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ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Direito Internacional da Pessoa com Deficiência

1. Convenção sobre Direito das Pessoas com Deficiência

 Convenção sobre Direito das Pessoas com Deficiência (NY -2007) +


protocolo facultativo.
 Criado no âmbito da Organização das Nações Unidas;
 Tratado internacional de direitos humanos
 Tratado com caráter vinculante – os estados se obrigam
internacionalmente e em caso de descumprimento podem sofrer sanções
internacionais

Dúvida: O Brasil aderiu ao tratado internacional em defesa do direitos das


pessoas com deficiência por meio do decreto legislativo 196/2008 (c.f. Art. 5º§3º
da CF).

No Brasil, seguiu os trâmites:

 Decreto Legislativo 196/2008 (c.f. Art. 5º§3º da CF)


 Depósito do instrumento de ratificação – 2008
 Decreto 6.949/2009

A Convenção sobre Direito das Pessoas com Deficiência, no Brasil, já havia


sido incorporada a nossa constituição no §3º do art. 5º, pela emenda constitucional
45/04, foi o primeiro tratado internacional a ser incorporado no ordenamento
jurídico brasileiro.
Essa emenda foi a emenda de reforma do poder judiciário, mas que trouxe
também outros dispositivos além daqueles, objeto da reforma, dentre eles o §3º do
art. 5º. Por meio dele os tratados internacionais de direitos humanos que forem
aprovados, em cada casa do congresso nacional, por três quintos dos votos de seus
respectivos membros, em dois turnos de votação, serão equivalentes as emendas
constitucionais.

O procedimento de aprovação desses tratados no Brasil concede a eles


status de norma constitucional.

Boa parte dos dispositivos da Convenção sobre Direito das Pessoas com
Deficiência foi adotado pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, hoje temos uma
proteção fantástica aos direitos humanos das pessoas com deficiência no Brasil.

Mudança de paradigma: Operou-se uma mudança de paradigma

Mudança de
paradigma

MODELO MÉDICO (incapacidade: pessoa deve se enquadrar na sociedade


e no meio social).

MODELO SOCIAL, de direitos humanos, de dignidade da pessoa


(Capacidade – sociedade e meio social se enquadram à pessoa).

A pessoa com deficiência, até bem pouco tempo, era assim considerada a
partir de critérios médicos, por conta das suas limitações físicas, psíquicas e
sensórias exclusivamente.
A limitação definia a pessoa como uma portadora de deficiência e o sistema
lhe considerava uma pessoa incapaz em razão da sua deficiência. No modelo
médico, a pessoa com deficiência é quem deve se enquadrar ao meio social.

A Convenção sobre Direito das Pessoas com Deficiência mudou esse


paradigma médico para um modelo social de direitos humanos. A pessoa com
deficiência deixou de ser presumidamente um incapaz para ser uma pessoa capaz
sendo uma obrigação da sociedade e do meio social adaptar-se a ela.

A deficiência passou a ser aferida por meio de uma avaliação


biopsiquicosocial, e leva em consideração a forma como a pessoa interage com o
meio social, vai além da sua limitação física.

A DEFICIÊNCIA:

 No modelo médico – está na pessoa.


 No modelo social – está na interação da pessoa com o meio social.

2. Convenção de Marraqueche (2013)

Firmada no âmbito da OMPI (Organização Mundial da Propriedade


Intelectual)
Caráter vinculante

Trâmites:
 Decreto legislativo 261/20015 ( c.f. art. 5º, §3° da CF)
 Depósito do Instrumento de ratificação: 2015
 Vigor internacional: 2016

A Convenção de Marraqueche também foi recepcionada no ordenamento


brasileiro com status de norma constitucional, equivalem a emenda constitucional.

Objeto: estabelecimento na legislação nacional de direito de autor de


normas que facilitem a disponibilidade de obras em formatos acessíveis às pessoas:

 Cegas
 Com deficiência visual ou qualquer outra deficiência perceptiva ou de
leitura;
 Que estejam impossibilitadas, de qualquer outra maneira devido a
uma deficiência física, de sustentar ou manipular um livro ou focar ou
mover os olhos de forma que normalmente seria apropriada a leitura.

A Convenção de Marraqueche tem por objetivo fomentar que as leis


nacionais criem exceções sobre os direitos dos autores que facilitem a
disponibilização de obras em formatos que permitam o acesso de pessoas com
limitação visual de qualquer natureza.

(FCC- Defensor Público/PR – 2017)


De acordo com o posicionamento do Supremo Tribunal Federal sobre a
hierarquia dos tratados internacionais de direitos humanos, consideram-se
como tratados de hierarquia constitucional:
I. Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça da
Infância e Juventude − Regras de Beijing.
II. Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
e seu respectivo Protocolo Facultativo – Convenção de Nova Iorque.
III. Convenção Americana Sobre Direitos Humanos − Pacto de San José da
Costa Rica.
IV. Tratado de Marraqueche para facilitar o acesso a obras publicadas às
pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para
aceder ao texto impresso.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, II, III e IV.
(B) II e III, apenas.
(C) II e IV, apenas.
(D) I e II, apenas.
(E) III e IV, apenas.
DISCIPLINA CONSTITUCIONAL DOS DIREITOS DA PESSOA COM
DEFICIÊNCIA

Título VIII - Da Ordem Social –


Capítulo VII - Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso

Art. 227, § 1º da CF: O Estado promoverá programas de assistência


integral à saúde da criança, do adolescente e do jovem, admitida a
participação de entidades não governamentais, mediante políticas
específicas e obedecendo aos seguintes preceitos: (Redação dada Pela
Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
[...]
II - Criação de programas de prevenção e atendimento
especializado para as pessoas portadoras de deficiência física,
sensorial ou mental, bem como de integração social do
adolescente e do jovem portador de deficiência, mediante o
treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos
bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e
de todas as formas de discriminação. (Redação dada Pela Emenda
Constitucional nº 65, de 2010)

Art. 227, § 2º, da CF: A lei disporá sobre normas de construção dos
logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de
veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às
pessoas portadoras de deficiência.

Na Constituição não temos um capítulo referente à pessoa com deficiência,


de modo que o art. 227 foi alocado no capítulo que versa sobre a ordem social,
junto com os dispositivos que tratam da família, da criança, do adolescente, do
jovem e do idoso.

O art. 227 ainda trata as pessoas com deficiência de acordo com o paradigma
médico, mas quando a constituição foi elaborada a terminologia utilizada era
“pessoa portadora de deficiência”.

O §2º e o caput do art. 227 trazem uma divergência do ponto de vista da


técnica legislativa. O parágrafo 2º, se interpretado isoladamente, nos sugere que o
acesso será garantido a todos os portadores de deficiência, quando na verdade se
nos voltarmos para o caput do art. 227 veremos que ele só se refere a criança,
adolescente e jovem. A crítica que se faz é que ele deveria estar em um artigo
específico ou a CF deveria ter feito a referência expressa às pessoas portadoras de
deficiência no caput.

Título IX – Das Disposições Constitucionais Gerais

Art. 244 da CF: A lei disporá sobre a adaptação dos logradouros, dos
edifícios de uso público e dos veículos de transporte coletivo atualmente
existentes a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de
deficiência, conforme o disposto no art. 227, § 2º.

O legislador constituinte apenas reproduziu o que já havia dito no art. 227, §2º
nas disposições gerais, não criou um capítulo específico às pessoas com deficiência.

Mas já temos na Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência um


“grande capítulo” sobre os direitos das pessoas portadoras de deficiência.

Título VIII - Da Ordem Social


Capítulo II - Da Seguridade Social

Art. 203 da CF: A assistência social será prestada a quem dela


necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem
por objetivos: [...]
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de
deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa
portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios
de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família,
conforme dispuser a lei.
[...]

Título VIII - Da Ordem Social


Capítulo III - Da Educação, Da Cultura e do Desporto

Art. 208 da CF: O dever do Estado com a educação será efetivado


mediante a garantia de:
(...)
III - atendimento educacional especializado aos portadores de
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.

Esse dispositivo constitucional também foi reproduzido no Estatuto da Criança


e do Adolescente.

O intuito é que a pessoa tenha a possibilidade de maior integração possível,


por isso preferencialmente é que ela esteja matriculada em uma rede regular de
ensino.

Direitos Sociais e Administração Pública

Art. 7°, XXXI, da CF: proibição de qualquer discriminação no tocante


a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de
deficiência;
Art. 37, VIII, da CF: a lei reservará percentual dos cargos e
empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e
definirá os critérios de sua admissão.
Precatórios

Art. 100, § 2º, da CF: Os débitos de natureza alimentícia cujos


titulares, originários ou por sucessão hereditária, tenham 60
(sessenta) anos de idade, ou sejam portadores de doença grave, ou
pessoas com deficiência, assim definidos na forma da lei, serão
pagos com preferência sobre todos os demais débitos, até o valor
equivalente ao triplo fixado em lei para os fins do disposto no § 3º deste
artigo, admitido o fracionamento para essa finalidade, sendo que o
restante será pago na ordem cronológica de apresentação do precatório.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 94, de 2016)

Precatórios - Requisições feitas pelo poder judiciário para que a administração


direta e indireta pague suas dívidas.
O pagamento às pessoas com deficiência tem preferência sobre os demais.

NORMATIVA INFRACONSTITUCIONAL DOS DIREITOS DA PESSOA


COM DEFICIÊNCIA

Lei 7.853/99 e Decreto 3.298/99: Dispõe sobre o “apoio” às pessoas


portadoras de deficiência.

O estatuto da pessoa com deficiência não revogou a lei 7.853/99 e nem o seu
decreto.
O Estatuto alterou alguns de seus dispositivos, vejamos:

Tutela Coletiva

Art. 3º - As medidas judiciais destinadas à proteção de interesses


coletivos, difusos, individuais homogêneos e individuais indisponíveis da
pessoa com deficiência poderão ser propostas pelo Ministério Público, pela
Defensoria Pública, pela União, pelos Estados, pelos Municípios, pelo
Distrito Federal, por associação constituída há mais de 1 (um) ano, nos
termos da lei civil, por autarquia, por empresa pública e por fundação ou
sociedade de economia mista que inclua, entre suas finalidades
institucionais, a proteção dos interesses e a promoção de direitos da
pessoa com deficiência. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015)

Tutela Penal

Art. 8º - Constitui crime punível com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos


e multa: (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015)
I - recusar, cobrar valores adicionais, suspender, procrastinar, cancelar
ou fazer cessar inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de
qualquer curso ou grau, público ou privado, em razão de sua deficiência;
II - obstar inscrição em concurso público ou acesso de alguém a
qualquer cargo ou emprego público, em razão de sua deficiência;
III - negar ou obstar emprego, trabalho ou promoção à pessoa em razão
de sua deficiência;
IV - recusar, retardar ou dificultar internação ou deixar de prestar
assistência médico-hospitalar e ambulatorial à pessoa com deficiência;
V - deixar de cumprir, retardar ou frustrar execução de ordem judicial
expedida na ação civil a que alude esta Lei;
VI - recusar, retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à
propositura da ação civil pública objeto desta Lei, quando requisitados.
§ 1º Se o crime for praticado contra pessoa com deficiência menor de 18
(dezoito) anos, a pena é agravada em 1/3 (um terço).
§ 2º A pena pela adoção deliberada de critérios subjetivos para
indeferimento de inscrição, de aprovação e de cumprimento de estágio
probatório em concursos públicos não exclui a responsabilidade
patrimonial pessoal do administrador público pelos danos causados.
§ 3º Incorre nas mesmas penas quem impede ou dificulta o ingresso de
pessoa com deficiência em planos privados de assistência à saúde,
inclusive com cobrança de valores diferenciados.
§ 4º Se o crime for praticado em atendimento de urgência e emergência,
a pena é agravada em 1/3 (um terço).
Reserva de Vaga em Concurso Público

CF: Art. 37, VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos
públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios
de sua admissão;

A lei que regula essa temática é o decreto lei 3298/99

Decreto 3.298/1999 (regulamente a Lei 7.853/89)

Art. 37. Fica assegurado à pessoa portadora de deficiência o direito de se


inscrever em concurso público, em igualdade de condições com os demais
candidatos, para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis
com a deficiência de que é portador.
§ 1º O candidato portador de deficiência, em razão da necessária
igualdade de condições, concorrerá a todas as vagas, sendo reservado
no mínimo o percentual de cinco por cento em face da classificação
obtida.
§ 2º Caso a aplicação do percentual de que trata o parágrafo anterior
resulte em número fracionado, este deverá ser elevado até o
primeiro número inteiro subsequente. (Com redação dada pelo
Decreto 5.296/2004)

Lei 8.112/99
Art. 5. § 2o Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de
se inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas
atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são
portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por
cento) das vagas oferecidas no concurso.
REFERÊNCIAS NORMATIVAS:
 Constituição Federal – Art. 37, VIII – garantia da reserva
 Decreto 3.298/1999 – Art. 37, §1º e §2º - percentual mínimo de 5%
 Lei 8.112/90 - Art. 5. § 2o – percentual máximo de 20%

Regra geral: Os concursos públicos devem garantir no mínimo 5% e no


máximo 20% de suas vagas para as pessoas portadoras de deficiência.

Dúvidas:
Concurso com 05 vagas, deve se assegurar vagas para os portadores de
deficiência?
O edital do concurso pode estabelecer, 5%, 10% ou somente 15% da vagas
para portadores de deficiência?
A lei 8.112/90 é de âmbito federal, o percentual de 20% não seria somente
aos concursos federais?

Reserva de Vagas em Concurso Público CONCURSO FEDERAIS

1. Número mínimo: 5% (Decreto 3.298/99)


2. Número máximo: 20% (Lei 8.112/90)

STF – MS 30.861/2012. Rel. Min. Gilmar Mendes. 22/05/2012. Aplicam-se


os limites mínimo e máximo 5% e 20% ao mesmo tempo. + STF, RE-AgR
440988. Rel. Min. Dias Tóffoli 28/02/2012 + STF. MS 26.310-5. Rel.
Ministro Marco Aurélio. 20/09/2007.

STJ – RMS 36359 / PR. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. 27/11/2012.
Fez menção ao 5% mais 20%. Arredondamento não pode conduzir à
desigualdade.

CONCURSOS ESTADUAIS / DF e Municipais

Número mínimo: 5% (Decreto 3.298/99)


Número máximo: legislação estadual/distrital/municipal ou 20%
(Lei 8.112/90)

STJ – RMS 38595 / MG. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. Mandou
aplicar limite máximo da 8.112 para cargo de Técnico de MP Estadual).

STF: percentuais se aplicam para o número de vagas de cada cargo, não


do concurso todo. (RMS 25.666/DF. 2ª turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa,
DJ 03/12/2009)

A lei 8112/90 é regulamento para os concursos de âmbito federal.


Na hipótese de existir regulamentação estadual ou municipal definindo o
percentual de vagas, está terá prevalência, reflexo da autonomia do pacto
federativo.

STJ – Se existir lei estadual ou municipal estabelecendo o limite máximo


de vagas para pessoas com deficiência aplicaremos a legislação
correspondente, na ausência de regulamentação e apenas uma referência
editalícia, usamos os parâmetros da lei 8112/90 quanto a limite máximo.

Concurso com 05 vagas:


Ex.: Se for na área federal – mínimo de 05% e máximo de 20% -
precisaria de no mínimo 20 vagas para reservar uma vaga para pessoa com
deficiência.

Ficou definido que se aplicaria os limites mínimo e máximo 5% e 20% ao


mesmo tempo (STF - MS 30.861/2012, STF, RE-AgR 440988. Rel. Min. Dias Tóffoli
28/02/2012 e STJ – RMS 36359)

Ex.: Concurso Estadual – não existe na legislação o limite máximo de vagas.


Aplica-se o limite mínimo de 5%.
Existindo lei estadual definindo o máximo aplica-se a lei estadual.
Na ausência de lei estadual aplicamos a referência máxima da lei 8.112/90
Concurso com cadastro reserva – a cada quatro classificados da
lista geral entra um portador de deficiência.

Lei 10.048/2000: Dá prioridade de atendimento.

BENEFICIÁRIOS:
 pessoas com deficiência (Lei 13.146/2016);
 idosos com idade igual ou superior a 60 anos;
 gestantes;
 lactantes;
 pessoas com crianças de colo e obesos terão atendimento prioritário.

OBRIGADOS:
 repartições públicas;
 empresas concessionárias de serviços públicos;
 instituições financeiras.

REGRAS ESPECIAIS:

 Empresas públicas de transporte e as concessionárias de transporte


coletivo deverão reservar assentos, devidamente identificados.

 Os logradouros e sanitários públicos, bem como os edifícios de uso


público, terão normas de construção, para efeito de
licenciamento da respectiva edificação, baixadas pela autoridade
competente, destinadas a facilitar o acesso e uso desses locais pelas
pessoas portadoras de deficiência.

 Os veículos de transporte coletivo a serem produzidos após doze


meses da publicação desta Lei (publicada no DOU em 9.11.2000)
serão planejados de forma a facilitar o acesso a seu interior das
pessoas portadoras de deficiência.

Lei 11.126/2005: Dispõe sobre o direito do portador de deficiência visual


de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo
acompanhado de cão-guia.

É assegurado à pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia o


direito de ingressar e de permanecer com o animal em todos os meios
de transporte e em estabelecimentos abertos ao público, de uso
público e privados de uso coletivo, desde que observadas as condições
impostas por esta Lei (redação dada pela Lei 13.146/2015)

Lei 12.587/2005: Institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade


Urbana.

Art. 12-B. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015). Na outorga de


exploração de serviço de táxi, reservar-se-ão 10% das vagas para
condutores com deficiência.

§ 1o Para concorrer às vagas reservadas na forma do caput deste artigo, o


condutor com deficiência deverá observar os seguintes requisitos quanto
ao veículo utilizado:

I - ser de sua propriedade e por ele conduzido; e

II - estar adaptado às suas necessidades, nos termos da legislação


vigente.

§ 2o No caso de não preenchimento das vagas na forma estabelecida


no § deste artigo, as remanescentes devem ser disponibilizadas
para os demais concorrentes.

Lei 13.146/2015: Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com


Deficiência – Estatuto da Pessoa com Deficiência (EPCD)
PCD:
aquela que tem impedimento de longo prazo
+
de natureza física, mental, intelectual ou sensorial,
+
o qual, em interação com uma ou mais barreiras,
+
pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade
de condições com as demais pessoas.

• Pessoa com
PCD deficiêncioa

• física,
Impedimento mental,
de longo prazo intelectual ou
sensorial,

interação com • obstrui sua participação plena na sociedade


uma ou mais
barreiras

A limitação deve impedir a pessoa de viver em situação de igualdade com as


demais pessoas.
Não basta uma deficiência médica, a deficiência precisa ser biopsicossocial.
Biomédica + Psicológica + social

A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial


(não biomédica). Realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e
considerará:
I - os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo;
II - os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais;
III - a limitação no desempenho de atividades; e
IV - a restrição de participação.

O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência.


Alterações geradas pelo EPCD: Capacidade das Pessoas com
Deficiência Código Civil – CC

Art. 3º do CC: são absolutamente incapazes apenas os menores de 16


anos.

Excluídos do “rol”:
* os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o
necessário discernimento para a prática desses atos; e
* os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua
vontade.

O Estatuto da Pessoa com deficiência trouxe modificações no Código Civil no


tocante a teoria das incapacidades.

Art. 4º do CC: são relativamente incapazes:


I Maiores de 16 e menores de 18 anos;
II Ébrios habituais e viciados em tóxico;
III Aqueles que por causa transitória ou permanente, não puderem
exprimir sua vontade*;
IV Os pródigos.
* Deixaram de ser absolutamente incapazes para se tornarem relativamente
capazes.

Enfermidade ou deficiência Mental – a presunção de incapacidade das


pessoas com deficiência deixou de existir.
Pessoas com deficiência são presumidamente CAPAZES.

Qual a situação das pessoas com deficiência?


Capazes, em regra.
Possibilidade da Tomada de Decisão Apoiada.

Conceito: processo pelo qual a pessoa com deficiência elege pelo menos 2
(duas) pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua
confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil,
fornecendo-lhes os elementos e informações necessários para que possa exercer
sua capacidade.

Permite-se que a pessoa com deficiência seja auxiliada em suas tomadas de


decisões por pessoas de sua confiança.
Não são curadores, tão somente pessoas que vão auxiliar.

Pedido judicial: a pessoa com deficiência e os apoiadores devem


apresentar termo em que constem os limites do apoio a ser oferecido e os
compromissos dos apoiadores, inclusive o prazo de vigência do acordo e o
respeito à vontade, aos direitos e aos interesses da pessoa que devem apoiar.

Legitimidade: Em regra, da pessoa a ser apoiada, com indicação expressa


das pessoas aptas a prestarem o apoio.
A própria pessoa a ser apoiada poder escolher quem irá lhe apoiar já
demonstra a sua capacidade.

PROCEDIMENTO E REGRAS:

 O juiz, assistido por equipe multidisciplinar, após oitiva do Ministério


Público, ouvirá pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe prestarão apoio.

 O terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial pode


solicitar que os apoiadores contra-assinem o contrato ou acordo,
especificando, por escrito, sua função em relação ao apoiado.

 Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante,


havendo divergência de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores,
deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a questão.

 Se o apoiador agir com negligência, exercer pressão indevida ou não


adimplir as obrigações assumidas, poderá a pessoa apoiada ou qualquer pessoa
apresentar denúncia ao Ministério Público ou ao juiz.
Se procedente a denúncia, o juiz destituirá o apoiador e nomeará, ouvida a
pessoa apoiada e se for de seu interesse, outra pessoa para prestação de apoio.

 A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar o término de acordo


firmado em processo de tomada de decisão apoiada.

 O apoiador pode solicitar ao juiz a exclusão de sua participação do processo


de tomada de decisão apoiada, sendo seu desligamento condicionado à
manifestação do juiz sobre a matéria.

 Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as disposições


referentes à prestação de contas na curatela.

SITUAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

A pessoa com deficiência pode ser curatelada quando não puder desenvolver
os atos da vida civil, a presunção de capacidade da pessoa com deficiência é
relativa e não absoluta.

Nomear um curador para pessoa com deficiência que não tenha condições
de realizar os atos da vida civil é o mesmo que interditar essa pessoa?

1ª posição - doutrina mais moderna entende que o termo interdição já não


existe mais o que existe é a curatela, com as alterações do Código Civil a interdição
deixou de existir.

Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela:


I. aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem
exprimir sua vontade;
II. os ébrios habituais e os viciados em tóxico;
III. os pródigos.

OBS: “aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o


necessário discernimento para os atos da vida civil” – hipótese excluída

É na hipótese do art. 1767, I do CC que se enquadram as pessoas com


deficiência – “aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem
exprimir sua vontade” – são de capacidade relativa.

A interdição somente é possível quando a pessoa com deficiência não


conseguir exprimir sua vontade.

Art. 1.768. O processo que define os termos da curatela deve ser


promovido:
IV - pela própria pessoa. Autocuratela ou autointerdição

Art. 1.769. O Ministério Público somente promoverá o processo que define


os termos da curatela:
a) Nos casos de deficiência mental ou intelectual;

Art. 6° do EPCD: A deficiência não afeta a plena capacidade civil da


pessoa, inclusive para:
I - casar-se e constituir união estável;
II - exercer direitos sexuais e reprodutivos;
III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso
a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar;
IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;
V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e
VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como
adotante ou adotando, em igualdade de oportunidades com as demais
pessoas.
CAPACIDADE DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Art. 228, § 2º do CC: PCD poderá testemunhar

Art. 1.550, § 2º do CC: PCD poderá contrair matrimônio, expressando


sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou curador.

(MPDFT – Promotor de Justiça – MPDFT/2015) A recém-editada Lei


Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com
Deficiência), Lei 13.146, de 6 de julho de 2015, entra em vigor 180 dias após sua
publicação, e opera importantes modificações no Código Civil Brasileiro. A respeito
dessas modificações, assinale a única alternativa CORRETA:

a) Em relação ao regime das incapacidades, a alteração operada foi que


as pessoas que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua
vontade deixaram de ser absolutamente incapazes e passaram a relativamente
incapazes.
b) Quanto à possibilidade de serem testemunhas, foi revogado o
dispositivo relativo aos cegos e surdos, mantendo-se o relativo às pessoas que, por
enfermidade ou retardamento mental, não tiverem discernimento para a prática dos
atos da vida civil.
c) Sobre a nulidade do casamento contraído “pelo enfermo mental sem o
necessário discernimento para os atos da vida civil", essa nulidade, antes absoluta,
foi tornada relativa.
d) Quanto à interdição, ficou estabelecido que o processo que define os
termos da curatela pode ser promovido pela própria pessoa a ser curatelada.
e) Foi inserido novo instituto para suprir a capacidade das pessoas com
deficiência, a tomada de decisão apoiada, pela qual o juiz elege duas pessoas
idôneas para apoiar a tomada de decisão das pessoas com deficiência nos autos de
processos judiciais.
Gabarito: D

ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Disposições preliminaries

 Publicação no D.O.U: 07/07/2015 da Lei nº 13.146/2015.


 Vigência: após 180 dias de sua publicação oficial, em janeiro de 2016.
 Regência: Princípio da norma mais benéfica, exigindo um diálogo
interpretativo com diplomas normativos anteriores.
 O EPCD destina-se a assegurar e a promover, em condições de
igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com
deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com


deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à
saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à
educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à
reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao
lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à
dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre
outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os
Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis
e de outras normas que garantam seu bem-estar pessoal, social e
econômico

A constituição garante as pessoas com deficiências os mesmos direitos


garantidos às pessoas em geral, e além disso algumas especificidades atinente
somente a elas.

Igualdade de Oportunidades e Não Discriminação

Discriminação em razão da deficiência


 distinção, restrição ou exclusão,
 por ação ou omissão,
 que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular
 o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades
fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de
adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas.

Ações Afirmativas: a pessoa com deficiência não está obrigada à fruição de


benefícios. Ex: vagas em concursos

Ações afirmativas – aquelas que buscam corrigir desigualdades historicamente


consideradas.
As pessoas com deficiência não estão obrigadas a usufruírem de benefícios
decorrentes de ações afirmativas.

Proteção contra toda forma de negligência, discriminação, exploração,


violência, tortura, crueldade, opressão e tratamento desumano ou degradante.

Sujeitos especialmente vulneráveis: criança, adolescente, mulher e


idoso, com deficiência.

É dever de todos comunicar à autoridade competente qualquer forma de


ameaça ou de violação aos direitos da pessoa com deficiência.
Juízes e os tribunais: devem remeter peças ao Ministério Público para as
providências cabíveis.

FCC -Técnico Judiciário – TRE/SP – 2017) Os direitos relacionados ao


atendimento prioritário da pessoa com deficiência, são extensivos ao acompanhante
da pessoa com deficiência ou ao seu atendente pessoal, EXCETO, dentre outra
hipótese, quanto
a) à proteção e socorro em quaisquer circunstâncias.
b) ao atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao
público.
c) ao recebimento de restituição de imposto de renda.
d) à disponibilização de pontos de parada, estações e terminais acessíveis
de transporte coletivo de passageiros e garantia de segurança no embarque e no
desembarque.
e) ao acesso a informações e disponibilização de recursos de
comunicação acessíveis.

Gabarito: C
DIREITOS FUNDAMENTAIS e DIREITO À VIDA

Compete ao poder público garantir a dignidade da pessoa com deficiência ao


longo de toda a vida. Em situações de risco, emergência ou estado de
calamidade pública, a pessoa com deficiência será considerada vulnerável,
devendo o poder público adotar medidas para sua proteção e segurança.

Cuidado! Não confundir vulnerabilidade com incapacidade!

Vulnerabilidade – decorre do fato de serem pessoas que precisam de


tratamento especial.
Incapacidade – pessoas que não tem condição de praticar atos da vida
civil.

A pessoa com deficiência não poderá ser obrigada a se submeter a


intervenção clínica ou cirúrgica, a tratamento ou a institucionalização
forçada. O consentimento da pessoa com deficiência em situação de curatela
poderá ser suprido, na forma da lei.

O consentimento prévio, livre e esclarecido da pessoa com deficiência


é indispensável para a realização de tratamento, procedimento, hospitalização e
pesquisa científica.

Em caso de pessoa com deficiência em situação de curatela, deve ser


assegurada sua participação, no maior grau possível, para a obtenção de
consentimento.

A pessoa com deficiência somente será atendida sem seu consentimento


prévio, livre e esclarecido em casos de risco de morte e de emergência em
saúde, resguardado seu superior interesse e adotadas as salvaguardas legais
cabíveis.
De acordo com o STJ, admite-se, de forma excepcional internação
forçada provisória em ação de curatela.
In verbis: “[...] a interdição civil com internação compulsória
encontra fundamento jurídico tanto no Código Civil quanto na Lei
10.216/2001. Nesse contexto, o art. 1.777 do CC prescreve a
possibilidade de os interditados serem recolhidos em
estabelecimentos adequados, quando não se adaptarem ao convívio
doméstico. Por sua vez, o art. 4º da Lei 10.216/2001 também
estabelece a possibilidade de internação compulsória na hipótese em
que os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes”. Ante
o exposto, é claro o caráter excepcional da medida, exigindo-se,
portanto, para sua imposição, laudo médico circunstanciado que
comprove a necessidade da medida diante da efetiva demonstração
de insuficiência dos recursos extra-hospitalares. A internação
compulsória deve, quando possível, ser evitada, de modo que a sua
adoção apenas poderá ocorrer como última opção, em defesa do
internado e, secundariamente, da própria sociedade. Nesse
contexto, resguarda-se, por meio da interdição civil com
internação compulsória, a vida do próprio interditando e,
secundariamente, a segurança da sociedade. Além disso, deve-se
ressaltar que não se pretende, com essa medida, aplicar sanção ao
interditado seja na espécie de pena seja na forma de medida de
segurança, haja vista que a internação compulsória em ação de
interdição não tem caráter penal, não devendo, portanto, ser
comparada à medida de segurança ou à medida
socioeducativa. HC 169.172-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 10/12/2013.

A pesquisa científica envolvendo pessoa com deficiência em situação


de tutela ou de curatela deve ser realizada, em caráter excepcional, apenas
quando houver indícios de benefício direto para sua saúde ou para a saúde
de outras pessoas com deficiência e desde que não haja outra opção de
pesquisa de eficácia comparável com participantes não tutelados ou curatelados.

DIREITO À HABILITAÇÃO E À REABILITAÇÃO

O processo de habilitação e de reabilitação tem por objetivo o


desenvolvimento de potencialidades, talentos, habilidades e aptidões
físicas, cognitivas, sensoriais, psicossociais, atitudinais, profissionais e
artísticas que contribuam para a conquista da autonomia da pessoa com
deficiência e de sua participação social em igualdade de condições e
oportunidades com as demais pessoas.

Deve-se buscar políticas de habilitação e reabilitação sempre de forma a fazer


o deficiente interagir com a sociedade em igualdade de condições com as demais
pessoas.

DIREITO À SAÚDE (ART. 18 E S.S.)

DESTAQUES:

 atenção integral à saúde da pessoa com deficiência em todos os


níveis de complexidade, por intermédio do SUS, garantido acesso universal e
igualitário;
 capacitação inicial e continuada aos profissionais que prestam
assistência à pessoa com deficiência, especialmente em serviços de habilitação
e de reabilitação;
 serviços de habilitação e de reabilitação sempre que necessários,
para qualquer tipo de deficiência, inclusive para a manutenção da melhor condição
de saúde e qualidade de vida;
 atendimento domiciliar multidisciplinar, tratamento ambulatorial e
internação;
 atendimento psicológico, inclusive para seus familiares e atendentes
pessoais;
 respeito à especificidade, à identidade de gênero e à orientação
sexual da pessoa com deficiência;
 atenção sexual e reprodutiva, incluindo o direito à fertilização
assistida;
 informação adequada e acessível à pessoa com deficiência e a seus
familiares sobre sua condição de saúde;
 oferta de órteses, próteses, meios auxiliares de locomoção,
medicamentos, insumos e fórmulas nutricionais, conforme as normas vigentes
do Ministério da Saúde.

OBS: Essas garantias/diretrizes aplicam-se também às instituições


privadas que participem de forma complementar do SUS ou que recebam recursos
públicos para sua manutenção.

Compete ao SUS desenvolver ações destinadas à prevenção de


deficiências por causas evitáveis, inclusive por meio de:

 - acompanhamento da gravidez, do parto e do puerpério, com garantia


de parto humanizado e seguro;
 - promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis,
vigilância alimentar e nutricional, prevenção e cuidado integral dos
agravos relacionados à alimentação e nutrição da mulher e da criança;
 - aprimoramento e expansão dos programas de imunização e de
triagem neonatal;
 - identificação e controle da gestante de alto risco.

Atenção! As operadoras de planos e seguros privados de saúde são


obrigadas a garantir à pessoa com deficiência, no mínimo, todos os serviços e
produtos ofertados aos demais clientes.
São vedadas todas as formas de discriminação contra a pessoa com
deficiência, inclusive por meio de cobrança de valores diferenciados por planos
e seguros privados de saúde, em razão de sua condição.
Quando esgotados os meios de atenção à saúde da pessoa com
deficiência no local de residência, será prestado atendimento fora de
domicílio, para fins de diagnóstico e de tratamento, garantidos o transporte e a
acomodação da pessoa com deficiência e de seu acompanhante.

À pessoa com deficiência internada ou em observação é assegurado o direito


a acompanhante ou a atendente pessoal, devendo o órgão ou a instituição de saúde
proporcionar condições adequadas para sua permanência em tempo integral.
Na impossibilidade de permanência do acompanhante ou do atendente
pessoal junto à pessoa com deficiência, cabe ao profissional de saúde responsável
pelo tratamento justificá-la por escrito.

Os espaços dos serviços de saúde, tanto públicos quanto privados, devem


assegurar o acesso da pessoa com deficiência, em conformidade com a
legislação em vigor, mediante a remoção de barreiras, por meio de projetos
arquitetônico, de ambientação de interior e de comunicação que atendam às
especificidades das pessoas com deficiência física, sensorial, intelectual e mental.

Os casos de suspeita ou de confirmação de violência praticada contra a


pessoa com deficiência serão objeto de notificação compulsória pelos serviços de
saúde públicos e privados à autoridade policial e ao Ministério Público, além
dos Conselhos dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Para os efeitos da Lei 13.146/2015, considera-se violência contra a pessoa
com deficiência qualquer ação ou omissão, praticada em local público ou privado,
que lhe cause morte ou dano ou sofrimento físico ou psicológico.

DIREITO À EDUCAÇÃO (ART. 27 E S.S.)

A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados


sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de
toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus
talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas
características, interesses e necessidades de aprendizagem.
Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar,
incentivar, acompanhar e avaliar:

 I - sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades,


bem como o aprendizado ao longo de toda a vida;

 II - aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir


condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta
de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a
inclusão plena;

 - projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional


especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender
às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao
currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua
autonomia;

 - oferta de educação bilíngue, em Libras como primeira língua e na


modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e classes
bilíngues e em escolas inclusivas;

 - adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que maximizem


o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com deficiência, favorecendo o
acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem em instituições de ensino;

 - pesquisas voltadas para o desenvolvimento de novos métodos e


técnicas pedagógicas, de materiais didáticos, de equipamentos e de recursos de
tecnologia assistiva;

 - planejamento de estudo de caso, de elaboração de plano de


atendimento educacional especializado, de organização de recursos e serviços de
acessibilidade e de disponibilização e usabilidade pedagógica de recursos de
tecnologia assistiva;

 - participação dos estudantes com deficiência e de suas famílias nas diversas


instâncias de atuação da comunidade escolar;

 - adoção de medidas de apoio que favoreçam o desenvolvimento dos


aspectos linguísticos, culturais, vocacionais e profissionais, levando-se em
conta o talento, a criatividade, as habilidades e os interesses do estudante com
deficiência;

 - adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação


inicial e continuada de professores e oferta de formação continuada para o
atendimento educacional especializado;

 - formação e disponibilização de professores para o atendimento


educacional especializado, de tradutores e intérpretes da Libras, de guias
intérpretes e de profissionais de apoio;

 - oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos


de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos
estudantes, promovendo sua autonomia e participação;

 - acesso à educação superior e à educação profissional e tecnológica em


igualdade de oportunidades e condições com as demais pessoas;

 - inclusão em conteúdos curriculares, em cursos de nível superior e de


educação profissional técnica e tecnológica, de temas relacionados à pessoa com
deficiência nos respectivos campos de conhecimento;

 - acesso da pessoa com deficiência, em igualdade de condições, a jogos e


a atividades recreativas, esportivas e de lazer, no sistema escolar;

 - acessibilidade para todos os estudantes, trabalhadores da educação e


demais integrantes da comunidade escolar às edificações, aos ambientes e às
atividades concernentes a todas as modalidades, etapas e níveis de ensino;

 - oferta de profissionais de apoio escolar;

 - articulação intersetorial na implementação de políticas públicas.

OBS: Às instituições privadas, de qualquer nível e modalidade de ensino,


não estão obrigadas aos itens IV e VI (oferta de educação bilíngue pesquisas
voltadas para o desenvolvimento de novos métodos e técnicas equipamentos e
recursos), sendo vedada a cobrança de valores adicionais de qualquer natureza
em suas mensalidades, anuidades e matrículas no cumprimento dessas
determinações.

Atenção! A Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino –


CONFENEN ajuizou a Ação Direta de Inconstitucionalidade, com pedido de medida
cautelar, em tramite sob o Nº 5357 perante o Supremo Tribunal Federal para
questionar a constitucionalidade da obrigatoriedade de as escolas privadas
promoverem a inserção das pessoas com deficiência no ensino regular e prover as
medidas de adaptação necessárias sem que o ônus financeiro seja repassado às
mensalidades, anuidades e matrículas.

A medida cautelar foi indeferida. Posteriormente, no mérito, por maioria de


votos, o Plenário do STF rejeitou a ADI se valendo dos argumentos utilizados pelo
Ministro Relator Edson Fachin, quando do indeferimento da Cautelar.

Estatuto da Pessoa com Deficiência

TRECHOS DA EMENTA DA DECISÃO DE INDEFERIMENTO DA CAUTELAR:

“A atuação do Estado na inclusão das pessoas com deficiência, quer


mediante o seu braço Executivo ou Legislativo, pressupõe a
maturação do entendimento de que se trata de ação positiva em uma
dupla via. Explico: essa atuação não apenas diz respeito à inclusão
das pessoas com deficiência, mas também, em perspectiva inversa,
refere-se ao direito de todos os demais cidadãos ao acesso a uma
arena democrática plural. [...] Se é certo que se prevê como dever do
Estado facilitar às pessoas com deficiência sua plena e igual
participação no sistema de ensino e na vida em comunidade, bem
como, de outro lado, a necessária disponibilização do ensino primário
gratuito e compulsório, é igualmente certo inexistir qualquer
limitação da educação das pessoas com deficiência a
estabelecimentos públicos ou privados que prestem o serviço público
educacional. [...] Não se acolhe o invocar da função social da
propriedade para se negar a cumprir obrigações de funcionalização
previstas constitucionalmente, limitando-a à geração de empregos e
ao atendimento à legislação trabalhista e tributária, ou, ainda, o
invocar da dignidade da pessoa humana na perspectiva de eventual
sofrimento psíquico dos educadores e “usuários que não possuem
qualquer necessidade especial”. Em suma: à escola não é dado
escolher, segregar, separar, mas é seu dever ensinar, incluir,
conviver. Ademais, o enclausuramento em face do diferente furta o
colorido da vivência cotidiana, privando-nos da estupefação diante do
que se coloca como novo, como diferente. [...] Frise-se o ponto: o
ensino privado não deve privar os estudantes - com e sem deficiência
– da construção diária de uma sociedade inclusiva e acolhedora,
transmudando-se em verdadeiro local de exclusão, ao arrepio da
ordem constitucional vigente. [...] O ensino inclusivo é política
pública estável, desenhada, amadurecida e depurada ao longo do
tempo em espaços deliberativos nacionais e internacionais dos quais
o Brasil faz parte. Não bastasse isso, foi incorporado à Constituição
da República como regra.” (STF. ADI 5357 MC, Relator Ministro
Edson Fachin. Julgado em 18/11/2015).
MPE-SC – Promotor de Justiça – SC/2016) Julgue o item.
O Estatuto da Pessoa com Deficiência estabelece que as instituições privadas,
de qualquer nível e modalidade de ensino, devem obrigatoriamente ofertar
educação bilíngue, em Libras como primeira língua e na modalidade escrita da
língua portuguesa como segunda língua, em escolas e classes bilíngues e em
escolas inclusivas, sendo vedada a cobrança de valores adicionais de qualquer
natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas no cumprimento
dessa determinação.

Gabarito: Errado

(FCC – Defensor Público – BA/2016) A pessoa com deficiência recebeu um


novo estatuto que, dentro dos limites legais, destina-se a assegurar e a
promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades
fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e
cidadania. Dentre as novidades introduzidas, destaca-se o entendimento que
a) a deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive
para casar-se, constituir união estável e exercer direitos sexuais e reprodutivos.
b) para emissão de documentos oficiais será exigida a situação de
curatela da pessoa com deficiência.
c) a pessoa com deficiência está obrigada à fruição de benefícios
decorrentes de ação afirmativa.
d) a pessoa com deficiência poderá ser obrigada a se submeter à
intervenção clínica ou cirúrgica, a tratamento ou à institucionalização forçada,
sempre com recomendação médica, independentemente de risco de morte ou
emergência.
e) a educação constitui direito da pessoa com deficiência, a ser exercido
em escola especial e direcionada, em um local que não se conviva deficientes e
não-deficientes.
Gabarito : A

DIREITO À MORADIA (ART. 31 E S.S.)

A pessoa com deficiência tem direito à moradia digna, no seio da família


natural ou substituta, com seu cônjuge ou companheiro ou desacompanhada, ou
em moradia para a vida independente da pessoa com deficiência, ou, ainda,
em residência inclusiva.

O poder público adotará programas e ações estratégicas para apoiar a


criação e a manutenção de moradia para a vida independente da pessoa
com deficiência.

A proteção integral na modalidade de residência inclusiva será


prestada no âmbito do Suas à pessoa com deficiência em situação de dependência
que não disponha de condições de autossustentabilidade, com vínculos familiares
fragilizados ou rompidos.

Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos


públicos, a pessoa com deficiência ou o seu responsável goza de prioridade na
aquisição de imóvel para moradia própria, observado o seguinte:

I - reserva de, no mínimo, 3% (três por cento) das unidades


habitacionais para pessoa com deficiência;
II - em caso de edificação multifamiliar, garantia de acessibilidade
nas áreas de uso comum e nas unidades habitacionais no piso térreo e de
acessibilidade ou de adaptação razoável nos demais pisos;
III - disponibilização de equipamentos urbanos comunitários
acessíveis;
IV - elaboração de especificações técnicas no projeto que permitam
a instalação de elevadores.
OBS: O direito à prioridade especial será reconhecido à pessoa com
deficiência beneficiária apenas uma vez.

DIREITO AO TRABALHO (ART. 34 E S.S.)

As pessoas jurídicas de direito público, privado ou de qualquer natureza


são obrigadas a garantir ambientes de trabalho acessíveis e inclusivos

A pessoa com deficiência tem direito, em igualdade de oportunidades com as


demais pessoas, a condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo igual
remuneração por trabalho de igual valor.

Os programas de estímulo ao empreendedorismo e ao trabalho


autônomo, incluídos o cooperativismo e o associativismo, devem prever a
participação da pessoa com deficiência e a disponibilização de linhas de crédito,
quando necessárias

O poder público deve implementar serviços e programas completos


de habilitação profissional e de reabilitação profissional para que a pessoa
com deficiência possa ingressar, continuar ou retornar ao campo do trabalho,
respeitados sua livre escolha, sua vocação e seu interesse.
Equipe multidisciplinar indicará programa de habilitação ou de reabilitação
que possibilite à pessoa com deficiência restaurar sua capacidade e habilidade
profissional ou adquirir novas capacidades e habilidades de trabalho.

A habilitação profissional corresponde ao processo destinado a propiciar à


pessoa com deficiência aquisição de conhecimentos, habilidades e aptidões para
exercício de profissão ou de ocupação, permitindo nível suficiente de
desenvolvimento profissional para ingresso no campo de trabalho.
Os serviços de habilitação profissional, de reabilitação profissional e de
educação profissional deverão ser oferecidos em ambientes acessíveis e
inclusivos.
Constitui modo de inclusão da pessoa com deficiência no trabalho a
colocação competitiva, em igualdade de oportunidades com as demais
pessoas, nos termos da legislação trabalhista e previdenciária, na qual devem ser
atendidas as regras de acessibilidade, o fornecimento de recursos de tecnologia
assistiva e a adaptação razoável no ambiente de trabalho.

DIREITO À ASSISTÊNCIA SOCIAL (ART. 39 E S.S.)

Os serviços, os programas, os projetos e os benefícios no âmbito da política


pública de assistência social à pessoa com deficiência e sua família têm como
objetivo a garantia da segurança de renda, da acolhida, da habilitação e da
reabilitação, do desenvolvimento da autonomia e da convivência familiar e
comunitária, para a promoção do acesso a direitos e da plena participação social.

A assistência social à pessoa com deficiência deve envolver conjunto


articulado de serviços do âmbito da Proteção Social Básica e da Proteção
Social Especial, ofertados pelo Suas, para a garantia de seguranças
fundamentais no enfrentamento de situações de vulnerabilidade e de risco, por
fragilização de vínculos e ameaça ou violação de direitos.

É assegurado à pessoa com deficiência que não possua meios para


prover sua subsistência nem de tê-la provida por sua família o benefício
mensal de 1 (um) salário-mínimo, nos termos da Lei no 8.742, de 7 de
dezembro de 1993.

DIREITO À PREVIDÊNCIA SOCIAL (ART. 41 E S.S.)

A pessoa com deficiência segurada do Regime Geral de Previdência Social


(RGPS) tem direito à aposentadoria nos termos da Lei Complementar no 142, de 8
de maio de 2013
DIREITO À CULTURA, AO ESPORTE, AO TURISMO E AO LAZER (ART.
41 E S.S.)

A pessoa com deficiência tem direito à cultura, ao esporte, ao turismo e ao


lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, sendo-lhe garantido
o acesso:

 - a bens culturais em formato acessível;

 - a programas de televisão, cinema, teatro e outras atividades


culturais e desportivas em formato acessível; e

 - a monumentos e locais de importância cultural e a espaços


que ofereçam serviços ou eventos culturais e esportivos.

É vedada a recusa de oferta de obra intelectual em formato acessível


à pessoa com deficiência, sob qualquer argumento, inclusive sob a alegação
de proteção dos direitos de propriedade intelectual.

Nos teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte,


locais de espetáculos e de conferências e similares, serão reservados
espaços livres e assentos para a pessoa com deficiência, de acordo com a
capacidade de lotação da edificação, observado o disposto em regulamento.

De acordo com o art. 23 do Decreto 5.296/2004, os teatros, cinemas,


auditórios, estádios, ginásios de esporte, casas de espetáculos, salas de
conferências e similares:

 Reservarão, pelo menos, 2% da lotação do estabelecimento


para pessoas em cadeira de rodas, distribuídos pelo recinto em locais diversos,
de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-
se áreas segregadas de público e a obstrução das saídas, em conformidade
com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT.
 É obrigatória, ainda, a destinação de 2% dos assentos para
acomodação de pessoas portadoras de deficiência visual e de pessoas com
mobilidade reduzida, incluindo obesos, em locais de boa recepção de
mensagens sonoras, devendo todos ser devidamente sinalizados e estar de acordo
com os padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNT.

 Os espaços e assentos deverão situar-se em locais que garantam a


acomodação de, no mínimo, um acompanhante da pessoa portadora de
deficiência ou com mobilidade reduzida. Nos locais referidos haverá,
obrigatoriamente, rotas de fuga e saídas de emergência acessíveis, conforme
padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a fim de permitir a saída
segura de pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, em caso
de emergência.

 Os espaços e assentos devem ser distribuídos pelo recinto em


locais diversos, de boa visibilidade, em todos os setores, próximos aos
corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas segregadas de
público e obstrução das saídas, em conformidade com as normas de
acessibilidade.

 As salas de cinema devem oferecer, em todas as sessões,


recursos de acessibilidade para a pessoa com deficiência.

 O valor do ingresso da pessoa com deficiência não poderá ser


superior ao valor cobrado das demais pessoas.

 Os hotéis, pousadas e similares devem ser construídos


observando-se os princípios do desenho universal, além de adotar todos os
meios de acessibilidade, conforme legislação em vigor. Os estabelecimentos já
existentes deverão disponibilizar, pelo menos, 10% (dez por cento) de
seus dormitórios acessíveis, garantida, no mínimo, 1 (uma) unidade
acessível. Os dormitórios deverão ser localizados em rotas acessíveis.
DIREITO AO TRANSPORTE E À MOBILIDADE (ART. 46 E S.S.)

 Para fins de acessibilidade aos serviços de transporte coletivo


terrestre, aquaviário e aéreo, em todas as jurisdições, consideram-se como
integrantes desses serviços os veículos, os terminais, as estações, os
pontos de parada, o sistema viário e a prestação do serviço.

 São sujeitas ao cumprimento dessas disposições, sempre que houver


interação com a matéria nela regulada, a outorga, a concessão, a
permissão, a autorização, a renovação ou a habilitação de linhas e de
serviços de transporte coletivo.

 Para colocação do símbolo internacional de acesso nos veículos,


as empresas de transporte coletivo de passageiros dependem da certificação de
acessibilidade emitida pelo gestor público responsável pela prestação do serviço.

 Em todas as áreas de estacionamento aberto ao público, de uso


público ou privado de uso coletivo e em vias públicas, devem ser reservadas
vagas próximas aos acessos de circulação de pedestres, devidamente
sinalizadas, para veículos que transportem pessoa com deficiência com
comprometimento de mobilidade, desde que devidamente identificados.

 As vagas devem equivaler a 2% (dois por cento) do total,


garantida, no mínimo, 1 (uma) vaga devidamente sinalizada e com as
especificações de desenho e traçado de acordo com as normas técnicas
vigentes de acessibilidade.

 Os veículos estacionados nas vagas reservadas devem exibir,


em local de ampla visibilidade, a credencial de beneficiário, a ser confeccionada
e fornecida pelos órgãos de trânsito, que disciplinarão suas características e
condições de uso. A utilização indevida das vagas de que trata este artigo sujeita os
infratores às sanções previstas no inciso XX do art. 181 da Lei nº 9.503, de
23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro). (Redação dada pela Lei
nº 13.281, de 2016). A credencial é vinculada à pessoa com deficiência que
possui comprometimento de mobilidade e é válida em todo o território nacional.

 Os veículos de transporte coletivo terrestre, aquaviário e aéreo, as


instalações, as estações, os portos e os terminais em operação no País devem ser
acessíveis, de forma a garantir o seu uso por todas as pessoas. Os veículos e as
estruturas devem dispor de sistema de comunicação acessível que disponibilize
informações sobre todos os pontos do itinerário.

 São asseguradas à pessoa com deficiência prioridade e segurança


nos procedimentos de embarque e de desembarque nos veículos de
transporte coletivo, de acordo com as normas técnicas.

 As empresas de transporte de fretamento e de turismo, na


renovação de suas frotas, são obrigadas ao cumprimento das normas de
acessibilidade.

 O poder público incentivará a fabricação de veículos acessíveis e a


sua utilização como táxis e vans, de forma a garantir o seu uso por todas as
pessoas. As frotas de empresas de táxi devem reservar 10% (dez por cento)
de seus veículos acessíveis à pessoa com deficiência. É proibida a cobrança
diferenciada de tarifas ou de valores adicionais pelo serviço de táxi prestado à
pessoa com deficiência.

 O poder público é autorizado a instituir incentivos fiscais com


vistas a possibilitar a acessibilidade dos veículos a que se refere o caput deste
artigo.

 As locadoras de veículos são obrigadas a oferecer 1 (um)


veículo adaptado para uso de pessoa com deficiência, a cada conjunto de
20 (vinte) veículos de sua frota. O veículo adaptado deverá ter, no mínimo,
câmbio automático, direção hidráulica, vidros elétricos e comandos
manuais de freio e de embreagem.

ACESSIBILIDADE (ART. 53 E S.S.)

A acessibilidade é direito que garante à pessoa com deficiência ou com


mobilidade reduzida viver de forma independente e exercer seus direitos de
cidadania e de participação social.

São sujeitas ao cumprimento das disposições do Estatuto da Pessoa


com Deficiência, e de outras normas relativas à acessibilidade, sempre que
houver interação com a matéria nela regulada:

 - a aprovação de projeto arquitetônico e urbanístico ou de comunicação e


informação, a fabricação de veículos de transporte coletivo, a prestação do
respectivo serviço e a execução de qualquer tipo de obra, quando tenham
destinação pública ou coletiva;
 - a outorga ou a renovação de concessão, permissão, autorização ou
habilitação de qualquer natureza;
 - a aprovação de financiamento de projeto com utilização de recursos
públicos, por meio de renúncia ou de incentivo fiscal, contrato, convênio ou
instrumento congênere; e
 - a concessão de aval da União para obtenção de empréstimo e de
financiamento internacionais por entes públicos ou privados.

A concepção e a implantação de projetos que tratem do meio físico, de


transporte, de informação e comunicação, inclusive de sistemas e tecnologias da
informação e comunicação, e de outros serviços, equipamentos e instalações
abertos ao público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zona urbana
como na rural, devem atender aos princípios do desenho universal, tendo
como referência as normas de acessibilidade. O desenho universal será
sempre tomado como regra de caráter geral. Nas hipóteses em que
comprovadamente o desenho universal não possa ser empreendido, deve ser
adotada adaptação razoável. Caberá ao poder público promover a inclusão de
conteúdos temáticos referentes ao desenho universal nas diretrizes curriculares da
educação profissional e tecnológica e do ensino superior e na formação das
carreiras de Estado.

OBS: nos termos do art. 3°, II, do Estatuto da Pessoa com Deficiência,
desenho universal é a concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a
serem usados por todas as pessoas sem necessidade de adaptação ou de projeto
específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva.