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A sociedade como técnica da razão um ensaio sobre Durkheim

Devemos, além disso, desconfiar das classificações por assim dizer naturais, daquelas
implícitas nas denotações das palavras, feitas pelo senso comum para o uso cotidiano.
Se a explicação consiste na comparação, como diz a primeira página do Suicídio, é
preciso estar seguro de que os fatos a serem comparados sejam homogêneos e
pertençam à mesma ordem de realidade. Ora, a necessidade da comparação só se faz
sentir se previamente o esforço do cientista for dirigido para o estabelecimento de leis
invariantes, isto é, se a proposição científica brotar da indução que, considerando cada
fato duma perspectiva previamente determinada, é capaz de separar o aspecto comum a
fim de formulá-lo numa lei geral. 50 [o uso do método comparativo é a explicação, e o
objeto em estudo deve ser da mesma classe e homogêneo, no sentido de ser regular,
possibilitando agrupar e extrair uma explicação através da lei geral.

Constitui a primeira tarefa desse sujeito ideal estabelecer uma classe de equivalência:
escolhida uma propriedade estratégica, agrupam-se os fenômenos semelhantes e
descartam-se os dessemelhantes. A semelhança, relação reflexiva e simétrica, ganha,
graças à predeterminação do aspecto, a transitividade que lhe é necessária para
selecionar no universo o conjunto dos mesmos indivíduos. 51[veja bem, essa
propriedade estratégica é efeito manifesto exteriormente, aquilo que é renitente. na pg
53 o autor diz, uma vez isolado essa propriedade começa o verdadeiro trabalho
sociológico de investigar a causa latente e explicar seu mecanismo.]

É obvio que qualquer propriedade das coisas pode servir de base duma classe de
equivalência, de sorte que todo problema reside na sua escolha. 52

Cumprida essa primeira tarefa, começa propriamente o trabalho do cientista, quando


este toma a semelhança como índice ou sintoma duma causa oculta, do fator latente
responsável pela reiteração do mesmo fenômeno. 53

Definição da propriedade estratégica por Durkheim “todo caso de morte que resulta
direta ou indiretamente, dum ato positivo ou negativo realizado pela própria vítima que
conhece o resultado a ser produzido”. 54

Antropologia estrutural

... Ou estudar muitos casos, sempre superficialmente e sem grandes resultados, ou


limitar-se decididamente à análise aprofundada de um pequeno número de casos e
provar desse modo que, afinal, uma experiência bem feita vale uma demonstração. [...]
A opção é sempre a mesma, estudar a fundo um caso, e a única diferença está no recorte
do “caso”, cujos elementos constitutivos estarão (dependendo do padrão adotado) na
escala do modelo projetado ou numa escala diferente. 414

A busca de estruturas intervém num segundo estágio, quando, depois de termos


observado o que existe, tentamos extrair daí os únicos elementos estáveis – e sempre
parciais – que permitem comparar e classificar. 463

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