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ESCALAS E AFINAÇÕES

Uma escala é uma série de sons (símbolos, sensação, ou estímulos)


arranjados numa progressão (ascendente ou decrescente) de freqüências de modo a
criar um ‘espaço’ adequada aos propósitos musicais.

Afinação é o processo de ajuste relativo a freqüências de sons de uma escala musical.

A escala que emprega somente intervalos encontrados na série harmônica é


denominada escala de afinação justa.

A escala de afinação justa é um tipo de escala musical que emprega intervalos de


freqüência representados por razões entre os componentes da série harmônica.
ESCALA DE AFINAÇÃO JUSTA

Intervalo Razão

Unissono 1:1
Semitom 16:15
Tom menor * 10:9
Tom maior * 9:8
Terça menor 6:5
Terça maior 5:4
Quarta justa 4:3
Quarta aumentada 45:32
Quinta diminuta 64:45
Quinta justa 3:2
Sexta menor 8:5
Sexta maior 5:3
Sétima menor acima 7:4
Sétima maior 15:8
Oitava 2:1
ESCALA DE AFINAÇÃO JUSTA OU ESCALA DE ARISTÓGENES : todos os sons
são obtidos por freqüências da série harmônica. Observando-se a escala pode-se
deduzir que nem todos os intervalos de mesmo nome têm a mesma razão. Há,
por exemplo, dois tipos de segunda maior, 9:8 (tom maior) e 10:9 (tom menor) e
quintas na razão 3:2 (perfeitas) e 13:9 (imperfeitas) como lá – ré, não redutíveis a
3:2, e quartas imperfeitas
Escala Pitagórica

Outro processo de construção de escala diatônica se baseia na sucessão de quintas


justas sempre multiplicando o som anterior por 3:2 (quinta perfeita).

Esse processo é denominado de escala pitagórica e tem como princípio construir


a escala diatônica a partir do intervalo mais simples depois do uníssono e da oitava,

Para o pitagorismo as consonâncias perfeitas era aquelas correspondentes à divisão


da corda por um (uníssono), por dois (oitava), por três (quinta justa) e por quatro
(mais uma oitava).
Na escala pitagórica todas as quintas e quartas são justas e todas as
segundas maiores assim como os semitons são iguais,mas as terças são
‘desafinadas’. A terça maior pitagórica excede a de Aristógenes por um fator
1,0125. Outro aspecto é que ao fechar o ciclo de 12 quintas a nota obtida (si#)
não tem sua freqüência como múltiplo de 1, ou seja si# não sera igual a dó.

Relação intervalar entre os graus da escala diatônica pitagórica:


Grécia clássica
“Grande Sistema Perfeito”

O tetracorde fundamental está limitado por notas fixas que formam a quarta justa. Entre elas estão
duas notas móveis que formam três gêneros: diatônico, cromático e enarmônico

1ª.ode pytica
Species de oitava= disposição dos tons e semitons na escala
MODOS LITÚRGICOS

Finalis é a nota de conclusão, a mesma para o modo autêntico e o seu plagal


Repercussio indica a região entre a finalis e a nota de recitação (tenor), a nota que repercute ( ressoa), definindo o modo.
No modo I(dórico) é a quinta acima da finalis e no modo II (plagal, hipodórico) é a terça acima da finalis.
Ambitus é a extensão do modo, em geral de uma oitava. No modo autêntico o âmbito é definido por uma espécie de quinta
seguida por uma especie de quarta. No modo plagal o âmbito vai a uma espécie de quarta abaixo da finalis seguida por uma
especie de quinta acima da finalis.
Espécie (Latim:specie,forma exterior, aspecto) significa o tipo de arranjo de tons e semitons de uma oitava, quinta ou quarta.

Species de 5ª.= 1.TSTT, 2ª.STTT, 3ª.TTTS, 4ª.TTST Cada par de modos é caracterizado por uma species de 5ª.
Protus

F R F R

Deuterus

F R F R

Tritus

F R F R

Tetrardus
F R F R

F R F R

F R F R
Transposição de modos

Determinar pela armadura de clave a escala maior correspondente. Depois indicar qual grau da escala maior que
da início ao modo mixolídio.
Na aplicação moderna dos modos é possível reconhecer os diferentes modos por seus intervalos
característicos em relação à finalis (esta relação sempre é feita tendo como base as notas que
formam o trítono de cada modo :

Dórico- sexta maior (si)


Frígio – segunda menor (fá)
Lídio – quarta aumentada (si)
Mixolídio – sétima menor (fá)
Eolio – sexta menor (fá)
Jônio – sétima maior (si)
Lócrio – quinta diminuta (fá) – [O modo lócrio não era considerado nos modos litúrgicos pois suas species
de quarta e quinta não formam intervalos justos]

Na musica moderna é comum a mistura de modos principalmente no impressionismo:


Determine o modo ou escala correspondente a cada um dos exemplos abaixo
ESCALAS CIGANAS
A partir do século XIV quando o desenvolvimento do contraponto tornou-se mais intenso a
sobreposição de vozes começou a causar alterações em algumas notas dos modos litúrgicos
(principalmente o si e fa). Um exemplo é o modo lídio que praticamente se transformou em jônio durante
o renascimento: o quarto grau era rebaixado em meio tom para permitir a tríade maior sobre a
subdominante. Os modos dórico e frígio, tenderam a se transformar em eólio e os modos lídio e
mixolidio tenderam ao jônio:

Obs.:As alterações indicadas pelos círculos representam também as chamadas notas características dos modos, notas que
são úteis para o reconhecimento dos modos na música moderna ou étnica mas não são funcionais quanto aos modos
litúrgicos.
Exemplo de como as alterações nos modos litúrgicos Passagem descendente indicativa da escala menor melódica
deram origem às escalas diatônicas tonais

O compositor altera o sexto grau e o sétimo graus do modo dórico para criar uma
cadência mais decisiva sobre a finalis (quase uma tônica).

Passagem cadencial em que surge o elemento ascendente da escala menor melódica: o 6º e o 7º


graus alterados.
Tonalidades Maiores e Menores
Conceito de tonalidades vizinhas e homônima
Tonalidades vizinhas são aquelas que possuem a mesma armadura ou diferem
apenas quanto a um “#” ou um “b” (a mais ou a menos).
Vizinhos diretos de uma tonalidade são as escalas correspondentes ao IV grau, ao
V grau e a relativa da tonalidade de base.
Vizinhos indiretos são as tonalidades relativas do IV grau e ao V grau
respectivamente.
Tonalidade homônimas são as que possuem o mesmo nome mas diferem quanto
ao modo.
Escalas cromáticas tonais

Escala cromática tonal (clássica) Maior:


Para a realização de uma escala cromática maior os semitons diatônicos devem ser mantidos. No movimento
ascendente as alterações cromáticas devem ser também ascendentes e no movimento descendente devem
ser alteradas descendentemente seguindo sempre o critério das notas pertencentes às tonalidades vizinhas ou
à homônima. Desse modo o sexto grau não se eleva, mas sim ascende para o sétimo grau rebaixado (sib em
dó maior), pois pertence à escala correspondente ao 4º grau da subdominante (Fá maior), tonalidade vizinha
direta. No movimento descendente somente uma exceção quanto às alterações descendentes: o V grau não é
alterado mas o quarto grau é elevado (fa# em dó maior) pois o V grau rebaixado (solb em dó maior) resultaria
em um tom muito afastado da tonalidade de base. O II grau alterado não pertence a nenhuma tonalidade
vizinha mas se comporta como uma “contra sensível” em relação à tônica.

Ascendente:
Do# - sensível da tonalidade correspondente ao II grau na forma harmônica (vizinho indireto)
Ré# - sensível do III grau na forma harmônica (vizinho indireto)
Fá# - sensível da tonalidade correspondente ao V grau ( vizinho direto)
Sol # sensível da tonalidade correspondente ao VI grau (vizinho direto)
Si b – IV da tonalidade correspondente ao IV grau (vizinho direto)
Descendente:
Si b – IV da tonalidade correspondente ao IV grau (vizinho direto)
La b – VI grau da tonalidade homônima (forma natural)
Fá# - sensível da tonalidade correspondente ao V grau ( vizinho direto)
Mi b – III da tonalidade homônima
Re b – contra sensível do I grau ( não pertence a nenhuma tonalidade vizinha
Escala cromática tonal (clássica) menor:

Para a realização de uma escala cromática menor os semitons diatônicos também devem ser
mantidos. No movimento ascendente as alterações cromáticas devem ser também
ascendentes com exceção do I grau (la# em lá menor), pois resultaria em uma nota
pertencente a tonalidade distante, e deve ser substituído pelo II rebaixado (correspondente ao
VI grau da tonalidade da subdominante - sib em lá menor). O movimento descendente é igual
ao ascendente de modo a manter o critério de alterações relacionado às tonalidades vizinhas
e homônima.

Si b – VI da escala correspondente ao IV grau da tonalidade de base (vizinho direto)


Do# - sensível da escala correspondente ao IV grau da tonalidade de base
Re # - sensível da escala correspondente ao V grau da tonalidade de base (vizinho direto)
Fa# - VI grau da forma melódica da própria escala da tonalidade de base
Sol # - sensível da própria escala de base na forma harmônica
Bibliografia para complementação e aprofundamento

COOPER, P.Perspectives in Music Theory.Nova York:Dodd, Mead &


Company,1974
JEPPESEN, K. The stile of Palestrina and the Dissonance.Nova
York:Dover,1970.
KOSTKA, S. Tonal Harmony.
OLSON, Harry F. Music, Physics and Engineering. New York: Dover. 1967.
460p.
SCLIAR, E. Elementos de Teoria Musical. São Paulo:Novas Metas,1985
SLONIMSKY, N.Thesaurus of Scales and Melodic Patterns.Nova
York:Scribner,1947
VASCONCELOS, J. Acústica Musical e Organologia.Porto
Alegre:Movimento,2002
ZAMACOIS, J.Teoria de la Musica –libro I. Barcelona:Labor,1977