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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA BAHIA Justiça Gratuita


Comarca de Salvador
2ª Vara de Tóxicos Réu Preso
Av Ulysses Guimarães, 1º Andar do Fórum Criminal, Sussuarana -
CEP 41213-000, Fone: 3460-8042/8054, Salvador-BA - E-mail:
salvador2vtoxico@tjba.jus.br
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SENTENÇA CONDENATÓRIA

Processo nº: 0559525-42.2017.8.05.0001


Classe Assunto: Procedimento Especial da Lei Antitóxicos - Tráfico de
Drogas e Condutas Afins – réus condenados pelo crime do
artigo 33 da Lei 11343/06. Absolvidos do artigo 35 da
mesma Lei. Réu FÁBIO SANTOS- pena de 5 anos, regime
semiaberto, e 500 DM. MAURÍCIO GONZAGA – pena de
3 anos, regime aberto, e 300 DM. Substituída a privativa de
liberdade por duas restritivas.

Se impresso, para conferência acesse o site http://esaj.tjba.jus.br/esaj, informe o processo 0559525-42.2017.8.05.0001 e o código 4579727.
Autor: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA
Réu: FÁBIO SANTOS DÓRIA (mantida prisão) e MAURÍCIO
GONZAGA DOS SANTOS (concedido direito de recorrer
em liberdade)

I. RELATÓRIO

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA ofereceu, nos autos


do processo indicado em epígrafe, DENÚNCIA em desfavor de FÁBIO
SANTOS DÓRIA e MAURÍCIO GONZAGA DOS SANTOS, qualificados nos
autos, aduzindo, em síntese, que, no dia 04.09.2017, aproximadamente
às 19horas, policiais civis receberam informações de que havia dois
indivíduos traficando drogas no bairro da Pituba.

A equipe, então, localizou os indivíduos e passou a segui-los, até


que os abordaram próximos às suas residências. Feita a revista pessoal,
foram encontradas com os mesmos 71 (setenta e uma) "trouxas",

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contendo substância análoga à cocaína, acondicionadas em plástico
transparente, 05 (cinco) pedras grandes e 5 pedras médias da droga
vulgarmente conhecida crack, totalizando um volume de 176,25g
(cento e setenta e seis gramas e vinte e cinco centigramas) de
entorpecentes.

Requer, assim, a condenação dos réus nas penas do art. 33 e 35 da


Lei 11.343/2006.

Os acusados apresentaram defesa preliminar, às fls. 62/64 e


76/77, por intermédio de advogados constituídos, sendo recebida a
denúncia, por meu antecessor, em 23.10.2017, conforme decisão de
fls. 83/84.
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Às fls. 161 e 167/170, estão colacionados os depoimentos das


testemunhas de acusação. Às fls. 171/176, foram colhidos os
interrogatórios dos acusados. Às fls. 189/190 e 217, a defesa juntou
declarações escritas acerca da conduta dos acusados.
Fls. 11, auto de exibição; fls. 27, laudo de constatação; fls. 96,
laudo pericial toxicológico; fls. 109/114, laudos de lesões corporais.

Fls. 81/82, antecedentes criminais dos acusados.

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O Ministério Público, em alegações finais ofertadas às fls. 180/187,
entendendo provadas, em parte, a autoria e a materialidade dos crimes
descritos na denúncia, após fundamentar as razões que respaldam o
seu convencimento, requer a condenação dos réus nas penas do art.
33, caput, da Lei 11.343/2006, e a absolvição quanto ao delito do
artigo 35 da mesma Lei.

As alegações finais do acusado MAURÍCIO GONZAGA DOS SANTOS


estão às fls. 206/214, nas quais, em síntese, requer a absolvição, por
ausência de provas; subsidiariamente, pede o reconhecimento do
"tráfico privilegiado", substituição da pena privativa de liberdade e
concessão do direito de recorrer em liberdade.

As alegações finais do acusado FÁBIO SANTOS DÓREA estão


colacionadas às fls. 218/225. Requer, igualmente, a absolvição, por
falta de provas e, subsidiariamente, pugna pela fixação da pena no

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mínimo legal e pela concessão do direito de recorrer em liberdade.

É O RELATÓRIO. DECIDO.

II. FUNDAMENTAÇÃO

II.1. ANÁLISE DA IMPUTAÇÃO RELATIVA AO CRIME TIPIFICADO NO


ARTIGO 35, DA LEI 11.343/06.

Assiste razão às partes, quando pretendem a absolvição dos


acusados quanto ao crime de associação para o tráfico, posto que
não há, efetivamente, elementos concretos acerca de sua
configuração na hipótese dos autos.
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O crime em análise consuma-se, segundo entendimentos


doutrinário e jurisprudencial, com a associação previamente
organizada, de caráter estável e permanente, independente de
qualquer outro fato que venha a ser praticados pelos agentes,
exigindo requisitos distintos do concurso de pessoas. Neste sentido,
vejamos:

“Simples concurso de agentes não configura o delito de


associação. É indispensável o animus associativo, a

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comprovação da existência de vinculação duradoura, com
caráter permanente (STF, HC 75.309-4/SP).

“O crime de associação, previsto na Lei de Tóxicos, caracteriza-


se pela necessária participação, não eventual, de pelo menos
duas pessoas perfeitamente identificadas, com vistas ao tráfico
de entorpecentes, ainda que este não se concretize. É inepta a
denúncia que não descreve, dentre outras circunstâncias, o
vínculo associativo, o modo, o momento em que teria ele se
estabelecido, e, bem assim, quais as pessoas nele envolvidas.”
(STJ, HC 11.440-RJ).

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, na mesma linha de


intelecção, decidiu:

“ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. ART. 35 DA LEI Nº 11.343/06.


INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA QUANTO A ELEMENTO

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SUBJETIVO INTEGRANTE DO TIPO. ABSOLVIÇÃO EM SEGUNDO
GRAU. O delito de associação exige o dolo específico dos
agentes no sentido de formar uma associação estável e
permanente para fins de tráfico, seja este tráfico eventual
ou reiterado. Não havendo comprovação deste animus
associativo, no sentido de ter havido prévio ajuste para
formar um vínculo, uma verdadeira societas sceleris, sendo a
associação (bem como o período desta) estritamente
necessária para viabilizar a prática do crime em concreto,
inviável um juízo condenatório. DERAM PARCIAL PROVIMENTO AOS
APELOS DA DEFESA. (Apelação Crime Nº 70027921188, Primeira Câmara
Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Marcel Esquivel Hoppe, Julgado em
18/03/2009).”

Na situação versada neste processo, não há sequer narrativa


fática, na peça acusatória, acerca da configuração do referido delito
e, muito menos, qualquer prova, sequer indiciária, de que existisse
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uma associação entre os acusados para a prática do delito de tráfico


de drogas.

Impõe-se, destarte, a absolvição dos mesmos, tal como pleiteado


pelo próprio Ministério Público, em sede alegações finais,
relativamente ao crime tipificado no artigo 35, da Lei 11.343/06,
conforme previsão contida no artigo 386, II, do CPP, com redação
dada pela Lei n. 11.690/08.

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II.2 – ANÁLISE DA IMPUTAÇÃO RELATIVA AO CRIME TIPIFICADO
NO ARTIGO 33, caput, DA LEI 11.343/06.

O Ministério Público atribui aos réus, ainda, a conduta tipificada


no artigo 33, caput, da Lei Antitóxico, consistente no fato de terem
sido flagrados, trazendo consigo 176,25g (cento e setenta e seis gramas
e vinte e cinco centigramas) de drogas, para fins de tráfico, sendo 71
(setenta e uma) trouxas de cocaína e 10 pedras de crack.

O caput art. 33 da Lei 11.343/2006 estabelece, verbis:

“Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir,


fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em
depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever,
ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com

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determinação legal ou regulamentar: (grifo nosso)

Pena – reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento


de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias multa”.

A materialidade do crime em análise está comprovada, através do


auto de exibição e apreensão, de fl. 11, e laudo de constatação, de fl.
27, que relaciona terem sido apreendidas as drogas a que se referem a
denúncia, bem como do laudo pericial definitivo, fl. 96, que atesta que
as substâncias apreendidas eram, de fato, benzoilmetilecgonina
(cocaína), relacionada na lista F-1, da Portaria n. 344/98, da Secretaria
de Vigilância Sanitária/ Ministério da Saúde, de uso proscrito no Brasil.

Relativamente à autoria do crime de tráfico, embora os acusados a


tenham negado em Juízo, as testemunhas de acusação ouvidas
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apresentam depoimentos que autorizam a conclusão de que os


entorpecentes pertenciam aos mesmos. Vejamos:

DEPOIMENTO DE CARLOS JOSÉ MONTEIRO VALOIS, IPC, CONDUTOR:

''(...)no dia dos fatos, receberam uma denúncia de que havia elementos
traficando no bairro da Pituba e o delegado mandou investigar; então,
saíram em diligência e localizaram os elementos, que depois sumiram,
mas depois os localizaram novamente através de informações de
populares; que diligenciaram no bairro da Ribeira e surpreenderam Fábio

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em um primeiro momento com drogas, não se recordando do tipo e nem
da quantidade; que surpreenderam Fábio na casa da mãe dele; que
localizaram Maurício através de Fabio; que Fábio levou os policiais até a
casa de Maurício; que a droga estava no bolso de Fábio; (...); que
chegaram na casa de Maurício, ele demorou um pouco para abrir a
porta, mas depois abriu e na casa encontraram cocaína e crack; que a
cocaína estava em tabletes e era uma quantidade considerável e o crack
já estava embalado para consumo; (...); que as drogas estavam dentro
de um balde; (...) que já conhecia Fábio porque tinha prendido ele em
Madre de Deus – BA, por tráfico; que só conheceu Maurício nesse dia;
(...) a 16ª DT é na Pituba e a prisão ocorreu na Ribeira; que quem
franqueou a entrada dos policiais na casa de Fábio foi Maurício que
abriu a porta; que estavam procurando a droga e não estavam
encontrando e, então, perguntaram a Maurício que indicou o local
exato; (...); que dizia que o tráfico era na Pituba; que chegaram na
Ribeira através de informações de inteligência (...).” (depoimento em
Juízo, fl. 150).

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DEPOIMENTO DE LUIS ARCANJO, Investigador da Polícia Civil:

''(...) que Carlos Valois era o chefe da equipe e o depoente o


acompanhou, não sabendo maiores detalhes da investigação; que a
equipe localizou um dos acusados e, depois, o outro, não sabendo
informar qual dos dois foi encontrado primeiro; que cada um deles
estava dentro de uma residência; que não lembra se foi encontrada
droga na primeira casa; que, no segundo imóvel, pode afirmar que
havia droga; que, se não se engana, era maconha; que não lembra se
havia cocaína e crack; que não adentrou nas casas; que se recorda que
havia cadernos e alguns materiais, não sabendo especificar; que não se
recorda se os réus já eram conhecidos da equipe do SI; que se lembra
que Valois, mas não se recorda quais outros IPC's o
acompanharam;(...); que não lembra a quantidade de droga
apreendida; que a quantidade de droga cabia em duas mãos sem enchê-
las; (...); que os réus foram presos no Caminho de Areia; que a área é
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de responsabilidade da 3ª DT; (...) que não tem conhecimento de


prisão anterior de Fábio; que não sabe informar se as outras 2
testemunhas de acusação já haviam prendido os réus antes; que ficou
fazendo a segurança externa na diligência(...).” (depoimento em
Juízo, fls. 167/168).

DEPOIMENTO DE SANDRO CAJÁ, IPC:

''(...) que os policiais chegaram até os réus, através de informações, e


os prenderam com droga no bairro da Ribeira; que um dos réus foi

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detido em via casa e levou a polícia até a casa do outro acusado; que o
acusado Fábio foi abordado primeiro; que não lembra se foi encontrada
droga na posse de Fábio; que não entrevistou o referido réu;(...) que
após a abordagem a Fábio, foram até a casa de Maurício, onde foi
encontrada droga; que, salvo engano, cocaína e crack; que não se
recorda a quantidade; que não se lembra se a droga estava
acondicionada para venda; que o depoente nunca havia apreendido os
acusados e nem sabe informar se os demais integrantes da guarnição o
fizeram; que os réus não resistiram à prisão; (...) que não se recorda se
os réus já haviam sido presos antes; (...) que havia denúncia, tanto que
se chegou até a pessoa de Fábio; que não sabe se o IPC Valois já havia
apreendido Fábio em outra cidade; (...); que Valois já trabalhou no
Nordeste de Amaralina e em Madre de Deus, sendo esta sua última
lotação antes da 16ª DT; que chegou à conclusão de que a casa
pertencia a Maurício porque Fábio levou a guarnição até lá e, no
local, Maurício se encontrava;(...).” (depoimento em Juízo, fls.
169/170).

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Extrai-se, pois, do conjunto probatório produzido que os réus
foram flagrados, no dia do fato, com as drogas mencionadas no auto de
exibição e apreensão (fl. 11), após terem sido alvos de informes
dirigidos à polícia civil, os quais os apontavam como pessoas que
estavam traficando drogas.

Os policiais que participaram da diligência não deixam dúvidas


acerca deste fato e o conteúdo dos seus depoimentos deve ser
considerado sem ressalvas, posto que nada existe para desqualificá-los
ou descredenciá-los. Ademais, os depoimentos foram colhidos com
observância aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla
defesa.

Saliente-se, além disso, que eventuais contradições, sobre fatos


secundários ou acessórios, nos depoimentos das testemunhas de
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acusação não são suficientes para deslegitimar as provas obtidas em


Juízo. Isto porque, devido ao lapso temporal, é normal que os
depoimentos apresentem algumas imprecisões quanto à diligência.
Contudo, é incontroverso, na hipótese versada, que todos os policiais,
de forma segura, afirmaram que foram apreendidos entorpecentes
atribuídos aos réus.

Cumpre destacar que, na fase pré-processual, o acusado Fábio


Santos, além de confessar a prisão anterior por tráfico de drogas (fls.

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12/13), admite o uso de maconha e confirma que estava traficando, no
Bairro da Ribeira, desde que deixou de trabalhar nos Correios, em
dezembro do ano de 2016. Afirma que convidou o corréu Maurício para
lhe ajudar, guardando os entorpecentes em sua residência, a fim de
não ficar com quantidade expressiva na rua. Disse, ainda, que já
deixava a droga embalada na posse de Maurício e que faturava, por dia,
cerca de R$ 300,00 a R$ 400,00.

O acusado Maurício Gonzaga, por sua vez, às fls. 14/15, afirma o


uso de maconha e admite que vem ganhando algum dinheiro com o
tráfico, há de três meses, por encontrar-se desempregado. Disse que
vinha traficando com Fábio, exclusivamente, no bairro da Ribeira. Disse
que faturava R$ 200,00 por dia.

Tais confissões, não obstante retratadas pelos acusados em Juízo,

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encontram-se corroboradas pelos depoimentos das testemunhas de
acusação. A mudança de versão dos réus, ademais, não foi
acompanhada de nenhuma justificativa plausível.

O fato de o IPC Carlos Valois ter participado de prisão anterior de


Fábio Santos, quando trabalhava em outro município (Madre de Deus)
não pode, de forma alguma, conduzir à conclusão de que o mesmo
tinha razão para "persegui-lo", como pretende o referido acusado. Veja-
se que o referido policial, ouvido à fl. 161, afirmou que ficou surpreso
de encontrar o referido réu.

Cabe, ainda, ressaltar que o art. 33 da Lei Antitóxico traz um tipo


de conteúdo múltiplo ou variado de condutas ("ter em depósito",
"guardar", "trazer consigo", dentre outras), ligadas às substâncias
fls. 233

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entorpecentes, restando suficiente, para a consumação do tráfico, o


cometimento de qualquer uma delas, sendo irrelevante que a venda
tenha se consumado ou não, pois independe do resultado, por tratar-se
de crime de mera conduta.

Expostas estas considerações, não há que se falar, como pretende


a defesa, em inexistência de provas, posto que tanto a autoria quanto
a materialidade do delito do artigo 33 em estudo estão cabalmente
comprovadas.

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Resta, destarte, comprovado o dolo com que agiram os acusados,
pois traziam consigo e guardavam substâncias entorpecentes, para fins
de comércio, sem autorização legal ou regulamentar para tanto, não
militando em favor destes nenhuma causa excludente de ilicitude ou
de culpabilidade. Assim, tenho-os como incursos nas penas do artigo
33, caput, da Lei n. 11343/06.

II.3. FÁBIO SANTOS DÓREA - ANÁLISE DAS CIRCUNSTÂNCIAS


JUDICIAIS E DA APLICABILIDADE DA CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA
DO ARTIGO 33, §4, DA LEI 11343/03

Em atendimento ao disposto no artigo 59 do Código Penal e no


artigo 42 da Lei 11.343/06 e em cotejo com os elementos existentes no
processo, constata-se que o acusado FÁBIO SANTOS DÓREA tem

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culpabilidade normal à espécie.

No que pertine aos antecedentes, verifica-se que o réu responde a


outros processos criminais, na 4ª e na 5ª Varas Criminais, bem como na
1ª Vara de Tóxicos, todas da capital, consoante certidão de fl. 82.

No que tange à personalidade, não há informações nos autos.


Quanto à conduta social, a defesa juntou uma declaração, subscrita por
três pessoas, segundo a qual não é do conhecimento dos subscritores a
existência de fato que desabone a conduta do acusado, fl. 217.

As consequências do delito são as comuns ao tipo de crime


imputado, muito danosas, pois a coletividade vê-se atingida com a
propagação das drogas, principalmente, as pessoas mais jovens e
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inexperientes, mas já estão abrangidas pelo tipo penal, nada havendo a


destacar. A quantidade de droga é razoável, 176,25 gramas de cocaína.

Não há circunstâncias agravantes. Deve ser reconhecida a


atenuante da confissão, pois, embora extrajudicial, foi utilizada para
fundamentar esta sentença.

O réu NÃO faz jus à causa de diminuição de pena, pois não


preenche todos os requisitos legais autorizadores estabelecidos no 4º,

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do artigo 33, da Lei 11.343/06, segundo os elementos probatórios
disponíveis no processo, especialmente porque, à vista dos seus
antecedentes criminais, fl. 82, evidencia tratar-se de pessoa que se
dedica à prática de atividades criminosas, o que obsta a concessão do
redutor em análise.

Ressalte-se, neste ponto, que, no julgamento do HC 97256, do


STF, discutiu-se a respeito da possibilidade de o juiz valorar inquéritos
e ações penais em andamento para efeito de majorar a pena base
aplicada. Ainda que sem efeito vinculante tal posicionamento, cumpre
esclarecer que, na hipótese vertente, analisa-se, por expressa
determinação legal (§4º do art. 33 da Lei 11343/06), se o réu “dedica-
se à atividade criminosa” e "tem maus antecedentes", justamente para
que se possa, na individualização judicial da pena, estabelecer o
adequado tratamento àquele que praticou crime em caráter eventual,
o qual não pode receber a mesma reprimenda penal a ser aplicada ao

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indivíduo que evidencia comportamento voltado à prática da
criminalidade. Ademais, maus antecedentes não se confunde com
reincidência.

Renato Marcão, em Tóxicos – Lei 11.343, de 23 de agosto de 2006,


Nova Lei de Drogas, discorre sobre tal dispositivo afirmando que:

“(...) A previsão é saudável na medida em que passa a permitir ao


magistrado maior amplitude de apreciação do caso concreto, de
maneira a poder melhor quantificar e, portanto, individualizar a
pena, dando tratamento adequado àquele que apenas se inicia no
mundo do crime.(...) Para fazer jus ao benefício, o réu deve
satisfazer a todos os requisitos, cumulativamente. A ausência
de apenas um determina negar a benesse.”( Fls. 163) (grifo
nosso).
fls. 235

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No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça decidiu


(grifos nossos):

"HABEAS CORPUS. PENAL. TRÁFICO DE DROGAS. CAUSA DE DIMINUIÇÃO


DE PENA PREVISTA NO § 4.º, DO ART. 33, DA LEI N.º 11.343/06.
IMPOSSIBILIDADE DE SUA INCIDÊNCIA, NA HIPÓTESE DE RÉU QUE
POSSUI MAUS ANTECEDENTES. (...) 1. São requisitos para que o
Paciente faça jus à aplicação da causa de diminuição de pena prevista no
§ 4.º do art. 33 da Lei n.º 11.343/06: ser primário, ter bons antecedentes

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e não se dedicar a atividades criminosas ou integrar organizações
criminosas. Esses requisitos precisam ser preenchidos conjuntamente. 2.
No caso dos autos, em que as instâncias ordinárias concluíram que o
Paciente possui maus antecedentes, não é legítimo reclamar a aplicação
da minorante, pois não estão preenchidos conjuntamente todos os
requisitos legais. (...) . 4. O Paciente não faz jus à substituição da pena
privativa de liberdade por restritiva de direitos, por não preencher o
requisito previsto no inciso I do art. 44 do Código Penal. 5. Ordem de
habeas corpus parcialmente prejudicada e, no mais, denegada. (STJ,
Relator: Ministra LAURITA VAZ, Data de Julgamento: 01/10/2013, T5 - QUINTA TURMA)"

Assim, pode-se afirmar que o acusado FÁBIO SANTOS DORIA não


tem direito à causa de diminuição de pena do artigo 33, §4º, da Lei
11343/06, posto que restou comprovado nos autos que ele não reúne
todos os requisitos legais autorizadores para a concessão do
benefício penal.

II.4. RÉU MAURÍCIO GONZAGA DOS SANTOS - ANÁLISE DAS

Este documento foi assinado digitalmente por LIZ REZENDE DE ANDRADE.


CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS E DA APLICABILIDADE DA CAUSA DE
DIMINUIÇÃO DE PENA DO ARTIGO 33,§ 4º, DA LEI 11343/06.

Em atendimento ao disposto no artigo 59 do Código Penal e no


artigo 42 da Lei 11.343/06 e em cotejo com os elementos existentes no
processo, constata-se que o acusado MAURÍCIO GONZAGA tem
culpabilidade normal à espécie. No que pertine aos antecedentes,
verifica-se que o mesmo é primário e não possui qualquer registro
criminal, fl. 81.

No que tange à personalidade, não há informações nos autos.


Quanto à conduta social, a defesa juntou 3 declarações, segundo as
quais não é do conhecimento dos subscritores a existência de fato que
desabone a conduta do acusado, fls. 189/191.
fls. 236

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salvador2vtoxico@tjba.jus.br
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As consequências do delito são as comuns ao tipo de crime


imputado, muito danosas, pois a coletividade vê-se atingida com a
propagação das drogas, mas já estão abrangidas no tipo. A quantidade
de droga apreendida é razoável.

Não há circunstâncias agravantes. Deve ser reconhecida a


atenuante da confissão, pois, embora extrajudicial, foi utilizada para
fundamentar esta sentença.

Se impresso, para conferência acesse o site http://esaj.tjba.jus.br/esaj, informe o processo 0559525-42.2017.8.05.0001 e o código 4579727.
O réu faz jus à causa de diminuição de pena em análise, pois
preenche todos os requisitos legais autorizadores, de que trata o § 4º,
do artigo 33, da Lei 11.343/06, segundo os elementos probatórios
disponíveis no processo, haja vista que não tem registro de
antecedentes criminais e não há provas de que integre organização
criminosa ou de que se dedique à prática de atividades criminosas.

II.5. DOSIMETRIA DA PENA

RÉU FÁBIO SANTOS DORIA

Isto posto, observado o preceito secundário do tipo penal previsto


no artigo 33, caput, da Lei 11.343/06, e considerando o disposto no
artigo 42 da citada Lei Antitóxico, fixo a pena-base a ser cumprida pelo
réu FÁBIO SANTOS DÓREA em 5 anos de reclusão e em 500 dias-multa.

Este documento foi assinado digitalmente por LIZ REZENDE DE ANDRADE.


Não há agravantes. Embora reconheça a atenuante do artigo 65, III, d,
do CP, deixo de proceder a qualquer redução, pois já estabelecida a
pena no mínimo legal (Súmula 231 STJ). Não existem causas de
aumento ou de diminuição a serem consideradas, razão pela qual torno
definitiva a pena de 5 anos de reclusão, a ser cumprida em regime
inicial semiaberto (artigo 33, §2º, b, do CP), e 500 dias-multa.

Cada dia multa deve ser fixado à razão de 1/30 do salário mínimo
vigente.

Registro que fixo o regime SEMIABERTO para início de


cumprimento da pena, por considerar que o disposto no artigo 2º, §1º,
da Lei 8072/90, com redação dada pela Lei 11.464/07 (que determina o
regime inicial fechado), fere o princípio constitucional da
fls. 237

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individualização judicial da pena imposta.

RÉU MAURÍCIO GONZAGA DOS SANTOS

Observado o preceito secundário do tipo penal previsto no artigo


33, caput, da Lei 11.343/06, e considerando, especialmente, o disposto
no artigo 42 da citada lei Antitóxico, fixo a pena-base a ser cumprida

Se impresso, para conferência acesse o site http://esaj.tjba.jus.br/esaj, informe o processo 0559525-42.2017.8.05.0001 e o código 4579727.
pelo réu em 5 (cinco) anos de reclusão e em 500 (quinhentos) dias-
multa.Não há agravantes. Embora reconheça a atenuante do artigo 65,
III, d, do CP, deixo de proceder a qualquer redução, pois já
estabelecida a pena no mínimo legal (Súmula 231 STJ). Não existem
causas de aumento. Presente a causa de diminuição de pena, do artigo
33, §4º, da Lei 11.343/06, reduzo a pena em 2/5, considerando a
quantidade de droga apreendida.

Isto posto, torno definitiva a pena a ser cumprida pelo acusado


MAURÍCIO GONZAGA DOS SANTOS em 3 anos de reclusão, em regime
inicial aberto (artigo 33, §2º, c, do CP), e 300 dias-multa.

Cada dia multa deve ser fixado à razão de 1/30 do salário mínimo
vigente.

Registro que fixo o regime ABERTO para início de cumprimento da

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pena, por considerar que o disposto no artigo 2º, §1º, da Lei 8072/90,
com redação dada pela Lei 11.464/07 (que determina o regime inicial
fechado), fere o princípio constitucional da individualização judicial da
pena imposta.

Presentes os requisitos do artigo 44 do Código Penal, substituo a


pena privativa de liberdade por duas penas restritivas de direitos
(art. 44, §2º, CP), cuja especificação e forma de execução deverão ser
estabelecidas pelo Juízo da Execução de Penas e Medidas Alternativas
oportunamente.

III. DISPOSITIVO

Em harmonia com o exposto, JULGO PROCEDENTE, EM PARTE, A


fls. 238

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DENÚNCIA, para CONDENAR FÁBIO SANTOS DÓRIA, filho de Astrogildo


Menezes Dória e Lívia Santos Dória, qualificado nos autos, como incurso
nas sanções penais sediadas no art. 33, caput da Lei 11.343/2006,
impondo-lhe o cumprimento da pena definitiva de 5 anos de reclusão,
a ser cumprida em regime inicial semiaberto (artigo 33, §2º, b, do
CP), e 500 dias-multa, e MAURÍCIO GONZAGA DOS SANTOS, filho de
Marivaldo Veloso dos Santos e Marlene Gonzaga Oliveira, qualificado
nos autos, como incurso nas sanções penais sediadas nos art. 33, caput
c/c §4º, da Lei 11.343/2006, impondo-lhe o cumprimento da pena

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definitiva de 3 anos de reclusão, em regime inicial aberto (artigo 33,
§2º, c, do CP) e 300 dias-multa, devendo a pena privativa de
liberdade, quanto a este réu, ser substituída por duas restritivas de
direitos, na forma do artigo 44 do CP.

ABSOLVO os acusados FÁBIO SANTOS DÓRIA e MAURÍCIO GONZAGA


DOS SANTOS da imputação do art. 35, da Lei 11.343/06, com fulcro no
artigo 386, II, do CPP, com redação dada pela Lei 11.690/08, por não
existir prova da existência do fato delituoso imputado.

IV. SOBRE O DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE

CONCEDO ao réu MAURÍCIO GONZAGA DOS SANTOS o direito de


recorrer em liberdade, pois foi condenado a pena privativa de
liberdade substituída, na forma do artigo 44 do CP, e reúne, neste

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momento processual, as condições legais autorizadoras. Expeça-se
alvará de soltura em seu favor.

Quanto ao acusado FÁBIO SANTOS DÓRIA, a prisão cautelar deve


ser mantida, pois presentes os pressupostos e fundamentos legais
autorizadores. Justifico.

O fumus comissi delicti (autoria e materialidade) encontra-se


devidamente evidenciado na parte alusiva à fundamentação desta
sentença, o que dispensa a sua reiteração nesta oportunidade, vez que
já foram amplamente demonstrados os pressupostos da custódia
cautelar.

No que pertine ao periculum libertatis, contata-se presente a


fls. 239

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necessidade da prisão do acusado, para garantia da ordem pública,


evitando-se a reiteração criminosa, como expressamente prevê o artigo
282, I, última parte, do CPP, com redação dada pela lei 12.403/11.
Com efeito, o citado réu foi julgado e condenado à pena privativa de
liberdade não substituída, a ser cumprida em regime inicial
semiaberto, e possui péssimos antecedentes criminais.

Conforme certidão de fl. 82, o acusado responde a três outras


ações penais, uma das quais, inclusive, alusiva a delito de tráfico,

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evidenciando possuir conduta voltada à prática de atividades
criminosas. Ademais, na fase pré-processual, confessou a prática da
traficância, em data recente, por significativo lapso de tempo.

Expostas estas considerações, não lhe concedo o direito de


recorrer em liberdade, recomendando-o na prisão em que se encontra,
com o intuito de garantir a ordem pública (art. 312 CPP), evitando a
reiteração criminosa.

Expeça-se mandado de prisão e lance-se no BNMP 2.0.

V. OUTRAS PROVIDÊNCIAS PROCESSUAIS

V.1. Após o trânsito em julgado, lancem-se os nomes dos réus no


rol dos culpados, oficie-se o CEDEP, para anotação (art. 809 CPP), bem
como à Justiça Eleitoral e expeça-se guia definitiva, para execução da

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pena imposta. Para FÁBIO SANTOS DÓRIA, que foi mantido preso,
expeça-se guia de execução provisória, casa haja recurso.

V.2. Uma vez que não houve controvérsia, no curso do processo,


sobre a natureza ou sobre a quantidade da substância apreendida ou
sobre a regularidade do respectivo laudo pericial, determino a
incineração da droga apreendida, em atenção ao que estabelece o art.
58, §1º, da Lei 11.343/2006, com observância do disposto no art. 32,
§1º, da referida Lei, preservando-se, para eventual contraprova, a
fração necessária à realização de outra análise. Devem ser destruídos,
ademais, os petrechos do tráfico com remessa do comprovante a este
Juízo.

V.3. Face ao quanto exposto no artigo 387, §2º, do CPP, verifico


fls. 240

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que o réu FÁBIO SANTOS DÓRIA foi preso em 04.09.2017 e nesta


condição se encontra até a presente data. O crime de tráfico de drogas
admite a progressão de regime após o cumprimento de 2/5 da pena,
por se tratar de delito equiparado a hediondo, na forma da Lei
8.072/90, artigo 2º, §2º. Assim, constata-se que o réu não cumpriu
tempo de pena autorizador da progressão de regime, ficando mantido
o fixado para o cumprimento inicial da pena ora imposta. Quanto ao
réu MAURÍCIO GONZAGA DOS SANTOS, que também encontra-se
preso, foi fixado o regime aberto para o início de cumprimento da

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pena. EXPEÇA-SE ALVARÁ DE SOLTURA.

V.4. Quanto aos bens apreendidos, à fl. 11, documentos e


celulares, não provado que sejam proveito ou produto de crime, oficie-
se a autoridade policial para que proceda à restituição ao proprietário,
mediante recibo, a ser juntado a este processo.

V.5. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Custas na forma da lei.

SERVE A PRESENTE COMO MANDADO DE INTIMAÇÃO DE


SENTENÇA, incumbindo ao oficial de justiça informar aos acusados que
os mesmos podem apresentar recurso, por seu defensor, no prazo de 5
dias.

Ademais, deve o oficial certificar endereço atualizado e telefone


de contato informados pelo réu MAURÍCIO GONZAGA DOS SANTOS, que

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será posto em liberdade, se por outro motivo não estiver preso.

P. R Cumpra-se.

Salvador(BA), 25 de abril de 2018.

Liz Rezende de Andrade


Juíza de Direito Titular

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