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SEPLAG-SE

Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental

1. Atividade financeira do Estado e o Direito Financeiro: conceito, características e os efeitos da Lei de


Responsabilidade Fiscal (LRF). ................................................................................................................ 1
2. Fontes do Direito Financeiro e Reserva de Lei Complementar. ....................................................... 2
3. Princípios de Direito Financeiro. ...................................................................................................... 5
4. Orçamento Público: conceitos e princípios orçamentários; ciclo orçamentário e exercício financeiro;
leis orçamentárias – Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), Lei Orçamentária Anual (LOA) e Plano
Plurianual (PPA); processo legislativo orçamentário; créditos adicionais; dotação dos poderes e órgãos;
vedações orçamentárias constitucionais. ................................................................................................. 9
5. Despesa Pública: conceito, classificação, estágios e os efeitos da Lei de Responsabilidade Fiscal
(LFR – Lei Complementar n. 101/2000). 6. Receita Pública: conceito, classificação, estágios, dívida ativa,
repartição de receitas e efeitos da LRF. ................................................................................................. 45
7. Crédito Público: conceito, classificação dos empréstimos e dívida pública na Lei nº 4.320/64 e na
LRF. ....................................................................................................................................................... 63
8. Repartição de receitas e transferências constitucionais. ................................................................ 66
9. Precatórios e Requisição de Pequeno Valor (RPV). ...................................................................... 72
10. Controle da Atividade Financeira. Controle pelos Tribunais de Contas. ....................................... 75
11. Súmulas e jurisprudência pacificada em matéria de Direito Financeiro. ....................................... 85

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1. Atividade financeira do Estado e o Direito Financeiro: conceito, características
e os efeitos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br

Atividade Financeira Do Estado1

É a atuação das pessoas jurídicas de direito público voltada para obter, gerir e aplicar recursos
financeiros necessários à consecução dos seus objetivos, de suas finalidades (em última análise, a
realização do bem comum). Envolve basicamente as seguintes atividades:
. Arrecadação de recursos (receitas públicas).
. Aplicar recursos (despesas públicas).
. Obtenção de empréstimos, arrecadação por meio de créditos públicos (endividamento
Público).
. Planejamento, previsão e controle dessas operações financeiras. (Orçamento público).

Conceito e objeto

O Direito Financeiro é o ramo do direito público que trata dos princípios e regras que regem a atividade
financeira do Estado (conjunto de ações do Estado que tem como objetivo arrecadar, gastar o que se
arrecadou, para que sejam então atingidas suas finalidades).
Seu objeto material é o mesmo da ciência das finanças, ou seja, a atividade financeira do estado, que
se desdobra em receita, despesa, orçamento e crédito público. Enquanto a ciência das finanças estuda
esses desdobramentos sob ponto de vista especulativo, analisando os fenômenos financeiros e
econômicos que podem a futuramente, constituir-se em fonte material do direito financeiro, este, de seu
lado, disciplina toda a atividade financeira do Estado, compreendendo todos os aspectos em que a mesma
se desdobra.
Assim, ambos têm o mesmo objeto, diferenciando-se apenas pelo modo como cada um enfoca o
mesmo fenômeno. O foco do direito financeiro é atender às necessidades públicas do Estado.
Cabe destacar ainda que o direito financeiro ganhou autonomia como ramo do direito e não é mais
visto como um simples desdobramento do direito tributário. Dessa forma, o Direito Tributário difere-se do
conceito de Direito Financeiro, uma vez que este regula a atividade financeira e orçamentária do ente
público, enquanto aquele trata exclusivamente da obtenção de receitas no que concerne ao conceito de
tributo e das obrigações derivadas da relação jurídica tributária. Nesse sentido, podemos dizer que o
direito financeiro é o corpo e o Direito Tributário as mãos/arrecadadoras de tributos.
Principais artigos constitucionais: 70 a 75 e 163 a 169 da Constituição Federal, que trata de
princípios de direito financeiro e de quem pode legislar sobre o tema.

Características

. A atividade financeira é uma atividade pecuniária. A lógica da sua peculiaridade como elemento
que vai dar ao Estado recursos para ele realizar as despesas.
. Segurança Jurídica em sentido formal. O orçamento ganhou a ideia de legalidade como grande
ferramenta jurídica. A atividade financeira tem que estar circunscrita ao campo da legalidade.
. Extensão do princípio da anualidade.
. A principal característica da atividade financeira é que ela não é uma atividade fria. A frieza do
orçamento ser uma mera repartição de receitas ou definir os custos, foi se mudando com o passar dos
tempos, a visão inevitável hoje é de que, o orçamento tem que trazer pelo menos de maneira tipicamente
instrumental, uma compreensão de justiça financeira, justiça fiscal, ou seja, por intermédio das normas
de finanças que nós conseguiríamos implementar uma justiça fiscal.

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Direito financeiro. Curso FBM. Prof: Paulo Cezar Neves Jr.

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Efeitos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)2

Baseada no artigo 165, §9º da Constituição Federal a Lei Complementar 101/2000, também conhecida
como Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), foi elaborada pelo poder executivo e teve o propósito de
definir novos rumos da administração pública, seja no âmbito dos Estados-membros, dos municípios,
como da própria União, limitando os gastos às receitas, mediante adoção das técnicas de planejamento
governamental, organização, controle interno e externo e transparência das ações de governo. Ainda nos
termos desse documento, ficam os administradores públicos expressamente responsáveis por ações
implementadas no exercício de suas funções e sujeitos a penalidades, definidas em legislação própria,
reforçada pela LRF.
O fundamento da Lei de Responsabilidade Fiscal está nos artigos 163 a 169 da Constituição Federal,
mas especificamente no artigo 165, §9º, os quais expressam a intenção do legislador de promover uma
administração financeira eficiente, atendendo ao critério de maior controle da sociedade sobre o Estado.
Assim, com base na CF/88 é editada a LRF, que permite um grande e decisivo passo para a
institucionalização do moderno sistema de finanças públicas no Brasil. Representa uma significativa
mudança do regime fiscal, em resposta aos problemas verificados durante décadas em todos os poderes
de todos os entes da federação. Avanços significativos em questões que restavam mal equacionadas,
em especial, no que tange aos relacionamentos entre a União e os Estados-membros foi objeto da LRF.
Houve avanços também no campo da democracia, abrindo mais espaços para o controle social e a
participação popular.
A LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) se trata de um importante instrumento de impacto nas finanças
públicas.
A grande preocupação do legislador ao editar a Lei de Responsabilidade Fiscal foi estabelecer as
bases para uma gestão fiscal responsável.
Como forma de atender aos anseios da sociedade, a LRF impõe diversas situações onde o gestor
poderá vir a ser penalizado por seus atos ilícitos e ou irresponsáveis. Isto demonstra que a LRF não é
simplesmente mais uma lei, mas uma norma que se impõe como forma jurídica de punição aos possíveis
executores de uma gestão irresponsável.

2. Fontes do Direito Financeiro e Reserva de Lei Complementar.

Fontes do Direito Financeiro

Segundo Alexandre Mazza, “fonte é o local de onde algo provém. No Direito, as fontes são fatos
jurídicos de onde as normas emanam.”
Pode-se traduzir fonte como a origem de algo, nesse caso a origem das normas de Direito Financeiro.
Elas dividem-se em primárias e secundárias.
A fonte primária é a lei. De acordo com o princípio da legalidade, somente a lei pode impor obrigações,
ou seja, somente a lei pode obrigar o sujeito a fazer ou deixar de fazer algo, mas o que é lei?
Maria Helena Diniz ensina que a lei, em sentido jurídico, é um texto oficial que engloba um conjunto
de normas, ditadas pelo Poder Legislativo e que integra a organização do Estado. A elaboração da lei é
disciplinada por comando constitucional e tem sua executoriedade compulsória garantida pelo Estado.
Assim, pode-se afirmar que a lei, em sentido jurídico ou formal, é um ato primário, pois encontra seu
fundamento na Constituição Federal, bem como possui por características a generalidade (a lei é válida
para todos) e a abstração (a lei não regula situação concreta).
Existem diversas espécies normativas: lei ordinária, lei complementar, lei delegada, medida provisória,
decretos legislativos, resoluções, etc. Todas são lei e, portanto, constituem fonte primária do Direito
Administrativo. Não se deve esquecer das normas constitucionais que estão no ápice do ordenamento
jurídico brasileiro.

A doutrina é o fruto do trabalho dos estudiosos do Direito, ou seja, é a interpretação que os


doutrinadores dão à lei. Vê-se que a doutrina não cria normas, interpreta-as de forma que determinam o
sentido e alcance dessa e norteiam o caminho do seu aplicador.

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Adaptado http://www.conteudojuridico.com.br

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A jurisprudência é o resultado do trabalho dos aplicadores da lei, especificamente, são decisões
reiteradas dos Tribunais. Também não cria normas, ao contrário, assemelhar-se à doutrina porque se
trata de uma interpretação da legislação.
Os costumes, de modo geral, são conceituados como os comportamentos reiterados que tem
aceitação social. Ex: fila. Não há nenhuma regra jurídica que obrigue alguém a respeitar a fila, porém as
pessoas respeitam porque esse é um costume, ou seja, um comportamento que está intrínseco no seio
social.

Regulamentos – São atos normativos posteriores aos decretos, que visam especificar as disposições
de lei, assim como seus mandamentos legais. As leis que não forem executáveis, dependem de
regulamentos, que não contrariem a lei originária. Já as leis auto-executáveis independem de
regulamentos para produzir efeitos.
Instruções normativas – Possuem previsão expressa na Constituição Federal, em seu artigo 87,
inciso II. São atos administrativos privativos dos Ministros de Estado. É a forma em que os superiores
expedem normas de caráter geral, interno, prescrevendo o meio de atuação de seus subordinados com
relação a determinado serviço, assemelhando-se às circulares e às ordens de serviço.
Na maioria das vezes apresenta-se como Instruções Normativas.

Regimentos – São atos administrativos internos que emanam do poder hierárquico do Executivo ou
da capacidade de auto-organização interna das corporações legislativas e judiciárias. Desta maneira, se
destinam à disciplina dos sujeitos do órgão que o expediu.

Estatutos – é o conjunto de normas jurídicas, através de acordo entre os sócios e os fundadores,


regulamentando o funcionamento de uma pessoa jurídica. Inclui os órgãos de classe, em especial os
colegiados.

Lei formal – relaciona-se diretamente com a forma e não precisamente com o conteúdo, devendo
seguir o que é proposto pelas Casas Legislativas. São exemplos: as Leis Complementares, Leis
Ordinárias ou Leis Delegadas.
Vale frisar que a lei apresenta o mais alto nível de produção, ficando abaixo, apenas da Constituição
Federal.

Dentre as leis financeiras, podemos citar: 4.320/1964 que estatui normas gerais de direito financeiro
para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do
Distrito Federal, a lei nº 101/200 que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a
responsabilidade na gestão fiscal, dentre outras.

Reserva de Lei Complementar

As matérias sob reserva de lei complementar são aquelas expressamente previstas pelo constituinte
(âmbito de validade material, predeterminado constitucionalmente).
O art. 163 declara que a lei complementar disporá sobre, finanças públicas, dívida pública externa e
interna, concessão de garantias da dívida pública, emissão e resgate de títulos da dívida pública,
fiscalização das instituições financeiras e operações de câmbio.

Segue abaixo os dispositivos Constitucionais sobre o tema:

CAPÍTULO II
DAS FINANÇAS PÚBLICAS
Seção I
NORMAS GERAIS

Art. 163. Lei complementar disporá sobre:


I - finanças públicas;
II - dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais entidades
controladas pelo Poder Público;
III - concessão de garantias pelas entidades públicas;
IV - emissão e resgate de títulos da dívida pública;
V - fiscalização financeira da administração pública direta e indireta;

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VI - operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios;
VII - compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União, resguardadas
as características e condições operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional.

Seção II
DOS ORÇAMENTOS

Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:


(...)
§ 9º - Cabe à lei complementar:
I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do
plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual;
II - estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta bem
como condições para a instituição e funcionamento de fundos.
III - dispor sobre critérios para a execução equitativa, além de procedimentos que serão
adotados quando houver impedimentos legais e técnicos, cumprimento de restos a pagar e
limitação das programações de caráter obrigatório, para a realização do disposto no § 11 do art.
166.

Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao


orçamento anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso
Nacional, na forma do regimento comum.
(...)
§ 6º - Os projetos de lei do plano plurianual, das diretrizes orçamentárias e do orçamento anual
serão enviados pelo Presidente da República ao Congresso Nacional, nos termos da lei
complementar a que se refere o art. 165, § 9º.
(...)
§ 11. É obrigatória a execução orçamentária e financeira das programações a que se refere o §
9º deste artigo, em montante correspondente a 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento) da
receita corrente líquida realizada no exercício anterior, conforme os critérios para a execução
equitativa da programação definidos na lei complementar prevista no § 9º do art. 165.

Art. 168. Os recursos correspondentes às dotações orçamentárias, compreendidos os créditos


suplementares e especiais, destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, do
Ministério Público e da Defensoria Pública, ser-lhes-ão entregues até o dia 20 de cada mês, em
duodécimos, na forma da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º.

Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar.
§ 1º A concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, a criação de cargos,
empregos e funções ou alteração de estrutura de carreiras, bem como a admissão ou contratação
de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos e entidades da administração direta ou indireta,
inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público, só poderão ser feitas:
I - se houver prévia dotação orçamentária suficiente para atender às projeções de despesa de
pessoal e aos acréscimos dela decorrentes;
II - se houver autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias, ressalvadas as empresas
públicas e as sociedades de economia mista.
§ 2º Decorrido o prazo estabelecido na lei complementar referida neste artigo para a adaptação
aos parâmetros ali previstos, serão imediatamente suspensos todos os repasses de verbas
federais ou estaduais aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios que não observarem os
referidos limites.
§ 3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base neste artigo, durante o prazo
fixado na lei complementar referida no caput, a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios adotarão as seguintes providências:
I - redução em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e funções
de confiança;
II - exoneração dos servidores não estáveis.

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§ 4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo anterior não forem suficientes para
assegurar o cumprimento da determinação da lei complementar referida neste artigo, o servidor
estável poderá perder o cargo, desde que ato normativo motivado de cada um dos Poderes
especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de
pessoal.

3. Princípios de Direito Financeiro.

Princípios orçamentários

Princípio da unidade
De acordo com este princípio previsto no artigo 2º da Lei nº 4.320/1964, cada ente da federação (União,
Estado ou Município) deve possuir apenas um orçamento, estruturado de maneira uniforme.
Tal princípio é reforçado pelo princípio da “unidade de caixa”, previsto no artigo 56 da referida Lei,
segundo o qual todas as receitas e despesas convergem para um fundo geral (conta única), a fim de se
evitar as vinculações de certos fundos a fins específicos.
O objetivo é apresentar todas as receitas e despesas numa só conta, a fim de confrontar os totais e
apurar o resultado: equilíbrio, déficit ou superávit.
Atualmente, o processo de integração planejamento-orçamento tornou o orçamento necessariamente
multidocumental, em virtude da aprovação, por leis diferentes, de vários documentos (Plano Plurianual –
PPA, Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO e Lei Orçamentária Anual – LOA), uns de planejamento e
outros de orçamento e programas. Em que pese tais documentos serem distintos, inclusive com datas de
encaminhamento diferentes para aprovação pelo Poder Legislativo, devem, obrigatoriamente ser
compatibilizados entre si, conforme definido na própria Constituição Federal.
O modelo orçamentário adotado a partir da Constituição Federal de 1988, com base no § 5º do
artigo165 da CF 88 consiste em elaborar orçamento único, desmembrado em: Orçamento Fiscal, da
Seguridade Social e de Investimento da Empresas Estatais, para melhor visibilidade dos programas do
governo em cada área. O artigo 165 da Constituição Federal define em seu parágrafo 5º o que deverá
constar em cada desdobramento do orçamento:

“§ 5º –A lei orçamentária anual compreenderá:


I – o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da
administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;
II – o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente,
detenha a maioria do capital social com direito a voto;
III – o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela
vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e
mantidos pelo Poder Público.”

Princípio da universalidade
Segundo os artigos 3º e 4º da Lei nº 4.320/1964, a Lei Orçamentária deverá conter todas as receitas
e despesas. Isso possibilita controle parlamentar sobre todos os ingressos e dispêndios administrados
pelo ente público.

“Art. 3º A Lei de Orçamentos compreenderá todas as receitas, inclusive as de operações de


crédito autorizadas em lei.
Parágrafo único. Não se consideram para os fins deste artigo as operações de crédito por
antecipação da receita, as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias, no ativo
e passivo financeiros.

Art. 4º A Lei de Orçamento compreenderá todas as despesas próprias dos órgãos do Governo
e da administração centralizada, ou que, por intermédio deles se devam realizar, observado o
disposto no artigo 2°.”

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Tal princípio complementa-se pela “regra do orçamento bruto”, definida no artigo 6º da Lei
nº4.320/1964:

“Art. 6º. Todas as receitas e despesas constarão da lei de orçamento pelos seus totais, vedadas
quaisquer deduções.”

Princípio da anualidade ou periodicidade


O orçamento deve ser elaborado e autorizado para um determinado período de tempo, geralmente um
ano. No Brasil, o exercício financeiro coincide com o ano civil, conforme dispõe o artigo 34 da Lei nº
4320/1964:

“Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil.”

Observa-se, entretanto, que os créditos especiais e extraordinários autorizados nos últimos quatro
meses do exercício podem ser reabertos, se necessário, e, neste caso, serão incorporados ao orçamento
do exercício subsequente, conforme estabelecido no § 3º do artigo 167 da Carta Magna.
Princípio da exclusividade
Tal princípio tem por objetivo impedir a prática, muito comum no passado, da inclusão de dispositivos
de natureza diversa de matéria orçamentária, ou seja, previsão da receita e fixação da despesa. Previsto
no artigo 165, § 8º da Constituição Federal, estabelece que a Lei Orçamentária Anual não conterá
dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a
autorização para abertura de créditos suplementares e a contratação de operações de crédito, inclusive
por antecipação de receita orçamentária (ARO), nos termos da lei. As leis de créditos adicionais também
devem observar esse princípio.

Princípio do equilíbrio
Esse princípio estabelece que o montante da despesa autorizada em cada exercício financeiro não
poderá ser superior ao total de receitas estimadas para o mesmo período. Havendo reestimativa de
receitas com base no excesso de arrecadação e na observação da tendência do exercício, pode ocorrer
solicitação de crédito adicional. Nesse caso, para fins de atualização da previsão, devem ser
considerados apenas os valores utilizados para a abertura de crédito adicional.
Conforme o caput do artigo 3º da Lei nº 4.320/1964, a Lei de Orçamentos compreenderá todas as
receitas, inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei.
Assim, o equilíbrio orçamentário pode ser obtido por meio de operações de crédito. Entretanto,
conforme estabelece o artigo 167, III, da Constituição Federal é vedada a realização de operações de
crédito que excedam o montante das despesas de capital, dispositivo conhecido como “regra de ouro”.
De acordo com esta regra, cada unidade governamental deve manter o seu endividamento vinculado à
realização de investimentos e não à manutenção da máquina administrativa e demais serviços.
A Lei de Responsabilidade Fiscal também estabelece regras limitando o endividamento dos entes
federados, nos artigos 34 a 37:

“ Art. 34. O Banco Central do Brasil não emitirá títulos da dívida pública a partir de dois anos
após a publicação desta Lei Complementar.

Art. 35. É vedada a realização de operação de crédito entre um ente da Federação, diretamente
ou por intermédio de fundo, autarquia, fundação ou empresa estatal dependente, e outro, inclusive
suas entidades da administração indireta, ainda que sob a forma de novação, refinanciamento ou
postergação de dívida contraída anteriormente.
§ 1º Excetuam-se da vedação a que se refere o caput as operações entre instituição financeira
estatal e outro ente da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta, que não se
destinem a:
I – financiar, direta ou indiretamente, despesas correntes;
II – refinanciar dívidas não contraídas junto à própria instituição concedente.
§ 2º O disposto no caput não impede Estados e Municípios de comprar títulos da dívida da União
como aplicação de suas disponibilidades.

Art. 36. É proibida a operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o ente da
Federação que a controle, na qualidade de beneficiário do empréstimo.

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Parágrafo único. O disposto no caput não proíbe instituição financeira controlada de adquirir,
no mercado, títulos da dívida pública para atender investimento de seus clientes, ou títulos da
dívida de emissão da União para aplicação de recursos próprios.
Art. 37. Equiparam-se a operações de crédito e estão vedados:
I – captação de recursos a título de antecipação de receita de tributo ou contribuição cujo fato
gerador ainda não tenha ocorrido, sem prejuízo do disposto no § 7 o do art. 150 da Constituição;
II – recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público detenha, direta ou
indiretamente, a maioria do capital social com direito a voto, salvo lucros e dividendos, na forma
da legislação;
III – assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou operação assemelhada, com
fornecedor de bens, mercadorias ou serviços, mediante emissão, aceite ou aval de título de
crédito, não se aplicando esta vedação a empresas estatais dependentes;
IV – assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com fornecedores para pagamento
a posteriori de bens e serviços.”

Princípio da legalidade
Tem o mesmo fundamento do princípio da legalidade aplicado à administração pública, segundo o qual
cabe ao Poder Público fazer ou deixar de fazer somente aquilo que a lei expressamente autorizar, ou
seja, se subordina aos ditames da lei.
A Constituição Federal de 1988, no artigo 373 estabelece os princípios da administração pública, dentre
os quais o da legalidade e, no seu art. 165 estabelece a necessidade de formalização legal das leis
orçamentárias:

“ Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:


I – o plano plurianual;
II – as diretrizes orçamentárias;
III – os orçamentos anuais.”

Princípio da publicidade
O princípio da publicidade está previsto no artigo 37 da Constituição Federal e também se aplica às
peças orçamentárias. Justifica-se especialmente no fato de o orçamento ser fixado em lei, e esta, para
criar, modificar, extinguir ou condicionar direitos e deveres, obrigando a todos, há que ser publicada.
Portanto, o conteúdo orçamentário deve ser divulgado nos veículos oficiais para que tenha validade.

Princípio da especificação ou especialização


Segundo este princípio, as receitas e despesas orçamentárias devem ser autorizadas pelo Poder
Legislativo em parcelas discriminadas e não pelo seu valor global, facilitando o acompanhamento e o
controle do gasto público. Esse princípio está previsto no artigo 5º da Lei nº 4.320/1964:

“Art. 5º A Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender


indiferentemente a despesas de pessoal, material, serviços de terceiros, transferências ou
quaisquer outras [...]”

O princípio da especificação confere maior transparência ao processo orçamentário, possibilitando a


fiscalização parlamentar, dos órgãos de controle e da sociedade, inibindo o excesso de flexibilidade na
alocação dos recursos pelo poder executivo. Além disso, facilita o processo de padronização e elaboração
dos orçamentos, bem como o processo de consolidação de contas.

Princípio da não-afetação da receita


Tal princípio encontra-se consagrado, como regra geral, no inciso IV, do artigo 167, da Constituição
Federal de 1988, quando veda a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa:

“Art. 167. São vedados:


[...]
IV – a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição
do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de
recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do
3 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...)

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ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado,
respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de
crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste
artigo; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003); [...]

§ 4º É permitida a vinculação de receitas próprias geradas pelos impostos a que se referem os


arts. 155 e 156, e dos recursos de que tratam os arts. 157, 158 e 159, I, a e b, e II, para a prestação
de garantia ou contra garantia à União e para pagamento de débitos para com esta.”

As ressalvas são estabelecidas pela própria Constituição e estão relacionadas à repartição do produto
da arrecadação dos impostos (Fundos de Participação dos Estados – FPE e dos Municípios – FPM e
Fundos de Desenvolvimento das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste), à destinação de recursos
para as áreas de saúde e educação, além do oferecimento de garantias às operações de crédito por
antecipação de receitas.
Trata-se de medida de bom-senso, uma vez que possibilita ao administrador público dispor dos
recursos de forma mais flexível para o atendimento de despesas em programas prioritários.
No âmbito federal, a Constituição reforça a não-vinculação das receitas por meio do artigo 76 do Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, ao criar a “Desvinculação das Receitas da
União – DRU”, abaixo transcrito:

“Art. 76. É desvinculado de órgão, fundo ou despesa, até 31 de dezembro de 2011, 20% (vinte
por cento) da arrecadação da União de impostos, contribuições sociais e de intervenção no
domínio econômico, já instituídos ou que vierem a ser criados até a referida data, seus adicionais
e respectivos acréscimos legais.
§ 1º O disposto no caput deste artigo não reduzirá a base de cálculo das transferências a
Estados, Distrito Federal e Municípios na forma dos arts. 153, § 5º; 157, I; 158, I e II; e 159, I, a e b;
e II, da Constituição, bem como a base de cálculo das destinações a que se refere o art. 159, I, c,
da Constituição.
§ 2º Excetua-se da desvinculação de que trata o caput deste artigo a arrecadação da
contribuição social do salário-educação a que se refere o art. 212, § 5º, da Constituição.”

Princípio da programação
Considerado um dos princípios orçamentários mais modernos, consistindo na organização das ações
governamentais através de programas de trabalho, com objetivos claramente definidos e dispondo de
meios para alcançá-los, sendo ainda elos de ligação entre o planejamento e o orçamento.
Princípio da exatidão
Desde os primeiros diagnósticos e levantamentos das necessidades, para fins de elaboração da
proposta orçamentária, deve existir grande preocupação com a realidade e com a efetiva capacidade do
setor público intervir para solucioná-las através do orçamento. A regra é válida não apenas para os setores
encarregados da política orçamentária, mas também para todos os órgãos que solicitam recursos para
execução em programas e projetos. Tal princípio tem concepção doutrinária, porém passou a ter também
previsão legal a partir da LRF, que exige memória e metodologia de cálculo para as metas fiscais de
receitas, despesas, resultado primário e nominal, dentre outros.

Princípio da clareza
O orçamento deve ser claro e compreensível para qualquer indivíduo, sem, no entanto, descuidar das
exigências da técnica orçamentária, especialmente em matéria de classificação das receitas e despesas.

Princípio da uniformidade
O orçamento deve conservar estrutura uniforme através dos distintos exercícios, permitindo uma
comparação ao longo do tempo.

Questões

01. (TJ/SC – Juiz Substituto – FCC/2017) Tendo em vista princípios de direito financeiro, é correto
afirmar:
(A) O princípio do equilíbrio orçamentário significa que despesas e receitas projetadas devem se
manter em níveis compatíveis umas frente às outras, vedando, portanto, a realização de superávits.

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1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
(B) O princípio da unidade de tesouraria determina que todas as receitas sejam recolhidas a conta
única, vedada a criação de caixas especiais, à exceção dos fundos de despesa.
(C) A anualidade determina que as dotações orçamentárias do exercício seguinte sejam fixadas
conforme exercício anterior.
(D) O orçamento especial da previdência social é a única exceção ao princípio na universalidade.
(E) É permitida a vinculação de receita de impostos a órgão ou fundo, exclusivamente, para a despesas
com educação.

02. (DPE/PR – Economista – Inaz do Pará/2017) Quais os princípios norteadores da Lei 4.320 de
17 de março de 1964?
(A) Legalidade, universalidade e impessoalidade.
(B) Impessoalidade, moralidade e eficiência.
(C) Ano civil, subvenções econômicas e fidelidade funcional.
(D) Universalidade, unidade e anualidade.
(E) Não-tributária, créditos suplementares e receita arrecadada.

03. (TCE/SC - Auditor Fiscal de Controle Externo – CESPE/2016) Acerca do direito financeiro na
Constituição Federal de 1988 e dos princípios orçamentários, julgue o seguinte item.
Apesar de os entes federados serem obrigados a elaborar um orçamento fiscal, um orçamento de
investimento das empresas estatais e um orçamento da seguridade social, é correto afirmar que
vigora no Brasil o princípio da unidade orçamentária.
( ) Certo ( ) Errado

Respostas

01. Resposta: “B”


Artigo 56 da lei 4.320/64. “O recolhimento de todas as receitas far-se-á em estrita observância ao
princípio de unidade de tesouraria, vedada qualquer fragmentação para criação de caixas especiais”.
Todas as receitas serão direcionadas a uma caixa única.

02. Resposta: “D”


Lei 4.320/64Artigo 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a
evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do Governo, obedecidos os princípios
de unidade, universalidade e anualidade.

03. Resposta: “Certo”


Segundo o princípio da unidade, o orçamento deve ser uno, isto é, deve existir apenas um orçamento,
e não mais que um para cada ente da Federação em cada exercício financeiro. Objetiva eliminar a
existência de orçamentos paralelos e permite ao Poder Legislativo o controle racional e direto das
operações financeiras de responsabilidade do Executivo.

4. Orçamento Público: conceitos e princípios orçamentários; ciclo orçamentário


e exercício financeiro; leis orçamentárias – Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO), Lei Orçamentária Anual (LOA) e Plano Plurianual (PPA); processo
legislativo orçamentário; créditos adicionais; dotação dos poderes e órgãos;
vedações orçamentárias constitucionais.

ORÇAMENTO PÚBLICO

Orçamento é um dos mais antigos e tradicionais instrumentos utilizados na gestão dos negócios
públicos, sendo concebido inicialmente como um mecanismo eficaz de controle parlamentar sobre o
Executivo. Ao longo do tempo, sofreu mudanças no plano conceitual e técnico (aspectos jurídico,
econômico, financeiro, de planejamento e programação, gerencial e controle administrativo, por exemplo)
para acompanhar a própria evolução das funções do Estado.

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 CONCEITO

Os primeiros Orçamentos de que se têm notícia eram os chamados orçamentos tradicionais, que se
importavam apenas com o gasto. Eram meros documentos de previsão de receita e autorização de
despesas sem nenhum vínculo com um sistema de planejamento governamental. Simplesmente se fazia
uma estimativa de quanto se ia arrecadar e decidia-se o que comprar, sem nenhuma prioridade ou senso
distributivo na alocação dos recursos públicos.
Era compreendido como uma peça que continha apenas a previsão das receitas e a fixação das
despesas para determinado período, sem preocupação com planos governamentais de desenvolvimento,
tratando-se, assim, de mera peça contábil-financeira. Tal conceito se revela ultrapassado, pois a
intervenção Estatal na vida da sociedade aumentou de forma acentuada e, com isso, o planejamento das
ações do Estado é imprescindível.
A história divide a evolução conceitual do Orçamento Público em duas fases: o Orçamento tradicional
e o Orçamento moderno. Até o século XIX, o s doutrinadores consideram que perdurou o Orçamento
Tradicional, que, é marcado pelo controle político (orçamento como instrumento de controle) cuja
preocupação, seria controlar os gastos públicos. Os gastos públicos eram vistos como um mal necessário.
A partir dos primórdios do século XX, tendo como indutor os EUA, desenvolveu-se na Administração
Pública a preocupação em ser mais eficiente, visando promover o desenvolvimento econômico e social.
O orçamento, antes era considera do um mero demonstrativo de autorizações legislativas e que não
atendia as necessidades, passou a ser visto como algo mais que uma simples previsão de receitas ou
estimativa de despesa. Este passaria a ser considerado como um instrumento de administração visando
cumprir os programas de governo.
Desta forma, o Orçamento evoluiu ao longo da história para um conceito de Orçamento-programa,
segundo o qual o Orçamento não é apenas um mero documento de previsão da arrecadação e
autorização do gasto, que além de conter a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem
realizadas por um governo, em um determinado exercício financeiro mas um documento legal, que
contém programas e ações vinculados a um processo de planejamento público, com objetivos e metas a
alcançar no exercício (a ênfase no Orçamento-programa é nas realizações do Governo).

O orçamento é utilizado hodiernamente como instrumento de planejamento da ação governamental,


possuindo um aspecto dinâmico, ao contrário do orçamento tradicional já superado, que possuía caráter
eminentemente estático.
Apesar de todas as divergências existentes na doutrina, considera-se o orçamento como uma lei
formal, que apenas prevê as receitas públicas e autoriza os gastos, não criando direitos subjetivos nem
modificando as leis tributárias e financeiras.
Sendo uma lei formal, a simples previsão de despesa na lei orçamentária anual não cria direito
subjetivo, não sendo possível se exigir, por via judicial, que uma despesa específica fixada no orçamento
seja realizada.

São listadas as seguintes características da lei orçamentária:


a) lei formal – formalmente o orçamento é uma lei, mas, conforme vimos acima, em vários casos ela
não obriga o Poder Público, que pode, por exemplo, deixar de realizar uma despesa autorizada pelo
legislativo; embora lei, em sentido formal não possui coercibilidade.
b) lei temporária – a lei orçamentária tem vigência limitada.
c) lei ordinária – todas as leis orçamentárias (PPA, LDO e LOA) são leis ordinárias. Os créditos
suplementares e especiais também são aprovados como leis ordinárias.
d) lei especial – possui processo legislativo diferenciado e trata de matéria específica.

O orçamento compreende quatro aspectos fundamentais:


a) o jurídico, que envolve a natureza do ato orçamentário quanto aos direitos e obrigações que ele
gera à Administração, aos agentes públicos e aos administrados.
b) o político, que indica para qual direção o poder político está atuando, isto é, qual necessidade
coletiva entendeu ser de interesse público e usará, para sua satisfação, o serviço público mediante seu
critério de gasto.
c) o econômico, quanto às diretrizes econômicas e políticas fiscais adotadas em sua elaboração e
que se tornarão postulados a serem seguidos.
d) técnico-financeiro, estabelecendo metodologias e procedimentos administrativos e contábeis
adotados à persecução dos fins do instrumento orçamentário.

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Os objetivos da política orçamentária são corrigir as falhas de mercado e as distorções, visando manter
a estabilidade, melhorar a distribuição de renda, e alocar os recursos com mais eficiência. O Orçamento
tem a função de também regular o mercado e coibir abusos, reduzindo falhas de mercado e
externalidades negativas (fatores adversos causados pela produção, como poluição, problemas urbanos,
dentre outros).
O Estado intervém de várias formas no mercado, como através da política fiscal e da política monetária,
com controle de preços, salários, inflação, dentre outros. São exemplos de instrumentos e recursos
utilizados pelo Estado para intervir na economia:

• Política Fiscal - envolve a administração e a geração de receitas, além do cumprimento de metas e


objetivos governamentais no orçamento, utilizado para a alocação, distribuição de recursos e
estabilização da economia. É possível, com a política fiscal, aumentar a renda e o PIB e aquecer a
economia, com uma melhor distribuição de renda.
• Política Regulatória - envolve o uso de medidas legais como decretos, leis, portarias, etc., expedidas
como alternativa para se alocar, distribuir os recursos e estabilizar a economia. Com o uso das normas,
diversas condutas podem ser banidas, como a criação de monopólios, cartéis, práticas abusivas,
poluição, etc.
• Política Monetária – envolve o controle da oferta de moeda, da taxa de juros e do crédito em geral,
para efeito de estabilização da economia e influência na decisão de produtores e consumidores. Com a
política monetária, pode-se controlar a inflação, preços, restringir a demanda, etc.

O Orçamento Público funciona como um balizador na economia; existindo elevados investimentos


governamentais no orçamento, provavelmente haverá reflexos na criação de empregos e aumento de
renda; em contraposição, um orçamento restritivo em investimentos, provocará desemprego,
desaceleração da economia e decréscimo no produto interno bruto.

Dentre as funções consubstanciadas no Orçamento Público, destacamos:

A função alocativa diz respeito a promover ajustamentos na alocação de recursos, justifica-se quando
o funcionamento do mecanismo de mercado (sistema de ação privada) não garante a necessária
eficiência na utilização desses recursos. Portanto, a utilização desse instrumento de atuação se efetiva
em situações de “falha de mercado”, como, por exemplo, na presença de externalidades ou de bens
públicos.

A função distributiva, por sua vez, diz respeito a promover ajustamentos na distribuição de renda.
Justifica-se seu emprego nos casos em que o resultado distributivo do mecanismo de ação privada não
for considerado socialmente justificável ou desejado. Mais uma vez a justificativa está ligada à correção
das falhas de mercado.

A função estabilizadora, por fim, está associada à manutenção da estabilidade econômica, justificada
como meio de atenuar o impacto social e econômico na presença de inflação ou depressão. Portanto,
seu emprego gera estabilidade dos níveis de preço (combate às pressões inflacionárias), diminui os
potenciais efeitos da depressão e mantém o nível de emprego (combate ao desemprego), tendo à
disposição dois instrumentos macroeconômicos: a política fiscal e a política monetária.

 TIPOS / TÉCNICAS DE ORÇAMENTO

As técnicas orçamentárias também conhecidas como espécies ou tipos de orçamento, podem ser
classificadas da seguinte forma:

Orçamento Clássico ou Tradicional


Era aquele onde constavam apenas a fixação da despesa e a previsão da receita, sem nenhuma
espécie de planejamento das ações do governo. Era peça meramente contábil – financeira, um
documento de previsão de receita e de autorização de despesas.
Neste tipo de orçamento não havia preocupação com a realização dos programas de trabalho do
governo, preocupando-se apenas com as necessidades dos órgãos públicos para realização das suas
tarefas, sem se questionar sobre objetivos e metas.

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Orçamento de Desempenho ou por Realizações
Uma evolução do orçamento clássico foi o chamado orçamento de desempenho em um contexto de
Administração por Resultados. Neste tipo de orçamento, o gestor começa a se preocupar com o resultado
dos gastos e não apenas com o gasto em si, ou seja, preocupa-se agora em saber “as coisas que o
governo faz e não as coisas que o governo compra”. Apesar de ser um passo importante, o orçamento
de desempenho ainda se encontra desvinculado de um planejamento central das ações do governo e,
embora já ligado aos objetivos, não pode, ainda, ser considerado um orçamento-programa, visto que lhe
falta uma característica essencial, que é a vinculação ao Sistema de Planejamento. 4
Nesse tipo de orçamento, a ênfase era as coisas que o governo fazia, ou seja, o foco era, basicamente,
nos resultados, com desvinculação entre planejamento e orçamento.
Como objetivos do orçamento de desempenho podem ser citados a melhoria da priorização das
despesas e o aprimoramento da eficiência técnica. Como meio de alcançar os objetivos realiza-se a
vinculação de dotações orçamentárias a resultados, utilizando Informações de Desempenho (ID). Pode
abranger todo governo ou ser setorial.
Orçamento por desempenho leva tempo para ser realizado, uma vez que demanda um Sistema de
Informações de Desempenho. Ressalta-se que este orçamento possui sua Contabilidade orientada por
resultados.
Outro ponto de destaque é que a capacitação é crucial, tanto para os ministros responsáveis pela
gestão, como o Ministério da Fazenda e outras agências federais, sendo assim, requerendo grandes
esforços de capacitação. Por fim, este orçamento de desempenho demanda reformas mais amplas, estas
são cruciais e necessitam de muito compromisso político.

Orçamento – Programa
Esse tipo de orçamento foi introduzido no Brasil pela Lei 4320/64 e do Decreto-lei 200/67 e funciona
como um plano de trabalho, um instrumento de planejamento da ação do governo, pela identificação dos
seus programas de trabalho, projetos e atividades, além do estabelecimento de objetivos e metas a serem
implementados, bem como a previsão dos custos relacionados.

A CF/88 implantou definitivamente o orçamento – programa no Brasil, ao estabelecer a normatização


da matéria orçamentária pelo PPA, da LDO e da LOA, ficando evidente o extremo zelo do constituinte
para com o planejamento das ações do governo.
Alguns autores têm destacado as seguintes vantagens do orçamento-programa em relação a métodos
de elaboração orçamentária tradicionais:
a) melhor planejamento de trabalho;
b) maior precisão na elaboração dos orçamentos;
c) melhor determinação das responsabilidades;
d) maior oportunidade para redução dos custos;
e) maior compreensão do conteúdo orçamentário por parte do Executivo, do Legislativo e da população
em geral
f) facilidade para identificação de duplicação de funções;
g) melhor controle da execução do programa;
h) identificação dos gastos e realizações por programa e sua comparação em termos absolutos e
relativos;
i) apresentação dos objetivos e dos recursos da instituição e do inter-relacionamento entre custos e
programas; e
j) ênfase no que a instituição realiza e não no que ela gasta.

Em sua elaboração, o Orçamento-Programa tem uma lógica que o distingue de outros modelos. Essa
lógica pode ser traduzida em fases que, ao serem cumpridas, dão ao orçamento-programa toda a sua
peculiaridade. São elas:

-Determinação da situação: identificação dos problemas existentes.

-Diagnóstico da situação: identificação das causas que concorrem para o aparecimento dos
problemas.

4
ENAP. Elaboração e Execução de Orçamento Público Disponível em:
file:///C:/Users/professor/Downloads/Elabora%20o%20e%20Execu%20o%20de%20Oramento%20Pblico.pdf

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-Apresentação das soluções: identificação das alternativas viáveis para solucionar os problemas.
Estabelecimento das prioridades: ordenamento das soluções encontradas.

-Definição dos objetivos: estabelecimento do que se pretende fazer e o que se conseguirá com isso.

-Determinação das tarefas: identificação das ações necessárias para atingir os objetivos.

-Determinação dos recursos: arrolamento dos meios: recursos humanos, materiais, técnicos,
institucionais e serviços de terceiros necessários.

-Determinação dos meios financeiros: expressão monetária dos recursos alocados.

Em síntese, o Orçamento-programa é aquele que apresenta os propósitos, objetivos e metas para os


quais a administração solicita os recursos necessários, identifica os custos dos programas propostos para
alcançar tais objetivos e os dados quantitativos que medem as realizações e o trabalho realizado dentro
de cada programa. Foi introduzido no Brasil por meio da Lei no 4.320/64 e do Decreto-Lei no 200/67. A
Constituição Federal de 1988 consolidou definitivamente a adoção do orçamento-programa, ao vincular
o processo orçamentário ao PPA, à LDO e à LOA.

Orçamento de Base Zero ou por Estratégia


É um orçamento de baixo para cima, como se o orçamento estivesse sendo preparado pela primeira
vez. Todos os gastos propostos devem ser revistos. A metodologia do OBZ não é adotada no Brasil, em
nenhuma das unidades da Federação.
O orçamento de base zero é uma metodologia orçamentária a qual exige que todas as despesas dos
órgãos ou das entidades públicas, programas ou projetos governamentais sejam detalhadamente
justificadas a cada ano, como se cada item de despesa se tratasse de uma nova iniciativa do governo.
O foco principal do orçamento de base zero é o controle das despesas de capital (investimentos), ou
seja, parte-se da premissa do que precisa ser feito e não o que seria bom ser feito. Assim sendo, o
orçamento se torna o mais próximo possível da realidade.
Essa espécie de orçamento consiste basicamente em uma análise crítica de todos os recursos
solicitados pelos órgãos governamentais. Neste tipo de abordagem, na fase de elaboração da proposta
orçamentária, questionar-se-ão as reais necessidades de cada área, sem compromisso com nenhum
montante inicial de dotação.
Os órgãos governamentais, por sua vez, deverão justificar anualmente, na fase de elaboração da sua
proposta orçamentária, a totalidade de seus gastos, sem utilizar o ano anterior como valor inicial mínimo5.

Orçamento Participativo
Os orçamentos públicos nas democracias representativas são elaborados pelos poderes Executivo e
Legislativo. Aliás, segundo os juristas especializados, a principal razão da existência do Legislativo na
sua função precípua de representação popular, está na co-participação com o executivo na alocação dos
recursos públicos por intermédio da elaboração dos orçamentos. O orçamento participativo incorpora a
população ao processo decisório da elaboração orçamentária, seja por meio de lideranças da sociedade
civil, seja por meio de audiências públicas ou por outras formas de consulta direta à sociedade. Trata-se
de ouvir de forma direta as comunidades para a definição das ações do Governo para resolução dos
problemas por elas considerados prioritários. É exercitado no Brasil em alguns estados da federação e
em muitas Prefeituras. Na União, não tem sido aplicado, embora sejam feitas audiências públicas durante.

Tabela-resumo de Técnicas e Práticas Orçamentárias


A tabela abaixo objetiva dar uma visão agregada das técnica orçamentárias vistas até aqui, bem como
contempla outras práticas de elaboração orçamentária.

5
ENAP. Elaboração e Execução de Orçamento Público Disponível em:
file:///C:/Users/professor/Downloads/Elabora%20o%20e%20Execu%20o%20de%20Oramento%20Pblico.pdf

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Denominação Características Observações
Processo orçamentário em que é Apresenta valores para as despesas
Orçamento explicitado apenas o objeto de gasto. com pessoal, material, serviços etc.,
Tradicional sem relacionar os gastos a nenhuma
finalidade (programa ou ação).
Também é conhecido como
Orçamento Clássico.
Processo orçamentário que apresenta Também conhecido como orçamento
Orçamento de duas dimensões do orçamento: funcional
Desempenho - objeto de gasto;
- um programa de trabalho, contendo as
ações desenvolvidas.
Enfatiza o desempenho organizacional
Orçamento que expressa, financeira e Originalmente, integrava o sistema de
Orçamento fisicamente, os programas de trabalho de planejamento, programação e
Programa governo, possibilitando: orçamentação introduzido nos
a) a integração do planejamento com o Estados Unidos, no final da década
orçamento; de 1950, sob a denominação PPBS
b) a quantificação de objetivos e a fixação (Planning Programming Budgeting
de metas; System)
c) as relações insumo-produto;
d) as alternativas programáticas;
e) o acompanhamento físicofinanceiro;
f) a avaliação de resultados;
g) a gerência por objetivos
Processo orçamentário que contempla a Necessidade de um maior
Orçamento população no processo decisório, por discricionariedade do governo na
Participativo meio de lideranças ou audiências públicas alocação dos gastos, a fim de que
Existência de uma coparticipação do possa atender os anseios da
Executivo e Legislativo na elaboração dos Sociedade.
orçamentos Requer auto grau de mobilização
Transparência dos critérios e informações social.
que nortearão a tomada de decisões Deve haver disposição do poder
público em descentralizar e repartir o
poder.
Orçamento Processo orçamentário que se apoia na Abordagem orçamentária
Base-Zero necessidade de justificativa de todos os desenvolvida nos Estados Unidos,
programas cada vez que se inicia um pela Texas Instruments Inc., durante
novo ciclo orçamentário. o ano de 1969. Foi adotada pelo
Analisa, revê e avalia todas as despesas Estado da Geórgia (governo Jimmy
propostas e não apenas as das Carter), com vistas ao ano fiscal
solicitações que ultrapassam o nível de de1973.
gasto já existente.
Orçamento Orçamento elaborado através de ajustes Repetição do orçamento anterior
Incremental marginais nos seus itens de receita e acrescido da variação de preços
(ou inercial) despesa. ocorrida no período.
Critério de alocação de recursos através Esse percentual único serve de base
Orçamento do estabelecimento de um quantitativo para que os órgãos/unidades
Com Teto Fixo financeiro fixo (teto), obtido mediante a elaborem suas propostas
aplicação de um percentual único sobre orçamentárias parciais.
as despesas realizadas em determinado
período
Fonte: ENAP. Elaboração e Execução de Orçamento Público Disponível em:
file:///C:/Users/professor/Downloads/Elabora%20o%20e%20Execu%20o%20de%20Oramento%20Pblico.pdf

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 PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS6

Desde seus primórdios, a instituição orçamentária foi cercada de uma série de regras com a finalidade
de aumentar-lhe a consistência no cumprimento de sua principal finalidade: auxiliar o controle parlamentar
sobre os Executivos. Essa regras ou princípios receberam grande ênfase na fase que os orçamentos
possuíam grande conotação jurídica, chegando alguns incorporados na corrente legislação: basicamente
na Constituição, na Lei 4.320/64 e nas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs). Os princípios
orçamentários são premissas a serem observadas na concepção da proposta orçamentária.

I. Unidade - O orçamento deve ser uno, ou seja, deve existir apenas um orçamento para dado
exercício financeiro. Dessa forma integrado, é possível obter eficazmente um retrato geral das finanças
públicas e, o mais importante, permite-se ao Poder Legislativo o controle racional e direto das
operações financeiras de responsabilidade do Executivo.
São evidências do cumprimento deste princípio, o fato de que apenas um único orçamento é
examinado, aprovado e homologado. Além disso, tem-se um caixa único e uma única contabilidade.
O princípio da unidade é respaldado legalmente por meio do Art. 2º da Lei 4.320/64 e pelo § 5º do art.
165 da CF 88.
Mas mesmo assim, o princípio clássico da unidade não estava, na verdade, sendo observado. As
dificuldades começaram antes da Constituição de 88 em razão da própria evolução do sistema
orçamentário brasileiro. Na década de 80, havia um convívio simultâneo com três orçamentos distintos,
o orçamento fiscal, o orçamento monetário e o orçamento das estatais. Não ocorria nenhuma
consolidação entre os mesmos.
Na verdade, o art.62, da Constituição de 1967, emendada, limitava o alcance de sua aplicação, ao
excluir expressamente do orçamento anual as entidades que não recebessem subvenções ou
transferências à conta do orçamento (exemplo: Banco do Brasil - exceto se houver integralização de
capital pela União).
No seu § 1º, estabelecia que a inclusão, no orçamento anual, da despesa e da receita dos órgãos da
administração indireta será feita em dotações globais e não lhes prejudicará a autonomia na gestão legal
dos seus recursos.
O orçamento Fiscal era sempre equilibrado e era aprovado pelo Legislativo. O orçamento monetário e
o das Empresas Estatais eram deficitários e sem controle e, além do mais, não eram votados. Ora, como
o déficit público e os subsídios mais importantes estavam no orçamento monetário, o Legislativo
encontrava-se, praticamente, alijado das decisões mais relevantes em relação à política fiscal e monetária
da Nação.

II. Totalidade - Coube à doutrina tratar de reconceituar o princípio da unidade de forma que
abrangesse as novas situações. Surgiu, então, o princípio da totalidade, que possibilitava a coexistência
de múltiplos orçamentos que, entretanto, devem sofrer consolidação, de forma a permitir uma visão
geral do conjunto das finanças públicas.
A Constituição de 1988 trouxe melhor entendimento para a questão ao precisar a composição do
orçamento anual que passará a ser integrado pelas seguintes partes: a) orçamento fiscal; b) orçamento
da seguridade social e c) orçamento de investimentos das estatais. Este modelo, em linhas gerais segue
o princípio da totalidade.

III. Universalidade - Princípio pelo qual o orçamento deve conter todas as receitas e todas as
despesas do Estado. Indispensável para o controle parlamentar, pois possibilita:

a) conhecer a priori todas as receitas e despesas do governo e dar prévia autorização para respectiva
arrecadação e realização;
b) impedir ao Executivo a realização de qualquer operação de receita e de despesa sem prévia
autorização Legislativa;
c) conhecer o exato volume global das despesas projetadas pelo governo, a fim de autorizar a cobrança
de tributos estritamente necessários para atendê-las.

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http://www2.camara.leg.br/orcamento-da-uniao/cidadao/entenda/cursopo/principios.html

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Na Lei 4.320/64, o cumprimento da regra é exigido nos seguintes dispositivos:

 Art.2º A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e da despesa, de forma a


evidenciar a política econômico-financeira e o programa de trabalho do governo, obedecidos os
princípios de unidade, universalidade e anualidade.
 Art.3º A Lei do Orçamento compreenderá todas as receitas, inclusive as operações de crédito
autorizadas em lei.

A Emenda Constitucional n.º 1/69 consagra essa regra de forma peculiar: "O orçamento anual
compreenderá obrigatoriamente as despesas e receitas relativas a todos os Poderes, órgãos, fundos,
tanto da administração direta quanto da indireta, excluídas apenas as entidades que não recebam
subvenções ou transferências à conta do orçamento.
Observa-se, claramente, que houve um mal entendimento entre a condição de auto-suficiência ou não
da entidade com a questão, que é fundamental, da utilização ou não de recursos públicos.
Somente a partir de 1988 as operações de crédito foram incluídas no orçamento. Além disso, as
empresas estatais e de economia mista, bem como as agências oficiais de fomento (BNDES, CEF, Banco
da Amazônia, BNB) e os Fundos Constitucionais (FINAM, FINOR, PIN/PROTERRA) não têm a
obrigatoriedade de integrar suas despesas e receitas operacionais ao orçamento público. Esses
orçamentos são organizados e acompanhados com a participação do Ministério do Planejamento (MPO),
ou seja, não são apreciados pelo Legislativo. A inclusão de seus investimentos no Orçamento da União
é justificada na medida que tais aplicações contam com o apoio do orçamento fiscal e até mesmo da
seguridade.

IV. Anualidade ou Periodicidade - O orçamento deve ser elaborado e autorizado para um


determinado período de tempo, geralmente um ano. A exceção se dá nos créditos especiais e
extraordinário autorizados nos últimos quatro meses do exercício, reabertos nos limites de seus saldos,
serão incorporados ao orçamento do exercício subsequente.
Este princípio tem origem na questão surgida na Idade Média sobre a anualidade do imposto. E aí se
encontra a principal consequência positiva em relação a este princípio, pois dessa forma exige-se
autorização periódica do Parlamento. No Brasil, o exercício financeiro coincide com o ano civil, como sói
acontecer na maioria dos países. Mas isso não é regra geral. Na Itália e na Suécia o exercício financeiro
começa em 1/7 e termina em 30/6. Na Inglaterra, no Japão e na Alemanha o exercício financeiro vai de
1/4 a 31/3. Nos Estados Unidos começa em 1/10, prolongando-se até 30/9.
O § 5º do art. 165 da CF 88 dá respaldo legal a este princípio quando dispõe que: "A lei orçamentária
anual compreenderá:"
O cumprimento deste princípio torna-se evidente nas ementas das Leis Orçamentárias, como por
exemplo, a da Lei 10.837/2004: "Estima a receita e fixa a despesa da União para o exercício financeiro
de 2004."
Observe-se, finalmente, que a programação financeira, trimestral na Lei 4.320/64 e mensal nos
Decretos de Contingenciamento, limitando a faculdade de os órgãos empenhar despesas, não mais ao
montante das dotações anuais, pode ser entendido como um abandono parcial do princípio da
anualidade.

V. Exclusividade - A lei orçamentária deverá conter apenas matéria orçamentária ou financeira.


Ou seja, dela deve ser excluído qualquer dispositivo estranha à estimativa de receita e à fixação de
despesa. O objetivo deste princípio é evitar a presença de "caldas e rabilongos"
Não se inclui na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de
operações de crédito, ainda que por antecipação de receita.
Este princípio encontra-se expresso no art. 165, § 8º da CF de 88: "A lei orçamentária anual não
conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa ..."

VI. Especificação, Especialização ou Discriminação - As receitas e as despesas devem aparecer


de forma discriminada, de tal forma que se possa saber, pormenorizadamente, as origens dos recursos
e sua aplicação. Como regra clássica tinha o objetivo de facilitar a função de acompanhamento e
controle do gasto público, pois inibe a concessão de autorizações genéricas (comumente chamadas de
emendas curinga ou "rachadinhas") que propiciam demasiada flexibilidade e arbítrio ao Poder
Executivo, dando mais segurança ao contribuinte e ao Legislativo.
A Lei nº 4.320/64 incorpora o princípio no seu art. 5º: "A Lei de Orçamento não consignará dotações
globais para atender indiferentemente as despesas…, "

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O art. 15 da referida Lei exige também um nível mínimo de detalhamento: "...a discriminação da
despesa far-se-á, no mínimo, por elementos".
Como evidência de cumprimento deste princípio pode-se citar a Atividade 4775, cujo título é
"Capacitação de agentes atuantes nas culturas de oleaginosas". Mas, também, existem vários exemplos
do não cumprimento como, por exemplo, a Ação 0620 "Apoio a projetos municipais de infraestrutura e
serviços em agricultura familiar’, ou o subtítulo "Ações de Saneamento Básico em pequenas cidades da
Região Sul"

VII. Não Vinculação ou Não Afetação das Receitas - Nenhuma parcela da receita geral poderá ser
reservada ou comprometida para atender a certos casos ou a determinado gasto. Ou seja, a receita não
pode ter vinculações. Essas reduzem o grau de liberdade do gestor e engessa o planejamento de longo,
médio e curto prazos.
Este princípio encontra-se claramente expresso no inciso IV do art. 167 da CF de 88, mas aplica-se
somente às receitas de impostos.
"São vedados "a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a
repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts., 158 e 159, a destinação
de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino (art. 212), prestação de garantias às
operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º".
As evidências de receitas afetadas são abundantes:
 Taxas, contribuições: servem para custear certos serviços prestados;
 Empréstimos: comprometidos para determinadas finalidades;
 Fundos: receitas vinculadas.
Observe-se ainda que as vinculações foram eliminadas no governo Figueiredo, mas, infelizmente,
ressuscitadas na Constituição de 1988. O ministro Palocci recoloca essa ideia na ordem do dia.

VIII. Orçamento Bruto - Este princípio clássico surgiu juntamente com o da universalidade, visando
ao mesmo objetivo. Todas as parcelas da receita e da despesa devem aparecer no orçamento em seus
valores brutos, sem qualquer tipo de dedução.
A intenção é a de impedir a inclusão de valores líquidos ou de saldos resultantes do confronto entre
receitas e as despesas de determinado serviço público.
Lei 4.320/64 consagra este princípio em seu art. 6º: "Todas as receitas e despesas constarão da Lei
do Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções. Reforçando este princípio, o § 1º do
mesmo artigo estabelece o mecanismo de transferência entre unidades governamentais "
Dessa forma, as cotas de receita que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-se-ão, como
despesa, no orçamento da entidade obrigada à transferência e, como receita, no orçamento da que as
deva receber. Como exemplo desse procedimento pode-se citar o caso da Arrecadação do Imposto
Territorial Rural, que se constitui numa receita prevista no orçamento da União para 2004 com o valor de
R$ 309,4 milhões. No mesmo orçamento, fixa-se uma despesa relativa à Transferência para Municípios
(UO 73108-Transferências Constitucionais) no valor de R$ 154,7 milhões.
Ou seja, se o Orçamento registrasse apenas uma entrada líquida para a União de apenas R$ 154,7
milhões, parte da história estaria perdida.

IX. Equilíbrio - Princípio clássico que tem merecido maior atenção, mesmo fora do âmbito
específico do orçamento, pautado nos ideais liberais dos economistas clássicos (Smith, Say, Ricardo).
O keynesianismo (a partir dos anos 30) tornou-se uma contraposição ao princípio do orçamento
equilibrado, justificando a intervenção do governo nos períodos de recessão. Admitia-se o déficit
(dívida) e seu financiamento. Economicamente haveria compensação, pois a utilização de recursos
ociosos geraria mais emprego, mais renda, mais receita para o Governo e, finalmente, recolocaria a
economia na sua rota de crescimento.
No Brasil, as últimas Constituições têm tratado essa questão ora de maneira explícita ora de forma
indireta. A Constituição de 1967 dispunha que: "O montante da despesa autorizada em cada exercício
financeiro não poderá ser superior ao total de receitas estimadas para o mesmo período."
Observa-se a existência de dificuldades estruturais para o cumprimento desse princípio,
principalmente em fases de crescimento da economia, pois as despesas públicas normalmente crescem
mais que as receitas públicas quando há crescimento da renda interna.
De qualquer forma, ex-ante, o equilíbrio orçamentário é respeitado, conforme pode ser verificado nos
Arts. 2º e 3º da Lei 10.837/2003, onde: A Receita Total é estimada em R$ 1.469.087.336,00, e a Despesa
Total é fixada em R$ 1.469.087.336,00.

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Entretanto, nas cifras acima encontra-se um tremendo déficit, devidamente financiado por
empréstimos. O déficit aparece embutido nas chamadas Operações de Crédito que classificam tanto os
financiamentos de longo prazo contratados para obras, as operações de curto prazo de recomposição de
caixa e que se transformam em longo prazo pela permanente rolagem e a receita com a colocação de
títulos e obrigações emitidas pelo Tesouro.
A CF 88 adotou uma postura mais realista. Propôs o equilíbrio entre operações de crédito e as
despesas de capital. O art. 167, inciso III, veda: "a realização de operações de créditos que excedam o
montante das despesas de capital …";
Qual a mensagem que se encontra vinculada a esse dispositivo? Claramente a de que o endividamento
só pode ser admitido para a realização de investimento ou abatimento da dívida. Ou seja, deve-se evitar
tomar dinheiro emprestado para gastar com despesa corrente, mas pode pegar emprestado para cobrir
despesa de capital (o déficit aqui é permitido). Essa é uma norma lógica e de grande importância para as
finanças públicas do País. Na verdade, é a Regra de Ouro reforçada na Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF, art. 12, § 2º): "O montante previsto para as receitas de operações de crédito não poderá ser superior
ao das despesas de capital constantes do projeto de lei orçamentária."
Essa Regra também significa, por outro lado, que a receita corrente deve cobrir as despesas correntes
(não pode haver déficit corrente). A Regra de Ouro vem sendo adequadamente cumprida nos últimos
orçamentos, exceto nos dois últimos (2003 e 2004). Para o exercício de 2004, o valor das operações de
crédito dos orçamentos fiscal e da seguridade é de R$ 629,7 bilhões. Se somado a esse, o valor
corresponde ao Orçamento de Investimento das Estatais &mdash OIE - (R$ 5,9 milhões) chega-se ao
total de R$ 635,6 milhões.
Já as despesas de capital dos orçamentos fiscal e da seguridade social somam R$ 612,7 milhões.
Com R$ 23,8 do OIE, chega-se ao total de R$ 636,5 milhões. Ou seja, só se cumpre a regra de ouro se
se considera na contabilização os dados relativos ao Orçamento das Estatais.
Ainda com relação ao princípio do equilíbrio, um terceiro conceito surge a partir da Lei de
Responsabilidade Fiscal &mdash o chamado Equilíbrio Fiscal. Na verdade, exige-se mais que o equilíbrio,
exige-se um superávit (fiscal), ou seja, a receita (primária) deve superar a despesa (primária) de forma
que o saldo possa ser utilizado para pagamento do serviço da dívida pública.
Essa variação do princípio do equilíbrio faz parte das orientações orçamentárias constantes das leis
de diretrizes orçamentárias. O art. 15 da Lei nº 10.707, de 30 de julho de 2003 (LDO 2004) dispõe, por
exemplo, que: "Art. 15. A elaboração do projeto da lei orçamentária de 2004, a aprovação e a execução
da respectiva lei deverão levar em conta a obtenção de superávit primário em percentual do Produto
Interno Bruto - PIB, conforme discriminado no Anexo de Metas Fiscais, constante do Anexo III desta Lei."

X. Legalidade - Historicamente, sempre se procurou dar um cunho jurídico ao orçamento, ou seja,


para ser legal, tanto as receitas e as despesas precisam estar previstas a Lei Orçamentária Anual, ou
seja, a aprovação do orçamento deve observar processo legislativo porque trata-se de um dispositivo de
grande interesse da sociedade.
O respaldo a este princípio pode ser encontrado nos art. 37 166 da CF de 1988. O Art. 166 dispõe que:
"Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos
créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento
comum."
A evidência de seu cumprimento encontra-se na própria ementa das leis orçamentárias, como por
exemplo, a da Lei nº 10.837/2003: "O Presidente da República Faço saber que o Congresso Nacional
decreta e eu sanciono a seguinte lei:"

XI. Publicidade - O conteúdo orçamentário deve ser divulgado (publicado) nos veículos oficiais de
comunicação para conhecimento do público e para eficácia de sua validade. Este princípio é
consagrado no art. 37 da CF de 88: "A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: ..."

XII. Clareza ou Objetividade - O orçamento público deve ser apresentado em linguagem clara e
compreensível a todas pessoas que, por força do ofício ou interesse, precisam manipulá-lo. Difícil de
ser empregado em razão da facilidade de a burocracia se expressar em linguagem complexa. Observe-
se, por exemplo, o título da ação nº 0373 do orçamento para 2004: "Equalização de Juros e Bônus de
Adimplência no Alongamento de Dívidas Originárias do Crédito Rural".

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XIII. Exatidão - De acordo com esse princípio as estimativas devem ser tão exatas quanto possível,
de forma a garantir à peça orçamentária um mínimo de consistência para que possa ser empregado
como instrumento de programação, gerência e controle. Indiretamente, os autores especializados em
matéria orçamentária apontam os arts. 7º e 16 do Decreto-Lei nº 200/67 como respaldo ao mesmo.

Questões:

01. (DETRAN-RJ - Analista – Contabilidade – EXATUS) A história da evolução conceitual do


Orçamento Público é dividida em duas fases, quais são elas?
(A) Orçamento Tradicional e Orçamento Moderno.
(B) Orçamento Conceitual e Orçamento Sustentável
(C) Orçamento Original e Orçamento Evolutivo.
(D) Orçamento Primário e Orçamento Vigente.

02. (TRT - 18ª Região/GO - Técnico Judiciário - Área Administrativa – FCC) O Orçamento Público
no Brasil.
(A) é uma peça administrativa, de caráter indicativo, sem efeito legal.
(B) é um instrumento de elaboração técnico-contábil que independe de negociações políticas entre
esferas de poder.
(C) tem sua proposição, aprovação e controle de execução como atribuições exclusivas de
responsabilidade do Poder Executivo.
(D) constitui-se em instrumento legal que estabelece as possibilidades de despesas do poder público,
com base em estimativa de receita
(E) é utilizado como ferramenta de política monetária a partir do controle dos padrões de investimentos
dos entes financeiros privados.

03. (Secretaria do Estado Planejamento e Gestão/DF – Auditor Fiscal Atividades Urbanas –


FUNIVERSA) Com relação ao orçamento público, assinale a alternativa correta.
(A) Tem a natureza jurídica de lei complementar.
(B) O projeto da lei orçamentária é de iniciativa de qualquer um dos poderes.
(C) A Lei n.º 4.320/1964 estabelece o regime de tramitação do projeto de lei orçamentária.
(D) Sob o enfoque formal, tem natureza jurídica de lei anual.
(E) É um instrumento que estima a despesa e fixa a receita.

04. (TRF 1º REGIÃO – Analista Judiciário – Administrativa – FCC) Com relação aos tipos de
orçamentos, considere as afirmativas abaixo:
I. No orçamento de tipo tradicional há grande preocupação com a clareza dos objetivos econômicos e
sociais que motivaram a elaboração da peça orçamentária.
II. O orçamento base-zero exige a reavaliação de todos os programas cada vez que se inicia um novo
ciclo orçamentário e não apenas as das solicitações que ultrapassam o nível de gasto já existente.
III. O orçamento-programa considera os objetivos que o Governo pretende atingir, num prazo pré-
determinado.
IV. O orçamento de desempenho não pode ser considerado um orçamento-programa, pois não
incorpora o controle contábil do gasto e o detalhamento da despesa.
V. No orçamento-programa a alocação dos recursos para unidades orçamentárias se dá com base na
proporção dos recursos gastos em exercícios anteriores.
Está correto o que se afirma SOMENTE em:
(A) I e IV.
(B) I, III e IV.
(C) II, III e V.
(D) I, III, IV e V.
(E) II e III.

05 – (CVM – Analista – Planejamento E Execução Financeira – ESAF) A abordagem orçamentária


cujas principais características são a análise, revisão e avaliação de todas as despesas propostas e não
apenas das solicitações que ultrapassam o nível de gasto já existente, de modo que todos os programas
devem ser justificados cada vez que se inicia um novo ciclo orçamentário, denomina-se:
a) orçamento tradicional.
b) orçamento de base zero.

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c) orçamento de desempenho.
d) orçamento programa.
e) orçamento incremental.

06 - (TER MS – Analista Judiciário – Área Administrativa – CESPE) Acerca do orçamento público


no Brasil, assinale a opção correta.
a) A disposição dos três orçamentos que constituem a lei orçamentária anual – fiscal, seguridade social
e orçamento de investimento das empresas – é, da mesma forma, estabelecida nas leis de diretrizes
orçamentárias.
b) A elaboração do orçamento anual desenvolve-se no âmbito do Sistema de Planejamento e de
Orçamento Federal, cujo órgão central é o Ministério do Desenvolvimento Social.
c) Assim como os temas orçamentários, a obrigatoriedade de se adotar sistematicamente o
planejamento nas diversas esferas do governo tornou-se realidade com a Constituição de 1967.
d) O plano plurianual constitui a síntese dos esforços de planejamento da União, não atingindo os
demais entes da Federação.
e) O orçamento anual constitui princípio orientador para a elaboração das diretrizes orçamentárias.

07. (TJ-RR – Administrador – CESPE) Ao determinar o tipo e a quantidade de bens e serviços


públicos que devem ser oferecidos, bem como o valor das contribuições de cada consumidor, o governo
exerce sua função estabilizadora, mediante a aplicação de uma política monetária.
( ) Certo ( ) Errado

08. (TRE-MS - Analista Judiciário - Área Administrativa – CESPE) Tendo em vista que as funções
econômicas do Estado são os principais instrumentos de ação estatal na economia, assinale a opção
correta.
(A) A função estabilizadora ocorre, principalmente, nas situações em que o governo se utiliza do
orçamento para a provisão de bens mistos.
(B) Para o exercício da função estabilizadora, o governo tem à disposição dois instrumentos
macroeconômicos: a política fiscal e a política monetária.
(C) A função alocativa do governo justifica-se nos casos em que existe eficiência por parte do
mecanismo de ação privada (sistema de mercado).
(D) A função estabilizadora, que promove o ajustamento da distribuição de renda, visa o chamado ideal
de Pareto, que preconiza a melhoria do indivíduo sem que a situação dos demais seja deteriorada.
(E) Para o exercício da função distributiva, o governo tem um único instrumento, denominado imposto
de renda progressivo por faixas de renda.

Respostas:

01. Resposta: A.
A história divide a evolução conceitual do Orçamento Público em duas fases: o Orçamento tradicional
e o Orçamento moderno. Até o século XIX, o s doutrinadores consideram que perdurou o Orçamento
Tradicional, que, é marcado pelo controle político (orçamento como instrumento de controle) cuja
preocupação seria controlar os gastos públicos. Os gastos públicos eram vistos como um mal necessário.

02. Resposta: D.
O Orçamento Público contém a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem realizadas
por um governo, em um determinado exercício financeiro.

03 - Resposta “D”
Lei Orçamentária Anual – LOA
Orçamento Público O orçamento público é um instrumento de planejamento governamental onde são
previstas as receitas e fixadas as despesas para um determinado período.
Discute-se se ela é uma lei anual, entretanto, para a maioria dos autores, não existe tal dúvida, visto
que essa lei, entre outras metas e prioridades administrativas, inclui as despesas de capital para o
exercício financeiro subsequente e orientará a elaboração da lei orçamentária anual.
Além do estabelecimento de metas e prioridades, deve a lei orçamentária dispor sobre a política de
aplicação das agências financeiras oficiais de fomento, procurando equilibrar as despesas com as
receitas

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04. Resposta “E”
Orçamento Base Zero: Processo orçamentário que se apoia na necessidade de justificativa de todos
os programas cada vez que se inicia um novo ciclo orçamentário.
Analisa, revê e avalia todas as despesas propostas e não apenas as das solicitações que ultrapassam
o nível de gasto já existente.
Orçamento Programa: Orçamento que expressa, financeira e fisicamente, os programas de trabalho
de governo, possibilitando:
a) a integração do planejamento com o orçamento;
b) a quantificação de objetivos e
a fixação de metas;
c) as relações insumo-produto;
d) as alternativas programáticas;
e) o acompanhamento físicofinanceiro;
f) a avaliação de resultados;
g) a gerência por objetivos

05. Resposta “B”.


Orçamento Base Zero: Processo orçamentário que se apoia na necessidade de justificativa de todos
os programas cada vez que se inicia um novo ciclo orçamentário.
Analisa, revê e avalia todas as despesas propostas e não apenas as das solicitações que ultrapassam
o nível de gasto já existente.

06. Resposta “A”


Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
I - o plano plurianual;
II - as diretrizes orçamentárias;
III - os orçamentos anuais.
§ 5º - A lei orçamentária anual compreenderá:
I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da
administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;
II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a
maioria do capital social com direito a voto;
III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da
administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder
Público.

07. Resposta: ERRADO.


A correta é a função Alocativa que diz respeito a promover ajustamentos na alocação de recursos,
justifica-se quando o funcionamento do mecanismo de mercado (sistema de ação privada) não garante a
necessária eficiência na utilização desses recursos. Portanto, a utilização desse instrumento de atuação
se efetiva em situações de “falha de mercado”, como, por exemplo, na presença de externalidades ou de
bens públicos.

08. Resposta: B.
A função estabilizadora, por fim, está associada à manutenção da estabilidade econômica, justificada
como meio de atenuar o impacto social e econômico na presença de inflação ou depressão. Portanto,
seu emprego gera estabilidade dos níveis de preço (combate às pressões inflacionárias), diminui os
potenciais efeitos da depressão e mantém o nível de emprego (combate ao desemprego), tendo à
disposição dois instrumentos macroeconômicos: a política fiscal e a política monetária.

Processo Legislativo Orçamentário: Ciclo Orçamentário e Exercício Financeiro

Assim que inicia o processo de consolidação da proposta das leis orçamentárias pelo Presidente da
República, este encaminhará para apreciação do Poder Legislativo. O art. 166 da Constituição Federal
inaugura as disposições referentes ao processo legislativo7 das leis orçamentárias, nos termos a seguir:

7
O Processo Legislativo Orçamentário e suas Peculiaridades. Disponível em: http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/o-processo-legislativo-
or%C3%A7ament%C3%A1rio-e-suas-peculiaridades.

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Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento
anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do
regimento comum.
§ 1º - Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados:
I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste artigo e sobre as contas
apresentadas anualmente pelo Presidente da República;
II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos
nesta Constituição e exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação
das demais comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58".
Um dos traços mais marcantes que diferenciam o processo legislativo das leis orçamentárias refere-
se à existência da chamada Comissão Mista Permanente. A proposta do orçamento será encaminhada
para análise conjunta das duas casas do Congresso Nacional, por meio da Comissão Mista formada por
Senadores e Deputados. Isso só ocorre em matéria orçamentária, sendo traço peculiar dessa espécie.
A Comissão Mista Permanente é o órgão do legislativo que aprecia, em primeiro plano, as leis
orçamentárias, sendo a instância responsável por todo o tratamento da matéria orçamentária, apreciação
dos projetos, recebimentos das emendas, elaboração do texto final, parecer sobre os programas, para
fins de encaminhamento para discussão e votação conjunta pelo Plenário do Congresso Nacional.
O Ciclo Orçamentário é a sequência de fases ou etapas que deve ser cumprida como parte do
processo orçamentário. A maioria dos autores adota como fases do ciclo orçamentário as seguintes:
elaboração, apreciação legislativa, execução e acompanhamento, controle e avaliação, quando, então,
inicia-se o ciclo seguinte. Corresponde ao período de tempo em que se processam as atividades típicas
do orçamento público, desde sua concepção até a avaliação final.
O ciclo orçamentário, ou processo orçamentário, pode ser definido como um processo contínuo,
dinâmico e flexível, através do qual se elaboram, aprovam, executam, controlam e avaliam os programas
do setor público nos aspectos físicos e financeiro; corresponde, portanto, ao período de tempo em que
se processam as atividades típicas do orçamento público. Preliminarmente é conveniente ressaltar que o
ciclo orçamentário não se confunde com o exercício financeiro. Este, na realidade, é o período durante o
qual se executa o orçamento, correspondendo, portanto, a uma das fases do ciclo orçamentário.

Elaborar a
Elaborar a revisão de
Elaborar a Lei
revisão do plano
de Diretrizes
Plano nacionais,
Orçamentárias
Plurianual regionais e
setoriais

Execução
Discussão e
orçamentária e Elaborar a
aprovação da
financeira Proposta
Lei
/controle e Orçamentária
Orçamentária
avaliação da Anual
Anual - LOA
execução

Uma das mais importantes premissas da contabilidade, por estar diretamente relacionada ao princípio
fundamental da continuidade, o conceito do que seja exercício social representa simplesmente a essência
da gestão de um negócio.
Sem o qual, simplesmente, não haveria como ser apurado de maneira razoável e coerente o resultado
do desempenho operacional.
Exercício social tem a ver com o período de avaliação do desempenho de um empreendimento: um
período pré-estabelecido, que serve de base para determinar quais as receitas e despesas que serão
considerados para apuração de seu resultado econômico-financeiro

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 Exercício Financeiro nas Organizações Públicas

Período8 definido para fins de segregação e organização dos registros relativos à arrecadação de
receitas, à execução de despesas e aos atos gerais de administração financeira e patrimonial da
administração pública.
Assim, Exercício financeiro nada mais é que é o período temporal em que ocorrem as operações
contábeis/financeiras dos entes públicos.
Embora as operações orçamentárias e extra orçamentárias das entidades públicas se desenrolem de
forma contínua, existe a necessidade de se delimitar as operações em períodos temporais. É essa
delimitação que se convenciona chamar de exercício financeiro.
No Brasil, o exercício financeiro tem duração de doze meses e coincide com o ano civil, conforme
disposto no art. 34 da Lei Federal nº 4.320, de 17 de março de 1964.
O conceito de exercício financeiro está extremamente vinculado aos processos orçamentários e aos
recebimentos e pagamentos do setor público.
De acordo com a legislação brasileira, pertencem ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas
e as despesas nele legalmente empenhadas.
Além disso, o exercício financeiro é balizador para a elaboração dos orçamentos anuais e dos planos
plurianuais de investimento.

Leis Orçamentárias: Lei Plano Plurianual – PPA, Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO, Lei
Orçamentária Anual – LOA

O Sistema Orçamentário Brasileiro é composto de três elementos básicos

Plano Plurianual – PPA


Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO
Lei Orçamentária Anual – LOA

Cabe a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados apreciar os projetos de lei
relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais.

PLANO PLURIANUAL – PPA

O PPA é uma Lei de Iniciativa do Poder Executivo, em que estão quantificados, especificados e
qualificados os custos de cada projeto de duração plurianual ou continuada. O PPA funciona como um
instrumento de planejamento estratégico das ações do Governo para um período de quatro anos.

A referida Lei é uma inovação instituída pela Constituição Federal de 1988, que determina em seus
art. 165, § 1.º, que a Lei que instituir o plano em questão “estabelecerá, de forma regionalizada, as
diretrizes, objetivos e metas (DOM) da administração pública federal para as despesas de capital e outras
delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada”. Os planos e programas
nacionais, regionais e setoriais previstos na Constituição serão elaborados em consonância com o PPA.
Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia
inclusão no PPA, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de responsabilidade.

8
Constituição Federal de 1988 (Brasil)
Lei nº 4.320/64 (Brasil)
Lei Complementar nº 101/2000 (Brasil)

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Prazos Legais: A CF/88 em seu art. 165, § 9.º, assim dispõe:

“Cabe à lei complementar: I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração
e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual”.

Art. 35, § 2.º, I, dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT.

PPA: o projeto do plano plurianual, para vigência até o final do primeiro exercício financeiro do mandato
presidencial subsequente, será encaminhado até quatro meses antes do encerramento do primeiro
exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa.

Poder Executivo Poder Legislativo


(envio até 31/08) (retorno até 22/12)

Período do Mandato X Período de Vigência do PPA

Por meio dele, é declarado o conjunto das políticas públicas do governo para um período de quatro
anos e os caminhos trilhados para viabilizar as metas previstas. É o instrumento de planejamento que
estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da Administração Pública Federal
para as despesas de capital - e outras delas decorrentes - e para as relativas aos programas de duração
continuada. O PPA declara as escolhas pactuadas com a sociedade e contribui para viabilizar os objetivos
fundamentais da República. Além disso, organiza a ação de governo na busca de um melhor desempenho
da Administração Pública.

O PPA apresenta uma parte dos recursos financeiros orçamentários (esferas “Fiscal e Seguridade
Social” e “Investimentos das Estatais”) arrecadados pelo Governo, mas também faz uso de recursos que
não estão no orçamento, valores que podem ser originários de agências oficiais de crédito (exemplos:
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social -
BNDES, etc.), de fundos administrados pelo Governo (ex: FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador), de
incentivos ou renúncias fiscais, de parcerias com o setor privado, entre outras possibilidades.
Diferentemente da Lei Orçamentária Anual (LOA), o PPA não apresenta os Programas classificados como
Operação Especial. Atualmente, a peça orçamentária de cada exercício anual permite visualizar o tipo de
recurso que está financiando determinada ação orçamentária.
A gestão do PPA ocorre, principalmente, com base no monitoramento dos Programas, Objetivos,
Metas e Iniciativas, dedicando especial atenção aos meios mais eficazes para possibilitar a execução
necessária ao desenvolvimento do País. É importante destacar que o conceito de gestão associado ao
Plano Plurianual - PPA - dialoga com a criação de condições objetivas que favoreçam a execução, de
forma que o conceito de resultado está associado à abertura de canais que ampliem a escala de entregas
do Estado.

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O PPA confere um tratamento especial à transversalidade e à multissetorialidade, institutos que
permitem identificar públicos ou políticas específicas em determinados setores de atuação do governo. É
o caso, por exemplo, da declaração e identificação da política para as mulheres (público) no interior da
política de desenvolvimento agrário (setor). Por meio das agendas transversais do PPA, por exemplo, é
possível combinar diferentes Objetivos, Metas e Iniciativas, criando condições para uma abordagem mais
adequada da relação entre os programas, além de permitir a análise e o acompanhamento de políticas
públicas integradas.

Dessa forma, a atual estrutura do PPA ampliou as possibilidades das políticas para as mulheres, raça,
criança e adolescente, idoso, LGBT, quilombola, povos e comunidades tradicionais, juventude e pessoa
com deficiência. O Plano apresenta a visão de futuro para o país, macrodesafios e valores que guiam o
comportamento para o conjunto da Administração Pública Federal. Por meio dele, o governo declara e
organiza sua atuação, a fim de elaborar e executar políticas públicas necessárias. O Plano permite,
também, que a sociedade tenha um maior controle sobre as ações concluídas pelo governo.

Estrutura programática

A partir da Portaria n.º 42, de 14 de abril de 1999, os programas deixaram de ter o caráter de
classificador e cada nível de governo passou a ter a sua estrutura própria, adequada à solução dos seus
problemas, originária do processo de planejamento desenvolvido durante a formulação do Plano
Plurianual – PPA.
Há convergência entre as estruturas do plano plurianual e do orçamento anual a partir do programa,
“módulo” comum integrador do PPA com o Orçamento. Em termos de estruturação, o plano termina no
programa e o orçamento começa nele, o que confere a esses documentos uma integração desde a
origem, sem a necessidade, portanto, de buscar-se uma compatibilização entre módulos diversificados.
O programa age como único módulo integrador, e os projetos e as atividades como instrumentos de
realização dos programas.
Cada programa contém, no mínimo, objetivo - indicador que quantifica a situação que o programa tem
por fim modificar e os produtos (bens e serviços) necessários para atingi-lo. Os produtos dos programas
dão origem aos projetos e atividades. A cada projeto ou atividade só pode estar associado um produto,
que, quantificado por sua unidade de medida, dá origem à meta.
Os programas são compostos por atividades, projetos e uma nova categoria de programação
denominada operações especiais. Estas podem fazer parte dos programas quando entendido que,
efetivamente, contribuem para a consecução de seus objetivos; tais operações, quando associadas a
programas finalísticos apresentam, na maioria dos casos, produtos associados. Daí a necessidade de
caracterização desses produtos. Quando não, as operações especiais não se vincularão a programas.
A estruturação de programas e respectivos produtos, consubstanciados em projetos e em atividades,
é sempre revisada anualmente e seu resultado disponibilizado para que os órgãos setoriais e as unidades
orçamentárias apresentem as suas propostas orçamentárias.
O programa é o instrumento de organização da atuação governamental. Articula um conjunto de ações
que concorrem para um objetivo comum preestabelecido, mensurado por indicadores estabelecidos no
plano plurianual, visando à solução de um problema ou o atendimento de uma necessidade ou demanda
da sociedade.
Toda a ação finalística do Governo Federal deverá ser estruturada em programas, orientados para
consecução dos objetivos estratégicos definidos, para o período, no PPA. A ação finalística é a que
proporciona bem ou serviço para atendimento direto às demandas da sociedade.

Tipos de programas

Programas Finalísticos: são programas que resultam em bens e serviços ofertados diretamente à
sociedade. Seus atributos básicos são: denominação, objetivo, público-alvo, indicador(es), fórmulas de
cálculo do índice, órgão(s), unidades orçamentárias e unidade responsável pelo programa.
O indicador quantifica a situação que o programa tenha por fim modificar, de modo a explicitar o
impacto das ações sobre o público-alvo.

Programas de Gestão de Políticas Públicas: assumirão denominação específica de acordo com a


missão institucional de cada órgão. Portanto, haverá apenas um programa dessa natureza por órgão.
Exemplo: “Gestão da Política de Saúde”.

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Seus atributos básicos são: denominação, objetivo, órgão(s), unidades orçamentárias e unidade
responsável pelo programa.
Na Presidência da República e nos Ministérios que constituam órgãos centrais de sistemas
(Orçamento e Gestão, Fazenda), poderá haver mais de um programa desse tipo.
Os Programas de Gestão de Políticas Públicas abrangem as ações de gestão de Governo e serão
compostos de atividades de planejamento, orçamento, controle interno, sistemas de informação e
diagnóstico de suporte à formulação, coordenação, supervisão, avaliação e divulgação de políticas
públicas. As atividades deverão assumir as peculiaridades de cada órgão gestor setorial.

Programas de Serviços ao Estado: são os que resultam em bens e serviços ofertados diretamente ao
Estado, por instituições criadas para esse fim específico. Seus atributos básicos são: denominação,
objetivo, indicador(es), órgão(s), unidades orçamentárias e unidade responsável pelo programa.

Programa de Apoio Administrativo: corresponde ao conjunto de despesas de natureza tipicamente


administrativa e outras que, embora colaborem para a consecução dos objetivos dos programas
finalísticos e de gestão de políticas públicas, não são passíveis de apropriação a esses programas. Seus
objetivos são, portanto, os de prover os órgãos da União dos meios administrativos para a implementação
e gestão de seus programas finalísticos.

LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS - LDO

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro
seguinte; orienta a elaboração do Orçamento; dispõe sobre alteração na legislação tributária; estabelece
a política de aplicação das agências financeiras de fomento.
É o instrumento por meio do qual o governo estabelece as principais diretrizes e metas da
Administração Pública para o prazo de um exercício. Ela estabelece um elo entre o Plano Plurianual de
Ação Governamental e a Lei Orçamentária Anual, uma vez que reforça quais programas relacionados no
PPAG terão prioridade na programação e execução orçamentária.
Conforme disposto na Constituição Federal, compete à LDO traçar diretrizes para a elaboração da Lei
Orçamentária Anual do exercício subsequente a sua aprovação, assegurar o equilíbrio fiscal das contas
públicas, dispor sobre alteração na legislação tributária e estabelecer a política de aplicação das agências
financeiras de fomento. Fora as exigências constitucionais, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)
ampliou as atribuições da LDO, conferindo-lhe o papel de apresentar os resultados fiscais de médio prazo
para a administração pública.
O projeto de Lei da LDO, que contém a consolidação das propostas parciais de cada Poder
(Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública), é elaborado pelo chefe do Poder
Executivo auxiliado por seu corpo técnico da Secretaria de Planejamento e Gestão. Ele deve ser
encaminhado à Assembleia Legislativa até o dia 15 de abril para ser aprovado na primeira sessão
legislativa. Compreende as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas
de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual,
disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências
financeiras oficiais de fomento.
Com base na LDO aprovada pelo Legislativo, a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) elabora a
proposta orçamentária para o ano seguinte, em conjunto com os Ministérios e as unidades orçamentárias
dos Poderes Legislativo e Judiciário. Por determinação constitucional, o governo é obrigado a encaminhar
o Projeto de Lei do Orçamento ao Congresso Nacional até 31 de agosto de cada ano.

Orçamento anual

No Brasil, o exercício financeiro coincide com o ano civil, ou seja, inicia em 01 de janeiro e encerra em
31 de dezembro de cada ano, conforme dispõe o art. 34 da Lei n.º 4.320/64. Por outro lado, o ciclo
orçamentário é um período muito maior, iniciando com o processo de elaboração do orçamento, passando
pela execução e encerramento com o controle.

Outros planos e programas

O orçamento da União contém programas sociais do governo para diversas áreas de atuação, como
saúde, educação e segurança alimentar, e para diversos grupos de beneficiários, como mulheres,
crianças e quilombolas. Por meio de parcerias com organizações da sociedade civil que acompanham

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segmentos específicos das políticas públicas, identificamos e destacamos os diversos “orçamentos
temáticos” contidos no orçamento da União, de modo a facilitar o acesso à informação pelos interessados.
Por exemplo:

Orçamento da Educação: contém ações que impactam a qualidade e disponibilidade de serviços de


educação para a população. Como forma de apoiar a atuação das entidades que fazem o
acompanhamento das políticas educacionais, identificam-se, destacam-se e disponibilizam-se as ações
de educação contidas no orçamento da União.

Orçamento da Mulher: é um extrato do orçamento da União contendo as ações que, segundo a


metodologia adotada, impactam a qualidade de vida das mulheres brasileiras. Foi organizado em parceria
com o Centro Feminista de Estudos e Assessoria - CFEMEA, para facilitar o acompanhamento do
processo orçamentário pelas entidades voltadas para as políticas da mulher.

Orçamento da Saúde: contém ações que impactam a qualidade da saúde dos cidadãos e a
disponibilidade de serviços de saúde para a população. Por meio de parceria com a Escola Nacional de
Saúde Pública – ENSP/FIOCRUZ, que desenvolve o portal ParticipanetSUS, as ações de saúde contidas
no orçamento da União são identificadas e destacadas, de modo a apoiar a atuação das instituições
responsáveis pelo controle social, a exemplo dos Conselhos de Saúde, no acompanhamento do processo
de elaboração e execução das despesas públicas.

Orçamento da segurança alimentar9: é um extrato do orçamento da União contendo as ações que,


segundo a metodologia adotada, promovem uma alimentação saudável, acessível, permanente e de
qualidade para os cidadãos. Foi elaborado em parceria com o Instituto de Estudos Socioeconômicos –
INESC, para facilitar o acompanhamento do processo orçamentário pelas entidades integrantes do
Conselho Nacional de Segurança Alimentar – CONSEA e outras organizações da sociedade civil.

Conforme art. 165 § 2.º da CF/88, a lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e
prioridades (MP) da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício
financeiro subsequente.

Terá ainda como atribuições:

- orientar a elaboração da LOA;


- dispor sobre alterações na legislação tributária;
- estabelecer as políticas de aplicação das agências financeiras de fomento;
- disporá sobre autorizações para aumento do gasto ou contratação de pessoal dos órgãos da
administração direta e indireta, ressalvadas as empresas públicas e as sociedades de economia mista.

Importante: As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser


aprovadas quando incompatíveis com o plano plurianual (Art. 166, § 3.º CF/88).

Prazos Legais: A CF/88 em seu art. 165, § 9.º, assim dispõe:


“Cabe à lei complementar: I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração
e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual”.
Art. 35, § 2.º, II, dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT.

LDO: o projeto de lei de diretrizes orçamentárias será encaminhado até oito meses e meio antes do
encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da
sessão legislativa.

9
Mais informações sobre programas do orçamento federal podem ser obtidas no site: http://www.orcamentofederal.gov.br/orcamentos-anuais/orcamento-2013-
1/arquivos-cadastro-de-acoes/todos-os-programas-por-ordem-alfabetica

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A LDO na LRF: Além das atribuições contidas no Art. 165, § 2.º da Constituição Federal, a Lei
101/2000, Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF, em seu Art. 4.º, traz novas atribuições para a LDO:
- disposições sobre equilíbrio entre receitas e despesas;
- critérios para limitação de empenhos e o consequente controle sobre o endividamento;
- não serão objeto de limitação as despesas que constituam obrigações constitucionais e legais do
ente, inclusive aquelas destinadas ao pagamento do serviço da dívida, e as ressalvadas pela lei de
diretrizes orçamentárias;
- destinação de recursos provenientes de operações de crédito, inclusive por antecipação de receita
orçamentária;
- condições para transferências de recursos a entidades públicas e privadas;
- definir limites e condições para a expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado
(despesas decorrentes de lei, medida provisória ou outro ato normativo que fixe para o ente público
obrigação legal de sua execução por mais de dois exercícios financeiros);
- normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com
recursos dos orçamentos.

Além das atribuições acima descritas, a LRF trouxe dois anexos obrigatórios para comporem a LDO:

Anexo de Metas Fiscais - AMF

A LRF determina que no Anexo de Metas Fiscais serão estabelecidas metas anuais, em valores
correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida
pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes, e conterá ainda:
- a avaliação do cumprimento de metas do exercício anterior;
- demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e metodologia de cálculo que justifiquem os
resultados pretendidos, comparando-as com as metas fixadas nos três exercícios anteriores, e
evidenciando a consistência das mesmas com as premissas e os objetivos da política econômica
nacional;
- evolução do patrimônio líquido, com destaque para a origem e aplicação de recursos provenientes
de alienação de ativos;
- avaliação financeira e atuarial do regime próprio de previdência;
- demonstrativo da estimativa e compensação de renúncia de receita e da margem de expansão das
despesas obrigatórias de caráter continuado.

Anexo de Riscos Fiscais – ARF

No ARF serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas,
informando as providências a serem tomadas, caso se concretizem.
Os Riscos Fiscais são a possibilidade da ocorrência de eventos que venham a impactar,
negativamente, as contas públicas e são classificados em dois grupos:
- Riscos orçamentários - que se referem à possibilidade das receitas previstas não se realizarem ou à
necessidade de execução de despesas inicialmente não fixadas ou orçadas a menor durante a
elaboração do Orçamento. Exemplos: frustração na arrecadação devido a fatos ocorridos posteriormente
à elaboração da LOA e ocorrência de epidemias, enchentes, abalos sísmicos e outras situações de
calamidade pública que demandem de ações emergenciais.
- Riscos decorrentes da gestão da dívida - referem-se a possíveis ocorrências externas à
administração que, quando efetivadas, resultarão em aumento do serviço da dívida pública no ano de
referência. Exemplos: variação das taxas de juros e de câmbio em títulos vincendos e dívidas, cuja
existência depende de fatores imprevisíveis, tais como resultados dos julgamentos de processos judiciais.

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LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL – LOA

O orçamento público é um instrumento de planejamento governamental no qual são previstas as


receitas e fixadas as despesas para um determinado período.

Aspectos do Orçamento Público

- Jurídico - O STF, nos recursos extraordinários 34.581, 75.908 e na ADI 2.100, decidiu considerar a
lei orçamentária como lei formal de efeito concreto. No Brasil, o orçamento é uma lei ordinária (aprovada
por maioria simples), de caráter autorizativo e temporária (vigência limitada).
- Financeiro - Sob este aspecto, o orçamento público é caracterizado pelo controle do fluxo monetário
decorrente da entrada de receita e saídas de despesas.
- Econômico - O orçamento público tem um papel importante na regulação econômica do país, uma
vez que o Governo é obrigado a atender às necessidades econômicas e sociais da coletividade e
redistribuir a renda nacional, com o objetivo de elevar o nível econômico da população.
- Político - Este aspecto diz respeito às características dos planos e programas governamentais do
grupo ou partido que detém o poder.
Abaixo, uma figura que representa as Finanças Públicas, englobando suas funcionalidades e
processos:

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É na LOA que o governo define as prioridades contidas no PPA e as metas que deverão ser atingidas
naquele ano; ela disciplina todas as ações do Governo Federal. Nenhuma despesa pública pode ser
executada fora do Orçamento, mas nem tudo é feito pelo Governo Federal. As ações dos governos
estaduais e municipais devem estar registradas nas leis orçamentárias dos Estados e Municípios. No
Congresso, deputados e senadores discutem, na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e
Fiscalização (CMO), a proposta enviada pelo Executivo, fazem as modificações que julgam necessárias
por meio das emendas e votam o projeto. Depois de aprovado, este é sancionado pelo Presidente da
República e se transforma em Lei.

ATENÇÃO!!!

A lei orçamentária da União estima receitas e fixa as despesas para um exercício financeiro. De um
lado, permite avaliar as fontes de recursos públicos no universo dos contribuintes e, de outro, quem são
os beneficiários desses recursos. Reza o § 5º do artigo 165 da Constituição de 1988:

§ 5º - A lei orçamentária anual compreenderá:


I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da
administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;
II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha
a maioria do capital social com direito a voto;
III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela
vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e
mantidos pelo Poder Público.

a) Orçamentos Fiscal e da Seguridade

O Orçamento Fiscal abrange os três poderes, seus fundos, órgãos, autarquias, inclusive as fundações
instituídas e mantidas pelo Poder Público. Compreende também as empresas públicas, sociedades de
economia mista e demais controladas que recebam quaisquer recursos do Tesouro Nacional, exceto as
que percebam unicamente sob a forma de participação acionária, pagamento de serviços prestados, ou
fornecimento de bens, pagamento de empréstimo e financiamento concedidos e transferências para
aplicação em programa de financiamento. Este último, refere-se aos 3% do IR e do IPI destinados aos
FNO, FCO, FNE, e 40% das contribuições do PIS/PASEP, destinados ao BNDES.

b) O Orçamento da Seguridade Social

Particularmente, constitui o detalhamento dos montantes de receitas vinculados aos gastos da


seguridade social - especialmente as contribuições sociais nominadas no art. 195 da Constituição.
Compreende também outras contribuições que lhe sejam asseguradas ou transferidas pelo orçamento
fiscal, bem como do detalhamento das programações relativas à saúde, à previdência e à assistência
social que serão financiadas por tais receitas. Esse orçamento abrange todas as entidades e órgãos
vinculados à seguridade social, da administração direta e indireta, bem como fundos e fundações
instituídas e mantidas pelo Poder Público.

c) Orçamento de Investimento das Estatais

As Estatais, operando nas condições e segundo as exigências do mercado, não teriam obrigatoriedade
de ter suas despesas e receitas operacionais destas empresas integrem o orçamento público. As
despesas de custeio das empresas estatais vinculadas ao Executivo (entendidas como empresas
públicas e as sociedades de economia mista, subsidiárias, controladas) terão seus orçamentos
organizados e acompanhados com a participação do MPO, mas não são apreciadas pelo Legislativo.

A inclusão de seus investimentos é justificada na medida em que tais aplicações constam com o apoio
do orçamento fiscal e até mesmo da seguridade que fornecem os recursos ou com o apoio do Tesouro
que concede aval para as operações de financiamento, ou com "lucros e excedentes" de aplicações de
recursos públicos. Por uma questão de racionalidade, transparência e evitar a dupla contagem não se
incluem neste orçamento as programações de estatais cujos trabalhos integrem os orçamentos fiscal e
da seguridade social (CBTU, CODEVASF, CONAB, CPRM, EMBRAPA, RADIOBRÁS, SERPRO).

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Elaboração da proposta orçamentária e apresentação

A cargo do Poder Executivo, através de órgãos específicos, além das tarefas relacionadas à estimativa
da receita, são realizadas as atividades relativas à: formulação da proposta parcial de orçamento de cada
unidade gestora (ações que se pretende executar através de cada órgão/Poder); compatibilização das
propostas setoriais à luz das prioridades estabelecidas e dos recursos disponíveis, conforme orientações
e diretrizes da LDO; consolidação e montagem, por parte do órgão central de orçamento, da proposta
orçamentária a ser submetida à apreciação do Poder Legislativo.
O processo adotado no Brasil na elaboração do orçamento é denominado Processo Misto, no qual as
diretrizes e objetivos são traçados pelos níveis hierárquicos mais altos, em função dos meios disponíveis.
Nesta etapa deve ser providenciada a formalização de um documento no qual fique demonstrada a
fixação dos níveis das atividades governamentais e que, em última análise, constituirá a proposta
orçamentária.

A Lei Federal 4.320/64 trata da elaboração, em sua SEÇÃO SEGUNDA, Das Previsões Anuais, como
veremos a seguir:

Art. 27. As propostas parciais de orçamento guardarão estrita conformidade com a política
econômico-financeira, o programa anual de trabalho do Governo e, quando fixado, o limite global
máximo para o orçamento de cada unidade administrativa.

Art. 28 As propostas parciais das unidades administrativas, organizadas em formulário próprio,


serão acompanhadas de:
I - tabelas explicativas da despesa, sob a forma estabelecida no artigo 22, inciso III, letras d, e e
f;
II - justificação pormenorizada de cada dotação solicitada, com a indicação dos atos de
aprovação de projetos e orçamentos de obras públicas, para cujo início ou prosseguimento ela se
destina.

Art. 29. Caberá aos órgãos de contabilidade ou de arrecadação organizar demonstrações


mensais da receita arrecadada, segundo as rubricas, para servirem de base a estimativa da receita,
na proposta orçamentária.
Parágrafo único. Quando houver órgão central de orçamento, essas demonstrações ser-lhe-ão
remetidas mensalmente.

Art. 30. A estimativa da receita terá por base as demonstrações a que se refere o artigo anterior
à arrecadação dos três últimos exercícios, pelo menos bem como as circunstâncias de ordem
conjuntural e outras, que possam afetar a produtividade de cada fonte de receita.

Art. 31. As propostas orçamentárias parciais serão revistas e coordenadas na proposta geral,
considerando-se a receita estimada e as novas circunstâncias.
Fica a cargo do Parlamento a revisão da proposta orçamentária - podendo ocorrer emendas, as
quais serão apresentadas a uma comissão de parlamentares previamente designada, que sobre
elas emitirá parecer. Após consolidação das emendas, o orçamento é colocado em votação.

O Poder Executivo deverá enviar o projeto de lei orçamentária ao Poder Legislativo, dentro dos prazos
estabelecidos. No âmbito federal, o prazo termina em 31 de agosto; os Estados geralmente obedecem o
prazo de entrega até o dia 30 de setembro, e os municípios devem obedecer o prazo estabelecido na sua
lei Orgânica.

A proposta orçamentária que o Poder Executivo encaminhará ao Poder legislativo nos prazos
estabelecidos nas Constituições e nas Leis Orgânicas dos Municípios compor-se-á de:10
I – Mensagem, que conterá: exposição circunstanciada da situação econômico-financeira,
documentada com demonstração da dívida fundada e flutuante, saldos de créditos especiais, restos a
pagar e outros compromissos financeiros exigíveis. Exposição e justificação da política econômico- -
financeira do Governo, justificação da receita e despesa, particularmente no tocante ao orçamento de
capital;

10
Kohama, Heilio. Contabilidade Pública: teoria e prática. 12.ª edição – São Paulo: Atlas, 2012.

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II – projeto de Lei de Orçamento;
III – Tabelas Explicativas das quais, além das estimativas de receita e despesa, constarão, em colunas
distintas para fins de comparação, a receita arrecadada nos últimos exercícios anteriores àquele em que
se elabora a proposta; receita para o exercício em que se elabora a proposta; a receita prevista para o
exercício a que se refere a proposta; a despesa realizada no exercício imediatamente anterior; a despesa
fixada para o exercício em que se elabora a proposta; a despesa prevista para o exercício a que se refere
a proposta;
IV – especificação dos programas especiais de trabalho custeados por dotações globais, em termos
de metas visadas, decompostas em estimativas de custo das obrar a realizar e dos serviços a prestar
acompanhadas de justificação econômica, financeira, social e administrativa.

Constará da proposta orçamentária, para cada unidade administrativa, descrição sucinta de suas
principais finalidades, com indicação da respectiva legislação (Artigo 22, da Lei Federal n.º 4.320/64).

Estudo e Aprovação11

Esta fase é de competência do Poder Legislativo, e o seu significado está configurado na necessidade
de que o povo, através de seus representantes, intervenha na decisão de suas próprias aspirações, bem
como na maneira de alcançá-las.
O Poder Executivo deverá enviar o projeto de lei orçamentária ao Poder Legislativo, que deverá
devolvê-lo para sanção, conforme Art. 22, da Lei Federal n.° 4.320/64.
Outrossim, se não receber a proposta orçamentária no prazo fixado, o poder Legislativo considerará
como proposta a Lei Orçamentária Vigente, conforme § 2°, Inciso III, do artigo 35, das Disposições
Transitórias da Constituição Federal.

O parágrafo 3.º do Art. 166 da Constituição Federal de 1988 trata da aprovação do projeto de lei do
orçamento anual e dos projetos que modifiquem:

§ 3.º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem
somente podem ser aprovadas caso:
I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;
II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de
despesa, excluídas as que incidam sobre:
a) dotações para pessoal e seus encargos;
b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; ou
III - sejam relacionadas:
a) com a correção de erros ou omissões; ou
b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.

Devidamente discutido, o projeto de lei orçamentária, uma vez aprovado pelo Poder Legislativo,
merecerá de sua parte a edição de um autógrafo e, logo após, enviado para sanção pelo chefe do Poder
Executivo.

Após a aprovação pelo plenário do Poder Legislativo, o projeto deverá ser devolvido ao Chefe do Poder
Executivo, que poderá sancioná-lo ou propor vetos totais ou parciais. Havendo a sanção do projeto de lei,
o mesmo deverá ser remetido para publicação.

11
Idem.

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Fase Descrição
Responsabilidade pela apresentação do projeto de lei orçamentária
Iniciativa pelo poder executivo ao Poder Legislativo, devendo observar o prazo fixado (iniciativa
vinculada).
Compreende as seguintes etapas:
- emendas;
- voto do relator;
- redação final;
- votação em plenário.
Segundo o § 3.º do art. 166 da CF/88, as emendas ao projeto de lei
do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente
podem ser aprovados caso:
I – sejam compatíveis com o PPA e com a LDO;
II – indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os
Discussão pelo poder Legislativo provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam
sobre:
a) dotação para pessoal e seus encargos;
b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados,
Municípios e Distrito Federal; ou
III – sejam relacionadas:
a) com a correção de erros ou omissões; ou
b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.
O § 4.º do mencionado artigo dispõe que as emendas ao projeto da
LDO não poderão ser aprovadas quando incompatíveis com o PPA.
Sanção pelo Poder Executivo Aquiescência ao projeto de lei aprovado.
Desacordo ao projeto de lei aprovado.
Prazo 15 dias úteis do recebimento do projeto.
Veto pelo Poder Executivo As razões do(s) veto(s) deverão ser comunicadas ao Presidente do
Senado Federal.
O veto poderá ser total ou parcial.
Atestado da existência de uma lei. Ocorre simultaneamente à
sanção. Mostra que a lei é executável. Decorrido o prazo para a
Promulgação pelo Poder executivo sanção, mantido o silêncio do Executivo quanto à promulgação
dentro de quarenta e oito horas, a promulgação ocorrerá pelo
Presidente do Senado.
Divulgação da lei na Imprensa Oficial. A lei está em vigor, impondo
Publicação pelo Poder executivo
a sua obrigatoriedade.

ATENÇÃO PARA OS PRAZOS:

O primeiro passo na elaboração do orçamento público é a definição do Plano Plurianual (PPA), no qual
são identificadas as prioridades de gestão durante quatro anos. Deve ser enviado ao Congresso Nacional
pelo Presidente da República em até 4 (quatro) meses antes do encerramento do primeiro exercício
financeiro, ou seja, 31 de agosto do primeiro ano do mandato e deve ser apreciado e devolvido para
sanção presidencial até 22 de dezembro (encerramento da sessão legislativa) do mesmo ano.
Deve, também, o chefe do poder Executivo enviar ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada
ano o projeto da LDO para que seja votada e aprovada até 17 de julho do mesmo ano. Sem a aprovação
da LDO, deputados e senadores não podem entrar em recesso parlamentar.
Por fim, com base no conteúdo aprovado na LDO, deve ser feita a elaboração da LOA – Lei
Orçamentária Anual (o orçamento propriamente dito), passo que finaliza a realização do orçamento. Será
a LOA que revelará a origem, o montante e o destino dos recursos a serem gastos no país, devendo ser
encaminhada até 31 de agosto de cada ano e aprovada até o dia 22 de dezembro.

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Envio: Chefe do PE ao PL. Devolução: do PL ao PE.
Projeto de Lei Parâmetro para envio: até o Parâmetro para devolução: até o
término do exercício financeiro. término da sessão ou período legislativo.
Até 4 meses antes do Até o término da sessão legislativa – 22 de
encerramento do primeiro exercício dezembro (EC n.º 50/06).
Plano Plurianual
financeiro do mandato do chefe do
PE – 31 de agosto.
Até 8 meses e ½ antes do Até o término do primeiro período
Lei de Diretrizes
encerramento do exercício legislativo – 17 de julho (EC n.º 50/06).
Orçamentárias
financeiro – 15 de abril.
Até 4 meses antes do Até o término da sessão legislativa – 22 de
Lei Orçamentária
encerramento do exercício dezembro (EC n.º 50/06).
Anual
financeiro – 31 de agosto.

EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA – A EXECUÇÃO DAS LEIS ORÇAMENTÁRIAS

Após a aprovação do projeto pelo Legislativo, cabe ao executivo gerenciar e executar o orçamento. A
execução orçamentária ocorre concomitantemente com a financeira. Esta afirmativa tem como
sustentação o fato de que a execução, tanto orçamentária como financeira, está atrelada uma a outra,
posto que, havendo orçamento e não existindo a previsão financeira, não poderá ocorrer a despesa. Por
outro lado, havendo recurso financeiro, mas não se podendo gastá-lo, não há que se falar em
disponibilidade orçamentária.
Em consequência, pode-se definir execução orçamentária como a utilização dos créditos na LOA; já a
execução financeira, por sua vez, representa a utilização de recursos financeiros, visando atender à
realização dos projetos e/ou atividades atribuídas às Unidades Orçamentárias pelo Orçamento.
Na técnica orçamentária, inclusive, é habitual se fazer a distinção entre as palavras crédito e recursos.
O primeiro termo designa o lado orçamentário; o segundo, financeiro. Crédito e Recurso são duas faces
de uma mesma moeda. O crédito é a dotação ou autorização de gasto ou sua descentralização, e o
recurso é o dinheiro ou saldo de disponibilidade bancária.
Uma vez publicada a LOA - observadas as normas de execução orçamentária e de programação
financeira para o exercício - e lançadas as informações orçamentárias, cria-se o crédito orçamentário e,
a partir daí, tem-se o início da execução orçamentária propriamente dita.
Executar o orçamento é, portanto, realizar as despesas públicas nele previstas, ressaltando que, para
que qualquer utilização de recursos públicos seja efetuada, a primeira condição é que a elaboração do
gasto tenha obedecido às regras legais e seja autorizado pelo Poder Legislativo, com observância dos
três estágios da execução das despesas previstos na Lei n.º 4.320/64, ou seja, (i) o empenho, (ii) a
liquidação e (iii) o pagamento (atualmente se encontra em aplicação a sistemática do pré-empenho
antecedendo esses estágios, já que, após o recebimento do crédito orçamentário e antes do seu
comprometimento para a realização da despesa, existe uma fase - geralmente demorada - de licitação
obrigatória junto a fornecedores de bens e serviços, que impõe a necessidade de se assegurar o crédito
até o término do processo licitatório).
Considerando que o empenho é o primeiro estágio da despesa, este é conceituado como sendo o ato
emanado de autoridade competente que cria para o Estado a obrigação de pagamento, pendente ou não,
de implemento de condição. Nele é registrado o comprometimento da despesa orçamentária, obedecidos
os limites estritamente legais, bem como aos casos em que se faça necessário o reforço ou a anulação
desse compromisso.
Não se deve confundir, entretanto, empenho da despesa com nota de empenho; esta, na verdade,
é a materialização daquele, embora, no dia a dia, haja a junção dos dois procedimentos em um único.
O fato de estar a despesa legalmente empenhada não cria para o Estado a obrigação de efetuar o
pagamento, posto que o implemento de condição pode ser concluído ou não. A Lei n.º 4.320/64 determina
que o pagamento de qualquer despesa pública, seja de que importância for, passe pelo crivo da
liquidação. É nesse segundo estágio da execução da despesa que será cobrada a prestação dos serviços
ou a entrega dos bens, ou, ainda, a realização da obra, evitando, dessa forma, o pagamento sem o
implemento de condição.
O segundo estágio da despesa pública é a liquidação, que consiste na verificação do cumprimento
pelo credor de suas obrigações previstas em contrato, tendo por base os títulos e documentos
comprobatórios do respectivo crédito; é, portanto, a comprovação de que o credor cumpriu todas as
obrigações constantes do empenho. Esse estágio tem por finalidade reconhecer ou apurar a origem e o
objeto do que se deve pagar, a importância exata a pagar e a quem se deve pagar para extinguir a

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obrigação, e é efetuado através do documento Nota de Lançamento ("NL"). Envolve todos os atos de
verificação e conferência, desde a entrega do material ou a prestação do serviço até o reconhecimento
da despesa.
Ao fazer a entrega do material ou a prestação do serviço, o credor deverá apresentar a nota fiscal,
fatura ou conta correspondente, acompanhada da primeira via da nota de empenho, devendo o
funcionário competente atestar o recebimento do material ou a prestação do serviço correspondente no
verso da nota fiscal, fatura ou conta.
O último estágio da despesa é o pagamento, que consiste na entrega de numerário ao credor do
Estado, extinguindo dessa forma o débito ou obrigação. Esse procedimento, normalmente, é efetuado por
tesouraria, que deve ter como favorecido o credor do empenho. O pagamento normalmente é efetuado
por meio de crédito em conta bancária do favorecido. Se houver importância paga a maior ou
indevidamente, sua reposição aos órgãos públicos deverá ocorrer dentro do próprio exercício.
Todo esse processo ocorre observando, estritamente, os princípios constitucionais orçamentários, bem
como aqueles que regem a Administração Pública, dentre eles a moralidade, a publicidade e a eficiência,
de modo que o interesse público seja sempre garantido.

Avaliação12

A avaliação se refere à organização, aos critérios e trabalhos destinados a julgar o nível dos objetivos
fixados no orçamento e as modificações nele ocorridas durante a execução; à eficiência com que se
realizam as ações empregadas para tais fins e o grau de racionalidade na utilização do recursos
correspondentes.
A constatação do que realizar, e do que deixar de fazer, não pode, como é obvio, restringir-se somente
ao julgamento “a posteriori”. A avaliação deve ser ativa, desempenhar um papel importante como
orientadora da execução e fixar em base consistente as futuras programações, por isso esta fase é
simultânea à execução, e a informação que fornece deve estar disponível, quando dela se necessitar.
A avaliação impõe a necessidade de um sistema estatístico cuja informação básica se obtém em cada
uma das repartições ou órgãos.
De posse dos dados coletados, o grupo de avaliação orçamentária deve elaborar tabelas, calcular
indicadores e apresentar informes periódicos para uso e tomada de decisões por parte dos dirigentes das
unidades executoras.
A avaliação deverá ser feita à vista de dados relativos à execução orçamentária que são apurados. Há
uma obrigatoriedade no § 3.º, do artigo 165 da Constituição Federal, que diz:

“o Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório
resumido da execução orçamentária.”

Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o


cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os
Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias
subsequentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixados na Lei de
Diretrizes Orçamentárias. Não serão objeto de limitação as despesas que constituam obrigações
constitucionais e legais do ente, inclusive destinadas ao pagamento de serviço da dívida e as ressalvadas
pela LDO e, no caso dos Poderes Legislativo e Judiciário e o Ministério Público não promoverem a
limitação no prazo estabelecido, é o Poder Executivo autorizado a limitar os valores financeiros segundo
os critérios fixados pela LDO, conforme Caput e §§ 2.º e 3.º do artigo 9.º da Lei Complementar n.°
101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal).

No caso de restabelecimento da receita prevista, ainda que parcial, a recomposição das dotações
cujos empenhos foram limitados dar-se-á de forma proporcional às reduções efetivas, conforme § 1.º, do
artigo 9.º da Lei Complementar n.º 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal)

Até o final dos meses de maio, setembro e fevereiro, o Poder Executivo demonstrará e avaliará o
cumprimento das metas fiscais de cada quadrimestre, em audiência pública na Comissão mista
permanente de senadores e deputados ou equivalente nas Casas Legislativas estaduais e municipais
conforme § 4.º, do artigo 9.º da Lei Complementar n.º 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal)

12
Kohama, Heilio. Contabilidade Pública: teoria e prática. 12.edição – São Paulo: Atlas, 2012.

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Questões

01. (MTUR – Administrador – FUNIVERSA) Acerca das características da lei orçamentária, assinale
a alternativa incorreta.
(A) É uma lei informal.
(B) É uma lei temporária.
(C) É uma lei ordinária.
(D) É uma lei especial.
(E) Tem vigência limitada a um ano

02. (DNIT – Técnico de Suporte em Infraestrutura de Transportes – ESAF) De acordo com a


Constituição Federal, o principal objetivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias é:
(A) orientar as unidades orçamentárias e administrativas na formulação do seu planejamento anual e
na elaboração da proposta orçamentária, bem como estabelecer as metas a serem alcançadas no
exercício subsequente.
(B) estabelecer as diretrizes, prioridades e metas para a organização das entidades com vistas à
definição da proposta orçamentária anual a ser enviada ao Congresso Nacional.
(C) criar as condições necessárias ao estabelecimento de um sistema de planejamento integrado com
vistas à elaboração e aprovação do orçamento.
(D) estabelecer as metas de despesas correntes e de capital para o exercício seguinte, as prioridades
da administração e orientar a elaboração da proposta orçamentária.
(E) estabelecer as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de
capital para o exercício financeiro subsequente e orientar a elaboração da lei orçamentária.

03. (TJ-RO – Analista Judiciário – Administração – CESPE) De acordo com o princípio orçamentário
da totalidade,
(A) as despesas previstas e as receitas fixadas devem integrar uma única LOA.
(B) a inclusão de autorização para a contratação de operação de crédito na LOA é proibida.
(C) a Lei Orçamentária Anual (LOA) deve conter todas as receitas e despesas.
(D) cada ente governamental deve elaborar um único orçamento.
(E) a LOA deve referir-se a um único exercício financeiro.

04. (IF-TOP - Técnico em Contabilidade - IF-TO/2015) São atribuições que devem constar na Lei de
Diretrizes Orçamentárias, exceto:
(A) Fazer intermediação entre o planejamento e o orçamento.
(B) Dispor sobre alterações na legislação tributária.
(C) Orientar a elaboração do plano plurianual.
(D) Indicar metas e prioridades para a administração pública.
(E) Tratar sobre a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.

05. (DETRAN-MT - Auxiliar do Serviço de Trânsito – UFMT/2015) Em relação à Lei de Diretrizes


Orçamentárias (LDO), é correto afirmar:
(A) Extingue limitações à expansão de despesas obrigatórias de caráter continuado.
(B) Disciplina as transferências de recursos apenas a entidades privadas.
(C) Dispõe sobre o controle de custos e avaliação dos resultados dos programas financiados pelo
orçamento.
(D) Indica empenho por estimativa para colher despesas com o valor não identificado previamente.

06. (TCE-CE - Analista de Controle Externo-Auditoria Governamental – FCC/2015) O instrumento


de planejamento que deve dispor sobre os critérios e a forma de limitação de empenho, além das
condições e exigências para as transferências de recursos a entidades públicas e privadas é
(A) o Plano Plurianual.
(B) a Lei de Diretrizes Orçamentárias.
(C) a Lei Orçamentária Anual.
(D) o Plano Nacional Orçamentário.
(E) o Anexo de Riscos Fiscais.

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07. (TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário - Área Administrativa – FCC) A Lei de Diretrizes
Orçamentárias tem como objetivo precípuo
(A) definir metas gerais que devem ser incorporadas aos orçamentos dos anos seguintes.
(B) definir metas e prioridades da administração pública federal que devem ser incorporadas pela LOA.
(C) revisar a cada cinco anos as diretrizes gerais do governo que devem ser incorporadas aos Planos
Plurianuais.
(D) limitar os gastos com pessoal e custeio da máquina de acordo com tetos estabelecidos a cada
cinco anos.
(E) reduzir a descontinuidade do planejamento público, impondo a cooperação entre governos.

08. (TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Analista Judiciário – Contabilidade – FCC) A Lei das Diretrizes
Orçamentárias (LDO) da União deverá conter
(A) o orçamento fiscal referente aos poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da
administração direta e indireta.
(B) o orçamento de investimento das empresas nas quais a União tenha a maioria do capital social.
(C) as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente.
(D) o orçamento da seguridade social, abrangendo todos os órgãos e entidades a ela vinculados.
(E) o Anexo de Metas Fiscais, onde serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes
de afetar as contas públicas.

09. (TRT - 23ª REGIÃO (MT) - Técnico Judiciário - Área Administrativa – FCC) A Lei das Diretrizes
Orçamentárias (LDO) deve
(A) ser compatível com o Plano Plurianual e orientar a elaboração da lei orçamentária anual.
(B) fixar o montante de despesas de capital destinado às empresas públicas no exercício corrente.
(C) prever a concessão de créditos ilimitados para algumas das unidades orçamentárias julgadas mais
importantes para se alcançarem as metas do Plano Plurianual.
(D) fixar o montante das operações de crédito que podem exceder o valor das despesas de capital.
(E) estimar receitas e fixar despesas para o exercício financeiro seguinte.

10. (STJ - Técnico Judiciário - Administrativa – CESPE/2015) cerca de técnicas e princípios


relacionados com o orçamento público, julgue o item a seguir.
O ciclo orçamentário da despesa pública é concluído com a autorização de gasto dada pelo Poder
Legislativo por meio da lei orçamentária anual (LOA), ressalvadas as eventuais aberturas de créditos
adicionais no decorrer da vigência do orçamento.
( ) Certo ( ) Errado

11. (TCE-CE - Analista de Controle Externo-Biblioteconomia – FCC/2015) A proposta da Lei


Orçamentária Anual deve ser encaminhada pelo Poder Executivo ao Legislativo acompanhada de
exposição circunstanciada da situação econômico-financeira. Essa exposição é denominada
(A) razão orçamentária.
(B) tabela explicativa.
(C) mensagem.
(D) exposição orçamentária.
(E) fundamentação orçamentária.

12. (TCE-CE - Técnico de Controle Externo-Administração – FCC/2015) A iniciativa para a


elaboração do Plano Plurianual − PPA, da Lei de Diretrizes Orçamentárias − LDO e da Lei Orçamentária
Anual − LOA é
(A) do Poder Executivo.
(B) do Poder Legislativo.
(C) do Poder Judiciário.
(D) dos Poderes Executivo e Legislativo.
(E) dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

13. (TCE-PR - Analista de Controle – Contábil - CESPE/2016) A lei que tem por objetivos orientar a
elaboração do orçamento, dispor sobre as alterações na legislação tributária e estabelecer a política de
aplicação das agências financeiras oficiais de fomento denomina-se
(A) Lei n.º 4.320/1964, que estatui normas gerais de direito financeiro.
(B) plano plurianual.

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(C) lei orçamentária anual.
(D) lei de diretrizes orçamentárias.
(E) Lei de Responsabilidade Fiscal.

Respostas

01. Resposta: A.
Jurídico - O STF, nos recursos extraordinários 34.581, 75.908 e na ADI 2.100, decidiu considerar a lei
orçamentária como lei formal de efeito concreto.
No Brasil, o orçamento é uma lei ordinária (aprovada por maioria simples), de caráter autorizativo e
temporária (vigência limitada). Portanto não se trata de uma lei informal.

02. Resposta: E.
De acordo com o parágrafo 2.º do art. 165 da Constituição Federal, a LDO:
- compreenderá as metas e prioridades da administração pública, incluindo as despesas de capital
para o exercício financeiro subsequente;
- orientará a elaboração da LOA;
- disporá sobre as alterações na legislação tributária; e
- estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.

03. Resposta: D.
Princípio Orçamentário da Totalidade
Coube à doutrina tratar de reconceituar o princípio da unidade de forma que abrangesse as novas
situações. Surgiu, então, o princípio da totalidade, que possibilita a coexistência de múltiplos orçamentos
que, entretanto, devem sofrer consolidação, de forma a permitir uma visão geral do conjunto das finanças
públicas.
A Constituição de 1988 trouxe melhor entendimento para a questão ao precisar a composição do
orçamento anual que passará a ser integrado pelas seguintes partes: a) orçamento fiscal; b) orçamento
da seguridade social e c) orçamento de investimentos das estatais. Este modelo, em linhas gerais, segue
o princípio da totalidade.
Estabelece que o orçamento deve ser uno, ou seja, cada ente governamental deve elaborar um único

múltiplos orçamentos dentro da mesma pessoa política. Dessa forma, todas as receitas previstas e
despesas fixadas, em cada exercício financeiro, devem integrar um único documento legal dentro de cada
nível federativo.

04. Resposta: C.
Conforme art. 165 § 2.º da CF/88, a lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e
prioridades (MP) da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício
financeiro subsequente.
Terá ainda como atribuições:
- orientar a elaboração da LOA;
- dispor sobre alterações na legislação tributária;
- estabelecer as políticas de aplicação das agências financeiras de fomento;
- disporá sobre autorizações para aumento do gasto ou contratação de pessoal dos órgãos da
administração direta e indireta ressalvadas as empresas públicas e as sociedades de economia mista.

05. Resposta: C.
A LDO na LRF: Além das atribuições contidas no Art. 165, § 2.º da Constituição Federal, a Lei
101/2000, Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF, em seu Art. 4.º traz novas atribuições para a LDO,
sendo uma delas:
- normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com
recursos dos orçamentos.

06. Resposta: B.
A LDO na LRF: Além das atribuições contidas no Art. 165, § 2.º da Constituição Federal, a Lei
101/2000, Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF, em seu Art. 4.º, traz novas atribuições para a LDO,
sendo uma delas:
- critérios para limitação de empenhos e o consequente controle sobre o endividamento.

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07. Resposta: B.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro
seguinte; orienta a elaboração do Orçamento; dispõe sobre alteração na legislação tributária; estabelece
a política de aplicação das agências financeiras de fomento. Ela estabelece um elo entre o Plano
Plurianual de Ação Governamental e a Lei Orçamentária Anual, uma vez que reforça quais programas
relacionados no PPAG terão prioridade na programação e execução orçamentária.

08. Resposta: C.
De acordo com o parágrafo 2.º do art. 165 da Constituição Federal, a LDO:
- compreenderá as metas e prioridades da administração pública, incluindo as despesas de capital
para o exercício financeiro subsequente;

09. Resposta: A.
A LDO orienta a elaboração do Orçamento e deve ser compatível com o Plano Plurianual para que
possa estabelecer o elo entre o PPA e a LOA.

10. Resposta: ERRADO.


As fases do ciclo orçamentário são as seguintes: elaboração, apreciação legislativa, execução e
acompanhamento, controle e avaliação, quando, então, inicia-se o ciclo seguinte.

11. Resposta: C.
A proposta orçamentária que o Poder Executivo encaminhará ao Poder legislativo nos prazos
estabelecidos nas Constituições e nas Leis Orgânicas dos Municípios compor-se-á de:13
I – Mensagem, que conterá: exposição circunstanciada da situação econômico-financeira,
documentada com demonstração da dívida fundada e flutuante, saldos de créditos especiais, restos a
pagar e outros compromissos financeiros exigíveis. Exposição e justificação da política econômico-
financeira do Governo, justificação da receita e despesa, particularmente no tocante ao orçamento de
capital.

12. Resposta: A.
É elaborado pelo chefe do executivo, que deve encaminhar para a aprovação do legislativo.

13. Resposta: D.
CF. Art. 165 § 2º A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da
administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente,
orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e
estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.

Créditos adicionais, Dotação orçamentária, vedações orçamentarias

A dotação orçamentária14 (dotação dos poderes e órgãos) é toda e qualquer verba prevista como
despesa em orçamentos públicos e destinada a fins específicos. Qualquer tipo de pagamento que não
tenha dotação específica só pode ser realizado se for criada uma verba nova ou dotação nova para suprir
a despesa, assim são valores monetários autorizados, consignados na Lei Orçamentária Anual (LOA)
para atender a uma determinada programação orçamentária.
15
Apenas depois da publicação da Lei de Orçamento Anual o Chefe do Poder Executivo pode iniciar a
execução de seus programas. Passa-se da fase de estimativa das receitas e fixação das despesas
(Planejamento Orçamentário) para a fase de realização da receita e da despesa (Execução
Orçamentária).
Nem sempre o Orçamento é cumprido na íntegra devido a fatores como: arrecadação que não se
efetiva conforme planejado, pressões políticas, calamidades naturais, comoções internas, entre outros
fatores.
Os créditos que autorizam a realização da despesa pública têm duas classificações: créditos ordinários
e créditos adicionais.

13
Kohama, Heilio. Contabilidade Pública: teoria e prática. 12.edição – São Paulo: Atlas, 2012.
14
Senado Notícias. Disponivel em: https://www12.senado.leg.br/noticias/glossario-legislativo/dotacao-orcamentaria-rubrica
15
http://www.cnsp.org.br/website/pdfs/Guia_Orcamento.pdf

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i. Créditos Ordinários - são autorizações constantes da Lei de Orçamento Anual.
ii. Créditos Adicionais – representam autorizações de despesas não computadas ou
insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento Anual

A lei orçamentária anual, quando da sua aprovação, conterá créditos orçamentários, também
denominados créditos iniciais, os quais estarão distribuídos nos programas de trabalho que compõem o
Orçamento Geral da União. Ocorre que, muitas vezes, a Lei Orçamentária Anual, também denominada
Lei de Meios, não prevê a realização de determinados dispêndios ou não dispõe de recursos suficientes
para atendê-los no exato momento em que deveriam ser efetuados.
Assim, denomina-se como “insuficientemente dotada” aquela despesa que, embora prevista pela LOA,
não dispõe de recursos suficientes que atendam ao dispêndio em questão. Já aquelas despesas não
dotadas de recursos na lei orçamentária e que, em face da influência de diversos fatores, necessitam ser
executadas denominam-se “não computadas”.

Para solucionar ambos os casos, adota-se o mecanismo de créditos adicionais, são autorizações de
despesas não computadas ou insuficientemente dotadas na lei de orçamento. Em outras palavras, os
créditos adicionais são instrumentos de ajustes orçamentários, sendo “fundamental para oferecer
flexibilidade e permitir a operacionalidade de qualquer sistema orçamentário” e que visam a atender as
seguintes situações: corrigir falhas da LOA; mudança de rumos das políticas públicas; variações de preço
de mercado de bens e serviços a serem adquiridos pelo governo; e situações emergenciais imprevistas.
De acordo com o artigo 40 da Lei Federal 4.320/1964, a qual estatui normas gerais de Direito
Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios
e do Distrito Federal, “são créditos adicionais as autorizações de despesa não computadas ou
insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento”. O artigo 41 da mesma lei define três modalidades de
créditos adicionais, as quais foram recepcionadas pelo artigo 167 da Constituição Federal de 1988:

Art. 41. Os créditos adicionais classificam-se em:


I - suplementares, os destinados a reforço de dotação orçamentária;
II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica;
III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção
intestina ou calamidade pública.

Cada modalidade de crédito adicional possui as seguintes características:

− Crédito suplementar – destinado ao reforço de dotação orçamentária prevista na lei orçamentária


anual quando o seu saldo torna-se insuficiente. Deve ser autorizado por lei, podendo ser a própria lei
orçamentária, e aberto por decreto do Poder Executivo;
− Crédito especial – é utilizado para atender as despesas para as quais não haja dotação
orçamentária específica na lei orçamentária anual. Deve ser autorizado por lei específica e aberto por
decreto do Poder Executivo;
− Crédito extraordinário – é utilizado para cobrir despesas imprevisíveis e urgentes, em caso de
guerra, comoção interna ou calamidade pública. Deve ser aberto por decreto do Poder Executivo,
devendo ser dado conhecimento imediato ao Poder Legislativo.

Os créditos suplementares e especiais requerem autorização legislativa para que possam ser
utilizados. No caso dos créditos suplementares, essa autorização pode estar contida na LOA ou em uma
lei específica para esse fim, caso a LOA já tenha sido aprovada. É importante que essa lei seja específica,
que trate somente desses novos créditos. Isso serve para evitar que sejam aprovadas matérias
maliciosamente “escondidas” em um projeto de lei de crédito suplementar.
No caso dos créditos especiais, a única forma de aprovação é por meio de uma lei específica. Após a
aprovação legislativa, específica ou na própria LOA, dependo do caráter dos créditos adicionais, o Poder
Executivo insere esses novos créditos no orçamento corrente por meio de um decreto.
No caso dos créditos suplementares, seu valor é acrescido ao valor da LOA original, e no caso dos
créditos especiais, é criada uma nova dotação, que discrimina o novo gasto.
Para os créditos extraordinários, o procedimento é totalmente diferente. Em decorrência da maior
urgência, a autorização legislativa é dispensada.
A União e alguns estados abrem esses créditos por meio de medida provisória. Nos municípios e em
estados em que não há a previsão de MP em suas constituições, essa abertura ocorre por meio de decreto
do Executivo. Se a abertura for realizada por decreto, ele deverá ser imediatamente submetido ao Poder

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Legislativo. A Constituição Federal veda a edição de Medida Provisória sobre instrumentos de
planejamento, como planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamentos anuais e créditos adicionais
suplementares, exceto no caso de abertura de créditos extraordinários (art. 62, § 1º, I, d). Os créditos
extraordinários incorporam-se ao orçamento em dotações específicas, ou seja, não se misturam com
outras despesas. A outra diferença é que, para os créditos extraordinários, em decorrência de sua
urgência e importância, não é necessário justificar a origem dos recursos. Já no caso dos créditos
especiais e suplementares, para que sejam abertos, é necessário demonstrar qual será a origem dos
recursos utilizados. Essa demonstração é fundamental para preservar o equilíbrio orçamentário ou, pelo
menos, para não aumentar o desequilíbrio. Está inscrito na própria Constituição Federal:

Os créditos adicionais na Constituição art. 166, § 8°, e na Lei 4.320/64 surgiram para corrigir ou
amenizar situações que surgem, durante a execução orçamentária, por razões de fatos de ordem
econômica ou imprevisíveis. Os créditos adicionais são incorporados aos orçamentos em execução, desta
forma, os créditos adicionais alteraram o Orçamento.

Constituição art. 166, § 8°:


Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento
anual e aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do
regimento comum.
§ 8º - Os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária
anual, ficarem sem despesas correspondentes poderão ser utilizados, conforme o caso, mediante créditos
especiais ou suplementares, com prévia e específica autorização legislativa.

 IMPORTANTE:
Constituição Federal, Art. 167 – São vedados:
(...)
V – a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação
dos recursos correspondentes.

A Lei 4.320/64 estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos
e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, versando sobre créditos
adicionais:
.....

TÍTULO V
DOS CRÉDITOS ADICIONAIS

Art. 40. São créditos adicionais, as autorizações de despesa não computadas ou insuficientemente
dotadas na Lei de Orçamento.

Art. 41. Os créditos adicionais classificam-se em:


I - suplementares, os destinados a reforço de dotação orçamentária;
II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica;
III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção
intestina ou calamidade pública.

Art. 42. Os créditos suplementares e especiais serão autorizados por lei e abertos por decreto
executivo.

Art. 43. A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da existência de recursos
disponíveis para ocorrer a despesa e será precedida de exposição justificativa.
§ 1º Consideram-se recursos para o fim deste artigo, desde que não comprometidos:
I - o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior;
II - os provenientes de excesso de arrecadação;
III - os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais,
autorizados em Lei;
IV - o produto de operações de credito autorizadas, em forma que juridicamente possibilite ao poder
executivo realiza-las

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§ 2º Entende-se por superávit financeiro a diferença positiva entre o ativo financeiro e o passivo
financeiro, conjugando-se, ainda, os saldos dos créditos adicionais transferidos e as operações de credito
a eles vinculadas.
§ 3º Entende-se por excesso de arrecadação, para os fins deste artigo, o saldo positivo das diferenças
acumuladas mês a mês entre a arrecadação prevista e a realizada, considerando-se, ainda, a tendência
do exercício.
§ 4° Para o fim de apurar os recursos utilizáveis, provenientes de excesso de arrecadação, deduzir-
se-á a importância dos créditos extraordinários abertos no exercício.

Art. 44. Os créditos extraordinários serão abertos por decreto do Poder Executivo, que deles dará
imediato conhecimento ao Poder Legislativo.

Art. 45. Os créditos adicionais terão vigência adstrita ao exercício financeiro em que forem abertos,
salvo expressa disposição legal em contrário, quanto aos especiais e extraordinários.

Art. 46. O ato que abrir crédito adicional indicará a importância, a espécie do mesmo e a classificação
da despesa, até onde for possível

Por fim, apresentamos a tabela resumo contendo as principais informações sobre os Créditos
Adicionais:
CRÉDITOS ADICIONAIS
TIPOS SUPLEMENTARES ESPECIAIS EXTRAORDINÁRIOS
Finalidade Reforçar despesas já Atender despesas não Atender despesas imprevisíveis
previstas no previstas no e urgentes (ex: guerra, comoção
orçamento. orçamento. interna ou calamidade)
Autorização Necessidade de Necessidade de Independe.
legislativa autorização na própria autorização em lei
LOA ou em lei específica.
específica
Abertura e Decreto (Executivo): Decreto (Executivo): Na União, abertura se dá por
incorporação incorporam-se ao incorporam-se ao meio de MP; Nos Estados,
orçamento orçamento, mas Distrito Federal e Municípios, a
adicionando-se à conservam sua abertura se dá por Decreto
dotação orçamentária especificidade, Executivo ou por MP, se houver
a que se destinou demonstrando-se a previsão na CE ou na Lei
reforçar conta dos mesmos Orgânica do Município. Se a
separadamente abertura ocorrer por meio de
Decreto, este deverá ser enviado
imediatamente ao Legislativo.
Incorporam-se ao orçamento,
mas conservam sua
especificidade, demonstrando-se
a contas dos mesmos
separadamente.
Vigência No exercício em que No exercício em que No exercício em que foi aberto
foi aberto (até 31/12) foi aberto (até 31/12). (até 31/12).
Prorrogação Improrrogável Só para o exercício Só para o exercício seguinte
seguinte quando o ato quando o ato de abertura (MP ou
de autorização tiver Decreto) tiver sido editado nos
sido promulgado nos últimos 4 meses do exercício.
últimos 4 meses do Nesse caso, os saldos são
exercício. Nesse caso, incorporados, por decreto, ao
os saldos são orçamento seguinte (créditos
incorporados, por com vigência plurianual).
decreto, ao orçamento
seguinte (créditos com
vigência plurianual)
Indicar fontes SIM SIM NÃO

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Vedações orçamentárias

A Constituição Federal de 1988 institui em seu texto o sistema de normas financeiras, necessário e
suficiente para realizá-los, nos artigos 165 a 169 há as disposições referente ao orçamento. Neste
contexto, o artigo 167 trata especificamente das vedações orçamentarias constitucionais.
O texto complementa as orientações sobre a elaboração e execução das leis orçamentárias por meio
de vedações.
Um dos objetivos do sistema orçamentário inaugurado pela Constituição Federal de 1988 é
exatamente o de permitir o controle sobre os recursos públicos e o equilíbrio orçamentário; o art. 167, CF
elenca vedações orçamentárias que, de algum modo, não possibilitariam alcançar o controle dos recursos
ou o equilíbrio orçamentário. Dentre elas são destacadas:
a) programas e projetos não podem ser iniciados sem que estejam incluídos na lei orçamentária anual;
b) a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas não podem exceder os créditos
orçamentários ou adicionais;
c) a realização de operações de crédito não pode exceder o montante das despesas de capital,
ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa,
aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta;
d) abertura de créditos suplementares ou especial está condicionada à prévia autorização legislativa e
à indicação dos recursos correspondentes;
e) impõe-se autorização legislativa para a transposição, o remanejamento ou a transferência de
recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro;
f) a concessão ou utilização de créditos é limitada.

Vamos destacar o artigo 167.

Art. 167. São vedados:


I - o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual;
II - a realização de despesas ou a assunção de obrigações diretas que excedam os créditos
orçamentários ou adicionais;
III - a realização de operações de créditos que excedam o montante das despesas de capital,
ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa,
aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta;
IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do
produto da arrecadação dos impostos a que se referem os artigos 158 e 159, a destinação de recursos
para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para
realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos artigos
198, § 2.º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita,
previstas no art. 165, § 8.º, bem como o disposto no § 4.º deste artigo;
V - a abertura de crédito suplementar ou especial sem prévia autorização legislativa e sem indicação
dos recursos correspondentes;
VI - a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação
para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa;
VII - a concessão ou utilização de créditos ilimitados;
VIII - a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos dos orçamentos fiscal e da
seguridade social para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas, fundações e fundos, inclusive
dos mencionados no art. 165, § 5.º;
IX - a instituição de fundos de qualquer natureza, sem prévia autorização legislativa.
X - a transferência voluntária de recursos e a concessão de empréstimos, inclusive por antecipação
de receita, pelos Governos Federal e Estaduais e suas instituições financeiras, para pagamento de
despesas com pessoal ativo, inativo e pensionista, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
XI - a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II,
para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social
de que trata o art. 201.
§ 1.º - Nenhum investimento cuja execução ultrapasse um exercício financeiro poderá ser iniciado sem
prévia inclusão no plano plurianual, ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de crime de
responsabilidade.
§ 2.º - Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem
autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício,

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caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício
financeiro subsequente.
§ 3.º - A abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a despesas
imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública,
observado o disposto no art. 62.
§ 4.º É permitida a vinculação de receitas próprias geradas pelos impostos a que se referem os artigos
155 e 156, e dos recursos de que tratam os artigos 157, 158 e 159, I, a e b, e II, para a prestação de
garantia ou contragarantia à União e para pagamento de débitos para com esta.
§ 5.º A transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de
programação para outra poderão ser admitidos, no âmbito das atividades de ciência, tecnologia e
inovação, com o objetivo de viabilizar os resultados de projetos restritos a essas funções, mediante ato
do Poder Executivo, sem necessidade da prévia autorização legislativa prevista no inciso VI deste artigo.

Questões

01. (TCE-PI - Assessor Jurídico – FCC) Os créditos adicionais


(A) dependem de autorização legislativa, sejam eles suplementares, especiais ou extraordinários.
(B) amparam-se no superávit financeiro do ano anterior, que é a diferença positiva entre o ativo
permanente e o passivo compensado.
(C) solicitam específica permissão do Legislativo, mesmo que os de natureza suplementar já contem
com prévia autorização na lei orçamentária anual.
(D) suplementares e especiais serão autorizados por lei e abertos por decreto executivo.
(E) não poderão, no ano seguinte, ser reabertos no limite de seus saldos.

02. (TJ-PA - Analista Judiciário - Fiscal de Arrecadação – VUNESP) A abertura de Créditos


Adicionais possibilita a(o)
(A) indicação de novas receitas.
(B) limitação de despesas
(C) equilíbrio de caixa.
(D) reequilíbrio fiscal.
(E) alteração do orçamento.

03. (TCE-MS - Auditor de Controle Externo – PUC-PR) Os créditos adicionais são classificados em:
(A) suplementares, especiais e extraorçamentários.
(B) suplementares, especiais e extraordinários.
(C) suplementares, adicionais e extraordinários.
(D) complementares, especiais e extraordinários.
(E) complementares, especiais e extraorçamentários.

04. (TRE-PR -Analista Judiciário - Área Administrativa – FCC) Os créditos adicionais


suplementares destinam-se a
(A) geração de superávit no exercício financeiro em que são autorizados.
(B) cobertura de despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica.
(C) cobertura de despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou
calamidade pública.
(D) reforço da dotação orçamentária.
(E) abertura de operações de crédito para financiamento da dívida de curto prazo.

Respostas

01. Resposta: D.
− Crédito suplementar – destinado ao reforço de dotação orçamentária prevista na lei orçamentária
anual quando o seu saldo torna-se insuficiente. Deve ser autorizado por lei, podendo ser a própria lei
orçamentária, e aberto por decreto do Poder Executivo;
− Crédito especial – é utilizado para atender as despesas para as quais não haja dotação orçamentária
específica na lei orçamentária anual. Deve ser autorizado por lei específica e aberto por decreto do Poder
Executivo.

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02. Resposta. E.
Os créditos adicionais na Constituição art. 166, § 8°, e na Lei 4.320/64 para corrigir ou amenizar
situações que surgem, durante a execução orçamentária, por razões de fatos de ordem econômica ou
imprevisíveis. Os créditos adicionais são incorporados aos orçamentos em execução, desta forma, od
créditos adicionais alteraram o Orçamento.

03. Resposta: B.
Lei Federal 4.320/1964 - Art. 41. Os créditos adicionais classificam-se em: I - suplementares, os
destinados a reforço de dotação orçamentária; II - especiais, os destinados a despesas para as quais
não haja dotação orçamentária específica; III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e
imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública.

04. Resposta: D.
Crédito suplementar – destinado ao reforço de dotação orçamentária prevista na lei orçamentária anual
quando o seu saldo torna-se insuficiente. Deve ser autorizado por lei, podendo ser a própria lei
orçamentária, e aberto por decreto do Poder Executivo.

5. Despesa Pública: conceito, classificação, estágios e os efeitos da Lei de


Responsabilidade Fiscal (LFR – Lei Complementar n. 101/2000). 6. Receita
Pública: conceito, classificação, estágios, dívida ativa, repartição de receitas e
efeitos da LRF.

DESPESAS

Despesa pública ou gastos públicos é a aplicação (em dinheiro) de recursos do Estado para custear
os serviços de ordem pública ou para investir no próprio desenvolvimento econômico do Estado. As
despesas públicas devem ser autorizadas pelo Poder legislativo, através do ato administrativo chamado
orçamento público. Exceção são as chamadas despesas extra-orçamentárias.

As despesas públicas devem obedecer aos seguintes requisitos:

- Utilidade (atender a um número significativo de pessoas);


- Legitimidade (deve atender uma necessidade pública real);
- Discussão pública (deve ser discutida e aprovada pelo Poder Legislativo e pelo Tribunal de Contas);
- Possibilidade contributiva (possibilidade da população atender à carga tributária decorrente da
despesa);
- Oportunidade;
- Hierarquia de gastos;
- Deve ser estipulada em lei;

As despesas podem ser classificadas entre despesas orçamentárias e extra-orçamentárias:

Despesa Orçamentária é aquela que depende de autorização legislativa para ser realizada e que não
pode ser efetivada sem a existência de crédito orçamentário que a corresponda suficientemente.

Despesa extra-orçamentária é a despesa que não consta da lei do orçamento, compreendendo as


diversas saídas de numerário decorrentes do levantamento de depósitos, cauções, pagamento de Restos
a Pagar, resgate de operações de créditos por antecipação de receita, bem como quaisquer valores que
se revistam de características de simples transitoriedade, recebidos anteriormente e que, na
oportunidade, constituíram receitas extraorçamentárias.

Classificam-se em categorias econômicas as quais se dividem conforme o esquema abaixo:

Despesas correntes

Despesas de custeio: destinadas à manutenção dos serviços criados anteriormente à Lei Orçamentária
Anual, e correspondem entre outros gastos, os com pessoal, material de consumo, serviços de terceiros
e gastos com obras de conservação e adaptação de bens imóveis.

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Transferências correntes: são despesas que não correspondem a contraprestação direta de bens ou
serviços por parte do Estado e que são realizadas à conta de receitas cuja fonte seja transferências
correntes. Dividem-se em:

Subvenções sociais: destinadas a cobrir despesas de custeio de instituições públicas ou privadas de


caráter assistencial ou cultural, desde que sem fins lucrativos;

Subvenções econômicas: destinadas a cobrir despesas de custeio de empresas públicas de caráter


industrial, comercial, agrícola ou pastoril.

Despesas de capital

Despesas de investimentos: despesas necessárias ao planejamento e execução de obras, aquisição


de instalações, equipamentos e material permanente, constituição ou aumento do capital do Estado que
não sejam de caráter comercial ou financeiro, incluindo-se as aquisições de imóveis considerados
necessários à execução de tais obras;

Inversões financeiras: são despesas com aquisição de imóveis, bens de capital já em utilização, títulos
representativos de capital de entidades já constituídas (desde que a operação não importe em aumento
de capital), constituição ou aumento de capital de entidades comerciais ou financeiras (inclusive
operações bancárias e de seguros). Ou seja, operações que importem a troca de dinheiro por bens.

Transferências de capital: transferência de numerário a entidades para que estas realizem


investimentos ou inversões financeiras. Nessas despesas, inclui-se as destinadas à amortização da dívida
pública Podem ser:
- Auxílios: se derivadas da lei orçamentária;
- Contribuições: derivadas de lei posterior à lei orçamentária.
As categorias econômicas dividem-se em elementos que se separam em subelementos, estes por sua
vez bifurcam, por fim, em rubricas e sub-rubricas.

ESTÁGIOS DA DESPESA PÚBLICA: FIXAÇÃO, EMPENHO E LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO16

A despesa orçamentária, desde a edição do Código de Contabilidade Pública, em 8 de novembro de


1992, determinou que toda a despesa do Estado deve passar por três estágios.

a. o empenho;
b. a liquidação; e
c. pagamento.

Aliás, tal procedimento configura-se até hoje, consoante se verifica da Lei n° 4.320/64.
Entretanto, deve-se fazer uma ressalva neste ponto, pois, obviamente, a escrituração contábil da
despesa orçamentária deve, ainda, ser registrada também quanto ao aspecto relativo ao crédito fixado
na lei orçamentária que constitui, na realidade, em mais uma etapa ou estágio, denominado Fixação.

FIXAÇÃO:
A Fixação, que é em realidade a primeira etapa ou estágio desenvolvido pela despesa orçamentária,
é cumprida por ocasião da edição da discriminação das tabelas explicativas, baixadas através da Lei
Orçamentária. Seja dito de passagem que ela é precedida por toda gama de procedimentos que vão
desde a elaboração das propostas, a mensagem do Poder Executivo, o projeto de lei, a discussão pelo
Poder Legislativo e a consequente aprovação e promulgação, transformando-a em Lei Orçamentária.
Por conseguinte, a Lei de Orçamento é o documento que caracteriza a fixação da despesa
orçamentária, ou seja, o instrumento no qual são legalmente fixadas as discriminações e especificações
dos créditos orçamentários, que se constitui no corolário da chamada etapa de elaboração desenvolvida
pelo ciclo orçamentário.
A etapa da elaboração termina com a edição da Lei Orçamentária, que em última análise constitui o
estágio da Fixação.

16
Kohama, Heilio. Contabilidade Pública: teoria e prática. 12.edição – São Paulo: Atlas, 2012.

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Entretanto, a Fixação deve obedecer a alguns critérios para sua utilização, do ponto de vista
orçamentário como:

- imediatamente após a promulgação da lei do orçamento e base nos limites dela fixados, o Poder
Executivo aprovará um quadro de cotas trimestrais da despesa que cada unidade orçamentária fica
autorizada a utilizar, conforme art. 47, da Lei Federal n° 4.320/64.
- a Fixação das cotas mencionadas atenderá aos seguintes objetivos:

a. assegurar às unidades orçamentárias, em tempo útil, a soma de recursos necessários e suficientes


à melhor execução de seu programa anual de trabalho;
b. manter, durante o exercício, na medida do possível, o equilíbrio entre a receita arrecadada e a
despesa realizada, de modo a reduzir ao mínimo eventuais insuficiências de tesouraria, conforme at. 48
e §§ 1° e 2° da Lei Federal n° 4.320/64;

- a programação da despesa orçamentária para efeito dos objetivos mencionados levará em conta os
créditos adicionais e as operações extraorçamentárias, conforme at. 49 da /lei Federal n° 4.320/64;
- as cotas trimestrais poderão ser alteradas durante o exercício, observado o limite da dotação e o
comportamento da execução orçamentária, conforme art. 50 da Lei Federal n° 4.320/64.

Existem outros critérios, de natureza financeira, que também devem ser observados no estágio da
Fixação, como:

- até 30 (trinta) dias após a publicação dos orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes
orçamentárias, o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e o cronograma de execução
mensal de desembolso;
- os recursos legalmente vinculados a finalidade específica serão utilizados exclusivamente par atender
ao objetivo de sua vinculação, ainda que em exercício diverso daquele em que ocorrer o ingresso,
conforme parágrafo único, da Lei Complementar n° 101/2000.
- se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o
cumprimento das metas de resultados primários ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os
poderes e o Ministério Publico promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos 30 (trinta)
dias subsequentes, limitação de empenho e movimentação financeira segundo os critérios fixados na lei
de diretrizes orçamentárias;
- no caso de restabelecimento da receita prevista, ainda que parcial, a recomposição das dotações,
cujos empenhos foram limitados, dar-se-á de forma proporcional à reduções efetivadas;
- não serão objeto de limitação as despesas que constituam obrigações constitucionais e legais do
ente, inclusive as destinadas ao pagamento da dívida e as ressalvadas pela lei de diretrizes
orçamentárias;
- no caso de os Poderes Legislativo e Judiciário e o Ministério Público não promoverem a limitação no
prazo estabelecido, é o Poder Executivo autorizado a limitar os valores financeiros segundo os critérios
fixados pela lei de diretrizes orçamentárias, conforme at. 9 e §§ 1° a 3°, da Lei Complementar n° 101/200;
- a execução orçamentária e financeira identificará os beneficiários de pagamento de sentenças
judiciais, por meio de sistema de contabilidade e administração financeira, par afins de observância da
ordem cronológica determinada no artigo 100 da Constituição, conforme at. 10 da lei complementar n°
101/2000.

EMPENHO
O Artigo 58 do CAPÍTULO III - Da Despesa da Lei Federal nº 4.320 de 1964 define o segundo estágio
da despesa orçamentária:

Art. 58. O empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o
Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição.

Portanto, uma vez autorizado o empenho, pela autoridade competente, fica criada a obrigação de
pagamento para o Estado, podendo ficar dependendo de algumas condições ou não.

Já no Artigo 59 do CAPÍTULO III - Da Despesa da Lei nº 4.320 de 1964, estabelece que o empenho
da despesa não poderá exceder o limite dos créditos concedidos.

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Esta determinação é, até certo ponto, óbvia, pois, sendo o empenho um valor deduzido da dotação
orçamentária, ou seja, do crédito fixado, caso o valor a ser empenhado seja maior do que a dotação ou
crédito fixado, não haverá condição para que seja efetuado.
Ressalvado o disposto em lei complementar, é vedado aos Municípios empenhar, no último mês do
mandato do Prefeito, mais do que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente. Essa vedação
não se aplica nos casos comprovados de calamidade pública. Reputam-se nulos e de nenhum efeito os
empenhos praticados em desacordo com o estipulado, sem prejuízo da responsabilização do Prefeito,
conforme §§ 1º, 2º, 3º e 4º do Artigo 59, da Lei Federal n° 4.320/64.
A lei complementar anteriormente referida, em realidade, é a Lei Complementar n° 101, de 4 de maio
2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), que, sob o assunto, contempla as seguintes disposições:

(...)CAPÍTULO IV
DA DESPESA PÚBLICA
Seção I
Da Geração da Despesa

Art. 15. Serão consideradas não autorizadas, irregulares e lesivas ao patrimônio público a
geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos arts. 16 e 17.

Art. 16. A criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental que acarrete aumento
da despesa será acompanhado de:
I - estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva entrar em vigor e
nos dois subsequentes;
II - declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação orçamentária e
financeira com a lei orçamentária anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de
diretrizes orçamentárias.
§ 1° Para os fins desta Lei Complementar, considera-se:
I - adequada com a lei orçamentária anual, a despesa objeto de dotação específica e suficiente,
ou que esteja abrangida por crédito genérico, de forma que somadas todas as despesas da mesma
espécie, realizadas e a realizar, previstas no programa de trabalho, não sejam ultrapassados os
limites estabelecidos para o exercício;
II - compatível com o plano plurianual e a lei de diretrizes orçamentárias, a despesa que se
conforme com as diretrizes, objetivos, prioridades e metas previstos nesses instrumentos e não
infrinja qualquer de suas disposições.
§ 2° A estimativa de que trata o inciso I do caput será acompanhada das premissas e
metodologia de cálculo utilizadas.
§ 3o Ressalva-se do disposto neste artigo a despesa considerada irrelevante, nos termos em
que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias.
§ 4° As normas do caput constituem condição prévia para:
I - empenho e licitação de serviços, fornecimento de bens ou execução de obras;
II - desapropriação de imóveis urbanos a que se refere o § 3° do art. 182 da Constituição.

Subseção I
Da Despesa Obrigatória de Caráter Continuado

Art. 17. Considera-se obrigatória de caráter continuado a despesa corrente derivada de lei,
medida provisória ou ato administrativo normativo que fixem para o ente a obrigação legal de sua
execução por um período superior a dois exercícios.
§ 1° Os atos que criarem ou aumentarem despesa de que trata o caput deverão ser instruídos
com a estimativa prevista no inciso I do art. 16 e demonstrar a origem dos recursos para seu
custeio.
§ 2° Para efeito do atendimento do § 1°, o ato será acompanhado de comprovação de que a
despesa criada ou aumentada não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo
referido no § 1° do art. 4°, devendo seus efeitos financeiros, nos períodos seguintes, ser
compensados pelo aumento permanente de receita ou pela redução permanente de despesa.
§ 3° Para efeito do § 2°, considera-se aumento permanente de receita o proveniente da elevação
de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição.

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§ 4° A comprovação referida no § 2°, apresentada pelo proponente, conterá as premissas e
metodologia de cálculo utilizadas, sem prejuízo do exame de compatibilidade da despesa com as
demais normas do plano plurianual e da lei de diretrizes orçamentárias.
§ 5° A despesa de que trata este artigo não será executada antes da implementação das medidas
referidas no § 2°, as quais integrarão o instrumento que a criar ou aumentar.
§ 6° O disposto no § 1° não se aplica às despesas destinadas ao serviço da dívida nem ao
reajustamento de remuneração de pessoal de que trata o inciso X do art. 37 da Constituição.
§ 7° Considera-se aumento de despesa a prorrogação daquela criada por prazo determinado.
(...)

(...)Subseção II
Do Controle da Despesa Total com Pessoal

Art. 21. É nulo de pleno direito o ato que provoque aumento da despesa com pessoal e não
atenda:
I - as exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei Complementar, e o disposto no inciso XIII do art. 37
e no § 1° do art. 169 da Constituição;
II - o limite legal de comprometimento aplicado às despesas com pessoal inativo.
Parágrafo único. Também é nulo de pleno direito o ato de que resulte aumento da despesa com
pessoal expedido nos cento e oitenta dias anteriores ao final do mandato do titular do respectivo
Poder ou órgão referido no art. 20. (...)

(...) Seção VI
Dos Restos a Pagar

Art. 41. (VETADO)

Art. 42. É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. 20, nos últimos dois quadrimestres
do seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro
dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente
disponibilidade de caixa para este efeito.
Parágrafo único. Na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos
e despesas compromissadas a pagar até o final do exercício(...)

Para cada empenho será extraído um documento denominado “nota de empenho” que indicará o nome
do credor, a especificação e a importância da despesa, bem como a dedução desta do saldo da dotação
própria, conforme Artigo 61 da Lei Federal nº 4.320/64.
Convém ressaltar que, em termos de administração pública, é sempre necessária a emissão da nota
de empenho, para a devida efetivação dos gastos públicos. Portanto, além de um contrato ou ajuste,
credor necessita sempre de uma nota de empenho, para ter garantido o pagamento.
Aliás, conforme Artigo 60 e § 1º da Lei Federal nº 4.320/64 é vedada a realização de despesa sem
prévio empenho. Em casos especiais previstos na legislação específica, será dispensada a emissão da
nota de empenho.
Note-se que a dispensa da emissão da nota de empenho. Em casos especiais dispensa o empenho,
ou seja, a dedução da importância para a realização da despesa devidamente autorizada, na dotação
orçamentária própria, mas somente o documento que consubstancia esse registro, em virtude de uma
situação especial.

Existem três modalidade de empenho:


1. ORDINÁRIO OU NORMAL;
2. POR ESTIMATIVA;
3. GERAL.

Empenho ordinário ou normal


É utilizado para as despesas normais que não tenham nenhum característica especial. Nesta
modalidade de empenho, é efetuada a quase totalidade dos gastos que os órgãos e repartições são
obrigados a realizar, exatamente pela sua característica básica, despesa normal.

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1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
Desta forma, na execução do orçamento público, todas as despesa relativas a compras e serviços,
principalmente, que usual e rotineiramente ocorrem, onde são conhecidos todos os dados necessários à
emissão do empenho, como sejam: a razão social ou nome do credor, a importância exta da despesa, as
condições estipuladas etc., o seu processamento deve ser procedido pela forma usual, normal, ordinária,
e que, em última análise, é feita regularmente, pela emissão de empenho ordinário ou normal.

Empenho por estimativa


É utilizado nos casos em que não se possa determinar o montante da despesa, conforme § 2º do artigo
60 da Lei Federal nº 4.320/64.
Existe uma série de despesas que, por mais que nos esforços, procuremos fórmulas ou formas, não
conseguiremos determinar o seu montante exato.
É o que ocorre com os gastos decorrentes de consumo de água, energia elétrica e telefone, entre
outros. Quaisquer desses tipos de gastos não permitem que se determine o montante a ser realizado por
dia, semana ou mês, quanto mais o total anual.
Podemos observar que, realmente, não existe possibilidade, por mais que se queira, de se determinar
o montante da despesa e para estes casos deve-se utilizar o empenho por estimativa, isto é, devemos
proceder a um estudo de previsão que nos permita estimar os valores a serem realizados, o mais próximo
da realidade que se possa chegar.
Feito o estudo e a estimativa do valor a ser utilizado o empenho por estimativa, onde os demais dados
necessários devem ser plenamente conhecidos.
Nessa modalidade de empenho, em vista de sua característica básica ser o valor que não se pode
determinar, mas precisa ser estimado, obriga-se a emissão de outro documento, na ocasião do
recebimento das contas onde está determinado o valor do gasto efetivo, que pode ser subempenho, ou
a ordem de pagamento.

Empenho global
É utilizado para casos de despesas contratuais e outras sujeitas a parcelamento, conforme §3º do
artigo 60, da Lei Federal n° 4.320/64.
Existem alguns tipos de gastos que, pela sua própria natureza, devem ser tratados diferentemente,
adequados ás suas características, pois, se assim não for, podem provocar entraves de processamento,
multiplicidade de trabalho e outros procedimentos supérfluos.
É o caso que ocorre com as despesas contratuais, por exemplo, onde tenhamos de, mensalmente,
pagar o valor relativo à utilização de um imóvel alugado. Como é obvio, estaríamos obrigados a emitir,
mensalmente, o empenho da importância correspondente ao aluguel e, como se pode imaginar, os
entraves mencionados fatalmente ocorreriam.
Portanto, para os casos de despesas contratuais e outras, sujeitas a parcelamento, deve-se emitir o
empenho global, deduzindo-se os valores correspondentes nas respectivas quotas trimestrais,
abrangendo todo o período previsto no contrato, que pode compreender integralmente o exercício
financeiro, ou apenas alguns meses, mas, em qualquer caso, sempre mais de uma parcela.

Podemos destacar alguns exemplos típicos de gasto, que se utilizam do empenho global:
- compras de materiais;
- gastos com entregas parceladas ou pagamentos parcelados: aluguel de máquinas, equipamentos e
imóveis, em que se fixam pagamentos mensais.

LIQUIDAÇÃO17
A Liquidação da despesa, como terceiro estágio da despesa, consiste na verificação do direito
adquirido pelo credor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito.

De acordo com o Artigo 63, §§ 1º e 2º, da Lei Federal n º 4.320/64, essa verificação tem por fim apurara:
I – a origem e o objetivo do que se deve pagar;
II – a importância exata a pagar;
III – a quem se deve pagar a importância para extinguir a obrigação.

A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou serviços prestados terá por base:
I – o contrato, ajuste ou acordo respectivo;

17
Kohama, Heilio. Contabilidade Pública: teoria e prática. 12.edição – São Paulo: Atlas, 2012.

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II – a nota de empenho;
III – os comprovantes da entrega do material ou da prestação do serviço.

Existindo, como já vimos, três modalidades de empenho, vamos transportar a aplicação desses
requisitos, especificamente, para casos típicos, como sejam:

a. Liquidação de Empenhos Ordinários ou Normais


Nos casos de aquisição de materiais, quando se referir à entrega única dos materiais e com um
pagamento só, após a emissão de empenho, geralmente, o processo deve ser encaminhado ao
almoxarifado para aguardar a devida entrega.
O fornecedor, ao efetuar a entrega do material, deve, juntamente com o material adquirido, apresentar
a documentação correspondente, ou seja, a nota fiscal, na qual deve-se verificar: o nome ou razão social
da empresa, que deve coincidir com o credor da nota de empenho e do contrato ou ajuste, bem como a
importância deve ser a adequada.
O encarregado do almoxarifado, ou comissão especial, se houver, feitas as verificações necessárias,
deve juntar a nota fiscal – na qual deve apor ou colocar uma declaração de que recebeu o material nela
constante, o qual se encontra em ordem – ao processo, encaminhando-o para o devido processamento
do pagamento.

b. Liquidação de Empenhos por Estimativa


Nos casos de fornecimento de gás, água, energia elétrica etc., geralmente denominados de encargos
diversos, como o empenho é feito por uma estimativa, em razão de não se conhecer previamente o valor
correto da despesa, deve existir um processo para cada credor, que fica a cargo do encarregado da
manutenção, por exemplo, ou de outros responsáveis pela verificação e controle desses gastos.
Esse encarregado ou responsável, ao receber a conta do credor, deve proceder à verificação de sua
exatidão em termos de objeto e da importância exata a pagar e, se estiver de acordo, deve anexá-la ao
respectivo processo, encaminhando-o para o devido processamento do pagamento.

c. Liquidação de Empenhos Globais


Nos casos de compra de materiais com entregas ou pagamentos parcelados, e nos de despesas
contratuais em que sejam previstas parcelas mensais, como é o caso da locação de máquinas,
equipamentos e imóveis, também deve existir processos individualizados para cada credor que ficarão a
cargo de encarregados ou responsáveis, para tal designados, que deverão proceder ao devido controle
e verificação.
Quando ao primeiro caso (compra de materiais), o almoxarifado ou comissão especial, se houver, deve
seguir os procedimentos já descritos na letra “a”, a cada entrega de material que ocorrer, atestando o seu
recebimento e que o material recebido se encontra em ordem. Se a entrega do material for única, porém
o pagamento parcelado, o processo deve ficar a cargo de alguém encarregado ou responsável pelo
processamento das demais parcelas a pagar.
Relativamente aos contratos de locação, o encarregado ou responsável, para tal designado, deve
providenciar o encaminhamento do processo, mensalmente, após atestar o uso, ou seja, a locação
efetiva, assim como o valor a pagar que deve estar na conformidade com o documento enviado pelo
credor, geralmente um recibo ou uma nota fiscal, ou ainda uma fatura, dependendo do tipo do credor.

PAGAMENTO
O Pagamento, quarto e último estágio a ser percorrido pela despesa orçamentária é o ato onde o poder
público faz a entrega do numerário correspondente, recebendo a devida quitação.
O pagamento da despesa só será efetuado quando ordenado após sua regular liquidação, por
tesouraria ou pagadoria regularmente instituídas, por estabelecimentos credenciados e, em casos
excepcionais, por meio de adiantamento, conforme Artigos 62 e 65, da Lei Federal n° 4.320/64.
Nota-se claramente que o pagamento da despesa, por estabelecimentos credenciados, atendendo ao
desenvolvimento administrativo que atinge a todos os setores empresariais, também é praticado pela
administração pública.
Nos casos em que o pagamento da despesa sejam descentralizados, a sistemática financeira estará
voltada par ao encaminhamento dos pagamentos a estabelecimento bancário e processa-se mediante
Avisos de Liberação de Saques (ALS), ou outro documento equivalente em que o órgão central de
finanças aprovisiona os créditos dos órgão executores do orçamento.

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Em síntese, o sistema prevê a liberação de limite de saques que a entidade pode utilizar. Essa
liberação é feita observando-se a programação financeira do mês, a pedido da entidade que, previamente,
indica o valor a ser despendido.
Recebendo o Aviso de liberação de Saques (ALS), ou outro documento equivalente a entidade
encaminha, por relações os pagamentos a serem efetuados ou emite cheques para essa finalidade.
Feito isso, é formalizado o boletim de caixa, onde são anexadas as relações de pagamentos enviados
ao banco, com a devida aposição de carimbo da agência bancária ou dos contracheques emitidos para
pagamento, juntamente com os processos de despesas, e encaminhado para os serviços de
contabilidade para os devidos registros e contabilização.
Está terminada a quarta faze ou estagio da despesa e, consequentemente, devidamente formalizada
a despesa orçamentária.

Receitas Públicas

Receita consiste na soma de valores recebidos durante um determinado período de tempo. No setor
público, é a soma de ingressos, impostos, taxas, contribuições e outras fontes de recursos, arrecadados
para atender às despesas públicas.
Receitas orçamentárias são disponibilidades de recursos financeiros que ingressam nos cofres
públicos. Instrumento por meio do qual se viabiliza a execução das políticas públicas, a receita
orçamentária é fonte de recursos utilizada pelo Estado em programas e ações, cuja finalidade principal é
atender às necessidades públicas e demandadas da sociedade.

Receitas Públicas são todos os ingressos de caráter não devolutivo auferidas pelo poder público, em
qualquer esfera governamental, para alocação e cobertura das despesas públicas. Dessa forma, todo o
ingresso orçamentário constitui uma receita pública, pois tem como finalidade atender às despesas
públicas.

A Lei nº 4.320/64 regulamenta os ingressos de disponibilidades de todos os entes da federação


classificando-os em dois grupos: orçamentários e extraorçamentários.
Os ingressos orçamentários são aqueles pertencentes ao ente público arrecadados exclusivamente
para aplicação em programas e ações governamentais. Estes ingressos são denominados Receita
Pública.
Os ingressos extra orçamentários são aqueles pertencentes a terceiros arrecadados pelo ente público
exclusivamente para fazer face às exigências contratuais pactuadas para posterior devolução. Estes
ingressos são denominados recursos de terceiros.
Os recursos financeiros canalizados para os cofres públicos ostentam, na prática, natureza e conteúdo
bastante diversificados.
Nem sempre derivam da atividade impositiva do Estado, campo de abrangência do Direito Tributário,
podendo resultar de contratos firmados pela administração, com caráter de bilateralidade.

Classificação das Receitas

Origem: Originárias X Derivadas

Receitas Originárias: provenientes da exploração do patrimônio da pessoa jurídica de direito público,


ou seja, o Estado coloca parte do seu patrimônio a disposição de pessoas físicas ou jurídicas, que
poderão se beneficiar de bens ou de serviços, mediante pagamento de um preço estipulado. Elas
independem de autorização legal e pode ocorrer a qualquer momento, e são oriundas da exploração do
patrimônio mobiliário ou imobiliário, ou do exercício de atividade econômica, industrial, comercial ou de
serviços, pelo Estado ou suas entidades. Exemplos: Rendas obtidas sobre os bens sujeitos à sua
propriedade (aluguéis, dividendos, aplicações financeiras).

Receitas Derivadas: são cobradas pelo Estado, por força do seu poder de império, sobre as relações
econômicas praticadas pelos particulares, pessoas físicas ou jurídicas, ou sobre seus bens. Na
atualidade, constitui-se na instituição de tributos, que serão exigidos da população, para financiar os
gastos da administração pública em geral, ou para o custeio de serviços públicos específicos prestados
ou colocados à disposição da comunidade. Exemplos: Taxas, Impostos e Contribuições de Melhoria.

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Natureza: Receitas Orçamentárias X Receitas Extra Orçamentárias

Receitas Orçamentárias: são todos os ingressos financeiros de caráter não devolutivo auferidos pelo
Poder Público. A receita orçamentária se subdivide ainda nas seguintes categorias econômicas: receitas
correntes e receitas de capital.

Receita Extra Orçamentária18: correspondem as receitas que não fazem parte do orçamento de modo
que não serão consideradas quando da fixação das despesas públicas. São receitas públicas apenas na
acepção mais ampla do termo, uma vez que não poderá o administrador público contar com elas para
custear despesas públicas previstas na peça orçamentária. O único motivo que justifica sua inserção no
conceito de receita, malgrado não se incorporem ao patrimônio público, é que como adentram nos cofres
públicos deverão ser precedidas de lançamento.

O Poder Público adquire tais receitas extraorçamentárias em atenção à futura despesa


extraorçamentária, o que em termos contábeis seria um passivo exigível. Assim, tais entradas já possuem
destino certo, de modo a inviabilizar seu aproveitamento no custeio de outras despesas (inclusive aquelas
previstas no orçamento). De acordo com a classificação de Aliomar Baleeiro, são meros movimentos de
caixa.

Desta feita, a arrecadação das receitas extraorçamentárias prescinde de autorização legislativa e a


realização desta receita não se vinculará a execução do orçamento.

São exemplos de receitas extraorçamentárias os recursos financeiros que adentram nos cofres
públicos a título de fiança, caução, depósitos para garantia, etc. Atenção, contudo, para alguns casos
peculiares:

a) Retenção na fonte: será considerada receita extraorçamentária se a retenção for realizada pelo ente
que não ficará com os recursos para si. Se se tratar de retenção de tributo cuja arrecadação pertencer ao
mesmo ente que a efetuou, como por exemplo o imposto de renda retido na fonte pelo Estado, DF ou
Município, na forma dos artigos 157, I e 158, I da Constituição, será considerada receita orçamentária;

b) Operação de Crédito X Operação de Crédito por Antecipação da Receita Orçamentária:

a. A operação de crédito é o compromisso financeiro assumido pelo ente público em razão de mútuo,
abertura de crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, etc., devendo o ente apontar
de onde sairão os recursos que custearão esta nova despesa e tem como finalidade atender ao
desequilíbrio orçamentário ou financiar investimentos. Será considerada receita orçamentária e, portanto,
depende de autorização legislativa.

b. A operação de crédito por antecipação de receita destina-se a atender insuficiência de caixa durante
o exercício financeiro, devendo ser liquidada, com juros e outros encargos incidentes, até o dia dez de
dezembro de cada ano, sendo proibida enquanto existir operação anterior da mesma natureza não
integralmente resgatada, além de outros requisitos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, podendo
o ente dar em garantia a receita dos impostos de sua competência tributária. Será considerada receita
extraorçamentária e, portanto, independe de autorização legislativa.

Repercussão Patrimonial: Efetivas X Não efetivas

Receitas Públicas Efetivas: são receitas nas quais os ingressos de disponibilidades de recursos não
foram precedidos de registro de reconhecimento do direito e não constituem obrigações correspondentes:
Por isso, aumentam a situação liquida do patrimônio financeiro e a situação líquida patrimonial. Exemplos:
Receita Tributária, Receita Patrimonial, Receita de Serviços, etc.

Receitas Públicas Não efetivas: são aquelas em que os ingressos de disponibilidades de recursos
foram precedidos de registro de reconhecimento do direito. Por isso, aumentam a situação líquida do
patrimônio financeiro, mas não altera a situação líquida patrimonial. São exemplos: Alienação de bens;
Operações de crédito; Amortização de empréstimo concedido; Cobrança de dívida ativa.

18
Despesas Extraorçamentárias. Disponível em: <http://marcelloleal.jusbrasil.com.br/artigos/121943060/receitas-publicas-orcamentarias-e-extraorcamentarias>

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Regularidade: Ordinárias X Extraordinárias

Receitas Ordinárias: representam certa regularidade na sua arrecadação, sendo normatizadas pela
Constituição ou por leis específicas. Exemplos: Arrecadação de Impostos (Federais, Estaduais ou
Municipais), Transferências do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal, do Fundo de
Participação dos Municípios, Cota parte do ICMS destinado aos Municípios, etc.

Receitas Extraordinárias: são inconstantes, esporádicas, às vezes excepcionais, e que, por isso, não
se renovam de ano a ano na peça orçamentária. Como exemplo mais típico, costuma-se citar o imposto
extraordinário, previsto no art. 76 do Código Tributário Nacional, e decretado, em circunstâncias anormais,
nos casos de guerra ou sua iminência. As receitas patrimoniais devem, também, ser consideradas como
extraordinárias, sob o aspecto orçamentário.

Forma de sua realização: Receitas Próprias, de Transferências e de Financiamentos.

Receitas Próprias: surgem quando o ingresso é promovido pela própria entidade, diretamente, ou
através de agentes arrecadadores autorizados. Exemplo: tributos, aluguéis, rendimento de aplicações
financeiras, multas e juros de mora, alienação de bens, etc.

Transferências: referentes a arrecadação proveniente de outras entidades, em virtude de dispositivos


constitucionais e/ou legais, ou ainda, mediante celebração de acordos e/ou convênios. Exemplo: cota
parte de Tributos Federais aos Estados e Municípios (FPE e FPM), Cota parte de Tributos Estaduais aos
Municípios (ICMS e IPVA), convênios, etc.

Financiamentos: caracterizam-se por serem operações de crédito realizadas com destinação


específica, vinculadas à comprovação da aplicação dos recursos. São exemplos os financiamentos para
implantação de parques industriais, aquisição de bens de consumo durável, obras de saneamento básico,
etc.

Classificação Econômica da receita orçamentária

A classificação econômica da receita orçamentária é estabelecida pela Lei nº 4.320/64 para sustentar
o conceito com base no ingresso de recursos financeiros e não pelo reconhecimento do direito, conforme
o princípio contábil da competência de registro. Portanto, deve-se proceder ao registro da receita
orçamentária, mas antes disto deve-se proceder ao registro do direito no momento em que for
reconhecido para refletir o real estado patrimonial da entidade.
A classificação econômica da receita orçamentária é sustentada por conceitos próprios, sem nenhuma
ligação com os princípios fundamentais de contabilidade e qualquer utilização de mesmas terminologias
é mera coincidência. O fato de serem diferentes os conceitos e os princípios orçamentários dos conceitos
e princípios contábeis não elimina a condição de serem refletidos harmonicamente pela contabilidade.
A Lei nº 4.320/64 classificou a receita pública orçamentária em duas categorias econômicas: Receitas
Correntes e Receitas de Capital.

Receitas Correntes: definidas como ingressos de recursos financeiros oriundos das atividades
operacionais, para aplicação em despesas correspondentes, também em atividades operacionais,
correntes ou de capital, visando o atingimento dos objetivos constantes dos programas e ações de
governo. São denominados receitas correntes porque são derivadas do poder de tributar ou da venda de
produtos e serviços, que contribuem para a finalidade fundamental do órgão ou entidade pública.

Receitas Tributárias: resultam da arrecadação de impostos, taxas e contribuições de melhoria. Dessa


forma, é uma receita privativa das entidades investidas do poder de tributar: União, Estados, Distrito
Federal e os Municípios.

Receitas de Contribuições: são provenientes da arrecadação de contribuições sociais e econômicas;


por exemplo: contribuições para o PIS/PASEP, contribuições para fundo de saúde de servidores públicos
e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de intervenção nas
respectivas áreas. Apesar da controvérsia doutrinária sobre o tema, suas espécies podem ser definidas
da seguinte forma:

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Contribuições sociais – destinadas ao custeio da seguridade social, compreendendo a previdência
social, a saúde e a assistência social;
Contribuições de Intervenção no domínio econômico – deriva da contraprestação à atuação estatal
exercida em favor de determinado grupo ou coletividade.
Contribuições de Interesse das categorias profissionais ou econômicas – destinadas ao fornecimento
de recursos aos órgãos representativos de categorias profissionais legalmente regulamentadas ou a
órgãos de defesa de interesse dos empregadores ou empregados.

Receita Patrimonial: provem do resultado financeiro da fruição do patrimônio, decorrente da


propriedade de bens mobiliários ou imobiliários; por exemplo: Aluguéis, dividendos, receita oriunda de
aplicação financeira, etc.
É o ingresso proveniente de rendimentos sobre investimentos do ativo permanente, de aplicações de
disponibilidades em opções de mercado e outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes.

Receita Agropecuária: decorre da exploração das atividades agropecuárias de origem vegetal ou


animal. Incluem-se nesta classificação as receitas advindas da exploração da agricultura (cultivo do solo),
da pecuária (criação, recriação ou engorda de gado e de animais de pequeno porte) e das atividades de
beneficiamento ou transformação de produtos agropecuários em instalações existentes nos próprios
estabelecimentos.

Receita Industrial: obtida com atividades ligadas à indústria de transformação, extração mineral e
outras, provenientes das atividades industriais definidas como tal pela Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE. Exemplos: indústria editorial e gráfica, reciclagem de lixo, etc.

Receitas de Serviços: surgem por meio das prestações de serviços de transporte, saúde,
comunicação, portuário, armazenagem, de inspeção e fiscalização, judiciário, processamento de dados,
vendas de mercadorias e produtos inerentes à atividade da entidade e outros serviços.
Por exemplo: serviços comerciais (compra e venda de mercadorias), etc.

Transferências Correntes: originária de outros entes ou entidades, referentes a recursos pertencentes


ao ente ou entidade recebedora ou ao ente ou entidade transferidora, efetivados mediante condições
preestabelecidas ou mesmo sem qualquer exigência, desde que o objetivo seja a aplicação em despesas
correntes.

Outras Receitas Correntes: providas de outras origens não classificáveis nas subcategorias
econômicas anteriores. (Redação alterada conforme retificação publicada no Diário Oficial da União –
29.06.2004). São o grupo que compreende as Receitas de Multas e Juros de Mora, Indenizações e
Restituições, Receita da Dívida Ativa, etc.

A Dívida ativa19 é o conjunto de créditos tributários e não tributários em favor da Fazenda Pública,
não recebidos no prazo para pagamento definido em lei ou em decisão proferida em processo regular,
inscrito pelo órgão ou entidade competente, após apuração de certeza e liquidez. É uma fonte potencial
de fluxos de caixa e é reconhecida contabilmente no ativo. Não se confunde com a dívida pública, uma
vez que esta representa as obrigações do ente público com terceiros e é reconhecida contabilmente no
passivo.

O art. 39 da Lei nº 4.320/1964 dispõe:

Art. 39. Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária, serão escriturados
como receita do exercício em que forem arrecadados, nas respectivas rubricas orçamentárias.
(Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.735/1979).
§ 1º - Os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento, serão
inscritos, na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a sua
liquidez e certeza, e a respectiva receita será escriturada a esse título. (Parágrafo incluído pelo Decreto
Lei nº 1.735/1979).
§ 2º - Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza, proveniente de
obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas, e Dívida Ativa não Tributária são os

19
Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor Público. 7° Edição

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demais créditos da Fazenda Pública, tais como os provenientes de empréstimos compulsórios,
contribuições estabelecidas em lei, multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros,
laudêmios, alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por
estabelecimentos públicos, indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis
definitivamente julgados, bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de
subrogação de hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações
legais. (Incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979)
§ 3º - O valor do crédito da Fazenda Nacional em moeda estrangeira será convertido ao
correspondente valor na moeda nacional à taxa cambial oficial, para compra, na data da notificação ou
intimação do devedor, pela autoridade administrativa, ou, à sua falta, na data da inscrição da Dívida
Ativa, incidindo, a partir da conversão, a atualização monetária e os juros de mora, de acordo com
preceitos legais pertinentes aos débitos tributários. (Parágrafo incluído pelo decreto Lei nº 1.735/1979).
§ 4º - A receita da Dívida Ativa abrange os créditos mencionados nos parágrafos anteriores, bem
como os valores correspondentes à respectiva atualização monetária, à multa e juros de mora e ao
encargo de que tratam o art. 1º do Decreto-lei nº 1.025/1969 e o art. 3º do Decreto-Lei nº 1.645/1978.
(Parágrafo incluído pelo Decreto-lei nº 1.735/1979).
§ 5º - A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional.
(Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.735/1979).

O Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP) distingue a dívida ativa quanto à origem,
conforme previsto na Lei nº 4.320/1964:
a. Dívida Ativa Tributária20: é proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos
adicionais e multas.
b. Dívida Ativa Não Tributária: é proveniente dos demais créditos da Fazenda Pública, decorrentes
de contratos em geral ou de outras obrigações legais.

No âmbito federal, a competência para a gestão administrativa e judicial da dívida ativa é da


Advocacia Geral da União (AGU)21, sendo a dívida ativa tributária gerida pela Procuradoria-Geral da
Fazenda Nacional (PGFN)22 e a dívida ativa das autarquias e fundações públicas federais geridas pela
Procuradoria-Geral Federal23. As demais esferas governamentais – estados, Distrito Federal e
municípios – disporão sobre a competência de seus órgãos e entidades para a gestão administrativa e
judicial de sua dívida ativa24.

Contabilização da dívida ativa

Verificado o não recebimento do crédito no prazo de vencimento, cabe ao órgão ou entidade de


origem do crédito encaminhá-lo ao órgão ou entidade competente para sua inscrição em dívida ativa,
com observância dos prazos e procedimentos estabelecidos.
A inscrição do crédito em dívida ativa configura fato contábil permutativo, pois não altera o valor do
patrimônio líquido do ente público. No órgão ou entidade de origem é baixado o crédito a receber contra
uma variação patrimonial diminutiva (VPD) e no órgão ou entidade competente para inscrição é
reconhecido um crédito de dívida ativa contra uma variação patrimonial aumentativa (VPA). Dessa
forma, considerando-se o ente como um todo, há apenas a troca do crédito a receber não inscrito pelo
crédito inscrito em dívida ativa, sem alteração do valor do patrimônio líquido.
Quanto à expectativa de realização, há troca do crédito a receber no ativo circulante (registrado no
órgão ou entidade de origem do crédito) pelo crédito de dívida ativa no ativo não circulante (registrado
20
O crédito tributário é regulamentado pelo art. 139 e seguintes do Código Tributário Nacional (CTN).
21
Constituição Federal de 1988 art. 131.
22
Constituição Federal de 1988 art. 131 § 3º e Lei Complementar nº 73/1993 art. 12.
23
Lei Complementar nº 73/1993 art. 17.
24
Lei nº 6.830/1980
Art. 1º - A execução judicial para cobrança da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias será regida por esta
Lei e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil.
Art. 2º - Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações
posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito
Federal.
§ 1º - Qualquer valor, cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º, será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública.
§ 2º - A Dívida Ativa da Fazenda Pública, compreendendo a tributária e a não tributária, abrange atualização monetária, juros e multa de mora e demais encargos
previstos em lei ou contrato.
§ 3º - A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e
suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo.
§ 4º - A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. [...] Art. 3º - A Dívida Ativa regularmente inscrita goza da presunção de
certeza e liquidez.
O objetivo deste capítulo é estabelecer os procedimentos contábeis para registro e controle da inscrição, movimentação dos créditos inscritos, atualização, baixa,
reclassificação e ajuste para perdas da dívida ativa.

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no órgão ou entidade competente para inscrição do crédito em dívida ativa), tendo em vista que o
inadimplemento torna incerto o prazo para realização do crédito.
Ainda, junto ao crédito encaminhado, devem acompanhá-lo os ajustes para perdas. Isso devido ao
registro da Dívida Ativa ser pelo valor bruto do crédito a receber. No órgão ou entidade de origem, é
baixado o ajuste para perdas referente ao crédito a receber contra uma VPA, reversão de perdas, e no
órgão ou entidade competente para inscrição é reconhecido o ajuste para perdas referente ao crédito de
dívida ativa contra uma VPD.
Destaca-se que, a depender de limitações operacionais ou de sistemas, os entes da Federação
poderão adotar metodologia distinta da apresentada neste Manual para a contabilização da Dívida Ativa
e de seus ajustes para perdas. Nestes casos, contudo, a motivação e a metodologia de contabilização
deverão ser apresentadas em Notas Explicativas. Ademais, a política contábil de registro deverá ser
consistente, dando transparência a eventuais mudanças em metodologias que justifiquem a sua
revisão.

Inscrição em dívida ativa

De acordo com o artigo 22 do Decreto-Lei nº 147, de 1967, os órgãos de origem tem o prazo de 90
dias, depois de finalizada a apuração dos créditos devidos à União, para encaminhá-los à PGFN, para
inscrição em Dívida Ativa da União.
A inscrição em dívida ativa deverá ser realizada por meio de um dos dois procedimentos a seguir,
conforme o nível de controle desejado pelo ente:

a. Procedimento de Registro 1. Utiliza contas de controle para acompanhar todo o processo de


inscrição do crédito em dívida ativa, desde o inadimplemento até a efetiva inscrição. Requer uma maior
integração entre as diversas etapas e unidades envolvidas.
b. Procedimento de Registro 2. Haverá registro contábil apenas no momento da efetiva inscrição dos
valores em dívida ativa, dispensando o uso de contas de controle. Este procedimento deve ser utilizado
quando houver dificuldade de integração entre as diversas unidades participantes do processo.

Caso o ente da Federação não aplique o procedimento de Registro 1, porém, registre processos de
inscrição em contas de natureza de informação de controle (7.3.x.x.x.xx.xx e 8.3.x.x.x.xx.xx), deverá
seguir o padrão de desdobramento definido pelo PCASP aplicado à Federação, até o nível detalhado
pelo mesmo. Neste caso, será facultativo o desdobramento destas contas em nível inferior, conforme
previsto na parte IV deste manual.
Os entes que não segregam a unidade de origem do crédito da unidade competente para sua
inscrição deverão efetuar as devidas adaptações dos lançamentos.

Receitas de Capital: ingressos de recursos financeiros oriundos de atividades operacionais ou não


operacionais para aplicação em despesas correntes ou de capital, visando ao atingimento dos objetivos
traçados nos programas e ações de governo. São denominados receita de capital porque são derivados
da obtenção de recursos mediante a constituição de dívidas, amortização de empréstimos e
financiamentos e/ou alienação de componentes do ativo permanente, constituindo-se em meios para
atingir a finalidade fundamental do órgão ou entidade, ou mesmo, atividades não operacionais visando
estímulo às atividades operacionais do ente.

É POSSÍVEL APLICAR RECEITA DE CAPITAL EM DESPESA CORRENTE?

Conforme o conteúdo das Perguntas e Resposta no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor


Público – MCASP 6ª Edição.
A legislação atual atribui uma série de restrições para aplicação de determinadas origens da receita
de capital em despesas correntes, a saber:
A Constituição Federal de 1988, no art. 167, inciso III, estabelece que as realizações de operações de
crédito não podem exceder as despesas de capital, ressalvadas as provenientes de créditos adicionais
com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta. Esse procedimento,
conhecido como “regra de ouro”, objetiva inibir, em uma análise global, que haja aumento de
endividamento para financiar despesa corrente.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) também contempla restrição para a aplicação de receitas
provenientes de conversão em espécie de bens e direitos, tendo em vista o disposto em seu art. 44, o

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qual veda o uso de recursos de alienação de bens e direitos em despesas correntes, exceto se aplicada
aos regimes de previdência, mediante autorização legal, conforme transcrito a seguir:
Art. 44. É vedada a aplicação da receita de capital derivada da alienação de bens e direitos que
integram o patrimônio público para o financiamento de despesa corrente, salvo se destinada por lei aos
regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos.
Como se observa, a legislação procura restringir a aplicação de receitas de capital no financiamento
de despesas correntes. No entanto, essa análise deve ser feita sobre os valores totais. O gestor público
ainda encontra espaço para custear seus gastos correntes utilizando receitas de operações de crédito,
desde que autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais, com finalidade específica e
aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta, assim como a possibilidade de aplicar receitas de
alienação de bens e direitos nos regimes de previdência.
Em suma, é possível a aplicação de receita de capital em despesas correntes, desde que
observadas as restrições legais. Geralmente elas são destinadas ao atendimento das Despesas
de Capital e classificam-se em:

Operações de Crédito: financiamentos obtidos dentro e fora do País; trata-se de recursos captados de
terceiros para obras e serviços públicos. Exemplos: colocação de títulos públicos, contratação de
empréstimos e financiamentos, etc.;

Alienação de Bens receitas resultantes da venda de bens móveis e imóveis;

Amortização de Empréstimos receitas provenientes do recebimento do principal mais correção


monetária, de empréstimos efetuados a terceiros;

Transferências de Capital recursos recebidos de outras entidades; aplicação desses recursos deverá
ser em despesas de capital. O recebimento desses recursos não gera nenhuma contraprestação direta
em bens e serviços.

Estágios da Receita Pública


Estágios da Receita Pública são as etapas consubstanciadas nas ações desenvolvidas e percorridas
pelos órgãos e repartições encarregados de executá-las. Nos tempos atuais, em face das técnicas
utilizadas, a receita deverá percorrer três estágios, a saber:

a. Previsão;
b. Lançamento; e
c. Arrecadação e Recolhimento.

Como fica evidenciado à primeira vista, somente a receita orçamentária reúne condições de percorrer
esses três estágios, porquanto a receita extraorçamentária não terá necessidade de percorrê-los, isto
porque os requisitos de que são revestidos, como no caso da previsão, por exemplos, são dispensados.

PREVISÃO
Corresponde aos valores que a lei do orçamento consignar, pois são estimativas de receitas que se
originam de estudos de previsão, antes de comporem o projeto de lei orçamentária com o advento de
novas técnicas de elaboração orçamentária, preconizando a integração do planejamento empírico
começou a sofrer alterações com a introdução de métodos e processos, calcados em bases técnicas e
independentes, todavia autônomas, cujo significado moderno é precisamente ligar os sistemas de
planejamento e finanças pela expressão quantitativa financeira e física aos objetivos e metas
governamentais.
Contrariamente ao que muitos pensam, a previsão da receita orçamentária tem um significado
importante na elaboração dos programas do governo, pois a viabilização deles dependerá de certa forma
da existência de recursos, que a máquina arrecadadora da receita for capaz de produzir.
Daí porque passou-se a dar atenção maior aos aspectos que envolvem a arrecadação de receitas e,
inclusive, a institucionalização de um processamento com o elevado grau de segurança e confiabilidade
que torna possível a operacionalização dos planos governamentais, porque os monetariza, isto é, coloca-
os em função dos recursos financeiros disponíveis.

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Neste ponto, vale ressaltar o Artigo 12 da Lei Complementar n° 101/200 – Lei de Responsabilidade
Fiscal.

“As previsões de receita observarão as normas técnicas e legais, considerarão os efeitos das
alterações na legislação, da variação do índice de preços, do crescimento econômico ou de
qualquer outro fator relevante e serão acompanhadas de demonstrativos de sua evolução nos
últimos três anos, da projeção para os dois seguintes àquele a que se referirem, e da metodologia
de cálculo e premissas utilizadas.”

Também merecem destaques o Artigo 29 e parágrafo único e artigo 30, da Lei Federal n° 4.320/64:

“Caberá aos órgãos de contabilidade ou de arrecadação organizar demonstrações mensais da


receita, na proposta orçamentária. Quando houver órgão central de orçamento, essas
demonstrações ser-lhe-ão remetidas mensalmente.
A estimativa da receita terá por base as demonstrações a que se refere o artigo anterior, a
arrecadação dos três últimos exercícios, pelo menos, bem como as circunstâncias de ordem
conjuntural e outras que possam afetar a produtividade de cada fonte de receita.”

Observamos que existe uma perfeita sintonia entre os dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal
(Lei Complementar federal n° 101/2000) com a Lei Federal n° 4.320/64 a respeito da previsão da receita
orçamentária, quanto aos aspectos relativos às implicações de ordem econômica e ao demonstrativo com
a evolução da arrecadação nos últimos três anos, da projeção para os dois anos seguintes àquele a que
se referirem. De certa forma, ambos os textos são coincidentes no que se relacionam ao conteúdo, tendo
a Lei de Responsabilidade Fiscal realçado a interação do planejamento ao orçamento, ao inserir a questão
relativa a metodologia de cálculo e premissas utilizadas para a previsão da receita.
Portanto, a Receita Orçamentária deverá sofrer o processo de elaboração da previsão e estimativa,
bem como de sua execução e acompanhamento e análise da efetiva arrecadação em relação a previsão
feita, num procedimento evolutivo e dinâmico, visando ao seu desenvolvimento e aperfeiçoamento.
Finalizando, podemos dizer que o estágio correspondente à previsão, por ser o contrário da etapa
desenvolvida, visando à organização das estimativas da receita, que deverá servir de base às cifras
indicadas na proposta do orçamento que aliás, é o documento originário do início da escrituração contábil
da receita do exercício.

LANÇAMENTO
É o ato administrativo que o Poder Executivo utiliza, visando identificar e individualizar o contribuinte
ou o devedor e os respectivos valores, espécies e vencimentos.
Geralmente, utiliza-se para a arrecadação de tributos, mas pode-se também aplicar a casos em que o
Governo tenha direitos líquidos e certos, em virtude de leis, regulamentos ou contratos.
Nota-se que o segundo estágio da receita orçamentária, denominado Lançamento, é um ato
administrativo que visa à identificação e individualização do contribuinte ou devedor, com os respectivos
valores, espécies e vencimentos, ou seja, procedimento administrativo que permite verificar a ocorrência
do fato gerador da obrigação correspondente, calculara o montante devido, identificar o devedor e, se for
o caso, propor a aplicação da penalidade cabível.

São objetivos de lançamento:


1. os impostos diretos e outras receitas como vencimento determinado em leis especiais, regulamentos
ou contratos, mediante relação nominal do contribuinte;
2. os aluguéis, arrendamentos, foros e quaisquer outras prestações periódicas relativas a bens
patrimoniais do Governo, mediante relação organizada à vista dos respectivos contrato, títulos ou d
apropria escrituração, que deverá ser remetida aos agentes encarregados para proceder à cobrança;
3. os serviços industriais do Governo, a débito de outras administrações ou de terceiros, cuja
impotência não tenha sido imediatamente arrecadada após a prestação dos mesmos serviços;
4. todas as outras rendas, taxas ou proventos que decorram de direitos preexistentes do Governo
contra terceiros ou que possam originar-se de direito novo prescrito em leis, regulamentos ou contratos
aprovados ou concluídos no decurso do ano financeiro, conforme Artigo 143 do Decreto n° 15.783/1922
do Código de contabilidade Pública.

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ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO
São, no nosso entendimento, fases que se complementam, mesmo porque, nos dias atuais, o
desenvolvimento experimentado no setor, como o aproveitamento e a introdução do processamento de
dados, cada vez mais dificulta a compreensão dessas etapa, separadamente.
Vamos tentar esclarecer o nosso pensamento, ao mesmo tempo em que procuraremos abordar os
conceitos pertinentes.
Arrecadação é ato em que são pagos os tributos ou as diversas receitas ao agente arrecadador.
Endente-se como agentes arrecadadores todas as repartições competentes, na forma da lei, como:
delegacias fiscais, alfândegas, mesas de rendas, coletorias, tesourarias e outras que estejam ou venham
a ser legalmente autorizadas a arrecadar rendas previstas em leis, regulamentos, contratos ou outros
títulos assecuratórios dos direitos do Governo.
Verifica-se a existência de um grande número de agentes arrecadadores, entre os quais se encontram
os agentes ou repartições públicas competentes, e outros que estejam legalmente autorizados a
arrecadar rendas.
Propositalmente, deixamos de destacar, entre os agentes arrecadadores que estejam legalmente
autorizados a arrecadar receitas, a rede de agências bancárias dos diversos estabelecimentos existentes.
O recolhimento é o tato que se relaciona com a entrega dos valores arrecadados pelos agentes
arrecadadores ao Tesouro Público. É óbvio que existe toda uma sistemática para que esse recolhimento
seja procedido.
Aliás, deve-se mencionar a obrigatoriedade de que o recolhimento de todas as receitas far-se-á em
estrita observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada qualquer fragmentação para criação de
caixas especiais25, isto é, toda receita arrecadada deve ser recolhida, integralmente, para uma conta
bancária geral em nome do Tesouro Público. No Estado de São Paulo, para atender a esse princípio da
unidade de tesouraria, foi criada uma conta bancária denominada Tesouro c/ Geral.

Observemos, por oportuno, que os fundos especiais constituem exceção ao princípio de unidade de
tesouraria mencionado. O artigo 71 da Lei Federal 4.320/64 apresenta a razão para essa exceção:

“Constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que, por lei, se vinculam à
realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de
aplicação”.

O recolhimento configura-se com a entrada dos valores arrecadados pelos agentes no Tesouro
Público, e serão escriturados nos livros próprios das diversas repartições públicas, consoante se verifica
pela sistemática atualmente em uso, onde, na maioria e quase totalidade dos casos, o contribuinte ou o
devedor geralmente é compelido a preencher uma guia de recolhimento, previamente instituída pelo
órgão público, onde deverá colocar todos os dados relativos ao valor que está recolhendo, e o pagamento,
certamente, será feito em uma agência bancária. Há também a possibilidade de utilizar a Internet pelas
chamadas netbanking. Feito o pagamento, recebe uma das vias autenticada mecanicamente e com o
carimbo da agência ou pelo sistema de informática (Internet), devidamente datada e quitada.
A transferência dessa arrecadação, com os respectivos documentos, é feita pelos estabelecimentos
bancários diretamente aos representantes do tesouro público.
Gostaríamos, nesta altura, de alertar para o aspecto da prestação de contas que deve ser observado,
pois é um dos dispositivos integrantes da lei de responsabilidade fiscal que consta no seu Artigo 58:

“A prestação de contas evidenciará o desempenho da arrecadação em relação à previsão,


destacando as providências adotadas no âmbito da fiscalização das receitas e combate à
sonegação, as ações de recuperação de créditos nas instâncias administrativas e judicial, bem
como as demais medidas de incremento das receitas tributárias e de contribuições”

Aliás, tal dispositivo tem o intuito de evitar que medidas mais severas possam vir a ser aplicadas, uma
vez que “o Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre,
relatório resumido da execução orçamentária”26

25
Artigo 56 da Lei Federal n° 4.320/64.
26
§ 3°, do artigo 165, da Constituição Federal.

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E, caso a execução orçamentária das receitas não seja suficiente para atender às metas fiscais
estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias, poderá estar sujeito:

“Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o
cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas
fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes
necessários, nos trinta dias subsequentes, limitação de empenho e movimentação financeira,
segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.”

Questões

01. (TJ-RO - Analista Judiciário - Administração – CESGRANRIO) Os estágios da despesa pública


são:
(A) fixação, controle, autorização e quitação.
(B) fixação, empenho, liquidação e pagamento.
(C) provisão, empenho, contabilização e lançamento.
(D) previsão, ordenação, lançamento e pagamento.
(E) programação, conversão, autorização e liquidação.

02. (UFRB - Assistente em Administração – FUNRIO) Considerando-se as normas gerais de Direito


Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios
e do Distrito Federal, é correto afirmar que previsão, lançamento, arrecadação e recolhimento, constituem
(A) princípios da receita extraorçamentária.
(B) estágios da despesa pública.
(C) princípios do orçamento público.
(D) estágios da receita orçamentária.
(E) estágios de amortização da dívida flutuante.

03. (TJ-RO - Administrador – FGV) Texto l: O orçamento do Município de Brevidade para o exercício
de 2x12 foi estimado em R$ 198.000.000.
Durante o exercício de 2x12, a arrecadação mensal estava superando, em média, 2,5% do previsto,
de forma que no mês de agosto havia um excesso de arrecadação acumulado de R$ 3.300.000.
O balanço patrimonial do exercício de 20x11 apresentou um superávit financeiro de R$ 950.000.
Os dados da execução orçamentária ainda revelam que houve abertura de créditos adicionais
extraordinários, no montante de R$ 780.000 e reabertura de créditos adicionais especiais do exercício
anterior, no total de R$ 425.000.
Foi apurado ainda, no mês de agosto que havia despesas fixadas passíveis de anulação, totalizando
R$ 390.000.
Além de uma dotação genérica (reserva de contingência) de R$ 10.000,00, passível de destinação
para abertura de créditos adicionais.
As receitas públicas arrecadadas por meio da exploração de atividades econômicas pela administração
pública, decorrentes de rendas do patrimônio mobiliário e imobiliário do Estado (receita de aluguel), de
preços públicos, de prestação de serviços comerciais e de venda de produtos industriais ou agropecuários
são denominadas:
(A) derivadas;
(B) extraorçamentárias;
(C) originárias;
(D) permutativas;
(E) primárias.

04. (Prefeitura de São José do Rio Preto – SP - Auditor Fiscal Tributário Municipal – VUNESP)
Nos últimos anos, a União tem recebido dividendos das empresas que controla para tentar atingir a meta
de superávit primário. Esses dividendos são receitas
(A) extraorçamentárias
(B) derivadas.
(C) de capital.
(D) vinculadas.
(E) originárias.

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05. (CEDAE-RJ - Contador – CEPERJ) Com base na doutrina, os recursos financeiros arrecadados
por um determinado ente governamental, proveniente do poder de coerção do Estado, de acordo com a
sua procedência, são classificados como sendo receitas:
(A) orçamentárias
(B) derivadas
(C) especiais
(D) efetivas
(E) correntes

06. (PC-AC: Perito Criminal - Contabilidade - FUNCAB) Na execução da despesa orçamentária


existe uma etapa representada pelo ato administrativo emanado de autoridade competente que cria para
o Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição. Esse ato consiste na
reserva de dotação orçamentária para um fim específico. Eventualmente, ele pode ser utilizado para
despesas contratuais ou outras de valor determinado, sujeitas a parcelamento. O trecho faz referência ao
seguinte conceito:
(A) empenho ordinário.
(B) liquidação global.
(C) empenho estimativo.
(D) liquidação estimativa.
(E) empenho global.

07. (Prefeitura de Cuiabá – MT - Profissional de Nível Superior – Contado – FCC) Os três estágios
da execução das despesas orçamentárias previstos pela Lei nº 4320/64 são empenho, liquidação e
pagamento. A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor.
As opções a seguir apresentam finalidades dessa verificação, à exceção de uma. Assinale-a.
(A) Apuração da origem do que se deve pagar.
(B) Apuração do objeto do que se deve pagar.
(C) Apuração da importância exata a pagar.
(D) Apuração de a quem se deve pagar a importância.
(E) Apuração de como será paga a importância.

08. (SURG - Agente de Controle interno – CONSULPAM) A sequência dos estágios da realização
das despesas é:
(A) Licitação, empenho, pagamento, e liquidação.
(B) Empenho, liquidação e pagamento.
(C) Licitação, empenho e liquidação.
(D) Licitação, liquidação, empenho e pagamento.

Repostas

01. Resposta: B.
A despesa orçamentária, desde a edição do Código de Contabilidade Pública, em 8 de novembro de
1992, determinou que toda a despesa do Estado deve passar por três estágios.
a. o empenho;
b. a liquidação; e
c. pagamento.
Aliás, tal procedimento configura-se até hoje, consoante se verifica da Lei n° 4.320/64.
Entretanto, deve-se fazer uma ressalva neste ponto, pois, obviamente, a escrituração contábil da
despesa orçamentária deve, ainda, ser registrada também quanto ao aspecto relativo ao crédito fixado
na lei orçamentária que constitui, na realidade, em mais uma etapa ou estágio, denominado Fixação.

02. Resposta: D.
Estágios da Receita Pública são as etapas consubstanciadas nas ações desenvolvidas e percorridas
pelos órgãos e repartições encarregados de executá-las. Nos tempos atuais, em face das técnicas
utilizadas, a receita deverá percorrer três estágios, a saber:
a. Previsão;
b. Lançamento; e
c. Arrecadação e Recolhimento.

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03. Resposta: C.
Receitas Originárias: são aquelas provenientes da exploração do patrimônio da pessoa jurídica de
direito público, ou seja, o Estado coloca parte do seu patrimônio a disposição de pessoas físicas ou
jurídicas, que poderão se beneficiar de bens ou de serviços, mediante pagamento de um preço estipulado.
Elas independem de autorização legal e pode ocorrer a qualquer momento, e são oriundas da exploração
do patrimônio mobiliário ou imobiliário, ou do exercício de atividade econômica, industrial, comercial ou
de serviços, pelo Estado ou suas entidades. Exemplos: Rendas obtidas sobre os bens sujeitos à sua
propriedade (aluguéis, dividendos, aplicações financeiras).

04. Resposta: E.
Receitas Originárias: Exemplos: Rendas obtidas sobre os bens sujeitos à sua propriedade (aluguéis,
dividendos, aplicações financeiras).

05. Resposta: B.
Receitas Derivadas: são aquelas cobradas pelo Estado, por força do seu poder de império, sobre as
relações econômicas praticadas pelos particulares, pessoas físicas ou jurídicas, ou sobre seus bens. Na
atualidade, constitui-se na instituição de tributos, que serão exigidos da população, para financiar os
gastos da administração pública em geral, ou para o custeio de serviços públicos específicos prestados
ou colocados a disposição da comunidade. Exemplos: Taxas, Impostos e Contribuições de Melhoria.

06. Resposta: E.
Empenho global é utilizado para casos de despesas contratuais e outras sujeitas a parcelamento,
conforme §3º do artigo 60, da Lei Federal n° 4.320/64.

07. Resposta: E.
A Liquidação da despesa, como terceiro estágio da despesa, consiste na verificação do direito
adquirido pelo credor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito.
De acordo com o Artigo 63, §§ 1º e 2º, da Lei Federal n º 4.320/64, essa verificação tem por fim apurara:
I – a origem e o objetivo do que se deve pagar;
II – a importância exata a pagar;
III – a quem se deve pagar a importância para extinguir a obrigação.

08. Resposta: B.
A despesa orçamentária, desde a edição do Código de Contabilidade Pública, em 8 de novembro de
1992, determinou que toda a despesa do Estado deve passar por três estágios.
a. o empenho;
b. a liquidação; e
c. pagamento.

7. Crédito Público: conceito, classificação dos empréstimos e dívida pública na


Lei nº 4.320/64 e na LRF.

OPERAÇÕES DE CRÉDITO
27
Segundo o art. 29, III, c/c § 1º desse mesmo artigo, todos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC
101/00), operação de crédito é todo compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de
crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores
provenientes da venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações
assemelhadas, inclusive com o uso de derivativos financeiros, bem como a assunção, o reconhecimento
ou a confissão de dívidas pelo ente da Federação, sem prejuízo do cumprimento das exigências dos arts.
15 e 16.

27
https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/95633/o-que-se-entende-por-operacoes-de-credito-no-direito-financeiro-andrea-russar

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 CONCEITO28

A própria origem da palavra crédito nos dá uma ideia de seu significado, ela se originou do latim credere
– acreditar, confiar. E no campo das finanças, possui a mesma acepção. É um ato que envolve
transferência de recursos baseada na confiança naquele que toma emprestado por parte do que
empresta.
Por ser público significa que em um dos polos da relação jurídica figura o Estado, entendido como
aquela pessoa jurídica de direito público interno.
Alguns autores do ramo financista consideram apenas aquela relação em que o Estado é o tomador
do empréstimo; todavia, essa é uma visão reducionista do fenômeno sob estudo, haja vista a importância
que o crédito público assume naqueles casos em que o ente público figura como emprestador,
provocando, como será visto, efeitos profundos na economia e na sociedade.
Portanto, podemos conceituar crédito público como sendo a operação de crédito em que o Estado
toma emprestado ou empresta recursos, isto é, ocorre uma transferência de liquidez.

 CLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO PÚBLICO

A doutrina elaborou uma divisão dos tipos de crédito público levando em consideração critérios
classificatórios. Na primeira forma, tem-se como base o uso do poder de império por parte do Estado. Se
esse o exerce, há o empréstimo público compulsório, como no caso em que os bancos são obrigados a
reservar parte dos recursos como garantia de suas operações; e se não existe o uso do poder de império,
ocorre os chamados empréstimos públicos voluntários, no qual segue-se o princípio da autonomia da
vontade, típico do direito privado.
Outra classificação comum, é a que leva em conta a origem dos recursos, se forem de emprestadores
nacionais, empréstimo interno. Caso provenha de fontes internacionais, empréstimos externos. A
consequência prática entre esses dois tipos, é que os empréstimos externos são mais dispendiosos para
o conjunto da economia nacional, já que se transfere recursos para outro país, diminuindo a liquidez da
economia doméstica.

 USO E OPERACIONALIZAÇÃO DO CRÉDITO PÚBLICO

Como dito na conceituação de crédito público, esse se presta não apenas como fonte de recurso para
cobrir as despesas do ente governamental que o contraiu. Outra importante atribuição que tem sido usada
pelos diversos estados dos mais variados pontos do mundo, é sua eficácia como forma de intervir no
desenvolvimento econômico e social. No Brasil há previsão inclusive constitucional nesse sentido, o art.
174 da carta magna estatui:

“Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma
da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público
e indicativo para o setor privado”.

Esse reconhecimento constitucional do papel do crédito público como forma do Estado promover a
expansão da economia revela-se acertado em uma sociedade com variadas e complexas demandas, que
o ente público não conseguiria atendê-las sozinho.
Caracteriza-se este por ser uma forma de incentivar a iniciativa privada de interesse público. Difere do
serviço público, porque neste, o Estado assume como sua uma atividade de atendimento a necessidades
coletivas, para exercê-las sob regras total ou parcialmente públicas; no fomento, o Estado deixa atividade
na iniciativa privada e apenas incentiva o particular que queira desempenhá-la, por se tratar de atividade
que traz algum benefício para a coletividade. (PIETRO, 2005, p. 248 - 249).
Mas o uso mais rotineiro e antigo do crédito público é para cobrir as despesas da Administração
Pública, que não conseguiu pagá-las com a receita advinda dos impostos. Aqui, o Estado é o tomador do
empréstimo, ficando obrigado a restituir o principal acrescido de juros.
Nessa última modalidade do crédito público, é muito comum duas formas de obtê-lo junto ao mercado.
Podem-se emitir títulos de créditos, que são uma parte do empréstimo, para ser negociado no mercado
financeiro. No Brasil existem inúmeros tipos de títulos, entre os quais: Letras Financeiras do Tesouro,
Letras do Tesouro Nacional, Certificados da Dívida Pública etc.

28
https://jus.com.br/artigos/29439/credito-publico

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Também podem ser feitos contratos diretos com instituições financeiras, que passam a financiar o
Estado. Tanto entidades nacionais como internacionais. Dessas últimas, exerce papal mundialmente
relevante o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Bird (Banco Internacional de Reconstrução e
Desenvolvimento). Nosso país começou a contrair empréstimo como o FMI em 1954, para financiamento
de projetos de infraestrutura e resolver problemas monetários.

 FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO CRÉDITO PÚBLICO

O crédito público vem regulado em vários diplomas normativos, desde a Constituição até leis ordinárias
e complementares. Aqui tratar-se-á dos aspectos mais importantes sobre o tema discorrido na legislação.

O art. 21 da Constituição atribui a União o papel de fiscalizadora das operações de crédito público, e
o art. 22 deixa a cargo da mesma a competência privativa para legislar sobre o assunto.

A função de fiscalizar atribuída a União é exercida pelo Ministério da Fazenda, que tem essa
competência amparada pelo art. 32 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece que tal órgão
verificará o cumprimento dos limites e condições relativos à realização de operações de crédito de cada
ente da Federação. E que os entes devem encaminhar seu pleito fundamentado técnico e juridicamente,
demonstrando o interesse social e econômico, a existência de autorização prévia em lei orçamentária,
inclusão no orçamento dos recursos e observância dos limites e condições fixados pelo Senado.

“Em seu art. 52, a Carta Magna estabelece que compete privativamente ao Senado Federal:

V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos Territórios e dos Municípios;

VI – fixar por proposta do Presidente da República, limites globais para o montante da dívida
consolidada da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

VII – dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas
pelo Poder Público federal”.

Como se vê pela leitura do artigo retrotranscrito, o Senado deve dar o aval para serem realizados os
contratos de créditos envolvendo entidades externas. Bem como, fixar até que ponto o Poder Executivo
pode comprometer o orçamento com o pagamento de dívidas e juros e as condições sob as quais serão
realizadas essas operações de crédito. O Senado editou em 2007, a Resolução Nº 48 que estabelece os
limites globais para operações de crédito e concessão de garantia nessas operações. O art. 6° dessa
Resolução, alude ao limite estabelecido no art. 167, inciso III, da Constituição, de que as operações de
créditos não devem exceder o montante das despesas de capital, com exceção dos créditos
suplementares ou especiais. A citada Resolução fixa como critério de verificação desse limite, o previsto
no art. 32, § 3° da Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece que nas despesas de capital não serão
computados os empréstimos e financiamentos com o intuito de promover incentivo fiscal para fins de
fixação do limite das operações de crédito.

A Lei de Responsabilidade Fiscal, esclarece o que é dívida consolidada, de acordo com seu art. 29,
inciso I:

“Dívida pública consolidada ou fundada: montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações
financeiras do ente da Federação, assumida em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados ou da
realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a doze meses”.

Vale destacar que a dívida consolidada ou fundada tem prazo de amortização superior a doze meses,
com exceção das autorizações de operações de crédito feitas no orçamento e os precatórios judiciais não
pagos durante a execução do orçamento que tiverem sido incluídos.

A citada lei complementar também conceitua operação de crédito no art. 29, inciso III:

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“Operação de crédito: compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito,
emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes
da venda a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas,
inclusive com o uso de derivativos financeiros”.

Como se vê, o legislador tratou de estabelecer no tocante às operações de créditos, toda a


conceituação jurídica, visando dar o máximo de segurança, controle, transparência e limite nesse tipo de
procedimento.

8. Repartição de receitas e transferências constitucionais.

REPARTIÇÃO DE RECEITAS PÚBLICAS

Uma vez que os valores arrecadados a título de tributo ingressam nos cofres públicos, haverá a
repartição para que todos os entes possam ter autonomia financeira, cumprindo assim com o princípio
constitucional da separação dos poderes.
A repartição pode se dar de duas formas, a saber:
- Direta: quando o ente beneficiado recebe os valores sem figuras intermediárias, ou seja, sem que
haja um fundo constitucional. Ex:

Art. 158. Pertencem aos Municípios:


[...]
III - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de
veículos automotores licenciados em seus territórios.

- Indireta: ocorre quando os recursos são primeiramente destinados a um fundo de participação e


depois divididos entre os beneficiários de acordo com as regras constitucionais. Ex:

Art. 159. A União entregará:


I - do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e sobre
produtos industrializados, 49% (quarenta e nove por cento), na seguinte forma: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 84, de 2014)
a) vinte e um inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito
Federal;
b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Municípios;
c) três por cento, para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste, através de suas instituições financeiras de caráter regional, de acordo com os
planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao semiárido do Nordeste a metade dos
recursos destinados à Região, na forma que a lei estabelecer;

Somente sujeitam-se à repartição os tributos não vinculados, ou seja, aqueles em que não há
contraprestação específica por parte do Estado ao contribuinte. Essa é a regra, todavia, existe uma única
exceção que é a CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre as atividades
de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e sobre o
álcool combustível, prevista no art. 177, § 4º, II da Constituição Federal.
De acordo com a Constituição Federal, o valor arrecadado a título de CIDE-combustível tem três
destinações, quais sejam: pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás
natural e seus derivados e derivados do petróleo, financiamento de projetos ambientais relacionados com
a indústria do petróleo e do gás e financiamento de programas de infraestrutura de transportes.
Somente os recursos desse último caso – financiamento de programas de infraestrutura de
transportes – sujeitam-se à repartição na seguinte proporção:
Do todo arrecadado pela União, 29% será destinado aos Estados;
Da parte que cabe ao Estado, 25% será destinado aos Municípios.

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A repartição das receitas dos impostos se dá da seguinte forma:

IOF sobre o ouro como ativo financeiro: de tudo o que a União arrecadar 30% será destinado aos
Estados e 70% aos Municípios. Os Estados e Municípios que tem direito a essa repartição são aqueles
em que o ouro foi adquirido, ou seja, aqueles em que o fato gerador realizou-se.
IR incidente na fonte, sobre rendimentos pagos pelos Estados e Municípios: os Estados e
Municípios enquanto fontes pagadoras devem reter o Imposto de Renda incidente sobre a renda e
proventos de seus servidores. Todo o valor retido (100%) destinam-se a esses entes, ou seja, a União
não ficará com nenhuma percentual.
Imposto Residual: como vimos, o imposto residual é aquele que a União é competente para instituir
nos termos do art. 154, I da CF. Do valor total arrecadado nesses impostos, a União deve repassar aos
estados 20%.
Imposto Territorial Rural: para entender a repartição das receitas do ITR é necessário lembrar que
o Município, nos termos do art. 153, § 4º, pode optar por fiscalizar e cobrar esse imposto das propriedades
situadas em seu território. Caso faça essa opção, o Município ficará com 100% do produto arrecadado.
Se a opção não for feita, caberá a esse ente 50%.
Para melhor compreensão, segue tabela sintetizando a repartição direta de receitas da União:

IOF – OURO IR – RETIDO IMPOSTO ITR CIDE -


PELOS RESIDUAL COMBUSTÍVEL
ESTADOS E
MUNICÍPIOS
EST. MUN. EST. MUN. ESTADOS OPTANTE NÃO EST. MUN.
OPTANTE
30% 70% 100% 100% 20% 100% 50% 29% 25% do
recebido
pelo
Estado

Atenção: os Municípios também têm direito a 25% do arrecadado pelo Estado ao título de ICMS.

Como visto anteriormente, há ainda a repartição indireta. Essa está prevista no art. 159 da
Constituição. Vejamos como se dá a distribuição nesse caso:

IR e IPI – Total a ser repartido: 49% IPI


21,5% - Fundo de Participação dos Estados e DF 10% - Estados e Distrito Federal
22,5% Fundo de Participação dos Municípios
3% - Programas de Financiamento do Setor
Produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro-
Oeste
1% - Fundo de Participação dos Municípios –
entregue até o primeiro decênio de dezembro
1% - Fundo de Participação dos Municípios –
entregue até o primeiro decênio de julho

Seguem os dispositivos constitucionais sobre a matéria:

Seção VI
DA REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS

Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal:


I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza,
incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas
fundações que instituírem e mantiverem;
II - vinte por cento do produto da arrecadação do imposto que a União instituir no exercício da
competência que lhe é atribuída pelo art. 154, I.

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Art. 158. Pertencem aos Municípios:
I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza,
incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas
fundações que instituírem e mantiverem;
II - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial
rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na hipótese da opção a que se
refere o art. 153, § 4º, III;
III - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de
veículos automotores licenciados em seus territórios;
IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas
à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal
e de comunicação.
Parágrafo único. As parcelas de receita pertencentes aos Municípios, mencionadas no inciso IV, serão
creditadas conforme os seguintes critérios:
I - três quartos, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de
mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios;
II - até um quarto, de acordo com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos Territórios, lei federal.

Art. 159. A União entregará:


I - do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer natureza e sobre
produtos industrializados, 49% (quarenta e nove por cento), na seguinte forma: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 84, de 2014)
a) vinte e um inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito
Federal;
b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos Municípios;
c) três por cento, para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste, através de suas instituições financeiras de caráter regional, de acordo com os
planos regionais de desenvolvimento, ficando assegurada ao semi-árido do Nordeste a metade dos
recursos destinados à Região, na forma que a lei estabelecer;
d) um por cento ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro decêndio do
mês de dezembro de cada ano;
e) 1% (um por cento) ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no primeiro
decêndio do mês de julho de cada ano; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 84, de 2014)
II - do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados, dez por cento aos Estados
e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos
industrializados.
III - do produto da arrecadação da contribuição de intervenção no domínio econômico prevista no art.
177, § 4º, 29% (vinte e nove por cento) para os Estados e o Distrito Federal, distribuídos na forma da lei,
observada a destinação a que se refere o inciso II, c, do referido parágrafo.
§ 1º Para efeito de cálculo da entrega a ser efetuada de acordo com o previsto no inciso I, excluir-se-
á a parcela da arrecadação do imposto de renda e proventos de qualquer natureza pertencente aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, nos termos do disposto nos arts. 157, I, e 158, I.
§ 2º A nenhuma unidade federada poderá ser destinada parcela superior a vinte por cento do montante
a que se refere o inciso II, devendo o eventual excedente ser distribuído entre os demais participantes,
mantido, em relação a esses, o critério de partilha nele estabelecido.
§ 3º Os Estados entregarão aos respectivos Municípios vinte e cinco por cento dos recursos que
receberem nos termos do inciso II, observados os critérios estabelecidos no art. 158, parágrafo único, I e
II.
§ 4º Do montante de recursos de que trata o inciso III que cabe a cada Estado, vinte e cinco por cento
serão destinados aos seus Municípios, na forma da lei a que se refere o mencionado inciso.

Art. 160. É vedada a retenção ou qualquer restrição à entrega e ao emprego dos recursos atribuídos,
nesta seção, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, neles compreendidos adicionais e
acréscimos relativos a impostos.
Parágrafo único. A vedação prevista neste artigo não impede a União e os Estados de condicionarem
a entrega de recursos:
I – ao pagamento de seus créditos, inclusive de suas autarquias
II – ao cumprimento do disposto no art. 198, § 2º, incisos II e III.

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Art. 161. Cabe à lei complementar:
I - definir valor adicionado para fins do disposto no art. 158, parágrafo único, I;
II - estabelecer normas sobre a entrega dos recursos de que trata o art. 159, especialmente sobre os
critérios de rateio dos fundos previstos em seu inciso I, objetivando promover o equilíbrio socioeconômico
entre Estados e entre Municípios;
III - dispor sobre o acompanhamento, pelos beneficiários, do cálculo das quotas e da liberação das
participações previstas nos arts. 157, 158 e 159.
Parágrafo único. O Tribunal de Contas da União efetuará o cálculo das quotas referentes aos fundos
de participação a que alude o inciso II.

Art. 162. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios divulgarão, até o último dia do mês
subsequente ao da arrecadação, os montantes de cada um dos tributos arrecadados, os recursos
recebidos, os valores de origem tributária entregues e a entregar e a expressão numérica dos critérios de
rateio.
Parágrafo único. Os dados divulgados pela União serão discriminados por Estado e por Município; os
dos Estados, por Município.

REMANEJAMENTO, TRANSPOSIÇÃO E TRANSFERÊNCIA DE RECEITAS 29

Os termos remanejamento, transposição e transferência evidenciam que na gestão das atividades das
entidades de direito público interno (União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e demais
entidades de caráter público criadas por lei) podem ocorrer mudanças ou modificações de natureza
administrativa, econômica, social, financeira e patrimonial, com reflexos na estrutura original do
orçamento e não apenas de natureza financeira ou patrimonial.
Destaque-se que a Constituição associa os termos remanejamento, transposição e transferência a
duas situações:
a) realocação de recursos de uma categoria de programação para outra, ou seja, deslocamento de
fundos em nível de função, subfunção, programa, projeto/atividade/operação especial e das categorias
econômicas de despesas;
b) destinação de recursos de um órgão para outro.

Veja a diferença entre remanejamento, transposição e transferência:

a) remanejamentos são realocações na organização de um ente público, com destinação de recursos


de um órgão para outro. Podem ocorrer, por exemplo, em uma reforma administrativa. A extinção de um
órgão pode levar a Administração a decidir pelas realocações das atividades, inclusive dos respectivos
programas de trabalho, recursos físicos e orçamentários, para outros órgãos, sejam da administração
direta, sejam da administração indireta. Nesse caso, não cabe a abertura de crédito adicional especial
para cobertura de novas despesas, uma vez que as atividades já existem, inclusive os respectivos
recursos não-financeiros. Entretanto, se houver a necessidade da criação de um cargo novo, a
Administração deverá providenciar a abertura de um crédito adicional para atender a essa despesa;

b) transposições são realocações no âmbito dos programas de trabalho, dentro do mesmo órgão.
Pode acontecer que a administração da entidade governamental resolva não construir a estrada vicinal,
já programada e incluída no orçamento, deslocando esses recursos para a construção de um edifício para
nele instalar a sede da secretaria de obras, também já programada e incluída no orçamento, cujo projeto
original se pretende que seja ampliado. Nesse caso, basta que a lei autorize a realocação dos recursos
orçamentários do primeiro para o segundo projeto;

c) transferências são realocações de recursos entre as categorias econômicas de despesas, dentro


do mesmo órgão e do mesmo programa de trabalho. Ou seja, repriorizações dos gastos a serem
efetuados. Pode ocorrer que a administração do ente governamental tenha que decidir entre realocar
recursos para a manutenção de uma maternidade ou adquirir um novo computador para o setor
administrativo dessa maternidade, que funciona relativamente bem, ainda que utilizando computadores
antigos. A opção por recursos para a manutenção da maternidade se efetivará através de uma
transferência, que não se deve confundir com anulações, parciais ou totais, de dotações para abrir crédito

29
José de Ribamar Caldas Furtado. Créditos adicionais versus transposição, remanejamento ou transferência de recursos. REVISTA DO TCU. out/dez 2005.

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adicional especial. Nas transferências, as atividades envolvidas continuam em franca execução; nos
créditos adicionais especiais ocorre a implantação de uma atividade nova.

É necessário esclarecer que as figuras remanejamento, transposição e transferência não estão


previstas na Lei nº 4.320/64, visto que sugiram no Texto Constitucional posteriormente. Desse modo, os
arts. 40 a 46 da Lei nº 4.320/64 cuidam exclusivamente dos créditos adicionais (suplementares, especiais
e extraordinários).
Lá estão dispostas as regras que devem ser observadas, relativamente à indicação dos recursos
orçamentários e financeiros, por ocasião da autorização (por lei) e abertura (por decreto do Executivo)
dos créditos adicionais. Dispõe a Constituição Federal, art. 165, § 8º, 11 que a lei orçamentária não
conterá dispositivo estranho à previsão de receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição
a autorização para abertura de créditos suplementares e contração de operações de crédito, ainda que
por antecipação de receita, nos termos da lei.
A relação de exceções feita pelo constituinte nesse dispositivo é taxativa (numerus clausus). Isso
significa que a LOA não pode dar autorização para o Executivo proceder a remanejamentos,
transposições ou transferências de um órgão para outro ou de uma categoria de programação para outra.
Ou ainda, que os procedimentos previstos no artigo 167, VI, devem ser autorizados através de lei
específica.

Questões:

01. (TJ-MG - Titular de Serviços de Notas e de Registro – CONSUPLAN) Acerca da repartição de


receitas tributárias, é correto afirmar:
(A) Quando o município recebe vinte e cinco por cento da arrecadação do Estado sobre as operações
relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação ocorre repartição indireta de receita tributária.
(B) Somente os impostos submetem-se à regra da repartição de receitas tributárias.
(C) As taxas instituídas e cobradas pela União devem ter um percentual repartido com os Estados
(D) Os valores recebidos a partir da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados sujeitam-
se a repartição indireta para os Estados, Distrito Federal e Municípios.

02. (TJ-MG - Titular de Serviços de Notas e de Registro – CONSUPLAN) É correto afirmar que
(A) a União entregará do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados, 10%
(dez por cento) aos Estados e Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações
de produtos industrializados.
(B) o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza,
incidente na fonte, sobre rendimentos pagos por Estado, a qualquer título, pertence à União.
(C) em regra, 60% (sessenta por cento) do produto da arrecadação do imposto da União sobre a
propriedade territorial rural, relativamente aos imóveis neles situados, pertence ao Município respectivo.
(D) 60% (sessenta por cento) do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade
de veículos automotores licenciados em seu território pertence ao Município respectivo.

03. (TRF - 5ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária - FCC) No que diz respeito à repartição
das receitas tributárias, é certo que
(A) pertencem aos Municípios trinta e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado
sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestação de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal.
(B) pertencem aos Estados, ao Distrito Federal e Municípios, vinte e cinco por cento do produto da
arrecadação do imposto que a União instituir no exercício da sua competência tributária residual.
(C) a nenhuma unidade federada poderá ser destinada parcela superior a quinze por cento do
montante a que se refere a partilha do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados,
vedada a distribuição excedente.
(D) a União entregará, do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados, dez por
cento aos Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de
produtos industrializados.
(E) a União entregará, do produto da arrecadação de intervenção no domínio econômico, relativamente
às atividades de comercialização de petróleo e seus derivados, vinte por cento para os Estados, Distrito
Federal e Municípios.

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04. (Prefeitura de Amontada – CE - Fiscal de Tributos - UECE-CEV) No que diz respeito à repartição
das receitas tributárias, conforme a legislação pertinente, pode-se afirmar corretamente que pertencem
aos municípios:
(A) 25% do ITR recolhido pela União, 50% do IPVA e 25% do ICMS recolhidos pelos Estados.
(B) 50% do ITR recolhido pela União, 25% do IPVA e 25% do ICMS recolhidos pelos Estados.
(C) 50% do ITR recolhido pela União, 50% do IPVA e 25% do ICMS recolhidos pelos Estados.
(D) 25% do ITR recolhido pela União, 25% do IPVA e 25% do ICMS recolhidos pelos Estados.

05. (TRF - 2ª REGIÃO - Analista Judiciário - Área Judiciária - Execução de Mandados - FCC)
Pertencem aos Municípios, dentre outros, o produto da arrecadação dos seguintes impostos: imposto do
Estado sobre a propriedade de veículos automotores licenciados em seu território; imposto do Estado
sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de comunicação, respectivamente, na seguinte proporção:
(A) vinte e cinco por cento; e cinquenta por cento.
(B) trinta e cinco por cento; e quarenta e cinco por cento.
(C) quarenta e sete por cento; e vinte e três por cento.
(D) cinquenta por cento; e trinta e cinco por cento.
(E) cinquenta por cento; e vinte e cinco por cento.

Respostas

01. Resposta: D.
De acordo com o art. 159 da CF a União entregará a arrecadação do imposto sobre renda e proventos
de qualquer natureza e sobre produtos industrializados aos Estados, Distrito Federal e Municípios, nas
porcentagens estabelecidas no dispositivo.

02. Resposta: A.
Art. 159, CF. A União entregará:
II - do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados, dez por cento aos Estados
e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos
industrializados.

03. Resposta: D.
Vide comentário anterior.

04. Resposta: C.
Art. 158 da CF. Pertencem aos Municípios:
II - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial
rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na hipótese da opção a que se
refere o art. 153, § 4º, III;
III - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de
veículos automotores licenciados em seus territórios;
IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas
à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal
e de comunicação.

05. Resposta: E.
Art. 158 da CF. Pertencem aos Municípios:
I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza,
incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas
fundações que instituírem e mantiverem;
II - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial
rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na hipótese da opção a que se
refere o art. 153, § 4º, III;
III - cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre a propriedade de
veículos automotores licenciados em seus territórios;
IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas
à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal
e de comunicação.

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Parágrafo único. As parcelas de receita pertencentes aos Municípios, mencionadas no inciso IV, serão
creditadas conforme os seguintes critérios:
I - três quartos, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de
mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios;
II - até um quarto, de acordo com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos Territórios, lei federal.

9. Precatórios e Requisição de Pequeno Valor (RPV).

PRECATÓRIOS30
Precatórios são requisições de pagamento expedidas pelo Judiciário para cobrar de municípios,
estados ou da União, assim como de autarquias e fundações, o pagamento de valores devidos após
condenação judicial definitiva. Segundo o último levantamento feito pelo CNJ, os três entes públicos
acumulavam em junho de 2014 uma dívida de R$ 97,3 bilhões em precatórios emitidos pelas Justiças
estadual, federal e trabalhista.

 PRINCIPAIS REGRAS

As principais regras para pagamento de precatórios estão na Constituição Federal, que foi alterada em
2009 para permitir mais flexibilidade de pagamento. Além de mudanças no regime geral (Artigo 100), o
novo regime especial (Artigo 97 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias) autorizou que entes
devedores parcelassem a dívida e permitiu a renegociação de valores por meio de acordos com credores.

As mudanças foram questionadas no Supremo Tribunal Federal (STF), que, em 2013, invalidou
algumas regras do regime geral e todo o regime especial. O julgamento ainda não foi concluído, pois os
ministros estão modulando os efeitos da decisão para evitar problemas com os pagamentos já realizados
com a sistemática criada em 2009, que permanece em vigor até o encerramento do processo.

IMPORTANTE:
RESOLUÇÃO Senado nº 40/2001
Art. 1º Subordina-se às normas estabelecidas nesta Resolução a dívida pública consolidada e a dívida
pública mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º Considera-se, para os fins desta
Resolução, as seguintes definições:
[...]
III - dívida pública consolidada: montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras,
inclusive as decorrentes de emissão de títulos, do Estado, do Distrito Federal ou do Município, assumidas
em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito para
amortização em prazo superior a 12 (doze) meses, dos precatórios judiciais emitidos a partir de 5 de maio
de 2000 e não pagos durante a execução do orçamento em que houverem sido incluídos, e das operações
de crédito, que, embora de prazo inferior a 12 (doze) meses, tenham constado como receitas no
orçamento;

 FUNCIONAMENTO

O precatório é expedido pelo presidente do tribunal onde o processo tramitou, após solicitação do juiz
responsável pela condenação. Os precatórios podem ter natureza alimentar (decisões sobre salários,
pensões, aposentadorias, indenizações por morte ou invalidez, benefícios previdenciários, créditos
trabalhistas, entre outros) ou natureza comum (decisões sobre desapropriações, tributos, indenizações
por dano moral, entre outros).
Os precatórios alimentares têm preferência sobre os comuns, com organização de fila por ordem
cronológica a cada ano. Ainda existe a possibilidade de adiantamento do precatório alimentar quando o
credor tiver 60 anos ou mais ou doença grave.
O regime geral atualmente é seguido pela União e demais entes públicos que não tinham dívida de
precatórios até 2009. Nesse regime, as requisições recebidas até 1º de julho são convertidas em

30
http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/77269-o-que-sao-os-precatorios

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precatórios incluídos na proposta orçamentária do ano seguinte. As requisições recebidas após 1º de
julho passam para a proposta orçamentária do ano subsequente. Quando a proposta é convertida em lei,
o pagamento dos valores inscritos deve ocorrer no mesmo exercício por meio de depósito no tribunal
requisitante.
As condenações de pequeno valor não são cobradas por precatório, e sim por meio da Requisição de
Pequeno Valor (RPV), com prazo de quitação de 60 dias a partir da intimação do devedor. O limite de
RPV deve ser estabelecido por cada entidade pública devedora, mas a regra geral é até 30 salários
mínimos nos municípios e até 40 salários mínimos nos estados e no Distrito Federal. No âmbito federal,
a RPV atinge até 60 salários mínimos.

 PRECATÓRIOS EM REGIME ESPECIAL

A partir de 2009, estados, Distrito Federal e municípios que apresentavam dívidas de precatório
passaram ao regime especial, que permite duas sistemáticas de pagamento. Na primeira, o chamado
regime especial anual, o devedor opta pela vinculação em conta especial do valor do estoque de
precatórios, corrigido pelos juros e mora correspondentes, dividido por até 15 anos contados a partir da
edição da Emenda Constitucional n. 62/2009. Nessa situação, a Fazenda Pública disponibiliza aos
tribunais, no mês de dezembro, o valor anual referente à fração de 1/15 da dívida consolidada.
A segunda sistemática, conhecida por regime especial mensal, permite que o devedor fixe percentual
mínimo entre 1% e 2% de sua receita corrente líquida para o pagamento de precatórios, fazendo
transferência mensal aos tribunais. Os tribunais organizam a lista única de precatórios por entidade
devedora de acordo com as prioridades (alimentares) e preferências (idosos e doentes graves) previstas
no texto constitucional.
No regime especial, o ente devedor quita suas dívidas seguindo duas regras. Pelo menos 50% do
montante reservado deve ser destinado aos precatórios segundo ordem cronológica, e os outros 50%
podem ser pagos por meio de acordo direto com os credores ou por ordem crescente de valor do
precatório.

 GESTÃO DE PRECATÓRIOS

Cabe aos Tribunais de Justiça estaduais organizar e manter listas únicas com os precatórios devidos
pelo estado e pelos municípios que estão sob sua jurisdição. Ao expedir a ordem de pagamento contra a
Fazenda Pública, o tribunal dá início a um processo de precatório, que recebe numeração própria e é
incluído em uma lista organizada por ordem cronológica, conforme estabelece o artigo 100 da
Constituição Federal.
Para cada ente devedor, o tribunal deve manter uma única lista organizada em ordem cronológica,
tendo, os precatórios de natureza alimentar, preferência sobre os de natureza comum. São precatórios
de natureza alimentar aqueles oriundos de processos que discutem salários, vencimentos, proventos,
pensões, benefícios previdenciários e indenizações por morte e invalidez. Todos os demais são de
natureza comum, como, por exemplo, decisões sobre desapropriações, repetição de tributos,
indenizações por dano moral etc.
De acordo com a Constituição Federal, a quitação dos precatórios deve obedecer a ordem cronológica,
devendo ser quitados, primeiramente, os de natureza alimentar e depois, os não alimentares. Já o
pagamento de dívidas judiciais de menor valor, as chamadas requisições de pequeno valor (RPVs), é
regulamentado pelo novo Código de Processo Civil (CPC), que determina que o pagamento seja feito no
prazo máximo de dois meses contados desde a entrega da requisição. No caso das RPVs, o pagamento
é ordenado pelo juiz de 1º grau.
O teto máximo para pagamento por meio de RPVs é definido por lei própria de cada ente federativo,
levando em conta as diferentes capacidades econômicas. No caso do DF, por exemplo, condenações de
até 10 salários mínimos são pagas por meio de RPVs. O restante é pago com precatórios.

 NATUREZA DO PRECATÓRIO

Fica sob responsabilidade da Justiça Federal a gestão dos precatórios oriundos de condenações em
processos judiciais que são da competência da Justiça Federal ou resultantes do exercício da
competência federal delegada pelos Tribunais de Justiça estaduais.
A legislação determina que cada tribunal deve organizar uma lista de precatórios em ordem
cronológica, levando em conta a data de chegada do precatório ao tribunal. São incluídos no orçamento
do ano seguinte, os precatórios incluídos na lista do tribunal até 1º de julho do ano vigente.

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 Natureza Alimentar - Os precatórios podem ser de natureza comum ou alimentar, a depender do
tema da disputa apresentada no processo que resultou na sentença. Se a disputa se refere a salários,
pensões, aposentadorias, indenizações por morte ou invalidez, benefícios previdenciários, créditos
trabalhistas, indenizações por responsabilidade civil, honorários advocatícios, entre outros, são
considerados de natureza alimentar e, por isso, têm preferência de pagamento sobre os demais
precatórios. Credores com mais de 60 anos ou portadores de doenças graves também têm direito ao
adiantamento do pagamento do precatório.

 Natureza Comum - Quando a controvérsia não está relacionada a questões salariais ou


previdenciárias, o precatório é de natureza comum. Exemplos de precatórios de competência da Justiça
Federal e de natureza comum são as condenações decorrentes de desapropriações, restituição de
tributos, etc.

Há ainda as chamadas Requisições de Pequeno Valor (RPV), condenações de valores mais baixos,
que não são cobradas por meio de precatórios e devem ser quitadas no prazo de 60 dias, conforme
estabelece a Lei n. 10.259/2001, que trata da instituição dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Na
Justiça Federal, as Requisições de Pequeno Valor referem-se a condenações de até 60 salários mínimos.

Questões:

1- (UFBA – Contador – UFBA) Os precatórios judiciais emitidos a partir de 5 de maio de 2000


e não pagos durante a execução do orçamento em que foram incluídos devem ser posteriormente
relacionados no cálculo da dívida fundada.

( ) Certo ( ) Certo

2- No início de 2009, Estados, Distrito Federal e Municípios que apresentavam dívidas de


precatório passaram ao regime especial, que permite três sistemáticas de pagamento. A primeira,
chamada de regime especial anual, a segunda sistemática, conhecida por regime especial bimestral e a
terceira sistemática, conhecida por regimes especial mensal.
( ) Certo ( ) Errado

3- A legislação determina que cada tribunal deve organizar uma lista de precatórios em ordem
cronológica, levando em conta a data de chegada do precatório ao tribunal. São incluídos no orçamento
do ano seguinte, os precatórios incluídos na lista do tribunal até 1º de julho do ano vigente:
(A) Os precatórios de natureza alimentar e natureza extraordinária
(B) Os precatórios de natureza alimentar e natureza comum
(C) Os precatórios de natureza comum e natureza empresarial
(D) Os precatórios de natureza alimentar apenas

Respostas:

1- Resposta: CERTO
RESOLUÇÃO Senado nº 40/2001 - III - dívida pública consolidada: montante total, apurado sem
duplicidade, das obrigações financeiras, inclusive as decorrentes de emissão de títulos, do Estado, do
Distrito Federal ou do Município, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da
realização de operações de crédito para amortização em prazo superior a 12 (doze) meses,
dos precatórios judiciais emitidos a partir de 5 de maio de 2000 e não pagos durante a execução do
orçamento em que houverem sido incluídos, e das operações de crédito, que, embora de prazo inferior a
12 (doze) meses, tenham constado como receitas no orçamento;

2- Resposta: ERRADO
A partir de 2009, estados, Distrito Federal e municípios que apresentavam dívidas de precatório
passaram ao regime especial, que permite duas sistemáticas de pagamento. Na primeira, o chamado
regime especial anual, o devedor opta pela vinculação em conta especial do valor do estoque de
precatórios, corrigido pelos juros e mora correspondentes, dividido por até 15 anos contados a partir da
edição da Emenda Constitucional n. 62/2009. Nessa situação, a Fazenda Pública disponibiliza aos
tribunais, no mês de dezembro, o valor anual referente à fração de 1/15 da dívida consolidada.

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A segunda sistemática, conhecida por regime especial mensal, permite que o devedor fixe percentual
mínimo entre 1% e 2% de sua receita corrente líquida para o pagamento de precatórios, fazendo
transferência mensal aos tribunais. Os tribunais organizam a lista única de precatórios por entidade
devedora de acordo com as prioridades (alimentares) e preferências (idosos e doentes graves) previstas
no texto constitucional.

3- Resposta: B
A legislação determina que cada tribunal deve organizar uma lista de precatórios em ordem
cronológica, levando em conta a data de chegada do precatório ao tribunal. São incluídos no orçamento
do ano seguinte, os precatórios incluídos na lista do tribunal até 1º de julho do ano vigente.

Natureza Alimentar - Os precatórios podem ser de natureza comum ou alimentar, a depender do tema
da disputa apresentada no processo que resultou na sentença. Se a disputa se refere a salários, pensões,
aposentadorias, indenizações por morte ou invalidez, benefícios previdenciários, créditos trabalhistas,
indenizações por responsabilidade civil, honorários advocatícios, entre outros, são considerados de
natureza alimentar e, por isso, têm preferência de pagamento sobre os demais precatórios. Credores com
mais de 60 anos ou portadores de doenças graves também têm direito ao adiantamento do pagamento
do precatório.

Natureza Comum - Quando a controvérsia não está relacionada a questões salariais ou


previdenciárias, o precatório é de natureza comum. Exemplos de precatórios de competência da Justiça
Federal e de natureza comum são as condenações decorrentes de desapropriações, restituição de
tributos, etc.

10. Controle da Atividade Financeira. Controle pelos Tribunais de Contas.

O PAPEL DO ESTADO E A ATUAÇÃO DO GOVERNO NAS FINANÇAS PÚBLICAS31

Há necessidade de se ter um governo? A sociedade poderia prescindir do governo? Se não pode, qual
deveria ser sua função? Para buscar algumas respostas a tais questionamentos, imaginemos que 1 .000
famílias, de 3 pessoas cada, em média, decidam se organizar em um condomínio residencial. Serão 3.000
pessoas a compartilhar o mesmo território.
Se cada família puder exercer sua vontade nesse território, sem qualquer restrição, seria natural que
buscasse para si o maior benefício que tal situação permitisse. Tenderiam a construir suas casas na maior
e melhor área, a escolher a melhor vista, o terreno mais arborizado, ou o mais plano, em suma, a buscar
a situação que melhor se adequasse às suas preferências, visando sua independência em relação aos
outros.
Logo no início surgiria a necessidade de algum ajuste entre vizinhos para estabelecer algumas
regras, como:

Qual o tamanho da área que cada um poderá ocupar privadamente?


Como será distribuída ou vendida cada área?
Quais espaços serão destinados ao tráfego de pessoas e veículos?
Como a comunidade se protegerá de agentes externos?

Naturalmente a comunidade sentiria a necessidade de indicar líderes para conduzir esse processo.
Seria natural e salutar para o processo de construção do condomínio que os futuros moradores
escolhessem um síndico e alguns auxiliares, assim como mecanismos de acompanhamento e controle
das ações desse grupo de "dirigentes".
Mesmo em um pequeno universo, as comunidades sempre adotam alguma forma de "governo", não
sendo difícil imaginar que sua existência é uma necessidade natural das sociedades organizadas, com o
objetivo disciplinar e ordenar as relações entre as pessoas que as integram.

31
Gestão de finanças públicas I Claudiano Manoel de Albuquerque, Márcio Bastos Medeiros, Paulo Henrique Feijó da Silva. - 2a Edição, Brasília: 2008. 580 p.

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Constituída a administração do condomínio, outras preocupações se apresentam: Como financiar as
despesas para o provimento de bens de uso da comunidade, de forma indivisível, como as ruas e a
segurança do condomínio? Se adotada a cobrança de alguma taxa, como definir o valor que caberá a
cada condômino? Será proporcional à renda de cada um ou ao tamanho de seu imóvel? Qual a forma
mais eficaz de financiar tais despesas? Seria adequado contrair empréstimos para realização dos
investimentos iniciais? Neste caso, seria justo transferir para as gerações futuras o pagamento dessa
dívida, bem como dos juros correspondentes?
A partir dessa simples representação, insere-se neste capítulo uma visão sintética dos principais
aspectos da gestão das finanças públicas, tratados conforme abordagem clássica de alguns autores,
como Musgrave, Stiglitz e Rezende. O objetivo é fornecer o arcabouço teórico fundamental para a
compreensão dos capítulos seguintes, e permitir a fixação dos conceitos macros que se relacionam direta
ou indiretamente com os princípios e mecanismos de gestão das finanças de um ente público.

Teoria das Finanças Públicas

A teoria das finanças públicas, ao tratar dos fundamentos do Estado e das funções do governo,
encontra justificativa para a intervenção do Estado na economia, como forma de se Gestão de Finanças
Públicas buscar a correção das imperfeições do mercado, ou seja, fenômenos que impedem que a
sociedade alcance o estágio de bem- estar sem que o Estado exerça alguma forma de ajuste sobre os
fatores econômicos. Imperfeições do Mercado:

• necessidade de que existam bens públicos: para que haja adequado convívio social, nem todos
os bens devem ser privados. Assim, são bens públicos aqueles cujo uso deve ser coletivo, ainda que
alguns os consumam mais que outros. Citam-se como exemplos as praças e avenidas, a justiça e a
defesa nacional. Tais bens têm por característica o fato de que o seu consumo é indivisível e não-
excludente, ou seja, se uma pessoa adquire ou utiliza um bem público não tira o direito de outra de
também adquiri-lo ou utilizá-lo. Em economia, chamamos de bem público todo e qualquer bem que
é, simultaneamente, não rival e não excludente. Os mercados, por vezes, não conseguem
proporcionar adequadamente os bens que as pessoas desejam, por exemplo, os chamados bens
públicos.
A maioria dos bens encontrados na sociedade são privados, e se adéquam a análise de oferta e de
demanda do equilíbrio no mercado.
Não rivalidade significa que o consumo do bem por um indivíduo não reduz a disponibilidade do bem
para o consumo por outros. Desta forma, é fácil constatar que uma torta é um bem rival, na medida em
que o consumo de uma fatia por um indivíduo A reduz em proporção direta a disponibilidade do bem para
outros indivíduos. Em outras palavras, um bem é rival se dois indivíduos não podem “comer a mesma
fatia”. Um exemplo de bem não rival é assistir a uma partida de futebol pela televisão ou assistir aos
Fogos de Copacabana no Réveillon.
A não exclusividade, por sua vez, está associada à possibilidade de exclusão do uso do bem por
terceiros. Se ninguém pode ser efetivamente excluído do uso do bem, ele é não-exclusivo. Quando vamos
ao cinema, por exemplo, pagamos o preço da entrada para poder assistir ao filme.
Entretanto, se o cinema não pudesse nos impedir de assistir ao filme, provavelmente não pagaríamos
o ingresso. Os bens não excludentes são precisamente caracterizados pela impossibilidade de se “cobrar
a entrada”. Um exemplo seria um espetáculo de fogos em local público.
No mundo real, não existem bens absolutamente não-rivais e não excludentes. Entretanto os
economistas acreditam que alguns bens aproximam-se o suficiente dos conceitos para a análise ser útil.

• falhas de competição: decorrem de situações que favorecem a existência de monopólios naturais.


Citam-se como exemplos os casos dos serviços de abastecimento de água e energia elétrica, ou de
esgoto, cujo fornecimento exige a construção de infraestrutura com características que dificultam, se não
inviabilizam, que diversos competidores ofereçam tais serviços numa mesma local idade. Também a
escala de produção de determinados bens pode prejudicar a competição. Em situações dessa natureza
é necessária a intervenção do governo, fornecendo os bens e serviços ou estabelecendo regulamentação
que impeça a cobrança de preços abusivas;

• existência de "externalidades": são conhecidos como externalidades os efeitos, diretos ou


indiretos, sobre determinados agentes do sistema econômico, decorrentes de transações sobre as quais
esses agentes não exercem controle.

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São externalidades positivas aquelas que aumentam o bem-estar desse agente, enquanto que
externalidades negativas são aquelas que reduzem o bem-estar. A construção de uma barragem em um
rio, para implantação de um projeto de agricultura irrigada, pode criar empregos e ampliar a renda de
determinada região, gerando externalidades positivas como a ampliação dos negócios e da arrecadação
do governo.
Pode, por outro lado, gerar externalidades negativas, como a redução de disponibilidade de água
para abastecimento das cidades a jusante ou a inviabilização da navegação naquele curso d'água.
Situações dessa natureza exigem a intervenção do Estado, para promover o adequado equilíbrio,
buscando inibir atividades que causem externalidades negativas e incentivar aquelas que produzam
externalidades positivas.
Consideremos como exemplo, o uso de carros para ir ao trabalho. Quando um agente decide utilizar
seu carro para ir para o trabalho, está em geral preocupado com fatores como seu conforto, a rapidez, o
preço da gasolina, a depreciação do carro, utilização do carro, etc. Essa ação, entretanto, tem efeito na
vida de terceiros dado que, dentre outros fatores, contribui para o aumento do trânsito e da poluição.
Esses dois resultados podem ser tidos como negativos do ponto de vista dos terceiros que o suportam,
dado que a emissão de gases pelo veículo é prejudicial à saúde, e que o aumento do trânsito fará com
que o tempo de deslocamento entre diferentes pontos da cidade seja maior. Dessa forma, o custo dessa
ação para a sociedade será maior que para a pessoa que decide se deslocar por meio de um carro. Isso
porque, o custo social é a somatória dos custos privados de quem age e do impacto suportado pelos
terceiros.

De forma geral, em todas as situações em que ocorrem externalidades negativas tem-se a justificativa
para a intervenção do Estado. Mas de que forma o Estado poderá intervir no sentido de evitar, minimizar
ou desestimular uma externalidade negativa? São várias as formas, mas basicamente poderíamos citar
quatro:
a) aplicação de multas e criação de tributos com o objetivo de desincentivar a externalidade negativa;
b) atuação na regulação do setor;
c) geração direta de externalidades positivas que desestimulem a externalidade negativa; e
d) concessão de subsídios que desestimulem a externalidade negativa

Como exemplo temos a situação em que o governo aplica multas elevadas para as empresas que
despejem resíduos químicos em rios e lagos, sem o tratamento que permita reduzir, aos patamares
máximos definidos em regulamentação do próprio governo, os elementos nocivos ao meio-ambiente.
Outro exemplo é o caso de regiões que geram energia a partir da queima de combustíveis fósseis que
o governo deseje substituir por energia limpa. Se na região houver suficiente nível de incidência solar, o
governo poderá doar equipamentos geradores de energia solar aos habitantes da região, ou mesmo
reduzir os tributos das empresas produtoras desses equipamentos, provocando uma redução de preços,
ou ainda subsidiar os consumidores mediante linhas de crédito facilitadas.

Insuficiência de renda, desabastecimento, desemprego, desigualdade: em muitas economias


debilitadas ou subdesenvolvidas, os baixos níveis de renda fazem com que investimentos em
infraestrutura ou na produção de determinados bens não sejam atrativos para o setor privado.
Determinados produtos não são oferecidos no mercado ou somente o são em condições de preços
inadequados. O baixo dinamismo da economia reduz as oportunidades de emprego, enquanto que outros
fatores sociais e econômicos concorrem para a manutenção ou ampliação de situações de desigualdade
social que o mercado, funcionando livremente, não oferece condições para superar. Entende-se que o
livre funcionamento das forças de mercado não é eficaz para solucionar problemas estruturais ou
conjunturais que causam desajustes econômicos como desemprego elevado e inflação.
Nesses casos, há o reconhecimento de que o Estado deve intervir na economia, eliminando fatores
que inibem o investimento, produzindo incentivos para a ampliação da atividade econômica, gerando ele
próprio determinados bens e serviços não oferecidos pelo mercado, e corrigindo distorções que ampliem
a desigualdade social.
Assim, de acordo com a Teoria das Finanças Públicas, as necessidades de financiamento do governo
são dadas pela diferença entre investimento do governo e poupança do governo, sendo que:
Quando Investimento é maior que a poupança temos necessidade de financiamento;
Quando poupança é maior que o Investimento temos capacidade de financiamento.
Leia mais: http://www.contabilidadeagora.com/news/o-papel-do-estado-e-a-atuacao-do-governo-nas-financas-publicas/

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TRIBUNAL DE CONTAS
32
O Tribunal de Contas da União (TCU) é um tribunal administrativo. Julga as contas de
administradores públicos e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos federais, bem
como as contas de qualquer pessoa que der causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte
prejuízo ao erário.
33
Designa-se Tribunais de Contas as "Cortes" especializadas em análise das contas públicas dos
diversos órgãos da Administração Pública do Estado ou União. Nestes termos, o Brasil apresenta, do
ponto de vista da estrutura administrativa, especificações e redistribuição orgânica entre os tribunais desta
natureza, cuja finalidade é a fiscalização, inspeção, análise e controle de contas públicas em todo o
território nacional, assim, atua neste cenário o Tribunal de Contas da União (TCU), os Tribunais de Contas
dos Estados (TCE's), o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e os Tribunais de Contas dos
Municípios (TCM's). Entretanto, em alguns estados da federação há, apenas, o Tribunal de Contas do
Estado, responsável pelas contas dos estados e municípios, e no Distrito Federal o Tribunal de Contas
cuida, tão somente, das contas do Distrito Federal, não abarcando sob sua jurisdição nenhuma conta
de municípios.
O Tribunal de Contas, numa leitura genérica, trata-se do órgão responsável pela análise dos gastos
públicos, cuja ação fiscalizadora denomina-se "Controle Externo". Cabendo ao Poder Legislativo, que
compreende o Senado Federal, a Câmara dos Deputados, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de
Vereadores, exercerem este controle frente aos representantes do Poder Executivo, que por sua vez
estão representados pelo Governo Federal, Governos Estaduais e Prefeituras dos Municípios, além dos
representantes do Poder Judiciário, que abrangem o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal
de Justiça (STJ), os Tribunais Regionais Federais (TRF's), os Tribunais Eleitorais (TE's) e os Tribunais
de Justiça dos Estados (TJ's), daí dizer da autonomia do Tribunal de Contas, quanto ao auxílio que presta
ao Poder Legislativo no sentido de exercer o controle externo fiscalizador dos gastos dos órgãos dos
Poderes Executivo, Judiciário e do próprio poder Legislativo. Ademais, além do controle externo, cada
Poder tem obrigação da manutenção de um "sistema de controle interno", mas vale ressaltar que, embora
seja um tribunal, o Tribunal de Contas não encontra-se circunscrito, nem faz parte do Poder Judiciário,
pois seu caráter é de natureza, eminentemente, administrativa (contábil), conquanto, trabalham em
regime de parceria e não de subordinação ao Judiciário. Contudo, importa saber que, segundo o Art.
71, Caput, da CRFB/1988, o controle externo das contas do país está a cargo do Congresso Nacional,
cujo exercício fica sobre controle do Tribunal de Contras da União, assim está distribuído o sistema de
análise das contas públicas perante os órgãos da Administração Pública direta e indireta e os agentes
governantes.

 FUNÇÕES

Os diversos Tribunais de Contas tem como função fundamental realizar a fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos federativos e federados da Administração
Pública direta e indireta, estando sujeitas a esta fiscalização as empresas públicas e sociedades de
economia mista.
Entretanto, temos que observar os parâmetros que distinguem as funções do Tribunal de Contas da
União e dos Tribunais de Contas dos Estados, do Tribunal de Contas do Distrito Federal e do Tribunal de
Contas dos Municípios, embora exerçam funções correlatas e análogas, cada qual atuará dentro da sua
competência e funções, de acordo com que orienta a legislação, conforme as palavras de Melo (2011, p.
2), a seguir:

"[...] As funções do Tribunal de Contas são expressas no Texto Constitucional, já havendo


manifestação do Supremo Tribunal Federal, quanto ao tema: 'O Tribunal não é preposto do Legislativo.
A função, que exerce, recebe-a diretamente da Constituição, que lhe define as atribuições" (STF - Pleno
- j. 29.6.84, in RDA 158/196).
A Constituição Federal através dos artigos 71 a 75, dispõe sobre funções, forma de composição e
nomeação dos Ministros do Tribunal, como também sobre as demais atividades vinculadas ao Tribunal
de Contas da União.
As Constituições de cada estado disciplinam as normas pertinentes aos Tribunais de Contas
respectivos, sendo vedada, a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais, após a
Constituição de 1988, por força do artigo 31, § 4º da CF. [...]"

32
portal.tcu.gov.br/institucional/conheca-o-tcu/funcionamento/
33
http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=17384&revista_caderno=9

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O Tribunal de Contas da União, sendo um tribunal administrativo, julga as contas dos administradores
públicos e demais responsáveis pela receita (dinheiro), patrimônio (bens) e valores públicos federais, ou
seja, fiscaliza os órgãos do Governo Federal, além das contas de qualquer ente ou pessoa vinculada a
este, cujas ações possam causar perdas, extravio ou irregularidades que tragam prejuízos ao patrimônio
nacional, atribuição prevista no art. 71 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB/1988), é
composto por nove ministros com as mesmas prerrogativas, garantias, vencimentos e impedimentos dos
ministros do STJ. Importante ressaltar que, a Constituição Federal de 1988, em seu Art. 31, § 4º, veda a
criação de Tribunais e órgãos de contas municipais, no entanto, os municípios que já possuem estas
instituições criadas anteriormente à CRFB/1988, poderão mantê-las e os demais municípios sofrerão o
controle externo da Câmara Municipal realizado mediante auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados e
Ministério Público.

Também conhecido como "Corte de Contas", o Tribunal de Contas da União é um órgão colegiado, ou
seja, é um órgão público vinculado a outros órgãos da administração pública, e composto por nove
ministros, sendo seis deles por indicação do Congresso Nacional, um pelo presidente da República e dois
indicado por auditores e membros do Ministério Público que atua junto ao Tribunal. As deliberações do
TCU são, em geral, tomadas pelo Plenário, que é a instância máxima do órgão, contudo, tais deliberações
podem ser tomadas por uma das duas Câmaras, nas hipóteses em que caibam tal possibilidade, nessas
sessões do Plenário ou das Câmaras faz-se imprescindível a presença do representante do Ministério
Público adstrito ao Tribunal, para juntos assistirem-se frente às questões apresentadas aos órgãos.
Então, o TCU na condição de órgão autônomo, cuja missão é propiciar a defesa da ordem jurídica, é
composto do procurador-geral, três subprocuradores-gerais e quatro procuradores, ambos nomeados
pelo presidente da República, aqueles concursados com título de bacharel em Direito.

A filosofia institucional do Tribunal de Contas é prestar apoio técnico ao exercício de vigilância sobre
os bens e patrimônios estatais, circunscritas suas competências aos âmbitos constitucionais e legais, isto
é, as ações do TCU devem ficar restritas às deliberações inscritas na Constituição Federal de 1988, bem
como, nas leis infraconstitucionais e outros institutos jurisprudenciais, que serão postos em prática por
sua Secretaria, esta composta de diversas unidades, dentre as quais, a Secretaria-Geral das Sessões, a
Secretaria-Geral de Administração e a Secretaria-Geral de Controle Externo, sendo que o gerenciamento
da área técnico-executiva do controle externo encontra-se sob o comando da Secretaria-Geral de
Controle Externo (Segecex), às quais estão subordinadas às unidades técnico-executivas sediadas em
Brasília e nos vinte e seis estados da federação, cabendo às estas últimas a fiscalização sobre a aplicação
dos recurso federais repassados para estados e municípios, por meio de convênios ou outros
instrumentos legais. Deste modo, as funções do TCU são: Função Fiscalizadora, Consultiva, Informativa,
Judicante, Sancionadora, Corretiva, Normativa e de Ouvidoria, e em alguns casos assumem o caráter
Educativo ou Orientador, tais funções muitas vezes são chamadas ou denominadas de competências.
Assim sendo, podemos classifica-las, segundo sua atuação, em:

a) Função Fiscalizadora - aquela que compreende a realização das auditorias e inspeções, que
podem ser por iniciativa própria, por requerimento do Congresso Nacional, para apuração de denúncias
em órgãos e entidades federais ou em programas do governo, para apreciação da legalidade de atos de
concessão de aposentadorias, reformas, pensões, admissão de pessoal no serviço público federal,
fiscalização de renúncia de receitas, além de atos e contratos administrativos gerais. A fiscalização atua
sobre alocação de recursos humanos e materiais, cujo objetivo é avaliar o gerenciamento dos recursos
públicos, que consiste em apreender dados e informações, analisando-as a fim de produzir um
diagnóstico da situação, cujo objetivo é a formação de um juízo de valor sobre a atividade analisada. Tal
inspeção ou exame surge por iniciativa do próprio órgão fiscalizador ou em decorrência de uma
solicitação pelo Congresso Nacional. Logo, cinco instrumentos são utilizados para fins de fiscalização, a
saber:

1. Levantamento: é o instrumento com o qual o TCU utiliza para compreender o funcionamento do


órgão ou entidade pública, descobrindo os meandros da sua organização, identificando os objetos e
instrumentos a serem fiscalizados, avaliando as suas viabilidades de realização
2. Auditoria: é o instrumento que permite a verificação no local, da legalidade e legitimidade dos
atos de gestão, tanto em seu aspecto contábil, quanto em suas características financeiras,
orçamentárias e patrimoniais, bem como os possíveis resultados que poderão ser alcançados pelo
órgão, ente público, projetos e programas

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3. Inspeção: cumpre à obtenção de informações não disponíveis no Tribunal, quanto para
esclarecer dúvidas acerca dos procedimentos, apura fatos trazidos ao Tribunal por meio de
representações ou denúncias
4. Acompanhamento: visa monitorar e avaliar a gestão de órgãos, entidades ou programas do
governo em período de tempo estimado
5. Monitoramento: é o instrumento utilizado para aferir o cumprimento das deliberações proferidas
pelo Tribunal e seus resultados.

b) Função Consultiva - aquela exercida por meio da elaboração de pareceres técnicos prévios e
específicos, sobre prestação anuais de contas emitidas pelos chefes dos Poderes Executivo, Legislativo
e Judiciário, bem como, pelo chefe do Ministério Público da União, a fim de subsidiar o julgamento pelo
Congresso Nacional, também engloba o exame, "em tese", das consultas realizadas pelas autoridades
competentes para formulá-las, sobre dúvidas quanto à aplicação de dispositivos legais e
regulamentares a respeito das matérias da alçada do Tribunal

c) Função Informativa - é aquela exercida quando da prestação de informações reclamadas pelo


Congresso Nacional, por suas Casas ou pelas Comissões, sobre a fiscalização do Tribunal, ou ainda
sobre resultados de inspeções e auditorias pelo TCU, compreende ainda a representação ao poder
competente sobre irregularidades ou apuração de abusos, assim como, o encaminhamento de relatório
das atividades do Tribunal ao Congresso Nacional

d) Função Judicante - esta função ocorre quando do Tribunal de Contas da União julga as contas
dos administradores públicos e outros responsáveis por dinheiro, bens, valores públicos da
administração direta e indireta, incluindo das fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder
Público Federal, assim como as contas dos que causaram prejuízos, extravios ou quaisquer outras
irregularidades que venham a prejudicar o erário nacional. Através dos processos são organizados no
Tribunal, as prestações de contas, fiscalizações e demais assuntos submetidos à deliberação do
Tribunal. Portanto, cabe aos ministros ou auditores do Tribunal relatar esses processos, votar e
submetê-los aos pares proposta de acórdão, logo após a análise e instrução preliminar realizada por
órgãos técnicos da Secretaria do Tribunal. A esta função ficam os Tribunais de Contas autorizados a
realizar o julgamento das contas anuais dos administradores e responsáveis pelo erário na
Administração Pública

e) Função Sancionadora - é expressa através da aplicação aos responsáveis das sanções


previstas na Lei Orgânica do Tribunal, Lei nº 8.443/92, caso seja apurada a ilegalidade de despesas ou
irregularidade das contas, tal função básica do Tribunal está prevista na Constituição Federal/1988, em
seu artigo 71, incisos VIII a XI, que estabelece a aplicação de penalidades aos responsáveis por
despesas ilegais ou por irregularidade das contas. Estas sanções estão claramente explicitadas na Lei
nº 8.443/1992 e regulam a aplicação de multa e obrigação de devolução do débito apurado, até o
afastamento provisório do cargo, o arresto de bens, a inabilitação para exercício do cargo em comissão
ou função de confiança no âmbito da Administração Pública, vale lembrar que, as penalidades não
eximem o responsável das devidas aplicações das sanções penais e administrativas por autoridades
competentes e da inelegibilidade pela Justiça Eleitoral, um vez que, o TCU envia periodicamente ao
Ministério Público Eleitoral uma lista de nomes de responsáveis por contas julgadas irregulares pelo
TCU referente ao período de cinco anos anteriores, em resposta à Lei Complementar nº 64/1990, que
versa sobre declaração de inelegibilidade. Poderá ainda o TCU, conforme artigo 71, incisos IX e X, da
Constituição Federal/1988, fixar um prazo para que o órgão adote providências cabíveis ao
cumprimento da lei, em caso de ilegalidade ou sustação do ato impugnado, caso descumprimento, o
Tribunal comunica ao Congresso Nacional, a quem caberá adotar o ato de sustação

f) Função Corretiva - Caso ocorra ilegalidade ou irregularidade nos atos de gestão de quaisquer
órgãos ou entidade pública, caberá ao Tribunal de Contas fixar o prazo para cumprimento da lei.
Quando não atendido o ato administrativo, o Tribunal deverá determinar a sustação do ato impugnado,
assim o Tribunal de Contas exerce sua função corretiva. Esta função autoriza aos Tribunais de Contas
aplicar sanções por ilegalidade de contas e despesas apresentadas pelos órgãos governamentais. Tais
decisões sancionatórias dos Tribunais de Contas têm eficácia de título executivo, embora os Tribunais
não tenham competência para executá-las, pois, caberá a execução às entidades públicas beneficiárias

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g) Função Normativa - é aquela decorrente do poder regulamentar de competência do Tribunal
atribuído pela Lei Orgânica, que lhe autoriza a expedição de instruções e atos normativos, de
cumprimento obrigatório, sob pena de responsabilidade do infrator, sobre matéria de sua competência e
sobre a organização dos processos que lhe serão submetidos

h) Função de Ouvidoria - incumbe-se da responsabilidade do Tribunal de Contas em receber


denúncias e representações relativas a irregularidade ou ilegalidade que lhe sejam comunicadas pelos
responsáveis pelo controle interno, por autoridades, cidadãos, partidos políticos, associações e
sindicatos. Tal função está estritamente ligada à cidadania e defesa dos interesses coletivos e difusos,
sendo um meio muito eficaz de controle e colaboração entre partes interessadas, nestes termos, a fim
de assegurar a averiguação de denúncias, a Constituição Federal/1988, em seu artigo 74, § 2º e o
Regulamento Interno do TCU estabelece os requisitos e procedimentos para que as denúncias sejam
acolhidas pelo Tribunal. O exame preliminar, que determinará o reconhecimento ou rejeição de uma
denúncia é de caráter sigiloso, nos termos da Lei nº 8.443/1992/Lei Orgânica do TCU, no artigo 53, § 3º.
Logo após o exame, o Tribunal ordena ou o acolhimento e a apuração da denúncia, ou caso contrário,
por não preenchimento dos requisitos legais e regimentais, procede-se o seu arquivamento, decidindo
outrossim, pela manutenção ou cancelamento do sigilo, em conformidade com o artigo 55, § 1º, do
mesmo dispositivo legal, em qualquer hipótese tanto o denunciante e o denunciado são informados das
decisões adotadas pelo Tribunal.

Além destas previsões, as Cortes de Contas tiveram reconhecida pelo STF, por meio da súmula nº
347, a competência para apreciar a constitucionalidade de leis e atos do Poder Público, daí dizer que as
atribuições dos Tribunais de Contas ultrapassam as discussões sobre a legalidade no controle
orçamentário, financeiro, contábil, operacional e patrimonial, baseados na sua legitimidade orgânica e no
princípio da economicidade. Ademais, segundo a CRFB/1988, o Tribunal de Contas enquanto instituição
consolidou-se no importante papel de proteção ao bem público, ficando claro que o mesmo não pertence
a nenhum dos três poderes, possuindo natureza jurídica institucional autônoma e a serviço de todos os
Poderes.

 COMPETÊNCIAS

Segundo o Tribunal de Contas da União a Constituição Federal de 1988, lhe conferiu o papel de auxiliar
do Congresso Nacional para exercício do controle externo, estando as competências constitucionais
privativas do Tribunal previstas nos seus artigos 71, 72, 73, 74 e no artigo 161, conforme descrições
abaixo:

1. Apreciar as contas anuais do presidente da República, através de um parecer prévio elaborado


dentro de sessenta dias, e apreciar relatórios sobre execução de planos do governo (Artºs 71, incico I e
49, inciso IX, CRFB/1988)
2. Julgar as contas dos administradores e responsáveis pelo dinheiro, bens e valores públicos (Artº
71, inciso II, CRFB/1988; Lei nº 4.320/1964; DL nº 200/1967, Lei 6.223/1975; Lei 8.443/1992 - Lei
Orgânica do Tribunal de Contas da União)
3. Apreciar a legalidade dos atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias,
reformas e pensões civis e militares (Artº 71, inciso III, CRFB/1988)
4. Realizar inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, operacional e patrimonial nas
unidades administrativas dos três poderes, por iniciativa própria ou por solicitação do Congresso
Nacional
5. Fiscalizar as contas nacionais de empresas supranacionais de cujo capital social a União tenha
participação direta ou indireta (Artº 71, inciso V, CRFB/1988)
6. Fiscalizar a aplicação de recursos da União repassados a estados, ao Distrito Federal e a
municípios mediante convênios, acordos ou outros instrumentos congêneres (Artº 71, inciso VI,
CRFB/1988)
7. Prestar informações e atendimento ao Congresso Nacional, às suas Casas ou a quaisquer de
suas Comissões sobre as fiscalizações contábeis, financeiras, orçamentárias, operacionais ou
patrimoniais realizadas, cuja finalidade será aplicar sanções e determinar a correção de ilegalidades e
irregularidades em atos e contratos, isto previsto nos artigos 38 e 103 da Lei nº 8.443/1992 chamada
Lei Orgânica do Tribunal e nos artigos 231 a 233 do Regimento Interno do TCU, tais pedidos de
informações e solicitações são apreciados em caráter de urgência pelo TCU, ademais, há no Tribunal

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de Contas um Comitê Técnico de Auxílio ao Congresso Nacional, cujo objetivo é aprimorar o
atendimento de pedidos e solicitações
8. Sustar a execução do ato impugnado se não atendido, comunicando à Câmara dos Deputados e
ao Senado Federal, verificada irregularidade nas contas, o TCU assegura às partes o exercício da
ampla defesa em todas as etapas de apreciação e julgamento dos processos, matéria disciplinada pela
Resolução nº 36/1995 do TCU e o artigo 202 do Regimento Interno do TCU admite se constatada
irregularidade, havendo débito, o Tribunal ou o Relator ordenará a citação do responsável para
apresentar defesa ou recolher a quantia devida aos cofres públicos, caso não hajam débitos,
determinará uma audiência do responsável pelos atos para apresentar suas justificativas, se tal decisão
resulte em débito ou cominação de multa, tal valor torna-se dívida líquida e certa, com valor de título
executivo, assim, o responsável será notificado a recolher no prazo de 15 dias o valor devido, caso
contrário, formaliza-se o processo de cobrança executiva, encaminhada ao Ministério Público e ao
Tribunal para que a Advocacia-Geral da União - AGU ou das unidades jurisdicionadas ao TCU,
promovam a cobrança judicial da dívida ou o arresto dos bens do autor do desvio
9. Emitir pronunciamento conclusivo sobre despesas realizadas sem autorização, por solicitação da
Comissão Mista Permanente do Senado e da Câmara dos Deputados
10. Apurar denúncias apresentadas por qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato
sobre irregularidades ou ilegalidades na aplicação de recursos federais.

Assim, na condição de um Tribunal Administrativo, cabe ao órgão julgar as contas de administradores


públicos, de responsáveis por dinheiro, bens e valores federais e contas daquelas pessoas que derem
causa a perda, extravio ou quaisquer outras irregularidades que resultem prejuízo ao Tesouro Nacional,
do mesmo modo, a responsabilidade do órgão a apreciação e fixação dos coeficientes de participação
dos estados, distrito federal e municípios, atribuições definidas na Constituição Federal/1988, conferida
ao Tribunal também, as competência também previstas em leis específicas, dentre as quais sobre a Lei
de Responsabilidade Fiscal (LRF - Lei Complementar nº 101, de 4/05/2000), que tenta impor o controle
dos gastos da União, estados, distrito federal e municípios, obrigando que as finanças sejam
apresentadas, detalhadamente, aos Tribunais de Contas (da União, dos Estados ou dos Municípios); Lei
de Licitações e Contratos (Lei nº 8.666, de 21/06/1993), que institui as normas para licitações e contratos
da Administração Pública; e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Questões:

1- (FUNAI – Conhecimentos Gerais – ESAF) O Tribunal de Contas da União (TCU) possui papel
importante na fiscalização contábil, financeira e orçamentária. Sobre o referido órgão, assinale a opção
correta.
(A) Os membros do TCU são escolhidos entre ministros dos Tribunais Superiores.
(B) O TCU aprecia, para fins de registro, a legalidade dos atos de nomeação de cargos de provimento
em comissão.
(C) O TCU realiza, sempre por iniciativa própria, inspeções e auditorias de natureza contábil.
(D) O TCU julga as contas do Presidente da República.
(E) O TCU encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas
atividades.

2- (TCU – Procurador Ministério Público – CESPE) No que concerne ao controle externo e ao


TCU, assinale a opção correta.
(A) O TCU é órgão do poder legislativo.
(B) As competências dos tribunais de contas da União e dos estados são competências exclusivas
do Congresso Nacional.
(C) Conforme a doutrina majoritária, a natureza jurídica das decisões do TCU é judicante.
(D) O TCU emite parecer sobre suas próprias contas.
(E) A fiscalização contábil, financeira e orçamentária exercida pelo TCU é notada no julgamento das
contas dos responsáveis sujeitos à sua jurisdição.

3- (SEPLAG-RJ – Analista de Planejamento e Orçamento – CEPERJ) O controle da


administração pública realizado pelo TCU é um controle pertencente ao(s):
(A) Legislativo
(B) Executivo
(C) Judiciário

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(D) Três Poderes
(E) Ministério Público

04. (TCE-CE - Analista de Controle Externo-Atividade Jurídica – FCC) De acordo com a teoria das
finanças públicas,
(A) o financiamento de um déficit público nominal pode ser feito por meio de senhoriagem, pois sinaliza
que o governo perdeu o controle das contas públicas.
(B) o orçamento público é constituído pelo conjunto de recursos arrecadados na forma de tributos e
pelo direcionamento desses recursos ao suprimento das necessidades da sociedade, na forma de gastos
públicos. O equilíbrio entre os dois lados do orçamento, caracteriza um superávit fiscal primário.
(C) o teorema do orçamento equilibrado estabelece que um aumento no gasto financiado inteiramente
por meio de maior arrecadação gera efeitos nulos sobre a atividade econômica.
(D) as necessidades de financiamento do governo são dadas pela diferença entre investimento do
governo e poupança do governo.
(E) a obtenção de um superávit primário é condição suficiente para garantir o equilíbrio das contas
públicas, mesmo na presença de obrigações na forma de serviço de juros sobre a dívida pública.

05. (IPEM/RO - Economista – FUNCAB) Algumas atividades econômicas geram custos a terceiros e,
algumas outras, geram benefícios. A educação é uma atividade que gera muitos benefícios, pois uma
população mais instruída leva a um governo melhor, o que é benéfico para toda a população, quando tal
melhoria não afetar somente o consumidor da educação, mas também, outras pessoas, ou seja, o valor
social é maior do que o valor privado. Esse impacto das ações de uma pessoa sobre o bem-estar de
outras que não tomam parte da ação, é denominado:
(A) externalidade.
(B) custo-benefício.
(C) mobilidade social.
(D) vantagem comparativa.
(E) vantagem absoluta.

06. (TCM/GO - Auditor Conselheiro Substituto – FCC) Falhas de mercado na forma de externalidade
ocorrem quando
(A) o mercado não consegue atingir o equilíbrio.
(B) o preço reflete exatamente o valor do bem em questão.
(C) os custos de produção estão incluídos no preço dos bens.
(D) nem todos os custos e benefícios estão incluídos nos preços dos bens.
(E) os benefícios excedem os custos de consumir os bens.

07. (PGE/RO - Procurador do Estado - PGE-RO) Que setor de atividade gera mais externalidades
positivas?
(A) Extração de petróleo em águas profundas.
(B) Saneamento básico.
(C) Mineração.
(D) Indústria automobilística.
(E) Mercado financeiro.

08. (MF - Analista de Finanças e Controle - Econômico-Financeira – ESAF) Quando uma empresa
gera externalidade negativa, pode-se dizer que:
(A) a empresa maximizará o seu lucro quando o custo marginal que a empresa incorre para a redução
dessa externalidade é igual ao custo marginal social da externalidade.
(B) o nível eficiente de controle da externalidade é aquele em que o custo marginal que a empresa
incorre para a redução dessa externalidade é igual ao custo marginal social da externalidade.
(C) a empresa, em um mercado perfeitamente competitivo, terá lucro econômico zero se o custo
marginal de produção somado ao custo marginal da redução da externalidade for igual à sua receita total.
(D) o custo marginal da empresa para o controle da externalidade cresce com o nível de externalidade
que ela gera.
(E) o custo marginal da empresa para o controle da externalidade é constante em relação ao nível de
externalidade.

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Respostas:

1- Resposta: E
Prestar informações e atendimento ao Congresso Nacional, às suas Casas ou a quaisquer de suas
Comissões sobre as fiscalizações contábeis, financeiras, orçamentárias, operacionais ou patrimoniais
realizadas.

2- Resposta: C
Se, para atender a pedido de informação do Congresso Nacional, for necessário realizar fiscalização,
tal fiscalização será, necessariamente, incluída no plano do TCU.

3- Resposta: A
Segundo o Tribunal de Contas da União a Constituição Federal de 1988, lhe conferiu o papel de auxiliar
do Congresso Nacional para exercício do controle externo, estando as competências constitucionais
privativas do Tribunal previstas nos seus artigos 71, 72, 73, 74 e no artigo 161, conforme descrições
abaixo:
Apreciar as contas anuais do presidente da República, através de um parecer prévio elaborado dentro
de sessenta dias, e apreciar relatórios sobre execução de planos do governo (Artºs 71, incico I e 49, inciso
IX, CRFB/1988)
Julgar as contas dos administradores e responsáveis pelo dinheiro, bens e valores públicos (Artº 71,
inciso II, CRFB/1988; Lei nº 4.320/1964; DL nº 200/1967, Lei 6.223/1975; Lei 8.443/1992 - Lei Orgânica
do Tribunal de Contas da União)
Apreciar a legalidade dos atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias, reformas
e pensões civis e militares (Artº 71, inciso III, CRFB/1988)
Realizar inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, operacional e patrimonial nas
unidades administrativas dos três poderes, por iniciativa própria ou por solicitação do Congresso Nacional

04. Resposta: D
As necessidades de financiamento do governo são dadas pela diferença entre investimento do governo
e poupança do governo, sendo que:
Quando Investimento é maior que a poupança temos necessidade de financiamento;
Quando poupança é maior que o Investimento temos capacidade de financiamento.

05. Resposta: A
As externalidades podem ser entendidas como os custos ou benefícios que não são internalizados
pelo indivíduo ou pela empresa em suas ações e que impõem custos ou benefícios diretamente a
terceiros. Qualquer decisão e consequente ação acarretam custos e benefícios. Quando os custos ou
benefícios decorrentes da decisão incidem apenas sobre o agente decisor, são chamados de custos ou
benefícios internos. Se incidirem também, parcial ou totalmente, sobre outras pessoas que não o agente
decisor, geram as chamadas externalidades positivas ou negativas, como no caso na educação.

06. Resposta: D
Falhas de mercado são situações que o mercado se encontra afastado de sua eficiência econômica.
Há uma série de fatores que promovem essa falhas, tais como: Externalidade, Falhas de Informação e a
Existência de Bens públicos.
A externalidade é a manifestação externa da repercussão de nossas decisões sobre os demais
agentes. Como não é possível prever, quantificar ou identificar integralmente o comportamento do
mercado frente uma decisão, parte desse "efeito" não é transformado em custos e benefícios
quantificados no preço, dessa forma, o equilíbrio de mercado perde eficiência econômica.
Alguns Exemplos:
Externalidade positiva: quando os consumidores decidem substituir suas lâmpadas "quentes" por
lâmpadas de led, devido ao menor consumo de energia e maior duração. Existe um ganho de benefício
social (melhor aproveitamento dos recursos) e financeiro (economia na conta de energia a longo prazo).
Nesse caso é difícil ter uma precisão da quantidade de consumidores que vão migrar para esse produto,
por isso não está sendo repassado para o preço essa decisão.
Externalidade negativa: Ocorre principalmente quando se busca reduzir os custos ou a despesa ao
"máximo". Quando uma empresa lança os seus dejetos diretamente no rio, o produto fica com um custo
de produção mais baixo (mais competitivo), à custa do meio ambiente. Neste caso esse valor
"economizado" está refletindo o impacto negativo sobre os benefícios.

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07. Resposta: B
Nas externalidades positivas, as ações de empresas ou indivíduos resultam em benefícios diretos ou
indiretos para outros indivíduos ou empresas. Como o exemplo do saneamento básico citado na questão,
pois ao cuidar da água, esgoto resíduos e drenagem de um dado local, isso acarreta em prevenir doenças,
e assim, promover a saúde física, mental e social; preservar ou modificar condições do meio ambiente e
se relacionam também com o controle de animais e insetos, saneamento de alimentos, escolas, locais de
trabalho e de lazer e habitações, entre outros benefícios

08. Resposta: B
Esta questão vale a pena explicar cada alternativa:
a) incorreta. A empresa maximizará o seu lucro quando o custo marginal que a empresa incorre para
a redução dessa externalidade for superior ao custo marginal social da externalidade.
b) correta.
c) No mercado competitivo a empresa tem lucro econômico zero no longo prazo, desconsiderando
custos de redução da externalidade. Se for obrigada por lei a contabilizar este custo, seus lucros
contábeis(não-econômicos) serão menores.
d) e e) são incorretas pelo mesmo motivo: o custo para controle da externalidade depende da estrutura
de custos da empresa, podendo ser custo, fixo ou variável.

11. Súmulas e jurisprudência pacificada em matéria de Direito Financeiro.

Súmulas do STJ e STF sobre Direito Financeiro

Súmula nº 144 do STJ: Os créditos de natureza alimentícia gozam de preferência, desvinculados os


precatórios de ordem cronológica dos créditos de natureza diversa.

Súmula nº 150 do STJ: Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que
justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas.

Súmula nº 164 do STJ: O prefeito municipal, após a extinção do mandato, continua sujeito a processo
por crime previsto no Art. 1º do Decreto-Lei nº 201, de 27.02.67.

Súmula nº 208 do STJ: Compete à Justiça Federal processar e julgar prefeito municipal por desvio
de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal.

Súmula nº 209 do STJ: Compete à Justiça Estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba
transferida e incorporada ao patrimônio municipal.

Súmula nº 331 do STJ: Os atos do presidente do tribunal que disponham sobre processamento e
pagamento de precatório não têm caráter jurisdicional.

Súmula nº 406 do STJ: A Fazenda Pública pode recusar a substituição do bem penhorado por
precatório.

Súmula nº 447 do STJ: Os Estados e o Distrito Federal são partes legítimas na ação de restituição
de imposto de renda retido na fonte proposta por seus servidores.

Súmula nº 452 do STJ: A extinção das ações de pequeno valor é faculdade da Administração Federal,
vedada a atuação judicial de ofício.

Súmula nº 461 do STJ: O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por
compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado.

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Súmula nº 06 do STF: A revogação ou anulação, pelo poder executivo, de aposentadoria, ou qualquer
outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas, não produz efeitos antes de aprovada por aquele tribunal,
ressalvada a competência revisora do Judiciário.

Súmula nº 42 do STF: É legítima a equiparação de juízes dos tribunais de contas, em direitos e


garantias, aos membros do poder judiciário.

Súmula nº 66 do STF: É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento,
mas antes do início do respectivo exercício financeiro.

Súmula nº 248 do STF: É competente, originariamente, o Supremo Tribunal Federal, para mandado
de segurança contra ato do Tribunal de Contas da União.

Súmula nº 347 do STF: o Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a
constitucionalidade das leis e dos atos do poder público.

Súmula nº 545 do STF: Preços de serviços públicos e taxas não se confundem, porque estas,
diferentemente daqueles, são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização
orçamentária, em relação à lei que as instituiu,

Súmula nº 578 do STF: Não podem os Estados, a título de ressarcimento de despesas, reduzir a
parcela de 20% do produto da arrecadação do Imposto de Circulação de Mercadorias, atribuída aos
Municípios pelo art. 23, §8º, da Constituição Federal.

Súmula nº 647 do STF: Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros
das polícias civil e militar do Distrito Federal.

Súmula nº 653 do STF: No Tribunal de Contas Estadual, composto por sete conselheiros, quatro
devem ser escolhidos pela Assembleia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual,
cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público, e um terceiro
a sua livre escolha.

Súmula nº 655 do STF: A exceção prevista no art. 100, "caput", da Constituição, em favor dos créditos
de natureza alimentícia, não dispensa a expedição de precatório, limitando-se a isentá-los da observância
da ordem cronológica dos precatórios decorrentes de condenações de outra natureza.

Súmula nº 703 do STF: A extinção do mandato do prefeito não impede a instauração de processo
pela prática dos crimes previstos no art. 1º do Decreto-Lei 201/1967

Súmula nº 733 do STF: Não cabe recurso extraordinário contra decisão proferida no processamento
de precatórios.

Súmula Vinculante nº 03: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão
inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

Súmula Vinculante nº 17: Durante o período previsto no parágrafo 1º do artigo 100 da Constituição,
não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos.

Jurisprudências:

EMENTA: Direito constitucional e financeiro. Agravo em ação cível originária. Inscrição de Estado-
membro em cadastro federal de inadimplência. Necessidade de prévia instauração de tomada de constas
especial. Precedentes. 1. A jurisprudência do STF tem entendido que viola o devido processo legal a
inscrição de Estado-membro nos cadastros federais de inadimplência antes da efetiva instauração e
julgamento de tomada de contas especial. Precedentes. 2. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015,
fica majorado em 25% o valor da verba honorária fixada anteriormente, observados os limites legais do
art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015. 3. Agravo interno a que se nega provimento, com aplicação da multa

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prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015. (ACO 1771 AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO,
Primeira Turma, julgado em 20/02/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-039 DIVULG 28-02-2018
PUBLIC 01-03-2018)

Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL FINANCEIRO. FISCALIZAÇÃO ABSTRATA DE NORMAS


ORÇAMENTÁRIAS. ANEXO DE LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL (LOA – LEI 13.255/2016). CONTROLE
FORMAL E MATERIAL. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIXADA A PARTIR DO JULGAMENTO
DA ADI 4.048/DF. PROCESSO LEGISLATIVO. LEGITIMIDADE ATIVA DA ENTIDADE POSTULANTE,
DIANTE DA HOMOGENEIDADE DE SEUS MEMBROS, A REPRESENTATIVIDADE NACIONAL E A
PERTINÊNCIA TEMÁTICA ENTRE A IMPUGNAÇÃO E OS FINS INSTITUCIONAIS DA ASSOCIAÇÃO
REQUERENTE (Anamatra). ALEGAÇÃO DE OFENSA À CLÁUSULA PÉTREA DA SEPARAÇÃO DE
PODERES (CRFB/1988, ART. 2º C/C ART. 60, § 4º). AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO PAUTADA EM DOIS
FUNDAMENTOS: A) O CASO É DE TÍPICA ATUAÇÃO DO PODER LEGISLATIVO; E B)
ATENDIMENTO AO DEVIDO PROCESSO LEGISLATIVO, COM RESPEITO À INICIATIVA DE
PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA, DESEMPENHADA EM CONSONÂNCIA COM A AUTONOMIA
ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA DA JUSTIÇA DO TRABALHO (CRFB/1988, ART. 99). LEGÍTIMO
CONTROLE ORÇAMENTÁRIO PELO PODER LEGISLATIVO. AUSÊNCIA DO ABUSO DO PODER DE
EMENDA. INOCORRÊNCIA DE DESVIO DE FINALIDADE OU DE DESPROPORCIONALIDADE.
CONFIGURAÇÃO DE CENÁRIO DE CRISE ECONÔMICA E FISCAL. CORTES ORÇAMENTÁRIOS EM
DIVERSOS PODERES E POLÍTICAS PÚBLICAS. AUSÊNCIA, NO CASO SUB EXAMINE, DE
CAPACIDADE INSTITUCIONAL DO PODER JUDICIÁRIO PARA PROMOVER, EM SEDE DE
CONTROLE ABSTRATO, A COORDENAÇÃO DA LEI ORÇAMENTÁRIA COM O PLANO
PLURIANUAL (PPA) E AS RESPECTIVAS LEIS DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS (LDO’S). O
RELATÓRIO DA COMISSÃO MISTA DE PLANOS, ORÇAMENTOS PÚBLICOS E FISCALIZAÇÃO
(CMO) DO CONGRESSO NACIONAL NÃO VINCULA, POR SI SÓ, A APRECIAÇÃO DAS CASAS
LEGISLATIVAS DO PARLAMENTO FEDERAL. POSTURA DE DEFERÊNCIA JUDICIAL EM
RELAÇÃO AO MÉRITO DA DELIBERAÇÃO PARLAMENTAR. APELO AO LEGISLADOR QUANTO A
EVENTUAL ABERTURA DE CRÉDITOS SUPLEMENTARES OU ESPECIAIS DURANTE A
EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DO EXERCÍCIO (CRFB/1988, ART. 99, § 5º). PEDIDO DE AÇÃO
DIRETA DE INSCONSTITUCIONALIDADE (ADI) CONHECIDO E, NO MÉRITO, JULGADO
IMPROCEDENTE. 1) A separação dos poderes, sob o enfoque da pré-compreensão das funções
institucionais e constitucionais proporciona a interpretação de que a atividade de "fixar" – isto é, de
"deliberar acerca" e "definir" – o orçamento corresponde a uma das típicas atribuições do Poder
Legislativo na seara do Estado Democrático de Direito (CRFB/1988, art. 1º). 2) O Poder Judiciário, não
obstante ostente iniciativa de encaminhamento da proposta orçamentária que lhe é própria, não interdita,
do ponto de vista formal, que o controle sobre essa iniciativa constitucionalmente consagrada seja
realizado, de modo autônomo, em sede parlamentar. 3) A separação de poderes, conquanto cláusula
pétrea, não sofreu violação nesta ação direta (CRFB/1988, art. 2º c/c art. 60, § 4º). Primeiramente, porque
a hipótese normativa impugnada (o Anexo IV da LOA/2016) constitui-se como típica manifestação do
Poder Legislativo a respeito de proposição legislativa submetida à discussão parlamentar. Em segundo
lugar, na situação legislativa ora em apreço, as normas procedimentais do devido processo legislativo
(procedural due process of law) foram devidamente atendidas – vale dizer: houve observância da iniciativa
da proposição legislativa, em estrito respeito formal à autonomia administrativa e financeira da Justiça do
Trabalho (CRFB/1988, art. 99). 4) O “controle material” de espécies legislativas orçamentárias
corresponde a uma tendência recentemente intensificada na jurisdição constitucional do Supremo
Tribunal Federal (STF), consoante se verifica do excerto extraído da ementa do acórdão da ADI 4.048/DF,
Rei Min Gilmar Mendes: “II – CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS
ORÇAMENTÁRIAS. REVISÃO DE JURISPRUDÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal deve exercer sua
função precípua de fiscalização da constitucionalidade das leis e dos atos normativos quando houver um
tema ou uma controvérsia constitucional suscitada em abstrato, independente do caráter geral ou
específico, concreto ou abstrato de seu objeto. Possibilidade de submissão das normas orçamentárias ao
controle abstrato de constitucionalidade." 5) O controle orçamentário pelo legislativo funda-se num corpo
de normas que é, a um só tempo, “estatuto protetivo do cidadão -contribuinte” e "ferramenta do
administrador público e de instrumento indispensável ao Estado Democrático Direito para fazer frente a
suas necessidades financeiras". 6) O relatório da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e
Fiscalização (CMO) do Congresso Nacional, mercê de ostentar confessadamente, motivação
ideologicamente enviesada, não vincula, per si, a apreciação pelas Casas Legislativas do Parlamento
Federal. 7) O abuso do poder de emenda, assim como do descumprimento das premissas de
proporcionalidade (ou de razoabilidade), não podem ser acolhidos quando suscitados de forma genérica,

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diante da ausência de impugnação específica e adequada dos requisitos normativos reveladores desses
excessos invocados – em quaisquer das tradições teóricas sustentadas (seja a do desvio do poder, seja
a da proporcionalidade, ou ainda a da razoabilidade). 8) O desvio de finalidade tem como referência
conceitual a ideia de deturpação do dever-poder atribuído a determinado agente público que, embora
atue aparentemente dentro dos limites de sua atribuição institucional, mobiliza a sua atuação à finalidade
não imposta, ou não desejada pela ordem jurídica, ou pelo interesse público. 9) O abuso parlamentar não
se configura, sob o ângulo da principiologia dos subprincípios da proporcionalidade (necessidade,
adequação e proporcionalidade em sentido estrito), quando imposta a redução do orçamento público
destinado a órgãos e programas orçamentários, em decorrência de de crise econômica e fiscal. 10) O
cenário de crise econômica e fiscal é exemplificado por dados ilustrativos, constantes dos autos, no
sentido de que: "Entre os programas que tiveram as suas dotações reduzidas deste ano para o próximo
estão o Minha Casa, Minha Vida (de R$ 14 bilhões para R$ 4,3 bilhões) e o Programa Nacional de Acesso
ao Ensino Técnico e Emprego — Pronatec (de R$ 4bilhões para R$ 1,6 bilhão). Por outro lado, o Bolsa-
Família, que teve sua redução defendida pelo relator, terá R$28,1 bilhões -acréscimo de R$ 1 bilhão em
relação a 2015. Os cortes de gastos nos órgãos federais foram feitos em relação à proposta original do
Executivo e envolvem principalmente as despesas de custeio. Os gastos com pessoal,por exemplo,
passaram de R$ 287,5 bilhões para R$ 277,3 bilhões. Todos os três Poderes, além do Ministério publico,
foram afetados. No caso mais extremo, o do Judiciário, os cortes atingiram 20% do custeio. Apenas os
Ministérios da Educação e da Saúde terão mais dinheiro disponível, devido à destinação de emendas
individuais de deputados e senadores. O fundo partidário também recebeu dotação extra durante a
tramitação da LOA,mas será menor em 2016 do que foi em 2015. A meta de superávit de R$ 30,5 bilhões
vale para todo o setor público nacional, incluindo estados e municípios. Para a União, a economia para
pagamento da dívida deverá ser de R$ 20 bilhões. O projeto original do Orçamento, que o Executivo
entregou ao Congresso em agosto, previa um déficit fiscal equivalente aos mesmos R$ 30,5 bilhões.” 11)
A Jurisdição Constitucional, em face da tessitura aberta de conformação legislativa prevista pelo inciso I
do § 3º do art. 166 da CRFB/1988, não detém capacidade institucional automática ou pressuposta e não
pode empreender, no âmbito do controle abstrato, a tarefa de coordenação entre o Plano Plurianual (PPA)
e as respectivas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO’s) e Leis Orçamentárias Anuais (LOA’s). 12)
Consectariamente, diante da ausência de abusividade, deve-se declarar que a função de definir receitas
e despesas do aparato estatal é uma das mais tradicionais e relevantes do Poder Legislativo, impondo-
se ao Poder judiciário, no caso, uma postura de deferência institucional em relação ao debate
parlamentar, sob pena de indevida e ilegítima tentativa de esvaziamento de típicas funções institucionais
do Parlamento. 13) A Justiça do Trabalho entendida enquanto serviço público estratégico e de típica
concreção da soberania e da cidadania (CRFB/1988, art. 1º, caput, incisos I e II) para a materialização
do direito fundamental do acesso à Justiça, mercê de se defrontar com severo corte orçamentário, deve
merecer a sensibilidade do legislador e a atenção quanto ao disposto no artigo 99, §5º, da CRFB/1988
para que se avalie "a abertura de créditos suplementares ou especiais” durante a execução orçamentária
do exercício. 14) A interpretação pluralista da Constituição implica uma interpretação que legitime a
entidade postulante quando presentes a homogeneidade entre seus membros, a representatividade
nacional e a pertinência temática, aspectos que se verificam, em conjunto, no caso sub examine, de modo
a tornar apta a Anamatra a veicular o pleito de fiscalização abstrata de norma que limita o orçamento da
justiça laboral. 15) Pedido de ação direta de inconstitucionalidade conhecido e, no mérito, julgado
improcedente. (ADI 5468, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 30/06/2016,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-169 DIVULG 01-08-2017 PUBLIC 02-08-2017)

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