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As pesquisas sobre uso do tempo e a promoção da igualdade de gênero


no Brasil1
Introdução

No Brasil, ainda predomina a ‘norma’ de que as atividades realizadas na esfera


do privado são atribuições das famílias, incidindo na responsabilização das mulheres.
Isto tem implicações para a construção de uma sociedade menos desigual baseada na
autonomia e independência destas (Sorj, n/d). As desigualdades entre os sexos/gêneros
estruturam-se na tradicional divisão sexual do trabalho, que atribui às mulheres a
responsabilidade pelas tarefas domésticas e pelo trabalho do cuidado de outros
(especialmente de filhos, idosos e doentes) desempenhadas na esfera da reprodução
social, enquanto aos homens são designados os espaços de atuação na vida econômica e
política da sociedade.
Diante de tal cenário, a intervenção do Estado, por meio de políticas públicas
para a socialização das atividades da reprodução social, é tanto possível quanto
necessária. Contudo, para qualificar e potencializar tais políticas, é necessário dispor de
um conjunto de indicadores específicos e capazes de dar conta das múltiplas dimensões
que localizam as desigualdades entre homens e mulheres. Dito de outro modo, deve-se
não apenas atuar no que se refere ao trabalho produtivo-reprodutivo, tomados como
espaços desarticulados, mas envolver outras dimensões mais amplas da experiência ou
de vivência do trabalho tais como a ordem de subjetividade da vida de homens e de
mulheres. Para isso, as pesquisas sobre os usos do tempo devem constituir uma das
ferramentas essenciais.
Nas últimas décadas, o governo brasileiro vem desenvolvendo relevantes
esforços, com vistas a promover mudanças na própria estruturação do Estado e de suas
políticas, viabilizando a construção de novos consensos políticos e sociais a respeito dos
papéis de homens e mulheres na produção e reprodução sociais. Isto se intensificou a
partir de 2003, com a criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência
da República, SPM/PR, que reafirma o compromisso do Estado com a garantia de
direitos das mulheres. Assim, o interesse em estudar a questão dos usos do tempo entre
as mulheres e homens advém do fato de considerar que estas e estes representam um
dos observatórios importantes para a análise das possíveis recomposições das relações e

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Texto elaborado por Lourdes Bandeira e Renata Preturlan da Secretaria Executiva da SPM para a
Conferencia da IATUR-2013, Rio de Janeiro. De 07 a 09 de agosto de 2013.
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dinâmicas de gênero em nossa sociedade, uma vez que estão diretamente relacionadas
com o(s) tipo(s) de atividade(s) desempenhadas. As políticas públicas devem considerar
as conexões entre o tempo de trabalho formal produtivo e da reprodução social, assim
como o tempo pessoal/subjetivo (Moliner, 2009).
Este texto centra-se em quatro pontos: 1) as iniciativas do governo brasileiro
para desenvolver pesquisas na área de usos do tempo; 2) uma breve discussão sobre as
mudanças na tradicional divisão sexual do trabalho, especialmente no que se refere à
inserção das mulheres no mercado de trabalho e em outras atividades que envolvem o
tempo pessoal; 3) algumas limitações das pesquisas sobre os usos do tempo: o que elas
não apreendem; algumas questões metodológicas à sua construção e a operacionalização
em políticas públicas; 4) por fim, alguns desafios para as políticas públicas.

1) Pesquisas sobre uso do tempo: sua relevância e as iniciativas do governo


brasileiro
Para a efetivação de políticas públicas que contribuam para a ressignificação da
divisão sexual do trabalho são necessários indicadores específicos que traduzam a
complexidade da realidade social e que sejam compreendidos pelos gestores públicos.
Nesse sentido, os estudos sobre usos do tempo são importantes para subsidiar a
elaboração de políticas públicas que transfiram parte da responsabilidade pelas
atividades de cuidado e do trabalho reprodutivo das mulheres a uma oferta maior e mais
complexa de equipamentos públicos. A motivação e estímulo a estes estudos também se
devem ao reconhecimento de que trarão informações úteis para identificar
desigualdades nem sempre percebidas referentes às atividades domésticas, aos
“trabalhos paralelos” -travaille à côté-2; isto é, a um conjunto de outras atividades
pouco visíveis e pouco captáveis nas pesquisas sobre os usos do tempo - tempo pessoal,
que envolve o corpo, sexualidades, etc, uma vez que não são atividades mercantis e
monetárias ou atividades “submetidas às necessidades” (Hirata et. al., 2009).
No geral, as pesquisas sobre os usos do tempo com recorte de gênero investigam
uma equação mais tradicional da divisão sexual do trabalho, a partir de um indicador-
chave: o que é definido como trabalho e o tempo total de trabalho, que é composto pela

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Aqui a definição de travaille à côté, traduzido como trabalho paralelo é referenciada na definição de
Florence Weber: “...expressão que enfatiza o fato de se tratar de uma atividade marginal, não oficial
‘paralela’ , ao trabalho profissional principal, mas também ‘paralela’ ao pagamento de impostos , aos
controles estatais e empresariais. (...) acentua o caráter central da fábrica [produção] e o caráter lúdico
desse trabalho que designa todo um leque de atividades que não implicam necessariamente,
pagamento”(op.cit.2009:13).
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soma do tempo de trabalho remunerado (formal), e o tempo de trabalho doméstico não


remunerado. São vistos, ainda, como dois domínios separados e excludentes do tempo
pessoal. Quando somadas as jornadas, o tempo total destinado ao trabalho dentro e fora
da casa é sempre maior para as mulheres. Entretanto, as pesquisas sobre usos do tempo
podem levar a conclusões muito além da identificação das desigualdades nessas
jornadas: podendo também viabilizar diagnósticos mais precisos a respeito das
atividades específicas que homens e mulheres executam, e possibilitar compreender
uma noção de trabalho vinculado à condição diferenciada por gênero, por tempo pessoal
e em diferentes espaços.
As pesquisas podem ainda viabilizar um índice de valoração monetária do
trabalho doméstico não-remunerado, evidenciando sua contribuição para a reprodução
social e o desenvolvimento do país. Segundo Hirata (2010:2/3), “o mais importante é
que são as mulheres, majoritariamente, que fazem este tipo de trabalho. O fato delas
fazerem o mesmo tipo de trabalho e cuidado (....) de maneira gratuita dentro de suas
casas, faz com que esse trabalho seja muito desvalorizado e mal pago. Ao mesmo
tempo, o fato de que as mulheres começam a trabalhar de maneira remunerada, mesmo
mal pagas (....), paradoxalmente, visibiliza um trabalho doméstico, até então efetuado de
maneira privada e invisível. Isso mostra que esse trabalho não é feito gratuitamente, tem
que ser remunerado e mercantilizado. A externalização do trabalho doméstico, que antes
era feito por amor ao marido, ao companheiro, pode ser um lugar de valorização deste
trabalho (....) isso faz com que esse trabalho seja cada vez mais significativo na
sociedade contemporânea”.
Em última instância, são novos olhares e perspectivas que devem pautar a
produção de dados e pesquisas, com vistas a subsidiar a elaboração de políticas públicas
que visam reduzir a sobrecarga das mulheres no trabalho reprodutivo e de cuidados, e
contribuir para sua autonomia pessoal.
O Estado brasileiro vem promovendo, nas últimas duas décadas, importantes
avanços. A partir de 1992, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
incluiu em sua pesquisa domiciliar (a PNAD) questões referentes ao trabalho
reprodutivo e ao uso do tempo. Inicialmente, contemplou a questão a respeito dos
membros do domicílio que realizam afazeres domésticos; outra a respeito do tempo
despendido no deslocamento entre a casa e o trabalho. Em 2001, incluiu ainda
questionamentos a respeito do número de horas semanais dedicadas aos afazeres
domésticos. Tratou-se de um importante passo na geração de dados que permitem uma
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visão mais aprofundada da realidade da divisão sexual do trabalho. Os resultados


possibilitam avaliar temas como as múltiplas jornadas e associá-las à inserção de
mulheres no mercado de trabalho e condições de vida.
A criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, em 2003, firma o
compromisso do Estado brasileiro com a promoção dos direitos das mulheres. Além
disso, evidencia a necessidade de incluir outras questões antes relegadas ao âmbito
privado; a situação do trabalho reprodutivo passa a ter visibilidade e é colocada no
centro da agenda de políticas públicas. Os compromissos estatais se materializam nos
Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres, que em suas três edições (2004, 2008 e
2013) reforçam a necessidade de políticas públicas de combate às desigualdades de
gênero no espaço público e privado.
Em 2007, foi realizado no Rio de Janeiro o Seminário Internacional sobre
Pesquisas de Uso do Tempo, encontro com objetivo de avaliar as demandas por
pesquisas e estatísticas na área e problematizar a atuação do governo. O encontro reuniu
pesquisadores, especialistas e agentes públicos, e resultou na proposição de um grupo
de trabalho governamental para dar continuidade às iniciativas na área.
Tais iniciativas foram reforçadas diante de reivindicações levadas à 2ª
Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, no ano de 2008. As Conferências,
importantes instrumentos de promoção da participação social nas políticas públicas,
foram fundamentais para consolidar o diagnóstico a respeito da necessidade de
equipamentos sociais de apoio ao trabalho reprodutivo. A moção nº 10 chamou a
atenção do Estado para a ampliação de creches públicas, ampliação do transporte
público de qualidade e outras políticas que contribuem para melhorar a qualidade de
vida das mulheres e reduzir o tempo que elas dedicam a essas atividades.
Em 2008, em consequência desses processos, foi criado o Comitê Técnico de
Estudos de Gênero e Uso do Tempo, o CGUT3, com o objetivo de estimular a
incorporação da perspectiva de gênero na produção e análise das estatísticas oficiais no
país. O CGUT é coordenado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e tem as
seguintes atribuições: I) promover a realização de estudos e pesquisas e o
desenvolvimento de sistemas de informações estatísticas de gênero e uso do tempo; II)
fomentar a elaboração de indicadores sobre as relações de gênero e uso do tempo; III)

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A partir da Portaria Interministerial nº 60, de 19 de setembro de 2008, e tem como membros
permanentes o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicadas (IPEA). Membros convidados a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e ONU
Mulheres.
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construir um banco de boas práticas que reflita as experiências de incorporação do


enfoque de gênero e dos usos do tempo nos trabalhos desenvolvidos pelos institutos de
pesquisas e estatísticas oficiais e pelos organismos governamentais de políticas para as
mulheres, nos planos nacional e internacional; IV) promover e participar de seminários
nacionais e internacionais, possibilitando a troca de experiências nestas áreas temáticas;
e V) atuar no desenvolvimento de pesquisas, análises de dados e estudos sobre temas
relevantes para a implementação de políticas orientadas para a igualdade de gênero4.
A partir das discussões no âmbito do Comitê, gerou-se uma pesquisa-piloto
sobre uso do tempo, aplicada no modelo de diário, em 2009, no âmbito da PNAD
Contínua. Essa pesquisa inovadora ofereceu um panorama detalhado das diversas
atividades executadas por homens e mulheres, e sendo uma promissora base a partir da
qual novas iniciativas serão produzidas.
Na 34ª Conferência da IATUR, a International Association for Time Use
Research, que foi realizada entre os dias 22 e 24 de agosto na cidade de Matsue, Japão,
o CGUT foi representado pelo IBGE e pela SPM5. Por sua vez, em 2010, fruto também
da atividade do Comitê, foi realizado, na cidade do Rio de Janeiro, o II Seminário
Internacional sobre Uso do Tempo Aspectos Metodológicos e Experiências
Internacionais. Em 2012, ocorreu em Brasília, outro seminário sobre o uso do tempo:
Uso do Tempo e Políticas Públicas de Cuidado: reflexões para uma agenda de
desenvolvimento sustentável 6. Os órgãos integrantes do CGUT contaram com a parceria
da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) para o evento.

2) A divisão sexual do trabalho e a “falta” de tempo das mulheres


Apesar de ser igual para todas e todos, pois um dia tem 24 horas em qualquer
lugar no mundo, o uso que homens e mulheres fazem do tempo de trabalho – o tempo
no trabalho – é bastante distinto. Dito de outro modo, “as distintas modalidades de
inserção de homens e de mulheres em cada uma das esferas – produção e reprodução – é
realizada de maneira própria e conduz a processos específicos de individuação de usos

4
Desde o início, um dos principais objetivos do CGUT foi a viabilização de uma pesquisa de uso do
tempo entre as diversas realizadas pelo IBGE.
5
Na Conferência foram realizadas três apresentações: duas delas se referiram à pesquisa piloto sobre os
usos do tempo realizada pelo IBGE, em 2010, e outra apresentando a política de creches brasileira e a
série histórica de 2001 a 2009 dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).
6
O seminário promoveu reflexões sobre as pesquisas em uso do tempo em diversos países
latinoamericanos e suas interfaces com as políticas públicas.
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do tempo” (Hirata, 2009:259). Apesar da ambiguidade conceitual da definição do que se


denomina de “trabalho doméstico”, para Hirata (2009: 257) trata-se de “...um conjunto
de tarefas relacionadas ao cuidado de pessoas e que são executadas no contexto da
família – domicílio conjugal e parentela – envolve o trabalho gratuito realizado
essencialmente por mulheres”. Trata-se, pois, de uma relação de serviço, relação social
de sexo que demanda a disponibilidade permanente do tempo feminino que caracteriza
o trabalho doméstico e de cuidados. Haicault (1984) destaca as dimensões emocionais
que o trabalho doméstico envolve, as quais podem ocasionar transtornos mentais, dado
seu nível de exigência e dedicação. É necessária a presença constante para atividades
demarcadas pela repetição. A autora denominou de ‘carga mental’ esse custo, que
reflete as dimensões materiais e das necessidades emocionais (apud, Hirata, op.cit.
2009). Assim, a inserção diferenciada de homens e mulheres tem sua origem e se
legitima na divisão sexual do trabalho que, simultaneamente, distingue os trabalhos que
são próprios aos papéis de gênero, os hierarquiza e lhes atribui valores diferenciados e
estigmatizados, a saber: “Homem que manda é líder. Mulher que manda é mandona”,
diz o senso comum. Assim, certos trabalhos são associados aos homens e, portanto,
simbólica e materialmente valorizados, e outros, destinados às mulheres, são
considerados socialmente inferiores.
A perspectiva tradicional da divisão sexual do trabalho distingue, de um lado, os
trabalhos produtivos, realizados fora de casa, remunerados e socialmente visíveis,
produtores de valor, voltados à esfera masculina. De outro lado, os trabalhos destinados
às mulheres são aqueles vinculados à reprodução social, no âmbito doméstico, não
remunerados e invisíveis como trabalho e como produtores de valor. Estes, cada vez
mais, se complexificam e compreendem duas ordens: o trabalho de cuidados de outros,
sobretudo daqueles/as que necessitam de auxílio, envolvendo atividades contínuas e
repetitivas e que requerem o engajamento afetivo e a presença constante. Outras
atividades dizem respeito à garantia de condições básicas de manutenção da vida, como
lavar roupas, limpar a casa, preparar refeições, buscar água, etc. Embora o trabalho
reprodutivo seja indissociável do trabalho produtivo, na medida em que é sua própria
condição de possibilidade, nem sempre é visto assim, pois é tornado invisível aos olhos
da sociedade e do próprio Estado. Em síntese, é demandada “a disponibilidade materna
e conjugal das mulheres” (Hirata et. al. 2009:257). A subordinação do trabalho
reprodutivo ao produtivo está vinculada às relações de dominação de gênero, que
subalternizam simbólica e materialmente as mulheres e as atividades, áreas e dimensões
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da vida social e tempos pessoais a elas associadas. Assim, o modelo normativo


heteronômico sustenta a divisão sexual do trabalho que está na base de desigualdades
evidenciadas diariamente nas relações sociais entre homens e mulheres, pois o
fenômeno reflete as próprias relações de poder, de dominação, e de hierarquização de
homens sobre mulheres.
A ideia de que o trabalho remunerado seria reservado com exclusividade ao
homem e o trabalho doméstico e de cuidados à mulher, configurado em norma social,
não corresponde necessariamente às práticas sociais, salvo em circunstâncias históricas
bem definidas (Hirata et al. 2009). Dessa perspectiva pode decorrer que as pesquisas
sobre os usos do tempo incorporem as categorias classificatórias mais rígidas e
normatizadas pela tradicional divisão sexual do trabalho, deixando de perceber não
apenas as relações entre ambos, como as diversas mobilidades e dinâmicas de tempo(s)
que se instalam, na esfera da reprodução social. Numerosos estudos já evidenciaram as
variações existentes entre homens e mulheres – do tempo de trabalho segundo a
atividade, assim como do ritmo de trabalho que influencia o ritmo das atividades
exercidas no espaço doméstico e dos cuidados. Por exemplo, o ingresso das mulheres no
mercado formal de trabalho passa a impor um “novo” ritmo mais acelerado ao
desempenho das atividades domésticas. Há uma visível redução do tempo disposto para
realizar os afazeres domésticos. Instala-se uma acentuada rapidez para não perder
tempo, que exige da mulher um tempo extra profissional estruturado ou um tempo
concomitante em relação ao tempo do emprego. Onde ficaria contabilizado o tempo
pessoal? Quando ocupar-se de sua estética pessoal, do lazer, da sexualidade, dos
estudos, por exemplo? (Molinier, 2009).
Ao mesmo tempo, deve-se destacar que no Brasil, nas últimas duas décadas,
houve um intenso processo de modernização econômica e social que provocou
mudanças na composição do mercado de trabalho, na estrutura demográfica e nas
relações familiares e afetivas. O modelo tradicional, segundo o qual o homem é o
principal provedor da casa e a mulher dedica-se aos trabalhos domésticos e ao cuidado
sem remuneração, foi posto em xeque. Tais mudanças agravaram as tensões nas
relações entre homens e mulheres, como também em relação ao tempo das mulheres
dedicado aos afazeres domésticos. Nessa compressão dos tempos das mulheres e nas
tensões decorrentes se localizam as causas de muitas das violências das quais as
mulheres acabam sendo as principais vítimas.
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Se por um lado se pode destacar o grande avanço das mulheres no mercado de


trabalho, por exemplo, em 1981, somente um terço das mulheres eram economicamente
ativas; em 2011, esse percentual aumentou para 64% das mulheres entre 16 e 59 anos7.
Porém, por outro, emergem conflitos que acabam por dificultar a inserção das
mulheres/mães no mercado de trabalho (sua saída da esfera doméstica). Por exemplo, as
famílias monoparentais chefiadas por mulheres atingiram 37,4% do total em 2011.
Essas mulheres nem sempre podem contar com um parente ou com empregada
doméstica para auxiliá-las.
Contudo, a entrada das mulheres no mercado de trabalho não representou –
necessariamente – sua autonomia e sua “liberação” do trabalho reprodutivo ou a melhor
distribuição dele entre os sexos. O arranjo tradicional é substituído por outro arranjo no
qual homens e mulheres ingressaram na esfera do mercado de trabalho, enquanto o
trabalho reprodutivo e de cuidados é mantido sob a responsabilidade de uma cadeia de
outras mulheres e que não dá respostas de melhorias às situações em que a maioria dos
cônjuges participa do mercado de trabalho (Sorj, s/d).
Outras importantes mudanças, associadas ao perfil demográfico da população,
devem ser mencionadas. Com a crescente urbanização e as transformações no padrão de
cooperação intergeracional as mulheres têm um número cada vez menor de filhos. A
taxa de fecundidade das mulheres brasileiras encontra-se hoje em 1,95 filho por mulher,
abaixo do patamar de reposição da população, que é de 2,1 filhos. Além disso, o modelo
familiar tradicional (casal heterossexual com filhos) vem se tornando menos
preponderante, com a crescente proporção de casais sem filhos. Portanto, o ingresso das
mulheres no mercado de trabalho tornou-se irreversível, o que traz mudanças culturais
de monta, relacionadas aos novos papeis de gênero que passam a valorizar a autonomia
e a independência das mulheres.
Por outro lado, o aumento da expectativa de vida e a redução proporcional do
número de jovens na população com a queda da natalidade fazem com que aumente em
ritmo acelerado a proporção de pessoas idosas na população (definidas como aquelas
com mais de 60 anos, de acordo com a legislação brasileira). A população idosa
representava 4,1% da população brasileira em 1940; em 2010, passou para 13% do total
(Censos Demográficos, IBGE).

7
A não ser que haja menção expressa em contrário, todos os dados citados têm como fonte a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE.
9

Do mesmo modo, a redução proporcional do número de crianças na população e


o aumento proporcional do número de pessoas idosas colocam novos desafios: se as
creches ainda são insuficientes para atender à demanda, sendo acessíveis
aproximadamente a 50% das crianças e tão somente entre aquelas de estratos de renda
superiores, asilos e outros equipamentos são ainda mais raros – e de custos elevados. Os
equipamentos públicos para pessoas idosas são praticamente inexistentes, frente à
expansão em curso das creches e da ausência de políticas públicas de abrigamento para
pessoas idosas.
A síntese desses processos contraditórios resulta em uma sobrecarga para as
mulheres, que permanecem sendo as principais responsáveis pelo trabalho reprodutivo.
As estatísticas oficiais brasileiras fornecem alguns dados a respeito das diferenças de
uso do tempo entre homens e mulheres que permitem evidenciar essa situação desigual.
No Brasil, os homens trabalham fora de casa em média 42,5 horas por semana, 6,3
horas a mais que as mulheres, cuja média é de 36,2 horas de trabalho produtivo, ou o
trabalho realizado fora do ambiente doméstico. O número de horas semanais que
mulheres economicamente ativas dedicam ao trabalho doméstico é 22 horas semanais,
sendo que homens economicamente ativos dedicam somente 10,2 horas semanais para
estas atividades.
Estas disparidades têm sérias consequências no que se refere à qualidade da
inserção das mulheres no mercado de trabalho. Uma vez nele, tendem a se concentrar
em áreas relacionadas ao cuidado em sentido expandido (como a educação e a saúde),
tradicionalmente associadas ao mundo feminino, que são simbólica e materialmente
desvalorizadas. As mulheres hesitam em aceitar empregos mais distantes, e são mais
propensas a aceitar trabalhos remunerados com jornadas reduzidas. O desemprego de
mulheres é mais elevado e elas levam mais tempo procurando novos empregos que os
homens. Além disso, as mulheres com maiores níveis de escolaridade e renda recorrem
ao trabalho de outras mulheres (empregadas domésticas), contratando-as para realizar os
afazeres domésticos. Embora se possa afirmar que as empregadas domésticas
constituem uma categoria em declínio, ainda são um contingente significativo: eram 6,1
milhões em 2011. Isso representa 15,8% das mulheres que estão trabalhando ou
procurando emprego8. Assim, a “solução” encontrada por mulheres de segmentos mais

8
As trabalhadoras domésticas recebem baixos salários, não raro abaixo do valor mínimo, e até
recentemente não tinham todos os seus direitos trabalhistas reconhecidos (até a aprovação da PEC das
Domésticas, em março/2013).
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elevados, para resolver o conflito entre as atividades domésticas e as demais esferas de


sua vida, resulta na contratação de empregadas domésticas que, paradoxalmente,
asseguram sua inserção no mercado de trabalho. Os segmentos femininos populares
acabam apelando para outros arranjos familiares e contam com a colaboração de
filhos/as mais velhos, parentela e vizinhança, e poucas são aquelas que conseguem
remunerar outras mulheres ou encontrar outros arranjos alternativos para dar conta do
trabalho reprodutivo de seus lares. Não nos esqueçamos de que, para além da dimensão
do trabalho, as mulheres ficam prejudicadas para se dedicar a outras atividades pessoais
como da espiritualidade, do lazer, educação e aprimoramento da formação profissional,
engajamento em atividades de caráter associativo, sindical ou político, entre outras.
Contudo, continuam sendo as mulheres que cuidam de outros (homens, famílias, filhas,
filhos, parentes, comunidades, escolas, idosos, pessoas doentes ou com necessidades
especiais, cuidam do eleitorado, do meio ambiente, etc.).
Combinados, todos estes diferentes processos colocam uma série de desafios ao
Estado, que deveria ser mais presente e eficaz, com políticas públicas e equipamentos
sociais que possibilitassem melhor compartilhamento do trabalho reprodutivo.

3) O que as pesquisas sobre o uso do tempo não apreendem?


Como já mencionado acima, em geral as pesquisas sobre os usos do tempo
tendem a concentrar-se na tradicional divisão sexual do trabalho, conceituada por Hirata
(2009: 67) como tendo dois princípios organizadores: “o da separação (existem
trabalhos de homens e outros de mulheres) e o da hierarquização (um trabalho de
homem “vale” mais do que um de mulher). (...) Estes princípios podem ser aplicados
graças a um princípio de legitimação – a ideologia naturalista –, que relega o gênero ao
sexo biológico e reduz as práticas a “papéis sociais” sexuados, os quais remetem ao
destino natural da espécie. No sentido oposto, a teorização em termos de divisão sexual
do trabalho afirma que as práticas sexuadas são construções sociais, elas mesmas são
resultado de relações sociais”. Nesse sentido, a divisão sexual do trabalho não é rígida e
imutável, constatação também reforçada pela crítica feminista.
Outrossim, existe uma série enorme de outras práticas sociais fora do trabalho
formal – do mercado e mesmo no domínio da reprodução – que não são captadas pelas
pesquisas sobre os usos do tempo. O que estas pesquisas não apreendem? Introduzimos
algumas observações referentes ao que não é apreendido, tendo como referência a
articulação entre duas categorias. A primeira é a de travail à côté (ou trabalho paralelo
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ou trabalho fora do trabalho), categoria usada por Florence Weber (2009), já


mencionada, e que normalmente é organizada sob a etiqueta: residência e lazer (um
lazer criativo). Envolve as atividades relativas ao tempo pessoal ou tempo subjetivo;
estas outras dimensões da vida são diferentemente consideradas pelos homens e pelas
mulheres e não têm as mesmas implicações para a condição de sexo/gênero, como por
exemplo, os cuidados estéticos com o próprio corpo. Nessa mesma direção, as pesquisas
realizadas por Molinier (op. cit., 2009) enfatizam a importância de analisar
conjuntamente a complexidade das relações entre os tempos de vida, profissionais e
privados.
A segunda categoria evidencia que as pesquisas sobre os usos do tempo podem
representar um princípio do sistema de gênero. Bessin et al (2009) nomina como uma
dialética das temporalidades e de gênero. Em outras palavras, os usos do tempo
apreendidos em sua diversidade e notadamente em suas dimensões qualitativas resultam
de práticas e são postas como produtoras de relações de poder. Nesse sentido, a
dominação masculina repousa sobre a construção da relação com o tempo: a
naturalização das competências ditas femininas se apóia sobre uma temporalidade
baseada na relação com o outro; tem conotações sociodemográficas, pois se trata de
apreender as desigualdades entre homens e mulheres nos usos do tempo, a partir da
avaliação diferenciada por sexo/gênero da inserção e distribuição no mercado de
trabalho, no tipo de emprego e/ou de profissão, em um ou outro setor/atividade, no valor
nominal do salário recebido. Tais diferenças refletem uma distribuição (partage)
desigual em relação aos afazeres domésticos e de cuidados entre os sexos. Verificar
essas diferenças nas pesquisas sobre os usos do tempo permite sistematizar melhor as
desigualdades e possibilita meios políticos e sociais para combatê-las (Bessin et al.,
2009).
Da perspectiva metodológica, alguns pontos são ainda escassos ou estão
ausentes nas pesquisas sobre os usos do tempo:

- A necessidade de considerar os percursos sexuados associados aos usos do tempo,


evidenciando, por exemplo, que as categorias de idade, raça e de sexo não se
apresentam como simples variáveis; ao contrário, se articulam com os sistemas de
hierarquia e de poder. Exemplificando: as profissões que são feminizadas continuam
sendo as mesmas (mulheres empregadas no setor têxtil, servidoras públicas nos setores
administrativos, trabalhadoras na saúde, empregadas do comércio e da indústria
12

alimentar, professoras primárias e secundárias, entre outras), empregos e profissões que


permanecem e continuam a empregar a maioria de mulheres. Com variedades diversas,
estas ocupações estão presentes ou emergem no mundo trabalho a partir de 1920 até
2010, conforme indicam os Censos já realizados.

- As mulheres trabalhadoras da área de cuidados são confrontadas com as exigências de


um público próprio. A elas são demandadas habilidades específicas. No entanto, muitas
daquelas que têm marido/companheiro e filhos /as são confrontadas com as exigências
postas por esses últimos. São demandas e tempos diversos. Com isso, são expostas a
dois tipos de tensões ou de conflitos concomitantes, oriundos dessas múltiplas
demandas externas-internas, nem sempre passíveis de ser por elas respondidas a
contento (Bessin et al., 2009; Moliner, 2009).

- No geral, há competências/incompetências e aptidões/inaptidões que já são


consideradas como naturalizadas para homens e mulheres, tanto na cultura como no
senso comum. Por exemplo: dirigir melhor ou pior; ler um mapa rodoviário; ter mais
senso de orientação no trânsito, realizar diversas atividades ao mesmo tempo, é uma das
atribuições vistas como das mulheres, etc. Nem sempre essas práticas sexualizadas são
questionadas ou desconstruídas nas pesquisas; ao contrário, são racionalizadas e
incorporadas quando muito preservando certa neutralidade sobre as relações de
sexo/gênero (Bessin et al., 2009).

- Outro aspecto a considerar é que estas pesquisas, no geral, se apoiam sobre uma noção
quantificável e linear de tempo, o que dificulta apreender a experiência de mulheres e de
homens que descompartimentalizam suas atividades em tempos não uniformes e
cronológicos. Como romper e captar os usos do tempo que não seja pela perspectiva do
tempo uniforme dominante? Dito de outro modo, como ir além da cultura hegemônica
do trabalho formal (computável, mensurável, quantificável, linear e monocrônico),
portanto, da hegemonia de um tempo masculino? É exatamente sobre esta
“neutralidade” dos usos do tempo que a crítica feminista incorre, segundo a qual o
tempo é igual ao dinheiro.

- Isso leva a se considerar outro problema sobre as pesquisas de usos do tempo: registrar
os tempos de trabalho – na esfera da reprodução e dos cuidados – com caracterizações
13

constantes sexuadas como, por exemplo, que a solicitude e a atenção em relação ao


outro sejam ‘características’ exclusivas e preponderantes femininas. Outro exemplo:
sexualizar/generizar a maneira como as mulheres relatam suas trajetórias/histórias, com
um nível exacerbado de detalhes, menor objetividade, etc. Ou ainda considerar que as
dimensões lúdicas são masculinas e as altruístas são as femininas.

Assim, o tempo e seus usos não são neutros, mesmo quando apreendidos na
série temporal dos diários de campo, uma vez que a objetividade da coleta não está
isenta de sobrevalorizar ou de estigmatizar uma ou outra atividade, hierarquizando um
sexo frente a outro. Nesse sentido, pode-se afirmar que os usos do tempo podem se
configurar como produtores de desigualdades. Nesta direção, se fazem necessárias
novas posturas metodológicas que questionem esse “sistema hegemônico de
sexo/gênero”, ao considerar que as pesquisas sobre os usos do tempo devem apreender
as pluralidades em suas múltiplas dimensões, sobretudo de forma mais qualitativa
(Bessin et al., 2009), com vistas a fornecer uma base de informações para a elaboração
de políticas e ações públicas mais abrangentes e desestigmatizadas. Portanto, a
produção de pesquisas quantitativas mais universalizantes e amplas deve ser combinada
com pesquisas mais qualitativas localizadas e específicas para diferentes
segmentos/grupos sociais.

4) Desafios para o futuro: a incidência nas políticas públicas

As pesquisas sobre os usos do tempo no cenário internacional vêm se


consolidando como importantes instrumentos de elaboração de indicadores de
condições de vida da população, pois se fortalece o consenso de que fornecem
relevantes indicadores capazes de permitir análises das condições de vida da população
e subsidiar as políticas públicas. Resta o desafio de torná-las instrumentos ainda mais
efetivos na formulação e implementação de políticas públicas.
Nesse sentido, é importante destacar os compromissos crescentes que o governo
da Presidenta Dilma Rousseff vem assumindo para a implementação de políticas
públicas que contribuam para desonerar as mulheres das atividades domésticas e de
cuidado. Uma política que merece destaque é a expansão em curso das creches, por
meio da ação Brasil Carinhoso, iniciativa do programa Brasil Sem Miséria. De modo
articulado a outras políticas de superação da extrema pobreza e melhoria do acesso
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das/os cidadã/aos brasileiras/os a serviços básicos, a ação do primeiro tem como


objetivo instalar seis mil creches no país, medida fundamental para permitir a inserção
de qualidade das mulheres no mercado de trabalho, além de lhes garantir mais tempo
para se dedicar a quaisquer outras atividades, como fazer cursos, participar de atividades
associativas, lazer, cuidados pessoais, etc.
A Secretaria de Políticas para as Mulheres, em especial, tem trabalhado junto
aos demais ministérios do governo federal para promover tais políticas. Além de ter
sido fundamental para promover a expansão das creches, a SPM ainda tem pautado o
Executivo e os demais poderes sobre a necessidade de uma visão integrada e políticas
articuladas tanto para o trabalho doméstico não remunerado quanto o remunerado. De
fato, ambos refletem as dificuldades de coordenação e divisão das tarefas domésticas e
de cuidado, e ambos recaem de forma mais significativa sobre as mulheres – seja
porque são elas que fazem o trabalho não remunerado em suas próprias casas, seja
porque são mulheres (pobres e na maioria afrodescendentes) as contratadas para realizar
o trabalho doméstico de famílias de alta renda. Assim, tais fenômenos são articulados e
demandam políticas que deem conta de sua complexidade.
A SPM desempenhou papel chave na construção de um consenso no governo
federal a respeito da necessidade de expandir às/aos trabalhadoras/es domésticas/os os
mesmos direitos previstos para os demais. Em 2013, uma grande vitória foi
conquistada: a aprovação pelo Congresso Nacional de emenda constitucional ampliando
os direitos das empregadas domésticas. Ao longo de todo o processo de negociação
envolvida na aprovação da emenda e na sua regulamentação, a SPM sempre pautou a
necessidade de ampliação dos equipamentos sociais de cuidado e trabalho doméstico,
visibilizando que, do ponto de vista da igualdade de gênero, a conquista da PEC das
domésticas é somente mais um passo de uma longa caminhada a ser percorrida.
Outras importantes políticas, como a ampliação dos serviços voltados a idosos,
instalação de restaurantes populares, ampliação da licença paternidade e/ou criação da
licença parental são exemplos entre diversas possibilidades que poderão pautar a
atuação do Estado brasileiro nos próximos anos.
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