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RESENHA O TEMPO DO MUNDO – FERNAND BRAUDEL

BRAUDEL, Fernand. O tempo do mundo. In: ________. A dinâmica do


capitalismo. Rio de Janeiro, 1987. Disponível em:
<https://drive.google.com/file/d/0Bzquzn7b_Vkva1Naa3NCR2J0R2s/view>. Acesso
em: 20 mai. 2018.

O texto em questão diz respeito à terceira parte da obra A dinâmica do capitalismo


de Fernand Braudel. Neste capítulo – O tempo do Mundo - o autor busca analisar
em linhas gerais a evolução capitalismo junto à trajetória histórica do mundo.
Sendo assim, Braudel define dois conceitos importantes para a sua obra, a
economia mundial e a economia mundo. A economia mundial corresponde à
economia do mundo como um todo, o mercado global. Já a economia mundo refere-
se a um pedaço geográfico limitado da terra, onde uma cidade que abriga o centro
econômico, e em torno desta se localizam um aglomerado de outras cidades
subordinadas e dependentes do núcleo dominante. De acordo com Braudel as
economias-mundo foram às raízes do capitalismo, sendo possível identificar a
coexistência desse tipo de economia em toda a história da humanidade.
Nas economias-mundo podem ocorrer raras mudanças de centro econômico, essas
mudanças muitas vezes podem ser geradas por amplas crises que ocasionam a
transferência do polo para uma nova cidade. Além disso, o autor discorre sobre as
zonas que se encontram em volta do centro econômico, em que o índice de
desigualdade sobe à medida que se distanciam de seu polo, acarretando em uma
hierarquização espacial. Isto é, no centro se concentram todas as riquezas e
liberdades e, quanto mais afastado do polo estiver, menor será o nível existência
destes atributos e maior será o nível de trabalho. Logo, essas zonas externas
passam a suprir as necessidades do centro dominante, e este por sua vez, cresce
dependente do trabalho e abastecimento da periferia que o cerca.
Com isto em vista, Braudel expõe ao leitor diversos exemplos nos quais propõe uma
economia-mundo capitalista centrada inicialmente na Europa, onde suas zonas
marginais acabaram se estendendo pelo globo com o decorrer da história do mundo.
O autor aponta também três polos centrais das economias-mundo europeias como
sendo: Amsterdã, Genova e Londres. Sendo que durante os séculos XIII e XIX as
mudanças entre estes polos foram causadas devido a grandes crises capitalistas.
Para o autor, a revolução industrial teria sido um importante acontecimento histórico
para a transformação do capitalismo, mas não o único, pois esta no momento de sua
realização gozava de muitas condições favoráveis para obter êxito. Sendo que
diversas inovações tecnológicas associadas à revolução procedem de diversas
épocas e lugares do mundo, contudo essas tecnologias isoladamente não
conduziram a transformações relevantes em suas épocas e localidades.
Fernand Braudel finaliza sua obra através de breves considerações sobre os seus
princípios a respeito do capitalismo os quais foram montados sob a luz de muita
pesquisa em sua época, e que hoje se pode utilizar como base para a compreensão
da realidade em que vivemos. Outro apontamento feito pelo autor, diz respeito à
derivação do capitalismo de atividades econômicas desenvolvidas através da
exploração de recursos e através da possibilidade de expansão mundial. Apesar da
época em que foi escrita sua obra, Braudel defende o fato de que as estruturas
sociais existentes se conservariam, como a concepção de capitalismo – alcançar
dimensões mundiais -, a centralidade de organização econômica e também sua
noção de tripartição em vida material, economia de mercado e economia capitalista.