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MOBILIÁRIO

PARA O DESIGN
DE INTERIORES
Sam Booth e Drew Plunkett

GG
®
Título original: Furniture for Interior Design.
Publicado originalmente por Laurence King Publishing Ltd. em 2014

Desenho gráfico: John Round Design

Tradução, revisão técnica e preparação de texto: Alexandre Salvaterra Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Revisão de texto: Ana Beatriz Fiori e Grace Mosquera Clemente (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Design da capa: Toni Cabré/Editorial Gustavo Gili, SL
Fotografia da contracapa: Origins Architects, foto Stijn Poelstra Booth, Sam
Mobiliário para o design de interiores /
Sam Booth e Drew Plunkett ; [tradução Alexandre
Qualquer forma de reprodução, distribuição, comunicação pública ou Salvaterra]. -- São Paulo : Gustavo Gili, 2015.
transformação desta obra só pode ser realizada com a autorização
expressa de seus titulares, salvo exceção prevista pela lei. Caso seja Título original: Furniture for interior design
necessário reproduzir algum trecho desta obra, seja por meio de ISBN 978-85-8452-056-5
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1. Design 2. Design de interiores 3. Designers
A Editora não se pronuncia, expressa ou implicitamente, a respeito da de mobiliário I. Plunkett, Drew . II. Título.
acuidade das informações contidas neste livro e não assume qualquer
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15-01324 CDD-747

© Laurence King Publishing Ltd., 2014 Índices para catálogo sistemático:


© Sam Booth e Drew Plunkett, 2014 1. Mobiliário : Design de interiores 747
para a edição em português:
©da tradução: Alexandre Salvaterra
© Editorial Gustavo Gili, SL, 2015

ISBN: 978-85-8452-056-5 (PDF digital)


www.ggili.com.br

Crédito das imagens:


Págs. 1-3: Karim Rashid, fotografia de Lukas Roth.
Pág 5 alto: Wunderteam, fotografia de Olo Rutkowsk, Ula Tarasiewicz.
Pág 5 embaixo: Graven Images, fotografia de Renzo Mazzolini.

Editorial Gustavo Gili, SL


Via Laietana 47, 2º, 08003 Barcelona, Espanha. Tel. (+34) 93 322 81 61
Editora G. Gili, Ltda
Av. José Maria de Faria, 470, Sala 103, Lapa de Baixo
CEP: 05.038-190, São Paulo-SP-Brasil. Tel. (+55) (11) 3611-2443
MOBILIÁRIO
PARA O DESIGN
DE INTERIORES
Sam Booth e Drew Plunkett

GG
®
Sumário

6 Introdução

16 PARTE 1 CONTEÚDO E CONTEXTO

96 PARTE 2 OS TIPOS DE MÓVEIS

116 PARTE 3 OS MATERIAIS E A MANUFATURA

166 PARTE 4 A EVOLUÇÃO DE UM PROJETO

182 Glossário

186 Leitura recomendada

187 Índice

191 Créditos das ilustrações

192 Agradecimentos
6 Introdução

Introdução
Sem o mobiliário, não há interior
Os designers de interiores trabalham dentro dos limites criados quão magnífica é a intenção conceitual; se a solução prática for
pelas vedações externas das edificações preexistentes, que, às ruim, provocará e merecerá respostas negativas.
vezes, são novas, mas que geralmente são antigas e necessitam A forma será definida pela função. As formas genéricas,
adaptações para renovar sua estética, criar novas identidades que evoluíram para servir e enriquecer a variedade de ativida-
e acomodar novas funções. Este livro irá explorar o papel do des físicas e intelectuais praticadas pelos seres humanos, são a
mobiliário no processo de transformação de interiores vazios e base de uma linguagem estética compartilhada pelos designers
de baixo desempenho, isto é, os processos de desenho, criação e usuários a partir da qual cada nova peça será avaliada. As
e seleção de móveis e as estratégias de uso. cadeiras devem servir para se sentar. Os tampos de mesa de-
Como disse o arquiteto Norman Foster: “O mobiliário é vem ser horizontais. As dimensões serão determinadas pelas
como a arquitetura em um microcosmo”. Assim, deve ser mais limitações do corpo humano, e os materiais, pelos diferentes
sensível que o exterior de qualquer edificação, pois os usuários graus de uso e abuso a que estiverem sujeitos. No entanto,
mantêm um contato visual e físico direto com os móveis e vi- embora seja fácil atender a essas questões práticas prescritas, o
venciam sua eficiência prática e sua linguagem estética. sucesso de um móvel dependerá, acima de tudo, da sua capa-
As dimensões físicas e o caráter estético de qualquer pele cidade de satisfazer e estimular a experiência sensorial do usuá-
de edificação irão e deverão influenciar a natureza do novo in- rio, que sentirá diretamente sua textura e temperatura. Ele afe-
terior nela inserido. O mobiliário exercerá um papel fundamen- tará a acústica do cômodo em que se insere, seja ela boa, seja
tal – provavelmente o mais importante – no refinamento das ruim, e seu odor poderá dominar e caracterizar esse ambiente.
novas instalações e na interação física entre os elementos inter- O móvel deixará uma impressão nos usuários, e estes provavel-
nos e seus usuários, devendo cumprir sua obrigação prática de mente também lhe deixarão uma marca.
dar suporte à atividade humana sem comprometer a eficiência Do layout simples e utilitário das cadeiras de plástico em-
ou o conforto. Deve também cumprir a obrigação menos tan- pilháveis em uma sala de reunião que, sem elas, ficaria vazia e
gível de estimular e satisfazer os apetites estéticos dos usuários sem caráter algum, a peças que vão além das definições e ex-
independentemente do caráter utilitário ou hedonista da ativi- pectativas convencionais, tornando-se algo similar à escultura
dade a que o projeto se destina. Ainda que um designer deva ou à arquitetura interna, o mobiliário inevitavelmente transmi-
saber como construir os elementos principais de uma edifica- te valores simbólicos, estéticos e culturais. O balcão da recep-
ção – paredes, pisos e tetos –, também é importante que domi- cionista no saguão de entrada de um escritório pode refletir o
ne e aprimore as habilidades práticas em que consiste a lingua- status e o tipo de trabalho do local. As cadeiras no lobby de um
gem arquitetônica miniaturizada do mobiliário. Não importa o hotel podem indicar a qualidade das experiências que ele ofe-

O elemento funcional, o trono convencional,


embora majestoso, em que se sentava o
imperador da China, torna-se uma expressão
de status divino.
Introdução 7

À esquerda
Um presidente recém-eleito seleciona
uma cadeira que seja confortável, o que
implica uma intenção mais democrática.

Acima
A onipresente cadeira de empilhar é
totalmente igualitária e atingiu proeminência
por ser funcional. É cômoda (ao menos
por certo tempo), adapta-se facilmente
a diferentes atividades, é prática de
guardar e relativamente bonita.

rece. O balcão de atendimento de um bar se torna sua identi- ções preexistentes do fabricante, especificando o modelo, os
dade. O mesmo espaço vazio pode ser ocupado com diferen- acabamentos e o desempenho, se preciso, e o número de pe-
tes móveis organizados em diferentes layouts, e cada variação ças necessárias. Há ocasiões em que as necessidades particula-
lhe conferirá uma identidade distinta – formal ou informal, res de um projeto justificarão a produção de alguns móveis
prático ou romântico, tranquilo ou vibrante –, sem fazer refe- feitos sob encomenda, como assentos de restaurantes ou ex-
rência à arquitetura da pele original, apenas utilizando-a como positores, e o designer de interiores pode e deve aproveitar
um envoltório para intensificar a percepção do novo. com entusiasmo as oportunidades que essas peças lhe ofere-
Ao longo do livro, a palavra “mobiliário” será empregada cem de usar a criatividade. A fabricação de móveis em peque-
para descrever qualquer elemento que for independente, em nas quantidades é classificada como “produção em lotes”, e o
termos funcionais, das paredes, do piso e do teto que delimitam trabalho, geralmente, é feito em local especializado.
o espaço em que ele se insere. O mobiliário pode estar embutido É difícil de encontrar pré-fabricados muitos dos elementos
nas paredes ou fixado nas paredes ou no piso, pois a maioria dos que estabelecem mais enfaticamente a identidade de um inte-
móveis criados por designers de interiores, além de consistir em rior – balcões de bar e balcões de recepção, araras e exposito-
componentes que definem o projeto, visa resolver as idiossincra- res. Seu tamanho ou sua importância na criação de identidade
sias dos layouts e dos espaços. O mesmo status é outorgado às de uma marca, loja ou empresa exigem que eles sejam especí-
peças únicas e à variedade de opções fabricadas cujas caracterís- ficos para cada projeto. Seja sugerindo decisões sobre o todo,
ticas foram especificadas em vez de desenhadas. seja tornando o processo mais complexo, os móveis devem ser
É pouco provável que os designers tenham a oportunida- compatíveis com a paleta de materiais das paredes, do piso e
de, ou obrigação, de dedicar tempo necessário à produção de do teto e com as outras peças selecionadas dos catálogos dos
um bom móvel na frenética fase de criação da maioria dos fabricantes. Eles não precisam ser complexos; seu detalhamen-
projetos de interiores; é inclusive questionável se isso seria to deve ser feito de modo que evidencie a ideia conceitual que
apropriado. As complexidades envolvidas na criação de algo os sustenta e simplifique seus processos de produção.
aparentemente tão simples e familiar como uma cadeira – o Antes de querer reinventar a cadeira ou qualquer outro
ajuste das dimensões e o teste da estrutura – exigem uma es- móvel genérico, um designer precisa ter certeza de que a sua
pecialização própria. A produção em massa de móveis testados criação será genuinamente melhor que a peça já existente e
e revisados por designers especializados em fábricas especiali- que, sejam quais forem suas características visuais, seu desem-
zadas é, de modo quase inevitável, mais eficiente e rentável. penho prático cumprirá suas obrigações. De Charles Rennie
Neste livro, os móveis produzidos em massa serão descritos Mackintosh e Frank Lloyd Wright, passando por Ludwig Mies
como móveis “especificados”, o que significa que um designer van der Rohe e Le Corbusier até Philippe Starck e Norman Fos-
de interiores escolherá os móveis a partir do catálogo de op- ter, arquitetos e designers têm desenvolvido peças de mobiliá-
8 Introdução

rio para interiores específicos que passaram a ser produzidas Inicialmente, o historicismo que embasou a teoria pós-
em grandes quantidades e que transcenderam sua função ori- -modernista levou a reinterpretações despreocupadas dos ar-
ginal. A maioria dessas peças criadas especificamente para um quétipos tradicionais. A escala do mobiliário oferecia uma área
projeto sofreu pequenas modificações a fim de tornar-se com- produtiva para a experimentação, e a cadeira, sendo a mais
patível com a produção em grande escala. Algumas, desenha- complexa das formas familiares, mostrou-se um campo de pro-
das e premiadas com base principalmente nas qualidades esté- vas particularmente promissor para o desenvolvimento de no-
ticas, carecem de aprimoramentos simples e práticos que as vas ideias. A ala historicista foi a mais enérgica na América do
tornariam opções naturais para o uso cotidiano. Os mesmos Norte, e seu protagonista teórico, Robert Venturi, criou uma
designers, quando criam cadeiras que desde o início são pen- série de cadeiras com chapas planas de madeira compensada
sadas para a produção em massa, conseguem resolver melhor que parodiavam, com padrões pintados, as formas e molduras
a equação entre estilo e conforto. dos estilos históricos mais reconhecíveis e respeitados. Embora
Nos últimos cinquenta anos, os designers de interiores ex- a poltrona Proust com pontos coloridos de Alessandro Mendini
pandiram cada vez mais os limites de seu território tradicional (veja abaixo) provavelmente tenha sido o exemplo mais monu-
no setor doméstico, passando a criar interiores públicos para mental do historicismo, havia outros ativistas, também em Mi-
lazer e comércio, bem como locais de trabalho semiprivados. lão e seus arredores, que criaram uma versão europeia de uma
Isso estimulou e promoveu os designers de mobiliário espe- estética contemporânea alternativa. O grupo Memphis, lidera-
cializados e as empresas de fabricação e venda, que conside- do por Ettore Sottsass, defendia a necessidade de uma estética
ram lucrativa a especialização em uma ou mais dessas áreas. mais democrática e recorreu à linguagem da cafeteria, com
O aumento da produção acompanhou o aumento do entu- seus laminados de plástico coloridos. Compartilhavam com os
siasmo pelo design de interiores nos setores público e priva- norte-americanos a preferência pela geometria pura. Com esti-
do, e esse ímpeto de crescimento foi acelerado, no final do lo oposto, mas filosofia semelhante à do Memphis, havia um
século XX e início do XXI, por mudanças significativas nas filo- movimento, caracterizado pelos móveis “animais” de Mendini
sofias de design. para o Studio Alchimia, cujo objetivo era conferir identidade a
O advento do pós-modernismo no final da década de móveis inspirados em materiais e formas naturais a fim de tocar
1970 e início da década de 1980 abalou a primazia do alto o público de maneira visceral. Enquanto o historicismo norte-
modernismo. Os designers, tanto de interiores como de mó- -americano perdia seu ímpeto rapidamente – talvez porque li-
veis, começaram a experimentar formas geradas mais pela ex- mitasse a imaginação dos designers aos cânones de preceden-
pressão subjetiva que pela aplicação objetiva do processo, pois tes históricos, principalmente clássicos, embora interpretados
passaram a aceitar que a função não se relaciona apenas com a de maneira livre –, os modelos italianos ofereciam maior liber-
praticidade, que é relativamente fácil de atingir, mas com o dade de expressão, e, para isso, havia um mercado entusiasma-
prazer estético. Essa disposição, por parte dos designers, de do, particularmente nos novos cafés, bares e restaurantes com
criar com uma linguagem talvez mais democrática, acessível design especial que passaram a dominar cada vez mais o setor
para os consumidores leigos, não foi muito bem recebida pelos de lazer a partir da década de 1980.
setores mais puristas do modernismo, mas acabou prevalecen- Embora os modernistas radicais lamentassem enfatica-
do, e o entusiasmo dos consumidores fica evidente no sucesso mente a rejeição da objetividade austera em favor do que de-
universal da marca IKEA e de outras redes mais modestas, além nunciavam como frivolidade decorativa, os designers em geral
de lojas específicas que encontraram seu próprio nicho. não conseguiram resistir à nova liberdade de expressão e expe-

Bem à esquerda
A poltrona Proust de Alessandro Mendini
caricaturava a forma tradicional, mas expressava
sua intenção subversiva no acabamento
“pontilista” que fundia o tecido com a estrutura.

À esquerda
A cadeira empilhável de Starck tem as pernas
traseiras cromadas e as pernas frontais
e o assento em plástico moldado.
Artista: Starck, Philippe (n. 1949) Título: Cadeira Louis 20,
1991
Local: Museum of Modern Art (MoMA) Cidade: Nova York
País: Estados Unidos Período/Estilo: Pós-1945 [?] Gênero:
Design
Nota: Polipropileno soprado e alumínio polido, 84,3 × 47
× 54,6 cm, altura do assento 46,7 cm. Coleção de David
Whitney, doação de David Whitney. Registro: 52.2000
Créditos: Imagem digital, Museum of Modern Art de Nova
York/Scala, Florença
Introdução 9

O potencial das novas tecnologias e o


entusiasmo pelo design sustentável influenciam
cada vez mais o pensamento dos designers.
Para o seu conjunto Plopp, Zieta Prozessdesign
desenvolveu um método de criação de objetos
a partir de duas lâminas de aço ultrafino e
ultraleve, cortado e dividido a laser e inflado sob
alta pressão, que lhes confere a força, rigidez
e estabilidade dos equivalentes convencionais.
As peças podem ser infladas onde e quando
necessário, reduzindo os custos de transporte
e o espaço para armazenamento.

rimentação, e suas criações logo encontraram um público en- com dados sobre a configuração das unidades a serem produ-
tusiasmado de compradores que os modernistas não haviam zidas, as máquinas CNC (com controle numérico por compu-
conseguido seduzir. À potência do novo mobiliário somou-se a tador) (veja p. 120) calculam automaticamente o padrão de
estética e, o que é mais importante, a credibilidade econômica corte necessário para maximizar o número de unidades que
com o Café Costes de Philippe Starck (1982), em Paris, e sua podem ser extraídas dos materiais, e cada peça pode ser única
cadeira homônima. Essa peça com três pernas, feita de madeira sem implicar custo ou tempo extra.
compensada, couro e metal, complementava perfeitamente O reúso e a reciclagem, no entanto, são obviamente as
seu interior repleto de referências históricas sem quaisquer em- respostas mais sustentáveis ao problema, pois são processos
préstimos explícitos de precedentes. Sua forma extraordinária que não envolvem quantidades excessivas de energia. Há
entusiasmou a imaginação tanto dos designers como dos lei- orientações publicadas por inúmeras fontes respeitadas, mas,
gos, gerando uma torrente de móveis criados por Starck. Rapi- devido à relativa novidade do tema, os conselhos frequente-
damente, outros designers se inspiraram em sua redefinição mente mudam, e a prática que fora considerada boa é substi-
das formas genéricas e aproveitaram o entusiasmo comercial tuída. A internet é uma fonte de informações ampla e, geral-
pelo lado pós-moderno mais agradável do mobiliário. mente, confiável.
Starck também transformou o vocabulário do design de Outra questão relevante e cada vez mais significativa é a
hotéis, e os principais elementos dos projetos que apresentava do design “universal” ou “inclusivo”. Ambas as denominações
eram seus móveis feitos sob medida. Cada projeto possuía vá- se referem à criação de edificações para o espectro de usuários
rias peças únicas, que expressavam suas próprias identidades e, mais amplo possível, tenham eles deficiências físicas ou não.
ao mesmo tempo, contribuíam para um todo complexo mas Até certo ponto, as mesmas prioridades devem ser considera-
coerente. São poucos os designers de interiores que não consi- das no design de mobiliário. É claro que a distribuição dos mó-
deram, em algum momento, a inclusão de cadeiras de Starck veis é crucial para permitir a passagem de cadeirantes ou pes-
em seus projetos – hoje, elas são tão comuns em restaurantes soas com outros problemas de mobilidade. Ao desenhar
de redes quanto já foram em hotéis luxuosos. cadeiras, é preciso pensar em como os usuários, especialmente
As mudanças mais importantes que acompanharam a os idosos, irão se abaixar para sentar nelas e, depois, levantar-
passagem estilística fundamental para o pós-modernismo esta- -se. As cores são uma consideração fundamental no caso de
vam mais relacionadas com os processos de produção que com deficientes visuais. A legislação prioriza questões relativas às
o estilo. O design e a fabricação digitais evoluíram juntamente edificações, mas os princípios devem ser adotados por todos os
com a crescente preocupação com a sustentabilidade. O mobi- designers de móveis.
liário tem pouco ou nenhum efeito sobre o desempenho am- O design é um processo colaborativo que envolve o clien-
biental de uma edificação; apenas a escolha de materiais e os te, o fabricante e outros especialistas. Essa colaboração pode, e
custos de produção e transporte influenciarão as decisões de deve, ser uma fonte de inspiração e prazer. Buscar, encontrar e
design. A nova legislação protege os materiais e os ambientes especificar peças existentes que complementem uma visão ge-
em que eles são extraídos ou cultivados. ral é uma oportunidade para colaborar, ainda que indireta-
Ainda que o design digital viesse a encorajar propostas mente, com cada designer que tenha esboçado uma primeira
mais elaboradas – e, portanto, mais caras em termos de mate- ideia e promovido sua realização. Os catálogos on-line ofere-
riais e produção –, ele também poderia ser empregado para cem uma gama extraordinária de opções, mas, com as pala-
minimizar o desperdício de materiais. Uma vez programadas vras-chave certas, uma busca pode rapidamente gerar uma
10 Introdução

breve lista de opções familiares ou desconhecidas, incluindo as espaço anterior para o novo. O outro extremo ocorre nos seto-
informações necessárias sobre o desempenho e o preço, que res comerciais mais competitivos, em que as empresas preci-
podem levar à decisão. Não há, porém, substituto para o teste sam se reposicionar regularmente para se manterem no ritmo
de uma peça na prática – realmente sentar na cadeira ou se das concorrentes e reafirmarem sua relevância para o público-
apoiar na mesa – para avaliar o conforto e a eficácia. -alvo. Os interiores comerciais tendem a ter uma vida útil de
As paredes, os pisos, os tetos e as aberturas que definem cerca de cinco anos. Em todos esses cenários, os móveis, gran-
a natureza dos espaços também definem os limites dentro dos des e pequenos, por serem facilmente transportáveis, oferecem
quais o designer pode pensar e criar. O primeiro impulso será, uma solução e são a maneira mais viável de se transmitir a
inevitavelmente, redefinir as fronteiras significativamente, sub- identidade de um projeto para outro ou redefinir o caráter de
dividindo ou conectando espaços, derrubando ou invadindo, espaços já existentes. Os móveis de tamanho mais modesto
tratando a edificação preexistente como uma tela em branco que constituem a identidade de uma marca com diversos pon-
na qual se aplicarão gestos monumentais, talvez grandiloquen- tos de venda podem ser acomodados com mais facilidade den-
tes. Na maioria das vezes, no entanto, não há a oportunidade tro da diversidade de estruturas disponíveis do que elementos
de remover os elementos preexistentes. Algumas edificações de grande escala como novos pavimentos e paredes.
terão proteção legal devido ao seu valor arquitetônico, ou sim- O mobiliário, seja ele feito sob encomenda ou produzido
plesmente porque sua idade as torna uma contribuição impor- em lotes (uma série limitada de peças idênticas), permite que o
tante para o local. Há também ocasiões em que a pele da edi- designer explore e experimente formas, materiais e métodos de
ficação preexistente, embora não seja protegida pelo Estado, fabricação sem as limitações impostas pelas práticas estabeleci-
possui características e elementos que o designer talvez queira das e as preferências do setor da construção civil convencional.
incorporar ao novo projeto. Em outras ocasiões, as prioridades Visto que as novas técnicas digitais revolucionaram a maneira
financeiras podem impedir um longo período de construção, como os móveis são criados e que a tecnologia utilizada para
especialmente em ambientes comerciais competitivos onde os explorar e resolver as ideias tem se tornado cada vez mais com-
altos aluguéis e taxas condominiais exigem que as portas sejam patível com aquela empregada para programar as máquinas
abertas o quanto antes. No caso dos aluguéis de curto prazo, que os tornam realidade, as intenções dos designers já podem
os clientes podem desejar transportar móveis e acessórios do ser representadas e implementadas com apenas um clique do

À esquerda
As técnicas CNC (controle numérico por
computador) permitem que elementos
complexos e únicos, todos com aberturas
para as juntas intertravadas, sejam cortados
com extrema precisão. Essa precisão do
processo garante que os pontos das nervuras
que sustentam o tampo de vidro estejam
perfeitamente nivelados.
Introdução 11

À esquerda
Neste bar, utilizou-se a mesma técnica
empregada na mesa da página anterior para
que as nervuras de madeira compensada
do teto tivessem a mesma forma e fossem do
mesmo material que as protuberâncias da
parede e a base do balcão e da estante.

mouse. Os fabricantes hoje não precisam mais interpretar ins- tanto para a concepção quanto para a execução de ideias po-
truções e negociar modificações aceitáveis para os designers. As dem explorar formas que até ha pouco tempo eram considera-
máquinas digitais não preferem o que é simples e repetitivo das absurdas.
nem temem o que é complexo e único. A criação de protótipos A aceleração da inovação tecnológica também tem gera-
e a produção em lotes se tornaram economicamente viáveis do uma abundância de novos materiais e compostos. A base
para a maioria dos projetos mais modestos. de dados de materiais Material ConneXion afirma acrescentar
O argumento contra o desenho e a manufatura assistidos de cinquenta a sessenta novos materiais à sua biblioteca todo
por computador (CAD e CAM) apresentado por aqueles ape- mês, e alguns são tão experimentais que sequer têm uso defi-
gados à ideia de que a criatividade depende do desenho e da nido. Os designers mais ambiciosos devem tentar acompanhar
criação à mão livre é de que esses processos produziram uma esse ritmo frenético. Logo ficará claro que algumas inovações
uniformidade de design. Porém, hoje os designers podem vi- serão adições úteis aos seus vocabulários visuais, enquanto ou-
sualizar melhor suas inspirações individuais, e aqueles que real- tras deverão ficar guardadas na memória até que sejam resga-
mente compreendem a capacidade das tecnologias digitais tadas pelas particularidades de um projeto futuro.
12 Introdução

Novas ideias não resultam exclusivamente da produção ditavam as palavras visualizassem o texto na tela para, depois,
das indústrias petroquímicas ou de alta tecnologia. A preocu- passá-lo para o papel. Poucos dos novos usuários de computa-
pação com a sustentabilidade impulsionou a busca por com- dor adquiriam técnicas compatíveis às dos datilógrafos profis-
postos renováveis e de base orgânica, o que renovou o interes- sionais, mas agora os erros podiam ser totalmente apagados e
se pelos materiais e métodos de fabricação tradicionais. O a imediatez compensava a falta de técnica. A maquinaria de
tradicional tem mais probabilidade de ser local, e o local, de ser processamento de textos passou a dominar as mesas dos escri-
sustentável. Deixou de ser contraditório o uso de tecnologias tórios, e, antes das conexões sem fio, o cabeamento embutido
de última geração para processar materiais tradicionais, ou de era uma preocupação fundamental. Os datilógrafos profissio-
técnicas artesanais tradicionais para trabalhar novos materiais. nais desapareceram ou assumiram um novo papel, acompa-
As tecnologias digitais também transformaram radical- nhando a aceleração das tarefas administrativas geradas pela
mente, em poucas décadas, a maneira como vivemos e traba- rápida produção de informação.
lhamos e parecem propensas a continuar essa transformação, Os computadores portáteis (notebooks) têm mais capaci-
levando, assim, à reinterpretação do mobiliário familiar e do dade que os computadores de mesa mais antigos e podem ser
seu uso. A máquina de escrever que substituiu a caneta foi subs- transportados e utilizados em qualquer lugar. Eles incluem, em
tituída pelo computador de mesa, que agora está sendo substi- uma caixa compacta, uma variedade de ferramentas de cria-
tuído pelo computador portátil, e todo o conteúdo e a ativida- ção, comunicação e pesquisa sem precedentes e têm modifica-
de de um escritório já cabem na tela sensível ao toque do do a definição de jornada e local de trabalho.
instrumento que ainda mantém o rótulo, cada vez mais ana- Os smartphones e os tablets são ainda menores e fundem
crônico, de “telefone”. ainda mais as esferas profissional e social – o local de trabalho
Os primeiros instrumentos de escrita com teclado eram ope- continua sendo um local de interação pessoal direta motivacio-
rados por especialistas em tempo integral (datilógrafos), mas as nal e criativa, porém diante de distrações digitais. As interações
palavras que datilografavam eram de autoria alheia, de alguém sociais diretas tradicionais têm sido, cada vez mais, conduzidas
que não tinha tempo para aprender a dominar a máquina sem com a consciência de que serão transmitidas a outras pessoas
cometer erros, os quais não podiam ser apagados e recebiam cor- nas redes sociais e analisadas por elas. Talvez, de modo parado-
reção visível. Esse processo exigia habilidades que, embora não xal, essa análise pública exige que essas situações ocorram em
fossem facilmente adquiridas, não eram muito valorizadas. contextos (interiores) que favoreçam os participantes e impres-
Os primeiros computadores permitiram que aqueles que sionem os avaliadores.

No sentido horário, a partir da imagem


esquerda superior
Uma máquina de escrever mecânica, que, por
não perdoar erros, precisava de um operador
experiente.

Um computador de mesa antigo, que, devido


ao teclado, ao mouse e à impressora, ocupava
mais espaço que a máquina de escrever.

A facilidade de transporte e a conectividade


sem fio dos smartphones enfraqueceram as
fronteiras entre trabalho e recreação, escritório
e residência.

Cada evolução nos equipamentos pessoais


de tecnologia da informação e comunicação
redefine a atividade cotidiana dos usuários.
Introdução 13

Pré-digital/pós-digital
Nas moradias, o mobiliário que outrora ocupava espaço para materiais e tecnologias. A inovação tecnológica oferece possi-
acomodar grandes aparatos de entretenimento repletos de fia- bilidades, e o papel do designer consiste em encontrar manei-
ções se tornou desnecessário, sendo substituído por aparelhos ras de explorar e maximizar um potencial que não foi previsto
pessoais que cabem no bolso e por televisões de pendurar na pelos criadores dessa inovação, mas o resultado só poderá ser
parede que são tão finas quanto quadros. As oportunidades validado por aqueles que escolherem usá-la.
que os indivíduos têm agora de programar sua recreação e A inspiração está se tornando mais eclética e há cada vez
criar espaços privados – tanto por meio dos telefones quanto mais opções estilísticas, mas o processo de design – que depen-
entre quatro paredes – não requerem novas interpretações dos de da criatividade humana – permanece constante. Trata-se de
móveis convencionais, mas estes inevitavelmente irão evoluir, encontrar uma maneira de transformar uma ideia abstrata em
assim como as diferentes técnicas de culinária – a fast food e a realidade. As ideias surgem ao observarmos, tocarmos ou viver-
slow food –, os novos ingredientes e as novas maneiras de co- mos algo que provoca o primeiro impulso imaginativo, mesmo
mer de diferentes partes do mundo, que modificaram os rituais se a origem ficar muito distante da intenção final. É provável
de alimentação doméstica e o layout dos restaurantes. que, quanto mais o resultado final estiver distante da primeira
Um bom design de mobiliário sempre conferiu uma di- manifestação, melhor ele será, pois terá passado por análises e
mensão estética apropriada aos produtos finais baseados em críticas progressivas. Os designers não podem se dar ao luxo
dados ergonômicos e antropométricos. Nas últimas décadas, a de serem puramente subjetivos. Eles têm uma obrigação com o
redefinição acelerada de todos os aspectos da conduta huma- cliente, e com os clientes desse cliente, o que significa que suas
na por parte da tecnologia digital sugere que logo chegaremos ideias devem passar por uma análise objetiva do que produzirá
a uma conclusão definitiva, mas a história mostra que, embora reações positivas. Isso é válido para os designers de interiores
as mudanças possam desacelerar, elas são constantes e conti- tanto do setor público quanto dos setores privados mais com-
nuarão a apresentar desafios e oportunidades aos designers. petitivos.
Embora a gramática do uso dos espaços esteja mudando, os A prioridade do designer sempre deve ser aperfeiçoar vi-
designers podem se basear nos conhecimentos culturais e no sualmente o aspecto prático essencial de qualquer interior e
consenso comunitário, e incluí-los na interpretação dos novos seu respectivo mobiliário. As características estéticas que fazem

Um home office expressa as preferências


do seu usuário com mais precisão
que um espaço compartilhado.
14 Introdução

essa camada visual ser bem-sucedida dependem da capacida- operar uma máquina ou usar uma ferramenta. Na verdade,
de de controlar o processo de fabricação, e isso envolve ser geralmente é melhor que nem tentem, pois se as técnicas e as
capaz de reconhecer, evoluir e explicar uma ideia conceitual habilidades não forem praticadas diariamente, é melhor que
e entender como orquestrar o potencial de funcionamento e não sejam usadas. Fabricantes inexperientes serão mais lentos,
estético de diferentes materiais e o tecnologias. A habilidade e seus produtos, menos refinados. O que os designers precisam
principal não é saber onde colocar cada junta ou compreen- saber é o que uma máquina ou ferramenta pode fazer e respei-
der as aplicações de cada material, mas saber ver suas possi- tar a experiência e o conhecimento dos fabricantes, levando
bilidades inerentes e ser fluente nas linguagens visual e verbal em consideração seus conselhos.
necessárias para fazer perguntas e expressar intenções àqueles
que têm as habilidades e a experiência para pôr em prática
essas possibilidades. Os designers não precisam saber como

A importação de sushi para o Ocidente – e,


com este, o serviço de esteira transportadora –
mudou a maneira como a comida é
selecionada e elevou o status do balcão de
serviço. O autosserviço se tornou glamoroso,
e seus mecanismos levaram, neste exemplo,
a pensar como acomodar melhor o hashi
e outros utensílios em cavidades, evitando
que fiquem espalhados pelo balcão.
Introdução 15

Estudo de caso Cadeira Tip Ton

Acima
Tip Ton, uma cadeira que pode ser empilhada – e que
balança.

À esquerda e bem à esquerda


A cadeira se inclina para a frente com o usuário.

Este é um exemplo de como a reconsideração per- A premissa que subjaz a ideia é que, quando é particularmente apropriada para salas de aula e
ceptiva do uso que as pessoas realmente fazem as pessoas estão escutando, lendo ou relaxando, de reunião, em que os usuários se recostam para
das cadeiras pode levar a uma reconfiguração sig- sentam recostadas, e quando estão trabalhando ou escutar e se inclinam para a frente ao escrever.
nificativa de algo tão familiar como a cadeira de comendo, inclinam-se para a frente. Assim, criou- O fato de ser tão bonita se a compararmos com a
empilhar e como um olhar refinado pode traduzir -se uma cadeira que pode ser empilhada e, ao mes- cadeira de empilhar convencional de polipropileno,
essa reavaliação em algo belo. A grande mudança mo tempo, possui uma capacidade cinética seme- com finíssimas pernas de metal, faz pensar que
de percepção que inspirou a cadeira Tip Ton de- lhante à de uma cadeira de balanço. As cadeiras a análise racional que gerou o conceito também
monstra que é possível reinventar a roda – ou a de empilhar não podem incorporar os refinamentos concebeu uma clareza, de forma que dispensou
cadeira de empilhar. das boas cadeiras convencionais, mas a Tip Ton qualquer elemento supérfluo.
PARTE 1 CONTEÚDO
E CONTEXTO

18 CONTEÚDO E CONTEXTO

21 AS LOJAS

31 OS ESPAÇOS DE RECEPÇÃO

42 OS POSTOS DE TRABALHO

47 A HOTELARIA

54 OS BARES E RESTAURANTES

66 AS MESAS E OS ASSENTOS FIXOS

70 O DESIGN DE MÓVEIS DE EXPOSIÇÃO

80 OS AMBIENTES DOMÉSTICOS

82 AS DIVISÓRIAS E BARREIRAS PERMEÁVEIS

90 O ARMAZENAMENTO

94 O APROVEITAMENTO DO ESPAÇO
18 Conteúdo e contexto

Conteúdo e contexto
Seja trabalhando por conta própria, seja contratado para um um manual de regras simples que possa ser aplicado a todos
serviço, o designer de mobiliário terá em mente um contex­ os interiores. O aperfeiçoamento de princípios básicos de lay­
to para cada peça que produzir, e essa percepção é funda­ out levará a soluções mais eficazes. Enquanto as decisões de
mental para a tomada de decisões. Uma cadeira de escritório adaptação não forem gratuitas, os ajustes geralmente serão
é necessariamente diferente de uma cadeira de mesa de jan­ positivos.
tar, que também não é igual a uma poltrona. Os designers Há inúmeros livros, como The New Metric Handbook, de
que criam uma peça para um projeto específico devem ter Tutt e Adler, e The Architect’s Handbook, de Packard, que for­
uma noção clara do contexto deste e do conteúdo funcional, necem dados sobre as dimensões dos móveis e o planejamen­
mas, independentemente de quantos móveis criarem, sua to de layouts. Embora contenham referências valiosas, esses
responsabilidade é harmonizar a utilização de peças indivi­ livros são mais úteis para o projeto de novas edificações, em
duais de modo que todas deem sentido ao conjunto e sejam que as dimensões e a forma da planta baixa podem ser facil­
relevantes em seu ambiente. Os móveis antigos devem con­ mente ajustadas para se adequarem aos dados prescritos. No
trastar com os novos. Aqueles que são majestosos quando caso de espaços interiores preexistentes, entretanto, o plane­
isolados podem não contribuir tanto para o conjunto como jamento costuma ser menos direto. Os projetos preexistentes
as opções mais modestas. dificilmente se adaptarão às disposições exigidas. Geralmen­
Os designers de interiores não devem desenhar móveis te, será necessário decidir qual a dimensão necessária que não
gratuitamente quando existem opções pré-fabricadas, testa­ prejudicará a funcionalidade do espaço. Com frequência, se
das e revisadas, mas, para aproveitar a multiplicidade de op­ analisarmos com objetividade a natureza exata da atividade
ções, devem conhecer bem o que está sendo oferecido. Sem­ que precisa ser acomodada, será possível reduzir o espaço atri­
pre haverá uma tendência a favorecer uma coleção limitada buído às pessoas ou aceitar que ele deve ser extrapolado. As
de móveis preferidos, porém, dada a importância que tem o regras gerais possuem um fator de segurança que pode ser re­
mobiliário para o sucesso do interior específico que ocupa, duzido conforme se julgue oportuno. Uma redução rigorosa
a seleção repetitiva deve ser considerada. demais resultará em humilhação para o designer.
O conteúdo de um interior será estabelecido pelo clien­ Os designers deveriam sentir algum conforto com o
te ou, então, será fruto de uma discussão deste com o desig­ fato de que os lugares incômodos e os problemas que eles
ner, cuja responsabilidade é organizar o espaço com eficiên­ propõem incentivam desenhos mais engenhosos. Também
cia, como uma estrutura onde serão acrescentadas as camadas é importante lembrar que os dados brutos não levam em
estéticas dos acabamentos e dos móveis. O mau planejamen­ consideração como os usuários irão vivenciar os lugares em
to pode desvalorizar a intenção estética. O bom planeja­ contexto. A beleza singular de qualquer móvel passará des­
mento pode reduzir as despesas gerais indiretas, melhorar a percebida se sua utilização fizer com que aqueles que o
produtividade e estabelecer o equilíbrio estético, mas não há usam se sintam desconfortáveis física ou psicologicamente.

450mm/17¾in 600mm/23½in 800mm/31½in

Acima
O corpo humano raramente
corresponde às generalidades
das instruções antropométricas
e ergonômicas.

À direita
Os dados padrão são um excelente
ponto de partida para o
660–720mm/26–28¾in

planejamento de disposições, 400–460mm


250mm/10in

16¾–18in
mas as dimensões de um espaço 5º–7º
interior preexistente raramente
390–450mm/
15¼–17¾in

correspondem às disposições
propostas.
Conteúdo e contexto 19

Os diferentes layouts podem motivar ou atrapalhar a avanço tecnológico mudou de forma instantânea a maneira
comunicação e a colaboração entre os trabalhadores e po­ de trabalhar da população, mas, até recentemente, o proces­
dem, também, determinar a natureza e o grau de interação so de produção ainda requeria muita mão de obra. Os méto­
em contextos sociais. As decisões que dizem respeito às van­ dos de produção atuais, melhorados digitalmente, precisam
tagens de um estilo específico de disposição podem ser fei­ de menos mão de obra e menos tipos de trabalhadores; mes­
tas a partir de observações de como ambientes preexistentes mo assim, a comunicação digital criou novas categorias de
funcionam e quem os usa, mas, em última instância, como empregos e gerou novas formas de trabalhar. O computador,
todo bom desenho, o sucesso dependerá da intuição do de­ seja o de mesa ou o portátil, permite que se componha o
signer. A proposta conceitual mais extraordinária será inútil conteúdo de uma carta de maneira legível. Nessa mesma má­
se ela não tiver um bom desempenho na prática. Os usuá­ quina, os designers fazem “desenhos” e procuram as infor­
rios podem ter dificuldade em articular suas objeções às mações necessárias para torná-los reais. A transmissão de in­
questões estéticas, mas certamente estarão em condições de formações digitais fez com que os serviços postais ineficientes
criticar as deficiências práticas e se basearão nestas para der­ não fossem mais desculpa para a falta de comunicação.
rubar os conceitos aos quais se opõem. À medida que a tecnologia digital cresce, o tamanho dos
equipamentos (o hardware) vem se reduzindo cada vez mais.
Contextos genéricos As realidades da mobilidade agora modificam a natureza de
Vale a pena enumerar as considerações excepcionais relacio­ todos os móveis que evoluíram para se adaptar a atividades
nadas à provisão de móveis nas diferentes categorias de inte­ sedentárias. O zoneamento funcional permaneceu notavel­
riores. Os pontos citados têm a ver principalmente com aspec­ mente estável, e o mobiliário dentro de zonas ainda cumpre
tos práticos, mas, em última análise, os móveis especificados suas obrigações funcionais tradicionais. Entretanto, à medida
ou desenhados devem responder ao caráter da organização de que a nova mídia social corrói as barreiras sociais e desacredi­
que fazem parte. Todas as categorias de edificações foram ta nas formalidades, a separação física se torna mais permeá­
influenciadas pelas mudanças de hábitos e comportamento vel e a disposição dos móveis é empregada cada vez mais
provocadas pelas tecnologias digitais. Essas transformações para definir áreas específicas. A necessidade de expressar uma
foram tão profundas que é fácil esquecer que, apesar de as identidade individual ou corporativa aparece cada vez mais
primeiras manifestações populares terem emergido na última nos interiores como uma das formas de articular identi­
década do século passado, foi somente neste século que a in­ dades e, no mobiliário, como um componente crucial para
fluência se acelerou e que o impacto tem sido notável. Sem aperfeiçoar tal declaração.
dúvida, é um bom momento para reconsiderar as tipologias Nas seções a seguir, serão estabelecidas considerações
de mobiliário doméstico e os interiores que definem. fundamentais quando especificamos ou desenhamos móveis
Em ambientes de trabalho, as consequências do avanço para cada categorias de interiores genéricos e para os espaços
tecnológico geral são evidentes há alguns séculos. Esse discretos e as atividades que abrigam.

Abaixo modesta, o efeito acumulado de


Os diferentes tipos e orientações múltiplas mesas é, frequentemente,
de uma mesa podem alterar suas significativo. As projeções ou
dimensões. Embora a variação denteados em um projeto podem
introduzida por uma única mesa seja causar problemas localizados.

Serviço Serviço Serviço Serviço

0.82m /8.8ft por cliente


2 2
0.92m /9.9ft por cliente
2 2
1.4m2/15ft2 por cliente

Redonda Diagonal Quadrada


20 Conteúdo e contexto

Estudo de caso Um bom planejamento evita problemas

As pesquisas e a experiência pessoal sugerem que rio. Entretanto, uma vez que o trabalho é a fonte
um planejamento eficiente não é o suficiente para principal de autoestima, uma boa escolha de mó-
a criação de um bom interior. Os usuários devem veis exercerá um efeito positivo. Para maximizar a
gostar de permanecer nele e, por isso, dispor-se a eficácia do mobiliário, é necessário reagir de ma-
aceitar um grau de concessões funcionais. Este neira inteligente aos elementos que já existem em
princípio é aplicável a todo o espectro de ambien- um interior. No exemplo ilustrado, o cliente havia
tes interiores, mas não se costuma levá-lo em con- trazido móveis de seu escritório antigo para seu
sideração nos casos de ambientes de trabalho, novo escritório. Ao ver que o ambiente de trabalho
onde o prazer é comumente visto como secundá- não o satisfez, decidiu pedir ajuda profissional.

Acima Abaixo
No escritório acima, o empregado está sentado Com a nova disposição, seus problemas com
de costas para a janela. A luz solar reflete na tela a luz e o reflexo estão resolvidos. Ele pode dar
de seu computador. Seu corpo faz sombra na uma olhada pela janela quando estiver curioso.
superfície de trabalho. Ele está ciente de que O primeiro contato com os clientes é mais
coisas interessantes podem estar acontecendo informal, e eles, assim que entram, podem
do lado de fora. Assim que entrar, o visitante desfrutar da vista que a janela oferece.
será recebido pelo empregado.
As lojas 21

As lojas
Em geral, acredita-se que a mobília em estabelecimentos co­ Abaixo
merciais, seja para expor os produtos, seja para proporcionar O interior de uma loja deve marcar
sua presença, mas o mobiliário
maior conforto ao cliente, deva ser um complemento mo­
tem de ficar em segundo plano
desto à mercadoria em oferta. Embora esse princípio esteja em relação à mercadoria.
relacionado à preferência dos designers por um estilo mini­
malista, ele também existe por uma razão prática. Exposito­
res complexos demais podem ser de difícil acesso aos clien­
tes, além de dificultarem a limpeza e o atendimento dos
funcionários. Uma loja popular com expositores muito car­
regados terá uma proporção baixa entre funcionários e clien­
tes. Em lojas de luxo, essa proporção será alta, e os funcioná­
rios terão tempo para manter e organizar os expositores.
A vida útil dos interiores em estabelecimentos comer­
ciais é quase sempre curta – raramente dura mais que cinco
anos, especialmente nas ruas comerciais e lojas de roupas e
acessórios, onde a aparência é crucial e as empresas compe­
tem entre si para exibirem sua constante renovação. As lojas
de luxo tendem a investir mais em seus interiores e na marca
do que nos produtos que vendem. Em tais empresas, as es­
22 Conteúdo e contexto

Abaixo tratégias de marca dificilmente se alteram, pois a mensagem


Os artigos de tamanho mais que as lojas transmitem é fundamental para sua identidade.
reduzido justificam o uso de
No projeto de uma loja, existem algumas máximas sim­
móveis chamativos para atrair
clientes. ples e comprovadas que são seguidas pelos comerciantes e
devem ser respeitadas pelos designers.
A estratégia utilizada na concepção do layout é de fun­
damental importância e pode influenciar o projeto executi­
vo de peças individuais. O controle de circulação de clientes,
em especial em ambientes apertados, é crucial para garantir
que todos os produtos à venda estejam visíveis. A exposição
em lojas de luxo é mais dispersa, e seu interior tende a ser
visível desde o momento de entrada. A localização dos gui­
chês e caixas também deve ser pensada de modo estratégico.
Se posicionados na entrada, eles indicam e garantem contro­
le. Se, por outro lado, forem colocados mais perto do fundo,
o cliente pode entrar e olhar à vontade sem a pressão dos
vendedores. Quando não precisam exibir os produtos, os
balcões podem ser utilizados para transmitir a identidade
da marca.
Os sinais enviados pelos acessórios e os acabamentos
de alto nível dissuadem os clientes sem poder de compra, ao
passo que os compradores sem restrições financeiras inter­
pretam os mesmos sinais como uma confirmação da quali­
As lojas 23

dade de seus produtos. Expositores seguros apresentam pro­ Acima, à esquerda Acima, à direita
blemas mais complexos. Antigamente, o vendedor e a A evidência de medidas de Muitas vezes, as particularidades
segurança melhora a percepção de um interior sugerirão o uso
largura do balcão, que muitas vezes funcionava como armá­
de valor que o cliente tem dos de um gesto peculiar. Aqui, um
rio expositor, formavam uma barreira que distanciava pos­ produtos que estão à venda. banco serpenteia pelas colunas
síveis ladrões das gavetas e das prateleiras atrás dessa linha. preexistentes, proporcionando
O balcão como barreira acabou desaparecendo das lojas, assento para os clientes que
querem experimentar calçados,
mas ainda é utilizado, em parte, como uma medida de segu­
contrastando com as prateleiras
rança, para vender itens menores e de maior valor. Já outros de vidro retas.
itens, protegidos em impenetráveis vitrines de vidro espa­
lhadas pela loja, permitem que os clientes acostumados
com rituais de compra menos formais explorem a loja antes
de enfrentarem os vendedores e efetuarem a compra.
Os balcões estão gradualmente desaparecendo, inclusi­ concentrada na altura dos olhos, tornando a estrutura que
ve das lojas onde se vendem os artigos de luxo mais caros, já os contém ainda mais importante. Os móveis de exposição
que oferecem uma defesa muito limitada contra possíveis em qualquer zona de uma loja também devem ser estáveis.
criminosos. A sua remoção também é uma forma de reco­ Uma arara não deve empenar com o peso das roupas que
nhecimento de que a atenção pessoal e a empatia do vende­ está exibindo, e uma prateleira não deve tremer quando o
dor, sem a barreira que o balcão representa, pode consolidar cliente retirar algum item para uma análise mais detalhada.
uma venda. Hoje em dia, é provável que a venda de objetos
de valor elevado se dê em uma sala ampla, com uma elegan­
te mesa ao centro, onde são exibidos os produtos que são
retirados do cofre a pedido do cliente. O material onipresen­
te nos armários expositores é o vidro. Sua transparência
proporciona aos designers uma oportunidade interessante
de encontrar soluções que complementem os produtos e
incorporem os mecanismos de guias de gaveta, dobradiças
e sistemas de alarmes. Uma operação tranquila pressupõe
perfeição. A escala reduzida dos artigos de luxo, como joias
e relógios de pulso, requer que a área de visualização seja
24 Conteúdo e contexto

A prateleira como parede, teto e estratégia de marca


Padaria D. Chirico – March Studio
As padarias, em especial as que oferecem produ-
tos artesanais, precisam repor regularmente seus
produtos. Este interior, com prateleiras e balcão de
madeira, e a pátina de gesso de sua parede trans-
mitem valores artesanais, enquanto o forno de aço
inoxidável situado atrás da parede de vidro indica
uma ótima condição de higiene. A complexidade
tridimensional da parede com prateleiras e do teto
só é viável graças à tecnologia de controle numéri-
co por computador (CNC).

Acima Abaixo
O perfil ondulado e as prateleiras de diferentes O controle numérico por computador produz os
comprimentos fazem alusão à forma e a textura do pão componentes que formam a estrutura da prateleira/
rústico. As quinas chanfradas do balcão envolvem as parede/teto. As tiras de madeira mais convencionais do
tiras horizontais de sua parte frontal. A balança digital painel e da parte frontal do balcão imitam a linearidade
e o monitor do caixa estão embutidos no balcão. das prateleiras.
As lojas 25

Abaixo, à esquerda Abaixo, à direita


Perspectiva axonométrica Corte
1 Painéis de compensado de 15 mm (½ in) cortados 1 Cantoneira angular entre a nervura e a parede.
por CNC (controle numérico por computador). 2 Duas vigotas de 240 × 45 mm (9½ × 1¾ in)
2 Parede preexistente de alvenaria. suspensas nos caibros acima.
3 Nervuras de compensado de 9 mm (¼ in) cortadas 3 Conector de aço.
por CNC. 4 Vista frontal da conexão com o painel.
4 Duas vigotas de 240 × 45 mm (9½ × 1¾ in) 5 Vista posterior da conexão com o painel.
suspensas nos caibros acima. 6 Dois painéis de compensado de 15 mm (½ in)
perfurados e cortados por CNC.
7 Vista frontal da conexão com o painel.
8 Vista posterior da conexão com o painel.
9 Cantoneira angular parafusada à parede de
alvenaria e ao compensado.

1
4
2
3
3
2

4
1
5
7
6
8

À direita
Os perfis de corte por CNC do projeto.
O perfil de cada um dos elementos verticais e
horizontais é marcado digitalmente sobre uma chapa
de compensado padrão, minimizando o desperdício de 1
materiais.
1 Perfis verticais em chapa de compensado de 5 mm
(½ in).
2 Perfis do forro em chapa de compensado de 19 mm
(¾ in).
3 Perfis das prateleiras em chapa de compensado de
19 mm (¾ in).

3
26 Conteúdo e contexto

Três pernas são menos estáveis que quatro, e estruturas melhor que elas estejam ocultas dentro das estruturas dos
suspensas irão oscilar com qualquer provocação. Já que a móveis. A estrutura sólida dos armários ou prateleiras deve
maioria das empresas opera em locais alugados, é muito ser profunda o suficiente para acomodar os acessórios ne­
raro poder fazer alterações drásticas, como parafusar per­ cessários, em geral pequenos refletores ou tubos, e dispor de
nas ao chão ou encontrar no teto elementos de fixação aberturas de ventilação para evitar o superaquecimento. Os
seguros para cabos de suspensão. Os danos às estruturas refletores geralmente são fixados na parte superior dos ar­
preexistentes devem ser depois consertados. Soluções radi­ mários, já as luminárias com lâmpadas tubulares são embu­
cais não podem se dar ao luxo de fracassar. Uma ideia, por tidas em uma faixa opaca na aresta superior da parte frontal
mais sedutora que seja, se não puder ser traduzida em uma envidraçada para que a luz atinja diretamente o produto e
realidade viável, será vista como fruto do capricho bobo do não o cliente.
designer. Os estabelecimentos de luxo e especializados precisa­
A fiação elétrica das fontes de luz e dos alarmes é rela­ rão dos serviços de um designer para criar o tipo de interior
tivamente fácil de esconder dentro do corpo das prateleiras que sirva como elemento principal para a sua estratégia de
e dos armários, mas a disponibilidade da fonte de energia marca. Já os estabelecimentos populares costumam recorrer
no local afetará a localização dos móveis de exposição. É a fornecedores que ofereçam opções de armazenamento e
fácil planejar tendo em mente posições ideais para as toma­ exposição mais genéricas.
das, mas, na prática, pode ser necessário encontrar percur­ Os designers costumam contratar especialistas para a
sos discretos para eletrodutos aparentes. No caso de pratelei­ fabricação e a instalação dos móveis desenhados para um
ras e armários em paredes externas, geralmente se consegue projeto específico. Esse tipo de empresa conta com oficinas
distribuir os móveis de forma que proporcionem a cobertu­ especializadas. Normalmente, os designers fornecem os de­
ra necessária. Quanto aos expositores abertos situados em senhos com os detalhes referentes às dimensões e aos mate­
prateleiras ou plintos, a iluminação geral desde o teto pode riais, e, a partir desses dados, as oficinas confeccionam seus
ser uma boa solução, seja sob a forma de lâmpadas penden­ próprios desenhos, mais precisos e compatíveis com sua
tes, seja sob a forma de refletores para a iluminação de des­ maquinaria e suas técnicas. A seguir, elas apresentam os
taque de produtos. As fontes de luz, principalmente os refle­ desenhos ao designer para que ele os analise e verifique se
tores do tipo spot, podem criar reflexos sobre as vitrines de o produto final corresponde ao seu objetivo em termos es­
vidro. Para evitar que lancem luz nos olhos dos clientes, é téticos. A natureza dessa colaboração pressupõe uma boa
As lojas 27

responsabilidade por parte da empresa especializada, já que importante a rapidez na instalação de uma loja, possibili­
esta assume a qualidade da fabricação do móvel em questão. tando que a operação comece e passe a gerar receitas o mais
Além disso, com frequência ela também se encarrega da ins­ rápido possível. É normal que a fabricação dos móveis se dê
talação, visto que seus funcionários contam com muita ex­ em uma fábrica ou oficina, o que, por outro lado, também
periência na hora de lidar com seus produtos e suas técni­ garante uma qualidade superior. O acesso não costuma ser
cas, de modo que podem solucionar com mais eficácia os um problema, já que as lojas tendem a estar no pavimento
problemas que aparecerem. Esse processo de racionalização térreo e ter acesso direto a rua.
é importante para reduzir o tempo de instalação. Quando As empresas de móveis e acessórios para lojas têm uma
locais preexistentes estão sendo reformados, é normal que trajetória relativamente longa, e as melhores companhias
as empresas especializadas em móveis e equipamentos para têm desenvolvido e aperfeiçoado as suas próprias técnicas
lojas e os fornecedores trabalhem sem parar, na tentativa de de produção e instalação. Muitas vezes, elas também são as
diminuir ao máximo o tempo não lucrativo. responsáveis pela instalação de novos revestimentos nas pa­
Nem todos os móveis e acessórios têm de ser feitos sob redes, o que permite a integração produtiva da parede ter­
encomenda. Existe uma ampla gama de artigos pré-fabrica­ minada e do sistema de exposição. É comum que o projeto
dos que costumam ser a opção mais viável para as pequenas executivo (os desenhos com informações sobre as dimen­
empresas cujos volumes de vendas são mais modestos. Eles sões e os materiais dos móveis propostos) seja enviado às
podem ser personalizados para que se adaptem à identidade empresas de móveis e acessórios, que, por sua vez, adaptam
de uma empresa específica, mas precisam ser finalizados de os desenhos de acordo com seus processos específicos e, em
forma que se assemelhem aos originais. No caso do design seguida, os mandam de volta ao designer para que este os
de peças baratas mas criadas sob encomenda, é recomendá­ aprove antes do início da produção.
vel não acrescentar detalhes demais, para que se consiga um As empresas de maior escala podem aspirar à criação de
alto rendimento com o mínimo de custo. móveis e acessórios exclusivos para seus produtos como uma
O aluguel, o financiamento e os impostos devem ser forma de expressar a identidade da marca nos níveis nacio­
pagos assim que se toma posse do local vazio e, portanto, nal e internacional. Para as redes mais especializadas, a ex­
também enquanto durar a reforma, de modo que a rapidez pressão da identidade é mais fácil, ainda que estejam obriga­
da execução do projeto é uma prioridade. Os aspectos eco­ das a ocupar as mais diversas edificações (desde os volumes
nômicos bastante complexos do comércio varejista tornam retangulares e sem graça de um shopping até os peculiares e

Na página anterior
A exposição espacejada combina
com o mobiliário minimalista.

À direita
O mobiliário de exposição deve ficar
em segundo plano em relação à
mercadoria, mas deve acompanhar
seu padrão de qualidade.

Bem à direita
A divisão homogênea e a inserção
da vidraça sem marco na junta
central e no teto salientam a
construção racional deste móvel
independente. A base, que protege
as delicadas arestas inferiores da
abrasão, também as eleva para
evitar que sejam visualmente
comprometidas pela superfície
irregular do carpete. Nenhuma
superfície de piso é totalmente
uniforme, e, por isso, é sempre
recomendável separá-la visualmente
das arestas inferiores dos móveis.
28 Conteúdo e contexto

Araras
idiossincráticos pés-direitos e plantas baixas de edifícios his­ As araras estão presentes em qualquer tipo de loja, desde as
toricamente relevantes) e que o mobiliário seja de tamanho mais populares até as mais luxuosas. Elas são a forma mais
reduzido para permitir um planejamento flexível. compacta de armazenar e expor os produtos e, ao mesmo
As lojas ou redes de artigos de luxo tendem a expressar tempo, os tornar acessíveis para os clientes. As lojas mais
seu status com materiais caros e muitos detalhes. Elas ten­ populares costumam sobrecarregá-las, o que não acontece
dem a exibir uma menor quantidade de produtos a fim de em lojas mais caras. Nestas, o estoque que têm de carregar é
destacar a qualidade ímpar de suas peças. Nessas lojas, os mais limitado, seja para transmitir a ideia de exclusividade,
espaços para os clientes são amplos, e os caixas e as mesas seja para estar de acordo com a estética minimalista do local.
onde se embalam os produtos para presente costumam ficar Em geral, as roupas costumam ser penduradas perpendi­
em locais discretos, muitas vezes completamente fora do cularmente, mas, algumas vezes, sua disposição é paralela à
campo de visão do comprador. barra da arara, o que as deixa mais expostas por estarem uma

Acima, à esquerda Acima


As bases perpendiculares da As araras não precisam ser singelas.
arara servem para lhe conferir Aqui, chapas de metal dobradas
estabilidade. As rodas suavizam servem, ao mesmo tempo, de
a transição entre a arara e o piso, cabideiros e prateleiras para bolsas.
que, sem elas, seria brusca demais.
Também servem para ocultar as
irregularidades inevitáveis do piso.

À esquerda
O expositor de metal desta loja de
sapatos faz alusão a uma escada
de subsolo.

ao lado da outra e de frente para o cliente. A técnica mais


utilizada ao pendurar roupas de forma frontal consiste em
projetar a arara de modo que fique levemente elevada e segu­
re o gancho do cabide no lugar. As lojas de luxo raramente
penduram seu vestuário assim porque, com sua disposição
dispersa, a inspeção de suas peças é relativamente fácil.
As araras são, em geral, estruturas simples de metal
com componentes soldados ou parafusados. A forma mais
simples de lhes conferir estabilidade é instalar barras infe­
riores perpendicularmente à barra superior.
As lojas 29

Uma linha de conexão


Custo – Dear Design
Enquanto o imaginário gráfico, que pode ser mu-
dado com frequência e com o mínimo de impacto,
constitui a forma mais simples de se criar identida-
de e presença nas ruas e nos shoppings, os mó-
veis oferecem a oportunidade de transmitir de for-
ma mais permanente, ainda que menos incisiva,
uma determinada imagem da marca.
Nesta loja, a primeira filial internacional de
uma rede espanhola, a horizontalidade linear cria
uma identidade clara.
À esquerda
As barras de metal podem ser facilmente moldadas.
Aqui, a curva se relaciona com a moldura do teto.

Abaixo
A construção de araras é geralmente muito simples,
exigindo apenas algumas barras de metal com
conexões parafusadas ou soldadas. Neste exemplo,
a barra de aço inoxidável curta, posicionada 90° em
relação à barra maior, permite que se pendure as
roupas de frente, tendo, assim, uma exposição mais
eficaz. Ao pendurá-las lado a lado, libera-se espaço
para outras peças, as quais os clientes poderão
acessar de forma direta.

Acima
As prateleiras de MDF que se projetam de modo
variado parecem estar inseridas nas ranhuras
levemente convexas, mas, na verdade, estão em
balanço.

Acima, à direita
O perfil do espelho simplesmente apoiado na parede
partilha os ângulos do plinto e do balcão.

À direita
O piso e os elementos aéreos são caracterizados por
diversas camadas sobrepostas de MDF que foram
pintadas de branco. A fonte do logotipo tem a mesma
horizontalidade forte desses elementos. Os
expositores baixos e o balcão, em ângulo horizontal
e vertical, combinam com a estrutura do teto.
30 Conteúdo e contexto

3
4
5
6
7

Abaixo Acima, à esquerda Logo acima e acima, à direita


As cadeiras tipo concha e a parede, O perfil tubular é soldado em Quando sabemos o revestimento 1 Arara.
personalizadas com tiras e duplicadas placas de base de alumínio que do piso o melhor é inserir o perfil 2 Parafuso de ajuste.
pelo espelho que corre ao longo são parafusadas ao contrapiso. tubular oco sobre uma seção de 3 Perfil tubular interno.
de todo o recinto, conferem Uma vez instaladas, aplica-se o perfil similar, mas de diâmetro 4 Parafusos de expansão para
identidade a um cômodo revestimento do piso. No caso menor, soldada à placa de base fixar as placas ao contrapiso.
retangular e que, de outro de pisos de cerâmica ou madeira, que é parafusada ao contrapiso. 5 Revestimento do piso
modo, seria sem graça. é preferível que a união entre Essa placa, fixada com parafuso (monolítico, argamassa
o piso e a barra seja feita em de ajuste, cobrirá qualquer de regularização, cerâmica
uma junta para transmitir a irregularidade na capa de ou azulejo).
ideia de precisão. A espessura do argamassa de onde sai o perfil 6 Placa de metal pré-perfurada
contrapiso ou graute pode ser a tubular interno. No caso de para receber os parafusos.
mesma que a da placa de base. azulejos, para facilitar o corte, 7 Contrapiso.
o melhor é que a barra saia
da junção de quatro azulejos.
Os espaços de recepção 31

Os espaços de recepção
Os papéis e a forma de interagir dentro de escritórios e edifí­ A posição do balcão é fundamental para evitar a sensa­
cios públicos têm mudado, mas a importância da área da re­ ção de confronto entre o visitante e a recepcionista. Embora
cepção, a primeira e melhor oportunidade que uma empresa esse móvel deva ser o primeiro a ser visto, é recomendável
tem de expressar seu status e sua filosofia, mantém-se intacta. manter certa distância, ainda que só de alguns metros, entre
Algumas empresas e instituições escolhem transmitir serieda­ ele e a porta, de forma que os visitantes tenham tempo de
de e formalidade, enquanto outras preferem ser vistas como avaliar o ambiente e a recepcionista antes de seu primeiro
mais acessíveis e receptivas. Existem algumas poucas opções contato direto. Em um acesso com pouca profundidade, po­
pré-fabricadas, mas o mais comum é que cada empresa tenha sicionar o balcão em um lado da entrada elimina o confron­
um balcão de recepção único e exclusivo. Como regra, quan­ to imediato. Assim como o balcão deve ser proporcional ao
to maior a empresa, maior será a área da recepção. O balcão, espaço em que está inserido, a escala dos detalhes também
que terá tamanho proporcional à área, exerce uma função é importante. Um balcão grande demais pode ser dividido
retórica que consiste em impressionar o visitante e lembrar os em diversas partes, de acordo com as diferentes funções de­
funcionários da natureza da empresa para a qual trabalham. sempenhadas atrás dele. Uma seção frontal elevada e larga o
Se sua grandiosidade sugere características que a empresa não suficiente para se colocar bolsas e pacotes protege visual­
possui, ele pode inspirar soberba ou causar cinismo. mente a superfície de trabalho, o equipamento e o armário
O número de pessoas que trabalham de forma simultâ­ embaixo dela. A parte frontal elevada serve como superfície
nea atrás de um balcão é determinado pela quantidade de sobre a qual o visitante poderá se apoiar com comodidade
pessoas que passam por ele em horários de pico. Esse núme­ quando estiver assinando documentos ou preenchendo for­
ro também determinará o comprimento do balcão, e, se o mulários. A parte posterior do balcão, em geral aberta, for­
objetivo é intensificar seu impacto, pode-se sempre aumen­ nece um espaço para armazenamento.
tar sua altura. Uma superfície de trabalho ampla também Os balcões de recepção dificilmente precisarão suportar
ajuda a manter desobstruída a área atrás dela, que fica visí­ muito peso, nem sofrerão uso abusivo, fazendo com que a
vel aos visitantes, o que sugere eficiência. escolha dos materiais seja determinada mais por questões

A parede atrás do balcão de


recepção deve ser considerada
parte da mesma composição.
32 Conteúdo e contexto

estéticas que práticas. Os materiais precisam manter o aspec­ maioria das organizações, as pequenas centrais telefônicas
to de novo durante todo o ciclo de vida do balcão, já que de mesa foram substituídas pelo teclado numérico do pró­
este fornecerá a primeira impressão sobre a filosofia e os va­ prio telefone, o que permite os funcionários manter uma
lores da empresa. Predominam os materiais duros, em parte, comunicação telefônica direta com o resto da equipe e com
porque permitem uma transição mais eficaz entre o exterior o mundo exterior. Hoje em dia, as funções de uma recepcio­
do edifício e seu interior e, por uma questão mais prática, nista são mais simples, limitando-se a responder perguntas
por serem menos vulneráveis ao desgaste moderado. As gerais, e, para isso, ela não necessita de um número maior
áreas que estarão sujeitas a maior atrito ou choques costu­ de dispositivos telefônicos que qualquer outro funcionário.
mam ser identificadas quando se está desenhando o móvel e As conexões sem fio praticamente eliminaram a fiação asso­
podem ser substituídas por materiais mais resilientes. ciada aos computadores.
O volume de trabalho desempenhado pelas recepcio­ As áreas de recepção tendem a ser bem iluminadas,
nistas dependerá da atividade e da estrutura da organização com muita luz natural, proveniente das portas de vidro,
que representam. Para alguns, o trabalho será em tempo in­ mas a maioria dos balcões precisará de um pouco de ilumi­
tegral; para outros, cuja responsabilidade incluirá tarefas nação adicional, tanto para os funcionários quanto para os
administrativas ou secretariais, o atendimento aos clientes visitantes, seja através de luminárias de teto ou de uma ilu­
não será o que mais lhes ocupará o tempo. Alguns, em espe­ minação direcionada para o plano de trabalho. Os peque­
cial os do último grupo, trabalharão sentados. Já os que con­ nos grupos isolados de luminárias sobre os planos de traba­
sultam constantemente arquivos e documentos precisarão lho podem tornar a área de recepção mais atraente. As
de mais mobilidade. Nesses casos, para que trabalhem de luminárias comuns às vezes estão fixas nos balcões e po­
forma mais eficiente, será necessária uma superfície que dem, consequentemente, definir as posições de trabalho
lhes permita trabalhar em pé, com acesso ocasional a uma dos funcionários. Caso seja embutida no forro, ela poderá
banqueta. As recepcionistas que trabalham em pé, sentadas distribuir luz descendente sobre a frente do balcão. As lumi­
em banquetas ou em cadeiras em uma área de piso elevado nárias ocultas atrás dele podem fornecer iluminação sob o
estabelecem um contato visual melhor com os visitantes.
A fiação dos sistemas de eletricidade e comunicação já
foi uma das principais preocupações ao se desenhar um bal­
A parede atrás do balcão de
cão, mas a antiga e frequente combinação das funções da recepção deve ser considerada
recepcionista e da telefonista praticamente desapareceu. Na parte da mesma composição.
Os espaços de recepção 33

plano de trabalho em locais específicos, e aquelas que esti­ A área de recepção: especificações
verem embutidas na base do balcão conseguem iluminar Em termos volumétricos, o mais comum é que um balcão
suavemente o piso. Uma das máximas do design de interio­ de recepção seja alto, ocultando os equipamentos utilizados
res diz que as características e limitações de determinado pelo recepcionista, que, em geral, trabalha sobre uma super­
espaço devem ser transformadas em vantagens. Assim, a fície de altura padrão. As tarefas deste dificilmente envol­
falta de luz natural deve ser tratada como algo positivo, e o vem apenas receber e orientar os visitantes. A frente elevada
balcão e o espaço em que está inserido devem ser definidos deverá ocultar, na medida do possível, o máximo de evidên­
com tonalidades mais escuras, com uma iluminação teatral. cia de atividades banais. O balcão deve ter uma parte mais
baixa que possa acomodar os visitantes em cadeiras de ro­
das, o que pode, inclusive, gerar designs interessantes.
Todos os balcões de recepção devem ter uma seção
mais baixa com recuo na parte frontal para a acomodação
dos joelhos e pernas dos usuários de cadeiras de rodas (ver
abaixo), a qual também será útil para os recepcionistas por­
tadores de deficiência física. Para aqueles visitantes sem pro­
blemas de locomoção, deve-se criar um recorte de acomoda­
ção dos pés para quando estiverem em pé diante do balcão.
Esses recuos, que também servem para proteger o móvel de
possíveis golpes, devem ter em torno de 100 mm de altura e
50 mm de profundidade. Eles também apresentam a vanta­
gem de disfarçar as conexões entre a aresta inferior perfeita­
mente reta do balcão e o piso quase sempre irregular. Caso
a separação visual seja reduzida ao máximo para permitir
que o peso do balcão se apoie diretamente no piso, então a
projeção da parte mais alta automaticamente incluirá o re­
Abaixo
1 Altura média de um bar ou balcão de
corte para os pés.
recepção.
2 Altura prática para usuários em cadeira
de rodas e usuários não portadores de
deficiência física.
3 Altura máxima para o alcance oblíquo.
4 Altura máxima para o alcance horizontal.

C3

D
4

1
A

2
B 4E

550mm/21½in
1995mm/62¾in
1410mm/55½in
1000/1300mm/39¼/51in

250mm/
1200

10in
900mm/35½in

250mm/
700mm/27½in

10in
300mm/11¾in
34 Conteúdo e contexto

Equilibrar prioridades
Balcão de recepção para um centro de saúde – Nomad
Este balcão precisa ser, ao mesmo tempo, hospi- Abaixo
taleiro e seguro – aspirações conflitantes por sua O revestimento de madeira conecta a parede, a parte
frontal do balcão e a parede baixa curva à área de
própria natureza. Em razão disso, ele está em uma
recepção.
área fechada, formando uma sala praticamente
independente, e a interface principal entre os fun-
cionários e os pacientes foi fortalecida pela barrei-
ra de vidro, que também funciona como o principal
elemento decorativo.
Os espaços de recepção 35

NOTE NOTE

The following
Theisfollow
a Per
PRACTICE MANAGER
9.73m
PRACTICE MANAGER
9.73m
specificationspecificatio
for the d
variations to the princ
variations
OC= 2 OC= 2

requires approval
requiresfrom
ap
DG 029 DGDG029
021 DG 021
FD60S SC FD60S SC

CONSULTING CONSULTING SC-006 SC-006

DG 014 DG 014

DG 020 DG 020
FD60S SC FD60S SC

Do not scaleDofrom
not sca
this
DG 013 DG 015 DG 013 DG 015
B B
ED 003 ED 003

ADMINISTRATION/RECORDS ADMINISTRATION/RECORDS

dimensionsdimensions
to be che
DG 012 DG 012

DG 016 DG 016

Short Filing Short Filing

interior designer
interiornotifi
de
Units Units

DG 018 DG 018
CONSULTING CONSULTING

A A DG 019 DG 019 Photocopier Photocopier


discrepancies
discrepanc
FD30S SC FD30S SC
DG 017 DG 017
FD30S SC
PRACTICE MANAGER
RWP
FD30S SC
RWP Short Filing
Units
Short Filing
Units
DG 011 DG 011
9.73m

All production
All product
drawing
OC= 2
B B
OFFICE OFFICE

submitted to
submitted
Nomad
DG 022 DG 022

1564 1564
FD30S SC FD30S SC
CONSULTING DG 029 CONSULTING DG 021
FD60S SC SC-001 SC-001
FD30 FD30

to commencement
to commenof
CONSULTING SC-006 MEETING ROOM MEETING ROOM DG 028 DG 028

24.0m 24.0m
OC= 24 OC= 24
DG 014

DG 010
DG 020 DG 010
FD60S SC
DG 013 DG 015
B
copyright reserved.
copyright r
DG 023 DG 023

ED 003
ROOM ROOM
ADMINISTRATION/RECORDS
SC-002 SC-002
CONSULTING CONSULTING DG 001 DG 001

DG 012
DG 027 DG 027
DG 016

Reception desk
Reception
showing d
SC-003 SC-003
Short Filing ED 005 ED 005
DG 002 DG 002 Units
SC-005
SC-004
SC-005
SC-004
COUNSELLOR COUNSELLOR

wall claddingwall
2 (120(B)0
cladding
DG 018
CONSULTING DG 009 DG 007 DG 009 DG 006
DG 007
DG 005
DG 006
DG 005 DG 003 DG 003
RWP RWP
DG 004 DG 004

TREATMENT TREATMENT
NURSE
CONSULTING
NURSE
CONSULTING
CONSULTING CONSULTING
BREAST FEEDING
LOBBY
BREAST FEEDING
7.43 sqm
LOBBY
7.43 sqm
DG 026 DG 026
Fascia following
Fascia
cladding
follow
(120(B)001). (120(B)001
18.10m 18.10m
A
DG 008 DG 008
OC= 4 OC=FD30S
4 SC FD30S
DG 019SC A A Photocopier
FD30S SC DG 024 DG 024
DG 017
FD30S SC Short Filing
RWP DG 025 Units DG 025
DG 011
KITCHEN KITCHEN
ED 001 ED 001

B
OFFICE
DG 022

1564
FD30S SC
CONSULTING
SC-001
FD30

MEETING ROOM DG 028

4040

4040
24.0m
OC= 24

DG 010

DG 023

SC-002
ROOM
CONSULTING DG 001

DG 027

SC-003 ED 005
DG 002
SC-005
SC-004
COUNSELLOR
DG 009 DG 007 DG 006

250 250
DG 005 DG 003
RWP
DG 004

NURSE LOBBY DG 026


TREATMENT CONSULTING CONSULTING BREAST FEEDING 7.43 sqm
18.10m DG 008
OC= 4 FD30S SC A

35

35
DG 024

DG 025

KITCHEN
ED 001

1088

1088

1080

1080
4040

780

780
250

NOTE
1890 1890 445 445
NOTE
The following is a Performance
NOTE
3346 3346 specification
The following isfor the detail. Any
a Performance
variations tofor
specification thetheprinciple
detail. of
Anythis design
The following is a Performance

1088
requires to
variations approval from Nomad
the principle of this design
specification for the detail. Any
requires approval from Nomad
variations to the principle of this design
Do not scale from this drawing. All
requires approval from Nomad
Dodimensions to bethis
not scale from checked on site
drawing. All and
interior designer notified of any
Do not scale from this drawing. All dimensions to be checked on site and
NOTE
discrepancies
interior designer notified of any
dimensions to be checked on site and

Acima
The following
interior designer notifiedis a any discrepancies
ofPerformance
All production drawings to be
specification for the detail. Any
discrepancies
Allsubmitted
variations to the principle of this design to Nomad for approval prior

3
NOTE production drawings to be
requires approval from Nomadto commencement of work

submitted
Layout, planta baixa parcial e elevação parcial.
All production drawings to be
The following is a Performance
specificationto
DoforNomad
not
thescale for
detail.from
submitted to Nomad for approval prior
approval
Any to commencement
prior
this drawing. All of work
1890 445
design on copyright reserved.
PRACTICE MANAGER

to variations
commencement oftoof
work
9.73m

to the principle thischecked


OC= 2

dimensions be site and


requires approval from Nomad
DG 029 DG 021

interior designer notified ofcopyright reserved.


ort Filing FD60S SC

any
its

SC-006

discrepancies Reception desk showing intergration of


copyright reserved.
DG 020
FD60S SC

Do not scale from this drawing. All


wall cladding 2 (120(B)004). High level
otocopier ED 003

Reception desk showing intergration of


ADMINISTRATION/RECORDS

dimensions to be checked on site and


3346
ort Filing

drawings to be Fascia following cladding detail


its

All production
Short Filing

interior designer notified of any


Units

Reception desk showing intergration ofwall cladding 2 (120(B)004). High level


DG 018

4
(120(B)001).
OFFICE

submitted to Nomad for approval


discrepancies prior
DG 019 Photocopier
wall cladding 2 (120(B)004). High levelFascia following cladding detail
to commencement of work
FD30S SC

DG 028

(120(B)001).
À esquerda
Short Filing

Fascia following cladding detail


RWP Units

All production drawings to be

5
B

(120(B)001).
OFFICE

submitted to Nomad for approval prior


DG 022
FD30S SC

copyright reserved.
SC-001
FD30

MEETING ROOM
to commencement of work
DG 028

ROOM 24.0m
OC= 24

1 1
1 Bancada alta para escrever.
DG 027

Reception desk showing intergration of


copyright reserved.
ED 005 DG 023

ROOM

1 1 wall cladding 2 (120(B)004). High level


SC-002
DG 001

DG 027

Fascia following cladding


of detail
1 1
Reception desk showing intergration
SC-003 ED 005
DG 002
DG 026
SC-005
SC-004
COUNSELLOR

wall cladding(120(B)001).
2 (120(B)004). High level

2 Caixa para colocar receitas médicas.


DG 006
DG 005 DG 003
RWP
DG 024 DG 004

NURSE
ONSULTING
KITCHEN
CONSULTING BREAST FEEDING
LOBBY
7.43 sqm
DG 026
Fascia following cladding detail
(120(B)001).
A
DG 024

DG 025

KITCHEN

6
ED 001

1 1
1 1
3 Seção afunilada e acesso.
4 Montantes ocultos Häfele (altos), ref. 283.33910.
tapered
section
tapered
section 2 1891 5 Suporte fixo de 495 × 330 × 30 mm
1 1891
1891
(19½ × 13 × 1 1/6 in).

340

340
310

1891
1891
6 Suporte fixo de 250 × 300 × 44 mm
310
310

310

200 NOTE
(10 × 11¾ × 1¾ in).
310

200
200 200 The following is a Performance

DG 014
DG 029
FD60S SC
PRACTICE MANAGER
9.73m
OC= 2

SC-006
DG 021

200
7 Borda de madeira de lei de 12,5
specification for the detail. Any
variations to the principle of this design
requires approval from Nomad
CLIENT: CLIENT:
Apollo Capital
Apollo Ca

(½ in) – pintada com Dulux ref. 00NN07/000. PROJECT: PROJECT:


DG 020
FD60S SC

Do not scale from this drawing. All


DG 013 DG 015

Rutland Medical
RutlandPrac
M
ED 003

817 817 981 981


ADMINISTRATION/RECORDS

dimensions to be checked on site and


DG 012

DG 016

290 244
290designer244
Short Filing

600 600 interior notified of any


Units

DG 018

discrepancies DRW: DRW:

8 Balcão Forbo Dessin 4168. 200 200 Reception Desk


Reception
DG 019 Photocopier
FD30S SC
DG 017
FD30S SC Short Filing
RWP Units
DG 011

B
All production drawings to be PROJECT No. PROJECT No.
DATE:
600 ReceptionReception
OFFICE

desk access
desk access submitted to Nomad for approval prior
DG 022

0.120 0.120
600
30/05/2010
FD30S SC

SC-001
FD30

door door
9 Duto para cabos com enchimento de borracha.
MEETING ROOM
to commencement of work

11
DG 028

DRAWN: DRAWN:
CHECKED:
24.0m
OC= 24

575 AT AT VC
600
DG 010

Left Elevation -
Left Elevation
600 copyright reserved.
DG 023

575
DRAWING No: DRAWING No:

7
ROOM

600
10
SC-002

1:20- 1:20
DG 001

DG 027 120(B)005 120(B)005

10 Tábuas de carvalho de 7 mm (¼ in).


Reception desk showing intergration of
SC-003 ED 005
DG 002

575
SC-005
COUNSELLOR

NOMAD RDC NOMAD RD+


SC-004

wall cladding 2 (120(B)004). High level


DG 009 DG 007 DG 006
DG 005 DG 003

575 -
RWP
DG 004

Fascia following cladding detail


575 - 65-69 Nithi
65-69 Nithsdale
NURSE

35
CONSULTING LOBBY DG 026
CONSULTING BREAST FEEDING

-
7.43 sqm

(120(B)001).
DG 008
A

m
FD30S SC

Street Street
DG 024

11 Estrutura de madeira macia de 59 × 50 mm


DG 025

KITCHEN

GLASGOW GLASGOW
ED 001

tapered G41 2PZ G41 2PZ


section 1 1

8 (2¼ × 2 in).
12 Borda de madeira de lei.
340

12 13 Espaçador com 10 mm (½ in) de espessura pintado


9
401

1891

com tinta da mesma cor da borda de madeira de lei


64
310

129
– Dulux ref. 00NN07/000.
200
401
401

14 Suporte oculto para prateleira Häfele,


64

64
401
401

817 981
ref. 283.33.910.
64

290 244
64

937 977
600

200
15 Superfície Forbo para se escrever.
551
238

600 Reception desk access


47

door
16 Compensado de 22 mm (7/8 in).
10 240
575
700 -
Left Elevation
937 977
1:20 17 Dentes de borracha.
26

n sweep
50

35 -
977
977 18 Caixa para organização dos cabos.
238

h 25mm/sq intervals CLIENT:


Apollo Capital
47

19 MDF flexível de 6 mm (¼ in) pintado com Dulux


238

10 240 PROJECT:
852

50
15 Rutland Medical Practice
238

47

DRW:
10 240
ref. 00NN07/000.
Reception Desk 2 of 2
47

47

16
26

10 240
1310 240
PROJECT No. DATE: Drw Status:
50
24

0.120 30/05/2010
-
Tender
50

20 Estrutura de madeira macia de 50 × 50 mm


DRAWN: CHECKED: SCALE @ SIZE:
AT VC Various @ A1
401

DRAWING No:
26

64

120(B)006
785

50

- NOMAD RDC
(2 × 2 in).
CLIENT: +44 141 424 1111
26

26

65-69 Nithsdale info@nomad-rdc.co


50

Apollo Capital
50

- - Street m
GLASGOW

21 Laminado CLIENT:
Egger ref. U961 8T2, cor graphite.
129 PROJECT:
50 G41 2PZ
Rutland Medical Practice

19
DRW: Apollo Capital
CLIENT: Reception
834

937
14 977 50
12 15 Apollo Capital
PROJECT No.
Desk 2 of 2
DATE:
CLIENT:
PROJECT:
Apollo
Drw Status: Capital
24

0.120 30/05/2010
Rutland Medical Practice
Tender
50

551
50 50 16 20 PROJECT: DRAWN:
* Häfele, Dulux, Forbo e Egger são fabricantes, e seus
CHECKED:

Rutland Medical Practice


AT VC
PROJECT:
SCALE @ SIZE:

DRW:
Various @ A1
Rutland Medical Practice
238

Reception Desk 2 of 2
DRAWING No:
397

DRW:
120(B)006

nomes estão incluídos porque seus produtos estão DRW:


47

PROJECT No.
10 240 Reception Desk
NOMAD2 of
RDC2 +44 141
DATE:
424 1111 Desk30/05/2010
Reception 2 of 2
Drw Status:
24

0.120 Tender
50

700 65-69 info@nomad-rdc.co


PROJECT No. DATE:Nithsdale Drw Status:PROJECT
m DRAWN:
No. CHECKED:

17
DATE:
24

Street Drw Status:


SCALE @ SIZE:

sendo exclusivamente especificados para o projeto


0.120 30/05/2010 Tender
24

AT
0.120 VC
30/05/2010
50

Various @ A1
Tender
GLASGOW
50

DRAWN: CHECKED: SCALE @ SIZE: DRAWING No:

21
DRAWN: CHECKED:
26

ive stud on sweep AT G41VC 2PZ Various @ A1 120(B)006 SCALE @ SIZE:


50

- AT VC Various @ A1

com o objetivo de garantir tanto a qualidade do seu


DRAWING No:
DRAWING No:
mm stud 120(B)006 NOMAD RDC +44 141 424 1111

18
120(B)006
65-69 Nithsdale info@nomad-rdc.co
sq grid with 25mm/sq intervals NOMAD RDC
CLIENT: +44 141 424 1111
NOMAD
Street RDC m 141 424 1111
+44
boundary
50
65-69
Apollo Capital
Street
PROJECT:
desempenho quanto a da sua aparência.
Nithsdale info@nomad-rdc.co
m 65-69 Nithsdale
GLASGOW
Street
G41 2PZ
info@nomad-rdc.co
m
Rutland Medical Practice
GLASGOW
GLASGOW
G41 2PZ
DRW:
Reception Desk 2 of 2 G41 2PZ
PROJECT No. DATE: Drw Status:
24

0.120 30/05/2010 Tender


50

DRAWN: CHECKED: SCALE @ SIZE:


AT VC Various @ A1

DRAWING No:
120(B)006

NOMAD RDC +44 141 424 1111


65-69 Nithsdale info@nomad-rdc.co
Street m
GLASGOW
G41 2PZ
(120(B)001).
A
DG 024

4040 404

404
DG 025

KITCHEN
ED 001

250 250
36 Conteúdo e contexto

35

35
250

35
1088

1088

1080

1080
780

780
1088

1080
O número máximo de pessoas que trabalha atrás

780
de um balcão em determinado momento – deter- 445 445
1890 1890
minado pelo número de usuários que devem ser 1890 445
atendidos nos horários de pico – definirá o compri-3346 3346
3346
mento útil do balcão, mas, às vezes, a elevação
frontal também é estendida para aumentar sua
presença física. Um balcão generoso também aju-
da a manter mais organizada a área que está atrás
dele e pode ser vista pelos visitantes, sugerindo a
ideia de que a organização é eficaz.
À direita
Cortes
1 Balcão alto 6 7 8
2 Suporte fixo de 495 × 330 × 30 mm (19½ × 13 ×
9
1 1/6 in).
3 Suporte fixo de 250 × 300 × 44 mm (10 × 11¾ ×
1¾ in).
4 Caixa para colocar receitas médicas. 10
5 Área recuada para aproximação de cadeirantes. 1
6 Portinhola. 4
7 Tranca.
340

340

340
8 Gaxeta de metal.
9 Abertura para correspondência.
10 Caixa de MDF com tranca. 2 3 CLIENT:
Apollo Capital CL
PROJECT: Ap
981 5 Rutland Medical Practice
PRO
600 290 244
981 981 DRW: Rut
600 600 290 290
244 244 Reception Desk
200 DRW
PROJECT No. DATE:
Reception desk access 0.120 Rec
200 200 30/05/2010

door DRAWN: CHECKED: PROJ


Reception
Reception
desk access
desk access AT VC 0.120

door door Left Elevation DRAWING No: DRAW


120(B)005

Left1:20
AT

Logo à direita Left Elevation


Elevation NOTE
NOMAD RDC +44 1
DRAW
120(
1:20 1:20 info@n
The following is a Performance
specification for the detail. Any 65-69 Nithsdale
m
Planta baixa mostrando o painel curvo de lâminas de Street
variations to the principle of this design
requires approval from Nomad NO
Do not scale from this drawing. All
GLASGOW 65
dimensions to be checked on site and
G41 2PZ Str
vidro.
interior designer notified of any
discrepancies
GLA
All production drawings to be
submitted to Nomad for approval prior G4
to commencement of work

copyright reserved.

Security Glass detail showing fixing to 1st

Ao centro
floor floorplate and transition through
lowered ceiling section. Contractor to
advise.

Planta baixa das lâminas de vidro.

87
2
Bem à direita
311

12°
Espaçamento das lâminas de vidro. 2

1564
1564

311

12°
2
1 1 2

2
1 1
1564

NOTE

2
The following is a Performance

À direita
1 1 specification for the detail. Any

1
variations to the principle of this design
requires approval from Nomad

Elevação do painel curvo de lâminas de vidro.


Do not scale from this drawing. All
dimensions to be checked on site and
interior designer notified of any
6

discrepancies

1 Vidro de segurança temperado Scholt Narima de


All production drawings to be
submitted to Nomad for approval prior
to commencement of work
100

copyright reserved.

10 mm, ref. 4160 5. Security Glass detail showing fixing to 1st


floor floorplate and transition through
lowered ceiling section. Contractor to
advise.

2 Alturas mínima e máxima em relação à bancada. 100 50


6

100

Bem à direita, no alto


87
311

2
100 50

Detalhe da fixação do topo do painel curvo de lâminas


12°
520

100

1
2

de vidro com recobrimento de neoprene de 5 mm.


308

1 Contraventamento de madeira macia de 50 × 50 mm 1564 CLIENT:


Apollo Capital
10
4 PROJECT:
Rutland Medical Practice

(2 × 2 in). Barra para parafusamento no piso. 1


2
1 DRW:
520

Reception Desk
PROJECT No. DATE: Drw Status:
308

0.120 30/05/2010

2 Fixação para o forro Dorma Manet.


Tender

2
DRAWN: CHECKED: SCALE @ SIZE:
AT VC Various @ A1

DRAWING No:
120(B)005

3 Vidro de segurança de 10 mm. 5 NOMAD RDC


65-69 Nithsdale
+44 141 424 1111
info@nomad-rdc.co

6
Street m
10 GLASGOW
G41 2PZ

4 Placas do forro suspenso. 3


5 O instalador deve ser consultado in loco (este detalhe 2
6

deve ser reanalisado quando a extensão e natureza


1
100

deste serviço estiverem claras).


520

6 Vedação de silicone. 100 50


308

Bem à direita, abaixo


Planta do sistema de junção com as placas do forro.
520

10
1 Contraventamento de madeira macia revestido de
308

1
neoprene. 10
CLIENT:
Apollo Capital
PROJECT:

2 Fixação para o forro Dorma Manet. Rutland Medical Practice


DRW:
Reception Desk
PROJECT No. DATE: Drw Status:
0.120 30/05/2010 Tender

DRAWN: CHECKED: SCALE @ SIZE:


AT VC Various @ A1

DRAWING No:
120(B)005

NOMAD RDC +44 141 424 1111


65-69 Nithsdale info@nomad-rdc.co
Street m
GLASGOW
G41 2PZ
Os espaços de recepção 37

Acima
O balcão é fabricado por partes para facilitar o
transporte e a montagem.

À esquerda
A estrutura é preparada na oficina para receber
as dobradiças, travas e cabos.
38 Conteúdo e contexto

Análise da função
O balcão de recepção de uma biblioteca universitária – Nomad

Aqui temos um exemplo de como a análise da fun- tiverem conversando com os funcionários e, ao Acima
As caixas salientes destinadas a apoiar os materiais
ção individual de um balcão para uma área de re- mesmo tempo, servem para diferenciar a área da dos estudantes caracterizam a área de recepção.
cepção pode influenciar sua forma e suas caracte- recepção usada pelos alunos das demais áreas de A faixa vermelha que contém os cabos se transforma
rísticas. Ele é concebido como uma série de uso múltiplo. em um elemento decorativo e se repete no piso com
unidades modulares que podem ser reaproveita- uma faixa de tamanho levemente maior.

das em outras áreas. A altura básica do balcão é


adequada para os funcionários que trabalham sen-
tados. Quando sobrepostas, as caixas ficam na
altura perfeita para quem realiza tarefas em pé. Os
cubos salientes fornecem um local para os estu-
dantes deixarem suas bolsas e pastas quando es-
Os espaços de recepção 39

NOTE NOTE NOTE

The following is a Per forThe


mance
following
specification
is a Per for mance specification The following is a Per for mance specification
Stair 5 Stair 5 Stair 5
for the detail. Any var iations
for thetodetail.
the prAnyinciple
var iations to the pr inciple for the detail. Any var iations to the pr inciple
of this design r equir es of
appr
thisoval
design
fr omr equir
Nomad es appr oval fr om Nomad of this design r equir es appr oval fr om Nomad
DUG13 DUG13 DUG13

Lift 3 Lift 3 Lift 3

A A B B CA C B C
AHUG03
G04
AHUG03
G04
AHUG03
G04 Do not scale from this drawing.
Do not scale
All from this drawing. All Do not scale from this drawing. All
DUG12 DUG12 DUG12
dimensions to be checkeddimensions
on site and
to be checked on site and dimensions to be checked on site and
Work room Work room Work room
interior designer notified
interior
of anydesigner notified of any interior designer notified of any
discrepancies discrepancies discrepancies
All production drawingsAlltoproduction
be submitted
drawings
to to be submitted to All production drawings to be submitted to
Nomad for approval prior
Nomadto commencement
for approval prior to commencement Nomad for approval prior to commencement

Os desenhos e as dimensões, destinados aos mar- ambíguos do desenho, tais como o recorte para os estas seriam pontos negociáveis entre o designer e
rwp 05 rwp 06 rwp 05 rwp 06 rwp 05 rwp 06
of work of work of work
rwp 01 rwp 01 rwp 03 rwp 03 rwp 01 rwp 03

svp svp svp


copyright reserved. copyright reserved. copyright reserved.
G09 G09 G09

svp svp svp

DUG33 DUG05 G11 DUG33 DUG05 G11 DUG33 DUG05 G11

ceneiros especializados que eventualmente farão o pés na elevação traseira. Embora algumas suges- o marceneiro. Aquele será responsável pela apro-
Stair 4 Stair 4 Stair 4

Stair 3 Stair 3 Stair 3

DUG04 G12 DUG04 G12 DUG04 G12 S tr ategy S tr ategy S tr ategy

móvel, descrevem a forma do balcão. As notas tões – como utilizar madeira macia para a constru- vação de quaisquer propostas feitas por este.

1155

1155

1155
especificam o material e esclarecem os aspectos ção das paredes portantes – possam ser feitas,
75

75

75 B B C C B C

Elevações
200

200

200

A A A
1 Chapa Wilson Art Solid Surface de 3 mm (¼ in) na cor
1 black star melange (referência 9190–ML).
2 2 Inserto de fórmica na cor beaujolais (referência
3 6
K2046).
7 3 Caixa com laminado de freixo (Fraxinus spp.).
5
4 Faixa frontal e caixas, que são lidos como elementos

995

995

995
850

850

850

4 8
730

730

730

separados.
5 Reentrância para acomodar os pés.
1540 1540 1540 6 Armário com chave.
7 Gaveta com chave.
RevJ

Rev I
8 Laminado de freixo (Fraxinus spp.)
RevJ

Rev I
RevJ

Rev I

NOTE
Rev H Rev H NOTE NOTE
Rev H

The following is a Per for mance specification


The following is a Per for mance The
specification
following is a Per for mance specification
Rev Any
for the detail. G var iations to the
Revpr G for the detail. Any var iations to for
inciple the the Rev Any
pr inciple
detail. G var iations to the pr inciple
Stair 5 Stair 5 Stair 5

of this design r equir es appr oval fr om Nomad


of this design r equir es appr ovaloffrthis
om Nomad
design r equir es appr oval fr om Nomad
DUG13 DUG13 DUG13

Rev F this drawing. All


Rev F Do not scale from this drawing. Do Rev F this drawing. All
Lift 3 Lift 3 Lift 3

A BA C AB B
C C
Do not scale from All not scale from
500 500 500
G04 G04 G04

Plantas baixas
AHUG03 AHUG03 AHUG03

DUG12 DUG12 DUG12


dimensions to be checked on site and dimensions to be checked on sitedimensions