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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - CIÊNCIAS SOCIAIS

CE131 - INTRODUÇÃO À ECONOMIA PARA CIÊNCIAS SOCIAIS


PROF. FERNANDO MACEDO

AVALIAÇÃO OBRIGATÓRIA
JOSÉ EDUARDO SANTOS LONDE (138597)

Comentário sobre a notícia: “Governo pretende leiloar aeroportos até o fim do ano”
retirado do site Valoreconomico.com.br que pode ser acessado em
http://www.valor.com.br/brasil/5594155/governo-pretende-leiloar-aeroportos-ate-o-fim-do-ano

A privatização de empresas nacionais tem se tornado cada vez mais comum,


principalmente após a redemocratização do política nacional, ou seja, desde os anos 90, com
Fernando Henrique Cardoso como seu principal expoente, o Brasil tem adotado políticas
mais liberais. Nos anos 2000, com a era do PT no Executivo (Lula/Dilma) tal política foi
reduzida, mas após o impeachment de Dilma, o novo e atual Presidente da Repúblico, Michel
Temer, filiado ao MDB, tem retornado à política mais liberal.
Quando falamos em uma política liberal ou neoliberal mais precisamente, estamos
falando de atitudes do próprio governo que favoreçam os ideais econômicos do liberalismo,
ou seja, o livre cambismo, a livre empresa, a livre concorrência, entre outros. Para quem
defende este tipo de ideologia político/econômica, o Estado deve ser reduzido às suas funções
mínimas, essenciais e nucleares. Itens como saúde, lazer, educação, transportes, cultura, etc.
devem ser fornecidos por empresas de iniciativas privadas.
Dentre estes itens, está o transporte, que é uma das mais importantes preocupações
nacionais. Presenciamos neste ano uma greve nas estradas feita pelos caminhoneiros que
deixou todo o Estado brasileiro em sinal de alerta. O transporte, nesse caso ultrapassa as
rodovias e também inclui a aviação e o transporte aéreo civil, e isso gera um conflito, pois um
assunto de extrema importância, como os transportes, deve ser administrado pela iniciativa
privada ou pública?
Pela notícia, testemunhamos que já está em andamento um projeto idealizado pela
Articulação de Políticas Públicas do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para
realizar o leilão de 13 aeroportos distribuídos pela região nordeste, centro oeste e sudoeste.
Todo este processo de transferir uma empresa ligada a administração federal para uma
administradora privada é complexo e envolve muitos órgãos como o Tribunal de Contas da
União (TCU), a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
É difícil analisar e mesmo prever quais serão os resultados desta atitude do governo
no momento atual. Como dissemos, o transporte aéreo é um item de imensa preocupação
nacional, mas isso não nos indica que o governa deva ser o responsável pelos aeroportos. O
governo, mesmo se conceder todos os terminais de aviação para empresas privadas ainda é
oficialmente o órgão administrativo regulador do uso do espaço aéreo. Podemos nos
perguntar se realmente deixar para o Governo administrar tais assuntos não seja um acúmulo
de atividades para Estado e se desse modo não facilitaria a corrupção, ou seja, o desvio ilegal
do dinheiro público para contas privadas.
E quando as empresas assumirem a administração destes terminais, podemos esperar
tanto melhorias no serviço, como também, um serviço mais defasado ainda. Diferentemente
de uma empresa estatal, o principal interesse de uma empresa privada é o lucro. Podemos
esperar que para maximizar os lucros as empresas acabem por elevar o preço do serviço e
terceirizar contratos com trabalhadores para reduzir custos. Isso viria a prejudicar a população
mais dependente dos terminais (tanto funcionários como usuários).
Um lado positivo da venda, é que mesmo o governo deixando de assumir a administração
central destes terminais, no acordo de venda já está pré-definido que a empresa que ganhar o
leilão, deve se comprometer a um investimento mínimo para atender a demanda de previsão
de passageiros. Então, por mais que o controle da administração fique com alguma empresa
privada, o Governo ainda é o órgão fiscal e vai poder acompanhar essa demanda e o trabalho
que a empresa estiver fazendo. Seria interessante também que ficasse bem claro para onde
que o dinheiro do leilão que soma mais de R$ 447 milhões, está indo, pois isso poderia vir a
ser um investimento nos próprios órgãos de fiscalização.
Então não podemos, devido a complexidade do tema, definir se esta venda trará
benefícios ou malefícios para a população e para a economia geral brasileira. Não possuo
fontes que informem sobre a situação destes terminais, mas posso imaginar que são
lucrativos, caso contrário não haveria tantos interessados em comprar a administração dos
terminais. Também seria necessário saber se, do jeito como está hoje, em poder do governo, a
administração está sendo bem realizada.

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