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Maria Luisa Siquier de Ocampo,

Maria Esther Garáa Arzeno,


Elza Grassano de Piccolo e colaboradores

O PROCESSO
PSICODIAGNÓSTICO E AS
TÉCNICAS PROJETIVAS

T'"'11~üo .>.'IIUJ\.\I m:lV."~Zl>'i\l.8


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Índice
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Elllt,nd
Prefácio l

OadM . ., • • ·~-~.a:PJ
.U...'"6h••hN..~.....
s....- & Oc:air
Capitulo l
O pro~CiS() psicodiagnósrico
ôr-ie-o
\twtl. l . -
,o~ . . ~ . . , . , . . . ...... w.. t...iN María L S. de Oc,,mpn e M~ri~ E Garçia Arzeno J
,,,.... *OCaafw' \W,Íll,....(laM,.._,.I..Jd~·
Pla,rile~ .11:....... ,..m.d~.~ Capítulo li
--..i-1..-z1t•-- -· ,,. g.,-.. ........,...
...... ,...._.. C..à,, ...... ,-.e t&rlpl
A ,mtre,•i~ta inicial

- ~....-.,.i...m.....,,.«~•)dPfll)Ol'IICl>I'\~

,11a., "li.S-,rt.-lJ."'·'
1P 5 7 :.1~"'°~"·' <i-*' "'-,Mo.
~laría l. S. de Ornmpo e Maria E. GaTCia Arzeno

Copítldo Ili
15

na t;aaa. U. Gnamodr ,,_.,._ D.ta.. D. bua. L-. ......,.__ E,,treristas para o apli~ação de 1esres
Jl;l'lllllla\s.Are
\faria L. S. de Ocampo e Maria E Garcia Arzeno 4"'
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...............
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(Tl().A 16.L ....0,

Capitulo/V
~ e.....~ •16.t",Qi~
=~~~~ O qurnionário desidertlli>'O 63
r".e.:. ......... •i•JN ) 1. força e.fruque::a da ule1111dade ,w te,te des1dera111'0
, ~ ~ ~ 0 - Nlfâ.• , ~ d Maria L. S. de <>campo e Maria E. Garcia Ao.eno 65
F.,.,. WlJI- V . . . F,,,.. LIM..
r,ff{ l.Nnt ,:..,..., d r ~•• IJJ 0/J~!JJO ~ Ptud,; ~~ &...Jlil :!. FaJJJasia,, de morre ,w teste de.s1deramv,
r,. ,ins!9J~JSIJ ra,11~J1r,1 tí>I? Hebe Fricdenthal e Maria L. S. de Ocampo 87
.-,J,.,ffAl/t~l~J,,r ltlq,.~IA_,,,,_t,,....!Li:aiw
J. Índices d1agnó11icos e prog11ós11cos no teste desideronvo Capitulo X
a partir ckJ estudo das defesas O i11/on11e psicológico 441
Maria C de Schust e Elza Gra~sano de Piccolo 95 O infom,e ps,cológico: exemplificação arra~is de um caso
4. Identificação proje11m e meca,rismos esquizó1des no teste Renata Frank de \~rthdyi #J
desideratíW)
Alberto Brodesi-')', Nidia Madanes e Diana Rabinovtcb l/ 3 Capítulo XI
Indicadores para a recomendação de terapia bre1-e
Capítr1fo V atraídos da e11tm·isra dt derolução
O tene de relaçiiõ objetais de Herb«t Phillipson Mari3 L. S. de Ocrunpo e Maria E. Garda Arzeno 475
Maria L S. de Ocampo e \1aria E. García Arzeno / 19
C'1piru/o XII
CapúuJo VI .-ts técnicas projecfras no diag116Slico das dificuldades
O teste de a~rcepção infantil (CA. T.J de l. e S. BcllaJ. / "'li k aprendi;JJgein
Guia de imerpretaçõo do teste de apercepçôt) infOlllil Bianca E. Edelberg de Tamopolsky 48i
{C.A.r-AJ de L. Bellak
Sara Baringoltz de Hirsch J 81 C'1pirulo XIII
O ensino do psícodiagn6slico 517
Capftulo Vil Uma experiê11cia no ensino do psicodiagnósric.o. Técnica
A /wra de jogo diagnóstica 205 do ··ro/e-pÚI)-ing ·
/. A hora de ;ogo dragnthrica Enza M. Appiani, Esllie1 Fai111J.!1g. '.\faria E. M1..-Guin:
Ana Maria Efroo. Esther fainberg. Yolanda Klemer. Ana de Llaur6 e Yolanda KJemer 519
María Siga! e Pola Woscoboinik 10i
:!. Por um mQ<Íe/o e:.rn1rurol da hora de jogo diagnóstica
Analia Kornhlit 139

Capitulo Vlll
O, tesies gráficos 153
Defesas 110s tesres gráficos
Elza Grassano de Piccolo 155

Capitulo/X
A c11trevista de devolução de infnrmação 381
J. Det-oluçào de infomwçiio ,w processo psicodingnastico
Maria L. S. de Ocampo e '\faria E. García Aoeno 381
?. Técnica de dewJ/uçâQ em casal
'lorberto '\1ario Ferrer e Elida Esther Fernàndez JIJ7
Capítulo l
O processo psicodiagnóstico
CaracJUizaçw. {}t,jetiwJ..<. Momenro, do Processo.
Enquadmme,uo.

\ faria L. S de Ocampo e
\.faria E. G3rcfa Arzeno
A concepção do processo psicodiagnósrico, tal como o
postulamos nesta obra. é relativamente no,-a.
Tradictonalmente era considerado ..a partir de fora". como
uma situação em que o psicólogo aplica wn teste em alguém,
e era nestes termos que se fazia o encaminhamento. Em alguns
casos especificava-se, mclus1ve. que teste, ou testes.. se de,,e-
ria aplicar. A indicação era formulada então como ·fazer um
Rorschach·· ou ~:.phcar um des,derau,o-- em alguém.
De ouuo ponto de vista. "a pamr de denuo•·. o psicólogo
tradicmnalmente sentia sua tarefa como o cumprimento de
uma ..oi ici1.ação com a:, cara.:1eriS1Jcas de uma demanda a ,e,-
,..~tisfeita seguindo os passo, e utili7.ando os instrumentos indi-
CJdo. por outros (psiquiatra. psicanalista. pediatra. neurolo-
gista. etc.). O objetivo fundamental de seu contato com o pa-
<:tCnh: cra. então. a investigação do qu.: este fa.: diante dos Cl,JÍ-
,..,u los apresentados. Deste modo. o psicólogo atuava como al-
guém que aprendeu. o melhor que pôde. a aplicar um teste. O
pacie,ite, por s.:u lado. representava alguém cuja presença é
-nprcscindi,el; alguém de quem se ~era que colabore docil-
-iente. mas que só interessa como objeto parcial. isto é, como
aquele que de, e fazer o Rorscbach ou o Teste das Duas ~
oas . Tudo que se desviasse deste propósito ou interferisse
6 7

em seu suces,o era consid.:rado como uma perturbação que a,;pccui-. Por um lado. tomou emprestada uma pseudo-identi-
afeta e complic.i o tmbalho. dade. nc1,'30do a,, diferenças e nào pensando para não dtslin-
Ternunad:I a aplica.;!o do úl1tmo teste. em gemi. ~ guir e 'ic.ir de n,,..,. desprotegido. O pnço de,te ali\ io, além
d13-sc o paciente e enviava-se ao remetente um informe elabo- da unposição extemJ, foi a submbS.io rntenor que o empobre-
rado COTD enfoque atomit.aJo. isto e, 11...,,tc por tel>t.: e com uma cia sob todos os pontos de .i,ta. ainda que lhe ~ítasse um
ampla gama de deulhes. a pomo de indmr. cm algun, casos, quest><mamento sobre quem era e como d.:\ena trabalhar. A
o protocolo de n:g1ruo d<» t,:;,1.es aplicado,, sem IC\-ar cm coou aào-mda1,,ação de tudo o que se referia au ",tc!ma comuru.-:a-
qu.: o profissio1ul remetente não tmh:i conhecuncntos espcc1 cional dinâmico umentavn a distancia entre o psiool<>so e o
fico, ,uficicn1c, rara extrair alguma mfonnaçio uul de todo pac1eote e dunim• .1 a ~ibilidade de ,l\enciar a angu,tia que
e;ic m.i.1.cnal. G1c tipo de mfonnc p,1,ológfoo f1111Ciona coll'O tal rcl..çào pode despertar .\,,,m. uuhzavam-se o,, te~
uma prestação de conw. do psrcólogo ao outro pcofissional. como -.: eles coost1tu1ssan rn1 ,, mesmo,, o ~u, o do p$ico-
que é ,colido como um ,.ipcrego c,u~cnte e inqui,idor. Atr:h diagnó,tico e COMO um escudo entre o profis:.1onal e o pacien-
des.._<e desejo de mostrar dctalhad3mentc o que aconteceu com: te. p;,:ra !!' m p,.-n~uncmo:. e scnumento, qu.: mob L ~
',CU pactent, e ele. csconJ..:--.c uma grande in~'llr-Jnça. fruto afeto. pena. reje,çào, comp,"ào· medo. etc.)
de SWl frágil idenudade profi,sronal. Surge. em.lo. wna neces- \las nem lodos os psicólogo, aguam de aconlo com c:,ta
s1dJde unpcrio-.J de Justificar-.,,: e Jll'O"U (e prO\.lJ' para si) que dcscri,fio Muitos cxpcrimcntarum o dC'><!JO de uma aproxima-
procoocu oom:tamente. detalhamio e.,cessi-,uncnte o que aco-n· ção autêntica com o paciente. Para pô-lo ..-m práuca. u.eram
teceu por medo de não moi.'tr.lr nada que 5eJ3 e.....cncia.J e cli- de :ibandonar o modelo médico enfrentando por um lado a
mcamente útil. Cs><?s infuc 1nes psicológico:; são. à luz d;: 00'>· de~pm<cçao e. por outro. a ,nbre,:arga atcuva pelos d.:ixi,11os•
sos conhecimentos at\13i,. uma fria enumeração de dados. traço,., de q\at eram ob;eto, sem c,1arcm prepamdos para 1 ~. Podia
formula.<. etc .. freqüent~mcme não integrados 'luma Ges:.ilr acon cc.:r cotão que a.ruassem de acordo com os papeis indu-
que apreendl o esscnC'l31 da personalidade do paciente e pcr- zido,. pdo pac1a.te: que se de1xa....em im.id1r. seduzrr. que o
m1tn evidencia-ln. SUJ)Cfllrotcgessem. n abandonassem, etc. O n:,ultado era wna
O psicóloi:o unbalhou durante muito tempo com um mo- contra-identificação projeti,a com o paciente. incom.cniente
delo ,imitar ao do médico clinico que. para proceder com efi- r,orqc.e interferia cm seu trabalho De\.cmOS IC\1lf cm conta
aen.:ia e obJet1,.1dade. toma a ID310r distância po,,s1veJ em re- que é e~= a confiança que poo..,no,, ter em um d.lJgnósti-
lação a ,;eu paciente a fim de ~ahelccer um , incuto afemo co t.T1 que ,enh3 operado este mecanismo, -.em poss1b11id.ldes
que não lhe impeça de trabalhar com a tranqüilidade e a ob:ic- de com:i,:ão po:,ter1or. De\1do à difusão crescente da ps1c:iná-
uv1<13dc nc:cCSSJrias "°
lise ;in,bito uni,.:" tário e sua adoção como marw de refe-
Cm no,,a opmião, o p,1cologo frcqüememcn1c agia assim rencia. os psicólogo:. optaram por accua l:1 como modelo de
e amda age por carecei de uma 1d..'llttdade sóhd3 que Ih<: trab,.,.'lo, diante da necessidade d.:: achar uma 1magrm de iden-
pcmui:a sabt.'l' quem é e qu.-1 é seu ,enJadeiro trabalho dentro llficu;Jo que lhes pennitis.sc cn;)ccr e se fonaleter.1;.sta aqui-
dJ, ocupa.,;c,, hg:idas à saúde mental. Por isso tomou cmpres-
1J11h passi-.am<-'111i:. o modelo de trabalho do médico clinico lpe·
di.11ra. neurolog1'1.:l. etc. l qu.: Ih.: da,-:i um r-,cudo-al{vio sob dm~
0 prí)Cd,O fLrioodiag,,áshco,_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _-c...
9
8 - - -- - - O proresso psict>diagni,sriro" as u!oricas projeriwn

sição significou um progresso de valor inestimh-el, lll3S pro- 1denndade alheia (a do terapeuta) e romper o próprio enqua-
' OCOU· ao mesmo tempo. uma nova crise de identidade no psi- dramento. Daremos um exemplo: S<! o paciente chega muilO
cólogo. Tentou 1ransferir a dinâmtca do processo psica.nalilico atrasado il sua sc:.5ào, o lcrapcuta interpretará em função do
para o processo ps.icodlagnósnco. sem lev3T cm conta as C3· matc.:rial com que conta. e c.,se atrdso pode con,1ituir para ele
ractensocas e,,-,:,ccíficas deste. Isto trouxe, paralelamente, uma uma conduta saudável em oerto momento da terapia. como,
distorção e um cmpobrccimento de caráter diferente dos da por exemplo. no caso de ser o primeiro sinal de tranSferência
hnha antenor Enriqueccu-:.c a compreensão dinãmica do caso negam-a em um paciente muno predisposto a idealizar seu
mas forllTn desvalorizados os instrumentos que não eram utili- , ínculo com ele. ~o caso do psicólogo que de-,e real.Jzar um
zados pelo p;,icanallSta. A técnica de enlfC\ista IÍ\Te foi sup,:r- d!agnóslico. esses poucos mmutos que resuun não lhe senem
,,uorizada enquanto era relegado a um segundo plano o valor para nada, já que. no máximo, poderá aplicar algum tesle grá-
dos testes. embora fosse para ISSO que ele e;,tives.se mais pre- fico 1113.i sem garantia do: q u e ~ l><:r concluído no momento
parado Sua atitude em relação ao paciente esla,a condtciooa- preci,;o. Pode ococrer então que prolongue a entre.;sta. rom-
da por sua ven.ão do modelo analíuco e s.:u enquadramento pendo seu enquadramento, ou interrompa o teste: tudo isto per-
específico: permitir a seu paciente desenvolver o tipo de con- turba o paciente e anula seu trabalho. já que um teste não con-
duta que surge espontaneamente em cada sessão. in1cq,retar cluiclo não tem ,-alidade. Css,e mesmo atraso significa. nesse
com base neste material contando com um tempo prolongado segundo caso. um ataque mais séno ao vinculo com o profis-
para conseguir seu objeti..-o. podendo e de.endo ser continen- Yonal porque ataca direLaIDente o enquadramento prC\ ,amen-
te de cerias condutas do paciente. tais como recusa de falar ou te estabelecido.
brincllT (caso trabalhasse com crianças). silét1cKl5 prolonga- 1'ào re-.ta a menor dúvtda de que a teoria e a lécruca ~·-
dos, faltas n.:p.:tidas, atrasos. etc. canaliticas deram ao psicólogo um marco de referência im-
Se o psicólo<.JO de-.e faz« um psicodiagn6!>11co. o enqua- prescindível que o ajudou a entender corretamente o que acon-
dramento não pode !><.T C,..\C: ele dispõe de um tempo limitado: tecia em seu contato com o paciente. Mas. as,,-ün como uma
,ez teve de se rebelar contra sua própria tendência a ser um
a duração excessi,-a do processo toma-se prejudicial; s.: não i,e
colocam limites às reJeiçõcs. bloqueios e atrasos. o trabalho aplic:idor de testes, submettdo a um modelo de trabalho frio
des11ma01Vldo, atomizado e superdetalhtsta, tambêm chegou
.
fracassa, e este dC\.e ser protegido po.- todos os meios. Em re-
lação à tccnica de entre,,sta li,re ou 1otahnente aberta. se ado- um momento (e duiamos que estamo, ,i.cndo ~e momento)
tamos o modelo do psicanalista (que nem t.Odns adotam). de- em que teve de defin ir suas s.:mclhanças e diferenças em rela-
vemos dei,~arque o paciente fale o que qub.:r e quando quiser. ção ao tcr.1p,.:u1a p,icanalítico Todo este processo se deu, entre
IStO é. respeitaremo& seu timi11g. Mas com isto C3iremos numa outras razões, pelo fato de ser uma profissão 00\-a. pela fonna-
confu..<ão: não dispomo~ de tempo ilimitado. Em nosso contra- çào m:.:bida {pró ou antipsicanalítica) e fatom. pessoais. Do
to com o paciente falamos de -algumas entreVistas" e à, ve?.eS nosso ponto de vista, até a inclusão da teona e da técmca ps1-
até se especifica mais ainda, =larecendo que se trata de.: 1~ canal.ocas. a tarefa psicod!agnósuca carecia de um marco de
ou quatro. Portanto. aceitar silêncio;; muito prolongados. lacu- referência que lhe desse consis1éncia e utilidade clinica, espe-
nas lotais em temas fundamentais. wsiStência em um mesmo c.almente quando o d1a.gnósuco e o prognóstico eram reah1.a-
tema. etc .• ··pocque é o que o paciente deu". é funcionar com uma do~ em função de uma possí,el terapia. A apro~imação entre
_1_0 ___ _ _ _ Oprocesso psicod1agná.<tico e <IS téttll'as pmJ.:fÍliJ;; li

a wefa psicodiagnõsnca e a teoria e a técn.ca psicanalíticas rea- como também poderá pensar mais e melhor em si mesmo,
lizou-se por um esforço mútuo. Se o psicólogo uaba~ha com contribuindo para o ermquecimemo da teona e da prática p!>i-
seu proprio marco de reforência. o psican~h<;ta de~1ta mar- colôgica inerente a seu campo de ação.
confiança e esperanças na correção e na uhlidade da informa-
ção que recebe dele. O psicanalista se abriu mais à infonn~ção
proporcionada pc lo psicõlogo. e e:s!C, por seu lado. ao i.enur-se Caracter/UJ-çào do proces~o p~icodiagnóstico
mais bem n.~ebido. redobrou seus esforços para dar algo cada
vez melhor. :\tê há pouoo lcmpo. o falo de o informe pS1C-0l~- IIIMitudonalmrnte. o processo p~icodiagmbtico configu-
oo incluir a enumeração dos mecanismos dcfenmos utilizadOi ra uma situação com papéis bem definidos e com um contrato
pelo paciente coostituia wna informação importan~. f\o 4:5_1:ido no qual uma pessoa (o paciente) p,:de que a ajudem. e outra 10
arual das coisas. consideramo, que dizer que o paciente unhza a psicólogo) accila o pedido e se compromete a sansfazé-lo na
dissociação, a idenbficaçào projci,va e a idealização é d3r uma medida de suas possibilidade5. É uma s1ruaçào bipessoal (psi-
informação alê certo ponto útil mal, in,uficicnte. Possivelmente. cólogo-paciente ou psicólogo-grupo fam,har), de duração limi-
lOdo s« humano apela para todas as o.:fesas conhecidas de acor- tada. cujo obielivo é conseguir uma descrição e compreensão.
do com a situ3Ç.ào iou.-ma que de\"e cnfn..-ntar Por ISSO, pensamOi o mais profW>da e compk:ta po»ivcl. da personalidade total do
que o mais útil é d=-.:ras siruações que põem em jogo essas paciente ou do grupo familiar Enfatiza também a invesngação
dcf~ a sua mtensidadc e as _probabilidades de que sqam efi- de algum ~p.:cto cm particular. segundo a smtomatolog1a e a!,
cazes Consideramos que o terapeuta extrairá uma informação caracterislicas da indicação (se hou~er). Abrange os :»'J)Cctos
mais útil d,; um informe dessa narureza. passados. presentes (diagnósuco) e futuros (progaóslico) desta
U psicólogo teve ~ pcrc«Tcr ai. 111esmas ~pas que um personalidade, UtJhzando para alcançar tais objen~-os cenas téc-
indivíduo percorre em seu crescuncnto. Buscou figura~ boas nicas (entrensta semidirigida, técnicas projeti~olS. entrev,sr.a
paro se identificar. aderiu ingénua e dogmalicamente a ema _ideo- de de,-olução).
logia e 1denrificou-se iotroJetmunente com ouuos proflS!>,o..
nais que fimcionaram como imagens parenlais. até que pôde
questionar-se. às \•ezes com crueldade excessi,"ll (como ado- Objetiros
lescentes cm crise). sobre a possibilidade de não ser como eles.
Pensamos que o psicõlogo entrou num período de maturidade Em nossa caracterização d-O processo psicodiagnósbco
ao perceber que utilizava uma ..pscuoo·· identidade qo,:. f ~ adiantamos algo a respeito de seu obje1ivo. Vejamo-lo ma.r.s
qual fosse. di,;orcia sua idenndade real. Para perc~ esta uh,- detalhadamente. Dizemos que nossa investigação psicolõgica
ma, teve de tomar uma certa distância. p<.'TlSar cnt1camente no oo-e conseguir uma descrição e compreensão da ~ll.'.llidade
que era dado como inquest1oná,,el, 31--aliar o que era positi..-o e do pacienle. Mencionar seus elementos constitutivos não satis-
digno de ser incorporado e o que era negath-o ou _oomplem~- faz nOSSJs exigências. Além disso. ê mister explicar a dinâmi-
te alheio à sua amidade. ao que te\'e de renuncrat. Conseguru ca do caso tal como aparece no material recolhido, integran-
assim wna maior autonomia de pensamento e prálica. com a do-o num quadro global. Uma .,.ez alcançado um panorama pre-
qual não só se di~tinguirã e fortalecerá sua identidade própna, ciso e oornpleio do caso. inclwndo os aspectos patológicos e
11 _ _ O ~ psrcodiagr:ósrico eas tknkas projetnm /J

os adaptati,·os. trataremos de fomntl:rr recomendações tera- E nquadramento


péuncas adequadas (terapia breve e prolongada, individual, de
casal. de grupo ou de grupo familiar, com que freqüéncia: se J;í nos referimos ã necessidade de unlizar um enquadra-
é recomendável um terapeuta homem ou mulher; se a terapia mento ao longo do processo ps,codiagnóstico. Definiremos ago-
pode ser analillea ou de orientação analítica ou outro tipo de ra o que entcndcmos por enquadramento e esclareceremos alguns
tecapi~ se o caso necessita de um tratamento medicamentoso pontos a =--peito disto.
paralelo. etc.). Uttlízar um enquadramento significa. para nós. manter
constantes certas ,ariâ,-eis que intervêm no processo, a saber.
Esd:rrec1mento dos papéis respecti,os (naturcu e limi-
,\fom entos do processo psicodiagnóstiro te da função que cada parte integrante do conuaio de-
sempenha).
Segundo nosso enfoque, reconh...-cemos no processo pst-
- Lugares onde se rcalizanio as entrevistas
codiagnósuco os seguintes pas:so!>·
1~) Pnmeiro contato e entn:,·ista inicial com o paciente.
- Horário e duração do processo ( em termos aproxrma-
2~) Aphc;ição de tcst~~ e técnicas proJCtivas.
dos. tendo o cuidado de não estabelecer uma duração
3~) EncerTamento do processo: devolução oral ao pacien- nem muito curta nem muito longa).
te (e.ou a ,eus pillS). Honorários (caso se trate de uma consulta particular ou
4 ~) Informe escrito para o remetente. de uma inslituição paga)
Ko momento de aberturo estabekccmos o primetro con- "Ião se pode defirur o enquadramento com m:uor precisão
tato com o paciente. que pode ser direto (~oalment~ ou poc porque seu conteúdo e ~u modo de formulação d.:pendem, em
telefone) ou por intermédio de outra pessoa. Também incluí- muitO!> aspo..-cto!>. das cara~"teri,ticas do paciente e dos pais.
mos aqui a primeira entrevista ou entrevista inicial, à qual nos Por isso recomendamos esclarecer desde o começo os ele-
referiremos detalhadamcnlé no cap,rulo li. O segundo momen- mentos ,rnprescmdiveis do enquadramento. de1Xando os res-
to consiste na aplicação da batena previamente ,clcc,onada e tantes para o final da primeira entre.ism. Perceber qua l o en-
ordenada de acordo com o caso. Também incluimos agw o tem- quadramemo adequado para o caso e poder mante-lo de ime-
po que o psicólogo deve dedicar ao estudo do matenal recolhi- diato o: um demento tão importante quanto difícil de aprender
do. O terceiro e o quarto momentos são integrados respectiva- na tarefa psicodiagn6s0<:a. O que nos parece mais recomendá-
mente pela entre,ista de devolução de informação ao paciente
•el é uma atin,de permeável e :11><:rta (tanto para com as neces-
(e/ou aos pillS) e pela redação do informe peninente para o pro-
sidades do paciente como para com as próprias) para não esta-
fissional que o encaminhou. Estes passos poSSJoilitam infor-
belecer condiçõc, que logo se tomem insu,tcntávcis !falta de
mar o paciente acerca do que pensamos que se passa com ele
e onentá-lo com relação à atirude mais recomcndâ,el a ser limites ou limites muito rígidos, prolongamento do processo,
tomada em seu caso. faz-se o mesmo em relação a quem delineamento confuso de sua tarefo, etc.) e que prejudiquem
emiou o caso para psicodtagnóstico A forma e o conteúdo do especialmente o paciente. A plasticidade aparece como uma
infonnc dependem de quem o solicitou e do que pediu que fosse condição ,aliosa para o psicólogo quando este a unl.iz.a para se
investigado mais especificamente. siruar acenadamente diante do caso e manter o enquadramen-
1-1 O prouno psicodiag,óslico <' as rkmcas projerrras

to apropriado Também o é quando sabe discriminar enire uma Capitulo II


necessidade real de modificar o enquadramento prefixado e
urna ruptura de enquadramento por atuação do psicólogo indu- A e11trevista inicial
zida pelo paciente ou por seus pais. A contra-idennficação pro·
jetiva com algum deles (paciente ou p:ú) pode mduzrr a t:llS erros.
\faria L. S. de Oc3mp0 e
~lariaE.GarcíaAruno
Caracterizamos a entre..-ista inicial como entrevi!.ta scmi-
dirigida. l..1113 entreVb'U é semidirigida quando o paciente tem
!Jberdade para expor seus problemas começando por onde pre-
ferir e inclwndo o que dese_iar. Isto é. quando penrute que o
campo psicológico configurado pelo entre,,stador e o pacien-
1.: se estruture cm função d.: , et0res as,inala<b. J><!IO últ:uno.
,1as. diferindo da técnica de entreVista totalmcme livre. u entre-
vistador intervém a fim de: a) assinalar alguns v.:tores quando
o entrevismdo não sabe como começar ou continuar. Estas per-
guntas são feitas.. é claro, da maneira m.us ampla possível: b)
assinalar situações de bloqueio ou paralisação por incremento
da angústia para assegurar o cumprimento dos obJetJvos da
cnlrc-;sta: e) indagar acerca de aspectos da conduta do cntre-
,;stado, aos quais este não se referiu espontaneamente:. ac.:rca
de "licunas·· na informação do paciente e que são consick.--ra-
das de especial !Dlportância... ou acerca de contradições. ambi-
5üidades e verba!Jzações "obscuras".
Em tennos gerais. recomendamos começar com uma téc-
nica diretiva no primeiro momento da entrevi~,. correspon-
dente à apresentação mútua e ao esclarecimento do enquadra-
mento pelo psic.ólogo e. em seguida. trabalhar com a técnica de
entrev tSta h..-re para que o paciente tenha oportunidade de expres-
-~ "'111Tri<!a ,nrwl _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _I_9

sar livremente o motivo de sua consulta. Finalmente, no úllimo to ante este e;timulo. A maioria dos teStes inclui um t11terroga1õ-
momento ~'"ti primeira entrevista.. de\=. forçosamente, ado- rio. F8let perguntas e n."CCber respo,ias é um lrabalho em que
tar uma técnica direlÍ\'a para poder "preencher" nossas "lacu- colaboram am~ o; inlcgr..mt"'i do processo. numa tarefa igual-
na,,-. Esla ordem recomendada func1oru:i como um guia. e cad.1 mente comum. Também a entre,;s1a se inclui neste contexto.
psicólogo de,-.: aprender qual é, em cada caso, o momento opor- E:."tá enquadrada dentro destas mesmas linhas. já que não
tuno em que <kvc manter a alltudc adotada ou mudá-la, para incluímos cm nossa técruca a mterpretaçào. Quando nos acha-
falar ou calar e escutar. mos d1an1e de uma situ3Çào de bloqueio. não nos hnuumos a
Para recomendar estl técnica de entre\ista semidirigida ..ssma.a-la como úruco mdJcador únl paro o dJagoosnco. Já que
levamos em conta dua:, razões: a primeira é que devemos co- re,,1nog1r-nos a 1s,;o oca,,1ona séria., conseqü.:nc1:i.-. Ao empo-
nhecer exaustr.amente o paciente. e a segunda responde à neces- brecimento de no,;.so diagnóstico se soma a total ignorância cm
~idade de e>.tmir d3 entre, i,1a certos dado, que nos permnam n:la<,:ão ao que tal bloqueio encobre.
formular hipótcs.:s, plane.iar a bateria de testes e. posterior- Necessitamos mais informações e as obtemos fazendo in-
menle. inlerprclar com maior precisão os dados <b. l~cs e da dicações para mobilizar o paciente durante a entrevista cliruca
emre\ista final. A correlação entre o que o paciente l e seus e aphcando testes apropriados. Se quisermos marcar uma dife-
p.llS) mostra 03 pnmeira entre\'b'U. o que aparece nos 1e:.tes e rença entre a entre\1sta clíruca e a dedicada il aplicação de tes-
o que surge na entrev1su de devolução, ofCf'CCe um importan- te,,. diremos que a primeira oferece uma tela mais ambígua,
te ma1erial diagnostico e prognó,t,co. -.at1clhan1e " prancha em branco do TA T ou do Phillipson
Do nO$SO pon10 de ,i~ta. a en1re, i~ clinica é ·'uma·• téc- J>or i,<,0 extrai una amostra de conduta d.: tipo diferenle da
nica. não "a" técnica. É =bslituivel enquanto ci.mpre certo,, que se llra 03 aplicação de lestes. Os critérios gerais que utili-
objetivos do processo psicodiagnóstico. mas os tesles (e oo-, zamos para interprelar a entrevista inicial coincidem com os
referimos paniculannente aos testes projetivos) apresentam q..e apucamos para os testes. At incluímos: o tipo de vínculo que
ceruis \antagens que os tomam insubstituíveis e imprescindi- o .,,,ciente e:.tabelece com o psicólogo. a transferência e a con-
,eis. \1encionaremos entre elas sua padroruzaçào. caracterís- 1ra11-an,ferência. a classe de, incuto que estabelece com outros
tica <Juc dá ao diagi1óstico uma maior margem de segurança. a ,-, sua, rda,;õc~ in1crpc,sooi, a, am,iedatle1, predominanlcs,
exploração de outros tipo, de conduta que não podem ser uwes- a, condulas defensivas utilizadas habitualmente, os aspectos
tigadas na entreVÍSGJ clinica (por exemplo, a conduta brráfica l ra1ológicos e adaptativos. o diagnóstico e o prognósuco.
e que podem muito bem constituir o reduto dos aspectos mais Para obter toda esta informação devemos pm:isar quais
~ológicos do paciente. ocultos atrás de uma boa capacidade sSo o, objeu,os ~ cntrevist.i inicial:
de verbahzação. 1. 1 Perceber a pnmcira impressão que aos desperta o pa-
Em síntese, os testes consLituem. para nós. mstn.anentos ' .:nle e ver,..: ela ,e manti!m ao longo de toda a entre\. ista ou
fundamentais. Já esclarecemos que no, refenmos oos lesteS pro- mml,1 .: cm que sentido S.'io aspectos importantes: sua lingua-
jetivos. E&o.:s apn.:,entam Clótirnulo, ambíguos mas definido,, gem ,urporal sua~ roup0s, !oeU> gcslos, ,ua maneira p.:culiar
(pranchas, perguntas. etc.). Operam de aconlo com instruções Je íi,•r qujeto ou de mover-se, seu semblante, etc.
que são verbalizações controladas e d.:finiib,, que tramm.itcm 2. 1Colliideraro que verbaliza: o que, como e quando ver-
.o pac1ettte o ripo de conduta que esperamos dele oeste mome11- baliza e com que ritmo. Comparar ISlO com a imagem que tranS·
20 .f OlmlJlll inirial _ _ _ __ 21

mite au,,,~ de ,ua maneira de falar qu,ndo no~ "1hcna a con de mtci:ração e, como tal, de bom prognóstico. Na entn:vista
suita u;eralmcntc por te efooe). Avaliar a, cara.:teri!,lJC.aS de 1ruCtal devemo5 C'(tr.ur certas hipóteses da sequência tem~
sw linguagem a clarc:,a ou confus!o com que se c~pre,,.-:i. a ral. e ~ foi. é e ser.i o pacien1e. Uma ,u confront3da:. com
prcfcréncia por tennos cqui,ocos, 1mprcc1SOS ou ambiguos. a o que foi c,aai.do dos lestes e da cn1n.-.1sta de de\.olução. serão
uuh.1açào do tom de ,oz que pod.! entorpecer a comuricação nrificada.,, ou niio.
a ponto de não se entender o que d17. amda quando fale Cll"'I 3• E,tabelecer o grau de coerência ou d1l>Crepânc1a entre
uma linguagem precisa e adequada Quanto ao comeudo dJ, llldo o q ic foi ,crl,a.hz.ado e tudo o que captamos &tra\'és de
,crb,1li1ações.. é importante levarem conta quais o,, asp«1os de sua linguagem niio-\erb.1.1 (roupas. geslos. ele.). O que e;,,prc:;-
SI.Ili vida que ,.,.,.-01.'le paro comccar a ',lar. quai, o, a._<.peetos a ,;a não ,erb3lmentc..: algo real=~ mwto menos control do do
que :;e refere prefcrenculmente. qu.u, os que pr r,oc..m blo- q.:ae as ,-erbalizaçõcs Tal confronto pode informar-nos '-Obre a
queios. ansiedade,. etc., hto e. rudo que indica um de-, 10 e, " ,erêo.;.a oi. discrcp;incia entre o que é apttscnudo COINl mo-
relação ao clima reinante anteriormente. Aquilo que e,prc!-.-a 11,0 mamfe,10 da consulta e o que percebemos como moti~-o
como motÍ\'O mamfe,to dt ,..a comuha pode manter-..:. anu- ,ubjacentc. Poderíamos exemplificar isto do segwnte modo:
11r.,e, iJllPhwr-~ ou re:.--mni;ír-,..: durante o resto dc,ta primeira um paa,:nte pode estar nos aplicando que e-tá preocupado
er1n.-.1,1a ou do processo e COfbtiru, outro dado importante c.-n seu, fracasso,, mtclect:Uab e .1oompanlw- c,,te!. comcn~-
Por uutro lado, o p:mcntc inclui cm ,ua ,crbnh1ação os tr.:, rios com ge,tos claramente afetados. Num caso as:,'im obser-
tempo, de sua , ida: passado. ~sente e futuro, d.alo, que ser..o 'iiD'I°" desde a primeira encrc,.1sro a dtscrcp.ioc1a entn: u que o
dq,ois confronr;i.\.». com -.u:i prod~.K>- por ew""JIIO. "O tes e ruc1en•e pensa que c,tã acontecendo com ele e o que nó, pço-
d.. Ph111ípson E importante que nem o paciente nem o J)l,tcó- ...mio~. O dl.lgnósnco scri ba....:ado no grau de coeréncia ou
logo tentem rc~ringir-s.: a um ou dois destes momcnro, vira , d1..crcplnc1a en1rc os dados obtido., na pnm<1ra enlrtV1>t3, nos
Isto e uni pan apreciar a capacidade de 1n.s1gJ.• do paciente l~cs e na enuevma de devoluçào É intcre,<,aiue comparar as
c,,m n:ferênc1a a urur seu pa,-a.Jo eum -..:u preser e e seu futu- ,a:racte:'1<.11ca,. das ,eroohzaçõe,, do paciente n=s ~ opoc-
ro Prum0\1do pelo psicôk>{:o (que, p,.r c,ernplo. recorre pe!"· 1W1ida~ tão difcrent~.
sistcnt,mc.-nre a perguntas do tipo: o qu.: aconteceu ames'? Acoo 4, 1 Planejar a 001~-r,a de testes mais adequada quanto a. a)
teceu-lhe algo ""''lar quando era pequ.:no·> D,;: que ,o.."ê g0&- elementos a utilizar (quantidade e qualidade dos teste-. C!>CO-
l.l\.1 de brincar qu.indo era cnança 'I ou trazid.) c,p.. tanca- dos b) scqiiênc111 (ordem d,: aplicação). e cl riuno fnúme-
mente pelo paciente. a pers1,t<!nc1:i na C\"OCação do p3Ssado , de entre"\ .istas que calculano,, para a aplicação do,, testes
pode coovencr-sc em uma fug;i defens1, a que c,11a ter insight ~ ,~olh1do,).

com o que~ oconmdo oo ··aqui e agora comi~"'- Poder-" 5~ F!.labeleccir um bom rapport com o paciente pan re-
diab'll<-.ltcar da mesma forma a fuga ~'1n ~3o 30 futuro. A auzir ao mínimo a pol>Slbthdaclc de bloquciu, ou pan.lL-açõcs
aritudc maí, produu,'3 é ccnuar-se no prc,,ente e a partir dai e criar um clima preparatório f3\·ora\'el à aplicação de testes.
procurar inti;grar o passado e o fl!turo do paciente Oe,te modo 6 ) Ao longo de toda a entre"\ 1sta é unponanlc caplar o
pod~'Tt""'10S tmib,;-m apreciar a 1>bstiCki.lde com -. ,e 00'.'lta pa.,;i que o racie"lte no~ tra~fere e o que isto nos provoca Rcfc-
entrar e sair de cada scqüên,m temporal = angu,har--se ck- mno-no, aqui aO!> asp,:~ tran~fcrencllllS e contratr.msfcn:n-
ma1,. Isto é por si ,;ô um elcrnenro mdlcador de b<x! capaci<bd.! "u" do \111<:ulo. É imponame tambêm poder captar que tipo
_1_z ______ o proc~= pvcodiagnóstico ea.r ;éaticm projerrw i emm,<ro ir.iria! _ __ _ ZJ

de vinculo o paciente procura estabelecer com o psicólogo: se importante quanto o da mãe_ mesmo quando é uma figura pra-
procura seduzi-lo, confundi-lo. evita-lo, manter-se a dlsulncia, ticamente ausente da vida fa.miliar. O filho UllroJetou algum
depender excesSÍ\'am<:nte dele. etc .• porque isto indica de que ripo de imagem paterna que. seguramente, terá ligação com
maneira específica sente seu cootalO com ele (como perigo.so, sua sm.tomatologia atual e a problemática subjacente: daí a ne-
invasor. maternal. etc./. Contratransfercncialm..>ntc surgem no cessad:lde de sua presença. Pedir-lhe que ,-enha e criar condi-
psicólogo certos sentimentos e fantasias de importância ,irai ções para tal é valorizá-lo. colocan~o no seu papel corres-
para a compreensão do caso, que permitem determinar o tipo de pondente. É CYidentc que trabalhamos com o conceito de que
,·inculo objetal que opera como modelo interno inconsciente o filho é o produto de um casal (não somente da mãe) e que am-
no paciente. bos de,. cm ,i r às entrevistas. a menos que se trate de UJYl3
7!) Na entre\.;sta inicial com os pais do pac1eme é impor- siruaçào anormal (pai que vaaJa constantemente. doente, inter-
tante detectar também qual é o vinculo que une o casal, o ~in- nado por longo tempo. pais separad~. etc.). Quando chama-
eulo entre eles como casal e o filho, o de cada um deles com mos só a mãe, parece que a estamos destacando do resto do
o filho, o deste último com e.ida um deles e com o ca,;al, o do grupo fumihar, ma, isto tem sua contrapartida: atnbuimos uru-
casal com o psicólogo. Outro vínculo é o que procuram indu- camente a ela a responsabilidade por aquilo que seu filho e.
nr-nos a esmbelecer com o filho ausente e ainda desconhecido 'ão garantir a presença do pai eqw,aJe a pensar que ele nada
(o qu.: dizem dele), que pode facilitar ou penurt>ar a ~fa pos- tem a ver com isso. Por outro lado, se recomendamos uma te-
terior. Por isso pode ser útil. cm alguns casos. trabalb:ir com a rapia. ambos devem receber esta anfomlllçào. encarar c,,ta res-
té(;nica de Meltzer. que vê primeiro o filho e depois os pais. ponsabilidade e adotar uma re,;olução. Entendemos que infor-
8?) Avaliar a capacidade dos patS de elaboração da sawa- e
mar tudo iStO apenas à mãe Mgnifica tr.rni;fenr-lhe o que res-
ção dmgnõsoca amai e potencial. É interessante ~ a r se ponsabilidade do p~icólogo Dado que o pai não foi incluído
ambos - ou um e. nesse caso. qU31 deles - podem pro1t1owr, em nenhum mom1.--nto prévio do processo que culmina com tal
colaborar ou, pelo menos, aceitar as experiências de mudança informação (por C"templo. necessidade de terapia). não está
do fílbo caso este comece uma terapia. É importante detectar pn:iJ<lrado para recebê-la e. contudo. ele pode ser o responsá-
a capacidade dos pais de aceitá-las na medicb. qualidade e \CI por um elemento muito importante para sua concn::tiaição.
momento em que se dêem, pois disso depende muitas vezes o t:il como sua aceitação. o pagamento dos honorários e a conti-
começo e. especialmente. a conánwdade de um tratamento. nwdade do tratamento. De acordo com o aspecto dissociado e
Já que nos referimos à eotreYista com os pais, queremos projetado no marido, aspecto que ficou marginalizado na
esclarecer que a presença de ambos ê impn:scindi~cl. Considera- emrc, i,,.a pela ausência deste, enfrentar-se-à maiores ou me-
mos a criança como emergente de um grupo familiar e pode- ores dificuldades Pode acontecer que o aspecto dissociado e
mos entendê-la melhor se vemos o casal parental. Entendemos ....:~.ado no ausente seja o de uma séna res1Stênc1a em rela-
que é mais produtivo romper o estereótipo segundo o qual a \-'io ao tratamento. A mãe se mostrará, por exemplo, receptiva,
enire..ista com a mãe se impõe somente pelo estreito vinculo , 'llaboradora e complacente. mas. em seguida. pod.o;.-rã racío-
que se estabelece entre ela e o filho. Isto é certo e plenamente ""llizar. "Meu mando não quer:· Deste modo no marido atua
válido nos primeiros meses de ,,ida da cnança. Mas.. na histó- ro. aspecto de resistência à mudança que parece caracterizar
ria do filho. o pai desempenha freqüentemente um pspel tão , :te grupo fami liar sem que o psicólogo possa ter opommidade
u ..t enirt?'rt!a mrial _ _ _ _ _ _ __ 15

de 1rabalhar com e.'-,;e a.<;peeto mcluído nas entr.,;sta!,. pro-. o- mos de nos referir a um aspecto do enquadramento, o econô-
caruma tolll8da de consc,êncta da sua dinâmica. Em relação á mico. que é outra razão para a inclusão do p3.1. É ele que geral-
resistência diante da manipulação da culpa dizemos: entre,;,. mente paga os honorários. Se atnbuímos a este aspeclo não ,;ó
w somente a mãe facilita a adnuss.ào de toda a culpa pela o sigrnficado monetârio mas tambem reparatóno do , inculo
doença do filho: a presença de ambo, permne dl\~d1-la e, por- com o psicólogo. de quem se recebeu algo (tempo. dedicação.
t.mto. dunmui-la. Por outro lado. se pensamos que a devolução orientação. esclare,-:imento. etc.). dC\-cmos incluir o pai para
de mfonnação procura cenos bcncficí~ p!,icológicos, por que que assuma a responsabilidade econômica e para que tenha a
dá-los ,omente à màe e não ao casal? Ê freqü,:nlc acontecer que, oponumdade de sentir-.><! como reparador do filho e do psicó-
tk."·ido a uma con:,ulta pelos filhos.. os pais :,cabem reconhecen- logo. e não como ~lguêm que deve assumir urna mera obnga-
do a própria necessidade de um tratamento e o procurem. ~-ão comercial Se o psicólogo insiste em coosiderar prescindi-
Vamos agora mudar de perspecuva e nos situar no ponto ,d a presença do pai. está cxclumdo-o. 1mplic11a ou e~plicua-
de vista do psicólogo. Entendemos que a presença do pai e da '"lenle. mostrando assim um aspecto regressi~o próprio, poi~
mlie lhe é útil e indispensâ~cl por ,-.irias razões. A mclusão de e ·ita a situac;lo de ficar transformado em terceiro c:<cluido
ambos implica a observação in situ de como são, que papéis ante um casa. umdo "contra- o psicólogo-filho. A ,;sualizaçào
desempenha cada um deles em relação ao ou1ro. em relação ao de um casal mu110 unido. l><!ja a aliança sã ou patológica. pode
psicólogo. o que cada um traz. que aspectos do filho mostram mob1laar uneja e desejos de destrui-lo.:\ insistência em ver
respcchvamente, como vivenctam o p:,;codiagnfutico e a po,- som.:nte a mfü: ou a ambos os pais. por<!m separados. é uma
sibilidade de uma psicoterapia. Muitas vezes um desempenha Lírica e,-asiva que pode encobrir estes sentimentos. !\esse ca.'iO.
o papel de corretor do que o outro diZ. Se a atitude de um é de • psicologo. atr.i, ~ de seus aspectos uúanus, não suporta fun-
muita desconfiança e imcja, o nutro pode eqwbbra-la com ..-ionar como terceml excluído com a fantasia de ,;er espcc1a-
s10ais de maior agradecimento e confiança. Se exclwmos um .i" obrigatório da cena pruruuva 1meJada. Se no curso da en-
dos membros do casal das entrevistas, perdemos um destes m:vista começam as discussõe,. e a., rcpro,~içôe!-. o psicólogo
dois aspectos do vínculo com o psicólogo Como produto do çJrenta uma cena primitiva sãdica. que reativa nele a fantasia
in1erjogo de emergentes que existem. há maiores po-.ibilida- ue ter conseguido ...:parar o casal Fm tais casos pode aconte-
des de detectar , ic,os e comgi-los. Por outro lado. a presença L'Cr que um dos pais - ou os dois alternadamente o procure
de ambos C\-ita o perigo de aceitar o ausente como ~bode ex- < ""º •liado para transformar o outro em terceiro e\ccluido Se
piatório". isto é, como depositário de todo o mal do ,'ÍDCulo. e • ns1cólogo não está alert:i, pode estabelecer diferentes tipo,
o presente como repres.:ntante do que é bom e bem-sucedido. ,1 alianças perigosas para o filho. para os pa" e para ele mc;,mo.
:-Ião mcluir o pai é tratá-lo COJDO terceiro excluído e.. deste <tO ~ , álido para OIS prus de criança.., e de adolescentes
modo. negar o complexo edipiano, qu,.: é um ~ núcleos bási- Queremos nos deter em outro terna que pode provocar
cos da compreensão de rada caso. Isto estimula ciúmes e riva- Juv1cbs em relação ao ,eu manejo t.icnico: o caso de filhos de
füladc no excluído. Há pais que não reagem cm prote.to por iU" :,er,:.trado,,. O p,icólogo deve aceitar os fatos consumados
sua não-inclusão. ma.s depo!S, de uma fonna ou de outr<1, ata· pdu ca...il. Se csle casal jâ não existe como ral, suas tentati,as
ram o psicodiagnóstico ou a terapia (mterrompem, negam-!>C de von:1r a uni-lo. aJém de infrutiferas. poderiam re~ultar nun1a
a pagar o estipulado. interferem constantemente. etc.). Acaba- cria interferência em seu trabalho. Podemos dizer que se con-
]6 f entm'tila ,mrial _ _ _ _ _ _ _ __ z;
ira-identificou projetivamente com o filho em seus aspectos porque necessita investigar elementos essenciais, tais como as
ncgadun.:s da realidade (a separação) e que. pela culpa de ter fant~ias de cada wn a respeito da adoção (não se sennr inte-
conseguido concretii3r = lànta~ia,edipiana~ e pela dor fren. rior ao- outros por não ter filhos. não estar só agora ou no dia
te a essa perda real. trata de juntá-los. seja mediante tentati,as de amanhã. ter a quem dei= uma herança, etc., podem apa-
efetuadas diretamente por ele ou aansferidas a outro, (ncsre r..-c~'r como motivos manifestos da adoção. além das moti,'3ções
caso, o psicólogo). Se desejam vir juntos às entrevistas. tere- inconscientes que tambem dt"·em ser m,esttgadas). Outros da-
mos um ca,o em que a técnica não será diferente do que foi dos que dc,'.:m ser levados em conta são. como ,entcm atual-
dito anteriorm:ntc. Se. pelo contráno, deseJam \lf separada- mente a situação de patS adotivos. se estão de acordo com a
mente. temos de respeitá-los. PoJ.: acontecer também que de- decisão tomada. se puderlll1l comumcá-la ao filho e a outro,..
sejem vir separados e com seus respectivos novo, companhei- Quando a adoção não foi esclarecida, centramo, o falo da ado-
ro,. 1'este caso. a realidade se mostra mediante esse, dois ca- çJo como motivo real e subjacente da oon,ulla, sem desvalo-
<:ais atuais que representam (cada um dos pais dJ criança) dois nzar o que tragam como mori.o da mesma Todos os demais
aspectos il"I'C"'--rsivdmcntc d1-.sociados. Ocvemos 1.1111bêm :noti\t>S que apareçam. ,ejam mai, ou mcno,; graves. depen-
advenir o psicólogo a respeito de seus impulsos contrános oos dem, para sua solução. da elaboração pmia. por parte dos pais.
de urur o casal. Referimo-nos aos casos em que, contralrans- de sua cond1c,'iio de pai, de filhos adotivos.. Por isso. recomen-
ferencialmente. sente que não ··sintoniza·• bem com o ca,al. à3m0'. que. no momcnlo em que surgir a infonn~ào de que o
que ··essa mulher não ê para esse homem- ou , icc-"ersa. Se hlho e adoti\'O, o p~icólogo :,e dedique a elaborar este ponto
ama• o que eles lhe 1ran~feriram. procurará conseguir urna de urgência com o,, pais. OC\-erá esclarecê-los sobre o fato de
separação pedindo. exphcitarn,:ntc. que venham separados. ou "tuc o filho dt."YC saber a verdade porque tem direito a ela, que
manipulando a dinâmic:i da entfe\ista de tal maneira que se ó /ê-lo ni10 constitui, como eles cri:em. um dano, mas, pelo
acentuem os pontos de divergência entre o casal. em vez de .:,tntr.mo, wn bem que a própria criança pode estar reclaman-
efetuar um balanço justo dos aspectos divergentes e comn- ,•n inctmscienrcmente através de outros conflitos (roubos, cnu-
gentes que n:almenl<: C'<iSlem. rc"-C, problt:mas de aprendizagem. problemas de conduta., etc.).
Outro tema a ser considerado e que ml!receria um dcscn- J>,:nsamos que a situação do filho adoti\'O conStitui um fenô-
,olvimento muito mais amplo do que podemos realizar aqui é meno que é fonte de possíveis conflitos. que pode chegar a se,-
o dos lílhos adou\os. Segundo nossa experiêncra. geralmente ,.,,, si mesma um conflito. de acordo com a forma com que os
«ão as mães que estão dispostas a pedir a consulta e iniciar o p.ns manipulam e elaboram esta s1ruaçào. Geralmente. é mdis-
proce,,.,u. transmitindo a ~ensação de que tudo deve tr.111Spare- pnisá, el ter algumas entre\tstas do upo operati,o• nas quais
5C veja. o melhor possi, el. o que está 1mped1ndo os pais de
cer o mínimo possível. O psicólogo deve procurar fazer com
que , fflham ambos os pais pelas razões já c.'IJOSI~ e. além di.-.,,o. Jiz.:r a ,crdade ou fazendo com que se oponham terminant.:-
mmte a CSl3 idéia. Freqüentemente. pensam que o psicólogo

• O ttnnoot,ul(.in seri unlínrlo no semdo de pas~ ao aio (udl"Y


~.,, emprq;.,.ndo-~ cnmr oomo o verbo ~pond....·ntc. t'Jl>WI' unediJtaa • E li\." >li na qul >e ado1a 1 1<.~ruca <lpCl'3ln'3 propo>11 por l'achoo
rnen1c .\ ,çJo <mi 1n=rnedl3Çio do pensamento aiúoo. segwioo definôcão ~ .. ,é.-.,.
•er 1<..,,.; Bleg,,r. Tem:z, de psu:oiog:a. Sio Paulo. ~"1rtm.< Fon"'-".
de M t S de Oc3mpo tN do E.) SO'-doEI
28 4 e11m,ista uucial_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _2_9

quer destruir as fantasias que alimentaram durante anos, nrar- se3a percebida de alguma formn ( bcunas mnêm1cas qll3ndo se
lhes o filho. em suma. casugã-los. Mas tudo isso eStà relac10- pergunta a respc110 da graHdez e do pano. expressão muno
naclo com a.~ fantasia.~ anteriore-, concomitante-. e po<Jcriores culposa aoompanhada de ,crhali:taÇ<ic'> incompleta~. mas que
a adoção. O fato de o filho 1,er ou não adotivo é tão 1.-».;ncial à pcrmitcm ,uspcitar) ou se a c.;condem até o último momo:nto
identidade que a ,ohição de todos os conflitos em tomo dessa
Situação tem primazia l>Obre as outras. Por isso. continuar o
e ela surge ,;ó na entrevista de devolução Kcstc =
pode acon-
tecer que o digam em um momento de insig/ir de-.ido a algu-
processo psicodiagnôstico centrado no molivo trazido pelos ma coisa que o psicólogo lhes est.i explicando. Podemos tomã-
pais ê algo assim como cair numa armadilha. Seja qual for o lo tnmo como um dado de bom prognósiico porqut implica
caminho de abordagem do caso. encontrar-nos-emos.. no fun- uma maior abertura em relação à atitude micial.1:.sta,a.m o.:ul-
do. com o problema centrado na propna idenudade. Se os pais. tando a \ erdade ao psicólogo até o momento em que o senti-
apesar da intervenção terapéuuca. ainda resistem a e,clan.-..:cr rJm como wn bom continente com quem se pode compartilhar
a criança (eles de-.em a.,;sumir e,,"ta responsabilidade), devemos a verdade. É a C'<prcssào de um impul~o reparador.
adverti-los a re:."J)Cito das dificulood.:, que surgirão no 1n1ba!ho Em outros casos. os pais 1.!Sperdm qw o ~icôl~o faça
psicodiagnôstico com a criança. não tanto durante a aplicação uma pergunta direta. Esta pode surgir graças a uma certa pcr-
dos testes. mas na entre\ista de de,olução. J\.essc momento ccpção inconsciente do pstcôlogo ou de dados claramente ex-
deveremos dar nossa opinião verdadetra a respeito do que ocor- pressos pelo filho no material que forneceu. Lembramos. por
re com ela. Se aceitamos pre\tamente o limite llllposto pelos exemplo. o caso em que uma menina unha desenhado uma
pais no sentido de não mclurr a ,erdade 1a adoção), deixare- c.1sa e duas árvores de cada lado. Como apareciam outros ele-
mos de lado ou onuuremos por completo uma temática que, mentos recorrentes à alusão de ter dois casai,, de pais e uma fa-
sem dúvida, deve ter aparecido no m3fcrial e que. Sê o ego da mília muito grande, formulou-',e :izy., pais uma pergunta direta
cnan,;a é ,uficicntcmcntc forte. dcHtriamos incluir na de\olu- e ~cs responckrnm que. de fato. a menina era filha ado!Í\'a.
ção. Se aceitamos a limitação imposta pelos pais, es1abelecc- " m situações como estas. cm que os pais escondem a verdade
mos com eles uma aliança baseada no engano e na imposrura, até o final não podemos deixar de incluí-la de forma direta.
enganamos e decepcion:imos a criança e podemos ate transmi- cr.1 Outro ponto imponante que d~e ser investigado na
tir-lhe a sensação de que é um doente que desconfia de todos, primeira entre\'lsta é o motim da cons11/1a. Retomamos aqui
ocultJndo-lhe que. moonsc1entemcnte. ela rerc,:bcu algo real os cc,oce1to, expressos em outro trabalho nosso'.
e obJeti\'O (sua adoção) e o conflito surge por causa de,;sa l'L'a- Ko motivo da consulta de\'e-sc discrimiror entre motfro
hdade. Entrar no J<>gO do, pai~ sigmfica também dar-lhes um num!f<'SIO e moti1'() lotenre. O moino manifc:.to ê o witoma que
pseudo-a Ih io, já quc p,:rceberam certos sintomas do filho e preocupa a quem solicita a consulta. a ponto de tomar-se um
conwharJrn o psicúlogo. Aparentemente. eles cumpnram seu , ma de alanna. Isto é. algo o preocupou. reconhece que o.io
dever e nôs cumprimos o nosso. Mas o filho é duplamente
enganado. e. por isso. não seria estranho que su.i smtomatolo-
gia se agravasse. . Ocompo, M. L. S. ~e~ Ar.cálO. !>L E.. -E1 mofü-o de comul·
É interessante registrar em que momento os Pª"' comuni- LJ , d11,;.:., coo la de\c,lucioo de informJ-,ic)n .,, d ci.:rre d<I Jlí"'-°"""
1.-.k·od gnós:ico-. tnbalho •preser.lado no t Coogte>SO NgellUOO de Psico-
cam esta infomlaÇão: se surge e,;(lOntaneamente. <e deixam que p.,10L " ln' no-Ju,cnil. Bueno>1\ircs. 1969
30 -• en1,-.,..ut<1 illiânl___ __ _ _ 3/

pode resolvê-lo sozmho e resoh e pedir ajuda. Em alguns ca- menos doente, ficando assim oculto o verdadeiro foco do pro-
sos o receptor do smal de alarma e wn terceiro (parente. amigo, blema. a meno, que o psicólogo possa detectar e c:sclarecer
pediatra. etc 1, que é quem ~olicita a con,ulta ou mobiliza o esta ~1ruação. Por isso. é importante saber se o ,intoma trazi-
paciente a faz.:-lo. &te dado nos indica poc si só wn grau menOI" do é egos:.intõnico ou cgodistôruco para o paciente e seu
de insight com referência à própria doença. Na maioria dos grupo familiar. S3ber primeU'O se o paciente trazido à consul-
casos o mom·o manifesto é. dentro de um número mais ou ta (ou o que veio por sua conta) l>Cnte que sofre pelo smtoma
menos extenso de sintomas q~ aíligem o paciente. ou aqueles r,u se este não o preocupa nem o faz sofrer. Caso não sofra.
que comwem com ele. o óltoos ansiógeno. o lll3JS inócuo. o deve-se im~,igar se é d.!vido à sua patologia especial (proje-
ID3is fã,11 e com-emente de ser dtto ao psicologo, a quem, ge- ção do confüto e dos ~.:nlimeotos doloroso; cm outro membro
ralmente, acaba de conhecer. Este, por seu lado, .:nquanto ~- do grupo que os a,,ume) ou se o que acontece é que ele se con-
cuia e P<,'lll>3 ,obre o ca,;o. pode elaborar alguma:, hipótese!> a . eneu no de~itário dos confhtos de outro ou outros mem-
respeito do verdadeiro motivo que traz o paciente (ou seus pais) bros do grupo familiar que não ,,eram se eon>-ultar ou que \ ie-
à consulta. Geralmente o mou~o é outro. mais sério e mais r.un oomo pai. mãe. CÔOJuge. etc. O grau d.: dissociação. o aspec-
relevante do que o invocado em primetro lugar. Denommamo- to maii doeme do paciente (ou de seu grupo familiar). influirá no
lo morim la1e,ue. lUbjacen1e ou profwulo da consulta. tempo e na quanndade de energia ncc=os para o proce:-,o
Ourro elemento diagnóstico e prognóstico importante é o de integrá-lo conscientemente A dissociação é tanto ma,s accn-
momer.to em que o paciente toma consciência (se pud<..TI dcs:s.: 1uada e mac; resll,lente à melhora. quanto ma.is intenso:, forem
notivo mais profundo. Se o faz durante o processo psicodiag- os sennmentos de culpa. ansiedade. repressão. etc., que tal con-
nostico. o prognóstico é melhor. Deve-se esclat\.'Cel" se e posst· llito mobihz.a no paciente e que funcionam como rel>l)Onsá,eis
, el ou não 10cluir esta informação na entre\isra de devolução. por e,,u di,-ociaçào.
Caso ela seJa mcluida. a reação do paciente será outro elemen- t.;ma atitude recomendá\el para o p~icólogo é a de escu-
to 1mportnnte: se recebe a mformação e a aceita corno po,,si,-.:1. t.ar o p'l<:icn1e. mas não ficar. ingcnuamcnle. com a versão que
o prognóstico é melhor. Se se nega totalmente a rccoabccê-la de lhe transmite. O paciente conta sua história como pode.
como própria.. cal><: p.:n,ar que ;1$ rcsi:,-tcncia~ são muito fones , entra o ponto de urgência d.: !>CUS problemas onde lhe pare-
e, portanto, o prognóstico não é muito favorável. ce mCDOS aDSJógeno. Fsta alitude ingênua. e no fundo de pre·
Esta discrepância surge como consequência de um p- gar:>ento. unpcdiu muitas ,·czcs o psicólogo de escutar e Jul·
cesso de dissociação iotrapsíquica que ocorreu no pac1ente. É PT com liberdade. Diante de um dado que -não encaixa·• com
unporunte que aquilo que foi dissociado intmp:,iqwcan1erue o esq....:ma inicial do ca,,o. surpreendeu-se muita!> veze, pela
pelo paciente não seja também dissociado pelo psicólogo no anarente incoerência. Por exemplo: se a hiSlÕna do caso é muito
material recolludo e no informe final Como ,cremos mah ,mi,tra csforçar-:;e-á para ach:ir todo ttpo d.: t=ornos. tendo
adiante, esta é uma das razões pelas quais nos parece impres- <,1mo certo que ficou wna grave scqüda. Parccer-lhe-á 1111pos-
ciodi,el a devolução de informação: e a oportunidade que se , "d diagnosticar que esta cnança apre,;enta um grau de saúde
dâ ao paciente para que integre o que aparece dissociado entre m.-nta aceitável, apesar de todos os males que padeceu. Pode
o manifesto e o latente. Em certos grupos familiares, o grau de ' mbem acontecer o contrãriu. iMo é, que ante um cru.o aprc-
dissociação é tal que o membro que trazem ã consulta é o -.enlado como um simples problema de aprendizagem limite-
31 33

se a in,estigar a dificuldade pedagógica. eliminando a possi- cólogo de que esclareçam o paciente sobre o motivo real de
bilidade de ex1s1êocia de outros conflitos que podem ser mais sua presença no consultório. aceitam e o fazem. mas nem sem-
~rios. T\\mcmos como exemplo o caso de um j(J',cm que foi pre conseguem a1er-se à ,erdade. Surgem então distorções, ne-
trazido para a consulta porque não podia estudar sozinho: mas. gações. etc .. que na realidade confundem o paciente e aumen-
na entre\ista inicial. surgiu a s~'llin1e mfonnação: ele go,1a,a tam os seus contluos :unda mlllS que o conhecunento da \Cf·
de passear nu e de se enco:,.ar na m~e cada ,ez que o razia. Se dade. E.iremplificaremos isto com um caso. Trata-se de uma
o psicólogo não centra e5tes último, dado,. como po~lo _de crianc;n de sete ano,;.. com um irmão g.:.-mco. um irmão maio«'
maior gravidade e urgência do caso e s.: rc-tnnge ao pnme1ro de no,e anos. e uma irrnãúnha de ~ anos Desde o primeiro
problema. ca.J na me,ma :m1ude negadora dos p.w. e rec!uz ao mocm..-nio os pais di=m que estavam coll>Ultando porque este
mínimo as possibilidades de ajuda efetiva ao paciente..\s ,e- filho goslava de disfarçar-se de espanhola. de dançar. rejeita\-a
zes. são <>l> pais ou o paciente que dissociam e negam m1por- os espones mascu inos como o futebol. cOlllla mmos que seu
tância ao que ê mais gra,·e. O próprio psicólogo. influenciado irmão gêmeo e era muito apegado à mãe. :-.!o entanto. res1s11-
pela primetnt aproXll!laçào do paci,mte ou de seus pais, ,e ram a dizer-lhe a verdade e lhe falaram que o estavam trazen-
fecha a qualquer 011tra mfonnação que não coincida com a do do porque comia pouco. A fanta.<ia que atuava como inibictora
começo da ent:re,,il>la e nurumiza ou nega francamente a rch:- do motl\O real da consulta procedia ei,pccialmcnlc do pai e
, ãnc1a dos dados que ~ão surgindo à medida que o proces><> con,islia cm que dí7Cr a ,crda&: â criança -poc1ia criar-lhe ur-
a-.ança. O momento e a forma como emergem os aspectos lrauma.. Analisaremos. a partir desie e~emplo. as conseqüên-
mais doentes fazem par1c da dmãm1ca do caso. e deve-se pres- cia~ que sobre\<êm se o psicólogo não modifica isto e segue o
tar muita atencão a eles. processo sem retificações.
Anali:.aremos em seguida outro aspecto relacionado ao Em primeiro lugar. o processo se m1cia com um enqua-
motivo da consulta. Trata-se de imest1gar se o paciente funcio- dramento em que se deslocou o verdadeiro ponto de urgência.
na como terceiro e.~cluido ou incluído em relação ao mofüo l\o exemplo. deveríamos nOl> centrar na im.c,,1ig:ição de un
dn inicio do processo psicodiagnós1ico. É comum aconle(.°Cr caso de perturbação ela dentidacle se,-ual mfanlil. ma:, o dcs-
que os pau; de uma crianc;n ou de um adok,cente não esclare- t..quc recaiu na oralidade: do paciente
om ao paciente o motivo pelo qual o levam a um psicólogo. Em l>et,'llndo lugar, complica-se a tarefa de estudo do ma-
'sestc caso. traia-se o paciente como terceiro excluído. Se lhe terial recolhido na hora de jogo e ~ 1es1es. O paciente con-
esclarecem o motivo. funciona como terceiro induído. mas é trola melhor o motivo apresentado por quem o irou.~e. mas..
preciso ob!>L'l'\ar até que ponlO os pais (ou quem inten-ém inconscimtemente. percebe a incongruência ou o eng;mo e o
como encaminhante) o fazem participar desta informação. Em transmiie ou projeta no material que nos conmnica. !\esta crisn-
ruguos casos comumcam-lhe um moti,o real, mas não aq.u:lt: Ça doerue surgiram sen1101ent0l> de surpresa. jã que sua recu-,,.
que nuis os preocupa Para que tenham tomado esta dec1sao. a come,- preocupava n~ pais mais do que todos os ,eus amanci-
d,.:vem e.iustir wrta, fan1aS1as a respeito do que ocorreria se llk! r°'" 'lento, e d..'mais trnço, hom=.s.uaís. que ~oca,1UD rea-
cont.'l,...:m todJ a ,-erdadc. Oi riamos, então. que e«tes pais tram- çõc,, nq,'lltiva:. cm todos.. especialmenle no pai Esta atitude
milir,un ao f tlho o moti'° marufesto mas ocultaram o motÍ\"O <ia,- pais também mobilizou sentimentos de estafa e até de
profiMJo. Fm ourros casos. cm face da recomendação do psi- cumplicidade. Se o p,icólogo acena tudo tsto. entra neste jogo
4 entrnitla i•idol _ __ JS

pengoso, no qual finge est:Jr imestigando uma coisa mas. sor- de conseguir um msight. Sem dúmla, esta dinâmica surge por-
rateiramente. explora outra socia~nte re1e1tada e S.1nciona- que o moti"o da consull:l é o elemento g.:rador da ansiedade
da. Quando trabalha. por exemplo. com o matenal dos Lestes. que emerge na pnmeim entre-.ista ( ou mais adiante). Em outro
deve. por um lado. estudar como aparece o mo11, o apreserua- trabalho referimo-nos á importância da instrumentação dcsta
do pelos pai, (oralidadel. pois terá de falar sobre i~-.o com a ansiedade dentro do processo'.
criança e com os pais na entre\ 1st1 final. Por outro lado. dc,e- Em geral. aquilo que os pais (ou mesmo o paciente) dis-
ra in\'e,tigM o que rcalmcnLc preocupa os pais e também a -ociam. adi:un ou evi131ll transmitir ao psicólogo é o mais an-
cnãnça. ESC! situação inlrodu7 nO\ as vana,·e1s. torna o pano- siógeoo. Em ouuos casos ~erbaliLam o que det·eria ;;er m111to
rama confu:;o e produz uma sensação de estar trabalhando "em ansiógeno para eles m~ não assumem a ansiedade como sua,
duas po<1tas··. Se os pais aceitam e reconhecem o moovo real transferindo-a ao psicólogo. Assim acontece, por e,emplo,
d3 con,ulta e o tr.lllSmllem fielmente ao p,icólogo e ao filho. quando os pais se mostram preocupados porque o filho é cnu-
o panorama que se abre :io psicólogo é mais coerente. rêtico mas. apesar de incluírem n fato de que também se mos-
Em terceiro lugar, aiam-se dmculdade:; muno séria!> quau- tra passivo. que busca o ,solam<..-nlo. qu.: não fala e prefere
do o psicólogo de,-e dar sua op1mão profissional oa entrc,;'ila brincar sozinho. não dão sinais de que isto seja uma preocupa-
de devolução. !\este mom.:ntO pode opmr por não falar. enlrJ.n- ção para ele,,. 1'.cstes casos procuram fazer com que algum
do assim em cumplicidade com os pais e, em úluma instância.. profissional ratifique suas fantasias de doença hcrdlda ou
com a patologia: pode manter uma alitude amb1gua, sem calar conslllucional ou. pelo menos, da base orgámca do confino
tola\Mênte nem falar cl:iro. ou dizer a verdade, na medida em psicológico. Estas teonas atuam em parte como redutoras da an·
que a força .:gó,ca dos pais e do paciente o permitam. sicdade. na medida em que dt:,;ligam os pais de sua respoo-
Cm quarto lugar. o destino de uma possível terapia futu- sabihd:lde no processo patológico mas. por outro lado. incre-
ra.. caso seja necessária.. é mwto diferente conforme tenha ha- mentam-na porque supõem um maior grau de t.rre,er.;ibilidadc
, 1do esse clima de ocultamento e distorções ou de franqu.:1:a do sir•oma
dosada durante o processo psicodiagnósnco. lndubitavelmenh.:, Alguns pais relatam com muita ansiedade um ~-intoma que .
.:,~e clima pode Ler criado uma n:laçào transforeocial peculiar ao psicólogo. parece pouco relc,antc. J\cslcs casos pode-se
com o psicólogo que realizou a rarefa. Na medida em que este pensar que a carga de ansiedade foi deslocada p3r3 um sinto-
,inculo csu.ja , icl:ldo. predispõe o pacicnL.: a trabalhar com a ma le,,c ma., que, no entanto, pr!)\'l!m de outro mais séno do qu:il
fantasia de qu.: a mesma experiência se repetirã com o fulUTO os pais não tomaram consciência ou que não se alrC\em a en-
terapeuta. Em mui10,, do;, c:isos em que o paciente se perde na ca.rar, e .:uja transcen&ocia se expressa atra\ié., di quan1idade
passagem do psicodiagnóstico para a terapia. este foi um dos de ansiedade deslocada ao sintoma que chegam a verbalizar.
fatores deCJS1vos.
Poc todas estas razões rccomend'.lrnos especificamente de-
tectar a cot0c1déncia ou discn.-pância entre o mouvo manifes- 2. Oc._, M. L S de< G.vda Araeno. \i. E.. -EJ mallCJO de la
10 e o moti\'o latente da consulta. o grau de aceitação, por parte amiedad cn cl molÍ\'O de conw1r.a y ~ rebdón con Ja ~OIUl..'1.ón de inÍN·
,ión cn d cim-c de prooao p'1cc,diag1>6s1100 cn niilo,-. tnilicuho apn,-
dos pai, e do paciente. daquele que se n."Vcla :,er o ponto de mJJoc >entado oo I Coogrc:s>o Latmo-am<neano de Psiqu1'ltri, lní:,nnl. Pwtta dcl
urgência asSim como a possibilidade do paci.:nte. e de seus pais, F«e. Un.i;uni. oun:mbro de 1969.
J6 .4 enur,isra uucwf _ _ __ __ J7

Relalaremos um caso para mostmr isso m.ais deralhad:!- os m,eis. ao me<-mo tempo que uma espécie de necessid3de
mente. Jorgc é uma <,TÍança de llO\e anos. que é levad:l por sua permanente de reasscgurnmento de que sua cabeça funcionava
mãe ao l lospilal de Clínicas porque 1cm certa~ dificuldades na bem. Pedia-no,. indiretamente. que revisássemos a cabeça do
escola: confunde o -M" e o ··'J~. o .. S.. e o ·-e·.o ··v.. e o ··8''. filho e a sua e lirassemos suas incógnitas. E.,;ta tática obedeceu.
,ão apareceu nenhum outto dado como moli\o da consuh:a poi~ do JXJ"'IO de vista do m11s doente. a um ocultam:nro do que
duran:e a admtssào e nem ao se realizar a primeira entrensla era mais patológico. por medo de entrar cm pânico. Do ponto
com a mãe. Antes de pr=guir com a supervisão do matcnal de ,;,1a adJplam o. por ouiro lado. respondeu a uma necessi-
dos te-.tes da mãe e da crunça. deovemo-nos em alguims ques, dade sentidJ. mas não consc1entitada. pela mãe e ptlo meruno
tõcs· É = a maneira pela qual comumcnte wna mãe encara
um problema de aprendiaigern tão simples como este? Por que
de que fossem subme1ido, a um trabalho de asseps1ª menta 1
que. na oportumdadc certa. não foi feito. e que esta\ a ,nterfc-
não rccom:u a uma profo,sora particular? O que ha\erá por nndo no d~emolvim:nco sadio dos dois.
uás desta dificuldade escolar que ju,tifiquc a rnobih7.açào da A acomodação do paciente e ou de seu.~ pa,s ao sintoma
mie e <1.; criança para acc1raro proces,,o psico<liagnóstioo. geral- 137 com q...: diminua o ní,el de ansiedade (qualquer que s.:ja
mente desconhec,do e. portanto. aosiógeoo? 3 sua :iatureza) e fique facilnado o seu depósito maciço no psi-
Como resposta cabe peosa.r na exislência de algum outro ~ólogo. que de,era dtscmruná-la e rcmrcgrá-la com maiores
pmbkma tão mais sério quanto mais mirumizado foi o motivo dificuldades na entte-. ista de de-. olução. Pelo comr.uío. urna
da consuha e mail. categoncameme negado. para manter afas- conduta CUJOS elemcntOl. latcnlc~ alannarn o ego do paciente,
lada a inlen<.a an,iedade pcn;ecu1óna que sua emergência mo- e fünd11nentalmente seus pais. poderia mobilizar ouiro tipo de
biliz:ma. Contmuando cum a supc~ ,l>ão do caso. descobrunos ansiedade e cu lpa. o que. por sua wz. cond1c1onaria ou1ro upo
que a criança ha,ia somdo uma <,-raníoc,tcno,c. cm -azào da de manejo técnico desde o começo do proce1-so e uma dc,olu-
qual fot operad:l aos seis meses e esteve hospilaliLad:l durante çào de mfonnação mais fácu.
um ano e meio. Aos seis anos fez uma arnigdaketomia 'JCl>..-.:aS Os primeiros sinais de an:;1ed3de aparecem. nonnalmen-
oportunidades. nada lhe foi explicado. nem antes. nem duran- te, na primeira encre,~sta. quando os pais começam a relatar a
te, nt:m d<,-pois das 1n1er.e11ções. A isto soma,a-se a intcn.,.a história do filho. Se o p,icólogo não adora uma amude m2ê-
ansiedade da mãe por fanta~JaS de mone durante a gravidez e nua. não pode esperar registrnr uma história ordenada e com-
parto deste filho e pela morte real de vános familiares. Mle e pleta. Os pais tran,mitcm a história que querem e podem dar.
filho compartilha\'am da fantasia de que este havia sido par- Por seu lado, o p,icólogo emende a históna que pode enlender.
cialmente es\'azíado na primeira op...·mçào. de que 11 ,ha i-tdo ?\a pnmc,ra cntrçyista .: imponante registrar o que di" cada
transformado em um microcéfalo {isto é ,~sto com clare,a nos um dos pai,. como e quando o dizem, o que lembram e como
gráficos d:l mãe e do filho) e de que. dai. era torpe. incapal. -n- o fiucm. o que esquecem. de maneira a po1for n.:construir pos-
po1ente. Desta per.;pectiva. pudemos compreender o sinloma erionneme. com a maior fidelidade possível. o diálogo e os
tnvido para a consulta como expres:;ão do alto nível de eiti- elementos nào-\'erlxus do enconcro. As amnésias são sempre
gúncia e a margem de erro mimma permitida pela mãe ao filho '"'luito signuícab\aS porque supõem um grande volume de an-
leram erro, de ortografia bastante comuns) ame seu conscm- si~dade que de1erminou uma inibição no processo mnêmico.
tc temor da realila,;-Jo d.: tai, fantasias de castração em todos Um mdic10 favor.h·cl da boa C-OIJlunicaç3o entre os pai,; e o p,,i-
)8 ~ "71/>"i'\'><'.D intdal _ _ _ _ _ _ _ _ __ )9

cólogo é o dccrésdmo de,;.: \'Olumc de anS1edade. a supiessão Considen:1110,; em pnmeiro lugar o caso de pais que co-
da Ulib1ção e o aparecimento do dado esquecido. meçam pelo, a~10~ ma,s sadio, e gnmfícames do filho.
É uul averiguar. desde o principio. que làntasias. que con- incluindo paulati03mente o mais doente. Se esta é a seqüência
cepção da vida. da saúde e da doença têm os pai;; c:Jou o pa- escolhida. pensamos que se trata de pai, que se preparam e
ciente, o conhecimento destes esquemas referenciais pennit~ preparam o psicólogo para receber gradualmente o mai, ansió-
compreender melhor o caso e e.~tar a emergência de ansieda- geoo. Além russo. pode-se dizer que adotam uma alltude mai~
de, confusionais ou pen;eeutórias. Conhecendo estes esque- pmtctora e Dl<!nos devastadora em relação ao filho exremo e
mas poderemos. por exemplo, entender melhor pôf ~ eS16 ~-m rcln.;ão a ~eus próprios aspecios mfantis. Isto leva a diag,
pais pell53TaID que o filho está docn1.c. como deveria e,,iar para OOMicar a J)Ol,l,ibilidade de uma boa elaboração depressiva d!
que eles o considerassem curado e o que ill:'>eria fazer o tera- ansiedade, com o que se pode p=er também uma colabora-
peuta para consegw-lo. Muitas 'liCU:,. esse:,. dados JJ<,'mliler:'I ção positiva com o psicólogo durante o processo p,ícod1aguõs-
pn."wer interrupções do tratamento (confusão por parte dos pai~ uco e com o terapeuta. se a criança necessitar de tratamento.
entre uma '·fuga.. na saude ou um estado maníaco e a verda- Pode ocorrer que os país mostrem exclus1vamcntc o~ a:.-
deira saúde mmlal. ou crença de que um acesso de fúria é um Jl<!CIOS posimos do filho. até um ponto em que o psicólogo se
m:uor 'lldicador <k doença do que o aces:,.o de asma a.ntenor pcrgume a rar.;;o da consulta e de,'3 perguntá-lo aos pais Alguns
ao tral3memo ). necessitam que o psicólogo lhes mostre que ele pane do prin-
Ao mesmo tempo. o esclarecimento dClilcs ponto,, penru- cipio de que algo anda mal, que se de,·e encarar o que ~-tá fa.
te ao psicólogo determinar se os próprios pais necessitarão de 'bando e que esta atitude não pressupõe a invalidação do que
ass1stêoc1a ps1col6g1ca ou não. e. caso a necessitem, qual a têc- funcioru bem. O que é mais dificil para o p~icólogo diante de
mea lll3tS apropriada (terapia profunda individual de um dos c.1$0S como estes é con,cguir que os pais considerem o, aspec-
dois. terapia de casal, grupo de patS. terapia familiar. etc.). '°" mais doentes do filho como algo que deve ser mo.:ilrddo e
Oucro clcm.:nlo digno de s.:r levado cm conta ~do se tra· q;.,c dC\em integrar com o J>OSIIIVO, sobretudo ll3 últim3 cntre-
rolha rom a técnica <k entn..'Vista livre é a seqiiêneta de aspectos ,,sta. Como é evidente, estes p31S necess11am idealizar o filho.
do filho que os pais vão mo:,.'trando ou dos aspectoc; de SJ que o 'lCgal' maníacamente a doença porque :i sanem como algo muito
paciente adulto vai mostrando. Quando se trata de pais que \'IC· ansiógeno e porque, no caso de admiti-la. deverão arcar com
ram por seu filho (cri:inça ou adolcscenlc). pod,:mos registrar l-.'113 dose exccssi\'a de culpa persecutória. É ju,1amente essa
al1emati\'as distintas: um mostra os aspectos sadios do filho e o probabilidade de cair alternativamente em ambos os estados
owro os rruw, doentes. e isto se m:inlém ao longo da primeira de ârumo que toma dificil o contato com os pais e a oom,ccu-
entn....,.;sta e de lodo o processo. Os papéis se alternam, e quando ,ão de um dos pnnc1pai:i objetivos do psicodiagnóstico: mos-
um do, dois mosua algo sadio o ouu-o mostra um aspecto doon- trar-lhes uma imagem mais completa po:;sivel do filho.
te Ambos mowam o mesmo. só o sadio ou só o doente. F.m outros casos. a seqüência escolluda e a inversa: apare-
É poSSi\Cl, também, que a ênfase vá passando. ao longo da a.'1l1 pr,mciro os al,J)CCtOS mais doentes e depois. ocasionalmen-

en=;sta. domai~ sadio ao mais doente ou vice-,·ersa. Como, te incluem o adaptativo. Consideramos isto. em termos gerais,
neste sentido. o psicólogo outorga aoc; pais a mais ainpta liber- oomo wn indicador do dcscJo ck depositar no p,.icólogo. de for-
dade. tem direito a considerar tal seqüência como sigiuficaú\3. ma rápida e maciça. o mais ansiógcno, para prosseguir a entre-
-10 ___ O p,= p<.-,vd,'Wfixlica " a; timica:< projermu ... nltf'n'lrt.!I ini,...-il _ _ __
- - - - - - 41
\"ista com maior tranqüilidade e soltura_ Em mwtos casos, este um do,, pais ao longo de tocb a primeira cn=·ista e. inclusi-
recurso e,.acua11,'0 sene para os pats esumarem o poder do ,e. de todo o processo. l:.rn outr0s ca._<os o que vemos é que são
osicõlogo como continente cfa doença do filho É algo aS!>irn pap,;is intcrcamb,:hcis e que o que esses pais necessitam não é
como um cie,,afio ao ego do psicólogo. que ~ ,.:. dewe oco- a função que dctcmtinado papel lhes confere e Sllll a existên-
"'lêÇO. crivado por relatos muito angustiados. '-'esta dinâmica cia de ambos os papéi:,.. não importando quem o~ desempenhe.
podemos J)TC'·er dificuldades na entre\ista de devolução. já que 1':ào toleram estar de acordo. não Miportam que o filho seja al-
estes pais dificilmente poderão tolerar o ínsight dos aspectos gi,ém que tnOStr.l cocrcmcmcnlc a mesma coisa a todo,. não po-
mais doentes do filho. dem concordlr com o que vêem e. às ,-ezes. o que, écm não tem
Assim como nos referimos antes ao c= do!> pais que idea- muito ,alor para eles. empenhados numa luta permanente. di-
lizam o filho. encontramo:, também o caso opo,10, o daqueles reta ou indire1a. :-;a entrevista. o psicólogo se sente oomo o
que não coo._<.egucm rc,gatar nada d<! posiu,o e tratam-no co- 'i!'io do cai.ai, como espectador obngado das bngas continU35
mo a caixa de re,iduos que lhe,, ser.e para não aswrnir seus e com dificuldades para entender as mensagens. pots estas são
próprios aspec10-, doente, e a culpa pela doença do filho Neste,, pem1an.:ntementc contmditôna,. fates J)J.l!, chegam a ent:re-
caso!, a devolução de informação também é difkil pois os p3.Ís ,ist., final com a fantasia de que. por fim, saher-,e-á qual dos
não toleram a incl~o de 35pee1os sadios e adaptauvos do 001s unha razão. Quando pcro.:bem que o psicólogo não torna
filho dl:'ido à culpa que isto lhes suscitaria. A culpa e a ansie- l'3Jtido de ninguém. mas que oompreende os dois. co,tumarn
dade concomitantes seriam de npo depressl\o. senumeruos es,.e,, all\'iar-se ou irritar-se. de acordo com o ca:;o. O ali,10 surge
que estes pais não suponan1. É multo frustrante trabalhar ~ quando conseguem um insight do tipo d<! casal que constituem..
pais 3SSllJl em ps1codiagnóst1co ou em ~icoterapia, jã que ,e q.,ando não -..! ~t~m recnnunados por isso, quando com-
eles roo recebem a a.~i~tência terapêutica para que h3ja urna pn:cn&m que entender-se um com o outro lhes permite enten-
mudança ~,tí,a. n:,i,tirão ~mpre a admjtir a melhora e os der melhor o filho Não há dúvida de que nestes prus há uma
pr0grcswi, do filho. ~:;cn.i de smtimentos dep=i.o, que~ mo,unentam qu:in-
O psicólogo espera que ambos os pais. indistimarnente. do o 1>5icólogo lhes mostra os efeitos do tipo de , incuto que
tr.1garn. associando li, rememe. aspectos positi\os e ~tÍ\os. e,tabeleceram entre si e com o filho. A irritação. manifesta ou
que formem uma un.agem do filho. que se completa à medida encobena, surge quando sentem o que o psicólogo diz como
que a entre'l 1sta ,.11 transcorrendo. bta expectauva nem sem- uma rcpro,ação ou um castigo pelas lutas continuas. O casti-
pre se reaJ123. Dá-~e o ca_'° de pais com papéi, fran~mente !,'<1 consiste em sentir-se tratado como terceiro excluído que
contrânos (não complementar-e,, que "-iO 0-, mai\ pró,imo, a recebe ~ admoc~taÇÕCS do c.i.sal parental. reprc:;cntado ent.'io
normalidade). Um do!, pai, 8S!,-Ume o papel de advogado de pelo p,icólogo aliado com o outro_ Por esta razão é tão impor-
dcfci;a e o outro de acusador do filho_Um relata algo posith·o tante abster-se de entrar na atitude de iomar partido ou de de-
e o outro imediatamente associa algo negativo que ill\-alicb o sautorizar francamente mn dos pais do paciente. O ma,s sau-
qut> foi relatado antes_ Suponhamos. por e:<emplo. que a m.ie d.vel e mostrar aquilo em que cada um e.;tã cec10 e O\> efeito,
diga: ~É muito ordeiro.. e o pai acrescente: --sim. mas ontem dei- que os erros de cada um produzem no filho. Ponanto. não é
xou tudo Jogado. seu guano estava desarrumado:· Em a lguns recomélldá, el entrar no Jogo de três que. inconscientemente.
casos. cada um d~es dois papéis é lixo e desempenhado por propõem ao psicólogo. ma.~ sim mostrar-lhes que eles consti-
:1 OIIMÍ>la inici,J _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __4_1

tuem um casal e que o terceiro é o filho, a quem se deve dar 5e'llS conflitos pessoais. maJS exposto o psicólogo estará ao
fofase em tudo o que se fala. mec=to de conua-identitic:içüe proje1iva. Esta pode se dar
Outra dificuldade que pode se apresentar já desde a primei- com um dos pais. com ambos como casal ou com o filho. Di-
ra entrevista deriva da semelhança entre a patologia do filho e mmui accntuadamcn1c a compreensão do caso e as possibili-
a de um de seus pais. !\este, ulll3 reação defensi:\11 comum po- dades reparatórias da dC\·oluçào.
de ~cr a dt: diminuU" a importância de tal patologia reforçando A ansiedade desempenha um papel importante em tudo
isio com racionalização do tipo· -Eu era igual quando peque- isso, :6SÍm como também o grau de matundade alcançado
oo. e agorJ estou bem." Os dados que apontam para e5ta pato- pelos aspectos infantis do psicólogo e dos pais do paciente. Se
logia não aparecem como motivo manifestn ou n:io se lhes dá o p;;icólogo mantém uma ~ubmissão mfan1il cm relação a SCU$
primazia. É o psicólogo que deve captã-los, perguntar nws pais internos.. pode pei-m11ir-se pouca hbcruadc de pensamento
exausnvamente sobre isso e urur os dados do fílho com o r,a.. e de ncão diil.lltC do casal qw o consulta Tender.ia crer no que
teria. ,erbal e pré-verbal do pa,. da mãe ou de ambo:. (gestos d1,,erem, a aceitar o cnquadrdffiento que eles ÍLxarem. será di-
de contrariedade ncno,i,mo. d.:scjo~ de ir embora, wrborra- ficil ou im~ível colocar-lhes limites se for necessano. etc.
gia im11siva ou moder.tçào extrema e todo tipo de tentativas de Isto significa confundir-se e não tomar dis1ância suficiente
convencer o psicólogo de que é melhor não pergunur m.us a para pensar de forma adequ;ida sobre o caso. Tambt..'m surge
respeito daquilo). i:. muito importante. então. que o psicólogo ansiedade no psicólogo e nem sempre ele pode in~trumenlá-la
não se lóllbmeta a tais imposições para poder obter todo o mate- em seu bcnet1c10. A ansiedade funcíoru nele como um ,inal de
rial necessáno. sem se altar à patologia do grupo familiar. arcan- alarme ante um emergente num determinado momento da en-
do com todas as conseqüências que <-"'lC pap,:1 tIU consigo trevma. Se, enliio, puder in,1rumo..'Tltá-la. conseguim urn melhor
A, difículdadcs a~ladas.. e muitas outras que não podmi in.<ight. Se. ao contr:1rio. o ego observador do psicólogo se
-.er e,gotad.il. o~tc capitulo, swgem das características psico- do:ixa m,-~dir pela ansiedade. perde capacidade de discnnun:i-
dimimicas do paciente ou do grupo familiar que nos consulta. ção. se confunde, deixa-se manipular. incorre em aIUações, etc.
t: das do próprio psicólogo. Este de\e se ocupar. desde o pn- Sua capacidade de penetração no outro frocassa ou toma um
meiro momento. em discnminar idenndades dentro do grupo rumo que nada tem a ver com o ponto de urgência que deter-
familiar que o consulta. É mwto importante que estabeleça minou o surgunemo do alanna. A ansiedade pode favonxer ou
quais e de que upo e inten~idade são :i~ identifíc:içõcs projcti- ,- bir as pos.,;,b11tdades do psicólogo de pcq,'IDltar. escutar. reter.
,as que cada pai faz com o lilho e ~e oom eles De--e estu- .:laborar hipoteses. integrar dados e efetuar uma boa sintese e
dar, em cada C3\0. :is probabilidades que tem de =bchx:er ro<icrior dc,olução Por i5SO consideramos oponuno desmcar
uma aliança terapêutica sadia entre seus aspectos mais sérios. a impo,rtância da qualidade do mundo interior do psicólogo.
n:paradores e maduros e os dos pais. Se. ao contrário. se esta- suas possibilidades rcparntónas em relaçJo a seus próprios
belecer uma aliança entre seus aspeetos mais infantis e os dos :b-pectos infantis e a seus pais internos. Se es1e aspecto é favo-
pais. soo poucas as suas probabtlidades de fazer um bom diag- r.h el. é bem possível que possa tomar urna distância ótima e
nóstico e prc!ver com correção o prognóstico do caso, assim :>doclr 3 técruca l!l3JS adequada. Do tootráno. st contra-iden-
como de planificar uma terapia adequad:i para ele. Quanto me- nficará com~ pai,. aiacW1do o filho ou com o lilho atacando
nos e:<periência tiver e quanto menos elaborados e.tiverem os pais. interfenndo em ;eu próprio trabalho. até o pomo de se
44 ~ .mt~'>·o iniaol_ _ _ _ _ _ _ _ __ _______4..;..S
- - - - O processo p,icoáiag'l()stk.:, e as w,:nica! proje,,,.,,

tomar uma barreira impeoeu-ável na comunicação. Esta difi- - - , P<ic:o!ogio de la conducta. Buenos Aires. Eudclu. caps. 1a xn,:
Cc;io. t .. "'l\l lengua)" no-,<rlxil; su inl.:JJ)retac1ón·· Rr. do! P.•lt:n0nàl.
culdade é transmitida mais através da forma do que através do
1. I\'. 11~' 1-2.
conteúdo d3quilo ~e se diz. C&e último é mais bem controlado Deulsc/1. F e \1urph}. \\. F.. 71re Clinicai /11t,!n1,.,. lnlom. t:ni,.
do que um tom de \'OZ conanle. seco. ~ i v o e indiferente.
Pr=. 1955.
Além da ansiedade. a culpa dcs..'Illpcnha um papel prepon- Fcnichd. o_ Teoria psin><111a/i1,ca de la n,-,1m.<i,. Bueno, Alr<!->.
derante tanto nos pais e no paciente quanto no psicólogo Quanto P:udós, 19'7 I
maior ê a ansiedade que detectamos na entrevista. maior é tam- Fn:ud s_ E/ u l "" t11C'Ca11/rnun Je defema Buenos Ames. Paioo,.
bém a culpa bllbjaccnte. Em alguns e ~ os pai, veroalil.llm- 1965
na dm:ndo: -Que terei íci10 de crradoT lndepcndentenl<!ntc • ""l.os rtcucrd<>s cncut>ridore,' CI S99). Obro, comple1<u. 1. XTl
da quan11dade e da qualidade da culpa, quase sempre aparece - - , -1.a dirumica de la lr.lllsfttenc,a·· C19121. Ohros coll1flletu,,. 1.
nos pa1s a fantn,"ia de 1rreparab11idade. quando se enfi-enlil.lll XI\
com uma lus1óna mais ~I que inclui seus aspectos amorosos - - , -La ini.:i.Jción dei 1I313111ien10·· e 1923). Obn.o rompleta:>. 1. Xl\.
e desuutivos. Enfren1ar-se com sua qualidade de pais não per- Gnnb,:rg. L.. ··Pcnurb.lcion.:, cn b m1erprctac1on por (3 co,,trJiJcn-
feitos dói. e se o psicólogo não o compreende. pode aparecer 1iíicación J)(O)CCU\'a··. Re\· de Pncoanú/•• l. XI\'. n?' 1-:!
como figura censora que os ca,tígará como a filhos surpn.>cn- "cin. \!, Emid,a grotirud. B11enos Am.--s. Honné. 1964.
didos em falta. Esta dor nem sempre é elaborada favoravel- Klein, \1. e oulro;;, De.,anvl/as rn p,Koo,,âlL<is. Buenos Am:s.
mente; para alguns pais o fr-Jca~,;o de sua onipo1êneta é :111,'-0 llom1~. 1964.
tão inlolcrá,el que pn::Fcrcm c,i1.3r ou suspender a con-ruha. Se
- - . Comrihurior.n ai p,i<'Oanófüis. Buenos '\Ires. Honn.:. 1964.
- - . \'ue,..u din•câone, m p<icounáliu<. Buenos ·\ires.. Paioo<.
a ansu:dade e a culpa forem enc:irada, adequadamente desde a
1965
primeira entrevista. assegurar-se-á uma maior garantia da qua-
L.tgac~. D.. CI problema d.: 13 1rnn,rereocia•. Rei. Ln,g de l'<icr>-
lidade do trabalho diagoó:;,ttco do psicólogo e, sobretudo, dei-
unó/., 1-3" 1-4.1956.
xar-se-á o 1erreno bem preparado para a enu-evista de,.oluriva e L bcrm:m. D Comwucaciór: en 1eropé111ico psic(>Qnalitica Rueoos
para a elaboração de um plano terapêutico correto. se necessário. Ai=. Eu~ba. 1962. caps. li! e IV.
\lom. M_ -Aspc,los teóricos y técn·cos en la, fobias y eo la:.
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Baranger, \\ • ··1.a situación analítica como campo dmánnco", R,,,, • -EJ Ol.l.lleJO de la ans,edad en el mo1i,o Je con>uli. > ,u ttla-
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_,..:.6_ _ _ _ _ _ O prott= ~rodiagn6:<rico e as /knica< projef.>aS

Rackei-. H .. Estudios sobnt téémcu ps,co.mulítica. Buenos Aín:s,


PaiJó,,, 1960 Capítulo III
Rasco, si..")' e outrOS. - Patologia ps,cosomãuca"'. ,\soe. Psic. Arg .•
1948.
Entrevistas para a aplicação de testes
Rodriguê. E.. E/ roete:rto dei proceso p<iroana/ir,co. Buenos A=s.
Pa·oos. 1964 Mw L s. de Ocampo e
Ruesch. J.. Comuni<uciót:. La muln; so,-iul de la psiquiatria.
Maria E. Garcia Ar7eno
Bu.:no, Airc,,. PaiJó~. 1959
- Disrurlted C,,rnmwlico1ion. '.'l()'.-;i 'iork. \\. \\'. 'l:orton. 195-.
Szpill-3. J.• ·~ora. sobre úempo. c,,pacio y cocuadrc... Rn. Arg d~
P=I., ano 1, n ~ 2, de7embro de 1969.
Quando o psicólogo planeja a bateria de testes que irâ uti-
lizar. pode mcorrcr cm dois erro:. alongar excessivamente o
processo ou encurtá-lo demais. No planeJamento da batena te-
mos de peru.ir que o processo ps1codtagnó;,uco deve ~r sufi-
etcntemente amplo para compreender bem o p:lcicntc. mas ao
mesmo tempo não"" de\e exceder porque i!>lo llIIPhca (da mõ-
ma fonna que uma redução e,,:cessiva) uma alteração no ,,n-
culo psicólogo-paciente. Algumas vezes, aumenta-se excessi-
\':Jmente o número de entrevi:itas 1ruciais ou finais; outraS vezes.
pelo contrario. isto se dá nas en1rens1as desttruldas à aplicação
dos te!'tes.
Desde o primeiro contato com o paciente, acont= algu-
ma coisa que mobiliza. no p,icólogo. a determinação de aphcar
um número maior ou menor de testes. !\isto influi muito o tipo
de relação predominante entre ambos. Se predommam ele-
mentos negativos no ,,nculo. o psicologo pode optar por con-
tmuar a relaçJo aplicando ouuos teste,,. para ,er ;,e ela melhora.
Isto, ao contrário do que se e-;pera. pode piorar a relação. Se o
, mculo foi predominantemente po~ittvo. pode ocorrer também
q<1c o P"icóm-60 o prolongue porque o fato de dar o psicodiag-
nó;;tico como f malizado é sentido como uma perda que 11.lO
tolera: custa-lhe separar-se do paciente, no primeiro caso pelo
q
_s_o______ o procr.«o p,;icnd,ag,,ômro e as mi= pmfemas Úl'1i!\IÍJl,JS para a apllcaçiio dt tes,a,_ _ _ _ _ _ _ _ _ ___:~c.:...

predomínio de elementos contratransferencialmerue negati,os. ,~-eur-exibicionista, ficando assim distoTCida a dose e a qua-
e no segundo pelo predomínio do,, .:h::mcoto;. posit1~os. Em lidade de curiosidade que o ps1côlogo deve utilizar para cum-
ambos os casos. pela culpa que a separação produz nele, culpa prir seu papel com eficiência. Além disso. se a devolução de
relacionada com aspectos infan1is próprios não elaborados. De informação é um passo tão unponame no fechamento do pro-
mna maneira ou de outra. o problem.1 consiste em estabelecer cesso como nós pensamos e confirmamos dia o dia na pránca
uma dosagem adequada da quantidade de entre\.1Stas em geral profissional. esse paciente fica frustrado em seus deseJOS de
e. como ven::mos nc te capitulo. da., desonadas aos tei.tcs em -;abcr o que lhe ocorn:: e o que lhe recomendam fa7er h10 é. a
especial. É neste monwnto do processo ps1cod1agnÕSiico que rk\·olução funciona como uma cxpi..'Ctati,'ll que não M: cumpre.
achamos. mJis freqüentemente. dc:,vios cm relação ao que cha- sobretudo se a quan1idade de enlrc,istas excede demais o esti-
maremos de uma duração usual ou tipo. Em termos gerais. a pulado no contrato. Nesle sentido. o paciente funciona mais
batcna de testes projetivos pode ocupar entre duas e quatro en- como objeto de estudo do que como pesso.t. Se a problemática
trevistas destinadas a exanunar o pociente. Em outros casos o do paciente. anterior à iniciação do psicod!agnósnco, for pre-
p,icôlogo ,ê o paciente apena:, uma , ez. EruendemOl> que e~tes ci.:,amenie e;sa. senurá que se repete com o psicólogo a expe-
são casos e:'(tremos cnlr.: os quais se deve achar a duração ade- nência que te\'e em sua, pnmeira.~ relações objetais. l ,to, longe
quada dentro dos limites que c:spccificamol> acuna. de ser -.audá,el. pode acarretar sé~ inconwnicntc:, ao pro-
Se reduzimos dem:ús o processo. hav,:rá, inevita,i:lmente. ce,so psicodiagnóstico e à e,.entual lerapia futura Se não se
um déficit de informação. seja qual for o material de testes uti- trabalha com técnica de devolução de mfonnação. essa relação
lizado. Se o prolongamos demais. surgem e,'Cllrualidades de fica inconclusa: a despedida entre ambos se dá com g:rande
1mponância que só serão reconhecidas se o psicólogo trabalhar incógruta por pane do paciente (e do psicólogo) e com um in-
com um marco de referencia p,;icanali1ico e admi1ir a impor- cremento de ansied:ide persecutória, porque niio lhe foi dada a
tância da transferência e da coo1.ra1raosferêtlc1a em sua relação opor1UD1dade de urna e.'<periênc,a corretora das fantasias men-
com o paciente e seus pais. Quando a b~t.:ria de tcs1es se pro- cionada., Outro ll!>pecto a ser considerado ê aquilo que acon-
longa mais do que o dC\ido é porque predomina no psicôlogo tece quando. finalmente. se recomenda psicoterapia: o mod.:-
a sensação de impotência ante o paciente. O paciente fica so- lo de ,inculo que o paciente leva intcmaliz:ido é prejudicial
brecarregado em seu trabalho (SeJam horas de jogo. desenhos pois Í3\orece fantasias de ser retido e. ao mesmo tempo. fuis.
ou produção verbal. Isto facilita nele a fantasia de que o que trado em suas tentativas de aproximação re.ll. Se se prolongam
está acontecendo com ele é tão sério ou oomphcado que leva as entrevistas para serem apbcados mwtos testes. perdura o
o psicôlogo a uma c~ploração intcn,iva. F.m ,uma, a fanta.,,ia temor do: ser reme..,do. Se ne»e vinculo prolongado li,er pre-
seria a de ter algo extraordinário, complicado e di ficil de cap- dominado a idea lização. o paciente chegará ã terapia com a fan-
tar. Amda qlk! o paciente não tenha nenhuma idéia do tempo tast11 do: ""'r tão inl=tc, agrad:hcl ou scdulor que ningulm
que dura comumcnte um psicodiagnôstico. pode também ali- pode desprender-se dele.
meruar estas faniasias. pois o psicólogo. imoluntariamente, trans- O que as:sinalamos como muito imponante é a distorção
mite-lhe sua inquietação. incerteza. curiosidade. etc. Este últi- que o psicólogo facilita no paciente num sentido ou no outro
mo sentimento é o que pode fa,orccer outro tipo de fantasia oo (aumento da tdealiz:ição ou da perseguição) a respeito do vín-
paciente: a <!.: que forma com o psicólogo um casal do npo culo paciente-terapeuta com base no modelo que introJetou
_5_1_ _ _ _ _ _ O prr,ce= psi,vditl!(!ZósJioo e a.1 têt:nica,, projemu, Eium'isws para a aplic.,,,-ào d, •estes,___________..;.5.;..J

durante o psicodmgnósaco. Outro elemento negaavo digno de loeo deve (ou deveria) centrar-se em outro ponto {o filho). Se
ser assinalado é que a prolongação do vinculo dJficulu a pa,,- pól.l1l ele e tão natural o fato de margmalizar o filho. podemo,
'3gem 1ransferencial que o paciente dc,c realiz:ar ao com.:çar pre<.umir a extStência de aspectos infamis que lutam competi-
,ua terapia E:stc iocol'.l'crucnte toma-»c mais ,,.:-rio quando a t1>amcnte contra o paciente. retendo consigo. tnunfalmente.
patologia do paciente .: muito grave. seu ego muito fi'aeo e suas além cb conta. o pai e a mãe. Isto pode estar hgado a outros
defesas muito precárias. fatores. tais como uma curiosidade per\'ersa (,oyeunsmo). oeces-
Dissemos antes que quando o ,inculo se prolonga demais sídadc ele seT o que sabe tuc.lo (onipotência). etc. Quanto aos
por iniciali\'il do psicólogo é porque predominou nele um sen- pais que procuram mero psicólo<.;o. pod<;mo~ afirmar a exis-
timento de impotência O que sente é que não consegue com- tmc1a ele sentimentos de ciúmes e rivalidade diante do filho
preender o paciente e recorre à aplicação de outros testes. e<;- que fica.rã com o psicólogo. vh;do como representante c.Je um
p,:rando que algum lhe d,: a n:,posu an,io,amentc buscada. c3S31 ()31-mãe bons. Eles passam a ocupar o lugar de filhos
no nosso ponto de vista. o mais adequado é que a extensão da necessitados. Tudo ISSO se confirma se. na devolução, os pais
bateria e o número de entrevistas iniciais e finab se mantenha o evidenciam na pnipna dinâmica da eotre\'ista ou solic11ando
constante {dentro do possível). Isto supõe a pOSSJõilicbdc. por l10\.IS entre,;s1as. Geralmente ,erbalizam que algo não ficou
parte do p~1cólogo. de aceitar um limite para si e colocar um claro para cl~ que ncce~itam con,ersar mai, sobre isso. que
limite para o paciente. Quando aumenta a quanadade de entre- há algo mais para se falar. Isto pode ser real. pois alguns pais
\istas com os pais.. rompe-se o eqwlibno neces>olrio d3 rela,ão esperam até ficarem convencido, ele que o p!,ICÓlogo trabalha
com eles e com o filho. Eles dão mu110 material e parecem ter bem. sabe escutá-los e compreendê-los. e só então o tàzcm
coisai, mwto 1mportan~ guardada, (atitude e,.acuat,va): no partJcipar de dados muno ans1ogenos. Mas é necessário colo-
entanto. trata-se geralmente de uma lática empre<.;ada para re- car um lim ite a i~w ou cairemos nos erros M~iMlados. se os
clamar uma maior atenção para si à cu,1a do filho. Por seu lado. pai.s demonstram uma grande quanlldade de ansiedades. acei-
o psicólogo continua concedendo entre,isus. aparentemente tamos e até propomos uma entrevista para aJudá-los a elaborar
com o fim de reunir dadoc; que pennitam uma lll3.Íor comprttn- esta ansiedade. Mas não se lrdta c.Jc manter e:.ta a1ttude ad infi-
s.io do paciente. operando com a premissa de que quanto ma.s nitúlll, posto que a ansied3de dos pais se transforma, cmão, na
detalhada for a biografia, melhor a compreensão que terá. t,;ão taUca indicada para reter o psicólogo. o qual. longe de sanar a
obstante. esqw.>ce que um , ínculo as,;im pmlongado c<r> os pais ~ wação trazida à consulta. complica-a ainda mais. Muitas
pode comertcr-sc cm uma p~icotcrapia bn.-,.e de casal onde os ,eies, tentam reter o ps1cólogo maJS e mais porque querem
pais o manipulam. cstabelcccndo-i;c com eles uma aliança dcs- ~rar-lhc que são bons pais. procuram se Justificar e vivem-
,irtuante. na medida em que se atrasa o contato com o filho. O no como um superego paterno-matemo que e.,uge exphcações
aconselhável. segundo= opinião. t\ apontar para e=s paJS imcnnináveis sobre o que fil.Cram ou de1uram de fazer. O
a necessidade de contar com um profissiooal que os escute e psicólogo de,-e levar em conta estes elementos para compreen-
oriente. independente daquilo que faça falta para o filho. Ca;;o der meJbor os pais e. fundameomlmente, o filho. Co~itui um
contrário, apesar de obterem um certo benefieto sectilldário (pseu- item importante do diagnóstico que deve ser incluído no mo-
do-ali\lo pro,eruente d.: aJuaçik..,, erncuaçõe,. etc.,. estarão mento da. de,.olução de mfonnação para esclarecer-lhe; o tipo
agindo a scniço dê ~uas próprias resistências, já que o psicó- ck , inculo e.-.:isteme.
_5_-1_ _ _ _ _ _ O ~ psicvdiag,tM1ico e a.r ttm cas pofeti•as Entmmas para a ap(iroçct, de testes_ _ 55

Vejamos agora o que ocorre quando o processo, em geral. ~ p<ieodiagnóstico. Se o paciente tenta evitar fobicamente o
e a aplicaç,io de testes. em parltcular. se reduzem coosidcra- psic:ologo ou se tenta absorvê-lo e instalar-se em uma relação
,,:lmente (por exemplo. se se recorrer. por iniciativa do psicó- perdurável com ele. pode mobihzá-lo a conua-identifiear-~.
logo. a uma hora de jogo ou à aplicação de um único teste). ESta aua, és de condutas tendentes a encurtar ou a prolongar o "in-
redução do processo favorece a fantasJa de que o paciente pode culo. Com sua capacidade de pensar atacada. o psicólogo sente
deposjur rap1damen1e os conllnos e preocupações no ~,cólo- que não entende o pacienlC e opta por prolongar o vinculo ou
go. que. além dJs.w. é irr.estido de atributos mágicos de com- redwi-lo mais do que é com-eniente. transformmdo-se cm um
preensão dos mesmos. Facilita, por parte dos pais. uma atitude mau contiocnlt;. porque não metabolíza o que o paCJenle lhe
tendente a não sofrer as altemali\'as do processo, a não se expor dá, não disa-imfoa. acumula ou. pelo contràno. pede pouco
à mobilit:açâo de angústia.. Este contato fugaz empobrece a material por temor que o invadam.
capacidade de compreensão do psicólogo. embora haja casos
em que ele mesmo o prO\'OCa. le-.ado pela quantidade de ansie-
dade ou raiva que sente con1ratransfett11c1almen1e: procura h- Planejamellfo túJ baleria
vrar-se do paciente o mais cedo possi,·el. Se não trabalha com
a técnica de devolução de informação. a~ fanta~ia, anlcs men- Planejamento geral da bateria
cionada..~ não podem <cr retificadas Quando o psicólogo pla-
neja um cont.atO tão fug~ com o paciente (e os pais). achamo, ParJ planejar uma batena ~ necessàno pensar em te.tes
que opera com uma grande onipoténcia, sustentada pelo psi- que captem o maior número pos.,;hel de condutas ( verbais,
cólogo ou transferida a um determinado teste. por exemplo, o gráficas e lúrucas), de maneira a possibilitar a comparação de
Ronchach. T3.l 3titudt fllci1113. no paciente, a fantasia de que o .mi mesmo tipo de conduta, pr<woeada por diferentes estimulos
que ele tem é algo mwto sunples. mwto fáci l de captar e/ou.. ou 10,,,rumentos e di fercnl~ tipos de conduta entre si. É muito
stmultaneamente. que o psicólogo é uma espécie de brll.'(o que .mportanle discriminar a seqüência em que serão aplicados os
maneja o Leste como wna bola de crisial que reflete tudo o que tcsL~ escolhidos Ela deve ser estlbelecida em função de dois
acontece. Por outro l:'.ldo. diminui sua capacidade de sutiliZ3C. •,tores: a natureza do teste e a do caso em questão. O 11.--stc que
estimula a tcndo:ncia a preencher os vazios da produção dopa- mobiliza uma conduta que corresponde ao sintoma nunca de,·e
ciente com suas próprias projeções. aumen1a a intolerânC13 para -.er aplicado pnmeiro (um teste verbal a um gago. ou um leste
aceitar o que não sabe. para defrontar-se com dúvidas e carên- de inteligência a uma pessoa que consulta por causa de difi-
cias. Peruamos que. em :unbas as s1ruações e:..-u-emas, oculta-se culd.,des intelectuais, ou um d.:siderntivo a um depressivo. es-
um déficit de mformação que leo.a. em um caso. a uma busca quizofrênico. moribundo ou velho. para quem a vivência de
de mfmnas recorrências e. no outro, a negar a ncccssid3dc de mon.: é algo Ião prescnle). Uúlizar estes testes em primeo.ro
recorrências suficientes que lhe permitam uma boa síntese da lugar supõe colocar o paciente na smiação mais ansiõgena ou
problemática do paciente. Há uma voracidade e uma curiosi- ,lcficitária sem o prévio estabclec1mento de wna relação ade-
dade c:<.cessivas, atuadas em um caso e reprimidas no ouuo. O quada. Incorrer neste erro pode viciar todo o processo psico-
mecanjsmo de contra-identificação projetiva com o pacjente J1agnostico ou imprinur um tom persecutório que tropeça a emer-
desempenha um papel importante nestas vanações do proces- L-Cncia dos aspecros adaptativos. Recomendamos como regra
f. tre,i •upar.aap!icaçiiode1e:.16

geral reservar o~ testes mais ansiógenos para as últimas entre- justificação. autocríticas ou criticas ao psicólogo. Pode expres-
vistas. de tal modo que o paciente não utilize toda sua energia sar-se. sem ,-en,alizar seu desagrado. com associações na;, quais
para controlar a perseguição assim incrementada. Há ilb-UU· mostra seu mal-estar, ou reagir com um bloqueio total ou um
mentos que são ansiógenos por sua própria coostruÇào. seja negatii. .smo abeno e declarado. Na ma,oria dos casos. a soli-
qual for a problemiàca do paciente em que são aplicados.. tal cttação de um tc,;ie gráfico ~ignifica para o paciente enfrentar
como acontece com o deslderativo. Suas in,iruç,õcs contêm um uma tarefa conhecida que já realizou em algum momento. A
ataque à idemidadc que pode con\"erter-sc em um ekmcnto , mpliddadc do lll31crial contribui para tranqüilizá-lo (papel
traumático. o qual. somado ao Sllltoma egodistônic:o. impt'.dc ~m branco e lápis) Consideramos l)('Ce,sário induir. entre os
uma boa reoryaníiação e dirige o processo. Assim, não se deve 1c,tes gráficos, diferentes conteúdos em relaç.io ao tema soli-
colocar o desiderativo nem como primetro nem como último citado. começando pelos de temas ma,s ambíguos até chega
teste. (Como primeiro teste faria com que o paciente enfren- a,_.,, mm especificas. Por exemplo: desenho lt,re. figurJ '1uma-
tasse a mone desde o inicio; como último teste podena IDler- oa (Machm.a-). casal (Bemstein). ca~-ãnorc-()Cl>!,oa (H•mmer
fenr na elaboração depressiva implicada na s;.-p3ração.) e Bucl.,1- fru,alia (Porot. wrda Ancno-Vcrthelyil.
Os testes gráficos são os mais adequados para começar Ke--te sentido. se qui~nnos extr.iir dos testes gráficos todl
um c'<11111<: l\>tcológ,co. a menos que o paciente apresente sérios a riqucla que oferecem. é importante aplicá-los suc~I\ a.men-
transtornos orgânicos, grm,es alterações do esquema corporal, te. con-tituindo irn todo que nos pennita a comparação mter-
dificuldade no w,o dai, mãos. etc. Vejamos quais são as razões h:stes. ~m a mterfcrênc1a de estímulos que mobilizem outros
pelas quais consi<kramos cs~es testes apropnados para come- tipos de condutas e de assoc,ações (como podem i;er o deside-
çar a batena. Por abarcarem os aspectos mil.IS dtSSociados. ranvo ou o Phtlhpson). l:.sta comparação constitui um elemen-
menos senndos como própnos. pennilcm que o paciente tra- to d,agnosuco e prognÕ!.llco muito importante cm nivd de co,,-
balhe mais all\ ,ado. Outro elemento que os torna recomendá- duta grafica. Jà que são e,res tcst~ qu~. em diferentes investi-
veis para a inclusão no começo da bateria é o fato de serem i; çõc,. foram indicadorc~ de incipiente patologia e detectores
econômicos quanto ao tempo gasto em sua aplicação. Salvo d~ rcmissõ.:~ tardias. Através da sequência de te:.,cs grãficos
raras cxceçõcs. o paciente pode cwnprir em poucos minutos a podemos verificar se o sujeito se organiza ou se desorganiza
primeira rarefa que lhe é pedida. O fato de haver saído ileso cada vez mais. Os testes gráficos refletem os aspectos mais
desta primeira pl'0','3 alivia o paciente. modifica as fantasias t,wve1s da personalidade. os mats ditice" de ;,en:m modifica-
com que chegou a respeito do exame psicolôgico (geralmente dos. Este é mais um elemento a favor de não ,e incluírem
muito persecutórias) e deixa como saldo fa,orávcl a disposi- ,,,meme le;,te:, giafico,, I\J bat.:ria, P<-•niuc uma patologia muito
ção de estabelecer um bom rapport com o psicólogo. A con- intensa nos gráficos pode aparecer mais moderada nos teStes
duta gráfica guarda wna estreita rdaçào com aspecto, infantis , crhai, Por sso r.:comt.-ndamos que não se fique cxclusÍ\ a-
da personalidade e. de acordo com o tipo de vínculo qu.: o m~nte com uma mostra da conduta gráfica do paciente.
paciente mantém com e:.tes aspectos. sennr-se-ã tranqt.iili2ado A comparação da produção do paciente nos diferentes
ou irritado com a tarefa proposta. Se essa conduta foi normal k5tCS gráficos é um recurso que oferece elemenros diagnósti-
na wancia. a reação será de alivio ou agr:ldo. Se n associa com ,, s e prognósocos adic1011a1s em relação ao que cada te:,te dá
dificuldades de algum tipo, reagirá com comentários de amo- ..q,arad.1111ente_ Dentro dos lestes com in-tru,;õe:, fechada,;. reco-
S& 59

mendamos incluir o H TP.. porque p.:rmite explorar diferentes a) O material apresentado ao paciente não é ambíguo
ni\'elS de projeção da pnsonalidade: a projeção de 3.'>-peclos mais t como nos t~tes proJetivos}, mas de conteúdo pn.-ciso (pontos..
arcaicos eslá na figura da ãnore. e os menos arcaicos na pes- d~nhos geométncos, etc.), com o que fica esmlx:lccida uma
soa. Também recomendamos fazer a comparação entre os grá- pnmeira diferença diante da qual as reações do paciente são
ficos e as ,crbalizaçÕI!, ~ntãnea, ou indwidas pelo psicó- imporuntes para o diagnóstico e prognóstico. Oe"e-se le\-ar
logo. Referimo-nos às "-erbalizações dos testes g:r;,ficos corre- em coou que. se depois de um teste de inteligência damos as
lacionadas entre si e com os testes verbais. Podemos sutilizar in,trnções de um te>1c projetivo, pode ser dificil para o pacien-
ainda mais correlacionando aquelas produções com as de lestes te rC:llcumc:xbr•se a estímulos tão indefinidos como uma pran-
,~roo,s que utilu.am um .:stimulo va:,ual (Ph11lipson, Rorschach, c a de Rorschach Phillipson ou C.A.T.
C.A.T.) e com as que utilizam um estimulo verbal (desidcrati- b) As instruções dos lestes de mtdigéncia implicam uma
~ 1ude mais ativa ror parte do ps;cõlogo. que propõe um tipo
\O, minha, mãos. etc.). Desta man.:ira pode-se c>tplor.u no
ele tarefa diferente <hs outras e estabelece um limite d~ tempo
,enndo de ver quais as fantasias que emetgem. quais as asso-
rr...is dehrudo do que no, te,.tes pro~ll,os (ei.llpulado, inclu,i-
ciuções que o paciente expressa verbalmente e qual é seu com-
,e. pelo própno teste. para garanur a ,alidade dos resuhados)
portamento perceptivo. conforme o tipo de tc!Slc: exclu!-1,a-
e) O registro da p=a também difere. Em geral o p~1có-
mente gráfico. exclusiv.unente verbal ou que combine as duas
Jogo não escreve rudo o que acontece e munas vezes e, ,sível
técnicas. hto também é válido no caso de serem incluídas téc·
I" ra o paci1:nte que o que registra são sin;us positi, os ou nega-
nica, ou testes lúdicos na bateria. Assun poderemos fazer uma 11\0S a n.:speito de suas respos13s.
correlação entre os três tipos de oonduta. A irw:l~o destes tei.- d) Algun;, tc,,tci, de mlcligência incluem mterrogalónos
tes oeste da casa de A. Aberastury. por exemplo} permite C.'<· que diferem dm intcrr0g3tóri0'< do~ testes projetivos por serem
piorar o manejo do espaço tridimensional. aspecto n.io incluí- menos ..mb1guos e mats especifico, e d1n:ti,os.
do no, outros tipos de restes. e) A relação JlSICÕlogo-pac1ente muda a partir do momento
d1 \'Crba!Jzaçào da mstruçào e da mo,tra do matenal. O p.1c1i:n-
.\ bateria-padrão 1. percebe que está sendo avaliado em relação a algo muito
,-..pecifico. que tem ligação com a inteligência. !\os testes pro-
Como eicpressamos anterionnentc, pensamos que, numa j, ivo, diminui sua sensação de responsabilidade e a ansieda-
bateria-padrão. de-em ser incluído,,., entre os lestes projctnos, de P<-n<-"Cutóna coocornitanle pode aumentar ou díminwr. seguo-
aqueles que promovam condutas diferentes. Portanto. a ba1eria .~ · o ca.so. Se o sin1oma que o paciente traz é justamente uma
projet1~a de\e mcluir testes g.ra.f1cos, verbais e lúdicos. Quan- J.l 1culdade 1ntelectual, a quanlidadc de ansiedade aumentará
to ao; testes d.: inteli1,>ên.::ia. t."TDbor-a não sendo nossa especia- , ,iave "lente e. nuis ainda. se colocannos o teslc de inleligên-
lidade. fazemos afirmações similares: sua incl~o na scqüi:n- em primelt'O lugar. ~tas o que está "neutralizado.. é o que
cia da bateria não pode ser arbitrária, pois com:-se o risco de -cita menos ansiedade. Pode acontecer, então, que um e,qui-
trazer conseqüências desfa,orâve1s tanto para o diagnóstico 1oide. com sólidas defesas de intelmual1.1.ação. não c.~n-
quar o para a relação ps1cólogo-pac1ente. Prefenmos. dadas as . ·n1c an,icdade e respire a)n,;ado se lhe apresentarmos um testt
suas caracteristicas. colocá-los no fUUll da batt.'1'ia de testes pm- . e miei gêocia.já que ..encaixa" melhor com o tipo de defesa
jenvos pots: e mai, u1ih1a an1e a an,icdadc.
60 61

Pensamos. então. que um teste de mtehgêncta não deve 1• f!JJ/reri~tu:


ser o pnmeiro teste. O momento e.~to de sua inclusão de<.e ser restes gráficos: desenho li.re.. duas i>=~ tei,te da fa ..
decidido de acordo com o caso. Quando se lJata de vários te&cs mil ia e H.T.P. (House. Tn:e, ~011). Caso haja suspeita de pro-
de inteligéncia c ·ou maturidade. é preferível inclui-los todos blemas de maturidade ou lesão orgãruca. pode-se aplicar em
juntos no final da bateria. Se se trata de um só. pode ser i-,tcr- !<eguida o Bender.
calado com os tc,t~ proJeliv~ ma!> aphcado no final de algu-
ma das entre, i'sta,. (Por exemplo. um Bender pode ier coloca- !" ellll'f!\Ú(U •
do no final do grupo de teHes gráficos. dado que se pede ao Rorschach e dc~i,kra11,o, íimiliarndo çom o pedido de
paciente uma conduta gnifica. mas se enfatiza a necessidade de uma recordação ou de um ~onho para não dc;;pcdir o paciente
que copie o modelo o mais fielmente possível.) Se se quiser com tudo o que este ülumo teste mobilizou.
avaliar as panes adapG1th'aS em relação com a inteligência,
toma-se adequada a aphcaçào de um Wc~hler (dedicando-lhe J.• enlll.'>1sta:
toda uma entre\oi~t.1) intercalado com o, t~te, prOJetivo,.. Fm Teste de relações objetais de li. Phillipson.
geral preferimos deixar o Phillip,on para o final da batena a
fim de a,ahar o, aspecto~ relall\'O!> à separação. As técm,as e Caso se trate d.: uma cri~ a bateria completa constaria de:
os testes projeu.os penrutem a,-aliar quahtath-ameme (e quan-
títauvamente de fonna aproximada) aspectos gerais da inteli- 1• enlf'I!> i5ta.
gência que têm ligação com algumas capacidades adaptativas Hora de Jogo diagnóstica.
do ego. Se aplica= um Rorschach podcn:mo, apreciar o
pot~dal e a dicio:ncia in•ckct\1~1,Jo p~n,·nr..- o tipn d,• inteli- 1.• en/,nú/a:
gência predominante. em que medida e forma os fatores emo- Te,tcs grâficos: os mesmos que para o caso de adolescen-
cinna1s acrescentam.. ennquecem. empobrecem ou bloqueiam te:, ou adultos
a mtehgénc1a. O que nlo podemos fazer é falar sobre o Q.1..
sobre o percentil ou classe de inteligência do paciente. nem so- 3~ entre.i~tu.
bre ouIro:, dados que somente os testes de inteligência (Ra- en. Rorscbach e dcsiderati,o. finaluando da mesma manei-
Anstey. etc.) oferecem ra e pela mesma razão cxphcitada no caso de adultos ou ado-
O \.\'cschlcr ê o !Chie que melhor pode no,, ajud.11 no ,..,n.. ksccntes.
tido de uma boa ª",iliac;ão destas capa.:idades adaptatirns e
que, como o Bender, é sLL'\Ceú"el de wna interpretaÇlo proJe- 4• ent"n~la.
tiva complementar da amlíação quantitam-a, com que podere- Te,tc de apcrccpção temática para crianças (C.A.T.) ou
mos integrar melhor estes re~-ultados dentro da bateria Se o Ph1 lhpson em cnanças maiore, com Lcndcnda à intelectuali-
caso requer uma avaliação rica. detalhada e precisa do ni--el e 1..ição e reJeição de estímulos mai$ infanti~. Para imc:stigações
do funcionamento mtdectuais, d,:w= recorrer aos 1.. ..,,,cs ,ompkmeruares algumas vezes se aphca o C.A.T. ou o teste de
especifico~ :mterionnentc mencionados. lllaclcy. Preferimos substituir o C.A.T. pelo Philhpson quando
'lo caso de aplicação de uma bateria completa a um adul- o,:ormn as condições especificadas acima ou oo caso de fobias
to ou a um adolescente recomendamos a ,;cguintc ,cqüê,,cia: o~ ;1rfmais.
_6_1_ _ _ _ _ _ O prottsso psicod1<1g,ós1,co e as réaiC<JS projeti>as

Bibliog,vfia
Capítulo IV
Abt e Bdlak. P<irologia proyec:riw, Buenos Affl. Paidós. O questionário desiderati:vo
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1. Força efraque-;.a da identidade
110 teste desiderativo
\faria L S. dé Ocampu e Maria - Garcia Ar.zcno

As instruções deste teste provocam no paciente um ataque


., ntcgridade do seu ego.
Defmunos a força do ego como a possibilidade de pôr em
lwicionamento nu:cani~mus que. sem negar maruacamente a
murte nem sucumbir a ela. pennitam ao sujetto manter sua coe-
são e wbrcpoc-se ao impacto das in:,,ruções. No nÍ\el da con-
' ula manife,ia do paciente, isto se e,;dencia quando consegue
n:'-ponder ao que o teste lhe pede. não :,e agarra a escolhas coo-
' ,~entes nas diferentes , erwe.s da identidade humana t .. esp1-
mo ". "Batman", ''I.Ul1a fada... "um mago··. "um ser bom... "não
,,: IJdrão"). nem ;,e limita a responder com ê\':IS1,as ('1liio sei".
•· uo sendo p,.:ssoa não quero ser nada").
1,;,.,.. ego muito fraco e sem defesas fica parali,ado diante
,t ,ituaçào de morte faniasiada proposta pelas instruções. En-
lr , num estado de aniquilação real e não pode m,ponder ao
t, '<C, porque não pode discriminar entre a morte real e a fan-
t , a de morte.
Um ego menos fi'aco comporta-se de maneira diferente.
<o<tscgu,: se reorganizar graças a uma negação maníaca da an-
1-'. -,tia de morte, negando a própria possibilidade de morrer A
m , nsidadc deste mecarusruo no,, dará a medida da fi'aqueza
,~, <!(O. mecarusmo que se manifesta nas e<colhas que este tipo
____ O proc1,sso p<icodrJWlóSlico t as 1«11icos projernw 67

de paciente realiza: "Baohá. porque vive mais de cem anos~. Tal como fazemos em outros testes, marcaremos o tempo
-Papagaio. porque vi,e muito-. "Pedra, porque quase não se que transcorre entre o enunciado das imtruções e a emergên-
gasta e eu não moneria nunca.., etc. cia da primeira resposta do paciente. 'Ião incluiremos as pri-
Cm ego fraco. mas que não chega a sen11r-se aniquilado m<.-iras ,-erbalizações, já que podem consistir em pala, ras des-
pelas instruções nem obrigado a recorrer a ulll3 negação ma- oonexas. balbucios ou comentários que cwnprem a rlll31idade
níaca da morte. também pode realizar o teste. Quando exami- de -se d.1r um tempo" sem se comprometer completamente com
munos detidamente suas escolhas e ,;uas respccn,as racionali- uma resposta. 'liu. catcxias 1- e I costuma aumentar o tempo
zações. descobrimos o grau d,: fragilidade que possw. Alguns de rea~à{). A primeira ca1exia postti\.a ~upõe que o sujeno se
exemplos como: .. Gostaria de ser um canário. v~e numa gaio- s.:"'reponha ao impacto das 1n,1ruç[1<:~. ª"alie o aspecto inter-
la dão-lhe comida. cuidam dele... "Gostaria de ser um Jarro de no que mais se deseja proteger da morte e a associação dc,,te
cristal", "Uma orquídea por sua dclicadC?.a-. mostram cate.-..i;is• cO'TI algo do mundo externo que melhor condense e tra.,sm11a
caraeterizadas pela fragilidade. debilidade ou aspecto mdefe- o resultldo do baJanço quc as insttuções o obrigam a realizar.
so dos objetos' mencionados.
Um ego com mn grau de força adequado não fica amqw-
'3 1 a struaçào de teste Já não é 00\a e o paciente deve dJ,..
crimmar o que é mais desagradà\'el em seu mundo inremo e
lado pelas 1n:."trUçcks. nem recorre a ncgaÇÕC!, m.miac:b. e, a.iem e,,.;olher algo do mundo externo que condense e expresse es:;e
dJsw. não apela para escolhas como as que acabamos de e.=- e emenro rejeitado. Este proce,so parece. à primeira Vb'ta. tà<>
pltficar. l:m todo caso. objctoS que po,suam como uaço,, -<en- cu.,toso quanto o pnmelJ'O ( 1+),mas.em termos gerais.. 1t:mo,,
ciaas a fra2ilidade. a debilidade ou a íalta de defesa aparecerio n.>1ado que, para o paciente, é mais fãcil locahzar e c,p<essar
no prot~o como catexias negati,ill>. i>to é, como aspe,:tos aquilo que reJe11a do que aquilo que aceua. O benclicm secun-
tio 11au1Rlu uuei no que o próprio paciente rejeita. Vejamos dal'io que pode ser obl ido pelo paciente que realiza este leste é
algun:. exemplos: "Gostaria de i;er um pardal J)QC(!Uc ,,abe bus- nwor em 1- do qlll! em 1..-. O teste ofen:ce ao paciente uma
car seu ahmento, \1\le livre, sabe se defender". "Ser um can,a- s.nd.1 que tem ligação com a realí7Jiçào mágica de seus dese-
lho, que é uma arvore forte. de madeira nubn:. dá boa ,om- Jº'· Podc pôr aquilo que é mau e perigoso fora de s1 e rejeitar
hra-. "Gostana de ser uma casa grande. onde , i,a muita gente, to,Li relação de peninênc1a dis.<,0 que é mau e perigoso com wa
uma casa fone que os proteja' . pmpria personali dade, m~diante o simples recun;o de dizer
Referimo-nos, a té agora. exclusivamente às escolhas para
invc:,ligar e exemplificar o grau de força ou do: fraque7..a do
-~'""º :sso n.io quero b<.T". ou 'isso não quero ,er-. í,to é. "isso
nao me pertence. eu não quero ser isso. portanto não sou isso".
ego do pac,cn1e. Um T. R. mu ito elevado (trinta ,egundo, ou m3isJ indica
O tempo de reação (T.R.1 é outro indicado<- digno de :.er 4uc o impacto das in.,·truções foi intenso e que o ego reage len-
levado cm conta para tn\esng:ir esse aspecto da identidade ta ,.:nte Quando o T.R. e mu,10 ele,-ado podemos pellS3l' que
a, instruções provocaram um choque no paciente, mas. como
• Q IClfflO CáUe.Ll ~ tL...Jo p<b:, Uil~l2> p:a2 ck1lU<IUOOf h CS,:,0 h3s sun.xlc em outros testes CRo!bChach. por exemplo), o choque
cp,e supc';em wn desloc:nneruo de cnc,gja. IN. do E.J 11(><:!e aparecer deslocado nas catexias 2+. 3- ou 2-. 3- '-:estes
1 Fn"""1>-"' JK"'-ob~'U>- tudo "'!Uii<>que fut>Clooa oomo correl.\11> do
pensamelllO do paa<nle an .-.. b""'-a de un•a "'l)O>la as insuuo;óes. ,qa e. '°' falamos de wn ego que. além de ser foc,Jmentc vulnerá-
aninul \egeal ou 1n.anim:!tk>. , d. reage com efeito retroativo. Em cal caso. a rapidez ou sol-
68 69

tura com que tenha dado a rcsp<ma 1- não deve= tomada Se um paciente tem T.R. ele.ado nas cate><ia~ positi"-as e
como prova cabal de solidez do ego se, no resto do protocolo. reduzido n.:is negauvas. cabe pensar que lhe é mais fácil distin-
aparecerem traços que indicam o con1rãrio. guir o que lhe in:,pira do..~grado ou n:jcição. o que é mau e pen-
l:stes aumentos do T.R. cm 2+, 3-. 2- oq 3 podem ser goso para ele. Em comp,:nsaçào. não pode estabelecer com a
de\idos. além do que já foi mencionado. à áreJ esp..>tifica as- rapidez adequada té("llicas que o defendam destes aspectos
sociada à categoria do objeto evocado. A primeira tàuca defen- rejeitados. E importante ver se o mecanismo e predominante-
siva e~colhida pelo paciente. nestes casos. sera procurar e.itar mente cvacuali\'o ou se realmente há d1scrimmaçào. hto COh-
uma escolha de algo penenccnte a 1al categoria. Por exemplo. luma ttansparecer no exilo ou no fracasso da.,; racionalizações
não aparecerá nenhumJ cscolhJ ~nlãnca -de algo inanima- do paciente. Se aceita tudo -porque me agrada·· ou rcJeita tudo
do-. e somente se dará ao trabalho de e:.colhê-lo se o psicólo-
-porque não me agrada-. ,-emos que fracassa em suas raciona-
go 111duzi lo a isso ~~'><! oportw1idade. pode aparecer um
liiações e. ponanto, suas po<-,ibihdad~ de d~minar se redu-
aumento notâ,·el do T.R. Se a escolha de algo inanimado lhe é
zem no1a,elmente. O paciente parece ter claro aquilo de que se
exm-mamcntc conílni,a, o paciente fracassará em qia t.:ntati-
defende, ma:, par1.-cc t,..- dúvida quanto ao modo de se defender.
va de dar uma resposta (duá: '"Gosto de lodos- animais, plan-
Tomemos agora o caso contrário: um T.R. bre.e nas cate-
ta, ou ohJetos . não posso escolher nenhum em c."'pectal·T
Um~ redução excessiva do T R é índice de força precária ,1a~ positl\aS e longo nas negativas. !\estes caso, podemos
,liagnosticar que o ego destes pacientes :;abe como pode s.: de-
do ego. Em t~ casos diremos que o pa.:1cnte utili:tJ mecanis-
mos maníacos opostos aos mecamsmos de e\ itaçào que camc- fender, mas é-lhe difícil. complicado e muito conflitivo
1:ieleccr aquilo de que estó se defendendo hto se toma mJis
=-
leri:t:iriam os paciente, com T.R. elevado. Um T.R. muito brc,c
(de I a 5 segundos) supõe um ego que tenta desraibar.,ç~r-se claro ainda quando o paciente fracassa diretamente em sua ten-
rJp damen1e de toda fonte de angústia (as instru<;õcs, nes1e caso). uti,a de dar l'Cl,f'()Sta,. ~1nto negativas quanlo posi1i\-as. Em
Procura cumpnr com o trâmite solicitado, mas, exammando tais caso,. pen:,amos que está atravessando um estado confu-
cwdadosamente sua produção. acharemo,, escolhas que supõem "onal que Ih.: impede de realizar a dt:icnrtU113Ção mai~ elem.:n-
superficialidade. uso de lugarc,-eomuns. de respostas-clichê. 1ar. J..io se manifesta não só pela ausência de respostas. mas
etc. O componente intelectual da personalidade de,;cmp,.mha amb,:m pela mi,.-rura de catcxias pos111va, e negati,~ recolhi-
ai um papel importante. Um paciente de bom nível intelectual das como produção espontânea do paciente Vejamos.. por exem-
e de mteligêncta rápida. ágil. reagirá também com mai, ag11i- plo. a scgu.uuc resposta. '·O que cu mais gostaria de s>:!r'? Eu
dad.: (a meno,; que os componcn1es afetivos inlcrtiram sena- nào gosto dos animais. mas escolheria mn cachorro. /\fus se
mente) do que um paciente que s.:ja menos 111tehge111e ou de 1osse wn cachorro pod.:ri~ morrer raivoso. e é uma mone hor-
intehgência lenta. t claro que. se a lentidão ou a rapidn das rível. \1as, por outro lado. dizem que o cachorro é o melhor
respostaS se de-e ao fator mtclectual e não a conflitos tta área mmgo do homem Sim. poderia ser um cachorro.-1\este exem-
afeova. tal lentidão ou c,ce,si"a rapidez se manterão constan- plo aparecem aspectos idealizados e depreciado~ mis1Urados.
tes ao longo d.: Lodo o protocolo. Toda a variação do:ntro deste ponto de dificultar wna boa 1denuficação projet1,a. Em outros
padrão intra-indi\'iduru deve sertomada como índice de que algo ••1sos apan:ccrá a 111d1scrimmação oão denlro dc uma mesma
afct1,o (agradá\'el ou desagradá,el) foi e:,timulado ou remo, i- respo&a ma.sem respostas sucessiva, referentes à mesma cate-
do pelo teste e, ponanto. é significati,·o. xia ou a catexias diferentes Vejamos um exemplo: "O que eu
70 - - - - - - O proreDO pú.'IX!iag,:ósrico ~as tioticos projetha< O l{lldtio,rúrio d.sideratn'O_ _ 71

mais l,~'lria de ser? Um macaco. porque se ri dele. Um cavalo escolhido. Por exemplo: -Gostaria de ser uma ave Féni>. por-
de corrida sim. destes ·puro-sangue·, são borutos. Jamais esco- que seria algo raro... 1'esta escolha o paciente repara no que há
lheria um pássaro poyquc ~tão ..empre expostos a serem mor- de e1<ótico no animal escolhido. busca cenamente s.: dcsmcar,
lOS." 1'estes exemplos vemos como fracassa a te:ntali\"a de uu- cv1la cair em lugares~omuns. mas não leva em conta o mais
Ltzar com êxito o mecanismo de discriminação e dis:.ociac;ào importante. que fa7 eom que wn.a ave Fénix não se confunda
entre aspectos bons e reparadores e outros maus e peri ~s. ou, nunca eom nenhum outro animal exóuco: o fato de ser simbolo
M>b outro enfoque. como fracassa a discriminação entre aqui- da ,ida que renasce dentn: as cinzas da mone. l:m SlL'.I racio-
lo de que é preciso defender-se e a técnica defcnsi>11 mais apro- nal1.Zação este paciente não ju,lifica sequer o porquê de sua
priada Quando tal indbcr1m111.iÇào se apresenu nas catcxias escolha de ruumal, d.ldo que este "algo raro.. pode ser encon-
negativas, consideramo-la mcno,; patológica, porque nos acha- trado na categona dos vegetais e dos seres inanimados. Trata-
mo:; diante de um ego que não sab<: dt:teaar o que lhe produz sc. porwuo. de um:i identificação projetha complctam.:nte
m:iis angústia e não diante de um ego que não sabe se um me- débil. sup,:rlicial. Cabe reconhecer. contudo. algo em fa,:or do
canismo de defesa serve para ele se defender ou acabará an1- parante. ainda que l>CJa a útulo de prognó&ico: se escolheu
qu1liando-o 1cnso da indtscnminação nas catexias positivas) um símbolo tão rico de sig11i ficado, é provável que eitistam as-
1.,m ego fone deve demonstrar que sabe e pode usar com pectos latentes de sua idenudad.: iotalmente escotomiz.ldos e
frolito a dcfc-.a adequ:ida p:ira cada situação. O caso do pacien- "desperdiçados" que podem emergir até integrar-se com a
te que dá a~ três catcxi~ po~itirn.s e nenhuma negaúva é menos 1deuudade ,nanúesia do paciente. enriqucc::.:ndo-a.
patológico do que o caso contrário. pois mchca uma c.uênc,a Tomemos outro exemplo p:ira ilustrar o caso das escolhas
total de recursos defensnus. alternatnas ''Gostaria de ser um pássaro pela liberdade que
Outr0 critério para determinar a fon;a da identidade do tem: também um chimpanzé pela mteligência: um cachorro
ego é um grau adequado de fixação ou adesão de s1~ idcntJ- também. porque é consid.:n1do wn fiel amigo do homem." Jn-
ficaçõcs. As 1denuficações projetivas sucessivas que o t~e fenmos a debilidade do ego d«..-stc paciente pela mcapacidade
lhe pede são seguras e as respecuvas racionalizações eviden- de centrar-se na identificação com um objeto total. Lm recurso
ciam co,;ri:ncia entre as qualidades atnbuidas ao objeto na fan- para saber se o paciente se sente capaz de dar ci.tc pa,so ad1an-
tasia do paciente e as que ele possui na reahdade objetiva. lslo 1e é perguntar-lhe qual dessas escolhas (neste caso. animais) o
mdica que o ego c,,lâ bem adaptado à reahdade. comcnce mais. isto é. por qual optana se ló6 pudesse scrum do,
Um ego fraco realiza identificações fracas ou lãbeis, muda que mencionou. Se con.<;egwr decidir em favor de um. deve-
de ideia ou dá respostas altcmati,a:,. ra1.ão por que deve ser mo, tomá-lo como um índice favorá,el. Se não. confirma-se
solicitado a escolher o que mais o convence ou o que prefere. nosso diagnóstico sobre uma identidade fraca e fragmentada.
Apega-se ngidamente a uma detemuoada escolha ou não há VejJ.01os agord wn cx..-mplo dc escolhas caracterizadas pela
concordância entre os atnl>utos dados ao objeto em sua íanta- rigidez: ..Quero ser um leão. Se não puder ~er um leão não
~ia e os que existem na realidade objeth·a. quero ser mais tl3da_•• Neste caso a idcntilicação proJeU'va efe-
Alguns p:ic1entes fazem escolhas valiosas como símbolos tuou-se sem rodeios. sem dúvidas, sem confu~. '1.fas o pacien-
d,.:,,ido.--rat1v~ mas na rac1onahzação correspondente fazem uma te ..dere a ela sem poder escolher mais nada O mccani~mo de
descrição pobre ou reparam em traços secundários do objeto identificação projeuva ficou bloqueado. com a conseqüente
-,
,. 0 '!""Sllomno di-s!Jm,tno _ _ _ _ _ _ _ _ __ 73

solidificação da identidade. Em outros casos encontrar~os VeJ3mos um exemplo: '"Rato. Tenho t.lnto nojo deles
bloqueio na expressão desideranva ou então rac,onalização. Por (g.,..to de repu6'\ânc,a). Terror também. tu me llll.pressiooo só
~cmplo: 1~ '"Gostaria de ser um pá,saro porque gosto deles-, corno tàto de ,ê-JQ<,. são tão imundos e, além disso, vi,em em
::i... '"Gostaria de ser uma rosa porque gOl>lo delas". 3+ "Um esgoto:, Fico impn:,sionado Mi cm pem,ar.··
relógio porque gosto.. Todas a, racionalizações que consistem Da distância entre o grau de idealização e o grau de depre-
em: ··eu gosto"', -porqu~ i,un··. -porque é lindo.. evidenciam a ciação. inferimos que: quanto maior for a Cfillâncta. menor a for-
dcbihdade da identificação projcti,.i que o paciente realizou, ça do ego. Por exemplo: 1 · ~Baobá. porque~ forte. nada pode
ratificada pela rigidez da racionaliiaçào. destrw-Io··, e 1 "Ena d.lninha. porque todos a pi:,am".
Examinan.'TllOS agora outra cntcno que tamb,m1 é útil para O ap:irecunento de elementos rejeitados nas catexías po-
o estudo da identidade. tal como aparece no desiderativo. A.s siti,-as e de elementos aceuos nas negauvas md.Jca wna falha
instruçõe;, •ncluem a ex.pressão. "O que ,ocê m.<JS go,taria de na discrimi nação entre o idcah.zado e o persccu1óno. ~- ape-
ser". com que o própno examinador indu7 o paciente a recor- sar da indiscriminação, aparecerem escolhas claramente 1dea-
rer a outro mccanc.mo deíen~1>0: a ,dcaluação. liZ3das ou depn:ciadas. poderem~ aplicar o., critério, c.~po,-
E.'raminaodo o grau de idealização teremos outro indica- tos mais acima, acrescentando algo mais: tal,cz ~ dis-
dor da força ou da fraque-a do ego do paciente. Cmendemos cnminar a intensidade do estado confusional ou a utilização de
aqui pcr idealização a carga de onipotência em relação à bon- der~sas obsessivas. Uma resposta que exemplifica aproxima-
dade com que se reveste o objeto aceito. Quanto maior for a dmlente o pnme1ro ca.so e a seguinte: "Se não fo:.:.e pessoa?.
idealização. menoc a força do ego. n.io... s,m ... iilgo lindo ... mas não... um cachorro ... mas não.
Em casos extremos. o paciente recorre à escolha de obj.:- porque mordem, cu gost.ma de continuar sendo pe,;soa... não
tos que possuem. em grau,, e.xtremo<. um dctcl'T'linaoo atributo me ocorre. algo fone. 1nn leão purqm: é forte, 1111~ ttklu!, fo-
que lhe dá força. poder. domínio ou scdUÇão sobre os outros, gem dele ..." ExemplificaJ\:mo:. agora o Ségundo caw. a tel>-
situação que aparece como a que ele mais "aloriza. posta como produto de uma dinida obsessiva· ..Gostaria de ,cr
A segunda parte da$ instruções interroga sobre o que me- uma planta carnívora. porque é rara. claro que é muito darn-
nos go,tana de -.cr Induz. portamo. ao uso de outro mecam;,- nlu. mas chama a atenção de todos. despena incredulidade e
mo a depreciação. Examinando o volwne de deprec,a<;ão, tere- adouraçio, mas também msprra rejeição ... Ouuo exemplo é o
mos outro indicador (complementar ao anterior) da força ou ~eguinte. ··Não quero ser um porco porque e sujo. claro que a
da debilidade do ego. A quanttdade de depreciação é dada pela camc é m ui to apreciada, mas dá noJo ,·er como \.WC e o que
carga de ompoténcia em relação à maldade qu~ l>C auibui aos come. o couro também .: útil e valioso, mas é um animal
objetos rejertados. Quanto maior for a quantidade desti. menor asqueroso.''
a força do ego. O paciente cíctua, cm c=extremos, escolhas Além do que é verbalizado pelo paciente. i.-ua cxprc são.
de obJetos que possuem um detenninado atributo no mais alto o tom de sua ,oz, o ritmo com que íala. etc., dar-nos-ão elemen-
grau, o qual lhes outo11,,a força. dommio. poder ou sedução com tos para decidll" se se trata de um Cl>t3do confusional ou de deíc-
um matiz dcstruti\'O. submisso ou ameaçador e que ele revalo- = de npo obsessivo mal mstrurnenladas ou rnalsucedidas.
riza pelo que e persecutório. isto é. lhe auibui o valor de uma A e,,trutura do objeto escolhido como sunbolo desiderati-
catexia negati, a. ,o e os traço,- do mesmo enfatizados pelo paciente na expres-
74
- - - - - -- O proce.,so J)$Ícodiag•óstico e a, lirni=ptT1J'!fili'S O ""e.mrwirivdesrdmmY>, _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _....c.í.:..
S

são desiderativa pennirem-nos infenr dados que se referem unto men10. De acordo com o panorama oíerecido pelo resto do
à força do ego quanto à unagem do próprio esquema corporal. protocolo e pela ha,tóna do caso, a escolha do -camal0te-
~ão é a mesma coisa o paciente escolher. dentro da cate- pode indicar un1bém cem fraqueza da personalidade, que f37
goria "animais·•. ser ""'Uma tart.iruga" ou ..uma girafa", -um com que se de1Xe le-.ar ..para onde vai a corrente". A raciona-
pei>.e- ou ..uma ave-. -um papagaio" ou "'Uma 3\1: do paraiso'', lização que a acompanha será também. sem dú\~da. wn ele-
"uma galinha·· ou -um faisão". Paralelamente à racionahzaç.io mento \'alioso para a interpretação desta cate:tJa.
que acompanha cada uma destas escolh:is, desprendem-se ca- Dentro da categoria -objetos... um paciente pode escolher
racterísticas diSlllltivas do símbolo desuleratt~o quanto à elc- ser ··uma pedra porque aão se gasta". e outros. ·"um giz" ou ..um
gãnciJ. feiúra. torpeza. :igtlidade, tamanho, dcí=s na1urab ou cigarro- ou -um lápis" porque se c=mcm rapida111<.'11tc. É
carêoclll delas, graus de 111teligência de acordo com sua colo- nhlltO diferente quando escolhe ser ''um diamante po,que é
cação na e1<c:ila ,oológica. habilidade para defender-se dos duro" ou "argila porque é maleável". ou ..criSlllr' (aparência
outro,,. independência para procurar alimentos e abrigo, bàbi- dura, mas SUJCtto a ser convemdo em esnlhaços ao menor gol-
pe . Tomando este último exemplo diríamos que no primeiro
lOS mais interessantes. etc.
D.:ntro da categoria correspondente aos "vcgetru,f', ê sig- = tr:na-se de um ego que aparenta focça e que é. também. in-
ternamente f0'1e (pelo menos nesm catc'\ia). J\o segundo. aata-
nific:itivo que o paciente escolha ser uma orqwdea (flor de luxo
e delicada J ou uma flor sih·escre. uma planta que da flores ou so: de um ego mtemamente fraco e que também se mostra mani-
uma lilifolha, wna rosa (geralmente associad:i com femiruli- r=mente rraco. No terceiro, por outro lado. o ego procura apa-
dadeJ ou um copo-<lc-leite (que ê morfologicamente bisse- recer como duro e forte., mas é tão fraco que não pode suportar
xual). ;'Ião ê a me.mJ coisa a escolha de um nardo (flor de o menor golpe. e. por faJtn de pla:,1,1cidade para adaptar-se a
mortos) ou d~ uma margarida (associada â sone no illDOr). de SitUações diferentes. fica totalmente fragmenmdo Csplil1in$!).
um "salgueiro-chorão" (que transmite a imagem de um;i deca- Outro cntério <é considerar o ambuto do objeto. enfatiza-
dêncta melancóltcaJ ou de um álamo elegante. A escolha de do na racionalização correspondente. Isto constitui um índice
-trepadeira.. e de plantas parasitas é um indice claro de um ego "'tm.: a área superestimada (nas catcxias positivas) e subesti-
fraco. de um estilo de vida dependente, de uma relação obje- mada tnas c:itexias negati,'as) pelo paciente.
tal na qual o vínculo collSlste em bu...car o outro J><lr.l apoiar-se
ou parasitá-lo. assim como é também índice de um esquc:ma Veprnos alguns exemplos.
1 · "Quena ser wn animal 1meli6 cnte. um clumpanzé, que
corporal sentido pelo próprio paciente como fraco ou necessi-
tado de apoio. por carecei- de suporte ,•ital ~uficicnlc. Escolhas aprende coisas que ás vezes surpreendem."
tais como ..dm-el dei ainf'• ou ~cama101e- evidenciam o ~ 2 -uma flor. um ·pensan11en10·•. gosto deles pelo
colorido...
jo de evitar toda relação que suponha fixação. Sob o ponto de
"ista da relação objetal. contém medo de estabelecer wn ~ ;n- 3 · "Um tvro famo:.o porque todos me leriam."
culo de dependência com outros e a fantasia de auto-Jbasux:i- Omitimos as catexias negath-..s para simplificar nosso ua-
i,., ,,o. !\este exemplo é evid.:ntc que o paciente :-upcn:stima

• Pllntãquc ~ fuaemoutra 11i1Ji que~ alUIDlla do are c.lo<b ilel\"J • AmL.--pnfriio O noim: da fiar an espanhol rcmcic a um outro s,g-
cb pbnra que lhe !lff\~ de suporte. tN. do E., mí1C11do l"Cll"'11DCllio) IN do E.)
O -,ao.'Sli""'1rio Jr:idm:m-o _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __

tudo que se relaciona com o mental Scolhc um animal mas Vejamos algum. exemplos
com a condição de manter a camcterisuca humana que m.1is l 't "Ser um leão porque é forte e sabe se defender:·
valoriza e não quer perder: a mteligênc1a, a faculdade de pen- 2+ ··uma rosa porque ê linda. sua-.c. mas também ~abe se
sar. Escolhe algo vegetal. uma flor que, por sua denominação, pro,eg~ com os espinhos."
faz alusão. coen:memente. ao a:.--pecto valortzado ru escolha 3+ ··Areia porque está junto do mar."
antcnor. o pensamento. "la escolha de algo inanimado man- Se levamos em coma a seqüência. vemos que o pac:iente
tém-se dentro do contexto das escolhas anteriores: um objeto com~ça escolhendo algo forte e acaba com algo desintegrado.
que ,,,:n,e como portador da cultura. algo que l>O:TVC par.1 fazer Se lt.:varoos em conta a rac1ona11Zaçào respecti\'a. obsen;unos
:is pessoas pensarem. o mesmo proc.:sso escolhe o leão precisamente pela força e
pela possibilidade de autod..:fc,a e acaba escolhendo ~are,a".
Outro exemplo:
s1mple:.mente por -rua proximidade cm relação a outro que
1 "IJm gato. porque ê suave, sempre é acariciado e car-
possui força no plano do inanimado (o mar).
regado no colo. poderia ser também um cachorrinho de colo."
2+ ~Gostaria d.: ser uma rosa porque é suave, pura, tem
Vejamos agora outro exemplo:
um delicio,o perfume e linda\ com.~
I+ -Escolheria ser wna minhoca. porque quando ,ê um
3+ "Lm vestido, porque estaria sempre sobre o corpo de
perigo pode enfiaM,e debaixo da terra."
alguém e :mdana de um lado para o outro como ,e ti,o...-..:
vida. estaria muito peno de alguém.-
2+ ..Uma papoula, pelo colorido alegre que tem."
J\cste caso predomina aquilo que está relacionado com o
3t ··uma casa gmnde e forte, de 1ijolos. com telhado de
corporal e o sensual. telhas e janelas amplas."
A seqüência des1e exemplo e oposta â do 1,"lemplo ante-
Outro e.xemplo: uor. O paciente começa escolhendo algo tão insignificante e
l+ ~Gostaria de s.:r um cachorro porque é companheiro fmco como uma nunhoca. e termina identificando-se com urna
do homem:· c:isa forte e grande. É endente a sensação de aftllTlaçào. ex-
2• .. Lma flor qualqu.:r. flores mulocolorida., alegres, rara p;,"ISão e uma maior força que se desprende da leitura da
alegrar a vista de todos os que VI\ em nessa casa.·• seqüência.
3 · "l,m relóglo. porque todos precisam controlar o tem- Este panorama deve complclar·~ e com:lacionar-,,,: com
po, todos apreciariam meu trabalho. sobretudo se fosse um o que as seqüências negativas oferecem. Pode acontecer que se
bom relógio··. repita o mesmo upo de seqüência ou que se dê o tipo inn:M
Keste caso a ênfase recai na possibilidade de manter coo- O aumento do grau de força egóica desde a primeira até a ter-
tato com os outros. i:.to ê, no âmbito das n:1.ições com o mundo c~-.ra catex ia pos1uva est1i reLlc1onado com a duninwçào da
externo. ansiedade p,.:rsecutória moo1Iizada pelas insttuções. Isso é o que
esperamos que aconteça em uma pe,-soa ..normal". Nos exem·
Se esmdarmos a ordem em que aparecem as escolhas, po- pios an1eriores. o paciente que começa escolhendo ser leão e
deremos .c.•r tamb.:m como o ego se transfonna em relação a t.'ffll.ina escolhendo ser arern e><pcruncntou um elevado gr:111
,eu e,quema corporal. ,k illlS1edade persecutória que pôde controlar na primeira e na
O qnroi-,o desideromv _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ 79

segunda catexia. mas que invadiu seu ego na terceira. a ponto qu.: o paciente expressou sua melhor defesa ante a ansiedade
de identificar-se com algo pouco coeso. l\o exemplo ,eguintc, pcrsecutóna em l + e que a partir dali teve que fazer grand~
a ansiedade persecutória também foi grande, mas o .:go deste esforços parJ se livrar das dificuldades que o teste lhe antepõe.
paciente consegwu se reorganizar ao chegar à t.:rceira catexia. fato que aumenta sua an~icdade persecutória até o momento
O aumento ou a diminuição da ansiedade persecutória em em que começa a perceber (por aprendizagem do número de
cada catex1a depende tamb.:m do nível ou do aspecto a recupe- cat.:-cias) que o mesmo ~ai chegando ao fim. Também podería-
rar (n:is carexia~ positivas) ou a perder (nas c:ucxias negati- mo:. explicar e::.tas diferentes curvas de <hsuibuição de A.P.
,a~}. As:;im, quando no teste avançamos da pnme1ra cate.-cia all"'buindo-as a dif-ntes ritmos mcorporalivos (carexias pos1-
para a sq,'Ullda. o paciente sente o espectro de possibilidades ti,a:,.. aquilo que de:.eja conservar) e cvacuativos (aqwlo que
de escolha cada vez mais reStnto. Por ouJro lado. scnre-sc deseja perder nas negativas).
obrig;ido a escolher algo [como o.ce1to ou como rejeitado), Outro caso é o dos protocokló, nos quais a curn de <bstn-
para cumprir as lllStrUções. Em pacientes com wn Ch'O fraco. o bmção praticamente se transforma em uma linha reta. porque
incremento da an:,1edade pcrsecurôria é inc..-vitávcl, e se traduz
o ni,·d de A.P. se mantém constante. se;a baiw ou alto (Tipos
como uma sensação de encurralamento. "lestes casos o mode-
5 e 61. Se o ni,el CQn!,lante é baixo. esta quase ausência de A.P
lo de seqüência (mai~ u,t131) seria: em 1 · wn grau intmnedJá-
de"e ser considerada como patológica e produzida por uma
rio de ansiedade persecutória tA.P.) que vai aumentando até
negação maníaca da ~ericdade da situação do teste ou por
3+, logo diminui cm 1- e volta a aumentar até 3 ('!ípo 1).
outro tipo de processos patológicos transitórios ou permanen-
Caso se trate de um ego mais fone esperamos que a se-
quência sej~ cm 1+ wn grau mtermediáno de A.P. que dnm- lc~ 1por ex.: debilidade mental) A manutenr;:io de um nível
a lto de A P indiç.a, por outro lado. a çar,:rn:1a total de mccanis
nui tm dill(ãõ l 3+. logo aumenta um pouco em 1- e volt;, a
dirrunuir em 3 . lsto ~e explica porque um c.:go plástico e forte mo,, qu;; a controlem e um estado de cril;c de tipo paranóide.
t capaz de se reorganinr e sobr.:por-se ao impacto recebido Em tais casos convém averiguar se o paciente não estará atra-
(Tipo 2). v,,:,.-.ando um momento eX1Stenci.al no qual a morte (própria ou
Pode acontecer que a ansiedade persecutóri.l desça de 1+ de wna figura significati"a} seja uma fantasia CUJa mnteriali-
em direção a 3+ e que se mantenha neste 01\'el em I mas volte .1ação pode ser próxima no tempo. Se se trata de uma criança,
a aumentar cm direção a 3 (Tipo 3 ). Diremos então que o~ um adolescente ou um aduho grav...-rncnte enfermo, ou de velhos,
aspectos mais temidos do mundo ID!emo deste paciente \'ãO a possibilidade de.: negar a morte real e lidar apenas com a fan-
surgindo à medida que se aproxuna o final do tc:,,lc, possivel- 1:1,ia de morte é remoro. "ª maioria destes casos é impossível
mente associados com a morte. tal como ocorre em protocolos aplicar este teste, e caso se consiga fazê.lo. é prová,el que se
que temunam da seguinte mancirJ· ··\Ião quero ser madeira oot.:nha um protocolo do llpo 6. As eAce.;~ ~'rio. sem dúvi-
porque me transformaria em um ataúde:· da. pessoas que puderam elaborar bem os IUtos que enfrenta-
Diferente é o panorama oferecido pelo:. protocolos cm que ram na \Ida, puderam tirar pro\'ello dos aspectos rcpar.idores
a ansiedade.: persecutória se apresenta inicialmente em um ru, el da e1tistência, aceitando a morte como o corolário da ,•ida e
baixo. aumenta em direç;'io a 3.... continua e~ ada em 1 e come- não como wn ataque dissimulado para cercear proJetos, fanta-
ça a diminuir cm direção a 3 (Tipo 4 ). :-.lestes casos parece " :" e ilusões ainda não alcançados.
80 0 ""'-'SIÍONÍriOtibidcra.110 81

A curv-J de di,tnooição da A.P. nos protocolos que apre- nantemcnte ansiedade e culpa persecutórias: b) aflorarem pre-
sentam somente catexia~ po~itival> ou negauvas (protocolos dominantemente ansiedade e culpa depressÍ\-as.
cortados) pode assumir quatro formas'. se há somente catc,1as Quando o paciente sente a situa<;ão de teste como um ata-
positivas. a AP pode ser le,e em I+ e elevar-se em 3+ até o que ao ego, aflord a ansiedade persecutória. Aceitar tal situação
ponto cm que o paciente não pock continuar o teste (Tipo 7): prc-ocupa-o cm radio daquilo que ele mc,mo quis que acontc-
ce,,.,e a ,eu ego durante a pro,-a'. aceitar a instrução é aceitar.
pode começar em 1- com wn grau ele--ado de A P Qlh! vai
descendo em direção a 3+ c o teste se mtcrrompe ali pelo cn:ão. cm fantasia. o monc de = aspectos egó,cos.
De:,m maneira. surge. em deienrunado:,, pac1emes.. a ao-
e
medo intenso de enfrentar o que perigoso em seu mundo
s edade perseculóna (o paciente se sente atacado pelo teste) e
interior (Tipo 8) Se há somente catCJUas negativa... pen~
a culpa persecutória concomitante (pelo que ele faz a seu ego
que a A.P. foi má.xima ao obrigar o paciente a defender-ser
an :iceit:'!T o tc,tc: que ataquem seu ego. havendo con~eqücntc-
dela. mas não pôde fazê-lo. e o protocolo começa agora em 1- . mcntc a perda de seus aspectos cgó,cos}.
Pode acontecer então que as fanwias C\-acuativas o ajudem a Fm algwi, ca,o, o paciente c'>l:uta a, m,truçõe;,, mtcrna-
desembaraçar-se do perigo. que o nível de A.P. desça notavel- hz.:i-as mas não consegue sobrepor-se à morte de tais aspecto,,.
mente e,,.;: cle,e outra \ez cm direção a 3 ·. quando o p3Cien- ,\, penbs sucessÍ\as o que o teste o ~ubmete lhe são 1rremis-
te percebe que está sendo obrigado a continuar descobrindo meis. Sente que seu ego vai se empobrecendo até chegar, em
aspectos perigosos (Tipo 9). Mas pod;: acontecer também que ,tlguns casos. ao aniquilamento total. l\o nível transferencill
em 1- evacue. em dose maciça. tudo o que é perigoso, e se ali- '<Ctlte que o ~;cólogo lhe preparou uma cilada e que caiu nela.
vie. sendo por ISSO que o nh-.:1 de A.P. sem alto cm I e desce-
rá cm dircção a 3- (Tipo 10).
ti.ando 101almc'11tc va.lio (morto). Todo
u •. ego muuo fraoo.
= panomma ~-upõc

Em relação à elaboração de lutos h;i outro indicador su- Em outro!. caso,, o paciente co~gue sobrepor-se ao ,m-
mamente ,-alioso: o modo como o ego recupera as petdas a p.,ao. mas, ao realuar cada 1dent1ficaçào prOJCU~a. sente que
que o tei.te o submete. As mstruções atuam como d~ncadea- , a, restituindo determinados aspectos ao ego (os especificado:;
doras que mobilizam ansiedades. A ansiedade é. fundam.mtal· cm cada catexia). Por isso. se o ego reimrojeta de forma maci-
mente, ante a situação de morte (fantasiada) colocada pelo ,. tudo que perdeu ao aceitar~ instruç~ surgem protocolos
cm que cada escolha ressalta múltiplo,; aspectos de um mesmo
teste. Cabem. pois, duas possibilidades: a) aflorarem prcoomi-
"~ cio ou i:::.colha~ allcmalMl;. (como a~ que 0.:11.1..mplificamos
a rropó,.,to da falha no mecanismo da dissociação entre o idea-
lu.,do e o depreci.ado).
Esta vi, ência dJ possibilidade de restituir ao ego cenos
a"J)<:ctos (os mais ,-atiosos. nas cate:<ias positivas) e livra-lo de
01 tros 10s mais daninhos. nas negativas) alivia a culpa pel"SOCu-
h ma que o paciente expenmentou ao míciar o teste. Sente que
t.,n uma oportunidade de recuperar o que foi perdido e atenua
a unagem pen-ecutóna do psicólogo que, ao permitir-lhe recu-
Guia de 1111uprrwçiio do 1,we de up,·rupção 111/oniil (C.4.T-AJ t!~ L J>Cí3r algo de s1, lhe devolve o que é seu.
_8_1 _ _ _ _ _ _ O pn,cew, psicod!Q/1110S•ico ea.• 1iea·<>1, ~iw:s &J

Uma menor integridade e força da identidade egirica e pouca ro porque cuidariam dele". No primeiro caso. não há distância
ou nenhuma capacidade para elaborar lutos são características entre o ego que está fantasiando a metamorfose da identidade
leves ou mtensamentc patológicas. de acordo com o caso. e a pseudo-identidade escolhida. e tal perda de distáncro está
Quando o paciente oferece outro tipo de constelação dinâ- muito llgada com o mcremento da anstedade persecutóna.
mica. scnlc as instruções não mais como um ataque ao ego. üma ~erbahzaçào do segundo tipo. por outro lado. (por e.,.:
mas como um ataque ao '"ínculo que estabeleceu com SClb -c;ostaria de ser mn cachorro porque lhe dão banho. cuidam
objetos (internos e externo,). Oci>.ar de ,er pe,;soa. que é o que dele. faJem uma caminha para ele e. h Wl'-~. chegam a qu1.-Tê-
as instruções lhe pedem, significa para ele perder todo o con- lo tanto que o consideram como uma pessoa da familia"') e3tá
tato com =s obJetos. É isto que pode mobilizar ansiedade e
culpa depressivas. Aceitar o teste <é como acenar que tais vín-
centrada no objeto como um passo pnhio para a aceitaç;io dJ
identificação projetiva do mesmo. Há uma maior distância
culos fiquem perdidos (ainda que seja apenas momentanea- entre o ego que fantasia a metamorfose e a pseudo-tdenudadc
mente e na fantasia). Pode acontecer, então, que o paciente não adquinda ao enunr a catexia.
saiba como recuperar os objctO!> e =tabclcccr o , ·nculo que Um eh:mento muito importante para o diagnóstico e para
tinha com eles. Em tal caso, depois de m.,'ditar. pode ,er que res- o prognóslioo da força ou da fraqueza da identidade do pacien-
ponda; ·"Ião. se não po,-so ~cr uma pe,,.-.oa não go:.iaria de ser te é constituído pelas suas possibilidades de mudança !\esse
nada:· Esta resposta. dentro deste contexto, indica que se trata
sentido. o de-siderativo oferece tamb<ém um material muito rioo.
de wn ego fraco que teme perder a atual relação de objeto que.
A..~im. deflllllllos como 111dlce fa\"oravel a presença de
ainda que frágil. parece-lhe segura. É como se fantasiar outras
-,atexias positivas que impliquem wn m0',·1mento interno no
identidades diferentes dJ humana implicasse w11 d.mo im:pa-
-enti do de um dc:.en"oh imento para a integração: a e.,pansão.
r.ivel a seus objetos queridos. O p;,;cólogo e ,·i,·ido então como
, melhora de condi~ atuai,,_ a rcc,1ru1uração po,,1tiva e a
aquele que põe cm gra,c ri,co :i ,ob= ,vência de ,ua, atuai~
relações de ob_Jeto. produção de elementos que suponham a transcendência da pró-
Um ego mais fone sente que. apesar de aceitar a situação pna existência e a realiza,;iio <filhos, obras. ele.). a superação
colocada pelas instruções. pode preser\'ar seus objetos e defen- da eJOstêncl3 tndl\"1dual sem renúncias al1IUístas (empobreci-
dê-los dos ataques dcstruti\"OS das mc,mas Ie do psicólogo). mento da própria idenudade. a cu.--u da qual outros poderiam
Optará. então. por escolhas desiderati\"3S que tendam a resta- obter beneficios)
belecer tac; relaçõ.:s de obJeto. c.:ntrada~ agora cm uma no,a Algun, critêrios p.ira c,plorar e te ponto podt.-m ser os
identidade. não humana. mas equivalente a ela. No nivel tran-;. seguintes:
ferencial. o p,1cólogo põe a pro,a ,ua capaculade para estabe- 1 'I Presença de escolhas adequada, à defmição detalhada
lecer e manter suas relações obJetaJs al\13is sem chegar a dani- anteriormente. ratificadas por uma racionalização que explici-
ficar seu ego. nem destruir seus objetos interno~. ta os elementos ali mcluidos como positi\"os. Isto colb1itui mn
A presença da culpa depressi'"a m;mifesta uma maior (ou indicador de possibilidades atuais e fururas de mudanças es-
ótima) possibilidade de elabomr b..""111 os microlutos que o Leste ,cncws.. VI\ ,das como ennquecedoras.
Ih.! impõe e U11l3 maior força e integridade d3 ide.,ridade. r) Presença de escolha~ de acordo com o critério antenoc.
É ,,gnifJCati\"d a !>Cgwnh: modalidade de ~ ·"Go,taria ma~ cuja racionalilação é pobre, inadequada ou até contradt-
de ser um cachorro porque cuidariam de mim- ou -um cachor- 1,,ria em relação aos traços es:;cnciais daquilo que foi c,;colhi-
O ipl!Slior.mn da:dmmm _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _---'8-'-
S

do. 'Ilestes casos. a nqueza do símbolo ~olhido não ba,ta e 1, 4, 5 e 6. Keste critério consideramos o que s1gmfica para
pode ser atnbuida ao paciente só a título de bag.ig<."111 poten· cada paciente mudar. o que é que tem que mudar, quais são as
cial. cujo dc,cm oh imento parece e,tar bloqueado ou com in- conseqüências que tal mudança acarreta. qual é o preço que se
terferência de outros fatores. de-.e pagar.
3º) Presença de escolhas que implicam um IDO\'imento 8~) Outro critério surge ela comparação entre as po,;s,bili-
aparente mas não supõem mudança interna. Alusões a l110\1- da<ll!, de mudança e,pre,;s3!; no teste com o mo=nto e,oluti-
mcntos do tipo carrossel" ou 'pião"" não supõem predispoi,1-
00 ,o que o paciente atravessa. "leste sentido é pos_•,hel espcmr
OlL-OOS alusõe-. a mudança,, quando o paciente atra,e:,.,a pe1 io-
çào à mudança. mas sim permanêncu no ~,arw. qun. São=
lhas encobndoru. do, critico~ de sua , ,da. Por= ra7.ão é tão importante reali-
4~) O tipo de mudança implicado nas respostas pode refe- , ar o diagnóstico não apenas considerando todas as catex1as e
rir-se a a,p.:cto, nucka= ou ~upcrficiai, <lo ego r-Ari.orc o r.:,to cb bateria aplicacla, ma, tambl-m comparando esta pro-
frutífera ponim: cresce. dá frutos. dá sombra. é útil-. alude à dução com a idade e a situação Htal particular.
possibilidade de mudanças nucleares. Uma C:1$3. eu seria pio-
00

rada. eu seria coruenada-. alude a mudanças mais supcnici:us.)


5~) A direção da mudança pode ser lacilmente detect.lda.
O paciente pode escolher símbolos que exercem ete,tos mod1-
f1cadores para fora (aloplásuoo) ou símbolos que recebcrr in-
fluênc,as modificadoras e absonem-na, tcgoplástiooJ. Este é
um índice para ,e diagnosticar se se trdta d.: um ego promotor
de mudanças intra e extrapsiquicas ou de um ego passivo l'\.'Cep-
lor de influências externas ("Ser mna ár,,orc frutífera que dá
sombra. frutos. etc." é um exemplo do primeiro. enquanto: "lima
casa porque me consenam. me pmtam .. ou "Uma cadeira por-
que se senwn em cmw- são e,emplos do segwido =>·
6~) A qualidade da mudança implícita é outro elemento
unponantc. O paci.:ntc pode Ía;'.Cr c,colha~ qu..: ,uponham rnu-
dança, reparadoras e gratificantes ou perigosas e destruth'3S.
Isto nos indica se o paciente sente a mudança como algo que
o aproxima da morte. que o põe em perigo real de mone ou de
loucura (como acontece nos borderlme) ou como uma defesa
diante d.1 morte no sentido de lhe pem1itir uma maior confian-
ça no tmpu.Jso de nela.
~~, A fanta,ia básica em relação à mudan,;a é º"' c lcmcn-
lO fu.1damental. não excludente do., asp<.'\.'10s antes m.:nciona-
dos. que pode ser inforido fazendo-se um~ sintese dos critêrios
2. Fantasias de morte 110 teste desiderativo'
Hcbe Friedenthal e \faria L S. de Ocampo

'\ versão do teste des1deramo que empregamos para e,,1e


trabalho corr~ncl.: a uma modificação do teste original dos
psiquiatras Pigem e Córdoba. de Barcelona. fe11a pelo profcs-
50r Jaune Bern,,tein, de Bu,:no:,Aires. Os primeiros perguntam
:10 ,;ajeito: ··o
que você gostaria de ser se ti,·es_,;e que ,ohar a
este mundo não podendo ser r=a? Você pode ser o que qui-
ser De tudo o que e:(iste. escolha o que deseja. O que gOSlaria
de ser? ..
Sobre uma idéia do psicólogo holandês Voo Kre,clet1. que
adaptou o teste para crianças, acn:sccnlando a pergunta: .. O
que ,océ menos gOSta.ria de ser?". Bemstem estruturou um
questionáno de seis perguntas destinadas a recolher três esco-
lh~ e 1rêl, rejeições: --0 que você mais gostana de ser se não
pudesse serwna pessoa'?"' ( 1~ escolha). Kcm pessoa nem ... (ani-
mal. planta e objeto. de acordo com o que foi escolludo na 1~:
2~ escolh.l). 1'em pessoa nem ... (tirando-se as duas categorias
correspondeol.Cls as duas escolhas anteriores: 3~ escolha). Da mes-

1 E;u trabl.lho foi apn:scnbdo pelu amoru no II Con~so


\rs, tmo de Psicok,gia. reoliaioo rm S Luis. Argcnuiu. 1'16S. e t puNa-
lo ·"'I<' sem úera..-ôes po< cousidrru-,c que o que foi fonnubdo n.1 q,oca
c,1n111aoa ,.t do h~c
B8 _ __ _ Oproce<SI> f"irodiugr,6srico ea, tccni.:os profrtiwrs O quemnnário de.ndm:itr.'O_ _ _ _ _ _ __ _ __ 89

ma forma, e com sinal inverso, escolhem-se os três elementos Nestas respo,1as pode ha,er uma elaboração maniaca atra-
reJenados. Cada escolha é acomponhada de sua ~tiva ex- ,es da escolha de algo imortal (super-homem) que continua
plicação. As IDSlruÇÕCS utilizadas para crianças pequenas não cOnscn-anclo as caracteri;1ica, de \'ida humana.. ou de algo
,ariam substancialmente quanto à maneira de orgaruzar as muito dist-dllte da morte como é. numa defesa regressn'3, esco-
escolhas posinvas e negati,'as, c;,;ceto na formulação das mes- lher ''Um menino.., retomar ao começo da vida. Outra reação
ma,. sub~lituindo •-pessoa- por '"criança ou menina.. ou ·-cnan- e aquela em que se explicita a idéia de morte e a angú.,'tia que
ça ou menino-. de acordo com o sexo do pequeno paciente e .:sta provoca. Uma JO\'Cm de 17 anos responde: ''Ah. nada!",
as preferências do psicólogo. mlniftslMdo que ser ~oa e realmente ser nada. Na respos-
A instrução original "O que \'ocê desej.iria ser se 1i,.:sse t.t nada está a referência à morte. Em :,,egwda, e,,1es ,ujem>" ,e
que voltar a este mundo não podendo ser pessoa....?··~· 10! subs- .sdapum ao pedido e elaboram a reação, expressando, b'erdlm.:n-
rnwda pela pergunta: "O que você mais gosuma de ser niio t<. na prim.:ira re,posta. a alUl>iio à monc. faia mCMna jO\cm
podendo ser pessoa?". como forma de atenuar o unpacto da . ontinua: "Queria ser uma planta, se me cuidassem bem."
c,\pn:~são "se tivesse que voltar a este mundo-. que faz alusão <Jutra mulher. de 30 anos. e'tclama: -cada pergunta que ,ocê
explicitamente à mone. me faz!" E outra em sua primeira reSJ)OS!a: "Um ser humano
A pergun1a corngida. contudo_ sugere igualml.'fllc ao sujei- de nO\o porque \1\e. sente. sei la, tem vida.. (m. 20 a.J. Outros
to que se aniquile imaginatÍ\"3lllente como pessoa para se pen- PJCientes não verbalizam o impacto. ma., referem-se a ele em
sar como outro s,;r não humano. Para realizar o te>'te, o wjci- respostas como '·animõu.. cachorro. porque tem \Ida-. ou "p:i-
to tem que. implicitamenle. imaginar-se mono. Por isso. con- rJga10. porque ,i,crá 150 ano, ou mais''
sideramos que o teste desidt-rati>o constitui um instrumento 1'.a ma,or parte. o~ caso> respondem diretamente ao teste
indicado para explorar a angústia. fantasias e defesas ~in tor.no ""m comcn..ários ,obre ele. e sem alusões diretas à morte.
da morte. Apesar da possibilidade de explorar ouuas faniastas \fasa estrutura das instruções. com sua reiteração de per-
no rico material que esta prov:i ofereoe, cm nos..<a e.'<posição m1as. vai encurralando o examinJdo ao pedir-lhe que despre-
nós nos centraremos nas relações com a morte. ,e sucessivamente sua 1denufícaçào com o ammal. a planta ou
A alusão :i morte na.<; instruções pode provocar di,crsa, , objeto. submetendo-o a 00\as pe~. que ,,ão como n<Y111..,
reações: uma inibição para responder. uma paralisação ou blo- ,norte,, imaginária.'>. Entào. ~e não sofreu impacto diante da
queio. uma rnicromorte no examinado: ..Não me posso imagi- 1•· 1111eirn pergunta. reage diante da última com uma alu!>ào à
nar - diz não posso pensar." Há suje1tos mwto rígidos. com morte Uma mulher de 28 anos dá como última resposta nega-
grande temor da mone e paralisação da identificação projeti- ll\;1: ..'Ião gostaria de ser madeira para fazer um ataúde. poc-
\'3, que não podem realizar este teste, ainda que pos.= fazer 1•c tem um f un Diste." É justamente o final do teste. e o fim
outr0s da bateria. Outra rea.çào é negar parte d~ inslruÇões: Inste faz alusão situac1onalmente ao teste triste. Uma me111na
diante da angúslia pela perda imaginária da existência impli- 1c 14 anos. muito doente fisicamente, jâ moribunda, e a CUJO
cada nas instruçõc, (..se não pudes.5C ser pessoa-). o sujeito 1nJtenal l~o nos refenremos. rebate no final: "Ser um papel,
reage re:.-pondendo "homem", "mulher· (se:ico oposto) . .-ico"' 1••rque se lllO\e e não ~uporta nada." Poclcr-,c-ia pensar aqui cm
(atnbuto humano). "super-homem" (ser antropomómco}. como na uo:ntificação plena com o papel ao qual a examinadora
se lhe n,essem perguntado "o que você mais goswia de serT. 1101, e o papel é então ela mesma que não suporta sua angús-
_9_0_ _ _ _ _ _ 0 f"'Y"'SO pncodi,,irnó,UL"O e a.• !ff:nU>ZJ pm;.mu., 9/

ua, sua doença mona! e. conseqüentemente. o re:.,e. Uma meni- ,e for aceito que a vida também 1cm conflitos. Uma mul1ier de
na de d.:l: ano~ dá como última re..posta que ··não queria ser 20 an~ escolb.: -um ser humano de novo. porque vf\e, tem
uma metraThadora porque mata as pessoa;,·· A metralhadora é, /''' h/ema., ma• vil'e. sente, sei ln, 1cm ,ida... Por ourro Indo.
aansferencialmentc. a e,caminadora. que a cri,-a com suas per- aquele que se scntc indefeso diante dos conflitos deseja a mone
gunt.U. matando '1llllgmariamcnte suas 1dencifícações com pes- e •e mau in1ema111cntc com seus a5peclo, virai~. L'm rapaz de
soas. Estas alusões uansferenc1a1s unpltcam uma carga emo- 21 anos dtz: ~Queria ser pedra entre out~ p,.:dras. porque
cional para o psicólogo. suplemenur àquelas mob1h.udas oor a,<in, o mo, a água e o calor não me mcomod3riam ·• A alusão
outros instrumentos. i, [","Jra entre outra~ pedra:, n:sponde à necCl>Mdade de nCl!ar os
\/o:;sa e,p,.:ri.:ncia docente rc,,clou-nos que. se o exami- 11-r<-·cto,. 1niquiladores, an,quilJndo outros (pe~I para:-\'itar
nador não tem msighr desta situação. comete uma série de erros lodi a comparação com o que é "i"o O frio. a água e o calor
na aplicação e na rnterpretação do teste. r~prescn1•m a, scns,,;ões e os afc10, imokr.iveis que quer m:1-
As mones suces,mas. que as perguntas do JlSICÓklgo fazem la denrro de ,, A culpa pelos a,,pec10, egóicos perdidos o faz
o pa.:u:nte ,magirur. cq1.,.,alcm, na., respostas .:.ada;, po1 este. anescenwr: "'Claro que a:..~,m não se pode lllO\ cr" (e resoh e o
a uma série ordenada d,: aspectos a s.:n:m monos. uma c,,._--ala conflito mag,.c..rncn ..: atra,ê,; de uma repre,são maníaca. pon-
do-se e"' mão, de outro) -e além disso. sendo pedra. pode !'el"
de "aioração que abrange dc:,de o que se d~seja coru;,;f\ ar
<1u~ a IllilO do homem a pegue e con..strul algo útil· um dique.
acima de tudo (primeira escolha positi.,-a) atê o que se deseja
perder acuna de tudo tprimetra reje1ção1. A pnmeira escolha

um l'di 'i, o." exemplo anterior deseja-se malar a prúpria
\uh, porque os estímulos\ 11ais são inlolerá,eis. Es1es são casos
corresponde à famasia que se tem sobre o que e morrer ou. em
de ~c,cntcs com peno11.1hdade c~quiro1dc. Out=. mcl.tncó-
ou•= pala, ra~. o que se perde de mai~ uhoso ao se perder a hcn, 011 <i,.·pre,.'Sivo,. oem;:m que o mal. o inrolenh-cl, nio é o
,ida Os \'3lore, podem s.:r- mm·imnrto, ativídOLle: -queria ..cr cs :1ulo prO\ cnicme do e:1.terior. ma., ,im eles mcsmos. como
um carro que corresse·· (h. 18 a.): /,herdade: -pássaro. porque o ,.!,!rOto de 14 anos que diz: ·'Quero ser uma c.:rãmica de barro
e li\"re·• (mui10 freqüen1e): papel se:r11a/: "rosa. flor bonita. sig-
J1<• +•e quebra e vira pó.- Estas respostas. de:.vio das respos-
mficall\ia. símbolo do amor·· /m. 26 a.):fúhos: "árvore que dá 1, , <"omuns. de acordo com nossa expenência, implicam uma
frulo,· (mui10 freqüente), conht~·1mt!nto. .. ltHo, para que me m I t\-àr> de aspecto. do ego na, escolhas pos1ll\a,,, quc se
leiam. par-d ensinar'" (fn:qücnl.:); w1/ori=oção do corpo, d,1.~ •:1. cssam em menor grau e de forma mais normal na, rejei-
.se•IS<lçÕe): -rosa. porque tem wn delicioso perfume... -quadro, ~1'1.: da, respo;ras ncgan,.ii, comuns - que são os aspectOl> rc-
para que seja olhado". -cereja, porque é saborosa"'. ··açúcar, c1LUl0~ pelo ego e também pela sociedade. Referem-se à agres-
porque é doce"': utiluiade e reparação: escolha de mo,eis. fer- 1\ ,Jade de car-jt~r oral. anal. w.hco ou uretra!. cm símbolos
ramentas; poder: forças da natureza. ouro. armas, etc. com,, va..<o san,lário. latas de lixo. armas de fogo. répteis. c1c.
Esres ~atores que aparecem no conteúdo manu~to cor- O os ekmeutos reJcttmlo:, são as alusões ao ~'-º e, em al-
respondem a fanta.<ias relacionad3s com o ideal de ego e com i!" casos. ao papel -...!'.l.ual. como a jm em de 24 anos que não
aspectos valorizados do ego real: o que se deseJaria ser ou ter, il a ser uma cadetra '"por ~-.,usa da função da cadeira·· Por
e o que mais se \"alonza do que se é e do que se tem. Re- mtru ladn outra pacien1e de 20 :mos. que aceiu seu papel diz·
presentam a solução =encial diante da morre: o sentido que DcseJo :,cr dn'à. porque. em última inslância. deu.ar-se-iam
se di à vida. Os ,-alores \"ÍtalS podem ser acei1os e realizados, res humano,, -
91 O q11es.ionário desiderari>-o 93

Vejamos agora fantasia~ de morte. relacionadas não mais do reduzido em que se vive-. Acrescenta ao controle a defesa
com a morte ativa e sunbólica que o ,ujeito realiza sobre seu maníaca do desprezo do mw1do. a ~,da a perder; um rapaz de
ego. mas com a morte inevitável e temida. a morte real Diante 19 anos escolhe ··formiga, porque poderia cslar em lugares
da morte implicada nas msmu;ões e que pl'O\oca ansiedade. o oode uma ~ o.ão pode chegar". )leste exemplo, "emos como
leste proporciona uma saída mágica, uma realização de dese- o controle aumenta até abrdng.:r o mínimo. possivelmcnlc por
jos: durante a prova o sujeito pode fantasiar que e,,-iá superan- fracasso da defesa.
do a morte. A pnmeira defesa fa,orecida pelo tc,tc é. <.'fltào. a Outra., vezes escolhe-se sacrificar uma parte, defcnden-
negação ompotente da Mõttt, feita com bJ.Se na dissociação ,lo-se ativamente ante o que se teme sofrer passivamente e. ao
mentc-oorpo e na conl,t!rva.;ão de um dos elementos (exemplo: mesmo tempo, como casugo menor ou preço para conunuar
..seria wn espírito·· [h. 17 a]>. l.:m paciente de 18 anos. que crê ·. ivcndo A menina moribunda quer ser -!>algueiro-chor.:io do
na reencarnação. quer ser wn ··:,ilfo: gênio ou c,pirito do ar, 4ual caem todos os galhos" (é como se dissesse que ficam o
seeundo os cabalistas. sempre intelíO. na harmonia inteira da in- 1ronco e a rai1.).
teligéncia, da!> manifc:,taçõc,, do <:!,pinto._ estando Incre do tempo. !\as escolhas negativas aparecem vários mecanismos. prin-
do espaço e do corpo material, que é muito incômodo... Outras ' ,paimente a rejeição da identificação com a morte e a agressão
~ezes conserva-se o corporal, em identificações com foT'Ç3s da ,·oncomitanle: não quena ser ..qualquer animal fa-oz, ou re,ol-
natul'C7a ~ 1stas como eternas: , ento, ar. mootanha. terra. . cr. porque matam" (muito freqüente); "não queria ser hiena
Outra founa on,porente de negar a mone é identificar-se porque é desagradâvel. alimenta-se de restos e de cadáveres...
com ela mediante a identificação com o agressor temido. des- Outras , ezcs. vê-se a sensação de unporéncia diante da
tJDado a encobnr o quanto o paciente se sente indefeso: -Queria orre; "não queria ser bara~ porque é SUJa, se arrasta e pode-
ser wn leão. porque é forte·· (muito freqüente) ou ..um anirtl31 "-' despedaçá-la facilmcorc- (b. 29 a.), ·'não queria !,l.'I" vidro
monstruoso. porqu,: assim não me matariam facilmente.., diz rorque ê frágil" (m. 26 a.). "não queria ser uma plama fraca, por-
uma criança de dez anos. que rcj.:ita, por outrO lado, "':;er uma ue tem vida curta.. (h. 16 a.). Um paciente paranó,oo diz: "\!ão
pi.anta fmmha. delgada. porque é facilmente cortada" <1ucria ser mosca porque te matam facilmente. mas sim mon-
Outra defesa é 1Ill3guiar-se como algo quase eremo: ..pinhei- .mha porque é isolada. deixar-me-iam cranqililo. é uma coi.sa
ro. porque é imortal-; ··papagaio, porque viverá 100 anos ou r.mJc:.. cu~ engoliria.. não poderiam me agarrar" Um menino
mais..; "feto•. porque tem sensação de no,o, nunca murcha... 1O anos rejeita ser "formiga, porque me jogam veneno e
-árvore, porque é durável; wna grande ârvore milenar, 1-istóri- 1)1ro além do mais me pisam; porque não po..so mai~ comer
ca-: "um grande livro. para deixar testemunho".
fr.1ngo nem batatas fntas".
Ourras \'e.a:s, :< fantasia de eternidade se JUnta o desejo de
Costuma-se reJeitar. por deslocamento, a,,pt.'Ctos associa-
controlar o mundo orupot.:ntemcnlc: uma mulher escolhe "re-
dos com a morte e com a situação de ser enterrado: "não queria
lógio. porque todos dependem dele"'; urnjO\"em de 23 ª"°" -que-
·r ataude. é multo fúnebre. não sei por que não gostana. não
ria ser um super,homem para aoorcar um pouco mais este mun-
e .,gracla.. (m. 2i a.), -não queria ser pasto. porque as fonni-
, me pisam e me comem" (h. l Oa.). Aqui. pasto e ataúde são
dc,loc.unentos para o detalhe da situação de ser enterrado.
94 O pnxes$O psicorliug11ós:ico e a; técnierJS projmms

Quanto mais global é a fantasia de morte - não mais des-


3. Índices diagnósticos e prognósticos 110 teste
locada para detalhes - maior é a sensação de perda de identi-
dade que implica. e mais intensa é a idéia de ficar submetido.
desiderativo a partir do estudo das defesas'
exposto aos ou1ros. a perder a identidade humana. "Não que- \faria C de Schust e El.u Gra..:.J1l0 de Pic,colo
ria ser âgua porque se transforma cm vapor e gelo. e usar-me-
,nm para beber sem pedir licença:· . .
A elnboraçào bem-sucedida é a que permite ao cxamma-
do tmnSCroder em um obJeto total. separado dele. mas que ele
criou ou pode cnar filhos. obras. etc. Um exemplo é a e5,00lha
freqüente: "árvore. porque dá frutos... Swge também. às vezes.
o medo de não poder conseguir estn separação. Uma mulher
de 28 anos '·não queria ser madeira para ser um ataúde, porque
tem um fim trisie".
Como exemplo final assinalaremos a elaboração da morte Introdução
immcntc cm wna menina de 12 ano,, com cânoer de O\<ário. Es-
colhe pnmeiro ~galinha.. para comer carne, porque a carne de A prática clin,ca cria a necessidade de aprofundarmo-., de,,-
galinha é saboro~ pan pôr O\Os... Aqu,, o mru., ,mponante -.eria tro do proce,,so psicodt.lgnósuco, o estudo dos instrumento5
ser abson.ida pelos demais como comida., oontinuar vi,endo rroiem-os, a fim de con,,.;guirmos uma s1stemati7ação das res-
nela c pôr O\'OS para prolonbtar·SC .:m filhos É uma idenulica-
p, ,ta, âOS mesmos e estabelecer= indices diagnósticos re-
çào com uma mãe boa Na .segunda escolha (XCfcrc -Uma árvo-
1, 1on:idos com entidadC!o nosogr.ificas.
re. um salgueiro-chorão. do, quai, caem tO<los os galho& por-
Por outro lado. a am1dade em instituições assistenciais
que <,ão muito lindos. porque dão sombra·'. Vemos a dcprcs~o
torna 'ldispens,hel contar com testes proJCIJ\OS confiáveis e
por .sua própria pcnla. seguida por negação e idcaliL:ação· sua
ttunômtcos quanto ao tempo de aplicação.
sombra continuará linda. A última escolha é -mesa. para que
almocem em mim. para que me pintemr_ Mo.str.i seu desejo de L~ função de:.tas necessidades. swgiu a 1me,1iga,;ão so-
continuar com os vi\'OS e de ser restauratla por eles Ante as re- hn· o t~e desiderativo. dado que este oferecia possibilidades
jeições. diz: '"um doente. porque não queria estar doente" Aqui d1Jµn ~"1.Jcas e progn~1cas não sufic1entemente aproH.-itadas
nega pane das instruções, ante a angústia de não se poderdes- rela fo11.a de categorização do material obtido.
prender de sua situação pessoal e. em seguida. aparecem fan- "l~e trabalho tomamos corno \etor de análise as condu-
tasias de sua doença com traços orais: -não queria ser cobra clcíe11si\"3S e nos propomos. atra\.:, de uma sistcm:mzaçào
porque picam e são muito venenosas", ''palmeiras porque são
muito altas. têm umas folhas que espetam. Pl'0\11\ielmente algum
1 E,1< trabalho lu ~ de um3 p,esq,í,a ><llm: o i.:.1e denler:un,:,
galho seria cortado", "serrote porque cnfmujJria. quebraria, e f,,, o:-ganiada pcb c:idelr.t de Técni<'1s ProJ~i,-as cb lf'IBA. no mn
gasuria essas coisas que tem. os dentes-. 1%1, Profe.>« htul.r. Jwmc llcrr.vcm Prof~ .)(!;una., ''""" L S de
1)..unpo F-oi pubjcadu com ol,unus nu,d:w;.n M R"',staA'X""'""' de J'si.
•/11 4!10 1. n: 3. março de 1970.
96 - - - - - Opro««t>psirodi:.-gnós:ico ea. têcnicasproje,/\'Qs

d a s ~ estabdeccr índices diagnósticos, relacionados com Toda a -.erbali.a1ção das cate'<ias positivas contém a fan-
as eoudades nosográficas. e crirérios prognósucos. de acordo ta.,i.a 1nconscicntc da defesa; é como se o exanunado respon-
com o grau de integração egóica. 1k,sc: -quando tenho medo (e agora tenho) foço tal coi~a··.
Ou !>.:ja. ..diante do medo (por s1 mesmo e por seu, obje-
t'"'· o ego te1113 ref(l("Çar determinados aspectos e e,-acuaroutros.
Origem do trabalho nu aprofimdar ou ~1tar o, inculo com dctenrunados objetos··.
A ,e-rbaltzação das carcxia, ncgati,as expressa:
A dific-0ldadc para diagnosticar as defesas e o grau de in- a) linto a fanta.,ia daquilo que o ego teme que lht acon-
tegração do ego na interprcra,;ão classica do teste des1dcrativo teceria caso não pudesse apelar para os recursos defen-
le,ou-nos a desenvolver uma abordagem diferente do mesmo. si,os que mostrou nas posiri"as:
Corm:çamo. por considerar a produção desidcratna no con- h) quanto as consequências negatrvas que o uso e,~ifi-
texto ~incular promovido pelas instruções. no seguinte sentido· co dessas defesas cem sobre seu ego. Isto é, a percepção
As mstruções pedem ao examinado. de maneira explJcita interna de quais aspectos mstrumen1J11~ do ego são cer-
e dire1,1, que renuncie à sua identidade humana e lhe oferecem ceados pela defesa.
a possibilidade de as,umir outras 1denbdades não human~. A nOl'a abordagem r~-elou-nos a eficácia deSte teste para
lmplicit:unentc. defrontam-no com a mone. em especial o ..i;agnosoco das fantasia, inconscientes defensivas predomi-
com a própna mone. O en1re\<istador é o ponador da mone, o llJlltCs em cada SUJCilO.
objcto de quem pro\'em a ameaça. A partir disso. confrontamos os diagnósocos obttdos com
Levando em conta csra ~1tuacão vmcular. tomou-se evi- '" Jcri,adus da aphcaçào de outros testes.
dente para nós que as dificuldades para diagoosticar as defe· Posteriormente. mvemgamos a relação entre modalidades
sas residiam no fato de que estas não apareciam isola<hs no d.: r.:sposta ao teste destderativo e quadros llOSOl!níficos Isto
n, , pcnrutiu determmar quais são as características dos· sím-
teste, mas que toda a \'Crbahz.ação expressa a oq;anizaçào defen-
bolo,; e das roc100ahz.ações desiderati,as nas organizações defen-
siva ante o ataque implícito nas insiruções.
" •~ merentes a cada quadro. como veremos posteriormente.
Atra,es das respostas. verbais e curpora1~ que o examma-
Por outro lado. o teste des;derat~'O of=e índices que po-
do nos oferece. podemos observar o esforço defensivo do ego
J, ser referidos não só a um quadro psicopatológlco, como
para se recuperar e ab.ocvcr o 1111pac10 sofndo e sua modali-
t,nnhém ao grau de integração consegwdo pelo ego, pois ofe-
dade defensiva prevalecente.
r • ,·-~o, a possibilidade de ver as seqüência, clefcnsivJ, orga-
O ego e seus ob3etos estão ameaçados d.: morte na ~uua-
1111.11!1'35 ou desorgan12auvas. Os critérios utilizados para tal
çào de teste: portanto, mobilizam-se recursos defensivos: o su-
11111 ,crão desenvoh idos na parte relati, a ao prognóstico.
Jeito. através das catexias• posih~as. exphcita as fantasias in-
Pensamos que o desiderati,o oferece outras possibilidades
con~icntes das defesas. dcsCl'll\'C simbolicamenrc seu modo
d mve;,ugação, qu.: estamos desem'Olvendo neste momento.
de evitar os perigos merentes à ameaça fantasiada. t11 como: di íercnças de produção por idades e relação entre
li< •11cc1mcnto, da biografia de cada sujeito e a escolha de sim-
• V..-N do 1:: • l'P 66. t,., "' cmdensadores destes.
(!u"'lm, l)ef~a.,, Cwnck~i\firn~ ,lo\ .tímhnlô, nfUutil·o.f ~

H1q11f:Alde1

fat4 accntuodo: Dl•w,:wçào E.cuil•• de ,fmbolo,·


1i () ou1m n.\n c'1~ 1nrl11fdo c.phc1~11ncntc. 1) /\fü,1.1()(,,, .fim•. h111kançA,c1S, que J><J<k,n
2) SSn ohJclos al,l!lt.ado~ cllipac11hncntc dn (Otrulmc111c ~~lhcm 1m r~1or coloc*, n.a poth1çlo 4k ..ot>M:1·vm o
terra. melro objeto ou ,•egetol.J mundn", de cima. ü.: c,trcl••· Sol, Lua, >lltéh·
tc!II, etc. o
2) ldéÍill111b,,1ru1u, MAquh» cltlr\\nJ<M compuL\· '"

.\/<'1(<1/omu,11a
dores. etc.

Mllllh.."ln tb c~1.·tcô,11ca:~ dii dei~~, t1nh:nnr qu.m.


!
"'1
to i.l uf~ado,, in.tlet\nc;twc1,, etc, m.1iç c'itio nu.1,
,11.:cn1u,111.L1, ti\ (Ma,1~rl'4UC4t eh' urur\nlémc, ..: m~
de,1ruti\'Cls. Prcdnrn1t11un l'anu1xa.b onipotentes c:m
nh·el d(' pcn,\mr.nm n,flfPCO (l)cm1., um Sanln, um.t
.1
...~
l'~da Surrm•11t ll.,1mnn).

'S,111/1" ,,,udi t> r:11t11m n!I ..:amt·tcn11UCll"I DOICIIOU,.") tio du1UU\I( e fl


1nalcançb,el e a accntuu~llo <lo vlhu,: E...-olha de ~·
nhJtto, 1A dc,a~rc~.IÚo, (p. ex: orciu) ou que(""
,um dc"'tl!r,i;i,r•>e (J>. e:,... ul,1ul) ~
lt

e
1) O oulrv <>IÀ o.,phcuado na '<rbJll,....ao.
2) r-~olhr, de objeto, qu~ e,r,io tm contaw
dlll'fel 01'.t~U) CUIU 111.:"!!~I"
ldc1111//r.,çcio P,V)t"lll'U no
nh/l'tt> httanu
""("ª
(ldc111,1
l.:scoU,a de <Jmbolo< ba. .eado, no :,cgumte:

lntrojctl\u u} Que c~h:J,un cm con•.110 ,um u intcraur de tpc~-


l~
3) Tif"' d~ ,·inrnlo:
11pro'<1n1ttndo-,r do uulm e: 11p:v1pu.uldct-1.1.
pJtol~11:a ) soni. ou connnente, pn ra ~rrm. ou porqut mu;;1m "·

..m1.>• .:uitlad""· pro1ég1<ln,. ,cr >
1110..tr:-uldo·lhe que u C}!o M> tem Mnot e
bondade
b) Que os objclos escolhidos cootenham ,knlm 8-~
4) l"',ilhu de ohJck" pa,,,.o,, ""'1'um,, pró
xunos, rn.1.~ sem n1ovlmento (53lvo quando
de \Í .l!tptCIUl\ tlU ObJCl•l~ bclM
e·) Q\k~ o símbolo c.M:olh1dn conocc cm )1 mc:. . . mo s
pn:dc~nin!lm dere,,1> 11uu1íu,...1. (Cô,-ml-
o bom. o nào,..u1<n.~~1vo, n n~o-.d.1ninho. .ã·
1ncntc CM:Olhcm pfin~iru aninlW\.) Di.'fi:~u nra11!0N1 l'<eolh• de ,imbui<»:

L,colh3 d~ OOJCIU> com 1) 1~"'11110 (no p,>ru). ujuu.u, ulc~r:1r, clu Mpr<tos
n\OV1m~nto. Ca.rm.:tau.i.açao bonwc e rep.1radorc~ J vutro.~ (Tcnt.nn"1honipo1en·
deli.to nl0\'1mento. t um lc• de rcrnr:,ç,ln.J
mov1mrnrn Cl>IÓ\'cl. per.. 2) l'orqur 6 alegro. ,i01plit1<0, Jl\crt1dn.
m:111cn1r. para distroir u ]) Objete~ cm mO\.irncmo. que c.~t11bck.urn mm-
outm tus c.·unlntth, r, ex · 1t1r1, iJ"''·~" ou b<'ija•/lm· - que.
olém du conolnç!lo hi\1 trk;a, implk,un um mmo
nuu1la\:o ou vdml.a. c::u.,vtnto, pí:M.l, i:tc

O..•m1mp,01st1çdn ·
e, O111aca<,1)
1) 0 am1c,co, l1po r•lh.1tod• (p.
1 2) Ou o, que 111com11dam e 111mbe111 (abelha. 111·
~IO\. rno~,a..}. Pn:domtM n n,cwlmcnto de f\: ..
h111r t'IH 1i.:Jo1 Ju outm, 1:n10,1n<IO-l'), i:onfundm,
do-o e dep(,,itondo-lhc • atcnçilo
i
Q,uulm\ /)c·/t'WM CmmAd-.tH a1 cio, ,imbol,n llt'!:1IIIM, ...
~

Ob3·1.·:.-'•'<J-'

1) 0 uUtl'ú e.Ili p1ç,c111c. 1l11ulur<io I Dct<..:tu-,c pcln qw1lidJd~ de rndn • prndu,;an:


2) Escol hem o que é uril, am,modo, limpo, 11r.-do111111a o blU<joeio are1i"o e dn cop:,c1<L11le de
honesto e ,cm ogrc«lo. íunW!-.iur. s;lQ dt~·riti \·o, n,a~. diforcnreincntc da
)) São obJeto, que ~er>em como ln«nnncn- rcrm.-s~1lo, \JO 1,.~olhn~ de: l\1l~n nh•cl ,1n1hnhco.
to!lo paro \trem u~od~ por outm com lrni.. Môqoina,. objetos MMIOd05 mo, foch.ulo, e rmô·
de ref')ar.,,;~o: ' O 11'1/l,cl."
1) Obje1ex <rm movlmenrn.
S) Baixa prornn;oo de •lctm.
,'it>lt1nwmr>
,·t'l!<o (11:,11 prrdon\11\.1 o olh:ir c"1l111ó1dc nuc,. \1111
"o ',('t' usado por")

1 1} Oc. mt\n'IO~ 11fmhnlo, cindo~ m11c p<Nlivu~ ,ão


fCJCil.'ldo\ nM ncg,tll\r..1..,.
2) Fm um., n1c"'1a catcxm pos11i~ ,iio dada)
fl
\l~O~C. ,)fl,'\olhthcLtdc,: 11cr ISIU uu llllllllo, 11\ll\ )éli\
dc~nvolvcr a fantasia dcMdcruta,u. Ck\·1do oo J.Ul ·
qu, do r11p.1cid11dc de slnt,".ic, nllo t>o<k N'\l1hcr
uni slmbolu dcf1n1du e dc,,.n,oh é-lo.
t~-
"a
hH·,1111ç·im ,....c,111" 1 Em pr11nem.1 lu)(ur
~
1) Ani1111fr~ uu H'i(Clíl i,, ôomé,tico«. qult1t~\. que g
,wo de otrlidudc paio., outro. ,cndo us.,doi como
in,tru1nen10. ]
2) Que •i~•
0011,, ,o.iae,. nmo d.1111nh,"
3) D1flce1> de de>organuar: "São sempre de uma ~
dch.-r111i1udn innncim "

e
1 • 0t'IJ<"ht41 trn 1n1't\1mrnfu de: 11fo-.t.a1111:n10 Ou
outro ou rle confron1açào coraJ~a.
I l'it,11,lo I
hwlhll> p,.Kquc 100 1011»):
~
1110\IUHCl'llü -----
Clll J1h."t;ào U

---- a p.inir de
1) Af.1\IUI ...'-'• 1110,cr-M:,
onde quiser, etc.
c,1ur cm llht.-rdndl', 1r
1
il
2) rm J\lnç.l<J de UlllR l'Í® lrunqo,Ja, sem f1Cnp.n•
2) A1.,;111u11111 o nHl'-;1mc1m1 au1"nPmo.
t
r
3) Ú\:rahm:ntc preterem obJCIOS ou nninl.11). Pnr ex · 1) e 2) "andorinha. porque pode estar on-
e nilo n:!,(1.'1a1,i, por ,crcm r,1~11c('I, e ornli· dt' n1.m1 lht 1.:rotl,\ SBu inl1,.'lillt:lllt.:~ e l\alxm
gud,» à tcrru. es.cnlhcr o chntn. l.\tao )empre )CtCna:,, subcm
que. <e nlgn n~o lhes OiffillA. po1km pmcunir
uutr., col~;n"

Cm,rmjúbiu Ob1c1,,. que , ln· v:ikntc< •rrl«.ldo,, forte,. D<·


rcnd<.,n-sc e cnlrcnram o ptrfgo (dilcrcnt1:men1c
lia psteOJlllt13).

u) O acento se coloca na pch<i~llld(idc de enfrcn-


hU :;u.úuhu\ e M:111 mcclo n perigo. e n;ln t~nto tin
mct1,.•r medo cm um tercem.,, e
/,) h:I umu muior cucréncra entre o •lmbolo e o
r.it11boli1..ndu e mwor aju~tc 1m cnqm1<1rttn)Cntn

r,cmplo de. i) ev11açúo e 81 contrnfob,o

.4) (;osrnrl,1 d< ,e, um b<,rco porque po<lena pcrcor-


n:r lug:irr~1 ir dt um lu~~r pnru o uutn,, ,~mcumndc>
"-Clllf'r't' o que for n m,utii trwM.jllllu ,,.1ru 1111111. e
..
~

~
0../r,u,
1~
Q11udro, CUITl('/<ri,ll<'<I' dt" •lml>t,/1" 1w11uthw

1 B)nh\m do rnai,, porque podcrl,1 enfrentnr 1cm-


p«1adc,, bem, ao,1orio de -.,r um b>rto prunde.

fl1lWrio

t
1) O ou1ro c,ul p1-c,cn1e Rt·J tt'" ufo 1) 0.:loXIP "" .11r:wc, de Ioda a pruduvao COIOO
2) Vln<.-ulo: o uu1ro é um e1pcctndor dulum· Cw1vt•r1'10 d1(1culdJde p.vo c!c,cnvolvcr" fu111a,in de<lder,1
brado. /\pare<'<' rt\Ctbencln um 1mp1><"tn hVU.
CM~lll'U,
2) Oiíerc111emcn1c dn r•ulamcn10. suo ~olhM

l!'
l) Soo,-,..vlli.1$quc re<sallom.,comc1críMÍ<'a> <.vm alto nlvtl "mbóhcu que ,mpllco um 0110
fonni.uw, i, \:Or e o mcwimcnm nprc'isl\v. airuu de oondcn"l:u;ik>. P<1r e>..: c)lrell.l-do-mar ou
llbéluln, lll'"I"" ~o-io, ou purque ~ bonh.1

.\l"(/11ràn r..-0111., 1k .,imbolo, que implicam

1) \<t(Wlmcnto. cor ou fom1a agrodAveis de scrcrn "'a


\rl,1M pc.:lo outn,, e 4uél pr\'l\1'1(r,n, nele um 11111>.K:·
10 es1ét1co (para 11os1ar, l,)Orque s:lo bomto,. a1ro- ~·
t1\'0!l, cu:.). "ij'
"'
l'<tíl nccc.sidlldc pode •i>•rccer:
1) cxplicrlada na ca1ex1a, por ex.: ,crbahundo e

dci-,1,:obru1dv u. forma, :i c·nr. o mnvin~nto dtl nbjt
to c,colhido é n rc,1ç:lo do outro diu111c desic

011 11 tinulul.Nk (11Jru t,,Ct .idmlmdu. ull111do. tio·


g1ado, etc.); ou c:i
,J iiin esplrc1111d11 mu, cvnudo ,mplicitomente no
,lmbolo escolhido. Por e, .. c,1rclu ,do-mor, bor·
bolcta, hbi:lula. etc .. porque gosto. porque~ boni-
1&'
ta. A 110•>1b11id11dc Ja c,phdtnç!n "'' nllo dn
dc:,.i;jo de ser admirado., unido 4°\( C.'\r:tctcrh1t1ca.~ ~:
do movimento t\Pf't"(~i\in cto nh_1c101 pcnn11ínn
dclccWJ o 1111,-rJOjjO entre ,cduç.'lo e repl'\!""'"·
t
Quanto maior a reprt(-:i,o, menor a ro~11;1bil1<L1dc t
Je vcrbuli/41(~ tln que ~e ttlcN ll 11KJ\ºIIIICIIIUS
c<.npornic: qut ficn"' t\!')ena, retidos 1mphcitumcn-
ã
te nn ,ímboln.

l'.< lrof"'''a
1) Ap.,necc o outro como dcpo,iulrro do Jd,•n1ijin1~·tiu prrJ)t•flw 1) Atm,é, ~ objetM q li( -Ao poclcro,n,, mupo-
modo, do 1dtm c1c. lkposi~lrro do ,.,pec- ,•1·m·1ww•,1 m, Jmlmnrr, lcnth e provoc:tm p.\mco e ..ubm1~~0 no,- outro:,,
to otcnil wl dn prnpnn c~o CI'.'. rrtdonunn como vinculo 11 ~ubn11111<1Uo do
2) Vinculo· .. Penetrando no outru pana.'' oulro Jtm,é, do mcd<>; p. ex : "Lc,lo. 110rquc
3) l>lfituldack1 de 111u"tc ;),i 111"trnt;õc:. e todo~ M nnim:un ,.e :ilcrmr1111m com ~u!i ruji·
nwa.J.o com l">CI\CW1t1111 10 cnlr',."\'h,h1dor. dôJ. nem, por otlgum mdh\o tele u roi ..
41 Ompotêncaa munifcstu. 2) 011 cn1~n -e cxplic1lo atrav<',; de ,imbolos, inó·
~l lnc.1pnt·idlldo pura ru,cr ,1111c..:.
61 lncocrêncta cnln: o sl111bolo t-.colh1do e o
c1101 cm ,o, ;11e<:111ca dt.· pcm:lrw.,Jo nu out10. Por
c.x. eio,t11r1a cJc sc.-r umu tn:put.kiru de un, g"llw ...
que lhe ~ atrrbultlo. Cicncr.li,.içi\O Op.inir ,~. p.1rccc mcntiru (.'<HlK> "e estende. penetro e ~
de clcrncntoi. 1:mn:hm1 (0\'0I\\! ludo. Ul1111 f.."tU!IU u1,a1.;nh:ll'tel\té t.\o llCtjUC
O q11.,.:ionàrio desidr'Ttllim,_______________I_0.:..5
104

O quadro seguinte mostra, para uma escolha tpor exemplo:


pássaro) manlida constanle, o que é ac.:ntuado cm cada e:,truwra.

Tipo de \.-"incvlo predom1naJ1u:

Po:quc '"" ali<> e pode,..,,. ludo.


A<X11tlmldo a distincia do O lpreoominio dt pcrcq,,;ão
,iJ.u.il).

Ckralmc, 1e pá»aro, domé<.lioo<. porque cudlm cl<'~.


porque gosum dtle>. porque alegT3m.
...rentuando a pn:,x,midade e o cuidado do O 1prcdnml-
n,o de stnsaçõc:, de pcnfcna corp<>nill

Oh.feonv, Pá,"i..Lros ute1, p<'r « · n.1, c:othcuas..


AantU3ndo o tJ.1.0 de o O ',,CT unt

Fól,;co l'llrquc pode li" a.,ndc q•<:r. <>li cm libacbdo. ou """"""


íatte que sobta'J\"e a._
.\ccnlwndo o :ai:ist,uncni., dú O do l•ir.n.

H,s,tnro J't,rquc é lindo lL1 form1. na e«. na plumagem. no Dll1VÍ-


axnto.
Attnl\13t1Jo o deslun,bmmeolo pelo O

Gttalmerte pãs,aro de r.tpl!IJ porque é t~. ICmJdo e


domina.
Aueo1u.indo a ,o,J:;lo e o subme1,m<n:.o

Esqud.tk

J I St >; detcs.. ralham. O qu< ,< l<:m e: 11 OliJ<,<'> q.,c sJo ...,._-. oa mm·
.,a- 117\ttdo, O":!IClpul3do. pm'ÚI de Ui>- pcbdos "1ll ~ ;JCb S1D COO•
lll>111..._ "que "";,.* • ser cbuu,do e ,.,,,,...,.., ti-ica.
:nona. ~,Ob1d'1\~c,pc,,:o.,111011t
~1 e..., toma; 11.::aeh dJs.,ocis;i,., ...,.. lllqllCS alcmo, (por<\.; O J.'O><D poí•
OII I
ma. lliE" o taa• de f /;li ,Ó. •uio. i,.,1a. <F e ~ o.po, , 1> IOODelllil>. i q..;.
do, :<"CQ. -to pelo;.)(. <1t
31 Objc1os i,d;d,s C l<COS lc.rdo DO de·
)ttll.). e1~-.l

;::
O ques.1·onàriodesitlmitin> 107
• - - -- - - - - - - - - - -- -

c - 1j O, at;<,.,< q'J< ,ão ,,,..._ 4 Oi,e,r,s 0S000S < logo t\Xuao>.,. por
RtJC llll>-S<. ~ "'popC> po- l3o imdos . ...,.oos.
>< s mu cp,c penlma a dis.-.. ade- ll>plo, e )0!,300! lrn..
St as óáea., bPam. ma!-SC".
~ .lo 00,,,0. Si ~:..,,"""-'de m ~ <>dica 11Ol,jm, quc aia JMlan s: """"' -
a,.,.q,i,: c,:t., J 1T1C1<tdoobJt<I). m.Jo; cl.>OOJ<IO. fa. pl.m:,c.na...as.imw,.
1) fl.:r 1111ol'olindo pr. ado de
arpon... t o ~ ""'idos
mm- aJr.1lllla:'.<. Cjll< ~ Je "'""'· 11,dc
li!Olto ,u n oi,_ <tO fcd,aJo ,_o c:,,pa,-
e e.~ a> .aqo,<. EI • p>SI(\ porqu< < ""- t:,pir.tt mais • medo pdo ou Ji, que
Cl<lllll
relo ..., dos d&.s3.<: nq,,o,. mas C>ICS""" kl!1 <O!IDIIÇio
ri""'- 1 pro('Cllpa,;in pe >Aro: , ,..<li""' a.,su-
• (l,jltl « arra.p cm Ilíada:
IQ •
dt ibie Lio Ír.~ i.'\.•lf.O DO
dn,t.'1.,L\
Glle e,i.io ab,ol~ fon do
b) .-. ado p..--lo pn,pnoeamr"' t
caotm e do <U1roi. tunaao. E..: "a.,1r. '".>io-Objn:,. que slc rru..--mados." ÓJ adcrêzia 1111<1Ç1 • mn obpo esoozóide ~ "- i,edra. porqot nôo
rutde pcnhdo 110 c,p,ço" 1~ e,-'l'll., <>!O-- Gaal...., "' """' rtjoil:ioos sio o, .,,. podo.,. ..-.ef"."" rt)<•II ""q,11 qu<: ' "
ria llllÍ> <Om:13 CQIJI Nl,<!O< bizarrost fdaÍ> JQllut ala<m • lena. !<UI po,,... esta p.-e,o na 1m2; dt IOJ(,,
21 o. obJéU que ro,,_,, .,..,~ Parll dotcr:ninar ,e • IINl:\bdc e .:IJu.,-:r:,. O< •<g<a <;,) ~ dt"' . . (!<,.,.,.,
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IJô"3< i1i:,,o. di>5<mas ~1m1,d.l,..
"'° p1.:a. mordem. d<M>em.
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-~ocan em--.. de.
--..larilllo pl«JIC ... l<ln .... ·~ >Cll·
p!t Je Uil1 . . . . paz> O OUUI>•
a) T"""" - o m;,aqo qoc cn!JQ • 2) A fflÍ>'I< dada a "ObJ- que cm,am
~ ,· isto!<~_,.,. de JII· d.io.Js oo Clll:'0-. -
aoeur..uido a~...
- ~ticÍl.llla11< IIO<â.-m do all!W- tiunm: o obJem dlr1bho tt l"ÍJIJ eu-
nado>. "'" '"J= .. ~ d.mho, ou r.ndo
~ a s e ~ em D".t.'StraJ" IJ.I!' Se"-' Jch,s falum. laacm: Rtjt,llm:
tlet~ o1,er Ili\>elido,, por f..:z,m ,a:tiis: 11 ot, .... '< "' .. (,rng ,.,.._ pedbne.
bl T,m,r pd,, <>1.Jo cs, GUC fu:a:u o<!(' '"" -.W<l> pla.l:m< pda abjtlD. ttc
mva(ijo p<b ~ . '<lllÍlllll>-Se a,J. \, cor.,eqüéocia, tem.da. pc.o """ da. li ~!'ffl"""'- pelo O<f"'C'O lf"1JIÍ\O llfr.l·
podo: per.. ,tjc IJt "'"'llrn - - pnlpoa. Jef~ bl-o. 111ca,•t1d.lolc ,-.-de ccr,rm,1« d< rcpllllo . . ....,,
• "''""""" l!Dldo, !IIJO". -... 1,0·. Je seno < íanl:,si;u. ino:,i;ào • restri,.-à, 3 . Sronbol..,.,. 6basa""'3(3doros
.beg,> ~ O que e fno, 'P' ào-. o l"'lftC'
""'ª ou de.,~
pmlfflll
o ui:p,de • ª""'"" ... •
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p,r a.: llll01.lll. ~
roda relo. i1t.
Se .. &f<SZS fJlinm_ 1Cme-SC ~
ooofusiu io1am e~"''" 1<!.Ide. Te-
11 °""'°" "'"''· mc:osos. dc«lrdenados.
3Pt'<in,, (rofço. lmro. pmi,lco. rr.i,.s
me)< de ,.,. Íll'I adido "'" "-"'- ,.\c,c-,. c1t foeo cnz ,mi>
an.11, 21 ObJe,.,s , ... lêm 11113 \ .il po~ roti•
Ctltl.~,., r,m ~ pela JefN: &ia nc:n. 'I"" r-m \Off!Wl: • 'IC\mo <O ,a,
Je IIiilOUl<bde """"'" ripdez. ~ - qoe t3o - · liZ siio ISl'.antta'.6 de
pia. r\lCÍm. """"'<I< ú. -,..., quero ,a '""' ,,.;.
QliU de C<af\Cf l'OOlll< , h >Ó ;,..~e
IS pessoas ;ra~ic,mm .35 t«i...is.."
• \'ier K do E pp. "'4
108 OfJ"O'YX'I> púrodoag,rmriro r as réa:icas pn:,jeri•JS O q,,esri-ONirio dbidero.'i>c 1()9

Observamos como índices dJferenc1ais enae produções E<qucmdia· Dis<Ociaçào (mente)


neuróticas. p,icopáti~ e p,icót,cas as seguuues caractel"Í$tica!>· splir maciço
1) "las ne11rores · O outro está implícito na , erbalizaçào. Depre:.são. Dissociação (como regressão) !mente)
o ego busca ··o melhor para s, mesmo- ( o que é e.~gido pelo x.w,,,., oh.<a:>11v,· Isolamento (mcn1e1
Anulação
objeto idealizado) para recuperar o obJeto: por exemplo. "sc,-
Fobiu. Eviuç:io (m1111do ot~..-no)
lindo, bom ou útil para que o obJeto me proteJa".
H«teria· Repressão (mente)
2) .Vos psicopa rias· O outro não está presente como obje- ComersJo jcorpol
10 idealizado. mas sim o ego é o objeto tdeallz.ado para e'\-acuar P•icopatia. Identificação projetn-a (mundo c.úcmo)
o próprio ego empobrecido no outro. E.,emplo: ..:;cr uma fonte f ndWll3 ou C\"3C031T\"3 (mente do outro!
bonita. cheia de flores e pássaros para que todos passem.
olhem-me e admirem quantas coisa.~ bonitas eu posso ter".
3) Nas p,icoses: Bloqueios totais ou escolhas positivas de 2b) De;e:sas mo.niu= em ca,ta q1uulro
ob;etos sádicos, destruti~o, ou de,truidos (e, .. uma planta car-
nívora ou um iguana). Tornamos como ponto cenual da defesa maníaca a intenção do
ego de tmnsformar-,e no objeto idealizado. depositando no
outro os sentimento:, que o próprio ego não tolera. O que \'ari.a
Prog11óslico-uitbios cm cada quadro são a, camctcril,ticas ou os aspectos do obje-
to que se idealiza. :\fantém-s.: a dissociação de base.
/) Em função do dia~ico atra, és das defesas.
2) Denu-o de cada quadro: determinar ,e predominam a) Por c-.cmplo·
defesas esquizóides ou b) defcNIS maníacas.
:\°a ,.,q111=ll1d1a lndcstru1ib1hd3dc.
2a) DeJesas esq111=ó1des Pensamento mágico do ob,eto.
Di'pn'SSào· ('apacidadc onipo1en1e de
Defirumos asstm qualquer defesa que tende a manter dtssOCl.3· reparação.
dos e control:idos os aspectos idealizados e pcrsecutónoo para Todos os objetos~ orupo- Neurose o/1,~ma· Justiça, honorab1-
e\'il3r a desorganização egóíca. 0epo!>tl3 um dos a.~pectos dls- leotes, mas ~m cada quadro hdad~. hmpe2a.
~ociados. sej:i na mente, no corpo ou no mundo c'tterno. e con- ncmtua-se um 'J.lço 1deah- Fobia. Valentia, ou.,;ad,a. coragem do
trola 1.31 aspecto depositado para evitar que o ego o integre e se zã,"1 do objeto. OOJCIO
de!Corgamze (teme-se. fund.lmenta lmentc. p.:lo ego, portanto. Hi.<tma. Capxidadc de sedução do ob-
são defesas mais regresSÍ'-as). Enumerdre:JllOs as defesas es- jc10
quit.óidcs correspondentes aos diferentes quadr05 e a área em P>1coputiu · ArbitrariL'dadc e domínio
que se faz o depósno e o controle J)OS!erior. do objeto.
1.:...0_ _ _ _ _ O proce;so psicud,agnômro eas 1«11Íôls pro%"""
1.:... O qui'SMflário desid=tim _ _ __ III

De acordo com isto. as defesas nuniacas próprias de cada 4) Predomínio de processo secundário: capacidade de simbo-
q uadro são: li7.ação. de diferenciação entre fantasia e realidade. ele.
Crité1ios:
Esqu,:o,d,a· Megalomania
1) Coemma entre o símbolo escolludo e~ caractetistu:a,
!Hpressào: Defesa m:lniaca
/lez1rose ob>l!'>.<i,a. Formaclo rcJt1'3 a ele atribuída~.
Foh,a Conll'afobia 2) Grau de orupotência da defesa: m~ que o ego se pro-
Hist<rla Sedução põe através da fantasia defensh,a:
f',iwpatiu. ln:postura - próxunas à n.:alidade (por ex.. ~ser 1,11idado").
- afa..ada., da realidade (por ex.: -dominar o mundo" ,.
:\tra\"~ das características do símbolo escolludo, a
Ja) Grau de força. rigidez ou fragilidade do ego e grau de ca-
racionali7.3çào desidcrativa.
racterop:itização da defesa: refere-se à intensidade da defesa,
3) Possibtlidade de ajuste às instruções e capacidade de
graus de repressão ou isolamento. etc .. em função do símbolo
font~ar (dependente da i-,,ibilidadc de diferenciar
e da racioll.llização <k~ideratfra. (Por ex.: Diten:nça entre re-
mone real de fantaSiar ou bnncar com a mone).
JCÍl3r ser um dique. wna caixa-forte. que mostra uma possibili -
4) Capacidade de síntese. possibilidade de escolher sim-
dade de entrar, encendo-se a repulsJ, um muro ou uma rocha,
que conotam uma maior impenetrabilidad.:.) bolos e de desell\'olver a fantasia desideratíva.
Ponanto. o~ critérios sào: a) Em função das característi- 5) Possibilidade do ego de metabolizar a situação micro-
cas do símbolo escolhido. Características polare.~ e qbsolutas traumâtica (instruções) e realizar mna aprendizagem
do oby.:10 ou caracteristicas rnodilicá,eis ou mcrsívei, domes- durante a aplicação do teste na medida em qll<! a situa-
1110. b) Grau de reafirmação da mesma defesa nas diferentes ção de morte se repete três ~czcs nas posíma.,, !,I: o ego
catexias {a uma maior reafirmação com:l>-ponde mn maior utiliza dcíe,as realrneme mstrumenlaJS. a ansiedade pa-
compromisso carac1erolôgico). ranóí&: des·eria chmmu,r ao longo do leste. Neste sen-
odo, na 3~ catexta pos,ti"a apareceriam defesas egóicas
Jb) Grau de estcreotip,a ou ,ariabilidade das defesas. maiores mais organizadas (tentari,as de reparação m;iniaca e de
possibilidades prognósucas quando o ego conla com uma gama pres"naçào do obJetO). diminuição de a~iedade em
maior de defesas. correspondente.~ a diferentes áreas. nível fenomenológico.
Critério: Variação ou permanência da mesma defesa nas
diferentes c:itex,a.-: (em relação com Ja). Se. progressivamente. as d.:fesas se 1ornam mai, primárias.
tr..ia-sc de um ego mais frágil que enfrenta a situação lraumá-
Jc) Grdu de força dos simbolo,, c~colhidos (força do ego). t1ca negando-a de inicio e desorganizando-se depois (enquista
Características reais dos ob;eto~ escolhidos: ~ situações traumáticas em lugar de metabolizã-las).
1) Objetos facilmente dcsuuthe1s: cristal. barata.
2} ObJetos onipo1enwmente indrstrulí\e1s. Deu,. Batman.
3) Fr:ígcis e desagregado~· areia.
4) .'.\1oderadan1ente fortes mas plásticos: vime.
4. Identificação projetiva e meca11is111os
esquhóides 110 teste desideraJivot
AUxno Drode5k}. 'lid!a Madancs e Dtana Rabmovich

Na identificação projetiva combina-se a dissociação de


uma parte do (.'gO e a projeção de tal part,: i;oore ou.. m.:l!ior duen-
do. em outrn pessoa ou objeto-J)Cl,Wa. É um mccani,mo bási-
co e co1Lstitutno do p:,1qubmo.
As instruções do desiderativo são. essencialm(.-ntc, d..,,cn.
cadeadoras de idenllficações projetivas. 1mpuls1onada, lanto
pel3 ação da agressão ou da angústia de mone (relação com
um objeto perseguidor) como pela ação da libido (busca do
objeto ideal ou de partes do ego ideal). \ias. assim como des-
pena ansiedade de morte. pode também ser ,;vida de manei-
ra positi\a. na medida em que permite. através das identifica-
ções projetivas. a busca de objetos ideais. ou presta-se a recu-
perar. magica ou ludicamenre. as panes que se sentem como
perdidas ou sepu]tadls nos obJetos. (Este último aspecto apli-
ca-se apenas às catexias positivas.) Ou seja. deve-se sempre
coDS1derar no desiderauvo dois aspec1os dados atra\ és da 1den-
u hc,u;ào proJelJ\·a: "LIVRAR-Se DE" e "R.ECuPERAR... que
podem estar a serviço da agressão ou da libtdo.

1. 1,m: trabalho fot ral1zado cm um -..'ffllDino de Téa11<2> l'roJ-'11>:tS 1.


,,-nJo ntulard:tcadmaJaime Bemstcm.an 1966. A sua publicaç:ioéuma ho-
1nmr,cm ~um d<: =-,:u,,n:s.Alberto Brodcsky. r=kmcnu::dcs:Jimccdo.
IU 115
O ques.:it),,(lrio tlesidtr.Jíil-v _ __

Exemplos de (frrar-se de: se\! destino ultenor. Isto se manifc:.1.a porque o outro nào
Nas catexias necau,as: ~vaca. porque seria sacrificado.'' aparece de forma alguma na racJOnalizaçào, ou. então. apa-
Nas catCX13S po!-lll\~. ··Planta tropical. porque o cluna não as rece, m:15 é tNado como depos11ó.rio, é despn::r.ido. etc .
castiga:· -\tontanha. porque nunca morreria.·· sem nenhum intento de sedução (veJa-se Dl3.JS adiante a
explicação <Je,;te termo)
Exemplos tle n:roperor
Nas çatÇ)lj~ po:,iti,-as; ··~rço. porqu;: a=®ri~ rnuil;I~
crianças" ··cachorro. por sua nobre..i " a) Bom controle obsessivo (diferenciação Eu-Outro). O
o..rro aparece como pes,,oa.
Esta distinção permitiria avaliar se a primazia corre~m-
t,) Formação rcanva. Denominamos assim o resultado da
de ao objeto bom idealizado ou ,ice-versa.
Poder-se-ia confeccionar wn quadro de dupla entrada: io..'llúficação proJetr.a qlll! funciona as;im: o que se desc-
ia não e ser o outro. ma, sim deixar de ser o que se é,
co ocaodo n1an rim1 aquilo que se rejeita em si. Este aspec-
Libido to proJetado é esp..-cilico daquilo que ele pode acu...ar de
n.do q1unto não poderia se acusar sem acarretar coodc-
ri...;ão e perda do ;;cr amado. ?\as amostras -oorm:ii,- de
fa\Jt 1111,Jn de,,1d.:ra.ivo~. o que foi dito con,,-i,tu, o seguinte traço:
Rt..:uperuçüo e) .\ identificação projeli\'a momada por citkic, É o que
denominamos anteriormente de atitude de sedução: ser
hom pcnnitc munfar sobre o mal; p:im cons.:gu,r o amor
tk um tl'TC:eiro estabalece-se então um "inculo implícito
DifereJ1ciação entre a identificação o Cl(p icito cm que a defesa obM:.,;.,;i,a adequada penru-
projetiva neurótica e psicóríca le manter a clivagem entre o que é projetado e identifica-
d., no outro (mal) e o que.:: bom atribuido a outro. faem-
Psfr0tic(I" plos de idenuficação projetiva moti,'ada pela in\eja:
1 "Ceu. porque e,,iaria por cima de tudo."
1) fracasso das defesas obsessivas neuróticas 21 ··Planta cami\'ora..:· (já dado)
ai Projeção direta do impuho. E>. ·'Planta cami,ora porque l. em geral. toda., a, c:.colhas em que se procura a 1den-
poderia dewuirtudo qll<! me incomooa·· (carex,a pos,tr.a). 11ficação com aspectos ou objetos destrutivos ou quando
l,J Paralil>:lção da reintrOJ<!<,'iio (e à!, vezes tlllllbém da repro- a .iden11ficação com o <1ue é bom é autodi.ngida. E.x.; -p,a_
jeção). Ex.: "Montanha. porque ficaria sozinho li em
no. po,-que me deleitaria com as minhas própria.~ m.'io~...
cima. enquanto as pessoas em baixo trabalham" (cate'lia
A 1den1.Jficação proj.:tiva moti'"ada pelo ciúme aparece-
posi~'a).
rL cm toda, :tquelas assimilações de ai;pectos bon~ que.
e) ldenuficaçJo proJcliva moli,ada pcla ,n,.:ja ~r o outro
c.,plicit.. ou unplicitamente. e,,"13belecem a diferenciação
pelo que ele tem ou representa, sem se preocupar com
l'"m a cuntraparte mi. Cremos que isto pode ligar--..: com
/16 ó qu=cnánodendmiri,o,_ __ l/7

o que foi dito a rc,peüo do aspecto positivo das instru- ego. Pode tanto ser num contexto depressivo quanto num es-
qui/.O-paranôicle.
ções. no sentido de pcnni tirem uma realização de desejos·
A identificação projeti\'a preservadora do objeto interno
o triunfo sobre o Ó\'al mau em ni1,el lúdico.
"" da ,cmpre num contexto paran6ide.
Outro aspecto a ser consider.ido dentro do conlin1111m neu- Cremos que. quando há muna preocupação pela prescn,a-
rôtico-p&1c6uco da identificação projct11,a é a diferença entre a c;.cio Jo ego ou do objeto, estamos dtan1e de uma pessoa que
,erbalinção ··se eu fosse'" e ..eu sou··. que e, idencia diferen- 11,cila entre a depressão neurôtica e os traços esquizo-paranôi-
tes gra~ de di.soc1a,ão. Ver-se-ia o ··eu sou.. nas posiu,as por 1lcs. saido 1al preocupação o único l.lldíc10 do d~1derati,o que
uma rejeição agressi,11 da contraparte do que foi c,,colhido, ou pod.:ría assinalar poml>ilidades de ansied:ide clepre<,iva.
quando não há justificação (ex.: "pássaro. porque voa. não é Com relação à C\'.lcuaçào. é imponante levar em conta os
como os outros animais que só ficam enjaulados.. ). É a reali- . ,pcctos ~.:ruturais do que foi evacu:ido. Quando se e,-acuam as-
zação m.Jgica do desejo mediante a idenuficaçào projetiva. Nas pectos estruturais diferentes da estrutura preservada. podemos
OCllau,as. qurutdo se dá a rejeição sem cspecificaçào alguma , J Iiar o que é que o indivíduo mais teme de ,i mesmo. Quan-
le, . ''\ ,bora, porque não as suporto.. ). Como 1,alor prognôstico 110 o que se evacua é estrururalmente igual ao que se preserva,

i!>lo no, indicaria.. alem do mais. as po,,ibilidadcs de insight e encontramos os mecanismos ele d1ssoc1ação dentro de uma
de flexibilidade (capacidade para reintrojetar) do sujeito. mesma estrutura.
Com relação ài, caracteropatías. encontramo, a -eguince
caracteristica: todas as cateJUaS postti\'aS são assimilado= (ten-
dentes a recuperar parte, ideais) do tipo "eu sou". e as negati- RiblioXrufi•
vas são cvacuadoras. repn:scntando o que era em:obeno pelas
llcll J • 7êaucas proycctims. Bueno,, Aires P:tidó<
ru;suruladoras positi,as.
lkm,,:011, J_ ..Apénclic.:- ln: H. ~1UJT3)'. .\.f/lllua/ dei Tesi de Aper-
Sob outro ponto de , ista. é ün1 Je,-ar cm conta dois aspectos
rr
rr.- 1ím TnnóriM A. 7.). Buenos Aires.. Paidós
dJ identificação projetiva. quando :;e ana lisam de:.1deratwos. AMhstS e mierpretación dd Cucstionario Oesideratn,o'". Tra-
1) Ai,pcctn estrutural tconteúdo). b.úho apn:,cntado no I Congresso Argcnano de Psicologia. San
a) Superego (moral-ideal). l.ui,. 1%5.
b) Ego t funções). A·,1,..po. M. l. S. tk, Gan::ia Arzeno. \1. F- , ü1lifano. V. Baringoltz.
e) ld [impulsos). S. e Leoo.:, l.. ldentu!ad en el desitlerariwJ. l'ubhc.açào interna
d)Objeto. ,Lt cadeira de Técnicas ProJctivas. lI'l.'BA.
2) Objetivo (""para que·· ou finahdadei- sendo os tipos i,:e'.'.:I e Córdoba. Úl pn,o!bu de apre:.,ón desiderotna. Barcelona,
mais freqüentes: 1~9.
a) preservadora (do objeto ou do ego);
h) e.acuadora (do objeto ou do ego>
A identifica,w projetiva presei.adora do objeto interno
pode realizar a preservação atra,.és da união com um objeto
(defesa m:iruaca). ou através da libido. evacuando uma parte do
Cap ítulo V
O teste de relações objetais de
llerbert Phillipson

l\.briJ L. S. de Ocampo e
M.1riJ E. Garcia Arleno
O Leste de relações objetais (T.R.0.) de Herbert Philltpson
l~11.i d.: 1955 e começou a difundir-se em nosso meio dez ou
doze anos depois. Incorporamo-lo à nossa batena de restes pois
co11S1deramos que oferece uma sene de ,antagen, em relação ao
,;eu .1nteces._,;or o T.A.T. de H. Murmy. Além d~ que provêm do
mataial-e,,"timulo que foi cnado pdo autor. oferece a enonne
vantagem de U1T1a ampla e detalhada fundamentJçào 1eorica
basada na teoria das relações objetais de M. Klem e Fru.rbJ.trn.
'leste capítulo 1r.1taremos de comurucar o que pen~"º~
deste instrumento projetivo. lào rico para os que desejam in-
,c,mgar a pcr,,onahdade hwnana a lu1 da p,iculogia klcini3na.
O que colocamos a seguir é contribuição nossa. produto de um
trabalho d,:,.cm olvido tanto na prática particular e hospitalar
como na atividade docente.
Dentro das tfrrucas projetivas cabe situar o T.R.O. entre
as técnicas de cst1mulação ,,suai e produção ,erbal.
Os testes proJell\-os que mru.s se aproximam do T.R.0. por
,eu ,alor no diagnóstico clinico são o TAT de H. Murray e o
Ror...:hac Vejamo~ a:, caracteri:.-ticas comtlll5 e diferenciais
entre ele,.
1 O T.A.T é um teste que sugere. mediante alto grau de
Jra!"l3tização. o que cada prancha explora. (Por e.'tetnplo, a pran-
111 113

cha 5 mostro uma mulher que segura a pona com intenção de O T.R.0. tnmhém concilia c,ta, dua., tcndê'lcia.~. Em :ruas
abrir ou de fechar. mM, e.sla ação é induzida diretamente pelo pranchas o movunento hwnano não é claramcnle sug.:ndo, mas
ci;timulo. a.,,im como também o e a ação de espiar olhar ou pode <er projetado. Isto depende do p:ic,cnte (niiv da proncha).
procurar algo.) que pode ver figuras humanas estáticas ou em mo, im.:nto,
O Rorschach apresenta pranchas de absoluta neutralidade ani=is estáticos ou em mo\'1mento (amda que SCJL muito
temática. Em qualquer prancha podem ser vtStaS ou não figu- menos freqúente do que no Rorschach) ou seres maninudos
ras fazendo algo que pode ter ou não um tom persecutóno. O cstát·cos ou cm movimento.
que o paciente vê depende do que ele mesmo projeta. - 'llo T A.T o conteúdo humano esti clar:untnte 3preStn-
O 1.R.0. conc1Lta amba!> as tendên,::1as. Por e,ernplo. a wdo. pelo n cnv, na~ pranch: , da J)l"imcira s..-rie Em qmlqucr
prancha 83 (4) mostra uma figura recortada em preto em pri- uma d~la.s pranchas é impossi":I não ,.:r figuras 'iuma'laS.
meiro plano à direita que pO<k ,er, 1suali7.ada como wna pes- Pode -er que o .....:icnte .i.;, ,fo,tor,.i, ma, a idcnlidade '1u1n- na
soa espiando. olhando, comcn,ando COMO espectador passivo não pode ser negada e 1111põe-se ao paciente pela, caractcri,li-
cas d. estimulo. Se a mgústra prO\-ocada pela prancha é inten-
ou que pode também ser vista como uma sombra. uma es;;itua
ou uma cortina.)
s:a. swgem bloqueios ou rranc:i rcs1stênc1J a fazer o que o p,i-
cól<>".;o sol cita. Por isso. a ,·isualízaçào de figuras humanas no
'.!. O T.A. T. põe a enfase na sequência temporal do drama:
TA T não <"onstiiui um índice de saúde, como ocorre nos outros
o que vem :mte,. agora e depo1.s. de uma fonna que "ú<lcriamos
teste,.. ,\o o,111rano. ,o:r anunab ou obJ~tos on& outros ,êern
qualtficar de balanceada.
pes.'iCi-, constilui um índice de séria patologia
O Ror.,chach não pcd.! uma hll.tória nem cxplora a hi,10-
O Ror<chach 114, p0uco ~ugcrc d1rctam.:n1c fi..;uras hu-
ricídadc do pcrccplo do pl!Cicnlc. ~â centrado no aqui e agora
mai.3.,. O pacieme pu,k pwJet:i-Ia, e. ,.: v cuns..:gue rom~-sc
da percepção. 1,-io como indicador diagnOsuco e prognóstico s1g. f1cati,o.
O T.R.0. e~lora a seqüência temporal do drama associa- confoM1c as características que o pac1e111e atnbua à., figuras
do a percepção. mas da ênfase especi.il ao presem.e, sobre o que ,ê. o lugar onde as localize. etc. (Por exemplo na pran-
qu... pede ao paciente que entre mais em detalhe. cha - chamada -da mãe··, a·guns ,êcm: ~duas mulheres dln-
3. O T.A.T. ,ugere um alto grau de mO\lmcnto humano ç;111d,;·, outros ..cachorros e coelhinhos... outros ..nuvens de
(Por e,emplo, na prancha 17 RH é muito improvável que opa- 1empe,1ad.!- -pedaço, de pedra... etc.)
ciente não wja o homt:m subindo ou de:scendo pela coraa ou O T. R.O. apresem.. pranchas onde é mui lo fácil , 1sualizar
descansando antes de continuar. Qualquer uma destas \-ana- fígur.is humana, (3 C3 por exemplo/, outnh onde é pro,a,cl
ções implica mO\"Ímento humano.) que seJam , isualizad~ mas que permllem \'3.nante>- (A 1) e
O Rorschach apresenta manchas que não ,ugerem e,pli- ,utras. fina mente. que admnem a poss1b1hdade de ,er figuras
citamente nenhum IDO\ 1meruo humano. mas permitem proje- hum.Jnas. animais ou seres manim~dos com a mesma facrb-
tá-lo. De,. ido i1 d=truturação d.'1.', prancha~ poclc aparecer mo- ,1-tdc . Assim ocorre com a \G em que alguns , êem: 'algu-
vir'lcnto humano, animal ou mo-, imcnto de s.:res inanimados. ma:, p,:s:,oa:, no ccrnih:rio.., outros. -pinguins na neve . e
Dai a enorme iriportância da aparição de movimento humano ( \1) outro,. "é uma ternpc,tadc de nc,,: com muito ven10" 1 Isto
no teste. ao qual Rorschach atribui um especial vai~ diagnôs- é. este teste pertL1te diferente, grau, d.! humamzaçào e de5U-
tico e prognóstico mamzaçào da proJeção. da mesma maneira que o R1..,r,cha,h .
124 O :"'1e de relaçõet objetais dt Htrl>m PMl/ipsa, _ _ _ _ _ _ 125

5. O T.A T uliliza. na maioria das pranchas.. um estimulo 7. O TA T é, predominantemente. um leste de conteúdo.


francamente ei."truturado. facilitando assim a d.:scriçào e a in- lntere~ mai, o drama do que a própria percepção.
celcc1ualização como defesa. Algumas (a 16. por~emplo) deter- O Rorschach é um te<le de forma. O que dcrcnnina a pro-
minam que o psicólogo seja vivido como um agressor. o que Jec;ào do paciente é o 1ntet)ogo de fatores formai,. "Ião l,é fala
e,;põe o paciente a uma situação ah:uneme persecut6na. dadas aqw de texto e contexto. O caráter banal das respostas é deter-
as caracterisncas da prancha mos1rada. mmado com base na maioria e:.'"tatisllca.
O Ron-chach uliliza um e~timulo não Cl>truturado mas fa- O T.RO. é um teste de conteúdo e de forma. Ka interpre-
cilmente e,1rumr.i\el pela maioria dos su;t!ilO,. Foi i,to que
tação do material, Phillipson incluiu diferentes critérios, dando
impor1áncia a ambas as \"ariávds.
kvou o autor a M:lccionar essa, dez manchas entre milharc-. e
8. O T.A.T. é wn ~'te dramãttco O Ror..cbach é um teste
a optar por fazê-las simétricas. Pennite. portanto. que o pacien-
dmãm,co. O T.R.O. ê dram:i1ico e dinãmico.
te ponha em jo<JO outr-Js <kfcsas. e se aparecem as rneocionJ-
9. O T.A."f. recolhe a prOJeçàO attavés da fantasia aciona-
das no caso do T.A.T.. sua sigruficati-idade será muito maior.
da pelas insrruções. que pedem ao sujeno que diga o que acon-
'so "I.R.0.• o esumulo apresenta um grau de estruturação
teceu ames. o que está acontecendo e o que acontecerá depois..
mtem1ediãrio. São pranchas menos esrruturada.~que asdo T.A.T. O Rorschach recolhe a projeção através da percepção. e
e mais do que as do Ron.chach. O te..tt: cou.~ta de trê, s.:ne-. de por isso solicita ao paciente que diga o que vê. Podem surgir
diforcntes graus de estruturação. o que permite aprcci3r a rea- a,..ociaçõcs li\"rcS com dramatiau;:õc, reais ou fanla.-iadas.
ção do sujeito ante ""tas mudanças.. dentro do m.:smo teste A 11l3S trata-se de lenõmell<>!; especiais.
,-ariável particularmente importante neste sentido é a de Con- O T.R.0. recolhe a proJeção atro-..és de ambos os compor-
teúdo de Realidade. que varia fundamentalmente de uma serie tamentos. É tão stgnif1can\O o que o paciente vê como o tipo
p:1ra outra. de história que elaborn ao dar historic1d.ide à percepção e
6. Entre os testes compamdos. o T.A.T. é o de menor satu- conectar os diferentes elementos percebidos.
ração projen~a. Dá lugar ao uso freqüente de hr.:,tória.<;-<:hchê. 1O 'lu T A.T a influência cultural é importante porque
Histórias toialmente inusitada, ,upõem. portanto. uma grande
dislorçào qu.: IC\a a prc,;umir um alto grau de p:itologia.
cm lo<lo o •= o conteúdo de realidade está altamente estru-
turado (inclu.,i\C na.~ roupa, do<, pcl"1>0flagcn:.J. A única exce-
O Rorschach é o leste que possui o maior grau de satura- ção é a pnmeirn prancha da segunda série. É ~idente que se
ção pro;etiva. Os bloqueios que costUmam aparecer provêm do trau de um teste do ano de 1930.
impacto das qualidades formais das manchas (forma. claro- O Rorscbach não acusa um grau tão alto de influéncia do
escuro. cor. simetria. e1c.). A ação do cslimulo é desencadea- cu.rural. mas há algumas respostas que chegaram a ser popula-
dora de qualquer conteúdo. res e que estiveram determinadas pelo cultural como. por aem-
OT.R.O. poSSUI um aho grau de saturação píOJeti,a. Os blo- plo. o -cogumelo atômico" que se =ma ver na prancha 9.
queios s..~ raros. daclo qu.: o paciente pode modificar o estimu- No T.R.O. a incidência cullur,ll é escassa. exceto em duas
lo com maior liberdade qu.: no T.A.T ,cm iomarco1™...:ncia do 1>rancha.'>. a C3 e a CI 2. ('la C3 é comum que :;e ,cja uma sala
grau de enfermidade que uma distorção séria supõe. Podem apa- de Jantar em que se toma o clássicoji,·e o"clocl Leu Ka Cl2.
recer bloqueios ou outros tipos de reações similares aos choques na Inglaterra. é comum \ er-sc uma casa de campo. Em nosso
do Rorschach. pelas caracterí,,'"tlcas formai, das prancha5. meio, a imagem do que é uma casa de campo é diferente. pois
117

aparece mais freqüentemente a rcsposla ··o apa113men1~ de um


O T.R.0. amplia o Rorschach. j:í que d!spõc de fii;,runs
boêmio. o atchê de um pintor, um apartamento COnJug;ido,
hum3113s (não tndiscriminadamente. mas SIDI de modo contro-
uma casa humilde".. Podemos 1ambém mcluir a CG: às ,·czes
lado) para explorar as reações do pacien1e diante de pr:mchas
o paciente elabora uma h1s1óna sobre o encouraçado Potemkin
de um só personagem. de dois. de três e de grupo. Dâ oporro-
que é, na realidade. a temática na qual o autor se baseou para
"idade para avaliar muitos dos cnténos do Rol'liehach no
esta prancha.)
material perceplfio que oferece e perante. além di~so, a exp o-
As figuras huma1135 apresent:idas nas pranchas do TR..O.•
ração dos conteúdo, &., drama que o paciente elaborou
difercnlemente das do T.A.T.. não têm roslo. nem !>C•o. nem
idade, nem mo,;menlos, nem vinculaÇÕ<,-s, i,cm C'.'<prc-.iêes, Em rela.;ào ao primeiro podenamos fazer as ,..;guintes
romparações:
nem tempo. e estão num ccnáno com pouco conteüdo de rea-
lidade. Isto implica a p<issibilidade de projetar o que se refere
ã relação 1ransferencial. E.m,ergem confütos com diferentes
figuras parentais e fraternas. com o grupo de semelhantes, TRO
com situações atuaJ.S. passadas e fururas. atravês de diferentes
tipos de fantasias: arcaicas (na série AI. mais evoluídas (na
série B) e com mais afetos (na série C). equi,-alentes à IC'ltura
(e). claro-escuro (K) e cor (C) do Rorschach . c~poni.'Tll I L.tl'1U ~ - ' (\. . .
IJ de ...i. a, {1~ bamJ&as p!Nà<,
Os estímulos utilialdos pelo T R O apresentam as seguin- ,. ptzx!a e do car.lf':ldo de n,afül:!de.,.
te~ van1agc11:1 'K>bré O\ do T A.T.. - difc:rcrlk> i;,....
t. Utili7.a estimulos ambíguos: os persorugens humanos.
os obJetos e o cluna emocional. O fun~ não aparece ~ o C'1it6Jvidait a rcsp-. m qllO o?'·
C1ffl1t ~ pari< &::,,,..
esnmulo pnmordial. ~o T.A.T. o fundo e usado como esnmu-
lo e é apresentado com bastante detalhes e estruturação._ 1Por
..,.. oo d• .:oo1,,;oo de: mi1-.
fi!'Jl'l< b-.

c1cm:a a:,m o '1llt alGloJria doba dato


com-

exemplo nas pranchas 3. 8 e 15 há objetos que servem dueta- do "'"' .YII<) de cada prma.
mente como estímulos.)
9 n:,,pwa., de ~ dt:a:11< o,, dd.iliJc S< o paocm, "' ~ . " IUÇ<l<> da
2. A manipulação do espaço é diferente: em algumas pran- C001U111 pnod,3. mchndN; dera,, m, sa
ch~ do T R.0. (k,·c-li<! pn:ench<:-lo. , , . _ ..... t.:ríim.:,s - " ...... - -
3 Não mirodw respostas de movimento humano nem de ,111- a~ D?n"l do Rorsdro:!i.
outro 1tpo; se esles aparecem é porque o paciente necessila
colocl-los (em especial. movimento humano e inanimado).
OJ IJ>'IP'llD ddã ou dela h< ,a"(I\ OTR.O aào e adcqudo p;n """.htt =
""""' dt pcqacnas d:l:,llc<. 111.l< podmt
4. Não b.á traÇOS culrurais. >l'L"'" ,crie, li e eimpo..,n
113>
Qaold, pa<Í<a!e
O
c:s;,.:aain....._
li<lCO doe<i-
5. O conteúdo agressivo é menor e. portanto. dá lugar a DJ da pnn:m, é 1*J
"11 lo e 1.<ili,.1 o,
uma maior labilidade tranSferencial. colnar<m IIIZ!tla.! 1111D cuodiudoscrm-.
6 Introduz a utilização da tc,tura, da cor em duas moda- que t,, &me oo,no J<bo dÍUI< do cbft,.
lidade,; (intru~i'"a e dii'w;a) e das gradações do preto (branco. <INllou ar.« A,,~CJcCI à,
as\JI;! mmmr ~ ~ ~ ~uClti.."i:a.
cinza e preto).
Em r=l t J'G'Jlósi<o.
O /e,~ de ~ objetai< d,, H...-hert Ph1/11p<(Jlf 129

l/1.0.
Rondwdt TR.O.

O TR. O n!o . .dequado par.! :,preci.lf a


"e A.! m!)(>!U< de coo:túdo ar.,m.,l e de t at,s..,lo.t,a,ente ..,,..,11111 lljllm'm<m e.
ttaç,\c do p,1tl<l!lt d-= Jo, °""~
branco e ll<ffl ;,m da:,hs wa W!'Jl•ío:•
(CI
dctiJJ1< D\1112! ffll ~ "'JIÕ<m ""'3 COOIUl pcn.:rcn-a
p:.I.~~

do d<o<n:iro&l '(lo or--::zue. aa .lgu:,:» ObjNo-.s Rcb.;.- oom o -Cor.indo d< r.2.ld>-
_ . . . . é(IIIIO . . nG CIII qo,: o cooln>-
dt" do T.R.O.
"' de lnnoo t f~!l> , l'.ll!\1:SZ,. "'l,'.b-
n,uMc Jlgu,rm "'I" 'li< ~ mno f"""
c,ccm;= -E,aú a pl.•.i.fomua ,mac,.
açãod,:~111· (úaoja ~,,._.,,,, "1"3qlci) '2 Fog,.,. ""su< ttc C , ~ mn o -e°"""" d< rab-
BG e• 83 m.:otbem-iC'.h \t..•,,c-n~ .w.,· do l.R.O. ~• pr;u,,;lra C2 c,p,:,a e
a o ~ por sw.a;,ar<nl<S ,"lOO<lê'>- ~ · • a ,ctu,.i,, «-s.mp,e- por.....,
aa., a,adtb '1l'tllP.lfl'd oq.,: "'' R.,..
i;hxh dwna:ws -cn11.2 de ot,.,,,s··
do \crmc: fltx t"1 rrc e, '1IJt m \ ~ ar-
!CJIGI e marrom. e p.:ar ~ reco'bcst-~
IIJlb lllb-~ i filmç3. su,a1. ac.

e. combiu;ile< ~ d < C<Jr per.,. (-Ol'l't1..JC':on.,·"c! com n:r e imznin.1~ is


,.i:nbul.l.l.i eom «nc,..,,.., fomwst wrcs ,b T.R O
~ssim como o Rorschach. o LR.O. tem uma seqüência
1.: e c~iies ltt<f"'!US d< cb:t><s- Com-la.:ionJ·St com ,u e 1s::rp11:"a: o ,slabelecid3 por seu autor para a apr~entação das prancha;, A
'>i,aJo ~ el<maoos
a;ru puro • "" ,~Jro. ,'!'dem é arbitrária. mas as alterações da seqüência. além de
ÍYl'!DISI ,·omplicarcm a tarefa de interpretação do material. porqu.: a
l'l:ldem"""""' oo T.R.O.. m.is opa....., produção assim obtida não pode set" comparada com os -cli-
de\,: mr;,ô-las do """"° imt, qu<
~ c.<iicn:.-.:~ do'i ...T.. M ~
:w, chês' • cri3111 interferéoc1as na relação tran.,fcrencial com o
paciente que. mconsc1eruemente, percebe a ans,cdalk, a contra-
wi., car.un. r m ~ a;,Zltt\.'tt com R-
ncdade, o temor. etc .. que o p,icólogo transmite de maneira
nor r,,,qü<ncu. .li qu,: º """"""""
ill
ffMt t q,a« CICO!mL N a ~ '1G
'
,crbal ou pré-~erbal. Uma ,ez e,,tabclccidos os padrões in-
poder,~
Clll1Dlalldo-
'"'li'= coar -pi~ tcri001vidU-1S, ou :;..1ja. uma ve/ padronizado o teste. a scqúên-
c1a deve ser respeitada. para que a comparJçào da produção do
F. F•e F ...,,,,,- 'º""' .., ROl'Jdach e ufcrm<- paciente com as do resto ela população ,cja válida. Isto ocorre
mtllll:Jo TAT, o po,.-- Ó<'<' ttnpó-!as. também com o C A.T.. mas não com o T.A T. . cujo amor acei-
E.m _,... Je,..~,;ÕCS l<"'l<At:Jr<:I< 00 ...,.,. 1.1 n seleção de pranchas e a escolha da seqüência. de acordo
atim5 t do çx ,é. pode ser aç,r.x:rndo ;m
c,,m o critêrio do psicólogo em cada caso.
º'"'' d< pm:i....o fon- '"""' """*' Outro elelll<!nlo oomum entre o Rorscbach e o T.R.0. e a
,um.. de regis1rodo material e os passos na aplicação do teste.
H < Hd C1t-.po,&a1 de c-io !umoo < (01TW<1om-sc como"'eoo TR O cio· 1'1111, ')SOII tamb.:m coo.sidera importmlc registrar toda a pro-
d<d.....,lum:io) m,mc,< de• M:mo milillllO•.
dução ~crbal e pré-verbal do paciente, seus tempos de rem;iio
O te.te de rrl(IÇÍid ubje:.m de H.rl>en 1'1111/ips,,11 _ _ 131
/3D

em cada prancha. etc. Depois da pnmeira mosrra das pranchas. valor aos três componentes da seqüência temporal. Phtlltpson
realua. como no Ror.;chach. um mterrogatóno para completar. pede pan. o pacicnlc o seguinte: -rm pnmeiro lug;ir de-.erá
especiiicar ou elucidar o que o paciente dei.'COU incompleto. di7.er como imagina que esta siruação surgiu (isto pode ser
ambíguo. confu..so ou comraditório. Por último. Phillipson tam- feito cm .:ma ou dll35 frases). Depois imagine o qu.: eslá acon-
bém mclui um exame de hmices. parJ caso,, em que o pacien- tecendo na siruação e conte-me com mais detalhes. Por úlnmo.
te não levou em conta algumas das ,ariá,c,, dos cnterios de i~me o que acontcccr.i depois ou como tenruna ( isto tam-
:merpreução. ou o tenha feito. mas de uma fom1n musitada bém pode ser feito com uma ou duas frases):· Por seu lado.
(por e.xemplo: não wr ..:n...,, human~ cm alguma., pranchas. Murrdy solicita: "Vou mostrar-lhe uma sêne d.: fi!$uras. \"ocê
não incluir a cor para nada , bloqueio. diame de detcrmmadli tem que me fazer um relato sobre cada uma delas. Tem que me
pranchas. que não cede no interrogatóno. au..<éncia de inclusão dizer qual é a Situação quc a prancha mostra, que acontecimen-
do passado. pc~~ntc e futuro. ausência de confltto ou di: solu- tos" prO\ocaram e qual será o resultado da mesma. descíl!\cn-
ções do conflito. etc.). do ".' sentimentos e pensamentos dos personagen,,, Go:.tana
1::'.m termos gerai'-. podemos dizer que um Ror,,ch;ich é in- que inventasse um argumento. não uma h1,tória literária mui lo
substitlll'l-el quando S<! dcse;a um diagnóstico preciso da estru· trabalhada. Quero escrever o que ,ocê c'<prc=. se possível ao
tun1 ~ubjncente do caso. ~'<.)tn po,s1bilidades de c,labclecer um pé da letra. Por isso peço qm: não s.; aprc:.sc"
cfugnó<1ico diferencial e de traduzir estes conceitos em for-
mulas e números. Um PhilhJ™)<I é unprescindhel para explo-
rar a dinâmica do mundo interno do paciente, a naturc,a de Fundame11tat;ÕQ teórica do tesre
s.eus re.ac1onamcntos obJetais mcon:..:iL't1Lc:s, a possibilidaõc
de modtltcac;ão de ,inculos p3tológicoi:. O!- tl1ft:temes tipos e Esta é uffi3 brc,c síntese do que e:qxie o autor do T.R.O.
ní~e1s de orgamzac;ào d<!, 1nculos e s1:>tema.s defensivO!i diaDlc A lupóte.e ba.,11:a é a ~~1;uinte: a pessoa percebe dinamica-
de tli\ ersas s1ruaçõcs (tn:, séries com um. doi,. rtês e vários mente o mundo que a rodeia. Esta percepção é coerente com
personagens1 ,ua forma de se conduzir em qualquer situação humana que
Phillip,on incluiu. as,im oomo \1urrQ}. uma pranc'1a em ~nmte Portanto, em qualquer tipo de interação cow seu
branco. mas C518 mclu.são rem CM'dClcristJcas diferentes no T. R.O. meio (diante de uma prancha de TA.T.. Ro™=hach ou TR.O.)
Ocupa o último lugar na seqüência e. por esta razão. e~plo-a refleur.í também os pnx:c,,os dinâmicos atra\'és dos qua1, ex-
as faniasias de doença e cura. os recursos com que o paciente pre,,,a e regula a:, forças conscientes e inconscientes que ope-
c,.,nta para fantasiá-la, e os possibilidade, de realizar o qnc iom em ,c,a interação com a situação.
fantasia. Deste modo, perrmte. JUDIO com as outraS. recolher H. Phillipson utilizou. para fundamentar seu teste. a teoria
mais material sobre a relação traDSfercnc;al. Por esse motno. klc ona e faimania,a das relações 0~1eta1s. A pessoa se con-
\1urra\' inclum-a e decidiu colocã-la no meio da segundJ duz com outra de acordo com uma longa aprendizagem. pro-
série. Philhr,,on. cm compcm,ação. colocou-a no 1irul, para duto da, relaçõ.:, com seu, objetos mais arcaicos (os pais). de
explorar como o paciente se de.i,cde do teste e do psicólogo. quem depende pam a sati,;fação de suas neeessidad!s pnmá-
O T A.T e o T.R.0. têm íru,truções s,'lllelbanle!i-. .:mborn rias. Eluste um alto grau de iwmorfismo entre a fonna como
Ph11l1pson enfuti,,,: o presente, enquanto \1ur~ dá o mesmo se realizam as relaçõe<; objetais cm termos de pessoas e a forma
13!- - - - - - Opron'SSOpsirodiognomcoi'a, téCN;('Qj p,.,"etÍ\'tt<
- /JJ

como se e,cpressa a interação com d, rerentes elementos de seu


O ~ncanunhamento do paciente ao psicólogo reanva a situação
mw1do tperceber. aprender. trabalhar. etc.). O modo de se rela-
cdip1.1na: :!) comc1dência de situações-estimulo com situações
cionar com pessoas e coisas e a maneira de perceber re,spon-
de relação de obJcto mcon,cicntc: situações objetais da pran-
dem a uma tentati,-J de.: conc,har dois sistemas de objetos
cha com a relação transferenc1al: 3) presença ou au.sênCJa de
mwto amplos e. cm diferentes graus.. superpostos:
obJctos do n:ie~o fisico (conteúdo d.: n..ilidadc) que podem entrar
1J Forma~ inconscientes reprimidas de !>C relacionar que
cm ~ontradiçao ou não com seu, aspectos inconscientes. e 4)
foram fantasiadas como maneiras gratificantes ou de ataque
o chma cmoc1onal pro1 ocado 1>elo T R O , surgido do uso da
l{\CJndo o tndl\'iduo era fru,-;rado além de seu grau de tolcrân-
cur do claro-escuro e do ttDZa e,fum~o. que detenrunam
c,a po,._,i,el nos primeiros anos. Fs1as relações inconscientes e
,hfon."ntcs senumentos: afeto. ódio, proteção. tensão. etc
conllnuais permanecem continuamente ativas e procuraado
Por isso, o T.R.O. unliza:
reiaolver-se em comportamentos 1rrnc1onais ou infanti,, in-
compati\eis com as relações sociais.
"1 Situações de relações obJelllls de 1. 2. 3 e \'á~ prno
:!) A experiência de relações mais conscientes acumuladlS
nagen-. (grupo). como _matrizes nas quai, se realizaram as apren-
depois de um longo penodo. durante o qual 3l, repettdas prova.,, J'..'..g~11~ ~ rclaç-õcs mte~:us e que :,.'lo o núcko de rcla-
çoc,.. obJeta1s no presente.
de sua con,i,tênc1a e validade têm como rewltndo uma conso--
lidaçã.-i dos padrões de interação e do~ valores l.tg;idos a eles ,.,_Quantidade ,ariável de conteúdo de fl.-alidadc auavés
de di-1,nto, obJetos do mundo tisico.
As tentanvas de conciliar ambos os sistemas detCTI"linam
o comportamento típico Quando as formas inconscie11tes de ,·) Qua_ntidade variável de clima emocional que.: evocam
se relacionar se sati~ía;,em no presente. delcriora-...: a q..alida- J 1ferentes 1,po, e níveis de sentimento. Isto permite explorar
de da relação: p,:rder:i llexibiltdade. haverá menos intercâm- wmbem o duna cmOCJonal na relação tranSferencial.
bio (o dar e re,:eber). confundir-se-á o outro com partes do
próprio ,e(J. emergirá a percepção errünea. incompleta. perifé- De\criçiio do matl'rial
rica. c.:níat12.1I-se-.i o ódio e. ao m1.-smo tempo. o medo <bs con- O te:.te consta de treze prancha.,. t ~ i,,.'ril:l> de quatro pran-
seqüências. O produto é algo mai~ , lógico. mal balanceado. que <has cada uma e uma prancha em branco Em cada série hã
requer muito esforço para manter o equilíbrio. um.1 pmncha com um personagem. com doí~. três e finalmcn-
Os fatores que determinam a medida na qual a, forças lL" con um grupo de pessoas de quantidade nem sempre deter-
mconsc1ente, atuam -,ão: 111111.tdl cl..ramente (seis na BG e na AG e um grupo 1mpreci-
a) Vo indil'iduo: Pressão e força com qu.: sua., relações de ,.o na C"G Dadas suas diferentes tonalidades, predomínio do
obJcto inconscientes dominantes buscam gra1.Jfica~-ão. cm equi- 1111..1 esfumaçado na série A. do cont:ra,;te de elaro-e,curo na
líbrio com a ex-tensão e flexibilidade das fonnas concretamen- B e da cor"" C ). cada série disnngue-se da.~ dcmai, pelos di-
te fundamentadas da interação com as pessoas. equilíbrio do ' crslh gr-.w!> de estruturação do amb1eme tisico e pelo clima
qual o mdividuo di:,--porá cm uma determtoada situação. nwcinnal que de-sperta. Estas pranchas operwn como cstimu·
b) ,\'o marco amhienJai. 1) A medida em que a ~iiuaçào
1, que tendem a evocar relações in1erpessoaJj altamente 1:00-
total. incluindo sua história. comcide. de modo dinâmico. com 111,·. a,. ma., não as sugerem como ocorre no T.A.T
a situação de relação de obJeto de uma fan1asia mco~-..c1ente.
~rie A; O mundo humano é vago. apenas delineado. 0
em algum ou em ambos os aspectos fru~tnr-tes ou evocativos.
imt, reado e claro e o ambiente que mostra carece de &::taPics.
O ~e de n,laçi;o obferaís d~ Htrl>en Phillipson _ _ _ _ _ _:.;
13;.:...
5

Podcriamos comparar cSla sl-rie com a prancha 7 do Rorschach. te desta primeira prancha d;:..em ser relacionadas justamente
faplora as primeiras relações de objetos de dependência e sua com tlldO o que mobiliza a situação de teste (se é o pnmciro
relaçjo com o contato fisico e :,cnsitho. A, pranchas wgcrem da bateria) ou. pelo menos, com o temor ante o desconhecido
pouco e deixam a imaginação do paciente muito mais liberada. (a primeira pranchai. Em ~·o dos casos ,·i,wlia-..e aqui uma
Série 8. Apresenta o contraste de branco e pn:lo e os ma- figura masculina. Com menor freqüência. uma segunda figu-
ti?es de cinia. Os traços são dcfímdos. Em sua grande maio- ra. que pode ser vista como feminina. uuhzando-sc. para loca-
ria. os elementO!> dc,.ta l><!nC e,tào perfe,tamcotc dehneados. lizá la. os traços cinza-escuros da zona inforior d3 pranch:i.
os objetos mostram uma estrutura ddinich no que se refere ao Esta prancha (e em maior medida a branca, sem e.,clwr as de-
cooteudo de re:lhdade; i:.-io faz com que o paciente t1.-nha pouca nu1s) dá-nos elementos par.i in\.:st,gar como o pacicnt~ v,,e
liberdade para interpretar a prancha. O sombre3do é muito se- a situação de e,camc pstcológico e qual o tipo de relação trans-
mclhant.: ao preto-<:IIWI dls pranchas mais escwas do Rocschach, ferencial predominante que c:;ubeleceu com o phlCólogo.
mas sem sua profundidade nem difusão. E,ta série enfati7.a o Sua temitica responde a e,:te começo: '·Se estou diante de
clima de ameaça e indiferença. algo 00\0 que me detxa ansio>O cu .. :·
Série C O mundo hwnano apresentado nesu série é mais
reali!Ja. o ambiente mai, rico de detalhes e a aprcseniação me- Proncha A2 f 1)
nos definida do que na s.:ric B. porér, mai, do que na ·\. A cor Não se trata ma1s de uma situação no,11 porque é a segun-
é utilizada com duas modalidades: intrusão (o globo ~cnnelho da prancha e pertence à mesma série A. mantendo-se o cinza
da C3) ou esfumaçado para redunr o dc~fio emocional que a ~fuma,;ado um pouco mais pronunciado do que na prancha A 1.
,ua indusão impti~ Fm geral "" core<: dé.c:ta s.!rie sugerem: A novidade de,ta prancha esm 1\3 aprest.-nw,;ão de dois penso•
calor (vermelho), indifon..-nça lésverd.:ado). temor ou trritaçào oagens. isto é. do par. Geralmente ,ê-se a figura da esquerda
(vermelho), doença (azul). dano ou animJção (em nosso meio ,orno feminina c a da direita como masculina. E~ta prancha
a prancha C2 apresenta uma tonalidade marrom em lugar do c'1irnula a proJeçào da imagem interna de um par (amoroso.
,ermelho e~fumaçado original podendo surgir. então. associa- fratcm3l lilial. amistoso. etc .. sendo mais freqüente a primeira 1.
ções com senlim,.-nto~ diante da ,uJetra). O branco das pran- urudo em um determinado vinculo (namora~ con~ersando.
chas CG (que é mais marcado nas pranchas inglesas do que di,cuundo, amando-se. brigando. andando. etc. 1. O lc,.c som-
nas nossas) aumenta a tensão e os sentimentos agre,,,ivos que breado que aparece acima no centro estimula a projeção de um
a prancha píO\·oca entre o mdtviduo e o grupo.
ambiente no qual está coloc.ado o par e pode servir também
para a elaboração de situações futuras (o par aparece fazendo
prOJetOS). O paciente pode tomar ma10r ou menor di,tància diante
Análise e descrição de cada prancha da problemànca que a prancha e.;timula. Às ,ezes ele se inclui.
d12endo que um dos dois p<!rsooag.:ns é ele. o que supõe uma
PrunrlwAJ (/) perda de distância cm relação ao e,,,únulo. Outras ve7.es ele se
Propõe wna situação 00\ a. O paciente ID05tra·OOS oomo exclw do par visualizado e relata-nos a história de um par ante
reage ao enfrentá-la As J><.'TIUrbaçôcs inferidas da produção dtan- n qual ....: sente como espectador Se a d~~tânch é e.1tcess~-a.. pode
JJi
J.J6 O ,.,~ de r,,!açêe< objerms de Herbm Pl11//1pson - - - -- -~ ;..;_

três perronag= (83 e A3) podemos ver que o marco é mais


le,.,ar a uma his1óna simples, roda signific;itiva. pobre. Se a
acolhedor de- ido ao conteúdo de realidade e ao calor que o
di.tãncia é maJS saudável. o paci1.-"0tc poderá elaborar uma hi,-
vermelho difuso sugere. Por outro lado, mobiliza afetivamen-
tórfa rica. sem confundir-se com um dos personagen, m,T'l
te o paciente muito mais do que ai; outras. pela presença da cor
afastar-se dema.,iadamente deles. e assim a projeção funciona-
cm geral. e pelo globo vermelho em particular, que opero como
rá mais hvrellll.'tltc. Diremo:;. entlo. que se identifica com ambos
um , crdade,ro desafio. Ê muito interessante co,npill1ll" a histó-
os pen.onagcru.. projetando diferentes asp,:ctos de si mesmo.
ria anterior com esta. sobretudo quando o paciente incluiu o
A medidJ_cm que o pac1cnte se mel ui na hi~1õria pode ser
terceiro pen,onagem na prancha de dois. O wnnclho d.!sta
claramente mfcnd3 de suas verbali~ões. Assim. pode diur-
nos: ""esle ~nu cu com minha noiva··. ou '"Um ca1,3J de namora- prancha. comparado com o d:l prancha 2 do Ror.;chach. é menos
dos _que está passeando"'. ou ""aqui vejo um casal; ,ejo-os \'IOlento. por ocupar uma área menor e apan.--cer dentro d,; um
caminhando e me pan:cc que a mulher quer se aproximar cari- contexto mais amplo: contudo, i:,to não impede que sejam uli-
~hosamente do homem-. "le~te último exemplo o paciente se h7.ados critérios de interprel.llç-:io próximos. O:; mdÍ\.1duos emo-
inclui_ como um espectador que relata o que o par fa,, Ou1ra cio .almentc penurb.ldos n.'io incluir.1o a cor. mas talvez sua
maneira de se mcluir seria no nh·el perceptual; nesse caso. o fo=a de .isualizar e o conteúdo da hi:-tória. umdos às suas
paciente vê~ par e acre,ccnt.i um terceiro personagem, que. r~;i,õel. ,crba,,,_ 111fom1ar-nos-.lo sobre a maneira como tratou
ge~dlmen~e. e uma criança colocada entre as duas figuras, em- esse aspecto do estimulo: pode-se registrar um tempo de re:i-
baixo \eJamos um exemplo: ··j.;_ um casal. parece ba,er uma ç..c. pro oogado ou pro<luzir-sc urna longa paus;i mais adian1c
crianÇa no meio. pode ser o filho.- De uma forma ou de outra Pode ser que o sujei10 comece a ,erbalizar sua surpresa (""não
aparecem proJetados cenos aspecto:, infantis do paciente que ,m..gma, a isto. o que pode bCr'T") ou seu franco desagrado (..!>C
o ,ml?C&:m de , er o par urudo. ,do fosse por esse ,·ermelho aqui eu diria que...-; "o qut' não
E nnportante considerar também o Ul><> do conteúdo de entendo e para que ~"te vermelho aqui ..-).
realidade qu.: o paciente faz nesta prancha. o continemc que Esta última conduta é semelhante ao que. no Rorscbach.
procura para c:-tc par. estão fora ou dentro. cm wn ambiente é oenormnado "criuca de objeto". Alguns pacient~ reparam
com caracteristicas realistas ou fanmsm.uica, etc.• o que nos pcr- mais no conteúdo de! realidade do que no conte'ltO de re,llida-
rrute infenr como o paciente se estrutura e se inclui no e:."))aço. dc e exclamam· "&ta é ma,s tàc1I!" porque podem ap,:lar para
delesas como a de,;crição. com que e\'itarn encanr o contexto
Pra11clia CJ (3) ue .-eahdade ou fazem-no ~ depois de terem levado um tempo
l"".i incorporá-lo e inclui-lo 113 hiqória. Um indi~íduo que
Introduz \".ln05 elt:m.:nto;; 110\0S. Em primeiro lugar. a cor
mdui. sem entraves. a cor. e o faz com êxito. que , 1suahza de
aparece o vermelho mtrusi"o (globo ,ermclho) e difuso; em
1i,nn.1 e, ..-,eta os três personagens. que inclui bem o conteúdo
~gundo lugar aparecem lrel> figuras claramente d.ferenc1adru...
,1.: r.:ahdade e pode cumprir os demais requ,s;tos exphc11ados
por último. o conteúdo de realidade é. pela primeira vez. mai_,
nJs instm.,;õc,. é uma pessoa que possui uma boa adaptação de
pO\"Oado t: mais prcclSO e assmala uma ~1tuação de denll"O ( in-
~cu,. afetos e impulsos ao mundo ex1mio e interno, que tem
terior de uma biblioteca ou sala de janl:lr).
um gra1. adequado de controle racional sobre os mesmo,.: que
Esta prancha mobiliza os sentimentos relacionados com o
11o»ui uma boa capacidade para elaborar a situação triangular.
conflito edipiano. Se a comparamos com as outras pranchas de
138
O Mie dt rei~ ol;eruu dt Herl:'frt Phiil'P"'• _______J-'3-'-9

Pode aparecer a oralidade como vínculo entre os personagens estã presente (al~m que observa a cena. por e~emplol, o po-
l"e»lâo comendo. lomando ch.i ou t'3fe" ... ). O Ollltiz afeti,o do ci.:nte proJetou certos a._spectos mfuntis no personagem mclui-
vinculo pode ser apreciado atra\'és de ourros e-.clarecimentos do entre o par, recorrendo a uma adição perceprual. O perso-
que o pacien1c faz (""di.s.:u1e111. <.:io amigos. um estã doente. o n.1gem situado no primeiro plano pode i,cr, i,ual 17.ado como o
doutoc visita, comcrsarn sobre negócios. os pats estio dindo filho mais , e lho que observa a cena. A inclusão •ntes rccncio-
bronca no filho"'. etc. 1. nada pcnn,te-n()l, pensar que esse paciente ainda utiliza algu-
mas conduta~ par, '4.'lltir-,c ..entre.. papar e mamãe recl.unando
Prun<ha B3 (4)
atenção como quando era bebê. O bebê dim1nuina a cwpa que
Fs1a é a primetra prancha da ,.:rie B que mos1nmos ao poderia ~urgir no ooc1en1e ao atributr a um filho ,nais ,clho a
paciente. O ambiente •orna-se menos acolhedor: o branco. o possibilidade de interceptar as relações entre pai e mãe.
cmza e o pn:to mostram-se com contorno~ n111cbmc111c demar- O impacto desia prim,:ira pranch:i da <;o:ne B na seqüência
cados Em relação à prancha an1erior. o conteúdo de realidade do teste pode ser comparado com o impac.10 produndo pela
diminui notavelmente em quantidade e muda quan10 a quali- rr.mcha 5 do Rol"i,Ch;Jch por wa saturação de preto. Em gcrJI,
dade, toma-se menos detalhado e mais aus1ero. O que -;.: m"1n- a resJ)"Sru do paciente ,ndica-nos sua capacidade para enfren-
têm é a i;ttuaç-Jo triangular. :unda que com uma ,.rriante: agora tar aspectos ,;ombrios. angusiiantcs ou ckcepcion.antes da rnb.
aparece um par claramente umdo e uma 1erceira pessoa afa,- O tipo de , úlculo que é projetado com freqüência nCl>la pr.m-
tada do par. Este pen,onagem pode funcion.:ir dentro da hi,tó- cha e o de olJur e ser olhado. Inclui tambem a conlmpane agres.-
na como 1ercciro cxcluido ou incluído e e,clud,"111C de algum ,;n-a de .:spiar e ser espiado, i0\ad1do ou controlado acravês do
dos membros do par. Quando a an,icdade é muito elevada, olhar. A in\'eja pode aparecer no olhar daquele que se torna o
alguns pacientes tendem a n.:gar o terceiro personagem. ho- tcrcc,ro excluído. Em alguns casos. o paciente se idcnti fica.
mologando esta prancha oom outra Ja conhecida (A2J. e a ela- p;lX!ominantememe. com um dos membros do pa.r e projeta na
borar a hisiôria de um par. O que d.:,eria ,cr um 1crcciro per- terceira fig1rra :l~Jk!clo, ,uperegóicos. Por exemplo, o casal de
sonagem se ~-forma então em urna cortina. uma es1átua, noivos que se despede enquanlo a miic da moça espia, e:u:rcen-
uma sombra. ele. E.ta di,torção pcrceptual obedece a nec.:,,i- J.., fun.;õe:, censoras.
dade de controlar a intensa ansiedade persecutória que mobi-
Prwu l'<J AG (5)
lizaria a mchLsiio. no nh-el perceptual. do h;rceiro personagem
com caracceri:,""ticas humanas (não meras estátuas e sombra,). É , 1crccira prancha da séne A que mostramos ao pacieme.
[m outros casos. a in10Jer.incia à situação de terreiro excluído Estirou a angústia mais atenuada e de tipo predommantemcn-
faz com que o paciente veja tres per,;onagens na 'ígura ccnlral, lc depressi, o. Explora a capacidade do paci.:nh: de tolerar o
oncle. habitualmente. se ,êem dois. lnll..7JJrela enlào uma peque- ,uno mlligido aos obJetOS queridos, aceitar a ansiedade de-
na cun:a no centro não como o ombro da mulher do par, ma.; prcssiv:,.: elaborar pêrdas. Indica-no,. além dtsso. como sente
sim como a cabeça de um filho Hiebê de colo ou filho J:Í maior) e,;..,;as perdas e permite e"tpressar a possibilidade de rearmar-se
colocado entre a mie e o pai. 0c~1c modo. reforindo-se ou não diante dos lutos ruís ou fantasiado:,. incluindo os mi~~h,10,;
ao personagem do pnmeiro plano como alguém que também d, "id:l cotidiana. Se o paciente não pode sentir dcp.1essi1'3men-
1-~0 _ _ _ _ _ Ofl"(X~w psicod,ag,wslico tas ré..-r.icas p.,,,eti,..
_.:_ 141
O tt<te de n>laçõr< MJa:ú> de Her~ PWliJn(III - - - - - - - -

te a situação que a prancha coloca. COSCWl1a surgir como defesa é. h;stória nas qnais rudo está arrumado no começo. mas acaba
a ansiedade confus1onal ou a idealização extrema. que. se não desarrumado. hto e ,mporu.nte como dado pru1,~co e como
funciona. dá lugar à persegmçào e'<trema. As hiSlÕrias não~ in.1 cador sobre a relação transferencial. Esra prancha e, iden-
referem. enlào. a situações d.: penla ou enterros e sim. por exem- cta os conflitos que e:tistem com relação à própria identidade.
plo. a espíritos reunidos no céu ou figuras demonfacas e amea- O quarto é interpretado como <endo. por exemplo. per1enccn-
çarues. Convem anatisar esus defesas dentro de uma constela- 1e a uma casa de família (da própria familia ou de parentes do
ção na qual inteném a culpa deprc&"•ª e 3 culpa pcr,<;ecutó- p,'1",onagem central). a uma pensão. ho<cl, ho,,pttal. etc. O per-
ria Podem apareCl!r bloqueios quando há impossibilidade de sonagem te,e acesso a ele porque é i;cu, alugou-o. empresta-
elaborar esta siruação de perda: em tal caso. comparamos CS!3 ram-no ou ,ai, is,tar outro que oi o dono da casa. etc. Isto é. o
produção com a que se obtem na prancha A3 (8), entre as quatS \ mculo que o paciente estabel~ entre o personagem e o qu:u--
esperamo, achar Wll!l relação dt complcm.:ntaridadc. to t: um indicc que permite avaliar o modo como sente :,U:I pró-
pna identidade. O p.:rsonagem pode ser ,isualizado subindo
Pn.mcha B / (6) o.. descendo a c:;cada. IMo. unido as características que o en-
tre, ,stado ambua ao interior do quarto. fala-nos de como ele
O efeito de claro-escuro desta prancha é compar.he ao da
tàn.a~ia seu pcóprio m1erior. em qu,.: m.:dida se aproum:l (sobe)
prancha 4 do T.R.O. e da 4 e a da 5 do Rorschach. Esta úruca
para conhecer-se melhor e permite ao psicólogo o acesso, ou
figura também é g,.'llllmcn1e, ,suah.z.ada como masculina. Algun.., se afasta (dc:,ce) do mesmo e impede que o psicólogo possa
pacientes incluem uma segunda figura que ..cSJá na C3IIIJI e penetrar Esta atitude de aproximar-se ou afastar-se do ,ntenOf"
não se ~e". É muito 1mpor1anle relacionaras duas pranchas cm do quarto representante do mundo mterno pode ser compara-
que o paciente defrontou-se com a sirunção de sohdão e ver a da com 3 maneira como o paciente dtstnbut o que é perigoso;
história que elaborou antes e a que elabora agora. Ne,1e c9.M> o perigo está dentro e o perwnagem entra: está fora e o perso-
não se traia mais da primeira prancha e. portanto. a a~<;iedade na.:cm ,-a1; esu dentro e o personagem sai ou esu fora e o per-
e as defesas que podem surgir são atribuíveis a componentes ~agem entra. Tudo isto nos permite elaborar um diagnóstico
mJis est.he1s da personalid:Jcle. A inclusão ele um segundo pec- e um prognó,tico sobre as possibilidades com que o paciente
sonagem indica, agora mab claramenle, a ,mpo~ibihdade de conta para ler um inçig/11 de seus conflitos, qual o grau de pen-
e,tar a sós consigo mesmo. pelas collOl3ções persecutórias de g,, que :itribui a este,. que defesas põe em funcioromcnto ante
seu mundo interno. e busca um acompanhante de quem seja a possibilidade de t« um imigh1 e em que medida permitirá ao
dependente. que possa mampular, alimentar, submetc!r. etc. 1..:...ro terapeuta um livre acesso n seu mundo interior. A hi!>tó-
Em geral, a produção diante <ksla prancha é um índioc de como ru qne o pa~nle oferece n~ oportunidade serve também
está vivendo o leste e do seu grau de pl3sticidade. r ,a .:.,piorar suas possibilidades de readaptação. por exem-
Alguns pacientes elaboram uma história em tomo de um plo, quando està p:ira receber alta depois de uma internação.
p,:n.onagem que encontro o quarto desarrumado e arruma-0 ~ o paciente elabora uma lrn,,ória em que o personagem sru e
antes de i.air. Isto pod.:ria ser índice de uma situação de desoc-- conduz adequadamente aquilo que se propõe a fazer (sa,r para
dem interna diante da qual o paciente recorre a defesas obses- lazer comprai.. trabalhar. estud:Jr. li' para casa, etc.). podemo,,
sivas. relanvas a ordem. Também pode acontecer o mverso, isto ~upor que esti em condições de enfrentar a separação da in,-
142 O tesr, de re!oções ocye1ais ~ Ht?rl>el'I Phi!J,pson _ _ _ _ __ 143

tituição que até então cumpnu a,, funç~ de um con1incntc pro- traços de autoridade "la prancha 5 hã seis figuras e. apesar de
tetor. planeJar a maneira como vai cmpn:g-.ir s.:u tempo, ganhar poderem ser agrupadas de acordo com seu tamanho e lorali-
a vida ou. inclusi,c. reintegrar-se às suas t:irefas hab,ru:iis. z:içào. de acordo com as necCl'sidadcs do paciente. a prancha
Esta prancha po.ssibilita. alêm disso. a marufesmção de aspectos cm ~' não esrunuJa a mobiluaçào do vinculo que a prancha 7
exibicionistas e voycunstas. Por c,emplo. ··uma mulher dis- promm.e. A distribuição das figuras no espaço e a pr~nça de
tr.Uda que donmu com a porta ab.:rta e wn homem que passa. cor.:, c listras honzontais. como se fossem degraus. faz oom
corno se fo,.,,.; cntr.ir para dizer-lhe que feche a poru ou w, cz que a prancha CG (7) SCJa muito uni para C'<plorar a reação do
para atacá-la .. (resposta de um adolesct111e à wnà psicóloga). paciente com a automhde externa i.: interna (esta produção
Em geral. coloca uma i.11uaç-jo ma, prlh1m:1 do ego do pooe ser correlacionada com a da prancha 4 do Rorschach).
paciente de-. ido ao aspecto cotidiano do conteúdo de realida- bte aspecto do , inculo é visto através da poss1bihdade de dis-
de e porque coloca uma situação cm um interior. Por isso é crimMar aspectos estruturais miemos (1d. ego e superego) cm
útil. especialmente em casos cm que dC\em ser diagnosticadas luta, negada explicita ou rmphcitamcntc. com 1)0S$1Dilidades
as possibilidade,; de readaptação dt: um paciente a condições de cooc11Jação ou não. d.: aconJo com as caract~-ristica.s psico-
de ,1da ~normal~. :,g1cas do pacicntc. Por e)(e,nplo, uma história em que a figu-
11.a prancha. a cama pode ser visualizada cm desordem ou de cima c -um senhor que desce as escadas para ou, ir o que
arrumada e com algo em cima (wna toalhJ, uma roupa da pes- 11crer, dizer os que estão embat.'<O. qll<! são ,cus emprega-
soa que está ah, etc.). De aconlo com a forma de sua inclusão dos ...' . fala-nos da prOJeçào de ~-cto, ,uperegóicos pouco
pocl.! se'""1r paro projêlar fantasias eróticas, de domça ou de "'""ero;, pcnnissnos. permcáv.:is ás demandas do 1d. \le!,te
sentimentos de abatimento e depressão (..o homem este,e dei- outro caso: ~Os de bano querem subir mas Dão se atre\'em.
tado na cama M ••• ) . Se'""·e também para proJCW alguma., das Qucn:m reclamar de algo para o que e51á em cima. mas nfio se
defesas diante dessas fanta.sias e suas afüÍc<lades cO'lcom'tan- 1mam...". indica-nos a presença de uma forte barreira re-
te,,. tais como a, o~:;,i,-as d~=·cr a cama minuciosamen- pressora, pouco permeá\'el.
te. enfatizando o fato de que está ..feita'" e e,1tando toda alu- ún cena medida, o paciente, no momento de elaborar a
são ã desordem). hi-lóna. esú exercendo as funçÕ<:s 1.-góicas de equilíbrio entre
Quando a repre~são das fantasias e dos desejos sexuais é ,cs dois aspectos estruturais cm luta (ide superego). e a ma-
ll(lr.J como resol\c o conflito colocado na história mostra-nos
muito l>C\ era. o pacienh.: pode evitar cuidadosamente qualquer
referência à cam;i. O quadrado siruado sobre a cômoda é inter- quem triunfa finalmente. nessa luta interna. Em pacientes ()Sl-
ótirn, a dose de agressão mobiliaid3 por esta prancha costu-
pretado. às vezes. como um espelho. e outras. como um quadro.
ma ser muno imensa e dificil de controlar com mecanismos de-
dando lugar à projeção, no primeiro caso. de aspecto, narcisis-
frn,1\'os adequados. Em ni~cl pt.-n:cptual isto se manifesta me-
ta~ do paciente.
drante severas dJStorções e histórias nas quais aparecem perso-
Pror.i:ha CG (7) g.:ns tremendamente cruéi, ('"fatão para executar alguem,
ondenaram-no à forca. n po-.o vocifera "). Em outros casos,
Esta prancha. assim oomo a 5. coloca wna situação grupal. ·orrem à desumanização pam controlar a agressão l"É uma
mas com uma tem;1tica diferente: grupo'""""-' i11di,íduo com rc'de. há planta, embaixo. Por cima da parede aparece pane
U4 _ _ 0pm«Uop~~n,hti<YJ<'áSi•'oti=projeri,,a< Otnlcd< nduçi,aoh?ttii.< tk H,m."Tf Ph,llrpsm _ _ _ _ _ __;_
N.;.:;.5

de uma planm que está do outro lado e cresceu até 3qui. Í· dos, poc seu lado, uolrzam esta prancha para exprecs.,;ar mecani<-
Esta mesma paciente, uma mulher de 25 anos.. respomfou oa mos de reivmdicação no ego diante do superego.
prancha I do Rorschach: ..Uma parede (o branco) com rebo-
que faltando cm algumas panes (o cinza): a parede está racha- Pn111cha A 3 (8)
da. «:!>tá caindo."'
Do ponto de ,'1:>,a adaptativo. e,;ta prancha esumula a pro- Apn:scntam<>l> novamente ao paciente uma prancha da s.:-
jeção de senumemos agressi,os competimos que, em certa ne A. isto é. em cinza-clJ.ro e esfumaçado. Pela primeira vez
medl(la e dentro de um contc~to sarno, de1enmnam a capad- lhe apresentamos a situação triangular à luz de suas ansiedade,,
dade de "determinação", o ni,el de aspirações e o desejo de nuis primitivas ou arcaicas. F.m relação a isw, Phillip<,0n dic
progresso do paciente. Por isso, a história elaborada pelo pa- -A meia distância.. à direita.. duas silhuetas que quase se tocam:
ctentc é muito útil paro diagnosticar su3s po'!S11>ilidadcl, de a da esquerda é Jignr.uncnte mais alm ou está um pouco m3Js
manifl:l>tar suas capacidades pocenciais (funcionais, educacto- adiantada que a outra. Estas figuras e,,'lào rodeadas por um
nais. fumiliares. etc.). O mais comum é ~i<,uafüar "um grupo l<!".-e sombreado que ,-ai ~,cun:a:ndo ap.:na, até u ni,cl dos p~
que pede alguma coisa para um senhor que está em cuna". Se A esquerda da prancha está a terceira figura. le,cmcntc d&Sl3-
o pcr.;onagem acede a essas d.:mandas. pode ser interpretado cada do sombreado. Da direita para a esquerda. em diagonal
como um índice a favor da pos.,,ibilidade de se verificarem mu- o sombreado faz um efeito que, freqüenteme11te. é 1nterprcta-
dançru.. O sentido da mudaru;a estará determinado pelo tipo da oo como um caminho º" um n..-g;ito que ~para o par da tercei-
reivindicação que os de bruxo fazem ao de cima e o que esta ra figura." Quando. mais adiante, Phillipsoo apresenta dados
concessão mplica. A resposta do perso113gcm d.: cnna pode nonnau,os. diz-nos que. dentro de uma amostra de 50 pessoas..
indicar um enfraqueçimemo do supen:go, um ~11mPntn <le ~ IOd.ls ,êem três per.;onage11s (i-lo é, a omis.~ão de um ou mai,
,.:veridade (deslocada pelo ego para ser ,cnuda como uma
personagcnl> é altamente significati',a) e. com relação à iden-
demanda do 1d). ou uma autêntica manifestaçào de permeabi-
tid3de SC"ual dos mesmos. a maioria se inclina para a interpre-
lidade e entendimento de ambas as partes. Quando as histórias
tação de ''!rés homens".
temunam com urna negativa categónca às demandas expres-
Em no,sa amo,tra. o tema que aparece C()M maiur fre-
sas pelos de baixo. podemos pensar que existe uma resistência
muito acentuada à mudança e um desejo de rnanlCI' o sraf!Lf qüência é o da separdçào em relação aos pais. \/esta prancha
quo atual. cujo signrficado real depcnd,m\ da narureza do não há ~lichde suficiente para fornecer um bom suporte p3111
pedido e do alcance da negam-a do outro personagem. a cena. O personagem que aparece separado dos outros dois é
H.i casos em que se vi1.-ualiu "uma piscllla de natação. freqiientcmente interpretado como repn:<.-ndido. d~~prezado.
, êem-se as raias e geme na margem gritando: o nadador está ignorndo, criticado. abandonado. etc. pelos outros, sentidos
disputando uma c001pciii;ão .:· ou '"as raias de uma quadrn de es- como rasa i paterno e como autondade. Esta prancha sene
portes onde se disputa um campeonato, as pessoos gritam entu- também paro que o paciente consiga resoher. ele uma forma ou
siasmadas...-. Ol> pacientes psicóticos mOSlram serias dil,lon;,ões de outro, o conílito com a autoridade qw não se resolveu na
e incluem elementos bizarros unto nesta prancha como na AG
(dt: acordo com as amosuas realizadas); por isso. estas pranchas 1. Pbiltip:,oo. H.. Test tk relacwoc, obJwes. Bucnas Am,s. P:mkis..
são chaves para fazer um diagneb""tico Os pacientes 111::us adapla- 1965. pp. 33 e 9:!.
/.16 ,.r
prancha 7 (CG). P.:nnih:-nos. também. a,aliaT eomo o paci<.'11- com que alguns pacientes mterprctem mais dc1id1mcntc ~ por-
te manipula a culpa ( culpa por se separar dos paIB, por atara- ções brancas. sobretudo a franja oblíqua que. às ,,:zes. é vista
los na fantasia. c1c. ). Quando a alusão à prnla dos pais (direa como a plataforma de uma e,,1ação A:, arcadas induzem histó-
ou deslocada para outras pessoas) não aparece na prancha 5. rias em tomo do tema de uma ,·isita a ruínas, museus. etc.
costuma op.1recer oqw. Outros optam por referir-se aos elcmrntos do ceoario de uma
ps>Ça de teatro representada ou a ser representada. Em geral
Prw" /,a B2 /9) c,-ias são as interprelaçõcs mais frequentes do conieudo de
!\esta prancha há auséncrn total do branco. \tostra um p0r realidade desta prancb;i.
em um ambiente c,terior, que é geralmente interpretado co no Do ponto de \IMa ~ quanudade de ptrsonagen, aparece
,.:mio uma pniça Podl' mobilinr hi,ti>ri:t, de tk:,pr,,«cçiio do owra vez a referência ao grupo, oostante scmclhant.: ao da pran-
par diante das circunstâncias externa, de perigo. privações, etc .• ch.;. CG (7). Lm do,, 111d1, idll()l; aparece clammente difer.:ncia-
dc, em relação ao re,to. ma, ,~m a conotação de autoridade
ou d~ e~clusio de todo confono. proteção. resguardo. amp;iro.
etc. As ,ezcs. isto é compensado com fantasias gratificantes que a lo.:ali,ação c,,pacia· mduz na CG: nesta prancha. a figu-
1h1stonas de c.Lsais que amdJ não se casaram e \vllh.:...., em ter ra ...:parada CNá no mesmo nÍ\'CI que as restantes. Geralmente.
a casa própna e fazem pbno,-. para o futuro). :\e,,.te sentido. a a, r:1gura5 sao - .
, 1sualizadas como ma.sculma5 (adultos e crian-
e.isa fundnna coro,, um terce ro que reJC1w. prot.:ge, .unea,a, ça,,. A ~ranclu encara a ,1rua,;ão de solidão diante do grupo,
inclui ou exclui Se é vi, ida como urn inh..'TIOr perigoso. siní,- a aclusao do grupo de aougos.. Explora ,cnttmentos de acet-
tro ou cm ruínas. o par pode aparcc.:r fugmJo c busca.ndo pn>- ta,ão, rcJe1ção ou 1nd1 fcr.:nça que o paci.:nlc projeta no grupo.
teçào fora. Em casos de paciemcs borduline aparecem refc- O personagem e.xcluido pode ser interpretado como isolado
rénc1as a IIITla casa que pode cair a qualquer momento. é ir1c- 11t)r<.-astii;o. pord~jo próprio. pordifcn.'flçasde statu.,. por rejei-
ressante ver se o p;lC1entc sirua a cena durante a noite e a casa ção do grupo em relação a ele ou dele em relação ao grupo.
..parece 1lummada. às es<:ums ou se. pelo conirano, de dia. E.m por não pcrlcncer ao mesmo e nlo cx1sur nenhuma hgação en-
lgun, c:i,o, o claro-e,curo intenso determina o uso de meca- tre eles. etc. As histórias giram em torno do,. scguinics lemas·
nismo, dcfi:nM,O, maníacos q.ic Op<.>ram no ni,el jX'"t"CCpUwl "t.;m pro1es:.or que le\"a ,eus aluno, para visitar ruínas. o pro-
ou da fantasia Um exemplo do primeiro: -Ar.ores m ito , ._.,._ lC$sor é o que está de oo,-ta,. adi:mta-se para explicar-lhes..:·
des. h:i flores na praça, é uma tarde bonita e, no céu_ ,écm-se ou .. "o prof=or e o mais alto do centro (dos ClDCO) e este
..s core:; do entardecer." Um exemplo do segundo: "J\a casa 'lã 411c está sepa"!do é um aluno que se componou mal e fot cas-
uma fe,,.a ..." ou ":,.;a praça tem muita gente e muita agitação, 1t.;3do pc o professor" ... ou "é um aluno que se adiantou para
é um dia dc festa e todo mundo sa,u ..." A inclusão de cores \ cr alguma coisa melhor" .. "e alguém que está pa.,c.ando ca-
,upõe um alto grau de patologia. sualmcme" ... ·é gente que está esperando um trem, não tem
n Ja e!" comum" ... ··são rapue,. que e,ta,am jog;mdo. esle
Pnuwhu BG f !O) pi.,deu (o que e:..tá :.ól e e,tão dil.Clldo que prenda \-ão lhe dar"
!\:- 111,tóna~ rccolh1Ja, na AG, BG. e CG sã.o um bom
Aparecem llO\amente o branco. o c,nz., e o preto com uma huh.:c para c'<llIIlinar a.s possibilidades de inclusão do paciente
proporção de branco mai, d~stacada que nas danais Isto la7 e uma 11.:nipia de grupo. Da mesma forma.. slo 1mporumes
O lõle de rrlUÇM obja,us tk Herbm Pl11/l,p.,;on _ _ _ _ _ _Ic.:4.:...
9
148 - - - - O1wu•,<o p.<tcná,agnâstiro e a, 1,!rnia;., pro)<"fi>as
casa hunulde. o ateliê de um boêmio ou o apanamento, de uma
quando o paciente tem de ingres.'8r em outros upos de grupos
só peça. de \llll3 pessoa ou de uma familia modesta. Só espo-
escolares, profissionais, de trabalho. etc. radi<:ammte encontramos a intetpretaçào de wna casa de campo
que, na amoSlra de PhiUipson. é muito freqüente. A presença
Pnmdw C! (/ 1)
de elemenlos de conteúdo de realidade muilo diversos faz com
Tmta-se de uma prancha de dots per..onagens que permi- que csla prancha ~e pn::,te para projetar an,iédadc,,, a;;pt.-.:10,.
te a omissão de um deles (o que esra na cama). A cam:i e a cor tendénetaS, fantasias.. etc .. de dJ,ersos tipos. Em primeiro plano.
amarela em seus barrotes (qu.: às ,acs são vistos como ,elas) a mesa. a cadeira, e o que há sobre a mesa pennnem extema-
induzem a ptmsar cm ~iluações de morte, doença, ,elhice. Po- Ji;z;u- o que tem relação com a oralidade. A mãquina de cosru-
<l<: apan.-cer também o tema de uma união sexual. O quadrado ra. a torneira e a pia que normalmente são ,isualizadas à direita
que aparece em cima da cômoda tem uma colomção aver:r-,e- d? prancha, assim como o que sugere a tampa de ,-aso sanitá-
lhada na edição inglesa. o que facilita temas ele incêndio, bngas rio à t:sqll<!rda e o tom marrom d~ta âr..-a, pennitt.."lll incluir ou
ou cenas de sangue. 'la edição argentina a coloraç'"..o é mai·- cdatiza, conteúdos anais. É raro que se interprete algum ele-
rom. e por isso obtêm-!.e referência,, a -fumaça que pode vir mento do conteúdo de reahdadc em função de conteúdos geru-
da cozinha-. sujeira e desarrumação (conteúdos ligados â ana- tais, mas, se as ansiedades ligadas a estes conteúdos ocupam o
lidade). Geralmente. a figura que esta em ~ i r o pl:mo é ,ista pnmeiro plano. elas serão sobre-impostas pelo paciente. que
em atitude de entrar no quarto ou olhar para ele É freqikn1c- inrerpn:rará como cama algum:i das formas retangulares que a
men1e v1sUJ.lizada como homem. outras vezes como uma ,clha. prancha aprc:.cn1a. A cor ,crmclha pod<! mobilil.31" conotaçõc,
A outra figura~ ,ista na cama. de dua& ITI3nciras. n, pregas ,c- ai;res.~i\a., ou de calor. Em relação ao conteúdo humano, a
riam a cabeça e o cabdo ou o,, pé, Quando as ansiedades em pr.lllcha apresenta uma figura esboçada atrás da janela. Presta-
torno da perda do objeto l'ão excess,,as. apar<.--:em fenômenos "' a ser interpretada como alguém da casa, um conhecido que
confusionais. O conteúdo da lustóna mdicar:i se o luto se refere chega ou que sai. um estranho que ronda, um ladrão que quer
predommanten1ente ao passado do paciente (luto pc~ obj.:lo& ro bar, etc.
prim.mos I ou a situações presentes e futuras. no !>COUdo de pro- A rdação do personagem com o ambiente (casa. quarto)
Jelos existenciais aos quais renuncia Podem ....:r apreciados. e o papel que &:st.'111pcnha na hi,1ória mo,1ram com clareza o
deSta forma, os sentimenlos de culpa, a, po=b1lidades egói- 4ue o pacicnle supõe que aconleeeu enlrC ele e o psicólogo ao
c~ de reparação JX!IO dano causado aos obJelos amados. a de- longo da aplicação do 1e,1e se o psicólogo é algu&:'Tll ,en1ido
ficiência ou incompletude da elaboração deste processo, com e,, no um aliado colaborador, alguém indiferente com quem
surgll!lento de defesas maníacas. c,1.1 por acaso. um ma-uso que se mete onde não de\ e. se mete
d~'ll.trO dele para fazer-lhe algo CUJO efeito pode aparecer fan-
Prtwc/Ja CJ (} !) ta,,ado como benéfico ou prejudicial. Em csquuóides. com
S\13 habitual valorização do mundo interno. são freqüentes as
.-\ cor apan.-cc >,0b as dua~ formas indicadas na prancha
1. ntasias de roubo ou de ficar vazio. Permi1e. além disso. obser-
C}· a cor intrusi\'a aparece no ,ennelho d.is liSlrilS d~quilo que. , r como se despede do psicólogo e do teste: a figura pode apa-
hab1tulllmente. é interpretado como pano de prato. A cor difusa
n"'-.:r afaMando-se porque não encontrou ningu.:m (no caso
e dada em tonalidades avermelhadas e marrons. O conteúdo JX-n.,aremos que não se sentiu acompanhado e compreendido
de realidade cos.uma ser inlcrprclado ccrio o i'llCrior de uma
_1.;.s_o______ O[»'O«SStJ pg,:odwg,,i,..<tu:v ~ as Iint,ca; pmjemus O 1= de mações nhJetars de llm>ert Phillipw• _ _ _ _ ____:l:.:S.:..1

pelo psicólogo). como o dono da casa que sai porque a soliclio PhiU1pson.. trabalhamos com estes cntenos de inler-prelaçào
d,: sua cnsa o angu,,tia (como angu,tia o pacii.'1lte ficar a w, porque nos parecem adequados. já que se d:'.l tmporlância ao
con.~igo mesmo e com o psicólogo que procura penetrar em pem:ptu.11 e fham-se crito:rios dinãmicos e comp:uhcis com
~u mundo mtemo), como um amigo do dono da casa que vem os objeu,os do teste para o e:,tudo da história.
,i.tjtá-lo (uma expi=<;ão do desejo de estabelecer um bom \lll- O método está em íntima relação com a fundamentação
culo com o psicólogo e de receber aJudn). etc. ,lo esle. na medida em que dá atenção a três caracteríslicas
t'S.'><--nciais na produção da~ histórias,
Prrmdw em brtvrco (I 3J ~ A percepção da suuação da prancha.
B. A, pessoas inclu1das nas hí~1órias e suas relações.
Esta prancha é precedida de wna breve instrução irurodutó-
ria afunde informar ao paciente sobre a 00\'3 situ.?çào: a caren- C. A hislória como estrurura e como realização I trabalho).
cia toul de estimulação visual Se não há csclarcctmcmo algum.
observam-se reações de surpresa. desconcerto. medo de que o . f.A percepção da situação da prancha
~cólogo tenha se enganado de material. agressão. etc. Se. ape- l ma dtsllnçào enlrc percepção cognlll\'3 e apt!rc<.-pçào de
sar do esclarecimento do psicólogo, o paciente se bloqueia e não uma situação e. dinamicariente. uma falsa d1co1omia Con-
pode dar nenhuma resposta. podemos pensar que a estimulação tudo. uma tcntauva de separar os dois processos mo,trar-nos-
,~suai foi utilizada atê agora C-OmO um ponto de referência indi,- â que a dinâmica que determina a escolha de detalhes ou de
pt.'11:.;Í\ cl para mobilizar a projeção e que. na i,ua auséncia. o outra, propriedades do estimulo e sua organização no proces-
paciente se sente d.:sprote<,ijdo e angu.stiado ante a perda de limi- se, ['<-'TCCptual relacion.:im-se com o ~Í!,'llificado que o SUJerto
tes. Em termos gc= os bloquet~ são mm.. Esla pmn...ila scnc Jj à , iluaçào de relações obJetais (R-0).
para recolher uma história que funcione como com,:ilc das ame-
rion;:;., como c"plorJÇào da relação Ln!nsforencial l:Slabclccid.l l\!rcepção cognitn-'3:
com o psicólogo e com o teste Em certo, cas0s é a !.is1ória- 1) O que ~é
chavc para a formulação do prognóstico. poi, o paciente elabora ili Quais são as principais ooussões (por C'<t.mplo: figu-
algo ~m oomo um projCIO cxi,1cncial. ras humana.<, detal h~ principais. uso dos detcrrmnantcs do cli-
ma cmoc1ooal).
li) O que esu\ pouco ou muito enfatizado.
Um méJodo para a análise das l,ist6rias2 IV) Quais são as percepções e elaborações pouco comuns
(111,lilllildo os dados nonna1i,~ e o próprio julg;uncnto, b:ll,Cd-
Parece-nos impottante descrever o método para a análise 1111 na experiência. como modelo para avaliar a comcJdência da
das histónas tal como o próprio au1or o publicou cm seu aru- r.:rcc:pc,:iio com os detalhes reais do estimulo).
go antes citado. A partir de nosso contato com a publicação de
.\pCl"C<.1)ÇàO:
2. Extraido de C.'r.111 brn-.: ,,.1roc.,111cuÔlt a la l«r.i,·a Je (as rduc.·101ta Interessam-nos nesse caso os signirtcados que o sujeito dá
ob~t~J,, de H 1'11111 psoo. 1radu11do p,r R.ic.wdo Shtffick par., ""'5.'l c:,de,- '" clcrm;r1os do estimulo que el.: i;clccionou para constrwr
c, de TtcnlC:lS Pro,eovasda LNBA, Buenos Am:s. 1968. a figura.
_1_5_1_ _ _ _ _ _ Op10C""'1 ps1cudwgnústlCI) e as réa:ic,u pfr,Je,ims O re.w 4t re/o,;ões Qt,;tJais d~ Herl,;,rt Plull~•>.<o,, _ _ _ _ _ __153

1) Em que medida ê usual ou não teste julgamento é feito I\") Qual é o tema de R-0 inconsciente na interação; a que
com ba,;e na informação nonnatha e na própna cxpenencia. llJVel do de,envol,uncnto da personalidade.
para saber se o significado dado está &:nrro do espectro de V) QU3is são as principais an5iedadcs relacionadas com
interpretações habituaJS e. se não está. quando ~t: afa~ta). esta.,, relaçõe:, fantasiadas.
li) 'lo ca<;a em que a resposta é pouco U:>--ual, que direção
\11 Que ansiedades são e.'ípre.,~s. rl<!gadll!,. evitadas ou
adota (por t:xcmplo: representa uma negação do stgnific.ado m.aneJ..das.
comumente atribuído: como no ca<O em que a prancha AG seja
\ l f> Quais são os pnncipws meio, de defesa utilizados para
percebida como a cena de wn akgri; piquenique, reprõenta
~onc,liar as R-0 inconscientes com a realidade soctal mais
alguma gmtific.ação p:micular. compensação or~I p:m1 equil i-
... ,nscienlc
brar sentimentos de perda; é parte do processo de negação. etc.).
llf) Que po:,-sibilid:lde de reorgam.zação e flexibilidade o
C. A história como estrutuna e como realizaç.io
sujeito pode conseguir ao elaborar um significado para SIJ3
lustória. Interessa-nos aqui a produção da lustoria como trabalho.
IV) O que se acreS(;em:a ao que há na prancha. \s moovações para cumprir as instruções dependem não só
da., rdaçõc, suJeito-psicólogo. mas também das oportWlldades
8. A.~ pessoas incluídas nas histórias~ sua relações criativas ou defensivas inerente!. à '>ituac;ão de R-0 da prancha
A seleção e a a\"ahação de d:ldos neste c.apitulo estarão ba-
que n ,ujc1to enfrenta.
sea.Jas. 1..-m grande parte, no, prmcipios de anihse de conteúdo l I Preenche os requ,,.,tos que estabelecem três panes (onde
desenvohidos na tradição do T A.T. por Murray, \\.yatt. Henry ~,tá a omi"-.'00, se aparece)?
e Bellak. lnterc.sam-nos principalmente lll, formas como o !l Dá atenção cqu,lihrada ãs partes. de acordo com .is
sujeito ,e a si mesmo em suas relações com outros. cm cada m,truçõcs?
uma da.:. Mruac;ões de R-0 apresentadas. Diferentes facetas de Ili) A lu:,1.óna tem wn connito (pois e.ada prancha repre-
sua experiência de relações objetais serão atribuídas aos dis- senta uma situação conflirual de R-0 implicna)'.'
tintos personagens na hi"1ória: as,im <erá posshel observar [\ 1A construção da história é lógica? Se não. de que for-
suas principais identificações •~ q ião ilógica é a seqüência: QfillS são os pontos de cncai-
As descnc;ões e conceitos correspondentes aos subtítulo, ·u· cxa;os (paro a possí~el tnlcrnção). onde há um cone ou uma
s1..1,>uintcs derivarão estreitamente da análise dJs percepções de se<1üfa,cia ilôgica?
acordo com o que :.cr.i detalhado. \ 1 Há. na lustória. uma lentatÍ\'3 de resolver o problema
1) Que tipo de pessoas são ,•i,ta.'<. omitidas. acrescentadas. ou o conflito"
LI) Em que medida podem ser nitidamente diferenciadas \ ,, Há uma teJltati\'a de resoh-er o problema ou o conflito
como pessoas (grau de humanização). n ac;.in da história·~ O sentimento é apropriado à história esco-
lll) Em que medida esta descnta a mteração dos !)<!rsona- lhida pelo su;eito?
g=: de que forma interagem ( o que procuram fazer. e.,tar, fa \ 11) Qual a solução conseguida. é poslh\"a ou m:ga1i,.1? E5tá
zer um ao outro, em relação com a, cha,es dadas pela prancha). ha,cada na realidade ou é uma solução totalmente fantas1acb?
_1_5_
./ _ _ _ _ _ O prous<o psicoâJO'i(násuro e 11' ,;,.,,,~, pm)fflWh 155

Este método de análise inclw grande pane da disciplina ç,mo o adapcllivo. Embora. no nosso meio, a énfa.<.e lenha
essencial para a técnica Pensamos que as id1=mcrasia:. pcr- n.'Caído sobre o pnme1ro a,pecto. consideramos fundamental o
ceptu.aJs e a organi7.3ção aperceptiva mostTarào um alto grau conhec1IDento dos n:.:ursos adaptan,os do ego, para qualquer
de coerencia com as relaçÕ<!s obJetais descriw n.1 htstona e a, aliação que inclua diferentes e,,tratégias terapêuticas.
que a organização e a estrutura da históri2 levarão. por seu lado,
a marca do upo e da qualidade~ n.:laçõ,:s obtidas. 1odicadores l'lll cada sêríe
É possível, então. para obter uma cocrêrn:i3 interna. anali-
sar o, dados do teste de acordo com os trê,, t itu~ vi;los acima. Séne A: Quando. ne,,ta :..cn~. apareeçm predommante-
Se a an:ihs.: ,-ugere. por exempto. que se conseguiu uma histó- mMtc ansiecbdes de tipo depressivo. podemos pensar <.-m um
na mmto boa apesar de uma pen:q>Ção madequad:l e pouco indice pos1u,o de adaptação. A possibilidade de elaborar lut%
exsta da sicuação. ou. pelo cootrário. com person:1gcffi pouco di- n·, dc,e estar referida apenas à ~érie A. ma< também a um~
ferenciado, e com falta de interação. um reexame da fa,.e Ili h11.1 mteraçào com a série C.
da :máh;;e geralmcnt.: n."'clará imperfeições que passaram des- ·\ po:;sibtli<lade de -..: deprimir coincide com uma Jimi-
percebidas na lustória como trabalho. Por outro lado. o fato de nmçào da ompoténcia das defesas (os mecani,mos de cootro-
se conseguir urna história tão C(>nvinccntc info11113 ~obre as le e rcpar.içãc onipotente são sub,t11u!do, p.:los de controle
capacidades do SUJeiio para dissimular incertezas em suas re- ob-.essi, o e reparação amên1ica, realç~ndo-se aspect% mai,
lações intcrpcsso;us. 11 cgmd, ., do ego).
O tipo de cons~ão do teste faz com que :seja convenien- A prancha AG mobiliza basicamente ansiedade:; dt..-pressi-
te n.:gistrar por escrito a an~ do:, dados. numa tabela de
, (pro.,e1am-,c situações que têm u~ção com a morte. por
quatro por três. que represente a.< -<1nrnçõ,,<;. dt> rma, duas. Ires
C\l!".nph, cena;; de <:ffllit!no). l\ela J'O(km ser apreciados doi,
pes."°ª" e grupa1s nas três séries A. 8. C. E.te método de tabu-
llP< , de culpa: persccut6na e <kprcssi\'a, segwndo os cnterio:,
lação pos.ibilita o rápido n:conhccunento das principai, ca-
d L. Grinberg. l\ão <! fácil encontrar uma qualidade dcpressi-
racterística.-. da p.:rccpçào. relações interpes~oais e estrutura
V-J 111 101<1: pode ha,cr certa qualidade depresi,,-.a. pode apare-
da história em relação às situações de R-0. na medida em que
vari.lm cm termo,, de n.:alidade, conteúdo e clima emocional. ce culpa pcr..:ci,tória dissociada e pmjctadt cm um dos per-
Uma analise da seqüência é um passo essencial paro con- s , ~cn, De qualquer forma. de,. e ser diferenciado de um ego
seguir uma Hsào total da pcn.onalidade. e é especialmenle útil , mprometido em una ncg;1çào onípocente que funcion.1 cm
para oferecer informações sobre a,; defesas do suJeito e sua n ,.:1 de percepção e de fantasia lcomo no caso da, cenas lu-
eficiência. ,a,,. de fc-.ta. piqueniques. rm que a:, dcfel.3, maniacas
mpedcm urna aproltllll3ção mais real ao estimulo).
\'éri<' B: Mobiliza os controles cgóícos mais maduro, e
lndicadores de boa adaptação em cada série, ujeitos mwto pern1rbado~. e possÍ\ el que no, dê índices
11as tris séries e em cada pra11cha ,pcctos que aindJ mantêm uma certa adaptação. Ê parti-
m1ente importante para o prognósticocons-ideraresta sêrie.
A mciusão deslcs critérios responde à nossa necessidade produção diante da sene A e da "''"e C mo..ua mdicado-
de re11lçar, em um psicodiagnóstico. tanto o psicopa1ológico 1'\: ,k p,,icose e na séne B, aJX,-sar daquilo que é restriti,o ou
_1_5_6_ _ _ ___ O proces,o p;icod:ag1t()jficc e as ·~cn,o,s pm;nrwr, O t~te de rt'l"fÕ<" obj,"l.1is de Hoffben Phil1If)S()II _ __ ____I_5_-

empobreculo. ê manado um bom contato com a realidade. po- ,ohretudo a intmsr.11. Negá-lo. como no caso de descnções
demo, supor dentro do prognóstico ou quando inferimos da- vinculo ou que acentuam os mirumos detalhe& supõe um
"-'ITI
dos ,obre a conduta manifesta que o paciente ainda cem possi- cootrole de tipo orupotente que empobrece o ego e o impede
bilidides de uma adaptação mediana (realiznr ~fas domésticas Je :senur.
ou trabalhos que não mobili.tem uma quanudade mtolerável
de ansiedade). Indicadores comuns à.s três série~
Se, por exemplo. o paciente pode f;uer na prancha 81. em
que se defronta consigo mesmo, uma de:.aii,:ào adaptada à rea- Vep.mo,._ em primeiro lugar. o que se refore à ,':lJiá, el "per-
lidade. embora à custa do empobrecimenco da produ~o. e não cci,ção" C'on,ideramos aqui os acréscimos. omissões e d1stor-
vê a;, caractcristicas do estímulo como muito ameaçadora:,. po- ~·'ics O propósito dos acréscimos é inclwr no.os, ínculo,. que
demos esperar um mínimo de adapt3ção que deverá manter-se. r ~am a dependência em relação a um único obj<:to. possi-
contanto que não s.:ja supere'1g1do pelos estímulos ambientais. b,htand.o dlsmbutr a ansiedade mtensa que ele mobiliza. Esta
O claro-escuro desta série mobiliza scnnmentos de soli - <lhlnbu çào pode ~cr uma defesa muito útil para o ego no que
dão e mdiferenr;a expressos num certo nível de matundade. se- rdcn: i, sua adaptação. uma vez que permne prOJetar em
certa independência do objeto, difcrcntc'111Cntc do série -'· n.1 ,hfon.:mes objetos os vínculos e ansiedades que estavam origi-
qual prevalece a relação de dependência do objeto. Se este vín- nalmente dirigidos a um úruco Objeto. Os acréscimos implica-
culo ma,~ maduro não ê pos:,ivel, mantêm-se. na ,éric B. a., ca- n.un, des:,e pooto de ,. L'ita. a hu.sca Jc l'lO\-o; objetos O importan-
racterísticas de dependência da série A. h: e analisar a qualidad.;: desses nO\-os objecos: se são objetos
Em relação à, def~as correspondentes a ansiedades per- h. ..,~ que n.:forçam e prOlegem o ego. se a qualidade persecu-
secutórias ou dcpm!Sivas. eh.., adotariam. nn ~rie B. um rorá tóna é tão grande que ncrexcmn nO\os ob;ctos pcNCcutóri~
ter neurótico. enquanto na A evidenciariam o grau de dissocia- 1 ando a tentativa que pode ter sido de adaptação. A qualtda-
ção e os aspectos psicóticos da personalidade. de e a quantidade dos acréscimo~ podem constituir-se em ele-
Série C: 1\a séne C a cor aparece de fonna mtrusi, a e mentos prognõ..tico, da conduta marufesta do paciente. quanto
difusa. Estas dll3S modalidades do estimulo p..'TTTlitem-nos per- ·"' modo de se relacionar com OUU'3S pessoas.
ceber a qualidade do , inculo emocion~ que o paci..:ntc cwibe- As distorções. de acordo com o grau e a quahdade, :,upõem
lece com seus objet05. Ê ,mponante destacar que a cor in1cn- uma maior inadaptação do ego em ,ua relação com a re;ilida-
sa aparece pela primeira ,ez na relação triangular (C31. Ao dc É importante a~'3liar se a distorção é efetuada de acordo
mesmo tempo. nesta ~ric, temos elementos do estimulo que e , os ttaço, essenciais do objeto, ainda que alguns aspectos
possibilitam o surgimento de mecan ismos de controle através >Ct>m anulados e outros enfatizados. ou se não se respeita.
de um conteúdo de realidade rico e diícrcnciado. E;.ta van~vel nt>-.olutamcnte. a natureza do ob;eto. transformando-o cm algo
é muito importante porque permite diíerenciac os tipos de con- raJtcalmente diferente. Sena um exemplo <lo primeiro caso
trole coen1tivo fundamentais do ponto de vista diagnóstico e P< ,cber como '·c,t:itua.. ou como ··espírito" o que deveria
prO'§lÓstico. que vão desde o controle adaptativo ali o cootro- cr 11ereehido como uma pessoa. l,m exemplo do segundo ca-
le onipot.:nte O :idaJ)l8mO é lllfendo de urna boa intcgm<;ão do, "'' Sérta perceber plantas. pedras. anim3.IS ou obJeto:, em ~e/ de
elementos da realidade com a.~ emoções mobilizadas pela cor. ~soas. de=rtando por completo a possibilidade de serem
/6(} O 1r<1e de,,.~ ohjeum de H.-rl,nt Pl11//1p.<tN1 _ _ 161

u,;ão, as ansiedades são predomnantemcn1e depressivas e não importante que ,ião haja descentralização do conflito. Isto po-
persecutónas ou confusionais (ainda que a!> ansiedade,. confu- deria ocom:r, por cwmplo. quando a prancha coloca uma s1rua-
s10nais seJam as que. muitas vezes. detectam a c:ipacidadc de ção grupal e o paciente elabora o conflito cm nível de pa,
luta e a tentabva de sair de uma smmc;ào muito persecutória,.
Vejamos agora o que esperamos encontrar oomo índice de Indicadores em cada prancha
uma boa adaptação no que se refere às defesas. Em termos
gerais. as dcf~s ncurt\tic3!> d,:,,em pre,-alecer cspecialmen1e A 1. É a primeira prancha e coloca o paciente diante da ,ua
nas séries C e B. Damos importância e,.--pecial à repressão, que sobdào owna suuaçào regressiva de dependência. Podemos
funciOll3 Clitabelecendo uma boa clí\.igcm entre o con...ciente no~ pcrgur.tar se é po-si\el. otra,és desta prancha. extrair ele-
e o mconscieme. Sua manipulação inadequada ,upõc uma ex- mentos úteis consid<!rando-,e uma possi\ el relaçilo terapêuti-
cessiv:1 fraqueza ou lab1bdade que le-aria à inv3!>.io do, con- ca. uma ,cz que coloca o paciente an1c "ua ,olidão. com :.,run-
1eúdos do processo pnmáno. O controle do sadismo é outro rrn.,- ções regressivas. ameaçadoras, etc A síruação de depcnd.:-ncia
can,:,mo defensivo que se torna adaptativo quando 11\clwdo den- ena.da pelo estimulo pcrrrute-nos explorar 3 relação tran,fc-
tro da constdação depre,<i\'a, a serviço da proteção do objcfo. rcncial atra~és da.~ alusões que possam aparecer na inclusão de
O controle onipo11.-ntc estaria d.:ntro da detesa maníaca (con- um segundo pen.onagcm Aparecem tambo:m fantasias de
o-olar o objeto. por eltemplo. através da idenuficação projen- doença e cura. É a primeira prancha que o ra, enfrenta, a soli-
va). Um grau discreto de idealiza~-ão. no ,eiuido d~ ponderar dão. sua saúde. sua doença. seu.; :ll>-pecto~ adaptali-..us e pato-
as bondades do objeto doador. é um indicador d<! boa adapta- lógicos, e atra,es dela podem ser explicitados certos rec:ursos
ção; a 1deabzação extrema. por outto lado. mostr.ma uma relação de ~ra. de c,enrual adaptação ou de submetunento à situação
na qual o obJeto idealizado paralisa o ego. mantendo-o num com saída, mai, ou mcno, e.iremas. Há histórias em que se
-..inculo muito dependente. Esta 1dealtzação costuma fracassar vê claramente que a ún ica saída nesse mom.:nto é o su,cidio
p,:lo incrcm.:nto d<! ínveJa que a~1on11. e o fracasso traz acopla- ou o ac1ing psicopático. À medida que progride a aplic;ição do
da a emergência da p,:...:guição subjacente. te,te e que elabora mtensas ansiedades persecutórias, já não
Com relação 30 nivcl de 1.-.olução cm que ~e ruio as rela- incluirá defesa, clcs<e 1,po. Aparecerão na prancha em branco.
ções objetais. o T.R.0. é pro,ido de estimulaçõe,. imponantes por exemplo. fantasias sobre seu futuro. com um melhor grau
em todos os ruve1s. Um índice de b03 adapução seria a cmc,-- de adapi..ção que na prancha A 1. Isto seria. até certo ponto, a
gência - sob o estímulo da prancha - de fanta;ias coerentes s1ruação e.'Cpenmeot:al de oomo um paciente se ..arranja.. na
com o ní,d de evoluçiio ps1cossexwl. Ao m=o tempo. é sua , iagem a mtenoridade. olhando para dentro e. 30 me,-mo
importante que a~ diferentes fantasias con.ujam para um nhel tempo. em contínua relação com o que CS1.l fora, o que ocorre
d.: integração g1.-n11al. por exemplo. pranchas de par e de con- durante toda essa ,'13gcm: se , i,lumbra a pos.-;ib1hdade de
flito edípiano. seguir adiante ou de , oltar e ficar detido. se se enriquece e se
Passando agora à variável "a hil>IÓria como trabalho", es- forulece durarue o processo ou se. pelo contrario. suas defc-
peramos que se ajuste às instruções. que s.:ja coerente. lógica. ,-a, \'àO dim inuindo e parece muito mais fraco do que quando
que mclua os três tempos com acentua,,--ão do presente e que pro- COID<!ÇOU.
cure resolver o conflito específico que cada prancha coloca É
161 O ~te de ndtlf"t'S "~ais de Herlnt Phillip.,an _ _ _ _ _ _ _1_6_J_

A2 A.s histórib de par que a prancha estimula podem ser ana- explicita de cenas de conteúdo sádico. faoca ~1tuaçõcs irre-
lisadas de diferente:; ângulo;. já que nem sempre o par d.. his- ,~-n,i\e,s e irrepará,ds do: separação. o filho que~ afasu muito
tória aparece como relação com um objeto C'1emo. F~te seria ~=pendido. mas que não volta maí, que f:u o, pais adoece-
um nível de análise: o outro é interpretar o par como projeção rem, que oi; deixa chorando para sempre. 'Ja 83, por e,.:mplo.
da própna relação interna bissexual. ou um par mai, primitivo a situação e,,.j centrada em alguém que espia um par em ati-
em relação com o , ínculo atual í por exemplo. um par mater- tude amorosa: as fantasl3S s1ruam-se mais no terceiro e:tclui-
no-filial com fam:a,ia;, oraisl. Este tipo de , nculo pode ser do. ante um par que -.e m:mtém unido. l'.a ,\3. em eompensaçao.
comparado com outros parel< que aparecem no ttste em sirua- podt: aparcccr o dano foito ao par, cobnndo wn espectro que
çõc, de maior rcalid.ldc. como por .:,cm o na 82. O 41ldt.cc de ,-ai desde uma constelação de tipo csqui,o-paranóidc a ou1.-a
adaptação de um conflito mmife,to ~ relacionado com a predominantemente depressiva. C.onsideramos como bom in-
modalidade cm que este se apresenta. U'lla ,c-t que a explici- d1c10 o paciente mo:,""trar maior carga de sadi51llo nesta prancra
tação não é. necessariamente. um bom índice de 1daptaçào. do que nas situações mangulares das ouiras senes.
O.: a.:ordo com a modalidade em que apareça.. a explicitação
pude ...:r uma negação maníaca daquilo que é subjacente e que AG. l\fobiliza. predominantemente. ansiedades depresssi,as que
é. e-. idcnkm1.'0t.c. a ,erd.uleira patologia. Por e.umplo. o acres podem levar a elaboraçõ.;s riclancóhc~ ou m1niaca,. como
CÍl"O de um tcredro pt.""onagcm por intolerâocia ante a s,tua-
~ipodas. É importante que apareçam a culpa e o, afeto, rcla-
çào de par. uma crian,.i no mcio. uma gra, idez. um prOJetO de c»onado:, com a própria dcprc:.são ta tristt'"La e o penar pelo
gra, td.:z. podem ser fantasias de reparação maní~-a do par. obJeto perdido). A cona-aposição dos dois grupos permite que
que encobrem um, inculo deteriorado. aTTUinado. e>l~-ril. frus- possamos ~er-. no mesmo ego. os aspecto,; destrw.dos e os re-
trante. etc. Esta prancha costuma provocar uma sensação de r-rradores. Hã urna parte do ego que sofre pelo objeto perdido
ali, io para aqueles que ~-iào muno assustados pela situa,.io t elaboração típica do ccm1téno). Outra maneira d.: enfrentar 3
de solid.'io t'u de doença e pelas fanta:;1as que a AI mob1 12ou prancha seria '"cr C"II piqm;niquc, gent.: tomando sol, urro festa,
e que foram incluídas. O fato de ter um obJeto acompanhante etc. (llp1ca elaboração maníaca). Também ~tumam ~er mobi-
dado pelo estimulo (e não produto de uma ad1,ão ()<.>ssoal) tran- lizadas defesas maniacas vinculadas a uma estrutura mais
qüiliza. :-.esta prancha de par pode aparecer um "inculo de upo cs.qwzo1de. tal como \"er um parque com esliruas, exemplo
fóbico no qual o par sen·e para negar, mascarar ou t..~itar o que que 1r,phca dcsuman=cão e co151ficação com -congelame,,
apareceu na pnmerra prancha. i.,· óo,; afetos. Outro tipo de elaboração maníaca é aquela em
'l"c predomina a ídcali,.ação ompo1emc acra,és de persona-
A3 Esta p13ncha promove "mculos que enfatizam a separa- grns imortais (deuses, anjos) ou que já superaram a morte fü,-
çãu. a dc,,pcdida ou a chegadà. mobilizando fantasl.lS sádicas. '"" e renascem para outn vida. agora ctcma (~1rito, alma,,
carregadas de morte, qu: não se expre..=am tão claramente em santos. etc.).
outras pranchas de situações triangular= o componente álllO- Outra constelação é aquda em que predominam o sadt,..
ro5<> está menos acentuado. A solução do conflito ed,piano tem n o e a ansiedade e culpa persecutórias: cenas de julgamentos.
uma maior carga sádica pelas fantasi~ de morte que são mo- iqmsiç;io, Ku K.uX Klan. condenações a morte cruétS. supl -
bilizadas espec1ficamcnte por esta série A e não pcl• pr.:...."Tlça "''s, etc. Nestas elaborações o ego sucumbe dtante de um su-
/(H /6{
O ln!L tk ,,..~ <>fJd tú• :!t Hm,.:•t l'ltilu;m"' - -----
pen.'l,!O muito cruel e cabcn:l caructc-ri1.á-la~ como p.ir-Jnôides c,e luto. que -.e express.1 atra,é, da própna htstõna. d<" sua n·
e mcl:incóhcas q ..c,... conteúdo de=, •· ·ulos. da, .kfe,,a, ulihzadas e
'<1
O m.u:; adJpt.11:no ~n3 a ~ b1lidade de pcrcebcr o COD· d: capacidade egó CJ dê repara;;ào. A pcrd:l e a culpa pela mone
fluo .JllC o luto e utiluJr dcfc,;a~ d,-pressn.as com dtmmu1çào ti I objcro que :ipan:ccm ~ hNoria não d~-..r.ucm nem casugam
do "'dismo. Mc,mo q iando. na história. hou, cr elaboração ego a pomo de paralisá-lo e 1mped1r seu funoonament,,
pu•...il. é impt,rt; 'lte q1..: pelo menos uma pane do ego e,teJa One s« dctcdao além dis.,;o. o tipo de an,1edade predorni-
oomprometidJ atra, ês da mclusão de wn personagem. pur c,em- r,mte 1d11cr os predonuname porquc an,iedades dcp""'°""i,11,
plo. que se ocupe do pnnto e da reroa.
ap..-,,;1r de outro, p.;r- r..o ap..rcccm oeccs-;an.amer.1c, cm bloco ; pod,:m Cl'C'll'1 •
mani:-ccrem md11erente,;. ,-vm an,1~-Jades ooclfu,1on:11, que repn:,rntem UCIU p.,-.,;agcm
\., ,ezcs. o pac1cn e upta. o , ta lk-pic""'º -.cm poder p.ua a n.-p;1raçào ou o fortakc,mcnto da coostelJç.io esquizo
clabo u-lo em m,el d.: dr,1ma hum.mo Ele é deslocado para pan1nôidc ~ \ICh,1tuJ.:, cx-orrcm n::i 111,túri.t dc,ta ou oc
uma Ql5.11:?Ctn g.:13Ala. o .Jc o.·" dor. porq e seu., 'iab1un- outras pranchas.
te,, 1 '-""8>.. p1nsüm, etc 1 ,;vem n.. te lU"'bieme e o 11clo '"lào
o, ,..,, ,ofrcr J:i 4ue.: s.:u llab1rar: nC1?açào mnwaca d.:I cap.,d- 81 Dia.nte dc.,ta prancha. o paciente pode reconhccer-,;e ,ó,
d.ul.- i!o: wfrcr pelas penb, ainda que adapud.a :'l re. Jade. I -:i ar-" ente ho,til, fno. d~,pro,. ido de calor. pobre. !Só, lhe
"' his1oria, em tomo de p1quc:01quc:, ou t"'ta:, ,mp icam 01C1"eccnu" muito poucas po"1hilidade, para que -e <kfcnda
o pn."OOminio d:i dabora,.io mama,a com ,,,, .or a, .,ptação à da scn.-.a,ii<> de cstM ~ con~•&<', dado que o,, !)<l\lC<" objetos
realidade. [;.!>t:l pranch.l ,cne de marco para ,c.:r comparada s5o sirnplc, e austero, para não ra, oreccr a pemunência na
com os luto, moo,hudo, rela.., outras "><.'rir,. b ,1c=tc ocla pr.:,,ria 1nt,Tiond.idc. ,\ J.:...:,içlio nio e unu def.:--a bcm-succ-
pr.incha C2. onlk aparece a ~ituac;ào depre,siva em n. cl adul- tlrcb; o c,umulo '"""~-cc o fr.mc-u llc,,locamento plra um
to. o p,.Yda J.: uma parte do Cl,O ou a perda do par. O trauuncnto ··fom" do que e P">Jc!:ido. Ocup:ir-se com o que ocorre :io ,nl-
da cor é muito senelhante ao da sénc A. e a c.x- prakimm:lll· tar para cknt ~ tem implicaçõc, para um fururo t.:rapbitit'O
te c o :vul. O tCRC'"I'O i.rmo de comparacio ,éfU a pranclu cm por exemplo , p· ·i,ntc pod~ \crbalu.ar se ,: cap.v de lkar
branco. dentro e niin <"'CaP"' }b muu,,- .:,ammados que. q,mndo cht"-
\trn,és dc,te trabilllo podei iomo, aprcd:rr a c:aipac ,.;ade g:im a e,.ta pnncha tanLm... c,tv nu:n quarto de hotel num
de rq,aração em diferente,, ni\ e,, oomo cL1bora a ocrda do q irto · p...-.;ào. num lugar d.; cuna pcrmanênc .,. o que mos-
pMco.ogo e qua1, são ,u , fanw,ia, - um;i. \'Cl que .ua~ per- 11 ona ""'' incapa.:ul.nlé d.: ª"umir a 1dentnbdc de forma pcr-
das foram =" idas atnl\ é, do -.cu ,·inculo com ele repara- 11 nem.- e J sensaç ·, de entrar cm alg.o cm~do. alugado.
tón., t!c,pltc1t.ida., no- dcs.:nlacc,. Comp.irar wfen:t·tc:, nh-e1s "10 t.m ccno, ""'º'· é mcnc1onado um qmno de hospt~l
de cl ,boraçi\l., de lmo,- é um ponto-chave no P' ~·o<ha.nó,ru:o: " ..arot ""º·mo,,1ramlo como ' cot:rar- tem rcbç-:io e,.JICC13) com
ix:rmitc pn.--~T posshc1s resultado, terapcuti.:os, abanduno~ .r loença e u busca de um conuncntc apropriado para a cur.i
de tntamemos, ou boa., adapu.;õc, aos m,,si111h, a,, .., cc•mo
mudanças adaptativas ....:m recw,o, terapélil•C•'-
Ou ,, 11.:m imporunte rcf.:rc-sc à tanw1a de como
d.!..t ldanoo cmnpnmento a ~111< da, instruções que alude ao
=
\,sumar a depre..são que a puncha .\G mobili1a ,upõe a tuturo) -.e sai com medo. com wntade de \oltar, depois de ter
pos.<1b1lidadc de uma certa capaci<fadc de d ,boraçào cL. ,ituação sentido que realizou algo. que entrou em conwo C<'lll,ii;o mc~mo.
166 O tew de ,ru,õts oh;eun.. de lkrbtn PJ:1llif1"JII 167
- - - - Opmas:v> p<u:rxl,agnõ.,11co r a, 1in:iuu r, ~je/1> ,

com real curio,idadc. ou se. pelo contrário. entra e sar rapida- depositária de todos os elementos negados. proJctados e não
mente ou entra apenas )Xira donnir, e, 1tando enuar em conta- tolerJdos do par Fora há um par idílico. confiante e denuo há
to com o que eitístc dcnlrO Enrrnr implica.. tamb6n. toons as uma mãe 01J um pai que não pennitcm. que tiranir.im, etc.
fantasJ.3S de enconlrO com o que eú~1e dentro · fantasias de Aparecem também fantasias relacionadas com a atividade
desordem. de confusJo. de roubo. de descuido ou pdo contr.i- sc:1.ual e. neste sentido, podem estar dissocfados um "fora"
rio. de ordem rígida). Esu últun3 possibilidade poderia ser pcrmissi-o ou. mclu;,ive, cúmplice (freqüente nos pares ado-
oorn,idcrada uma dificuldade no futuro tratamento. na medida lesc:enles) e um "dentro" awcant.: ou rcpres.,or que obng;i o
em que implica romper o s1a1u< quo. coisa que, para o pacien- par a refu.,.aiar-se num "fora.. pennissi,·o.
te. pode significar o caos f. importante comparar a dissociação e,tabelccída n.:sta
Quanto a sair - que pod.:ria s,;r a._...similado a capacidade prancha com a da B 1. O par de fora também está nos mostran-
de reorg;uuz.ar;ào do ego ~crior à n:yrcs:,ão ·, pode .ipare.:cr do a força do mundo cxt,:mo, conquanto significa apoio. pri-
ne:."ta prancha medimte: negação do ocorrido atra-.és do sor,o vação ou 313que. O par que aparece na fantasia é. normalmente.
(o protagooma vm dormir e quando desperta vai para o traba- um par adulto. fato importante do ponto de ,ista prognó!>l.ico.
P.lo); projeção no que está fora do que não pode SCT aceito den- que nos permitirá apreciar os ~ mculos adultos de um possh·el
tro (~it.iaç~ perigos.as ou suu,,u-as na rua): defesa maníaca par .:rap<:uta-pacicnte. requ1s110 importante no planejamento
( na ca-;:a do protagoni,1a lt.i uma testa familiar. sobe para se uo- tanto de uma 1.:rapia longa como ck: uma terapia breve. mas,
car e se incorporJ i, fc~ta). fundamentalmente. de>,a última (aliança terapêutica. p;irte adul-
ta dl pcr,onnhdade).
B2. Esta prancha coloca urna situação de par com certas carac-
terisucJs: a more. como conteúdo de realidade. é um elemen- B3 Do ponto de vista do conteudo de realidade. esta prancha
to geralmente \Wido como protetor. e são atribuídas conota- apre:,cnta a situação de um continente duplo: estar fora de algo
c;ões unportantes à casa. É uma praochJ de par, na medida em (<1uar10. ,ugcrido pelo setor branco com 3 porta). mas dentro
que são do,s seres humanos bem discriminados: no entanto. de outro algo que o inclui (contorno mais escuro em primeiro
apanxe sempre um terceiro que inclw e contém. ou. pc: o CO"· plano). O dn1ma não aconu.-.:c na rua. por exemplo. mas ,im
trário. e'ltclui e mantém de fora (por exemplo, a casa pode coo- no hall de um prêdio de apartamentos ou de um teatro. num cor-
,crtcr-s.: num mau contini.'11tc p;ira o par, que n.i.o p~ entrar redor. num hospital. etc. (não é o ca:;o d:.1 prancha 82, na qual
nela). A casa pode mobilizar, a,sim, fanta<ia~ de ataque ao par a siruaçà<:> ext.:ma e a relação intcmo-c~terno é claramente
que. na relação transferencial ou nu ,·ioculo Lcrapculil-pac1~- visualizá,el). !\o que se refen: ao conteúdo humano. e~ta pran-
1e, são importantes. O estimulo posstl>ilita a projeção de f:m- cha facilita a fantasia de e'ltclusão do terceiro cm termos de
tasias de futuro e uruào (o que se pode construir junto) e. por relações espaCJais: um p,m,ooagcm cm primeiro pi.mo ~pia
outro lado, fantasus de separação. É importante ver. numa dois que estão no fundo. A exclusão do terceiro na prancha C3
~ruação '·de fora". qual é o conteúdo que se dá ao "de-dentro" pode ser foita incluindo. fundamentalmente. o tempo. pelas
e qual o grau de d1:-.<.0c1ação com rel:ição ao "de-fora" ou vice- características do estimulo· é ali,'ll<:m que está indo. é alguém
, crsa. O "de-fora·· pode ter caracten.,,ncas idealizadas. de gran- que ,w SeT abandonado, d1m:ado. ou é al!,'Uém que ci.lá brigando

de prote,;;io e apoio. de grande,; Ju.sões. servmdo a casa como com outro e vai embora Aqui. é um que C!>l:i longe dos outrlll>
168 169
O ·este ~ ,-eta,~s ~aL< d, Herbtrr Ph:IUJ)S()• - - - - - - - -

dois. em relação ao, quais está separado por um e,;paço. .\lrd- continente qu;:, embora não sendo completo, ~mite projetá-
ves dessa espec1ahdade 1Xl<L:-se unir toda uma séne de fanta- lo como um contiocnt.: inteiro. sem forçar demai~ o estimulo.
siJ!>.. não só de exclusão, mas também de inclusão. 'la percep- '\., fantasias aludem a rui na'-. comento, estação. hospiral, etc.
ção é freqüente que o par SCJa con, enido em três: um bebê nos \,.,;1m como na B1. aparecem fantasJa.S de continente tranl>Íllr
braços. 111113 mulher grávid;i ou um garoto no meio. A in1ole- rio (estação ou estável tcomcnto. escola. etc.) e tambêm fa.,.
rãnc,a à exclu:,ão espacial faz com que o terceiro fique em pri- tasias de doença e cura.
meir'o plano.ma., ao mesmo tempo. se inclua ou se mela dentro Fm no,..-.a experiência, esta é uma prnncha muito útil para
do par (uulrudo a margLm arredondada supcnor esquerda) compm:nder a dmânuca dos sentimentoi. do pac1eme em rcla-
Ouao caso seria aquele cm que tolera ez."tar fora. ma,, ao ~lo a uma ~i,el alta. A conformação do cstiMulo foz com
mci.mo tempo. inclw-se no par como um bebê. 0Utra vanante que, nesta ocasião. o espacial reforce o pedido •ncluido nas
C<NUma ser n:io incluir-se no meio. ma, ,im fazer par com um instruções com n:lação à seqüência temporal: o paci~'nte pode
dos pais e C'>Cluir o outro, que fica em pt i,neuo plano. Pode- •anra.siar os sentimento, do personagem que fica dentro e arrâs
se também COhificar o terceiro. convertendo-o numa csrirua. e do que fica fora e adiante l,to no~ permite entender s.:us re-
Ha~ena outras ahcmativas possíveis: d1ssoc1a-se incluin- curso, internos chante de suas e:<.pcclativas de reintegração ao
do uma p.1r1e regres,i\'a cknlro do par (bebê no colo ou aravi- "leio Ou i.eJa. o que vai embora po<lc olhar para aquilo que
dezl e outro aspecto, mais aduho. fica como tercetro e,';; pri- dei,ca e p~rde. com mvcja. com nostalgia. com d.!sprezo, com
meiro plano (esta inclw;ão é feita com base na manutenção de agradecim.:nto e ou estar aberto parJ um futwo. dado no esti-
uma ,mag\:m de casal unido>. A terceir::1 alternativa. que con- mulo por = i e,pécie de cammho. Por ex.:mplo. há pacienres
sideramo, como mcno~ adaptall\a. con,i,1e na inclusão de um que. chame da pcrspcct,,a de alta. estranham e não podem to-
filho mais ,.-lho junto~ pais. o que unphca uma dissociação lerar o percurso (,ia fantasia) desse trt<:ho entre a entr.tlbt t: u
especular com fone, CQJl1l)Onentl's narcisistas. como um· so-
cammbo, ou seja. entre o p=do e o fi11uro. Estão no meio da
lução de compromisso diante da exclusão.
rua ou do caminho e não podem mais tolerar ficar ali. É :io
Do ponto de \ 1,ta prognó,tico. o mais adeqUldo ~na a
,,.•rande sua ,ensação de solid.io. de in:,egurança. de não se sen-
elaboração da situação de exclusão. a p=ça do terceiro chante
. rcm forlci. para encarar o futuro. que olham o grupo que ficou
de um par unido
dentro como o que lhes dá maior segurança. apesar de ser um
Em geral, nesta prancha e em todo o teste. cxis1e a possibi-
'TUpo doente. Toma-se paradoxal que. enquanto estão dentro,
lidade de que o paciente nos mostre os chlerent.:~ ,mculos in- 0
mostram uma profünda inve;a pelo sadio que está fora (o mé-
teratuando. Quanro maioc a nclusão ou a neg:lÇào ~...-ccptiva.
maior o temor as ,dentitic~ici; pR!Jcti..-a.s e maior a dificuidadc dico. o psicólogo. as enfcrmc1rru.. as ,,snas) e que pode cn1rar
para as reintrojeções posterion:1>. Estas dificuldades poderão ser e sair: ao mesmo tempo. quando estão fora como sadios. io, e-
co~'3das tanto IL1 devolução como numa futura terJp1.1. jam a segurança do que ficou dentro do hospital que é vh ido
como contmente seguro. É o que acontece quando não podem
BG. b.ta prancha coloca uma exclusão em relação a um grupo 1Zer a pa.~gem. quando não conseguem elaborar a perda que
de pares. a melhora significa.
Através do conteúdo de realidade coloca-se, como mi B3. a si- Para o doent.: menl.31 e o delinquente esta e uma pro\'a de
tuação de excl usào espacial. ~este caso há um C!lterior e um -cahdade a respeito das condições mtemas em que se acham
_1_;_0_ _ _ _ _ _ O proc,;.,,o psi,."Odiag,,,hliw •. as témica.< pm,,e/11~ 171
O teN lle rd.lt;iie, ul.,;eliJi> J;, Herlvrt Plr,JJ,p,,,,. _ __

para funcionar l10\'llmente fora do hospital ou da prisão: mlll-


lução psicossexual: orais. anais e. e-.en1ualmeme. !,'Cl'itais. Esta
las ,·cres estão ~indo e as fantasia:. referem-...: à ,olla. A recai-
prancha pemute entender o que o pacienh: senle em relação a
da já eslá presente. porque, internamente. não se sentem fort~
olhar e ser olh ado J)<!lo psicólogo. Se aceita olhar-se. endente-
para poderem se arranJar ,olinhos. Para um progD6suco ade-
mente aceitará que o olhem· isto é a precondJçào de wna nçào
quado de\.em ser ponderadas a força ou a fraqueza em função
1c111pi:utiC3 Para poder ajudar e , er o que acontece dentro.
do resto do material que o teste oferece.
dc,·e-se contar primeiro com a anuência daquele que neces,í-
Esta prancha possibilita também o aparecimento de làni:.-
11 ser olhado. Se isto não acontece. achar-oo,.-emo, ante uma
s,a, de c~clu<ào do grupo relacionadas com h!murcs homosS<'-
;;érie de resistências que uão se opor à 111tel'\en~o tcmpêut1ca
,uais.. condutas agressivas 1mpuls1vas. que devem ser le"ad:is
Saberemos_ em primeiro lugar, qu:ii, a, po~ibilidack~ de uma
em conta quando se pensa em encaminhar para uma terap.a gru-
mtcrvenc;ão a esse nh eJ e. tambt'm. o que é característico do
pal Costunum aparecer iambt'm. em pacientes com c.i.racte-
com.:údo d.:ssa acciw;iio ou dessa re~istcncia a que o olhem.
risticas esqu12ó1de,. tcmore~ dJante do cont.110 (runguém tcri
É a prancha que apresenta maior conteúdo de realidade. A
ligaçào com ningul-m. são pessoas reunidas e-perando um trer"
cnfa,c pod.: recair em dcm.:nto,; acessónos. e rnclw,i,e blL!r-
ou algum ,ciculo). A situação de Jlld,yíduo-grupo pode ser
-os. ,u naqueles que realmente ressaltam e mobilizam a fanta-
di,torcida e lr:msfonnar-se em um par rodc;ulo de outros ind1
, i<luo~ (um pe-rsonagem isolado formando wn par com o ma,s
"ª "ª ma.or pane dos pacientes. A pre:..:nça da cor intru~1va
, diferente do vennelho intru.<i,o da C3) comertc-sc, às ,ezes.
alto do grupo de cinco: do1, proíc,....orc, que conduzem um grupo
,o elcment0 dissooarue que pode mobilu.ar confu~o. &1imula
de alunos). Uma maneira de atenuar as ansiedades paranóide<.
3 criuca proJetada. 1~to é, a critica de objeto mais que a critica
~iladas <fun1e da e,ctu:.ão cm relação ao grupo é outorgar
de suJelto. em tenn~ de Ror,,chach. Podemos comparar o pano
:io exc:ludo um papd de líder. que controla a ação do grupo.
de prato o a too lha desta prancha com a da B 1. Ne,,,a n toa-
Quando não :.i.: coI™:gue isto. o grupo ap:mx:c confabulando
lha ~rve como sinal de que a cama está desfeita. ou está bem-
ou con~pirando contra o excluído.
foi1a ma~ algo ficou de fora. em desordem. colocando tanlO
O, adolescentes freqüentemente projetam com clareza te-
nes,,e elemento como no da C I a oeces.~1dade de controle.
mores de violação. de ntaque. por pane de wn grupo ,ivido como
G"ta prancha penmte a proJeçào de a,r<,'l.."tos d.: calor hu-
patota. ou. inversamente. é o grupo que. diante da confusão
mano. de, ida. coadores, tanto em niwl ele alimento como em
ajuda. control:l. esclarece (ajudando alguém que e,;tá perdido
outros ni,eis. Em no,sa cxp.:riência esta prancha mostrou-se
importante - sobrcludo em mulheres - porque são proJeladas
C I Esta prancha. por suas caracterisncas e por -..:r a número
" ' fa r::1~iill> de c,11:rilidadc ou capacidnde de procnar: nos bo-
12_ condensa ludo o que o pac1e01e pen_<,a e ._,,,e em relação à mcn,. permite-nos Vet' de que modo esta elaborada a fase fe.
despcdid:1 do psicólogo. Implica tamhém, portanto. a iden1ifi-
minina. co-no é vivido o interior do corpo da mãe que JX~i
cação projetiva com o psicólogo atr.i.és da qual nos mostr3
elementos de todos os tipos, que guarda a po,;sibilidade de
como ele se vê. como ficou dcpoi~ da prova e com que recurso... rod~ os C011tcúdos.
conta para enfrentar a despedida.. o lénnino do 1es1e e. even- Em geral, as mulheres com mui10, problemas com a capa-
tualmente. o começo 1k um tratamento. Pelas caracti=ríStn:a~ do
ddadc de procnar. a~ mulbcrc~ cslén:u. ou as que fantasiam
esumulo podem aparecer fantasias em dJferentes ni"eis da evo-
que o são ou que o ~ - l)<,Trebem um quarto onde nio hã vida.
1:-2 O,~~ de ~çoes objetais de llerben PN/lipso, _ _ _ _ _ _ _1_
73_
- - - - - - - Of1"0NU() psirodi~tiro.? as tt'cAicas projetr.'!13

onde não há nada para fazer, exceto limpar (np1co controle perança (chega tarde e enfrenta a morte consumada). Em rela-
obsessi\'o da,, fantal.ias amus ou das fantasias de cloaca, bás1- ,;ào a esta última possibilidade. é importante ver que tipo de
ca_5 para compreender a psicologia feminina). vínculo mantém com o objero. Quanto mais longe o sujeito se
Nesta prancha há um den1ro e um foro. Exil>l<: a possibili- situa em relação ao obJelo morto que pfO\oca culpa. mais dlfi-
dade de projetar na figura que está fora - a sombra - ou fan- cil se toma a possibilidade de ,1-.enciar e elaborar a s1!U.!Çào
tasiar o que pode tomar para s1 um :,ajeito no continente ou o depr~si,a.
dentro. Por outro lado, aparecem a~ possibilidades da ~lação .-\ morte pode aP3rcccr negada (não sê a pt.."'800 que está
entre o que e:.1à fora e o de dc-ntro: o que faz ali denlro. o que dcmro) e d.:bloatda paíll o conteúdo d.: realidade ou para o
o;enre (re:ipareccm a,, fant~;as de BI de entrar e sair rapida- co,. exto de realidade: casa oiste. arruinJda. suj3. que esta para
mente. de entrar e ficar num lugar acolhedor. entrar para incendiar-se ou incendiando-se. A prancha C2 pode ser con·
limpá-lo ou entrar para roubar). Podem-se ver as difercmei. vertida, enrão. em ourra B 1. c~ não se possa ,,uponar um
modalidade!. de ficar contido em algo. Do ponto d.! viSia prog- aspecto do estimulo que unphca tolerar a morte ou a doença
nÕ!,tico supõe também compreender qual i: a vi\'ênci:1 do coo- do obJeto. Scni cont..da uma h1>1óna de sohd.io semelhante à
tinente tcra~utico. da B 1, em que a relação de par, com seu componente de repa-
Se o que Cst.1 fora niio é percebido, o paciente eru OIIll r:1,ão ou de dc,,iruição. lica cindida .\, clabora.çõc, de mdhor
rindo a parte de s1 que , iu. projetada no psicólogo, e que nio prognóstico são as do esposo que ,ai ajudar, do lilho que vem
pode aceatar. fata negação cst.i relacionada com fantasias mwto cuidar. do médico que vem curar A gmvidade da doença. seu
desmttivas a respeiro de olhar e ser olhado. A acenação de o lhar prognóstico e a irreversibilidade da situação mostram as pos-
e ser ollmdo unpbca urna fantasia rqiaratória nesse , inculo sibilidades reparatórias que o ego do paciente se reser,a. Quan-
que conduz a uma atirude de :1et1tação da intervenção lerapê ,_ do ó pat1enté ãlravtssou um3 s1luaçãó de ptrda reál. esl.l praocha
tica e, portanto. con:;titui um índice de bom prognósrico. p,!rnure-nos a-.,har como se deu a \lvênc1a da perda de partes
do ego. num ni,,:i diferenre daquele,, ca..os em que a perda é
C'.!. ÊSU prancha esumula fant~ia~ de perda. com maior con- ,penas fantasiada.
teúdo de reahdade que a AG. e permite uma comparação dos O modelo de elaboração da C2 é diferente da AG. não só
diferentes ni~ec; de elaboração do luto. Ê uma prancha mwto pelo conteúdo humano como também. e basicamente. pelo con-
antercs.santc par..i investigar. nos jovens. a relação que estabe- teúdo de rea lidade, que pennite uma maior mclus.'io de ele-
lecem cnlre o futuro e a própria existência. !\os pacientes adul- mentos adultos que os da AG.
to, maduros e idosos podemos apreciar a relação do par d iante l:111 g,:ral. há coerência entre uma elaboração de luto na
da separação. da doença e da morte. AG e na C2. Quando isto nio ocorre. de-.ernos pensar que esui
Os sentimentos dcpn::,.-,1,0,-. que po<km aparecer em qual- colncad<> .,3 C2 um demento mai~ atual cm relação com uma
quer idade. nos jmens ou adolt.--.ccntes. centram-se em tomo perda de objeto. real ou fantasiada, ou com a perda de aspec-
da mone dos pais. O p,.-r,,onagc.-m que se apro:uma é portador de tos narcisistas. vinculada a uma situação critica (crise de ma-
fantasias repamrórias (vem ajudar, curar. aliviar. cuidar). des- tmidade. menopausa). ou urna combinação de ambas (casamen-
tru11,ns e ameaçantes (vem roub.ir. atacar, assustar. etc.) ou fan- to <k filhos. etc.). !\estes caso,; podem aparecer elabora,ões
tasias de fracasso da reparação. ligadas a sennmemos de deses- m:us maruacas na C2 do que na AG (a menopausa podem con·
174 O to~ Je ~lações «;etais d.: Herl>m P~i/11p<<111 175

trapor. por ncmplo. a necessidade de llQ\·os filhos. aparecer 1ica e prognóstica. Pela configuração espacial do eslimulo, a cx-
histórias referentes a pronuscuidadc s.:xual. tdenaficações com clu.são deve dar-se mais no w,el apercepmo do que pcrceptual.
personagens muito J°"en~ qw começ;im a ,·1ver de no, o. o que l\a A3 e na 83. por outro lado. é mais simples excluir o
implica a não-aceitação <k sentir como perdido o que foi , i,;_ terceiro, através do tratamento do espaço, do Jogo de sombras
dol. Por isso é importante avaliar. através das d1tercnt.:s pran- e Iu7es, ur,a Ve:7 que e,,'"!á -;e parado dos demais. ·\ceuar a situa-
chas da série. a,. capacidades potenCtJJs para elaborar os Imos. ção colocada pelo c~tímulo implica expres.<ar e. oo mesno
O tratamen10 da cor ,ermelha difu.<,a n<.">ta prancha pcrmi- tempo. controlar as fünta,ia.-. e emoções qll<! acompanham a
nna o aparecimento de emoções cálidas, d<! proteç.io. que COl!- projeção da situação triangular
1.,ibuinam para moderar as ansiedade,, paranóides deri,.idas ele Se estas fantasias e emoções são exprc,sa, num nivd gc-
uma má elaboração depressi,a (\"Clai. amarelas). 01tal. o ego mosua sua possibilidade de integrar e d1scrimó'lar,
Em nossa expenêncrn com a cdiç.'io argenuna. em que o ocurando o e1u."'."1e um lugar importante no drama. Esperamos
vermelho é quase um Jll3rrom.. a qualidade paranóide d~s an- também o aparecimento de fantasias pré-genitais (orais) den-
siedades flc.:i reforçada . tro do cont.:xto do genital. Por outro lado. con:;ideramos -nais
difietl o aparedmcnto de fantasia, lll<!nos d1scnmmadas. de
C3. Do ponw d.: ,·isla do contexto de realidade..: unportante par comb "lado.
levar em conta as duas formas em que aparecem as cores: in- Os mecanismos de defesa que costumam s..:r utiliro..los
tru,,i,a c difu.;a_ O ,ermelho mtruSl\o mobiliza fantasias de quando se toma altamente conflítivo enfrentar a situação tnan-
ataque projetadas em forma de crítica de objeto 1-não entendo gular s.'io. por exemplo: a negaçjo. que implica perceba- as
isto.....ii.10 e incoerente-. --isto c,tá fora de lugar·. etc.,. o di- trê~ pessoas como sendo do mesmo sexo e de idades seme-
fuso. por seu IJdo. mobili,a emoções cilidas. de proteção, mm- lhantes (·amigos comeri,ando e tomando café.'); coo..mer um
,és dessa seuupenumbrJ que. em última 1DStàoc1a., aJudaria e do& pcn.onagcn, cm criança para retroceder a situação edi.pia-
ll'llllqü1hzaria at.:nuando os efeitos do choque. na à infãnda. (Se a <.TÍança é , i~ta rio personagem que habi-
Esta é a pnmcira prancha que coloca o paciente diante ele tualmente é visto como mulher - a figura mais à e,;querda.,
uma s,ruaçiio de tres num intenor continente com um conte,. senrada -. achamo-nos diante ele uma distorção m~is gra,c.)
do de realidade rico e discrurunado, e com um C0'1texto de rea- l\esta ordem está. tambêm a distorção que consiste em perce-
lidade cujas caractenst1ca,; Jâ lll<!ncionamos. É importallte qi.e her a polt:rona ou n mesa como uma cama. obsen ada no pro-
um dos três personagens. , isto, como adultos. seja percebido tocolo de psicóticos.
como mulher. de maneira clara A partir desse pe=agt:M
{distorcido ou nãoJ estabdece-se o triângulo. contando co-n CG É uma das que f3\orece as distorções perceptuais. O tema
uma figura em pé, , iMJalizada como m.1scuLna. A inclusão o.. é· aJ.toridadc ,-ersus grupo. ou , icc-n:l'l,3. Pela sua distribui-
exclusão do terceiro é determinada por uma figura serrada de ção es1)3Cial. esta prancha permite. como nenhuma outra, in-
costa;,. a quem podem ser atnbuidas <1,ferentcs carncteristicas chur variâ.. e1s: ·acima". "abaixo": deslocar-se: '·subir"...des-
(adulto. crfança, homem. mulher. pa..,.-.vo. ativo. inclusive au- cer... tste --acuna~ e "abai,i:o" permire-nos entender toda uma
S<:Otc) Por isso. esta prancha permttc a projeção de panes séne de dt~oc1ações além da Já colocada: líder ,·ersus grupo):
adultas da pcrwnalidade. 1mportant.:s numa avaliação dugnos- por C'<emplo: mente-corpo. superego-ego e id. mundo miemo-
171
176 O 1es:e dt ~ações obferlns de Htrben Plul/Jpso• - - - --

mundo externo, fantasia-realidade, etc .. e também o grau de um elemento a mai!, para marcar a separação espacial (em
contato entre os aspectos mai!> ou menos dtssoctados. Por isso, cima. embaixo) Uma distorção. que nos parece importante, é
é possí\'CI avaliar como funcionam a di~~ociação e a repressão. negar aquele que está em cima como alguém qu,: se desloca
para baixo, transformando-o em alguém que se desloca latc-
'llurn paciente que possa reprimir com êxito, úâ-,e a possibili-
mlmente. por exemplo. um nadador ou um corredor, rompen-
dade d<! que se contatem os a:.-pectos superegóicos ou de con-
do assim com o vinculo esumulado p1:la prancha. que é muito
trole egóico postos na figura de cima com os mais impulsnos
cootlitivo.
oo corporais projetados no grupo de baixo. uma pessoa com
Prancha em branco 'sela a ime,;tigação C1?ntra-se na situa-
fones mecanismos ck dissociação não conseguirá. tm com• ção de separação, e .: importante a~ahar como o paciente ficou,
pensaçlo. q~ 31111,os os aspecto, projctacb. entrem em cont:no. como l>Ctltc q111: fica sua relação com o psicólogo. se este fun-
Por is.<o. em mwtas histórias, referem-se ao que está embaL>co cionou como depos1táno ou se, pelo contrário. representou um
dilc.-ndo: -1,10 é a sombra de alguma coisa. ma,, realmente nlio bom conuneute de suas identificações proJetivas. ~ fantasias
tenho idéia do que é.- Ou SCJ3. o reprimido esci muito mais concomitantes são: o que eu tenho, agora que me separo. para
próximo da co~iênc1a e é possível que apareça com clan:la enfrentar a minha doença. meus problemas, meu futuro. mmha
no interrogatório. É de bom progno,,'tico que o conteúdo hu- sol dão. Serve para compreender todos os afetos que são mo-
mano seJa visto nos dois eb:lll<!nto,,. que não apareça a ideali- bilizados com a situação de perda_ e as poss1b1hdades de re(:U-
zação extrema no de cima e o grdndc p!Xkr destrumo, perse· pcração diante dela T.'lh e,. o mais importante seja isto: como
guidor, no de ba.t.'(0 (grupo). ou vice-vcn.a, sem pos,,1bihdadc saiu dali c que capacidade tem de lllSll'Wllentalizar o que fez. !>C
de união. Isto acontece em lustórias em que o grupo assume a e,pcriéncia lhe ser\'iu ou se quer negar tudo o que foi , isto
todas as características re1vmdlcatónas do ego i por exemplo: O rnmetro supõe uma elaboração depressiva, o segundo uma
.: um grupo maltr:itado, submetido a trabalhos forçados, estu- claboroçào maniac.1. A elaboração dcpre~i,a ~upõe a aceita-
dantes que protestam, ele.), e o personagem de cima é o que de ção do sofrimento que implica estar doente, prccoud1ção para
alguma forma produziu o dano. isto é, que csu caracterizado imciar qualquer tipo de tratamento e aceitar aJuda. A elabora-
como objeto perseguidor que ataca. que causa danos ao ego. É ção maniaca é uma nc~ào. como defesa ante rudo o que e
importante ~er como o examinado une o~ do,~ elemento,, e a mobilizado pda separação ou uma desvalorização do proces-
solução que dá para o confino. so. para negar a dependéncia em relar;ào ao psicólogo. Oulra
Se o de cima escutará as demandil.S dos de baho• ...: o po,,ibilídade é aceitar a dependência num nível muito n.'gl'C:.·
grupo vai levar em conta o de cima. se a destruição vai ser total, '"o. onde o J)SJ(:Ólogo aparece como aquele que abandona. Fre-
se ficam aspectos resg-Jtá~cb que podem tranSCCnder ou não: qüentemente ~'1es pacientes expcrimcnram ~nsações de esva-
nesta mtera,;ão é importante analisar o que é salvo, que aspec- ziamento. roubo. ataque. etc., mostrando um predomiruo da
LO é reparado oo se. pelo contrario. não fica nada porque a ani- culpa persecutória. 0..:sejalllOl> de;,iacar a 11nportlnc1a de com-
quilação é completa. parar a produção desta prancha nào só com as restantes. mas
A prancha permite que. diante da aniquilação total, SCJ3111 c,pccificamente com a prancha 1 (A 1). A:; comparaçõe, per-
mobilizadas fantasias de reparação maníaca com conteúdo mes- mil<.m-nos analisar os altos e baixos através da seqüência e
siânico. l\a edição argentina não se nota com clareza o branco apreciar ,e houve possibilidades de retificardetcnninada:, fan-
brilhante da edição inglesa que. como assinala Phillipson, seria ta.,us, cumpnndo-se um processo de elaboração progressiva.
_ _ _ _ O prna,<ro p:,undiog,t<i<riro e as récllhJ< projetin:s

BibliDgTafia
Capítulo VI
Bohm. C.. lfam,al de ps,ciJdiagnm11c" de Rnrvhodt Bar,-.:lona. O teste de apercepção i11fa11til
ei.:lllifi.:o- :-kmca
Frictlen1hal. li ··Rooomendación de psi.:ocero~u a p:,rtir dd diag- (C.A. T.) de L. e S. Bellak
nósoco p,o.ológico". Á<"la P.\lqwátrira y P<icologic'a d, .4111,
rica latina. n~ 14, l 96S, p 149.
Klnpíc,-, B.• T&n/ru de psi«xli~n,j,1,cv J,: RuncJwch. Bucnn,,
Aires. Paidós.
Mwr.iy. H. E/ Tw de Af}t'rcep<C'ión T,·11w1. "· Bu<nos Aires. P..udó:..
P'ii ipson. li~ lfan11al ikl Tc;r de M«i1J11es or,;=le.,. Bueno- Aires..
P:udos.
- - . "l.'n3 bin,: introducción a la ltcl\lQ de las relaciones objeta-
1.:s", trabalho tradUZJdo e publica,do pm, u,o inlcP10 pela cadei-
ra d.: Técnica,, Projc-tÍ\as. l]'I.RA
Scl.&f~T, R . Th ChniC1Jl 4ppl,catio• of Psl',h...t<>gicu! Tc.,1>. '<o,a
York. ln1. Uni\: Press, 1959.
\enhel)1. Renata Franl. de (Compil) ,:1 o 1 EI T.-11.. Rei .io11,~
Oh1e1ale,; de H Pr.i/l1p,011 · Actw1/i::oción. aporte; clinica, de;,,.
w:stif,:<1c,an >nam:<Jln<J>. Bueno, Ai~. NuC\'3 Visíi>n, 19"6
Guia de interpretação do teste de
apercepção infantil (C.A. T.-A) de L Bel/ak
Sara &ringolt7 de Hir..ch

Este trabalho surge da necessidade - estabelecida atra,és


da C'<pcriêoc1a de vários anos na cadeira de Técnicas ProJe·
uvas da lJt-.l3A- de modificar parcialmente alguns dos esque-
'"13S de aplicação e de interpretação do C.A.T.
C-0mo ;;e sabe. historicamente. deve-se ao Dr. Kris a idéia
Jc que é mais fóc1, para as crianç~ identificar-se com animlls
do que com pciiW3$, as~inalanoo ~ rlificuldade que um inslru-
m~nto como o TAT cnava nesse sentido. Dcllak assume .:,ta
i~ia e dedica-se ã confecção de um material difon:ntc do T.A.T.
e do Symoods. J3 que o primeiro é mais adequado para adul-
1os e o segundo sô pode ser utilizado com adolescemes.
L e S Belial.. escolhem uma serie de dez pranchas com-
posta~ por personagens especificamente animais e outros ligei-
ramente antropomorficos. O, autor,,:,; co~1dcrarn que o C.A.T.
e um 1este aplicâ,-el a criança, de três a dez anos. de ambos os
~ xo,,. Surgo: com o obJCll\O de facilitar a compreensão das
·.:n&ncias da criança e suas relações com as figuras mais 1m-
,or1antes. Assun. as pranchas explor:im: problemas de alimen-
u ção. rivalidade entre innãos.. complexo de Édipo e cena pri-
mith-a. agressão. medos. mal>lUJ"bação. hábitos de limpe-ai. etc.
A, inSiruções origmais do teste são· ''Brincaremo,; de con-
i.,r lustórias. Você as conrar.i olhando uma;, pranchas e nos d.r;I
o que acontece. o que os bichos estão fazendo."
Z_ _ ____ O protts<O p!icodiag,,ósti,.v e as r.it:nica. profeu,us
_I_B_ O 0•edeap.,rcepção in{cntíl /CA.T.) d" L "S Bellaf _ _ ___l_B_J

Bellak p,-opõe uma análise interpretari,,a em função de dez quenas, basta mterrogar sufíc1entememe na primeira prancha.
,ariã,eis: 1) tema principal; 2) hero1: 3) as figuras sio v,sua- Logo. se 11.1s pranchas segwntes aparecem alterações cm rela-
liz.adas e. ante elas, a criança reage como ...; 4) o herói ,e iden- ção is ÍJLqruções, estas alteraçõe,; de.em ,;.:r considi:mda, como
ufica com ...; 5) figuras. obJetOS e ctTCun,,1.incia, ex1&:ma, in- dado signúicat1,o.
troduzidas: 61 objetos ou figuras omitida,; T1 natureza das Quanto à nterpretai;ão. proponho que sejam seguidas es-
ansiedades: 8) confutos s,gniftcattv~ 9) castigo por um crime: tas pautas:
1O) desenlace. Acrescenta um item adicional· nível de IJ13turaçâo. 1) Que animais ,é e como os vê Omissões, acréscimos e
Desemohere,, em l;<:guid;i, algumas c,;in;id;raÇÕ(s escla- d1storÇôc:, Pcrttpçôc:; e elaborações pouco usuais em relação
recendo e modificando a aplicação e a interpretação do teste. /1 idcnLidadi: dos animais
que foram útci~ na experiência e que e,,--tão mais adequadas aos 2) Que outros elementos oào animais são vi.&os na pran-
e,,qucmas conceituais hoje vigemes emre os p:,ic61ogos em cha e de que maneira Omissões. :icrésctmos e distorções no con-
nosso pais. teúdo de real idade. Comparação entre pranchas com um habi-
Deter-me--e1. pnmeiro. na aplica,;ào. já que desta depende tat característico do homem e aquelas que apresentam um ce-
muitas vezes a posstb11tdade de uma boa interpretação. As ins- nário natural adequado à ,ida dos animais.
truções ongmais fa,orecem du.1s ~ituações· 1) que. pelo u:;o 3) Possibilidade de dar passado. pm;cnte e futuro à hi,1ória.
da pnme1ra pes..soa cio plural. a criança peça que o entrevista- 4) Seqüência lógica ou ilógica na construção da h,srória
dor comt.-ce contando uma história: 2) que. ao pcdir-lbe nções 5) Tipo de linguagem utilizado (nqueza. exatidão, adequa-
·•fvendo'"), deixem-se de lado outros aspectos. por exemplo. ção à idade, etc.).
o que oi; personagens podem estar pensando ou sentiodo. 6) Pos:;1bwdade de famasiar. capacidade criat"ª·
Cm conseqüência. proponho a ,eguime fonnulaçãu (que 7) Tipo 1k utte1ai;ãu entre u~ ~rsooagi:11.,; 1:m ni~el descri-
S<! foi estabelecendo como a mais üul na pr-.itica dos docentes ti,o. Colocação da problemâttca.
da cadeira): "Vou mostrar para ,ocê algumas pranchas: queria 8) Qual é o tema das relações objetais inconscientes na
que , -ocê me fizesse uma h ll)!Óna com cada uma delas. oode você mternÇão. Principais ans1<:<ia<b a~iadas ás n:laçôe:. faniasia-
me diga o que aconteceu antes. o que está acontecendo agora, da., Principai~ meio,, de d.:fcsa
e o que aconlc.:cer.i depois." Se se trata de crianças mwto pe- 9) Tentativa de re~ulver ou não o problema ou conflito na
quenas {pré-escolan:s). pode-se pedir a seqüênc1J temporal no hi,tória. 1ipo de solução obtida em função dos deseios. medos
momento propicio. perguntando-lhes: ·'E o que aconteceu an- e.: defesas utilizadas. Como o mundo de objetos internos é con-
tes?". ··E o que acontecerá depois?" Se a criança fica na mera cili~o com a rea lidade social mais conscieme.
descrição da prancha.. sugere-se que, além disso. imagine uma b-tas pauw cobrem as Ires áreas utilizadas por Philhpson
históna. O entre\ 1stador pode intervir com pergimtas que cscb- cm seu método para a análise das histónas: .1) Percepção da si-
reçam mais o que foi dito. que funcionem como es1imulo para tuacào: B) Pessoas (nesse caso uarumais--i incluídas e suas re-
que a criança se.: .:,tenda mais ou que tenham por finalidade lações; CJ A história como estrutura e como reahzação.
obter uma =-posta mais completa possível. em relação às ins-
truções Essas perguntas não podem. de modo algum, sugerir ,i-
. Hetbert Pb,lhp:,oo. -Um breve Ulliodua:om a la r.xruC3 de 1:1., rela-
tuações determinadas. Em geral, sal,o com crianças mui Lo pe- cio ,e,. objeuks". "llbliaido peb cadCU"3 de Técnicas l'ro.J"'l'"-" t, U',BA
18./ :;,,;Je,k Up<"fl'/,ÇÔO infantil (C.A.TJ de L. e S. Btllflk _ _ 185

,\ idéia não é aplicar mecanicamente as pautas que e le "'º· muitas crianças ante interiores e figuras mais antropomor-
menciona ao C.A.T. (que se torna impossível pela diferença 1,,ada,, mostram-se reticentes em imaginar. defendendo-se de
entre os dois testes desde sua origem) mas sim aproveitar sua "! csiimulo que sentem como mwto próximo â própria exis-
valiosa conrnbwçào adaptando-a a este teste. Explicarei. a se- ,<êncía: outra,,, pelo comráno. perdem a distância e identifi-
guir. as pautas antenonneme mencionadas. . .,rn-,c projetivamente de forma maciça.)
Pa111as I e 2: Procura-se sa~ em que medida o preceito Puutas 3. 4 e 5. Referem-se à estrutura da história: tempo•
está adequado à Jcsc~ão e as resposta;, típica~ de cada pran- . oerêm:ia lógica e linguagem."ª 3 interessa \'Cr como o sujei-
cha do C_-\_T. r.=este sentido cabt destacar que, mwtas ~l!Zes. to se localiza na dimensão temporal. São significativas as onm-
a adequação ou inadequação pcrttptiva e apcrccp111,a ao estí- ,ões ~ctidas de passado. ~nte e futuro. a-sim como a n-
mulo permne ~itar dificuldades de diagnóstico diforencial. gidez na adaptação à ordem temporal.
Em certos casos. a intensa inadequação perceptual pode =
dado para a verificação do diagnóstico de uma ~--icose lJ)O(
um A om i,-ão n:pet1da do passado parece eStar relactonada
, ,m a mpossib1hdade de acenar os fatos dessa época e capi-
1.,li,..á-lo,; na experiência: a dissociação e a repressão descmpc-
exemplo. grande quanudade de omi!»Õc:, e acréscunos). No ca~o
riham um papel importante. A omissão do futuro costuma apa-
das distorçõ..:s. cabe levar em conta se ,e trata de verdadeiras
ceer nas crianças mais , elhas que estão at:ida~ aoi. fa10:, do pólS-
distorções pen.-.:pruai,, (de origem puramente emocional) ou
s:,do que detenninam. fundamentalmente.. seu presente e penru-
erros na utilização da linguagem (cuja causa ,,\ :'h vezes. um
m pouc,h ilusÕ<:, wt,re o futuro. A adequação rígida .i ordem
baixo nhel sociocultural ou um déficit inteleclual). De qual-
.·mporal através das dez pranchas aparece em sujeitos com
quer forma. dado que se traia de um e,,"Úmulo muito estrutura-
JÇOs obsessivos que procuram cumprir fielmente as ins1n1-
do (diferente. por exemplo, do Philhpsoo). a freqüénaa da; dis- ,ões dadas. Na 4 podemos v<:r a coerência do ~n.amcnto ~
torçõel. perceptuais é muito signifü:am.a. quanto a tipo.: grau dclect.ir. especificament.:. alterações da forma do pensarnento.
de patologia. Relacionando este item com os l>Cguintes, podenlOS comparar
É útil dclectar a atribuição de identidades animais di fe- r, rma e CO"l<.:i1do do J><.-n>!lmo:nto. 'la 5 recolhemos <bdos 1m-
rentes das típicas. que pode estar relacionada com uma imagem p,,rt;w11.:s ,obre o tipo de linguagem utilizado e sua relação
confusa de sua própria identidade ou com outro~ <ignificados • 0111 padrõ.:-- évoluuvos (se é adequado à wa idade ou não e.
C\·idencmdos atraVés do teste. Com freqüência, é dificil dtstin- ,..:,te úlumo caso. buscar as causas nos itens posteriores. É im-
guir se o percepto está alterado 01.1 a palavra mal usada. difi- po1tame ver em que sentido :;,e desvia do,, pa~ e,olu1i,oi,
culdade que toma arriscada. às "2es. a formulação de hipóte- nque:u. exatidão. etc.)
ses sobre a arnbuição de identidades in<:omuns. Como o con- Pauta 6: lm~tigamos fundamentalm.:nte doas aspectos:
teúdo de realidade tan1bém é muito estruturado, a sua omissão , Se o sujeito é capa? de expressar verbalmente suas fantasias
ou distorção rígida constituem dados ~igmficauvos sobre a , ,lgumas hi,ióna~ mostram uma grande riqueza neste sentido
patologia do caso Pode ser útil consignar a medida em que o · nutr:h são o que chamamos de "produções chatas~); b) Se.
conteúdo de realidade ê incluído ou e>tcluido quando se trata '"' c..so em que tenha es:;a capacidade. pode organi.ai-la de
de ccnános típicos do homem ou do meio natural dos anima1S. nne1ra criJúva. conseguindo. mediante um esforço , i1orio•o,
Es,e dado deve ser relacionado com o tratamento d ifen:nc ,al a estruturação de uma hislóna qu,:. ~em :;e afastar da respo.sca
dado its figuras mais ou menos antropomorfizadas. (Por cxcm- pica. renha aspectOs originais
186

l'owa 7: RefCTe-,e ao modo como se dá a interação entre s1>mpras ... Disse-lhes: ·fsperem. crianças l\'ão se sirvam
os personagens. que modalidade tem (por e.~emplo: interatuam "°2111b.,,•... Então. como .:r.un muito travessos. comeram tudo so-
agredindo-se). e a que problemática básica n:spoodc (por e~em- .,t,o, ma, o que era mais travesso era o do meio ... 1:: o que
plo: cnime). aconteceu?... Ou,íram na porta que a mãe el.ta\,a chegando.
Pu111a J\. O obJCtl\o deste item é enriquecer a interpreta- 1'. ram para o quano dele:-. .. a mãe ,e10... , iu que n;io ha, ia mai,
ção rradicional do C A.T.• introduztndo conceitos da teoria das wmida... e deu-lhe-. uma grande palmada .. e assim aprenderam
relaç~ objetai,. Dc,ta maneira tentamos detectar não só o q ..c não dC\ Í?.m ~ ,~-n ir sozinhos:·
smema de necessidad.:-pres,,âo do ~UJeíto, m3S tombém sua 11 Três pínhnhos travessos. A mamãe galinlu. Adtquttdo
integração com o tipo de ,ínculosobjctai, pn:dominamei,: quais a rcspo;ta ti:nca.
são as relações fantasiadas. as ansiedades ligadas à,- mesmas e 21 Corruda. Adequado à resposta tipica. embora s.:jam
º" meio, de defesa uuhzados (de que se defende como se Ollllt1dois alguns elem<!ntos.
defi:nde). 31 Adequação ás instruções já que contém os três tempos:
Pa111a 9: Trata-se de C.)<N.-guir. em alguma medida. uma p:1,sauu. pn:s.:nlc e futuro.
síntese das pautas anteriores. O suj.:ito tenta re:,olver o proble- 4 J Seqüência ógica.
ma ou não'! Qual a solução escolhida? Como utili/.a ,uas defo- 5) Ungi.agem adequada à idade. Pn:cisào oas !)Jla, ra,
'ª" em função do que deseja e do que teme? É importanh: de- · lizad.ls.
tectar se predominam na solução aspectos adaptativos. s.: é 6) Pos,ibilidadc d.! fanta,iar e de criar uma histôna que.
uma sohxào que ~'Tlriqucce ou coarta o ego. se está baseada na -..:m ,e afa,t~r muito das habituais. 1cm cem onguuhdade
realidade ou se é uma solução tot,1lmente fantasiada. Pode ser 7 1 Os personagens interatuam em fim~ào da comida . .\
int~ss:uue re!Jcionar o tipo de solu,;ãu que o ,u;cito tenta com mãe t a pr°' edora. O,. filho!. não podem ,;,,pcmr e ~ ,crv.:m
os conceitos de ~1üllei sobre o tipo de necessidad~ especifi- sozmbos. A problemática gira cm torno da neces:,;dade de re-
cam~-.1tc aquela>, que denomina --construtivas.. e "dc,trut'1>"-S". c,bct ..1imcnto e da grande dificuldade para a espera. A von-
Tratarei, em seguida. de exemplificar a utilização destas ,,dadc conduz a wna situação onde a figura materna se 1rnta
pautas em um ca,o concreto· ,· gc cm ~~áha.: "palmada". Alem <hi.so. aparece" mah-
Diana. sete anos. Vive com seu pai. sua mãe e um irmão dadc entre os irmãos ("o que era mai., tra, esso era o do meio-)
de quatro anos. Epilepsia medicada. Boa c!>C<>âaridatk, cnime em rel..ção .i:. nece,,su:lad,:, orais
do irmão. embora sem agressividade manifesta 8, Diana se identifica com o, tr~i. pintinhos. ainda que
m;us imens-mente con. o do meio...o que era mais tr.n-esso".
Pnincha 1 Ser travesso" implica, aqui, ser vofa/. A relação fantasiada é
, cs1abelecunento de um \Ínculo oml-:,ád1co com um obJeto
"Era uma , ez três pmunhos que eram muitO lra--esso,; A rareia!: o ,mculo -alonzado nàn é com a figura ··mãe" 101a.'.
mamã<: gahnha fo bus.:ar a conuda... Trouxe-a e foi fazer as ll.l.iS SUll com a tonte de ,1hment.ação que é l!S\UiJda para sa-
thfaZcr a vorac1d.Jde. A figura materna e<1á di,sociada mn
:!. MUiler. Philippe. ·ü C A T red>athes sur le dynami;mc: enfilillln".
'f)ecto 'bom". que se deua roubar pelos filho, como um pe1,o
bibliografia ,, l.ld.l. li ,e se deixa esvaz,ar. e num a:.;pecto '·mau-. per,ccu1ório, que
188 O rm~ de a;,ucepçiio iníivilil /C.A T..I de L e S. &,flnJ: _ _ 189

ameaça e castiga a ,oracidade dos filhos. A rivalidade frater- Prancha 2


na mcrem.:nta a \'Orac,dade e o sentimento de car.:nc,a: a fan-
tasia inconsciente é de que o "incuto oral-sádico esvaziou o "era uma \ez a dona ursa e o seu urso ... que queriam pu-
objeto e uma se\'era represália sobrc,·irá. A culpa e o medo xar poro ,er quem tinha mais força para levantar esse cascalho
pcb relação fantasiada leva-a, num momento da históri:i. a se c heio de mel... e acontece que atr.is do pa.i estava o filhmho ...
defender procurando elimmar a figura materna (negação) ara~ e eomu a mãe não o ,;a... então o pai ganlur.a. .. e então a dona
tando-a da cena. e. em outro momento. a fugir {e-i taçào) para ursa foi embora mwto !riste... e enquanto is..so ... o filho e o pai
niío sofrer o ca:,tigo. Finalmente. produz-se a identificação levantavam o cascaJho... foram para uma ca,erna e comeram
projetiva com um objeto ~uperegóico que reprime os impulsos todo o mel:' (Esclarecimento: o cascalho é o que comumente
agressi,~ sentindo como própria uma regra parental. "Assim. é YN.1a!uadu como monte. cabo. promontório.)
aprenderam que não de\,1am se s..--rvir ,o.linhos." 1) Dona ursa e senhor urso. Filhinho Vê-o~ ru~ando para
9) A problemática colocada conduz a uma siruação na ver quem tem mais força. tldem. prancha 1.)
qual o casligo tem o papel principal. A inten~a voracidade. in- 2) Cascalho cheio de md. Não há n:fcrêncía direta ã corda.
crementada pela rivalidade fraterna, le. a à represália do objeto ainda que a vcp e ponha o acento no "cascalho cheio de mel".)
que foi danificado. A, defesas apontam, num primeiro mo- 3) Idem. prancha J.
mento. para a e-. ilação tanto da culpa quanto do pcn,eguidor irn- ~) Idem, prancha 1. embora não esteja clarn a relação en-
tado, para dcpõis, quando estas ~fesas já não são bem-suce- tre puxar a corda e le-.antar o =calho
didas porque o casugo é inevitá,-el, para a identificação intro- 5) Idem, prancha 1. Parece que se referia a "fa;o de mel-
jCli"a com o obJeto superegóico cal>tigaclor .\ssim, para con- quando dil>l>t: ··c~alho": é a úmca inexaudio encontradl no
cili.r """ mundo interno com a realidade social e não sofrer o t<:xto.
ca,,t,go externo. busca uma l>Olução na qual ela me-.na contro- 6) Idem. prancha 1.
la sua necessidade de receber da mãe. a fim de não danificá-la
7) Pru e mãe prO\am wa força para depois ficar com o
e ser castigada. cascalho cheio de mel. O filhinho ajuda o pai.. mas escondido
Creio que vale a pena recordar algwnas frasclS de M. Klem..
atrás dct.:. A mãe. triste porque perdeu. "ID embora. O filhinho
em sua obra Plica11ú.lbc de c,iançaJ. que caracterizam perfe,
deleiti-se com o pai comendo o mel O confüto propõe que nossa
tamente o lltllenal desta primeira prancha e das restarues:
"O confluo de Édipo e o superego aparecem. ereto. sob a paciente quer aJudar o pai para depois desfrutar junto com ele
supremacia dos unpulsos pré-genitais.. e os obJe1os que foram o que foi conseguido ("'mel"). mas não quer que a mãe perce-
intr0Jetados na fase oral-sadica íormrun o começo do supcrc1,-o ba. Trala-,e de uma problemátic:i puramente cd1p111na. compe-
pnmÍU\O. Além disso. o que origma a follll3çào do suj><.-rcgo e tição com a mãe e vinculo amoroso ("'mel-) com o pai.
governa seus e,1ágio, prinumos são o; impul~ d~strutivos e 8) A 1dent!ficaç3o com o filhinho facilita a projeção da
a ansiedade que eles despenam ( ... ) e. embom este superego problcmánca. E claro. nesta prancha. o conceito kleiniano de
seja muito cruel. formado sob a supremacia do .adi:;mo, to- Édipo primitivo.Já que o ,'Ínculo é com a figura paren1al do i.exo
ma st.'111pre a defesa do ego contra o in,tinto desttuti\'o e j:i é. opos10 e conseguindo uma gratificação oral, o que e,ctaria rela-
n~s pnmetrOS estágios. a for~a da qual procedem as inib1- cionado com a fanwia de "copulação oral .. (~1.. KJein) "o
ções insunuvas." filhinho e o pru ... comeram IOdo o mel ..... Em sua fantaSia com-
190 _ __ Of"OlY'Sl' psirodiugr.óMico .- .i, 1éclliro< pmjeti,m 191

pete com a mãe para conseguir o vinculo ~ amor com o pai. 5) Lmguagem adequada il idade. Piora quando emprega a
deillllndo-a excluída e vencida A culpa por ha, er dei,;ado a ÍT35C: -Chegaram mais antes."
mãe como terceiro excluído na situação de competição aian- 6) Idem. prancha 1.
gular e o medo pela represália le'\.1-a a se esooodcr. a chs...<ociar e 7) O leão cslá aborrecido porque o,, ratos comem sua
projetara culpa de mancim que... "a dona UJ'S3 foi erbora muito comida. 'lece:;sit:1 di$tribmr comida entre todos para li:lh"ar a
triste" ... Finalmente. a projeção da culpa. a negação da ~itua- situação. A figura paterna não é \.Ísta como poderosa (recor-
ção triangular. a onipotência que a IC\a a um vínculo idealiza- rência com a prancha 2. onde o pai é ajudado pelo filho) e os
do de gratificação com o pai. configuram um triunfo nuníaco. filhos conseguem ser maJS astutos. A voracidade é um tema
9) Diante d3 problemat1ca colocada pelo~ <k.-..eJOS ed!p1.1- rcco1'1'1:n e; aqui pai e filho competem pelo alimento. A problc-
nos e a culpa persecutória com relação à figura materna. tenta maoca está na quantidade de necessidades orais que l~"a a
uma solução que. em termo,, de Plulhpson. =na baseada mai, compet. com o pai e a roubar-lhe o alimento.
na fanta.\ia do que na realidade. Apela para defesas maníacas. S) F-intasfa de um ,~nculo oral-sádico de roubo e es,"azia-
que a levam a excluir a m.'ie da relação triangular sem culpa e meruo da fonte de alunent:1ção para sansfazer a ,oracidade
a unir-se ao pai num , incuto no qual fica satisfeita a fantasu (nxoni.-ncia com a prancha l ). n\'ali7.3ndo com a figura p:itcr-
de ')>razer se~ual de tipo oral- (M. Kle101 que inveja"ª em na em relação a um peito-mãe; consequente temor à agressão
,cus progemtoces. di. :,gura paterna como reprc,i.11;1. O,, meio,, defen,i,o:, ao:,
que apela são os seguintes: negação do poder da fii,'llra pata--
Prancha 3 na, não faz referênc1.1 ao bastão. diz ·ficou fumando.. ). e pejo-
"Que e isso·?... Ê um rei... mn s.:nhor rei que era um leão ração(.: uma figura boba de quem o, menores 1iram a comi•
que estava muito aborrecido porque em todo o seu palácio da 1. Os ratos. cm compensação. atmgcm ompotentcmente seus
ha\1a todos os buracos de ratos e cada vez que iam se" ir-lhe Ih.,. Como esta situação é confünva. Ji que os filhos oram dos
a comida os ratos a comiam... então pegou seu cachimbo e pa s. aparece um terceiro (-colocaram queijo.. ), no qual proje-
ficou fumando ... e então viu uma comida e acontece que quan- ta a idealização e a onipotência: um terceiro capaz de solucio-
do foi agarrar o prato esta\"a \'aZÍo porque os ratos unham che- nar o problema tr.vendo uma quantidade 1~got.hel de alimen-
gado mais antes e comeram primeiro.. acontece que coloca- to,.. que dê para todos. Finalmente o, impulsos , orazl:S con-
ram um montão de que1Jo nos buracos ('quem'>') não sei... vertem-se - h.lnsformaçào no contráno em generos1d.:ide e
então rei e ratos ficaram amigo.. .. e então quando o rei ia co- ami1adc e o , inculo paterno-filial é ideali:z:ido
mer ele dava um pedaço de queijo para o rato.- (Visualiza rei 9) Diante do conflito de competição com a figura paterna
fmnando e rato.) pckl poder (1lel,_,e cai.o de s:itisfaz.:r necessidades orais), t.:nta-
1) Senhor rei leão. (Idem, prancha 1.) :;e wna solução em que aparece uma fonte messiânica, com a
2) Cachimbo. Buraco de rato. (Omissão de alguns ele- qu..1 todos S3.1.J:,fazem sua voracidade e mantêm um \'ÍllCulo
MCntos.) ide=Jl NO\,.immtc a solução é trabalhada no plano da fantasia.
3) Idem. prancha 1.
4) Idem. prancha 1.
191 O/<!>'-' de tnm:epç.io ;,,r..-•,,nJ (C 4.T} d;,[_ e S Bellal. _ _ _ __cl..:.9_3

Pra ncha 4 ~) Recorrente com as pranchas I e 3. o "inculo deseJado


é a satisfação da ª"idez oral. A1> ansiedade,; relacionad~ com
··o que é isto? Um canguru... Era uma vez a dona cangu- esse "inculo são de tom parnnóide. j;í que leme o roubo da
ru que saiu para pas,,car com sew. filhos canguruzinh~... fo- lonte de alunentaçào por parte de irmãos ou o castigo pela
ram para o campo... e acontece que cada ve7 que dona cangu- própria a,idC? por parte da figura materna (Recorrência com
ru corna caía o cbap,!u ... então... a bolsa de coIDJda que ela a prancha ;,) O!> principais meios de defesa são: diante da sua
tinha na mão estava pesando e estava para cair... e quando che- própria a,idcz e do medo do ca<Jigo. di1>50Ciar e projetar no
garam ao campo contente::,,.. dona canguru. enquanto scgura- irmão seus impulsos orais de e5\'32iamento. identificando-se
,.i o chapéu. procurava um lugar para campar... e acontece que uttrO.)Cll\amcnte com a mãe (.. foran1 :;e banhar..... ela toma
Já o encontraram... e antes de tudo foram se banhar . a mamãe banho como a mãe para ter a mãe). Deste modo, uma parte
e seu filho canguru mais ~elho... e o pequenininho ficou eco- dela a mais ncc=itada e infantil, fica projetada no irmlo e
meu Ioda a comida... então chegou a mamãe canguru e he deu outra é como a mãe que castiga a ,·oracidadc (recorrência com
uma boa palmada e a ,im ele nwtea mais comeu a conuda que a prancha 1). O ciúme em relação ao irmão desencadeia outrds
todos tinham que comer.'' defesas: -.ente que seu irmão é um ..peso~ que ela suporta. mas
1) Dooa canguru e filhos canguruzmho, (filho mai~ velho pro1.:ta-o na mãe, deslocando da bolsa do canguruzmbo paro a
e p,;:quenininho) passeando. (Idem. prancha 1.) bol,a de comida (a '"bolsa de comida"' pesa pam a mãe). De,,loca
2) Chapéu que cai. Bolsa de comuta. (Adequado à respos- tambêm da bolsa do canguruzinho para o chap<::u seu dcSCJO de
ta típica; omissões não significa1ivas.1 que o canguruzmho caia, aparecendo "um chapéu que estava
3) Idem. prancha 1. para cair-. Cabe assmalar também que as referénctas repetidas
4) Idem, prancha 1. .1 co s:is que e,tão para "catr"' podem ter ligação com o medo
5) li nguagent adequada à idade. Diz "campar" em ,·ez de do fracasso das defesas dando lugar à irrupção dos impulsos.
"acampar~: é a única inexatidão do te:1.to. 9) A .alução consiste numa tentativa de idcntifica~io in-
6) Idem. prancha 1. troJettva com o 3.)-pe<:IO superegóico da figura materna que man-
7) A senhora canguru e seus filhos cangururinho, saCM tenha seus aspectos infantis vorazes dentro dos limites. Deste
para passear e encontram um lugar onde acampar. A mamãe e modo comegue também ser mais mãe e menos mnã no vínculo
o filho mais \'dho ,ão \C banhar. o pequenminho fica e come fraterno. castigando a a,idez do menor.
toda a comida. Recebe uma boa palmada e nunca mais ,olta a
repeti-lo. A probkmãtica colocada é de ciúmes ~m relação ao Prancha 5
irmão a respeito da alunencição: a a,~dez do pequenininho fru~-
tra SUB.!, nccc..idades orai& Cabe 11otar que nesta prancha co- ··Quem ~stará deitado na cama'>... Ursos. Era uma \'C/
loca-se também o conflito entre crescer e nio crescer: crescer qll3tro famíhas que estavam dormindo em uma casa porque
significa St<r como a mãe e. portanto. ter q.o! suportar res1>00- caia muna ne,e_. e como os p:us não podiam dormir porque os
sabilidades e encarregar-se dos esfoo;os. enquanto ser J)(.'(Jucno é fil hinhos estavam... falam que falam ... tapavam a cabeça... e
poder dar rédea solta aos unpulsos e satisfazer as nec=idades como um fala,-a para o outro não percebiam... que a OC\-e ~va
sem adiam~-nto para cobrir toda a casa. .. E o que aconteceu" Qu:ndo era de
l'J.I 195

manhã quiseram abnr a porta e não puderam.. e de nunhi turbação para outra zona erógena (oral) facilita o -ião-ou,·ir,
,·iram pela Janela. o ursinho e a ursinha. que a ca...a esta\'ll 1od.. com o que se reforça a negação da cena primitÍ\'3. Contudo. o
L'f'IIL>rrada . e 3\ i..ara.., ao papai e ã m~mãc.. e quando o papai :;cntimento de culpa pelas fantasias masturbatórias. unidas a
tocou na maçaneta morreram todos congelados ... fancasias sádicas contra as figuras pattnlals. promo\'e aIISleda-
11 Quatro familias ursos. Mamãe e papai iapando a cabe- des persecutórias e conduz a um desenlace trágico com a fan-
ça na cama. Filhos: urnnhae ursinho falando. lidem. prancha I. :as,k de que. Junto à ckstrwção do pai e da mãe. ela se de.,truJ-
21 Cama.J.:mela. porta. maçaneta (t"1dcquado a percepção á. \ ··ne-e.. parece "'"Pr=ntar. simbolicamente. a pre,.:nça
típica: omissão s1gmfícah,a: berço.) de um superego -.ídioo que reprime ~e,.cramcnt.c a ,.;xualida-
3) '\ão e-lÍI e~plic110 o pa.,sado. Pre~nte e fu1uro bem dc: , ..,ngd:mdo. matando
tl~-ritos. 9 j A problemática em tomo da cena primitiva não encon-
4) O final tia história não ê lógico tra uma solução satisfatória. já que está unic13 a uma intensa
5) Adequado à idade. Diz quatro famílias em ,·ez de qua- culpa re=utória. A fanwia de ataque as figuras parem.ais
tro ursos. pro,vea ..:istedades de morte e destruição diante das quac; o
6) Poss1b1lidade de expr= ,erl>almente a fantasia. O papel que as defesas desempenham não tem muno êxito.
rnat12 ongm.al desta hllitona de,e ser relacionado com a falta
tle lógica <lo, fato, O de,enlace pa1ológico da história de,c-,e
ao fato d.: que as 1dêias e ,cu nc,o acharn-,e fortemente p~- Prucha 6
turl,ado,. pelo conflito emocional
·"Quutos WliOS!. •• Era wna ,ez trê>. familias que est.i,.un
7) A mãe e o pai não podem dormir porque os filhos ··ra- dormindo... mas o que menos e.m,-a dormindo era o u~inho...
1...-n que falam". Durante a noite a ne\'e cobre a casa. De manhã
c,ta,a o lh- . olha . que olha para a n<.'\c• ati: que gu,tou tan-
os urstnhos pen:ebem e a,'1SaJ11 a mãe. O pai toca a maçaneta
" <1 .., fugiu e acontece que a manhã chegou e os pais não
e tudo, morrem congelado,.. O tema b.Js1co parece girar em
tllir am pen:.:bido que o filho hnha fugido... e foi para uma
1omo da cena prim,tr.. a. a masrurbação e o castigo.
,·;l\el'T\3 que tinha uma porção de mel... então se assustaram e
8) A fra'<! d.: M Klein. "A, fanta.,ia.~ de ma,twbaçã.o têm
fora-n procurá-lo... até que chegaram a um buraco que era uma
como nücleo as primeiras fantai.ias sádicas ccntmdas em seu,
arm.idilha... entraram e ficaram congelados:·
pai;; em copulação. São c,,tes impulsos de:.tn1ti,-o,,. conjuga-
1) I res familias ursos. Pais ursos dormem. ursmho acor-
dos com os libidinais. que obrigam o superego a utilizar defe-
dado 1Idu11, prancha l.)
sas contra as fant~ias de masturbação..... está perfeitamente
::i Ne\e. (Afasta-se do conteúdo de reahdade h.d>itual.)
exemplificada nesta prancha. Diante da situação de choque que
,) Jd,m, prancha l.
o estimulo lhe causa. Diana tema neg;ir a cena pnmruva: ...
.:., Idem, prancha 5.
'·quem c,tará deitado na cama?-. fa7 referências depois a "fa-
"') Adc,quada à idade. U1ili;.a ··1n:, familiai;"' ~-m vci de
milias- p0ra oão falar d.u, -pe&,Oas·· CUJ3 111teração lhe caw.a
ln:, urso;-
ansiedade. A fantasia de masturbação con,titui UM a1aque sá-
dico aos pais em cópula_ .. ··05 pais não podiam oonnir porque
os filhinhos falavam que falavam". O dcslocameroto da ma<-
196 O lf"'" de ar,repçw ,n{aJl!i/ (C.4 T.1 dt L. t S. lkllak _____ 197

ú) Idem, prnncha 5. 2) An-orc. (Idem. prancha 1.)


7) Enquamo os pais ursos dormem. o ursinho está acorda- 3) Idem, prancha 1.
do olhando a ne,-e. Foge e \':li buscar mel em uma cnverna. Os 4) Idem, pranchJ 1.
pais se assustam. vão buscá-lo e caem numa armadilha onde se 5) Adequada à idade.
congelam. A temática desta prancha coloca no•,arncmc a dificul- 6} Idem, prancha 1.
dade de aceitar a seltualidade dos pais e a própria se-.:ualidade 71 A interação se processa entre um perseguidor e wu per-
8) A expressão admiram-a(!) inicial impoca ciuo: .:sta prm1· ...:guido =stado. O primeiro encontra obstáculo, p.1ra chc-
cm retoma a temática da anterior. Utilia outra .ez a palaHa g-Jr a comer o segundo, e temuna se auto-agredindo. Conflito
"familia,- pard m;gar a ~i111aç-:10 triangular ln,.:ja o .:asai unido.
centrado na agressão.
apelando. de forma compensatória, à mag:wbação... "estava SI O ,inculo sádico entre perseguidor e ~eguido se dá
olh3 que olha-... Fug,r é uma forma de des-.íar umn s1tw1çiio
cm torno da ,orac1dade de ambos. O desejo de conseguir a
que lhe provoca am;iedade e sansfazer-se sozinha com uma
satisfação das necessidades orais intensas le.11-a a dissociar-
ali, idade auto..:róuca acompanhada d.! fania,;1as de graufíca-
,e. 1dennficando-se tanto com o tign:-pcrseguidor quanto com
ção oral (''mel"1. Relactonando esm prancha com a 2. pensamos
o mac:iqu,.,ho-assuStado (teme então ser atacada, e teme -;cu
que a fantasia: atra,·cs da ma..srurba,ão. realiza uma "cópula
oral". como as figuras paremais. O final da história m0:>--tra a próprio ataque).
concretização das fantasias sádic~ incluidas na masturbação .cientificada com o macaquinho. mO!'tra um vínculo com
Ataca seus pais matando-os; a palavra ''congelados" parece a figura paterna muuo marcado por ansiedade,; paranóides: a
estar mumamentc ligada com et.friar .: matar a ~\ualidadc fantasia é de que o rapa, quer destruí-la por S\13 voracidade e
deli:5..: dela defende-~ projetand<>-lhi: ><'U sadismo nrn 1('mordeu ele mes-
9) Diante do conílito <!.!,.penado pela união do ca...al pa- mo"..,) de tal maneira que ele se destrua Jd,:ntificada com o
rental. escolhe como solução a ma_~rurbação com fantasus de agre~sor, o impulso ,olta-se contra si mesma, destruindo-a
gratificação oral. Assim. não necessua dos pais e pode se sa- pode-se relacionar bl.O com os aiaques eptlepucosl. A culpa
tisfazer como eles alimentando-se e destnundo a união sexual reto ataque sádico 1~'3-a à própria d.:struição.
que a excluia. 9) A ,orac,dade e tão destrum-a qlli! po<k matar o outro;
prefere. então. dirigir o ataque contra si mesma.
Prancha 7
Pra nch a 8
''Era uma vez um tigre que era muJlo mau e acon1~-.: que
os macaquinhos também.. foram pegar sua comida ... então ·São macacns? Era uma v.:z quatro familias... que foram
c~,a para comer o macaquinho e o macaquinho ~e as,,u,10u ... ao dentisu. .. e como tiveram que esperar tanto... deram-!h..: uma
e acontece que quando o tigre foi agarrá-lo enganchou o rabo xícara de café e,ta,am fala ... fala ... fala que fala• ... no fim
nwna àT\ore... se irntou atê que se virou e não viu nada._ então veio um macaquinho . que; (hç~ 3\isou que já iam <:hamar eles...
mordeu ele me,,,no... foi embora p:tra casa todo mordido.''
1) Um tigre mau. Um macaqumho também mau e dSSus-
lado. (Idem, prancha 1.) •"º mgin:tl ·c,t<J/u• tfd,• tf~lt. dele /wh/.,r • IN do T.,
198 O tt••:tednrpert:tpçiio i~i.,111il IC.U:1de l eS. &//,,t _ _ _ _ _l_9_9

entraram... e como duas macacas eram tão tagarelas_. então csta,a quase congelando... mas estava muito a<;sustado... e vie-
emde\.e (quer duer "em vez de.. ) conar-lbe o dente furado ... raM a senhora loba e o pegou ... e lhe deu leite... e acontece que
cortaram-lhes a língua e nnham que fazer- gestos poniue não o coelhinho ,·irou grande (vino grondc] ... e teve cria... então
podiam falar:· voltou a sua casa de ~oha... foi um lar feliz... procuraram urn
1) Três macacas tag;irelas e um macaquinho. (Idem. pran- papai ... se casaram
cha 1.) 1) Coelhinho abandonado assu.<tado. (Idem. prancha 1.)
2) Xícara de café. (Omissão de alguns elementos. 2) Porta a~rta. (Omissão de algun~ elementos.)
3) Não está clara a referência ao futuro. 3) Idem, prancha 1.
4) Idem. prancha 1. 4) /J.:111. pranchas 5 e 6. Primeiro tem cria e, depois. pro-
5) Linguagem adequada à idade, mas com alguma, vciba- cura um pai e se casa.
li.taçõc, incorn:ta'-. Di, ..famílias" 1.-m vc..: de '-pc:ssoo., ou rna- 5) Linguagem adequada à idade. Lnliza um ,crbo no plu-
cacos.. Há 1ambém uma palavra na qual as silabas e<tão alte- ra. com sujeito no ,ingular: ·-...,eram a senhora lobar: uma
rada,; e uma letra omiLJda...emdc, e... palavra c,identemente dcro.1is. ··mas-. e um modi:.mo: ..virou
6) Idem. prancha 1. grande" (vi110 grande].
7) Macacas \ão ao dentista: falam e.'l.cess1vamente espe- 6) ldt'm. pranchas 5 e 6
rando o denD.Sta. ~1acaqwnho anuncia-lhes que <é sua, e:z. Cor- 7) Coelhinho abandonado. assustado. é alimentado por
um-lhes a língua por serem tagarelas. A problemática gira nn urna loba- O coelhlllho cresce e tem cria. Volla para casa. pro-
tomo da masrurbaçào e a castração como castigo. cura um pai. ,;e ca<.a. Problemáticas básicas: a) senlimento de
8) Diana parece identificar-se cm parte com as maca..~ abandono e carência afeu,a, h) competição com a figura ma-
id1.'tlrificação prodominanh:), em parte com o macaquinho c h:ma; necessidade de ser uma miie. embora a identidade seja
com o dent"ta. A identificação predominante com as mac::icas confusa. tanto como idenlitladc sexual quanto como identida-
mostra uma imagem de si me,--.na como mulher com caracte-
de mfanul-adulta.
risticas fàlicas. A masrurb:ição ap;ireoe deslocada paro outra zooa
8) DeseJO de , inculo com uma figur~ materna que a alt-
erógena (oral):" ... fala que fafa ..:·. As fantasias que ocompa-
m.:nte e 3 faç:i crescer. Desejo de ser uma mãe que ~e relac10-
nbam a masrurbação parecem ser sádicas: destrói .. falando''.
m: com o pai (vinculo edtp1ano). Medo do abandono, de ficar
Por isso. identifica-se também com o macaquinho e com a fi-
desprolcgitla Os meios de defesa utilizados são: tdealização de
gura não visualizada do d.:ntisla como sup,:rego cruel que cas-
um vínculo com uma figura onipotente que gratifique sua avi-
tiga ca,1ramlo a lingua-p.:-nis.
dez.. Trata-se de uma figura ideali.tada e persecutória: "loba"
9) A solução escolhrda consL'lle na identificação com uma
Repressão de impulsos sexuais paralela a uma identificação
figura feminina à qual coruimm n pêms-lingua para que seJa
calada e boa. com o papel matemo ( ··e t1.-.c cria....... ,e casaram").
9) Tentat:Í\'3 de solução maníaca atra,és de um vinculo
,dealiz.ado e persecutóno que a gratifique oralmente e lhe per-
Prancha 9
nma crescer com a condição de que a genitalidack fique cm
-Havia um coelhinho que esta\'3 morrendo de frio porque :,cgundo plano e seJa dada prioridade a um vinculo familiar
o abandonaram e deixaram a porta aberta... como h:i,·ia ne\'C ido:ali:tado.
100 O lôlC át iJ{)erwpçào '•fo11ril 1CA TJ de /_ ~ S. BeM _ _ __ 101

Prancha 10 mentos ~'istos. Até mesmo a maneira como os personagens e


os elementos são percebidos responde à norma. A 1denudade
..Que lindo! Era wna vez 1Tês famílias que tinham wn filhi- d°' animais é correta. Com re13çiio aos dementos não anunms
nho menor que cada vez que ia ao banheiro derrubava ludo das historias. pode-se notar: renas omissões. um ac~imo
mordia as toalhas. quebrava o bidé... e uma ~ez ..eio a mamie... (prancha 2) e wna distorção (pranchl 6). Em geral. a pcrcc.-p-
, ,u-o.. agarrou-o e lhe deu woo palmada .. e o papai deu ou1ra... çào do e~límulo é boa. oão aparecendo alterações importantes
e o meteram na cama ... e lhe deram uma grande injeção a
(as poucas exislcntc não ~e referem aos personagens). Em
agulha era de 40 metros e assim nunca mais fu d=ires no
smrese. 1lào hi sinm patológicos sénos em ni\·el de percepção.
banh.:iro r (Não ,·ê o pai.)
A utterpretação das pau~ po,tcriores trará mais luz sobre o
11 F11hmho. Mamãe. (Idem. prancha 1. embora não fique
conteúdo dinâmico das htStórias
muito claro se se 1rata de cachorros.)
Em geral. a localização u:mporal é boa; com c,c~o de
21 Banheiro. Toalha 81dc.
31 Idem. prancha I. dua~ pranchas (5 e 8), as restantes têm referi:ncia às três in,-
4) Seqüéncia lógica. sal,'O certa incoerência no final. l'incia, lt!mponus. Na prancha 5 o ~do não está explicito.
5) Linguagem adequada it idade. Ulili,a -famílias- em o que parece relacionar-se com a negação da cena primitiva e
,cz de ")Jess005- ou ··cachorro,,··. a culpa pela maslurbação. Na pmocha 8 a referfoc1a ao futuro
6) Idem, prancha 1, embora a m1roduç.io do elemento """'n- n;io eStá clara. omi,são que se podia esperar. Já que o desenl3-
Jeção" na praocha tome as caracteri,ticas da hii,tória s,:mclhan- ce do problema é o castigo castração. Pode-se dizer que. sem
tes às das pranchas 5. 6 e 9. se prender rigidamenle à dimensão temporal dos fatos. conse-
7) O filhinho derruba. morde. quebra..\ mãe e o pai caso- gue re,,pe1tá-la. aparecendo somenl<: c.:rta utci<J.;ncia emoc,0-
gam-no. A problemá11ca gira em tomo da agressão e do castigo. 11;.' determ inada pela sua problemática.
8) O vinculo de de.-trwçào oral e anal ('·mordia··. "derru- A ~üêncta das lustórias é: lógica em cinco histórias. com
bava..) origin., o medo da retaliação das figuras parentais e, um final ilógico em tré,, , pranchas 5. 6 e 9) e com elementos
espec11icamente. medo da agressão f.ilica pa:ema. Projeci o con- de logictdatk du, idosa em cone.'tâo com o resto da historia em
flito oiang:ular (adicionando o --papan. en,bom...: trate de uma clOis casos (prancha 2 e IO). Em geral. não é e\"ideme umJ
prancha típica da n:laçiio mãe-filho. ao mesmo lf:lllpD. como em alteração formal do pensamento; a aparição de certa tlog1c1da-
outras pranchas. com erte as pessoas em ..fami.13s". O ataque óe toma-se clara se ,inculamos e~,a pauta com a 6: (fantasio).
sádico. pelo qual sobre,ém o castigo. implica o fracasso do A linguagem uúlizada .: adequada à idade, bastaote rica e
controle in1emo Castigam-no por n:io ha,cr reprimido a agre~- c,ata quanto aos termos. As inexatidões são C!.Ca'!,:\l,. Algu-
são. Finalmente. introJelll a nom1a 1ransgredtda. ma!. alterações na formação de frases e modismos são aceitá-
9) Por não poder impedir que suJJa o auque d.:struti"º· pro-
, .:is, dada sua idade. O mais s1gnific.1tivo é. poSSi\"e)menle. o
cura o castigo severo e o posterior controle rígido da agrcs,,ão.
31)--uecimento do ··emde-.e.. e a omissão do "a'· em "campar'·.
o que pode ser relaciona.do com o problema orgãruco. A utili-
Síntese z.ição inexata da palavra ··família·•. de forma rependa. parcre
A criani;-,a m0b1ra wna atkquação às percepçõe:, típicas da our relacionada com o conteúdo emocional das h1:,1ónas. Seu
prancha tanto com relação aos animais quanto aos o-,1ros ele- a"'1re.:1mento nas mrrações em que se estrutura a situação edt-
O,~ de a;,vr;epçii;, int.wil ,e l T.I de L e S. Bcllak _ _ _ 103

piana faz pensar que coJl\·erte os personagens em "far1ilias.. A necessidade de receber é muito intensa e não admite
para e- itar o lriángulo confluivo. Parece ocorrer o mesmo com demoras. Fanmia wn vinculo que seja uma fonte iwaluada
n pala,ra "cascalho" em lugar de "farn de mel" ru prancha 2 de provisões. A fome é tal que necessita cs,aziar o objeto doa-
(relac1onado com a agressão). dor.danificando-o; -'-llll. jâ não é fome e sim ,orac1dade. Tal
A maioria das prancha, (1. 2. 3. 4, 7. Se 10'!) mostra a voracidade é inC"'CTllC'lta<la pela compençào fraterru e pela fi-
possibilidade d.: fantasiar e de cnar hbtória~ que . s..:m afast.ar- gura paterna. já que todos querem re<:eber da mãe. Logo. teme
se muito das habituais. têm cena origj'la lidJde. Isto evidencia tanto a represália d1 figura matenu que foí esvaziada. como a
a capacidade da menina de comunicar-se com os outros sem do mnào e do pat que foram roubados. Quando a competição
afastar-se demai:, das nonnas socialmente aceitá,eis. a:,,.un co- se w na relação com o fr.itemo. o medo do castigo mat..'TllO
mo a capacidade de dar um tom pessoal e ongmal às coisas. leva-a a introjetar normas que mantenham a -.orncidadc dentro
Contudo. cabe as,11\Jlar que. em determinada., cm:un.,üncia,, do,; ,mitcs. a fim de não danificar e "-T ca'-11gada. Quando a
(pranchas 5, 6 e 9), a ,ub.Jcti, idade dá um nexo ilógico às idéia,, competição é com a figura paterna, o problema toma-se mais
M1b,t itu111do, então. a ongma lidJdc p,.:la ilogicidad..:. b-;o vin- di ficíl. jà que Não mi,turndos ai os mi.pubo, edipwios: en
cula-se diretamente com seu conflito· sexualidade. tão, a solução é apelar para a fantasta de um messias que possa
Ix acordo com a recorrência temática. colocam-se em or- gr.itilicar a todos, ou umr-l>C mamacamente ;\ figura paterna
dem de importância as ~inics prob emáncas: exc;..u,do a mãe lcom fanwías de gratificação oral 1. O ,~u-
l) Voracidade: necessidade de receber e dificuldade de lo com a f1gun paterna carnctcriza-sc pela busca do: um ..pra-
esperar (pranchas 1. 3. 4. 7 e 9); rh'3h7..a com o ,mi e com o zer sexual de ripo oral~. ,\s fanta,ias masturbatórias !Jllisfa-
zcm esse prazer sendo, ao mc:smo tempo. o produto da m,cJa
tnnão para receber mais ··comida- da mãe. A probh:m,itica típi-
pela cena primiliva .: um at..'lque !\:id,co aos pais urudos. Esm
ca de ciúme estimulada pda prancha 4 está diretam.:ntc ,incul,-
font ,ia c,lá ligado a wna mteru.a culpa persecutória: teme que
da à fruMrnção das lk!cessidades orais pelo aparecimento do
a retaliação a de-;trua.
innão.
Quanio :is soluções apresentadas. distmgucm-se três pos-
2) Manipulação da agre;são (pranchas 7 e 10): tem uma
sib1bdades:
conotação muno destrutiva 11.l.S histónas. Sente que pode to= 1) A mtro1eçJo de normas sup,:regoicas que controlam a
três direções: a) dos outro,, para ela. b) dela para o~ outr0s, cl
agre;-.s.'io , pranchas 1. 4 e l O)
dela para M mesma. 2) Soluçõc~ íantasiadas dificets dc conc11iar com a reali-
3) Dificuldade parn a clabordção da situação triangular e dade· fantasias de grotiftcação oral em ,inculo com um Obje-
=nção da identidade. 811$Ca de um vínculo com o pai c~- to m~gotàvcl. e fanta.'1as de estabelecer um \ mculo edlp1.1no
cluindo a mãe (pranchas 2 e 9): agressão diante eh cena piimi- 1111 q.i.'11 se encontre também unu provis3o oral (pranchas'.!. 3.
tiva (pranchas 5 e 61: problemas no processo de idenadade 6 e 91.
(pranchas 4, 8 e 9). 3) Soluções nas quais o desenlace implica a destruição de
l::sl.1s três problemàacas estão ruadamcnte relaetonadas ~• mesma: castração e morte (pranchas 5. 7 e 8).
entre si. cm nível das relações ohjetai~ inconscientes, jã que Como epílogo deste trabalho. gostaria de lembrar ao lei-
ap=e wn conílito edipiano primith-o muito marcado pelo tor que um ei,qucma d,: orientaç~ mterpretanvas como este
sadismo oral. 1,·m ,uas ,-antagens e de.<nMtagens. É C\1dente que organiza o
204

aabalho interpreianvo e toma-se um guia ú1il. sobrerudo p:1ra Cap itulo VII
o psicólogo que está Ullcia.ndo. Contudo. ,ale a pena destacar
que um esquema é sempre um esquema. e que deD,a de fora
A hora de jogo diagnóstica
muitos dados significativos que são diticetS de mlegrar numa
síntese. Muitas hipólcscs inlcrpretan~as escapam a qualquer
esquema orientado, mas nem por isso deLum de ser valiosas
num informe final

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1. A hora de jogo diagnóstica
.\na \faria Efron. Estber famberg. \bianda Klemer.
.\na \faria Sigal e Poll Woscoboiruk

ltttrodução

A hora de Jogo diagnósnca consntw um recurso ou instru-


mento técnico que o psicólogo utiliza dentro do processo ps1-
codiagi,óstico com a finalidade de conhecer a realidade da crian-
ça que foi uaz1da à con.,ult.a.
A ativid:lcle túcliça é S\13 forma ele expressão própna. assim
~orno a linguagem verbal o é no adulto. Trata-se. ent!o. de ins-
.:umentali7.ar sua, possibilidades comunicacionais para depois
conceituar a rea.J.,dade que nos apresenta.
Ao oferecer à criança a poss10ilidade de bnncar em um
,ontc:><to particular. com um enquadramento dado que inclui
espaço. tempo. e.icpl iciução d<! papéis e finalidack:, cria-se um
campo que será estrunr.tdo. basicamente. em função das -.ariã-
' eis internas de sua personalidade.
'\esta !>itua,.Jo. e~r.:ssa wment;; um segmento de seu re-
pe1tono de condutas. reatualizando no aqui e agora um con-
unto de fantasias e de relações de obJeto que irão se sobrepor
ao campo de estimulo. Por isso recorre-se. complemcntarmen-
1c:, a outrOl> m~trumcnios ou métodos de in\'<:stigação.
Achamos conveniente esclarecer uma diferença b:ísica entre
a hora de jogo diagnóstica e a hora de Jogo terapêutica. pois é
muito comum a confusão entre as duas.
1118 109
4 hnm deJ'>grl ditlfJl'Óstirn, - - - - - - - - -

A primeira engloba um proccs,o que t.:m começo. desen- cial breve. CUJO ohjemo é o conhecimento e a compceensão da
vohimento e fim em ~; mesma. opera como uma unidade e <.'fiança
deve ser interpretada como tal.
A segunda é um elo a mais em um amplo contmu11111 no
qual novos :i,,,,ectos e modificações estrururais vão surgindo Safa de jogo e nl(fteriais
pela inten,enção do terapeuta (A respeito da parucipaçào do
p,icólogo na hora de jogo diagnóslica. falaremos detidamente Consideramos que os aspectos formais da hora de jogo
no lópico '·papd do enlre\ isllldor''.) diagnósuca intetferem no conteúdo da mesma.já que o enqua-
Como se pode pcrceb<.-r, C-'ti~tc muita >.emelhança com 3 dramento e as condições do ã.mbito de trabalho configuram
enu-e,.iSta diagnóstica livre do adulto uma Gestu/1 que responde a nosso marco referencial teórico.
Vejamos agora algumas diferenças Por isso. pas_<,an.-mo;, a detalhar a, condições gerais nas quais
l\uma a fantasia é mediada pelas vetbalizações; na ali.;. tal processo de\ e se d.:semolver
dadc lúdica o modlador é. predominan1emen1e. o brinquedo A :;ab de jogo sem um quarto não muilo pequeno. com
oferecido. que expressa o que a criança está vnenciando no mobiliário escasso (uma mesa_ doas ou três cadei= e quadro-
momento. ncgro). a fim de possib1lit.ir libcnlade de lllO\ imcnt~ à crian-
Na v-,rbali.alÇâo a fanlasia aparece depurada pela maior ça. Ê preferível que as paredes e o piso sejam laváveis, o que
mfluência do proc= secundário: a localuação temporal da pcm11tir:i que o entre\-1stador não se preocupe com a conser-
fantasia expressa alJ3Vés da linguagem. do uso apropriado dos ,11c;ão do lugar de trabalho.
,erbos e das leis do pensamento lógico-formal toma-!>e
clara. t\o bnncar. por sua vez. há uma comurucaç,io de tipo
= É comco.icntc oforeccr à criança a possib1hdade de bnn-
car com água, s.: di!sejar. permitindo-lhe fficil a.:cs.w à 1116111a.
espacial, na qual são incluídos mais elementos do processo pri- Os elementos dev.:m ~ r e:otposlos sobre ;1 m.::,a, ao lado
mário atm"é.~ de pnncíp1os como os de condensação. atempo- da caixa aberta. Comém que estejam distribuídos sem corrcs-
ralidade e deslocamento, aruados no própno bnncar. pon<1er a nenhum agrupamento d~ classes. dando ao pequeno
Por oolro lado. a hora de jogo diagnóslica é precedida das pack!nle a possibilidade de orderoçilo que corresponda às suas
entre,~ realizadas com os p.iis (qu.: correspondem ao con- variá,eis otemas, em função de suas fantaSL3S e ou de seu
ceito de píl!-enm:vista dos adnltos). nivel inlckctual Não obstante, dc,c-se evitar um panorama
~elas o psicólogo elabora com os pais in.-truções que caótico atrJVés de um amontoam.:nto indiscriminado de bnn-
serão dadas à criança por eles. Como pode haver inlerferência qucdos. A caixa ou c.:sto deve estar presente, porque pOdc fw1-
de diferentes fatores para que esta informação chegue de mo- cioaar corno um elemento lúdico a mais e porque i..:rá o coa-
do adequado ou não. cremos ser neccssáno reformular para a llllente deposiwrio da produção que o cntn.-.,,istado deseje dei-
criança, num primeiro contato. tais instruções de forma clara xar ao final da hora. A apresem.ação dos brinquedos sobre a
e precisa. mc,,a, fora da ca..~a. cnta o incremento da ansiedade persecu-
Cada hora de jogo diai;,'llóstica significa uma experiên::c1a 1ória que pode surgir no primeiro contato diante de um conti-
nova_ tanto para o entrevistador como pardo entn:vislado. Im- 11c,i1e-cru."ta-dc~11h.:cido, fechado (comparulhamos neste caso
plica. a nosso ver, o estabelecimento de um vinculo trarufcren- o critêrio de outr~ autorc,.) Com refação ao, brinquedos a
_2_1_0______ O pro,:ewJ psk-odiog,,,,,1ico eas téc ·ro, p ·eri,'C' A hora 4e~ Jiag,*tica _ _ __ 211

serem incluídos. há diversas modalidades que correspondem te.oura ,em ronta..


ao marco teórico adotado pelo entrevistador. Erikson. por exem- massas de modelar de di,ersas cores.
plo, da escoJa none-american:i, postula a nece~dade de dis- borracha.
cnmmar diferentes áreas da problemáltca da criança. Por esta cola,
rar.io, -..:leciona o~ brinquedos em função da, rc,p0stas CS[)<:· apontador.
cificas que prO\ocam: de tipo ,cnsóno-motor, de intq_'T3çào papel glacê.
cognith'3. do funcionamento cgôico. etc. barbante.
Alem disso, introduzindo outro critério. o da funcionali- doi~ ou três bonequinhos (com articulações.: ck: tamanhos
dade do brinquedo. propõe a inclusão de ele=nios de Mercn- di foraitcs).
tes tamanhos. iexruras e formas. Assim. para facl111ar o Jogo família,- de animais selvagens,
agre,,mo, mclu1 re-óhere:,. espada.~ de bo1 rJCru, "31.X>s d,e Jrcia.. família, de animai~ dom~uco,.
para csnmular a área comunicati,.i, telefone... lápi, de cor. etc dois ou três carrinhos de tamanhos diferentes que possam
Procur.1 rcprc,cntar em miniatura todo,. os objeto, do .-,undo tw1c1ooar oomo oontim:ntes,
real circundante. oo,s ou três ~;õezinhos com ~s m~mas propriedade:..
Consideramos desnecessária uma quantidade exce:;sl\'3 de u..as 0u !rés -ucaras com seus re,pecti,os pire,
material porque distrat e confunde o entren:,-Udo. culhcrinhas,
l\o que diz respetto a escola Ulglesa. de oneotaçào kle1- a gu1b ...ubo,, (apro.-umadamente setsl de tamanho m.:dío.
niana, nãn há um critêl'io unificado. Segumdo Bick, in>1'1C·'<! trapin"os.
na ut1Iiação de material não cslruturnJo: madcir-J, de forma, gize
e tamanhoi diferentes. tinta. barbante, lã. pedaços de p.,no, te- bola.
soura, fitas el:isttcas. copo. etc.
As rnucas que podem ser feitas a este tipo de e,.foque. É importante que o material seja de boa qualid.'ldc para
anmgôruco em relação ao anterior, é de que pemute mterpre- c,·itar fácei~ estragos. s11uação que pode cnar culpa na criança
lM simbolos que não corrc,,-pondem ao que a cna~-a realmen- e: fa7.:-la sentir q.i.e o entre, 1:,tador pode ser faci mente destruí-
te de~e_ia tran,mitir. do por seus impulsos agressivos. os quais ela tem pouca capaci-
Kõ,. aderimos a um critério intenncdiãrio, oferecendo à ,IJdc para conter e manipular. O..,,e-se e-.1tar a mclusão de
criança materiais de tipos diferentes, tanto estruturad05 quan- material perigoso para a integridade física do psicólogo ou da
to não Citruturados. po,,s1b1Iitando a e:iprc,são. snn que a e:i- ,11ru1ça (objetos de vidro. te,,ourJ, com ponta. fõsfoco,, etc.).
periência se tome invasora. O m~enal deve estar em bom estado, já que, caso contrário. a
Propomos que seJa mcluído na caixa de bnnqucdos o se- , rinnça pode ter a sensJçào de estar cm conta.to com objeto, já
guinte material. 11,ado,; e g-:ar'-!os.

papd tamanhu C'Jrta,


lápu, pretO!> e &: cor.
lápis de cera.
.f floro d< jcgod:,ag/lÓmea _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ 213

l11srr11ções Em hipótese alguma dC\·em ser incluídas mterpre13<;ões. já que


estas apontam para o latenlc.
Quando a criança entra no consuhóno. o psicólogo deve Outro tipo de participação é o estabelccunento de'iimi1es.
manif-. de forma brc,c e numa linguagem compreensível ca!iO o paciente tenda a romper o enquadramento.
'leste sentido. to<h a panicipaçào do entreVistador 1cm
uma s.:ric de infonnaçõcs que configuram a, instruçõe!-:
,-orno obJeU\'O cnar as condições ôwna3 para que a criança
pos.~ brincar com a maior espontaneidade po,;si\el. wna ,ez
definição de papéis.
que esia. como qualquer outr.i situação nO\a., pro-.oca ansieda-
linuução do tempo e do espaço,
de. A função especifica con~1s1e em observar, compreender e
matenal a ser utihzado e
cooperar com a criança
objemos esperados.

lslo significa que se esclarece para a criança que pode uti- Trall!ife rência e contratrunsferincia
lizar. como qu=r. o material que e-.tâ sobre a inesa. que obser-
\'llrt'IDOS sua brincadeira com o propósito de conhecê-la e de
lJma hora de jogo diagnó,1ica significa uma experiência
compreender sua; dificuldade,; parn uma ajuda po,tcrior wdo '10''3 tanto para o enircvislado quantO para o entre\'i.,-iadoc. Neste
is10 num tempo de1enninado e nesse lugar. ""ntido. além ele reflcllr o interjogo das séries complementam.
Além disso. serão ex.phcitados os limiles gerais quanto á de cada um. imphca, a nosso cmério. o estabelecimenlo de wn
reahiaçiio de ações que sejam pengosas para a integridade físi- , .nculo tmnsferencial.
ca, tanto do entre\'lstador quanto do enirevistado. da sala e do Ames do primeiro contato já Cl<istc uma imagem mútua_
mobiliário, caso L,to seJa necessário. e no momento indicado. ~lume da infonnação que o, p,lis transmitem. Isto condiciona
d..'lerminadas eiq:iectati"~ que devem ser rea.JIISCldas na primeira
,'l!trev;;;ta, atrdvél. do vinculo real e concreto com 3 criança.
Papel do psicólogo A 1ransferêi1c13 na hora de Jogo e em todo o processo diag-
1its1i~o adqwre caractcristicas panicularcs que respondem, por
O papel que o psicólogo cumpre durante o processo psi- um lado. à brevidade do ,•incuto e. por outro. ao fato de que o
codiagn6suco e um papel pass1\0.Ja que funciona como obser- 111c10 de comunicação sejam os brinquedos oferecidos pelo psi-
vador, e anvo na nledlda em que sua atitude atenta e aberta ,-ologo. o que pennite que a transferência se amplie e se diversi-
(atenção ílucuante) permue-lhe a compreensão e a formulação 1 que para estes objct~ intenned,anos. !\eles o paciente dcpo-
de hipóteses sobre a problemática do entrevistado. ' lará parte de seus sen11mentos representantes de diferentes
Pode acontecer que a criança n:que1ra oo;..-.a participação. , nct: o,, com ob;etos de seu mundo interno.
fazendo-nos desempenhar um papd complcmcnlar. Pode sur- É tarefa especifica do psicólogo recuperar esse material
gir. inclu:.;ve. a neces;idade de uma sinalizaçiio (por exemplo. -....ra mr.egra-lo, Junto aos elementos verba~ e pré-\l':rba1s, na
quando a criança se bloqueia ou manifesta sua rejeição a•ravé,. 1otahdade do processo.
da IIllbiçlo da atividade hidica). entendemos por sinalização a ,\ contratransfcrência é um clcmcn10 que pode aJudar a
exphcitaçào de aspectos dissociados manifestos <b condula ,ompreensiio da criança. se for conscientemente integrada pelo
1_1_-1_ _ _ _ _ _ O pri}<"t'$Só ps;<vd1agr.6sJico ~ as timicu:; ;,,o;t1nur 115
.4 '""ª de~ diagr,ósrica
psicólogo. Este de-.e discriminar suas própnas moavações e Escolha de brinq11edos e de brincadeiras
unpulsos. para que não 1nterfuruu na asuilise compreensiva da
conduta lúdica da criança. De acordo oom as caracterfaticas ind:Jvidu:iis, a modalidade
de abordagem dos brinquedos pode assumir estas formas:
1) de obsen,.içào à diSlância (~m participação auva).
indicadores tia hora de jogo tliugnvstica 2) dependente {à espera de indicações do entre-.istadoc),
3) c\1tativa (de aproximação lenta ou à dbtãncia).
Quando nos dedicamos à iarefa de analisar uma hora de ~) dub11ãti.ã (pegar e la,gar os brinquedos).
jogo diagnósrica, deparamos com a não-exis1ênc1a de umo pa- 5) de irrupção brusca sobre os materiais.
dromzoçào deste material. Isto faz com que a urefa se tome 6) de irrupção caóttca e impulsiva e
difícil e a produção não stja b.:m aprovciiada. 7) de aproximação, tempo de reaçlo trucia.l para esuuru-
Portanto. propm.cmo-nos elaborar um guia de pautas que rar o campo e, em seguida. dcsen\olver uma attvidade.
ofereçam um crilério sistcmalizado e coerente para orientar a Deve-se levar em conta também o tipo de brinquedo ei,co-
análi:;e, comparar diversos materiais dentro do processo psico- lhtdo para eslabelecer o primeiro contato, de acordo com o
diagnóõtico e obter mfmnc1as generalizadoras. momento evolunvo e com o conflito a ser veiculado ( ob;.enar
Este método de in\-estigaçào permire obter. além disso. ,;e a criança se dinge a brinquedos de ripo escolar. brinquedos
um gwa interno repartido e obJett\ ado. ennquecedor da vts3o rcpre!,c!ntaUvos de dtferemes modalidades de vinculo; - oral,
de COOJUOlO. anal fá lico e genital - . brinquedos não estruturados ou de sig-
Não se pretende com e le esgotar roda a riqueza e a com- nificado agrcs:;i\O manifesto).
plexidade das po.siôilidades a serem consideradas n~ 'iora de Quanto ao ripo de jogo. é nece,5ário ver se tem principio.
jogo. mas ,im considerar os itens mais importantes parn Í"tlS desenvolvimento e fim, se é uma un idade coerente em s1 mes-
diagnóstico e prognóstico. apontando ramo para o dinâmico ma e se os jogos organizados com:spondern ao estágio de
quanto para o estrutural e económico. desenvol\imento intelectual COFTespondente a sua idade cro-
nológlca (oesra avaliação seguimo, os crit.:rio:. gcn.:rico; t."\.O-
luti\(,s propostos por Jean Piaget).
Análise dos segui,úe.ç indicadores: De wna criança de três anos é posshel esperar lllll jogo de
tipo egocéntrico, centrado em si mesma. Pode pedir ajuda ou
1) escolha de brinquedo, e de brincadeiras. fazer perguntas ;obre o:, objetos. mas não tom:i o entrevisrador
2) modalidades de brincadeiras. como participante ativo na brincadeira. Sua atividade lúdica,
J l personificação. além disso. não se aj~-ia a nenhum plano pré\ io, é esponl.inea
41 motricidade. e lábil. lst0 determina que passe com facilidade de um jogo
5 J cri:1tiv1dade. para outro. sem terminar oeohwn. A atenção eslá centrada. fun-
6J capacidade simbólica, damentalmente, na investigação do objeto. em suas funções e
7) tolerância â fru;rração e no pra7.er que lhe proporciona o exercício e a manipulação do
8) adequação à realidade. me,~.
116 O processo p.•irnd1agni,.11ico ~ as ','Cnicas rrojemus

Seu sentido de realidade ainda é restnto e, por isso. a fim- ;Uodalidades de bri11cadeiras
cionalidade dos objecos é determinada subjem-amente. (Por
É a fonn3 em que o ego manifesta a função simbólica.
exemplo. pode fazer que os carros andem pelo ar.)
Dos quarro aos sete anos há uma maior aproximação ao Cada SUJeito estrutura o seu brincar de acordo com uma moda-
real. com cre,centc preocupação pela "cracidade da imitação lidade que lhe é própria e que implica um traço caracterológt-
exata. Isto pode ser apreciado na ali\ idade gráfica. nas cons- co. Entre tais modalidades podemos detectar
auçõc, e nas associações "erbai~. a) pla~ticidade.
Por outro lado, o desenvoh;mcnto do proctsso de ;ociali- b) ngidez e
zaçào permite à criança reconh~r cada .ez mai5 o ouao como e) e,-icn..-otipia e per:;e\erança.
co-participante de sua bnncadeira. Deste modo, pode dirigjr-sc Quando a criança pode apelar para uma certa riqueza de
ao ~,cólogo não somente para que ele a aJucle. mas 1ambém recursos cgóicos para c,pressar situações diferentes com um
para que assuma um papel ativo, discriminado e real, comple- cmerio económico. atra,·é, da , ia do menor esforço. mosua-nos
mentar ao seu. pl.isucamente seu mundo interno.
Nos desenhos, pa.~ d3 garatuja própria dos três anos a uma Esta pla.._<ncidade pode se manife,tar de diferentes manei-
.unitaçào mais rcah:,"ta do objeto n:prcsentado. mclwooo cada ra,. expressando a mesma fantasia ou dcf~ atrJ,i:,, de media-
vez mais elementos do mesmo. Com relação à consaução com dores diferentes. ou wna grande riqueza interna por meio de
cubos. aos quatro anos mreressa-s.: por emptlhar com cquili- poocus elementos que cumprem di\'er.,as funçõc~
brio. mas sem objetivo prévio e sem maior connnuid.lde: pode No primeiro ca.<o citaremos o exemplo de Pablo. de sete
mterromper para passar a outra coisa. anos. que ao longo de toda a hora de Jogo mostra sua onipo-
Aos cinco ou seis anos. começa a incluir a intencionalida- tência como defesa. identificando-se num primeiro momento
de: o propósito e:<plic1to de realizar uma detemunada tarefa com figuras fortes (salta com o guarda-pó colocado como capa.
com wna margem mais ampla de constância em relação a seus duendo que é o Zorro e combatendo o,, soltbdos), enquanto.
objetivos. mais tarde, começa a encher um Jarrinho afirmando que ,m ah-
Posteriormente. de sete a onze anos. encontramos já esta- m..'lltar todos os ammaizinhos que hã no cesto lldentifica-se
belecidos os esboços de regras: pode atnouir e asswrur papéis a!,<Ora. também de modo onipotente. com um peito inesgotá-
explicnados de antemão e próximos à realidade (\'Cndcdor. pro- ,,:1.) Expressa. então. de forma plástica. uma mC'>-rna d.:fcsa
fessor. aluno). Tem noc;ão da brincadeira mútua e consciência maniaca. com ,ariedade de recursos.
da alteração da regra; pode dramatizar cenas cotidianas. No ;;egundo ca-o ,·cmoo, outra mod.llidade da plasticidade·
Outro elemento importante é o uso que a criança faz da a expressão de uma gama de situações aumés de áreas dife-
linguagem. sua ligação oom a brincadeira QU<: ~nvolvc e com rentes de conflito que se dcs-prs'11dem oomo núcleos organiza-
a idade. dores do seu brincar. O psicólogo sente. ao termmar a hora de
j~o, que a cnança expre;,ou um amplo ~ectro de sua vida
CMOCioml, que se manifestou de fonna integrada, numa seqüén-
clJ fluente, e sem a necessidade de recorrer a lll<:C"Jm~rnos do!
isolamento ou de controle obsessivo.
• ho,.. de jogr, diog,,itstica _ _ _ _ _ _ _ __ 119
Z/1

A terceira situação mostra 3 possibilidade de um mesmo a hora pelo cuidado e,ctremo que tinha, o que é diferente de um
objeto mudar de funo;ào, ..etculando di\'ersas fant.b-iaS de manei- brincar repetido e sem :;.:ntido. próprio de WDll modalidade es-
ra adaputiva. sem produ,:ir respostas tão originais que se tomem ,ereotipada.
incompreensíveis para o entrc-.istador ou unpeçam a comuni- A rigidez costuma s~ exp=r também através da impos-
:iibilidadc de modificar os atributo- outorgados ao objeto Por
cação e a expressão do que rcalrncme deseja tr.lJlSll\irir.
exemplo: Suzana. de cinco anos. pega quatro xicnnhas igua,~ e
Suzana. cinco anos. utiliza uma >.icara para dar de comer
atribui a cada uma debs unl3 função com base em uma peque-
a sua boneca. e>.pressando assim uma fanta,ia oral. Pouco de-
n~ d•fercnça. Durante trtnta minutos realiza um J~º· coru.er-
pois, a xícara adquire outro significado: colocada de cabeça
,-ando ng damente os papéis e com um grande cuidado para
para b;u.,:o sen.c dc ai.sento para sua boneca V=os a capact-
não confundir as xicaras. \ ê-se que está preocupacb com ISSO.
dade da criança para modificar a função dos objetos, adequan-
Quando uma das xícaras fica escondida. entra em p.inico eco-
d ~ às suas necessidade:; de e.,presslo.
me;;a a chorar. acalmando-~ quando a entrevc,-tadora lhe mos-
Tal plasticidade converter-se-ia em lab1lidade patológica
tra. Recome;;a então a brincadeira. quando supera a paralisa-
se a mudança fosse a tal ponto b = e coru,tante que os obje-
ção produzida pela wa entrada em confusão.
tos não conscr.a.,,;em, nem por um momento. o;; atributos que Como modalidades mais p:11ol6gicas de ftmciunamento
lhes são conferido~ ,;gó co podemos caractenzar a brincadeira Cl>lereotipada e a
Estas mod3lidade~ de expres.~o da plasticidade ,-,ão são rc=•crallle. Nd:!$ man,fe,,~-sc mna dc-.conc>.ãocom o nun
e.,cludences e podem ~ r pre,,entes num mesmo pac,cnte .10 do externo cuja .mica finalidade é a dc,ca,-ga: repete-se uma e
kingo de umJ hora de jogo. complementando-se entre si outra vez:. mesma conduta e não há fins comunicacionais.
Outra modaltdade clara e oposta à antenor e a rigidez no Este brincar é típico da, criancas ps1cóocas e com lesões
brincar. gêl'lllmente utilizada diante de an,iedndes mi.1to pri- orgmicas.
mim-as para evitar a confusão. Neste cai;o. a cnança adere a '•1an Cario,-. de llO\'e anos. recortou durante a hora de )OgO
certos mediadores. de forma exclusiva e predominante. para e,- um m~~rno elemento multiplicado sem introdtuir 11<:nhwn. ~a-
pressar a mesma fantasia Esu caraterística pode tanto ser n:hel
, hta oo;; brinqu~ quJnto na., seqüencias. verbali:zaçõe, e
gesto~. e tem como objetivo controlar a 1dentifícação projeri-
\'3 no depos,lâno. consen'3r os limite, e m.nter a dissocía,Jo. Per~o11ificação
dado que qualquer situação no,-a desorJaniu-a e pro,oca COO·
fusão. Esta dcfo,,a empobttcc o ego e dá como rcsulwdo wna Qua:ioo falamo, d~ p.:r..on,fiCJção. referimo-nos à C'3pa-
bnncadeira monótona e pouco cnatÍ\'3. cidade de assumir e atribuir papeis de forma dramática
I'. wna modalidade não ad.ipt.ativa que é vista. fundamen- f m cada p.:riodo e, olun, o a capacidade d,: pcr.,onilicação
talmente. em crianças neuróticas ul.:JUl!e d1terentes caractensticas. Em criança, muito peque-
Para exemplifJCar. relatamo, o caso de Dame). de d..--z an~. "' ' a reahz.açào de desejos se ~xpmsa dc maneiram= une-
Ounmte ,·,ntc minutos dJ hora de jogo faz quadrados num p.~- l1 J1 .. e a identificação introjeti,-a é utiliroda como mecanismo
pel glacê. e começa, depois, a fazer um gr.uieado com as tiras t u11..amer1al. As.!>Ume o papel do outro. fazendo s<:u o ~rso-
que conou do papel. entrelaçando-as Tarefa que l"ie tomou toda 1111 m tc,,ido ou dc,,cjado.
_2_2_0_ _ _ _ _ _ o (JIOCà.'V ps,àXÚagnãmco e as 1écmcas pf">Wtfra, .{ J,o,,, ,Jejw, d,ag,,á<t,ca __
111

Estela, de dois anos e meto. que fot levada para a consulta A anãfü,c do conteúdo da personificação leva-nos a a,-a-
por apresenlar c:ris~ de choro cada vez que seu innão, de seis liar, através da qualidade e da intensidade das diferentes 1den-
anos.. vai para a escola. pega sua pasta na hora de jogo e. den- t1fica,;ões. o equilíbrio existente entre o superego, o ,d e a rea-
tro dela, coloca lápis de cera e uma folha. lidade. elemento de fundamental importância diagnóstica e
Numa etapa posterior as pet,,0nificações se enriqw...::cm prognóstica. Este equilíbrio é conseguido quando o superego
com figuras 1Dl3ginarias. ws como fadas, monstros e bicho- se toma nuis permiSSJ\1> e reflete com maior realidade as figu-
papào, dissociando e pn>jC13Jldo lk.,us figurasdifereni.:s imago;,. ras de autoridade rc:il e. portanto. com menor sadismo. permi-
A criança começa também a atribuir papéis e a tornar mai~ tindo ao ego a satisfação de desejo3 e impulsos. sem entrar em
cxplicit0 o vinculo que mantém com esias 1magos (:;e subme- conflito com a n:aliclade.
ie. vence. domina. ataca ou é atacada. é o perseguidor ou o As in.,,ruções incluem uma expliciração de papéis que im-
pen.egwdo ). mostrando alternãnc1as sucessivas desses papéis. plica a observação do psicólogo e a at1rnbde lúdica da crian-
como expres<;:âo da labilid3dc da, identificações. ça. Se. durante a hora de jogo. a criança nos pede para assumir
No periodo de latência. a criança tende a dramatizar papéis determinados papéis. acb.= que .:: n.:cessàno que ela nos
definido~ socialmente, com menor expressão da fantasia, em explique claramente as características do papel atnbuido, para
função do aumento da repressão Amplia seu campo de cone- que fique b.:m defimdo e responda às fanta~ia:, proJeuidas.
xão com o meto ambiente. tende a brincar. por exemplo. de po-
licia e ladrão. <k professora, de ,endedor, com menoc alter-
nância de papéis e maior apego a suas identificações. "1otricidade
No brincar de pré-púberes observ:1-se uma 1rub1çào des1a
Este indicador permite-nos ver a adequação da motricida-
capacidade porque torna-se possível a atuação real de smh
de da criança à etapa evolutiva que atr.i,c,;sa.
fantasias.
Em cada p.:riodo há pautas prc,isivci!, que re<.pondem,
Para dar~ cun.o. cscolb.: objeto:. mais afaslados do meio
por um lado, ao descrr,,ol\'imento neurológico e, por outro. a
familiar através de um deslocamento. que se expressa, funda-
fatores psicológicos e ambientais.
mentalmente, na área simbólica.
Os problemas motores podem corresponder a qualquer
Na adolescência a personificação adquire importância no-
dcss.,-,, fat0res com predommãncia de alguns deles e.·ou a uma
vamente e é uulizada como met0 de e.-.pressão.
inter-relação entre os mesmos.
A personificação. corno elemento comum a todos o, pe- Atra, .;, da hora de jogo o psicólogo pode observar a falia
ríodos evolutivos normais. possibilita a elaboração de situações de funcionalidade mot0ra. apesar de que. para poder especifi-
1raumâticai... a apn.'ndú.agem de papéis soci:us. a compre,msào car a quahdack. a intcn~idade e a origem do problema. i.erá
do papel do outro e o ajuste de sua condula em função disso. ncce;;sária 3 aplicação de in~rumen1os mais sen,Í\·eis.
o que là,orece o processo de social!zaçlo e de individuação. Consideramos de,,i,_-ccs:,ãrio fazer uma descrição das linhas
De-1:mos te,-ar em conta que a passagem de um período a de ~oluçào do desem-olvimento motor, pois existe uma ampla
outro não se realiza de forma linear nem bl'U5C3, mas que im- b tbhografia a respeito; apenas queremos mostrar qu.: é impor-
plica sucessivas progw-~ e regr~sões. tanle levar cm conta o estágio evolutivo da criança que esta-
.4 J,o,r,dejogodiag,,ixtica _ _ _ _ __ 113
_2_2_1______ O prrxe«o p<irodi..,g,wsrico tas 1,'cl:i.:as pro~l'(J>

mos examinando para inferir qualquer conclusão 3cerc:i do Existiam também, mdubita, elmente, importantes fatores
tema. assim como ver iambém as n:corrências que podem ser psicológicos sup..-q,ostos, mas a obsen--açào dos elementos mo-
encontradas dentro do processo psicodiagnó~;co A manipula- tores deu-nos uma pista importante para detectar o problema e
ção adequada das poss1b1hdades motoras permite o domínio permitir que fosse acionado um lral3mento conjunto.
dos objetos do mundo externo e a poss1b1!Jdadc de satisfazer Este smtoma passou inadvertido para a familia. que via
suas necessidades com autonomia relatl\"a,Já que as dificulda- Carlos como uma cnança boba: a alt~o dava-se em ni\el
des provocam frustrações e incrementam tensões em nível intra de mo•,imento mais delicado.
e interpessoal Para citar um exemplo em que o componente fundamQn·
A comunicação gC!,lual e postural enriquece a mensagem tal era produto de um problema psicógeno. mencionarcmo~ o
e pode mostrar aspectos di=iados que se manífeStam como caso de Sebastián. um menino de 00\'C anos. aazido para consul-
Ulllll discordância entre o que se di~ e o que se expressa cor- t.l poc apresentar s,:rio,, problemas de conduta. l\"a hora de jogo
poralmente. produz muito material de conteúdo psicónco e. com relação à
Um bom uso do corpo produz praur e resulta num forta- motricidade em particular. miliza c.ircta,, grotescas. que desfi-
lecimento egóico que permite o alcance de nO\ oo ganhos e fa- guram sua expressão facial, desconectada:, do matenal produ-
cilita a sublimação. quando a criança está prqxirndl para isso. ado no momento. Os movimentos biza= que começam em
Alguns aspectos dignos de serem observados dentro deste
mdic:idor são:
1) deslocamenr.o i,,cográfico.
seu rosto finalmente aparecem comprometendo todo seu corpo.
Devi..= lC\ar em conta o terceiro fator citado como po,- ..
•"'
u
sível causador da di~função motora: a falta de estimulação am-
2) possibilidade de encaixe. biental. É freqüente que os centros assistenciais hospilalares
3) preensão e manCJO. sejam consultados por criança~ com dificuldadts no inicio da
4) alternãncia de membros, escolaridade. A imaturidade uu a dificuJdade em nivel motor
5) lateralidade. cosmmam responder a uma falta de estimulação ambiental no
6) movunento:; voluntários e mvoluntános. momento da aqWStção das funções. manife::,tada depois oa falta
7} mO"imentos bizarr05.. de jeito nos mo\"imentos delicados (problema, na c.crita).
8) ritmo do movimenlo.
9) hipercinesia.
10) b,pocinesia e
Criatividade
11) ductibilidade.
Para exemphficar alterações motoras vibtas numa hora de
Cnar é unir ou relacionar elementos dispersos num ele-
jogo. citaremos o caso de Carlos, de sete ano,. que ap~senla
mento nO\·o e diferente. Isso c>:.igc um ego pl:i.,,nco capaz de
diíiculdades na escrita. l\"a hora de Jogo o psicólogo percebe
abcnura para experiências novas. tolerante à não-estrururação
que. uma ,..:z iniciada a ação. há dificuldade para inibir o movi-
mento e e.ste material é _n;çorrente na ex_pressão grãfica. que do campo.
Este proces..<0 tem urria finalidade deliberada: descobrir
também se vê alterada E solicitada uma consulta neurológica
para fazer o diagnóstico difcn:ocial e são encootradls algumas wna organuação bem-sucedida. grauficante e enriquecedora.
alterações no traçado elerroenccfülogrãí,co. produto de um equilíbrio adequado entre o principfo do pr8'.lcr
21-1 .{ hO<P ,Jejor:o diag,,i,<flca _ _ _ _ __ 125

e o principio de realid3dc. A criança age sobre os elementos à ell:cessiva tolerância determina polx-eza interna e falta de ga-
sua ,-olta (brinque~) para conseguir os fins propostos. nhos adequado;; no mundo externo:
A ncr.a configuração tem uma conotação de surpresa ou b) urna absoluta intolerância à frustração e oafelo ooncomí-
de descobnmento para a cnança e é acompanhada de um sen- tanle que ela despena, caracteristica de um ego imaturo que não
tim.!nto de sausfação. pode adiar os dese.,os insatisfeitos. le>"3 a C\eacuar auavé-. da awa-
A dmâmica interna deste processo expre,sa-sc atra,és do ção ou de uma desconexão com o meio, e a concomitante sans-
interjogo entre a projeção e a reúitrojcção do pro]êtado. agora mo- façào narcisista de nccc,sidado:..,. (auto-aba.,tecm1ento). Slo aque-
difü:ado. transformado 1..,n um produto quahtativameme dife- les sujeilos que, para não se frw.1Iilrem e sofren:m, t'\Ítam as
rente, promotor do crescimento e da mudança estrutural que se situaç,ões de pl'0'"3 rcal~qa, mantendo sua onipotência
traru;fonna num incremento da capacidade de aprendizagem.
Esta conOlllçiio de "deliberado", "a serviço do ego" e
~com fins comurucati,os'' é o que caracteriza a criatiHdadc, Toluâ11cia à fntstração
diferenciando-a da '"produção original~ do psicótico. que cum-
pre fins de descarga do id A tolerância à frustração é detectada. na hora de jogo, pela
Para c,cmpliticar citaremo,, a a11, idade lúdica de um me- possibilidade de aceitar as irll,lruções com as limitações que elas
nino d.: oito anos: quer pintar e não encontra o pmcel nem as tin- impõem Io eslabelcc1mento de llDlltes e a finalização da tare·
tas Con.'>tnii então um pincel. cortando pequenos pedaços de fa) e pelo dc.::scm.olv1m.!nlo da at1, idade lúdica (pela maneira
barbante, unmdo-os por uma extremidade. colocando depois um de enfrentar as dificuldades inerentes à ath'idadc que se pro-
pauto na ponta: peg;i a ponta de um lápis de cor. a tk.~fà, c colo- põe a realizar).
ca ãgya. obtendo anim os materiais que dtstjava, 11til ir.1nde>- A avab:ição correta de tal função é im)lOf"tante em nível
os com .:,dto. diagnós1ico. mas. principalmcnle.. quanto ao prognóstico. Tor-
Cláudio, de ncr.e .inos. mostra o fracasso de sua pOSStbili- na-se fundamenral diferenciar onde a cnança situa a fonte de
d.idc de criar porqllê não consegue uma função adequacb para frustração: se deriva de seu mundo mtemo (desenhar algo que
os materiais escolhidos. Pega urna bola de massa e amarra-a a vai além de sua, capacidades) ou se a localiza de preferência
um barbante. convenendo--a num toiô. e fantasia que f;u figu- no mundo externo (desejar algo que não está p=nte), ~1111
ras complicadas com ele. como a reação ante eb: encontrar elementos substirunvos (si-
Procura consegwr uma nova conliguraçào, m~ fracassa. nal de boa ada.p13ção1 ou de:;organuar-l>I!, começar a chorar
e a frustra<;ão le,-a-o a uma conduta do tÍJ>O alucimtório. atitude negati"ism).
A tolcr.incia ad.!quada à frw.ttaçào permue que se forme A capacidade de tolcr.u- .i fru,,tração está intimamente re-
a representação mental do objeto. na ausência deste. Resulta no lacionada rom o principio de prazer e de realicbde. ln,"'linth-a-
incremento da função Sl!llból.tca e antectpa l>"U3 cone>.ào rom o mente. a criauça tende ã descarga e à satisfação dos d.:SCJO:... e
n1e,smo. o princípio de realidade é o que regula tal satisfaç-dO atr.1,és
A alteração desta função pode se dar em duai. direçõ~ das "unções egó1cas. Produz-se assim uma fru!>lração necessá-
opostas: ria do,. elementos desprezados em função da aqui,ição de no-.-as
a) uma submissão extrema à realidade desagradável 111d1- pos:ilbllidades e. portanto. do cn;:;cimento da cnança, o que
cadora de elementos altamente destrutivos e ma;oquíSl3i. A resulra num cquihõrio emocional adaptab,'O e marurativo do ego.
]16 21i

Capacidade simbólica Outro elemento a ser IC\'3CIO cm conta é a relação entre o ele-
mento mediador que expressa a fanta,,·ia e a tdade cronológica.
O brincar é uma forma de expressão da cap,1cidade sim- M. Klein. oo se referir à copac1dnde simbólica. diz que "o
bólica e a ,,;a de acesso às fantasias inconscientes. simbolismo constituí oào !>Ó o íundamento dc toda fanta.ia e
Uma quantidade adequada de angústia é a base ncressária sub imação. mas.: sobre ele que se con,'tl'Ói a relação do SUJei -
para a formação de símbolos. A cxpre~sào direta das situações to com o mundo exterior e a realidade em gerar·.
connm~a., pode inibir. tmal ou paircialmcntc, a conduta údica. Rewmindo, atra,és d~c indicador podemos 3\'llliair
poLS píO\'oca um quantwn de ansiedade mtolenhel para o ego.
Ponamo. :i cn:inça consegue. pelo brmcar. a emef1lência A) .\ riqu~a e"pressiva
destas fantasias através de objetos suficientemente afastados
do conílito primitr.o e que cumprem o papel de mediadores: 1 A busca que a criança faz. à sua volta. de suportes ma-
apela pa11l as suas possibilidadei. dc clabordçâo secundária para teriais (sigrufrcantes) que veiculem, de forma adequada.. suas
e,pres...:ir a fantasia /ànt.&l,ia, e conílit.o, bignííicados)
O símbolo de, e estar suficientemente próximo do objeto 2. Uma n0\'3 busca. quando atrav.és das formas anteriores
pnmáno s1mbohz:>do para pcmullr sw expressão deformach. de sunboti.zação oão consegue os fins comumcac1on3JS.
Quanto mais elementos a criança utiliza para e:tpressar seu
mundo interno. maiores possibilidades egóicas = ela, no sen-
tido de refletir na realidade toda tuna série de significados adqui-
3. A coerência da concatenação dos ,ímbolo~. i,to é. a pos-
sibilidade de transmiti-los através de um nexo lógico.

rido, metlianLe um procc.,.o de c:ipacitaçiio para ,imbolilar >


B) A capacidade intelectual ;;
Na capacidade iimbóhca valonzamos não só a possib1h• :,
d.xle de cnar simbolos, mas an:ihsamos também a dinã.auca de Dumnte a hora de Jogo e através dos símbolos que uuhza.
seu significado. tema que não incluiremos aqui. a fim de ev1- a criança evidencia uma discriminação e uma manipulação da
1ar um reducionismo a simbologias universais.
realidade que estão de acordo ou não com sua idade evolutiva.
Cada símbolo adquire sentido no conteitto no qual se ex- A maneira como o faz nos d:í a indicação do estado em que se
pres.a
acha o processo de s,mbohzação; se se descmolve sem inibi-
À medida que a criança cresce, awnenta a dtslància entre
ções na área da aprendizagem.
o simbolo e o sunbolizado.
Este processo sofre uma evolução: parte da equação sim-
Produzem-se succssi\os deslocamentos e o principio de
bólica própria d:i etapa oral, na qual não hâ d.i:,iãnc1a em rela-
realidade vai se impondo. A gratificação das fanwias primá-
rias tende a ser despn:uda cada vez mais. ção ao objeto. para o desprendimento paulatino do suporte ma-
Por isso, encon1ramo, grandes difttença, entre as allvida- terial que começa a se manifestar na posição depressiva, diame
des lúdicas de crianças mutto pequenas, que seguem as leis do da consciência cada vez maior da ausência do ob;eto.
processo primáno, predommando. oo pecíodo de lalência. o pr~ À medida que a criança cresce, aumenta a distância entre
cesso secundário. o signifkante e o significado, adquirindo o primeiro uma co-
Quanto maior o deslocamento, menor ê a resistência que nociçào cada vez mais comparulbada oo âmbito social. cuja
o ego opõe. mamfcStação e. por excelência, a linguagem.
1Z6 129

C) .\ qualídad~ do ro nniro que e-lá ,;e tnO\'Cndo nesta situação particular. e corre o risco
de quebrar algo. de ~ machucar uu d.: ma.:hUL"lr o l"'lCólogo.
Este ponto alude au, a'{'t:Ctos do conteúdo da eapac idade Outro e.,cmplo de dificuld;cde de adequação ao enquadra-
simbólica. Os símbolos que a cn.rnça uu liza remelem-nos à mento espacial c a cnança quc ""1,h! em unhzar a -ala de es-
comprc,~-.:io do e,t.1~10 p~icosse,ual q ie atravessa e su mo- pera como pro ooi;amcnto do con-uhóno.
dahd:ttk de expre,,.xio. .\ dií1'."tlldi,k d.: ,-e adapUr temporalmente à " tua,;ão pode
h ro e. em sua., t,nn..Kle1ras. o pcqu,-no c:ntn.-.1,flldv pode ser , i,ra na ,"'1rutura,;ão de brin..:adeira~ Ião pmlungada.,. que
c,pr,:,,.'wl' filfiCb'iJs d~ ltpo oral, 311.ll. urctral. fãlico o u i;en11a.L imf"'dcm um.1 l 1n.1l 1~ão. com a fru,tra.;ào coll:,éqiicnte. mos-
e o ra, de uma dcrennmad:t man~rn. e n fundo de ,ua, ré.:na- 1r,111do uma defa.sagcm entre o n:ala,ado e o pbne1ado.
cas habituai, de nun1pulaç.io. Quamo à ~unda situação. pode: aparecer: a nao-aceila-
\ intensidade d,, ,unfhto e ,arí:hd Um m.:hc....x>r do \:ÍO do papel qtie o p,k(,logo de,1gnou p:ira a crian,;a qu:ndo
me-mo pode ser infmdt.1 atra~és da rcncração ck ckrcmunooa c"tp citou a.s in,tru,;õe,. (por e,cmplo. negar-~ a bnncar) ou o
fan1:a-1J.. a.= como pda forma de c:,prc,.~ eswlh itb. n3o-rec;onhccimmtn do outro comn pes<I03 dif.,.cnrc c dcsco-
nhs"Cida (a crianç.J que tenta tirar o p,icologo do pop<!I. não o
,ll'citando como observador não p~rt1cipantc).
No começo d:t hora de jogo podem aparecer condutas pouco
A deq1Jação á realidade
aclcquad.,s. por ...:r o primcim .:nnl.lto que c-;tabdc.:c com o
Um do, pnmetros clcrn.:ntc,,, a ,..:rcm le--ados C'M ,, ~t.~ ao
se ana•1sar uma hora de Jogo é a eapac11lade da cnança de ,..:
p,1.:hlogo: nece--ilari. então. de um tempo de adapc..ição que:
,cr. difc:rmlc p:ir:1 s-aJa 1ndi,1duo. \ capacidad.: de...: rcorga- .-·
ni,M é wn ekmcnto fundamcnul para o pfU!..'11<"1 .:o, assam
adequar à realidade. Mamtcsta-se. n,,tc pnme1ro momento. cor· o a capac,dJde de se readaptar diante de novJ, prO\a.s do §
pel3 ~bilidade de se lk.,preoder da rn;ic e atuar de acordo com pr,..:n,o diairnosttco. Se a crianç• uma ,ez adapuda à nova
'"" íd.ulc cronolõpca. dcmc,'lfl~ando a COII'l'.'recrsão e ace,- " tu.,,;ão. oào pode aceitar a, n1r>1,, 111,tru,;i)õ e m,1,-ic na con-
ta,;ào da, in,tru,;ões. Jui.i ludica. e>tá no, propon:,onando m.uerial imp<>nante para
TJI adequação a re~ltdade penn11e-1 o, "alia; po,-, btlida- ~ua interpretação.
des egoacas. embora ela 1= adaptar-se ou não ao, ltnu.cs que Não poder ,e adequar a rea, d.Ide implica um déficit na
c:.Lt ,atuação lhe impÕ<;: d1scnminação ego-não-ego.
") ...:eitaçào ou n.ío do enquadamemo e;pa,;o-kmporal
com a, hmita;;õo. que isto impli~;
b) possibilídad.: de colocar-se em -,.:u papel e acenar o O brincar da criança pskótica
pap<!l do OUlJ'O.
E,ra, Mtuações slo obser.á,eis ao lon!!O de toda a horn de A dificuldad..: p.im hrincar é o índice mais ~--,dente das
jogo e cm cada um dos indicadocc,. e.ar ,h:ristic.i, p-,1ci11Jca,, presentes numa críanç:1 ,cciamente
c'.'tcmplo de des>10 d.1 primeira ,nua,;" um mcmno joga 1x-n11 m3 da.
bola no colb-ultóriu c uuhu-a como se e,,,,._- num campo F importamc d=car que. cm termo,. c:srnto,.. n5o se tra-
de furd,ol : não ad3pt3 ,w motriculadc ao árrbito !;\:',gr.1tico em t.1113 d.: uma bnncadctrn no senodo de a1i,;dadc ludu:a. Ji que
231
_n_o_ _____ opro«sw p<irodiag,,óstico ~ as téotú:a< pmjetn'!IS
brincar implica a possibilidade de simbolizar. No psicórico, sig- ego desorgani73rlo, CUJOS mecanismos de defesa primitivos são
nificante e significado são a mesma coisa (equação simbólica). a identificação proJenva maciça e o spliuing.
Não obsclnte. devemos le-'31" cm contl que a criança pode Outros elementos significativos costumam ser a pers<.'ve-
ter panes de sua personalidade mais preservadas ou que coo- ronça ou estereotipia na conduta ,erbal e pré-verbal. ainda que
seguiram wna orgaruzação não psrcótica, e a possibilidade de não seJam características exclusi,,is do brincar de quadros psi-
eacpressar seu conflito dependerá da quantidade. da qualidade cóucos. mas que :,c apresentem também em orgânicos ou em
e da inter-relação destas partes neuroses graves.
São freqüentes as organizações originais, os neologismos.
Esta dificuldade \'3i desde a inibição torai ou parcial do
as atitudes bi1NTas e as dificuldades de adequação à realida-
brincar :nê a desorg:mízaçio da conduta.
de. tolerância à frustração e aprendizagem.
É tmponante distmgwr. num diagnóstico dife.-enc1ai.. situa-
Com relação ao prognóstico. é importante colb;derar no
c;õe,, em que se estrutura uma ··pseudobrincadeira", conduus
desenvolvunemo da hora de Jogo diagnóstica os ch:mentos que
ou séries de condutas cm que a criança aparenta bri ncar, mas ,mpliquem uma po:»tbilidadc de conexão com o p~icólogo e/ou
onde hã uma allliência total ou parcial de simboluaçào. NCl;u;~
com o objeto intermediáno.
casos a criança só descarrega uma fantasia.
Tal ê o caso de Juan. que durante uma hora de jogo come- ..,:,
ça a girar no solo usando sua cabeça como eixo e repetindo cm O brincar da criança neurótica
,oz alta: toe. toe, toe, ,denttficando-se com um re16g,o. l'ode-
riamo~ pen,;ar que o menino está brincando, mas; na realicbde Observamos. em geral, a possibilidade de expressão lúdi-
..
não é a,sim. É uma pseudobrincadeua na qual atua, corporal- ca com reconhecimento parcial da realidade. áreas livres de
mente. uma fantasia; não brinca de ser relógio, mas sim "é" o conflito coexistente, com escotomas que cocobn.'1Tl situações
relógio. Perdeu a distância e a possibilidade de simbolizar, de- conflitivas.
s.tparecendo o "como se" pr6pno dos bnncaderras de cnanças A gama e a vanação dos conflitos cm nivel neurótico são
OOJTl131S e neuróticas. muito amplas.: portanto. descre-. ercmos um perfil comum que
A estrutura JhiCótica evidencia-...: nos divcr;,os indtcado- no,, pcnruta caracterizar o brincar da criança neurótica
re,. Assim. a criança psicótica não pode se adequar à realida- Encontramos, diferentemente do que acontece com a crian-
de, na medida em que ela se manipula com predomínio do pro- ça psicótica. a capacidade srmbóllca desen,·ohida. o que lhe
cesso primário. distorcendo a percepção do mundo externo e, na poosibilita a e,,;prcssão de seus conflitos no -como se- da situa-
situação diagnóstica. a relação ou o vínculo com o psicólogo. ção lúdica. sendo capaz de discriminar e de evidenciar wn melhor
A capacidade simbólica fica relegada pela predominância interjogo entre fantasia e realidade, assim como as alterações
de equações simbóhcas. como vimos no exemplo descrito an- significanvas em áreas especificas. É importante. portanto.
teriormeme. Os personagens extremamente cruéis atuados pela let-ar em coma o grau e a qualidade da comunicação com o
criança psicótica estão em correspondência com wn superego psx:61ogo e com os brinquedos. ma.rufestados atra, ~ do des-
primitivo de caracteristicas terTorificas e sádicas, o qnal, se- locamento de seu mundo interno.
gundo ~felanie Klein, í: um dos fatorei; básico:, do transtorno A dinâmica do conflito neurótico se dá entre o, impulsos
p,ic6cico. Concomitantemente. encontramo-nos diante de um e sua relação com a realidade. C"uliza, então, uma série de coo-
_23_2_ _ _ _ _ _ O proce,ro p<ic(l(Í1a1;1imíco e as té<mcas pro,erfras .t "º"' tk j~ diag,t<>S1it:a _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ 233

dutas defensivas que resultam num empobrecimento egóico. Procuramos. nos diferentes indicadores. fundamentar pa-
cuJas características dependerão das áreas afemdas. O quadro râmetros aproximados de uma conduta adaptauva.
nosogrãfico é determinado. por seu lado. pela predominância É fundamental ter em menle que o conflito não é sinôni-
de certos upos de defesas. mo de doença: em cada período evolumo. a cnança au-a\'essa
Nestas crinnças há. pois, uma adequação relah\-a à rcah- Situações conflitivas iner.:nt~ a seu desem.olvimento.
dade, CUJO grau depende do,, termos do contlno; há uma ten- O equilíbrio estrutural permite à criança normal a supera-
tati,-a de sati\fa/êr o princípio de prver que, por seu lado. ção destes conflitos e permite que ela $3ia emiqueci<b. isto é,
g~"I1l culpa mio tokra<la pelo ego. que d<..-sloca o impul~o para a situação confliti:\"a opera oomu motor e oão como m1b1dor do
objetos substitutivos afastados do origin3I desenvolvimento.
Este deslocamento. a seí'Íço da repressão. pro-= um cír- A confiança em suas posi.ibílidades egó1cas e um supere-
culo \'ic,oso pelo qu:il não se consegue a satisfa,iio e de\e-se go benévolo tomam pos~iv.:I atra, essar esw situações de
recorrer a no,,os deslocamentos que. mais uma vez. e,,idenciam crise que supõem a elaboração da, perdas e novas aquisições
o confhlo. própnas do crescimento.
Deste modo, vêem-se limitadas a capacidade de aprendi- A liberdade interna oferecida pelo equilibno ótuno entre
1agi:m e a;, po,-,,ibilidades criati,-:h que do!pend<!m de uma sin- ;anw1a e re.:ilidadc. suas ~ibilidade, criall\3.S e. portanto.
tc~ egóica adequada reparatórias.. eruiquecem-na permanentemente.. pernutindo-
Outra caracterhlica diagnóstica é u bai'to limiar de tolerân- ihe aprender da e'.'{periéncia.
cia à frustração ou a superadaptação em certas áreas. que são. Quanto à personificação no brincar, os modelos anws
ambas. manifestações da fraqueza egóica do neurótico que está aproxunam-se dos objetos reais repn:..:ntados, a cria~a dá livre
ern íntima relação com as caracteris11cas sea.eras de seu su- <."urso.:. fantasia. atribuindo e assumindo diferentes papéis no
perego e os termos do confluo. ,1tuação de vinculo com o psicólogo. ampliando a.s poss1b1h-
Esta.~ criança, dramati1.am per.-oruigens mais próximos aos d3des comunicativas.
modelos reais. com menos carga de on1po1ência e maldade. A hora de jogo diagnósnca de uma criança pode apresen-
tar momentos alternantes com diferentes qualidades ou carac-
terisncas. Da normalidade à ~-ico.se. pas;,a.ndo pela neurose,
O bri11car da criança normal Cl,tabelece-se um collíinuum. dentro do qual este, mati1es deter-
mi nam as diferenças quantitativas e qualitati,a,;
OC\>emos levar em conta que a bora de ogo di:lgnostico
esta mclmda dentro do processo pstcodtagnósnco rotai, e é muito
importante detectar os diferentes respost~ d.l cnanço diante
de situações que vão desde a grando! desestnuuração dada pelas
instruções da hom de jogo. até ~ituações mai, dirigi~ cl.) res10
do processo.
A comparação do, diferentes momentos nos permitira es-
tabelecer diferenças diagnósticas e prognósticas.
134 135

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2J6

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su significado-. •
juq)O".
ltkm. cap VI· "Algunas cooclusi~ teóricas soorc u vida Rodngue, E.. /dm,. cap. \Ili; "EI a.oáli,,is de un ~wzofn..-nico de
em0etooal dei lactante". trcs ai\os com mutismo-.
• ldur, c:,,p. IX. "Kota soorc al1,-uno, n1<.-carusmo, esqui.ro,dcs··
- - . llWII, cap Xlll: "Sobre la identificación"
K.1etn. M e ouuos. Desarrollo, cn J)Jiroaná!i<is. B..enos Aires. Pa1dó<.
19,15.
- -. 1\'ui:,w d1recclor.es en p<lcoanólifi< Buenos Ain:s. Paidó<.
1965.
1.aplanchc e Por.talis, li>ca/>ulail'I! d• la psw:hWt<Jly;e Pari:.. P.U.F.
(Há' ersão em ponuguês: lóeabulário da ps1ca11álise São Paulo.
\fartin, Font<!S.)
2. Por um modelo estrutllral
da hora de jogo diagnóstica•
Ana.ia Kombl it

Durante o nosso trabalho com crianÇ3S na equipe do


Centro de Salud \1enial N~ 1 de la .Municipalidad de 8U<.-nos
:\ires, pudemos detecbr as dificuldades que médicos e psicó- J
logos, que se estão iniciando na Cbpl!Ciahdade. enfrenl3Ill para
entender a hora de jogo de uma aiança. Paralelamente, obser- ..
vamo,, também que as pessoas de mais experiênci3 tinham dtf1- .
cul<bdcs para u-ansmitir seus conhecimentos sobre a forma de ;)

interpretar o material na hora de Jogo. Diante de uma mesma


sessão diagnóstica, pessoas com ceno conhec1memo chega-
,-am a conclusões semelhantes, mas era-lhes difícil SJStemati-
t.ir os caminhos pelos quais ha,iam chegado a essas conclu-
sões. preci5amente aquilo que os profissiooais com menos e>.pe-
riêncm desejavam aprender. Com ~ nestas considerações.
decidimos formar uma equipe de trabalho para tenw organi-
/.llr certos elementos de análise da hora de jogo. Com tal fina-

1. A pme climca do mbalho e a a:ciltsc e elibora,;ão do moteri.ll oon·


taro.-n com a cotai.oração d3 1)11 l'3~1 Barreiro. as psioolops lkru de
Baia. \lan;i Bendtt;lcy e Ceema O. de Schere. e• Ora. Sih ,~ Rasox,.sky.
'foma parte do 11'3b.\lho arompanbou-oos também a p<icólog.l \4ari.l Cns-
una r,,..c:,mu A ""°'"'pçio n:alJ.zou.-,ç como p.,ne cb Wtfl dt ,m-esng,-
,-ão da equi~ qu;: trabalha cem awiça,, do Centro de Salud ~lentll 'i' 1 de
l1 Mur11cipal d.1d dt Buenos Ai!b.
{ hori:: de jogo dragnâ.<t,c,, __ 141
uo _ __ Opmcecsop.,-.rodiugnJ:.1ico<tasri«icasproje1i\us

que nos outros te,,1es projetivos, tanto com os conflitos como


lidadc estudamo:; quin7e p~ientes entre seis e onze anos, so-
com lb defesas que a cnança desenvolve ante eles. !\este sen-
~ os quais reunimos o seguinte material:
tido, pensamos que o teste a,'31ia os mesmos aspectos que sobres-
1) história clínica lc,aniada com os p:us.
,aem na hora de jôgO. enquanto o 11.TP. por exemplo. mede,
2) hora de jQ&'O,
além disso. outro, aspectos (identidade sexual, ni,-el intelec-
3) desidcrati,o e
tual. etc.). Portanto, tomamos o material do H T P. como com-
4) H.T.P.
plemento do material dado pela hora de jogo e pelo desidera-
De acordo com o modelo usado no serviço. o psicólogo
tivo, e çom~ramos entn? si o que os dois últimos evidenciam.
)e,,'alllava a história clinica, rcaliza,a a hora de J<lgO numa ses-
'\este senndo, encontramos um dado interessante (que
são e os testes em outra. Jcsemolveremos depois): OCOl'rcm :,eqüênc1as semelhantes na
Unltzamos em todos os casos o mesmo material de jogo, "tora de jogo e no dcsiderati,-o. Na., ·-neuroses" em que a am,ic- '1
qu.: cons,st,a numa caixa com os elementos empregado" tradi- dade não iTI'-ade a criança imbmdo suas possibilidade, de dra-
cionalmente para diagnóstico. matizaç;io. segu..'fl1 esta ordem:
O ideal teria ~ido que todo, os casos messem sido entre-
vistados pelo mesmo psicólogo. Isto não foi possi\-cl, l1l3S len-
11 defesas mais b.ab1ruais; ..
,•
21 conflitos atuais mais importantes.
iamos reduzir ao máximo a ,•,mán:1 pcs.,,oal. estabelecendo ins- 3 defesas ante eles. ou o grau em que taJS conflitos inva-
)

truções comuns. pautando a conduta a ser i,cguida pelo entre- dem o ego. ,,
,istadoc durante a b.ora de jogo. tomando precauções para que '\a maioria dos casos, as conclusões da hora de jogo coin-
tanto sua localização como a do material fossem a mesma, etc. cidiam amplamente com as do dcsidcratiw. eram completadas
O regi~tro de cada hora de Jogo era apresenrado depois. pelo H.T.P. e compreendidas evolutivamente com base nos da- ;
numa reunião da equipe de tralxllho. na qual o enlrc\'istaclor dos da história clinica. >
dizia somente o sexo e a idade do paciente. passando a relatar Em muitos casos fonnulãvamos lupóteses. a partir da hora
a b.ora de jogo e as sensações contr:11ransfcrenc1rus que o mate- de jogo. sobre alguma, carn~tcrisucas possh-cis do mundo ex-
rial lhe despertara. Qualquer outra informação era adiada ate a terno e da história evolunva do paciente que eram depois cor-
leitura da lustória clinica. roboradas pela leitura da história clinica Apesar de isso não
Depois de analisada a hora de jogo e tirada uma conclusão implicar nenhuma descoberta. foi de muita uultdadc para nós.
dfagnó."tica proviwria a respeito do paciente. aprescota\'am-se pa, a podennos confiar cm nossa capacidade de compreensão
os testes. Comparados os materiais, líamos a história clínica e e na precisão da hora de jogo como 1DStrUmento diagnóstico.
º"
considerávamos em que medida dados ha.\lÓncos esta\'am re-

Adotar uma ordem imersa da que nonnalmcnte ,e l.<!gue
diagnÓSlico mfannl para o estUdo do material foi um unpor-
lacionados com o diagnóstico e,--trutural.
Dos testes aplicados. tomamos especialmente o desidera- .snte cx.ercicio climco para nós. Ps:rmitiu-nos comprovar que:
th o como critério de validação. porque consideramo, que é o 1) Uma análise detalhada da hora de Jogo. ainda que pres-
teste que mai, se aproxima da dramati:açào da estrutura e do , 1ndmdo de outro material ou ài. cegas. permite:
a I conceituar o principal conflito owal do paciente:
conflito psicológicos que~ atinge com a b.ora de jogo.
ht evid;nciar :,ulll, principais técrucas de defesa ante a an."e-
Apesar de ex.igir um grau maior de simbolização, no desi-
deram o também se dramatiza, -brinca-se.., de modo m;us claro dade e a quantidade dela;
_z_n______ oProct'S'<IJ p<irodJOg,v><IÍCO tos IWÍC(JS ç-ojcli, UJ

e) a,altar o tipo de rupport que a criança pode esiabelecer de tornar manife;tos o, conflitos latentes da criança, suas :m-
com um po,,i,el fuiuro tcrapeuia e o tipo de 3IISledade que dad~ e defesas. de um modo tal que se toma.a d,licil dc-
pode d..-sp.:rtar nele contratransferenci31mence; ctar o grau de enfermidade. os pontos de urgência e os défi-
d) IOmar nmúfesta a fantasi.i de doença e de cura do pacien- '" c,peclficos de cada paciente. Curiosamente, nossas crianças
te e. concomitancemence, a fanta;;1a sobre o próprio tratamento fica,am mu110 parecidas. de acordo com nossos informes.
2) Os testes p.ucológicos. em esp,,cial o:, gr.ificos. propor- 1-to, por outro lado. é essenc1almeme ,erdadell'O se recor-
cionam matenal a re,;pcito, damo, que a., ~ituaçõe, básica., de ansiedade, o conflno edt-
11) do grau de Cl,lrulurnçào cgóica que. apes.ir de se maru• mo e os mecanhmos de defesa constiruem o~ elementos uru-
fl!l>tar atm"é, da hora de jogo. cremos que aparece mais siste- :r,ai, da confib'llrJçâo ,;ai,&:.Jocnça.
matiaidamente nos testes: C.omo. geralmente. nossas apreciaç&s sobre dinâmica p:,i-
b) dos indicadores do prog,,rutico do inc1en1c:. na medida ológ1Ca profunda da criança coincidiam e trabalhávarno,; com
em que hierarquizam áreas de confluo e áreas pr=n.adas. o b.t,e em conhecimentos comuns. resolvemos teniar um outro
que possibilita estabelecer wro Cl.trat.:gia erapêutica. foque da hom de Jogo que. sem nos afastar de nos.s.i forma
3) Os dados da hi,tória dir.ica p.:nnitem: luhilU31 de compreensão. pennitisse-nos categonza-la de modo
u) a~ahar camb.:m o grau de compromis;o cgo1co oo coo- ter uma ,i,ão global e difcn.-ntc de cada pa.:1entc e tornar po:.-
flito: 1\el sua comparação com os d.:mais. •
b) u pfO!,'IIÓ,tioo da terapia. quanto à atltl,(!e do:s pru.,, dinnt.e Para isto decidimos rdrooeder a uma p,:rsplX:ti,a fünom.:- ''
1
do tratamento: oológica. resgatando iambém os elementos do senso coroom que. ',
e) a medida em que a doença d.i cria. ça é e,pl'Cl>..-.ào de mu,ta,, ,ezes. se perdem na análise segmentar de significados.
conflito~ familiares e sua possi,el red...tribuiçâo cm fum;ao da Peo..alUO!>. ~-.im, que poderíamos ent.ender a hom de J<J!!O )

terapia. asstm como o grau em que c,,tas "1udanças poderão o mo ,..ma hi,tóna argumental da cnança. fabncada em resposlll
ser tolerada.~. uma ,itua~ de ~imulo (cm parte estruturada e em pane não).
aliando. então, o modo como ela i,c inclui cm tal situação.
Cnbora i5to possa pa='T ób,io. permitiu-nos k\-ar 1.'m
Critérios de a11úli:.e da /rora de jogo 1.-oos1deração asp«1os que muitas ,·ezes esqueciarnos. preocupa-
du,, como estavamas. em mfenr conteudos inconsctemcs atravês
Quando comec;runos o trabalho, no,.sa orientação em rela- du 1LS0 do materia. de jogo. Incluímos.. assim, indicadores que
ção à interpretação do material 1.-ra. com maior ou ricnor quan- 1m:, "lQ; ·form.u,". cm oposição aos indicadores "de conteu-
ud.ade de erros. com maior ou m.mor riqueza, a que habituai- do". Alguns d.:stc, indicadores eram. a forma de abordar os bnn-
mente ,e emprega na p,;icamilis.: de crianças. tal, •mo ,em se qucdos, a atitude no começ<> e no final da hora dé JOgO. oomo ;,e
dc,cmohendo cm nosso meio. com base. fundamentalmente. ocaliza no consultório. a atitude corporal. a utilização do cspa-
no marco 11:ónco dado por M. Klein e A Aberos,..icy. \'O (deslocamentos da criança e dos brinquedo,}. etc
Apesar de nioguem poder colocar em dit, ida a profundi- Estes dados nos deram uma imagem da criança que COM-
da<k <kstas coooibuições na compreen,,ào da din:. iiica p~ioo- ementava a interpretação da ati,idade hidJca em si. Contudo.
Jógica infantil, obserumos que. muita,, ,c/C,, caí:nios no erro o:\o de "ª'ªm de ser um complemento à hnha central de mcer-
_1_ 4 ______ Opr(J<'e$>O psicodiapró;tico eas 1.!i: ,icas projet,1.r:<
'4_ .4 hm, tle jngo tlicgn6sricar_ _ _ _ _ _ __ U5

pretação. que continua\'3 sendo a análise das fantasias incons- Seguindo este modelo. tentamos analisar a hora de jogo
cientCl>. a partir da anvu!ade lúdica. sob um ponto d,: ,•ista senúológioo. ou seja, atendendo ma.is às
Demo-nos conta. enlào, de que, embora as famasias incoos- formas significante,; do que à sc.mântica, no tocante ao e.tudo
c,ente,, úlumas seJam wm·ersais. csti..amos tomando mmocm dos signú1cados (ne,1e caso, fanta.,,as incon,dcnte<.).
os hrinquedos como s,gmficantes unhersai.s. isto é, que linha- Na amlise da relação significante (bnnquedos)-significa-
mos como certo que as crianças colocavam em jogo meca- do (fantasia inconsciente). cometeu-se o erro de atnburr aos
nt.:,"mOS de identificação projcm-a lomando como sub,trato da significantes o mesmo car:íter que aos signos da língua. De
prOJeção obJCIOS qlK. para nós. de,iam oonstituir uma 1:,.-i:,.: Sa=r.: diferenda a língua da fala. srndo que a lingua ,: o
::idequada para a projeção de determinada imago. e não oulr.l. aspecto social da linguagem. resuliado de convenções compar-
Poc exemplo: ,-aca igual a figura materna. leão igual a figura 1ilhadas, que fazem dela um código. A fala. por outro lado, é
p::itenu agrcssh-a. boneco igual a nenê Em ccria, oca,if,cs. er.i a função pessoal da linguagem, onde cada ~ujcito ,clt.-ciona
ui o condicionamento que. ao registrar uma hora de jogo. os seu próprio modo de e.itpressão, combinando palavras e fras~
personagens já eram vertido~ no código do ..:ntrc, isiador, e a,- do sistema hngüistico. que oferece alternativas d1ferent~ para
sim, colocar o nenê ao lado da mãe era a e~pressão usada para expressar o mesmo significado.
denotar que a criança tinha po.,to o boneco ao lado da vnca. Pode-se pensar que há língua na linguagem do bnncar.
Aqui, o senso comum ~ chamou à refle>.ào quanto aos a ~ como na do sonho? Evidentemente, b:i. fala. oa medida
significado!> distin10, qu.: a propria ~,tuação da hora de Jogo
poderia ter (para uma criança mwto pobre era_ tahez, um "otê-
em que se tninsmitt.-m mt.'11!,.Jgcns: mas o código de sinais não
dem-a de com enções, e sim de um mundo interno nutrido de
'
n.--cimcn10- d.: brinqw.'<io,. aos quais depoLS. supostamente, atti- significados universais (na medid:l em que a.ssumimos qu..: as
buia um conteúdo latente). ~rotofanta,c.ia.c; têm um ~utx.rrarn hinlóB'cn); por i~~~ ;1trihnfr A
l\o!,l,O pro~imo passo fo1 pensar que uma ,;uiaçào diante um alo do brincar o mesmo valor sigruficante que à palavra
falada pode le,'31' a um reducionismo que atente contra a nque-
'
da análise do que a criança faz era pensar no que dei.u de fa-
;a:r. ~ .; a posição estrururalista que afin:nJ que wn elemento za da compreeruào e sobreponha wn código a uma mensagem
de um ,i,tema adquire significado em função do resto dos ele- que não foi emilida nesse mesmo código. Um exemplo gros-
mentos que compõem esse sJ.Stema. e que -as relações definem seiro: pode-se atribuir a um choque de dois carrinholi que a
os termos"'; e mais aind.1. segundo Laplanche e Leclaire, ··se criança provoca quando brinca o mesmo valor como signifi-
o significa.me remele ao s1gmf1cado não é senão pela media- cante que .i expressão '"ma.mãe e papai 1êtn relaç~ sc~uais"?
ção do conjunto do sistema significante. Kão há significante O brincar seria uma linguagem sem língua em que cada
algum que não remeta à ausência dos oulros e que não se defi- dram:11ização pode remeter a vários stgruf1cados, mas os ele-
na pela sua posição no sistema". mentos desta linguagem em si não remetem a sigruficados. O
leão não ser.i. ixcessariamente, pai mau: denotará. em pnmei-
ro lugar. outro .Í!,'Tlificado (por exemplo. posso pegar esse ani-
2. ~x~.J B.. Pa-ru t:w,:~·ndt:rtl (:!tn«:/&11tJ• 1-'H(). Bucn~All'CS e~. mal de bnnqucdo e simboluar com ele wn aspeclo do que eslà
lema. 196J. p. 12.
3. Lapfanchc. J e Lcclairc. S . ·l;l inron«:ien-..<· un t<lllclio ~<1conib-
acontecendo comigoJ. ou mais brevemente: pode simbolizar.
tico'". ln.. E/ ut.:'f)IUt:.t.;.•n..·e f":..d,,mo > ~, JJJk."'(Janáfz. Jn;.,,d,, COllltmtp,:,n: ..
1$ ao mesmo tempo, que pode conotar o arquêtipo p.u mau ou
neo. Buenos ,\itt'>. '\:UC"J \.íS1ôn. p . .r.3 outro.
246 _ _ O processo pskodíog,v,51/co e a.1 tmicm projet/1:c'.< .~ lwrl1dejogod~- - - - - - - - - - - - -
U- 7

Nossa impressão é que. muitas \'e;zes. deixa-se ck lado o O significante da articulação entre o que chamamos de
denotado, analisando-se. aclusi"amente, o conotado. que é to- unidades de jogo e o tipo de a1ividade que e!&Citada pela a1i-
mado como aqu.ilo a que o significante remete de um modo fixo. vidade anterior Assim, por exemplo. o fato de que depois de
Isto implica uma autude de "tradução simultânea·•, em qu.e haver rasgado um boneco a criaoc;a arrume o material ei.;pres-
detenninado, momentos adquirem especial importáncia J>Of" sana que a primet.ra atimlade evocou uma ansiedade que se
seu simbolismo. traduziu na atiVld:lde de arrumar. como defesa ante ela. Portanto,
Mas existe outro modelo de análi,e. ao qual Laplanche e pensamos que os elementos categorizil\cis na hora de jogo.
L.«laire chamam -atitude de alenç:io livremente ílutll3Jlte-, segundo esta perspecm,a.. são. fimdamentaln~nte.
que "não privilegia nenhum conteúdo. privilegia a todos. e con- 1) condutas que revelam um "argumento" p.Sicológico. i~10
sidera o conjunto do discu.rso como um text0 suscetivel de ser é, que dramatizam fantasias:
traduzido para a linguagem mconsciente"'. 2) condutas que manif~"13111 mecanismos defensivos ante
Por outro lado. o bnncar é uma linguagem em que. como a ansiedade provocada pela emergência de fantasias.
du Fag.õs. a!> imagem. estão coladas a ~eu significado". e "para Usamos o termo faotaSia, em seu sentido mais amplo. co-
encontrar o,; poderes de significação e de interpreroção.. devem mo aquilo que a cnança expressa mediante o bnncar. coisa que
desenvolver em nível do "discur;o' o que lhes falta em ni,d ocorre toda vez que aqwlo que a criança faz C\'OCa. no entre-
das estruturas elementares..'. vistador, uma rcprcscntação mental correspondente a um con-
Na hora de jogo o "discurso" é dado pela seqüência da!>
brincadeiras. que foi. precisamente. o que lenbmos abordar seg-
teúdo inconscicn1c. Por exemplo. se a criança brinca de dar de
comer aos animais. evoca no psicólogo a situação básica de .•'',
mentando a conduta da criança durante a ses.são em unidades. alimentação na dupla mãe-criança. Se. por outro lado. pega os .
C.arcgorizamos como unidade de jogo todl a conduia da brinquedos e os larga em seguida. sem armar nenhuma brinca- )

criança que pcnnita que a significação apareça. desde um deua com eles. está mdicando que sofre uma inibição de sua
geslo ate um ato oomplc'<o em QllC se usam diferentes elemen- fantasia, uma defesa ante a ansiedade que aquilo que repnme
tos. mas para emitir wna mensagem única. por C."<emplo. cons- lhe e-.oca
truir uma casa. Conseqüentemente. o que tomamos corno significados aos
A imponància da análise das seqüências aparere assinalada. quais remetemos os significanles não são conteúdos incons-
se bem que em outro contexto. na obra de l.3c-an. para qu.cm a cientes, mas sim o que a aiaoça faz com eles
unidade de significação adqwre senudo em relação à cadeia de Com relação a isso. podem apresentar-se as seguintes pos-
significante., ·-o, sagnificantesde\.em ser cOOStdeodos como se sibilidades:
esti,-essem ar1iculados ~ ·'fais1c uma coerência teórica do con- 1) mostra-os dramauzando-os atrm•és do brincar;
junto como conjunto c também a articulação ê significante.'~ 2) mostra mecamsmos defens1v·os diante desses comeú-
clos inconsciente<;, do tipo de:
a) inibição: paralisação da atividade;
4. idnt, p. :tl b) controle: arruma. toca no,; brinquedos ou em outros
5. Fagoé,. <I{' " '· · p 121
6. Pahmtt. J M . J Loron. lo ,...bóliro y lo im,>g'""1rln. Bue1'0< objetos:
Ares. Proleo. 1'171. p S3 e) conversão: morde os lábios, retorce as mãos., etc.
U 8_ _ _ __ _ O pmasso p.'ICodiaglltisticoe as ~icas projerfuls A h,.;ra de iogo d:..'f{nó,tim· _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _......;1'-'-1.;..9

Regisuamos, pois, para cada criança, as seqüências de fan- As pautas que encontramos na análise comparativa des1cs
tisias e defesas. tal como foram caractcruadas. quinze casos não pretendem ser genemhz:ações compro,11das,
Consideramos também como indicadores: pois necessitaríamos para isso de um número muito maior de
1) o número total de urudades de Jogo; casos; são hipóteses de trabalho sobre a interpretação da hora
2) o ritmo das seqüéncias: d.: jogo diagnõstica
3) o número do que chamamos subsistemas dentro do sis- 1) O número médio total de urudades de jogo oscila entre
tema total da hora de jogo, seqüências em que mantém 10 e 15, para uma ~são de trinta minutos.
um mesmo sentido (por C'<emplo, amassar e fazer, com O número total de urudades parece estar associado ao ní-
a massa, obJetos relacionados entre si. seria um subsis- vel mental, idade e quanndade de anstedade.
tema separado de outro, em que a roança constrói uma 2) O clímJ.X no final da sessão, e sobretudo na última uni-
tom: com cubos): dade. indica que a ansiedade ameaça invadir o ego porque não
4) o grau em que a ansiedade transborda das medidas de- pode~.,. b,,m manipulada nem controlada por defesas eficazes. :,
fensivas e se manifesta abertamente (por exemplo, cri- Se o clima, aparece na metade da hora. ou depois (raramente
ses de choro): pode se apresentar antes). inferimos que a criança tem certa ca- =
5) a perseverança nal, unidades de jogo: pacidade de cbboração diante da emergência d,: contcúoo,, psí- ••
J
6) o momento de aparecimento no decorrer da sessão do quicos e.. ocadores de aJlSJedade.
que chamamos de ..cli~-. ,sioé, a mcnsai,-.i:m que apa-
rece como privilegiada no contexto do di=o. pela sua
O clímax. como manifestação de IIIllll fantasia. implica a
possibilidade de simbolizar, através dela. a ansiedade. Quando
•'
maior dramaticidade (por exemplo. wn animal e atro- a an~icdadc bombardeia muito mtcnsarncn1e o ego. este não
pelado Por um carro); pode mediatizar atravf; da siml>oli22ção, e o cli= é a ~rei-
'
7) a po~~ibilidadc de a criança lidar com os tipos de ele- são da própria ansiedade (choro. por c.,c.cmplo). >
mentos que estão à sua disposição, que chamamos "figu- Nwro hora de jogo p=ente defensiva, o clímax pode não
rau~·os- (os animais, boooco~. etc.) e ·'nào-figurativos- aparecer. pois é. precisamente, aquilo de que a criança ~ se
(massa. cubos. material de desenho) Registramos tam- defendendo. de uma forma. ao que parece, bem-sucedida. Não
bém o tipo de elemento utilizado pnmciro: obstante. isso implie.1 um sério grau de empobrecunento.
8) a quantidade de matenal empregada pela criança (usa- 3) As sequências de unidades manifestam a modalidade da
o todo. só IIIllll parte. só um objeto); criança quanto à e.,c.pressào e m:tnipulação de seus conflitos.
9) a quantidade de elementos que utiliza em cada unidade Em geral. ainda que com conteúdos diferemes, ou com níveis
de Jogo. dlfereme,, de bnncadcira!,.. encontramo, repetição de seqüên-
Passaremos agora a enunciar cenas proposições gerais a cias. (Por exemplo, um menino brinca com elc.,n,:ntos fi1,•ura-
que chegamos através da análise do quinze casos estudados tivos e. depois. passa a usar massa ou papel e lápis. repetindo
com base na consideração dos indicadores e,q>osto. acima. Que- com os últimos elementos o upo de seqüência dada no primei-
remos assinalar que não consideramos este trabalho excluden- ro nível de atividade; isto nos esclarece sobre pautas de sua
te em relação à interpretação hab1rual da hora de jogo, mas sim estrutura psíquica.)
que pode conwtuir outra ,;a de acesso ao diagnóstico psico- &:qüé:ncias t.urtas (por exemplo. fantasia seguida de defesa.
lógico infun1il. e logo uma repetição desta pauta) são indicadores de um alto
250 1SI

grau de ansiedade.já que a defesa surge imcdiatamcn1c diante 8) Uma hora de jogo que seja somente man1fe.stação de
da C"J)ressào de uma fantasm. para evitar a eme!'gêneta de con- fantasias. de acordo com ;;eu conteúdo. pode s.:r a hora de jogo
teúdo~ p:,;quicos ansióg.:nos. Seqüências mais longas (do opo de um psicótico, no qual o inconsciente não reconhece barrci -
F-F-F-F-F-0. ele.) implicam uma maior liberdade na sunboltza- r= Outra caracteristJca da hora de jogo do psicooco é o apa-
ção do conteúdo inconscicnt.:. menor ncoessidlde de repressão. rc...-imcnto de ~ãrio, clima.~. enquanto no newót1co aparece ge-
4) A repetição das unidades de jogo quanto ao conteúdo ralmente um.
da fantasia pode indicar uma tcnwtiva de cl3boraçào de um 9) Uma unidade de jogo que pode ;er caractcri;ada ~1mul-
fato ttaumático. Observamos que um elemento tra umático real taneamente como fantasia e como defesa (por eJlemplo. agru-
na história do paciente se expttSsa pela emergência precoce da parº" brinquedos com um determinado sentido) nos faz pen-
fantasia na hora de jogo e S\13 repetição perse\'erante. sar numa conduta de tipo obssessi\o.
5) A quantidade de subsistcm:is é um indicador da capa- 10) Oi, elementos bitarr~ s.:ja em nhel de conteudo ou
cidade de simbolitaçào da criança Em tO<los os casos tnter- em nhel de seqüências (por C'.'templo. uma fanta,ia que surge
prewnos como sendo de bom prog:nósoco a possibilidade de de repente numa longa sequência de defesas). aparecem fre-
passar de um subsistema a outro. na medida em que implica qüentemente em cnanças com per. ersões ou em psicopatas.
uma estereo11p1a menor e wna maior capacidade de sublima-
embora esta pecul1andade de-.a ser m31S estudada.
ção. Pensamos o mesmo a respei10 da mudança no emprego do ,
CO""'IO é óbvio. esta., proposições con..,muem apeD3S uma >
material· pas,;agcm do figurallvo ao nilo-figurat1vo (s.:qii<.'ncia >
base a ;;er Ie,-ada em conta no ei;tudo da hora de jogo diagnós- >
mui lo comum). na medida em que se traLl de um nuterial que
requer maior capacidade de abstração. Seria, especu1camente,
tica, e necessitam ser comproo,-adas e ampliadas cm trabalho,, '
um fa10r a ser lc,-ado em conta para a indicaç.l.o de ps1cotern- postenores.
pia breve.
6) A quantidade de material usado pela criança manifesta
também o grau de abertura que da pode se pcnnitrr em rel3çào Bibliografia
a seus conflitos. Existe. em geral, um paralelo cnlre o número
Aberast"'). A .. Tcona .' tét nico dei ps,coamili<is de r.iilo, Bueno,
de fantasias que a cnança pode expressar e a quantidade d.: ma-
Aires. l'aidôs, 1962
lerial que usa, que é, também. um índice de quanta resistência
• EI Jlli'gf) de ro0>m1ir CaMJ>. Buenos Airt". Pa1dôs. 1961
pode desenvoher na terapia. O uso de um só objeto do material '-lthusser. L.. B3udoo."<, L_ Concz. M.. Green.A.. Lagadec. C. e Melli.
alude a uma n.:o:ssidade de autodelimitaÇão. pro,-a.elmente C.• E>rr11<1oralismo) p<ic()(Jnalisi< BuenosAm:,.. ,uev:1 Visi!Yl.
como def~ antc uma amiedade de tipo confusional. 1970.
7) Uma hora de jogo composta somente de tmidades defen- Erikson. E.. --configurahon an Pby. C anical ~otes· P5>v-/10Q11
sivas indica que estamos em prci,cnça de uma caractereopatia Quanerly. \"I, 1937. pp. 139-21~.
ou de uma criança com eamcteristi.:as borderline, que se de- Klem. ,1. f:."l p,icoan,íli<is d~ n,rio< 811<."IIO', Aírc,. Honné. 1967.
fende de wrui ansiedade ps1cóuca invasora. A difcn:nça entte L3Can. J.. LID jórflli.lciono dei inconscietlle. Bueno) All'rs. Nue-a
esles dois quadros tão dessemelhantes pode ser dada pelo cli- Vis on. 19~0.
ma,- l3pah,ado ou inexistente no caracleaopata. intenso como L:bovici. S. e Diatlune, R- SigmfJCUdo ~ fw,c,ón dei jwgo en el 11/iio.
última unidade no borderfine). Buenos A "'s. Proteo. 1969
_2_5_
2 ______ o pmca,o p<irodiagn6<riN> e a• ·./rnian profr,-',Yls
Lévi-S1rau<S, C.. h11ropologia esmu:ruml. Buenos Aires.. Eudeba,
1968. Capítulo VIII
Lhi-S1ra,,ss, C, Thion S Banhes. R-. Oodeher. "-· Aproximaâó11 Os testes gráfu:os
ai esrn1m,ra/fs'110. But00s Aires. Galema. 1967.
Racler_ G. de. ~EI eajón de juguet.:s dei nino y cl 'cajon' de fanl3Sias
dd atlulto" Rl!I de Psrroanálm.r. 1 XV. n: 1/22. 1958
Salas. E. e Rabih_ M.. '·Pnmcra hora de tralamíenlo de un niiio. fan-
1.l>ÍlS deenfermedad y curncióo". Rn. Je ~ , s . >'OI. XXII!,
~ 1, 1968.
Saussur.:. I'. de. Cur,o de ling,ilSlica gt!lieroL Bueno,, Alro.. Los.oda.
1971.

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Defesas nos testes gráficos
Elza Grassano de Piccolo

O objetivo deste trabalho é facililar o diab'11Óstico das de- •


fesas desem.endo o modo específico com que se manifestam '
nos difm:ntes instrumentos projetivos gráficos.
De1imi1açào do concei10 de defesa: O conceuo de defeQ
utilizado neste lrabalho é o da teoria kleiniana: nela as dcfcsai,
têm senudo e sígruficado dentro de uma conf1guração especi-
fica de relação objetal: são parte de procc,,os dinâmicos cm
que estão sempre rmph cados vínculos com os objeoos. Segun-
do M. Klein. "há, ao nascer. ego suficiente para ,,.,..11ir ansic-
cbde, utilizar mecarusmos de defesa e estabelecer relações pri-
mitivas de objeto na realidade e na fanta,ia-
É necessário diferenciar uma defesa. tal como é VI\ ida in-
ternamente pelo su;eito, da id.:ia de urna defesa {dominante.
por exemplo) prnduto de mn processo de absttação do obser.'3-
dor acerca dos modos mais habituais com que a pessoa mani-

1. P3.n a C"(Cmr,lific..'lÇ3n uuram.~ ffl.'Uaut~ gr.i.ficos d23: b:1taUs dos


alunos cb., codara., de T""'1la.; l'ro)Ch\':15 1 e U da fxwdad;: de f,lo,of,a e
l=:!s ~ . pelos protocolos que me ofcm:cram. às liC<:DCtada:. !>tuu
L S. de Ocampo. \tlria E. Oara.a Ar,mo. /\dclo 8. Bcm.lcin, Sumna t,1.,,.c}..,..
roo. Siln• Bazm. C. ~lartmu Canhy. Eh~ Garal Maria f. de R•barth e
G:my Arr.o.
_1_5_6______ O proce= psirodiaptÓslic<> e as r«nicas p,,:,jer.'w15 Os ,estes gnifiros _ _ __ ]5i

pula sua ansiedade. seus 1emons ou seus desejos nos ,;nculos A constelação de condutas defensi,-a,i utilizadas por um
com os ObJelOS. sujeito ajustam-se em sua série complementar pessoal. Durnnte
Como parte de processos dmâmtcos, as defesas s.io vi,en- a C\ olução. determinadas fantasias são privilegiadas e se esta-
ciad~ como faniasias inconscientes relau,as a aspec1os do ego bllJZam como formas comuns de manipular o vinculo com os
e ·ou do objeto. enfatizados, dêpreciados. conuolados. d1,1d1- obJetos. Denominamos mecamsmos de defes.1 estas formas es-
dos. não vistos. etc .. CUJO ubjeti,o é dimioutr a ansiedade ~is- tá,eis de presem1ção do eqwlíbno dos, inculos com os objetos.
1ente nos ,inculos objetais e pn:ser..ar o equilíbrio. Estas ían- apoiad~ cm íantasias e e,prel'."3.S na conduta manifcsia por
tasias se traduzem em modos e:specificos de condula diantt: de formas de pcn.-ebcr e ,,alorizar alguns aspectos da reahdade e
objetos internos e externos. acreditando, assim, satisfazer às ne- do ego e neutralizar outros para c-,.itar o sofrimento pSiquico
cessidades e ev11ar os pengos fanwiados. Por exemplo. uma
foniru.ia doounante. tal como: ":.'1mha ogressào pode desorg:i-
Uma vez estruturadas as condutas defensivas. estas são
também e.,perimentadas pelo sujeito como fantasias incons-
..,.
::,

::,
nilar e destn,ir definiti,mnente o obJelo. é necessário mantê- cientes sobre as vantagens. as limitações ou as modificações
la dentro (IOl, limit~··. fará com que o suJeito tenda a perceber interna:, result.antes delas. H. Segai exemplifica a \'Ívêncta do :
só o qtte é bom no objeto para evitar a agressão. e a enfatiz.ar mecanismo ele repressão como "dtque interno que podena ar- ,•
somente o amor por ele. traduzindo-M: isto cm condutas e,cte- rebentar :;oba pres~ de algo similar a wna torrenie"; a mib1-
riores de reconhecimento. bons tratos, amabilidade generali- ção dá lugar a vi\'ências de empobrecimento interno; o i~la- ',,
zada. etc. Por outro lado. esta oece~,idadc interna trar.i acopla- mcnto. a ,ivências de ane:.tcsia afetiva. etc.
,
da a perda da espontaneidade e da liberdade para sentir (sentir
livremente expona a senur nmaJ.
E'>l8s condutas resultantes da fantasia e nunciadà põdcrilô Relação e difere11d ação e11fre fantasias
!>er conceituad~ por um observador como .. formação reau,a". im:011sde11tes e 111ec011isnros de defesa
O uso de uma defesa responde a um cspcc1ro de fantasias
referidas ao vinculo objetal· fantasias sobre o ~lado do ego A fantasia inconsciente. tal como a define :>.1. Klem, e
(forte. rompido. consuutivo). de seu grau de bondade ou mal- seguindo uma citação de H. Segai. é -a cxpre,,~o mental do~
dade: fani3Slas complementares sobre o estado do objeto (dani- instintos: por conseguinte. e,ciste desde o cOIIk!ÇO da vida Por
ficado. rompido. mtciro. frágil). de sua bondade ou maldade; definição. os mstintos são caladores de objetos. No apara lo men-
fantasias referidas ao ,·inculo posshe! (aurude bondosa ou per- tal se experieneta o ins1into vinculado com um objeto adequa-
M:cutôria do objeto para com o ego]; fantasias referidas ao tipo do para sua satisfação. Deste modo. para cada impulso lllStin-
de resposta temida. e n:foridas ao modo de conuolar. neutrali- ti,o há uma fantasia correspondente··.
zar. regular. pn:scr.ar o ego e o objeto po:1ra e, itar a reiteração -criar fantasias .: uma fw1ção do ego. A fanwin oão <?
do vínculo temido. somenle uma fuga da realidade: é um acompanhante inC\ itável
As defesas constituem a "melhor solução" oonSCk'UÍcla pelo das experiéocias n:ais. cm co~1an1c 111tcração com cl4 Ao
SUJeito nas relações com seus objetos. estão enraizadas na per- considerar a utilização da fantasia inconsciente como defesa,
:,00ahdade e presentes em toda forma de perceber e conectar- petgUI1tamo-nos como é. exatamente. sua relação com o, me-
se 11an10 na realidade interna como na externai. canismos de defesa.. Em pouc.li palavras, a distinção reside na
_2_5_6______ O rmc~•op'l<O<i'~ -" :ro e a• :«nia:r. J"'<>}tmVJs O., restes í:rá[tcOS _ _ 259

diferença entre o processo real e sua representação mental de· 1) Lm momento d.a tarefa diagnóstica é o conhecimento
talhada o.,sp,:cifica.- da gama de conduta!> defensivas utilizadas pelo eotre\"lstado.
Quando 11. Segai diz que a diferença entre fantasia incons- Toda ~oa descn"olve um ~ctro de processos defensivo,.
ciente e ~canismo de defesa é aquela que há e11tre wn pro- alguns dos quais são usados com maior freqüência. marcam de
cesso real e sua representaÇão mental. entendemos que se refere forma mais intensa seu modo de se vincular com a realidade
à diferença entre o que o sujeito fantasia que deve fazer para ;merna e ex.terna. e são os mais adaptados para conseguir o
c.1tar o <;0fnmcn10 e a concreti,.ação dc,ta fantasia numa (k. equ1líbno. São estes os que se pnvilegmm no contato manifes-
tcnrunada conduta interna e .:,tema. detoctável pelo obser\'3· to com a pessoa exanunada.
dor "lum sujeito que utiliza o mecanismo de negação maníaca. 11,h!-. além di,,,o. pennalllll:cm subjaccn~ proce,,.'°' dcfco-
si\-os que são mobilizados em situações vitais diferentes, de ;
·'llào conhece" os aspeaos destruídos do objero nem a própria
maior e,,acsse cmoaonal. em situações de regressão ou de pro-
...
a ~ o e culpa. há uma lumtaç3o concrc1a de seu ego no :,
:,
aspecto perceprual. A fantasia mconsciente subjacente refere- gressão. Por exemplo: o uso dominante de mecanismos de for-
>
se ao porquê e ao para quê neces.<;iu não conhecer. Se tradu- mação reaovõl nos quais estão subjacentes mecarusmos latentes ,,
?isscmos e,ta fantasia inconscicnle para a linguagem vc.'Tbal, de dissociação, mecanismos de L~lamento e."<tremo que fun.
ublcriamo~ uma ~t:rbahzaçào do Upo: ·-s.: vejo como dc,Lrui cionam como controle de identifica~ projeums 13b que
meus objetos e quanto os necessito. cairei em desespero e soli- exporiam o ego a processos dcsorgania1ti,ui. ou, pelo contrá-
dão. ;\ccessito não ,·er. Se não vejo. não e:.-tào desttuidos. rio. uso de mecanismos de 1.P. tidcnofica,io projetiva) e indic..-...~
de defesas latentes mais aperfeiçoadas (repressão. por exem-
pJo), fracassadas pela atual defrontação com uma situação
,'1,fecanisrno de defesa e tarefa psicodiag11óstica traumática.
2) Como di:.semos. uma defesa ê o ac1onamemo de uma
Diagnosticaras dcfe,;ru, niio é somente ro1111á-las'. ê tambt."m série de fantasias incon:,ci<:ntcs rdacionacbs com a forma de
compreender o processo dinâmico ~incular de que fazem parte. conser"ar a relação harmônica com o objeto e e, itar o sofn-
Conseguir uma compreens5o dinfunica dos processos defen· mento causado por fantasias sobre o estado do ego e do obje-
sivos supõe compreender as fantasias subjacen1es, o porquê. o to. No "porquê·' oecessiCllllos detectar quais são essas fanta-
para quê d.is defesas, sua intensidade, sua qualJd.ade. seu grau SJ.1S e que fatores ,mculares d.a htStória indn1dual e cb situa-
de ngidez ou vanab1lidade e sua efetividade. Descreveremos ção atual influíram na esrab1hzaçào d = formas específicas
agora este, diferente, a,.pec10,. de dcfe,,a diante da ansiedade.
I) qual é a modalidade defensi,-a, manifesia e latente; Diante de uma pessoa que manipula seus ,inculos com con-
2) por que o ego optou por ela: dutas que relacionamos com mecanismo~ de isolamento inten-
3) para que optou por ela: sos (sem afeto. carente de emoções, fechada em si mesma.
4) a que nivel C\'Olutr,,o corresponde a modalidade defe=va; etc.), pergunramo-nos por que necessita fazê-lo. Sua fantru.ia
51 que caractmst:icas têm essa configuração defensiva (pias· será: "Se não me distancio. soo in,..adido por tanto afeto que
ticidade, rigidez, etc.). enlouqueço-. "sinto o que acontece com o objeto como acon-
tecendo a mim e enlouqueço", "tanta agressão pode irromper
160 Ofl"l)ceSS(> psicorfi,:gn6s:ico e a, récnicas proje:Nas 161

em mim que, se não me fecho em mim mesmo, posso e,qilo- contêm aspectos ada!)(ativos e são indispens,heis para um
dir e fazer explodir". aJuste adequado à realidade. São pa1ológicas se estão baseada,
3) Interessa-nos. nqu1, conhecer quais são os pengos fan- em fantasias mtensarnente hostis e invejosas. pois iravam a
tasl:ldos que o ego tenla evitar. e o que acredita que acontece- possibilidade de e-.olução para uma elaboração adequada da
na se abandonas..~ sua modalidade defcnsi"ª· Fm tcnno~ gerais, -.ituaçio dcp,essi,a. Para medir o grau de patologia ou de adlll)-
sabemos que evita o wfrim1.-nto p,iquico, ma,, nc..--essitamos tação da dâesa. lcvan..--mos em conta.
conhecer como fanl~-ia = sofrimento: como lo11curJ, 1:"0!'IC
do ego e ou do objeto. danificação do objeto. abandono. de·
a ) Grau de elasticidade ou estereotipia
Quanto mais rigida e esttrcotipada é uma defesa. maior e
pendência total do objeto. ele a sua patologia: se um suJcito apela para m.:cani,mos de nega-
4) Os processos defensn'Os lém um desem'Olvimento ei.'0- ção diante de toda situação que implica aflição. falaremos de .,"
lutivo. Existem. ponanto. defesas pnm111,-as diante das ansie- e,tcreoUpl:l e linutação do ego. Já que não.: capaz de perceber
dades também prurumas ou psieóllcas. e defesas adaptauvas a, situações reais e dolorosas. nem a depressão e perseguição "
~

>
ou mais e.. oluida:I. Em termo, gemi,, e~1-.te a ,eguintc ~eqüên - iTucroa Por outro lado. falaremos de plastictdade se esta defe- ,
cia ~oluti,a: aparecimento de mecanismos e-;qui7óidcs (dis- sa se manife;ta como recurso defensn.o diante de uma situação •
,ocia.;ão. idcalilação. negação e con1rok oaipolentt: do obje- de choque. sendo logo modificada e subsutuida por owras. 'I
to, processos dominantes de I P), seguidos, na evolução nor- bl Grau de compromisso da personalidade
mal. por mecanismos maníacos e obsessivos correspondentes Quando a modalidade defensiva marca tO<b, os , mculos
à entrada na etapa depressi,,a (evolutivamente falando). A reso- do SUJei10 com a realidade (por exemplo, formação reativa em
lução adequada desta etapa danl lugar à emergência de meca- todos os contatos\ é mais limttante para o ego do que quando
nismos neuróticos tais como a inibição. o deslocamento e a re- ,e circun~c=e a de1ermmadas áreas ou npos de vínculos (por
pressão e ao aparecuneruo de mecaru,,mo, mais avançados como c.,emplo. formação reau,a ante figuras com características
a sublimação. maternas)
Frncas:sos na evolução inicial impedirão o e!>tabdecimen-
lo de mecanismos de dissoci3ção claros. os quais ser.ia subs-
tituídos pelo splittmg e pelas LP. excessh,as. colocando as .\f ecani~·mo:, de identificação projetfra
bases de processos ps1cóticos.
O fracasso na etapa depressiva (o e.1tcesso de mveJa ex- A 1denuficaçào proJetiva é o mecanimio l)e"lo qual o ego
presso como desprezo maniDCo) favorecerá 00\·as regrcs,,õcs depo~u.a um vínculo (um aspecto do ego ligado a um obJeto
ou impedirá o avanço para mecanismos mais adaptati,cr- O diag- oom uma fantasia especial) nwn obJeto que passa a ter as carac-
nôstico <kl.te a,,pecto dá lugar à determinação do tipo de orga- terísticas dcst.: vinculo projetado. O obJeto sobre o qual se faz
nização neurótica ou p!,icótica da personalidade. a projeção pode ser um objeto interno, que é, então, marcado
5) Este ponto está relacionado 00111 o I e o4 e se refere ao pelas car.1cteri:;tica.s que o ego. por projeção, lhe atribw (neste
nh-el evolutivo. quantidade e qualidade das defesas prevalecen- caso falamos de I.P. em objeto íntemo) Se a I.P. se faz sobre
tes. isto é. a seu grau de patologia ou aclapcaç.ão. Disso depende- wn obJeto externo. o ego amplia seu âmbito geográfico. pois uma
rá o grau de limitação que o ego pode sofrer. Todas as defesas rane rua passa a fuzer pane do objeto externo na fantasil Como
_ _ _ _ _ _ O proa,stn p<irodiag,ró<tico e a., 1icmca,projer/Tm
_2_62 O., te:nes gn!:ficos 263

conseqüência, tanto pode acontecer que o objeto seja percebi- Referindo-se a isto. P. Heimann diz: "Embora possa haver for-
do com as características da parte projetada do ego. quanto mas orrus de re.ieiçào como o cuspir ou o expelir, os impulsos
que o ego chegue a se identificar com o objeto. orais são sempre de tipo receptivo. incorporativos Portanto. tudo
A I.P. pode ser tanto um mecanismo normal quanto um me- o que se deseja dissociar. projetar e pór para fora dos limites
canismo p:uológico. Em condições normais, Íll\orece a rela- do ego com:spondc a uma função anal~xpulsiva."
ção empática de comunicação e emendunento com o objeto, Quando o depó;ito de um aspecto próprio num objeto ex-
por duas razões: 1) porque atra,es da I.P. o sujeito podo: se pôr terno se dá num contexto oral-incorporativo. a sua finalidade
no lugar do outro e 2) porque pode conseguir que o ourro se é mcorporar o objeto externo ao próprio ego (na medida em
ponha em ,eu lugar. A maneira de falar. os gcst~ o tom de \'OZ que apaga a ctiftrença ego-sujeito). A finalidade é mcorporati-
produzem no outro ressonâncias afetivas de irritação, simpatia.
aproximação ou rejeição derivadas dos aspecto:, que o objeto
va. mas o mecanismo (depositar) é anal-expulsi,o.
2) Libcrman e Grinberg afirmam: -As identificações pro-
.
;
-:,
:,
deposita nele. A qualidade nonnal de funcionamento da I.P. de- jeti--as podem ter conteúdos orais, uretrais. genitais. etc.. que
pende não só de como funcionaram as identificações proJeu- outorsarào modalidade& c,pecificas às relações objetais" Os
,-as do sujeito nas pnmeiras relações obJetats, mas também de conteúdos que são evacuados atra,és desta função anal-expul-
como o f12eram as LP. de seus pnme,ros objetos (pai,) e que si,a podem corresponder a difcn:ntes ni,etS de evolução libi-
repercussão produziram nele. dinal: fantasias incorporativas, oral-s.idicas. genitais, fálicas. etc.
Os indices de patologia ou adaptação do mecanismo de I.P. (Pode-se projetar um seio que devore ou que morda. que enve-
são dados por: 1) Fator quantitativo: predomínio das I.P. com nene, cte.) A predominância de qualquer uma destas fantrunas
caracteri~tica~ evacuatÍ\'3.S, ou utilização delas no nhel mais contidas na identificação proJema condicionará a., modalida-
orsanizado dos mecanismos obsessivos, que permitem manter des csquii:óides.. mcl:mcólieas, tõb1eas, etc.• dos vínculos com
o controle das partes dissociadas e projetadas. 2) Fator quali- os objetos. -Por exemplo. atra,es da I.P. o ego se projeta no
tativo: a qu:ihdade da funwia ou pane do ego projetada (fill3- obJeto para comer, chupar ou d~orar no ni,el oral, queimar
lidade da I.P.). Isto é. a natureza berugna ou mahgna de parte com unna no uretra!. destruir com excrementos ou gases no
do sei{e da fantasta que se depo,ita no objeto (para li~rar-sc do anal, etc"
aspecto man, para romper o objeto. para salvar o as-pccto bom. 3) A finalidade para a qual o mecanismo é utilizado ,-aria
para reparar o objeto, etc.). na 1 P. normal e na patol6g1ca, e de um indi"iduo parJ outro
Quanto maior a intensidade (quantidade) e sadismo. maior dentro de um mesmo grau de patologia. Em termos gerais, as
o grau de patologia da J.P. finalidades da 1 P são (seguindo H. Segai): 1) livrar-se de par-
Para =larecer melhor o conceito distiuguimnos entre: tes más e atacar com elas o objeta externo: 2) livrar-se de partes
1) Função dominante no mecanismo de L.P. más e proteger. deste modo, o obj.:tO imemo: 3) C\1tar a sepa-
2) Modalidade da I.P. ração depositando partes boas. Conseguir a união com o obje-
3) Finalidade da J.P. to ..metendo-se- dentro do objeto: 4) manter a sa1'o uma parte
~ 5) ser uma forma de reparação primária do objeto.
1) O mecanismo de l.P., na medida em que implica pôr para As 1den11ftcações projeti"-as atuam com particular , ,olên-
fora aspectos do ego. corresponde a uma função anal-expulsi,-a cia nas esquiz.ofrenus, em outras psicoses e na psicopatia
_2_64
_ _ _ _ _ _ OffflCl"'<' psi~ósriro e a.• :k•n:spmjnnm O. resre.r gráfi«,s _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ 265

Por oulro lado, ao longo da evoluç;"io produ1-se uma pau- A~ 1 P patológicas. pela quanudade de sadismo e por seus
latina modificação da inte~1dade e da qualidade das I.P conteúdos, correspondem a fixações ou regressões a etapa,
l\'o inicio da etapa esquizo-puanóidc. pe'3 fraca integra- primiti\"as cujo desenvolvimento já teve características pato!~
ção egóica, a identificação projetiva é distorcionante em rela- g1cas. 1'.as I.P. que M. Klein descreve como típ,~ da posição
ção ao objeto. e as qualidades ou panes do ego pro}Ctad.35 são esquizo-paranóide. as partes projetadas não sofrem maiores
vividas como pertencentes ao depos1táno. Sua fmahdade prin- a.Iterações e seguem certas tinhas demarcatória,,. :\1as. quando
cipal é mcorporar o Objeto externo. quando o bebê projeta um o excesso de sadismo, de in,eja, as folha.~ da função continente
aspecto seu (sua boca. por e~plo) dentro do seio da mãe não
do obj;;t.Q ,;.,temo alleram a evolução. a tensão toma-,-e esma-
é somente para li\rar-se d..>,,:,c: asp..-clo. mas sim para recupe- gadora para o bebê e a I.P. adquire características maciças e
rar a união pré-natal. atra, és de tm1 duplo processo de união: mwto v1oleruas, tendo como consequência a desintegração do
.,"
o seio da mãe dentro do bebe e o bebê, ou uma parte sua, dcnlro objeto splitting) e do ego.
Bion descreve uma forma de 1 P própria de quadros pato- ,:,
do seio.
lógicos. em que a inveja. a hostilidade e a angú.<;Ua são pam- >
Se houver uma relação conUDente adequada oom a mãe.
cularmente inlensa.s: os ~cctos projetados são dissociados e
diminui o sadismo. a 31lS1e<bcle persecutoria. e a ~nta a ca-
fragmenlados proj<:tando-se no objeto e desintegrando-o em
pacidade integrauva do ego.
parles mínimas. A reahda.de externa. percebida de forma tão
Com a entrada na situação dcpressr,,a. surgem mecarusmos
persecutória. gera um , ,olento ódio contra ela e tamb.:m con-
de controle das projeções que pcm,itcm a ditê:renC13Çào entre tra a realidade interna. O ego se fragmenta para se ,ec livre da
mundo i:itemo e mundo ext<.TI10. entre <.1,'0 e objeto interno. fa. percepção e. ao me,,.no tempo. o apan:lho pcrccptor é atacado
voroccndo a diferenciação entre os aspectos do ego e do obje10. e desm.údo. Os múltiplos frJgmento~ a que fica reduzido o
A 1.1'. nesta etapa. tem como fmalidadc conseguir a empatia com objclo são chamados "objetos bÍJJ!mlS", os quais. violentamen-
o objeto. desenvohi:r as funções de comunicação e conhecimen- te expulsos pela IP patológica. cnam uma rea!Jdade que se torna
to do outro. tenmndo a reparação do obJetO. A I.P. adquire agora cada ,.:l 1113i, dolorosa e persecutoria: ante ela o ego reage
um valor fundamental no processo de stmbolização. com, J\>ênetaS de vazio. despersoruilizac;ão. etc. Esta é a IP. com
Durante a e-.oluçào. a 1.P funciona com particular \1olên- caracterísucas ps1cóticas.
cia no estágio de desemol,imcnto que P. He,,nann denomina A J.P. própria da psicopatia é denominada I P indutora. A
pcncrso-polimorfo. 'l~c momento. o bebê ~,q,crimcnta. de l.P. indutora caracteriza-li<: por ser violenta, e.~ccs,i,"3 e ter
forma descoor&:mu.la. e,;citações de todas as zonas do cor-po e como característica básica por parte do ego -Um3 mampulação
deseJa veementemente sua satisfação imcdi:11a. As fantasias wbita e bru,;ca, qu.: tende a paralisar e a anular a capacidade
pl"O',:mentes da excitação de diferentes zonas corporais criam de discriminação do objeto e.~temo". Procura depositar o mau
confusão. a qual. somada a um mcremento de sadismo. mtcn- ( fanias,as correspondentes a quaJquer nível libidinall no obje-
sifica as J.P. Este período está situado entre o oraJ e o anal- to externo nus. diferentemente da J.P. psicórica, o ego mantém
expulsn.o: "A tendência anal-expulsiva como reação defensiva o controle do proJetado para evitar a rcintrojeçào e par.i indu-
alivia o ego da confusão ao permi1ir-lhe C\acuar os objetos Zlr o objeto a assumir ati\'amente as caractcris1icas projetadas.
J)<!n.cgu1dores mternalizaclo:,. os coa llito:. e tcnsõe,. eqwpara- A intensidade e o sadismo com:spondem a wna u11ens1ficação
dos com excrementos.- do "período pen erso-polimorfo-.
OS ILS!i"."i,,....;;;
• .._,1ro< _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
267

Na I.P. normal. o ego mantém o conrrole daquilo que foi Caso n• 1 ld.1dt: 5 anos t S mests; sc.,o. femiruno.
deposnado no objeio a fim de manter os limites da idenudade e
se disnnguir do obJelO (não mais para evitar sua reintroJeçào).

-Splilti11g" e ide11tificação projetfra


ci)(:66~~
exc~fra nos de1imhos

O<. mecanismos de <p!uting. ine-itavelmente unidos a me-


canismos de I P cxcc:;;;1,0,. l,:m como conseqüência a desoc-
ganização do ego e do objeto e ,ivC't1cias d.: csvaziamcnlo e de ~\ ~ci t- 1!.~
despersonaltzaçào.
Isto se manifesta nos desenhos com a.,; scgu '1tes c:srnctc-
risticas: e9o\ 2rli Q
1) Fracasso na organização gest.ihica: o objeto g-rafico e
d.:soq,'llllizado. rompido. sujo. com falhas na org;inização da
forma. Falta organização. coerência e mo\imento harmônico.
~e!) c6 1!]
2\ O ataque às funções adaptati•11S e de ajuste à realidade
se e.xpressa na, caractcri!>licas anteriores c nas seguintes altc-
racões .. lógicas··: localização ~1>3cial - noção de pcn;pecti'"a
noção de na frente e otnis, frente e perfil noção de tama-
nho adequado - noção de mr.er-relação entre a~ panes do ohjdo
cm si (por e:"{etnplo, uma adequ:ida conexão das partes do cor- 5) As figura.<. humanas. a ca.<;a ou a árvore apan.-ccm frag-
po)- noção de perspecma. volume. etc. mentadas. em ruínas, sem relação entre suas parles.
3) A folha cm branco. representante do mundo externo. é Figura hwnana. A~peCIO de,umani.aido. ,a.do. incxprcs-
'.ratada.. como depositária de objetos rompidos em pequenos sho. despersonalizado, ou sinisiro, persecutório. Caracteris-
pedaço,, conflll,()~ e per.,,..-curórios (e:"{prcssão dos processos ticns grotescas. gra,·e, altcraç~ na relação de partes entre si,
e-.acuauvos). Surgem, por exemplo, nos dc,,cnhos livres, pro- posicionamento de frente e perfil. etc. Allerações de limite,
duções gráficas nas quais a folha é ocupada por divcn,o obje- uunanho exagerado. projeção de ti-JÇO!, ··estranhos'º.
tos sem conexão entre SL sujos e rompidos. ou. pelo contrário, A casa e a árvore aprcs.:ntam o mesmo grau de alterações
objetos isolados. objetos materiais vazios de conteúdo. quanio a seu aspecro e organúação (rompido. destrwdo, caido,
4) ~ão hâ uma boa delimitação entre mundo iruemo e sujo) e falhas na intci--relação de partes. Projeção de objetos
mundo externo: os limite:. do desenho são ,agos. fracos, com parcaais que dão caractcri!>lica:, bizarras à produção. São típi-
zonas abertas, c,prcssão da indiferenciaçào ou, pelo contrário. cas a ··ca.~-{Clhado" e a -casa-fachada". as ân'OreS caídas. mor-
excessivamente rígidos e exacerbados. quando pn;dominam mc- tas, arvores com animais dcstruti~os. etc (E.,ernplos: Casos
carusmos de controle obsessivos da desorgani7.l'lção. n.ª'la3.)
_26 8_ _ _ _ _ _ O proresso pskodi~tico i! as 1,-c11icas pro}err.-..-.
.:..:. Os /,:$/es gráficos 169

c.'j Tc.11et tia Fa,m1,u


,
bJ Teste da., Duas Pennas

E: ·\gora quero qur ,oo: lhe, Jê nomes.


S: t:rna lia ~ um3 mamãe.
E: E como>.: clum.1m? (E quah ~ão o,, seus nome:,')
S; L 11,a lia e WJU ola!IJ;ie.
E: E qu:inws anos têm!
s~ ,P~1uu 11"1 JJ'X4UI.) Muito~ lOO!t•..
E: Agura quero que vuu, iu,-nrte wna hii.1úria curu ela..
S. '"ão ~i . ... CU.- (/u:. Jr-cwin,1.,:tu; e, ,no lJpi.\'. bn11ca e'"' ele}
E: l'e1lSe um pouco mais.
S; ""º ~i n<nhunu bi,torinha. eu n:.O se,. ..to ser... não ~i. ..
E: \1).-ê poderia dor um titulo?
S. 'l:ão. eu não sci .. njo se,.. nào ..:i ..

Casos n~· I e 2· Menina de cinco anos e cinco mcs~ e


menino de dez anos. Do ponto de vista formal. podemos de>-
crever as seguintes característkas. correspondentes à I.P. ex- á) H. T.P.
Ces&1'a:
11 l\ecessidade de encher indiscriminJdamente a folha.
que evidencia não tanto a necessidJde de comunicar fantasias. 2) Falia de o,:gam7.açoo gestãluca. o desenho tocai n.io está
nus sun de evacuar objetos mtemos. fragmentados e mo"os. imegrado por mna idéia diretriz. mas representa. outrossim, dife-
que produzem confusão. Intensificação de mecanismos anal- renies categorias de objetos e partes de objetos misturados. Evi-
expulsJ\·os. <lencia-se falta de ordem e de coerência na produção total.
Os ,,-.te.• gráficos _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ 171

Caso n~ 2. ld:!de. 10 anos; sao; masculino.


-----------

;,

Os traços D.lllll-expuls1vos aparecem no sombreado e borrado


do cabelo. A cabeça apresenLD. elementos ··estranhos"', npo "cht-
fres~. como expressão da dificuldade de conter pcnsamen1os.
sentimentos, afetos., e que correspondem a caracteristicas bi-
zarras da produção. As bocas abertas e interrompidas mostram
a dificuldade de realizar introjeções adequadas e a vivência de
u) D,:,,ml,o li•TI! que LD.I in1rojcção seria daninha e perigosa.
A dificuldade de simbolização. concomitante ao processo
Quanto aos conteúdos proJetlldos. são figuras fragmenta- de I.P. excessi,'8, aparece na impossibilidade de dar um nome
das. desagregadas, nas quais predominam. especialmente, aspec- aos objetos (uma mamãe, uma lia), e na impo&.síbilidadc de
tos mortos e fetats (caso n? 1) ou detalh~ não centrais ou es- cooslruir uma história (bloqueio e inibição pelo es,"Sàamento
senciais dos objetos (caso n~ 2). projel i\'O).
O par do caso n? 1 mostra as consc~ncw do e:o.cesso de Par e familia do caso a~ 2· O aspecto ameaçador, smistro,
I.P. através de suas caracterísúcas de esvaziamento e paralisia. e as características simicscas dos corpos. as alterações de limi-
Os ;e!tes gr{,ficos _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ 27J
_1_1_
1______ o pro,.-= piictxl,~ósria, e as iócnicas projt:i\4S
Caso n º 3: Menina de 5 anos e 5 meses. Observam-se as
m~a:; características dos casos amenores. Chama a atenção.
aqui, a construção de objetos estranhos. homens-fetos-bichos.
A perseverança mo,,,ra como o excesso de l.P. sobre o objeto

G..\. ,:, ~ -,
anula a capacidade de discriminação e de diferenciação ianto
do ego com o objeto. como dos obJeLos entre si.

(/ \,,.-~/\~ lth11tificaçiio projetiva com caracteristicas


imwtoras 110s desenhos
',>
A I.P. com camcterisllcas mdutoras pode se manifoslar
dire1amen1e na produção gráfica ou na verbalização corres-
pondente.

Ca5<> n~ 3 Idade· 5 anos e 5 meses; se,;o: feminino.

~
.____/j j//
e:) Tal<' du Familia

tes e a desorganização da Geswlt corporal le-.am a pensar em


caracterisucas psicóúcas.
Os mecruusmos de 1.P. excessi\'a evidenciam-se nas alte-
rn~ anteriores e na falia de pescoço. oo vazio da parle cen-
tral da fi1,'Ura, na,; cabeças e nas esuanhas aberturas na parte
central inferior, expressão da unposs1bilidade de conter, com o
conseqüente predomínio de mecani,mos evact1.1ttvos. e:) Teste do Fm1n11a
_z_u______ O procuw pf/codiJ,,"'6srico e as i«r:icas projemo, Os lules gnir,ros 175


1

d/ H.T.P.

As características gerais são:


1) De:scnhos geralmente grandes. expressão da necessidade
de difundir a imagem corporal. o corpo, oo continente ob3eto
atemo. A ênfase. no desenho. está na muscularura dos braços
e perD3S e no tórax. Isto se de\'e ã exacerbação dos mecani~-
mos de ação e à necessidade de 10strumen1ar o aparelho motor
como meto e'<J)Ulsr.o-e'!pansíi.o de controle do objeto.
2) O aspecto das figuras humana:; pode ter características
diferentes, de acordo com as fanta~ias e vínculos intolerá\'C"ÍS
específicos que o pacienh: necessita projetar (ponto de fixação
=indária): aspecto desaíiante muscu!armente (neceSSK!ade de J) H T.P
276 o. 16/es ,:ref,c0< 277

evacuar situaçõc, dc pânico). ou C.'<ibicionista perverso (horror Caso n? 4. Idade: 29 anos; sexo: rn:,stulino.
a situações incestuosas pen.ersas). Pode ser uma "caricarura..
se a intenção é depositar vi\'ências de ridículo. f-raudé e <..~trn-
nheza diante do próprio corpo ou do corpo do seC1to oposto.
São. então. traços essenciais: a ênfase no corpo. as caracterís-
ticas impulsivas do traço, o tamanho grande e a conser:ação
da Ge1ta/1 atra,és da musculatura (noção de ideniidade man-
tida atra,és do limite muscular e da ação).
3) Se a l P indutora é defensi,a de i>irunções psic611cas, o
desenho tem as caraclerislicas psicó1icas descritas antenor-
menle. Podem acontecer casos em que haja l>01l1Cntl! algumas
produções bizams (caso n~ 6). Diferentemente da produção
''
ps,cóuca. predomina a necessidade de causar impacto-deposi-
tar no observador (psicólogo), defendendo-se da desintegra-
ção da própria produção gráfica.
Os desenhos da casa e da ár.ore, poc mostrarem aspectos
mais latentes da personalidade, adqwrem formas dishntas.
Quando predominam aspectos indutores. as caracterí.<;ticas são:
exoesso de tamanho. !(alhos com muita nodosidad.:: e movi-
mento projetados para fora (expressão da necessidade de pro-
jeção no mundo externo e onipotência): má conexão do tronco
com os galhos: galhos em ponta. agresstvos em SU3 termina-
ção. Veja-se o caso ~ 20, homem de 26 anos.
Casa Caracteri~ticas pn:tens,osas. orupotentes. tcndéncia
a causar impacto e -não mo,trnr- ( casas fechadas ou casas-
facbada). Veja-se o caso n; 20. (E.,1cmpl0l>: Ca,o~ n. 4 a 9.)
Caso 11.•4: Homem de 29 anos. A produção verbal do en-
treV1stado e\'idencia a exacerbação de mecanismos de I.P. indu- h) T.estc "'1., Dua. Pes..fOas
tora. enquanto os desenhos mostram caracteristicas latentes de
desorganização. No teste das duas pessoas amda mantém a Caso 11.•5: Mulher de 26 anos. &1e .:: um C.Cltcmplo típico
Gestnlt. embora já apareça a expressão de assombro e pânico, de I.P. indutora e mantém todas as características d~ritas
como índic,: de temor à desorganização. No H:CP. mostra a anteriormente: ênfase no controle motor e no a~peclo ameaça-
desagregação, o fraquejar do ego. atravês de objetos ,-agos. sem dor. desafiante. frio e irônico. Mostra um aspe<-1o sujo. aim:a-
limites. destnudos. indiferenciado~ do mundo externo e. fim- çador da integridade fisica do depositário. O depositário está
damentalmente. através do homem caido. projetado na mu lher com as mãos amarradas (cortadas.. alge-
278- - - - - - O prr,cena psioorhag,rÓJ/;co eas rémicos pn;,feli>JS Os rena gráf1COS _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _...;1:..;;..:..9
-

Caso ~ 5. Idade: 26 anos: sexo· feminino.

o '•

,
'
//\
/

11. ~
\•

d) H. T.P.

madas). "à mercê de'' A racionalização verbal cio desenho foi


"uma mulher segurando uma meada de lã para tecer, o homem
não sei o que faz, observa-a··.
Caso n.• 6: l lomem d.: 25 anos. Além das caracteristicas
gerais, é específica a depreciação e a ridiculariwção da figu-
ra feminina. grotesca e exib1cioni,.ta. 1'"..x:cssita c,'3Cuar no psi-
cólogo o horror diante de seus aspectos feminino,- grorescos.
_2_80______ OfJ"ON""L' psicodiagn<1J.'ico e a> técnicas projaivas Os res~ gráJh>, _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _28_1

........

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11~ ;
'

1(
')
't 1.
-
w'
1
1

F-..u1 produção h.-n caraclcri!>ticas homo,..:xuai.., (ridículo da


figura feminina, castrações. exagero do nariz) e traços psicó-
ucos pelo aspecto grosse110 e =dequado do par.
Caso n• 7: Homem de 22 anos. As caractcristica~ formai~
do de;enho são de controle, a organização da Gestalt é boa; con-
rudo. desenha um par ridículo. uma caricarura na qual o depre-
281 O proc.,sso psicodilWJÓ>ticoe as 1«11ícos pro/err.... °" IZ5Jl'.< gr.lfu-o, _____________~ 183

ôi,,o n'.' 7. Idade: 22 aoos; sexo: Dl3SCulmo Ca<0 n~ R. ld.ide: 25 anos: se>:o: masculino.

bJ Tr.<Je das Oua, l'esso.u

Bomba de Gasohoa sem ',!angucira.


ConfuJo
Embora teobam cara de bomba de ga,olim. são dua.s p<!SSOinh1s endubra-
1\os 18aoos. JUJD. C3\'alhciro1na)k.ca<0u·<ecommna campones, de Ply- das (1lC cS1:1o bnn<:.1ndo. Um diz "coi;ima,," [c,,,-itc«) ~ a OUlr.l acrrdita.
mouth; era ten,,o de guerra. Quando c,ta tcnrunou.. abandonou-<! pres,,o. Vi,cram Í""""" pouc05 S<gUndos e tambi:m sumiram Alguns ~dos
mdo pela familia. 03 curta união nasceu uma mcr.ina que Juan MO clle- depois de separados. o que conta•,a a,, ro,sinh:,,. ira fazer a cara da qr.e o
~- o oonhecer Pooco dcpo!S JuJ.n c:omralJ. cm Londn:>. ""'" cda<.-..: com OU\U. e \11X•\Cr'53. Até o dia seguinte qwndo OUU'8 pcs,ólllha um pouco
uma m:uquesa da qual ar.'WY.l aos quare,u anos e oom a qual tem lílhos. mais :klulta peq:umou aque rroebia as coisinha..- Como foi' Ela Ih< res-
Rd.i.t ,.i.a , Kb C11S31ld<>-sc com uma JO''ffll 1•11vcr<:ú.ria. colcj/;l de um de ponder.\· \lu.to bem. E a oo,sinlu da bomba d.: ga,olim ,olt:.n a seu e"8-
=s filhos. que não era O\IIJ3 senoo a filha. q-z não chegara a c'Ollb.:cer. de Jo primitl\-n Para o~ adul10 (o prole<sor) rudo =•a errado. era ru.un.
-.cu Cll<am<..'11IO de Pl)'mooth. O da.rnho C<lrn!>ponde a esse cas.,mento. Colorim Colorado ...
_]_IJ______ 0 p,r,cen,J psirodi/JK'IÓS!iCO ~ QS l«t!ÍCOS prOjefÍlfU O,. tems gnifioos 165

b) Tare das D,,as Pcmxu

Chiooridiculoinonc

Em Hong Kong - fumadouro de ópio-a madame (porque também é um


cia. Tal zombaria e depreciação não são assumidas pelo entre- bo.-d<II e Ch&)' a Pll".runone. agente de Cluang Kai-shek.
, i,,"tado na ,-erbalização, sendo im comeúdo depositado de modo Huy \\e,-pmg e um J00.1'm guarda ,umelho de quan:nta ,nas que
,.,; g;,.,ttr todo o dinheiro que o ,dho lhe <k'U.
latente no entre\' ostador. Através da produção verbal vemos qu..:
Oh! Futamone, que adiposa em:rudade! l'OOc·st rr com a IT\2da-
é a angi1~ia e o horror pela consumação de situações incestuo- mc e <e e$b;ll<l1r1
~ que são deposJtados, enquanto o entrevis1ado. por incapaci- - Não ,-és, ridículo Hu} \\'ei-ping.. quem em mun cnora sai coo,-ei--
dade d.: contê-la~. não faz alusão a sentimentos ante o que narra. tido cm subl>me defecação.
186 0r l<'Sle< gr/ifti:'OS _ __ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _..:;.:;_
287

- Tua litrnilnr.! é barata. Puwnone. bar:11:l de baratino de oomer- MOS de idealização (tanto da bondade quanto da periculo~ida-
ciank! d<! bum.
dé dos objetos), mecanwnos de negação orupoteote tdas ca-
- Mas minha vulva é g,ganlCSCa e oda se aloja o inferno, ja que o
roçar em suas 1t1n<Js p;ircdcs C'OC3 a descíJ3 do profc,,.;r <'Om ,cu
racteri<ticas persecutórfas do obJeto tdeahzado e da tmpotên-
sobrioho Axd na Yiagem O() Cer.m, da Terra de Júlio ~me. entre ,-.po- cta), e mecanismos de controle orupotence (do objeto idealiza-
res espes,os. p.ua d<finir um pouco a C(l!<a do. aliado ao ego) do objeto persecutório. Serão, no çntanto.
- Oh. Putamone. jamais r<rordanb o que Axcl cscrc\,:u ao oopiar anJlisados separadamente, por razões didáticas.
m3( 35 m~õe< de seu lio.
- o qu.;·? o qué?
Treus. canalhcdmooo!. blm. JfecDJrismo de dissociação
- E o que qutt dlUI'?
- Te adoro, minha eecantadora Graoten!
- Falso. faltam lctrns. E sera, c:asnpdo com a MOne. A dissociação é o mec3nismo pelo qual o ego e um obje-
to unico são divididos. fantasmaticamente, em dois. A divisão
do objeto é estabelecida em função das caractcristi~ ideali-
zadas e pcrseculórias, e em correspondência com uma conco-
Caso n~8: Homem de 2S anos. A produc;iio gráfica mani- mitante divis::io do ego. estruturando-se. portanto. dois ,iDcu!O!.
simultâneos entre um ego agressivo e wn objeto idealizada-
festa um controle intelectual excessivo, rigidez de pensamen-
mente persecut6no. e um ego cheio de amor e um objeto idca-
to e tendência ao ocultamento. O ataque indul-Of" ao objeto (psi-
Lizadamente bom. Esta divisão do objeto e do ego correspon·
cólogo) manifesta-se na verbalil.3Ção; precisa deposiiar no emre-
de a wn mecanismo primário que implica, contudo. um certo
VIStador situações de fraca.soo, impotência e submetimento a grau de or<,;;mização da mllidad.: ç~ótiça do oomeç,:, ,fa ~id~. ji
um objeto castrador. assumindo. o entrevistado, a atitude de que pcnnile afastar e separar dois upo:, de experiências que se
di~ia e zombaria. sucedem de forma alternada: experiéru:ias de união. proteção
Caso n• 9: Homem de 24 anos. É uma produção com ca- e satisfação. e experiências de abandono. dor e insatisfação.
racterísticas psicóricas das quais se defende com conduta:, per- A dissociação responde. no início. a uma simples divisão
versas. Ne«ssita produzir projetivamente. no psicólogo, con- do objeto e do ego. sendo que um dos P= dissociado~ é ahcr-
fusão e perplextdade, tanto através do tema quanto dos tennos. nativamente -não conhecido", -ignorado", ·'isolado- pelo ego.
Necessita proJetar confusão dianlc de suas fan1asias perversas A~ di~iaçõcs primâriai. dão como resultado objetos parcilUS
e de morte. (seio-pênis) (ideal-perseguição). Durante a evolução normal e
na medida em que dnninui a ansiedade persecutória. a disso-
ci1ção assume características menos rígidas quanto ao grau de
il1ecanisnws t!l'quiwides distância entre o idealizado e o pers.:cutório, aproximando-:..:
paulatinamente de uma divisão entre bom e mau., favorecendo
Compreendem mecanismos de cisão do objeto, idealiza- a sinlC9! depressiva.
ção, negação e controle onipocente. Tem por finalidade defender Dentro da 1eoria kleiniana, este mecarusmo é o precursoc
o ego de temores intensos de aniquilação e morte. Consuruem da rcpn::;sào. que pem1ite a ch~agem entre o consciente e o m-
uma configuração inseparável: a dissoci:ição supõe mecanis- conscicn1c.
_z_as______ o ~ prküdicgnó.rrict>e as ttcnicc, p,r>jefras O< rates gri:(tc0, - - - - - -
289

Os mecanismos de dissoci3ção podem fracassar durante a A chs:sociaçào, como pane da configuração de mecanis-
evolução de\1do à 111tens1dade da inveja. da agrc~são e à má m~ esquizôides. é uma defesa contra ansiedades persecutó-
relação continente com o mundo e'<terno; em tal caso, são ria, Implica, portanto. por um lado, a existência de objetos
subl>Utuídos por mecanismos de spliumg mactÇO!i e de I.P. ex- onipotcntemcntc perseguidores e aspectos ego,cos com igual
cessiva. os quais levam à desintegração do ego como medida inlensidade de agressão e. por outro. objetos idealizados. 0 111-
defensi~a H. Segai diz: ''() ego se fragmenta e se cinde em pe- potentemente bons e poderosos. unidu, a ru.-pcctos similares
dacinhos para C\'Ílar a exp:riêtK.-ia de ansiedade. A desintegração do ego. A dissociação se CS1abelece em função da onipoto:ncia
é a mais dese,,-perada de todas; as tcntariv-.i::, <lo ego para prote- destruti\'3 e da oniJ)O(ência amorosa do ego e do obJt:to.
ger-se dela. Para não sofrê-la. o ego fa7 o que pode par-d não Quanto aos traços form:us. os desenhos se apresc,,tam
existir. tentativa que origina uma ansiedade aguda e:,pecifica: muito dehm1tados, rigidos. duros.
a de fazer-se em pedaços e ser pulverizado:' 1) O,, pcr.,ooagens humano, ,ão m estidos com caracte-
Me;,mo quando a dissociação é conseguida. esta adqwre res extra-humanos de poder (geralmente fistco. às ~ezes men-
caracteri<;ticai patológicas quando implica uma distância rígi-
tal) idealmente ""bom"' (Batman. Super-homem. Deus. sanios)
da e excessi\'a entre as canictcristicas idealizadas e persecutó-
ou idealmente persecutório (Dr:icula. Lobisomem, Diabo).
rias do ego e do obJeto, já que isto difil.-ulta a capacidade: de
O desenho mostrará:
síntese e de integração depressiva.
a) um dos dois aspectos dissociados:
H Segai: ··Em situações de ansiedade. aumenta a dis..<.ocia-
b) ambos os aspectos vinculares dissociados numa rocsma
ção. e a projeção e a introjeçào são utilizadas para manter os
produção gráfica (o e.itemplo extremo seria Deus-Diabo):
objetos p.:n.o..-utórioc, tão afastados quanto possi\-el dos obJeu>s
e) podem ,e marufesiar ambos os aspectos dissociados do
tderus.. ao mesmo l<.'IDJ)O que ambos são mantidos sob controle."
A d!ssociaç.io é ~UbJaccmc a todas as defesas neuróticas, ego· um aspecto impotente e paralisado e wn aspecto agress1-
já que todas têm por fin.1.hdade a cisão do vinculo persecmó- vo-impulsivo;
rio com o obJeto. Dá lugar. como mecani,mo adaptati~o. à dis- d) o ,inculo desejado com o objeto idcali1.ado. Batman-
sociação esquizóide instrumental, à capacidade de deixar de Robm.
lado d<:tcnninadas situações afetivas. para obter um aj usie a 2) /1.os personagens humanos estaria enfatizado não ~ o
diterentes c'<igências da realidade. poder, como também a capacidade defensiva diante de possi-
vci, ataques do mundo extenor. (Personagens blindados. com
formas humanas não sensi\'eis e invulner.heJS.)
Dissociação nos testes gráficos Esta~ carae1cristicas mamfestam-se no desenho de casas
como fortalezas. castelos, etc.
'.'>la medl(la em que a di!,l,0<:1ação é a base dos mecanismos Quando a diswciação faz parte dru. defesas manw..:as,
defens--n·os posteriores, ela se manifesta com maior ou menor cosruma manter o mesmo grau de rigidez ou de diSlância. mas
intensidade em toda a produção gráfica. lnteres,,a-n~ porlan· os pares de objetos dissoci.Jdos variam. A dissociação é c.,uibc-
to. detectar 1) qual é seu grau de patologia (atr.r.és do grau de lecida entre o obJeto 1deatizado (com caracteristicas de objeto
distanciamento entre o idealizado e o persecutóno) e 2) quais inteiro, nco em conteúdos não agressivos. unido ao ego idea-
são os a,pectos do ego e do objeto que são mantidos separados. lizado) e o objeto depreciado ldespedaçado. empobrecido. des-
290 O. teste< g r á f = - - - - - -- - Z91

truído. múdo ao ego agressn.o). A uleahzaçào ou a ,alori,~ão C.lSO n." 10. Idade. 7 ano,;; sexo: masculino
de aspectos ou funções do ego e do obJeto e a depreciação de
outros ficam evidentes em:
1) Tratamento diferente de certas zonas corporais numa
rne,ma figura (maior ênfase em algumas. em detrimento de
outras).
2) Objetos que simbolizam. cada um deles. uma caracccrís-
tica ou função pessoal fpor exemplo. o moral e o corporal, o
agressivo e o bom. mente-corpo. afeto-lóe!Xo. etc.). (F:xemplos
de dissociação: Casos de /Oa /5.)
Caso n.• 10. \1enmo de l>Ctt: ano,. Robô e Batman. (ObJeto
ideali7.ado-ego in"ulner.ivel.) Desenha o robô (a escolh.J do
dc,;cnho comcide com a primeira e;colhJ positiva do desidera-
tivo) Em seguida, coloca o Batman ..protetor-persecutório., sobre
a cabeça do robô e. posteriormente. chama o robô de Batman.
Caso 1L• 11: Memno de 8 anos.. Mostra através da produ-
ção dois aspectos do seu ego dJssoc1ado:.. os elementos ~i-
vos, despersonalizados e impotentes no teste das dua, pesSOGs.
e as característica,; violentas. impulsivas.. agressivas. no dese-
nho livre
Caso n.' J}· Adolescente. mulher. 17 anos. Dissociação
entre um ego reparador. bom. idealizado. e um ego destruído,
pobre. necessitado. E= dissociação é característica da situação
depressi,-a e faz pane das tent.1tivas de reparação maníaca.
Caso n• 13. Menino de 8 anos. Dissociação dos aspectos
ag=ivos e amorosos diante do objeto.
Caso n.• 14: Adolescente. mulher, 17 anos. Dissociaç.ão
corpo-mente como C.'IJ)ressão do incremento dos mecanismos
de intelectualização.
Coso n.' J5: Adolescente de 16 aoos. Dissociação entre exi-
bicionismo e repressão. _J
292 293
0s /es/ts P,ráfiCOS - - - - - - - - - - - - - -

Caso n? 11 ld3dc: 8 ano,. s.:xo: masculino.

a) lk<en/:o Ln7t'

Jfecanh,mo de idealização

O mecanismo de 1dcaliuçiio c,;tâ inc-.ilm..:lmcnte unido


ao mecanismo de dissociação, e defende, inicialmen1e, de ansie-
dades pcr.;ecutóri:is. A crescente idealização do objeto bom tem
por finalidade afastá-lo do persecutório e 1omã-lo invulnerá-
vel. Tal mecanismo vincula-se à negação mágica onipotente:
b) Te:.1e da, Duas /',,.<SQQS as caracteristicas indesejáve1S do objc:to são negadas, enquanto
291 Z9S

Caso n~ 13. ld.lde: 8 anos; sexo: masculino. C1:So n! 1S. l<hde: 16 ~ soco: feminino.

-
a) Derenlio lil-rr

Caso~ 14. Jd.ldt: 17 anos: sexo: femllllllo.

é. simuhan.:amcnte, recobertO de ··bondade~ (amor, im,ulnera-


bilidade. poderes mágicos. poderonipo1cnte de proteção. etc.).
A intensidade da idealização e:,--iá diretamente relacionada com a
imensidade da perseguição diante do objeto, e é uma defesa que
resulta de ansiedades persecutórias (medo de ser atacado e des-
truído pelo objeto).
196
- - - - - - 0 pmcn;o f'nrodíagn,i;riro <' OS /c('JIÍCIU lffl}etiw,s
v, re<re.gráfiro, _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ 197

O mecanismo de ideah7.ação também faz parte das defe- Caso O: 16. Idade: 36 anos: sexo: m3.cuhno.
sas maníacas na situação dep~1va (mitib-ando. em tal caso. a
an.siedade depressi-,,a). atribuindo ao objeto, por outro lado.
uma grande riqueza de conteúdo e uma grande capacidade re-
panllória Então. se o objeto é perfeito e possui rudo, não está
destruído. não pode atacar retaliativamente o ego (ansiedade
persecutória). o ego não 1cm que pen.ar por ele nem se preocu-
par em !1!parã-lo (ansiedade depressm1).
Dentro da teoria klellllana. a 1deali1.:1i;-:io é prccur.,ora de
boos relações de objeto (na medida cm que o objeto idealizado
é o precur,or do objeto bom}. l,'ma idea lização extrema, con-
rudo. trava a relação com o objeto real. já que não existem obie-
lO> idcai,. e sim ide.ili.ai~. Uma cena quantidade de id~h-
z:açào mantém-se ao longo da "ida adulta tnamoro, ideais de
,·ida. etc.).

,\fecanismo de ideali-;.açãn nos resies gráficoy

A ideali7.açào. como mecanismo esquizoide. cxpm;sa-se


noi> dc..:nhos d..: ÍÍk'UraS humanas pela ênfase do poder mági-
co e, basicamen1c, do poder defensi\o ame possíveis ataques
de morte. As figuras humanas são grandes, com exaltação da ca-
pacidade mágica-onipotente de domínio e controle (Dew,-san-
tos}. de proteção dos fracos (Batman. Super-homem). de co-
mJndo (reis. policia) ou de força fisica (bo,eadon:s, atletas
:-la medida em que a ,dcaluação supõe dissociação. o par a) Txsrnho Lr.re
di,,.--..ociado pode com:spondcr às caractcrNicas persecutórias
ou idealiadas do objeco (objetos desprotegidos. com um objeto
idealmente prote1or ou com um objc10 pe=utóno). \'eJa.m-se 1orru... no aspecto corporal ameaçador do homem e no cabelo e
os exemplos de dissociação. (E.~emplos: Casos J6 a :!O.) pernas ah'TCSSivas da mulher.
Cruo n.• 16: Aduho. Desenho bvre. ldealiza,;ão da relação lnte=-nos excmplíftcar doi~ caso,. de idealJ.Za.çlo fra-
de casal (liberdade e beleza corporal, capacidade de criação cassada:
Os aspectos persecutórios do vinculo mantfCl:iUlm-,;c: na aridez C.aso n.• / l; Adulto. homem. //111du e Gand/11. Ítb'U1'3 1dt:a-
da paisagem. nas âr.ores em ponui. agrcssn.is e pouco prore- lizada verbalmenc.:, mas graftcamen1e fraca, chstante...no ar".
;:1.:..98:...__ _ _ _ _ O pnxA<n p.ocodiag,,6wico , as r~!ca< projeril(JS Z99

C3SO n~ 17. Idade. adulto: se:co: mas.:ulino Ca.~ a • 18. fd:uJc: 53 anos; $CXO: m3SCUhOO

bJ Tes:e dw Duas Pusow

Quando a idealização corresponde a defesas maníacas. apa-


recem objetos grandes. bonitos. harmoniosos. nos quais são
enfatizados enfeires. expressão fetiz., posse de conteúdos não
agressivos (flores. botões. enfeites. etc.). Pode haver gratJfica-
çào do objeco idealizado (rainha. deuses. princesas. ca~telos,
crianças com bolas. etc.). ou pode aparecer o par antitético
(obje«> idealizado. reJ)31'3do, inteiro, possuidor de rique1.as. e
Niio sen,e, portanto, como figura pro«:tora para um ego impo- o objeto depreciado. desvalorizado, destruído, moribundo). (\ er
tente, submetido e desesperançado. exemplo de defesas maníacas e caso n.• l 2.)
Caso 11.• /8: Personahdade psicóuca, homem de 53 a - A idealização mtegra todo qiudro newó1100, o que ~aria
O fracasso na tentati.a de incluir uma figura materna ideali:za- ~ a apreciação dos aspectos que são idealizados e dos que são
da e protetord (virgem) produz horror e pmico (fuga do ho- temidos ou depreciados. o que costuma ser expresso n~ .oooas
mem, oo desenho). corporais enfaazadas. por exemplo, cabeça em detrimento do
300

C= n~ 19. Idade 17 anos: sc,o femm no. Ca50 n~ ~ . ldadt: 25 anos; <exo: 11'13SCUlino

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corpo (caso n~ 19) ou muscularura em detnmento da capaci-
dade in1elcctual (c3SO n~ 16).
No desenho da casa. obsena-se marcada énfase oo telhado.
ou no corpo dJ ca.sa. j anelas.. cri,1ais.. e1c. Em tennos gerai,.
segue as mesmas caracteristicas descritas na dissociação.
Ca\o 11.• 20 lk<l'llho da casa. Idealização e,pressa no ta-
manho. tipo de construção escolhida. ênfase na força. indc»-
au11b1hdade e permanência no tempo. É. contudo. apenas uma
.. làchada- <kf.:nsi"a diante do medo da destruição e da fraque-
za corporal (impotênc ia. dúvidas sobre sua masculinidade).
No desenho da ánore marufesta-se a necessidade de refor-
çar o po<kr atrnvés do tamanho (onipo1(.-ncia) e da força. Estão
subjacentes sentimentos de inadequação e de conflito (sombrea-
b) 7i:>te dU$ Dt,.., A•.,=,
do). confusão (copa) e nece,,s1dade de marupular estas ansieda-
des com con<kitas impulsi\'3S e indutoras (traço impul;i,·o. galho,
0./fsr~ gróftcc.-•· - - - - - - - -- ~ 303
381 - - - - - O procrSSD psirodiagnó>Jico e as réc,ticas ~e,Nc,c

finalidade não ver os aspectos do ego e do objeto que ate~


riam. e responde à fantasia de que aquilo que não é \1510 não
e:óste e. ponarno, não implica pengo. Está ligada ao controle oni-
potente. à fantisia de possuir tanto o ego quanto o objeto ideali-
zado. capacidade de controle e de mampula,.ão do objeto per-
=tóno.
O grau de onipotência do ego e do objeto idealizado é
proporcional ao grau de poder destrutivo do ego agressn·o e do
obJcto mau
Durante a etapa depressiva. a negação e o controle onipo-
tente fazem pane das defesas maníacas diante da pcrsegwção e
da dor. A negação se propõe negar tanto a destruição do obje-
to quanto os sennmentos de dor. dependência e nec=idadc do
ego. Está ligada à fàntasia de controlar o obje((), negando o medo
da separação e da dcpcn&:ncia e favorecendo as fantasias de
reparação onipotenw do objeto. Isto implica sempre uma pri-
,ação para o ego. na medida em que limita sua capactd.ide de
conbecimemo.

l\'egação e co11trole onipotente 11M desenhos

1) Os mecanismos de neg;tçào e-idenciam-se nos desenhos


dJ HT.P atravé~ de fi1,'llras humanas polns, de olhos fechados, sorriso
estereotipado (tipo palhaço), bai,o contato com o meto e ca-
racterísticas infantis. A .ir\'ore e a casa também são llÜantis.
expandidos para fora. abertos. expressando o mau contr0le dos fechadas, empobrecidas. (Exemplo: Caso n: 21.)
impulsos e conflitos) 2) As fantasias de controle onipotente diante da p.."tl>Cgui-
çào estão diretamente ligadas aos mecanismos de idealização
do obJetO protetor e do ego, quanto ao poda- e á invulnerabili-
Negação e controle onipQtente dade (e>.emplos dados já na idealização e na dissociação).
Veja-se. particularmente. o caso~ J()-; ali. para proteger-se dos
São mecanismos primitivos que respond.:m à impotêneta medos da desintegração e da morre. cria o robô que C.'tpressa
do ego ante seus unpulsos destrutivos e a t:.>tes impulsos pro- a necessidade de possuir um ego inwlnerável, fone. poderoso e
je1ados no objeto. A negação. como processo defensivo. tem poo- insens1,el. Contudo, esta fantnsia não acalma a ansiedade per-
_JIJ
_'4______ 0 pmt:i!UO p,wiognósriro <' llf l,c,11ras ,:,mjeli\'!1'1 Os 1.,.:es gni/icos __ 305

°"'º 0
n. 21
C,so ~ 22. Idade: 8 anos; sexo: m:,sculino.
-,

bJ Tare dos D11as fusw.

bJ Tes,e da Fa,,úlio
secutória e precisa recorrer ao ··Batmnn", obJcto idealizado
protetor e per,,ccutório, com o qual se 1denuf1ca depois. "assi-
milando'· seu podcr(denomina o robô de Bnuron). (Exemplos:
Casos 11. 12 e :!3.)
31 Como parte da~ defesa.~ maníacas, e na medida em que
estão dirigidas para negar a ~ o . a dependência, etc., e para
controlar o objeto destruído per;ecutório, estaS defesas mani-
festam-se atrnvés de movimento, riqueza de conteúdo. formas
de controle mágico do objeto. ou capacidade onipotente de re-
paração (para este fim refcrim-Os aos e"~mplns corresponden-
tes às defesas maníacas).
Caso n! 21· Menino de oito anos Expressão da necessi-
dade de manter-se ..armado"' e na def1.-n~iva p:ira controlar os
objetos persecutórios e a ansiedade de morte.
Caso n.• 23: A intensidade das ansiedade, pc™>:ut6113.,, a
v ivência de morte e de desintegração aparecem claramente nos
desenhos. 1t interessante mostrar qu<: o ~nho li, n: refere-se
b) Te•I<' da:. Duas f't:s,txJ.S
ao 25 de maio. data de nascimento da entre\.istada. que mo~tra
_3_06
_ _ _ _ _ _ Qpr<>rem>psícod!mmósficoeas ·«nia:,projeti\'Os O. re.rtes gróficns _ _ _ _ _ __ _ _ _ __ __ 30 7

Caso n"23

como todo seu contato com o mwtdo externo ~lá marcado de


ameaças de morte.) A produção ~erbal é uma teniativa p:itoló-
gi<---a de negação. na fantasia e no controle onipotente, de sua
realidade pcn.ecutôna.

S: De<fflho ,oc,ê e S.ln Martin. (D,:,.-11/:J primt~'1> " ,...,/hu e ,J,:.


Defesas maníacas
pou o !rCN11mt.)
S: Era uma ,u Wll3 mãe que tiniu uma lillnnha muilo bonila; p:,n:· A organização de D.M inclui mecanismos que já se mani-
c,a Q)l1l Mana e • mãe a chamou de Ãngda \laria. A menina bnnc..,o. festarJm durante a etapa ~uizo-par:môide (mecanismo de
wmcu um p:nrinho. donmu e chq,,Ju de nmle, nào lanchou, fut cresttndo dissociação e idealização, negação e controle onipotente). mas
e 300tdou. Tomou uma semtnle e ficou com QJÍ!ué ,,,_ Foi ,isiw um
que adquirem. durante a etapa depre:ss.iva. características espe·
ClSh!lo. voou. ficou pequena. CttS<lell e ,;s,1oi. o p;wcio õo,s gig;,rnes.
Acordou e foi pelo túnel do Tcrnp,. chegou ali S:in M:lrtin qnc luwa por ciais. No primeiro caso. estavam dirigidas para impedir um
ela e s.ihou-3. ataque aniquilador ao ego: agora têm por finalidade defender
Qrns ,-ol13r par:, o ,;eu tempo. o objeto dos ataques ambivalentes do ego. e este das ansieda·
E. Que ano1 ck, e da culpa depressivas.
S: 1961 Acordou. C.1SOU cow um príncipe. \'Qeê ios1ou da faiwsia '-la situação depressiva. o bebé consegue uma nova rela·
que cu comca'J
E. Sim. é rua. Agora diga-mc. que nome wcê lhe daria~ ção com a realidade e descobre situações importantes.. a saber: 1)
S: ÂngdJ e San Mar11n e A\'Cnturas de Sol>hos. sua dependência da mãe, que teme h3vcr perdido devido à sua
_ _ _ _ _ _ _ O pmc.e;.,,pricndrag•f><na> e C'f réc,,,,-as p,r>Jefl•'IIS
3_08 O, :estu gràfiCOJ

agre,são: 2) o ,'31or que ela 1cm para ele; 3) sua ambivalência. Os mecanismos de dissociação tendem a evitar a dor que
:,eus desejo,, agrc;,sivos. vorues de dc,lrui-la. e seus sentunen- é produzida pela ambtvalênc1a (amar e odiar um mesmo objeto)
to~ de necessidade e desejos de preser\';i-la. Surgem, cm con- Uma C313Cteristica especial da defesa maníaca é a idenli-
seqüência. intensos senlimentos de culpa depressi\'a, medo de ficação do ego com o objeto idealizado: o ego se funde e i.e
perder a mãe de que necessit1. medo de já tê-la destruído. preo- confunde com es'tc objeto parcial, onipotente. cheio de \'Ida, de
cupação e necessidade de repará-la. poder, de alimento. se "infla" pela fantasia de ter devorado o
As defesas maníacas são uma tental1\'8 de evitar o proces- objeto idealizado (..a luz do objeto idealizado cai sobre o ego").
so de miensa dor e sofmnento psiqmco que estão implicados já que as características sofredoras, desprotegidas. necessita-
nc,,""ta descoberta. A e.,perié:ncia deprc,,_,iva vincula-se com o das, dependentes do pr6pno ego. são depositadas nos objetos
conhecimento da existência de um mUDdo int.:rno e da posse externos A D \1, implica. então. a utilização de mecarusmos
de um objeto vitloriaido. do qual ncc~ it.i. Por isso. as D.M. de 1dcnuficação projeuva: as c,1111cteristicas projetadas são as de
(e\'am a evitar e a negar este conhecimento. fugindo para o um ~necessitado" e ·•faminto". enquanto as carac1eristicas as-
mundo exterior e negando, C\i tando ou invertendo 3 dependên- sumidas pelo ego são as de um "peito cheio", ~nutndor". que
cia do objeto. a ambi\'alência. a preocupação e a culpa. "se auto-abastece".
Um dos mecanismos detens1vos específicos é a onipotên- Numa relação maníaca de objeto participa uma triade de
cia. acompanhada de fantasia.~ de controle e de domínio do!' sennmentos que tendem a negar os ganhos da situação deprcs-
Objetos. Este mecanismo é neces,,ario para: u) negar a depen- si,'3. Esla 1riade é consoruida pelo controle, aiunfo e desprezo
dência do obje10. o m.:do de siT abandonado e a cmc11,'Cllcia que co~pondcm simetricamente aos scnumcmos de v11lon-
de agressão por e:stc abandono. e b) satisfazer a fanta,,-ia de :n>r o nhjern, depender dele, temer ~ l o e sentir-se culpado.
reparação total do objeto, medianre um ego que tem poderes
Segundo H. Segai: "Controlar o obJcto é um modo de ne-
mágicos de reOOll5truçào. M. Klein afirma que o bebê incisa
gar a dependência em relação a ele. mas. ao mesmo tempo, é
sentir que domina os objetos internos e ex1emos não so para
uma man.:ira de obrigá-lo a sausfazer necessidades de depen-
que eles não o abandonem. como também para que não se des-
dência.já que um oijeto 1otahnente controlado é, até certo ponto.
truam entre s1.
um obJetO com o qual se pode contar.
Os mecanismos de idealização tendem a negar a fan1asia
"O triunfo é a negação de sentimentos depressivos ligados
de d..!:.lruição do objeto. oulorgando-lhc im·ulncrabilidadc. rique-
za de conteúdo. beleza lJm objeto assim, não execrado nem
à ,n.Jonza,;ão e à importância afetiva outorgada ao objeto. Vin-
cula-se com a onipotência e 1em dois aspectos importantes.
agonizante. e,i ta tanto o medo da perseguição quanto o sofn-
mento psíquico (luto). Um deles relaciona-se com um ataqu,; primário inflrgido ao
Os mecanismos de neg;içiio 1endem a desconhecer a rea- objc10 e o triunfo expenmcntado ao derrotá-lo (cspecia.lmentc
1.Jdade psíquica 10 insight adquirido sobre a agressão, a \'alori- quando está fortemente determinado pela in\'eja). Além dts.so.
zação do obJetO e o medo de ataci-lo) e a.5 partes da realidade o triunfo aumenta como pane das D.~1.. porque serve para man-
externa que estão em harmonia com M:US confli10, (nct,'llçào ter dentro do. limites os sen1imentos depressivos que, de outra
do abandono. d.: ,iluaçõ.:s que p ~ m frrn,'1.raçào e tnsh:za, do focma. surgiri:un (tais como sentir saudade do obJeto, estra-
medo do afastamento da mãe real. etc.). nhá-lo e desprezá-lo).
JIO Os testes gr{,f,cos _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _J_ll_

"De.spre::o e111 relação ao objeui é lambém negar o quan- Nos desenhos de adultos. as figuras humana~ são. m uitas
to ele é ,aloriado; atua como def= contta as experiências de "ezes. infanns. stmpáncas e alegres. é caractmstica a e x ~
perdas e culpa. Um objeto desprezível não merece que alguém feliz ou lriunfal. dada por um grande sorriso (boca de palha-
SIDl3 culpa em relação a ele e o desprezo de semelhante objeto ÇOJ, acompanhada, às vezes. de olhos fechados (negação).
converte-se em justificação para que se connnue a atacá-lo.'. A casa e a :if'ore também são grandes. com localização
Se analtsamos o que foi exposto aJé o momento. ,..emos central. grande quantidade de conlt:üdos (fruto, e ílores na
que a D \1. procura negar a situação dcpressi\.1 e o 1r.1balho de ãn-orc, camanhos, flores. animainnhos na casa; geralmente in-
luto. mas preparo o caminho para um nmo colapso d.!pressivo. cluem o Sol em todo; os desenhos). Quando as defesas manía-
Já que unpltca.. em si. um novo ataque sádico ao objeto que é cas são muito intensas. a casa está sobre uma lombada. cm
de-.-orado. despreudo e despojado do poder, de que o ego se perspectiva, ou aparecem casas mwto idealizadas, do npo de
apropria para controlá-lo. O 111crememo dos -timcntos de des- castelos.
prezo lllOlr,,ados pela inveja subjaçente interfere no desenvol- A~r de serem estes os ttaços comuns de expressão das
vimento normal. na medida em que impede o processo de luto. defesas maníacas. seu grnu de patologia é medido: 1) pela m-
tensid3.de com que elas se manifestam. 2) pelo maior ou menor
domínio de fantasiai. de dt.-sp=o e triunfo expressas no dese-
Características das de/e.tas maníacas nos desenlun nho (através de figuras des-'lllorizadas. atacadas pcjor-,11i..-amCl}-
te '·com aspecto- ridículo), 3) pelo grau de integração e de
Nas figuras hwn:mas: o tamanho é enfatizado como ex- adequação do desenho (ajuste às camctcrii.tica:. reais do obJe-
pressão da inílaçào do ego. Diversameore dos mec:mismo,: de 'º· grau de in1ee,açãô nu de e,:rereoripia_ movimento hannôni-
identificação projetiva indutora. a ênfase não estâ oa muscula- co ou forçado. etc.) (Exemplos Caso., n.ª 24 a 18.)
tura, mas sun ao limite corporal que é aumentado. Caso n.• 24: Menina de 7 anos. As defesas maníacas e>i-
A locali.zaçio geralmente é central e para cima (sennmen- denciaro-sc aqui na posse de obJetos.. na expressão sorridente.
tos de euforia). na negação da realidade atra,·és dos olhos que não vêem, e na
Há uma grande preocupação em "encher o desenho de con- ,erbalização.. onde tema marupular seus medos de perda:.
teúdos" que tendem a ..enriquecer· e não tanto a dar pode.- (bo- abandonando e recuperando o objeto (controle) e, por rnn.
tões. enfenes, flores). fa.ita-se, assim, o temor à destruição inter- adaptando-o attavés de reparações rnaniacas.
na rio objeto e os próprios sentimentos de vazio e de carência.. Sua intc.-nsidade, contudo, não é marcada, pois não domi-
Outras vezes. esta vi\·êocia de vazio se expressa abertamente nam fantasias de aiunfo e de desprezo. e a defesa tem:k mais a
através de figura· muito grandes e vazias (tipo "bol:is"). rn:gar a carência e a dependência. sem menosprezo do objeto.
Nos desenhos infantis, a necessidade de negar o medo da Manifestam-se. também, mecanismos de controle da agressão
perda do obJetO é e.,pn:ssa por figuras de crianças com bolas. 1formação reativa). Quanto ao grau de adequação. a Gestalt se
ém paisagens cheias de flores, com roupas mwto enfeitadas, mantém. as possibilidades de afastamento e coottole do obJeto
etc. Costumam desenhar ramhas., re,s, princesas, personagens são possiveis para uma menina de 7 anos, e existe certa ncc~-
possuidores de grandes riquezas. "idadc, ainda que ambivalente, de manter o amor do objeto.
3/Z _ ___.:313
O. te,ll'S -~rti(iro, - - -- --------

Ca;,o o~ 24. Idade, 7 lln05' sexo, feminino. Caso n.• 25: \ 1enina de 5 anos. Eufona marcada através
do monmeoto, da localiZllção oa folha e do somso. A mãe da

o menina estava grávida de gém- e ela de$enha uma figura


com wn vesndo grande. de duas pontas (doí, ,entreS) e as duas
mãos com características de dois bebês; não ob;;iante. define-
a como ~wna menina-. Neste desenho evidencia-se uma maior
mdiferenciaç-iío com o obJeto idealiz:ido-persccut6rio-i1wcja-
do, que é a mãe gt'lÍvida. A Ges1al1 permanece. é harmoniosa
e há movimento expansivo.
Caso n.• 26: Menina de 5 anos. Evidencia-se a inflação do
ego, famasw de posi;e do objeto ncc=ítado (se1o-bolS.l). J\cstc
caso hã uma mruoc negação da realidade. da carência.. e wna
maior desorganização da l!llagem corporal (cm relação ao caso
anterior). faidcncia-se limilllÇão em sua capacidade de rece-
ber e de simbohar (falta de mãos. cabeça truncada).
Como expressão claramente simbólica de sua necessidade
de transfonn.ir o que sente como atacado e despedaçado em bo-
nito e fértil (negação e transformação no contrário). vemos a
flor saindo da cabeça truncada.
A po~~ib1lid.lde de apelar para dcfcs:N maníacas. neste
caso. é mais rig1da e falha. Já que apela para uma negação das
inibições e das carências rc:us. Na medida em qoc o objeto de
identificação do ego foi mais daruficado e atacado, é menos
barmômco e integrado como figura gráfica.
Caso n.• 27: Expressão da occes.sidade de fantasiar com um
ego rico, ch.e10 de conteúdos e po»cs (defesa diante de ansie-
dades de empobrecimento e de carência: a). Figura materna
podcr~a. c11riquec1da. fone: b.

H. T.P. i,rfantis

Caso n.• 28: As caracteristicas fuodamentaJS são: figuras


grandes, enfeitadas e cheias de conteúdos (o vasmho com flo-
b) T"'1e das D11as Pe.uoas
res e as fl ores que saem da porta) nas quais se~ idencsam. no
J/4 O.r =gráficos _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ JI5

Caso n: 25. ld3dc: 5 anos; sew· feminino. Caso n~ 26. Ida~ 5 anos; sexo: feminino.

u) Desenhu LtH'~

e11""110, o \'azio. .sto ~-a inflação de um ego \':tzio. O dctalbe da


galinha cacareJ:mdo marufesta sua necessidade de lll<b-trar ca-
pacidade de criação (e é um deslocamento do medo da gravi-
dez materna).
3/6
Os iestes gráfi=- - - - -

Caso nº 27 Caso n~28

u) D..'>rnlw Livr.:
- --
- -~-
:-- Wl -
-.. ~-- --~
118 _ _ _ _ Opnxmo pskodiap,&slia, e a:. 1mricm projrtnn., Os Z</1':f grrificm _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ 3/ll

Caso nº29

\ f\gZ)

d) H. T.P.

Exemplos de adolesceJttes

Casos n'." 29, 30, 31: No3 dois primeiros casos há euforia bi Ttste das 01'a5 ~oas
e negaçiio da problemática atual (corporal. por exemplo) :ura-
vés de cabeças infantis simpáticas e marotas.
O terceiro = é uma caricatura burlesca do par. predo-
minam aqui mecanismos inconscientes de desprezo e tnunfo
Defe:;as de controle obsessil'O
ante ele, atra,és de 1>eu aspecto ridiculo, de:.-valorizado e empo- Sob a denominação de defesas obsessivas encontramo:..
brecido. As características decididas. confiantes e febzes que entre outras. o 1SOlamento, a anulação e a formação reativa.
deseja dar à ,ua produção (o p.:tr cammhando para a frente. sor- CUJO mecamsmo dommante é o anal-retenm,o. f. unponante
ridente e com a presença do Sol), e:,,ão contraposlllS com a~ diferenciar o chamado controle onipotente (que corresponde a
carneteri,tieas fracas. pobres e atacadas dos ob_JCtos que con- defesas obse>Sivas patológica. pn,scnt~ cm quadros latente-
segue criar mente psicóticos), do controle obsessivo adaptativo
Na evolução infantil. a vivência do dano infligido ao obje-
to e a culpa e a dor por ha,e-lo destruído, merentes à situação
120 Os l<>l<'S t:ráficr,s _ _ _ _ __ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _J_Z_
I

Caso~ 30 Cason?31

b) Te<li' d,u /Juin Pes.<LJll.<

tra no, os ataques: os mecanismos controlam o vinculo hostil


com o objeto. previamente dis.~iado.
Na evolução normal. os m.:carusmos anal-retenll~os atuam
modificando os mecanismos pmios. anal-expulsi~os. de iden-
tificação projetMl excessi..-a.. Marcam a possibilidade de "reter~.
"conter" os impulsos e os sentimentos. permitindo. portanto.
estabelecer a noção dos limites do ego. Permnem a discrimi-
03Çào entre dentro e fora. ego e objeto c~terno. ego e obJetO
depressiva. trazem como conseqüência a inibição e o controle interno. e mantém conetio com os aspel.10S projClad-05. Fa~n-
da agressão. Tal controle tem por finalidade preservar o obje- recem. portanto. a noção de identidade. a ordenação temporal
tO da própria agressão e o ego do sofrimento que implica aceitar e espacial e o <lesemu lvimento do senado de juízo de realidade.
a amb1va~ncia. 'lo começo da snuação depcessiva. o objeto Os mecanismos d1: controle, ne,te senudo ( ordem ier.ms caos:
a inda não pode ser reparado pnrque a quantidade de ódio con- diferenciação-noção ck limite corporal e psicológico ,·ersu.s
tinua sendo intensa: o dano ao objc10 não pode ser negado indúecenciação e processos expub1,os) man:am o ponto de pa1,-
maníacamente. de forma total. porque o ego já cons.:guiu inte- sagem da psicose e psicopatias para a neurose e adaptação
gração suficiente e percebeu o dano. Swge. então, como pos- O controle obsessivo pode adquirir. contudo. carnctai,1 ica,
sibilidade de proteção e de cuidado do objeto, a preserv:ição con- patOló~as com:spoodenu:s ao controle onipotente. Tende. en-
Os ti!Stes f!,ráf,cos ]13
321

Caso n: 32. Sexo: feminino.


tão. a estereoup:ir-se com carncterisncas rigid;is e l;'lces.<.ivas,
mecarusmos de isolamento e de anulação. A ordem ~ transfor-
ma em meticulosidade exagerada. o ajusie à realidade adquire
caracteristicas rigidas. rimahsras. O ..ego- perde poss1bilidldes
de sentir e se empobrece. A finalidade já não é presel'W o
objeto. e sim evitar a desmcegraçào do ego, o splitting. Os me-
canismos ob,ess1vos atuam. então. como contenção de situa-
ções de desmtegr:içào psicótica. confusão e indiscriminação.

Difere11ças entre o co11trole adaptam-o


e o co11trole onipore,tJe nos testes gráficos

O controle adaptan,o permite a realização de desenhos em


que se manife;ta um bom ajuste à n:alidade. quanto ao tamanho,
localização no espaço. discriminação mundo interno-mundo
cxt<.-mo, Ges1al1 mantida. organl2.llçào coerente das partes no
todo. correspondência entre o objeto gráfico e o objeto real, e
harmorua.
,\ passagem para o controle onipotente marufesta-.e no
teste g..ifico através de desenhos c.llccs:.r,amente estíticos. imó-
veis. despersonalizados:
1) Desenhos empobrecidos. esvaziados. pelo predomínio
de mecanismos de isolamento e de anulação. (Exemplos: Ca-
so) n.m / e 2.)
2) Refocço excc~sivo dos limites. sombreados ou riscos nizaçào da Gestalt. As produções gráficas seguintes mos=
exagerados que tra7xm como conseqüência figuras sujas ou uma seqüência de oontrole obsessivo patológ).co neurónco a con-
figuras rigida:, e imó,-eis. 0,-as figuras humanas, quanto mais trole psic6tico. (E.,emplos: Casos n:"' 31 a 36)
nos aproximamos de situações ps1cóticas, maior é o predomí- Caw n.• 32: Mulher- GesJoll manlida, aspecto confiável: ín-
nio de figuras rígidas e vazias. expressão da despersonali1ação.)
dices de rigidez. controle excessr.o de afetos: empobrccunento.
O desenho da casa e da árvore pode ser d.;sonknado ou Caso 11.•33: Mulher. Maior ngjdez e des1.1.catiz.ação. detalhes
prceariamente organizado (casas-telhado, casas-fachadaJ: ou
inadequados: amputnÇão de mão,,, braços longos, cramron:nci...
mostrar aum,;nto do supetdecalhismo (telha~ do telhado. proms
_ Caso n• 34· ~folhei- Domina a des.;talizar;âo, as figuras
no caminho. folhas nas árvores. etc.).
tem aspecto de bonecos sem ,ida (despersonalização). e há al-
Esse controk:. na medida em que não é ad:lptanvo. fracar
terações da Ges1al1 (ruptura do corpo. amputações).
sa: as figuras adquirem características incomuns e há desorga-
324 _ __ Oproresw psico,fíagnwu-o e as 1écnicos projttilYJS Os,.,.,~, gr,jfieo,;._____________ 315

Caso n~ 33. Sexo femírnno. Caso O: 34. Sexo: feminino.

Cruo 11.º 35: Homem d<! 40 anos. Exce= de controle em


folhas e fn,tos. parapeitos, t\!lhas. ÍmliL-es de desorganização na
fí l!Ura humana
- Caso 11!36: Homem de 36 anos. Precariedade da casa, ape-
sar do e.'lcesso de controle que se evidencia: a) nos sombrea- Formação reaJiva
dos; b) no conteúdo: um policial controlando.
Responde a necessidade de manter wna disoociação entre
o ~inculo de amor e o ,inculo agrc-.sivo estabelecidos com o
Exemplos de crianças objeto. reforçando o primelI'O e mantendo o segundo sob con-
trole. Apesar de estar baseada em uma relaç3o bivalente (dis-
Caso n.• 3 (,,er p. 273): Casa-telhado empobrecida. sociação). corresponde. e-olutivamente. aos ganhos da eupa
Caso n! 3i: Menina de 11 anos. Con,tm,"ào bizarra do cor- dcpn~3Siva Supõe uma preocupação pelo dano c:illSado ao objt;-
po Índices psicóticos co e medo de não poder repará-lo: o ego fantasia. como deresa.
Caso ,1.• 38. Menino de I J anos. Isolamento ex Iremo. que o dano acontecerá no fururo se o objeto for a1.:1cado. Ne-
gando o dano Já caa<;ado ao objeto. fica bloqueada a possibili-
dade de uma auti.-ntica reparação: C.'lÜ,tcm. contudo. ,<.."11l1mcn-
tos proprios da situação depressiva {preocupação pelo objeto.
Os testes gr.zflcos _ _ _ _ _ __ 32i
316 _ _ O prore<'IO psittJtliag,,óstico e as rilCYrica.• projetbas

Caso n? 36. Idade: 36 anos: sc<o: nu.sculino.


---,

-~ ê

dJ H. T.P.
dJ H.T.P.

empari3 com o sofnmcnto do objelo e desejos de preservâ-lo) de ordem. meticulos1dade, amabilidade permanen1e que leva a
A ace11ação da n«css1dade, da dependência e do ,-alor do obje- di,'Ct'Sos graus de ngidez. dureza. falta de espontaneidade e de
to é maior que no isolamento. afetividad.:. O controle da agressão nunc.i é total e implica um1
Na e-,,olução. favorece o reforço dos lunites e a modifica- luta permanent.: por parte do ego para manter a agressão den-
ção dos mecanismos cxpulsi\'OS de ataque Conrudo. eslào sub- tro dos limites.. determinando um considerável gas10 de ener-
jacentes ansiedades persecutórias (medo de enlouquecer, ser gia psíquica.
enlouquecido. desorganizar e ser desorganizado). relacionadas
com a fantasia de assumir a agiessão dissociada. parte da am-
bivalência. A:. formações reatÍ\'35 adap1a1i,as permitem o aJus- Formarão reatfra nos testes gráficos
te a normas sociais (horârios, cerimoniais. trabalho) que. por
:.e oporem ao principio de pl'87cr, poderiam despertar agres.são Predomina a preocupação l!m conseguir desenhos ordena-
ou rebeldia. dos. completos e prolixos. A atitude dominante é a de meticulo-
Como mccamsmo dominante na pcn,onahdade, dá à con- s1d:lde e detalhismo O medo da perda de controle sobre o obje-
duta um grau de constãnc,a mais ou menos C'tagemdo: busca to gráfico (sobre a própria agressão) promove a necessidade
118- - - - - - O proce<<Opnro<Íi"'1f!Ô5rf,- o e n.• :ir:nu::aspmjriw1., Os lestes gráficas _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ ___:.1_2'-9
-

Caso o.° 37. Idade: 11 anos: sexo: femínir.o. Caso n~ J~. Idade:: 11 :!llOs; sao: lll3SCUlino.

b) r.,,,~ dos Di1<u P,·<wo,

de -re,-er''. accror e refazer partes do desenho já realizado.


Isto traz como conseqú,éncia (e. ao mesmo lempo. e:(Jlressa) a
dificuldade de cl.!sprender-se da produção !retenção). ao mesmo \
tempo que dctc:mnina zonas ··suJ,.,- pelo que foi refeito (frn.
casso do controle). 1lá uma grande preocupação pela simetria
Quando esta defesa e pane de urna personalidade integra-
da e adaptad3. dar:i como re,,,iltado produções gráficas orde-
nadas, com boa localização c;pacial. <liseriminação d-~ m undo
Jv
interno e externo e discriminação de partes internas.
A medida que nos aproltlll1amos de s1twlções mais pa10- lllâl (roupa fechada. temo. grdvata. etc.). O movunemo corporal
lóg1ca.., a ordem se transforma em e.xc=o de detalha,mo. ex- não ex1s1e ou está coartado (rigide7 e tensão corporal). mos-
cessiva marcação dos limites com o exlerior. rigidez. d iminui- trando o controle imposto aos impulsos. Preocupação pelos
ção do ritmo e índices de fracasso do controle a~vb. de zonas hm11cs da figura. Localização e !amanho médto,,.
..sujas··, aspectos confusos, traços unpuls,vos. etc. Na casa encontramos as carac1cristicas gerais anterior-
Caracteristtcas da, figura, humanas. figuras não agressi- mente descritas acerea da ordem. preocupação pelas propon;õe;;.
,as. cuidado com a roupa. que não será sedutora mas sim for- detallusmo. etc.
_ _ _ _ _ _ o p ~ p<icod•l1'J1f(lStrroe as M1cn; projermzs
_1_10 Os te<t~< gràj/<m _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _3_1_1

O controle se manifesta. além disso. em -casas<lichê'' Caso n~ 39. Idade. 10 anos. se,co: feminino.
(chalê com caminhos, áno= simétrica,. ílores de ambo, os
lados do caminho. etc.). no fechamento e hermetismo da casa.
À medida que l,Urgcm caracten.'>IJC!b ma1S patológica:, e
maior temor ao fracasso da defesa, reaparecem os índices men-
cionados (suJetra na produção. etc.) e o dewlhtsmo expres..<o
em ponas e janelas. telhas no telhado. meticulosidade exage-
rnd:i (por exemplo. caminhos com pedrinhas). presença de cer-
cas. etc.
Ân'Ort': preocupação com as conexões formais, predomí-
nio de elementos am:dondados (copa. terminação dos galhos>,
ltmite nítido no nível da terra.
O fracas;so da defesa se C\ idenc,3 em árvores com carac-
terísticas muito unpulsl\ as, dc,cordames da produção gráfica
anterior ou. pelo contrário. no excessivo detalhismo: sombrea-
do meticuloso no tronco. desenho das folhas. camcterisllcas ge-
rais -pesadas" e endurecidas. (C."<emplos: Casos n ... 39 a 43.1

Exemplos de crianças

Caso 11.• 39: Memna de I O anos. e ra.,o n.• 40: Menino de


12 anos. Observamos no desenho lim: o controle da mpulsi-
,.;dade que se manifesta na ordem, na simetria no predomínio
e) Teste da Família
de linhas n:ras e no hermetismo da casa. O frocasso no contro-
leda agressão se manifesta na relva em ponta (primeiro caso),
e nas caraCLCristicas impulsi\'as dos galhos da ánore e na relva
O i::xcesw de controle e,,idencia-se na figura humana. coar-
da direita (segundo caso).
O excesso de controle detcnnina. no ca.w n• 40. traços de tnd3. quieL'.l, com preocupação pelos detalhes da roupa Os ele-
ngtdez e de empobrecimento (limitação da criati',idade), que mentos agressivos e,cpressam-se no cabelo em "ponta~ e no as-
se manifesum na dureza e nn desconexão das figuras do telile pecto '"ridiculo- que d:i à figura paterna no dc,.:nho da família
da familia. na pobreza e na solidão da casa e, mais claramente, <.:a.so 1L• 4:!. Mulher de 23 anos. Tentauvas de controle na
no desenho da árvore (necessidade de isolóllllento). casa (telhado} discordantes com o claro predomínio da unpul-
Caso n.0 .fl- Menina de 12 anos. Desenho livre. Preoaipação sividade no desenho da ân-ore (traçado. tipo de sombreado)
pela ,im.:trid. ordem. deslocamento da impulsi,idade e agres- Ca.w 1Lº 43. Mulher de 33 anos. Apesar das tentau,as de
são para os '·pássaros·• e para o -pasto" da esquerda. controle expressas nos aspectos formais do desenho, as carne-
Os tesies ,:rú{icos _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _..:3::3.::..
3

(
a) Dlli!nlto lmT

Ciso n! 40. Idade: 12 ano;.: sexo: n..,,.,ulino.

d1HTP

,'\
• 1
Lerisncas agressi\'as e dominantes se impõem na figura femi- : '• \
nina (e.'<J)ressão facial e bmços e sapatos em ponta).

Isolamenlo

O mecanismo d,: isolamemo consiste na dissociação pri-


mâna entre vínculos eh: amor e \'inculos agressivos. Tende a
oonfirmá-la e mantê-la. e"ilando que os pares dissociados '-C
unam na fantasia ou na realidade, pois lal wúão significaria a
t
dCSO'l:3ni1~ão do ego. fantasiada como cao~ ou loucura. Cor- d) H T.P.
]34 Os lõ!cS grâfiros _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _..;;J.c.
3.;..
5

Caso nº 42. Idade· 23 onos: sc,o: fe minino.


Coso o! 4 1. Idade: 11 anos: sexo: f=mico

a) /Jr!Mnho L,,.,.,

responde a um reforço dos mecanismos de dissociação esqui-


zóide. seja porque a marclu para a siruação depressiva parou.
ou por regressão. Dado que a fanias1a defensiva dominante é
evimr a união (vivida como catástrofe persecutória). está blo-
queada a possibilidade de síntese e. com ela, a integração do ego
e do obJeto. O temor à união dos pares dissociado~ cria a ne-
cessidade de manter orna distância C'lln:tna em relação ao mundo
extemo (para e-.itar ser mobiliatdo emocionalmente) e a anes-
tesia afc1i,-a correspondente ao bloqueio. A patologia do meca-
nismo depende de sua intensidade e de seu grau de predomí-
nio Pode ser adapta~-o se seu uso for in.sttumcntal \por exem-
plo. manter a angúsúa isolada durante wna siruação de estresse.
na qual é necessária uma conduta am-a e eficaz).
É mais primàrio que a formação reati~'ll. unphc.. um mar-
e) Tnie do Familio
cado afastan1en10 afetJVo e está unido a fantasia.~ de controle
Jr
JJII
-----
1 CliO n 43. ld3de: 33 >nos: sexo fcrmruno.

('; '\
I_
J//l1P

mágico onipotente do objeto. Apn:,enia-se como defesa extre-


ma em quadros pré-p,iCúllcos. como ronlf\)je de mc=i,mos 'lhos <kntro da M'm e cm ah:uns ~ a,quadrados. O dese-
de 1denrificação pro1eu,-a e<ce--1va (prot1:1,'Cndo. no ca.:.o, do nho ~Te é pobre, rchlineo, des.mk."ulado. fno. !xs:nlum-se.gc-
p.:rigo da desorgamoc;ão). ralmente, objclO$ muh..-riais.

bolomento nos t~ reç gráficos Caracterlsticas do) figura s l,umo11os

üiracteristic:h fornws da produ,;ão gr.ifica· 1)F1~.iras com expressão que não re\el:im afeio. gcral-
De,.:n~ pobm... fno,,. com pou..-o, conteúib.. g~'Tlllmeo- -nen11:L'<l&Wdas ao d,c,,c:nho ..... CJb.:,;a rco.~sc wr cahcça
tc ~nos. com hmnes muito dei 1mdos e v:wos. Estio~- dem:ircada. como num retrato). Sem 1D01,Ímento, com m.llOr
_1_38_ _ _ __ _ o proct!SlO psicodi:,g'lóstim e a, récnia;.; p~nas

ou menor grau de despersonahzaçào. Acenruação paranóide C.i,,;o n? 44. Idade: 8 aros; sexo: rmscuhno
do olhar. A cabe,;a é sempre enfatizada (controle intelectual).
e pode aparecer como cabeça de tipo "capacete" ou -rooo··. O
aumeruo da patologia do mecanismo se manifesta na acentua-
ção do fechamento das figuras e no aumento de traços corres-
pondentes a sentimentos de de,-per.;onahzaçào.
2) A necessidade de manter isolados os dnculo, hosti,; e
afetuosos dissociados e'<pre883·l>C pela criação de personagens
antitéticos (como. por exemplo. policia e ladroo: \'ejam-se os
dc:s...-nhoi. de diswciação).
Desenho da casa: Ca.,;a fechada, pobre. ISOiada; não há nada
em ,olta. faltam canunbos de acesso, as porms e janelas não
existem. C$1Jio fechadas ou colocadas muito no alto.
Quando domina o medo do fracasso do mecanismo, o con-
trole é intensificado: excesso de fechaduras nas ponas e nas
janelas. cerc:is com aspecto agressh-o (em pontal. ou mclusào de
molw.ras (racionalizando a produção como,.: fos....:in ..quadro~").
Quando o isolamento é a defesa dominante, são caracte-
ri~tica~ a -casa-telhado... a '·casa cercada''· o ''forte". etc.
Árvore: só. isolada. cercada. Sem conteúdos.. pouca folha-
gem. Desconexão do tronco com os galhos ou ausência de
galhos. Podem ser produzidas árvores isoladas sem copa. com
o tronco e os galhos em pont:i (agressivas) voltados para fora.
(Exemplos: Casos n... 1. 3. 44 a 49 )
Caso n.0 3: \ienina de 5 anos e 5 m~s. ()Qenho da casa.
Pobreza de conteúdos. fechamento c"ccssívo, solidão, falta de
coisas cm ~olta. falta d~ acessos. O 1solrunento 1em por final i-
dade, neste caso, manter a unidade. por medo da desintegração h) Trs~ da, Dmu Pessoas
psicótica. (VeJa-;,e o de:.enho hvre do mesmo caso ll.3 pane de
identificação projeova excessn,a e de mecanismos de splifting.)
Caso 11.• J (\eJa-se identificação projeti-a): Menina de 5 anos Caso n.• 44. :.1eruno de 8 anos. Reaparecem na casa as ca-
e 5 meses. ~fantém as mesmas caracteristicas do caso anterior racleristicas mencionadas As figuras humanas mostram-se para-
quanto il pobreza de conteúdos, solidiio e falia de afeto; "casa- lisadas. vazias. com aspecto de bonecos (espantalhos).
telhadon. fü:pressa. na árvore. a sua ncces>idade de manter wna "ºs casos seguintes estí expresso o isolamento atravé, do
atitude a~íva-<lcfcru.iv-.i diante do mundo para evitar a mtro- ~enquadramento.. das figuras humanas (retratos) ou das d1vi-
jeção desorganizadora. 'iÔCS arbitnlnas de .oonas do desenho.
Os testd grúficas _ _ _ _ _ __ __ 3./1
3./11
----
Caso n~ 4S ld3de: 8 anos; s«o. mas,cuhno.

e) Tt.rt~ da Fulllilia

COJo nº 45. '\1enino de 8 anos. Casa fechada. noções


dequadas de perspectiva e de racionalização do enquadmmcn-
=-
10 (grave inadapração à realidade).
Caso n." 46. Adulto. homem de 36 anos. Expressa-se aqui
a nccc::,sidade de manter iliOlados dois a.~tos dissociados da
personalidade, de forma rígida e infantil
Caso tLº 47: Homem de 23 anos. Exemplifica dissociação
e isolamento de dois aspectos da persorolidade. (0 controle
pan1nó1dc cslã enfatuado e a produção apresenta. além d!sso.
caractrnsticas homosse:wais. 1
Caso 1L" 48: Menino de 8 anos e caso n! 49: Menina de 9
anos. O isolamento se e.'<pressa pela criação de linhas divisó-
rias rígidas que mantêm os personagens separados entre si e
do mundo externo.
3_4_1______ ofl"OCt'SM psicadiagnimico e as técltiau p,ojeti>a. Os,~~ grófims _ _ 343

Caso n~ 46. Idade: 36 aoos; sexo: mascolino Caso~ 47. kbde: 23 anos: se,:o: mascul100

~ I
1~1

b) Tote das Di,as ~ -

Anulação

Apóia-se no mecanismo de dissoc,açiio e, como os outros


mecanismos obsessivos, controla o , incuto agressivo com o
objeto. Apela para famasias mágico-onipotentes muito inten-
sas. cujo conteúdo é que uma faruasia "'boa" ou um ato "'bom"
podem apagar, anular, outra fanlaSla ou ato -agressivo'' prévio.
b) Teste das 0-. ~
Ambos os ,inculos estão simultaDeamente presentes, ou podem
se apresentar sucessivamente no tempo. não surgindo conílito
graças à faniasia onipotente de anulação. à intensidade e à ri- do pensamento e da ação. Consome grande energia psíquica. jâ
gidez dos mecanismos de dissociação e de isolamento. A anu- que o aspecto perigoso do vinculo impõe-se ao ego de forma
lação, na medida em que c...ita a uttegração depressJ\'a do objeto constante.
e reforça a dissociação. ataca a capacidade de síntese. Corres- Numa personaluladc adaptada costuma se apresentar sob
ponde a níveis primitivos, baseados na onipo1ência e na magia a forma de pedido de perdão ou de desculpas. Como mecanis-
_3_44_ _ _ _ _ _ Oprott~ psieocfiagn65:ico e as técn:cas projtti,w 345
Os lõ!es gráfum _ _

Caso n~ 48. Idade. 8 anos. sc.,o: masculino. Ca,,o n? 49 ld3de: 9 anos; se.,o; femiruno

F - - -----.----.-- ---,

-
a) Damho Lfrrr

mo dominante corresponde a situações mui10 p:itológtcas. per-


sonalidades pré-psicôticas, neuroses obsessivas graves ou psi-
coP3tias. Traz consigo um empobrecimento. 1a1110 afetivo quan-
to intelectual. Significa uma tenlativa d.: manter, rigidamente.
os mecanismos de dissociação esquiz61dc.

bJ Tesle dz D,~s l'e.<SOOS


Mecanismos de anulação nos ll'Ste.s gráficos

Anular implica apagar, tapar. e isto i,c expressa nos dese- 2) Borrar e sujar (racionalizando sombreado) J)3rtl:S oo lonas.
nhos airavés de certas condutas concretas: 3) Desenhar sobre um objeto gráfico Já realizado. ocul-
1) ~idade permanente de apagar o d~nho já realua- tando-o.
do ou algumas de suas panes. 4) Riscar figuras.
3,r
O- ·~sres g r á f i = - - - - - - - - - - - - - - - - - -
A tentativa de hmpar, ordenar e polir o desenho geralmen- C:,,,o n~ 50. l<bdo: !O anos; sexo: feminino.
re não rem sucesso e a~cm desenhos sujos ou borrados.
As C'1dências gráÍl<:as mais cl;iras do fracasso das tenta-
tivas de anulação correspondem aos casos em que o obJeto
anul•do é somente riscado ou m:il :ipagado, de maneira que
permanece graficamente presente.
A anulação pode se dar entre o obJCIO gráfico e a v1..'rbali-
zaçào correspondente.
Caso 11.• 50. Menina de 10 a~ a) Apagamentos freqüen-
tes (uma cara O'ral à esquerda da mulher. os braços desta e a
cabeça na figura paterna). b) O aspecto pouco prorewr, reaa.í-
do, sem afeto, distante, atribuído graficamenre à mãe. e os ca-
raclcres fracos e ausentes atnbuldos à figura p:irerna se anu-
lam na produção verbal. onde se destaca o aspecto bondo,o e
··empánco.. dos pais.
Caso nº 51: Mulher de 30 ano,. A a-,ul~iio m:mife513-sc
de forma semelhante ao caw anterior, lanto no as-pecto gráfi-
co quanto na relação d3s figuras (desorganizad;is, paranóides
e infantis) com a ,,erbalização (figuras adultas. tranSbordantes
de amor e de tentativas de união).
Caso n.0 52: Anulação verbal da agressividade registrada
graficamente. Anulação com caracteristicas p,icóticas, pelo
grau de negação implicado.

,\fecani1,mo de regrõ'SÕO

A regressão é a reatualização de víncul<>:, objetai~ concs-


b1 Tesre das 0-Ja:S Pessoas
pondentes a momentos e\'Oluti\oos já supenidos no desenvolvi-
menlo mch\:1dual. O ego fraqueja dian1c das ~,luações atuais que
não pode resolver e apela para modalidades de relac;ào mais H stória
primau-.as do ponto de .~ta cvoluti"o, que foram, em seu mo- Beatriz e !vlâno.
mento, eficazes para manter o equilíbrio. Essa senhora que cu desfflhei ~ chama Beatnz e outr.l \l:lno EsSJS
A regre:ssào pode implicar uma modificação estrulllral da pc<-soas s3o muno bcJa> e mara'11hc,,,a< comigo, me k.-..= para passear
e brincam comigo.
personalidade ( que se reorganiza, então, num nível mais pri-
]48 J49
- - - - - - - OproceS>O psicoJJagr.6s!ico e"" tét:Ji1D1S pmfrtiWl' O, teste, gráfi=

Caso n~ 51. Ida~: 30 anos; sexo: feminino.


-u:,
Bonito ê anw-. bonito é querer, bonito é que teus lábios se unom com as
e uansbc<de de amor. É puro como cssc amor q.., sinto. é bom ro-
mo o pens.'UnOlltO ~ uma criança, suaves lâbios de \'eludo. Amor. amor
e o que finto.

mãrioJ, ou pode se limitar a afetar determinados vínculos ou


funções. (Por ex.emplo: reaa~-açào da dcpendêneta limitada a
figu~ paternas. diferentemente de uma regressão total à ati-
rude oral-recepli\'a-pa"~iva infantil.)
Como mecanismo normal ex.p~sa-se ootidianamente no
dormir e no sonhar; evolmivamente a regressão CJ>'tá uruda à ne-
cessidade de progresso. já que a evolução nunca é linear, mas
se processa atra"és de pequenas regressões ao estado interme-
diário antenor.
Tais processos se apresentam como conseqüência natural
de situaçÕ6 dolorosas. chegando a ~er indispensávetS para sua
elaboração. ( Por cx.emplo: em situações de IUtO a reatualização
de atitudes ornl-rccepn,as, a reaovaçiio da depend.:ncia e o OOClC
tr.111Sitório com o mundo cut!mu uuplicam processos de re-
gressão indispensáveis para a coru.ecução de um bom despren-
dimento do objeto perdido.)
Quando a regcc&são se coloca a serviço do ego. torna pos-
sível a conexão com fanta.'lias incon~cientes que o favorecem
e enriquecem, constituindo a base dos processo" criat,vos.
A regressão patológica tmplic:i uma regressão estrutural,
reversível ou não, a pontos disposicionatS penurbados no de-
..envol.,imento. H. Segai: ""Na doença p:.iquica produz-se sem-
pre 1una regressão a fases do desen\'olvimento nas quais esla ~am
presentes perturbações pa1olõgicas, que criaram bloqueios e
consnruíram pontos de fixação.''
Ka tarefa psicodiagn6stica interessa-nos dewrminar quais
as possibilidades de regressão, quais as possíveis situações 1en-
s1onais desencadeantes e o nh·d de orgaruza,;iio (neurótica ou
psicótica) a que essa regressão levará
35(} Os tares grúficos _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _. c3:..:5:..:. 1

Caso o! 52 Caso n! 53. Idade: 28 anos; sexo: masculino.

L_
b) Tare das Duas Pcswas u) D,_..,enho Ln·,..

Este pGrcsta\'11 namorando e no outro dia iam se asar. (por exemplo, maior dcsorg;mizaç.io no H.T.P. que no par ou
desorgaruzação progre!>Siva na figura humana-casa-árv<>tt).
b) Inaemeruo e eitaccroação progJeSSiva do controle obses-
si\O (reforço, supcrdetalhi!,010, etc.). unido a um maior empo-
A regressão nos lestes gráficos brec1men10 e confusão do objeto conseguido.
2) Através de elementos de um mesmo desenho (figura
I) Atra,-és da análise da seqüência de desenhos: humana, por exemplo, ou casa):
a) Reativação de caraderísticas mais regressivas e uma a) Presença de zonas rompidas. destruídas ou arl>itrárias.
prog.essi•a desorganização na seqüência dos testes gráficos ·'raras". (Por e,emplo. casas em ruínas, com rupturas.)
351 353

Caso a!" 54 ldadc: 8 anos; sexo: masc:uhno.

1 f\

bJ Te,1~ das D:,us ~

b) Perdas de equilíbno: figura humana, casa ou árvore


caindo ou em pengo de serem derrub3das.
3) Pela direção do mO\imento das figuras (para a esquer-
da ou para bai.,o. pendente). (E.,emplos: Casos n.•• .53 a 56.
\~ja-se novamente o caso n• 4.)
Jl.ocason•4, oparap~nta indicesdedesorganiz.içào 11.lS
zonas abertas, rigidez poslural e e.,pressão de pâruco. Contudo, d) H.T.P.
354 O- estes gráficos _ _ _ _ _ __ __ 355

Caso n~ ~5. Idade; 24 uos; sexo, feminino.

11) Daenhu Lnfl:

as caracteristicas human~ eslão mantidas. "lo H.T.P. a figura do


7
1~==----....:-_- /
/
homan dá claros indícios de regressão em relação à antmor (dili-
d) H.T.P.
culdade em dar-lhe um aspecto humano. coofu<;ão de traÇOs. ho-
mem e,,--tirado. sem foiças. mono. expressa a claudicação do ego).
Ca.10 n.• 53. Homem de 28 anos. Desenho livre-<cslc das
duas pessoas: o desenho livre expressa competição e necessi- Cose n.0 54: Menino de 8 anos. Na seqüência e num mesmo
dade de satisfaa:r tco~ências c>.ibictonisias de poder e de mas- dcsc:nho. ?-este caso. existe a poss1b1hdade de regressão a si-
culinidade dentro de limites formais adaptados. O par indica o tuações psicóocas:
fracasso do deslocamento e a necessidade de apelat ao exibi- a) l\:a seqüência, a casa conserva as características for-
cionismo sexual direlo. mais., a árvore indica intenso isolamento e construções agres-
Os 1esrn gráfims JS7

sivas estranhas (parte superior} que culminam nunu figura hu- Caso n: 56. lcbde: 12 anos: sexo; masculino.
mana com caracteri.~acas monstruo~. pcn.ecutónas e deta-
lhes bi7.anns (cabelo. orelhas, detalhes dos dentes)
;/ p
b} Tomando o pnmeiro de.<;enho da ;,eqüênc1a t.a ca.,a), os
indices de processos de desintegração e\>idenciam-se nas rup-
turas das paredes, janelas e portas e no ··cresclI!lemo" de uma
,__ , /

)f
i;i;i;.l:....=-_,,l~
-
planta no telhado (dera lhe psicótico).
('.(J:,Q n.• JS; Mulher de 24 ano>. "Casa-fachada", pmgo dl.'
desmoronamento da construção.
Caso 11.• 56. Menino de 12 an~. Casa em ruinas - rupturas.
; '
Deslocamento

A necessidade de dissociar o vínculo agressivo do ,·incu-


lo amoroso com o objeto é i,ubjaccnle a ~ mecanismo. k;
d, li TP
,-- ,-~-, ?:)( 1T1
caracterisricas persecutórias acribuidas ao obje10 c.'llemo odia-
do são tr.lllSfendas (deslocadas) para outro ou outros objetos
externos que passam a ser temidos e C\ 1tados enqU.1nto depo-
sitários de fantasias agressivas.
Tal é o deslocamenro "de bai'<O para cima... que corres-
Este é o mecanismo latente das fobias. Freud estudou-o
ponde a uma nec=idade de siiuar na parte superior do corpo
pela primeira vez: no '"caso do pequeno Hans": nele. as fanta-
confhtos relativos às funções e aos órgãos genitus. Este 1ipo
sias terrorificas a rc p,:ito da relação com o pai foram dcslo-
de deslocamento pode CSlar prcsenlc em convc...ões lustéricas
cadas para os cavalos. O deslocamento tem como finalidade
Cpor e>:emplo. equação garganra-vagina) ou em conflitos rcfe-
proteger o vínculo externo nccess11ado, situando o temor (e, de
modo laimte. oódio)cm outros. não tão necessitados. que podem ndos ao rendimeruo intelectual (equação po1ência mtelectual
ser evitados e odiados e por cuja perda não se sofre. Isto alivia com potência se."<ual ou com posse de um pênis}
o ego do perigo e da dor, permitindo-lhe situar impulsos (de
morder. afogar, invadir. etc.} e partes corporais (dentes. geni-
tais. etc.) no obje10 externo (identificação proje1i,a) Deslocamento nos te:st.es gráficos
"la e,·oluçào normal o deslocamemo e,,tâ presente no:,
processos de general12ação e de formação de símbolos. O que é ~deslocado.. varia de um caso para o outro. sendo.
Quando 111dica detalhes mínimos, é um mecanismo típico de ~m termos gerais. um ,i.nculo confüuvo com o obJeto necess.1-
técnicas obsessivas; a preocupação con~ntra-se em aspectos ou udo no qual está conuda sempre uma função. uma parte cor-
detalhes não essenciais da realidade. mas som: os quais foram poral. ou um impulso ,'i-.ido como perigruo. Expressa-se gra-
deslocadas SÍlllllÇÕCS -.inculares ernocionalmem: carregadas. ficamente na:
O. teses gni(ia1$ _ _ _ _ _ _ - - - - - - -
159
_3_
5&_ _ _ _ _ _ OprtXl!S>Op.ncodiagnásticoea.,1iaacosprojetivm

Caso nº 57 Idade· 7 anos: sexo: feminino Caso n• 58 Idade: 7 anos: se-co: feminino.

h) Ture das D:,a, P=O<U

1J Necessidade de adicionar um novo objeto depositário e


sunbolizador do vínculo. (Exemplo: Caso n.• 57.)
2) Localização da situ.lção conflitiva em objetos acessó-
nos do desenho, DO "fundo~ ou na "decoração" do obJe«> grá-
fico solicitado pela mstrução. (Exemplo: Casos n~ 5b e 59.)
3) Figura hwnana. localização da situação conflitJva em
zonas corporais não confüm,as (por exemplo. preocupação pela
potência sexual deslocada DO desenho para a gra,'313 ou para o
nariz) ou em detalbes da roupa. (Exemplo: Ca:.o n.• 60.)
Caso n.• 57: \1enina de 7 anos. o) A agressão com carac- / /\.~
terisucas caballsucas esú deslocada para a figura do cachorro
com os dentes marcados. As figura.~ humanas têm as bocas fe-
chadas e sorndenies. b) A preocupação e a necessulade de coo-

J
tato oral nutritivo com a mãe se expressa nos "bolsos-seios··
do avental e.. em compensação. anula (não faz) os seios na fi-
gura feminina adulta.
O:iso n.• 58. Meruna de 7 anos que apresenta SU1l0ffias de ' - - - - - - - - - - --------
depressão durante a gra,'ldez de sua mãe. Na figura femmm:1 J) HTP.
1611 O, fCjf_,. gráf,ros _ _ _ __
---------36/
Caso n~ 59. ldad<: 7 anos: """º' fenúnino. Caso ~ 60. ld3de: 9 .lll05; sexo· feminino.

dJ H. T.P.

("uma mãe") tl>fá remarcada a cmtura pequena " a zona do .,, De=ho ln·~
ventre apare<--" risçada como 1enutiva de anulação e negação
da situação de gravidez.
O conhecunento da gravidez está simbolizado e deslocado: b) Na preocupação por seus genitais e poc suas possibili-
1) Funcbmenl.O.lmente para o ··csqwlinho" do buraco da dades procriati"a,; (simbolizadas e deslocadas no coração e nas
ánore flores do ~-estido1.
2) 'Ka carte ira. o desejo de '"fazer o bebê carr" Veja-..: o ctL~ô n.• 6 em ldenúficaçào Projeriva Indutora:
3) Deslocam.:nto corporal de baixo para cima elementos evidencia-se preocupação pela impol.:ncia sexual expressa na
decoraU\OS ad,c,onado!. (laço. anéis. colar). ;uperaccntuação do nariz e d3 gravata
Caso 11.•59: Menino de 7 anos Fantasia de pêrus dentro da
vagina l>Ítuada na árvore. Desenha prim.:iro uma maçã com um
cabinho e transforma-a depois numa ánorc. Junto com o me- Repres.~ão
carusmo de deslocamento manifesta-se a anulação.
. Caso n.• 60: 'vfenina de 9 anos. DeseJo de cre~cer e de pos- Manifesta-se. fenomenicamente, como "lacunas- no pen-
swr um corpo capaz d.: ter filho; e formas fenurunas (i.eios)_ ~r. sentir ou \•erbalizar. É o esquecimento não mtcnc1onal de
Aparece no desenho: fatos.. fania,,-ias, ocorridos na reahdade externa ou in1erna. lm-
a) "lll> mangas volumosas (deslocamento parn cima do dese- phca a necessidad.; d.: manter dissociados (esqu.:cido,,) aspec-
jo de ter seios) tos do vinculo objetal vividos como conflituais ou perigosos.
_
J_
6Z_ _ _ __ __ O pnxes;o p:,irodiag,,o<tico ~ as 1écmcas prr,je1iim O, ,es:.,. grá;'r<V}S _ _ _ _ _ _ __ 363

Está relacionado. em pane. com o mecanismo de negação determinadas condutas. (Por exemplo: A formação n:aliva ,m-
(responde à fantasra "necessito não conhecer !ai aspecto meu pltca uma necessidade permanente de reforçar o vínculo amo-
e do ol!jeto: se não o conheço. não existe"). Supõe o mecanismo mso para controlar o vinculo hostil n::i relação ambivalente com
de dissociação. embora ~ja mais e,oluído e adapiati,o que a o objeto. !\a repressão. o conflito amb,valcnte resol,e-se pela
dissociação. -ausl-ncia de afeto... mdifercnr;a.}
Dentro da tcona kleiniana. na e-.olução normal a repres-
são é herdeira do mecanismo de dissociação e toma-se possi-
,el como l'ÇSUJtado da elaboração da eiapa depressiva. A repressão nos tesces gráficos
A repressão como mecamsmo ad,ptativo marca a possibi-
lidade de clivagem entre as fan~;as e entre a vida consciente Dado o nível avançado a que corresponde o mecanbmo
e inconsciente. foi clivagem não se refere a wua divi,;ão rígi- dt repressão. supõe um grau de boa organização da per.,onali-
da e i=ersivel. mas sim a uma membrana permeável. porosa. dade e. portanlo. do esquema corporal.
que. embora po~~ibilitc a separação de ambob ~ aspectos da At jigwus humanas são completas e harmômcas. com
realidade psíquica. pennite ao ego conectar-se com fantasus Jocalização espacial e tamanho adequados A Gestait está con-
ou rccordaçôe$ funcionalmente reprimidas. servada. De acordo com a intensidade da rep~o. pode apa-
Como mecanismo adaptati\o. mantêm operam·arnente dis- rectt pobreza de conteúdos e aspect0 rigido (falta de movimen-
soc,adas as fantasias incon;,.::ient~ que sào mobilizada:. diante to ou mQ\smento coart.ulo). figuras harmoniosas e agradá,eis
de qualquer contato com os objetos e situações externa.~; se com baixa sexualizaçào.
fossem totalmente con,cicn1es, impossibilitariam o contato com A preocupação e a luta contra tendências e.-ubicionistas e
a realidade. fa,urece o bom funcionamento psíquico median- ero1i=o corporal se e-,denciam em:
te o esquecunento do trivial. do acessóno e do secundário. o) Figuras harmoniosas mas não s,:xuais. muito ,estidas.
Como mecanismo neurónco. funciona como um -dique 1apadas'· (pOuca preocupação pelos detalhes da roupa).
de contenção.., provocando empobrccunento e bloqueio. H. Se- b) Falta de traços sexuais secundàrios. cortes marcados
gai se refere às causas de tal rigidez: -SC a disrociação inicial na cintura. corte da figura no nível genital ou lTOnco solto.
foi C'{cessiva. a repressão posterior será de excessiva rigidez Ênfase na cabeça. cabelo e olhos.
neurótica. Quando a cisão inicial foi menos severa. a rcpn:ssão e) Expressão dircla do conflito alrll\és de figuras humanas
lesará menos o sujeito e o inconsciente estará em melhor antitéticas quanto ao exibicionismo (b;ulanna. mulher sedutora,
comunicação com a mente consciente:· c1c. e figura ,estida. tapada).
A repressão empobrece o ego. na medida em que o ilmita d) A dis.WC13.çãO pode se manifestar entre a realização
cm suas funções mnêmicas e perccpti,-as (para e-. uar a recor- gráfica e a ,erbal. Por exemplo: figuras muito sedutoras e exi-
dação do vinculo tenudo o sujeito necessita -não ,er- aqueles biciooistas e escoiomização destas caracteru,'ticas centrais na
aspec:los da realidade e dos objetos e.,ternos que poderiam faza- verbalização.
"recordar" ou despertar os impulsos e as necessidades repri- A intensidade ou grau da repressão pode se manifestar em:
midas). É um mecanbmo 'mudo.. que se e.~~ m315 pela a) Figuras rigidas e coartadas em seus lDO\·imentos.
'falta c1c- (recordações, afetos, etc.), do que pelo reforço de b) Figuras pobres quanto a conteúdos.
164 165
_ _ O f1"XI':<"' ~iagnósrico e as 1Jt:nil'lll projl'riw1< Os le<'i'S gnlfros _ _ - - - - - - - - - -- - - - -

e) Distância entre os pares dissociados quando estes apare- Caso a: 61 Idade· 17 al!Dli; sexo. fcnunmo
cem desenhados.
~o desenho da casa e da árvore. mantêm-se como carac-
terísticas gerais: boa organização gesláltica, relação de partes,
tamanho e localização espacial adequados, carac1eristicas h.u-
mônicas. Vazio e pobreza de conteúdos variâvtm. de acordo com
o grau de rigidez e de controle da defesa
l\a consaução ela casa predortlUlll a preocupação com as
janelas. ainda que o aspecto geral i.eja fechado.
Càso n~ 61: Adolescente, mulher, 17 anos: caso n.• 62·
Adolescente. mulher, 16 anos: caso 11.• 63: Aduho, m..lhcr. 36
anos: caso,,_• 64 Adolescente. mulher. ,- anos: caso 11.• 65:
Adulto, mulher, 28 anos.
Obscn'3-se uma gradação na intensidade do mecanismo
ao longo da sequência dos casos. São figuras inteiras. harmo-
niosas. com ceno grau de bele7Ji. mas dureza de movimeruo.
Ênfase no contorno corporal, com poucos detalhes na roupa e
falta de traços sexuais secundários.
A ng1dez e a pobrcai de conteúdos toma-se mais cviclen-
t<! nos casos n~ 63, 64 e ó!>. l\o caso n? 63 as cabeças CSlào
cortadas e o homem com o mo•,imento claramente coartado.
Ko caso n~ 64. embora a Gesralt ~eja mantida. o vazio. a
pobreza e a rigidez são mw10 mais marcados. A figura é pouco
harmoniosa. Maior despersonali1ação e traços paran6ides.
A verbalização no caso nº 62 mostra claramente a disso-
ciação entre os desejos exibicionistas culposos e os aspectos
superegó1cos atrihuidos a duas pessoas. duas partes dissociadas
_J
da pessoa. I>) T,ste das D11as P~·'""''

Caso n• 66: lnlenSa necessidade de e>.ibicionismo corpo-


ral. negada na verbalização e deslocada para características fe- A Praç~
rn.ininas maternas.
A mãe de Luls. M;iria. todas "" wde:,,. dcpoi< de 3lmoçar. i.....-a seu filho
opffl(3, pm ele wmar UIII pooco de ar e sol. .
í,~•nlO ><U
.., -
mho bmia, el• t!Í<.-013 P3ta O próximo -bebê. do rrem
Às ,-ezes. quando se can.a de co,,rurar ou moobr. cnláo o:. IS co
jumos peb pmça com ,ua bola de ,-mas cores.
366 Os mies grá(ros _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ ~ ~ - - 367
- - - - - - O pt'()CeS>Opsirodiugnimico e as técllÍCtlS projetivas

Caso n~ 62 ldadt: 16 anos: sexo: feminino. 0 Destino

É a lustóna de du:as inNs que foram separadas quando cmn pequenas.


por causa da mont de SU2 m~. Seu pai achou razoã,..,1 a idcL3 de man·
dar cada uma a u:,o tia e assim trJRSCOm:nun os anos sem que ,'Ditas-
sem a se \'tt.
Virgm,a fez artes cênicas.:. <bido a = grande talento. não tardou
con,ffler~ em um1 figura de fuma mur,d,al. Por sru lado. Maria José
tm

inclmou-:,c por ad>ocacia. adquJrindo. rap d3men1e. grande renome por


sua sag;,c,dade e pcrspicicia. e, sobn::tudo. por sua honestidade.
CetU ,.,. ~ Wl'l dc >tUS g,tOS costumeiros. Vll'gilll3 SIC ,,u omrhca-
da aadenlalmeme num assassimlo: cntio. ao lCT que csoolher t.lll ach"Oga-
do de defesa. seu rcprescntw..e anÍShCO lhe :aconsc,hou eomratar uma
jo11CD advogada cujo pn:stigio era recoohecido por lodo$.
E f ..s;im. por capncho do dc.<11no, que a.< d1l1s irmãs se encontram e,
qwodo Mm.o José"'°'ª
a uiooêocia de Vuginia. ambas 1rucwn uma nova
vid,1 JUO~.

I11ibição ou remição do ego

\,fanifesta-se como unpotêocia ou déficit de uma ou mais


funções do ego. (Não ver, não ou~1r. nào aprender. etc.) Dife-
rentemente da conversão, não apresenta sintomas. mas sim res-
trição ou ausência de uma função.
A função ou conduta inibida toma-se pengosa por estar
ligada à realização de fan~'ias agressi\'3S (equação simbóli-
ca). Evita-se o perigo fantasiado, anulando ou restringindo a
função ligada a estas fantasias.
A irul>ição surge como defesa diante de ansiedades pa-
ranóodes e depressivas.
Diante de ansiedades paranóides expressa a necessidade
de autocasiração. para evuar ataques retahati\'os do objeto. (Por
exemplo. se os ganhos intelectuais são ,-ividos como triunfos
sádiCOl> sobre o, pai:,. a capacidade intelectual se 1ra11sfonna
em fonte de ansiedade e de conflito.) Inibir uma capacidade
b) Tes~ da,. Duas P=oa3
pl'O\-oca sofrimento e impotência. mas protege o ego de temo-
res mais primários.
36& 369

L_ J \=-\
Rr<pn com ar,,a<ú.lde. Ri e me d1> que qu:.nJo n.c de a m"'N~l<>=·
,uu c:m íazer um dc;;cnho <l!1dc puoe,,>é me tngJnor "" muu,.,. mas
q~ , . , lazer <> '11K >.air.
~ - m e ~Dc.ct:ho qu.uq, cr """º·' \oc..r ex - ,:c,en),,- " ,-ai \ inibição se faz ~sente da mesma forma. diaote de 311·
s:nr t,.. m porque: scmpn, J'f"'.,.><:1 de wn .oclelo para do.cnlm ·• ~i.:.bdes &pre:.ii\11s...!\li fanti1s13, \llbjaetmcs :,ão 1.11nbcm dç
Faz rnmc,ro o dn,:nho da íi~ra 'tmm1,u. <uspr.; n•n i.ran.:c frr-,uén· agressão :io objeto, m:is é accntundo o medo de danai 1cà lo. e
aa e (u wn se,10 ~ de<g""'" Ao fuwia. me diz: •1: uma f-ura awi10
c:>LI ,a. lhe (37 falta agir."
a inibição tem a finalrdJck de protegê-lo.
_J_~_o______ O prrxnro p<icad,ag,,ésriro ~ as 1«11ícas profetnas O.r tes!.õ gráficos _ _ _ __ 37)

Caso n• 6<I Idade: 17 anos: ~•o: ltllliruoo.

h) res:.. das Duas Pr:s.roa.r

A inibição ou restrição do ego refere-l>C não só â limita- associati\O, etc.). e costuma acompanhar os estados depressi-
ção de wna função que potenciahnerue poderia se d=ivolver, vos. Resulta de introjeções patológicas do objeto (introJeçào
como também a um empobrecimento e uma diminuição geral de objelus danifica~ mortos ou agomzanie,,, com os quais
do riano das funções egóicas lpcrcq,çiio. motncidadc, ritmo o ego fica identificado).
J_1_2______ O p , =psêrodiag,,ósricoi' as 1<1·,,ictn projerr.-m
r1_
Os te.sws '/J'(Íf,cos _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ __ _
0

Caso n!' 65. Idade: 28 anos; SC\O. feminino. Ca.soU:66.

~'

~ '
'
1
, , 11 b} Ti><2 da., Duas Fbsoas
\ 1 1
~ ~ Diú3m que ela c,a bruxa. Cobna'°"" com um m3n10 negro, cbde o rei·
coço :ut os pes !'.ão se \'13 sua cara. cstn-a sanpn: coberu pelo seu
cabelo Um dia uma rajada de ,-ento despojou-J de seu manto: seus ca-
belo, eram aui> longos ainda do que podt3 parecer e ell\'olra odes IC\-a-
,a u1n.1 cnanç3 Sai corpo era gracioso. ~ão era wna bruxa!

bJ Teste das o..as Peswos


J'./
- - - - - - - Oproasso p<icodillg7IÕ$tico e as tiaicás projetira> O. testa gráfi=----------------=J:..'..:.5

Sua manifmação nos testes gráficos 01so ~ 67. Idade: 7 anos; =o: masculino.

Figuras humanas. A \"n>êneta de impotência e inadequação


expressa-se an-avés de: a) figuras pcqu.c nas e fracas; b) traço
fraco: e) amputações ou castrações das zonas corporais confli-
ruais ou relac1onadas com ~ funções conflitivas. Isto varia de ~
1 .. , . •
o
~ 1
:icordo com o tipo de inibição. (Por exemplo. nas inibições in-
telectuais são característica~ a cabtJça quadrada. o cabelo tipo
capacete. com aspecto de robô ou muito sombrc:ido.)
Caso n.• 6i: Menino de 7 anos. com problemas de apreo-
diaigcm. Cabelo tipo boné. sombreado. e vivência de castra-
./;' \).
ção na amputação das mãos, sombreado da calça e reforço
compensatório da gravata.
d) A inibição se expres.<;a por reforço ou pelo tratamemo
especial de zonas ou. pelo contnirio. pela auscncia de zonas
<I Tt!sl~ da FairJl,u
(mãos, pés, por exemplo); e,cpressa-se. também, por "impotên-
cias~ ,ert>alizadai. pelo l,Ujeito durante a produção ("n.io sabe,
não pode realizar tal ou tal aspecto do desenho~, ou "não pode
desenhar'"). Sublimação
e) A inibição, Oõô!O metãrusmo mais abrangente da per-
sonalidade, é expressa attmés de figuras fracas, inseguras, pe- A sublimação. na teoria freudiana, é a canalização de un-
quenas, sem mãos, ou figuras de pessoas encostadas ou senta- pulsos inslintivos para atividades criadoras, socialmente adaJ>-
das, como expressão de baixa vitalidade e de fraqueza do ego. t1das, como resultado de um processo bem-sucedjdo de renún-
(Com e.,cceçào das pessoas com impedimento flSico real. alet- cia a um fim in~tintivo
Jadas, em cujo caso é índice de boa aceitação de sua smiação. As abordagens da teoria kJeiniana permitem vincular o
Fx.: Caso n• 68.) conceito de sublimação às ansiedades e gnnhos dem-.dos da
Na casa e na án-ore predommam as características gerais siruaçào depressi"a A dor e o sofrimento pelos objetos queridos
de pequenez. pobreza de conteúdos; a casa .: rudimentar. soli- e valiosos, aos quai.~ se teme haver destruído, mobiliza impul·
tária e pequena. A árvore é pobre, com pouca folhagem, sem so~ reparatórios, de recriação dos objetos internos e externos.
frutos. com dcscone><õe~ de partes ou zonas imponantcs. que constituem a base da aiatividade e da sublimação. H. Segai
As características dadas anteriormente correspondem à se refere a esse momento da S1.ruaçào depressiva: "A ànsja de
expressão dircla da inibição como defesa. Contudo. o material recriar seus obJetos perdidos impulsiona o bebê a juntar o que
gráfíco pode registrar a fantasia o oipo1ente 3gressiv11 de triun- despedaçou. a reconstruir o destruído. a recriar e a criar. Ao
fo. que motiva. na cooduta manifesta. a irub1ção como si nto- mQ;mo tempo. o desejo de proteger seus objetos leva-o a su-
ma e defesa. blim ar os impulsos que sente como destrumos. Deste modo. a
_3_7_6 _ _ __ __ O r.rrx:esso psicodiagnômco e as lécnicas profe,il'lis JT"
o. /eS/1!$ t:ráfi=- - - - - - -
Caso n~ 68. Idade: 35 an0<$; sexo· femmmo. preocupação pelo objeto muda os fins in,tinti\l)S e proclw
uma inibição dos impulsos instinth·os'' Referindo-se ao con-
ceito de Freud de que a sublimação é o resultado de uma remin-
cia bem-sucedida a um f lDl lllSttnnvo. afirma: " ... só atra\'és de
um processo de luto pode-se produzrr uma renúncia bem-suce-
dida. A renúncia a um fim instinti\'o. ou a um obJeto. é UID.1
repetição e. ao m=o tL'lllpo. Ul'l1JI re\ ~i:ncia da renúncia ao
seio. Como nesta primein! siluaçiio. tem êxito se o obJeto a
que deve renunciar pode ser assimilado pelo ego. gra~ a um
processo de perda e de recuperação internas. Eu sugiro que um
obJelo assinulado deste modo converte-se num símbolo d,,:nlro
doego...-
A possibilidade de ;,ubhmar supõe a capacidade de repa-
ração. e está em relação direta com ela. na medida em que se
propõe a proteg~r o obJeto de nO\O> ataques hosos e a repará-lo
pelos danos que já sofreu A sublimação é, em si m=na, um
trabalho de reparação, que implica um, inculo de amor com um
ob,Jeto to1:1I e se expressa através da criafüidade. da capacidade
de realizar e de se auto-reparar.

Sublimar,üo no~ testes gráficos

A necessidade de desenhar aparece, L'\Oluti\'amente. como


uma tencati\'a de recriação e de reparação dos objetos Assim
como as pílDleiras pala\'ras recriam o objeto interno e o !or-
nam independente do externo. o desenho responde. da mesma
fonnn. a nece,~idade de recnação dos pnmeiros objetos. Quan-
do pedimos a um entrevistado que produza um desenho. esm-
mos aproximando-o de uma tarefa de criação. ou de recnação.
de um objeto. de uma tarefa reparatória. Sua produção mos-