Você está na página 1de 15

Estudamos até aqui as tarefas da escola pública democrática na esco­

larização básica e a importância de uma ·concepção pedagógico-didática


para orien�ar o desempe�ho dessas tarefas pelos professores.
No capítulo 4, o processo didático foi caracterizado como mediação
escolar de objetivos-conteúdos-métodos apoiada no processo de ensino e
aprendizagem, tendo ·em vista as finalidades da instrução e da edu�ação
em nossa sociedade. Neste capítulo e no. seguinte estudaremos mais de­
talhadamente a relação entre esses componentes
j
do processo. de ensino,
alertando desde já sobre a unidade ob �tivos-conteúdos e destes com os
métodos.
Os objetivos antecipam resultados e processos esperados do trabalho
conjunto do professor e dos alunos, expressando conhecimentos, habilida­
des e hábitos (conteúdos) a serem assimilados de acor�o com as exigências
metodológicas (nível dé preparo prévio dos alunos, peculiaridades das ma-
. térias
.
de epsino
.. e características do process
. -
o de:ensino·e aprendizagem).
Os conteúdos formam a base objetiva da instruç-ão - conhecimentos
sistematizados e habilidades - referidos aos objetivos e viabilizados pelos
métodos de transmissão e assimilação.
Os métodos, por sua vez, são determinados pela _relação objetivo�con­ Cl os conteúdos básicos das ciências, produzidos e elaborados no decurs�
teúdo e dão a forma pela qual se concretiza esta relação em condições da prática social da humanidade;
didáticas específicas; ao mesmo tempo, pelo fato de cab�r aos mé�odos a .D as necessjdades e expectativas de formação cultural exigidas pela po­
dinamização das condições e modos de realização do ensmo, �les mfluem . pulação majoritária da sociedade, decorrentes das condições concretas
na reformulação.. ou modificação dos objetivos e conteúdos. . de vida e de trabalho e das lutas· pela democratização..
-
. . -
Neste capítulo serãÕ tratados_.os seguintes ten1i,ls_: �sas três referências não podem ser tomadas isoladamente, pois estão
o importância dos objetivos educaçionais; interligadas e sujeitas a contradições. Por exemplo, os conteúdos escolares
estão e_m contradição· não somente com as possibilidades rea.is dos alunos ' .
o ·objetivos gerais e objetivos específicos; . em_assiinilá-los e.amo também com os interesses majoritários da sociedade,"·.
o os conteúdos de ensino; · .. : ·· ' . na medida em que podem ser usados para diss�minar a ideologia de grupos'.
o critérios
.
de seleção dos conteúdos_. · e ·classes minoritárias. O mesmo se pode dizer em relação aos valores � '
,.
. iêie�is proclamados na legislação escolãr. . . . '·.. .. .
- .. .
. Isso significa que a elaboração dos objetivos pressupõe, da parte do
A-importância dos <:>bjetivos educacionai� _ pràfess9r, uma avaliação crítica das referências que utiliza, b�lizada pelas
suas opções em face dos determinantes sócio-políticos da prática �ducativa.
Em vários momentos do: nosso estudo t�mos [�ito refe�ência à im­ . Assim, o professor precisa saber avaliar a pertinência dos obj�tivos e con­
portância dos objetivos no tra�alho docé!1�e. Nos capítulos i°:iciais �xami- teúdos· propostos pelo sistema escolar. oficial, verificando em que medida
namos, detidamente, o fato de que a pratica educativa é socialmente de- . atendem.exigências de democratização política e social; deve, também, sa­
terminada, pois responde às· exigências e expectativas dos grupos e 'classes ber compatibilizar os conteúdos com necessidades, aspirações, expectãtivas
sociais existentes na sociedade, cujos propósitos são antagônicos em relação da clientela escalai:, bem como torná-los exeqüíveis face às condições só­
ao tipo de homem a educar e às tarefas que este deve des�mpenhar nas cio-culturais e de aprendizagem dos alunos. Quanto mais o professor se
diversas esferas da vida prática. Procuramos destacar, especialmente, que perceber como agente de uma prática prófissional inserida no contexto
a prá.tica educativa atua no desenv�lvimento indivi ual e · social d_os indi­ mais amplo da prática social, mais capaz ele será de fazer correspondência
_ �
víduos, prop.orcionando-lhes os meios de apropnaçao dos conh�c�m�ntos e_ntre os ç;onteúc;tos que ensina e sua relevância social, frente às exigências
e experiênciàs· acumuladas pelas gerações anteriores, como reqms1to para de transformação da sociedade presente e diante das tarefas que cabe ao
a elaboração de conhecimentos vinculados a interesses da populáção ma- aluno desempenhar· no âmbito social, profissional, político e· cultural.
joritária da soçiedade. _ Os professores que não tomam partido de forma consciente e crítica
Dessas considerações podemos· concluir que a, prática educacional se ante às contradições sociais acabam repassando para a prática profissional
orienta, necessariamente, para. alcança� determinados objetivos, por meio · valores, ideais, concepções sobre a sociedade e sobre a criança contrários
de uma ação intencional e sistemática. Os obje�ivos educacion_ais expressam, . aos interesses ·da população majoritária da sociedade.
portanto, propósitos definidos ·ex�líc�t�s quanto .ªº ·
desen�o�vimento das Os objetivos educacionais são, pois, uma exigência indispensável parã
qualidades humanas que .todos os md1\'.1duos precisam adqumr pa,ra se ca­ o trabalho docente, requerendo um posicionamento ativo do professor em
pacitarem para as lutas sociais de �rarisformação da sociedad�. _o ca�áter sua explicitação, seja no planejamento escolar, seja no desenvolvimento
pedagógico da · prática . educativa está, ·precisame�te, em exphc1tar. fin� e das aulas.
meios que orientem tarefas da escola e do professor para aquela dlfeçao. Consideraremos, aqui, dois níveis de objetivos educacionais: objetivos
Em_ resumo, podemos dizer que não há prática educativa sem obje�ívos. gerais e objetivos específicos. Os objetivos geraif expressam propósitos mais
Os objetivos educacionais têm pelo menos três referências para sua amplos acerca do papel da escola e do ensino _cl'wnte das exigências postas
formulação: ..,,� pela realidade social e diante do desenvolvimeóto -da personalidade dos
o os valores � ideai� proclamados na legislação educacional e que el­ alunos. D_efiilem, em grandes linhas, perspectivas da. prática educativa na
prcssam os propósitos das forças políticas "dominantes no sistema social; sociedade brasileira, que serão depois convertidas em objetivos espec(jico.

120 121
de cada matéria de ensino, conforme os graus escolares e níveis de idade Os objetivos gerais são explicitados em três níveis de abrangência, do
dos alunos. Os objetivos específicos de ensino determinam exigências e mais amplo ao mais específico: ·
resultados esperados da atividade dos alunos, referentes a conhecimentos, a) pelo sis_tema escolar, que expressa as finalidades educativas de acordo
·habilidades, atitudes e convicções cuja aquisÍção e desenvolvimento ocor­ · com ideais e valores dominantes na sociedade;
rem no processo de transmissão e assimilação ativa das matérias de estudo. . . . - .
b). pela escola, que estabe1ece· pri !'} cípios e diretrizes de orientação do
. o futuro rºrofessor. p�de assustar-se-�om tantos objetivos e pode estar
trabalho escolar com base num-plano pedagógico-didático que repre-
pergu1,1tando-se como dará CO!'}ta 9e realizá-lo�,· o� se realmente eles·sãó · · sénte o-consensà.do �rpo docente em-relação à filosofia da educação·:.
necessários para o seu trabalho cotidiano em sala de aula. ·Na verdade,
e à prática escolar; . .
não devemos ter dúvidas de que o trabalho docente é. uma atividade que.
..·· . envolve convicções e opções sobre_ o d�stino do homem e -da sociedá.de, . c)_ pel? ptofessor, · que concretiza_· �o ensino d� matéria a sua própria
e isso tem a ver diretamente com o nosso relacionamento com os alunos. ·. . : viS.ão de educação e d('.: sociedade. ·
Em outras palavras, isso significa que, conscientemen.te.ou.-não, s�mpre· . ·_ Ao.coi;tsiderar os ·objetivos.gerais .e suas i�pÍicações para o trabalho
trabalhamos com base em.objetivos. Tod:0 professor, quando elabora uma .. . docente' ein sala dê .aula, o 'prof�sor deve conhecer os objetivos estabe·-
prova para ·os seus alunos, conscientemente ou não, está pensando em. .
· · . lecidos no âmbito. do sistema escolar oficial, seja no que se refere a valores
objetivos. e ideais educativos, seja ·quanto ·às prescrições de organização curricular e
Com isso queremos· mostrar que, embora não participe diretamente programas básicos das mat�rias. &se conhecimento é necessário não ape­
da elaboração dos objetivos gerais do sistema escolar,· o professor .pode nas porque o trabalho escolar está vinculado a diretrizes nacionais, estaduais
participar indiretamente, através das associações profissiónais, discutindo · e municipais de ensino, mas tambtm porque precisamos saber que con- ..
e propondo. alter�ções. Já no nível dos objetivos da escola ele participa · cepções de homem e sociedade caracterizam os documentos oficiais, uma
diretamente, pois o trabalho escolar deve ser necessariamente uma ação vez que expressam os interesses dominantes dos que controlam os órgãos
coletiva. No plano de ensino, sua responsabilidade é mais direta· ainda; públicos.
_ mesmo trabalhando com outros colegas (o que e desejável), é o seu plano
. Na sqciedade de classes, como' é a brasileira, os objetivos da educação
. que· irá orientar sua prática cotidiana na sala de aula, diante dos alunos. ·
'nacional nem sempre vão expressar os interesses majoritários da população,
Por todas essas razões é de.fundamental importância que o professor estude
mas, certam�nte, podem incorporar aspirações e expectativas decorrentes
e forme convicções próprias sobre as finalidades sociais, políticas e peda-.
das reivindicações populares. ·E preciso que o professor forme uma· atitude
gógicas do trabalho docente; sobre o papel da matéria que leciona na
crítica em relação a esses objetivos, de forma a identificar os que convergem
formação de cidadãos ativos e pàrticipantes na sociedade; sobre os melhores
para à efetiva democratização escolar e os quê a cerceiam. Para isso, deve
métodos que concorrem para uma aprendizagem s6lida e duradoura por
parte dos alunos. .
e
ter clareza de suas convicções políticas pedagógicas em relação ao tra­
balho escolar, ou seja: o que pensa sobre o papel da escola na formação
. A fim de auxiliar os futuros professores na formação de suas ·próprias
de cidadãos ativos e participantes na vida social, sobre a relação entre o
convicções pedagógicas, faremos algumas considerações sobre os objetivos
domínio de conhecimentos e habilidades e as lutas sociais pela melhoria
gerais e específicos do ensino.
. das condições de vidâ_�_pela ampla �mocratização da sociedade; como
fazer para derivar dos objetivos amplos aqueles que correspondem às ta-
. refas de transformação social, no âmbito do trabalho pedagógico concreto .
Objetivos gerais e objetivos específicos nas escolas e nas salas de aula.
Os objetivos são o ponto de partida, as premissas gerais do processo Isto indica que não se trata simplesmente de copiar os objetivos e
pedagógico. Representam as exigências da sociedade em relação à escola, conteúdos previstos no programa oficial, mas -de reavaliá-los em função
ao ensino, aos alunos é, ao 'lllesmo tempo, refletem as opções políticas e · de objetivos sócio-políticos que expressem às interesses do povo, das con­
pedagógicas dos agentes educativos em face das contradições sociais exis- dições locais da escola, da proble�ática social vividá pelos alunos., das pe­
· culiaridades sócio-culturais e individuais dos alunos. Nesse sentido, alguns
tentes na sociedade.

122 123
objetivos educacionais gerais podem auxiliar os professores na seleção de ao contrário, ser capaz de ajudá.los a compreender os conhecimentos, pen­
. objetivos específicos e conteúdos de ensino. sar sobre eles, ligá-los aos problemas do meio circundante.
O primeiro objetivo é colocar a educação escolar no conjunto das A capacidade crítica e criativa se desenvolve pelo estudo dos conteúdos
lutas pela democratização da sociedade, que consiste na conquista, pelo e pelo desényolvimento de métodos de raéiocíriio, de investig�çã'? e de
conjunto da população, das condiçoes materiais, sociais, políticas e culturais reflexão. Através desses meios, sob a direção do professor, os alunos vão .
através das quais se assegura à· ativa participação ·de todos na dir�ção da ampli_ando o entendimento, tão objetivo quanto possível, d�s.contradiçõés ·
.
. sociedade. A equcação escolar pode ·contribuir para a a·mpliação da com­ · e contlitos existentes na soéiedáde; Uma átitude -�rítiéa não significa, no
preensã9 da realidade, na_,medida qu_e os conhecimento_s adquiridos instru� ·_ entanto, a apreciação desfavor�vel de tudo como se ser '.'cdtico" consistisse .
. mentalizem culturalmente os aluno$· a se perceberem como sujeitos ativos somente _em apontar defeitós nas coisas. Atitude .crítica é a habilidade de
· .... .nas lutas
� sociais .. presentes·. · . ·. · - ·· , -· ·- · .. , . submeter. OS fatos, as coisa�; 'OS Obje.tos de estudo a· urna. in�estigação mi-·.
. . ·o .
segundo _objetivo. consiste: em garantir a· tod.�s as cr:ianças,· sem ·ne- . n�ciosá e reflexiva, associando: à eles os fatos sociais que dizem r�peito
. . nhuma discriminação de ciassé ·social, cor, religião ou sexo, uma sólida à vida <59tidian�, aos problemas d<? trabalho, da cidade, da .região ...
preparação cultural· e cierÜífica, através d� ensino· das matérias. Todàs as ·. o
quinto obj�tivo. visa'átendér a· função ed·���tiva .dçi ensino, ou seja,
crianças têm direito à-o deserivolviment9 de suas capacidades físicas· e men­ a formação de convicções para a vida coletiva. O trabalho do professor
tais como condição necessária ao exercício da cidadania e do trabalho. deve estar voltado para a formação de qualidades. humanas,_modos d_e agir
Esse objetivo implica _que as escolas não só se empenhem em receber · : em relação ao trabalho, ao estudo,·à natureza, em concordâ'nçia com "j:>rin-·
todas as crianças que às procurem c·omo também assegurem a continuidade _ dpios éticos. Implica ajudar 9s alunos a desC!nvolver qualidades_ de caráter
. dos ·estudos. Para isso, todo esforço· será pouco no sentido de oferecer ·, como a honradez, a dignidade, o respeito aos outros, a leàldade, a disciplina;
ensino s.ólido, capa� de evitar as reprovaçoes. · a verdàde, a úrbanidade e cortesia. Implica desenvolver. a consciência de
_
· O terceiro objetivo é o de assegurar a todas as crianças o máximo de coletividade e ó sentimento de solidariedade humana, ou seja, de que ser
desenvolvimento de suas potencialidades, tendo em vista auxiliá-las na su­ membro d�- sociedade significa participar e agir· em função do bem-estar
peração das desvantagens decorrentes das condições sócio-econômicas des­ coletivo, solidarizar.sé com ,;tS lutas travadas pelos trabalhadores, vencer
favoráveis. A maioria das crianças é capaz de_ aprender·e de desenvolver todas as formas-de egoísmo e iddividualismo. Para que os alunos fortaleçam
· . suas capacidades mentais. Este objetivq costuma figurar nos planos ·çte en­ suas_ convicções, o professor precisa saber colocar-lhes perspectivas· de-um
sino como "auto-realização", "desenvolvimento das potencialidades" etc., futu�o melhor para todos, cuja conquista depende da.atuação conju.nta nas
mas, na prática, os professores prestam atenção somente nos ·alunos cujas várias esferas
.
da vida social, inclusive
.
no âmbito escolar.'
.potencialidades se manifestam e não se preocupam em estimular poten­ . Ainda ·em relação ao atendimento da 'função educativa do ensino de­
cialidades daqueles ·que não se manifestam ou não conseguem.envolver-se . vemos mencionar a educação fisíca e a educação e_stética. A educação
.
ativamente nas tarefas. O ensino democrático supõe, portanto, a adequação · física e. os esportes ocupam um lugar importante no desenvolvimento in·
metodológica às características ·sócio-culturais e individuais dos alunos e teg�al da persona!idáde, não·apen�s por contrib_uir p·ara o fortátecimento
. às suas possibilidades reai_s de aproveitament� escolar. . da sáúde, mas também por proporcionar oportunidades de expressão cor­
O quarto objetivo é formar nos.alunos a capacidade crítica e criativa poral, auto-afirmação,- competição· construtiva, formação do caráter· e de­
em relação às matérias de e nsino e à aplicação dos, conhecimentos e ha­ . senvolvimento do _sen�imento de coletividade. A educação estética se realiza
bilidades em tarefas teóricas e práticas. A assimilação ativa dos conteúdos ·. · . mais diretamente pela educação artística, na qual os alunos aprendem o
toma significado e relevância social quando se transforma em atitudes e . . valor da arte, a apreciação, o sentimento e o desfrute da beleza expr�sa
convicções frente dos desafios postos pela re�lidade social. Os .objetivos na natureza, nas obras artísticas, como música, pintura, escultura, arquite-_
da escolarização não se esgotam na difusão dos conhecimentos sistemati­ tura, folclore e outras manifestações da cult� erudita e popular. A ed�­
zados; antes, exigem· a sim:..vinculação com a vida prática. O professor não cação artística contribui para o desenvolvimento- intelectual, assim como
conseguirá formar alunos observadores, ativos, criativos frente aos desafios para a participação coletiva na produção da cultura e no usufruto das
da realidade se apenas esperar deles a memorização dos conteúdos. De•,e, diversas manifestações da vida cultural.

124
O sexto objetivo educacional se refe_re à i nstituição_de processos par-· D obse�ar uma seqüência lógica, de forma que os conceitos� habilidades
ticipativos, envolvendó todas as pessoas que direta ou indiretamente se estejam inter-relacionados, possibilitando aos alunos uma compreen­
relacio n am com a escola:'diretor, coordenador de ensino, professores, fun­ são de conjunto (isto é, formando uma rede de relações na sua cabeça);
cionários, alunos, pais. A par do aspecto educativo dá organização de formas
cooperativas de gestão do trabalho pedagógico escolar, é de fundamen tal o expressar os objetivos com clareza, de modo que sejam compre�nsíveis
_aos alunos e permitam, assim, que estes introjetem os objetivos de
importância o vínculo da escola cóm a família e com os-movimentos sociais ..
(associações de bairro,. entidades si ndicais,, movimento de mulheres_ etc.). '. ensino como objetivos seus; .
.... O conselho de escola exerce uma atuação . . · o. cumpri-
indispensável para o . dosar � grau de 'dificuldad.
s
es,. d� modo q'ue .expressem desafios, pro�
mentá dos objétivos educativos... ·
· ·.: blenias, qúestõe estimulantes e· tà-mbém· viáveis;
.
: . Es_ses objetivos nã�·esgotam·a r�qu�za da ação_pedagógica es�ól�r�m . o . sempre:que possível, formular os objetivos como resultados a atingir,· .
relação à formação individual e soci_al dos alunos e·m sua cápacitação ·p��ª- facilitandQ o processo de avaliação diagnóstica- e de controle; . :· ·
: . ' .
. a vida adulta na sociedade. Entretanto, poderri servir· de órientação para ·: � . . .
.
. o . com.o n�rmâ geràl, i n dicar os resultados ,do trabalho dos ·a1u�os (o .._
o professor 'refletir sobre as implicações. sociais _do seu trabalho,. sobre- o
papél da matéria que· leéio na_na formação de �lunos ativos e participantes qúé devem comp_reender, _saber; memorizar, fazer etc.). · ·
e sobre as formas pe�ag6gico-didática� de organização· do ensino..
· Com essa visão de conjunto:do trabalho escolar e com a programação
oficial indicada pelos qrgãos �o sistema ·escol!3r, o professor. está ·em con-· · Os conteúdos de. ensino·
<liçõ es de definir o� objetivos específicos de ensirtô. ·
· Os objetivos específicos ·particularizam a compreensão das relações en­ A relevância e o lugar que os conteúdos de ensino ocupam na vida
tre escola e sociedade e especialmente do papel da matéria de ·e�sino. escolar: foram reiterados em diversos momentos d_os nossos estudos de Di­
E1$!S expressam, pois,· as expectativas do professor sobre o que deseja obter. dática. Desde o início deste trabalho vimos afirmando que a · escola tem ·
d_os alun os no decorrer do processo de ensi no. Têm sempre um caráter por principal tarefa na nossa sociedade a democratização dos conhecimen�
pedagógico, ·porque explicitam o rumo a ser imprimido ao trabalho escolar,
tos, garantindo uma cultura de base para todas as crianças e jovens. Assi­
em _torno de um programa de formação. nalamos, depois, que essa tarefa. é realizada nó processo de ensino, no
qual se conjugam a atividade de· direção e organização do ensino pelo·
A ·cada ma.téria de ensino correspondem objetivos que expressam re­ professor e a �tividade déaprendizagem e estudá dos. alunos. Temos,.assim,
sultados a obter: conhecimentos, habilidades e hábitos, atitudes e convic­ o ensino·como atividade específica da escola, em cujo centro está_ a apren­
ções, através dos quais se busca o desenvolvimento das capacidades cognos­ dizagem e estudo dos alunos, isto é; a rel<_1ção cognoscitiva do aluno com
citivas dos alunos. Há, portanto, estreita relaçã� entre os objetivos, os as matérias de ensino; o processo didático como mediação de_ objetivos e
conteúdos e os métodos. Na verdade, os objetivos contêm a explicitação . conteúdos tendo em vista a aprendizagem dos alunós.
pedagógica dos conteúdos, no sentido de que os conteúdos são preparados
pedagogicamente para serem ensinados e assimilados. Já apontamos, no · Se perguntarmos a proféssores de nossas escolas o. que são Ós coa·_.
início· do nosso estudo,: o que significa. esse caráter pedagógico do ensinQ.. teúdos de ensino, provavelmente responderão: são os conhecimentos de
·. (No capítulo sobre planejamento de ensino, os estudantes poderão encon­ éada matéria do currículo que transmitimos aos alunos;º-dar oonteúd.o é
trar mais detalhes a respeito da formulação de objetivos específicos.) transmitir a matéria do livro didático; Essa idéia não é tõtalmeilte errada.
Óe fato, no ensino há sempre três elementos: a matéria, o professoi-; o
O professor deve vincular os objetivos específicos aos objetivos gerais, aluno. O problema está em que.os professores entendem esses elementos
sem perder de vista a situação concreta (da escola, da matéria, dos alunos) de forma linear, mecânica, sem perceber o movimento de ida e volta entre
ém que serão aplicados. Deve, _também;.seguir as seguintes recomendações: um e outro, isto é, sem estabelecer as r:elações�íprocàs entre uin e outro.
o especificar conhecirirentos, h�bilidades, c�pacidades que séjam fund'1- Por causa disso, o ensino vira uma coisa mecâni'ca: o professor passa a
: mentais para serem assimiladas e aplicadas em situações futuras, na matéria, os ·alunos escutam, repetem e decoràm o que foi tra.nsmitido,
escola e na vida prática; depois resolvem meio maquinalmente os exercícios de classe e as tarefas
126· 127.
' -
de casa; aí reproduzem nas provas o que foi transmitido e começa tudo - e de aula, nas aulas,. nas atitudes e convicções do professor, nos exercícios,
de novo. nos métodos e. formas de organização do ensino.
Esse entendimento sobre os conteúdos de ensino é insuficiente para Podemos dizer que os conteúdos retratam a experiência social da hu­
-compreendermos o seu verdadeiro· significado. Primeiro, porque são to­ manidade no que se refere a conhecimentos e modos de ação, transfor-. ·
mados como estátic;os, mortos, cristalizados, sem que os alunos_ possam mando-se em instrumentos p�los quais os alunos assimilam, conipreendém
reconhçcer nele� -u m significado vital. Segundo, porque subestima a ativi­ · e enfrentam as exigências teóricas e práticas da· vida social. Constituem o
dade mental dos alunos, pi:ivandoaos ·ct;1 possibilidade de empregar suas- - objeto de m�diação escolar nó processo de ensino, no sentido de que a .·
: capacid�des e habilidad� para a aqÚisição consciente dos conhecimentos. -.. ·. · ass-imilaçãp e co_mpreensão .dos conhecimentos e modos de- ação se con- ·
terceiro, _porque o ensino dos· conteúdos fica separado ·das condições só- ·verteµi.em idéias sobre as propr�edades e relações fundamentais dá natu.reza
cío-cultun1is _e. individuais dos alünos e ·q�e afetam o ren�imento escolar."· e da sóci�dade, formando convitções e critérios d_e orientação das opções :­
... · · .O ensino dos co.ntêúdos deve· ser visto como a ação ·recíproca entre. dos alunos _frêntf às ·at�vidades _t�ri.cas � p�áticas_postas ·pela vid� �ociàl: ._.·
a matéria·, o _ensino e o estudá dos alunos. Através do en�ino criam-se âs ... ·.- Os conteíídos são organizados em matérias ·de ·ensino e-dinamizados - ·
condições para a assimilação consciente. e sólida de co_nhecimentos, ·habi- _ _-. _ pela àrticulação objetivos·-conteudé;Js-�IPétodos. e formas de organiz�çã�. do
tidades -e atitudes e,' nesse prnc�so, o alunos formam suas capacidades e .. ensino, nas condições· r�ais en_i -que ocorre o. pro-cesso de_ ensiná (meio·
· Qabilidades intelectuais para sé tornarem� sempre mais, sujeitos da própria
social e escolar, alunos, famíli�s etc.). Vejamos de onde são originadós. ·
aprendizagem. Ou seja, a matéria a ser trans_mitida proporciona determi­ :
nados- procedimentos de ensilio,:que,· por· sua vez; levam a formas de or�. : Os conteúdos da c1.dtura; da ci�ncia," da técnica, da arte � os modos
. ganização _do ·estudo ativo dos alun�s. de ação rió mundo expressam os resultados da atividade prática dos homens
a
Sendo assim, não basta. seleção· e organização- lógic& dos conteúdos : nas suas rel_�ções com o ambiente natural e. social. Nesse processo, os
homens vão investigando o mundo da natureza e das relações sociais e
para transmiti-los. Antes, os próprios. conteúdos devem .·incluir elementos
da vivência prática dos alunos para torná-los _mais significativos, mais vivos, elaborando conhecimentos e experiências, formando o que chamamos de
mais vitais, de modo que eles possam _assimilá-los ativa e conscientemente. saber científico.. Nessas condições, o saber se torna objeto de conhecimento ·
Ao mesmo tempo, o domínio de conhecimentos e hábilidades \'isa, espe­ cuja apropriação pelas várias gerações,. no ·ensino, constitui-se em base
cificamente, o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos, para a produçã(_) e a elaboraçã? de novos.saberes:
isto é; das· funções intelectuais entre as quais se destaca o pensamento _ Podemos djzer, assim, que os conhecime�tos e �odas de ação são -
indepen;dente e criativo. Para uina melhor compreensão destas idéias, d�s frutos do trabalho humano, da atividade produtiva científic<!- e· cultural de
s"envolveremos os seguintes tópicos: o que são os conteúdos de ensino; muitas gerações, no processo da prática histórico-social. No ·seio desse m�­
quais são os elementos que compõem os conteúdos; quem deve escolhê-los mo processo (de atividade prática transformadora pelo trabalho). a herança
e organizá-los; a dimensão crítico-social dos conteúdos. recebida da his_tória anterior vai sendo modificada ou recriada, de modo
que novos conhecimentos são produ�idos e sistema.tizados. ·

1. O que s�o _os conteúdos · Devemos esclarecer que, quando falamos do saber científico produzido
pelo_ trabalho humano, referimo-nos ao trabalho como atividade que ocorre
· numa sociedade determinada, num momento determinado da história. Na
. Qmt���o.,são_g�unto ·de co��os;_habillilades, _ sociedade capitalista o saber é predominantementé reservàdo ·ao· us�fruto
hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação soJ;ial, organizados pe-
dªgógif_a_�-c!i�!ltic_'!_��I.!.��':. teJ1d� �m- v�s�� �- �ssi_f!lilação aHvae&plicaç�-º das classes sociais ·economicamente favorecidas as quais, freqüentemente,
p�lQ�_�lu�9..s_ rrn_sµa_pJá_tiçª �_e_yicl,a_. Englobam, portanto: co_�ceito�s, o transformam em idéias e práticas convenientes aos seus interesses e as
f�rOCC$!9hl��9Qios leis c��tífkas, regras; habil!dad�s c?gnos�it�v_as, divulgam como váÜdas para as demais cl�es sociais. Entretanto, o saber
modos de atividade, ni�tc,xlos de c�mprêênsãoe·�p!icação, hábitos de _e�fü­ pertence à classe social que o produz pelõ seu trabalho; portanto, deve
d�.fr��ilho ·�·-d.e:-�n;iv�n�ia sóciãi;.'yMôiis,, convicções, atitude�..J,Iío ser por ela reapropriado, recuperando o seu núcleo científico, isto é, aquilo
expressos nos programas oficiais, nos ·livros didáticos, nos plâ.nos de ensino que tem de objetividade e universalidade.

128 129
Na escola, o conh�cimento do mund�-�bjetivo expresso no saber cien­ Conforme a definição dada, os conteúdos de ensino se compõem de
tífico se transforma em conteúdos de ensino, de modo que as novas·gerações uatr o elementos: conhecimentos sistematizados; habilidades e hábitos; âti-
q
possam assimilá-los tendo em vista ampliar o grau d� .sua �mpreensão da tudes e convicções.
realidade, e equipando-se culturalmente para a partlc1paçao i:ios processos
objetivos de transfornu�ção social. A a quisição do domínio· t_eórioo-prático_ Os conhecimentos sistematizados são a base da instrução e do ensino,
do saber sistematizado é-uma necessidade humana, parte mtegrante das os obje tos· de assimilação e meio indispensável para o desenvolvimento
demais condições de sobrevivência; pois possibilita a participação mais plena ._: . glo bal da e
personalidad�. A aquisição o domínio dos conhecimen_tos>:,ãô '·
de . todos nQ mundo do trabalho, .da· cultúrà, da ·çidadania: Eis._ por que- . ·_ · · . condi ções prévias para eis de.mais elementos, ainda ,que ·a as�imilaçã.o destes
. ·· .. _concorra· para viabilizar aqueles. Os_ cdnhecimeritos sistematizados corres- ·
falamos_ da socialização ou :democr·a�ízação dC? �aber sistematizado_:
pondem a conceitos e temias "f,undamentais das ciências; fato� efonôme��s
À. escolha dos conteúd�s de ensi�o pàrte, pois; deste princípio básico: · · · . da ciência e da.atividade cotidiana; l�is fundamentais que explicam as pro­
os conhecimentos e modos_ de ação surgem _da p�ática social _e �istórica · priedades e as relações· entre objetos e fenômenos da.realidade; métod�s. - ..
e
dos . homens e vão sendo si_stemati:iados transformados em objetos de · de estudo da. ciência e a história da sua elaboração; e problemas existentes
conhecimento; a�símilados e·re�laborados, são:instrumentos de ação- 1iara · no âmbito da'prática social (contexto econômico, polítioo,-social_e·culturâi
e
atuação na prática social histórica, Revela�se, assim, o estreit9 _vínculo do processér de ensino. e aprendizage_m) conexos com a- matéria.· · .. · ·
entre o sujeito do conhecimento (o iiluno) e a sua prática social de . vida .
(ou_seja, as condições so_ciais de vida e �e trabalho, o ootidiâno, as práticas_ . As h�bilúlades são q�alid�d� intelec�uais necessárias pa�a a atividade
culturais, a linguagem etc.): · m�ntal no processo de assimilaçãà de conl_lecimentos. Os hábitos são· modos.
o
de agir relativamente automatizados que tornam_ mais eficaz estudo ativo
Na �colha dos conteúdoi; de e11sino, portanto, leva-se em conta não e independçnte. Nem sempre é possível e�pecificar um.hábito a· ser for- ·
, só a herança cultural manifesta nós conhecimentos e habilidades- mas tam-· mâdo, pois esses hábitos" vão sendo consolidados no transcorrer da,s ativi­
bém a experiência da prática social vivida no presente pelos alunos, isto dades e exercícios em que são requeridos. Hábitos podem preceder habi­
é, nos· problemas e desafios existentes no contexto em que vivem. _Além lidades e há habilidades que se .transformam em hábitos. Por exemplo;·
disso, os conteúdos de ensino devem ser elaborados numa perspectiva de habilidade em leitura pode transformar-se em hábito de ler e viee-versa..
futuro, uma vez que contribuem para a negação das ações sociais vigentes Algumas habilidades e hábitos são comuns a todas as matérias; por exemplo:
tendo em vista a construção de· uma soci�dade verdadeiramente humani-· destacar propriedades essenciais de objetos ou fenômenos, fazer relações,
zada. comparar, diferenciar, organizar o trabalho escolar, fazer sínteses e esque­
mas etc.; outros são específicos de ·cada matéria, como observação de fatos

·os elementos dos


. da natureza, utilização de materiais específicos, resolução de problemas
conteúdos de ensirw
.

. 2. . .
matemáticos etc.
As ati�des e convicções se referem a modos de agir, de sentir e de
Que: elementos da herança cultural e da prática social presente de­ se posicionar fr�nte a tarefas da vida social. Orientam, portanto, a tomada
. vem formar os conteúdos de ensino? Que produtos da atividade humana de posição e as decisões pessoais frente ·a situações concretas. Por exemplo,
construídos no process_o <li trabalho devem ser assimilados pelas novas os alunos desenvolv�m valores _e atitud� em relação· ao estudo e ao tra:.
_: gerações. corria ba�e para _o desenv6lvimento das capacidades especifi- ·balho, à convivência social, à responsabilidade pelos seus atos, à preservação
camente humanas? · da natureza, ao civismo, aos aspectos humanos e sociais dos conhecimentos
· · A herança cultural construída_ pela atividade humana ao longo da his­ científicos. Atitudes e convicções dependem dos conhecimeritós e •s co­
tória da· sociedade é extremamente rica e complexa, sendo impossível à nhecimentos, por sua vez, influem na (armação de at!tudes e convicções,
escola básiça abranger todo esse partrimônio. É tare_fa da Didática destacar assim como ambos dependem de certo. níve8Je· desenvolvimento das ca-
o que deve constituir objeJo· de ensino nas escolas, selecionando os ele-· pacidades inentais. .
mentas dos conteúdos a serem assimilados ou apropriados pelos alunos, Os elementos:oonstitutivos dos conteúdos convergem para a formação
em função éias _exigências sociais e do desenvolvimento da personalidade. das capa�úlades cogn.oscitivas. Estas correspondem a processos psíquicos
130 131
da atividad� mental. No processo de assimilação de conheciméntos, o de­ pelo qual são des�nvolvidas as capacidades mentais e práticas dos alu­
senvolvimento das capacidades mentais e criativas possibilita o tiso dos nos de modo a adquirirem métodos próprios de pensamento e ação?
conhecimentos e habilidades em novas 'situações. Englobam a compreensão São. três as fontes que o professor utilizará para selecionar os· coo­
da relação parte-todo, das propriedades fundamentais_ de objetos e fenô­ - te údos do plano de ensino e organizar as suas aulas: a primeira é a pro­
menos, diferenciação entre objetos e_fenômenos, ab_stração, gene'ralização; gra maç ão _o_ficial na qual são-fixados os conteúdos de· cada matéria; a se­
·. .. análise e síntese, a combinação de métodos de ação, o pensamento alter- _ : gund<,1 são· os próprios coµteúdos básicos das ciências transformadas em
nativo (busca de soluções possív(;':is·para um problema específico) etc. Essas _. matérias de ensino; a t�rceir�: são as �xigências teóricas e práticas colocadas
capacidades se vão desenvolvéndo no. processo-.de assimilação ativa de· pela prática de vida dôs alunos,. tendo_ em vista· o mundo do trabalho e·-a
conhecimentos: , . ,· · · .· . . -participação_ democrática na·socjedade. .
· ·
._ ·, Não é difícil observa'r que os elem�ntos do conte�do de ensino estão·· Pode parec�r-que �sas-·três fontes não são conciliáv�is. Como intra­
·
·!?�·;{ . ·. .. : inter-rel.iciona�o�. Habilfdades .� .capacidades são impossíveis sem � tJ:ãse
: ·duzir nos conteúdos as necessidad_és e problemas existentes ·ria prática cfo'.
r: t", ·. dos conhecimentos. P�)f S"Ua_ vez, o .d,omínio de conhecimen:t?s ·_supõe �s . �da dos aluno�, se os 'conteúdos já estariam previ_àmen.te estruturados?:
. f: ·; 1 . . . ha,bilid_adesi as capac�dades e os modos . valorativos e atitudinais. Na verdade é perfe:itamente possível (e necessária) a ligação entre ôs co- . _
1 · · . O futuro professor não deve·assustar-se com a complexidade da ela- . - flhecimentos sistematizados e a experiência _vivida -pelos alunos no meiÕ. ·
boração dos éonte'údos de ensino; pôis nenhum desses elementos é con- · ·
· social. Vejamos como.
siderado isoladamente, mas reunidos em . torno dos conhecimentoS-siste- ·
matizados. Muitos dos resultados d9 pro cesso de ensino não· podem ser Na_ sociedade modérn'.a,_o Estado (poder público) tem o deve'r_ cons.,·
titucional de assegurar ensino público, estabelecendo uma política escolar·
antecipados e muitos dec·_o_ rr em do_ próprio processo de assimilação ativa
que viabilize esse dev�r _e determinando um programa de educação geral,
dos conhecimentos ·e hab111 dades. 0 aspecto importànte a a�sfüalar, entre-
igual para todos os membros çla sociedade. Ao estabelecer objetivos de
• tanto, é u� sólido conhecimento da matéria e dos métodos de ensino, sem
.1. o que será muito difícil responder às exigências de um ensino de qualidade.
âmbito nacional, o Estado não só organiza o sistema de ensino como pre­
tende também a unificação nacional e o desenvolvimento cultural da so-
..
3. Quem,. deve escolhe'! os · con:teµdos · de ·
. ciedade. Se não tem sido a�sim, cabe à própria sociedade organizar-se e
exigir o cumprimento dessas responsabilidades sociais.
ensino · Entretanto, sabemos_ que ·a política escolar· express_a interesses e oh�
•1'.t 11
Trata-se de uma questão muito impo rtante do trabàlho docente. De-. jetivos das forças sociais e políticas que· hoje controlam o Estado. Esses·
vemos pàrtir do princípio de que a escolha e definição dos conteúdos é, in_teressés quase sempre não coincidem co_m os interesses majoir tários _da
em últimâ instância, tarefa do professor. É ele que tem·peta frente deter­ sociedade, pois mantêm a escola para preservação das relações sociais vi­
minados alunos, com - soas características de o rige� social, vivendo num g�ntes. De fato, a educação escolar é um importante mecanismo de pre­
meio cultural determinado, �m çertas disposiçõese preparo para enfrentar paração para o trabalho no sistema ·_de produção capitalista, bem como de
o estudo. O trabalho pedagógico implica a preparação desses alunos para . transmissão de idéias, valores, crenças que sustentam essa forma de orga­
as atividades práticas - profissionais; políticas, culturais·- e, - p�ra isso, o nização social, sem ·pôr em risco o atual sistema d�elações sociais. Mas,
professor enfrenta duas ·questões centrais: · ao mesmo tempo que_ a sociedade .capitalis_ta se organiza para reproduzir
o . Que conteúdos (conhecimentos, habilidades, valóres) os alunos deve-_ a força de trabalho necessária à produção, tam�ém ocorre a socialização
rão adquirir a fim de que se tornem preparados_e aptos para enfrentar do saber, atrav6 do qual os trabalhadores podem ampliar a compreensão
ás exigências objetivas da vida social ço_mo a profissão, o exercício da da realidade social e produzir outros conhecimentos que expressem seus
cidadania, a criação e o us1.ffruto da cultura. e da arte, a produção de inte�esses de classe. Na medida em que o saber escolar é colocado em
novos conhecimentos de acordo com fnteresses de classe, as lutas pela confronto com � prática de vida real, possibili�-se o alargamento dos co--
melhoria das coridições. de vida e·_de trabalho?· nhecimentos e uma visão mais científica e ma� crítica da realidade. ·
o Que métodos e procedimentos didático-pedagógicos são necessários Se é verdade que a política _escolar visa preservar a organização política
para viabilizar o processo de transmissão-assimilação -de conteúdos, e econômica vigente atrav6 das práticas escolares, é verdade também que

132 133 ·
ela expressa a� contradições .da sociedade, de modo que os seus resultados escolar), e muito mais de transf01mar os conteúdos de modo que neles
podem levar à contestação da ordem social; a sociedade política não é um sejam contempladas as exigências teóricas e práticas decorrentes da prática
bloco compacto e harmonioso. Além disso, a luta pela socialização do saber de vida dos alunos.
- no sentido de que todos tenham acesso à instrução e à educação - A escolha de conteúdos vai além, porta_nto, d�s programas oficiais e
depende de uma base comum de conhecimentos, fixada paciooalmente, e da simples organização lógica da matéria, ligando�se às exigências teóricas
dos recursos. para a manutenção do sistema escolar, d'e modo que as dife­ e práticas da vida social. Tais. e_xigêndas devem_ ser consideradas em três
renças regiqnais .e locais, econômicas e culturais, :não sejam motivo de. . .
discriminação no açesso d� todas as crianças e_ jovens do país à escola.
sentidos: · · . ·
O prime�o deles ·é qu� � particípação na_ prática social:_ n� -�urido.
. . Isso tu_do n�s- leva a enc�ra� a .. importância dos programas oficiais e, do trabalho,-�a cuH_ura e da ·política_:._: requer o domínio de conheCÍmen.tos . ·
.· : por extensão, do livro didá_tico. Contudo, devemo� encará-los como dire- ·.
básicos e habilidades intelectuais (leitura,- escrita, cálculÓ, iniciàção às ciên- .
trize� de· orientação geral.. As 'particularidades ém . relação ao desdobra- .
cias,'à história, à _geografia:etc.). Os-progressos conseguidos pela :humani­
. mento dos programas, à resseleção·_de çonteúdos, à'escolha de métodos e
. técnicas são determinadas pelo professor de 'modo ·mais qu menos inCÍe-' dade nos tonliecinientos_· e inodos de atuaç�o sã.o conquistas que devem .
ser democ�atizadas, não apenas como direitos do cidadaó rm1s também
'yendente, tendo em conta às cond_ições ·tocais d� escola, dos alunos, bem comp requisitos para fazer.frente às exigêndàs da prática social, principãl-
como as situações didáticas específicas: às diferentes séries. · Além disso, · mente rja atividade profissional. · ·
. devemos avaliar criticam_eote os programas, confrontando,os com a nossa
.. ·_-· visão de homem, .de mundo é. do processo pedagógico.· ··
. o segundo aspecto ·consiste em 'considerar que a prática da -�da co-·
tidiana dos alunos, ria família, no trabalho, no nieio cultural urbano·· ou
. · A segunda_ fonte que o profes_sor utiliza para selecionar e·éirganizar
, rural, fornece fatos, _problemas (isto é, a matéria-prima da re�liqade) ·a
os co1;Heúdos de ensino são as bases das ciências, da. técnica, da arte.' Os ·
serem. conectados ao estudo sistemático das matérias. Os alunos n vivem
conhecimentos escolares se baseiam: nas disciplinas científicas, de modo
num meio do qual extraem conhecimentos e exp�riências (que se i anifes�
que do sistema das ciências resulta um sistema de matérias de ensino: Se
cabe ao ,professor fazer uma re�seleção dos conteúdos a partir do que é tam em formas próprias de linguagem) e que são pontos ·de partida para
sugerido na programação oficial, é preciso que ele tenha um seguro domínio a compreensão científica dos fatos e fenômenos .da realidade. Se, por_ uni
do conteúdo científico da matéria para saber o que é mais relevánte so- · lado, o saber.sistematizado pode estar distanciado da realidade social con­
cialmenté para ser ensinado aos seus alunos. Ele precisa saber o que esco­ creta, por out_ro, o trabalho docente consiste precisamente em vencer essa
lher, a seqüência dos con�itos, e como coordenar ·a sua disciplina com.as contradição, -tornando os conteúdos vivos e significativos, correspondendo
demais, levando em conta que o ensino não é uma· cópia esquematizada · aos problemas da ·prática cotidiana. Ao falarmos, pois, das exigências teó- ·
da ciência que dá origem à Qiatéria de estudo. Os fatos, conhecimentos, ricas· e práticas, querémos dizer que o eixo· das tarefas didáticas está em
métodos de uma 'ciência (Matemática, História, Biologia etc.) transformam­ · organizar as condições e modos de ensino que assegurem a passagem da
se em matéria de ensino e por isso importa saber o que é básico para a . experiência cotidia·na e do senso comum aos conhecimentos ·científicos
fonnação geral de todos os alunos e como torná-las didaticamente assimi­ . através .dos quais �ão adquiridos novos modos de atuação na vida prática'.
láveis conforme as peculiaridades de idade e desenvolvimento dos alunos, Para isso,"é preciso transformar os conteúdos em questões ou problemas,
nível de conhecimentos e capacidad� já alcançados por eles e suas carac­ verifiéar· os conheti!_llentos que os alunos possuem ou não para enfrentar
terístic_as sócio-culturais e individuais. · · a matéria novà� refletir sobre as conex�es entre os conteúdos e os problemas
do meio' social.
Passamos, assim, à terceira fonte: a experiência ·da pritica,de vida.dos
alunos e necessidades postas pelas tarefas profissionais, sociais, políticas e O terceiro aspecto colocado pela prática social se refere ·às próprias
culturais na sociedade. Com efeito, selecionam-se conteúdos de ensino . cond_ições de rendimento escolar_ dos alunos. Sabemos que a maioria dos
para que os· alunos os assimilem enquanto instrumentos teóricos e práticos alunos _das escolas públicas pertence às camaclas populares, isto é, são filhos
para lidar com os desáfiçiire.problemas da prática sodal, isto é, para torná-los d<? assalariados, subempregados e parcelas dã classe média baixa. Trazem
agentes ativos da transfqrmaçãÓ social. A questão é.muito menos de �daptar · as marcas d.a sociedade desigual e discriminadora e, por isso, face às exi­
a matéria à realidade dos alunos (inclusive às suas condições de rendimento gências da escola, carrégam consigo desvantagens sociais e culturais qu€

134 135
os colocam em desigualdade em relação a· outros alunos economicamente
favorecidos. Mas trazem também uma riqueza de experiências sociais que· simplificando esse saber, contentando-se apenas com as aparências dos
expressam sua visão da realidade. Esse conjunto de características é o·ponto fatos e acontecimentos. Além disso, os fatos e acontecimentos não são
tomados no seu desenvolvimento histórico, nas suas transformações, mas
de partida para o trabalho escolar e, portanto, �\emento para a escolha como algo acabado, estático, so!idificado.
dos conteúdos.
Com isso queremos dizer que a prática social determina a contradição . Essa constatação, entretanto, não deve levar a sacrificar a riqueza do
éritre as exigências de aquisição e estudo das matérias e as condições só­ conhecimento científico e das experiências acumuladas pela humanidade.
.cio�culturais e o nível de preparo para .realizá-los.. A superação dessa cem­ ' o que cabe é submeter os conteúdos ºde ensino ao crivo dos seus.deter­
tradição requer que se levem em conta as possibilidades reais de rendimento minantes sociais para reéuperar o se.u núcleo de objetividade, tendo em
esçolar dos alunos é, dentro desse parâmetro, estabeleça-se_ o máximo níyel ·vista possibilitar o conhecimento científico, vale dizer, crítico da realidad.
· · é.
dt: exigências que se pod_e e de�e _fazer a eles. · É o que chamamos dimensão critico-sociál dos ·conteúdos.
...
. .. . .. · . ·.. A dimensãÕ crítico-social se ma�jfesta, �m p;i�eiro luga;, nd. trat_a-
.
4. A--dirnensão crítico�social. do$ = .. ·. · �ento científico dos conteúdos. Nas matérias de estudo estudam-se. as· leis . ·:·
conteúdos.· . ..
. ·. óbjétivas ·dos· fatos, fehô�enos dá na�urezá e da sociedade, investigando
. . . . . ·. · ás suas relaç�ks internas e bu.scando � sua essência constitutiva·poc detrás
: : Os àssuntos que acabamos de estudar já trouxeram uma importante · . das aparências. Para isso, empregam-se métodos didáticos e os métodos
questão, cujo entendimento é necessário aprofundar: os �nteúdos de en­ . próprios .da ciência: observação da re"lidade, identificação das. propriedades
sino retirados das ciências são objetivos e úniversais ou refletem valores ·· e refações de objetos e fatos com 9s outros, comparação de diferentes
e interpretações de acordo com os i_nteresses de grupos e clásses soéiais- situações. Pelo estudo ativo das matérias, portanto, os alunos vão formando
que possuem o poder político e eco�ômico na s�ciedade? estcuturas mentais, métodos próprios de estudo e de pensamento :para a
Os conte_údos de ensino· são as duas coisas. Uma pedagogia de cunho compreensão crítica da realidade. O movimento que leva à consciência
crítico-social reconhece a objetividade e universalidade dos conteúdos, as­ crític� vai, pois, do conhecimento científico para a aplicação teórica e prá­
sim como reconhece que nas sociedades capitalistas difunde-se um saber tica, mobili:zando a formação de �onvicções para a participação na vida
que reflete os interesses do poder, isto é, um saber que seja vantajoso prática. .
para ,reforçar .a atual forma de organização social e econômica. Existe, Em segundo lugar, os conteúdos têm um caráter histórico, em estreita
pois, um saber objetivo e universal que constitui a base dos conteúd�s de ligação com o caráter científico. Os conteúdos escolares não sãÓ informà­
· ensino, ·mas não se trata de tim saber neutro. · ções, fatos, conceitos, idéia.s e·tc. que sempre existiram na sua forma atual,
A objetividade e universalidade. dos conteúdos se apóia no saber cien­ registrada nos livros didáticos, nem são estáticos e definitivos. Os éonteúdos ·
tífico, que se constitui no processo de investigação e comprovação de leis vão senqo elaborados e reelaborados conforme as necessidades práticas
objetivas qúe expressam as relações internas dos fatos e acontecimentos de cada época histórica e os interesses sociais \'.Ígentes em cada organização
da naturéza e da sociedade. Nesse sentido, o conhecimento é, também, social. O sentido histórico dos conteúdos se manifesta no trabalho docerite
histórico, pois; ao investigar as relações internas de fatos � acontecim�ntos, quando se busca explicitar como a prática social de gerações passadas e·
busca apanhar o movimento do real, isto é, as transformações que ocorr�m das gerações present�_interveio e intervém na determin�ção dos atuais
na realid&1de com a intervenção humana. conteúdos, bem como o seu papel na produção de novos· conhecimintos
Mas, o conhecimento é sempre interessado, uma vez que é produzido para o avanço da ciência e para o progresso social da humanidade.
"em sociedade" (socialmente), isto é, na relação entre as classes sociais e A dimensão crítico-social, em terceiro lugar, implica vincular os con­
suas contradições. Apropriado pelas forças que detêm o poder na sociedade, teúdos de ensino a exigências teóricas e práticas de formação dos alunos,·
há interesse de que idéias e explicações vinculadas a uma vi�ão particular em função das atividades da vida prática. A as�ilação.ou apropriação de
de uma classe social seíam c1firmadas corno válidas para ·todas as demais conhecimentos e habilidades adquire importância e·sentido se proporciona
classes sociais. Nesse sentidõ; .a escola. na sociedade capitalista controla a o domínio ativo e prático de modos de atuação crítica e criativa· na vida,
distribuição do saber científico, ora esçondendo aspectos da realidade, ora na profissão, no exercício da cidadania. Por essa razão, somente se dá a
136 137
assimilação crítica dos conteúdos quando se fa� a ligação destes com ãs relações sociais reais des�manizadoras e�stentes na socie��de. Em relação .
experiências reais e concretas vividas pelos alunos na sua prática soci�I. a um determinado tema de estudo, sera sempre nccessano que nos per-.
guntemos: quais são as característi_cas do objeto de estudo deste tem�?
Em síntese, a dimensão crítico�social dos_ conteúdos corresponde à - , _
Como a prática humana esta embutida nesse tema? Como as pesse>as estao
abordagem metodológica· dos conteúdos na qual os objetos de conheci­
relacion adas com ele; quem usufrui dos seus benefícios, coµio usufrui? O
mento "(fatos, conceitos, leis, habilida_des, métodos etc,) são apreendidos · que a vida real das pessoas te1!1 a ver.com esses _obj�tos de estudo? · _
nas suas proP.riedadés e características próprias e, a_o -mesmo tempo, nas
· A dimensão crítico-social dos_ conteúdos, tend9 como base para sua
suas relações com outros fatos ·e fenf>menos da :realidade, incluindo espe- _
e
cificamente as" ligações nexos soc1àis que os constituem c9mo tais.(como .. ·
rio
. aplicação a
ensino unid ª?�: e a relaçã(? objetivos-conteúdos-mét?dos,
_ , .
possibi lita aos �!unas a aqms1çao de <_;0n1!�c_1me nt?s que ele:vem o grau ·de _
objetos de conliecirríento). O c9nhecimento é consideràdo, nessa perspec- .. . , _ _
·ª
tiva, como vinculado ·óbjetivos socfalmehte determinados,. a interess�s · - · ·· ·compreensão da ·realidade (express;f nos_ conteudos) � a formaçao de co�- _ · _
yjcções e princípios ·reguladores dá ação na vida �r�tica; o_ r�ult?�º mais _
concretos a que est_ão implicadas as tarefas da educação escolar... . � _.
.importante desse modo de abordagem dos conteudos de en �mo e. por em _.
_ __ A dimensão c�ítico-sociat dos .conteúdos é uma metodologia de estudá .ª
ação métodos qüe possibilitem expressão -�lab_oradá dos_ mter�ses �as . ·: ·
e. interpretação ·dos objetos.-de" conhecimento.-:- explicitados nas matérias _· camadas pop_ulares no_proces�o de lutas efetivas de transf�rmaçao so_çial. · ..
de ensino_;_ como proçlutos da atividade humana e :a serviço da prática.
· O profes·sor Dei:meval Saviani afirma, sobre esse assunto, que a apro- _
social. Por isso, os conte_údos são apreendidos, estudados, na sua transfor­
priação dos conhecim�nios pelos trabalhadores, n� medi�a em _q�e se ar-·
mação, no seu· desenvolvi_m�nto, isto é, na sua 11istoricidade; tráta-se de
titula com as condições e lutas concretas que se dao na vida pratica, pode
situar um tema de estudo nas suas ligações com a prática humana: como
desenvolver determinadas condições subjetivas � isto é, con�ciência de
os homens, na sua· atividade prática coletiva nas várias esferas da vida
· se�s interesses e necessidades - que, impulsionadas por· processos obje­
�ocial, intervêm, modificam, constroém esse tema· de estudo;· sua impor­
tivos de- luta, podem conduzir à transformação das condições sociais, pre-
tância parn atender necessidades práticas da vida social, como os problemas
sentes.
sociais, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, as necessidades hu­
manas básicas _etc.
à e�se .método de apreensão_ da realidade (sob forma de conhei;imen­
tos) agregam-se_ e co·njugam-se.métodos de conh�cimento gerai1; (como a ·
5. Os canteúdos e o livro didático
observação, a anáÜse-síntese, a indução-dedução, a ·abstração, a generali­ f
· Nas consid_erações anteriores, ·procuramos most_rar que f saber cien­
záção etc.), métodos próprios da matéria que está sendo estudada, e mé­ tífico expresso nos conteúdos de ensino é o principal objetivo da mediação
todos - de ensino (como a exposição, o estudo dirigido independente, a escolar. Sua democratização é uma exigência de humanização, pois concorre
conversação criativa com a classe etc.) oara aumentar o poder do homem sobre à natureza e sobre o seu próprio
· Pensar criticamente e ensinar a pensar criticamente é es(udar cienti­ destino. Na sociedade capitalista, o saber se torna propriedade dos grupos
ficàmente a realidade,_isto é, sob o ponto de vista histórico, apreendendo e classes que detêm o poder e que controlam a sua difusão: para os seus
a realidade· natural e social na sua transformação em objetos de conheci­ filhos oferecem o ensino das ciências sociais e exatas,- além �e uma pre­
mento pela atuação humana-passada e p�esente, incluindo a atividade pró- paração intelectual; para os filhos dos trabalhadores limitam e sii:iiplificam
. · prià _ do aluno de reelaboração desses objetos qe conhecimento. os conteúdos, destinando-lhes uma débil formação intelectual, p01s se trata
de prepará-los para o trabalho físico. �a sociedade atual, por!a?to, há uma
o "tratamento metodológico" dos conteúdos numa ótica crítico-social distinção dos conteúdos de-ensino para diferentes grupos soc1a1s: para uns,
pressupõe que as propriedades e características dos objetos de estudo estão esses conteúdos_ reforçam os privilégios, para outros fortalecem os espírito
impregnada� de significações humanas e sociais. Isso significa não só que de submissão e confo(mismo.
os conhecimentos. são criações humanas para satisfazer necessidades hu­
manas, que devem servir à prática, ser aplicados a problemas e situações . Ora, os liv�os didáticos se prestam a sisterff"atizar e_ difundir conheci­
da vida social prática, como também que devem ser evide11ciadas as distar- mentos mas serverri, também, para encobrir ou. escamotear aspectos da
ções a que estão sujeitos quando são utilizados para o ocultamento das . �eálidade, conforme modelos de descrição e explicação da realidade con-

138 139
soantes com os interesses econômicos é sociais dominantes na sociedade. simples ou melhores, usar a enxada ou o trator, tudo é muito natural,
Se o professor for um bom observador, se for capaz de desconfiar das como se as diferenças sociais fossem também naturais e· não decorreÍ"tes
apa rências para ver os fatos, os a contecimentos, as informações sob vários das formas de organização da sociedade. A vida social no campo ai�.-,
ângulos, verificará que muitos dos conteúdos de um livro. didátiço não . como solidificada, como se tudo o que acontece ali fizesse parte da
conferem com a realidade, com a vida real, a sua e a dos alunos. Textos malidade das coisas. Os t�xtos não revelam as relações internas entre ·
de Língu�. Portuguesa e.Estudos Sociais passam noções, por exem plo,. de . fatos, não mostram o significadô social implicado no tema estudado. Há ,
que na sociedade as diferença s entre as pessoas.&ã� individuáis e n&o d�vidas . lavrador, o agricultor, o criador de gádo, . mas as razões das diferenças entre
à estrutura social; que nela todos têm oportunidades iguais, bastando. que · Ú.in tipo e �utro �-� trabalho estão escondidas. · : . ..· ..
·cada um se �force e trabalhe co" m afinco. Textos de' Çiências não auxiliam . · . o professor não po�e esperar que os_livros didáticos revel�ril os ;spec- '
os alunos à colocar·cienfificárriente.problemas humanos, ·a compreender o
· tos reàis das coisa�, as _razões reais que estão por �etrás· das diferenças ·.
esforso hl!mano de_ várias gerações de h?JDCnS no C�nheci m�nto �a reali- sociais. Esta é tarefa sua, sabenôo que sua postµra crítica nem ·se mpre será
dade, como s� o c::on}Jecimento científico nada tivésse:a ver .com problemas· aprovada. Não é necessário ir mÚito longe: à�g�ns pais,.alguns �iretores ..
reais da vida cotidiana.· . . . ... ·· .· . .
. de ese9la também não desejam que o real funcionanienlo das. re1açõ� .
Ao se.lecionar os �nteúdos d�-·série em que irá trabalhar, o professor · sociais na sociedade seja. revelado. Além disso, o próprio: professor pode .
precisa analisar os textos, verificar como são enfocados os _assuntos, para .não se· ver como µrn assalariado e confirma· aos alunos· valores, idéias,
· enriquecê-los ·com sua própria contribuição e a dos álunós, comparando . roncepções de mundo distantes da realidade conçreta, passadas pelo livro
o que se afirma com fatos,-problemas, realidades da vivênda �eal dos alunos. · didático ou que circulam nas conversas, na· televisão, no· rádio.
Seria desejávef que os prôfessores se habituassem a faz�r um estudo crítico
·· . Ana Lúcia G. de Faria descreve, ta:�bém , �piniões das c;íançãs sobre
dos livros didáticos para analisar como ·são tratados temas corno o trabalho,
o trabalho, que refletem o que aprendem nas a,ulas: os médicos ganham
a vida na cidade e no campo, o pegro, a mulher, á natureza, a família, e
mais porque. são mais.inteligentes; os pretos também podem ficar ricos,
outros.
apesar de o branco _ter mais possibilidade de arrumar emprego; quem ganha
. A Professora Ana Lú'cia G. de Faria (1985: 61) pesquisou ém livros · menos é porque não trabalha direito; não fica rico quem não for estudioso;
didáticos das séries iniciais do ensino de 1? grau o �nceito de trabalho. quem não.tem boa· profissão, para ficar rico precisa fazer hora extra, guardar
Como exemplo, vamos. reproduzir alguns trechos-de l�vros pesqui�ados. dinheiro na �aderne�a de poupança.
"O home m do campo· tem dois tipos de t�!lbalhos: pode ser um agri­ · &ses· exemplos mostram a. força com que os livros didáticos .e até
cultor, quando planta e colhe o que plà�tou. Pod� ser uín criador de mesmo as informações do professor influenciam na formação de idéias
.. g_ado, quando cuida do seu reban�o". sobre a vida, o trabalho, que não têm correspondência na realidade. Ser
"O trabalho do litvrador rende pouco e a produção é pequena. Ess� rico, ser branco, ser inteligente é quase a mesma coisa e as crianças recebem
agricultura é chamada primitiva_ ou de subsistência. Já na agricultura tais infor mações como verdadeiras.
.
científica, empregam-se máquinas agrícolas, e o agricultor é assistido
.

por agrônomos qúe orientam no preparo ·�o soloi a s�leção de se- . Ao recorrer ao livro didático para escolher os conteúdos, elaborar o
plano de ensino e de aulas, é necessário ao professor·o domínio seguro
. mentes, o emprego de 'inseticidas e outrôs recursos. Assim a produção da matéria e bastante sensibilidade crítica. De·um lado,·os seus conteúdos
e
é maior, melhor, e o solo é éonservado". são ne�sários · e;-quanto mais aprofundados, ·mais possibilitam um co­
"(O agricultor na· agricult��a priinitiya) �stá. pobre e mal vestido. Usa nhecimento crítico dos objetos de estudo, pois os conhecimentos sempre
instrumentos muito �imples. Pratica umá ·agricultura primitiva. (O da abr�m novas perspectivas e alargam a compreensão do mundo. Por outro
agricultura moderna). está sobre um trator, apresenta-se forte e mais lado, esses conteúdos não podem ser tomados como estáticos, imutáveis
. bem vestido. Pratica a agricultura _mecanizada". e sempre ve.rdadeiros. É preciso, pois, conf.contá-los com a prátka de vida
Nã� é difícil constatar que esses textos dão uma impressão de que a dos alunos e com a realidade. Em ce�to sentido, os livros, ão expressarem
vida no campo é muito 1ranqüila, ap�ar de o lavrador pobre ser mais o mod9 de ver · de d_eterminados segmentos da sociedade, fornecem ao
simples e atrasado. Existir agricultura primitiva e mecanizada, usar roupas professor uma oportunidade de co·nnecer como as classes dominantes ex-
. .

140 141
. plicam as realidades sociais e como dissimulam o real; e podem ajudar os
objetos de ensino necessários à educação geral. Os livros didáticos de cada
.alunos a confrontarem o conteúdo do livro com a experiência prática real série, bem ou mal, realizam essa tarefa, mas isto não dispensa o professor
em relação a esse conteúdo. de destacar os conhecimentos básicos de que n_ecessitam os seus alunos,
da sua escola.
·
Um dos niodos de atender esse critério é conhecer bem ·a estmtura
Critérios (l.e sele��º ·da matéria, .ou seja, suq ·espinh� dorsal, ·o· conjunto de noções básicas lq­
é
. . . ' Como vimo�,· a·· escolha dos c�nteúd�s .uma das tarefa� mais impor-
gicamente con�atenadas que corres.pendam ao modo de representação que
o aluno faz dela� na s_ua ca{?eça e qi.1e tenharri o poder de facilitar �o aluno
_· tantes para o professor, pois eles são a base inform�tiva e for�ativ� _do
: "encaixâr';. temas .secundários em um tema central. E<ite procedimento,
· proéesso de transmissão-ãssimilação. :. aliado áós demais.critérios que veremos à sçguir; permite não-só estabelecer
· . ·. A prática escof�r atual mostra que não tem· h·avido uma escolha cri-_ . 0 volume ·da matéria; independéntemente do que prescreve o livro didático,
: teriosa de conteúdos. A sob�ecarga de assuntos é ·uma herança maléfica :· mas também urna interdependência· entre o conhecimento· novo_ e o co-
_ ·
. · da éducaç&o e.scolar elitist<1, quantlo apenas as classes social e economica- ·._.. ··nhecimerito anterior.- · _. ·. . . . ·
·. mente· privilegiadas tinham acesso à escola. Hoje_ em. dia, os" professores
· . continuam com a m_anía ·de esgotar o livro a qualquer custo, s�m levar em
. A capacidade de o p�ofessot .selecionar noções básicas, evitândo a-
sobrecarga ·de matéria, é a' garantia de maior solidez e profundidade dos
· consideração os assuntos realmente indispensáveis ·de serem assimilados, conhecimentos assimilados pelos alunos._ Tudo o que.temos estudado neste
a capa�idade de assimilação dos alunos e o grau de assimilação an_te�ior e . livro vem· ressaltando a idéia de q·ue·o processo de ensino é algo que não
a consolidação do aprendizado. . _ · se pode apressar, já· qu� sem o est_udo ativo e persistente do aluno e o
&colher os conteúdos de ensino não é uma tarefa fácil. Nos "tópicos _ desenvolvimento das capacidades cognoscitivas não ocorre uma yerdadeira
ante"riores já foram feitas indicações de orientação geral. Aqui, propomos, aprendizagem. Além disso, o nível de preparo e. de pré-requisitos culturais
· ·
de forma mais ordenada, os critérios de seleção. dos alunos da escola. pública está sujeito a condicionantes impostos pelas
condições materiais de vida e nem sempre ç suficiente para enfrentar as
1. · Càrrespandência entre objetivos . exigêncía� escolares. Disso decorre a neçessidade · de constantes revisões
gerais e conteúdos . . . . . . da matéria, suprimento de prt%-requisitos para assimilação de matéria nova,
a reposição de matéria insuficientemente assimilada; volume maior de <?Xer­
Os conteúdos devem expressar objetivos sociake pedagógi.cos da es�o- cíciÕs e tarefas,. avaliações parciais mais constantes.
. la pública sintetizados 11a formação cÚlt•Jral e científica para todos; A ex­
pressão "ensino para todos" deve ser entendida C<?IDº ensino .-para a po­
pulação majoritária da sociedade. Se a educação �colar deve ex_ercet a
sua contribuição no conjunto das lulas pela transformação da soci�dade,
3. Caráter sistemático
devemos ter cm mente que ·os conteúdos sistematizados visam instru01en- ·. · · O programa de ensino deve ·ser delineado em conhecimentos siste­
talizar as crianças e jovens das camadas populares para a sua participação . . matizados e não em temas genéricos e esparsos, sem ligação entre si. O
ativa no campo econômico, social, político e cultural. Basicamente, este _é . sistema de conhec�entos de cada matéria deve garantir u�a lógica in�erna,
o critério que definirá que conteúdos são importantes ou não ... . que permita uma interpenetração .entre os assuntos.
. .

2. Caráter científico 4. Relevância social


. - .
Os conhecimentos. que fazem parte do conteúdo refletem os fatos, &te critério corresponde à ligação entre- o saber sistematizado e a
conceitos, idéias, métodos decorrentes _da ciência moderna. No processo experiência prática, devendo os conteúdos refletir objetivos edu.cativos
de ensino, trata-se do selecionar as bases das ciências, transformada� ·em esperados em relação à sua participação na vida social. A relevância social
142 143
dos co"nteúdos significa incorporar no programa as experiências e vivências . fácil e simplificado, leva a diminuir o inte�esse e não desafia o seu desej1
das crianças na sua situação social concreta, para contrapor a noções ·de de vencê-lo.
uma sociedade idealizada e de um tipo de vida e de valores distanciados Se os cónteqdos são acessíveis e didaticamente organizados, sem per-.
do cotidiano das crianças que, freqüentemente, aparecem nos livros didá­ der o caráter científico e sistematizado, ha�erá mais. garantia de uma as­
ticos. ·similação sólida .e durado�ra, tendo em vista à s_ua utilização nos ·conhe­
. Para isso, a escolha do_s conteúdos deve ·sàtisfazer as seguintes préo- . · cime ntos nov�s e a:sua tran�ferêncja para as situ�ções_ prátic_as.' ·
cupações:_ como ligar a exigência do doiníni9 dos· conhecimentos com a
vida real ·ctas crianças? que _conhe<;:imentqs·precisám ser introduzid�s. (.ace
· a exigências teóricas e ·práticas do cont�,µQ social, �mbora não. façam parte
·.. ·.. Sugestões.para.tarefas cie estudo.-
.
.:: . _ - Perguntas�- Pª�ª- ô·_ t�ab�zhiJ·- i�cy)enderi�
.
. da experiência cot_idi_ana das crianças?.
; Ó qomínfo efetivo dos ·conh�cime�tOS não S€! g�ra�fe, pois, �penas:;- .
· : . · _ · . . ;·
· pela memodz"ção· e repetição de fórmulas e regras. Implica fundamental- .· · ·. · dos· alunos . _· ·-·· . ·:. . ·_ -·· ·.
a
mente compreensã'o teórica e prática, seja utilizando OS CQnbecimentos .. o Que sentido tem a afirmação: "Os obj�tivos
.
�ducacionais são s�cial-
. ·e habilidades 0btidos nas próprias aulas, seja para utilizá-los nàs situaçõ�s mente determinados"?·
concretas postas pela �da prática. Entretánto, é-preciso não· confundir as
expressões "conhecimentos relevantes para a prática social" e ."conheci� · o' : Como a filosofia educacional dos professores influi na escóÍha de ob-
jetivos? . . _
ment.o prático". Muitos professores entendem tjue ligar os conhecimentos
coni a realidade é ensinar apenas coisas práticas·. Esta é uma visão muito· o . ' Como se articulam objetivos ·gerais e objetivos específicos?
estreita do critério de relevância social. Muitos assurtos da matéria não · o Quais ·são as relações bási�as entre objetivos é conteúdos?
têm um vínculo direto, mas têm um efeito prático fundamental para de­ D Formular uma definição :de "conteúdos escolares" e explicar o se·u
senvolver o pensamento teórico dos alunos. Os conhee:imentos são rele­ . caráter social e histórico.
. .
vantes para a vida concreta quando ampliam o conhecimento da realidade, . o · · Descrever os elementos que compõem· os conteúdos (tipos de con­
instrumentalizam às alunos a pensarem metodicamente, a .raciocinar, a de­ teúdos).
senvolver a capacidade de abstração, enfim, a pensar a própria prática. o Como faz�r para selecionar ·e organizar os conteúdos? Quais são as.
Ultrapassam, portanto, o nível das coisas simplesmente práticas; para ai� fontes que influem na seleção de conteúdos de ensino?
cançar um nível de experiência e pensamento compatível coin o conheci- ·
mento científico e teórico. Agir praticamente significa utilizar o poder in­ D . Explicar o que é a dimensão crítico-social dos conteúdos.
telectual frente às tarefas da vida, sej� 1_1a escola, seja na sociedade. D Comentar as vantageos·e as limitações do livro didático em relação ·à
· dimensão crítico-social dos. conteúdos,
D Quais são os critérios de seleção dos conteúdos?
5. Acessibilidade e solidez
Acessibilidade significa compàtibilizar os conteúdos. com o nívçl de
prepar9 e desenvolvimento mental dos alunos. É o que se costuma _deno­
. Temas· para-· ·p,profundarnénto _ do estudo
.
' .

minar, também, de dosagem dos conteúd(?S. É muito comum as escolas D Coletar documentos de planos de ensino nas ��las. Analisar os s�­
estabelecerem um volume de conteúdos muito acim_a do que o alu_no é . guintes aspectos: político, pedagógico e didático.
capaz de assimilar e num nívçl tal que os alunos não dão conta de com­ D Tomar o· plano de ensino de uma matéria e reconstituir os objetivos
preendê-los. Deve-se observar, assim, que um con�eúdo demasiado com­ de ensino, com base nos capítulos já es·tlidados.-
plicado e muito_ aciina da'·compreensão dos alunos não mobiliza a sua 0 Pesquisar 2 ou 3 livros de Didática ou de Ysicologia da. Educação e
_atividade mental, leva-os a perderem a confiança em si e a desanimarem, . escolher temas que tratem a questão dos objetivos e conteúdos. Fazer
comprometendo a aprendizagem. Por outro lado, se o conteúdo é muito um resumo dos posicionamen·tos desses autores. Discutir em classe.

144 145
'

o Considerar documentç,s de planos de ensino usados nas escolas da MOREIRA, M. A e MASINI E. F. Aprendizagem Significativa: a Teoria úe Davi
Ausubel.· São Paulo, Moraes,· 1982. . · . · .
cidade. Reler o tópico 2 do capítulo 4 e os tópicos 3 e 4 deste capítulo
NI DE LC OFF, Maria T. As Ciências Sociais na Escola. São .Paulo, Brasiliense
e, em seguida: a) fazer uma apreciação crítica dos conteúdos iegistra-
dos; b) refazê-los. ·. · · 1987;_
Anàlisar · os conteúdos do livro didático ou dos planos de ensino, e · PETEROSSI_, Helena G. e FAZENDA, Ivani C. A-Anotações Sobre Metodologi.a
u e Prática _de Ensin� na.Escola de l.º Grau. São Paulo, Loyo!a,.1983.
estudar possibilidades de_ tratamento. crítico-social, conforme sugere SÃO �AULO - Secretaria Mtuiicipal _de Educação. Programa· de J�.· grau. De-
: · · ·
o exemplo do· text9. partamento dé Planejaménto e Orientação, 1985. .· · ..·
.·. ·· ·
SAVIAN�; Denneval,. entr�vista con_çedida· ao jornal La Horà, _de 28.02.87, de
T.emas p�rà ·..re�ação .. . . M�ntevidéu (l!ruguai). . · . . · . . _ . _ · · .· ·.
·: : . �IGA,}lma P.A, (org.): Repensando· ª Didática.. Campinas, Papir�s. 1988.. ·.
·os livros didátiéos e a dim�nsã� .crítico-social d�s éonteód�s. -� ..
o
o. : A articulação. éntre os elementos dos có_nteJ,Ídos ·no plano de ensino:
· o A relaçã6 entre objetivos gerais e objetivos específicos. ·
o A importância. dos objetivos no pro�so ·ae ensino.
o - Redigir µm texto co� o seguinte título: "Justificativa do· ensino de-
Língua Portuguesa1 ' (oti Estudos .Sociais, Matemática etc.).

Bibliografi� co�plementar
ABREU, M. Çélia de e MASE'ITO; Marcos·T. O .Professor Universitário em.
Aula (Prática e Princlpios Teórico�). São P.aulo, Corte!JAutores Associados,
1985.
BALZAN, Newton C. "Sete Asserções Inaceitáveis sobre a Inovação Educacio­
·nal". Revista Educação &- Sociedade, (6): 119-139, São Paulo, Corte:zJC.e-
des,1980. · · · · ·
BERGAMIN, Maria E. e MANSUTII, Maria A "Revisão dos Programas de
uma Rede-de Ensino: Um Processo, uma Experiência". Revistá da Ande, (12): ·
39-45, São Paulo, 1987.
ENRICONE, Délcia et alii. Ensino ..._ Revisão Critica. Porto Alegre, Sagra, 1988.
FARIA, Ana Lúcia G. Ideologia nó Livro Didático. São Paulo, Corte:zJAutores
Associados, 1985. .
FRANCO, Lufz A C. A Escola do Trabalho ·e o Traba}ho da Escola. São Paulo,
· · Corte:zJAutores Associados, 19slí. · · . . ·
LIBÂNEO, José C: Democratização da Escola Pública. São Paulo, Loyola, 1987
(introdução e caps. 1 e 5).
. "Os Conteúdos Escolares e Sua Dimensão Critico-Social", Revista da
, Ande, (11): 5-13, São Paulo, 1986.
___. "Pedagogia Cdti.co-Social: Didática e Currículo", Anais do XVI Seminário
Brasileiro de Tecnologia ffilucacionaJ; vol. I. (ABT), Rio de Janeiro, 1988. pp.
45-65.
JUCKESI, Cipriano C. Filosofia da Educação. São Pauló, Cortez, 1990.

146 147

Você também pode gostar