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Colégio Estadual “Cleonice Soares Fonseca”

Arte Moderna:
Trabalho solicitado pela
professora: ACÁSSIA
Disciplina: ARTES
Série: 8ª Série
Turma: “A”
Componentes:
Gabriela Santos
Jussara Laleska
Renata Monize
Adriana Santos
Vanessa Silva

Boquim – SE
Junho de 2008

ARTE METAFÍSICA

Arte Metafísica - Desenvolveu-se entre 1910 e 1917, graças a De Chirico, Carrà,


Morandi e Severini. Trata-se de um estilo fantástico, no qual vistas de cidades,
paisagens desoladas, estranhas naturezas mortas e figuras compósitas são tratadas como
se não pertencessem ao mundo físico. Desde Bosh e Arcimboldo, não atingia a arte
ocidental a tão elevado grau de abstração e fantasia. Tem origem com a publicação do
"Manifesto do Surrealismo", de André Breton, em 1924. Giorgio De Chirico, com sua
Pintura Metafísica, antecipou o movimento ao descobrir as matrizes da angústia
existencial e ao representá-las em atmosfera surreal. Dele participaram Max Ernst, Paul
Klee, André Masson, Joan Miró, Jean Arp, Francis Picabia, Pablo Picasso, Yves
Tanguy, René Magritte, Salvador Dali, Marc Chagall, Marcel Duchamp, Alexander
Calder, o fotógrafo Man Ray, os poetas Tristan Tzara, Paul Eluard, Louis Aragon,
Guillaume Apollinaire e o cineasta Luis Buñuel, entre outros.

 PINTURA METAFÍSICA

Corrente pictórica italiana, que se define a partir do encontro entre Giorgio de


Chirico (1888-1978) e Carlo Carrà (1881-1966) em Ferrara, 1917. Nesse momento, os
pintores cunham o termo "pintura metafísica", que dá título a diversas de suas
publicações. De Chirico já ensaia o novo estilo desde 1910 (O Enigma do Oráculo,
1910 e A Torre, 1911-1912), numa recusa decidida ao futurismo, tanto às suas soluções
formais, quanto à ideologia política e nacionalista que ampara o movimento. A arte de
De Chirico apresenta, já aí, uma face metafísica: coloca-se como exterior à
temporalidade, como negação do presente, da realidade natural e social. Nada mais
distante das motivações futuristas, que anseiam pela aceleração do tempo e pela
transformação da sociedade. Menos que interpretar ou alterar a realidade, a pintura de
De Chirico dirige-se a uma "outra realidade", metafísica, além da história. Os cenários
projetados pelo pintor entre 1910 e 1915 permitem flagrar os contornos do novo estilo,
que se consolidará entre 1917 e 1920. Os elementos arquitetônicos mobilizados nas
composições - colunas, torres, praças, monumentos neoclássicos, chaminés de fábricas
etc. - constroem, paradoxalmente, espaços vazios e misteriosos. As figuras humanas,
quando presentes, carregam consigo forte sentimento de solidão e silêncio. São meio-
homens, meio-estátuas, vistos de costas ou de muito longe. Quase não é possível
entrever rostos, apenas silhuetas e sombras, projetadas pelos corpos e construções.
A atmosfera é de melancolia e enigma que os títulos das obras reafirmam: O
Enigma da Hora (1912), Melancolia de uma Bela Tarde (1913), Piazza d'Itália e
Melancolia Outonal (1915). A incorporação de elementos presentes nas naturezas-
mortas - luvas, bolas, frutas, biscoitos etc. - reforçam a idéia de deslocamento e a
sensação de irrealidade que rondam os trabalhos: as peças não se articulam, antes
parecem se repelir (O Sonho Transformado, 1913). Entre 1914 e 1915, os manequins
começam a povoar o universo do pintor, sendo amplamente explorados a partir de
então: As Musas Inquietantes (1916), Heitor e Andrômaca (1917). A meio caminho
entre o homem, o robô e a estátua (ou seriam colunas?), os manequins enfatizam o
caráter enigmático e o sentido onírico das construções de De Chirico. Mas, antes de
qualquer outro sentido que venham a adquirir, são formas geométricas, evidenciam as
réguas e linhas coordenadas que cercam e definem os corpos dos manequins. Esses
mesmos instrumentos de medida e construção - compassos, esquadros e réguas -
habitam os cenários metafísicos do pintor (vide O Filósofo e o Poeta, 1915 e O
Astrônomo - a Ansiedade da Vida, 1915). As fontes das invenções metafísicas, da
iconografia e da realidade deslocada de De Chirico são as filosofias de Nietzche,
Schopenhauer e Weininger, assim como as imagens mórbidas do pintor suíço Arnold
Böcklin (1827-1901) e os elementos fantásticos das águas-fortes do artista Max Klinger
(1857-1920). Alguns intérpretes apontam, ainda, como matrizes da pintura de De
Chirico a cultura clássica de Nicolas Poussin (1594-1665) e Claude Lorrain (1604-
1682), e o romantismo do pintor alemão Caspar David Friedrich (1774-1840).
Ativo participante do futurismo, Carrà adere à poética metafísica em 1917 (O
Ídolo Hermafrodita, A Musa Metafísica e O Quarto Encantado). Em sua pesquisa
estilística, observa-se uma ênfase na indagação sobre a forma - que ele almeja
simplificar - e o intuito de recuperação da integridade dos objetos, que encontra apoio
no grupo de artistas reunido em torno da revista Valori Plastici (1818-1921). Em obras
como The Oval of the Apparitions (1918) e Penélope (1919), percebem-se mais
claramente marcas cubistas na pintura de Carrà, inspiração que ele reconhece em várias
ocasiões. Giorgio Morandi (1890-1964) adere um pouco mais tarde, e por pouco tempo,
à pintura metafísica, como revelam as naturezas-mortas realizadas entre 1918 e 1919.
Outras nomes importantes na definição dos contornos da pintura metafísica em Ferrara
são o poeta e pintor Alberto Savinio (1891-1952), irmão de De Chirico, e o pintor e
escritor Filippo de Pisis (1896-1956). A partir de 1922, sugestões da pintura metafísica
são incorporadas por artistas ligados ao Novecento, entre eles Mario Sironi (1885-
1961). A aproximação insólita de objetos díspares e a preocupação com o universo
onírico da arte de De Chirico e Carrà terão forte impacto no dadaísmo e no surrealismo.
Duas grandes exposições realizadas na Alemanha, em 1921 e 1924, por sua vez,
deixarão ecos na Nova Objetividade, sobretudo na versão de Max Beckmann (1884-
1950). No Brasil, alguns críticos localizam influências da pintura metafísica em obras
de Hugo Adami (1899-1999), Tarsila do Amaral (1886-1973), Di Cavalcanti (1897-
1976), Candido Portinari (1903-1962) e Milton Dacosta (1915-1988). Posteriormente na
fase metafísica Iberê Camargo (1914-1994), estuda com De Chirico.
A Pintura Metafísica, criada por Giorgio De Chirico, faz uso dos símbolos.
Segundo ele, para que fosse verdadeiramente imortal, uma obra de arte teria que
abandonar por completo os limites do humano. A Pintura Metafísica de Giorgio De
Chirico tem origem quando extrai uma obra do ponto mais profundo de seu ser, indo até
onde tudo o que existe é silêncio e onde toda a presença se dá pela ausência. Elementos
clássicos da pintura italiana, como o espaço em perspectiva e as arquiteturas urbanas,
somados à evocação de lugares, especialmente Ferrara, com suas amplas perspectivas,
brancas e desertas, levariam-no a um mergulho em sua alma que, por sua vez, o
conduziria inevitavelmente a uma arte metafísica. Nessa busca por algo que está além
do que se vê e que antecipa a própria paisagem juntaram-se Giorgio Morandi, Atanásio
Soldati e Carlo Carrà, entre outros. O caráter onírico desse universo pictórico antecipou
o Surrealismo, cujo precursor seria o próprio De Chirico.
Alguns críticos viram, nesses elementos da pintura, uma oposição entre a técnica
precisa com que o artista compõe a cena e a inquietação que ela desperta no espectador.

 CURIOSIDADES SOBRE A PINTURA


METAFÍSICA:

A pintura deve criar um impressão de mistério, através de associações pouco


comuns de objetos totalmente imprevistos, em arcadas e arquiteturas puras, idealizadas,
muitas vezes com a inclusão de estátuas, manequins, frutas, legumes, numa
transfiguração toda especial, em curiosas perspectivas divergentes. A pintura metafísica
explora os efeitos de luzes misteriosas, sombras sedutoras e cores ricas e profundas, de
plástica despojada e escultural. Tem inspiração na Metafísica, ciência que estuda tudo
quanto se manifesta de maneira sobrenatural.
Principais Artistas:
GIORGIO DE CHIRICO (1888-1978), pintor italiano, nascido na Grécia,
principal representante da "pintura metafísica", Giorgio De Chirico constitui um caso
singular: poucas vezes um artista alcançou tão rapidamente a fama para em seguida
renegar o estilo que o celebrizara e cair em um esquecimento quase absoluto.
As suas obras retratam cenários arquitetônicos, solitários, irreais e enigmáticos,
onde colocava objetos heterogêneos para revelar um mundo onírico e subconsciente,
perpassado de inquietações metafísicas. Também usada nas suas obras manequins, nus
ou vestidos à moda clássica, enigmáticos e sem rosto, que pareciam simbolizar a
estranheza do ser humano diante do seu meio ambiente.
GIORGIO MORANDI (1890-1964), pintor italiano. Notável por suas
naturezas-mortas, em que buscava a unidade das coisas do universo. Conferiu
imobilidade e transparência de formas, recorte intimista e atmosfera de luz cinza-clara
às naturezas-mortas que pintou usando como modelos frascos, garrafas, caixas e
lâmpadas velhas.