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PATERNIDADE ESPIRITUAL

João 21.5-10

Introdução
“Amados, a palavra que trago hoje, faz parte de um pacote de outras
palavras que Deus me tem dado e que chamo de “Corrigindo a Rota”.
Eu quero falar hoje sobre Paternidade Espiritual.

Explicando um pouco o tema, paternidade é a condição da pessoa que


se tornou pai. Então, pode ser que você já esteja dizendo aí consigo
mesmo: “Ah! Então essa palavra é somente para os homens?” Não. “É
somente para homens que se tornaram pais?” Não. “Bem, então porque
eu deveria ouvir algo sobre paternidade?”
Explico: porque, queridos, é o que mais palpita no coração de Deus. O
que Deus mais deseja é que sejamos a Sua família, que as pessoas se
tornem Seus filhos e que Ele seja o nosso Pai.
Família é idéia de Deus. Está escrito em 2Co 6.18: “E lhes serei Pai, e
vocês serão meus filhos e minhas filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso”.
Então, nós estamos diante de um grande tema. Deus é o Pai de uma
grande família que inclui todos aqueles que receberam Jesus Cristo
como o seu Salvador. E Deus está no projeto de aumentar a Sua família!
Se você já recebeu Jesus como Salvador, você se tornou filho de Deus,
já é um membro da grande família de Deus e, sabe, tem um papel
importante nessa família.
Como membro da família de Deus, o que se espera de você? Num certo
sentido, é o mesmo que se espera de você como membro da sua família
natural: que você cresça, ajude a cuidar dos irmãos e se torne pai ou
mãe responsável!

Por isso eu quero convidar você pra gente fazer um passeio pela história
a fim de você conhecer o que é o propósito de Deus.
Então, vamos lá. Primeiro, quando Deus criou o homem, Deus o criou na
intenção de estender sobre sobre ele um manto de paternidade. Deus
quer uma grande família para Ele.
Deus se pôs na condição de Pai e o homem e a mulher por Seus filhos.
Por isso que está escrito em Gênesis, que Deus comparecia no Eden
todos os dias, porque o pai é uma figura presente, é uma presença
marcante!
Deus cria o homem na intenção de tê-lo como filho.
Olha que tremendo! O ser humano foi criado para ser filho de Deus!
Mas, aconteceu que o homem se rebelou contra a paternidade de Deus.
No dia quando desobedeceram a Deus, Adão e Eva romperam com Deus,
quebraram esse vínculo de filiação.

Mas, Deus abandonou o Seu projeto de formar uma grande família? Não.
Agora, Deus chama Abraão e o escolhe para, através dele, formar uma
família, uma grande nação.
E Abraão não foi escolhido porque tivesse feito alguma coisa admirável
para Deus. Abraão não fez nada extraordinário. Ele simplesmente foi
escolhido porque se tornou o pai de um garoto que ele ofereceu a Deus
e que reconheceu: “Esse filho, Isaque, é o filho da promessa e eu o
consagro a Deus, eu o ofereço para Deus”. Foi a partir desse momento
que Deus disse que Abraão seria o pai da fé, porque ele não negou a
Deus o filho que gerou.
Oh! Amados, a gente não gera filhos para nós mesmos, a gente não gera
filhos para o mundo, a gente não gera filhos para ter mão de obra
barata dentro de casa, a gente gera filhos para Deus!
A mesma coisa se dá com os novos convertidos na igreja.
Cada novo convertido é um filho. E, irmão, nós não estamos gerando
filhos para a denominação batista, não geramos filhos para nossa igreja
e nem para o mundo, mas é para Deus. Amém!

Então, Deus reinicia o plano de formar uma grande família, com


Abraão. Deus faz pra Abraão a promessa de fazer dele uma grande
nação e essa nação, Deus disse que seria uma nação de sacerdotes. O
apóstolo Pedro declarou isso (1Pe 2.9): “Vocês, porém, são geração
eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para
anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz”.
Naquele ponto, Deus começou a indicar que o propósito dEle era ter
uma nação de sacerdotes. Irmão, não era uma nação de membros, mas
uma nação de sacerdotes. Sacerdote é toda pessoa separada para servir
a Deus. Todos os cristãos hoje são sacerdotes, são servos de Deus.
Mas, a questão, é que logo no início, quando Abraão dá origem ao povo
de Israel, quando esse povo é liberto do Egito e se torna uma nação
para Deus, agora, uma lei vai ser promulgada, porque toda nação tem
uma carta magna que a rege, tem uma constituição, tem um conjunto
de leis.
Então, quando Deus dá a Moisés, os Dez Mandamentos da lei, como uma
constituição para aquela nação, o que acontece? Aquela nação peca
contra Deus. Se rebela. O que eles fazem? Eles descartam a paternidade
de Deus e elegem um bezerro de ouro para ser o deus deles. Você já
deve ter ouvido sobre o bezerro de ouro.
Mais uma vez: Deus abandonou o projeto de formar para Ele uma
grande família? Não. Agora, Deus se levanta e vê que dentro daquele
povo rebelde, tem uma tribo que se preservava fiel, a tribo de Levi. E
Deus dá um comando e diz: “Vocês servirão na tenda da congregação. A
responsabilidade é de vocês agora”.

Assim, a tribo de Levi foi separada para servir a Deus. Naquele


momento Deus transferia o sacerdócio para a Tribo de Levi.
Porque eu estou falando sobre sacerdócio? …você vai entender daqui a
pouco. Tem tudo a ver com paternidade. Deus elege a tribo de Levi
para o sacerdócio, mas Deus não abre mão do Seu plano de ter uma
nação de sacerdotes. Deus ainda quer Israel.
E o que Ele faz? Deus começa com a tribo de Levi. Deus dá uma
incumbência pra eles. Qual a incumbência? O serviço sacerdotal. Os
levitas deveriam estender, como que um manto de paternidade, sobre
toda a nação, sobre as outras tribos.
Como sacerdote, a Tribo de Levi deveria fazer duas coisas: deveria
ouvir o povo e falar com Deus e ouvir Deus e falar com o povo. Os
levitas deveriam ser um intercessor em favor do povo e ser um profeta
em favor de Deus, porque Deus queria ser um Pai para eles.
Mas, sabe o que aconteceu? O serviço sacerdotal se tornou litúrgico,
uma coisa mecânica. Tipo assim: “Precisa de oração, vamos orar. Quer
oferecer o sacríficio, tudo bem, o altar aqui está, vamos oferecer. Deus
te abençoa, viu. Vai em paz”.
Eles perderam o foco. Ficaram somente intercedendo em favor do povo,
e não orientava o povo sobre a vontade de Deus. Eram sacerdotes, mas
perderam o foco da voz profética. Eles não falavam da lei de Deus.

Aí, Deus mantém o sacerdócio com a tribo de Levi, mas faz o seguinte:
agora Ele levanta profetas de todas as outras tribos de Israel. Não é só a
Tribo de Levi mais, porque eles se tornaram omissos. Então Deus
começou a levantar profetas. Pra que? Para suprir a necessidade de
correção, a necessidade de se ter uma voz de ensino.
Porque trago tudo isso? Porque o sacerdote e o profeta carregavam no
seu ofício, atributos de paternidade, querido.
É, um pai, ele tá sempre intercedendo pelo filho, sempre abrindo
caminhos para o filho… mas o pai também é a figura que tem a
responsabilidade de corrigir o filho.
Então, o que Deus estava fazendo era completar uma nação de
paternidade sobre a nação, aonde o papel de sacerdote e de profeta
deveriam ser exercidos, que é um papel de paternidade.
Porque, amado, um pai não só defende o filho, não só intercede por
ele, mas também o corrige, o disciplina.
A gente vê esse papel, por exemplo, em Eli cuidando de Samuel, aqui
na Bíblia. A gente vê Eliseu e Elias… inclusive, Eliseu chama Elias de
pai. Elias era profeta, mas Eliseu o chamou: “Meu pai! Meu pai!” (2Rs
2.12).
Tem também o exemplo do rei Jeoás, chamando o profeta de pai (2Rs
13.14). O próprio rei considerava o profeta como um pai, porque via
algo de paternidade no oficio profético.
E Davi, que foi um grande rei de Israel, ele se curvou diante do profeta
Natã, quando esse o exortou; porque Natã, como profeta, era uma
espécie de figura paterna na vida de Davi.
Aí, queridos, o tempo passou e aconteceu que silenciou a voz profética.
Houve 400 anos de silêncio, nem nenhuma Palavra. Eu não sei se a
Bíblia que você usa traz umas quatro páginas em branco. Antigamente
ao fabricar a Bíblia, a indústria colocava quatro folhas em branco entre
o Velho Testamento e o Novo Testamento. Essas quatro folhas em
branco representavam quatro séculos de silêncio
profético.

Queridos, o povo havia perdido a referência, mas chegou a plenitude


dos tempos e aconteceu o nascimento de Jesus, que veio como o Filho
unigênito de Deus, trazendo sobre Ele um manto de paternidade para
ser estendido sobre a humanidade.
Então, Jesus deixa de ser o Filho unigênito e passa a ser o primogênito,
porque agora Ele vai chamar outros filhos para Deus, dentre os quais
nós estamos incluídos, amém? Você tá nessa lista?
Agora, porque Deus recomeça com Jesus? É porque havia silenciado a
voz profética e Ele quer uma família.
Então, Deus recomeça com Jesus, que reúne em Si o ofício de
sacerdote, rei e profeta, três ofícios com atributos de paternidade. E
Jesus passa isso para um pequeno grupo de discípulos. Jesus Se torna o
pai deles, num certo sentido, e dá uma ordem para que eles fizessem o
mesmo com outros, isto é, estendendo o manto de paternidade através
de um processo de discipulado, porque Ele disse: “Ide e fazei
discípulos”.

Então, veja bem, agora já não é mais uma tribo, agora é uma família
numerosa! A igreja é uma família. Jesus estendeu o Seu manto de
paternidade sobre os discípulos que foram estendendo esse manto sobre
outros.
A tal ponto, que Paulo quando vai falar de Tito, chama ele de “meu
filho”. Quando Paulo vai falar de Timóteo, ele chama Timóteo de “meu
filho”. Quando Paulo vai falar de Onésimo, um escravo que ele
conheceu na prisão, Paulo também chama Onésimo de “meu filho”.
E quando Paulo vai se referir aos seus discípulos, ele fala em dores
como de parto, como de uma mãe. É que Paulo está todo tomado por
esse manto de paternidade espiritual!
Aí, querido, a igreja de Jesus cresceu. Só na cidade de Éfeso, por
exemplo, conta-se que tinha mais de 200 mil discípulos. E como foi
possível isso: foi possível por causa da paternidade. Diga: paternidade.
Mas aí por volta dos anos 300 depois de Cristo, veio um grande engano.
A igreja que até então crescia, por causa desse cuidado de discipulado
paterno uns com os outros, por causa dessa paternidade, agora, na
época do imperador Constantino… o que ele fez? Ele
quebrou essa identidade da igreja.
Os discípulos deixaram de ser discípulos e passaram a ser contados
como membros da igreja. Aí, esse senso de paternidade foi
desaparecendo. Por que? Porque a mentalidade de Constantino não era
de um pai. A mentalidade de Constantino era de um político. E aí,
discípulos se tornaram membros.

A mentalidade de igreja como corpo de Cristo vivo na terra hoje,


passou para mentalidade de congregados… a mentalidade de organismo
passou para organização… a mentalidade de sacerdócio, passou para
assistentes e consumidores... E o senso de igreja como família de Deus,
composta por pais, filhos e irmãos, passou a ser agora uma composição
apenas de irmãos.
Na igreja hoje é assim: a gente olha para o lado e só vê irmão, irmão,
irmão, irmão. Todos são irmãos. Aí, o que acontece? A gente não
entende porque é que os crentes perderam o cuidado uns para com os
outros.
E por mais que a gente pregue e diga: “Irmão, você precisa amar o seu
irmão”, O que se ouve é: “Eu amo”. Mas é cada um por si e Deus por
todos. É a síndrome de Caim: “Por acaso eu sou guardador do meu
irmão?” Desde Constantino, não se tem mais na igreja o senso de
paternidade.
Deixa eu perguntar: Quem aqui, quando criança, ficou na companhia
dos seus irmãos em casa, enquanto os pais saíram, quantos já ficaram?
Você lembra como era? Quem respeitava quem? E com que amor o
irmão mais velho fazia isso? Tinha que fazer na marra. O pai
dizia: “Olha, você vai ficar, toma conta do seus irmãos, viu”. Era um
fardo pro irmão mais velho. Porque cuidar de irmão é fardo. Não tem
senso de paternidade.

Cuidar de filhos não é fardo para os pais, mas cuidar de irmão, é.


Primeiro, porque você não tem essa vontade de cuidar, e segundo,
quando você cuida como irmão, você não tem o senso de promover,
como tem o pai. Como irmão, você tem o senso de mandar, de se
aproveitar. E o irmão mais novo tem o senso da rebeldia: “Você não é o
meu pai pra ficar mandando em mim!”
E como é na igreja? “Oh! Tô vendo que tá errado isso, mas não é
problema meu… cada um vai dar conta de si mesmo a Deus e eu não
quero me comprometer com essa coisa…
Não vou me importar: a vida é dele, o problema é dele”.
E, por outro lado, se alguém vai falar alguma coisa pra ensinar,
orientar, advertir, o que ouve: “Hei, vai cuidar da sua vida”. Como
quem diz: “Irmãozinho, oh! não se meta na minha vida”.

Por que tem sido assim na igreja? Porque o manto de paternidade foi
perdido e o que ficou é uma família onde só tem irmãos.
Querido, isso é família? A igreja, como família de Deus, é lugar aonde
tem pais, filhos e irmãos. Os irmãos convivem uns com os outros e os
pais promovem os seus filhos, porque esse é o coração do pai.
Mas, numa igreja aonde não tem pais, não há promoção, há rebeldia, há
desacato. Porque aonde a gente enxerga o outro só como irmão, não
adianta ele querer falar, eu não vou dar ouvido… “Tá pensando o que?
Vai querer crescer pra cima de mim?” Uma igreja onde só tem irmãos,
todos vivem, regra geral, descuidados.
Também é assim: a gente nunca chega em casa, procurando pelos
irmãos: “Hei! cadê Fulano, cadê minha irmã fulana?” A gente fala:
“Paiê, Maê. Pai, Mãe”.
Aí, quando alguém some da igreja, o que se ouve é: “Fulano não veio,
né? É, problema dele. Humm, aquela cadeira tá vazia! É... fulano não
veio, não”. Isso desencadeia outra situação: o irmão vem e diz:
“Pastor, porque o senhor tá num ofício semelhante com o de pai, óh!
fulano saiu da igreja. O senhor devia visita-lo”. Em outras palavras,
esse irmão, membro de igreja, tá dizendo: “Oh! eu apenas notei a
ausência dele, mas quanto a ir buscá-lo, isso não é problema meu
porque não é meu filho”. Então, a igreja aonde só tem irmãos, o que se
tem é descuido, descuido, descuido e descuido.
Um irmãozinho sai da igreja e o que ele sente é desamor, desafeto: “Eu
fui embora e ninguém sentiu minha falta”. Não é verdade. Sentiram a
falta, sim, mas não foram atrás porque irmão não vai atrás de irmão.
Querido, coisa chata é quando o irmão mais velho tem uma irmã. Os
dois vão pra uma festa, e os pais recomendam: “Toma conta da sua
irmã, viu!”. Aí, os garotos começam a paquerar e o irmão que não tem
aquele senso de paternidade pra promover a irmã à algo melhor...
descuida. A missão dos filhos é conviver.
A missao dos pais é promover.
A gente vê igrejas aonde um disputa lugar com o outro. Por que? Porque
não há promoção, não há paternidade. Então, o grande desafio de hoje,
é: trocar a mentalidade dos crentes. Porque o crente vem pra igreja pra
receber. Ele só vem pra receber.
E quando, em algum momento, ele vê que não tá recebendo mais, ele
facilmente descarta… não tem senso de família, então, ele
simplesmente diz: “Eu acho que acabou meu tempo aqui. Deus está me
mandando pra outra igreja, porque eu fui na outra igreja e Deus
falou tanto comigo lá”. Noutras palavras: “Eu já mamei um monte aqui,
já sugei o máximo aqui, agora eu vou pra outra igreja. Vou sugar até
enquanto tiver, o dia que eu senti que não tem mais, aí Deus fala
comigo e eu vou pra outro lugar”. Sabe por que isso, querido?
Porque perdemos o senso de paternidade.
Quando existe senso de família, a coisa pode está até difícil, mas, eu
vou contribuir pra que a minha família melhore.

Então, o nosso grande desafio na igreja é esse: mudar a mentalidade de


consumista para uma mentalidade de paternidade, onde o pai promove
o filho. A categoria de quê mesmo? De pais espirituais também!
Pais promovem seus filhos para que eles se tornem pais. No mundo
natural é assim: Você gera filhos… quem é que quer gerar filhos para
ficarem sempre dentro da sua casa? Quantos filhos você tem? Você
gostaria que eles dissessem pra você, que eles não vão se casar, porque
vão viver eternamente com você? Ia ser uma benção que ninguém quer.
A gente chora na despedida dos filhos, mas a gente quer que eles sejam
promovidos e que formem suas famílias e que gerem filhos!

Outro desafio: remover a mentalidade de apenas salvos, para uma


mentalidade de servos. Porque hoje o que mais se vê são os crentes
agarrados nas cadeiras ou nos bancos da igreja, que não querem se
levantar pra fazer nada.
Então, vamos construir uma mentalidade de servo. Amém? Crentes que
digam: “Eu sou filho, estou sendo preparado para servir, estou sendo
preparado para ajudar a cuidar dos irmãos!” E se igreja não for assim,
querido, pode ser chamada de qualquer coisa, menos
de igreja.

Agora, a maior prestação de serviço que alguém pode ter no Reino de


Deus, não é tocar, nao é cantar, dançar ou limpar chão. A maior
prestação de serviço que alguém pode ter no reino de Deus, ainda não é
ser: líder de célula, ser pastor, apóstolo, missionário… a maior
prestação de serviço que um cristão pode ter no Reino de Deus é gerar
filhos e cuidar bem deles.
Amados, Deus está nos chamando para debaixo de um manto de
paternidade. Deus está nos chamando para a paternidade espiritual.
O discipulado que Jesus propõe é de paternidade. Eu não abraço o
discipulado como um método de crescimento numérico da igreja,
porque eu entendo, que o discipulado proposto por Jesus é a maneira
eficiente dos filhos de Deus serem amados e bem cuidados.

Uma imagem comum em nossa nação é a de uma mulher com um filho


nos braços desacompanhado do pai, do marido. Ou seja, uma criança
sem paternidade. Mas, chegou o tempo de mudar essa história.
Precisamos estender o manto de paternidade um sobre os outros.
Aquele que se tornou filho deve ser preparado pra se tornar pai…
Aquela que se tornou filha, é preparada pra se tornar mãe. E, assim,
nós vamos estendendo esse manto de paternidade um a um, de modo
que cada um ajuda a cuidar de outros.
Amados, uma igreja assim é muito linda! Onde visitar o doente, acudir o
necessitado, não cabe só ao pastor, mas cabe no coração daquele que
sente o manto de paternidade sobre ele. Uma igreja assim é muito
linda, porque o discípulo de Jesus, diz: “Eu vou visitar, eu vou orar, eu
vou abençoar, eu vou cuidar, porque eu amo”.

Querido, quando você ver um irmão passando necessidade, não só de


dinheiro, mas de atenção também, fique sabendo que Deus está te
dando uma grande responsabilidade e te fazendo passar por um grande
teste: Ele quer saber o seu nível de amor e a disposição do seu coração
em servir.
Olha, a função de um discipulador é a função de um sacerdote que
instrui, que intercede… é a função de um profeta que exorta, que
chama ao compromisso. Duas palavras resumem o que nós devemos
fazer como igreja: amor e cuidado. O nosso chamado é para amar e
cuidar bem das pessoas. Mas isso só é possível através do discipulado
feito debaixo de um manto de paternidade espiritual. Não é através de
uma boa pregação, de uma boa equipe de música. Não, isso só é
possível através de uns cuidando de outros.
Tem vezes que eu fico pensando: Ah! porque o discipulado não chegou
na minha vida 30 anos antes. Eu teria tropeçado menos e avançado
mais. Mas eu dou graças a Deus por hoje. Eu tenho um discipulador que
tem me ajudado muito. E eu creio que daqui pra frente eu vou
conseguir errar menos e acertar mais.

O discipulador é alguém com quem eu abro o coração, compartilho a


minha vida, as minhas preocupações… Meu discipulador é um paizão
espiritual que eu tenho! Foi isso que Jesus fez aos discípulos. Embora
Jesus seja o irmão mais velho, porque ele é o Filho primogênito de
Deus, o primeiro, mas sabe como Ele chama os Seus discípulos? …de
filhos.
Olha esse texto. Logo após a ressurreição, Jesus vai ter um encontro
com os discípulos na beira-mar, e Jesus grita pra eles: “filhos!” Jesus
poderia ter dito: “Servos, apóstolos, irmãos!” Mas Ele diz “filhos”.
“Filhos, vocês tem alguma coisa pra comer?”
E aqui a gente vê que um discipulador é como um pai para os seus
discípulos. O que Jesus faz? Ele promove a renovação das energias,
dando o que comer aos filhos.
Interessante! Jesus não chegou perguntando: “Vocês estão
evangelizando? Estão entregando os seus dízimos? Estão praticando o
TSD diariamente? A primeira coisa que Jesus faz é perguntar coisas
próprias de pai: “Vocês estão alimentados? Tem alguma coisa pra
comer!” É a preocupação de um pai.
E interessante também é que Jesus está interessado em promover o
sucesso deles. Eles estavam vindo fracassados de uma pescaria, mas
Jesus Se interessa pelo sucesso deles e os orienta, para que não
desanimem.
Esse é o papel do discipulador: cuidar, cuidar, cuidar…
Amado, deixa Jesus estender esse manto de amor e cuidado sobre você.
Tenha alguém por mãe ou pai espiritual!

Quem será que pode oferecer paternidade espiritual a você? Se você


está sem discipulador, a dica que eu te dou é essa: Busque alguém que
te ame de verdade. Ore a Deus. Fale também com seu líder de célula.
Ele vai te ajudar a encontrar um pai ou uma mãe espiritual.

Pr Walter Pacheco da Silveira, baseado em: Eugenio Pinheiro

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