Você está na página 1de 66

Pedrosa Ferreira

A ORAÇÃO EUCARÍSTICA
Catequeses

Edições Salesianas

© Pedrosa Ferreira
© 2005. Edições Salesianas
Rua Dr. Alves da Veiga, 124
4022-001 Porto
Tel 225365750
Fax. 225365800
edisal@edisal.salesianos.pt
www.edisal.salesianos.pt
Paginação/Impressão: Edições Salesianas
Acabamentos: Humbertipo
ISBN: 972-690-467-6
DL: 226426/05

APRESENTAÇÃO
Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o tradi- cional «Cânone» do missal
romano deu lugar a Novas Orações Eucarísticas. As primeiras foram aprovadas por
Paulo VI em 1968. Vieram depois outras, como as destinadas a Missas com Crianças, as
da Reconciliação e a Oração Eucarística V nas suas quatro versões.
Será que as pessoas que participam nas Missas entendem essas novas Orações?
Sabem qual a estrutura que é comum a todas elas? Percebem que a Oração Eucarística é
o momento mais forte de toda a celebração? O «Amen» final é, na realidade, um
assentimento da assembleia ao que foi proclamado?
É necessário que os textos litúrgicos sejam conhecidos, que os conteúdos das
orações e demais textos cheguem às pessoas. Este esforço por tornar a liturgia mais
compreensível passa, entre outras coisas, por um conhecimento da Oração Eucarística,
que não é só do celebrante mas de todos os fiéis.

2
Este livro tem como objectivo proporcionar uma catequese muito simples ao povo
de Deus acerca da Oração Eucarística. Estamos convencidos que, mais do que introduzir
novidades, o importante é que a assembleia perceba a Oração que é procla- mada e
esteja, por conseguinte, em sintonia com o celebrante.
Cada um dos capítulos deste livro pode servir de tema para uma catequese de
jovens e adultos. Esta pode ser feita durante o tempo do Advento ou, de modo particular,
durante a Qua- resma. Este é um tempo propício a um reavivar da fé, que também passa
por uma maior compreensão do mistério euca- rístico.
O que propomos são catequeses essencialmente expositivas. Tendo em conta que a
comunicação apenas através de palavras é sempre muito pobre e a mensagem se perde, o
catequista deverá servir-se de cartazes, gráficos, esquemas, textos de apoio e tudo o que
achar necessário. Além disso, propomos uma metodologia activa e participativa.
A metodologia pode ser a seguinte:
1. Acolhimento
Este acolhimento consta de um cântico inicial (com o apoio de um gravador) e da
apresentação do tema da sessão.
2. Apresentação do tema
A pessoa que estudou o tema apresenta-o da forma mais pedagógica que souber,
projectando, por exemplo, gráficos em acetatos, ou um programa PowerPoint.
Esta apresentação demorará cerca de trinta minutos.
3. Reflexão por grupo
Para motivar as pessoas ao diálogo, dividem-se em peque- nos grupos e, a partir do
texto que é entregue, fazem a activi- dade proposta.
4. Plenário
O relator de cada grupo apresenta uma síntese.
5. Oração final
Sugerimos uma oração muito simples, feita em forma litâ- nica. Ou, eventualmente,
um cântico apropriado.
Com estas seis catequeses desejamos contribuir para que as Eucaristias sejam
verdadeiramente um encontro festivo com Cristo ressuscitado.

1 - APRESENTAÇÃO GLOBAL

3
1. A sua definição

2. Os seus protagonistas

3. A sua estrutura

I. ACOLHIMENTO
A sala está acolhedora. Há música de ambientação. Distribuiu-se, se possível, um
texto de apoio: uma folha A4 com o esquema detalhado da exposição.
Se o grupo for pequeno, sugerimos ainda uma apresen- tação pessoal muito simples:
cada qual diz o nome e a razão por que veio a este encontro.

II. APRESENTAÇÃO DO TEMA

4
A ORAÇÃO EUCARÍSTICA

Esta exposição é feita com o apoio de elementos visuais projectados, e de tudo o


que servir para que os ouvintes não «entrem em excursão», isto é, não fiquem distraídos,
mas, pelo contrário, estejam facilmente atentos.
Conheceis a narração dos discípulos de Emaús? (Cf. Lucas 24, 13-35)
Nela há quatro momentos:
— O peregrino toma a iniciativa de acolher os dois discípulos desanimados e tristes,
Cléofas e o outro.
— O peregrino fala-lhes enquanto vão caminhando, explicando-lhes as Escrituras.
— O peregrino entra em casa, senta-se à mesa, pega no pão, parte-o e dá-o a
comer. Depois desaparece.
— Os discípulos, felizes, correm a anunciar aos compa- nheiros que se encontraram
com o Ressuscitado.
Aqui está uma catequese excelente da Eucaristia. Apre- senta os quatro momentos
da celebração:
— Ritos iniciais: o acolhimento.
— Liturgia da Palavra.
— Liturgia Eucarística.
— Ritos de conclusão: o envio.
Os ritos iniciais preparam a assembleia para a mesa onde se irão alimentar da
Palavra, e para a mesa onde se irão alimentar do Pão e do Vinho, Corpo e Sangue de
Cristo ressuscitado.
Os ritos de conclusão servem de despedida, pois a assembleia, alimentada
gratuitamente, por pura generosi- dade divina, parte para o quotidiano com um novo
dina- mismo espiritual.
Se as duas mesas são importantes, a que dá o nome à
celebração é a mesa eucarística, na qual se renova a Ceia do Senhor. Existe o
ambão para a proclamação da Palavra e o altar para a liturgia eucarística. Damos, porém,
mais destaque ao altar.
Durante a liturgia eucarística, o momento mais forte é aquele durante o qual, depois
de levados para o altar o pão e o vinho, é recitada a Oração Eucarística. Ela actualiza
aquele momento da Última Ceia, quando Jesus deu graças ao Pai e consagrou o pão e o
vinho.
É dela que iremos falar. Neste capítulo (ou encontro)

5
faremos uma apresentação global da mesma.

1. A SUA DEFINIÇÃO
É oração
Trata-se toda ela, do princípio ao fim, de uma oração. Desde que a assembleia se
levanta e é convidada a estar desperta para o louvor, («Dêmos graças ao Senhor nosso
Deus!») até que a mesma assembleia recita ou canta, solenemente, o Amen, todo este
texto litúrgico é uma oração dirigida a Deus.
Não fala à inteligência, ao jeito de um discurso teológico ou de uma lição de
catequese. Fala sobretudo ao coração dos crentes congregados na fé e no amor, que
devem vibrar com as palavras que escutam. É uma solene oração presidencial, feita de
braços abertos e corações ao alto.
É eucarística
Trata-se de uma oração eucarística. Eucaristia é uma palavra de origem grega —
«eu+karis» — que significa obri- gado. Esta oração é toda ela um grande louvor a Deus
e uma grande acção de graças.
Que diferença entre louvor e acção de graças? No lou- vor pensamos, de modo
especial, no amor de Deus para connosco. Na acção de graças pensamos, de modo
especial, nos dons que Ele nos concede.
Tudo isto acontece nesta Oração: contemplamos com alegria o grande amor de
Deus para connosco e agrade- cemos as maravilhas que por nós continuamente realiza.
A Oração Eucarística tem dois outros nomes: Anáfora e Cânone.
— Anáfora
Do grego «ana-fero», elevar. É a designação das Igrejas orientais. Trata-se, pois, de
uma palavra de origem grega que significa oração e oferenda elevada ou apresentada a
Deus.
— Cânone
É a designação que vigorou na Igreja até ao Concílio
Vaticano II: significa «norma». Foi o nome utilizado durante séculos. Indicava
simplesmente a regra ou norma segundo a qual se devia orientar o celebrante. A Oração
Eucarís- tica n.º 1 corresponde ao tradicional Cânone romano.

2. OS SEUS PROTAGONISTAS
São quatro os protagonistas desta oração. Isto significa que, ao longo dela, vão
entrando e ficando em primeiro plano Deus Pai, Jesus Cristo, o Espírito Santo e a Igreja.

6
Deus Pai
Deus Pai está sempre presente, pois a oração é dirigida a Ele. Louvamos e damos
graças ao Pai.
O celebrante começa com um vibrante convite:
«Dêmos graças ao Senhor nosso Deus».
E todos respondem em coro:
É nosso dever, é nossa salvação.
E conclui com um louvor solene, elevando o cálice. É como se fizesse um brinde a
Deus, ao jeito do que se faz nas festas ao homenageado.
Elevando o pão e o cálice, diz ou canta:
«A vós, Deus Pai todo-poderoso na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda
a glória, agora e para sempre».
E ao longo da oração, o olhar das pessoas está sem- pre voltado para Deus Pai, seja
quando louva, seja quando oferece ou quando faz petições. Ele é sempre o protagonista
principal.
Jesus Cristo
A segunda personagem é Jesus Cristo. Louva-se o Pai porque enviou o seu Filho,
aquele que partilhou da nossa condição humana, se tornou para nós o caminho que
conduz a Deus, a verdade que liberta e a vida que enche de alegria.
Entra em cena, de modo especial, quando o celebrante, assumindo o papel de
Cristo, «in persona Christi», diz e faz o que Jesus realizou na última Ceia.
E também quando o celebrante apresenta a Deus como oferenda agradável a pessoa
de Cristo que por nós morreu e ressuscitou.
Espírito Santo
A terceira personagem a entrar em cena é o Espírito Santo. Tem duas aparições
importantes.
É invocado explicitamente para que desça sobre o pão e o vinho e transforme estes
alimentos, frutos da terra e do trabalho dos homens, em Corpo e Sangue de Cristo
ressus- citado.
É depois invocado de novo para que volte a descer, mas, desta vez, sobre a
assembleia reunida a fim de a transformar, fazendo com que os cristãos vivam realmente
unidos no amor, não só com palavras mas sobretudo com um jeito de viver que os torna
credíveis no mundo.
Igreja
A quarta personagem a entrar em primeiro plano é a Igreja. É evidente que estas
quatro personagens estão sem- pre em cena nesta oração. Mas na parte final há uma

7
refe- rência explícita à Igreja universal.
A assembleia congregada sente-se unida aos seus pas- tores, o Papa e os bispos.
Sente-se unida aos que já partiram deste mundo com a esperança da ressurreição.
Sente-se unida à Virgem Maria e aos santos, em cuja intercessão confiam.

3. A SUA ESTRUTURA
Para esta exposição pode utilizar-se um «puzzle» de oito peças que se vai
compondo até formar um desenho eucarístico.
Embora haja muitas Orações Eucarísticas, todas elas têm uma estrutura própria.
Mais adiante iremos explicar em mais pormenor cada um destes momentos da
oração. Vamos agora simplesmente recordar os oito momentos que formam a sua
estrutura interna.
O Prefácio e o Santo
Começa-se por louvar e bendizer a Deus pela sua actua- ção na História da
Salvação.
No Missal Romano há uns cem prefácios e podia haver mais. Há sempre motivos
para fazer uma referência a Jesus Cristo como dom do Pai.
A assembleia participa muito activamente com o cântico do Santo: Santo, Santo,
Santo é o Senhor.
Transição
Há uma transição, mais ou menos breve, que é como que uma continuação do
prefácio e serve para introduzir o elemento seguinte.
Primeira anamnese
Com a imposição das mãos, invoca-se o Espírito Santo para que consagre o pão e o
vinho em Corpo e Sangue de Cristo ressuscitado.
Relato da instituição
O celebrante, na pessoa de Cristo, actualiza o que acon- teceu na Última Ceia.
Cristo ressuscitado está realmente presente como alimento para ser comido.
Memorial e oferenda
Recordando o sacrifício de Jesus Cristo, que se entregou à morte por amor e que o
Pai ressuscitou dos mortos, ofe- recemos a Deus, como oferenda agradável, esse Pão e
esse Vinho, que são Cristo. É a melhor e a única oferta agradável que podemos oferecer
a Deus Pai. E, unida a Cristo, toda a assembleia se oferece a Deus.
Segunda epiclese
Mesmo sem imposição das mãos, é de novo invocado o Espírito, que é acção, para

8
que actue na assembleia reunida e a faça crescer em comunhão.
Intercessões
Pedimos pela Igreja universal, congregada na unidade, tendo como centro o Papa,
sucessor de Pedro.
Pedimos pelo nosso bispo, sucessor dos apóstolos, e por todos os cristãos.
Pedimos pelos que já morreram, para que tomem parte com Cristo na ressurreição.
Pedimos por nós próprios, povo peregrino necessitado de esperança viva.
Doxologia final
É a aclamação final na qual o celebrante eleva o Pão e o Vinho, num louvor feito
por Cristo, com Cristo e em Cristo.
A assembleia coroa a Oração Eucarística com o Amen, que significa: Assim cremos.

III. REFLEXÃO POR GRUPOS


Os protagonistas da Oração Eucarística são quatro. Para falarmos deles utilizámos
talvez palavras demasiado gastas ou que não têm grande significado para as pessoas do
nosso tempo.
Vamos tentar, em pequenos grupos, elaborar um «Credo» que utilize palavras
nossas. Mesmo que menos «técni- cas» teologicamente, são as palavras que nos dizem
alguma coisa.
Para motivar a reflexão, é entregue a cada participante um texto genérico, com
espaço para escrever novas expressões que tentam dizer aquilo em que acreditamos. Os
grupos cortam, acrescentam... fazendo um texto novo.

OS PROTAGONISTAS

Creio em Deus
— Aquele que é inacessível, que é Totalmente-Outro.
— Aquele em quem vivemos, nos movemos e existi- mos.

9
— Aquele que é o nosso pastor e nos guia para a feli- cidade.
— Aquele que é um Pai e gosta de nos ver livres e res- ponsáveis.
— Aquele que definimos com a mais bela palavra: Amor.
— Aquele que criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança.
— Aquele de quem vimos e para quem caminha- mos.
— Aquele que é três vezes Santo e nos chama a ser santos.
— Aquele que...
Creio em Jesus Cristo
— Aquele que é o rosto humano de Deus invisível.
— Aquele que é o rosto divino do homem novo e perfeito.
— Aquele que se fez igual a nós em tudo menos no pecado.
— Aquele que é a água viva que mata a sede para sempre.
— Aquele que derrotou para sempre o mal e a morte.
— Aquele que é a esperança de vida para sempre.
— Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
— Aquele que...
Creio no Espírito Santo
— Aquele que é Cristo Ressuscitado a habitar em nós.
— Aquele que nos faz produzir frutos de alegria, ama- bilidade, paz...
— Aquele que está em acção na história, para que cresça o Reino de Deus.
— Aquele que é como um alento que nos faz viver uma vida divina.
— Aquele que é como um fogo novo que transforma os nossos corações egoístas.
— Aquele que é como uma brisa ligeira que nos conduz para a santidade.
— Aquele que...
Creio que somos Igreja
— O povo renascido pelas águas do Baptismo.
— O povo formado por pessoas seguidoras de Jesus vivo.
— O povo que respeita todas as religiões e com elas dialoga.
— O povo que celebra a sua fé, alimentando-se da Palavra e do Pão.
— O povo que no mundo quer ser sal, luz e fer- mento.
— O povo que peregrina no mundo a caminho da terra prometida.
— O povo que...

10
IV. PLENÁRIO
Cada relator de grupo proclamará o seu Credo. Mesmo que incompleto, o
importante é encontrar uma linguagem nova para expressar a fé nos protagonistas da
Oração Eucarística.

2 - V. ORAÇÃO FINAL
Como o plenário foi certamente muito rico de conteúdos, pode apenas recitar-se o
Pai nosso.
Esta noite, ao fazermos uma apresentação global da Oração Eucarística, falámos de
Deus Pai como sendo o principal protagonista.
A Ele se eleva o nosso louvor e acção de graças. A Ele bendizemos por Jesus Cristo
no Espírito Santo.
Vamos concluir este encontro elevando para Ele o nosso coração e o nosso
pensamento. E digamos a oração que o Senhor nos ensinou:
Pai nosso...

2 - UM POUCO DE HISTÓRIA

1. Um povo que dá graças

11
2. A ceia pascal

3. As primeiras comunidades

4. O Concílio Vaticano II

I. ACOLHIMENTO
As pessoas são acolhidas de forma cordial. A sala está preparada comodamente e há
música de ambientação.
Pode distribuir-se uma folha A4 com um breve resumo do tema que irá ser
apresentado.
Quando estiverem todos sentados, anuncia-se que a exposição demorará cerca de
trinta minutos, seguida de uma reflexão por grupos.

II. APRESENTAÇÃO DO TEMA

UM POUCO DE HISTÓRIA

Para esta exposição ser mais eficaz, o conferencista ser- ve-se de esquemas. Deverá
ainda combinar previamente quem vai ler algum texto dos que são citados.
A Oração Eucarística tem um género literário pró- prio. Não é nem oração
penitencial, nem oração universal. É uma oração de louvor e de acção de graças.
Uma oração com a qual, de corações ao alto, bendizemos a Deus e que é
proclamada de forma solene.

12
É difícil determinar quais os antecedentes literários desta oração. O que se pode
afirmar é que tem as suas raízes na oração do povo de Israel, embora tenha um conteúdo
novo.
Antes era a Antiga Aliança e agora é, evidentemente, a Nova Aliança.

1. UM POVO QUE DÁ GRAÇAS


Bênçãos da vida ordinária
Folheando os livros do Antigo Testamento, encontramos orações de louvor que
brotam espontaneamente da boca de diversos personagens.
Abraão, já idoso, quer encontrar para o seu filho Isaac uma esposa que seja da sua
própria terra, e não cananeia. Para isso, envia o seu criado à terra dos seus antepassa-
dos para trazer uma esposa. É então que, depois de orar a Deus para que lhe dê um sinal
que lhe indique quem deve escolher, encontra Rebeca, filha de um sobrinho de Abraão.
É então que o criado Eliezer dá graças a Deus porque protege o seu senhor:
«Bendito seja Javé, o Deus do meu Senhor Abraão, que não retirou o seu favor e a
sua lealdade para com o meu senhor...» (Gn 24,27)
Nesta oração de louvor, dita em plena vida ordinária, podemos distinguir três
elementos principais que constituem a estrutura mais elementar de toda a oração de
acção de graças:
1. A exclamação de louvor: Bendito seja Javé.
2. Justaposição de títulos ao nome de Deus: Deus do meu Senhor Abraão.
3. Indicação do motivo do louvor: Porque não retirou a sua graça e a sua fidelidade
ao meu senhor.
Bênçãos litúrgicas
As bênçãos de certo carácter litúrgico são pronunciadas pelo sacerdote ou pelo rei
perante toda a assembleia reunida, num acto de culto. Vamos escutar duas orações para
depois verificar qual é a sua estrutura.
Temos, por exemplo, as famosas orações de louvor do rei David. Eis uma delas.
(Intervenção de um leitor)
1.º Crónicas, 16
Louvai o Senhor, aclamai o seu nome, anunciai entre os povos as suas obras.
Cantai-lhe hinos e salmos, proclamai todas as suas maravilhas. Gloriai-vos no seu nome
santo, alegre-se o coração dos que procuram o Senhor! Recorrei ao Senhor e ao seu
poder, buscai sempre a sua face.
Recordai as maravilhas que Ele fez, os seus prodígios e as sentenças da sua boca, ó
descendentes de Israel, seu servo, filhos de Jacob, seu escolhido! É Ele o Senhor nosso

13
Deus, e governa sobre toda a terra. Recordai sempre a sua aliança, e a promessa que
jurou manter por mil gerações... Cantai ao Senhor, terra inteira, proclamai, dia após dia,
a sua salvação. Anunciai aos pagãos a sua glória e as suas maravilhas a todos os povos...
Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, pelos séculos dos séculos.
No final, todo o povo disse «Amen».
É importante ler também a oração solene de louvor e acção de graças pronunciada
por Salomão e feita no dia da consagração do templo. Está no livro primeiro dos Reis 8,
23-62.
Escutemos alguns versículos da mesma.
(Intervenção de um leitor)
1.º Reis, 8
Senhor, Deus de Israel, não há Deus semelhante a ti, nem no mais alto dos céus
nem cá em baixo na terra, para guardar a misericordiosa Aliança para com os servos que
andam na tua presença, de todo o coração. Agora, Senhor, Deus de Israel, realiza as
promessas que fizestes ao teu servo David, meu pai.
Escuta a súplica do teu servo e a do teu povo Israel.
É que Israel é o teu povo e a tua herança que fizestes sair do Egipto.
Outro exemplo de bênção litúrgica é a de Neemias 8-9: uma liturgia festiva da
Aliança. Regressando do des- terro, há o rito da renovação da Aliança, proclamado por
Esdras.
«Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, levantando as
mãos: «Amen! Amen!». Depois, inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor, com a
face por terra» (8,6).
Estas orações, quando solenes, têm geralmente a seguinte estrutura:
1. Um louvor inicial a Deus ou um convite ao louvor: Louvai, povos, o Senhor...
2. Um memorial ou relato das maravilhas que o Senhor fez em favor do seu povo.
3. Uma petição a Deus para que continue a proteger e a abençoar o seu povo.
4. Um louvor final , para deste modo terminar como começou.
Estas orações do Antigo Testamento podem conside- rar-se como as antepassadas
remotas da Oração Eucarís- tica. Num clima de alegria e de festa, o presidente perante o
povo, de braços elevados ao céu, louva e invoca a Deus, e a assembleia escuta e sublinha
com um «Amen» final o que o presidente disse.
O povo de Israel é um povo que sabe louvar e dar gra- ças. A Igreja, o novo Israel,
herdou esta capacidade de se maravilhar perante as maravilhas de Deus.

2. A CEIA PASCAL

14
Julga-se que o antecedente mais próximo da actual Oração Eucarística é a bênção
de acção de graças que faziam os judeus depois das refeições, sobretudo depois da ceia
pascal, quando bebiam o terceiro cálice de vinho misturado com água.
A ceia pascal, durante a qual Jesus instituiu a Eucaristia, decorria da seguinte
maneira:
1. Os ritos introdutórios
Consistem nos louvores a Deus, na fracção do pão ázimo e no primeiro cálice de
vinho.
2. O relato pascal
O pai de família recorda os acontecimentos do Êxodo, e faz uma catequese
salpicada de bênçãos e de cânticos.
3. A ceia
Depois de tomarem o segundo cálice de vinho, começam a cear, comendo o
cordeiro pascal e as outras iguarias que recordavam o tempo da escravidão no Egipto. As
ervas amargas eram sinal das amarguras do passado.
4. O terceiro cálice
Terminada a Ceia, pronuncia-se sobre o terceiro cálice de vinho uma oração que
pode ser considerada o antece- dente da Oração Eucarística. Era a «birkat ha-mazon».
5. O quarto cálice
Depois de se tomar o quarto cálice, cantam-se salmos e hinos de louvor mais
pascais.

Birkat ha-mazon
Escutemos, por conseguinte, esta oração de louvor e de acção de graças, que é com
certeza a antecedente da Oração Eucarística.
(Intervenção de um leitor. Quem faz a exposição sublinha cada um dos momentos,
lendo os subtítulos: louvor, memo- rial, petição, louvor final.)
Louvor
Bendito tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo, que ali- mentas todas as pessoas
com bondade, benignidade, graça e misericórdia.
Bendito sejas tu, Senhor, pelo teu grande nome, porque alimentas a todos, lhes
fazes o bem. Preparas o alimento a todas as criaturas que criastes.
Bendito sejas tu, Senhor, que alimentas todas as pessoas.
Memorial
Damos-te graças, Senhor nosso Deus, porque fizeste herdar a nossos pais uma terra

15
desejável, boa e extensa, e nos tiraste da terra do Egipto, livrando-nos da escravidão.
Damos-te graças, Senhor nosso Deus, pela aliança que selaste connosco, pela lei
que nos ensinaste, pelos manda- mentos que nos revelaste e pela bondade e graça que
sempre nos acompanham.
Por todas estas coisas, Senhor nosso Deus, te damos gra- ças e te bendizemos.
Bendito seja o teu nome na boca de todo o vivente, sem- pre e por todos os
séculos.
Petição
Tem compaixão, Senhor nosso Deus, de Israel, teu povo, de Jerusalém, a tua
cidade, de Sião, a habitação da tua glória, e do reino da casa de David, nosso Pai, nosso
Rei, nosso Pastor.
Socorre-nos em todas as nossas angústias, e não nos faças depender das obras dos
homens, mas apenas da tua mão cheia, santa, aberta e extensa, para que não sejamos
confundidos para sempre.
Deus nosso e de nossos pais, nesta festa dos pães ázimos surja perante Ti a
recordação de nós e de nossos pais.
Apressa a era messiânica e recorda-te de Jerusa- lém, morada da tua santidade, e de
todo o teu povo Israel. Amen.
Louvor final
Bendito tu, Senhor nosso Deus, rei do universo, Deus fortíssimo, nosso Pai, nosso
Rei, Protector, Criador, Reden- tor, Formador, nosso Santo, Santo de Jacob, nosso
Pastor, Pastor de Israel, Rei benigno e benfeitor para com todos, que a todos e todos os
dias nos fizeste, fazes e farás bene- fícios. Tu acumulaste sempre, acumulas agora e
acumula- rás por toda a eternidade graça, misericórdia, prosperi- dade, bênção e
salvação, consolação, alimento e vida e paz e todo o bem (...).
Como vemos, esta oração de acção de graças, depois da comida na ceia pascal
judaica, certamente que serviu como inspiração para a Oração Eucarística. Aqui há
louvor, memorial, intercessões e louvor final.
Jesus, como judeu que era, subia todos os anos a Jerusalém para celebrar a Páscoa
e conheceu estas orações. Ele, além disso, utilizou muitas vezes breves orações de louvor
no seu quotidiano (Cfr. Lc 10,21; Jo 11,41-42).
Ao celebrar a Última Ceia, certamente que recitou a oração judaica ritual, mas de
uma maneira muito pessoal e criativa. Aliás a fórmula não era fixa e inflexível.
Jesus na Ceia pascal deu um novo sentido a essa refeição ritual. Começava um
tempo novo. Terminavam os rituais antigos e começava uma nova liturgia.

3. AS PRIMEIRAS COMUNIDADES

16
Jesus disse: «Fazei isto em memória de mim!» Como é que os cristãos da primeira
comunidade cristã de Jerusa- lém celebravam a Eucaristia, cumprindo o mandato de
Jesus? Que oração de bênção faziam quando se reuniam nas casas uns dos outros para a
fracção do pão?
S. Paulo
S. Paulo, estando em Éfeso durante a terceira viagem missionária, escreve uma
primeira carta aos Coríntios, onde transmite a primeira narração da Eucaristia.
Escreve ele, citando certamente o texto que se pronun- ciava quando se celebrava a
Ceia do Senhor:
(Intervenção de um leitor)
1.ª Carta aos Coríntios 11, 23-26
Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças,
partiu-o e disse: «Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de
mim».
Do mesmo modo, depois da Ceia, tomou o cálice e disse:
«Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que dele beberdes,
fazei-o em memória de mim».
Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beber- des deste cálice, anunciais a
morte do Senhor, até que Ele venha.
Didaké
Contemporâneo provavelmente dos Evangelhos sinóp- ticos (Mateus, Marcos e
Lucas), há um texto chamado Didaké, que pode ser considerado como texto judaico cris-
tianizado ou texto cristão judaizado.
No capítulo X aparece o que pode ter sido o esquema da Oração Eucarística de
algumas das primeiras comuni- dades cristãs. Diz assim:
(Intervenção de um leitor)
Didaké X
Damos-te graças, Pai santo, pelo teu santo Nome, que fizeste habitar nos nossos
corações, e pelo conhecimento, a fé e a imortalidade que nos manifestaste mediante
Jesus teu Filho.
A ti a glória pelos séculos.
Tu, Senhor omnipotente, criaste todas as coisas pelo teu Nome e deste aos homens
comida e bebida para seu ali- mento, a fim de que te dêmos graças. Concedeste-nos um
alimento e uma bebida espirituais. Damos-te graças porque és poderoso.
A ti a honra pelos séculos.
Recorda-te, Senhor, da tua Igreja para a libertares de todo o mal, a aperfeiçoares no

17
teu amor e a reunires dos quatro ventos no teu reino que preparaste para ela.
A ti o poder e a glória pelos séculos dos séculos.
Nesta oração está o louvor pela obra da criação e da redenção, e a súplica final.
Cada um dos fragmentos da oração termina com uma doxologia: «A ti a glória... a ti a
honra... a ti o poder pelos séculos dos séculos».
Nesta oração dá-se graças por Jesus Cristo ou pelos dons sobrenaturais que
recebemos por meio dele.
Alude-se ao alimento espiritual, transformado pelo Espírito.
Pede-se pela Igreja, novo povo de Deus: que seja livre de todo o mal, que seja cada
vez mais perfeita no amor, que chegue ao reino preparado para ela.
Como podemos ver, são tudo elementos que pertencem à actual Oração Eucarística.
S. Justino
A Apologia de S. Justino, dos meados do século II, refere-se à Oração Eucarística
nestes termos:
(Intervenção de um leitor)
Leva-se ao presidente da celebração pão e um cálice de vinho misturado com água.
Ele, tomando-os dá louvor e glória ao Pai do universo, em nome do seu Filho e pelo
Espírito Santo pronuncia uma longa eucaristia, por ter-nos concedido esses dons que dele
nos vêm. E, quando o pre- sidente terminou as preces e a eucaristia, todo o povo pre-
sente aclama dizendo: «Amen».
Sabemos por outros escritos de S. Justino que os grandes motivos de louvor e acção
de graças eram a criação e a redenção.
Diz ainda que o dia em que os cristãos se reuniam era o domingo, por ser o dia da
ressurreição de Cristo.
A anáfora mais antiga
Chegou até nós uma anáfora escrita nos começos do século III. É a de Hipólito, que
exerceu uma grande influên- cia nas posteriores, sobretudo nas orientais, e serviu de
fonte de inspiração para a actual Oração Eucarística n.º 2.
(Intervenção de um leitor.)
Damos-te graças, ó Deus, pelo teu Filho muito amado, a quem nos últimos tempos
tu nos enviaste como Salvador, Redentor e Mensageiro do teu desígnio.
Ele é o Verbo inseparável, em quem puseste a tua com- placência, a quem desde o
céu enviaste ao seio de uma Virgem. Foi concebido, incarnou e manifestou-se como teu
Filho, nascendo do Espírito Santo e da Virgem.
Ele, para cumprir a tua vontade e adquirir um povo santo, estendeu os seus braços
enquanto sofria, para libertar do sofrimento os que em ti acreditam.

18
Quando se entregava voluntariamente à paixão, para des- truir a morte e romper as
cadeias do demónio, para esma- gar o inferno e conduzir os justos à luz, para fixar a
regra de fé e manifestar a ressurreição, tomando o pão, pronunciou a acção de graças e
disse:
«Tomai e comei, este é o meu corpo, partido por vós». Do mesmo modo o cálice,
dizendo: «Este é o meu sangue, derramado por vós. Quando fizerdes isto, fazei-o em
memória de mim».
Por isso, fazendo memória da sua morte e ressurrreição, oferecemos-te este pão e
este cálice, dando-te graças por nos teres achado dignos de estar diante de ti e de te
servir como sacerdotes.
Suplicamos-te que envies o teu Espírito Santo sobre a oblação da Santa Igreja,
congregando-a na unidade.
Dá a todos os que participam nestes santos mistérios a plenitude do Espírito Santo,
para que sejam confirmados na fé e na verdade, a fim de que te louvemos e
glorifiquemos pelo teu Filho Jesus Cristo, por quem se dá a ti a glória e honra, com o
Espírito Santo na Igreja, agora e sempre pelos séculos dos séculos.
O povo responde:
Amen.
Esta oração tem como característica principal a brevi- dade e a simplicidade. Está
totalmente centrada em Jesus Cristo, cuja obra redentora é motivo de louvor. Não tem
intercessões e falta-lhe o Santo, que foi introduzido apenas no século IV. Começava com
o diálogo introdutório igual ao actual:
O Senhor esteja convosco. Corações ao alto.
Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.
A partir desta anáfora, outras foram surgindo. O período do século IV ao século VI
é de grande riqueza litúrgica. Embora cada família litúrgica tenha a sua Oração, a estru-
tura é fundamentalmente a mesma em todas elas.

4. CONCÍLIO VATICANO II
O nascimento das novas Orações Eucarísticas do actual missal de Paulo VI surgiram
como determinação do Concílio Vaticano II. A Constituição sobre a Sagrada Liturgia,
apro- vada em 1963, pediu uma reforma litúrgica.
O Cânone romano
Aconteceu que, na Igreja romana, se utilizou ao longo dos séculos uma Oração
Eucarística que era chamada
«Cânone». A palavra grega «kanon» significa regra, medida, norma.

19
Este Cânone da Missa permaneceu possivelmente a partir do século IV até ao
Concílio Vaticano II. Era em latim e pronunciado em silêncio pelo celebrante, o que
significa que a assembleia nada entendia. Era o sagrado silêncio do Cânone, que se
tornou numa oração intocável!
No Concílio Vaticano II, no momento de fazer a reno- vação litúrgica, pôs-se a
questão desta Oração ser dita em voz alta e em língua vernácula. Não foi uma tarefa
fácil. Só em 1967 se autorizou a língua vernácula a todas as Con- ferências episcopais
que o solicitassem. Contudo, depressa se verificou que este Cânone tradicional não era a
Oração mais indicada para favorecer a participação activa e cons- ciente dos fiéis.
Que fazer? Remodelar o Cânone? Fazer novas orações eucarísticas?
Uma decisão histórica
Paulo VI tomou uma decisão histórica: o Cânone romano permaneceria intacto e
dava autorização para se introduzirem duas ou três anáforas.
O grupo de trabalho quis, à partida, saber quais eram os elementos essenciais de
uma anáfora. Depois de saber isso, decidiu criar as três novas Orações Eucarísticas que
conhecemos, acrescentadas ao Cânone romano: é a II, a III e a IV.
Para melhor as conhecermos, iremos estudá-las muito brevemente num dos
próximos encontros.
As três foram aprovadas definitivamente por Paulo VI, a 22 de Abril de 1968.
Em seguida, veio a Oração Eucarística V, nas suas quatro versões ou modalidades:
as duas Orações Eucarísticas sobre a Reconciliação e as três Orações Eucarísticas para
Missas com Crianças.
Pertence agora às comunidades dar vida a estes tex- tos. Começa-se, certamente,
com uma catequese sobre as mesmas, a fim de que cada cristão entenda a estrutura da
Oração.

III. REFLEXÃO POR GRUPOS


Depois de recordarmos, como que em filme, como é que os que nos precederam na
fé louvaram o Senhor, e como este louvor acontece de modo muito particular na Oração
Eucarística, vamos tentar esquecer os «lugares comuns» que frequentemente se utilizam
na nossa linguagem.
O desafio que é feito aos grupos é o seguinte: expressar com linguagem nossa, não
estereotipada mas fresca e de hoje, as razões que temos para louvar o Senhor.

20
É entregue um texto como referência e com espaço para os grupos escreverem as
razões para o louvor, hoje.

LOUVOR, HOJE

Louvai o Senhor:
— Pelas águas puras, não poluídas, dos rios e dos mares.
— Pela brisa fresca da tarde que nos acaricia e recorda a ternura de Deus.
— Pelos comboios de alta velocidade e pelos aviões a cruzar os céus.
— Pelas nossas cidades com os seus monumentos do passado e a sua modernidade.
— Pelas músicas de todos os géneros e ritmos que nos fazem vibrar.
— Pela televisão, pelos computadores, pela Internet, pelo correio electrónico.
— Pelas casas de saúde e pelos que trabalham ao ser- viço da vida.
— Pelos robots e outras invenções que tornam o traba- lho mais agradável.
— Pelos gestos de solidariedade, paciência e bondade que só Deus conhece.
— Pelos que dão a vida para que outros a tenham em abundância.
— Pelos que...

IV. PLENÁRIO
Cada relator de grupo põe em comum os seus motivos de louvor.
Se o ambiente for propício, pode fazer-se um breve momento de oração,
intercalando as razões para o louvor com um refrão cantado.

21
V. ORAÇÃO FINAL
O plenário já serviu de oração final deste encontro, no qual se sublinhou como a
Eucaristia é acção de graças, louvor e um obrigado a Deus.
Contudo, pode concluir-se com o Pai nosso de mãos dadas.

3 - A ESTRUTURA DA ORAÇÃO

1. O prefácio

2. O prolongamento

3. A primeira epiclese

4. O relato da instituição

5. O memorial e a oferenda

6. A segunda epiclese

7. As intercessões

8. A doxologia e o Amen

22
I. ACOLHIMENTO
Enquanto as pessoas vão entrando, há música de ambien- tação.
Pode haver na sala uma exposição com cartazes feitos pelas crianças e jovens da
catequese.
Poderá ser distribuído aos participantes um texto de apoio. Pode ser a Oração
Eucarística II, de que irão con- ferindo a estrutura ao longo da exposição. De facto, ao
lado do texto pode estar escrito o título de cada um dos oito momentos da Oração
Eucarística.
Antes de começar, o animador dirá que a exposição demorará cerca de trinta
minutos, seguindo-se uma reflexão por grupos.

II. APRESENTAÇÃO DO TEMA

A ESTRUTURA DA ORAÇÃO EUCARÍSTICA

Para tornar a exposição mais interessante, um colabora- dor do conferencista irá


afixando cada uma das oito peças de um grande «puzzle», cada qual com a palavra
referente à estrutura.
Além disso, o conferencista irá exemplificando os oito elementos na Oração
Eucarística II que os participantes têm consigo.
Quando, depois do Concílio Vaticano II, se tratou de descobrir quais eram os
elementos essenciais de uma aná- fora e os que não eram tão importantes, chegou-se à
conclusão que havia elementos essenciais, outros que não deviam faltar e outros que,
embora menos importantes, convinha que não faltassem.
A partir desta reflexão, tendo como referência a tradi- ção da Igreja, temos nas
Orações Eucarísticas conciliares oito elementos que fazem parte da sua estrutura.
Vamos recordar cada um destes oito elementos, o que nos ajudará a entender com a
inteligência e com o coração o que escutamos na liturgia eucarística.

23
1. O PREFÁCIO
O prefácio consta de três partes: o diálogo introdutório do celebrante com a
assembleia, o grande louvor e o Santo.
1. Diálogo introdutório
Este diálogo tem dois objectivos: estabelecer um con- tacto entre o presidente e a
assembleia, e convidá-la a louvar o Senhor.
a) Corações ao alto
Porque é uma acção comunitária, é preciso acordar os fiéis para a participação
dizendo-lhes: «Corações ao alto!» Os crentes respondem, em uníssono, que os têm já
postos em Deus.
b) Dêmos graças ao Senhor nosso Deus
Porque está a começar um grande louvor, o celebrante a todos convida a estarem
com ele em sintonia, numa ati- tude de grande louvor. A assembleia concorda e diz que é
seu dever e sua salvação louvar o Senhor Deus. Outras comunidades dirão que é justo e
necessário.
2. O grande louvor
O presidente da celebração começa agora o solene louvor a Deus.
Dirige-se a Deus Pai e enuncia os motivos que tem para o louvar com alegria. Cada
um dos muitos prefácios enuncia brevemente motivos de acção de graças.
Podemos, contudo, dizer que estes motivos de louvor, nas Eucaristias em geral, se
detêm na criação, no envio de Jesus Cristo como Salvador e no dom que é a Igreja.
Isto nas Eucaristias em geral, pois quando se celebra alguma solenidade especial do
Senhor, ou alguma festa ou memória da Virgem Maria ou de um Santo, ou em qualquer
outra circunstância especial, o prefácio é próprio e tem em conta essa celebração.
a) A criação
Citamos livremente algumas das expressões que pode- mos encontrar nos prefácios
para os domingos e para o tempo comum.
(Intervenção de um leitor)
Vós, ó Deus, existis desde sempre e permaneceis eterna- mente na luz inacessível.
Vós criastes os elementos do mundo, estabelecendo o curso dos tempos e as
estações do ano.
Vós formastes o homem à vossa imagem e semelhança e lhe confiastes as
maravilhas do universo.
Vós chamais o homem a colaborar, com o trabalho de cada dia, no projecto da
criação.

24
Em vós vivemos, nos movemos e existimos e, durante a vida terrena, sentimos a
vossa bondade.
b) Jesus Cristo
Citamos, mais uma vez, algumas das expressões dos prefácios em geral, referentes a
Jesus Cristo.
(Intervenção de um leitor)
Vós destes-nos Jesus Cristo como mediador, para nos anunciar as vossas palavras e
chamar-nos a seguir os seus passos.
Jesus é o caminho que nos conduz a vós, a verdade que liberta e a vida que nos
enche de alegria.
Jesus foi sempre misericordioso para com os pobres e humildes, os doentes e os
pecadores.
Jesus, com a sua acção e palavra, anunciou que sois Pai e olhais com solicitude por
todos os vossos filhos.
Jesus, na sua vida mortal, passou fazendo o bem e socorrendo os que eram
prisioneiros do mal.
Jesus, sendo de condição divina, aniquilou-se a si próprio, assumindo a condição de
servo Jesus, com a sua morte na cruz, livrou-nos da morte eterna e com a sua
ressurreição deu-nos a vida imortal.
c) Igreja
Acerca da Igreja, encontramos expressões como estas que vamos escutar.
(Intervenção de um leitor)
Formastes uma só Igreja, congregando numa só família os homens de toda a terra.
Somos, graças ao mistério pascal de Cristo, geração escolhida, sacerdócio real,
nação santa, povo resgatado.
Somos no mundo anunciadores das vossas maravilhas e sinais de esperança, de
comunhão, de felicidade.
Somos um povo orante que vos invoca nas suas tribu- lações e dá graças nas suas
alegrias.
Somos peregrinos sobre a terra, sentindo que caminha- mos para a luz admirável do
vosso reino.
Somos um povo que caminha para o vosso reino, vivendo na liberdade de vossos
filhos, livres para amar.
3. Santo
Toda a corte celestial é convidada a associar-se a este grande louvor: os Anjos e os
Arcanjos e todos os coros celestes, que adoram a Deus e se alegram eternamente na sua

25
presença.
Associamo-nos assim às suas vozes de seres invisíveis, para cantar que só o Senhor
é Santo.
Esta aclamação da assembleia tem frases da Sagrada Escritura, uma do Antigo e
outra do Novo Testamento.
a) Profeta Isaías
Isaías, (Cap. 6) na presença de Deus, proclamou que Deus é três vezes Santo.
Dizer três vezes é dizer o super- lativo máximo.
b) Evangelho segundo S. Mateus
As crianças, segundo o Evangelho de S. Mateus (cap. 21), aclamaram Jesus no
domingo de Ramos, proclamando:
«Bendito o que vem em nome do Senhor. Hossana nas alturas».
Nesta parte da aclamação já está uma referência a Jesus Cristo: Deus veio até nós
por Jesus Cristo.
Nesta aclamação está, por conseguinte, a criação e a encarnação. Aclama-se a
Deus, o Todo Santo, o Senhor do Universo; aclama-se também a Jesus Cristo, que vem
em nome do Senhor.

2. O PROLONGAMENTO
Depois do Prefácio, que conclui com a aclamação do
«Santo», há um prolongamento que serve de ponte para a atitude que se seguirá. A
esta transição costuma dar-se tam- bém o nome de «Vere sanctus», as palavras do texto
em língua latina.
Este prolongamento continua o tom de louvor. Nalgu- mas Orações Eucarísticas,
como na II, é muito breve:
Vós, Senhor, sois verdadeiramente Santo, sois a fonte de toda a santidade.
Noutras, porém, como na quarta, tem uma magnífica descrição da história da
salvação. Vale a pena proclamar este texto.
(Intervenção de um leitor)
Nós Vos glorificamos, Pai Santo, porque sois grande, e tudo criastes com sabedoria
e amor.
Formastes o homem à vossa imagem e lhe confiastes o universo, para que,
servindo-Vos unicamente a Vós, seu Criador, exercesse domínio sobre todas as criaturas.
E quando, por desobediência, perdeu a vossa amizade, não o abandonaste ao poder
da morte, mas, na vossa misericórdia, a todos socorrestes, para que todos aqueles que

26
Vos procuram Vos encontrem.
Repetidas vezes fizestes aliança com os homens e pelos profetas os formastes na
esperança da salvação.
De tal modo amastes o mundo, Pai santo, que chegada a plenitude dos tempos, nos
enviastes como Salvador o vosso Filho Unigénito: feito homem pelo poder do Espírito
Santo e nascido da Virgem Maria, viveu a nossa condição humana, em tudo igual a nós,
excepto no pecado; anunciou a salvação aos pobres, a libertação aos oprimidos, a alegria
aos que sofrem.
Para cumprir o vosso plano salvador, voluntariamente Se entregou à morte, e com a
sua ressurreição destruiu a morte e restaurou a vida.
E a fim de vivermos, não já para nós próprios mas para Ele, que por nós morreu e
ressuscitou, de Vós, Pai misericordioso, enviou aos que nEle crêem o Espírito Santo,
como primícias dos seus dons, para continuar a sua obra no mundo e consumar toda a
santificação.
É interessante esta cristologia que sublinha as duas dimensões que aparecem no
Credo: Jesus é verdadeiro Deus, da mesma natureza do Pai, mas também é verda- deiro
Homem. Ele compartilhou da nossa condição humana, menos no pecado.
É uma linguagem própria dos primeiros séculos, em luta contra os arianos, que
negavam a divindade de Cristo. Mas também sempre actual.

3. A PRIMEIRA EPICLESE
Esta transição liga-se directamente à primeira epiclese. Esta palavra «epiclese» vem
do grego (epí-kaleo) e significa «invocar».
A epiclese é uma oração de invocação ao Espírito Santo, pedindo que, pelo seu
poder criador, actue aqui e agora.
Reservamos esta palavra para expressar a invocação ao Espírito para que
transforme o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Cristo.
Esta invocação tem muita importância. Acreditamos firmemente que é pela força do
Espírito que os dons se tornam para nós Cristo ressuscitado como nosso alimento e
fortaleza.
O mesmo Espírito é invocado nos outros sacramen- tos, para que, pela sua acção,
bendiga, santifique, trans- forme, consagre...
Assim no Baptismo é invocado para que santifique a água, na Confirmação é
invocado para que desça sobre os confirmandos, no sacramento da Ordem é invocado
sobre os candidatos a diáconos, presbíteros ou bispos.
A Igreja põe toda a sua fé em Deus e confia totalmente que Ele, pelo seu Espírito
Santo, continua a realizar mara- vilhas.

27
Neste caso concreto o Espírito Santo é invocado sobre as realidades deste mundo, o
pão e o vinho apresentados no altar. O celebrante, impondo as mãos sobre os dons, pede
ao Espírito que os santifique, para que sejam para nós Corpo e Sangue de Cristo.
O mesmo Espírito que desceu sobre Maria e tornou possível a Encarnação do Filho
de Deus, o mesmo que ressuscitou Jesus de entre os mortos (Rom 9,14), o mesmo que
deu vida à Igreja nascente no Pentecostes, é o que agora, por meio das palavras do
celebrante que preside a uma assembleia de crentes, transforma os alimentos numa nova
criação: são o Corpo e o Sangue de Cristo ressuscitado, nosso alimento.
Este protagonismo do Espírito da Liturgia foi recupe- rado com a reforma litúrgica
do Vaticano II, certamente por influência da espiritualidade oriental, muito mais rica e
clara a este respeito. A própria palavra epiclese, de origem grega, o indica.
Em que momento é que o pão e o vinho passam a ser Corpo e Sangue de Cristo?
Deve evitar-se a preocupação por determinar o momento exacto em que sucede a con-
sagração.
É toda a Oração Eucarística, e nela de modo especial a invocação ao Espírito e o
Relato que o próprio Jesus fez, que actualiza a Nova Páscoa, tornando presente o
Ressus- citado como dom para o seu povo peregrino.

4. O RELATO DA INSTITUIÇÃO
Um dos protagonistas da Oração Eucarística é Jesus Cristo. Ele já apareceu no
prefácio, quando se louvou a Deus por no-lo ter enviado como Salvador.
Agora aparece de novo e em primeiro plano. É o momento culminante da Oração
Eucarística. O presi- dente da celebração assume-se «in persona Christi», isto é,
empresta as suas palavras, as suas mãos, os seus olhos, todo o seu ser a Jesus Cristo,
para reactualizar o que Ele fez na Última Ceia.
Não se trata simplesmente de uma narração histórica, dizendo o que Jesus fez no
passado, antes de ser condenado e morto. É um rito sagrado, no qual o celebrante
acompanha as palavras com os gestos. E, porque de um sacramento se trata, as palavras
realizam o que significam.
O celebrante começa por recordar, com uma certa emoção, os gestos que Jesus fez
na Ceia de despedida.
a) Os gestos
Na hora em que Ele se entregava, para voluntariamente sofrer a morte, tomou o pão
e, dando graças, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: (...)
De igual modo, no fim da Ceia, tomou o cálice e, dando graças, deu-o aos seus
discípulos, dizendo: (...)
b) As palavras

28
Em seguida pronuncia as palavras de Jesus sobre o pão e o vinho:
Tomai, todos, e comei:
isto é o meu Corpo
que será entregue por vós.
Tomai, todos, e bebei:
este é o cálice do meu Sangue,
o Sangue da nova e eterna aliança,
que será derramado por vós e por todos, para remissão dos pecados.
Conclui com as palavras de Jesus que instituiu este memorial:
Fazei isto em memória de mim.
A assembleia conclui este momento com uma acla- mação:
Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição.
Vinde, Senhor Jesus!
Nesta aclamação, que tem mais duas variantes similares, a assembleia tem presente
três cenários:
a) O passado
Neste momento recordamos o que aconteceu, de uma vez por todas, em Jerusalém:
Jesus que se entrega à morte, mas a quem o Pai ressuscita de entre os mortos.
Na páscoa judaica recordava-se a passagem do povo da escravidão do Egipto para a
liberdade. Na Eucaristia recor- da-se a passagem de Jesus da morte para a vida.
b) O presente
Esse acontecimento, embora tenha acontecido uma única vez na história da
humanidade, é actualizado cada vez que os cristãos, congregados na fé, se reúnem para
fazer o que Jesus fez na última Ceia.
Na páscoa judaica, os judeus acreditam que Deus con- tinua com o seu povo a
realizar maravilhas. Na Eucaristia, acreditamos que Cristo ressuscitado continua com os
seus para que estes tenham vida em abundância.
c) O futuro
A aclamação «Vinde, Senhor Jesus!» aponta para o futuro, que é aguardado em
esperança. A assembleia sen- te-se povo peregrino que aguarda em jubilosa esperança a
segunda vinda de Cristo Salvador (a parusia).
Na páscoa judaica, os judeus aguardam a vinda do Messias. Na Eucaristia, os
cristãos aguardam o dia em que a fé e a esperança acabarão e só existirá o amor.
Esse amor que circulará em plenitude entre os eleitos e a Trindade tornará possível
a festa do Reino definitivo onde não haverá lágrimas, nem luto, nem dor, porque Deus

29
renovará todas as coisas.
Esta aclamação é uma profissão de fé que corresponde ao que S. Paulo dizia aos
cristãos de Corinto: «Todas as vezes que comeis deste pão e bebeis deste cálice, anun-
ciais («kataggellete» = proclamais) a morte do Senhor, até que ele venha» (1 Cor 11,26).

5. O MEMORIAL E A OFERENDA
Imediatamente depois, o celebrante retoma a Oração para se referir de novo ao
memorial da morte e ressurrei- ção de Jesus e, seguidamente, realizar a oferenda:
oferecer Cristo ao Pai.
«Ao celebrar o memorial... nós vos oferecemos...» Duas atitudes num mesmo
movimento.
1. A realização do memorial
Ele recorda as diversas fases da Páscoa de Cristo:
«Ao celebrarmos o memorial da paixão redentora de vosso Filho, da sua admirável
ressurreição e ascensão aos céus, e esperando a sua vinda gloriosa!» (OE III)
Assim se qualifica e define claramente a Eucaristia como o memorial da Páscoa de
Cristo, incluindo nessa Páscoa a sua Morte, pela qual se entregou por nós em sacrifício,
a sua ressurreição e glorificação, e a sua vinda gloriosa no final dos tempos.
São palavras breves mas que expressam o fundamental do que é a Eucaristia: tornar
efectivo no presente um facto do passado.
Não se trata de reviver na nossa memória um aconteci- mento passado, mas de o
proclamar como efectivo no aqui e agora, graças ao Espírito Santo.
2. A realização da oferenda
a) A oferenda de Cristo
Ao memorial segue-se a oferenda. Oferecemos o melhor que podemos oferecer ao
Pai: Jesus Cristo, que se entregou por nós, amando-nos até ao extremo.
Oferecemos a Deus Pai o pão da vida e o cálice da salvação, que são para nós
Cristo ressuscitado, presente no altar em forma de alimento, para nos dar a sua vida e a
sua salvação.
Nós vos oferecemos o pão da vida e o cálice da salvação. (OE II)
Nós vos oferecemos o corpo e sangue de Cristo, o sacri- fício do vosso agrado e de
salvação para todo o mundo. (OE III)
Olhai para a oblação da vossa Igreja, na qual Vos oferecemos o sacrifício pascal de
vosso Filho, como nos foi deixado. (OE IV)
Ele se entregou nas nossas mãos para ser agora a nossa oferta. (OE II — Crianças)

30
Nesta oferenda está explícito que a Eucaristia é a actualização, aqui e agora, do
sacrifício pascal de Jesus, isto é, de Cristo que se oferece ao Pai como vítima agradável,
acabando para sempre com a oferenda do Cordeiro pascal do tempo da Antiga Aliança.
Cristo apresentou ao Pai toda a sua vida, que foi uma vida de obediência total à sua
vontade e de amor aos homens, especialmente aos pobres e humildes. A oferenda foi
aceite com a ressurreição: o Pai ressuscitou-o dos mor- tos e constituiu-o Senhor.
A presença da cruz no altar em lugar de destaque está aí para recordar à assembleia
esse Jesus que fez de toda a sua vida uma oferenda agradável ao Pai, na obediência à sua
vontade e no amor e serviço aos irmãos, atitude que culminou na morte de cruz.
Jesus pregado na cruz, de braços abertos, é um sinal visível da sua disponibilidade
para acolher a vontade do Pai, que quer abraçar num mesmo amor a toda a humani-
dade.
b) A auto-oferenda da comunidade
A este oferecimento segue-se uma auto-oferenda da Igreja. Embora timidamente, as
Orações Eucarísticas expressam esta oferenda.
Também a assembleia celebrante imita a atitude de Cristo e se entrega ao Pai.
Entregamos as nossas vidas, as nossas preocupações, os nossos trabalhos. Ofertamos
tudo o que somos e temos e que poderá ser agradável a Deus, porque está conforme a
sua vontade.
Todos os nossos esforços por obedecermos a Deus, tudo o que fazemos para amar
cada vez mais o nosso próximo, tudo o que fazemos para tornar o mundo mais justo e
fraterno, tudo o que fazemos para anunciar o Evangelho, tudo o que somos, tudo entra
na nossa oferenda, juntamente com a de Cristo.
Por isso, se diz na oração:
Que ele nos transforme em oferenda permanente. (OE III)
Reunidos pelo Espírito num só Corpo, sejamos em Cristo uma oferenda viva para
louvor da vossa glória. (OE IV)
Aceita-nos também a nós, com o teu amado Filho. (OE II — Reconciliação)
Te pedimos que nos recebas juntamente com o teu Filho, de quem tanto gostas.
(OE III — Crianças)
A oferenda viva e permanente somos nós, povo sacer- dotal, que neste momento da
celebração, mas também durante toda a nossa existência, somos convidados a fazer da
nossa vida uma oferenda agradável a Deus:
«Exorto-vos, pois, irmãos, que ofereçais os vossos corpos como vítima santa,
agradável: tal será o culto espiritual que lhe deveis prestar» (Rom 12,1).
Esta oferenda que se faz na Eucaristia deverá ter, por conseguinte, uma expressão
na vida quotidiana.

31
6. A SEGUNDA EPICLESE
Nesta segunda epiclese entra de novo o Espírito como protagonista. Desta vez não é
invocado para descer sobre o pão e o vinho, mas sobre a comunidade. Só falta o gesto
da imposição das mãos do celebrante!
Contudo, esta invocação está bem expressa nas Orações Eucarísticas.
Pedimos que desça, agora, como desceu no dia de Pen- tecostes sobre os apóstolos.
E que nos conceda os seus dons, de modo especial, o dom da unidade.
Humildemente vos suplicamos que, participando no Corpo e Sangue de Cristo,
sejamos reunidos pelo Espírito Santo, num só corpo. (OE II)
Fazei que, alimentando-nos do Corpo e Sangue do vosso Filho, cheios do seu
Espírito, sejamos em Cristo um só corpo e um só espírito. (OE III)
Concedei, por vossa bondade, a quantos vão participar do mesmo pão e do mesmo
cálice, que, reunidos pelo Espírito Santo num só corpo, sejamos em Cristo uma oferenda
viva para louvor da vossa glória. (OE IV)
Escutai-nos, Senhor, nosso Deus, dai o vosso Espírito de amor a todos os que
participamos nesta refeição para ficarmos cada vez mais unidos... (OE II — Crianças)
Se a primeira epiclese pedia que o Espírito transfor- masse o pão e o vinho, a
segunda aponta para a comunidade.
Cada membro da comunidade está destinado a cris- tificar-se, a viver ao jeito de
Cristo, a amar como ele amava, a orar ao Pai como ele orava, a perdoar como ele per-
doava, a acolher os pobres como ele acolhia, a anunciar boas novas como ele anunciava,
a alimentar-se da pala- vra do Pai como ele se alimentava, a aceitar a persegui- ção como
ele aceitava, a ter os mesmos sentimentos que ele tinha durante a sua vida e durante a
sua paixão e morte, a esperar a ressurreição como ele esperava. Só com cristãos
cristificados é possível construir comunidades novas e felizes, significativas no mundo.
A primeira epiclese está relacionada com o mistério da Anunciação, quando o
Espírito desceu sobre Maria e se realizou a Encarnação histórica de Cristo.
A segunda está relacionada com o Pentecostes, quando Ele encheu de vida nova os
crentes tímidos, dando-lhes a audácia de serem apóstolos.

7. AS INTERCESSÕES
Esta última parte da Oração Eucarística não tem cer- tamente a «solenidade» dos
elementos anteriores, o que até se pode verificar na maneira de ser recitada pelo cele-
brante. Nas concelebrações, estas intercessões são recitadas pelos sacerdotes que
concelebram.
A protagonista é agora a Igreja. A assembleia está a celebrar a Eucaristia em união
com toda a Igreja e reza por ela. E aqui entra em cena a Igreja em toda a sua extensão: a

32
Igreja peregrina neste mundo, os que já partiram e os que vivem no Céu (Virgem Maria,
Apóstolos, Santos).
Estas intercessões pela Igreja em toda a sua extensão tornam mais uma vez evidente
que a Oração Eucarística tem as suas raízes nas orações do povo de Israel. Também os
israelitas, depois de recordarem os acontecimentos salvíficos, passavam a uma oração de
intercessão, pedindo a Deus que continuasse a proteger o (seu) povo, o (seu) Rei, a (sua)
cidade santa de Jerusalém.
Estas intercessões são intra-eclesiais, quer dizer, refe- rem-se apenas à Igreja de
Cristo. É certo que os cristãos têm um coração tão grande como o mundo e, quando se
reú- nem, intercedem a Deus pelo mundo inteiro, pelos seus governantes, pela paz, pelos
pobres e pelos que sofrem, por todas as necessidades dos homens, seus irmãos. Mas isso
fazem-no na Oração Universal, como conclusão da Liturgia da Palavra.
a) A Igreja peregrina neste mundo
Rezamos em união com o Papa, sucessor de Pedro, e os bispos, sucessores dos
apóstolos. E pedimos por eles. Não somos um grupo independente, mas estamos em
comunhão com a Igreja universal, estamos em sintonia com toda a comunidade eclesial.
Nas diversas orações, alude-se à Igreja santa e católica, peregrina neste mundo, a
Igreja universal, o Povo santo de Deus. Nomeia-se o Papa e o bispo da Igreja local.
São recordados os cristãos presentes, cuja fé e devoção só o Senhor conhece. São
recordados todos os cristãos, chamados a ser sal e luz do mundo.
Intercessões da Oração Eucarística V nas suas quatro variantes:
V/ A:
Pede-se que a Igreja resplandeça num mundo dilace- rado pela discórdia, como sinal
profético de unidade e de concórdia.
V/ B:
Pede-se que todos os cristãos do mundo, seguindo os caminhos da fé e da
esperança, possam irradiar no mundo confiança e alegria.
V/ C:
Pede-se que os cristãos, reconhecendo os sinais do tempo à luz da fé, se empenhem
com toda a diligência e sinceridade no anúncio do Evangelho.
E que os cristãos, atentos e generosos para com as necessidades dos irmãos,
participando das suas dores e angústias, alegrias e esperanças, lhes levem a boa nova da
salvação.
V/ D:
Pede-se que Deus abra os olhos dos cristãos às neces- sidades e sofrimentos dos
irmãos, para confortarem os que andam cansados e oprimidos, e os servirem de coração
sin- cero.

33
Pede-se que os cristãos sejam testemunho vivo da ver- dade e da liberdade, da
justiça e da paz, para que em todos os homens se renove a esperança de um mundo
novo.
b) Os defuntos
A assembleia também se sente unida aos que já partiram deste mundo, os que «nos
precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz», os que «adormeceram com a
esperança da ressurreição», os que «descansam em Cristo», aqueles que «cuja fé só vós
conhecestes», «os que morreram na amizade de Deus».
Por todos se pede que sejam admitidos no reino de Deus, na Casa de Deus, a
contemplar a luz do rosto de Deus. E que alcancem a vida plena e abundante da
ressurreição.
c) A Igreja dos Santos
Sentimo-nos unidos nesta Oração aos Santos, irmãos nossos que percorreram já o
caminho de peregrinos e se encontram na presença de Deus.
Enquanto nos sentimos unidos a eles, temo-los como nossos modelos de vida e
confiamos na sua protecção, na sua intercessão, nas suas orações junto de Deus.
Pedimos a graça de, ao terminarmos a nossa peregri- nação na terra, participarmos
na vida eterna e na herança eterna, com a Virgem Maria, os Apóstolos e todos os santos.
Assim todos nós, no Reino de Deus, com todos os santos e com a criação inteira
liberta do pecado e da morte, cantaremos eternamente a glória de Deus.
Esta visão da Igreja nas suas três dimensões situa-nos numa clara perspectiva
escatológica: é uma Igreja pere- grina, com o olhar posto no Reino definitivo, na segunda
vinda de Cristo.

8. A DOXOLOGIA E O AMEN
A Oração Eucarística termina com uma «doxologia» final e a aclamação «Amen»
por toda a comunidade.
a) Doxologia
Como vimos, as orações judaicas terminavam habi- tualmente com o mesmo tom
de louvor com que tinham começado.
O mesmo acontece na Oração Eucarística. Conclui-se com um louvor ao Pai por
meio de Cristo e na unidade do Espírito Santo.
Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Vós, Deus Pai todo-poderoso, na unidade do
Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, agora e para sempre.
Podemos ver aqui um ritmo descendente e um ritmo ascendente.
No descendente, proclamamos que desce do Pai, por Cristo morto e ressuscitado, a

34
salvação para a comunidade.
No ascendente, eleva-se para o Pai, por meio de Cristo, toda a honra e glória.
b) Amen
A assembleia, como sempre acontece nas orações litúr- gicas de louvor e acção de
graças, responde: Amen.
É a expressão mais breve que se utiliza para a assem- bleia dar o seu assentimento a
tudo o que o celebrante proclamou na Oração Eucarística.
Nas orações de David e de Salomão, todo o povo res- pondia: «Amen».
Quando Justino descreve a celebração da Eucaristia das primeiras comunidades, diz
que no final todo o povo acla- mava dizendo «Amen», e que «Amen» em hebraico signi-
fica «assim seja».
Esta aclamação é uma forma da assembleia expressar que acolhe e faz sua a oração
do presidente. É o Amen mais importante da Eucaristia. Por isso, é geralmente
sublinhado com um canto onde o Amen, frequentemente, se repete três vezes.

III. REFLEXÃO POR GRUPOS


O animador entrega a cada participante o esquema que sugerimos, que é uma
Oração Eucarística incompleta.
Cada grupo será convidado a preencher o esquema ou estrutura, tendo em conta o
que foi explicado no tema.

ORAÇÃO EUCARÍSTICA

1. Prefácio
Senhor, Pai Santo, é nosso dever dar-Vos graças...

2. Transição
Sim, sois verdadeiramente Santo...

35
3. Primeira epiclese
Enviai o Espírito Santo para que...

4. Narração
Pegou no pão, abençoou-o, partiu-o e deu-o... Pegou no cálice de vinho, abençoou-
o e deu-o...

5. Anamnese e oferenda
Ao celebrarmos o memorial de... nós Vos ofere- cemos...

6. Segunda epiclese
Enviai de novo o Espírito Santo...

7. Intercessões
Lembrai-Vos, Senhor, da Igreja que... dos defuntos que... de nós que...

8. Doxologia final

IV. PLENÁRIO
Cada grupo pode apresentar a sua Oração Eucarística. Se o tempo o não permitir,
cada grupo pode limitar-se a dizer se sentiu dificuldades em preencher a estrutura e como
as superou.
Será que este conhecimento nos irá ajudar a uma maior participação na Eucaristia?
Porquê?

36
V. ORAÇÃO FINAL
Pode concluir-se este encontro escutando um cântico de bênção e louvor, servindo-
se de um CD ou uma cassete.

4 - AS QUATRO ORAÇÕES

1. Oração Eucarística I (Cânone Romano)

2. Oração Eucarística II

3. Oração Eucarística III

4. Oração Eucarística IV

I. ACOLHIMENTO
A sala está preparada para as pessoas se sentirem o mais comodamente possível
neste encontro. São acolhidas pelos organizadores do encontro. Na sala há música suave
de ambientação.
É distribuída uma brochura com as quatro Orações Eucarísticas que irão ser objecto

37
de análise.
Antes de começar a apresentação do tema, o animador dirá que, depois da
exposição, que demorará cerca de trinta minutos, haverá uma reflexão por grupos.

II. APRESENTAÇÃO DO TEMA

AS QUATRO ORAÇÕES

Enquanto vai explicando, o animador convida as pessoas a consultarem o texto que


têm entre mãos.
As quatro Orações Eucarísticas maiores são o tradi- cional Cânone romano e as
outras três introduzidas pela reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. São as que apa-
recem no corpo do Missal Romano, logo após os prefácios e antes do Rito da
Comunhão.
Estas três foram aprovadas a 22 de Abril de 1968 por Paulo VI, o Papa que,
sucedendo a João XXIII, continuou o Concílio por este convocado para «aggiornar» a
Igreja, isto é, para pôr em dia, actualizar, renovar.
As outras são a Oração Eucarística V/A, V/B, V/C, V/D, as duas Orações
Eucarísticas da Reconciliação e as três Eucaristias para Missas com Crianças. Dessas não
nos vamos ocupar hoje.
Já vimos qual a estrutura destas Orações. Vamos agora descobrir, muito
brevemente, o que é que cada uma destas quatro Orações Eucarísticas maiores têm de
especial e digno de ser sublinhado.

1. ORAÇÃO EUCARÍSTICA I (CÂNONE ROMANO)


Para começar, convém dizer que esta Oração, embora tenha a mesma estrutura, não
é tão linear como as outras.
1. PREFÁCIO
Não tem prefácio próprio. Terá de se ir buscar aos pre- fácios da liturgia romana.

38
Alguns destes prefácios louvam a Deus porque nos enviou Jesus Cristo como
Salvador, e são os melhores. Mas também os há que têm menos qualidade, como o IV
da Quaresma que se limita a cantar as excelências do jejum quaresmal, ou o da
Santíssima Trindade, que faz uma espe- culação teórica sobre o mistério Trinitário, sem
proclamar as maravilhas que estas pessoas realizaram na história da Salvação.
Quando se opta por esta Oração, deve escolher-se um prefácio que tenha algo que
ver com a história da Sal- vação.
2. PRIMEIRAS PETIÇÕES
Onde no esquema geral aparece a transição do Santo para a primeira invocação ao
Espírito Santo, aqui fazem-se já as primeiras petições.
Começa-se por pedir ao Pai de infinita misericórdia que aceite e abençoe os dons.
É, de facto, uma oração que insiste no aspecto oblativo-ofertorial. Desde o primeiro
momento se pede a Deus que «se digne aceitar e abençoar esta obla- ção pura e santa».
Segue-se a comemoração dos vivos e a comemoração dos defuntos.
— Comemoração dos vivos
Pede-se, em seguida, pela Igreja santa e católica, em comunhão com o Papa, o
Bispo e todos os Bispos fiéis à verdade.
Pede-se também por todos os fiéis presentes, cuja fé só Deus conhece, para que
encontrem a salvação que esperam.
— Comemoração dos santos
Esta petição faz-se estando todos unidos à Igreja e venerando a memória da Virgem
Maria e de todos os santos.
No final destes fragmentos, volta-se a pedir a Deus que aceite esta oblação, dê a paz
aos nossos dias, nos livre da condenação eterna e nos conte entre os seus eleitos.
A partir destas intercessões iniciais, é fácil descobrir os diversos elementos da
Oração Eucarística que já conhe- cemos.
3. PRIMEIRA EPICLESE
Embora não se nomeie expressamente o Espírito Santo, pede-se ao Senhor que
santifique esta oblação com o poder da sua bênção, para que se converta para nós no
Corpo e Sangue de Cristo, seu amado Filho.
4. RELATO DA INSTITUIÇÃO
Como pormenores característicos temos os seguintes:
— «Tomou o pão em suas santas e adoráveis mãos»;
«tomou este sagrado cálice em suas santas e vene- ráveis mãos».
— «E levantando os olhos ao céu». Este pormenor de elevar os olhos ao céu
aparece nos relatos evangé- licos da multiplicação dos pães.

39
5. ANAMNESE E OFERENDA
O memorial e a oferenda são bem explicitados. Os mis- térios da vida de Cristo
evocados são: a morte, a ressurreição e a ascensão aos céus.
A oferenda é designada com as expressões: «o sacrifício perfeito, santo e imaculado,
o pão da vida eterna e o cálice da eterna salvação».
Depois de se fazer a oferenda, pede-se, com uma lin- guagem colorida, que esta
seja apresentada no altar celeste, como foram no passado as oferendas do justo Abel, de
Abraão, nosso pai na fé, e do sumo sacerdote Melquisedec.
O Cânone Romano gosta de destacar este aspecto sacrificial da Eucaristia: Oferecer
Cristo ao Pai como ver- dadeiro Cordeiro Pascal.
6. SEGUNDA EPICLESE
Esta segunda invocação ao Espírito Santo, embora mais uma vez não o nomeie
explicitamente, está no pedido de que todos os que participam neste altar pela comunhão
do Corpo e Sangue de Cristo alcancem «a plenitude das bênçãos e graças do céu».
7. SEGUNDAS INTERCESSÕES
Nestas segundas intercessões há duas petições muito concretas:
— Fiéis defuntos
Lembrai-vos dos que «partiram antes de nós marcados pelo sinal da fé e agora
dormem o sono da paz». Que o Senhor lhes conceda «o lugar da consolação, da luz e da
paz».
São expressões belas que manifestam a esperança dos cristãos reunidos a celebrar o
mistério pascal de Cristo.
— Assembleia
Pede-se, em seguida, pela assembleia orante, fazendo-se o mesmo pedido: que,
apesar de pecadores, sejamos admi- tidos também na assembleia dos bem-aventurados
Apósto- los e Mártires, e de todos os Santos. «Recebei-nos em sua companhia».
8. DOXOLOGIA FINAL
Há uma breve introdução cristológica à doxologia final. Por Cristo nos vem a
salvação e por Cristo sobe ao Pai o nosso louvor: o movimento descendente e o
movimento ascendente da bênção.

2. ORAÇÃO EUCARÍSTICA II
Esta Oração tem como base de inspiração a que se encontra no livro da Tradição
Apostólica, de Hipólito.
Tem como característica principal a sua brevidade e simplicidade. É a mais utilizada
na liturgia e nela estão bem claros os vários elementos já estudados.

40
Vamos sublinhar apenas um ou outro aspecto que a torna diferente das outras.
1. PREFÁCIO
Este prefácio é verdadeiramente uma acção de graças, como convém numa Oração
Eucarística.
Louva-se a Deus pela primeira criação e pela segunda criação.
A primeira, quando criou todas as coisas, e a segunda, quando enviou Jesus Cristo
como Salvador e Redentor. Ambas são manifestação do imenso amor de Deus Pai, que
tem um projecto de vida feliz e abundante redenção para a humanidade.
Os comentadores sublinham o carácter cristológico deste prefácio, pois sublinha que
a obra da salvação se realizou por Cristo, que nasceu da Virgem Maria e entregou a sua
vida na cruz.
Diz o texto que Jesus «estendeu os braços», num gesto de amor de quem quer
abraçar toda a humanidade.
2. TRANSIÇÃO
Esta transição é muito simples: «Sois verdadeiramente santo, sois a fonte de toda a
santidade».
3. PRIMEIRA INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO
Esta primeira invocação ou epiclese de consagração nomeia explicitamente o
Espírito Santo.
Sublinhamos o «que se convertam para nós». Este «para nós» quer certamente
dizer que não basta que o Espírito actue sobre os dons e os transforme em Corpo de
Cristo ressuscitado. É necessário que nós nos dêmos conta que Cristo está
verdadeiramente presente para nós; está presente para nós o comungarmos; está presente
para nós nos cristificarmos e darmos frutos de vida nova.
4. RELATO DA INSTITUIÇÃO
O relato mantém a «humilde beleza» dos textos bíblicos, referindo as acções de
Jesus na Ceia pascal.
— Quatro acções sobre o pão: «Tomou o pão e, dando graças, partiu-o e deu-o aos
seus discípulos».
— Três acções sobre o vinho: «Tomou o cálice e, dando graças, deu-o aos seus
discípulos».
5. MEMORIAL E OFERENDA
Depois do celebrante dizer «mistério da fé», a assem- bleia responde com a
aclamação memorial.
No Missal propõem-se três diferentes, mas a primeira é a melhor. Tem um claro
sentido pascal e escatológico: recorda a morte, a ressurreição e a segunda vinda do

41
Senhor.
É interessante verificar que esta aclamação é dirigida directamente a Cristo, e não ao
Pai, como acontece com o resto da Oração Eucarística.
Vem a seguir, claramente expresso, o memorial e a ofe- renda: «Celebrando o
memorial da morte e ressurreição de vosso Filho, nós Vos oferecemos o pão da vida e o
cálice da salvação».
Este texto reproduz quase à letra a Oração de Hipólito; só que em vez de se dizer
simplesmente «pão e vinho», se diz, de uma forma mais bíblica, «pão de vida» e «cálice
de salvação».
6. SEGUNDA INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO
Já sabemos que nesta segunda epiclese se invoca o Espírito Santo para que, assim
como consagrou os dons, consagre a assembleia, para que seja um povo congregado na
unidade, formando um só corpo.
7. INTERCESSÕES
As intercessões que se seguem, ausentes da Oração inspiradora de Hipólito, são
breves.
— Igreja universal
Recorda-se a Igreja universal «dispersa por toda a terra», com uma alusão ao Papa
e ao Bispo. Pede-se que se torne perfeita na caridade.
— Defuntos
Recordam-se todos os defuntos: não apenas os cristãos que «adormeceram na
esperança da ressurreição» mas também todos os defuntos em geral, «todos os que na
vossa misericórdia partiram deste mundo».
Que todos sejam admitidos na luz da presença de Deus.
— Assembleia
Recorda-se, finalmente, a assembleia: «Tende miseri- córdia de nós».
A Virgem Maria e os Santos são evocados, não como intercessores, mas como
futuros companheiros de glória, com os quais cantaremos os louvores de Deus.
8. DOXOLOGIA FINAL
Esta doxologia, que é igual em todas as orações, é um texto muito bem conseguido:
sintetiza trinitariamente toda a oração.

3. ORAÇÃO EUCARÍSTICA III


Esta Oração é a mais parecida ao Cânone romano. Foi preparada por um monge
beneditino, C. Vagaggini, como documento de trabalho, que depois acabou por ser

42
aprovada.
Como o Cânone romano, sublinha a ideia de sacrifí- cio. Na Eucaristia actualiza-se
o sacrifício de Cristo, que entrega a sua vida ao Pai por amor como oferenda agradável.
É como que o «Cânone do sacrifício», o sacrifício vivo e santo, o sacrifício de
reconciliação.
Além disso, dá um lugar importante ao Espírito Santo. Ele, que não era nomeado
explicitamente no Cânone romano, aparece aqui em vários momentos de uma forma
muito explícita. Por exemplo, na Transição e nas Inter- cessões.
Vejamos alguns aspectos referentes a cada um dos momentos da sua estrutura.
1. PREFÁCIO
Não tem prefácio próprio, devendo-se tomar um dos do Missal Romano. Aqui há
uma grande riqueza de prefácios, geralmente muito bíblicos e com uma grande variedade
de temas, uns para os domingos e outros para o tempo comum.
2. TRANSIÇÃO
A transição do prefácio para a primeira epiclese ou invocação ao Espírito Santo tem
um rico conteúdo. Dizem os peritos que se inspira na liturgia moçárabe.
Em poucas palavras, estão presentes temas tão impor- tantes como o trinitário
(evocam-se as três pessoas divi- nas), o cósmico-universalista (todas as criaturas cantam
os vossos louvores), o eclesiológico (não cessais de reunir para vós um povo), o
eucarístico (que dum extremo ao outro da terra vos ofereça uma oblação pura).
Talvez seja este o fragmento mais característico desta oração.
3. PRIMEIRA INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO
Nesta invocação está de novo presente a referência trinitária, eclesiológica e
cósmica.
Invoca-se o Pai para transformar os dons no Corpo e Sangue de Jesus Cristo, pela
força do Espírito Santo.
É a Igreja que apresenta estes dons, que são fruto do trabalho dos homens nos
campos onde germina o trigo e dão fruto as videiras.
4. RELATO DA INSTITUIÇÃO
Este relato tem apenas a particularidade de citar o que escreveu S. Paulo aos
Coríntios, quando descreve o que o Senhor Jesus fez: «Na noite em que Ele ia ser
entregue...»
5. ANAMNESE E OFERENDA
Os mistérios de Cristo estão devidamente evocados: paixão, ressurreição e ascensão
aos Céus.
É de sublinhar a expressão: «e esperando a sua vinda gloriosa». Expressa-se, mais

43
uma vez, o sentido escatoló- gico: estamos reunidos aguardando a segunda vinda do
Senhor.
A Eucaristia é uma mesa de peregrinos a caminho da Eucaristia definitiva, é uma
etapa na caminhada para o Reino na sua plenitude.
6. SEGUNDA INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO
Reza-se para que os que se vão alimentar do Corpo e Sangue de Cristo, cheios do
Espírito Santo, sejam em Cristo um só corpo e um só espírito.
7. INTERCESSÕES
— Ser oferenda permanente
O mesmo Espírito é de novo invocado para que trans- forme os comungantes em
oferenda permanente.
Ser oferenda permanente é estar disposto a oferecer a vida ao Senhor vivendo
segundo a sua vontade. Só será ofe- renda agradável a Deus uma vida vivida ao jeito da
de Jesus Cristo.
— Universalismo
Outro aspecto específico desta Oração é o universa- lismo. Olha-se para a
humanidade e pede-se a Deus que dê a salvação e a paz ao mundo inteiro.
Pede-se que reconduza a si todos os seus filhos disper- sos, a fim de se formar a
grande família de Deus, congre- gada na fé e na caridade.
8. DOXOLOGIA FINAL
É comum a todas as Orações Eucarísticas.

4. ORAÇÃO EUCARÍSTICA IV
Esta Oração caracteriza-se por apresentar uma síntese completa e ordenada da
história da salvação, como o fazem as anáforas da tradição da comunidade de Antioquia.
É uma oração muito bíblica, pois tem implícitas muitas expressões tiradas da Bíblia,
que estão traduzidas numa linguagem acessível aos homens do nosso tempo.
Além disso, está muito presente a atitude de acção de graças, que é afinal a
característica fundamental de toda a Oração Eucarística: trata-se de bendizer e louvar o
Senhor.
Note-se ainda que a palavra «Pai» aparece nesta Oração seis vezes, desde o
prefácio até ao final. Isto confere à Oração um tom de afectividade filial. Dizer Pai é
dizer «Abba», Paizinho.
Vejamos algumas características ao longo da sua estru- tura.
1. PREFÁCIO

44
O prefácio limita-se a dar graças ao Senhor pela sua obra criadora: Deus é fonte de
vida, criou o universo e enche de bênçãos todas as suas criaturas.
2. TRANSIÇÃO
Esta transição, como já foi dito noutro momento, é um verdadeiro resumo da
história da salvação, referindo-se aos seus momentos mais significativos:
— Tudo criaste com sabedoria e amor.
— Formaste o homem à vossa imagem e semelhança.
— Quando o homem pecou, Deus na sua misericórdia o socorreu.
— Repetidas vezes fez aliança com os homens e pelos profetas foi alimentando a
esperança da salvação.
— Na plenitude dos tempos enviou Jesus Cristo, nas- cido da Virgem Maria.
— Jesus anunciou a salvação aos pobres, a libertação aos oprimidos e a alegria aos
que sofrem.
— Jesus entregou-se à morte, e com a sua ressurreição destruiu a morte e restaurou
a vida.
— Enviou o Espírito Santo para que possamos conti- nuar a sua obra no mundo.
3. PRIMEIRA INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO
Esta invocação liga perfeitamente com o anterior: que esse mesmo Espírito
santifique as oferendas.
4. RELATO DA INSTITUIÇÃO
Sublinhe-se a expressão tão bela, que se encontra no Evangelho de S. João: «Tendo
amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim».
Uma frase profunda e emotiva, que introduz os gestos e as palavras de Jesus na
Última Ceia.
5. ANAMNESE E OFERENDA
Mais uma vez, como na Oração Eucarística III, apa- rece a referência explícita aos
mistérios de Cristo: morte, ressurreição, ascensão.
E, finalmente, o carácter escatológico da Eucaristia: «Esperando a sua vinda
gloriosa».
6. SEGUNDA INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo é invocado para que, reunidos num só corpo, sejamos em Cristo
uma oferenda viva para louvor da glória de Deus.
Ser oferenda viva é imitar Jesus Cristo, que fez da sua vida uma oferenda agradável
ao Pai, passando a vida a fazer o bem, numa atitude de amor e de serviço aos irmãos.
7. INTERCESSÕES

45
São parecidas às da Oração Eucarística III pelo seu universalismo:
— Lembrai-vos de todos os que vos procuram de cora- ção sincero.
— Lembrai-vos de todos os defuntos cuja fé só Vós conhecestes.
— Que um dia cantemos os louvores de Deus, incorporados à criação inteira, liberta
do pecado e da morte.
8. DOXOLOGIA FINAL
Esta Oração Eucarística conclui com a mesma doxologia de todas as outras.
9. CONCLUSÃO
Estas são as características das quatro Orações Eucarísticas.
Falta uma leitura das outras, também dignas de uma análise. Porém, a partir desta
reflexão, e tendo presente que todas elas têm uma estrutura idêntica, será fácil fazer essa
análise.
O objectivo é sempre o mesmo: ter em vista uma par- ticipação mais activa na
Eucaristia.
E se, quando participamos na Eucaristia, fizéssemos este esforço de perceber onde
começam e acabam cada um dos oito elementos?

III. REFLEXÃO POR GRUPOS


O animador entrega a cada participante um texto com citações retiradas das Orações
Eucarísticas com Crianças, e relacionadas com Jesus Cristo.
Os grupos são convidados a dialogarem acerca da lin- guagem utilizada e a fazer
uma apreciação:
— Trata-se de uma linguagem que as crianças de hoje entenderão?
— Quais as expressões que consideramos mais belas, mas conseguidas?

JESUS CRISTO

Oração Eucarística I

46
Vós, Deus, nos enviastes Jesus, o vosso Filho muito amado.
Ele veio salvar-nos: curou os doentes, perdoou aos pecadores, acolheu e abençoou
as crianças, e mostrou a todos o vosso amor.
Oração Eucarística II
Bendito seja, Cristo Jesus, que nos mandastes: o amigo dos pequeninos e dos
pobres.
Ele veio para nos mostrar como podemos amar-Vos e como podemos amar-nos uns
aos outros.
Ele veio para tirar do coração dos homens toda a mal- dade que não nos deixa ser
amigos, que não nos deixa ser felizes.
Ele prometeu que o Espírito Santo estaria connosco todos os dias, para podermos
viver da vossa vida.
Oração Eucarística III
Jesus Cristo veio ter com os homens que andavam longe de Vós e não conseguiam
entender-se.
Pelo Espírito Santo, Ele abriu os nossos olhos e os nossos ouvidos e mudou o nosso
coração, para nos amarmos como irmãos e compreendermos que sois nosso Pai.
É ele, Jesus Cristo, que nos reúne à volta desta mesa, onde apresentamos a nossa
oferta.

IV. PLENÁRIO
Cada grupo porá em comum as suas reflexões.
Com o que foi partilhado, pode ainda fazer-se uma síntese que inclua os aspectos
mais interessantes, formando assim um belo prefácio tendo como tema Jesus Cristo.

V. ORAÇÃO FINAL

47
Ao concluirmos este encontro de reflexão, depois de um dia que termina, dêmos
graças ao Senhor durante breves momentos em silêncio.
Breves momentos de silêncio.
Concedei, Senhor, que depois de termos reflectido no mistério da Eucaristia, centro
da nossa vida, descansemos esta noite na vossa paz e de novo nos levantemos na alegria
da manhã para cantarmos os vossos louvores.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
R/ Amen.

5 - O CRISTÃO «EUCARÍSTICO»

1. Viver em acção de graças

2. Fazer memorial de Jesus Cristo

3. Ser dóceis ao Espírito

I. ACOLHIMENTO
Os participantes vão entrando na sala adornada, se possível, com cartazes ou
posters relacionados com a Euca- ristia. Música de ambientação para criar ambiente.
É distribuída uma folha A4 com o esquema do tema. O animador, no início, dirá
ainda que a exposição terá uma duração de cerca de trinta minutos, seguida duma
reflexão por grupos.

48
II. APRESENTAÇÃO DO TEMA

O CRISTÃO «EUCARÍSTICO»

Para facilitar esta apresentação e a tornar mais viva, deve utilizar-se um gráfico
elucidativo.
Sugere-se que, quando se fala de sermos pessoas «euca- rísticas», se recorra a
modelos de vida actualizados, como são sobretudo os santos mais venerados na
comunidade.
Nos encontros anteriores, reflectimos a partir das Ora- ções Eucarísticas, para
melhor participarmos na celebração. Já compreendemos o que os nossos ouvidos
escutam e os nossos lábios proclamam.
Hoje iremos reflectir acerca de como podemos continuar as atitudes eucarísticas no
quotidiano. Fá-lo-emos tendo como referência as três pessoas da Santíssima Trindade.

1. VIVER EM ACÇÃO DE GRAÇAS


Depois de termos já trabalhado bastante sobre a Oração Eucarística, chegou o
momento de descer à realidade de todos os dias e reflectir sobre o modo como podemos
e devemos ser pessoas «eucarísticas», como podemos «eucaristizar» o nosso quotidiano.
É um verbo novo que pode não estar no dicionário, mas para nós significa muito.
Trata-se de viver a Eucaristia, de a levar para a vida, para que a celebração
propriamente dita seja realmente um ponto de partida e um ponto de chegada.
Seguindo o esquema trinitário, começamos por nos refe- rir à atitude do cristão que
consiste em viver em contínua acção de graças a Deus Pai.
1. Eucaristia é gratidão a Deus
A Oração Eucarística é uma oração de louvor e acção de graças. A própria palavra,
de origem grega, o indica. Começa com o prefácio e termina com a doxologia.
Neste louvor está presente o diálogo da fé: Deus que toma a iniciativa de nos amar e
nós, em resposta, nos reconhecemos agradecidos pelo seu amor. Deus é quem toma a
iniciativa e espera a nossa resposta livre e alegre.
Diremos que neste louvor eucarístico há, primeira- mente, um movimento
descendente e, como resposta, um movimento ascendente.
No descendente, Deus faz descer sobre nós e sobre o mundo toda a sua bênção,
todo o bem, todo o amor. No ascendente, fazemos subir até Deus toda a nossa gratidão,

49
todo o nosso louvor e acção de graças.
A ponte que nos liga a Deus é Jesus Cristo. Por Cristo nos vem a salvação e por
Cristo sobe o nosso louvor.
2. Eucaristia é louvor permanente
Este movimento ascendente, esta atitude eucarística é para continuar no quotidiano.
Recusamos uma visão pessi- mista do mundo, que Deus muito ama, e optamos por uma
visão realista mas optimista do mundo e dos acontecimentos que nele se desenrolam.
Porque Deus, ao criar o mundo e os homens, viu que tudo era muito bom.
Eucaristia no mundo
Consiste em olhar com olhos maravilhados para este mundo grande e belo, que a
cada passo nos surpreende com as suas coisas maravilhosas, quer no que se relaciona
com o macrocosmos, quer no que se relaciona com o micro- cosmos.
Seremos capazes de imaginar o que existe para além dos planetas já descobertos?
Seremos capazes de imaginar tudo o que está oculto numa célula humana?
O homem eucarístico olha para a criação com olhos maravilhados e louva a Deus
Criador.
Eucaristia no mundo
Consiste em olhar para cada pessoa humana como ima- gem e semelhança de Deus.
Cada homem tem um coração para amar, uma inteligência para descobrir a verdade, e
forças nos seus membros para construir uma sociedade de justiça, de solidariedade e de
paz. Quando o homem não busca o amor, a verdade, a justiça, a paz, está a deturpar a
imagem de Deus. Mas é sempre possível a renovação, a vida nova e feliz.
O homem eucarístico olha para as pessoas com olhos novos e encontra razões para
louvar o Criador.

2. FAZER MEMORIAL DE JESUS CRISTO


1. Eucaristia é memorial
Na Eucaristia celebra-se o memorial da morte e ressur- reição de Cristo. Depois de
se louvar a Deus porque Jesus se fez igual a nós em tudo, partilhou a nossa condição
humana e passou fazendo o bem, a assembleia anuncia o gesto que fez, uma vez por
todas, de se entregar voluntaria- mente à morte de cruz para salvação da humanidade. E
pro- clama que o Pai aceitou a oferenda da sua vida e morte, ressuscitando-o de entre os
mortos.
Na Eucaristia faz-se o memorial da sua morte e ressurreição.
Jesus foi condenado à morte na cruz, mas o Pai ressus- citou-o, porque Jesus
assumiu duas atitudes fundamentais no seu projecto de vida: obediência ao Pai e amor
incondi- cional aos irmãos.

50
O seu alimento era fazer a vontade de Deus. Orava para, no silêncio da montanha,
escutar o que Deus queria dele. Além disso, o importante para ele era ser-para-os-outros,
em gestos de perdão, de cura, de acolhimento, de vida. Esta sua atitude perante Deus e
perante os homens fez com que fosse rejeitado e morto. Mas uma vida assim não podia
acabar num túmulo. Ele vive!
Na Eucaristia fazemos o memorial da sua vida entregue ao Pai e aos irmãos.
2. Ser memorial de Jesus no mundo
Eucaristia no mundo
Consiste em vivermos como Jesus, numa atitude de obe- diência ao Pai,
interrogando-nos a cada momento sobre o que é que Deus quer de nós.
Esta atitude de escuta de Deus pode acontecer lendo e meditando nas Escrituras,
escutando o que de bom e de ver- dadeiro nos dizem os que nos querem bem,
participando nos encontros de reflexão e de oração. É uma atitude para pôr em prática,
com a certeza firme de que a vontade de Deus é que sejamos felizes.
Eucaristia no mundo
Consiste em viver como Jesus uma vida de amor aos outros, fazendo o bem como
ele, assumindo as incom- preensões como ele, se necessário dando a vida pelos irmãos
como ele.
É por esta vida de amor e de serviço aos irmãos que reconhecerão que somos
discípulos de Cristo ressuscitado.
É por esta vida de amor e de serviço aos irmãos que seremos continuadores da obra
de Jesus.
É por esta vida de amor e serviço aos irmãos que seremos no mundo memória viva
de Jesus.
Se vivermos com estas mesmas atitudes de Jesus, já passámos misteriosamente da
morte para a vida. Vivemos como ressuscitados, embora ainda não se tenha manifestado
o que havemos de ser.

3. SER DÓCEIS AO ESPÍRITO


1. O Espírito transformador
O Espírito Santo é um dos protagonistas da Oração Eucarística. Esta presença foi
recuperada, sem dúvida, por influência da teologia oriental, mais rica e clara a este
respeito. Não era mencionada explicitamente nem uma só vez no Cânone romano, que
vigorou na Igreja romana do século IV até ao Vaticano II, quando Paulo VI, em 1968,
aprovou as três novas Orações Eucarísticas, onde existem as duas epicleses ou
invocações ao Espírito.
O Espírito é acção, dá vida, é nova criação. Neste caso da Eucaristia, ele transforma

51
os dons do pão e do vinho em pão de vida e vinho de salvação. Quem come deste pão e
bebe deste vinho encontra-se realmente com Cristo ressuscitado.
Ele desce igualmente sobre a assembleia para a enri- quecer com o dom da unidade,
de forma que todos vivam em comunhão, formando como que um só coração e uma só
alma.
2. O Espírito que dá vida
Quem participa na Eucaristia leva para a vida um empe- nho muito claro: assim
como o Espírito actua eficazmente na assembleia reunida à volta do altar, assim o
Espírito quer que os cristãos sejam dóceis à sua acção, porque quer continuar, através
dos cristãos, a ser força transformadora. Há muitas coisas no mundo e nas comunidades
que é preciso transformar, para que cresça o Reino de Deus no mundo, reino de
felicidade.
Eucaristia no mundo
Acontece quando esse mesmo Espírito que transformou dons, frutos da terra e do
trabalho dos homens, transforma o mundo, graças ao empenho das pessoas
comprometidas num mundo melhor. Não basta transformar o pão e o vinho do altar! Há
muitas coisas a transformar para mudar o mundo em Reino de Deus. Semear, sob a
acção do Espírito, os valores da solidariedade, da justiça, da igualdade, da liberdade, da
fraternidade, da verdade, da paz, é como que «consagrar o mundo», tornando-o numa
oferenda agradável ao Senhor.
Eucaristia no mundo
Acontece quando esse mesmo Espírito, que foi invocado sobre a comunidade,
continua a ser escutado nos seus apelos e as comunidades formam como que um só
coração e uma só alma, tendo como referência as comunidades-modelo dos Actos dos
Apóstolos.
Empenhar-se em continuar comunidade viva, mesmo fora da celebração, é
continuar o ritmo da Eucaristia.
Uma comunidade eucarística é uma comunidade for- mada por pessoas
cristificadas, que procuram ter os mes- mos sentimentos de Cristo e se tornam no mundo
sal, luz e fermento.
Na próxima celebração serão mais comunidade e haverá mais festa.
Cada Eucaristia é ponto de chegada e ponto de partida.
Neste empenho em fazer Eucaristia no mundo, vivendo em acção de graças ao Pai,
assumindo a Páscoa de Jesus, vivendo segundo o Espírito, vamos caminhando para o
futuro.
O «Maranatha», «Vem, Senhor Jesus», faz-nos olhar para diante e impele-nos a
preparar essa segunda vinda.
Nesse dia, toda a criação, que geme em dores de parto, se transformará em «novos

52
céus e nova terra». E as comu- nidades em peregrinação chegarão à meta, para participa-
rem todas unidas numa grande Eucaristia, onde não será precisa a fé nem a esperança,
porque apenas existe o amor na sua plenitude máxima, com Deus que é Amor.

III. REFLEXÃO POR GRUPOS


É entregue a cada participante o texto que segue: «Eucaristia no mundo».
Em seguida, é proclamado pelo animador ou por vários leitores, lendo cada qual
uma parte.
Os participantes, em grupo ou individualmente, deverão ler de novo o texto e
sublinhar as expressões que mais podem dar pistas de acção para quem deseja ser uma
pessoa «eucarística». Podem também acrescentar algo ao texto.

EUCARISTIA NO MUNDO

Deus Pai
É nosso dever e salvação dar-Vos graças porque sois o Amor
e vemos sinais desse amor no nosso quotidiano: no dom da vida que sentimos ao
nascer do sol, no sorriso e saudação amiga dos que connosco convivem, na carícia ou
beijo da pessoa amada que nos quer todo o bem.
Vemos o maior sinal do vosso amor em Jesus Cristo, que está vivo e, invisível,
caminha connosco para ser nossa luz, nosso alimento, nossa esperança, nossa paz.
Jesus Cristo
Anunciamos no mundo, Senhor Jesus, a vossa morte, quando morremos cada dia
para o homem velho, para o desejo de possuir que nos impede de partilhar, para a vã
glória do poder que nos impede de servir, para os instintos egoístas que nos impedem de
ser felizes.
Proclamamos no mundo, Senhor Jesus, a vossa ressurreição, quando o nosso rosto
irradia uma alegria íntima, quando o nosso olhar é espelho de um coração amável,
quando a nossa boca pronuncia palavras de perdão e de paz, quando os nossos ouvidos
não se cansam de escutar.

53
Vinde, Senhor Jesus!
Vivendo no mundo, sentimos que somos cidadãos de outra cidade.
Empenhados na construção de um mundo mais justo e fraterno, expressamos a
nossa esperança na vossa vinda gloriosa.
Espírito Santo
Espírito Santo, que estais no mundo em acção, noite e dia, para consagrar,
santificar, transfigurar, renovar, vivificar, fazei que o nosso coração seja ao longo dos
nossos dias, dócil aos vossos apelos de santidade, de perfeição no amor.
Fazei que as nossas comunidades sejam no mundo um sinal credível de Cristo luz,
verdade, vida, pão, água viva, ressurreição.
Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Vós, Deus Pai, na unidade do Espírito Santo, a
partir do altar do mundo, sobe o nosso louvor e súplica.

IV. PLENÁRIO
Cada representante do grupo põe em comum o seu texto. É evidente que não é
necessário ser tão grande como o modelo que foi apresentado. O importante é que tenha
saído da mente e do coração dos participantes.

V. ORAÇÃO FINAL
O Papa João Paulo II, no documento «A Igreja vive da Eucaristia» (2003), afirmou
que a Virgem Maria foi uma mulher eucarística, pois viveu estas atitudes que acabámos
de sublinhar no seu dia-a-dia.
Maria, a perfeita serva de Deus, a mãe de Jesus Salvador e a cheia do Espírito
Santo!
Antes de nos dispersarmos, saudemo-la com a oração mariana:
R/ Ave Maria...

54
6 - SUGESTÕES PASTORAIS

1. O presidente da celebração

2. A assembleia

I. APRESENTAÇÃO
Enquanto as pessoas vão entrando, são acolhidas frater- nalmente pelos
organizadores da catequese. Há música de ambientação.
O animador, no início, dirá que este último encontro tem uma finalidade sobretudo
prática. São sugestões pastorais que podem servir para valorizar a Oração Eucarística.

II. APRESENTAÇÃO DO TEMA

SUGESTÕES PASTORAIS

55
O encarregado de apresentar o tema aproveitará deste texto o que achar mais
oportuno. Dirá que, se alguém desejar algum esclarecimento durante a exposição, poderá
fazê-lo.
O que se diz não deve servir para criticar algum cele- brante ou alguma assembleia
em concreto. O que se diz tem em vista apenas a renovação litúrgica, que é um esforço
de todos e de sempre.
Hoje o nosso encontro é sobretudo prático. Trata-se de sugerir aos celebrantes e às
assembleias o que devem fazer para valorizar a Oração Eucarística.
Vamos dialogar tendo como tema algumas sugestões pastorais.
Em primeiro lugar, sugestões para os presidentes da celebração. Mesmo sem sermos
sacerdotes, convém saber- mos algumas coisas, sendo compreensivos com as suas
limitações.
Em segundo lugar, sugestões para as assembleias. Pre- cisamos de perceber o
sentido das aclamações e das atitudes corporais durante a Oração Eucarística.

1. O PRESIDENTE DA CELEBRAÇÃO
Na celebração da Eucaristia, a intervenção mais impor- tante do celebrante é o da
recitação da Oração Eucarística, que é o vértice de toda a celebração (Cfr. IGMR 10).
Por conseguinte, tomamos a liberdade de apresentar aos celebrantes algumas
sugestões, muitas delas óbvias. A pri- meira delas é que o sacerdote conheça a estrutura
da cele- bração e, como é evidente, acredite verdadeiramente no que está a dizer.
1. As palavras
Antes de mais, é importante que o celebrante tenha uma boa dicção, a fim de que
toda a assembleia entenda per- feitamente o que está a dizer. Por isso, terá de pronunciar
as palavras de forma pausada e clara.
Se o sacerdote tem «duas vozes,» a de «domingo» e a da «semana», certamente
que deve utilizar a melhor para esta oração, que é muito mais importante que todas as
outras orações da celebração.
Começará com um diálogo introdutório vibrante com a assembleia, olhando-a olhos
nos olhos e convidando-a ao louvor: «Dêmos graças ao Senhor nosso Deus». Este
diálogo pode ser precedido de uma breve admonição.
Partindo do princípio de que o celebrante conhece a estrutura da Oração, deverá
distinguir os diversos momentos.
Em primeiro lugar, uma breve pausa quando se passa de um «bloco» a outro. Aliás,
no Missal está um espaço em branco a sugerir essa pausa.
Quando recita o prefácio, utilizará um tom de voz que sugere um jubiloso hino de
louvor e acção de graças que conclui no cântico do Santo.

56
A primeira epiclese deve aparecer aos olhos da assem- bleia como uma verdadeira
invocação, que é sublinhada pelo gesto de imposição das mãos.
O relato da Ceia do Senhor tem um certo dramatismo, pois nesse momento o
celebrante realiza esse rito «na pessoa de Cristo».
A anamnese e a oferenda devem ser recitadas de forma pausada, pois o conteúdo
do texto é denso.
A segunda epiclese pede um tom de voz diferente das intercessões que se seguem.
Estas são importantes, mas para recitar de uma forma menos solene.
A doxologia final será como a chave de ouro desta Oração que, tendo vários
fragmentos, uns mais fortes que outros, é unitária.
Quando há concelebrantes, está indicado que as suas intervenções não prejudiquem
as palavras do presidente da concelebração.
Do que se trata é que todos possam sentir-se em comunhão com o presidente,
seguindo o que ele diz e tomando-o como próprio. Aliás, é o que dizem as normas
litúrgicas (Cfr. IGMR 170).
Os concelebrantes recitarão em voz alta apenas as inter- cessões, que são como que
os momentos menos fortes da Oração Eucarística.
2. Os gestos
O celebrante tem de ter consciência de que comunica mais com a sua postura
corporal, os seus gestos, do que com as palavras. Por conseguinte, terá de estar muito
atento a esta linguagem não-verbal, mais forte que a verbal.
Podemos recordar algumas atitudes corporais que, apesar de evidentes, nem sempre
se vêem com a qualidade necessária nos celebrantes, certamente devido ao grande
inimigo chamado rotina.
O celebrante deve olhar para diante e não para o missal. Ele dirige o seu louvor a
Deus e não ao livro. Talvez isto obrigue a colocar o missal num lugar estratégico que
permita olhar para diante.
O celebrante deve recitar a oração de mãos eleva- das, numa atitude de orante. Não
está a actuar como uma pessoa particular mas como presidente de uma assembleia em
louvor e acção de graças.
Braços abertos, mas sem teatra-lidade. Um gesto que vem dos tempos bíblicos. Ele
imita Jesus, que nos salvou estendendo os braços na cruz.
Na imposição das mãos sobre o pão e o vinho, ele faz um gesto expressivo, para
realçar este chamamento do Espí- rito para que desça sobre os dons a consagrar. Na
segunda epiclese não está prevista a imposição das mãos, mas isso não impede que lhe
dê o realce que merece.
Depois, o sinal da cruz sobre as oblatas, não serve só para assinalar ou indicar o pão

57
e o vinho, mas também é um sinal sacrificial: recorda o sacrifício de Cristo na cruz.
Nos momentos indicados, fará a genuflexão de forma pausada, mostrando assim a
sua fé na presença de Cristo ressuscitado no pão e no vinho da Eucaristia. É pela
maneira como ele faz a genuflexão que as pessoas vêem até que ponto o celebrante é
uma pessoa «eucarística».
3. As várias orações
Podemos constatar que os sacerdotes utilizam quase sistematicamente a Oração
Eucarística II. De vez em quando lá vem a III, raramente a IV e alguma vez a V nas suas
variantes.
Podemos pôr a pergunta: Qual o critério na escolha das Orações Eucarísticas?
Dependerá do gosto pessoal do celebrante? Deverá ter em conta a assembleia con- creta?
Em primeiro lugar, é preciso dizer que nenhuma das Orações Eucarísticas é de tal
modo perfeita que deva ser a preferida em relação a todas as outras.
Nenhuma delas pode conter toda a riqueza pasto- ral, espiritual e teológica que se
poderia desejar. São todas diferentes, cada qual com a sua riqueza própria e também as
suas limitações.
No momento de escolher, diremos que a Oração Euca- rística II, devido à sua
grande simplicidade e, sobretudo, pelo seu carácter cristológico é a mais indicada para as
cele- brações nos dias de semana.
Apesar da sua brevidade, tem nela todos os elementos da estrutura deste tipo de
orações. Basta que o celebrante saiba dar vida ao texto.
A Oração Eucarística III é recomendada para os domin- gos. Nela ressalta-se o
carácter universal da salvação, centrada na perspectiva escatológica da reconciliação uni-
versal.
Não tem prefácio próprio, sendo necessário escolher um dos que são indicados para
o domingo, e há prefácios muito belos.
Para que os que participam na Eucaristia apenas aos domingos possam conhecer as
outras orações, pode reci- tar-se por vezes a II.
A Oração Eucarística IV, que forma um todo com o prefácio, não se pode utilizar
nas missas que têm um prefácio próprio. Como sumário completo da história da
salvação, seria muito conveniente que o povo cristão a escutasse algumas vezes ao ano.
É muito indicada para algum domingo do Advento e da Páscoa. Embora a mais
longa, não pode ser procla- mada de forma apressada, devido ao seu carácter marcada-
mente contemplativo.
A Oração Eucarística V, nas suas quatro modalida- des, que tem prefácio próprio, é
especialmente indicada para celebrações de particular significado eclesial: missas pela
Igreja, pela evangelização dos povos, pela unidade dos cristãos, durante reuniões de
pastoral ou encontros ecle- siais, etc. A sua linguagem actual, poética e evocativa, aju-

58
dará certamente a assembleia a uma maior participação.
As Orações sobre a Reconciliação, tanto a I como a II, giram em torno da nova
Aliança estabelecida por Jesus Cristo, como fonte de reconciliação com Deus e com os
irmãos. Têm prefácio próprio. Podem usar-se em celebra- ções especiais sobre o mistério
da reconciliação ou sobre a penitência. A segunda está indicada especialmente para
Missas pela Paz.
As Orações para as Missas com Crianças estão indicadas para assembleias
compostas por crianças. Isto não impede, certamente, que sejam utilizadas quando
participam também alguns adultos.
O facto de terem muitas aclamações, ajudam as crianças a uma maior participação.
É evidente que as crianças devem ser também iniciadas a participar em Eucaristias onde
se utilizam as outras Orações.

2. A ASSEMBLEIA
Embora a Oração Eucarística seja uma oração presiden- cial, a assembleia tem nela
um papel importante. As pessoas fazem suas as palavras do celebrante quando este dá
graças, invoca o Espírito Santo, intercede pela Igreja. E porque é o momento mais alto
da celebração, a assembleia deve ter os corações bem despertos para participar
activamente neste louvor e acção de graças.
1. Conhecer
Para tornar possível esta participação, é necessário que as pessoas conheçam a
estrutura da Oração, de forma a poderem estar em sintonia com o que é proclamado no
altar.
Deve existir uma catequese que diga às pessoas quem são os protagonistas
principais da Oração Eucarística: Deus, Jesus Cristo, o Espírito Santo e a Igreja.
Depois, quais as grandes atitudes que percorrem toda a oração: o louvor pela
história da salvação, a invocação ao Espírito como protagonista do mistério eucarístico, a
anamnese e oferenda, a construção da comunidade eclesial, o sentido de Igreja em todas
as suas dimensões, a tensão escatológica para o reino definitivo.
Se houver esta catequese, a assembleia, ao escutar aten- tamente o celebrante,
perceberá o que está a acontecer no altar. Estará em sintonia com o sacerdote e as suas
acla- mações brotarão do íntimo da alma, com toda a verdade e toda a alegria. Se não
tiver tido uma iniciação a esta oração, ela será talvez para o crente um enfadonho
monólogo que termina num Amen, o que seria muito prejudicial para a vida do cristão,
que tem na Eucaristia o seu momento forte da semana.
2. As aclamações
A assembleia manifesta a sua adesão através de diversas intervenções previstas, que
devem ser valorizadas. Impedem que a Oração se torne num monólogo.

59
A assembleia sublinha a sua adesão e compreensão ao que diz o sacerdote.
Limitamo-nos a recordar as aclamações tradicionais.
O diálogo inicial
O diálogo inicial é a primeira intervenção da assem- bleia em diálogo com o
celebrante, que saúda e convida a levantar o coração e a dar graças a Deus.
Este diálogo inicial terá vida se o celebrante evitar o for- malismo frio e fizer
realmente um diálogo vivo, entusiasta, verdadeiro, ao qual a assembleia corresponde.
Ganha mais vida quando é bem cantado.
Este diálogo inicial ajuda a começar bem a Oração Eucarística.
O Santo
O canto ou a recitação do Santo é uma forma da assem- bleia fazer sua a acção de
graças do celebrante. O louvor presidencial termina nesta aclamação vibrante do povo,
juntamente com o sacerdote.
O Santo é para ser cantado na sua versão litúrgica, que permaneceu inalterada ao
longo dos séculos. É o canto mais importante na liturgia eucarística, do mesmo modo que
o salmo responsorial é o canto mais importante da liturgia da Palavra. É um canto de
toda a assembleia e não apenas de um coro.
Aclamação memorial
A aclamação memorial, colocada no coração da Oração Eucarística, permite que o
povo possa expressar o seu lou- vor agradecido a Cristo, cuja morte e ressurreição é
actua- lizada como memorial na Eucaristia. É uma aclamação dirigida a Cristo, depois do
convite feito pelo celebrante: «Eis o mistério da fé».
O missal propõe três formulários, mas todos eles muito ricos, a começar pelo
primeiro, o mais utilizado. É uma aclamação que pertence exclusivamente à assembleia.
Amen
O Amen da doxologia é a intervenção mais antiga e mais importante do povo. Dizer
amen à Oração é ratifi- cá-la, fazê-la própria, dizer um sim pessoal e empenhado ao que
a Oração disse e realizou. S. Justino fala já deste Amen e S. Jerónimo diz que ecoava
como um trovão celes- tial nas basílicas romanas.
É uma aclamação para ser cantada com solenidade, com entusiasmo, com alegria.
3. As atitudes corporais
A assembleia participa não apenas com a atenção às palavras do celebrante e com as
aclamações, mas também com a atitude corporal. Sendo uma única assembleia, con-
gregada na mesma fé e unida no mesmo amor, as pessoas devem observar a
unanimidade nas atitudes. Esta unifor- midade é sinal de comunhão e de unidade.
A atitude mais adequada para esta parte da Eucaristia é a de estar de pé. É a
Instrução Geral do Missal Romano que o diz (Cfr. n. 21). Estar de pé é a postura

60
litúrgica mais digna, a postura própria do sacerdote que preside, e também dos que se
unem a ele.
Esta atitude, herdada dos judeus, praticou-se já nos primeiros séculos e continua a
ser adoptada por todos os que, em união com o presidente, celebram o memorial do
mistério pascal de Cristo.
O estarmos de pé, erguidos, é afinal a posição mais adequada para significar que
somos um povo de ressus- citados com Cristo pelo Baptismo, embora ainda sejamos um
povo peregrino a caminho da ressurreição definitiva.
Se a Oração Eucarística é una, o mais lógico seria que esta posição se mantivesse
do princípio ao fim. Contudo, o Missal Romano, sensível a um costume que perdurou
nos últimos sete séculos, achou conveniente fazer uma excepção e manter a atitude de
joelhos para o momento da con- sagração.
Não é propriamente um momento de adoração euca- rística. É uma maneira de
sublinhar com o corpo a fé no mistério que é o sacerdote «na pessoa de Cristo» a
actuali- zar com palavras e gestos a Última Ceia.
Trata-se de uma excepção que não se absolutiza, pois o próprio Missal romano tem
em conta as situações em que, devido à falta de espaço, se torna impossível estar de
joelhos.
O importante de tudo o que foi dito a respeito da assem- bleia é que se consiga o
objectivo principal: fazer da Oração Eucarística o momento forte da Missa.
Depois de uma breve pausa, começará a preparação para a comunhão.

III. REFLEXÃO POR GRUPOS


Uma das formas de valorizar a Oração Eucarística con- siste em fazer, no início,
uma breve admonição.
Os grupos são convidados a redigir breves admonições para vários dias do ano.
Exemplificamos com algumas admonições.
Advento
Escutámos a boa notícia de que o Senhor Jesus veio, vem e virá. De coração
agradecido, elevemos a Deus o nosso louvor e acção de graças.
Natal
Deus tanto amou o mundo que lhe deu o seu Filho. Ele, Jesus vivo, irá estar
presente no pão e no vinho. Celebremos com alegria a Ceia do Senhor.
Quaresma
Jesus caminha connosco. Vai à nossa frente a indicar-nos caminhos novos de mais
vida e mais alegria. Um motivo para louvar a Deus de todo o coração.

61
Páscoa
Jesus com a sua morte destruiu a morte e com a sua ressurreição deu-nos a vida
imortal. Celebremos com ale- luias de louvor o memorial da sua Páscoa.
Pentecostes
O Espírito Santo vem mais uma vez a este altar. Que ele transforme estes dons no
Corpo de Cristo e nos transforme a nós, Igreja do Senhor.
Festa de Nossa Senhora
Com a alegria com que Nossa Senhora louvou a Deus no seu Magnificat, louvemos
e dêmos graças ao Senhor, pois é eterno o seu amor.

IV. PLENÁRIO
Cada grupo apresenta as admonições que preparou. Como alternativa a esta
actividade, pode sugerir-se que os grupos façam uma reflexão acerca da participação na
Eucaristia e busquem pistas de renovação para as celebrações.

V. ORAÇÃO FINAL
Pode concluir-se este último encontro com um momento de oração partilhada.
Unidos no Espírito, oremos a Deus Pai por intermédio de Jesus Cristo e digamos:
Ouvi-nos, Senhor.
1. Para que as comunidades cristãs celebrem a Eucaris- tia como um jubiloso
encontro com o Ressuscitado, oremos.
2. Para que nunca faltem os sacerdotes que asseguram ao Povo de Deus a
celebração da Ceia do Senhor, oremos.
3. Para que os cristãos levem para o quotidiano as ati- tudes eucarísticas de louvor e
de empenho na trans- formação do mundo, oremos.
4. (Intervenções livres)
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do
Espírito Santo.
R/ Amen.

BIBLIOGRAFIA
Há muita bibliografia acerca da Missa. Apresentamos apenas os livros que falam de
uma forma mais específica da Oração Eucarística e que consultámos na elaboração
destas catequeses.

62
JOSÉ ALDAZÁBAL, A Eucaristia, Editora Vozes, 2002. JOSÉ ALDAZÁBAL, La
Plegaria Eucarística, I — Cate-
quesis, Centro de Pastoral Litúrgica, Barcelona, 1983.
JOSÉ ALDAZÁBAL, La Plegaria Eucarística, II — Pasto- ral, Centro de Pastoral
Litúrgica, Barcelona, 1983.
JOSÉ ALDAZÁBAL, Claves para la Eucaristia, Centro de
Pastoral Litúrgica, Barcelona, 1984.
VÁRIOS, Eucaristias de todos los países, Marova, PPC, etc., Madrid, 1977.

63
Table of Contents
A_Oração_Eucaristica

64
65
Índice
A_Oração_Eucaristica 2

66