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Contabilidade Tributária

Aula 4 - ICMS
Prof. Gustavo Gonçalves Vettori

BASE DE CÁLCULO

1
Base de Cálculo
• Nas saídas de mercadorias:
• Valor da operação
• Fornecimento de alimentos em restaurantes e bares
• Valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço
• Sistemáticas diferenciadas de incidência
• Serviços de transporte
• Preço do serviço
• Fornecimento de mercadorias com prestação de serviços
• Valor da operação, se serviço não estiver compreendido na competência dos
municípios
• Preço corrente da mercadoria fornecida, se o serviço for tributado pelo ISS e a LC
116/03 permite que as mercadorias o sejam pelo ICMS

Base de Cálculo
• Na saída de mercadoria para estabelecimento em outro Estado,
pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo é (LC 87/96, art. 13,
§4º):

• O valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria

• O custo da mercadoria produzida: soma do custo de matéria prima, material


secundário, mão de obra e acondicionamento

• Tratando-se de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no


mercado atacadista do estabelecimento remetente

2
Base de Cálculo
• No desembaraço aduaneiro de bens importados
• Base de cálculo será a soma de:
• Valor CIF
• Imposto de importação
• IPI
• IOF
• ICMS
• Quaisquer outros tributos (PIS e COFINS), taxas, contribuições e despesas aduaneiras

Base de Cálculo
• Base de cálculo: (Valor CIF* + II + IPI + PIS + COFINS +
Despesas aduaneiras)/(1-alíquota do ICMS)

*Câmbio utilizado para Imposto de Importação. Se o lançamento do Imposto


de Importação tiver valor fixado pela autoridade aduaneira superior ao
preço declarado, prevalecerá, para fins de apuração do ICMS, o valor fixado
pela autoridade

3
Base de Cálculo
• Integra a base de cálculo, inclusive nos casos de importação

• O montante do próprio imposto (cálculo “por dentro”)

• Seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, inclusive


descontos condicionados
• Descontos incondicionais não integram a base de cálculo

• Frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua
conta e ordem e seja cobrado em separado

IPI na base do ICMS


• Art. 155, §2º, XI – ICMS não compreenderá, em sua base de cálculo, o
montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a
operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado
à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos
dois impostos;

• LC 87, art. 13, §2º

4
IPI na base do ICMS

IPI não compõe


a base

IPI não compõe


a base

Uso próprio
Compõe

Compõe

NÃO CUMULATIVIDADE E
CRÉDITOS

5
Não cumulatividade
• Art. 155,
• §2º

• I - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação


relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante
cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal;

• II - a isenção ou não-incidência, salvo determinação em contrário da


legislação:
• a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou
prestações seguintes;
• b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores;

Não cumulatividade
• Manutenção de créditos na exportação garantida pela constituição

• Art. 155, §2º, X, “a”: ICMS não incidirá sobre operações que destinem
mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no
exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do
imposto cobrado nas operações e prestações anteriores.

6
Aquisições sem tributação

Isenção
Não incidência
Tributado
Alíquota zero

Não há a possibilidade de se tomar crédito

Aquisições sem tributação

Não há a
Isenção possibilidade de se
Tributado Não incidência tomar crédito
Alíquota zero
Base de cálculo reduzida

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Operações sujeitas à vedação ou Estorno de
Créditos - aquisições destinadas a:
Item Vedação/ Estorno?
IPI ICMS
Vendas tributadas Não Não
Exportações Não Não
Vendas alíquota 0% Não Não*
Venda de produtos isentos Não Sim
Vendas com redução de base Não* Sim, proporcionalmente
Vendas não tributadas Sim Sim
Uso e consumo próprio ou na industrialização Sim Sim
de produtos para uso e consumo próprio
Atividades alheias ao estabelecimento Sim Sim
Produtos/insumos roubados Sim Sim
Produtos/insumos destruídos Sim Sim
Produtos/insumos perdidos Sim Sim

Crédito e bens do imobilizado


• Apropriação de créditos sobre bens do ativo imobilizado será feito a 1/48
por mês, devendo a primeira fração ser apropriada no mês em que ocorrer
a entrada do bem no estabelecimento
• Bens não podem ser alheios à atividade do estabelecimento (e.g.: veículos de
transporte pessoal, salvo prova em contrário)
• Não será admitido o crédito do imposto em relação à proporção das operações de
saídas isentas ou não tributadas, sobre o total de saídas no mesmo período
• Na hipótese de alienação do bem antes de decorrido o prazo de quatro
anos contados da data de sua aquisição, não será admitido, a partir da
alienação, o creditamento em relação à fração que corresponder ao
restante do quadriênio
• Estabelecimento adquirente poderá aproveitar o restante, desde que seja
adequadamente documentado na venda

8
Exemplo: o que dá direito ao crédito?

Aquisição Preço ICMS (18%)

R$20.000 R$3.600

Pag&Leve
R$50.000 R$9.000

R$5.000 R$900

R$4.000 R$720

Exemplo: o que dá direito ao crédito?

Aquisição Preço ICMS (18%) Crédito

R$20.000 R$3.600 R$75 por mês, em 48


meses

R$50.000 R$9.000 R$9.000

Não é permitido atualmente


(previsão para 2020 era 1998,
R$5.000 R$900
depois 2000, 2003, 2007 e 2011)

Não é permitido atualmente


R$4.000 R$720 (previsão para 2020; era 2003,
depois 2007 e 2011)

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Serviços de comunicação, energia elétrica e
mercadorias para uso e consumo
• Somente dará direito a crédito o recebimento de serviços de comunicação utilizados pelo
estabelecimento:
• ao qual tenham sido prestados na execução de serviços da mesma natureza
• quando sua utilização resultar em operação de saída ou prestação para o exterior, na proporção desta sobre
as saídas ou prestações totais; e
• a partir de 1º de janeiro de 2020 nas demais hipóteses.

• Somente dará direito a crédito a entrada de energia elétrica no estabelecimento:


• quando for objeto de operação de saída de energia elétrica;
• quando consumida no processo de industrialização;
• quando seu consumo resultar em operação de saída ou prestação para o exterior, na proporção destas sobre
as saídas ou prestações totais; e
• a partir de 1o de janeiro de 2020 nas demais hipóteses.

• Somente darão direito a crédito as mercadorias destinadas ao uso ou consumo do


estabelecimento nele entradas a partir de 1o de janeiro de 2020.

Créditos na Indústria
MP, PI,
Crédito
ME

Materiais Possibilidade de
consumidos crédito. Necessária
na produção análise específica

Crédito a 1/48

Dá crédito (art. 33, II, b, LC 87), se


utilizada no processo industrial

Não dá crédito

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Método de crédito
• Determinam-se os saldos credor e devedor no período de apuração
• Saldo credor: ICMS sobre entradas do período, adicionado de eventual saldo
credor de períodos anteriores
• Saldo devedor: ICMS sobre saídas do período

• Saldo credor poderá ser compensado em períodos seguintes

EXERCÍCIOS

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Exemplo 1: BASE DE CÁLCULO

Exemplo 1: Base de Cálculo


• CIA ATENAS, industrial localizada em São Paulo, tipicamente deseja
receber líquido de ICMS e IPI, pela venda do produto X, R$10 por
unidade.
• Numa venda de 500 unidades deste produto, a varejista no mesmo
estado, contribuinte do ICMS, que revenderá o produto, qual será o
valor total a ser pago pelo comprador, incluindo ICMS e IPI?
• Adote:
• ICMS: 18%
• IPI: 10%
• Desconsidere o PIS e a COFINS

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Exemplo 1: Base de Cálculo do ICMS
ICMS
(+) Receita líquida R$5.000
Base de cálculo ICMS (inclui o próprio R$5.000 = (1 – 0,18)
imposto e não inclui o IPI) X =1

X = 5.000/1-0,18
X = 6.097,56
ICMS (18%) destacado na nota fiscal R$1.097,56

*IPI não compõe a base do ICMS, pois se trata de venda para contribuinte do ICMS que irá
revender o produto

Exemplo 1: Base de Cálculo do IPI


IPI
(+) Receita líquida R$5.000
(+)ICMS R$1.097,56
Base de cálculo R$6.097,56
IPI (10%) destacado na nota fiscal R$609,76

*O IPI sempre incide sobre o ICMS

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Exemplo 2: Base com e sem IPI

Exemplo 2.1
• A Cia. Tango, por meio de seu estabelecimento industrial em São Paulo, vendeu duas
unidades do produto X, cada uma para um comprador diferente.
• O primeiro comprador é a Cia. Salsa, no Rio de Janeiro, atacadista que adquiriu o produto
X para revenda.
• O segundo comprador é o Sr. João, residente em Salvador, que adquiriu o produto X para
uso próprio.
• O valor da venda do produto X, nos dois casos, foi de R$ 1.100,00, sendo que tais valores
incluem o ICMS e o IPI.
• Calcule o ICMS incidente em cada venda da Cia. Tango.
• Considere:
• 18% a alíquota do ICMS em São Paulo
• 17% a alíquota do ICMS na Bahia
• 10% o IPI incidente sobre o produto X
• O produto X é produzido pela Cia. Tango sem utilização de insumos importados

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Exemplo 2.1

ICMS SP: 18%


IPI: 10% Venda de Salsa (RJ)
X para RJ Atacadista
Venda para Salsa
Valor R$1100
Tango (SP)
IPI: 0,1*1100/1,1 = 100
ICMS: 0,12*1000 = 120

Venda para João REGRA ANTIGA Venda de


Valor R$1100 X para BA
IPI: 0,1*1100/1,1 = 100
ICMS: (1000+100)*0,18 = 198

REGRA NOVA
ICMS-SP: (1000+100)*0,07 =77 para SP
ICMS-BA: 1100*0,17 - 77 = 110 para BA

Exemplo 2.2
• CIA ESPARTA, industrial, pretende vender uma unidade do produto X à
Empresa A e uma unidade deste produto à Empresa B. Todas as empresas
situam-se em São Paulo.
• A Empresa A é atacadista e a Empresa B é consumidora final do produto.
• A valor que a Cia. Esparta deseja receber (líquido de IPI e ICMS) é de
R$1.000 por unidade
• Calcule o IPI e o ICMS destacados na nota, bem como valor final da venda,
pago pelas empresas A e B.
• ICMS: 18%
• IPI: 10%
• Desconsidere o PIS e a COFINS

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Exemplo 2.2: Empresa A
• Cálculo do ICMS
• No caso, ICMS incide “por dentro”, sem incluir o IPI em sua base
• Preço líquido de ICMS e IPI: R$1.000
• Alíquota do ICMS: 18%
• Cálculo do valor total:
• X =1
R$ 1.000 (1-0,18)
• X = 1000/0,82
• X = 1.219,51
• ICMS destacado na nota: R$219,51 (ou seja, R$1.219,51 menos R$1.000, ou
ainda 18% de R$1.219,51)

Exemplo 2.2: Empresa A

Cálculo do ICMS

ICMS = AICMS * VL * 1 / (1 – AICMS)


ICMS = 0,18 * 1000 * 1/(1-0,18)
ICMS = 219,51

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Exemplo 2.2: Empresa A
• Cálculo do IPI
• IPI incide “por fora”, sobre o valor com ICMS
• Alíquota do IPI: 10%
• Cálculo do IPI
• R$ 1.219,51*10% = R$121,95
• IPI destacado na nota: R$121,95

• Preço final pago pela Empresa A: R$1.341,46

Exemplo 2.2: Empresa B


• Cálculo do ICMS
• No caso, ICMS incide “por dentro”, incluindo o IPI em sua base
• Preço líquido de ICMS e IPI: R$1.000
• Alíquota do ICMS: 18%
• Alíquota do IPI: 10%

• Cálculo do valor total:


• X = 1
1000 {1-[0,18+(0,18*0,1)]}

• X = 1000/{1-[0,18+0,018]}
• X = 1000/0,802
• X = 1246,88

• Valor com ICMS e sem IPI: R$1.246,88

• ICMS destacado na nota: R$246,88 (ou seja R$1.246,88 menos R$1.000,00, ou ainda 18% de
R$1.371,57, que é o valor com ICMS e IPI, conforme veremos a seguir)

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Exemplo 2.2: Empresa B

Cálculo do ICMS

ICMS = {[AICMS + (AICMS*AIPI)]* VL} /{ 1 –[AICMS + (AICMS*AIPI)]}


ICMS = {[0,18 + (0,18*0,1)] * 1000}/{[1-[0,18+(0,18*0,1)]}
ICMS = {[0,18 + 0,018]*1000}/{[1-[0,18+0,018]}
ICMS = 0,198*1000/0,802
ICMS = 246,88

Exemplo 2.2: Empresa B


• Cálculo do IPI
• IPI incide “por fora”, sobre o valor com ICMS
• Alíquota do IPI: 10%
• Cálculo do IPI
• R$1.246,88 *10% = R$124,69
• IPI destacado na nota: R$124,69

• Preço final pago pela Empresa B: R$1.371,57

• Para testar a conta, multiplique R$1.371,57 por 18% e veja se bate


com o resultado obtido anteriormente para o ICMS

18
Exemplo 3: cálculo e registro na
indústria

Exemplo 3: Aquisição de matéria prima

Preço pago: R$1.100


IPI: 10%
ICMS: 12%
Desconsidere o PIS e a COFINS

19
Exemplo 3: IPI sobre matéria prima
• IPI sobre as maçãs
• Preço total: R$1.100
• Alíquota IPI: 10%
• IPI incide “por fora”
R$1.100 = 110%
X = 10%
X = (0,1*1.100)/1,1
X = 100
• IPI sobre maçãs adquiridas: R$100
• Preço líquido do IPI: R$1.000

Exemplo 3: ICMS sobre matéria prima


• ICMS sobre as maçãs
• Base de cálculo: R$ 1.000 (trata-se de venda a contribuinte do ICMS que irá
industrializar o produto adquirido; portanto, o ICMS não incide sobre o IPI)
• Alíquota: 12%
• ICMS incide “por dentro”
• ICMS sobre maçãs: 12%*R$1.000 = R$120
• Preço líquido do ICMS: R$880

20
Exemplo 3: registro do estoque

LANÇAMENTOS NA AQUISIÇÃO
DÉBITO Matéria prima (estoque) 880
DÉBITO IPI a recuperar 100
DÉBITO ICMS a recuperar 120
CRÉDITO Bancos 1.100

Exemplo 3: venda do produto industrializado

Desconsiderar outros insumos e custos de produção


Todo estoque de maçãs foi utilizado na produção
Venda de todo suco produzido para varejista, por R$1.650, incluindo o IPI
IPI: 10%
ICMS: 12%

21
Exemplo 3: IPI na venda
• IPI na venda:
• Valor da venda (com IPI): R$1.650
• Alíquota do IPI: 10%
• Cálculo do IPI (“por fora”)
• R$1650 = 110%
• X = 10%
• X = (1650*0,1)/1,1
• X = 150
• IPI sobre suco vendido: R$150
• Preço de venda líquido do IPI: R$1.500

Exemplo 3: ICMS na venda


• ICMS na venda
• Valor da venda: R$1.650
• Base para o ICMS: R$1.500 (venda foi feita para varejista, contribuinte do
ICMS que irá revender o produto. Neste caso, ICMS não incide sobre o IPI)
• Preço de R$1.500 já contempla o ICMS, pois o imposto incide “por dentro”
• Alíquota do ICMS: 12%
• Cálculo do ICMS: R$1.500*12% = R$180

22
Exemplo 3: lançamentos na venda
LANÇAMENTOS NA VENDA
DÉBITO Bancos (AC) 1.650
CRÉDITO Faturamento bruto (CR) 1.650
DÉBITO IPI s/ faturamento bruto (CR) 150
CRÉDITO IPI a recolher (PC) 150

ALTERNATIVAMENTE
LANÇAMENTOS NA VENDA
DÉBITO Bancos (AC) 1.650
CRÉDITO Receita bruta (CR) 1.500
CRÉDITO IPI a recolher (PC) 150

Exemplo 4: lançamentos na venda

LANÇAMENTOS NA VENDA
DÉBITO ICMS sobre vendas (CR) 180
CRÉDITO ICMS a recolher (PC) 180
DÉBITO CPV (CR) 880
CRÉDITO Produtos acabados (estoque) 880

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Exemplo 4: recolhimento dos tributos
ICMS AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO
DÉBITO ICMS a recolher (PC) 180
CRÉDITO ICMS a recuperar (AC) 120
CRÉDITO Bancos (AC) 60

IPI AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO


DÉBITO IPI a recolher (PC) 150
CRÉDITO IPI a recuperar (AC) 100
CRÉDITO Bancos (AC) 50

Exemplo 4: cálculo e registro em


empresa comercial

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Exemplo 4: aquisição do estoque

Aquisição do suco por R$1.650


IPI: 150
ICMS: 180
Desconsidere o PIS e a COFINS

Exemplo 4: registro do estoque

LANÇAMENTOS NA AQUISIÇÃO
DÉBITO Estoque 1.470
DÉBITO ICMS a recuperar 180
CRÉDITO Bancos 1.650

O varejista não é contribuinte do IPI. Logo, o IPI incidente sobre o suco


adquirido não gera crédito e, portanto, não será registrado como IPI a
recuperar. O imposto, neste caso, integrará o custo do estoque adquirido.

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Exemplo 4: venda das mercadorias

Venda de todo o estoque de suco. Valor total das notas: R$1.800


ICMS: 12%

Exemplo 4: ICMS na venda


• ICMS na venda
• Valor da venda: R$1.800
• Preço de R$1.800 já contempla o ICMS, pois o imposto incide “por dentro”
• Alíquota do ICMS: 12%
• Cálculo do ICMS: R$1.800*12% = R$216

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Exemplo 4: lançamentos na venda
LANÇAMENTOS NA VENDA
DÉBITO Bancos (AC) 1.800
CRÉDITO Receita bruta (CR) 1.800
DÉBITO ICMS sobre vendas (CR) 216
CRÉDITO ICMS a recolher (PC) 216
DÉBITO CMV (CR) 1.470
CRÉDITO Estoque 1.470

Exemplo 4: recolhimento do ICMS

ICMS AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO


DÉBITO ICMS a recolher 216
CRÉDITO ICMS a recuperar 180
CRÉDITO Bancos 36

27
Exemplo 5: cálculo e registro na
importação

Exemplo 5
• Empresa Phytos S.A. importou, para revenda, produtos farmacêuticos no valor
total de US$500.000. Este é o valor FOB de importação, ficando sob
responsabilidade da Phytos contratar o seguro e o frete.
• A Phytos contratou seguro e frete no valor de US$50.000.
• O câmbio aplicável quando do registro da DI era de R$2/US$1.
• Para realizar a presente importação, a Phytos ainda teve de pagar
R$2.000 de taxas aduaneiras
• O imposto de importação incide à alíquota de 10%
• IPI: 5%
• ICMS: 18%
• PIS e COFINS: 0%
• Calcule os tributos e realize os lançamentos referentes à aquisição dos produtos

28
Exemplo 5
• Imposto de importação
• Base: valor CIF
• Valor CIF = FOB(R$1.000.000)+Frete e Seguro (R$100.000)
• Alíquota: 10%
• Imposto de Importação: 10%*1.100.000 =
R$110.000

Exemplo 5
• IPI
• Base: valor CIF + II
• 1.100.000 + 110.000 = R$1.210.000
• Alíquota: 5%
• IPI: 5%*1.210.000 = R$60.500

29
Exemplo 5
• ICMS
• Base de cálculo: (Valor CIF + II + IPI + PIS + COFINS + Despesas aduaneiras)/(1-
alíquota do ICMS)
• (1.100.000+110.000+60.500+2.000)/(1-0,18)
• 1.272.500/0,82
• Base: R$1.551.829,27
• ICMS: 279.329,27

Exercício 5

AQUISIÇÃO DOS PRODUTOS IMPORTADOS


DÉBITO Estoque 1.000.000
CRÉDITO Bancos 1.000.000

SEGURO E FRETE
DÉBITO Estoque 100.000
CRÉDITO Bancos 100.000

30
Exercício 5
TAXA ADUANEIRA
DÉBITO Estoque 2.000
CRÉDITO Bancos 2.000

IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO
DÉBITO Estoque 110.000
CRÉDITO Bancos 110.000

Exercício 5
IPI
DÉBITO IPI a recuperar (AC) 60.500
CRÉDITO Bancos (AC) (ou IPI a recolher 60.500
– PC)

ICMS
DÉBITO ICMS a recuperar (AC) 279.329,27
CRÉDITO Bancos (ou ICMS a recolher – 279.329,27
PC)

31
Exemplo 6: créditos de bens do
imobilizado

Exemplo 6
• Cia. Arcádia é empresa comercial. Em janeiro de 20X3, quando iniciou
suas atividades, ela realizou as seguintes operações:
• 1) Compra de 100 unidades de mercadorias X para revenda por R$5.000
• 2) Compra de equipamentos para uso na área comercial, à vista por R$3.600
• 3) Venda de 50 unidades de mercadorias X por R$4.500

• Pressuponha:
• Alíquota ICMS: 20%
• Desconsiderar IPI, PIS e COFINS

32
Exemplo 6: ICMS nas compras e respectivos
créditos
• Compra de 100 unidades por R$5.000
• ICMS destacado na nota: 20%*5.000 = R$1.000
• Crédito: R$1.000 apurado em janeiro
• Compra do imobilizado
• ICMS destacado na nota: 20%*3.600 = R$720
• Crédito total de ICMS: R$720
• Aproveitamento do crédito: 1/48 por mês
• Crédito em janeiro: 720/48 = R$15

Exemplo 6: ICMS nas vendas


• Venda de 50 unidades
• Valor da venda (com ICMS): R$4.500
• ICMS: 4.500*20% = R$900
• Débito de ICMS em janeiro: R$900

33
Exemplo 6: Livro de apuração do ICMS em
janeiro
Operação Histórico Saídas Entradas Saldo
01 Compra de 100 unidades 0 1.000 1.000
02 Compra de imobilizado 0 15 1.015
03 Venda de 50 unidades 900 0 115

Exemplo 6: Lançamentos na compra


PELA COMPRA DAS 100 UNIDADES
DÉBITO Estoque 4.000
DÉBITO ICMS a recuperar (AC) 1.000
CRÉDITO Bancos 5.000

PELA AQUISIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS


DÉBITO Imobilizado 2.880
DÉBITO ICMS s/ imobilizado a recuperar 180
(AC)
DÉBITO ICMS s/ imobilizado a recuperar 540
(ANC)
CRÉDITO Bancos 3.600

34
Exemplo 6: Lançamentos na venda
LANÇAMENTOS NA VENDA
DÉBITO Bancos 4.500
CRÉDITO Receita bruta (CR) 4.500
DÉBITO ICMS sobre vendas (CR) 900
CRÉDITO ICMS a recolher (PC) 900
DÉBITO CMV (CR) 2.000
CRÉDITO Estoque 2.000

Exemplo 6: Lançamento no final do período


APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO DO IMOBILIZADO NO MÊS DE JANEIRO
DÉBITO ICMS a recuperar 15
CRÉDITO ICMS s/ imobilizado a recuperar (AC) 15

ICMS AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO


DÉBITO ICMS a recolher 900
CRÉDITO ICMS a recuperar 900

*Saldo da conta ICMS a recuperar no final do período: R$115

35
Exemplo 6: considerações finais

• Depreciação
• Base sem ICMS
• Créditos que não podem ser utilizados passarão a integrar (e.g., se houvesse vendas
isentas, seria necessários estonar)

• Venda do bem antes do aproveitamento dos créditos


• Na hipótese de alienação do bem antes de decorrido o prazo de quatro anos
contados da data de sua aquisição, não será admitido, a partir da alienação, o
creditamento em relação à fração que corresponder ao restante do quadriênio
• O que fazer com o valor que havia sido reconhecido como ICMS s/ imobilizado a
recuperar e ainda não utilizado?
• Custo do bem alienado / despesa depreciação

Exemplo 8: registro com saídas


não tributadas

36
Exemplo 8
• Cia Beleza é indústria localizada em SP e fabrica o produto W.
• O produto W é fabricado a partir da combinação das matérias primas
Y e K.
• As saídas interestaduais de W são tributadas. As saídas internas para
SP são isentas.
• Tipicamente, a Cia Beleza vende W apenas para estados na região Sul,
em saídas tributadas pelo ICMS.
• Y e K são adquiridos com isenção de ICMS.
• Desconsidere IPI, PIS e COFINS

Exemplo 8
• Em janeiro de 20X3, a Cia Beleza adquire máquina no valor de
R$30.000 para a produção do produto W. Tal máquina foi adquirida
de indústria no estado de SP, com incidência de ICMS à alíquota de
12%.
• Nesse mês de janeiro, a empresa obteve receita de R$100.000
(incluindo o ICMS) de vendas de W, sendo que:
• R$80.000 decorreram de saídas para estados na região Sul; e
• R$20.000 decorreram de saídas para SP

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Exemplo 8: ICMS na aquisição
• Compra do imobilizado
• ICMS destacado na nota: 12%*30.000 = R$3.600
• Crédito total de ICMS: R$3.600
• Aproveitamento do crédito: 1/48 por mês
• Crédito em janeiro: 3.600/48 = R$75
• Aproveitamento do crédito é esperado, pois tipicamente a Cia Beleza
realiza apenas vendas interestaduais, tributadas

Exemplo 8: registro da aquisição


PELA AQUISIÇÃO DA MÁQUINA
DÉBITO Imobilizado 26.400
DÉBITO ICMS s/ imobilizado a 900
recuperar (AC)
DÉBITO ICMS s/ imobilizado a 2.700
recuperar (ANC)
CRÉDITO Bancos 30.000

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Exemplo 8: registro das vendas
• ICMS sobre as vendas
• R$80.000: ICMS de 12%. R$9.600
• R$20.000: Não há ICMS

LANÇAMENTOS NA VENDA
DÉBITO Bancos (ativo) 100.000
CRÉDITO Receita bruta (resultado) 100.000
DÉBITO ICMS sobre vendas 9.600
(resultado)
CRÉDITO ICMS a recolher 9.600
(passivo)

Exemplo 8: encerramento do período


• Se todas as vendas fossem tributadas
• Crédito de ICMS no período seria de 1/48 do ICMS destacado na aquisição do imobilizado
• ICMS na aquisição do imobilizado: R$3.600
• ICMS apropriável em janeiro: R$75
• No entanto, 20% das saídas não foram tributadas
• Neste caso, calcula-se o ICMS apropriável, sendo que o crédito corresponderá apenas à
parcela de saídas tributadas
• R$75*0,8: R$60
• O montante de R$15 não será creditado, devendo passar a integrar o custo do ativo
imobilizado
• Se a mesma situação ocorrer nos meses seguintes, realiza-se o mesmo procedimento, sendo
que as parcelas de crédito não aproveitadas deve ter o seguinte tratamento:
• A parcela percentual já depreciada do bem deve ser registrada em despesas operacionais ou custo dos
produtos vendidos, conforme a destinação da máquina
• A parcela percentual ainda não depreciada deve ser integrada ao valor da máquina, com depreciação
nos próximos períodos nos prazos e taxas aplicáveis

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Exemplo 8: encerramento do período
APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO DO IMOBILIZADO NO MÊS DE JANEIRO
DÉBITO ICMS a recuperar (AC) 60
DÉBITO Imobilizado 15
CRÉDITO ICMS s/ imobilizado a 75
recuperar (AC)
ICMS AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO
DÉBITO ICMS a recolher 9.600
CRÉDITO ICMS a recuperar 60
CRÉDITO Bancos 9.540

Exemplo 8: outras considerações


• Como seria o registro da aquisição desta máquina se a alíquota
interna aplicável em SP fosse 18% e ela tivesse sido adquirida de
indústria no Rio Grande do Sul?
• Aquisição por R$30.000 (incluindo o ICMS destacado na nota de venda)

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Diferencial de Alíquota

Diferencial de Aquisição para


Alíquota alíquota (Interna consumo
interestadual – Interestadual) próprio ou
ativo
imobilizado

Base: CF/88, RICMS-SP, art. 117

Exemplo 8: aquisição interestadual de ativo


imobilizado
• Preço pago na aquisição: R$30.000
• ICMS do Rio Grande do Sul: 30.000*12% = R$3.600
• ICMS em São Paulo: 30.000*18% (utiliza-se como base de cálculo, a base para apuração do imposto
interestadual – RICMS-SP art. 117, II) = 5.400
• Procedimento:
• Crédito de R$3.600
• Débito de R$5.400
• Efetivamente devido a SP: R$1.800
• Como se trata de aquisição de bem do ativo imobilizado, será permitido o crédito de R$5.400, a ser
apropriado à razão de 1/48 por mês
• Logo, quando da aquisição do bem teríamos
• Débito: Imobilizado: 26.400
• Débito: ICMS s/ Imobilizado a recuperar (AC): 1.350
• Débito: ICMS s/ Imobilizado a recuperar (ANC): 4.050
• Crédito: ICMS a recolher: 1.800
• Crédito: Bancos: 30.000

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Exemplo 8: aquisição interestadual de ativo
imobilizado
• Se fosse aquisição de bem para uso e consumo, não haveria o crédito
do ICMS

• Se a aquisição fosse para revenda ou industrialização, não haveria a


obrigação do recolhimento do ICMS na entrada

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