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MAPAS MENTAIS

Enriquecendo Inteligências

Manual de aprendizagem e desenvolvimento de inteligências:


captação, seleção, organização, síntese, criação e
gerenciamento de conhecimentos

2a Edição

Walther Hermann
&
Viviani Bovo

2005
Capa: Kellyn Yuri Teruya, Gilson da Silva Domingues e
Pietro Teruya Domingues

Editoração e fotolitos: Join Bureau

Impressão: Art Color

Mapas mentais: Walther Hermann e Viviani Bovo

Ilustrações: Viviani Bovo, Rafael Bovo, Anderson Freitas dos Passos


e Bruna Meirelles

Foto: Rafael Bovo (2a capa)

Revisões: 1a revisão: Cleide Vieira de Queiroz Cabral


2a revisão: Hebe Ester Lucas
3a revisão: Danae Stephan

Elaboração e edição: Walther Hermann e Viviani Bovo

Direitos reservados: Walther Hermann e Viviani Bovo

2a Edição

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Hermann, Walther
Mapas mentais : enriquecendo inteligências : captação, seleção, or-
ganização, síntese, criação e gerenciamento de informação / Walther
Hermann, Viviani Bovo. – Campinas, SP, 2005.

ISBN: 85-87778-07-2

1. Aprendizagem 2. Psicologia da aprendizagem I. Hermann,


Walther. II. Título.

05-4079 CDD-370.1523

Índice para catálogo sistemático:

1. Mapas mentais : aprendizagem : Psicologia educacional 370.1523


Índice

Abertura
Prefácio da Segunda Edição .............................................................. IX
Prólogo ................................................................................................ XIII
Dedicatória .......................................................................................... XV

Primeira Parte – Fundamentos


Introdução .......................................................................................... 3
Aprendendo a Aprender ................................................................... 21
Mapas Mentais – Apresentação e Exemplos ................................... 79

Segunda Parte – Desenvolvendo Habilidades


Memorização ...................................................................................... 109
Comparação, Classificação, Analogias e Metáforas ...................... 147
Ordenação e Hierarquia de Informações ....................................... 165
Refinando sua Capacidade de Síntese ............................................. 189
Ilustrações ........................................................................................... 213
Resgatando sua Criatividade ............................................................ 237
Mapas Mentais – Elaboração ........................................................... 265
Índice • VII

Terceira Parte – Conteúdos Complementares


Apêndice 1 – Para Pais, Educadores e Professores ......................... 303
Apêndice 2 – Elaborar Mapas Mentais:
Melhor à Mão ou em Software? .............................. 313
Apêndice 3 – Programa de Enriquecimento Instrumental .......... 323
Apêndice 4 – Inteligências Múltiplas .............................................. 333
Apêndice 5 – Autocinética – Focalizando sua Mente .................. 337

Conclusão ................................................................................................... 345

Encerramento
Bibliografia ......................................................................................... XVII
Links úteis na Internet ...................................................................... XX
Sobre os autores ................................................................................. XXI
Atividades do IDPH .......................................................................... XXVI

Obs.: Para compreender melhor como ler este livro fora da ordem seqüencial,
consulte previamente o fluxograma da página 83.
Segunda Parte

Desenvolvendo Habilidades
Desenvolvendo Habilidades

Agora que você já sabe o que são, para que servem e como funcionam os
Mapas Mentais, possuindo vários conhecimentos sobre essa simples e pode-
rosa ferramenta de aprendizado, você está pronto(a) para desenvolver algu-
mas novas habilidades muito úteis com a finalidade de capacitar-se a utilizar
os mapas com desenvoltura.
Esta seção é instrumental e tem por objetivo principal forjar os seus “mús-
culos mentais” para que os Mapas Mentais possam ser inseridos em sua vida
como hábito, simples como são, para serem utilizados todos os dias, a qual-
quer hora. Ao praticar os exercícios aqui propostos, você também poderá
adquirir alguns benefícios extras, tais como: melhora de sua memória, maior
habilidade para organizar e sintetizar informações e desenvolvimento de sua
intuição, além de fazer com que sua mente adquira a organização adequada
para aprender melhor, mais fácil e mais rapidamente.
Isso não significa, necessariamente, que a vida deve ser vivida ou apreen-
dida na velocidade dos programas de televisão. Quer dizer que nós podemos,
mesmo lentamente, aproveitar melhor as experiências de vida e aprender com
elas sem que elas tenham que se repetir tantas vezes!
Especificamente, nesta seção, você treinará algumas competências associa-
das ao funcionamento coordenado de ambos os hemisférios cerebrais, espe-
cialmente relacionadas com o mapeamento mental: memorização, imaginação,
visualização, comparação, classificação, metáforas e analogias, ordenação e hierar-
quia, síntese e resumos, ilustração e criatividade e, finalmente, dicas e sugestões
para o aprimoramento de sua técnica e de seu estilo de construir mapas mentais.
Em geral, quando as pessoas têm que estudar ou preparar um trabalho
mais elaborado, alguns dos maiores problemas dos quais se queixam são: falta
de memória, dificuldade de organização das informações de forma coerente e
planejamento e execução de sua apresentação. As pessoas passam dias, às ve-
108 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

zes meses, estudando um tema, e depois, quando precisam utilizar-se das infor-
mações ou conclusões que obtiveram durante o processo, não conseguem bons
resultados. E acabam acreditando que têm dificuldades ou que são incapazes.
Não imaginam existirem “ferramentas” que podem auxiliá-las nesse processo.
É como se você quisesse decorar sua casa e, para isso, tivesse comprado
diversos quadros e os respectivos ganchos e pregos para pendurá-los nas pa-
redes. Então você fica lá fazendo uma força brutal para fixar os pregos nas
paredes com suas próprias mãos. Depois de algumas tentativas, você está com
dedos machucados, nenhum quadro fixado e um enorme sentimento de fra-
casso. Tudo isso porque você nunca ouviu falar em uma ferramenta chamada
martelo, que com muita facilidade poderia auxiliá-lo nessa tarefa aparente-
mente simples de pregar os ganchos na parede.
Memorização

Tratar do assunto memorização é uma tarefa árdua se desejarmos ser pre-


cisos e rigorosos, pois as mais recentes pesquisas em neurociências ainda não
chegaram a uma conclusão definitiva sobre o funcionamento disto que chama-
mos de memória, mesmo porque existem diferentes tipos. Além disso, é certo
que a memória humana não funciona como a memória de um computador ou
como os registros indeléveis de um vídeo, DVD ou fotografia. No entanto, não
é necessário conhecer todas as peças de um carro, nem entender precisamente
o seu funcionamento, para que possamos nos beneficiar de suas vantagens.
110 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Para começar, vamos assumir que não existe aprendizado sem algum tipo
de memória. Por isso esse tema é de grande interesse para o nosso trabalho.
Como o conhecimento científico a respeito do funcionamento da memória
ainda não é suficiente para a compreensão completa do processo de registro
e resgate de informações de nossa memória, apresentaremos alguns dados de
pesquisas simples e trataremos de algumas técnicas básicas que possam nos
ajudar com os mapas mentais.
Acreditamos ter memória dos fatos, mas basta uma boa conversa com
pessoas que vivenciaram as mesmas experiências que nós para descobrirmos
que alguns de nossos registros não correspondem aos daqueles com quem com-
partilhamos a presença nos eventos em questão. Um exemplo comum é con-
versarmos com nossos amigos sobre um filme a que assistimos. Facilmente
descobrimos que, muitas vezes, parece que tratamos de filmes diferentes.
Isso acontece porque nossas lembranças dos dados armazenados sofrem
interferência direta dos processos de eliminação, generalização, distorção, con-
textualização, associação das informações e de memórias anteriores semelhantes.
Assim, aquilo que imaginamos ser uma recordação de informações é, na verdade,
uma reconstrução dos dados a cada ocasião em que resgatamos uma memória in-
fluenciada por uma série de fatores, emoções e outras memórias. Ocasionalmente,
descobrimos até que misturamos informações e registros em nossas lembranças.
Não obstante, há incontáveis exemplos de pessoas cuja memória para
informações parece ser extremamente eficiente, como se realmente existisse a
possibilidade de memorizarmos algo com precisão e, posteriormente, recu-
perarmos tal memória com grande fidelidade. Quase todo o nosso modelo
educacional é baseado nisso, sendo que nossos professores e examinadores,
em grande parte das vezes, exigem em suas avaliações que saibamos repetir
exatamente as informações que nos deram anteriormente, e aqueles que têm
melhor memória são freqüentemente muito bem-sucedidos nesses testes.
Além disso, não podemos negar o valor e a importância de sabermos lidar
com esse processo chamado de memorização, já que uma memória privile-
giada é muitas vezes invejável e pode nos garantir sucesso em muitos em-
preendimentos escolares ou acadêmicos. Entretanto, antes de tratar de tais
estratégias, vamos apresentar algumas idéias a mais sobre o assunto.

O que sabemos sobre a memória

Provavelmente você conseguirá lembrar-se exatamente de onde estava


quando soube dos atentados de 11 de setembro de 2001 – para muitas pes-
Memorização • 111

soas, é uma data tristemente inesquecível. Porém, pode não ser tão fácil re-
cordar-se dos dias anteriores ou seguintes. A não ser que algum outro evento
contivesse intensidade emocional semelhante, talvez um aniversário, casamen-
to, ou mesmo algum evento infeliz. Não importa há quanto tempo ocorreu,
mas sim o quanto impressionou sua mente e sua memória. Graças ao impacto
emocional e seus desdobramentos, tais eventos tornam-se diferenciados e fi-
cam permanentemente registrados em nossa memória. Resta uma pergunta:
quais são os critérios de diferenciação utilizados pelo nosso cérebro para se-
lecionar memórias que vão permanecer ou desaparecer?
Primeiramente, devemos considerar que a memorização parece envolver três
diferentes processos: “consciência e registro (codificação)”, “retenção” e “resgate
(evocação)”. Perceba que o registro e a retenção podem ser muito mais duradou-
ros, sendo que ao revivermos determinadas experiências ou revermos informa-
ções específicas, somos capazes de reconhecê-las. De fato, o reconhecimento de
uma memória é bastante diferente do resgate ou recuperação de tal informação.
Um exemplo típico disso é quando temos uma informação ou nome na ponta da
língua, lembramos até da letra inicial... mas não somos capazes de saber exata-
mente o que desejamos, a não ser que alguém ou algo nos ajude a lembrar ou
esperemos o momento oportuno em que nossa mente resgate tal conteúdo. Tal-
vez por isso seja tão mais fácil submeter-se a provas no formato de teste, pois os
próprios enunciados e alternativas nos oferecem as respostas, sendo que temos
apenas que refrescar a memória quando já possuímos o conhecimento.
112 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Assim, o processo de recuperar ou resgatar uma informação guardada


(operações de registro e retenção) é o mais sensível ao enfraquecimento ou
decaimento com o passar do tempo. Os conhecimentos que possuímos armaze-
nados são ocasionalmente acessíveis mais facilmente em estados alterados de
consciência, como no caso do uso da hipnose para reconstrução de memórias –
embora não seja oficialmente aceito em juízo. De fato, o grande segredo de
uma “boa memória” está relacionado com nossa competência de recuperá-la.
De fato, numa pessoa saudável, o esquecimento deve-se principalmente
às alterações nervosas (neuroquímicas) provenientes do armazenamento e do
processamento de novas experiências similares às originais, e que acabam por
distorcer os conteúdos originais, e não ao enfraquecimento da memória. Po-
demos ainda ter em conta que, ao longo da vida, embora pareça que possu-
ímos um corpo que nasce, cresce, amadurece e envelhece, todos os átomos de
nosso corpo serão substituídos algumas vezes.
E o nosso segredo ficará mais claro se utilizarmos uma analogia simples:
assumamos que a nossa capacidade de armazenar conhecimentos e informa-
ções, ou seja, que a nossa memória funcione como uma grande biblioteca. Tão
importante quanto termos os conteúdos guardados será a nossa capacidade
de localizá-los quando precisarmos deles. Quanto mais organizados e orde-
nados estiverem os livros e publicações nas prateleiras, mais fácil será encon-
trar o que necessitamos quando for necessário.
Aqui reside um dos maiores segredos de uma memória poderosa: tere-
mos que investir inteligentemente em nosso processo de registro ou codifica-
ção da memória (e para isso existem muitas técnicas e estratégias), isto é, será
muito oportuno termos um sistema de classificação, organização e indexa-
ção, tal qual é necessário em uma grande biblioteca.
Caso você esteja numa biblioteca com milhares de livros, certamente pode-
rá encontrar o que precisa facilmente se os livros estiverem devidamente organi-
zados por assuntos, títulos e autores, apenas consultando os índices sistemáticos.
Nessa analogia, o processo de registro ou codificação (uma das três operações da
memória, conforme citado) corresponde ao procedimento de classificação e ar-
mazenagem ordenada e sistemática dos livros ou conteúdos. Assim, se ao regis-
trarmos memórias, elas estiverem adequadamente contextualizadas, associadas
e vinculadas a outras informações previamente guardadas, e se possuírem sen-
tido e significado, será muito mais fácil encontrá-las quando desejarmos.
Se tal estrutura de organização é bastante útil para uma memória efi-
ciente, não podemos garantir o mesmo em relação ao uso criativo das infor-
mações, pois, como trataremos oportunamente, talvez sejam a desorganização
e as dúvidas alguns dos propulsores do processo criativo, embora devamos
Memorização • 113

lembrar que a associação e a comparação de informações de naturezas distin-


tas podem enriquecer muito o processo de criatividade de segunda ordem.
Tratando dos vínculos, das associações e da contextualização de conhe-
cimentos ou memórias, sabe-se que um dos mais importantes fatores no re-
gistro e na recuperação de um tipo de memória é a carga emocional associada
a tal registro, seja ela agradável ou não. Evidentemente, esse mecanismo tal-
vez tenha garantido a sobrevivência da espécie humana ao destacar na me-
mória os eventos e condições relevantes de segurança e proteção para a nossa
sobrevivência, a serem lembrados em épocas remotas.
O conteúdo emocional das memórias afeta a maneira como são armaze-
nadas ou registradas e, portanto, nossa capacidade de evocar as memórias,
facilitando a forma e a velocidade com que são lembradas. Por exemplo, as
pessoas recordam-se especialmente bem de eventos acompanhados de elevada
carga emocional. Por definição, esse tipo de registro pertence à categoria das
memórias declarativas: são aquelas que podem ser expressas verbalmente, e
subdividem-se em memória episódica, de momentos marcantes, associados a
estados emocionais intensificados (conforme dissemos anteriormente); e me-
mória semântica, um conhecimento memorizado ao longo da vida, mas que
não está associado a um momento ou evento específico – saber que a capital
brasileira é Brasília, por exemplo. É um fato que não iremos esquecer, mesmo
que não possamos identificar ou lembrar quando o aprendemos.
No entanto, aquilo que chamamos de memória não é armazenado total-
mente, mesmo quando admitimos que tais registros já estejam consolidados e
estabelecidos – eles não são permanentes. Aqui concorrem os mecanismos de
eliminação, generalização, abstração e distorção das informações (pois a nossa
memória é finita, apesar de assombrosamente grande). Esses mecanismos orga-
nizam e classificam as informações que capturamos por meio dos sentidos, evi-
tando que memórias semelhantes sejam armazenadas em sua totalidade (um
inteligente mecanismo de racionalização e economia de espaço) – pois registros
únicos e literais nos seriam de pouco valor, já que devemos transcender os
fatos para sermos capazes de identificar padrões de dados e processos, a pon-
to de sabermos construir nossos modelos e nossa compreensão da realidade.
De qualquer forma, o que observamos na prática é que existem inúme-
ros exemplos de pessoas que, devidamente estimuladas e permanentemente
expostas a novos aprendizados, parecem demonstrar que quanto mais apren-
demos, vinculamos, associamos, damos sentido e significado e contextua-
lizamos conhecimentos, mais somos capazes de aprender! Como se a memória
fosse ilimitada – tal qual uma árvore que, quanto mais galhos e ramos possuir,
mais folhas pode sustentar, mais forte é, e mais vínculos e associações mantém.
114 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Quando reclamamos do fenômeno do esquecimento, nem sempre nos


damos conta de que ele talvez seja o mecanismo mais valioso que possuímos,
já que ele nos garante qualidade e velocidade na recuperação de informações.
O esquecimento é uma das principais funções da memória, ocorre continua-
mente e talvez seja exatamente ele o recurso que nos permite evoluir. Isto é,
substituir registros desatualizados por novos e mais úteis e manter a sanidade
mental – caso contrário, se nos lembrássemos exatamente de tudo, talvez não
tivéssemos discernimento para hierarquizar, selecionar e processar informações.
Imagine se o monitor de seu computador pudesse resgatar todas as informações
de seu disco rígido ao mesmo tempo, o que você veria? NADA! O esquecimento
funciona, portanto, como um inteligente filtro de informações que nos per-
mite controlar o processamento de informações e experiências armazenadas.
No tocante ao aprendizado, admite-se que um adulto normal, sem es-
tratégias ou treinamento de suas potencialidades cerebrais, consiga reter de
10% a 30% das informações obtidas em uma palestra ou curso. Talvez menos,
se você imaginar que deverá descrever o assunto e o que aconteceu no evento
– o tempo para explicarmos tudo o que vimos e ouvimos pode ser bem me-
nor do que 10%, exceto quando se trata de algum assunto de nosso conheci-
mento profundo, que pode despertar muitas análises e reflexões. Um gráfico
comum que representa a curva de esquecimento, ou decaimento da memória
(numa apresentação simplificada, apenas para ilustrar), em função do tempo
está a seguir:

100
Taxa de Lembrança (%)

50

0%
10 min 1h 8 hs 1 dia 2 dias 1 semana 1 mês Tempo

A Curva de Esquecimento de Ebbinghaus, mostrada acima, denota o fenômeno, intuído com fre-
qüência, de esquecermos progressivamente os conteúdos aprendidos que não são utilizados ou recor-
dados periodicamente, embora a taxa de esquecimento no tempo possa variar significativamente de
acordo com o grau de estimulação original. No entanto, esse experimento foi realizado com listas de
palavras sem conexão, vínculo, contexto ou significado de conjunto – numa tentativa de avaliar a
memória em condições limítrofes, sendo que suas conclusões a respeito do esquecimento não são
úteis para condicionar nossas opiniões sobre o potencial de memória que possuímos.
Memorização • 115

Taxa de retorno

100%

1 dia Tempo

Na prática, observa-se um comportamento curioso: primeiramente, talvez não partamos de um


resgate de 100% do que foi estudado ou aprendido; em segundo lugar, antes do decaimento da nossa
capacidade de resgate, há um ligeiro aumento da capacidade de recuperar os conteúdos, provavelmen-
te associado a um processo cerebral espontâneo de associação de conteúdos, organização, vinculação
e contextualização.

Prosseguindo em nossas considerações, há diferentes tipos de memória.


A mais efêmera chama-se memória de trabalho, ou memória on-line, cuja
duração é de alguns segundos ou minutos após um evento. É aquela utilizada
para decorar um telefone, da hora em que o número nos é passado até digitá-
lo no aparelho, ou que nos permite lembrar as primeiras palavras de uma
frase até o final da fala, de forma a criar um sentido. Ela dura apenas o neces-
sário para realizar uma tarefa. Pode ser comparada ao mecanismo que nos
permite interpretar como filme um conjunto de fotogramas intercalados por
escuros projetados rapidamente num cinema; ou ver como se fosse um círcu-
lo de luz uma brasa que gire rapidamente numa noite escura – graças a uma
impressão em nossa retina que mantém uma imagem por pelo menos um
décimo de segundo depois de ela ter desaparecido.
Seria muito estranho e inútil se até agora nos lembrássemos, por exem-
plo, da segunda palavra da terceira frase desta página. Por ser imediata, a
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memória de trabalho está relacionada com a atenção. E é a mais atingida pela


sobrecarga de informações. O estresse também afeta significativamente a
memória de trabalho.
Chama-se memória de curta duração aquela que dura de uma a seis
horas. A aquisição de uma nova memória gera duas ondas de processos
bioquímicos, uma logo após a aquisição, outra entre três e seis horas depois
(essa informação é valiosa quando planejarmos nossa agenda de revisões de
conteúdos a serem memorizados ou aprendidos). Esta memória não requer
síntese de proteínas, ao contrário das de longa duração.
Por definição, as memórias de longa duração são de dois tipos: as cha-
madas procedurais e as declarativas; estas últimas, mencionadas há pouco.
Memória procedural ou não-declarativa também pode ser um registro per-
manente, porém não é possível apresentá-la na linguagem, isto é, verba-
lizada. Ela subdivide-se em memória de condicionamento (como brecar o
carro num sinal vermelho) e memória de hábitos (de ações repetitivas, já
automatizadas, tais como caminhar ou andar de bicicleta). A memória de
longo prazo pode durar meses, anos e até a vida inteira, dependendo da im-
portância da informação.
A primeira diferença entre as memórias de curta e de longa duração é
que a primeira analisa as informações e a segunda sintetiza. Comparando o
funcionamento das nossas memórias com as de um computador, podemos pen-
sar na memória RAM e na memória ROM: na primeira estão as informações
temporárias que estão em processamento e cálculo, na segunda armazenam-
se as informações definitivas e os programas (em geral, fisicamente localizada
no disco rígido).
Podemos prosseguir com nossa analogia lembrando da conta que faze-
mos na padaria: nossa memória de trabalho fará uma conta rápida para ter
a informação de quanto devemos pagar no caixa: R$ 5,00 de pães + R$ 3,00
de leite + R$ 1,50 de balas; para isso acessamos nossa memória de longo pra-
zo, da qual resgatamos os procedimentos das operações das contas de adição;
então com essas informações, fazemos a conta e chegamos ao resultado de
R$ 9,50, que serão registrados em nossa memória de curta duração, já que
podemos lembrar disso nas próximas horas: o que compramos e quanto gas-
tamos na padaria – talvez até registrarmos tal informação em nosso orçamen-
to doméstico, então esquecemos esse valor, a não ser que tenha havido algum
desentendimento sobre o valor, algum constrangimento ou reclamação, cuja
emoção tenha contribuído para registrarmos a ida à padaria em nossa me-
mória de longa duração.
Memorização • 117

O processo de fixação da memória consiste em diferentes etapas e, mes-


mo assim, os registros não são definitivos e são passíveis de sofrer interferên-
cias. As primeiras horas após o aprendizado são as responsáveis pela maior
parte da consolidação da memória, embora a estabilidade dos registros es-
tenda-se por um período mais longo, durante o qual alterações sucessivas
acontecem na memória. Via de regra, toda vez que nos lembramos de algum
conteúdo, estamos reconstruindo a lembrança, reativando circuitos nervosos
para recuperar informações, muitas das quais já associadas a outros registros,
classificadas, contextualizadas, generalizadas, racionalizadas, interpretadas,
distorcidas... Enfim, lembrar é um processo ativo de reconstrução de registros.
O resgate de uma memória, em si mesmo, não é simplesmente a reativação
de todos esses pedacinhos guardados em que foi quebrada a experiência vivi-
da ou de aprendizado (armazenados após todas as operações citadas acima);
acontece comumente que apenas alguns fragmentos da memória sejam resga-
tados no processo de reconstrução, como no caso de lembrarmos uma músi-
ca e não lembrarmos a letra, ou confundirmos fatos já acontecidos, entre
outras situações comuns no dia-a-dia. Certamente a fragilidade e a falibilida-
de da memória humana, já suficientemente comprovada, servem para apazi-
guar aqueles que se queixam de baixa eficiência da própria memória e também
para alertar outros cuja confiança na própria memória os torna excessiva-
mente donos da verdade.
Dado que, além das emoções, o humor, a ansiedade, a vitalidade e o in-
teresse também condicionam o desempenho dos processos de registro e res-
gate de informações, esse fenômeno é denominado dependência de estado.
Uma aplicação interessante desse fenômeno é solicitar àquelas pessoas que se
queixam de péssima memória que reproduzam as condições corporais e men-
tais dos momentos ou conteúdos que desejam lembrar: muitas vezes surpreen-
dem-se com o fato de resgatarem com grande fidelidade uma parte significativa
dos conteúdos ou fatos.
Por exemplo, há pessoas que desenham ou rabiscam enquanto ouvem
uma aula ou palestra, batucam, cantarolam, ou movem-se desordenadamente
e, ocasionalmente, podem descobrir que não se lembram daquilo que ouvi-
ram ou leram em seus estudos. Ao solicitarmos a essas pessoas que reproduzam
os mesmos movimentos, a mesma música etc., comumente descobrimos que
acessam os conteúdos que foram registrados enquanto realizavam tais ações.
Lembre-se, o grande segredo não é memorizar, nem sustentar tais registros,
mas sim saber evocá-los! Dado que foram armazenados em circunstâncias
especiais, associados e vinculados a determinadas operações cerebrais,
118 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

emocionais ou corporais simultâneas, poderão ser recuperados por intermé-


dio delas.
Um experimento muito interessante, proposto por Dawna Markova no
livro O Natural é Ser Inteligente, citado na bibliografia, é utilizar não somente
a mão dominante para escrever mas, principalmente, a mão não dominante
para obter respostas provenientes de regiões não conscientes – especialmente
no caso de decisões, memórias distantes ou mesmo conselhos para si mesmo.
Parece ser possível acessar diferentes dimensões de compreensão inconscientes
por meio desses artifícios motores.
Caso você queira fazer uma experiência, escreva algumas perguntas com
a sua mão dominante e, depois, deixe a caneta na sua outra mão livre para
escrever ou desenhar qualquer coisa, mesmo que você nunca tenha treinado
escrever com a mão não dominante. Quando estiver fazendo isso, observe os
pensamentos e sentimentos que são despertados e avalie se existe alguma rela-
ção com possíveis respostas às suas perguntas.
Apesar disso, os principais “mecanismos” e processos cerebrais do resga-
te ou evocação da memória ainda não são profundamente conhecidos, logo,
ainda não é possível construir um modelo definitivo sobre o funcionamento
da memória. Não obstante, as analogias e as evidências podem nos ajudar e
motivar a desenvolver nosso repertório instrumental de uso e aplicação de
técnicas e estratégias de memorização.
Do ponto de vista orgânico, como já mencionamos algumas vezes, a ma-
nutenção da atividade cerebral é um dos fatores capazes de proteger os neurônios
da degeneração, como uma “ferramenta” pode ser protegida da ferrugem quando
usada regularmente. A leitura, a prática de atividades criativas e a disposição
para viver novas experiências e conhecer novos ambientes são hábitos de vida
muito saudáveis em termos cognitivos, produzindo novos vínculos e associa-
ções permanentemente; lembre-se sempre do poder que possui uma teia ou
rede, na qual os fios, por mais frágeis que sejam, quando estão devidamente
vinculados e entrelaçados, adquirem uma resistência muito maior – assim,
poderíamos falar em uma teia de informações ou conhecimentos que, juntos,
fortalecem nossa habilidade de relacionar e recuperar conteúdos.
Embora já se tenham feito incontáveis tipos de mapeamento de ativida-
de cerebral em diferentes operações de processamento, memorização ou re-
cuperação de informações, não é possível localizar um único local para cada
conteúdo registrado, sendo que várias seções cerebrais (encéfalo) são ativadas
em cada memória, embora tais seções sejam solicitadas de diferentes formas,
mesmo porque, como já tratamos, há distintos tipos de memórias.
Memorização • 119

Pesquisas realizadas em vítimas de lesões cerebrais com o uso de técnicas


de mapeamento funcional, tanto em seres humanos quanto em animais de
laboratório, indicaram que as regiões envolvidas na percepção e no processa-
mento da cor, da forma e do tamanho dos objetos são muito próximas. É até
possível que sejam as mesmas regiões importantes para a memória de objetos.
No mundo tecnológico atual, é fácil notar que a queixa de dificuldade
de memorização não provém apenas dos mais velhos. Tanto em adultos que
não sofrem de doenças neurológicas quanto em jovens, os fatores que mais
comprometem o bom desempenho da memória são o estresse e a ansiedade.
Felizmente, o mesmo mundo moderno que nos satura de informação tam-
bém oferece uma série de soluções eficientes, que inclui post-it coloridos, agen-
das eletrônicas, gravadores de voz digitais, palmtops e celulares com alarmes.
Portanto, não há razão para se apavorar, mesmo porque o esquecimento é
uma solução! Lembre-se, há setores de sua vida em que sua memória é extre-
mamente eficaz, a despeito de todas as teorias ou explicações que nos façam
acreditar que a memória não deve ser confiável – guarde esse paradoxo para
depois da leitura da seção de Criatividade.
É oportuno agora deixar de lado aquele mito sobre a diminuição ou
morte progressiva de neurônios na maturidade ou no envelhecimento: essa
diminuição não é nada significativa; nós perdemos muito mais neurônios na
primeira infância, quando deixamos de ser quadrúpedes para tornarmo-nos
bípedes, isto é, quando aprendemos a andar e assumimos a postura vertical
(talvez por distanciarmos nosso cérebro do chão, colocando-o acima do cora-
ção, alterando o fluxo de sangue para a cabeça). A partir da adolescência, não
há mais perdas significativas de neurônios numa pessoa que goze de boa saúde.
Enfim, “somos seres com história, construímos nossa identidade através
de um processo que mescla as experiências vividas no ambiente e nossas vi-
vências interiores; assim, somos quem somos porque aprendemos e lembra-
mos. A memória é uma das funções cognitivas mais complexas que a natureza
produziu, e as evidências científicas sugerem que o aprendizado de novas in-
formações e seu armazenamento causam alterações estruturais no sistema
nervoso” (trecho do artigo de Carla Dalmaz & Carlos Alexandre Netto deno-
minado “A Memória”). Além disso, o cérebro é uma estrutura em permanen-
te construção e reforma, assim como o nosso repertório comportamental e
nossas memórias.
A seguir, trataremos de algumas evidências simples que possam aumentar
facilmente o desempenho de nossas sessões de aprendizado ou memorização.
120 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Organização de informações

Um famoso pesquisador canadense, o psicólogo Endel Tulving, fez um


experimento interessante com dois grupos de estudantes, aos quais deu cem
cartas contendo uma palavra cada uma. Ao primeiro grupo, solicitou que as
palavras fossem memorizadas e ao segundo grupo, pediu que as palavras fos-
sem classificadas e organizadas em categorias. Os indivíduos dos dois grupos
obtiveram os mesmos resultados de recuperação dos dados quando suas me-
mórias foram testadas. A conclusão dessa experiência foi que o envolvimento
ativo de processamento e organização de informações pode ser suficiente para
promover o aprendizado ou registro na memória.
Um exemplo interessante é que, embora nossa memória não funcione
como a de um computador, a analogia com este pode ser muito útil quando
tratamos de técnicas e estratégias de memorização, pois a estrutura da orga-
nização de diretórios, pastas e arquivos de um computador pessoal nos ajuda
a compreender a importância da organização dos dados que guardamos.
Na prática, quando estávamos elaborando este livro, certamente não
guardávamos os seus arquivos na pasta das nossas fotografias digitais, nem
no diretório dos programas de nossos computadores. Abrimos e reservamos
uma pasta somente para o livro, guardada dentro de outra que continha nos-
sos outros livros, e que continha as seguintes subdivisões: imagens e ilustra-
ções, capítulos ou partes, material já utilizado (lixo), arquivos com a primeira
revisão, arquivos prontos, arquivos pendentes.
Essa classificação dos conteúdos que mantemos em nosso computador,
com um endereço exato de cada arquivo de informações, nos permite encon-
trar o que desejamos, quando desejamos. Seria o caos se alguém inadvertida-
mente alterasse tal estrutura, embora o computador possua outros mecanismos
de localização de informações.

Intervalos

Tratando-se de palestras, aulas ou sessões de estudos, há um fenômeno


interessante que ocorre com nossa memória: nós nos lembramos mais facil-
mente dos conteúdos apresentados no início e no fim da sessão, conforme ilus-
tração a seguir.
Memorização • 121

Nível de atenção
e recuperação de
informações

Tempo
Início da Final da
sessão sessão

O gráfico acima ilustra com humor a evolução do estado de atenção de uma pessoa normal ao longo
de uma palestra ou aula. Parece existir uma proporcionalidade entre o grau de atenção e a probabili-
dade de recuperação de informações em função da extensão de tempo de uma palestra ou sessão de
aprendizagem.

Nesse contexto, a utilidade do uso de intervalos em sessões de aprendiza-


gem, proposta pelo pesquisador francês Henri Pieron, faz com que nossa cur-
va de recuperação (evocação) dos conhecimentos seja dividida em curvas
menores, permitindo ao ouvinte ou estudante obter melhores índices de re-
cuperação dos conhecimentos, conforme o gráfico da página seguinte.
Henri Pieron descobriu que uma série de intervalos durante uma pales-
tra, aula ou sessão de estudo ou aprendizado, aumenta a probabilidade de
recuperação de seus conteúdos. Ele sugere um intervalo de 5 minutos a cada
meia hora de atividade. A isso podemos acrescentar os resultados das pesqui-
sas de um alemão, conhecido como “Efeito Zeigarnik”, que propõe que uma
sessão de aprendizado seja interrompida deliberadamente, mesmo nos mo-
mentos que os participantes estejam mais envolvidos, de modo que a motiva-
122 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Taxa de retorno

Pontos altos de fixação Curva de fixação Curva de fixação ganho de aprendizado


100%
de 2 h de atividade de atividade que cognitivo em sessões
Curvas de fixação sem intervalo excede 2h com intervalos
quando intervalos
planejados são feitos

Intervalo Intervalo Intervalo Intervalo 2 horas

Ponto em Ponto em
que começa que termina
o aprendizado o aprendizado

ção represada conduza a graus mais altos de possibilidade de recuperação dos


conteúdos. Talvez esse artifício seja especialmente útil nos momentos em que
desperte ainda mais a curiosidade e o interesse pelos conteúdos, gerando as-
sim um processo espontâneo de elaboração e processamento que fertilizem o
campo afetivo e cognitivo do aprendiz. Evidentemente, tais estratégias foram
exaustivamente estudadas para sessões de aprendizagem cognitivas e conscien-
tes, pois nos casos de estilos de estimulação inconscientes, outros fatores po-
dem concorrer com as propostas anteriores.
Memorização • 123

Revisões de conteúdos

Conforme já mencionamos na seção Aprender a Aprender, os intervalos


de descanso do cérebro entre sessões de aprendizagem ou memorização po-
dem potencializar incrivelmente o desempenho de evocação dos conteúdos
aprendidos. O Efeito da Prática Distribuída, assim denominado por psicólo-
gos, revela que o tempo corrido de 30 minutos, necessário para aprender ou
memorizar um conteúdo, poderá ser reduzido em 30%, isto é, 22 minutos,
caso a tarefa seja realizada em duas ou mais sessões ao longo de dois dias.
Além disso, testar a si mesmo, obtendo respostas corretas, aumenta consi-
deravelmente a capacidade de recuperar conhecimentos, em comparação com
o aprendizado passivo, no qual uma leitura ou palestra é simplesmente absor-
vida sem ação ou reflexão. Esses fatos apontam para um importante recurso
que pode enriquecer e otimizar os processos de aprendizagem: o uso habitual
de sessões de revisão.
Levando-se em conta a conjugação de esforços para gerenciar as memó-
rias de curta e longa duração, a revisão dos materiais de trabalho fortalece
significativamente a fixação e a evocação de conteúdos aprendidos ou memo-
rizados, ou seja, a consolidação da memória de longa duração. Sugere-se que,
durante uma sessão de estudo ou aprendizado de até 45 minutos, formulem-
se regularmente testes e perguntas de fixação, migrando de uma atitude pas-
siva para um relacionamento mais íntimo com o conteúdo e, posteriormente,
sejam feitas sessões de revisão com a seguinte regularidade:

Revisões Tempo de revisão sugerido

1a após 10 minutos 10 minutos


2a após 1 hora 7 minutos
3a após 1 dia 5 minutos
4a após 1 semana 5 minutos
5a após 2 semanas 3 minutos
6a após 1 mês 3 minutos
7a após 3 meses 3 minutos
8a após 6 meses 3 minutos
124 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

De um modo geral, o gráfico abaixo representa o ganho de recuperação


dos conteúdos aprendidos conforme as sugestões anteriores:

Dado que nosso tema tem finalidade instrumental, de agora em diante


trataremos apenas de algumas estratégias, a título de ilustração, que possam
melhorar nossa habilidade de armazenar e recuperar informações. Na práti-
ca, portanto, não nos envolveremos com as hipóteses ou comprovações cien-
tíficas mais recentes que, como mencionamos, nos fariam acreditar que tudo
o que propusermos a seguir talvez seja pouco preciso ou nada científico.
Memorização • 125
126 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Portanto, vamos admitir que, para os nossos objetivos, tudo se passa


como se as técnicas propostas a seguir possam realmente enriquecer significa-
tivamente nossa capacidade de armazenar e de resgatar informações úteis.
Muitos estudos e pesquisas já foram feitos nesse campo do aprendizado, e
muitas ferramentas e técnicas foram desenvolvidas também, principalmente
na Europa e nos EUA, porém tais conhecimentos não são regularmente ensi-
nados nas escolas e o acesso a tais informações é ocasionalmente difícil ou caro.
Nossa proposta é tratar do aprendizado de uma parte dessas “ferramentas”
preciosas para tornar os estudos ou tarefas de trabalho mais simples, produ-
tivos, divertidos e prazerosos. Para você poder avaliar melhor seu aprendiza-
do e desempenho, vamos propor a seguir uma experiência.

Exercício

Pegue uma folha de papel e um lápis ou caneta. Propomos, só a título de


experiência, que você memorize a lista de palavras abaixo (numa seqüência
horizontal, isto é: pão, café, tomate, etc.). Primeiro você deve buscar realizar
essa tarefa com os recursos que possui atualmente. Apenas leia as palavras
durante 1 ou 2 minutos, no máximo; depois feche o livro, e sem consultá-las
novamente, anote na folha de papel a lista das palavras, de preferência, na
mesma ordem na qual foram apresentadas aqui no livro:

PÃO CAFÉ TOMATE CADERNO


QUEIJO LARANJA LÂMPADA BANANA
RÉGUA AGULHA UVA SABONETE
LÁPIS ALGODÃO CEBOLA ENVELOPE
LEITE BORRACHA SALAME DETERGENTE

Se você conseguiu se lembrar de todas, já tem uma boa estratégia de


memorização, então basta continuar exercitando, como você faz com seu
corpo, quando pratica exercícios físicos para manter-se em forma. Mas se você
sentiu dificuldades para lembrar das palavras, então vamos seguir adiante para
compreender melhor o processo da memorização. Descreveremos a seguir,
simplificadamente, como utilizamos o processo de captação, comparação,
ordenação, generalização, distorção, associação e vinculação de informações
em nossa memória.
Primeiro, vamos avaliar rapidamente como parece que as informações são
armazenadas. Nosso cérebro classifica e separa as informações recebidas se-
guindo três passos:
Memorização • 127

1o identifica e reconhece ➟ abre o arquivo.

Esse passo funciona da seguinte forma: vamos tomar como exemplo uma
criança aprendendo pela primeira vez o que é uma maçã. Ela receberá uma
série de informações sobre a maçã, como é seu formato, textura, odor, sabor,
cor, peso, a sensação causada ao ver, morder, mastigar, engolir ou brincar
com a maçã, o som da palavra “maçã” ao ser pronunciada, entre outras in-
formações. Isso então é registrado em sua memória em um arquivo que aca-
ba de ser aberto com o nome “maçã”.

2o armazena outros dados ➟ no mesmo arquivo.

Depois haverá uma segunda experiência com outra maçã, que pode ser
idêntica à primeira, ou pode ser de outra qualidade, mais ácida, mais doce,
mais madura, mais vermelha, mais dura, maior, menor etc., porém, mesmo
assim, a criança recebe a informação de que é uma maçã, então coloca a in-
formação dentro daquele mesmo arquivo que já foi aberto para o item “maçã”.
E o processo continua, quando ela identifica outros tipos de maçãs como
sendo “maçã”, tais como: maçã argentina, maçã tommy, maçã azedinha, maçã
gala, maçã verde, maçã vermelha, maçã estragada, maçã madura etc. Todas
são maçãs e são armazenadas no mesmo arquivo já aberto, chamado “maçã”.

3o estabelece relações ➟ com outros arquivos.

Posteriormente, um dia a criança vai à feira com a mãe, que lhe explica
que precisam passar por várias barracas para comprar o que necessitam, pois
cada tenda vende um grupo de mercadorias. Então, ao chegarem na tenda
das frutas, a criança vê a maçã. Junto, na mesma tenda, ela vê a banana, a
laranja, a melancia, e a sua mãe informa-lhe que aquela é a tenda das frutas.
Assim, um novo arquivo é aberto com o nome de “frutas” e as informações
nele contidas estarão se relacionando, incluindo ou sendo incluídas em ou-
tros arquivos já abertos, entre eles aquele chamado “maçã”.
A associação de arquivos contendo informações pode ser muito variada:
podemos relacionar o arquivo chamado “maçã” com vários outros, além des-
se já mencionado, chamado “frutas”, ou seja, com diversas situações nas quais
podemos pensar em uma maçã, como: “sabores de sucos”, “recheio para tor-
ta”, “alimentos ácidos”, “descoberta de Newton – gravidade”, “objetos de cor
vermelha”, “alimentos com poucas calorias”, “opções de lanche” e assim por
diante. Há incontáveis possibilidades de relacionamentos ou associações.
128 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Podemos comparar essa estrutura de registrar e recuperar informações na


memória com um cacho de flores ou frutas, no qual um está ligado ao outro, e
depois a outro, e a outro, até que todos estejam ligados a um galho principal
(categoria). Essa memória em “cachos” é que nos permite acessar arquivos que
foram previamente armazenados, como quando alguém conta uma piada em
um grupo de amigos, e logo em seguida cada membro da roda se lembra de
uma ou de várias outras. Da mesma forma, quando alguém conta algum filme
a que assistiu, um livro que leu, um acidente que viveu, uma receita, as brinca-
deiras que costumava ter quando criança, são todos exemplos de assuntos que,
ao serem acessados, nos remetem diretamente para as respectivas categorias.
Além disso, esses arquivos não ficam isolados apenas em suas categorias.
Observe como é freqüente o surgimento de um assunto a partir de outro, e
outro, e acabamos dizendo que “um assunto puxa o outro”; tudo isso por
causa dessa nossa memória em “cachos”. Ao conversarmos sobre uma receita
de bolo, e o tempo para assá-lo, as pessoas podem se lembrar de que seu for-
no não está funcionando muito bem, assim a conversa muda de rumo, seguin-
do para comentar que essa ou aquela marca de produto é melhor, e ainda
podem generalizar o assunto para outros eletrodomésticos, ou ainda se lem-
brarem do funcionamento dos serviços de assistência técnica.
Não precisamos de uma conversa com outra pessoa para despertar nos-
sa memória em “cachos”, isso acontece o tempo todo. Quando estamos lendo
um livro, por exemplo, no qual a descrição do autor nos remete a uma praia
cheia de crianças brincando de bola, e caso essa cena seja representativa para
nós, ocasionalmente interrompemos a leitura e nossos pensamentos nos re-
metem à nossa própria infância, onde porventura registramos uma experiên-
cia semelhante. Vamos lembrar de nossos sentimentos daquela época, das
pessoas, das cores, do cheiro do mar, do contato da água, das ondas, da areia
da praia, do som das cantilenas dos ambulantes... Uma simples frase lida em
um livro, e observe quantas memórias podem ser acionadas. Todas essas pos-
sibilidades do dia-a-dia que descrevemos referem-se ao mecanismo de proces-
samento da memória.
Tomando como base a maneira de operar de nossa mente, foram criadas
algumas técnicas de memorização que usam os mesmos princípios, com a fi-
nalidade de conseguirmos os melhores benefícios possíveis dela. Algumas de-
las estão descritas a seguir – caso você as considere muito simples, saiba que
elas foram incluídas aqui apenas para despertar o seu interesse por elas, já
que este não é um livro sobre o assunto (você encontrará na bibliografia con-
teúdos específicos sobre esse assunto para enriquecer seu repertório de estra-
tégias de memorização, caso deseje).
Memorização • 129

Associação

Essa é uma técnica de memorização que consiste em associar informa-


ções que queremos memorizar com outras que já possuímos. Por exemplo,
quando criança aprendi como identificar quais os meses que tinham 30 ou 31
dias associando-os aos ossinhos da mão que se interligam com dedos (articu-
lações dos dedos das mãos com o corpo da mão, mais visíveis quando temos
os punhos fechados). O procedimento era assim: fechar uma das mãos e ini-
ciar a contagem de forma que o primeiro mês se identifica com o primeiro
osso, o segundo com intervalo entre o primeiro e o segundo osso (uma de-
pressão entre as articulações de dois dedos), o terceiro mês com o segundo
osso e o quarto com o segundo intervalo, e assim por diante. Os meses que
correspondem aos ossos têm 31 dias e os que correspondem aos intervalos têm
30 ou menos (caso de fevereiro, com 28 ou 29 dias). Essa associação fica cor-
reta para os meses porque a contagem se encerra e se reinicia novamente no
primeiro osso da outra mão, e ambos são meses com 31 dias (julho e agosto).

Apesar de ser uma brincadeira de criança, é uma forma de associação que


faz com que a informação seja levada à memória de longo prazo – memoriza-
mos o mecanismo de identificação dos meses e não necessariamente os meses
com 31 dias. Outras pessoas só se recordam como diferenciar o lado esquerdo do
direito quando o associam ao braço em que usam o relógio ou uma pulseira.
Ainda podemos ter associações que levam em conta a visualização, como,
por exemplo, a técnica que utilizo para memorizar nomes de pessoas recém-
conhecidas. Quando conheço uma pessoa cujo nome é João, imediatamente
imagino essa pessoa abraçada ao meu avô, que se chamava João. E isso nos
dá a oportunidade para tratar do assunto sobre a visualização.
130 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Visualização

A visualização é a habilidade de criar representações ou fantasias na men-


te, que podem ser a recordação de coisas que já vivemos ou vimos ou a criação
de coisas novas, que inclusive podem ser inexistentes no mundo real. Se você pre-
ferir, podemos também chamar esse procedimento de imaginação, fantasia,
cinestesia ou alucinação intencional.
Todos nós fazemos isso regularmente. O interessante é que podemos uti-
lizar a nossa imaginação intencionalmente com a finalidade de melhorar nos-
sa habilidade de memorização, pois é um poderoso recurso para registrar e
recuperar informações. Algumas pessoas por vezes se queixam de que não
conseguem ver nada com os olhos da mente, que não conseguem imaginar,
mas na verdade elas apenas não se dão conta de que fazem isso tão natural-
mente que acabam não trazendo à consciência.
Caso você se enquadre nesse grupo de pessoas que acreditam ser impos-
sível visualizar conscientemente, lembre-se da história apresentada na seção
Aprendendo a Aprender, na página 75 deste livro – “O Menino que Quebra-
va Brinquedos” – e responda às seguintes perguntas:

1. Como era o garoto que descrevi?


2. Como eram os brinquedos quebrados que você viu?
3. Como eram os brinquedos dos quais falei enquanto explorava o
mundo das coisas materiais?
4. Como era a expressão facial da moça que desejava saber sobre o fi-
lho em cada uma das respostas que dei?

Perceba que visualizamos espontaneamente, muitas vezes inconsciente-


mente. No entanto, não são todas as pessoas que têm consciência do proces-
so, sendo que, quando lhes é solicitado que prestem atenção às imagens
mentais, distanciam-se do estado de atenção de visualização! É como se dese-
jássemos enxergar em um único espelho nossos olhos olhando para outro
lugar que não seja o espelho: se olhamos para o espelho para ver, encontra-
mos nossos olhos focados no espelho, e se olhamos para o outro lugar, não
enxergamos o espelho.
O que ocorre é que, para algumas pessoas, prestar atenção nesse processo
as distancia da habilidade de identificar conscientemente as suas próprias fan-
tasias. Outras vezes, as fantasias são vagas ou pouco definidas. Desde que so-
nhemos e consigamos nos lembrar de algo, visualizamos mais conscientemente
ou menos. Vamos fazer uma experiência para você poder constatar como isso
Memorização • 131

funciona. Apenas solte sua imaginação, não se prenda à realidade. A imagi-


nação pode funcionar como nos desenhos animados, onde tudo é possível.
Isso normalmente acontece com naturalidade quando escutamos ou le-
mos uma história qualquer, quando alguém nos conta um fato, quando pla-
nejamos algo ou quando ficamos remoendo aquela situação desagradável que
aconteceu com alguém ou em algum lugar. Experimente a seguinte fantasia:
vamos supor que um macaco usando uma camiseta de listras largas, de duas co-
res, venha andando pela rua quando se depara com um ônibus, cuja porta está
aberta. Então ele entra e começa a brincar, pendurando-se nas barras de apoio
até chegar próximo ao motorista, na parte da frente do ônibus, onde está o
rádio. Agora ele aperta os botões e o rádio funciona, tocando uma música
alegre e divertida. Ele gosta do que ouve e sai dançando do ônibus para pegar
um sorvete de morango que acaba de cair do carrinho do sorveteiro no chão.
Agora responda às próximas perguntas:

❑ Como era o macaco? Um chimpanzé, um gorila ou o quê?


❑ Quais eram as duas cores das listras largas da camiseta dele?
❑ O ônibus estava parado ou andando?
❑ Tinha pessoas dentro do ônibus?
❑ Havia outros carros ou pessoas na rua?
❑ Qual a música que tocou no rádio?
❑ Ele chegou a pisar nos bancos?
❑ Como ele se movimentava?

Se você parar para prestar atenção em como imaginou essa descrição,


notará que tem tais informações em sua mente; você montou uma represen-
tação mental para a cena que foi descrita anteriormente, e completou com as
informações que faltavam, que não foram descritas. Nesse simples exercício,
você pode notar o poder de uma visualização, pois cada pessoa preenche com
informações de forma única, individualizada, e dificilmente teremos uma ima-
gem mental exatamente igual à de outra pessoa.
Aliás, esse fato é muito explorado para melhorar a comunicação entre
as pessoas, pois sabendo que aquilo que você não informar ao seu ouvinte
será completado com o que ele quiser ou puder, saiba que estará correndo o
risco de obter uma compreensão de sua mensagem completamente distinta
da esperada. Por exemplo, peça a um amigo que lhe compre flores, para se-
rem levadas como presente a uma pessoa da qual você goste muito. Caso você
imagine um ramalhete de rosas amarelas, ainda em botões semi-abertos, e o
seu amigo comprar um ramalhete de flores do campo, todo colorido, não há
132 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

nada de errado no que ele fez. Pois você obteve flores, como desejara, porém
não foi suficientemente específico em sua solicitação.
Uma boa visualização é uma valiosa ferramenta para a memorização.
Mas o que é uma “boa” visualização?
Com a finalidade de obter uma fixação satisfatória das experiências ou
representações mentais em nossa memória, devemos utilizar em nossas fanta-
sias a maior quantidade possível de sentidos e referências sensoriais: visão,
audição, tato, olfato e paladar, pois assim garantimos um bom registro da
informação e adquirimos a facilidade de resgatá-la quando preciso.
Como ilustração, para que você consiga verificar como isso funciona,
busque em sua memória situações ou temas que você nunca esqueceu, repare
como se lembra do que viu, ouviu e sentiu. Como, por exemplo, seu primeiro
encontro com sua(seu) primeira(o) namorada(o); talvez você possa lembrar-
se da roupa que usou no dia, porque deve ter ficado bastante ansioso(a), ima-
ginando o que deveria usar para ficar mais atraente, depois deve se lembrar
do perfume que ela(e) e você usavam, a música que tocava, o que comeram
ou beberam, e principalmente o que você sentia, aquele famoso “friozinho na
barriga” (você encontrará mais sobre o assunto no Apêndice 1, Para Pais,
Professores e Educadores, na página 303).
Você pode fazer essa experiência também com uma recordação de infân-
cia. Lembre-se de um brinquedo que você quis muito e como foi ganhá-lo.
Neste tema, temos uma experiência pessoal, da autora deste livro, para des-
crever e assim ajudá-lo(a) a encontrar suas próprias memórias:

“Quando eu tinha 5 anos de idade, a moda era todas as meninas ganharem a


boneca Suzi, e eu sonhava com o dia de ter a minha. Foi isso que aconteceu naquele
Natal dos meus 5 anos. Hoje, com 42 anos, lembro-me exatamente da fisionomia da
minha boneca, do vestido de cor azul, das meias pretas rendadas, das botinhas pretas
feitas de plástico, dos cabelos prateados, e mais, lembro-me das bolinhas e luzes da
árvore de Natal. Observe que tudo o que acabei de descrever é uma memória visual,
mas não pára por aqui. Tenho também a memória das sensações, lembro-me do cheiro
da boneca, aquele cheiro de brinquedo novo, do plástico e do nylon dos fios de cabe-
lo, lembro-me da textura do vestido, que tinha um tecido grosso com enfeites em
renda preta iguais aos das meias, que eram macios, bem como as botinhas eram
moles, o que tornava fácil calçá-las na boneca. Ah! E os sentimentos, então! Fiquei
tão excitada com a boneca, que meu sentimento foi o medo da perda, de alguém a
tirar de mim, e naquela mesma noite de Natal sonhei que alguém havia cortado com
uma tesoura o vestido e as meias dela, foi horrível! Lembro-me até hoje o que foi
acordar sentindo aquela angústia e depois o alívio de descobrir que minha boneca
Memorização • 133

estava inteirinha ali do meu lado, ufa! Tudo isso são minhas referências sensoriais
dessa recordação.
Na memória auditiva, recordo-me do meu pai dizendo que eu deveria cuidar muito
bem dela porque havia custado muito caro e eu não teria a chance de ganhar outra.
Nem é preciso mencionar que eu cuidava melhor da boneca do que de mim mesma.
Tudo isso aconteceu há 37 anos, mas ao descrever o fato, aqui neste livro, é
como se eu realmente estivesse lá naquela casa, ao lado daquela árvore de Natal,
com a minha Suzi nas mãos e com 5 anos de idade.”

Então sugerimos que uma boa fantasia (ou memória) requer o uso dos
nossos sentidos: visual, auditivo e cinestésico (tato, olfato e paladar), certo?
Sim, mas não é só isso. Ao criarmos nossa representação mental ou fantasia,
devemos cuidar para que ela seja bem específica, rica em detalhes e diferen-
ciada (inusitada). Vamos ver os três itens juntos agora.

Usar os sentidos na fantasia

❑ Visão: ver. Como no exemplo da imagem mental do macaco, ver o


macaco, o ônibus, as cores da camiseta dele, o rádio, o sorvete, o
carrinho do sorveteiro, todas essas são representações da visão.
❑ Audição: ouvir. Ouvir o som da música que tocava no rádio é uma
representação da audição.
❑ Cinestésico: sensações, sentimentos, movimentos, tato, olfato e paladar.
No cinestésico temos os movimentos dele ao andar, ao se balançar
nos canos, ao tocar nos botões do rádio, ao sair dançando e ainda o
sabor de morango do sorvete.
134 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Fantasia específica

Caso seu objetivo seja memorizar a fantasia criada, então ela deve ser es-
pecífica, de forma que, ao resgatar a informação, você não fique confuso. Por
exemplo, suponhamos que você queira memorizar a palavra “garfo”. Se ao criar
a imagem mental do garfo você o visualizar dentro da gaveta de talheres ou
espetado num bife, quando recuperar a informação poderá se confundir e não
saber se a palavra a ser recordada era “garfo” ou “bife”. Então, fantasia ou re-
presentação mental específica significa visualizar só o que você deseja memo-
rizar. No caso do nosso exemplo, visualize apenas um garfo, só ele, mais nada.

Fantasia rica em detalhes

Para que sua representação mental seja memorizada mais facilmente, ela
deve conter muitos detalhes, pois quanto mais rica em detalhes, mais fácil será
de ser lembrada.
Continuando ainda com nosso exemplo da palavra “garfo”, você deve
imaginar todos os detalhes do garfo, quantos dentes tem, de que material é
feito, como é o cabo, se ele possui desenhos, se sua marca está registrada.
Vamos dar mais um exemplo para você compreender como incluir detalhes.

Exercício

Imagine rapidamente uma rosa (flor), sem pensar ou se ater muito à


imagem.
Fazendo o exercício dessa forma, provavelmente depois de alguns dias,
quando eu perguntar: “O que foi mesmo que eu pedi para você imaginar?”,
você nem se lembre.
Mas caso eu peça agora para você imaginar uma rosa que seja vermelho
escura, quase bordô, em formato de botão, porém não muito fechado, já
começando a desabrochar, com pétalas aveludadas e perfeitas, porém só uma
delas com um leve queimado na borda. O caule é comprido e verde, com três
galhos com folhas verdes, e cada galho tem cinco folhas, sempre terminando
com uma na ponta.
No caule também existem alguns espinhos, quatro grandes e duros, e
vários menores e mais maleáveis. O fim do cabo, os últimos 10 ou 15 centíme-
tros, foi raspado de forma que não tem nem folhas nem espinhos. Essa rosa é
muito, muito perfumada, não está apoiada em nenhum lugar, é como se esti-
vesse solta no ar, somente a rosa, uma rosa. Quem sabe você esteja escutando,
Memorização • 135

em sua mente, uma música que fale de uma rosa qualquer ou associe essa fan-
tasia a alguma frase memorável que tenha a rosa como idéia central.
Caso ainda não tenha entrado suficientemente nessa fantasia, então ex-
perimente inverter a ordem das informações acima, começando pelas sensa-
ções e pelo perfume e depois agregando as imagens, ou mesmo começando
pela música. Em alguma dessas seqüências está a chave de seu processo de fan-
tasia dirigida, que poderá despertar sua consciência das representações men-
tais associadas à visão, à audição, ao tato, ao olfato, ao paladar e a sentimentos
acionados pela sua imaginação.
Depois de fazer o exercício de visualização assim, com todos esses deta-
lhes, e numa determinada seqüência de informações sensoriais, é muito pro-
vável que você se recorde dessa “rosa” por um longo período.

Imagem mental diferente

Por que construir uma imagem mental diferente? Porque dessa forma ela
ficará gravada por mais tempo em sua mente, à medida que desperta sua cu-
riosidade, assombro ou surpresa (lembra-se da importância da curiosidade,
da paixão, do movimento e dos estímulos ambientais para a produção de de-
terminadas substâncias neuroativadoras responsáveis pelo aumento de nossa
quantidade de neurônios? Tratamos disso na seção Aprendendo a Aprender,
página 28, 3o parágrafo).
Uma fantasia ou imagem mental diferente, inusitada ou inesperada, fora
do comum! Experimente memorizar a palavra “banana”, faça a visualização
rapidamente dela. Agora compare como fica a sua memória e suas associa-
ções mentais se a representação mental da “banana” for assim:

❑ banana tamanho gigante, maior que os prédios da sua cidade;


❑ na cor azul;
❑ com olhos, boca e nariz;
❑ uma banana que fala e que dança;
❑ cantando: “Chiquita Bacana, lá da Martinica, se veste c’uma casca
de banana nanica”.

Ficou bem diferente, não é mesmo? Dificilmente você se esqueceria de uma


banana maior do que um prédio e que fosse azul ou mesmo amarela.
Para tornar sua imagem mental diferente, você pode usar humor e exa-
geros, tanto para aumentar como para reduzir; drama, ridículo, cores vibran-
136 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

tes, coisas fora da realidade, enfim tudo o que chame a atenção. Você pode
tomar como exemplo os desenhos animados, nos quais objetos têm vida e não
existe a lógica do mundo real.
Agora que você já sabe como funciona sua memória, refaça o exercício
inicial de memorizar a lista de palavras, mas desta vez utilizando-se das técni-
cas de visualização e associação. Observe os resultados. Você ficará feliz!
Para facilitar, vamos demonstrar como fazer com os três primeiros itens
da lista:

PÃO CAFÉ TOMATE CADERNO


QUEIJO LARANJA LÂMPADA BANANA
RÉGUA AGULHA UVA SABONETE
LÁPIS ALGODÃO CEBOLA ENVELOPE
LEITE BORRACHA SALAME DETERGENTE

Visualização

Pão: imagine um pão exageradamente gordo, cor-de-rosa, cantando a


música “Minha Brasília amarela...” e dançando enquanto anda.
Café: agora imagine uma chuva de grãos de café, que ao cair no chão faz
barulho, e os grãos saem rolando, em grande quantidade, como uma forte
tempestade. Inclua o cheiro do café fresco e, caso goste de café, o paladar
agradável.
Tomate: visualize um tomate vermelho muito grande com uma fita ver-
de, tentando fazer abdominais e, a cada movimento, ele solta um gemido ou,
se preferir, você pode imaginar um exército de tomates em fila sendo fatiados
e caindo num prato de salada de tomates fresquinha, pronta para ser
saboreada ou, ainda, construa sua própria fantasia de algo inusitado que possa
atrair sua curiosidade.

Associação

Agora vamos ligar as palavras e suas correspondentes fantasias, duas de


cada vez, a primeira com a segunda, depois a segunda com a terceira, e assim
por diante.
No processo de associação das fantasias, também será utilizada a visua-
lização, da mesma forma que fizemos com as palavras isoladamente. Vamos
soltar nossa criatividade!
Memorização • 137

Associando o “pão” com o “café”: podemos imaginar que o pão viesse


caminhando pela rua dançando, cantando aquela música “Minha Brasília
amarela...” e, de repente, pisa nos grãos de café, escorrega e leva um grande
tombo. Quando você tiver essa representação registrada, com intensidade, isto
é, com uma certa emoção ou excitação, estará pronto(a) para a segunda
vinculação.
Associação de “café” com “tomate”: a forte chuva de grãos de café come-
ça a cair em cima da barriga do tomate, o qual está tentando fazer os abdo-
minais, e ele se encolhe, protegendo a barriga com as mãos e gritando “ai, ai,
ai”, ou talvez caia sobre a salada!
Agora é a sua vez. Crie fantasias detalhadas para os outros itens da tabela
usando as sugestões baseadas nos exemplos que acabamos de descrever, depois
faça também as associações. Se você não gostou das imagens sugeridas nos exem-
plos anteriores, crie a sua própria para as três primeiras palavras também.
Então feche o livro e escreva a lista em uma folha de papel, como da pri-
meira vez que você fez o exercício e avalie o potencial de sua memória.
Você pode estar imaginando que é uma grande bobagem ficar memori-
zando listas de palavras. E temos que concordar com você, exceto em casos
muito particulares em que elas nos podem ser úteis. Porém, aquilo que descre-
vemos acima são apenas os rudimentos básicos de treinamento da imaginação
para demonstrar que a boa memória depende de estratégia. Assim como é possí-
vel utilizar o processo descrito muito rapidamente quando estiver treinado, esses
procedimentos simples fazem parte de técnicas bem mais sofisticadas e úteis de
memorização de informações verdadeiramente relevantes.
Portanto, caso você conclua que possui um grande potencial de memó-
ria, resta-lhe apenas desenvolver as técnicas e aprimorá-las para o que neces-
sitar ou desejar. Além disso, mesmo nesse caso simples, você estará exercitando
as suas habilidades de fantasiar conscientemente, e não apenas nos devaneios
espontâneos. Dessa forma, você poderá aprender a utilizar a visualização não
somente nas técnicas de memorização nas quais elas são muito importantes,
mas também na preparação de sua flexibilidade mental para o desenvolvimen-
to de sua criatividade e de sua habilidade de ilustração, tão valiosas no pro-
cesso associativo e criativo propiciado pelo uso dos mapas mentais.

Compreensão lógica da informação

Agora vamos apresentar mais uma habilidade que pode ajudar muito na
memorização: a compreensão da lógica utilizada para recuperar ou reconstruir
138 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

uma informação. Quando lidamos com informações cuja lógica de constru-


ção não conseguimos descobrir, normalmente temos mais dificuldade para
compreendê-la e, conseqüentemente, é mais difícil memorizá-la. Para que você
compreenda melhor, vamos descrever uma brincadeira ou exercício.
Suponha que estejamos em um grupo de dez pessoas no qual um dos
participantes, o Arnaldo, será o coordenador da brincadeira; assim ele co-
meça expondo o contexto.
Vamos imaginar que o nosso governo tenha conseguido fabricar seu pri-
meiro ônibus espacial e, para a viagem inaugural, está convidando dez pessoas
que poderão conhecer a Lua. Ele me escolheu para ser o líder e eu poderei de-
cidir quem vai participar dessa viagem, e o que esses convidados poderão levar
consigo na viagem. Bom, eu já escolhi as pessoas, são vocês, agora preciso saber
o que cada um gostaria de levar, e decidirei se poderão ou não levar aquilo
em que estão pensando. Vou chamar cada um pelo nome e vocês dizem algo
que gostariam de levar, então eu digo se podem ou não.
Para iniciar, vou dizer o que eu mesmo decido levar: vou levar uma arara.

Nome: Vai levar: Resposta do Arnaldo:


Júlia Cobertor Júlia, você não pode levar um cobertor.
Décio Biscoitos Décio, você não pode levar biscoitos.
Lucas Lanterna Lucas, você pode levar uma lanterna.
Maria Raquete Maria, você não pode levar uma raquete.
Vera Vela Vera, você pode levar uma vela.
Sofia Sabonete Sofia, você pode levar sabonete.
Carlos Cobertor Carlos, você pode levar um cobertor.

Nesse momento a Júlia protesta, pois não lhe foi permitido levar o co-
bertor, mas o Carlos pode levar. Então o Arnaldo diz: “Sim, é isso mesmo, o
Carlos pode levar um cobertor”. E continua a brincadeira:

Eduardo Fósforos Eduardo, você não pode levar fósforos.


Felipe Faca Felipe, você pode levar uma faca.

A essa altura, algumas pessoas conseguem compreender a lógica da brin-


cadeira, então a Júlia diz: “Eu vou levar então uma jaca!” E ela agora é au-
torizada a levar uma jaca. A Maria também entende o “espírito da brincadeira”
e troca seu objeto: “Pretendo então levar uma maçã”, obtendo assim sua
permissão.
Memorização • 139

Assim todos que entenderam a lógica que envolvia a brincadeira conse-


guiram participar da viagem imaginária, pois a lógica estava em apenas levar
um objeto cujo nome começasse com a mesma letra do nome da pessoa:
Júlia ➯ Jaca, Maria ➯ Maçã, Lucas ➯ Lanterna, Arnaldo ➯ Arara, Vera ➯
Vela, Sofia ➯ Sabonete, Carlos ➯ Cobertor. Compreendendo a lógica fica
muito mais fácil, não é mesmo?
Isso foi apenas uma brincadeira. Então, como aprender se divertindo é
muito mais gostoso, agora vamos propor outra brincadeira para você ex-
perimentar. Olhe durante 1 minuto para as letras e os símbolos que estão a
sua frente, depois feche o livro, pegue papel e caneta, e tente montar pala-
vras utilizando-se apenas dos símbolos no lugar das letras. Não vale mais
utilizar as letras.

Lembre-se, o exercício proposto é montar palavras apenas com os sím-


bolos, como se fosse escrever em código secreto. Feche o livro para evitar a
tentação de colar.
Exemplo: para escrever a palavra “dia” com os códigos, faríamos assim:

Agora que você já deve ter feito o exercício proposto, provavelmente com
alguma dificuldade para se lembrar da equivalência e do desenho de cada sím-
bolo, vamos mostrar como o conhecimento da lógica e da organização das
informações pode facilitar muito na memorização. Veja como, da forma que
apresentamos a seguir, fica muito mais fácil memorizar os símbolos com sua
respectiva equivalência de significado com a letra:
140 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Observe que o formato, ou desenho dos símbolos, quando unidos, for-


mam uma grade, isto é, o nosso famoso e conhecido “jogo da velha”, no qual
as letras estão em ordem alfabética. Fácil, não é mesmo? Caso você tenha gos-
tado dessa brincadeira com lógica, então vamos propor mais um desafio.
Descubra qual seria a próxima figura à direita da seqüência abaixo, obtendo,
assim, a lógica para lembrar-se da seqüência das figuras a seguir:

Podemos utilizar a lógica para melhorar ainda mais nossa memorização.


Utilizemos como exemplo aquele exercício que fizemos de visualização e as-
sociação das palavras, no qual poderíamos entender a lógica utilizada para
montar a lista ao classificá-las por categorias, como nas seções de um super-
mercado ou em um pequeno centro comercial. Veja o mapa resultante na
página 270 da seção de Mapas Mentais, Elaboração.

PÃO CAFÉ TOMATE CADERNO


QUEIJO LARANJA L Â M PADA BANANA
RÉGUA AGULHA UVA SABONETE
LÁPIS ALGODÃO CEBOLA ENVELOPE
LEITE BORRACHA SALAME DETERGENTE

Uma outra curiosidade é que, embora saibamos as seqüências dos nú-


meros de 1 a 9, dos dias da semana e dos meses do ano, tendo-as na ponta da
língua na ordem em que as conhecemos, é interessante notar que se nos for
solicitado que os apresentemos em ordem alfabética, provavelmente teremos
que processar novamente tais informações a ponto de sermos capazes de res-
ponder adequadamente a esse pedido, no qual um novo critério de ordena-
ção foi estabelecido. Veja abaixo tais informações organizadas com o novo
critério, isto é, em ordem alfabética:
Memorização • 141

Números de 1 a 9 Dias da semana Meses do ano

Cinco Domingo Abril


Agosto
Dois Quarta-feira Dezembro
Nove Fevereiro
Quinta-feira Janeiro
Oito
Julho
Quatro Sábado
Junho
Seis Maio
Segunda-feira
Sete Março
Sexta-feira Novembro
Três Outubro
Um Terça-feira Setembro

Técnicas de memorização

Alguns investigadores e estudiosos dos processos mnemônicos (de técni-


cas de memorização), observando aquilo que acabamos de apresentar e ain-
da outros fenômenos, criaram várias técnicas para memorização. Algumas
delas são um pouco trabalhosas no início, quando se tem pouca prática, mas
depois de algum tempo, tornam-se tão rápidas e fáceis de se utilizar que me-
morizar informações passa a ser uma grande brincadeira, pura diversão.
A seguir, você tem uma descrição breve de duas dessas técnicas (caso de-
seje desenvolver algumas técnicas de memorização ou aprender ainda outras
mais poderosas e eficazes, será útil fazer um curso, consultar alguns livros
sobre o assunto ou buscar aqueles indicados na bibliografia). O segredo, como
já mencionamos, é construir previamente um sistema de catalogação e inde-
xação dos registros, de modo que possamos evocar os conteúdos quando de-
sejarmos, “abrindo as gavetas mentais” nas quais foram armazenados.

Memorização de números

Embora a princípio pareça trabalhoso, é uma técnica bastante eficiente


e muito utilizada. Depois de memorizar a lista abaixo, você será capaz de uti-
lizar a técnica de visualização e a associação de imagens para memorizar qual-
quer número que desejar na forma de uma fantasia:
142 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

Com o uso da tabela acima, vamos formar palavras com as letras nela
mencionadas. Podemos usar quantas vogais quisermos, pois vogais aqui não
têm valor. Uma vez criada a palavra, utilize a técnica de criar a fantasia, por
exemplo:

No Palavra
1 teia
01 rato
35 mala
80 garra
44 caqui

Exercício: vamos utilizar essa técnica para memorizar o número


960.585.746.994. Podemos juntar quantos números quisermos para formar
a palavra:

960 = vassoura 58 = lago 57 = lixo 4 = cão 69 = sapo 94 = vaca

Criando as fantasias (imagens mentais) para memorizar, podemos ima-


ginar uma vassoura de desenho animado com os cabelos (fios) em chamas
correndo e mergulhando no lago. O lago abre uma boca enorme e a cospe no
lixo, que é atacado por um cão. O cão corre atrás do sapo colorido que pula
nas costas de uma vaca e saem os dois correndo. Experimente criar essa fan-
tasia em sua mente. Amanhã ou depois, caso deseje testar sua memória, res-
gate a fantasia e, utilizando-se da tabela anterior, poderá reconstruir o seu
número. Evidentemente, com o uso freqüente, essa tabela será espontanea-
mente memorizada, assim como a tabuada que você deve ou deveria ter me-
morizado para facilitar suas contas na escola.
Basta você soltar sua imaginação e verá como ficará fácil gravar núme-
ros agora.
Memorização • 143

Memorização de palavras difíceis

Como na técnica anterior, para memorizar palavras, basta você utilizar


a tabela abaixo (ou outra que você construa em ordem alfabética). Você pode
usar as palavras desse modelo ou criar a sua própria, usando a palavra que
melhor faz lembrar aquela determinada letra. Por exemplo, quando preciso
soletrar uma palavra que contenha a letra “R” para outra pessoa ao telefone,
digo “R” de rato, mas você pode usar outra palavra que venha primeiro à sua
mente para identificar o “R”.
Depois a técnica é a mesma que fizemos com os números acima, utilizan-
do a imagem mental.
Exercício: vamos fazer juntos, utilizando a técnica para memorizar a
palavra “gnose”.

O primeiro passo é memorizar a tabela das letras do alfabeto, porém isso será
fácil se você criou a sua própria e utilizou as palavras que mais lhe fazem recordar
a letra, como no exemplo do “r” de rato que mencionamos na tabela anterior.
Depois, separamos letra por letra e utilizamos o seu correspondente da
tabela para criar as imagens mentais.
Uma vez criadas as representações mentais e suas associações, teremos a
palavra “gnose” memorizada letra por letra. Quando necessitarmos recupe-
rar a informação, basta-nos lembrar da fantasia mental criada previamente.
Para isso, toma-se a letra inicial de cada elemento imaginado como letra da
palavra memorizada, respeitando-se a ordem de criação, para reconstruir-
mos a palavra original. Veja no exemplo como isso pode ser feito:

G = gato N = navio O = ovo S = sapo E = elefante

Fantasia para memorizar: imagine um gato andando nas duas patas tra-
seiras (como algum personagem de desenho animado, como por exemplo, o
144 • MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências

gato Felix ou o gato de botas). Ao caminhar ele tem muito gingado e assobia
uma canção. De repente ele dá um salto e pendura-se no casco de um navio
gigantesco, como o Titanic, que está pronto para partir soando seu apito e
agitando as águas do porto. Então cai do céu um ovo imenso de cor azul,
bem em cima do convés do navio, e faz um barulho de rachar a casca, que
começa a se romper, e eis que sai de dentro do ovo um grande sapo branco,
pulando de um lado para o outro e gritando “eu não sei nadar, eu não sei
nadar”. Com tanto escândalo, sai da cabine de comando do navio, para ave-
riguar o que acontece, um elefante roxo, com grandes orelhas de abano ba-
lançando livremente ao vento e fazendo muito barulho no chão do navio com
suas enormes patas.
Agora que já temos a representação mental formada, quando necessi-
tarmos recuperar a palavra memorizada basta nos lembrarmos de cada ele-
mento da fantasia na ordem em que formam a “história”: primeiro o gato (G),
depois o navio (N), então o ovo (O), o sapo (S) e, por fim, o elefante (E).
O tempo que levamos para descrever essa associação de imagens mentais
é muito mais longo do que o processo de criar mentalmente, então não se
assuste, pratique. Em pouco tempo sua mente estará treinada e você fará suas
imagens fantásticas com muita rapidez e criatividade.

Dupla codificação

Durante a utilização dos mapas mentais, utiliza-se como um importante


recurso de memorização aquilo que chamamos de dupla codificação, além dos
processos cognitivos envolvidos, de ordenação, classificação e síntese, entre
outros, que contribuem para a fixação dos conteúdos. A dupla codificação é
a associação de uma ilustração, sempre que possível, às palavras ou conceitos
mais importantes. Isso significa trabalhar, o quanto seja viável, tanto com pa-
lavras quanto com desenhos, símbolos, sinalizações indicativas e gráficas, além
de figuras que as representem ou ajudem a evocá-las.
Esse recurso é proposto, pois uma lista de informações apreendidas com
suas ilustrações ou símbolos correspondentes é muito mais facilmente memo-
rizada do que aquelas que possuem apenas palavras-chave impressas, já que a
representação visual dá suporte à linguagem verbal, ou seja, o conteúdo é
acessado através de dois canais distintos e associados.
Dessa forma, devemos utilizar uma codificação o mais rica e completa
possível. Quanto mais redundância na quantidade de informações, mais fácil
é memorizá-las, desde que não criem confusão. A codificação que utiliza uma
Memorização • 145

quantidade maior de dimensões de expressão enriquece a quantidade de vín-


culos de cada informação no processo de registro e na fixação (retenção),
estabelecendo mais vias de acesso à informação assim armazenada, facilitan-
do a lembrança posteriormente.
Também por essa razão, sugere-se que, além de aprender com o auxílio
de mapas mentais, o estudante de qualquer assunto também os construa, in-
vestindo tempo na elaboração das ilustrações, já que a atividade motora as-
sociada ao processamento de informações cria ainda uma raiz mais profunda
em seu sistema nervoso – como já tanto insistimos e ainda vamos enfatizar.

Resumo

Esta rápida vista panorâmica sobre a utilização da memória, além de útil


para as discussões posteriores sobre mapas mentais e aprendizagem, teve a
principal finalidade de despertar sua curiosidade pelo assunto e motivá-lo(a) a
buscar outros conhecimentos sobre as técnicas de memorização mais eficazes.
No que diz respeito aos conteúdos de nosso livro, vamos adiante.