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: Passei em 2 meses para Analista e agora sou Auditor

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Muita gente se assusta pelo pouco tempo que levei para passar no primeiro
concurso e quer saber como fiz para passar. Dois meses entre zero e aprovado
para analista no meu 1o concurso em 2009. Aprovado para auditor em 2012.

Escrevo o meu depoimento por perceber que a minha preparação foi diferente do
que a maioria dos aprovados faz (provavelmente eles estão mais certos que eu).
Isso não é um modelo, espero que não seja uma desculpa para estudar pouco.

Tudo que falo aqui é a absoluta verdade, apesar de difícil de acreditar em alguns
momentos.

Apesar de PNE, fui aprovado dentro das vagas para os dois concursos.

Tenho medo de escrever no Fórum, porque já percebi que tem muita gente crítica
ao extremo. Já vi colega ser apedrejado quando tentava ajudar. Mas, como sei
que tem muita gente interessada e esforçada deixo aqui a minha experiência,
espero que ajude e/ou sirva de incentivo.

Vou escrever de maneira informal e, como de costume, não vou voltar para revisar
nada. Sendo assim peço antecipadamente que me desculpem por algum erro de
portuga ou de digitação, ou ainda se alguém sentir-se ofendido pela sinceridade
das minhas colocações.

Em primeiro lugar vou fazer um breve relato da minha formação, porque sempre
perguntam se sou formado em direito.

Nasci nos EUA e fiz o 1o grau na Venezuela. Meu inglês é regular e por isso opto
por fazer a disciplina de espanhol, pois sou fluente no idioma.

Dica um: A prova de espanhol da ESAF é dificílima, cheia de pegadinhas e


vocabulários escabrosos que não medem conhecimento da língua, nunca
consegui acertar todas. Acho a prova de Inglês mais fácil para quem domina
medianamente o idioma.

Sou formado em Administração numa faculdade boa – FGV/SP. Fiz uma pós meia-
boca e depois um mestrado executivo razoável na FGV/RJ. Todos em
administração.

Após a graduação em ADM, entrei na UFES para cursar direito, mas como o curso
era uma zona, não conseguia estudar e trabalhar, desisti, trancando o curso no 2o
semestre.

Trabalhei alguns anos em uma empresa familiar. Depois montei o meu próprio
negócio, que acabou não dando certo. Daí voltei para a empresa da família.
Paralelamente dei aula de Administração por uns 3 ou 4 anos, entre graduação e
pós.

Enfim, vamos ao que interessa mais...

No final de 2009 estava meio desiludido profissionalmente, tinha duas atividades


profissionais: Uma me desmotivava por completo e a outra não dava bom retorno
financeiro.

No dia 09/10, uma tia analista da receita me ligou incentivando a fazer o concurso
de auditor. Como nunca pensei em ser funcionário público, fiquei um pouco
resistente. Depois a minha mãe veio falar e a seguir a minha esposa.

Marquei uma reunião com a digníssima em um bar (com cerveja) para dizer que
eu não entrava para brincar, que estudaria igual um cão, mas ela tinha que ter
certeza que ira comigo até o inferno se a vaga fosse do lado do cruz credo. Muita
gente diz que vai pra qualquer lugar antes do concurso, quando passa fica
reclamando da vida, com depressão, tenta remoção por meios pouco
convencionais.

Superada essa questão, fiz a inscrição e fui pesquisar como estudava pra
concurso. A prova seria dois meses depois.

Lá pelo dia 15/10 liguei para um amigo quer era concurseiro e marcamos um
encontro para o dia 18/10. Ele me recomendou os livros de Direito Administrativo e
Direito Constitucional do VP e MA e disse que seria bom, porque daria uma base
para os próximos concursos, e ficou de me arranjar umas apostilas.

No meio da semana seguinte ele me ligou perguntando por que não fazia o
concurso de analista. E minha pergunta foi algo do tipo, ah também tem esse?!
Inscrição feita.

Comprei os livros de DC e DA e fui estudar (por volta de 23/10). Com uns 4 dias
pensei: fu@#$! Não vai dar nem pelo #$%.

Logo em seguida ele me arranjou um material emprestado e eu comprei alguns


cursos do ponto. Senti que a perspectiva era bem melhor do que estudar por livro.

Dica 2: Não vejo como boa opção estudar por livros, principalmente os volumosos.
Que me desculpem os notáveis MP e VP, mas os livros não são mais
descomplicados. São úteis para um segundo momento, em que você já domina
bem o conteúdo e quer um aprofundamento maior para garantir a prova. Mas
começar pelos livros, na minha humilde opinião, é perder tempo. As apostilas,
desde que de bons professores, são muito mais produtivas (você já começou a me
xingar?!)

Dica 3: Criei um “método” quase próprio. Normalmente as aulas escritas estão


divididas em teoria, exercício e resumo. Fazer isso em dias separados é uma
forma de repetir a mesma informação três vezes gastando o mesmo tempo que se
visse tudo em um dia só. Repetição é importante na aprendizagem, mas demanda
tempo. Acho essa uma excelente opção que foi fundamental na minha aprovação.

Para a primeira fase desse concurso não usei nenhuma vídeo aula.

Como sabia que daria tempo de estudar só uns 60% do edital, eliminei espanhol,
português e administração da minha agenda.

Consegui um alvará para trabalhar umas 5 horas por dia nesses dois meses, o que
me ajudou de mais. Sou casado e já tinha minhas duas filhas na época. Ou seja,
tempo muito curto.

Eu estudava um pouco de cada disciplina, tentando levar a evolução de forma


equilibrada, de forma a lutar por todos os mínimos.

Tenho alguns amigos muito inteligentes que não conseguem passar em concurso.
Percebo que há muita gente que estuda muito mais com pouca qualidade. Fica
muito tempo sentado, mas não entra de verdade na apostila. Digo que isso tem q
ser quase literal: “entrar” na apostila, viver o que esta estudando, aproveitar cada
informação de verdade.

Outra coisa é que tenho uma dificuldade monstra para lembrar de nomes, datas,
detalhes. Assim, não perdia tempo com isso. No meu curso de formação, um cara
comentou um detalhe da lei 8.112 e achou que eu estava brincando quando
perguntei que lei era essa. Acho q tem uma matriz maluca lá da administração que
fala pra focar nos pontos fortes, foi o que tentei fazer.

O conteúdo de matemática é monstruoso. Não tinha como estudar. Nesse caso


surgiu a mestre dos magos ( a minha mãe) em meu auxílio. Como já foi professora
de matemática, falei que eu tinha disponível a 3a e a 4a na véspera do concurso
para estudar matemática e que a bola estava com ela para me fazer passar. Ela
fez um resumão show com o que era possível aprender em dois dias, claro que
tenho relativa facilidade para o tema, tirei 9 na prova!

Na prova de Auditor bati na trave, mas faltou conteúdo. Passei na 1a fase de


analista e ai ganhei um tempo bom até a prova discursiva. Nessa prova tive sorte
de cair um tema que estudei, porque como deixei muita coisa de fora, havia o risco
de não conseguir fazer uma boa prova.

Assim, foram dois meses entre decidir fazer o 1o concurso e passar na 1a fase
para analista concluída com aprovação.
Tentei na sequência o concurso de AFT, mas foi logo depois da discursiva da
receita, então não tive tempo para um bom preparo. Se bem que reprovei por
causa de sociologia. Comprei o curso do ponto e escrevi várias vezes dizendo que
o curso não estava preparando de acordo. A professora escreveu um e-mail me
detonando. Depois do concurso, quando viram que realmente faltou conteúdo,
acabei recebendo metade do valor de volta.
Acho que no ponto falta uma coordenação melhor do conteúdo dos cursos. Assim,
não é bom achar que porque é do ponto é bom, apesar que tem muita coisa boa
lá.

Terminada essa missão, resolvi preparar-me para o próximo concurso de auditor.


Mas como a maioria, tenho uma preguiça enorme de estudar sem saber para
quando estou estudando.
Meus amigos todos me perturbavam para fazer o curso LFG, mas trabalhando e
com família, não me sentia bem em ausentar-me o dia inteiro de casa.

No final de 2011 descobri o canal dos concursos e comprei o curso inteiro em


vídeo para auditor, pois dá para estudar de casa. Resolvi mudar a forma de
estudo, para ver se supria as lacunas deixadas pelas apostilas.

Dei uma complementada com material escrito, mas a base foram os vídeos.

Dica 4: Cheguei perto do concurso com a impressão que teria rendido muito mais
se tivesse estudado por texto do que por vídeo aulas. Em vídeo alguns assuntos
são assimilados com mais facilidade, mas se perde muito mais tempo. Acho que
vídeo é uma boa opção para quem parte uns 18 meses antes do concurso.

Dica 5: Alguns vídeos podem ser vistos em velocidade maior. Tipo 1.5 a 2 vezes a
velocidade normal, principalmente quando o professor fala muito devagar. Ganha-
se tempo, mas cansa bastante.

Dica 6: Transformava alguns vídeos em áudio mp3 para escutar rodando na bike,
em viagens e demais deslocamentos.

Perdi muito tempo por preguiça no 1o semestre de 2012. Cai na armadilha


achando que o edital levaria muito tempo como no concurso de 2009.

Até a autorização eu tinha estudado basicamente previdenciário, 70% de


constitucional, economia, que não caiu, e auditoria. Ou seja, saiu a autorização e
eu com uma montanha de coisas para estudar e com férias marcadas no Chile.

Se não tivesse convidado outro casal para viajar pro Chile teria desmarcado a
viagem, mas liguei o fo@#$ e passei a 2a quinzena de julho tomando vinho. Levei
um material de tributário para ler nas horas vagas.

Voltei com uma nova estratégia para assistir os vídeos. Tentei adaptar a estratégia
do material escrito de teoria/exercícios/resumo para as videoaulas. Eu assistia as
aulas até o momento em que o professor faria um resumo do assunto ou passaria
para os exercícios ou mudaria de assunto. Eu usava esse “ponto de interrupção”
para mudar a disciplina, retomando desse ponto no dia seguinte ou em dois dias.
É algo como o famoso ciclo de estudos. A diferença que não tenho tempo marcado
para cada disciplina e esse ponto de interrupção pode acontecer com 5 minutos de
estudo ou com duas horas, assim houve dias que estudei oito disciplinas
diferentes.
O Canal dos Concursos tem alguns excelentes professores:
Carlos Henrique é o melhor professor de RL que já tive na vida.
Benjamin César de matemática financeira gostei de mais.
Adriana Figueiredo de Português – Entendi conceitos que não entravam na minha
cabeça. Recomendo.
Borba de Tributário – Excelente e empolgante.
Cominter e LA – O Rodrigo Luz é excelente, mas dava a impressão que estava
sem paciência para dar aula, imagino que cansado com o ritmo alucinante que foi
esse concurso. O Missagia é muito bom também, mas não é aquele professor que
empolga.
Fiquei chateado com alguns professores, como de contabilidade e economia, que
deram o curso com pouquíssimos exercícios dizendo que os estavam guardando
para o curso de exercício. A mensagem me parecia algo assim “oh manesão,
como não dá para aprender essa matéria só com curso em teoria, desembolsa
mais umas onças ai pra pagar o de exercícios”.
Óbvio que os cursinhos querem ganhar dinheiro, mas tudo tem limite.

Dica 7: estudar várias disciplinas por dia, alterando a disciplina no “ponto de


interrupção”.

Nunca fiz resumo, anotações ou marquei o texto. Resumo é uma excelente forma
de aprendizado. Mas como o conteúdo é imenso e o meu tempo era curto, achei
que estava perdendo tempo e parei logo no início.

Eu fiz uma tabela e um gráfico de acompanhamento de número de aulas


disponíveis de cada disciplina para monitorar a evolução. Isso me divertia e
ajudava a motivar os estudos para aumentar a % de cobertura do edital.

Tem de se tomar muito cuidado para não pegar um monte de material diferente
para estudar. Acho que tem que pesquisar qual material é bom e focar nele. Muito
material pode levar a dispersão. Salvo quando o concurseiro tem tempo sobrando,
nesse caso a variedade enriquece o aprendizado.

Uma coisa que me ajudou de mais é que eu consigo dormir parceladamente.


Assim, após a autorização, eu trabalhava pela manhã, dava uma cochilada no
almoço pra descansar da madrugada, chegava em casa umas 17:30 e estudava
uma hora, dormia outra, levantava lá pelas 20:30 pra fazer um mimo nas crianças
e sentava le buzanfan na cadeira até 01:30.

Estudei até a véspera em todos os concursos. Passando o olho em algum resumo


no dia da prova, acho que ajuda a baixar minha ansiedade.

Não deixei de tomar um vinho ou cervejinha uma semana sequer. Algumas


semanas saiamos outra fazíamos um jantar em casa para tomar um vinho e
conversar. Acho que tem que manter nem que seja uma mínima vida social e fazer
exercício físico. Ficar enfurnado só estudando não é produtivo.
Só fui otário na 6a, véspera da prova de auditor, pois me empolguei que tinha
muito tempo que não via meu irmão, tomamos umas doses de whisky e acabei
fazendo a prova de ressaca. Se eu ficasse reprovado por causa da
irresponsabilidade, não me perdoaria.

Dica 8: Não seja burro igual este escrevente e, se for o caso, apenas um chope
para relaxar. Dor de cabeça atrapalha a fazer a prova .

Para as provas discursivas li o único livro desse concurso, Auditoria em exercícios.


Ajudou a subsidiar a enrolação no tema impar da prova.

Finalmente, para aqueles que tem esposa (o) , namorada (o), e/ou filhos, é muito
importante que as coisas estejam claras de início, para que saibam todos os
sacrifícios necessários. A minha esposa escreveu no fb dela: “passamos”. Quem
tem família não passa sozinho, mas para ter apoio é necessário que a todos
saibam previamente o tamanho do sacrifico.

Sou muito obsessivo e competitivo, então fiquei muito estressado com o concurso
e tive dias de péssimo humor. Se a família não apoia nesses momentos, fica difícil
manter o ritmo.

Resumo:
Não é necessário 3 anos para passar em um concurso bom, desde que você seja
dedicado.
Planejamento é fundamental.
Apoio da família faz diferença.
Dá para passar em concurso sem abrir mão totalmente da vida social e da família.
As horas de estudo devem ser aproveitas. Não é o tempo que conta, é o
aprendizado.
Precisa um pouco de sorte, mas, como disse Thomas Jefferson: “Creio bastante
na sorte. E tenho constatado que, quanto mais eu trabalho, mais sorte tenho."

Um depoimento meio tosco, mas que é diferente do padrão dos primeiros


colocados em concursos, por isso acho que vale a pena ser lido. Espero que
tenham curtido .

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