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Débora Nery Schwartz N° USP: 10338468

Mariana Majzoub Brandani N° USP: 10339372


Pedro Cury de Freitas N° USP: 8958708
Vinicius de Paula Castro N° USP: 10274673

Surgimento dos primeiros bancos: a família Medici em Florença. Um olhar à


luz da governança corporativa e do compliance.

Trabalho semestral de Fundamentos do Direito da Empresa e da Atividade Negocial.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO


FACULDADE DE DIREITO
SÃO PAULO
2018
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO................................................................................................................1
2. BREVE HISTÓRICO DO SURGIMENTO DOS BANCOS NA IDADE MÉDIA....1
3. A FAMÍLIA MEDICI......................................................................................................2
3.1. O PODER POLÍTICO DOS MEDICI...............................................................3
3.2. O PODER ECONÔMICO DOS MEDICI.........................................................4
4. GOVERNANÇA INTERNA DA HOLDING.................................................................6
4.1. A HEGEMONIA FAMILIAR............................................................................7
4.2. O ADVENTO DAS PARTNERSHIP.................................................................8
4.3. ISOLAMENTO DOS BRANCHES E A DIVISÃO DOS LUCROS.............10
5. UMA QUESTÃO DE GOVERNANÇA E COMPLIANCE: ANÁLISE DO
DECLÍNIO DO BANCO MEDICI À LUZ DA ATUAL TEORIA............................10
5.1. A ATUAÇÃO ESPECÍFICA DOS BRANCHES À LUZ DA TEORIA........11
6. SÍNTESE CONCLUSIVA..............................................................................................14
7. REFERÊNCIAS..............................................................................................................15
RESUMO

SCHWARTZ, Débora Nery; BRANDANI, Mariana Majzoub; CURY, Pedro; CASTRO,


Vinicius de Paula. História dos primeiros bancos. A família Medici em Florença. 2018. [X]
f. Artigo elaborado para a matéria DCO0215 - Fundamentos do Direito da Empresa e da
Atividade Negocial – Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.

O renascimento comercial durante a Baixa Idade Média transformou radicalmente o


modo com o qual a sociedade lidava com as suas relações econômicas. Tal mudança de
mentalidade está intimamente relacionada com o nascimento dos primeiros bancos, fenômeno
ao qual a Família Medici é uma figura indissociável. O presente artigo visa a expor uma breve
síntese do surgimento do banco Medici para, em seguida, à luz da análise do poder político e
econômico da Família Medici, aprofundar na questão da governança interna do banco,
especificamente para como atuaram alguns diretores e administradores de algumas dos diversos
branches do banco, com o objetivo de entender como a atuação desses gestores influenciou no
declínio do banco através das suas práticas comerciais. Buscamos analisar o declínio do Banco
Medici pelo viés da atual teoria da governança corporativa, identificando os diversos problemas
organizacionais que surgiram ao longo do tempo no banco, decorrente das aspirações pessoais,
interesses familiares e políticos, para entendermos melhor, com base em estudos e conceitos
modernos, como as questões de regimento interno atuaram na dissolução do maior banco da
Europa.
1. INTRODUÇÃO
O seguinte artigo começará expondo como o Banco Medici surge no contexto do
renascimento comercial da Baixa Idade Média, alinhado com o surgimento de uma nova classe
social: a burguesia. A ampliação das rotas comerciais e do estabelecimento de feiras atraíram
um grande número de comerciantes interessados na troca e venda de produtos. Esse fenômeno
trouxe consigo o retorno da utilização da moeda. A figura da moeda é indissociável da figura
do banco, logo, fica claro a importância da atuação da Família Medici nessa época. Após a
breve contextualização histórica, será abordada a estrutura do banco, sendo que a estruturação
do banco estava intimamente conectada com os laços familiares dos Medici, de tal maneira que
é fundamental a compreensão do poder político e econômico exercido pela família para um
entendimento pleno do banco. Ao analisarmos propriamente a estrutura bancária, veremos o
papel que as relações familiares possuíam para o gerenciamento da empresa, bem como a
inovação trazida pelos Medici: a inauguração de um sistema muito similar ao que viria a ser
chamado de holding.

Partindo para a última parte do artigo, entendemos que o surgimento de teorias como
as de compliance e governança corporativa surgem em um contexto histórico muito específico
da nossa realidade; contudo, elas nascem com o intuito de prevenir certas práticas, que, como
averiguamos, não são recentes nem muito menos extintas, mas sim existem e são cometidas
desde quando os Medici dominavam a Europa. Tendo essa relação em vista, analisamos as
práticas corporativas de administração interna dos Medici, que regulamentavam como os
administradores deveriam agir e se eles agiam de acordo, sempre baseados nas atitudes que as
teorias vieram para regular, para, no final, realizarmos como esse gerenciamento influenciou
no posterior declínio do banco.

2. BREVE HISTÓRICO SOBRE O SURGIMENTO DOS BANCOS NA IDADE


MÉDIA
Com o início da decadência do período medieval, bem como do modelo de produção
feudal, a Europa foi exposta a uma série de violentas transformações. As cidades cresceram de
forma acelerada, a burguesia expandiu seus negócios e o comércio, até então limitado a simples
trocas agrárias entre os feudos, crescia à nível local e continental. É em meio a essa renovação
de estruturas que novas atividades surgem na Europa, dentre elas, a bancária.

Em um primeiro momento os bancos atuavam de forma totalmente diferente da vista no


mundo atual. Cada região da Europa adequava a atividade bancária às necessidades materiais
do comércio ali desenvolvido. Na Itália, mais especificamente em Gênova e Veneza, por

1
exemplo, por conta das expedições marítimas e o comércio ultramarino, muitos bancos surgiam
apenas com o intuito de cuidar das finanças de um determinado intercâmbio, empreendimento
ou viagem, e depois se dissolviam.

É na região da Toscana, a qual engloba Florença, que um modelo de banco mais


semelhante ao contemporâneo surgiu. Estes não se dissolviam após apenas um certo negócio,
possuíam um número grande de filias, tanto na Itália quanto no exterior, e possuíam uma
estrutura extremamente centralizada de administração. O Banco dos Medici, em alguns
aspectos, seguirá esse modelo, porém, em outros, se diferenciará substancialmente, sendo
inclusive o que permitirá sua sobrevivência, como será apresentado mais adiante.

Portanto, os bancos no período do século XIII e XIV, atuavam como auxiliares dos
comerciantes e empreendedores, dando a eles a garantia e a segurança não só de que o dinheiro
estaria guardado, mas também de que um conjunto de funcionários e profissionais estariam
empenhados em realizar as transações.

Ademais, conforme há uma expansão do negócio bancário, e este passa a concentrar


uma quantidade significativa de renda, empréstimos tornaram-se atividades recorrentes, sejam
eles para outras companhias, instituições governamentais ou religiosas. Os mais poderosos
bancos da Itália eram, justamente, aqueles que eram credores das comunas, como ocorreu com
a Casa Di San Giorgio, em Gênova, a qual, por essa condição, exercia forte pressão sobre os
governantes a fim de alinha-los com seus interesses.

Como será mostrado no próximo tópico, a companhia dos Medici, em seus mais de
noventa anos de existência, adotará práticas semelhantes às da Casa Di San Giorgio, adaptadas,
no entanto, à realidade florentina e suas estruturas políticas, as quais permitirão uma influência
significativamente maior do que a de um “lobby”, como o visto em Gênova.

3. A FAMÍLIA MEDICI
Feita a apresentação do contexto histórico, faz-se necessário agora compreender os dois
principais pilares sobre os quais os Medici se apoiaram para construir seu Império e uma das
maiores fortunas da Europa no século XV: o poderio político e econômico que é o primeiro
enfoque desse tópico.

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3.1. O PODER POLÍTICO DOS MEDICI
Tendo por base a teoria marxista, poder político está ligado, sobretudo, à dominação do
Estado e à imposição dos interesses de uma dada classe1. Os Medici, por conta da origem ligada
ao comércio e às riquezas advindas da atividade, em um contexto de ascensão da sociedade
burguesa na Itália, já se colocavam como parte da classe dominante, tendo assim seus interesses
mais básicos já garantidos pelo Estado, tais como a liberdade de iniciativa e a propriedade
privada.

Ademais, faz-se jus salientar que, ao analisar mais profundamente uma dada classe
dominante, é perceptível um conflito interno quanto à forma como o aparato estatal será
administrado, no qual cada empresa ou família deseja impor suas políticas, a fim de obter
vantagens em relação aos seus concorrentes, estabilidade e proteção frente a qualquer possível
ação do Estado. Tendo isso em mente, a ascensão dos Medici, sobretudo sob a liderança de
Cosme, deve-se ao modo como este, utilizando-se de sua influência e poder econômico,
conseguiu rebaixar a já elitista República Florentina aos interesses de sua Casa, promovendo
,dessa forma, políticas financeiras e tributárias, bem como diplomáticas, alinhadas à suas
ambições e projetos, o que fará as filiais se multiplicarem através da Itália e os lucros
aumentarem em escala espantosa.

Como levantado pelo professor Paul Larivaille, o maior mérito de Cosme foi ter
conseguido suplantar a bem firmada, e fervorosamente defendida por grande parte da
população, República Florentina por uma “monarquia larvada”. Para tal, o visionário Medici se
aproveitou de algumas “fraquezas”, por assim dizer, da República ali firmada, dentre as quais
consta a existência de um eleitorado restrito às classes mais altas, uma seletividade dos possíveis
candidatos com base em critérios de renda e um sistema que, constantemente, apelava a
indicações aos cargos. Com isso, a obtenção de hegemonia política estava diretamente ligada a
possuir simultaneamente aliados dentro da burguesia e posições nos conselhos responsáveis por
indicar candidatos, sendo ambas condições facilmente conquistadas quando se é uma das
famílias mais ricas da cidade.

Havia um cuidado para reproduzir esse sistema de forma a evitar ferir as instituições,
respeitando, sobretudo, a legalidade e o método pelo qual as eleições eram feitas. O objetivo
era, justamente, evitar desagradar a população, a burguesia não partidária e a oposição.

1
MARX, K, ENGELS, F. A Ideologia Alemã. p. 61, 7ª ed, São Paulo: Hucitec, 1989.

3
Interessante é também apontar que além das táticas institucionalizadas, os Medici se
perpetuaram no poder por ter uma visão ampla da estrutura social Florentina. Suas políticas,
por mais que fortemente ligadas à interesses individuais, atendiam a ordem burguesa em sua
maioria, fazendo com que mesmo os grandes comerciantes e banqueiros opositores da família
os vissem como aliados em momentos de crises sociais ou políticas estatais mal geridas. Um
episódio que retrata bem esse fenômeno ocorreu em 1497, quando ,após a expulsão dos Medici
da cidade, por conta dos erros cometidos por Piero de Medici, e a “restauração da república”, o
Duque de Milão, apoiado por setores da burguesia, sugeriu a necessidade de um golpe para
devolver à família o poder, a fim de estabilizar a convulsão social gerada por Savonarola, um
padre que, com apoio popular, vinha desafiando setores do alto clero e da burguesia.

Além disso, o fato da família ser a maior contribuinte da cidade e a terceira da Itália é,
indubitavelmente, uma questão a ser levada em consideração ao pensar na influência exercida.
Um aumento na arrecadação de impostos proporcional ao sucesso dos investimentos da Casa
fez com que, para uma parcela da população, existisse um retorno para o público na
instrumentalização feita do Estado, o que agradou também a nobreza e os burocratas existentes
à época.

3.2. O PODER ECONÔMICO DOS MEDICI


O poderio econômico da família, já considerável antes de Cosme, ou seja, antes do
“Principado dos Medici”, atuou como fator fundamental para a ascensão política. Posto isso, é
de fundamental importância destacar os motivos pelos quais a companhia dos Medici, em meio
à competição entre as oligarquias Florentinas, conseguiu perdurar e crescer em um terreno no
qual muitos falharam.

Fundada em 1397, por Giovanni di Bicci, pai de Cosme, a companhia, inicialmente,


realizava atividades financeiras típicas dos bancos florentinos e comerciais, porém, em 1402,
foi iniciada uma expansão em direção ao ramo industrial, com a abertura da primeira companhia
de lã. Aqui já é possível identificar uma das principais características da Casa que permitiu seu
sucesso: a diversificação nos investimentos.

No decorrer dos anos, os Medici investiram na indústria da seda, do alume e no ramo


imobiliário. Gerando dessa forma, uma expansão da companhia conforme a conjuntura
econômica de cada momento, permitindo que a firma se renove e compense os prejuízos.

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O investimento na seda, por exemplo, é feito em um contexto no qual há uma intensa
desvalorização da lã florentina, fazendo dela uma substituta a longo prazo para o ramo
decadente. Entretanto, é no que diz respeito ao alume que será perceptível o caráter exuberante
dos empreendimentos da companhia.

A Guerra do Alume, como foi chamado o episódio, ocorreu em 1450, quando, após a
expansão turca sob uma região da Ásia Menor, uma das principais fornecedoras do alume para
a Itália, tem início uma crise por escassez do recurso e, consequentemente, a corrida para obtê-
lo. Os Medici, obviamente, não ignoraram a situação, ainda mais por terem seus investimentos
na indústria da lã e da seda, altamente dependentes do composto, e por isso, em 1461, quando
é descoberta uma jazida na Itália, a companhia investe fortemente na Societas Aluminun, que
viria a ter o monopólio de extração do minério com certa ajuda da Igreja Católica.

Esse capítulo demonstra também a relação simbiótica existente entre o poderio político
e econômico dos Medici, uma vez que, em 1470, outra cidade italiana, Volterra, descobre uma
mina de alume em seu território e, após uma confusão com investidores florentinos ligados à
família, dá ordens para seus soldados ocuparem a jazida. O resultado da disputa, por fim, foi o
cerco e saque de Volterra pelos florentinos.

Ademais, o principal diferencial dos Medici foi, sobretudo, o modelo descentralizado e


austero de gestão adotado desde a origem da companhia. Como apontado por Paul Larivaille,
em 1340 uma quantidade significativa de negócios falira devido ao modo extremamente
centralizado e dependente com que as companhias eram geridas, de forma que, diante de um
enorme prejuízo em um dado ramo, as estruturas da empresa como um todo eram abaladas.
Giovanni di Bicci, ao fundar a companhia, indubitavelmente, levou essas falhas em
consideração e por isso construiu um modelo de administração baseado em companhias
solidárias, mas também autônomas, em que cada uma possuía personalidade jurídica e capital
próprios. Assim, seria significativamente mais difícil uma desestabilização em grande escala,
vez que os prejuízos ficavam limitados aos administradores do ramo problemático.

Por outro lado, esse modelo administrativo, comparado por De Roover às holdings
modernas, ao mesmo tempo que gera uma série de vantagens, demanda também uma maior
quantidade de gestores responsáveis e competentes, o que se tornará um problema após a morte
de Cosme, em 1464.

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Por fim, vale destacar também o papel dos Medici na Cúria da Igreja Católica, na qual
eram depositários da Câmara Apostólica, possuindo dessa forma uma posição de extrema
importância, a qual garantia também um enorme lucro para a Casa, mais especificamente para
a filial de Roma, a mais lucrativa. Em tal empreendimento, os Medici, basicamente,
administravam as finanças pontificais, bem como o dinheiro de ricos membros do clero.

A função, apesar de privilegiada e lucrativa, era condicionada à uma boa relação com a
Igreja, o que nem sempre vinha a acontecer, tendo em vista o episódio no qual, após um
desentendimento relacionada à questão do alume, o papel na Cúria foi passado para os
principais concorrentes dos Medici em Florença, os Pazzi.

Observa-se que a companhia dos Medici, pelo menos até a liderança de Cosme, era, sem
sombra de dúvida, visionária, não só em relação às possibilidades, mas também quanto à sua
própria gestão, criando o primeiro grupo societário que se tem registro (Na proto-história…), e
o cenário político e social de Florença, o que veio a permitir enriquecimento e, sobretudo,
controle sobre as instituições republicanas florentinas em um nível nunca antes exercido pela
ascendente burguesia italiana.

4. A GOVERNANÇA INTERNA DA HOLDING


A firma constituída pelos Medici possuía uma organização societária relativamente
complexa para a época, o que pode garantir-lhe, em certa medida, características e elementos
de uma holding da atualidade. A maggiori, que era o grupo de pessoas que constituía a
sociedade, detinha o monopólio das decisões e da divisão dos lucros. Esse grupo se relacionava
com seus managers de cada branch na europa para organizar os objetivos de cada ramo e
medidas a serem tomadas. No bom português, cada filial da empresa possuía um gerente, sobre
o qual eram imputadas responsabilidades e, também, dividendos dos lucros.
Acerca das atividades econômicas da empresa, consistiam na ramificação entre a
produção fabril e a atividade bancária. Contudo, essa divisão é meramente didática, pois as duas
atividades andavam lado a lado, assunto a ser tratado neste capítulo

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4.1. A HEGEMONIA FAMILIAR
Na gerência do banco, havia dois tipos de sócios: os gerentes locais e os membros da
família Medici, sendo que esses últimos sempre possuíam mais de metade do capital social e
tinham o poder de dissolver a sociedade a todo tempo. Assim, os Medici eram controladores,
com o poder de ditar a política empresarial da sociedade, enquanto que os gerentes locais apenas
faziam a administração ordinária dos negócios locais.

Na matriz, havia o destaque do chefe de contabilidade, que não apenas dirigia a


contabilidade da matriz e supervisionava a das filiais, mas servia também como conselheiro no
estabelecimento das políticas empresariais do grupo e redigia as instruções aos sócios-gerentes
das filiais.

O acesso ao poder decisório acerca da empresa, então monopólio dos Medici, se dava a
partir de parentesco ou via casamento. Era comum, por exemplo, que membros da família
fossem trabalhar em algum dos branches e tivessem um péssimo rendimento por acharem que
suas relações familiares os protegiam de qualquer situação, mas mesmo assim eram sucessores
dos gerentes das respectivas filiais, e só acabam por trazer prejuízos à empresa.

Ainda sobre a forma como se estruturavam os branches, seus gerentes, muitas vezes,
tinham grandes responsabilidades inerentes a seus cargos, mas que eram demasiado difíceis de
serem carregadas sozinhas. Isso ocorria pela política da empresa de garantir autonomia entre

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cada uma das filiais, sem que se elas se comunicassem entre si antes de fazer as mensagens
chegarem à matriz. Tal fato era reflexo da centralização decisória concentrada no pater familias,
seja Cosme de Medici, seja Lorenzo, o Magnífico. Inclusive, o apelido deste último veio do
modo pelo qual seus subordinados o chamavam, demonstrando tamanha pompa e sofisticação.

Assim, mesmo com a capitalização administrativa resultado da continentalidade da


firma, a maggiori, essencialmente a família Medici, é que dava a última palavra, estava sempre
por trás de todos os projetos e planejamentos. Por consequência, limitava a autonomia de cada
gerente, estipulando atos e poderes que ele poderia ou não exercer. Não obstante, toda a
produção da empresa também estava muito comprometida com os arranjos políticos que os
Medici faziam em toda Itália. Assim, os managers estavam sujeitos a ver uma parte da produção
indo parar na mão de políticos e clérigos na forma de regalias e favores.

Além das operações bancárias, os Medici desenvolveram outras duas atividades, ligadas
ao papado: explorou jazidas de alume, utilizando o poder espiritual da igreja para constituir um
monopólio da venda do mineral, e detinha a exclusividade de coleta de dízimas pontifícias. A
fim de atender a todas essas atividades, os Medici formaram uma estrutura empresarial
complexa e flexível.

4.2. O ADVENTO DOS PARTNERSHIPS


Os Medici recebiam relatórios regulares de seus correspondentes acerca da situação dos
mercados em diversas localidades, buscando investir nos melhores lugares e diminuir os riscos
de transação, tal atividade era de responsabilidade dos managers. Eles não apenas organizavam
a produção fabril manufatureira da empresa, mas também exerciam essa atividade bancária.

No entanto, mesmo com tal informações o comércio era arriscado, uma vez que a
comunicação era muito devagar, gerando a possibilidade de, assim que a informação acerca de
uma localidade chegasse, a situação do mercado naquele local já ter mudado completamente.
Mesmo assim, as transações com o exterior tinham a vantagem de espalhar os riscos, uma vez
que não eram feitos compromissos além de uma certa quantidade inicial de capital investido.

Antes dos Medici, a atividade dos banqueiros florentinos era centralizada, havendo uma
sede que se estendia no exterior por meio de agências. Porém no banco dos Medici havia um
rompimento na ficção de igualdade entre sócios, criando-se a figura do sócio controlador, o
chefe, sendo que as agências no exterior se tornaram autênticas sociedades locais. Uma das
explicações para essa diferenciação em relação aos outros bancos seria a ideia de isolar os riscos

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de insolvência local em relação à empresa familiar, sendo que a fragmentação societária serviria
como um obstáculo para o espalhamento de crises entre as filiais.

Dessa maneira, banco dos Medici não consistia em uma única firma, e sim em uma
combinação de parcerias (partnerships) controladas por uma firma principal, localizada em
Florença, que incluía na sua maioria membros da família Medici. Cada um dos branches
consistia em uma entidade separada, com seu próprio capital e sua própria gerência, mas a maior
parte do poder continuava concentrada na firma principal da família Medici. Nesse modelo, o
banco dos Medici se assemelhou muito, guardadas as devidas proporções, às holdings atuais,
pois consistia em uma verdadeira combinação de parcerias, ao invés de uma organização no
estilo de corporações e companhias. A filial principal, controlava as filiais subsidiárias, por
possuir mais de 50% do capital total do banco. Isso impedia que as filiais subsidiárias
rompessem com a filial principal e criassem firmas concorrentes. Para o mesmo objetivo, eles
também mantinham regras de marca e a custódia dos objetos do branch. Assim, a filial
principal não apenas controlava as subsidiárias, como também as inspecionava e
supervisionava.

A nomeação de novas gerências de cada filial era seguida de rigorosos contratos, que
seguiam mais ou menos o mesmo padrão, e que versavam desde a distribuição de lucros e perdas
até aspectos da vida pessoal do novo gerente. Os Medici, na filial principal, não estavam tão
dispostos a assumir responsabilidades ilimitadas, de maneira que as vezes constituíam parcerias
limitadas, nas quais eles não poderiam ser executados por quaisquer créditos além de sua
contribuição inicial.

Todo ano, os gerentes de cada filial deveriam enviar para a Florença uma folha de
balanços que indicasse todos os créditos e débitos das operações comerciais operadas por aquela
filial. Essas folhas eram checadas, item por item, para certificar a existência de eventuais contas
duvidosas ou não-pagas. Isso requeria a presença do gerente da filial para responder eventuais
dúvidas, o que explica a exigência de que os gerentes que morassem na Itália fossem ao menos
uma vez por ano para Florença, e os que morassem além dos Alpes fossem ao menos uma vez
a cada dois anos. No entanto, mesmo tal fiscalização folha por folha não permitia um total
controle das finanças, uma vez que, em primeiro lugar, era feita entre lapsos temporais
relativamente grandes, o que impedia que problemas fossem detectados rapidamente, e em
segundo lugar não impedia que adulterações nos documentos fossem feitas antes da ida à
Florença, como veremos que ocorria mais à frente, uma vez que a fiscalização não se dava no
branch a todo tempo, e sim apenas no momento da prestação de contas.

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4.3. ISOLAMENTO DOS BRANCHES E A DIVISÃO DOS LUCROS

Os branches tratavam uns aos outros como se não fizessem parte de um mesmo banco.
Eles cobravam taxas uns aos outros, e uma filial não era responsabilizada pelas atitudes de outra
filial. Assim, as filiais organizavam-se como sociedades, com razão social e capital próprios.
Elas comerciavam entre si na mesma base que o faziam com terceiros.

Os gerentes de cada branch eram parceiros que recebiam, ao invés de salário,


participações nos lucros do banco. Isso funcionava como um incentivo para o bom
funcionamento de cada filial. Ao contrário de outras organizações medievais que contavam com
diversas filiais, não havia no banco dos Medici inspetores que viajavam de filial para filial para
examinar as contas e fazer inventários. Ao invés disso, era depositada muita confiança na
integridade e habilidade dos gerentes das filiais, de modo que problemas sérios muitas vezes
não eram descobertos a tempo de procurar remediá-los e impedir grandes perdas, questão que
se conecta muito com o posterior declínio do banco.

O único meio de comunicação entre as filiais subsidiárias e a filial principal, além das
subsidiárias entre si, era a correspondência, muito lenta na época. Apenas uma pequena fração
das cartas sobreviveu até os dias atuais, mas ainda correspondem em um grande número de
material de estudo. Havia dois tipos de cartas. O primeiro eram as lettere di compagnia, cartas
de negócio, que versavam acerca de contas, pagamentos, chegada de encomendas, débitos e
créditos e outros assuntos rotineiros. Já o segundo tipo eram as lettere private, que tratavam de
assuntos confidenciais e eram geralmente escritas pelo gerente de uma filial e endereçadas para
o gerente da filial principal, e versavam acerca de assuntos como política de créditos,
perspectivas para o futuro, problemas de gestão e a condição financeira das filiais. Elas também
tratavam de questões de política e às vezes serviam inclusive como informativos de informações
confidenciais, que conferiam à família Medici certo poder diplomático.

5. UMA QUESTÃO DE GOVERNANÇA E COMPLIANCE: ANÁLISE DO


DECLÍNIO DO BANCO MEDICI À LUZ DA ATUAL TEORIA
Muitos séculos transcorreram desde o declínio do Banco Medici até o desenvolvimento
das atuais teorias de governança corporativa e compliance. Todavia, parte dos erros cometidos
pela família na Idade Média que contribuíram para o declínio de sua empresa, apesar do seu
gigantesco poder econômico e político, podem ser observados em diversas empresas atuais.
Portanto, esse capítulo terá como objetivo analisar alguns princípios da governança corporativa,
como a transparência, equidade, accountability e responsabilidade corporativa, além de
algumas premissas do programa de compliance, para que seja possível entender nos casos de

10
algumas branches, como, por exemplo, a de Roma e Veneza, como a atuação dos sócios
influenciou a falência do banco ao colocar em evidência as suas práticas que estavam em
desacordo com a teoria.

O intuito da comparação não é de criticar a atuação dos Medici, uma vez que as
concepções apresentadas nem sequer existiam na sua época de controle do banco. A finalidade
é demonstrar a importância da adoção da teoria para as empresas modernas por meio da
exposição, do que agora sabemos ser erros, de práticas de atuação corporativa que levaram a
família mais poderosa da Europa naquela época a falir e que se repetem até hoje, mas que
atualmente podem ser evitados graças ao desenvolvimento teórico demonstrado.

5.1. A ATUAÇÃO ESPECÍFICA DOS BRANCHES À LUZ DA TEORIA.


O primeiro princípio da governança corporativa relevante a ser analisado é o da
transparência, que pode ser entendido como o fato de a empresa disponibilizar para as partes
informações que sejam de seu interesse, não devendo se restringir ao mero desempenho
econômico, mas a todos os fatores que levam à preservação e à otimização do valor da
organização.

Todavia, o banco Medici adotou a proposta contrária, excluindo algumas informações


do conhecimento dos administradores dos branches e os administradores. Muitas vezes,
também não repassavam informações verídicas para a organização central do banco. Para
exemplificar, podemos olhar para a situação de um diretor de um branch. Ele recebia despesas
e uma quantidade consideravelmente grande dos lucros ao ser comparado com o que era
esperado de acordo com a sua participação na empresa. Logo, tendo em vista a “generosidade”
do banco, o diretor era obrigado contratualmente a viver na cidade de seu branch e seguir as
regras da empresa, que eram: não emprestar mais do que 300 florins aos cardeais, aos cortesãos
não mais que 200; não dar nenhum crédito para comerciantes romanos, barões feudais e nunca
para os alemães. Para realizar as atividades comerciais, o diretor contava com 4 a 8
funcionários. Segundo a política do banco, o diretor deveria escrever em um “livro secreto” os
depósitos discricionários de clientes que desejavam a anonimidade e os salários dos
funcionários, sendo que ninguém deveria saber quanto o outro recebia.

A existência do livro secreto traz consigo uma grande problemática: a falta de


transparência. E ela não se dava simplesmente com ocultamento dos vencimentos dos

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funcionários, com intuito de impedir revoltas contra o diretor. Na verdade, essa prática retinha
a informação das partes interessadas tanto pelo lado dos trabalhadores como do lado da
organização central do banco. O único que controlava a veracidade das informações do livro
era o próprio diretor, logo, a única coisa que impedia a falsificação dos dados era sua moral.
Uma preocupação maior com a clareza das informações que estavam sendo contidas poderia
permitir uma fiscalização mútua entre todos os engajados na manutenção da filial para que as
informações fossem verídicas e de acordo com a realidade que eles se encontravam, tendo em
vista que era do interesse de todos o bom funcionamento e faturamento.

Uma decorrência quase que natural da falta de transparência é a precarização do


accountability, que podemos entender como a responsabilidade dos agentes de governança de
prestar contas da sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo
integralmente as consequências de seus atos e omissões. Para demonstrarmos o dano que um
accountability desonesto pode causar, seguiremos com o exemplo anterior dos livros secretos.
Neri di Cipriano se tornou o primeiro diretor do branch de Veneza, mas com seu novo cargo
ele prontamente quebrou o contrato com o banco e emprestou dinheiro para os alemães.
Todavia, como afirmado anteriormente, ele era o único responsável pela veracidade dos livros
secretos, logo ele falsificou as informações, inventou um primeiro ano lucrativo e emprestou
8%, que, logo em seguida, também perdeu, sendo que somente após 3 anos foi descoberta a
perda de 14,000 florins.

É possível também observar sob a lógica do compliance a situação envolvendo Neri di


Cipriano. Um dos seus princípios é a identificação antecipada de problemas, afirmando que a
organização deve identificar condutas indesejadas rapidamente, garantindo uma resposta ágil e
diminuição das perdas. Porém, ressaltadas todas a dificuldades de locomoção da época, o banco
Medici não realizava uma verificação muito periódica, segundo Tim Parks. Tal fiscalização
podia ter reduzido significativamente os 3 anos que seguiram para a averiguação dos danos
causados por Cipriano. Outro princípio interessante de ser analisado do compliance é a
conscientização dos funcionários, que diz que eles são colaboradores que devem estar cientes
das “regras do jogo” e podem procurar assistência caso identifiquem possíveis questões
sensíveis. Caso houvesse um maior estímulo ao engajamento dos funcionários, eles poderiam
ter averiguado as irregularidades cometidas por Cipriano, contudo, a política da empresa dava
poder absoluto para o diretor e conscientemente excluía a participação dos demais envolvidos
na administração dos branches.

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Por fim, um último princípio da governança corporativa interessante a ser estudado
segundo a atuação do Banco Medici é a responsabilidade corporativa. Ele afirma que os agentes
de governança devem zelar pela viabilidade econômico-financeira da organização, reduzir as
externalidades negativas de seus negócios e aumentar as positivas. No entanto, muitas vezes o
banco foi dirigido de acordo com intenções particulares dos administradores ao invés da
responsabilidade econômico-financeira da sua atuação.

Para ilustrar a situação, podemos considerar a permissão de Piero di Cosimo à Tommaso


Portinari de realizar empréstimos ao duque Charles, o Audaz, pela única razão de permanecer
em bons termos com ele. Outra situação relevante é a do branch de Milão, que surgiu com o
intuito de dar apoio financeiro ao duque Francesco Sforza. Ambas eram inspiradas por razões
políticas inconsistentes com as políticas do banco estabelecidas por Cosimo de’ Medici, que era
contra a realização de empréstimos a príncipes, magnatas ou membros do alto clero, devido aos
riscos envolvidos.

Os interesses pessoais dos Medicis iam além dos empréstimos para os duques, mas
também afetava a evolução interna dos funcionários do banco. Leonardo Vernacci, em carta
para Giovanni de’ Cosimo, reclamou que um dos melhores funcionários do branch de Roma
havia se demitido após oito anos de serviço por ter sido negada uma promoção pelo
reconhecimento do seu bom serviço. Vernacci afirmou que ia contra a política do banco que
qualquer um poderia avançar através do bom desempenho, independente dos laços familiares.

As situações expostas anteriormente demonstram que a família Medici, no tocante a


administração do banco, diversas vezes deixou predominar seus interesses políticos e familiares
pessoais ao invés de uma administração sóbria e racional. A sobreposição desses interesses
levou a uma governança interna conflituosa, onde os diversos branches competiam entre si ao
invés de cooperar, tratando uns aos outros como tratavam os terceiros alheios aos negócios do
banco. Apesar de a empresa apresentar alguns regulamentos internos como a proibição de
empréstimo para certas classes sociais que apresentavam um alto risco, essa recomendação
aparentava ser meramente decorativa. Nas palavras de Tim Parks, alguns administradores dos
branches estavam apenas brincando de ser banqueiros para conseguirem atingir seu verdadeiro
objetivo: ficar perto de reis e rainhas, do mundo da realeza, da arte e das roupas de luxo.
Portanto, para atingir os interesses pessoais, pouco importava a observância das regras do
banco, alinhando esse fator com a falta de transparência. O zelo pela eficiência econômica do

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banco era apenas um fator que podia ou não coincidir com os interesses pessoais de alguns dos
administradores.

Por fim, é importante salientar que nenhuma das situações apresentadas por si só foi
decisiva para o declínio do banco, tampouco foram os únicos fatores que o influenciaram. O
banco passou por períodos de boas e más gestões e enfrentou até mesmo guerras na Europa.
Porém a desatenção para os regimentos internos do banco durante sua gestão, a falta de
transparência, accountability, responsabilidade corporativa e engajamento dos funcionários,
individualmente foram se empilhando e, no cenário final, com certeza obtiveram uma
participação significativa para que o banco não conseguisse sobreviver. Os Medici não estavam
munidos do conhecimento teórico que possuímos hoje, porém, o interesse do presente artigo
foi de analisar como as situações que a teoria surgiu para ajudar a prevenir não são problemas
recentes, mas que podem ser observados tanto nos bancos atuais como no embrião do sistema
bancário que foi o Banco Medici.

6. SÍNTESE CONCLUSIVA
O artigo buscou proporcionar uma contextualização histórica de onde, quando e por que
surgiu o Banco Medici: a relevância da mudança de perspectiva da sociedade, o avanço das
vendas e trocas, a utilização em larga escala das moedas. Nesse cenário, a predominância da
família foi fundamental para responder aos novos anseios que a mudança de paradigmas sociais,
econômicos, políticos e culturais trouxe consigo. Os Medici acumularam na sua figura familiar
um incrível poder político e econômico, que foi grande o suficiente para que controlassem a
Europa de acordo com as suas vontades. Todavia, a hegemonia familiar proporcionou também
conflitos. Alinharam uma inovação na governança interna do banco, que foi a aplicação de um
sistema muito semelhante ao que hoje conhecemos como uma holding, estando esse sistema
inovador alinhado a um fator muito tradicional que é mecanismo de controle familiar.
Conhecendo todos esses fatores, analisamos à luz de alguns princípios criados pelas
teorias de compliance e de governança corporativa a atuação dos Medici. Muitas vezes a gestão
das filiais do banco não seguiu os próprios regimentos internos definidos, pois os gestores
privilegiaram seus interesses e ganhos pessoais. Além disso, também não havia exigências de
uma fiscalização ou transparência por parte da central do banco, que facilitava esses desvios de
conduta. Em última análise, os casos isolados não são suficientes para derrubar a estrutura do
banco, mas com certeza colaboraram com o seu declínio. As práticas também não são
exclusivas dos Medici ou dos comerciantes da Idade Média, mas sim práticas que perduram até

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os dias atuais. Porém, hoje possuímos a vantagem de conhecermos as teorias que os Medici
nem sonhavam em possuir.
O objetivo do trabalho foi demonstrar como as propostas teóricas de uma boa
administração interna de uma empresa são extremamente relevantes para os empresários
contemporâneos, uma vez que a atuação em desacordo com práticas administrativas mais
saudáveis, no vocabulário de hoje, foi um fator muito importante para derrubar até mesmo um
dos maiores bancos que o mundo já conheceu.

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industrial, econômico e financeiro. São Paulo, n. 103, p. 87-100, jul./set. 1996. Tradução de
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Compliance. Brasília, 2016.

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Financeiro, v. 54, p. 105-111, 1984.

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