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CFAPED- PERSONALIDADE - COMPORTAMENTO HUMANO

Profª. Rosângela Adell

COMPORTAMENTO BIOLÓGICO E SOCIAL, SENSAÇÃO, PERCEPÇÃO,


EMOÇÃO E INTELIGÊNCIA

COMPORTAMENTO HUMANO
É a expressão da ação manifestada pelo resultado da interação de diversos fatores internos e
externos que vivemos, tais como: personalidade, cultura, expectativas, papéis sociais e experiências. Tem
como objetivo ajudar a entender as ações realizadas pelas pessoas em determinadas situações.
INTERAÇÃO - ORGANISMO X MEIO

Comportamento biológico - Respondente


O comportamento reflexo ou respondente inclui as respostas que são produzidas por estímulos
antecedentes do ambiente. Por ser involuntário está ligado a ação de componentes físicos do corpo (ex:
glândulas, sudorese, etc…); Sistema Nervoso Autônomo.
Como exemplos, podemos citar a contração das pupilas quando uma luz forte incide sobre os
olhos, a salivação provocada por uma gota de limão colocada na ponta da língua, arrepio da pele quando
um ar frio nos atinge, as famosas “lágrimas de cebola” etc.

Comportamento biológico- Operante


É voluntário; Esta ligado a ação de músculos que estão sob controle espontâneo (ex: comer,
falar…); é controlado pelas suas consequências.
O comportamento operante abrange um leque amplo da atividade humana — dos comportamentos
do bebê de balbuciar, de agarrar objetos e de olhar os enfeites do berço aos mais sofisticados,
apresentados pelo adulto. A leitura que se faz de um livro é um exemplo de comportamento operante,
assim como escrever uma carta, chamar o táxi com um gesto de mão, etc.
Assim, agimos ou operamos sobre o mundo em função das consequências criadas pela nossa ação.

Mecanismos Fisiológicos do Comportamento


Pode-se compreender o comportamento como o produto do funcionamento de três mecanismos
fisiológicos, a cada qual corresponde uma estrutura orgânica básica (Mecanismo receptor, efetor e
conector).

O mecanismo receptor têm como função captar os estímulos do meio e é constituído pelos
órgãos dos sentidos (meios através dos quais se percebem outros organismos e as características do meio).
O mecanismo efetor, que compreende os músculos e as glândulas e reage aos estímulos
captados.
O mecanismo conector, constituído pelo sistema nervoso, que estabelece a conexão entre
receptor e efetor.

OS FATORES QUE INFLUENCIAM O DESENVOLVIMENTO HUMANO

 Hereditariedade (carga genética)


 Crescimento orgânico (aspecto físico)
 Maturação neurofisiológica (capacidade de manipular objetos e controle dos movimentos do próprio
corpo, habilidades motoras)
 O Meio (influências e estimulações ambientais)

Subjetividade é o mundo de ideias, significados e emoções construído internamente pelo sujeito a


partir de suas relações sociais, de suas vivências e de sua constituição biológica; é, também, fonte de suas
manifestações afetivas e comportamentais, sejam conscientes ou inconscientes. É, portanto, a maneira de
sentir, pensar, fantasiar, sonhar, amar e fazer de cada um.
O estado psicológico de quem percebe é um fator determinante da percepção, seus motivos,
emoções e expectativas fazem com que perceba, preferencialmente, certos estímulos do meio. Os
aspectos de uma situação que são percebidos por uma pessoa, podem passar completamente
despercebidos por outra.
AFETO, EMOÇÃO E SENTIMENTO

Os afetos ou vida afetiva têm a ver com aquilo que nos afeta/ representações.
São tendências para responder positiva ou negativamente a experiências emocionais relacionadas
com as pessoas ou objetos. O prazer e a dor são as matizes psíquicas dos afetos originais. O amor e ódio
são afetos básicos que podem se expressar como emoções e/ou sentimentos.Tem sua origem tanto em
acontecimentos fora do indivíduo – meio físico ou social, sendo agradável ou desagradável, como pode
nascer do interior do indivíduo – fantasia sexual.
Os afetos exprimem-se através das emoções e sentimentos, e têm uma ligação especial com o
passado. O sistema límbico é a parte do cérebro que processa os sentimentos e emoções.
Emoção é a expressão afetiva acompanhada de reações fisiológicas intensas e breves do
organismo em resposta a um acontecimento inesperado ou aguardado (fantasia)
Os órgãos vitais ficam diretamente envolvidos: coração, fígado, rins... Podem ser negativas ou
positivas e possuem um estado agudo e transitório. Ex. a ira, raiva, nojo, vergonha, tristeza, alegria,
paixão, medo.
Sentimento é uma expressão afetiva duradoura e menos explosiva que as emoções em relação a
situações que se vivencia. Ex.: gratidão, antipatia, luto, conquista, empatia... Não são observáveis, são
privados e relacionam-se com o interior.

SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO

As informações do meio externo são processadas em dois níveis:


 da sensação – simples consciência dos componentes sensoriais (visão, audição, tato, olfato e paladar ) e
das dimensões da realidade (mecanismo de recepção de informações).
 da percepção – sensações acompanhadas dos significados que lhe atribuímos como resultado da nossa
experiência anterior.
Relacionamos os dados sensoriais com nossas experiências anteriores, dando-lhes significado
(mecanismo de interpretação de informações).
Percepção é o “processo de recepção, seleção, aquisição, transformação e organização das
informações fornecidas através dos nossos sentidos”.
É através da percepção que o ser humano conhece o mundo à sua volta de forma total e complexa.
É a pessoa que dá sentido aos dados sensoriais. O homem é autor da sua própria existência.

Princípios que dirigem a atividade perceptual:


 relação entre a figura e o fundo – uma porção se destaca mais organizada e definida,
emergindo, num dado momento, do resto do conjunto total de percepções.
 do agrupamento – tendemos a perceber os estímulos agrupados, segundo algum critério
(proximidade, semelhança, continuidade).
 do fechamento – tendemos a “preencher” as partes em falta no estímulo, a fim de perceber
um todo significativo.

O Comportamento Social do Indivíduo


 Desde o nascimento, os seres humanos vivem num processo de interação com os
semelhantes. O eremita é uma “exceção à regra” bastante rara. O homem isolado é,na verdade, uma
ficção. Por isso, praticamente todos os comportamentos humanos são resultantes da convivência com os
demais. Chamado de comportamento social ou interpessoal.
 Para facilitar a compreensão do comportamento social alguns estudiosos dividem-no em
dois níveis:
 O do indivíduo (que se interessam pelos estudos sobre processos de socialização,
percepção social e atitudes sociais);
 E o do grupo (que buscam compreender o desempenho de papéis, liderança e outros),
investigando as influências do grupo sobre o indivíduo e vice-versa.

Socialização
 É o processo pelo qual o indivíduo adquire os padrões de comportamento (crenças,
valores e significações...) que são habituais e aceitáveis nos seus grupos sociais. Este processo de
aprender a ser um membro de uma família, de uma comunidade, de um grupo maior, começa na infância
e perdura por toda a vida, fazendo com que as pessoas atuem, sintam e pensem de forma muito
semelhante aos demais com quem convivem...
 A família se constitui no maior agente socializante, isto é, as experiências da criança na
família, particularmente com a mãe, são da maior importância para determinar seu comportamento em
relação aos outros.
 Neste processo nossas atitudes norteiam nosso comportamento.

Percepção Social
 A percepção é o processo pelo qual formamos impressões a respeito de uma outra pessoa
ou grupo de pessoas. Isto vai desde a recepção do estímulo pelos órgãos dos sentidos até a atribuição de
significado ao estímulo.
 As “primeiras impressões” são de grande importância para a percepção social, pois elas
determinam em muito o nosso comportamento em relação às pessoas e têm probabilidade de se
tornarem estáveis.
 Apesar de mudarmos, após alguma convivência, a nossa impressão inicial de uma pessoa,
isto não invalida a constatação sobre a tendência de a primeira impressão de ser duradoura.
 Kelley em 1950 – Os alunos de uma universidade receberam previamente a informação
sobre o professor que faria uma palestra, metade recebeu a informação de que o professor era frio,
trabalhador, prático, crítico e decidido, e a outra metade que ele era afetuoso, trabalhador, prático, crítico
e decidido. Isto influenciou a impressão dos alunos sobre o professor.

Atitudes
 “A partir da percepção do meio social e dos outros, o indivíduo vai organizando estas
informações, relacionando-as com afetos (positivos ou negativos) e desenvolvendo uma predisposição
para agir (favorável ou desfavoravelmente) em relação às pessoas e aos objetos presentes no meio social.
A essas informações com forte carga afetiva, que predispõem o indivíduo para uma determinada ação
(comportamento), damos o nome de atitudes.”
 Possui três componentes: um componente cognitivo, formado pelos pensamentos e
crenças a respeito do objeto; um componente afetivo, isto é, os sentimentos de atração ou repulsão em
relação a ele; e um componente comportamental, representado pela tendência de reação da pessoa em
relação ao objeto da atitude. Destes apenas um é observável diretamente: o comportamental. Os outros
dois (pensamentos e sentimentos) são inferidos a partir dele.
 Por isso, a importância das atitudes reside no fato do comportamento ser gerado pelo
conjunto de conhecimentos e sentimentos.
 Mas, não se deve concluir que atitude seja sinônimo de comportamento, porque muitas
vezes, o comportamento de alguém, numa determinada situação, não é coerente com a sua atitude.

O Comportamento Social do Grupo


 Grupo – O que é? A plateia de um cinema e as pessoas que aguardam o ônibus numa
esquina, são exemplos de grupo?
 O grupo é o lugar onde a instituição (valor ou regra) se realiza.
 Por isso, para que um conjunto de pessoas possa ser chamado de grupo, é preciso que
atenda, ao mesmo tempo, aos três critérios: 1º. estar em contato; 2º. considerar-se mutuamente como
membros de um grupo e 3°. ter algo importante em comum.
 Para garantir essa organização o grupo possui: normas; formas de pressionar seus
integrantes para que se conformem às normas; tarefas e funções distribuídas entre seus membros; formas
de cooperação e de competição; apresentam aspectos que atraem os indivíduos, impedindo que
abandonem o grupo.
 Podem ser: Grupos primários (laços afetivos e pessoais unem o grupo – família, amigos,
etc); Ou Grupos secundários (as relações são formais e impessoais – sala de aula, escritório, etc).

 Dentro de cada grupo ou instituição, cada membro possui uma posição, um status e
um papel.
 Posição e Status é definida pelo conjunto de direitos e deveres do indivíduo no grupo. A
importância atribuída a cada posição é indicada por símbolos de status, tanto nas sociedades mais
desenvolvidas como nas primitivas.
 Papel pode ser entendido como o comportamento esperado da pessoa que ocupa
determinada posição com determinado status. O papel existe independentemente do indivíduo que o
desempenha.
 O conceito de papel é importante para se compreender o comportamento, porque
conhecendo-se o papel que será desempenhado por uma pessoa, pode-se, até certo ponto, prever e
compreender o seu comportamento.
 Além disso, papéis que desempenhamos por longos períodos de tempo, deixam sua
“marca” em nossa personalidade.

Liderança
 É a influência que certos membros de um grupo exercem sobre os demais.
 Durante muito tempo tratou-se a liderança como uma característica individual e, por isso,
um debate interessante era a questão da liderança inata versus liderança aprendida.
 Hoje esta questão não tem mais sentido, já que ninguém é líder, mas apenas atua como
líder em determinadas situações. Em outras palavras, só existe um líder, se existir um grupo e uma pessoa
será líder de um grupo, apenas enquanto o grupo assim o quiser enquanto ela auxiliar o grupo a atingir os
seus objetivos.
 Hoje, entende-se a liderança como emergencial, isto é, o líder surge de dentro do grupo em
crise e como situacional, isto é, alguém pode ser escolhido líder para um tipo de tarefa grupal e não para
outro caso.
 Algumas características de personalidade, no entanto, tornam mais provável que um
indivíduo seja escolhido como líder em grande número de situações. No caso, por exemplo de um
indivíduo ativo é muito provável a sua escolha como líder.
 Ex. Os mineiros soterrados no Chile.

INTELIGÊNCIA E MEMÓRIA
Inteligência é a capacidade mental que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar,
planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas e linguagens,
aprender rápido e aprender com a experiência. É a solução de um problema novo.
Para alguns os indicadores de inteligência como o QI não explicam completamente a capacidade
cognitiva. O homem teria dois tipos diferentes de inteligência: racional (QI) e emocional (QE).

Memória é o processo dinâmico ou a capacidade de adquirir aprendizagem, armazenar e


recuperar informações/ experiências passadas.
Só é possível lembrarmos daquilo que aprendemos.

Teoria das Inteligências Múltiplas


A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner (1985) é uma alternativa para o conceito
de inteligência como uma capacidade inata, geral e única, que permite aos indivíduos uma performance,
maior ou menor, em qualquer área de atuação.
Sua insatisfação com a idéia de QI e com visões unitárias de inteligência, que focalizam sobretudo
as habilidades importantes para o sucesso escolar, levou Gardner a redefinir inteligência à luz das origens
biológicas da habilidade para resolver problemas.
Alguns teóricos admitem que o QI contribua com 20% dos fatores que determinam o sucesso e os
80% seriam determinados pelo QE.

Lógico-matemática - Habilidade para raciocínio dedutivo e para solucionar problemas


matemáticos. Possuem esta característica matemáticos, cientistas e filósofos (Albert Einstein).
Linguística - caracteriza-se por um domínio e gosto especial pelos idiomas e pelas palavras e por
um desejo em os explorar. É predominante em poetas, escritores, e lingüistas (Rubens Alves)
Musical - identificável pela habilidade para compor e executar padrões musicais, executando
pedaços de ouvido, em termos de ritmo e timbre, mas também escutando-os e discernindo-os. Pode estar
associada a outras inteligências, como a lingüística, espacial ou corporal-cinestésica. É predominante em
compositores, maestros, músicos, críticos de música (Beethoven, Mozart).
Espacial - expressa-se pela capacidade de compreender o mundo visual com precisão, permitindo
transformar, modificar percepções e recriar experiências visuais até mesmo sem estímulos físicos. É
predominante em arquitetos, artistas, escultores, cartógrafos, navegadores e jogadores de xadrez
(Michelangelo).
Corporal-cinestésica - traduz-se na maior capacidade de controlar e orquestrar movimentos do
corpo. É predominante entre atores e aqueles que praticam a dança ou os esportes (Michael Jordan, Pelé).
Intrapessoal - expressa na capacidade de se conhecer, estando mais desenvolvida em
escritores, psicoterapeutas e conselheiros (Freud).
Interpessoal - expressa pela habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros.
Encontra-se mais desenvolvida em políticos, religiosos e professores (Gandhi).
Naturalista - traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e
padrões da natureza, como reconhecer e classificar plantas, animais, minerais, incluindo rochas e
gramíneas e toda a variedade de fauna, flora, meio-ambiente e seus componentes. É característica de
biólogos, geólogos (Darwin).
Existencial - é a capacidade de refletir e ponderar sobre questões fundamentais da existência.
Encontra-se nos líderes espirituais e pensadores filosóficos (Sartre, Kierkegaard, Dalai Lama).

Referencias Bibliograficas
BAKER, Mark W., Jesus o maior psicólogo que já existiu. Rio de Janeiro: Ed. Sextante, 2001.
BOCK, Ana Merces Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi.
Psicologias: uma Introdução ao Estudo de Psicologia. São Paulo: Saraiva, 2008
BRAGHIROLLI, Elaine Maria (et al). Psicologia Geral. 9 ed. revisada e atualizada. Porto Alegre,
Editora Vozes 1990.
TELES, Maria Luiza Silveira. O que é Psicologia? São Paulo: Brasiliense, 2003.