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FICHAMENTO

ALUNO: Aniele Torresilha de Oliveira

1. OBRA: A Teoria das Formas de Governo: a Monarquia Constitucional


(apêndice)
2. AUTOR: Norberto Bobbio
3. REFERENTE: Apresentação na Disciplina de Graduação da UFSC, “Teoria
Política”, ministrada pelo Professor Rogério Portanova, como instrumento de
avaliação e de subsídios para participação em aula sobre a obra.

4. RESUMO:
Norberto Bobbio dedica um capítulo para abordar o tema da monarquia
constitucional em Hegel e também em Montesquieu; Bobbio (1997) explana como a
constituição monárquica descrita por Hegel é mais articulada e complexa e relação a
tipologia clássica das formas de governo e, igualmente, como a monarquia, apresentada
por Montesquieu como excelente, caracteriza-se como uma constituição complexa. A
inovação da teoria hegeliana em relação à de Montesquieu consistiria, como explana
Bobbio (1997), em como se dá a maneira de considerar a sociedade moderna e suas
articulações.

“Segundo Hegel, a vida social se diferenciou numa multiplicidade de


aspectos e níveis particulares, mas sobretudo se “duplicou”, por assim dizer,
em duas esferas distintas, com caracteres opostos: a sociedade civil e o
Estado. [...] para Hegel a vida coletiva moderna se diferencia em duas
esferas: a sociedade civil, que é a das diferenças sociais; e o Estado, a da
unidade política, na qual as diferenças sociais são articuladas e
recompostas.” (BOBBIO, 1997, p. 158)
No que se diz respeito à monarquia de Montesquieu, Bobbio (1997) destaca uma
base com dois aspectos, um objetivo e outro subjetivo; na teoria de Montesquieu a
divisão entre classes se dá de maneira horizontal enquanto na concepção hegeliana a
divisão se dá de maneira “econômicosocial”.

Na visão de Hegel, o Estado é, de modo geral, o reino da liberdade, pois


nele cada indivíduo, cumprindo seu dever, tem consciência do objetivo que
busca, e que as leis prescrevem - o bem coletivo. A sociedade civil é o reino
da necessidade, pois sua finalidade coletiva - a subsistência material e o
bem-estar geral- é alcançada sem intenção consciente por parte dos
cidadãos, que na sua vida particular (isto é, enquanto membros da sociedade
civil) perseguem cada qual seus fins individuais. Bem diferente é a
liberdade de que fala Montesquieu, que pode ser definida, de modo geral,
como liberdade "negativa" - a ausência da opressão e dos abusos. (Bobbio,
1997, p. 159).
O princípio da divisão dos poderes assume novo significado no modelo
hegeliano: é orgânico; forma racional da unidade política na diferenciação própria da
vida social moderna. Hegel distingue três poderes: o do príncipe, do governo e o
legislativo.