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Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região - 1º Grau

Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região - 1º Grau

O documento a seguir foi juntado ao autos do processo de número 0100318-47.2017.5.01.0032


em 03/03/2017 16:15:02 e assinado por:
- LUANA CASSIA DO CARMO FILGUEIRAS

Consulte este documento em:


http://pje.trt1.jus.br/primeirograu/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam
usando o código: 17030315455472500000049235789

17030315455472500000049235789
EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA DO TRABALHO DA CIDADE DO RIO DE
JANEIRO.

ELISÂNGELA PEREIRA VIEIRA, brasileira, solteira, vendedora, portadora da


identidade nº 21325146-5/Detran-RJ, inscrita no CPF sob o nº 099.301.857-20, residente na
Rua Tremembé, nº 582, casa 04, Freguesia, Ilha do Governador, Rio de Janeiro/RJ, CEP:
21911-550, vem por sua advogada infra-assinada, com endereço profissional na Estrada da
Cacuia, n° 231, sala 210, Cacuia, Ilha do Governador, Rio de Janeiro/RJ, CEP.: 21921-000,
luanaccf.adv@gmail.com, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, ajuizar a
presente

RECLAMAÇÃO TRABALHISTA

Pelo Rito ordinário, em face de NITERÓI COMÉRCIO DE LIVROS E INFORMÁTICA


LTDA, nome fantasia: MICROCAMP, inscrita no CNPJ sob o nº 18538291000212,
com sede na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, nº 1219, loja A, Copacabana,
Rio de Janeiro, CEP: 22070-011, (21) 2257-0852/ (21) 2255-7345, site:
http://www.microcamp.com.br/unidades/copacabana, pelos motivos de fato e de
direito os quais passa a expor:

DA COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA

A Reclamante entende ser inconstitucional a Lei nº 9.958, art. 1º, que instituiu as
Comissões de Conciliação Prévia pelo art. 625-D da CLT, tendo em vista que as mesmas têm
representado, na prática, um entrave ao direito constitucional de livre acesso à Justiça,
consagrado no art. 5º, XXXV da CRFB/88.
Já se manifestou sobre a desnecessidade de submissão à Comissão de conciliação
Prévia o STF, em julgamento de 13/05/2009:

“STF. COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA – CCP. AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DO LIVRE ACESSO AO JUDICIÁRIO CF/88, ART. 5º,
XXXV. CLT, ART. 625-D. INTERPRETAÇÃO CONFORME A CF/88.
O STF por reputar caracterizada, em princípio, a ofensa ao princípio do livre acesso ao Judiciário
(CF/88, art. 5º, XXXV), por maioria, deferiu parcialmente medidas cautelares em duas ações diretas de
inconstitucionalidade, para dar interpretação conforme a Constituição Federal relativamente ao art. 625-
D (redação da Lei 9.958/2000) — que determina a submissão das demandas trabalhistas à Comissão
de Conciliação Prévia — a fim de afastar o sentido da obrigatoriedade dessa submissão (ADI 2.139
MC/DF, Rel. orig. Min. Octávio Gallotti, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio – J em 13/05/2009. ADI
2.160 MC/DF, rel. orig. Min. Octávio Gallotti, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio – J. em 13/05/2009).”

Portanto, ultrapassada tal argumentação da necessidade de submissão à Comissão


de Conciliação Prévia, vem a reclamante ingressar com seu pleito diretamente através do
judiciário trabalhista.

DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Afirma a Reclamante ser beneficiária da Assistência Jurídica Gratuita, com


fundamento nos arts. 98 e 99 , em especial art. 99, §4º do CPC/15 c/c art. 769 da CLT, por
não ter condições de arcar com as custas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo
de seu sustento e de sua família.

Ressalta ainda que o benefício da Gratuidade de Justiça é perfeitamente compatível


com o processo do trabalho, independe, inclusive, de estar a reclamante assistida por
Sindicato, conforme entendimento manso e pacífico de nosso Tribunais Trabalhistas.

O fato da autora estar assistida por advogado particular, não lhe retira o direito à
concessão da Gratuidade de Justiça. A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 5º, LXXIV,
assegura a assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de
recursos.

Insta mencionar ainda que a Gratuidade de Justiça não faz qualquer restrição ao
benefício ser concedido a quem está representado por advogado particular, ao contrário, o
próprio art. 99, §4º do CPC/15 c/c art.769 da CLT diz que “a assistência do requerente
por advogado particular não impede a concessão da gratuidade de justiça”, dizendo
ainda no §2º do art. 99 do CPC/15 que “O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver
nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de
gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do
preenchimento dos referidos pressupostos.”

Ressalta ainda que a Instrução Normativa nº 39 do TST não aponta como inaplicável
os arts. 98, 99 e seguintes do CPC/15, relativos a gratuidade de Justiça, não abordando a
CLT o tema, logo, por força do art. 769 da CLT: “Nos casos omissos, o direito processual
comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for
incompatível com as normas deste Título”

DOS FATOS E FUNDAMENTOS:

DA RELAÇÃO DE EMPREGO:

A reclamante foi admitida pela ré em 13/08/2015, para a função de vendedora interna.


Desde sua contratação a autora recebe de forma mista, ou seja, parte da remuneração fixa
(conforme anotação em sua CTPS, inicialmente de R$854,00), mais comissões mensais,
prêmios e gratificações (a serem explicados nos tópicos pertinentes), tudo por fora.

Explica a autora que na ré, os vendedores trabalham em parceria com os funcionários


de telemarketing, funcionando assim: quando o telemarketing entra em contato com o cliente,
ele diz que o consumidor abordado ganhou uma bolsa de estudos na ré para um determinado
curso, sendo necessário ir até a unidade da ré para retirada da bolsa e matrícula, mediante a
apresentação de uma senha a ser informada para a ré no ato da matrícula. Em verdade a
referida senha não se refere a nenhuma bolsa, mas sim ao código da atendente de
telemarketing que efetuou o contato, posto que na ré tanto os vendedores quanto os
operadores de telemarketing ativos ganham comissão + bônus, além do salário fixo anotado
na CTPS. Desta forma, quando o vendedor recebe o código do operador de telemarketing do
cliente, ele concretiza a matrícula e anota no livro de registro tanto a atendente (pelo “código”)
quanto o “orientador” (vendedor), sendo muito comum no caso em tela a anotação da
matrícula no nome do supervisor Alex, posto que muitas vezes a autora era deixada sem
senha de acesso ao sistema, tendo que efetuar as matrículas no nome de seu supervisor para
não gerar inconsistência de dados entre o livro e o sistema da ré, bem como para diminuir os
ganhos da autora em comissão e prêmios, e aumentar o do supervisor Alex.
Anexa ainda como matéria de prova o relatório das vendas da autora em sua prória
matrícula, bem como o relatório das vendas da autora na matrícula do supervisor Alex, além
da própria confissão do Diretor Mauro dizendo que a autora vendia mais que o supervisor
Alex, bem como que era a sua “melhor vendedora”.

A jornada de trabalho da autora sempre foi efetivamente das 13:00h às 21:30h de


segunda à sexta-feira, e aos sábados das 13:00h às 17:00h, com folgas aos domingos. A
autora jamais pôde gozar de 1 hora para alimentação, sempre gastando cerca de 30 minutos,
posto que era demandada estar sempre disponível para as vendas, além das altas cobranças
de metas a serem batidas. Mesmo quando a autora tentava de alimentar rapidamente na
cozinha da ré, a mesma era interrompida a voltar às vendas.

Além das infrações de paga por fora, supressão do intervalo intrajornada, não
pagamento de horas extras, etc, que serão comprovados em instrução, além de todo o lastro
probatório documental já juntado, esclarece a autora que a ré não cumpre os deveres
contratuais trabalhistas de depósito de FGTS e recolhimento ao INSS.

Ao efetuar consulta de seu saldo de FGTS para fins de obtenção de crédito imobiliário,
a autora percebeu que a ré deixou de depositar vários meses de FGTS em sua conta
vinculada, que A PARTIR DE OUTUBRO/2016 A RÉ NÃO FEZ MAIS NENHUM DEPÓSITO
FUNDIÁRIO. Da mesma forma não vem a ré efetuando o recolhimento previdenciário, tudo
conforme docs. anexos.

Ressalta ainda que no curso do contrato de trabalho houve efetiva diminuição salarial,
bem como as cobranças excessivas por vendas de cursos, descontos em vales transportes,
perseguições dentro da empresa, ausência de plano odontológico unicamente para autora
(embora todos os demais funcionários o tenham há tempos), bem como apropriação indevida
de vendas, acarretando um quadro de sofrimento laboral na autora, que encontra-se doente
e está com licença médica por tal motivo (vide atestados em anexo), sendo esta modalidade
de depressão causada pelo seu empregador.

DA REMUNERAÇÃO MISTA (FIXO + COMISSÕES):

Consta na CTPS da autora a anotação de salário fixo inicial de R$854,00, com o


pagamento em contracheque atual de R$1.008,70 (contracheque de Janeiro/2017, em
anexo). Entretanto, desde que a autora foi contratada para trabalhar na ré, recebia a título de
comissão mensal 10% sobre o valor da 1ª mensalidade de cada matrícula que efetuasse (que
era de R$ 229,90, conforme contrato em anexo), mais R$1.500,00 mensais, posto que
normalmente a autora batia cerca de 60 vendas/mês.

Conforme comprova a autora documentalmente, por anotação, assinada e carimbada


da diretora da ré à época, Sra. Vanessa Ribeiro, as comissões mensais eram pagas na
seguinte proporção:

Se o empregado batesse mensalmente 50 vendas, receberia 10% da 1ª


prestação + R$1.000,00
Se o empregado batesse mensalmente 60 vendas, receberia 10% da 1ª
prestação + R$1.500,00
Se o empregado batesse mensalmente 70 vendas, receberia 10% da 1ª
prestação + R$2.000,00
Se o empregado batesse mensalmente 80 vendas, receberia 10% da 1ª
prestação + R$2.500,00

Habitualmente a autora efetuava cerca de 60 vendas mensais em seu nome, então


acrescia em seu salário efetivamente recebido a média de R$2.874,00 (R$22,90 x 60=
R$1.374,00 + R$1.500,00), a título de comissão MENSAL, e ao qual SEMPRE recebeu por
fora do contracheque.

Além do salário fixo e as comissões mensais, a ré também instituiu comissões


semanais, conforme comprova documentalmente, por anotação assinada e carimbada da
diretora da ré, Sra. Vanessa Ribeiro, que eram pagas na seguinte proporção:

10 vendas gera o pagamento de R$380,00 de comissão semanal.


12 vendas gera o pagamento de R$400,00 de comissão semanal.
14 vendas gera o pagamento de R$420,00 de comissão semanal.
16 vendas gera o pagamento de R$440,00 de comissão semanal.

Habitualmente a autora batia 16 vendas semanais em seu nome, e ganhava a título


de comissão SEMANAL por tais vendas o valor de R$ 440,00 por semana, o que acrescentava
no pagamento final R$ 1.760,00 a título de comissão semanal, que era igualmente paga por
fora.

Veja Exa, aqui não se trata de bis in idem, mas sim de pagamento de comissões
diferenciadas para estimular a competição e vendas para a ré. Como o comissionamento era
mensal E semanal, havia grande estímulo de vendas, fazendo o empregador lucrar
imensamente no negócio. Inclusive junta a autora, conforme anexo, comprovantes de
reconhecimento de pagamento de comissões por conversas de whatsapp, bem como
cobranças de metas, além de fotos da autora e outro funcionário com o dinheiro do pagamento
das comissões (também em anexo).

Entretanto, embora efetivamente o empregador pagasse a título de comissões os


seguintes valores à autora, em média: R$2.874,00 de comissão mensal + R$ 1.760,00 de
comissão semanal, somando efetivamente o total ganho de comissão médio de R$ 4.634,00,
tal valor sempre foi pago por fora, para não integrar o salário para fins trabalhistas e
previdênciários.

Informa a autora que tal situação perdurou desde sua contratação, ou seja, desde
13/08/2015 até Outubro/2016, quando a diretora da ré Vanessa Ribeiro deixou a empresa,
sendo reestruturado o comissionamento pelo sócio Davi, para o pagamento da comissão
mensal de R$2.500,00 para quem efetuasse 60 vendas, como é o caso da autora na maioria
das vezes, mais a média da comissão semanal de R$ 300,00/semana, pra quem batesse 15
vendas ou mais na semana, como também era o caso da autora. Nesse novo regramento de
pagamento das comissões, a autora passou a auferir a título de comissões: R$2.500,00
(comissão mensal) + R$ 1.200,00 (4x R$300,00, da comissão semanal), somando o total de
comissão de R$ 3.700,00, ou seja, tendo a autora efetiva REDUÇÃO SALARIAL de
R$934,00, continuando a receber tal valor por fora.

Perceba, Exa. que após Outubro/2016 houve mudança do parâmetro de cálculo das
comissões de forma unilateral e prejudicial aos empregados, caracterizando assim a redução
salarial, o que é vedado constitucionalmente, conforme art. 7º, VI da CRFB/88.

Desta forma, requer a autora o reconhecimento do pagamento das comissões


semanais e mensais pagas por fora, considerado R$2.874,00 de comissão mensal + R$
1.760,00 de comissão semanal, somando efetivamente o total ganho de comissão médio de
R$ 4.634,00, a ser integralizado ao salário da autora, com sua anotação em CTPS, bem como
que as mesmas sejam computadas para cálculos de RSR, saldo salário, trezenos, férias +
1/3, FGTS, 40% sobre o FGTS, horas extras, recolhimento previdenciário e aviso prévio.

Requer ainda que a partir de Novembro/2016 até a rescisão do contrato de trabalho,


que seja reconhecido, acrescido e pago à autora o valor de R$934,00/mês a título da diferença
média das comissões diminuídas, conforme fundamentação, vedando o julgador a mudança
de parâmetro de cálculo das comissões de forma unilateral e prejudicial aos empregados.
Pede ainda a observância à Súmula 27 do C. TST e Lei 605/49 quanto ao RSR, bem
como da Súmula 340 do C. TST no que tange às horas extras.

Informa ainda a autora que até a presente data não recebeu as comissões de
Dezembro/2016 e Janeiro/2017, razão pela qual requer o pagamento das mesmas, no valor
das comissões mensais + semanais total de R$ 4.634,00/mês. Esclarece a autora que outras
vendedoras receberam regularmente suas comissões, como as vendedoras Taís e Camila,
demonstrando assim clara diferenciação da ré com a autora.

DO PAGAMENTO DE PRÊMIOS (BÔNUS) DE FORMA HABITUAL:

A ré sempre pagou aos seus vendedores prêmio diário a partir de 50% de


aproveitamento. Tal aproveitamento consiste nos vendedores conseguirem fechar as vendas
de 50% ou mais dos clientes atendidos no DIA.

Com o pagamento do prêmios pelas vendas, incentivando a produtividade, por óbvio


o empregador vendia mais, e os funcionários eram estimulados com um ganho diário,
incentivando o melhor desempenho possível.

Comprova a autora o pagamento dos prêmios diários pela anotação assinada e


carimbada da diretora da ré, Sra. Vanessa Ribeiro, demonstrando que os prêmios eram pagos
na seguinte proporção:

PRÊMIO DIÁRIO POR APROVEITAMENTO PRÊMIO DIÁRIO POR APROVEITAMENTO

(% DE APROVEITAMENTO = VENDAS (VALOR DIÁRIO PAGO)


EFETIVADAS)
50% R$ 30,00
60% R$ 50,00
70% R$ 70,00
80% R$ 80,00
90% R$ 90,00

A autora normalmente tinha 60% de aproveitamento nas vendas em seu nome, por
isso costumava receber a média de R$50,00 diários a título de prêmio por aproveitamento,
sempre recebendo por fora do contracheque e anotação na CTPS, porém de forma habitual.
Desta forma, na qualidade de contraprestação paga ao empregado pelo empregador, de
forma habitual, tem natureza salarial e deve ser integrada ao mesmo, com reflexos em RSR,
saldo salário, trezenos, férias +1/3, FGTS, 40% sobre o FGTS, horas extras, recolhimento
previdenciário e aviso prévio, além de seu reconhecimento e anotação na CTPS.

Aplica-se ainda neste caso a Súmula 209 do STF, que dispõe:

“O salário-produção, como outras modalidades de salário-prêmio, é devido,


desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser
suprimido unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade.”

DAS GRATIFICAÇÕES:

Além das comissões e prêmio diário recebido pela autora, era ajustado que pelas
matrículas realizadas por indicação da autora na ré, a mesma ganharia a gratificação de
R$50,00 por matrícula, conforme comprovado pelo diretor Mauro (conversa pelo whatsapp
em anexo).

Desta forma, tem-se que a autora fazia em média 10 (dez) matrículas/mês por
indicação dela na ré, auferindo a título de gratificação mensal o valor de R$ 500,00, que
sempre foi pago por fora, sem jamais constar em contracheque ou CTPS.

Note ainda Exa, que as gratificações eram habituais, e por tal razão deve integrar o
salário da obreira, nos termos da Súmula 207 do STF:

“As gratificações habituais, inclusive a de Natal, consideram-se tacitamente


convencionadas, integrando o salário.”

Desta forma, requer a autora a integração no salário das gratificações recebidas, na


média de R$500,00/ mês, considerando ainda seus reflexos em RSR, saldo salário, trezenos,
férias + 1/3, FGTS, 40% sobre o FGTS, horas extras, recolhimento previdenciário e aviso
prévio, além de seu reconhecimento e anotação na CTPS.

DO PAGAMENTO A MENOR DE VALE TRANSPORTE:

Desde o ingresso da autora na ré, foi informada a necessidade do pagamento de


ônibus + metrô, ida e volta, para cumprir o percurso Ilha do Governador- Copacabana, sendo
o mesmo pago regularmente até 03/2016, quando a ré unilateralmente reduziu o vale
transporte da autora para o pagamento de apenas 1 ônibus, o que perdurou de Abril/2016 até
Junho/2016, tempo em que depositava no bilhete único da obreira apenas R$ 182,40.

Depois de muita reclamação da autora, a ré voltou a teoricamente pagar ônibus +


metrô, ida e volta, para a autora, entretanto, ao invés de creditar no seu bilhete único o valor
integral das passagens, que seria de R$ 5,50 (integração ônibus-metrô) x 2 (ida e volta),
totalizando R$11,00/dia x 24 dias de labor no mês = R$264,00/mês, normalmente apenas
depositavam R$115,00/mês, obrigando a autora a custear às suas expensas o restante da
passagem.

Desta forma, verifica-se que desde Abril/2016 a autora recebe vale transporte inferior
ao necessário, infringindo a ré os art. 1º da Lei 1418/85 c/c art. 1º, I do Decreto 95247/87, que
dispõe que é dever do empregador fornecer vale transporte para o empregado deslocar-se de
sua residência ao labor, antecipando o valor em sua integralidade, o que não é feito pela ré
desde 04/2016.

Pelo exposto, requer a autora que a ré seja condenada ao pagamento da diferença


dos vales transportes devidos desde Abril/2016 até o fim do contrato de trabalho com a ré,
descontados os valores já creditados no Riocard da obreira.

DA JORNADA DE TRABALHO EXCEDENTE A 44 HORAS SEMANAIS SEM


PAGAMENTO DE HORA EXTRA, E SUPRESSÃO DO INTERVALO INTRAJORNADA:

A jornada de trabalho da autora sempre foi das 13:00h às 21:30h de segunda à sexta-
feira, e aos sábados das 13:00h às 17:00h, sempre com folgas aos domingos. A autora jamais
pôde gozar de 1 hora para alimentação, sempre gastando cerca de 30 minutos, posto que era
demandada estar sempre disponível para as vendas, além das altas cobranças de metas a
serem batidas. Mesmo quando a autora tentava de alimentar rapidamente na cozinha da ré,
a mesma era interrompida a voltar às vendas.

Esclarece a autora que registrava seu horário de entrada e saída regularmente na ré,
mas a reclamada tentava fazer a alteração dos registros no espelho de ponto, conforme pode-
se perceber no espelho de referência de 01/03/2016 à 23/03/2016, onde no campo
“Marcações Reg. no REP” consta regularmente a jornada cumprida pela autora, enquanto no
campo ao lado “Jornada Realizada” consta o horário de entrada da autora na “Ent. 1º período”,
o horário de saída da autora na “Ent. 2º período”, tentando a ré adulterar a marcação do meio
(“Sai 1º período”), gerando assim completa inconsistência de dados no mesmo doc. de
espelho de ponto.

Considerando, a jornada de trabalho da autora, verifica-se que a mesma cumpria em


média 46:30h semanais, logo, se verifica infração à norma constitucional, haja vista que o art.
7ᵒ, XIII da CRFB/88 limita a jornada de trabalho a 44 horas semanais. Desta forma, faz jus a
reclamante ao pagamento de todas as horas superiores a 44 semanal, nos termos da
Constituição, razão pela qual merece ser julgado procedente o referido pedido autoral.

Por serem habituais, e de natureza salarial, devem as mesmas serem consideradas


para cálculo do salário, diferença salarial, décimo-terceiro salário, férias acrescidas de 1/3,
repouso semanal remunerado (RSR), aviso prévio, depósito do FGTS + 40% e recolhimento
de INSS, de todo o período trabalhado.

Em relação a supressão do intervalo intrajornada, por não gozar de intervalo mínimo


de 1 hora para descanso e alimentação em labor efetivamente prestado acima das 6 horas
diárias, ocorreu total infração ao art. 71, caput da CLT e, portanto, deve ser paga a hora
intrajornada, e ser remunerada nos termos do §4º do art. 71 da CLT.

Ressalta que o referido intervalo intrajornada possui natureza jurídica salarial,


repercutindo assim no cálculo das demais parcelas salariais, nos termos da OJ nᵒ 354 da
SDBI-I do TST.

Logo, pede a reclamante o pagamento do adicional das horas extras referentes à


supressão do intervalo intrajornada para repouso e alimentação, devendo as mesmas serem
consideradas para cálculo do saldo salário, décimo-terceiro salário, aviso prévio, férias
acrescidas de 1/3, adicional noturno, repouso semanal remunerado (RSR), depósito do FGTS
e recolhimento de INSS, de todo o período trabalhado.

Requer ainda que a reclamada apresente as folhas de ponto, nos termos do art. 74,
parágrafo 2ᵒ c/c Súmula 338, I do TST, tendo a ré mais de 10 funcionários.

III.2- DA RESCISÃO INDIRETA:


A reclamante sempre fora funcionária exemplar, sendo uma das melhores vendedoras
da ré, conforme comprova pelas telas de whatsapp, onde recebe tais elogios diretamente do
seu Diretor Mauro.

A autora acreditava na ré, acreditava que a reclamada cumpria suas obrigações


trabalhistas de depósitos fundiários e previdenciários, até que ao efetuar consulta de seu saldo
de FGTS para fins de obtenção de crédito imobiliário para entrada da casa própria, a autora
percebeu que a ré deixou de depositar vários meses de FGTS em sua conta vinculada, que a
partir de Outubro/2016 a ré não fez mais NENHUM depósito. Da mesma forma não vem a ré
efetuando o recolhimento previdenciário, deixando fazer os referidos recolhimentos durante
todo o período, conforme demonstrado pelo extrato em anexo, em que não aponta uma
contribuição sequer desde que a autora iniciou seu contrato de trabalho na ré.

Desta forma a ré descumpre várias de suas obrigações legais numa relação de


emprego.

Além do descumprimento dos depósitos fundiários e recolhimento previdenciário, a ré


não faz o pagamento das horas extras prestadas; paga por fora as comissões + bônus +
gratificação; até hoje não colocou a autora no plano dentário empresarial, mesmo estando
TODOS os demais funcionários da empresa no referido plano, o que demonstra clara
perseguição à obreira; bem como não paga o valor integral do vale transporte.

Pelo exposto descumpre a ré vários de seus deveres de empregador, restando desde


já comprovado por provas documentais a infração quanto ao depósito do FGTS e recolhimento
ao INSS, bem como as pagas por fora (de acordo com as conversas e documentos
carimbados e assinados comprovando tal prática da empresa).

Portanto, fica caracterizada falta grave autorizadora da rescisão indireta do contrato


de trabalho, por força do art. 483, “d” da CLT, não havendo mais condições da empregada
dar continuidade ao contrato de trabalho estabelecido entre as partes, interrompendo a
disponibilidade e prestação de serviços a partir de 28/02/2017, conforme §3º do art. 483 da
CLT.

Tendo em vista a quebra da fidúcia da reclamante com a reclamada, bem como as


infrações contratuais praticadas exclusivamente pela ré, não há mais condições da
reclamante continuar a laborar nesta empresa, e tendo em vista não ser a reclamante a dar
ensejo a tal situação precária entre as partes, pede a mesma a rescisão indireta do contrato
de trabalho com a reclamada, com fundamento no art. 483, “d”, da CLT, e devida baixa da
CTPS com data de 02/04/2017, considerada projeção do aviso prévio de 33 dias.

Pelo exposto, pede a reclamante a declaração e o deferimento da rescisão indireta


com base no art. 483, “d” da CLT, com a devida baixa na CTPS com data de 02/04/2017,
considerada projeção do aviso prévio, nos termos da OJ nº 82 da SDI-1 do TST, considerando
que o último dia da reclamante à disposição do seu empregador foi em 28/02/2017,
requerendo ainda o pagamento das consequentes verbas rescisórias e direitos ainda devidos,
conforme a seguir:

 Baixa na CTPS da obreira, com a data de 02/04/2017, considerada a projeção


do aviso prévio de 33 dias;
 Férias proporcionais de 7/12 avos, acrescido de 1/3 constitucional e
considerada projeção do aviso prévio, referente ao período aquisitivo de 13/08/2016 a
02/04/2017;
 13º salário proporcional de 3/12 avos de 2017;
 Depósito de todos os meses de FGTS não depositados, até 02/04/2017,
conforme informado na inicial, considerada projeção do aviso prévio, com acréscimo
pecuniário de 40%(multa de FGTS) sobre o valor total devido de FGTS, conforme art. 9, §1º
do Decreto 99684/90;
 Pagamento do salário de Fevereiro/2017;
 Aviso prévio indenizado de 33 dias, incluindo a projeção, nos termos da CLT,
art. 7º, caput e XXI da CRFB e Lei 12506/11;
 Entrega da guia de liberação do saque do FGTS depositado na conta vinculada
da trabalhadora, ou emissão de ofício para liberação do saldo de FGTS da conta vinculada.
 Emissão de ofício para liberação do seguro desemprego, ou no caso de
indeferimento do ofício, que a ré entregue as guias para habilitação no seguro desemprego.

SUCESSIVAMENTE, DAS FÉRIAS, FÉRIAS PROPORCIONAIS, 13º


PROPORCIONAL, FGTS E SALDO SALÁRIO:

Requer a autora, como pedido sucessivo, em caso da não concessão do pedido


de rescisão indireta, que ao menos seja acolhido o pedido de pagamento das férias
proporcionais de 7/12 avos, acrescido de 1/3 constitucional, referente ao período aquisitivo de
13/08/2016 a 02/04/2017; 13º salário proporcional de 3/12 avos de 2017; depósito de todos
os meses de FGTS não depositados até 02/04/2017; e pagamento do saldo salário de
Fevereiro/2017.
Tais pleitos se baseiam nos fatos da autora não ter recebido o salário de
Fevereiro/2017, não ter recebido as férias e trezenos proporcionais pleiteados, bem como só
constar depósitos de FGTS até Setembro/2016, faltando os demais meses.

DA TUTELA DE URGÊNCIA:

No caso vertente, segundo art. 300 do CPC c/c art. 769 da CLT, se demonstra a
probabilidade do direito autoral pela comprovação da falta de cumprimento das obrigações
contratuais por parte do empregador, pela ausência de recolhimento previdênciário, bem
como pela ausência do depósito do FGTS na conta vinculada da autora desde Outubro/2016,
tudo conforme documentos em anexo. Ressalta também que pelo NCPC, não é mais
necessário prova inequívoca do Direito, mas sim PROBABILIDADE do mesmo (art. 300,
caput, NCPC c/c art. 769 da CLT).

Por todo o dito e comprovado torna-se impossível a continuidade do labor na ré,


interrompendo a autora a prestação de serviços a partir de 28/02/2017, sendo necessária a
baixa na CTPS da autora com a data de 02/04/2017, considerada a projeção do aviso prévio,
emissão de ofício para liberação das guias do seguro desemprego, e ofício ou entrega das
chaves de conectividade para levantamento do FGTS acumulado na conta vinculada da
autora, mesmo que exista muitos meses faltantes.

Verificam-se presentes no caso em tela o periculim in mora e o fumus boni iuris,


posto que a autora não tem mais condições para continuar trabalhando na ré, bem como não
possui outro emprego, necessitando dos recursos do FGTS e da liberação do seguro
desemprego para viver.

Ressalta a autora que enquadra-se na hipótese do art. 3º, I, a da Lei nº 7.998/1990,


alterada pela Lei 13.134/2015, para recebimento do seguro desemprego.

Desta forma, requer a autora que sejam expedidos ofícios para a habilitação da
mesma no seguro desemprego e expedição de alvará para saque do FGTS (ou na sua
impossibilidade, que seja efetuada a entrega das chaves de conectividade pela ré para o
saque), além da baixa em sua CTPS com data de 02/04/2017.
Pede a autora primeiramente a expedição pelo juízo do ofício e alvará, e não a
entrega das guias pelo empregador, posto que a CEF não faz a liberação do FGTS sem a
baixa da CTPS E homologação do TRCT, e uma vez não existindo o TRCT homologado no
caso em tela, mesmo que a ré entregue a chave de conectividade e as guias em juízo, como
não foi realizada a homologação da rescisão, a CEF não libera o saque do FGTS, assim
procedendo reiteradamente em inúmeros pedidos.

Desta forma, restam presentes os requisitos processuais para a concessão da tutela


de urgência pretendida, nos termos do art. 300 e §1º do CPC. Apenas na recusa do juízo na
expedição do ofício para habilitação do seguro desemprego e alvará para saque do FGTS,
requer a autora que seja deferida a tutela de urgência, de forma sucessiva, para que o
empregador realize a devida entrega das guias e chave de conectividade, além da baixa na
CTPS com data de 02/04/2017 e homologação do TRCT.

DOS DANOS MORAIS:

No caso em tela, verifica-se que a ré efetuava diversas práticas ensejadoras de


reparação pelos danos morais causados, coforme descrito a seguir:

1) AUSÊNCIA DE PLANO ODONTOLÓGICO UNICAMENTE PARA A AUTORA, ENQUANTO


O MESMO ERA FORNECIDO PARA OS DEMAIS FUNCIONÁRIOS:

Conforme narra a autora e resta comprovado pela confissão do Diretor Mauro,


através de conversa pelo Whatsapp (em anexo), é fornecido há tempos plano odontológico
aos funcionários da ré, não sendo o mesmo fornecido somente à autora, já que todas os
demais vendedores, entre outros cargos, possuem o referido benefício.

Conforme comprova pela conversa de whatsapp, em anexo, embora a autora


trabalhe na ré desde 2015, apenas em Janeiro/2017 o referido plano odontológico para a
autora seria regularizado, e mesmo assim não foi, estando a obreira até a presente data
discriminada pela empresa, com menos benefícios que os demais funcionários, mesmo já
tendo mais tempo na empresa que muitos deles.
Tal atitude da ré fere frontalmente o princípio da igualdade, consagrado na CRFB
através do seu art. 5º, caput, bem como o art. 7º, XXX, II da CRBF, que dispõe:

“Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que
visem à melhoria de sua condição social:
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou
entre os profissionais respectivos;”

Tendo em vista a atitude da empresa, completamente discriminatória, faz jus a


obreira a condenação da ré a reparação pelos danos morais causados, no valor de
R$5.000,00.

2) DA PERSEGUIÇÃO A AUTORA NO AMBIENTE LABORAL:

Verifica-se no caso em tela que a autora era vendedora, e recebia de fato de forma
mista, ou seja, com fixo + comissões + bônus + gratificação, conforme comprova
documentalmente e testemunhalmente.

Ocorre que para que os vendedores recebessem boas comissões e bons bônus, era
fundamental que batessem metas, sempre cobradas incessantemente pela ré.

Conforme comprova a autora pela própria confissão no whatsapp do Diretor Mauro,


a obreira era uma das melhores vendedoras da ré, vendendo mais, inclusive que o supervisor
Alex, que além de supervisor, também recebia por vendas.

Ocorre que o supervisor Alex utilizava seu posto de trabalho para desviar a autoria
das vendas, para assim diminuir as comissões e bônus da autora, e aumentar seus ganhos,
bloqueando o login e senha da autora, forçando-a assim a realizar as vendas através do seu
próprio login e senha (do Alex), apropriando-se assim da autoria das mesmas, e
consecutivamente da comissão e bônus provenientes delas.

Tendo em vista tal prática, a autora sempre reclamou da mesma, inclusive com os
superiores hierárquicos do supervisor Alex, levando o caso ao conhecimento de Diretor
Mauro, e do Presidente da Microcamp Cristiano Elsner, não tendo jamais a empresa se
posicionado quanto a prática de apropriação indevida das vendas com o desvio das
comissões + bônus para o supervisor da autora.
Se não fosse tal atitude na ré, a autora faturaria mais de comissões e bônus do que
normalmente recebia.

Além da prática arbitrária reduzir os ganhos da autora, pela mesma reclamar


constantemente, e ter levado tal reclamação aos seus superiores hierárquicos, a reclamante
passou a sofrer perseguição no ambiente laboral, principalmente do seu supervisor Alex, e da
funcionária Ana, do RH.

Através da funcionária Ana, só era lançado internamente para pagamento por fora à
autora as vendas em seu nome, e nunca as que efetuava com a senha do Alex, bem como
passou a efetuar o pagamento dos vales transportes em valores menores que o devido para
a autora se locomover (vide tópico “do pagamento a menor dos vales trsnaportes”), de forma
a causarem efetivos prejuízos à obreira, além de não efetivarem o plano odontológico
unicamente para a autora, conforme já detalhado no item anterior.

Verifica-se ainda que tão logo a autora percebeu que ocorriam alterações nas folhas
de ponto, a mesma também fez reclamação de tal prática junto a empresa, posto que
conforme pode-se perceber no espelho de referência de 01/03/2016 à 23/03/2016, onde no
campo “Marcações Reg. no REP” consta regularmente a jornada cumprida pela autora,
enquanto no campo ao lado “Jornada Realizada” consta o horário de entrada da autora na
“Ent. 1º período”, o horário de saída da autora na “Ent. 2º período”, tentando a ré adulterar a
marcação do meio (“Sai 1º período”), gerando assim completa inconsistência de dados no
mesmo doc. de espelho de ponto.

Devido a tais reclamações pela autora, a ré passou a aplicar à autora cartas de


advertências injustificadas, chegando a dar 2 cartas de advertências no mesmo dia
28/07/2016 (em anexo), com previsões diferentes: uma pelo art. 482, “C” da CLT, e outra pelo
art. 482, “B” da CLT, mas sem em nenhuma delas explicitar a irregularidade que teoricamente
estava sendo punida, o que é fundamental para a validade da advertência.

Tal prática da ré se intensificou entre o fim de 2016 e início de 2017, quando as


perseguições a autora se tornaram mais frequentes, bem como os atos de difamação da
mesma no ambiente de trabalho, afetando o psicológico da obreira, que tanto se empenhava
pela empresa. Tal difamação era de conhecimento do Diretor Mauro, que embora tecesse
elogios à autora em mensagem de ano novo, reconhecendo sua competência, relatou ter
ciência das difamações da mesma, sem efetivamente tomar nenhuma atitude (diálogo do
whatsapp em anexo).

E as perseguições à autora só aumentaram, com novos cancelamentos de seu login


e senha para que fossem feitas vendas no nome do supervisor Alex, com pagamentos a
menor de vales transportes e alterações na folha de ponto, com fofocas e difamações internas
do nome da autora, pela constante cobrança de metas, pelas advertências e suspensões
infundadas, pela exclusão da autora do grupo de vendas da empresa no whatsapp
(comprovação em anexo, pela confissão de tal ato pelo Diretor Mauro), entre outras práticas
que tornavam a vida da autora insustentável na ré.

Em 06/01/2017, ao reclamar da alteração das suas folhas de ponto com a funcionária


Ana do RH, recebeu suspensão sem qualquer motivação, constando genéricamente “ato de
indisciplina ou insubordinação”, sem qualquer especificação do ato, o que lembra a autora: é
obrigatório! Devido a esta suspensão recebida para os dias 06/01/2017 e 07/01/2017, a autora
foi irregularmente descontada em seu contracheque, e o ambiente laboral proporcionado à
autora se encontrava tão insustentável há tempos que a mesma passou a sofrer com
depressão, tendo insônia, letargia, tristeza imotivada, fadiga excessiva, entre outros, restando
DIAGNOSTICADO PELO SUS SOFRIMENTO LABORAL COM NECESSIDADE DE
ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO, conforme atestados médicos em anexo de
09/01/2017 e 13/01/2017.

Mesmo doente, sofrendo perseguição no ambiente laboral, sem que a ré cumprisse


seus deveres legais de empregador, a autora ainda assim tentava trabalhar, mas a pressão
sobre a mesma era enorme, chegando ao ponto de em 26/01/2017 a autora ser ameaçada de
se atendesse até 3 pessoas sem nenhuma venda, seria retirada do balcão e receberia
advertência para que não fosse possível mais qualquer atendimento pelo resto do dia, o que
de fato ocorreu. Perceba, Exa que mais uma vez não consta nenhuma descrição do ato de
indisciplina ou insubordinação da advertência disciplinar de 26/01/2017, em anexo, apenas
sendo as advertências disciplinares um instrumento de pressão e perseguição laboral à
autora, quase sempre encabeçados pelos supervisor Alex e a Ana, do RH, sem que a empresa
tomasse qualquer posicionamento, embora já ciente há tempos dos problemas.

Por todo o exposto, e em comprovado quadro de depressão, encadeado pelo


sofrimento laboral decorrente das perseguições e pressão excessiva da ré, a autora teve que
ausentar-se justificadamente do serviço, conforme atestados médicos de 03/02/2017,
08/02/2017, e 15/02/2017, sendo medicada com Rivotril, e encaminhada ao
psicólogo/psiquiatra, tudo conforme comprovantes médicos do SUS, em anexo.
Diante do exposto, torna-se evidente o desrespeito aos direitos constitucionalmente
assegurados de bem estar social e de preservação da honra e imagem do indivíduo, garantido
pelos arts.3º, IV e 5º, X, ambos da CRFB/88, chegando a ré a comprovadamente prejudicar a
saúde de sua funcionária, conforme atestados médicos anexos de DEPRESSÃO POR
SOFRIMENTO LABORAL e, portanto, é dever da ré reparar os danos morais causados,
amparado ainda nos termos do art. 8ᵒ, § único da CLT c/c arts. 927 e 932, III do CC/02.

Por todo o exposto, faz juz a autora à reparação pelos danos morais causados, no
montante de R$20.000,00 (vinte mil reais).

DO RECOLHIMENTO DE INSS:

Pede a reclamante que a reclamada seja condenada ao recolhimento das


contribuições fiscais ao INSS, no que tange as parcelas objeto da sentença, em obediência à
Súmula 368 e incisos do TST.

DO RESSARCIMENTO PELOS HONORÁRIOS CONTRATUAIS:

Verifica-se que tendo em vista a série de descumprimentos contratuais do


empregador, não restou outra alternativa à autora senão o ingresso da presente ação judicial.
Ocorre que para o mesmo, fez-se necessária a contratação de advogado, o que gera maior
custo ao reclamante, que por direito deveria receber suas verbas sem sequer a necessidade
de ingresso na Justiça.

Dispõe o art. 114, VI da CRFB/88 que Compete à Justiça do Trabalho processar e


Julgar as ações de indenização por dano material e patrimonial, decorrentes da relação de
trabalho.

Ademais, os honorários convencionais integram o valor devido a título de perdas e


danos, nos termos dos artigos 389, 395 e 404 do CC/02.

O fato da autora ter que dispender de seus recursos para fazer valer seu direito, fato
acarretado única e exclusivamente pelo réu, configura prejuízo material e, portanto, deve ser
indenizado pelo réu.
Desta forma, deve o réu arcar com o custo de 30% do valor total da condenação,
referente aos honorários contratuais.

DA MULTA DO ART. 467 CLT:

Pleiteia-se ainda o pagamento do total dos valores que se mostrarem incontroversos,


que deve ser efetuado por ocasião da primeira audiência, sob pena de acréscimo de 50% na
forma do artigo 467 da CLT.

DA AUTENTICIDADE DAS CÓPIAS APRESENTADAS:

Declara patrona do reclamante que as cópias juntadas aos autos conferem com os
originais e cópias apresentados pela autora à advogada, nos termos do art. 830, caput da
CLT.

DAS PUBLICAÇÕES:

Requer que todas as publicações sejam expedidas para a patrona LUANA CASSIA
DO CARMO FILGUEIRAS – OAB/RJ nº 147636.

DO REQUERIMENTO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS:

Requer a autora que a ré apresente documentos de guarda obrigatória, como seus


contracheques, folhas de ponto e comprovantes de pagamento do vale transporte,
esclarecendo desde já que as rés possuem mais de 10 funcionários e, portanto, sua utilização
e guarda é obrigatória, bem como sua apresentação à Justiça.

DOS PEDIDOS:
Diante do exposto, requer-se à V. Exa. a condenação da ré nos itens abaixo elencados,
aos quais deverão ser apurados em liquidação de sentença, com os respectivos juros e
correção legal:

1- A notificação da Reclamada para, querendo, apresentar defesa, sob pena de não o


fazendo, ser considera revel e confessa quanto a matéria fática na forma do art. 844 da CLT;

2 – Que seja concedido o benefício da gratuidade de Justiça;

3- Que seja concedido a inversão do ônus da prova no que for cabível, observados os
arts. 852-H e 818, ambos da CLT;

4- Informa a autora que tem interesse na audiência de conciliação;

5- Requer a autora o reconhecimento do pagamento das comissões semanais e


mensais pagas por fora, considerado R$2.874,00 de comissão mensal + R$ 1.760,00 de
comissão semanal, somando efetivamente o total ganho de comissão médio de R$ 4.634,00,
a ser integralizado ao salário da autora, com sua anotação em CTPS, bem como que as
mesmas sejam computadas para cálculos de RSR, saldo salário, trezenos, férias + 1/3, FGTS,
40% sobre o FGTS, horas extras, recolhimento previdenciário e aviso prévio.

Requer ainda que a partir de Novembro/2016 até a rescisão do contrato de trabalho,


que seja reconhecido, acrescido e pago à autora o valor de R$934,00/mês a título da diferença
média das comissões diminuídas, conforme fundamentação, vedando o julgador a mudança
de parâmetro de cálculo das comissões de forma unilateral e prejudicial aos empregados.

6- Requer o pagamento das comissões de Dezembro/2016 e Janeiro/2017, no valor


das comissões mensais + semanais total de R$ 4.634,00/mês, bem como que as mesmas
sejam computadas para cálculos de RSR, saldo salário, trezenos, férias + 1/3, FGTS, 40%
sobre o FGTS, horas extras, recolhimento previdenciário e aviso prévio.

7- Requer o reconhecimento do pagamento dos prêmios de forma habitual, no valor


médio de R$50,00 diários a título de prêmio por aproveitamento, bem como sua anotação na
CTPS. Requer ainda sua integração para cálculo de RSR, saldo salário, trezenos, férias +1/3,
FGTS, 40% sobre o FGTS, horas extras, recolhimento previdenciário e aviso prévio, tudo nos
termos da inicial;

8- Requer o reconhecimento do pagamento das gratificações de forma habitual, no


valor médio de R$50,00 por matrícula, considerada a média de 10 matrículas por
indicação/mês, o que totaliza o ganho mensal de R$ 500,00, com sua anotação em CTPS e
integração para cálculo dos reflexos em RSR, saldo salário, trezenos, férias + 1/3, FGTS,
40% sobre o FGTS, horas extras, recolhimento previdenciário e aviso prévio, tudo nos termos
da inicial;

9- Requer a autora que a ré seja condenada ao pagamento da diferença dos vales


transportes devidos desde Abril/2016 até o fim do contrato de trabalho com a ré, descontados
os valores já creditados no Riocard da obreira.

10- Requer a condenação da ré ao pagamento das horas extras excedentes a 44ª


semanal, e por serem habituais, e de natureza salarial, devem as mesmas serem
consideradas para cálculo do salário, diferença salarial, décimo-terceiro salário, férias
acrescidas de 1/3, repouso semanal remunerado (RSR), aviso prévio, depósito do FGTS +
40% e recolhimento de INSS, de todo o período trabalhado;

11- Pagamento do adicional das horas extras referentes à supressão do intervalo


intrajornada para repouso e alimentação, devendo as mesmas serem consideradas para
cálculo do saldo salário, décimo-terceiro salário, aviso prévio, férias acrescidas de 1/3,
adicional noturno, repouso semanal remunerado (RSR), depósito do FGTS e recolhimento de
INSS, de todo o período trabalhado.

12- A declaração e o deferimento da rescisão indireta com base no art. 483, “d” da
CLT, com a devida baixa na CTPS com data de 02/04/2017, considerada projeção do aviso
prévio, nos termos da OJ nº 82 da SDI-1 do TST, considerando que o último dia da reclamante
à disposição do seu empregador foi em 28/02/2017, requerendo ainda o pagamento das
consequentes verbas rescisórias e direitos ainda devidos, conforme a seguir:

 Baixa na CTPS da obreira, com a data de 02/04/2017, considerada a projeção


do aviso prévio de 33 dias;
 Férias proporcionais de 7/12 avos, acrescido de 1/3 constitucional e
considerada projeção do aviso prévio, referente ao período aquisitivo de 13/08/2016 a
02/04/2017;
 13º salário proporcional de 3/12 avos de 2017;
 Depósito de todos os meses de FGTS não depositados, até 02/04/2017,
conforme informado na inicial, considerada projeção do aviso prévio, com acréscimo
pecuniário de 40%(multa de FGTS) sobre o valor total devido de FGTS, conforme art. 9, §1º
do Decreto 99684/90;
 Pagamento do salário de Fevereiro/2017;
 Aviso prévio indenizado de 33 dias, incluindo a projeção, nos termos da CLT,
art. 7º, caput e XXI da CRFB e Lei 12506/11;
 Entrega da guia de liberação do saque do FGTS depositado na conta vinculada
da trabalhadora, ou emissão de ofício para liberação do saldo de FGTS da conta vinculada.
 Emissão de ofício para liberação do seguro desemprego, ou no caso de
indeferimento do ofício, que a ré entregue as guias para habilitação no seguro desemprego.

13- Sucessivamente, em caso da não concessão do pedido de rescisão indireta,


que ao menos seja acolhido o pedido de pagamento das férias proporcionais de 7/12 avos,
acrescido de 1/3 constitucional, referente ao período aquisitivo de 13/08/2016 a 02/04/2017;
13º salário proporcional de 3/12 avos de 2017; depósito de todos os meses de FGTS não
depositados até 02/04/2017; e pagamento do salário de Fevereiro/2017;

14- Deferimento da TUTELA DE URGÊNCIA para expedição do ofício para


habilitação do seguro desemprego e alvará para saque do FGTS, além da baixa na CTPS
com data de 02/04/2017 e homologação do TRCT. Requer a autora que no caso da não
expedição de alvará para liberação do FGTS e de ofício para habilitação do seguro
desemprego, que ao menos a ré seja intimada a entrega das guias para a habilitação do
seguro desemprego e entrega da chave de conectividade para o saque do FGTS;

15- Que a ré seja condenada a reparação pelos danos morais causados, devido ao
ato discriminatório de não fornecimento de plano odontológico unicamente para a autora, no
valor de R$5.000,00;

16- Que a ré seja condenada a reparação pelos danos morais causados, devido a
perseguição no ambiente laboral, configurada por apropriação indevida de comissões + bônus
+ gratificação, aplicação de suspensões e advertências não fundamentadas, alteração de
folhas de ponto, pagamento a menor de vales transportes, difamação do nome da autora na
empresa, bem como todos os demais atos de pressão desmedida que levaram a autora ao
quadro comprovado pelo SUS de depressão por sofrimento laboral, no valor de R$20.000,00.

17- que a reclamada seja condenada ao recolhimento das contribuições fiscais ao


INSS, no que tange as parcelas objeto da sentença, em obediência à Súmula 368 e incisos
do TST.

18- Ressarcimento dos honorários contratuais, nos termos da inicial;


19- Condenação da ré a multa do art. 467 da CLT, caso não efetue o pagamento dos
valores incontroversos das verbas rescisórias;

20- Requer que todas as publicações sejam expedidas para a patrona LUANA CASSIA
DO CARMO FILGUEIRAS – OAB/RJ nº 147636.

21- Que a ré apresente documentos de guarda obrigatória, como os contracheques da


autora, folhas de ponto e os comprovantes de pagamento do vale transporte, com seus
valores.

22- Emissão de ofícios ao Ministério Público do Trabalho, INSS e Delegacias


Regionais do Trabalho.

DO VALOR DA CAUSA

Dá-se a causa o valor de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais).

E. Deferimento.

Rio de Janeiro, 02 de março de 2017.

Luana Cassia do Carmo Filgueiras

OAB/RJ n° 147636