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EDITORA JUSPODIVM

NATHALIA MASSON

Manual de
DIREITO
CONSTITUCIONAL
6ª Edição – 2018

PRINCIPAIS ATUALIZAÇÕES JURISPRUDENCIAIS E LEGISLATIVAS

Estimado leitor,
Este arquivo é uma diretriz indicativa das principais modificações que foram
engendradas na 6ª edição (2018) do nosso Manual de Direito Constitucional. Não é um
documento exaustivo: existem alterações que aqui não foram citadas. Procurei
sinalizar as mais notáveis e valorosas para seu estudo; aquelas que realmente
impactaram na obra (ou na interpretação até então predominante sobre certo
assunto).
Algumas reiterações na jurisprudência do STF também foram mencionadas, dada a
importância do tópico e meu desejo de lhe revelar que nossa Corte Suprema seguiu
pacífica relativamente àquela temática.
Me preocupei em indicar, ainda, ações cujo julgamento encontra-se suspenso:
certamente no transcorrer deste ano o STF decidirá em definitivo algumas delas,
promovendo viradas paradigmáticas que vão transfigurar entendimentos que
considerávamos sólidos. Preocupe-se em acompanhá-las.
Em suma: utilize este material para atualizar sua edição anterior do nosso Manual,
meu caro leitor. Esteja certo que em todos os próximos anos faremos esse mesmo
trabalho, na tentativa de lhe manter informado das novidades fundamentais! Afinal, o
desígnio central que orientou a produção deste documento foi o de abrir um novo
canal de comunicação entre nós, reforçando nossa ligação mais elementar: a de
estudar e pensar um Direito Constitucional vivo e dinâmico!
Com abraços fraternos, despeço-me desejando-lhe um ano de 2018 marcado pela
dedicação, pelo esforço e pela vontade de realizar seus sonhos!
Nathalia Masson

PRINCIPAIS ATUALIZAÇÕES JURISPRUDENCIAIS E LEGISLATIVAS


MANUAL DE DIREITO CONSTITUCIONAL - NATHALIA MASSON 6ª edição (2018)
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1ª ATUALIZAÇÃO: PRINCIPAIS INOVAÇÕES LEGISLATIVAS

 Cap. 7 (“Direito de Nacionalidade”)

- O Cap. 7 (“Nacionalidade”) foi substancialmente renovado em razão da entrada em


vigor da Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017), que revogou por completo o Estatuto
do Estrangeiro (Lei n° 6.815/1980). Não custa lembrar que a nova legislação promoveu
uma verdadeira mudança paradigmática: se antes a legislação se pautava na proteção
da segurança nacional (numa leitura do estrangeiro que o equiparava à uma
“ameaça”), agora estrangeiros são vistos como sujeitos de direitos e a proteção e bem-
estar do migrante, do apátrida e do visitante apresenta-se como o intuito primordial.

 Cap. 8 (“Direitos Políticos e Partidos Políticos”)

- O capítulo de Direitos Políticos foi em vários pontos modificado em razão:

(i) da minirreforma eleitoral de outubro de 2017, promovida pela Lei nº 13.488/2017.

(ii) da EC nº 97 (outubro/2017), que alterou a Constituição Federal vedando as


coligações partidárias nas eleições proporcionais, estabelecendo normas sobre acesso
dos partidos políticos aos recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda
gratuita no rádio e na televisão e dispondo sobre regras de transição.

 Cap. 13 (“Processo legislativo”)

- O capítulo referente ao processo legislativo foi atualizado com a EC nº 95 (de 15 de


dezembro de 2016), que alterou o ato das Disposições Constitucionais Transitórias
para instituir o Novo Regime Fiscal e, com isso, trouxe uma nova hipótese em que a
iniciativa para a deflagração do processo legislativo será privativa do Presidente da
República.

 Cap. 14 (“Poder Executivo”)

- O capítulo referente ao Poder Executivo foi atualizado de acordo com a Lei nº 13.502
de novembro de 2017, que prevê em seu art. 22 quem são os Ministros de Estado.

- O impacto da EC nº 97, de outubro/2017, também foi comentado neste capítulo, no


trecho em que ele trata dos sistemas eleitorais (agora estão vedadas as coligações
partidárias nas eleições proporcionais).

2ª ATUALIZAÇÃO: PRINCIPAIS INOVAÇÕES JURISPRUDENCIAIS

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- Muitas foram as decisões proferidas por nossa Corte Suprema no ano de 2017.
Neste item do arquivo listaremos, dentre as que foram inseridas na 6ª edição do
Manual, as que reputamos mais relevantes.

 Cap. 5: (“Direitos e Garantias Individuais”)

- Segundo o STF (HC 108.147) são ilícitas as provas produzidas por meio de
interceptações telefônicas quando a decisão que a autorizou estiver amparada apenas
em denúncia anônima, sem que se tenha realizado qualquer investigação preliminar.

- A 1ª Turma, no HC 129.678/SP, afirmou a licitude de prova obtida mediante


interceptação telefônica referente à infração penal diversa da investigada (segundo o
Ministro Alexandre de Moraes o caso envolve o “crime achado”).

- A respeito das cotas-raciais, o STF (na ADC 41/DF) reputou válida a Lei n° 12.990/2014
que reserva às pessoas negras 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para
provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração
pública federal direta e indireta.

- Na ADI 4439 o STF reconheceu a possibilidade de as escolas públicas ofertarem


ensino religioso confessional, sem que isso implique violação ao caráter laico do
Estado brasileiro ou à garantia fundamental à liberdade religiosa. Por seis votos a cinco
prevaleceu a compreensão de que o texto constitucional não veda que as escolhas
públicas ofereçam aulas (de matrícula facultativa) de uma religião específica, desde
que o Estado oportunize a qualquer doutrina religiosa interessada a possibilidade de
prestar o ensino religioso de acordo com suas crenças.

- O Supremo julgou improcedente a ADI 803, na qual pretendia-se a declaração de


inconstitucionalidade do art. 3º, incisos I a V, da Lei nº 8.234/1991 que define certas
atividades como privativas dos nutricionistas, excluindo-as da competência de outras
categorias profissionais, como a dos técnicos em nutrição, dos médicos e dos
bioquímicos. Na visão do Ministro Gilmar Mendes, relator do caso, não houve
nenhuma restrição ao exercício de trabalho, ofício ou profissão em desconformidade
com o texto constitucional (sendo possível reservar atividades de forma privativa para
a categoria profissional dos nutricionistas).

- Em decisão cautelar, proferida na ADPF 395 (em dezembro de 2017), o Min. Gilmar
Mendes reconheceu que a liberdade de locomoção é indevidamente vulnerada pela
condução coercitiva para interrogatório. Em suas precisas palavras, afirmou que a
medida: “representa uma restrição da liberdade de locomoção e da presunção de não
culpabilidade, para obrigar a presença em um ato ao qual o investigado não é obrigado
a comparecer. Daí sua incompatibilidade com a Constituição Federal”.

 Cap. 9 (“Ações Constitucionais”)

- A jurisprudência do STF é no sentido do não cabimento do habeas corpus para tutelar


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direito à visita em presídios (HC 128.057).

- O habeas corpus também será incabível, ainda que o preso venha a impetrá-lo para
questionar a legalidade de medida administrativa que o proíbe de receber visita (HC
99.369 AgR).

- Sobre o sistema recursal em habeas corpus foi adicionado o item referente ao


reexame necessário (tendo sido feitos comentários sobre a súmula 344 do STF:
Sentença de primeira instância concessiva de habeas corpus, em caso de crime
praticado em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, está sujeita a
recurso ex officio).

- No MS 29.083 ED-AgR, julgado pela 2ª Turma do STF, a desistência da ação


mandamental requerida pelo impetrante foi negada, afastando o entendimento
firmado no RE 669.367, por verificar-se no caso, segundo o Ministro Teori Zavaski, “o
indisfarçado objetivo de contornar a força e a autoridade da jurisprudência do
Supremo Tribunal Federal”.

- No julgamento do MS 25.097/DF, o STF relativizou o prazo decadencial de cento e


vinte dias para a impetração do mandado de segurança, ante a excepcionalidade do
caso.

- O STF reconheceu o HD o habeas data como instrumento processual adequado para


a obtenção, pelo próprio contribuinte, dos dados concernentes ao pagamento de
tributos constantes de sistemas informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da
administração fazendária (RE 673.707).

- A ausência de atuação do Poder Público também pode figurar como objeto da ação
popular (REsp. 889.766/SP).

 Cap. 10 (“Organização Político-administrativa do Estado”)

- Como temas ligados ao direito civil são de competência legislativa privativa da União:

(i) na ADI 4008 restou firmada como inconstitucional lei do DF que regulamentou as
formas de cobrança e gratuidade nos estacionamentos naquela entidade federada;

(ii) é inconstitucional a norma estadual que obriga pessoas físicas ou jurídicas que
ofereçam estacionamento ao público a cercar o local e manter funcionários próprios
para garantia da segurança (ADI 451).

- Por violação da competência privativa da União para legislar sobre Direito do


Trabalho, é inconstitucional a norma estadual que torna obrigatória a prestação de
serviços de empacotamento nos supermercados (ADI 907).

- Segundo o STF (RE 566.836) é de competência municipal a regulamentação para

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construções de postos de gasolina.

- É competência municipal a edição de lei que estipule a extensão da gratuidade do


transporte público coletivo urbano às pessoas compreendidas na faixa etária entre
sessenta e sessenta e cinco anos (RE 702.848-SP).

- Conforme entendimento do STF é inconstitucional lei municipal que cobre taxa de


combate a sinistros (RE 643.247).

- Conforme entendimento do STF, os Municípios podem legislar sobre Direito


Ambiental, desde que o façam fundamentadamente, no limite do seu interesse local e
desde esse regramento seja harmônico com a legislação preexistente (ARE 748.206
AgR).

- Conforme entendimento do STF, o Município tem competência para legislar sobre


meio ambiente e controle da poluição, quando se tratar de interesse local (RE
194.704).

 Cap. 12 (“Poder Legislativo”)

- Em se tratando das CPIs, o STF afirmou (no HC 150.411), que o direito ao silêncio
atinge apenas as perguntas que, se respondidas, podem levar à autoincriminação do
investigado, não havendo direito a não responder a questões referentes à própria
qualificação.

- Em pronunciamento liminar, o Min. Gilmar Mendes vedou o uso da condução


coercitiva de investigados para interrogatório (ADPFs 395 e 444).

- O entendimento do STF de que poderíamos presumir a imunidade material quando


a ofensa é irrogada em plenário, parece ter sido superado (INQ 3.932). O
parlamentar somente será amparado pela inviolabilidade quando estiver no exercício
da função.

- Na AP 937 o STF discute a possibilidade de restringir o alcance do foro por


prerrogativa de função conferido aos parlamentares federais. O julgamento está
interrompido desde 23.11.2017.

- Nos Inquéritos 4327 e 4483, o STF determinou o desmembramento do processo para


que os corréus não detentores de foro fossem processados e julgados na 1ª instância.

- Conforme entendimento do STF, em caso de condenação definitiva do Congressista à


pena de prisão em regime fechado por período superior a 120 dias, haverá a perda do
seu mandato de forma automática (AP 694).

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- A EC nº 97, acrescentou o § 5° ao art. 17, trazendo uma nova hipótese em que a


troca de partido não implicará no reconhecimento de infidelidade partidária e,
portanto, não acarretará a perda do mandato.

- Na ADI 5526, o STF decidiu que o Poder Judiciário tem competência para impor a
parlamentares as medidas cautelares do artigo 319 do CPP. Resolveu a Suprema Corte
que apenas no caso da imposição de medida que dificulte ou impeça, direta ou
indiretamente, o exercício regular do mandato, a decisão judicial deve ser remetida,
em 24 horas, à respectiva Casa Legislativa para deliberação, nos termos do art. 53, §
2º, CF/88.

- O Ministério Público que atua junto ao Tribunal de Contas, não é detentor de


legitimidade ativa para propor reclamação no STF alegando descumprimento da
decisão da Corte (Rcl 2.156).

- Conforme entendeu nossa Suprema Corte (ADI 5763), a Constituição Federal não
proíbe a extinção de Tribunais de Contas dos Municípios onde eles existirem.

 Cap. 13 (“Processo Legislativo”)

- Na ADI 5296, no julgamento da medida cautelar, o STF entendeu que a matéria


restrita à iniciativa do Poder Executivo em âmbito federal (art. 61, § 1º, CF) pode ser
regulada por emenda constitucional de origem parlamentar.

- O STF entendeu, no julgamento do ARE 878.911, que não invade a competência


privativa do chefe do Poder Executivo lei que, embora crie despesa para os cofres
municipais, não trate da estrutura ou da atribuição de seus órgãos nem do regime
jurídico de servidores públicos.

- A Suprema Corte fixou entendimento de que o regime de urgência previsto no § 6º


do art. 62 da CF/88, refere-se apenas às matérias passíveis de regramento por medida
provisória (MS 27.931).

 Cap. 14 (“Poder Executivo”)


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- Sugerimos que o leitor acompanhe a ADI 5709, relatada pela Min. Rosa Weber, que
leva ao Plenário da Corte Suprema a discussão acerca de nomeações de Ministros de
Estado com o suposto intuito de conferir ao ocupante do cargo foro especial por
prerrogativa de função. O argumento central é o desvio de finalidade de referida
nomeação.

- A autorização dada pela Câmara dos Deputados para o processamento criminal dos
Ministros de Estado só é exigida nos casos em que estivermos diante da prática de um
suposto crime de responsabilidade em conexão com o cometido pelo Presidente da
República (QC-QO 427).

- E decisão tomada na década de 90, o STF entendeu não haver impedimento para
que, por iniciativa do Ministério Público, sejam ordenadas e praticadas, na fase pré-
processual do procedimento investigatório do Presidente da República, diligências de
caráter instrutório destinadas a ensejar a informatio delicti e a viabilizar, no momento
constitucionalmente oportuno, o ajuizamento da ação penal (Inq. 672). Isso significa
que o Presidente poderia ser investigado por atos estranhos ao exercício da função,
mas não processado. O tema está novamente na pauta, na ADI 5701.

- O Supremo Tribunal Federal (ADIs 5540, 4798, 4764 e 4797) firmou o entendimento
de que as unidades federativas não têm competência para editar normas que exijam
autorização da Assembleia Legislativa para que o Superior Tribunal de Justiça
instaure ação penal contra Governador, tampouco para legislar sobre crimes de
responsabilidade.

 Cap. 15 (“Poder Judiciário”)

- O STF (ADI 5310) declarou a inconstitucionalidade de norma constante de resolução


do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que autorizava a reeleição de
desembargadores para cargos de direção após o intervalo de dois mandatos,
contrariando o modelo previsto no art. 102 da LOMAN (LC 35/79).

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- Nossa Corte (na ADI 4696) declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da


Constituição do Piauí que elevou de 70 para 75 anos a idade para a aposentadoria
compulsória dos juízes e dos servidores do Estado. Vale observar que quando a
cautelar fora deferida, o dispositivo impugnado na ADI ofendia a Constituição da
República que, à época, estabelecia a idade de 70 anos para a aposentadoria
compulsória da magistratura e dos servidores. Entretanto, mesmo diante da
superveniência da EC n° 88/2015 (que alterou a Constituição Federal autorizando o
aumento de idade para aposentadoria compulsória dos servidores públicos para 75
anos) o dispositivo piauiense continuou inconstitucional, ou seja, não foi convalidado.

- Sugerimos ao leitor que acompanhe a Ação Originária 1773, relatada pelo Ministro
Luiz Fux (que assegurou liminarmente o direito ao recebimento de auxílio-moradia aos
juízes em atividade no país, afirmando tratar-se de verba indenizatória compatível com
o regime constitucional de subsídio aplicável aos membros da magistratura). Muito
criticada, em dezembro de 2017 a decisão foi liberada por Fux para apreciação do
Plenário. Aguardemos o esperado pronunciamento colegiado.

- O STF declarou inconstitucional normas dos estados do Paraná e do Acre que


limitavam o exercício por magistrados de cargos de magistério superior ao período
noturno e à carga horária semanal de vinte horas-aula, visto tratar-se de matéria
reservada à lei complementar federal, de iniciativa do STF (ADIs 3544 e 3589).

- Considerando a natureza autônoma (e não subsidiária) do CNJ, este poderá atuar


ainda que não tenha sido dada oportunidade para que a corregedoria local pudesse
investigar o caso (MS 30.361 AgR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/8/2017 e
noticiado no Informativo 875).

- O STF é incompetente para julgar as ações populares e as ações civis públicas


independentemente da condição hierárquica do agente público contra quem possa vir
a ser ajuizada (PET 7054 e 7003).

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- O STF não conheceu da Ação Originária 2126, em que se discute a possiblidade de um


juiz receber licença-prêmio por tempo de serviço, por entender que a pretensão
envolveria interesse que não se restringe à Magistratura nacional, a qual seria passível
de ser pleiteada por outras carreiras do serviço público. Por esta razão, foi
determinado a devolução dos autos ao órgão judiciário de origem.

- Conforme entendimento do STF, o recebimento de denúncia ou queixa e instauração


de ação penal contra Governador de Estado, por crime comum, prescinde de prévia
autorização da assembleia legislativa (ADI 5.540).

- No julgamento do RE 835.558, o STF fixou a seguinte tese: “Compete à Justiça Federal


processar e julgar o crime ambiental de caráter transnacional que envolva animais
silvestres, ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou protegidas por Tratados e
Convenções internacionais”.

 Cap. 16 (“Funções Essenciais à Justiça”)

- O STF reafirmou (na ADPF nº 89) a possibilidade de arguição de suspeição de


membros do Ministério Público, inclusive do Procurador-Geral da República nos
processos que tramitam no âmbito do STF. Ressaltou, todavia, que o PGR goza de
independência funcional que lhe confere autonomia para formar seu juízo acusatório,
equivocado ou não, o que por si só não configuraria espécie de perseguição ao
acusado.

- De acordo com o entendimento do STF, proferido na ADI 541, não ofende a


Constituição Federal dispositivo de Constituição Estadual que confere prerrogativa
de foro aos Procuradores do Estado.

Cap. 17 (“Controle de Constitucionalidade”)

- O STF reafirmou entendimento de que somente os parlamentares podem se investir


na posição de parte ativamente legitimada ao controle jurisdicional prévio do processo
de criação do direito positivo. A Corte não conheceu (julgou inviável) o Mandado de

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Segurança 35.423 impetrado em causa própria por um advogado que pedia a


concessão de liminar para suspender a tramitação da PEC 287/2016 (Reforma da
Previdência) na Câmara dos Deputados.

- A jurisprudência do STF tem entendido que entidades integradas apenas por um


segmento da classe que representam não têm legitimidade para ajuizar ação direta de
inconstitucionalidade (ver ADI 4751, cujo seguimento foi rejeitado em fevereiro de
2017).

- A Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages) não é legitimada para


propor as ações do controle concentrado de constitucionalidade, visto que representa
apenas parte da categoria profissional à qual interessa a impugnação (ADIs 4342 e
4265).

- Na ADI 5619, a AGU opinou pela procedência parcial da ação direta, isto é, valeu-se
da contemporização que o STF estabeleceu no que se refere à obrigatoriedade
instituída pelo art. 103, § 3°, CF/88.

- É factível que o STF julgue uma norma constitucional e, diante de posterior


impugnação, declare sua inconstitucionalidade (tal possibilidade existe e decorre de
um processo de inconstitucionalização – ADIs 4363 e 3720).

- Em uma autêntica virada paradigmática, nossa Corte, no julgamento da ADO nº 25,


inequivocamente tratou de estabelecer um prazo para o legislador editar a norma
faltante e impôs uma consequência ao descumprimento deste prazo.

- Segundo entendimento reafirmado pelo STF, não é possível propor ADPF caso seja
possível o ajuizamento de ADI perante o TJ do Estado respectivo para impugnar a
norma, por força do princípio da subsidiariedade (ADPF 479).

- O STF se manifestou no sentido de que o preso submetido a situação degradante e a


superlotação na prisão tem direito a indenização do Estado por danos morais (RE
580.252).

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 Cap. 18 (“Controle Concentrado de Constitucionalidade nos Estados”)

- Segundo nossa Corte Suprema, é possível que os Tribunais de Justiça exerçam o


controle abstrato de constitucionalidade estadual utilizando como parâmetro não só
as normas da Constituição Estadual, mas também dispositivos da Constituição Federal,
desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos Estados (RE 650.898).

 Cap. 19 (“Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas”)

- No ARE 654.432, o STF reafirmou entendimento no sentido de que é inconstitucional


o exercício do direito de greve por parte de policiais civis e demais servidores públicos
que atuem diretamente na área de segurança pública.

 Cap. 20 (“Ordem Econômica”)

- Sugerimos que o leitor siga acompanhando o RE 1.054.110, no qual o STF discute


sobre o transporte individual remunerado de passageiros por motoristas particulares
cadastrados em aplicativos (Uber e Cabify, por exemplo), no intuito de definir se a
proibição nesses casos afronta, ou não, o princípio da livre iniciativa.

- A jurisprudência do STF (RE 351750) e do STJ (AgRg nos EDcl no AREsp 418.875) se
consolidou no sentido de que teríamos a aplicação do Código de Defesa do
Consumidor inclusive aos casos de falha na prestação de serviços de transporte aéreo
internacional. No entanto, no julgamento do RE 636.331 e do ARE 766.618 decidiu-se
que para fins de solução dos conflitos que envolvam extravios de bagagem e quanto
aos prazos prescricionais ligados à relação de consumo em transporte aéreo
internacional de passageiros, as regras aplicáveis são as estabelecidas pelas
convenções internacionais, ratificadas pelo Brasil, especialmente as Convenções de
Varsóvia e Montreal.

- No julgamento do RE 422.349, o STF aprovou a seguinte tese: “preenchidos os


requisitos do art. 183 da Constituição Federal, o reconhecimento do direito à
usucapião especial urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que

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estabeleça módulos urbanos na respectiva área em que situado o imóvel (dimensão do


lote)”.

 Cap. 21 (“Ordem Social”)

- O STF reafirmou o caráter universal e a igualitário do acesso aos serviços do Sistema


Único de Saúde no RE 581.488.

- No julgamento conjunto das ADIs 3406 e 3470, o Supremo reafirmou o entendimento


de que nos dias atuais o art. 2º da Lei federal nº 9.055/1995 (que autorizava a
extração, industrialização, comercialização e a distribuição do uso do amianto na
variedade crisotila no país) não mais se compatibiliza com o texto constitucional, o
qual impõe ao Estado o dever de implementar políticas sociais e econômicas com
vistas à redução do risco de doenças e, também, à recuperação, proteção e promoção
da saúde.

- Conforme entendimento do STF, os estrangeiros residentes no País são beneficiários


da assistência social prevista no art. 203, V, da Constituição Federal, uma vez
atendidos os requisitos constitucionais e legais (RE 587.970).

- O Supremo Tribunal Federal entendeu que o texto constitucional não veda que as
escolas públicas ofereçam aulas (de matrícula facultativa) de uma religião específica,
desde que o Estado oportunize a qualquer doutrina religiosa interessada a
possibilidade de prestar o ensino religioso de acordo com suas crenças, sem interferir
para determinar o conteúdo programático nem para direcionar o estudo para uma
religião específica (ADI 4439).

- O STF considera como violação ao princípio da gratuidade do ensino em instituições


oficiais a cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas, entendimento este
consagrado no enunciado nº 12 da súmula vinculante. Em recente decisão, entretanto,
nossa Corte Suprema considerou que o mesmo raciocínio utilizado para a edição da
súmula vinculante 12 não deve ser empregado aos cursos de especialização oferecidos

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pelas universidades públicas, determinando que nestes pode incidir a cobrança de


mensalidade.

- Na tentativa de reforçar a proteção à prática da vaquejada a Mesa do Congresso


Nacional promulgou a EC nº 96, que inseriu o § 7º ao art. 225, CF/88. Entretanto, a
promulgação dessa emenda não evitou que a discussão a respeito da
constitucionalidade de tais práticas fosse novamente levantada, dessa vez no âmbito
das ADIs 5728 e 5772, que além da EC º 96, impugnam também dispositivos da Lei nº
13.364/2016, que eleva a prática da vaquejada à condição de patrimônio cultural
imaterial, e da Lei nº 10.220/2001, que institui normas sobre a atividade de peão de
rodeio e o equipara a atleta profissional, incluindo as vaquejadas como modalidade de
provas de rodeio.

- O STF entendeu que não existe elemento de discriminação que justifique o


tratamento diferenciado entre cônjuge e companheiro estabelecido pelo Código Civil,
estendendo esses efeitos independentemente de orientação sexual (RE 878.694 e RE
646.721).

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