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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE BIOQUÍMICA
LABORATÓRIO DE FISIOLOGIA VEGETAL

ISABELLE ABREU DE SALES

HIDROPONIA E NUTRIÇÃO MINERAL DE PLANTAS

Fortaleza
maio de 18
1. INTRODUÇÃO

As culturas hidropônicas são fundamentais para o estudo da nutrição mineral, e são


também utilizadas comercialmente para o crescimento de plantas de interesse hortícola. No
entanto, apresentam alguns inconvenientes, como seja a necessidade de arejamento permanente.
Outro aspecto negativo é a necessidade de substituir ou suplementar a solução com grande
frequência, uma vez que os vários nutrientes são absorvidos a velocidades diferentes, causando
não só alterações de pH, mas também o esgotamento de alguns elementos.
Para evitar tais alterações, os produtores comerciais usam o método da solução nutritiva,
que permite que a composição mineral e o pH possam monitorados e corrigidos no recipiente.
Outra forma de evitar os problemas com soluções nutritivas é promovendo germinação em meio
inerte, como por exemplo a vermiculita (silicato de alumínio e magnésio hidratado), esferas de
vidro ou plástico, etc. A solução nutritiva é, então, adicionada ao substrato em intervalos de
tempo regulares, gota a gota, em quantidades suficientes para permitir que haja escoamento da
solução por orifícios do frasco. Esta técnica tem sua praticidade, porém não é aconselhável para
estudos complexos de nutrição, uma vez que o meio inerte libera elementos.
Os elementos são classificados pela concentração nos tecidos. Desse modo, os
macronutrientes (N, P, K, Mg, Ca e S) são exigidos pelas plantas em maiores quantidades (g/Kg
de matéria seca). Já os micronutrientes (Fe, Mn, Zn, Cu, B, Cl e Mo) são exigidos em menores
quantidades (mg/Kg de matéria fresca) (Hoopkins, 2000). É importante salientar que a
essencialidade não define qual o elemento mais importante, mas sim a concentração nas plantas,
e desse modo, a carência de qualquer um dos micronutrientes é tão prejudicial quanto a carência
de um macronutriente. Para demonstrar a essencialidade de um nutriente, é necessária a
ausência somente do elemento em estudo no organismo.
Tal condição é extremamente difícil de ser obtida, porém no século XIX, alguns
pesquisadores mostraram que as plantas poderiam crescer normalmente em solução nutritiva
(meio líquido contendo somente sais inorgânicos). E assim foram obtidos os primeiros estudos
em cultivo hidropônico. Quando os nutrientes são fornecidos em quantidades insuficientes as
plantas exibem sintomas que são reflexos da função que esses desempenham, da mobilidade
desse na planta e sua localização (Oliveira, 2009). A necessidade nutricional é definida como a
quantidade de nutrientes que a planta extrai durante seu ciclo.
2. OBJETIVO

O objetivo dessa prática é conhecer a função de dois macronutrientes, Nitrogênio (N) e


Cálcio (Ca), e as consequências a carência destes podem desencadear no desenvolvimento de
plantas de feijão.

3. MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado na casa de vegetação do departamento de Bioquímica e
Biologia molecular, durante o período de 10 de maio de 2018 a 17 de maio de 2018.
O material utilizado durante o experimento foi:
 Plantas de feijão com 7 dias de semeadura
 Vermiculita
 Bacias de plástico com água
 Isopor
 Sistema de oxigenação comum
 Esponjas para fixação
 Balança
As plantas de feijão foram semeadas 7 dias antes da aula prática. Essas plantas desenvolveram
sistema radicular em copos plásticos com substrato inerte de vermiculita, para que não houvesse
interferência de minerais presentes em solo de uso recorrente. No dia 10 de maio, os alunos da
disciplina fizeram a lavagem das raízes, introduziram as plantas em bandejas de isopor com
orifícios, com auxílio de esponja para a fixação, e colocaram em suas respectivas bacias de
plástico. Essas bacias continham o sistema de hidropônico e foram estabelecidos 3 tratamentos,
tratamento controle, restrição de nitrogênio e restrição de cálcio.
Passados 7 dias do transplantio, todas as plantas de feijão foram retiradas de suas
respectivas soluções e levadas ao laboratório. As medições feitas foram de comprimento da
raiz, massa fresca da raiz; número de folíolos, massa fresca da parte aérea; massa seca da parte
aérea.
As médias foram calculadas para cada tratamento e foram acrescentados na tabela os dados
sobre a relação entre massa fresca da parte aérea dividido pela massa fresca do sistema radicular
e a soma da massa fresca do caule mais massa fresca da parte aérea dividido pela massa fresca
do caule, para os três tratamentos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados obtidos foram transformados em um gráfico compilando os tratamentos e
mostrando de maneira visual as diferenças de valores dos parâmetros entre si.

35

30

25

20

15

10

0
H Raíz Folíolos MFF MFC MFR MF/R MF total
-5
s/ N s/ CA T Controle

As plantas submetidas a restrição de Nitrogênio apresentaram resultados de número de folíolos,


massa fresca dos folíolos, massa fresca do caule e massa fresca da raiz. Esses resultados eram
os esperados por conta do nível de importância que o mineral N representa na planta. O
nitrogênio é o elemento mais exigido pela planta de feijão e é responsável pelo crescimento das
plantas (BREDEMEIER & MUNDSTOCK, 2000). Quando se avaliou a relação MF/R, pode-
se observar que houve uma menor relação quando as plantas foram submetidas ao tratamento
sem cálcio. Isso mostra um menor incremento da parte aérea em relação ao sistema radicular.
Guimarães (2006) destaca que há relação entre a dosagem de nutrientes e o desenvolvimento.
Quanto maiores são as doses de nitrogênio, maior é a produção de massa fresca e seca da raiz.
Com relação às plantas submetidas a restrição de cálcio, em todos os parâmetros
relacionados não diferem significativamente da planta controle. Caso houvesse a diferenciação
por meio da pesagem da massa seca dos órgãos das plantas de feijão, haveria uma melhor
visualização do efeito da restrição de cálcio na planta. Esse nutriente apresenta como função a
absorção iônica, formação de estruturas e funcionamentos das membranas celulares. Segundo
evidencia que a diferença de concentração de cálcio nas vagens também é atribuída às
diferenças genéticas entre as cultivares. Essa evidência confirma a hipótese da habilidade de
algumas cultivares em acumular cálcio mais eficientemente que outras, havendo uma
disponibilidade além do que foi suprimido.
5. Conclusão
O conhecimento sobre nutrição de plantas é de suma importância, não só para os
parâmetros agronômicos, como também bioquímicos. Plantas nutridas adequadamente
apresentam desenvolvimento pleno, diferentemente de plantas deficientes, que quando estão
com déficit de algum nutriente essencial apresentam crescimento e desenvolvimento
comprometido, respondendo através de uma sucessão de eventos fisiológicos, que vão desde a
estresses oxidativos até a morte da planta.
6. REFERÊNCIAS

Coelho, A. M. Nutrição e adubação do milho. Centro Nacional de Pesquisa de Milho


e Sorgo. Sete Lagoas: Embrapa CNPMS, 2006. Circular Técnica, 78.
Hopkins, W. G. Introduction to Plant Physiology. 2nd ed. New York: John Wiley &
Sons, Inc., 2000, 512p
Silva, J.V. Efeitos de CaCl2 no crescimento e acumulação de osmorreguladores em
plantas de feijão-de-corda cv. Pitiúba estressadas com NaCl. Fortaleza: Universidade
Federal do Ceará, 1998, 103p. Dissertação de Mestrado.
TAIZ, L.; ZIEGLER, E. Fisiologia vegetal. 3.ed. Porto Alegre : Artmed, 2004. p.693.
(Trad. SANTARÉM E.R. et al.).

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