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IEFP - ISG

Ficha Técnica

Colecção MANUAIS PARA APOIO À FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS EMPRESARIAIS

Título Cálculo Comercial e Financeiro


Suporte Didáctico Guia do Formador
Coordenação e Revisão Pedagógica IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional -
Departamento de Formação Profissional
Coordenação e Revisão Técnica ISG – Instituto Superior de Gestão
Autor Gracinda Santos/ISG
Capa IEFP
Maquetagem ISG
Montagem ISG
Impressão e Acabamento JERAMA – Artes Gráficas, Lda.
Propriedade Instituto do Emprego e Formação Profissional, Av. José
Malhoa, 11 1099-018 Lisboa
Edição Portugal, Lisboa, Dezembro de 2004
Tiragem 100 exemplares
Depósito Legal 218237/04
ISBN 972-732-927-6

Copyright, 2004
Todos os direitos reservados ao IEFP
Nenhuma parte deste título pode ser reproduzido ou transmitido,
por qualquer forma ou processo sem o conhecimento prévio, por escrito, do IEFP

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador


ÍNDICE GERAL IEFP

Índice Geral

1. Objectivos globais do guia .............................................................................................................................. 1


2. Pré-requisitos .................................................................................................................................................. 2
3. Perfil do Formador........................................................................................................................................... 3
4. Campo de aplicação do guia........................................................................................................................... 4
5. Plano de desenvolvimento do módulo/das unidades temáticas ..................................................................... 5
6. Orientações metodológicas recomendadas.................................................................................................... 7
7. Recursos didácticos ........................................................................................................................................ 8
8. Bibliografia recomendada................................................................................................................................ 9

I. MÉDIAS ARITMÉTICAS .......................................................................................... 11

1. Resumo ........................................................................................................................................... 13
2. Plano das sessões .......................................................................................................................... 16
3. Actividades/Avaliação...................................................................................................................... 17
4. Transparências................................................................................................................................ 26

II. PROPORCIONALIDADE ......................................................................................... 31

1. Resumo ........................................................................................................................................... 33
2. Plano das sessões .......................................................................................................................... 35
3. Actividades/Avaliação...................................................................................................................... 36
4. Transparências................................................................................................................................ 44

III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS................................................................................. 49

1. Resumo ........................................................................................................................................... 51
2. Plano das Sessões.......................................................................................................................... 54
3. Actividades/Avaliação...................................................................................................................... 55
4. Transparências................................................................................................................................ 57

IV. REGIME DE JURO SIMPLES.................................................................................. 61

1. Resumo ........................................................................................................................................... 63
2. Plano das Sessões.......................................................................................................................... 66
3. Actividades/Avaliação...................................................................................................................... 67
4. Transparências................................................................................................................................ 76

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador


IEFP ÍNDICE GERAL

V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES ...................................................................81

1. Resumo ............................................................................................................................................83
2. Plano das Sessões...........................................................................................................................85
3. Actividades/Avaliação ......................................................................................................................87
4. Transparências.................................................................................................................................95

VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO...........................................................99

1. Resumo ......................................................................................................................................... 101


2. Plano das Sessões........................................................................................................................ 103
3. Actividades/Avaliação ................................................................................................................... 106
4. Transparências.............................................................................................................................. 118

VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES ......................121

1. Resumo ......................................................................................................................................... 123


2. Plano das Sessões........................................................................................................................ 130
3. Actividades/Avaliação ................................................................................................................... 133
4. Transparências.............................................................................................................................. 152

VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO ...........................................................................163

1. Resumo ......................................................................................................................................... 165


2. Plano das Sessões........................................................................................................................ 167
3. Actividades/Avaliação ................................................................................................................... 168
4. Transparências.............................................................................................................................. 178

FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL .............................................................................181

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ...................................................................................195

GLOSSÁRIO .................................................................................................................197

Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro


APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO IEFP

1. OBJECTIVOS GLOBAIS DO GUIA

O Guia do Formador de Cálculo Financeiro e Comercial foi desenvolvido a partir do guia de


formando e tem como principais objectivos:

• Preparar previamente os formadores para o perfil tipo de formandos que irão encontrar em sala,
de forma a adequarem as matérias leccionadas às expectativas e grau de conhecimento detido
pelos formandos;

• Apresentar um conjunto de indicações metodológicas e recursos, com o propósito de


desenvolver o interesse e motivar os formandos para a aprendizagem das matérias
leccionadas;

• Especificar conhecimentos e capacidades que devem ser detidas pelo formador, de forma
atingir os objectivos das unidades temáticas que compõem o módulo de Cálculo Comercial e
Financeiro;

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IEFP APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO

2. PRÉ-REQUISITOS

Para Empregado administrativo:

• Idade >= 15 anos;

• Habilitação escolar : escolaridade obrigatória;

• Candidatos ao primeiro emprego ou desempregados.

Para Técnico administrativo e Técnico de Contabilidade:

• Idade >= 17 anos;

• Habilitação escolar : 11º ano de escolaridade ou equivalente;

• Candidatos ao primeiro emprego ou desempregados;

2 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro


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3. PERFIL DO FORMADOR

• Formação superior na área da Gestão com particular ênfase no Cálculo Comercial e Financeiro;

• Experiência em efectuar movimentos financeiros com bancos comerciais e respectiva


documentação.

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IEFP APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO

4. CAMPO DE APLICAÇÃO DO GUIA

O objectivo deste Manual de Cálculo Financeiro e Comercial é preparar os formandos para se


tornarem Empregados Administrativos, Técnicos Administrativos e Técnicos de Contabilidade

Após a acção de formação os formandos deverão estar habilitados a:

• Determinar médias aritméticas simples e ponderadas;

• Distinguir os vários tipos de proporcionalidade;

• Enunciar o conceito de capital acumulado e deduzir a fórmula do valor actual em função do juro
antecipado;

• Deduzir as fórmulas do desconto comercial, da reforma comercial e distinguir reforma total de


reforma parcial;

• Aplicar os vários conceitos a casos práticos da actividade económico-financeira.

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5. PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO MÓDULO/DAS UNIDADES TEMÁTICAS

Recursos
Sugestões de
Unidade Temática Objectivos Duração Pedagógico-
actividades
Didácticos
1 - Médias Aritméticas Determinar médias aritméticas simples e ponderadas; 5 horas Exercícios individuais e em Transparências
Perceber e aplicar as propriedades relativas à média; grupo
Identificar os problemas da média como unidade de medida;
Equacionar e resolver situações diárias de natureza estatística.

2- Proporcionalidade Distinguir os vários tipos de proporcionalidade e estabelecer comparações entre diversos 10 horas Exercícios individuais e em Transparências
grupos de dados; grupo
Relacionar as partes com o conjunto através das noções de Proporção, Razão e Percentagem;
Adequar estas grandezas à realidade financeira, nomeadamente resolvendo problemas de
equações com variáveis simples de percentagens de lucro face a valores de capital ou
investimento;
Expressar correctamente qualquer número de notação decimal em percentagem;
Estabelecer e concluir sobre tipos de proporcionalidade, sua representação e entendimento
fora da realidade estatística, ou seja adaptado à realidade económico – financeira.

3- Aplicações Financeiras Enquadrar economicamente a função poupança e a função investimentos, quando exista 8 horas Exercícios individuais e em Transparências
recurso a capitais alheios (empréstimos); grupo
Entender o juro como contrapartida paga ou obtida pelo empréstimo ou pela aplicação;
Entender que o juro é função do prazo, do montante e da taxa envolvida.

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 5


IEFP APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO

Recursos Pedagógico-
Unidade Temática Objectivos Duração Sugestões de actividades
Didácticos

4- Regime de Juro Simples Distinguir juro simples, taxa de juro e o juro como função de 10 horas Exercícios individuais e em grupo Transparências
proporcionalidade directa do capital e do tempo.

5- Capitalização ao Juro Simples Deduzir a fórmula do valor acumulado. 8 horas Exercícios individuais e em grupo Transparências

6- Empréstimos com Juro Antecipado Enunciar o conceito de capital acumulado e deduzir a fórmula do valor 10 horas Exercícios individuais e em grupo Transparências
actual em função do juro antecipado.

7- Equivalência de capitais no regime de Juro Deduzir as fórmulas do desconto comercial, da reforma comercial e 16 horas Exercícios individuais e em grupo Transparências
Simples distinguir reforma total de reforma parcial.

8- Regime de Juro Composto Distinguir juro composto, taxa de juro e o juro como função do 18 horas Exercícios individuais e em grupo Transparências
capital e do tempo;
Efectuar cálculos de uma forma expedita e rápida, adequar os cálculos
aos períodos de tempo parcelares, aplicar os conceitos em realidades
correntes de natureza económico – financeira.

6 Guia do Formando Cálculo Comercial e Financeiro


APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO IEFP

6. ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS RECOMENDADAS

Utilizar o manual como base de trabalho introduzindo toda a matéria teórica com os exercícios e
exemplos que vão sendo fornecidos.

Em quadro grande deduzir os temas apresentados de uma forma pausada e de fácil percepção
para os formandos.

Utilizar sempre que possível Folhas de Cálculo para a resolução dos exercícios em que seja
necessário construir mapas.

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 7


APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO IEFP

7. RECURSOS DIDÁCTICOS

• Máquina de calcular com raízes e potências;

• Equipamento informático para utilização de folha de cálculo;

• Quadro grande.

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APRESENTAÇÃO GLOBAL DO MÓDULO IEFP

8. BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA

MATEUS, Alves, Exercícios Práticos de Cálculo Financeiro, Editora Edições Sílabo 3ª Edição 2002

MATEUS, Alves,Cálculo Financeiro, Editora Edições Sílabo 5ª Edição 2002

Tabelas Financeiras

SAIAS, Luís e Carvalho, Rui e Amaras, Maria do Céu, Gestão Financeira, Editora Universidade
Católica Editora 3ª Edição 2002

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 9


I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

CÁLCULO COMERCIAL
E
FINANCEIRO
I. MÉDIAS ARITMÉTICAS IEFP

1. RESUMO

Média Aritmética Simples (MAS)

Medida estatística que transforma um conjunto de elementos dispersos componentes de um


mesmo conjunto, num único valor expressivo do seu total.

A média aritmética simples, obtém-se através da divisão da soma do conjunto de dados de que
dispomos pelo seu número total:

Tendo o conjunto Χ={ x1 , x2, x3,....., xn}

Em que (1,2,3, .... n), são os elementos que compõem o conjunto N, e N representa o número total
de elementos / observações, pertencentes ao conjunto Χ vamos definir:

∑X
i=1
i

MAS = 
N

Média Aritmética Ponderada (MAP)

Na Média Aritmética Ponderada vamos efectuar a ponderação do número de elementos


observados, pelos valores que assumem e ainda pelo número de vezes que ocorrem, ou seja:

Tendo o conjunto Χ={ x1 , x2, x3,....., xn}

em que N representa o número total de elementos / observações, pertencentes ao conjunto


Χ,

e o conjunto F = { f1 , f2, f3,....., fn} em que cada elemento representa o número de vezes que
ocorre o respectivo elemento pertencente ao conjunto Χ,

vamos definir:

∑ XF
i=1
i i

MAP = 
N

I
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 13
IEFP I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

Cálculos de Médias Aritméticas utilizando variáveis continuas

As variáveis continuas aparecem-nos expressas em classes em que:

Limites de Classe : C1 e C2
classe 100 a 120

Cálculo do valor central de cada classe:

Centro da Classe = ( C1 + C2 ) / 2
o centro da classe 100 a 120 é 110

Depois de determinado o centro de cada classe podemos aplicar as fórmulas anteriormente


estudadas, em que o valor central da classe passa a representar o valor de x no conjunto Χ.

Χ={ x1 , x2, x3,....., xn}

Propriedades da Média Aritmética:

A média dos desvios do valor da variável em relação à média é nula:

∑ f ( X − M) = 0
n=i
i i

A média ponderada de todas as médias, corresponde ao valor médio do conjunto de valores


individualmente considerados:

∑ x .n
j=1
j j

x = 
k

∑n
j=1
j

I
14 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
I. MÉDIAS ARITMÉTICAS IEFP

Somar ou subtrair uma constante ao conjunto de dados é somar ou subtrair essa constante à
média:

M = M1 + x0
M = M1 - x0

Multiplicar ou dividir o conjunto de dados por uma mesma constante é multiplicar ou dividir a média
por essa constante:

Sendo X = {x1, x2, .... xn} e uma constante k


y=kX
M = M1 * x0
M = M1 / x0

I
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 15
IEFP I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

2. PLANO DAS SESSÕES

O formador deverá introduzir o tema com referência às expressões diárias que utilizam a expressão
Média.

De uma forma gradual:

• explicar o conceito de média aritmética;

• questionar os formandos sobre as conclusões que se retiram da resolução dos exemplos;

• levar os formandos a equacionarem a necessidade de outro tipo de medida;

• introduzir o parâmetro de frequência ou ocorrência;

• deduzir e explicar o conceito de média ponderada;

• estabelecer relações entre variáveis concretas, variáveis contínuas e a noção de intervalo;

• aplicar os conceitos anteriores a variáveis contínuas;

• apresentar as propriedades da média.

Duração estimada: 5 horas

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16 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
I. MÉDIAS ARITMÉTICAS IEFP

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Calcular as médias aritméticas e observar os resultados:


25, 28, 31, 24, 30
305, 269, 427, 499, 385, 377, 280, 316, 392, 454
5.6, 4.5, 7.2, 0.6, 3.2, 2.1, 1.9, 3.8
12, 15, 32, 21, 29, 40, 0
120, 5, 56,131, 99, 62, 19, 107
40, 40, 40, 40, 80, 80, 80

Resolução:

25 + 28 + 31 + 24 + 30 138
MAS = ------------------------------------- = ------------- = 27,6
5 5

305 + 269 + 427 + 499 + 385 + 377 + 280 + 316 + 392 + 454
MAS = ------------------------------------------------------------------------------------ =
10

3.704
= ----------------- = 370,4
10

5,6 + 4,5 + 7,2 + 0,6 + 3,2 + 2,1 + 1,9 + 3,8


MAS = --------------------------------------------------------------- = 3,6125
8

12 + 15 + 32 + 21 + 29 + 40 + 0
MAS = ----------------------------------------------------= 21,28571
7

120 + 5 + 56 + 131 + 99 + 62 + 19 + 107


MAS = ----------------------------------------------------------= 74,875
8

40 + 40 + 40 + 40 + 80 + 80 + 80
MAS = ----------------------------------------------------- = 57,14
7

Analisar cada um dos valores de média obtido com os valores componentes do conjunto.

I
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 17
IEFP I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

Exercício 2

Considere o seguinte quadro de indemnizações pagas em consequência de acidentes de viação:

Indemnização ( mil u.m.) Número de Acidentes


0 a 25 20
25 a 50 60
50 a 75 40
75 a 100 35
100 a 125 25
125 a 150 20

Calcule a indemnização média paga pelas seguradoras.

Resolução

Limite Limite superior Centro da Fi fi fi x centro


inferior da da classe classe
classe
0 25 12,5 20 0,100 1,2500
25 50 37,5 60 0,300 11,2500
50 75 62,5 40 0,200 12,5000
75 100 87,5 35 0,175 15,3125
100 125 112,5 25 0,125 14,0625
125 150 137,5 20 0,100 13,7500
Total 200 1,000 68,1250

I
18 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
I. MÉDIAS ARITMÉTICAS IEFP

Exercício 3

Conhecendo os salários pagos a um conjunto de 100 empregados em número de salários mínimos,


determine o número médio de salários mínimos auferidos por cada um deles:

De 0 a 2 - 40 operários
De 2 a 4 - 30 operários
De 4 a 6 - 10 operários
De 6 a 8 - 15 operários
De 8 a 10 - 5 operários

Resolução:

Limite Limite superior Centro da Fi fi fi x centro


inferior da da classe classe
classe
0 2 1 40 0,400 0,4000
2 4 3 30 0,300 0,9000
4 6 5 10 0,100 0,5000
6 8 7 15 0,150 1,0500
8 10 9 5 0,050 0,4500
Total 100 1,000 3,3000

I
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 19
IEFP I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

Exercício 4

Tendo presente os resultados percentuais de 25 análises para detecção de uma substância


química apresente o resultado médio.

De 0 a 16% - 3 resultados
De 16 a 32% - 3 resultados
De 32 a 48% - 6 resultados
De 48 a 64% - 8 resultados
De 64 a 80% - 4 resultados
De 80 a 96% - 1 resultados

Resolução:

Limite Limite superior Centro da Fi fi fi x centro


inferior da da classe classe
classe
0 16 8 3 0,120 0,9600
16 32 24 3 0,120 2,8800
32 48 40 6 0,240 9,6000
48 64 56 8 0,320 17,9200
64 80 72 4 0,160 11,5200
80 96 88 1 0,040 3,5200
Total 25 1,000 46,4000

I
20 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
I. MÉDIAS ARITMÉTICAS IEFP

Exercício 5

Conhecendo as estaturas de 100 alunos de uma classe, determine a estatura média desses alunos:

Estaturas (metros) - Número de alunos


de 1.4 a 1.5 5
de 1.5 a 1.6 10
de 1.6 a 1.7 30
de 1.7 a 1.8 40
de 1.8 a 1.9 10
de 1.9 a 2.0 5

Resolução:

Limite Limite superior Centro da Fi fi fi x centro


inferior da da classe classe
classe
1,4 1,5 1,45 5 0,050 0,0725
1,5 1,6 1,55 10 0,100 0,1550
1,6 1,7 1,65 30 0,300 0,4950
1,7 1,8 1,75 40 0,400 0,7000
1,8 1,9 1,85 10 0,100 0,1850
1,9 2,0 1,95 5 0,050 0,0975
Total 100 1,000 1,7050

I
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 21
IEFP I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

Exercício 6

Calcule a média das exportações de 50 empresas electrónicas em 1998 conhecendo o seguinte


quadro de distribuição por volume exportado:

Volume exportado - Número de empresas


50.000 a 60.000 5
70.000 a 80.000 20
80.000 a 90.000 10
90.000 a 100.000

Resolução:
Limite Limite superior Centro da Fi fi fi x centro
inferior da da classe classe
classe
50000 60000 55000 5 0,100 5500
60000 70000 65000 10 0,200 13000
70000 80000 75000 20 0,400 30000
80000 90000 85000 10 0,200 17000
90000 100000 95000 5 0,100 9500
Total 50 1,000 75000

I
22 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
I. MÉDIAS ARITMÉTICAS IEFP

Exercício 7

O responsável pela gestão hospitalar de uma unidade de cuidados médicos intensivos obteve a
seguinte distribuição referente ao tempo de internamento dos doentes daquela unidade. Calcular o
número de médio de dias de internamento ( Média Aritmética de variáveis continuas):

Dias de internamento Número de doentes


0a 5 48
5 a 10 33
10 a 15 27
15 a 20 18
20 a 25 15
25 a 30 9
Total 150

Resolução:

Limite Limite superior Centro da Fi fi fi x centro


inferior da da classe classe
classe
0 5 2,5 48 0,320 0,8000
5 10 7,5 33 0,220 1,6500
10 15 12,5 27 0,180 2,2500
15 20 17,5 18 0,120 2,1000
20 25 22,5 15 0,100 2,2500
25 30 27,5 9 0,060 1,6500
Total 150 1,000 10,7000

I
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 23
IEFP I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

Exercício 8

É a seguinte a distribuição de frequência do rendimento mensal per capita das 22.007 famílias de
um concelho nortenho.

Qual o rendimento médio mensal das famílias deste concelho?

Rendimento (mil u.m.) Número de famílias

17.5 20 635
20 25 1470
25 30 1410
30 35 1670
35 40 1950
40 45 1530
45 50 1490
50 55 1280
55 60 1170
60 65 2110
65 70 1760
70 80 2560
80 100 1400
100 120 956
120 150 616

I
24 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
I. MÉDIAS ARITMÉTICAS IEFP

Resolução:

Limite Limite superior Centro da Fi fi fi x centro


inferior da da classe classe
classe
17,5 20,0 18,75 635 0,029 0,5410
20,0 25,0 22,50 1470 0,067 1,5029
25,0 30,0 27,50 1410 0,064 1,7619
30,0 35,0 32,50 1670 0,076 2,4663
35,0 40,0 37,50 1950 0,089 3,3228
40,0 45,0 42,50 1530 0,070 2,9547
45,0 50,0 47,50 1490 0,068 3,2160
50,0 55,0 52,50 1280 0,058 3,0536
55,0 60,0 57,50 1170 0,053 3,0570
60,0 65,0 62,50 2110 0,096 5,9924
65,0 70,0 67,50 1760 0,080 5,3983
70,0 80,0 75,00 2560 0,116 8,7245
80,0 100,0 90,00 1400 0,064 5,7255
100,0 120,0 110,00 956 0,043 4,7785
120,0 150,0 135,00 616 0,028 3,7788
Total 22007 1,000 56,2742

I
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 25
IEFP I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

4. TRANSPARÊNCIAS

Média Aritmética Simples

Média Aritmética Simples - MAS


como a soma de todos os valores observados dividida pelo numero de observações
n

∑X
i=1
i

MAS = 
N

n
∑ Xi - representa o Somatório dos termos x com inicio no 1 e fim no n
i =1

Média Aritmética Ponderada

Média Aritmética Ponderada - MAP


como a soma de todos os valores observados , multiplicados pelo número de ocorrências
verificadas, e dividida pelo numero de observações:
n

∑ XF
i=1
i i

MAP = 

I
26 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
I. MÉDIAS ARITMÉTICAS IEFP

Média Aritmética para Variáveis Continuas

As variáveis continuas aparecem-nos expressas em classes, por exemplo os escalões de consumo


de electricidade, os consumos entre 100 e 120 custam 15 u.m.:

Limites de Classe : C1 e C2
classe 100 a 120

Nestas situações não se podem aplicar linearmente as fórmulas aprendidas anteriormente, é


preciso calcular em primeiro lugar o centro da classe, no exemplo será ( 100 + 120 ) / 2 = 110:

Centro da Classe = ( C1 + C2 ) / 2
o centro da classe 100 a 120 é 110

Depois de determinado o centro de cada classe podemos aplicar as fórmulas anteriormente


estudadas, em que o valor central da classe passa a representar o valor de x no conjunto Χ.

Χ={ x1 , x2, x3,....., xn}

Exemplo-Exercício 15

Consideremos as seguintes classes de preços dos andares praticados na zona da EXPO 98 e


respectivo número de andares vendidos em cada classe:

Preço praticado(mil u.m.) (Classe) Quantidade vendida

Limite Inferior Limite Superior n


25.000 30.000 5
30.000 35.000 8
35.000 40.000 5

40.000 45.000 2
45.000 50.000 5
Total 25

I
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 27
IEFP I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

Vamos em primeiro lugar calcular o centro de cada classe:

Preço praticado (mil u.m.) - Classe Quantidade vendida - n

Centro da
Limite Inferior Limite Superior
Classe
25.000 30.000 27.500 5
30.000 35.000 32.500 8
35.000 40.000 37.500 5
40.000 45.000 42.500 2
45.000 50.000 47.500 5

Estamos finalmente em condições de calcular o preço médio dos andares vendidos:

Quantidade
Preço praticado (mil u.m.) - Classe Xi x Fi
vendida - n

Limite Limite Centro da


Inferior Superior Classe
25.000 30.000 27.500 5 137.500
30.000 35.000 32.500 8 260.000
35.000 40.000 37.500 5 187.500
40.000 45.000 42.500 2 85.000
45.000 50.000 47.500 5 237.500
Total 25 907.500

907.500
MAP = ----------------- = 36.300 u.m.
25

o preço médio dos andares vendidos foi de 36.300 mil u.m..

Podemos fazer este cálculo apresentando a noção de frequência relativa (fi) em que (f i )
corresponde à parte representada por cada F i no seu total, ou seja:

Fi
f i = 
N

I
28 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
I. MÉDIAS ARITMÉTICAS IEFP

Retomando o nosso exemplo teríamos:

F I - Número andares vendidos f i - distribuição de frequências

5 5 / 25 = 0,200
8 8 / 25 = 0,320
5 5 / 25 = 0,200
2 2 / 25 = 0,080
5 5 / 25 = 0,200
25 1,000

Propriedades da Média Aritmética

Primeira Propriedade

A média dos desvios do valor da variável em relação à média é nula:


n

∑ fi( Xi − M) = 0
n =i

Segunda Propriedade

Média ponderada de todas as médias - a média de todos os elementos de vários conjuntos é


igual à média dos valores médios de cada conjunto
n

∑ x .n
j=1
j j

x = 
k

∑n
j=1
j

I
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 29
IEFP I. MÉDIAS ARITMÉTICAS

Terceira Propriedade

Somando-se ou subtraindo-se, um valor constante e arbitrário a cada um dos elementos de um


conjunto de números, a média aritmética fica somada ou subtraída por essa constante:

M = M1 + x0

M = M1 - x0

Quarta Propriedade

Multiplicando-se (ou dividindo-se) cada elemento de um conjunto de números por um valor


constante e arbitrário, a média multiplicada (ou dividida) por essa constante.

Sendo X = {x1, x2, .... xn} e uma constante k

y=kX

M = M1 * x0

M = M1 / x0

I
30 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
II. PROPORCIONALIDADE

CÁLCULO COMERCIAL
E
FINANCEIRO
II. PROPORCIONALIDADE IEFP

1. RESUMO

Proporção

A Proporção de indivíduos de uma dada categoria é definida através do quociente entre o número
de indivíduos pertencentes a essa categoria e o número total de indivíduos considerados.

Devendo as categorias ser mutuamente exclusivas e exaustivas ( um indivíduo só pertence a 1


grupo de cada vez).

Razão

O valor da proporção pode também ser denominado Razão, isto é a proporção entre duas
variáveis, ou seja a expressão proporção é também a igualdade expressa entre duas razões.

a c
 = 
b d

a e d são os extremos da proporção


b e c são os meios da proporção
a/b e c/d dão-nos a razão da proporção
a x d = b x c multiplicando os meios obtemos o produto dos extremos

Proporcionalidade

Quando as duas variáveis de uma proporção aumentam uma em função da outra, numa razão
constante, estamos perante Proporcionalidade Directa, sendo utilizada a expressão de que as
duas variáveis são directamente proporcionais.

y=Kx

Quando as duas variáveis de uma proporção diminuem uma em função da outra, numa razão
constante, estamos perante Proporcionalidade Inversa, sendo utilizada a expressão de que as
duas variáveis são inversamente proporcionais.

y = 1/k x

Diz-se que há proporcionalidade composta entre y e diversas variáveis, quando é definida uma
proporcionalidade directa ou inversa, de y com cada uma dessas variáveis em separado.

y=kxz eK=u/vt

II
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 33
IEFP II.PROPORCIONALIDADE

Percentagem

A expressão por cento, indicada pelo símbolo %, significa centésimos.

Assim, 25% é simplesmente outra maneira de exprimir 25 a dividir por 100 (25/100), ou 0,25 ou ¼.

Qualquer número expresso na notação decimal, pode ser escrito como uma percentagem,
deslocando-se simplesmente a virgula duas casas para a direita e acrescentando o símbolo %, ou
multiplicando o número por 100 e acrescentando o símbolo %.

Inversamente para exprimir dada percentagem como um número suprimimos o sinal % e


deslocamos a virgula duas casas para a esquerda, ou dividindo o número por 100 e eliminando o
símbolo %.

Aplicações diárias que exprimem os conceitos apresentados:

espaços percorridos e tempos gastos;

peso e volume de corpos de uma mesma substância;

custo e peso de uma mercadoria;

tempo gasto com um percurso e velocidades.

Aplicação na actividade financeira:

as taxas de juro;

o juro calculado sobre capitais emprestados e capitais aplicados;

a transformação de taxas de juro anuais em mensais, ou outras;

o crescimento do juro em função do aumento dos capitais aplicados.

Introduzir o tema recorrendo aos exemplos de frases diárias enquadradas no universo dos
formandos, em função do seu conjunto e suas características.

II
34 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
II. PROPORCIONALIDADE IEFP

2. PLANO DAS SESSÕES

Gradualmente desenvolver a unidade temática explicando exaustivamente os exemplos


apresentados:

• introduzir o conceito de proporção;

• introduzir o conceito de razão;

• introduzir os conceitos de proporcionalidade, directa e inversa;

• introduzir o conceito de proporcionalidade inversa em função das anteriores;

• introduzir o conceito de percentagem;

Focalizar estes temas na resolução dos exercícios para que os formandos adquiram prática e
agilidade na relação das grandezas e obtenção dos diversos tipos de expressão.

Recorrer aos exemplos diários introduzindo as realidades financeiras como fortes utilizadoras
destas expressões.

Duração estimada: 10 horas

II
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 35
IEFP II.PROPORCIONALIDADE

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Escrever cada um dos números seguintes sob a forma de percentagem:

0,05 = 5%

0,08 = 8%

0,055 = 5,5%

0,082 = 8,2%

0,76375 = 76,275%

0,54545 = 54,545%

1,2675 = 126,75%

2,3784 = 237,84%

1/5 = 20%

1/6 = 16,667%

5/8 = 62,5%

7/8 = 87,5%

8 = 800%

1,25 = 125 %

7,2 = 720%

II
36 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
II. PROPORCIONALIDADE IEFP

Exercício 2

Exprimir cada uma das seguintes percentagens como fracção decimal.

4
4% = ----------
100

10
10% = --------
100

62
62% = ---------
1000

85
85% = ---------
100

5
0,5 = ---------
10

0,75
0,75% = -----------
100

0,25
¼% = -----------
100

II
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 37
IEFP II.PROPORCIONALIDADE

0,375
3/8% = -------
100

1,75
1 ¾% = ----------
100

2,125
2 1/8% = ----------
100

87,5
87 ½% = -----------
100

127,5
127,5% = ----------
100

II
38 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
II. PROPORCIONALIDADE IEFP

Exercício 3

Calcular:

3% de 200 = 6

5% de 800 = 40

12% de 3.000 = 360

18% de 4.000 = 720

4 ½ % de 12.500 = 562,5

33 1/3% de 21.720 = 7.239

2% de 7% de 5.000 = 7

3% de 5% de 12.000 = 18

10% de 20% de 250.000 = 5.000

15 % de 1000 = 150

II
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 39
IEFP II.PROPORCIONALIDADE

Exercício 4

Que percentagem de:

20 são 10

z x 20 = 10

z = 10 / 20

z = 0,5

z = 50%

10 são 20

z x 10 = 20

z = 20 / 10

z=2

z = 200%

1.200 são 108

z x 1200 = 108

z = 108 / 1200

z = 0,09

z = 9%

4.800 são 168

z x 4800 = 168

z = 168 / 4800

z = 0,035

z = 3,5%

II
40 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
II. PROPORCIONALIDADE IEFP

1.664 são 35,36

z x 1664 = 35,36

z = 35,36 / 1664

z = 0,02125

z = 2,125%

0,28 são 0,0056

z x 0,28 = 0,0056

z = 0,0056 / 0,28

z = 0,02

z = 2%

II
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 41
IEFP II.PROPORCIONALIDADE

Exercício 5

Calcular:

20% de que número são 9

0,2 x z = 9

z = 9 / 0,2

z = 45

12 1/7% de que número são 9

0,1214286 x z = 9

z = 9 / 0,1214286

z = 74,11765

2% de que quantia são 400

0,02 x z = 400

z = 400 / 0,02

z = 20.000

6 ¼% de que quantia são 2.000

0,0625 x z = 2.000

z = 2.000 / 0,0625

z = 32.000

II
42 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
II. PROPORCIONALIDADE IEFP

3 ½ % de que quantia são 183,75

0,035 x z = 183,75

z = 183,75 / 0,035

z = 5.250

5 ¼% de que quantia são 275,10

0,0525 x z = 275,10

z = 275,10 / 0,0525

z = 5.240

II
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 43
IEFP II.PROPORCIONALIDADE

4. TRANSPARÊNCIAS

Proporção

Proporção de indivíduos de uma dada categoria é definida através do quociente entre o número
de indivíduos pertencentes a essa categoria e o número total de indivíduos considerados.
Devendo as categorias ser mutuamente exclusivas e exaustivas ( um indivíduo só pertence a 1
grupo de cada vez).

Exemplo

Consideremos o número de sócios praticantes e não praticantes de futebol em 2 clubes:

Sócios Clube 1 Clube 2

Praticantes exclusivos de:


Futebol de salão 580 680
Futebol de campo 430 1369
Não praticantes 4810 10811
Total 5820 12860

Em primeiro lugar vamos calcular a tabela de proporções dos sócios praticantes e não praticantes:

Forma de cálculo Clube 1 Forma de cálculo Clube 2

Prat.Fut. Salão 580/5820 0,100 680/12860 0,053


Prat.Fut.Campo 430/5820 0,074 1369/12860 0,106
Não Praticantes 4810/5820 0,826 10811/12860 0,841
Total 1,000 1,000

Podemos ainda elaborar a tabela de proporções dos sócios praticantes de cada modalidade em
cada clube:

Clube 1 Clube 2

Pratic. F. cálculo Proporção Pratic. F. cálculo Proporção


Fut.Salão 580 530/1010 0,574 680 680/2049 0,332
Fut.Campo 430 430/1010 0,426 1369 1369/2049 0,668
Total 1010 1,000 2049 1,000

II
44 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
II. PROPORCIONALIDADE IEFP

Uma terceira análise pode ser a tabela de proporções dos sócios praticantes no total de sócios de
cada clube:

Clube 1 Clube 2

Número F. cálculo Proporção Número F. cálculo Proporção


Praticantes 1010 1010/5820 0,174 2049 2049/12860 0,159
Não praticantes 4810 4810/5820 0,826 10811 10811/12860 0,841
Total 5820 1,000 12860 1,000

Razão

O valor da proporção pode também ser denominado Razão, isto é a proporção entre duas
variáveis, ou seja a expressão proporção é também a igualdade expressa entre duas razões.

Considerando as seguintes expressões:

a c
 = 
b d

a e d são os extremos da proporção


b e c são os meios da proporção
a/b e c/d dão-nos a razão da proporção

Se multiplicarmos os meios, o seu produto será igual ao produto dos extremos:

a.d=b.c

II
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 45
IEFP II.PROPORCIONALIDADE

Proporcionalidade directa

Quando as duas variáveis de uma proporção aumentam uma em função da outra, numa razão
constante, estamos perante Proporcionalidade Directa, sendo utilizada a expressão de que as
duas variáveis são directamente proporcionais.

Sejam as duas variáveis x e y

vamos definir y como função de x tal que y seja igual a k vezes x, em que k é a razão da
proporção

o valor de y será sempre maior que x, tomemos por exemplo os seguintes valores:

x=1,2,3, 4 ,5

sendo k = 3 , obtemos os seguintes valores para y :

y = 3 , 6 , 9 , 12, 15

Expressões como o dobro, o triplo, o quádruplo, são indicadores de proporcionalidade directa.

Proporcionalidade inversa

Quando as duas variáveis de uma proporção diminuem uma em função da outra, numa razão
constante, estamos perante Proporcionalidade Inversa, sendo utilizada a expressão de que as
duas variáveis são inversamente proporcionais.

Sejam as duas variáveis x e y:

Vamos definir y como função de x tal que y seja igual a k vezes x, em que k é a razão da proporção
expressa em 1 a dividir por k, ou o inverso de k

o valor de y será sempre menor que x, tomemos por exemplo os seguintes valores:

x = 2 , 4 , 6 , 8 , 10

sendo k = 1/2 obtemos os seguintes valores para y :

y=1,2,3, 4, 5

Expressões como metade, a terça parte, a dizima, etc., são indicadores de proporcionalidade
inversa.

II
46 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
II. PROPORCIONALIDADE IEFP

Proporcionalidade composta

Diz-se que há proporcionalidade composta entre y e diversas variáveis, quando é definida uma
proporcionalidade directa ou inversa, de y com cada uma dessas variáveis em separado.

Se y é directamente proporcional a z e u é inversamente proporcional a v e t,

então y = k x z e K = u / v t

Para entendermos esta noção consideremos o seguinte exemplo:

A proporcionalidade entre o dinheiro que se ganha (y) e o valor da renda da casa (z) é dada pela
relação de proporcionalidade existente entre comprar comida (u) e poupar dinheiro (v) e investir em
terrenos (t).Se considerarmos:

u = 0,1; t = 0,4; v = 0,08

teremos K = 0,08 / ( 0,1 x 0,4) = 2

logo y = 2 x z

se z = 50

Y = 100

Percentagem

A expressão por cento, indicada pelo símbolo %, significa centésimos.


Assim, 25% é simplesmente outra maneira de exprimir 25 a dividir por 100 (25/100), ou 0,25 ou
¼.

Quando dizemos: O senhor Joaquim cobra 10% de comissão em cada andar que vende;
Queremos dizer: O senhor Joaquim exige 10 por cada 100 do preço do andar que vende.

Quando dizemos: certo investimento produz 6% ao ano;


Queremos dizer: o investimento produz 6 por cada 100 investidos.

II
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 47
III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS

CÁLCULO COMERCIAL
E
FINANCEIRO
III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS IEFP

1. RESUMO

Quem são as entidades económicas?

• famílias e empresas.

Como é que as famílias geram recursos?

• os salários ou outro tipo de rendimentos;

• excedente que pode ser poupado.

Essas aplicações podem apresentar várias formas, desde simples Depósitos a Prazo, Contas
Poupança Habitação, Contas Poupança Reforma ou outro tipo de aplicações em títulos,
nomeadamente acções, obrigações ou títulos de divida pública.

Como é que as empresas geram recursos?

Primeiro têm que se produzir bens ou prestar serviços, e só posteriormente estão em condições de
receber os valores correspondentes a essas vendas ou prestações de serviços efectuadas.

Os excedentes monetários podem ser aplicados.

Como podem as entidades económicas suprir as suas necessidades de recursos?

Podem recorrer a empréstimos junto das entidades financeiras correspondentes, bancos ou


sociedades especificas para a concessão de crédito ou vendas a crédito.

Depósito - Forma de aplicação financeira por excelência, verifica-se sempre que entregamos uma
determinada quantia monetária à guarda de uma entidade e em contrapartida obtemos uma
retribuição em função do tempo, esta retribuição é acordada entre as partes mediante a aplicação
de uma determinada taxa.

As taxas de retribuição dos depósitos são denominadas por taxas de juro passivas.

O montante entregue assume a denominação de Capital, a retribuição assume a denominação de


Juro.

III
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 51
IEFP III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS

Os principais tipos de depósitos que existem actualmente são:

Depósitos bancários

• À ordem;

• Com pré-aviso;

• A prazo;

• A prazo mas com possibilidade de mobilização antecipada.

Depósitos com finalidades especificas:

• Poupança Habitação;

• Poupança Reforma;

• Poupança Emigrante.

Empréstimo - Forma de utilização de capitais que não nos pertencem.

Verifica-se sempre que solicitamos uma determinada quantia monetária a uma entidade, financeira
ou equiparada, e em contrapartida pagamos uma retribuição em função do tempo, esta retribuição
é acordada entre as partes mediante a aplicação de uma determinada taxa.

As taxas pagas pelos empréstimos são denominadas por taxas de juro activas, são as taxas que as
entidades financiadoras cobram pelos montantes emprestados.

A taxa de juro activa é superior à taxa de juro passiva, ou seja os bancos pagam menos pelos
depósitos que cobram pelos empréstimos.

O montante entregue assume a denominação de Capital, a retribuição assume a denominação de


Juro.

III
52 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS IEFP

Tipos de empréstimos

• Empréstimos das Empresas

• Empréstimos de Curto Prazo;

• Empréstimos em Conta Corrente;

• O Descoberto Bancário.

• Tipo de Empréstimos de Médio e Longo Prazo:

• Empréstimo Bancário;

• Empréstimos Obrigacionistas.

• Empréstimos das famílias

• Empréstimo para compra de casa;

• Empréstimo para compra de carro;

• Outros empréstimos ao consumo, exemplo vendas as prestações de electrodomésticos;

• Cartão de Crédito;

• Conta Ordenado.

III
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 53
IEFP III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS

2. PLANO DAS SESSÕES

Introduzir o tema recorrendo aos exemplos de frases diárias enquadradas no universo dos
formandos, em função do seu conjunto e suas características.

Introduzir os temas financeiros caracterizando:

• os diversos intervenientes económicos, nomeadamente as Famílias, os Bancos, as Empresas e


o Estado;

• as relações que se estabelecem entre estes intervenientes;

• caracterizar a actividade financeira como agentes que captam fundos (aplicações) e agentes
que cedem fundos;

• distinguir os diversos tipos de depósitos;

• distinguir os diversos tipos de empréstimos;

• em função das características dos formandos solicitar exemplos práticos levando-os a


equacionarem os diversos valores pagos como juros e capitais;

• provocar nos formandos perguntas que relacionem juro com capital e tempo.

Duração estimada: 8 horas

III
54 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS IEFP

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

As situações seguintes são normais e pertencentes ao quotidiano das famílias e das empresas, o
objectivo é identificar em cada uma delas a melhor solução de aplicação financeira:

1. No final do mês de Junho a empresa “Paga Tudo Lda.” não tinha fundos suficientes para
efectuar os pagamentos dos vencimentos ao seu pessoal. O administrador imediatamente
contactou o Banco Rapidez e a situação foi ultrapassada. Que se terá passado naquele
telefonema, que solução terá sido adoptada?

A empresa terá uma situação de descoberto autorizado no banco, no caso de já estar


autorizada não seria preciso qualquer telefonema, no caso de não estar previamente autorizada
tê-lo-à sido após o telefonema.

2. Um jovem casal de namorados tem projectos de casamento para daqui a dois anos, como
“Quem casa quer casa”, pensaram depositar algumas economias com essa finalidade. Que lhes
sugere?

Uma Conta de Depósito Habitação, é uma forma de depósito com uma retribuição superior à de
um depósito a prazo normal. No ano em que é constituída traz benefícios fiscais aos
contribuintes.

3. Imagine que o jovem casal tem um tio que vive no estrangeiro. Este tio pretende dar-lhes uma
“ajudinha” oferecendo-lhes o mobiliário da casa. Sendo o tio emigrante o que será mais
vantajoso para aplicar esse dinheiro?

O tio deverá aplicar o dinheiro em seu nome numa conta Poupança Emigrante, aquando do
casamento desmobiliza essa conta e transfere o dinheiro para os jovens.

4. Se a sua conta de depósitos à ordem tiver um saldo muito elevado que deverá fazer?

Deverei efectuar uma aplicação, o tipo de aplicação dependerá das minhas perspectivas de
utilização desses montantes em termos de valores e de tempo.

5. “Dinheiro gera dinheiro”, que entende por esta expressão?

Dinheiro aplicado origina retribuição por parte das entidades financeiras, esta retribuição
chama-se Juro, no final do prazo da aplicação o meu dinheiro é maior do que no seu inicio.

6. A empresa “Lava Tudo Lda.” fez investimentos em máquinas novas para limpeza de prédios, no
entanto teve que pedir empréstimo ao banco, o prazo para pagamento desse empréstimo são 4
anos, como o classifica?

Trata-se de um empréstimo de médio prazo. Se durasse até um ano seria de curto prazo, se o
seu prazo fosse superior a 5 anos seria de longo prazo.

III
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 55
IEFP III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS

7. Quem trabalha, sabe como é difícil fazer chegar o ordenado até ao fim do mês, para resolver
este problema, alguns bancos possibilitam a utilização de certos valores (relacionados com os
valores do ordenado mensal), antes do recebimento desse mesmo ordenado. Como se chama
esta facilidade.

Chama-se Conta Ordenado e trata-se de uma autorização para utilizar fundos que não se têm
até um determinado limite que não exceda o valor do ordenado a receber.

8. O que é mais lucrativo para um banco, emprestar dinheiro ou captar poupança.

Para um banco é mais lucrativo emprestar dinheiro.

9. Existe alguma aplicação mais favorável para captar as aplicações dos reformados? Qual?

Os reformados podem aplicar as suas poupanças em Contas Poupança Reforma, são contas
com uma remuneração mais favorável, mas limitadas em termos numéricos por reformado.

10. Posso utilizar o dinheiro aplicado numa Conta Poupança Habitação para comprar um carro, sem
perder qualquer benefício?

Não, as Contas Poupança Habitação devem ser utilizadas para aquisição de casa ou realização
de obras na habitação, e o depósito inicial tem que permanecer um ano sem ser desmobilizado.
Ao pretender desmobilizar o depósito Poupança Habitação, independentemente de ter ou não
decorrido o prazo inicial de uma ano, tem que ser entregue ao estado o IRS não pago no ano
de constituição desse depósito.

11. Quando uma entidade financeira concede um empréstimo a uma empresa, que recebe em
troca?

Recebe o pagamento dos juros referentes aos montantes emprestados, estes juros resultam da
aplicação de uma taxa de juro activa sobre os capitais em função do tempo decorrido.

12. E quando uma família vai depositar as suas poupanças, que recebe da instituição financeira?

Paga juros referentes aos montantes aplicados pelas famílias, estes juros resultam da aplicação
de uma taxa de juro passiva sobre os capitais em função do tempo decorrido.

13. São iguais as remunerações referidas em 11 e 12? Qual é maior?

As remunerações não são iguais, a remuneração decorrente da aplicação da taxa activa


(empréstimos) é superior.

14. O valor da remuneração obtida pela instituição financeira é igual para qualquer valor? E para
qualquer espaço de tempo?

O valor das remunerações obtidas e pagas variam em função dos montantes de capital e dos
prazos envolvidos.

III
56 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS IEFP

4. TRANSPARÊNCIAS

Formas de aplicação

Num contexto económico de escassez e limitação de todo o tipo de recursos, o dinheiro posto à
disposição de cada entidade económica (famílias e empresas) tem que ter uma utilização
optimizada e rentabilizada.

Vamos agrupar as aplicações em dois tipos:

• Os depósitos - quando as famílias ou as empresas detêm excedentes e procuram uma entidade


financeira a quem entregam esses excedentes mediante o recebimento de uma compensação
(o juro a receber );

• Os empréstimos - quando as famílias ou as empresas têm necessidades de fundos e procuram


uma entidade financeira para colmatar essa necessidade mediante o pagamento de uma
compensação pela utilização desses valores (o juro a pagar).

Do que aqui fica dito pode-se concluir que um depósito de um particular ou empresa numa entidade
financeira é uma aplicação financeira, colocada numa entidade financeira.

Enquanto que um empréstimo a uma empresa ou a uma família por parte de uma instituição
financeira, é uma aplicação da entidade financeira, colocada nessa empresa ou família.

Depósito

Forma de aplicação financeira por excelência, verifica-se sempre que entregamos uma determinada
quantia monetária à guarda de uma entidade e em contrapartida obtemos uma retribuição em
função do tempo, esta retribuição é acordada entre as partes mediante a aplicação de uma
determinada taxa.

As taxas de retribuição dos depósitos são denominadas por taxas de juro passivas, são as taxas
que a entidade financeira utiliza para calcular os juros a pagar a quem lhe entrega os seus
excedentes.

O montante entregue assume a denominação de Capital, a retribuição assume a denominação de


Juro.

No final do prazo acordado verifica-se a devolução do capital entregue e o pagamento do


respectivo juro, juro este calculado em função da taxa de juro e do prazo decorrido entre as duas
datas.

III
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 57
IEFP III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS

No final de cada período o beneficiário pode receber os juros gerados ou mantê-los, aumentando
assim o valor do seu depósito.

Os principais tipos de depósitos que existem actualmente são:

• Depósitos bancários:

• À ordem;

• Com pré – aviso;

• A prazo;

• A prazo mas com possibilidade de mobilização antecipada.

• Depósitos com finalidades especificas:

• Poupança habitação;

• Poupança Reforma;

• Poupança Emigrante.

Empréstimo

Forma de utilização de capitais que não nos pertencem.

Verifica-se sempre que solicitamos uma determinada quantia monetária a uma entidade, financeira
ou equiparada, e em contrapartida pagamos uma retribuição em função do tempo, esta retribuição
é acordada entre as partes mediante a aplicação de uma determinada taxa.

As taxas pagas pelos empréstimos são denominadas por taxas de juro activas, são as taxas que as
entidades financiadoras cobram pelos montantes emprestados.

A taxa de juro activa é superior à taxa de juro passiva, ou seja os bancos pagam menos pelos
depósitos que cobram pelos empréstimos.

O montante entregue assume a denominação de Capital, a retribuição assume a denominação de


Juro.

No final do prazo acordado verifica-se o pagamento do capital utilizado e do respectivo juro, juro
este calculado em função da taxa de juro e do prazo decorrido entre as duas datas.

III
58 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
III. APLICAÇÕES FINANCEIRAS IEFP

Empréstimos das Empresas

Empréstimos de Curto Prazo- visam fundamentalmente fazer face a necessidades pontuais de


tesouraria:

• Empréstimos em Conta Corrente;

• O Descoberto Bancário.

Empréstimos de Médio e Longo Prazo- tem por objectivo reforçar a estrutura de capitais
permanentes das empresas, uma vez que estes empréstimos permanecem na empresa vários
ciclos de exploração:

• Empréstimo Bancário;

• Empréstimos Obrigacionistas.

Empréstimos das Famílias

Tipos de empréstimos:

• Empréstimo para compra de casa;

• Empréstimo para compra de carro;

• Outros empréstimos ao consumo, exemplo vendas as prestações de electrodomésticos;

• Cartão de Crédito;

• Conta Ordenado.

O empréstimo para aquisição de qualquer bem pode ser obtido por diferentes formas:

• Empréstimo directo - o banco empresta dinheiro directamente ao cliente para este efectuar a
compra pretendida, as partes acordam entre si a forma de reembolso e a taxa a aplicar;

• Financiamento ao crédito a efectuar por Sociedades Financeiras de Aquisição a Crédito (SFAC)


- o cliente escolhe um bem e existe uma sociedade que paga por ele ao vendedor, devendo o
cliente posteriormente pagar o montante à sociedade financiadora, nos moldes em que
acordarem, podem existir garantias.

III
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 59
IV. REGIME DE JURO SIMPLES

CÁLCULO COMERCIAL
E
FINANCEIRO
IV. REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

1. RESUMO

Existe mais do que um regime para calcular o valor dos juros a pagar ou a receber, dependendo
dos valores de base para o cálculo:

• Regime de Juro Simples

• Regime de Juro Composto

Assim no regime de juro de juro simples, os juros são sempre calculados sobre o valor inicialmente
aplicado ou emprestado.

No regime de juro composto em que os juros incidem sobre capital e juro que vai sendo gerado em
cada momento.

Expressão algébrica do juro simples

Os factores tempo, capital e juro são conhecidos e usualmente tratados nos negócios e nas
relações económicas, considerando:

C C+J

0  i  1 t

Sabendo que:

C - Capital Inicial

J - Juro gerado durante um momento à taxa i

t - número de momentos ou períodos da aplicação

J=Cxix1

Juro = Capital Acumulado - Capital Inicial

Juro = Capital Inicial x taxa de juro x prazo

Juro => J = C x i x t

IV
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 63
IEFP IV. REGIME DE JURO SIMPLES

Expressão algébrica do capital


J
Capital => C = ----------
ixt
Expressão algébrica da taxa de juro
J
taxa de juro => i = --------
Cxt
Expressão algébrica do tempo
J
tempo => t = --------
Cxi

Expressão que permite calcular o juro acumulado durante m meses pelo capital Co em regime de
juro simples e à taxa anual i
m
Jt = ------ x Co x i , ou
12

Co x i x m
Jt = ----------------
1.200

Expressão que permite calcular o juro acumulado durante d dias pelo capital Co em regime de
juro simples e à taxa anual i ( o ano civil é o mais utilizado):

d
Jt = ----------- x Co x i , ou
365

Co x i x m
t = ----------------
36.500

IV
64 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
IV. REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

O Método dos Divisores Fixos

Principio do método - Efectua a decomposição da fórmula dos juros em dois factores:

1. factor composto pelos elementos variáveis da fórmula - denominado NÚMERO = N (Capital e


Tempo)

2. factor composto pelos elementos fixos da fórmula – denominado Divisor = D (taxa de juro i
constante)

Co x i x t i
J = ---------------- ou J = Co x t x ----------
36.500 36.500

1 N
ou ainda J = N x ------ donde J = --------
D D

Como o N é variável virá:

∑N
i=1
i

J = ----------------
D

Em que D = 36.500 / i e N = Co x t

IV
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 65
IEFP IV. REGIME DE JURO SIMPLES

2. PLANO DAS SESSÕES

No seguimento das noções introduzidas no capítulo anterior passar à formalização da relação entre
Capital, Taxa de juro e Tempo:

• de uma forma simples explicar as diferenças entre juro simples e composto, não recorrendo a
expressões algébricas mas apenas fazendo referência a conceitos de acumulação de juros;

• recorrer sempre que possível à representação gráfica:

C C+J



0  i  1 t

Sabendo que:

C - Capital Inicial

J - Juro gerado durante um momento à taxa i

t - número de momentos ou períodos da aplicação

J=Cxix1

• deduzir as diversas expressões algébricas, fazendo apelo aos conhecimentos obtidos nos
capítulos anteriores;

• em todos os exercícios fazer dedução da fórmula a aplicar para provocar o hábito e criar
agilidade na relação das grandezas;

• utilizar meios informáticos, nomeadamente folhas de cálculo para resolver os exercícios em que
se verifique a elaboração de quadros.

Duração estimada: 10 horas

IV
66 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
IV. REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Um capital de 400.000 u.m. foi aplicado durante um prazo de seis anos, à taxa de juro de 2%
trimestral.

Qual a taxa anual?

Qual o rendimento produzido por aquele capital durante o prazo da aplicação.

Resolução:

Co = 400.000

t = 6 anos ou 24 trimestres

i = 2 % trimestral

Qual a taxa anual?

12 / 3 = 4

i anual = i trimestral x 4

0,02 x 4 = 0,08 = 8%

Qual o rendimento produzido por aquele capital durante o prazo da aplicação.

Juro = J = 400.000 x 0,02 x 24 = 192.000 utilizando a taxa trimestral, ou

Juro = J = 400.000 x 0,08 x 6 = 192.000 utilizando a taxa anual.

IV
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 67
IEFP IV. REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 2

O senhor Gil contraiu um empréstimo de 4.500.000 u.m. para compra de uma viatura, tendo-se
comprometido a liquidar juros trimestrais de 101.250,00 u.m., a que taxa anual foi o empréstimo
contraído.

Resolução:

Co = 4.500.000

J trimestral = 101.250

101.250
taxa de juro trimestral = i trimestral = ----------------- = 0,0225
4.500.000

taxa de juro anual = i anual = i trimestral x 4 = 0,00225 x 4 = 0,09 = 9%

IV
68 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
IV. REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 3

Uma entidade investiu 1.000 u.m. durante 3 anos, em regime de juro simples, à taxa de 10% ao
ano.

O valor acumulado no fim do prazo;

Cn = 1.000 x (1 + 0,1 x 3 ) = 1.300 u.m.

O juro total produzido pelo investimento;

J = Cn - Co = 1.300 - 1.000 = 300

ou

J = 1.000 x 0,1 x 3 = 300

O juro produzido no último ano do investimento.

Juro no último ano é igual ao juro de qualquer um dos anos:

J = 1.000 x 0,1 = 100

IV
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 69
IEFP IV. REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 4

Uma entidade investiu 1.000 u.m. durante 3 anos, em regime de juro simples, à taxa de 2,5% ao
trimestre.

Calcular o valor acumulado no fim do prazo.

Cn = 1.000 x ( 1 + 0,025 x ( 3 x 4 )) = 1.300

Calcular o juro total produzido pelo investimento.

J = 1.000 x 0,025 x ( 3 x 4 ) = 300

ou

J = 1.300 - 1.000 = 300

Calcular o juro produzido no último período do investimento.

Juro último período = Juro qualquer período = 1.000 x 0,025 = 25

IV
70 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
IV. REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 5

Aplicou-se um capital de 380.000 u.m. durante 3 anos à taxa de 7%.

Cálculo do juro periódico

J = 380.000 x 0,07 = 26.600

Cálculo do valor total a receber no final dos três anos

Cn = 380.000 x ( 1 + 0,07 x 3 ) = 459.800

Cálculo do juro total

Juro total = 3 x Juro periódico = 3 x 26.600 = 79.800 ou

Juro total = 380.000 x ( 0,07 x 3 ) = 79.800

IV
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 71
IEFP IV. REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 6

Calcular a taxa de juro a que foi aplicado um capital de 125.000 u.m., sabendo que ao fim de três
anos e três meses o investidor obteve um valor acumulado de 130.500 u.m.

Resolução:

t = 3 anos e três meses = 3 x 12 + 3 = 39 meses

Cn = 130.500

Co = 125.000

Juro total = 130.500 - 125.000 = 5.500

5.500 = 125.000 x i x 39

5.500
i mensal = -------------------------- = 0,00113
125.000 x 39

i anual = 0,00113 x 12 = 0,01356 = 1,356%

IV
72 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
IV. REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 7

Um capital de 31.000.000 u.m. aplicado a uma determinada taxa anual durante 25 trimestres
produziu um juro de 17.437.500 u.m. Calcule a taxa anual.

Resolução:

Co = 31.000.000

i anual = ?

t = 25 trimestres

J = 17.437.500

17.437.500 = 31.000.000 x i trimestral x 25

17.437.500
i trimestral = ----------------------- = 0,0225
31.000.000 x 25

i anual = 0,0225 x 4 = 9%

IV
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 73
IEFP IV. REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 8

Calcule o número de períodos de aplicação necessários para que um capital de 15.000.000 u.m.
aplicado à taxa de 7,5% ao ano se transforme num capital acumulado de 20.625.000 u.m..

Resolução:

Co = 15.000.000

i = 7,5%

t=?

Cn = 20.625.000

Pela fórmula do Juro

20.625.000 - 15.000.000 = 15.000.000 x 0,075 x t

5.625.000
t = --------------------------------
15.000.000 x 0,075

t = 5 anos

Pela fórmula do capital acumulado

20.625.000 = 15.000.000 x ( 1 + 0,075 x t )

20.625.000 = 15.000.000 + 1.125.000 t

20.625.000 - 15.000.000 = 1.125.000 t

5.625.000 = 1.125.000 t

5.625.000
t = -------------------------
1.125.000

IV
74 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
IV. REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 9

Determine, utilizando o método dos divisores fixos o juro obtido pelo Sr. Fernando Silva na sua
conta de depósitos à ordem, que apresentou os seguintes saldos durante o ano de 1997, sabendo
que a taxa de remuneração obtida junto do Banco “Poupe Milhões” é de 4% ao ano:

Data Descrição Débito Crédito Saldo


01-Jan Saldo Inicial 100.000
29-Fev Deposito 200.000 300.000
20-Mar Cheque 150.000 150.000
31-Mar Transferencia 7.000 143.000
05-Mai Cheque 25.000 118.000
20-Jun Cheque 50.000 68.000
02-Jul Deposito 300.000 368.000
10-Ago Cheque 75.000 293.000
15-Set Deposito 300.000 593.000
05-Nov Cheque 10.000 583.000
31-Dez Saldo Final 583.000

Data Saldo Numero Números


Dias Comerciais
01-jan 100.000 58 5.800.000
28-fev 300.000 20 6.000.000
20-mar 150.000 11 1.650.000
31-mar 143.000 35 5.005.000
05-mai 118.000 46 5.428.000
20-jun 68.000 12 816.000
02-jul 368.000 39 14.352.000
10-ago 293.000 36 10.548.000
15-set 593.000 51 30.243.000
05-nov 583.000 56 32.648.000
31-dez
Total 112.490.000

0,04
Juro = ------------ x 112.490.000 = 12.327,67
365

IV
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 75
IEFP IV. REGIME DE JURO SIMPLES

4. TRANSPARÊNCIAS

Noções relativas ao juro simples

Existe mais do que um regime para calcular o valor dos juros a pagar ou a receber, dependendo
dos valores de base para o cálculo:

• Regime de Juro Simples;

• Regime de Juro Composto.

Assim no regime de juro de juro simples, os juros são sempre calculados sobre o valor inicialmente
aplicado ou emprestado.

No regime de juro composto em que os juros incidem sobre capital e juro que vai sendo gerado em
cada momento.

No regime de juro simples somente o capital inicial produz juros durante toda a vida da
transacção

Expressão algébrica do juro simples

Se em 1/1/98 aplicamos um capital 100 u.m. e em 31/12/98 temos um capital de 108 u.m. podemos
dizer que durante o ano de 1998 o capital de 100 u.m. gerou um juro de 8 u.m., decorrendo que:

Juro = Capital Acumulado – Capital Inicial

De outra forma podemos expressar o juro em função do capital inicial, do prazo decorrido e da taxa
a que esteve aplicado:

Juro = Capital Inicial x Taxa de juro x Prazo ou Tempo

IV
76 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
IV. REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Expressões algébricas do capital, tempo e taxa

Os factores tempo, capital e juro são conhecidos e usualmente tratados nos negócios e nas
relações económicas.

C C+J

0  i  1 t

Sabendo que:

C - Capital Inicial

J - Juro gerado durante um momento à taxa i

t - número de momentos ou períodos da aplicação

J=Cxix1

Logo podemos expressar cada uma destas variáveis em função das outras:

Juro
C = Capital = --------------------
taxa x tempo

Juro
i = taxa = -------------------
Capital x tempo

Juro
t = tempo = -------------------
Capital x Taxa

IV
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 77
IEFP IV. REGIME DE JURO SIMPLES

Capital (C)

Capital é todo o conjunto de meios líquidos (moeda) cedidos durante um determinado espaço de
tempo, temporária ou definitivamente, produzindo uma certa remuneração para o seu possuidor ou
proprietário.

O Capital Inicial é o valor entregue ou utilizado no momento t, é este o capital que vai vencer juros
durante os n períodos, a duração destes períodos é de uma unidade de taxa, são n anos, ou n
semestres ou n trimestres.

No momento (T+1), ou seja após ter decorrido um período de taxa de juro o capital C transformou-
se em (C+J).

Tempo (t)

Tempo é o prazo durante o qual o capital é aplicado, será dividido em parcelas mais ou menos
longas em função da taxa à qual é referida a remuneração do capital.

A cada uma destas parcelas, denomina-se período.

O período pode ser anual, semestral, trimestral, etc., consoante a unidade de tempo for o ano, o
semestre ou o trimestre.

Taxa de juro (i)

Taxa de juro é o acréscimo sofrido por uma unidade de capital que esteja aplicada durante uma
unidade de tempo.

Em termos práticos a taxa de juro é referida a 100 unidades de capital pois é apresentada em
termos de percentagem, representa o rendimento de 100 unidades de capital aplicado durante uma
unidade de tempo, ou seja, dizer que a taxa de juro é de 20% ao ano significa que durante um ano
100 unidades de capital produzem 20 unidades do mesmo sob a forma de juro.

IV
78 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
IV. REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

A adequação da taxa de juro ao período de cálculo

Se o tempo está expresso em meses:

m
t = -------
12

em que m é o número de meses em que o capital está aplicado, logo

Expressão que permite calcular o juro acumulado durante m meses pelo capital Co em regime de
juro simples e à taxa anual i
m
Jt = ------ x Co x i , ou
12

Co x i x m
Jt = ----------------
1.200

Se o tempo está expresso em dias:


d d
t = ------- ( ano civil) ou t = ----------- (ano comercial)
365 360

em que d é o número de dias em que o capital está aplicado, logo

Expressão que permite calcular o juro acumulado durante d dias pelo capital Co em regime de
juro simples e à taxa anual i ( o ano civil é o mais utilizado):

d
Jt = ----------- x Co x i , ou
365

Co x i x m
t = ----------------
36.500

IV
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 79
IEFP IV. REGIME DE JURO SIMPLES

O Método dos Divisores Fixos

Normalmente utilizado pelas instituições bancárias para calcular os juros sobre os capitais
emprestados ou sobre os capitais aplicados.

Principio do método - Efectua a decomposição da fórmula dos juros em dois factores:

1. factor composto pelos elementos variáveis da fórmula - denominado NÚMERO = N (Capital e


Tempo)

2. factor composto pelos elementos fixos da fórmula - denominadoDivisor = D (taxa de juro i


constante)

Co x i x t i

J = ---------------- ou J = Co x t x ----------

36.500 36.500

1 N
ou ainda J = N x ------ donde J = --------
D D

Como o N é variável virá:

∑N t
i=1
i

J = ----------------
D

Em que D = 36.500 / i e N = Co x t

IV
80 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES

CÁLCULO COMERCIAL
E
FINANCEIRO
V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES IEFP

1. RESUMO

O vencimento de juro, ou seja o incremento crescente e progressivo do valor de um capital, à


medida que o tempo vai decorrendo, representa a capitalização.

Capitalizar é o processo de acumulação de capital ou de produção de juros.

Expressão algébrica do capital acumulado

Um capital hoje cedido no valor de (Co) permitirá que decorrido um prazo n se disponha de um
capital no valor de (Cn), sendo que Cn é maior que Co.

Assim vamos passar a considerar a seguinte nomenclatura:

Cn - Valor capitalizado de Co

Co - Capital Inicial

Cn - Co - Esta diferença toma o nome de capitalização, ou seja o Juro

i - Taxa de capitalização, representa o aumento apresentado por uma unidade de capital


capitalizado durante uma unidade de tempo

m - período de taxa - unidade de tempo em que a unidade de capital está a ser capitalizada.

Fórmula geral de capitalização em regime de juro simples que nos permite relacionar o capital no
momento 0 com o capital no momento n.

Cn = Co x ( 1+ i x n )

Expressões Algébricas decorrentes

Capital Inicial

Sendo Cn = Co x ( 1 + i x t )

resolvendo em ordem a Co

Cn
Co = ------------------
(1+ixt)

V
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 83
IEFP V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES

Juro

Sabendo que Cn = Co . ( 1 + j . i )

J = Cn - Co

J = Co x i x t

Taxa de Juro

Pela expressão do capital Acumulado

Cn = Co x ( 1 + i x t )

Cn - Co
i = -----------------
n x Co

Pela Razão dos Juros

Jn = Co x i x n

Jn
i = ------------
Co x n

Prazo da Aplicação

Pela expressão do capital Acumulado

Cn = Co x ( 1 + i x t )

Cn - Co
n = -----------------
i x Co

Pela Razão dos Juros

Jn = Co x i x n

Jn
n = ------------
Co x i

V
84 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES IEFP

2. PLANO DAS SESSÕES

Recorrendo à representação

Co C1 =C+J



0  i  1 t

Sabendo que:

C - Capital Inicial

J - Juro gerado durante um momento à taxa i

t - número de momentos ou períodos da aplicação

J=Cxix1

Deduzir a expressão de Capital acumulado:

Co - Capital aplicado no momento 0

Cn - Capital acumulado no momento n

i - taxa de juro para o período

n - número de períodos , começa no 1 e termina no n (1,2,3......n)

J1 - Juro do momento 1

J2 - Juro do momento 2

J3 - Juro do momento 3

Jn - Juro do momento n

J1 = Co x i x 1

J2 = Co x i x 2

J3 = Co x i x 3

Jn = Co x 1 x n

V
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 85
IEFP V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES

Cn = Co + J1 + J2+ J3 +.....+Jn

Substituir cada J pela expressão ( Co x i x n)

Cn = Co + Co x i x 1 + Co x i x 2 + Co x i x 3 +.......+ Co x i x n

Colocar Co em evidência

Cn = Co ( 1+ i x n )

Fórmula geral de capitalização em regime de juro simples que nos permite relacionar o capital no
momento 0 com o capital no momento n.
Cn = Co x ( 1+ i x n )

Utilizar os exemplos apresentados por forma que os formandos relacionem as grandezas e sejam
rápidos na formulação de respostas para os problemas.

Duração estimada: 8 horas

V
86 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES IEFP

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Um capital de 1.500 u.m. esteve colocado, em regime de juro simples, durante um certo prazo, ao
fim do qual produziu o valor acumulado de 1.800 u.m..

Calcule o prazo de colocação em cada uma das seguintes situações:

1. taxa quadrimestral de 5% (em meses);

J = 1.800 - 1.500 = 300

0,05
300 = 1.500 x ----------- x t
4

t = 16 meses

2. taxa trimestral de 4% (em meses);

J = 1.800 - 1.500 = 300

0,04
300 = 1.500 x ----------- x t
3

t = 15 meses

3. taxa bimestral de 2% (em meses);

J = 1.800 - 1.500 = 300

0,02
300 = 1.500 x ----------- x t
2

t = 20 meses

V
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 87
IEFP V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES

4. taxa anual de 18,25% (em dias utilizando o ano civil).

J = 1.800 - 1.500 = 300

0,1825
300 = 1.500 x ----------- x t
365

t = 400 dias

V
88 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES IEFP

Exercício 2

Considere um investimento de 5.000 u.m. em regime de juro simples e calcule o valor acumulado
produzido nas seguintes condições, usando sempre o ano comercial:

1. Ao fim de 7 meses com juros contados à taxa anual de 10%;

5.000 x ( 1 + ( (0,10 / 360) x ( 7 x 30 ) )) = 5.291,66(7)

2. Ao fim de um ano e meio com juros contados à taxa quadrimestral de 4%;

5.000 x ( 1 + ( 0,04 / (4 x 30) x (18 x 30) )) = 5.900

3. Ao fim de dois anos com juros contados à taxa trimestral de 2,5%.

5.000 x ( 1 + ( 0,025 / (3 x 30) x ( 2 x 12 x 30) )) = 6.000

V
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 89
IEFP V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES

Exercício 3

Considere um capital de 3.000 u.m. aplicado num regime de juro simples nas seguintes condições,
e determine o valor acumulado obtido em cada uma das hipóteses:

1. Durante 170 dias à taxa mensal de 1%, usando o ano civil;

3.000 x (1 + (0,01 x 12 x ( 170 / 365 ) ) ) = 3.167,67

2. Durante 190 dias à taxa bimestral de 1.5%, usando ano civil;

3.000 x (1 + (0,015 x 6 x ( 190 / 365 ) ) ) = 3.140,548

3. Durante um ano à taxa semestral de 6%, usando o ano civil;

3.000 x (1 + (0,06 x 2 ) ) = 3.360

4. Durante 18 meses à taxa de 12% referida ao período de nove meses, usando o ano comercial.

3.000 x (1 + (0,012 x 2 ) ) = 3.720

V
90 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES IEFP

Exercício 4

Uma entidade tinha disponível o capital de 10.500 u.m. e decidiu aplicá-lo em regime de juro
simples durante o prazo de seis meses em três modalidades distintas .

Ao fim do prazo de aplicação recebeu os seguintes valores acumulados:

1ª modalidade - 4.200 u.m., sendo os juros contados à taxa (i);

2ª modalidade - 5.275 u.m., sendo os juros contados à taxa ( i x 1,1);

3ª modalidade - 3.710 u.m., sendo os juros contados à taxa anual ( i x 1,2);

1 - valor aplicado em cada modalidade sabendo que o da primeira representa 80% do valor da
segunda;

Vamos denominar por:

A - Valor aplicado na 1ª modalidade

B - Valor aplicado na 2º modalidade

C - Valor aplicado na 3ª modalidade

Equações a formular:

(1) A + B + C = 10.500

(2) A = 0,80 x B

(3) A = 4.200 / ( 1 + i )

(4) B = 5.275 / ( 1 + 1,1 i )

C = 3.710 / ( 1 + 1,2 i )

V
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 91
IEFP V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES

Com as equações (2), (3) e (4) vamos efectuar um sistema de três equações a três incógnitas e
calcular o i, o B e o A:

i = 0,05

B = 5.000

A = 4.000

Conhecendo A e B podemos determinar C na equação (1)

C = 1.500

2 - as taxas remuneratórias anuais de cada modalidade.

1ª modalidade : 5% ao semestre - 10 % ao ano

2º modalidade : 5% x 1,1 = 5,5 % ao semestre - 11% ao ano

3ª modalidade : 5% x 1,2 = 6% ao semestre - 12% ao ano

3 - a taxa média anual das aplicações.

Capital aplicado 10.500

Juro = 4.200 + 5.275 + 1.590 - 10.500 = 565

565 = 10.500 x ( i semestral)

i semestral = 0,05381 = 5,381%

i anual = 0,10762 = 10,762%

V
92 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES IEFP

Exercício 5

Uma divida de 4.000 u.m. vence juros simples ás taxas de 10% no 1º ano e 8% no 2º.

Pretende-se calcular o valor da cada pagamento a efectuar em cada uma das seguintes
modalidades:

1. pagamento de uma só vez no final do 2º ano do valor do capital e respectivos juros;

Juros 1º ano = 4.000 x (0,10) = 400

Juros 2º ano = 4.000 x (0,08) = 320

Valor a pagar no final do 2º ano = 4.000 + 400 +320 = 4.720

2. pagamento semestral de juros e reembolso do capital no final do segundo ano;

Semestre Juros Capital Pagamento


1 4.000 x 0,05 = 200 200
2 4.000 x 0,05 = 200 200
3 4.000 x 0,04 = 160 160
4 4.000 x 0,04 = 160 4.000 4.160

3. reembolso do capital em 8 prestações trimestrais e iguais, acrescidas dos juros vencidos em


cada trimestre.

Trimestre Capital Pagamento Taxa Juro Juro a Pagamento


em divida capital pagar total

1 4000,0 500,0 2,50% 100,0 600,0


2 3500,0 500,0 2,50% 87,5 587,5
3 3000,0 500,0 2,50% 75,0 575,0
4 2500,0 500,0 2,50% 62,5 562,5
5 2000,0 500,0 2,00% 40,0 540,0
6 1500,0 500,0 2,00% 30,0 530,0
7 1000,0 500,0 2,00% 20,0 520,0
8 500,0 500,0 2,00% 10,0 510,0

V
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 93
IEFP V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES

Exercício 6

Luísa efectuou uma aplicação pelo prazo de 14 meses.

Se a efectuasse por 18 teria obtido mais 2% do capital aplicado.

Calcular a taxa de juro a que ocorreu a aplicação.

O prazo diferencial é de ( 18 - 14 ) 4 meses;

A taxa diferencial para este período é de 2%, logo a taxa anual é de :

0,02 / 4 x 12 = 0,06 = 6%

V
94 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES IEFP

4. TRANSPARÊNCIAS

Expressão algébrica do capital acumulado

Um capital hoje cedido no valor de (Co) permitirá que decorrido um prazo n se disponha de um
capital no valor de (Cn), sendo que Cn é maior que Co.

Assim vamos passar a considerar a seguinte nomenclatura:

• Cn - Valor capitalizado de Co

• Co - Capital Inicial

• Cn - Co - Esta diferença toma o nome de capitalização, ou seja o Juro

• i - Taxa de capitalização, representa o aumento apresentado por uma unidade de capital


capitalizado durante uma unidade de tempo

• m - período de taxa - unidade de tempo em que a unidade de capital está a ser capitalizada.

O capital é constante no início de cada período, logo se as taxas forem constantes, será constante
o juro vencido em cada período

jo
i = ------- constante
Co

Fórmula geral de capitalização em regime de juro simples que nos permite relacionar o capital no
momento 0 com o capital no momento n.

Cn = Co x ( 1+ i x n )

V
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 95
IEFP V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES

Expressões Algébricas decorrentes

Capital Inicial

Sendo Cn = Co x ( 1 + i x t )

resolvendo em ordem a Co

Cn

Co = ------------------

(1+ixt)

Juro

Sabendo que Cn = Co x ( 1 + j x i )

J = Cn - Co

J = Co x i x t

Taxa de Juro

Pela expressão do capital Acumulado

Cn = Co x ( 1 + i x t )

Cn - Co
i = -----------------
n x Co

Pela Razão dos Juros

Jn = Co x i x n
Jn
i = ------------
Co x n

V
96 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
V. CAPITALIZAÇÃO AO JURO SIMPLES IEFP

Prazo da Aplicação

Pela expressão do capital Acumulado

Cn = Co x ( 1 + i x t )

Cn - Co
n = -----------------
i x Co

Pela Razão dos Juros


Jn = Co x i x n

Jn
n = ------------
Co x i

V
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 97
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

CÁLCULO COMERCIAL
E
FINANCEIRO
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

1. RESUMO

Expressão algébrica do valor actual

Co C1=Co+J1 Ct

0  i  1 t

Sabendo que:

Co - Capital Inicial aplicado no momento 0

Ct - Capital acumulado no momento t

Ct = Co x ( 1 + i x t )

Ct
Co = -----------------
1+ixt

Diz-se que no momento zero (0) , Co é o valor actual de Ct se aplicado à taxa i, produzir durante o
prazo t um valor acumulado igual a Ct.

Co é o valor que se pagaria ou receberia se o capital Ct fosse liquidado no momento 0, ou seja o


seu valor actualizado ou descontado para aquele momento.

Factor de actualização - A

1
A = -----------------
1+(i xt)

VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 101
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

Denomina-se por Desconto (D) a diferença entre o capital acumulado ( Ct ) e o capital inicial (Co),
ou seja é o prémio pago pelo facto de receber antecipadamente o valor de um capital, isto é por se
receber um capital antes do seu vencimento.

D = Ct - Co
Ct
podemos escrever D = Ct - ----------------
1+(ixt)

Existem duas formas de desconto, o desconto por dentro e o desconto por fora.

Desconto por dentro corresponde ao juro produzido pelo valor actual do capital durante o prazo
que falta para o seu vencimento.

Dd = Ct - Co

Dd = Co x i x t

Desconto por fora também designado desconto comercial, corresponde ao juro produzido pelo
valor nominal do capital durante o prazo que falta para o seu vencimento.
È calculado sobre o valor nominal do capital:

Df = Ct x i x t

Df > Dd porque Ct > Co

Deduzindo ao valor nominal o valor do desconto por fora, obtêm-se o valor actual comercial.

Comparação dos dois descontos

No desconto por dentro, o devedor dispõe do capital actual (Co) e paga juros sobre esse capital
(Co).

No desconto por fora, o devedor dispõe do capital actual (Co) , mas paga juros como se dispusesse
do valor nominal (Ct).

Taxa efectiva - taxa que foi efectivamente suportado face ao montante de juros liquidados e o
valor actual antecipado

i
io = -----------
1-i xt

VI
102 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

2. PLANO DAS SESSÕES

Recorrendo à representação

Co C1 =C+J



0  i  1 t

Sabendo que:

C - Capital Inicial

J - Juro gerado durante um momento à taxa i

t - número de momentos ou períodos da aplicação

J=Cxix1

Deduzir a expressão de Capital acumulado:

Co - Capital aplicado no momento 0

Cn - Capital acumulado no momento n

i - taxa de juro para o período

n - número de períodos , começa no 1 e termina no n (1,2,3......n)

J1 - Juro do momento 1

J2 - Juro do momento 2

J3 - Juro do momento 3

Jn - Juro do momento n

J1 = Co x i x 1
J2 = Co x i x 2
J3 = Co x i x 3
Jn = Co x 1 x n

Cn = Co + J1 + J2+ J3 +.....+Jn
VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 103
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

Substituir cada J pela expressão ( Co x i x n)

Cn = Co + Co x i x 1 + Co x i x 2 + Co x i x 3 +.......+ Co x i x n

Colocar Co em evidência

Cn = Co ( 1+ i x n )

Fórmula geral de capitalização em regime de juro simples que nos permite relacionar o capital no
momento 0 com o capital no momento n.
Cn = Co x ( 1+ i x n )

A partir desta fórmula deduzir a expressão do Valor Actual de um capital

Utilizar os exemplos apresentados por forma que os formandos relacionem as grandezas e sejam
rápidos na formulação de respostas para os problemas.

Explicar o conceito de Desconto como a f«diferença entre o valor do capital inicial e do capital
acumulado.

Deduzir a expressão de Desconto por Dentro:

Dd = Ct - Co

Substituir Co pela expressão:

Ct
C0 =- -------------
1+ ( i x t )

Ct
Dd = Ct - -------------
1+ ( i x t )

Colocar o mesmo denominador:

1+ ( i x t ) Ct
Dd = Ct x -------------------- - ----------------
1+ ( i x t ) 1+ ( i x t )

VI
104 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

Ct + Ct x ( i x t ) - Ct
Dd = -----------------------------
1+ ( i x t )

como Ct - Ct = 0

Ct x i x t
Dd = ---------------
1+ (ixt)

Ct
Dd = ----------------- x i x t
1+(ixt)

Substituir expressão por Co:

Ct
- -------------
1+ ( i x t )

Obtemos a fórmula

Dd = Co x i x t

A expressão do Desconto por Fora deduz-se apenas com a substituição de Co por Ct na expressão
do Desconto por Dentro.

Resolver os exercícios exemplificativos apresentados para que os formandos compreendam as


diferenças entre os dois tipos de desconto.

Deduzir a expressão de taxa efectiva.

Duração estimada: 10 horas

VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 105
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Um capital de 350 u.m. foi aplicado à taxa de juro i, transformando-se ao fim de quatro períodos
num valor acumulado de 602 u.m.:

1. Determinar a taxa de juro a que esteve aplicado.

602 = 350 x ( 1 + 4 x i )

602 - 350 = 4 x 350 x i

1.400 x i = 252

i = 0,18 = 18%

2. Determinar o juro acumulado no vigésimo ano.

Juro = 350 x 0,18 x 20

Juro = 1.260

VI
106 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

Exercício 2

Um empréstimo contraído à taxa anual de 15% será liquidado de uma só vez, ao fim de 8 meses
com o pagamento de 1.175 u.m., incluindo os juros de todo o prazo.

Calcular o valor do empréstimo sabendo que os juros foram calculados sobre o valor inicial.

0,15

1.175 = Co x ( 1 + ( -----------x 8 ) )

12

1.175

Co = ------------- = 1.068,18

1,1

VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 107
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

Exercício 3

Um capital Co se fosse aplicado às taxas de 8% e 10% produziria ao fim do 4º período uma


diferença de juro de 32 u.m. Determine Co.

Vamos ter duas equações:

Co x ( 0.08 x 4 ) = J e .............Co x ( 0.1 x 4 ) = J + 32

0,32 Co = J e .............0,4 Co = J + 32

substituindo J por 0,32 Co

-------------------- 0,4 Co = 0,32 Co + 32

---------------- ( 0,4 - 0,32 ) Co = 32

---------------- Co = 32 / 0,08

---------------- Co = 400

VI
108 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

Exercício 4

Calcular as taxas efectivas anuais correspondentes ao desconto por fora nas seguintes hipóteses:

1. Desconto por fora a 15% ao ano, pelo prazo de 8 meses;

0,15
---------------------- = 0,1666(7) = 16,667%
0,15
1 - ---------- x 8
12

2. Desconto por fora a 10% ao ano pelo prazo de 2 meses.

0,1
---------------------- = 0,1016949 = 10,1695%
0,1
1 - ---------- x 2
12

3. Desconto por fora a 14% ao ano pelo prazo de 7 meses.

0,14
---------------------- = 0,15245 = 15,245%
0,14
1 - ---------- x 7
12

4. Desconto por fora a 13% ao ano pelo prazo de 2 anos.

0,13
---------------------- = 0,17568 = 17,568%
1 - 0,13 x 2

5. Desconto por fora a 12% ao ano pelo prazo de 15 meses.

0,12
---------------------- = 0,14118 = 14,118%
0,12
1 - ---------- x 15
12

VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 109
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

Exercício 5

Uma entidade obteve um empréstimo de 2.000 u.m. a liquidar de uma só vez ao fim de sete meses,
com juros pagos antecipadamente à taxa anual de 13%.

Assim, pretende-se calcular:

1. O valor recebido pelo devedor na data do contrato

0,13
2.000 - 2.000 x --------- x 7 = 1.848,333
12

2. A taxa efectiva anual da operação.

2.000 - 1.848,333 12
-------------------------- x --------- = 0,14067 = 14,067%
1.848,333 7

VI
110 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

Exercício 6

Um empréstimo contraído à taxa anual de 12% vai ser liquidado, de uma só vez, ao fim de 10
meses com o pagamento de 1.855 u.m., incluindo os juros de todo o prazo.

Os juros foram calculados sobre o valor acumulado.

1. O valor do empréstimo.

0,12
Juros = 1.855 x ----------- x 10 = 185,5
12

Valor do empréstimo = 1.855 - 185,5 = 1.669,5

2. Calcular a taxa efectiva anual da operação.

185,5 12
Taxa efectiva = ----------- x ---------- x 100 = 13,094%
1.700 10

VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 111
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

Exercício 7

Uma divida de 600 u.m. vai ser liquidada por meio de três pagamentos vencíveis a dois, cinco e
nove meses, contados a partir da data do contrato, de valores nominais iguais a 124 u.m., 243 u.m
e P, respectivamente, incluindo juros à taxa de 20%.

Calcule o valor de P nas modalidades de desconto que conhece.

Vamos determinar o valor de P pela diferença entre o valor da dívida e o valor actual dos
pagamentos que vão ser feitos:

Utilizando desconto por Dentro

124 243 P
600 = ------------------------- + ------------------------- + -------------------------
1 + ( 0,2/12 x 2 ) 1 + ( 0,2/12 x 5 ) 1 + ( 0,2/12 x 9 )

Resolvendo a equação em ordem a P teremos:

P
-------------- = 256
1,15

P = 256 x 1,15 = 294 u.m.

Utilizando desconto por fora

0,2 0,2 0,2


600 = 124 x ( 1 - ----- x 2 ) + 243 x ( 1 - ------- x 5 ) + P x ( 1 - ------- x 9 )
12 12 12

P = 303 u.m.

VI
112 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

Exercício 8

Um determinado capital C vence juros, em regime de juros simples, à taxa anual i e sabe-se que:

• valor acumulado produzido ao fim de 4 meses é de 189 u.m.,

• valor acumulado de 189, aplicado por 8 meses à mesma taxa i, produz um novo valor
acumulado igual a 207.9 u.m.

1. Calcule a taxa i:

C x ( 1 + 4 x i ) = 189

189 x ( 1 + 8 x i ) = 207,9

resolvendo em ordem a i teremos

i = 0,0125

2. Calcule o capital C:

Como se sabe o valor de i podemos calcular o valor de C

C x ( 1 + 4 x 0,0125 ) = 189

C = 180 u.m.

VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 113
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

Exercício 9

O senhor Alquimista resolveu colocar dinheiro no Banco a uma taxa de 8% ao ano durante 5 anos,
de modo a que, exclusivamente com os juros que retirava integralmente no final de cada ano, poder
oferecer ao seu filho 5.000 u.m. quando este atingir a maioridade.

Considere a operação em regime de juro simples e resolva as seguintes questões:

1. Que quantia deverá o Sr. Alquimista depositar no banco?

Juros = 5.000

t=5

i = 0,08

C x 0,08 x 5 = 5.000

C = 12.500

2. Se o Sr. Alquimista estivesse disposto a fazer um depósito maior desde que pudesse
retirar metade do depósito no fim de 2 anos (continuando sempre a retirar os juros no
final de cada ano) quanto teria de depositar inicialmente?

No 1º e no 2º ano os juros são referentes a uma quantia a determinar Z, no 3º, 4º e 5º anos os


juros são referentes a metade desta quantia ( Z / 2 ).

5.000 = ( Z x 0,08 x 2 ) + ( (Z/2) x 3 x 0,08)

Z = 17.857 u.m.

3. Se o Sr. Alquimista apenas pudesse depositar inicialmente 5.000 contos, mas - retirando
sempre os juros - pudesse fazer um aumento do depósito ao fim de três anos, quanto
teria de ser o aumento?

Capital aplicado no ano 1, 2 e 3 - 5.000 u.m.

Capital aplicado no ano 4 e 5 - (5.000 + A) u.m.

5.000 = ( 5.000 x 0,08 x 3 ) + ( (5.000 + A) x 2 x 0,08 )

Resolvendo em ordem a A teremos:

A = 18.750 u.m.

VI
114 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

Exercício 10

O Sr. Joaquim recebeu um herança que decidiu depositar no banco em regime de juro simples à
taxa semestral de 10% durante o tempo necessário até que o valor acumulado fosse o dobro do
capital inicial.

Quanto tempo é necessário se o objectivo pretendido for 20.000 u.m.?

Se o capital final tem que duplicar o capital inicial, e se o capital final são 20.000 u.m. então o
capital inicial são 10.000 u.m..

20.000 = 10.000 ( 1 + 0,10 x t )

20.000 = 10.000 + 1.000 t

t = 10 semestres

VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 115
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

Exercício 11

Infelizmente para o Sr Joaquim, foi necessário pagar os impostos referentes à herança ao fim de 8
meses, para tal retirou 500 u.m. ao valor depositado.

Quanto tempo é agora necessário para obter 20.000 u.m.

Durante os primeiros 8 meses estarão aplicados as 10.000 u.m., após o mês 8 retiram-se 500 u.m.
ficando aplicadas 9.500 u.m..

20.000 = ( 10.000 x 0,10/6 x 8 ) + (9.500 x 0,10 x t ) + 9.500

t = 9,64947

ou seja, 9 semestres, 3 meses e 27 dias.

O prazo total da aplicação serão 10 semestres, 5 meses e 27 dias.

VI
116 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

Exercício 12

Um entidade possui um valor a receber daqui a seis meses no valor de 4.000 u.m., pretendendo
comprar uma máquina, pode escolher uma das alternativas seguintes:

• descontar esse valor ( em desconto por fora) à taxa semestral de 8% e comprar a máquina que
custa actualmente 3.000 u.m., depositando o restante no banco à taxa mensal de 1,5% no
regime de juro simples.

• comprar a máquina daqui a seis meses, altura em que efectivamente precisará dela, mas pelo
preço de 3.300 u.m.

1. Qual a solução por que se deverá optar?

2. Qual o preço futura da máquina que tornaria idênticas as duas alternativas?

Solução a adoptar:

O valor actual de 4.000 u.m. a receber daqui a 6 meses com uma taxa de 8% semestral é de:

4.000 x ( 1 - 0,08 ) = 3.680 u.m.

Comprando a máquina por 3.000 sobra para aplicar

3.680 - 3.000 = 680

No final dos seis meses teremos:

680 x ( 1 + 0,015 x 6 ) = 741,2 u.m.

Se receber daqui a seis meses as 4.000 u.m. e comprar a máquina por 3.300 u.m. quanto resta?

4.000 - 3.300 = 700 u.m.

É mais vantajoso a primeira hipótese pois o seu valor daqui a seis meses será maior.

Para ser indiferente a máquina teria que custar daqui a seis meses 3.258,8 u.m. ou seja, o valor da
primeira hipótese apresentada.

4.000 - 741.2 = 3.258, 8 u.m.

Só assim seria indiferente comprar hoje ou daqui a seis meses, mantendo-se todos os
pressupostos quanto aos valores e taxas.

VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 117
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

4. TRANSPARÊNCIAS

Expressão algébrica do valor actual

Co C1=Co+J1 Ct

0  i  1 t

Sabendo que:

Co - Capital Inicial aplicado no momento 0


Ct - Capital acumulado no momento t
Ct = Co x ( 1 + i x t )

Ct
Co = -----------------
1 +(i x t )

Diz-se que no momento zero (0), Co é o valor actual de Ct se aplicado à taxa i, produzir durante o
prazo t um valor acumulado igual a Ct.

Co é o valor que se pagaria ou receberia se o capital Ct fosse liquidado no momento 0, ou seja o


seu valor actualizado ou descontado para aquele momento.

Desconto por dentro

Desconto por dentro (Dd) também designado por desconto financeiro corresponde ao juro
produzido pelo valor actual do capital durante o prazo que falta para o seu vencimento.

Dd = Ct - Co
Ct
Dd = Ct - -------------
1+ ( i x t )
Ct x i x t
Dd = ---------------
1+ (ixt)
Ct
Dd = ----------------- x i x t
1+(ixt)
Dd = Co x i x t

VI
118 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO IEFP

Desconto por Fora

Desconto por fora (Df) também designado desconto comercial, corresponde ao juro produzido
pelo valor nominal do capital durante o prazo que falta para o seu vencimento.

É calculado sobre o valor nominal do capital:

Df = Ct x i x t
Df > Dd porque Ct > Co

Deduzindo ao valor nominal o valor do desconto por fora, obtêm-se o valor actual comercial.

Este desconto beneficia a entidade credora, porque paga hoje menos por um valor nominal futuro
igual ao do desconto por dentro.

Comparação dos dois descontos

O legítimo desconto financeiro é o desconto por dentro.

No desconto por dentro, o devedor dispõe do capital actual (Co) e paga juros sobre esse capital
(Co).

No desconto por fora, o devedor dispõe do capital actual (Co) , mas paga juros como se
dispusesse do valor nominal (Ct).

Taxa efectiva

Pelo que ficou mostrado, no desconto por fora existem duas taxas, a taxa nominal que é aplicada e
a taxa efectiva que resulta do valor descontado.

Taxa efectiva - taxa que foi efectivamente suportado face ao montante de juros liquidados e o
valor actual antecipado

VI
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 119
IEFP VI. EMPRÉSTIMOS COM JURO ANTECIPADO

O desconto que deveria ser suportado (financeiro):

Ct x i x t
Dd = ------------
1+ixt

O desconto efectivamente suportado (comercial):

Df = Ct x i x t

Taxa efectiva - io

Ct x io x t
Ct x i x t = ----------------
1 + io x t

io x t
i x t = ----------
1 + io x t

i
io = -----------
1-ixt

VI
120 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

CÁLCULO COMERCIAL
E
FINANCEIRO
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

1. RESUMO

O Desconto de efeitos comerciais (letras), é uma operação bancária através da qual o portador de
um efeito comercial pode antecipar o recebimento do seu valor junto de uma instituição bancária.

Esta operação acarreta encargos para a entidade que pretende antecipar o recebimento, é uma
forma de financiamento das empresas, os denominados Encargos de Desconto.

r - taxa de juro i% acrescentada da sobre taxa de y%

c - comissão de cobrança

I - imposto à taxa w

D - despesas diversas

Fórmula do Produto Liquido de Desconto

(t+2)r
Vo = Vt (1 - ( ------------------- + c) ( 1 + w ) )+ D
36.500

A reforma consiste na substituição de uma letra, no todo ou em parte, por outra ou outras com um
vencimento ou vencimentos posterior ou posteriores.

Face à impossibilidade de liquidação integral da letra a reformar a reforma deverá ser sempre
solicitada antes do vencimento da letra a reformar.

A reforma diz-se parcial quando o aceitante paga parte da letras que se vai vencer.

A reforma diz-se total quando a letra é substituída na sua totalidade por outra ou outras.

A reforma origina encargos para o aceitante, em virtude do beneficiário da letra não poder ver os
seus direitos reduzidos no todo ou em parte pela falta de cumprimento do aceitante.

Reforma com encargos pagos separadamente e à data da reforma

Quando os encargos não são englobados no valor da nova letra, sendo liquidados separadamente
ao aceitante.

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 123
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Consideremos:

Vo ou VN - valor nominal da letra a reformar ( valor actual na data da reforma)

A - Amortização da letra que se vence

Vt - Valor nominal da nova letra resultante da reforma

J - Juros à taxa r

Cc - Comissão à taxa c

I - Imposto à taxa w

D - despesas diversas

Os encargos a liquidar serão sobre Vt, sendo Vt calculado:

Vt = Vo - A

(t+2) r
E = Vt ( ----------- + c ) (1 + w ) + D
36.500

Reforma com encargos englobados na nova letra

Quando os encargos são englobados no valor da nova letra.

O valor da nova letra ser-nos-à dado por

V’t = Vo - A + E

sendo E e V’t desconhecidos assim,

Vo - A + D
V’t = -------------------------------------------
(t+2)r
1 - ( --------------- + c ) ( 1 + w )
36.500

E’ = V’t - ( Vo - A )

VII
124 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Pagamento em prestações

Prática comercial muito comum são as vendas em prestações de bens e serviços, constituindo um
importante meio de sustentar e fomentar o seu consumo.

O pagamento em prestações é normalmente titulado com letras vencíveis em períodos


equidistantes e com o mesmo valor nominal.

Podem surgir duas situações em função do tipo de encargos englobados nas letras:

• só estão incluídos os juros à taxa i e o respectivo imposto w para o estado, ou,

• as prestações incluem os encargos bancários de uma presumível negociação bancária do


desconto dessas letras (juros, comissão de cobrança, imposto e diversos).

As letras englobam apenas juros e o respectivo imposto

Consideremos:

Co - Capital em divida

Vn - Valor nominal de cada prestação

tk - prazo de vencimento da késima prestação

i - taxa de juro

I - Imposto ( w % sobre o valor do juro)

Co
Vn = -------------------------------
n
n- ∑ t i(1 + w )
j=1
j

Pagamento em prestações em que as letras englobam os encargos de um possível desconto

Admita-se agora que as prestações são tituladas por letras, letras essas que englobam os encargos
de uma possível negociação bancária, nomeadamente:

• juros

• comissão de cobrança

• imposto

• diversos

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 125
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Co + n D
Vn = ------------------------------------------------------
n

∑ i(t + 2)
j=1
j

n - ( ------------------ + n c ) ( 1 + w )
36.500

Equivalência de Capitais

Dois conjuntos de capitais dizem-se equivalentes num determinado momento quando as somas dos
valores actuais dos capitais componentes desses conjunto também forem iguais, referidos a esse
momento.

Consideremos dois conjuntos de capitais:

Conjunto A - C1, C2, Cn (Capitais)

t1 , t2 , tn ( Momentos de vencimento)

Conjunto B - C’1 , C’2 , C’m (Capitais)

t’1 , t’2 , t’m ( Momentos de vencimento)

Esquematicamente:

C1 C2 Cn
A 
0 t1 t2 tn

C’1 C’2 C’m


B 
0 t’1 t’2 t’m

Considerando Desconto por dentro

n n m m
∑ Cj - i ∑ Cj tj = ∑ C’j - i ∑ C’j t’j
j=1 j=1 j=1 j=1

VII
126 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Considerando Desconto por fora

Cj Cj
n n

∑j=1
 = ∑ j=1


1+ i tj 1+ i t’j

Capital Único

Por capital único no momento t, devemos entender o valor do capital vencível no momento t, que
substitui um conjunto de capitais vencíveis em momentos posteriores para uma dada taxa de juro.

Vamos considerar:

C - Conjunto de capitais - Ct, Ct+1, Ct+2, ..... Cn

t - Momentos de vencimento - t, t+1, t+2,...... n

Ct Ct+1 Ct+2 Cn
A  .............. 
0 t t+1 t+2 n

No momento t o capital único será o valor actual de todos os capitais vencíveis no futuro de (t+1) a
n:

Para Cálculo em Desconto por Fora

∑ (C − C t i)
j=1
j j j

Ct = 
1-it

Para Cálculo em Desconto por Dentro

Cj
n
Ct = ∑
j=1
 ( 1 + i t)

1 + i tj

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 127
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Vencimento Médio

Consiste em determinar o prazo, em que se deve vencer um capital por forma a que o seu valor
actual seja idêntico ao de outro capital.

Vamos determinar o momento t, em que se deve vencer o capital Ct de forma a substituir o


conjunto de capitais Cj’ aplicado a uma taxa de juro i.

n
Ct = ∑C
j=1
j

Em Desconto Por Fora


n

∑C t
j=1
j j

t = -----------------
n

∑C
j=1
j

Em Desconto por Dentro


n

∑C
j=1
j 1

t = ( ---------------------- - 1 )x --------
Cj i
n

∑j=1
----------

1 + i tj

Taxa média

Pretende-se apurar a taxa única que aplicada a um conjunto de capitais substitui um conjunto de
taxas diferentes aplicadas a esses mesmos capitais.

Consideremos um conjunto de capitais - C1, C2, Cn

aplicado pelos prazos - t1, t2, tn

ás taxas - i1, i2, in

VII
128 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Vamos deduzir a fórmula que nos permite substituir as diversas taxas por uma única taxa,
produzindo o mesmo rendimento:

∑C t i
j=1
j jj

i = ---------------------
n

∑C t
j=1
j j

Taxa Equivalente

Duas taxas diferentes, referidas a períodos diferentes dizem-se equivalentes quando aplicadas a
um mesmo capital, produzirem, durante o mesmo prazo de tempo, o mesmo valor acumulado.

i
i’ = -----
m

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 129
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

2. PLANO DAS SESSÕES

Este é o capítulo em que todos os conhecimentos anteriormente adquiridos são aplicados.

A aplicação concreta das noções aprendidas na realidade económico financeira:

• Desconto de efeitos comerciais;

• a Reforma de efeitos comerciais;

• os pagamentos em prestações;

• a equivalência de capitais.

Dedução da expressão para calcular o Valor Liquido do desconto

Sendo:

Vt - valor nominal da Letra

t - prazo que falta para o vencimento (acrescentar sempre dois dias)

r - taxa de juro i% acrescentada da sobre taxa de y%

c - comissão de cobrança

I - imposto à taxa w

D - despesas diversas

Vo - Valor actual ou PLD - Produto Liquido de Desconto

E - Encargos do desconto

Teremos:

Vo = Vt - E

E = J + Cc + I + D

Vt x ( t + 2 ) x r
J = ----------------------
36.500

VII
130 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Cc = c x Vt

Vt x ( t + 2 ) x r
I = w x ( J + Cc ) = w x ( ---------------------- + c x Vt)
36.500

D = valor dos portes

Vt x ( t + 2 ) x r Vt x ( t+ 2 ) x r
E = ----------------------- + Vt c + w ( -------------------- + c Vt) + D
36.500

Vt ( t + 2 ) r
Colocando em evidência ------------------- + Vt c
36.500

vem

Vt x ( t + 2 ) r
E = ( ------------------- + Vt c) ( 1 + w ) + D
36.500

Colocando Vt em evidência:

(t+2)r
E = Vt ( ------------------- + c) ( 1 + w ) + D
36.500

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 131
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Como Vo = Vt - E

Vem

(t+2)r
Vo = Vt - Vt ( ------------------- + c) ( 1 + w ) + D
36.500

(t+2)r
Vo = Vt [1 - ( ------------------- + c) ( 1 + w ) ] + D
36.500

Todas as fórmulas apresentadas decorrem desta expressão inicial e estão apresentadas de forma
esquemática e detalhada, o formador deverá fazer com que os formandos deduzam as diversas
expressões.

Duração estimada: 16 horas

VII
132 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

ii) Sobre desconto de efeitos comerciais

Exercício 1

O portador de uma letra de valor nominal igual a 1.500.000 u.m. e vencimento em 15 de Dezembro,
procedeu ao seu desconto no dia 18 de Agosto com as seguintes condições bancárias:

• Taxa de desconto de 12% ao ano

• Prémio de transferência de 1 por mil

• Imposto de 9%

• Portes de 500 u.m.

Calcular:

1. O produto liquido de desconto

2. A taxa efectiva da operação.

Resolução:

1. Produto liquido de desconto - PLD

( 119 + 2 ) x 12
PLD = 1.500.000 x ( 1 - ( ---------------------- + 0,001) x 1,09) -500
36.500

PLD = 1.432.823,36 u.m.

2. Taxa efectiva da operação

1.500.000,00 - 1.432.823,36
--------------------------------------- x (365/121) = 0,1414 = 14,14%
1.432.823,36

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 133
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 2

Considere os mesmos dados do exercício anterior apenas considerando que o prazo em falta para
o seu vencimento era de 350 dias.

Comente as diferenças encontradas.

1. Produto liquido de desconto - PLD

( 350 + 2 ) x 12
PLD = 1.500.000 x ( 1 - ( ---------------------- + 0,001) x 1,09) -500
36.500

PLD = 1.308.652,95 u.m.

2. Taxa efectiva da operação

1.500.000,00 - 1.308.652,95
--------------------------------------- x (365/352) = 0,1516 = 15,16%
1.308.652,95

Quanto mais longe estiver o vencimento menor é o PLD e maior a taxa efectiva suportada.

VII
134 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 3

Uma letra vencível em 3 de Janeiro foi descontada no dia 10 de Setembro, tendo o portador
recebido o produto liquido de 1.884.281 u.m..

A letra estava domiciliada num banco pelo que as condições foram as seguintes:

• Taxa de desconto de 15% ao ano

• Prémio de transferência de 5 por mil

• Imposto de 9%

Pretende-se calcular:

1. O valor nominal da letra descontada;

2. A taxa efectiva da operação.

Resolução:

1. O valor nominal da letra descontada:

( 115 + 2 ) x 15
1.884.281 = VN x ( 1 - ( ---------------------- + 0,005) x 1,09)
36.500

VN = 2.000.000 u.m.

2. Taxa efectiva da operação

2.000.000 - 1.884.281
-------------------------------- x (365/117) = 0,1916 = 19,16%
1.884.281

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 135
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 4

O portador de uma letra de valor nominal igual a 120.000 u.m. descontou-a quando faltavam 100
dias para o seu vencimento, tendo recebido o produto liquido de desconto de 110.593,50 u.m..

Sabendo que as condições de desconto incluíram, para além da taxa de desconto,

• Prémio de transferência de 3 por mil

• Imposto de 9%

Calcular:

1. A taxa de desconto convencionada;

2. A taxa efectiva da operação.

Resolução:

1. A taxa de desconto convencionada:

( 100 + 2 ) x Z
110.596,50 = 120.000,00 x ( 1 - ( ---------------------- + 0,003) x 1,09)
36.500

Z = 0,2466 = 24,66%

2. Taxa efectiva da operação

120.000,00 - 110.593,50
--------------------------------------- x (365/102) = 0,30436 = 30,436%
110.593,50

VII
136 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 5

Um letra de valor nominal igual a 600.000 u.m. foi descontada nesta data tendo o portador recebido
o produto liquido de 575.550 u.m.. Sabendo que as condições de desconto foram:

• Taxa de desconto de 12% ao ano

• Prémio de transferência de 6 por mil

• Imposto de 9%

• Portes de 500 u.m.

Determine a data de vencimento da letra.

( Z ) x 12
575.550 = 600.000 x ( 1 - ( ---------------------- + 0,006) x 1,09) -500
36.500

Z = 91 dias

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 137
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

ii) Sobre Reforma de Efeitos Comerciais

Exercício 6

Uma letra de 5.000.000 u.m. foi reformada na data do seu vencimento nas seguintes condições:

• pagamento de 30% (sobre o valor nominal)

• aceite de uma nova letra com vencimento a 3 meses e cujo valor nominal incluirá juros à taxa
de 16% ao ano.

Pretende-se calcular o valor nominal da nova letra.

Resolução:

Montante da letra inicial = 5.000.000

Pagamento na data da reforma - 5.000.000 x 0,30 = 1.500.000

Valor em divida para nova letra = 3.500.000

Valor da nova letra L:

( 16 x (90+2)
3.500.000 = L x(1- --------------------------)
36.500

L = 3.647.082,33 u.m.

VII
138 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 7

Na data de vencimento de uma letra de 6.000 u.m. procedeu-se à sua reforma nas seguintes
condições:

• devedor pagou uma amortização de 30%,e;

• aceitou uma nova letra de 4.555 u.m. vencível ao fim de 90 dias

Sabendo que os encargos foram calculados de acordo com o desconto bancário a que a nova letra
foi sujeita:

• comissão de cobrança de 6 por mil

• Portes de 100

• Imposto de selo de 9%

Resolução:

1. Calcule a taxa de desconto utilizada pela entidade bancária.

Montante da letra inicial = 6.000.000

Pagamento na data da reforma - 6.000.000 x 0,30 = 1.800.000

Valor em divida para nova letra = 4.200.000

Valor da nova letra 4.555.000

( Z x (90+2)
4.200.000 = 4.555.000 x(1- (--------------------------+ 0,006) x 1,09) - 100
36.500

Z = 18 %

2. Calcule a taxa efectiva suportada pelo devedor:

4.555.000 - 4.200.000 365


--------------------------------- x ------- = 0,3353 = 33,53%
4.200.000 92

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 139
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 8

Na data do vencimento de uma letra procede-se à sua reforma por uma outra de valor nominal igual
a 772.418 u.m. e vencimento a 200 dias.

A reforma foi efectuada de acordo com as seguintes condições de desconto bancário da nova letra:

• amortização de 30% na data da reforma

• a letra substituída incluirá os juros contados à taxa de 16% e os seguintes encargos adicionais:

comissão de cobrança de 3 por mil

imposto de selo de 9%

Determinar:

1. O valor nominal da letra reformada

2. A taxa efectiva suportada pelo devedor

Resolução:

1- O valor nominal da letra reformada

Montante da letra inicial = Z

Pagamento na data da reforma - Z x 0,30 = Y

Valor em divida para nova letra = PLD 772.418

Valor da nova letra 772.418

( 16 x (200+2)
PLD = 772.418 x(1- (--------------------------+ 0,003) x 1,09) - 100
36.500

PLD = 695.340,50

VII
140 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Como Z - Y = 695.340,50 e Y = 0,30 Z teremos:

Z - 0,30 Z = 695.340,50

695.340,50
Z = --------------------
0,70

Z = 993.343,60

2 - Calcule a taxa efectiva suportada pelo devedor:

772.418,00 - 695.340,50 365


------------------------- -------- x ------- = 0,20 = 20%
695.340,50 202

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 141
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 9

Na data de vencimento de uma letra de 1.200.000 u.m. procedeu-se à sua reforma nas seguintes
condições:

• amortização de 25%

• aceite de uma nova letra no valor de 1.056.272 u.m., incluindo, os seguintes encargos,
inerentes à operação de desconto bancário a que será submetida a nova letra:

juros à taxa de 26%

comissão de cobrança de 6 por mil

porte de 100 u.m. e imposto de selo de 9%.

Determine o prazo de vencimento da letra substituta.

Resolução:

Montante da letra inicial = 1.200.000

Pagamento na data da reforma - 1.200.000 x 0,25 = 300.000

Valor em divida para nova letra = 900.000

( 26 x ( Z+2)
900.000 = 1.056.272 x(1- (--------------------------+ 0,006) x 1,09) - 100
36.500

Z = 180 dias

VII
142 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

iii) Pagamentos em Prestações

Exercício 10

Uma empresa colocou no mercado uma nova marca de máquinas de café, proporcionando aos
seus clientes uma das seguintes modalidades de pagamento:

• entrega do valor total no acto da compra 975 u.m.;

• entrega de 275 u.m. no acto da compra e 3 prestações mensais de 260 u.m..

A empresa diz que pretende ganhar espaço de mercado e que não retira qualquer proveito
financeiro desta operação.

Averigúe da veracidade desta informação sabendo que a taxa de mercado é de 20%

Resolução:

Vamos verificar se para uma taxa de 20% ao ano o valor actual destes pagamentos é de 975 u.m.:

260 260 260


VA = 275 + -------------- + --------------- + ----------------
0,20 0,20 0,20
1+------- 1 + ---------- 1 + ----------
12 12 12

VA = 275,000 + 753,501 = 1.028,501

Como se constata 1.028,501 é superior a 975, não é verdade que a empresa não queira ganhar
com esta operação.

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 143
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 11

A empresa “ Chapéus de Chuva L.da.” pretende adquirir um equipamento industrial no valor de


2.000 u.m., propondo-se liquidá-la da seguinte forma:

• entrega de 25%

• restante em duas quantias iguais vencíveis a 6 e 18 meses, englobando juros a 12%.

Determine o valor dessas quantias.

Resolução:

Valor do equipamento = 2.000.000 u.m.

Entrega actual = 2.000.000 x 0,25 = 500.000 u.m.

Valor a titular com letras = 2.000.000 - 500.000 = 1.500.000 u.m.

L x 0,12 x 6 L x 0,12 x 12
1.500.000 = L - -------------------- + L - ----------------------
12 12

L x 0,12
1.500.000 = 2 L - --------------- x ( 6 + 18 )
12

L = 852,27(7)

VII
144 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 12

Um entidade comprou um produto de 100.000 u.m nas seguintes condições:

• pagamento imediato: 50%

• restante será pago em 5 prestações mensais e iguais, vencendo-se a primeira um mês após a
data do contrato;

• valor em divida será titulado por meio de letras que incluem juros à taxa de 15% ao ano.

Pretende-se calcular o valor de cada prestação sabendo que a empresa vendedora calcula os juros
sobre o valor nominal e não existem outros encargos que não sejam os referidos juros.

Resolução:

Valor do equipamento = 100.000 u.m.

Entrega actual = 100.000 x 0,5 = 50.000 u.m.

Valor a titular com letras = 100.000 - 50.000 = 50.000 u.m.

L x 0,15 x (1+2+3+4+5)
50.000 = 5L - ---------------------------------------
12

L x 0,15 x 15
50.000 = 5L - --------------------------
12

L = 10.389,6

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 145
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

iv) Equivalência de capitais

Exercício 13

Um entidade tem uma divida de 50.000 u.m. que deverá satisfazer da seguinte forma:

• 10.000 u.m. daqui a 6 meses

• 20.000 u.m. daqui a 9 meses

• 20.000 u.m. daqui a 18 meses

O valor da divida inclui os respectivos juros contratuais, e nesta data as partes contratantes
acordaram no pagamento imediato contando juros a favor do devedor à taxa anual de 12%.

Pretende-se calcular o valor que deverá ser pago imediatamente pelo devedor através das duas
modalidades de desconto, por dentro e por fora, comparando os resultados obtidos.

Resolução:

Pagamentos 10.000 20.000 20.000

6 9 18

Desconto por dentro:

10.000 20.000 20.000


VA = ------------------------- + -------------------------- + ----------------------
0,12 0,12 0,12
(1 + ---------- x 6) ( 1 + -------- x 9 ) ( 1 + --------- x 18)
12 12 12

VA = 44.732 u.m.

Desconto por fora:

0,12 0,12 0,12


VA=10.000 x (1 - ------ x 6) + 20.000 ( 1 - ----- x 9 ) + 20.000 ( 1 + ----- x 18)
12 12 12

VA = 43.400 u.m.

VII
146 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 14

Uma divida de 5.000 u.m. de valor nominal deverá ser paga em três pagamentos de valores
nominais iguais a 1.000, 1.750 e 2.250 u.m. vencíveis a 1, 2 e 3 anos respectivamente.

Qual será o valor a pagar hoje pelo devedor considerando o cálculo em desconto por dentro e uma
taxa de 8% a favor do devedor.

Resolução:

Desconto por dentro

1.000 1.750 2.250


VA = ------------------- + -------------------- + -------------------
( 1 + 0,08 x 1) ( 1 + 0,08 x 2 ) ( 1 + 0,08 x 3)

VA = 4.244,07 u.m.

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 147
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 15

Uma divida de valor nominal igual a 1.500 u.m. deverá ser paga por meio de três pagamentos
iguais a 500 u.m. cada um, com vencimentos daqui a 6, 12 e 18 meses, respectivamente.

Nesta data as partes acordaram entre si que o devedor efectuasse um pagamento único, para
liquidar toda a sua divida, na data de vencimento do primeiro pagamento, contando-se juros à taxa
de 10% e pelo método de desconto por fora.

Resolução:

Vamos calcular o VA daqui a 6 meses, data do 1º pagamento:

0,10
VA = 500 + 500 x ( 1 - --------) + 500 x ( 1 - 0,10)
2

VA = 1.425 u.m.

VII
148 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 16

Uma divida de valor nominal igual a 1.600 u.m. deverá ser liquidada por meio de três pagamentos
de 600, 580 e 420 u.m. com vencimentos a 4, 8 e 12 meses, respectivamente.

Todavia, nesta data as partes acordaram na liquidação total daqui a 7 meses, contando-se os juros
à taxa anual de 12%.

Calcule o valor a pagar pelo devedor na data acordada, considerando o desconto por fora.

Resolução:

No momento 7 o valor resulta da capitalização do primeiro pagamento durante 3 meses e da


actualização de 580 por um mês e de 420 por 5 meses:

0,12 0,12 0,12


P = 600 x ( 1 + ------- x 3 ) + 580 x ( 1 - -------) + 420 x ( 1 - ------ x 5)
12 12 12

P = 1.591,20 u.m.

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 149
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Exercício 17

Uma entidade aceitou quatro letras de valores nominais iguais a 300, 500, 600 e 1.200 u.m., com
vencimentos a 1, 3, 4 e 6 meses, respectivamente.

Pretende nesta data substitui-las por outras duas de igual valor nominal, vencendo-se uma a seis
meses e outra a um ano, contados a partir desta data.

Calcular o valor nominal de cada uma das letras substitutas admitindo a taxa comum de 15% no
regime de juro simples e desconto por fora.

Resolução:

Vamos determinar o valor das novas letras cujo valor actual será o valor actual das quatro letras
apresentadas:

0,15 0,15 0,15 0,15


VA=300x(1 - ------ ) +500( 1 - ---- x 3 )+600( 1 + ----- x 4)+1.200 ( 1 + ----- x 6)
12 12 12 12

VA = 2.457,50

O valor das duas letras (L) tem que ter este VA:

0,15 0,15
2.457,50 = L ( 1 - -------- x 6) + L ( 1 - --------- x 12 )
12 12

L = 1.384,50 u.m.

VII
150 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Exercício 18

Um comerciante solicitou um empréstimo cuja forma de liquidação era a seguinte:

• 600 u.m. vencíveis nesta data;

• 550 u.m. vencíveis daqui a 3 meses;

• 750 u.m. vencíveis daqui a 5 meses.

Como o negócio vai mal pretende satisfazer os seus compromissos mas de outra forma:

• pagamento imediato de 100 u.m.

• pagamento do restante em três prestações iguais, vencíveis a 6, 9 e 12 meses, contados a partir


desta data.

O credor aceitou a proposta à taxa de 16% ao ano, com juros contados sobre o valor nominal.

Como o nosso comerciante aceitou há que determinar o valor dessas prestações.

Resolução:

Vamos em primeiro lugar determinar o Valor Actual da divida:

0,16 0,16
VA= 600 + 550 x (1 - ------ x 3 ) +750 ( 1 - ---- x 5 )
12 12

VA = 1.828 u.m.

Após o pagamento de 100 u.m. teremos uma divida de 1.728 u.m. a pagar em 3 prestações iguais
com vencimentos a 6, 9 e 12 meses:

0,16 0,16 0,16


1.728 = L ( 1 - -------- x 6) + L ( 1 - ------- x 9 )+ L ( 1 - -------- x 12 )
12 12 12

L = 692,424 u.m.

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 151
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

4. TRANSPARÊNCIAS

Realização antecipada de efeitos comerciais – Desconto

O Desconto de efeitos comerciais (letras), é uma operação bancária através da qual o portador de
um efeito comercial pode antecipar o recebimento do seu valor junto de uma instituição bancária.

Esta operação acarreta encargos para a entidade que pretende antecipar o recebimento, é uma
forma de financiamento das empresas, os denominados Encargos de Desconto.

Encargos do Desconto

Prémio de desconto - J

Engloba os juros relativos ao período compreendido entre a data de desconto e a data de


vencimento.

Engloba também eventuais sobretaxas que sejam cobradas por indicação das instituições
financeiras centrais, nomeadamente a para o Fundo de Compensação do Banco de Portugal, ou
outras que venham a ser criadas.

Estas taxas incidem sobre o valor nominal da letra apresentada a desconto.

Comissão - Cc

Encargo em beneficio da entidade de crédito, podendo ser negociada entre as partes.

Valor percentual que incide sobre o valor nominal da letra.

Imposto - I

Imposto de selo retido na fonte pela instituição de crédito, para posterior entrega nos cofres do
estado.

A taxa de imposto incide sobre o prémio de desconto (J) e o montante da comissão (Cc).

Diversos - D

Engloba as diversas despesas cobradas pelos serviços prestados (portes, telefones, etc.,).

Não são valores percentuais, trata-se de valores fixos por transacção, por exemplo 500 u.m. por
documento.

VII
152 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Expressão do Produto Liquido do desconto

Sendo:

Vt - valor nominal da Letra

t - prazo que falta para o vencimento (acrescentar sempre dois dias)

r - taxa de juro i% acrescentada da sobre taxa de y%

c - comissão de cobrança

I - imposto à taxa w

D - despesas diversas

Vo - Valor actual ou PLD - Produto Liquido de Desconto

E - Encargos do desconto

(t+2)r
Vo = Vt [1 - ( ------------------- + c) ( 1 + w ) ] + D
36.500

Realização diferida de efeitos comerciais - Reforma

Na data de vencimento de uma letra o aceitante pode não ter liquidez suficiente para pagar a letra
na sua totalidade, necessitando de solicitar a sua Reforma.

A reforma consiste na substituição de uma letra, no todo ou em parte, por outra ou outras com um
vencimento ou vencimentos posterior ou posteriores.

Face à impossibilidade de liquidação integral da letra a reformar a reforma deverá ser sempre
solicitada antes do vencimento da letra a reformar.

A reforma diz-se parcial quando o aceitante paga parte das letras que se vai vencer.

A reforma diz-se total quando a letra é substituída na sua totalidade por outra ou outras.

A reforma origina encargos para o aceitante, em virtude do beneficiário da letra não poder ver os
seus direitos reduzidos no todo ou em parte pela falta de cumprimento do aceitante.

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 153
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

A forma de regularização dos encargos da reforma

Reforma com encargos pagos separadamente e à data da reforma.

Consideremos:

Vo ou VN - valor nominal da letra a reformar ( valor actual na data da reforma)


A - Amortização da letra que se vence
Vt - Valor nominal da nova letra resultante da reforma
J - Juros à taxa r
Cc - Comissão à taxa c
I - Imposto à taxa w
D - Despesas diversas

Os encargos a liquidar serão sobre Vt, sendo Vt calculado:

Vt = Vo - A
(t+2) r
E = Vt ( ----------- + c ) (1 + w ) + D
36.500

Reforma com encargos englobados na nova letra:

O valor da nova letra ser-nos-à dado por


V’t = Vo - A + E

sendo E e V’t desconhecidos assim,

(t+2) r
Vo - A = V’t ( 1 - ( ------------------ + c ) ( 1+ w ) ) - D
36.500

Vo - A + D
V’t = -------------------------------------------
(t+2)xr
1 - ( --------------- + c ) ( 1 + w )
36.500

E’ = V’t - ( Vo - A )

VII
154 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Pagamentos em Prestações

Prática comercial muito comum são as vendas em prestações de bens e serviços, constituindo um
importante meio de sustentar e fomentar o seu consumo.

O pagamento em prestações é normalmente titulado com letras vencíveis em períodos


equidistantes e com o mesmo valor nominal.

Podem surgir duas situações em função do tipo de encargos englobados nas letras:

• só estão incluídos os juros à taxa i e o respectivo imposto w para o estado, ou,

• as prestações incluem os encargos bancários de uma presumível negociação bancária do


desconto dessas letras (juros, comissão de cobrança, imposto e diversos).

Os encargos a englobar

As letras englobam apenas juros e o respectivo imposto:

Consideremos:

Co - Capital em divida
Vn - Valor nominal de cada prestação
tk - prazo de vencimento da késima prestação
i - taxa de juro
I - Imposto ( w % sobre o valor do juro)
Co = V1 ( 1 - t1 i (1+w)) + V2 (1-t2 i (1+w))+ .... + (Vn (1- tn i (1+w))

Como V1 = V2 = Vn
Co = Vn (( 1 - t1 i (1+w) + (1-t2 i (1+w)+ .... + (1 - tn i (1+w))

Co
logo ⇒ Vn =-----------------------------------------------------------------
(( 1 - t1 i (1+w) + (1-t2 i (1+w)+ .... + (1- tn i (1+w))

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 155
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Concluindo:

Co
Vn = -------------------------------
n
n- ∑ t i(1 + w )
j=1
j

As letras englobam os encargos de um possível desconto:

Admita-se agora que as prestações são tituladas por letras, letras essas que englobam os encargos
de uma possível negociação bancária, nomeadamente:

• juros

• comissão de cobrança

• imposto

• diversos

Co + n D
Vn = ----------------------------------------------------
n

∑ i(t + 2)
j=1
j

n - ( ------------------ + n c ) ( 1 + w )
36.500

Equivalência de capitais

Dois conjuntos de capitais dizem-se equivalentes num determinado momento quando as somas dos
valores actuais dos capitais componentes desses conjunto também forem iguais, referidos a esse
momento.

VII
156 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Consideremos dois conjuntos de capitais:

Conjunto A - C1, C2, Cn (Capitais); t1 , t2 , tn ( Momentos de vencimento)

Conjunto B - C’1 , C’2 , C’m (Capitais); t’1 , t’2 , t’m ( Momentos de vencimento)

C1 C2 Cn
A 
0 t1 t2 tn

C’1 C’2 C’m


B 
0 t’1 t’2 t’m

Se ambos os capitais vencerem juros a uma mesma taxa i , cujo período coincide com a unidade
de tempo em que se exprimem os vencimentos dos capitais.

Estes dois conjuntos dizem-se equivalentes no momento 0, quando a soma dos valores actuais
referidos aquele momento dos capitais que compõem o conjunto forem iguais.

A fórmula de cálculo dos capitais equivalentes vai ser diferente consoante o tipo de desconto que
estejamos a adoptar:

1. Desconto por Fora ou

2. Desconto por Dentro

Considerando Desconto por Fora

Equacionando as expressões de valor actual para cada um dos conjuntos de capital, teremos:

( C1 - C1 t1 i) + ( C2 - C2 t2 i) + ...+ (Cn + Cn tn i ) =

( C’1 - C1’ t1’ i) + ( C’2 - C’2 t’2 i) + ....+ (C’m + C’m t’m i )

Ou seja,

n n m m
∑ Cj - i ∑ Cj tj = ∑ C’j - i ∑ C’j t’j
j=1 j=1 j=1 j=1

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 157
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Sendo a taxa de juro anual i e os períodos de vencimento dos capitais dados em meses ou em
dias, viriam as respectivas equações do valor:

Em meses:

n n m m
∑ Cj - i ∑ Cj tj = ∑ C’j - i ∑ C’j t’j .
j=1 j=1 1200 j=1 j=1 1200

Em dias, considerando o ano civil:

n n m m
∑ Cj - i ∑ Cj tj = ∑ C’j - i ∑ C’j t’j
j=1 j=1 36500 j=1 j=1 36500

Considerando Desconto por Dentro

Equacionando as expressões de valor actual para cada um dos conjuntos de capital, teremos:

C1 C2 Cn
 +  + …....... +  =
1+it1 1+it2 1+itn

C’1 C’2 C’m


 +  + .............. +  =
1+it’1 1+it’2 1+it’m

ou seja

n Cj n Cj
∑  = ∑ 
j=1 1+i tj j=1 1+ i t’j

VII
158 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

Em meses:

n Cj n Cj
∑  = ∑ 
j=1 1+ i tj / 1200 j=1 1+ i t’j /1200

Em dias:

n Cj n Cj
∑  = ∑ 
j=1 1+ i tj / 36500 j=1 1+ i t’j /36500

Conclusão

A equivalência de dois conjuntos de capitais é diferente consoante o tipo de desconto utilizado.

Capital único:

Por capital único no momento t, devemos entender o valor do capital vencível no momento t, que
substitui um conjunto de capitais vencíveis em momentos posteriores para uma dada taxa de juro.

Para Cálculo em Desconto por Fora

∑ (C − C t i)
j=1
j j j

Ct = 
1-it

Para Cálculo em Desconto por Dentro

Cj
n
Ct= ∑ _______(1 + it)
j=1

1 + i ti

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 159
IEFP VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES

Vencimento médio:

Consiste em determinar o prazo, em que se deve vencer um capital por forma a que o seu valor
actual seja idêntico ao de outro capital.

Vamos determinar o momento t, em que se deve vencer o capital Ct de forma a substituir o


conjunto de capitais Cj’ aplicado a uma taxa de juro i.
n
Ct = ∑C
j=1
j

Em Desconto Por Fora

∑C t
j=1
j j

t = -----------------
n

∑C
j=1
j

Em Desconto por Dentro

∑C
j=1
j 1

t = ( ---------------------- - 1 )x --------
Cj i
n


j=1
___________________________

1 + i tj

Taxa média:

Pretende-se apurar a taxa única que aplicada a um conjunto de capitais substitui um conjunto de
taxas diferentes aplicadas a esses mesmos capitais.

Consideremos um conjunto de capitais - C1, C2, Cn

aplicado pelos prazos - t1, t2, tn

ás taxas - i1, i2, in

VII
160 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VII. EQUIVALÊNCIA DE CAPITAIS NO REGIME DE JURO SIMPLES IEFP

n
∑ Cj tj ij
j=1
i = ---------------------
n
∑ Cj tj
j=1

Taxa equivalente:

Duas taxas diferentes, referidas a períodos diferentes dizem-se equivalentes quando aplicadas a
um mesmo capital, produzirem, durante o mesmo prazo de tempo, o mesmo valor acumulado.

---------i--------

0 1

--i’--

0 1/m 1 (m/m)

Em que m representa o número de vezes em que o período de uma taxa cabe no período da outra,
por exemplo uma taxa mensal tem m de 12 numa taxa anual.

período da taxa i
m= -----------------------
período da taxa i’

( 1 + i ) = ( 1 +m i’)

1 + i = 1 + m i’

m i’ = i

i
i ‘ = ---------
m

VII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 161
VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO

CÁLCULO COMERCIAL
E
FINANCEIRO
VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO IEFP

1. RESUMO

Fórmula geral de capitalização em regime de juros composto

Fórmula geral de capitalização em regime de juro composto


Ct = Co x ( 1 + i ) t

Expressões algébricas do juro e capital inicial

Jt = Co x ( ( 1+ i ) t - 1)

Ct
Co = ----------------
(1+i)t

Expressão algébrica da taxa de juro:

i= t
ct / co − 1

ou de outra forma:

i = ( Ct / Co ) 1/t

Expressão algébrica do prazo da aplicação:

( 1 + i ) t = Ct / Co

VIII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 165
IEFP VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO

A resolução destes problemas deve ser efectuada com recurso á tabela ou por interpolação linear:

(z2 - z1) x ( y - y1)


z’ = -------------------------- + z1
y2 - y1
em que z = t e y = ( 1 + i )t

(y2 - y1) x ( z - z1)


y’ = -------------------------- + y1
z2 - z1
em que z = t e y = ( 1 + i ) t

Taxas equivalentes:

i m/n = ( 1 + i ) m/n - 1

Taxas efectivas:

i
i 1/m = ( 1 + ------) 1/m - 1
m

VIII
166 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO IEFP

2. PLANO DAS SESSÕES

Dedução da expressão algébrica de juro composto:

• observemos a seguinte representação:

Co C1 C2 C t-1 Ct
0 1 2 t-1 t

Co - representa o capital inicial e que gera juros no momento 1;


C1 - representa o capital inicial adicionado dos juros gerados no momento 1 e que gera juros no
momento 2;
C2 - representa o capital do momento 1 adicionado dos juros gerados no momento 2 e que gera
juros no momento 3;
i - representa a taxa de juro aplicada a cada período de tempo

ou seja:

C1 = Co + J1 = Co + ( Co x i x 1 ) = Co x ( 1 + i )
C2 = C1 + J2 = C1 + ( C1 x i x 1 ) = C1 x ( 1 + i ) = Co x ( 1 + i ) x ( 1 + i ) =
= Co x ( 1 + i )2

No momento t teremos:
Ct = Co x ( 1 + i ) t

Logo

Fórmula geral de capitalização em regime de juro composto


Ct = Co x ( 1 + i ) t

Com base nesta fórmula deduzir a fórmula do Juro e do capital inicial.

Recordar os conceitos matemáticos:

• raízes de índice n transformam-se em potências de índice (1/n).

Perguntar coeficientes de capitalização ( 1 + i ) t para que os formandos sejam rápidos a observar


as tabelas.

Relacionar taxas equivalentes, taxas nominais e taxas efectivas.

Duração estimada: 18 horas

VIII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 167
IEFP VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO

3. ACTIVIDADES/AVALIAÇÃO

Exercício 1

Um capital de 50.000 u.m. aplicado em regime de juro composto durante 4 anos gerou um
rendimento de 6.275 u.m.. Calcular a taxa a que esteve aplicado.

Resolução:

50.000 x ( 1 + i ) 4 = 50.000 + 6.275

i=3%

VIII
168 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO IEFP

Exercício 2

Calcular as seguintes taxas:

1. Para a taxa anual de 8% a taxa semestral efectiva;

( 1 + 0, 08 ) ½ - 1 = 0,03923 = 3,923%

2. Para a taxa anual de 6% a taxa trimestral efectiva;

( 1 + 0, 06 ) 1/4 - 1 = 0,01467 = 1,467%

3. Para a taxa anual de 8% com capitalizações mensais, a taxa efectiva anual.

( 1 + 0, 08/12 ) 12 - 1 = 0,083 = 8,3%

VIII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 169
IEFP VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO

Exercício 3

Determinar a taxa de juro anual equivalente à taxa de 5% capitalizável:

1. Uma vez ao ano;

É 5%

2. Semestralmente;

i 2 = ( 1 + 0,05/2 ) 2 - 1 = 0,05063 = 5,063%

3. Trimestralmente;

i 4 = ( 1 + 0,05/4 ) 4 - 1 = 0,05095 = 5,095%

4. Semanalmente;

i 52 = ( 1 + 0,05/52 ) 52 - 1 = 0,05125 = 5,125%

5. Diariamente (ano de 365 dias).

i 365 = ( 1 + 0,05/365 ) 365 - 1 = 0,05127 = 5,127%

VIII
170 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO IEFP

Exercício 4

Calcular o juro produzido por um capital de 120.000 u.m. durante 15 meses à taxa de 13%.

Resolução:

Juro 15/12 = 120.000 x ( ( 1 + 0,13) 15/12 - 1 )

Juro = 19.807,12

VIII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 171
IEFP VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO

Exercício 5

Calcular o juro produzido por um capital de 230.000 u.m. aplicados por 8 meses à taxa de 9%
quadrimestral.

Resolução:

Juro 8/4 = 230.000 x ( ( 1 + 0,09) 8/4 - 1 )

Juro = 43.263,0

VIII
172 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO IEFP

Exercício 6

Foi aplicado o valor de 500 u.m. durante 2 anos tendo-se obtido o valor de 627,2 u.m..

Qual será o valor acumulado no final de 4 anos?

Resolução:

Vamos em primeiro lugar determinar a taxa a que está aplicado o capital:

627,2 = 500 x ( 1 + i ) 2

627,2
( 1 + i ) 2 = ------------
500

1 + i = V 1,2544

i = 0,12 = 12%

No quarto ano o valor acumulado será de:

500 x ( 1 + 0,12 ) 4 = 786,76

VIII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 173
IEFP VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO

Exercício 7

Calcular o prazo de aplicação para que o capital de 200.000 u.m. gere o juro de 117.375 sendo a
taxa de juro de 6%.

Resolução:

200.000 + 117.375 = 200.000 x ( 1 + 0,08) t

317.375
( 1 + 0,08 ) t = ---------------
200.000

t=6

VIII
174 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO IEFP

Exercício 8

Foi aplicado o capital de 2.000.000 u.m. durante 4 anos tendo obtido o capital acumulado no final
do 4º ano de 2.430.792 u.m.. Sabendo que as taxas de aplicação foram as seguintes:

• i % no 1º ano;

• 5% no 2º e 3º anos;

• 6% no 4º ano;

Resolução:

O juro produzido no 1º ano;

2.430.792 = 2.000.000 x ( 1 + i ) x ( 1 + 0,05 )2 x ( 1 + 0.06 )

i = 0,04 = 4%

O capital no final do 3º ano;

C4 = C3 x ( 1 + i )

C4
C3 = ---------------
(1+i)

2.430.792
C3 = -------------------- = 2.337.300
( 1 + 0,04 )

O juro produzido nos 4 anos.

Juro = 2.430.792 - 2.000.000 = 430.792 u.m.

VIII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 175
IEFP VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO

Exercício 9

Calcular, recorrendo à interpolação linear os factores de capitalização correspondentes a:

1. Taxa de 15,5% para 6 anos e 7 meses

6 anos -------------------- 2,3741


(6 anos e 7 meses) = 6,58333 anos -------------------- Z?
7 anos -------------------- 2,7420

( 2,7420 - 2,3741 ) x ( 6,58333 - 6 )


Z = -------------------------------------------------- + 2,3741 = 2,58871
7-6

2. Taxa de 9% para 8 anos e 1 mês

8 anos ------------------- 1,99256


(8 anos e 1 mês) 8,08333 anos ------------------- Z?
=
9 anos ------------------- 2,17189

( 2,17189 - 1,99256 ) x ( 8,08333 - 8 )


Z = -------------------------------------------------- + 1,99256 = 2,0075
9-8

3. Taxa de 0,5% para 4 anos e 10 meses

4 anos ------------------ 1,02015


(4 anos e 10 meses) 4,83333 anos ----------------- Z?
=
5 anos ------------------ 1,02525

( 1,02525 - 1,02015 ) x ( 4,8333 - 4 )


Z = -------------------------------------------------- + 1,02015 = 1,0244
5-4

VIII
176 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO IEFP

Exercício 10

Calcular, recorrendo à interpolação linear os prazos de aplicação correspondentes:

1. Taxa de 10,5% e um factor de capitalização de 5,0120

16 anos ------------------- 4,9408


Z? ------------------- 5,0120
17 anos ------------------- 5,4596

( 17 - 16 ) x ( 5,0120 - 4,9408 )
Z = -------------------------------------------------- + 16 = 16,13724
5,4596 - 4,9408

16,13724 anos é equivalente a 16 anos, 1 mês e 19 dias

2. Taxa de 4% e um factor de capitalização de 1,9215

16 anos ------------------- 1,87298


Z? ------------------- 1,92150
17 anos ------------------- 1,94790

( 17 - 16 ) x ( 1,92150 - 1,87298 )

Z = -------------------------------------------------- + 16 = 16,64762

1,94790 - 1,87298

16,64762 anos é equivalente a 16 anos, 7 meses e 23 dias

3. Taxa de 28,5% e um factor de capitalização de 229,437

21 anos ------------------- 193,677


Z? ------------------- 229,437
22 anos ------------------- 248,811

( 22 - 21 ) x ( 229,437 - 193,627 )

Z = -------------------------------------------------- + 21 = 21,64892

248,811 - 193,627

21,64892 anos é equivalente a 21 anos, 7 meses e 24 dias

VIII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 177
IEFP VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO

4. TRANSPARÊNCIAS

Capitalização a juro composto

No regime de juro composto, contrariamente ao regime de juro simples, o juro produzido em cada
período não é constante.

No final de cada período de contagem de juro, o juro gerado é adicionado ao capital aplicado no
início desse mesmo período sendo o seu conjunto o novo capital que conta juros.

Expressão algébrica do juro composto

Co C1 C2 C t- C t
1

0 1 2 t-1 t

Co - representa o capital inicial e que gera juros no momento 1;

C1 - representa o capital inicial adicionado dos juros gerados no momento 1 e que gera juros no
momento 2;

C2 - representa o capital do momento 1 adicionado dos juros gerados no momento 2 e que gera
juros no momento 3;

i - representa a taxa de juro aplicada a cada período de tempo

Fórmula geral de capitalização em regime de juro composto


Ct = Co x ( 1 + i ) t

VIII
178 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO IEFP

Expressões algébricas do juro e capital inicial

Sabemos que o juro corresponde à diferença entre o capital final e o capital inicial, podemos então
determinar a fórmula do juro a partir de:

Juro = Ct - Co

Sendo Ct = Co x ( 1 + i ) t

virá Juro = Co x ( 1 + i ) t - Co

Jt = Co x ( ( 1+ i ) t - 1)

Podemos ainda expressar o capital inicial em função das outras grandezas:

De Ct = Co x ( 1 + i ) t

teremos:

Ct
Co = ----------------
(1+i)t

Da mesma forma podemos também calcular a taxa de juro e o prazo de aplicação, decorrentes da
fórmula:

Ct
t
( 1 + i ) = -------
Co

A expressão da taxa de juro será:

i= t
ct / co − 1

ou de outra forma:

i = ( Ct / Co ) 1/t

VIII
Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 179
IEFP VIII. REGIME DE JURO COMPOSTO

Taxas Equivalentes

A adequação da taxa de juro ao período de cálculo :

O período da taxa de juro pode não coincidir com o período em que está expresso o factor tempo.

________m__________
0 1
________ ___________
0 1/m 1

Se considerarmos uma taxa anual (i) para ser aplicada a m meses vem:

m
t = -----
12

i m/n = ( 1 + i ) m/n - 1

Taxa nominal e taxa efectiva:

Taxa nominal é a taxa negociada para o período de capitalização respectivo. A taxa efectiva
corresponde à taxa realmente utilizada no período da taxa em virtude do período de capitalização
que se considera:

Sendo n o período da taxa e m o período de capitalização dessa mesma taxa teremos:

i n/m - taxa para o período n e m períodos de capitalização

i 1/m - taxa para cada período de capitalização

i
i 1/m = ( 1 + ------) 1/m - 1
m
ou de outra forma:
i 1/m = m 1 + (i / m) − 1

VIII
180 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro
FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

Fichas de Avaliação Global

Ao longo do curso foram efectuados muitos exercícios cujo objectivo é apreender e aplicar os
conceitos, estas três fichas de avaliação visam avaliar da consolidação desses conhecimentos.

Estas fichas deverão ser tomadas como um todo para a avaliação dos formandos, face à duração
das sessões deverão ser divididas por forma que cada uma seja efectuada em 2 horas.

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 181


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Ficha Nº1

1. Explique o conceito de média.

2. Quando se diz que duas grandezas são directamente proporcionais?

3. Uma das funções económicas é a Poupança, como podem os Bancos estimular o seu interesse.

4. Uma conta Poupança Habitação tem as mesmas características de uma conta Reforma?

5. Enuncie a regra básica do regime de juros simples.

6. Imagine que comprou um Bilhete de Lotaria e ganhou 100.000 u.m. que aplicou no banco à taxa
de 4% ao ano. Qual o capital que terá daqui a 5 anos?

7. Que tipos de Desconto conhece, como se diferenciam?

8. Aconselha alguma empresa a financiar a sua actividade através do desconto de letras? Porquê?

9. O que entende por Reforma no contexto da matéria estudada?

10. O que entende por Capital Único no contexto da Equivalência de Capitais?

11. O portador de uma letra de 350.000 u.m. vencível no dia 30 de Dezembro, descontou-a em 15
de Outubro numa entidade financeira à taxa total de 15% (esta taxa já inclui juros e demais
encargos).

Pretende-se:

• calcular o produto liquido do desconto:

• calcular a taxa efectiva da operação

12. Uma divida estava titulada por duas letras, uma de 1.500.000 u.m. e outra de 800.000 u.m.,
vencendo-se a segunda quatro meses após a primeira.

A primeira não foi paga por problemas de tesouraria do devedor.

Assim, dois meses após o vencimento da primeira as partes acordaram em substituir as duas
letras por uma única com vencimento ao fim de 6 meses, contados a partir da data da
substituição, e nas condições seguintes:

• a nova letra incluirá os juros devidos pela operação

• as taxas a utilizar seriam:

taxa de juro - 20%

182 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

taxa de actualização - 16%

Determinar o valor nominal da nova letra.

13. O Sr. Joaquim comprou uma televisão no valor de 500 u.m. nas seguintes condições:

• pagamento imediato de 60%.

• restante será pago por meio de três prestações mensais e iguais, vencendo-se a primeira
dois meses após a data do contrato.

• valor da divida será titulado por letras que incluem juros à taxa de 16.% ao ano, com juros
calculados sobre o valor nominal.

Pretende-se saber:

• valor nominal de cada prestação

14. Uma pessoa deve a uma mesma entidade as quantias de 15, 25 e 50 u.m. vencíveis,
respectivamente a 6, 8 e 12 meses.

Devido à sua condição monetária solicitou o pagamento de uma só vez ao fim de 11 meses,
contados a partir desta data.

O credor aceitou a proposta com a condição de os juros serem contados à taxa anual de 15%.

Tendo o devedor concordado com esta situação, qual é o valor a pagar.

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 183


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Ficha Nº2

1. Apresente a diferenciação entre Média Aritmética e Média Ponderada.

2. Quando se diz que duas grandezas são inversamente proporcionais?

3. O que entende por taxas activas?

4. Um financiamento em Descoberto é igual a um empréstimo Obrigacionista?

5. Como se denomina o regime de juros em que nenhum juro é acumulado ao capital aplicado?

6. Como o dinheiro não abunda, para ir de férias pediu no banco um empréstimo de 2.000 u.m.,
quando voltou, passado três meses pagou 2050 ao banco, referente a capital e juros. Qual foi a
taxa de juro que suportou?

7. Explique o que entende por Desconto por Dentro, exemplificando?

8. Tendo em seu poder uma letra de Valor Nominal 100 u.m. vencível daqui a 90 dias e sabendo
que os bancos cobram 15% ao ano de taxa de juro e 9% de imposto de selo, no desconto de
letras, que financiamento poderia obter com essa letra?

9. Quando se verifica a reforma de um título existem encargos financeiros nessa operação?, de


que tipo? Quem os costuma assumir?

10. que entende por Vencimento Médio no contexto da Equivalência de Capitais?

11. Uma empresa solicita a uma entidade de crédito um financiamento de 15.000.000 u.m. a 90
dias para satisfazer necessidades urgentes de tesouraria.

• O financiamento é concedido mediante a subscrição de uma livrança e as seguintes


condições de custos:

• Taxa de desconto - 15%

• imposto de selo - 9%

Pretende-se:

• Calcular o valor a pagar no fim do prazo considerando que os juros são pagos
postecipadamente.

• Calcular o valor liquido a receber na data da operação considerando que os juros são pagos
antecipadamente.

• Calcular a taxa efectiva da operação para ambas as alíneas anteriores.

184 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

12. Uma letra de 2.000 u.m. é reformada na data do seu vencimento por 6 letras de iguais valores
nominais e vencimentos mensais, incluindo juros à taxa de 20% ao ano.

Calcular o valor nominal de cada uma das letras substitutas, considerando que houve uma
amortização de 20%.

13. Uma empresa comprou matérias primas para a sua produção no valor de 4.000.000 u.m., tendo
ficado a dever 60%, que se comprometeu a pagar em 5 prestações mensais, sendo as 3
primeiras de valor nominal igual e as duas últimas de valor nominal duplo das primeiras (ou o
dobro das primeiras).

As letras que titulam a operação incluem juros à taxa de 14% ao ano, contados sobre o valor
nominal.

Pretende-se que:

• calcule o valor nominal de cada prestação;

• construa o quadro de amortização que evidencie a amortização do capital e os juros pagos


em cada mês.

14. Uma divida de 800 u.m., pagável em quatro prestações nominais de 200 u.m. cada uma,
vencíveis a 3, 5, 9 e 11 meses vai ser liquidada de uma só vez ao fim de 6 meses.

Determine o momento em que deve ter lugar o referido pagamento, por forma a não haver
prejuízo nem para o devedor nem para o credor, tendo sido acordada a taxa de 15% ao ano, e
que os juros são calculados sobre os valores nominais.

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 185


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Ficha Nº3

1. O que significa a expressão “os portugueses gastam em média W% do seu salário em discos”.
Poderemos dizer que todos os portugueses compram discos?

2. Num conjunto de 200 pessoas 45 vestem de azul, existe alguma medida estatística para
apresentar esta realidade?

3. O que entende por taxas passivas?

4. Um aplicação financeira de um particular num banco, que operação representa para o banco.

5. Que regimes existem para calcular juros?

6. Explique como determinaria, nos regimes enunciados anteriormente, durante quanto tempo
terá que manter uma aplicação financeira de 750.000 u.m. á taxa de 5% para duplicar esse
valor.

7. Explique o que entende por Desconto por Fora exemplificando?

8. O desconto de letras é uma forma de financiamento das empresas?, justifique a sua opinião.

9. Quando na data de vencimento de uma letra o devedor não pode pagar uma divida na sua
totalidade que solução tem?

10. O que entende por Taxa Média no contexto da Equivalência de Capitais?

11. Uma empresa solicita a uma entidade de crédito um financiamento de 15.000.000 u.m. a 270
dias para satisfazer necessidades urgentes de tesouraria.

O financiamento é concedido mediante a subscrição de uma livrança e as seguintes condições


de custos:

• Taxa de desconto - 15%

• Imposto de selo - 9%

Pretende-se:

• Calcular o valor a pagar no fim do prazo considerando que os juros são pagos
postecipadamente.

• Calcular o valor liquido a receber na data da operação considerando que os juros são pagos
antecipadamente.

• Calcular a taxa efectiva da operação para ambas as alíneas anteriores.

• Compare os resultados obtidos na alínea anterior e retire as conclusões que lhe pareçam
relevantes.

186 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

12. Uma entidade tinha em carteira as seguintes letras que, nesta data, resolveu descontar:

• uma de 150.000 u.m. com vencimento daqui a 45 dias;

• uma de 200.000 u.m. com vencimento daqui a 60 dias;

• uma de 275.000 u.m. com vencimento daqui a 90 dias;

• uma de 360.000 u.m. com vencimento daqui a 120 dias;

As condições de desconto foram as seguintes:

• Taxa - 12%

• Prémio de transferência - 6 por mil

• Imposto de selo - 9%

• Portes 500 u.m.

Pretende-se calcular o produto liquido do desconto

13. Uma letra de 1.750 u.m. não foi paga na data de vencimento; todavia, um mês depois procedeu-
se à sua reforma nas seguintes condições:

• amortização de 30% sobre o valor nominal da letra a reformar

• aceite de 5 novas letras com iguais valores nominais e vencimentos bimestrais, vencendo-se
a primeira um mês após a reforma, e incluindo os juros devidos contados às seguintes
taxas:

• taxa de juro - 20%

• taxa de actualização - 17%

Calcule o valor nominal de cada letra substituta.

14. Uma empresa vendeu um automóvel ligeiro no valor de 2.000.000 u.m. sob as seguintes
condições gerais:

• 50% de entrada

• o restante em 6 prestações mensais e iguais, vencendo-se a primeira um mês após a data


do contrato.

As prestações são tituladas por letras que incluem juros à taxa de 15%.

Determine o valor de cada prestação.

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 187


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Resolução

Ficha Nº1

Questões, 1 a 10 - Guia do Formando

Questão 11

Produto liquido do desconto:

(75+2) x 15)
PLD = 350.000 x ( 1 - -------------------- ) = 338.924,66
36.500

Taxa Efectiva da operação:

a) Método da capitalização do PLD

(75+2) x Z)
338.924,66 x ( 1 + ------------------ ) = 350.000,00
36.500

Z = 15%

b) Aplicação da formula

350.000,00 - 338.924,66
--------------------------------- x (365/77) = 15%
338.924,66

188 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

Questão 12

A nova letra incluirá a Letra de 1.500.000 com 2 meses de capitalização à taxa de 20% e a Letra de
800.000 com 2 meses de actualização à taxa de 16%.

O Valor actual a ser titulado pela nova Letra será:

1.500.000 x ( 1 + ( 0,20 / 12 x 2 ) + 800.000 x ( 1/ (0,16/12 x 2) = 1.550.000 + 779.000 = 2.329.000

O valor da nova letra é dado por:

(180 + 2 ) x 0,2
2.329.000 = L x ( 1 - ----------------------- )
36.500

L = 2.586.990

Questão 13

A divida a titular serão 500 - (500 x 0,6) = 200

(L x 0,12 x ( 2 + 3 + 4 ))
200 = 3 L - -------------------------------
12

L = 68,73

Questão 14

Ao fim de 11 meses o valor a pagar resulta da capitalização dos pagamentos que se venceram a 6
e 8 meses e da actualização do pagamento que se vai vencer ao fim de 12 meses:

P = 15 x ( 1+ 0,15 / 12 x 5 ) + 25 x ( 1+ 0,15 / 12 x 3 ) + 50 x ( 1- 0,15 / 12 x 1) = 91,26

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 189


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Ficha Nº 2

Questões, 1 a 10 - Guia do Formando

Questão Nº11

1. Juros pagos postecipadamente

15.000.000 + [ 15.000.000 x ( 0,15/365 x 90 ) x 1,09 ] = 15.604.726

2. Juros pagos antecipadamente

X = 15.000.000 - 15.000.000 x [( 0,15/365 x 90 ) x 1,09 ]

X = 14.395.274

3. Taxas efectivas da operação:

Em 1 --- > 604.729 / 15.000.000 x 365/90 = 16,35%

Em 2 --- > 604.729 / 14.395.274 x 365/90 = 17,04%

Questão Nº 12

Valor a titular com a nova letra:

2.000 - (2.000 x 0,2) = 1.600

L x 0,2 x ( 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 )
1.600 = 6 L - ( --------------------------------------------)
12

L = 283,19

190 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

Questão Nº13

Valor a titular com a nova letra:

4.000.000 - (4.000.000 x 0,4) = 2.400.000

O valor da três primeiras letras é L e das duas ultimas é 2L, vamos terminar o valor de L:

L x ( 1+2+3) x 0,14 2 L x (4 + 5) x 0,14


2.400.000 = ( 3 L - -----------------------------) + ( 2 x 2 L - ----------------------------)
12 12

L = 357.142,86

2 L = 714.285,71

O quadro de divida será:

Momento Valor letra Taxa de juro Juros Capital


1 357.142,86 14,00% 4.166,67 352.976,19
2 357.142,86 14,00% 8.333,33 348.809,52
3 357.142,86 14,00% 12.500,00 344.642,86
4 714.285,71 14,00% 33.333,33 680.952,38
5 714.285,71 14,00% 41.666,67 672.619,05
2.500.000,00 100.000,00 2.400.000,00

Questão Nº 14

O pagamento no momento 6 resulta da Valor actualizado do pagamento do momento nove de 3


meses, e do Valor actualizado do pagamento do momento 11 de 5 meses:

C6 = 200 - 200 x 0,15/12*3 + 200 - 200 x 0,15 / 12 x 5 = 380

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 191


IEFP FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL

Ficha Nº3

Questões, 1 a 10 - Guia do Formando

Questão Nº11

1. Juros pagos postecipadamente

15.000.000 x ( 0,15/365 x 270 ) x 1,09 ] = 1.814.178,08

2. Juros pagos antecipadamente

VA = 15.000.000 - 15.000.000 x [( 0,15/365 x 270 ) x 1,09 ]

X = 13.185.821,92

3. Taxas efectivas da operação:

Em 1 --- > 1.814.178,08 / 15.000.000 x 365/270 = 16,35%

Em 2 --- > 1.814.178,08 / 13.185.821,92 x 365/270 = 18,60%

Questão Nº 12

Podemos determinar os varios Produtos Liquidos de Desconto recorrendo a uma folha de cálculo:

Prazo Valor letra Taxa de Premio Imp.Sel Portes P.L.D.


juro o

45 150.000,00 12,00% 0,60% 9,00% 500,00 145.992,59


60 200.000,00 12,00% 0,60% 9,00% 500,00 193.748,38
90 275.000,00 12,00% 0,60% 9,00% 500,00 263.635,09
120 360.000,00 12,00% 0,60% 9,00% 500,00 341.406,60

985.000,00 2.000,00 944.782,66

192 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro


FICHAS DE AVALIAÇÃO GLOBAL IEFP

Questão Nº 13

O Valor da nova letra tem que contemplar a amortização de 30% e os juros de um mês de atraso:

(1.750 - ( 1.750* 0,3 ) x ( 1 + 0,2 /12) = 1.245,42

L x ( 2 + 4 + 6 + 8 + 10 ) x 0,20
1.245,42 = 5 L - ---------------------------------------------
12

L = 276,76

Questão Nº 14

O Valor da divida tem que contemplar a amortização de 50%:

(2.000.000 - ( 2.000.000* 0,5 ) = 1.000.000

L x ( 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 ) x 0,15
1.000.000 = 6 L - ---------------------------------------------
12

L = 174.291,94

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 193


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA IEFP

Bibliografia Consultada

BASTARDO, Carlos e Gomes, António Rosa; O financiamento e as aplicações das Empresas,


Texto Editora

CADILHE, Miguel;Matemática Financeira Aplicada, Edições ASA

FERNANDES, L. Santos; Noções Fundamentais de Cálculo Financeiro

LEITÃO, José Luís; Morais, Jorge Alves e Resende, Maria Adelaide; Produtos Bancários &
Financeiros, Publicações Europa - América

MATEUS, Alves; Exercícios Práticos de Cálculo Financeiro, edições Silabo

REIS, Elizabeth; Estatística Descritiva, Edições Silabo

RODRIGUES, Azevedo e Nicolau, Isabel; Elementos de Cálculo Financeiro, 5ª Ed. Edição Rei dos
Livros

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 195


GLOSSÁRIO IEFP

Glossário

A será movimento no final do prazo, e que é


remunerado nesse prazo.
Actualização
Procedimento de cálculo que visa obter em Descoberto
data actual a equivalência financeira de um Posição devedora de uma conta corrente
ou uma série de valores com vencimentos
futuros, em função de uma determinada taxa Desconto
de juro. Realização antecipada, antes do seu
vencimento, de um título negociável
B mediante o pagamento de determinados
encargos.
Banco
Entidade financeira que adopta a forma de E
sociedade anónima dedicada à recepção de
depósitos ao público e recepção de fundos Efeitos comerciais
que utiliza por conta própria em operações Documentos de transmissão comercial entre
financeiras de empréstimos, crédito, empresas, tais como letras.
desconto, etc. Presta ainda um conjunto
diversos de serviços, como por exemplo a Empréstimo
cobrança das facturas da luz. Acção de utilização de fundos cedidos por
uma entidade financeira. Forma de
endividamento do Estado, das empresas e
C das famílias, emitindo obrigações, títulos,
letras, etc., com um pagamento de juros ao
Capital longo do seu prazo de duração.
São os recursos financeiros que uma
unidade económica ou um sujeito dispõe Encargos de desconto
para realizar um investimento ou uma Despesas diversas que são cobradas
actividade, este capital pode ser próprio ou quando se antecipa o pagamento /
alheio. recebimento de um título com vencimento
futuro.
Capitalização
Procedimento de cálculo que visa obter em
data futura a equivalência financeira de um F
ou uma série de valores com valores
actuais, em função de uma determinada Financiamento
taxa de juro. Operação que consiste em dotar de
recursos financeiros uma unidade
Comissão económica.
Preço a favor de quem realiza determinado
serviço. J

Juro
D Retribuição dos valores entregues em
Depósito depósito ou pedidos em empréstimo.
Acção de entrega de fundos a uma entidade
financeira. Juro Composto
Regime de capitalização em que vence juros
Depósito a prazo o capital aplicado e os juros que são
Depósito numa entidade de crédito que só gerados sucessivamente.

Cálculo Comercial e Financeiro Guia do Formador 197


IEFP GLOSSÁRIO

Juro Simples Proporcionalidade composta


Regime de capitalização em que só o capital Quando duas variáveis evoluem em função
inicial vence juros. do comportamento de outras variáveis, ou
seja a razão é definida por um conjunto de
terceiras variáveis.
L
Proporcionalidade directa
Letra Quando as duas variáveis evoluem no
Documento cambial que contém um
mesmo sentido uma em função da outra.
mandato de pagamento feito pelo sacador a
favor do proprietário. Proporcionalidade inversa
Quando as duas variáveis evoluem em
M sentidos opostos uma em função da outra.

Média Aritmética
R
medida estatística de tendência central.
Razão
Média Aritmética Ponderada Proporção entre duas variáveis.
Calcula-se pela divisão do total dos valores
observados, ponderados pelo número de
ocorrências verificadas, pelo número de T
observações.
Taxa de juro
Média Aritmética Simples Quantidade de juros que produzem ou
Calcula-se pela divisão do total dos valores ganham anualmente 100 unidades
observados pelo número de observações. monetárias, expressa como uma
percentagem dessa quantia.
P Tempo
Prazo de uma operação.
Percentagem
Forma de expressar partes de um cento, um
centésimo, utiliza-se o símbolo %. V

Produto Liquido de Desconto Variáveis contínuas


Valor actual do desconto de um título com Variáveis não concretas, são expressas por
vencimento futuro, após consideração dos intervalos.
respectivos encargos de desconto.
Vencer
Proporção Cumprir-se um termo ou prazo marcado
Parcela que uma parte representa num todo. numa operação, numa obrigação, ou num
documento.
Proporcionalidade
Relação que se estabelece entre duas Vencido
variáveis. Que já passou a data de vencimento.

198 Guia do Formador Cálculo Comercial e Financeiro