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DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA

INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

INOVAÇÃO DE PRODUTOS
ECOLÓGICOS EM CORTIÇA

Projecto de Termodinâmica Aplicada

Sofia Salvador nº 42876

Orientação:
Professor Manuel Heitor
Professor Pedro Conceição

Lisboa, 4 de Dezembro de 2001


Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Sumário

O presente projecto – Inovação de Produtos ecológicos em cortiça – será


orientado segundo duas vertentes. A primeira consiste no estudo da
multiplicidade de utilizações da cortiça, para além das tradicionais, a fim de
promover a sua competitividade face aos produtos não ecológicos nos mercados
internacionais de isolamentos térmicos/acústicos/antivibráticos. A segunda
consiste na investigação e desenvolvimento de novos produtos em cortiça
apostando em mercados alternativos, contribuindo assim para o
desenvolvimento e prestígio da economia portuguesa no contexto da economia
mundial.
Desta forma, no âmbito da primeira vertente, será elaborada uma pesquisa sobre
os mercados nos quais o aglomerado de cortiça expandida pode funcionar como
produto substituto, diferenciado pelas suas propriedades, bem como pelo seu
posicionamento estratégico como ecológico.
Para a segunda fase deste projecto proceder-se-á a um estudo intensivo de
novas utilizações para o aglomerado de cortiça, nomeadamente para o sector da
construção civil, considerando as suas propriedades e procurando
complementariedade com outras matérias primas.
Relacionado com a primeira vertente, verifica-se que existe um grande número
de usos alternativos da cortiça já desenvolvidos ou em desenvolvimento, devido
ao esforço em I&D (projectos de Investigação e Desenvolvimento) efectuado
pelos vários intervenientes, empresas, instituições de investigação e
universidades.
Na segunda vertente foram estudadas novas utilizações para o aglomerado de
cortiça, relacionadas com um novo produto composto por aglomerado negro e
lã de rocha, permitindo assim a complementariedade das suas propriedades,
estendendo o seu campo de aplicações.

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Summary

The project hereby presented - Innovation of ecological Products in cork - shall


be guided according to two distinguished ways. The first one consists on
studying the multiplicity of cork’s applications, beyond the traditional ones, in
order to promote its competitiveness face to non-ecological products in
international markets of thermal/acoustics/anti- vibration insulators. In the
second one cork will be deeply investigated aiming to develop innovative
products, focused on alternative markets, thus contributing for the development
and prestige of Portuguese economy world-wide.
To achieve these proposed aims, mainly in the scope of the first source will be
elaborated a research on markets in which cork agglomerates can be substitute
products, distinguished as well for its own properties as for its strategic thread
as ecological products. On the other hand, the second phase of this project will
proceed an exhaustive study on new applications for cork agglomerate, mainly
for the civil construction sector, taking in consideration its properties and
looking for other raw materials or compositions to incorporate with it.
Still related with the initial phase, it is evidenced the great number of already
developed or in development applications for cork agglomerate, due to
Research and Development efforts that all parts intervening (such as
Companies, Universities or Research Centres) have clearly been doing on this
subject.
Accomplishing second phase goals, new applications for expanded cork
agglomerate had been got, mainly due to the incorporation of new materials,
such as rock wool. This technique will allow the production of new
compositions with cork agglomerates, enlarging its applications, thus its
profitability.

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

ÍNDICE

I. INTRODUÇÃO ______________________________________________ 4

II. METODOLOGIAS____________________________________________ 5

III. RESULTADOS_______________________________________________ 6

III.1. A CORTIÇA E AS SUAS APLICAÇÕES __________________________ 6


III.2. USOS ALTERNATIVOS DA CORTIÇA__________________________ 15
III.3. M ATERIAIS UTILIZADOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL _______________ 18
III. 3. 1. LÃ DE ROCHA__________________________________ 18
III. 3. 3. POLIESTIRENO EXTRUDIDO _____________________ 25
III. 3. 4. AGLOMERADO NEGRO __________________________ 29
III. 3. 5. AGLOMERADO NEGRO DENDIFICADO ____________ 31
III.4. COMPARAÇÃO ENTRE O AGLOMERADO NEGRO E OS DIFERENTES
PRODUTOS ANALISADOS _________________________________ 34
III. 4. 1. LÃ DE ROCHA__________________________________ 34
III. 4. 2. POLIESTIRENO EXTRUDIDO _____________________ 35
III.5. NOVAS UTILIZAÇÕES DO AGLOMERADO NEGRO ________________ 37
III. 5. 1. AGLOMERADO NEGRO E LÃ DE ROCHA___________ 37
III. 5. 2. ANÁLISE ECONÓMICA __________________________ 40

IV. ANÁLISE__________________________________________________ 44

V. CONCLUSÕES______________________________________________ 45

VI. REFERÊNCIAS_____________________________________________ 47

VII. ANEXOS __________________________________________________ 49

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

I. Introdução

Numa altura em que cada vez mais o respeito pela Ecologia e Meio Ambiente
assume uma crescente importância, surge a ideia de promover a inovação
tecnológica no sector da cortiça, pois é um produto natural e ecológico,
possuidor de óptimas características intrínsecas à sua estrutura que a tornam
num material de múltiplas aplicações a nível industrial.
Desta forma, pretende-se estudar possibilidades de introduzir inovações no
sector dos aglomerados de cortiça, bem como conceber o desenvolvimento de
novos produtos ecológicos em cortiça, através da conjugação ou não de outros
materiais, com o fim de promover a sua competitividade nos mercados
internacionais de isolamentos térmicos/acústicos/antivibráticos.
Para a diversificação e combinação do aglomerado de cortiça com outros
materiais têm grande relevância aspectos envolvendo estudos de mercado e
acções de divulgação perante os influenciadores de opinião, como são os
decoradores, designers, arquitectos e engenheiros civis.
Nas últimas décadas tem-se tentado alargar o âmbito de utilizações da cortiça,
quer como material vedante, quer como material de protecção e de isolamento,
de decoração, de construção e de desporto, através da melhoria da qualidade e
do desempenho de produtos já existentes, de novas composições e de novos
materiais com incorporação de cortiça.
Tal facto deve-se ao esforço em projectos de Investigação e Desenvolvimento
efectuado pelos vários intervenientes, empresas, instituições de investigação e
universidades, que são a grande fonte de informação para a elaboração do
presente projecto.
Em todo este estudo está inerente um forte investimento na economia
portuguesa, contribuindo para o desenvolvimento e modernização do
tradicional sector dos aglomerados de cortiça.

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II. Metodologias

Com a finalidade de estender a comercialização do aglomerado de cortiça para


além das suas utilizações tradicionais, procede-se a uma pesquisa sobre os
mercados nos quais o aglomerado pode funcionar como produto substituto,
diferenciado pelas suas propriedades de isolamento
térmico/acústico/antivibrático e características ecológicas.
Para tal efectuam-se exaustivas pesquisas bibliográficas bem como se apura
toda a informação disponível na internet. Recorre-se ainda ao contacto directo
com empresas, instituições de investigação ou universidades, todas elas
relacionadas com o estudo e fabrico do aglomerado de cortiça. Reunida toda
esta informação, analisam-se as propriedades do aglomerado e resumem-se as
suas aplicações alternativas, conforme se terá oportunidade de observar nas
secções III.1 e III.2 do presente projecto.
Para a investigação e desenvolvimento de novos produtos ecológicos em
cortiça, procede-se ao estudo de novas utilizações do aglomerado negro,
considerando as suas característic as e procurando complementariedade com
outras matérias primas.
Desta forma realiza-se uma pesquisa dos materiais utilizados na construção
civil, tendo em conta conceituadas empresas do ramo. Verificam-se as
propriedades dos materiais mais utilizados e comparam-se com as do
aglomerado de cortiça, de modo a observar as vantagens e desvantagens da
cortiça e que tipo de alterações poderão ser feitas para a tornar mais
competitiva, procurando ainda complementariedade com outras matérias primas
que proporcionem ao aglomerado as propriedades desejadas.
No âmbito do desenvolvimento de um novo produto composto por aglomerado
negro e lã de rocha, descrevem-se os ensaios necessários para a verificação das
suas propriedades, tendo em conta o futuro campo de aplicações.
Finalmente, faz-se uma análise económica referente à introdução do novo
produto no mercado, de modo a verificar a viabilidade do investimento
efectuado.

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III. Resultados

III.1. A Cortiça e as suas aplicações

A cortiça é a casca da espécie “Quercus Suber L”, comummente designada de


sobreiro. Visto ser um produto 100% natural e ecológico, a cortiça é tida como
a matéria-prima por excelência com consequências favoráveis para os recursos
naturais e para o Planeta. As suas propriedades são fundamentalmente o
resultado da estrutura do tecido celular e da composição química das paredes.
Para além das suas características, a cortiça sob forma de aglomerado mantém
todas as suas propriedades indefinidamente e o facto de salvaguardar o
ambiente confere-lhe uma posição clara de vantagem face aos standards
ecológicos a que hoje se aspira.
Ao longo de séculos, a sua utilização deixou marcas culturais profundas e
alargou-se à escala universal associada a ricas simbologias do conforto, do
prazer e da utilidade, quer das sociedades ma is primitivas, quer das sociedades
modernas que lhe atribuem qualidades ímpares e que apreciam a sua origem e
genuidade.

Fig. 1 - Mapa de distribuição do sobreiro na Bacia Mediterrânica


Fonte: Grupo Amorim

Sendo Portugal terra de eleição para o sobreiro, conforme se pode observar


através das Figuras 1 e 2, é natural que surja como primeiro produtor mundial
de cortiça, responsável por mais de 51% da produção, o que corresponde, em
média num ciclo de 9 anos, a cerca de 155 000 toneladas/ano [12].

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Portugal
Espanha
Argélia
9% 3% 1%
33% Itália
10% Marrocos
Tunisia

21% França
23%
Fig. 2 - Distribuição da Área Mundial de Sobreiro (103 ha)
Fonte: Ministério da Agricultura

No arvoredo convenientemente explorado, a qualidade da cortiça começa a


declinar depois de 150 a 200 anos, idade que se pode considerar como limite da
cultura económica do sobreiro.
Um sobreiro adulto, normalmente desenvolvido, pode produzir em cada
extracção entre 40 e 60 Kg de cortiça.
Actualmente a exportação de cortiça representa para Portugal uma valiosa fonte
de divisas, atingindo em 1998 os 143,2 milhões de contos, conforme se pode
verificar através da tabela 1.

Valores Ton.
Ano
(Milhões de contos) (Milhares)
1990 80,4 105,6
1991 80,2 102,0
1992 81,6 107,0
1993 87,0 116,6
1994 96,5 120,9
1995 102,2 122,5
1996 110,5 122,3
1997 128,7 131,6
1998 143,2 136,5
Tabela 1 – Evolução das Exportações Portuguesas de Cortiça 1990/1998
Fonte: CTCOR – Centro Tecnológico de Cortiça

A epiderme do caule e dos ramos do sobreiro é constituída por uma camada


geradora que, ao diferenciar-se, constitui um tecido de protecção designado por
cortiça.
A primeira extracção de cortiça ocorre, normalmente, quando a árvore atinge
entre 25 e 30 anos. Essa cortiça, por vezes com uma espessura considerável,
recebe o nome de virgem e distingue-se substancialmente da cortiça de
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reprodução extraída nos períodos seguintes: é designada por secundeira na


segunda tiragem e por amadia nas tiragens ou extracções subsequentes.
Devido ao facto da extracção manual da cortiça se transformar num processo
dispendioso e para o qual há menos operadores especializados, tem-se
experimentado e tentado desenvolver processos mais mecanizados e seguros
para se proceder a esta importante operação, sendo mesmo determinante na
qualidade da cortiça extraída.

Fig. 3 – Descortiçamento [17]

A cortiça é uma matéria-prima natural cuja utilização conhecida remonta ao


primeiro milénio DC. A sua utilização desde então, testemunha o apreço
humano pelas suas características polivalentes. No séc. XVII, esta matéria-
prima foi o primeiro tecido vegetal a ser observado ao microscópio sendo então
pela primeira vez descrito e desenhado.
A cortiça apresenta uma densidade muito baixa, o que se deve a uma estrutura
alveolar com paredes muito finas: a densidade varia com a espessura das
camadas anuais, entre 120 mm e 160 mm.
O tecido suberoso é muito homogéneo, constituído por células dispostas de um
modo compacto com notável regularidade, sem espaços livres, devendo-se as
suas propriedades à sua singular estrutura e também à natureza das membranas
celulares.

Fig. 4 – Corte axial do tronco do sobreiro Fig. 5 – Constituição do tronco


Fonte: Naturlink Fonte: Naturlink

Composição química da cortiça: 45% Suberina, 27% Lenhina, 12% Celulose


e polissacaridos, 6% Taninos, 5% Ceróides, 5% Cinza e outros produtos.
As propriedades que a diferenciam enquanto matéria-prima são:
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?? a leveza (contém 90% de ar encerrado


em células impermeáveis e cada cm3
contém cerca de 30 a 42 milhões de
células) que lhe confere a tão
conhecida flutuabilidade;

?? a elasticidade , a compressibilidade e
a impermeabilidade que justificam o
seu emprego na indústria de rolhas e
que se deve à presença de suberina e à Fig. 6 – Ampliação das células 7000x
grande flexibilidade das membranas Fonte: Grupo Amorim
celulares;

?? a eficiência isoladora do ponto de vista acústico, térmico e vibrático, que


se deve ao facto do ar se encontrar encerrado em minúsculos
compartimentos estanques, isolados por um material de baixa densidade.

A cortiça possui ainda outras características – é um produto natural e ecológico,


é inodora, conserva a sua eficiência indefinidamente, é um retardador da
combustão, é compacta e resistente e pode considerar-se imputrescível e
inalterável – que a tornam num material com um vasto potencial de aplicações.
As partes da cortiça que não são utilizadas no fabrico de rolhas e de outros
produtos naturais (decorativos, discos, blocos, lâminas) bem como os
desperdícios daí resultantes, transformam-se em grânulos, base de um actual
grande sector da indústria corticeira, o dos aglomerados.
Para além das suas características, a cortiça sob a forma de aglomerado mantém
todas as suas propriedades acima descritas. O facto de ser um produto 100%
natural e ecológico confere- lhe uma posição de clara vantagem face aos
standards ecológicos a que hoje se aspira.

Fig. 7 – Floresta de Sobro [17]


Os aglomerados dividem-se em dois grandes grupos:

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?? Aglomerados Expandidos Puros

Este tipo de aglomerados é formado essencialmente (70 a 80%) por Falca,


obtida por extracção dos despojos das podas dos sobreiros. Esta matéria-prima
é reduzida a grânulos e posteriormente, por efeito de pressão, temperatura e
apenas com a sua própria resina, os grânulos aglutinam-se formando os
aglomerados expandidos puros, também designados por aglomerados negros
devido à sua côr final, em contraposição com a designação de aglomerados
brancos dada aos aglomerados compostos. É um produto 100% ecológico,
natural e reciclável.
O aglomerado expandido puro é um material com capacidades e características
de isolamento para qualquer ambiente ou clima, ideal para isolamento térmico e
acústico. É também utilizado como isolamento anti-vibrático em máquinas de
grande dimensão, sendo usado a baixas temperaturas, pelo que é um material de
grande utilidade no isolamento de câmaras frigoríficas para barcos e camiões e
em cubas de vinho.

Fig. 8 – Aglomerado expandido puro


Fonte: Grupo Amorim

A sua aplicação em edifícios funciona como protector contra o frio, calor, ruído
e vibrações.
Em suma, as aplicações do aglomerado expandido puro são as seguintes:

??Isolamento térmico de telhados e sótãos;


??Isolamento térmico de pisos térreos;
??Isolamento térmico de coberturas planas;
??Isolamento térmico e acústico de paredes interiores e exteriores;
??Isolamento de lajes à transmissão de ruídos de percussão;
??Isolamento acústico de paredes e superfícies (até 75%).
??Isolamento térmico de tubagens de transporte de líquidos com elevadas
temperaturas positivas e negativas;

?? Aglomerados Compostos
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O aglomerado composto é um produto obtido pela aglutinação do granulado de


cortiça com substâncias estranhas ao sobreiro, tais como borracha, plástico,
asfalto, cimento, gesso, caseína, resinas naturais e sintécticas, colas e químicos,
aprovados pelas normas internacionais da FDA (Food and Drugs
Administration).
O corkrubber é um aglomerado composto com
granulados de cortiça cuidadosamente seleccionados
em que o latex (borracha) é o elemento aglutinante.
Esta mistura alia a resiliência da borracha às
propriedades da cortiça, resistência mecânica e
estabilidade dimensional, o que resulta num produto
flexível, elástico e sólido. Pela sua precisão e
resistência é utilizado em juntas de motores para as
indústrias automóvel, naval, eléctrica, em tractores,
veículos púb licos e em todas as áreas anti-derrapantes.
Devido à singularidade das suas propriedades, este tipo
de aglomerado é utilizado para múltiplos fins: Fig. 9 – Corkrubber
Fonte: Grupo Amorim

Construção civil

??Revestimentos de solos, paredes e tectos: o parquet de cortiça é


extremamente confortável, resistente, macio e agradável, o ideal para criar
um interior personalizado e confortável;

??Sub-pavimento em forma de folha: a


cortiça aglomerada reduz sensivelmente os
ruídos de impacto (correcção acústica) e
contribui para uma significativa poupança
de energia;
Fig. 10 – Revestimento de pavimentos
Fonte: Grupo Amorim

??Juntas de Expansão e Anti- Vibráticos: têm a característica de acompanhar


as variações de volume provocadas pela amplitude térmica diária e resistir
aos mais variados tipos de vibrações. Os anti- vibráticos são normalmente
utilizados como base de apoio para máquinas industriais e como entre
camada em pavilhões industriais.

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Aplicações Industriais

Essencialmente pelo seu baixo peso específico e facilidade de maquinagem, os


aglomerados compostos são utilizados como matéria-prima para diversas
indústrias de transformação, entre as quais se destacam:

??Artefactos de cortiça – pela enorme facilidade de maquinagem e


propriedades naturais da cortiça, esta é utilizada amplamente no fabrico de
artefactos com especial incidência nos artigos de uso doméstico e de oferta;
??Discos e acessórios abrasivos – diversos produtos de cortiça aglomerada são
utilizados como componentes de fricção e no polimento de cristais;
??Equipamentos e produtos didácticos para uso educacional e escritórios;
??Calçado – blocos, rolos e placas de cortiça aglomerada são utilizados por
fabricantes de calçado para o fabrico de cunhas, solados e palmilhas;
??Juntas e vedantes – em diversas indústrias como
a automóvel, naval, eléctrica e aeronáutica, o
aglomerado composto de cortiça é usualmente
empregue como junta e/ou vedante devido às
suas características de estanquecidade a líquidos
e gases.
??Juntas de dilatação em cortiça - acompanham os
movimentos dos materiais aos quais são
associados, podendo ser sujeitas a compressão
ou dilatação sem alterar as suas próprias
características. São utilizadas para suprimir os
efeitos de variações térmicas em estruturas de
Fig. 11 - Juntas de motores
betão – pistas de aeroportos, auto-estradas,
pontes, etc. – podendo igualmente ser usadas em Fonte: Grupo Amorim
meios húmidos – barragens, túneis e outros.

Fig. 12 – Juntas de dilatação


Fonte: Grupo Amorim

Muitas mais são as situações em que a cortiça é utilizada com vantagens:


??Na protecção de isótropos radioactivos;
??Em mobiliário;
??Em filtros de cigarros;
??Em laboratórios, como protecção de superfícies de trabalho;

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??Nas válvulas de instrumento de sopro;


??Na execução de bóias de pesca e coletes salva- vidas;
??Na composição de bolas de hóquei, golfe e cricket;
??Volantes de badmington;
??Raquetes de ténis de mesa.

Nestes e noutros casos, a cortiça desempenha um papel fundamental


assegurando o seu lugar no mundo em desenvolvimento permanente.
No nosso país, a cortiça garante cerca de 15000 postos directos de trabalho no
sector fabril e cerca de 6500 na sua extracção e manuseamento [5].
Actualmente a indústria corticeira reparte-se por diferentes ramos de actividade,
através de um processo de transformação faseada, existindo quatro ramos de
actividade principal:
Preparador – integra as operações de selecção e preparação da cortiça que
constituirá, sob a forma de prancha, a matéria-prima da indústria
transformadora.
Transformador – visa a produção de artefactos por simples corte da prancha.
Granulador – inclui as operações da trituração da cortiça de qualidade inferior
resultante do fabrico natural, produzindo as diferentes matérias-primas para a
indústria de aglomerado.
Aglomerador – corresponde ao trabalho de diferentes tipos de aglomerados,
conforme envolvam ou não produtos estranhos à cortiça.
Verifica-se assim uma elevada interdependência entre os diferentes ramos da
indústria corticeira, uma vez que correspondem a fases sequenciais da
transformação de um mesmo produto.
Tomando como referência a indústria portuguesa, responsável pela
transformação de cerca de 2/3 do total da produção mundial de cortiça, pode-se
considerar representativa a repartição esquemática das Figuras 13 e 14 de [5]
em valor, por produtos e por sectores de destino, de cortiça transformada.

Rolhas (cortiça
6% 1% natural)
8% Aglomerados
11% compostos
Rolhas (cortiça
aglomerada)
57% Outros
17%
Aglomerados puros

Semi-
manufacturados

Fig. 13 – Produção da Indústria por Principais Produtos

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Sector vinícula

11%
13% Sector da construção
civil

Outros
15% 61%

Sector automóvel

Fig. 14 – Importância dos Principais Sectores do Destino da Produção de Cortiça

Através da observação das figuras anteriores constata-se que os aglomerados já


possuem uma percentagem considerável da indústria corticeira, tal facto está
relacionado com a utilização do aglomerado de cortiça noutros sectores de
grande relevância, nomeadamente o sector da construção civil e o sector
automóvel. Também têm sido feitos esforços para extender a sua utilização a
outros sectores, atingindo os 13% do destino da produção de cortiça.
De facto, nas últimas décadas, tem-se tentado alargar o âmbito de utilizações da
cortiça , quer como material vedante, quer como material de protecção e de
isolamento, de decoração, de construção e de desporto através da melhoria da
qualidade e do desempenho de produtos já existentes, de novas composições e
de novos materiais com incorporação de cortiça.

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III.2. Usos alternativos da Cortiça

Os produtos de cortiça são objecto de um comércio no qual as rolhas de cortiça


natural ocupam uma posição dominante. Embora a imagem da cortiça esteja
intimamente ligada às rolhas, as utilizações desta matéria-prima natural não se
esgotam por aqui. Pelo contrário, as características da cortiça potenciam cada
vez mais usos alternativos, o que se espelha no aumento do número de patentes
nos últimos anos. Saliente-se que numa pequena pesquisa de patentes a nível
mundial relacionadas com a cortiça, para o período 1996-99, o país que mais
patentes apresentava era Portugal, seguido do Japão.
Verifica-se assim que existe um grande número de usos alternativos da cortiça,
muito devido ao esforço em projectos de Investigação e Desenvolvimento
efectuados pelos vários intervinientes, empresas, instituições de investigação e
universidades.
De seguida apresenta-se um resumo dos novos usos alternativos para a cortiça
(já desenvolvidos ou em desenvolvimento, contudo a maior parte já
patenteados) [8], desenvolvidos nos últimos anos, a nível internacional e
mundial:

1 – Painéis rígidos, peças rígidas para divisórias amovíveis, painéis de portas e


mobiliário, com características diferenciadas em relação aos materiais
tradicionais, quer técnicas quer estéticas. Estes aglomerados rígidos de cortiça
podem ter várias origens, como sejam a densificação irreversível do
aglomerado negro de cortiça ou aglomerados compostos com termoplásticos –
técnicas largamente utilizadas que visam o alargamento do potencial campo de
aplicações dos aglomerados, conferindo-lhes uma maior estabilidade
dimensional.
Estes produtos permitem uma trabalhabilidade similar à da madeira.

2 – Uso de granulados e/ou desperdícios da trituração da cortiça para limpeza


de peças, estátuas e fachadas expostas à poluição ambiental, em que não
possam ser usados materiais de limpeza muito abrasivos. Este sistema tem sido
aplicado à limpeza dos isoladores eléctricos dos postes de alta tensão e permite
a substituição de materiais e o regular fornecimento em função das
necessidades.
As partículas de cortiça são projectadas contra a superfície a limpar, o efeito
abrasivo limpa a superfície sem afectar o vidrado dos isoladores. Devido à
presença de elementos ceroides na composição da cortiça, no final do processo
os isoladores apresentam um acabamento semelhante ao de uma superfície
impermeabilizada com cera ou silicone.
Nas instalações eléctricas os isoladores têm como função primordial, impedir
fugas de corrente dos condutores ou pontos de tensão, para outros condutores

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

ou para as estruturas de apoio, para que estes assumam a sua função isolante,
torna-se necessário remover a poluição que afecta a superfície dos isoladores.
A experiência adquirida mostrou a eficácia deste método, sendo hoje a opção de
algumas empresas privadas e de produção, transporte e distribuição de energia
eléctrica.
3 – Um dos resíduos do fabrico do aglomerado expandido puro são os
condensados do seu vapor de cozimento. Estes podem ter uma utilização em
bruto para a preparação de soluções, em solventes para a aplicação em madeira
(pincelagem, pulverização, imersão, impregnação sob pressão e vácuo-pressão),
conferindo- lhe capacidades anti- inchamento e anti-absorção de água
(estabilidade dimensional), uma maior resistência ao ataque de fungos e mesmo
colorações interessantes para determinadas aplicações (mobiliário). Prevêem-se
também aplicações na protecção de toros cortados e em árvores.

4 – Este resíduo pode também ser uma matéria-


prima muito importante para a obtenção de
produtos para química fina e farmacêutica.
Após purificação e separação química são
obtidos compostos com aplicações diversas,
entre as quais um adjuvante de vacinas. Houve, Fig. 15 – Aplicação em
inclusivé, estudos em tratamentos anti- produtos para farmacêutica
cancerígenos e como anti- fágicos para insectos. Fonte: Naturlink

5 – Com base no pó de cortiça podem ser obtidos uma série de compostos


químicos, por extracção directa ou indirecta após reacção química. Por
exemplo, podem ser obtidos hidroácidos com interesse para fins
medicamentosos.

6 – O poder de auto-adesividade do pó de cortiça, devido à existência das


resinas naturais da própria cortiça, permite o fabrico de aglomerados de cortiça
por prensagem a quente, a frio ou por extrusão, permitindo a obtenção de
painéis (com eventual incorporação de outras partículas), de pastilhas de alta
densidade e de briquetes para fins diversos.

7 – Embora a cortiça já seja usada na indústria


automóvel em juntas (cabeça do motor, caixa de
velocidades, etc.) e em pisos de transportes
públicos, foram estudadas aplicações de produtos
de cortiça no interior do habitáculo: em apliques;
nos punhos do travão de mão e da alavanca de
velocidades; no revestimento do vo lante e tablier;
no revestimento interior das portas (através de Fig. 16 – Utilização na
injecção por molde). Indústria Automóvel
Fonte: Grupo Amorim
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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Devido às qualidades da cortiça, a aplicação desta matéria-prima na indústria


automóvel é uma grande aposta para o futuro. O facto do aglomerado de cortiça
ser mais confortável ao toque, na medida em que a sua temperatura se mantém
aproximadamente constante qualquer que seja a temperatura no habitáculo –
testes elaborados no INETI comprovam esta característica, enquanto a cortiça
mantém a temperatura, o couro e o plástico alteram a temperatura conforme
varia a temperatura no habitáculo - , aliado ao facto de ser um material mais
leve e ecológico, concede-lhe uma clara vantagem face aos materiais até então
utilizados.
Nos dias de hoje, existe uma grande competitividade na concepção de veículos
o mais ecológicos possível, deste modo tem-se diminuido o peso dos mesmos
(menor consumo de combustível e menores índices de poluição). Outra medida
que se encontra cada vez mais nas diferentes marcas de automóveis, é o facto
de utilizarem uma enorme percentagem de materiais recicláveis na concepção
dos seus veículos, chegando a apresentarem índices de reciclabilidade na ordem
dos 80%.
Se esta tendência continuar, naturalmente que a cortiça terá grandes
perspectivas de futuro, pois permite aliar o conforto e um design actual – cores
fácilmente moldáveis – ao facto de ser um óptimo isolante e um produto natural
e ecológico.

Actualmente, outra matéria-prima natural e renovável a ser utilizada como


isolamento térmico e acústico é a fibra de côco.
Pertencente à família das fibras duras, tem como
principais componentes a celulose e o lenho que lhe
conferem elevados índices de rigidez e dureza. De
entre muitas outras características destacam-se a
resistência, a durabilidade e a resiliência, o que a
tornam num material apropriado para os mercados de
isolamento térmico e acústico. Fig. 17 – Fibra de côco
Fonte: Grupo Amorim

Adicionando a fibra de côco ao aglomerado de cortiça expandido, consegue-se


um produto com bons resultados [12], particularmente no caso do isolamento
acústico, onde apresenta reduções acústicas de 48 dB em isolamento de paredes
interiores e de 35 dB em sub-pavimentos, devido à absorção das baixas
frequências.

Para além destes usos alternativos, estão ainda previstos ou referenciados o


estudo do fabrico de perfis de compósitos cortiça/plástico, contraplacados com
lamelas de derivados de cortiça, discos de embraiagem com incorporação de
cortiça, usos de pout-pourris, enchimentos etc., ou seja, uma panóplia de
aplicações em que a cortiça é o componente principal ou participa para conferir
especiais características aos produtos que integra.

17
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

III.3. Materiais Utilizados na Construção Civil

De entre os diversos produtos utilizados no revestimento e isolamento de


edificios pelas mais qualificadas empresas de Construção Civil, fez-se um
resumo dos mais utilizados, bem como das suas respectivas características, que
se apresentam de seguida.

III.3.1. Lã de Rocha
Os produtos de lã de rocha [21] são produzidos apartir do basalto português. A
base destes produtos é a lã de rocha composta de fibras siliciosas obtidas por
centrifugação. Com tiragem mecânica de 1500ºC,
estes produtos – naturais, inorgânicos e minerais –
têm qualidade garantida por múltiplos controlos,
sobre o processo de fabrico, sobre as matérias primas
e sobre os produtos acabados.
Estes produtos visam responder a solicitações de
isolamento térmico e acústico, adequadas nos
sectores da Construção Civil e Indústria.

Fig. 18 – Fabrico da Lã de Rocha [21]

Principais Características:

Isolamento Acústico

Isolamento Térmico

Reacção ao Fogo: é incombustível (M0)

Resistência à Àgua: capilaridade nula e bom comportamente face à


absorção de água

Tem PH neutro. A estrutura é estável, imputrescível, anti-parasitas, não


corrosiva e não é atacada por sais nem por ácidos.

Não Nocivo à Saúde: porém o seu manuseamento e aplicação deverá ser


feito com vestuário e luvas adequadas

Não resultam substâncias poluentes das matérias primas nem dos produtos
acabados
18
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Produtos para a Construção Civil


Apresentam-se de seguida alguns produtos de lã de rocha que possuem
propriedades e aplicações relevantes para o desenvolvimento do presente
projecto, no entanto encontram-se em anexo outros que poderão ter interesse
para estudos posteriores.

?? Painel PN 30 – PK 30 – PA 30
Placas semi- rígidas de espessura uniforme, constituídas por fibras de lã de
rocha aglutinadas com resina sintética termo-endurecida, sem revestimento e
revestidas a papel kraft ou alumínio.
PN30: Não Revestidas
PK30: Revestidas com papel kraft
PA30: Revestidas com papel alumínio

Fig. 19 – Painel PN/PK/PA 30


Fonte: Termolan Isolamentos

As propriedades mais relevantes deste tipo de paineis, encontram-se resumidas


na tabela seguinte:

Propriedade Unidades PN 30 PK 30 PA 30
3
Densidade Nominal Kg/m 30 30 30

Condutibilidade Térmica ? 0
W/m C 0.033 0.033 0,033
Resistência à Tracção // às KPa 10 18 25
faces
Capilaridade - Nula Nula Nula
Permeabilidade vapor de água g/m2 . 24 hr 0.4 0.4 0.4
Factor Difusão vapor de água
? - 1.3 1.3 1.3

Estabilidade Dimensional % ? 0.1 ? 0.1 ? 0.1


23ºC / 90% HR
Calor Específico KJ/Kg ºC 0.84 0.84 0.84
Reacção ao Fogo - M0 M0 + M4 M0 + M1
Tabela 2 – Propriedades do Painel PN/PK/PA 30
Fonte: Termolan Isolamentos

Conforme se pode observar pela tabelas 2 e 3, este produto possui uma elevada
resistência térmica, bem como uma baixa condutibilidade térmica, pelo que é
especialmente indicado para o isolamento térmico de edíficios.

19
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Espessura (mm) 40 50 60 70 80 100 120


Comprimento (mm) 1 350 1 350 1 350 1 350 1 350 1 350 1 350
Largura (mm) 600 600 600 600 600 600 600
2
R (m ºC/W) 1,20 1,50 1,80 2,10 2,40 3,00 3,60
Tabela 3 - Resistência térmica
Fonte: Termolan Isolamentos

As curvas de absorção acústica representadas na Fig. 20 para diferentes


espessuras do painel em estudo, demonstram que este produto possui óptimas
características de isolamento acústico, tanto de médias como de elevadas
frequências, especialmente em painéis com 100 mm de espessura.

f (Hz)

Fig. 20 - Coeficiente de absorção acústica do Painel PN 30


Fonte: Termolan Isolamentos

Deste modo as utilizações deste produto são para o isolamento térmico e


acústico de edíficios, pelo que devido a ser semi-rígido é especialmente
indicado em aplicações com colocação na vertical.

20
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

?? Painel LF 90
Placas rígidas de espessura uniforme,
constituídas por fibras de lã de rocha
aglutinadas com resina sintética termo-
endurecida, sem revestimento.

Fig. 21 – Painel LF 90
Fonte: Termolan Isolamentos

As propriedades mais relevantes do painel LF 90 para o estudo em questão,


apresentam-se na tabela seguinte:

Propriedade Unidades LF 90
3
Densidade Nominal Kg/m 90

Condutibilidade Térmica ? 0
W/m C 0.030
Tensão de Compressão KPa 45
Resistência à Tracção // às KPa 110
faces
Capilaridade - Nula
Factor Difusão vapor de água
? - 1.3

Estabilidade Dimensional % ? 0.1


70ºC / 50% HR
Calor Específico KJ/Kg ºC 0.84
Reacção ao Fogo - M0
Tabela 4 – Propriedades do Painel LF 90
Fonte: Termolan Isolamentos

Este tipo de painéis são bastante mais densos e rígidos do que os analisados
anteriormente, o que se traduz num melhor isolamento térmico de edíficios.

Espessura (mm) 20 30 40 50 60 80 100


Comprimento
1 200 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200
(mm)
Não Não Não
Largura (mm) 600 600 600 600 standard standard standard
R (m2 ºC/W) 0.65 1,00 1,30 1,65 2,00 3,00 3,30
Tabela 5 - Resistência térmica
Fonte: Termolan Isolamentos

Conforme se pode observar pela tabela 5, os valores de resistência térmica


obtidos para o painel em estudo são superiores aos dos produtos anteriorment e
21
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

analisados. Deste modo comprova-se o expectável, ou seja o painel LF 90, com


maior densidade, possui melhores caraterísticas de isolamento térmico.
Este painel também possui uma vasta gama de espessuras na sua produção, pelo
que se adapta melhor a outras aplicações.

A título de curiosidade comparam-se as curvas de absorção acústica do painel


LF 90 com as de outro mais denso (LF 110), sendo possivel observar o
resultado na Fig. 22.

f (Hz)

Fig. 22 - Coeficientes de absorção acústica dos Paineis LF 90/110 ( 50 mm)


Fonte: Termolan Isolamentos

Da análise do gráfico conclui-se que o aumento da densidade para 110 kg/m3


não melhora o isolamento acústico do material.
Comparativamente às curvas obtidas para os outros produtos analisados com
menores densidades, verificam-se melhores absorções acústicas por parte do
painel LF 90. Deste modo a nível de isolamento térmico e acústico são
preferíveis painéis de lã de rocha com espessura igual a 90 kg/m3 .

Devido às suas caraterísticas este tipo de painéis são especialmente concebidos


para aplicações no interior dos edifícios como isolamento térmico, acústico e de
ruídos de impacto em pavimentos.

22
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

?? Painel GC 70
Placas rígidas de espessura uniforme,
constituídas por fibras de lã de rocha
aglutinadas com resina sintética termo-
endurecida, sem revestimento.

Fig. 23 – Painel GC 70
Fonte: Termolan Isolamentos

As propriedades do painel GC 70 encontram-se resumidas na tabela seguinte:

Propriedade Unidades GC 70
3
Densidade Nominal Kg/m 70
Condutibilidade Térmica ? 0
W/m C 0.031

Tensão de Compressão KPa 10


Resistência à Tracção // às KPa 42
faces
Capilaridade - Nula
Factor Difusão vapor de água
? - 1.3

Estabilidade Dimensional % ? 0.1


70ºC / 50% HR
Calor Específico KJ/Kg ºC 0.84
Reacção ao Fogo - M0
Tabela 6 – Propriedades do Painel GC 70
Fonte: Termolan Isolamentos

Conforme se pode observar através da análise das tabelas 6 e 7, os valores de


resistência térmica obtidos para o painel em estudo são um pouco inferiores aos
obtidos para o painel LF 90, contudo as restantes propriedades assumem
valores bastante aproximados aos do mesmo.

Espessura (mm) 30 40 50 60
Comprimento (mm) 2 600 2 600 2 600 2 600
Largura (mm) 1 200 1 200 1 200 1 200
R (m2 ºC/W) – GC 70 0,65 1,00 1,20 1,80
Tabela 7 - Resistência térmica
Fonte: Termolan Isolamentos

23
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Na figura seguinte representam-se as curvas de absorção acústica do painel GC


70 e as de outro mais denso (GC 90).

f (Hz)

Fig. 24 - Coeficientes de absorção acústica dos Paineis GC 70/90 ( 50 mm)


Fonte: Termolan

Da análise das curvas conclui-se que a absorção acústica é aproximadamente


constante para ambos os painéis, sendo o painel GC 70 ligeiramente melhor
isolante acústico para médias frequências.
Comparativamente às curvas obtidas para os outros produtos analisados,
verifica-se que este produto tem basicamente o mesmo comportamento que o
painel LF 90, ou seja é um bom isolante acústico.
Devido às suas caraterísticas este tipo de painéis são especialmente concebidos
e fabricados em dimensões apropriadas para acoplar as placas de gesso
cartonado. São utilizados no interior dos edifícios como isolamento térmico e
correção acústica.

Na tabela seguinte encontram-se os diferentes preços referentes aos produtos de


lã de rocha analisados nesta secção.

Produto Dimensões mm Preço Esc /m2 Preço Eur / m2


Painel PN 30 1350 x 600 x 60 471 2.35
Painel LF 90 1200 x 1000 x 30 738 3.68
Painel GC 70 2500 x 1200 x 30 553 2.78
Tabela 8 – Preços dos produtos de Lã de Roc ha

24
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

III.3.2. Poliestireno Extrudido


Os produtos para isolamento térmico em espuma de poliestireno extrudido [20]
são placas rígidas com estrutura de célula fechada e a característica cor azul. As
soluções de isolamento térmico do poliestireno extrudido abrangem cada tipo
de aplicação através dos produtos Roofmate, Wallmate e Floormate.

Fig. 25 – Aplicações do poliestireno extrudido


Fonte: Styrofoam

?? ROOFMATE
As placas ROOFMATE são utilizadas como isolamento térmico de coberturas.
Existem as placas SL para coberturas planas; as PT para coberturas inclinadas
com estrutura contínua e as TG para coberturas inclinadas com estrutura
descontínua.
Um exemplo bastante comum da utilização das placas ROOFMATE SL é a sua
aplicação em coberturas planas invertidas, nas quais são utilizadas membranas
de impermeabilização sob as placas, conforme se pode observar pela Fig. 26.
Este sistema elimina efeitos prejudiciais, nomeadamente danos mecânicos
(particularmente durante a obra) e degradação por radiação ultravioleta, que
apareceriam se fosse utilizada a cobertura tradicional. Esta aplicação reduz a
mão-de-obra e os cuidados de manutenção. Estes factores aliados à aplicação de
uma única camada de impermeabilizante, reduzem os custos significativamente.
1 - Protecção
2 - Feltro separador ou geotextil
3 - ROOFMATE SL
4 - Impermeabilização
5 – Lage
Fig. 26 – Cobertura Plana Invertida
Fonte: Styrofoam

25
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

?? WALLMATE
As placas WALLMATE CW têm como características específicas importantes
para o isolamento térmico de paredes duplas ou simples com revestimento não
aderido:
- Capilaridade nula, evitando a passagem de eventual humidade;
- Insensibilidade à água e à humidade;
- Comprimento de 2,60 m, o que permite na maioria dos casos vencer a altura
da caixa de ar com uma só placa;
- Encaixe perimetral macho- fêmea - Fig. 27 - que permite um bom
travamento da camada de isolamento e uma correcta união das placas.

1. Parede interior
2. WALLMATE CW
3. Parede exterior

Fig. 27 – Isolamento de parede dupla


Fonte: Styrofoam

As placas WALLMATE IB têm uma superfície rugosa e


punçoada que permite uma boa aderência de massas de
colagem ou acabamento. Deste modo é assim possível
uma rápida e eficiente adaptação do isolamento térmico
às dimensões de pilares, vigas, topos de laje e demais
elementos que possam constituir uma ponte térmica.
Estas placas são também utilizadas para isolamento
térmico de paredes simples com revestimento aderido.

Fig. 28 – Isolamento de pilares


Fonte: Styrofoam

?? FLOORMATE
As placas FLOORMATE são especialmente concebidas para isolamento
térmico de pavimentos (Fig. 29), para diferentes condições de carga. Estes
produtos apresentam as seguintes propriedades:
- Elevada resistência à compressão;

26
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

- FLOORMATE 200, para pavimentos residenciais e comerciais;


- FLOORMATE 500, para pavimentos industriais e com circulação de
veículos ligeiros;
- FLOORMATE 700, para pavimentos industriais especiais e com circulação
de veículos pesados;
- Insensibilidade à humidade e à água, o que permite o contacto do
FLOORMATE com o terreno;
- Imputrescibilidade ao longo da vida útil do edifício.

1. Terreno
2. Camada de gravilha
3. FLOORMATE 200
4. Impermeabilização
5. Laje de soleira
6. Betonilha de regularização
7. Acabamento do solo

Fig. 29 – Isolamento térmico de pavimentos


Fonte: Styrofoam

Na tabela seguinte encontram-se reunidas as principais propriedades


respeitantes a cada produto de poliestireno extrudido:

Dados Técnicos:

ROOF ROOF ROOF WALL WALL FLOO FLOO FLOOR


Propriedade Unidade MATE MATE MATE MATE MATE RMAT RMAT MATE
SL PT TG CW IB E 200 E 500 700
Comprimento mm 1250 1200 2500 2600 1250 1200 1250 1250
Largura mm 600 600 600 600 600 600 600 600
30,40,5 30,40,50 30,40,50 20,30,4 20,30,40 30,40,50 40,50,60
Espessura mm 35,45,55
060,80 60,80 60,80 050 50,60 60 80

Superfície - Lisa Rugosa Lisa Lisa Rugosa Lisa Lisa Lisa


3
Densidade Kg/m 32 32 30 25 28 25 38 45

Corte Perimetral -

27
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Prestações:

Condutibilidade W/m0C 0,027 0,027 0,027 0,028 0,031 0,028 0,025 0,027
Térmica
Resistência à kg/cm2 3.0 3.0 2.5 1.5 2.5 2.0 5.0 7.0
Compressão
Absorção de % < 0.2 < 0.2 < 0.2 < 0.2 < 0.5 < 0.2 < 0.2 < 0.2
água

Capilaridade - Nula Nula Nula Nula Nula Nula Nula Nula

Factor Difusão
vapor de água - 100-200 100 100-200 100-200 100 100-200 150-220 150-220

Coeficiente de - 0.096 0.096 0.096 0.096 0.096 0.096 0.096 0.096


amortecimento
Reacção ao M1 M1 M1 M1 M1 M1 M1 M1 M1
Fogo
Tabela 9 – Propriedades dos Produtos de Poliestireno Extrudido
Fonte: Styrofoam

Em relação aos diferentes produtos de poliestireno extrudido é importante


realçar a temperatura máxima de trabalho. Em serviço permanente este valor é
aproximadamente 75ºC.
Os preços relativos a cada produto apresentam-se na tabela seguinte:

Produto Dimensões mm Preço Esc /m2 Preço Eur / m2


Roofmate SL 1250 x 600 x 50 2265 11.29
Roofmate PT 1200 x 600 x 55 2613 13.03
Roofmate TG 2500 x 600 x 50 2410 12.02
Wallmate CW 2600 x 600 x 50 2180 10.87
Floormate 200 1200 x 600 x 40 1744 8.69
Tabela 10 – Preços dos produtos de Poliestireno Extrudido

28
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

III.3.3. Aglomerado Negro

O aglomerado expand ido puro é um material


com características e capacidades de
isolamento térmico, acústico e antivibrático
de edificios, para qualquer condição
ambiental ou climatérica.
A sua aplicação é fácil e prática, traduzindo-
se numa poupança energética e ambiental que
funcionará durante anos, sem qualquer
manutenção.
Fig. 30 – Isolamento de Edíficios
As suas amplas utilizações já foram Fonte: Grupo Amorim
discutidas anteriormente, interessa agora
compreender qual o tipo de características que lhe conferem determinada
posição de vantagem face aos seus produtos sucedâneos, assim como as
propriedades que terão interesse em serem melhoradas de modo a que o
aglomerado negro seja mais competitivo.

Densidade Aprox. 120 Kg/m3


Condutibilidade Térmica (20ºC) 0.037/0.040 W/mK
Resistência à Tracção normal ao nível da placa 0.94 Kg/cm2
Resistência à Flexão 1.8 Kg/cm2
Limite de Elasticidade 1.0 Kg/cm2
Resistência à compressão 0.2 Kg/cm2
Tensão de Compressão 1.78 Kg/cm2
Calor Específico 1.67 KJ/Kg ºC
Resistência à difusão Vapor Água 5 ? ? ? 30
Temperaturas de utilização -200ºC a 130ºC
Rigidez Dinâmica (por 50 mm de espessura) 126 N/cm3
Coeficiente de Dilatação Térmica 25 a 50 x 10-6
Estável: Não se expande ou
Estabilidade Dimensional
contrai
Dimensão das placas 1000 x 500 mm
Espessura das placas 10 a 320 mm
Tabela 11 – Características Técnicas
Fonte: Grupo Amorim

Os baixos valores de condutibilidade térmica, bem como as elevadas


resistências térmicas verificadas, concedem ao aglomerado negro a sua
característica de isolamento térmico.
29
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Espessura
10 20 25 30 40 50 60 70 80 90 100
mm
R
0,25 0,50 0,62 0,75 1,00 1,25 1,50 1,75 2,00 2,25 2,50
2
m K/W
K
2,439 1,595 1,274 1,099 0,862 0,709 0,602 0,523 0,463 0,415 0,376
W/m2 K
Tabela 12 – Valores de Isolamento Térmico
Fonte: Grupo Amorim

O aglomerado negro, devido às sua elasticidade - conforme ficou patente pela


sua composição celular e como se pode observar pelas propriedades
apresentadas na tabela 11 - pode ser comprimido sem deformar lateralmente,
recuperando a sua espessura original quando cessa a força ou carga deformante.
Desta forma os aglomerados funcionam como tapetes antivibráticos, conforme
se esquematiza mecanicamente na Fig. 31. Tratam-se, portanto, de materiais
ideiais para isolamento de ruídos de percussão.

Fig. 31 - Comportamento antivibrático do Aglomerado Negro

Seria interessante verificar os valores de coeficiente de amortecimento obtidos


para o aglomerado negro, tendo como base os ensaios efectuados [10]
referentes a compressões cíclicas da cortiça amandia - parte mais nobre da
cortiça - para diferentes amplitudes de tensão e frequência.
Nestes ensaios [10], a título de exemplo, para uma amplitude de tensão ? ? ?
1,17 MPa e frequência ? ? 5x10-2 Hz, obtiveram-se coeficientes de
amortecimento cujos valores variam entre 0,77 e 1,52. Tal deve-se ao facto de
sempre que as paredes das células são submetidas a uma pressão o ar é
comprimido, deste modo o ar comprimido nunca é rejeitado e o material nunca
se dilata. Esta é uma das numerosas vantagens que fazem da cortiça um
material ideal para isolamento antivibrático e térmico.
De modo a observar o comportamento acústico do aglomerado negro de cortiça,
analisa-se o seu coeficiente de absorção acústica - Fig. 32. Este coeficiente
varia segundo a frequência do som, pelo que cada material apresenta uma curva
de absorção que define o seu comportamento.

30
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Desta forma, o coeficiente de absorção, define a fracção da energia total do som


incidente sobre o material, que é absorvida pelo mesmo ou que passa através
dele.

Fig. 32 - Coeficiente de abs orção acústica do Aglomerado Negro, com 25 mm espessura


Fonte: Boletim dos Institutos Florestais [9]

Devido à sua estrutura porosa, o aglomerado admite uma penetração fácil das
ondas sonoras e diminui o tempo de reverberação,. Trata-se, deste modo, de um
bom isolante acústico.
Da análise da curva de absorção do aglomerado, conclui-se que este material é
especialmente indicado para a absorção a cústica de sons médios (entre 1000 e
2000 Hz).

Relativamente à absorção de água, a cortiça absorve quantidades que podem ir


até 1,3 vezes [3] do seu peso seco. O correspondente aumento de volume é
bastante menor, não ultrapassando os 15 % ao fim de longos períodos.
Contudo, as cortiças não-cozidas sofrem maiores variações de volume do que
as cozidas, desta forma conclui-se que a própria cozedura provoca um aumento
de volume, o qual deve estar relacionado com um parcial endireitamento das
paredes laterais das células.

O aglomerado negro possui por vezes pequenas partículas de carvão que são
fácilmente combustíveis, tornando-se então necessária uma cuidada selecção da
matéria-prima que será posteriormente triturada para a sua formação, de modo a
melhorar o seu comportamento ao fogo.

Actualmente a cortiça é um dos materiais mais dispendiosos no isolamento de


edifícios, sendo o custo do aglomerado negro aproximadamente 13.47 € /m2 .
III.3.4. Aglomerado Negro Densificado

31
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Se for possível a melhoria da resistência mecânica do aglomerado negro,


atendendo à sua capacidade de isolamento acústico/antivibrático e às suas
características ecológicas, será então um produto bastante completo e com
propriedades que nenhum outro material possui.
Nesta linha de pensamento surgiu a patente nº 100647 do INETI, que consiste
num processo para a densificação de placas de aglomerado negro de cortiça
[4]. Este processo aumenta a densidade do aglomerado negro tradicional,
melhorando significativamente as suas propriedades mecânicas, mantendo
aproximadamente constantes as restantes, permitindo assim novas utilizações.
Trata-se de um processo relativamente simples, sendo necessária uma prensa de
pratos aquecidos, eventualmente combinada com uma câmara de aquecimento
para pré-aquecer as placas de aglomerado negro de cortiça. As condições
necessárias para obter uma placa de aglomerado com 753 kg/m3 de densidade
são as seguintes: uma placa de aglomerado de 50 mm de espessura aquecida a
180ºC durante 70 minutos, em seguida é simultaneamente aquecida e prensada
a 180ºC e 3 MPa respectivamente, durante 20 minutos. Esta é a máxima
densificação que se consegue obter, em que a distância entre as células de
cortiça é aproximadamente zero.
Estes produtos com elevada densidade são mais fácilmente cortados e
trabalhados.
Na tabela 13 da página seguinte encontram-se resumidas as propriedades destes
novos aglomerados.
Conforme se pode observar o aglomerado negro densificado possui um
comportamento mecânico mais adequado para a utilização pretendida, ou seja
tem uma resistência mecânica muito superior ao aglomerado negro tradicional.
Desta forma melhoram-se algumas propriedades fundamentais do ponto de
vista da utilização e competitividade.
A densificação do aglomerado negro aumenta o custo em 20 %, contudo não
excede o preço dos aglomerados compostos de cortiça.
Para as situações de maior exigência, no caso de pavimentos para diferentes
condições de carga, o aglomerado negro densificado poderá substituir o
poliestireno extrudido, pois apesar de apresentar um preço superior, confere aos
pavimentos não só um óptimo isolamento térmico, como também um óptimo
isolamento acústico/antivibrático e tudo com um material ecológico.
Este novo tipo de aglomerado pode também ser utilizado em certas aplicações
em vez do aglomerado composto de cortiça, nomeadamente no piso flutuante
onde, tradicionalmente, se utiliza o aglomerado composto devido não só às
características de isolamento térmico e acústico, como também à sua resistência
mecânica. Deste modo utiliza-se um aglomerado de cortiça 100% ecológico
(sem colas e aditivos), mais barato e com propriedades semelhantes aos
tradicionais.

Propriedade Aglomerado densificado

32
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Densidade (kg/m3) 753

Absorção de água ( %) 3.6

Expansão de volume devido à absorção de água ( %) 1.7

Variações devido ao aquecimento 0

Limite de elasticidade transversal (kPa) 500

Limite de elasticidade longitudinal (kPa) 1380

Desgaste Variação de espessura (mm) 0.07


Variação de peso (g) 0.03

Condutividade Térmica (W/m0C) 0.041

Tabela 13 – Características do aglomerado negro densificado [4]

33
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

III.4. Comparação entre o Aglomerado Negro e os

diferentes Produtos analisados

Comparativamente aos diferentes produtos aplicados na construção civil,


verifica-se que o aglomerado negro de cortiça é o único material 100% natural,
ecológico, que não necessita de colas nem de aditivos para a sua formação,
possui um elevado amortecimento de vibrações e uma incomparável
estabilidade dimensional – não se expande ou contrai.

III.4.1. Lã de Rocha

Relativamente à Lã de rocha verifica-se que este material apesar de possuir


condutibilidades térmicas substancialmente inferiores, não significa que seja
melhor isolante térmico do que o aglomerado, o que se comprova pelos valores
de difusibilidade térmica D obtidos, por substituição das respectivas constantes,
pela expressão (1) – tabela 14.

D?
?
? .C p
?m / s?
2
?1?

Esta propriedade mede a relação entre a capacidade de o material conduzir


energia térmica (? ) e a sua capacidade de acumular energia térmica (? Cp ).
Devido a ser mais denso e possuir um calor específico bastante superior, o
aglomerado negro é melhor acumulador de calor pelo que possui uma
difusibilidade menor e como tal mantém a temperatura interior de determinado
local, em função da variação da temperatura exterior, mais constante, ou seja
tem melhor rendimento de isolamento térmico.

Propriedade Aglomerado Negro Lã de Rocha


Condutibilidade Térmic a 0.037 / 0.040 W/m.K 0.030 / 0.035 W/m.K
-7 2
Difusibilidade Térmica 1.846 x 10 m /s 5.272 x 10-7 m2 /s
Coeficiente de absorção acústica
1000 Hz 0.40 1.20
1600 Hz 0.85 1.10
Tensão de compressão 178 kPa 10 kPa
Resistência à compressão 20 kPa -
Reacção ao fogo Combustível Incombustível
Ecológico 100% Ecológico Utiliza resinas sintéticas
Tabela 14 – Comparação das propriedades do Aglomerado Negro / Lã de Rocha

Estes valores de rendimento chegam a alcançar os 60% [9] quando, para


condutibilidades térmicas aproximadas, a diferença entre densidades é elevada.
34
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

As curvas de absorção acústica apresentadas pela lã de rocha são mais lineares


e possuem valores bastante superiores aos do aglomerado negro, sendo esta
diferença bem visivel no caso dos sons médios e agudos.
Esta diferença é influenciada pela diferença de espessura entre os ensaios
efectuados para a lã de rocha (50 mm) e para o aglomerado negro (25 mm),
uma vez que a maior espessura do material, assim com a resistência ao fluxo de
ar apresentada pelos poros, são factores a considerar para um bom isolamento
acústico.
Deste modo, tanto o aglomerado como a lã de rocha, relativamente à maioria
dos produtos existentes, são bons isolantes acústicos.
O aglomerado negro tem maior elasticidade que a lã de rocha, conforme se
pode observar pelo valor superior de tensão de compressão verificada pelo
aglomerado (178 kPa). Desta forma, como já foi mencionado na secção
anterior, pode ser comprimido sem deformar lateralmente, recuperando a sua
espessura original quando cessa a força ou carga deformante.
Desta forma os aglomerados funcionam perfeitamente como isolantes
antivibráticos, contráriamente à lã de rocha que possui uma baixa elasticidade.
O facto de ser um produto 100% natural e ecológico, que não necessita de
resinas para a sua aglutinação é outra das vantagens importantes do aglomerado
face à lã de rocha.
A lã de rocha é um material rígido, pelo que terá uma maior resistência à
compressão do que o aglomerado negro - 20 kPa, valor baixo de resistência.
Relativamente à resistência ao fogo a lã de rocha apresenta um comportamente
ideal, ou seja é incombustível, contráriamente ao aglomerado negro que, apesar
de ter uma certa resistência ao fogo, é combustível.
Uma desvantagem do aglomerado negro é referente ao custo dos seus produtos.
Relativamente à lã de rocha esta diferença de custos é muito significativa, ou
seja, 13.47 Eur/m2 do aglomerado em contraposição aos 2.78 Eur/m2 da lã de
rocha.

III.4.2. Poliestireno Extrudido

O poliestireno extrudido é utilizado como isolante térmico de edíficios, sendo


um dos factores preponderantes para a sua utilização, a facilidade de
manuseamento e aplicação.
Visto possuir uma elevada resistência à compressão, os produtos de poliestireno
extrudido têm também outros tipos de aplicações no isolamento térmico de
pavimentos, nomeadamente utilizações para diferentes condições de carga.

35
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Propriedade Aglomerado Negro Poliestireno Extrudido


Condutibilidade Térmica 0.037 / 0.040 W/m.K 0.025 / 0.031 W/m.K
Coeficiente de amortecimento - 0.096
Tensão de Compressão 178 kPa -
Resistência à compressão 20 kPa 250 / 700 kPa
Reacção ao fogo Combustível Combustível
Ecológico 100% Ecológico Não Ecológico
Tab. 15 – Comparação das propriedades do Aglomerado Negro / Poliestireno Extrudido
Conforme se pode observar pelos valores da tabela 15, o poliestireno extrudido
possui um coeficiente de amortecimento muito baixo comparativamnete ao
valores apresentados pela cortiça – 0.77 a 1.52 - , pelo que não é utilizado como
isolante antivibrático, contráriamente ao aglomerado negro que pela sua
estrutura e propriedades possui inúmeras aplicações como redutor antivibrático
e acústico.
Acima de tudo, o aglomerado negro é um produto natural e ecológico, em
contraposição ao poliestireno que se trata de um produto de laboratório
produzido através de materiais não ecológicos e não recicláveis.
Relativamente ao custo dos diferentes produtos de poliestireno extrudido,
verifica-se que estes são substancialmente inferiores aos do aglomerado negro.
Contudo, esta diferenç a não é significativa, se tivermos em conta as superiores
características tanto de isolamento, como ecológicas do aglomerado, bem como
o seu vasto potencial de aplicações.
No âmbito de isolamento de edíficios, tem-se verificado uma maior utilização
dos materiais menos dispendiosos e mais familiares. Tal facto deve-se às fortes
relações de confiança entre fornecedores e construtores, ficando estes relutantes
quanto a apostarem em materiais alternativos, inovadores, ecológicos e de custo
superior.

36
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

III.5. Novas utilizações do Aglomerado Negro

Considerando as diferentes propriedades de cada material, torna-se deste modo


possível combinar o aglomerado negro com alguns deste materiais de forma a
atribuir- lhe certas propriedades relevantes para as utilizações pretendidas,
tornando-o ainda mais competitivo.

III.5.1. Aglomerado Negro e Lã de Rocha


Analisando as propriedades da Lã de Rocha, verifica-se que este produto
permite complementar as características do Aglomerado Negro. Desta forma,
utilizando estes dois materiais em conjunto, obter-se-á um produto de topo de
gama para isolamentos térmicos e acústicos, apresentando a particularidade de
ser incombustível e antivibrático, mantendo as características ecológicas.
Um produto possível, conforme se apresenta na Fig. 33, será constítuido por um
painel GC 70 rígido de lã de rocha com 30 mm de espessura sobre uma placa de
20 mm de aglomerado negro de cortiça (perfazendo assim uma espessura total
de 50 mm), unidos por uma cola do tipo poliuretano (PU), a qual pelas suas
características (boa aderência e durabilidade), apresenta melhores garantias para
as exigências que o composto requere. Para além deste facto, possui menores
problemas de toxicidade que outras igualmente adequadas, nomeadamente a
cola de contacto.

Placa
Aglomerado Painel GC 70
Negro Lã de Rocha
(30 mm)
(20 mm)

Cola do tipo
Poliuretano (PU)

Prensagem

Painel
Ag. Negro
+
Lã de Rocha
(50 mm)

Fig. 33 - Esquema de produção do novo composto

Para a verificação das propriedades - Tab. 16 - mais relevantes deste novo


composto deverão ser efectuados um certo número de ensaios, que se
descrevem de seguida.

37
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Características Aglomerado Negro + Lã de Rocha


Isolamento Térmico ?
Isolamento Acústico ?
Isolamento Antivibrático ?
Protecção contra Fogos ?
Ecológico ?
Tab. 16 – Características do novo composto

?? Absorção Acústica – uma técnica de ensaio bastante utilizada designa-se


por tubo de Kundt1 ou aparelho de ondas estacionárias, e consiste na
medição do coeficiente de absorção acústica, de provetes circulares com 10
cm de diâmetro para frequências situadas no intervalo [100 Hz, 1600 Hz] e
sobre provetes circulares com 3 cm de diâmetro para frequências situadas
no intervalo [800 Hz, 4000 Hz].
Define-se deste modo a curva de absorção deste novo composto, ou seja, da
fracção da energia total do som incidente sobre o material que é absorvida
ou que passa através dele.
?? Amortecimento de vibrações – este ensaio consiste em compressões cíclicas
do novo composto, para diferentes amplitudes de tensão e frequência por
forma a se obterem os respectivos coeficientes de amortecimento.
A título de exemplo, poderiam ser observados os respectivos coeficientes de
amortecimento para uma amplitude de tensão ? ? ? 1,17 MPa e frequência ?
? 5x10-2 Hz, procedendo-se a uma comparação com os valores obtidos para
a cortiça [10].
?? Ensaios de Compressão:
Mossa Residual – este ensaio consiste na aplicação de uma carga de
compressão sobre o material durante um determinado intervalo de tempo,
observando-se de seguida a respectiva recuperação de dimensões num
intervalo de tempo igual.
Este ensaio permite observar a resistência do material a determinada
intensidade de impactos, ou seja, o valor de carga (kPa) a partir do qual não
existe recuperação elástica – correspondente à deformação permanente do
material.
Compressão uniaxial – este ensaio consiste na compressão de um provete
entre dois pratos planos muito bem lubrificados. Até um certo limite de
tensão o material comporta-se elasticamente, passando num determinado
ponto a comportar-se plásticamente (sem recuperação do material). Assim,
o grande objectivo é a determinação da tensão máxima apartir da qual o
material atinge a rotura.

1
Técnica utilizada no Laboratório do Instituto dos Produtos Florestais, que permite obter de forma rápida
e económica a informação pretendida.

38
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

?? Resistência ao Fogo – verificar se o novo composto é ou não combustível,


através de aproximação de chama sobre o material.
?? Toxicidade e resistência das colas – devem-se proceder a testes de
toxicidade das colas do tipo Poliuretano (PU), sabendo-se à partida que se
tratam de colas pouco tóxicas.
Deve-se também verificar a resistência destas colas, submetendo o material
à tracção perpendicular às faces de forma a ser medida a força de
descolagem do mesmo.

Lã de Rocha
Fluxo de Calor
Aglomerado Negro
Fig. 34 – Esquema do novo composto

Relativamente ao valor de isolamento térmico do novo composto, pode ser


obtido através da sua resistência térmica total:
e LR e AN
Rtotal ? ? ( 2)
? LR ? AN
assumindo que a resistência de contacto entre os dois materiais é
aproximadamente nula, ou seja que a superfície de contacto dos materiais não é
rugosa, vem então:
0.030 0.020
? Rtotal ? ? ? 1.468 m 2 K / W
0.031 0.040
Obtém-se o respectivo valor de transferência de calor:
1
K? ? 0.681 W / m 2 K
Rtotal
Pela análise dos valores obtidos verifica-se que este novo composto mantém as
características de isolamento térmico, ou seja, possui uma elevada resistência à
condução de calor através da sua estrutura.

Sendo verificadas as mencionadas características do novo composto através dos


ensaios descritos, obtém-se assim um produto isolante, incombustível e
ecológico com utilizações especialmente indicadas para:
Contrução Civil - em aplicações pelo interior dos edifícios como isolamento
térmico, acústico e antivibrático, em locais onde há necessidade de baixos
níveis de ruído e uma maior segurança a nível de incêndios, como sejam
hospitais, hóteis, consultórios, escritórios, bares, restaurantes, etc.

Indústria Automóvel - ao nível de isolamento de motores de combustão


interna, tanto Diesel (ou de ignição por compressão) como de Explosão (ou de
ignição comandada).
39
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

No caso específico dos motores Diesel - e na generalidade dos motores de


combustão interna de cilindrada mais elevada - dadas as elevadas pressões
atingidas na câmara de combustão (as quais obrigam a peças maiores e mais
pesadas) originam-se elevados valores de ruído e vibração que, por motivos de
conforto ou inclusivamente pela lei, têm de ser contidos dentro de certos
limites. Com este produto, devido às características intrínsecas dos materiais
que o compõem, contribuir-se-á para uma redução tanto do ruído como das
vibrações, sem incrementar a quantidade de materiais combustíveis junto do
motor do automóvel, pois em caso de incêndio convém controlar ou extinguir o
mais celeremente possível o fogo por motivos de segurança dos passageiros.
Assim haverá um potencial de aplicações tanto de coberturas nos capôts dos
automóveis, como de isolamento no painel dianteiro do habitáculo, ou em
outros locais que poderão ser devida e rigosamente testados em laboratório, em
substituição dos materiais sintéticos e fácilmente combustíveis utilizados hoje
em dia.

III.5.2. Análise Económica

No âmbito de um estudo económico deste novo composto, procuram-se estimar


as suas vendas expectáveis, tendo em conta os mercados abrangidos.

? ? Para tal analisa-se primeiramente o mercado existente nesta área e os mais


representativos materiais vendidos.

?? Actualmente a produção de cortiça é aproximadamente de 155000 ton / ano.


Deste valor, cerca de 6 % são destinados a aglomerados negros, o que
perfaz uma produção anual de cerca de 10000 ton/ano. Sendo a massa
volúmica dos aglomerados aproximadamente 120 Kg / m3 , considerando
placas de 50 mm espessura, facilmente se obtém uma produção anual:
Para 1 m3 temos 120 Kg ? para 1 placa de 1 m2 e 0.05 m de espessura
teremos 0.05m3 x 120 = 6 kg / placa .
Com 10000 ton obtém-se uma produção anual de 1667 x 103 m2 de placas de
aglomerado negro, com o custo de venda de 15.46 € / m2 .
?? Regista-se também uma produção de lã de rocha de 12000 toneladas /ano,
destinadas a aplicações na construção civil. Sendo 70 Kg / m3 a massa
volúmica do produto em questão, apresentando os paineis uma espessura de
50 mm, uma vez mais se obtém uma produção anual de painéis:
Para 1 m3 temos 70 Kg ? para 1 painel de 1 m2 e espessura de 0.05 m
teremos 0.05m3 x 70 = 3.5 Kg / painel .
Com 12000 ton obtém-se uma produção anual de 3429 x 103 m2 de placas de lã
de rocha, com o custo de venda de 4.61 € / m2 .

40
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

?? Refira-se ainda o poliestireno extrudido que tem um volume de produção


anual 10000 ton/ano, referentes a placas de isolamento, assim:
Para 1 m3 temos 30 Kg ? para 1 placa de 1 m2 e espessura de 0.05 m
teremos 0.05m3 x 30 = 1.5 Kg / painel .
Então, com 10000 ton obtém-se uma produção anual de 6667 x 103 m2 de
placas de poliestireno, com um custo de venda de 11 € / m2 .

? ? Uma vez apresentadas as características do mercado a que o novo produto


proposto se destina, avalia-se a sua viabilidade económica.

Para tal, estimam-se os custos de produção, considerando que este valor será
aproximadamente igual à soma dos custos actuais de cada material que o
constitui.
Se se mantivessem os volumes actuais de produção de cortiça e de lã de rocha,
bem como os custos actuais associados à produção deste composto, obter-se-ia:
?? No que respeita ao aglomerado de cortiça:
Para 1 m3 temos 120 Kg ? para 1 placa de 1 m2 e espessura de 0.02 m
teremos 0.02m3 x 120 = 2.4 Kg / placa,
com custo de venda de 13.47 € por m2 .
?? No que respeita à lã de rocha:
Para 1 m3 temos 70 Kg ? para 1 placa de 1 m2 e espessura de 0.03 m
teremos 0.03m3 x 70 = 2.1 Kg / placa,
com o custo de venda de 2.74 € por m2 .

Poder-se-ia então estimar uma produção imediata de paineis do composto a um


custo:

- processo de colagem: 1 l de cola de poliuretano = 5 €


como por cada m2 de painel se dispende 0.1 l de cola para
aglutinar os dois materiais ? 0.5 € / m2 de painel do composto
Obtém-se: 13.47 € + 2.74 € + colagem ? 16.21 € + 0.5 € = 16.71 € / m2

? ? Tendo finalmente como referência o custo imediato do composto com 50 mm


de espessura, baseado nas condições actuais do mercado, procura-se de seguida
modelar matematicamente a evolução dos custos de produção do mesmo, tendo
em conta estimativas avançadas para a sua penetração no mercado.

O modelo encontrado procura definir o decaimento esperado dos custos de


produção, em consequência do aumento de produção estimado pela substituição
gradual dos referidos materiais concorrentes, que ocorrerá nas aplicações onde
pelas características do composto se verifique a mudança para esta nova

41
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

solução. Assim, estimam-se a curto prazo as necessidades de produção do


composto.
Seguidamente, avalia-se a rentabilidade dessa necessidade imediata, bem como
a margem de progressão do produto no mercado com uma estimativa da sua
penetração a longo prazo e respectiva diminuição de custo de produção.
Deste modo, estima-se que a curto prazo o composto assuma no mercado a
seguinte importância:
?? Quando confrontado com as placas de poliestireno, os seus superiores
coeficientes de isolamento acústico, antivibrático, a incombustibilidade e o
facto de ser ecológico, conduzem a uma estimativa de 30% das aplicações
em que seja vantajoso o uso imediato deste novo material, pese contudo o
seu custo mais oneroso. Assim, verifica-se uma produção de cerca de 2000
x 10 3 m2 de placa do composto.
?? Quanto à lã de rocha, 20 % das aplicações anteriores serão agora
substituidas pela nova solução apresentada. Origina-se assim um
incremento de 686 x 103 m2 de produção de placas do composto.
?? No que diz respeito às placas de aglomerado negro, estima-se que 30 % do
volume de produção decai em beneficio do novo composto. Como tal, mais
500 x 103 m2 de placas do composto serão produzidas.
Finalmente obtem-se um total de 3186 x 103 m2 de placas do composto a curto
prazo.

Perante o reajuste do mercado à introdução deste novo produto, ficaremos então


com novos volumes de produção os quais se cifram em:
?? Aglomerado Negro:
Dos anteriores 1667x103 m2 de placas de 50 mm (correspondente a 10000
ton /ano), passaremos a ter 1167x103 m2 de paineis de 50 mm (o que perfaz
7000 ton/ano) e 3186x103 m2 de paineis de 20 mm para o composto (o que
totaliza 3186 x 0.02 x 120 =7646 ton / ano). Contabilizam-se então agora
14646 ton / ano de produção de aglomerado negro.
?? Lã de Rocha:
Dos anteriores 3429x103 m2 de placas de 50 mm (correspondente a 12000
ton /ano), passaremos a ter 2743x103 m2 de paineis de 50 mm (o que perfaz
9600 ton/ano) e 3186x103 m2 de paineis de 20 mm para o composto (o que
totaliza 3186 x 0.02 x 70 =4460 ton / ano). Contabilizam-se então agora
14060 ton / ano de produção de lã de rocha.
?? Poliestireno Extrudido:
Dos anteriores 6667x103 m2 de placas de 50 mm (correspondente a 10000
ton /ano), passaremos a ter 4667x103 m2 de paineis de 50 mm.
Contabilizam-se então agora 7000 ton / ano de produção de poliestireno.
Apresenta-se graficamente a modelação obtida para a evolução dos custos de
produção do composto:

42
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Custo unitário 50,00


(€ / m2 ) 45,00
40,00 Estimativa
35,00
30,00
Custo
25,00
mínimo
20,00
15,00
10,00
5,00
200
820
1440
2060
2680
3300
3920
4540
5160
5780
6400
7020
7640
8260
8880
9500
10120
10740
11360
11980
Volume Produção x 103 (m2 / ano)
Fig. 35 – Estimativa do Custo unitário vs Volume de Produção
Este gráfico apresenta o valor mínimo (estimado) apartir do qual um
incremento de produção não originará uma diminuição dos custos de produção.
Para este valor convergirá a curva da evolução de custos, definida
assimptoticamente ao referido mínimo, com um andamento hiperbólico do tipo
a
. Assim a evolução será descrita na forma:
x
9526140
Custo Produção = Pr eço mínimo ? ,
Volume Pr odução
em que o Preço mínimo = 13.72 € é a constante assímptota da hipérbole .
A constante a é obtida introduzindo os custos acima mencionados como base
desta estimativa (volumes actuais de produção). Assim, para um volume de
produção de 3186 x 103 m2 de placas de composto com 50 mm espessura, com
um custo de 16.71 € / m2 e um custo mínimo de 13.72 € / m2 , surge o factor de
ponderação a = 9526140.
Pela inspecção deste gráfico consegue-se inferir que inicialmente estaremos
numa fase de custos de produção que, não estando optimizada, é aceitavel
atendendo à curva de evolução. Começa-se assim a comercializar o produto a
um preço já razoavelmente baixo, numa zona de declive já pouco acentuado.
Pode contudo baixar para os 15 € / m2 ficando com um custo mais competitivo
se forem atingidos os 8000 x 103 m2 de placas produzidas. Para tal, contribuirão
as exemplares características - ecológicas, de incombustibilidade e de
isolamento – deste novo composto face aos restantes produtos, bem como
contínuas investigações de novas aplicações a fim de aumentar a sua produção.
Conclui-se então que poderá haver viabilidade económica para a rentabilidade
deste produto, desde que se aposte numa informação cuidada e selectiva, de

43
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

modo a mudar a opção dos tradicionais clientes relativamente aos materiais


concorrentes, evidenciando as vantagens em adquirem este novo composto.

IV. Análise

A preocupação na pesquisa de produtos com elevado valor acrescentado, como


resposta inequívoca a uma exigência qualitativa, cada dia mais evidente no
mercado mundial, a par do investimento em novas tecnologias e da
investigação e desenvolvimento de novos produtos tendo como norma o
respeito pela Ecologia e Meio Ambiente, é sem dúvida aquilo que se pretende
na elaboração deste projecto.
Através de um rigoroso estudo a nível internacional surgiu a utilização de
produtos de cortiça em associação com outros materiais que lhe conferem as
características desejadas e outras técnicas para a obtenção de aglomerados de
cortiça, de onde se obtiveram outras possibilidades de utilização.
A sua diversificação e combinação com outros materiais, continua a ser muito
importante, tendo grande relevância aspectos envolvendo estudos de mercado e
as acções de divulgação perante os influenciadores de opinião, como são os
decoradores, designers, arquitectos e engenheiros civis. Porém esta abertura
terá que estar perfeitamente coordenada com uma oferta suficiente.
Esta combinação de materiais eleva a sua utilização para outros sectores para
além da construção civil, como seja o sector automóvel onde a
incombustibilidade, resistência mecânica, impermeabilidade, isolamento,
conforto e inovação são propriedades por excelência para a qualidade do
produto final, assim como para a sua competitividade.
Uma importante evolução para o aglomerado negro de cortiça será a adopção
de técnicas de densificação já desenvolvidas no nosso país, que permitem uma
diversificação nas aplicações possíveis e o alargamento do mercado de
utilizações.
Em todo este estudo está inerente um forte investimento na economia
portuguesa, contribuindo também para o desenvolvimento e modernização do
tradicional sector da indústria corticeira - o dos aglomerados –, colocando à
disposição dos mais propensos à inovação algumas novas possibilidades de
evolução.
O aglomerado negro de cortiça é muito vulnerável à situação económica
internacional e depende muito da concorrência dos outros materiais,
nomeadamente os sintéticos que são substancialmente mais baratos. Porém o
facto de ser um produto Ecológico e com propriedades exemplares poderá abrir
algumas perspectivas de futuro.

44
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

V. Conclusões

As notáveis propriedades da cortiça como isolante térmico, acústico e


antivibrático são fundamentalmente o resultado da estrutura do tecido celular e
da composição química das paredes. Além disso, é um material 100% natural,
pelo que se encontra numa posição clara de vantagem face aos standards
ecológicos a que hoje se aspira.
Através da comparação de outros materiais utilizados na construção civil com o
aglomerado expandido puro, verificou-se que este possui uma resistência
mecânica bastante inferiore trata-se de um material combustível. No entanto é o
único material natural, ecológico - que não necessita de colas nem aditivos para
a sua formação -, possui um bom comportamento no amortecimento de
vibrações e uma incomparável estabilidade dimensional – não se expande ou
contrai.
Combinando o aglomerado negro de cortiça com outros materiais, consegue-se,
desta forma, melhorar as suas mencionadas características que o colocam em
desvantagem.
No caso estudado, que cons iste na combinação com lã de rocha, fortalece-se o
isolamento acústico, forma-se um produto mais resistente, incombustível e
ampliam-se as utilizações ao nível da construção civil e indústria automóvel.
Através de uma análise económica dos mercados abrangidos, conclui- se que
este novo composto, sendo verificadas as mencionadas propriedades, terá um
bom impacto no mercado da construção civil, uma vez que não existem
produtos com propriedades há sua altura, bem como se verifica através de
estimativas de volumes de produção vs custos unitário que o preço deste novo
composto será bastante competitivo.
Uma outra forma de aumentar a resistência mecânica do aglomerado expandido
puro, consiste na sua densificação. Deste modo, forma-se um produto mais
resistente sem necessidade de adição de outros materiais, ampliando as suas
aplicações.
De todas estas técnicas e produtos advém inúmeras novas utilizações do
aglomerado expandido puro, tais como: aplicações pelo interior dos edifícios,
em locais onde há necessidade de baixos níveis de ruído e de segurança, como
sejam hospitais, consultórios, hóteis, escritórios, bares e restaurantes;
coberturas acessíveis à circulação e permanência de pessoas e veículos,
coberturas inclinadas; pavimentos para diferentes condições de carga e em
pisos flutuantes.
Embora hoje seja já bastante alargada a gama de produtos fabricados à base de
cortiça, não estão esgotadas as potencialidades deste material, havendo ainda
muito que esperar da investigação e da evolução técnica.

45
Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Contudo começam a ser feitos esforços no sentido de preservar os montados de


sobro, sendo supervisionados e afectos ao Ministério da Agricultura, com leis
específicas para a sua protecção rectificadas na Assembleia da República,
acrescidas do apoio da U.E. (Bruxelas), o que permite manter a floresta e
sustentar o seu crescimento.
Com uma área florestada de sobreiro de 725.000 hectares, Portugal tem vindo a
proceder a importantes reflorestações (só no período de 1993 a 1997 plantaram-
se mais de 100.000 hectares, o que corresponde a um aumento de 16%) e o
futuro é promissor já que o ritmo de reflorestação é de 10.000 hectares / ano.
Não obstante todos estes aspectos positivos, existem diversas ameaças que se
colocam ao sector dos aglomerados de cortiça.
A principal prende-se ao facto do aglomerado expandido puro ser o material de
isolamento mais dispendioso, juntamente com o facto das relações de confiança
entre fornecedores e construtores serem de longa data, leva a que o aglomerado
seja muito menos utilizado e torna-se bastante difícil convencer os construtores
a apostarem num produto ecológico, inovador e com propriedades notáveis.
A outra ameaça tem origem externa e prende-se com as fortes campanhas
publicitárias que, nos últimos anos, têm sido levadas a cabo com o intuíto de,
denegrindo a imagem dos produtos corticeiros, promover os que pretendem
fazer-se passar por seus sucedâneos. Importa combater essas campanhas,
unindo esforços no sentido de aumentar a quantidade e qualidade da matéria-
prima e dos produtos transformados, comprovar a qualidade desses produtos e,
naturalmente, demonstrar e publicitar as suas vantagens comparativas face aos
sucedâneos, junto dos influenciadores de opinião, como são os decoradores,
designers, arquitectos e engenheiros civis.
A cortiça tem de ser vista como um material estratégico com enormes
potencialidades e múltiplos usos, devendo este sector ser especialmente
incentivado pelas entidades que de algum modo interagem com esta fileira,
apostando nomeadamente nas capacidades de I&D nacionais e no apoio e
encorajamento do tecido industrial, para a implementação das tecnologias que
permitam promover os usos alternativos da cortiça.
Tal já tem vindo a ser feito noutros países, onde se incentivam e apoiam as
empresas que utilizam exclusivamente materiais ecológicos - tanto a nível de
isolamento de edíficios como do seu design e decoração - estabelecendo
relações entre fornecedores e empresas, publicitando as qualidades e vantagens
dos produtos naturais e ecológicos, em contraposição com o impacte ambiental
causado pelos restantes produtos utilizados.
As perspectivas futuras da cortiça têm que ser encaradas com optimismo, pelo
que este material terá com certeza um futuro pela frente, não só baseado na
experiência da sua utilização conjunta no passado, como também nos novos
conhecimentos técnicos adquiridos e numa nova postura de todos os
intervinientes da fileira.

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

VI. Referências

[1] Associação Portuguesa da Cortiça (2000), “História da Cortiça”, Associação


Portuguesa da Cortiça, Lisboa

[2] Charter, M. , Tischner, U. (2001), “Sustainable Solutions”, Greenleaf


Publishing, UK

[3] Corrêa, I., Fortes, M. (1987), “Absorção de água na Cortiça”, 3º Encontro


Nacional da Sociedade Portuguesa de Materiais, Volume II”, Braga

[4] Departamento de Engenharia de Materiais do IST, INETI (1990), “Final


Technical Report: Cork Agglomerates: characterization and new materials”,
Lisboa

[5] Direcção Geral de Desenvolvimento Rural e das Pescas (2000), “ O


Sobreiro e a Cortiça”, Ministério da Agricultura, Lisboa

[6] Gil, L. (Tese 1992) “ Densificação do Aglomerado Negro de Cortiça”,


Lisboa

[7] Gil, L. (1998) “Cortiça: Produção, Tecnologia e Aplicação”, INETI, Lisboa

[8] Gil, L. (1999) “Novas Patentes na Área da Cortiça”, Ingenium nº34, páginas
75, 76 e 77, Lisboa

[9] Proença, M., (1984), “Aglomerado negro de cortiça”, Boletim do Instituto


dos Produtos Florestais nº 552, páginas 301, 302 e 303, Lisboa

[10] Rosa, M., Fortes, M. (1987), “Compressão cíclica de Cortiça”, 3º Encontro


Nacional da Sociedade Portuguesa de Materiais, Volume II”, Braga

[11] Rogers, B. (1996), “Creating Product strategies”, International Thomson


Business Press, USA

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Sites consultados:
[12] www.amorim- group.pt
[13] www.buildinggreen.com
[14] www.corkmasters.com
[15] www.imperalum.com
[16] www.intemper.es
[17] www.naturlink.pt
[18] www.poe.min-economia.pt
[19] www.professionalroofing.net
[20] www.styrofoameurope.com
[21] www.termolan.pt

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

VII. Anexos

Outros produtos de Lã de Rocha

?? Paineis Si 150 – Si 175


Placas rígidas de espessura uniforme e alta densidade, constituídas por fibras de
lã de rocha dispostas verticalmente,
aglutinadas com resina sintética termo-
endurecida, sem revestimento.

Fig. 36 – Paineis Si 150 /175


Fonte: Termolan Isolamentos

Propriedade Unidades Si 150 Si 175


Densidade Nominal Kg/m3 150 175

Condutibilidade Térmica ? 10ºC W/m0C 0.036 0.036


Tensão de Compressão KPa 70 100
Resistência à Tracção // às 160
KPa 170
faces
Capilaridade - Nula Nula
Factor Difusão vapor de água 1.3
? - 1.3

Estabilidade Dimensional 0.0


% 0.0
23ºC / 90% HR
Calor Específico KJ/Kg ºC 0.84 0.84
Reacção ao Fogo - M0 M0
Tabela 10 – Propriedades dos Paineis Si 150 / 175
Fonte: Termolan Isolamentos

Espessura (mm) 30 40 50 60 70 80 100


Comprimento
1 200 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200
(mm)
Largura (mm) 1 000 1 000 1 000 1 000 1 000 1 000 1 000
2
R10ºC (m ºC/W) 0,80 1,10 1,35 1,65 1,90 2,20 2,75

Tabela 10 – Resistência Térmica dos Paineis Si 150 / 175


Fonte: Termolan Isolamentos

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Coeficiente de absorção acústica :

f (Hz)

Fig. 37 - Coeficientes de absorção acústica dos Paineis Si 150/175 ( 50 mm)


Fonte: Termolan

Aplicações: Soluções de isolamento térmico e acústico em paineis


especialmente concebidos para funcionarem como suporte de
impermeabilização de coberturas com inclinações muito reduzidas, visitáveis,
em chapa de aço perfilada ou laje de betão.

?? Painel PN 70
Placas rígidas de espessura uniforme, constituídas por fibras de lã de rocha
aglutinadas com resina sintética termo-endurecida, sem revestimento.

Propriedade Unidades PN 70
3
Densidade Nominal Kg/m 70

Condutibilidade Térmica ? 10ºC 0


W/m C 0.031
Tensão de Compressão KPa 70
Resistência à Tracção // às KPa 42
faces
Capilaridade - Nula
Factor Difusão vapor de água
? - 1.3

Estabilidade Dimensional % ? 0.1


73ºC / 50% HR
Calor Específico KJ/Kg ºC 0.84
Reacção ao Fogo - M0
Tabela 10 – Propriedades do Painel PN 70

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Fonte: Termolan Isolamentos

Espessura (mm) 30 40 50 60 70 80 100


Comprimento (mm) 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200
Largura (mm) 600 600 600 600 600 600 600
R10ºC (m2 ºC/W) 0.95 1,25 1,60 1,90 2,25 2,55 3,20
Tabela 10 – Resistência Térmica do painel PN 70
Fonte: Termolan Isolamentos

Coeficiente de absorção acústica :

f (Hz)

Fig. 38 - Coeficientes de absorção acústica do Painel PN 70 para diferentes


espessuras
Fonte: Termolan

Aplicações: Isolamento térmico e acústico em soluções de maior exigência,


especialmente para aplicações com colocação na posição vertical.

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

?? Painel PN 40 – PK 40 – PA 40
Placas semi- rígidas de espessura uniforme, constituídas por fibras de lã de
rocha aglutinadas com resina sintética termo-endurecida, sem revestimento e
revestidas a papel kraft ou alumínio.
PN40: Não Revestidas
PK40: Revestidas com papel kraft
PA40: Revestidas com papel alumínio
Propriedade Unidades PN 40 PK 40 PA 40
Densidade Nominal Kg/m3 40 40 40
Condutibilidade Térmica ? 10ºC 0
W/m C 0.032 0.032 0,032

Resistência à Tracção // às KPa 12 18 25


faces
Capilaridade - Nula Nula Nula
2
Permeabilidade vapor de água g/m . 24 hr 0.4 0.4 0.4
Factor Difusão vapor de água
? - 1.3 1.3 1.3

Estabilidade Dimensional % ? 0.1 ? 0.1 ? 0.1


23ºC / 90% HR
Calor Específico KJ/Kg ºC 0.84 0.84 0.84
Reacção ao Fogo - M0 M0 + M4 M0 + M1
Tabela 10 – Propriedades do Painel PN/PK/PA 40
Fonte: Termolan Isolamentos

Coeficiente de absorção acústica ? S:

f (Hz)

Fig. 39 - Coeficientes de absorção acústica do Painel PN 40 para diferentes


espessuras
Fonte: Termolan

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

?? Painel PN 55 – PK 55 – PA 55
Placas semi- rígidas de espessura uniforme, constituídas por fibras de lã de
rocha aglutinadas com resina sintética termo-endurecida, sem revestimento e
revestidas a papel kraft ou alumínio.
PN55: Não Revestidas
PK55: Revestidas com papel kraft
PA55: Revestidas com papel alumínio
Propriedade Unidades PN 40 PK 40 PA 40
Densidade Nominal Kg/m3 55 55 55
Condutibilidade Térmica ? 10ºC 0
W/m C 0.035 0.035 0,035

Resistência à Tracção // às KPa 20 22 25


faces
Capilaridade - Nula Nula Nula
2
Permeabilidade vapor de água g/m . 24 hr 0.4 0.4 0.4
Factor Difusão vapor de água
? - 1.3 1.3 1.3

Estabilidade Dimensional % ? 0.1 ? 0.1 ? 0.1


23ºC / 90% HR
Calor Específico KJ/Kg ºC 0.84 0.84 0.84
Reacção ao Fogo - M0 M0 + M4 M0 + M1
Tabela 10 – Propriedades do Painel PN/PK/PA 55
Fonte: Termolan Isolamentos

Coeficiente de absorção acústica ? S:

f (Hz)

Fig. 40 - Coeficientes de absorção acústica do Painel PN 55 para diferentes


espessuras
Fonte: Termolan

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Espessura (mm) 30 40 50 60 70 80 100


Comprimento (mm) 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200
Largura (mm) 600 600 600 600 600 600 600
Não se
R10ºC (m2 ºC/W) - P40 1,25 1,55 1,85 2,15 2,50 3,10
fabrica
R10ºC (m2 ºC/W) - P55 0,85 1,10 1,40 1,70 2,00 2,25 2,85
Tabela 10 – Resistência Térmica dos Paineis P 40 / P 55
Fonte: Termolan Isolamentos

Aplicações: Isolamento térmico e acústico, em aplicações com colocação na


posição vertical.

?? Mantas MN 30 – MK 30 – MA 30

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

Aglomerados flexíveis de espessura uniforme, constituídos por fibras de lã de


rocha aglutinadas com resina sintética
termo-endurecida.
MN 30: Não Revestidas
MK 30: Revestidas com papel kraft
MA 30: Revestidas com papel alumínio

Fig. 41 – Manta MN/MK/MA 30


Fonte: Termolan Isolamentos

As propriedades mais relevantes deste tipo de mantas de lã de rocha, com ou


sem revestimento, encontram-se resumidas na tabela seguinte:

Propriedade Unidades MN 30 MK 30 MA 30
3
Densidade Nominal Kg/m 30 30 30

Condutibilidade Térmica ? 0
W/m C 0.033 0.033 0,033
Resistência à Tracção // às KPa 8 18 25
faces
Capilaridade - Nula Nula Nula
Permeabilidade vapor de água g/m2 . 24 hr 0.4 0.4 0.4
Factor Difusão vapor de água
? - 1.3 1.3 1.3

Estabilidade Dimensional % ? 0.1 ? 0.1 ? 0.1


23ºC / 90% HR
Calor Específico KJ/Kg ºC 0.84 0.84 0.84
Reacção ao Fogo - M0 M0 + M4 M0 + M1
Tabela 2 – Propriedades da Manta MN/MK/MA 30
Fonte: Termolan Isolamentos

Este produto possui uma elevada resistência térmica, bem como uma baixa
condutibilidade térmica, pelo que é especialmente indicado para o isolamento
térmico de edíficios.

Espessura (mm) 50 60 70 80 100 120


Comprimento (mm) 10 000 8 000 8 000 6 000 5 000 5 000
Largura (mm) 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200 1 200
2
R (m ºC/W) 1,50 1,80 2,10 2,40 3,00 3,60

Tabela 3 - Resistência térmica


Fonte: Termolan Isolamentos

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Inovação de Produtos Ecológicos em Cortiça Projecto de Termodinâmica Aplicada 2001

A curva de absorção acústica representada na Fig. 9 para a manta não revestida


com 50 mm de espessura, demonstra a capacidade deste produto para
isolamento acústico tanto de médias como de elevadas frequências, ou seja,
obtém-se valores de coeficiente de absorção acústica (? ) elevados tanto para
800 Hz como para 5000 Hz de frequência.

f (Hz)

Fig. 22 - Coeficiente de absorção acústica da Manta MN 30 ( 50 mm)


Fonte: Termolan Isolamentos

Deste modo as utilizações deste produto são para o isolamento térmico e


acústico de edíficios, pelo que devido a ser bastante flexível é especialmente
aplicado na horizontal de esteiras, tectos-falsos, coberturas inclinadas e
coberturas duplas.

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