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Ensaio: Sua parafenomenologia é mecanicista?

Gustavo Luís de Carvalho

Foz do Iguaçu, 25 de junho de 2016

Texto básico para o Debate CEAEC de 26/06/2016

1 Introdução

Parafenomenologia consiste na ciência ou paraciência, cujo objeto de estudo


são as manifestações multidimensionais, sejam elas anímicas ou parapsíquicas, de
conscins ou consciéxes.

A unidade fundamental da parafenomenologia é o parafenômeno,


metodologicamente, o parapercepto é a unidade fundamental do parafenômeno.

Sobre parapercepto, de acordo com VIEIRA et al 2012:

“parapercepto é o conteúdo ou paraconteúdo da parapercepção, o percebido,


parapercebido, observado ou parobservado, por meio das parapercepções, ou percepções
extrassensoriais da consciência, consciex ou conscin, promovendo a experiência pessoal
quanto ao objeto ou paraobjeto, fato ou parafato, fenômeno ou parafenômeno, realidade ou
pararrealidade.”

A melhor forma ou instrumento de pesquisa e de captação do parafenômeno é a


através de pangrafia lúcida.

O mecanicismo é a doutrina filosófica, também adotada como princípio


heurístico na pesquisa científica, que concebe a natureza como uma máquina, que
obedece a relações de causalidade necessárias, automáticas e previsíveis,
constituídas pelo movimento e interação de corpos materiais no espaço [A física do
sXX, esp. a teoria quântica, tornou o mecanicismo ultrapassado no âmbito científico].

O parafenômeno ao longo de sua história nunca recebeu uma sistematização


científica adequada para o seu desenvolvimento até o presente momento, salvo algumas
tentativas ainda bastante mecanicista que muitas vezes mais atrapalham do que auxiliam a
compreensão e o desenvolvimento do parafenômeno.

Uma breve discussão sobre estas tentativas de sistematizar e compreender os


parafenômenos ao longo da história podem mostrar a dificuldade e a incapacidade do
paradigma mecanicista ser usado como método parafenomenológico.
Aqui não se pretende aprofundar ou criticar definições e concepções de diversos
autores, nem discutir seus pormenores ou fazer refutações filosóficas e metafísicas, mas
apenas fazer uma análise para gerar uma síntese, resultando no encadeamento de ideias
como base em alguns conceitos elementares da conscienciologia.

Um estudo detalhado, pode mostrar que um dos maiores gaps da ciência


juntamente com mecanicismo em relação a conscienciologia, reside no fato que a
primeira é uma ciência voltada para o efeito e a outra para a causa do fenômeno.

Nos parágrafos abaixo, não serão desenvolvidos em uma linha cronológica exata ou
será abarcado todas as escolas e autores do parapsiquismo, para isso, somente uma
pesquisa utilizando as técnicas do detalhismo e da exaustividade poderia gerar um panorama
robusto.

Não assumimos aqui posição neutra, pois neutralidade total resulta em falácia
científica, porém o objetivo não é descontruir ou diminuir outros autores, disputas ideológicas,
se algo aparentar crítica pela crítica, desconsidere o texto e utilize toda descrença possível.

2 Parafenomenologia e mecanicismo ao longo da história.

a) Tratado de Metapsíquica de Charles Richet:

Este autor criou uma ciência que tinha como finalidade a reprodução em laboratório
sob condições experimentais os parafenômenos de efeitos físicos, mecânicos e psicológicos
desconhecidos e latentes na inteligência humana. Criou a metapsíquica objetiva para
fenômenos telecinésico (atuação de forças ocultas na matéria bruta) e fenômenos
criptestésicos para a atuação das forças ocultas sobre o mecanismo psicológico ou psíquico
das pessoas.

b) Mecânica Psíquica de William Jackson Crawford:

Este professor de engenharia mecânica elaborou este livro baseado em estudos


através de uma série de experiências entre os anos de 1914 a 1920 com a médium de efeitos
físicos Kathleen Goligher, dando ênfase a fenômenos como levitações, materializações,
mesas girantes, raps, etc.

c) A Grande Síntese de Pietro Ubaldi.

O famoso místico italiano após se erradicar no Brasil iniciou sua segunda fase autoral,
sua ideia principal propõe a união do paradigma cartesiano com a inspiração extrafísica como
método de pesquisa valido e mais completo para penetrar a realidade mais profunda.
O autor enxerga no cristianismo como ideologia básica para se atingir um holismo
científico moral para evolução da civilização humana, as parapercepções devem ser
alcançadas através na renúncia, sofrimento, as correntes mentais devem ser elevadas em
frequências vibratórias mais altas através de orações e amor por todo humanidade, música
clássica de fundo deve ser usada para criar uma atmosfera mais elevada e criar uma concha
protetora vibratória para a captação das noures (correntes de pensamentos mais elevadas).

d) Mecanismos da Mediunidade de André Luiz.

Nesta obra psicografada por Chico Xavier e Waldo Vieira, o fenômeno mediúnico ou
parapsíquico é estudado através de analogias com a mecânica, eletromagnetismo,
termodinâmica, hidrostática, física nuclear e ondulatória, o livro todo fora tecido de acordo
com as experimentações e avanços tecnológicos até aquele momento. Aqui vale uma
pergunta:

Sendo a mecânica quântica uma parte da física que possui melhor capacidade de
diálogo com a parafenomenologia, sua ausência nesta obra seria devido a incapacidade do
autor espiritual em entender seus postulados?

e) Técnica da Mediunidade de Carlos Torres Pastorino.

O autor repete as analogias de Mecanismos da Mediunidade, porém insere também


a biologia como fonte de analogia, apesar de incrementar os assuntos, claramente
fundamenta a dimensão extrafísica como correspondente menos densa da dimensão física,
este autor repete suas analogias ao inserir preceitos da teosofia e misticismo nos estudos
das passagens evangélicas do Novo Testamento.

f) Psicologia Integral de Ken Wilber.

Baseando na psicologia transpessoal criou a psicologia integral e as diretrizes da vida


integral, recebeu influências principalmente de Carl Gustav Jung, Stanislav Grof (que também
tentou sistematizar a parafenomenologia em uma cartografia da consciência) Sri Aurobindo,
William James etc.

Tentou integrar questões da psicologia ocidental com práticas e filosofia orientais,


criou quadrantes de análises envolvendo o método científico convencional com o misticismo
principalmente oriental, em suas obras relega a importância da projeciologia para fenômeno
secundário a categoria de sonho lúcido, praticamente desconhece questões como assédio.

g) Atributos Mensuráveis da Técnica do Estado Vibracional de Nancy Trivelatto.


De acordo com o artigo desta autora, o mecanicismo pode ser observado de início ao
fim ao longo da proposição do estudo e desenvolvimento da técnica anímica-energética do
Estado Vibracional (EV).

Ao contrário do livro Mecanismos da Mediunidade que abertamente a consciex deixa


claro se tratar de uma analogia a física, esta autora reveste o fenômeno transcendente dos
princípios básicos do movimento harmônico simples (MHS) da mecânica clássica (que
posteriormente embasou a ondulatória), onde a mesma diz tomar de empréstimo os
conceitos, tenta fazer uma matemática com unidades escalares e vetoriais, ficando óbvio na
proposição do nome da técnica de EV para OLVE (Oscilação Longitudinal Voluntária
Energética), como o EV segundo a autora é voluntário, não podemos enquadrar a ideia da
autora em uma concepção também parapsíquica além do animismo.

A autora ainda logo de início dispensa explicações sobre o que é o EV e sobre as


sensações do EV (sinaleticologia), condena o uso de perguntas iguais a “Como foi o seu EV”,
levando os leitores a conceitos físicos como onda estacionárias, pulsos energéticos,
percurso, densidade, amplitude, volume, intensidade, cadência, frequência, fluidez etc

3 Analise Crítica.

De acordo com a proposta de estruturação científica da parafenomenologia


(SCHLOSSER, 2010), baseada na conjunção da projeciologia com a autopesquisa e relatos
técnicos tentando buscar a pararrealidade extrafísica, a monovisão intrafísica (isso inclui sua
ciência e sua cultura) é insuficiente para adequar o estudo do parafenômeno a um nível
técnico e científico mais profissional.

De acordo com este texto, alguns elementos são chave no estudo do parafenômeno
como exemplo:

I. Ir além da monovisão intrafísica.

II. Compreensão da parafisiologia.

II. Protocolos de pesquisa.

IV. Padronização dos termos.

V. Sentido evolutivo e cosmoético.

VI. Orientação pensênica.

VII. Utilização da paracerebrologia.

VIII. Significações para o aprendizado.


IX. Qualiquantificação das energias.

X. Utilidade Interassistencial.

De acordo com estes 10 itens, o quadro abaixo indica pela enumeração vertical em
coluna e na horizontal uma breve avaliação dos autores anteriores apresentado com o X a
presença dos elementos e vazio a não presença dos elementos do método
parafenomenológico:

Elemento I II III VI V VI VII VIII IX X


Autor
RICHET X

CRAWFORD

UBALDI X X X X

LUIZ X X X X X

PASTORINO X X X

WILBER X X

TRIVELATTO X X X X X

4 Novos caminhos do estudo da parafenomenologia.

De acordo com este breve levantamento, a proposta de estruturação científica da


parafenomenologia (SCHLOSSER, 2010) apresenta-se muito mais completa e complexa do
que as tentativas anteriores que na opinião deste autor mais confunde do que esclarece.

Aos 10 elementos citados, pode-se inserir muito mais para escaparmos do que este
autor chama (me desculpe a analogia) o peixe descrevendo a vida no deserto e a o escorpião
do deserto descrevendo a vida no fundo do mar, devemos então mergulhar no mar para
descreve-lo e ir ao deserto para entende-lo, por isso que a prática do EV e da projeção lúcida
(PL) deve ser o lugar comum das coletas de dado.
O que deve estar claro e prioritário para todo pesquisador e parapesquisador deve ser
sempre o caráter evolutivo, cosmoético e interassistencial de todo empreendimento, além
disso o esgotamento do fisicalismo e da ciência convencional.

Como a parafenomenologia necessita da autoexperimentação, algo situado no


microuniverso consciencial, por quê ainda temos que apelar para mecanismos que regulam
átomos e moléculas?

A própria ciência convencional possui estudos melhores e mais avançados para


fenômenos que vão além do quantitativismo como a hermenêutica e a fenomenologia da
percepção que podem ir além da monovisão intrafísica e mergulhar o pesquisador lúcido na
intimidade da própria consciência.

A parafenomenologia deve ser embasada no paradigma consciencial e deve ter


método específico assentado em leis comuns que valem as múltiplas dimensões, cujo
objetivo deve ser aumento de cognição e da interassistencialidade.

Como a subjetividade, imaginação, misticismo, personismo e os devaneios ainda são


muito fortes nos experimentadores jejunos, há uma grande necessidade de um novo
dicionário neológico capaz de aproximar os pensenes do pesquisador com a realidade do
fenômeno em um campo onde o erro ainda predomina sobre os acertos.

A conscienciologia já possui alguns elementos não mecanicistas como a


vontade, a pangrafia, a cosmoconsciência, a tenepes e a ofiex ....

5 Conclusão

Neste breve ensaio tentou-se ir além da analogia mecanicista para o


desenvolvimento da parafenomenologia. Mostrou-se como no passado os autores tiveram
muita deficiência na exposição científica da parafenomenologia, possivelmente um grande
fator de descrédito para o mundo da pesquisa fisicalista e além da frustrada tentativa da
junção mecanicismo-multidimensionalidade poder confundir e comprometer o
desenvolvimento parapsíquico das pessoas interessadas.