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FILOSOFIA – 3ª SÉRIE – PROFESSOR CÍCERO

PLATÃO

Reprodução do busto de Platão

Platão de Atenas, 428 a.C. - 347 a.C., filósofo grego. Discípulo de Sócrates,
fundador da Academia e mestre de Aristóteles. Seu nome verdadeiro era
Aristócles; Platão era um apelido que, provavelmente, fazia referência à sua
característica física, tal como o porte atlético ou os ombros largos, ou ainda a sua
ampla capacidade intelectual de tratar de diferentes temas. Πλάτος (plátos), em
grego significa amplitude, dimensão, largura. Sua filosofia é de grande importância
e influência. Platão ocupou-se com vários temas, entre eles ética, política,
metafísica e teoria do conhecimento.

1. Pensamento platônico
Detalhe de Platão, em: A Escola de Atenas, obra do renascentista Rafael.

Em linhas gerais, Platão desenvolveu a noção de que o homem


está em contato permanente com dois tipos de realidade: os
inteligíveis e os sensíveis. Os primeiros são realidades, mais
concretas, permanentes, imutáveis, iguais a si mesmas. As
segundas são todas as coisas que nos afetam os sentidos, são
realidades dependentes, mutáveis e são imagens das realidades
inteligíveis. Tal concepção de Platão também é conhecida por
Teoria das Idéias ou Teoria das Formas. Foi desenvolvida como
hipótese no diálogo Fédon e constitui uma maneira de garantir a
possibilidade do conhecimento e fornecer uma inteligibilidade
relativa aos fenômenos. Para Platão, o mundo concreto
percebido pelos sentidos é uma pálida reprodução do mundo das
Idéias. Cada objeto concreto que existe participa, junto com todos
os outros objetos de sua categoria, de uma Idéia perfeita. Uma
determinada caneta, por exemplo, terá determinados atributos (cor, formato, tamanho, etc). Outra
caneta terá outros atributos, sendo ela também uma caneta, tanto quanto a outra. Aquilo que faz com
que as duas sejam canetas é, para Platão, a Idéia de Caneta, perfeita, que esgota todas as
possibilidades de ser caneta. A ontologia de Platão diz, então, que algo é na medida em que participa
da Idéia desse objeto. No caso da caneta é irrelevante, mas o foco de Platão são coisas como o ser
humano, o bem ou a justiça, por exemplo. O problema que Platão propõe-se a resolver é a tensão
entre Heráclito e Parmênides: para o primeiro, o ser é a mudança, tudo está em constante movimento
e é uma ilusão a estaticidade, ou a permanência de qualquer coisa; para o segundo, o movimento é
que é uma ilusão, pois algo que é não pode deixar de ser e algo que não é não pode ser, assim, não

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há mudança. Ou seja (por exemplo), o que faz com que determinada árvore seja ela mesma desde o
estágio de semente até morrer, e o que faz com que ela seja tão árvore quanto outra de outra
espécie, com características tão diferentes? Há aqui uma mudança, tanto da árvore em relação a si
mesma (com o passar do tempo ela cresce) quanto da árvore em relação à outra. Para Heráclito, a
árvore está sempre mudando e nunca é a mesma, e para Parmênides, ela nunca muda, é sempre a
mesma e é uma ilusão sua mudança. Platão resolve esse problema com sua Teoria das Idéias. O que
há de permanente em um objeto é a Idéia, mais precisamente, a participação desse objeto na sua
Idéia correspondente. E a mudança ocorre porque esse objeto não é uma Idéia, mas uma incompleta
representação da Idéia desse objeto. No exemplo da árvore, o que faz com que ela seja ela mesma e
seja uma árvore (e não outra coisa), a despeito de sua diferença daquilo que era quando mais jovem
e de outras árvores de outras espécies (e mesmo das árvores da mesma espécie) é sua participação
na Idéia de Árvore; e sua mudança deve-se ao fato de ser uma pálida representação da Idéia de
Árvore. Platão também elaborou uma teoria gnosiológica, ou seja, uma teoria que explica como se
pode conhecer as coisas, ou ainda, uma teoria do conhecimento. Segundo ele, ao vermos um objeto
repetidas vezes, uma pessoa lembra-se, aos poucos, da Idéia daquele objeto, que viu no mundo das
Idéias. Para explicar como se dá isso, Platão recorre a um mito (ou uma metáfora) que diz que, antes
de nascer, a alma de cada pessoa vivia em uma Estrela, onde localizam-se as Idéias. Quando uma
pessoa nasce, sua alma é "jogada" para a Terra, e o impacto que ocorre faz com que esqueça o que
viu na Estrela. Mas ao ver um objeto aparecer de diferentes formas (como as diferentes árvores que
se pode ver), a alma recorda-se da Idéia daquele objeto que foi vista na Estrela. Tal recordação, em
Platão, chama-se anamnesis.

Conhecimento
Platão não buscava as verdades essências da forma física como buscavam Demócrito e seus
seguidores, sob influência de Sócrates buscava a verdade essencial das coisas. Platão não poderia
buscar a essência do conhecimento nas coisas, pois estas são corruptíveis, ou seja, variam, mudam,
surgem e se vão. Como o filósofo deveria buscar a verdade plena, deveria buscá-la em algo estável,
as verdadeiras causas, pois logicamente a verdade não pode variar, se a uma verdade essencial para
os homens esta verdade dever valer para todas as pessoas. Logo, a verdade deve ser buscada em
algo superior. Nas coisas devem ter um outro fundamento, que seja alem do físico (metafísico), a
forma de buscar estas realidades vem do conhecimento, não das coisas, mas do além das coisas.
Esta busca racional é contemplativa, isto significa buscar a verdade no interior do próprio homem.
Porém o próprio homem não é meramente sujeito particular, mas como um participante das verdades
essênciais do ser. Platão assim como seu mestre Sócrates busca descobrir as verdades essenciais
das coisas. O conhecimento era assim o conhecimento do próprio homem, mas sempre ressaltando o
homem não enquanto corpo, mas enquanto alma. O conhecimento que continha na alma era a
essência daquilo que existia no mundo sensível, assim em Platão também a técnica e o mundo
sensível eram secundários. A alma humana enquanto perfeita participa do mundo perfeito das idéias,
porém este formalismo só é reconhecível na experiência sensível. Também o conhecimento tinha fins
morais, isto é, levar o homem à bondade e a felicidade. Assim a forma de conhecimento era um
reconhecimento, que faria o homem dar-se conta das verdades que sempre já possuía e que o
levavam a discernir melhor dentre as aparências de verdades e as verdades. A obtenção do
autoconhecimento era um caminho árduo e metódico. Referente ao mundo material o homem pode
ter somente a doxa (opinião) e téchne (técnica), que permitia a sobrevivência do homem, ao passo
que referente ao mundo das idéias, ou verdadeiro conhecimento filosófico o homem pode ter a
épisthéme (verdadeiro conhecimento). Platão não defendia que todas as pessoas tivessem iguais
acesso a razão, apesar de todos terem a alma perfeita, porém nem todos chegavam à contemplação
absoluta do mundo das idéias.

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Política
"... os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filósofos
chegue ao poder, ou antes, que os chefes das cidades, por uma divina graça, ponham-se a
filosofar verdadeiramente". (Platão).

Esta afirmação de Platão deve ser compreendida baseado na teoria do conhecimento, e lembrando
que o conhecimento para Platão tem fins morais. Mas cumpre ressaltar outro aspecto: Platão
acreditava que existiam três espécies de virtudes baseadas na alma. A primeira virtude era a da
sabedoria, deveria ser a cabeça do Estado, ou seja, a do governante, pois possui caráter de ouro e
utiliza a razão. A segunda espécie de virtude é a coragem, deveria ser o peito do estado, isto é, os
soldados, pois sua alma de prata é imbuída de vontade. E, por fim, a virtude da temperança, que
deveria ser o baixo-ventre do estado, ou os trabalhadores, pois sua alma de bronze orienta-se pelo
desejo das coisas sensíveis.

O Homem
O homem para Platão era dividido em corpo e alma. O corpo era a matéria e a alma era o imaterial e
o divino que o homem possuía. Ao passo que o corpo sempre está em constante mudança de
aparência, forma... A alma não muda nunca, a partir do momento em que nascemos temos a alma
perfeita, porém não sabemos. As verdades essenciais estão escritas na alma eternamente, porém ao
nascermos esquecemos, pois a alma é aprisionada no corpo. Platão acreditava que a alma depois da
morte reencarnava em outro corpo, mas a alma que se ocupava com a filosofia e com Bem esta era
privilegiada ao morrer, a ela era concedida o privilégio de passar o resto de seus tempos em
companhia dos deuses. O conhecimento da alma é que dá sentido à vida. Tudo foi criado pelo
Demiurgo (seu criador), um divino artesão que criou o mundo real e sua aparência. Ação do homem
se restringe ao mundo material, no mundo das idéias o homem não pode transformar nada. Porque se
é perfeito não pode ser mais perfeito.

2. O Racionalismo:
- Platão era racionalista.
- Para ele o conhecimento é obtido pela razão e não pela experiência.
- Para Platão aquilo que percebermos pela experiência dos sentidos apenas nos dá
aparências e ilusões que servem como estímulo para o desejo de conhecer.
- Para Platão, o verdadeiro conhecimento somente é possível pela ação do intelecto
racional que faz um verdadeiro interrogatório dialético dos pensamentos. Por meio
desta dialética, lentamente começamos a relembrar em nossa mente a verdade que se
esconde por trás dos fatos.
3. O Fenômeno, Mundo material, Doxa e a Episteme:
- Fenômeno.
o Tudo aquilo que aparece.
o São todas as percepções que se apresentam á alma pensante, por intermédio dos
sentidos.
o Somente a alma tem o poder de organizar os fenômenos, dando-lhes sentido e
unificação.

- Mundo material.
o É o mundo formado pelo conjunto de fenômenos que se apresentam aos nossos

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sentidos.
o Está constituído apenas de aparências instáveis, mutáveis e efêmeras que não trazem
em si explicações da si mesmas.
- Doxa.
o O mundo sensível é o mundo das relatividades.
o Cada um segundo seu histórico, interesses e formação, percebe-o à sua maneira.
o Platão chama a maneira pessoal e relativa de perceber o mundo sensível de doxa,
opinião.
o O conhecimento da doxa é um conhecimento daquilo que se apresenta a cada pessoa, no
instante efêmero em que aparece como tal.
o Pelos caminhos dos sentidos e da doxa, jamais será possível atingir o conhecimento verdadeiro
e a causa última das coisas – as essências.
o Este caminho somente é possível de ser alcançado pelo uso da razão.
o A doxa é uma ilusão.
- Episteme.
o É o conhecimento.
o É um termo oposto à doxa.
o A Epistemologia ou teoria do conhecimento é o caminho seguro que conduz à verdade.
o A epistemologia é o antídoto para o mundo das opiniões ou doxa.
o Platão afirma que não podemos confiar em nossos sentidos para chegarmos ao conhecimento
verdadeiro, uma vez que eles nos conduzem pelo perigo e movediço terreno da doxa.
o Platão afirma que conhecimento é um exercício constante da razão.
- O Papel da Filosofia:
o O único caminho para se libertar das ilusões do relativismo e das aparências produzidas
pelos sentidos é o aprimoramento radical e constante da racionalidade como forma de
ascender ao mundo das idéias.
o É pela filosofia que se chega ao Hiperurâneo e o verdadeiro Bem.
o A Filosofia é o único método para se libertar da doxa e alcançar o supremo objetivo da
vida:
 O Bem.
o O que é o Bem em Platão?
 O Bem é a causa de toda a ordem e beleza que se encontra no mundo.
 Para Platão o Bem é a meta suprema que todos os seres buscam ao longo do seu ato de
existência.
 O Bem é o objeto último do conhecimento filosófico.
 É a idéia que une todas as idéias.
 É o que dá o real sentido a todas as coisas e a todos os fenômenos.
 É o princípio supremo que orienta o filósofo.
5. O Homem:
- O homem é união da alma e do corpo.
- A alma é essência do corpo e tem a natureza das idéias.
- A alma é o princípio do movimento e da vida, anima, portanto a alma é imortal.
- O Homem em Platão é dotado de:
 Corpo.
 Parte material que o compõem.
 É perecível.
 Está sujeito a todos os tipos de vícios e paixões.
 É a prisão onde vive a alma.
 Alma:
 Há três tipos de almas no homem:
o Alma Racional
 De natureza imortal e divina
 Criada pelo Demiurgo.
 Se manifesta no pensamento.
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 Está situada na cabeça.
o Alma Passional.
 De natureza divina.
 Criada por divindades secundarias.
 É mortal.
 Se liga aos impulsos passionais
 Cólera.
 Cobiça.
 Coragem.
 Esperança.
 Está situada no peito.
o Alma Apetitiva.
 De natureza divina.
 Criada por divindades secundarias.
 É mortal.
 Fontes das baixas paixões:
 Conhecimento sensível.
 Instintos de nutrição.
 Sexo.
 Está situada no ventre.
8. A Política:
"... os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue
ao poder, ou antes, que os chefes das cidades, por uma divina graça, ponham-se a filosofar
verdadeiramente".
Platão
- A) Os Livros de Platão sobre política:
 Republica.
 Política,
 Leis.
- B) O Modelo Político em Platão:
o O modelo político de Platão tem origem na decepção como sua Atenas foi governada durante o
tempo em que ele viveu, bem como com a forma injusta como se deu o julgamento e a
condenação de seu mestre, Sócrates.
o Platão concebeu um modelo aristocrático de poder. Não a aristocracia da riqueza, mas da
inteligência.
o O poder será dos melhores. O governo será administrado por uma:
 Sofocracia
 Governo dos sábios.
 Governo dos reis-filósofos.
o Os homens comuns são de insuficiente conhecimento, não passam da opinião, doxa, por isso
devem ser governados por quem se distingue pelo saber.
o Só quando os chefes da cidade começarem a filosofar, ou os verdadeiros filósofos alcançarem o
poder, cessarão os males que afligem a humanidade.
o Um Estado que aspira ser perfeitamente governado terá de reconhecer como governantes os
cidadãos que se mostrem superiores tanto na filosofia quanto na arte da guerra.
- C) A Origem e a função do Estado:
o 1. Origem:
 O Estado origina-se e justifica-se pelo fato de sozinho ninguém ser suficiente ou bastar-
se.
 Não se pode ser artesão, alfaiate, camponês, soldado, professor, sapateiro, etc. ao
mesmo tempo.
 Satisfazer todas as necessidades é associar-se e co-dividir as várias ocupações e
habilidades.
o 2. Funções:

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 O Estado deveria cuidar da:
 Eugenia
o Bom nascimento.
o Boa origem.
 O Estado permitiria que somente os que se distinguissem pela saúde, inteligência
e beleza pudessem procriar.
 O Estado deve dar educação, garantindo que todos crescessem isentos de
fraquezas, mau exemplo ou costumes debilitantes.
 O Estado exerceria uma forma de “Comunismo”.
- D) Os três Tipos de Almas:
o Do resultado da educação, igual para todos até os 20 anos, começariam a surgir os três tipos de
Almas:
o A educação é de responsabilidade do Estado.
 Almas de Bronze (Artesãos e camponeses):
 Os homens que tivessem o menor aproveitamento nos estudos seriam os
trabalhadores braçais.
 Cuidariam da subsistência dos demais.
 Como são dotados de pouca sensibilidade, seriam agricultores, artesãos,
servidores do comércio, empregados domésticos, construtores, marinheiros, etc...
 Almas de Prata (soldados):
 Os homens que restassem, após os 20 anos de idade, estudariam por mais 10
anos.
 Essa é a classe dos guerreiros.
 Sua função é a defesa da Pólis.
 Espiritual e fisicamente mais hábeis que os trabalhadores braçais, dominariam a
ginástica, música, aritmética, geometria e astronomia.
 Almas de Ouro (filósofos/governantes):
 Os homens que passassem pela segunda fase seriam instruídos na arte de
pensar, dialogar, argumentar.
 Se dedicariam os estudo da filosofia, fonte de todo conhecimento e da verdade.
 Quando chegassem aos 50 anos seriam admitidos na magistratura.
 A eles somente caberia o governo da cidade.
 Por serem sábios, seriam justos, teriam a ciência da política.
o A posição social que cada indivíduo ocupa dentro da estrutura do Estado platônico depende das
aptidões naturais de cada alma, por isso a posição alcançada pelos cidadãos não é injusta, pois
dependeu da vocação natural de cada um.
- E) As Leis em Platão:
o Para que o Estado exista em plenitude e o cidadão seja feliz é preciso que haja obediência às
leis.
o Obedecer à lei é inabalável, inexorável: se a obediência não for possível pela persuasão e pelo
consentimento livre e racional, que sejam usados métodos de força: prisão, exílio e mesmo a
morte.
o A integridade do Estado é que deve ser mantida.
- F) As Virtudes em Platão:
o Para Platão, a justiça, Dike em grego, é a principal virtude na polis, a condição primeira das
demais virtudes.
o O poder é encerado como um serviço, sem qualquer outra ambição a não ser a promoção da
justiça e a conseqüente criação de um estado que permite aos seus cidadãos desenvolverem os
caminhos que os levem ao sumo bem.
o Para Platão o funcionamento correto da cidade ideal, depende de quatro virtudes essenciais:
 Justiça.
 Sabedoria.
 Coragem.
 Temperança.
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o A posição social que cada individuo ocupa dentro da estrutura do Estado depende de suas
aptidões naturais, por isso ela não é injusta.
- G) Os Maus Governos:
 Democracia.
 As massas não tem educação.
 O povo é eivado pelas paixões.
 As massas são facilmente influenciáveis pela doxa.
 A democracia conduz à tirania e fomenta a imoralidade e a corrupção.
 Na democracia é muito fácil confundir o povo sem educação critica, pois estas
pessoas se deslumbram com a oratória e a retórica dos candidatos e lhes
atribuem, por isso, capacidades e competências políticas que normalmente não
possuem, apenas aparentam em seus discursos carregados de floreios e
palavras ambíguas possuírem.
 Oligarquia.
 Regime de governo de uns poucos.
 Governam para seu grupo, em prejuízo da maioria.
 Tirania.
 Regime de governo de um opressor.
 Governa conforme suas paixões.
 Governa para si.
 Timocracia.
 Regime de governo onde predominam os ricos e os ambiciosos.
 Governam pensando em si mesmos.

A Alegoria da Caverna

A Alegoria da Caverna / Metáfora da caverna é um texto, descrito no livro VII da obra República, de
Platão e demonstra-nos precisamente a teoria das idéias apresentada anteriormente. Funciona, portanto,
como um texto complementar à teoria das Idéias.
Nesta metáfora, Platão descreve-nos a existência de uma caverna, uma morada subterrânea, que
representa o mundo sensível; e o seu exterior que representa o mundo inteligível. Tudo o que está
relacionado com o interior da caverna: as sombras, a prisão, o ofuscado, a escuridão, e toda esta matéria,
simboliza a ignorância, pelo contrário, tudo aquilo que está relacionado com o seu exterior: a luz, o fogo, a

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claridade, o sol, o bem, e todas as Idéias, como as almas e o espírito, simboliza a sabedoria. Nesta alegoria,
podemos identificar as teorias expostas por Platão, assim, como os diversos dualismos.

Com ela, Platão pretende mostrar, que todos nós, durante um período da nossa vida: a infância,
permanecemos ignorantes. Numa segunda fase, teremos de ter então, a preocupação, da libertação de tal
ignorância. Teremos de subir lentamente na busca do verdadeiro saber, do verdadeiro conhecimento.
Para tal, Platão, aconselha-nos a percorrer, as quatros fases do dualismo gnoseológico, com vista à
reminiscência integral das idéias. Platão refere ainda, a importância do método – o método diabético, como
sendo, o caminho carreto, pelo qual, qualquer ser humano deve enveredar, com vista à obtenção do
verdadeiro ser e do verdadeiro conhecimento. Sempre num sentido metafísico, o autor, leva-nos ainda a
concluir a importância de todas as outras formas já referidas imensas vezes, pelas quais o ser humano se
deve guiar, para nunca se fixar no opinativo e no sensorial, mas sim libertar-se, para conseguir atingir a
Verdade.

Exercícios propostos

1ª) (Uepa 2015) Leia o texto para responder à questão.


Platão:
A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de suas paixões e de seus interesses
passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus amores e seus ódios; confiar-lhe o poder é aceitar a
tirania de um ser incapaz da menor reflexão e do menor rigor. Quanto às pretensas discussões na Assembleia,
são apenas disputas contrapondo opiniões subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem
bastante bem o seu caráter insuficiente.
(Citado por: CHATELET, F. História das Ideias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17)
Os argumentos de Platão, filósofo grego da antiguidade, evidenciam uma forte crítica à:
a) oligarquia d) monarquia
b) república e) plutocracia
c) democracia

No centro da imagem, o filósofo Platão é retratado apontando para o


alto. Esse gesto significa que o conhecimento se encontra em
uma instância na qual o homem descobre a:
a) suspensão do juízo como reveladora da verdade.
b) realidade inteligível por meio do método dialético.
c) salvação da condição mortal pelo poder de Deus.
d) essência das coisas sensíveis no intelecto divino.
e) ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.

3ª) (Uncisal 2012) No contexto da Filosofia Clássica, Platão e


Aristóteles possuem lugar de destaque. Suas concepções, que
se opõem, mas não se excluem, são amplamente estudadas e
debatidas devido à influência que exerceram, e ainda exercem, sobre o pensamento ocidental. Todavia
é necessário salientar que o produto dos seus pensamentos se insere em uma longa tradição filosófica
que remonta a Parmênides e Heráclito e que influenciou, direta ou indiretamente, entre outros, os
racionalistas, empiristas, Kant e Hegel.
Observando o cerne da filosofia de Platão, assinale nas opções abaixo aquela que se identifica
corretamente com suas concepções.
a) A dicotomia aristotélica (mundo sensível X mundo inteligível) se opõe radicalmente as concepções de caráter
empírico defendidas por Platão.

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b) A filosofia platônica é marcada pelo materialismo e pragmatismo, afastando-se do misticismo e de conceitos
transcendentais.
c) Segundo Platão a verdade é obtida a partir da observação das coisas, por meio da valorização do
conhecimento sensível.
d) Para Platão, a realidade material e o conhecimento sensível são ilusórios.
e) As concepções platônicas negam veementemente a validade do Inatismo.

4ª) (Uel 2011) Leia o texto a seguir.


Para esclarecer o que seja a imitação, na relação entre poesia e o Ser, no Livro X de A República, Platão
parte da hipótese das ideias, as quais designam a unidade na pluralidade, operada pelo pensamento.
Ele toma como exemplo o carpinteiro que, por sua arte, cria uma mesa, tendo presente a ideia de mesa,
como modelo. Entretanto, o que ele produz é a mesa e não a sua ideia. O poeta pertence à mesma
categoria: cria um mundo de mera aparência.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria das ideias de Platão, é correto afirmar:
a) Deus é o criador último da ideia, e o artífice, enquanto co-participante da criação divina, alcança a
verdadeira causa das coisas a partir do reflexo da ideia ou do simulacro que produz.
b) A participação das coisas às ideias permite admitir as realidades sensíveis como as causas verdadeiras
acessíveis à razão.
c) Os poetas são imitadores de simulacros e por intermédio da imitação não alcançam o conhecimento das
ideias como verdadeiras causas de todas as coisas.
d) As coisas belas se explicam por seus elementos físicos, como a cor e a figura, e na materialidade deles
encontram sua verdade: a beleza em si e por si.
e) A alma humana possui a mesma natureza das coisas sensíveis, razão pela qual se torna capaz de conhecê-
las como tais na percepção de sua aparência.

Aristóteles

Busto de Aristóteles no museu do Louvre em Paris (França).

Aristóteles de Estagira, 384 a.C. – 322 a.C. filósofo grego, um dos


maiores pensadores de todos os tempos e considerado o criador do
pensamento lógico.

Suas reflexões filosóficas — por um lado originais e por outro


reformuladoras da tradição grega — acabaram por configurar um modo
de pensar que se estenderia por séculos.

Prestou inigualáveis contribuições para o pensamento humano,


destacando-se: ética, política, física, metafísica, lógica, psicologia,
poesia, retórica, zoologia, biologia, história natural e outras áreas de
conhecimento humano. É considerado por muitos o filósofo que mais
influenciou o pensamento ocidental.

Por ter estudado uma variada gama de assuntos, e também por ter sido
um discípulo que em muito sentidos ultrapassou seu mestre, Platão, é
conhecido também como o Filósofo.

1. Vida

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Aristóteles (em grego Αριστοτέλης) nasceu em Estagira, na Calcídica, território macedônico. O grego, no
entanto, era o idioma falado. Era filho de Nicômaco, amigo e médico pessoal do rei macedônio Amintas II, pai
de Filipe e avô de Alexandre, o Grande. É provável que o interesse de Aristóteles por biologia e fisiologia
decorra da atividade médica exercida por seu pai.

Com cerca de dezesseis ou dezessete anos partiu para Atenas, maior centro intelectual e artístico da Grécia.
Como muitos outros jovens de seu tempo, Aristóteles foi para aquela cidade a fim de prosseguir os estudos.
Duas grandes instituições disputavam a preferência dos jovens: de um lado estava a escola de Isócrates, que
visava preparar o aluno para a vida política e, de outro lado, estava Platão e sua Academia, que dava
preferência à ciência (episteme) como fundamento da realidade. Apesar do aviso de quem não conhecesse
geometria ali não deveria entrar, Aristóteles decidiu-se pela Academia platônica e nela permaneceu até 347
a.C., ano que morre Platão.

Com a morte de seu grande mestre e com a escolha do sobrinho de Platão, Espeusipo, para a chefia da
Academia, Aristóteles partiu para Assos com alguns ex-alunos da Academia. Dois fatos parecem se relacionar
com esse episódio. O primeiro, é o fato de Espeusipo representar uma tendência interna que desagradava
imensamente Aristóteles, isto é, a matematização da filosofia. O segundo, é o fato de Aristóteles ter-se sentido
preterido (ou mesmo rejeitado), já que se julgava o mais apto para assumir a direção da Academia platônica.

Em Assos, Aristóteles fundou um pequeno círculo filosófico com a ajuda de Hérmias, tirano local e eventual
ouvinte de Platão. Lá ficou por três anos e casou-se com Pítias, sobrinha de Hérmias. Sendo Hérmias
assassinado, Aristóteles partiu para Mitilene, na ilha de Lesbos, onde realizou a maior parte de suas famosas
investigações biológicas. No ano de 343 a.C. tornou-se preceptor de Alexandre, função que exerceu até 336
a.C., quando Alexandre subiu ao trono.

Neste mesmo ano, de volta a Atenas, Aristóteles fundou o Liceu e seus alunos ficaram conhecidos como
peripatéticos (os que passeiam), nome esse decorrente do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar livre, muitas
vezes sob as árvores que cercavam o Liceu. Ao contrário da Academia de Platão, o Liceu privilegiava as
ciências naturais. O próprio Alexandre enviava para seu antigo mestre exemplares da fauna e flora das regiões
conquistadas.

Aristóteles dirigiu sua escola até 323 a.C., pouco depois da morte de Alexandre. Em vista disso, os sentimentos
antimacedônios dos atenienses voltaram-se contra Aristóteles. Sentindo-se ameaçado, deixou Atenas dizendo
que não iria permitir que a cidade cometesse um segundo crime contra a filosofia (alusão ao julgamento de
Sócrates). Deixou sua escola aos cuidados de seu principal discípulo, Teofrasto (371 a.C. - 287 a.C.) e retirou-
se para Cálcis, na Eubéia, onde morreu no ano seguinte.

2. O pensamento aristotélico

A tradição representa um elemento vital para a compreensão da filosofia aristotélica. Em certo sentido,
Aristóteles via seu próprio pensamento como o ponto culminante do processo desencadeado por Tales de
Mileto. Sua filosofia pretendia não apenas rever como também corrigir as falhas e imperfeições das filosofias
anteriores. Ao mesmo tempo, trilhou novos caminhos para fundamentar suas críticas, revisões e novas
proposições.

A) Lógica

Para Aristóteles, a Lógica é um instrumento, uma propedêutica para as ciências e para o conhecimento e
baseia-se no silogismo, o raciocínio formalmente estruturado que supõe certas premisas colocadas
previamente para que haja uma conclusão necessária. O silogismo parte do universal para o particular; a
indução, ao contrário, parte do particular para o universal.

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B) Física

A concepção aristotélica de física parte do movimento, elucidando-o nas análises dos conceitos de
crescimento, alteração e mudança. A teoria do ato e potência, com implicações metafísicas, é o fundamento do
sistema. Ato e potência relacionam-se com o movimento enquanto que a matéria e forma com a ausência de
movimento.

Para Aristóteles, os objetos caiam para se localizarem corretamente de acordo com sua natureza: o éter, acima
de tudo; logo abaixo, o fogo; depois a água e, por último, a terra.

C) Psicologia

A psicologia é a teoria da alma e baseia-se nos conceitos de alma (psykhé) e intelecto (noûs). A alma é a forma
primordial de um corpo que possui vida em potência, sendo a essência do corpo. O intelecto, por sua vez, não
se restringe a uma relação específica com o corpo; sua atividade vai além dele.

O organismo, uma vez desenvolvido, recebe a forma que lhe possibilitará perfeição maior, fazendo passar suas
potências a ato. Essa forma é alma. Ela faz com que vegetem, cresçam e se reproduzam os animais e plantas
e também faz com que os animais sintam.

No homem, a alma, além de suas características vegetativas e sensitivas, há também a característica da


inteligência, que é capaz de apreender as essências de modo independente da condição orgânica.

Ela acreditava que a mulher era um ser incompleto, um meio homem. Seria passiva, ao passo que o homem
seria ativo.

D) Biologia

É a ciência da vida e situa-se no âmbito da física (como a própria psicologia), pois está centrada na relação
entre ato e potência. Aristóteles foi o verdadeiro fundador da zoologia - levando-se em conta o sentido
etimológico da palavra. A ele se deve a primeira divisão do reino animal.

Aristóteles é o pai da teoria da abiogênese, que durou até séculos mais recentes, segundo a qual um ser
nascia de um germe da vida, sem que um outro ser precisasse gerá-lo (exceto os humanos): um exemplo é o
das aves que vivem à beira das lagoas, cujo germe da vida estaria nas plantas próximas.

E) Metafísica

O termo metafísica não é aristotélico; o que hoje chamamos de metafísica era chamado por Aristóteles de
filosofia primeira. Esta é a ciência que se ocupa com realidades que estão além das realidades físicas que
possuem fácil e imediata apreensão sensorial.

O conceito de metafísica em Aristóteles é extremamente complexo e não há uma definição única. O filósofo
deu quatro definições para metafísica: 1) a ciência que indaga causas e princípios; 2) a ciência que indaga o
ser enquanto ser; 3) a ciência que investiga a substância e 4) a ciência que investiga a substância supra-
sensível.

Os conceitos de ato e potência, matéria e forma, substância e acidente possuem especial importância na
metafísica aristotélica.

1. As quatro causas

Para Aristóteles, existem quatro causas implicadas na existência de algo:

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 A causa material (aquilo do qual é feita alguma coisa, como a argila, por exemplo);
 A causa formal (a coisa mesma, como um vaso de argila);
 A causa eficiente (aquilo que dá origem ao processo em que a coisa surge, como as mãos de quem
trabalha a argila, por exemplo);
 A causa final (aquilo para o qual a coisa é feita, como enfeitar a sala e portar flores, por exemplo).

A teoria aristotélica sobre as causas estende-se sobre toda a Natureza, que é como um artista que age no
interior das coisas.

2. Essência e acidente

Aristóteles distingue, também, a essência e os acidentes em alguma coisa.

A essência é algo sem o qual aquilo não pode ser o que é; é o que dá identidade a um ser, e sem a qual
aquele ser não pode ser reconhecido como sendo ele mesmo (por exemplo: um livro sem nenhum tipo de
letras não pode ser considerado um livro, pois o fato de ter letras é o que permite-o ser identificado como "livro"
e não como "caderno" ou meramente "papel em branco").

O acidente é algo que pode ser inerente ou não ao ser, mas que, mesmo assim, não descaracteriza-se o ser
por sua falta (o tamanho de uma flor, por exemplo, é um acidente, pois uma flor grande não deixará de ser flor
por ser grande; a sua cor, também, pois, por mais que uma flor tenha que ter, necessariamente, alguma cor,
ainda assim tal característica não faz de uma flor o que ela é).

3. Potência, ato e movimento.

Todas as coisas são em potência e ato. Uma coisa em potência é uma coisa que tende a ser outra, como uma
semente (uma árvore em potência). Uma coisa em ato é algo que já está realizado, como uma árvore (uma
semente em ato). É interessante notar que todas as coisas, mesmo em ato, também são em potência (pois
uma árvore - uma semente em ato - também é uma folha de papel ou uma mesa em potência). A única coisa
totalmente em ato é o Ato Puro, que Aristóteles identifica com o Bem. Esse Ato não é nada em potência,
nem é a realização de potência alguma. Ele é sempre igual a si mesmo, e não é um antecedente de coisa
alguma. Desse conceito Tomás de Aquino derivou sua noção de Deus em que Deus seria "ato puro".

Um ser em potência só pode tornar-se um ser em ato mediante algum movimento. O movimento vai sempre da
potência ao ato, da privação à posse. É por isso que o movimento pode ser definido como ato de um ser em
potência enquanto está em potência.

F) Ética

No sistema aristotélico, a ética é uma ciência menos exata na medida em que se ocupa com assuntos
passíveis de modificação. Ela não se ocupa com aquilo que no homem é essencial e imutável, mas daquilo que
pode ser obtido por ações repetidas, disposições adquiridas ou de hábitos que constituem as virtudes e os
vícios. Seu objetivo último é garantir ou possibilitar a conquista da felicidade.

Partindo das disposições naturais do homem (disposições particulares a cada um e que constituem o caráter),
a moral mostra como essas disposições devem ser modificadas para que se ajustem à razão. Estas
disposições costumam estar afastadas do meio-termo, estado que Aristóteles considera o ideal. Assim,
algumas pessoas são muito tímidas, outras muito audaciosas. A virtude é o meio-termo e o vício se dá ou na
falta ou no excesso. Por exemplo: coragem é uma virtude e seus contrários são a temeridade (excesso de
coragem) e a covardia (ausência de coragem).

As virtudes se realizam sempre no âmbito humano e não têm mais sentido quando as relações humanas
desaparecem, como, por exemplo, em relação a Deus. Totalmente diferente é a virtude especulativa ou
intelectual, que pertence apenas a alguns (geralmente os filósofos) que, fora da vida moral, buscam o
conhecimento pelo conhecimento. É assim que a contemplação aproxima o homem de Deus.
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G. Política

Alexandre e Aristóteles

Na filosofia aristotélica a política é o desdobramento natural da


ética. Ambas, na verdade, compõem a unidade do que
Aristóteles chamava de filosofia prática.

Se a ética está preocupada com a felicidade individual do


homem, a política se preocupa com a felicidade coletiva da pólis. Desse modo, é tarefa da política investigar e
descobrir quais são as formas de governo e as instituições capazes de assegurar a felicidade coletiva. Trata-
se, portanto, de investigar a constituição do estado.

Acredita-se que as reflexões aristotélicas sobre a política originam-se da época em que ele era preceptor de
Alexandre...,

H) Retórica

Aristóteles considerava importante o conhecimento da retórica, já que ela se constituiu em uma técnica (por
habilitar a estruturação e exposição de argumentos) e por relacionar-se com a vida pública. O fundamento da
retórica é o entimema (silogismo truncado, incompleto), um silogismo no qual se subentende uma premissa ou
uma conclusão. O discurso retórico opera em três campos ou gêneros: gênero deliberativo, gênero judicial e
gênero epidítico (ostentoso, demonstrativo).

I) Poética

A poética é imitação (mimesis) e abrange a poesia épica, a tragédia e a comédia. A imitação visa a recriação e
a recriação visa aquilo que pode ser. Desse modo, a poética tem por fim o possível. O homem apresenta-se de
diferentes modos em cada gênero poético: a poesia épica apresenta o homem como maior do que realmente é,
idealizando-o; a tragédia apresenta o homem exaltando suas virtudes e a comédia apresenta o homem
ressaltando seus vícios ou defeitos.

3. Obra

A filosofia aristotélica é um sistema, ou seja, há relação e conexão entre as várias áreas pensadas pelo
filósofo. Seus escritos versam sobre praticamente todos os ramos do conhecimento de sua época (menos as
matemáticas).

Embora sua produção tenha sido excepcional, apenas uma parcela foi conservada. Seus escritos dividiam-se
em duas espécies: as 'exotéricas' e as 'acroamáticas'. As exotéricas eram destinadas ao público em geral e,
por isso, eram obras de caráter introdutório e geralmente compostas na forma de diálogo. As acroamáticas,
eram destinadas apenas aos discípulos do Liceu e compostas na forma de tratados. Praticamente tudo que se
conservou de Aristóteles faz parte das obras acroamáticas. Da exotéricas, restaram apenas fragmentos.

O conjunto das obras de Aristóteles é conhecido entre os especialistas como corpus aristotelicum.

O Organon, que é a reunião dos escritos lógicos, abre o corpus e é assim composto:

 Categorias:
o Análise dos elementos do discurso.
 Sobre a interpretação:
o Análise do juízo e das proposições.

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 Analíticos (Primeiros e Segundos):
o Análise do raciocínio formal através do silogismo e da demonstração científica.
 Tópicos:
o Análise da argumentação em geral.
 Elencos sofísticos:
o Tido como apêndice dos Tópicos, analisa os argumentos capciosos.

Em seguida, aparecem os estudos sobre a Natureza e o mundo físico. Temos:

 Física.
 Sobre o céu.
 Sobre a geração e a corrupção.
 Meteorológicos.

À filosofia primeira, seguem-se as obras de filosofia prática, que versam sobre Ética e Política. Estas
reflexões têm lugar em quatro textos:

 Ética a Nicômaco.
 Ética a Eudemo.
o Atualmente considerada como uma primeira versão da Ética a Nicômaco.
 Grande Moral ou Magna Moralia.
o Resumo das concepções éticas de Aristóteles.
 Política.
o A política, para Aristóteles, é o
desdobramento natural da ética.

Existem, finalmente, mais duas obras:

 Retórica.
 Poética.
o Desta obra conservam-se apenas os
tratados sobre a tragédia e a poesia
épica.

O corpus aristotelicum ainda inclui outros escritos


sobre temas semelhantes, mas hoje se sabe que
são textos apócrifos. No século XIX, foi descoberta a
Constituição de Atenas.

Sinapse do Pensamento Aristotélico

Escola de Atenas, Rafael Sanzio – 1510.


1. O Primeiro Cientista:
- Aristóteles é considerado o último dos grandes filósofos clássicos e o primeiro cientista.
- O Método de Investigação:
o Diferentemente de seu mestre, Platão, Aristóteles não faz uso do diálogo na composição de sua
obra. Ele utiliza o:
 Tratado.
 Sistematização organizada de idéias, que se baseia na clareza, no método e na
precisão ordenada da busca dos conceitos.
o Aristóteles legou com o tratado um poderoso instrumento e um método de segura elaboração de
conceitos e de sagazes observações das coisas e dos fenômenos da natureza.
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o Desenvolve um sistema filosófico de orientação realista, no qual defende a investigação dos
fenômenos da realidade com base na experimentação.
- O Dualismo Platônico e o Realismo Aristotélico.
o Dualismo:
 Há duas naturezas: corpo e alma.
 O mundo da inteligência separado do mundo das coisas sensíveis.
 No homem: o corpo e a alma.
o Realismo:
 Esforço para captar a realidade de modo unitário.
 O realismo de Aristóteles procura restabelecer essa coerência sem abandonar o mundo
sensível: explora a experiência, e nela mesma insere o dualismo entre o inteligível e o
sensível.

- Os conceitos:
o Os conceitos de:
 Materia e forma
 Ato e potência
 Substância e acidente.
o Esses conceitos possuem especial importância na metafísica aristotélica.
o Substância e Acidente

Aristóteles distingue, também, a Substância e os acidentes em alguma coisa.

A essência é algo sem o qual aquilo não pode ser o que é; é o que dá identidade a um ser, e sem a qual aquele
ser não pode ser reconhecido como sendo ele mesmo (por exemplo: um livro sem nenhum tipo de letras não
pode ser considerado um livro, pois o fato de ter letras é o que permite-o ser identificado como "livro" e não
como "caderno" ou meramente "papel em branco").

O acidente é algo que pode ser inerente ou não ao ser, mas que, mesmo assim, não descaracteriza-se o ser
por sua falta (o tamanho de uma flor, por exemplo, é um acidente, pois uma flor grande não deixará de ser flor
por ser grande; a sua cor, também, pois, por mais que uma flor tenha que ter, necessariamente, alguma cor,
ainda assim tal característica não faz de uma flor o que ela é).

3. Potência, ato e movimento.

Todas as coisas são em potência e ato. Uma coisa em potência é uma coisa que tende a ser outra, como uma
semente (uma árvore em potência). Uma coisa em ato é algo que já está realizado, como uma árvore (uma
semente em ato). É interessante notar que todas as coisas, mesmo em ato, também são em potência (pois
uma árvore - uma semente em ato - também é uma folha de papel ou uma mesa em potência). A única coisa
totalmente em ato é o Ato Puro, que Aristóteles identifica com o Bem. Esse Ato não é nada em potência, nem é
a realização de potência alguma. Ele é sempre igual a si mesmo, e não é um antecedente de coisa alguma.
Desse conceito Tomás de Aquino derivou sua noção de Deus em que Deus seria "ato puro".

Um ser em potência só pode tornar-se um ser em ato mediante algum movimento. O movimento vai sempre da
potência ao ato, da privação à posse. É por isso que o movimento pode ser definido como ato de um ser em
potência enquanto está em potência.

4. materia e forma.

A TEORIA HILEMÓRFICA

O nome de teoria hilemórfica (de duas palavras gregas que significam matéria e forma) foi dado à doutrina,
proposta inicialmente por ARISTÓTELES, que define a essência dos corpos como resultante da união de dois
princípios chamados matéria e forma.

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1. Matéria e forma.

a) Noção.

Os corpos comporiam a matéria, que é união de matérias determinadas. A matéria do corpo humano
difere da de uma pedra ou da do ar. Mas de onde vem a diferença que existe entre estas diversas matérias?
Não vem da própria matéria como tal, pois vemos que esta é suscetível de todas as transformações, em virtude
de uma espécie de inércia, ou plasticidade que lhe ê própria. A diferença deve então provir de um outro
princípio que se chama a forma substancial e que, apropriando-se da matéria indeterminada (ou prima) , faz
com que seja tal matéria (matéria segunda: corpo humano, pedra, vegetal). O corpo, como tal, tem então dois
princípios constitutivos intrínsecos: a matéria primeira e a forma substancial (assim chamada porque, por sua
união, com a matéria, constitui uma substância corporal determinada).

b) A matéria e a forma como potência e ato.

Desta análise, vê-se, ao mesmo tempo que a matéria-prima é potência e pura potência, quer dizer,
capaz de converter-se em qualquer corpo, graças a sua absoluta indeterminação original. Por sua vez, a forma
substancial é ato, porquanto é por ela que a matéria se torna tal corpo. E por isto que se diz que a forma ê ato
da matéria. Assim, a alma racional (forma substancial) é o ato que faz da matéria-prima um corpo humano.

c) A matéria e a forma como princípios de ser.

É preciso bem compreender que a matéria-prima não existe e não pode existir como tal. Toda matéria
real é matéria segunda, quer dizer, determinada por uma forma substancial. Do mesmo modo, a forma,
substancial (salvo o caso da alma humana) não existe e não subsiste sem matéria. Com efeito, matéria-prima e
forma substancial não são seres, mas apenas princípios de ser.

2. União da matéria e da forma.

a) A unidade resultante da união da matéria e da forma é uma unidade essencial, quer dizer que
forma uma única essência ou espécie.

b) A união da matéria e da forma se faz sem intermediário, uma vez que a forma substancial é o ato
primeiro da matéria. Ou dois princípios do corpo se unem então por si mesmos, sob a ação de um agente
físico, e formam por si mesmos um corpo único, uma única substância (o homem, composto de um corpo e de
uma alma, é um ser único).

3. Atividade e passividade no corpo. — Os corpos aparecem ao mesmo tempo como ativos e passivos.
Estão sujeitos ao que a ciência chama inércia, quer dizer, a uma impotência para modificar por si mesmos seu
estado, e ao mesmo tempo manifestam, sob a provocação de agentes físicos, atividades determinadas: o fogo
queima, o corpo do animal se move, a árvore cresce e dá frutos. Estes dois aspectos contrários das realidades
corporais se explicam pelo duplo princípio que os constitui: a matéria é, assim, princípio de passividade e de
inércia, enquanto que a forma é princípio de atividade.

Exercícios propostos

1. (Uel 2015) Leia o texto a seguir.


É pois manifesto que a ciência a adquirir é a das causas primeiras (pois dizemos que conhecemos cada coisa
somente quando julgamos conhecer a sua primeira causa); ora, causa diz-se em quatro sentidos: no primeiro,
entendemos por causa a substância e a essência (o “porquê” reconduz-se pois à noção última, e o primeiro
“porquê” é causa e princípio); a segunda causa é a matéria e o sujeito; a terceira é a de onde vem o início do
movimento; a quarta causa, que se opõe à precedente, é o “fim para que” e o bem (porque este é, com efeito,
o fim de toda a geração e movimento).
Adaptado de: ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. De Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril S. A. Cultural, 1984. p.16.
(Coleção Os Pensadores.)
16
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que indica, corretamente, a
ordem em que Aristóteles apresentou as causas primeiras.
a) Causa final, causa eficiente, causa material e causa formal.
b) Causa formal, causa material, causa final e causa eficiente.
c) Causa formal, causa material, causa eficiente e causa final.
d) Causa material, causa formal, causa eficiente e causa final.
e) Causa material, causa formal, causa final e causa eficiente.

2. (Ufu 2012) Em primeiro lugar, é claro que, com a expressão “ser segundo a potência e o ato”,
indicam-se dois modos de ser muito diferentes e, em certo sentido, opostos. Aristóteles, de fato, chama
o ser da potência até mesmo de não-ser, no sentido de que, com relação ao ser-em-ato, o ser-em-
potência é não-ser-em-ato.
REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. Vol. II. Trad. de Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine.
São Paulo: Loyola, 1994, p. 349.

A partir da leitura do trecho acima e em conformidade com a Teoria do Ato e Potência de Aristóteles,
assinale a alternativa correta.
a) Para Aristóteles, ser-em-ato é o ser em sua capacidade de se transformar em algo diferente dele mesmo,
como, por exemplo, o mármore (ser-em-ato) em relação à estátua (ser-em-potência).
b) Segundo Aristóteles, a teoria do ato e potência explica o movimento percebido no mundo sensível. Tudo o
que possui matéria possui potencialidade (capacidade de assumir ou receber uma forma diferente de si), que
tende a se atualizar (assumindo ou recebendo aquela forma).
c) Para Aristóteles, a bem da verdade, existe apenas o ser-em-ato. Isto ocorre porque o movimento verificado
no mundo material é apenas ilusório, e o que existe é sempre imutável e imóvel.
d) Segundo Aristóteles, o ato é próprio do mundo sensível (das coisas materiais) e a potência se encontra tão-
somente no mundo inteligível, apreendido apenas com o intelecto.

3ª) Como podemos interpretar a seguinte citação de Aristóteles: “O bem é aquilo a que todas as coisas
tendem” (Aristóteles, 1973, p. 249)?
a) Na “Ética a Nicômaco”, a finalidade será identificada com o “bem”, ou seja, dizer que todas as ações tendem
a um fim é o mesmo que dizer que todas as coisas tendem a um bem.
b) Na “Ética a Nicômaco”, a finalidade será identificada com o “prazer”, ou seja, dizer que todas as ações
tendem a um fim é o mesmo que dizer que devemos buscar uma vida de satisfação dos impulsos.
c) Na “Ética a Nicômaco”, a finalidade será identificada com a “honra”, ou seja, dizer que todas as ações
tendem a um fim é o mesmo que dizer que é preciso realizar grandes feitos para ser reconhecido e isso é a
verdadeira felicidade.
d) Na “Ética a Nicômaco”, a finalidade será identificada com a “riqueza”, ou seja, dizer que todas as ações
tendem a um fim é o mesmo que dizer que é preciso acumular a maior quantidade de dinheiro possível, pois só
assim é possível prevenir-se da pobreza.

4ª) Aristóteles, ao observar que não existe um consenso a respeito do conceito de felicidade, identifica três
modos de vida. Cada modo de vida tem uma percepção distinta a respeito do que é a felicidade. Quais são
eles?
a) Vida ética, Vida política, Vida prática;
b) Vida ética, Vida ativa; Vida contemplativa;
c) Vida política; Vida guiada pelo prazer; Vida contemplativa;
d) Nenhuma das alternativas anteriores.

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