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PODER JUDICIÁRIO

JUSTIÇA FEDERAL
SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO
3ª VARA FEDERAL CRIMINAL
JFRJ
Processo nº 0022781- 56.2014.4.02.5101 ( 2014.51.01.022781 -4) Fls 1434

Autor: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL E O UTRO.

Réu: PAULO ROBERTO BUARQ UE CARNEIRO E OUTROS

SENTENÇA TIPO EMBARGOS DE DECLARACAO

Vistos etc.

I - Relatório.

Fls. 3485/3868 - Sentença, registrada sob o

nº000229/2017, conforme certidão de fls. 3869.

Fls. 3999/4000v - Dispositivo da sentença de

fls. 3485/38888, publicado no Diário Eletrônico da

Justiça Federal da 2ª Região, para intimação do

assistente de acusação e das DD.. Defesas, conforme

certidão de publicação de fl. 4010.

Fl.3888 - Intimação da ofendida e assistente de

acusação (PETROBRÁS) em 10/01/2018.

Fl.3891 – ciência da intimação de fl.3888, por

parte da assistente de acusação.

Intimação pessoal dos réus: fl. 3897 –

Intimação do réu JORGE LUIZ ZELADA em 17/01/2018; fls.

3895/3896 – Intimação do réu RENATO DE SOUZA DUQUE em

12/01/2018; fls. 3886/3886v - Intimação do réu PEDRO JOSÉ

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BARUSCO FILHO em 21/12/2017; fls. 3993/3993v - intimação

do réu JÚLIO FAERMAN em 22/01/2018; fls. 3994/3395 -

intimação do réu LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA em JFRJ


Fls 1435
26/01/2018; e fl.3997 – certidão negativa de intimação do

réu PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO.

Intimação do Ministério Público Federal (fls.

3871).

Fls. 3901/3985 – Embargos de declaração opostos

por JÚLIO FAERMAN, em atenção à sentença de fls.

3485/3888, alegando uma série de omissões, contradições e

obscuridades, cujo aclaramento requer; recurso instruído

com documentos (fls. 3986/3989).

Fls. 4001/4005 – Embargos de Declaração opostos

pelo réu LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA em face da

sentença de fls. 3485/3868, alegando que o ato padeceria

de uma situação de omissão.

Fls. 3871 – Apelação do Ministério Público, em

face da sentença de fls. 3485/3868

Fls. 3887 – Apelação de PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, em face da mesma sentença.

Fls. 4015 – Apelação de JORGE LUIZ ZELADA,

insurgindo-se contra aquele ato sentencial.

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Fls. 4018/419 – Pedido manejado pelo réu PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, postulando recorrer da sentença

em tela, pelos motivos então alinhavados. JFRJ


Fls 1436
Este é o breve relatório. Passo a decidir.

II - FUNDAMENTAÇÃO

Tratarei, de início, dos embargos de declaração

manejados pelos acusados JÚLIO FAERMAN (fls. 3901/3985) e

LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA (fls. 4001/4005), na

ordem de seu encartamento, pois que prejudiciais aos

demais recursos, e, em seguida e em sendo o caso,

apreciarei as apelações já ofertadas; alfim serão

externados os pertinentes comandos judiciais, em resposta

às manifestações das partes.

II.1. – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Deixo ressaltado, contudo e antes de mais nada,

que os embargos de declaração serão apreciados de

imediato, sendo desnecessária prévia intervenção

ministerial ou dos demais réus, tendo em vista que a

norma regente da espécie recursal (art. 382 do CPP) não

prevê o contraditório, bem como em atenção à vislumbrada

ausência de eficácia infringente, nos aclaratórios

manejados.

Outrossim, assento que os embargos são

tempestivos, pelo que serão conhecidos.

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Além disso, necessário externar as premissas

jurídicas que iluminarão a apreciação; como cediço, os

embargos de declaração, em sede processual penal, são JFRJ


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espécie recursal que tem como Órgão Judicante ad quem o

próprio Juízo que prolatou a decisão recorrida, e,

adicionalmente – e aqui o tema mais importante -,

ostentam âmbito meritório recursal limitado à correção de

defeitos decisórios, em rol legalmente previsto e de

natureza taxativa (numerus clausus).

Assim, e tendo em vista que, em sede

sentencial, a rediscussão do julgado está remetida à

apelação (art. 593 do CPP), a acolhibilidade dos embargos

de declaração fica restrita a situações em que se

verifique um dos vícios de embargabilidade: obscuridade,

ambiguidade, contradição ou omissão (art. 392 do CPP).

A rigor, os três primeiros – obscuridade,

ambiguidade e contradição – impedem a adequada

compreensão do ato decisório – seja em seus fundamentos,

seja em seu comando -, dificultando que a parte possa

decidir como se comportar diante dele, e, mesmo optando

por dele recorrer a Instâncias Superiores, que argumentos

aduzir, de maneira a que possa convencê-las da erronia do

quanto externado pelo Órgão a quo.

Enquanto, em caso de obscuridade, o julgado não

é, de plano, perceptível naquilo que expõe, quando há

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ambiguidade, algum pedaço seu pode ser compreendido de

mais de uma forma, e, em situações de contradição, um

trecho decisório contradiz o outro; em todas as JFRJ


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hipóteses, como visto, prejudicada resta a compreensão do

quanto exposto pelo Julgador.

Já a omissão acarreta, via de regra, a ausência

de manifestação do prolator a respeito de algum argumento

aduzido por alguma parte, que entende ela poderia ter

influenciado a decisão, para que tivesse outro teor.

Fácil perceber como em ambos os casos –

obscuridade, ambiguidade e contradição, de um lado, e

omissão, de outro – os embargos de declaração estão a

resguardar o âmbito material da garantia constitucional

da ampla defesa (art. 5º, LV, da CR/88), que resta

sobremaneira comprometida, quando verificado um dos

vícios de embargabilidade mencionados.

Como corolário da caracterização taxativa das

hipóteses de embargabilidade, exsurge cristalina a

inviabilidade do manejo do recurso em cogitação para

promover a mera rediscussão do quanto julgado.

Neste sentido, confira-se o magistério

jurisprudencial emanado do E. Tribunal Regional Federal

da 2ª Região:

PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

EM APELAÇÃO CRIMINAL. RECONHECIMENTO, DE

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OFÍCIO, DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA

PRESCRIÇÃO DE UM DOS CRIMES PELOS QUAIS

O EMBARGANTE RESTOU CONDENADO. ALEGAÇÕES


JFRJ
DE OMISSÕES E OBSCURIDADE. AUSÊNCIA DE Fls 1439
QUAISQUER DOS VÍCIOS ENUMERADOS NO ART.

619 DO CPP. RECURSO DESPROVIDO. I -

Reconhecida, de ofício, a extinção da

punibilidade pela ocorrência da

prescrição da pretensão punitiva

estatal, na modalidade retroativa (art.

107, IV c/c artigos 109, V e 110 § 1º,

todos do Código Penal), quanto ao crime

previsto no art. 334, § 1º, "c", do CP,

tendo em vista já decorrido lapso

temporal superior a 4 (quatro) anos

entre o recebimento da denúncia

(03/04/2012 - fl. 24) e a prolação do

acórdão condenatório (14/02/2017 - fl.

942), restando prejudicado o mérito

recursal relativamente ao crime em

questão, nos termos da Súmula nº 241 do

extinto TFR. II - Quanto ao crime

remanescente (art. 19, parágrafo único,

da Lei nº 7.492/86), constata-se a

inexistência de quaisquer dos vícios

enumerados no art. 619 do CPP no v.

acórdão embargado, sendo certo que o

recurso ora manejado não se presta à

rediscussão da matéria já decidida,

ainda que para prequestioná-la com

escopo de viabilizar as vias especial e

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extraordinária. III - Fixado o regime

inicial aberto para o cumprimento da

pena privativa de liberdade aplicada,


JFRJ
nos termos do disposto no art. 33, § 2º, Fls 1440
"c", do Código Penal, que é substituída

por duas penas restritivas de direito

(prestação de serviços à comunidade e

prestação pecuniária) a serem

determinadas pelo Juízo da Execução. IV

- Embargos declaratórios a que se NEGA

PROVIMENTO. (AP 00034783620124025001, 2ª

Turma Especializada, Rel. Des. Fed.

Messod Azulay Neto, J. 21/06/2017)

Apenas uma situação, ao lado do rol taxativo de

hipóteses de embargabilidade, autoriza a alteração

sentencial, diante de aclaratórios: a verificação, pelo

Magistrado, de erro material na confecção do ato

guerreado.

No mesmo sentido, os ensinamentos ministrados

pela E. Corte Regional Federal da 2ª Região:

PENAL - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DO

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL - ART. 168-

A, DO CP - APROPRIAÇÃO INDÉBITA

PREVIDENCIÁRIA - PRINCÍPIO DA

INSIGNIFICÂNCIA - EQUÍVOCO NO VALOR

MENCIONADO NO VOTO - VALOR ORIGINÁRIO

QUANDO DA INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA --

APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA

INSIGNIFICÂNCIA MANTIDO - EMBARGOS DE

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DECLARAÇÃO PROVIDOS PARA SANAR ERRO

MATERIAL, SEM EFEITOS INFRINGENTES. I-

Embargos de Declaração do Ministério


JFRJ
Público Federal alegando que o acórdão, Fls 1441
equivocadamente, consignou que o crédito

tributário era de R$ 7.868,76, quando na

realidade era de R$10.957,89. O Parquet

ressalta que a pretendida retificação

não acarreta efeitos infringentes,

porque o STF perfilha a tese de que o

limite para a configuração do tipo penal

é de R$20.000,00, apesar de o STJ

entender que o parâmetro deve ser o de

R$10.000,00. II- Com efeito, o crédito

originário, estabelecido à época da

constituição definitiva, em 21/3/2006,

era de R$10.957,89 (fls.58). O voto

mencionou o valor de R$ 7.868,76, que,

na realidade se refere ao valor

residual, remanescente e atualizado do

crédito, após o pagamento de parte da

dívida, pelos réus, que aderiram ao

programa de parcelamento (fls. 299 e

315) III - A retificação não acarreta

efeitos infringentes; assim, a decisão

do Colegiado, sobre a aplicação do

princípio da insignificância, se mantém,

tendo em vista que perfilhou a tese

adotada pelo STF que entende que a

configuração do tipo penal deve

respeitar o limite do débito de R$

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20.000,00. IV- Portanto, corrijo o erro

material, consignando que o valor a ser

considerado para a aplicação do


JFRJ
princípio da insignificância é o de Fls 1442
R$10.957,89, valor originário no momento

da constituição definitiva do crédito e

não R$ 7.868,76 (valor residual). V-

Embargos de Declaração do Parquet

providos para sanar erro material.

(00011167520054025108, 2ª Turma

Especializada, Rel. Des. Fed. Messod

Azulay Neto, J. 14/12/2016)

Afora as hipóteses de embargabilidade e a

verificação de erro material, por conseguinte, a

rediscussão do julgado é remetida à apelação (art. 593 do

CPP).

Conseguintemente, ainda que a parte alcunhe os

fundamentos agitados de “obscuridade”, “ambiguidade”,

“contradição” ou “omissão”, mas esteja, em realidade,

externando pretensão de rediscussão do quanto julgado, o

resultado da apreciação dos aclaratórios será,

naturalmente, seu inacolhimento.

Expostas as balizas da aferição a ser

empreendida, passo à análise dos embargos de declaração

dos acusados JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA

DA SILVA, separadamente, para melhor clareza.

II.1.1. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DE JÚLIO FAERMAN

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Tendo em conta que muitas foram as alegações de

vícios embargáveis manejados pelo réu, empreendo sua

apreciação também de forma separada. JFRJ


Fls 1443
II.1.1.1. VÍCIOS PERTINENTES AO DELITO DE

CORRUPÇÃO ATIVA

Principio, segundo a ordem argumentativa

traçada pelo próprio embargante, por aqueles supostos

vícios relacionados aos delitos de corrupção ativa pelos

quais foi condenado.

II.1.1.1.1. OBSCURIDADE – VALORAÇÃO PROVA –

INTERROGATÓRIO DO CORRÉU PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO – ITENS

2.2..1.2.3/2.2.1.2.4. E 2.2.1.3.3./2.2.1.3.4.

O embargante articulou, em síntese, que, por

ocasião da fundamentação sentencial lançada nos itens

“2.2.1.2.3./2.2.1.2.4.” e “2.2.1.3.3./2.2.1.3.4.”, o

Juízo teria valorado, como indicativa da prática

delitual, determinada parcela do quanto dito, em sede de

interrogatório judicial, por PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO.

Nesta parcela, teria dito aquele corréu que

teriam relação os valores por ele recebidos com

determinadas contratações da PETROBRÁS junto ao Grupo

SBM; no entanto, nas mesmas declarações, o corréu em

questão teria deixado “expresso que não havia conexão com

qualquer ato de ofício praticado” (fls. 3903).

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O Juízo teria, contudo, optado “por afastar a

valoração desse conteúdo, antes sopesado, sob o argumento

de que teriam sido identificadas falhas no contrato que JFRJ


Fls 1444
beneficiariam a SBM”, fato que não teria “relação

necessária com eventual violação funcional do Sr. PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO” (fls. 3903); requereu fosse aclarada

a “valoração parcial do aludido depoimento” (fls. 3904).

De plano, percebe-se não haver qualquer

obscuridade – que, como visto, somente desponta quando

incompreensível o julgado, total ou parcialmente -, dado

que o embargante bem entendeu o quanto exposto, mas crê

que a valoração judicial foi equivocada, pois que, a seu

sentir, determinado trecho dos dizeres do corréu imporia

a que se chegasse a conclusão distinta daquela abraçada

pelo Juízo.

Em outras palavras, busca rediscutir o julgado,

o que é inadmissível, em sede de aclaratórios; seja como

for, o exame dos trechos sentenciais tidos por obscuros,

data maxima venia, bem expõe não ser essa a realidade;

vejamos.

Analisando os tópicos sentenciais mencionados,

verifico que se encontram em fls. 3533v./3543v.

(2.2.1.2.3/2.2.1.2.4) e fls. 3564v./3575

(2.2.1.3.3/2.2.1.3.4.).

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No item 2.2.1.2.3., foi apreciada a relação

entre, de um lado, os valores pagos por JÚLIO FAERMAN – e

aferidos positivamente nos itens 2.2.1.2.1. (fls. JFRJ


Fls 1445
3532/3532v.) e 2.2.1.2.2. (fls. 3532v./3533v.) – a PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e, de

outro, a contratação, pela PETROBRÁS junto ao Grupo SBM,

pertinente à embarcação FPSO ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA.

Analisando o item sentencial em questão,

exsurge que concluiu o Juízo positivamente, no sentido da

conexão cogitada, em função das seguintes razões: (a) os

percipientes dos valores eram empregados da PETROBRÁS, ao

tempo dos pagamentos, como admitido por todos; (b) as

declarações do embargante – como pagador – e dos

percipientes foram uníssonas no sentido do

dimensionamento da paga como fração, - 0,25% (zero

vírgula vinte e cinco por cento) - do preço contratual

pago, por sua vez, pela PETROBRÁS ao Grupo SBM, em função

da relação mantida e condizente com a embarcação FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA; (c) os pagamentos feitos

por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO perduraram ao longo da vigência

do avença, o que foi aferido à luz da documentação

contratual adunada aos autos, em cotejo com o período de

percepção dos montantes; (e) PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO ocupavam – segundo prova

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oral e documental examinada – posições, na estrutura

organizacional da PETROBRÁS, diretamente relacionadas com

a contratação da embarcação FPSO ESPADARTE/CIDADE DE JFRJ


Fls 1446
ANCHIETA.

Já no item sentencial 2.2.1.2.4., o Juízo

examinou se teria restado comprovado algum favorecimento

ao Grupo SBM, que pudesse ser tido como contrapartida aos

pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, cuja relação

com a contratação da embarcação FPSO ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA havia sido positivamente aferida no item

anterior.

Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, o prazo para

entrega de propostas por interessados, no âmbito da

licitação que precedeu a contratação pertinente ao FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, foi fixado de forma

excessivamente exígua, e, diante de pedidos de vários dos

licitantes, no sentido de se promover dilação prazal,

esta foi concedida, mas em patamar muito aquém ao quanto

pedido, o mesmo se concluindo quando confrontada a

dilação com o praticado em diversos outros certames, com

objetos semelhantes; (b) ainda no relatório da

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Controladoria-Geral da União, foi afastada a

possibilidade de que a dilação prazal, tal como

autorizada, tenha sido resultado de circunstâncias do JFRJ


Fls 1447
certame ou da contratação; (c) a dilação prazal, tal como

deferida, beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função

de ser o único, naquele momento, com sede operativa em

território brasileiro, em detrimento dos demais

interessados; (d) as dificuldades ostentadas pelos demais

interessados eram de expresso conhecimento de quem

decidiu pela dilação prazal, pois que o tema foi exposto

por licitantes; (e) a dilação prazal, tal como

autorizada, ao passo que beneficiou o Grupo SBM, reduziu

a competitividade do certame, ferindo princípios

constitucionais regentes das contratações de entes da

Administração; (f) o favorecimento observado é fato

objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e

não é afastada por considerações quanto à parcela de

mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria se sagrado vencedor

do certame.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

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seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo JFRJ


Fls 1448
havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

integrava o órgão que decidiu pela dilação prazal

favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais

integrantes do colegiado decisor; (e) a colegialidade não

foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na

produção do favorecimento, pois que, além de sua

ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

parcialmente, pela contribuição do recebedor de

vantagens; (f) não foi produzida qualquer prova de que

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no

colegiado decisor, em contrário à dilação prazal que

favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO

FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação.

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No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o

Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo SBM JFRJ


Fls 1449
pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

expostos no parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas palavras, então transcritas,

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO se havia empenhado, no exercício

de sua posição ascendente técnica e hierarquicamente

sobre os integrantes do órgão decisor, no sentido de que

se sagrasse vencedor o Grupo SBM.

Foram, então, abordadas e afastadas diversas

objeções defensivas a estas convicções (fls.

3541/3543v.), que restaram mantidas.

A seguir, no item 2.2.1.2.5 (fls. 3543v./3544),

o Juízo, fundamentadamente, entendeu que os montantes

pagos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO ostentavam a natureza de

vantagens indevidas, e que o favorecimento verificado era

resultado direto do acerto que ligava pagador e

recebedores; concluiu ainda o Juízo que o acerto não era

para que se produzisse tão somente o favorecimento

cogitado – o único efetivamente comprovado -, mas que era

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genérico, no sentido de que os recebedores favorecessem,

onde e quando possível, o Grupo SBM, e, em troca, lhe

seriam franqueados valores, em proporção ao preço JFRJ


Fls 1450
contratual pago pela PETROBRÁS ao Grupo SBM.

Diante desta miríade de elementos, o

embargante, maxima venia concessa, pinça determinado

trecho dos dizeres de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e deseja

que o Juízo aclare o porquê de ter concluído em sentido

diverso do quanto por ele pretendido; ora, a conclusão

está embasada em todos os elementos citados, e nos demais

que se encontram lançados na fundamentação sentencial.

Fácil é ver que, como já dito, não há

aclaramento necessário: o réu entende que o Juízo andou

mal, ao julgar os fatos, e crê que o trecho em questão

desconstituiria todos os demais fundamentos expendidos;

ocorre que esta pretensão não é viavelmente articulável

em sede de embargos de declaração, devendo ser levada,

por via de apelação, à Instância Superior, para que seja

aferido o acerto ou desacerto sentencial, pelo que,

quanto ao ponto, os embargos serão desprovidos.

No que diz com os itens 2.2.1.3.3./2.2.1.3.4.,

o mesmo se passa; vejamos.

No item 2.2.1.3.3. (fls. 3564v./3567v.), foi

apreciada a relação entre, de um lado, os valores pagos

por JÚLIO FAERMAN – e aferidos positivamente nos itens

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2.2.1.3.1. (fls. 3563v.) e 2.2.1.3.2. (fls.

3563v./3564v.) – a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO e, de outro, a contratação, pela JFRJ


Fls 1451
PETROBRÁS junto ao Grupo SBM, pertinente à embarcação

FPSO BRASIL.

Analisando o item sentencial em questão,

exsurge que concluiu o Juízo positivamente, no sentido da

conexão cogitada, em função das seguintes razões: (a) os

percipientes dos valores eram empregados da PETROBRÁS, ao

tempo dos pagamentos, como admitido por todos; (b) as

declarações do embargante – como pagador – e dos

percipientes foram uníssonas no sentido do

dimensionamento da paga como fração, - 0,25% (zero

vírgula vinte e cinco por cento) - do preço contratual

pago, por sua vez, pela PETROBRÁS ao Grupo SBM, em função

da relação mantida e condizente com a embarcação FPSO

BRASIL; (c) os pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO

perduraram ao longo da vigência da avença, o que foi

aferido à luz da documentação contratual adunada aos

autos, em cotejo com o período de percepção dos

montantes; (e) PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO ocupavam – segundo prova oral e

documental examinada – posições, na estrutura

organizacional da PETROBRÁS, diretamente relacionadas com

a contratação da embarcação FPSO BRASIL.

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Já no item sentencial 2.2.1.3.4., o Juízo

examinou se teria restado comprovado algum favorecimento

ao Grupo SBM, que pudesse ser tido como contrapartida aos JFRJ
Fls 1452
pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO.

Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, a contratação,

efetivada sob procedimento de dispensa de certame

licitatório prévio, contemplou a realização de ausculta

mercadológica para atendimento às formalidades legalmente

exigíveis quanto à compatibilidade do preço a ser

pactuado com o praticado no mercado; (b) nesta consulta

aos agentes do mercado, restou dimensionado prazo

excessivamente exíguo para manifestação de eventuais

interessados, e que foi mantido, mesmo diante de

protestos de alguns deles; (c) a fixação prazal, a

contemplar a exiguidade exposta, beneficiou sobremaneira

o Grupo SBM, em função de ser o único, naquele momento,

com sede operativa em território brasileiro e que detinha

experiência em contratações semelhantes anteriores –

FPSOs II e ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA -, em detrimento

dos demais eventuais interessados; (d) a situação da

necessidade da contratação não era motivo para a

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exiguidade do prazo, tendo em vista que sua firmatura

somente se deu cerca de dois meses mais tarde, tendo sido

plenamente possível que se dilatasse o prazo de JFRJ


Fls 1453
propostas, o que garantiria mais ampla representatividade

ao procedimento de ausculta, e anularia o favorecimento;

(d) as dificuldades ostentadas pelos demais interessados,

em função da mencionada exiguiidade, eram de expresso

conhecimento de quem decidiu pela fixação prazal, pois

que o tema foi exposto por interessados; (e) a fixação

prazal, tal como posta, ao passo que beneficiou o Grupo

SBM, reduziu a representatividade do procedimento de

consulta aos agentes do mercado, ferindo princípios

constitucionais regentes das contratações de entes da

Administração; (f) o favorecimento observado é fato

objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e

não é afastada por considerações quanto à parcela de

mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria logrado se fazer

contratado; (g) os fatos envolvendo a contratação do FPSO

BRASIL são de todo semelhantes àqueles pertinentes à

contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, em que

houve pagamentos e favorecimento correlato, tal como

examinado em item sentencial próprio.

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Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ JFRJ


Fls 1454
BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

integrava o órgão que decidiu pela fixação prazal

favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais

integrantes do colegiado decisor; (e) a colegialidade não

foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na

produção do favorecimento, pois que, além de sua

ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

parcialmente, pela contribuição do recebedor das

vantagens; (f) não foi produzida qualquer prova de que

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PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no

colegiado decisor, em contrário à fixação prazal que

favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO JFRJ


Fls 1455
FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação;

(g) a existência de eventuais outros corresponsáveis não

afastaria a contribuição de PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO na formação dos resultados examinados.

No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o

Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo SBM

pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

agitados no parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas palavras, então transcritas,

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO exercia posição ascendente

técnica e hierarquicamente sobre os integrantes do órgão

decisor, tida como determinante para a formação do

contrato, tendo sido por ele iniciado o projeto e

“concluído pela sua equipe” (fls. 3572).

Foram, então, abordadas e afastadas diversas

objeções defensivas a estas convicções (fls. 3572/3575),

que restaram mantidas.

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A seguir, no item 2.2.1.3.5 (fls. 3575/3580v.),

o Juízo, fundamentadamente, entendeu que os montantes

pagos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO JFRJ


Fls 1456
e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO ostentavam a natureza de

vantagens indevidas, e que o favorecimento verificado era

resultado direto do acerto que ligava pagador e

recebedores; concluiu ainda o Juízo que o acerto não era

para que se produzisse tão somente o favorecimento em

questão – o único efetivamente comprovado -, mas que era

genérico, no sentido de que os recebedores favorecessem,

onde e quando possível, o Grupo SBM, e, em troca, lhes

seriam franqueados valores, em proporção ao preço

contratual pago pela PETROBRÁS ao Grupo SBM.

Diante desta miríade de elementos, o

embargante, maxima venia concessa, pinça determinado

trecho dos dizeres de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e deseja

que o Juízo aclare o porquê de ter concluído em sentido

diverso ao quanto por ele pretendido; ora, a conclusão

está embasada em todos os elementos citados, e nos demais

que se encontram lançados na fundamentação sentencial.

Fácil é ver que, como já dito, não há

aclaramento necessário: o réu entende que o Juízo andou

mal, ao julgar os fatos, e crê que o trecho em questão

desconstituiria todos os demais fundamentos expendidos;

ocorre que esta pretensão não é viavelmente articulável

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em sede de embargos de declaração, devendo ser levada,

por via de apelação, à Instância Superior, para que seja

aferido o acerto ou desacerto sentencial, pelo que, JFRJ


Fls 1457
quanto ao ponto, os embargos serão desprovidos.

II.1.1.1.2. OBSCURIDADE – VALORAÇÃO PROVA –

CARGA PROBANTE – CONCLUSÕES DA CONTROLADORIA-GERAL DA

UNIÃO – ITEM 2.2.1.3.4.

Alegou o embargante que, em determinado trecho

de documento lavrado pela Controladoria-Geral da União,

em que se teria embasado o Juízo para a conclusão de que

teria havido favorecimento ao Grupo SBM em contrapartida

a pagamentos efetuados por JÚLIO FAERMAN a PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, o órgão

teria dito que, apesar de ter identificado determinada

falha na condução de procedimento de consulta ao mercado,

prévio à contratação do FPSO BRASIL, não teria

considerado violada a higidez do quanto feito pela

PETROBRÁS; asseverou que isto conflitaria com a postura

judicial, na apreciação do tema, que teria tido por

inidôneo o quanto realizado pela paraestatal, tendo ainda

o Juízo manifestado discordância das conclusões da

Controladoria-Geral da União por entender que o órgão não

teria tido “informações sobre os pagamentos posteriores

recebidos pelo funcionários”.

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Julgou o embargante que “o eventual

conhecimento de pagamentos efetuados aos funcionários, em

momento posterior à conclusão do certame, não conduz JFRJ


Fls 1458
necessariamente à vinculação entre eles e a falha de

procedimento identificada pela CGU. Afinal, na própria r.

sentença, em inúmeros casos, restou reconhecida a

ocorrência de pagamentos sem vinculação a qualquer

contrapartida.” (fls. 3906).

Pediu o aclaramento da “valoração parcial”

(fls. 3907) do quanto exposto no documento da lavra da

Controladoria-Geral da União.

Maxima venia concessa ao Brilhante Defensor,

logo se vê não se estar diante de verdadeira hipótese de

obscuridade – em que haveria incompreensão -: resta

claro, da argumentação tecida, que o embargante, em

realidade, discorda do critério de julgamento e o reputa

equivocado; em suas palavras (fls. 3906): “o eventual

conhecimento de pagamentos efetuados aos funcionários, em

momento posterior à conclusão do certame, não conduz

necessariamente à vinculação entre eles e a falha de

procedimento identificada pela CGU.”; em outras palavras:

discordando do julgamento – nos termos das críticas

expostas -, deseja vê-lo revisto, não se estando, assim,

diante de verdadeira obscuridade.

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De outro norte, fácil é perceber que foram

expostos suficientemente os critérios do Juízo, para

atingimento das conclusões esposadas; vejamos. JFRJ


Fls 1459
No item 2.2.1.3.4. (fls. 3567v./3575), como

visto no tópico decisório anterior, o Juízo examinou se

teria restado comprovado algum favorecimento ao Grupo

SBM, que pudesse ser tido como contrapartida aos

pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO.

Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, a contratação,

efetivada sob procedimento de dispensa de certame

licitatório prévio, contemplou a realização de ausculta

mercadológica para atendimento às formalidades legalmente

exigíveis quanto à compatibilidade do preço a ser

pactuado com as contratações normalmente empreendidas no

âmbito do mercado; (b) nesta consulta aos agentes do

mercado, restou dimensionado prazo excessivamente exíguo

para manifestação de eventuais interessados, e que foi

mantido, mesmo diante de protestos de alguns deles; (c) a

fixação prazal, a contemplar a exiguidade exposta,

beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função de ser o

único, naquele momento, com sede operativa em território

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brasileiro e que detinha experiência em contratações

semelhantes anteriores – FPSOs II e ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA -, em detrimento dos demais interessados; (d) a JFRJ


Fls 1460
situação da necessidade da contratação não era motivo

para a exiguidade do prazo, tendo em vista que sua

firmatura somente se deu cerca de dois meses mais tarde,

tendo sido plenamente possível que se dilatasse o prazo

de propostas, o que garantiria mais ampla competitividade

ao procedimento de ausculta, e anularia o favorecimento;

(d) as dificuldades ostentadas pelos demais interessados

eram de expresso conhecimento de quem decidiu pela

fixação prazal, pois que o tema foi exposto por

interessados; (e) a fixação prazal, tal como posta, ao

passo que beneficiou o Grupo SBM, reduziu a

representatividade do procedimento de ausculta, ferindo

princípios constitucionais regentes das contratações de

entes da Administração; (f) o favorecimento observado é

fato objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e

não é afastada por considerações quanto à parcela de

mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria logrado se fazer

contratado; (g) os fatos envolvendo a contratação do FPSO

BRASIL são de todo semelhantes àqueles pertinentes à

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contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, em que

houve pagamentos e favorecimento correlato.

JFRJ
Em seguida, entendeu o Juízo que o
Fls 1461
favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

integrava o órgão que decidiu pela fixação prazal

favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais

integrantes do colegiado decisor; (e) a colegialidade não

foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na

produção do favorecimento, pois que, além de sua

ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

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parcialmente, pela contribuição do recebedor das

vantagens; (f) não foi produzida qualquer prova de que

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no JFRJ


Fls 1462
colegiado decisor, em contrário à fixação prazal que

favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO

FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação;

(g) a existência de eventuais outros corresponsáveis não

afastaria a contribuição de PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO na formação dos resultados examinados.

No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o

Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo SBM

pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

objeto do parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas palavras, então transcritas,

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO exercia posição ascendente

técnica e hierarquicamente sobre os integrantes do órgão

decisor, tida como determinante para a formação do

contrato, tendo sido por ele iniciado o projeto e

“concluído pela sua equipe” (fls. 3572).

Esta apreciação se inseriu em um contexto

completado pelo quanto apurado no item 2.2.1.3.5. (fls.

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3575/3580v.), em que, como também exposto no item

anterior, o Juízo, fundamentadamente, entendeu que os

montantes pagos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE JFRJ


Fls 1463
CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO ostentavam a natureza

de vantagens indevidas, e que o favorecimento verificado

era resultado direto do acerto que ligava pagador e

recebedores; concluiu ainda o Juízo que o acerto não era

para que se produzisse tão somente o favorecimento em

questão – o único efetivamente comprovado -, mas que era

genérico, no sentido de que os recebedores favorecessem,

onde e quando possível, o Grupo SBM, e, em troca, lhes

seriam franqueados valores, em proporção ao preço

contratual pago pela PETROBRÁS ao Grupo SBM.

Posto o contexto em que inserido o trecho

mencionado pelo embargante, resta claro que o Juízo, ao

mencionar pedaço de documento da lavra da Controladoria-

Geral da União em que se disse o órgão desprovido de

elementos que indicassem a inidoneidade do procedimento

de ausculta mercadológica, esposou conclusão diversa não

apenas porque houve pagamentos a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO

e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, mas pela consideração

das circunstâncias do favorecimento realizado, pela sua

intensidade, pela admitida relação entre pagamentos e

contratação, pelas posições ocupadas por ambos, tudo,

assim, a formar uma torrente de elementos a assinalar que

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pagamentos e favorecimento estavam inextricavelmente

ligados, como causa e efeito.

JFRJ
Além disso, e como visto no item 2.2.1.3.5., a
Fls 1464
circunstância de serem os pagamentos posteriores à

delimitação prazal – no âmbito da consulta ao mercado,

empreendida previamente à contratação direta - foi tida

por desimportante, tendo em vista que o acerto era de

fornecimento genérico, pelos percipientes dos valores,

empregados da PETROBRÁS, de benefícios inespecíficos ao

Grupo SBM no âmbito da contratação, tendo sido o

favorecimento relacionado com a ausculta mercadológica o

único identificado e comprovado, mas não representava a

inteireza do acordo, que, de outro modo, perdurou ao

longo da vigência contratual e em função do qual foram

acertados outros favorecimentos, que, no entanto, não

teve o Juízo por comprovados, tendo, de outro lado, sido

mantidos os pagamentos enquanto vigente o contrato.

De mais a mais, não é verdadeiro, cum permissa,

que a sentença tenha tido por “reconhecida a ocorrência

de pagamentos sem vinculação a qualquer contrapartida”

(fls. 3906); em alguns casos nos quais o Juízo entendeu

comprovados atos de corrupção, nos quais, em que pese a

alegação ministerial de ter havido contrapartida, dos

funcionários públicos - por meio de distorção de suas

atuações funcionais em prol dos representados

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comercialmente pelos pagadores de vantagens -, julgou-se

incomprovadas tais contrapartidas; e, em outros casos,

não chegaram a ser imputadas contrapartidas por JFRJ


Fls 1465
efetivamente ocorrentes.

Isto, entretanto, não desnatura o acordo:

valores prometidos e pagos em troca de favorecimentos aos

comercialmente representados pelos pagadores de

vantagens.

É o que sucedeu no caso das contratações

referentes ao FPSO MARLIM SUL – tal como apreciado nos

itens 2.2.1.4.3./2.2.1.4.4. (fls. 3597/3602v.) -, às

monoboias da PRA-1 – como elucidado nos itens

2.2.1.6.4./2.2.1.6.5. (fls. 3647/3653) – e à construção,

aquisição e operação da embarcação FPSO P-57 – como visto

nos itens 2.2.1.8.3/2.2.1.8.4. (fls. 3696v./3702v.).

O único caso em que o Juízo entendeu que não

havia contrapartidas acordadas foi justamente aquele em

que se teve por incomprovado ato de corrupção da parte da

embargante, diante de quadro de dúvida objetiva quanto à

possibilidade de que, junto de LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA, tenha sido alvo de conduta extorsiva da

parte de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, e cuja ordem

possivelmente teria partido de determinado grupo político

que, à época, controlava a cúpula da Administração

Federal: o episódio envolvendo pedido de numerário

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indicado como destinado à cobertura de gastos eleitorais

do PARTIDO DOS TRABALHADORES, no ano de 2010 – item

2.2.1.10 (fls. 3741/3755). JFRJ


Fls 1466
Reafirmo, portanto, a conclusão já exposta

linhas acima: as razões do convencimento foram

devidamente apresentadas, ao entender o Juízo pela

ocorrência de contrapartida, da parte de PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e

relativamente aos valores de vantagens indevidas que lhes

foram pagos por JÚLIO FAERMAN, com vinculação à

contratação do FPSO BRASIL e que representou

favorecimento indevido ao Grupo SBM, no âmbito de

procedimentos prévios à pactuação da avença.

Conseguintemente, quanto ao ponto em apreço, os

embargos serão desprovidos.

II.1.11..3. CONTRADIÇÃO – FUNDAMENTAÇÃO E PROVA

EMBASADORA – “SUBVERSÃO” DE DECLARAÇÕES DE PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO – ITENS 2.2.1.2.4., 2.2.1.3.4. E 2.2.1.7.4.

O embargante argumentou que o Juízo - na

exposição da ancoragem de seu convencimento, ao concluir

pela existência de liame entre pagamentos por ele feitos

a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e atuação positiva deste no

sentido de beneficiar o grupo empresarial pelo embargante

representado - teria empregado determinados trechos de

dizeres do próprio PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO; contudo, a

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seu sentir, “os textos citados (...) não condizem com a

acepção que lhes é atribuída” (fls. 3912), pois que PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO teria apresentado declarações no JFRJ


Fls 1467
sentido de que “teria favorecido a SBM” “motivado pela

capacidade técnica da empresa, jamais por qualquer

pagamento” (fls. 3912); requereu, em consequência, o

aclaramento da “contradição entre os trechos mencionados

da r. sentença” (fls. 3912).

De plano, ao se analisar a argumentação, data

maxima venia, percebe-se cristalina a discordância com o

critério de julgamento, pois que entende o embargante que

os trechos transcritos dos dizeres de PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO não teriam o teor exposto pelo Juízo; em outras

palavras, entende o embargante que o Juízo valorou

equivocadamente a prova, e, portanto, julga que o

resultado da apreciação deveria ser outro.

Não há contradição – que ocorreria se dois

trechos da fundamentação contivessem argumentação ou

conclusões em sentidos opostos e mutuamente excludentes -

, pois não há incompreensão do julgado, pela simples

constatação de que a discordância – tal como externada,

em realidade, pelo embargante – pressupõe conhecimento e

apreensão do objeto de análise – in casu, o julgado

recorrido.

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Afinal, não é possível discordar daquilo que

não se compreende.

JFRJ
A única contradição existente – e isto já se
Fls 1468
depreende do próprio título do pertinente tópico recursal

“II.3” (fls. 3907) – é entre a apreciação judicial

sentencial, empreendida nos itens mencionados, e aquela

que o embargante entende seria adequada; tout court,

portanto, já deveriam ser inacolhidos os aclaratórios;

mas há mais.

No item 2.2.1.2.4. (fls. 3536v./3543v.), foi

apreciada a existência de favorecimento ao Grupo SBM,

como contrapartida aos pagamentos feitos por JÚLIO

FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, em conexão à contratação da embarcação

FPSO ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA; foi externada

conclusão, em primeiro lugar, de que houve favorecimento

ao Grupo SBM, com base nas seguintes razões: (a) conforme

lançado em relatório de auditoria da lavra da

Controladoria-Geral da União, o prazo para entrega de

propostas por interessados, no âmbito da licitação que

precedeu a contratação pertinente ao FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, foi fixado de forma

excessivamente exígua, e, diante de pedidos de vários dos

licitantes, no sentido de se promover dilação prazal,

esta foi concedida, mas em patamar muito aquém do quanto

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pedido, e mesmo do quanto praticado em diversos outros

certames, com objetos semelhantes; (b) ainda no relatório

da Controladoria-Geral da União, foi afastada a JFRJ


Fls 1469
possibilidade de que a dilação prazal, tal como

autorizada, tenha sido resultado de circunstâncias do

certame ou da contratação; (c) a dilação prazal, tal como

deferida, beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função

de ser, naquele momento, o único interessado com sede

operativa em território brasileiro, em detrimento dos

demais licitantes; (d) as dificuldades ostentadas pelos

demais interessados eram de expresso conhecimento de quem

decidiu pela dilação prazal, pois que o tema foi exposto

por licitantes; (e) a dilação prazal, tal como

autorizada, ao passo que beneficiou o Grupo SBM, reduziu

a competitividade do certame, ferindo princípios

constitucionais regentes das contratações de entes da

Administração; (f) o favorecimento observado é fato

objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e

não é afastada por considerações quanto à parcela de

mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria se sagrado vencedor

do certame.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

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feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação JFRJ


Fls 1470
do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

integrava o órgão que decidiu pela dilação prazal

favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais

integrantes do colegiado decisor; (e) a colegialidade não

foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na

produção do favorecimento, pois que, além de sua

ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

parcialmente, pela contribuição do recebedor das

vantagens; (f) não foi produzida qualquer prova de que

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no

colegiado decisor, em contrário à dilação prazal que

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favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO

FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação.

No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o JFRJ


Fls 1471
Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo SBM

pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

fundamentos lançados no parágrafo anterior: (a) PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO ocupava posição gerencial no órgão da

paraestatal diretamente interessado na contratação em

tela, e que havia postulado aos órgãos diretivos da

companhia sua realização; (b) segundo suas palavras,

então transcritas, PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO se havia

empenhado, no exercício de sua posição ascendente técnica

e hierarquicamente sobre os integrantes do órgão decisor,

no sentido de que se sagrasse vencedor o Grupo SBM.

Especificamente quanto aos dizeres de PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO, foi tido pelo Juízo que, apesar de

certa obliquidade, houve admissão de favorecimento; note-

se que, no trecho transcrito pelo próprio embargante, em

seu recurso (fls. 3907/3908), após as parcelas

sublinhadas pela D. Defesa, foi dito textualmente por

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO – em parcela de seu relato

também transcrita pelo Juízo na fundamentação vergastada

(fls. 3540) -:

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“Então, não é porque, vamos dizer, que

eu receberia vantagem indevida ou porque

eu poderia receber vantagem indevida que


JFRJ
eu estava apoiando, porque se não é um Fls 1472
tiro no próprio peito, a gente defender

uma solução técnica, uma solução que é

ruim para a companhia, aí a gente tem

vida curta, porque o projeto... A gente

está fazendo uma coisa errada. Então,

quer dizer, para nós até era fácil de

defender a SBM, porque realmente ela era

a melhor alternativa, tinha excelência

na execução dos trabalhos, então era

muito fácil defender a SBM, e, ao mesmo

tempo, teria, vamos dizer, a vantagem

indevida, era por ser uma confluência

para nós de coisas boas, estávamos

defendendo a opção certa para a

companhia e também, ao final, a gente

poderia ter uma participação na comissão

do representante, né?”

Note-se que, em que pese a obliquidade dos

dizeres, a parcela acima apontada foi tida pelo Juízo

como condizente com o restante da apreciação empreendida

no item 2.2.1.2.4., indicando, irretorquivelmente e em

atenção à globalidade dos elementos de convicção, que a

motivação do agir de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, assim como

havia sido com PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, foi a

promessa e posteriores recebimentos de vantagens

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indevidas franqueadas por JÚLIO FAERMAN, representante

comercial do grupo empresarial favorecido.

JFRJ
Se, contudo, o embargante crê que as parcelas
Fls 1473
por ele ressaltadas dos dizeres de PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO desfazem as conclusões judiciais, deve manejar o

recurso próprio, para que a Instância Superior avalie o

acerto ou desacerto do ato sentencial, não havendo,

contudo, como se acolher sua pretensão de rediscutir o

julgado por meio da oposição de embargos de declaração.

Já no item 2.2.1.3.4. (fls. 3567v./3575) –

também objeto deste tópico recursal -, como visto no item

decisório anterior, o Juízo examinou se teria restado

comprovado algum favorecimento ao Grupo SBM, que pudesse

ser tido como contrapartida aos pagamentos feitos por

JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO, em conexão à contratação da

embarcação FPSO BRASIL.

Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, a contratação,

efetivada sob procedimento de dispensa de certame

licitatório prévio, contemplou a realização de ausculta

mercadológica para atendimento às formalidades legalmente

exigíveis quanto à compatibilidade do preço a ser

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pactuado com o quanto praticado em contratações

semelhantes, naquele segmento mercadológico; (b) nesta

consulta aos agentes do mercado, restou dimensionado JFRJ


Fls 1474
prazo excessivamente exíguo para manifestação de

eventuais interessados, e que foi mantido, mesmo diante

de protestos de alguns deles; (c) a fixação prazal, a

contemplar a exiguidade exposta, beneficiou sobremaneira

o Grupo SBM, em função de ser o único, naquele momento,

com sede operativa em território brasileiro e que detinha

experiência em contratações semelhantes anteriores –

FPSOs II e ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA -, em detrimento

dos demais interessados; (d) a situação da necessidade da

contratação não era motivo para a exiguidade do prazo,

tendo em vista que sua firmatura somente se deu cerca de

dois meses mais tarde, tendo sido plenamente possível que

se dilatasse o prazo de propostas, o que garantiria mais

ampla competitividade ao procedimento de ausculta, e

anularia o favorecimento; (d) as dificuldades ostentadas

pelos demais interessados eram de expresso conhecimento

de quem decidiu pela fixação prazal, pois que o tema foi

exposto por respondentes do chamamento; (e) a fixação

prazal, tal como posta, ao passo que beneficiou o Grupo

SBM, reduziu a representatividade mercadológica do

procedimento de ausculta, ferindo princípios

constitucionais regentes das contratações de entes da

Administração; (f) o favorecimento observado é fato

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objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e

não é afastada por considerações quanto à parcela de JFRJ


Fls 1475
mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria logrado se fazer

contratado; (g) os fatos envolvendo a contratação do FPSO

BRASIL são de todo semelhantes àqueles pertinentes à

contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, em que

houve pagamentos e favorecimento correlato.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

integrava o órgão que decidiu pela fixação prazal

favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

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expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais

integrantes do colegiado decisor; (e) a colegialidade não JFRJ


Fls 1476
foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na

produção do favorecimento, pois que, além de sua

ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

parcialmente, pela contribuição do recebedor de

vantagens; (f) não foi produzida qualquer prova de que

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no

colegiado decisor, em contrário à fixação prazal que

favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO

FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação;

(g) a existência de eventuais outros corresponsáveis não

afastaria a contribuição de PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO na formação dos resultados examinados.

No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o

Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo SBM

pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

objeto do parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas palavras, então transcritas,

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PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO manejava posição ascendente

técnica e hierarquicamente sobre os integrantes do órgão

decisor, que foi tida como determinante para a formação JFRJ


Fls 1477
do contrato, tendo sido por ele iniciado o projeto e

“concluído pela sua equipe” (fls. 3572).

Esta apreciação se inseriu em um contexto

completado pelo quanto apurado no item 2.2.1.3.5. (fls.

3575/3580v.), em que, como também exposto no item

anterior, o Juízo, fundamentadamente, entendeu que os

montantes pagos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO ostentavam a natureza

de vantagens indevidas, e que o favorecimento verificado

era resultado direto do acerto que ligava pagador e

recebedores; concluiu ainda o Juízo que o acerto não era

para que se produzisse tão somente o favorecimento

cogitado – o único efetivamente comprovado -, mas que era

genérico, no sentido de que os recebedores favorecessem,

onde e quando possível, o Grupo SBM, e, em troca, lhes

seriam franqueados valores, em proporção ao preço

contratual pago pela PETROBRÁS ao Grupo SBM.

Fácil é ver que as palavras de PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO – considerada e notada certa obliquidade -

foram apenas um dos elementos que embasaram as conclusões

judiciais, tendo sido empreendida a análise do substrato

probante em sua globalidade.

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O embargante crê que os trechos do relato por

ele destacados (fls. 3909/3910) desfariam toda a

argumentação acima arrolada; se é assim, aqui também, JFRJ


Fls 1478
deve manejar o recurso próprio, apto a provocar a

Instância Superior a apreciar o acerto ou desacerto

sentencial, não o podendo pretender através do manejo de

embargos de declaração, em que alegada inexistente

contradição.

Já no tópico 2.2.1.7.4 (fls. 3671/3674v.), foi

apreciada a ocorrência de favorecimento ao Grupo SBM, em

conexão à contratação do turret da embarcação P-53, tendo

sido externada conclusão positiva, com fundamento nas

seguintes razões: (a) conforme dizeres extrajudiciais de

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, este admitiu que se envolveu no

certame, “lutando pela vitória da SBM no contrato” (fls.

3671); em harmonia, foi apresentado o teor do quanto dito

por PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, quando judicialmente

interrogado e expôs que repassou indevidamente

informações ao Grupo SBM, no curso do certame, acerca da

proposta de concorrentes, para que se sagrasse vencedor;

(c) a alegação de JÚLIO FAERMAN e de LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA, no sentido de que o repasse de

informações nada teria tido de clandestino, ou de

violador das normas regentes, foi devidamente rechaçada,

eis que desfez as condições de assimetria informacional

entre ente licitante e interessados, que é pressuposto da

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condução do certame e contribui para o atingimento de

contratação vantajosa, sob pena de incidência do chamado

“efeito âncora”, tendo ainda sido tido por certo que a JFRJ
Fls 1479
clandestinidade do repasse de informações resultou do

relato de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO; (d) com as

informações indevidamente repassadas por PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, postura que este não teve em relação a

outros concorrentes, o Grupo SBM esteve em posição

privilegiada para melhorar sua proposta e sagrar-se

vencedor; (e) esta posição de privilégio, advinda de

informações não detidas por outros, é constatação de

cunho objetivo, indiferente à qualidade dos produtos ou

serviços do Grupo SBM, seus preços, posição mercadológica

ou predicados outros, nem equivale a dizer que, acaso

inexistente o sobredito favorecimento, não teria o grupo

empresarial aptidão para vencer licitações da paraestatal

brasileira.

Na sequência, o Juízo expôs as razões de

entender que o favorecimento foi resultado dos pagamentos

acordados com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, eis que por ele

mesmo admitido.

Quanto aos trechos de suas palavras sublinhadas

pelo embargante (fls. 3911/3912), maxima venia concessa,

não desfazem estas considerações; importante salientar

que, aqui também, há certa obliquidade nas palavras de

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PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, que parece achar que os

predicados do Grupo SBM afastariam a ilicitude de seu

agir, ao favorecê-lo em um contexto de recebimento de JFRJ


Fls 1480
vantagens indevidas, o que, contudo, não pode prosperar.

Seja como for, após os trechos sublinhados pelo

embargante, há outro que bem exemplifica esta crença de

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, mas que bem indica a relação

entre a paga e o favorecimento admitido, ainda que creia

o então interrogado não ter sido o montante por ele

recebido o fator determinante para a vitória no certame

(fls. 3671v.):

“Então, é o que eu digo, foi uma

oportunidade que a gente teve de

defender uma posição técnica que a gente

acreditava ser melhor e também tinha a

questão indevida, mas o preço, o valor

do contrato, foi, ao final das contas,

essa que foi a informação, falou: não

vamos fechar se não for mais baixo. Quer

dizer, houve uma passagem de informação

de um lado para o outro, para a SBM

compor um preço que fosse o mais

barato.”

Note-se que, em que pese a obliquidade dos

dizeres, a parcela acima apontada foi tida pelo Juízo

como condizente com o restante da apreciação empreendida

no item 2.2.1.7.4., indicando, irretorquivelmente e tudo

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em seu conjunto, que a motivação do agir de PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO foi a promessa e posteriores recebimentos

de vantagens indevidas franqueadas por JÚLIO FAERMAN, JFRJ


Fls 1481
representante comercial do grupo empresarial favorecido.

Se, contudo, o embargante crê que as parcelas

por ele sublinhadas dos dizeres de PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO desfazem as conclusões judiciais, deve manejar o

recurso próprio, para que a Instância Superior avalie o

acerto ou desacerto do ato sentencial, não havendo,

contudo, como se acolher sua pretensão de rediscutir o

julgado por meio da oposição de embargos de declaração.

Conseguintemente, quanto ao ponto em apreço, os

embargos serão desprovidos.

II.1.1.1.4. OBSCURIDADE – TRATAMENTO DE

ELEMENTOS DE PROVA – PARÂMETROS DE VALORAÇÃO DE DADOS

PRODUZIDOS PELA CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO E PELA

PETROBRÁS – ITENS 2.2.1.2.4., 2.2.1.3.4. E 2.2.1.5.3.

O embargante afirmou que o Juízo teria, nos

tópicos acima indicados, utilizado conclusões esposadas

pela Controladoria-Geral da União, no sentido da

existência de irregularidades em certames realizados pela

PETROBRÁS, valorando positivamente os achados sob a

fundamentação de que sua apreensão não demandaria

expertise técnica; articulou que, na sequência, ao

refutar conclusões de órgão de apuração, constituído no

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âmbito interno da paraestatal, o Juízo o teria feito sob

fundamento de que este último não deteria expertise

investigatória ou poderes próprios de órgãos JFRJ


Fls 1482
persecutórios.

Aduziu o embargante que, se os dados

identificados pela Controladoria-Geral da União não

exigiriam expertise técnica – quando bastaria “a leiga

análise de documentos” -, “não se ostenta compreensível,

com todo respeito, a razão pela qual a Comissão Interna

de Apuração, órgão fiscalizador da Petrobrás e

especializado na matéria investigada, seria incapacitado

de alcançar conclusões idôneas. É de se ressaltar que a

CGU não detém os aludidos poderes investigatórios, não

obstante esta característica não tenha sido sopesada”

(fls. 3915).

Pediu fosse “aclarado o fundamento para a

ausência de valoração sobre as conclusões alcançadas pela

Comissão de Apuração Interna da Petrobrás” (fls. 3915).

Maxima venia concessa, aqui também se percebe

que não há, em realidade, qualquer obscuridade – que,

como já dito múltiplas vezes, pressupõe incompreensão do

ato guerreado -, mas apenas discordância do critério

decisório adotado; em outras palavras: o embargante

entende que foi inadequada a valoração judicial das

conclusões esposadas pela Controladoria-Geral da União,

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sob o fundamento de desnecessidade de conhecimento acerca

do mercado de óleo e gás, concomitantemente à compreensão

externada pelo Juízo, de que a Comissão de Apuração JFRJ


Fls 1483
constituída pela PETROBRÁS não detinha expertise

investigatória ou poderes mais amplos de apuração, e, por

isso, não detectou as ilicitudes aferidas no ato

guerreado.

Sua alegação de que a situação “não se ostenta

compreensível” busca recobrir sua discordância, cum

permissa, travestindo-a de hipótese de embargabilidade, o

que, contudo, não pode prosperar, dado o regime

restritivo dos aclaratórios, quadro, por si só,

condutível ao inacolhimento do recurso manejado.

De mais a mais, as conclusões judiciais – e os

fundamentos em que se assentam – são perfeitamente

compreensíveis, não havendo qualquer obscuridade, como

passo a expor.

No item 2.2.1.2.4. (fls. 3536v./3543v.), o

Juízo examinou se teria restado comprovado algum

favorecimento ao Grupo SBM, que pudesse ser tido como

contrapartida aos pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, correlatamente à contratação da embarcação FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA.

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Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da JFRJ


Fls 1484
lavra da Controladoria-Geral da União, o prazo para

entrega de propostas por interessados, no âmbito da

licitação que precedeu a contratação pertinente ao FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, foi fixado de forma

excessivamente exígua, e, diante de pedidos de vários dos

licitantes, no sentido de se promover dilação prazal,

esta foi concedida, mas em patamar muito aquém do quanto

pedido, e mesmo em relação ao praticado em diversos

outros certames, com objetos semelhantes; (b) ainda no

relatório da Controladoria-Geral da União foi afastada a

possibilidade de que a dilação prazal, tal como

autorizada, tenha sido resultado de circunstâncias do

certame ou da contratação; (c) a dilação prazal, tal como

deferida, beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função

de ser o único, naquele momento, com sede operativa em

território brasileiro, em detrimento dos demais eventuais

interessados; (d) as dificuldades ostentadas pelos demais

interessados eram de expresso conhecimento de quem

decidiu pela dilação prazal, pois que o tema foi exposto

por licitantes; (e) a dilação prazal, tal como

autorizada, ao passo que beneficiou o Grupo SBM, reduziu

a competitividade do certame, ferindo princípios

constitucionais regentes das contratações de entes da

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Administração; (f) o favorecimento observado é fato

objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e JFRJ


Fls 1485
não é afastado por considerações quanto à parcela de

mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria se sagrado vencedor

do certame.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

integrava o órgão que decidiu pela dilação prazal

favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais

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integrantes do colegiado decisor; (e) a colegialidade não

foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na JFRJ


Fls 1486
produção do favorecimento, pois que, além de sua

ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

parcialmente, pela contribuição do recebedor das

vantagens; (f) não foi produzida qualquer prova de que

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no

colegiado decisor, em contrário à dilação prazal que

favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO

FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação.

No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o

Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo SBM

pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

expostos no parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas palavras, então transcritas,

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO se havia empenhado, no exercício

de sua posição ascendente técnica e hierarquicamente

sobre os integrantes do órgão decisor, no sentido de que

se sagrasse vencedor o Grupo SBM.

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Foram, então, abordadas e afastadas diversas

objeções defensivas a estas convicções (fls.

3541/3543v.), que restaram mantidas; dentre estas JFRJ


Fls 1487
alegações, estava a de que os trabalhos da Controladoria-

Geral da União tratariam “de situação hipotética

(futurologia), suscitada por membros que não possuem

expertise no mercado de óleo e gás.” (fls. 3184),

deduzida por algumas vezes, nos memoriais do embargante.

O Juízo, então (fls. 3541/3541v.), após

externar convicção de que o favorecimento detectado –

dilação prazal insuficiente a assegurar a competitividade

do certame, em proveito do Grupo SBM e em correlato

prejuízo de todos os demais licitantes – era fato

objetivo, fez consignar (fls. 3451v.) que “não há

qualquer necessidade de que se goze de expertise sobre o

mercado de óleo e gás para se detectar que, no âmbito de

uma licitação, foi promovida limitação prazal, o que,

aliado a outras circunstâncias, reduziu o caráter

competitivo do certame, em benefício de determinado

interessado, que, alfim, restou vencedor e contratado”.

A seguir, o Juízo apreciou outra alegação

deduzida pelas DD. Defesas de JÚLIO FAERMAN e PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO: no sentido de que as

testemunhas ouvidas, ao longo da instrução criminal,

teriam sido categóricas em afastar a ocorrência de

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quaisquer irregularidades nas licitações tratadas na ação

penal – dentre as quais aquela condizente com a

contratação da embarcação FPSO ESPADARTE/CIDADE DE JFRJ


Fls 1488
ANCHIETA.

Ao fazê-lo (fls. 3541v./3543), o Juízo concluiu

que esta exoneração não era extraível dos relatos

testemunhais colhidos em Juízo: alguns – Maurício da

Justa Albano Aratanha e Marco Antônio Madalena -, por não

terem tido qualquer contato com a contratação então em

apreciação – pertinente ao FPSO ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA – e outros, membros da Comissão Interna de

Apuração da PETROBRÁS – Nilton Antônio de Almeida Maia e

Pedro Aramis de Lima Arruda -, porque prestaram relatos

que não afastavam as conclusões judiciais.

Quanto a estes dois últimos, o Juízo verificou,

com base em seus expressos dizeres, que integraram

Comissão Interna de Apuração da PETROBRÁS “inicialmente

instaurada para aferição do conteúdo de certa informação

divulgada via internet, de que empregados da PETROBRÁS

teriam recebido propinas, mas que, no âmbito das

limitações inerentes a um labor como este, interno à

sociedade de economia mista, não teria sido detectada

qualquer irregularidade” (fls. 3542).

A seguir, o Juízo, após transcrever trechos

pertinentes dos depoimentos, entendeu que a conclusão da

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comissão – que apurou pagamento e recebimento de

propinas, ao contrário da Controladoria-Geral da União,

que empreendeu auditoria de procedimentos licitatórios e JFRJ


Fls 1489
contratos -, no sentido de não terem sido identificadas

irregularidades, se justificava porque: (a) o órgão

apurador não dispunha de expertise de investigação – e

não quanto ao mercado de óleo e gás, considerada

desnecessária para o atingimento das conclusões esposadas

pela Controladoria-Geral da União, em sua auditoria de

procedimentos licitatórios e contratos – nem poderes de

apuração afetos aos encarregados da persecutio criminis

in iudicio; (b) não dispunham os membros da comissão da

informação de que JÚLIO FAERMAN, representante comercial

do grupo empresarial favorecido com a dilação prazal

antes identificada, havia pago vantagens indevidas a

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, ocupantes de posições, na estrutura da

paraestatal, diretamente relacionadas com a licitação e

sua subsequente contratação; (b) se a dilação prazal

insuficiente, por si só, não seria indicativo cabal de

ilicitude, esta circunstância, conectada aos pagamentos

apontados no item anterior, adquire significado de firme

assinalamento da ilicitude em apreciação.

O Juízo ainda consignou que, mesmo não tendo

sido identificadas irregularidades, a Comissão Interna de

Apuração detectou estranhezas, indicativas de ilicitudes:

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(a) pagamentos de comissões, pelo grupo empresarial, a

JÚLIO FAERMAN por meio do emprego de contas registradas

em nome de sociedades offshore, no exterior, e com as JFRJ


Fls 1490
quais não possuía contratos; e (b) posse, por parte do

grupo empresarial, de documentos internos sigilosos da

PETROBRÁS.

Aferiu ainda que, segundo os depoimentos dos

integrantes do órgão de apuração, em função de tal

quadro, foram os achados remetidos justamente aos órgãos

de controle – Ministério Público Federal e Controladoria-

Geral da União -, para aprofundamento das apurações por

quem detinha, alfim, capacidade para tal.

Estão assim, suficientemente expostas as

conclusões judiciais e seus fundamentos, em que pese a

respeitável discordância do embargante que, no entanto,

deve ser veiculada pelo instrumento recursal próprio, não

merecendo, quanto ao ponto, acolhimento os aclaratórios

manejados.

Já no item 2.2.1.3.4. (fls. 3567v./3575) –

também objeto deste tópico recursal -, como visto

anteriormente, o Juízo examinou se teria restado

comprovado algum favorecimento ao Grupo SBM, que pudesse

ser tido como contrapartida aos pagamentos feitos por

JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO

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JOSÉ BARUSCO FILHO, em relação à contratação da

embarcação FPSO BRASIL.

JFRJ
Concluiu, em primeiro lugar, que houve Fls 1491

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, a contratação,

efetivada sob procedimento de dispensa de certame

licitatório prévio, contemplou a realização de ausculta

mercadológica para atendimento às formalidades legalmente

exigíveis quanto à compatibilidade do preço a ser

pactuado com o quanto verificado em contratações deste

segmento de atividade; (b) nesta consulta aos agentes do

mercado, restou dimensionado prazo excessivamente exíguo

para manifestação de eventuais interessados, e que foi

mantido, mesmo diante de protestos de agentes de mercado;

(c) a fixação prazal, a contemplar a exiguidade exposta,

beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função de ser o

único, naquele momento, com sede operativa em território

brasileiro e que detinha experiência em contratações

semelhantes anteriores – FPSOs II e ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA -, tudo em detrimento dos demais interessados,

reduzindo a abertura da ausculta e violando princípios

constitucionais reitores da atuação estatal, em sede de

contratações da Administração; (d) a situação da

necessidade da contratação não era motivo para a

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exiguidade do prazo, tendo em vista que sua firmatura

somente se deu cerca de dois meses mais tarde, tendo sido

plenamente possível que se dilatasse o prazo de JFRJ


Fls 1492
propostas, o que garantiria mais ampla representatividade

ao procedimento, e anularia o favorecimento; (d) as

dificuldades ostentadas pelos demais agentes eram de

expresso conhecimento de quem decidiu pela fixação

prazal, pois que o tema foi exposto por interessados, ao

postularem dilação; (e) o favorecimento observado é fato

objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e

não é afastada por considerações quanto à parcela de

mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria logrado se fazer

contratado; (f) os fatos envolvendo a contratação do FPSO

BRASIL são de todo semelhantes àqueles pertinentes à

contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, em que

houve pagamentos e favorecimento correlato.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

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havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a JFRJ


Fls 1493
contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

integrava o órgão que decidiu pela fixação prazal

favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais

integrantes do colegiado decisor; (e) a colegialidade não

foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na

produção do favorecimento, pois que, além de sua

ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

parcialmente, pela contribuição do recebedor das

vantagens; (f) não foi produzida qualquer prova de que

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no

colegiado decisor, em contrário à fixação prazal que

favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO

FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação;

(g) a existência de eventuais outros corresponsáveis não

afastaria a contribuição de PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO na formação dos resultados examinados.

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No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o

Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo SBM JFRJ


Fls 1494
pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

expostos no parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas palavras, então transcritas,

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO manejava posição ascendente

técnica e hierarquicamente sobre os integrantes do órgão

decisor, que foi tida como determinante para a formação

do contrato, tendo sido por ele iniciado o projeto e

“concluído pela sua equipe” (fls. 3572).

Na sequência, o Juízo apreciou objeções

defensivas às conclusões então lançadas (fls. 3572/3575),

dentre as quais a asserção, ventilada pela D. Defesa do

embargante, quando de seus memoriais, no sentido de que

os trabalhos de auditoria da Controladoria-Geral da União

tratariam “de situação hipotética (futurologia),

suscitada por membros que não possuem expertise no

mercado de óleo e gás.” (fls. 3184), deduzida por algumas

vezes.

O Juízo, então (fls. 3572/3573), após externar

convicção de que o favorecimento detectado – dilação

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prazal insuficiente a assegurar a representatividade do

procedimento de ausculta, em proveito do Grupo SBM e em

correlato prejuízo de todos os demais interessados – era JFRJ


Fls 1495
fato objetivo, fez consignar (fls. 3572v.) que “não há

qualquer necessidade de que se goze de expertise sobre o

mercado de óleo e gás para se detectar que, no âmbito de

uma consulta ao mercado, foi promovida fixação e

manutenção de prazo extremamente exíguo para acudimento,

o que, aliado a outras circunstâncias, reduziu

sobremaneira o espectro de representatividade da ausculta

mercadológica, em benefício de determinado interessado,

que, alfim, restou contratado”.

A seguir, o Juízo apreciou outra alegação

deduzida pelas DD. Defesas de JÚLIO FAERMAN e PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO: no sentido de que as

testemunhas ouvidas, ao longo da instrução criminal,

teriam sido categóricas em afastar a ocorrência de

quaisquer irregularidades nas licitações tratadas na ação

penal, incluindo-se o caso da consulta prévia à

contratação da embarcação FPSO BRASIL.

Ao fazê-lo (fls. 3573/3574v.), o Juízo concluiu

que esta exoneração não era extraível dos relatos

testemunhais colhidos em Juízo: alguns – Maurício da

Justa Albano Aratanha e Marco Antônio Madalena -, por não

terem tido qualquer contato com a contratação então em

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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apreciação – pertinente ao FPSO BRASIL – e outros,

membros da Comissão Interna de Apuração da PETROBRÁS –

Nilton Antônio de Almeida Maia e Pedro Aramis de Lima JFRJ


Fls 1496
Arruda -, porque prestaram relatos que não afastavam as

conclusões judiciais.

Quanto a estes dois últimos, o Juízo verificou,

com base em seus expressos dizeres, que integraram

Comissão Interna de Apuração da PETROBRÁS “inicialmente

instaurada para aferição do conteúdo de certa informação

divulgada via internet, de que empregados da PETROBRÁS

teriam recebido propinas, mas que, no âmbito das

limitações inerentes a um labor como este, interno à

sociedade de economia mista, não teria sido detectada

qualquer irregularidade” (fls. 3573/3573v.).

A seguir, o Juízo, após transcrever trechos

pertinentes dos depoimentos, entendeu que a conclusão da

comissão – que apurava pagamento e recebimento de

propinas, ao contrário da Controladoria-Geral da União,

ao empreender auditoria de procedimentos prévios e

contratos -, no sentido de não terem sido identificadas

irregularidades, se justificava porque: (a) o órgão

apurador não dispunha de expertise de investigação – e

não quanto ao mercado de óleo e gás, considerada

desnecessária para o atingimento das conclusões esposadas

pela Controladoria-Geral da União – nem poderes de

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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apuração afetos aos encarregados da persecutio criminis

in iudicio; (b) tampouco dispunham seus membros da

informação de que JÚLIO FAERMAN, representante comercial JFRJ


Fls 1497
do grupo empresarial favorecido com a dilação prazal

antes identificada, havia pago vantagens indevidas a

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, ocupantes de posições, na estrutura da

paraestatal, diretamente relacionadas com a contratação e

os seus procedimentos prévios; (b) se a dilação prazal

insuficiente, por si só, não seria elemento cabalmente

comprobatório da ilicitude, esta circunstância, conectada

aos pagamentos apontados no item anterior, adquire

significado de firme assinalamento do malfeito em

apreciação.

O Juízo ainda consignou que, mesmo não tendo

sido identificadas irregularidades, a Comissão Interna de

Apuração detectou estranhezas, indicativas de ilicitudes:

(a) pagamentos de comissões, pelo grupo empresarial, a

JÚLIO FAERMAN por meio do emprego de contas registradas

em nome de sociedades offshore, no exterior, e com as

quais não possuía contratos; e (b) posse, por parte do

grupo empresarial, de documentos internos sigilosos da

PETROBRÁS.

Aferiu ainda que, segundo os depoimentos dos

integrantes do órgão de apuração, em função de tal

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quadro, foram os achados remetidos jutamente aos órgãos

de controle – Ministério Público Federal e Controladoria-

Geral da União -, para aprofundamento das apurações por JFRJ


Fls 1498
quem detinha, alfim, capacidade para tal.

Estão assim, suficientemente expostas as

conclusões judiciais e seus fundamentos, em que pese a

respeitável discordância do embargante que, no entanto,

deve ser veiculada pelo instrumento recursal próprio, não

merecendo, quanto ao ponto, acolhimento os aclaratórios

manejados.

Por fim, no item 2.2.1.5.3. (fls. 3616/3625),

após entender incomprovado o primeiro alegado

favorecimento ao Grupo SBM – formação inadequada de

parcela da remuneração devida em função da contratação da

embarcação FPSO CAPIXABA – externou o Juízo convicção no

sentido de que havia sido comprovada uma segunda forma de

favorecimento ao Grupo SBM, relativamente à contratação

em questão: incremento, por meio de aditivo contratual,

da expressão econômica da avença em extrapolação ao

limite legal.

O Juízo entendeu dessa forma pelas seguintes

razões: (a) conforme auditoria empreendida pela

Controladoria-Geral da União, foi constatado que a

PETROBRÁS, após a contratação da embarcação FPSO

CAPIXABA, necessitou empregá-la em atividades extrativas

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de hidrocarbonetos em outro local, o que demandou

adaptações e adequação da remuneração do contratado, o

Grupo SBM; (b) a alteração quantitativa do objeto JFRJ


Fls 1499
contratado se sujeitava a limitações de cunho legal, de

vinte e cinco por cento do montante original, em

atendimento a postulados constitucionais aplicáveis, e

não podia tê-las extrapolado; (c) a readequação

remuneratória empreendida pela PETROBRÁS incrementou a

expressão econômica do contrato em mais de duzentos e

cinquenta por cento; (d) houve extrapolação dos limites

legais, cujas razões apresentadas à Controladoria-Geral

da União foram improcedentes; (e) a extrapolação da

limitação é constatação de cunho objetivo-jurídico, e não

é desfeita por considerações quanto aos predicados do

Grupo SBM; (f) a sobredita extrapolação representou

favorecimento ao Grupo SBM, na medida em que incrementou

seu volume de negócios, sem necessidade de ressubmissão

da contratação a certame licitatório, sob as condições

posteriores e precedida de rescisão contratual, o que foi

tido pelo Juízo como a solução legalmente prescrita para

o caso da necessidade de readequação da atividade

extrativa, com emprego de embarcação em local diverso do

originalmente contratado, em função dso reflexos

financeiros de tal possibilidade.

A seguir, o Juízo externou convicção no sentido

de que o favorecimento identificado foi obra de PAULO

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ROBERTO BUARQUE CARNEIRO – que, como visto no item

2.2.1.5.1. (fls. 3614/3614v.), recebeu valores de JÚLIO

FAERMAN, os quais, como examinado no item 2.2.1.5.2. JFRJ


Fls 1500
(fls. 3614v./3616), tiveram relação direta com a

contratação do FPSO CAPIXABA -, como contrapartida pelos

valores que lhe foram franqueados, pelos seguintes

fundamentos: (a) pagamentos a funcionários públicos não

costumam ser atos desinteressados; (b) tendo havido

pagamentos da parte de JÚLIO FAERMAN ao empregado da

PETROBRÁS PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, e, por outro

lado, tendo havido favorecimento da parte da PETROBRÁS ao

Grupo SBM, comercialmente representado por JÚLIO FAERMAN,

é isto poderoso indício no sentido de que uma e outra

coisa estavam ligadas, como causa e efeito; (c) os

documentos pertinentes à contratação indicam que PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO integrou o órgão que negociou o

aditivo em que verificada a enorme extrapolação do limite

legal, em favorecimento ao Grupo SBM; (d) a extrapolação

era em patamar de tal monta grosseiro, que não há como se

tê-la por não tendo sido intencional; (e) a colegialidade

do órgão condutor das negociações, e que o fez em

extrapolação aos limites legais, não foi tida por

impeditiva da consideração de ter materializado a

contrapartida de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO a JÚLIO

FAERMAN, seja porque a vontade do órgão era composta

também da vontade do primeiro, seja pela ascendência

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técnica que este ali exercia, seja ainda porque nada foi

produzido no sentido de que se tenha PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO oposto à extrapolação multi referida; JFRJ


Fls 1501
(f) quando dos fatos envolvendo o FPSO CAPIXABA,

detectou-se que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO já era

remunerado ilicitamente por JÚLIO FAERMAN havia muitos

anos e havia produzido contrapartidas ilícitas,

comprovadamente, ao menos nas contratações dos FPSOs

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA e BRASIL.

A seguir, foram abordadas objeções defensivas a

tais conclusões (fls. 3622v./3625), dentre as quais a de

que os trabalhos de auditoria da Controladoria-Geral da

União tratariam “de situação hipotética (futurologia),

suscitada por membros que não possuem expertise no

mercado de óleo e gás.” (fls. 3184), deduzida por algumas

vezes, nos memoriais do embargante.

O Juízo, então (fls. 3622v./3623), após

externar convicção de que o favorecimento detectado –

negociação e posterior firmatura de aditamento contratual

que incrementou a expressão econômica da avença em

extrapolação grosseira dos limites legalmente postos –

era fato objetivo, fez consignar (fls. 3623) que “não há

qualquer necessidade de que se goze de expertise sobre o

mercado de óleo e gás para se detectar que, em sede de

aditamento contratual precedido de processo de

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negociação, foi a avença repactuada em patamares

econômicos muito superiores ao original, e em franca

superação dos limites legalmente autorizados, à luz da JFRJ


Fls 1502
normação aplicável”.

A seguir, o Juízo apreciou outra alegação

deduzida pelas DD. Defesas de JÚLIO FAERMAN e PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO: no sentido de que as

testemunhas ouvidas, ao longo da instrução criminal,

teriam sido categóricas em afastar a ocorrência de

quaisquer irregularidades nas licitações tratadas na ação

penal, incluindo-se o caso da embarcação FPSO CAPIXABA.

Ao fazê-lo (fls. 3623v./3625), o Juízo concluiu

que esta exoneração não era extraível dos relatos

testemunhais colhidos em Juízo: Marco Antônio Madalena

não teve qualquer qualquer contato com a contratação

então em apreciação – pertinente ao FPSO CAPIXABA -,

enquanto Maurício Albano da Justa Aratanha, apesar de ter

tido contato com a Comissão de Negociação de Contrato do

FPSO CAPIXABA, dela não participou quando da repactuação

em que ocorreu o favorecimento verificado; os demais,

membros da Comissão Interna de Apuração da PETROBRÁS –

Nilton Antônio de Almeida Maia e Pedro Aramis de Lima

Arruda -, prestaram relatos que não afastavam as

conclusões judiciais.

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Quanto a estes dois últimos, o Juízo verificou,

com base em seus expressos dizeres, que integraram

Comissão Interna de Apuração da PETROBRÁS “inicialmente JFRJ


Fls 1503
instaurada para aferição do conteúdo de certa informação

divulgada via internet, de que empregados da PETROBRÁS

teriam recebido propinas, mas que, no âmbito das

limitações inerentes a um labor como este, interno à

sociedade de economia mista, não teria sido detectada

qualquer irregularidade” (fls. 3624).

A seguir, o Juízo, após transcrever trechos

pertinentes dos depoimentos, entendeu que a conclusão da

comissão – que apurava pagamento e recebimento de

propina, ao contrário da Controladoria-Geral da União, ao

empreender auditoria de procedimentos prévios e contratos

-, no sentido de não terem sido identificadas

irregularidades, se justificava porque: (a) o órgão

apurador não dispunha de expertise de investigação – e

não quanto ao mercado de óleo e gás, considerada

desnecessária para o atingimento das conclusões esposadas

pela Controladoria-Geral da União – nem poderes de

apuração afetos aos encarregados da persecutio criminis

in iudicio; (b) não dispunham seus membros da informação

de que JÚLIO FAERMAN, representante comercial do grupo

empresarial favorecido com a negociação da repactuação em

extrapolação aos limites legais, antes identificada,

havia pago vantagens indevidas a PAULO ROBERTO BUARQUE

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CARNEIRO, ocupante de posição, na estrutura da

paraestatal, diretamente relacionada com a contratação

ilegalmente repactuada; (b) se a repactuação em JFRJ


Fls 1504
extrapolação aos limites legais, por si só, não seria

elemento cabalmente comprobatório do malfeito cogitado,

esta circunstância, conectada aos pagamentos apontados no

item anterior, adquire significado de seu firme

assinalamento.

O Juízo ainda consignou que, mesmo não tendo

sido identificadas irregularidades, a Comissão Interna de

Apuração detectou estranhezas, indicativas de ilicitudes:

(a) pagamentos de comissões, pelo grupo empresarial, a

JÚLIO FAERMAN por meio do emprego de contas registradas

em nome de sociedades offshore, no exterior, e com as

quais não o grupo possuía contratos; e (b) posse, por

parte do grupo empresarial, de documentos internos

sigilosos da PETROBRÁS.

Aferiu ainda que, segundo os depoimentos dos

integrantes do órgão de apuração, em função de tal

quadro, foram os achados remetidos justamente aos órgãos

de controle – Ministério Público Federal e Controladoria-

Geral da União -, para aprofundamento das apurações por

quem detinha, alfim, capacidade para tal.

Estão assim, suficientemente expostas as

conclusões judiciais e seus fundamentos, em que pese a

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respeitável discordância do embargante que, no entanto,

deve ser veiculada pelo instrumento recursal próprio, não

merecendo, quanto ao ponto, acolhimento os aclaratórios JFRJ


Fls 1505
manejados.

Detectada, assim, como improcedente a agitada

hipótese de embargabilidade, maxima venia concessa,

também quanto a este item serão os embargos inacolhidos.

II.1.1.1.5. OMISSÃO – ANÁLISE DE PROVA –

TESTEMUNHO DE MARIA JÚLIA DE CASTRO WEGELIN PARA

SOPESAMENTO DAS CONCLUSÕES PRODUZIDAS PELA CONTROLADORIA-

GERAL DA UNIÃO E PELA PETROBRÁS – ITENS 2.2.1.2.4.,

2.2.1.3.4. E 2.2.1.5.3.

Argumentou o embargante que, nos itens em

questão, teriam sido acolhidas conclusões expostas pela

Controladoria-Geral da União, para formação de convicção

quanto à ocorrência de vícios em certames realizados pela

PETROBRÁS, sob o fundamento de que sua constatação não

exigiria expertise acerca do mercado de óleo e gás; “de

forma oposta”, teriam sido refutadas conclusões da

Comissão Interna de Apuração da paraestatal, que não

teria encontrado tais vícios, sob a alegação de que não

disporia o órgão de expertise investigativa nem maiores

possibilidades de apuração.

Prosseguiu, afirmando que a análise judicial

empreendida teria deixado de levar em conta o testemunho

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de Maria Júlia de Castro Wegelin, especialmente em

relação a determinado trecho, em que esta teria dito que

os trabalhos de auditoria da Controladoria-Geral da União JFRJ


Fls 1506
ter-se-iam baseado em dados da paraestatal, que seria

quem teria expertise mercadológica relativa a suas

atividades extrativas; asseriu que tal pessoa teria

limitado “o alcance das conclusões” (fls. 3918) atingidas

pela Controladoria-Geral da União, “opondo-se

frontalmente ao posicionamento externado na r. sentença”,

pelo que requereu fosse aclarada a articulada omissão.

De plano, é possível perceber que de omissão

não se está a tratar; esta, como dito acima, só existe

quando omitido algum argumento ou elemento articulado

pela parte, na análise empreendida em sede sentencial, e

suficiente a lhe alterar o teor.

De fato, como assente jurisprudencialmente, o

juiz, ao decidir, não está obrigado a enfrentar cada

variação de redação de argumento, cada questiúncula, cada

fração de elemento de convicção constante dos autos; se

sua decisão contém as razões de seu convencimento, que o

Magistrado tem por firmes, é isto o suficiente, do ponto

de vista da higidez do ato, sendo certo que eventual

discordância da parte quanto aos critérios empregados, ou

à conclusão alcançada, deve ser veiculada por meio de

espécie recursal que franqueie a completa rediscussão do

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ato guerreado; a propósito, confira-se o ilustrativo

precedente da lavra do C. Superior Tribunal de Justiça:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO JFRJ


Fls 1507
REGIMENTAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL.

ARGUIÇÃO DE OMISSÃO DO JULGADO.

PRETENSÃO DE DISCUTIR TESE JURÍDICA EM

ABSTRATO. IMPOSSIBILIDADE. LIDE

RESOLVIDA COM ARGUMENTO SUFICIENTE PARA

MANTER O JULGADO. I - De acordo com

orientação firmada do Superior Tribunal

de Justiça, o julgador não é obrigado a

enfrentar todas as teses defensivas

suscitadas pela parte, desde que a

decisão esteja alicerçada em fundamento

suficiente para manter o julgado. II -

No caso dos autos, a aplicação do

princípio da insignificância foi

afastada com base na análise das

circunstâncias concretas do caso. III -

Embargos de declaração rejeitados.

(EDAGRESP 1332497, 5ª Turma, Rel. Min.

Regina Helena Costa, DJE 18/13/2014)

In casu, da própria argumentação do embargante,

percebe-se que discorda da conclusão judicial, que tem

por equivocada, em relação ao acolhimento de ponderações

traçadas pela Controladoria-Geral da União; entende que o

depoimento de Maria Júlia de Castro Wegelin teria

limitado “o alcance das conclusões” esposadas pelo órgão,

o que teria por fortalecedor da posição da Comissão

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Interna de Apuração da PETROBRÁS – que não encontrou

irregularidades -, “opondo-se frontalmente ao

posicionamento externado na r. sentença” (fls. 3918); em JFRJ


Fls 1508
outras palavras: quer o julgado revisto, com base em

argumentos que crê tenham idoneidade a solapar a

argumentação expendida pelo Juízo.

Cum permissa, não é intento licitamente

externável por meio da interposição de embargos de

declaração, o que leva forçosamente a seu inacolhimento.

Seja como for, a análise dos itens sentenciais

indicados permite perceber que não há qualquer omissão,

tendo sido os temas pertinentes abordados à saciedade,

como passo a expor.

No item 2.2.1.2.4. (fls. 3536v./3543v.), o

Juízo examinou se teria restado comprovado algum

favorecimento ao Grupo SBM, que pudesse ser tido como

contrapartida aos pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, correlatamente à contratação da embarcação FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA.

Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, o prazo para

entrega de propostas por interessados, no âmbito da

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licitação que precedeu a contratação pertinente ao FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, foi fixado de forma

excessivamente exígua, e, diante de pedidos de vários dos JFRJ


Fls 1509
licitantes, no sentido de se promover dilação prazal,

esta foi concedida, mas em patamar muito aquém do quanto

pedido, e mesmo do praticado em diversos outros certames,

com objetos semelhantes; (b) ainda no relatório da

Controladoria-Geral da União, foi afastada a

possibilidade de que a dilação prazal, tal como

autorizada, tenha sido resultado de circunstâncias do

certame ou da contratação; (c) a dilação prazal, tal como

deferida, beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função

de ser o único, naquele momento, com sede operativa em

território brasileiro, em detrimento dos demais

interessados; (d) as dificuldades ostentadas pelos demais

interessados eram de expresso conhecimento de quem

decidiu pela dilação prazal, pois que o tema foi exposto

por licitantes; (e) a dilação prazal, tal como

autorizada, ao passo que beneficiou o Grupo SBM, reduziu

a competitividade do certame, ferindo princípios

constitucionais regentes das contratações de entes da

Administração; (f) o favorecimento observado é fato

objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e

não é afastada por considerações quanto à parcela de

mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

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de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria se sagrado vencedor

do certame. JFRJ
Fls 1510
Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO,

percipiente dos valores pagos por JÚLIO FAERMAN,

integrava o órgão que decidiu pela dilação prazal

favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais

integrantes do colegiado decisor; (e) a colegialidade não

foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na

produção do favorecimento, pois que, além de sua

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ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

parcialmente, pela contribuição do recebedor de JFRJ


Fls 1511
vantagens; (f) não foi produzida qualquer prova de que

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no

colegiado decisor, em contrário à dilação prazal que

favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO

FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação.

No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o

Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo

SBM, pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

expostos no parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas próprias palavras, então

transcritas, PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO se havia empenhado,

no exercício de sua posição ascendente técnica e

hierarquicamente sobre os integrantes do órgão decisor,

no sentido de que se sagrasse vencedor o Grupo SBM.

Foram, então, abordadas e afastadas diversas

objeções defensivas a estas convicções (fls.

3541/3543v.), que restaram mantidas; dentre estas

alegações, estava a de que os trabalhos da Controladoria-

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Geral da União tratariam “de situação hipotética

(futurologia), suscitada por membros que não possuem

expertise no mercado de óleo e gás.” (fls. 3184), JFRJ


Fls 1512
deduzida por algumas vezes, nos memoriais do embargante.

O Juízo, então (fls. 3541/3541v.), após

externar convicção de que o favorecimento detectado –

dilação prazal insuficiente a assegurar a competitividade

do certame, em proveito do Grupo SBM e em correlato

prejuízo de todos os demais licitantes – era fato

objetivo, fez consignar (fls. 3451v.) que “não há

qualquer necessidade de que se goze de expertise sobre o

mercado de óleo e gás para se detectar que, no âmbito de

uma licitação, foi promovida limitação prazal, o que,

aliado a outras circunstâncias, reduziu o caráter

competitivo do certame, em benefício de determinado

interessado, que, alfim, restou vencedor e contratado”.

A seguir, o Juízo apreciou outra alegação

deduzida pelas DD. Defesas de JÚLIO FAERMAN e PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO: no sentido de que as

testemunhas ouvidas, ao longo da instrução criminal,

teriam sido categóricas em afastar a ocorrência de

quaisquer irregularidades nas licitações tratadas na ação

penal.

Ao fazê-lo (fls. 3541v./3543), o Juízo concluiu

que esta exoneração não era extraível dos relatos

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testemunhais colhidos em Juízo: alguns – Maurício da

Justa Albano Aratanha e Marco Antônio Madalena -, por não

terem tido qualquer contato com a contratação então em JFRJ


Fls 1513
apreciação – pertinente ao FPSO ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA – e outros, membros da Comissão Interna de

Apuração da PETROBRÁS – Nilton Antônio de Almeida Maia e

Pedro Aramis de Lima Arruda -, porque prestaram relatos

que não afastavam, em realidade, as conclusões judiciais.

Quanto a estes dois últimos, o Juízo verificou,

com base em seus expressos dizeres, que integraram

Comissão Interna de Apuração da PETROBRÁS “inicialmente

instaurada para aferição do conteúdo de certa informação

divulgada via internet, de que empregados da PETROBRÁS

teriam recebido propinas, mas que, no âmbito das

limitações inerentes a um labor como este, interno à

sociedade de economia mista, não teria sido detectada

qualquer irregularidade” (fls. 3542).

A seguir, o Juízo, após transcrever trechos

pertinentes dos depoimentos, entendeu que a conclusão da

comissão – que apurava pagamento e recebimento de

propina, ao contrário da Controladoria-Geral da União, ao

empreender auditoria de procedimentos licitatórios e

contratos -, no sentido de não terem sido identificadas

irregularidades, se justificava porque: (a) o órgão

apurador não dispunha de expertise de investigação – e

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não quanto ao mercado de óleo e gás, considerada

desnecessária para o atingimento das conclusões esposadas

pela Controladoria-Geral da União – nem poderes de JFRJ


Fls 1514
apuração afetos aos encarregados da persecutio criminis

in iudicio; (b) não dispunham seus membros da informação

de que JÚLIO FAERMAN, representante comercial do grupo

empresarial favorecido com a dilação prazal antes

identificada, havia pago vantagens indevidas a PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO,

ocupantes de posições, na estrutura da paraestatal,

diretamente relacionadas com a licitação e com a

contratação; (c) se a dilação prazal insuficiente, por si

só, não seria elemento cabalmente comprobatório do

malfeito em cogitação, esta circunstância, conectada aos

pagamentos apontados no item anterior, adquire

significado de seu firme assinalamento.

O Juízo ainda consignou que, mesmo não tendo

sido identificadas irregularidades, a Comissão Interna de

Apuração detectou estranhezas, indicativas de ilicitudes:

(a) pagamentos de comissões, pelo grupo empresarial, a

JÚLIO FAERMAN por meio do emprego de contas registradas

em nome de sociedades offshore, no exterior, e com as

quais não possuía contratos; e (b) posse, por parte do

grupo empresarial, de documentos internos sigilosos da

PETROBRÁS.

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Aferiu ainda que, segundo os depoimentos dos

integrantes do órgão de apuração, em função de tal

quadro, foram os achados remetidos justamente aos órgãos JFRJ


Fls 1515
de controle – Ministério Público Federal e Controladoria-

Geral da União -, para aprofundamento das apurações por

quem detinha, alfim, capacidade para tal.

Assim postas as coisas, o Juízo não entendeu

relevante o relato de Maria Júlia de Castro Wegelin

(termo em fls. 1704 e registro audiovisual armazenado na

mídia de fls. 1706), pois entendia assentada sua

convicção em bases suficientemente firmes; de fato,

analisando o trecho apresentado pelo embargante (fls.

3918), percebe-se que a integrante do corpo técnico da

Controladoria-Geral da União trata apenas de uma diminuta

parcela do trabalho empreendido.

Com efeito, aborda o tema da formação de

expectativa de preços, em alguns dos contratos,

especificamente quanto à rubrica “capex” como integrante

da “taxa diária de afretamento”, que foi tida pelo

Ministério Público como indevidamente dimensionada em

favor do Grupo SBM, nas contratações do FPSOs MARLIM SUL

– tratada no item sentencial 2.2.1.4. – e CAPIXABA –

tratada no item sentencial 2.2.1.5. – nada dizendo, por

conseguinte, com a contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE

DE ANCHIETA; de qualquer forma, em ambos os casos –

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MARLIM SUL e CAPIXABA - o Juízo teve a suposta atuação

indevida de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como

incomprovada, o que traz ao tema irrelevância, quanto ao JFRJ


Fls 1516
favorecimento verificado, e condizente com prazo de

oferta de propostas em certame licitatório da contratação

do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA.

Logo, longe de “limitar as conclusões do

trabalho da Controladoria-Geral da União” ou de “se opor

ao posicionamento judicial”, cum permissa, o trecho de

depoimento em questão nada diz com a dilação de prazo

insuficiente à garantia da competitividade do certame que

precedeu a contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA.

Estão assim, suficientemente expostas as

conclusões judiciais e seus fundamentos - não havendo que

se falar em omissão -, em que pese a respeitável

discordância do embargante que, no entanto, deve ser

veiculada pelo instrumento recursal próprio, não

merecendo, quanto ao ponto, acolhimento os aclaratórios

manejados.

Já no item 2.2.1.3.4. (fls. 3567v./3575) –

também objeto deste tópico recursal -, como visto

anteriormente, o Juízo examinou se teria restado

comprovado algum favorecimento ao Grupo SBM, que pudesse

ser tido como contrapartida aos pagamentos feitos por

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JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO, em relação à contratação da

embarcação FPSO BRASIL. JFRJ


Fls 1517

Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, a contratação,

efetivada sob procedimento de dispensa de certame

licitatório prévio, contemplou a realização de ausculta

mercadológica para atendimento às formalidades legalmente

exigíveis quanto à compatibilidade do preço a ser

pactuado com o quanto correntemente praticado em outras

contratações semelhantes; (b) nesta consulta aos agentes

do mercado, restou dimensionado prazo excessivamente

exíguo para manifestação de eventuais interessados, e que

foi mantido, mesmo diante de protestos de agentes do

mercado; (c) a fixação prazal, a contemplar a exiguidade

exposta, beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função

de ser o único, naquele momento, com sede operativa em

território brasileiro e que detinha experiência em

contratações semelhantes anteriores – FPSOs II e

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA -, tudo em detrimento dos

demais interessados, reduzindo a representatividade

mercadológica da ausculta e violando princípios

constitucionais reitores da atuação estatal, em sede de

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contratações da Administração; (d) a situação da

necessidade da contratação não era motivo para a

exiguidade do prazo, tendo em vista que sua firmatura JFRJ


Fls 1518
somente se deu cerca de dois meses mais tarde, tendo sido

plenamente possível que se dilatasse o prazo de

propostas, o que garantiria mais ampla representatividade

do procedimento de ausculta, e anularia o favorecimento;

(d) as dificuldades ostentadas pelos demais interessados

eram de expresso conhecimento de quem decidiu pela

fixação prazal, pois que o tema foi exposto por

interessados, ao postularem dilação; (e) o favorecimento

observado é fato objetivo, derivado das circunstâncias de

operação do Grupo SBM, distintas das pertinentes aos

concorrentes, e não é afastada por considerações quanto à

parcela de mercado detida pelo grupo empresarial ou pela

qualidade de seus produtos, e nem equivale a dizer que,

de outra forma, o grupo empresarial não teria logrado se

fazer contratado; (f) os fatos envolvendo a contratação

do FPSO BRASIL são de todo semelhantes àqueles

pertinentes à contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA, em que houve pagamentos e favorecimento

correlato.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

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seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo JFRJ


Fls 1519
havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação – no item 2.2.1.3.3. (fls. 3564v./3567v.) -,

é isto poderoso indício de que vantagens e favorecimento

foram igualmente relacionados, como causa e efeito; (c)

esta compreensão restou fortalecida pela constatação de

que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO integrava o órgão que

decidiu pela fixação prazal favorecedora do Grupo SBM, no

qual, por sua reconhecida expertise na tecnologia

empregada na contratação, ostentava posição de

ascendência técnica sobre os demais integrantes do

colegiado decisor; (d) a colegialidade não foi tida por

impeditiva à consideração da atuação de PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO como determinante na produção do

favorecimento, pois que, além de sua ascendência técnica

sobre os demais, a vontade do órgão – que favoreceu o

Grupo SBM – foi formada, ao menos parcialmente, pela

contribuição do recebedor das vantagens; (e) não foi

produzida qualquer prova de que PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO se tivesse posicionado, no colegiado decisor, em

contrário à fixação prazal que favoreceu o grupo

representado comercialmente por JÚLIO FAERMAN, que lhe

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pagou valores em conexão à contratação; (f) a existência

de eventuais outros corresponsáveis não afastaria a

contribuição de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO na JFRJ


Fls 1520
formação dos resultados examinados.

No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o

Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo SBM

pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

objeto do parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas próprias palavras, então

transcritas, PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO manejava posição

ascendente técnica e hierarquicamente sobre os

integrantes do órgão decisor, que foi tida como

determinante para a formação do contrato, tendo sido por

ele iniciado o projeto e “concluído pela sua equipe”

(fls. 3572).

Na sequência, o Juízo apreciou objeções

defensivas às conclusões então lançadas (fls. 3572/3575),

dentre as quais a asserção, ventilada pela D. Defesa do

embargante, quando de seus memoriais, no sentido de que

os trabalhos de auditoria da Controladoria-Geral da União

tratariam “de situação hipotética (futurologia),

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suscitada por membros que não possuem expertise no

mercado de óleo e gás.” (fls. 3184).

JFRJ
O Juízo, então (fls. 3572/3573), após externar
Fls 1521
convicção de que o favorecimento detectado – dilação

prazal insuficiente a assegurar a representatividade de

mercado do procedimento prévio de ausculta, em proveito

do Grupo SBM e em correlato prejuízo de todos os demais

interessados – era fato objetivo, fez consignar (fls.

3572v.) que “não há qualquer necessidade de que se goze

de expertise sobre o mercado de óleo e gás para se

detectar que, no âmbito de uma consulta ao mercado, foi

promovida fixação e manutenção de prazo extremamente

exíguo para acudimento, o que, aliado a outras

circunstâncias, reduziu sobremaneira o espectro de

representatividade da ausculta mercadológica, em

benefício de determinado interessado, que, alfim, restou

contratado”.

A seguir, o Juízo apreciou outra alegação

deduzida pelas DD. Defesas de JÚLIO FAERMAN e PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO: no sentido de que as

testemunhas ouvidas, ao longo da instrução criminal,

teriam sido categóricas em afastar a ocorrência de

quaisquer irregularidades nas licitações tratadas na ação

penal, incluindo-se o caso da consulta prévia à

contratação da embarcação FPSO BRASIL.

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Ao fazê-lo (fls. 3573/3574v.), o Juízo concluiu

que esta exoneração não era extraível dos relatos

testemunhais colhidos em Juízo: alguns – Maurício da JFRJ


Fls 1522
Justa Albano Aratanha e Marco Antônio Madalena -, por não

terem tido qualquer contato com a contratação então em

apreciação – pertinente ao FPSO BRASIL – e outros,

membros da Comissão Interna de Apuração da PETROBRÁS –

Nilton Antônio de Almeida Maia e Pedro Aramis de Lima

Arruda -, porque prestaram relatos que, em realidade, não

afastavam as conclusões judiciais.

Quanto a estes dois últimos, o Juízo verificou,

com base em seus expressos dizeres, que integraram

Comissão Interna de Apuração da PETROBRÁS “inicialmente

instaurada para aferição do conteúdo de certa informação

divulgada via internet, de que empregados da PETROBRÁS

teriam recebido propinas, mas que, no âmbito das

limitações inerentes a um labor como este, interno à

sociedade de economia mista, não teria sido detectada

qualquer irregularidade” (fls. 3573/3573v.).

A seguir, o Juízo, após transcrever trechos

pertinentes dos depoimentos, entendeu que a conclusão da

comissão – que apurava pagamento e recebimento de

propinas, ao contrário da Controladoria-Geral da União,

ao empreender auditoria de procedimentos prévios e

contratos em busca de irregularidades em sua condução -,

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no sentido de não terem sido identificadas ilicitudes, se

justificava porque: (a) o órgão apurador não dispunha de

expertise de investigação – e não quanto ao mercado de JFRJ


Fls 1523
óleo e gás, considerada pelo Juízo desnecessária para o

atingimento das conclusões esposadas pela Controladoria-

Geral da União – nem poderes de apuração afetos aos

encarregados da persecutio criminis in iudicio; (b) não

dispunham da informação de que JÚLIO FAERMAN,

representante comercial do grupo empresarial favorecido

com a dilação prazal antes identificada, havia pago

vantagens indevidas a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, ocupantes de posições, na

estrutura da paraestatal, diretamente relacionadas com a

contratação e os seus procedimentos prévios; (c) se a

dilação prazal insuficiente, por si só, não seria

elemento cabalmente comprobatório do malfeito, esta

circunstância, conectada aos pagamentos apontados no item

anterior, adquire significado de seu firme assinalamento.

O Juízo ainda consignou que, mesmo não tendo

sido identificadas irregularidades, a Comissão Interna de

Apuração detectou estranhezas, indicativas de ilicitudes:

(a) pagamentos de comissões, pelo grupo empresarial, a

JÚLIO FAERMAN, por meio do emprego de contas registradas

em nome de sociedades offshore, no exterior, e com as

quais não possuía contratos; e (b) posse, por parte do

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grupo empresarial, de documentos internos sigilosos da

PETROBRÁS.

JFRJ
Aferiu ainda que, segundo os depoimentos dos
Fls 1524
integrantes do órgão de apuração, em função de tal

quadro, foram os achados remetidos justamente aos órgãos

de controle – Ministério Público Federal e Controladoria-

Geral da União -, para aprofundamento das apurações por

quem detinha, alfim, capacidade para tal.

Assim postas as coisas, o Juízo não entendeu

relevante o relato de Maria Júlia de Castro Wegelin

(termo em fls. 1704 e registro audiovisual armazenado na

mídia de fls. 1706), pois entendia assentada sua

convicção em bases suficientemente firmes; de fato,

analisando o trecho apresentado pelo embargante (fls.

3918), percebe-se que a integrante do corpo técnico da

Controladoria-Geral da União trata apenas de uma diminuta

parcela do trabalho empreendido.

Aborda o tema da formação de expectativa de

preços, em alguns dos contratos, especificamente quanto à

rubrica “capex” como integrante da “taxa diária de

afretamento”, que foi tida pelo Ministério Público como

indevidamente dimensionada em favor do Grupo SBM, nas

contratações do FPSOs MARLIM SUL – tratada no item

sentencial 2.2.1.4. – e CAPIXABA – tratada no item

sentencial 2.2.1.5. – nada dizendo quanto à contratação

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do FPSO BRASIL; em ambas as contratações, em todo caso, o

Juízo teve a suposta atuação indevida de PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO como incomprovada, tema que, de mais a JFRJ


Fls 1525
mais, nada tem a ver com dilação prazal em procedimento

de ausculta mercadológica prévia a contratação outra.

Logo, longe de “limitar as conclusões do

trabalho da Controladoria-Geral da União” ou de “se opor

ao posicionamento judicial”, cum permissa, o trecho de

depoimento em questão nada diz com o dimensionamento de

prazo inadequado para acudimento, que reduziu o espectro

de representatividade de procedimento de ausculta

mercadológica, prévio à contratação do FPSO BRASIL.

Estão assim, suficientemente expostas as

conclusões judiciais e seus fundamentos, em que pese a

respeitável discordância do embargante que, no entanto,

deve ser veiculada pelo instrumento recursal próprio, não

merecendo, quanto ao ponto, acolhimento os aclaratórios

manejados.

Por fim, no item 2.2.1.5.3. (fls. 3616/3625),

após entender por incomprovado o primeiro alegado

favorecimento ao Grupo SBM – formação inadequada de

parcela da remuneração devida em função da contratação da

embarcação FPSO CAPIXABA – externou o Juízo convicção no

sentido de que havia sido comprovada uma segunda forma de

favorecimento ao Grupo SBM, relativamente à contratação

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em questão: incremento, por meio de aditivo contratual,

da expressão econômica do contrato em extrapolação ao

limite legal. JFRJ


Fls 1526
O Juízo entendeu dessa forma pelas seguintes

razões: (a) conforme auditoria empreendida pela

Controladoria-Geral da União, foi constatado que a

PETROBRÁS, após a contratação da embarcação FPSO

CAPIXABA, necessitou empregá-la em atividades extrativas

de hidrocarbonetos em outro local, o que demandou

adaptações e adequação da remuneração do contratado, o

Grupo SBM; (b) a alteração quantitativa do objeto

contratado se sujeitava a limitações de cunho legal,

fixadas em vinte e cinco por cento do montante original,

em atendimento a postulados constitucionais aplicáveis, e

não podia tê-los extrapolado; (c) a readequação

remuneratória empreendida pela PETROBRÁS incrementou a

expressão econômica do contrato em mais de duzentos e

cinquenta por cento; (d) houve extrapolação dos limites

legais, cujas razões apresentadas à Controladoria-Geral

da União foram tidas corretamente como improcedentes; (e)

a extrapolação da limitação é constatação de cunho

objetivo-jurídico, e não é desfeita por considerações

quanto aos predicados do Grupo SBM; (f) a sobredita

extrapolação representou favorecimento ao Grupo SBM, na

medida em que incrementou seu volume de negócios, sem

necessidade de ressubmissão da contratação a certame

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licitatório, sob as condições posteriores e precedida de

rescisão contratual, o que foi tido pelo Juízo como a

solução legalmente prescrita para o caso da necessidade JFRJ


Fls 1527
de readequação da atividade extrativa, com emprego de

embarcação em local diverso do originalmente contratado,

em vista da necessidade de redimensionamento

remuneratório que sobejava aos limites legalmente postos.

A seguir, o Juízo externou convicção no sentido

de que o favorecimento identificado foi obra de PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO – que, como visto no item

2.2.1.5.1. (fls. 3614/3614v.), recebeu valores de JÚLIO

FAERMAN, os quais, como examinado no item 2.2.1.5.2.

(fls. 3614v./3616), tiveram relação direta com a

contratação do FPSO CAPIXABA -, como contrapartida pelos

valores que lhe foram franqueados, pelos seguintes

fundamentos: (a) pagamentos a funcionários públicos não

costumam ser atos desinteressados; (b) tendo havido

pagamentos da parte de JÚLIO FAERMAN ao empregado da

PETROBRÁS PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, e, por outro

lado, tendo havido favorecimento da parte da PETROBRÁS ao

Grupo SBM, comercialmente representado por JÚLIO FAERMAN,

é isto poderoso indício no sentido de que uma e outra

coisa estavam ligadas, como causa e efeito; (c) os

documentos pertinentes à contratação indicam que PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO integrou o órgão que negociou o

aditivo em que verificada a enorme extrapolação do limite

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legal, em favorecimento ao Grupo SBM; (d) a extrapolação

era em patamar de tal monta grosseiro, que não há como se

tê-la por não tendo sido intencional; (e) a colegialidade JFRJ


Fls 1528
do órgão condutor das negociações, e que o fez em

extrapolação aos limites legais, não foi tida por

impeditiva da consideração de ter materializado a

contrapartida de PAULO ROBERTON BUARQUE CARNEIRO a JÚLIO

FAERMAN, seja porque a vontade do órgão era composta

também da vontade do primeiro, seja pela ascendência

técnica que este ali exercia, relativamente aos demais

membros, seja ainda porque nada foi produzido no sentido

de que tenha PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se oposto à

extrapolação multi referida; (f) quando dos fatos

envolvendo o FPSO CAPIXABA, detectou-se que PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO já era remunerado ilicitamente por JÚLIO

FAERMAN havia muitos anos e havia produzido

contrapartidas ilícitas, comprovadamente, ao menos nas

contratações dos FPSOs ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA e

BRASIL.

A seguir, foram abordadas objeções defensivas a

tais conclusões (fls. 3622v./3625), dentre as quais a de

que os trabalhos de auditoria da Controladoria-Geral da

União tratariam “de situação hipotética (futurologia),

suscitada por membros que não possuem expertise no

mercado de óleo e gás.” (fls. 3184), deduzida por algumas

vezes, nos memoriais do embargante.

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O Juízo, então (fls. 3622v./3623), após

externar convicção de que o favorecimento detectado –

negociação e posterior firmatura de aditamento contratual JFRJ


Fls 1529
que incrementou a expressão econômica da avença em

extrapolação grosseira dos limites legalmente postos –

era fato objetivo, fez consignar (fls. 3623) que “não há

qualquer necessidade de que se goze de expertise sobre o

mercado de óleo e gás para se detectar que, em sede de

aditamento contratual precedido de processo de

negociação, foi a avença repactuada em patamares

econômicos muito superiores ao original, e em franca

superação dos limites legalmente autorizados, à luz da

normação aplicável”.

A seguir, o Juízo apreciou outra alegação

deduzida pelas DD. Defesas de JÚLIO FAERMAN e PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO: no sentido de que as

testemunhas ouvidas, ao longo da instrução criminal,

teriam sido categóricas em afastar a ocorrência de

quaisquer irregularidades nas licitações tratadas na ação

penal, incluindo-se o caso da embarcação FPSO CAPIXABA.

Ao fazê-lo (fls. 3623v./3625), o Juízo concluiu

que esta exoneração não era, em realidade, extraível dos

relatos testemunhais colhidos em Juízo: Marco Antônio

Madalena não teve qualquer qualquer contato com a

contratação então em apreciação – pertinente ao FPSO

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CAPIXABA -, enquanto Maurício Albano da Justa Aratanha,

apesar de ter tido contato com a Comissão de Negociação

de Contrato do FPSO CAPIXABA, dela não participou quando JFRJ


Fls 1530
da repactuação, em que ocorreu o favorecimento

verificado; os demais, membros da Comissão Interna de

Apuração da PETROBRÁS – Nilton Antônio de Almeida Maia e

Pedro Aramis de Lima Arruda -, prestaram relatos que não

afastavam as conclusões judiciais.

Quanto a estes dois últimos, o Juízo verificou,

com base em seus expressos dizeres, que integraram

Comissão Interna de Apuração da PETROBRÁS “inicialmente

instaurada para aferição do conteúdo de certa informação

divulgada via internet, de que empregados da PETROBRÁS

teriam recebido propinas, mas que, no âmbito das

limitações inerentes a um labor como este, interno à

sociedade de economia mista, não teria sido detectada

qualquer irregularidade” (fls. 3624).

A seguir, o Juízo, após transcrever trechos

pertinentes dos depoimentos, entendeu que a conclusão da

comissão – que apurava pagamento e recebimento de

propinas, ao contrário da Controladoria-Geral da União,

ao empreender auditoria de procedimentos prévios e

contratos para aferir incorreções -, no sentido de não

terem sido identificadas irregularidades, se justificava

porque: (a) o órgão apurador não dispunha de expertise de

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investigação – e não quanto ao mercado de óleo e gás,

considerada desnecessária para o atingimento das

conclusões esposadas pela Controladoria-Geral da União – JFRJ


Fls 1531
nem poderes de apuração afetos aos encarregados da

persecutio criminis in iudicio; (b) não dispunham seus

membros da informação de que JÚLIO FAERMAN, representante

comercial do grupo empresarial favorecido com a

negociação e repactuação em extrapolação aos limites

legais, antes identificada, havia pago vantagens

indevidas a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, ocupante de

posição, na estrutura da paraestatal, diretamente

relacionada com a repactuação; (c) se a repactuação em

extrapolação aos limites legais, por si só, não seria

elemento cabalmente comprobatório do malfeito, esta

circunstância, conectada aos pagamentos apontados no item

anterior, adquire significado de seu firme assinalamento.

O Juízo ainda consignou que, mesmo não tendo

sido identificadas irregularidades, a Comissão Interna de

Apuração detectou estranhezas, indicativas de ilicitudes:

(a) pagamentos de comissões, pelo grupo empresarial, a

JÚLIO FAERMAN por meio do emprego de contas registradas

em nome de sociedades offshore, no exterior, e com as

quais não possuía contratos; e (b) posse, por parte do

grupo empresarial, de documentos internos sigilosos da

PETROBRÁS.

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Aferiu ainda que, segundo os depoimentos dos

integrantes do órgão de apuração, em função de tal

quadro, foram os achados remetidos justamente aos órgãos JFRJ


Fls 1532
de controle – Ministério Público Federal e Controladoria-

Geral da União -, para aprofundamento das apurações por

quem detinha, alfim, capacidade para tal.

Assim postas as coisas, o Juízo não entendeu

relevante o relato de Maria Júlia de Castro Wegelin

(termo em fls. 1704 e registro audiovisual armazenado na

mídia de fls. 1706), pois viu assentada sua convicção em

bases suficientemente firmes; de fato, analisando o

trecho apresentado pelo embargante (fls. 3918), percebe-

se que a integrante do corpo técnico da Controladoria-

Geral da União trata apenas de uma diminuta parcela do

trabalho empreendido.

Aborda o tema da formação de expectativa de

preços, em alguns dos contratos, especificamente quanto à

rubrica “capex” como integrante da “taxa diária de

afretamento”, que foi tida pelo Ministério Público como

indevidamente dimensionada em favor do Grupo SBM, nas

contratações do FPSOs MARLIM SUL – tratada no item

sentencial 2.2.1.4. – e CAPIXABA – tratada no item

sentencial 2.2.1.5.; em ambos os casos, no entanto, o

Juízo teve a suposta atuação indevida de PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO como incomprovada.

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E, como visto acima, o favorecimento

identificado na contratação do FPSO CAPIXABA teve a ver

com a extrapolação dos limites legais do incremento de JFRJ


Fls 1533
sua expressão econômica, em sede de repactuação – e não

com a formação incorreta e ruinosa de determinada parcela

da remuneração, na pactuação original; o trecho do

relato, portanto, não tem relação com o favorecimento

tido por comprovado na contratação do FPSO CAPIXABA.

Com efeito, longe de “limitar as conclusões do

trabalho da Controladoria-Geral da União” ou de “se opor

ao posicionamento judicial”, o trecho de depoimento em

questão, cum permissa, nada diz com a repactuação da

avença em extrapolação aos limites legais.

Estão assim, suficientemente expostas as

conclusões judiciais e seus fundamentos, em que pese a

respeitável discordância do embargante que, no entanto,

deve ser veiculada pelo instrumento recursal próprio, não

merecendo, quanto ao ponto, acolhimento os aclaratórios

manejados.

Detectada, assim, como improcedente a agitada

hipótese de embargabilidade, maxima venia concessa,

também quanto a este tópico recursal serão os embargos

inacolhidos.

II.1.1.1.6. OBSCURIDADE – VALORAÇÃO DE

ELEMENTOS CIRCUNSTANCIAIS – SOPESAMENTO DE SUPOSTAS

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FALHAS EM LICITAÇÕES – ITENS 2.2.1.2.4., 2.2.1.3.4. E

2.2.1.5.3.

JFRJ
Articulou o embargante que, nos itens
Fls 1534
sentenciais indicados, o Juízo teria entendido pela

ocorrência de favorecimentos irregulares ao Grupo SBM, e

teria apontado as posições profissionais que teriam sido

ocupadas por PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, como

elemento a lhe conectar a tais episódios de ilicitudes;

prosseguiu, afirmando que o Juízo teria rechaçado tese

defensiva, no sentido da ausência de ingerência de PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO sobre os certames em questão -

que teria sido comprovada, a seu sentir, em função da

constatação de que, em outras licitações, o Grupo SBM não

teria se sagrado vencedor -, por ter entendido que as

falhas apontadas seriam de natureza objetiva.

Articulou que a posição profissional de PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO seria o único elemento a lhe

conectar às ilicitudes, e que a alegação defensiva não

teria se destinado a afastar a ocorrência do

favorecimento, mas à convicção acerca da ligação entre

este e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO.

Desfechou que “do aludido trecho, com todo

acatamento, não se ostenta possível identificar se a

fundamentação, de fato, se debruça sobre o ponto objeto

da defesa ou se, porventura, teria abordado assunto

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transverso” (fls. 3920/3921), e postulou aclaramento da

situação.

JFRJ
De plano, é possível perceber, data maxima
Fls 1535
venia, que não há, em realidade, obscuridade; a partir da

própria argumentação do embargante, vê-se que discorda do

critério de julgamento, e a “obscuridade”, em realidade,

é sua tentativa de contra-argumentar, opondo-se ao quanto

exposto pelo Juízo.

Isto porque entende que o Juízo teria

considerado sua argumentação – no sentido de que não

teria tido PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO ingerência

sobre os órgãos em que entendeu o Juízo ocorrido o

favorecimento ao Grupo SBM, o que seria comprovável por

licitações outras em que o grupo não teria se sagrado

vencedor e contratado – de maneira equivocada.

O equívoco – em que evidentemente entende o

embargante teria o Juízo incorrido – seria porque,

enquanto o Juízo teria rechaçado a tese defensiva, sob

argumento de que o vício encontrado seria de natureza

objetiva e não afastável por considerações pertinentes a

outros procedimentos licitatórios, dizendo, assim, com a

existência do favorecimento, a articulação defensiva, de

seu turno, teria se destinado a realçar que não teria

havido comprovação da ligação entre PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO e o favorecimento ao Grupo SBM identificado,

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que, a seu sentir, teria sido aferida positivamente pelo

Juízo com base apenas na posição profissional do

funcionário. JFRJ
Fls 1536
Nas próprias palavras do embargante (fls.

3921): “Nesse contexto, a demonstração de que a referida

posição profissional seria incapaz de prover-lhe poderes

de interferir nos contratos não se destina a fulminar a

ocorrência dos vícios, mas o vínculo entre estes e o

funcionário.”

Logo, se há discordância, há, em realidade,

compreensão do julgado, e dissenso quanto aos fundamentos

então agitados, o que nem de longe equivale a que haja

obscuridade a reclamar sanação, e, consequentemente, que

mereçam provimento os aclaratórios manejados.

De mais a mais, observando os itens apontados

como padecedores de vício, percebe-se que a eiva, em

verdade e maxima venia concessa, inexiste, como passo a

expor.

No item 2.2.1.2.4. (fls. 3536v./3543v.) o Juízo

examinou se teria restado comprovado algum favorecimento

ao Grupo SBM, que pudesse ser tido como contrapartida aos

pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, aferidos

positivamente nos itens 2.2.1.2.1. e 2.2.1.2.2., e que se

relacionavam à contratação da embarcação FPSO

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ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, como verificado no item

2.2.1.2.3..

JFRJ
Concluiu, em primeiro lugar, que houve
Fls 1537
favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, o prazo para

entrega de propostas por interessados, no âmbito da

licitação que precedeu a contratação pertinente ao FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, foi fixado de forma

excessivamente exígua, e, diante de pedidos de vários dos

licitantes, no sentido de se promover dilação prazal,

esta foi concedida, mas em patamar muito aquém do quanto

pedido, e mesmo do que praticado em diversos outros

certames, com objetos semelhantes; (b) ainda no relatório

da Controladoria-Geral da União foi afastada a

possibilidade de que a dilação prazal, tal como

autorizada, tenha sido resultado de circunstâncias do

certame ou da contratação; (c) a dilação prazal, tal como

deferida, beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função

de ser o único, naquele momento, com sede operativa em

território brasileiro, em detrimento dos demais

interessados; (d) as dificuldades ostentadas pelos demais

interessados eram de expresso conhecimento de quem

decidiu pela dilação prazal, pois que o tema foi exposto

por licitantes; (e) a dilação prazal, tal como

autorizada, ao passo que beneficiou o Grupo SBM, reduziu

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a competitividade do certame, ferindo princípios

constitucionais regentes das contratações de entes da

Administração; (f) o favorecimento observado é fato JFRJ


Fls 1538
objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e

não é afastada por considerações quanto à parcela de

mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria se sagrado vencedor

do certame.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO,

percipiente dos valores pagos por JÚLIO FAERMAN,

integrava o órgão que decidiu pela dilação prazal

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favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais JFRJ


Fls 1539
integrantes do colegiado decisor; (d) a colegialidade não

foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na

produção do favorecimento, pois que, além de sua

ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

parcialmente, pela contribuição do recebedor das

vantagens; (e) não foi produzida qualquer prova de que

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no

colegiado decisor, em contrário à dilação prazal que

favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO

FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação;

máxima vênia concessa, nem de longe o Juízo o teve

conectado aos fatos em questão apenas por sua posição

profissional.

Foi também exposta a vinculação de PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO ao favorecimento em questão (fls.

3539v./3540v.), tema que, entretanto, não tem relação com

o tópico recursal em apreciação.

Foram, então, abordadas e afastadas diversas

objeções defensivas a estas convicções (fls.

3541/3543v.), que restaram mantidas; dentre estas, estava

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a de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO não poderia ter

intervindo em favor do Grupo SBM, o que seria comprovado

pelo fato de que o grupo empresarial em análise não teria JFRJ


Fls 1540
logrado se sagrar vencedor em certames outros, mesmo com

atuação de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO nos pertinentes

órgãos decisórios (fls. 3543/3543v.).

Este rechaço se deu pela consideração de que o

favorecimento foi verificado, como fato objetivo, tal

como comprovado no Relatório de Auditoria, da lavra da

Controladoria-Geral da União.

Estão assim, suficientemente expostas as

conclusões judiciais e seus fundamentos - não havendo que

se falar em obscuridade -, em que pese a respeitável

discordância do embargante que, no entanto, deve ser

veiculada pelo instrumento recursal próprio, não

merecendo, quanto ao ponto, acolhimento os aclaratórios

manejados.

De mais a mais, e com a devida venia ao

Brilhante Patrono que capitaneia a D. Defesa do

embargante, a obscuridade inexiste também porque a tese

defensiva articulada – impacto, sobre os fatos em

apuração, do quanto transcorrido em outros certames - não

foi direcionada, em sede de memoriais, contra a ligação

entre PAULO ROPBERTO BUARQUE CARNEIRO e o favorecimento,

mas contra a existência de favorecimento em si.

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Como se percebe da leitura do apropriado trecho

(fls. 3179/3183), incluído no item “I.11. Da verdade

material a partir das provas produzidas na instrução JFRJ


Fls 1541
processual”, subitem “I.11.b. Não houve fraude ou sobre-

preço nas licitações vencidas pela SBM. Todos os certames

foram realizados de forma competitiva, sem

favorecimentos”, após atacar as conclusões da

Controladoria-Geral da União e asseverar que, a seu

sentir, as testemunhas ouvidas nos autos teriam prestado

relatos comprobatórios da lisura dos certames

relacionados aos fatos objeto desta ação penal, o

embargante argumenta que determinadas planilhas

reforçariam suas alegações, e diz (fls. 3180):

“Nessas planilhas, fica demonstrado que

os pagamentos não eram capazes de

direcionar os resultados dos certames.

Senão, como explicar o fato de que a SBM

perdeu inúmeras disputas, inclusive em

licitações que tiveram a participação de

PAULO CARNEIRO?”

Outrossim, a ausência de capacidade de PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO para intervir no curso do

certame e do contrato, em função da colegialidade dos

órgãos condutores dos procedimentos e da pretensa

ausência de poderes decisórios que lhes fossem cometidos,

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foi analisada de forma igualmente adequada (fls.

3538/3539v. e fls. 3541v.).

JFRJ
Não há, conseguintemente, qualquer obscuridade
Fls 1542
– ou mesmo omissão de tese defensiva -, a reclamar

corrigenda, sendo ainda certo que a discordância do

embargante quanto à apreciação judicial dos fatos e

provas deve ser veiculada a quem de Direito, pelo manejo

do instrumento recursal adequado, cum permissa, que não é

o dos embargos declaratórios.

Já no item 2.2.1.3.4. (fls. 3567v./3575) –

também objeto deste tópico recursal -, como visto

anteriormente, o Juízo examinou se teria restado

comprovado algum favorecimento ao Grupo SBM, que pudesse

ser tido como contrapartida aos pagamentos feitos por

JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO – aferidos positivamente nos itens

2.2.1.3.1. e 2.2.1.3.2. -, com constatada relação com a

contratação da embarcação FPSO BRASIL, tal como apreciado

no item 2.2.1.3.3..

Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, a contratação,

efetivada sob procedimento de dispensa de certame

licitatório prévio, contemplou a realização de ausculta

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mercadológica para atendimento às formalidades legalmente

exigíveis quanto à compatibilidade do preço a ser

pactuado com o quanto correntemente praticado; (b) nesta JFRJ


Fls 1543
consulta aos agentes do mercado, restou dimensionado

prazo excessivamente exíguo para manifestação de

eventuais interessados, e que foi mantido, mesmo diante

de protestos de possíveis respondentes ao chamamento; (c)

a fixação prazal, a contemplar a exiguidade exposta,

beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função de ser o

único, naquele momento, com sede operativa em território

brasileiro e que detinha experiência em contratações

semelhantes anteriores – FPSOs II e ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA -, tudo em detrimento dos demais interessados,

reduzindo a representatividade mercadológica da ausculta

e violando princípios constitucionais reitores da atuação

estatal, em sede de contratações da Administração; (d) a

situação da necessidade da contratação não era motivo

para a exiguidade do prazo, tendo em vista que sua

firmatura somente se deu cerca de dois meses mais tarde,

tendo sido plenamente possível que se dilatasse o prazo

de propostas, o que garantiria mais ampla

representatividade ao procedimento, e anularia o

favorecimento; (d) as dificuldades ostentadas pelos

demais interessados eram de expresso conhecimento de quem

decidiu pela fixação prazal, pois que o tema foi exposto

por interessados, ao postularem dilação; (e) o

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favorecimento observado é fato objetivo, derivado das

circunstâncias de operação do Grupo SBM, distintas das

pertinentes aos concorrentes, e não é afastada por JFRJ


Fls 1544
considerações quanto à parcela de mercado detida pelo

grupo empresarial ou pela qualidade de seus produtos, e

nem equivale a dizer que, de outra forma, o grupo

empresarial não teria logrado se fazer contratado; (f) os

fatos envolvendo a contratação do FPSO BRASIL são de todo

semelhantes àqueles pertinentes à contratação do FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, em que houve pagamentos e

favorecimento correlato.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação – no item 2.2.1.3.3. (fls. 3564v./3567v.) -,

é isto poderoso indício de que vantagens e favorecimento

foram igualmente relacionados, como causa e efeito; (c)

esta compreensão restou fortalecida pela constatação de

que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO integrava o órgão que

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decidiu pela fixação prazal favorecedora do Grupo SBM, no

qual, por sua reconhecida expertise na tecnologia

empregada na contratação, ostentava posição de JFRJ


Fls 1545
ascendência técnica sobre os demais integrantes do

colegiado decisor; (d) a colegialidade não foi tida por

impeditiva à consideração da atuação de PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO como determinante na produção do

favorecimento, pois que, além de sua ascendência técnica

sobre os demais, a vontade do órgão – que favoreceu o

Grupo SBM – foi formada, ao menos parcialmente, pela

contribuição do recebedor de vantagens; (e) não foi

produzida qualquer prova de que PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO se tivesse posicionado, no colegiado decisor, em

contrário à fixação prazal que favoreceu o grupo

representado comercialmente por JÚLIO FAERMAN, que lhe

pagou valores em conexão à contratação; (f) a existência

de eventuais outros corresponsáveis não afastaria a

contribuição de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO na

formação dos resultados examinados; maxima venia

concessa, nem de longe o Juízo o teve conectado aos fatos

em questão apenas por sua posição profissional.

Foi também exposta a vinculação de PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO ao favorecimento em questão (fls.

3571/3572), tema que, entretanto, não tem relação com o

tópico recursal em apreciação.

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Foram, então, abordadas e afastadas diversas

objeções defensivas a estas convicções (fls. 3572/3575),

que restaram mantidas; dentre estas, estava a de que JFRJ


Fls 1546
PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO não poderia ter intervindo

em favor do Grupo SBM, o que seria comprovado pelo fato

de que o grupo empresarial em análise não teria logrado

se sagrar vencedor em certames outros, mesmo com atuação

de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO nos pertinentes órgãos

decisórios (fls. 3574v.).

Este rechaço se deu pela consideração de que o

favorecimento foi verificado, como fato objetivo, tal

como comprovado no Relatório de Auditoria, da lavra da

Controladoria-Geral da União.

Estão assim, suficientemente expostas as

conclusões judiciais e seus fundamentos - não havendo que

se falar em obscuridade -, em que pese a respeitável

discordância do embargante que, no entanto, deve ser

veiculada pelo instrumento recursal próprio, não

merecendo, quanto ao ponto, acolhimento os aclaratórios

manejados.

De mais a mais, e com a devida venia ao

Brilhante Patrono que capitaneia a D. Defesa do

embargante, a obscuridade inexiste também porque a tese

defensiva articulada – impacto, sobre os fatos em

apuração, de outros certames - não foi direcionada, em

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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sede de memoriais, contra a ligação entre PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO e o favorecimento, mas contra a

existência de favorecimento em si. JFRJ


Fls 1547
Como se percebe da leitura do apropriado trecho

(fls. 3179/3183), incluído no item “I.11. Da verdade

material a partir das provas produzidas na instrução

processual”, subitem “I.11.b. Não houve fraude ou sobre-

preço nas licitações vencidas pela SBM. Todos os certames

foram realizados de forma competitiva, sem

favorecimentos”, após atacar as conclusões da

Controladoria-Geral da União e asseverar que, a seu

sentir, as testemunhas ouvidas nos autos teriam prestado

relatos comprobatórios da lisura dos certames

relacionados aos fatos objeto desta ação penal, o

embargante argumenta que determinadas planilhas

reforçariam suas alegações, e diz (fls. 3180):

“Nessas planilhas, fica demonstrado que

os pagamentos não eram capazes de

direcionar os resultados dos certames.

Senão, como explicar o fato de que a SBM

perdeu inúmeras disputas, inclusive em

licitações que tiveram a participação de

PAULO CARNEIRO?”

Outrossim, a ausência de capacidade de PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO para intervir no curso do

procedimento de ausculta mercadológica e do contrato, em

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função da colegialidade dos órgãos condutores dos

procedimentos e da pretensa ausência de poderes

decisórios que lhes fossem cometidos, foi analisada de JFRJ


Fls 1548
forma igualmente adequada (fls. 3570v./3571 e fls. 3573).

Não há, conseguintemente, qualquer obscuridade

– ou mesmo omissão de tese defensiva -, a reclamar

corrigenda, sendo ainda certo que a discordância do

embargante quanto à apreciação judicial dos fatos e

provas deve ser veiculada a quem de Direito, pelo manejo

do instrumento recursal adequado, cum permissa, que não é

o dos embargos declaratórios.

Por fim, no item 2.2.1.5.3. (fls. 3616/3625),

após entender por incomprovado o primeiro alegado

favorecimento ao Grupo SBM – formação inadequada de

parcela da remuneração devida em função da contratação da

embarcação FPSO CAPIXABA – externou o Juízo convicção no

sentido de que havia sido comprovada uma segunda forma de

favorecimento ao Grupo SBM, relativamente à contratação

em questão: incremento, por meio de aditivo contratual,

da expressão econômica do contrato em extrapolação ao

limite legal.

O Juízo entendeu dessa forma pelas seguintes

razões: (a) conforme auditoria empreendida pela

Controladoria-Geral da União, foi constatado que a

PETROBRÁS, após a contratação da embarcação FPSO

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CAPIXABA, necessitou empregá-la em atividades extrativas

de hidrocarbonetos em outro local, o que demandou

adaptações e readequação da remuneração do contratado, o JFRJ


Fls 1549
Grupo SBM; (b) a alteração quantitativa do objeto

contratado se sujeitava a limitações de cunho legal,

fixadas em vinte e cinco por cento do montante original,

em atendimento a postulados constitucionais e legais

aplicáveis, e não podia tê-los extrapolado; (c) a

readequação remuneratória empreendida pela PETROBRÁS

incrementou a expressão econômica do contrato em mais de

duzentos e cinquenta por cento; (d) houve extrapolação

dos limites legais, cujas razões apresentadas à

Controladoria-Geral da União foram tidas corretamente

como improcedentes; (e) a extrapolação da limitação é

constatação de cunho objetivo-jurídico, e não é desfeita

por considerações quanto aos predicados do Grupo SBM; (f)

a sobredita extrapolação representou favorecimento ao

Grupo SBM, na medida em que incrementou seu volume de

negócios, sem necessidade de ressubmissão da contratação

a certame licitatório, sob as condições posteriores e

precedida de rescisão contratual, o que foi tido pelo

Juízo como a solução legalmente prescrita para o caso da

necessidade de readequação da atividade extrativa, com

emprego de embarcação em local diverso do originalmente

contratado, em vista da necessidade de redimensionamento

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remuneratório, que atingia patamares extrapoladores dos

limites legais.

JFRJ
A seguir, o Juízo externou convicção no sentido
Fls 1550
de que o favorecimento identificado foi obra de PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO – que, como visto no item

2.2.1.5.1. (fls. 3614/3614v.), recebeu valores de JÚLIO

FAERMAN, os quais, como examinado no item 2.2.1.5.2.

(fls. 3614v./3616), tiveram relação direta com a

contratação do FPSO CAPIXABA -, como contrapartida pelos

valores que lhe foram franqueados, pelos seguintes

fundamentos: (a) pagamentos a funcionários públicos não

costumam ser atos desinteressados; (b) tendo havido

pagamentos da parte de JÚLIO FAERMAN ao empregado da

PETROBRÁS PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, e, por outro

lado, tendo havido favorecimento da parte da PETROBRÁS ao

Grupo SBM, comercialmente representado por JÚLIO FAERMAN,

é isto poderoso indício no sentido de que uma e outra

coisa estavam ligadas, como causa e efeito; (c) os

documentos pertinentes à contratação indicam que PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO integrou o órgão que negociou o

aditivo em que verificada a enorme extrapolação do limite

legal, em favorecimento ao Grupo SBM, e, ademais, tinha

sobre os demais integrantes ascendência técnica, dado seu

domínio das tecnologias empregadas; (d) a extrapolação

era em patamar de tal monta grosseiro, que não há como se

tê-la por não tendo sido intencional; (e) a colegialidade

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do órgão condutor das negociações, e que o fez em

extrapolação aos limites legais, não foi tida por

impeditiva da consideração de ter materializado a JFRJ


Fls 1551
contrapartida de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO a JÚLIO

FAERMAN, seja porque a vontade do órgão era composta

também da vontade do primeiro, seja pela ascendência

técnica que este ali exercia, seja ainda porque nada foi

produzido no sentido de que tenha PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO se oposto à extrapolação multi referida; (f)

quando dos fatos envolvendo o FPSO CAPIXABA, detectou-se

que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO já era remunerado

ilicitamente por JÚLIO FAERMAN havia muitos anos e havia

produzido contrapartidas ilícitas, comprovadamente, ao

menos nas contratações dos FPSOs ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA e BRASIL; maxima venia concessa, nem de longe o

Juízo o teve conectado aos fatos em questão apenas por

sua posição profissional.

Foram, então, abordadas e afastadas diversas

objeções defensivas a estas convicções (fls.

3622v./3625), que restaram mantidas; dentre aquelas,

estava a de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO não

poderia ter intervindo em favor do Grupo SBM, o que seria

comprovado pelo fato de que o grupo empresarial em

análise não teria logrado se sagrar vencedor em certames

outros, mesmo com atuação de PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO nos pertinentes órgãos decisórios (fls. 3625).

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Este rechaço se deu pela consideração de que o

favorecimento foi verificado, como fato objetivo, tal

como comprovado no Relatório de Auditoria, da lavra da JFRJ


Fls 1552
Controladoria-Geral da União.

Estão assim, suficientemente expostas as

conclusões judiciais e seus fundamentos - não havendo que

se falar em obscuridade -, em que pese a respeitável

discordância do embargante que, no entanto, deve ser

veiculada pelo instrumento recursal próprio, não

merecendo, quanto ao ponto, acolhimento os aclaratórios

manejados.

De mais a mais, e com a devida vênia ao

Brilhante Patrono que capitaneia a D. Defesa do

embargante, a obscuridade inexiste também porque a tese

defensiva articulada – impacto, sobre os fatos em

apuração, de outros certames - não foi direcionada, em

sede de memoriais, contra a ligação entre PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO e o favorecimento, mas contra a

existência de favorecimento em si.

Como se percebe da leitura do apropriado trecho

(fls. 3179/3183), incluído no item “I.11. Da verdade

material a partir das provas produzidas na instrução

processual”, subitem “I.11.b. Não houve fraude ou sobre-

preço nas licitações vencidas pela SBM. Todos os certames

foram realizados de forma competitiva, sem

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favorecimentos”, após atacar as conclusões da

Controladoria-Geral da União e asseverar que, a seu

sentir, as testemunhas ouvidas nos autos teriam prestado JFRJ


Fls 1553
relatos comprobatórios da lisura dos certames

relacionados aos fatos objeto desta ação penal, o

embargante argumenta que determinadas planilhas

reforçariam suas alegações, e diz (fls. 3180):

“Nessas planilhas, fica demonstrado que

os pagamentos não eram capazes de

direcionar os resultados dos certames.

Senão, como explicar o fato de que a SBM

perdeu inúmeras disputas, inclusive em

licitações que tiveram a participação de

PAULO CARNEIRO?”

Outrossim, a ausência de capacidade de PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO para intervir na negociação

contratual que extrapolou os limites legais, em função da

colegialidade dos órgãos condutores dos procedimentos e

da pretensa ausência de poderes decisórios que lhes

fossem cometidos, foi analisada de forma igualmente

adequada (fls. 3621v./3622v. e fls. 3623/3623v.).

Não há, conseguintemente, qualquer obscuridade

– ou mesmo omissão de tese defensiva -, a reclamar

corrigenda, sendo ainda certo que a discordância do

embargante quanto à apreciação judicial dos fatos e

provas deve ser veiculada a quem de Direito, pelo manejo

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do instrumento recursal adequado, cum permissa, que não é

o dos embargos declaratórios.

JFRJ
Detectada, assim, como improcedente a agitada
Fls 1554
hipótese de embargabilidade, maxima venia concessa,

também quanto a este tópico recursal serão os embargos

inacolhidos.

II.1.1.1.7. CONTRADIÇÃO – FUNDAMENTAÇÃO E

JULGADO INDICADO COMO RESPECTIVO SUPORTE – SUBVERSÃO DO

CONTEÚDO DE ACÓRDÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA –

ITEM 2.2.1.5.3.

O embargante, no tópico recursal em apreço,

alegou que o Juízo, ao asseverar que, na contratação do

FPSO CAPIXABA, incidiria limitação de alteração de escopo

contratual orçada em vinte e cinco por cento de seu

valor, teria colacionado ementa de precedente da lavra do

C. Superior Tribunal de Justiça, o qual não seria

condizente com os fundamentos agitados.

Externou o embargante convicção de que a

hipótese tratada no precedente transcrito seria distinta

daquela em apreciação nestes autos, pois que, naquele

caso, “teriam sido realizados aditivos ilegais, pois não

teriam ocorrido alterações nas condições econômicas do

respectivo contrato” (fls. 3923); contrariamente, na

demanda tratada neste caderno processual, ter-se-iam dado

“alterações no escopo do contrato, que alteraram a

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situação econômica, como reconhecido à Petrobrás” (fls.

3923).

JFRJ
Pugnou o embargante pelo aclaramento da
Fls 1555
contradição “entre o trecho mencionado da r. sentença e o

aresto ao qual se refere” (fls. 3924).

Data maxima venia ao sempre Brilhante Defensor

que capitaneia a D. Defesa do embargante, uma vez mais

não se está diante de contradição, como hipótese

embargável; isto porque, como tantas vezes já dito ao

longo deste ato decisório – e pacífico

jurisprudencialmente -, a contradição apta a permitir a

dedução de procedente pleito de aclaramento é apenas

aquela capaz de inviabilizar a compreensão do ato

judicial, causando a seu leitor perplexidade – e.g. dois

trechos de fundamentação, em que o primeiro considera

como ocorrido um fato, enquanto um segundo diz

expressamente que este não ocorreu; ou uma fundamentação

que conclui pela inocorrência de fato típico, seguida de

dispositivo em que se condena o réu.

Jamais pode ser o caso em que a parte entende

que determinado precedente judicial, transcrito em sua

ementa como reforço argumentativo de eficácia persuasiva,

não ostenta o sentido que o Juízo lhe atribui, e,

portanto, não reforçaria sua argumentação.

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Exatamente este o caso: no item 2.2.1.5.3.

(fls. 3616/3625), foi examinado pelo Juízo que houve

favorecimento, ao Grupo SBM, como contrapartida aos JFRJ


Fls 1556
pagamentos feitos por seu representante comercial, JÚLIO

FAERMAN, a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO – tal como

aferido positivamente no item 2.2.1.5.1. -, e com relação

direta à contratação do FPSO CAPIXABA – tal como

positivamente aferido no item 2.2.1.5.2..

Com base nos fundamentos então expendidos, foi

detectado, com base em trabalho de auditoria da lavra da

Controladoria-Geral da União, que, em determinado aditivo

contratual, foi incrementada a expressão econômica da

avença – em mais de duzentos e cinquenta por cento - em

extrapolação aos limites legais, que eram de apenas vinte

e cinco por cento.

O Juízo, após externar sua convicção de que os

limites de alterabilidade contratual eram cogentes –

tanto sob o regime do item 7.2., alínea “b”, do Decreto

2745/98, quanto sob a normação do art. 81, §1º, da Lei

13303/16 -, julgou que a extrapolação não era

justificável, à luz das necessidades de readequação do

emprego do ativo objeto da contratação original – a

embarcação FPSO CAPIXABA, que necessitaria ser utilizada

em local distinto, a implicar adaptações e

redimensionamento da remuneração da contratada.

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Meramente a título de reforço argumentativo,

quanto à cogência da limitação em questão, o Juízo

apresentou transcrição de precedente da lavra do C. JFRJ


Fls 1557
Superior Tribunal de Justiça (fls. 3619v./3620v.).

Acaso, por conseguinte, o julgado não tratasse

do tema em questão – ou o tratasse com entendimento

diverso ao do Juízo -, isso jamais poderia ser tido como

“contradição” embargável; isto porque o que afeta a

esfera do embargante e integra a fundamentação do Juízo

são as razões por este agitadas, e nas quais se assenta o

comando judicial expedido, e não eventual precedente

apresentado como reforço persuasivo da argumentação

judicial.

E, como visto, as razões do Juízo são

cristalinas – os limites de alteração eram cogentes e não

poderiam ter sido extrapolados – e foram adequadamente

compreendidas pelo embargante, até mesmo porque, do

contrário – caso não as tivesse compreendido -, não teria

como verificar se o julgado transcrito lhes contradizia

ou não.

Seja como for, nem mesmo a suposta contradição

existe: o trecho sublinhado pelo embargante (fls. 3923) –

e que também o foi na sentença guerreada (fls.

3620/3620v.) – diz textualmente que os limites do art.

65, §§ 1º e 2º, da Lei 8666/93 se aplicam forçosamente a

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ambas as hipóteses de alteração contratual uniltateral

(art. 65, I, “a” e “b”, da Lei 8666/93), e este é

precisamente o argumento de fundamentação ao qual se JFRJ


Fls 1558
destinou a transcrição a persuasivamente reforçar: o de

que os limites são cogentes e de observância obrigatória,

pelo que a alteração com sua extrapolação caracterizou

ilicitude.

Fácil é ver que, apenas por lapso, se continuou

a grifar a frase seguinte, relativas a situações em que o

respeito ao limite de alteração – de 25% - não era escudo

a juízo de ilicitude, pois que as alterações contratuais

teriam sido, na hipótese então julgada, feitas com base

em fundamentos inidôneos; isto, contudo, nenhuma relação

tem com o caso, e em nada infirma a cogência dos limites

quantitativos de alteração contratual postos na oração

anterior, e que em tudo – estes sim - se relacionam ao

caso dos presentes autos.

Consequentemente, não havendo contradição a ser

sanada, os aclaratórios do embargante, quanto a este

tópico recursal, não merecerão provimento.

II.1.1.1.8. OBSCURIDADE – FUNDAMENTAÇÃO –

AUSÊNCIA DE RELAÇÃO ENTRE A DOUTRINA CITADA E O CASO

CONCRETO – ITEM 2.2.1.7.4.

Alegou o embargante que, no item 2.2.1.7.4., o

Juízo teria externado convicção positiva de que teria

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havido favorecimento ao Grupo SBM, entendendo que a

transmissão de informações, por PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO

ao grupo empresarial e no âmbito de certo procedimento JFRJ


Fls 1559
licitatório, teria afetado positivamente as condições de

sua proposta; neste trecho sentencial, o Juízo teria

empregado transcrição de determinada lição doutrinal,

que, no entanto e ao ver do embargante, não seria

compatível com o caso em apreciação.

A discrepância estaria em que, no caso dos

autos, o certame licitatório se teria dado no exterior,

com modelo semelhante a leilão, sendo certo que o

fornecimento de informações se teria inserido em tal

contexto, com vistas a reduzir o preço da proposta, o que

teria, alfim, ocorrido.

Asseverou ainda o embargante que “não se

ostenta possível identificar a relação entre a doutrina e

o caso concreto”, o que seria “fundamental para que se

compreenda a fundamentação e as conclusões alcançadas no

referido trecho da r. sentença“ (fls. 3927/3928), e

arrematou postulando o aclaramento da situação.

Maxima venia concessa ao Nobre, não há qualquer

obscuridade, como hipótese de embargabilidade; isto

porque a verdadeira obscuridade, a autorizar o procedente

manejo dos aclaratórios, ocorre apenas quando em voga

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certo trecho sentencial cujo sentido seja inalcançável,

por emprego de redação hermética, incompreensível.

JFRJ
Da análise das razões do embargante, quanto ao
Fls 1560
tópico (fls. 3924/3928), resulta cristalino que

compreendeu os fundamentos sentenciais expostos, mas

deles discorda, principalmente quanto à incidência de

determinado trecho de lições doutrinárias, colacionadas a

título de reforço argumentativo, de cunho persuasivo;

sintomático deste estado de coisas é sua afirmação de que

“a aludida doutrina não se coaduna ao caso concreto”

(fls. 3925), apontando, assim, seu entendimento no

sentido da erronia da transcrição do escólio em socorro

às razões então expendidas.

Aliás, como tantas vezes dito ao longo deste

ato decisório, a discordância – ainda que travestida de

alguma das hipóteses de embargabilidade – pressupõe

necessariamente compreensão do objeto de análise – a

sentença guerreada -, pelo que leva inexoravelmente a um

juízo de inexistência do vício embargável de que se

queixa o recorrente.

Seja como for – e mesmo que o embargante

tivesse razão em sua argumentação -, o fundamento que

sustenta o comando judicial emitido ao fim do ato

sentencial é aquele posto pelo Juízo, e não o trecho

doutrinal colacionado como mero reforço argumentativo;

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assim, eventual transcrição inadequada de trecho

doutrinário poderia, quando muito, levar ao

enfraquecimento da persuasividade da argumentação tecida, JFRJ


Fls 1561
mas jamais à sua incompreensibilidade, e, pois, à

necessidade da sanação do vício pela via dos embargos de

declaração.

Logo, não havendo, em realidade, qualquer

obscuridade, não há que se falar em sanação pela via dos

aclaratórios.

Seja como for, o exame do trecho sentencial de

que se queixa o embargante revela igualmente que não

procede sua alegação de estar o ato sentencial guerreado

a padecer do vício articulado; vejamos.

No item em questão – 2.2.1.7.4. (fls.

3671/3674v.) -, o Juízo apurou se teria havido

favorecimento ao Grupo SBM, como contrapartida aos

pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, aferidos

positivamente no item 2.2.1.7.1. (fls. 3665v./3667v.) e

cuja relação com a contratação do turret da embarcação P-

53 foi tida por comprovada no item 2.2.1.7.3 (fls.

3668v./3670v.).

Concluiu o Juízo que o favorecimento

efetivamente ocorreu, com base nos seguintes fundamentos:

(a) em declarações prestadas em sede pré-processual e em

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Juízo, PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO admitiu que, motivado por

preferência genérica pelo Grupo SBM, assim como pelos

montantes que lhe foram pagos, transmitiu-lhe JFRJ


Fls 1562
informações, ainda durante procedimento licitatório, para

que pudesse melhor formatar sua proposta, de forma a

sagrar-se vencedor; (b) as declarações de JÚLIO FAERMAN e

LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA - em que pese

estarem animadas pelo claro intento de construir contexto

em que esta transmissão informacional se teria dado em

quadrantes de regularidade, franqueada a todos os demais

licitantes – veicularam admissão terem recebido os dados

em questão, no curso do procedimento licitatório, de

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, bem como a circunstância de

isto possibilitou o melhoramento da proposta do Grupo SBM

no certame, o qual, alfim, restou vencedor; (c)

comprovada a transmissão de informações, a alegada

regularidade da situação em que isto se deu foi tida por

carente de substanciação probante, ônus defensivo nos

termos do art. 156 do CPP; (d) a alegação foi contrariada

pela narrativa de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, que nada

disse acerca da regularidade da passagem de informações;

(e) a alegação de livre e desimpedida fluência de

informações, em benefício de todos os participantes do

certame, é incompatível com os próprios fundamentos

socioeconômicos em que se baseia a licitação, em que a

assimetria informacional é da essência de um procedimento

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em que se pretende, como um de seus mais importantes

fins, alcançar contratações mais vantajosas ao ente

administrativo; (f) nesta contextura, inverossímil que JFRJ


Fls 1563
isto fosse ignorado no procedimento em causa, com

evidentes prejuízos à vantajosidade da contratação dele

decorrente; (g) a irrregularidade do fornecimento de

informações – e sua caracterização como favorecimento

correlato aos valores pagos por JÚLIO FAERMAN e LUÍS

EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA a PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO – é corroborada ainda pela consideração de que

pagamentos a funcionários públicos não costumam ser

liberalidade ou atos desinteressados; (h) os fatos

envolvendo o turret da P-53 se inseriam em um contexto

maior, em que outros valores haviam sido pagos a em

pregados da PETROBRÁS - como PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -,

tendo estes, em contrapartida, promovido favorecimentos

ao Grupo SBM, como ocorrido em relação aos FPSOs

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, BRASIL e CAPIXABA; (i) o

favorecimento observado é de cunho objetivo, e não é

desfeito por ponderações a respeito dos predicados do

Grupo SBM, ou de sua sorte em outros procedimentos

licitatórios.

A respeito das razões “e” e “f” acima postas, é

que o Juízo (fls. 3673/3673v.), ao abordar o tema da

assimetria informacional, entre os licitantes e o ente

administrativo, como necessária ao atingimento de

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contratações vantajosas a este último, pela via da

evitação do chamado “efeito âncora”, apresentou trecho

doutrinal que retrata “comentários ao chamado Regime JFRJ


Fls 1564
Diferenciado de Contratações Públicas (Lei 12462/11) –

mas sendo as considerações em todo pertinentes ao certame

em observação” (fls. 3673); evidente que não se está

diante do regime licitatório então abordado no artigo,

mas o tema do “efeito âncora”, como tratado no excerto

doutrinal, tem pertinência genérica em procedimentos

licitatórios, e, por evidente, naquele relacionado aos

fatos apreciados no trecho sentencial de que se queixa o

embargante.

Logo se vê, por conseguinte, que não há

qualquer incompatibilidade entre o tema objeto das lições

e a situação então sendo judicialmente apreciada.

Percebe-se que o embargante crê que, em

realidade, o trecho doutrinal não teria aplicação ao caso

em apreço, o que, a seu sentir, desfaria a totalidade das

razões pelas quais o Juízo teve por caracterizado

favorecimento ao Grupo SBM, da parte de PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO e como contrapartida aos valores que lhe

foram pagos por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA, em correlação à contratação do turret

da embarcação P-53; ocorre que aí não se tem, como já

dito, obscuridade sentencial – sanável pela via dos

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aclaratórios -, mas discordância dos critérios de

julgamento, que deve ser veiculada a quem de Direito,

pelo instrumento recursal apropriado. JFRJ


Fls 1565
De mais a mais, é de se relembrar a advertência

já feita no item II.1.1.1.7. deste ato decisório: mesmo

até que se verificasse confronto entre o teor do trecho

doutrinal transcrito e as razões agitads pelo Juízo, isto

não nulificaria o teor da sentença guerreada, nem lhe

atrairia a pretendida pecha de obscura: isto porque, ao

passo em que é a fundamentação, enquanto esteio do

dispositivo sentencial - em atendimento à garantia

constitucional pertinente (art. 93, IX, da CR/88) -, que

afeta a esfera da parte, o trecho doutrinário transcrito

tem mera natureza de reforço argumentativo, de cunho

persuasivo, não atingindo, portanto, a parte,

propriamente.

Assim, ainda que houvesse a contraposição entre

o trecho doutrinal e as razões expostas pelo Juízo, ou a

situação então em apreciação – que, como visto acima, não

ocorreu -, isto poderia, quando muito, redundar em

enfraquecimento das razões invocadas e, no limite,

erronia no julgamento, a merecer reforma, desde que

provocado seu reexame, entretanto, pelo instrumento

adequado; jamais, contudo, desaguaria em procedência da

insurgência ora sob exame.

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Conseguintemente, inobservado o vício de

obscuridade articulado, os embargos serão, também quanto

a este ponto, inacolhidos. JFRJ


Fls 1566
II.1.11..9. OBSCURIDADE – VINCULAÇÃO DE PEDRO

BARUSCO A VÍCIOS EM LICITAÇÕES – INCOMPREENSÃO DE ATO DE

OFÍCIO VIOLADO – ITENS 2.2.1.2.4. E 2.2.1.3.4.

O embargante alegou que, nos itens sentenciais

apontados, o Juízo teria indicado posições profissionais

ocupadas por PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO “para conectá-lo a

supostas falhas identificadas nos contratos, com base nas

quais se reconheceu suposto favorecimento ilegal à SBM”

(fls. 3928), mas que, “a partir da relação construída,

não se ostenta possível identificar qual ato de ofício,

efetivamente, teria sido praticado, com violação

funcional, muito embora, na r. sentença, seja reconhecida

a violação de ato de ofício pelo aludido funcionário”

(fls. 3932).

Prosseguiu, explicando que, a seu aviso, além

das funções ocupadas, teriam sido, apenas no caso do item

sentencial 2.2.1.2.4., indicados atos praticados por

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO em conformidade com tal função,

enquanto, no item sentencial 2.2.1.3.4., nenhum ato de

ofício teria sido sequer indicado; pugnou pelo

aclaramento “do ato de ofício praticado com violação

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funcional” por PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO “reconhecido no

âmbito dos aludidos contratos” (fls. 3932).

JFRJ
De plano – e com todas as venias devidas ao
Fls 1567
Ilustre Causídico que capitaneia a D. Defesa do

embargante -, é perceptível que não se está diante de

qualquer obscuridade, enquanto hipótese de

embargabilidade, a qual, como já tantas vezes dito

alhures, pressupõe incompreensão do ato guerreado, gerada

por redação falha, a causar perplexidade naquele que o

lê.

In casu, pouco esforço é necessário para

verificar que o embargante alcunha de obscuridade o que,

em realidade, é sua discordância do critério de

julgamento; isto porque, ao dizer não ter identificado

qual seria o ato de ofício tido sentencialmente por

praticado com violação a deveres funcionais, o embargante

está a afirmar, em realidade, que a apreciação do delito

de corrupção ativa, nos itens em questão, teria sido

falha, uma vez que esta pressuporia a indicação detida e

específica de tal ato.

E, como também já tantas vezes exposto, a

discordância – ainda que alcunhada de qualquer dos vícios

embargáveis – não pode ser licitamente veiculada pelos

aclaratórios, sendo necessário o manejo do recurso

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adequado perante quem de Direito, para que tal

argumentação possa ser conhecida.

JFRJ
Seja como for, o exame dos itens sentenciais
Fls 1568
apontados pelo embargante revela que não padecem do vício

indicado; vejamos.

No item 2.2.1.2.4. (fls. 3536v./3543v.), o

Juízo examinou se teria restado comprovado algum

favorecimento ao Grupo SBM, que pudesse ser tido como

contrapartida aos pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

– aferidos positivamente nos itens 2.2.1.2.1. (fls.

3532/3532v.) e 2.2.1.2.2. (fls. 3532v./3533v.) – e cuja

relação com a contratação da embarcação FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA foi positivamente aferida no

item 2.2.1.2.3. (fls. 3533v./3536v.).

Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, o prazo para

entrega de propostas por interessados, no âmbito da

licitação que precedeu a contratação pertinente ao FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, foi fixado de forma

excessivamente exígua, e, diante de pedidos de vários dos

licitantes, no sentido de que se promovesse dilação

prazal, esta foi concedida, mas em patamar muito aquém do

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quanto postulado, e mesmo do praticado em diversos outros

certames, com objetos semelhantes; (b) ainda no relatório

da Controladoria-Geral da União, foi afastada a JFRJ


Fls 1569
possibilidade de que a dilação prazal, tal como

autorizada, tenha sido resultado de circunstâncias do

certame ou da contratação; (c) a dilação prazal, tal como

deferida, beneficiou sobremaneira o Grupo SBM, em função

de ser o único, naquele momento, com sede operativa em

território brasileiro, em detrimento dos demais

interessados; (d) as dificuldades ostentadas pelos demais

interessados eram de expresso conhecimento de quem

decidiu pela dilação prazal, pois que o tema foi exposto

por licitantes; (e) a dilação prazal, tal como

autorizada, ao passo que beneficiou o Grupo SBM, reduziu

a competitividade do certame, ferindo princípios

constitucionais regentes das contratações de entes da

Administração; (f) o favorecimento observado é fato

objetivo, derivado das circunstâncias de operação do

Grupo SBM, distintas das pertinentes aos concorrentes, e

não é afastada por considerações quanto à parcela de

mercado detida pelo grupo empresarial ou pela qualidade

de seus produtos, e nem equivale a dizer que, de outra

forma, o grupo empresarial não teria se sagrado vencedor

do certame.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

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feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação JFRJ


Fls 1570
do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido

aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação, é isto poderoso indício de que vantagens e

favorecimento foram igualmente relacionados, como causa e

efeito; (c) esta compreensão restou fortalecida pela

constatação de que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO,

percipiente dos valores pagos por JÚLIO FAERMAN,

integrava o órgão que decidiu pela dilação prazal

favorecedora do Grupo SBM, no qual, por sua reconhecida

expertise na tecnologia empregada na contratação,

ostentava posição de ascendência técnica sobre os demais

integrantes do colegiado decisor; (e) a colegialidade não

foi tida por impeditiva à consideração da atuação de

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO como determinante na

produção do favorecimento, pois que, além de sua

ascendência técnica sobre os demais, a vontade do órgão –

que favoreceu o Grupo SBM – foi formada, ao menos

parcialmente, pela contribuição do recebedor de

vantagens; (f) não foi produzida qualquer prova de que

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO se tivesse posicionado, no

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colegiado decisor, em contrário à dilação prazal que

favoreceu o grupo representado comercialmente por JÚLIO

FAERMAN, que lhe pagou valores em conexão à contratação. JFRJ


Fls 1571
No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o

Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo

SBM, pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

expostos no parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas próprias palavras, então

transcritas, PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO se havia empenhado,

no exercício de sua posição ascendente técnica e

hierarquicamente sobre os integrantes do órgão decisor,

no sentido de que se sagrasse vencedor o Grupo SBM.

Fácil é ver que o Juízo entendeu que, tendo

recebido valores diretamente em conexão à contratação –

conforme as palavras de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e do

próprio embargante, e aferido no item 2.2.1.2.3. -, e

tendo ocupado posição com poder de influenciar o curso do

certame e da contratação – pela sua superioridade

hierárquica e ascendência técnica sobre os responsáveis

pela condução dos pertinentes procedimentos (fls. 3536 e

3539v./3540) -, PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO atuou concreta e

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especificamente para que o Grupo SBM se sagrasse vencedor

(fls. 3539v./3540v.), manobrando indevidamente seus

poderes e atribuições; desta atuação funcional JFRJ


Fls 1572
distorcida, por evidente, o Juízo teve como produto o

favorecimento detectado (fls. 3540v.).

Mais adiante, no tópico 2.2.1.2.5. (fls.

3540v./3549v.), o Juízo, afastando fundamentadamente a

tese de que os pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, em direta conexão à contratação

do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, teriam sido mera

capitulação a atos de extorsão, alegadamente praticados

por este último, concluiu que se tratavam os montantes de

vantagens indevidas, destinadas a produzir favorecimento

ao Grupo SBM, comercialmente representado pelo pagador, e

de que foi exemplo o episódio envolvendo o prazo

insuficiente para oferta de propostas, no procedimento

licitatório que precedeu a contratação.

Ainda naquele item sentencial, o Juízo concluiu

que a atuação de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, ao promover o

favorecimento em questão – assim como o agir no mesmo

sentido voltado de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -,

violou diversos deveres funcionais, inclusive

minudenciados no código de ética dos funcionários da

PETROBRÁS.

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Logo se vê, portanto, que o tema da conduta de

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, direcionada à produção do

favorecimento, assim como os fundamentos em que se JFRJ


Fls 1573
assentam as conclusões do Juízo, encontra-se devidamente

exposto, e nada tem de “conformidade com sua função”

(fls. 3932), maxima venia concessa, pois que não se

imagina como a atuação de funcionário público no sentido

de promover favorecimento a licitante, em troca de

valores financeiros, no âmbito de procedimento

licitatório conduzido por subordinados, possa receber

qualquer outra qualificação que não a de grosseira

violação a seus deveres funcionais mais comezinhos.

Não há, conseguintemente, qualquer obscuridade,

e, se o embargante entende inadequada a apreciação

judicial do tema, deve, cum permissa, manejar recurso

apto a desencadear a lícita rediscussão do quanto

julgado.

Já no item 2.2.1.3.4. (fls. 3567v./3575), –

também objeto deste tópico recursal -, como visto

anteriormente, o Juízo examinou se teria restado

comprovado algum favorecimento ao Grupo SBM, que pudesse

ser tido como contrapartida aos pagamentos feitos por

JÚLIO FAERMAN a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO – aferidos positivamente nos itens

2.2.1.3.1. (fls. 3563v.) e 2.2.1.3.2. (fls.

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3563v./3564v.) -, cuja relação à contratação da

embarcação FPSO BRASIL foi verificada no item 2.2.1.3.3.

(fls. 3564v./3567v.). JFRJ


Fls 1574
Concluiu, em primeiro lugar, que houve

favorecimento ao Grupo SBM, com base nas seguintes

razões: (a) conforme lançado em relatório de auditoria da

lavra da Controladoria-Geral da União, a contratação,

efetivada sob procedimento de dispensa de certame

licitatório prévio, contemplou a realização de ausculta

mercadológica para atendimento às formalidades legalmente

exigíveis quanto à compatibilidade do preço a ser

pactuado com o quanto correntemente praticado; (b) nesta

consulta aos agentes do mercado, restou dimensionado

prazo excessivamente exíguo para manifestação de

eventuais interessados, e que foi mantido, mesmo diante

de protestos de alguns deles; (c) a fixação prazal, a

contemplar a exiguidade exposta, beneficiou sobremaneira

o Grupo SBM, em função de ser o único, naquele momento,

com sede operativa em território brasileiro e que detinha

experiência em contratações semelhantes anteriores –

FPSOs II e ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA -, tudo em

detrimento dos demais interessados, reduzindo a

representatividade mercadológica da ausculta e violando

princípios constitucionais reitores da atuação estatal,

em sede de contratações da Administração; (d) a situação

da necessidade da contratação não era motivo para a

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exiguidade do prazo, tendo em vista que sua firmatura

somente se deu cerca de dois meses mais tarde, tendo sido

plenamente possível que se dilatasse o prazo de JFRJ


Fls 1575
propostas, o que garantiria mais ampla representatividade

mercadológica ao procedimento, e anularia o

favorecimento; (d) as dificuldades ostentadas pelos

demais interessados eram de expresso conhecimento de quem

decidiu pela fixação prazal, pois que o tema foi exposto

por agentes do mercado, ao postularem dilação; (e) o

favorecimento observado é fato objetivo, derivado das

circunstâncias de operação do Grupo SBM, distintas das

pertinentes aos concorrentes, e não é afastado por

considerações quanto à parcela de mercado detida pelo

grupo empresarial ou pela qualidade de seus produtos, e

nem equivale a dizer que, de outra forma, o grupo

empresarial não teria logrado se fazer contratado; (f) os

fatos envolvendo a contratação do FPSO BRASIL são de todo

semelhantes àqueles pertinentes à contratação do FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, em que houve pagamentos e

favorecimento correlato.

Em seguida, entendeu o Juízo que o

favorecimento observado foi causado pelos pagamentos

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, tendo sido obra destes dois corréus, pelos

seguintes motivos: (a) em princípio, segundo a observação

do id quod plerumque accidit, pagamentos a funcionários

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públicos não costumam ser atos desinteressados; (b) tendo

havido favorecimento ao grupo empresarial comercialmente

representado pelo pagador das vantagens, e tendo sido JFRJ


Fls 1576
aferida positivamente a relação entre estes valores e a

contratação – no item 2.2.1.3.3. (fls. 3564v./3567v.) -,

é isto poderoso indício de que vantagens e favorecimento

foram igualmente relacionados, como causa e efeito; (c)

esta compreensão restou fortalecida pela constatação de

que PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO integrava o órgão que

decidiu pela fixação prazal favorecedora do Grupo SBM, no

qual, por sua reconhecida expertise na tecnologia

empregada na contratação, ostentava posição de

ascendência técnica sobre os demais integrantes do

colegiado decisor; (d) a colegialidade não foi tida por

impeditiva à consideração da atuação de PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO como determinante na produção do

favorecimento, pois que, além de sua ascendência técnica

sobre os demais, a vontade do órgão – que favoreceu o

Grupo SBM – foi formada, ao menos parcialmente, pela

contribuição do recebedor de vantagens; (e) não foi

produzida qualquer prova de que PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO se tivesse posicionado, no colegiado decisor, em

contrário à fixação prazal que favoreceu o grupo

representado comercialmente por JÚLIO FAERMAN, que lhe

pagou valores em conexão à contratação; (f) a existência

de eventuais outros corresponsáveis não afastaria a

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contribuição de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO na

formação dos resultados examinados.

No que disse com PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, o JFRJ


Fls 1577
Juízo entendeu comprovada a ligação entre os valores por

ele recebidos, sua atuação e o favorecimento ao Grupo SBM

pelos seguintes fundamentos, além dos dois primeiros

objeto do parágrafo anterior: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO ocupava posição gerencial no órgão da paraestatal

diretamente interessado na contratação em tela, e que

havia postulado aos órgãos diretivos da companhia sua

realização; (b) segundo suas próprias palavras, então

transcritas, PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO manejava posição

ascendente técnica e hierarquicamente sobre os

integrantes do órgão decisor, que foi tida como

determinante para a formação do contrato, tendo sido por

ele iniciado o projeto e “concluído pela sua equipe”

(fls. 3572), o que foi por ele apontado como a razão pela

qual lhe foram direcionados valores por JÚLIO FAERMAN.

Fácil é ver que o Juízo entendeu que, tendo

recebido valores diretamente em conexão à contratação –

conforme as palavras de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e do

próprio embargante, e aferido no item 2.2.1.3.3. -, e

tendo ocupado posição com poder de influenciar o curso do

certame e da contratação – pela sua superioridade

hierárquica e ascendência técnica sobre os responsáveis

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pela condução dos pertinentes procedimentos (fls.

3567/3567v. e 3571v./3572) -, PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO

atuou concreta e especificamente no sentido de produzir o JFRJ


Fls 1578
privilégio; desta atuação funcional distorcida, por

evidente, o Juízo teve como produto o favorecimento

detectado (fls. 3572).

Mais adiante, no tópico 2.2.1.3.5. (fls.

3575/3580v.), o Juízo, afastando fundamentadamente a tese

de que os pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO, em direta conexão à contratação do

FPSO BRASIL, teriam sido mera capitulação a atos de

extorsão, alegadamente praticados por este último,

concluiu que se tratavam os montantes de vantagens

indevidas, destinadas a produzir favorecimento ao Grupo

SBM, comercialmente representado pelo pagador, e de que

foi exemplo o episódio envolvendo o prazo insuficiente

para oferta de propostas, no procedimento de ausculta

mercadológica que precedeu a contratação.

Ainda naquele item sentencial, o Juízo concluiu

que a atuação de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, ao promover o

favorecimento em questão – assim como o agir no mesmo

sentido direcionado de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -,

violou diversos deveres funcionais, inclusive

minudenciados no código de ética dos funcionários da

PETROBRÁS.

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Logo se vê, portanto, que o tema da atuação de

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, direcionada à produção do

favorecimento, assim como os fundamentos em que se JFRJ


Fls 1579
assentam as conclusões do Juízo, encontra-se devidamente

exposto, e nada tem de ausência de indicação de ato de

ofício produzido com violação de deveres funcionais,

maxima venia concessa.

Não há, conseguintemente, qualquer obscuridade,

e, se o embargante entende inadequada a apreciação

judicial do tema, deve, cum permissa, manejar recurso

apto a desencadear a lícita rediscussão do quanto

julgado.

Verificado, em linha de consequência, que

inexiste o vício decisório alegado, os aclaratórios

serão, também quanto a este tópico recursal, inacolhidos.

II.1.1.1.10. OMISSÃO – ANÁLISE DE TESE DE

ATIPICIDADE DE ATOS DE CORRUPÇÃO ATIVA – “SEDUÇÃO” DE

FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS – ITENS 2.2.1.4.4.,

2.2.1.6.4./2.2.1.6.5., 2.2.1.8.3./2.2.1.8.4..

O embargante argumentou que, nos itens

sentenciais mencionados, ao entender sua conduta como

típica sob a previsão delitual da corrupção ativa, teria

o Juízo externado convicção de que seu agir teria sido

presidido pela intenção de “obter genérico

“favorecimento” ou a “boa vontade” dos funcionários, por

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meio de remuneração, em relação aos negócios jurídicos da

SBM” (fls. 3932); ao sentir do embargante, entretanto,

“as hipóteses incriminadas” – tidas pelo Juízo como JFRJ


Fls 1580
típicas – “correspondem à conduta de “sedução” dos

funcionários” (fls. 3934), tese que teria sido agitada em

seus memoriais – título III.1. -, visando obter

julgamento de atipicidade, e, pois, absolvição.

“Ocorre que, ao que se extrai da leitura da r.

sentença, tal tese deixou de ser objeto de análise” (fls.

3934), pelo que pugnou pela colmatação da alegada lacuna.

Perscrutando os itens sentenciais indigitados,

verifica-se, cum permissa, que não contemplam, em

realidade, a omissão imputada; antes, porém, da abordagem

de cada um dos tópicos, importa revisitar uma premissa já

exposta linhas acima, mas cuja repetição se faz

necessária: só existe omissão embargável quando o Juízo

deixa de apreciar algum argumento ou elemento articulado

pela parte, na análise empreendida em sede sentencial, e

que seja suficiente a lhe alterar o teor.

Outrossim, como assente jurisprudencialmente, o

Juiz, ao decidir, não está obrigado a enfrentar cada

variação de redação de argumento, cada questiúncula, cada

fração de elemento de convicção constante dos autos; se

sua decisão contém as razões de seu convencimento, que o

Magistrado tem por firmes, é isto o suficiente, do ponto

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de vista da higidez do ato, sendo certo que eventual

discordância da parte, quanto aos critérios empregados ou

à conclusão alcançada, deve ser veiculada por meio de JFRJ


Fls 1581
espécie recursal que franqueie a completa rediscussão do

ato guerreado.

A propósito, confira-se o ilustrativo

precedente da lavra do C. Superior Tribunal de Justiça:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO

REGIMENTAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL.

ARGUIÇÃO DE OMISSÃO DO JULGADO.

PRETENSÃO DE DISCUTIR TESE JURÍDICA EM

ABSTRATO. IMPOSSIBILIDADE. LIDE

RESOLVIDA COM ARGUMENTO SUFICIENTE PARA

MANTER O JULGADO. I - De acordo com

orientação firmada do Superior Tribunal

de Justiça, o julgador não é obrigado a

enfrentar todas as teses defensivas

suscitadas pela parte, desde que a

decisão esteja alicerçada em fundamento

suficiente para manter o julgado. II -

No caso dos autos, a aplicação do

princípio da insignificância foi

afastada com base na análise das

circunstâncias concretas do caso. III -

Embargos de declaração rejeitados.

(EDAGRESP 1332497, 5ª Turma, Rel. Min.

Regina Helena Costa, DJE 18/13/2014)

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Pois bem: lançada a premissa, e analisando-se

os itens sentenciais em que teria se dado o vício de que

se queixa o embargante, verifica-se, maxima venia JFRJ


Fls 1582
concessa, que sua argumentação não procede; vejamos.

No item 2.2.1.4.4. (fls. 3598v./3602v.), foi

examinada, pelo Juízo, a natureza dos valores pagos por

JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO – aferidos

positivamente no item 2.2.1.4.1. (fls. 3594v./3595v.) -,

tidos por comprovadamente relacionados à contratação do

FPSO MARLIM SUL no item 2.2.1.4.2. (fls. 3595v./3596v.).

Na oportunidade, o Juízo concluiu que os

valores em questão se revestiam da natureza de vantagens

indevidas e que buscavam produzir favorecimentos ao Grupo

SBM, representado comercialmente pelo pagador, no âmbito

da contratação do FPSO MARLIM SUL, pelos seguintes

fundamentos: (a) mesmo não comprovada contrapartida –

apesar de isto ter sido denuncialmente imputado -, tal

como verificado item 2.2.1.4.3. (fls. 3597/3598v.), as

regras da experiência comum ensinam que pagamentos a

funcionários públicos, em relação a determinada situação

em que têm ingerência direta e são do interesse do

pagador – como aferido ter sido o caso relativamente a

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, no que diz com a

contratação do FPSO MARLIM SUL, no item 2.2.1.4.2. (fls.

3595v./3596v.) – costumam visar produzir resultados

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favorecedores ao pagador ou pessoas a ele relacionadas,

não sendo condutas desinteressadas; (b) esta percepção é

fortalecida pela observação do quanto ocorrido nos casos JFRJ


Fls 1583
dos FPSOs ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA (item 2.2.1.2.) e

BRASIL (item 2.2.1.3.), em que efetivamente houve

pagamentos por JÚLIO FAERMAN a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, e restaram comprovadas

contrapartidas ilícitas, na forma de favorecimento ao

Grupo SBM, representado comercialmente pelo pagador.

A seguir, o Juízo afastou teses defensivas que

se voltavam à desconstituição da caracterização dos

valores pagos como vantagens indevidas; em primeiro

lugar, tratou da pretensa caracterização da paga como

remuneração por serviços de assistência técnica que

teriam sido prestados por PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

a JÚLIO FAERMAN, e que não teria havido qualquer episódio

de favorecimento ao Grupo SBM, e a refutou com base nos

seguintes argumentos: (a) é inverídica a asserção de

ausência de favorecimentos, verificados, como já dito, no

caso dos FPSOs ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA e BRASIL; (b)

não foi apresentada qualquer comprovação da prestação do

serviço de assistência técnica, o que era ônus defensivo,

e eventual atividade inventiva de cunho tecnológico, que

fosse da lavra de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO,

produziria efeitos não em seu favor, mas de seu

empregador, não sendo causa lícita a que fosse

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remunerado; (c) a ausência de elementos de comprovação da

prestação de serviço de assistência técnica, e, mais

especificamente, a ausência de instrumento contratual a JFRJ


Fls 1584
reger a correlata relação jurídica, é circunstância que

reforça a inverossimilhança da alegação, dado que os

valores pagos – alguns milhões de dólares estadunidenses,

no total, a incluir os montantes relativos ao FPSO MARLIM

SUL – são incompatíveis com serviços prestados em

quadrantes de informalidade; (c) a alegação era de que,

junto de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, outros teriam

participado de tais serviços, mas apenas este teria sido

remunerado, não tem consistência lógica, tanto mais

quando confrontada com a circunstância de que justamente

o recebedor era ocupante de posições aptas a influir, em

favor do Grupo SBM, em contratações de seu interesse; (d)

a forma de pagamento – no exterior, com utilização de

contas registradas em nome de sociedades offshore, tanto

por pagador quanto por recebedor – bem indica que a

intenção de escondimento que motivou sua adoção dá conta

da completa ciência da ilicitude de que se revestiam os

fatos, o que destoa a não mais poder de inocentes

pagamentos relativos a serviços prestados, aniquilando a

verossimilhança da alegação; (e) o uso de contas

registradas em nome de sociedades offshore, por JÚLIO

FAERMAN, implicava em que recebesse parcela de sua

remuneração por representação comercial prestada em favor

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do Grupo SBM – da qual saía parcela para efetuar os

pagamentos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO – por meio de

contas registradas em nome de pessoas jurídicas sem JFRJ


Fls 1585
contrato com o grupo empresarial, o que causou apreensão

e foi objeto de instruções para que fosse tratado o tema

com sigilo, no âmbito do próprio Grupo SBM, o que mais

ainda reforça a ciência de todos os envolvidos acerca da

ilicitude dos pagamentos, com intenção de escondê-los, e,

pois, afasta a possibilidade de que se tratassem de

remuneração por lícitos serviços prestados.

Com base nestes argumentos, concluiu o Juízo

que os montantes pagos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO eram vantagens indevidas; neste passo,

apreciou-se a motivação dos pagamentos, e concluiu o

Juízo que buscavam produzir favorecimentos ao Grupo SBM,

relativamente à contratação do FPSO MARLIM SUL, com base

nas seguintes razões: (a) PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

ocupava posição – e atuou em diversos momentos nesta

capacidade – diretamente relacionada à contratação em

questão, apto, portanto, a promover grandes benefícios ao

Grupo SBM; (b) os pagamentos perduraram ao longo de

grande parcela da execução contratual, e outras

irregularidades, além daquela objeto da denúncia mas tida

por incomprovada no item 2.2.1.4.3. – ainda que não

imputadas –, foram narradas pela Controladoria-Geral da

União, tudo a redundar em convicção de que a intenção dos

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pagamentos era de provocar distorções funcionais diversas

em favor do grupo empresarial, ao longo de toda a

vigência contratual, não se circunscrevendo a apenas um JFRJ


Fls 1586
episódio objetivado.

Fácil é ver que, ao contrário do quanto alegado

pelo embargante, maxima venia concessa, no item

sentencial em questão – cuja parcela foi transcrita na

peça recursal (fls. 3932) - não é apreciada a tipicidade

da conduta, pelo que, por evidente, não tem cabimento a

apreciação de tese voltada a obter juízo de sua

atipicidade, naquele trecho do ato guerreado.

A propósito, a tipicidade da conduta, tal como

tida por comprovada nos itens 2.2.1.4.1. – pagamentos

feitos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

-, 2.2.1.4.2. – os pagamentos se relacionaram à

contratação do FPSO MARLIM SUL -, 2.2.1.4.3. –, sem

comprovado favorecimento ao Grupo SBM, como contrapartida

aos pagamentos – e 2.2.1.4.4. – os pagamentos tinham

natureza de vantagens indevidas e se voltavam a produzir

favorecimentos ao Grupo SBM - foi apurada no item

2.2.1.4.6. – mais especificamente noi item 2.2.1.4.6.2.

(fls. 3607/3613) no tocante a JÚLIO FAERMAN.

Ali, foi dito que (fls. 3607/3607v.):

“Em relação a JÚLIO FAERMAN, sua conduta

de ofertar e pagar vantagens indevidas a

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funcionário público, em razão de sua

posição funcional, e visando determiná-

lo a praticar atos de ofício em


JFRJ
benefício do Grupo SBM, por ele Fls 1587
representado comercialmente, ostenta

tipicidade, sob a previsão do art. 333

do CP; e, não tendo sido comprovado

episódio de efetivo favorecimento ao

Grupo SBM, em contrapartida aos valores

ofertados e pagos, com distorcimento

ilícito do agir funcional do

beneficiário das vantagens, não incide

ainda a norma do art. 333, § único, do

CP.

(...)

Como se vê da dicção legal, basta a

oferta ao funcionário público, de

vantagem indevida, com o fim de

determiná-lo à prática de atos de ofício

– lícitos ou ilícitos, determinados ou

indeterminados -, para tipificação da

conduta, sob a previsão do art. 333,

caput, do CP; ocorre que, se verificada

a efetiva prática de ilicitude pelo

funcionário público corrompido, em

contrapartida à vantagem indevida

ofertada ou paga, a conduta, dotada de

maior reprovabilidade, passa a atrair a

causa de aumento de pena contida no art.

333, § único, do CP, dado que, em casos

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assim e conforme o fraseamento legal, o

funcionário “pratica [ato de ofício]

infringindo dever funcional”, o que,


JFRJ
contudo, e como já exposto, não restou Fls 1588
devidamente comprovado, pelo que a causa

de aumento não reclama incidência.”

Ali, foi visto que, segundo a compreensão do

Juízo, não é determinante à tipicidade da conduta que

tenha sido individualizado ato de ofício objeto de

mercancia, pois que a tipicidade incide sobre a mercancia

da função, desde que as vantagens pagas ou ofertadas

busquem a produção de atos de ofício “lícitos ou

ilícitos, determinados ou indeterminados” (fls. 3607v.).

Logo, o Juízo, tendo em conta o quanto

comprovado, aferiu a tipicidade da conduta do embargante,

não havendo que se falar em omissão de análise de tese;

isto porque, como dito acima, desde que externada

fundamentação suficiente, não há que se falar em omissão

de temas pelo Magistrado, se devidamente apreciada a

questão, ainda que não feita menção específica a

determinado fraseamento empregado por uma das partes.

Este o caso, pois que o tema da “sedução do

funcionário público”, externado nas alegações finais do

embargante (fls. 3211) - em que haveria apenas a intenção

de “gracejar servidores estatais”, como “liberalidade”,

mas sem buscar “macular o funcionamento da atividade da

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administração” (fls. 3212), situação na qual o agir

seria, ao aviso do embargante, atípico -, não tinha por

que ser apreciado, quando da aferição da tipicidade da JFRJ


Fls 1589
conduta, pois que esta última, tal como tido pelo Juízo

por comprovado nos itens 2.2.1.4.1., 2.2.1.4.2.,

2.2.1.4.3 e 2.2.1.4.4., contemplou pagamentos destinados

especificamente a produzir atuações distorcidas do

percipiente, em favor do Grupo SBM, e não se tratavam de

mera liberalidade desinteressada, como alegado.

Logo, não há que se falar em omissão de tese

impertinente ao tema então em apreciação – a tipicidade

do agir de JÚLIO FAERMAN, em relação à contratação do

FPSO MARLIM SUL -, pelo que a alegação recursal, quanto

ao ponto, improcede.

Já no item 2.2.1.6.4. (fls. 3647/3647v.), foi

verificado que não foi identificado ato de ofício

específico que tenha sido mercanciado, pelo que o Juízo

entendeu que os pagamentos – positivamente aferidos no

item 2.2.1.6.1. (fls. 3641/3643), quanto a PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO e com direta vinculação à contratação

pertinente às monoboias da PRA-1, tal como concluído no

item 2.2.1.6.3. (fls. 3645/3647) – não geraram comprovada

contrapartida ilícita.

A seguir, no item 2.2.1.6.5. (fls.

3647v./3653), foi examinada, pelo Juízo, a natureza dos

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valores pagos por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO.

JFRJ
Na oportunidade, o Juízo concluiu que os
Fls 1590
valores em questão se revestiam da natureza de vantagens

indevidas e buscavam produzir favorecimentos ao Grupo

SBM, representado comercialmente pelo pagador, no âmbito

da contratação pertinente às monoboias da PRA-1, pelos

seguintes fundamentos: (a) mesmo não comprovada

contrapartida, tal como aferido no item 2.2.1.6.4. (fls.

3647/3647V.), as regras da experiência comum ensinam que

pagamentos a funcionários públicos, em relação a

determinada situação em que têm ingerência direta, na

qual interessado o pagador – como aferido ser o caso de

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, relativamente à contratação

referente às monoboias da PRA-1, no item 2.2.1.6.3. (fls.

3646) –, costumam visar produzir resultados favorecedores

ao pagador ou pessoas a ele relacionadas, não sendo

condutas desinteressadas; (b) pela elevada remuneração

percebida por PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, ao tempo dos

fatos, não necessitava de quaisquer atos caritários; (c)

esta percepção é fortalecida pela observação do quanto

ocorrido nos casos dos FPSOs ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA

(item 2.2.1.2.), BRASIL (item 2.2.1.3.) e CAPIXABA (item

2.2.1.5.), em que efetivamente houve pagamentos por JÚLIO

FAERMAN a funcionários da PETROBRÁS, e comprovadas

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contrapartidas ilícitas, na forma de favorecimento ao

Grupo SBM.

JFRJ
A seguir, o Juízo afastou teses defensivas que
Fls 1591
se voltavam à desconstituição da caracterização dos

valores pagos como vantagens indevidas; tratou da

pretensa caracterização da paga como mera capitulação a

investidas extorsivas, que teriam sido empreendidas por

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, e a refutou com base nos

seguintes argumentos: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO negou

ter dirigido ameaças ou extorsão aos pagadores JÚLIO

FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA; (b) as

ameaças articuladas pelo embargante e LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA não teriam aptidão para incutir-lhes

temor, pois que, em episódio envolvendo a contratação do

FPSO MARLIM SUL, tratado no item 2.2.1.4., houve

desentendimento entre o embargante e PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, que disse que se empenharia pela vitória de

concorrente do Grupo SBM em certame licitatório prévio à

pactuação, em função do que, como retaliação, o

embargante não pagou quaisquer valores indevidos a PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO, e nenhuma consequência danosa adveio

ao Grupo SBM, que, mesmo assim, saiu-se vencedor e logrou

ser contratado; (c) a pretensa credibilidade de eventual

ameaça que tal seria ainda mais aniquilada pela

consideração de que, quando do desentendimento, diversos

outros contratos estavam em vigência, mas em nenhum houve

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retaliação da parte de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO; (d) da

mesma forma, a contratação relativa às monoboias da PRA-1

foi posterior ao desentendimento, de maneira que, se JFRJ


Fls 1592
ameaça tivesse havido – e isto não restou comprovado -,

não teria qualquer eficácia intimidatória; (d) foram

comprovados pagamentos a empregados da paraestatal,

dentre os quais PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, com produção de

contrapartida ilícita em favor do Grupo SBM em outras

contratações – casos dos FPSOs ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA, BRASIL e CAPIXABA – nas quais o embargante

também alegou terem sido feitos os desembolsos sob

quadrantes de ameaça; (e) ocorre que, se ameaça houvesse

– e os pagamentos tivessem sido mera capitulação -, não

haveria razão plausível para que se tivessem produzido

favorecimentos, pois que o achacador já teria obtido seu

desiderato, não havendo motivação discernível para este

praticar ilicitude outra e se expor ainda mais a

potencial responsabilização; (f) relatos de JÚLIO FAERMAN

no sentido de que teria havido exigência de valores, por

parte de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, foram construídos

justamente para afastar a voluntariedade dos pagamentos,

e, pois, eventual incidência da norma penal incriminadora

pertinente à corrupção ativa; (g) a forma de pagamento

dos valores, por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA – com emprego de contas no exterior

registradas em nome de sociedades offshore – não condiz

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com a prática de atos não revestidos de ilicitude – como

no caso em que vitimados os pagadores por investidas

extorsivas -, sendo, por outro lado, indicativo de que JFRJ


Fls 1593
todos os intervenientes estavam a conscientemente

praticar crime, e buscavam, por isso, esconder os rastros

de suas condutas; (h) a intenção de escondimento foi

ainda extraível da forma como se deu o pagamento de

parcela da remuneração devida pelo Grupo SBM a JÚLIO

FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA, pelos

serviços por estes prestados de representação comercial e

da qual parte era destinada aos pagamentos a PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO: com utilização de contas no exterior

registradas em nome de sociedades offshore, sem contrato

com o grupo empresarial, fato que chamou a atenção de

diversos empregados deste, tendo havido repetidas

determinações no sentido de que o assunto fosse tratado

sigilosamente, o que bem indica que tudo isto se inseria

em uma estrutura em que crimes eram praticados, mais

especificamente de corrupção de funcionários públicos, e

havia preocupação com a detecção do quadro.

Com base nestes argumentos, concluiu o Juízo

que os montantes pagos por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO

CAMPOS BARBOSA DA SILVA a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO eram

vantagens indevidas; neste passo, apreciou-se a motivação

dos pagamentos, e concluiu o Juízo que buscavam produzir

favorecimentos ao Grupo SBM, relativamente à contratação

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condizente com as monoboias da PRA-1, com base nas

seguintes razões: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO ocupava

posição – e atuou em diversos momentos nesta capacidade – JFRJ


Fls 1594
diretamente relacionada à contratação em questão, apto,

portanto, a promover grandes benefícios ao Grupo SBM,

tudo a redundar em convicção de que a intenção dos

pagamentos era de provocar distorções funcionais diversas

em favor do grupo empresarial, ao longo de toda a

vigência contratual, não se circunscrevendo a apenas um

episódio objetivado.

Fácil é ver que, ao contrário do quanto alegado

pelo embargante, maxima venia concessa, no item

sentencial em questão – cuja parcela foi transcrita na

peça recursal (fls. 3932) - não é apreciada a tipicidade

da conduta, pelo que, por evidente, não tem cabimento a

apreciação de tese voltada a obter juízo de sua

atipicidade, naquele trecho do ato guerreado.

A propósito, a tipicidade da conduta, tal como

tida por comprovada nos itens 2.2.1.6.1. – pagamentos

feitos por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA

SILVA a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.6.3. – os

pagamentos se relacionaram à contratação pertinente às

monoboias da PRA-1 -, 2.2.1.6.4. –, sem comprovado

favorecimento ao Grupo SBM, como contrapartida aos

pagamentos – e 2.2.1.6.5. – os pagamentos tinham natureza

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de vantagens indevidas e se voltavam a produzir

favorecimentos ao Grupo SBM - foi apurada no item

2.2.1.6.7. – item 2.2.1.6.7.2. (fls. 3607/3613) mais JFRJ


Fls 1595
especificamente no tocante a JÚLIO FAERMAN – e seu

corréu, em idêntica situação no caso, LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA.

Ali, foi dito que (fls. 3658v.):

“Em relação a JÚLIO FAERMAN e LUÍS

EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA, sua

conduta de ofertar e pagar vantagens

indevidas a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO,

funcionário público e em razão de sua

posição funcional, e visando determiná-

lo a praticar atos de ofício em

benefício do Grupo SBM, representado

comercialmente pelos pagadores, ostenta

tipicidade, sob a previsão do art. 333

do CP; e, não tendo sido comprovado

episódio de efetivo favorecimento ao

Grupo SBM, em contrapartida aos valores

ofertados e pagos, com distorção ilícita

do agir funcional do beneficiário das

vantagens, não incide ainda a norma do

art. 333, § único, do CP.

(...)

Como se vê da dicção legal, basta a

oferta ao funcionário público, de

vantagem indevida, com o fim de

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determiná-lo à prática de atos de ofício

– lícitos ou ilícitos, determinados ou

indeterminados -, para tipificação da


JFRJ
conduta, sob a previsão do art. 333, Fls 1596
caput, do CP; ocorre que, se verificada

a efetiva prática de ilicitude pelo

funcionário público corrompido, em

contrapartida à vantagem indevida

ofertada ou paga, a conduta, dotada de

maior reprovabilidade, passa a atrair a

causa de aumento de pena contida no art.

333, § único, do CP, dado que, em casos

assim e conforme o fraseamento legal, o

funcionário “pratica [ato de ofício]

infringindo dever funcional”, o que,

contudo, e como já exposto, não restou

comprovado, pelo que a causa de aumento

não reclama incidência; esta, contudo,

era evidentemente a motivação dos

pagamentos, que buscavam, assim, que o

percipiente praticasse atos, dentro de

seu círculo competencial, em favor do

grupo empresarial representado

comercialmente pelos corruptores.”

Ali, foi visto que, segundo a compreensão do

Juízo, não é determinante à tipicidade da conduta que

tenha sido individualizado ato de ofício objeto de

mercancia, pois que a tipicidade incide sobre a mercancia

da função, desde que as vantagens pagas ou ofertadas

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busquem a produção de atos de ofício “lícitos ou

ilícitos, determinados ou indeterminados” (fls. 3607v.).

JFRJ
Logo, o Juízo, tendo em conta o quanto
Fls 1597
comprovado, aferiu a tipicidade da conduta do embargante,

não havendo que se falar em omissão de análise de tese;

isto porque, como dito acima, desde que externada

fundamentação suficiente, não há que se falar em ausência

de apreciação de temas tidos pelo Magistrado por

impertinentes.

Este o caso, pois que o tema da “sedução do

funcionário público”, externado nas alegações finais do

embargante (fls. 3211) - em que haveria apenas a intenção

de “gracejar servidores estatais”, como “liberalidade”,

mas sem buscar “macular o funcionamento da atividade da

administração” (fls. 3212), situação na qual o agir

seria, ao aviso do embargante, atípico -, não tinha por

que ser apreciado, quando da aferição da tipicidade da

conduta, pois que esta última, tal como tido pelo Juízo

por comprovado nos itens 2.2.1.6.1., 2.2.1.6.3.,

2.2.1.6.4. e 2.2.1.6.5., compreendeu pagamentos

destinados especificamente a produzir atuações

distorcidas do percipiente, em favor do Grupo SBM, e não

se tratavam de mera liberalidade desinteressada, como

alegado.

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Logo, não há que se falar em omissão de tese

impertinente ao tema então em apreciação – a tipicidade

do agir de JÚLIO FAERMAN e de LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA JFRJ


Fls 1598
DA SILVA, em relação à contratação condizente com as

monoboias da PRA-1 -, pelo que a alegação recursal,

quanto ao ponto, improcede.

Por fim, no item 2.2.1.8.3. (fls. 3696v./3697),

foi verificado que não foi identificado ato de ofício

específico que tenha sido mercanciado, pelo que o Juízo

entendeu que os pagamentos – positivamente aferidos no

item 2.2.1.8.1. (fls. 3693/3694v.), quanto a PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO e com direta vinculação à contratação da

construção, aquisição e operação do FPSO P-57, verificada

no item 2.2.1.8.2. (fls. 3694v./3696v.) – não geraram

comprovada contrapartida ilícita.

A seguir, no item 2.2.1.8.4. (fls.

3697/3702v.), foi examinada, pelo Juízo, a natureza dos

valores pagos por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO.

Na oportunidade, o Juízo concluiu que os

valores em questão se revestiam da natureza de vantagens

indevidas e buscavam produzir favorecimentos ao Grupo

SBM, representado comercialmente pelos pagadores, no

âmbito da contratação da construção, aquisição e operação

da P-57, pelos seguintes fundamentos: (a) mesmo não

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comprovada contrapartida, tal como aferido no item

2.2.1.8.3. (fls. 3696v./3697), as regras da experiência

comum ensinam que pagamentos a funcionários públicos, em JFRJ


Fls 1599
relação a determinada situação em que têm ingerência

direta, de interesse do pagador – como aferido ser o caso

de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, relativamente à contratação

da construção, aquisição e operação do FPSO P-57, no item

2.2.1.8.2. (fls. 3696v.), – costumam visar produzir

resultados favorecedores ao pagador ou pessoas a ele

relacionadas, não sendo condutas desinteressadas; (b)

pela elevada remuneração percebida por PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, ao tempo dos fatos, não necessitava de quaisquer

atos caritários; (c) esta percepção é fortalecida pela

observação do quanto ocorrido nos casos dos FPSOs

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA (item 2.2.1.2.), BRASIL

(item 2.2.1.3.) e CAPIXABA (item 2.2.1.5.), assim como no

caso do turret da P-53 (item 2.2.1.7.), em que

efetivamente houve pagamentos por JÚLIO FAERMAN – no

último caso, com o auxílio de LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA

DA SILVA - a funcionários da PETROBRÁS, e comprovadas

contrapartidas ilícitas, na forma de favorecimento ao

Grupo SBM.

A seguir, o Juízo afastou teses defensivas que

se voltavam à desconstituição da caracterização dos

valores pagos como vantagens indevidas; tratou da

pretensa caracterização da paga como mera capitulação a

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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investidas extorsivas, que teriam sido empreendidas por

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, e a refutou com base nos

seguintes argumentos: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO negou JFRJ


Fls 1600
ter dirigido ameaças ou extorsão aos pagadores JÚLIO

FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA; (b) as

ameaças articuladas pelo embargante e LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA não teriam aptidão para incutir-lhes

temor, pois que, em episódio envolvendo a contratação do

FPSO MARLIM SUL, tratado no item 2.2.1.4., houve

desentendimento entre o embargante e PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, que disse que se empenharia pela vitória de

concorrente do Grupo SBM em certame licitatório prévio à

pactuação, em função do que, como retaliação, o

embargante não pagou quaisquer valores indevidos a PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO, e nenhuma consequência danosa adveio

ao Grupo SBM, que, mesmo assim, saiu-se vencedor e logrou

ser contratado; (c) a credibilidade de eventual ameaça

que tal seria ainda mais aniquilada pela consideração de

que, quando do desentendimento, diversos outros contratos

estavam em vigência, mas em nenhum houve retaliação da

parte de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO; (d) da mesma forma, a

contratação relativa à construção, aquisição e operação

da P-57 foi posterior ao desentendimento, de maneira que,

se ameaça tivesse havido – e isto não restou comprovado -

, não teria qualquer eficácia intimidatória; (d) foram

comprovados pagamentos a empregados da paraestatal,

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dentre os quais PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, com produção de

contrapartida ilícita em favor do Grupo SBM em outras

contratações – casos dos FPSOs ESPADARTE/CIDADE DE JFRJ


Fls 1601
ANCHIETA, BRASIL e CAPIXABA – nas quais o embargante

também alegou terem sido feitos os desembolsos sob

quadrantes de ameaça; (e) ocorre que, se ameaça houvesse

– e os pagamentos tivessem sido mera capitulação -, não

haveria razão plausível para que se tivessem produzido

favorecimentos, pois que o achacador já teria obtido seu

desiderato, não havendo motivação discernível para este

praticar ilicitude outra e se expor ainda mais a

potencial responsabilização; (f) relatos de JÚLIO FAERMAN

no sentido de que teria havido exigência de valores, por

parte de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO, foram construídos

justamente para afastar a voluntariedade dos pagamentos,

e, pois, eventual incidência da norma penal incriminadora

pertinente à corrupção ativa; (g) a forma de pagamento

dos valores, por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA – com emprego de contas no exterior

registradas em nome de sociedades offshore – não condiz

com a prática de atos não revestidos de ilicitude – como

no caso em que vitimados os pagadores por investidas

extorsivas -, sendo, por outro lado, indicativo de que

todos os intervenientes estavam a praticar crime, e

buscavam, por isso, esconder os rastros de suas condutas;

(h) a intenção de escondimento foi ainda extraível da

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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forma como se deu o pagamento de parcela da remuneração

devida pelo Grupo SBM a JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO

CAMPOS BARBOSA DA SILVA, pelos serviços por estes JFRJ


Fls 1602
prestados de representação comercial e da qual parte era

destinada aos pagamentos a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO: com

utilização de contas no exterior registradas em nome de

sociedades offshore, sem contrato com o grupo

empresarial, fato que chamou a atenção de diversos

empregados deste, tendo havido repetidas determinações de

que o assunto fosse tratado sigilosamente, o que bem

indica que tudo isto se inseria em uma estrutura em que

crimes eram conscientemente praticados, mais

especificamente de corrupção de funcionários públicos, e

se buscava ocultá-los.

Com base nestes argumentos, concluiu o Juízo

que os montantes pagos por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO

CAMPOS BARBOSA DA SILVA a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO eram

vantagens indevidas; neste passo, apreciou-se a motivação

dos pagamentos, e concluiu o Juízo que buscavam produzir

favorecimentos ao Grupo SBM, relativamente à contratação

da construção, aquisição e operação da P-57, com base nas

seguintes razões: (a) PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO ocupava

posição – e atuou em diversos momentos nesta capacidade –

diretamente relacionada à contratação em questão, apto,

portanto, a promover grandes benefícios ao Grupo SBM,

tudo a redundar em convicção de que a intenção dos

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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pagamentos era de provocar distorções funcionais diversas

em favor do grupo empresarial, ao longo de toda a

vigência contratual, não se circunscrevendo a apenas um JFRJ


Fls 1603
episódio objetivado.

Fácil é ver que, ao contrário do quanto alegado

pelo embargante, maxima venia concessa, no item

sentencial em questão – cuja parcela foi transcrita na

peça recursal (fls. 3932) - não é apreciada a tipicidade

da conduta, pelo que, por evidente, não tem cabimento a

apreciação de tese voltada a obter juízo de sua

atipicidade, naquele trecho do ato guerreado.

A propósito, a tipicidade da conduta, tal como

tida por comprovada nos itens 2.2.1.8.1. – pagamentos

feitos por JÚLIO FAERMAN e LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA

SILVA a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.8.2. – os

pagamentos se relacionaram à contratação da construção,

aquisição e operação da P-57 -, 2.2.1.8.3. –, sem

comprovado favorecimento ao Grupo SBM, como contrapartida

aos pagamentos – e 2.2.1.8.4. – os pagamentos tinham

natureza de vantagens indevidas e se voltavam a produzir

favorecimentos ao Grupo SBM -, foi apurada no item

2.2.1.8.6. – item 2.2.1.8.6.2. (fls. 3707v./3714) mais

especificamente no tocante a JÚLIO FAERMAN e seu corréu,

em idêntica situação no caso, LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA

DA SILVA.

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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Ali, foi dito que (fls. 3708):

“Em relação a JÚLIO FAERMAN e LUÍS

EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA, sua JFRJ


Fls 1604
conduta de ofertar e pagar vantagens

indevidas a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO,

funcionário público e em razão de sua

posição funcional, e visando determiná-

lo a praticar atos de ofício em

benefício do Grupo SBM, representado

comercialmente pelos pagadores, ostenta

tipicidade, sob a previsão do art. 333

do CP; e, não tendo sido comprovado

episódio de efetivo favorecimento ao

Grupo SBM, em contrapartida aos valores

ofertados e pagos, com distorção ilícita

do agir funcional do beneficiário das

vantagens, não incide ainda a norma do

art. 333, § único, do CP.

(...)

Como se vê da dicção legal, basta a

oferta ao funcionário público, de

vantagem indevida, com o fim de

determiná-lo à prática de atos de ofício

– lícitos ou ilícitos, determinados ou

indeterminados -, para tipificação da

conduta, sob a previsão do art. 333,

caput, do CP; ocorre que, se verificada

a efetiva prática de ilicitude pelo

funcionário público corrompido, em

contrapartida à vantagem indevida

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ofertada ou paga, a conduta, dotada de

maior reprovabilidade, passa a atrair a

causa de aumento de pena contida no art.


JFRJ
333, § único, do CP, dado que, em casos Fls 1605
assim e conforme o fraseamento legal, o

funcionário “pratica [ato de ofício]

infringindo dever funcional”, o que,

contudo, e como já exposto, não restou

comprovado, pelo que a causa de aumento

não reclama incidência; esta, contudo,

era evidentemente a motivação dos

pagamentos, que buscavam, assim, que o

percipiente praticasse atos, dentro de

seu círculo competencial, em favor do

grupo empresarial representado

comercialmente pelos corruptores.”

Ali, foi visto que, segundo a compreensão do

Juízo, não é determinante à tipicidade da conduta que

tenha sido individualizado ato de ofício objeto de

mercancia, pois que a tipicidade incide sobre a mercancia

da função, desde que as vantagens pagas ou ofertadas

busquem a produção de atos de ofício “lícitos ou

ilícitos, determinados ou indeterminados” (fls. 3607v.).

Logo, o Juízo, tendo em conta o quanto

comprovado, aferiu a tipicidade da conduta do embargante,

não havendo que se falar em omissão de análise de tese;

isto porque, como dito acima, desde que externada

fundamentação suficiente, não há que se falar em ausência

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de apreciação de temas tidos pelo Magistrado por

impertinentes.

JFRJ
Este o caso, pois que o tema da “sedução do
Fls 1606
funcionário público”, externado nas alegações finais do

embargante (fls. 3211) - em que haveria apenas a intenção

de “gracejar servidores estatais”, como “liberalidade”,

mas sem buscar “macular o funcionamento da atividade da

administração” (fls. 3212), situação na qual o agir

seria, ao aviso do embargante, atípico -, não tinha por

que ser apreciado, quando da aferição da tipicidade da

conduta, pois que esta última, tal como tido pelo Juízo

por comprovado nos itens 2.2.1.8.1., 2.2.1.8.2.,

2.2.1.8.3. e 2.2.1.8.4., compreendeu pagamentos

destinados especificamente a produzir atuações

distorcidas do percipiente, em favor do Grupo SBM, e não

se tratavam de mera liberalidade desinteressada, como

alegado.

Logo, não há que se falar em omissão de tese

impertinente ao tema então em apreciação – a tipicidade

do agir de JÚLIO FAERMAN e de LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA

DA SILVA, em relação à contratação da construção,

aquisição e operação da P-57 -, pelo que a alegação

recursal, quanto ao ponto, improcede.

Assim sendo, e verificado que os vícios de que

se queixa o embargante neste tópico recursal, em

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realidade, inexistem, data maxima venia, os embargos,

neste ponto, serão inacolhidos.

II.1.1.1.11. OMISSÃO – ANÁLISE DE TESE DE JFRJ


Fls 1607
INAPLICABILIDADE DE CAUSA DE AUMENTO DE PENA – IMPUTAÇÃO

OBJETIVA, DOMÍNIO CAUSAL E AUTORRESPONSABILIDADE DE

FUNCIONÁRIOS DA PETROBRÁS – ITENS 2.2.1.2.7.2.,

2.2.1.3.7.2., 2.2.1.5.6.2., 2.2.1.7.7.2. E 2.2.1.9.6.2.

O embargante alegou que, nos itens sentenciais

indicados e em apreciação dos delitos de corrupção ativa

que lhe teriam sido imputados, o Juízo teria asseverado

ter havido violação de deveres funcionais, por parte de

percipientes de valores por ele pagos, com incidência de

causa de aumento de pena, em função de ter identificado

nexo causal entre pagamentos e as mencionadas violações;

contudo, a seu sentir, “do que se extrai da leitura da r.

sentença, tal análise deixou de levar em conta a

necessidade de imputação objetiva e dados inerentes como

falta de domínio do curso causal e presença de fator de

autorresponsabilidade dos funcionários”, o que teria sido

articulado no tópico “IV.3” de seus memoriais.

Asseriu que haveria, no caso, omissão de tese

defensiva, cuja sanação requereu.

A alegação do embargante é a de que o Juízo

teria deixado de considerar, como teses defensivas, a

“imputação objetiva” e a “falta de domínio causal” suas,

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enquanto pagador de valores aos funcionários públicos em

questão, relativamente aos atos por estes últimos

praticados com violação de seus deveres funcionais, assim JFRJ


Fls 1608
como a “autorresponsabilidade destes”, tudo

conducentemente, em sua visão, à impossibilidade de

incidência da causa de aumento de pena do art. 333, §

único, do CP, no que toca aos atos de corrupção ativa que

o Juízo entendeu foram por ele praticados.

Perscrutando os itens sentenciais de que se

queixa, percebo, maxima venia concessa, que não há, em

realidade, a omissão alegada; explico.

No item sentencial 2.2.1.2.7.2. (fls.

3554v./3562v.), o Juízo aferiu a tipicidade da conduta do

embargante, relativamente à contratação do FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA, tal como aferida, em

diversos aspectos, nos itens 2.2.1.2.1. – pagamentos

feitos pelo embargante a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -,

2.2.1.2.2. – pagamentos feitos pelo embargante a PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -, 2.2.1.2.3. – os pagamentos

tinham relação concreta e específica com a contratação do

FPSO ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA -, 2.2.1.2.4. – houve

um comprovado episódio de favorecimento ao Grupo SBM, no

procedimento licitatório que precedeu a contratação,

causado pelos pagamentos e como sua contrapartida, e

provocado por atuações funcionais distorcidas de PAULO

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ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -,

2.2.1.2.5. – os pagamentos mencionados ostentavam a

natureza de vantagens indevidas e buscavam a produção de JFRJ


Fls 1609
favorecimentos ao Grupo SBM, não se limitando a objetivar

apenas a ocorrência do único comprovado episódio de

favorecimento – e 2.2.1.2.6. – PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO eram, ao tempo dos fatos e

segundo as normas então vigentes, funcionários públicos

para fins penais.

Externou o Juízo sua convicção de que a conduta

de JÚLIO FAERMAN foi típica, sob a previsão do art. 333,

§ único, do CP; a aferição da tipicidade foi feita, como

já dito, à luz da conduta tida por comprovada, em todas

as suas circunstâncias, nos itens precedentes.

Assim, as teses apontadas como omitidas, pelo

embargante, em realidade, se voltam contra a convicção –

firmada em outros itens sentenciais -, acerca da ligação

causal entre pagamentos de vantagens indevidas por ele

feitos a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO, de um lado, e, de outro, a efetivamente

comprovada contrapartida ilícita, na forma de violação de

seus deveres funcionais, materializada em favorecimento

outorgado ao Grupo SBM, pelo embargante comercialmente

representado; ainda naqueles itens, ficou consignado que

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os pagamentos motivaram e causaram os atos ilícitos de

favorecimento.

JFRJ
As teses, portanto, não tinham locus de
Fls 1610
apreciação quando da aferição da tipicidade, mas nos

itens em que aferida a mataria fática, voltando-se contra

a convicção exposta no parágrafo anterior.

Isto porque as alegações de “falta de imputação

objetiva” e de “falta de domínio do curso causal”

caracterizam a compreensão do embargante de que os atos

indevidos de favorecimento não poderiam ser tidos como

causados pelos pagamentos por ele feitos aos autores de

tais malfeitos – PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROEBRTO

BUARQUE CARNEIRO – e, portanto, não poderiam ser

considerados para aumento de sua pena; já a tese da

“autorresponsabilidade dos funcionários públicos”

concretiza entendimento de que estes últimos – caso de

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

-, como autores dos atos ilícitos de favorecimento,

seriam os únicos responsáveis por suas consequências, as

quais não poderiam ser imputadas, em incremento de sua

reprimenda, ao pagador de vantagens e extraneus, o

embargante.

Ocorre que ambas foram, em realidade,

rechaçadas pelo Juízo quando entendeu que os atos de

favorecimento, com violação funcional da parte dos

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empregados corrompidos, foram causados pelas vantagens

indevidas que lhes foram ofertadas e pagas pelo

embargante, tema enfrentado expressamente nos itens JFRJ


Fls 1611
2.2.1.2.4. (fls. 3536v./3543v.) e 2.2.1.2.5. (fls.

3543v./3549v.), e que equivale a negar-lhes procedência,

pois que, em ambos os casos, voltam-se a romper o nexo

causal entre os favorecimentos, com violação do dever

funcional e de autoria direta dos corrompidos, e o agir

do pagador, com pretensão de atribuição de

responsabilidade apenas aos primeiros e exoneração ao

último.

Mesmo assim, no item em que examinada a

tipicidade - 2.2.1.2.7.2. (fls. 3554v./3562v.) -, e

enquanto apreciação jurídica a incidir sobre a matéria

fática examinada em momentos anteriores, o Juízo afirmou

que (fls. 3554v./3555):

“Em relação a JÚLIO FAERMAN, sua conduta

de ofertar e pagar vantagens indevidas a

funcionários públicos, em razão de suas

posições funcionais, e visando

determiná-los a praticar atos de ofício

em benefício do Grupo SBM, por ele

representado comercialmente, ostenta

tipicidade, sob a previsão do art. 333

do CP; e, tendo sido verificado episódio

de efetivo favorecimento ao Grupo SBM,

em contrapartida aos valores ofertados e

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pagos, com desvio ilícito do agir

funcional dos beneficiários das

vantagens, incide ainda a norma do art.


JFRJ
333, § único, do CP. Fls 1612

(...)

Como se vê da dicção legal, basta a

oferta ao funcionário público, de

vantagem indevida, com o fim de

determiná-lo à prática de atos de ofício

– lícitos ou ilícitos, determinados ou

indeterminados -, para tipificação da

conduta, sob a previsão do art. 333,

caput, do CP; ocorre que, se verificada

efetiva prática de ilicitude pelo

funcionário público corrompido, em

contrapartida à vantagem indevida

ofertada ou paga, a conduta, dotada de

maior reprovabilidade, passa a atrair a

causa de aumento de pena contida no art.

333, § único, do CP, dado que, em casos

assim e conforme o fraseamento legal, o

funcionário “pratica [ato de ofício]

infringindo dever funcional”.

Saliento, quanto ao ponto, que, maxima

vênia concessa, não enxergo procedência

na alegação defensiva de que, tendo sido

o ato desvirtuado praticado pelo

corrompido, o incremento de apenação do

corruptor seria hipótese de

responsabilidade penal sem comprovação

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de nexo causal (art. 13 do CP) entre o

agir ilícito e a conduta do corruptor;

de fato, se se verifica a ocorrência de


JFRJ
pagamentos indevidos pelo corruptor ao Fls 1613
corrompido, e, de outro lado, a prática

de atos, por parte do corrompido, em

violação a seus deveres funcionais, é

isto poderoso indício (art. 239 do CPP)

de que os dois eventos estão ligados por

liame causal.

Isto porque, por um lado, atos ilícitos

em proveito de terceiros, da parte do

intraneus e em violação a seus deveres

funcionais, não costumam ocorrer sem

provocação, por mera liberalidade – até

mesmo porque ilicitudes expõe (sic) o

empregado público a responsabilização -,

sem qualquer motivação discernível; de

outro lado, pagamentos de vantagens

indevidas costumam ser motivação

suficiente ao cometimento de ilicitudes

em desrespeito aos deveres funcioanis

(sic) aplicáveis, por parte do

intraneus, tanto mais quando em

benefício do pagador das vantagens ou de

indivíduos a ele relacionados.

Ausente comprovação em sentido contrário

– que, no caso em estudo, como visto nos

itens acima, inexistiu – evidentemente

que é de se ter, como já explicado

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anteriormente, pagamentos e atos em

violação aos deveres funcionais como

unidos por liame causal.


JFRJ
E, se é assim, é óbvio que o agir do Fls 1614

corruptor – ao ofertar e pagar vantagens

indevidas – foi causa (art. 13 do CP) do

atuar do corrompido, em violação a seus

deveres funcionais, pelo que o resultado

ilícito, que incrementa a pena da

corrupção ativa (art. 333, § único, do

CP), lhe é plenamente imputável”

Neste trecho, foi rechaçada a tese de que o

resultado incrementador da pena não poderia ser imputável

ao embargante, seja sob a negativa de imputabilidade pura

- “ausência de imputação objetiva” e “falta de domínio do

curso causal“ -, seja sob a asserção de que seriam

responsáveis apenas os corrompidos –

“autorresponsabilidade dos funcionários públicos” -;

ainda que não tenha sido mencionado o fraseamento dado

pelo embargante a suas alegações, é evidente que foram

apreciadas, com externação de juízo de sua improcedência.

Não há, assim e em realidade, a omissão

articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

eiva nem necessidade de corrigenda, tal como vindicado

pelo embargante.

Ainda em atenção aos temas suscitados pelo

embargante, no item sentencial 2.2.1.3.7.2. (fls.

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3586/3593v.), o Juízo aquilatou a tipicidade da conduta

do embargante, relativamente à contratação do FPSO

BRASIL, tal como aferida, em diversos aspectos, nos itens JFRJ


Fls 1615
2.2.1.3.1. – pagamentos feitos pelo embargante a PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.3.2. – pagamentos feitos pelo

embargante a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -, 2.2.1.3.3.

– os pagamentos tinham relação concreta e específica com

a contratação do FPSO BRASIL -, 2.2.1.3.4. – houve um

comprovado episódio de favorecimento ao Grupo SBM, no

procedimento de consulta ao mercado que precedeu a

contratação, causado pelos pagamentos e como sua

contrapartida, e provocado por atuações funcionais

distorcidas de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO e PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.3.5. – os pagamentos

mencionados ostentavam a natureza de vantagens indevidas

e buscavam a produção de favorecimentos ao Grupo SBM, não

se limitando a objetivar apenas a ocorrência do

comprovado episódio de favorecimento – e 2.2.1.3.6. –

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

eram, ao tempo dos fatos e segundo as normas então

vigentes, funcionários públicos para fins penais.

Externou o Juízo sua convicção de que a conduta

de JÚLIO FAERMAN foi típica, sob a previsão do art. 333,

§ único, do CP; a aferição da tipicidade foi feita, como

já dito, à luz da conduta tida por comprovada, em todas

as suas circunstâncias, nos itens precedentes.

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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Assim, as teses apontadas por omitidas pelo

embargante, em realidade, se voltam contra a convicção –

firmada em outros itens sentenciais -, acerca da ligação JFRJ


Fls 1616
causal entre pagamentos de vantagens indevidas por ele

feitos a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO, de um lado, e, de outro, a efetiva e comprovada

contrapartida ilícita, na forma de violação de seus

deveres funcionais, materializada em favorecimento

outorgado ao Grupo SBM, por ele representado; ainda

naqueles itens, ficou consignado que os pagamentos

motivaram e causaram os atos ilícitos de favorecimento.

As teses, portanto, não tinham locus de

apreciação quando da aferição da tipicidade, mas nos

itens em que apreciada a matéria fática, voltando-se

contra a convicção exposta no parágrafo anterior.

Isto porque as alegações de “falta de imputação

objetiva” e de “falta de domínio do curso causal”

caracterizam a compreensão do embargante de que os atos

indevidos de favorecimento não poderiam ser tidos como

causados pelos pagamentos por ele feitos aos autores de

tais malfeitos – PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROEBRTO

BUARQUE CARNEIRO – e, portanto, não poderiam ser

considerados para aumento de sua pena; já a tese da

“autorresponsabilidade dos funcionários públicos”

concretiza entendimento de que estes últimos – caso de

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

-, como autores dos atos ilícitos de favorecimento,

seriam os únicos responsáveis por suas consequências, as JFRJ


Fls 1617
quais não poderiam ser imputadas, em incremento de sua

reprimenda, ao pagador de vantagens e extraneus, o

embargante.

Ocorre que ambas foram, em realidade,

rechaçadas pelo Juízo quando entendeu que os atos de

favorecimento, com violação funcional, da parte dos

empregados corrompidos, foram causados pelas vantagens

indevidas que lhes foram ofertadas e pagas pelo

embargante, tema enfrentado expressamente nos itens

2.2.1.3.4. (fls. 3567v./3575) e 2.2.1.3.5. (fls.

3575/3580v.), e que equivale a negar-lhes procedência,

pois que, em ambos os casos, voltam-se a romper o nexo

causal entre os favorecimentos, com violação do dever

funcional, de autoria direta dos corrompidos, e o agir do

pagador, com pretensão de atribuição de responsabilidade

apenas aos primeiros e exoneração ao último.

Mesmo assim, no item em que examinada a

tipicidade - 2.2.1.3.7.2. (fls. 3586/3593v.) -, e

enquanto apreciação jurídica a incidir sobre a matéria

fática examinada em momentos anteriores, o Juízo afirmou

que (fls. 3586/3586v.):

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“Em relação a JÚLIO FAERMAN, suas

condutas de ofertar e pagar vantagens

indevidas a funcionários públicos, em


JFRJ
razão de suas posições funcionais, e Fls 1618
visando determiná-los a praticar atos de

ofício em benefício do Grupo SBM, por

ele representado comercialmente,

ostentam tipicidade, sob a previsão do

art. 333 do CP; e, tendo sido verificado

episódio de efetivo favorecimento ao

Grupo SBM, em contrapartida aos valores

ofertados e pagos, com desvirtuamento

ilícito do agir funcional dos

beneficiários das vantagens, incide

ainda a norma do art. 333, § único, do

CP.

(...)

Como se vê da dicção legal, basta a

oferta ao funcionário público, de

vantagem indevida, com o fim de

determiná-lo à prática de atos de ofício

– lícitos ou ilícitos, determinados ou

indeterminados -, para tipificação da

conduta, sob a previsão do art. 333,

caput, do CP; ocorre que, se verificada

a efetiva prática de ilicitude pelo

funcionário público corrompido, em

contrapartida à vantagem indevida

ofertada ou paga, a conduta, dotada de

maior reprovabilidade, passa a atrair a

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causa de aumento de pena contida no art.

333, § único, do CP, dado que, em casos

assim e conforme o fraseamento legal, o


JFRJ
funcionário “pratica [ato de ofício] Fls 1619
infringindo dever funcional”.

Saliento, quanto ao ponto, que, maxima

vênia concessa, não enxergo procedência

na alegação defensiva de que, tendo sido

o ato desvirtuado praticado pelo

corrompido, o incremento de apenação do

corruptor seria hipótese de

responsabilidade penal sem comprovação

de nexo causal (art. 13 do CP) entre o

agir ilícito e a conduta do corruptor;

de fato, se se verifica a ocorrência de

pagamentos indevidos pelo corruptor ao

corrompido, e, de outro lado, a prática

de atos, por parte do corrompido, em

violação a seus deveres funcionais, é

isto poderoso indício (art. 239 do CPP)

de que os dois eventos estão ligados por

liame causal.

Isto porque, por um lado, atos ilícitos

em proveito de terceiros, da parte do

intraneus e em violação a seus deveres

funcionais, não costumam ocorrer sem

provocação, por mera liberalidade – até

mesmo porque ilicitudes expõe (sic) o

empregado público a responsabilização -,

sem qualquer motivação discernível; de

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outro lado, pagamentos de vantagens

indevidas costumam ser motivação

suficiente ao cometimento de ilicitudes


JFRJ
em desrespeito aos deveres funcioanis Fls 1620
(sic) aplicáveis, por parte do

intraneus, tanto mais quando em

benefício do pagador das vantagens ou de

indivíduos a ele relacionados.

Ausente comprovação em sentido contrário

– que, no caso em estudo, como visto nos

itens acima, inexistiu – evidentemente

que é de se ter, como já explicado

anteriormente, pagamentos e atos em

violação aos deveres funcionais como

unidos por liame causal.

E, se é assim, é óbvio que o agir do

corruptor – ao ofertar e pagar vantagens

indevidas – foi causa (art. 13 do CP) do

atuar do corrompido, em violação a seus

deveres funcionais, pelo que o resultado

ilícito, que incrementa a pena da

corrupção ativa (art. 333, § único, do

CP), lhe é plenamente imputável”

Neste trecho, foi rechaçada a tese de que o

resultado incrementador da pena não poderia ser imputável

ao embargante, seja sob a negativa de imputabilidade pura

- “ausência de imputação objetiva” e “falta de domínio do

curso causal“ -, seja sob a asserção de que seriam

responsáveis apenas os corrompidos –

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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“autorresponsabilidade dos funcionários públicos” -;

ainda que não tenha sido mencionado o fraseamento dado

pelo embargante a suas alegações, é evidente que foram JFRJ


Fls 1621
apreciadas, com externação de juízo de sua improcedência.

Não há, assim e em realidade, a omissão

articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

eive nem necessidade de corrigenda, tal como vindicado

pelo embargante.

Continuando a apreciação dos temas suscitados

pelo embargante, no item sentencial 2.2.1.5.6.2. (fls.

3534/3640), o Juízo aferiu a tipicidade da conduta do

embargante, relativamente à contratação do FPSO CAPIXABA,

tal como aquilatada, em diversos aspectos, nos itens

2.2.1.5.1. – pagamentos feitos pelo embargante a PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -, 2.2.1.5.2. – os pagamentos

tinham relação concreta e específica com a contratação do

FPSO CAPIXABA -, 2.2.1.5.3. – houve um comprovado

episódio de favorecimento ao Grupo SBM, no curso da

relação contratual, com incremento indevido de sua

expressão econômica, causado pelos pagamentos e como sua

contrapartida, e provocado por atuações funcionais

distorcidas de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -,

2.2.1.5.4. – os pagamentos mencionados ostentavam a

natureza de vantagens indevidas e buscavam a produção de

favorecimentos ao Grupo SBM, não se limitando a objetivar

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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apenas a ocorrência do comprovado episódio de

favorecimento – e 2.2.1.5.5. (indicado por erro material,

em fls. 3629, como 2.2.1.5.4.) – PAULO ROBERTO BUARQUE JFRJ


Fls 1622
CARNEIRO era, ao tempo dos fatos e segundo as normas

então vigentes, funcionário público para fins penais.

Externou o Juízo sua convicção de que a conduta

de JÚLIO FAERMAN foi típica, sob a previsão do art. 333,

§ único, do CP; a aferição da tipicidade foi feita, como

já dito, à luz da conduta tida por comprovada, em todas

as suas circunstâncias, nos itens precedentes.

Assim, as teses apontadas por omitidas pelo

embargante, em realidade, se voltam contra a convicção –

firmada em outros itens sentenciais -, acerca da ligação

causal entre pagamentos de vantagens indevidas por ele

feitos a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, de um lado, e,

de outro, a efetiva e comprovada contrapartida ilícita,

na forma de violação de seus deveres funcionais,

materializada em favorecimento outorgado ao Grupo SBM,

por ele representado; ainda naqueles itens, ficou

consignado que os pagamentos motivaram e causaram os atos

ilícitos de favorecimento.

As teses, portanto, não tinham locus de

apreciação quando da aferição da tipicidade, mas nos

itens em que examinada a matéria fática, voltando-se

contra a convicção exposta no parágrafo anterior.

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Isto porque as alegações de “falta de imputação

objetiva” e de “falta de domínio do curso causal”

caracterizam a compreensão do embargante de que os atos JFRJ


Fls 1623
indevidos de favorecimento não poderiam ser tidos como

causados pelos pagamentos por ele feitos ao autor de tais

malfeitos – PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO – e, portanto,

não poderiam ser considerados para aumento de sua pena;

já a tese da “autorresponsabilidade dos funcionários

públicos” concretiza entendimento de que este último –

caso de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -, como autor dos

atos ilícitos de favorecimento, seria o único responsável

por suas consequências, as quais não poderiam ser

imputadas, em incremento de sua reprimenda, ao pagador de

vantagens e extraneus, o embargante.

Ocorre que ambas foram, em realidade,

rechaçadas pelo Juízo quando entendeu que os atos de

favorecimento, com violação funcional, da parte do

empregado corrompido, foram causados pelas vantagens

indevidas que lhe foram ofertadas e pagas pelo

embargante, tema enfrentado expressamente nos itens

2.2.1.5.3. (fls. 3616/3625) e 2.2.1.5.4. (fls.

3625/3629), e que equivale a negar-lhes procedência, pois

que, em ambos os casos, voltam-se a romper o nexo causal

entre o favorecimento, com violação do dever funcional,

de autoria direta do corrompido, e o agir do pagador, com

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pretensão de atribuição de responsabilidade apenas ao

primeiro e exoneração do último.

JFRJ
Mesmo assim, no item em que examinada a
Fls 1624
tipicidade - 2.2.1.5.6.2. (fls. 3634/3640) -, e enquanto

apreciação jurídica a incidir sobre a matéria fática

examinada em momentos anteriores, o Juízo afirmou que

(fls. 3634/3634v.):

“Em relação a JÚLIO FAERMAN, sua conduta

de ofertar e pagar vantagens indevidas a

funcionário público, em razão de sua

posição funcional, e visando determiná-

lo a praticar atos de ofício em

benefício do Grupo SBM, por ele

representado comercialmente, ostenta

tipicidade, sob a previsão do art. 333

do CP; e, tendo sido verificado episódio

de efetivo favorecimento ao Grupo SBM,

em contrapartida aos valores ofertados e

pagos, com distorcimento ilícito do agir

funcional do beneficiário das vantagens,

incide ainda a norma do art. 333, §

único, do CP.

(...)

Como se vê da dicção legal, basta a

oferta ao funcionário público, de

vantagem indevida, com o fim de

determiná-lo à prática de atos de ofício

– lícitos ou ilícitos, determinados ou

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indeterminados -, para tipificação da

conduta, sob a previsão do art. 333,

caput, do CP; ocorre que, se verificada


JFRJ
a efetiva prática de ilicitude pelo Fls 1625
funcionário público corrompido, em

contrapartida à vantagem indevida

ofertada ou paga, a conduta, dotada de

maior reprovabilidade, passa a atrair a

causa de aumento de pena contida no art.

333, § único, do CP, dado que, em casos

assim e conforme o fraseamento legal, o

funcionário “pratica [ato de ofício]

infringindo dever funcional”.

Saliento, quanto ao ponto, que, maxima

vênia concessa, não enxergo procedência

na alegação defensiva de que, tendo sido

o ato desvirtuado praticado pelo

corrompido, o incremento de apenação do

corruptor seria hipótese de

responsabilidade penal sem comprovação

de nexo causal (art. 13 do CP) entre o

agir ilícito e a conduta do corruptor;

de fato, se se verifica a ocorrência de

pagamentos indevidos pelo corruptor ao

corrompido, e, de outro lado, a prática

de atos, por parte do corrompido, em

violação a seus deveres funcionais, é

isto poderoso indício (art. 239 do CPP)

de que os dois eventos estão ligados por

liame causal.

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Isto porque, por um lado, atos ilícitos

em proveito de terceiros, da parte do

intraneus e em violação a seus deveres


JFRJ
funcionais, não costumam ocorrer sem Fls 1626
provocação, por mera liberalidade – até

mesmo porque ilicitudes expõe (sic) o

empregado público a responsabilização -,

sem qualquer motivação discernível; de

outro lado, pagamentos de vantagens

indevidas costumam ser motivação

suficiente ao cometimento de ilicitudes

em desrespeito aos deveres funcioanis

(sic) aplicáveis, por parte do

intraneus, tanto mais quando em

benefício do pagador das vantagens ou de

indivíduos a ele relacionados.

Ausente comprovação em sentido contrário

– que, no caso em estudo, como visto nos

itens acima, inexistiu – evidentemente

que é de se ter, como já explicado

anteriormente, pagamentos e atos em

violação aos deveres funcionais como

unidos por liame causal.

E, se é assim, é óbvio que o agir do

corruptor – ao ofertar e pagar vantagens

indevidas – foi causa (art. 13 do CP) do

atuar do corrompido, em violação a seus

deveres funcionais, pelo que o resultado

ilícito, que incrementa a pena da

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corrupção ativa (art. 333, § único, do

CP), lhe é plenamente imputável”

Neste trecho, foi rechaçada a tese de que o JFRJ


Fls 1627
resultado incrementador da pena não poderia ser imputável

ao embargante, seja sob a negativa de imputabilidade pura

- “ausência de imputação objetiva” e “falta de domínio do

curso causal“ -, seja sob a asserção de que seriam

responsáveis apenas os corrompidos –

“autorresponsabilidade dos funcionários públicos” -;

ainda que não tenha sido mencionado o fraseamento

específico dado pelo embargante a suas alegações, é

evidente que foram apreciadas, com externação de juízo de

sua improcedência.

Não há, assim e em realidade, a omissão

articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

eive nem necessidade de corrigenda, tal como vindicado

pelo embargante.

Prosseguindo com a apreciação dos temas

suscitados pelo embargante neste tópico recursal, no item

sentencial 2.2.1.7.7.2. (fls. 3685/3692), o Juízo aferiu

a tipicidade da conduta do embargante, relativamente à

contratação do turret da P-53, tal como aquilatada, em

diversos aspectos, nos itens 2.2.1.7.1. – pagamentos

feitos pelo embargante e LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA

SILVA a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.7.3. – os

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pagamentos tinham relação concreta e específica com a

contratação do turret da P-53 -, 2.2.1.7.4. – houve um

comprovado episódio de favorecimento ao Grupo SBM, no JFRJ


Fls 1628
certame licitatório que precedeu a contratação, causado

pelos pagamentos, como sua contrapartida, e provocado por

atuações funcionais distorcidas de PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO -, 2.2.1.7.5. – os pagamentos mencionados

ostentavam a natureza de vantagens indevidas e buscavam a

produção de favorecimentos ao Grupo SBM, não se limitando

a objetivar apenas a ocorrência do comprovado episódio de

favorecimento – e 2.2.1.7.6. – PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO

era, ao tempo dos fatos e segundo as normas então

vigentes, funcionário público para fins penais.

Externou o Juízo sua convicção de que a conduta

de JÚLIO FAERMAN – assim como a de LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA, que com ele atuou em consórcio - foi

típica, sob a previsão do art. 333, § único, do CP; a

aferição da tipicidade foi feita, como já dito, à luz da

conduta tida por comprovada, em todas as suas

circunstâncias, nos itens precedentes.

Assim, as teses apontadas pelo embargante como

omitidas, em realidade, se voltam contra a convicção –

firmada em outros itens sentenciais -, acerca da ligação

causal entre pagamentos de vantagens indevidas, por ele e

LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA, feitos a PEDRO JOSÉ

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BARUSCO FILHO, de um lado, e, de outro, a efetiva e

comprovada contrapartida ilícita, na forma de violação de

seus deveres funcionais, materializada em favorecimento JFRJ


Fls 1629
outorgado ao Grupo SBM, por ele representado; ainda

naqueles itens, ficou consignado que os pagamentos

motivaram e causaram os atos ilícitos de favorecimento.

As teses, portanto, não tinham locus de

apreciação quando da aferição da tipicidade, mas nos

itens em que examinada a matéria fática, voltando-se

contra a convicção exposta no parágrafo anterior.

Isto porque as alegações de “falta de imputação

objetiva” e de “falta de domínio do curso causal”

caracterizam a compreensão do embargante de que os atos

indevidos de favorecimento não poderiam ser tidos como

causados pelos pagamentos por ele feitos ao autor de tais

malfeitos – PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO – e, portanto, não

poderiam ser considerados para aumento de sua pena; já a

tese da “autorresponsabilidade dos funcionários públicos”

concretiza entendimento de que este último – caso de

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -, como autor dos atos ilícitos

de favorecimento, seria o único responsável por suas

consequências, as quais não poderiam ser imputadas, em

incremento de sua reprimenda, ao pagador de vantagens e

extraneus, o embargante.

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Ocorre que ambas foram, em realidade,

rechaçadas pelo Juízo quando entendeu que os atos de

favorecimento, com violação funcional, da parte do JFRJ


Fls 1630
empregado corrompido, foram causados pelas vantagens

indevidas que lhe foram ofertadas e pagas pelo

embargante, tema enfrentado expressamente nos itens

2.2.1.7.4. (fls. 3671/3674v.) e 2.2.1.7.5. (fls.

3674v./3679v.), e que equivale a negar-lhes procedência,

pois que, em ambos os casos, voltam-se a romper o nexo

causal entre, de um lado, o favorecimento, com violação

do dever funcional, de autoria direta do corrompido, e,

de outro, o agir do pagador, com pretensão de atribuição

de responsabilidade apenas ao primeiro e exoneração ao

último.

Mesmo assim, no item em que examinada a

tipicidade - 2.2.1.7.7.2. (fls. 3685/3692) -, e enquanto

apreciação jurídica a incidir sobre a matéria fática

examinada em momentos anteriores, o Juízo afirmou que

(fls. 3685/3685v.):

“Em relação a JÚLIO FAERMAN e LUÍS

EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA, sua

conduta de ofertar e pagar vantagens

indevidas a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO,

funcionário público e em razão de sua

posição funcional, visando determiná-lo

a praticar atos de ofício em benefício

do Grupo SBM, representado

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comercialmente pelos pagadores, ostenta

tipicidade, sob a previsão do art. 333

do CP; e, tendo sido verificado episódio


JFRJ
de efetivo favorecimento ao Grupo SBM, Fls 1631
em contrapartida aos valores ofertados e

pagos, com distorcimento ilícito do agir

funcional do beneficiário das vantagens,

incide ainda a norma do art. 333, §

único, do CP.

(...)

Como se vê da dicção legal, basta a

oferta ao funcionário público, de

vantagem indevida, com o fim de

determiná-lo à prática de atos de ofício

– lícitos ou ilícitos, determinados ou

indeterminados -, para tipificação da

conduta, sob a previsão do art. 333,

caput, do CP; ocorre que, se verificada

efetiva prática de ilicitude pelo

funcionário público corrompido, em

contrapartida à vantagem indevida

ofertada ou paga, a conduta, dotada de

maior reprovabilidade, passa a atrair a

causa de aumento de pena contida no art.

333, § único, do CP, dado que, em casos

assim e conforme o fraseamento legal, o

funcionário “pratica [ato de ofício]

infringindo dever funcional”.

Saliento, quanto ao ponto, que, maxima

vênia concessa, não enxergo procedência

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na alegação defensiva de que, tendo sido

o ato desvirtuado praticado pelo

corrompido, o incremento de apenação do


JFRJ
corruptor seria hipótese de Fls 1632
responsabilidade penal sem comprovação

de nexo causal (art. 13 do CP) entre o

agir ilícito e a conduta do corruptor;

de fato, se se verifica a ocorrência de

pagamentos indevidos pelo corruptor ao

corrompido, e, de outro lado, a prática

de atos, por parte do corrompido, em

violação a seus deveres funcionais, é

isto poderoso indício (art. 239 do CPP)

de que os dois eventos estão ligados por

liame causal.

Isto porque, por um lado, atos ilícitos

em proveito de terceiros, da parte do

intraneus e em violação a seus deveres

funcionais, não costumam ocorrer sem

provocação, por mera liberalidade – até

mesmo porque ilicitudes expõe (sic) o

empregado público a responsabilização -,

sem qualquer motivação discernível; de

outro lado, pagamentos de vantagens

indevidas costumam ser motivação

suficiente ao cometimento de ilicitudes

em desrespeito aos deveres funcioanis

(sic) aplicáveis, por parte do

intraneus, tanto mais quando em

benefício do pagador das vantagens ou de

indivíduos a ele relacionados.

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Ausente comprovação em sentido contrário

– que, no caso em estudo, como visto nos

itens acima, inexistiu – evidentemente


JFRJ
que é de se ter, como já explicado Fls 1633
anteriormente, pagamentos e atos em

violação aos deveres funcionais como

unidos por liame causal.

E, se é assim, é óbvio que o agir do

corruptor – ao ofertar e pagar vantagens

indevidas – foi causa (art. 13 do CP) do

atuar do corrompido, em violação a seus

deveres funcionais, pelo que o resultado

ilícito, que incrementa a pena da

corrupção ativa (art. 333, § único, do

CP), lhe é plenamente imputável”

Neste trecho, foi rechaçada a tese de que o

resultado incrementador da pena não poderia ser imputável

ao embargante, seja sob a negativa de imputabilidade pura

- “ausência de imputação objetiva” e “falta de domínio do

curso causal“ -, seja sob a asserção de que seriam

responsáveis apenas os corrompidos –

“autorresponsabilidade dos funcionários públicos” -;

ainda que não tenha sido mencionado o fraseamento

específico dado pelo embargante a suas alegações, é

evidente que foram apreciadas, com externação de juízo de

sua improcedência.

Não há, assim e em realidade, a omissão

articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

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eive nem necessidade de corrigenda, tal como vindicado

pelo embargante.

JFRJ
Por fim, no item sentencial 2.2.1.9.6.2. (fls.
Fls 1634
3733v./3740), o Juízo aferiu a tipicidade da conduta do

embargante – juntamente à de LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA

DA SILVA -, relativamente a episódios de vazamento de

informações e documentos sigilosos da paraestatal

brasileira, tal como aferida, em diversos aspectos, nos

itens 2.2.1.9.1. – pagamentos feitos pelo embargante e

LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA a JORGE LUIZ ZELADA

-, 2.2.1.9.2. – os pagamentos buscavam provocar a

violação ao dever de sigilo, da parte de JORGE LUIZ

ZELADA, em relação a documentos e informações a que

tivesse acesso em função de sua atuação profissional -,

2.2.1.9.3. – houve comprovados episódios de violação a

tal dever funcional da parte de JORGE LUIZ ZELADA, como

contrapartida aos pagamentos, em vista de documentos

sigilosos que foram entregues indevidamente aos pagadores

de vantagens -, 2.2.1.9.4. – os pagamentos mencionados

ostentavam a natureza de vantagens indevidas e buscavam a

produção de favorecimentos ao Grupo SBM, por meio da

obtenção indevida de informações e documentos sigilosos,

não se limitando a objetivar apenas a ocorrência dos

comprovados episódios em que isso se deu – e 2.2.1.9.5. –

JORGE LUIZ ZELADA era, ao tempo dos fatos e segundo as

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normas então vigentes, funcionário público para fins

penais.

JFRJ
Externou o Juízo sua convicção de que a conduta
Fls 1635
de JÚLIO FAERMAN – assim como a de LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA, que com ele atuou em consórcio - foi

típica, sob a previsão do art. 333, § único, do CP; a

aferição da tipicidade foi feita, como já dito, à luz da

conduta tida por comprovada, em todas as suas

circunstâncias, nos itens precedentes.

Assim, as teses apontadas pelo embargante como

omitidas, em realidade, se voltam contra a convicção –

firmada em outros itens sentenciais -, acerca da ligação

causal entre pagamentos de vantagens indevidas, por ele e

LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA, feitos a JORGE LUIZ

ZELADA, de um lado, e, de outro, a efetiva e comprovada

contrapartida ilícita, na forma de violação de seus

deveres funcionais, materializada em fornecimentos de

documentos e informações sigilosos, indevidamente; ainda

naqueles itens, ficou consignado que os pagamentos

motivaram e causaram os atos ilícitos que foram sua

contrapartida.

As teses, portanto, não tinham locus de

apreciação quando da aferição da tipicidade, mas nos

itens em que examinada a matéria fática, voltando-se

contra a convicção exposta no parágrafo anterior.

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Isto porque as alegações de “falta de imputação

objetiva” e de “falta de domínio do curso causal”

caracterizam a compreensão do embargante de que os atos JFRJ


Fls 1636
indevidos de favorecimento não poderiam ser tidos como

causados pelos pagamentos por ele feitos ao autor de tais

malfeitos – JORGE LUIZ ZELADA – e, portanto, não poderiam

ser considerados para aumento de sua pena; já a tese da

“autorresponsabilidade dos funcionários públicos”

concretiza entendimento de que este último – caso de

JORGE LUIZ ZELADA -, como autor dos atos ilícitos de

violação ao dever de sigilo, seria o único responsável

por suas consequências, as quais não poderiam ser

imputadas, em incremento de sua reprimenda, aos pagadores

de vantagens e extraneii, o embargante e LUÍS EDUARDO

CAMPOS BARBOSA DA SILVA.

Ocorre que ambas foram, em realidade,

rechaçadas pelo Juízo quando entendeu que os atos de

favorecimento, com violação funcional, da parte do

empregado corrompido, foram causados pelas vantagens

indevidas que lhe foram ofertadas e pagas pelo

embargante, tema enfrentado expressamente nos itens

2.2.1.9.2. (fls. 3717/3719v.), 2.2.1.9.3. (fls.

3719v./33728) e 2.2.1.9.4. (fls. 3728/3729), e que

equivale a negar-lhes procedência, pois que, em ambos os

casos, voltam-se a romper o nexo causal entre, de um

lado, o favorecimento, com violação do dever funcional,

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de autoria direta do corrompido, e, de outro, o agir do

pagador, com pretensão de atribuição de responsabilidade

apenas ao primeiro e exoneração ao último. JFRJ


Fls 1637
Mesmo assim, no item em que examinada a

tipicidade - 2.2.1.9.6.2. (fls. 3733v./3740) -, e

enquanto apreciação jurídica a incidir sobre a matéria

fática examinada em momentos anteriores, o Juízo afirmou

que (fls. 3733v./3734):

“Em relação a JÚLIO FAERMAN e LUÍS

EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA, sua

conduta de ofertar e pagar vantagens

indevidas a JORGE LUIZ ZELADA,

funcionário público e em razão de sua

posição funcional, visando determiná-lo

a praticar atos de ofício em benefício

do Grupo SBM, representado

comercialmente pelos pagadores, ostenta

tipicidade, sob a previsão do art. 333

do CP; e, tendo sido verificados dois

episódios de efetivo favorecimento ao

Grupo SBM, em contrapartida aos valores

ofertados e pagos, com distorcimento

ilícito do agir funcional do

beneficiário das vantagens, incide ainda

a norma do art. 333, § único, do CP.

(...)

Como se vê da dicção legal, basta a

oferta ao funcionário público, de

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vantagem indevida, com o fim de

determiná-lo à prática de atos de ofício

– lícitos ou ilícitos, determinados ou


JFRJ
indeterminados -, para tipificação da Fls 1638
conduta, sob a previsão do art. 333,

caput, do CP; ocorre que, se verificada

efetiva prática de ilicitude pelo

funcionário público corrompido, em

contrapartida à vantagem indevida

ofertada ou paga, a conduta, dotada de

maior reprovabilidade, passa a atrair a

causa de aumento de pena contida no art.

333, § único, do CP, dado que, em casos

assim e conforme o fraseamento legal, o

funcionário “pratica [ato de ofício]

infringindo dever funcional”.

Saliento, quanto ao ponto, que, maxima

vênia concessa, não enxergo procedência

na alegação defensiva de que, tendo sido

o ato desvirtuado praticado pelo

corrompido, o incremento de apenação do

corruptor seria hipótese de

responsabilidade penal sem comprovação

de nexo causal (art. 13 do CP) entre o

agir ilícito e a conduta do corruptor;

de fato, se se verifica a ocorrência de

pagamentos indevidos pelo corruptor ao

corrompido, e, de outro lado, a prática

de atos, por parte do corrompido, em

violação a seus deveres funcionais, é

isto poderoso indício (art. 239 do CPP)

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de que os dois eventos estão ligados por

liame causal.

Isto porque, por um lado, atos ilícitos


JFRJ
em proveito de terceiros, da parte do Fls 1639

intraneus e em violação a seus deveres

funcionais, não costumam ocorrer sem

provocação, por mera liberalidade – até

mesmo porque ilicitudes expõe (sic) o

empregado público a responsabilização -,

sem qualquer motivação discernível; de

outro lado, pagamentos de vantagens

indevidas costumam ser motivação

suficiente ao cometimento de ilicitudes

em desrespeito aos deveres funcioanis

(sic) aplicáveis, por parte do

intraneus, tanto mais quando em

benefício do pagador das vantagens ou de

indivíduos a ele relacionados.

Ausente comprovação em sentido contrário

– que, no caso em estudo, como visto nos

itens acima, inexistiu – evidentemente

que é de se ter, como já explicado

anteriormente, pagamentos e atos em

violação aos deveres funcionais como

unidos por liame causal.

E, se é assim, é óbvio que o agir do

corruptor – ao ofertar e pagar vantagens

indevidas – foi causa (art. 13 do CP) do

atuar do corrompido, em violação a seus

deveres funcionais, pelo que o resultado

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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ilícito, que incrementa a pena da

corrupção ativa (art. 333, § único, do

CP), lhe é plenamente imputável”


JFRJ
Neste trecho, foi rechaçada a tese de que o Fls 1640

resultado incrementador da pena não poderia ser imputável

ao embargante, seja sob a negativa de imputabilidade pura

- “ausência de imputação objetiva” e “falta de domínio do

curso causal“ -, seja sob a asserção de que seriam

responsáveis apenas os corrompidos –

“autorresponsabilidade dos funcionários públicos” -;

ainda que não tenha sido mencionado o fraseamento

específico dado pelo embargante a suas alegações, é

evidente que foram apreciadas, com externação de juízo de

sua improcedência.

Não há, assim e em realidade, a omissão

articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

eiva nem necessidade de corrigenda, tal como articulado

pelo embargante.

Enfrentados todos os pontos abordados pelo

embargante em seu recurso, neste tópico, e verificada a

improcedência de seus argumentos, consequência natural

será o inacolhimento dos aclaratórios, relativamente ao

ora apreciado.

II.1.1.1.12. OBSCURIDADE – FUNDAMENTAÇÃO DA

EXPECTATIVA DE CONTRAPARTIDA – CONCLUSÃO SEM

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IDENTIFICAÇÃO DE LASTRO PROBATÓRIO – ITENS 2.2.1.2.7.2.,

2.2.1.3.7.2., 2.2.1.4.6.2., 2.2.1.5.6.2., 2.2.1.6.7.2.

2.2.1.7.7.2. E 2.2.1.9.6.2. JFRJ


Fls 1641
O embargante articulou que, na apreciação

empreendida nos itens sentenciais indicados neste tópico

recursal, o Juízo teria ressaltado que os pagamentos por

aquele realizados teriam sido presididos pela intenção de

“obtenção de favorecimentos à SBM, “como ampliação de

prazos ou incremento remuneratório”, dentre outros” (fls.

3936), mas que, tais fins teriam sido apontados pelo

Juízo de forma “exemplificativa, sem que se possa

depreender os elementos probatórios utilizados par dar

respaldo à r. fundamentação” (fls. 3939/3940); postulou

fosse o quadro aclarado.

De plano – e maxima venia concessa -, percebe-

se que não há, em verdade, qualquer obscuridade, que,

como tantas vezes já assentado neste ato decisório,

pressupõe incompreensão do ato guerreado; da argumentação

traçada, verifico que o embargante, em realidade,

discorda da apreciação judicial empreendida nos itens

sentenciais por ele apontados, já que crê que as

conclusões judiciais, acerca das motivações dos

pagamentos por ele realizados – e aferidos positivamente

pelo Juízo –, não teriam assento firme em elementos

probatórios idoneamente adunados aos autos, ao menos

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segundo o quanto restou pelo Juízo consignado, na

fundamentação sentencial.

JFRJ
Esta discordância, por evidente, pressupõe
Fls 1642
compreensão, e, conseguintemente, não há que se falar na

ocorrência do agitado vício de embargabilidade, a macular

o ato guerreado, pelo que, apenas por isso, não há como

se dar provimento ao recurso intentado.

Seja como for, examinando os itens sentenciais

de que se queixa o embargante, percebo que o lastro

probante das conclusões judiciais foi devidamente

apresentado, como passo a expor.

No item 2.2.1.2.7.2. (fls. 3554v./3562), foi

apreciada a tipicidade da conduta de JÚLIO FAERMAN, em

relação aos fatos envolvendo a contratação do FPSO

ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA e tal como aferida, em

diversos aspectos, nos itens 2.2.1.2.1. (fls.

3532/3532v.) – pagamentos feitos pelo embargante a PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.2.2. (fls. 3532v./3533v.) –

pagamentos feitos pelo embargante a PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO -, 2.2.1.2.3. (fls. 3533v./3536v.) – os

pagamentos tinham relação concreta e específica com a

contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE ANCHIETA -,

2.2.1.2.4. (fls. 3536v./3543v.) – houve um comprovado

episódio de favorecimento ao Grupo SBM, no procedimento

licitatório que precedeu a contratação, causado pelos

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pagamentos, como sua contrapartida, e provocado por

atuações funcionais distorcidas de PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.2.5. (fls. JFRJ


Fls 1643
3543v./3549v.) – os pagamentos mencionados ostentavam a

natureza de vantagens indevidas e buscavam a produção de

favorecimentos ao Grupo SBM, não se limitando a objetivar

apenas a ocorrência do comprovado episódio de

favorecimento – e 2.2.1.2.6. (fls. 3549v./3552v.) – PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO eram,

ao tempo dos fatos e segundo as normas então vigentes,

funcionários públicos para fins penais.

Externou o Juízo sua convicção de que a conduta

de JÚLIO FAERMAN foi típica, sob a previsão do art. 333,

§ único, do CP; a aferição da tipicidade foi feita, como

já dito, à luz da conduta tida por comprovada, em todas

as suas circunstâncias, tal como aferido nos itens

sentenciais precedentes.

Logo se vê, portanto, que a motivação dos

pagamentos – a busca da obtenção de favorecimentos ao

Grupo SBM – foi tomada como premissa no item

2.2.1.2.7.2., em que aferida a tipicidade de sua conduta

e do qual se queixa o embargante, pois que ali se

externou apreciação jurídica incidente sobre a matéria

fática tida por comprovada pelo Juízo, após apreciada em

momento anterior.

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De outro norte, e como visto acima, os

fundamentos da convicção acerca da motivação dos

pagamentos feitos pelo embargante a PAULO ROBERTO BUARQUE JFRJ


Fls 1644
CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO foram expostos

detidamente no item sentencial 2.2.1.2.5. (fls.

3543v./3549v.).

Com efeito, naquele item, o Juízo entendeu que,

tendo havido episódio de favorecimento ao Grupo SBM,

relativamente à contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA, em contrapartida aos valores pagos a PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, tal como

apreciado no item 2.2.1.2.4. (fls. 3536v./3543v.), avulta

a natureza dos valores como vantagens indevidas.

Em seguida, fundamentadamente afastou teses

defensivas a respeito desta natureza dos valores pagos –

no sentido de que aqueles montantes franqueados a PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO seriam remuneração por

determinado serviço prestado, enquanto os montantes pagos

a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO seriam mera capitulação a

investidas extorsivas de sua parte -, e consignou, a

respeito do escopo de motivação dos desembolsos (fls.

3546/3546v.):

“Um outro ponto merece esclarecimento:

do que se percebe dos autos, aliado à

percepção do que comumente ocorre em

fatos desta natureza (art. 3º do CPP,

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c/c art. 375 do CPC), evidentemente, os

pagamentos feitos a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO não tinham como único


JFRJ
fim promover a dilação prazal Fls 1645
insuficiente para assegurar a

competitividade do certame, mas

buscavam, assim como em relação a PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO, motivá-los a

genericamente favorecer o Grupo SBM, no

âmbito desta contratação, desde o

certame prévio à pactuação, perdurando

ao longo do tempo de relacionamento

contratual; não fosse assim, os

pagamentos não teriam persistido ao

longo de grande parcela da execução

contratual, que foi, além do mais,

objeto de diversos aditivos (arquivos

digitais, do tipo “PDF”, encontráveis na

pasta “(3-4) FPSO Cidade de Anchieta”,

contida na mídia encartada em fls. 41 do

Anexo III, Vol. 8, do PIC

1.30.001.000837/2014-68), inclusive com

incremento de prazo de vigência.

A motivação de distorcimento da atuação

funcional dos empregados da PETROBRÁS

não se limitava à fase licitatória; a

ilicitude neste momento foi a única

detectada como efetivamente empreendida

em favorecimento ao Grupo SBM, até o

momento em que ofertada a denúncia, e

mencionada em seu corpo (fls. 265), mas

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isto não quer dizer que os pagamentos

posteriores tenham sido desprovidos da

intenção de promoção do cogitado


JFRJ
favorecimento pela distorção do agir Fls 1646
funcional dos cooptados, como exposto no

item 2.1.1.6..

(...)

Com efeito, diversas outras

irregularidades foram detectadas pela

Controladoria-Geral da União (fls.

1383/1405); estas, se não se prestam a

comprovação de outras ocorrências de

efetivos desvios funcionais, em

contrapartida aos pagamentos – pois que,

ao contrário da dilação prazal

insuficiente (fls. 265), não foram

mencionados na denúncia (fls. 240/337) -

, sob pena de afronta ao postulado da

adstrição, bem demonstram a persistente

intenção de provocação de favorecimentos

ao grupo empresarial representado pelo

pagador, mediante distorção de atuação

funcional dos recebedores das vantagens,

ao longo da inteireza do relacionamento

contratual entre a PETROBRÁS e o Grupo

SBM, em relação ao FPSO Espadarte/Cidade

de Anchieta; a persistência da intenção,

por outro lado, foi imputada na denúncia

(fls. 255, 267/268), pelo que se presta

a ser tida por comprovada, pelo quanto

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relatado pela Controladoria-Geral da

União.

Em outras palavras: os pagamentos


JFRJ
referentes à contratação do FPSO Fls 1647

Espadarte/Cidade de Anchieta se deram

com vistas a obter favorecimento, por

meio do desvirtuamento da atuação

funcional dos recebedores, e uma

situação concreta em que isto ocorreu

foi relativamente ao procedimento

licitatório que lhe precedeu, com a

redução de seu escopo de

competitividade, o que privilegiou

indevidamente o Grupo SBM, como

multiplamente aferido acima; todos os

valores pagos a PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO – o mesmo se podendo dizer

quanto aos valores direcioandos (sic) a

PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO – tiveram a

natureza, portanto, de vantagens

indevidas.”

Neste trecho, foi exposto de maneira clara em

que se alicerça a convicção do Juízo acerca da motivação

dos pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, de

provocação de favorecimentos diversos ao Grupo SBM, no

âmbito da contratação do FPSO ESPADARTE/CIDADE DE

ANCHIETA; pode o embargante discordar do quanto

apresentado pelo Juízo, mas isto não autoriza o manejo

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indevido, cum permissa, de aclaratórios em face de vício

embargável inexistente.

JFRJ
Não há, assim e em realidade, a obscuridade
Fls 1648
articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

eiva nem necessidade de corrigenda, tal como articulado

pelo embargante.

No item 2.2.1.3.7.2. (fls. 3586/3593v.), foi

apreciada a tipicidade da conduta de JÚLIO FAERMAN, em

relação aos fatos envolvendo a contratação do FPSO BRASIL

e tal como aferida, em diversos aspectos, nos itens

2.2.1.3.1. (fls. 3563v.) – pagamentos feitos pelo

embargante a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.3.2. (fls.

3563v./3564v.) – pagamentos feitos pelo embargante a

PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -, 2.2.1.3.3. (fls.

3564v./3567v.) – os pagamentos tinham relação concreta e

específica com a contratação do FPSO BRASIL -, 2.2.1.3.4.

(fls. 3567v./3575) – houve um comprovado episódio de

favorecimento ao Grupo SBM, no procedimento licitatório

que precedeu a contratação, causado pelos pagamentos,

como sua contrapartida, e provocado por atuações

funcionais distorcidas de PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO

e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.3.5. (fls.

3575/3580v.) – os pagamentos mencionados ostentavam a

natureza de vantagens indevidas e buscavam a produção de

favorecimentos ao Grupo SBM, não se limitando a objetivar

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apenas a ocorrência do comprovado episódio de

favorecimento – e 2.2.1.3.6. (fls. 3580v./3583v.) – PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO eram, JFRJ


Fls 1649
ao tempo dos fatos e segundo as normas então vigentes,

funcionários públicos para fins penais.

Externou o Juízo sua convicção de que a conduta

de JÚLIO FAERMAN foi típica, sob a previsão do art. 333,

§ único, do CP; a aferição da tipicidade foi feita, como

já dito, à luz da conduta tida por comprovada, em todas

as suas circunstâncias, tal como aferido nos itens

sentenciais precedentes.

Logo se vê, portanto, que a motivação dos

pagamentos – a busca da obtenção de favorecimentos ao

Grupo SBM – foi tomada como premissa no item

2.2.1.3.7.2., em que aferida a tipicidade da conduta e do

qual se queixa o embargante, pois que ali se externou

apreciação jurídica incidente sobre a matéria fática tida

por comprovada pelo Juízo, após apreciada em momento

anterior.

De outro norte, e como visto acima, os

fundamentos da convicção acerca da motivação dos

pagamentos feitos pelo embargante a PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO e PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO foram expostos

detidamente no item sentencial 2.2.1.3.5. (fls.

3575/3580v.).

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Com efeito, naquele item, o Juízo entendeu que,

tendo havido episódio de favorecimento ao Grupo SBM,

relativamente à contratação do FPSO BRASIL, em JFRJ


Fls 1650
contrapartida aos valores pagos a PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, tal como

apreciado no item 2.2.1.3.4. (fls. 3567v./3575), avulta a

natureza dos valores como vantagens indevidas.

Em seguida, fundamentadamente afastou teses

defensivas a respeito desta natureza dos valores pagos –

no sentido de que aqueles montantes franqueados a PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO seriam remuneração por

determinado serviço prestado, enquanto os montantes pagos

a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO seriam mera capitulação a

investidas extorsivas de sua parte -, e consignou, a

respeito do escopo de motivação dos desembolsos (fls.

3577v./3578):

“Um outro ponto merece esclarecimento:

do que se percebe dos autos, aliado à

percepção do que comumente ocorre em

fatos desta natureza (art. 3º do CPP,

c/c art. 375 do CPC), evidentemente, os

pagamentos feitos a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO não tinham como único

fim promover a dilação prazal

insuficiente para assegurar a

competitividade do certame, mas

buscavam, assim como em relação a PEDRO

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JOSÉ BARUSCO FILHO, motivá-los a

genericamente favorecer o Grupo SBM, no

âmbito desta contratação, desde os


JFRJ
procedimentos prévios à pactuação, Fls 1651
perdurando ao longo do tempo de

relacionamento contratual; não fosse

assim, os pagamentos não teriam

persistido ao longo de grande parcela da

execução contratual, que foi, além do

mais, objeto de diversos aditivos

(arquivos digitais, do tipo “PDF”,

encontráveis na pasta “(5-7) FPSO

Brasil”, contida na mídia encartada em

fls. 41 do Anexo III, Vol. 8, do PIC

1.30.001.000837/2014-68), inclusive com

incremento de prazo de vigência.

A motivação de deturpação da atuação

funcional dos empregados da PETROBRÁS

não se limitava à etapa precedente à

contratação; a ilicitude neste momento

foi a única detectada como efetivamente

empreendida em favorecimento ao Grupo

SBM, até o momento em que ofertada a

denúncia, e mencionada em seu corpo

(fls. 269), mas isto não quer dizer que

os pagamentos posteriores tenham sido

desprovidos da intenção de promoção do

cogitado favorecimento pela distorção do

agir funcional dos cooptados, como

exposto no item 2.1.1.6..

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(...)

Com efeito, diversas outras

irregularidades foram detectadas pela


JFRJ
Controladoria-Geral da União (fls. Fls 1652

1406/1424); estas, se não se prestam a

comprovação de outras ocorrências de

efetivos desvios funcionais, em

contrapartida aos pagamentos – pois que,

ao contrário da dilação prazal

insuficiente (fls. 269), não foram

mencionados na denúncia (fls. 240/337) -

, sob pena de afronta ao postulado da

adstrição, bem demonstram a persistente

intenção de provocação de favorecimentos

ao grupo empresarial representado pelo

pagador, mediante deturpação de atuação

funcional dos recebedores das vantagens,

ao longo da inteireza do relacionamento

contratual entre a PETROBRÁS e o Grupo

SBM, em relação ao FPSO Brasil; a

persistência da intenção, por outro

lado, foi imputada na denúncia (fls.

255, 270/271), pelo que se presta a ser

tida por comprovada, pelo quanto

relatado pela Controladoria-Geral da

União.

Em outras palavras: os pagamentos

referentes à contratação do FPSO Brasil

se deram com vistas a obter

favorecimento, por meio da distorção da

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atuação funcional dos recebedores, e uma

situação concreta em que isto ocorreu

foi relativamente ao procedimento de


JFRJ
consulta mercadológica que lhe precedeu, Fls 1653
com a dificultação da atuação de outros

interessados, por meio da adoção de

prazo para acudimento extremamente

exíguo, o que privilegiou indevidamente

o Grupo SBM, como multiplamente aferido

acima; todos os valores pagos a PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO tiveram a

natureza, portanto, de vantagens

indevidas, assim como no caso de PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO.”

Neste trecho, foi exposto de maneira clara em

que se alicerça a convicção do Juízo acerca da motivação

dos pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO e PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO, de

provocação de favorecimentos diversos ao Grupo SBM, no

âmbito da contratação do FPSO BRASIL; pode o embargante

discordar do quanto apresentado pelo Juízo, mas isto não

autoriza o manejo indevido, cum permissa, de aclaratórios

em face de vício embargável inexistente.

Não há, assim e em realidade, a obscuridade

articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

eiva nem necessidade de corrigenda, tal como articulado

pelo embargante.

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


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No item 2.2.1.4.6.2. (fls. 3607/3613), foi

apreciada a tipicidade da conduta de JÚLIO FAERMAN, em

relação aos fatos envolvendo a contratação do FPSO MARLIM JFRJ


Fls 1654
SUL e tal como aferida, em diversos aspectos, nos itens

2.2.1.4.1. (fls. 3694v./3595v.) – pagamentos feitos pelo

embargante a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -, 2.2.1.4.2.

(fls. 3595v./3597) – os pagamentos tinham relação

concreta e específica com a contratação do FPSO MARLIM

SUL -, 2.2.1.4.3. (fls. 3597/3598v.) – não restou

comprovado episódio de favorecimento ao Grupo SBM, no

âmbito da contratação, que pudesse ser tido como causado

pelos pagamentos, como sua contrapartida, e provocado por

atuações funcionais distorcidas de PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO -, 2.2.1.4.4. (fls. 3598v./3602v.) – os

pagamentos mencionados ostentavam a natureza de vantagens

indevidas e buscavam a produção de favorecimentos ao

Grupo SBM, não se limitando a objetivar apenas a

ocorrência de um específico episódio de favorecimento – e

2.2.1.4.5. (fls. 3602v./3605) – PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO era, ao tempo dos fatos e segundo as normas

então vigentes, funcionário público para fins penais.

Externou o Juízo sua convicção de que a conduta

de JÚLIO FAERMAN foi típica, sob a previsão do art. 333

do CP; a aferição da tipicidade foi feita, como já dito,

à luz da conduta tida por comprovada, em todas as suas

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circunstâncias, tal como aferido nos itens sentenciais

precedentes.

JFRJ
Logo se vê, portanto, que a motivação dos
Fls 1655
pagamentos – a busca da obtenção de favorecimentos ao

Grupo SBM – foi tomada como premissa no item

2.2.1.4.6.2., em que aferida a tipicidade da conduta e do

qual se queixa o embargante, pois que ali se externou

apreciação jurídica incidente sobre a matéria fática tida

por comprovada pelo Juízo, após apreciada em momento

anterior.

De outro norte, e como visto acima, os

fundamentos da convicção acerca da motivação dos

pagamentos feitos pelo embargante a PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO foram expostos detidamente no item sentencial

2.2.1.4.4. (fls. 3598v./3602v.).

Com efeito, naquele item, o Juízo entendeu que,

mesmo não tendo havido episódio de favorecimento ao Grupo

SBM, relativamente à contratação do FPSO MARLIM SUL, em

contrapartida aos valores pagos a PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO, tal como apreciado no item 2.2.1.4.3. (fls.

3597/3598v.), avulta a natureza dos valores como

vantagens indevidas, dada a observação do comumente

ocorrente em casos desta natureza, além do quanto

transcorrido nas contratações dos FPSOs ESPADARTE/CIDADE

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DE ANCHIETA e BRASIL, em que verificados pagamentos e

correlatos episódios de favorecimentos.

JFRJ
Em seguida, fundamentadamente afastou teses
Fls 1656
defensivas a respeito desta natureza dos valores pagos –

no sentido de que aqueles montantes franqueados a PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO seriam remuneração por

determinado serviço prestado -, e consignou, a respeito

do escopo de motivação dos desembolsos (fls.

3601/3601v.):

“Um outro ponto merece esclarecimento:

do que se percebe dos autos, aliado à

observação do que comumente ocorre em

fatos desta natureza (art. 3º do CPP,

c/c art. 375 do CPC), evidentemente, os

pagamentos feitos a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO não tinham como único

fim promover um único ato de

favorecimento, mas buscavam motivá-lo a

genericamente favorecer o Grupo SBM, no

âmbito desta contratação, perdurando ao

longo do tempo de relacionamento

contratual; não fosse assim, os

pagamentos não teriam persistido ao

longo de grande parcela da execução

contratual, que foi, além do mais,

objeto de diversos aditivos (arquivos

digitais, do tipo “PDF”, encontráveis na

pasta “(8-9) FPSO Marlim Sul”, contida

na mídia encartada em fls. 41 do Anexo

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III, Vol. 8, do PIC

1.30.001.000837/2014-68), inclusive com

incremento de prazo de vigência.


JFRJ
A motivação de deturpação da atuação Fls 1657

funcional do empregado da PETROBRÁS não

se limitava à fase licitatóriasendo

certo que não foram os pagamentos

posteriores desprovidos da intenção de

promoção do cogitado distorcimento, como

exposto no item 2.1.1.6..

(...)

Com efeito, diversas irregularidades

foram apontadas pela Controladoria-Geral

da União (fls. 1437/1450); estas, se não

se prestam a comprovação de outras

ocorrências de efetivos desvios

funcionais, em contrapartida aos

pagamentos – pois que, ao contrário da

alegação de imprecisão na formação da

expectativa de taxa diária de

afretamento (fls. 272), que terminou por

ser tida por incomprovada no item

2.2.1.4.3., não foram mencionados na

denúncia (fls. 240/337) -, sob pena de

afronta ao postulado da adstrição, bem

demonstram a persistente intenção de

provocação de favorecimentos ao grupo

empresarial representado pelo pagador,

mediante distorção de atuação funcional

dos recebedores das vantagens, ao longo

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da inteireza do relacionamento

contratual entre a PETROBRÁS e o Grupo

SBM, em relação ao FPSO Marlim Sul; a


JFRJ
persistência da intenção, por outro Fls 1658
lado, foi imputada na denúncia (fls.

255, 273), pelo que se presta a ser tida

por comprovada, pelo quanto relatado

pela Controladoria-Geral da União.

Em outras palavras: os pagamentos

referentes à contratação do FPSO Marlim

Sul se deram com vistas a obter

favorecimento, por meio do distorcimento

da atuação funcional do recebedor, ainda

que não tenha restado comprovada a única

situação em que a contrapartida indevida

foi imputada denuncialmente; todos os

valores pagos a PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO tiveram a natureza, portanto,

de vantagens indevidas.”

Neste trecho, foi exposto de maneira clara em

que se alicerça a convicção do Juízo acerca da motivação

dos pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO, de provocação de favorecimentos

diversos ao Grupo SBM, no âmbito da contratação do FPSO

MARLIM SUL; pode o embargante discordar do quanto

apresentado pelo Juízo, mas isto não autoriza o manejo

indevido, cum permissa, de aclaratórios em face de vício

embargável inexistente.

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Não há, assim e em realidade, a obscuridade

articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

eiva nem necessidade de corrigenda, tal como articulado JFRJ


Fls 1659
pelo embargante.

No item 2.2.1.5.6.2. (fls. 3634/3640), foi

apreciada a tipicidade da conduta de JÚLIO FAERMAN, em

relação aos fatos envolvendo a contratação do FPSO

CAPIXABA e tal como aferida, em diversos aspectos, nos

itens 2.2.1.5.1. (fls. 3614/3614v.) – pagamentos feitos

pelo embargante a PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO -,

2.2.1.5.2. (fls. 3614v./3616) – os pagamentos tinham

relação concreta e específica com a contratação do FPSO

CAPIXABA -, 2.2.1.5.3. (fls. 3616/3625) – houve um

comprovado episódio de favorecimento ao Grupo SBM, na

repactuação da avença em extrapolação aos limites legais,

no que diz com sua expressão econômica, causado pelos

pagamentos, como sua contrapartida, e provocado por

atuações funcionais distorcidas de PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO -, 2.2.1.5.4. (fls. 3625/3629) – os pagamentos

mencionados ostentavam a natureza de vantagens indevidas

e buscavam a produção de favorecimentos ao Grupo SBM, não

se limitando a objetivar apenas a ocorrência do

comprovado episódio de favorecimento – e 2.2.1.5.5.

[identificado erroneamente como 2.2.1.5.4. novamente]

(fls. 3629/3632) – PAULO ROBERTO BUARQUE CARNEIRO era, ao

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tempo dos fatos e segundo as normas então vigentes,

funcionário público para fins penais.

JFRJ
Externou o Juízo sua convicção de que a conduta
Fls 1660
de JÚLIO FAERMAN foi típica, sob a previsão do art. 333,

§ único, do CP; a aferição da tipicidade foi feita, como

já dito, à luz da conduta tida por comprovada, em todas

as suas circunstâncias, tal como aferido nos itens

sentenciais precedentes.

Logo se vê, portanto, que a motivação dos

pagamentos – a busca da obtenção de favorecimentos ao

Grupo SBM – foi tomada como premissa no item

2.2.1.5.6.2., em que aferida a tipicidade da conduta e do

qual se queixa o embargante, pois que ali se externou

apreciação jurídica incidente sobre a matéria fática tida

por comprovada pelo Juízo, após apreciada em momento

anterior.

De outro norte, e como visto acima, os

fundamentos da convicção acerca da motivação dos

pagamentos feitos pelo embargante a PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO foram expostos detidamente no item sentencial

2.2.1.5.4. (fls. 3625/3629).

Com efeito, naquele item, o Juízo entendeu que,

tendo havido episódio de favorecimento ao Grupo SBM,

relativamente à contratação do FPSO CAPIXABA, em

contrapartida aos valores pagos a PAULO ROBERTO BUARQUE

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CARNEIRO, tal como apreciado no item 2.2.1.5.3. (fls.

3616/3625), avulta a natureza dos valores como vantagens

indevidas. JFRJ
Fls 1661
Em seguida, fundamentadamente afastou teses

defensivas a respeito desta natureza dos valores pagos –

no sentido de que aqueles montantes franqueados a PAULO

ROBERTO BUARQUE CARNEIRO seriam remuneração por

determinado serviço prestado -, e consignou, a respeito

do escopo de motivação dos desembolsos (fls.

3627v./3628):

“Um outro ponto merece esclarecimento:

do que se percebe dos autos, aliado à

percepção do que comumente ocorre em

fatos desta natureza (art. 3º do CPP,

c/c art. 375 do CPC), evidentemente, os

pagamentos feitos a PAULO ROBERTO

BUARQUE CARNEIRO não tinham como único

fim promover um solitário episódio de

favorecimento, mas buscavam motivá-lo a

genericamente favorecer o Grupo SBM, no

âmbito desta contratação, desde os

procedimentos prévios à pactuação,

perdurando ao longo do tempo de

relacionamento contratual; não fosse

assim, os pagamentos não teriam

persistido ao longo de grande parcela da

execução contratual, que foi, além do

mais, objeto de diversos aditivos –

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dentre os quais aquele em que se deu o

favorecimento observado (arquivos

digitais, do tipo “PDF”, encontráveis na


JFRJ
pasta “(10-11) FPSO Capixaba”, contida Fls 1662
na mídia encartada em fls. 41 do Anexo

III, Vol. 8, do PIC

1.30.001.000837/2014-68) -, inclusive

com incremento de prazo de vigência.

A motivação de desvirtuamento da atuação

funcional dos empregados da PETROBRÁS

não se limitava à etapa da negociação do

aditamento; a ilicitude neste momento

foi a única detectada como efetivamente

comprovada, dentre as descritas na

denúncia (fls. 274), como examinado no

item 2.2.1.5.3., mas isto não quer dizer

que os pagamentos outros, tanto

anteriores como posteriores, tenham sido

desprovidos da intenção de promoção do

cogitado distorcimento, como exposto no

item 2.1.1.6..

(...)

Com efeito, diversas outras

irregularidades foram detectadas pela

Controladoria-Geral da União (fls.

1473/1480 e 1485/1505); estas, se não se

prestam a comprovação de outras

ocorrências de efetivos desvios

funcionais, em contrapartida aos

pagamentos – pois que, ao contrário do

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aditamento em extrapolação aos limites

legais (fls. 274), não foram mencionados

na denúncia (fls. 240/337) -, sob pena


JFRJ
de afronta ao postulado da adstrição, Fls 1663
bem demonstram a persistente intenção de

provocação de favorecimentos ao grupo

empresarial representado pelo pagador,

mediante distorcimento de atuação

funcional do recebedor das vantagens, ao

longo da inteireza do relacionamento

contratual entre a PETROBRÁS e o Grupo

SBM, em relação ao FPSO Capixaba; a

persistência da intenção, por outro

lado, foi imputada na denúncia (fls.

255, 276), pelo que se presta a ser tida

por comprovada, pelo quanto relatado

pela Controladoria-Geral da União.

Em outras palavras: os pagamentos

referentes à contratação do FPSO

Capixaba se deram com vistas a obter

favorecimento, por meio do distorcimento

da atuação funcional dos recebedores, e

uma situação concreta em que isto

ocorreu foi relativamente aos

aditamentos contratuais em extrapolação

aos limites legais, o que privilegiou

indevidamente o Grupo SBM, como

multiplamente aferido acima; todos os

valores pagos a PAULO ROBERTO BUARQUE

CARNEIRO tiveram a natureza, portanto,

de vantagens indevidas.”

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Neste trecho, foi exposto de maneira clara em

que se alicerça a convicção do Juízo acerca da motivação

dos pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PAULO ROBERTO JFRJ


Fls 1664
BUARQUE CARNEIRO, de provocação de favorecimentos

diversos ao Grupo SBM, no âmbito da contratação do FPSO

CAPIXABA; pode o embargante discordar do quanto

apresentado pelo Juízo, mas isto não autoriza o manejo

indevido, cum permissa, de aclaratórios em face de vício

embargável inexistente.

Não há, assim e em realidade, a obscuridade

articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

eiva nem necessidade de corrigenda, tal como articulado

pelo embargante.

No item 2.2.1.6.7.2. (fls. 3658v./3664v.), foi

apreciada a tipicidade da conduta de JÚLIO FAERMAN,

juntamente daquela praticada por LUÍS EDUARDO CAMPOS

BARBOSA DA SILVA, em relação aos fatos envolvendo a

contratação das monoboias da PRA-1 e tal como aferida, em

diversos aspectos, nos itens 2.2.1.6.1. (fls. 3641/3643)

– pagamentos feitos pelo embargante a PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO -, 2.2.1.6.2. (fls. 3643/3645) – não foram

suficientemente comprovados pagamentos do embargante a

RENATO DE SOUZA DUQUE -, 2.2.1.6.3. (fls. 3645/3647) - os

pagamentos feitos a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO tinham

relação concreta e específica com a contratação das

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monoboias da PRA-1 -, 2.2.1.6.4. (fls. 3647/3647v.) – não

restou comprovado episódio de favorecimento ao Grupo SBM,

no âmbito da contratação, que pudesse ser tido como JFRJ


Fls 1665
causado pelos pagamentos, como sua contrapartida, e

provocado por atuações funcionais distorcidas de PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.6.5. (fls. 3647v./3653) – os

pagamentos mencionados ostentavam a natureza de vantagens

indevidas e buscavam a produção de favorecimentos ao

Grupo SBM, não se limitando a objetivar apenas a

ocorrência de um específico episódio de favorecimento – e

2.2.1.6.6. (fls. 3653/3656v.) – PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO

era, ao tempo dos fatos e segundo as normas então

vigentes, funcionário público para fins penais.

Externou o Juízo sua convicção de que a conduta

de JÚLIO FAERMAN foi típica, sob a previsão do art. 333

do CP; a aferição da tipicidade foi feita, como já dito,

à luz da conduta tida por comprovada, em todas as suas

circunstâncias, tal como aferido nos itens sentenciais

precedentes.

Logo se vê, portanto, que a motivação dos

pagamentos – a busca da obtenção de favorecimentos ao

Grupo SBM – foi tomada como premissa no item

2.2.1.6.7.2., em que aferida a tipicidade da conduta e do

qual se queixa o embargante, pois que ali se externou

apreciação jurídica incidente sobre a matéria fática tida

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por comprovada pelo Juízo, após apreciação em momento

anterior.

JFRJ
De outro norte, e como visto acima, os
Fls 1666
fundamentos da convicção acerca da motivação dos

pagamentos feitos pelo embargante a PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO foram expostos detidamente no item sentencial

2.2.1.6.5. (fls. 3647v./3653).

Com efeito, naquele item, o Juízo entendeu que,

mesmo não tendo havido episódio de favorecimento ao Grupo

SBM, relativamente à contratação das monoboias da PRA-1,

em contrapartida aos valores pagos a PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, tal como apreciado no item 2.2.1.6.4. (fls.

3647/3647v.), avulta a natureza dos valores como

vantagens indevidas, dada a observação do comumente

ocorrente em casos desta natureza, além do quanto

transcorrido nas contratações dos FPSOs ESPADARTE/CIDADE

DE ANCHIETA, BRASIL e CAPIXABA, em que verificados

pagamentos e correlatos episódios de favorecimentos.

Em seguida, fundamentadamente afastou teses

defensivas a respeito desta natureza dos valores pagos –

no sentido de que aqueles montantes franqueados a PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO seriam capitulação a investidas

extorsivas deste último -, e consignou, a respeito do

escopo de motivação dos desembolsos (fls. 3652/3652v.):

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“De outro giro, importa salientar que a

intenção presidente dos pagamentos,

ainda que não tenha sido produzido um


JFRJ
episódio de favorecimento correlato, Fls 1667
era, evidentemente e como já exposto

acima, angariar “boa vontade genérica”

do recebedor, que se encontrava em

posição diretamente relacionada com a

contratação empreendida pelo grupo

empresarial comercialmente representado

pelos pagadores – tal como elucidado no

item 2.2.1.6.3. -, sendo certo que a

simpatia poderia em muito beneficiá-lo.

Com efeito, é o que se extrai da

observação do que comumente ocorre em

fatos desta natureza (art. 3º do CPP,

c/c art. 375 do CPC); evidentemente, os

pagamentos feitos a PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO não tinham como único fim produzir

um ú8nico ato de favorecimento, mas

buscavam motivá-lo a genericamente

favorecer o Grupo SBM, no âmbito desta

contratação, desde o certame prévio à

pactuação, perdurando ao longo do tempo

de relacionamento contratual; não fosse

assim, os pagamentos não teriam

persistido ao longo de grande parcela da

execução contratual, que foi, além do

mais, objeto de diversos aditivos (

arquivos “Aditivo 1.pdf”, “Aditivo

2.pdf”, “Aditivo 3.pdf”, “Aditivo

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4.pdf”, “Aditivo 5.pdf”, “Aditivo

6.pdf”, “Aditivo 7 e ITPTEJ nº 1.pdf”,

“Aditivo 8.pdf”, “Aditivo 9 e ITPTEJ nº


JFRJ
2.pdf”, todos contidos na pasta “(14) Fls 1668
0801.0020263.06.2”, encontradiços na

mídia encartada em fls. 41 do Anexo III,

Vol. 8, do PIC 1.30.001.000837/2014-68),

todos firmados entre 2006 e 2010,

enquanto os pagamentos se deram entre

2008 e 2009.

Em outras palavras: os pagamentos

referentes à contratação das monoboias

da PRA-1 se deram com vistas a obter

favorecimentos, por meio da distorção da

atuação funcional do recebedor, ainda

que não tenha restado comprovada

contrapartida, com efetiva violação de

dever funcional; todos os valores pagos

a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO tiveram a

natureza, portanto, de vantagens

indevidas.”

Neste trecho, foi exposto de maneira clara em

que se alicerça a convicção do Juízo acerca da motivação

dos pagamentos feitos por JÚLIO FAERMAN a PEDRO JOSÉ

BARUSCO FILHO, de provocação de favorecimentos diversos

ao Grupo SBM, no âmbito da contratação das monoboias da

PRA-1; pode o embargante discordar do quanto apresentado

pelo Juízo, mas isto não autoriza o manejo indevido, cum

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permissa, de aclaratórios em face de vício embargável

inexistente.

JFRJ
Não há, assim e em realidade, a obscuridade
Fls 1669
articulada pelo que, no ponto, não há como se reconhecer

eiva nem necessidade de corrigenda, tal como articulado

pelo embargante.

No item 2.2.1.7.7.2. (fls. 3685/3692), foi

apreciada a tipicidade da conduta de JÚLIO FAERMAN,

juntamente com a de LUÍS EDUARDO CAMPOS BARBOSA DA SILVA

e em relação aos fatos envolvendo a contratação do Turret

da P-53 e tal como aferida, em diversos aspectos, nos

itens 2.2.1.7.1. (fls. 3665v./3667v.) – pagamentos feitos

pelo embargante a PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.7.2.

(fls. 3667v./3668v.) – não restaram suficientemente

comprovados pagamentos do embargante a RENATO DE SOUZA

DUQUE -, 2.2.1.7.3. (fls. 3668v./3670v.) - os pagamentos

tinham relação concreta e específica com a contratação do

Turret da P-53 -, 2.2.1.7.4. (fls. 3671/3674v.) – houve

um comprovado episódio de favorecimento ao Grupo SBM, no

procedimento licitatório que precedeu a pactuação, com

fornecimento indevido de informações sobre propostas dos

concorrentes, causado pelos pagamentos, como sua

contrapartida, e provocado por atuações funcionais

distorcidas de PEDRO JOSÉ BARUSCO FILHO -, 2.2.1.7.5.

(fls. 3674v./3679v.) – os pagamentos mencionados

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ostentavam a natureza de vantagens indevidas e buscavam a

produção de favorecimentos ao Grupo SBM, não se limitando

a objetivar apenas a ocorrência do comprovado episódio de JFRJ


Fls 1670
favorecimento – e 2.2.1.7.6. (fls. 3679v./3683) – PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO era, ao tempo dos fatos e segundo as

normas então vigentes, funcionário público para fins

penais.

Externou o Juízo sua convicção de que a conduta

de JÚLIO FAERMAN foi típica, sob a previsão do art. 333,

§ único, do CP; a aferição da tipicidade foi feita, como

já dito, à luz da conduta tida por comprovada, em todas

as suas circunstâncias, tal como aferido nos itens

sentenciais precedentes.

Logo se vê, portanto, que a motivação dos

pagamentos – a busca da obtenção de favorecimentos ao

Grupo SBM – foi tomada como premissa no item

2.2.1.7.7.2., em que aferida a tipicidade da conduta e do

qual se queixa o embargante, pois que ali se externou

apreciação jurídica incidente sobre a matéria fática tida

por comprovada pelo Juízo, após apreciada em momento

anterior.

De outro norte, e como visto acima, os

fundamentos da convicção acerca da motivação dos

pagamentos feitos pelo embargante a PEDRO JOSÉ BARUSCO

Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a VITOR BARBOSA VALPUESTA.


Documento No: 70192868-297-0-1434-448-569796 - consulta à autenticidade do documento através do site http://www.jfrj.jus.br/autenticidade
FILHO foram expostos detidamente no item sentencial

2.2.1.7.5. (fls. 3674v./3679v.).

JFRJ
Com efeito, naquele item, o Juízo entendeu que,
Fls 1671
tendo havido episódio de favorecimento ao Grupo SBM,

relativamente à contratação do Turret da P-53, em

contrapartida aos valores pagos a PEDRO JOSÉ BARUSCO

FILHO, tal como apreciado no item 2.2.1.7.4. (fls.

3671/3674v.), avulta a natureza dos valores como

vantagens indevidas.

Em seguida, fundamentadamente afastou teses

defensivas a respeito desta natureza dos valores pagos –

no sentido de que aqueles montantes franqueados a PEDRO

JOSÉ BARUSCO FILHO seriam mera capitulação a investidas

extorsivas deste último -, e consignou, a respeito do

escopo de motivação dos desembolsos (fls. 3678v./3679):

“De outro giro, importa salientar que a

intenção presidente dos pagamentos,

ainda que detectado apenas um comprovado

evento de favorecimento – no curso do

processo e seleção do contratante –era,

evidentemente e como já exposto acima,

angariar “boa vontade genérica” do