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APONTAMENTOS

DIREITO COMERCIAL – 2018.1


PROFESSORA ANA CARLA BERENGUER

INSOLVÊNCIA

Garantias dos credores = bens do devedor.

No caso de inadimplemento (não pagamento) de uma obrigação, o credor pode


promover, judicialmente, a execução dos bens do patrimônio do devedor (o credor
poderá requerer a execução de tantos bens quantos forem necessários ao integral
pagamento de seu crédito).
Regra: individualidade da execução – cada credor insatisfeito ajuíza ação de
execução contra o devedor inadimplente.

Insuficiência de bens no patrimônio do devedor para saldar a totalidade de


suas dívidas = insolvência.
Para evitar que alguns credores (os que executaram primeiro) recebam o seu
crédito e outros não, a lei prevê que, nos casos de insolvência, haverá execução
concursal (execução coletiva – execução que abrange a totalidade dos credores do
executando a totalidade dos seus bens, ou seja, execução envolvendo todo o ativo e
passivo do devedor).
A finalidade é que os credores do devedor que não possui condições de saldar
integralmente suas obrigações recebam tratamento igualitário (todos os credores de
créditos de uma mesma categoria possuem as mesmas chances de ver o seu crédito
satisfeito).

Falência: execução concursal do devedor empresário.

FALÊNCIA

Lei n.º 11.101/2005.

Execução coletiva ou concurso de credores do devedor empresário.


Ocorrerá na hipótese de o devedor, sendo empresário, possuir patrimônio
inferior ao valor de suas dívidas.

Na falência, serão levantados todos os bens do patrimônio do devedor, bem


como reunidas todas as suas dívidas, para, posteriormente, ser efetuada a distribuição
proporcional do pagamento, observando a ordem de preferência.

É processo judicial.

É hipótese de extinção da sociedade empresária.

 Hipóteses:
1. Insolvência;
2. Outras situações nas quais, ainda que o patrimônio do devedor seja superior a
suas dívidas, será decretada a sua falência, por determinação da lei.

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a) Impontualidade: quando o empresário, sem relevante razão de


direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em
título ou títulos executivos protestados, cuja soma ultrapasse o
equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de
falência. A impontualidade tem que ser injustificada. A prova da
impontualidade do devedor é o protesto do título.
b) Execução frustrada.
c) Prática de atos de falência, se não fizerem parte do plano de
recuperação judicial:
- Procede à liquidação precipitada de seus ativos ou lança mão de
meio ruinoso ou fraudulento para realizar pagamentos;
- Realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o objetivo de
retardar pagamentos ou fraudar credores, negócio simulado ou
alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou
não;
- Transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o
consentimento de todos os credores e sem ficar com bens suficientes
para solver seu passivo;
- Simula a transferência de seu principal estabelecimento, com o
objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização, ou para prejudicar
credor;
- Dá ou reforça garantia a credor por dívida contraída anteriormente,
sem ficar com bens livres e desembaraçados suficientes para saldar
seu passivo;
- Ausenta-se sem deixar representante habilitado e com recursos
suficientes para pagar os credores, abandona estabelecimento ou tenta
ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede ou de seu principal
estabelecimento;
- Deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no
plano de recuperação judicial.

 Pessoas que podem requerer a falência:


- Próprio devedor;
- Cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou inventariante;
- Cotista ou acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo da
sociedade;
- Qualquer credor. ** Se o credor for empresário, precisa comprovar a
regularidade de suas atividades.

* Requisitos e procedimento:
- Devedor empresário;
- Insolvência;
- Sentença declaratória de falência:
1. Inicialmente, deve-se ajuizar uma ação requerendo a declaração da falência;
2. Ao final desse processo, verificando que, de fato, o patrimônio do devedor é
inferior ao montante de suas dívidas, e inexistindo viabilidade de eventual recuperação
judicial, o juiz declarará a falência;

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3. Após a sentença que declara a falência, inicia-se o procedimento judicial de


execução concursal (realização do ativo apurado e pagamento do passivo admitido,
concluindo-se com o encerramento da falência).
Com a sentença que declara a falência, encerra-se a etapa pré-falimentar
(cognitivo ou de conhecimento) e inicia-se a etapa falimentar do procedimento
judicial.
4. Encerramento e extinção das obrigações.
5. Reabilitação: declaração da extinção das obrigações civis do falido.
Art. 158 da Lei n.º 11.101/2005: Extingue as obrigações
do falido:
I – o pagamento de todos os créditos;
II – o pagamento, depois de realizado todo o ativo, de
mais de 50% (cinqüenta por cento) dos créditos
quirografários, sendo facultado ao falido o depósito da
quantia necessária para atingir essa porcentagem se para
tanto não bastou a integral liquidação do ativo;
III – o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do
encerramento da falência, se o falido não tiver sido
condenado por prática de crime previsto nesta Lei;
IV – o decurso do prazo de 10 (dez) anos, contado do
encerramento da falência, se o falido tiver sido condenado
por prática de crime previsto nesta Lei.

RECUPERAÇÃO

Lei n.º 11.101/2005.

Faculdade conferida por lei ao devedor empresário que se encontre insolvente,


mas cuja empresa por ele explorada apresente chances de reorganização. Tenta
preservar a empresa.

Pode ser judicial ou extrajudicial.

Somente se aplica a devedores empresários cuja empresa apresente viabilidade.


A recuperação é custosa para todos (empresa em recuperação, credores,
sociedade em geral) e somente deve ser admitida no caso de se constatar que a
recuperação é viável (ou seja, que o empresário, se e quando recuperado, terá condições
de devolver à sociedade brasileira pelo menos parte do sacrifício geral feito para salvá-
lo).
Analisa-se: importância social, mão de obra e tecnologia empregadas, volume de
ativo e passivo, tempo de existência da empresa e seu porte econômico.

1. Procedimento preparatório (cognitivo ou de conhecimento): apresentação de


documentos e realização de estudo de viabilidade. Nesse momento, será

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analisada a possibilidade da recuperação judicial. Se não for possível a


recuperação, o Juiz decreta a falência.
2. Fase da recuperação judicial propriamente dita: execução do plano de
recuperação.
3. Quitação das obrigações e recuperação da empresa.

Se for bem sucedida, a sociedade continua existindo. Caso contrário, o processo


se transforma em falência, ensejando, ao final, a extinção da sociedade em questão.

Iniciado o processo judicial, será elaborado um plano de recuperação da


empresa, prevendo diversas medidas para tentar “salvá-la”, como, por exemplo,
postergar o vencimento e/ou reduzir o valor de obrigações, suspensão da exigibilidade
dos créditos, etc.

 Requisitos para o devedor:


Art. 48 da Lei n.º 11.101/2005: Poderá requerer recuperação judicial o
devedor que, no momento do pedido, exerça regularmente suas atividades há
mais de 2 (dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:
I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença
transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;
II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial;
III - não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de
recuperação judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste
Capítulo;
IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei.

 Meios de recuperação judicial:


Art. 50 da LRF: Constituem meios de recuperação
judicial, observada a legislação pertinente a cada caso,
dentre outros:
I – concessão de prazos e condições especiais para
pagamento das obrigações vencidas ou vincendas;
II – cisão, incorporação, fusão ou transformação de
sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão
de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, nos
termos da legislação vigente;
III – alteração do controle societário;
IV – substituição total ou parcial dos administradores do
devedor ou modificação de seus órgãos administrativos;
V – concessão aos credores de direito de eleição em
separado de administradores e de poder de veto em relação
às matérias que o plano especificar;
VI – aumento de capital social;

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VII – trespasse ou arrendamento de estabelecimento,


inclusive à sociedade constituída pelos próprios
empregados;
VIII – redução salarial, compensação de horários e
redução da jornada, mediante acordo ou convenção
coletiva;
IX – dação em pagamento ou novação de dívidas do
passivo, com ou sem constituição de garantia própria ou
de terceiro;
X – constituição de sociedade de credores;
XI – venda parcial dos bens;
XII – equalização de encargos financeiros relativos a
débitos de qualquer natureza, tendo como termo inicial a
data da distribuição do pedido de recuperação judicial,
aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem
prejuízo do disposto em legislação específica;
XIII – usufruto da empresa;
XIV – administração compartilhada;
XV – emissão de valores mobiliários;
XVI – constituição de sociedade de propósito específico
para adjudicar, em pagamento dos créditos, os ativos do
devedor.

 Recuperação extrajudicial:
Contrato entre devedor e credores.