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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA DA

FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE CURITIBA-PR

Autos 39.739

NÚCLEO HABITACIONAL JARDIM MONTE VERDI I, já qualificado nos autos de


Ação Sumária de Cobrança, que neste respeitável juízo move em desfavor de
MARCUS MOREIRA DA VEIGA e COMPANHIA DE HABITAÇÃO POPULAR DE
CURITIBA – COHAB-CT, vem respeitosamente, por intermédio de seus
procuradores judiciais infra-assinadas, apresentar sua IMPUGNAÇÃO A
CONTESTAÇÃO, pelas razões de fato e de direito que passa a expor e no final
requer:

I – CONTESTAÇÃO APRESENTADA PELA COHAB-CT

A contestação não apresenta fatos novos que possam desfigurar o direito


do Autor, em virtude do robusto alicerce probatório calcar a pretensão de
reaver as taxas condominiais impagas, bem como a Ré não venceu o palco
das singelas alegações, sendo estas irrefutavelmente repelidas da seguinte
maneira:
A Ré Cohab-CT alega:

1. “ inépcia da inicial pela falta da exibição dos documentos necessários à


prova do fato, tais como a cópia da ata da assembléia que aprovou o
orçamento dos anos referentes às taxas de condomínios cobradas e os
próprios orçamentos, sendo indispensável a apresentação de todas as
despesas discriminadas, as quais devem ser indicadas e aprovadas em
assembléia dos condôminos, bem como falta da apresentação dos
balancetes relativos às despesas efetuadas daqueles orçamentos; “

Quanto ao requerimento dos demonstrativos das despesas, de débitos e


balancetes mensais ou aprovação dos mesmos, não merecem prosperar,
visto que as provas documentais acostadas aos autos dão robusto suporte
ao pedido de cobrança, o qual atende a todos os requisitos exigidos pelo
artigo 12 e parágrafos da lei 4.591/64, além do art. 275, II, “b” da Carta
Processual Pátria.

Além do mais Excelência, os comprovantes das taxas de condomínio


pendentes são perfeitamente cabíveis para exigir seu pagamento,
consoante artigo 12, caput da supra citada norma legal.

Saliente-se, por outro lado, que em momento algum fora negada a


existência do débito, ao contrário, existe a confissão da subsistência do
mesmo, onde a requerida procura eximir-se da obrigação legal de pagar as
taxas com os argumentos acima rebatidos.

Outrossim, seria de uma injustiça ímpar que se sacrificasse toda uma


entidade condominial, simples, humilde, em prol de apenas um devedor
inadimplente, que, malgrado os diversos chamamentos para acordo, nunca
ao menos tentou pagar sua dívida, ao contrário, tenta se isentar do débito
com a contestação de fls., onerando injusta e excessivamente todos seus
vizinhos.

No mesmo diapasão se insere a desnecessidade de se juntar todas as atas


de assembléias em que foram discutidas e aprovadas as benfeitorias até o
momento realizadas.

E, se o interesse da requerida é verificar a idoneidade de todos os atos que


competem ao síndico, por direito e dever, este não seria o meio cabível, já
que deveria fazê-lo por outro meio admissível, como uma prestação de
contas, por exemplo.
Na verdade o que se parece buscar com tudo isto é embaraçar ainda mais
o andamento da presente lide, já que o débito é indubitável.

Assim, por estar em perfeita consonância com a legislação in casu aplicável


os documentos aqui já acostados, indeferido deverá restar o requerimento
da requerida.

2. “ ilegitimidade da cobrança sem prévia autorização, pela falta da Ata da


Assembléia Geral que deliberou a delegação de poderes da empresa
Duplique Créditos e Cobranças S/C Ltda., para efetiva cobrança das
despesas condominiais”;

A ilegitimidade ativa ad processum é estampada nos artigos 7º e 8º do Código de


Processo Civil, sendo que o primeiro vislumbra que toda pessoa que se acha no
exercício de seus direitos tem capacidade para estar em juízo e o segundo
preceitua que os incapazes serão representados ou assistidos por seus pais,
tutores ou curadores, na forma da lei civil.

Com efeito, o Condomínio possui representação no vulto do Sr. Síndico, o qual


compete representá-lo ativa e passivamente em juízo ou fora dele (art. 22, § 1º,
letra “a” da Lei 4.591/64).

Os documentos de fls. 7 e 11, procuração e ata de eleição do Sr. Síndico, são os


instrumentos que o capacitam para tal mister, tendo em vista que exprime a
vontade e a confiança dos condôminos em seu representante eleito e nos atos
que ele praticar em nome de toda coletividade.

Contudo, em virtude do condomínio autor possuir, em sua grande maioria,


condôminos humildes, simples, que de fato não possuem conhecimentos
jurídicos, contábeis ou administrativos, não se deve exigir a técnica para a
elaboração de documentos inerentes ao condomínio, como referida ata de
eleição.

Nessa esteira, possuindo o condomínio representante legal, afasta-se a


ilegitimidade para o processo levantada pela Ré, uma vez que cumpre-se o art. 22
da Lei 4.591/64, bem como o art. 12, IX do CPC. Ilustra a presente situação
Nelson Nery Jr. :

“O Condomínio é representado, ativa e passivamente, em juízo pelo síndico eleito em


assembléia geral(LCI 22, §1º, a). A prova da representação regular do condomínio é
a cópia da ata que elegeu o síndico.” ( Nery Jr., Nelson in Código de Processo Civil
Comentado e Legislação Processual Civil Extravagante em Vigor, 4ª Edição, Ed. RT,
1999, pág. 413).
Nesse mesmo diapasão, existindo impontualidade no pagamento das taxas
condominiais por parte de um condômino que onera os demais, é direito do
Condomínio e dever do síndico pleitear em juízo a restituição de tais taxas, pois
todos já arcam com a própria taxa e ainda dividem a do condômino impontual.

Tal assertiva é corroborada pelo escol da doutrina cível-processualista brasileira:

Vicente Greco Filho in Direito Processual Civil Brasileiro, Ed. Saraiva, 1998, pág.
100/101, ensina:

“No caso de pessoas jurídicas, serão elas, de regra, representadas por aqueles
que os estatutos da entidade assim dispuserem. De regra, serão os diretores da
entidade ou o presidente, dependendo da posição do respectivo estatuto
constitutivo. Essas sociedades, bem como as fundações, estarão em juízo por
meio dessas pessoas, seus representantes legais. Para aquelas entidades que
não têm personalidade jurídica, o Código de Processo enuncia os seus
representantes legais no art. 12. A massa falida será representada pelo síndico; o
espólio, pelo seu inventariante; as sociedades sem personalidade jurídica, pela
pessoa a quem couber a administração dos bens; o condomínio, pelo
administrador ou pelo síndico.” (grifamos)

Destarte, estando o condomínio devidamente representado pelo síndico e


possuindo capacidade para exercer seus direitos em juízo, a ilegitimidade ativa
ad processum não se opera em momento algum, estando este pressuposto
processual amplamente satisfeito pelo autor.

Ainda em relação à ilegitimidade ativa ad causam inexiste no caso em tela.

A empresa Duplique Créditos e Cobranças S/C Ltda. presta serviços na área da


cobrança das taxas condominiais , não existindo, de forma alguma, o instituto da
sub-rogação ou da cessão de crédito.

A sub-rogação convencional é prevista no art. 986 do Código Civil de 1916,


regendo o atual Código no mesmo sentido, o qual dispõe:

“art. 986: A sub-rogação é convencional:


I - Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe
transfere todos os seus direitos.” (grifou-se)

Na hipótese supra relatada, o artigo 987 do mesmo Codex, nos remete aos
artigos 1.065 a 1.078, especialmente os artigos 1.067 e 1.069, ora transcrito:

“art. 1.069: A cessão de crédito não vale em relação ao devedor, senão quando a
ele notificado, mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou
particular, se declarou ciente da cessão feita.” (grifou-se)

Assim, não existe a incidência dos institutos da sub-rogação nem tampouco da


cessão de crédito, sendo o condomínio legítimo para propor a presente demanda.
Nessa linha de raciocínio, ensina Maria Helena Diniz:

“A sub-rogação convencional advém de acordo de vontade entre credor e terceiro


ou entre devedor e terceiro, desde que a convenção seja contemporânea ao
pagamento e expressamente declarada em instrumento público ou
particular.” (Diniz, Maria Helena in Código Civil Anotado, 2ª Edição, pág. 718)

Destarte, em face dos citados dispositivos legais e da festejada doutrina pátria,


percebe-se que para a existência da alegada “cessão de crédito” mister a
notificação expressa do devedor acerca da substituição do credor, bem como
sua ciência inequívoca declarada documentalmente, sendo que tais situações
não se confundem com o local indicado pelo síndico para o pagamento das cotas,
o qual realiza-se na empresa Duplique.

Não obstante, a existência da empresa de assessoria de cobrança não desfigura


o caráter da legitimidade que o condomínio possui para propor ação de cobrança
de taxas condominiais.

Além dos ensinamentos de Vicente Greco Filho acerca da legitimidade ad


processum, acima demonstrados, Arruda Alvim in Manual de Direito Processual
Civil, 5ª Edição, 1996, Ed. RT, discorre acerca da legitimidade ad causam:

“A legitimatio ad causam é a atribuição, pela lei ou pelo sistema, do direito de


ação do autor, possível titular ativo de uma dada relação ou situação jurídica, bem
como a sujeição do réu aos efeitos jurídico-processuais e materiais da sentença.
Normalmente, a legitimação é do possível titular do direito material(art. 6°).
... Assim, o proprietário, que sofreu o esbulho, será parte legítima ativa em face
de quem, efetivamente esbulhou; o marido em relação à mulher, e vice-versa,
para solicitar separação; o credor em relação ao devedor( e não por hipótese, em
relação à sociedade de que faça parte o devedor), e, assim, sucessivamente.”

Com efeito, estando o requerido com taxas condominiais pendentes, e sendo os


mesmos condôminos, a legitimidade para propor a ação de cobrança é do
Condomínio e de mais ninguém, uma vez que este possui seu direito lesado em
perceber as contribuições condominiais pontualmente e o condômino deve assim
pagá-las, sob pena de sujeitar-se às sanções legais.

Malgrado a contundente posição da doutrina, o Tribunal de Alçada do Estado do


Paraná já resolveu essa questão, consoante o acórdão n.º 5684, Apelação Cível,
oriundo da 18ª Vara Cível de Curitiba, relator Juiz Fernando Vidal de Oliveira,
julgado em 14/06/95, unânime, ementa ora transcrita:

“Cobrança - Taxas de Condomínio - Ilegitimidade Ativa do Condomínio - Não


Caracterização - Pagamento Devido - Prova Documental - Recurso
Desprovido. 1. É legítimo o interesse do condomínio, representado na
pessoa de seu síndico, em promover a cobrança das despesas
condominiais, ante a existência de empresas de assessoria, nos termos do
disposto do art. 12, § 2° da Lei 4.591/64. 2. A presunção do pagamento das
parcelas anteriores, com fulcro no art. 913 do CCB, não subsiste pela
desconstituição de elencada presunção “iuris tantum”, no caso, pela
juntada de recibos não pagos. 3. A mera argumentação de cobrança de
valores que exorbitam a esfera real do “quantum”, não descaracterizam os
valores apresentados.”

E ainda, mais recentemente, o mesmo Tribunal, na apelação cível 0122498-6,


Curitiba, oriunda da 18ª Vara Cível, na Colenda 8ª Câmara Cível, acórdão 8102,
jul. em 03/11/98, relator Juiz Sérgio Arenhart, por unanimidade, ementou:

“Cobrança – Taxas condominiais – Procedimento sumário – Legitimidade


ativa e interesse processual – Existência – Assistência jurídica através da
qual eram emitidos os recibos para pagamento das quotas – Irrelevância –
Multa ajustada na convenção de 20% - Validade – Código de Defesa do
Consumidor inaplicável à espécie, operando a Lei 4.591/64”

E mais:

“AÇÃO DE COBRANÇA – TAXAS DE CONDOMÍNIO – VERBAS ADIANTADAS


POR EMPRESA ESPECIALIZADA – SUB-ROGAÇÃO DO DIREITO DE AÇÃO –
INEXISTÊNCIA – LEGITIMIDADE “AD CAUSAM” DO CONDOMÍNIO. Tem o
Condomínio legitimidade ativa para promover a cobrança das taxas
condominiais perante o condômino inadimplente, apesar do adiantamento
do pagamento feito em virtude de contrato de garantia de taxas de
condomínio celebrado com terceiro, porque referido contrato prevê a sub-
rogação do crédito apenas nas hipóteses de pagamento feito pelo
condômino e na rescisão do contrato, e não na de inadimplência. Apelo
provido. (TAPR – AC 14153, 3 Cam Civ, Ap Civ 163.185-0, Rel. Juiz Domingos
Ramina, julg. 10/04/2001)

Não obstante, estando o condômino em falta para o Condomínio no que diz


respeito ao pagamento pontual de suas contribuições condominiais, o
Condomínio, por intermédio de seu síndico, possui o dever para com os demais
condôminos de exigir o ressarcimento de tais taxas, vez que o longo período de
atraso onera injusta e excessivamente toda a coletividade condominial.

3. “ terceiros pagam a dívida em nome dos devedores, pelo contrato de


prestação de serviços, não podendo o condomínio exigi-la novamente,
posto que caracteriza enriquecimento sem causa, ferindo inclusive o
Código de Ética da Advocacia;”
4. “ há sub-rogação (Art. 931 do Código Civil), não podendo o condomínio
buscar-se ressarcir de dívida já paga por terceiros;”

Da Inexistência da Cessão de Crédito

Não há quaisquer provas que ilustram a ocorrência da sub-rogação


nos autos, além de falecerem seus requisitos previstos no art. 986 e
seguintes do Código Civil.

A sub-rogação convencional é prevista no art. 986 do CCB, adotando a


mesma linha o novo Código Civil, que dispõe:

“Art. 986: A sub-rogação é convencional:


I - Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe
transfere todos os seus direitos.” (grifou-se)

Na hipótese supra relatada, o artigo 987 do CCB nos remete aos artigos
1.065 a 1.078 do mesmo Codex, especialmente os artigos 1.067 e 1.069,
ora transcrito:

“ Art. 1.069: A cessão de crédito não vale em relação ao devedor, senão


quando a ele notificada, mas por notificado se tem o devedor que, em
escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.” (grifou-se)

Assim, não existe a incidência dos institutos da sub-rogação, sendo o


condomínio legítimo para propor a presente demanda.

Nessa linha de raciocínio, ensina Maria Helena Diniz:

“A sub-rogação convencional advém de acordo de vontade entre credor e


terceiro ou entre devedor e terceiro, desde que a convenção seja
contemporânea ao pagamento e expressamente declarada em
instrumento público ou particular.” (Diniz, Maria Helena in Código Civil
Anotado, 2ª Edição, p. 718)

Destarte, em face dos citados dispositivos legais e da festejada doutrina


pátria, percebe-se que para a existência da alegada “sub-rogação” mister a
notificação expressa do devedor acerca da substituição do credor, bem
como sua ciência inequívoca declarada documentalmente, sendo que
tais situações não se confundem com o local indicado pelo síndico para o
pagamento das cotas, o qual realiza-se na empresa Duplique.
E, não obstante a existência da empresa de assessoria de cobrança, esta
não desfigura o caráter da legitimidade que o condomínio possui para
propor ação de cobrança de taxas condominiais.

Além dos ensinamentos de Vicente Greco Filho acerca da legitimidade ad


processum, acima demonstrados, Arruda Alvim in Manual de Direito
Processual Civil, 5ª Edição, 1996, Ed. RT, discorre acerca da legitimidade
ad causam:

“A legitimatio ad causam é a atribuição, pela lei ou pelo sistema, do direito


de ação do autor, possível titular ativo de uma dada relação ou situação
jurídica, bem como a sujeição do réu aos efeitos jurídico-processuais e
materiais da sentença. Normalmente, a legitimação é do possível titular do
direito material(art. 6°).
... Assim, o proprietário, que sofreu o esbulho, será parte legítima ativa em
face de quem, efetivamente esbulhou; o marido em relação à mulher, e
vice-versa, para solicitar separação; o credor em relação ao devedor( e não
por hipótese, em relação à sociedade de que faça parte o devedor), e,
assim, sucessivamente.”

Com efeito, estando o requerido com taxas condominiais pendentes, e


sendo o mesmo condômino, a legitimidade para propor a ação de cobrança
é do Condomínio e de mais ninguém, uma vez que este possui seu direito
lesado em perceber as contribuições condominiais pontualmente e o
condômino deve assim pagá-las, sob pena de sujeitar-se às sanções
legais.

Malgrado a contundente posição da doutrina, essa Egrégia Corte já


resolveu essa questão, consoante o acórdão n.º 5684, Apelação Cível,
oriundo da 18ª Vara Cível de Curitiba, relator Juiz Fernando Vidal de
Oliveira, julgado em 14/06/95, unânime, ementa ora transcrita:

“Cobrança - Taxas de Condomínio - Ilegitimidade Ativa do Condomínio -


Não Caracterização - Pagamento Devido - Prova Documental - Recurso
Desprovido. 1. É legítimo o interesse do condomínio, representado na
pessoa de seu síndico, em promover a cobrança das despesas
condominiais, ante a existência de empresas de assessoria, nos termos do
disposto do art. 12, § 2° da Lei 4.591/64. 2. A presunção do pagamento das
parcelas anteriores, com fulcro no art. 913 do CCB, não subsiste pela
desconstituição de elencada presunção “iuris tantum”, no caso, pela
juntada de recibos não pagos. 3. A mera argumentação de cobrança de
valores que exorbitam a esfera real do “quantum”, não descaracterizam os
valores apresentados.”
E ainda, mais recentemente, na apelação cível 0122498-6, Curitiba, oriunda
da 18ª Vara Cível, na Colenda 8ª Câmara Cível, acórdão 8102, jul. em
03/11/98, relator Juiz Sérgio Arenhart, por unanimidade, ementou:

“Cobrança – Taxas condominiais – Procedimento sumário –


Legitimidade ativa e interesse processual – Existência – Assistência
jurídica através da qual eram emitidos os recibos para pagamento das
quotas – Irrelevância – Multa ajustada na convenção de 20% - Validade
– Código de Defesa do Consumidor inaplicável à espécie, operando a
Lei 4.591/64”

Cumpre esclarecer essa Colenda Câmara que a ementa acima transcrita


tratou da mesma matéria ora debatida, tendo o pensamento da ocorrência
da cessão de crédito incontestavelmente afastado por esse Ínclito
Areópago.

E, mais especificamente, decidiu a Colenda 3ª Câmara Cível do TAPR em


acórdão recente:

“AÇÃO DE COBRANÇA – TAXAS DE CONDOMÍNIO – VERBAS


ADIANTADAS POR EMPRESA ESPECIALIZADA – SUB-ROGAÇÃO DO
DIREITO DE AÇÃO – INEXISTÊNCIA – LEGITIMIDADE “AD CAUSAM”
DO CONDOMÍNIO. Tem o Condomínio legitimidade ativa para
promover a cobrança das taxas condominiais perante o condômino
inadimplente, apesar do adiantamento do pagamento feito em virtude
de contrato de garantia de taxas de condomínio celebrado com
terceiro, porque referido contrato prevê a sub-rogação do crédito
apenas nas hipóteses de pagamento feito pelo condômino e na
rescisão do contrato, e não na de inadimplência. Apelo provido. (TAPR
– AC 14153, 3 Cam Civ, Ap Civ 163.185-0, Rel Juiz Domingos Ramina, julg.
10/04/2001), (destacou-se).

Não obstante, estando o condômino em falta para o Condomínio no que diz


respeito ao pagamento pontual de suas contribuições condominiais, o
Condomínio, por intermédio de seu síndico, possui o dever para com os
demais condôminos de exigir o ressarcimento de tais taxas, vez que o
longo período de atraso onera injusta e excessivamente toda a coletividade
condominial.
Assim, de qualquer sorte o condomínio, por mais uma vez é injustamente
penalizado, pois já onerados pela impontualidade do apelado, arcam ainda
com o tempo despendido na demanda, além das verbas da sucumbência.

5. “ não poderá o terceiro “prestador de serviços”, digamos assim, trazer a


juízo argumentos quanto à qualidade “propter rem” da dívida condominial
pois que, frente ao citado artigo 931 do Código Civil, não se sub-roga nos
direitos do credor.”

Tratando-se de cotas condominiais, a dívida acompanha o bem, uma vez que, na


espécie, cuida-se de obrigação propter rem, sendo que o art. 12 da Lei 4.591/64
determina que “... cada condômino concorrerá nas despesas do condomínio ...” e,
para os efeitos dessa Lei, condômino é o proprietário que possui o título
registrado na Circunscrição Imobiliária competente.

Nesse diapasão, o artigo 4º da supra citada Lei vislumbra:

“Art. 4º: A alienação de cada unidade, a transferência de direitos pertinentes à sua


aquisição e a constituição de direitos reais sobre ela independerão do
consentimento dos condôminos.
Parágrafo único: A alienação ou transferência de direitos de que se trata este
artigo dependerá de prova de quitação das obrigações do alienante para com o
respectivo condomínio.” (grifo nosso)

Outrossim, existe um robusto suporte jurídico corroborando o fato de que a


propriedade do imóvel, bem como os contratos de promessa de compra e
venda, só surtirão todos seus efeitos jurídicos a partir do momento em que
ocorrer a transcrição na Circunscrição Imobiliária competente.

O Código Civil, confere o mais amplo respaldo a esse entendimento, nos


seguintes artigos:

“art. 530: Adquire-se a propriedade do imóvel:

I - Pela transcrição do título de transferência no registro do imóvel.” (grifo


nosso)

O artigo 860 do mesmo Codex, em seu parágrafo único, é ainda mais incisivo:

“art. 860: Se o teor do registro de imóveis não exprimir a verdade, poderá o


prejudicado reclamar que se retifique.
Parágrafo único: Enquanto se não transcrever o título de transmissão, o
alienante continua a ser havido como dono do imóvel, e responde pelos
seus encargos.” (grifo nosso)
Também a Lei dos Registros Públicos, Lei 6.015/73, vislumbra que o registro
imobiliário é o único instrumento legal capaz de transferir a propriedade do imóvel,
como vemos a seguir:

“Art. 167: No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos:


I - o registro:
....
18) dos contratos de promessa de venda, cessão ou promessa de cessão de
unidades autônomas condominiais a que alude a Lei 4591/64, quanto a
incorporação ou a instituição de condomínio se formalizar na vigência desta
Lei.” (grifo nosso)

O art. 172 da mesma Lei 6.015/73, complementa:

“art. 172: No Registro de Imóveis serão feitos, nos termos desta Lei, o registro e a
averbação dos títulos ou atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintivos
de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em lei, inter vivos ou mortis causa,
quer para sua constituição, transferência e extinção, quer para sua validade em
relação a terceiros, quer para sua disponibilidade.”

Com efeito, não é possível, com a devida venia, ignorar toda uma legislação que
respalda o caráter da propriedade do imóvel ser configurada apenas com a
transcrição no registro imobiliário.

Tal pensamento é pertinente até por questão de segurança jurídica, uma vez que
todo aquele que é realmente proprietário faz valer seu direito real de propriedade
e todos aqueles outros inerentes a esse, como o de usar, gozar, dispor, fruir e, o
mais importante, reivindicar a sua propriedade através do poder de seqüela,
somente se possuir seu título transcrito no registro de imóveis.

Nesse mesmo prisma, somente “o condômino e proprietário, cujo nome consta


da matrícula da respectiva unidade autônoma, é parte legítima para responder
ação de cobrança das cotas condominiais.” (Mello Neto, João Alfredo in
Manual Teórico e Prático do Condomínio, pág. 154/155, 1ª Edição, 1989).

Assim, com essa assertiva em mente, o possuidor ou ocupante do imóvel não


poderá figurar sozinho no pólo passivo da ação de cobrança, sob pena de infringir
todo o robusto suporte jurídico que confere ao proprietário direitos, como também
deveres.

Saliente-se, ainda, que qualquer estipulação contratual existente, ou até mesmo a


posse ou ocupação do imóvel, não são suficientes para caracterizar a
propriedade, o domínio do imóvel.

Assim, ainda que o condomínio autor tivesse (e tem) conhecimento do fato supra,
não há respaldo legal que ampare a presente cobrança em face do suposto
proprietário.
Ademais, se o tivesse feito, a insegurança jurídica se tornaria insustentável, já
que o mencionado instrumento particular, por criar direitos e deveres somente
entre as partes que dele figuraram, poderia ser por elas modificado e até mesmo
rescindido a qualquer momento.

Tendo em vista que há o não pagamento das taxas condominiais em


atraso, e o que se busca é realizar acordo para seu adimplemento ainda
que de modo parcelado, não se cogita por ora, da necessidade de penhora
do imóvel o qual se dará apenas no caso de sentença procedente e a
porventura execução da mesma, razão pela qual a COHAB-CT não quer
seja falado em condição propter rem do imóvel, não sendo cabível no
presente momento falar-se em penhora do mesmo.

6. “ requer a apresentação dos balancetes contábeis no período objeto da


cobrança e do contrato firmado;”

Os balancetes contábeis no período objeto da cobrança encontrarem-se à


disposição dos condôminos junto ao síndico, para verificação a qualquer
momento.

7. “ ilegitimidade passiva da Cohab-CT e se for a Requerida considerada


condômina, tendo em vista ser proprietária das unidades condominiais, a
eleição do síndico do condomínio deverá ser tida como nula, haja vista que
fora eleito quem nem condômino é, pois possui tão somente um contrato de
compromisso de compra e venda com a proprietária do imóvel, ora
Requerida, e ainda por cima, eleito por não condôminos, mas tão somente
compromissários compradores dos imóveis integrantes do conjunto
habitacional, sendo nula a eleição, porque se for a COHAB-CT equiparada
a condômina (só por ser proprietária), esta não votou e desejaria ter esse
direito a voto e em sendo assim não poderia sequer ser exigido o
pagamento das mencionadas taxas.”

Caso entenda a COHAB-CT que está sendo prejudicada por não ter direito
a voto em eleição de síndico, não cabe tal discussão nesta, que é uma
simples ação sumária de cobrança de taxas condominiais em atraso,
devendo a mesma ajuizar a ação que melhor lhe aprouver para tal
desiderato. Como referidas taxas estão em atraso, entendem o Autor que
poderão ser exigidas em juízo.
8. “ por outro lado o imóvel foi objeto de Contrato de Compromisso de
Compra e Venda, com força de escritura pública “ex vi” do artigo 1º Lei
5.049/66, firmado em 10/02/1981 com o Sr. Ariel Alves Teixeira, transferido
para o Sr. Marcus Moreira da Veiga em 01/08/1986.”

Não pode prosperar as argumentações trazidas pela Ré, de ilegitimidade


passiva, considerando que a certidão atualizada da matrícula do imóvel
(fls.9) dos presentes autos diz:

“PROMITENTE VENDEDORA: COMPANHIA DE HABITAÇÃO POPULAR DE


CURITIBA – COHAB-CT, (leia-se proprietária) já qualificada, PROMITENTE
COMPRADOR (a): ARIEL ALVES TEIXEIRA ...De conformidade com Termo de
Cessão e Transferência de promessa de compra e venda arquivada neste Ofício;
ARIEL ALVES TEIXEIRA... e sua mulher MARGARETE APARECIDA TEIXEIRA,
CEDERAM E TRANSFERIRAM com a devida anuência da promitente vendedora
COMPANHIA DE HABITAÇÃO POPULAR DE CURITIBA – COHAB/CT acima
qualificada, para MARCUS MOREIRA DA VEIGA,...”

Trata-se de uma simples condição suspensiva: pago o financiamento, o


imóvel é transferido definitivamente ao promitente comprador.

Ora, não restou demonstrado na contestação a quitação do financiamento


do pretenso comprador, tornando-se proprietários por direito do imóvel, de
onde conclui-se que a atual e real proprietária é a COHAB-CT e a esta cabe
a responsabilidade de responder pelas taxas condominiais em atraso e as
vincendas.

9. “os boletos de cobrança das taxas condominiais foram expedidos em


nome do Sr. Marcus Moreira da Veiga, o que corrobora em sua legitimidade
passiva perante o pagamento, ou seja, o Autor tem ciência de que o
Compromissário Marcus é o condômino, pois se diferente fosse, não
figuraria nos boletos de cobrança.”

A alegação feita pela Ré, de que foi a Compromissária Compradora e não


ela que “usufruiu das benesses do Condomínio” é frágil, haja vista que o
Código Civil Brasileiro e jurisprudência dominante revelam a
impossibilidade de transmitir à terceiros “obrigação de pagar, por sua conta
exclusiva, quaisquer encargos, impostos, taxas, multas e contribuições”
visto que tais obrigações pertencem ao proprietário do imóvel. Somente a
transferência do respectivo imóvel no registro imobiliário competente
impõem ao novo proprietário o cumprimento dos encargos dele
decorrentes.
Considerando que no direito brasileiro vige o princípio da transcrição, a
COHAB-CT é responsável pelo pagamento das taxas de condomínio, em
caso de inadimplência de encargos oriundos do imóvel.

10. “não sendo justo que o dinheiro do poder público seja utilizado para
pagar dívidas particulares, sendo que a responsabilidade pelo pagamento
das taxas condominiais devem ser suportadas por aquele que usufruiu dos
benefícios do condomínio.”

O contrato de compromisso de compra e venda firmado com o Promitente


Comprador e juntado aos presentes autos não poderia ser oponível à
terceiros de boa-fé, como é o caso do Condomínio. Sua força jurídica
somente se revela entre as duas partes contratantes, sendo irrelevante ao
Condomínio Autor que COHAB e os Promitentes Compradores tenham, em
comum acordo, combinado diferentemente daquilo que determina a lei
(cláusula décima quinta do aludido contrato), conforme vejamos:

Artigo 530: “Adquire-se a propriedade imóvel:


I - Pela transcrição do título de transferência no registro do imóvel;
(...)

O parágrafo único do artigo 860 complementa que:

“Parágrafo único. Enquanto se não transcrever o título de transmissão, o alienante


continua a ser havido como dono do imóvel, e responde pelos seus encargos.”

A observação feita pela Ré de que “o Autor tem ciência de que o


Compromissário Comprador é o condômino e não a COHAB-CT, pois se
diferente fosse, não figuraria nos boletos de cobrança o nome do
Compromissário “ é irrelevante, haja vista que a lei impõe o registro da
transmissão do imóvel como condição para a transferência da
responsabilidade por encargos dele oriundos a terceiros. Desta forma, a
obrigação de responder pelos encargos condominiais em atraso é do
proprietário (a COHAB) solidariamente e não somente dos pretensos
compradores.

A jurisprudência, confirmando a aplicação de tal dispositivo, corrobora:

“AÇÃO DE COBRANÇA DE TAXAS CONDOMINIAIS. SENTENÇA.


FUNDAMENTAÇÃO SUSCINTA. VALIDADE. TRANSFERÊNCIA DO IMÓVEL PARA
TERCEIRA PESSOA. NECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS
PARA SE CONCRETIZAR O DOMÍNIO.
1. somente a sentença não motivada é passível de nulidade; a fundamentação
sucinta ou deficiente não a invalida.

2. o fato de o apartamento ter sido alienado à terceira pessoa não isenta o apelante
da responsabilidade de arcar com as taxas condominiais, pois a lei exige o registro
no ofício imobiliário para que o domínio seja transferido.”(Código Civil, art. 860,
parágrafo único) Apelação desprovida. (Apelação Cível nº 0098805400 – Curitiba –
Juiz Cristo Pereira –Segunda Câmara Cível – Julgamento: 11/12/96 – Ac. 7699 –
Public. 07/02/97).
........................................................................................................

“AÇÃO DE COBRANÇA – TAXAS CONDOMINIAIS (...)


1- a responsabilidade pelo pagamento de taxas de condomínio é própria daquele
que detém a titularidade da unidade de condomínio, assim demonstrada pela
comprovação de que é também o titular do domínio, em face de inscrição no
registro de imóveis; qualquer transferência da propriedade, que não represente
forma regular e devidamente inscrita no registo de imóveis é ineficaz em relação a
terceiros, no caso o condomínio;

2. compromisso particular de compra e venda, firmando no âmbito do ‘sistema


financeiro de habitação’ cujo imóvel acha-se hipotecado em favor do agente
financeiro e foi alienado sem anuência deste, não tem o condão de modificar o
relacionamento existente entre condômino e condomínio;

3 – mesmo ocorrendo posse ou ocupação por outra pessoa, persiste para o


proprietário a obrigação de responder pelas taxas condominiais, que assim é parte
legítima para figurar no pólo passivo da ação de cobrança de cotas-parte em
atraso;

4- decisão recorrida equivocada, que deve ser cassada de ofício.” (Ac. 8381, do
Tribunal de Alçada deste Estado, 5ª Câmara Cível, Juiz Relator, Waldomiro Namur).

Superior Tribunal de Justiça

ACÓRDÃO: RESP 194481/SP (199800830723)


RECURSO ESPECIAL
DECISÃO: Por unanimidade, conhecer do recurso, mas lhe negar provimento.
DATA DA DECISÃO: 04/02/1999
ORGÃO JULGADOR: QUARTA TURMA

EMENTA
CONDOMÍNIO. Despesas. Ação de cobrança. Legitimidade passiva.
- A ação de cobrança de quotas condominiais pode ser proposta tanto
contra o proprietário como contra o promissário comprador, pois o
interesse prevalente é o da coletividade de receber os recursos para o
pagamento de despesas indispensáveis e inadiáveis, podendo o
credor escolher, - entre aqueles que tenham uma relação jurídica
vinculada ao imóvel (proprietário, possuidor, promissário comprador,
etc.), - o que mais prontamente poderá cumprir com a obrigação,
ressalvado a este o direito regressivo contra quem entenda
responsável.
- Ação promovida contra o proprietário.
Recurso conhecido, mas improvido.

RELATOR: MINISTRO RUY ROSADO DE AGUIAR

INDEXAÇÃO: LEGITIMIDADE PASSIVA, CONSTRUTORA, PROMITENTE VENDEDOR,


PROPRIETARIO, TITULAR, DOMINIO, IMOVEL, AÇÃO DE COBRANÇA, VALOR,
TAXA, CONDOMINIO, CARACTERIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO PROPTER REM,
INDEPENDENCIA, EXISTENCIA, COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA,
RESSALVA, POSSIBILIDADE, DIREITO DE REGRESSO, PROMITENTE COMPRADOR,
POSSUIDOR, IMOVEL.

FONTE: DJ DATA: 22/03/1999 PG: 00216


VEJA: RESP 30117-RJ, RESP 40263-RJ, RESP 74495-RJ, RESP 164096-SP (STJ)
REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS: LEG: FED LEI: 004591 ANO: 1964 ART: 00012

As dívidas de condomínio não decorrem da posse, mas sim da


propriedade, devendo desta forma ser condenado a Ré COHAB-CT
também ao pagamento das taxas em atraso, a não ser que o mesmo já
encontre-se quitado, informação esta não trazida até a presente data.

Assim, considerando que:

a) Não houve transferência definitiva no Registro de Imóveis do


apartamento localizado no Núcleo Habitacional Jardim Monte Verdi I,
conforme demonstra a certidão atualizada juntada às fls.9;

b) O responsável pelo pagamento de taxas condominiais, segundo o


Código Civil Brasileiro e o entendimento jurisprudencial, é o proprietário do
imóvel;

c) O contrato de compromisso de compra e venda não é oponível ao


condomínio quando procura-se transferir à terceiro a obrigação
condominial, sob pena de violação aos artigos 530, inciso I e 860, § único
do Código Civil, bem como o artigo 12 da Lei 4.591/64...

...CONCLUI-SE QUE A COHAB É AINDA A PROPRIETÁRIA DO IMÓVEL


E RESPONSÁVEL PELA QUITAÇÃO DAS TAXAS CONDOMINIAIS EM
ATRASO.

Não é aceitável que o Condomínio Autor seja prejudicado pelo fato da


COHAB impor, por intermédio do referido Contrato de Promessa de
Compra e Venda a responsabilidade do pagamento do condomínio ao
mutuário e se beneficiar desta cláusula, desobrigando-se de qualquer
responsabilidade em caso de não pagamento, embora seja
proprietária e, conforme mencionado, responsável pela obrigação de
contribuir com a quota-parte.

Ainda quanto a ilegitimidade passiva, assim se pronunciou o Segundo


Tribunal de Alçada Civil de São Paulo:

“Condomínio – despesas condominiais – cobrança – legitimidade passiva – proprietário


ou promissário comprador – escolha do credor – admissibilidade.
As obrigações condominiais são de natureza “propter rem” e, em princípio, devem
ser suportadas pelo titular do domínio da unidade autônoma. Contudo, admite-se,
consoante orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, que a ação
de cobrança de quotas condominiais pode ser proposta tanto contra o proprietário
quanto o promissário comprador, pois o interesse prevalente é o da coletividade de
receber os recursos para o pagamento de despesas indispensáveis e inadiáveis,
podendo o credor escolher, - entre aqueles que tenham uma relação jurídica
vinculada ao imóvel (proprietário, possuidor, promissário comprador, etc.), - o que
mais prontamente poderá cumprir com a obrigação, ressalvado a este o direito
regressivo contra quem entenda responsável. recurso provido.” (Ap. s/ Ver. 547.904-
00/9-1 1ª Câm. – Rel. Juiz Amorin Cantuária – J. 15.06.99. (grifo nosso)

11. “ na obrigação propter rem o devedor responde somente pelas dívidas


presentes e não por aquelas pretéritas à relação do direito real que mantém
com a coisa, sendo o débito garantido por todo o seu patrimônio e não pela
coisa.”

Descabe tais assertivas, eis que o débito condominial acompanha o imóvel.

12. “ a aplicação do Código de Defesa do Consumidor, a fim de reduzir a


multa condominial ao patamar de 2%, o índice aplicável para correção
monetária adequado é a TR, e este cabível a partir do momento do
ajuizamento da ação de cobrança; a aplicação de juros deve ser aplicados
a partir do momento em que a Ré tomou ciência da referida ação, e não a
partir dos eventuais débitos. “

Quanto a aplicação de juros de mora, recordemos a existência de


legislação específica que trate sobre o assunto em tela.

De fato, o condomínio em edificações é regido por legislação especial, a Lei


n.º 4.591 de 16 de dezembro de 1964, que, em seu art. 12, dispõe sobre a
aplicação de juros moratórios nos casos de atraso no pagamento de taxas
condominiais.

Ocorre que o art. 12 da citada lei, em seu parágrafo 3º, é explícito quanto à
aplicação de juros, lá estabelecidos em 1% ao mês, nos termos seguintes:

“Art. 12. (...)


§ 3º O condômino que não pagar a sua contribuição no prazo fixado na convenção
fica sujeito ao juro moratório de 1% ao mês, e multa de até 20% sobre o débito, que será
atualizado, se o estipular a convenção, com a aplicação dos índices de correção monetária
levantados pelo Conselho Nacional de Economia, no caso de mora por período igual ou
superior a seis meses.”
(destacou-se)

Desta maneira, não há a necessidade do regimento interno ou da


convenção do condomínio reiterar em seu texto o que já está legalmente e
expressamente determinado.

Assim, aplicável aqui se faz o percentual de 1% ao mês em relação aos


juros de mora, uma vez que a própria lei que dispõe sobre condomínio
assim o determina, sendo estes devidos a partir do momento em que o
condômino deixou de pagar sua contribuição no prazo fixado na
convenção, conforme o dispositivo legal supra.

Neste sentido também vem se posicionando a jurisprudência:


“CONDOMÍNIO – AÇÃO DE COBRANÇA – CORREÇÃO MONETÁRIA – MULTA – JUROS –
LEI 4.591/64 – CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – LEI DE USURA –
INAPLICABILIDADE – Não se aplicam o Código de Defesa do Consumidor, a Lei de Usura, nem
mesmo a Lei da Correção Monetária, quando a matéria é tratada de forma específica em lei
especial, que dispõe sobre o assunto de modo diferente.
A lei 4.591/64, que dispõe sobre os condomínios, permite a aplicação de multa de 20% e juros
moratórios de 1% ao mês, no caso de atraso nos pagamentos das taxas condominiais, com
correção monetária a partir dos respectivos vencimentos.”
(TAMG – 1ª Cciv, Ap 268847-7, Rel Juíza Vanessa Verdolim Andrade, DJ 26/05/99)
(destacou-se)

Ademais, os juros estabelecidos naquele dispositivo é perfeitamente


constitucional, uma vez que não ultrapassa o limite de 12% ao ano previsto
no art. 192, § 3º da Constituição Federal/88.

Correção Monetária

O índice utilizado para corrigir monetariamente o débito, ou seja, média do


IGP+INPC, além de ser determinado pelo Decreto n.º 1.544/95, é o índice
utilizado pelo Contador Judicial, e fornecido pelo Banco Central.

Dessa maneira, perfeitamente cabível no cálculo presente nestes autos. Ademais,


não há a simples soma de dois índices, e sim a média resultante desta soma,
não havendo, desta forma, indevida correção do débito.
Multa

A multa estipulada para impontualidade das cotas condominiais é de


20%, consoante art. 25 do Regimento Interno do Conjunto Moradias
Santa Cândida II – Condomínio I.

Observa-se que o percentual de 20% sobre as cotas atrasadas a título de


multa é devida, advindo da observância ao permissivo legal do art. 12, § 3º
da Lei 4.591/64 e dos próprios autos, pois se instrui na inicial a fotocópia da
Ata da Assembléia de Constituição do Condomínio, onde o art. 29º
vislumbra com clareza meridiana a legalidade da cobrança de tal patamar.

Dispõe o art. 12, § 3º da Lei 4.591/64:

“Art. 12. Cada condômino concorrerá nas despesas do condomínio, recolhendo,


nos prazos previstos na convenção, a cota-parte que lhe couber no rateio.
§ 3º O condômino que não pagar a sua contribuição no prazo fixado na
convenção fica sujeito ao juro moratório de 1% ao mês, e multa de até 20%
sobre o débito, que será atualizado, se o estipular a convenção, com a aplicação
dos índices de correção monetária levantados pelo Conselho Nacional de
Economia, no caso de mora por um período igual ou superior a seis meses”.
(grifou-se)

Sobre a parte final do artigo, comenta o festejado Theotônio Negrão:

“O período de carência de seis meses já não vigora, em face da lei de


Correção Monetária;” (Negrão, Theotônio In Código Civil e Legislação Civil em
Vigor, 19ª Edição, 2000, Ed. Saraiva, p. 464 – grifou-se)

Assim Excelência, demonstra-se o embasamento da multa ora pleiteada,


tendo a Ata da Assembléia de Constituição do Condomínio previsto sua
ocorrência, inexistindo qualquer irregularidade a sua inserção nas cotas,
posto que a norma regimental exprime a vontade maior dos condôminos,
elevando-se, assim, ao patamar de ato jurídico perfeito, consoante art. 5º,
XXXVI da Carta Magna.

Taxa de Cobrança

A taxa de cobrança refere-se ao pagamento pelos serviços prestados pela


empresa cobradora. Não trata-se de bis in idem, pois a taxa de cobrança decorre
de contrato devidamente aprovado pela assembléia condominial, e honorários
advocatícios pelo atraso no pagamento das taxas condominiais.

Honorários e Custas Processuais

No que concerne às custas e aos honorários (20%), já trazidos na planilha


de cálculo, cumprem tão somente facilitar uma possível composição, sendo
claro que, por ocasião da sentença, estes serão perfeitamente adequados à
condenação.

Ainda quanto a relação da correção monetária, juros e multa deverão


incidir a partir do vencimento, conforme previsto na Convenção e
Regimento Interno e ainda conforme previsto no art. 960 do Código Civil,
sendo descabida a pretensão da ré, requerendo a incidência da correção
monetária a partir do vencimento.

Vejamos a orientação da jurisprudência:

“Propriedade em condomínio – Edifício de Apartamentos – despesa – rateio entre os


condôminos – legitimidade passiva do dono – juros e correção monetária – termo a quo –
multa – apelo conhecido e desprovido.

A noção de propriedade se incorpora a idéia de domínio; somente o proprietário, o


detentor do domínio, o dono é o responsável pelas despesas que imóvel de que é
proprietário gerou e foram rateadas entre os demais condôminos. Exegese dos art. 12 e
9º da Lei nº 4.591/64. Obrigação pela qual o próprio bem pode responder, afastada
eventual impenhorabilidade. Dívida propter rem. As despesas que geradas pela coisa
deve ser suportadas por seu dono.

1. Mora ex re. Art. 960 do CC. Correção monetária. Fluência de ambos desde o
descumprimento da obrigação positiva e líquida em seu vencimento.
2. Não há relação de consumo entre condômino e condomínio. Inaplicabilidade da
legislação protetiva especial”.
(Apelação Cível nº 125.990-7, de Curitiba – 15ª Vara Cível . Apelante: CP Construtora e
Incorporadora Ltda. Apelada; Delta Assessoria e Cobranças S/C Ltda. Relator: Juiz
Renato Lopes Paiva. Revisor: Juiz Domingos Ramina).

Desta forma, requer seja condenado a Ré ao pagamento das taxas de


condomínio em atraso, acrescido de multa, juros e correção monetária da
data do vencimento da obrigação conforme estabelece o art. 960 do Código
Civil, Convenção e Regimento Interno do Condomínio.
II – CONTESTAÇÃO APRESENTADA POR EMÍLIO SABATOWSKI

1. “Cumpre ao autor a incumbência de juntar à inicial a cópia da ata da


assembléia que aprovou o orçamento...”

Argumentos já dependidos no item 1. referente a impugnação à


contestação da COHAB-CT, sendo desnecessário repeti-los.

2. “Quanto a segunda ré, a sua inclusão no pólo passivo da presente não é


compreensível... A empresa Duplique... tem pleno conhecimento do
compromisso de compra e venda do primeiro réu para com a Cohab”

Primeiramente cumpre salientar que não há como o condomínio ou a


empresa encarregada pela cobrança “adivinhar” se o compromissário
comprador que figura na matrícula do imóvel vendeu ou não o seu imóvel.

Portanto, é totalmente compreensível que o procurador do Condomínio


venha a ajuizar ação contra aqueles que se encontram como proprietários
do imóvel, pelas razões já dependidas no item 5 da impugnação à
contestação da COHAB-CT, sendo desnecessário repeti-los.

O Condomínio realmente ficou sabendo, por meras palavras, em audiência


perante a 2ª Vara da Fazenda Pública, que o Sr. Emílio Sabatowski
adquirira via “contrato de gaveta” o imóvel objeto da presente ação de
cobrança de taxas condominiais.

Ocorre que as ações de cobrança foram ajuizadas na mesma época, e


mesmo que não fossem, o Condomínio não iria se aventurar em ação de
cobrança em suposto “contrato de gaveta” que desconhece.

Insta salientar ainda que, devido ao grande número desses contratos, é


difícil ao condomínio tomar conhecimento se o morador está morando a
título de proprietário, de promitente-comprador, de inquilino.

Tanto não tinha conhecimento que todos os bloquetos de pagamento estão


em nome “Marcus Moreira da Veiga”.

3. “ao firmar contrato com a Duplique Créditos e Cobranças, o Condomínio


fez uma genuína cessão de créditos...”
Também neste tópico, já amplamente debatido o assunto no item 2, 3 e 4
da impugnação à contestação da Cohab-CT, evitando-se repetições
desnecessárias.

4. “está aguardando manifestação da parte autora no que diz respeito a


depósito efetuado pelo Sr. Emílio Sabatowski...”

Primeiramente cumpre salientar que quem está esperando manifestação


por parte da procuradora é a parte autora, eis que, apesar de contatos com
a sua procuradora, não retornou o pedido de verificação do montante
constante no referido depósito.

O fato de estar recebendo taxas atuais não comportam julgamento de que


reconhece que a dívida é do Sr. Emílio Sabatowski. O bloqueto de
pagamento é enviado ao apartamento e no pagamento não interessa
“quem” está pagando. Ou seja, o recebimento da taxa de cobrança não
está adstrito ao recebimento apenas pelo proprietário, podendo ser
inclusive o inquilino.

Portanto, esse argumento descabe no que se refere ao conhecimento por


parte do Condomínio e Empresa de que o pagamento está sendo efetuado
pelo Sr. Emílio.

Não há no presente caso critério modificativo de


competência, se há um só depósito para os dois imóveis envolvidos, pois
primeiro trata-se de dois imóveis, depois há que se esclarecer que este tem
como réu Marcus Moreira da Veiga e o da 2ª Vara da Fazenda Pública
Emílio Sabatowski.

Muito menos litispendência. Como já dito são dois imóveis, casa qual com
sua dívida condominial.

Deve portanto, ser desconsideradas as preliminares levantadas pelo Sr.


Emílio Sabatowski.

5. “ao procurar a referida administradora foi surpreendido com um


excessivo valor apresentado, que incluía o valor principal acrescido de
multa de 20%, juros moratórios, correção monetária e honorários
advocatícios... Munido da planilha do Procon... efetuou o depósito de R$
802,70...”

O valor cobrado pela procuradora não é exorbitante como afirma o


Sr.Emílio Sabatowski, eis que estava cobrando apenas o que é devido, ou
seja, a multa condominial, correção monetária, juros de mora, honorários
advocatícios como remuneração pelo trabalho despendido na ação de
cobrança em virtude do não pagamento das taxas condominiais e custas
processuais devidas pelo mesmo motivo.

É muito simples requerer um calculo a qualquer órgão e, desconsiderando


as demais parcelas integrantes da dívida, apenas depositar e se sentir no
direito de ter sua dívida considerada paga.

Ademais, a notícia do depósito à esta procuradora somente veio com a


audiência realizada perante a 2ª Vara da Fazenda Pública.

Se não houve manifestação de recusa é porque até o presente momento o


Condomínio ou a empresa não foram notificados do depósito que, conforme
exposto acima, está incompleto.

No tocante aos demais itens constantes da contestação, quais são, multa


de 2%, correção monetária, taxa de cobrança, honorários advocatícios e
juros de mora já foram devidamente rebatidos na impugnação à
contestação da COHAB-CT, pelo que remete o leitor, por desnecessária
repetição.

DO PEDIDO

Isto posto, requer-se a Vossa Excelência:

1) seja negado as preliminares apresentadas conforme argumentos já


apresentados, declarando que a Companhia de Habitação Popular de Curitiba
– COHAB-CT, como parte legítima para também figurar no pólo passivo da
presente ação de cobrança;

2) seja negado as preliminares de legitimidade passiva, devendo figurar no pólo


passivo aquele cujo nome consta na respectiva matrícula;

3) seja negado as preliminares de modificação da competência e litispendência


pelos motivos expostos no corpo da presente;

4) no mérito, seja a ação julgada procedente, em todos os seus termos,


condenando os Réus nos pedidos feitos na inicial.
Termos em que
Pede Deferimento

Curitiba, 17 de março de 2.003.

PATRÍCIA PIEKARCZYK SALETE STAFFEN


OAB/PR 29.467 OAB/PR 25.662