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PEQUENO GUIA DE INICIAÇÃO À FOTOGRAFIA DE AVES

Prefácio

Resolvi criar este pequeno guia devido aos vários pedidos que têm surgido aqui no grupo e
também porque acho que poderá ser útil para quem está a começar.

Pretendo com isto incentivar as pessoas a melhorar e a não desistir quando as coisas não
correm pelo melhor, mas também fazer com que cada um pergunte a si próprio se é nisto
mesmo que quer perder horas de espera e ter que levantar cedo, apanhar frio ou calor, gastar
dinheiro em material e combustível, etc.

A fotografia de aves, quando se quer espécies pouco comuns, não é fácil nem barata, mas é
muito gratificante.

Preparem-se para levantar às 4 ou 5 da manhã, apanhar chuva, frio ou calor, rastejar no chão,
cair, molhar os pés, sujar de lama, apanhar grandes secas, mas chegar a casa e, embora
cansados, desejosos de ver a foto de mais uma nova espécie e para a semana estarem
preparados para fazer tudo de novo.

Este guia será dividido em 3 capítulos "Antes de sair", "No campo" e "Pós-produção"
capítulos esses que serão divididos por várias alíneas.

Tentarei por uma alínea de dois em dois dias.

Espero que gostem e que vos seja útil.

Capitulo I - ANTES DE SAIR

1-Material

1.1-Equipamento fotográfico

Câmara fotográfica – Partimos do principio que se consegue fotografar aves com qualquer
câmara, desde a compacta à reflex, passando pela bridge. A diferença está nos objectivos e nas
espécies que se pretende fotografar.

Se apenas pretendemos alguns registos ou apenas fotografar as aves do jardim ou parques


públicos, então uma simples compacta serve, se queremos ir um pouco mais longe mas
mesmo assim não temos por objectivo chegar ao topo, então uma bridge é uma boa opção,
mas se pelo contrário, temos o desejo de conseguir fotos de excelência, a melhor opção é a
reflex.

Seja como for, qualquer uma delas, umas mais que outras, necessitam que as conhecemos
para que possamos tirar o máximo proveito das mesmas e para isso devemos ler os manuais,
sim, ler e reler se for necessário, pois só assim podemos tirar o devido proveito.
Depois de estarmos devidamente familiarizados com os diversos comandos da câmara, então
está na altura de fazermos experiencias, usar várias opções para um mesmo tema e vários
temas para uma só opção, só assim se pode ter alguma ideia das suas potencialidades.

Não receiem em fazer experiencias, ao contrário das velhas analógicas, uma das grandes
vantagens do digital é o botão delete, aquele do caixote do lixo…

Quanto a Antes de sair, basicamente resume-se a manter a máquina limpa, cuidado com a
água salgada quando se vai fotografar junto ao mar, o pó depois de um dia em terrenos áridos
e água resultante da chuva ou salpicos de rios ou quedas de água.

Carregar a bateria na véspera, assim como despejar os cartões.

E não menos importante, verificar as ultimas definições, se por exemplo estivemos a fotografar
nocturnas e no outro dia vamos fotografar de dia, não esquecer que as definições da máquina
estão para fotografia nocturna.

(Sobre às definições da câmara, irei dar umas luzes no segundo capitulo).

Objectiva – Assim como se consegue fotografar aves com qualquer câmara, também o mesmo
se passa com as objectivas e a mesma teoria se aplica, depende dos objectivos, mas com uma
salvaguarda, há muito boas fotografias de aves tiradas com grande angulares, não podemos
pensar só em isolar o tema, fotos de grupos ou que mostrem o ambiente também têm muito
valor, nem sempre é necessário preencher o enquadramento apenas com uma ave.

Mas claro, uma objectiva com o mínimo 300mm é essencial para grandes planos.

Existe uma regra (se é que se pode chamar assim…) em que, para passeriformes, se deve ter
em consideração a seguinte medida: com uma objectiva de 300mm a ave deve estar a mais ou
menos 3 metros, com uma 400mm, deve estar a 4 metros e por aí fora, mas claro, não há
regras sem excepções, há objectivas de 300mm com mais qualidade que algumas de 500 e isso
é o suficiente para anular esta “regra”.

Usem um pára-sol, pois para além de proteger dos raios solares, também dá alguma protecção
contra quedas.

E já agora, com objectivas pesadas, não usem a alça na camara, mas sim na própria objectiva,
pois o peso que a mesma têm pode fazer com que o encaixe entre ela e a câmara comece a
ganhar folgas e maus contactos.

Quanto a Antes de sair, aplica-se o mesmo que em relação à câmara, o cuidado com a limpeza
e muita atenção às humidades, se estivermos a fotografar à chuva e não tivermos alguma capa
para a objectiva, não a coloquem de repente num ambiente mais quente e se for zoom, não a
fechem, pois isso vai fazer com que a condensação entre para dentro da mesma e fique
embaciada.
Flash – Acessório útil, se não essencial na mala do fotógrafo, não só para fotografar nocturnas,
como para situações de falta de luz, aves à sombra, contraluz, etc.

Embora os flashes incorporados nas câmaras já tenham alguma qualidade ainda não são o
suficiente, para além de que estão fixos, enquanto um flash externo, para além de mais poente
pode ser retirado da máquina e usado como flash “escravo”, isto é, o flash externo pode ser
comandado pelo da câmara e assim temos duas fontes de luz.

Existe um acessório para o flash (que irei falar mais à frente) que nos vai aumentar a distância
de alcance do mesmo.

Quanto a Antes de sair, baseia-se em ter as pilhas carregadas, de preferência dois conjuntos e
recarregáveis e sempre de 2300ma para cima. Manter os contactos da máquina bem limpos e
protegidos, principalmente da água salgada.

Tripés, monopés e outros suportes – O tripé é outro elemento essencial, pois permite-nos
estabilizar a câmara e objectiva, assim como nos aliviar do peso do conjunto.

É tão importante que vão reparar que vai ser um dos elementos que mais duvidas nos trazem
na altura de o adquirir, vou tentar ajudar na escolha.

Robusto e leve, duas características fundamentais, mas que como é óbvio, são as que o mais
vai encarecer. Robusto para ser estável, pois não o queremos a abanar em locais ventosos e
que seja estável em terrenos irregulares, podemos sempre prender um saco com pesos na
parte de baixo do suporte da cabeça, mas é uma solução de recurso. Leve, porque vamos de
ter de o carregar.

Com cabeça amovível para podermos por ou tirar a mesma, pois, a não ser que tenhamos mais
que uma cabeça, ela irá servir-nos noutras situações fora do tripé.

De preferência sem coluna central, para além de que não devemos levantar a mesma pois
perdemos estabilidade, ela vai estorvar quando quisermos tirar fotografias a nível do solo, o
que me leva a outra característica, pernas articuladas, para podermos baixar o tripé ao nível do
solo, pernas essas que não devem ser divididas em mais que 3 elementos, pois quantos mais,
menor a estabilidade.

A cabeça, as melhores são de bola


http://img.soubarato.com.br/produtos/01/00/item/7447/1/7447155GG.jpg ou Gimbal
http://www.adorofotografar.com.br/imagens/imagem345x345/cabeca-tripe-gimbal-induro-
ghb2-1293.jpg na falta desses teremos que nos contentar com qualquer outra, claro que
também vai servir é uma questão de nos adaptarmos, mas sempre com pratos de libertação
rápida, pois é essencial podermos retirar a câmara do tripé rapidame nte no caso de querermos
fotografar uma ave em voo.

Pés estáveis, a grande maioria vêm com pés de borracha para chão duro e que se pode
converter em espigões para chão mole.
Atenção aos parafusos, verificar de tempos a tempos o seu aperto e limpeza.

O monopé não é um substituto do tripé, será sim apenas um apoio em caso de falta do
segundo, mas pode ser uma ajuda em determinados casos, por exemplo, sítios com pouco
espaço ou quando é necessária mais mobilidade.

Assim como o tripé, deve ser robusto e leve, pelas mesmas razões, mas não esquecer que o
monopé é apenas uma perna e em quem nós fornecemos as outras duas para formar o tripé,
por isso não terá a mesma estabilidade.

De preferência, deve ser de cabeça amovível em que, ou temos uma cabeça só para ele ou
podemos usar a cabeça do nosso tripé e volto a frisar a preferência para cabeças com pratos
de libertação rápida, pelas mesmas razões atrás referidas.

Outros suportes, são o saco de bagas


http://www.fotocamo.com/shop/images/uploads/saco2.jpg, muito útil para apoiar a
objectiva, por exemplo na janela do carro, no chão, etc. E o suporte de janela
http://4.bp.blogspot.com/_Pkt5JvaW1x4/S-
SwBmiHs6I/AAAAAAAAAI4/yg6ReEO66mg/s320/suporte-janela104.jpg, que, como o nome
indica, serve para apoiar a objectiva na janela do carro.

Outros acessórios fotográficos – Cabo disparador, útil mas não essencial, só em casos em que
temos de usar velocidades lentas, o que para as aves não é muito usual.

Um extensor de flash ou Better Beamer


http://www.fotocamo.com/shop/images/uploads/102-007_large.jpg que permite ampliar o
alcance e potência do flash ao qual me referi anteriormente quando falei dum acessório para o
flash.

Camuflagem para a objectiva, faz falta para objectivas brancas, para pretas nem por isso, mas
uma capa de protecção para a chuva já é bastante útil, para além de a proteger da chuva e
salpicos, também serve de camuflagem.

Bateria de reserva, muito útil para quando não temos hipótese de carregar a original da
máquina, assim como um jogo extra de baterias, de preferência recarregáveis, para o flash.

Material de limpeza, pano especial para objectivas (atenção que nem todos os panos servem),
cotonetes, líquido de limpeza, pincel e pera de ar.

Saco ou mochila de transporte. Não poupem dinheiro aqui, pois é dentro dela que iremos por
todo o nosso material, o tamanho depende do que queremos transportar, o ideal seria ter
uma pequena e outra maior para diversas situações, mas tem de ser resistente, que não deixe
entrar água nem pó, pois irá poupar-nos muitos dissabores.

1.2-Outro equipamento
Começamos pela roupa, que deve ser de cores neutras, de preferência verde ou
castanho/bege, existe roupa específica para a actividade, por exemplo o fato Ghillie
http://www.fotocamo.com/shop/images/uploads/fato_guillie.jpg, ou o fato de folhas
http://www.fotocamo.com/shop/images/uploads/ervas.jpg, mas são ambos para algo mais
avançado, um boné ou gorro umas luvas para o inverno, um impermeável, botas de caminhada
de preferência impermeáveis e umas galochas, pois nem fazem ideia das situações em que por
vezes se podem colocar… E também por essa razão, aconselho a ter uma muda de roupa no
carro.

Uma ou duas redes, depende do tamanho, vai servir para muitas funções, tapar a janela do
carro, tapar-nos a nós próprios, serve para fazer um abrigo ou mesmo ajudar a esconder o
nosso abrigo, etc.

Molas para prender a rede.

Se quiserem ir mais além, podem adquirir um abrigo, um simples abrigo tenda para uma
pessoa: http://niobo.pt/shop/images/large/acessorios/tenda_LRG.jpg, ou para duas:
http://www.fotocamo.com/shop/images/uploads/new%202.jpg, ou então um abrigo-cadeira:
http://www.fotocamo.com/shop/images/uploads/cadeira_nova.jpg, claro que é um
investimento que devem considerar se já estão prontos para o fazer.

Um mp3 ou telemóvel que dê para gravar vários sons de aves, assim como uma coluna e um
fio de ligação bastante comprido, no mínimo de 10 a 8 metros.

Um recipiente com sementes.

E não menos importante, um guia onde podemos tentar identificar as espécies e uns
binóculos, não convém serem pesados pois é mais uma coisa para carregarmos.

1.3-As aves

Agora vamos preparar as aves… Ou seja vamos preparar para as encontrar.

Existe principalmente duas opções, ou vamos à descoberta do que aparecer, ou vamos


procurar espécies específicas. Se optarmos pela primeira opção então a preparação não será
muita, apenas escolher o local, que terá toda a importância, e saber como irá estar o tempo.
Aconselho a escolher um local com bastante diversidade, para quem está a começar, um
parque ou jardim é uma boa opção, mas nunca ao fim de semana, outra é locais já preparados
para a observação/fotografia de aves, por exemplo a Lagoa de Albufeira http://www.cm-
sesimbra.pt/lagoapequena/.

Quanto à segunda opção, temos que nos prepara para a determinada espécie e para isso é
necessário conhece-la, saber qual a melhor altura do ano, o melhor local, o seu habita, se pode
ser atraída por sons ou por alimento.

Pesquisem sites, como por exemplo o http://www.avesdeportugal.info/index.html, pesquisem


as fotos da espécie, saibam quem já as fotografou e não tenham receio de contactar os
autores das mesmas, 90% das vezes, para além de serem bem encaminhados, vão criar uma
rede de contactos e amigos muito útil para o futuro.

Capitulo II – NO CAMPO

Basicamente existem dois métodos para fotografar, de “assalto” ou de espera, mas em ambos
os casos existem variantes.

2.1- Fotografia de “assalto”

Chamasse fotografia de “assalto” quando estamos em movimente procurando as aves a


fotografar, é talvez por onde todos começamos, por exemplo, quando andamos num jardim ou
parque de máquina na mão procurando algumas aves para fotografar, ou quando andamos de
carro, ou mesmo de barco.

Muitas aves são mais fáceis de fotografar deste modo, por exemplo as gaivotas e a maioria das
aves marítimas.

Uma variante da fotografia de “assalto” é a utilização de hidrohide, pois embora nos


encontremos num abrigo ele pode ser deslocado para nos podermos aproximar do tema, mas
como não deixa de ser um abrigo, irei falar deste tipo de fotografia na secção de espera pois
vou aí incluir todos os tipos de abrigos.

Embora neste tipo de fotografia nos desloquemos, nada impede de fazermos um pouco de
espera, e até existem vantagens em que o façamos, pois é sempre mais eficaz nós esperarmos
a aproximação da ave do que sermos nós a chegarmos perto, coisa que normalmente não dá
grandes resultados, mas se não houver outra hipótese então temos de ponderar como . Se a
ave está pousada no chão, devemos considerar rastejar até ela, caso o terreno não o permita
(ou tenhamos medo de sujar a roupa), então, se possível, utilizar arvores para nos
escondermos, se for uma ave que nunca tenham fotografado, comecem logo com umas
fotografias de registo, mesmo de longe. Há aves que permitem alguma aproximação, mas um
concelho que dou é irem aproximando o mais baixo possível e com a máquina levantada perto
do rosto, pois o movimento que fazemos a levanta-la é o suficiente para espantar o nosso
modelo.

Como foi dito anteriormente, embora continue a ser considerada fotografia de “assalto”,
podemos utilizar o carro como abrigo e para isso podemos tomar algumas medidas para ter
melhores resultados.

Em primeiro lugar a localização da viatura, de preferência o mais escondida possível, é


evidente que uma viatura de cor vermelha ou amarela, etc, não será fácil de esconder…
Colocar a janela que estamos a utilizar no lado contrário ao sol, um saco de bagas ou um
suporte de janela pode ser muito útil, ou mesmo um monopé poderá ajudar. Aqui está uma
boa altura para utilizarmos a rede, para tapar a janela que estamos a utilizar, porque assim as
aves não vêm os nossos movimentos dentro da viatura.

Se estivermos em movimento com a viatura, por vezes é preferível não a desligar, porque as
aves já estão habituadas ao barulho da mesma e normalmente quando a desligamos existe
uma quebra do “normal” o que faz com que elas acabem por fugir, por isso, primeiro
fotografamos com a viatura a trabalhar e só depois, se repararmos que elas estão à vontade
com a nossa presença, então podemos desligar o carro.

Outra vertente da fotografia de “assalto” é a realizada de barco, as pelágicas.

É um tipo de fotografia, que embora acessível a qualquer um, não é propriamente para todos…
Tanto pelas condições em que a fotografia é realizada, como pela própria pessoa em si, nem
todos conseguem aguentar várias horas no mar. Mas se sentirem vontade de tentar, aqui vão
umas dicas.

Primeiro, comprimidos para o enjoo, lembrem-se, não há heróis… Cuidado com a alimentação,
tanto na manhã do próprio dia, como do dia anterior, nada de comidas pesadas e evitar
gorduras e bebidas alcoólicas. Dormir bem na noite anterior.

No barco evitar olhar para as fotos que tiraram e mantenham a visão fixa no horizonte.

Quanto à fotografia em si, afastem as pernas para terem um maior apoio (lembrem-se que o
barco está sempre em movimento). Haverá alturas em que, como no carro, iremos fazer
espera às aves, e para as atrair é usado o chum, que não nada mais que sardinhas esmagadas
com um pouco de óleo de peixe, que se compra nas casas de artigos de pesca, ao qual se pode
juntar algumas pipocas, sim pipocas, que têm a vantagem de ficarem a flutuar e por isso
durarem mais tempo.

Cuidado com os salpicos, mantenham o equipamento o mais protegido possível, lembrem-se


que é água salgada, de qualquer maneira, quando chegarem aterra, limpem e lavem logo o
material.

Hidrohide – Embora seja um abrigo, não é um abrigo fixo, por isso será um misto de fotografia
de “assalto” com fotografia de espera, pois neste caso poderemos usar ambas as técnicas e
essa é a maior vantagem deste tipo de fotografia, podermos estar escondidos num abrigo e ao
mesmo tempo podermos nos aproximar da ave sem a assustarmos. E não é apenas a aves
aquáticas, pois as terrestres também vão beber água, só temos de saber onde e quando…

O hidrohide não se encontra à venda, as únicas maneiras de utilizar um será: Recorrer a uma
empresa de fotografia que os alugue (por exemplo http://naturalqueva.com/?lang=pt),
construí-lo nos próprios (http://rlfocus.blogspot.pt/2010/04/making-ofhidrohide.html) ou ter
um amigo que empreste.

Algumas considerações antes de usar, nunca façam este tipo de fotografia sozinhos,
lembrem-se que vão andar dentro de água e ninguém conhece perfeitamente os leitos das
lagoas, fundões, pedras, paus, etc., são alguns dos perigos que teremos de ter em
consideração, principalmente se vamos usar calças de pescador, pois basta um desse s perigos
para as encher de água e irmos ao fundo.

Também é possível usar um fato de surf ou de mergulho, mas digamos que a grande maioria
não o tem por isso a solução é as calças e se nunca usaram umas, aconselho a vestirem umas
calças de fato de treino e meias por dentro das respectivas calças, pois, por experiencia
própria, digo-vos que o interior das mesmas é tão áspero que vai ferir as pernas e pés.

Têm de ter uma cabeça de tripé para colocar dentro do hidrohide, não muito grande de
preferência.

Quando estiverem a andar dentro dele, andem devagar sem criar ondas nem fazer barulho,
pois para além de espantarem as aves, as ondas vão fazer com que o hidrohide perca
estabilidade para fotografarmos (lembrem-se que a máquina vai presa nele), pelo mesmo
motivo é bom que não haja vento, pois vai criar ondulação.

A aproximação deve ser feita o mais lentamente e silenciosamente possível com paragens e
tentando abafar o mais possível os sons provocados pelo obturador da máquina.

E para terminar, vão preparados para sofrer… Mas com fotografias excepcionais.

Fotografar aves nocturnas – Existem, em Portugal apenas 7 espécies de rapinas nocturnas e 2


espécies de Noitibós, mas 2 das rapinas são relativamente fáceis de fotografar de dia, o
Mocho-galego e a Coruja-do-nabal (esta apenas nos poucos locais de ocorrência), o Mocho-
pequeno-de-orelhas também é possível encontrar durante o dia perto dos ninhos, mas é mais
fácil vê-los/ouvi-los durante a noite, assim como o Bufo-real.

A melhor maneira de fotografar as restantes espécies é de “assalto” e para isso necessitamos


de uma lanterna (quanto mais potente melhor), um flash e saber onde as encontrar… Tendo
essas condições reunidas é só as procurar.

Como nem todas as espécies têm procedimentos iguais vou falar de cada uma em se parado.

A Coruja-das-torres é talvez a mais fácil de todas, principalmente se as procurarmos em


prados, onde elas costumam pousar em cercas mais baixas, o que facilita a vê -las e a manter a
luz da viatura virada para elas o que as mantêm no local o tempo suficiente para as
fotografarmos.

A Coruja-do-mato é mais difícil, para além de andar em locais com mais árvores, costumam
pousar em locais mais elevados e por isso temos de ter alguém para manter uma lanterna
virada para elas. Com esta é possível usar o som para as localizar e quem sabe atrai-las.

O Bufo-pequeno será um misto entre as duas corujas, tanto poderemos os encontrar em


prados como em árvores, é tudo uma questão de sorte, portanto a melhor sugestão é falarem
com alguém que saiba onde os encontrar.

Para o Bufo-real a sugestão será a mesma que para o anterior

Os Noitibós encontram-se em orlas de terrenos florestais com clareiras, ambos pousam no


chão principalmente em estradas de terra batida mas mais o de nuca-vermelha. A melhor
maneira de os encontrar é ir percorrendo os caminhos devagar com os faróis nos máximos e
estar atento ao brilho dos olhos, assim que for detectado, parar o carro, manter a luz virada
para ele e o mais baixo possível irmos nos aproximando, até rastejando de preferência, por
isso levem roupa velha.

Quanto ao Mocho-pequeno-de-orelhas, para além da possibilidade de o fotografar de dia


como foi dito, pouco mais direi, pois é a única nocturna que me falta fotografar, já vi , mas
fotografar…

2.2- Fotografia de espera.

Por norma, na fotografia de espera usa-se algum tipo de abrigo ou protecção, como uma rede,
por exemplo, mas as melhores opções são os abrigos, sejam eles fixos ou moveis.

Abrigo fixo – Entende-se por abrigo fixo aqueles que se encontram em determinados locais já à
algum tempo e lá se iram manter, e este é o melhor tipo de abrigo, pois é algo a que as aves já
se habituaram e não iram estranhar a sua presença.

Existem varias maneiras de termos acesso a este tipo de abrigos, ou alguma amigo que já o
construi-o há algum tempo, ou recorrendo a abrigos de empresas, por exemplo a
Naturalqueva ou organizações, por exemplo a Lagoa de Albufeira, os alimentadores de
Abutres, por exemplo a Faia Brava ou então construindo nos próprios. Para isso temos de ter
um local e não serve qualquer local, termos a certeza que podemos lá construir e de
preferência utilizar matérias da zona para não criar impacto visual. Podemos construir um
abrigo só para uma pessoa, mas já que o vamos fazer, e a menos que tal não seja possível, era
preferível ser para duas, três ou mesmo quatro, de certeza que teremos amigos que o
agradecem…

Abrigo móvel – Um abrigo móvel é aquele que não está permanentemente num único local,
aquele que colocamos na altura ou no máximo alguns dias antes.

Tem a vantagem de o podermos colocar rapidamente e em locais menos acessíveis, mas tem a
desvantagem da falta de habituação das aves ao mesmo.

Pode ser um abrigo de compra, e existem de vários tipos, o abrigo tenda


(http://www.fotocamo.com/shop/images/uploads/new%202.jpg), o abrigo cadeira
(http://www.fotocamo.com/shop/images/uploads/cadeira_nova.jpg), o abrigo túnel, uma
simples rede, etc. Ou feito por nós, e para isso devemos utilizar os materiais da zona, ramos,
pedras, ervas, etc, pois queremos que o mesmo crie o menos possível de impacto visual.

A colocação dos mesmos deve ser a mais escondida possível para não criar o tal impacto visual
nem ser algo que as aves possam estranhar, sempre com o sol nas costas e atenção aos
fundos, sem distracções e o mais limpo possível.

O abrigo deve ser colocado de preferência antes do nascer do sol, antes da chegada das aves.
Alguns dados a reter – Embora já muita coisa se possa fazer no pós-processamento, é sempre
preferível tentar conseguir a foto o mais “limpa“ possível.

Fundos limpos sem distracções, sempre que possível, e principalmente a quando da colocação
dos abrigos é algo que devemos ter em consideração.

Colocar a ave num dos lados da foto e sempre a “entrar” na foto, ou seja, o olhar da ave deve
estar dirigido para o interior da foto.

Dar espaço ao modelo para “respirar”, nem sempre grandes crops resultam, é sempre bom dar
alguma margem ao assunto e fotos em que apanhe também o ambiente resultam bem e fotos
de grupos ou bandos também.

Sempre que possível tentar tirar as fotos ao nível da ave, se ela estiver no chão então deitamo -
nos também no chão.

Ter sempre o brilho nos olhos “Um olho sem brilho é um olho vazado”

Os poisos o mais natural possível, mesmo quando colocados por nós, devemos ter o cuidado
de dar um aspecto o mais natural, não mostrar ramos partidos, usar material da zona, etc.

Fazer experiencias com várias posições, vários poisos e varias definições da máquina, assim
temos sempre material para escolher o melhor.

Atenção ao movimento, compensar a velocidade para motivos em voo ou pousados mas com
vento.

Utilizar a focagem única para motivos parados e a focagem de seguimento para motivos em
movimento.

Ter cuidado com folhagens, ramos e outros que poderão distrair o olhar ou mesmo tapar o
motivo.

Utilizar o tripé, monopé ou outro tipo de suporte sempre que possível.

E o mais importante, Primeiro as aves, depois a fotografia.