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Disciplina de Ciência Política – Curso Direito

Profa. Walkiria Martinez Heinrich Ferrer

Disciplina Ciência Política – Avaliação continuada. Individual. Valor 4,0 pontos.


NOME: Gabrielle Pilato de Oliveira RA: 1847485 Direito, 1B
Exercício 04 – Sistemas de governo: Presidencialismo e Parlamentarismo.
Com base nos capítulos 21 e 22 (disponíveis na plataforma moodle) e em pesquisas
em outras obras, elabore uma redação de 50 linhas (mínimo) compreendendo os
tópicos abaixo (os tópicos são para os dois sistemas).
1) Título
2) Conceituação dos sistemas de governo
3) Origens históricas
4) Principais características
5) Qual o papel da democracia nos referidos sistemas de governo.

***É uma redação única, compreendendo os dois sistemas de governo e deverá ser
entregue impressa.
Bom trabalho.
Presidencialismo e Parlamentarismo, há um sistema melhor para o Brasil?

O presidencialismo, atual forma de governo no Brasil, é um sistema de


governo onde a chefia e o poder do Estado se concentra apenas em uma pessoa,
o presidente. Esse sistema teve início nos Estados Unidos, no estado da Filadélfia,
com a criação da Constituição do país em 1787, com base advinda do
parlamentarismo britânico, que após muitas mudanças, originou este novo sistema.
Ele surgiu da necessidade de unir os distritos norte-americanos após a
independência. O Brasil aderiu ao presidencialismo apenas em 1889, por influência
norte-americana quando Deodoro da Fonseca proclamou a república e, passou a
ser o 1º presidente do Brasil. De lá para cá muitas mudanças ocorreram, as
principais foram na forma do voto, que passou de indireta para direta, na duração
do mandato do presidente que passou de 5 para 4 anos e a visão do vice-
presidente, que com o passar dos tempos, deixou de ser visto como inútil e passou
a ser reconhecido, principalmente após assumir o poder, quando um presidente
deixava a função. Além disso, estudiosos afirmam que o processo de transição da
monarquia a republica no Brasil, ocorreu de forma silenciosa e rápida, sem
discussão, sendo apenas aceito.

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Um dos princípios muito característicos do presidencialismo é a tripartição


dos poderes, em executivo, legislativo e judiciário. O presidente exerce o cargo de
chefe do poder executivo, enquanto os poderes legislativo e judiciário possuem
autonomia. Ele é eleito de maneira legítima, através do voto direto, onde todo o
povo de um país o escolhe para representa-los. Ele tem direitos e deveres
específicos previstos na Constituição Federal Brasileira, como nomear ou demitir
ministros de Estado, administrar o governo federal, decretar uma intervenção
federal, prestar contas, etc. Além de gozar de certos privilégios enquanto durar seu
mandato, como responder apenas por crime de responsabilidade, que ocorrem
quando um presidente atenta contra um ou diversos fatores de um país, como a
segurança ou questões orçamentárias, por exemplo. Perante isso, ele pode ser
restituído apenas pelo impeachment, que é o processo político que o julgará e
decidirá se é inocente, continuando no cargo, ou se é culpado, tendo seu mandato
cassado, como no caso dos presidentes Fernando Collor de Mello e Dilma
Rousseff.
As criticas a cerca do sistema se referem ao fato de o poder estar
concentrado em apenas uma pessoa, tornando ele mais frágil para ditaduras ou
golpes, situações essas, que o Brasil já presenciou. Há também, o fato de que o
Brasil apresenta um presidencialismo de coalizão, onde o presidente, na presença
de vários partidos, acaba se tornando refém do Congresso. No entanto, quem
defende o sistema, alega que ele permite a mais sólida defesa, mais ampla
garantia dos direitos individuais e seguras garantias contra os abusos da
autoridade executiva.
Já o sistema parlamentar, ao contrario do presidencialismo, é representado
pela divisão do poder entre o chefe de Estado e o chefe de governo. A função de
chefe de Estado é mais representativa, assumindo papéis simbólicos e legislativos
caracterizando a maior visibilidade nacional e internacional do representante, nesse
caso, temos como exemplo a rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Já o chefe de
governo, se caracteriza por ser mais ativo em sua função, sendo a figura principal
da política do país e o principal articulador da população, sendo também o chefe do
poder legislativo, como Theresa May, chefe de governo (primeira ministra), também
da Inglaterra, país esse que deu origem ao sistema, não sendo datada, porém, sua
origem, devido a ser um sistema sem um teorista original, que não foi pensado e
sim um sistema que foi se moldando e aperfeiçoando devido a diversos fatores no

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decorrer de alguns séculos. As sementes do sistema vão desde o período feudal


com o poder representativo e passa por muitas mudanças e evoluções. Até o início
do século XIV, o parlamento inglês era o Grande Conselho, onde prevalecia o
poder feudal da alta aristocracia.
O parlamento verdadeiro só se formou com a aparição da Câmara dos
Comuns, que foi a mistura da burguesia com a pequena e média nobreza rural, de
onde ocorreu a fusão dos deputados, que acabaram sendo mais influentes e
numerosos, indo a partir daí para o começo verdadeiro do Parlamento. No entanto,
alguns historiadores datam o início do parlamentarismo, após a Revolução Gloriosa
de 1688, que cortou os poderes absolutistas do rei e criou dependência dele e dos
ministros ao parlamento. De fato, a data exata pouco importa, mas sabe-se com
certeza que já na segunda metade do século XIV o Parlamento inglês se
apresentava com sua fisionomia atual, repartido em duas casas: a Câmara dos
Lordes e a Câmara dos Comuns.
Com o parlamento surge, por consequência, visível dualidade de poderes: a
autoridade do monarca, que declina, quando a monarquia de absoluta se faz
limitada e representativa; e o poder parlamentar, poder democrático, oriundo da
representação nacional, que emana das fontes populares do consentimento e se
acha em plena ascensão, tanto no alargamento das suas origens democráticas
como no peso da influência que exercerá, caminhando resolutamente para o
predomínio e subsequente apogeu.
Além disso, o parlamentarismo se divide em duas formas históricas: o
clássico ou dualista, e o contemporâneo ou monista. O clássico é o princípio do
parlamentarismo, as características de suas origens, monárquico-aristocrático e, o
monista, que começou a partir do século XX com as mudanças políticas e
democráticas, se tornando um poder oriundo das fontes democráticas do
consentimento, um parlamentarismo popular, monárquico-republicana de hoje.
Também começou o governo de gabinete e as assembleias, onde o sistema pode
funcionar em qualquer um desses governos, sendo o funcionamento na
assembleia quando não é possível arranjar uma maioria no parlamento e assim o
governo que sair da assembleia encontra pouco apoio, havendo também muitas
negociações com a oposição; e quando o partido consegue a maioria dos votos
nas eleições ele pode atuar no gabinete, sendo o governo que exerce efetivamente
o poder político. Os membros do Parlamento são eleitos de forma direta pelo voto

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popular. Após as eleições, o chefe de governo (primeiro-ministro) é escolhido por


votação do Legislativo com base na maioria partidária eleita pela população. Quem
defende esta forma de governo, defende o fato de que há relativa facilidade e
rapidez em aprovações de leis e menor facilidade de corrupção, por conta da
diluição do poder.
No entanto, também há crises nesse sistema, assim como no
presidencialismo. Um dos casos mais marcantes ocorreu na França da Terceira
República, entre 1875 e 1940, que houve 105 ministérios e na Quarta República,
que vai de 1946 a 1958, conheceu 16 ministérios. A média de duração de cada
ministério não ultrapassou 9 meses. Além disso, hoje, a crítica é acerca de que há
risco de ruptura no final das eleições (início da formação do governo) e que o chefe
do executivo não é eleito pelo povo.
O Brasil passou pela tentativa da implantação do sistema no Segundo
Reinado com Dom Pedro II entre 1847 e 1889, que foi chamado de pseudo-
parlamentarismo, por conta de o poder se concentrar na mão do imperador, que
mais tarde se converteu em Poder Moderador. Nesse período de experiência
tivemos 35 ministérios, que se encerraram com a prerrogativa de Rui Barbosa para
implementar a república. Novamente em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros
à presidência e uma das piores crises do poder, o parlamentarismo foi novamente
implementado no país pelo Ato Adicional. No entanto, em pouco mais de 1 ano,
tivemos três gabinete. Em 3 anos de um governo instável e decorrente de muito
despreparo, por meio de voto plebiscitário, com 90% dos votos a favor, voltamos ao
presidencialismo da Constituição de 1946.
Hoje, há três tipos de parlamentarismos no mundo, as Monarquias
Parlamentarista, em que se confere autoridade à Constituição e/ou um Parlamento,
como na Inglaterra, as Repúblicas parlamentaristas em que o parlamento possui
efetiva ascendência sobre um chefe de estado independente, como na índia e,
Repúblicas parlamentaristas em que um presidente escolhido pelo parlamento é
simultaneamente chefe de governo e chefe de estado.
Portanto, os dois sistemas possuem lados positivos e negativos, que atuam
de forma legítima perante a democracia, afinal, ambos são sistemas de
representação. No entanto, no parlamentarismo se nota maior participação do povo
nas decisões parlamentares e, também uma maior facilidade em depor um
governante que não cumpre seu papel, além de haver menos corrupção, enquanto

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no presidencialismo, o povo confia as decisões em políticos e partidos, e o único


meio para se depor um presidente é por impeachment, que torna o processo mais
demorado. No geral, para o Brasil, ambos os sistemas são falhos por conta da
fragilidade política brasileira que enfrentamos desde sempre. Infelizmente, temos
uma carga histórica de corrupção e representação de interesses próprios, que faz
com que até o melhor dos sistemas perca sua essência. No atual presidencialismo,
há um numero muito grande de partidarismo e interesses que acabam nos
prejudicando. No parlamentarismo, para nós, seria constante a mudança do chefe
de governo, assim como ocorreu na França ou no próprio Brasil Império, por conta
dos mesmos interesses próprios citados no presidencialismo, que acabariam
prejudicando não apenas a população, mas nossa democracia. Por fim, cabe a nós
a reflexão que, se em time que está ganhando não se mexe, talvez seja a hora de
uma grande mudança – seja no sistema, nos representantes ou até em nossa
consciência política – para vermos se, quem sabe, saímos desse eterno 7x1 que
tomamos diariamente dos nossos próprios representantes.

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