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Resumos de História —12ºano

Módulo 7

As transformações das primeiras décadas do século XX


1.1 Um novo equilíbrio global
A Primeira Guerra Mundial terminou em 11 de novembro de 1918; A Conferência de Paz iniciou-se
em janeiro de 1919; São assinados vários acordos, entre eles o Tratado de Versalhes; Surge uma
nova geografia política e uma nova ordem internacional.

1.1.1 A geografia política após a Primeira Guerra Mundial. A Sociedade das Nações
Os diversos tratados assinados provocaram uma profunda transformação do mapa político da
Europa e do Médio Oriente.

O Império Russo desapareceu e foi substituído para URSS (União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas). O Império Alemão, que tinha perdido a guerra perdeu várias regiões e territórios
(Alsácia e Lorena, territórios para a Polónia, Checoslováquia, Bélgica, Dinamarca. O Império
Austro-Húngaro morreu e em seu lugar nasceu a Áustria, Hungria e Checoslováquia. O Império
Otomano foi amputado de alguns territórios e aí nasceram novos estados, como a Síria e o Líbano
(protetorado francês). Surge o Iraque, dominado pela Inglaterra, bem como o Egito e a Palestina;
A Arábia Saudita torna-se um reino independente.

Muitos do novos países que surgiram no Leste e Sul da Europa tinham regimes políticos baseados
na representação parlamentar. Multiplicam-se os estados-nação que surgiram do desmembramento
dos impérios (Finlândia, Estónia, Letónia, Lituánia, Polónia, Hungria) e outros são formados por
várias nacionalidades (Checoslováquia, Jugoslávia). Um estado é uma entidade política e
geopolítica. Uma nação é uma unidade étnica e cultural; Estado-nação implica em uma situação
onde os dois são coincidentes.

Os estados vencidos (Áustria e Turquia) sofreram perdas territoriais muito fortes. A Alemanha
perdeu 1/7 do seu território, a Prússia Oriental ficou separada (corredor de Dantzig). Ficou sem 1/10
da sua população. Perdeu as suas colónias e marinha de guerra, as minas de carvão do Sarre foram
entregues, por um período de 15 anos, à França. Foi condenada a pagar pesadas indeminizações aos
vencedores. Parte do seu território foi desmilitarizado. O exército foi reduzido a 100 mil homens.

A Sociedade das Nações;esperança e desencanto


O Presidente norte-americano, Thomas Woodrow Wilson, propõe, em 1919, a criação de uma liga
de nações, a Sociedade das Nações (SDN). Os seus principais objetivos consistiam em promover a
cooperação e a paz entre as nações, subordinadas ao Direito Internacional. Uma agressão a um dos
membros obrigava os outros a intervirem. Assegurar a independência e integridade territorial dos
estados. A sua sede estabeleceu-se na cidade suíça de Genebra. A SDN constituiu uma razão de
esperança para os povos.No entanto logo de início surgiram vários problemas na constituição da
SDN.

A nova ordem internacional saída da Primeira Guerra Mundial não favoreceu o êxito da SDN: Os
EUA não ratificaram o Tratado de Versalhes e não participaram na SDN, os republicanos
dominando o Congresso defendiam uma política isolacionista, apoiando-se nas ideias económicas
de Keynes, estavam contra a reconstrução dos países vencedores à custa dos vencidos.
Os vencidos sentiam-se humilhados pelas condições impostas pelos vencedores e obrigados a pagar
pesadas indeminizações aos vencedores; Entre os vencedores surgiram novamente as rivalidades e
lutas pela hegemonia do Mundo.
Muitos países vencedores sentiam que não tinham recebido a justa recompensa monetárias, o caso
de Portugal, outros que não tinham sido recompensados com territórios suficientes, o caso da Itália.
Na redefinição de fronteiras muitas pretensões de minorias nacionais não foram atendidas. Surgiram
novos países que não respeitaram as identidades éticas e culturais de alguns povos. Na
Checoslováquia, na região dos Sudetas, ficaram cerca de 6 milhões de alemães. A Jugoslávia
agrupava vários povos submetidos à Sérvia. Territórios ucranianos e bielorussos passaram para a
Polónia. A Áustria ficou proibida de se juntar à Alemanha.

A difícil recuperação económica da Europa e a dependência em relação aos Estados Unidos


A Primeira Guerra Mundial teve consequências muito diferenciadas sobre os diversos países.
Uma das consequências do conflito mundial foi o declínio dos países europeus e a elevação dos
Estados Unidos à categoria de maior potência mundial.

Perdas europeias: Demográficas: perdas humanas durante a guerra, diminuição da mão de obra,
envelhecimento da população, excedente da população feminina.
Materiais: a Europa, sobretudo a Central em ruínas (cidades, fábricas, quintas e vias de
comunicação destruídas).

Perdas europeias
Económicas:
Racionamento dos bens essenciais;
Inflação galopante (os estados emitiram moeda, provocando a sua desvalorização);
Perda de poder de compra da classe média;

Os países europeus recorreram a empréstimos estrangeiros, como não os podiam pagar recorriam a
mais empréstimos, desequilibrando a balança de pagamento dos estados, agrava-se o défice dos
países. A partir de meados da década de 20 existe alguma recuperação económica, dando origem
aos “Loucos Anos Vinte”, que no entanto seriam de curta duração.

A Europa transformou-se em compradora de bens e serviços dos EUA. As moedas europeias


desvalorizam-se e é abandonado o padrão- ouro (Gold Standard).

O padrão-ouro foi o sistema monetário cuja primeira fase vigorou desde o século XIX até a
Primeira Guerra Mundial. Os bancos eram obrigados a converter as notas bancárias por eles
emitidos em ouro (ou prata), sempre que solicitado pelo cliente. Cada país comprometia-se em fixar
o valor da sua moeda em relação a uma quantidade específica de ouro.

Em 1922, a Áustria declarou falência. Em 1923, a inflação na Alemanha torna-se galopante.


A desvalorização da moeda obrigava a uma constante emissão de novas notas, formavam-se filas à
porta dos bancos para trocar as notas antigas.

A ascensão dos EUA e a recuperação europeia


A economia americana passou a dominar as trocas comerciais a nível mundial; Durante a guerra os
americanos forneceram à Europa todo o tipo de produtos, o que causou a dependência da economia
europeia dos EUA.
Deste modo metade dos stocks de ouro mundiais concentraram-se em território americano, Nova
Iorque torna-se no principal centro financeiro mundial. Apesar de uma pequena crise entre 1920-21,
a economia americana apresentava-se pujante.

Desenvolvem-se os métodos de racionalização do trabalho (taylorismo) nos EUA e Europa.


Cresce a concentração capitalista empresarial. Em maio de 1922, na Conferência de Génova, o
padrão-ouro é substituído pelo Gold Exchange Standard – na falta de reservas de ouro, uma moeda
passaria a ser convertida noutra moeda considerada forte e por isso convertível em ouro. Em 1925, a
libra voltava a ser convertível em ouro (o dólar nunca tinha deixado de o ser).
A recuperação económica europeia foi alicerçada no crédito concedido pelos EUA. Os americanos
concederam imensos créditos a países europeus; Agrava-se a dependência económica da Europa em
relação aos EUA. A partir de 1925, viveram-se anos de prosperidade (felizes anos vinte).
Renasce uma grande confiança no capitalismo liberal e desenvolve- se um clima de confiança.
Nasce, sobretudo nos EUA, o consumismo que levou a um grande desenvolvimento comercial e
industrial. Em 1929 este clima otimista irá modificar-se completamente.

1.2 A implantação do marxismo-leninismo na Rússia: a construção do modelo soviético


No início de 1917, a Rússia era governada por um monarca absoluto, o czar Nicolau II. A situação
económica e social era muito precária.

Os camponeses (85% da população) reivindicavam terras que estavam na posse da aristocracia. O


proletariado exigia melhores salários e condições de trabalho. A burguesia e, mesmo, parte da
aristocracia pretendiam a modernização do país e uma maior abertura política.

Várias organizações políticas opunham-se ao absolutismo:


Socialistas-revolucionários;
Sociais-democratas (bolcheviques e mencheviques);
Constitucionais-democratas (defensores da democracia liberal).

Após a revolução de 1905 a frágil tentativa do czar de liberalizar o regime falhou completamente.

A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial agravou as dificuldades económicas do país.


A fome generaliza-se provocando manifestações e revoltas. As derrotas nos campos de batalha
fomentam a deserção e levam os opositores do czar a acusá-lo de incompetência.

Da Revolução de fevereiro à Revolução de outubro


No início de 1917, a frágil situação económica da Rússia abria caminho à difusão das ideias de
contestação do regime czarista. Constituem-se sovietes.
Soviete - é a designação atribuída aos conselhos de operários, trabalhadores e camponeses.

Entre 22 e 28 de fevereiro de 1917, Petrogrado (Sampetersburgo) é palco de grandes manifestações


que se alastram a outras cidades russas. Operários, uma grande parte da classe média, e até alguns
aristocratas apoiavam esta luta contra o absolutismo. Os Sovietes instigam o derrube do Czar.
Nicolau II abdica no dia 2 de março. A Rússia torna-se uma república.

É instituído um governo provisório, primeiro dirigido por Lvov, e depois por Kerensky, que procura
desenvolver uma democracia parlamentar na Rússia e a continuação da participação de Rússia na
Primeira Guerra Mundial. Lvov e Kerensky eram mencheviques.

O Partido Operário Social-Democrata Russo estava dividido entre mencheviques e bolcheviques.


-Menchevique (minoria em russo, defendiam a democracia parlamentar e uma via reformista da
sociedade);
-Bolchevique (maioria em russo, defendiam a revolução e as teses marxistas, e a revolução como
forma de conquistar o poder, irão dar origem ao Partido Comunista).

Os sovietes continuam a crescer e a fomentar a agitação social contra o governo provisório e a


Duma (parlamento russo).
Em abril, Vladimir Lenine, líder dos bolcheviques e exilado em Paris, regressa à Rússia. No seu
regresso divulga um documento, “Teses de abril”, onde defende a retirada imediata da Rússia da
guerra, a tomada do poder pelo proletariado, através dos sovietes que eram dominados pelos
bolcheviques.
O objetivo central dos bolcheviques era o derrube do Governo Provisório e a instituição da ditadura
do proletariado. A Rússia agita-se e os sovietes constituem-se num poder paralelo. A guerra é cada
vez menos popular e os bolcheviques pretendem abandoná-la, afirmam que é uma guerra capitalista,
onde se disputam os interesses capitalistas dos diversos países. O caos económico continua e o
governo provisório mostra-se incapaz de resolver a situação.

Nos dias 24 e 25 de outubro desencadeia-se revolução bolchevique. As milícias bolcheviques


(Guardas Vermelhos), em Petrogrado, controlam os pontos estratégicos da cidade e assaltam o
Palácio de Inverno e derrubam o Governo Provisório.
O II Congresso dos Sovietes entregou o poder ao Conselho de Comissários do Povo, composto por
bolcheviques. Lenine foi nomeado presidente, Trotsky, ministro da guerra e Estaline, ministro das
nacionalidades. Pela primeira vez os representantes do proletariado tomaram o poder político num
país. Triunfavam as ideias de Karl Marx, de luta de classes e de processo revolucionário como
forma de alcançar o poder.

1.2.2 Da democracia dos sovietes ao centralismo democrático


O novo governo iniciou negociações com a Alemanha para a retirada russa da guerra. Foram
publicados vários decretos. Sobre a paz, exorta-se os povos à paz. Sobre a terra, as grandes
propriedades agrícolas foram a sovietes de camponeses. Sobre o controlo operários, atribuía a
gestão das fábricas aos sovietes operários. Sobre as nacionalidades, concedia a todos os povos do
antigo Império Russo o estatuto de igualdade e o direito à autodeterminação.

Os sovietes tornaram-se na pedra angular do novo regime, e por isso esta fase da revolução russa é
denominada democracia dos sovietes. Em finais de 1917 são organizadas eleições para uma
Assembleia Constituinte, perante o fracasso eleitoral dos bolcheviques (25%), Lenine dissolveu a
Assembleia e o poder foi transferido para o Congresso dos Sovietes (assembleia representante dos
diversos sovietes).

A Constituição de 1918 considerou o Congresso dos Sovietes o órgão máximo de soberania, surgia
a República Soviética. Todos os partidos políticos foram proibidos, com a exceção do Partido
Comunista.
Em Brest-Litovsk, depois de demoradas negociações, é assinado, em março de 1918, a paz com a
Alemanha. Neste tratado a Rússia perdeu a Polónia, Ucrânia, Finlândia, Estónia, Lituánia e Letónia;
Lenine afirmou que tinha sido “uma paz desastrosa mas necessária”, pois a Rússia perdeu ¼ da sua
população e das suas terras cultiváveis, ¾ das minas de ferro.

O governo bolchevique começa a sentir grandes dificuldades:


- A resistência dos grandes proprietários e empresários;
- O regresso de 7 milhões de soldados da frente de batalha, sem emprego ;
- A inflação continuava a subir; Surgiam por todo o território fenómenos de banditismo;
- Nas eleições para a Assembleia Constituinte só obtiveram 25% dos votos;

Desencadeou-se uma guerra civil em março de 1918 e que se prolongou até 1920 que causou a
morte a 10 milhões de pessoas. O Exército Branco (opositores aos bolchevistas) são apoiados pelos
Estados Unidos, Inglaterra, França e Japão).
O Exército Vermelho, organizado por Trotsky, demonstrou ser um eficiente corpo de combate. Os
“brancos” demonstraram grandes dificuldades de união e as populações foram, em grande parte
hostis, pois receavam o regresso dos grandes proprietários. A guerra, foi extraordinariamente
violenta e terminou com a vitória do Exército Vermelho.

O comunismo de guerra, face da ditadura do proletariado (1918-1921)


Numa primeira fase da Revolução de Outubro viveu-se na democracia dos sovietes.
No entanto cedo o governo bolchevique começou a passar por sérias dificuldades:
- a resistências dos proprietários;
- a perda das eleições para a Assembleia Constituinte;
- o tratado de paz com a Alemanha desastroso;
- as dificuldades económicas e, sobretudo, a guerra civil.

Estas dificuldades levaram à implantação de uma nova fase da revolução que ficou conhecida como
“comunismo de guerra”.

O objetivo central dos bolcheviques era a construção de uma sociedade comunista (uma sociedade
sem classes, democrática e onde o estado seria abolido, e o Homem alcançaria a liberdade e a
felicidade). Mas para chegar a esse estádio final, teorizado por Karl Marx, no século XIX, era
necessário passar pela etapa da ditadura do proletariado.
Ditadura do proletariado – fase de transição na construção de uma sociedade comunista que se
caracteriza pelo proletariado retirar à burguesia todos os meios de produção e centralizá-los no
Estado que é considerado o legítimo representante do proletariado;

Na Rússia é instaurada a ditadura do proletariado, com algumas especificidades diferentes da


teorização de Marx. A conceção marxista de proletariado era sinónima de operariado, Lenine
acrescentou-lhe os camponeses (a Rússia era um país atrasado onde a maior parte dos habitantes era
constituída por camponeses). Outra diferença tem que ver com o facto de a ditadura do proletariado
ter sido instaurada numa fase de guerra civil.

A fase do comunismo de guerra coloca um fim na democracia dos sovietes. As leis que tinham
concedido a terra aos camponeses e a direção das fábricas aos operários foram abolidos. Toda a
economia foi nacionalizada (controlada e dirigida pelo Estado). Os camponeses são obrigados a
entregar as colheitas ao estado, todas as fábricas com mais de 5 operários passaram a ser dirigidas
pelo Estado. O Estado repartia os bens do seguinte modo: primeiro o Exército Vermelho, depois os
operários e camponeses e, no final, a burguesia.

Era necessário aumentar a produção para salvar a revolução; O trabalho passou a ser obrigatório
entre os 16 e os 50 anos Foi estimulado o culto do herói da produção. O horário de trabalho foi
aumentado, a indisciplina era violentamente reprimida. O salário era atribuído conforme o
rendimento do trabalhador.

45 Em março de 1918, o partido bolchevique é renomeado e passou a designar-se Partido


Comunista. A Tcheca (polícia política criada em dezembro de 1917) passou a perseguir
implacavelmente todos os suspeitos de estarem contra a revolução. A Tcheca tinha plenos poderes,
as pessoas eram presas, eram julgados sumariamente e depois enviados para campos de
concentração ou executados. Bastava uma simples suspeita de um individuo ser
contrarrevolucionários para cair nas malhas da polícia.
Os membros socialistas-revolucionários e mencheviques foram expulsos dos sovietes. É a época do
Terror Vermelho.

O centralismo democrático
Para os marxistas-leninistas, o poder só é democrático quando emana do proletariado, mesmo que
seja apenas exercido por um único partido. As outras forças partidárias, na Rússia, foram excluídas
por não representarem o povo. Em 1922, a Rússia, transforma-se na União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS), um Estado multinacional e federal, onda as diversas repúblicas
dispunham de uma Constituição e alguma autonomia; Na URSS, Lenine cria um novo conceito de
democracia, o centralismo democrático.
Todo o poder emanava dos sovietes de base, escolhidos por sufrágio universal. Havia sovietes locais
e regionais, representavam as diversas nacionalidades no Congresso dos Sovietes que reunia
anualmente. O Congresso dos Sovietes designava o Comité Executivo Central, um tipo de
parlamento, dividido em duas câmaras: o Conselho da União e o Conselho das Nacionalidades.
Estes escolhiam o Presidium, órgão com poderes executivos e legislativos e o Conselho de
Comissários do Povo (conselho de ministros).

Esta estrutura, teoricamente democrática, era controlada, pelos órgãos do Estado, cujas ordens eram
executadas sem questionar, e pelo Partido Comunista, que se tornou numa hierarquia paralela ao
Estado, e que, na maior parte da vezes, dirigia o Estado; Muitas vezes os órgãos do Partido e do
estado confundiam-se, e as pessoas eram as mesmas.
Na URSS, Estado e Partido Comunista identificavam-se e confundiam-se. Os sovietes
transformaram-se em simples elementos de transmissão das diretivas do Partido Comunista para a
população.

Para Lenine esta estrutura era democrática, pois apesar de só existir um partido este representava os
interesses do proletariado. Era a democracia dos pobres que implicava existirem restrições da
liberdade dos inimigos contrarrevolucionários. Na URSS, não existia uma democracia tipo
ocidental, pluripartidária que era apelidada de “democracia burguesa”.

A Nova Política Económica (NEP) (1921-1927)


A guerra civil (1918-1920) devastou a Rússia. A produção de cereais descera para metade da de
1913. Obrigados a entregar a produção ao Estado muitos camponeses escondiam parte da produção
e não tinham qualquer motivação para se esforçarem na produção. O Inverno de 1920/21 foi
extremamente rigoroso e foi seguido de uma seca que originou 3 milhões de mortos de fome. A
produção industrial também diminuiu para níveis inferiores aos de 1913. Os transportes estavam,
em grande parte, paralisados.

Em fevereiro de 1921, Lenine, muda a sua estratégia económica; O comunismo de guerra vai dar
lugar à Nova Política Económica (NEP).
O objetivo da NEP era recuperar economicamente o país e aumentar os níveis de produção. Há um
recuo das nacionalizações, a iniciativa privada é aceite para as empresas com menos de 20
operários, só ficam no Estado os setores industriais considerados fundamentais. O investimento
estrangeiro é fomentado, são criadas empresas de capitais mistos (privado e do estado). Incentivou-
se a vinda de técnicos estrangeiros, máquinas a matérias-primas.

O trabalho obrigatório foi abolido, e foram atribuídos prémios de produtividade. Na agricultura as


requisições foram substituídas por impostos em géneros e a coletivização dos campos parou. Os
camponeses podiam vender parte da sua colheita. Lenine criou uma economia mista, em parte
socialista em parte capitalista. Os bancos, a grande e média indústria e os transportes permaneceram
no estado.

A NEP deu resultados e a produção industrial, comercial e agrícola aumentou. Surge uma nova
pequena e média burguesia ligada aos negócios e à indústria (nepman) e pequenos proprietários
rurais (kulaks). Em 1927 já tinham ultrapassado os níveis de produção anteriores à Primeira Guerra
Mundial; Em 1924, faleceu Lenine.

1.3 A regressão do demoliberalismo


1.3.1 O impacto do socialismo revolucionário; dificuldades económicas e a radicalização dos
movimentos sociais; emergência dos autoritarismos.
No pós-guerra os países europeus atravessaram graves dificuldades económicas; Neste contexto
desenvolvem-se as contestações, greves e movimentos revolucionários; A vitória do Partido
Comunista na Rússia serviu de incentivo a muitos movimentos na Europa.

A crise económica levou a que a burguesia industrial e financeira visse os seus patrimónios
desvalorizados, nalguns casos até abriram falência. Muitos camponeses ficaram arruinados. As
classes médias urbanas, dependentes de um salário, viram os seus rendimentos diminuírem, alguns
caíram na proletarização que tanto temiam. O operariado fabril e agrícola mergulhou na miséria e
no desemprego.

Agravam-se as tensões sociais e o descontentamento:


- O conservadorismo da burguesia;
- Os movimentos revolucionários proletários.

Os sindicatos reivindicavam melhorias salariais e denunciavam os excessos do capitalismo. Surgem


novos partidos, muitos deles ligados às ideias socialistas.
Em março de 1919, em Moscovo, formou-se a III Internacional, também chamada de Internacional
Comunista ou Komintern. Este organismo pretendia coordenar as atividades dos movimentos
proletários a nível mundial, lutava pelo triunfo das ideias dos marxismo-leninismo.
Punha em prática uma ideia de Karl Marx: “Proletários de todos os países uni-vos”;

Para a Rússia, que sofria o boicote dos países capitalistas, a internacionalização da revolução
comunista era muito importante. Lenine e Trotsky estabeleceram as regras para a revolução se
desencadear na Europa, que deveria ser liderada pelos partidos comunistas. Nos anos vinte a Europa
foi sacudida por uma vaga de movimentos revolucionários. Na Alemanha e na Hungria houve
tentativa de tomada do poder. A violência alastrou a muitos países europeus, com greves e
manifestações.

Estas ações revolucionárias provocaram o pânico nos setores mais conservadores da Europa.
Surgem os movimentos fascistas como uma reação ao eclodir do movimento operário. A burguesia
(alta, média e baixa) treme perante o avanço do bolchevismo. Muitos atribuem este caos à
incapacidade da democracia liberal, os partidos discutem no parlamento e não conseguem chegar a
cordo. Defendem soluções autoritárias para o governo de forma a garantir a paz, a segurança e o
desenvolvimento económico.

Surgem movimento autoritários de direita que se armam e organizam milícias que espalham o terror
entre os adeptos do socialismo. Estes movimento são fortemente nacionalistas e prometem
autoridade, a paz e o progresso social. Procuram o apoio dos oficiais do exército. Grande parte da
burguesia é atraída por estes movimentos, pois veem nestes a única forma de derrotar o comunismo.

Um dos primeiros movimentos a triunfar foi o de Mussolini, em Itália, em 1922; Este vai ser um
regime fascista de referência para outros que se vão instalar em diversos países europeus

O avanço dos movimentos de extrema-direita levou à instauração de ditaduras em diversos países


europeus:
Hungria (1920), Itália (1922), Turquia (1923), Espanha (1923), Albânia (1925), Lituânia, Portugal e
Polónia (1926), Jugoslávia (1929).

No final dos anos vinte, na Alemanha, o partido nazi, liderado por Hitler, ganhava cada vez mais
adeptos. Assiste-se, nos anos vinte, à regressão do demoliberalismo e ao desenvolvimento de
regimes autoritários.

1.4. Mutações nos comportamentos e na cultura


No século XX surgem grandes cidades com milhões de habitantes, nos países mais industrializados
a população urbana ultrapassou a rural. Esta massificação da urbanização vai contribuir
decisivamente para grandes transformações na cultura e vida da civilização oriental.

Nas grandes metrópoles os indivíduos tornam-se anónimos no meio da multidão. A cultura tende
para a estandardização e massificação. Nos tempos livres a população dirige-se para os cafés, os
cinemas, os estádios, salões de baile, etc. A proliferação da classe média levou ao desenvolvimento
de uma nova cultura do ócio, a cidade fomenta esta cultura fornecendo alternativas diversificadas.

A sociedade urbana vive uma na ânsia do consumo e do divertimento; A convivência entre os sexos
torna-se mais livre e ousada;

A Primeira Guerra Mundial contribuiu para uma mudança na condição feminina. O


desenvolvimentos dos transportes públicos e do automóvel tornam as deslocações mais fáceis. O
desporto entra nos hábitos do quotidiano. A vida acelera.

O trabalho desumaniza-se. A racionalização do trabalho tende a transformar o Homem num escravo


da atividade profissional e dos valores materiais que esta pode proporcionar.

Nos Anos Vinte surge a cultura do lazer. As populações urbanas procuram viver de forma frenética e
ruidosa.

Surge um novo conceito de família:


- O casamento como um contrato é substituído pelo casamento por amor;
- A institucionalização do divórcio torna o casamento mais instável;
- Divulgam-se as práticas anticoncecionais, o número de filhos por casal diminui.

A crise dos valores tradicionais


Os habitantes das cidades perderam as suas raízes rurais; Submetem-se a novos ritmos de trabalho;
O mundo urbano não favorece o enraizamento das populações, o emprego é precário e os
transportes favorecem as deslocações; Desaparecem as solidariedades tradicionais do mundo rural;
A vida urbana é condicionada pelo individualismo e pelo anonimato;

A Primeira Guerra Mundial terminou com a época de otimismo e de crença no desenvolvimento


científico interrupto e colocou em causa os valores morais e culturais herdados do século XIX.
O conflito mundial tenha causado a morte a 10 milhões de pessoas ao desencadear de uma grave
crise económica. Surge um sentimento de pessimismo e de descrença no futuro. Oswald Spengler
publica o livro “A decadência do Ocidente” onde prevê o fim inevitável da civilização ocidental.

A guerra levou muitos a pensarem que nunca mais voltaria a ser o que era.
Surge uma profunda crise espiritual que coloca em causa os valores tradicionais e que deixam de
seguir um padrão rígido:
- Da família e da indissolubilidade do casamento;
- A moral sexual, o papel da mulher, os conceitos e práticas religiosas;
- As condutas sociais.

Os Anos Vinte colocaram em causa os valores da sociedade do século XIX:


- Os aspetos materiais da vida sobrepõe-se à moral cristã;
- Os valores humanistas são dilacerados pela violenta ascensão dos movimentos fascistas e
autoritários;
- A democracia liberal é posta em causa pelos movimentos comunistas e fascistas;
- Desenvolve-se o espírito de anomia social;
Anomia social – ausência de normas aceites pelo grupo social. Os valores que ditam a regra de
conduta são relativos. É uma característica das sociedades em mudança.

A evolução da condição feminina


As primeira reivindicações femininas surgiram em meados do século XIX, consistiam na luta pelo
direito à propriedade, à tutela dos filhos em caso de viuvez, ao acesso à educação. No inicio do
século XX surgem as primeiras reivindicações sufragistas. Surgem movimentos que lutam pelo
direito a votar das mulheres. Destacou-se, em Inglaterra, o papel desempenhado por Emmeline
Pankhurst. Lutam também pelo acesso a cargos públicos e a igualdade no trabalho e na família.

O movimento sufragista inglês organizou várias formas de protesto. Em Portugal, em 1909, surgiu a
Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e em 1911, a Associação de Propaganda Feminina.
Carolina Beatriz Ângelo, em 1911, e aproveitando uma omissão da lei foi a primeira mulher a votar
em Portugal. A legislação foi imediatamente corrigida.

Apesar das reivindicações feministas, e apenas com algumas exceções, até à primeira Guerra
Mundial a mulheres continuaram arredadas do sufrágio. A guerra alterou esta situação, com os
homens na frente de batalha, muitas mulheres acederam a empregos.

As mulheres demonstraram que podiam substituir os homens nas mais variadas profissões. Por
outro lado passaram a auferir um salário, o que lhe dá a independência económica.

Nos anos a seguir à guerra, as mulheres vão ganhando o direito de participação na vida política pelo
menos em grande parte dos países ocidentais. Frequentam festas, vivem e viajam sozinhas, usam o
cabelo curto “à garçonne”; A luta pela completa igualdade foi longa e difícil e ainda hoje não está
completa.

1.4.2 A descrença no pensamento positivista e as novas conceções científicas


O século XIX foi dominado pelas ideias do positivismo. A ciência seria capaz de desvelar toda a
Natureza. O Universo era regido por leis claras e racionais. No século XX esta conceção, de estrita
racionalidade, é posta em causa, dão-se avanços em outras áreas do conhecimento. A física quântica
demonstra que o conhecimento é sempre parcial. Henri Bergson fala da intuição que não tem que
ver com a inteligência.

No início do século XX descobre-se que o átomo não é a mais pequena partícula da matéria. A
teoria quântica, desenvolvida por físicos como Max Planck e Niels Bohr, teve um enorme impacto
ao afirmar que nunca é possível determinar com exatidão o que está a ocorrer e o que acontecerá.
Transforma o conhecimento, não numa certeza, mas numa probabilidade.

Albert Einstein publica em 1905 a “Teoria da Relatividade Restrita” e em 1915, a Teoria da


Relatividade Geral. O decorrer do tempo deixa de ser imutável e varia conforme a velocidade dos
corpos. O tempo é relativo; Nos inícios do século XX a certeza objetiva e positivista é substituída
pelo princípio da incerteza e do relativismo do conhecimento. Descobre-se que o conhecimento é
subjetivo.

Sigmund Freud vai contestar que a mente do Homem é estritamente racional. Freud chegou à
conclusão que os comportamentos humanos também são dirigidos por impulsos inconscientes,
escondidos na profundeza da mente. Os impulsos sexuais seriam os dominantes. Segundo os seus
estudos muitos dos comportamentos anormais resultavam de complexos provocados pelo
recalcamento, no inconsciente, de recordações ou desejos que as pessoas não teriam podido
satisfazer, no passado, devido às limitações e proibições de ordem moral. Freud, criou a psicologia
analítica ou psicanálise.
Segundo a psicanálise, o psiquismo humano estrutura-se em 3 níveis:
- o consciente, o subconsciente e o inconsciente;

O indivíduo, por causa da moral, tem tendência para bloquear os desejos indecorosos ou
culpabilizantes no inconsciente. Estes desejos aparecem no inconsciente sobre a forma de neuroses.
A terapêutica freudiana passa pela análise dos pensamentos e dos sonhos tornando-os conscientes,
e, por isso, libertando o paciente das suas neuroses. A psicanálise teve uma grande influência, não
só na psicologia e psiquiatria, mas até na arte.

1.4.3 As vanguardas: ruturas com os cânones das artes e da literatura


O desenvolvimento das novas ideias filosóficas e científicas teve um efeito na cultura e no início do
século XX desenvolve-se uma estética nova. Este movimento cultural e artístico ficou conhecido
pelo nome de Modernismo.

As convenções académicas são derrubadas e surge uma estética nova na sequência das experiências
estéticas iniciadas nos finais do século XIX.

Nos inícios do século XX surgiram em vários países europeus movimentos de vanguarda que
quiseram fazer da arte um incentivo à transformação radical da cultura e do costume social. Criando
o lado estético da “civilização das máquinas”. Mas também surgem correntes para as quais não é
possível qualquer relação entre a “criação artística” e a “produção industrial”, chegando a negar-se a
si própria. Este movimento cultural foi conhecido como modernismo. Paris é o centro de toda a
atividade artística, era o cerne da vanguarda cultural europeia.

As primeiras vanguardas do século XX surgiram na França, Fauvismo e na Alemanha,


Expressionismo:
- Die Brücke (A ponte) e Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul).
Procuraram inovar, contrariar a tradição, chocar os contemporâneos.

Nesta época vive-se num grande dinamismo artístico e desenvolve-se o comércio da arte,
exposições, leilões, revistas e publicações sobre arte difundem-se. Estes movimentos artísticos são
uma reação as novas condições de vida (industrialização, urbanização, desenvolvimento
tecnológico, desenvolvimento das comunicações e da publicidade. Estes movimentos artísticos
procuram fugir da tradição académica. Procuram a pureza dos meios de expressão. Desligar a arte
da realidade concreta. Valorizar os impulsos, sentimentos e criatividade dos artistas.

Ideias originais: construir com superfícies de cor, procurar mais intensos efeitos de cor. O assunto é
indiferente.

Uma arte que seja um lenitivo para todo aquele que trabalha com o espírito, um tranquilizante
espiritual, que signifique um descanso das canseiras de um dia de trabalho.

O fauvismo
São reconhecidos, pejorativamente, pelo crítico de arte, Louis Vauxcelles, como fauves (feras).

Refere-se à violenta expressão cromática das telas:


- Marcadas pela agressividade cromática, autonomia da cor, aplicada sobre a tela em tons puros,
pela intervenção direta das emoções dos pintores.

As cores eram intensas e aplicadas de forma arbitrária, isto é, não correspondiam às cores da
realidade, tornava-as estranhas, selvagens, de feras.
Primeira revolução artística do século XX, afirma a autonomia da cor. Entendem a pintura como
instinto, como veículo de expressão das suas emoções. Recusam qualquer convencionalismo.
Distorcem os volumes. Exaltam as cores fortes.

O Fauvismo pretende transmitir ao espectador emoções estéticas profundas. Através da exaltação


das cores que delimitam e definem as formas planificadas.

A expressão é dada pelas linhas e pelas cores, onde se ressaltam os efeitos contrastantes destas, pela
pincelada direta e emotiva, pelo empastamento das tintas, pela ausência de modelado.

A perspetiva é rejeitada e os artistas, sujeitam-se à bidimensionalidade da tela, respeitando o


comprimento e a largura da mesma, exprimindo-se dentro dela.

A temática não é relevante para os fauvistas e não tem qualquer conotação social, política ou outra -
é apenas pretexto para a realização plástica. Mesmo as "deformações" introduzidas foram
concebidas, apenas, para transmitir sensações de alegria ou tristeza.

Matisse, Retrato da Risca Verde,1905 Os fauves libertam a cor da sua sujeição ao mundo real; As
sombras desaparecem; A risca verde neste retrato marca a transição entre as zonas de luz e sombra;
Os pormenores e acabamentos são omitidos; A perspetiva e o modelado são negligenciados.

A primeira exposição foi em 1905.


Em 1908 o grupo desfez-se.
Principais representantes do Fauvismo:
- Henri Matisse (1869-1954). Fundador do grupo. Assume a pintura pela cor e bidimensionalidade
essencialmente como um exercício técnico e estético com a função de comunicar emocionalmente
com o espectador.
- André Dérain (1880-1954);
- Maurice Vlaminck (1876-1958).

O expressionismo
O termo Expressionismo designa uma corrente artística que nasceu na Alemanha, no início do
século XX. Põe a tónica na expressão, na vontade de comunicar, de exprimir sentimentos, sensações
e emoções.

O significado do termo Expressionismo em arte evoluiu:


- Primeiro designou toda a arte moderna oposta ao Impressionismo;
- Depois aplicou-se à arte na qual a forma não nasce diretamente da realidade observada, mas de
reações emocionais e subjetivas à realidade.

Nos finais do século XIX e princípios do século XX, pintores como Van Gogh, Edvard Munch e
James Ensor podem ser considerados pré-expressionistas.

O expressionismo não procura representar a realidade visível mas a realidade invisível (espiritual), é
uma arte executada de dentro para fora.

O Expressionismo é o reflexo dos tempos conturbados que antecederam e acompanharam a 1ª


Guerra Mundial:
- rivalidades imperialistas, industrialização, urbanização, crise de valores, etc.

Até 1914-18 o Expressionismo Alemão foi desenvolvido por 2 grupos:


- Die Brücke (A Ponte), fundado na cidade de Desda (Dresden);
- Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) fundado em Munique.

Nasceu da associação de artistas alemães, em 1905, em Dresda:


- Ernest Lüdwig Kirchener (o líder do grupo), Erich Heckel, Karl Schmidt-Rottluff, Otto Müller,
Max Pechstein, Emil Nolde, etc.;

O grupo do Die Brücke realizou várias exposições. A 1ª Guerra Mundial provocou o


desaparecimento do grupo.

Afirmavam-se contra o Impressionismo e o academismo. Pretendiam uma arte mais pura e


instintiva, ligada à expressão de realidades interiores. Uma arte impulsiva, fortemente individual.
Que fosse “a ponte que leva do visível para o invisível”. Pretendem expressar os sentimentos e
traumas da alma humana com vigor, dramatismo, angústia e até violência. Pretendem ter uma
atitude de crítica, denúncia e contestação político-social.

A estética deste movimento foi marcada:


- Por uma linguagem figurativa, de formas simplificadas, deformadas e aguçadas, muitas vezes
contornadas por linhas negras. Preenchidas por cores ora violentas e contrastadas ora sombrias, anti
naturalistas, aplicadas em pinceladas rápidas.

A execução foi espontânea e temperamental, irrefletida. As obras parecem esboços toscos,


inacabados. Procuravam uma linguagem plástica arcaizante, primitiva, infantil. Que traduzisse as
realidades interiores do artista.

As suas obras tinham um forte pendor social, criticando o mundo moderno e as suas “perversidades
e injustiças”.
Usam grandes manchas de cor, intensas e contrastantes:
- Uma temática pesada;
- Formas primitivas, simples.

Redescobriram as técnicas da xilogravura e da gravura sobre metal, que acentuam as linhas


simplificadas das formas.
Xilogravura: técnica de gravura em madeira que consiste em imprimir com pranchas de madeira em
relevo.

Temáticas mais importantes:


- Vida íntima, a sexualidade, o erotismo, cenas de rua, café ou cabaret, o mundo da prostituição e da
miséria urbana, os retratos e autorretratos, a marginalidade. Ou seja a atualidade social do artista.

Os seus quadros expressam uma forte tensão emocional, obtidas por formas distorcidas e cores
intensas e contrastantes.
O Expressionismo não se confinou apenas à pintura e à Alemanha. Alargou-se a outros povos da
Europa e da América e teve na literatura, na escultura e, em particular, na música altos expoentes
artísticos.

O Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter), surge em 1910, em Munique. Fundado pelo pintor russo
Wassily Kandinsky e Auguste Macke, Franz Marc e Paul Klee.

Representa um estilo menos brutal e mais harmonioso do que o Die Brücke. O objetivo era unir sob
um mesmo ideal artístico, o da vanguarda da arte europeia, criadores de várias nacionalidades e de
diferentes expressões, ultrapassando barreiras culturais e ideológicas.
A arte era o produto da unidade existencial entre o Homem e a Natureza. Pretendem construir obras
de arte a partir das experiências pessoais, dos sentimentos subjetivos, e das sensações de cada um,
atribuindo-lhes ao mesmo tempo um sentido global e válido para todos os homens.

Procuravam a criação de uma arte livre, não dirigida a um público especial, que nascesse da
meditação, da necessidade interior (Kandinsky). Na procura pessoal de harmonia espiritual. O tema
não é importante.

Estes ideais foram publicados em revistas e no almanaque do grupo, o Cavaleiro Azul, que saiu em
1912. Organizaram duas exposições em que participaram artistas como o:
- Delaunay, Picasso, Braque, Nolde, etc.

Valorização da mancha cromática. Utilização de cores antinaturais e arbitrárias. Composições


equilibradas e harmoniosas, orientadas, muitas vezes, por linhas circulares e sinuosas.
Expressividade, emotividade, explorando o sentido mágico e místico dos conteúdos.

Preferência por temáticas naturalistas, paisagens naturais ou urbanas. Execução refletida e pensada
(menos intuitiva e imediata que o Die Brücke). Simplificação dos meios utilizados. Simplificação e
geometrização das formas, com tendência para uma crescente abstratização dos motivos.

Principais autores:
- Wassily Kandisky (1866-1944), líder e teórico do grupo, as suas pesquisas levá-lo-ão à descoberta
da arte abstrata. Escreveu: “O artístico reduzido ao mínimo deve ser identificado como o abstrato
levado ao máximo. Quando, no quadro, uma linha se liberta do objetivo de exprimir uma coisa
objetiva, real, atua por si só como coisa.
- Franz Marc (1880-1916), Paul Klee (1879-1940), August Macke (1879-1914); O grupo dispersou-
se com a 1ª Guerra Mundial, Marc e Macke, morreram na guerra. A sua arte irá continuar,
nomeadamente na Escola de Artes da Bauhaus, onde Kandinsky e Klee foram professores.

O cobismo
O cubismo foi um dos movimentos mais importantes da arte do século XX. Os seus criadores
foram: Pablo Picasso (1881-1973), em Horta del Hebro; Georges Braque, em L’Éstaque (1882-
1963).

Procuraram novos métodos e técnicas de representação formal e espacial que ultrapassassem as


regras clássico-renascentistas (três dimensões, representação em perspetiva).

O motivo (objeto, pessoa, paisagem) não é representado de um único ponto de vista, mas sob vários
pontos de vista na mesma representação (perspetivas múltiplas), introduzindo a dimensão tempo às
outras três.

Vão criar uma autonomia maior da obra de arte em relação à Natureza. Estabelecem simultaneidade
dos pontos de vista. Inspiração na Teoria da Relatividade de Einstein. Os cubistas separaram o
mundo da representação, do aspeto natural do objeto representado, pela anulação do ilusionismo
herdado da pintura naturalista do Renascimento.

Picasso e Braque iniciaram uma das maiores revoluções da Arte: Derrubando os conceitos
tradicionais da forma e do espaço; Abrindo caminho à arte abstrata e outros movimentos artísticos.

Para muitos “Les Demoiselles d’Avigon” (Meninas de Avinhão) foi o primeiro quadro a caminho do
cubismo. O quadro é marcado pela geometrização da forma, figuras angulosas, corpos distorcidos
pela perspetiva. As duas figuras da direita, posteriormente foram acrescentadas máscaras de
influência africana; Figuras e fundo confundem-se.
O Cubismo conheceu três fase principais:
- a cézanniana ou cezannista de 1907, a 1909; a analítica ou hermética, de 1910 a 1912 a sintética,
de 1913 a 1914.

A fase Cézanniana (1907-1909). Resulta da influência da obra de Cézanne e da escultura africana.


Picasso e Braque, em 1906, visitaram uma exposição da obra de Cézanne.

As obras desta fase caracterizam-se:


- Temática da paisagem e da figura humana;
- Representação racional e geométricas das formas;
- Linha de contorno quebrada;
- Início do desdobramento dos planos;
- Rostos simplificados ou em máscaras (influência africana);
- Redução da paleta cromática.

Fase analítica ou hermética (1910-1912). Foi a mais característica do cubismo. Visão simultânea e
multifacetada dos vários aspetos do motivo observado, fazendo com que o objeto aparecesse na tela
como que quebrado ou explodido. Um grande número de planos geométricos e achatados,
confundindo-se com os fundos (bidimensionalidade), destruição da perspetiva renascentista. Quase
monocromia.
Temática: retratos e naturezas-mortas.

A ideia é representar a realidade visual total do objecto. O artista não representa apenas o que vê
mas também o que dele conhece.
Picasso: “perguntei a mim mesmo se não se deviam pintar as coisas como as conhecemos e não
como as vemos”.

O processo de representação faz com o que está representado se afaste da imagem real que lhe deu
origem. Torna-se irreconhecível (hermético) para o público. Aproxima-se do abstracionismo.

Foi a fase de teorização do cubismo:


- Braque e Picasso organizam tertúlias no atelier de Picasso (Bateau Lavoir).
A identidade de princípios e processos entre estes dois artistas é perfeita, as obras não se distinguem
das do outro; Não assinam as obras.

Cerca de 1912, Picasso e Braque começam a introduzir na tela alguns elementos estranhos à pintura
(letras, pedaços de jornal, bilhetes, etc.) Procuravam tornar a pintura mais inteligível, menos
abstrata, para o espectador. Retorno à policromia. Esta fase das colagens deu-se na passagem do
Cubismo Analítico para o Cubismo Sintético.

Fase sintética, (1912-1914). Retorno à realidade. Redução dos pontos de vista e do número de
planos. Formas simplificadas (sintéticas). Cor vibrante; Sobreposições e transparências de planos.

O objetivo é “religar” o quadro à realidade. Tornar o motivo representado menos hermético; A


policromia e as colagens visavam estimular visualmente o espectador.

As colagens revolucionaram o conceito de obra pictórica, diluindo as fronteiras entre a pintura e a


escultura. O Dadaísmo irá explorar esta técnica.

Nesta fase do Cubismo sintético participou outro pintor espanhol, Juan Gris (1887-1927).

Picasso também realizou obras escultóricas onde procurou desenvolver os princípios do cubismo.
Os princípios cubistas influenciaram todas as artes (pintura, escultura, arquitetura e design). Deram
origem a novas correntes como o Orfismo e o Purismo e a Secção de Ouro. Influenciaram correntes
como o Abstracionismo e o Futurismo.

O abstracionismo concretizou-se através de várias tendências: Abstracionismo Lírico ou


Expressivo; Abstracionismo Geométrico:
A) Suprematismo;
B) Construtivismo;
C) Neoplasticismo.

O abstracionismo nasceu em 1910 a partir de uma experiência de Kandinsky e teve o seu


desenvolvimento maior entre 1918 e 1933.

Arte abstrata: toda a arte que não contém nenhuma relação com a realidade, quer essa realidade
tenha sido ou não o ponto de partida do artista.

A arte abstrata anula o tema e o objeto na criação plástica. Foi encarada como a expressão mais pura
da arte.nLiberta-se de programas culturais ou ideológicos. Torna-se o símbolo da arte moderna, sem
referências ao passado.

É um ponto de chegada natural das tendências que arte europeia vinha a explorar desde o pós-
impressionismo, que tinham evoluído no sentido de:
- Progressiva libertação da arte em relação à Natureza, autonomia total da arte em relação à
realidade.
- Tinham provocado uma verdadeira revolução técnica e estética, concretizada na crescente
simplificação e sintetização dos objetos representados.

O abstracionismo já tinha sido intuído pelo Simbolismo, Expressionismo, Cubismo, Orfismo e


Futurismo. O grande teorizador e iniciador do Abstracionismo foi Wassily Kandinsky.

O Abstracionismo Lírico é a expressão abstrata das pulsões espirituais do Homem. Deriva


diretamente do Expressionismo do Cavaleiro Azul. Inspira-se na intuição, no instinto, na
imaginação, está ligada às emoções, à necessidade interior, é uma arte mística.

O Abstracionismo Lírico vive das formas orgânicas, das manchas cromáticas. Da dinâmica das
linhas, formas e cores. Que substituem a representação de objetos. A pintura aproxima-se da música.

A cor é o meio de exercer uma influência directa na alma. A cor é a tecla. O olhar o martelo. A alma
é o piano de muitas cordas. O som musical tem acesso directo à alma, e aí encontra de imediato
uma ressonância, porque o Homem tem música em si mesmo, que pode negar que isso também
pode ser válido para a pintura.

“A cor assim como afecta os animais, também afecta, com igual força e vigor, as reacções
humanas”.

Kandinsky acreditava na maior pureza da arte abstracta, atribui- lhe um significado espiritual.
Pensava que uma grande mudança espiritual se estava a desenvolver no novo século com o
abandono das doutrinas materialistas do século XIX.
O artista foi percorrendo várias fases até, desligando-se progressivamente da realidade concreta até
atingir a abstração pura. Constrói os seus quadros com linhas e cores.
Refletiu sobre a arte publicou 3 livros:
- Do espiritual na arte, 1912, expõe a sua teoria sobre o valor psicológico das cores e das formas;
- Um olhar sobre o passado, 1913;
- Ponto, linha sobre o Plano, publicado na fase da Bauhaus;
- Para ele, a pintura devia constituir o alimento da alma e não somente o dos olhos;
- Pintar significava organizar as formas e as cores, de modo a provocar sensações.

Nunca mais a arte deveria ser a representação de qualquer realidade. Libertado da obrigação de
representar a realidade, o quadro materializa-se numa sensação, numa emoção. Abstrair será pintar
formas independentes da realidade, que não se assemelhem a nada, só a elas próprias, propondo
uma sensação inédita cada vez que aparecem.

Abstracionismo Geométrico
No abstraccionismo geométrico está patente a racionalização nascida da análise científica e
intelectual. Foi influenciado pelo Cubismo e pelo Futurismo. O Suprematismo foi um movimento
pictórico completamente novo, nascido na Rússia por volta de 1915-1916, na sequência do
Raionismo. O seu criador foi Casimir Malevitch (1878-1935).

Procurou na pintura a realização plástica pura. Baseou-se na necessidade (extraída do Cubismo


Sintético) de animação do espaço pela forma. E na movimentação plástica do Futurismo.
A composição torna-se um acordo de ritmos que se concretizam no espaço da tela, tal como uma
frase musical se concretiza no tempo.

Características:
- Formas geométricas puras, construídas pela cor, sem modelado;
- Paleta cromática restrita, constituída pelas cores primárias e secundárias, o branco e o preto;
- O branco simboliza o princípio e o negro o fim.

A pureza plástica levada ao extremo levou a dois quadros pintados entre 1918 e 1920:
- Quadrado Negro sobre fundo Branco e Quadrado Branco sobre Fundo Negro.

Para o Suprematismo, a verdade e pureza, seriam procuradas num novo mundo através do
aniquilamento e negação do mundo presente. Esta procura levou Malevitch até à negação da própria
pintura. Outros autores que aderiram ao Suprematismo foram os raionistas e Lazar El Lissitzky
(1890-1941).

O Neoplasticismo foi um movimento holandês que se desenvolveu nas artes plásticas, arquitetura,
design, literatura. Nasceu em 1917, ligado à revista De Stijl (O Estilo).
Principais artistas:
- Piet Mondrian (1872-1944) e Teo van Doesburg (1883-1931).

Preconizavam uma arte pura, clara, objetiva, não ilusória, não representativa, anti naturalista.
Utilizaram as formas geométricas (quadrados e retângulos) estáticas, pintadas a branco, preto e
cores primárias, limitadas por linhas verticais e horizontais negras. Que formavam planos
geométricos puros e ortogonais.

As formas e as linhas estabelecem múltiplas relações espaciais que assentam no equilíbrio,


harmonia e serenidade do ângulo recto. O ângulo recto e a harmonia estiveram presentes em todas
as actividades artísticas.

A vertical e a horizontal são a expressão de duas forças opostas. A cor deve ser plana e primária. A
arte não deve ter qualquer relação com o aspeto natural das coisas.
Utilizavam uma simbologia universal, um código, com um número limitado de formas e cores, que
no entanto podem transmitir um número infinito de mensagens.

Procuravam uma visão impessoal e objetiva da arte, através de uma estética nova (neo) e universal.
Procuravam a perfeição e a verdade suprema. Procuravam ultrapassar o mundo físico e emotivo
para atingir o mundo mental. Procuravam eliminar o “trágico da vida”. Contestaram as artes do
passado e o Expressionismo.

Piet Mondrian foi o grande teórico do grupo. Evoluiu no sentido de uma progressiva depuração
plástica, a sintetização das formas e das cores. Atribuiu, a uma e outras, significados místicos e
esotéricos.

A pouco e pouco descobri que o Cubismo não tinha deduzido a consequência lógica das suas
próprias descobertas, pois não desenvolveu a abstração até ao objetivo extremo – a expressão da
realidade pura.
Enquanto a realização se servir de uma “forma”, seja ela qual for, é impossível realizar relações
puras. Por isso a nova Realização se libertou de toda a forma. - Mondrian

A linha vertical e horizontal são a expressão de duas forças opostas, elas formam cruzes. Este
equilíbrio de contrastes existe por toda a parte dominando tudo. Na pintura a abstração da cor
natural é conseguida pela cor primária no estado mais puro possível. Para que a cor esteja certa,
deve ser: Plana e puramente primária (são as três cores fundamentais). - Mondrian

“A arte abstrata é concreta e, pelos seus meios de expressão especiais, é até mais concreta do que a
arte naturalista.” - Mondrian

Na última fase, em Nova Iorque (cidade de traçado ortogonal), compôs os quadros, Broadway
Boogie-Woogie e Victory Boogie- Woogie (inacabado). Segmentos cromáticos ritmados, assinalam
o domínio do Homem sobre a Natureza, objetivo máximo do Neoplasticismo.

O construtivismo pretende colocar a criação artística ao serviço da sociedade, de acordo com uma
tendência oposta à dos Suprematistas. Para os construtivistas, a arte deve apoiar-se na tecnologia;
Os artistas devem empenhar-se em grandes projetos que visem introduzir a arte na vida; Foi no
período entre as duas guerras que a escultura realizou a passagem do figurativo para o abstrato,
coube ao Construtivismo e a Vladimir Tatlin (1885-1953) o papel de pioneiro.

Tatlin, justapôs materiais anti-tradicionais, como o cimento, cobre vidro, chapa e criou relevos que
não reproduziam o quer que fosse, não imitavam nada, tinham um valor autónomo.

A escultura deixou de ser uma massa ou volume fechado para se tornar numa intersecção de planos
onde o nosso olhar penetra e onde o ar circula, atribuindo ao vazio um valor construtivo.

Naum Gabo (1890-1977) e o seu irmão Anton Pevsner (1886- 1962) foram os autores do Manifesto
Realista, 1920, onde se defendia a arte pura. Os dois irmãos apoiaram-se em conhecimentos
técnicos e matemáticos para conceber as suas obras. Valorizaram as formas abertas e a linha
geradora de superfícies, o espaço, tempo e a luz. Entre 1920-22, Gabo, executou as primeiras
construções com movimento – construção cinética. Estas peças foram construídas em materiais
leves e translúcidos (vidro, plástico), conseguindo obras muito leves, rigorosamente construídas e
que utilizavam jogos de luz elaborados.

O Futurismo
O Futurismo nasceu em Itália, mas oficialmente apareceu em 1909, com a publicação do Manifesto
Futurista, de Filippo Tommaso Marinetti (poeta), no jornal Le Fígaro, de Paris. Primeiro surge na
literatura e estende-se às artes plásticas, arquitetura, música e cinema.

Define-se o futurismo no Manifesto Futurista como uma nova poética. Combate à arte tradicional;
Exaltação da vida moderna, da civilização industrial, da máquina, da velocidade, das cidades
modernas, dos novos meios de transporte, etc.

No Manifesto afirma-se: “Um automóvel de corrida com o seu adorno de grossos tubos semelhantes
a serpentes de hálito explosivo (…) é mais belo que a Vitória de Samotrácia”.

Em 1910 surge o Manifesto dos Pintores Futuristas:


- O Futurismo assume-se como um movimento de rebelião ativa;
- Afirmação das novas e modernas energias da existência;
- Aproximando-se em termos emocionais dos expressionistas e em termos plásticos do cubismo
(que atacavam pelo seu estatismo);
- Fazem a apologia da máquina, da velocidade, da luz, da sensação dinâmica;
- A temática inspirava-se nos assuntos que implicassem modernidade, velocidade e dinamismo;
- Negam os valores do passado, reivindicando exclusivamente o futuro;
- Recorrem à decomposição geométrica das formas (em ângulos agudos e em curvas sinuosas –
dinamismo);
- Exploram a simultaneidade, interpenetração dos planos;
- Repetem as imagens, de maneira sobreposta, construindo uma espécie de sequência fílmica;
- Criam o efeito de movimentação no tempo (4ª dimensão);
- Usam linhas de cor pura, que atravessam a tela à maneira de raios de luz;
- Usam o divisionismo da cor, aplicando cores fortes e contrastadas;
- Procuram transmitir emoções fortes como a velocidade, força, ação;
- Valorizam a cor e a luz.

Principais artistas do movimento:


- Umberto Boccioni (1882-1916);
- Giacomo Balla (1871-1958);
- Carlo Carrá (1881-1966);
- Gino Severini (1883-1966);

É possível distinguir três fases na evolução do Futurismo:


- 1ª fase: 1909 - 1ª Guerra Mundial, formação e definição do movimento em Itália e a sua
divulgação) Vai influenciar o Raionismo na Rússia e o Vorticismo em Inglaterra;
- E o Construtivismo.

O Manifesto Raionista, Rússia, 1913, define a tela raionista como devendo “dar a impressão de
escapar ao tempo e ao espaço” e “sugerir a sensação da quarta dimensão”. Para que este objetivo se
cumprisse, recomendavam aos pintores a utilização de raios de cor paralelos ou cruzados,
simbolizando raios de luz.

Vorticismo, movimento nascido em Inglaterra, em 1914, apresentado na revista Blast.


A arte deve ser mais visionária que os inventores das máquinas modernas. O passado é para
esquecer. O futuro não se pode conhecer, resta o presente que se situa no vórtex (turbilhão),
desaparece em 1915.

Entre as duas grandes guerras de 1918-1944) o Futurismo alarga-se a outras modalidades plásticas
(design industrial, moda, cinema). O movimento é aproveitado por Mussolini para fazer propaganda
ao regime fascista italiano o que afastou muitos artistas, sobretudo fora de Itália.
O dadaísmo
Movimento Dada
O dadaísmo foi um movimento cultural, artístico e filosófico. Abrangeu a literatura, o cinema, o
teatro, a fotografia, a música, a pintura, a escultura. Surgiu durante a 1ª Guerra Mundial em Zurique
e Nova Iorque por artistas (poetas, pintores e músicos) refugiados da guerra.

Dada deriva da palavra que significa os sons balbuciados pelos bebés, foi encontrada por Tristan
Tzara, abrindo o dicionário ao acaso.

O termo absurdo simboliza a intenção destes artistas:


- Negar os conceitos de arte e de objeto, bem como as técnicas artísticas tradicionais;
- Pretendem anular o próprio conceito de arte;
- A arte autêntica é a anti arte.

O dadaísmo é uma reação (também provocação) às sociedades burguesas e capitalistas e aos valores
éticos e culturais por elas criados. Reação provocada pela violência da guerra. Proclamavam o vazio
espiritual e o sentimento do absurdo que a guerra instalara. Proclamavam obsoleta a cultura
tradicional.

Para construir uma nova sociedade era preciso destruir a antiga. Afirmavam “destruir também é
criar”. Estas ideias apoiavam-se na filosofia pessimista de Schopenhauer, no nas ideias de Nietszche
e no Anarquismo.

Preconizavam:
- Recriar a arte com recurso ao absurdo e incongruente;
- Retorno do artista ao seu estatuto de artesão;
- Ausência de compromisso entre a arte e o mercado;
- Valorizar o subversivo, o irracional.

Os Dadaístas procuravam obter daqueles que os liam e dos que os ouviam reacções negativas,
através do insulto e da dessacralização da ordem estabelecida. Estavam unidos pela recusa dos
valores e do modelo da cultura tradicional.

Focos iniciais do Dadaísmo:


- Zurique, em 1915 formou-se o Cabaret Voltaire, clube artístico e cultural, onde nasceu a ideia do
movimento;
- Tristan Tzara (poeta e autor do manifesto dadaísta de 1919), Jean Arp, Hugo Ball e Richard
Hüsselbeck;
- Nova Iorque, onde trabalharam Marcel Duchamp, Francis Picabia e Man Ray (fotógrafo);
- Este grupo colaborou no lançamento da Revista 291 que ajudou a difundir os objetivos do
dadaísmo.

O final da guerra levou à dispersão dos elementos do grupo e a formação de novos núcleos:
- Barcelona (Picabia e Duchamp);
- Colónia (Max Ernest);
- Hanover (Kurt Schwitters);
- Paris (André Breton, Louis Aragon, Paul Éluard, etc.).

A partir de 1922 o grupo dispersou-se. Alguns dadaístas passaram para o Surrealismo, corrente que
o Dadaísmo se considera percursora.
Principais características do Dadaísmo:
- Temáticas provocatórias, explorando assuntos insólitos e incongruentes, aparentemente sem
sentido (nonsense), exploração do absurdo;
- Inspirou-se nas técnicas cubistas e inventou outras: Na pintura, criaram as assemblage, mistura de
colagens com objetos encontrados (objects trouvés), fotomontagens, as merzbilders, as frottages, os
ready-made e os rayographs na fotografia;
- Assemblage: termo criado por Jean Dubuffet, em 1953, que designa obras de arte feitas de
fragmentos de materiais, naturais ou não.
- Ready-made: criado por Marcel Duchamp, e que consistia na descontextualização de um objeto
banal e conferir-lhe o estatuto de obra de arte.
- Object trouvé (objeto encontrado), que é um elemento tridimensional, colado sobre a tela e
combinado, por vezes, com colagem.
- Rayographs (fotografia offcamera) de Man Ray, que são fotografias executadas sem utilização da
máquina fotográfica, ou seja, pela sensibilização do papel fotográfico com a luz, através do contacto
directo entre o papel sensível e os objectos e fotografias elaboradas; Módulo 7, História A 221
Frotagge – técnica de criar um desenho colocando um pedaço de papel sobre uma superfície áspera
e esfregando com um lápis até que o papel adquira a qualidade da superfície que está por baixo.

Os dadaístas contribuíram para revolucionar os conceitos de arte. Atribuem um valor artístico a um


objeto que normalmente não o tem. Pretendem afirmar que o que realmente determina o valor
estético de algo é um ato mental. Pretenderam provocar o público, atacando os conceitos
tradicionais. É a arte do absurdo. Contestam o conceito de arte chegando à própria negação.
Promoveram debates e discussões em torno da necessidade de renovação do conceito de arte e do
ensino artístico. Defendiam que os artistas deviam voltar à sua antiga condição de artesão e
contribuir de modo útil para o bem estar da sociedade.

Influenciaram do ponto de vista conceptual, técnico e estéticos noutros movimentos:


- Surrealismo, Bauhaus, New Dada, Pop Art, Arte Conceptual, Arte Pobre, Arte Comportamental.

O surrealismo
Em parte decorrente do Dadaísmo, o Surrealismo constituiu sobretudo um movimento de ideias que
se estendeu a vários campos de atividade. Literatura, André Breton foi o principal teórico do
movimento. Artes plásticas, pela mão do seu iniciador, Max Ernst; Cinema, com Dalí e Buñuel.
Fotografia, onde se destacou Man Ray. Música com Erik Satie.

Iniciou-se em França, 1919, expandiu-se por toda a Europa e pela América, fuga de artistas durante
a Segunda Guerra Mundial. Surgiu, à semelhança do movimento Dada, como reacção à cultura e à
civilização ocidentais e a tudo o que elas invocassem ou representassem, em particular o
racionalismo e o convencionalismo.

Defenderam os valores da liberdade, da irracionalidade, através das obras que utilizaram o sonho, a
metáfora, o inverosímil e o insólito, contribuindo, no seu entender, para a elevação do espírito,
separando-o da matéria.

Aplicam os ensinamentos de Freud e da psicanálise. Estão ligados à esquerda e ao Marxismo,


embora com a discordância de alguns artistas, o que levou a divisões.

Afastam-se das normas e das convenções. As bases teóricas assentam na publicação de 2


Manifestos do Surrealismo (1924, 1929) e na revista La Revolucion Surréaliste.

“O Surrealismo é a auto emoção psíquica pura, através da qual se procura exprimir oralmente, por
escrito ou de qualquer outra maneira, o verdadeiro funcionamento da imaginação. É o correr do
pensamento desligado de todo e qualquer controlo elaborado pela razão e independentemente de
quaisquer juízos estéticos ou morais”.

“O Surrealismo fundamenta-se na crença da realidade superior de certas formas de associação até


então descuradas, na omnipotência do sonho e no jogo desinteressado das ideias. Procura pôr de
lado, para sempre, todos os outros mecanismos psíquicos e propõe-se achar a solução dos
problemas fundamentais da vida”.

As obras deste movimento seriam executadas à margem da razão, sem quaisquer moralismos sem
preocupações estéticas racionalizadas. A associação de ideias era feita sem a procura de sentido e
desencadeada livremente, segundo três técnicas básicas que punham em prática o “automatismo
psíquico”.

Escrever ou desenhar em estado semi hipnótico, sob a influência do álcool, da fome ou da droga,
que provocam alucinações. As obras eram realizadas ou ditadas durante o sono, ou eram relatos de
sonhos.

A junção de escritas simultâneas de várias pessoas - perguntas e respostas ou partes de uma mesma
proposição, ignorando, umas, o que as outras faziam, de modo a obterem efeitos surpreendentes ou
desconcertantes. As suas obras são de uma extrema diversidade.

Utilizaram as técnicas herdadas do Dadaísmo:


- frottage, assemblage, dripping, colagens, etc.

Privilegiaram o mundo da magia, o sonho, tudo o que pusesse em causa a racionalidade.

Os caminhos da literatura
Tal como nas artes plásticas a literatura sofreu uma verdadeira revolução e também aqui as
tradições e valores foram postos em causa; Surgiram novos tipos de escrita; Foi abandonado a
descrição realista e ordenada da realidade; Muitas obras literárias procuraram retratar a vida
psicológica e interior das personagens; As obras literárias são dominadas pelo pessimismo, o
desencanto e a angústia;

Principais obras e artistas:


- Ulisses, James Joyce;
- Montanha Mágica, Thomas Mann;
- Adeus às Armas, Ernest Hemingway

1.5. Portugal no primeiro pós-guerra


1.5.1 As dificuldades económicas e a instabilidade política e social; A falência da Primeira
República
O parlamentarismo da Primeira República Portuguesa originou um clima de instabilidade política e
governativa. Entre 1910 e 1926, houve 7 eleições para o Parlamento, 8 para Presidente da República
e 45 governos! O anticlericalismo violento dos republicanos levou à hostilidade da Igreja Católica e
da maioria do país, conservador e católico.

A participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial agravou as dificuldades económicas e o


descontentamento social. No início do século XX, a economia portuguesa continuava a depender
duma agricultura pobre e sem grandes desenvolvimentos tecnológicos. Os setores dos transportes e
das comunicações tinham estagnado e mantinham-se quase como os tinha deixado Fontes Pereira de
Melo.
A falta de bens de consumo levou ao racionamento e ao constante aumento dos preços. Os diversos
governos da República foram emitindo mais moeda agravando a inflação. A produção industrial
estagnou originando o aumento do défice da balança de comercial de Portugal. A dívida pública
subiu. O fim da guerra não melhorou a situação. O custo de vida aumentou, a classe média e os
operários são os mais duramente afetados.
As classes médias sentiam-se traídas pela República, o seu poder de compra em 1920 era cerca de
metade do que tinha sido em 1910. A taxa de desemprego era elevada. A situação desesperada do
operariado originou frequentes greves, manifestações. Alguns grupos mais extremista recorriam à
violência.

Em 1915, o general Pimenta de Castro, dissolveu o Parlamento e instaurou uma ditadura militar. A
participação de Portugal na guerra agravou a instabilidade política. O major Sidónio Pais, em
dezembro de 1917, destituiu o Presidente da República, dissolveu o Congresso e fez-se eleger
presidente em abril de 1918, através de eleições diretas. Autoproclamava-se o fundador de uma
“República Nova”. Apesar de ser visto por muitos como o “salvador da pátria”, foi assassinado em
dezembro de 1918.

Entre janeiro e fevereiro de 1919 houve guerra civil em Lisboa e no Norte. Os monárquicos
proclamaram na cidade do Porto a “Monarquia do Norte”. Em março de 1919 é restabelecido o
normal funcionamento das instituições democráticas. No entanto os diversos partidos republicanos
continuam a desentender-se. Entre 1919 e 1926 houve 26 governos. Os atos de violência escalavam.

A falência da Primeira República


A oposição conspirava contra a República:
- A Igreja opunha-se ao ateísmo republicano. Em 1915, funda o Centro Católico Português;
- A alta burguesia (industrial, comercial e financeira) agita o tema da ameaça bolchevista;
- As classes médias sentem-se ameaçadas pelo caos económico e social e temem a sua
proletarização;
- Em 28 de maio de 1926, o general Gomes da Costa, em Braga, liderou um golpe de estado;
- A Primeira República caiu, e com exceção do Partido Democrático e de alguns sindicalistas
ninguém a defendeu;
- Foi instituído uma ditadura militar;
- Portugal mergulhava numa longa ditadura que iria perdurar até 1974.

1.5.2 Tendências culturais: entre o Naturalismo e as vanguardas


Nos inícios do século XX em Portugal a criação artística e literária estava dominada pelo
naturalismo e evidenciava uma forte resistência à mudança e à inovação. A burguesia (compradora
da cultura) tinha gostos pouco evoluídos condicionando toda a produção cultural portuguesa. Após a
implantação da República surgiram alguns grupos de intelectuais portugueses que pretendiam
romper com o marasmo da situação.

Estes movimentos ficaram conhecidos pelo nome de Modernismo. Surgem revistas, são organizadas
exposições, debates e conferências. Continuou, no entanto, a faltar a adesão do público interessado
nas novidades culturais.
I Salão dos Humoristas (1912). I Exposição dos Humoristas e Modernistas (1915), onde foi
utilizada pela 1ª vez a palavra Modernismo.

O primeiro modernismo – a revista Orpheu (1911-1918)


Publicação da revista Orpheu (1915), fundada por Mário de Sá- Carneiro (1890-1916) e Fernando
Pessoa (1888-1935) ao quais se juntaram Almada Negreiros (1893-1970) e Santa-Rita (1889-1918).
Foram os principais responsáveis pela introdução do Modernismo em Portugal. Só foram
publicados dois números.
Apesar da sua curta duração esta revista desempenhou um papel importante. Promoveu novas
formas literárias e artística e contestou o naturalismo. Apesar de terminada a revista, o movimento
cultural manteve-se vivo.

O segundo modernismo – a revista Presença (anos 20 e 30)


A revista Presença surgiu, em Coimbra, em março de 1927 e foi publicada até 1940. Foi fundada
por José Régio, Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões. Seguiram a linha de pensamento
fundado pela revista Orpheu e lutaram contra o academismo literário, por uma crítica livre.

Nesta revista participaram nomes como Aquilino Ribeiro, Miguel Torga e Ferreira de Castro entre
outros. A Presença defendeu a criação de uma literatura mais viva, livre, oposta ao academismo e
jornalismo rotineiro, primando pela crítica, pela predominância do individual sobre o coletivo, do
psicológico sobre o social, da intuição sobre a razão.

A partir de 1933 o governo criou o Secretariado de Propaganda Nacional, mais tarde Secretariado
Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI) e o Estado passou a controlar toda a
produção intelectual (censura).
Surge a arte oficial do Estado sob o slogan “Deus, Pátria e Família”. Todas as outras correntes
artísticas são censuradas.

O modernismo na Pintura
Em Portugal o Naturalismo persiste, as primeiras expressões modernistas manifestaram-se com
António Carneiro (1872-1930) e depois com a Primeira Geração Modernista.

O modernismo na Pintura Primeira Geração Modernista:


- Eduardo Viana (1881-1967);
- Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918);
- Guilherme Santa-Rita, Pintor (1889-1918);
- Almada Negreiros (1893-1970);
- José Pacheko (1885-1934);
- Cristiano Cruz (1892-1951).

Agitaram o meio artístico português e contribuíram para a renovação da pintura. Acentuam-se as


tendências para simplificar a linha, libertar a composição da narrativa, desvalorizar a perspetiva.

Eduardo Viana, inicialmente foi um pintor naturalista de cenas de costumes, mas enveredou pelo
protocubismo cezanniano em termos de forma. Conheceu os Delaunay e inspirou-se no orfismo. Em
quadros como “O Homem das louças” e o nu parece juntar os volumes cubistas com as cores fauve
e a influência do orfismo.

Amadeo de Souza-Cardoso caracterizou-se pela experimentação de várias correntes do Naturalismo


ao Expressionismo e ao Cubo- Futurismo. É uma pintura que é uma reflexão plástica entre o
Cubismo e o Abstracionismo. È uma mistura do Cubismo, Futurismo, Expressionismo,
Abstracionismo torna difícil a classificação das suas obras.

Souza-Cardoso, Cozinha de Manhufe, 1913 Viveu no estrangeiro, conheceu Modigliani. Picasso,


Braque e o casal Delaunay. Participou em exposições em Paris, Berlim e Nova Iorque.

Coty Uma pintura de Souza-Cardoso caracterizada por:


- Geometrização das formas;
- Planos multifacetados de cores intensas;
- Distorção da perspectiva.
Foi também um inovador pelo uso dos materiais (pasta de óleo, areias), pelo recurso à colagem
(fósforos, ganchos de cabelo, estilhaços de espelhos), pela simulação cubista da introdução de letras
na pintura. Sem raízes, sem corrente única, ele mesmo se considerava de tudo um pouco,
impressionista, cubista, futurista e abstracionista. Era essencialmente autêntico e apaixonado pelo
movimento, pela velocidade, pela febre da vida moderna, como se constata pelo seu percurso
artístico.

Guilherme de Santa-Rita (Santa- Rita Pintor) já em 1912 se dizia pintor futurista considerado um
tipo fantástico e insuportavelmente vaidoso, reflexo da sua complexa personalidade. É difícil
analisar a sua obra pois, antes de morrer, mandou-a destruir, havendo poucas exceções, como a
Cabeça.

Foi um agitador de ideias, um inovador no campo estético e o organizador da revista Portugal


Futurista, em 1917.

Declarava: “futurista declarado há só um, que sou eu Santa-Rita”.

Procurou a originalidade e uma linguagem pictórica que exprimisse a simultaneidade dos estados de
alma.

Almada Negreiros, mais novo que os anteriores, exerceu importante papel na cena pública do nosso
primeiro modernismo, possuiu uma personalidade excêntrica, original. Foi pintor, poeta, cenógrafo,
bailarino, caricaturista, dinamizador das revistas Orpheu e Portugal Futurista. A sua pintura balança
entre a Arte Nova e a Abstração a Modernidade Futurista e as raízes portuguesas.

Teve uma ação preponderante no movimento futurista em Portugal. “Ultimatum futurista às


gerações portuguesas do século XX”, “Manifesto Anti Dantas”.
Em 1925, com outros pintores (Eduardo Viana, José Pacheko (1885- 1934), Stuart Carvalhais
(1887-1961) participa na decoração de espaços modernos: Café A Brasileira, Bristol Club.

Nos anos 30 esteve em Madrid. A partir de 1935, em Portugal, é cada vez mais conservador e
nacionalista. Participa em várias obras como os vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, os
frescos das gares marítimas de Alcântara, etc. Participa na Exposição do Mundo Português.

Muitos artistas emigraram, caso de Vieira da Silva, outros foram lutando contra a ditadura. Os
movimentos de vanguarda desenvolvem-se com grandes dificuldades e desconhecidos para a
maioria da população. Surgiram grupos ligados ao Expressionismo, Neorrealismo, Surrealismo,
Abstracionismo, etc. Foram oposição à ditadura, e procuraram desenvolver a vida cultural
portuguesa. Vanguardistas nem sempre foram compreendidos pelo público.

Principais autores do Expressionismo:


- Sara Afonso (1899-1983).

Mário Eloy (1900-1951), viveu no estrangeiro, Paris e Berlim, expôs ao lado de Picasso, Braque,
Chagal, etc. A sua pintura realça a luz, a expressividade das cores, utiliza os tons frios (azul, verde).
Foi a figura mais importante do expressionismo, nos últimos anos aproximou-se do Surrealismo.

O Neorrealismo
O Neorrealismo, surgiu nos finais dos anos 30, o seu precursor foi Abel Salazar. Defendia a
denúncia social. “A arte deve exprimir a realidade viva e humana de uma época”, Álvaro Cunhal
(1913-2005). Representavam o mundo do trabalho num sentido completamente oposto à arte oficial
portuguesa. Era uma arte politizada, didática.
Principais autores neorrealistas:
- Júlio Pomar (1926);
- Marcelino Vespeira (1925-2002);
- Moniz Pereira (1920-1988);
- Fernando Azevedo (1923-2002);
- Júlio Resende (1917), experimentou o neorrealismo mas sempre se considerou expressionista.

As origens do Abstracionismo português encontram-se em Amadeo de Souza Cardoso, Santa-Rita,


Almada e sobretudo em Helena Vieira da Silva (1908-1992) que emigrou e adquiriu a nacionalidade
francesa.
O seu abstracionismo tem profundidade, foi a síntese de sensibilidades e estilos artísticos diversos:
do pós-impressionismo ao cubismo;
- Foi uma pintora de metáforas;
- Afirmava: “pinto lugares, mas vistos de muito longe”.

O modernismo na escultura
Francisco Franco (1885-1955), expressionista, foi o escultor do regime salazarista. Canto da Maya
(1890-1981), marca expressiva, também foi um escultor oficial do regime. Leopoldo de Almeida
(1898-1975), a sua obra mais marcante, histórica e nacionalista foi o “Padrão dos Descobrimentos”.

Arquitetura
A arquitetura portuguesa, entre 1905-60, viveu várias tendências. Uma delas foi a da formulação da
casa portuguesa, recuperando valores tradicionais e rurais. Esta ideia foi defendida por Raul Lino
(1879-1974). Lino não criou propriamente uma estética mas uma filosofia da casa portuguesa.

Outra das tendências foi a que seguiu os esquemas académicos da arquitetura e da decoração do
século XIX. São exemplo a construção de prédios de arrendamento para a classe média no Porto e
Lisboa. Muitas vezes construías por engenheiros sem grandes preocupações estéticas. Esta
arquitetura também edificou bairros sociais e operários. São de referir as “ilhas” do Porto e os
“pátios” de Lisboa.

Foi nas escolas, bancos, hospitais, teatros, hotéis e fábricas que a arquitetura melhor aplicou os seus
ideais, sempre com mais preocupações técnicas do que estéticas.

Principais arquitetos:
- Adães Bermudes (1864-1948);
- Marques da Silva (1869-1947);
- Ventura Terra (1866-1919).

O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30


2.1 A Grande Depressão e o seu impacto social (não é de aprofundamento)
2.1.1 Nas origens da crise

Depois de ultrapassadas as dificuldades provocadas pela guerra, nos meados dos anos vinte viveu-se
uma época de prosperidade, sobretudo nos EUA.

No entanto essa prosperidade iria revelar-se muito frágil; A população americana vivia do crédito e
estava profundamente endividada, inclusive recorriam a empréstimos bancários para comprarem
ações na Bolsa; Existiam indústrias, sobretudo as mais tradicionais, como a do carvão, construção
ferroviária, têxteis e construção naval que não tinham recuperado totalmente da crise de 1920/21;
Havia um desemprego crónico elevado (dois milhões nos EUA) derivado da mecanização da
indústria (desemprego tecnológico).
A agricultura, em 1929, começava a dar sinais de superprodução e a baixa de preços dos produtos
agrícolas começava a causar dificuldades a muitos agricultores; A deflação dos preços dos produtos
agrícolas começava, em 1929, a refletir-se na baixa de consumo de produtos industriais; A
especulação bolsista atingia níveis perigosos.

Uma grande parte das poupanças e do crédito americano era aplicado na Bolsa em negócio
especulativos; Devido à intensa procura de ações muito títulos eram transacionados por valores
extremamente elevados, muito superiores ao seu valor real; Os Bancos fomentavam essa
especulação emprestando dinheiro a particulares quer investindo uma parte muito significativa dos
seus lucros no negócio bolsista; Em 1929, o índice geral das ações cotadas em Nova Iorque
ultrapassavam largamente a produção industrial.

2.1.2 A dimensão financeira, económica e social da crise


Em meados de outubro de 1929 muitos acionistas começaram a procurar vender as suas ações; São
anunciados baixas de lucros em muitas empresas fruto da superprodução; O pânico instalou-se no
dia 24 de outubro, quinta-feira negra, quando 13 milhões de ações, colocados no mercado a preços
muito baixos, não encontraram comprador; A 29 de outubro 16 milhões de títulos não conseguiram
ser transacionados.
Era o “crash de Wall Street”.

Nos meses seguintes centenas de milhares de acionistas ficaram arruinados pois a ações que
possuíam não valiam nada ou valiam apenas uma ínfima fração do valor porque tinham sido
compradas.

Como muitos acionistas tinham recorrido ao crédito para comprarem ações e agora não podiam
pagar os empréstimos pedidos muitos bancos abriram falência; Entre 1929 e 1933, faliram 10 mil
bancos; A falência dos bancos levou à paralisação da economia (estava baseada no crédito); Muitas
empresas abriram falência; O desemprego disparou, nos EUA, atinge os 12 milhões em 1932.

A procura diminuiu o que causou a baixa dos preços, levando à diminuição da produção industrial.
Os preços dos produtos agrícolas baixaram, muitos agricultores foram à falência, muitas quintas são
postas á venda e não encontram compradores.

Famílias inteiras são lançadas na miséria; Muitos vagueiam pelos EUA à procura de empregos que
não existem; Mesmo entre os que ainda estão empregados a baixa dos salários é generalizada; Os
desempregados ofereciam-se para trabalhar por salários irrisórios;
Não há segurança social, e milhões sobrevivem devido às refeições oferecidas por instituições de
caridade; Surgem “bairros de lata” em todas as grandes cidades americanas; Nesta situação a
criminalidade aumenta.

2.1.3 A mundialização da crise; a persistência da conjuntura deflacionista


A Grande Depressão começou nos EUA mas propagou-se rapidamente:
- Aos países fornecedores de matérias-primas (América do Sul, Austrália , Índia, etc.
- Aos países dependentes do crédito americano: Alemanha, Áustria;
- A todos os países do mundo capitalista;
- Os EUA retiraram grande parte dos capitais investidos na Europa o que provocou a falência de
muitos bancos europeus;
- Nos ano 30 apenas a URSS, sem ligações económicas ao mundo capitalista, escapou à crise.
A crise tinha caído num círculo vicioso:
- Diminui o consumo baixa de preços baixa de produção falências desemprego;
- Como resposta à crise a maior parte dos países tentaram tornar-se autossuficientes;
- Surgem medidas protecionistas tomadas pelos governos;
- O nível do comércio internacional desce a níveis iguais aos de meados do século XIX;
- A descrença no capitalismo liberal é generalizada.

2.2 As opções totalitárias


No início do século XX muitos países tinham um regime demoliberal; Era um regime político onde
a liberdade dos cidadãos, a igualdade perante a lei e a divisão dos poderes do estado estava
assegurada; O fim da Primeira Guerra Mundial provocou o fim dos Impérios Russo, Austro-
Húngaro e Alemão; Parecia que se instaurava uma ordem internacional mais democrática.
Mas com o decorrer dos Anos Vinte os regimes totalitários vão prevalecer;

Regimes totalitários – são os regimes em que o Estado é um valor absoluto e sobrepõe-se aos
direitos individuais dos indivíduos. Ao Estado compete dirigir todas as atividades económicas,
sociais, políticas e culturais; São regimes de partido único; Toda a Nação é subordinada à ideologia
do partido.

Na Rússia instalou-se um regime autoritário e totalitário com a aplicação da ideologia marxista-


leninista; Na Itália e na Alemanha pontificaram regimes da cariz fascista e nazi; Em muitos outros
países europeus, entre os quais Portugal, surgem governos de extrema-direita que impõe regimes de
partido único e de perseguição a todos os opositores do regime;

2.2.1 Os fascismos, teorias e práticas


O estado totalitário fascista opõe-se:
- Aos direitos individuais dos cidadãos, nomeadamente ao princípio da liberdade, o indivíduo tem
de se submeter aos interesses do Estado;
- Ao princípio da igualdade de nascimento. Segundo os princípios fascistas e nazis, umas raças
nascem para mandar outras para obedecer;
- À democracia e o ao parlamento que são considerados regimes fracos e incapazes de defender os
superiores interesses do Estado.

O estado totalitário fascista opõe-se:


- Ao liberalismo económico pois este privilegia os interesses individuais;
- Há existência de vários partidos;
- Ao socialismo e o comunismo porque se apoiam na luta de classes negada pelos fascistas.

Os regimes totalitários defendem:


- Partido único;
- O culto do chefe, é o guia e o salvador da Pátria;
- Negação da separação dos poderes do Estado, o chefe tem o poder absoluto;
- Ultranacionalismo e imperialismo. A Nação é um bem e um valor e supremos e as outras nações
devem-se submeter;
- Militarismo e culto da violência e da força. Exaltação da guerra e dos conflitos;
- O autoritarismo do Estado;
- Regimes de ditadura e de opressão;
- Estado policial;
- A criação de um regime corporativo. Não existe luta de classes e por isso patrões e operários
cooperam;
- Autarcia. A Nação deve ser autossuficiente;
- Criação de um homem novo. Deve ser corajoso e desprovido de qualquer espírito crítico. Deve
acreditar no regime, obedecer e combater;
- A mulher tem apenas a função de obedecer ao marido e realizar as tarefas domésticas;
- Corporativismo;
- Fascismo;
- Nazismo;

Elites e enquadramento de massas


Mussolini sintetizou a ideologia fascista nesta afirmação: “Tudo no Estado, nada contra o Estado,
nada fora do Estado”; O fascismo parte da ideia que os homens não são iguais, e a governação deve
pertencer aos melhores, a elite; As escolhas não devem ser baseadas na escolha democrática; O
fascismo e o nazismo promovem a figura do chefe (Duce – Itália, Füher – Alemanha).

O chefe é o representante da Nação, deve ser seguido sem hesitação, é o herói; Surge o culto do
chefe baseado numa hábil propaganda política; Ao chefe compete guiar os destinos da nação.

A seguir ao chefe vinham os filiados no partido, os soldados, a raça ariana; As mulheres eram
consideradas uma espécie inferior e estava-lhes reservada os três K (Kinder, Küche, Kirche)
(crianças, cozinha, igreja); Todos deviam ser submissos aos interesses da nação que eram
interpretados pelo chefe; A obediência cega das massas era um elemento fundamental da ideologia
fascista, para isso as crianças eram educadas nos ideais desde muito cedo, elas pertenciam ao
Estado mais do que às famílias.

Na Itália aos 4 anos as crianças faziam parte dos “Filhos da Loba”, dos 8 aos 14 anos pertenciam
aos “Balillas” e aos 18 entravam na Juventude Fascista.

Todas eram organizações paramilitares e os jovens eram vítimas de uma intensa doutrinação com a
intenção de conseguir o seu apoio incondicional ao regime; Para além do culto ao chefe, incutia-se
nos jovens o gosto pelo desporto, pela guerra, o desprezo pelos valores intelectuais; Na Alemanha
existia a Juventude Hitleriana.

Na escola completava-se esta educação através de programas e manuais escolares controlados pelo
regime.

Aos adultos exigia-se obediência absoluta e fidelidade aos ideais fascistas. Existiam várias
organizações para enquadrar e doutrinar as massas:
- O Partido (único). Nacional-Fascista (Itália), Nacional-Socialista (Alemanha). Para ocuparem
cargos na Estado e na função pública era necessário pertencer ao partido.
- Corporações (Itália), Frente do Trabalho Nacional-Socialista (Alemanha). Organizações que
enquadravam os patrões e os trabalhadores. Substituíram os sindicatos (proibidos) e organizações
patronais;
- Dopolavoro (Itália), Kraft durch Freude (Alemanha). Associações destinadas a ocupar os tempos
livres dos trabalhadores com atividades desportivas e doutrinárias;

Na Alemanha o Ministério da Cultura e da Propaganda, liderado Josef Goebbels, desempenhou um


papel fundamental na catequização do povo alemão; O rádio e o cinema foram utilizados
massivamente (pela primeira vez) para propagandear o regime; Os discursos e a propaganda do
regime chegavam a todo o lado da Alemanha.

Por outro lado são proibidos livros, mesmo livros científicos. São organizadas cerimónias de
queima de livros; Toda a leitura que não seja uma afirmação do Nacional Socialismo é proibida e
destruída;
A propaganda nazi visa os seguintes objetivos:
- O Tratado Versalhes é denunciado como um diktat dos vencedores e a causa de todo os males e
humilhação da Alemanha;
- Propõe um programa de resolução da crise e de pleno emprego;
- Restauração da grandeza da Alemanha e expansão para novos territórios;
- Prometem ordem, disciplina, estabilidade e o fim da agitação socialista;
- Divulgam os valores da pureza da raça;

O Ministério da Cultura e da Propaganda controla toda a cultura no país:


- Todas as publicações, programas de rádio ou cinema são objeto de censura prévia;
- Todas as publicações contrárias aos ideais nazis são proibidas e destruídas;
- Todos os intelectuais são obrigados a submeter aos interesses nazis;
- Todos os que recusam são violentamente perseguidos;

O culto da força e da violência e a negação dos direitos humanos


Para além da propaganda estes regimes exerceram uma forte repressão policial sobre a sociedade;
Esta violência era exercida pelas milícias armadas (SA e SS) e pela polícia política (Gestapo); Os
regimes fascista e nazi cultivam a violência, segundo os seus ideais é na guerra que os povos podem
mostrar a sua coragem e qualidades. O tempo de paz é prejudicial e afeta a capacidade guerreira dos
povos.

Em Itália as “Camisas Negras” (organização paramilitar fascista) semeavam o pânico entre os


opositores do Partido Fascista, mesmo antes da tomada do poder; Em 1923 são reconhecidos como
a milícia armada do Partido e em 1925 passam a ser designadas por Organização de Vigilância e
Repressão do Antifascismo (OVRA); Na Alemanha surgem as Secções de Assalto (SA) em 1921 e
Secções de Segurança (SS), 1923. Estas organizações encarregavam-se de semear o terror entre
todos os opositores e perseguem os judeus.

Após atingir o poder em 1933, os nazis criam a Gestapo, uma polícia política; Cria-se na sociedade
alemã um clima de suspeição e de medo; Em 1933 surgem os primeiros campos de concentração.

A violência racista
Hitler fazia uma interpretação Darwinista da História, ou seja, esta era uma luta pela sobrevivência
dos mais fortes; Os mais fortes eram os arianos que eram superiores a todos os outros povos; Em
1923, Hitler, antigo cabo na Primeira Guerra Mundial, escreveu o livro “Mein Kampf” (A Minha
Luta) onde defendia as suas ideias;

Os nazis promoveram o eugenismo para melhorarem a raça ariana.


Estas ideias levaram o regime a fomentar os casamentos entre os “melhores espécimes” da raça
ariana; Por outro lado procedia á eliminação física dos alemães “degenerados” (homossexuais,
deficientes mentais, doentes incuráveis, etc.).
À raça ariana competia o domínio do Mundo e para isso era necessário eliminar todos os povos
inferiores nomeadamente os judeus, os ciganos e os eslavos.

Logo após chegarem ao poder, em 1933, os nazis começaram a perseguir os judeus alemães. Foram
proibidos de exercer funções públicas e profissões liberais; O antissemitismo continuou em 1935,
com a publicação das “Leis de Nuremberga”. Os judeus alemães foram privados da sua
nacionalidade e o casamento e as relações sexuais entre arianos e judeus foram proibidas; Em 1938
foram liquidadas as empresas judaicas e o seus bens foram confiscados. Na noite de 9 para 10 de
novembro aconteceu a “kristallnacht” (Noite de Cristal), muitos bens dos judeus foram destruídos e
muitos foram presos e desapareceram.
Os judeus deixam de poder exercer qualquer profissão e de frequentar lugares públicos, são
obrigados a usar uma estrela amarela que os identificava como judeus. Em 1942, durante a Segunda
Guerra Mundial, os líderes nazis organizaram a Conferência de Wannsee, onde foi decidido levar a
cabo o extermínio sistemático dos judeus, nascia a “solução final para o problema judaico”.

Os judeus foram encurralados em guetos e depois enviados para campos de concentração; Foram
campos de morte, onde os prisioneiros (judeus, eslavos, inimigos políticos, homossexuais, etc.)
foram sujeitos a trabalhos forçados e a condições sanitárias e de alimentação péssimas; Muitos
morreram de inanição, milhões foram mortos nas câmara de gás.

A autarcia como modelo económico


A Alemanha e a Itália adotaram políticas económicas intervencionistas que procuravam garantir a
autossuficiência do país – a autarcia; A Itália e, em especial a Alemanha, tinham sido atingidas pela
crise económica do pós Primeira Guerra Mundial e depois pela Grande Depressão e por isso, a
recuperação económica era uma das principais preocupações do regime fascista e nazi;

Na Itália:
Em 1932 existiam 1,3 milhões de desempregados, o Estado reforçou a sua intervenção na
economia; Foram lançadas várias “batalhas de produção”, apoiadas por espetaculares campanhas de
publicidade que apelavam à produtividade dos trabalhadores. O objetivo dessas campanhas era
aumentar a produção.

Em 1925 foi lançada a “batalha do trigo” para aumentar a produção de cereais; Em 1927 foi lançada
a “batalha da lira”, no sentido de estabilizar a moeda italiana; A “batalha da bonificação”, entre
1932 1934, consistiu na drenagem de pântanos a sul de Roma; O Estado fascista controlou as
importações e exportações; Procurou reduzir o volume das importações lançando programas de
industrialização do país.

O dirigismo estatal aumentou quando em 1934, a Itália enviou tropas para África para conquistarem
a Etiópia; Os resultados dos programas económicos italianos podem ser considerados positivos;
Mas foram conseguidos à custa de muitos sacrifícios da população (aumento do horário de trabalho,
subida de impostos, racionamento de muitos produtos); O “homem novo” obedecia sem se
questionar.

Na Alemanha:
Quando Hitler subiu ao poder, em 1933, existiam 6 milhões de desempregados na Alemanha;
Iniciou uma política de grandes obras públicas (construção de autoestradas, pontes, linhas férreas,
arroteamentos) e desenvolvimento dos setores automóvel, aeronáutico, siderúrgico e químico, que
lhe permitiu diminuir drasticamente o desemprego; Relançou a indústria militar e um vasto plano de
rearmamento do exército alemão que contrariava as disposições do Tratado de Versalhes.

A reconstituição do exército vai lhe permitir reabsorver os desempregados; O Estado reforçou a


autarcia e o controlo sobre a economia; As realizações económicas do nazismo trouxeram-lhe a
adesão de uma grande parte do povo alemão; No entanto a reivindicação do Lebensraum (espaço
vital) iria brevemente mergulhar o Mundo numa devastadora guerra.

2.2.2 O estalinismo
Em janeiro de 1924 morre Lenine. A sua morte levou a uma luta pelo poder no Partido Comunista
da qual saiu vencedor Josef Estaline (1879-1953); Os seus principais opositores tinham sido Trotsky
(ala esquerda) e Zinoviev, Kamenev e Boukharine (ala direita); Até à sua morte em 1953, Estaline
será o chefe incontestado do Partido e da URSS.
A sua tese defendia que a revolução devia ser consolidada na URSS, contrária à de Trotsky que
defendia a imediata internacionalização da revolução proletária; Após tomar o poder passou a
controlá-lo de forma absoluta; A sua política foi orientada para a transformação da URSS numa
potência mundial; Em 1928 interrompeu a NEP e nacionalizou todos os setores da economia
soviética; A coletivização e planificação da economia e a instauração de um Estado totalitário foram
as estratégias de Estaline.

A partir de 1929 a coletivização dos campos foi acelerada, pois era considerada fundamental para
libertar mão de obra para a indústria;
Os kulaks (proprietários rurais) foram violentamente afastados das suas terras. Cerca de 3 milhões
foram executados ou enviados para o “gulag” na Sibéria.

Gulag - um sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer
cidadão em geral que se opusesse ao regime da União Soviética. Muitos prisioneiros foram
utilizados nas grandes obras públicas.

Eliminada a propriedade privada o Estado passa a ser o detentor de todas as terras.

A exploração da terra foi organizada segundo dois modelos:


Kolkhoses – grandes propriedades agrícolas coletivas onde os camponeses trabalhavam em regime
cooperativo. A administração da propriedade era controlada pelo partido.
Sovkhoses – grandes propriedades agrícolas dirigidas pelo Estado, os trabalhadores recebiam um
salário.

Apesar da resistência à coletivização por uma parte significativa dos camponeses, os resultados
foram satisfatórios e houve um significativo aumento da produção agrícola; A produção de trigo,
açúcar, algodão e beterraba subiram; O comércio foi organizado em torno de cooperativas de
consumo local e grandes armazéns estatais.

A produção industrial desenvolveu-se segundo uma rigorosa planificação; Foram estabelecidos


planos quinquenais (metas para 5 anos); O Estado decidia todo o desenvolvimento económico da
URSS.

Primeiro Plano Quinquenal (1928-1932):


- Procurou o desenvolvimento da indústria pesada para criar os alicerces do desenvolvimento
soviético. Fomentou a construção de grandes complexos hidroelétricos, siderúrgicos, redes de
comunicação, exploração de matérias-primas e produção de alimentos;
- Recorreram a técnicos estrangeiros;
- Utilizaram uma série de medidas para aumentarem a produtividade como a caderneta de trabalho e
despedimento por falta injustificada;

Segundo Plano Quinquenal (1933-1937):


- Ênfase na indústria ligeira e dos bens de consumo para proporcionar uma melhor qualidade de
vida às populações;

Terceiro plano quinquenal (1938 – interrompido em 1941 com a entrada da URSS na II Guerra
Mundial):
- A prioridade foi dada às indústrias pesadas, setor energético e indústrias químicas.

Os planos quinquenais elevaram a URSS ao estatuto de terceira potência mundial, atrás dos EUA e
da Alemanha; Os planos quinquenais foram retomados depois de terminada a II Guerra Mundial.
O sucesso dos planos quinquenais demonstraram a autoridade do poder central, e só foi possível
por:
- Ter sido instaurada uma disciplina severa, com a imposição de trabalhos forçados;
- Deportação em massa de trabalhadores para onde eram necessários;
- Instituição de prémios para os melhores trabalhadores, por vezes erigidos à categoria de heróis
nacionais;
- Fortes campanhas de propaganda onde foi estabelecido o culto a Estaline;

O totalitarismo repressivo do Estado


O império russo era constituído por inúmeras nacionalidades e povos diferentes; A constituição da
URSS pretendia reconhecer alguma autonomia a esses povos e por isso foi constituída uma
federação de repúblicas; Com a morte de Lenine e a subida ao poder de Estaline, o centralismo
democrático evoluiu para uma ditadura, não do proletariado como previa a teoria marxista, mas a
ditadura do Partido Comunista, e sobretudo a ditadura pessoal de Estaline;

Desde que assumiu o poder, em 1924, Estaline perseguiu todos os que podiam fazer-lhe frente,
inclusive dentro do próprio Partido Comunista, eliminou todos os potenciais concorrentes; Trotsky
fugiu e muitos outros dirigentes foram presos e condenados à morte em julgamentos encenados.

As regiões foram submetidas à russificação; As liberdades individuais foram completamente


suspensas; A juventude era obrigada a aderir aos Pioneiros e depois à Juventude Comunista; Os
sindicatos eram controlados pelo Partido Comunista.

Para as eleições para os sovietes só se podiam apresentar candidatos sancionados pelo Partido; Toda
a economia era centralizada através da coletivização e da planificação; A produção cultural foi
submetida à censura, e tinha o papel de engrandecer o chefe, a Nação e o Partido.

Os partido foi sendo expurgado dos dirigentes do tempo de Lenine; O Partido Comunista foi-se
transformando num partido de quadros, jovens funcionários, que obedeciam cegamente a Estaline;
É criada a NKVD (a nova polícia política), em 1934, a polícia política que substituiu a Tcheca, em
1954 passará a ter o nome de KGB.

A crítica não é tolerada, mais de 2 milhões de cidadãos são enviados para o “gulag” e 700 mil são
executados; Nem os membros do Partido e do Exército Vermelho escapam a esta vaga repressiva,
grande parte dos comandantes dos exército foram mortos.

Em 1936 é publicada uma nova Constituição que confirma o Estado totalitário que pouco diverge
dos regimes totalitários de direita que nos anos 20 e 30 grassavam na Europa; Como outros regimes
totalitários procurou a autarcia; A URSS tornou-se um país de partido único.

Na URSS constituiu-se uma “nova aristocracia”, a dos funcionários do partido (apparatchic),


também designada de “nomemklatura”; O poder do estado sustentava-se na violenta repressão e na
centralização política, cultural e económica; Esta elite partidária punha em causa a ideia de Karl
Marx de igualdade social e de eliminação das classes sociais.

Foi criada uma máquina de propaganda com vista a “endeusar” Estaline, criando um verdadeiro
culto da personalidade, e à direção do Partido Comunista; Todas as manifestações de crítica são
violentamente reprimidas; São negados os direitos humanos e há o culto da violência; Não há
liberdade, a própria liberdade de circulação na URSS é limitada pela existência de passaportes
internos.
A Constituição de 1936 reforçou o poder do Partido Comunista, Estaline, secretário-geral, passa a
deter uma autoridade absoluta; Estaline torna-se o “pai dos povos”, cultivando uma imagem
paternalista; No entanto o regime era fortemente repressivo, a NKVD era “um estado dentro do
estado”, perseguindo toda a oposição.

2.3. A resistência das democracias liberais


2.3.1 O intervencionismo do Estado
A Grande Depressão provocou grandes convulsões políticas e demonstrou as fragilidades do estado
liberal; Em muitos países as democracias foram derrubadas pelas forças totalitárias; Em alguns
países como os EUA, a Grã-Bretanha e a França o regime democrático resistiu mas adotou medidas
mais intervencionistas no âmbito económico e social.

A crise dos Anos 30 colocou em causa a teoria da livre circulação, livre produção, livre iniciativa e
livre concorrência, onde as crises cíclicas eram entendidas como fenómenos de autorregulação do
mercado; O economista britânico, John Maynard Keynes (1883-1946) colocou em causa a
capacidade de autorregulação dos mercados e da economia capitalista; Keynes recomendava um
maior intervencionismo do Estado e uma inflação controlada; Intervencionismo do estado – papel
ativo do Estado na economia, publicando legislação económica, laboral e social.

Keynes defendia uma política de investimento do Estado (o Estado deveria ser um ativo
empregador) e de ajuda às empresas de forma a promover o desenvolvimento e a diminuir o
desemprego; O keynesianismo consiste em ver o Estado a desempenhar um papel ativo de
organizador da economia, de investimentos em vários setores (nomeadamente em grandes obras
públicas) e de regulador dos mercados.

O New Deal
Em 1932 foi eleito um novo presidente nos EUA, Franklin Delano Roosevelt (1882-1945);
Influenciado pelas teorias de Keynes, Roosevelt propôs-se acabar com a crise nos Estados Unidos;
Desenvolveu um plano, em duas fases, de intervencionismo do Estado que ficou conhecido por
“New Deal”.

Primeira fase (1933-34):


São estabelecidas como metas o relançamento da economia e a luta contra o desemprego e a
miséria, isto é, ultrapassar os efeitos da crise; São adotadas rigorosas medidas financeiras que
implicaram a intervenção do Estado nas entidades financeiras e bancárias para reorganizá-las e
impedir a especulação; O dólar foi desvinculado do padrão-ouro e desvalorizado em 41%, o que
diminuiu a dívida externa e fez subir os preços no mercado interno; Os lucros das empresas
aumentaram.

Desenvolveu uma política de construção de grandes obras públicas para combater o desemprego e
promover o desenvolvimentos de setores estruturantes da economia(construção de estradas,
barragens, aeroportos, habitações, escolas, etc.).

Criou campos de trabalho para os mais jovens promovendo a rearborização de vastas áreas; A
publicação da “Agricultural Adjustment Act” promove a proteção da agricultura concedendo
empréstimos bonificados aos agricultores bem como outras indeminizações; Foram fixados preços
mínimos e máximos de venda e quotas de produção para evitar a concorrência desleal.

Segunda fase (1935-38):


Teve um cunho social, foi a construção do Welfare State (Estado Social ou Estado Providência); A
Lei Wagner (1935) restabelece a liberdade sindical e o direito à greve; O Social Security Act (1935)
estabeleceu a reforma por velhice e invalidez, institui o fundo de desemprego e o auxílio aos pobres.
O Fair Labor Standard Act (1938) estabeleceu o salário mínimo e reduziu o horário de trabalho para
44 horas semanais; Estas medidas levaram ao aumento do poder de compra e ao desenvolvimento
da economia americana; O Estado americano assumiu os ideais do Estado Providência na qual o
governo tem o papel de promover a segurança social de modo a promover a felicidade e bem-estar
dos seus cidadãos.

Medidas do New Deal (resumo)


Sociais, financeiras e económicas:
- Horário semanal (35/40 horas);
- Salário mínimo;
- Liberdade sindical;
- Desvinculação do dólar do padrão-ouro e desvalorização da moeda;
- Fixar preços mínimos para os produtos agrícolas e industriais;
- Empréstimos aos agricultores a juros baixos;
- Programa de grandes obras públicas (estradas, barragens, hospitais, etc.;
- Contratação de jovens desempregados para trabalhos florestais e agrícolas.

Medidas do New Deal (resumo)


Agrícolas e industriais:
- Preços mínimos para os produtos industriais;
- Estabelecimento de quotas de produção;
- Aprovação da lei National Industrial Recovery Act (NIRA) que estabelecia regras para a
concorrência;
- Indeminizações e empréstimos para agricultores;
- Aprovação da lei Agriculture Adjustement Act (AAA) que procurava manter o nível dos preços
dos produtos agrícolas.

A Grã-Bretanha
A Inglaterra foi um dos países onde a crise de 1929 mais se sentiu; No entanto os radicalismo
totalitários de direita e de esquerda nunca tiveram grande aceitação entre a população britânica; A
crise levou ao crescimento do Partido Trabalhista que criou um Governo Nacional de coligação.

Inspirados pelo New Deal americano desenvolveram uma política intervencionista do Estado;
Desenvolveram uma política protecionista de promoção dos produtos nacionais e de reforçar as
relações com os países da Commonwealth; Criaram também o Estado Providência.

2.3.2 Os governos da Frente Popular e a mobilização dos cidadãos


Nalguns países o avanço da extrema-direita levou à criação de governos de coligação das forças
democráticas desde o centro até à esquerda mais radical, eram os governos de Frente Popular.

França:
A França, nos inícios dos anos 30, continuava a revelar grandes dificuldades para ultrapassar a crise
devido à insistência dos governos de praticarem políticas deflacionistas.
A oposição de esquerda reivindicava a aplicação de medidas keynesianas e a extrema-direita
clamava por um governo mais autoritário.
Uma manifestação de Ligas Nacionalistas (extrema-direita) em fevereiro de 1934 levou à demissão
do governo do Partido Radical.
Perante a ameaça da extrema-direita formou-se uma coligação que integrou os partidos comunista,
socialista e radical. Apresentaram-se às eleições de 1936 que venceram, com o lema “pelo pão, pela
paz e pela liberdade”. Os governos da Frente Popular, dirigidos pelo socialista, Léon Blum,
ocuparam o poder entre 1936 e 1938, os comunistas não participaram nesses governos.
Desenvolveram uma política de forte intervencionismo do Estado.
Desvalorizaram a moeda francesa (franco) e tabelaram os preços de alguns produtos essenciais;
Nacionalizaram o Banco de França e algumas dos setores industriais fundamentais, como os
transportes e o fabrico de armamento; Desenvolveram a legislação social: criação de contratos
coletivos de trabalho, legalização dos sindicatos, aumentos salariais, redução do horário de trabalho
para 40 horas semanais e o direito dos trabalhadores gozarem anualmente 15 dias de férias pagas.

Espanha:
Em fevereiro de 1936, triunfou nas eleições uma Frente Popular (socialistas, comunistas,
anarquistas e sindicatos operários); Promulgaram legislação de caráter social e reformista:
separação entre a Igreja e o estado, direito à greve, direito ao divórcio, laicização do ensino, direito
à ocupação de terras não cultivadas, aumento dos salários e reconhecimento da autonomia do País
Basco e da Catalunha.

Estas medidas provocaram a reação dos mais conservadores; É constituída uma Frente Nacional que
agrupava conservadores, monárquicos e falangistas (fascistas); Um levantamento militar chefiado
pelo general Francisco Franco vai mergulhar a Espanha numa violenta guerra civil entre 1936 e
1939; Os franquistas (apoiantes do general Franco) tiveram o apoio militar da Alemanha nazi e da
Itália fascista e vão vencer a guerra; Em 1939 inicia-se a ditadura franquista que irá perdurar até
1976.

Imagens da cidade basca de Guernica, destruída pela aviação alemã durante a guerra civil
espanhola; Quadro pintado por Pablo Picasso denominado “Guernica” onde se denuncia a
destruição da cidade.

A Dimensão Social, Política e Cultural


2.4 A dimensão social e política da cultura
2.4.1 A cultura de massas
Nos inícios do século XX, nas grandes cidades, nasce a cultura de massas; É uma cultura destinada
às grandes massas populacionais predominantemente urbanas; Distingue-se da cultura das elites por
serem menos elaboradas e menos sofisticadas.

A generalização do ensino e o desenvolvimento dos meios de comunicação de massas (rádio,


imprensa, cinema) contribuiu para a homogeneização da cultura; Esta cultura massificada, apoiada
pelos governos democráticos e divulgada pelos mass media, é uma cultura de evasão, o objetivo é
proporcionar a fuga ao quotidiano e divertimento.

Características essenciais da cultura de massas:


- Democrática (os preços baixos garantem que pode ser consumida pelas classes trabalhadoras);
- Estandardizada e produzida em série (é um bem de consumo);
- Efémera (destina-se a ser consumida de imediato);
- Sem grandes preocupações literárias e estéticas;
- Destina-se a divertir e ajudar a descontrair (depois de um dia de trabalho);
- Visa criar um estereótipo de cidadão da classe média (induz valores, comportamentos e modas).

Os media, veículos de evasão e de modelos socioculturais


O cinema
Foi um dos principais veículos de que respondia à necessidade de evasão da realidades das massas;
Em 1927, surgiu o cinema sonoro, em 1932, os filmes a cores; O cinema nos seus múltiplos géneros
(romance, ação, comédia, etc.) leva o espetador a identificar-se com os seus “heróis da tela”.

Surge a vontade de imitar os atores na vida real; Cria-se o “star system”, fomentado pela indústria
cinematográfica visa uniformizar os gostos da população, é a estandardização de comportamentos.
A rádio
Afirmou-se a partir dos anos 20, e rapidamente se transformou no mais importante e poderoso meio
de informação; A rádio é acessível em quase todos os lugares e a quase todas as pessoas e, por isso,
tornou-se imensamente popular; A rádio transmite notícias, música, publicidade, eventos culturais e
desportivos, música, colóquios, debates, novelas, etc.

A rádio vai contribuir para o esbater de diferenças, (por exemplo de pronuncia entre as diversas
regiões de um país), é um importante veículo de homogeneização de cultura e comportamentos; Os
políticos rapidamente utilizam o rádio como uma forma de divulgarem as suas ideias; Na
Alemanha, os nazis, utilizaram o rádio como uma forma de fanatizar as multidões.

A imprensa
A imprensa de massas utiliza um vocabulário simples e atrativo, frases curtas; O livro torna-se um
bem de consumo. Surgem novos géneros como os romances cor-de-rosa, a banda desenhada, o
romance policial; Os jornais, fruto da cada vez maior alfabetização, aumentam as suas tiragens.

Cria-se uma linguagem jornalística; Muitas vezes recorrem a notícias sensacionalistas; Nos jornais
aparecem várias secções: desportiva, local, feminina, entretenimento, etc.; Também se divulgam as
revistas com temáticas diversas.

Os grandes entretenimentos coletivos


A construção de grandes espaços e a crescente divulgação da rádio e da imprensa levou a um
espetacular crescimento do cinema, da música ligeira e do desporto.

Desporto:
Alguns desportos tornaram-se gigantescos espetáculos e criaram poderosas indústrias como o
futebol (europeu e americano), basebol (EUA), ciclismo, boxe e automobilismo.

Música ligeira:
Surgiram novos estilos e ritmos musicais beneficiando da divulgação na rádio rapidamente
alcançam uma divulgação mundial.

Espetáculos noturnos:
As casas de espetáculos e diversão noturnas proliferam nas grandes cidades, é uma forma de evasão
do quotidiano; O ritmo de vida acelerou, há uma liberalização dos costumes e uma grande vontade
de fuga da realidade do trabalho quotidiano o que contribuiu para o crescimento deste tipo de
espetáculos, nomeadamente durante o fim de semana.

2.4.2 As preocupações sociais na literatura e na arte


A dimensão social na literatura e na arte
Surgiu a ideia, nos anos 20, que a arte e a literatura, para além de um valor estético devem cumprir
uma função social; A crise económica de 1929 veio desenvolver essa ideia.

Entre as duas guerras surgiu uma literatura empenhada socialmente, criticando os aspetos negativos
da sociedade, tanto na prosa como na poesia; Bertolt Brecht (1899-1956) foi dramaturgo e poetas;
Aldous Huxley (1894-1963) publicou em 1932, “O Admirável Mundo Novo”, uma obra
profundamente crítica da desumanização da sociedade industrial; André Malraux (1901-1976)
publicou a “Condição Humana” em 1933.

Nos EUA surgiram nomes como Ernest Hemingway (1899-1961), que combateu na guerra civil
espanhola ao lado dos republicanos nas brigadas internacionais, John dos Passos (1896-1970) e
John Steinbeck (1902-1968).
Estes autores fazem parte da corrente neorrealista da literatura; Esta corrente literária empenhou-se
em denunciar os abusos da sociedade capitalista e os graves problemas sociais provocados pela
crise económica; O neorrealismo é um movimento empenhado politicamente.

Este movimento também se estendeu à pintura e surgem artistas e obras de arte politicamente
empenhadas; Na URSS desenvolve-se uma arte figurativa e concreta, o Realismo Socialista; Após
1925, e passada a euforia criativa dos primeiros anos da Revolução, o Estado Soviético, deixou de
apoiar as vanguardas.

Institucionalizou uma arte académica e realista, de grande rigor técnico; Na temática exaltou o
trabalhador anónimo, as grandes vitórias do regime, tinha um carácter propagandístico;

Principais autores:
- Vera Múkhina, na escultura.
- Serguei Gueressinov nas artes gráficas.

A linguagem realista foi a preferida pelos regimes ditatoriais que se implantaram em vários países
europeus (Alemanha, Itália, Portugal, etc.); Era a produção de uma arte para as massas e com um
forte pendor propagandístico; A arte era controlada e censurada. Existia uma arte e uma estética
oficial do regime.

Nos restantes países europeus e americanos, a tendência realista desenvolveu-se de uma forma mais
livre e pessoal, o Realismo Social ou Neorrealismo.
A temática estava direcionada para a intervenção político -social:
- Desmascarar a sociedade burguesa, as injustiças e os sofrimentos ocultos;
- Exaltar o povo trabalhador, valorizando as suas tarefas e a sua cultura;
- Combater os regimes burgueses e ditatoriais;
- Lutar em prol do pacifismo e do anticolonialismo.

As formas de concretização plástica revestiram uma maior diversidade pessoal e um cunho


modernista, utilizando linguagens pictóricas próximas das vanguardas estéticas deste período: o
Cubismo, o Expressionismo, o Pós-Dadaísmo, o Surrealismo, etc. Esta corrente deixou marcas no
percurso artístico de alguns dos maiores vultos pintura europeia como em Picasso e outros.

O funcionalismo na arquitetura
Numa Europa destruída pela guerra era necessário construir de forma rápida, barata mas digna;
Surgiu o funcionalismo na arquitetura, uma corrente que pensa que a ideia central na conceção de
um edifício deve ser a sua função; Existiram duas correntes fundamentais: a europeia, mais
interessada na racionalidade das formas, e a americana, mais humanizada de cariz organicista.

Em 1919, na Alemanha, surgiu a Bauhaus (Casa das Artes), uma escola de artes; Propunha a
integração entre as artes aplicadas e as belas-artes; Desenvolveu o conceito de design industrial.

Tinha um projeto pedagógico inovador:


- Trabalho de equipa;
- Interação entre a teoria e a prática;
- Aplicam o conceito de unidade das artes;
- Grande liberdade de criação e conceção;

Reunia no mesmo projeto de ensino a Arquitectura, o Design, as Artes Plásticas, as Artes


Decorativas, as Artes Decorativas, o Cinema, a Fotografia, o Ballet, etc.
Mies van der Rohe procurou soluções técnicas avançadas com base no esqueleto estrutural em aço;
Utilizou materiais sumptuosos (mármore e vidro); Simplicidade estrutural dos exteriores e
interiores; Afirmava: “em arquitectura menos é mais”.

Com o encerramento da Bauhaus, em 1933, pelos nazis, van der Rohe, como muitos outros artistas,
intelectuais e cientistas alemães, emigrou para os EUA, onde vai contribuir para o desenvolvimento
do Estilo Internacional com estruturas como o edifício Seagram em Nova Iorque.

Em 1918 começa a destacar-se um nome na arquitetura europeia, o suíço, Charles-Édouard


Jeanneret (1887-1965), mais conhecido por “Le Corbusier”.

Principais obras:
- Aprés le Cubisme, 1918;
- Para uma nova Arquitectura, 1923;
- O Modulor, 1924;
- Revista L’Esprit Nouveau, 1920.

Dentro do espírito do racionalismo funcionalista propôs a aliança entre a arquitetura e indústria; Na


procura de uma construção que respondesse, de forma técnica, racional e materialista, aos
problemas das sociedades do seu tempo; Defendeu uma arquitetura prática, liberta de
individualismos e sentimentalismos fantasistas, preocupada com a economia de meios e de gastos e
socialmente comprometida; Apostada em encontrar soluções viáveis para, com qualidade e
economia, resolver os problemas de habitação coletiva nas grandes.

Desenvolveu estudos sobre os comportamentos coletivos, e de ergonomia e proporcionalidade


(tomaram por medida o corpo humano), para matematização dos espaços e produção de bens de
equipamento.

As ideias de Le Corbusier foram materializadas, pela primeira vez, na construção da Casa Dom-Ino
(1914).

Enunciou os princípios fundamentais da arquitetura funcionalista:


- Construção apoiada em pilotis (pilares), colocados livremente em relação à planta, servindo para
sustentar e isolar o edifício de humidades;
- Tetos planos com terraços e jardins na cobertura;
- Plantas de andar totalmente livres;
- Fachadas de composição livre;
- Janelas colocadas em longas faixas horizontais.

Projetou espaços urbanísticos funcionalistas; As suas teorias urbanísticas estão no livro A Cidade
Radiosa (1930); As ruas cruzavam-se ortogonalmente e existiam 3 zonas diferenciadas: trabalho,
lazer e residência.

As conceções racionalistas e funcionalistas de Le Corbusier, de Gropius e Mies van der Rohe,


foram amplamente divulgadas e expandidas pelos CIAM (Congressos Internacionais de Arquitetura
Moderna) que, a partir de 1928, se realizaram em várias cidades europeias; A ética dos CIAM,
patenteada na Carta de Atenas, de 1933, norteou a reconstrução das cidades europeias no pós-
Segunda Guerra Mundial; Tónica na construção habitacional em torre e nos princípios urbanísticos
de Le Corbusier; Contribuíram para organizar o chamado Estilo Internacional.

A partir dos anos 30, surge uma primeira reação ao funcionalismo racionalista da arquitetura
europeia.
Resposta a uma evolução demasiado tecnológica, a arquitetura procurava vias mais humanas e
sensitivas, que evidenciassem preocupações com o ambiente circundante e respeitassem as tradições
locais, a nível do uso de materiais e das técnicas construtivas.

Destaca-se o trabalho do arquiteto americano Frank Lloyd Wright (1869-1959), que iniciou a sua
atividade cerca de 1890, junto da Escola de Chicago; Wright desenvolveu uma arquitetura
organicista onde: As divisões da planta não resultavam da “divisão distributiva do volume”, mas
integravam-se umas nas outras, como num sistema vivo (orgânico) coerente.

O espaço arquitetónico é concebido como expressão da própria vida do homem que o habita,
obedece à escala humana; Os aspetos estruturais, espaciais e mesmo decorativos da sua arquitetura
têm uma função orgânica, de modo a adaptarem-se à vida como organismos vivos da natureza.

Ligada a esta conceção organicista e mais sensitiva da arquitetura está o arquiteto finlandês Alvar
Aalto (1898-1976); Procurou uma arquitetura integrada que respeitasse o ambiente e as
“necessidades psicológicas” do Homem; As ideias de Aalto dominaram toda a escola nórdica de
arquitetura, nos anos 50, exerceu importante influência noutros países da Europa.

2.4.3 A cultura e o desporto ao serviço dos Estados


As ditaduras utilizaram a cultura e o desporto como forma de fazerem propaganda do regime; O
desporto, cada vez mais divulgado entre as massas, tornou-se um veículo fundamental de
propaganda para os regimes, mesmo nos países democráticos; O desporto era uma forma de
demonstrar a superioridade da Nação.

Em 1936, os nazis organizaram os Jogos Olímpicos como uma forma de demonstrar a superioridade
da raça ariana; Estes jogos foram dominados por um atleta negro norte-americano, Jesse Owens,
que ganhou 4 medalhas de ouro; Uma humilhação para Hitler que se recusou a comparecer nas
cerimónias de entrega de medalhas a Owen.

2.5 Portugal: O Estado Novo


2.5.1 O triunfo das forças conservadoras; A progressiva adoção do modelo fascista italiano nas
instituições e no imaginário político
No dia 28 de maio de 1926 um golpe de estado militar pôs fim à Primeira República e instituiu uma
ditadura militar que se vai manter no poder até 1932-33; Os sucessivos governos não conseguiram
“regenerar a pátria” e a situação económica continuava a degradar-se.

Os militares revelavam uma grande impreparação para governarem o país; Em 1928, um professor
de Finanças e Economia Política da Universidade de Coimbra é convidado para ministro das
Finanças.

Salazar aceitou o convite mas impôs que seria ele superintender as despesas de todos os ministérios;
Levou a cabo uma política austeridade e de forte contenção das despesas públicas e aumentou
gradualmente os impostos; Conseguiu apresentar um saldo positivo no Orçamento, o que foi logo
apelidado de “milagre”; Em 1932, é nomeado para a chefia do governo e chama para os diversos
ministérios personalidades conservadoras da sua total confiança.

Entre 1930 e 1933 foram construídas as bases do Estado Novo:


- 1930: Foi publicado o Ato Colonial e criado o partido único (União Nacional (UN));
- 1933 – Promulgado o Estatuto do Trabalho Nacional e, aprovada em plebiscito, a Constituição de
1933.
O objetivo central de Salazar era instituir uma nova ordem política; Em 1930 é criada a União
Nacional (único partido legal); Ainda nesse ano foi publicado o Ato Colonial que determinava que
conjunto dos territórios possuídos pelos portugueses passaram a denominar-se Império Colonial
Português, em 1933 é incorporado na Constituição; O Ato Colonial limitou a autonomia financeira e
administrativa das colónias; Em 1933 foi publicado Estatuto do Trabalho Nacional, inspirado na
“Carta del Lavoro” italiana. Nesta lei os sindicatos e as greves são proibidas e são criadas as
corporações.

Em 1933 é aprovada, em plebiscito, uma nova Constituição. A sua aprovação marca o nascimento
do Estado Novo e põe fim à época da ditadura militar; A Constituição de 1933 consagrou a criação
de um Estado Corporativo.

Os principais pontos da Constituição eram:


- Unificar todas as Colónias numa só Nação;
- Estabelecer um Governo de ideologia nacionalista, e centralizar o poder nas Forças Armadas;
- Criar uma Assembleia Nacional de partido único em moldes nacionalistas;
- Juntar a Presidência com o Conselho de Ministros dando ao Poder Executivo uma "força
gigantesca";
- A Constituição previa o voto universal e direto, mas na prática nunca existiram eleições livres
durante o Estado Novo.
- Dar à Presidência da República o poder de legislar por força de Decretos-lei;
- Militarizar os órgãos públicos, fixando as Forças Armadas no poder do controlo nacional;
- Criar uma Câmara Corporativa para fixar as ideologias nacionais;

O Estado era uma República Corporativa concebido de forma unitária regional, incorporando as
"províncias ultramarinas", ou seja, as colónias portuguesas, consagrando o ideal de Salazar de
preservar o império português "do Minho a Timor“; Na revisão de 1951, o Ato Colonial foi retirado
da Constituição.

O Estado Novo é um regime fortemente conservador e autoritário, que se aproximou das conceções
fascistas do Estado italiano; O Estado Novo rejeitou o sistema democrático e parlamentar; O poder
executivo era detido pelo Presidente da República mas o verdadeiro poder era exercido pelo
governo, na pessoa do seu chefe, o Presidente do Conselho de Ministros (cargo ocupado por
Salazar).
Este tinha o poder de nomear e exonerar ministros, podia legislar e ainda vetar as decisões do
Presidente da República; Tinha de submeter as propostas de lei a uma Assembleia Nacional que era
constituída unicamente por deputados da União Nacional; O regime era um presidencialismo
bicéfalo na qual o Presidente do Conselho de Ministros sobrepunha-se ao Presidente da República.

O chefe era o interprete do superior interesse da nação; Salazar era apresentado como o “Salvador
da Pátria”. Era a figura central do regime e existia um culto da personalidade; Cultivava uma
imagem de sobriedade e austeridade, muito diferente da imagem de Hitler ou Mussolini; No entanto
a suas ideias são decalcadas dos regimes fascistas, sobretudo do italiano.

O Estado Novo português distinguiu-se dos outros fascismos pelo seu carácter conservador e
tradicionalista; O seus valores fundamentais eram Deus, Pátria, Família, Autoridade, Paz Social,
Hierarquia, Moralidade e Austeridade.

A sociedade industrial e urbana era considerada a fonte de todos os vícios e por isso exaltava-se o
mundo rural como exemplo de virtude e de moralidade; A religião católica é definida como a
religião da Nação portuguesa; A mulher tinha um papel passivo na sociedade. A mulher ideal era
uma esposa carinhosa e submissa e uma mãe sacrificada e virtuosa.
A família ideal portuguesa era católica, de moralidade austera, repudiava os vícios da vida
urbana
A mulher não deveria trabalhar fora de casa, o seu papel era de dona de casa; O trabalho fora de
casa da mulher era entendido como uma ameaça à estabilidade do lar;

O Estado Novo exaltou o nacionalismo.


Um dos slogans mais repetidos era “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”; Portugal era uma
Nação de heróis, do “Minho a Timor”. A História demonstrava a grandeza da Nação portuguesa; Os
Descobrimentos determinaram que Portugal tivesse desempenhado um papel evangelizador e
civilizacional notáveis, na ótica salazarista.

Outro aspeto sublinhado pelo regime era a “perfeita integração racial” dos povos no Império
português.

O Estado Novo pretendia ter uma imagem diferente dos outros regimes totalitários, as suas
manifestações racistas, o “espalhafato” dos chefes. Salazar via nestes factos como uma
manifestação de paganismo.

O Estado Novo pretendia ser o defensor da moral cristã e das tradições portuguesas; Há uma
exaltação dos valores culturais tradicionais e a recusa do modernismo estrangeiro; Os heróis
portugueses são exaltados; A Escola desempenhou um papel fundamental na transmissão dos
valores do Estado Novo.

O Estado Novo afirma-se antiliberal, antidemocrático e antiparlamentar; Para Salazar a Nação era
vista como um todo e não um grupo de indivíduos isolados; Dessa ideia derivava que a Nação se
sobrepunha ao direitos de liberdade individual e que os partidos representavam ideias de grupos de
indivíduos e por isso era contrário aos interesses da nação; O Estado Novo era contra a separação
dos poderes do Estado (executivo, judicial e legislativo) e via num poder executivo forte a garantia
da existência de um Estado forte e autoritário.

A Constituição de 1933 atribuiu vastos poderes ao Presidente da República e, sobretudo, ao


Presidente do Conselho de Ministros; O Presidente do Conselho de Ministro podia nomear e
exonerar ministros, promulgar leis através de decretos-leis, e inclusive vetar as decisões do
Presidente da República; A Assembleia Nacional limitava-se a aprovar as propostas de lei enviadas
pelo governo; Salazar foi transformado na figura do chefe providencial que tinha salvo Portugal da
bancarrota, era o “Salvador da Pátria”.

O Estado Novo propôs o corporativismo como modelo de organização económica, social e política
do país; No corporativismo o país era representado pelas famílias e pelas pessoas agrupadas pelas
funções que desempenhavam; Todos os indivíduos e organizações contribuíam para o bem comum.

O Estado Novo, com a publicação do Estatuto do Trabalho Nacional adotou o corporativismo; Foi
criada a Câmara Corporativa que tinha funções consultivas.

Estrutura do Estado Corporativo:


- Corporações: integravam os setores económicos, assistência e caridade e culturais;
- Federações, Uniões e Grémios: associações nacionais ou regionais que agrupavam trabalhadores e
patrões;
- Sindicatos Nacionais: agrupavam os trabalhadores por por profissões;
- Casas do povo: agrupavam os agricultores por freguesias;
- Casas dos Pescadores: agrupavam os pescadores por freguesias.
O corporativismo aboliu os sindicatos livres; Através da regulação corporativa definiam-se salários
e quotas de produção; Era uma forma de organização económico-social; A Câmara Corporativa
tinha funções consultivas.

A estrutura corporativa era composta por vários organismos:


- Corporações (setores económicos e culturais);
- Casas do Povo (agricultores);
- Casa dos Pescadores;
- Sindicatos Nacionais.

As corporações incluíam as universidades, as Casas do Povo, hospitais, Sindicatos Nacionais, etc.;


Toda a estrutura económica, social, cultural e política do país estava organizada em corporações;

Os Sindicatos Nacionais organizavam os trabalhadores e os Grémios os patrões; Existiam as Casas


do povo para organizar patrões e trabalhadores rurais, Casas dos Pescadores, etc.; Havia
corporações assistenciais, culturais, etc.; Todos estes organismos elegiam uma Câmara Corporativa
que era um órgão consultivo e emitia pareceres sobre os projetos de lei a apresentar à Assembleia
Nacional.

Uma das explicações para a longevidade do regime tem que ver com as instituições e processos
criados para enquadrar as massas na ideologia do regime; Em 1930 nasceu a União Nacional, o
partido que sustentava o regime, o único legal; Em 1933 é criado o Secretariado da Propaganda
Nacional (SPN), dirigido por António Ferro; O SPN teve um papel importante não só na
publicitação do regime mas também na criação de uma arte estereotipada que estivesse de acordo
com a ideologia do regime.

Todos os funcionários eram obrigados a fazer prova da sua fidelidade ao regime através de um
juramento, onde se jurava estar de acordo com o ideário da Constituição de 1933 e se repudiava o
comunismo e outras ideias subversivas; Em 1936 foi criada a Legião Portuguesa, era uma milícia do
regime, os seus membros tinham treino militar; No mesmo ano é criada a Mocidade Portuguesa,
todos os alunos do ensino primário e secundário tinham de se inscrever, o objetivo era catequizar a
juventude no ideário do regime; Estas organizações foram copiadas das suas congéneres italianas,
os seus membros tinham uniforma próprio.

O ensino foi controlado. Os professores que não eram adeptos do regime foram expulsos; Os
manuais escolares eram únicos e controlados pelo regime; Na revisão da Constituição de 1935 o
ensino passou a estar ligado aos “princípios da doutrina e da moral cristãs”; Em 1935, foi fundada a
Fundação Para a Alegria no Trabalho (FNAT), inspirada na Dopolavoro italiana e na Kraft durch
Freud alemã, pretendia controlar os tempos livres dos trabalhadores; A organização “Obras das
Mães para a Educação Nacional”, foi criada em 1936.

O aparelho repressivo do Estado


Como todos os regimes ditatoriais o Estado Novo criou um aparelho repressivo com o objetivo de
se manter no poder;

Foi criada uma Censura Prévia para os media, livros, cinema, rádio, televisão, ou seja para todas as
publicações portuguesas, o objetivo era controlar o que os portugueses poderiam conhecer e saber;
Em 1933 foi criada uma polícia política, Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado (PVDE),
rebatizada em 1945 de Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE) e 1969 passou a chamar-se
Direção Geral de Segurança (DGS).
A polícia política perseguiu, prendeu, torturou e assinou os opositores do regime com especial
ênfase nos militantes e simpatizantes do Partido Comunista Português; As pessoas detidas pela
polícia política não tinham direito a um julgamento justo, por vezes eram mantidas prisioneiras em
condições degradantes.

2.5.2 Uma economia submetida aos imperativos políticos


Submeter toda a riqueza e produção portuguesa aos interesses do Estado estava definido na
Constituição de 1933; A política económica do estado Novo caracterizou-se pelo protecionismo e
intervencionismo com o objetivo de alcançar a autossuficiência do país; A estabilidade financeira
foi a prioridade de Salazar; Quando assumiu o cargo de ministro das Finanças, em 1928, limitou os
gastos e aumentou os impostos, o que lhe permitiu equilibrar a balança comercial portuguesa.

Aumentou as taxas alfandegárias sobre as importações; A neutralidade de Portugal durante a II


Guerra Mundial ajudou a manter o equilíbrio das contas; Aumentaram as exportações, como por
exemplo o volfrâmio (metal fundamental para o fabrico de munições); Aumentaram as reservas de
ouro permitindo que Portugal alcançasse a estabilidade monetária.

Este êxito foi aproveitado pelo regime para o apelidar de “milagre económico”; No entanto a sua
política de austeridade e contenção das despesas manteve uma parte importante do país sem acesso
às condições mínimas de vida (água canalizada, eletricidade, estradas, ensino, saúde, etc.).

O “milagre financeiro” de Salazar consistiu na prática em aumento de impostos:


- Vários impostos denominados de “salvação nacional” sobre os funcionários públicos, sobre vários
produtos (gasolina, açúcar, etc.);
- Imposto complementar sobre os rendimentos;
- Imposto sobre os rendimentos das profissões liberais;
- Revisão da contribuição predial e industrial;
- Aumento das taxas alfandegárias.

A importância da ruralidade
Nos anos 30 e 40 Salazar levou a acabo uma política económica assente no mundo rural; Era um
elemento central da ideologia e uma parte importante dos apoiantes do regime eram grandes
proprietários rurais; Construíram-se barragens para promover a irrigação dos solos; Em 1936 foi
criada a Junta de Colonização Interna que tinha o objetivo de povoar os baldios e terrenos públicos;
Realizou-se uma política de arborização de alguns terrenos.

O Estado Novo fomentou a cultura da vinha e deram-se progressos nas culturas do arroz, azeite,
cortiça, frutas e batata.

A maior campanha foi a Campanha do Trigo, inspirada na “Batalha do trigo” italiana que se iniciou
em 1929 e decorreu nos anos 30; Procurou alargar-se a área cultivada, nomeadamente no Alentejo;
O governo comprava a produção aos agricultores (o mercado do trigo era estatal) e estabeleceu o
protecionismo alfandegário.

Esta campanha conseguiu que o país fosse autossuficiente em termos de produção cerealífera; Esta
campanha promoveu o fabrico de adubos, de maquinaria e deu emprego a milhares de portugueses;
Apesar de o início da II Guerra Mundial ter trazido o reinício das importações de cereais, esta
campanha foi uma das “bandeiras” do regime; De facto esta campanha foi um fracasso parcial pois
muitos dos novos solos utilizados no cultivo cerealífero revelaram-se inadequados e esgotaram-se
rapidamente.
O regime apresentou a Campanha do Trigo como a “sublime dignificação da lavoura nacional” e
considerava-a “a indústria mais nobre e a mais importante de todas as indústrias e o primeiro fator
de prosperidade económica da Nação”.

A política de obras públicas desenvolvida pelo Estado Novo, tal como o que aconteceu na Itália ou
na Alemanha, tinha como objetivo central dar uma imagem nacional e internacional de
modernização do país e resolver o problema do desemprego; Em 1930 é promulgada a Lei de
Reconstituição Económica que vai impulsionar a execução de obras públicas; Iniciaram um
programa de construção de estradas, de ponte.

Desenvolveram as redes telefónica e telegráfica; Expandiram a eletrificação do país, construíram


hospitais, escolas, etc.; O programa de obras públicas, durante os anos 30 e 40, foi dirigido pelo
Eng. Duarte Pacheco, ministro das Obras Públicas.

O condicionamento industrial
O ministro das Obras Públicas, Eng. Duarte Pacheco, empreendeu um vasto programa de obras
públicas, sobretudo de infraestruturas; Perante o “ruralismo do regime” a indústria não constituiu
uma prioridade para o Estado Novo; Existiam vários constrangimento ao desenvolvimento
industrial como a deficiente rede de comunicações, tecnologia antiga, níveis de produtividade
baixos, salários baixos, falta de iniciativa dos investidores, nível de importações bastante alto; A
percentagem de trabalhadores industrial era muito baixo ainda em 1940 representavam apenas 22%
da população ativa.

O fraco crescimento industrial teve que ver com a política de condicionamento industrial levada a
cabo pelo Estado Novo, em especial, na década de 30; As iniciativas empresariais deviam
enquadrar-se num modelo económico definido pelo governo; As indústrias de muito setores
(adubos, cimentos, tabaco, fósforos, etc.) precisavam de autorização do Estado para abrirem, efetuar
ampliações, mudar de local, ser vendida a estrangeiros ou para comprar novas tecnologias; A
liberdade económica era submetida aos interesses de um Estado fortemente dirigista e
intervencionista.

Os objetivos principais do regime ao praticarem esta política dirigista era controlarem a indústria
nacional; Por outro lado procurava equilibrar os variados interesses dos capitalistas e evitar o
crescimento de proletariado urbano que era considerado perigoso pelo Estado Novo; Era ainda uma
consequência da ideologia salazarista que era ruralista, anti urbana, anti-industrial.

Esta política levou a um forte condicionamento de crescimento e modernização da indústria


portuguesa que manteve níveis tecnológicos e de produtividade muito baixos; Cresceram grandes
companhias monopolistas favorecidos por esta política estatal tornando-se num dos grandes
suportes do regime.

Em 1933, inspirado na Carta do trabalho Italiano, o Estado Novo publicou o Estatuto do Trabalho
Nacional; Esta lei determinava que nas várias profissões das diversas atividades económicas os
trabalhadores deveriam ser organizados em Sindicatos Nacionais e os patrões em Grémios, só era
excluída a Função Pública.

Grémios e os Sindicatos Nacionais eram agrupados em federações, uniões e finalmente em


corporações; As negociações salariais eram feitas nestas corporações que estabeleciam contratos
coletivos de trabalho, normas e quotas de produção, o Estado funcionava com árbitro nessas
negociações; A greve e o lock-out estavam proibidos.
Houve alguma resistência na adesão dos trabalhadores aos Sindicatos Nacionais; Logo em janeiro
de 1934, quando foram proibidos os sindicatos e as reivindicações laborais surgiram várias greves
dirigidas fundamentalmente pelo Partido Comunista.

As confrontações atingiram o auge quando no dia 18 de janeiro, na Marinha Grande, os operários


vidreiros ocuparam o posto da GNR local e proclamaram um “soviete local”; Esta greve foi
reprimida violentamente pelo Estado Novo que continuou com a corporativização dos sindicatos
sem nunca ter tido uma grande adesão por parte dos trabalhadores.

Para o Estado Novo as colónias eram um elemento fundamental para a política de nacionalismo
económico e ao mesmo tempo eram um meio de fomentar o orgulho nacionalista; Serviam para
escoar os produtos portugueses e forneciam matérias- primas a baixo custo; Eram um dos temas da
propaganda do regime, enaltecendo a coragem dos Descobrimentos portugueses e louvando a
missão civilizadora de Portugal no Ultramar; Em 1930 foi publicado o Ato Colonial onde eram
definidas as relações de dependência das colónias em relação ao governo central.

Esta decreto colocou fim às experiências de descentralização administrativa e abertura a


investimentos estrangeiros iniciada durante a Primeira República.

As populações nativas, tidas como inferiores, foram largamente segregadas; O Estado Novo
proclamou a sua vocação colonial e procurava incutir na povo português uma mística imperial;
Foram organizados vários congressos e exposições para propagandear essa ideia.

Destacam-se as I Exposição Colonial Portuguesa (Porto, 1934) e a Exposição do Mundo Português


(Lisboa, 1940).

Princípios do colonialismo português das décadas de 40 e 50:


- É um sistema imperial;
- As colónias estão subordinadas à metrópole e são parte integrante do território português;
- Portugal apresenta uma vocação evangelizadora e civilizadora;
- O colonialismo protege os povos indígenas que que gozam de estatuto diferente conforme o grau
de evolução;
- Existe uma complementaridade económica entre a metrópole e as colónias;
- Centralização administrativa.

2.5.3 O projeto cultural do regime


O projeto cultural do Estado Novo foi submetido aos interesses do Estado; A produção artística e
literária foi controlada pelo regime, nomeadamente com a criação da comissão de censura; Os
interesses do Estado Novo, em termos culturais eram evitar que os intelectuais pudessem colocar
em causa o regime e dinamizar a produção cultural de propaganda do Estado e da grandeza de
Portugal.

O Estado Novo concebeu um plano que fez de intelectuais e artistas um instrumento na divulgação
e propaganda do regime; Este projeto cultural chamou-se “Política do Espírito”, pois pretendia
elevar a mente dos portugueses e alimentar a sua alma; Este projeto levado a cabo pelo Secretariado
da Propaganda Nacional (SPN), dirigido por António Ferro (1895-1956).

Ferro foi jornalista e amigo de alguns modernistas portugueses, participou na revista Orpheu e, ao
mesmo tempo, admirador de Mussolini e Salazar, e por isso mesmo uma das figuras mais
controversas do regime; Ferro convenceu o ditador português da importância das manifestações
culturais para o regime se mostrar à população.
Ferro pretendeu conciliar duas posições opostas sobre o que deve ser um projeto cultural:
conservadorismo e vanguarda.
Ferro pretendia afirmar Portugal internacionalmente através de um programa de desenvolvimento
das artes, da literatura e das ciências submetidos a uma ideologia retrógrada.
O SPN desenvolveu um programa de regeneração do espírito português completamente vigiado e
monitorizado pela censura; As artes deviam ter o papel de inculcar no povo o amor pela Pátria, o
culto dos heróis, as virtudes da família e a importância da religião cristã.

Esta cultura nacionalista deveria evidenciar uma estética moderna; O SPN organizou várias
exposições, comemorações, salões de pintura, prémios literários, congressos científicos, todos
organizados com grande publicidade no sentido de engrandecer o regime; Também organizaram
manifestações de carácter popular: festas, marchas, concursos e, em termos cinematográficos, foram
realizadas várias comédias; Todos os autores e artistas que não se enquadravam dentro destes ideais
eram censurados e perseguidos.

Realização de grandes eventos oficiais para promoção do regime:


- Exposição Colonial do Porto (1934) ou Exposição do Mundo Português (1940);
- Participação na Exposição Internacional de Paris (1937) e na Exposição Universal de Nova Iorque
(1939);
- Uma das grandes exposições foi a Exposição do Mundo Português em 1940, comemorando os 800
anos da autoproclamação de rei, por D. Afonso Henriques (1140), e dos 300 anos da restauração da
independência (1640).

No domínio literário a ação do SPN foi um fracasso, poucos escritores aderiram; Nas artes plásticas,
na arquitetura, no bailado, no teatro e no cinema o êxito foi maior; Francisco Franco (1885-1955),
expressionista, foi o escultor do regime salazarista.

A ideia de António Ferro era a conceção de um projeto cultural totalizante, com o envolvimento e a
instrumentalização de artistas e de escritores na promoção dos ideais do regime; Afirmação da
“política do espírito” que recusa a “política da matéria” e a produção artística individualista e
crítica, considerada decadente; Visa a padronização de uma cultura “construtiva” e “saudável”,
orientada para a promoção das virtudes da família, para a valorização da confiança em Salazar, para
promoção do amor à pátria e da grandeza do império; Procura a construção de um sistema de
propaganda cultural eficiente como ação doutrinária do regime com vista à adesão das massas.

A arquitetura portuguesa, entre 1905-60, viveu várias tendências; Uma delas foi a da formulação da
casa portuguesa, recuperando valores tradicionais e rurais; Esta ideia foi defendida por Raul Lino
(1879-1974); Lino não criou propriamente uma estética mas uma filosofia da casa portuguesa.

A arquitetura “nacional”, patrocinada pelo regime do Estado Novo e defendida por António Ferro
que organizou várias campanhas e concursos para a “Aldeia mais portuguesa”; Esta arquitetura
utilizou as técnicas e materiais modernos e submeteu-se à doutrina do regime salazarista.

Principais arquitetos:
- Cristino da Silva (1896-1976);
- Pardal Monteiro (1897-1957);
- Carlos Ramos (1897-1969);
- Jorge Segurado (1898-1990);
- Rogério de Azevedo (1898-1983);
- Cottinelli Telmo (1897-1948).
A derrota dos fascismo em 1945 deram um rude golpe no entusiasmo de António Ferro, por outro
lado revelava-se extraordinariamente difícil conciliar o modernismo (aberto à inovação e à
liberdade criativa) com a ideologia totalitária do regime; Em 1949, António Ferro demitiu-se do
SPN; Ficava esquecido o projeto de criar um português novo, o português “estado-novista”.

A degradação do ambiente internacional


3.1. A irradiação do fascismo pelo mundo
3.1.1 Na Europa
Ao longo dos anos 30 as ditaduras fascistas disseminaram-se pela Europa:
- Itália (1923), Portugal (1926), Alemanha (1933), Bulgária, Estónia e Lituânia (1934), Grécia
(1936);
- 1938 – A Alemanha anexa a Checoslováquia, após os acordos de Munique. A região dos Sudetas
era de maioria alemã;
- Em 1938 – A Alemanha anexa a Áustria (Anschluss);
- 1939 – Termina a guerra civil espanhola com a vitória dos franquistas;

Apenas um punhado de países europeus mantinham uma democracia parlamentar:


- França, Inglaterra, Holanda, Países Nórdicos e Suíça.

3.1.2 Noutros continentes


Na América Latina:
- Brasil Argentina, Chile são alguns dos países onde governavam ditaduras de cariz fascista;
- No Oriente , o Japão, em 1933 os militares ultranacionalistas sobem ao poder, e iniciam
imediatamente um ambicioso plano expansionista;
- Alguns destes governos fazem pactos e acordos;
- A Itália e a Alemanha apoiaram os franquistas na guerra civil espanhola.

3.2 Reações ao totalitarismo fascistas


3.2.1 Das hesitações face ao imperialismo e à guerra civil espanhola à aliança contra o eixo
nazi-fascista
Em 1936, Hitler e Mussolini, assinam o Eixo Roma-Berlim; Em 1939 assinam o Pacto de Aço; A
Alemanha assina com o Japão o Pacto Anto-Komitern, também conhecido por Eixo Berlim-Tóquio,
mais tarde a Itália e a Espanha aderiram.

A Itália, a Alemanha e o Japão, nos anos 30 violaram sistematicamente a ordem internacional e


inviabilizam qualquer ação da SDN; Em 1931, o Japão invade a Manchúria, em 1933, declara
guerra à China e retira-se da SDN; Em 1935, a Itália iniciou a conquista da Abissínia (atual
Etiópia).

Em 1936, violando os acordos do tratado de Versalhes, os alemães remilitarizam a Renânia; Em


1937, Hitler, proclama o espaço vital alemão (lebensraum); Em 1938, a Alemanha, anexa a Áustria,
os Sudetas e perante a passividades das democracias anexa a Checoslováquia; As democracias
cederam perante as intenções expansionistas de Hitler e assinaram o Tratado de Munique.

Em abril de 1939, a Itália anexou a Albânia; Em 1939, Hitler assinou um pacto de não agressão com
a URSS; No dia 1 de setembro, a Alemanha, invade a Polónia e no dia 3, a França e a Inglaterra
declaram guerra à Alemanha; Iniciou-se a II Guerra Mundial.
3.2.2 A mundialização do conflito
Principais acontecimento da II Guerra Mundial
As vitórias da Alemanha e seus aliados:
- 1 de setembro de 1939 – Invasão da Polónia;
- maio de 1939 – Invasão da Noruega, Dinamarca, Holanda, Bélgica e França;
- Verão de 1939 – Batalha de Inglaterra (aérea);
- 3 de fevereiro de 1941 – Desembarque do Africakorps em África;
- 22 de junho de 1941 – Invasão da União Soviética;
- 7 de dezembro de 1941 – Ataque do Japão a Pearl Harbor.

Os alemães iniciaram a guerra com uma tática que lhes conferiu grandes vitórias, a guerra
relâmpago (Blitzkrieg); A Polónia rendeu-se m 3 semanas; Em abril de 1940 a Dinamarca e a
Noruega rendem-se; Em maio invade a Bélgica e a Holanda e em meados de junho a França rende-
se. Hitler de seguida planeia a invasão da Inglaterra, e ordenou o seu bombardeamento; Entre
agosto e setembro de 1940, deu-se a Batalha de Inglaterra, batalha completamente aérea que
terminou com a vitória da Royal Air Force (RAF) sobre a (Luftwaffe).
Em junho de 1941, rompe o pacto com Estaline e invade a URSS (operação Barbarrosa); Em 3
meses o exército alemão chego às portas de Moscovo; Os russos conseguiram resistir; O rigoroso
inverno russo provocou imensas baixas no exército germânico.

Principais acontecimento da II Guerra Mundial


A inversão da guerra:
- julho de 1942 – Batalhas de Midway e Guadalcanal no Pacífico;
- outubro de 1942 – Batalha de El Alamein (tanques) em África;
- setembro de 1942 – Início da batalha de Estalinegrado.

No inverno de 1942 o exército alemão é derrotado na Batalha de Estalinegrado; A 7 de dezembro de


1941, os japoneses atacam Pearl Harbor; Os EUA entram na guerra; Em 1942 combate-se no Norte
de África.

Principais acontecimento da II Guerra Mundial


As vitórias dos aliados:
- 6 de junho de 1944 – Desembarque na Normandia (França);
- Reconquista pelos EUA dos territórios no Pacífico;
- fevereiro de 1945 – Conferência de Ialta:
- 8 de maio de 1945 – Rendição alemã;
- julho e agosto de 1945 – Conferência de Potsdam.

Principais acontecimento da II Guerra Mundial


As vitórias dos aliados:
- 6 de agosto de 1945 – lançamento de uma bomba nuclear sobre Hiroxima;
- 9 de agosto – lançamento de uma bomba atómica sobre Nagasaki;
- 2 de setembro de 1945 – rendição do Japão.

A partir de 1943 inicia-se a derrocada das forças do Eixo: A Alemanha é derrotada no Norte de
África; No mesmo ano os Aliados invadem a Sicília, em junho de 1944 Roma é conquistada e
termina o regime fascista; Em 1943, os exércitos russos obrigam os alemães a recuarem.

No dia 6 de junho dá-se o dia D, o desembarque na Normandia; Hitler suicida-se no dia 30 de abril
1945. No dia 2 de maio de 1945, o exército soviético conquista Berlim. A Alemanha rende-se no dia
7. O Japão rende-se no dia 2 de setembro, depois dos EUA terem lançado duas bombas atómicas
sobre as cidades de Hiroxima e Nagasáqui.

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