Você está na página 1de 3

Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF

Aila Kathleen Sais da Silva

Fichamento do capítulo ‘Conquista do centro-sul: fundação da Colônia de


Sacramento e o “achamento” das Minas’ escrito por Carla Maria Carvalho de Almeida e Mônica
Ribeiro de Oliveira. 20Seis

No início do capítulo, as autoras dão uma espécie de apresentação prévia sobre o que o capitulo
ira tratar, assim é escrito de forma evidente que a quinta etapa do livro se configura em uma
explicação reflexiva de todo um panorama da situação do Império Portugues nas décadas do século
XVII e XVIII considerando suas relações com outras nações europeias, dando enfoque nas
possessões coloniais, também tratando sobre a fundação da Colõnia de Sacramento dentro de um
contexto de disputas imperiais.
Ao tratar sobre os antecedentes, é retratado no texto como Portugal conseguiu manter o senhorio
sore o comercio e o litoral africano, ganhando o controle do mercado, tendo domínio sobre postos e
obtendo permissão para abastecer a América espanhola. Portugal, no século XVI, buscava ampliar
seus domínios e fronteiras, algo que fosse além do Tratado de Tordesilhas, para tentar estabelecer
uma rota comercial ente o litoral e a regiao de platina. A América Portuguesa também tinha o
interesse em expandir o seu acesso ás preciosas mercadorias, querendo ter domínio sobre a seda e a
porcelana, por exemplo.
Já sobre a formação das primeiras redes mercantis, se afirma que se tinha um comércio
clandestino que se infiltrava em Buenos Aires, desenvolvendo a função de reexportar os produtos
manufaturados para a região platina, feito por alguns centros, como Bahia, Rio de Janeiro e
Pernambuco, o que levou ao surgimento da palavra ‘peruleiro’, termo este usado para se referir aos
comerciantes que faziam esse contrabando das cidades brasileiras com rio da Prata. Salvador tinha
um grande papel nessas relações, sendo um grande centro de redistribuição de mercadorias para
outros lugares, já no Rio de Janeiro, os peruleiros e suas atividades eram bem fortes por
comerciantes de origem lusitana, na maioria das vezes judeus.
Sobre as exportações, se exportava arroz, gengibre, marmelo, açúcar e outras coisas para Buenos
Aires em troca de ouro, joias, moedas, carnes e sebo. Estas relações de comércio permite a
exploração sobre a formação de redes mercantis no espaço colonial brasileiro, onde os comerciantes
e os grupos familiares tinham grande controle, através dos asientos conseguiam expandir fronteiras
e também se enraizar no território colonial. Por ter o controle sobre o tráfico negreiro, os lusitanos
tinham uma vantagem sobre os espanhóis. Essas relações interpessoais em Buenos Aires
demandavam um certo crédito, e eram baseadas em laços de honras, favores e fidelidade.
Com as mudanças sobre quem poderia navegar para Buenos Aires ou não, os assentistas
perderam esse direito, adjunto da impossibilidade de fiscalização de Madri, o intercambio entre o
Rio de Janeiro e o rio da Prata se intensificou. Além disso, o texto trata sobre as relações comerciais
com a Índia, caracterizando a expansão no local e seus nichos territoriais e redes comerciais,
dominados por mercadores autônomos. Mais tarde, alguns conflitos com a Holanda e Espanha
ocasionou a chamada Companhia das Índias Ocidentais.
A restauração e o novo contexto da América Portuguesa traz consigo aparatos muito relevantes, já
que no começo da rebelião pela restauração, prejudicou bastante o comércio com Buenos Aires, e
ao terminar a guerra da Restauração, Portugal se encontrava endividada. Os Holandeses depois de
expulsos pelos espanhóis, optaram por montar seu próprio sistema açucareiro em Antilhas. A
restauração configurou os centros do poder, reestruturando as elites sociais, além de a elite
aristocrática ter se cristalizado durante o reinado de D. Pedro II.
Segundo Alencstro, a estabilidade política interna era tamanha, que nem as crises financeiras
conseguiram ruir tal tenuidade. A dinastia bragantina deu seu consentimento para as remessas de
africanos enviados para a America Hispânica. Portugal tinha receio do bloqueio do trato angolano,
pois ele poderia incentivar Madri ocupar Luanda, além de claro, ter medo de perder o trato angolano
para os holandeses. A reconquista de Angola ficou então como função do Rio de Janeiro, abrindo as
portas para um cogestação luso-brasileira no Atlântico Sul.
Ainda sobre o processo de estabilização da dinastia bragantina, demandou varias mudanças e
perdas no Oriente, como escassez de materiais preciosos e os endividamentos decorrentes da guerra
de restauração. Ademais, sobre as elites, ocorreu um escalonamento de mérito dos combates no
ultramar, acarretando a um novo pacto político entre a periferia e o centro do Império Ultramarino.
O repovoamento colonial da América portuguesa é marcado bastante pela perseguição aos índios
e quilombolas, crescendo assim a atribuição de mérito para quem agia militarmente contra esses
povos. No fim desse processo, se tem uma política voltada para a dizimação dos indígenas e da
utilização da mão de obra africana.
Mesmo com o firmamento político da Bragança, a economia ainda era muito dependente das
reexportações, período esse também fortemente marcado pela crise da economia açucareira. Lisboa
com o intuito de aumentar seus lucros, subiu a taxa do açúcar brasileiro vendido na Europa,
evidenciando a depressão econômica. A Coroa portuguesa adotou medidas, sendo uma delas a
implantação da Casa da Moeda em Salvador, e a outra o incentivo ás incursões bandeirantes pelo
sertão em busca de ouro.
Para a religação da corrente de prata de Potosí, houve o planejamento de vários planos bem
ambiciosos, como o plano de invadir Buenos Aires e construir uma fortaleza aos arredores, porém o
outro plano pareceu mais viável, que foi a criação de outra capitania no território em litígio. A partir
do momento que a Coroa espanhola foi obrigada a ceder á pressão luso-francesa, recomeçou a
consolidação do poder luso no Prata.
A fundação da Colônia de Sacramento trouxe consigo muitos significados importantes, como a
representação da materialização do processo de expansão territorial e comercial do Estado lusitano
e das elites, abandonando os limites impostos pelo Tratado de Tordesilhas. Ademais, o avanço dos
vicentinos pelo sul do Brasil também está ligado a questão da fundação de Sacramento.
Como mencionado no texto, a fala de João Fragos é muito importante para entender essas
relações, tendo dito que ‘o sistema de mercês no reino e nas conquistas produzia súditos para a
Coroa, gerava laços de lealdade, porém dava condições para a geração e reprodução de uma elite
local com interesses próprios’. Na época, controlar Sacramento representava a maior posição de
poder para a manutenção do contrabando e da expansão pecuarista.
A partir de todos esses movimentos de expansão e descobertas que o ouro foi encontrado nos
Seiscentos, em uma região pouco distante do Rio de Janeiro, chamada Minas Gerais. O
descobrimento dessas minas foi resultado dos desdobramentos realizados para a fuga das crises que
a coroa portuguesa se encontrava. Mas a busca do ouro não foi por acaso, esse anseio já era presente
antes, mas por grande tempo essa vontade foi ficando em segundo plano, mas nunca inexistente. A
busca pelos materiais preciosos foi então impulsionada, por cartas enviadas a sertanistas por
algumas autoridades, ordenando a busca pelo ouro.
Nesta época, na América portuguesa, a busca por constante obtenção de terras, índios e riquezas
era essencial para o desenvolvimento do sistema agrário e da estrutura hierárquica consequente
dele. Outro elemento bem exaltado no texto são as relações de amizade e parentescas que pautavam
as ações coletivas da sociedade. A Coroa além de incentivar a busca por materiais preciosos queria
ter o controle sobre tal corrida, enviando assim um representante régio para acompanhar os novos
descobertos, representantes estes que tinham um perfil ordenador inquestionável.
As autoras apontam que, algumas situações indica que a extração de ouro em São Paulo foi
sigilosa, apontamento este que é pautado na frequência com que se parecia instrumentos de trabalho
ligados a prática mineradora nos inventários de São Paulo. Indo na mesma via que estes
apontamentos, Adriana Romeiro afirma que os paulistas já sabiam da abundância de ouro nos
sertões mas não informavam sobre isso pelo receio a implantação do poder metropolitano em áreas
dominadas por eles e também pela insatisfação com as recompensas fornecidas pela Coroa.
Os paulistas eram conhecidos por suas técnicas de combate, onde sobreviviam nos matos e
capturavam indígenas que lhe serviam de mão de obra, tendo grande crédito por ter derrotadas o
quilombo os Palmares e os bárbaros do Açu. Ademais, segundo Adriana Romeiro, os paulistas
romperam com os padrões políticos da sociedade do Antigo Regime, fazendo uso da economia da
graça. Outra informação importante no texto, é a citação de M. Hespanha para explicar o hábito de
dar e receber praticado pelos paulistas, construindo o mercado de privilégios e reforçando a tríade
de obrigações, que se baseava na prática de dar, receber e restituir.
As autoras refletem o quão esses episódios sobre a história dos descobrimentos falam e explicitam
o esquema que ocorria de metrópole versus colônia, e também explica a maneira como os cargos
concedidos pelo rei era uma grande moeda de troca. Além da possibilidade de enriquecimento
advindo da descoberta pelo ouro, a mineração também segurava o título de nobre.
No século XVII a corrida pelo ouro se iniciou, e nesse primeiro movimento o ouro era extraído de
modo aluvião, encontrado em córregos e leito dos rios, maneira esta conhecida pela peneiração.
Mais posteriormente, houve a escassez desse tipo de extração, levando os mineiros a explorarem
técnicas mais complexas, como desviar o percurso do rio para deixar descoberto seu leito. Houve
também o uso de máquinas hidráulicas, rodas de minerar e rosários. A explosão da mieração
intensificou o tráfico negreiro, aumentando assim o número de africanos e seus descendentes na
região.
O texto ressalta que na época, além da atividade mineradora, outras atividades atraiam pessoas
para a região, região esta com um grande número de escravos requeria artefatos de subisistencia,
dando brecha para o crescimento da atividade agrícola na região, então é correto dizer que a
mineração cresceu ao lado da agricultura. As pessoas que cuidavam do abestecimento da região
eram chamados de mascates. Já a ordenação e a fiscalização da região ficava na mão do guarda-mor
e seus auxiliares, escolhidos também pela base familiar. Nesta época o rei era a figura que garantia
o bem comum, sendo visto como a cabeça de um organismo, já que gerenciava os corpos que
compunha a comunidade. A busca por novas áreas para subsidiar toda a região levou aos
bandeirantes paulistas a adentrar mais a América Portuguesa, época esta onde ocorrou uma nova
reinteração das elites coloniais. Diferentemente de Minas Gerais, no Mato Grosso a mão de obra
escrava era indígena.
É concluído então que o capítulo fichado trata sobre como o Império deixou de ser oriental e
passou a ser sul-atlantico a partir da difusão de diferentes grupos em diferentes espaços no tempo.
Além disso, o cárater das redes familiares na realização dos negócios mercantis também é bem
ressaltado durante a escrita, adjunto do alargamento dos limites do Império. E a infiltração nas
matas de grupos lusos e lusos-brasileiros para a busca do descobrimento do ouro, elencando novas
alternativas de ascensão social, e também a mudança geopolítica no Império portugu ẽs ficou
evidente ao longo da leitura.
.