrer do tratamento. Cada ficha permite o registo de 7 administrações. Uma
zona sombreada a vermelho refere-se a scores elevados, o que permite uma maior
facilidade de apresentação dos resultados a Pais, Professores, etc.

Formatos Disponíveis.

Uma alternativa de administração das escalas de Conners através das Fichas de


Registo e Cotação Rápidas é a utilização do programa de computador. As 6 principais
escalas podem ser administradas através desse software. Este software tem a vantagem
de fazer a análise dos dados em segundos.

Utilização das EC-R.

A principal utilização das Escalas de Conners-Versão Revista é para avaliação da


PHDA. Contudo estas escalas podem ter uma utilização mais vasta, dado que incluem sub
escalas para avaliação das Perturbações da Conduta, Problemas Cognitivos, Distúrbios
Emocionais, Problemas Familiares, Problemas de Controlo da Agressividade e Problemas
de Ansiedade. A possibilidade de avaliar estes aspectos é crucial dada a enorme
comorbilidade da PHDA com estas situações (em especial problemas de conduta e da
ansiedade).

As Escalas de Conners têm diversos usos incluindo:

1. Instrumento de Despiste

2. Monitorização de Tratamento/Intervenção

3. Instrumento de Investigação e Pesquisa

4. Ajuda directa para estabelecimento de diagnóstico clínico


Centenas de investigadores e clínicos (praticantes) têm utilizado estas escalas (as
srcinais) para objectivos únicos. Com efeito a bibliografia anotada de Conners (Wainwrigth
e MSH Staff, 1996, cit. por Conners, 1997) revela mais de 450 estudos conduzidos com as
Escalas de Conners, que poderão ilustrar tais utilizações.

Os potenciais utilizadores das EC-R incluem psicólogos, assistentes sociais,


fisiatras, conselheiros, técnicos da área da psiquiatria, professores, conselheiros pastorais

20
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
e responsáveis escolares (conselhos pedagógicos e directivos). Os contextos apropriados
para a utilização destas escalas incluem escolas, clínicas externas, clínicas residenciais,
centros de dia, serviços de protecção a menores, educação especial e sala de aula (ensino
regular), centros de detenção de menores, e consultórios privados (psiquiatria, psicologia,
pediatria, terapia familiar).

Despiste

As EC-R podem ser utilizadas no procedimento inerente a uma rotina de despiste.

Por exemplo, sem estarem focalizadas numa criança em especial, nem sequer havendo a
suspeita de que existe um problema, as EC-R podem ser utilizadas (por exemplo uma
escola por completo, ou numa clínica inteira), com o objectivo de identificar crianças e
adolescentes em risco de terem uma PHDA ou qualquer outro problema relacionado.
Quando utilizadas como despiste o follow-up poderá ajudar a avaliar os efeitos do
programa a que o indivíduo foi sujeito.

Monitorizar o Tratamento/Intervenção.

Para monitorizar os efeitos de determinado tratamento/intervenção as escalas


deverão ser previamente preenchidas pelos Pais, Professores ou Outro. Estes dados
iniciais deverão servir como Linha de Base (Baseline) indicadora dos problemas de
comportamento anteriormente à intervenção e antes da administração de qualquer
elemento psicoactivo. O progresso poderá ser avaliado, comparando estes scores com os

posteriores. Recomenda-se que pelo menos se obtenham duas cotações para estabelecer
a linha de base (Milich, Roberts, Loney e Conputo, 1980 cit. por Conners, 1997). A
experiência demonstrou que o intervalo optimal de administração das escalas é de 3 a 6
semanas, pois é quando se obtém a informação mais preciosa. Para o planeamento da
intervenção é útil que se recolha informação acerca dos objectivos a atingir, do período de
observação requerido, a fonte das respostas à escala, e o tipo de tratamento. As formas
completas das escalas são utilizadas em situações em que o tratamento pretende atingir
mais do que uma dimensão do comportamento. Por outro lado, nos casos que requerem
uma maior quantidade de administrações , deverá ser utilizada a forma reduzida. A
experiência revela que os inquiridos respondem às formas reduzidas de modo fiável,
mesmo com repetições ao longo do tempo e que se mostram relutantes no que respeita as
formas completas, especialmente em casos de necessidade de repetição.

Diagnóstico e Clínica.
Em conjunto as escalas de Pais, Professores e Adolescentes podem constituir
importantes ferramentas para obter informação estruturada e estandardizada acerca do
indivíduo. O ponto de vista dos Pais e dos Professores é de valor inestimável, pois são eles
que convivem diariamente com a criança e muitas vezes em diferentes circunstâncias
(Conners, 1982, cit. Por Conners, 1997). Quando há coincidência entre as respostas de
Pais e Professores em determinada área considerada problemática, então, pode

21
Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
_________________________________________________________________________
estabelecer-se um diagnóstico clínico. Do mesmo modo as discrepâncias entre respostas
de pais e professores são muito importantes para determinar casos situacionais (problema
em casa ou na escola). Com a introdução das escalas de auto-avaliação introduz-se uma
nova fonte de informação. Quando as respostas de auto-avaliação coincidem com as de
outras fontes, esta informação suporta as conclusões. No caso de não haver acordo, então
deve informar-se o adolescente sobre a percepção que pais e professores têm do seu
comportamento e avaliar o caso em seguimento.

Sumariamente as EC-R são extremamente importantes no processo de definição


do problema, recolha de informação, delinear o programa de intervenção e monitorizar os
efeitos da intervenção. Este processo é dinâmico e requer uma síntese de diferentes tipos e
fontes de informação e um uso muito cuidado do julgamento clínico. Uma utilização rápida
e simplista, apenas para fazer um diagnóstico é totalmente desaconselhada dado que tanto
pais como professores respondem a estas escalas com um determinado grau de
capacidade de observação, abertura ou defesa e disponibilidade (Conners, 1997). O
contexto de avaliação é também importante. O uso destas escalas não deve tornar-se
mecanizado ao ponto de poderem substituir um clínico treinado e o seu julgamento de
perito, tal como os seus conselhos sobre o tratamento.

Contextos de investigação.

As EC-R têm ,literalmente, sido utilizadas ao longo dos anos em centenas de


estudos. As formas reduzidas são ideais para situações de teste-reteste . O Journal of
Attention Disorders, editado por Keith Conners é uma fonte muito rica para algumas das
mais actuais utilizações desta escala em contextos de investigação.

Cuidados a ter nas utilização destas escalas

Se as EC-R forem directamente utilizadas na perspectiva da tomada de decisões, é


de ter em conta que elas permitem um risco de existência de “falsos positivos” e “falsos
negativos”. (Conners, 1997). A informação obtidas através da administração das escalas de
Conners deve ser interpretada com base nos valores absolutos individuais, nos scores
brutos e estandardizados e na integração destes resultados com outros com os
provenientes de entrevistas e observação directa. A combinação da informação das
respostas às escalas com a observação directa permite ao clínico uma compreensão mais
ecológica da questão e poderá ser obtida uma visão mais válida do caso. As escalas nunca

deverão substituir uma observação directa em caso de diagnóstico e nunca se poderá


esquecer que há sempre factores que influenciam a resposta de cada um, tais como
comportamentos defensivos, respostas socialmente esperadas, etc. Estas escalas, na sua
versão de auto-avaliação não se recomendam para o caso de indivíduos com dificuldades
severas e sem capacidade para responderam com o mínimo de veracidade a questionários,
tal como é de considerar o nível de capacidade de leitura do indivíduo em causa. Em caso

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Escalas Revistas de Conners – Texto de apoio
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de dificuldades de leitura a escala poderá ser lida e respondida em forma de entrevista,
desde que o leitor não influencie as respostas.

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