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EXERCÍCIO ESCRITO DE PORTUGUÊS - 8ºANO – Versão 1

Outubro – 2014/2015

Objetivos deste exercício:

. Avaliar a concentração do aluno.


. Avaliar a interpretação.
. Avaliar a sintaxe.
. Avaliar a expressão escrita.
. Avaliar os conhecimentos adquiridos pelo aluno.

ATENÇÃO:

• Não respondas sem leres todas as perguntas.


• Escreve sem erros ortográficos.
• Utiliza o vocabulário apropriado.
• Estrutura o parágrafo de forma clara e coerente.
• Encadeia logicamente a sequência do assunto.
• Não alteres a ordem nem a numeração das perguntas.
• Não uses corretor. Caso te enganes, usa um traço por cima do engano.

Duração: 90 minutos

1 Professora: Teresa Moura Pereira


GRUPO I. Compreensão e Expressão Escrita. (50pontos)
OBJETIVO: Com esta atividade, vais testar os teus conhecimentos sobre textos de diferentes tipologias.

PARTE A (15pontos)
Lê os excertos textuais seguintes.

A Porto, 26 de Novembro de 2006


B Sexta-feira, 13 de fevereiro
Olá Cláudio,
Foi mesmo um dia de azar para mim!
Tudo bem? Como é que estás? A Pandora já não se senta ao meu lado na aula de
Eu estou bom e os estudos vão indo Geografia. Agora é o Barry Kent. Não parou de copiar
normalmente, apesar de este ano ter que o meu ponto e de fazer balões de pastilha elástica
trabalhar muito mais (Sabes que estou a atinar para as minhas orelhas. Fiz queixa à Sra. Elf, mas ela
com a matemática? A setôra é fixe e muito gira, também tem medo do Barry Kent, portanto também
o que também ajuda muito!...). não lhe disse nada.
Na semana passada, não pude telefonar-te A Pandora hoje estava apetitosa, levava uma saia
porque tive que ir ao Clube Alfa Romeo com o aberta que lhe deixava as pernas à mostra. […]
meu pai. Foi muito divertido! Passámos pelo
Sue Townsend,
museu do Caramulo, onde vimos carros antigos O diário secreto de Adrian Mole aos treze anos e ¾,
lindos! Editorial Presença, 2013.
Até breve. Cumprimentos aos teus pais e
um beijo à tua prima Solange, que é uma miúda
cinco estrelas (só não gosto do nome!).
Um abração,
João D

As crises da adolescência nunca pareceram tão


C […] dramáticas…nem tão divertidas como as de Adrian
Lembro-me que no meu primeiro dia de aulas Mole. No seu diário secreto, o adolescente mais
a minha mãe levou-me para a escola, mas, não sei famoso da Grã-Bretanha conta com uma honestidade
porquê, eu comecei a chorar e não queria ficar lá. desarmante os pormenores da sua existência sofrida,
[…] desde as borbulhas que irrompem sempre nos piores
Para mim, os adultos que eu mais admirei e momentos, às crises matrimoniais dos seus pais e ao
admiro são a minha mãe e o meu pai. Sempre vi amor não correspondido por Pandora. Hilariante mas
como eles são felizes e se dão bem; são pessoas também enternecedor, Adrian Mole continua a
que sempre pensam no bem do outro, e acho que entreter gerações de leitores um pouco por todo o
no fundo eu queria mesmo ser igual a eles. mundo.
No início da minha adolescência, o aspeto que
mais me marcou foi a morte do meu pai; foi uma O Diário Secreto de Adriam Mole aos 13 anos e ¾, Editorial
dor imensa, que achei que com o tempo ia passar, Presença.
mas enganei-me; quanto mais o tempo passa
mais a dor aumenta.
Com este acontecimento pude ver quem era
verdadeiramente meu amigo, com quem eu podia E
contar no momento mais difícil da minha vida. […] CARVÃO
Depósito natural de material combustível, variando
In aulasdelpl.blogspot.pt entre castanho-escuro e preto, formado por
(consultado em outubro de 2014). acumulação de restos de vegetais em decomposição
nos pântanos e convertidos em matéria mineral pelo
processo de incarborização. […]

Enciclopédia Geográfica, Mem Martins, Selecções do Reader’s Digest,


1988, p. 161.

Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as respostas aos itens que se seguem.

1. Identifica o género/tipologia textual exemplificado em cada um dos textos anteriores. (5pontos)


2. Indica duas marcas típicas de cada um dos géneros atrás identificados. (10pontos)

PARTE B
2 Professora: Teresa Moura Pereira
Lê o seguinte texto de José Eduardo Agualusa.

Havia muito sol do outro lado.


Aquilo tornara-se um vício. Ele ouvia um telefone a tocar e logo estendia o braço e levantava o
auscultador.
– E se fosse para mim?
Os amigos faziam troça:
– No consultório do teu dentista?
Uma noite estava sozinho, no Rossio, à espera de um táxi, quando o telefone tocou numa cabina ao lado.
Era o fim da noite e chovia: uma água mole, desesperançada, tão leve que parecia emergir do próprio chão.
Ruben enfiou as mãos nos bolsos do casaco.
– É claro que não vou atender – disse alto. – Não pode ser para mim. Se atender este telefone é porque
estou a enlouquecer.
O telefone voltou a tocar. Não chegou a tocar cinco vezes. Ele correu para a cabina e atendeu.
– Está?
Estava muito sol do outro lado. Era, tinha de ser, uma tarde de sol.
– Posso falar com o Gustavo?
A voz dela iluminou a cabina. Ruben pensou em dizer que era o Gustavo. Estava ali, àquela hora absurda,
abandonado como um náufrago na mais triste noite do mundo. Tinha o direito de ser o Gustavo (fosse o Gustavo
quem fosse).
– Você não vai acreditar – disse. – A sua chamada foi parar a uma cabina telefónica.
Ela riu-se. Meu Deus – pensou Ruben – era como beber sol pelos ouvidos.
– Não brinques! És tu, Gustavo, não és?...
Sim, ele tinha o direito de ser o Gustavo:
– Infelizmente não. Você ligou para uma cabina telefónica, no Rossio, eu estava à espera de um táxi e
atendi.
Quase acrescentou: «Pensei que pudesse ser para mim.»
Felizmente não disse nada. Ela voltou a rir-se:
– Tenho a sensação de que esta chamada vai ficar-me cara. Sabe onde estou?
Estava em Pulau Penang, na Malásia, e dali, do seu quarto, num hotel chamado Paradise, podia ver todo o
esplendor do mar.
– Nunca vi nada com esta cor – sussurrou. – Só espero que Deus me dê a alegria de morrer no mar.
Ele ficou em silêncio. Aquilo parecia a letra de um samba. Ela começou a chorar:
– Desculpe. Que vergonha... Nem sequer sei como você se chama.
Ruben apresentou-se:
– Ruben. 34 anos, trabalho em publicidade.
Pediu-lhe o número de telefone e ligou utilizando o cartão de crédito. Aquela chamada ficou-lhe muito
cara. Casaram oito meses depois. Ele diz a toda a gente que foi o destino. Ela, pelo sim pelo não, proibiu-o de
atender telefones.
José Eduardo Agualusa, A substância do amor e outras crónicas, D. Quixote, 2009

Responde, de forma completa e bem estruturada, aos itens que se seguem.

3. Identifica a razão que levou Ruben a atender o telefone da cabina pública. (8pontos)
4. A determinada altura, a personagem principal apresenta a si própria um argumento para justificar o facto de
não se identificar imediatamente quando atende a cabina pública.
Identifica esse argumento. (10pontos)
5. Este texto apresenta diversos momentos de diálogo.

3 Professora: Teresa Moura Pereira


Indica duas características formais desta tipologia textual, transcrevendo dois exemplos que ilustrem a tua
escolha. (7pontos)
6. Relê o título do texto.
Apresenta a tua opinião sobre o mesmo, justificando as tuas afirmações. (10pontos)

GRUPO II – Gramática (20pontos)

Objetivo: Com os exercícios que se seguem, vais testar os teus conhecimentos de gramática.

Responde aos itens que se seguem de acordo com as orientações que te são dadas.

1. Identifica a classe e a subclasse das palavras destacadas nas frases:


«Era o fim da noite e chovia: uma água mole, desesperançada, tão leve que parecia emergir do próprio chão.
Ruben enfiou as mãos nos bolsos do casaco.» (linhas 7 a 8) (2pontos)

2. Identifica o modo da primeira forma verbal utilizada na frase seguinte.


«– Não brinques! És tu, Gustavo, não és?...» (linha 20) (1ponto)
2.1. Se a pessoa verbal mudasse, manter-se-ia o registo de língua usado? Justifica a tua resposta. (2pontos)

3. Completa cada uma das frases seguintes com a forma do verbo apresentado entre parênteses, no tempo e no
modo indicados. (3pontos)
Pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo
O jovem português considerou curioso encontrar o passaporte de uma mulher que _____________ (viajar) pelo
mundo há tantas décadas.
Pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo
A universitária americana ________________ (perder) o passaporte numa capital europeia.
Pretérito imperfeito do conjuntivo
Caso não ________________ (ser) comprado pelo jovem português, o passaporte poderia nunca ter sido
restituído à sua proprietária.

4. Identifica as subclasses dos pronomes destacados nas frases. (5pontos)


4.1. Aquele telefonema era diferente dos outros.
4.2. Quem seria a figura feminina que telefonara para a cabina?
4.3. E se fosse para ele?
4.4. Já tinha atendido muitos telefonemas, mas nenhum como aquele.
4.5. A chuva que caía era leve e desesperançada.

5. Substitui os grupos nominais destacados por pronomes pessoais. (4pontos)


5.1. Aquele telefonema mudará a vida de Ruben.
5.2. Os amigos provocavam o rapaz por ele atender telefones públicos.
5.3. A voz feminina fez várias perguntas.
5.4. Lembraria aquela noite de chuva para sempre.

6. Indica o processo de formação das palavras: (2pontos)


6.1. fotografia;
6.2. desesperançada.

4 Professora: Teresa Moura Pereira


7. Explicita a regra que torna obrigatório o uso da vírgula na frase seguinte, indicando a função sintática da
expressão «Gustavo».
«És tu, Gustavo, não és? …» (linha 20). (1ponto)

GRUPO III – Escrita (30pontos)

Objetivo: Com esta atividade, vais testar o teu desempenho na escrita de um texto de opinião.

O teu texto deve ter um mínimo de 120 e um máximo de 200 palavras. Não o assines.

Como o texto da parte B ilustra, o simples telefone e, como não poderia deixar de ser, as novas
tecnologias permitem estabelecer relações de proximidade, independentemente do lugar do mundo onde nos
encontramos.
Partindo da tua experiência, escreve um texto que pudesse ser divulgado num jornal escolar, no qual
expresses a tua opinião relativamente à importância que as novas tecnologias assumiram na sociedade atual.

NOTA: Os 30 pontos serão distribuídos pelos parâmetros: • Tema, tipologia e extensão do texto; • Coerência e
pertinência da informação; • Estrutura e coesão; • Morfologia e sintaxe; • Ortografia • Repertório vocabular.

5 Professora: Teresa Moura Pereira


CORREÇÃO
ParteA/B

1.O texto A é exemplificativo de uma carta informal; o texto B corresponde a uma entrada de um diário; o texto C
exemplifica uma autobiografia/texto memorialístico; o D é um comentário e o E ilustra um verbete, ou seja, faz
parte do texto expositivo/informativo.
2.A carta apresenta uma estrutura onde se pode destacar a referência ao local e data, uma fórmula de saudação e
uma fórmula de despedida. O diário é datado, e os registos correspondem a confidencias do autor; é um texto de
caráter subjetivo onde são relatados factos da vida do protagonista que não tem de ser, e frequentemente não é,
o autor. A autobiografia é uma biografia redigida pelo próprio, selecionando acontecimentos da sua vida e que
marcam a sua personalidade, apresentando, por isso, marcas de 1ª pessoa. O comentário abre com uma
exposição do assunto, seguindo-se, no desenvolvimento, a referência a elementos pertinentes e encerra com
uma apreciação subjetiva de quem escreve. O verbete faz parte do texto expositivo/informativo porque é um
conjunto de acepções - sentidos, significados e exemplos que surgem numa entrada de dicionário ou
enciclopédia.
ParteB/A

3. Ruben atendeu a cabina pública porque atender qualquer telefone tornara-se um vício.
4. A personagem justifica a sua atitude com o facto de estar sozinho e solitário no meio da rua numa noite triste
de chuva.
5. O uso do travessão de fala: («– Você...»); a mudança de parágrafo sempre que há uma nova fala de
personagem («– Tenho a sensação...»).
6. Resposta pessoal.

GRUPO II

1. desesperançada – adjetivo qualificativo; Ruben – nome próprio; as – determinante artigo definido; mãos –
nome comum.
2. Modo imperativo.
2.1. Se a pessoa verbal mudasse, o registo passaria de um registo informal para ser um registo mais formal.
3. viajara;
tinha perdido;
fosse.
4.
4.1. “outros” - pronome demonstrativo.
4.2. “Quem” - pronome interrogativo.
4.3. “ele” - pronome pessoal.
4.4. “nenhum” - pronome indefinido.
4.5. “que” - pronome relativo.
5.
5.1. mudá-la-á.
5.2. provocavam-no.
5.3. fê-las.
5.4. lembrá-la-ia.
6.1. “fotografia” - palavra formada por composição morfológica.
6.2. “desesperança” - palavra derivada por prefixação e sufixação.
7. A função sintática de “Gustavo” é o vocativo, que é obrigatoriamente separado por vírgula.

GRUPO III - (Objetivo: avaliar competências de escrita)


6 Professora: Teresa Moura Pereira
Resposta de cunho pessoal onde serão observados os níveis de desempenho.

Cotações 5 4 3 2 1
-Cumpre integralmente a instrução -Cumpre parcialmente a -Não cumpre a instrução ou
Tema e A no que diz respeito ao tema, tipo instrução ou redige um texto cumpre de forma muito vaga.
Tipologia de texto e extensão.. com alguns desvios temáticos.
Parâmetros - Redige um texto que respeita -Redige um texto que respeita -Redige um texto que
plenamente os tópicos parcialmente os tópicos dados desrespeita quase totalmente
manifestando um ponto de vista com alguns desvios e com os tópicos dados.
sobre o tema dado N alguma ambiguidade. N
Coerência e Í Í -Produz um discurso
pertinência B - Produz um discurso coerente V -Produz um discurso V inconsistente, com informação
da com informação pertinente, com E globalmente coerente, com E ambígua ou confusa.
progressão temática evidente e L lacunas ou com algumas L
informação
com abertura, desenvolvimento e insuficiências que não afetam a
conclusão adequados. lógica do conjunto.

-Redige um texto estruturado e -Redige um texto estruturado e -Redige um texto sem


articulado. articulado de forma estruturação aparente.
satisfatória.
- Segmenta as unidades de -Organiza o texto de forma
discurso (com parágrafos, com -Segmenta assistematicamente muito elementar ou
marcadores discursivos…), de as unidades de discurso. indiscernível, com repetições e
acordo com a estrutura textual com lacunas geradoras de
definida. I -Domina suficientemente os I ruturas de coesão.
N mecanismos de coesão textual. N
- Domina os mecanismos de T Por ex, usa processos comuns T
Estrutura e C coesão textual, como conectores E de articulação interfrásica; faz E
Coesão diversificados; assegura a R um uso pouco diversificado de R
manutenção de cadeias de M conectores; assegura com M
referência, como substituições É algumas descontinuidades a É
nominais, pronominais; garante a D manutenção de referência; D
manutenção de conexões entre I garante, com I
coordenadas de enunciação, como O descontinuidades, a O
pessoa, tempo, espaço ao longo manutenção de conexões entre
do texto. coordenadas de enunciação, ao
longo do texto.
-Pontua de forma sistemática, - Pontua de forma
pertinente e intencional. -Pontua sem seguir as regras, o assistemática, com infrações de
que não afeta a inteligibilidade regras elementares.
do texto.
-Manifesta segurança no uso de -Manifesta um domínio -Manifesta um domínio muito
estruturas sintáticas variadas e aceitável no uso de estruturas limitado das estruturas
complexas. sintáticas diferentes e recorre a sintáticas, usando
algumas das estruturas predominantemente a
-Domina processos de conexão complexas mais frequentes. parataxe.
Morfologia e D intrafrásica (concordância, flexão
Sintaxe verbal, propriedades de seleção). - Apresenta muitas incorreções
nos processos de conexão
intrafrásica, o que afeta a lógica
do texto.
-Utiliza vocabulário variado e - Utiliza um vocabulário - Utiliza um vocabulário muito
adequado. adequado, mas comum e com restrito e redundante,
algumas confusões pontuais. recorrendo sistematicamente a
Repertório E -Procede a uma seleção lugares comuns com prejuízo
intencional de vocabulário para - Recorre a um vocabulário da comunicação.
vocabular expressar cambiantes de sentido. elementar para expressar
cambiantes de sentido.
-Não dá erros ortográficos. -Dá três ou quatro erros em -Dá de oito a dez erros
cerca de 100 palavras. ortográficos em cerca de 100
Ortografia F
palavras.

Nota 1 – Sempre que, em qualquer parâmetro, o texto produzido pelo aluno fique aquém do que é exigido para o nível 1, deve ser
atribuída a classificação de zero pontos no parâmetro em que tal se verifique.

Nota 2 – No âmbito do parâmetro F (Ortografia), são considerados também os erros de: »acentuação; »translineação; »uso indevido de
minúscula ou de maiúscula inicial.

7 Professora: Teresa Moura Pereira