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A HISTÓRIA DA PSICANÁLISE

NO BRASIL
AVANÇANDO PARA TRÁS
 1907: Fundação da Associação Vienense
de Psicanálise e Sociedade Freud em
Zurich;
 Nos seis anos seguintes, novas
sociedades de psicanálise são fundadas
na Europa, a saber: em Berlim, Budapest,
Londres, Nova Iorque, Boston, além da
Associação Psicanalítica Internacional
(IPA);
 A IPA foi criada durante o segundo congresso
internacional de Psicanálise, realizado em
Nuremberg, na Alemanha, em março de 1910;

 A proposta de fundar a IPA surgiu dois anos


antes, durante uma reunião realizada em
Salzburgo, na Áustria, em 27 de abril de 1908.
AVANÇANDO PARA TRÁS
 1917: Sociedade Holandesa de
Psicanálise;
 1917: Sociedade Suíça de Psicanálise;
 1922: Associação Psicanalítica Russa
(dissolvida em 1928);
 1922: Sociedade Indiana;
 1925: Sociedade Psicanalítica Italiana;
 1926: Sociedade Psicanalítica de Paris.
AVANÇANDO PARA TRÁS
 Em 1923, as obras completas de Freud
são traduzidas e publicadas em
espanhol;
 Anos 20 e 30, a psicanálise fica
conhecida através do movimento
surrealista, inclusive nos Estados
Unidos;
AVANÇANDO PARA TRÁS
 “Em certas ruas de
Hollywood, anúncios em
neon vermelho
proclamavam os méritos da
Psicanálise, junto com
loções capilares e dos
laxantes anti-inflamatórios”
(Gregory Zilborg, psicanalista
americano).
AVANÇANDO PARA TRÁS
 O impacto das ideias de Freud começam
a se disseminar por toda a Europa e,
durante os anos 30, chega na América
Latina, especificamente na Argentina,
influenciando o discurso psiquiátrico até
então vigente, sem ter qualquer
institucionalização;
 A psicanálise pertence, nesse momento,
ao plano da cultura popular;
AVANÇANDO PARA TRÁS
 O impacto das ideias de Freud começam
a se disseminar por toda a Europa e,
durante os anos 30, chega na América
Latina, especificamente na Argentina,
influenciando o discurso psiquiátrico até
então vigente, sem ter qualquer
institucionalização;
 Nos anos 30, a psicanálise já estaria
integrada na cultura popular;
“A PESTE” CHEGA AO BRASIL
 A chegada da psicanálise
no Brasil se deu
tardiamente nos anos 40
(em São Paulo) e nos anos
50 (no Rio de Janeiro);
 Antes disso, ela já
circulava no meio
acadêmico e intelectual
dessas duas cidades, e em
revistas, rádios e meio de
divulgação científica;
“A PESTE” CHEGA AO BRASIL
Três níveis de divulgação da
psicanálise no Brasil
“A PESTE” CHEGA AO BRASIL
1º Difusão entre os
intelectuais de vanguarda que
formavam o grupo
modernista

2º Difusão entre a elite


médico-psiquiátrica da época;

3º Junto ao público leigo no


que se refere à “questão
sexual”;
A ELITE MÉDICA
Juliano Moreira (Salvador
– 1873-1932) foi médico e
um dos pioneiros
da psiquiatria brasileira. O
primeiro professor
universitário a citar e
incorporar a teoria
psicanalítica no seu ensino
na Faculdade de Medicina.
A ELITE MÉDICA
Francisco Franco da Rocha (São
Paulo – 1864-1933) foi
um médico psiquiatra brasileiro
. Foi um dos pioneiros do uso
de técnicas modernas no
tratamento de doenças mentais
no Brasil, fundador do Hospício
de Juqueri e o primeiro a
escrever sobre as teorias de
Freud no Brasil em 1920.
A ELITE MÉDICA
 Em 1927, é fundada a Sociedade Brasileira de
Psicanálise, tendo Franco da Rocha como
presidente da seção paulista, e Juliano Moreira,
da seção carioca;
 Além deles, outros médicos e psiquiatras da
época se interessam pela nova doutrina, entre
eles:
A ELITE MÉDICA
Henrique Roxo (1877-1969), médico e
psiquiatra e Maurício Campos de
Medeiros (foto, Rio de Janeiro – 1885-
1966) médico pela Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro em 1907,
foi também professor, ensaísta e
político. Ambos ocupantes da cátedra
de psiquiatria na Faculdade Nacional de
Medicina.
A ELITE MÉDICA

Antônio Austregésilo Rodrigues Ulysses Pernambucano (1892-


Lima (1876-1960) médico 1943), psiquiatra
neurologista e catedrático de pernambucano, primo de
neurologia da Faculdade Gilberto Freire.
Nacional de Medicina.
A ELITE MÉDICA
Arthur Ramos (1903-1949), médico,
professor de Psicologia Social na
Universidade do Distrito Federal,
utilizou fartamente os ensinamentos da
psicanálise em seus trabalhos sobre
negros e religião; foi discípulo de Nina
Rodrigues (médico
legista, psiquiatra, professor e antropól
ogo brasileiro, defendeu esses racistas
consideradas científicas e modernas.
Ele foi fortemente influenciado pelas
ideias do criminólogo italiano Cesare
Lombroso).
A ELITE MÉDICA
Julio Porto-Carrero, (1887-1937) médico, psiquiatra e
professor catedrático de Medicina Legal no curso de
Direito da Universidade do Rio de Janeiro, membro da
Liga Brasileira de Higiene Metal e Academia Nacional
de Medicina. Discípulo de Juliano Moreira, foi o maior
entusiasta e mais renomado divulgador das obras de
Freud nos anos 20 e 30 no Rio de Janeiro, que o
conheceu em 1926, e é citado por Jones na biografia de
Freud.
Todos eles, distorceram a teoria psicanálise para fins
não previstos pela teoria, ou seja, o determinismo
biológico (racial e sexual, ou seja, eugenia).
A ELITE MÉDICA
Gastão Pereira da Silva (1898-1987),
médico, jornalista, pesquisador, escritor
e psicanalista; forma-se na Faculdade
de Medicina do Rio de Janeiro e torna-
se médico no interior gaúcho (a partir
do fim dos anos 1920); crítico das
normas e regulamentações da IPA
(International Psycoanalytic
Association), por julga-las elitistas;
inicia sua prática clínica nos anos 30 em
uma das sociedades abertas na época.
Foi esquecido pela história da
psicanálise no Brasil.
A ELITE MÉDICA
Durval Bellegarde Marcondes (1899-
1981), médico, psiquiatra, formado em
1924 pela Faculdade de Medicina de
São Paulo; Fundador do movimento
psicanalítico brasileiro; em 1925
introduz as ideias da Psicanálise de
Sigmund Freud na atividade clínica
brasileira. Em 1927, escreve a Freud,
comunicando a fundação, junto com
Franco da Rocha, da Sociedade
Brasileira de Psicanálise, a primeira da
América Latina, que renasce como
Grupo Psicanalítico de São Paulo em
junho de 1944;
TRÊS GRANDES ÉPOCAS
1915-1937 – Época da recepção e difusão das ideias
psicanalíticas;

1938-1950 – Momento da formação das primeiras


gerações de analistas;

1951-1969 – Fase da institucionalização do


movimento nos moldes da IPA com a criação de
organismos de formação e prática em São Paulo, rio
de janeiro e porto alegre.
EXPANSÃO
Se deu a partir dos anos 70, com o nascimento de
outras escolas e tendências e emergências das
diferentes psicoterapias na clínica psi;

Nos anos 90, a psicóloga Cecília Coimbra faz uma


genealogia das práticas psicológicas, da disseminação
da psicanálise no Rio de Janeiro e São Paulo, bem
como da formação e fundação das grandes
sociedades filiadas ou não à IPA, em seu livro...
EXPANSÃO
Um passeio pelas práticas
psis no Brasil durante a
segunda metade do século
XX.

Segundo Cecília Coimbra,


houve um “boom psi” a partir
da institucionalização e
instrumentalização da
psicanálise no Brasil.
OS ANOS DE OURO
A psicanálise se estabeleceu no Brasil, após os anos
50, a partir de três grandes eixos ou
institucionalizações:

SBPSP – Sociedade Brasileira de Psicanálise de São


Paulo

SPRJ – Sociedade de Psicanálise do Rio de Janeiro

SBPRJ – Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de


Janeiro.
É a primeira a ser reconhecida
como Sociedade filiada à IPA, em
1951, no XVII Congresso
Psicanalítico Internacional, em
Amsterdã;

Desde 1937 funcionava como


Grupo de Psicanálise em São
Paulo, ligada a Dra. Adelheid
Koch, membro da Sociedade
Psicanalítica de Berlim, que vem
dar formação psicanalítica em
São Paulo, atendendo ao apelo do
Dr. Durval Marcondes, que a
preside por 3 gestões.
SPRJ
 Reconhecida como Sociedade filiada à IPA em 1955
no XIX Congresso Psicanalítico Internacional, em
Genebra;

 Desde 1947 já existe no Rio de Janeiro, fundado


por médicos, o Instituto Brasileiro de Psicanálise;

 Em 1948, chega ao Rio de Janeiro o psicanalista


Mark Burke, membro associado da Sociedade
Britânica de Psicanálise, e inicia a formação
analítica nesta cidade;
SPRJ
 Em 1948 também chega à cidade do Rio de Janeiro
Werner Kemper, psicanalista da Sociedade
Psicanalítica de Berlim, que divide a formação com
Burke;

 Em 1949, retorna de Buenos Aires, já com sua


formação analítica concluída pela Associação
Psicanalítica Argentina o casal Perestrello;

 Outros analistas oriundos da mesma Associação


chegam ao Brasil, com sua formação realizada;
SPRJ
 Em 1951, ocorre uma crise no Instituto Brasileiro
de Psicanálise, e Werner Kemper, com seu grupo de
analisandos sai do Instituo e funda o Centro de
Estudos Psicanalíticos;

 É este grupo que, em 1955, é aceito pela IPA como


a Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro;
Reconhecida como Sociedade
ligada à IPA em 1959, no XXI
Congresso Psicanalítico
Internacional, em Copenhague.

É oriunda do grupo de Mark


Burke que ficara no Instituto
Brasileiro de Psicanálise, do grupo
argentino que havia fundado, em
1951, a Sociedade de Psicanálise
do Rio de Janeiro e de outros
analistas formados em Londres.
Sociedades Latino-Americanas
 Em 1960, gradativamente, as sociedades latino
americanas vinculadas à IPA fundaram o Comitê
Coordenador das Organizações Psicanalíticas da
América Latina (COPAL), no III Congresso Latino-
Americano, em Santiago, no Chile;

 Objetivo: expandir a psicanálise na América Latina


e conseguir maior representação dessas sociedades
perante os órgãos psicanalíticos internacionais;
Sociedades Latino-Americanas
 Posteriormente, a COPAL passa a ser reconhecida
como Federação Psicanalítica da América Latina
(FEPAL);
ABP
 A Associação Brasileira de Psicanálise (ABP) é
fundada em 1967;
 Tem por objetivo congregar as Sociedades
Psicanalíticas do Brasil, filiadas à IPA;
 Passa a se constituir como um órgão federativo
dessas sociedades, respeitando suas autonomias;
 Seus membros não tem direito a voto;
PIRÂMIDE DA IPA
 IPA – ao nível internacional

 COPAL – ao nível latino-americano

 ABP – ao nível nacional

 Quatro sociedades oficiais brasileiras (São Paulo,


Porto Alegre e duas no Rio de Janeiro);

 A formação era centrada nas teorias de Freud, Klein


e Bion (anos 70);
FORMAÇÃO PSICANALÍTICA
 Altos preços para a formação;

 Rio de Janeiro – centrada nas teorias de Klein;

 São Paulo – centrada nas teorias de Bion;

 Pautava-se por uma “psicanálise verdadeira”


(ortodoxa) a partir dos pressupostos da IPA;

 Perseguições, torturas, sequestros, assassinatos,


desaparecimentos dos que se opunham aos
modelos vigentes (ditadura militar);
FORMAÇÃO PSICANALÍTICA
 A sociedade brasileira passa por uma
psicologização ou psicanalização;

 Toda e qualquer crise é vivida como necessidade de


intervenção terapêutica, sobretudo nas elites e na
classe média;

 Alguns psicanalistas fundadores das diversas


sociedades começam a se sobressair;
O ANALISADOR WERNER KEMPER
 Membro da Sociedade Psicanalítica Alemã, chega
ao Brasil em 1948, dividindo a formação analítica
no Rio de Janeiro com Mark Burke (vindo de
Londres um ano antes);

 Em 1951 separa-se de Burke e junto com seu grupo


de analisandos, funda o Centro de Estudos
Psicanalíticos;

 Em 1955 esta sociedade é reconhecida pela IPA


como sendo a Sociedade Psicanalítica do Rio de
Janeiro (SPRJ);
O ANALISADOR WERNER KEMPER
 Werner Kemper foi enviado ao Brasil por Ernest
Jones e sofreu acusação de ter participado do
regime nazista, ao se descobrir que ele participada
por 12 anos como diretor de uma Policlínica ligada
ao Estado Nazista;

 Em 1967 volta para a Alemanha, porém, deixa aqui


sua mulher, Kattrin Kemper e seus filhos;

 Falece em 1976;
O ANALISADOR ANNA KATRIN KEMPER
 Colocada como analista didata pelo seu marido
Werner Kemper no Centro de Estudos
Psicanalíticos, quando chegam ao Brasil, sem
nenhuma contestação; o mesmo ocorre quando é
fundada a SPRJ;

 Quando Werner Kemper volta para a Alemanha, a


direção da SPRJ denuncia à IPA a sua esposa,
Kattrin Kemper, pois sua permanência na sociedade
era indesejada;

 Kattrin não era nem médica, nem psicóloga;


O ANALISADOR ANNA KATRIN KEMPER
 Kattrin, portanto, não podia ser considerada
analista, sobretudo pela sua forma de praticar e
ensinar psicanálise, avessa à ortodoxia kleiniana;

 Ela não tinha compromisso com modelos


padronizados e é de grande versatilidade na prática
clínica, o que era um escândalo para a época;

 Kattrin se aproxima dos seus pacientes e da elite


artística, apesar dos seus analisandos serem
unânimes em dizer da sua postura, ternura e
liderança como analista;
O ANALISADOR ANNA KATRIN KEMPER
 Em 1968, diante das pressões da SPRJ, Kattrin
retira-se da sociedade acompanhada de sete dos
seus analisandos, e em 1969 funda com sua
equipe, o Instituto Brasileiro de Psicanálise, com o
apoio de Igor Caruso, psicanalista do Círculo de
Viena;

 Em 1971, o Instituto Brasileiro de Psicanálise passa


a se chamar Círculo Psicanalítico da Guanabara;
O ANALISADOR ANNA KATRIN KEMPER

 Nos anos 70, Kattrin goza de excelente reputação


na sua clínica, possuindo uma vasta clientela e
sendo uma profissional conhecida no meio psi;

 Ela morre no Rio de Janeiro, em 1978;


O ANALISADOR DÉCIO SOARES DE SOUZA
 Formado em Medicina pelo Rio Grande do Sul, em
1929, exerce até 1950 o cargo de Catedrático em
Psiquiatria, quando vai para Londres fazer
formação analítica na Sociedade Britânica de
Psicanálise;

 Em 1955 recebe o título de psicanalista de adultos


e crianças e fixa residência no Rio de Janeiro,
iniciando suas atividades clínicas;
O ANALISADOR DÉCIO SOARES DE SOUZA
 Além do consultório, trabalha na Clínica de
Orientação da Infância (COI), ligada ao Instituto de
Psiquiatria da antiga Universidade do Brasil,
formando psicanalistas de crianças;

 Como membro associado da Sociedade Britânica


de Psicanálise, em 1957, torna-se didata da SBPSP;

 Com o patrocínio dessa Sociedade, funda o Study


Group reconhecido pela IPA em 1957, junto com
Walderedo Ismael de Oliveira;
O ANALISADOR DÉCIO SOARES DE SOUZA
 Em 1959, o Study Group torna-se a Sociedade
Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ),
reconhecida oficialmente pela IPA;

 Décio traz grande influência de Melanie Klein à


SBPRJ, tornando-se a figura mais importante de
divulgação e expansão do kleinianismo nos anos
60;

 Em 1961, ministra na PUC-RJ um curso de extensão


sobre a Escola Inglesa de Psicanálise;
O ANALISADOR DÉCIO SOARES DE SOUZA
 Em 1965, o grande sucesso clínico não o impede de
cometer alguns equívocos profissionais, e após
denúncias à SBPRJ, é expulso da sociedade que
ajudara criar;

 Acusações: beber em demasia, atender clientes


alcoolizado e ter um romance com uma ex-cliente,
aspirante a analista na SBPRJ;

 Apesar da sua expulsão, permanece até 1970,


época da sua morte, como didata da SBPSP;
O ANALISADOR REGINA CHNAIDERMAN
 Nascida na Bessarábia, mas brasileira desde
criança, faz sua graduação na Escola Química da
USP, formando-se em 1944;

 Apesar de gostar de Química, passa a fazer o curso


de Psicologia da USP em 1961, mas se interessa por
filosofia desde 1950;

 Ainda no 3º ou 4º ano do curso de Psicologia, é


convidada a lecionar Psicologia Social na USP, entre
1964 e 1966;
O ANALISADOR REGINA CHNAIDERMAN
 Durante sua graduação, é aluna de vários
psicanalistas da SBPSP, professores do Curso de
Psicologia da USP, tais como Durval Marcondes,
Lígia Ancântara, Judith Andreucci, Ferrari, Ferrão,
entre outros, todos didatas;

 Em 1965 abre seu consultório e solicita entrada na


SBPSP para fazer formação;

 Não é aceita por ainda não ser formada em


psicologia e nem ser médica;
O ANALISADOR REGINA CHNAIDERMAN
 Já formada em 1966, passa a lecionar Psicologia no
Sedes Sapientiae e no Curso de Psicologia de Mogi
das Cruzes, solicitando ingresso na SBPSP, o qual é
negado pois não atendia às necessidades ortodoxas
da Sociedade;

 Deprimida, lança-se profundamente nos estudos


sobre a obra de Freud e percorre todas as linhas
existentes, da escola inglesa (Klein) à francesa
(Lacan);
O ANALISADOR REGINA CHNAIDERMAN
 Em meados dos anos 60, reúne em sua casa
dezenas de estudantes de psicologia e psicólogos
em seminários, criando o famoso “grupo dos
sábados”;

 Em 1972, inicia os grupos de estudos sobre Lacan


com o apoio da filósofa Marilena Chauí – é dela a
primeira tradução em português dos textos de
Lacan;

 Aluga várias salas e começa a propor análise a um


número cada vez maior de pessoas;
O ANALISADOR REGINA CHNAIDERMAN
 Em 1975 é chamada para
dar aulas no Instituto
Sedes Sapientiae e
organizar um Instituto de
Formação de Terapeutas;

 Morre de câncer em
1985;
O ANALISADOR HELENA BESSERMAN VIANNA
O ANALISADOR HELENA BESSERMAN VIANNA

 Membro associado da
SBPRJ desde 1970;

 Em 1975 requer sua


inscrição como
Membro Titular, o qual
é negado sem lhe dar
maiores explicações;
O ANALISADOR HELENA BESSERMAN VIANNA

 Depois descobre que a sua


não aceitação deveu-se ao
fato de ter denunciado um
candidato a psicanalista ao
DOI-CODI-RJ;

 Só foi aceita após a queima


de várias cartas e atas da
sua denúncia junto às
instituições denunciadas;
O ANALISADOR HELENA BESSERMAN VIANNA
 Em 1986, o caso
Amilcar Lobo,
psicanalista
denunciado por
Helena ganha as
manchetes dos
principais jornais do
pais;
O ANALISADOR HELENA BESSERMAN VIANNA

 Helena narra
publicamente os
episódios ocorridos
durante onze anos
para toda a SBPRJ,
o que lhe vale uma
retratação pública
da instituição;
O ANALISADOR AMILCAR LOBO
 Médico por
formação, em
novembro de 1968
inscreve-se como
candidato à
formação analítica na
SPRJ, tendo como
didata o Dr. Antônio
Dutra Júnior;
O ANALISADOR AMILCAR LOBO
 Em fina de 1969, forma-
se em medicina, presta
serviço militar no
Exercito e em 1970
passa a servir ao DOI-
CODI/RJ;

 Até 1974, seu trabalho é


atender presos políticos
antes, durante e depois
das sessões de torturas;
O ANALISADOR AMILCAR LOBO
 Em 1970, Amilcar
Lobo passa a ser
analisado por Leão
Cabernite, presidente
da SPRJ;

 Em 1973 há a primeira
denúncia do seu
envolvimento com a
ditadura militar
brasileira;
O ANALISADOR AMILCAR LOBO
 Até 1974, chega a
denúncia ao
Instituto de Ensino
das sociedades
argentinas e
consequentemente
à IPA;

 Em 1975, se afasta
da SPRJ;
O ANALISADOR AMILCAR LOBO
 Em 1976, após as
denuncias de Helena
Besserman na SBPRJ,
volta a ser membro
titular da SPRJ, sem
fazer análise didática,
mas comparecendo
aos cursos e
seminários;
O ANALISADOR AMILCAR LOBO
Em 1980, as denúncias
voltam a serem
discutidas, e Hélio
Pellegrino e Eduardo
Mascarenhas, que a
Hélio Pellegrino
incentivam são expulsos
da SPRJ;

Eduardo Mascarenhas
Em dezembro do
mesmo ano, as
expulsão são retiradas;
O ANALISADOR AMILCAR LOBO
 Em 1981, as denúncias fazem Amilcar Lobo perder
pacientes, mas continua a clinicar no consultório de
Paulo Tavares da Silva, membro da SPRJ;

 O caso fica esquecido até 1986, quando o Conselho


Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro
abre um processo contra Amilcar Lobo;

 Em 1988, sua licença médica é cassada;


AS INSTITUIÇÕES
 Ao longo da segunda metade do século passado,
várias sociedades e instituições são criadas no Rio
de Janeiro e em São Paulo para zelar pela
reputação dos psicanalistas vigentes;

 Algumas delas são:


AS INSTITUIÇÕES
 IMP – Instituto de medicina Psicológica, 1953
 CPRJ - Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro, 1969
 SPC – Sociedade de Psicologia Clínica, 1971
 Clínica Social de Psicanálise, 1972
 CESAC – Centro de Estudos de Antropologia Clínica,
1972
 APPIA – Associação de Psiquiatria e Psicologia da
Infância e da Adolescência, 1972
 SPAG/RJ - Sociedade de Psicoterapia Analítca de
Grupo do Rio de Janeiro, 1974
 OIP - Instituto de Orientação Psicológica, 1974
AS INSTITUIÇÕES
 GEPSA – Grupo de Estudos de Psicologia Social
Aplicada, 1972
 INEF – Instituto de Estudos e Orientação da Família,
1972
 ISS – Instituto Sedes Sapientiae, 1974
 SPID – Sociedade Iracy Dyle, 1974 (ex IMP)
 POA - Psicoterapia de Orientação Analítica, 1975
 NEPP – Núcleo de Estudos de Psicologia e
Psiquiatria, 1976 que depois passou a se chamar
NEPP – Núcleo de Estudos de Psicologia e
Psicanálise, 1977
 CASA – Hospital Dia, 1979
AS INSTITUIÇÕES
 NEFF – Núcleo de Estudos e Formação Freudiana,
1977
 IBRAPSI – Instituto Brasileiro de Psicanálise, Grupos
e Instituições, 1978
 SEPLA – Sociedade de Estudos Psicanalíticos Latino-
Americanos, 1978
 Clínica Terra, 1979
 CEPAI – Centro de Estudos em Psicanálise e Análise
Institucional, 1980
 NPAI – Núcleo: Psicanálise e Análise Institucional,
1983
O INSTITUTO DE MEDICINA PSICOLÓGICA
Fundado oficialmente
pela médica psiquiatra
Iracy Doyle em 1953, após
sua formação psicanalítica
realizada nos Estados
Unidos na William
Alonson White
Iracy Doyle Psychoanalitic Society, de
orientação culturalista, no
final da década de 40;
O INSTITUTO DE MEDICINA PSICOLÓGICA
Iracy Doyle já contestava
a “ortodoxis” e a “rigidez”
do grupo de psiquiatras
que, no Rio de Janeiro,
tentam uma formação
analítica;
Quando
Iracy Doyle
O INSTITUTO DE MEDICINA PSICOLÓGICA
Quando ela volta como
didata para o Brasil, funda
o um Instituto não
vinculado à IPA e que se
pretende diferente da
“verdadeira psicanálise”,
propondo uma outra
Iracy Doyle formação a médicos,
psiquiatras, estudantes de
medicina, professores e
assistentes sociais;
O INSTITUTO DE MEDICINA PSICOLÓGICA
Os psicólogos não são
mencionados, pois a
profissão de psicólogo
não é ainda
regulamentada,
procurada ou de sucesso,
o que só veio acontecer
Iracy Doyle no início da década de 60;
O INSTITUTO DE MEDICINA PSICOLÓGICA
 Iracy Doyle morre
prematuramente em 1956,
sem ter visto uma turma
formada pelo IMS;
 Somente em 1960, quando
Hórus Vital Brasil retorna
de sua formação na mesma
Hórus Vital Brasil WAWPS, é que se
reestrutura e, em 1967,
abre a formação para
psicólogos;
O INSTITUTO DE MEDICINA PSICOLÓGICA
 Nesta época, já começara
uma demanda de “mercado
psicológico”, abrindo assim
a formação para estes
profissionais, porém,
exigindo um curso de
especialização ou pós-
Hórus Vital Brasil graduação em Clínica,
limitando a entrada de
psicólogos nesta instituição;
O INSTITUTO DE MEDICINA PSICOLÓGICA
 Pretendendo fortalecer as
diferenças com as
Sociedades da IPA, o IMP,
em 1969 filia-se à
International Federation of
Psychoanalitic Societies
(IFPS), formada em 1966
Hórus Vital Brasil pelas Sociedades
Psicanalíticas
“independentes” (não
vinculadas à IPA);
A SOCIEDADE DE PSICANÁLISE IRACY DOYLE
 Em 1974, decorrente de
uma série de questões
burocráticas, o IMP se
torna a Sociedade de
Psicanálise Iracy Doyle
(SPID), oferecendo
formação analítica, sendo
Hórus Vital Brasil os “cursistas” não
pertenciam à sociedade;
 Hórus Vital Brasil leva à
SPID os estudos lacanianos;
A SOCIEDADE DE PSICANÁLISE IRACY DOYLE
 No início dos anos 80, a
SPID reforma seus Estatutos
e Regimentos;
 Começa a propor
formações diferenciadas,
apesar do lacanismo tomar
forma na instituição;
Hórus Vital Brasil
O CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO
 Criado por Katrin Kemper e
seus discípulos, após sua
saída da SPRJ;
 Em 1968, Igor Caruso, da
Federação Internacional
dos Círculos de Psicologia
Profunda, passa a fazer
Hórus Vital Brasil, no centro
parte do Círculo e ajuda a
Katrin a criar o núcleo de
formação analítica;
O CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO
 Os primeiros 4 anos são de
fortalecimento da
instituição e organização
interna;
 Somente em 1971 o Círculo
é considerado uma
“unidade completa”;
Hórus Vital Brasil, no centro
 Em 1972, já sob a
presidência de Katrin
Kemper, abre sua primeira
turma para formação;
O CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO
 O Círculo, desde seu início,
aceita médico e psicólogos
e faz parte da IFPS;
 Em 1978, em um Congresso
dos Círculos Psicanalíticos
Brasileiros – havia núcleos
em Minas Gerais, Porto
Hórus Vital Brasil, no centro
Alegre, Salvador, Recife e
no próprio Rio de Janeiro, é
proposta a criação de mais
um núcleo;
O CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO
 Em 1991, é criado o núcleo
do Circulo em Nova
Friburgo, no estado do Rio
de Janeiro;
 Na verdade, trata-se de um
grupo dissidente do Circulo,
que resolve se desligar para
Hórus Vital Brasil, no centro
formar outro núcleo;
 Este é momento em que o
CPRJ desliga-se do Círculo
Brasileiro de Psicanálise;
O CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO
 A exemplo das “sociedades
oficiais”, e apesar das
oposições e dissidências
não toleradas, o CPRJ
ganha prestígio no cenário
carioca, e permanece
filiado ao IFPS após o
Hórus Vital Brasil, no centro
desligamento do CBP;
 Nos anos 80, ele funda seu
Estatuto e Regimento;
A CLÍNICA SOCIAL DE PSICANÁLISE
 Fundada em 1972 por
Katrin Kemper e seu grupo,
ajudado por Hélio
Pellegrino (SPRJ) e Chaim
Samuel Katz, a partir do
trabalho oriundo dos
“encontros psicodinâmicos”
Chaim Samuel Katz
na Faculdade Cândido
Mendes;
A CLÍNICA SOCIAL DE PSICANÁLISE
 Objetivava o trabalho com
famílias de classe média da
Zona Sul carioca;
 Passa também a atender a
classe baixa da população
do Rio de Janeiro com
implementação de
Chaim Samuel Katz
trabalhos grupais;
 São pioneiros do trabalho
de Clínica Social;
A CLÍNICA SOCIAL DE PSICANÁLISE
 A Clínica Social de
Psicanálise expande seus
atendimentos a um número
cada vez maior de pessoas,
e vários psicólogos passam
a fazer parte do projeto;
 As sociedades oficiais
Chaim Samuel Katz
passam a se inquietar;
A CLÍNICA SOCIAL DE PSICANÁLISE
 Em 1975/1976, a direção
solicita a Hélio Pellegrino
que o nome seja mudado
para Clínica Social de
Psicoterapia, pois não podia
ter o nome da psicanálise
conspurcada pelas
propostas da instituição;
 Helio Pellegrino permanece
na direção no período de
Hélio Pellegrino
1978 a 1982;
A CLÍNICA SOCIAL DE PSICANÁLISE
 É na gestão de Hélio, que a
Clínica Social - a partir do
seu Núcleo de Atendimento
Terapêutico a Psicóticos,
mais se amplia;
 Em 1980, vem à tona o caso
Amilcar Lobo denunciado
por Hélio Pellegrino e
Eduardo Mascarenhas;
Hélio Pellegrino
A PSICANÁLISE CHEGA ÀS UNIVERSIDADES
 Quando ocorre o golpe de
1964, há no Rio de Janeiro
somente uma universidade
que ministra, desde 1957, o
Curso de Psicologia: a
Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro –
PUC-Rio;
 Em São Paul, três
universidades também
ministram o curso;
A PSICANÁLISE CHEGA ÀS UNIVERSIDADES
 Na USP, o curso é iniciado
em 1958;
 Na PUC-SP, o curso começa
em 1962;
 No Instituto Sedes
Sapientiae também é
iniciado em 1962;
 Em 1964, é criado no Rio de
Janeiro o curso de
Psicologia da UFRJ;
A PSICANÁLISE CHEGA ÀS UNIVERSIDADES
 Em 1965, é criado o curso
na UEG – atualmente
conhecida como
Universidade do Estado do
Rio de Janeiro;
 No período até 1965, seis
cursos de Psicologia
funcionam no eixo Rio-São
Paulo: três em
universidades privadas e
três em universidades
públicas;
A PSICANÁLISE CHEGA ÀS UNIVERSIDADES
 Com a reforma universitária
no início dos ano 70, o
número de candidatos aos
vestibulares cresce para
psicologia cresce;
 Os cursos de Psicologia,
atendendo essa demanda,
florescem, e até 1973, a
rede privada participa com
66% atendendo essa
demanda;
A PSICANÁLISE CHEGA ÀS UNIVERSIDADES
 A profissão de psicólogo é
regulamentado como
profissão em 1962 a partir do
Decreto Lei N. 4119/62 e o
parecer N. 403/62 de Valnir
Chagas que fixa o currículo
mínimo e duração do Curso
de Psicologia;
A PSICANÁLISE CHEGA ÀS UNIVERSIDADES
 Em São Paulo, os psicanalistas
da SBPSP estão maciçamente
presente nos cursos de
graduação como professores;
Durval Marcondes  Na USP, desde 1958, quando
é criado o curso de
Especialização em Psicologia
clínica, muitas figuras dessas
sociedades participam como
professores a exemplo de
Durval Marcondes, Lygia de
Alcântara do Amaral e Judith
Lygia de Alcântara do Amaral Judith Andreucci
Andreucci;
A PSICANÁLISE CHEGA ÀS UNIVERSIDADES
 No início dos ano 70, no Rio
de Janeiro, o atendimento
psicoterapêutico infantil é
prática corrente e é
desqualificado pelas
Sociedades oficiais e se torna
monopólio dos psicólogos;
A PSICANÁLISE CHEGA ÀS UNIVERSIDADES
 Em 1970, Fábio Leite Lobo,
diretor do Instituto de Ensino
da SPRJ convida alguns
psicanalistas argentinos como
Eduardo Kalina e Arminda
Aberastury – especialistas em
análise de crianças e
Eduardo Kalina Arminda Aberastury adolescentes, para ministrar
seminários no Rio de Janeiro;
 Em 1975, a SBPRJ institui o
Regulamento para Formação
de Psicanalistas de Crianças
AS COMUNIDADES TERAPÊUTICAS
 No final dos anos 60 e início
dos anos 70, no Rio de
Janeiro, começa a surgir as
Comunidades Terapêuticas
que passa a fazer parte do
movimento de psicólogos;
 Em 1967, no Hospital do
Engenho de Dentro tem início
o trabalho com psicóticos a
partir de Oswaldo dos Santos
e Wilson Simplício;
AS COMUNIDADES TERAPÊUTICAS
 Cerca de 1000 estagiários
passam até 1975 pelo Hospital
de Engenho de Dentro,
quando o trabalho é
desarticulado pelo Governo
Federal;
 Um ano depois, o Hospital
Pinel passa a desenvolver o
trabalho de Comunidade
Terapêutica sob coordenação
dos psicanalistas da SPRJ e
SBPRJ: Eustáchio Portella
Nunes Filho e Roberto Quilelli;
AS COMUNIDADES TERAPÊUTICAS
 O trabalho fica reduzido aos
pacientes da Zona Sul do Rio
de Janeiro e vinculado ao
Instituto de Psiquiatria da
UFRJ;
A SOCIEDADE DE PSICOLOGIA DA CIDADE DO
RIO DE JANEIRO
 Fundada em 1971, no auge da
repressão política no Brasil e na
efervescência do movimento
dos psicólogos cariocas com a
vinda dos primeiros analistas
argentinos;
 Seus fundadores são oriundos
de um grupo de psicólogos que
fazem terapia e ou grupos de
estudo com Fábio Leite Lobo e
Gerson Borsoy – psicanalistas
da SPRJ;
A SOCIEDADE DE PSICOLOGIA DA CIDADE DO
RIO DE JANEIRO
 Estruturada à imagem e
semelhança das sociedades
oficiais, sendo um
estabelecimento de formação
exclusiva para psicólogos;
 EM 1990, a Sociedade de
Psicologia Clínica se torna a
Sociedade de Psicanálise da
Cidade do Rio de Janeiro, não
restringindo apenas a entrada
de psicólogo na instituição;
O CENTRO DE ESTUDOS DE ANTROPOLOGIA
CLÍNICA (CESAC)
 Fundado oficialmente em
1972, tem sua origem no
chamado grupo dos oito,
formado por psicólogos
ligados ao Curso de
Especialização em Psicologia
Clínica da PUC-RJ;
 Em 1970, após serem cortados
numa tumultuada seleção,
procuram a psicanalista da
SPRJ Inês Besouchet;
O CENTRO DE ESTUDOS DE ANTROPOLOGIA
CLÍNICA (CESAC)
 Em 1976, o grupo do CESAC
conclui o Curso de
Especialização em Psicologia
Clínica na PUC, e o curso é
encerrado, passando a
funcionar no CESAC;
 O curso começa com seis
professores psicanalistas que
não fazem parte da instituição,
e em dezembro daquele ano, o
CESAC retira sua aprovação de
formação em psicanálise;
O CENTRO DE ESTUDOS DE ANTROPOLOGIA
CLÍNICA (CESAC)
 Na sequencia, a direção afirma
que a instituição é um centro
de estudos e não um centro
de formação em psicanálise;
 formação em psicanálise;
ASSOCIAÇÃO DE PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA DA
INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA (APPIA)
 Fundada no Rio de Janeiro em
1972, liga-se à Associação
Argentina de Psiquiatria e
Psicologia da Infância e da
Adolescência (ASAPPIA),
fundada em Buenos Aires, em
1970 por psiquiatras e
psicanalistas da APA –
American Society Association
e vinculada a American Society
for Adolescent Psychiatry
(ASAP);
ASSOCIAÇÃO DE PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA DA
INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA (APPIA)
 Principais fundadores: Aduardo
Kalina, Arminda Aberastury,
Maurício Knobel, Leon Grinberg
e Arnaldo Rascovsky;
 É uma sociedade
interdisciplinar, congregando
médicos, psicólogos, psiquiatras
e psicanalistas;
 Em 1973 há uma grande crise
dentro da instituição para se
tornar uma instituição de
formação de psicanálise;
ASSOCIAÇÃO DE PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA DA
INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA (APPIA)
 A APPIA é a última grande
tutela em termos de
estabelecimentos dos
psicanalistas ligados à
“verdadeira psicanálise” ou
“psicanálise tradicional” de
filiação à IPA;
 Nos anos 70, outrs
movimentos psis continuam a
surgir no Rio de Janeiro
reproduzindo as instituições
de formação psicanalítica;
O INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
 Desde o início dos ano 70, o curso
de Psicologia Clínica da Faculdade
Sedes Sapientiae está vinculado à
PUC-SP, tornando-se um dos centros
mais importantes de formação;
 Coordenado por Célia Sodré Dória,
Madre Cristina, reúne psis
interessados nessa linha de
atuação;
 Em 1974 se desvincula da PUC-SP, e
o curso se transforma no Instituto
Sedes Sapientiae;
O INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
 O novo instituto é reconhecido pela
sua participação nos movimentos
populares e no compromisso com
suas lutas;
 A figura da Madre Cristina é
fundamental, uma vez que desde o
movimento de 1968 o instituto
passa pela decretação do AI-5, e o
Sedes torna-se um abrigo dos
perseguidos;
 Em 1975, novas áreas de atuação
são criadas dentro do Sedes;
O INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
 Cria-se então o Centro de Educação
Popular (CEDIS), o Centro de
Filosofia, entre outros;
 Abrigará algumas organizações
populares tais como o Movimentos
dos Trabalhadores dos Sem Terra;
 Em 1975, Madre Cristina convida
Roberto Azevedo, recém chegado
de Londres e psicanalista da SBPSP,
para organizar um curso de
formação psicanalítica no Sedes,
iniciando em 1976;
O INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
 Passando por algumas crises
internas, como toda instituição,
cria-se por fim o Curso de
Especialização em Psicopatolgia e
Psicoterapia Analítica, de Roberto
Azevedo e destinado a médicos e
psicólogos; o Curso de
Especialização em Psicoterapia de
Orientação Analítica, de Regina
Chnaiderman, que em 1981 muda-
se para Curso de Psicanálise;
O INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
 O curso hoje chama-se Curso de
Formação em Psicanálise, impondo-
se como formação analítica
alternativa à SBPSP;
 Em 1988, funda-se o Departamento
de Psicanálise e dá início à
publicação da Revista Percurso;
O INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
 O curso hoje chama-se Curso de
Formação em Psicanálise, impondo-
se como formação analítica
alternativa à SBPSP;
 Em 1988, funda-se o Departamento
de Psicanálise e dá início à
publicação da Revista Percurso;
A ENTRADA DO LACANISMO NO BRASIL
Se deu eminentemente pela constituição das
sociedades:

 Colégio Freudiano do Rio de Janeiro, 1975


 IFP - Instituto Freudiano de Psicanálise, 1979
 Letra Freudiana, 1981
 Causa Freudiana do Brasil, 1983

Vejamos um pouco da história do lacanismo no Brasil.


O NÚCLEO DE ESTUDOS E FORMAÇÃO
FREUDIANA
 Oriundo da organização de vários
grupos que passaram a se constituir
no Rio de Janeiro a partir de 1977;
 A figura de Chaim Samuel Katz é
preponderante em torno da Chaim Samuel Katz
organização dessa instituição e de
alguns psicanalistas argentinos,
principalmente Gregório Baremblitt,
que participa de um grande grupo
com psicanalistas da SPRJ, como
Eduardo Mascarenhas;
Gregório Baremblitt
O NÚCLEO DE ESTUDOS E FORMAÇÃO
FREUDIANA
 É deste grupo que se reúne durante
meses às vezes de forma caótica,
que muitos psicólogos saem com a
determinação de que é possível ser
psicanalista, ainda que Chaim Samuel Katz
contrapondo-se às sociedades
vigentes;
 Esse grupão vai se reduzindo até
que catorze deles remanescentes
fundam o NEFF – Núcleo de Estudos
e Formação Freudiana, em 1977;
Gregório Baremblitt
O NÚCLEO DE ESTUDOS E FORMAÇÃO
FREUDIANA
 No NEFF, Chaim Samuel Katz e
Gregório Baremblitt dão aulas até
em 1978, quando fundam o
IBRAPSI;
 O NEFF acaba se esfacelando já que Chaim Samuel Katz
há dois grupos distintos nele não
conseguindo conciliar seus projetos:
grupo dos argentinos faz formação
voltada para os trabalhadores em
saúde mental, outro, já se torna
bastante influenciado pelo
lacanismo; Gregório Baremblitt
O INSTITUTO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE,
GRUPOS E INSTITUIÇÕES (IBRAPSI)
 Fundado em outubro de 1978, o
IBRAPSI é publicamente lançado
através do I Congresso Internacional
de Psicanálise, Grupos e Instituições
no hall do Copacabana Palace – Chaim Samuel Katz
mais de 1000 pessoas assistem as
conferências, palestras e mesas
redondas;

Gregório Baremblitt
O INSTITUTO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE,
GRUPOS E INSTITUIÇÕES (IBRAPSI)
 Esse evento contou com a
participação de Thomaz Szasz, Félix
Guattari, Erving Goffman, Shere Hite,
Robert Castel, Franco Basaglia,
Armando Bauleo, Peter Fry, Célia
Chaim Samuel Katz
Garcia e o grupo lacaniano brasileiro
representado por Betty Milan;
 Dos fundadores do IBRAPSI, Gregório
Baremblitt e Luiz Fernando de Mello
Campos permanecem;
 Chaim Samuel Katz, após o I
Congresso, sai por discordâncias de Gregório Baremblitt
ordem técnico-política;
O INSTITUTO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE,
GRUPOS E INSTITUIÇÕES (IBRAPSI)
 No período de maior apogeu, de
1978 as 1982, há cerca de 180 alunos
inscritos fazendo formação no
IBRAPSI, e em sua Clínica Social,
perto de 75 terapeutas trabalham
Chaim Samuel Katz
atendendo uma média de 500
pacientes por ano;
 Em 1983, após descontentamentos
com o andamento do instituto, 40
pessoas se desligam do IBRAPSI e
fundam o Núcleo: Psicanálise e
Análise Institucional; Gregório Baremblitt
A SOCIEDADE DE ESTUDOS PSICANALÍTICOS
LATINO-AMERICANOS (SEPLA)
 Criada em 1978 por Luiz Paiva de
Castro, (ex-CESAC) e Lourival Coimbra
(ex-SBPRJ, analisando de Décio
Soares de Souza, expulso da SBPRJ
em 1965);
Chaim Samuel Katz
 Vários psicólogos do CESAC e clientes
de Coimbra vão juntos com Luiz
Paiva;
 A proposta inicial é uma formação
psicanalítica articulada com a
antropologia, filosofia, mitologia,
etc.; Gregório Baremblitt