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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS


DEPARTAMENTO DE DIREITO
DIREITO
PRIMEIRA FASE NOTURNO

Caio Fábio Ferreira Figueiredo


Caioffigueiredo@outlook.com

Fichamento do Capítulo IX - Vico do livro "Teoria das Formas de Governo" - Noberto


Bobbio

Florianópolis
17/04/2018
Fichamento do Capítulo IX - Vico

O nono capítulo (Capítulo IX) do livro "Teoria das Formas de Governo" de


Noberto Bobbio é reservado as ideias políticas de um pensador iluminista político
italiano, Giambattista Vico, que se baseiam na teoria cíclica da história e uma
fundamentação em uma filosofia da história e no desenvolvimento da história
universal.

O mundo histórico que Vico focava sua observação era Roma, principalmente
a investigação a respeito dos “tempos obscuros” que em sua tese seriam o estado
primitivo do homem em um “estágio bestial” diferentemente do que os antigos
filósofos gregos diziam.

Nessa análise de movimento histórico e a teoria cíclica do mesmo, Vico busca


aprofundar seu pensamento em cima das três formas clássicas de governo, que
segundo ele seria uma fase após a fase pré-estatal de bestialidade
correspondente ao “estado de natureza” de pensadores como Hobbes.

A primeira forte de Estado a surgir, segundo Hobbes, foi a república


aristocrática, seguido pela república popular, que veio a dar na monarquia (é
importante ressaltar que o foco da observação de Vico era o mundo romano). O
governo aristocrático se baseia na conservação, sob a tutela da ordem dos patrícios
que o constituiu, sendo máxima essencial na sua política a de que só a patrícios
sejam atribuídos os auspícios, poderes, nobreza, magistraturas, comandos,
sacerdócios e conúbios.

Sobre o governo popular, constituem nas condições dos mesmos a paridade


dos sufrágios, a livre expressão das sentenças e o acesso igual para todos às
honrarias, sem excluir ninguém. Já sobre o reino, ou monarquia, constitui na
condição de domínio de um só, a quem cabe o arbítrio soberano e inteiramente livre
sobre todas as coisas.

A característica principal do “estado bestial” trazido por Vico é que os


homens decaídos se conduzem como animais, isto é, há ausência de
quaisquer relações sociais, a completa inexistência de qualquer forma de vida
comum, até mesmo familiar pois nesse estado o homem vive só e isolado.
Vico então define sua teoria da autoridade em três tipos: a monástica, a
econômica e a civil. Devido à autoridade monástica o homem se torna soberano
na solidão; quando assaltado precisa de proteger, matando o assaltante exercendo
um direito de superioridade ou de soberania. Entre as etapas do bestial para as
republicas houve a fase das famílias em que se formam as primeiras formas de vida
associativa.
Para Vico, depois da autoridade monástica vem a autoridade econômica, pela qual
os pais são os soberanos em suas famílias, e as famílias constituem o primeiro
esboço de sociedade civil.

A forma mais complexa chama-se autoridade civil. A república aristocrática é,


portanto, a primeira forma histórica de autoridade civil. A passagem da aristocracia
para a republica popular explica-se pela revolta dos que estão sujeitos contra
os que detêm o poder para sua vantagem exclusiva – a luta dos oprimidos
pelos seus direitos.

Já o fim do governo popular e a instauração do regime monárquico se dão


pela morte natural de todas as democracias, pela degeneração da liberdade em
licenciosidade e do antagonismo criativo na contenda destrutiva das facções, com a
guerra civil. A monarquia vem justamente para defender o povo contra si mesmo.
A divisão de Vico é progressista e também cíclica - no fim da monarquia volta-se
a fase bestial (Estado de Natureza para Hobbes) e então recomeça o ciclo ditado
por ele com inspiração em Políbio.