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ExposiçãoTemporária

1.07_31.12 2005

antónio
augusto

um
louro

maçon
hácem
anos
Sem Liberdade não há Democracia,
sem Instrução não há Liberdade.

antónio augusto louro


António Augusto Louro nasceu a 22 de Outubro de 1871, no Sabugal,
concelho da Guarda. Tendo ficado órfão ainda criança, cedo começou a
trabalhar como praticante de farmácia, o que o leva, anos mais tarde, ao
Porto e posteriormente a Lisboa, onde ingressa na Escola Médico Cirúrgica
e de onde, em 1891, sai diplomado em Ciências Farmacêuticas. Casou em
1892 tendo ido viver para o Seixal e abrindo a sua primeira farmácia na
Amora, adquirindo, posteriormente uma outra em Barrancos. Apesar de
na Amora e no Seixal ter desenvolvido, em paralelo com a sua actividade
profissional, uma actividade cívica, política e cultural notável, é em Barrancos
que começa a exercer os seus primeiros cargos públicos. Em 1897 regressa
ao Seixal onde abre uma farmácia na Arrentela e um laboratório de produtos
farmacêuticos, vindo mais tarde a adquirir outra farmácia no centro do
Seixal, terra na qual exercerá uma profunda influência cívica.

O problema do analfabetismo preocupava António Augusto Louro, como de resto muito do movimento
republicano e da maçonaria em finais do século XIX. Louro via no analfabetismo uma chaga social, o que o
leva a intervir na imprensa, na criação de escolas e cursos para adultos, ou ainda na edição de diversos
materiais pedagógicos. Em 1901 escreve uma Cartilha Nacional e uma primeira parte da Gramática e
Fonologia Portuguesa. Pelos seus livros muitos adultos aprenderam a ler e a escrever. Pela sua acção se
realizaram diversos cursos livres nas chamadas Escolas Móveis, onde a maçonaria interveio assumidamente.
Ainda hoje visitando o Seixal lá podemos encontrar uma escola primária com uma traça da fachada em tudo
semelhante à Escola Oficina nº 1. Sentindo no coração o atraso cultural e educacional em que vivia o
operariado e os pescadores do concelho criou a primeira escola gratuíta para a educação de adultos do Seixal,
concebendo também os materiais didácticos utilizados. Designada de Escola Moderna , situava-se no primeiro
andar da sua casa, tendo merecido uma reportagem em A Ilustração Portuguesa. Entre 1906 e 1913 regista-
se a actividade da Comissão Escolar de Beneficência e Ensino do Seixal, integrada por António Louro, e cuja
acção em matéria de ensino era complementar à realizada pelo Centro Republicano do Seixal, criado em
1907. A sua acção pedagógica não se esgota com a implantação da República, prolongando-se anos depois
em Alcanena e Torres Novas, assim como com novas edições de materiais pedagógicos.

Interveniente no movimento associativo foi fundador do Montepio dos Operários e um activo dinamizador
da Sociedade Filarmónica Democrática Timbre Seixalense e do Grupo Dramático Instrução e Recreio Timbre
Seixalense, ao mesmo tempo que colaborava na imprensa nacional, com destaque para O Mundo e O Século,
e na regional, com artigos seus em Sul do Tejo (1901) ou o Seixalense (1902), que funda e dirige. Políticamente
António Augusto Louro começou a militar no Partido Regenerador, mas cedo o abandona e abraça os ideais
republicanos. Em 1907 fundou o Centro Republicano do Seixal, importante para a clara aceitação da República
em 1910. Refira-se a propósito, que em Loures, tal como no Barreiro, Almada, Moita ou Seixal, a Repúiblica
foi assumida a 4 de Outubro, ainda que tivesse de esperar pelo dia seguinte para a ver confirmada em Lisboa.
Na sua farmácia, no Seixal, Afonso Costa, António José de Almeida, Manuel de Arriaga, Miguel Bombarda,
Brito Camacho ou Luz de Almeida são visitas frequentes, e ali promovem diversos comícios e debates.

Não existe registo da iniciação de António Augusto Louro no Grande Oriente Lusitano Unido, sendo provável
que a sua iniciação tenha sido efectuada na Grande Loja Simbólica Espanhola. Na realidade existe um diploma
do Soberano Grande Conselho Geral Ibérico e da Grande Loja Simbólica Espanhola, através da sua delegação
em Portugal, que nomeia António Augusto Louro como Garante de Amizade entre aquelas Potências e os
Irmãos e Lojas situadas ao Vale do Seixal. É também possível que tenha sido iniciado no Grande Oriente
de Portugal, Potência não reconhecida pelo Grande Oriente Lusitano Unido, que considerava aquele como
irregular. Note-se que eram estreitas as relações entre o Grande Conselho Geral Ibérico e o Grande Oriente
de Portugal, o que pode também explicar o facto de António Augusto Louro tenha sido regularizado, e não
iniciado, no Triângulo do Seixal. No diploma atrás referido, datado de 7 de Abril de 1905, Louro é já mencionado
como tendo o Grau 3. Refira-se que o ano de 1905 assiste à realização do Congresso Maçónico Interpeninsular,
em Lisboa, de 21 a 23 de Junho, numa iniciativa do Grande Oriente Espanhol e do Grande Oriente Lusitano
Unido. O registo 4734 do Grande Oriente Lusitano Unido refere que António Louro foi regularizado a 28 de
Agosto de 1905 no Triângulo do Seixal, com o nome simbólico de Luso, directamente no Grau 3, vindo a
atingir o Grau 20 em 1907. Não nos deve confundir hoje o facto de António Augusto Louro pertencer a uma

Loja do Rito Francês e atingir o grau 20, já que era admissível um sistema de equivalência de graus e o
próprio obreiro pertenceu a Lojas do Rito Francês, mas também do Rito Escocês Antigo e Aceite. Em 5 de
Novembro de 1910, o Decreto nº 56, assinado pelo Grão-Mestre Magalhães de Lima, afirma que “é concedido
a todos os Obreiros em actividade que possuíam desde o Grau 3º ao 29º inclusivé, um aumento de salário
de um grupo de graus “. Louro é abrangido por este decreto, que no entanto não o beneficia. Na realidade,
o Grau 20º, integra-se nos designados Graus Filosóficos que abrangem desde o 19º ao 29º grau do Rito
Escocês Antigo e Aceite. Como o limite do Decreto era o grau 29º, Louro acaba por não beneficiar de tal
benesse. Este Decreto concedia ainda o aumento de um Grau aos Obreiros do Rito Francês, e concedia o

1_In Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano Unido, Novembro


e Dezembro de 1910, Lisboa, p. 6.
2_MARQUES, A.H. de Oliveira, Dicionário de Maçonaria Portuguesa,
vol. I, Lisboa, Ed. Editorial Delta, 1986.
Grau de Mestre a todos os Aprendizes e Companheiros do GOLU, com o argumento de que “(...) à data da
proclamação da República (...) não fique um único Obreiro dentro da Maçonaria portuguesa a quem não
possa dar-se o nome de maçon justo e perfeito “. In Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano Unido,
Novembro e Dezembro de 1910, Lisboa, p. 6.

Refira-se ainda que o Triângulo número 62, no qual Louro foi regularizado, foi fundado em 1905 a Oriente
do Seixal, tendo-se transformado na Loja Elias Garcia 2ª, com o número 264. Esta Loja praticava o Rito
Francês tendo abatido Colunas em 1913 MARQUES, A.H. de Oliveira, Dicionário de Maçonaria Portuguesa,
vol. I, Lisboa, Ed. Editorial Delta, 1986., vindo o Seixal a conhecer uma nova Loja, apenas nos anos vinte,
com o nome de A Jornada.

O seu espírito de iniciativa e a sua vontade militante


de expandir a maçonaria leva-o a fundar, em 21 de
Julho de 1906, a Loja Esperança de Porvir , no Barreiro,
com o número 266 e que seguia igualmente o Rito
Francês. A admissão de instalação desta Loja consta
do Decreto nº 20 do Conselho da Ordem, datado de
10 de Julho de 1906, sendo então Grão-Mestre interino
Francisco Gomes da Silva. A sessão de instalação da
Loja Esperança de Porvir teve como presidente António
Augusto Louro, da Loja Elias Garcia , como Primeiro
Vigilante Miguel António Lopes da Loja Liberdade, como
Segundo Vigilante António José Pires, como Orador
Manuel António Faria e como Secretário José António
Rodrigues, tendo a sessão sido realizada no Palácio
Maçónico. Por último refira-se que a Loja Esperança
do Porvir manteve a sua actividade até à clantestinidade,
em 1935.

Pelo Decreto do Grão-Mestre interino Francisco Gomes


da Silva, datado 13 de Julho de 1906 António Augusto
Louro é autorizado a criar um Triângulo em Sesimbra, com o número 82, que rápidamente agregou quatro
obreiros:- Carlos Neves Palmela, Josué Felix Cascais, Manuel Pinto Coelho e Lino Correia. Instalado a 22
de Novembro de 1906 ainda estava em actividade em 1912.

Em 4 de Dezembro de 1906, um novo decreto, autoriza-o a criar um outro Triângulo na Moita, que se
transformou na Loja Boa Viagem. Esta Loja, instalada em 10 de Maio de 1908, praticava o Rito Francês e
recebeu o número 275, reunindo-se então em casa do Irmão Estanislau Domingues. Teve como instaladores
António Augusto Louro, Venerável da Loja Elias Garcia, Júlio de Almeida da Loja Montanha e Manuel António
Faria da Loja Esperança do Porvir. A Loja Boa Viagem teve como seus primeiros obreiros Niceforo de Oliveira,
Venerável, José Pereira de Moura, Estanislau Domingues, Manuel Maria de Azevedo Rua e Américo Luis de
Paiva, sendo o seu quadro completado ainda pelos obreiros João Martins Gomes e José Simões Domingues.
Em 1914, provavelmente devido à cisão ocorrida no Grande Oriente Lusitano Unido, adoptou a designação
de Loja Firmeza vindo a abater colunas em 1919.

Existem também registos do Triângulo Feio Terenas, no Seixal, que teria como fundadores António Augusto

3_In Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano Unido , Março,


Abril e Maio de 1911, p. 56.
4_Prancha da Loja Evolução da Figueira da Foz ao Grande Orador
Geral da Ordem in Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano
Unido, Janeiro, Fevereiro e Março de 1911, Lisboa, p. 8.
Louro, Eduardo Martins Figueiredo, José Xavier Santos, Alfredo dos Reis Silveira, José Maria Folque de Castro
e Augusto Alves Dinis. É provável que o nome tenha surgido a António Louro pela admiração e amizade com
José Maria Barata Feio Terenas, jornalista e pedagogo, organizador das primeiras bibliotecas municipais de
Lisboa. A esta expansão de Lojas não deve ser estranha a crescente implantação Carbonária se olharmos
para os nomes e as Lojas que funcionam como instaladores. Data também de 13 de Agosto 1908 um Garante
de Amizade da Loja Gomes Freire, de Leiria, onde se refere que António Augusto Louro era à data Venerável
da Loja Elias Garcia 2ª.

Ainda em 1908 é recebido no Triângulo nº 100, de Alcanena, que se virá a transformar na Loja Firmeza
em 5 de Abril de 1909. A Loja Firmeza de Alcanena, com o número 299, ao contrário das que fundou na
margem sul do Tejo, seguia o Rito Escocês Antigo e Aceite, tendo mantido a sua actividade até 1912 In
Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano Unido , Março, Abril e Maio de 1911, p. 56.. Em 1910 encontramos
o seu nome referido Prancha da Loja Evolução da Figueira da Foz ao Grande Orador Geral da Ordem in
Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano Unido, Janeiro, Fevereiro e Março de 1911, Lisboa, p. 8. pelos
serviços prestados à maçonaria no Boletim do GOLU. Louro está também envolvido na Revolução do 5 de
Outubro de 1910. Em carta da Loja Firmeza , datada de 26 de Junho de 1910, e onde consta a sua assinatura,
é dado o apoio desta Loja à circular interna que cria a Comissão de Resistência. Esta Comissão foi um grupo
secreto, criado pela Maçonaria, com uma participação muito activa das Lojas Montanha e Acácia, prelúdio
da organização do 5 de Outubro. Dizia-se nessa carta que, embora sendo reduzido o número de maçons
na zona de Alcanena, se dispunha a Loja a uma imediata cooperação com o GOLU, tendo para isso um grupo
de homens prontos e decididos a prestar, à primeira voz, todo e qualquer serviço ao país e à Maçonaria.
Uma nova carta, datada de 12 de Julho de 1910, identifica-o como Orador da Loja e como membro da
Comissão de Assistência, Vigilância e Auxílio Permanente, uma Comissão formada na maior parte das Lojas,
por sugestão do Grande Oriente, com vista ao apoio a prestar aos maçons perseguidos na sequência das
medidas repressivas então decretadas pelo governo monárquico.

A 1 de Novembro de 1911 Louro é recebido na Loja Pureza nº 2 para efeitos de regularização, vindo
posteriormente a integrar o Triângulo nº 197, também de Alcanena, no sentido de reavivar a Maçonaria
naquela localidade. Os registos do GOLU dão António Augusto Louro como presidente deste Triângulo, o
qual seguia igualmente o Rito Escocês Antigo e Aceite, sendo que toda a sua correspondência desse ano é
emitida a partir de Alcanena. Em carta datada de 17 de Outubro de 1912, e dirigida ao Secretário da Alta
Venda da Carbonária, Louro fala na instalação de uma Loja em Torres Novas, afirmando a mesma estar
para breve, numa cidade onde afirma ser, à época, o ambiente “reaccionário e jesuítico até à medula ”.
Louro virá a abandonar o Grande Oriente Lusitano em 1916 na sequência de muitos outros abandonos
ocorridos, em 1916, por parte de activistas da Carbonária. Acaba por ser afastado da Ordem por motivos
administrativos em 31 de Outubro de 1916.

António Augusto Louro foi um Carbonário assumido que entendia a sua actividade política como um serviço
público e uma manifestação de cultura. A sua participação na Carbonária inicia-se provávelmente em 1908,
altura em que se multiplica o número de Lojas por si fundadas, atingindo particular intensidade em 1912.
Este movimento de multiplicação de Lojas maçónicas parece ser feito de forma premeditada, como que
preparando uma Revolução e como de resto o refere Luz de Almeida nos seus escritos. Acérrimo defensor
da Lei de Separação do Estado das Igrejas, António Augusto Louro irá residir para Alcanena pouco tempo
após a implantação da República. No seu espólio documental, hoje na posse da família, existem cartas
dirigidas a Afonso Costa ou à Carbonária, quer à Alta Venda, quer à Venda Jovem Portugal, onde alerta para
algumas actividades dos párocos locais e pede a intervenção das Comissões Cultuais, existindo também, e
por outro lado, também documentos onde defende a tolerância, sendo de referir um desses casos onde,
no âmbito das suas funções de administrador do concelho de Coruche, autoriza que o falecido filho de um
padre possa ser sepultado no local onde que o pai escolha.

A sua enorme capacidade de iniciativa


conheceu também momentos de fraqueza,
como o confessa numa carta dirigida à
Alta Venda da Carbonária , datada de
Agosto de 1912. Nela reconhece a pouca
adesão aos valores da Carbonária em
Alcanena referindo mesmo “sentir-se
desacompanhado” na sua missão. Ainda
assim, candidatou-se ao lugar de
administrador do concelho de Torres
Novas, cargo que viria a exercer a partir
de 1912 e para o qual tinha o apoio do
Directório do Partido Republicano e da
Maçonaria, afirmando como seu principal
objectivo a defesa dos valores
republicanos, algo que se materializará
na criação do Centro Republicano. Louro,
fiel aos seus valores, não se coíbe de,
nas suas cartas ao Bom Primo Secretário
da Alta Venda, referir os efeitos perniciosos
do caciquismo republicano, que levou ao
abandono da actividade política por parte
de alguns maçons e carbonários em
Alcanena e Torres Novas. Refira-se, a
propósito, uma circular confidencial datada
de 12 de Outubro de 1912, onde Alta
Venda Carbonária solicita com urgência
a António Louro uma lista completa dos
Bons Primos que formam o seu grupo.
Pelo teor desta comunicação, verifica-se
alguma preocupação com os abandonos
da actividade e com os maus exemplos
dos que “renegaram por completo o seu
juramento “.
A ele também está intimamente ligada
a Festa da Árvore, cerimónia querida para a República, tal como o é para a Maçonaria desde o século XVIII.
Com efeito, António Augusto Louro presidiu à comissão que promoveu a primeira Festa da Árvore realizada
em Portugal, no Seixal, em 26 de Maio de 1907. A imprensa da época regista a presença de Borges Grainha
e de Velhinho Correia, representantes da Liga Nacional de Instrução, da qual Louro também fazia parte, e
ainda de cerca de duzentas crianças que entoaram “A Sementeira ”, hino da Escola Oficina nº 1. Muito
significativo é o facto de a Festa da Árvore ter envolvido não só alunos, professores e população do Seixal,
mas também cidadãos ilustres e muita gente de localidades em redor. São também os valores inerentes à
Festa da Árvore, nomeadamente o culto da natureza, que o levam a plantar inúmeras árvores com as crianças
das escolas em Torres Novas, em 1911, ou a promover, em 1926, uma célebre “excursão à Serra de Aire”,
da qual foi editada uma publicação sobre a serra, as suas características vegetais e geológicas e a intervenção
humana ocorrida na zona.

Em Alcanena funda o Centro Republicano Alberto Xavier e em 1913 é escolhido para administrador do
concelho de Coruche. No ano seguinte funda o Centro Republicano Guerra Junqueiro, em Torres Novas e é
novamente eleito delegado ao Congresso Republicano, realizado na Figueira da Foz, onde apresenta duas
teses, uma sobre Instrução Pública e outra sobre a Lei da Separação do Estado das Igrejas. Anos depois,
em 1918, lidera o movimento em prol da criação co concelho de Alcanena, vindo no ano seguinte, pelo
Decreto de 25 de Julho de 1919, a ser nomeado administrador do novo concelho entretanto criado. A sua
acção é também fundamental na criação dos Bombeiros Voluntários da vila e da Associação de Beneficência
e Instrução Autonómica de Alcanena, que mais tarde estará na origem do Hospital Concelhio, vindo. Em
Dezembro de 1922 foi nomeado Conservador do Registo Civil de Alcanena, estando ainda o seu nome ligado
à criação de alguns órgãos de imprensa regional. A sua personalidade interventiva não se esgotava na política
e assim encontramos o seu nome ligado às propostas de implementação de uma linha de caminho de ferro
para escoar as produções de curtumes e de sal em Alcanena, à criação de um aeródromo que potenciasse
o desenvolvimento local ou, em 1926, ao aproveitamento da energia eólica na zona.

A sua acção política continua após 1926 através do apoio aos oposicionistas do regime, como delegado em
Alcanena da Associação do Registo Civil , de que existe uma credencial datada de 26 de Novembro de 1929,
ou participando activamente nas actividades do MUD (Movimento de Unidade Democrática), de que é
presidente da Comissão Concelhia em 1945 e 1946, ou ainda na campanha eleitoral do General Norton de
Matos.

António Augusto Louro veio a falecer em Alcanena a 1 de Agosto de 1949, tendo o seu nome sido dado à
actual Escola Básica do 2º e 3º ciclos do Seixal. Em memória e reconhecimento da sua acção cívica o seu
nome também foi dado a uma rua da freguesia de Paio Pires (Seixal) e outra de Alcanena. Sempre acreditou
de que a instrução e a intervenção política serviam para a libertação e dignificação do Homem, ao mesmo
tempo que a transformação das mentalidades constituíam uma etapa para a emergêngia de um cidadão
novo, um Homem realizado e consciente dos seus direitos e deveres.
António Augusto Louro
um maçon há cem anos
Esta exposição temporária, esteve patente no museu maçónico português
e aberta ao público de 01.07 a 31.12 de 2005, contando com a colaboração
da Fundação Mário Soares

Edição:

Grémio Lusitano
Grande Oriente Lusitano_Maçonaria Portuguesa

Concepção:

www.gremiolusitano.pt

museu maçónico português


Junho de 2007

© Grande Oriente Lusitano


Todos os textos podem ser publicados, desde que na íntegra e revelada a sua origem