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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DO TRABALHO DA ____ VARA DE

PALHOÇA/SC.

Reclamante: Mickey Do Santos Oliveira


Reclamado: Condomínio Jardins do Éden
Autos nº 00009483-23.20185.12.0054

CONDOMÍNIO JARDINS DO ÉDEN, pessoa jurídica de direito privado,


CNPJ XXXXXX, Rua Candido Damasceno, nº 1086, Bairro Pagani, Palhoça/SC,
CEP xxxxx, por intermédio de seus procuradores (doc. anexo), com escritório
profissional localizado na Avenida Pedra Branca n. 1.185, bairro Pedra Branca,
Palhoça/SC, vem apresentar

CONTESTAÇÃO

nos termos da Reclamatória Trabalhista que lhe move MICKEY DOS


SANTOS OLIVEIRA, já qualificado na peça exordial, pelos motivos de fato e de
direito a seguir expostos:
I – PRELIMINARMENTE

DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA INDEVIDA

É constante pedido de Justiça Gratuita na exordial trabalhista do


Reclamante. Este alega não ter condições de arcar com as custas judiciais da
presente demanda, mas não observa os liames processuais pra obtenção de tal
beneficio constitucional e da Justiça do Trabalho, conforme especificado a seguir.
A Constituição Federal de 1988, dispõe a necessidade de comprovação
de pobreza para acesso ao beneficio da Justiça Gratuita em seu art. 5º, inciso
LXXIV: “o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que
comprovarem insuficiência de recursos”
A lei nº 5.584/70, dispõe sobre requisitos inerentes a obtenção de
beneficio na Justiça do Trabalho, dentre eles, atestado próprio emitido pelo
Ministério do Trabalho. No art. 14 da citada lei, afere-se “A situação econômica do
trabalhador será comprovada em atestado fornecido pela autoridade local do
Ministério do Trabalho e Previdência Social, mediante diligência sumária, que não
poderá exceder de 48 (quarenta e oito) horas. Isto não foi feito pela parte
reclamante.
Sendo assim, contrariando este dispositivo, o reclamante não
comprovou a condição de hipossuficiente. Portanto, em preliminar, requer-se o
indeferimento do pedido da justiça gratuita.

II – DO MÉRITO

1. DO CONTRATO DE TRABALHO

O Reclamante foi contratado em 01/02/2015 para exercer a função de


Gestor de Condomínio, com a jornada laboral firmada das 8:00 às 17:30, tendo sido
demitido sem justa causa no dia 22/12/2016.

2. DA JORNADA DE TRABALHO
2.1 DAS HORAS EXTRAS ACIMA DA 8ª E 44ª SEMANAL E DAS HORAS
EXTRAS INTRAJORNADA

O Reclamante alega que trabalhava até as 19h em 2 dias da semana,


requerendo, por isso, as horas extras devidas.
Registre-se, primeiramente, que o Reclamante laborava nos horários
consignados, por ele próprio, ou seja, das 08h às 17h30, tendo cumprido válido e
não impugnado regime de compensação, improcedendo, por consequência, a
pretensão do pagamento, como horas extraordinárias, além da oitava.
Ressalta-se, nesse passo, que durante a contratualidade foi firmado um
acordo verbal de compensação de horas, haja vista que o Reclamante sempre
precisava de liberação para algum compromisso pessoal, e assim compensava
essas horas, na semana subsequente.
Assim, refuta-se o narrado na inicial como inverídico, eis que nos dias em
que, de fato, o Reclamante laborou até as 19h, foi a fim de compensar as horas que
em saiu mais cedo do trabalho, conforme se comprova dos documentos em anexo,
sendo, portanto, errôneo afirmar que “não recebia as horas extras praticadas”, como
maliciosamente afirmou.
Ressalta-se, outrossim, tudo era feito de maneira flexível e nunca
apresentou problemas, visto que em momento algum o Reclamante divergiu acerca
dos horários ou impugnou o regime acordado pugnando por “horas extras”.
Menciona-se, inclusive, que o Reclamante ficou “devendo” horas ao Reclamado
quando de sua demissão, sendo que nada foi descontado relativamente a essas
horas devidas na sua rescisão.
Assim, não tem o Reclamante direito a perceber horas extras, haja vista
que já remunerado corretamente.
No mais, alega que usufruía apenas de 30 minutos de intervalo
intrajornada, pleiteando assim, o pagamento de toda hora integral suprimida e seus
reflexos legais.
Mais uma vez, razão não assiste à Reclamante.
O Reclamante sempre usufruiu de 1h30 de intervalo para refeição e
descanso, inexistindo em qualquer ocasião de seu contrato de trabalho, afronta aos
dispositivos corolários a CLT.
Nesse sentido, restará demonstrado ao decorrer processual, que os
demais funcionários do condomínio comprovam que todos os intervalos eram
cumpridos conforme dispõe o art. 71 da CLT.
Ademais, seria humanamente impossível que uma pessoa conseguisse
trabalhar durante um dia inteiro usufruindo apenas de 30 minutos de intervalo, pois é
sabido que a supressão desse descanso compromete o bom desempenho do
funcionário nas suas funções, arriscando, indiretamente, os condôminos.
Tendo sido corretamente concedido e usufruído do intervalo, não há o
que se falar em novo pagamento, posto que caracterizariam o enriquecimento sem
causa, vedado em nosso ordenamento jurídico.
Quanto aos reflexos das horas extras suprapleiteadas, improcedem o
pleito, por ser acessório carente do principal.

3. DO ADICIONAL DE SOBREAVISO

O Reclamante pleiteia o pagamento das horas de sobreaviso, alegando


ter ficado na posse do celular do condomínio para que fosse contatado sempre que
necessário fora do horário de trabalho. Assim, alega ter direito às horas que ficou à
disposição do empregador utilizando-se do aparelho celular.
Entretanto, o fato alegado pelo Reclamante para motivação do
pagamento das horas de sobreaviso é inconsistente e imprestável para o
acolhimento de tal pretensão e consequente condenação.
Com efeito, o simples fato de ter ficado com o aparelho celular do
condomínio não caracteriza as horas de sobreaviso, conforme a Orientação
Jurisprudencial 49 da SBDI-1, cujo entendimento é que esses aparelhos não
comprometem a mobilidade do empregado, que, apesar de poder ser acionado a
qualquer momento, não tem que ficar em casa à espera de um chamado.
A ideia de ter em posse um funcionário de confiança para ser contatado
em situações de urgência, é um mero meio de segurança para os condôminos, que
usufruíam dessa medida restritivamente em situações excepcionais, que raramente
ocorriam.
Destaca-se, que ao deixar o local de trabalho, o Reclamante não estava
mais sujeito a qualquer tipo de controle por parte do Reclamado, podendo
desenvolver suas atividades normais, sem restrições.
Nesse sentido, apesar da obrigatoriedade de portar o telefone celular
consigo seja similar à situação tratada no parágrafo 2º do art. 224 da CLT, é
necessário diferenciar a limitação da liberdade do trabalhador. Se este, não
permanece estritamente à disposição do empregador, em face do uso do aparelho,
não há como se reconhecer a circunstância elencada no referido artigo.
Sobre o assunto, é imprescindível mencionar o entendimento de nossos
Tribunais, in verbis:
HORAS DE SOBREAVISO. USO DE TELEFONE CELULAR. ART. 244, §
2º, DA CLT. APLICAÇÃO ANALÓGICA. 1. O regime de sobreaviso
contemplado no art. 244, § 2º, da CLT destina-se ao empregado que
permanece em sua própria casa, aguardando a qualquer momento a
chamada para o serviço; tal não é a situação do empregado que se utiliza
de telefone celular, o qual não sofre nenhuma restrição à sua liberdade de
locomoção. 2. Se o empregado não permanece estritamente à disposição
do empregador, nos termos previstos no art. 244 da CLT, em face do uso do
telefone celular, que permite o afastamento de casa sem prejuízo de uma
eventual convocação do empregador, não se reconhece em tal
circunstância regime de sobreaviso. Aplicação analógica da Orientação
Jurisprudencial 49 da SBDI-1 do Tribunal Superior do Trabalho. 3. Recurso
de revista de que se conhece e a que se dá provimento. (RR - 124500-
10.2002.5.03.0019 , Relator Ministro: João Oreste Dalazen, Data de
Julgamento: 03/05/2006, 1ª Turma, Data de Publicação: DJ 02/06/2006).

RECURSO DE REVISTA. HORAS DE SOBREAVISO. USO DO BIP.


Decisão regional em que se condena a Reclamada ao pagamento de horas
de sobreaviso a Reclamante portador de BIP e telefone celular.
Inobservância da Orientação Jurisprudencial nº 49 da Subseção I
Especializada em Dissídios Individuais, na qual se preconiza: "O uso do
aparelho BIP pelo empregado, por si só, não carateriza o regime de
sobreaviso, uma vez que o empregado não permanece em sua residência
aguardando, a qualquer momento, convocação para o serviço". Recurso de
revista a que se dá provimento. (ED-RR - 739547-20.2001.5.09.5555 ,
Relator Ministro: Gelson de Azevedo, Data de Julgamento: 18/04/2007, 5ª
Turma, Data de Publicação: DJ 11/05/2007)

Por fim, destaca-se que, o demonstrativo de conta do telefone do


Reclamado comprova que foram raras vezes que o Reclamante foi contatado para
solucionar algum ocorrido no condomínio. Nesse sentido, faz-se mister mencionar
que o condomínio é de pequeno porte, não sendo necessário, portanto, contatar o
Reclamante a todo momento.
No caso, embora o Reclamante pudesse ser chamado a qualquer
momento para resolver emergências pertinentes à sua função de zelador, o
entendimento predominante nesta Corte Superior é de que o mero uso do aparelho
celular não enseja pagamento de horas de sobreaviso, por não obrigar o empregado
a permanecer em sua residência a espera da solicitação de seus serviços pela
empresa.
No pedido do Reclamante, não ficou demonstrado a falta de liberdade e
indisponibilidade do seu tempo nas horas destinadas ao descanso e ao lazer, que
ensajariam o pagamento das horas de sobreaviso, e por isso, improcede o pedido
em discussão.

4. DAS DIFERENÇAS DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE

O Reclamante pleteia os adicionais de insalubridade em grau máximo,


pois alega que era responsável pela coleta de lixo no condomínio. Reclama pela
diferença, pois já recebia o adicional insalubridade em grau médio.
Em que pesem as afirmações evidenciadas na inicial pelo Reclamante,
estas não condizem com a realidade desempenhada por este.
Insta salientar que a atividade de coleta de lixo não era exercida pelo
Reclamante, e sim pela funcionária da limpeza responsável por tal atividade. Desse
modo, não havia motivo para o Reclamante ter contato com o lixo, se no condomínio
há funcionária responsável exclusivamente para tal cargo.
Nesse sentido, as atividades consideradas insalubres, segundo art. 189
da CLT são aquelas em que o trabalhador é exposto a agentes nocivos à saúde
acima dos limites tolerados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, portanto,
descabida pretensão do Reclamante, eis que não utilizava nenhum tipo de produto
ou era exposto na atividade que exercia.
Ressalta-se, ademais, que o contato com agentes biológicos está previsto
no Anexo 14 da Norma Regulamentar nº 15 da Portaria 3.214/78, no qual se insere a
"coleta de lixo urbano". No caso sub judice, a atividade desenvolvida pelo
Reclamante como gestor predial não pode ser comparada à coleta urbana de
dejetos, não abarcado, portanto, no aludido anexo, sendo, portanto, descabido tal
pleito.
Destaca-se, a título de conhecimento, que a jurisprudência do Tribunal
Superior do Trabalho palmilha o entendimento de que a limpeza de condomínios
residenciais, mediante a coleta de lixo e higienização de banheiros não abertos à
grande circulação de pessoas, não enseja o pagamento de adicional de
insalubridade. Nesse sentido:

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE - COLETA DE LIXO EM PRÉDIO DE


CONDOMÍNIO - NÃO-CARACTERIZAÇÃO DE COLETA DE LIXO URBANO
- ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL N° 4 DA SBDI-1 DO TST. Nos termos
da jurisprudência pacificada nesta Corte Superior, consubstanciada na
Orientação Jurisprudencial n° 4 da SBDI-1, não basta a constatação da
insalubridade por meio de laudo pericial para que o empregado tenha direito
ao respectivo adicional, mas é necessária também a classificação da
atividade insalubre na relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho
(Portaria nº 3.214/78 e Anexos). Nessa linha, a limpeza em residências e
escritórios, bem assim a realizada em prédios de condomínios, e a
respectiva coleta de lixo não podem ser consideradas atividades insalubres,
ainda que constatadas por prova pericial, porque não se encontram dentre
as classificadas como lixo urbano na Portaria do referido Ministério. Assim
sendo, laborando o Obreiro em serviços de limpeza geral de condomínio,
ele não faz jus ao adicional em comento. Recurso de revista conhecido em
parte e provido. (RR - 48600-97.2002.5.04.0211 , Relator Ministro: Ives
Gandra Martins Filho, Data de Julgamento: 22/11/2006, 4ª Turma, Data de
Publicação: DJ 19/12/2006)

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE - GRAU MÉDIO - LIXO URBANO -


LIMPEZA DE BANHEIROS DE EMPRESA. A limpeza e coleta de lixo de
banheiros de empresa não podem ser consideradas atividades insalubres,
ainda que constatadas por laudo pericial, porque não se encontram entre as
classificadas como lixo urbano, na Portaria do Ministério do Trabalho.
Inteligência do artigo 190 da CLT. Recurso de revista provido. (RR -
805444-33.2001.5.04.5555 , Relator Ministro: Milton de Moura França, Data
de Julgamento: 06/04/2004, 4ª Turma, Data de Publicação: DJ 30/04/2004)
Por outro lado, o Reclamado pagava ao Reclamante, conforme comprova
os recibos de pagamento, adicional de insalubridade em grau médio, inclusive com
os reflexos legais.

5. DO DANO MORAL

No caso narrado, não há o que se falar em dano moral eis que nunca o
Reclamado nunca fez reclamações sobre ser perseguido por um condômino.
Ademais, não é plausível imputar tal conduta a rescisão contratual, visto que tal fato
questionado na inicial é ato discricionário deste, não havendo, na hipótese em
apreço, qualquer prova cabal de que a iniciativa de romper o contrato se dera pelos
fatos narrados.
Ressalta-se, nesse sentido, que o Reclamado foi demitido por conduta
insatisfatória, como as faltas recorrentes e os atrasos, somado ao fato de ter
assediado uma funcionária, como comprova-se pelo registro de ocorrência feito por
ela e por seu marido.
No mais, o Reclamante não assiste razão quanto ao suscitado tratamento
psicológico, haja vista que o alegado se contrapõe com o demonstrado em suas
redes sociais.
Ora, nobre Magistrado, não é crível que uma pessoa que sofreu abalos
psicológicos em virtude de uma perseguição, e que alega sofrer crises de pânico,
faça passeios ao shopping e exponha as fotos em seu facebook, como comprova-se
com as fotos em anexo.

III – DOS REQUERIMENTOS

Isto posto, requer a Vossa Excelência:

a) o recebimento desta Contestação, bem como sua apreciação para


julgar Improcedente a demanda da Reclamante, com a extinção do processo com
resolução do mérito sobre esses pedidos e a condenação do reclamante ao
pagamento das custas e outras despesas processuais.

b) a acolhida da preliminar relativa ao indeferimento da Assistência


Judiciária Gratuita ao Reclamante;

c) o protesto por todos os meios de prova em direito admitido, em


especial depoimento pessoal do Reclamante e testemunhal, bem como pericial;

d) e ainda, em caso de condenação, que haja a compensação de todos


os valores devidamente pagos.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Palhoça, 04 de junho de 2018.

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AIMARA RAMLOW VIANA

OAB XXXX/XX

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BRUNO LEÔNCIO MARTINS LUCAS RODRIGUES FREITAS
OAB XXXX/XX OAB XXXX/XX