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Universidade Federal de Pernambuco

Centro de Tecnologia e Geociências


Departamento de Engenharia Química

Análise Orgânica

Caderno de Práticas

Professora Yêda Medeiros Bastos de Almeida


Professor José Maurício dos Santos Filho

E-mail: deq_organica@yahoo.com
Senha: analise
Algumas palavras sobre a Análise Orgânica

A disciplina de Análise Orgânica para alunos de Química Industrial foi


introduzido em 2007 e, desde então, tem sofrido constantes alterações em seu conteúdo.
Normalmente, tais mudanças visaram a enquadrar a disciplina nas limitações de ordem
prática existentes, como disponibilidade de reagentes e demanda de vagas pelos alunos.
Assim, ao longo desses anos, constante reformulações nos roteiros práticos foram feitos,
impossibilitando a preparação de um material definitivo que servisse de base para os
estudantes e para nós, professores e técnicos envolvidos nesse processo. Após
sucessivas conversas e diante de uma situação geral mais favorável ao ensino,
resolvemos implementar a primeira versão desta apostila. Dez experimentos foram
incluídos nesta primeira versão. Entretanto, planejamos expandir este número, mesmo
que nem sempre seja possível realizar todos eles. Parte do material é dedicada às
técnicas de laboratório comuns em Química Orgânica, essenciais ao isolamento e à
purificação de compostos orgânicos. Outra parte se ocupa das técnicas clássicas de
análise de compostos orgânicos, as quais, embora menos solicitadas na rotina do
químico orgânico, ainda desempenham papel fundamental na caracterização estrutural
de muitos compostos.
Atualmente, quando se questiona como identificar e caracterizar substâncias
desconhecidas, invariavelmente as técnicas espectroscópicas de ressonância magnética
nuclear (RMN), espectroscopia de infravermelho (IV) e espectrometria de massa (EM)
se impõem como resposta mais rápida, prática e segura. E, realmente, parte da disciplina
de Análise Orgânica está centrada no estudo dessas técnicas, ainda que apenas no
âmbito teórico. Contudo, nosso objetivo ao formular a disciplina foi oferecer aos
estudantes da área tecnológica a oportunidade de entrar em contato com os processos
básicos da Química Orgânica, bem como com algumas reações aplicadas à elucidação
da estrutura quimica das moléculas. Esse é o conteúdo que o estudante vai encontrar
neste trabalho. E certamente, nos próximos anos, esse conteúdo será acrescido ou
modificado, sempre no intuito de adaptar a disciplina Análise Orgânica às contigências
práticas que surjam e às sugestões e críticas daqueles para quem ela foi elaborada.
Bem-vindos ao nosso laboratório e sucesso ao longo desse semestre. Esperamos
que cada um realize seu trabalho de forma concreta e consciente e, ainda mais, que cada
um possa expressar sua opinião acerca do trabalho da equipe do Laboratório de
Materiais Poliméricos, a fim de que as novas versões dessa apostila possam satisfazer as
expectativas dos futuros estudantes, contribuindo para sua formação acadêmica e
profissional.

Professora Yêda Medeiros


Doutor Maurício Santos

2
Agradecimentos

Pela contribuição valiosa na validação dos métodos e experimentos selecionados


nesta apostila, desejamos registrar nosso especial agradecimento à técnica Lílian
Araújo, do DEQ, a qual vem acompanhando os “ensaios” que nos permitiram chegar a
esta versão final do trabalho.
Ao longo desses 11 anos da disciplina Análise Orgânica, muitos estudantes
deram sua contribuição para melhorar o conteúdo de nossa disciplina. Boa parte deles
foram monitores, os quais nos ajudaram a testar os experimentos escolhidos. A eles,
nossos agradecomentos.
Agradecemos em especial a Estela Eulália de Albuquerque e Tiago Lopes de
Araújo, estudantes do curso de Química Industrial, pela seu empenho na elucidação dos
mecanismos envolvidos no teste para identificação de ácidos sulfônicos.

3
Sumário
Segurança no laboratório de Química..................................................................................................... 05
Materiais de laboratório de Química...................................................................................................... 08
Instruções para preparação de relatórios................................................................................................. 11
Prática 1: Técnicas de cristalização........................................................................................................ 13
Prática 2: Técnicas de separação de misturas......................................................................................... 16
Prática 3: Técnicas de extração............................................................................................................... 18
Prática 4: Cromatografia em coluna....................................................................................................... 20
Prática 5: Destilação por arraste de vapor.............................................................................................. 22
Prática 6: Derivados cristalinos.............................................................................................................. 24
Prática 7: Análise elementar qualitativa................................................................................................. 28
Prática 8: Grupos de solubilidade........................................................................................................... 30
Prática 9: Análise de grupos funcionais 1............................................................................................... 34
Prática 10: Análise de grupos funcionais 2............................................................................................. 37

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Departamento de Engenharia Química DEQ
Análise Orgânica
Profa Yêda M. B. de Almeida
Prof. Maurício Santos

SEGURA,ÇA ,O LABORATÓRIO DE QUÍMICA

REGRAS DE SEGURA,ÇA
Trabalhar num laboratório químico
envolve freqüentemente o contato com materiais 1. Ter sempre em mente que o laboratório é um
potencialmente perigosos e, por isso, exige que local de trabalho sério e de risco potencial.
se respeitem as regras ou normas da sua 2. Evitar brincadeiras, conversas desnecessárias
utilização, a fim de minimizar a probabilidade e movimentações bruscas dentro do laboratório.
de acidentes e suas conseqüências. Quem utiliza 3. Conhecer a localização das saídas de
freqüentemente o laboratório deve ser treinado emergência, dos extintores, da caixa de
para ser cuidadoso tanto no manuseio de primeiros socorros e demais equipamentos de
equipamentos como na utilização e proteção.
armazenagem de produtos químicos. A 4. Conservar as bancadas arrumadas e limpas e
segurança no laboratório deve ser uma o chão limpo e seco.
preocupação constante e prioritária dos seus 5. Não obstruir os locais destinados à livre
usuários: alunos, professores e funcionários. circulação.
Embora o trabalho em laboratório seja 6. Bolsas, objetos pessoais e papéis avulsos
potencialmente perigoso, esta realidade não devem ser guardados em local adequado. Na
deverá, de modo algum, ser motivo para um bancada devem permanecer apenas o caderno
trabalho tenso e desconfortável. Antes, a prática de laboratório e uma caneta ou lápis.
química deve ser uma constante descoberta, 7. Verificar, antes do início da prática, se todo o
feita com atenção e responsabilidade. Por isso, material necessário está em perfeitas condições
o aluno “químico” deverá desenvolver atitudes de uso.
de prevenção e confiança. Apesar disso, 8. Trabalhar em pé e sempre acompanhado de
acidentes podem ocorrer e requerem de cada um outra pessoa. Evitar obstruir o laboratório com
dos usuários uma atitude de solidariedade e bancos e cadeiras.
presteza. Para tanto, é preciso ter consciência da 9. Usar sempre óculos de proteção. Luvas
natureza dos riscos envolvidos, das técnicas de apropriadas, máscara e avental devem ser
segurança e alguma familiaridade com os usados em situações que assim os requeiram.
reagentes e solventes que eventualmente serão 10. Usar sempre bata limpa e justa, calçado
usados na prática. fechado e o cabelo, quando comprido,
devidamente amarrado.

5
18. Sempre que trabalhar com produtos voláteis
ou reações que liberem gases, usar a capela.
19. Nunca comer, beber ou fumar no
laboratório. Evitar levar as mãos à boca.

Figura 1. Medidas básicas de segurança em


laboratório químico1.
Figura 2. Proibições fundamentais em
1
11. Antes de se manusear qualquer substância, laboratório químico .
deve-se ler atentamente o rótulo, tomar
conhecimento dos riscos possíveis e cuidados na 20. No final do trabalho, todos os reagentes e
sua utilização. equipamentos devem ser deixados organizados.
12. Antes de começar qualquer trabalho O material usado deve estar lavado e depositado
laboratorial, deve-se ter o cuidado de fazer uma sobre a bancada.
preparação correta, lendo os procedimentos e 21. Em caso de acidentes, todos os que não
protocolos referentes à prática. puderem ou não estiverem aptos a ajudar devem
13. Lavar as mãos com freqüência durante e no deixar o laboratório calmamente. Pânico deve
fim do trabalho laboratorial; proteger feridas ser evitado em caso de fogo.
expostas e evitar o manuseio de aparelhos 22. Familiarizar-se com a simbologia de
elétricos com as mãos molhadas. segurança para reagentes exposta no
14. Trabalhar atentamente, a fim de perceber laboratório.
evetuais respingos de reagentes ou ácidos sobre
as bancadas ou a pele. DESCARTE DE RESÍDUOS
15. Qualquer respingo deve ser removido
imediatamente. Em caso de contato com a pele, O trabalho num laboratório de Química
deve ser removido com água e sabão em Orgânica gera sempre resíduos, a maioria dos
abundância. quais são tóxicos e nocivos para o meio
16. Nunca colocar a boca em contato com ambiente e os seres vivos. Embora em nossas
qualquer equipamento de laboratório. práticas, busquemos reduzir ao máximo a
17. Nunca provar ou cheirar diretamente produção de resíduos, ainda assim muitos
soluções ou produtos químicos. rejeitos contendo solventes halogenados ou
soluções orgânicas se formam e precisam ter
uma destinação adequada.
1
Fonte: Simões, T. S., Queirós, M. A., Simões,
M. O., Técnicas Laboratoriais de Química-
Bloco I, Porto Editora, Porto, Portugal.
6
Alguns solventes, quando misturados 4. Soluções de ácidos ou bases devem ser antes
exclusivamente com sólidos dissolvidos, podem diluídos e neutralizados.
ser facilmente recuperados. É o caso do etanol 5. Caso se tenha uma mistura de sólidos e
de lavagem das vidrarias. Mais difícil de se líquidos, o ideal é filtrar o material, a fim de que
recuperar são misturas de solventes, as quais, o sólido seja armazenado em separado. No
em geral, são descartadas em recipientes nosso caso, isso não será normalmente
apropriados. Cabe a cada usuário observar necessário, pois as quantidades são pequenas.
que tipo de resíduo está sendo produzindo e
dar-lhe a destinação correta. Há no
laboratório diversos recipientes rotulados com
indicações do tipo de resíduos a eles destinados.
É importante observar cuidadosamente onde
cada tipo de resíduo será despejado, a fim de
evitar problemas no seu tratamento ou reações Figura 4. Procedimento adequado para
indesejáveis que possam levar a acidentes. separação de resíduos sólidos e líquidos.
Algumas regras devem ser observadas:
6. Sólidos orgânicos não devem ser desprezados
1. Salvo raras exceções, nenhum resíduo deve no mesmo recipiente de sólidos inorgânicos. Há
ser desprezado na pia. Soluções de sais de sódio alto risco de combustão espontânea.
e ácidos orgânicos de cadeia curta são
permitidos. Porém, qualquer sólido ou solvente A condução cuidadosa dos trabalhos é
orgânico devem ser rigorosamente evitados. parte da prática em laboratório e será observada
2. Cada tipo de resíduo deve ser transferido para na avaliação de cada grupo. Especialmente em
o recipiente adequado, usando um funil. Os nosso laboratório faz-se necessário um certo
recipientes que os contêm devem ser lavados rigor nas regras de segurança, uma vez que
com etanol antes de serem lavados com água. normalmente temos grandes grupos trabalhando
e isso aumenta a probabilidade de se ter
acidentes. Para evitá-los, contamos com a ajuda
de todos.

Figura 3. Procedimento adequado para


transferências de líquidos.

3. Resíduos aquosos devem ser desprezados em


separado.

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MATERIAIS DE LABORATÓRIO DE QUÍMICA2

Uma das condições fundamentais para um


bom desempenho em laboratório é ter familiaridade
com os equipamentos e vidrarias que geralmente
são empregados. A seguir, são dados alguns desses
equipamentos com uma breve descrição de sua 7 8 9
função.

10 11 12

1 2 3

13 14

4 5 6

2
Fonte: Simões, T. S., Queirós, M. A., Simões,
M. O., Técnicas Laboratoriais de Química-
Bloco I, Porto Editora, Porto, Portugal.
8
27 28

1. Tubo de ensaio: usado em testes de reações


15 16 17 químicas.
2. Béquer: usado no aquecimento de líquidos,
reações de precipitação, etc.
3. Erlenmeyer: usado em titulações e aquecimentos
de líquidos.
4. Balão de fundo de redondo: usado em
aquecimento de líquidos e para reações com
desprendimento de gases.
5. Pipeta graduada: usada na medida de volumes
18 19 20
variáveis de líquidos.
6. Proveta: usada na medida de volumes
aproximados de líquidos.
7. Tripé de ferro: usado no suporte da tela de
amianto ou de frascos durante o aquecimento no
bico de Bunsen.
8. Funil de vidro: usado nas transferências de
líquidos e nas filtrações simples.
21 22 23 9. Bico de Bunsen: usado nos aquecimentos em
geral.
10. Estante para tubos de ensaio: serve para
suportar tubos de ensaio.
11. Almofariz e pistilo: usados na trituração e
pulverização de sólidos.
12. Vidro de relógio: usado para cobrir béqueres
durante a evaporação de líquidos ou para guardar
amostras.
13. Pinça de madeira: usada na sustentação de
tubos de ensaio durante o aquecimento no bico de
24 25 26
Bunsen.
14. Dessecador: usado para retirar umidade de
amostras.

9
15. Bureta: usada na titulação em análises
volumétricas.
16. Pisseta: usada com água destilada ou solventes
para lavagem de materiais, remoção de sólidos e
outros fins.
17. Placa de Petri: empregada para armazenar
amostras e outros fins.
18. Funil de separação: usado na separação de
líquidos imiscíveis.
19. Suporte universal: usado nas diversas
montagens de laboratório.
20. Bastão de vidro: usado na agitação de misturas
e soluções, transferêcias de líquidos e outros fins.
21. Funil de Büchner: usado em filtrações a vácuo.
22. Kitassato: empregado nas filtrações a vácuo.
23. Mufa: para a montagem de aparelhagem em
geral.
24. Condensador de Liebig: usado em destilações
e reações químicas.
25. Espátulas: usadas na transferência de
substâncias sólidas.
26. Garra para condensador: usada na
sustentação de condensadores.
27. Anel de metal: usado para suportar o funil de
separação.
28. Pinça de Mohr: usada para reduzir ou
interromper o fluxo de líquidos e gases.

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INSTRUÇÕES PARA PREPARAÇÃO DE RELATÓRIOS

PRÉ-RELATÓRIO www.chemdat.info
http://www.cetesb.sp.gov.br/
1. O pré-relatório deve conter uma descrição
resumida do procedimento prático a ser 2. O caderno de laboratório deve ser exclusivo
executado, dada em tópicos ou fluxograma. para a disciplina de Análise Orgânica, pois
Além disso, deve trazer uma lista de todos os permanecerá por alguns dias retido para sua
reagentes e solventes envolvidos na prática, correção.
segundo o modelo abaixo: 3. O caderno deve ser do tipo brochura e ter
suas páginas numeradas seqüenciadamente.
Etanol Caso o aluno precise mudar de caderno, a
Fórmula molecular: C2H5OH numeração deve ser continuada.
Peso molar: 46,08 g/mol 4. Evitar deixar espaços e folhas em branco no
Ponto de fusão: -114 °C caderno.
Ponto de ebulição: 78 °C 5. Substâncias que já foram descritas em uma
3
Densidade: 0,79 g/cm (20 °C) prática não precisam ser novamente descritas.
Solubilidade em água: completamente Basta indicar a página em que estão.
solúvel
RELATÓRIO
Manuseio e armazenagem: Descrição
curta e concisa. O relatório é destinado a descrever
Riscos: Normalmente descreve os riscos de todas as atividades executadas e os resultados
contato com pele, olhos e ingestão obtidos durante a prática. Ele deve seguir um
Primeiros socorros: Descrição dos modelo básico, conforme mostrado a seguir.
procedimentos a serem adotados em caso de Além disso, alguns pontos devem ser
acidente. observados:

Estas informações podem ser obtidas 1. Escrever o relatório a mão, usando tempos
num CD disponível em nosso laboratório, em verbais no pretérito.
sites de firmas especializadas na internet ou em 2. Empregar preferencialmente a voz passiva,
catálogos de produtos. Alguns sites disponíveis: quer sintética, quer analítica.

11
Título da Prática

,ome dos alunos


,omes dos professores
Disciplina

Resumo
Deve dar uma visão geral da prática em, no máximo, 5 linhas.

Palavras-chave: No máximo 3 diretamente relacionadas com os experimentos.

1. Introdução

Deve ser sucinta e conter uma visão geral da teoria envolvida, bem como os objetivos. Pode conter
figuras e/ou gráficos e tabelas.

2. Materiais

Detalhamento de todos os materiais, equipamentos, reagentes e solventes utilizados.

3. Procedimentos

Descrição do que realmente foi feito em aula, de forma direta e clara.

4. Resultados e discussão

Parte mais importante do relatório, este item deve expor o que realmente foi observado no
experimento e analisar a concordância entre o real e o esperado. Resultados que se desviam muito do previsto
devem ser interpretados e, se possível, explicados. Tabelas, figuras, reações e esquemas pertencem a esta parte
do relatório.

5. Conclusões

Avaliação sucinta da prática e de seus resultados. Sugestões e críticas para melhorias futuras são
bem-vindas.

6. Respostas às perguntas

Sempre que houver perguntas teóricas propostas no roteiro da prática, elas devem ser respondidas
neste item. Por favor, transcrevam as perguntas, numerando-as.

7. Bibliografia

Todas as fontes bibliográficas consultadas devem ser citadas, inclusive aquelas oriundas da internet.
Porém, atenção: fontes exclusivamente da internet não são válidas.

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PRÁTICA 1: TÉC,ICAS DE CRISTALIZAÇÃO

4. Separar os cristais da água-mãe por filtração a


1. Teoria geral da cristalização vácuo, usando funil de Büchner ou de Hirsh
(Figura 2).
Os compostos orgânicos sólidos, quando
isolados de reações orgânicas, raramente são
puros. A purificação de compostos cristalinos
impuros é geralmente levada a efeito por
cristalização a partir de um solvente apropriado ou
por misturas de solventes.
A purificação de sólidos por cristalização
consiste em:

1. Solubilizar a substância impura em um


determinado solvente no ponto ou próximo ao
ponto de ebulição.
2. Filtrar a solução quente para separar partículas Figura 2. Funis para filtração a vácuo3.
de material insolúvel e poeira. Deve-se usar papel
de filtro pregueado (Figura 1).
5. Após a secagem, testar a pureza do sólido
resultante e, se não estiver puro, recristalizar. Os
cristais devem ser secos em dessecadores ou na
pistola de secagem de Abderhalden (Figuras 3 e
4).

Figura 1. Preparação do papel de filtro


pregueado3.

3. Deixar a solução quente esfriar, produzindo Figura 3. Dessecadores3.


assim a cristalização da substância dissolvida.

3
Fonte: Soares, B. G., De Souza, N. A. e Pires, D.
X., Química Orgânica Teoria e Técnicas de
Preparação, Purificação e Identificação de
Compostos Orgânicos, Rio de Janeiro, Editora
Guanabara, 1988.

13
eliminadas impurezas coloridas ou resinosas que
não façam parte do produto desejado.

4. Dificuldades na cristalização

Ocasionalmente, as substâncias formam


soluções saturadas, nas quais os primeiros cristais
se separam com dificuldade. Deve-se tentar os
seguintes métodos:

Figura 4. Pistola de secagem de 1. Arranhar o interior do recipiente com um bastão


Abderhalden3. de vidro.
2. Inocular (semeadura) a solução com um cristal
2. Cristalização por solventes mistos da substância, caso seja possível.
3. Resfriar a solução numa mistura congelante que
Caso se descubra que a substância é não seja capaz de atingir o ponto de congelação
muito solúvel em um solvente e muito insolúvel do solvente.
em outro, o que não permite uma recristalização 4. Colocar a solução em geladeira por algum
satisfatória, e se os dois solventes forem tempo.
completamente miscíveis, a recristalização pode
ser feita a partir de uma mistura dos dois solventes 5. Secagem do material recristalizado
em questão. Nesse caso, o composto é dissolvido
no solvente em que é muito solúvel e o solvente O melhor método de secagem é colocar
em que ela é pouco solúvel é acrescentado gota a os cristais num dessecador contendo uma
gota até que uma ligeira turvação seja observada. substância apropriada, como cloreto de cálcio
A turvação é, então, apenas tornada clara pela anidro, sílica gel, ácido sulfúrico concentrado ou
adição de uma pequena quantidade do primeiro pentóxido de fósforo. A escolha do dessecante
solvente e a mistura é deixada em repouso em esta condicionada à natureza da substância que se
banho de gelo para que os cristais se formem. quer secar.
Os pares de solventes mais comumente
usados são: 6. Determinação do ponto de fusão

Álcool e água Para um sólido, o ponto de fusão é de


Álcool e benzeno grande importância. Se a recristalização for
Benzeno e éter de petróleo eficiente, o ponto de fusão final é bastante
Clorofórmio e hexano definido e, se o produto for conhecido, seu valor
Clorofórmio e éter de petróleo pode ser comparado com aquele encontrado em
Acetona e éter de petróleo tabelas.

3. Uso de carvão ativo

O produto de uma reação orgânica pode


conter impurezas coloridas ou resinosas, que não
são removidas por simples cristalização. Assim,
torna-se necessário o uso de carvão ativo, que
adsorve a impureza. O carvão ativo deve ser
adicionado ao solvente com o qual está sendo feita
a cristalização, a mistura deve ser aquecida até a
ebulição e filtrada ainda quente. Dessa forma são

3 Figura 5. Preparando amostra para


Fonte: Soares, B. G., De Souza, N. A. e Pires, D. determinar o ponto de fusão3.
X., Química Orgânica Teoria e Técnicas de
Preparação, Purificação e Identificação de A técnica mais comum de determinação
Compostos Orgânicos, Rio de Janeiro, Editora do ponto de fusão consiste em empregar um tubo
Guanabara, 1988.

14
capilar de cerca de 1mm de diâmetro, no qual se 9. Separar os cristais da “água-mãe” por filtração
introduz um pouco do material sólido, conforme a a vácuo e lavá-los com um pouco do solvente de
Figura 5. Em seguida, o capilar é introduzido no recristalização gelado.
fusiômetro e a temperatura é acompanhada até que 10. Repetir a CCF para verificar a eficiência da
se observe a fusão do material. Em geral, um bom recristalização e novamente mostrar o resultado
resultado implica numa faixa de fusão de, no aos responsáveis pelo laboratório. Copiar também
máximo, 2 °C. esta placa.
Em seguida, o capilar é introduzido no fusiômetro 11. Depois de secar a amostra em dessecador,
e a temperatura é acompanhada até que se observe determinar o ponto de fusão da substância obtida.
a fusão do material. Em geral, um bom resultado Calcular a fórmula molecular da substância com
implica numa faixa de fusão de, no máximo, 2 °C. os dados fornecidos em sala e, usando um
Handbook ou catálogo, determinar sua fórmula
estrutural e o nome da substância.
7. Procedimento prático

1. Dois frascos contendo uma amostra 8. Descarte de resíduos


desconhecida serão fornecidos a cada grupo: um
deles terá uma massa definida do material a Durante esta e outras práticas, serão
recristalizar e só deverá ser usado após se definir o produzidos resíduos de solventes orgânicos, os
solvente (ou mistura de solventes) apropriado. O quais devem ser desprezados nos recipientes
outro, sem massa definida, deve ser usado para os adequados, conforme indicado nos rótulos. O pré-
testes iniciais. relatório deve trazer as medidas de segurança no
2. Empregando a técnica adequada, a ser manuneio dos mesmos.
explicada em aula, realizar uma cromatografia em
camada fina (CCF) da amostra de massa
desconhecida, a fim de estabelecer o número de 9. Quetões
substâcias presentes.
3. Copiar a placa em seu caderno de laboratório, 1. Por que se usa papel de filtro pregueado na
após mostrá-la à pessoa responsável pela prática. fitração a quente?
A cópia deve ser feita na proporção exata da real e 2. Qual a importância do resfriamento espontâneo
deve ser reproduzida no relatório. da solução após seu aquecimento para dissolver o
4. Em tubos de ensaio, determinar o solvente de sólido a cristalizar?
recristalização mais adequado para a substância- 3. Quando se usa funil de Büchner? E em que
problema, entre aqueles disponíveis para teste, situação o funil de Hirsh é recomendado?
seguindo a seguinte ordem: éter de petróleo, 4. Em que situação se usa a pistola de secagem de
diclorometano, acetona, etanol, benzeno e água. Abderhalden e quais as condições adequadas?
Testar todos os solventes, mesmo que um deles já 5. Quais as características físicas do carvão ativo
se mostre adequado e apenas ao final decidir qual que o tornam tão úteis na remoção de impurezas
deles é o mais indicado. coloridas e resinosas?
5. Após definido o solvente ou par de solventes de 6. Qual o maior inconveniente da técnica de
recristalização apropriado, proceder à purificação inoculação para induzir a cristalização?
da amostra de massa definida. 7. Quais os principais agentes secantes?
6. Em erlenmeyer, solubilizar a substância no 8. Por que se realizam os testes de solubilidade da
solvente ou par de solventes estabelecido, amostra na ordem crescente de polaridade dos
empregando o mínimo possível do mesmo. solventes (etapa 4 do procedimento)?
7. Filtrar a solução a quente. Deve-se usar papel
de filtro pregueado. Lavar o papel com pequenas 10. Bibliografia
porções do solvente a quente. É importante evitar
excesso de solvente, principalmente se seu ponto 1. Harwood, L. M. & Moody, C. J., Experimental
de ebulição for alto. Organic Chemistry Principles and Practice,
8. Deixar a solução quente esfriar, produzindo Blackwell Scientific Publications, 1992.
assim a cristalização da substância dissolvida. Em
seguinda, dar prosseguimento à cristalização em
banho de gelo.

15
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PRÁTICA 2: TÉC,ICAS DE SEPARAÇÃO DE MISTURAS

são purificados por técnicas de recristalização,


1. Introdução cromatografia ou sublimação. Após o composto
ter sido purificado pode-se determinar o grau de
A maior parte dos produtos naturais e sua pureza e sua estrutura, utilizando-se técnicas
muitas preparações comerciais são misturas de sofisticadas como ressonância magnética nuclear
diferentes compostos químicos. Para se obter um (RMN), infravermelho (IV) e espectrometria de
composto puro de uma mistura, utilizam-se massa (EM). Contudo, uma simples determinação
geralmente as diferenças de suas propriedades do ponto de fusão pode ajudar muito na
físicas e químicas. Líquidos com pontos de identificação do composto.
ebulição diferentes são separados por destilação. A mistura a ser separada contém três
Substâncias que possuem grandes diferenças de componentes. Estes compostos têm as seguintes
solubilidade podem ser separadas por extração ou características de solubilidade:
por filtração. Compostos que apresentam 1- O primeiro é solúvel em água e insolúvel em
propriedades ácidas ou básicas são convertidos em diclorometano (CH2Cl2);
seus sais, os quais são solúveis em água e podem 2- O segundo composto é solúvel em
ser isolados dos outros compostos insolúveis em diclorometano e praticamente insolúvel em água.
água, pela técnica de extração. O hidróxido de sódio o converte ao sal
Entretanto, nem sempre a separação dos correspondente, que é solúvel em água;
componentes de uma mistura real pode ser 3- O terceiro constituinte da mistura é solúvel em
realizada por procedimentos tão simples. Não raro diclorometano e insolúvel em água e permanece
é necessário submeter a mistura a técnicas inerte em presença de bases.
cromatográficas mais complexas, como a
cromatografia em coluna ou a cromatografia 2. Procedimento experimental
líquida de alta performance (HPLC), de modo a se
obter os constituintes individuais puros. A decisão 1. Serão fornecidos três frascos contendo amostras
de que metodologia aplicar a cada caso é uma puras dos componentes da mistura e um quarto
questão a ser resolvida pela experiência do frasco com uma massa determinada da mistura
químico orgânico, o qual pode, muitas vezes, propriamente dita, na proporção 1:1:1.
deparar-se com casos árduos. 2. Realizar uma cromatografia em camada fina
Neste experimento, será feita a separação (CCF) da mistura dada, usando os componentes
dos componentes de uma mistura farmacêutica puros como padrões de comparação. Os três
simulada, usando as técnicas de dissolução componentes podem ser dissolvidos em etanol e
seletiva, de filtração e de extração por solventes acetato de etila deve ser usados como eluente na
quimicamente reativos. Esta última se baseia nas CCF.
propriedades de acidez, basicidade e solubilidade 3. Copiar a placa em seu caderno de laboratório
dos componentes que serão separados. com as proporções exatas da placa real. Desenhar
Nenhuma separação é perfeita. Traços de cada “mancha” observada com a máxima
impurezas quase sempre permanecem no fidelidade possível. Por fim, calcular o Rf para
composto que foi separado da mistura. Portanto, cada amostra visível em UV e/ou iodo.
algum tipo de purificação posterior se faz 4. Transferir a mistura a ser fracionada para um
necessária para a remoção das impurezas. Sólidos erlenmeyer de 125 mL e adicionar 20 mL de

16
CH2Cl2. Agitar usando bastão de vidro para caso. Essa questão deve ser respondida na parte
dissolver o sólido tanto quanto possível. “Resultados e discussão” do relatório.
5. Filtrar em papel de filtro previamente tarado, 2. Por que a reação do HCl com a solução aquosa
lavar o sólido com um mínimo de CH2Cl2 e deixá- da etapa 9 é exotérmica?
lo secar ao ar, a fim de determinar seu peso e 3. Por que se deve resfriar a mistura antes de
pureza. filtrar o componente 2 obtido na etapa 10 do
6. Verter o filtrado em um funil de separação e procedimento?
juntar 7,0 mL de NaOH 15%. Extrair, observando 4. Sugira uma rota para a separação dos seguintes
a técnica correta de extração. Realizar essa compostos: p-nitro-anilina, cloreto de sódio, o-
operação rapidamente. cresol e naftaleno. Ela deve ser baseada no que se
7. Após a separação das fases aquosa e orgânica, aprendeu na prática e para isso é preciso consultar
verificar, pelo teste da gota d’água, qual das duas as solubilidades de todas as substâncias no
fases é a aquosa e recolhê-la em um erlenmeyer. Handbook.
Atenção nesta etapa!
8. Extrair a fase orgânica mais uma vez com 7,0 4. Bibliografia
mL de NaOH, repetindo os procedimentos 6-7.
Juntar a fração aquosa desta etapa com a separada 1. Harwood, L. M. & Moody, C. J., Experimental
anteriormente. A fração orgânica deve ser deixada Organic Chemistry Principles and Practice,
reservada no funil de separação. Blackwell Scientific Publications, 1992.
9. Adicionar HCl 6M lentamente e sob agitação
aos extratos aquosos combinados até a formação 2. Soares, B. G., De Souza, N. A. e Pires, D. X.,
de precipitado. Testar o pH com papel indicador Química Orgânica Teoria e Técnicas de
para se certificar de que a solução está ácida Preparação, Purificação e Identificação de
(pH = 2 ou menor). Compostos Orgânicos, Rio de Janeiro, Editora
10. Resfriar a mistura num banho de gelo e Guanabara, 1988.
observar a formação de cristais. Filtrar sob vácuo,
usando papel filtro previamente pesado. Lavar o
precipitado com pequena quantidade de água
destilada gelada, deixar secar ao ar e depois em
dessecador.
11. Retomar a fase orgânica reservada no funil e
secá-la sobre algodão, recolhendo-a em um balão
de fundo redondo previmente tarado. Evaporar o
CH2Cl2 em rota-evaporador. Assim, a terceira
substâcia será isolada. Deixá-la secar em
dessecador para determinar seu peso e pureza.
12. Preparar uma CCF com as três substâncias
isoladas por este procedimento e comparar com os
padrões iniciais. Verificar a qualidade das
separações conduzidas neste experimento.
13. Caso possível, determinar o ponto de fusão de
cada produto isolado e, dadas as informações
sobre as amostras, determinar suas fórmulas
molecular e estrutural com ajuda de um Handbook
of Organic Chemistry.

3. Questões

1. Após determinar as estruturas dos compostos


isolados no experimento, usar este conhecimento
para dar uma explicação química ou física para o
comportamento de cada um ante os solventes
usados. Descrever as reações químicas envolvidas,
quando houver, ou as interações físicas em cada

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PRÁTICA 3: TÉC,ICAS DE EXTRAÇÃO

EXTRAÇÃO LÍQUIDO/LÍQUIDO

Onde,
1. Introdução
[P(S1)] → concentração de P no solvente S1.
O processo de extração líquido/líquido é [P(S2)] → concentração de P no solvente S2.
uma operação unitária que consiste na distribuição
ou partição de um ou mais solutos entre duas fases O cálculo desta constante é uma tarefa
líquidas imiscíveis. O soluto deve ser mais solúvel relativamente fácil e pode ser feita rapidamente.
no solvente de extração, geralmente um solvente
orgânico de baixo ponto de ebulição. A extração 2. Objetivos:
líquido/líquido pode ocorrer por simples diferença
de solubilidade do soluto a ser extraído entre os Ao final da prática o aluno deverá ser capaz
dois solventes usados ou de forma ativa por meio de:
de uma reação química, a qual torna o produto 1. Listar todo o material utilizado na técnica de
mais solúvel no solvente extrator. Na prática extração por solventes imiscíveis;
“Separação de Misturas” foi usado justamente o 2. Manipular corretamente o funil de separação,
princípio da extração por solvente ativo para promovendo o escape de gases durante o processo
modificar a estrutura do componente ácido de extração para evitar acidentes;
dissolvido em diclorometano, tornando-o solúvel 3. Identificar corretamente, pela diferença de
na fase aquosa contendo uma base forte. densidade a camada onde se encontra o material
A quantidade de substância P que se extraído a ser coletado;
distribui entre os dois solventes imiscíveis usados 4. Selecionar frente a uma situação análoga à da
é função da temperatura e representa um valor prática, o solvente mais adequado ao processo de
constante para cada par de solventes S1 e S2 extração de modo a assegurar rendimento
empregado. Este valor é chamado coeficiente de satisfatório.
partição K e resulta do equilíbrio: 5. Calcular o rendimento da extração e o
coeficiente de partição.
P(S1) P(S2)
3. Aparelhagem

Esta constante de equilíbrio é dada pela expressão: Uma extração líquido/líquido emprega o
funil de separação como equipamento
fundamental. Deve-se selecionar um funil de
P(S2) separação com cerca de duas vezes o volume do
líquido a ser extraído e colocá-lo num anel
K = montado num suporte com uma base firme (Figura
P(S1) 1).

18
8. Comparar os resultados com aqueles obtidos
pelos outros grupos usando o Procedimento 2.
Discutir os dados de forma clara e concisa no
relatório final, analisando qual dos dois
procedimentos é mais eficiente.

4.2. Extração do iodo utilizando várias porções


do extrator

1. Transferir 10,0 mL da solução de iodo para um


Figura 1. Aparelhagem para extração funil de separação de 125 mL;
líquido-líquido4. 2. Juntar 10,0 mL de diclorometano à solução do
funil de separação e agitar vigorosamente,
liberando a pressão interna a cada agitação;
4. Procedimento Experimental 3. Após várias agitações, deixar a mistura em
repouso até que as duas fases se separem
4.1. Extração do iodo utilizando uma única nitidamente;
porção do extrator 4. Recolher a fase ogânica em um erlenmeyer,
tomando o cuidado de evitar ao máximo que a
1. Transferir 10,0mL da solução de iodo 0,05 solução aquosa passe junto. Caso haja dúvida
molar para um funil de separação de 125 mL; sobre qual das fases é a orgânica, aplique o teste
2. Juntar 30,0 mL de diclorometano à solução do da gota de água para ter certeza;
funil de separação e agitar vigorosamente, 5. Repetir as etapas 2-4 mais duas vezes, dando
liberando a pressão interna a cada agitação; um total de 30 mL de diclorometano usado;
3. Após várias agitações, deixar a mistura em 6. Transferir a fase aquosa para um outro
repouso até que as duas fases se separem erlenmeyer e, lentamente, gotejar uma solução
nitidamente; 1,0 M de sulfito de sódio sobre a mesma, até que
4. Recolher a fase orgânica em um erlenmeyer, ela se torne incolor. Adicionar 2 gotas em excesso
tomando o cuidado de evitar ao máximo que a e anotar o número total de gotas usado;
solução aquosa passe junto. Caso haja dúvida 7. Juntar 2-3 gotas de fenolftaleína e titular a
sobre qual das fases é a orgânica, aplique o teste solução com NaOH 0,05 M cuidadosamente;
da gota d’água para ter certeza; 8. Calcular a concentração do iodo restante na
5. Transferir a fase aquosa para um outro solução aquosa, o rendimento da extração e a
erlenmeyer e, lentamente, gotejar uma solução quantidade de iodo extraído para a fase orgânica
1,0 M de sulfito de sódio sobre a mesma, até que com base nos valores obtidos na titulação. Dar as
ela se torne incolor. Adicionar 2 gotas em excesso reações químicas do processo. ATE,ÇÃO:
e anotar o número total de gotas usado; Explicar por que o coeficiente de partição não
6. Juntar 2-3 gotas de fenolftaleína e titular a pode ser calculado após as três extrações;
solução com NaOH 0,05M cuidadosamente; 9. Comparar os resultados com aqueles obtidos
7. Calcular a concentração do iodo restante na pelos outros grupos usando o Procedimento 1.
solução aquosa, o rendimento da extração e a Discutir os dados de forma clara e concisa no
quantidade de iodo extraído para a fase orgânica relatório final, analisando qual dos dois
com base nos valores obtidos na titulação. procedimentos é mais eficiente.
Calcular também coeficiente de partição (K) para
o par diclorometano/água neste caso e dar as 5. Bibliografia
reações químicas do processo;
1. Harwood, L. M. & Moody, C. J., Experimental
Organic Chemistry Principles and Practice,
4
Fonte: Soares, B. G., De Souza, N. A. e Pires, D. Blackwell Scientific Publications, 1992.
X., Química Orgânica Teoria e Técnicas de
Preparação, Purificação e Identificação de
Compostos Orgânicos, Rio de Janeiro, Editora
Guanabara, 1988.

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PRÁTICA 4: CROMATOGRAFIA EM COLU,A

1. Introdução: determinante para o bom resultado final e deve ser


feita com atenção.
A cromatografia é, talvez, a técnica mais
importante usada para separação e purificação de 2. Procedimento experimental
compostos orgânicos. Esta técnica envolve a
distribuição dos diferentes compostos ou íons de 2.1. Determinação do sistema de eluição
uma mistura entre duas fases, uma das quais é
estacionária e a outra é móvel. A cromatografia Antes de preparar a coluna, é preciso
funciona baseada nas interações existentes entre as verificar o comportamento da mistura a ser
partículas das substâncias a serem separadas com cromatografada, usando CCF para definir o
o material adsorvente e com as moléculas da fase sistema eluente mais adequado. Isto será feito sob
móvel. De acordo com com a natureza dessas orientação dos professores. Os solventes a serem
interações, os diferentes tipos de moléculas podem usados são: diclorometano e acetato de etila.
ser fracionados até que se separem
completamente. 2.2- Preparação da coluna
Há muitos tipos de técnicas
cromatográficas, desde a cromatografia em A escolha do diâmetro da coluna é feita
camada fina, bastante simples, até a cromatografia com base na quantidade de material a ser
líquida de alta perfomance (HPLC), que é cromatografado. Procura-se, então, a melhor
complexa e dispendiosa. A cromatografia em combinação entre diâmetro-altura de adsorvente e
coluna, estudada nessa prática, é aplicável vazão de eluente. A escolha da coluna adequada
diretamente a separações e purificações tanto em para determinada quantidade de material advém
escala analítica como preparativa. Pelo menos em muito mais da prática do analista com o composto
princípio, a quantidade de material a ser separado a ser purificado que de conceitos teóricos. Em
não tem um limite determinado, pois é sempre geral a relação entre material a ser cromatografado
possível escolher as dimensões da coluna e a e material adsorvente deve ser 1:15.
quantidade de adsorvente, de modo a proporcioná- O empacotamento da coluna é feito
los às dimensões da amostra a ser fracionada. É seguindo os seguintes passos:
indispensável conhecer as características da
amostra na cromatografia em camada fina antes de 1. Um pequeno chumaço de algodão deve ser
aplicar a cromatografia em coluna. Normalmente, posto sobre a parte superior da válvula da coluna
os eluentes usados em CCF podem ser repetidos para cromatografia. Pressionar moderadamente e
na cromatografia em coluna, de modo que a adicionar o solvente de eluição, a fim de eliminar
separação ocorre de forma relativamente fácil. bolhas de ar.
Porém, quando não, diferentes técnicas de eluição 2. Adicionar o adsorvente a um becker, misturar
podem ser aplicadas até se obter a separação com o solvente adequado até se obter uma mistura
desejada. fluida. Para a coluna 1, o eluente é uma mistura
Nesta prática, vamos aprender como diclorometano/hexano 1:1. Para a coluna 2,
preparar uma coluna, realizar a eluição, identificar diclorometano/acetato de etila 1:1.
e recuperar o(s) produto(s) desejado(s). A
execução adequada de cada etapa do trabalho é

20
3. Verter o conteúdo do becker na coluna com a 3. Questões
torneira aberta, coletando o solvente em
erlenmeyer. 1. Neste experimento, qual dos dois componentes
4. Com auxílio de uma bomba compressora, de cada amostra é mais polar? Explique sua
promover a acomodação dos sólidos. resposta com base nas suas observações práticas.
5. O solvente que passou deve então ser 2. Caso o comportamento da amostra na coluna
readicionado à coluna, repetindo-se o não seja semelhante ao observado na CCF, como
procedimento de acomodação. deve ser feita a eluição da coluna?
Importante: evitar que solvente atinja um nível 3. A sílica para cromatografia contém gesso. Qual
inferior ao do adsorvente, para que a coluna não sua função?
sofra rachaduras. 4. Que outros métodos de revelação da CCF são
6. Após o empacotamento, deixar, então, o nível possíveis? Explique seu funcionamento e dê
de sovente chegar a cerca de 0,3 cm do topo da exemplos.
camada adsorvente. Fechar a coluna. 5. Que técnica é usada para cromatografar
amostras pouco estáveis? Explique em linhas
2.3. Preparação do topo gerais como ela funciona.

O topo da coluna 1 é preparado pela 4. Bibliografia


diluição da amostra em pequena quantidade do
solvente usado para empacotá-la. Caso a amostra 1. Braithwaite, A; Smith, F.J.; Chromatographic
seja insolúvel, como é o caso na coluna 2, então, Methods, 5ª edição, Glasgow, Blackie Academic
é necessário preparar um topo seco, situação não & Professional., 1996.
ideal, porém, bastante útil nesses casos. A técnica
usada é dada a seguir: 2. Soares, B.G.; De Souza, N.A.; Pires, D.X.;
Química Orgânica: teoria e técnicas de
1. Transferir o material a ser cromatografado para preparação, purificação e identificação de
uma cápsula de porcelana. compostos orgânicos, Rio de Janeiro Editora
2. Dissolver a amostra em alguns mililitros de um Guanabara., 1988, 322 pp.
solvente volátil e adicioná-la, então, a uma
pequena porção do material utilizado como 3. Shriner, R.L, Fuson, R.C.; Curtin, D.Y.;
adsorvente. Com auxílio de um bastão de vidro Morrill, T.C.; Identificação Sistemática de
proceder à homogeneização da mistura até a Compostos Orgânicos, 6ª edição. Rio de Janeiro,
secagem do solvente. Editora Guanabara Dois, 1983.
3. Com auxílio de um pequeno funil, transfirir o
sólido ao topo da coluna. de adsorvente.
4. Iniciar a eluição.

2.4. Eluição

1. A eluição deve ser feita utilizando o solvente


adequado. Para cada amostra há um sistema
apropriado de solventes.
2. O controle da separação deve ser feito por CCF
das amostras eluídas, conforme as instruções
dadas.
3. Frações contendo produto puro devem ser
juntadas, concentradas em rota-vapor e
identificadas.
4. Após isolar o primeiro produto, alterar o
sistema de eluição para recuperar o segundo
produto. Aqui serão feitas algumas considerações
práticas. OBS: anote todos os desenhos das
placas.
5. Verificar a pureza dos produtos por CCF e
ponto de fusão.

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PRÁTICA 5: DESTILAÇÃO POR ARRASTE DE VAPOR

1. Quando se deseja separar ou purificar uma


1. Introdução substância cujo ponto de ebulição é alto e/ou
apresente risco de decomposição;
As essências ou aromas das plantas 2. Para separar ou purificar substâncias
devem-se principalmente aos óleos essenciais, os contaminadas com impurezas resinosas;
quais são usados, principalmente por seus aromas 3. Para retirar solventes com elevado ponto de
agradáveis, em perfumes, incensos, temperos e ebulição, quando em solução existe uma
como agentes flavorizantes em alimentos. Alguns substância não volátil;
óleos essenciais são também conhecidos por sua 4. Para separar substâncias pouco miscíveis em
ação antibacteriana e antifúngica. Outros são água cuja pressão de vapor seja próxima à da água
usados na medicina, como a cânfora e o eucalipto. a 100°C.
Além dos ésteres, os óleos essenciais são
compostos por uma mistura complexa de 2. Objetivo
hidrocarbonetos, álcoois e compostos
carbonílicos, geralmente pertencentes a um grupo Neste experimento será isolado o
de produtos naturais chamados terpenos. Muitos cinamaldeído a partir do óleo de canela,
componentes dos óleos essenciais são substâncias empregando-se a técnica de destilação por arraste
de alto ponto de ebulição e podem ser isolados a vapor. Como é difícil purificar o composto
empregando-se destilação por arraste a vapor. original ou caracterizá-lo por meio de suas
A destilação por arraste de vapor é uma propriedades físicas, pode-se convertê-lo a um
destilação de misturas imiscíveis de compostos derivado. Este derivado será obtido pela reação do
orgânicos e água (vapor). Misturas imiscíveis não cinamaldeído com 2,4-dinitrofenil-hidrazina. O
se comportam como soluções. Os componentes de produto formado é uma hidrazona de cor intensa e
uma mistura imiscível "fervem" a temperaturas ponto de fusão bem definido.
menores do que os pontos de ebulição dos
componentes individuais. Assim, uma mistura de 3. Procedimento experimental
compostos de alto ponto de ebulição e água pode
ser destilada à temperatura menor que 100°C, que 1. Montar a aparelhagem para destilação conforme
é o ponto de ebulição da água. a Figura 1, usando um balão de três bocas (500
O princípio da destilação por arraste de mL). O frasco coletor (125 mL) pode ser um
vapor baseia-se no fato de que a pressão total de erlenmeyer; a fonte de calor pode ser uma manta
vapor de uma mistura de líquidos imiscíveis é elétrica ou um bico de Bunsen.
igual a soma da pressão de vapor dos 2. Colocar 10 g de pedaços de canela macerados
componentes puros individuais. A pressão total de no balão de três bocas e adicionar 150 mL de
vapor da mistura torna-se igual a pressão água.
atmosférica e a mistura ferve numa temperatura 3. Iniciar o aquecimento de modo a ter uma
menor que o ponto de ebulição de qualquer um velocidade lenta, mas constante, de destilação.
dos componentes. 4. Durante a destilação continuar a adicionar água
A destilação por arraste a vapor pode ser através do funil de separação, numa velocidade
utilizada nos seguintes casos: que mantenha o nível original de água no frasco
de destilação.

22
3. Dê no seu relatório, na parte “Resultados e
discussão”, a reação de caracterização do
cinamaldeído isolado na destilação.
4. Por que o cinamaldeído é difícil de purificar?
5. Qual o produto de degradação oxidativa dos
aldeídos em geral? Descreva a reação envolvida.

5. Bibliografia

1. Harwood, L. M. & Moody, C. J., Experimental


Organic Chemistry Principles and Practice,
Blackwell Scientific Publications, 1992.

2. Soares, B. G., De Souza, N. A. e Pires, D. X.,


Química Orgânica Teoria e Técnicas de
Figura 1. Montagem geral para destilação Preparação, Purificação e Identificação de
por arraste de vapor5. Compostos Orgânicos, Rio de Janeiro, Editora
Guanabara, 1988.

5. Concluir a destilação ao coletar cerca de


100 mL do destilado.
6. Tirar a água do funil de separação e colocar o
destilado nele. Extrair o destilado com 4 porções
de 10 mL cada de cloreto de metileno.
7. Separar as camadas e desprezar a fase aquosa.
Secar a fase orgânica sobre algodão e, em seguida,
retirar o solvente no evaporador rotativo.
Opcionalmente, após a filtração, concentrar a
mistura utilizando um banho de vapor na capela.
8. Transfirir o líquido restante para um balão de
fundo redondo previamente tarado e concentrar o
conteúdo novamente no rota-vapor até que
somente um resíduo oleoso permaneça.
9. Transferir uma pequena alíquota do óleo para
um tubo de ensaio e dissovê-lo num mínimo de
etanol. Em seguida, juntar algumas gostas de
solução de 2,4-dintrofenil-hidrazina e observar.
10. Após secar o óleo em dessecador, sob vácuo,
determinar seu peso e calcular o rendimento da
extração em função da quantidade de canela
usada.

4. Questões

1. Por que o ponto de ebulição de misturas em


uma destilação a vapor é menor que o ponto de
ebulição de cada componente puro? Explique
claramente.
2. Quais as vantagens da destilação a vapor?

5
Pavia, L. D., Lampman, G.M., Kriz, G.S.,
Introduction to Organic Laboratory Techniques. 3d
edition, Saunders College Publishing, USA, 1999.

23
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PRÁTICA 6: DERIVADOS CRISTALI,OS

2. Objetivo
1. Introdução
Nesta prática, buscaremos identificar sete
Em muitas situações, não é fácil nem substâncias diferentes, líquidos ou sólidos em
conveniente medir todas as propriedades físicas de solução, para as quais apenas serão fornecidos
alguns compostos. Líquidos, por exemplo, não seus pontos de ebulição e a natureza de seus
têm seus pontos de ebulição facilmente grupos funcionais. Os pontos de fusão dos
determinados. Outras substâncias possuem grupos derivados cristalinos obtidos por reação com 2,4-
funcionais muito reativos, como é o caso dos dinitrofenil-hidrazina (2,4-DNFH) serão
aldeídos, que se oxidam facilmente. Além disso, determinados experimentalmente. As substâncias
quando se trabalha com substâncias desconhecidas são aldeídos ou cetonas, os quais
desconhecidas, invariavelmente se faz necessário reagem com 2,4-DNFH dando hidrazonas sólidas
medir mais que um valor de propriedade física, e coloridas, com pontos de fusão bem definidos.
pois é muito comum várias substâncias possuírem
pontos de ebulição ou fusão iguais. Para garantir 3. Procedimento
que a substância sob análise seja realmente o que
aparenta ser, podemos fazer um derivado da 1. Cada grupo deve receber uma amostra em
mesma. O derivado, em geral, é mais estável e, solução, cujas propriedades da substância pura são
sobretudo no caso de líquidos, se for um sólido dadas abaixo:
cristalino, então, será ainda mais útil no apoio à
identificação da substância desconhecida. Amostra Estado P.E (°C)
Para se aplicar a técnica de derivação de 01 sólido 263
forma bem sucedida, algumas regras devem ser 02 líquido 56
obedecidas: 03 líquido 179
a) O derivado deve ser facilmente sintetizável e 04 líquido 156
purificável; 05 líquido 80
b) O derivado deve ser preferencialmente um 06 líquido 202
sólido, pois esses são mais facilmente 07 sólido 285 (d)
manipuláveies e seus pontos de fusão podem ser
determinados com exatidão; 2. Em um tubo de ensaio, colocar 0,5 mL da
c) A reação de formação do derivado deve ser amostra em solução 0,1 M e adicionar
preferencialmente quantitativa e não levar a cuidadosamente 0,5 mL de solução de 2,4-
rearranjos ou produtos secundários; dinitrofenil-hidrazina. Observar a formação
d) A identificação do derivado deve ser imediata de um precipitado colorido. Deixar o
inequívoca, sem margem para dúvidas entre outros tubo em repouso num banho de gelo por 5 minutos
derivados possíveis. e, em seguida, adicionar 1,0 mL de água gelada.
Muitos compostos podem ser 3. Caso o precipitado não se forme, aquecer o
convenientemente transformados em derivados tubo levemente em banho-maria por 5 minutos e
por diferentes tipos de reações e a escolha deste depois deixar resfriar.
ou daquele método é uma questão a ser definida 4. O precipitado deve, então, ser filtrado e lavado
pela disponibilidade de reagentes ou facilidade de com bastante água gelada e deixado secar por
manuseio do produto final. alguns minutos.

24
5. A fim de determinar o grau de pureza do
produto, realizar uma análise por CCF. Do
produto ainda úmido, retirar uma pequena
quantidade e transferi-la para uma placa
multipoços. Dissolver o sólido em dimetil-
sulfóxido (DMSO). Semear a placa de CCF com a
solução da substância desconhecida como padrão,
com a solução de 2,4-DNFH e com seu produto
colorido. Eluir, usando o sistema indicado em
sala.
6. Após secagem do produto em dessecador,
determinar seu ponto de fusão e, por comparação
nas tebelas fornecidas a seguir, determinar a
substância presente na amostra analisada.

4. Questões

1. Após determinar qual a substância


desconhecida, fornecer no relatório a reação
envolvida.
2. Propor um método eficiente de derivação para
as substâncias seguintes, indicando as reações
envolvidas, o nome do derivado em cada caso e
seu ponto de fusão.

a) ácido acético
b) butilamina
c) etanol

5. Bibliografia

1. Pavia, L. D., Lampman, G.M., Kriz, G.S.,


Introduction to Organic Laboratory Techniques. 3d
edition, Saunders College Publishing, USA, 1999.

25
Tabela 1. Características de aldeídos e de seus derivados cristalinos 6.

6
Fonte: Pavia, L. D., Lampman, G.M., Kriz, G.S., Introduction to Organic Laboratory Techniques. 3d edition,
Saunders College Publishing, USA, 1999.

26
Tabela 2. Características de cetonas e de seus derivados cristalinos6.

6
Fonte: Pavia, L. D., Lampman, G.M., Kriz, G.S., Introduction to Organic Laboratory Techniques. 3d edition,
Saunders College Publishing, USA, 1999.

27
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PRÁTICA 7: A,ÁLISE ELEME,TAR QUALITATIVA

obtidos e nos espectros posteriormente fornecidos,


1. Introdução cada equipe deverá propor uma estrutura para sua
amostra e analisar as concordâncias e
O conhecimento dos elementos que discordâncias enre a estrutura proposta e os
constituem um composto orgânico desconhecido é resultados práticos.
essencial no processo de caracterização. Este tipo
de análise é feito transformando inicialmente os Observação: Cada experimento deve ser
compostos orgânicos com ligações basicamente conduzido em um tubo de ensaio limpo. Não
covalentes em compostos iônicos ou em derivados reutilizar o mesmo tubo ou amostra.
que possam ser analisados por métodos
qualitativos de rotina. Os elementos normalmente 3. Procedimentos
presentes nos compostos orgânicos, além de
carbono, hidrogênio e oxigênio, são o enxofre, o 3.1. Ensaio para hidrogênio
nitrogênio e halogênios.
Os ensaios de caracterização de 1. Colocar rapidamente em um tubo de ensaio uma
elementos devem obedecer a dois requisitos pequena porção da amostra desconhecida, isenta
importantes: de umidade.
2. Fechar a saída do tubo com um pedaço de papel
a) devem dar resposta positiva sempre que o de filtro embebido com solução de acetato de
elemento estiver presente, independentemente do chumbo a 10% e levar o conjunto ao aquecimento
grupo funcional a que pertença. direto na chama de um bico de Bunsen até a
b) devem dar resposta negativa na ausência do decomposição do material. Observar o resultado.
elemento, ou seja, não deve haver interferência de 3. Repetir os procedimentos anteriores, desta vez
outros elementos. usando uma mistura da amostra desconhecida com
uma pequena quantidade de enxofre em pó.
Os ensaios de análise elementar são Observar o resultado.
degradativos e, por isso, sua sensibilidade deve ser 4. A formação de um composto negro no papel de
alta, a fim de evitar a necesidade de grandes filtro indica a presença de hidrogênio na estrutura
quantidades de substância, o que normalmente não da substância desconhecida.
é possível.
3.2. Ensaio para carbono
2. Objetivo
1. Em tubo de ensaio, misturar cerca de 0,1g da
O objetivo desta prática é levar ao amostra desconhecida juntamente com
conhecimento do aluno as técnicas de análise aproximadamente 0,5 g de óxido de cobre (CuO).
elementar qualitativa para compostos orgânicos e 2. Uma rolha perfurada com um tubo de vidro
o emprego desses conhecimentos para identificar conectado a ela deve ser adaptada ao tubo, de
um composto orgânico desconhecido. Cada grupo modo que os vapores formados durante a
receberá uma amostra desconhecida para ser combustão sejam recolhidos numa solução
testada, a qual será submetida a outros testes ao saturada de Ba(OH)2.
longo das atividades práticas. Com base nos dados

28
3. Aquecer o sistema contendo a amostra e o branco indica a presença de íons Cl- e o amarelo, a
óxido diretamente na chama e observar o que presença de íons Br-.
ocorre. A formação de um precipitado branco na
solução básica indica a presença de carbono na 4. Questões
amostra.
1. Analisar e interpretar os resultados obtidos no
3.3. Ensaio para nitrogênio teste para hidrogênio com e sem enxofre. Qual o
objetivo de realizar o experimento inicialmente
1. Em um tubo, juntar cerca de 0,2 g de amostra e sem enxofre? Descreva suas conclusões na parte
cerca de 0,2-0,3 g de uma mistura de CaO/MnO2 “Resultados e discussão” do relatório.
10:1 e homogeneizar com o bastão de vidro. 2. O teste para hidrogênio é passível de erro.
2. Em seguida, vedar a saída do tubo com um Explique o porquê e como fazer para evitar esse
pedaço de papel de filtro e aquecer a mistura na erro.
chama cuidadosamente. 3. O ensaio para nitrogênio seria eficiente para um
3. Quando se iniciar a formação de vapores no composto como a N,N-diclorociano-amina
tubo, umedecer o papel de filtro com de solução (CN2Cl2)?
de fenolftaleína a 1% e observar o que ocorre. 4. Qual a reação responsável pela mudança de cor
4. A presença de nitrogênio é indicada pelo da fenolftaleína em função do pH? Em que faixas
surgimento de coloração rósea a vermelha no de pH o indicador é incolor ou vermelho?
papel. 5. No ensaio para enxofre, qual a função da
5. Reservar o tubo com os resíduos para a próxima acidificação do meio com ácido acético glacial?
etapa. 6. No ensaio para halogênios, qual a função da
adição do ácido nítrico e do aquecimento da
3.4. Ensaio para enxofre solução?

1. Adicionar aos resíduos sólidos da parte 3.3 5. Orientação para preparação do relatótio
(Teste para nitrogênio) cerca de 2 ml de água
destilada, agitar cuidadosamente com o bastão e Descrever todas as reações gerais
filtrar a suspensão sobre algodão, recolhendo o envolvidas em cada uma das etapas do
filtrado em um recipiente adequado. procedimento. Isto deve ser feito na parte de
2. Lavar o resíduo restante com 1 ml de água. A “Resultados e discussão”. Mesmo quando a
solução do filtrado final deve ser límpida. amostra não der reação positiva para um
3. Separar a solução obtida em duas partes iguais. determinado teste, também para esse teste devem
Acidificar uma das partes com 3-4 gotas de ácido ser descritas as reações que deveriam ter sido
acético glacial e reservar a outra metade para o observadas.
teste do item 3.5.
4. Em seguida, juntar 3 gotas de Pb(CH3CO2)2 6. Referências
10% à solução acidificada e observar.
5. A formação de um precipitado negro indica a 1. Feigl, F.; Anger, V., Spot Tests in Organic
presença de enxofre na amostra, com número de Analysis, 7th ed., 1989, Elsevier Scientific
oxidação -2. É possível também a formação de Publishing Company, 57-85.
precipitado branco devido a enxofre +4 ou +6.
2. Shriner, R., Fuson, R.C., Curtin, D.Y., Morrill,
3.5. Ensaio para halogênios T.C.W., Identificação sistemática dos compostos
orgânicos, 6ª edição, Guanabara Dois, 1983.
1. À solução separada no item 3.4.3, adicionar 4
gotas de HNO3 P.A. (CUIDADO! Corrosivo!).
2. Em seguida, aquecer a solução até a ebulição
por 30-60 segundos, tendo o cuidado de evitar
ebulição muito violenta.
3. Deixar a solução esfriar e adicionar 3 gotas de
AgNO3 2%.
4. A formação de um precipitado branco ou
amarelo que escurece rapidamente na presença de
luz indica o halogênio na amostra. Precipitado

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PRÁTICA 8: GRUPOS DE SOLUBILIDADE

2. Objetivo
1. Introdução
Introduzir o estudante às técnicas de
Quando uma mistura de uma certa análise por solubilidade. Para esta prática, as
quantidade de um dado soluto e uma certa amostras devem ser testadas e classificadas
quantidade de um dado solvente formam um seguindo o Esquema 1 anexo.
líquido homogêneo, diz-se que o primeiro é Os resultados obtidos devem ser
solúvel no último. Essa definição essencialmente avaliados levando em consideração também os
prática de solubilidade forma a base dos vários resultados dos testes de análise elementar e devem
modelos que têm sido propostos para empregar a ser posteriormente comparados com os resultados
solubilidade como método de classificação dos obtidos nos testes de análise de grupos funcionais.
compostos orgânicos. A solubilidade é uma
propriedade física que depende essencialmente da 3. Quantidade de amostra
natureza dos solutos e dos solventes. Na maioria
dos casos, apenas interações intermoleculares Se a amostra for sólida, usar 0,10 g da
entre solutos e solventes são responsáveis pela mesma para o teste e observar o volume
solubilização. Porém, reações envolvendo duas ou aproximado do material. A partir daí, os ensaios
mais substâncias podem alterar a estrutura química subseqüentes com o mesmo composto devem ser
de um soluto, tornando-o solúvel em um dado estimados. Para amostras líquidas usar
solvente. 0,20–0,30 mL da amostra.
Chegou-se à conclusão de que é
conveniente distribuir os compostos orgânicos em 4. Procedimento
sete grupos de solubilidade, com base em sua
solubilidade em água, éter, solução aquosa de 1. Cada grupo fará o teste para duas amostras de
hidróxido de sódio a 5%, bicarbonato de sódio a referência e para sua amostra desconhecida.
5%, ácido clorídrico a 5%, ácido sulfúrico 2. Transferir a quantidade adequada de cada
concentrado frio, ácido fosfórico a 85% e nos amostra para um tubo de ensaio e adicionar o
elementos que eles contêm além do carbono e solvente até um volume máximo de 3,0 mL.
hidrogênio. Todos os testes são rápidos e muito 3. A mistura deve ser agitada vigorosamente ou
simples, requerendo apenas pequenas quantidades homogeneizada com bastão de vidro por alguns
do composto desconhecido. Além disso, eles segundos, a fim de verificar se a amostra é solúvel
permitem inferir sobre a natureza ácida, básica ou ou não.
neutra de cada amostra em função do solvente no 4. Para alguns grupos de solubilidade,
qual ocorre a dissolução. Naturalmente, este teste observações especiais devem ser feitas:
qualitativo depende muito da habilidade e
acuracidade de cada indivíduo e não pode ser GRUPO I – caso o composto se enquadre no
usado isoladamente na identificação do composto grupo I, o pH da solução aquosa deve ser testado
em questão. usando papel indicador, a fim de verificar sua
natureza ácida, básica ou neutra.

30
GRUPOS IIIA e B – durante a dissolução da
amostra em NaOH 5%, observar se ocorre
variação de temperatura. Já no teste com NaHCO3
a 5%, é importante verificar se há evolução de
gases, o que pode dar indicações da natureza da
amostra.

GRUPO VII – para se enquadrar nesse grupo a


amostra deve conter nitrogênio e/ou enxofre,
portanto, é preciso fazer ensaio para estes dois
elementos usando a técnica já estudada. Quando
for trabalhar com sua amostra-problema, basta
consultar os dados já obtidos anteriormente para
essas análises.

GRUPO VB – no teste com H2SO4 concentrado, é


importante verificar se ocorrem variações de cor
da mistura, carbonização ou desprendimento de
gases.

GRUPO VA – neste ensaio, caso não ocorra


solubilização imediata em H3PO4 concentrado,
aquecer a mistura em banho-maria, sem, no
entanto, deixá-la entrar em ebulição. Este é o
único teste que deve ser feito com aquecimento.

5. Após os testes, os resultados devem ser


compilados na Tabela I anexa.
6. Atenção: Para cada teste deve ser usado um
tubo de ensaio limpo.
7. Cada equipe deve indicar o grupo de
solubilidade a que pertencem as amostras de
referência. Com base na Tabela 2, sugerir as
substâncias possíveis. Após entregar o relatório,
verificar com o(a) professor(a) se seu resultado
está correto.
8. Enquadrar sua amostra-problema em um grupo
de solubilidade e sugerir os possíveis grupos
funcionais presentes. Estes resultados devem ser
reanalisados no final da disciplina, após a
elucidação da estrutura do composto.

9. Referências

1. Shriner, R., Fucson, R.C., Curtin, D.Y., Morrill,


T.C.W. Identificação sistemática dos compostos
orgânicos 6ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara
Dois, 1983.

2. Vogel, A.I. Análise orgânica qualitativa. Rio


de Janeiro: Livro Técnico S.A., 1978.

31
Esquema 1. Seqüência para a análise de solubilidade das amostras.

Composto
H2O

Insolúvel Solúvel
5% NaOH Éter

Solúvel Insolúvel Solúvel Insolúvel


5% NaHCO 3 5% HCl Grupo I Grupo II

Solúvel Insolúvel Solúvel Insolúvel


Grupo III A Grupo III B Grupo IV

Presença de Nitrogênio
e/ou Enxofre Ausência de Nitrogênio e Enxofre

Fazer Análise para Nitrogênio H2SO4 Conc.


e Enxofre
Grupo VII Solúvel Insolúvel
85% H3PO 4 Grupo VI

Solúvel Insolúvel
Grupo V A Grupo V B

Tabela 1. Resultados das análises de solubilidade.


SOLUBILIDADE EM
Amostra H2O (C2H5)2O NaOH 5% NaHCO3 5% HCl 5% H2SO4 H3PO4 Grupo de
conc. 85% solubilidade
Amostra 1
Amostra 2
Amostra-
problema

32
Tabela 2. Divisão dos compostos orgânicos em grupos de solubilidade7.

7
Vogel, A.I. Análise orgânica qualitativa. Rio de Janeiro: Livro Técnico S.A., 1978.

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PRÁTICA 9: A,ÁLISE DE GRUPOS FU,CIO,AIS 1

nuclear), infravermelho, espectrometria de massas


1. Introdução e cromatografia são rotineiras, enquanto análises
químicas estão mais associadas à síntese total.
Existem inúmeras razões para se Estas últimas envolvem técnicas laboriosas e nem
determinar a identidade de um composto orgânico. sempre tão precisas quanto as técnicas
Por exemplo, na área de produtos naturais, espectroscópicas, porém, seu conhecimento deve
podemos encontrar determinadas ervas exóticas fazer parte do arcabouço teórico de qualquer
que contenham alguma substância com poder químico orgânico.
terapêutico. A análise orgânica também é muito
usada na indústria de cosméticos, indústria 2. Objetivo
petrolífera, de alimentos, etc. Na química de
feromônios, têm sido estudadas as substâncias O objetivo desta prática é levar ao
responsáveis pela comunicação e reprodução de conhecimento do aluno alguns métodos químicos
insetos, de forma que este estudo tem auxiliado qualitativos para análise de compostos orgânicos.
bastante no controle de pragas ocasionadas
principalmente pelo desequilíbrio ecológico. A 3. Procedimentos
análise orgânica também tem sido bastante
empregada na identificação de drogas ilegais, 3.1. Teste para ácidos carboxílicos
sejam estas apreendidas em alfândegas, com
traficantes, ou com usuários que ingeriram Haletos alcalinos, quando aquecidos
“overdoses” ou mesmo em exames de rotina entre 140-160°C em presença de ácidos
realizados em atletas no sentido de identificar carboxílicos, liberam os haletos de hidrogênio
substâncias proibidas pelos seus comitês. Além correspondentes. Esta reação é específica para
disso, a identificação de poluentes em águas, solos ácidos carboxílicos e pode ser facilmente
e na atmosfera requer freqüentemente observada pela reação do haleto de hidrogênio
metodologias da análise orgânica para levar a formado com o papel indicador. Entretanto, a
resultados seguros. reação tem limitações, pois nem todos os ácidos
A identificação de um componente em carboxílicos dão resultado positivo.
uma mistura natural ou sintética complexa não é
fácil de ser realizada. Primeiro o composto dever 1. Colocar em um tubo de ensaio de cano curto
ser isolado da mistura até a forma pura, de modo uma pequena porção da sua amostra
que, dependendo da sua complexidade, o processo desconhecida.
completo poderá levar de alguns dias até anos 2. Juntar uma porção de cloreto de sódio seco,
para ser atingido. Este tipo de análise poder ser homogeneizar a mistura e levá-la ao aquecimento
feita quimicamente por meio de reações direto no bico de Bunsen.
específicas dos chamados grupos funcionais, 3. Cuidadosamente, aquecer a mistura até a fusão.
associados a medidas de propriedades físico- Simultaneamente, manter uma faixa de papel
químicas como ponto de fusão ou ebulição, índice indicador umedecido com água à entrada do tubo.
de refração, densidade, etc., ou por técnicas mais 4. Normalmente são necessário 2 a 3 minutos para
sofisticadas como medidas espectroscópicas. se observar possíveis variações de cor do papel
Técnicas de RMN (ressonância magnética

34
indicador. Resultado positivo é dado pela virada Obs: O teste para aldeídos só deve ser feito para
da cor do papel indicador. as amostras-problema que deram resultado
positivo no teste com 2,4-dinitrofenil-hidrazina.
3.2. Teste para amidas primárias
1. Em um tubo de ensaio, colocar 0,5 ml de
Amidas primárias reagem com soluções solução de AgNO3 2% e juntar 4 gotas de NH4OH
aquosas de NaOH para liberar amônia, que pode P.A. Evitar excesso de base, pois a reação não
ser detectada pela reação com fenolftaleína, dando ocorre em meio fortemente alcalino.
coloração rosa a vermelha. Nitrilas interferem, 2. Em seguida juntar uma pequena porção da
pois reagem com NaOH liberando também amostra dissolvida em pouco etanol ou THF,
amônia. agitar e aquecer a mistura suavemente até a
ebulição.
1. Colocar uma pequena quantidade da amostra 3. Resultado positivo é indicado pela formação de
em um tubo de ensaio limpo e seco e adicionar 15 um espelho de prata ou de um escurecimento das
gotas de NaOH 15%. paredes do tubo, de acordo com a reatividade do
2. Agitar até a homogeneização e em seguida aldeído presente.
aquecer à ebulição por alguns segundos.
Cuidado: Evitar ebulição violenta e respingos. 3.5. Teste para álcoois
3. Manter a saída do tubo de ensaio vedada por
um papel de filtro umedecido com solução de Álcoois primários e secundários reagem
fenolftaleína, observar e anotar o resultado. com dissulfeto de carbono e hidróxido de sódio
dando origem a xantatos, os quais produzem
3.3. Teste para aldeídos e cetonas soluções de cor vinho na presença de molibdato
de amônio. Aminas podem interferir no teste,
Estes compostos reagem com 2,4- dando resultados semelhantes.
dinitrofenil-hidrazina (2,4-DNFH) produzindo
2,4-dinitrofenil-hidrazonas, compostos coloridos 1. Em um tubo de ensaio, adicionar a mostra-
insolúveis, que podem ser identificadas por ponto problema, pura (caso líquida) ou dissolvida em um
de fusão. A reação é rápida e específica. solvente adequado, a 0,2 ml de dissulfeto de
carbono.
1. Dissolver uma pequena quantidade da amostra 2. Pulverizar rapidamente num almofariz ½
em uma quantidade mínima de etanol ou outro lentilha de NaOH e transferi-la para o tubo
solvente adequado, evitando usar solvente em contendo a mistura. Limpar o almofariz e o pistilo
excesso. É importante se obter uma solução imediatamente.
límpida e transparente. 3. Durante 5 minutos, agitar a mistura formada no
2. Juntar à solução obtida algumas gotas de tubo, anotando todas as alterações ocorridas a
solução de 2,4-DNFH e observar o resultado. cada minuto.
3. Caso não se forme um precipitado imediato, 4. Após este tempo adicionar 0,2 ml da solução de
aquecer a mistura em banho-maria em ebulição (NH4)2MoO4 1% e agitar a mistura por mais 1
suavemente por cerca de 1 minuto. Deixar esfriar minuto. Acidificar a solução com 2 gotas de
e levar a um banho de gelo. Observar. H2SO4 P.A. e observar. Teste positivo apenas se a
cor final for vinho.
3.4. Teste de Tollens para aldeídos
3.6. Teste para anidridos
Aldeídos reagem com soluções
amoniacais de AgNO3 a quente, reduzindo íons Anidridos de ácidos mono- ou dicarboxílicos
prata a prata metálica, a qual se deposita nas reagem com hidroxilamina para dar ácidos
paredes do tubo na forma de um espelho brilhante. hidroxâmicos, os quais formam complexos
Quanto mais reativo for o grupo aldeído, maior a coloridos com o íon Fe(III). A coloração varia de
quantidade de prata reduzida. Em alguns casos, a rosa a violeta, dependendo do anidrido e da
baixa reatividade produz apenas um precipitado quantidade presente na amostra. Compostos
negro. contendo grupos tioamida, tiouréia ou tiocetona,
assim como ácidos carboxílicos e seus derivados,
também podem produzir complexos violeta nesse
teste.

35
1. Em um tubo de ensaio, colocar 2 gotas ou uma
pequena porção da amostra-problema e juntar uma
pequena porção de cloridrato de hidroxilamina.
2. Homogeneizar a mistura cuidadosamente e, em
seguida, aquecer diretamente na chama, até a
formação de fumos brancos.
ATE,ÇÃO: Evitar aquecimento excessivo para
não carbonizar a amostra.
3. Deixar esfriar, adicionar 1,0 ml de água e 1 gota
de FeCl3 1%. O aparecimento de coloração que
varia do rosa ao violeta indica a presença do
anidrido.

4. Orientação para a preparação do relatório

Descrever todas as reações envolvidas em


cada uma das etapas do procedimento. Mesmo que
a sua amostra não dê o resultado positivo para
alguns testes ou algum não seja realizado, a
análise das reações esperadas deve ser feita. As
reações devem ser descritas na parte “Resultados e
discussão” e ser analisadas de acordo com os
resultados obtidos.

5. Bibliografia

1. Feigl, F.; Anger, V., Spot Tests in Organic


Analysis, 7th ed., 1989, Elsevier Scientific
Publishing Company, 174-178; 212-218;.255-260.

2. Pavia, L. D., Lampman, G.M., Kriz, G.S.,


Introduction to Organic Laboratory Techniques, 3a
edição, Saunders College Publishing, USA, 1999,
448-449.

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PRÁTICA 10: A,ÁLISE DE GRUPOS FU,CIO,AIS 2

4. Observar possíveis mudanças de coloração,


1. Teste de Liebermann para fenóis variando entre róseo a violeta, que indicam a
presença do grupo éster.
Muitos fenóis reagem com ácido nitroso,
dando nitroso-derivados, os quais condensam com Obs 1: Excesso de ácido inibe o complexo.
o excesso de fenol no meio, originando produtos Obs 2: Derivados de ácidos carboxílicos podem
de cor intensa característica. interferir no teste.

1. Tranferir para um tubo de ensaio uma pequena 3- Teste para nitrocompostos


quantidade da amostra-problema e reservar.
2. Em um segundo tubo, colocar uma pequena Uma reação característica de nitro-
porção de NaNO2 e juntar 1 mL de H2SO4 P.A., compostos é a oxidação do hidróxido ferroso a
em capela, agitando até dissolver o sal por hidróxido férrico, este último um sólido marrom-
completo. avermelhado. Infelizmente, este teste sofre
3. Transferir 1-2 gotas da solução ácida de NaNO2 interferência de outros grupos funcionais
para o tubo contendo a amostra e deixar em fortemente oxidantes, devendo os resultados ser
repouso por 3 minutos. encarados com ressalvas.
4. Em seguida, adicionar 3 gotas de água destilada
à mistura e alcalinizar com 0,3-0,5 ml de NaOH 1. Colocar 1,5 mL de solução recém-preparada de
4M. sulfato ferroso amoniacal a 5% em um tubo de
5. Mudança de cor da mistura, geralmente para ensaio e juntar uma pequena quantidade da
vermelho ou verde intenso, indica a presença de substância-problema.
fenol na estrutura. 2. Adicionar 1 gota de solução de ácido sulfúrico
2 M, seguida de 1,0 mL de solução metanólica de
2. Teste para ésteres hidróxido de potássio 2 M.
3. Vedar o tubo com uma rolha e agitar
Ésteres de ácidos carboxílicos podem ser vigorosamente em capela.
convertidos a sais alcalinos do ácido hidroxâmico 4. A mudança de cor de azul para marrom indica
correspondente, os quais, em meio ácido, dão possível presença de grupos nitro na amostra.
complexos coloridos com o íon Fe3+.
4. Teste para ácidos sulfônicos
1. Em um tubo de ensaio, colocar uma pequena
quantidade da amostra e, em seguida, juntar uma Ácido succínico fundido produz anidrido
pequena porção de cloridrato de hidroxilamina e 3 succínico e vapor d’água superaquecido, o qual é
gotas de KOH alcóolico saturado. capaz de levar a clivagens hidrolíticas (piro-
2. Aquecer diretamente no bico, cuidadosamente, hidrólise) de certos grupos funcionais, sobretudo o
até o desprendimento de bolhas. sulfônico. Nessas condições, forma-se ácido
3. Resfriar a mistura, acidificar com 5 gotas de sulfúrico, o qual é reduzido a ácido sulfuroso, que,
HCl 5% e juntar 3 gotas de FeCl3 1%. por sua vez, atua sobre o ferricianeto férrico,
dando o azul da Prússia, uma substância de cor
azul intensa.

37
Obs 2: Grupos tioamida, tiouréia ou qualquer
1. Misturar uma pequena porção da amostra outro grupo contendo enxofre hidrolisável podem
diretamente com uma quantidade semelhante de interferir em meio predominantemente aquoso.
ácido succínico num tubo de ensaio.
2. Homogeneizar a mistura e, com papel de filtro, Procedimento B
vedar a saída do tubo. Umedecer o papel com
solução de ferricianeto férrico recém-preparada. Obs: Mesmo para amostras-problema que dêem
3. Aquecer o tubo diretamente na chama até a resultado positivo na parte A, realizar o teste para
fusão da mistura e observar se ocorre mudança da arilamina.
coloração do papel de filtro.
1. Numerar três tubos de ensaio.
Obs 1: Compostos contendo enxofre em grupos 2. No tubo 1, colocar cerca de 1,0 mL de ácido
funcionais hidrolisáveis interferem dando também acético glacial e vedar a saída do mesmo com um
resultado positivo. pequeno círculo de papel de filtro.
Obs 2: A solução de ferricianeto férrico é 3. No tubo 2, dissolver uma pequena quantidade
preparada colocando-se uma pequena porção de da amostra desconhecida em solvente adequado.
ferricianeto de potássio num tubo e juntando-se a 4. No tubo 3, preparar a solução do reagente p-
ela 5 mL de solução de cloreto férrico a 1%. Basta dimetilaminobenzaldeído, conforme método
um grupo preparar a solução para todos. indicado.
5. Com ajuda de uma pipeta de Pasteur, umedecer
5. Teste para aminas primárias e secundárias o papel de filtro do tubo 1 com algumas gotas da
solução da amostra-problema do tubo 2 e com
Alquilaminas primárias e secundárias algumas gotas do regente do tubo 3.
reagem prontamente com dissulfeto de carbono, 6. Caso não haja formação de coloração imediata
formando ditiocarbamatos ou derivados tiouréia, no papel, aquecer o tubo 1 cuidadosamente na
os quais são identificados por hidrólise de grupos chama do bico de Bunsen, evitando ebulição
tio, formando sulfeto de hidrogênio. O H2S é violenta.
detectado facilmente na presença de AgNO3 em 7. Coloração amarela ou laranja indica resultado
meio ácido. A reação não é eficiente para positivo.
arilaminas. Por isso, é necessário executar uma
reação específica para elas com p- Obs: A solução de p-dimetilaminobenzaldeído
dimetilaminobenzaldeído, levando à formação de deve ser preparada no momento do teste pela
bases de Schiff coloridas. dissolução de alguns miligramas do reagente
sólido em cerca de 0,2-0,5 mL de etanol no tubo
Procedimento A 3. Um grupo pode preparar a solução para todos.

1. Em um tubo de ensaio, adicionar uma pequena 6. Teste para tioamidas.


porção da amostra e juntar 2 gotas de etanol e 2
gotas de dissulfeto de carbono, deixando em As tioamidas sofrem hidrólise ácida,
repouso por 5 minutos em capela. produzindo gás sulfídrico, o qual pode ser
2. Em seguida, evaporar o excesso de CS2 em detectado por reações com íons de metais pesados.
banho-maria e adicionar 3 a 4 gotas de água. Como a hidrólise é exclusiva para a tioamida,
3. Por fim, juntar à mistura no tubo uma gota de outros compostos com enxofre não interferem nas
solução de AgNO3 em ácido nítrico, a qual é condições do teste.
preparada no momento do teste. Observar o
resultado. A formação imediata de um precipitado 1. Em um tubo de ensaio, dissolver uma pequena
negro indica a presença de alquilaminas primárias porção de amostra em 0,5 ml de solução de HCl
ou secundárias. 5% e vedar a saída do tubo com um pedaço de
papel de filtro umedecido com Pb(CH3CO2)2 10%.
Obs 1: A solução do reagente deve ser preparada 2. Aquecer a mistura em banho-maria. O
em um tubo de ensaio pela mistura de 3 gotas de escurecimento do papel de filtro indica a presença
HNO3 P.A. com 1,0ml de AgNO3 2% e usada do grupo tioamida.
rapidamente. Basta que um grupo prepare a
mistura para todos usarem.

38
7. Quetões

1. Fenóis p-substituídos não são sensíveis ao teste


de Liebermann. Por quê? Explique a resposta no
tópico “Resultados e discussão” do relatório,
durante a análise dos resultados e mecanismos
para a reação.
2. No teste para ácidos sulfônicos é formado o
azul da Prússia na etapa final. Há uma substância
análoga conhecida como azul de Turnbulls.
Descreva as características e estrutura desse
composto.
3. No procedimento B do teste para aminas, dê a
reação no caso de aminas secundárias.

8. Orientação para preparação do relatório

Descreva todas as reações envolvidas em


cada uma das etapas do procedimento durante a
análise dos resultados. Discussões detalhadas
sobre as reações envolvidas são encontradas na
literatura disponível em nosso laboratório ou na
biblioteca setorial do CCEN.

9. Bibliografia

1. Feigl, F.; Anger, V., Spot Tests in Organic


Analysis, 7th ed., 1989, Elsevier Scientific
Publishing Company, 179-188; 214-217;.231-235;
243-247; 295-300.

2. Pavia, L. D., Lampman, G.M., Kriz, G.S.,


Introduction to Organic Laboratory Techniques,
3a edição, Saunders College Publishing, USA,
1999, 448-449.

39