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COLÉGIO ESTADUAL WOLFF KLABIN - ENSINO FUNDAMENTAL, MÉDIO E NORMAL 1

CURSO DE FORMAÇÃO DE DOCENTES DA EDUCAÇÃO INFANTIL


E ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

METODOLOGIA DA PEDAGOGIA  Representa a síntese do aluno, sua


HISTÓRICO-CRÍTICA nova postura mental; a demonstração do novo
grau de conhecimento a que chegou, expresso
1º passo pela avaliação espontânea ou formal.
PRÁTICA SOCIAL INICIAL:
5° passo
 Iniciar as atividades apresentando aos PRÁTICA SOCIAL FINAL:
alunos os objetivos, os tópicos e subtópicos da
unidade que se pretende estudar, e em  É a manifestação da nova atitude prática
seguida, dialogar com os alunos sobre os do educando em relação ao conteúdo
mesmos, aprendido, bem como do compromisso em pôr
em execução o novo conhecimento. É a fase
 Os alunos mostram sua vivência do das intenções e propostas de ações dos
conteúdo, isto é, o que já sabem sobre o tema alunos.
a ser trabalhado e perguntam tudo que
gostariam de saber sobre o novo assunto em
pauta, e tudo será anotado pelo professor.
METODOLOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA: PROCESSO
 A prática social inicial pode ser feita DIALÉTICO DE CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
como um todo no início da unidade e retomada, ESCOLAR
em seus aspectos específicos, a cada aula, João Luiz Gasparin - DTP/UEM.
conforme o conteúdo a ser trabalhado. Ou, a
cada aula, o professor destaca a prática social
específica do conteúdo que vai trabalhar INTRODUÇÃO
naquele dia.
O Curso de Atualização de Docentes de 5a a 8a série,
2º passo realizado na Universidade Estadual de Maringá nos
PROBLEMATIZAÇÃO: anos de l993 e l994, possibilitou-nos iniciar uma nova
Metodologia de Ensino através da qual buscamos
 Identificar os principais problemas desenvolver um trabalho mais participativo na
postos pela prática e pelo conteúdo curricular, construção do conhecimento em sala de aula.
seguindo-se uma discussão sobre eles, a partir O ponto de partida do curso e de nosso estudo foram o
daquilo que os alunos já conhecem; Currículo Básico para a Escola Pública do Estado do
Paraná e o Projeto de Avaliação da Proposta Curricular
 Explicar que o conhecimento (conteúdo) da Habilitação Magistério - Proposta da Disciplina
didática. As diretrizes desses documentos têm como
vai ser construído (trabalhado) nas dimensões fundamento teórico-metodológico o materialismo
conceitual, científica, social, histórica, histórico do qual se origina a pedagogia histórico-
econômica, política, estética, religiosa, crítica, que, em sala de aula, se expressa na
ideológica, etc., transformadas em questões metodologia dialética de construção sócio-
problematizadoras. individualizada do conhecimento.
Após esse primeiro curso, já ministramos dezenas de
outros envolvendo os três graus de ensino. Nesses
3º passo cursos desenvolvemos os seguintes passos
INSTRUMENTALIZAÇÃO: metodológicos:
1 - Realização de breves estudos sobre as teorias
 É a apresentação sistemático-dialógica educacionais conhecidas como Tradicional,
do conteúdo científico, contrastando-o com o Escolanovista e Tecnicista. Estas nos possibilitam
cotidiano e respondendo às perguntas das conhecer as expressões pedagógicas que marcaram
as propostas educacionais em diversos momentos
diversas dimensões propostas. É o exercício históricos.
didático da relação sujeito-objeto pela ação do
aluno e mediação do professor. É o momento 2 - Análise da proposta de Pedagogia Histórico-Crítica,
apresentada por Saviani em seu livro Escola e
da efetiva construção do novo conhecimento.
Democracia. O estudo dessa teoria mostra-nos como
ela incorpora e supera as anteriores e se constitui uma
4ºpasso via teórico-metodológica consistente e viável,
CATARSE: possibilitando ao aluno um engajamento total na
construção de seu conhecimento.

GASPARIN, João Luiz. Uma didática para a Pedagogia Histórico-Crítica. Campinas: Cortez, 2003.
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3 - Tradução da Pedagogia Histórico-Crítica para a O professor, por seu lado, posiciona-se em relação à
prática docente como forma de planejamento de mesma realidade de maneira mais clara e, ao mesmo
conteúdos e de atividades escolares e também como tempo, com uma visão mais sintética.
método de trabalho cotidiano em sala de aula.
A diferença entre os dois posicionamentos deve-se,
Cada curso desenvolve-se segundo o método: prática- entre outras razões, ao fato de o professor, antes de
teoria-prática. Isto significa partir sempre da prática iniciar seu trabalho com os alunos, já ter realizado o
social empírica atual, contextualizando-a, passando, planejamento de suas atividades, onde vislumbrou todo
em seguida, à teoria que ilumina essa prática cotidiana, o caminho a ser percorrido. Isso lhe possibilita conduzir
a fim de chegar a uma nova prática social mais o processo pedagógico com segurança dentro de uma
concreta e coerente. visão de totalidade.
Os resultados obtidos até o presente são incipientes, Esse passo se caracteriza por ser uma preparação e
porém animadores, uma vez que o trabalho uma mobilização do aluno para a construção do
desenvolvido pelos professores em seu dia-a-dia conhecimento. É uma primeira leitura da realidade, ou
escolar, após os cursos, tentando por em prática essa seja, o contato inicial com o tema a ser estudado.
metodologia, mostra que ela é possível e de muito (Vasconcelos,1993:44).
interesse para os educandos, pois eles são
O professor anuncia aos alunos o conteúdo que será
permanentemente desafiados a participarem
trabalhado. Dialoga com eles sobre esse tema
ativamente na construção de seu conhecimento.
buscando verificar qual o domínio que já possuem e
que uso fazem na prática social cotidiana.
PASSOS DA METODOLOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA Realiza um levantamento de questões ou problemas
envolvendo essa temática; mostra aos alunos o quanto
já conhecem, ainda que de forma caótica, a respeito do
Todos os cursos se iniciam pela descrição da última conteúdo que será trabalhado; evidencia que qualquer
aula que cada participante ministrou. Analisam-se, em assunto a ser desenvolvido em aula, já está presente
seguida, as diversas aulas à luz das teorias na prática social como parte constitutiva dela.
educacionais a fim de os professores começarem a
Esta fase consiste em desafiar os alunos a mostrarem
perceber onde se situa sua ação pedagógica. Passa-
o que já sabem sobre cada um dos itens que serão
se, então, ao estudo detalhado da Pedagogia Histórico-
estudados.
Crítica e de sua tradução para a prática docente.
O levantamento sobre a prática social do conteúdo é
A parte final de cada curso consiste em planejar,
sempre feito a partir do referencial dos alunos.
segundo a nova proposta metodológica, um tópico do
conteúdo específico que cada um dos professores Esta forma de encaminhamento mostra aos educandos
participantes desenvolverá com seus alunos na escola que eles já conhecem na prática o conteúdo que a
em que atua. escola pretende lhes ensinar.
O resultado do planejamento se expressa num plano A prática social inicial é sempre uma contextualização
de unidade onde se busca traduzir para a prática do do conteúdo. É a conscientização do que ocorre na
cotidiano escolar a nova perspectiva de trabalho. sociedade relativamente àquele tópico a ser
trabalhado.
A fim de mais claramente visualisarmos o processo
pedagógico que levamos a efeito no estudo teórico- Mas como trabalhar com a prática social, com essa
prático dessa teoria, descreveremos, resumidamente, leitura da realidade, em cada campo específico do
cada uma das cinco fases em que se divide a proposta conhecimento?
metodológica da Pedagogia Histórico-Crítica,
Entendemos que essa é uma tarefa que cada
evidenciando como entendemos que cada um desses
professor, em sua área, deve aos poucos descobrir a
passos deva ser traduzido para a prática escolar.
fim de criar um clima favorável para a construção do
conhecimento.
1) PRÁTICA SOCIAL INICIAL Para a realização dessa primeira fase os cursistas
constituem equipes de estudo por disciplinas ou áreas
afins. Sua primeira tarefa consiste na definição dos
Saviani (1991:79-80) ao explicitar essa primeira fase de conteúdos ( unidade, tópicos e subtópicos) que seriam
seu método pedagógico afirma que ela é o ponto de trabalhados posteriormente com seus alunos.
partida de todo o trabalho docente.
Ainda que na seqüência formal do plano os conteúdos
Este passo consiste no primeiro contato que o aluno apareçam listados na segunda fase do processo, ou
mantém com o conteúdo que será trabalhado pelo seja, na Instrumentalização, na prática escolar, porém,
professor. É a percepção que o educando possui sobre eles são o ponto inicial do trabalho pedagógico.
o tema de estudo. Freqüentemente é uma visão de
De posse dos itens de conteúdo que efetivamente se
senso comum, empírica, geral, um tanto confusa,
espera desenvolver, cada equipe inicia a elaboração de
sincrética, onde tudo, de certa forma, aparece como
uma grande quantidade de perguntas sobre cada
natural.
tópico a ser estudado. Na prática cotidiana essa tarefa

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será realizada pelo professor e seus respectivos alunos série de perguntas que orientam a análise e
em sala de aula. apropriação do conteúdo.
Para a construção dessas questões, no momento de O processo ensino-aprendizagem, neste caso, está em
planejamento, os professores colocam-se no papel de função das questões levantadas na prática social e
alunos, buscando prever quais perguntas eles fariam, retomadas de forma mais profunda e sistematizada
levando em conta o domínio e uso do conteúdo na vida nessa segunda fase.
social dos educandos.
Nessa etapa do processo duas são as tarefas
Esse trabalho consiste no levantamento e listagem de principais:
questões da vivência cotidiana do educando sobre o
1- Determinação dos conteúdos em suas dimensões
conteúdo a ser ministrado. É a demonstração daquilo
científica, social e histórica.
que o aluno já sabe e a explicitação de que já existe
em sua prática social o conteúdo escolar. É a 2 - Levantamento, em cada tópico ou subtópico, das
mobilização do aluno para a construção do principais questões da prática social, diretamente
conhecimento. É sua visão sobre o conteúdo até relacionadas aos conteúdo, levando em conta as três
aquele momento. dimensões apontadas.
Para a execução de cada um desses passos há que
tomar o conteúdo do programa elaborado e levantar
2 - PROBLEMATIZAÇÃO
junto com os alunos as questões sociais básicas que
abrangem o conteúdo a ser desenvolvido.
Esse passo se constitui o elo entre a Prática Social e a Como o conteúdo será trabalhado levando-se em conta
Instrumentalização. É a "identificação dos principais as dimensões científica, social e histórica, as perguntas
problemas postos pela prática social. (...) Trata-se de que forem elaboradas devem expressar a mesma
detectar que questões precisam ser resolvidas no perspectiva.
âmbito da Prática Social e, em conseqüência, que
Como forma prática para selecionar as questões
conhecimento é necessário dominar" (Saviani,
fundamentais proceda-se da seguinte maneira: repita-
1991:80).
se cada item do conteúdo e, em seguida, formule-se
O conhecimento de que estamos falando são os junto com os alunos, questões que abranjam a
conteúdos historicizados. totalidade desse tópico nas dimensões assinaladas.
Para fins desse estudo, delimitamos e entendemos que As perguntas selecionadas serão respondidas na fase
os principais problemas postos pela prática social são da Instrumentalização quando os alunos estarão
os relativos aos conteúdos que estão sendo efetivamente construindo de forma mais elaborada seu
trabalhados numa determinada unidade do programa. conhecimento.
Os "principais problemas" são as questões A Problematização é o fio condutor de todas as
fundamentais que foram apreendidas pelo professor e atividades que os alunos desenvolverão no processo
pelos alunos e que precisam ser resolvidas , não pela de construção do conhecimento.
escola, ou na escola, mas no âmbito da sociedade
como um todo. Para isso se torna necessário definir
quais conteúdos os educadores e os educandos 3 - INSTRUMENTALIZAÇÃO
precisam dominar para resolver tais problemas, ainda
que, inicialmente, na esfera intelectual.
A problematização tem como finalidade selecionar as Esta fase, segundo Saviani (1991:103) consiste na
principais questões levantadas na prática social a apreensão "dos instrumentos teóricos e práticos
respeito de determinado conteúdo. Essas questões necessários ao equacionamento dos problemas
orientam todo o trabalho a ser desenvolvido pelo detectados na prática social. (...) Trata-se da
professor e pelos alunos. apropriação pelas camadas populares das ferramentas
culturais necessárias à luta que travam diuturnamente
Essa fase consiste, na verdade, em selecionar e para se libertar das condições de exploração em que
discutir problemas que tem sua origem na prática vivem".
social, descrita no primeiro passo desse método, mas
que se ligam e procedem ao mesmo tempo também do É o momento de evidenciar que o estudo dos
conteúdo a ser trabalhado. Serão, portanto, grandes conteúdos propostos está em função das respostas a
questões sociais, mas limitadas ao conteúdo da serem dadas às questões da prática social que foram
unidade que está sendo trabalhada pelo professor. consideradas fundamentais na fase da
Problematização.
A problematização é o questionamento do conteúdo
relacionado à prática social, em função dos problemas A tarefa do professor e dos alunos desenvolver-se-á
que precisam ser resolvidos no cotidiano das pessoas. através de ações didático-pedagógicas necessárias à
efetiva construção conjunta do conhecimento nas
Relacionando o conteúdo com a prática social definem- dimensões científica, social e histórica.
se as questões que através desse conteúdo específico
podem ser encaminhadas e resolvidas. Elabora-se uma

GASPARIN, João Luiz. Uma didática para a Pedagogia Histórico-Crítica. Campinas: Cortez, 2003.
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Em cada área de conhecimento, os professores mediação da análise levada a cabo no processo de


utilizarão as formas e os instrumentos mais adequados ensino, a passagem da síncrese à síntese".
para a apropriação construtiva dos conteúdos.
Conforme Wachowicz (1989 :107), a catarse "é a
Em sentido prático, retomam-se os conteúdos e, a verdadeira apropriação do saber por parte dos alunos".
cada tópico, especificam-se os processos e os
Na catarse o aluno mostrará que a realidade que ele
recursos que serão utilizados para a efetiva
conhecia antes como "natural", não é exatamente
incorporação dos conteúdos, não apenas como
desta forma, mas é "histórica", porque produzida pelos
exercício mental, mas como uma necessidade social.
homens em determinado tempo e lugar, com intenções
Cada tópico que vai sendo trabalhado deverá políticas implícitas ou explícitas, atendendo a
responder às questões que a partir dele foram necessidades sócio-econômicas históricas, situadas,
levantadas e selecionadas na Problematização. desses mesmos homens.
Este é o momento do método que faz passar da Este é o momento da avaliação que traduz o
síncrese à síntese a visão do aluno sobre o conteúdo crescimento do aluno, que expressa como se apropriou
escolar presente em sua vida social. do conteúdo, como resolveu as questões propostas,
como reconstituiu seu processo de concepção da
Essa etapa consiste em realizar as operações mentais
realidade social e, como, enfim, passou da síncrese à
de analisar, comparar, criticar, levantar hipóteses,
síntese.
julgar, classificar, conceituar, deduzir, generalizar,
discutir, explicar, etc. É a avaliação da aprendizagem do conteúdo, entendido
como instrumento de transformação social.
Na Instrumentalização o educando e o professor
efetivam o processo dialético de construção do Como o aluno mostrará que aprendeu?
conhecimento que vai do empírico ao abstrato para o
Neste momento são montados os instrumentos e
concreto.
definidos os critérios que mostram o quanto o aluno se
apropriou de um conteúdo particular como uma parte
do todo social.
4 - CATARSE
Conforme as circunstâncias, a avaliação pode ser
realizada de maneira informal, ou formal. No primeiro
Uma vez incorporados os conteúdos e os processos de caso, o aluno, por iniciativa própria, manifesta se
sua construção, ainda que de forma provisória, é incorporou ou não os conteúdos e os métodos na
chegado o momento em que o aluno é solicitado a perspectiva proposta pelas questões da
mostrar o quanto se aproximou da solução dos Problematização. No segundo, o professor elabora as
problemas anteriormente levantados sobre o tema em questões que deverão oferecer ao educando a
questão. oportunidade de se manifestar sobre o conteúdo
aprendido.
Esta é a fase em que o educando manifesta que
assimilou, que assemelhou a si mesmo, os conteúdos
e os métodos de trabalho em função das questões
5 - PRÁTICA SOCIAL FINAL
anteriormente enunciadas.
Agora ele traduz oralmente ou pôr escrito a
compreensão que teve de todo o processo de trabalho. O ponto de chegada do processo pedagógico na
Expressa sua nova maneira de ver a prática social. É perspectiva histórico-crítica é o retorno à Prática Social.
capaz de entendê-la em um novo patamar, mais
Conforme Saviani (1991:82), a prática social inicial e
elevado, mais consistente e estruturado. É a síntese
final é a mesma, embora não o seja. É a mesma
que o aluno efetua, marcando sua nova posição em
enquanto se constitui "o suporte e o contexto, o
relação ao conteúdo e à forma de sua construção no
pressuposto e o alvo, o fundamento e a finalidade da
todo social.
prática pedagógica. E não é a mesma, se
O educando mostra que de uma síncrese inicial sobre considerarmos que o modo de nos situarmos em seu
a realidade social do conteúdo que foi trabalhado, interior se alterou qualitativamente pela mediação da
chega agora a uma síntese, que é o momento em que ação pedagógica...".
ele estrutura, em nova forma, seu pensamento sobre
Professor e alunos se modificaram intelectual e
as questões que conduziram a construção do
qualitativamente em relação a suas concepções sobre
conhecimento. Esta é a nova maneira de entender a
o conteúdo que reconstruiram, passando de um estágio
prática social. É o momento em que o aluno evidencia
de menor compreensão científica, social e histórica a
se de fato incorporou ou não os conteúdos trabalhados.
uma fase de maior clareza e compreensão dessas
Segundo Saviani (1991:80-1) "catarse é a expressão mesmas concepções dentro da totalidade.
elaborada da nova forma de entendimento da prática
Este é o momento em que docente e educandos
social a que se ascendeu.(...) O momento catártico
elaborarão um plano de ação a partir do conteúdo que
pode ser considerado como o ponto culminante do
foi trabalhado. É a previsão do que aluno fará e como o
processo educativo, já que é aí que se realiza pela
desempenhará pôr ter aprendido um determinado
conteúdo. É o seu compromisso com a prática social,

GASPARIN, João Luiz. Uma didática para a Pedagogia Histórico-Crítica. Campinas: Cortez, 2003.
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uma vez que esse método de estudo tem como WACHOWICZ, Lilian Anna. O método dialética na Didática.
pressuposto a articulação entre educação e sociedade. Campinas, Papirus, 1989.

O passo final desta proposta didático-pedagógica PLANO DE UNIDADE – HISTÓRIA


consiste basicamente de dois pontos:
MOVIMENTO DOS SEM-TERRA
a) Nova postura mental do aluno frente à realidade
estudada. É a nova maneira de compreender o INSTITUIÇÃO: Escola Estadual José de Alencar
conteúdo estudado situando-o de maneira histórico-
DISCIPLINA: História do Brasil
concreta na totalidade.
UNIDADE: Formas históricas de propriedade da
b) Proposta concreta de ação por ter aprendido um terra
determinado conteúdo. É o compromisso concreto do SÉRIE: 2º ano do ensino médio
aluno. É o que ele fará na vida prática, em seu HORAS-AULA: 4
cotidiano, tanto individualmente como coletivamente. PROFESSOR: Carlos Gomes
Essa proposta de trabalho pode referir-se tanto a ações
intelectuais quanto a trabalhos manuais, físicos. OBJETIVO GERAL:
A prática Social Final é o momento da ação consciente
do educando na realidade em que vive.  Analisar as formas históricas de propriedade da
terra no Brasil, a fim de entender os direitos de
todos à propriedade privada.
CONCLUSÃO
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

A proposta metodológica da Pedagogia histórico-crítica  Identificar as várias formas de posse da terra no


é um caminho de apropriação e de reconstrução do Brasil Colônia, Império e República para
conhecimento sistematizado buscando evidenciar que acompanhar evolutivamente o conceito de
todo o conteúdo que é trabalhado na escola é uma propriedade rural e entender as formas de
expressão de necessidades sociais historicamente latifúndios e minifúndios atuais;
situadas.
Esse conteúdo é reapropriado e reelaborado pelo aluno  Verificar quais os artigos da Constituição
através do processo pedagógico e retorna agora, de Brasileira atual que tratam sobre a posse da
maneira nova e compromissada, para o cotidiano social terra, a fim de julgar com mais propriedade as
a fim de ser nele um instrumento a mais na invasões e ocupações de terras pelo Movimento
transformação da realidade. dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST);
Os passos pedagógicos de construção do
conhecimento escolar, apresentados aqui de maneira  Conhecer o que é o MST, buscando formar uma
formal , aparecem como se fossem independentes e opinião adequada sobre seus objetivos, a fim de
estanques, mas, na realidade prática eles constituem contestá-las ou apoiá-las com clareza de
um todo indissociável e dinâmico, onde cada fase princípios.
interpenetra as demais.
1-PRÁTICA SOCIAL INICIAL DO CONTEÚDO
Assim, a Prática Social Inicial e Final são o contexto de
onde provém e para onde retorna o conteúdo
reelaborado pelo processo escolar. A Problematização, 1.1. Conteúdo
a Instrumentalização e a Catarse são os três passos de
efetiva construção do conhecimento na e para a prática Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
social. (MST)

 Formas históricas de posse da terra;


BIBLIOGRAFIA  Direito de todos à propriedade;
 O que é MST?
 Objetivos do MST.
CURRÍCULO BÁSICO PARA A ESCOLA PÚBLICA DO ESTADO
DO PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação do Paraná -
Curitiba, 1992. 1.2. Vivência cotidiana do conteúdo
PROJETO DE AVALIAÇÃO DA PROPOSTA CURRICULAR DA
HABILITAÇÃO MAGISTÉRIO - Proposta da Disciplina Didática.
 O que os alunos já sabem sobre o conteúdo:
Curitiba, SEED, 1989.
Bagunça, busca de terra, Igreja, política,
SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia, São Paulo, Cortez,
1991. partidos políticos, reforma, agrária, violência,
governo, polícia, abandono do governo,
VASCONCELOS, Celso dos. Construção do conhecimento em
financiamento, terrorismo, invasão, ocupação de
sala de aula. São Paulo, Libertad - Centro de Formação e
Assessoria Pedagógica, 1993. terras, União Democrática Ruralista (UDR), terra
para todos, força política, matança de gado, terra

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produtiva e improdutiva, direito à propriedade, vilas  Ética: Quais os princípios morais e


rurais, bandeira vermelha, comunismo, máquinas
éticos orientam o MST?
que ocupam o lugar do homem.
 Ideológica: Qual a ideologia do
 O que mais os alunos gostariam de saber:
MST?
Quem tem direito à propriedade? O que é
reforma agrária? Quando surgiu o MST? É uma 3. INSTRUMENTALIZAÇÃO
organização legal? O que é propriedade produtiva e
improdutiva? 3.1. Ações didático-pedagógicas:

2. PROBLEMATIZAÇÃO Exposição oral, debates, leituras palestras, visitas a


acampamentos.
2.1. Discussão sobre problemas significativos da
posse de terra 3.2. Recursos humanos e materiais:

 Quem tem direito à propriedade Filmes, jornais revistas, TV, entrevistas, livros,
rural? Quais as formas legais de legislação.
propriedade rural? O que são terras
produtivas e improdutivas? O MST 4. CATARSE
possui uma ideologia? Quais os
interesses políticos desse 4.1. Síntese mental do aluno:
movimento? Por que as diversas
igrejas se envolvem com os sem- MST é um agrupamento de pessoas sem
terra? Como o governo reage às propriedade agrícola, que tem como objetivo obter
invasões de terras? E se não um pedaço de terra para plantar e colher seu
houvesse reintegração de posse? sustento. Essa organização se estrutura em função
de necessidades e princípios socioculturais,
econômicos, políticos, históricos, ideológicos, etc.
2.2. Dimensões do conteúdo a serem
trabalhadas 4.2. Expressão da síntese:

 Conceitual/Científica: O que é Dissertação sobre o tema, englobando as


diversas dimensões trabalhadas.
MST? Como está estruturado?
 Social: Todos têm direito a uma 5. PRÁTICA SOCIAL FINAL
propriedade particular?
5.1. Nova postura prática:
 Histórica: Quando iniciou o MST?  Conhecer melhor o MST;
Por que nesse momento histórico  Respeitar o MST;
 Analisar criticamente o MST;
está ocorrendo esse movimento?  Saber mais sobre o direito à propriedade.
 Econômica: Quanto custa uma
5.2. Ações do aluno:
desapropriação? Quem lucra?  Visitar um acampamento do MST. Ler sobre
Quem perde? o assunto;
 Ler e estudar os princípios que regem o
 Política: Qual a proposta de MST;
governo para o MST? E para a  Comparar a ação do MST pela posse da
terra com outras formas legais de
reforma agrária?
apropriação da terra;
 Filosófica: Qual a linha teórica de  Verificar quais são as formas históricas de
apropriação da terra e legislação pertinente
conduta do MST?
em outros países.
 Religiosa: A Igreja, como instituição,
deve participar do MST?
Bibliografia:
 Legal: Existem Leis que amparam o GASPARIN, João Luiz. Uma didática para a
pedagogia histórico-crítica. 2ªed.- Campinas,
MST?
SP:Autores Associados,2003.

GASPARIN, João Luiz. Uma didática para a Pedagogia Histórico-Crítica. Campinas: Cortez, 2003.