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FACULDADE ALFREDO NASSER

INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO


CURSO DE PEDAGOGIA

A IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS E JOGOS MATEMÁTICOS


NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Marinilza Apolinária Borges de Souza

APARECIDA DE GOIÂNIA
2010
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MARINILZA APOLINÁRIA BORGES DE SOUZA

A IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS E JOGOS MATEMÁTICOS


NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Artigo apresentado ao Instituto Superior de Educação da


Faculdade Alfredo Nasser, sob orientação da professora
Ms. Miriam Gomes Avelar Moraes, como parte dos
requisitos para a conclusão do curso de Pedagogia.

APARECIDA DE GOIÂNIA
2010
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FOLHA DE AVALIAÇÃO

A IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS E JOGOS MATEMÁTICOS


NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Aparecida de Goiânia, ____ de dezembro de 2010.

EXAMINADORES

Orientadora - Ms. Miriam Gomes Avelar Moraes - Nota: ______ / 70

Primeiro examinador - Prof.(a) Ms. ----- - Nota:___ / 70

Segundo examinador - Prof.(a) ----- - Nota:___ / 70

Média parcial - Avaliação da produção do Trabalho: ___ / 70


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A IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS E JOGOS MATEMÁTICOS NA


EDUCAÇÃO INFANTIL*

Marinilza Apolinária Borges de Souza**

Resumo: O presente trabalho busca analisar os processos de aprendizagem


matemática objetivando identificar os jogos, brinquedos e brincadeiras como
elementos primordiais visando a ampliar o nível cognitivo com que desenvolvem
um conjunto de realidades vividas pela criança num âmbito lúdico-matemático.
Serão analisados o que dizem os Parâmetros Curriculares Nacionais a respeito do
uso de jogos como recursos de aprendizagem bem como o papel do professor e a
construção de saberes lógico-matemáticos vivenciada pela criança. O estudo optou
por realizar uma pesquisa bibliográfica nas obras de autores como Vigotsky, Piaget,
Aranão e Kishimoto entre outros, de forma a perceber o aluno como participante
ativo no processo de aprendizagem. Apresentaremos também considerações sobre
os enfoques cognitivos atuais e o desenvolvimento e a concepção de aprendizagem.

Palavras-chave: Jogos matemáticos. Brincadeiras. Conhecimento lógico-


matemático.

INTRODUÇÃO

O objetivo principal deste artigo é o de refletir sobre a importância do lúdico para o


aprendizado da criança, ou mais especificamente sobre como os jogos e brincadeiras infantis
podem contribuir para o desenvolvimento cognitivo da criança, em especial no que diz
respeito ao conhecimento matemático, sempre levando-se em consideração a influência que
tais atividades podem exercer sobre diversas áreas do desenvolvimento infantil.
É percebível que as brincadeiras e jogos matemáticos não constituem a aprendizagem
em si, mas um excelente meio que permite o diagnóstico, a intervenção e até mesmo a
transmissão de conteúdos conceituais, procedimentos e atitudes sem que o educando perceba
tal inferência.
A infância, um dos momentos mais fascinantes da vida, é o período onde
exteriorizamos nossos sentimentos, nossas experiências e nossa criatividade da forma mais
espontânea que existe; brincando através do jogo que a criança interage com a realidade e
estabelece relações com o mundo que vive. O brincar da criança não pode ser considerado
simplesmente uma atividade complementar de forma pedagógica, mas atividade fundamental
para desenvolver identidade cultural e a formação da personalidade, uma vez que a
brincadeira pode acontecer onde quer que a criança se encontre, bastando para isso, apenas

*
Artigo científico apresentado ao curso de pedagogia da Faculdade Alfredo Nasser, como requisito parcial para
obtenção do título de licenciatura em Pedagogia.
**
Acadêmica do 8º período do curso de Pedagogia e autora do artigo.
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um pequeno estímulo para que sua imaginação a leve para um mundo de criatividade e
movimento.
Nosso estudo organizar-se-á da seguinte maneira, num primeiro momento
apontaremos a importância dos jogos para a criança e de como eles, aplicados no espaço
escolar da educação infantil, podem ser instrumentos que agem a favor do desenvolvimento
cognitivo, bem como a utilização de tais recursos e forma que o ensino aprendizagem da
Matemática se torne mais lúdico e efetivo.
Num segundo momento nos aprofundaremos na análise da forma como se dá a
construção do conhecimento lógico-matemático na criança, estudando as teorias de Piaget,
dentre outros autores, e observando a relação que o infante estabelece como sujeito que
interage com os objetos ao seu redor. Os jogos, portanto, seriam uma espécie de material que
possibilitariam a inserção da criança no ambiente de relações escolares, no mundo em que se
insere e principalmente, aquilo que a guiaria de forma mais espontânea no caminho da
construção cognitiva.
A terceira parte do nosso trabalho faz referência aos Parâmetros Curriculares
Nacionais e às diretrizes da Educação Infantil, que postulam que o ensino da matemática está
relacionado a uma infinidade de conhecimentos que estão além dos números, operações e
problemas, os paradigmas apresentados conferem à ludicidade no ensino da Matemática um
poder imprescindível no que diz respeito ao desenvolvimento sócio-cognitivo e na apreensão
dos conceitos propostos pelo professor.
O papel do professor também é tema de nosso trabalho, pois é ele quem estabelece o
papel de mediador do conhecimento para a criança. O que é importante frisar, conforme
Vigotsky, é que o professor dispõe de habilidades naturais como a criatividade, e habilidades
construídas, como a afetividade, de maneira a promover o conhecimento no ambiente escolar.
A parte final do nosso trabalho diz respeito à importância dos jogos como recursos de
aprendizagem, atividades que promovem a autonomia do aluno, e a construção de
competências e habilidades já no primeiro convívio com a comunidade escolar.
O jogo desempenha um papel importantíssimo na Educação Matemática. "Ao permitir
a manifestação do imaginário infantil, por meio de objetos simbólicos dispostos
intencionalmente, a função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral da criança"
(KISHIMOTO, 2009 , p. 22). Através do jogo, temos a possibilidade de abrir espaço para a
presença do lúdico na escola, não só como sinônimo de recreação e entretenimento. Muito
mais do que um simples material instrucional, ele permite o desenvolvimento da criatividade,
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da iniciativa e da intuição. Enfim, do prazer, elemento indispensável para que ocorra


aprendizagem significativa.

Os Jogos Matemáticos e a Educação Infantil

A Educação Infantil é um período extremamente fértil em relação à construção de


novos conhecimentos, sejam eles sociais, afetivos ou cognitivos. A criança dessa faixa etária é
capaz de estabelecer relações complexas entre os elementos da realidade que se apresenta. Por
meio da brincadeira a criança se desenvolve socialmente conhecendo as atitudes e as
habilidades necessárias para viver em seu grupo social.
A grande maioria dos jogos tradicionais foram criadas no século XVI. Alguns deles,
como amarelinha, por exemplo, continuam sendo capazes de despertar a curiosidade e o
prazer das crianças nos dias de hoje. Existem algumas condições necessárias para o desenrolar
de jogos e brincadeiras, pois o ambiente escolar com influência de experiências lúdicas,
facilitam a compreensão de certos tipos de atividades cognitivas, um exemplo disso é o
planejamento de ações que respeitem a criança e suas formas de expressão através das
brincadeiras.
Assim, frequentar uma classe de Educação Infantil significa, além da convivência
entre pares, ter acesso a muitas oportunidades para a construção de novos conhecimentos por
meio das ações que a criança exerce sobre o mundo real. A sala de aula deve ser um lugar de
exploração dos elementos da realidade que cerca os alunos. Para que isso ocorra, a criança
deve ter a oportunidade de agir sobre sua realidade. O professor deve proporcionar à criança
dessa faixa etária situações ricas e desafiadoras, as quais possam gerar a necessidade de
resolver um problema efetivo, isso se torna fundamental.
Os brinquedos tiveram um importante papel na vida das crianças. Por milhares de anos
crianças brincaram com brinquedos dos mais variados tipos. Bolinhas de gude foram usadas
por crianças no continente africano há milhares de anos.
Na Grécia Antiga e no Império Romano, brinquedos e espadas de madeira, entre os
meninos, e bonecas entre as meninas. Durante a Idade Média, os fantoches eram brinquedos
muito comuns entre as crianças.
A história do brinquedo é tão antiga quanto a do homem. Muitos brinquedos que
temos hoje nasceram nas grandes civilizações antigas e boa parte deles permaneceu inalterada
ao longo dos tempos.
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Do Egito, herdamos o jogo-da-velha e as bolinhas de gude. Da china, o dominó, os


cata-ventos e as pipas. Da Grécia e de Roma, pernas-de-pau e marionetes.
Na antiguidade, o brincar era uma atividade característica tanto de crianças quanto de
adultos. Para Platão, por exemplo, o “aprender brincando” era mais importante e deveria ser
ressaltado no lugar da violência e da repressão. Considerava ainda que todas as crianças
devessem estudar a matemática de forma atrativa, sugerindo como alternativa a forma de
jogo. (ALMEIDA, 1998, p. 38).
A brincadeira é uma experiência livre para a criança e deve ser vivenciada da melhor
forma possível, pois é por ela e através dela que a criança desperta suas habilidades mais
preciosas para um bom desenvolvimento, que a conduzirá durante toda a sua vida. Todos os
educadores devem conhecer as brincadeiras sob uma perspectiva sociocultural, para, assim
compreender os benefícios que as contribuições possibilitam à Educação Infantil.
A atividade lúdica estimula a curiosidade, a iniciativa e a autoconfiança, proporcionam
aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e da atenção,
aspectos indispensáveis à saúde e ao bom desempenho acadêmico. Segundo Macedo, Petty e
Passos, (2000) o jogo possibilita a produção de uma experiência significativa para as crianças,
tanto em termos de conteúdos escolares como do desenvolvimento de competências e
habilidades.
Para Jean Jacques Rousseau seria conveniente dar à criança a oportunidade de um
ensino livre e espontâneo, pois o interesse geraria alegria e descontração. Assim, o autor
pontua que “Em todos os jogos em que estão persuadidas de que se trata apenas de jogos, as
crianças sofrem sem se queixar, rindo mesmo, o que nunca sofreriam de outro modo sem
derramar torrentes de lágrimas” (apud ALMEIDA, 1998, p. 18)
Consideramos então, que esse foi o primeiro passo para que a educação das crianças
fosse vista de forma diferenciada, já que se unia de certa forma, brincadeira à educação, ou
seja, a necessidade que a criança tem de brincar passava a ser respeitada pela sociedade e vista
como uma possibilidade de educá-lo.
A viagem pela história dos brinquedos nos permite percorrer culturas, estilos, modos
de vida, regras sociais, utilização de diferentes materiais e ferramentas e principalmente o
estabelecimento de relações pessoais, no entanto:
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Nem todo jogo é um material pedagógico. (...) o elemento que separa um jogo
pedagógico de outro de caráter apenas lúdico é que os jogos ou brinquedos
pedagógicos são desenvolvidos com a intenção explícita de provocar uma
aprendizagem significativa, estimular a construção de um novo conhecimento e,
principalmente, despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória.
(ANTUNES, 1998, p. 38).

Para Piaget (1971) o desenvolvimento cognitivo acontece como resultado de vários


fatores: maturação, experiência, transmissão educativa, e um equilíbrio por autoregulações.
Piaget estabelece diferenças entre a experiência física e a experiência lógico-matemática. A
experiência física compreende a ação direta sobre o objeto: pegar, manusear, dobrar, jogar,
bater e permite descobrir propriedades como tamanho, forma, cor, peso, inerentes aos objetos.
Neste caso os objetos são fontes do conhecimento físico. Já a experiência lógico-matemática
compreende a coordenação de ações que a criança exerce sobre os objetos, criando e
introduzindo relações entre eles.
A utilização do brinquedo/jogo educativo com fins pedagógicos lembra-nos da
importância desses elementos para situações ensino-aprendizagem e de desenvolvimento
infantil. Por isso apontamos para a importância do uso do brinquedo em situações
matemático-cognitivas dentro do ambiente escolar, fato que proporcionará ao aluno o
desenvolvimento do raciocínio, a construção da noção de número, a capacidade de dedução
(raciocínio lógico) e o desenvolvimento de instrumentos intelectuais para a futura
compreensão das operações como adição, subtração, divisão e multiplicação, que serão vistas
no Ensino Fundamental.

Na pré-escola, a matemática não deve ser vista como disciplina ou matéria escolar,
mas como uma atividade do pensamento que está em permanente relação com suas
atividades diárias na escola, em casa ou em qualquer outro lugar. (...) Essas atividades
referem-se à aquisição da noção de conservação, classificação, seriação, de espaço,
tempo, velocidade, distância, causalidade, tamanho, espessura, peso, dentre outras.
Tais atividades devem estar integradas com outros objetivos como o desenvolvimento
da coordenação motora, do desenvolvimento social e outros (ARANÃO, 1996, p. 20).

Por compreender que a ludicidade está presente em várias atividades no dia-a-dia das
crianças, e que ela existe independentemente do seu uso educacional, afirmamos que “Jogar
não é estudar nem trabalhar, porque jogando, o aluno aprende, sobretudo, a conhecer e
compreender o mundo social que o rodeia”. (MOURA, 1991, p. 87). Podemos concluir então
que os jogos, se convenientemente planejados, são um recurso pedagógico eficaz para a
construção do conhecimento matemático.
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A Criança e a Construção do Conhecimento Lógico-Matemático

O desenvolvimento mental da criança, antes dos seis anos de idade, de acordo com
Piaget (1971) pode ser sensivelmente estimulado através de jogos e brincadeiras, pois
representam tanto atividades cognitivas quanto sociais. Através das mesmas, as crianças
exercitam suas habilidades físicas, aprendem a interagir com outras crianças, constroem novos
conhecimentos e crescem cognitivamente. Para Piaget (1971) existem três tipos de
conhecimentos: o conhecimento físico, o conhecimento social e o conhecimento lógico-
matemático.
O conhecimento físico é o conhecimento das características do objeto (cor, forma,
espessura, textura, tamanho, flexibilidade, etc). Estas características se encontram no próprio
objeto. Portanto, a criança só adquire este conhecimento através da sua ação sobre os objetos:
explorando, observando, jogando, amassando, quebrando, etc. Assim, a fonte do
conhecimento físico é externa no indivíduo. Está no próprio objeto.
Na teoria de Piaget, a abstração da cor a partir dos objetos é considerada de natureza
muito diferente da abstração do número. As duas são, de fato, tão diferentes que até se
distinguem por termos diferentes. Para a abstração das propriedades a partir dos objetos,
Piaget usou o termo abstração empírica (ou simples). Para a abstração do número, ele usou o
termo abstração reflexiva.
O conhecimento social o nome e a escrita dos numerais é adquirido através da
transmissão social, são valores, normas sociais, regras. A fonte do conhecimento social é
essencialmente externa. Entretanto levar a criança apenas a memorizar o nome e a escrita dos
números sem que ela tenha construído o concreto de número, não vai levá-lo a construir esse
conceito.
O conhecimento lógico-matemático, por outro lado se refere às relações criadas pelo
indivíduo entre os objetos. Por exemplo, quando comparamos duas bolas de tamanhos
diferentes, estabelecemos uma relação entre elas: uma bola pode ser maior ou menor que
outra. A diferença que existe entre elas não se encontra nem em uma nem em outra bola, mas
sim na relação que criamos mentalmente entre elas. Portanto, a fonte do conhecimento lógico-
matemático não se encontra no objeto, mas sim, no próprio pensamento do indivíduo. É uma
fonte interna, assim, para construir esse tipo de conhecimento é necessário que o indivíduo
estabeleça a relação entre vários objetos.
No seu processo de desenvolvimento, a criança vai criando várias relações entre os
objetos (mais, menos, mesmo tanto, parecidos, diferentes, mais pesados, iguais) e
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coordenando, de forma cada vez mais complexa, estas relações (exemplo: ao coordenar as
relações igual, diferente e mais, a criança é capaz de deduzir que existem mais frutas na feira
do que laranjas).
O trabalho de Matemática na Educação Infantil deve, dessa forma, garantir que as
crianças façam mais do que recitar números e decorar os nomes de figuras geométricas. É
preciso que possam, partindo dos conhecimentos prévios de cada uma, avançar em seus
conhecimentos mediante situações significativas de aprendizagem. Várias são as
possibilidades para que isso ocorra: as situações de jogos; as resoluções de problemas; as
atividades lógicas etc. O que vai garantir um aprendizado efetivo é que a criança possa ser o
protagonista desse processo, ou seja, um ser ativo que busca respostas a questões verdadeiras
e instigantes.
O uso de jogos no ensino da Matemática tem o objetivo de fazer com que os
estudantes gostem de aprender essa disciplina, mudando a rotina da classe e despertando o
interesse do estudante. A aprendizagem por meio de jogos, como dominó, palavras cruzadas,
tangran, dobradura, uno, hora do rush, “palitinho”, memória, e outros, permitem que o
estudante faça da aprendizagem um processo interessante e até divertido. Para isso, eles
devem ser utilizados como recursos para enriquecer e facilitar a construção do conhecimento
na atividade escolar diária. Neste sentido verificamos que há três aspectos que por si só
justificam a incorporação do jogo nas aulas. São eles, o caráter lúdico, o desenvolvimento de
técnicas intelectuais e a formação de relações sociais.

Outro motivo para a introdução de jogos nas aulas de matemática é a possibilidade de


diminuir bloqueios apresentados por muitos de nossos estudantes que temem a
Matemática e sentem-se incapacitados para aprendê-la. Dentro da situação de jogo,
onde é impossível uma atitude passiva e a motivação é grande, notamos que, ao
mesmo tempo em que estes alunos falam Matemática, apresentam também um melhor
desempenho e atitudes mais positivas frente a seus processos de aprendizagem.
(BORIN, 1996, p. 53).

Os jogos contribuem para o desenvolvimento intelectual, pois através da manipulação


de materiais variados a criança poderá reinventar coisas, reconstruir objetos, fazer relações
com situações reais, aprender as regras dos mais velhos, desenvolver sua linguagem.
Na sala de aula podem promover a relação entre parceiros e grupos, o que é um fator
de avanço cognitivo, pois durante os jogos a criança estabelece decisões. “É no brinquedo que
a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa,
dependendo das motivações e tendências internas, e não dos incentivos fornecidos pelos
objetos externos”. ( apud, VYGOTSKY , 2003, p. 23).
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Através do lúdico as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes,


tais como a atenção, a memória, a imaginação, concentração, conservação, seriação,
reversibilidade, análise e síntese, interpretação, argumentação, organização. Nesse contexto a
criança desenvolve a autonomia e a capacidade de resolver problemas de maneira prazerosa
como participante ativo do seu processo de aprendizagem e é por meio da brincadeira que a
criança se desenvolve socialmente conhecendo as atitudes e as habilidades necessárias para
viver em seu grupo social.
A utilização de jogos na escola não é algo novo, o uso de jogos implica uma mudança
significativa nos processos de ensino e aprendizagem. O jogo na escola foi muitas vezes
negligenciado por ser visto como uma atividade de descanso ou apenas como um passatempo.

Jogos ou brincadeiras pedagógicas são desenvolvidas com a intenção implícita de


provocar uma aprendizagem significativa estimular a construção de um novo
conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade
operaria [...] aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica. (ANTUNES,
1998, p. 38)

Quando o professor de Educação Infantil olha o ensino matemático por esse prisma, e
o coloca em prática em sua sala de aula, começa-se a criar aquela escola de uma educação
democrática e, conseqüentemente, de qualidade.

Parâmetros Curriculares Nacionais no Ensino da Matemática

Em 1998, surgiram as primeiras diretrizes para educação infantil com o Referencial


Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI).
Esse documento foi o norte para muitas escolas públicas e privadas, no sentido de
auxiliá-las no cumprimento da Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDBEN)
9394/96.
Para o RCNEI (1998, p. 207), o trabalho com a Matemática pode contribuir para a
formação de cidadãos autônomos, capazes de pensar por conta própria, sabendo resolver
problemas. Esses problemas vão desde classificação e seriação, que nessa faixa etária pode ser
feita com objetos da realidade da criança, como figurinhas, como localizar-se no espaço e no
tempo de maneira adequada. Esses conceitos são desenvolvidos e internalizados no indivíduo
justamente nessa primeira fase da vida escolar.
Antes da Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDBEN) 9394/96, o
Estado já sinalizava a necessidade da Educação Infantil. Com a constituição de 1988 que em
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seu artigo 208, garante que a educação é dever do Estado e com a educação será efetivado
mediante a garantia de entre outras determinações, o atendimento em creche e pré-escola às
crianças de zero a seis anos de idade. E ainda em seu artigo 214 que é dever do Estado a
erradicação do analfabetismo; universalização do atendimento escolar; melhoria da qualidade
de ensino; formação para o trabalho; promoção humanística científica e tecnológica do País.
Conforme os PCN’S (1997, p. 60) a maneira de brincar e jogar sofre uma profunda
modificação no que diz respeito à questão da sociabilidade. Ocorre uma ampliação da
capacidade de brincar: além dos jogos de caráter simbólico, nos quais as fantasias e os
interesses pessoais prevalecem, as crianças começam a praticar jogos coletivos com regras,
nos quais têm de se ajustar às restrições de movimentos e interesses pessoais.
Dessa forma a maneira de brincar e jogar está relacionada a um desenvolvimento onde
a criança adquire um relacionamento com outras crianças por isso é importante que os jogos e
os brinquedos façam parte da escultura escolar, havendo interesses pelas crianças. Portanto, o
uso dos jogos / brinquedos educativos com fins pedagógicos remete-nos para a relevância
desse instrumento para situações de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento infantil.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para a área de Matemática são pautados por
nove princípios decorrentes de estudos, pesquisas, práticas e debates desenvolvidos nos
últimos anos.
1º A matemática é componente importante na construção da cidadania, na medida em
que a sociedade se utiliza, cada vez mais, de conhecimentos científicos e recursos
tecnológicos, dos quais os cidadãos devem se apropriar.
2º A matemática precisa estar ao alcance de todos e a democratização do seu ensino
deve ser meta prioritária do seu trabalho docente.
3º A atividade matemática escolar não é “olhar para coisas prontas e definitivas”, mas
a construção e a apropriação de um conhecimento pelo aluno, que se servirá dele para
compreender e transformar sua realidade.
4º No ensino da matemática, destacam-se dois aspectos básicos: um consiste em
relacionar observações do mundo real com representações (esquemas, tabelas, figuras), outro
consiste em relacionar essas representações com princípios e conceitos matemáticos.
5º A aprendizagem matemática esta ligada a compreensão, isto é, á apreensão do
significado; apreender o significado de um objeto ou acontecimento pressupõe vê-lo em suas
relações com outros objetos e acontecimentos. Assim, o tratamento dos conteúdos em
compartimentos estanques e numa rígida sucessão linear deve dar lugar a uma abordagem em
que as conexões sejam favorecidas e destacadas. O significado da matemática para o aluno
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resulta das conexões que ela estabelece entre ela e as demais disciplinas, entre ela e seu
cotidiano e das conexões que ele estabelece entre os diferentes temas matemáticos.
6º A seleção e organização de conteúdos não deve ter como critério único a lógica
interna da matemática. Deve-se levar em conta sua relevância social e a contribuição para o
desenvolvimento intelectual do aluno. Trata-se de um processo permanente de construção.
7º O conhecimento matemático deve ser apresentado aos alunos como historicamente
construída e em permanente evolução. O contexto histórico possibilita ver a matemática em
sua prática filosófica, cientifica e social e contribui para a compreensão do lugar que ela tem
no mundo.
8º Recursos didáticos como jogos, livros, vídeos, calculadoras, computadores e outras
matérias têm um papel importante no processo de ensino e aprendizagem. Contudo, eles
precisam estar integrados a situações que levam ao exercício da analise e da reflexão, em
ultima instancia a base da atividade matemática.
9º A avaliação é parte do processo de ensino e aprendizagem. Ela incide sobre uma
grande variedade de aspectos relativos ao desempenho dos alunos, como aquisição de
conceitos, domínio de procedimentos e desenvolvimento de atitudes. Mas também devem ser
avaliados aspectos como seleção e dimensionamento dos conteúdos, práticas pedagógicas,
condições em que se processa o trabalho escolar e as próprias formas de avaliação.
No entanto, esse movimento não é instantâneo nem está garantido pelo fato de existir
espaço para discussões, reflexões ou leituras críticas sobre o assunto. É necessário coragem
para assumir que o brincar é primordial no trabalho junto a crianças de zero a seis anos.
É imprescindível, também que essa postura seja abraçada por toda equipe escolar,
desde o diretor, coordenador, auxiliares até os funcionários que prestam serviços dentro da
escola, não somente pelo professor de classe.

Pesquisados recentes sugerem que a maior parte das crianças pequenas, desde que
estimulados coerentemente e em áreas de suas inteligências específicas, são
ligeiramente mais competentes do que Piaget imaginava principalmente no que diz
respeito aos jogos de linguagem (ANTUNES, 2000, p. 29).

Através dos jogos a criança adquire linguagem adequada, habilidades cognitivas que
vão sendo de inúmeras capacidades para o seu dia-a-dia e realizando suas imaginações através
da inteligência.
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O papel do professor

Para o Ministério da Educação (1998), aprender é construir significados e atribuir


sentidos às ações da criança. Por isso é que se parte do concreto, para que a educação se torne
significativa. Vygotsky, em sua teoria histórico-cultural chama esse concreto de instrumento.
Segundo Vygotsky (1991, p 62), “o instrumento constitui um meio pelo qual a atividade
humana externa é dirigida para o controle e domínio da natureza”.
Dessa forma, o instrumento é um auxiliar externo no desenvolvimento. Ainda segundo
Vygotsky (1991, p. 101), o aprendizado é um aspecto necessário e universal do processo de
desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente
humanas. Assim, a escola e o professor de Educação Infantil devem ser elementos mediadores
do ensino integral do aluno que proporciona o desenvolvimento do individuo cultural e
psicologicamente.

A educação matemática permite a compreensão do que se faz ao educar, das propostas


pedagógicas, do sentido que fazem as teorias que estudam assuntos da educação. E,
preponderadamente, um fazer mediativo que leva ao autoconhecimento, à autocrítica
e, portanto, ao conhecimento e crítica do mundo (BICUDO, 1999, p.25).

Para Vygotsky (1991) o professor tem papel fundamental na formação do individuo. O


professor deve servir como condutor da influência humana sobre o objeto da atividade. O
professor, segundo essa definição, é o “orientador” da criança nesse momento. Vygotsky
(1991) ainda complementa que, o instrumento constitui um meio pelo qual a atividade
humana externa é dirigida para o controle e domínio da natureza.
O professor deve conhecer os elementos teóricos envolvidos no processo de
construção de conceitos para que compreenda melhor alguns aspectos da aprendizagem das
crianças, dessa forma, o papel do professor é fundamental para desmitificar a idéia de que ser
criativo é um dom divino. Ele, o professor, exerce o papel de mediador privilegiado no
processo ensino-aprendizagem, no crescimento do seu aluno e no desenvolvimento das
habilidades criativas.
Os referenciais curriculares da educação infantil (1998) retratam que o professor deve
proporcionar o jogo e a brincadeira em um ambiente que estimule a ludicidade em função de
seus objetivos. Sendo assim o professor desempenha um importante papel no transcorrer das
brincadeiras se conseguir discernir os momentos em que deve observar, em que deve intervir
na coordenação da brincadeira ou em que deve integrar-se como participante das mesmas.
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Por meio das brincadeiras os professores podem assistir e constituir uma visão dos
processos de desenvolvimento das crianças em conjunto e de cada uma em particular,
registrando suas capacidades de uso das linguagens assim como suas capacidades sociais e
dos recursos afetivos e emocionais que dispõem sabemos, portanto, que o processo de
formação das crianças é complexo, pois envolve atividades intelectuais e mentais por partes
da criança por isso para aprender um conceito é preciso ter, além das informações recebidas
do ambiente, capacidades de abstração, cooperação, memória, concentração e atenção.
Vygotsky (1998) considera importante o papel do ensino escolar na formação de
conceitos, mas também trabalha com a ideia de que o brinquedo é uma atividade infantil que
tem enorme influência no desenvolvimento de uma criança.

No brinquedo, a criança sempre se comporta além do comportamento habitual de sua


idade, além do seu comportamento diário; no brinquedo é como se ela fosse maior do
que é na realidade. Como no foco de uma lente de aumento, o brinquedo contém todas
as tendências do desenvolvimento sob forma condensada, sendo ele mesmo, uma
grande fonte de desenvolvimento (VYGOTSKY, 1998, p. 134).

Cabe ao professor, nesse caso, ser o mediador dos conceitos, promovendo atividades
diferenciadas que valorizem a construção do conhecimento e a apropriação desses conceitos
para que mais tarde eles venham a ser aproveitados quando os alunos forem aprender os
conteúdos mais complexos de Matemática.
Para Borba (2006), o professor tem papel fundamental nesse processo, além de ser o
mediador, ele conta com processos afetivos por parte da criança para com ele e com o
conteúdo. Mesmo assim, o autor é claro e ressalta a importância de o professor ter:

Habilidades de propor, planejar, organizar, orquestrar e realizar o ensino de


Matemática, além da habilidade de criar um amplo espectro de situações de
ensino/aprendizagem; descobrir, avaliar, selecionar e criar materiais pedagógicos;
inspirar e motivar os alunos; discutir os currículos e justificar as atividades de
ensino/aprendizagem com os estudantes. (BORBA, 2006, p. 39)

Essas habilidades, acompanhadas de responsabilidade profissional e com o intuito de


formar cidadãos críticos e uma educação mais democrática para o nosso país, com certeza vão
fazer com que a Educação matemática em Educação Infantil tenham uma melhoria
significativa.
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Jogos como recursos de aprendizagem

Os jogos têm uma grande importância na cultura escolar, cabe ao professor analisar e
avaliar a potencialidade educativa dos diferentes jogos e o aspecto curricular que se deseja
desenvolver. Os jogos de construção são considerados de grande importância por enriquecer a
experiência sensorial, estimular a criatividade e desenvolver várias habilidades nos alunos.
Dessa maneira ao construir, juntar materiais, empilhar, montar, etc. a criança desenvolve
capacidades para medir imaginar, planejar e antecipar suas ações.
Para propiciar e enriquecer o brincar com jogos de construção na escola, é importante:
* Favorecer a manipulação e a exploração de objetos e brinquedos, em situações
organizadas de forma que haja quantidades individuais suficientes para que cada criança
possa descobrir as características e propriedades principais destes materiais (sons, cores,
texturas, cheiros, formas) e suas possibilidades associativas: empilhar, rolar, transvasar,
encaixar.
*Propor jogos, tais como: diferentes tipos de quebra-cabeça jogos de montar e
encaixar, como o Lego e outros.
*Utilização dos materiais para construção de cenários temáticos de brincadeiras.
*Compreender, conhecer e reconhecer o tripé que é fundamental na vida da criança.
Durante a brincadeira, a criança deve sentir-se à vontade para decidir o que lhe é
principal sujeito da ação; por isso, ao levarmos em consideração a educação infantil, devemos
ter a sensibilidade para compreender que a criança deve ser respeitada acima de tudo, em
todos os seus aspectos, principalmente em suas decisões, construindo dessa maneira, uma
criança com um senso crítico, valorizando os seus princípios.
Ao educar, na instituição de educação infantil, pode-se oferecer às crianças condições
para as aprendizagens nas brincadeiras ou durante aulas expositivas. Neste processo, a
educação poderá auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimento
das potencialidades corporais, afetivas, emocionais, estéticas e éticas, na perspectiva de
contribuir para a formação de crianças felizes e saudáveis.
Cuidar significa valorizar potencialidades e ajudar a desenvolver capacidades. O
cuidado é um ato relacionado ao outro e a si próprio que possui uma dimensão expressiva e
implica em procedimentos específicos.
Para que as crianças possam exercer sua capacidade de criar é imprescindível que haja
riqueza e diversidade nas instituições, sejam elas mais voltadas aos jogos, brincadeiras ou
aprendizagens que correm por meio de uma intervenção direta. No ato de brincar, os sinais, os
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gestos, os objetos e os espaços valem e significam outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao
brincar as crianças recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo
que estão brincando.
O jogo é considerado importante atividade na educação, uma vez que permite o
desenvolvimento afetivo, motor, intelectual, cognitivo, social, moral e aprendizagem de
conceitos. Ao jogar, o aluno experimenta, descobre, inventa, exercita e confere suas
habilidades.
Para Batllori (2006), o jogo é diversão e fonte de aprendizado, estimulando o sujeito e
facilitando atitudes socializantes. O autor considera que os jogos desenvolvem nos alunos
capacidades, conhecimentos, atitudes e habilidades cognitivas e sociais, além de constituírem
uma fonte de aprendizado para os educadores. O professor deve buscar jogos que deixem as
matérias mais atraentes, facilitando ao mesmo tempo seu aprendizado, seja por seu caráter
divertido ou porque faz com que se descubram novos mundos.
Para Piaget, apud Kishimoto (2009), o jogo é a construção do conhecimento,
principalmente nos períodos sensório motor e préoperatório. Agindo sobre os objetos, as
crianças estruturam seu espaço e seu tempo, desenvolvendo a noção de causalidade, o que faz
com que cheguem à representação e, finalmente, à lógica. O jogo, portanto, tem importantes
elementos necessários à aprendizagem.
Jogos e brincadeiras, uma das grandes contribuições do uso de jogos e brincadeiras
infantis na escola é o resgate do patrimônio histórico-social e cultural de determinado grupo.
Além do aspecto lúdico e prazeroso do ato de jogar e brincar, brincadeiras e jogos
industrializados ou construídos com sucatas envolvendo habilidades numéricas, de medida e
especiais podem se transformar em um excelente recurso e estratégia nas aulas de
matemática.Os jogos permitem o desenvolvimento do trabalho em grupo da linguagem oral e
escrita, de diferentes habilidades de pensamento (observar, comparar, analisar, sintetizar,
conjecturar ) de conceitos matemáticos entre outros.
A exploração de jogos tem o papel de destaque no desenvolvimento da comunicação,
do trabalho em grupo, de atitudes, de normas, de conceitos dentre outros aspectos.O jogo
propicia a aprendizagem por meio de símbolo e do pensamento.Em que as crianças criam
linguagens e convenções próprias conforme a leitura que fazem da realidade e do contexto da
brincadeira.Esse é o aspecto fundamental que favorecerá a compreensão e a aceitação de
regras e convenções do processo de ensino e aprendizagem.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Entendemos que a utilização de jogos no ensino de Matemática, quando


intencionalmente definidos, pode promover um contexto estimulador e desafiante para o
movimento de formação do pensamento do ser humano, de sua capacidade de cooperação e
um auxiliar didático na construção de conceitos matemáticos. O jogo é um facilitador da
aprendizagem, pois mobiliza a dimensão lúdica para a resolução de problema,
disponibilizando o aluno a aprender, mesmo que a formalização do conceito seja posteriori1
ao jogo.
Moura (1991) afirma que tanto o jogo quanto o problema podem ser vistos, no
processo educacional, como introdutores ou desencadeadores de conceitos, ou como
verificadores/aplicadores de conceitos já desenvolvidos e formalizados, além de estabelecer
uma relação entre jogo e problema ao postular que:

O jogo tem fortes componentes da resolução de problemas na medida em que jogar


envolve uma atitude psicológica do sujeito que, ao se predispor para isso, coloca em
movimento estruturas do pensamento que lhe permitem participar do jogo. [...] O
jogo, no sentido psicológico, desestrutura o sujeito que parte em busca de estratégias
que o levem a participar dele. Podemos definir jogo como um problema em
movimento. Problema que envolve a atitude pessoal de querer jogar tal qual o
resolvedor de problema que só os tem quando estes lhes exigem busca de
instrumentos novos de pensamento (MOURA, 1991, p.53).

Concordamos com o autor, no sentido de que, no contexto educacional de Matemática,


o jogo é desencadeador de desafios, desestruturando o sujeito e possibilitando a este
desenvolver a postura de analisar situações e criar estratégias próprias de resolução de
problema ao exigir a busca de movimentos novos de pensamento. Além disso, o jogo propicia
o desenvolvimento de habilidades como análise de possibilidades, tomada de decisão,
trabalho em grupo, saber ganhar e saber perder.
Na prática pedagógica com jogos, a construção e aquisição de conhecimentos por
parte dos alunos acontecem de forma mais lenta, pois estes necessitam de tempo para se
familiarizar, aprofundar e analisar o jogo. Dos professores, exige maior dedicação na
preparação de materiais, atentando para as diferentes fases do jogo e suas possibilidades,
sendo ele o mediador da construção do conhecimento pelos alunos, proporcionando a estes
um ambiente de aprendizagem no qual possam criar, ousar, comprovar.

1
A posteriori (do latim, « partindo daquilo que vem depois ») refere-se à etapa para se chegar ao conhecimento
que é realizada através da experiência. É um conceito fundamental da epistemologia, na teoria do conhecimento.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/A_posteriori)
19

Além disso, o jogo pode estimular a concentração, possibilitando o desenvolvimento


de habilidades pessoais como exploração, investigação de um contexto, análise, comparação,
interpretação, previsão, síntese e tomada de decisão - elementos essenciais para a resolução de
problemas.
Ensinar matemática através de jogos é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o
pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Nós como
educadores matemáticos, devemos procurar alternativas para aumentar a motivação para a
aprendizagem, desenvolver a autoconfiança, a organização, concentração, atenção, raciocínio
lógico-dedutivo e o senso cooperativo, desenvolvendo a socialização e aumentando as
interações do indivíduo com outras pessoas. Os jogos, se convenientemente planejados, são
um recurso pedagógico eficaz para a construção do conhecimento matemático.

Abstract: This study seeks to analyze the math learning processes seeking to
identify the games, toys and games as primary elements in order to increase the
cognitive level developed by a set of realities experienced by the child in a playful
and mathematical framework. We will analyze what say the National Curriculum
regarding the use of games as learning resources and the role of the teacher and the
construction of logico-mathematical knowledge experienced by the child. The
study chose to conduct a literature search in the works of authors such as Vygotsky,
Piaget, Aranão and Kishimoto, among others, in order to understand the student as
an active participant in the learning process. We will present some considerations
of the current approaches and cognitive development and learning design.

Keywords: Mathematical Games. Games. Logical-mathematical knowledge.

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