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Polícia Civil

Papiloscopista Policial

ÍNDICE
1. - Língua Portuguesa
1.1. - Leitura e interpretação de diversos tipos de textos (literários e não literários). ....................................................................................... 01
1.2. - Sinônimos e antônimos............................................................................................................................................................................ 09
1.3. - Pontuação. ............................................................................................................................................................................................... 09
1.4. - Classes de palavras: substantivo, adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição e conjunção: emprego e sentido que
imprimem às relações que estabelecem........................................................................................................................................................... 11
1.5. - Concordância verbal e nominal. .............................................................................................................................................................. 28
1.6. - Regência verbal e nominal. ..................................................................................................................................................................... 21
1.7. - Colocação pronominal. ............................................................................................................................................................................ 11
1.8. - Crase. ...................................................................................................................................................................................................... 10

2. - Noções de Direito
2.1. - Constituição Federal: artigos 1.º a 14, 37, 41 e 144. ............................................................................................................................... 01
2.2. - Direitos Humanos - conceito e evolução histórica. .................................................................................................................................. 06
2.2.1. - Estado Democrático de Direito. ............................................................................................................................................................ 06
2.2.2. - Direitos Humanos e Cidadania. ............................................................................................................................................................ 06
2.3. - Direito Penal: ........................................................................................................................................................................................... 28
2.3.1. - Crime e contravenção. .......................................................................................................................................................................... 53
2.3.2. - Crime doloso e crime culposo............................................................................................................................................................... 54
2.3.3. - Crime consumado e crime tentado. ...................................................................................................................................................... 54
2.3.4. - Excludentes de ilicitude. ....................................................................................................................................................................... 57
2.3.5. - Desistência voluntária, arrependimento eficaz e arrependimento posterior. ........................................................................................ 57
2.3.6. - Dos Crimes contra a Vida - artigos 121 a 128. ..................................................................................................................................... 57
2.3.7. - Das Lesões Corporais - artigo 129. ...................................................................................................................................................... 58
2.3.8. - Dos Crimes contra o Patrimônio - artigos 155 a 180. ........................................................................................................................... 58
2.3.9. - Dos Crimes Praticados por Funcionário Público contra a Administração em Geral - artigos 312 a 327. ............................................ 61
2.4. - Legislação: ............................................................................................................................................................................................... 62
2.4.1. - Lei n.º 9.503/97 (Código de Trânsito Brasileiro). .................................................................................................................................. 62
2.4.2. - Lei Orgânica da Polícia do Estado de São Paulo (Lei Complementar n.º 207 de 05.01.1979, Lei Complementar n.º 922/02 e
Lei Complementar n.º 1.151/11). ...................................................................................................................................................................... 90
2.4.3. - Lei nº 12.037 de 1º. De outubro de 2009 (Dispõe sobre a identificação criminal do civilmente identificado). ................................... 114
2.4.4. - Lei Federal n.º 12.527 de 18.11.2011 (Lei de Acesso à Informação) e Decreto Estadual n.º 58.052 de 16.05.2012. ...................... 100

3. - Noções de Criminologia
3.1. - Criminologia: conceito, método, objeto e finalidades. ............................................................................................................................. 01

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3.2. - Evolução histórica, teorias e escolas criminológicas. .............................................................................................................................. 01
3.3. - Fatores condicionantes e desencadeantes da criminalidade. ................................................................................................................. 26
3.4. - Vitimologia. .............................................................................................................................................................................................. 42
3.5. - Prevenção do delito. ................................................................................................................................................................................ 49

4. - Noções de Lógica
4.1. - Razão e proporção. ................................................................................................................................................................................. 01
4.2. - Grandezas proporcionais. ........................................................................................................................................................................ 02
4.3. - Porcentagem. ........................................................................................................................................................................................... 03
4.4. - Regras de três simples. ........................................................................................................................................................................... 04
4.5. - Teoria dos conjuntos................................................................................................................................................................................ 04
4.6. - Conjuntos numéricos (números naturais, inteiros, racionais e irracionais). ............................................................................................ 04
4.7. - Operações com conjuntos numéricos...................................................................................................................................................... 04
4.8. - Verdades e mentiras. ............................................................................................................................................................................... 25
4.9. - Sequências lógicas com números, letras e figuras. ................................................................................................................................ 25
4.10. - Problemas com raciocínio lógico, compatíveis com o nível fundamental completo. ............................................................................. 25

5. - Noções de Informática
5.1. - MS-Windows 7: instalação e configuração, conceito de pastas, diretórios, arquivos e atalhos, área de trabalho, área de
transferência, manipulação de arquivos e pastas, uso dos menus, programas e aplicativos, interação com o conjunto de aplicativos. ........ 01
5.2. - MS-Office 2010. ....................................................................................................................................................................................... 10
5.2.1. - MS-Word 2010: estrutura básica dos documentos, edição e formatação de textos, cabeçalhos, parágrafos, fontes, colunas,
marcadores simbólicos e numéricos, tabelas, impressão, controle de quebras, numeração de páginas e inserção de objetos. .................... 10
5.2.2. - MS-Excel 2010: definição, barra de ferramentas, estrutura básica das planilhas, conceitos de células, linhas, colunas, pastas e
gráficos, elaboração de tabelas e gráficos, uso de fórmulas, funções e macros, inserção de objetos e classificação de dados. ................... 12
5.2.3. - Correio Eletrônico: uso de correio eletrônico, preparo e envio de mensagens, anexação de arquivos. .............................................. 18
5.2.4. - Internet: Conceito, provedores, protocolos, navegação na Internet, links, sites, buscas, vírus. .......................................................... 18

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A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções de
resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não, exce-
to, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha adequa-
da. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do "mais
adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento proposto. Por
isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta, mas não
ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver uma outra
alternativa mais completa.

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DIVERSOS TIPOS Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmento
DE TEXTOS (LITERÁRIOS E NÃO-LITERÁRIOS) do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar ao
texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descontex-
tualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um recurso
Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finali- para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a posterior para
dade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve ter ideia do sentido global proposto pelo autor, desta maneira a resposta
compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de será mais consciente e segura.
necessitar de um bom léxico internalizado.

As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
confronto entre todas as partes que compõem o texto.
01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas por 02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá
trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento justifica- até o fim, ininterruptamente;
se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do autor 03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo monos
diante de uma temática qualquer. umas três vezes ou mais;
04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
Denotação e Conotação 05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
Sabe-se que não há associação necessária entre significante (expres- 06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
são gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma con- 07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compre-
venção. É baseado neste conceito de signo linguístico (significante + signi- ensão;
ficado) que se constroem as noções de denotação e conotação. 08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto cor-
respondente;
O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicionários, 09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras é a 10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compreensão, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determinada aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
construção frasal, uma nova relação entre significante e significado. perguntou e o que se pediu;
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
Os textos literários exploram bastante as construções de base conota- exata ou a mais completa;
tiva, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações 12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
diferenciadas em seus leitores. lógica objetiva;
13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o conceito de polis- 14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
semia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra 15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste resposta;
caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim 16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e definindo o tema e a mensagem;
esclareçam o sentido. 17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importantís-
Como Ler e Entender Bem um Texto simos na interpretação do texto.
Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e Ex.: Ele morreu de fome.
de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização
cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, extra- do fato (= morte de "ele").
em-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o próximo Ex.: Ele morreu faminto.
nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava
palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma palavra para quando morreu.;
resumir a ideia central de cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça 19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as idei-
a memória visual, favorecendo o entendimento. as estão coordenadas entre si;
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza
Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjetiva, de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo
há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a fim Cunegundes
de responder às interpretações que a banca considerou como pertinentes.
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele texto TEXTO NARRATIVO
com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da  As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, for-
época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momen- ças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar
tos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida. Aqui dos fatos.
não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência bibliográfica
da fonte e na identificação do autor. Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou
heroína, personagem principal da história.

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O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designos do prota- - visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê,
gonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per-
contracena em primeiro plano. sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra-
dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa.
As personagens secundárias, que são chamadas também de compar-  Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de a-
sas, são os figurantes de influencia menor, indireta, não decisiva na narra- presentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do qual
ção. a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é feita
em 1a pessoa ou 3a pessoa.
O narrador que está a contar a história também é uma personagem,
pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor- Formas de apresentação da fala das personagens
tância, ou ainda uma pessoa estranha à história. Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há
três maneiras de comunicar as falas das personagens.
Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso-
nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não  Discurso Direto: É a representação da fala das personagens atra-
alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e vés do diálogo.
tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma dimen- Exemplo:
são psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações “Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da
perante os acontecimentos. verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna-
val a cidade é do povo e de ninguém mais”.
 Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos, a
trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo po- No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou descendi:
demos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e de
progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o climax, o travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou rápidas
desenlace ou desfecho. os verbos de locução podem ser omitidos.

Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente,  Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas
as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre, próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens. E-
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a xemplo:
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou “Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa-
seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de inte- dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade
resses entre as personagens. que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os me-
nos sombrios por vir”.
O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten-
são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho,  Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se
ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos. mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.
 Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici- Exemplo:
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o gê- “Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando
nero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidiano alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles
constitui uma crônica, o relato de um drama social é um romance lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem
social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato central, que estivesse doido. Como poderia andar um homem àquela
que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundários, rela- hora , sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés
cionados ao principal. no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.
 Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lu- (José Lins do Rego)
gares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter
informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas ve- TEXTO DESCRITIVO
zes, principalmente nos textos literários, essas informações são Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais carac-
extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos textos terísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.
narrativo.
 Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importantes,
determinado tempo, que consiste na identificação do momento, tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude que
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa- vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para que
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas relações o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma imagem
podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos fatos, unificada.
ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de um fa-
to que aconteceu depois. Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, vari-
ando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a
O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tempo pouco.
material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela
natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra téc-
fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da nica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no seu  Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é
espírito. transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente
 Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis- através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a subje-
semos, é a personagem que está a contar a história. A posição em tiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas preferên-
que se coloca o narrador para contar a história constitui o foco, o cias, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o
aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser caracteri- que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo objeti-
zado por : vo, fenomênico, ela é exata e dimensional.
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito às  Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das
personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos acon- personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos,
tecimentos e a narração é feita em 3a pessoa. pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e temperamen-
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da narra- to, com a finalidade de situar personagens no contexto cultural, so-
tiva que é feito em 1a pessoa. cial e econômico .

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 Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o conteúdo, ou daquilo que fora tratado seja concretado. A formação discursi-
observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama, va é responsável pelo emassamento do conteúdo que se deseja transmitir,
para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as ou persuadir, e nele teremos a formação do ponto de vista do sujeito, suas
partes mais típicas desse todo. análises das coisas e suas opiniões. Nelas, as opiniões o que fazemos é
 Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos soltar concepções que tendem a ser orientadas no meio em que o indivíduo
ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma viva. Vemos que o sujeito lança suas opiniões com o simples e decisivo
visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos e intuito de persuadir e fazer suas explanações renderem o convencimento
típicos. do ponto de vista de algo/alguém.
 Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada,
que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de Na escrita, o que fazemos é buscar intenções de sermos entendidos e
um incêndio, de uma briga, de um naufrágio. desejamos estabelecer um contato verbal com os ouvintes e leitores, e
 Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge- todas as frases ou palavras articuladas produzem significações dotadas de
rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um vocabu- intencionalidade, criando assim unidades textuais ou discursivas. Dentro
lário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores. É deste contexto da escrita, temos que levar em conta que a coerência é de
predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer relevada importância para a produção textual, pois nela se dará uma se-
convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou mecanis- quência das ideias e da progressão de argumentos a serem explanadas.
mos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc. Sendo a argumentação o procedimento que tornará a tese aceitável, a
apresentação de argumentos atingirá os seus interlocutores em seus objeti-
TEXTO DISSERTATIVO vos; isto se dará através do convencimento da persuasão. Os mecanismos
Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação cons- da coesão e da coerência serão então responsáveis pela unidade da for-
ta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou ques- mação textual.
tão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai escrever
com clareza, coerência e objetividade. Dentro dos mecanismos coesivos, podem realizar-se em contextos
verbais mais amplos, como por jogos de elipses, por força semântica, por
A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados.
o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão. Um mecanismo mais fácil de fazer a comunicação entre as pessoas é a
linguagem, quando ela é em forma da escrita e após a leitura, (o que ocorre
A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfatizan- agora), podemos dizer que há de ter alguém que transmita algo, e outro
do o contexto. que o receba. Nesta brincadeira é que entra a formação de argumentos
com o intuito de persuadir para se qualificar a comunicação; nisto, estes
Quanto à forma, ela pode ser tripartida em : argumentos explanados serão o germe de futuras tentativas da comunica-
 Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda- ção ser objetiva e dotada de intencionalidade, (ver Linguagem e Persua-
mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e ob- são).
jetiva da definição do ponto de vista do autor.
Sabe-se que a leitura e escrita, ou seja, ler e escrever; não tem em sua
 Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias colo-
unidade a mono característica da dominação do idioma/língua, e sim o
cadas na introdução serão definidas com os dados mais relevan-
propósito de executar a interação do meio e cultura de cada indivíduo. As
tes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de ideias
relações intertextuais são de grande valia para fazer de um texto uma
articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte num
alusão à outros textos, isto proporciona que a imersão que os argumentos
conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e de-
dão tornem esta produção altamente evocativa.
sencadeia a conclusão.
 Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da ideia
A paráfrase é também outro recurso bastante utilizado para trazer a um
central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a in-
texto um aspecto dinâmico e com intento. Juntamente com a paródia, a
trodução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para
paráfrase utiliza-se de textos já escritos, por alguém, e que tornam-se algo
haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer
espetacularmente incrível. A diferença é que muitas vezes a paráfrase não
em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipótese
possui a necessidade de persuadir as pessoas com a repetição de argu-
e opinião.
mentos, e sim de esquematizar novas formas de textos, sendo estes dife-
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida; é
rentes. A criação de um texto requer bem mais do que simplesmente a
a obra ou ação que realmente se praticou.
junção de palavras a uma frase, requer algo mais que isto. É necessário ter
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou
na escolha das palavras e do vocabulário o cuidado de se requisitá-las,
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so-
bem como para se adotá-las. Um texto não é totalmente auto-explicativo,
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido.
daí vem a necessidade de que o leitor tenha um emassado em seu histórico
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou
uma relação interdiscursiva e intertextual.
desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje-
tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem a
As metáforas, metomínias, onomatopeias ou figuras de linguagem, en-
respeito de algo.
tram em ação inseridos num texto como um conjunto de estratégias capa-
zes de contribuir para os efeitos persuasivos dele. A ironia também é muito
O TEXTO ARGUMENTATIVO utilizada para causar este efeito, umas de suas características salientes, é
Baseado em Adilson Citelli que a ironia dá ênfase à gozação, além de desvalorizar ideias, valores da
oposição, tudo isto em forma de piada.
A linguagem é capaz de criar e representar realidades, sendo caracte-
rizada pela identificação de um elemento de constituição de sentidos. Os Uma das últimas, porém não menos importantes, formas de persuadir
discursos verbais podem ser formados de várias maneiras, para dissertar através de argumentos, é a Alusão ("Ler não é apenas reconhecer o dito,
ou argumentar, descrever ou narrar, colocamos em práticas um conjunto de mais também o não-dito"). Nela, o escritor trabalha com valores, ideias ou
referências codificadas há muito tempo e dadas como estruturadoras do conceitos pré estabelecidos, sem porém com objetivos de forma clara e
tipo de texto solicitado. concisa. O que acontece é a formação de um ambiente poético e sugerível,
capaz de evocar nos leitores algo, digamos, uma sensação...
Para se persuadir por meio de muitos recursos da língua é necessário
que um texto possua um caráter argumentativo/descritivo. A construção de Texto Base: CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São Paulo SP,
um ponto de vista de alguma pessoa sobre algo, varia de acordo com a sua Editora ..Scipione, 1994 - 6ª edição.
análise e esta dar-se-á a partir do momento em que a compreensão do

Língua Portuguesa 3 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
TIPOLOGIA TEXTUAL enquanto sua mãe, da sala, fazia comentários banais sobre a história
familiar." O perfeito, ao contrário, apresenta as ações concluídas no passa-
do: "De repente, chegou o pai com suas botas sujas de barro, olhou sua
A todo o momento nos deparamos com vários textos, sejam eles filha, depois o pretendente, e, sem dizer nada, entrou furioso na sala".
verbais e não verbais. Em todos há a presença do discurso, isto é, a ideia
intrínseca, a essência daquilo que está sendo transmitido entre os A apresentação das personagens ajusta-se à estratégia da definibilidade:
interlocutores. são introduzidas mediante uma construção nominal iniciada por um artigo
indefinido (ou elemento equivalente), que depois é substituído pelo definido,
Esses interlocutores são as peças principais em um diálogo ou em um por um nome, um pronome, etc.: "Uma mulher muito bonita entrou apressa-
texto escrito, pois nunca escrevemos para nós mesmos, nem mesmo damente na sala de embarque e olhou à volta, procurando alguém impaci-
falamos sozinhos. entemente. A mulher parecia ter fugido de um filme romântico dos anos 40."
É de fundamental importância sabermos classificar os textos dos quais O narrador é uma figura criada pelo autor para apresentar os fatos que
travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso, precisamos saber que constituem o relato, é a voz que conta o que está acontecendo. Esta voz
existem tipos textuais e gêneros textuais. pode ser de uma personagem, ou de uma testemunha que conta os fatos
na primeira pessoa ou, também, pode ser a voz de uma terceira pessoa
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato presenciado que não intervém nem como ator nem como testemunha.
ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre determinado assunto,
ou descrevemos algum lugar pelo qual visitamos, e ainda, fazemos um Além disso, o narrador pode adotar diferentes posições, diferentes pontos
retrato verbal sobre alguém que acabamos de conhecer ou ver. de vista: pode conhecer somente o que está acontecendo, isto é, o que as
personagens estão fazendo ou, ao contrário, saber de tudo: o que fazem,
É exatamente nestas situações corriqueiras que classificamos os pensam, sentem as personagens, o que lhes aconteceu e o que lhes acon-
nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e tecerá. Estes narradores que sabem tudo são chamados oniscientes.
Dissertação.
A Novela
Para melhor exemplificarmos o que foi dito, tomamos como exemplo
um Editorial, no qual o autor expõe seu ponto de vista sobre determinado É semelhante ao conto, mas tem mais personagens, maior número de
assunto, uma descrição de um ambiente e um texto literário escrito em complicações, passagens mais extensas com descrições e diálogos. As
prosa. personagens adquirem uma definição mais acabada, e as ações secundá-
rias podem chegar a adquirir tal relevância, de modo que terminam por
Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é diferente, pois se
converter-se, em alguns textos, em unidades narrativas independentes.
conceituam como gêneros textuais as diversas situações
sociocomunciativas que participam da nossa vida em sociedade. Como A Obra Teatral
exemplo, temos: uma receita culinária, um e-mail, uma reportagem, uma
monografia, e assim por diante. Respectivamente, tais textos classificar-se- Os textos literários que conhecemos como obras de teatro (dramas, tragé-
iam como: instrucional, correspondência pessoal (em meio eletrônico), texto dias, comédias, etc.) vão tecendo diferentes histórias, vão desenvolvendo
do ramo jornalístico e, por último, um texto de cunho científico. diversos conflitos, mediante a interação linguística das personagens, quer
dizer, através das conversações que têm lugar entre os participantes nas
Mas como toda escrita perfaz-se de uma técnica para compô-la, é situações comunicativas registradas no mundo de ficção construído pelo
extremamente importante que saibamos a maneira correta de produzir esta texto. Nas obras teatrais, não existe um narrador que conta os fatos, mas
gama de textos. À medida que a praticamos, vamos nos aperfeiçoando um leitor que vai conhecendo-os através dos diálogos e/ ou monólogos das
mais e mais na sua performance estrutural. Por Vânia Duarte personagens.
O Conto Devido à trama conversacional destes textos, torna-se possível encontrar
neles vestígios de oralidade (que se manifestam na linguagem espontânea
É um relato em prosa de fatos fictícios. Consta de três momentos perfeita-
das personagens, através de numerosas interjeições, de alterações da
mente diferenciados: começa apresentando um estado inicial de equilíbrio;
sintaxe normal, de digressões, de repetições, de dêiticos de lugar e tempo.
segue com a intervenção de uma força, com a aparição de um conflito, que
Os sinais de interrogação, exclamação e sinais auxiliares servem para
dá lugar a uma série de episódios; encerra com a resolução desse conflito
moldar as propostas e as réplicas e, ao mesmo tempo, estabelecem os
que permite, no estágio final, a recuperação do equilíbrio perdido.
turnos de palavras.
Todo conto tem ações centrais, núcleos narrativos, que estabelecem entre
As obras de teatro atingem toda sua potencialidade através da representa-
si uma relação causal. Entre estas ações, aparecem elementos de recheio
ção cênica: elas são construídas para serem representadas. O diretor e os
(secundários ou catalíticos), cuja função é manter o suspense. Tanto os
atores orientam sua interpretação.
núcleos como as ações secundárias colocam em cena personagens que as
cumprem em um determinado lugar e tempo. Para a apresentação das Estes textos são organizados em atos, que estabelecem a progressão
características destes personagens, assim como para as indicações de temática: desenvolvem uma unidade informativa relevante para cada conta-
lugar e tempo, apela-se a recursos descritivos. to apresentado. Cada ato contém, por sua vez, diferentes cenas, determi-
nadas pelas entradas e saídas das personagens e/ou por diferentes qua-
Um recurso de uso frequente nos contos é a introdução do diálogo das dros, que correspondem a mudanças de cenografias.
personagens, apresentado com os sinais gráficos correspondentes (os
travessões, para indicar a mudança de interlocutor). Nas obras teatrais são incluídos textos de trama descritiva: são as chama-
das notações cênicas, através das quais o autor dá indicações aos atores
A observação da coerência temporal permite ver se o autor mantém a linha sobre a entonação e a gestualidade e caracteriza as diferentes cenografias
temporal ou prefere surpreender o leitor com rupturas de tempo na apre- que considera pertinentes para o desenvolvimento da ação. Estas notações
sentação dos acontecimentos (saltos ao passado ou avanços ao futuro).
apresentam com frequência orações unimembres e/ou bimembres de
A demarcação do tempo aparece, geralmente, no parágrafo inicial. Os predicado não verbal.
contos tradicionais apresentam fórmulas características de introdução de
O Poema
temporalidade difusa: "Era uma vez...", "Certa vez...".
Texto literário, geralmente escrito em verso, com uma distribuição espacial
Os tempos verbais desempenham um papel importante na construção e na
muito particular: as linhas curtas e os agrupamentos em estrofe dão rele-
interpretação dos contos. Os pretéritos imperfeito e o perfeito predominam
vância aos espaços em branco; então, o texto emerge da página com uma
na narração, enquanto que o tempo presente aparece nas descrições e nos
silhueta especial que nos prepara para sermos introduzidos nos misteriosos
diálogos.
labirintos da linguagem figurada. Pede uma leitura em voz alta, para captar
O pretérito imperfeito apresenta a ação em processo, cuja incidência chega o ritmo dos versos, e promove uma tarefa de abordagem que pretende
ao momento da narração: "Rosário olhava timidamente seu pretendente, extrair a significação dos recursos estilísticos empregados pelo poeta, quer
seja para expressar seus sentimentos, suas emoções, sua versão da
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realidade, ou para criar atmosferas de mistério de surrealismo, relatar linguística, inclusão de gráficos ilustrativos que fundamentam as explica-
epopeias (como nos romances tradicionais), ou, ainda, para apresentar ções do texto.
ensinamentos morais (como nas fábulas).
É pertinente observar como os textos jornalísticos distribuem-se na publica-
O ritmo - este movimento regular e medido - que recorre ao valor sonoro ção para melhor conhecer a ideologia da mesma. Fundamentalmente, a
das palavras e às pausas para dar musicalidade ao poema, é parte essen- primeira página, as páginas ímpares e o extremo superior das folhas dos
cial do verso: o verso é uma unidade rítmica constituída por uma série jornais trazem as informações que se quer destacar. Esta localização
métrica de sílabas fônicas. A distribuição dos acentos das palavras que antecipa ao leitor a importância que a publicação deu ao conteúdo desses
compõem os versos tem uma importância capital para o ritmo: a musicali- textos.
dade depende desta distribuição.
O corpo da letra dos títulos também é um indicador a considerar sobre a
Lembramos que, para medir o verso, devemos atender unicamente à posição adotada pela redação.
distância sonora das sílabas. As sílabas fônicas apresentam algumas
diferenças das sílabas ortográficas. Estas diferenças constituem as chama- A Notícia
das licenças poéticas: a diérese, que permite separar os ditongos em suas Transmite uma nova informação sobre acontecimentos, objetos ou
sílabas; a sinérese, que une em uma sílaba duas vogais que não constitu- pessoas.
em um ditongo; a sinalefa, que une em uma só sílaba a sílaba final de uma
palavra terminada em vogal, com a inicial de outra que inicie com vogal ou As notícias apresentam-se como unidades informativas completas, que
h; o hiato, que anula a possibilidade da sinalefa. Os acentos finais também contêm todos os dados necessários para que o leitor compreenda a infor-
incidem no levantamento das sílabas do verso. Se a última palavra é paro- mação, sem necessidade ou de recorrer a textos anteriores (por exemplo,
xítona, não se altera o número de sílabas; se é oxítona, soma-se uma não é necessário ter lido os jornais do dia anterior para interpretá-la), ou de
sílaba; se é proparoxítona, diminui-se uma. ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação ou em publicações
similares.
A rima é uma característica distintiva, mas não obrigatória dos versos, pois
existem versos sem rima (os versos brancos ou soltos de uso frequente na É comum que este texto use a técnica da pirâmide invertida: começa pelo
poesia moderna). A rima consiste na coincidência total ou parcial dos fato mais importante para finalizar com os detalhes. Consta de três partes
últimos fonemas do verso. Existem dois tipos de rimas: a consoante (coin- claramente diferenciadas: o título, a introdução e o desenvolvimento. O
cidência total de vogais e consoante a partir da última vogal acentuada) e a título cumpre uma dupla função - sintetizar o tema central e atrair a atenção
assonante (coincidência unicamente das vogais a partir da última vogal do leitor. Os manuais de estilo dos jornais (por exemplo: do Jornal El País,
acentuada). A métrica mais frequente dos versos vai desde duas até de- 1991) sugerem geralmente que os títulos não excedam treze palavras. A
zesseis sílabas. Os versos monossílabos não existem, já que, pelo acento, introdução contém o principal da informação, sem chegar a ser um resumo
são considerados dissílabos. de todo o texto. No desenvolvimento, incluem-se os detalhes que não
aparecem na introdução.
As estrofes agrupam versos de igual medida e de duas medidas diferentes
combinadas regularmente. Estes agrupamentos vinculam-se à progressão A notícia é redigida na terceira pessoa. O redator deve manter-se à mar-
temática do texto: com frequência, desenvolvem uma unidade informativa gem do que conta, razão pela qual não é permitido o emprego da primeira
vinculada ao tema central. pessoa do singular nem do plural. Isso implica que, além de omitir o eu ou o
nós, também não deve recorrer aos possessivos (por exemplo, não se
Os trabalhos dentro do paradigma e do sintagma, através dos mecanismos referirá à Argentina ou a Buenos Aires com expressões tais como nosso
de substituição e de combinação, respectivamente, culminam com a criação país ou minha cidade).
de metáforas, símbolos, configurações sugestionadoras de vocábulos,
metonímias, jogo de significados, associações livres e outros recursos Esse texto se caracteriza por sua exigência de objetividade e veracidade:
estilísticos que dão ambiguidade ao poema. somente apresenta os dados. Quando o jornalista não consegue comprovar
de forma fidedigna os dados apresentados, costuma recorrer a certas
TEXTOS JORNALÍSTICOS fórmulas para salvar sua responsabilidade: parece, não está descartado
Os textos denominados de textos jornalísticos, em função de seu portador ( que. Quando o redator menciona o que foi dito por alguma fonte, recorre ao
jornais, periódicos, revistas), mostram um claro predomínio da função discurso direto, como, por exemplo:
informativa da linguagem: trazem os fatos mais relevantes no momento em O ministro afirmou: "O tema dos aposentados será tratado na Câmara dos
que acontecem. Esta adesão ao presente, esta primazia da atualidade, Deputados durante a próxima semana .
condena-os a uma vida efêmera. Propõem-se a difundir as novidades
produzidas em diferentes partes do mundo, sobre os mais variados temas. O estilo que corresponde a este tipo de texto é o formal.

De acordo com este propósito, são agrupados em diferentes seções: infor- Nesse tipo de texto, são empregados, principalmente, orações
mação nacional, informação internacional, informação local, sociedade, enunciativas, breves, que respeitam a ordem sintática canônica. Apesar das
economia, cultura, esportes, espetáculos e entretenimentos. notícias preferencialmente utilizarem os verbos na voz ativa, também é
frequente o uso da voz passiva: Os delinquentes foram perseguidos pela
A ordem de apresentação dessas seções, assim como a extensão e o polícia; e das formas impessoais: A perseguição aos delinquentes foi feita
tratamento dado aos textos que incluem, são indicadores importantes tanto por um patrulheiro.
da ideologia como da posição adotada pela publicação sobre o tema abor-
dado. A progressão temática das notícias gira em tomo das perguntas o quê?
quem? como? quando? por quê e para quê?.
Os textos jornalísticos apresentam diferentes seções. As mais comuns são
as notícias, os artigos de opinião, as entrevistas, as reportagens, as crôni- O Artigo de Opinião
cas, as resenhas de espetáculos. Contém comentários, avaliações, expectativas sobre um tema da atualida-
A publicidade é um componente constante dos jornais e revistas, à medida de que, por sua transcendência, no plano nacional ou internacional, já é
que permite o financiamento de suas edições. Mas os textos publicitários considerado, ou merece ser, objeto de debate.
aparecem não só nos periódicos como também em outros meios ampla- Nessa categoria, incluem-se os editoriais, artigos de análise ou pesquisa e
mente conhecidos como os cartazes, folhetos, etc.; por isso, nos referire- as colunas que levam o nome de seu autor. Os editoriais expressam a
mos a eles em outro momento. posição adotada pelo jornal ou revista em concordância com sua ideologia,
Em geral, aceita-se que os textos jornalísticos, em qualquer uma de suas enquanto que os artigos assinados e as colunas transmitem as opiniões de
seções, devem cumprir certos requisitos de apresentação, entre os quais seus redatores, o que pode nos levar a encontrar, muitas vezes, opiniões
destacamos: uma tipografia perfeitamente legível, uma diagramação cuida- divergentes e até antagônicas em uma mesma página.
da, fotografias adequadas que sirvam para complementar a informação Embora estes textos possam ter distintas superestruturas, em geral se
organizam seguindo uma linha argumentativa que se inicia com a identifica-

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ção do tema em questão, acompanhado de seus antecedentes e alcance, e entrevistas se ajustem a uma progressão temática linear ou a temas deri-
que segue com uma tomada de posição, isto é, com a formulação de uma vados.
tese; depois, apresentam-se os diferentes argumentos de forma a justificar
esta tese; para encerrar, faz-se uma reafirmação da posição adotada no Como ocorre em qualquer texto de trama conversacional, não existe uma
início do texto. garantia de diálogo verdadeiro; uma vez que se pode respeitar a vez de
quem fala, a progressão temática não se ajusta ao jogo argumentativo de
A efetividade do texto tem relação direta não só com a pertinência dos propostas e de réplicas.
argumentos expostos como também com as estratégias discursivas usadas
para persuadir o leitor. Entre estas estratégias, podemos encontrar as TEXTOS DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
seguintes: as acusações claras aos oponentes, as ironias, as insinuações, Esta categoria inclui textos cujos conteúdos provêm do campo das ciências
as digressões, as apelações à sensibilidade ou, ao contrário, a tomada de em geral. Os referentes dos textos que vamos desenvolver situam-se tanto
distância através do uso das construções impessoais, para dar objetividade nas Ciências Sociais como nas Ciências Naturais.
e consenso à análise realizada; a retenção em recursos descritivos - deta-
lhados e precisos, ou em relatos em que as diferentes etapas de pesquisa Apesar das diferenças existentes entre os métodos de pesquisa destas
estão bem especificadas com uma minuciosa enumeração das fontes da ciências, os textos têm algumas características que são comuns a todas
informação. Todos eles são recursos que servem para fundamentar os suas variedades: neles predominam, como em todos os textos informativos,
argumentos usados na validade da tese. as orações enunciativas de estrutura bimembre e prefere-se a ordem
sintática canônica (sujeito-verbo-predicado).
A progressão temática ocorre geralmente através de um esquema de temas
derivados. Cada argumento pode encerrar um tópico com seus respectivos Incluem frases claras, em que não há ambiguidade sintática ou semântica,
comentários. e levam em consideração o significado mais conhecido, mais difundido das
palavras.
Estes artigos, em virtude de sua intencionalidade informativa, apresentam
uma preeminência de orações enunciativas, embora também incluam, com O vocabulário é preciso. Geralmente, estes textos não incluem vocábulos a
frequência, orações dubitativas e exortativas devido à sua trama argumen- que possam ser atribuídos um multiplicidade de significados, isto é, evitam
tativa. As primeiras servem para relativizar os alcances e o valor da infor- os termos polissêmicos e, quando isso não é possível, estabelecem medi-
mação de base, o assunto em questão; as últimas, para convencer o leitor ante definições operatórias o significado que deve ser atribuído ao termo
a aceitar suas premissas como verdadeiras. No decorrer destes artigos, polissêmico nesse contexto.
opta-se por orações complexas que incluem proposições causais para as A Definição
fundamentações, consecutivas para dar ênfase aos efeitos, concessivas e
condicionais. Expande o significado de um termo mediante uma trama descritiva, que
determina de forma clara e precisa as características genéricas e diferenci-
Para interpretar estes textos, é indispensável captar a postura ideológica do ais do objeto ao qual se refere. Essa descrição contém uma configuração
autor, identificar os interesses a que serve e precisar sob que de elementos que se relacionam semanticamente com o termo a definir
circunstâncias e com que propósito foi organizada a informação exposta. através de um processo de sinonímia.
Para cumprir os requisitos desta abordagem, necessitaremos utilizar
estratégias tais como a referência exofórica, a integração crítica dos dados Recordemos a definição clássica de "homem", porque é o exemplo por
do texto com os recolhidos em outras fontes e a leitura atenta das excelência da definição lógica, uma das construções mais generalizadas
entrelinhas a fim de converter em explícito o que está implícito. dentro deste tipo de texto: O homem é um animal racional. A expansão do
termo "homem" - "animal racional" - apresenta o gênero a que pertence,
Embora todo texto exija para sua interpretação o uso das estratégias men- "animal", e a diferença específica, "racional": a racionalidade é o traço que
cionadas, é necessário recorrer a elas quando estivermos frente a um texto nos permite diferenciar a espécie humana dentro do gênero animal.
de trama argumentativa, através do qual o autor procura que o leitor aceite
ou avalie cenas, ideias ou crenças como verdadeiras ou falsas, cenas e Usualmente, as definições incluídas nos dicionários, seus portadores mais
opiniões como positivas ou negativas. qualificados, apresentam os traços essenciais daqueles a que se referem:
Fiscis (do lat. piscis). s.p.m. Astron. Duodécimo e último signo ou parte do
A Reportagem Zodíaco, de 30° de amplitude, que o Sol percorre aparentemente antes de
É uma variedade do texto jornalístico de trama conversacional que, para terminar o inverno.
informar sobre determinado tema, recorre ao testemunho de uma figura- Como podemos observar nessa definição extraída do Dicionário de La Real
chave para o conhecimento deste tópico. Academia Espa1ioJa (RAE, 1982), o significado de um tema base ou
A conversação desenvolve-se entre um jornalista que representa a publica- introdução desenvolve-se através de uma descrição que contém seus
ção e um personagem cuja atividade suscita ou merece despertar a aten- traços mais relevantes, expressa, com frequência, através de orações
ção dos leitores. unimembres, constituídos por construções endocêntricas (em nosso exem-
plo temos uma construção endocêntrica substantiva - o núcleo é um subs-
A reportagem inclui uma sumária apresentação do entrevistado, realizada tantivo rodeado de modificadores "duodécimo e último signo ou parte do
com recursos descritivos, e, imediatamente, desenvolve o diálogo. As Zodíaco, de 30° de amplitude..."), que incorporam maior informação medi-
perguntas são breves e concisas, à medida que estão orientadas para ante proposições subordinadas adjetivas: "que o Sol percorre aparentemen-
divulgar as opiniões e ideias do entrevistado e não as do entrevistador. te antes de terminar o inverno".
A Entrevista As definições contêm, também, informações complementares relacionadas,
Da mesma forma que reportagem, configura-se preferentemente mediante por exemplo, com a ciência ou com a disciplina em cujo léxico se inclui o
uma trama conversacional, mas combina com frequência este tecido com termo a definir (Piscis: Astron.); a origem etimológica do vocábulo ("do lat.
fios argumentativos e descritivos. Admite, então, uma maior liberdade, uma piscis"); a sua classificação gramatical (s.p.m.), etc.
vez que não se ajusta estritamente à fórmula pergunta-resposta, mas Essas informações complementares contêm frequentemente abreviaturas,
detém-se em comentários e descrições sobre o entrevistado e transcreve cujo significado aparece nas primeiras páginas do Dicionário: Lat., Latim;
somente alguns fragmentos do diálogo, indicando com travessões a mu- Astron., Astronomia; s.p.m., substantivo próprio masculino, etc.
dança de interlocutor. É permitido apresentar uma introdução extensa com
os aspectos mais significativos da conversação mantida, e as perguntas O tema-base (introdução) e sua expansão descritiva - categorias básicas da
podem ser acompanhadas de comentários, confirmações ou refutações estrutura da definição - distribuem-se espacialmente em blocos, nos quais
sobre as declarações do entrevistado. diferentes informações costumam ser codificadas através de tipografias
diferentes (negrito para o vocabulário a definir; itálico para as etimologias,
Por tratar-se de um texto jornalístico, a entrevista deve necessariamente etc.). Os diversos significados aparecem demarcados em bloco mediante
incluir um tema atual, ou com incidência na atualidade, embora a conversa- barras paralelas e /ou números.
ção possa derivar para outros temas, o que ocasiona que muitas destas

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Prorrogar (Do Jat. prorrogare) V.t.d. l. Continuar, dilatar, estender uma pessoa do singular, coloco/coloquei em um recipiente ... Jogo obser-
coisa por um período determinado. 112. Ampliar, prolongar 113. Fazer vo/observei que ... etc., ou do plural: colocamos em um recipiente... Jogo
continuar em exercício; adiar o término de. observamos que... etc. O uso do impessoal enfatiza a distância existente
entre o experimentador e o experimento, enquanto que a primeira pessoa,
A Nota de Enciclopédia do plural e do singular enfatiza o compromisso de ambos.
Apresenta, como a definição, um tema-base e uma expansão de trama A Monografia
descritiva; porém, diferencia-se da definição pela organização e pela ampli-
tude desta expansão. Este tipo de texto privilegia a análise e a crítica; a informação sobre um
determinado tema é recolhida em diferentes fontes.
A progressão temática mais comum nas notas de enciclopédia é a de
temas derivados: os comentários que se referem ao tema-base constituem- Os textos monográficos não necessariamente devem ser realizados com
se, por sua vez, em temas de distintos parágrafos demarcados por subtítu- base em consultas bibliográficas, uma vez que é possível terem como
los. Por exemplo, no tema República Argentina, podemos encontrar os fonte, por exemplo, o testemunho dos protagonistas dos fatos, testemunhos
temas derivados: traços geológicos, relevo, clima, hidrografia, biogeografia, qualificados ou de especialistas no tema.
população, cidades, economia, comunicação, transportes, cultura, etc.
As monografias exigem uma seleção rigorosa e uma organização coerente
Estes textos empregam, com frequência, esquemas taxionômicos, nos dos dados recolhidos. A seleção e organização dos dados servem como
quais os elementos se agrupam em classes inclusivas e incluídas. Por indicador do propósito que orientou o trabalho. Se pretendemos, por exem-
exemplo: descreve-se "mamífero" como membro da classe dos vertebra- plo, mostrar que as fontes consultadas nos permitem sustentar que os
dos; depois, são apresentados os traços distintivos de suas diversas varie- aspectos positivos da gestão governamental de um determinado persona-
dades: terrestres e aquáticos. gem histórico têm maior relevância e valor do que os aspectos negativos,
teremos de apresentar e de categorizar os dados obtidos de tal forma que
Uma vez que nestas notas há predomínio da função informativa da lingua- esta valorização fique explícita.
gem, a expansão é construída sobre a base da descrição científica, que
responde às exigências de concisão e de precisão. Nas monografias, é indispensável determinar, no primeiro parágrafo, o tema
a ser tratado, para abrir espaço à cooperação ativa do leitor que, conjugan-
As características inerentes aos objetos apresentados aparecem através de do seus conhecimentos prévios e seus propósitos de leitura, fará as primei-
adjetivos descritivos - peixe de cor amarelada escura, com manchas pretas ras antecipações sobre a informação que espera encontrar e formulará as
no dorso, e parte inferior prateada, cabeça quase cônica, olhos muito hipóteses que guiarão sua leitura. Uma vez determinado o tema, estes
juntos, boca oblíqua e duas aletas dorsais - que ampliam a base informativa textos transcrevem, mediante o uso da técnica de resumo, o que cada uma
dos substantivos e, como é possível observar em nosso exemplo, agregam das fontes consultadas sustenta sobre o tema, as quais estarão listadas
qualidades próprias daquilo a que se referem. nas referências bibliográficas, de acordo com as normas que regem a
O uso do presente marca a temporalidade da descrição, em cujo tecido apresentação da bibliografia.
predominam os verbos estáticos - apresentar, mostrar, ter, etc. - e os de O trabalho intertextual (incorporação de textos de outros no tecido do texto
ligação - ser, estar, parecer, etc. que estamos elaborando) manifesta-se nas monografias através de cons-
O Relato de Experimentos truções de discurso direto ou de discurso indireto.

Contém a descrição detalhada de um projeto que consiste em manipular o Nas primeiras, incorpora-se o enunciado de outro autor, sem modificações,
ambiente para obter uma nova informação, ou seja, são textos que tal como foi produzido. Ricardo Ortiz declara: "O processo da economia
descrevem experimentos. dirigida conduziu a uma centralização na Capital Federal de toda tramitação
referente ao comércio exterior'] Os dois pontos que prenunciam a palavra
O ponto de partida destes experimentos é algo que se deseja saber, mas de outro, as aspas que servem para demarcá-la, os traços que incluem o
que não se pode encontrar observando as coisas tais como estão; é neces- nome do autor do texto citado, 'o processo da economia dirigida - declara
sário, então, estabelecer algumas condições, criar certas situações para Ricardo Ortiz - conduziu a uma centralização...') são alguns dos sinais que
concluir a observação e extrair conclusões. Muda-se algo para constatar o distinguem frequentemente o discurso direto.
que acontece. Por exemplo, se se deseja saber em que condições uma
planta de determinada espécie cresce mais rapidamente, pode-se colocar Quando se recorre ao discurso indireto, relata-se o que foi dito por outro,
suas sementes em diferentes recipientes sob diferentes condições de em vez de transcrever textualmente, com a inclusão de elementos subordi-
luminosidade; em diferentes lugares, areia, terra, água; com diferentes nadores e dependendo do caso - as conseguintes modificações, pronomes
fertilizantes orgânicos, químicos etc., para observar e precisar em que pessoais, tempos verbais, advérbios, sinais de pontuação, sinais auxiliares,
circunstâncias obtém-se um melhor crescimento. etc.

A macroestrutura desses relatos contém, primordialmente, duas categorias: Discurso direto: ‘Ás raízes de meu pensamento – afirmou Echeverría -
uma corresponde às condições em que o experimento se realiza, isto é, ao nutrem-se do liberalismo’
registro da situação de experimentação; a outra, ao processo observado. Discurso indireto: 'Écheverría afirmou que as raízes de seu pensamento
Nesses textos, então, são utilizadas com frequência orações que começam nutriam -se do liberalismo'
com se (condicionais) e com quando (condicional temporal): Os textos monográficos recorrem, com frequência, aos verbos discendi
Se coloco a semente em um composto de areia, terra preta, húmus, a (dizer, expressar, declarar, afirmar, opinar, etc.), tanto para introduzir os
planta crescerá mais rápido. enunciados das fontes como para incorporar os comentários e opiniões do
emissor.
Quando rego as plantas duas vezes ao dia, os talos começam a mostrar
manchas marrons devido ao excesso de umidade. Se o propósito da monografia é somente organizar os dados que o autor
recolheu sobre o tema de acordo com um determinado critério de classifi-
Estes relatos adotam uma trama descritiva de processo. A variável tempo cação explícito (por exemplo, organizar os dados em tomo do tipo de fonte
aparece através de numerais ordinais: Em uma primeira etapa, é possível consultada), sua efetividade dependerá da coerência existente entre os
observar... em uma segunda etapa, aparecem os primeiros brotos ...; de dados apresentados e o princípio de classificação adotado.
advérbios ou de locuções adverbiais: Jogo, antes de, depois de, no mesmo
momento que, etc., dado que a variável temporal é um componente essen- Se a monografia pretende justificar uma opinião ou validar uma hipótese,
cial de todo processo. O texto enfatiza os aspectos descritivos, apresenta sua efetividade, então, dependerá da confiabilidade e veracidade das fontes
as características dos elementos, os traços distintivos de cada uma das consultadas, da consistência lógica dos argumentos e da coerência estabe-
etapas do processo. lecida entre os fatos e a conclusão.

O relato pode estar redigido de forma impessoal: coloca-se, colocado em Estes textos podem ajustar-se a diferentes esquemas lógicos do tipo
um recipiente ... Jogo se observa/foi observado que, etc., ou na primeira problema /solução, premissas /conclusão, causas / efeitos.

Língua Portuguesa 7 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Os conectores lógicos oracionais e extra-oracionais são marcas linguísticas to, ferramentas para consertar algo, diferentes partes de um aparelho, etc.),
relevantes para analisar as distintas relações que se estabelecem entre os a outra, desenvolve as instruções.
dados e para avaliar sua coerência.
As listas, que são similares em sua construção às que usamos habitual-
A Biografia mente para fazer as compras, apresentam substantivos concretos acompa-
nhados de numerais (cardinais, partitivos e múltiplos).
É uma narração feita por alguém acerca da vida de outra(s) pessoa(s).
Quando o autor conta sua própria vida, considera-se uma autobiografia. As instruções configuram-se, habitualmente, com orações bimembres, com
verbos no modo imperativo (misture a farinha com o fermento), ou orações
Estes textos são empregados com frequência na escola, para apresentar unimembres formadas por construções com o verbo no infinitivo (misturar a
ou a vida ou algumas etapas decisivas da existência de personagens cuja farinha com o açúcar).
ação foi qualificada como relevante na história.
Tanto os verbos nos modos imperativo, subjuntivo e indicativo como as
Os dados biográficos ordenam-se, em geral, cronologicamente, e, dado que construções com formas nominais gerúndio, particípio, infinitivo aparecem
a temporalidade é uma variável essencial do tecido das biografias, em sua acompanhados por advérbios palavras ou por locuções adverbiais que
construção, predominam recursos linguísticos que asseguram a conectivi- expressam o modo como devem ser realizadas determinadas ações (sepa-
dade temporal: advérbios, construções de valor semântico adverbial (Seus re cuidadosamente as claras das gemas, ou separe com muito cuidado as
cinco primeiros anos transcorreram na tranquila segurança de sua cidade claras das gemas). Os propósitos dessas ações aparecem estruturados
natal Depois, mudou-se com a família para La Prata), proposições tempo- visando a um objetivo (mexa lentamente para diluir o conteúdo do pacote
rais (Quando se introduzia obsessivamente nos tortuosos caminhos da em água fria), ou com valor temporal final (bata o creme com as claras até
novela, seus estudos de física ajudavam-no a reinstalar-se na realidade), que fique numa consistência espessa). Nestes textos inclui-se, com fre-
etc. quência, o tempo do receptor através do uso do dêixis de lugar e de tempo:
A veracidade que exigem os textos de informação científica manifesta-se Aqui, deve acrescentar uma gema. Agora, poderá mexer novamente. Neste
nas biografias através das citações textuais das fontes dos dados apresen- momento, terá que correr rapidamente até o lado oposto da cancha. Aqui
tados, enquanto a ótica do autor é expressa na seleção e no modo de pode intervir outro membro da equipe.
apresentação destes dados. Pode-se empregar a técnica de acumulação TEXTOS EPISTOLARES
simples de dados organizados cronologicamente, ou cada um destes dados
pode aparecer acompanhado pelas valorações do autor, de acordo com a Os textos epistolares procuram estabelecer uma comunicação por escrito
importância que a eles atribui. com um destinatário ausente, identificado no texto através do cabeçalho.
Pode tratar-se de um indivíduo (um amigo, um parente, o gerente de uma
Atualmente, há grande difusão das chamadas "biografias não autorizadas" empresa, o diretor de um colégio), ou de um conjunto de indivíduos desig-
de personagens da política, ou do mundo da Arte. Uma característica que nados de forma coletiva (conselho editorial, junta diretora).
parece ser comum nestas biografias é a intencionalidade de revelar a
personagem através de uma profusa acumulação de aspectos negativos, Estes textos reconhecem como portador este pedaço de papel que, de
especialmente aqueles que se relacionam a defeitos ou a vícios altamente forma metonímica, denomina-se carta, convite ou solicitação, dependendo
reprovados pela opinião pública. das características contidas no texto.
TEXTOS INSTRUCIONAIS Apresentam uma estrutura que se reflete claramente em sua organização
espacial, cujos componentes são os seguintes: cabeçalho, que estabelece
Estes textos dão orientações precisas para a realização das mais diversas o lugar e o tempo da produção, os dados do destinatário e a forma de
atividades, como jogar, preparar uma comida, cuidar de plantas ou animais tratamento empregada para estabelecer o contato: o corpo, parte do texto
domésticos, usar um aparelho eletrônico, consertar um carro, etc. Dentro em que se desenvolve a mensagem, e a despedida, que inclui a saudação
desta categoria, encontramos desde as mais simples receitas culinárias até e a assinatura, através da qual se introduz o autor no texto. O grau de
os complexos manuais de instrução para montar o motor de um avião. familiaridade existente entre emissor e destinatário é o princípio que orienta
Existem numerosas variedades de textos instrucionais: além de receitas e a escolha do estilo: se o texto é dirigido a um familiar ou a um amigo, opta-
manuais, estão os regulamentos, estatutos, contratos, instruções, etc. Mas se por um estilo informal; caso contrário, se o destinatário é desconhecido
todos eles, independente de sua complexidade, compartilham da função ou ocupa o nível superior em uma relação assimétrica (empregador em
apelativa, à medida que prescrevem ações e empregam a trama descritiva relação ao empregado, diretor em relação ao aluno, etc.), impõe-se o estilo
para representar o processo a ser seguido na tarefa empreendida. formal.
A construção de muitos destes textos ajusta-se a modelos convencionais A Carta
cunhados institucionalmente. Por exemplo, em nossa comunidade, estão
amplamente difundidos os modelos de regulamentos de co-propriedade; As cartas podem ser construídas com diferentes tramas (narrativa e argu-
então, qualquer pessoa que se encarrega da redação de um texto deste mentativa), em tomo das diferentes funções da linguagem (informativa,
tipo recorre ao modelo e somente altera os dados de identificação para expressiva e apelativa).
introduzir, se necessário, algumas modificações parciais nos direitos e
deveres das partes envolvidas. Referimo-nos aqui, em particular, às cartas familiares e amistosas, isto é,
aqueles escritos através dos quais o autor conta a um parente ou a um
Em nosso cotidiano, deparamo-nos constantemente com textos instrucio- amigo eventos particulares de sua vida. Estas cartas contêm acontecimen-
nais, que nos ajudam a usar corretamente tanto um processador de alimen- tos, sentimentos, emoções, experimentados por um emissor que percebe o
tos como um computador; a fazer uma comida saborosa, ou a seguir uma receptor como ‘cúmplice’, ou seja, como um destinatário comprometido
dieta para emagrecer. A habilidade alcançada no domínio destes textos afetivamente nessa situação de comunicação e, portanto, capaz de extrair a
incide diretamente em nossa atividade concreta. Seu emprego frequente e dimensão expressiva da mensagem.
sua utilidade imediata justificam o trabalho escolar de abordagem e de
produção de algumas de suas variedades, como as receitas e as instru- Uma vez que se trata de um diálogo à distância com um receptor conheci-
ções. do, opta-se por um estilo espontâneo e informal, que deixa transparecer
marcas da oralidade: frases inconclusas, nas quais as reticências habilitam
As Receitas e as Instruções múltiplas interpretações do receptor na tentativa de concluí-las; perguntas
que procuram suas respostas nos destinatários; perguntas que encerram
Referimo-nos às receitas culinárias e aos textos que trazem instruções para em si suas próprias respostas (perguntas retóricas); pontos de exclamação
organizar um jogo, realizar um experimento, construir um artefato, fabricar que expressam a ênfase que o emissor dá a determinadas expressões que
um móvel, consertar um objeto, etc. refletem suas alegrias, suas preocupações, suas dúvidas.
Estes textos têm duas partes que se distinguem geralmente a partir da Estes textos reúnem em si as diferentes classes de orações. As enunciati-
especialização: uma, contém listas de elementos a serem utilizados (lista vas, que aparecem nos fragmentos informativos, alternam-se com as
de ingredientes das receitas, materiais que são manipulados no experimen- dubitativas, desiderativas, interrogativas, exclamativas, para manifestar a

Língua Portuguesa 8 A Opção Certa Para a Sua Realização


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subjetividade do autor. Esta subjetividade determina também o uso de DENOTAÇAO E CONOTAÇAO
diminutivos e aumentativos, a presença frequente de adjetivos qualificati- A denotação é a propriedade que possui uma palavra de limitar-se a
vos, a ambiguidade lexical e sintática, as repetições, as interjeições. seu próprio conceito, de trazer apenas o seu significado primitivo, original.
A Solicitação
A conotação é a propriedade que possui uma palavra de ampliar-se no
É dirigida a um receptor que, nessa situação comunicativa estabelecida seu campo semântico, dentro de um contexto, podendo causar várias
pela carta, está revestido de autoridade à medida que possui algo ou tem a interpretações.
possibilidade de outorgar algo que é considerado valioso pelo emissor: um
emprego, uma vaga em uma escola, etc. Observe os exemplos:
Esta assimetria entre autor e leitor um que pede e outro que pode ceder ou Denotação
não ao pedido, — obriga o primeiro a optar por um estilo formal, que recorre As estrelas do céu.
ao uso de fórmulas de cortesia já estabelecidas convencionalmente para a Vesti-me de verde.
abertura e encerramento (atenciosamente ..com votos de estima e conside- O fogo do isqueiro.
ração . . . / despeço-me de vós respeitosamente . ../ Saúdo-vos com o
maior respeito), e às frases feitas com que se iniciam e encerram-se estes Conotação
textos (Dirijo-me a vós a fim de solicitar-lhe que ... O abaixo-assinado, As estrelas do cinema.
Antônio Gonzalez, D.NJ. 32.107 232, dirigi-se ao Senhor Diretor do Instituto O jardim vestiu-se de flores.
Politécnico a fim de solicitar-lhe...) O fogo da paixão.
As solicitações podem ser redigidas na primeira ou terceira pessoa do
singular. As que são redigidas na primeira pessoa introduzem o emissor SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO
através da assinatura, enquanto que as redigidas na terceira pessoa identi- As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido
ficam-no no corpo do texto (O abaixo assinado, Juan Antonio Pérez, dirige- figurado:
se a...). Construí um muro de pedra - sentido próprio
A progressão temática dá-se através de dois núcleos informativos: o primei- Maria tem um coração de pedra – sentido figurado.
ro determina o que o solicitante pretende; o segundo, as condições que A água pingava lentamente – sentido próprio.
reúne para alcançar aquilo que pretende. Estes núcleos, demarcados por
frases feitas de abertura e encerramento, podem aparecer invertidos em
algumas solicitações, quando o solicitante quer enfatizar suas condições; PONTUAÇÃO
por isso, as situa em um lugar preferencial para dar maior força à sua
apelação. Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita as
pausas da linguagem oral.
Essas solicitações, embora cumpram uma função apelativa, mostram um
amplo predomínio das orações enunciativas complexas, com inclusão tanto
de proposições causais, consecutivas e condicionais, que permitem desen- PONTO
volver fundamentações, condicionamentos e efeitos a alcançar, como de O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase decla-
construções de infinitivo ou de gerúndio: para alcançar essa posição, o rativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos casos
solicitante lhe apresenta os seguintes antecedentes... (o infinitivo salienta comuns ele é chamado de simples.
os fins a que se persegue), ou alcançando a posição de... (o gerúndio
enfatiza os antecedentes que legitimam o pedido). Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris-
to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo).
A argumentação destas solicitações institucionalizaram-se de tal maneira
que aparece contida nas instruções de formulários de emprego, de solicita- PONTO DE INTERROGAÇÃO
ção de bolsas de estudo, etc. É usado para indicar pergunta direta.
Texto extraído de: ESCOLA, LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS, Ana Onde está seu irmão?
Maria Kaufman, Artes Médicas, Porto Alegre, RS.
Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação.
A mim ?! Que idéia!
SINÔNIMOS E ANTONIMOS
PONTO DE EXCLAMAÇÃO
Quanto à significação, as palavras podem ser: É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
1. Sinônimas - quando apresentam sentidos semelhantes: falecer e Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
morrer, belo e bonito; longe e distante, etc. Ó jovens! Lutemos!
2. Antônimas - quando têm significação oposta: triste e alegre, bondade
e maldade, riqueza e pobreza. VÍRGULA
A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena pau-
3. Homônimas - quando são escritas ou pronunciadas de modo idêntico sa na fala. Emprega-se a vírgula:
mas são diferentes quanto ao significado. • Nas datas e nos endereços:
Os homônimos podem ser: São Paulo, 17 de setembro de 1989.
a) perfeitos - quando possuem a mesma grafia (homógrafos) e a Largo do Paissandu, 128.
mesma pronúncia (homófonos): • No vocativo e no aposto:
cura (padre) - cura (do v. curar) Meninos, prestem atenção!
verão (estação) - verão (verbo ver) Termópilas, o meu amigo, é escritor.
são (sadio) - são (verbo ser) • Nos termos independentes entre si:
b) imperfeitos - quando têm a mesma grafia mas pronúncia diferente O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
(homógrafos) ou a mesma pronúncia mas grafia diferente (homó- • Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste
fonos). Exemplos: selo (substantivo) - selo (verbo selar) / ele (pro- caso é usado o duplo emprego da vírgula:
nome) - ele (letra) Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa-
4. Parônimas - quando se assemelham na forma mas têm significados droeira.
diferentes. • Após alguns adjuntos adverbiais:
Exemplos: descriminar (inocentar) - discriminar (distinguir) / discente No dia seguinte, viajamos para o litoral.
(relativo a alunos) - docente (relativo a professores)

Língua Portuguesa 9 A Opção Certa Para a Sua Realização


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• Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo emprego "Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro.
da vírgula: • Em casos de ironia:
Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor. A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente.
• Após a primeira parte de um provérbio. Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão.
O que os olhos não vêem, o coração não sente.
• Em alguns casos de termos oclusos: PARÊNTESES
Eu gostava de maçã, de pêra e de abacate.
Empregamos os parênteses:
• Nas indicações bibliográficas.
RETICÊNCIAS "Sede assim qualquer coisa.
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento. serena, isenta, fiel".
Não me disseste que era teu pai que ... (Meireles, Cecília, "Flor de Poemas").
• Para realçar uma palavra ou expressão. • Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome... "Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento. fora das órbitas. Amália se volta)".
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também... (G. Figueiredo)
• Quando se intercala num texto uma idéia ou indicação acessória:
PONTO E VÍRGULA "E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de
fome."
• Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém
(C. Lispector)
alguma simetria entre si.
• Para isolar orações intercaladas:
"Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desconhe-
"Estou certo que eu (se lhe ponho
cido, guardando consigo a ponta farpada. "
Minha mão na testa alçada)
• Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu
Sou eu para ela."
interior.
(M. Bandeira)
Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, mais
calmo, resolveu o problema sozinho.
COLCHETES [ ]
DOIS PONTOS Os colchetes são muito empregados na linguagem científica.
• Enunciar a fala dos personagens:
Ele retrucou: Não vês por onde pisas? ASTERISCO
• Para indicar uma citação alheia: O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de alguma nota (observação).
passageiros do vôo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar-
que". BARRA
• Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão anteri-
A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas
or:
abreviaturas.
Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente.
• Enumeração após os apostos:
Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido.
CRASE
TRAVESSÃO
Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar Crase é a fusão da preposição A com outro A.
palavras ou frases Fomos a a feira ontem = Fomos à feira ontem.
– "Quais são os símbolos da pátria?
– Que pátria? EMPREGO DA CRASE
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos). • em locuções adverbiais:
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra à vezes, às pressas, à toa...
vez. • em locuções prepositivas:
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma em frente à, à procura de...
coisa". (M. Palmério). • em locuções conjuntivas:
• Usa-se para separar orações do tipo: à medida que, à proporção que...
– Avante!- Gritou o general. • pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a,
– A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta. as
Fui ontem àquele restaurante.
Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão:
uma cadeia de frase: Refiro-me àquilo e não a isto.
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• A ponte Rio – Niterói.
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre. A CRASE É FACULTATIVA
• diante de pronomes possessivos femininos:
Entreguei o livro a(à) sua secretária .
ASPAS • diante de substantivos próprios femininos:
São usadas para: Dei o livro à(a) Sônia.
• Indicar citações textuais de outra autoria.
"A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles) CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE
• Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se • Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o artigo
expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares: A:
Há quem goste de “jazz-band”. Viajaremos à Colômbia.
Não achei nada "legal" aquela aula de inglês. (Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia)
• Para enfatizar palavras ou expressões: • Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasília,
Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite. Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri, Ve-
• Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc. neza, etc.

Língua Portuguesa 10 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Viajaremos a Curitiba. a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, cachorra,
(Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba). Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado.
• Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres: traba-
modifique. lho, corrida, tristeza beleza altura.
Ela se referiu à saudosa Lisboa.
Vou à Curitiba dos meus sonhos. CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
• Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida: a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da espécie:
Às 8 e 15 o despertador soou. rio, cidade, pais, menino, aluno
• Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras “mo- b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado elemento.
da” ou "maneira": Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial maiúscula: To-
Aos domingos, trajava-se à inglesa. cantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair.
Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo. c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não, pro-
• Antes da palavra casa, se estiver determinada: priamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc. Verifi-
Referia-se à Casa Gebara. que que é sempre possível visualizar em nossa mente o substantivo con-
• Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar. creto, mesmo que ele não possua existência real: casa, cadeira, caneta,
Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa). fada, bruxa, saci.
• Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo. d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto é, só
Voltou à terra onde nascera. existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração, sendo,
Chegamos à terra dos nossos ancestrais. pois, impossível visualizá-lo como um ser. Os substantivos abstratos vão,
Mas: portanto, designar ações, estados ou qualidades, tomados como seres:
Os marinheiros vieram a terra. trabalho, corrida, estudo, altura, largura, beleza.
O comandante desceu a terra. Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou adje-
• Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o tivos
artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente: trabalhar - trabalho
Vou até a (á ) chácara. correr - corrida
Cheguei até a(à) muralha alto - altura
• A QUE - À QUE belo - beleza
Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino
ocorrerá crase: FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
Houve um palpite anterior ao que você deu. a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua
Houve uma sugestão anterior à que você deu. portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal.
Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa:
ocorrerá crase. florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro.
Não gostei do filme a que você se referia. c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve, ódio,
Não gostei da peça a que você se referia. tempo, sol.
O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrativo d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de-
A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes do colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol.
de:
Meu palpite é igual ao de todos
Minha opinião é igual à de todos. COLETIVOS
Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um grupo
de seres da mesma espécie.
NÃO OCORRE CRASE
• antes de nomes masculinos: Veja alguns coletivos que merecem destaque:
Andei a pé. alavão - de ovelhas leiteiras
Andamos a cavalo. alcateia - de lobos
• antes de verbos: álbum - de fotografias, de selos
Ela começa a chorar. antologia - de trechos literários escolhidos
Cheguei a escrever um poema. armada - de navios de guerra
• em expressões formadas por palavras repetidas: armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc)
Estamos cara a cara. arquipélago - de ilhas
• antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona: assembleia - de parlamentares, de membros de associações
Dirigiu-se a V. Sa com aspereza. atilho - de espigas de milho
Escrevi a Vossa Excelência. atlas - de cartas geográficas, de mapas
Dirigiu-se gentilmente à senhora. banca - de examinadores
• quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural: bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios
Não falo a pessoas estranhas. bando - de aves, de pessoal em geral
Jamais vamos a festas. cabido - de cônegos
cacho - de uvas, de bananas
cáfila - de camelos
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTAN- cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves
TIVO, ADJETIVO, NUMERAL, PRONOME, VERBO, AD- cancioneiro - de poemas, de canções
VÉRBIO, PREPOSIÇÃO, CONJUNÇÃO (CLASSIFICA- caravana - de viajantes
ÇÃO E SENTIDO QUE IMPRIMEM ÀS RELAÇÕES EN- cardume - de peixes
clero - de sacerdotes
TRE AS ORAÇÕES). COLOCAÇÃO PRONOMINAL colmeia - de abelhas
concílio - de bispos
SUBSTANTIVOS conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa
congregação - de professores, de religiosos
congresso - de parlamentares, de cientistas
Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá no- conselho - de ministros
me aos seres em geral. consistório - de cardeais sob a presidência do papa
São, portanto, substantivos.
Língua Portuguesa 11 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
constelação - de estrelas pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por ar-
corja - de vadios tigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o côn-
elenco - de artistas juge, a pessoa, a criatura.
enxame - de abelhas Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim:
enxoval - de roupas uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino.
esquadra - de navios de guerra
esquadrilha - de aviões AIguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero:
falange - de soldados, de anjos São masculinos São femininos
o anátema o grama (unidade de peso) a abusão a derme
farândola - de maltrapilhos o telefonema o dó (pena, compaixão) a aluvião a omoplata
fato - de cabras o teorema o ágape a análise a usucapião
fauna - de animais de uma região o trema o caudal a cal a bacanal
feixe - de lenha, de raios luminosos o edema o champanha a cataplasma a líbido
o eclipse o alvará a dinamite a sentinela
flora - de vegetais de uma região o lança-perfume o formicida a comichão a hélice
frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus o fibroma o guaraná a aguardente
girândola - de fogos de artifício o estratagema o plasma
o proclama o clã
horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros
junta - de bois, médicos, de examinadores Mudança de Gênero com mudança de sentido
júri - de jurados Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.
legião - de anjos, de soldados, de demônios Veja alguns exemplos:
malta - de desordeiros o cabeça (o chefe, o líder) a cabeça (parte do corpo)
manada - de bois, de elefantes o capital (dinheiro, bens) a capital (cidade principal)
matilha - de cães de caça o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação transmissora)
ninhada - de pintos o moral (ânimo) a moral (parte da Filosofia, conclusão)
nuvem - de gafanhotos, de fumaça o lotação (veículo) a lotação (capacidade)
panapaná - de borboletas o lente (o professor) a lente (vidro de aumento)
pelotão - de soldados
penca - de bananas, de chaves Plural dos Nomes Simples
pinacoteca - de pinturas 1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S: casa,
plantel - de animais de raça, de atletas casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães.
quadrilha - de ladrões, de bandidos 2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em:
ramalhete - de flores a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões; coração,
réstia - de alhos, de cebolas corações; grandalhão, grandalhões.
récua - de animais de carga b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião,
romanceiro - de poesias populares guardiães.
resma - de papel c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos): cristão,
revoada - de pássaros cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos.
súcia - de pessoas desonestas Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma forma
vara - de porcos de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou charlatães;
vocabulário - de palavras ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabeliães, etc.

FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS 3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém,


Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns.
grau. 4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar,
lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen, hí-
fens (ou hífenes).
Gênero Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones.
Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femini- 5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal, ani-
no: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta. mais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis.
Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules.
Podemos classificar os substantivos em: 6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em: fóssil,
a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas, uma fósseis; réptil, répteis.
para o masculino, outra para o feminino: Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril, bar-
aluno/aluna homem/mulher ris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis.
menino /menina carneiro/ovelha 7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxítonos: o
Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossílabos tôni-
pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo: cos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, portugueses;
padrinho/madrinha bode/cabra burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases.
cavaleiro/amazona pai/mãe São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também, os subs-
tantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o ônix, os ônix.
b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única 8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o substan-
forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se tivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do substantivo primitivo:
em: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; cãozinho, cãezitos.
1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam
animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca. Substantivos só usados no plural
Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, deve-
afazeres anais
mos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré fê-
arredores belas-artes
mea
cãs condolências
2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes que
confins exéquias
designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo arti-
férias fezes
go, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante, a
núpcias óculos
estudante, este dentista.
olheiras pêsames
3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam
viveres copas, espadas, ouros e paus (naipes)

Língua Portuguesa 12 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Plural dos Nomes Compostos
1. Somente o último elemento varia: Principais Sufixos Diminutivos
a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes; clara- ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZINHO,
boia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns; ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.: lobacho,
b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, grão- montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto, burrico, flautim,
mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres; pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote, papelucho, glóbulo,
c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de substantivo homúncula, apícula, velhusco.
ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; guarda-
comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sempre-viva, sem-
pre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas mela-mela, mela-
Observações:
• Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos, adqui-
melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique-tiques)
rem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulherzinha, etc.
Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: povaréu, fogaréu, etc.
2. Somente o primeiro elemento é flexionado:
• É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor afe-
a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de-leite;
tivo: Joãozinho, amorzinho, etc.
pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; burro-sem-
• Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente for-
rabo, burros-sem-rabo;
mal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: cartaz,
b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finalidade
ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc.
ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, pombos-
• Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e di-
correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, peixes-espada;
minutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho, bon-
banana-maçã, bananas-maçã.
zinho, pequenito.
A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos-
correios, homens-rãs, navios-escolas, etc.
Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em lu-
gar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radicais
3. Ambos os elementos são flexionados:
diferentes para designar o sexo:
a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves-
bode - cabra genro - nora
flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, cartas-
burro - besta padre - madre
compromissos.
carneiro - ovelha padrasto - madrasta
b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor-
cão - cadela padrinho - madrinha
perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara-pálida,
cavalheiro - dama pai - mãe
caras-pálidas.
compadre - comadre veado - cerva
frade - freira zangão - abelha
São invariáveis:
frei – soror etc.
a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o pi-
sa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo;
b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não- ADJETIVOS
molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem-
desocupa-o-copo;
FLEXÃO DOS ADJETIVOS
c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; o
perde-ganha, os perde-ganha.
Gênero
Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o caso
Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser:
por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda-
a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne-
marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso, pa-
ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu-
dres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos ou
lher simples; aluno feliz - aluna feliz.
salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate.
b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino, ou-
tra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / homem
Adjetivos Compostos alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa
Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona.
Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino- Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se-
americanos; cívico-militar, cívico-militares. melhante a dos substantivos.
1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quando o
segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa, tecidos
amarelo-ouro, paredes azul-piscina. Número
2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam: sur- a) Adjetivo simples
dos-mudos > surdas-mudas. Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os
3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho. substantivos simples:
pessoa honesta pessoas honestas
regra fácil regras fáceis
Graus do substantivo
homem feliz homens felizes
Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os quais
Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam in-
podem ser: sintéticos ou analíticos.
variáveis:
Analítico blusa vinho blusas vinho
Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do tama- camisa rosa camisas rosa
nho: boca pequena, prédio imenso, livro grande. b) Adjetivos compostos
Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último ele-
Sintético mento varia, tanto em gênero quanto em número:
Constrói-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados. acordos sócio-político-econômico acordos sócio-político-econômicos
causa sócio-político-econômica causas sócio-político-econômicas
Principais sufixos aumentativos acordo luso-franco-brasileiro acordo luso-franco-brasileiros
AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO, ÁZIO, lente côncavo-convexa lentes côncavo-convexas
ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil, caldeirão, camisa verde-clara camisas verde-claras
povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra, lobaz, dentu- sapato marrom-escuro sapatos marrom-escuros
ça.

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Observações: cruel - crudelíssimo doce - dulcíssimo
1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica invariável: eficaz - eficacíssimo feroz - ferocíssimo
camisa verde-abacate camisas verde-abacate fiel - fidelíssimo frágil - fragilíssimo
sapato marrom-café sapatos marrom-café
frio - frigidíssimo humilde - humílimo (humildíssimo)
blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro
2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invariáveis: incrível - incredibilíssimo inimigo - inimicíssimo
blusa azul-marinho blusas azul-marinho íntegro - integérrimo jovem - juveníssimo
camisa azul-celeste camisas azul-celeste livre - libérrimo magnífico - magnificentíssimo
3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os elementos magro - macérrimo maléfico - maleficentíssimo
variam: manso - mansuetíssimo miúdo - minutíssimo
menino surdo-mudo meninos surdos-mudos negro - nigérrimo (negríssimo) nobre - nobilíssimo
menina surda-muda meninas surdas-mudas pessoal - personalíssimo pobre - paupérrimo (pobríssimo)
possível - possibilíssimo preguiçoso - pigérrimo
Graus do Adjetivo próspero - prospérrimo provável - probabilíssimo
As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex- público - publicíssimo pudico - pudicíssimo
pressas em dois graus: sábio - sapientíssimo sagrado - sacratíssimo
- o comparativo salubre - salubérrimo sensível - sensibilíssimo
- o superlativo simples – simplicíssimo tenro - tenerissimo
terrível - terribilíssimo tétrico - tetérrimo
Comparativo velho - vetérrimo visível - visibilíssimo
Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma voraz - voracíssimo vulnerável - vuInerabilíssimo
outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é igual, Adjetivos Gentílicos e Pátrios
superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo: Argélia – argelino Bagdá - bagdali
- Comparativo de igualdade: Bizâncio - bizantino Bogotá - bogotano
O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral. Bóston - bostoniano Braga - bracarense
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente. Bragança - bragantino Brasília - brasiliense
- Comparativo de superioridade: Bucareste - bucarestino, - Buenos Aires - portenho, buenairense
O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro. bucarestense Campos - campista
Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico. Cairo - cairota Caracas - caraquenho
- Comparativo de inferioridade: Canaã - cananeu Ceilão - cingalês
A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro. Catalunha - catalão Chipre - cipriota
Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável. Chicago - chicaguense Córdova - cordovês
Coimbra - coimbrão, conim- Creta - cretense
Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de intensi- bricense Cuiabá - cuiabano
dade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo: Córsega - corso EI Salvador - salvadorenho
- Superlativo absoluto Croácia - croata Espírito Santo - espírito-santense,
Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser: Egito - egípcio capixaba
Esta cidade é poluidíssima. Equador - equatoriano Évora - eborense
Esta cidade é muito poluída. Filipinas - filipino Finlândia - finlandês
- Superlativo relativo Florianópolis - florianopolitano Formosa - formosano
Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a a Fortaleza - fortalezense Foz do lguaçu - iguaçuense
outros seres: Gabão - gabonês Galiza - galego
Este rio é o mais poluído de todos. Genebra - genebrino Gibraltar - gibraltarino
Este rio é o menos poluído de todos. Goiânia - goianense Granada - granadino
Groenlândia - groenlandês Guatemala - guatemalteco
Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico: Guiné - guinéu, guineense Haiti - haitiano
- Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade - Himalaia - himalaico Honduras - hondurenho
muito trabalhador, excessivamente frágil, etc. Hungria - húngaro, magiar Ilhéus - ilheense
- Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti- Iraque - iraquiano Jerusalém - hierosolimita
quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc. João Pessoa - pessoense Juiz de Fora - juiz-forense
La Paz - pacense, pacenho Lima - limenho
Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compara- Macapá - macapaense Macau - macaense
tivo e o superlativo, as seguintes formas especiais: Maceió - maceioense Madagáscar - malgaxe
NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO Madri - madrileno Manaus - manauense
ABSOLUTO Marajó - marajoara Minho - minhoto
RELATIVO Moçambique - moçambicano Mônaco - monegasco
bom melhor ótimo Montevidéu - montevideano Natal - natalense
melhor Normândia - normando Nova lguaçu - iguaçuano
mau pior péssimo Pequim - pequinês Pisa - pisano
pior Porto - portuense Póvoa do Varzim - poveiro
grande maior máximo Quito - quitenho Rio de Janeiro (Est.) - fluminense
maior Santiago - santiaguense Rio de Janeiro (cid.) - carioca
pequeno menor mínimo São Paulo (Est.) - paulista Rio Grande do Norte - potiguar
menor São Paulo (cid.) - paulistano Salvador – salvadorenho, soteropolitano
Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos: Terra do Fogo - fueguino Toledo - toledano
acre - acérrimo ágil - agílimo Três Corações - tricordiano Rio Grande do Sul - gaúcho
agradável - agradabilíssimo agudo - acutíssimo Tripoli - tripolitano Varsóvia - varsoviano
amargo - amaríssimo amável - amabilíssimo Veneza - veneziano Vitória - vitoriense
amigo - amicíssimo antigo - antiquíssimo
áspero - aspérrimo atroz - atrocíssimo Locuções Adjetivas
audaz - audacíssimo benéfico - beneficentíssimo As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs-
benévolo - benevolentíssimo capaz - capacíssimo tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem
célebre - celebérrimo cristão - cristianíssimo ser substituídas por um adjetivo correspondente.

Língua Portuguesa 14 A Opção Certa Para a Sua Realização


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PRONOMES EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS
1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS,
Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que repre- ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito.
senta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso. Considera-se errado seu emprego como complemento:
Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tratar-se de pronome Convidaram ELE para a festa (errado)
substantivo. Receberam NÓS com atenção (errado)
• Ele chegou. (ele) EU cheguei atrasado (certo)
• Convidei-o. (o) ELE compareceu à festa (certo)

Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a ex- 2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os
tensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo. pronomes retos:
• Esta casa é antiga. (esta) Convidei ELE (errado)
• Meu livro é antigo. (meu) Chamaram NÓS (errado)
Convidei-o. (certo)
Classificação dos Pronomes Chamaram-NOS. (certo)
Há, em Português, seis espécies de pronomes:
• pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas 3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de preposi-
de tratamento: ção, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se cor-
• possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões; reto seu emprego como complemento:
• demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo; Informaram a ELE os reais motivos.
• relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde; Emprestaram a NÓS os livros.
• indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá- Eles gostam muito de NÓS.
rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou-
trem, nada, cada, algo. 4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se
• interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases in- errado seu emprego como complemento:
terrogativas. Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado)
Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo)
PRONOMES PESSOAIS
Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis- Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas de
curso: preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas oblíquas
1ª pessoa: quem fala, o emissor. MIM e TI:
Eu sai (eu) Ninguém irá sem EU. (errado)
Nós saímos (nós) Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado)
Convidaram-me (me) Ninguém irá sem MIM. (certo)
Convidaram-nos (nós) Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo)
2ª pessoa: com quem se fala, o receptor.
Tu saíste (tu) Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e
Vós saístes (vós) TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam
Convidaram-te (te) como sujeito de um verbo no infinitivo.
Convidaram-vos (vós) Deram o livro para EU ler (ler: sujeito)
3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente. Deram o livro para TU leres (leres: sujeito)
Ele saiu (ele)
Eles sairam (eles) Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é obri-
Convidei-o (o) gatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática de
Convidei-os (os) sujeito.
5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados
Os pronomes pessoais são os seguintes: somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção em
que os referidos pronomes não sejam reflexivos:
NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO Querida, gosto muito de SI. (errado)
singular 1ª eu me, mim, comigo Preciso muito falar CONSIGO. (errado)
2ª tu te, ti, contigo Querida, gosto muito de você. (certo)
3ª ele, ela se, si, consigo, o, a, lhe Preciso muito falar com você. (certo)
plural 1ª nós nós, conosco
2ª vós vós, convosco Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os
3ª eles, elas se, si, consigo, os, as, lhes pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos:
Ele feriu-se
PRONOMES DE TRATAMENTO Cada um faça por si mesmo a redação
Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra- O professor trouxe as provas consigo
tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância
deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a 6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados
você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso. normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais
Veja, a seguir, alguns desses pronomes: pronomes devem ser substituídos pela forma analítica:
PRONOME ABREV. EMPREGO Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois
Vossa Alteza V. A. príncipes, duques Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios.
Vossa Eminência V .Ema cardeais
Vossa Excelência V.Exa altas autoridades em geral Vossa 7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As com-
Magnificência V. Mag a reitores de universidades
Vossa Reverendíssima V. Revma sacerdotes em geral
binações possíveis são as seguintes:
Vossa Santidade V.S. papas me+o=mo me + os = mos
Vossa Senhoria V.Sa funcionários graduados te+o=to te + os = tos
Vossa Majestade V.M. reis, imperadores lhe+o=lho lhe + os = lhos
nos + o = no-lo nos + os = no-los
São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo- vos + o = vo-lo vos + os = vo-los
cês. lhes + o = lho lhes + os = lhos

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A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femininos 3. No interior do verbo - mesóclise
a, as. Observar-te-ei sempre.
me+a=ma me + as = mas
te+a=ta te + as = tas Ênclise
- Você pagou o livro ao livreiro? Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a
- Sim, paguei-LHO. ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento
Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que direto ou indireto.
representa o livreiro) com O (que representa o livro). O pai esperava-o na estação agitada.
Expliquei-lhe o motivo das férias.
8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como
complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a
LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos:
indiretos: 1. Quando o verbo iniciar a oração:
O menino convidou-a. (V.T.D ) Voltei-me em seguida para o céu límpido.
O filho obedece-lhe. (V.T. l ) 2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa:
Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões) Como eu achasse muito breve, explicou-se.
aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como as 3. Com o imperativo afirmativo:
construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento de Companheiros, escutai-me.
verbos transitivos diretos: 4. Com o infinitivo impessoal:
Eu lhe vi ontem. (errado) A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um
Nunca o obedeci. (errado) destino na mesa.
Eu o vi ontem. (certo) 5. Com o gerúndio, não precedido da preposição EM:
Nunca lhe obedeci. (certo) E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo.
6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética.
9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de meio
como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar, franco.
sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse in-
finitivo: Próclise
Deixei-o sair. Na linguagem culta, a próclise é recomendada:
Vi-o chegar. 1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos,
Sofia deixou-se estar à janela. interrogativos e conjunções.
É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desenvol- As crianças que me serviram durante anos eram bichos.
vendo as orações reduzidas de infinitivo: Tudo me parecia que ia ser comida de avião.
Deixei-o sair = Deixei que ele saísse. Quem lhe ensinou esses modos?
Quem os ouvia, não os amou.
10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos: Que lhes importa a eles a recompensa?
A mim, ninguém me engana. Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez.
A ti tocou-te a máquina mercante. 2. Nas orações optativas (que exprimem desejo):
Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleonas- Papai do céu o abençoe.
mo vicioso e sim ênfase. A terra lhes seja leve.
3. Com o gerúndio precedido da preposição EM:
11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessivo, Em se animando, começa a contagiar-nos.
exercendo função sintática de adjunto adnominal: Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse.
Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro. 4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja
Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos. pausa entre eles.
Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova.
12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para representar Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra.
uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de mo-
déstia: Mesóclise
Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchentes. Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presente
Vós sois minha salvação, meu Deus! e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não estejam
precedidos de palavras que reclamem a próclise.
13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris.
nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quando Dir-se-ia vir do oco da terra.
falamos dessa pessoa:
Ao encontrar o governador, perguntou-lhe: Mas:
Vossa Excelência já aprovou os projetos? Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris.
Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração. Jamais se diria vir do oco da terra.
14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE, Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível:
VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª Lembrarei-me (!?)
pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como Diria-se (!?)
pronomes de terceira pessoa:
Você trouxe seus documentos?
Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas. O Pronome Átono nas Locuções Verbais
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou
COLOCAÇÃO DE PRONOMES enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal.
Podemos contar-lhe o ocorrido.
Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A,
Podemos-lhe contar o ocorrido.
NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições:
Não lhes podemos contar o ocorrido.
1. Antes do verbo - próclise
O menino foi-se descontraindo.
Eu te observo há dias.
O menino foi descontraindo-se.
2. Depois do verbo - ênclise
O menino não se foi descontraindo.
Observo-te há dias.

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2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclítico Os pronomes demonstrativos são estes:
ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio. ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa
"Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a Des- ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
cartes ." AQUELE (e variações), próprio (e variações)
Tenho-me levantado cedo. MESMO (e variações), próprio (e variações)
Não me tenho levantado cedo. SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)

O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o Emprego dos Demonstrativos
auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta. 1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o da a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na lingua- fala).
gem escrita. Este documento que tenho nas mãos não é meu.
Isto que carregamos pesa 5 kg.
PRONOMES POSSESSIVOS b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu- Este coração não pode me trair.
indo-lhes a posse de alguma coisa. Esta alma não traz pecados.
Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o Tudo se fez por este país..
livro pertence a 1ª pessoa (eu) c) Para indicar o momento em que falamos:
Eis as formas dos pronomes possessivos: Neste instante estou tranquilo.
1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS. Deste minuto em diante vou modificar-me.
2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS. d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do
3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS. momento em que falamos:
1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS. Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile.
2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS. Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem.
3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS. Um dia destes estive em Porto Alegre.
e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no
Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa qual se inclui o momento em que falamos:
(seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de Nesta semana não choveu.
você). Neste mês a inflação foi maior.
Este ano será bom para nós.
Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambigui- Este século terminará breve.
dade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s). f) Para indicar aquilo de que estamos tratando:
Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele. Este assunto já foi discutido ontem.
A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles. Tudo isto que estou dizendo já é velho.
Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio. g) Para indicar aquilo que vamos mencionar:
Só posso lhe dizer isto: nada somos.
Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos pro- Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos.
nomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância. 2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se:
Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com
suas mãos). quem se fala):
Não me respeitava a adolescência. Esse documento que tens na mão é teu?
A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face. Isso que carregas pesa 5 kg.
O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos. b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente:
Esse teu coração me traiu.
Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir: Essa alma traz inúmeros pecados.
1. Cálculo aproximado, estimativa: Quantos vivem nesse pais?
Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que dese-
2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma história jamos distância:
O nosso homem não se deu por vencido. O povo já não confia nesses políticos.
Chama-se Falcão o meu homem Não quero mais pensar nisso.
3. O mesmo que os indefinidos certo, algum d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2ª pessoa:
Eu cá tenho minhas dúvidas Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde.
Cornélio teve suas horas amargas O que você quer dizer com isso?
4. Afetividade, cortesia
Como vai, meu menino? e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que
Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo falamos:
No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de paren- Um dia desses estive em Porto Alegre.
tes de família. Comi naquele restaurante dia desses.
É assim que um moço deve zelar o nome dos seus? f) Para indicar aquilo que já mencionamos:
Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensida- Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio.
de. Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito distan-
Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando te.
não sabia o que dizer. 3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se:
a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se á
3ª.
PRONOMES DEMONSTRATIVOS Aquele documento que lá está é teu?
São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da Aquilo que eles carregam pesa 5 kg.
coisa designada em relação à pessoa gramatical. b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante.
Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra perto Naquele instante estava preocupado.
de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro está Daquele instante em diante modifiquei-me.
longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica que o Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele
livro está longe de ambas as pessoas. século, para exprimir que o tempo já decorreu.

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4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas, 2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem
usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou sempre um substantivo sem artigo.
variações) para a primeira: Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar?
Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso 3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos
e aquela tranquila. de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas.
5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE, Tenho tudo quanto quero.
pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural: Leve tantos quantos precisar.
Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose? Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou.
Com um frio destes não se pode sair de casa. 4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a
Nunca vi uma coisa daquelas. EM QUE.
6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter A casa onde (= em que) moro foi de meu avô.
reforçativo:
Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos.
Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas. PRONOMES INDEFINIDOS
7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO, Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de
ISSO ou AQUELE (e variações). modo vago, impreciso, indeterminado.
Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro. 1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO,
O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres. SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO
Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames. Exemplos:
A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os Algo o incomoda?
homens superiores. Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve.
8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante: Não faças a outrem o que não queres que te façam.
A menina ia cair, nisto, o pai a segurou Quem avisa amigo é.
9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE, Encontrei quem me pode ajudar.
ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO. Ele gosta de quem o elogia.
Tal era a situação do país. 2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS, CERTA
Não disse tal. CERTAS.
Tal não pôde comparecer. Cada povo tem seus costumes.
Certas pessoas exercem várias profissões.
Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu- Certo dia apareceu em casa um repórter famoso.
des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompanha
QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases como PRONOMES INTERROGATIVOS
Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo DE QUAL Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se de
ou OUTRO TAL: modo impreciso à 3ª pessoa do discurso.
Suas manias eram tais quais as minhas. Exemplos:
A mãe era tal quais as filhas. Que há?
Os filhos são tais qual o pai. Que dia é hoje?
Tal pai, tal filho. Reagir contra quê?
É pronome substantivo em frases como: Por que motivo não veio?
Não encontrarei tal (= tal coisa). Quem foi?
Não creio em tal (= tal coisa) Qual será?
Quantos vêm?
PRONOMES RELATIVOS Quantas irmãs tens?
Veja este exemplo:
Armando comprou a casa QUE lhe convinha. VERBO
A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo
casa é um pronome relativo.
CONCEITO
PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já re- “As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando-
feridos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos. as no tempo.
A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente. Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a re-
No exemplo dado, o antecedente é casa. ceita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e
Outros exemplos de pronomes relativos: gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro elas.
Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos. Assim fiz. Morreram.”
O lugar onde paramos era deserto. (Clarice Lispector)
Traga tudo quanto lhe pertence. Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir:
Leve tantos ingressos quantos quiser. a) Estado:
Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso? Não sou alegre nem sou triste.
Sou poeta.
Eis o quadro dos pronomes relativos: b) Mudança de estado:
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS Meu avô foi buscar ouro.
Masculino Feminino Mas o ouro virou terra.
o qual a qual quem c) Fenômeno:
os quais as quais Chove. O céu dorme.
cujo cujos cuja cujas que VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de
quanto quanta quantas onde estado e fenômeno, situando-se no tempo.
quantos

Observações: FLEXÕES
1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente, O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle-
vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL. xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer em
O médico de quem falo é meu conterrâneo. si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica:

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• a ação de cantar. c) agente e paciente do fato expresso:
• a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós). O carroceiro machucou-se.
• o número gramatical (plural). (sujeito agente e paciente)
• o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito). O verbo está na voz reflexiva.
• o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido no 6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de
passado (indicativo). rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical.
• que o sujeito pratica a ação (voz ativa). Falo - Estudam.
Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está
Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz. fora do radical.
1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural: Falamos - Estudarei.
O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular). 7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em:
Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural). a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua
2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais: conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto -
1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser cantei - cantarei – cantava - cantasse.
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço. b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme- nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse.
cemos. c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa,
2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe-
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces. nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc.
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adormeceis. d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o
3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio: ma-
a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela tado - morto - enxugado - enxuto.
adormece. e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua conju-
b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.: Eles gação.
adormecem. verbo ser: sou - fui
3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do falante verbo ir: vou - ia
em relação ao fato que comunica. Há três modos em português.
a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato. QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO
A cachorra Baleia corria na frente. 1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou
b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato. explícito. Quase todos os verbos são pessoais.
Talvez a cachorra Baleia corra na frente . O Nino apareceu na porta.
c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um 2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implíci-
pedido to ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais:
Corra na frente, Baleia. a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar,
4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tempo, etc.
em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos são: Garoava na madrugada roxa.
a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala: b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer:
Fecho os olhos, agito a cabeça. Houve um espetáculo ontem.
b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele Há alunos na sala.
em que se fala: Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos
Fechei os olhos, agitei a cabeça. claros.
c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala: c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico.
Fecharei os olhos, agitarei a cabeça. Fazia dois anos que eu estava casado.
O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o Faz muito frio nesta região?
presente.
O VERBO HAVER (empregado impessoalmente)
Veja o esquema dos tempos simples em português: O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente na
Presente (falo) 3ª pessoa do singular - quando significa:
INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei) 1) EXISTIR
Imperfeito (falava) Há pessoas que nos querem bem.
Mais- que-perfeito (falara) Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá.
Futuro do presente (falarei) Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios.
do pretérito (falaria) Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores.
Presente (fale) 2) ACONTECER, SUCEDER
SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse) Houve casos difíceis na minha profissão de médico.
Futuro (falar) Não haja desavenças entre vós.
Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos.
se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esquema 3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado:
dos tempos simples. Há meses que não o vejo.
Infinitivo impessoal (falar) Haverá nove dias que ele nos visitou.
Pessoal (falar eu, falares tu, etc.) Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava.
FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando) O fato aconteceu há cerca de oito meses.
Particípio (falado) Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no
5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser: pretérito imperfeito, e não no presente:
a) agente do fato expresso. Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada.
O carroceiro disse um palavrão. Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos.
(sujeito agente) Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo.
O verbo está na voz ativa. Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava.
b) paciente do fato expresso: 4) REALIZAR-SE
Um palavrão foi dito pelo carroceiro. Houve festas e jogos.
(sujeito paciente) Se não chovesse, teria havido outros espetáculos.
O verbo está na voz passiva. Todas as noites havia ensaios das escolas de samba.

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5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e Ele andava à toa.
seguido de infinitivo): Nós vendíamos sempre fiado.
Em pontos de ciência não há transigir. - um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre
Não há contê-lo, então, no ímpeto. por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis.
Não havia descrer na sinceridade de ambos. Era uma vez...
Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas. - um fato presente em relação a outro fato passado.
E não houve convencê-lo do contrário. Eu lia quando ele chegou.
Não havia por que ficar ali a recriminar-se. c) Pretérito Perfeito
Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já
Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de ocorrido, concluído.
há muito (= desde muito tempo, há muito tempo): Estudei a noite inteira.
De há muito que esta árvore não dá frutos. Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até o
De há muito não o vejo. momento presente.
Tenho estudado todas as noites.
O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com d) Pretérito mais-que-perfeito
ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em
pessoa do singular: relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado):
Vai haver eleições em outubro. A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou.
Começou a haver reclamações. e) Futuro do Presente
Não pode haver umas sem as outras. Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato
Parecia haver mais curiosos do que interessados. futuro em relação ao momento em que se fala.
Mas haveria outros defeitos, devia haver outros. Irei à escola.
f) Futuro do Pretérito
A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar:
construída de três modos: - um fato futuro, em relação a outro fato passado.
Hajam vista os livros desse autor. - Eu jogaria se não tivesse chovido.
Haja vista os livros desse autor. - um fato futuro, mas duvidoso, incerto.
Haja vista aos livros desse autor. - Seria realmente agradável ter de sair?
Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às
CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA vezes, ironia.
- Daria para fazer silêncio?!
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o
sentido da frase.
Modo Subjuntivo
Exemplo:
a) Presente
Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar:
A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva)
- um fato presente, mas duvidoso, incerto.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ativa
Talvez eles estudem... não sei.
passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva, conser-
- um desejo, uma vontade:
vando o mesmo tempo.
Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores.
Outros exemplos:
b) Pretérito Imperfeito
Os calores intensos provocam as chuvas.
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma
As chuvas são provocadas pelos calores intensos.
hipótese, uma condição.
Eu o acompanharei.
Se eu estudasse, a história seria outra.
Ele será acompanhado por mim.
Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo.
Todos te louvariam.
e) Pretérito Perfeito
Serias louvado por todos.
Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar
Prejudicaram-me.
um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as
Fui prejudicado.
características do modo subjuntivo).
Condenar-te-iam.
Que tenha estudado bastante é o que espero.
Serias condenado.
d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito
do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro fato
EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS
passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo subjuntivo:
a) Presente
Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui-
Emprega-se o presente do indicativo para assinalar:
lamente.
- um fato que ocorre no momento em que se fala.
e) Futuro
Eles estudam silenciosamente.
Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já conclu-
Eles estão estudando silenciosamente.
ído em relação a outro fato futuro.
- uma ação habitual.
Quando eu voltar, saberei o que fazer.
Corra todas as manhãs.
- uma verdade universal (ou tida como tal):
O homem é mortal. VERBOS IRREGULARES
A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa. DAR
- fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão
maior realce à narrativa. Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram
Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram
Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis".
Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, dêem
É o chamado presente histórico ou narrativo. Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis, dessem
- fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos: Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem
Amanhã vou à escola.
Qualquer dia eu te telefono. MOBILIAR
b) Pretérito Imperfeito Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobiliam
Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar: Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobiliem
- um fato passado contínuo, habitual, permanente: Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, mobiliem

Língua Portuguesa 20 A Opção Certa Para a Sua Realização


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AGUAR Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão
Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, águam Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam
Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram Presente do subjuntivo
diga, digas, diga, digamos, digais, digam
Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, águem Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis,
dissesse
MAGOAR Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem
Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam Particípio dito
Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes, magoa- Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer
ram
Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoem FAZER
Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem
Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram
APIEDAR-SE Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram
Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo-nos, apiedais- Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão
vos, apiadam-se Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam
Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiedemo-nos, apiedei- Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam
vos, apiedem-se Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam
Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis,
fizessem
MOSCAR Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem
Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, moscais, muscam Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer
Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, mosqueis, mus-
quem PERDER
Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem
Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. percam
RESFOLEGAR Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam
Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos, resfolegais,
resfolgam PODER
Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfoleguemos, resfolegueis, Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, podem
resfolguem Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam
Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam
Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis,
NOMEAR puderam
Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais, possam
Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, nomeáveis, Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis,
nomeavam pudessem
Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes, nomea- Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem
ram Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, poderem
Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem Gerúndio podendo
Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem Particípio podido
Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no
imperativo negativo
COPIAR
Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais, copiam PROVER
Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copiaram Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem
Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos, copiá- Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam
reis, copiaram Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram
Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis, copiem Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos, provê-
Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem reis, proveram
ODIAR Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, proverão
Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis, prove-
Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, odiavam riam
Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam
Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiáreis, Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais. provejam
odiaram
Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos, provêsseis,
Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar provessem
Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem
CABER Gerúndio provendo
Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem Particípio provido
Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam
Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos, QUERER
coubéreis, couberam Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem
Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram
Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubésseis, Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos, quisé-
coubessem reis, quiseram
Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, couberem Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram
O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisésseis,
imperativo negativo quisessem
Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem
CRER
REQUERER
Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, crêem
Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis. requerem
Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam
Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, requereste,
Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam
requereram
Conjugam-se como crer, ler e descrer
Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, requereramos,
requerereis, requereram
DIZER
Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos, requerereis,
Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem
requererão
Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram
Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos, requere-
Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos, disséreis,
ríeis, requereriam
disseram
Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram

Língua Portuguesa 21 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais, AGREDIR
requeiram Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem
Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos, Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agridam
requerêsseis, requeressem, Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam
Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes, Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substituído por I.
requerem
Gerúndio requerendo Particípio requerido COBRIR
O verbo REQUERER não se conjuga como querer. Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem
Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cubram
REAVER Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram
Presente do indicativo reavemos, reaveis Particípio coberto
Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouve- Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir
ram
Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvé- FALIR
reis, reouveram Presente do indicativo falimos, falis
Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvésse- Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam
mos, reouvésseis, reouvessem Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, faliram
Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes, Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram
reouverem Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão
O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que esse apresen- Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam
ta a letra v Presente do subjuntivo não há
Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem
SABER Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem Imperativo afirmativo fali (vós)
Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam Imperativo negativo não há
Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos, Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
soubéreis, souberam Gerúndio falindo
Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam Particípio falido
Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubéssemos, soubésseis,
soubessem FERIR
Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, souberem Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem
Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam
VALER Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados.
Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem
Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham MENTIR
Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis, mentem
Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam
TRAZER Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam
Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir.
Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam
Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram FUGIR
Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos, Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
trouxéreis, trouxeram Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam
Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam IR
Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam
Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, trouxésseis, Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
trouxessem Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram
Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxe- Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão
rem Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam
Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, trazerem Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão
Gerúndio trazendo Particípio trazido Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não vão
VER Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão
Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem
Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem
Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês Gerúndio indo
Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam Particípio ido
Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem
Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem OUVIR
Particípio visto Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem
Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam
ABOLIR Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam
Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem Particípio ouvido
Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam
Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram PEDIR
Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis, Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem
aboliram Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram
Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, abolirão Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam
Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis, aboliriam Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam
Presente do subjuntivo não há Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir
Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis,
abolissem POLIR
Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem
Imperativo afirmativo abole, aboli Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam
Imperativo negativo não há Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam
Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Infinitivo impessoal abolir REMIR
Gerúndio abolindo Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redimis, redimem
Particípio abolido Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam
O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do radical há E ou I.

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RIR Advérbios Interrogativos
Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como?
Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam
Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram
Palavras Denotativas
Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram
Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios, te-
Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam rão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão,
Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc.
Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam 1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc.
Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem 2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc.
Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem 3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc.
Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem 4) DE DESIGNAÇÃO - eis.
Gerúndio rindo
5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.
Particípio rido
Conjuga-se como rir: sorrir 6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc.
Você lá sabe o que está dizendo, homem...
VIR Mas que olhos lindos!
Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm Veja só que maravilha!
Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham
Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram
Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis, vieram
NUMERAL
Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão
Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.
Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham
Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham O numeral classifica-se em:
Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem - cardinal - quando indica quantidade.
Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem - ordinal - quando indica ordem.
Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem - multiplicativo - quando indica multiplicação.
Gerúndio vindo - fracionário - quando indica fracionamento.
Particípio vindo
Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir
Exemplos:
SUMIR Silvia comprou dois livros.
Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, somem Antônio marcou o primeiro gol.
Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, sumam Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço.
Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam O galinheiro ocupava um quarto da quintal.
Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir, cuspir QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS

ADVÉRBIO Algarismos Numerais


Roma- Arábi- Cardinais Ordinais Multiplica- Fracionários
Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad- nos cos tivos
vérbio, exprimindo uma circunstância.
I 1 um primeiro simples -
Os advérbios dividem-se em:
II 2 dois segundo duplo meio
1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures,
dobro
nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde, avan-
te, através, defronte, aonde, etc. III 3 três terceiro tríplice terço
2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre, IV 4 quatro quarto quádruplo quarto
nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve, V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc. VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior, VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo
melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc. VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante, dema- IX 9 nove nono nônuplo nono
siado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tanto, bem, X 10 dez décimo décuplo décimo
mal, quase, apenas, etc. XI 11 onze décimo onze avos
5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc. primeiro
6) NEGAÇÃO: não. XII 12 doze décimo doze avos
7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto, segundo
provavelmente, etc. XIII 13 treze décimo treze avos
terceiro
Há Muitas Locuções Adverbiais XIV 14 quatorze décimo quatorze
1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à entra- quarto avos
da, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc. XV 15 quinze décimo quinze avos
2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à noite, quinto
às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por fim, de XVI 16 dezesseis décimo dezesseis
repente, de vez em quando, de longe em longe, etc. sexto avos
3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de bom XVII 17 dezessete décimo dezessete
grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência, em ge- sétimo avos
ral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a olhos vis- XVIII 18 dezoito décimo dezoito avos
tos, de propósito, de súbito, por um triz, etc. oitavo
4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui- XIX 19 dezenove décimo nono dezenove
na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc. avos
5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc. XX 20 vinte vigésimo vinte avos
6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma,
XXX 30 trinta trigésimo trinta avos
etc.
XL 40 quarenta quadragé- quarenta
7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc.
simo avos

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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
L 50 cinquenta quinquagé- cinquenta CONJUNÇÃO
simo avos
LX 60 sessenta sexagésimo sessenta Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
avos
LXX 70 setenta septuagési- setenta avos Conjunções Coordenativas
mo 1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc.
LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos 2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no
XC 90 noventa nonagésimo noventa entanto, etc.
avos 3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer, etc.
C 100 cem centésimo centésimo 4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por consequência.
CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo 5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque, pois, etc.
CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo
CD 400 quatrocen- quadringen- quadringen- Conjunções Subordinativas
tos tésimo tésimo 1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc.
D 500 quinhen- quingenté- quingenté- 2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
tos simo simo 3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que, etc.
DC 600 seiscentos sexcentési- sexcentési- 4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.
mo mo 5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que,
DCC 700 setecen- septingenté- septingenté- etc.
tos simo simo 6) INTEGRANTES: que, se, etc.
DCCC 800 oitocentos octingenté- octingenté- 7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc.
simo simo 8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que, de
CM 900 novecen- nongentési- nongentési- forma que, de modo que, etc.
tos mo mo 9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto mais,
M 1000 mil milésimo milésimo etc.
10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc.
Emprego do Numeral
Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc. VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES
empregam-se de 1 a 10 os ordinais.
João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro) Examinemos estes exemplos:
Luis X (décimo) ano I (primeiro) 1º) Tristeza e alegria não moram juntas.
Pio lX (nono) século lV (quarto) 2º) Os livros ensinam e divertem.
3º) Saímos de casa quando amanhecia.
De 11 em diante, empregam-se os cardinais: No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma oração: é
Leão Xlll (treze) ano Xl (onze) uma conjunção.
Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis) No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão ligando
Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte) orações: são também conjunções.
Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal. Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da
XX Salão do Automóvel (vigésimo) mesma oração.
VI Festival da Canção (sexto)
lV Bienal do Livro (quarta) No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma dependa
XVI capítulo da telenovela (décimo sexto) da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por isso, a
conjunção E é coordenativa.
Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma à
emprego do ordinal. outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjunção
Hoje é primeiro de setembro QUANDO é subordinativa.
Não é aconselhável iniciar período com algarismos As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinativas.
16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia
A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos ordi- CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
nais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e dois As conjunções coordenativas podem ser:
(= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam nesse 1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas
caso porque está subentendida a palavra número. Casa número vinte e um, também, mas ainda, senão também, como também, bem como.
página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever também: a O agricultor colheu o trigo e o vendeu.
folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense, vemos o Não aprovo nem permitirei essas coisas.
numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas. Os livros não só instruem mas também divertem.
As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polinizam
as flores.
ARTIGO 2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com-
pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao
Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determiná- passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, ape-
los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número. sar disso, em todo caso.
Dividem-se em Querem ter dinheiro, mas não trabalham.
• definidos: O, A, OS, AS Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia.
• indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS. Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce.
Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular. A culpa não a atribuo a vós, senão a ele.
Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado). O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula.
Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso, O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado.
geral. Você já sabe bastante, porém deve estudar mais.
Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde- Eu sou pobre, ao passo que ele é rico.
terminado). Hoje não atendo, em todo caso, entre.
lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido.

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APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou, 5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas não
ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc. são como (ou conforme) dizem.
Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos. "Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar."
Ou você estuda ou arruma um emprego. (Machado de Assis)
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo. 6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto,
Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando. tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de
"Já chora, já se ri, já se enfurece." forma que, de maneira que, sem que, que (não).
(Luís de Camões) Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por con- Falou com uma calma que todos ficaram atônitos.
seguinte, pois (posposto ao verbo), por isso. Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí.
As árvores balançam, logo está ventando. Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam.
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável. Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te. 7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que).
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, por- Afastou-se depressa para que não o víssemos.
que, porquanto, pois (anteposto ao verbo). Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse.
Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem Fiz-lhe sinal que se calasse.
causar incêndios. 8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas. mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tan-
Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adversa- to mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.
tivo: À medida que se vive, mais se aprende.
Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam. À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
"Quis dizer mais alguma coisa a não pôde." Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo.
(Jorge Amado) Os soldados respondiam, à medida que eram chamados.
Observação:
Conjunções subordinativas
São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida
As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma à
que e na medida em que. A forma correta é à medida que:
outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações que
"À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem."
traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição ou
(Maria José de Queirós)
hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo).
9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre que,
Abrangem as seguintes classes:
assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, etc.
1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, já
Venha quando você quiser.
que, uma vez que, desde que.
Não fale enquanto come.
O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa:
Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra.
efeito).
Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
Como estivesse de luto, não nos recebeu.
Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia.
Desde que é impossível, não insistirei.
"Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Cavalcânti)
2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como, (tão
10) Integrantes: que, se.
ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto)
Sabemos que a vida é breve.
quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que
Veja se falta alguma coisa.
(= como).
Observação:
Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento.
Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o
O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa.
chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB,
"Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias."
porém, não consigna esta espécie de conjunção.
(Paulo Mendes Campos)
Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem que,
"Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa."
por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, etc.
(Antônio Olavo Pereira)
Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, por-
"E pia tal a qual a caça procurada."
tanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contex-
(Amadeu de Queirós)
to. Assim, a conjunção que pode ser:
"Por que ficou me olhando assim feito boba?"
1) Aditiva (= e):
(Carlos Drummond de Andrade)
Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai.
Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas.
A nós que não a eles, compete fazê-lo.
Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero.
2) Explicativa (= pois, porque):
Os governantes realizam menos do que prometem.
Apressemo-nos, que chove.
3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda
3) Integrante:
quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por
Diga-lhe que não irei.
menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que
4) Consecutiva:
(= embora não).
Tanto se esforçou que conseguiu vencer.
Célia vestia-se bem, embora fosse pobre.
Não vão a uma festa que não voltem cansados.
A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer.
Onde estavas, que não te vi?
Beba, nem que seja um pouco.
5) Comparativa (= do que, como):
Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo.
A luz é mais veloz que o som.
Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse.
Ficou vermelho que nem brasa.
Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
6) Concessiva (= embora, ainda que):
afirmações.
Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo.
Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite.
Beba, um pouco que seja.
4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que
7) Temporal (= depois que, logo que):
(= se não), a não ser que, a menos que, dado que.
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel.
Ficaremos sentidos, se você não vier.
8) Final (= pare que):
Comprarei o quadro, desde que não seja caro.
Vendo-me à janela, fez sinal que descesse.
Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo.
9) Causal (= porque, visto que):
"Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vivaldo
que os mosquitos se opusessem."
Coaraci)
(Ferreira de Castro)

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A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase: 6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o
1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe- sujeito.
disse. (sem que = embora não) Meus amigos estão atrapalhados.
2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito. 7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predica-
(sem que = se não,caso não) tivo no gênero da pessoa a quem se refere.
3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados. Sua excelência, o Governador, foi compreensivo.
(sem que = que não) 8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo
4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não) vão para o singular ou para o plural.
Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações. Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros).
9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier
PREPOSIÇÃO precedido de artigo e o segundo não vão para o plural.
Já estudei o primeiro e segundo livros.
Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois ter- 10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural.
mos de uma oração. O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro.
segundo, um subordinado ou consequente. 11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a
Exemplos: que se referem.
Chegaram a Porto Alegre. Ela mesma veio até aqui.
Discorda de você. Eles chegaram sós.
Fui até a esquina. Eles próprios escreveram.
Casa de Paulo. 12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere.
Muito obrigado. (masculino singular)
Preposições Essenciais e Acidentais Muito obrigada. (feminino singular).
As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CONTRA, 13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e fica
DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB, SOBRE e invariável quando é advérbio.
ATRÁS. Quero meio quilo de café.
Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a ou- Minha mãe está meio exausta.
tras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais: afora, É meio-dia e meia. (hora)
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante, salvo, 14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o substan-
segundo, senão, tirante, visto, etc. tivo a que se referem.
Trouxe anexas as fotografias que você me pediu.
A expressão em anexo é invariável.
INTERJEIÇÃO Trouxe em anexo estas fotos.
15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substitu-
Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem em advérbios em MENTE, permanecem invariáveis.
ser: Vocês falaram alto demais.
- alegria: ahl oh! oba! eh! O combustível custava barato.
- animação: coragem! avante! eia! Você leu confuso.
- admiração: puxa! ih! oh! nossa! Ela jura falso.
- aplauso: bravo! viva! bis! 16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjetivos,
- desejo: tomara! oxalá! sofrem variação normalmente.
- dor: aí! ui! Esses pneus custam caro.
- silêncio: psiu! silêncio! Conversei bastante com eles.
- suspensão: alto! basta! Conversei com bastantes pessoas.
Estas crianças moram longe.
LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo Conheci longes terras.
valor de uma interjeição.
Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam!
CONCORDÂNCIA VERBAL
Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim!
CASOS GERAIS
1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.
O menino chegou. Os meninos chegaram.
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL 2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular.
O pessoal ainda não chegou.
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL A turma não gostou disso.
Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinante Um bando de pássaros pousou na árvore.
se adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões. 3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá ao
plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural.
Principais Casos de Concordância Nominal Os Estados Unidos são um grande país.
1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em Os Lusíadas imortalizaram Camões.
gênero e número com o substantivo. Os Alpes vivem cobertos de neve.
As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico. Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular.
2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão Flores já não leva acento.
normalmente para o plural. O Amazonas deságua no Atlântico.
Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio. Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica.
3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai 4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome
para o masculino plural. no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indiferen-
Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios. temente.
4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios.
próximo: A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram).
Trouxe livros e revista especializada. 5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o
5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais próxi- sujeito paciente.
mo. Vende-se um apartamento.
Dedico esta música à querida tia e sobrinhos. Vendem-se alguns apartamentos.

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6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o 7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER
verbo para a 3ª pessoa do singular. concorda com o pronome.
Precisa-se de funcionários. A ciência, mestres, sois vós.
7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha no Em minha turma, o líder sou eu.
singular e o verbo no singular ou no plural.
Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem) 8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infinitivo,
8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural. apenas um deles deve ser flexionado.
Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul. Os meninos parecem gostar dos brinquedos.
9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular. Os meninos parece gostarem dos brinquedos.
Mais de um jurado fez justiça à minha música.
10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando
empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
no singular.
As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição.
Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramati-
11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o
calmente do outro.
sujeito.
A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos e
Deu uma hora.
adjetivos).
Deram três horas.
Bateram cinco horas.
Exemplos:
Naquele relógio já soaram duas horas.
- acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM
12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da
EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito.
PARA = passagem
Ela é que faz as bolas.
A regência verbal trata dos complementos do verbo.
Eu é que escrevo os programas.
13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é
um pronome relativo. ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA
Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova. 1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto)
Fui eu que fiz a lição • pretender (transitivo indireto)
Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí- No sítio, aspiro o ar puro da montanha.
veis. Nossa equipe aspira ao troféu de campeã.
• que: Fui eu que fiz a lição. 2. OBEDECER - transitivo indireto
• quem: Fui eu quem fez a lição. Devemos obedecer aos sinais de trânsito.
• o que: Fui eu o que fez a lição. 3. PAGAR - transitivo direto e indireto
14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na Já paguei um jantar a você.
terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem a 4. PERDOAR - transitivo direto e indireto.
este sua impessoalidade. Já perdoei aos meus inimigos as ofensas.
Chove a cântaros. Ventou muito ontem. 5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto
Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões. Prefiro Comunicação à Matemática.

CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER 6. INFORMAR - transitivo direto e indireto.


1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos Informei-lhe o problema.
pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e PA-
RECER concordam com o predicativo. 7. ASSISTIR - morar, residir:
Tudo são esperanças. Assisto em Porto Alegre.
Aquilo parecem ilusões. • amparar, socorrer, objeto direto
Aquilo é ilusão. O médico assistiu o doente.
• PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto
2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER con- Assistimos a um belo espetáculo.
corda sempre com o nome ou pronome que vier depois. • SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto
Que são florestas equatoriais? Assiste-lhe o direito.
Quem eram aqueles homens?
8. ATENDER - dar atenção
3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará com Atendi ao pedido do aluno.
a expressão numérica. • CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto
São oito horas. Atenderam o freguês com simpatia.
Hoje são 19 de setembro.
De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros. 9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto
A moça queria um vestido novo.
4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER • GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto
fica no singular. O professor queria muito a seus alunos.
Três batalhões é muito pouco.
Trinta milhões de dólares é muito dinheiro. 10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto
Todos visamos a um futuro melhor.
5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular. • APONTAR, MIRAR - objeto direto
Maria era as flores da casa. O artilheiro visou a meta quando fez o gol.
O homem é cinzas. • pör o sinal de visto - objeto direto
O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia.
6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER
concorda com o predicativo. 11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto
Dançar e cantar é a sua atividade. Devemos obedecer aos superiores.
Estudar e trabalhar são as minhas atividades. Desobedeceram às leis do trânsito.

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12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE 04. Assinale a alternativa que dá continuidade ao texto abaixo, em
• exigem na sua regência a preposição EM conformidade com a norma culta.
O armazém está situado na Farrapos. Nem só de beleza vive a madrepérola ou nácar. Essa substância do
Ele estabeleceu-se na Avenida São João. interior da concha de moluscos reúne outras características interes-
santes, como resistência e flexibilidade.
13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo. (A) Se puder ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
Essas tuas justificativas não procedem. componentes para a indústria.
• no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se (B) Se pudesse ser moldada, dá ótimo material para a confecção de
com a preposição DE. componentes para a indústria.
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani (C) Se pode ser moldada, dá ótimo material para a confecção de com-
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A. ponentes para a indústria.
O secretário procedeu à leitura da carta. (D) Se puder ser moldada, dava ótimo material para a confecção de
componentes para a indústria.
14. ESQUECER E LEMBRAR
(E) Se pudesse ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
• quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto:
componentes para a indústria.
Esqueci o nome desta aluna.
Lembrei o recado, assim que o vi.
05. O uso indiscriminado do gerúndio tem-se constituído num problema
• quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto:
para a expressão culta da língua. Indique a única alternativa em que
Esqueceram-se da reunião de hoje.
ele está empregado conforme o padrão culto.
Lembrei-me da sua fisionomia.
(A) Após aquele treinamento, a corretora está falando muito bem.
15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa. (B) Nós vamos estar analisando seus dados cadastrais ainda hoje.
• perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos. (C) Não haverá demora, o senhor pode estar aguardando na linha.
• pagar - Pago o 13° aos professores. (D) No próximo sábado, procuraremos estar liberando o seu carro.
• dar - Daremos esmolas ao pobre. (E) Breve, queremos estar entregando as chaves de sua nova casa.
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega.
• ensinar - Ensino a tabuada aos alunos. 06. De acordo com a norma culta, a concordância nominal e verbal está
• agradecer - Agradeço as graças a Deus. correta em:
• pedir - Pedi um favor ao colega. (A) As características do solo são as mais variadas possível.
(B) A olhos vistos Lúcia envelhecia mais do que rapidamente.
16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto: (C) Envio-lhe, em anexos, a declaração de bens solicitada.
O amor implica renúncia. (D) Ela parecia meia confusa ao dar aquelas explicações.
• no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposição (E) Qualquer que sejam as dúvidas, procure saná-las logo.
COM: O professor implicava com os alunos 07. Assinale a alternativa em que se respeitam as normas cultas de
• no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a preposi- flexão de grau.
ção EM: Implicou-se na briga e saiu ferido (A) Nas situações críticas, protegia o colega de quem era amiquíssimo.
(B) Mesmo sendo o Canadá friosíssimo, optou por permanecer lá duran-
17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição A: te as férias.
Ele foi a São Paulo para resolver negócios. (C) No salto, sem concorrentes, seu desempenho era melhor de todos.
quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA: (D) Diante dos problemas, ansiava por um resultado mais bom que ruim.
Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso. (E) Comprou uns copos baratos, de cristal, da mais malíssima qualidade.
18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa Nas questões de números 08 e 09, assinale a alternativa cujas pala-
como sujeito: vras completam, correta e respectivamente, as frases dadas.
O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª
pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente di- 08. Os pesquisadores trataram de avaliar visão público financiamento
ficuldade, será objeto indireto. estatal ciência e tecnologia.
Custou-me confiar nele novamente. (A) à ... sobre o ... do ... para
Custar-te-á aceitá-la como nora. (B) a ... ao ... do ... para
(C) à ... do ... sobre o ... a
(D) à ... ao ... sobre o ... à
PROVA SIMULADA (E) a ... do ... sobre o ... à
01. Assinale a alternativa correta quanto ao uso e à grafia das palavras. 09. Quanto perfil desejado, com vistas qualidade dos candidatos, a
(A) Na atual conjetura, nada mais se pode fazer. franqueadora procura ser muito mais criteriosa ao contratá-los, pois
(B) O chefe deferia da opinião dos subordinados. eles devem estar aptos comercializar seus produtos.
(C) O processo foi julgado em segunda estância. (A) ao ... a ... à (B) àquele ... à ... à
(D) O problema passou despercebido na votação. (C) àquele...à ... a (D) ao ... à ... à
(E) Os criminosos espiariam suas culpas no exílio. (E) àquele ... a ... a
02. A alternativa correta quanto ao uso dos verbos é: 10. Assinale a alternativa gramaticalmente correta de acordo com a
(A) Quando ele vir suas notas, ficará muito feliz. norma culta.
(B) Ele reaveu, logo, os bens que havia perdido. (A) Bancos de dados científicos terão seu alcance ampliado. E isso
(C) A colega não se contera diante da situação. trarão grandes benefícios às pesquisas.
(D) Se ele ver você na rua, não ficará contente. (B) Fazem vários anos que essa empresa constrói parques, colaborando
(E) Quando você vir estudar, traga seus livros. com o meio ambiente.
(C) Laboratórios de análise clínica tem investido em institutos, desenvol-
03. O particípio verbal está corretamente empregado em: vendo projetos na área médica.
(A) Não estaríamos salvados sem a ajuda dos barcos. (D) Havia algumas estatísticas auspiciosas e outras preocupantes apre-
(B) Os garis tinham chego às ruas às dezessete horas. sentadas pelos economistas.
(C) O criminoso foi pego na noite seguinte à do crime. (E) Os efeitos nocivos aos recifes de corais surge para quem vive no
(D) O rapaz já tinha abrido as portas quando chegamos. litoral ou aproveitam férias ali.
(E) A faxineira tinha refazido a limpeza da casa toda.

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11. A frase correta de acordo com o padrão culto é: 17. Assinale a alternativa em que, de acordo com a norma culta, se
(A) Não vejo mal no Presidente emitir medidas de emergência devido às respeitam as regras de pontuação.
chuvas. (A) Por sinal, o próprio Senhor Governador, na última entrevista, revelou,
(B) Antes de estes requisitos serem cumpridos, não receberemos recla- que temos uma arrecadação bem maior que a prevista.
mações. (B) Indagamos, sabendo que a resposta é obvia: que se deve a uma
(C) Para mim construir um país mais justo, preciso de maior apoio à sociedade inerte diante do desrespeito à sua própria lei? Nada.
cultura. (C) O cidadão, foi preso em flagrante e, interrogado pela Autoridade
(D) Apesar do advogado ter defendido o réu, este não foi poupado da Policial, confessou sua participação no referido furto.
culpa. (D) Quer-nos parecer, todavia, que a melhor solução, no caso deste
(E) Faltam conferir três pacotes da mercadoria. funcionário, seja aquela sugerida, pela própria chefia.
(E) Impunha-se, pois, a recuperação dos documentos: as certidões
12. A maior parte das empresas de franquia pretende expandir os negó- negativas, de débitos e os extratos, bancários solicitados.
cios das empresas de franquia pelo contato direto com os possíveis
investidores, por meio de entrevistas. Esse contato para fins de sele- 18. O termo oração, entendido como uma construção com sujeito e
ção não só permite às empresas avaliar os investidores com relação predicado que formam um período simples, se aplica, adequadamen-
aos negócios, mas também identificar o perfil desejado dos investido- te, apenas a:
res. (A) Amanhã, tempo instável, sujeito a chuvas esparsas no litoral.
(Texto adaptado) (B) O vigia abandonou a guarita, assim que cumpriu seu período.
Para eliminar as repetições, os pronomes apropriados para substituir (C) O passeio foi adiado para julho, por não ser época de chuvas.
as expressões: das empresas de franquia, às empresas, os investi- (D) Muito riso, pouco siso – provérbio apropriado à falta de juízo.
dores e dos investidores, no texto, são, respectivamente: (E) Os concorrentes à vaga de carteiro submeteram-se a exames.
(A) seus ... lhes ... los ... lhes
(B) delas ... a elas ... lhes ... deles Leia o período para responder às questões de números 19 e 20.
(C) seus ... nas ... los ... deles
(D) delas ... a elas ... lhes ... seu O livro de registro do processo que você procurava era o que estava
(E) seus ... lhes ... eles ... neles sobre o balcão.

13. Assinale a alternativa em que se colocam os pronomes de acordo 19. No período, os pronomes o e que, na respectiva sequência, remetem
com o padrão culto. a
(A) Quando possível, transmitirei-lhes mais informações. (A) processo e livro.
(B) Estas ordens, espero que cumpram-se religiosamente. (B) livro do processo.
(C) O diálogo a que me propus ontem, continua válido. (C) processos e processo.
(D) Sua decisão não causou-lhe a felicidade esperada. (D) livro de registro.
(E) Me transmita as novidades quando chegar de Paris. (E) registro e processo.

14. O pronome oblíquo representa a combinação das funções de objeto 20. Analise as proposições de números I a IV com base no período
direto e indireto em: acima:
(A) Apresentou-se agora uma boa ocasião. I. há, no período, duas orações;
(B) A lição, vou fazê-la ainda hoje mesmo. II. o livro de registro do processo era o, é a oração principal;
(C) Atribuímos-lhes agora uma pesada tarefa. III. os dois quê(s) introduzem orações adverbiais;
(D) A conta, deixamo-la para ser revisada. IV. de registro é um adjunto adnominal de livro.
(E) Essa história, contar-lha-ei assim que puder. Está correto o contido apenas em
(A) II e IV.
15. Desejava o diploma, por isso lutou para obtê-lo. (B) III e IV.
Substituindo-se as formas verbais de desejar, lutar e obter pelos (C) I, II e III.
respectivos substantivos a elas correspondentes, a frase correta é: (D) I, II e IV.
(A) O desejo do diploma levou-o a lutar por sua obtenção. (E) I, III e IV.
(B) O desejo do diploma levou-o à luta em obtê-lo.
(C) O desejo do diploma levou-o à luta pela sua obtenção. 21. O Meretíssimo Juiz da 1.ª Vara Cível devia providenciar a leitura do
(D) Desejoso do diploma foi à luta pela sua obtenção. acórdão, e ainda não o fez. Analise os itens relativos a esse trecho:
(E) Desejoso do diploma foi lutar por obtê-lo. I. as palavras Meretíssimo e Cível estão incorretamente grafadas;
II. ainda é um adjunto adverbial que exclui a possibilidade da leitura
16. Ao Senhor Diretor de Relações Públicas da Secretaria de Educação pelo Juiz;
do Estado de São Paulo. Face à proximidade da data de inauguração III. o e foi usado para indicar oposição, com valor adversativo equivalen-
de nosso Teatro Educativo, por ordem de , Doutor XXX, Digníssimo te ao da palavra mas;
Secretário da Educação do Estado de YYY, solicitamos a máxima IV. em ainda não o fez, o o equivale a isso, significando leitura do acór-
urgência na antecipação do envio dos primeiros convites para o Ex- dão, e fez adquire o respectivo sentido de devia providenciar.
celentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo, o Reve- Está correto o contido apenas em
rendíssimo Cardeal da Arquidiocese de São Paulo e os Reitores das (A) II e IV.
Universidades Paulistas, para que essas autoridades possam se (B) III e IV.
programar e participar do referido evento. (C) I, II e III.
Atenciosamente, (D) I, III e IV.
ZZZ (E) II, III e IV.
Assistente de Gabinete.
De acordo com os cargos das diferentes autoridades, as lacunas 22. O rapaz era campeão de tênis. O nome do rapaz saiu nos jornais.
são correta e adequadamente preenchidas, respectivamente, por Ao transformar os dois períodos simples num único período compos-
(A) Ilustríssimo ... Sua Excelência ... Magníficos to, a alternativa correta é:
(B) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Magníficos (A) O rapaz cujo nome saiu nos jornais era campeão de tênis.
(C) Ilustríssimo ... Vossa Excelência ... Excelentíssimos (B) O rapaz que o nome saiu nos jornais era campeão de tênis.
(D) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Excelentíssimos (C) O rapaz era campeão de tênis, já que seu nome saiu nos jornais.
(E) Ilustríssimo ... Vossa Senhoria ... Digníssimos (D) O nome do rapaz onde era campeão de tênis saiu nos jornais.
(E) O nome do rapaz que saiu nos jornais era campeão de tênis.

Língua Portuguesa 29 A Opção Certa Para a Sua Realização


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23. O jardineiro daquele vizinho cuidadoso podou, ontem, os enfraqueci- 30. Assim que as empresas concluírem o processo de seleção dos
dos galhos da velha árvore. investidores, os locais das futuras lojas de franquia serão divulgados.
Assinale a alternativa correta para interrogar, respectivamente, sobre A alternativa correta para substituir Assim que as empresas concluí-
o adjunto adnominal de jardineiro e o objeto direto de podar. rem o processo de seleção dos investidores por uma oração reduzi-
(A) Quem podou? e Quando podou? da, sem alterar o sentido da frase, é:
(B) Qual jardineiro? e Galhos de quê? (A) Porque concluindo o processo de seleção dos investidores ...
(C) Que jardineiro? e Podou o quê? (B) Concluído o processo de seleção dos investidores ...
(D) Que vizinho? e Que galhos? (C) Depois que concluíssem o processo de seleção dos investidores ...
(E) Quando podou? e Podou o quê? (D) Se concluído do processo de seleção dos investidores...
(E) Quando tiverem concluído o processo de seleção dos investidores ...
24. O público observava a agitação dos lanterninhas da plateia.
Sem pontuação e sem entonação, a frase acima tem duas possibili- RESPOSTAS
dades de leitura. Elimina-se essa ambiguidade pelo estabelecimento 01. D 11. B 21. B
correto das relações entre seus termos e pela sua adequada pontua- 02. A 12. A 22. A
ção em: 03. C 13. C 23. C
(A) O público da plateia, observava a agitação dos lanterninhas. 04. E 14. E 24. E
(B) O público observava a agitação da plateia, dos lanterninhas. 05. A 15. C 25. D
(C) O público observava a agitação, dos lanterninhas da plateia. 06. B 16. A 26. E
(D) Da plateia o público, observava a agitação dos lanterninhas. 07. D 17. B 27. B
(E) Da plateia, o público observava a agitação dos lanterninhas. 08. E 18. E 28. C
09. C 19. D 29. D
25. Felizmente, ninguém se machucou. 10. D 20. A 30. B
Lentamente, o navio foi se afastando da costa.
Considere: ___________________________________
I. felizmente completa o sentido do verbo machucar;
II. felizmente e lentamente classificam-se como adjuntos adverbiais de ___________________________________
modo; ___________________________________
III. felizmente se refere ao modo como o falante se coloca diante do
fato; ___________________________________
IV. lentamente especifica a forma de o navio se afastar;
___________________________________
V. felizmente e lentamente são caracterizadores de substantivos.
Está correto o contido apenas em _______________________________________________________
(A) I, II e III.
(B) I, II e IV. _______________________________________________________
(C) I, III e IV. _______________________________________________________
(D) II, III e IV.
(E) III, IV e V. _______________________________________________________
_______________________________________________________
26. O segmento adequado para ampliar a frase – Ele comprou o carro...,
indicando concessão, é: _______________________________________________________
(A) para poder trabalhar fora.
(B) como havia programado.
_______________________________________________________
(C) assim que recebeu o prêmio. _______________________________________________________
(D) porque conseguiu um desconto.
(E) apesar do preço muito elevado. _______________________________________________________
_______________________________________________________
27. É importante que todos participem da reunião.
O segmento que todos participem da reunião, em relação a _______________________________________________________
É importante, é uma oração subordinada
_______________________________________________________
(A) adjetiva com valor restritivo.
(B) substantiva com a função de sujeito. _______________________________________________________
(C) substantiva com a função de objeto direto.
(D) adverbial com valor condicional. _______________________________________________________
(E) substantiva com a função de predicativo. _______________________________________________________
28. Ele realizou o trabalho como seu chefe o orientou. A relação estabe- _______________________________________________________
lecida pelo termo como é de _______________________________________________________
(A) comparatividade. (B) adição.
(C) conformidade. (D) explicação. (E) consequência. _______________________________________________________

29. A região alvo da expansão das empresas, _____, das redes de


_______________________________________________________
franquias, é a Sudeste, ______ as demais regiões também serão _______________________________________________________
contempladas em diferentes proporções; haverá, ______, planos di-
versificados de acordo com as possibilidades de investimento dos _______________________________________________________
possíveis franqueados. _______________________________________________________
A alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas e
relaciona corretamente as ideias do texto, é: _______________________________________________________
(A) digo ... portanto ... mas
_______________________________________________________
(B) como ... pois ... mas
(C) ou seja ... embora ... pois _______________________________________________________
(D) ou seja ... mas ... portanto
(E) isto é ... mas ... como _______________________________________________________

Língua Portuguesa 30 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternati-
va, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e
de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem
das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou
moral decorrente de sua violação;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo pe-
Constituição Federal: artigos 1.º a 14, 37, 41 e 144 netrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
TÍTULO I judicial;
Dos Princípios Fundamentais XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações tele-
Art. 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indisso- gráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso,
lúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins
Democrático de Direito e tem como fundamentos: de investigação criminal ou instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296,
I - a soberania; de 1996)
II - a cidadania; XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, aten-
III - a dignidade da pessoa humana; didas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o
V - o pluralismo político. sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, po-
de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. dendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele
Art. 2º. São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, sair com seus bens;
o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais a-
Art. 3º. Constituem objetivos fundamentais da República Federativa bertos ao público, independentemente de autorização, desde que não
do Brasil: frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
II - garantir o desenvolvimento nacional; XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades caráter paramilitar;
sociais e regionais; XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, se- independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu
xo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. funcionamento;
Art. 4º. A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou
internacionais pelos seguintes princípios: ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro
I - independência nacional; caso, o trânsito em julgado;
II - prevalência dos direitos humanos; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer
III - autodeterminação dos povos; associado;
IV - não-intervenção; XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas,
V - igualdade entre os Estados; têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmen-
VI - defesa da paz; te;
VII - solução pacífica dos conflitos; XXII - é garantido o direito de propriedade;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por ne-
X - concessão de asilo político. cessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integra- prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta
ção econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, Constituição;
visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente
TÍTULO II poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indeniza-
Dos Direitos e Garantias Fundamentais ção ulterior, se houver dano;
CAPÍTULO I XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer na- débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os
tureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País meios de financiar o seu desenvolvimento;
a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publica-
propriedade, nos termos seguintes: ção ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos ter- que a lei fixar;
mos desta Constituição; XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa se- a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à re-
não em virtude de lei; produção da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras
degradante; que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonima- respectivas representações sindicais e associativas;
to; XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais,
da indenização por dano material, moral ou à imagem; à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo asse- distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológi-
gurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a co e econômico do País;
proteção aos locais de culto e a suas liturgias; XXX - é garantido o direito de herança;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência reli- XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será re-
giosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; gulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros,
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus";
ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;

Noções de Direito 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acu-
de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão sados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas meios e recursos a ela inerentes;
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilí-
Estado; (Regulamento) citos;
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de
de taxas: sentença penal condenatória;
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação
contra ilegalidade ou abuso de poder; criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; (Regulamento).
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de di- LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta
reitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; não for intentada no prazo legal;
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais
ameaça a direito; quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem es-
e a coisa julgada; crita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão
lhe der a lei, assegurados: comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à
a) a plenitude de defesa; pessoa por ele indicada;
b) o sigilo das votações; LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de
c) a soberania dos veredictos; permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; advogado;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua
prévia cominação legal; prisão ou por seu interrogatório policial;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade ju-
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e li- diciária;
berdades fundamentais; LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;
sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do
ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas depositário infiel;
afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respon- LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou
dendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omiti- se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de
rem; locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito lí-
armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado De- quido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quan-
mocrático; do o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;
obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até a) partido político com representação no Congresso Nacional;
o limite do valor do patrimônio transferido; b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre ou- constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos
tras, as seguintes: interesses de seus membros ou associados;
a) privação ou restrição da liberdade; LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de
b) perda de bens; norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades
c) multa; constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e
d) prestação social alternativa; à cidadania;
e) suspensão ou interdição de direitos; LXXII - conceder-se-á "habeas-data":
XLVII - não haverá penas: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
84, XIX; governamentais ou de caráter público;
b) de caráter perpétuo; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por pro-
c) de trabalhos forçados; cesso sigiloso, judicial ou administrativo;
d) de banimento; LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular
e) cruéis; que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de a- Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
cordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e mo- isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
ral; LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam que comprovarem insuficiência de recursos;
permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;
de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da
envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei:
lei; a) o registro civil de nascimento;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político b) a certidão de óbito;
ou de opinião; LXXVII - são gratuitas as ações de "habeas-corpus" e "habeas-data",
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autorida- e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. (Regula-
de competente; mento)
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devi- LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados
do processo legal; a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de
sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

Noções de Direito 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
§ 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nasci-
têm aplicação imediata. mento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; (Redação
§ 2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não exclu- dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
em outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de traba-
tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. lho;
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador,
turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equiva- sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em
lentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº dolo ou culpa;
45, de 2004) (Atos aprovados na forma deste parágrafo) XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho,
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e
cuja criação tenha manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucio- rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de traba-
nal nº 45, de 2004) lho;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 25/05/2000)
CAPÍTULO II a) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de
DOS DIREITOS SOCIAIS 25/05/2000)
Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o b) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de
trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à 25/05/2000)
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de
Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010) critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;
Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de ou- XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e cri-
tros que visem à melhoria de sua condição social: térios de admissão do trabalhador portador de deficiência;
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelec-
justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização tual ou entre os profissionais respectivos;
compensatória, dentre outros direitos; XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a meno-
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; res de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo
III - fundo de garantia do tempo de serviço; na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; (Redação dada pela
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com mora- XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empre-
dia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e gatício permanente e o trabalhador avulso.
previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores do-
aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; mésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX,
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do traba- XXI e XXIV, bem como a sua integração à previdência social.
lho; Art. 8º. É livre a associação profissional ou sindical, observado o se-
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou a- guinte:
cordo coletivo; I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que perce- sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder
bem remuneração variável; Público a interferência e a intervenção na organização sindical;
VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qual-
valor da aposentadoria; quer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mes-
IX - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; ma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua reten- interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;
ção dolosa; III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou
XI - participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remune- individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas;
ração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme IV - a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de
definido em lei; categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da
baixa renda nos termos da lei;(Redação dada pela Emenda Constitucional contribuição prevista em lei;
nº 20, de 1998) V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações cole-
quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a tivas de trabalho;
redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organi-
(vide Decreto-Lei nº 5.452, de 1943) zações sindicais;
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos inin- VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do re-
terruptos de revezamento, salvo negociação coletiva; gistro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos; eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cometer falta grave nos termos da lei.
cinquenta por cento à do normal; (Vide Del 5.452, art. 59 § 1º) Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organiza-
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço ção de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condi-
a mais do que o salário normal; ções que a lei estabelecer.
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com Art. 9º .É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhado-
a duração de cento e vinte dias; res decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei; devam por meio dele defender.
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos § 1º - A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá so-
específicos, nos termos da lei; bre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo § 2º - Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.
de trinta dias, nos termos da lei; Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregado-
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas res nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissio-
de saúde, higiene e segurança; nais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação.
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalu- Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegu-
bres ou perigosas, na forma da lei; rada a eleição de um representante destes com a finalidade exclusiva de
XXIV - aposentadoria; promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.

Noções de Direito 3 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
CAPÍTULO III II - o pleno exercício dos direitos políticos;
DA NACIONALIDADE III - o alistamento eleitoral;
Art. 12. São brasileiros: IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
I - natos: V - a filiação partidária; Regulamento
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais VI - a idade mínima de:
estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de seu país; a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, e Senador;
desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do
Brasil; Distrito Federal;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãebrasileira, c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Dis-
desde que sejam registrados em repartição brasileira competente ou ve- trital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz;
nham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer d) dezoito anos para Vereador.
tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira; § 4º - São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 54, de 2007) § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Dis-
II - naturalizados:> trito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigi- curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subse-
das aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por quente.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, de 1997)
um ano ininterrupto e idoneidade moral; § 6º - Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República,
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem
Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condena- renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
ção penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.(Redação dada § 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e
pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no País, se houver Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito
reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses
ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição.(Redação dada anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à
pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) reeleição.
§ 2º - A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e § 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição. I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da ati-
§ 3º - São privativos de brasileiro nato os cargos: vidade;
I - de Presidente e Vice-Presidente da República; II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autori-
II - de Presidente da Câmara dos Deputados; dade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação,
III - de Presidente do Senado Federal; para a inatividade.
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e
V - da carreira diplomática; os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a
VI - de oficial das Forças Armadas. moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do
VII - de Ministro de Estado da Defesa(Incluído pela Emenda Constitu- candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência
cional nº 23, de 1999) do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: na administração direta ou indireta. (Redação dada pela Emenda Constitu-
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude cional de Revisão nº 4, de 1994)
de atividade nociva ao interesse nacional; § 10 - O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleito-
II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação dada pela ral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com
Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.
a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; § 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de
(Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta
b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasilei- má-fé.
ro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em ...
seu território ou para o exercício de direitos civis; (Incluído pela Emenda Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Po-
Constitucional de Revisão nº 3, de 1994) deres da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedece-
Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federati- rá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
va do Brasil. eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitu-
§ 1º - São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o cional nº 19, de 1998)
hino, as armas e o selo nacionais. I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasi-
§ 2º - Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ter sím- leiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos
bolos próprios. estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional
CAPÍTULO IV nº 19, de 1998)
DOS DIREITOS POLÍTICOS II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo
pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista
mediante: em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em
I - plebiscito; lei de livre nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitu-
II - referendo; cional nº 19, de 1998)
III - iniciativa popular. III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos,
§ 1º - O alistamento eleitoral e o voto são: prorrogável uma vez, por igual período;
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação,
II - facultativos para: aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será
a) os analfabetos; convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou
b) os maiores de setenta anos; emprego, na carreira;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores
§ 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos
o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos
§ 3º - São condições de elegibilidade, na forma da lei: previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e
I - a nacionalidade brasileira;

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assessoramento;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de
1998) subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação participação de qualquer delas em empresa privada;
sindical; XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, ser-
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites defini- viços, compras e alienações serão contratados mediante processo de
dos em lei específica; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concor-
1998) rentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, manti-
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para das as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente
as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admis- permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis
são; à garantia do cumprimento das obrigações. (Regulamento)
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determina- XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito
do para atender a necessidade temporária de excepcional interesse públi- Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do
co; Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integra-
§ 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, da, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações
observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral fiscais, na forma da lei ou convênio. (Incluído pela Emenda Constitucional
anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada nº 42, de 19.12.2003)
pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamento) § 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campa-
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e nhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de
empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens
membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais § 2º - A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nu-
agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, lidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos da lei.
percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de § 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na adminis-
qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em tração pública direta e indireta, regulando especialmente: (Redação dada
espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como li- pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
mite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em ge-
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o ral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a
subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislati- avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; (Incluído
vo e o sub-sídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações
em espécie, dos Ministros do Supremo Tri-bunal Federal, no âmbito do sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII; (Incluí-
Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, do pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou a-
Constitucional nº 41, 19.12.2003) busivo de cargo, emprego ou função na administração pública. (Incluído
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judi- pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
ciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo; § 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos
remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público; bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei,
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) sem prejuízo da ação penal cabível.
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não § 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos pratica-
serão computados nem acumulados para fins de concessão de acréscimos dos por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário,
ulteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empre- § 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
gos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI e XIV prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agen-
deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação tes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regres-
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) so contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, § 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de
quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o cargo ou emprego da administração direta e indireta que possibilite o aces-
disposto no inciso XI. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de so a informações privilegiadas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19,
1998) de 1998)
a) a de dois cargos de professor; (Incluída pela Emenda Constitucio- § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e
nal nº 19, de 1998) entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Incluí- contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que
da pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, entidade, cabendo à lei dispor sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional
com profissões regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucio- nº 19, de 1998)
nal nº 34, de 2001) I - o prazo de duração do contrato; (Incluído pela Emenda Constitu-
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e cional nº 19, de 1998)
abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de econo- II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obri-
mia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indireta- gações e responsabilidade dos dirigentes; (Incluído pela Emenda Constitu-
mente, pelo poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº cional nº 19, de 1998)
19, de 1998) III - a remuneração do pessoal. (Incluído pela Emenda Constitucional
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, den- nº 19, de 1998)
tro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os de- § 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às soci-
mais setores administrativos, na forma da lei; edades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da
XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autori- União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento
zada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de despesas de pessoal ou de custeio em geral. (Incluído pela Emenda
de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as Constitucional nº 19, de 1998)
áreas de sua atuação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, § 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentado-
de 1998) ria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de
cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na

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forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.(Redação dada pela
declarados em lei de livre nomeação e exoneração.(Incluído pela Emenda Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Constitucional nº 20, de 1998) (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei,
de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indeni- ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais. (Redação dada pela
zatório previstas em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
2005) § 4º - às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira,
§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia
facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o § 5º - às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação
subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça, da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições
limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil.
mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o § 6º - As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças au-
disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distri- xiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias
tais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.
2005) § 7º - A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos
... responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de
suas atividades.
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores § 8º - Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas
nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso públi- à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.
co. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) § 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pe- relacionados neste artigo será fixada na forma do § 4º do art. 39. (Incluído
la Emenda Constitucional nº 19, de 1998) pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) Direitos Humanos - conceito e evolução histórica.
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada
ampla defesa; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) Estado Democrático de Direito.
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, Direitos Humanos e Cidadania.
na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) DIREITOS HUMANOS: CONCEITOS E PRECONCEITOS
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, Texto extraído do Jus Navigandi
será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, reconduzi- http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9225
do ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro
cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo Alci Marcus Ribeiro Borges
de serviço. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) advogado em Teresina (PI), especialista em Educação em Direitos
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor Humanos pela UFPI/ESAPI, especialista em Infância e Violência pela USP,
estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo professor de Direitos Humanos do Instituto Camillo Filho, professor de
de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo. (Redação Direito da Criança e do Adolescente da Escola Superior de Magistratura do
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) Piauí
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a
avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa Para começar.
finalidade. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) Conceitos são ideias elaboradas, organizadas e desenvolvidas a res-
... peito de um assunto e exigem análise, reflexão e síntese [01]. Mas, geral-
mente, antes de chegarmos a um conceito, formamos um preconceito.
CAPÍTULO III
DA SEGURANÇA PÚBLICA O preconceito é uma primeira compreensão, em geral, parcial, incom-
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabi- pleta, fosca, de alguma coisa. Uma opinião formada sem reflexão. Talvez,
lidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da por isso, muitos preconceitos têm um sentido negativo. O preconceito pode
incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: ser um ponto de partida que, se for bem desenvolvido, pode tornar-se um
I - polícia federal; conceito, ou seja, um conhecimento mais amplo e completo. O preconceito
II - polícia rodoviária federal; só se torna negativo quando ficamos nele, sem desenvolvê-lo. Aí ele nos
III - polícia ferroviária federal; limita, nos impede de ver as coisas de uma maneira mais desenvolvida,
IV - polícias civis; ampla, transparente.
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, orga- Assim, para chegarmos ao conceito mais recente de direitos humanos,
nizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se precisamos, portanto, começar pelos preconceitos e tentar desenvolvê-los.
a:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em de- Dos preconceitos aos conceitos de direitos humanos.
trimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades São diversos os preconceitos referentes aos direitos humanos. Vamos
autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática começar por alguns que são revelados nas várias expressões usadas para
tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão unifor- designar os direitos humanos, tais como direitos naturais, direitos individu-
me, segundo se dispuser em lei; ais, direitos públicos subjetivos, liberdades fundamentais, liberdades públi-
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, cas, direitos fundamentais do homem e direitos humanos fundamentais.
o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de
outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência; José Afonso da Silva [02] esclarece que não se aceita mais com tanta
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de frontei- facilidade a ideia de que os direitos humanos sejam confundidos com os
ras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) direitos naturais, provenientes da natureza das coisas, inerentes à natureza
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da U- da pessoa humana; direitos inatos que cabem ao homem só pelo fato de
nião. ser homem, mas que são direitos positivos, históricos e culturais, que
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e encontram seu fundamento e conteúdo nas relações sociais materiais em
mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, cada momento histórico.

Noções de Direito 6 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Norberto Bobbio [03], manifestando seu descrédito quanto a se conse- e instrumentais) para direitos humanos operacionais (subsidiários dos
guir elaborar um conceito preciso de direitos humanos e sobre as diversas principais, fundamentais no sentido estrito em que dão concreção a seus
tentativas de definição, afirma que a ideia de que os direitos humanos são principais, instrumentando-os para os realizar), sempre, porém, em graus
direitos naturais, os que cabem ao homem enquanto homem é meramente sucessivos, mas contínuos, de modo que, nessa interação, todo o humano
tautológica, não servindo para traduzir seu verdadeiro significado e seu continua a ser fundamental, assim como todo fundamental continua a ser
preciso conteúdo. Acrescenta ainda que a enfática expressão "direitos do humano, sem separação, enfatiza.
homem", tomada nesta perspectiva, pode provocar equívocos, já que faz Edilsom Farias [07] indica que, a despeito dessa semelhança, importa
pensar na existência de direitos que pertencem a um homem essencial e assinalar que ultimamente vem-se utilizando a expressão direitos funda-
eterno, de cuja contemplação derivaríamos o conhecimento infalível dos mentais para referir-se à dimensão constitucional desses direitos, reservan-
seus direitos e deveres. No entanto, contrapõe, os direitos humanos são o do-se a aplicação da expressão diretos humanos para aludir-se à dimensão
produto não da natureza, mas da civilização humana; enquanto direitos internacional dos mesmos, ou seja, quando proclamados em declarações e
históricos, eles são mutáveis, ou seja, suscetíveis de transformação e demais tratados internacionais.
ampliação.
Diversos conceitos de direitos humanos.
As expressões direitos individuais e direitos públicos subjetivos refe- Assim, tomando como ponto de partida as reflexões acima e, confir-
rem-se à concepção individualista da pessoa humana, no Estado liberal, mando a tradicional polissemia que caracterizam as tentativas de conceitu-
exprimindo a situação jurídica subjetiva do indivíduo em relação ao Estado, ação dos direitos humanos, apresentam-se múltiplos conceitos, quase
sendo geralmente empregada para denominar uma parte dos direitos todos construídos e desenvolvidos a partir de diferentes concepções e
fundamentais, qual seja, a dos direitos civis concernentes à vida, à liberda- preconceitos.
de, à segurança e à propriedade, por isso não são suficientes para traduzir
a amplitude dos diretos humanos. Extrai-se de Vieira de Andrade [08] que essa pluralidade conceitual dos
direitos humanos pode ser justificada pela diversidade de perspectivas a
As expressões liberdades fundamentais e liberdades públicas igual- partir das quais eles são considerados.
mente carregam estreitas ligações com as concepções de tradição indivi-
dualista dos direitos individuais e dos direitos públicos subjetivos. Referem- Segundo Vieira de Andrade [09], foi numa perspectiva filosófica ou jus-
se, geralmente, apenas às liberdades individuais clássicas – direitos civis - naturalista que os direitos humanos foram primeiramente considerados, ou
e às denominadas liberdades políticas – os direitos políticos -, sendo, seja, traduzidos, em primeira dimensão, pelo direito natural, vistos, pois,
portanto, limitantes e insuficientes para indicar o abrangente conteúdo dos como direitos de todas as pessoas humanas, em todos os tempos e em
direitos humanos, nos quais estão também contidos os direitos sociais, todos os lugares, sendo, portanto, absolutos, imutáveis, anespaciais e
econômicos, culturais e ambientais. atemporais. Nesta maneira de ver, são paradigmas axiológicos, anteriores e
superiores ao Estado e à própria Sociedade. Para ele, esta perspectiva não
Contra o termo direitos fundamentais do homem, alega-se que o termo desapareceu, sendo a ela que às vezes se recorre ainda hoje, sempre que
"do homem" já não é suficientemente indicativo de toda a espécie humana, há deficiências ou dificuldades na aplicação das normas positivas referen-
ou seja, abrangente dos dois gêneros/sexos, em face da evolução, inclusive tes aos direitos humanos.
no direito, da situação da mulher, e, seguindo-se a tendência dominante na
ordem jurídica e social é preferível utilizar-se a expressão "pessoa huma- Numa segunda perspectiva, impulsionada pelos efeitos do pós-guerra
na". (II Grande Guerra), os direitos humanos são concebidos como direitos de
todas as pessoas, em todos os lugares, sendo declarados, pactuados e
A expressão direitos humanos fundamentais, ao coligir, num mesmo convencionados para serem promovidos e protegidos no âmbito da comu-
termo, direitos humanos e direitos fundamentais, pode parecer redundante, nidade internacional, numa visão universalista ou internacionalista.
reduplicativa, vez que ambas referem-se aos mesmos objetos e conteúdos.
E numa terceira perspectiva, os direitos humanos são entendidos como
Paulo Bonavides [04] entende que quem diz direitos humanos, diz direi- direitos das pessoas ou de certas categorias de pessoas, num determinado
tos fundamentais, e quem diz estes diz aqueles, sendo aceitável a utiliza- tempo e lugar, mais precisamente em seus estados nacionais, como direi-
ção das duas expressões indistintamente, como sinônimas. Porém, afirma tos positivos, constitucionalizados, tornando-se, assim, por meio da consa-
que razões de vantagem didática recomendam, para maior clareza e preci- gração constitucional, direitos fundamentais, caracterizando uma visão
são, o uso das duas expressões com leve variação de percepção, sendo a constitucionalista de tais direitos. Hoje, impulsionados por esse movimento
fórmula direitos humanos, por suas raízes históricas, adotada para referir- constitucionalista, já não existem notícias de constituições que não apre-
se aos direitos da pessoa humana antes de sua constitucionalização ou sentem disposições que destaquem os direitos fundamentais como direitos
positivação nos ordenamentos nacionais, enquanto direitos fundamentais humanos constitucionalizados.
designam os direitos humanos quando trasladados para os espaços norma-
tivos. Assim, basta breve e simples passeio na doutrina e vamos encontrar
diversos conceitos de direitos humanos de inspiração jusnaturalista, ou
J.J.Gomes Canotilho aduz que direitos humanos e direitos fundamen- universalista, ou constitucionalista, e até mesmo conceitos híbridos, conju-
tais são termos utilizados, no mais das vezes, como sinônimos. Entretanto, gando elementos de mais de uma perspectiva, na tentativa de elaboração
segundo a origem e o significado, podem ter a seguinte distinção: direitos conceitual mais precisa. Vejamos.
do homem são direitos válidos para todos os povos e em todos os tempos
(dimensão jusnaturalista-universalista): direitos fundamentais são os direi- Segundo João Batista Herkenhoff direitos humanos são, modernamen-
tos do homem, jurídico-institucionalmente garantidos e limitados espacio- te entendidos, "aqueles direitos fundamentais que o homem possui pelo
temporalmente. Os direitos humanos arrancariam da própria natureza fato de ser homem, por sua natureza humana, pela dignidade que a ela é
humana e daí o seu caráter inviolável, intemporal e universal: os direitos inerente." [10]
fundamentais seriam os direitos objetivamente vigentes numa ordem jurídi- Selma Regina Aragão também conceitua os direitos humanos como
ca concreta. [05] sendo "os direitos em função da natureza humana, reconhecidos univer-
salmente pelos quais indivíduos e humanidade, em geral, possam sobrevi-
Sérgio Resende de Barros [06], por sua vez, não aceita separação entre ver e alcançar suas próprias realizações". [11]
direitos humanos e direitos fundamentais e contrapõe o entendimento de
que sejam institutos jurídicos distintos, vez que essa dicotomia retira huma- Maria Victória Benevides entende, na mesma linha, que os direitos hu-
nidade ao fundamental e fundamentalidade ao humano. No entanto, consi- manos são aqueles direitos comuns a todos os seres humanos, sem distin-
dera que os direitos humanos devem ser distinguidos dentro de uma escala ção de raça, sexo, classe social, religião, etnia, cidadania política ou julga-
de fundamentalidade, ao longo da qual se vai dos que prefere denominar mento moral. São aqueles que decorrem do reconhecimento da dignidade
direitos humanos principais (porque basilares, fundamentais em sentido intrínseca a todo ser humano. Independem do reconhecimento formal dos
amplo em que dão princípio e fundamento a seus direitos mais particulares poderes públicos – por isso são considerados naturais ou acima e antes da

Noções de Direito 7 A Opção Certa Para a Sua Realização


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lei -, embora devam ser garantidos por esses mesmos poderes. [12] instituições que, em cada momento histórico, buscam concretizar as
exigências da dignidade, da liberdade, da igualdade, da fraternidade e
Tobeñas, agregando novos elementos ao conceito, afirma que direitos da solidariedade humanas, as quais devem ser reconhecidas positi-
humanos são aqueles direitos fundamentais da pessoa humana – conside- vamente, em todos os níveis.
rada tanto em seu aspecto individual como comunitário – que correspon-
dem a esta em razão de sua própria natureza (de essência ao mesmo Numa versão mais sintética, ainda podemos considerar os direitos hu-
tempo corpórea, espiritual e social) e que devem ser reconhecidos a respei- manos como sendo um conjunto de faculdades e instituições que, em
tados por todo poder e autoridade, inclusive as normas jurídicas positivas, cada momento histórico, buscam concretizar as exigências da digni-
cedendo, não obstante, em seu exercício, ante as exigências do bem dade da pessoa humana, as quais devem ser reconhecidas positiva-
comum" [13] mente em todos os níveis.

Alexandre de Moraes, numa perspectiva mais constitucionalista e pre- É que a dignidade parece-nos um valor aglutinante, embora não supe-
ferindo a expressão direitos humanos fundamentais, considera-os como rior hierarquicamente, dos valores da liberdade, da igualdade, da fraterni-
sendo o conjunto institucionalizado de direitos e garantias do ser humano dade e da solidariedade humanas. Ou seja, não pode haver dignidade com
que tem por finalidade básica o respeito a sua dignidade, por meio de sua liberdade abusivamente cerceada, nem na desigualdade, nem nos contra-
proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condi- valores da fraternidade e da solidariedade. No dizer de Eduardo Bittar e
ções mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana. [14] Guilherme Assis de Almeida [18], a dignidade da pessoa humana é o valor
inspirador e constitutivo dos Direitos Humanos. E ao mesmo tempo em que
Perez Luño, um dos poucos a enfrentar o desafio de refletir, analisar, aponta uma direção, a meta a ser atingida pelo corpus juris dos Direitos
desenvolver, fundamentar e sintetizar um conceito de direitos humanos que Humanos, é sua própria "força-motriz", constituindo-se verdadeira invarian-
considere as suas dimensões históricas, axiológicas e normativas, propõe te axiológica.
que os direitos humanos sejam entendidos como sendo um conjunto de
faculdades e instituições que, em cada momento histórico, concretizam as Um preconceito negativo: uma grave distorção dos direitos huma-
exigências da dignidade, da liberdade e da igualdade humanas, as quais nos ou o discurso "antidireitos humanos".
devem ser reconhecidas positivamente pelos ordenamentos jurídicos em Um preconceito com grave carga negativa que vem sendo difundido,
nível nacional e internacional. [15] desde os anos 80, acerca dos direitos humanos, é a ideia distorcida que
insiste em descrever os direitos humanos como instrumento de "proteção
Edilsom Farias, inspirado no conceito de Perez Luño, atualiza-o, acres- dos bandidos contra a polícia". Tal deturpação vem quase sempre acompa-
centa-lhes os valores fraternidade ou solidariedade, declinando que os nhada das retóricas perguntas: "e os direitos humanos das vítimas?" ou
direitos humanos podem ser aproximadamente entendidos como constituí- "por que esse pessoal dos direitos humanos não defende as vítimas desses
dos pelas posições subjetivas e pelas instituições jurídicas que, em cada bandidos?".
momento histórico, procuram garantir os valores da dignidade da pessoa
humana, da liberdade, da igualdade e da fraternidade ou da solidariedade. Tal preconceito carrega dois problemas. Primeiro: a tentativa de aprisi-
[16] onar os direitos humanos às questões meramente policiais e, segundo, em
consequência, estigmatizar os defensores dos direitos humanos como
Norberto Bobbio [17] indica o itinerário de desenvolvimento dos direitos "protetores de bandidos".
humanos, ensinando que estes nascem como direitos naturais universais,
Ora, as questões policiais enfrentadas pelos direitos humanos constitu-
desenvolvem-se como direitos positivos particulares (quando cada Constitu-
em apenas pequena parte (situada no âmbito dos direitos civis) de seu
ição incorpora Declarações de Direitos), para finalmente encontrarem sua
amplo conteúdo. José Reinaldo de Lima Lopes [19] esclarece que os casos
plena realização como direitos positivos universais.
de defesa dos direitos humanos de meados da década de 70 para cá só
parcialmente se referem a questões policiais. A sua imensa maioria – não
A expressão e o conceito aqui propostos.
noticiada pela grande imprensa – esteve concentrada nas chamadas ques-
Considerando tais posicionamentos, adotamos a expressão direitos
tões sociais (direito à terra e à moradia, direitos trabalhistas e previdenciá-
humanos, por sua amplitude, eis que aqui nos referimos, principalmente,
rios, direitos políticos, direitos à saúde, à educação, etc). E no decorrer da
ao estudo dos Direitos Humanos protegidos no âmbito da comunidade
segunda metade da década de 80, principalmente nos anos de 1985 a
internacional, numa visão universalista ou internacionalista.
1988, as organizações de defesa dos direitos humanos multiplicaram
informações sobre a Constituição e a Constituinte, inclusive apresentando
Quanto ao conceito, adotaremos aquele apresentado por Perez Luño,
proposta (incluída no regimento interno do Congresso Constituinte) de
com o acréscimo dos valores fraternidade e solidariedade proposto por
emendas ao projeto de Constituição por iniciativa popular. Assim, a tentati-
Edilsom Farias. Porém, em nossa proposta, tais valores são distintos e não
va de restringir os direitos humanos às questões policiais é, senão carrega-
entendidos como tendo igual significado ou representativos do mesmo
da de ignorância quanto ao amplo conteúdo e alcance dos direitos huma-
momento histórico, mas reveladores de diferentes e novas dimensões dos
nos, motivada de má-fé por grupos de poder historicamente obstruidores do
direitos humanos e refletindo o seu processo histórico evolutivo.
irreversível processo evolutivo dos direitos humanos.
Esclarecendo melhor: Perez Luño justifica que incluiu em seu conceito Quanto ao questionamento referente às vítimas, José Reinaldo de Lima
de direitos humanos os valores da dignidade, da liberdade e da igualdade Lopes [20] também esclarece que os direitos humanos buscam defender a
por considerar que foram sempre em torno deles que os direitos humanos pessoa humana não de um indivíduo qualquer, isolado, atomizado, mas do
foram historicamente reivindicados. Edilsom Farias, por sua vez, comparti- exercício abusivo do poder, principalmente das instituições do poder políti-
lhando com tal perspectiva, acrescenta os valores da fraternidade ou da co, econômico, social e cultural. Ainda segundo José Reinaldo de Lima
solidariedade, justificando que tal se dá em virtude de que tais valores Lopes [21], a expressão direitos humanos refere-se aos conflitos entre as
fundamentam os direitos humanos de terceira geração/dimensão, estes não pessoas humanas e as organizações de poder: o Estado, o mercado,
mencionados no conceito de Perez Luño. Tal acréscimo nos parece certo e organizações burocráticas, impessoais, havendo sempre uma situação de
oportuno. Todavia, o valor da solidariedade parece-nos, hoje, fundamentar desequilíbrio estrutural de forças entre a vítima e o violador, sendo aquela
os direitos humanos em sua quarta geração/dimensão, já por muitos anun- permanente e estruturalmente subordinada a este. Assim, a relação de
ciada, emergindo das reflexões sobre temas referentes ao desenvolvimento conflito criminoso x polícia é enxergada pelos direitos humanos como
auto-sustentável, à paz mundial, ao meio ambiente global saudável e relação pessoa humana (criminoso) x Estado (polícia), não sendo permitido
ecologicamente equilibrado, aos direitos relacionados à biotecnologia, à ao Estado (polícia) abusar do poder (prisões ilegais, torturas, etc) contra as
bioengenharia e à bioética, bem como às questões relativas ao desenvol- pessoas (mesmo consideradas "criminosas").
vimento da cibernética, da realidade virtual, da chamada era digital, numa Deste modo, temos uma questão de direitos humanos quando se tem
perspectiva holística dos direitos humanos. uma relação de poder geradora de desigualdade e discriminação, em que a
parte hipossuficiente/vulnerabilizada desta relação é discriminada, subjuga-
Assim, os direitos humanos seriam hoje um conjunto de faculdades e da, coagida, submetida, forçada abusivamente aos interesses e/ou vonta-

Noções de Direito 8 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
des da outra parte, como nas relações de poder entre mercado x consumi- 2006.p.XXXI/XXXII.
dor , homem x mulher (relações de gênero), adulto x criança, branco x
preto, rico x pobre, hetero x homo, sadio x doente, pessoa não-deficiente x Informações bibliográficas:
pessoa com deficiência, pessoa jovem x pessoa idosa e até mesmo na
BORGES, Alci Marcus Ribeiro. Direitos humanos: conceitos e preconceitos. Jus
relação espécie humana x outras espécies. Em todas essas relações de
Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1248, 1 dez. 2006. Disponível em:
poder, os direitos humanos buscam a defesa da parte hipossuficien- <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9225>. Acesso em: 17 maio 2009.
te/vulnerabilizada, sendo, portanto direitos das vítimas, das vítimas de GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA, NEOLIBERALISMO E DIREITOS
abuso de poder. HUMANOS. DESAFIOS DIANTE DA NOVA REALIDADE GLOBAL
Texto extraído do Jus Navigandi
CANÇADO TRINDADE enfatiza: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=11044
O Direito dos Direitos Humanos não rege as relações entre iguais; ope-
ra precisamente em defesa dos ostensivamente mais fracos. Nas relações Luís Fernando Sgarbossa
entre desiguais, posiciona-se em favor dos mais necessitados de proteção. Mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mem-
Não busca um equilíbrio abstrato entre as partes, mas remediar os efeitos bro da Société de Législation Comparée (SLC) em Paris (França) e da
do desequilíbrio e das disparidades. Não se nutre das barganhas da reci- Associazione Italiana di Diritto Comparato (AIDC), em Florença (Itália),
procidade, mas se inspira nas considerações de ordre public em defesa dos seção italiana da Association Internationale des Sciences Juridiques (AISJ),
interesses superiores, da realização da justiça. É o direito de proteção dos em Paris (França). Especialista em Direito Constitucional, Professor de
mais fracos e vulneráveis, cujos avanços em sua evolução histórica se têm Graduação e Pós-Graduação em Direito.
devido em grande parte à mobilização da sociedade civil contra todos os Geziela Jensen
tipos de dominação, exclusão e repressão. Neste domínio de proteção, as Mestre em Ciências Sociais Aplicadas pela Universidade Estadual de
normas jurídicas são interpretadas e aplicadas tendo sempre presentes as Ponta Grossa (UEPG). Membro da Société de Législation Comparée (SLC),
necessidades prementes de proteção das supostas vítimas ". [22] em Paris (França) e da Associazione Italiana di Diritto Comparato (AIDC),
Logo, os direitos humanos não são neutros, mas tomam partido da em Florença (Itália), seção italiana da Association Internationale des Scien-
pessoa humana e buscam proteger, promover e zelar pela sua dignidade, ces Juridiques (AISJ), em Paris (França). Especialista em Direito Constitu-
eis que qualquer desrespeito à pessoa humana (independentemente de sua cional. Professora de Graduação e Pós-graduação em Direito.
condição) significa amesquinhar, empobrecer e desrespeitar toda a huma-
nidade, porquanto cada pessoa humana, em sua imagem, reflete toda a 1.Introdução
humanidade. A limitação do poder [01], de seu exercício, tem sido um dos desafios do
pensamento e da práxis política já há longa data. Os mais célebres exem-
NOTAS plos dos primeiros limites impostos ao exercício do poder datam já do
Século XIII.
1 SÁTIRO, Angélia e WUENSCH, Ana Miriam. Pensando melhor. Iniciação
ao Filosofar. São Paulo:Saraiva, 1997. p. 11; Tal limitação deu-se tanto pela engenharia orgânica ou institucional dos
2 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 7ª Estados, com criações como, por exemplo, a tripartição dos poderes ou o
ed.rev e ampl. de acordo com a nova Constituição. São Paulo:Editora constitucionalismo, como com a imposição de limites específicos à atuação
Revista dos Tribunais, 1991. p. 157;
estatal, através da instituição de direitos – inicialmente individuais –, imuni-
3 BOBBIO, Norberto. A era dos Direitos. Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio
dades e inviolabilidades ao poder impositivo, ao jus puniendi estatal e assim
de Janeiro:Campus, 1992. p. 17-32;
4 BONAVIDES, Paulo. Os Direitos Humanos e a Democracia. In Direitos por diante.
Humanos como Educação para a Justiça. Reinaldo Pereira e Silva org.
São Paulo:LTr, 1998. p. 16; Vislumbra-se, desde logo, que a questão da limitação do poder se co-
5 CANOTILHO, J.J. Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. loca, desde seus primórdios, como limitação do poder do soberano, ulteri-
5ª ed. Coimbra: Almedina, 2002. p. 369; ormente, portanto, como limitação do poder público estatal, razão da carga
6 BARROS, Sérgio Resende de. Direitos Humanos: paradoxo da civiliza- significativa das ideias correlatas à imposição de limites ao poder no âmbito
ção. Belo Horizonte: Del Rey, 2003. p. 36-48; do Direito Público – para os sistemas que conhecem tal distinção. [02]
7 FARIAS, Edilsom. Liberdade de Expressão e Comunicação: teoria e pro-
teção constitucional. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004. p. Mudanças historicamente recentes na economia e na sociedade, espe-
27; cificamente o advento do fenômeno multifacetado denominado globaliza-
8 ANDRADE, José Carlos Vieira de. Os Direitos Fundamentais na Constitu- ção, causaram alterações que se revelam extraordinariamente significativas
ição Portuguesa. Coimbra: Almedina, 1987. p. 11; para o tema da limitação do exercício do poder, tema este que mantém,
9 ANDRADE, José Carlos Vieira de. op.cit. p. 12-30; como nunca, sua atualidade, como se verá neste rápido estudo.
10 HERKENHOFF, João Batista. Curso de Direitos Humanos. v I. São Pau-
lo: Acadêmica, 1994. p. 30; 2.Globalização econômica e neoliberalismo: conceituação e con-
11 ARAGÃO, Selma Regina. Direitos Humanos na ordem mundial. Rio de
textualização
Janeiro:Forense, 2000. p. 105;
A globalização é compreendida como um fenômeno recente em termos
12 BENEVIDES, Maria Victória. Cidadania e Justiça. In revista da FDE. São
Paulo, 1994; históricos, consistente na crescente intensificação de intercâmbios os mais
13 BENEVIDES, Maria Victória. Op.cit.; variados entre pontos distantes do globo terreste – daí seu nome.
14 MORAES, Alexandre de. Direitos Humanos Fundamentais: teoria geral.
4ª ed. São Paulo:Atlas, 2002. p. 39;
No magistério de Abili Lázaro Castro de Lima, tal tipo ideal se caracte-
15 PEREZ LUÑO, Antonio Enrique. Derechos Humanos, estado de derecho riza por "uma crescente interconexão em vários níveis da vida cotidiana a
y Constitución. 3ª ed. Madri: Teccnos, 1990. p. 48. (tradução livre); diversos lugares longínquos do mundo". [03]
16 FARIAS, Edilsom. op.cit p. 26;
É fenômeno intimamente ligado às novas tecnologias de comunicação,
17 BOBBIO, Norberto. op. cit. P. 30-32;
18 BITTAR, Eduardo Carlos Bianca e ALMEIDA, Guilherme Assis de. Curso informação e transporte, que permitiram intercâmbios de ordem vária em
de Filosofia do Direito. São Paulo:Atlas, 2001. p. 454-456; uma escala planetária absolutamente sem precedentes na história da
19 LOPES, José Reinaldo de Lima. Direito, Utopia e Justiça. Rio de Janeiro: humanidade.
Coleção Seminários nº 09. Instituto de Apoio Jurídico Popular. Fase. p.
14; Evidentemente os diversos intercâmbios havidos ao redor do globo, en-
20 LOPES, José Reinaldo de Lima. op. cit. p. 13; tre os mais diversos povos, civilizações, culturas e grupamentos humanos,
21 LOPES, José Reinaldo de Lima. op. cit. p. 13-14; não é fenômeno recente. O que caracteriza a globalização e lhe confere
22 Antônio Augusto Cançado Trindade na apresentação do livro de Flávia sua especificidade, sua particularidade, é exatamente a extensão e a
Piovesan. PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional intensidade sem precedentes dos intercâmbios, à qual já se referiu e a qual,
internacional. 7 ed. rev. ampl.. e atual. São Paulo: Saraiva, em grande parte, somente se faz possível por força das novas tecnologias

Noções de Direito 9 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
a que também já se fez referência. [04] extra ou ultra-estatais. [11]

Pois bem, a globalização – ou mundialização, como preferem alguns – a) Estados nacionais e poder público estatal
é um fenômeno polifacetado, também conforme já consignado. Isto quer Com a concentração de prerrogativas tais quais as de imposição tribu-
dizer o intercâmbio intensificado que a caracteriza não se limita a um as- tária, administração da justiça e poderio militar nas mãos do soberano,
pecto da vida, possuindo várias dimensões, por assim dizer. [05] expropriados os antigos estamentos da participação do poder [12], o exercí-
cio do poder se consolidou na esfera pública. Assim a questão da limitação
Assim, é possível falar-se em globalização econômica, ao lado de glo- do poder volta-se centralmente para os Estados nacionais. [13]
balização cultural, da globalização política e assim por diante. Embora,
portanto, sejam distinguíveis diferentes aspectos do fenômeno da globali- Não se desconhece, por evidente, a permanência de certas formas de
zação, isto não está a significar que eles sejam estanques e incomunicá- poder – notadamente do relevante poder econômico – no âmbito privado. O
veis. Ao contrário, a globalização econômica influencia fortemente as que se necessita frisar, neste passo, é que, em um primeiro momento, a
demais dimensões do fenômeno. [06] questão da limitação do poder em sua acepção sociológica (vide notas de
fim), volta-se essencialmente, se não unicamente, aos entes estatais.
O fenômeno da globalização econômica é o ponto de partida para a
migração do poder que se verifica na recente história mundial, migração Os poderes privados, essencialmente econômicos, são, inicialmente,
esta que está a reclamar uma verdadeira redefinição da questão político- controlados pela intervenção dos Estados nacionais, mais ou menos signifi-
jurídica da limitação do poder nas sociedades humanas contemporâneas. cativamente conforme o lugar, a época, os contextos e conjunturas sócio-
político-econômicas.
A globalização econômica, axial para o deslocamento do poder que se É assim que surge, por exemplo, a regulação estatal do trabalho, con-
vai abordar, consiste na intensificação sem precedentes no intercâmbio de substanciada na legislação trabalhista, a qual, por período significativo da
bens e serviços ao redor do mundo, como já visto. história recente da humanidade limitou – e continua, em certa medida, a
fazê-lo – consideravelmente o exercício do poder por entes privados.
John Gray a definiu como "a expansão mundial da produção industrial
e de novas tecnologias promovida pela mobilidade irrestrita do capital e a É exatamente contra este tipo de intervenção que logra, com êxito, in-
total liberdade do comércio". [07] surgir-se o pensamento neoliberal.

Tal globalização somente é possível, de um lado, pelas novas tecnolo- b)Organismos internacionais, transnacionais, megacorporações e
gias às quais já se fez referência – especialmente em sede de comunica- poder privado
ções e transportes – e, de outro, por uma severa redefinição do panorama Com o fenômeno da globalização econômica e o advento de empresas
mundial em termos de fronteiras e soberania dos Estados. transnacionais, multinacionais e conglomerados ou holdings espalhadas
pelos cinco continentes, surge um novo panorama no que diz respeito ao
Para que a globalização econômica se fizesse possível fez-se imperati- exercício do poder.
va uma readequação das relações inter-estatais em escala global, de modo
a, eliminando barreiras jurídicas, tributárias, alfandegárias e o mais, permi- Algumas empresas chegando a níveis de acumulação de capital es-
tir-se o amplo intercâmbio de mercadorias e serviços que a caracteriza. pantosamente altos, superando os orçamentos de muitos Estados nacio-
nais inteiros, passam a influenciar pesadamente a atuação estatal, a relati-
Assim a globalização econômica não prescindiu, para seu advento e a- vizar as possibilidades dos Estados nacionais de lançar mão dos tradicio-
firmação, de um programa político e teórico que lhe embasasse e preparas- nais mecanismos de regulação da economia – tão caros ao Estado Social
se o terreno social, cultural e político para sua aparição. ou welfare state – e deflagrar um processo de migração do poder da esfera
pública para a esfera privada. [14]
O instrumento teórico a embasar a globalização econômica é o conjun-
to de teorias econômicas conhecido como neoliberalismo. [08] A maximização da repercussão pública de decisões privadas [15] defla-
grada pela nova situação mundial, em que uma grande corporação pode,
O neoliberalismo consiste em um movimento de reação político-teórico facilmente, fechar sua unidade ou suas unidades em um determinado país,
contra o Estado social e sua intervenção na economia. Assim, condena a transferindo-as para outros onde encontre situações mais favoráveis –
intervenção estatal na economia, atribui – como o faziam as escolas liberais salários mais baixos ou tributos menos gravosos – acaba por gerar signifi-
das quais descende – a auto-regulação dos mercados. [09] cativos e crescentes constrangimentos ao poder decisório e interventivo
estatal na economia. [16]
Preconiza, para tanto, um Estado de formatação mínima, que somente
exerça funções bem definidas como estatais para tais correntes – tais quais Não raro muitos Estados são obrigados a ajustar seus ordenamentos
segurança pública e administração da justiça –, bem como a formação de jurídicos à nova realidade mundial, em face de uma competição ou concor-
um mercado mundial, com supressão das barreiras à circulação de bens e rência global, concorrência direta do novel caráter transnacional das corpo-
serviços ao redor do globo, de modo a permitir que o mercado mundial rações, o que significa, ao fim e ao cabo, na minoração de direitos sociais,
assim instaurado, por seus mecanismos próprios, como a concorrência como os trabalhistas e previdenciários, v.g., na concessão de isenções e
global assim instaurada, regule a si mesmo. [10] imunidades tributárias e outros benefícios vários.

Tais teorias são o vetor político-teórico da globalização econômica, Verifica-se, na contemporaneidade e partout uma impossibilidade dos
tendo atuado tanto dentro das academias quanto junto aos governos e, Estados tomarem decisões soberanas e livres de constrangimentos, por
através da mídia, junto à massa da população, possibilitando a formação de parte dos interesses privados das empresas transnacionais, em domínios
um ambiente cultural e ideologicamente propício ao advento da globaliza- como o social, por exemplo. [17]
ção econômica e, consequentemente, a instauração de uma concorrência
global. Mas não apenas as transnacionais acabam por conseguir impor suas
preferências aos Estados, em detrimento da soberania estatal nacional no
3.Migrações do poder (Kraft, kratos): do poder público estatal ao processo de tomada de decisões. Outros organismos extra (ou ultra) esta-
poder privado ultra-estatal. tais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, passam a
A alteração das relações sócio-econômicas e da divisão do trabalho em ter um poder cada vez mais significativo e, ao fim e ao cabo, dão o coup de
nível global, engendrada pela globalização econômica informada pelas grâce em qualquer possibilidade de autonomia estatal.
teorias neoliberais repercutiu severamente na conformação dos Estados,
notadamente após a década de 80 do século XX, causando, como se verá Com efeito, a renegociação das dívidas externas dos diversos países
no presente item, uma significativa migração do poder da esfera pública em desenvolvimento, bem como a concessão de novos créditos, fica su-
para esferas privadas e mesmo para novas esferas, de natureza equívoca, bordinada ao denominado princípio da condicionalidade, através do qual os

Noções de Direito 10 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
organismos internacionais em questão conseguem impor reestruturações e inicialmente em nível teórico e, ato contínuo, na luta para a implantação, de
ajustes econômicos àqueles países tão significativos a ponto de restar mecanismos de limitação e controle do exercício do poder pelos agentes
muito pouco espaço para qualquer decisão autômoma por parte dos emer- privados em nível internacional.
gentes. [18]
Deste modo, o que hora se vê é uma espécie de refluxo à situação an- 5.Luigi Ferrajoli: globalização como vazio do Direito Internacional
terior à configuração do Estado moderno, qual seja, uma situação em que o Público.
poder (ou a soberania) é compartilhado entre a esfera pública e várias Após abordar, em recente estudo, a crise dos modelos que denomina
esferas privadas. A diferença reside na amplitude da questão: passou-se forte e débil de Estado de Direito (Estado legislativo de Direito e Estado
dos feudos da Idade Média aos grandes impérios mundiais das megacorpo- Constitucional de Direito, respectivamente), o jurista italiano Luigi Ferrajoli
rações. definiu a globalização como um vazio de Direito [Internacional] Público:

4.Da limitação do poder. Por lo demás, todo el proceso de integración económica mundial que
a)Da limitação do poder público estatal: constitucionalismo, poli- llamamos ‘globalización’ bien puede ser entendido como un vacío de
cracia, democracia. Derecho público producto de la ausência de límites, reglas y controles
A limitação do poder, até a consolidação do quadro rapidamente ex- frente a la fuerza, tanto de los Estados con mayor potencial militar
posto nos itens precedentes, teve como seu centro de atenção o Estado como de los grandes poderes económicos privados [23] (destaques
nacional, territorialmente delimitado. [19] ausentes do original).
As formas de limitação do exercício do poder pelo soberano ou pelo Identifica, assim, Ferrajoli a falta de regulação e limitação dos poderes,
Estado são várias, podendo-se destacar dois tipos, a saber, de um lado, a tanto estatais e públicos quanto extra-estatais e privados, na nova conjuntu-
engenharia institucional do próprio Estado – seu projeto orgânico – e, de ra sócio-econômica e política global. Prossegue:
outro, a imposição direta de limites a seu atuar.
A falta de instituciones a la altura de las nuevas relaciones, el Derecho
No primeiro grupo inserem-se as conformações estatais voltadas a re- de la globalización viene modelándose cada día más, antes que en las
duzir, mitigar ou neutralizar a concentração de poder em mãos de um ou de formulas públicas, generales y abstractas de la ley, en las privadas del
uns poucos indivíduos, órgãos ou grupos. contrato, signo de una primacía incontrovertibile de la economia sobre
la politica y del mercado sobre la esfera pública. De tal manera que la
Assim, as ideias de separação dos poderes pelas suas funções, seu
regresión neoabsolutista de la soberanía externa (unicamente) de las
exercício como um sistema de freios e contrapesos – checks and balances
grandes potencias está acompañada de una paralela regresión neoabso-
-, os sistemas parlamentaristas, a ideia do controle de constitucionalidade e
lutista de los poderes económicos transnacionales, un neoabsolutismo
dos tribunais constitucionais, por exemplo, constituem arranjos institucio-
regresivo y de retorno que se manifiesta en la ausencia de reglas abierta-
nais engendrados no espírito de impedir a apropriação monocrática do
mente asumida por el actual anarco-capitalismo globalizado, como una
poder. A democracia assenta-se sobre as mesmas premissas de distribui-
suerte de nueva grundnorm del nuevo orden económico internacional
ção do poder. [20]
(negritos ausentes do original, itálicos do original). [24]
A par dos arranjos institucionais com a finalidade de limitação do poder,
outra forma distinta de se buscar atingir tal finalidade é aquela da imposição O mesmo sentir se manifesta em Boaventura de Sousa Santos, citado
de limites ao soberano ou ao Estado. Assim a ideia de direitos e liberdades por Abili Lázaro Castro de Lima, segundo quem
individuais, de direitos fundamentais e de direitos humanos oponíveis ao [a] perda da centralidade institucional e de eficácia reguladora dos Es-
Estado constitui exatamente o exemplo por excelência de tal vertente da tados nacionais, por todos reconhecida, é hoje um dos obstáculos mais
limitação do poder. resistentes à busca de soluções globais. É que a erosão do poder dos
Estados nacionais não foi compensada pelo aumento de poder de qualquer
Aqui surgem as vedações e os limites ao exercício do jus puniendi es- instância transnacional com capacidade, vocação e cultura institucional
tatal, assim como as isenções e imunidades tributárias, e toda uma gama voltadas para a resolução solidária dos problemas globais. De fato, o cará-
de direitos, liberdades e garantias que representam, inicialmente, exata- ter dilemático da atuação reside precisamente no fato da perda de eficácia
mente a dimensão dita negativa, ou seja, a imposição de um não-agir ao dos Estados nacionais se manifestar antes na incapacidade destes para
Estado, a imposição de limites ao atuar estatal, ao exercício do poder construírem instituições internacionais que colmatem e compensem esta
estatal. perda de eficácia. [25]

b)Da limitação do poder privado e extra ou ultra-estatal: constran- Com efeito, é de ser creditado ao Direito Internacional Público, assim
gimentos e incapacidade dos Estados nacionais. como ao Direito Constitucional, o mérito dos avanços até hoje verificados
Tendo migrado o poder do Estado para entes privados ou ultra- em matéria de limitação do poder e de seu exercício em face dos Estados
nacionais, pelos fenômenos complexos sucintamente resumidos linhas nacionais.
atrás, resta observar que todas as técnicas e teorias acerca da limitação do
poder acabam por ficar em descompasso para com a nova realidade posta. O Direito Constitucional, não apenas no que se refere à engenharia do
[21]
Estado como, especialmente, na instituição dos direitos e garantias funda-
mentais, limitações por excelência do poder estatal, desempenhou papel
Com efeito, inúmeros dos arranjos institucionais como a democracia, relevantíssimo nesta seara.
bem como relativos às simples limitações ao agir estatal, como os direitos e
garantias individuais, acabam por ficar desatualizados e inermes em face O mesmo se diga em relação ao Direito Internacional Público, nele
de novas formas de exercício de poder privado em proporções dantes compreendidos o Direito Internacional Humanitário, o Direito Internacional
desconhecidas. dos Direitos Humanos e ainda o Direito dos Refugiados, cuja atuação foi
decisiva tanto para processos de redemocratização quanto para o combate
Se, de um lado, a política se esvazia de conteúdo por força das restri-
ao poder abritrário em situações extremas de guerra-civil, genocídio e o
ções às escolhas possíveis pela imposição de parâmetros heterônomos
mais.
pelo Banco Mundial e pelo FMI [22], dentre outros elementos, por um lado, e
se, por outro lado, os direitos trabalhistas e sociais naufragam em face da
Ocorre que todo o arcabouço teórico-prático, seja de Direito Constitu-
incapacidade dos Estados nacionais em oporem-se, eficazmente, às multi-
cional, seja de Direito Internacional Público, encontra-se centrado na figura
nacionais, é preciso constatar a mudança de panorama na geopolítica do
do Estado nacional, ora como agente executor do poder público a ser
poder mundial e contextualizar as teorias e práticas da limitação do poder à
limitado, ora como agente limitador dos poderes privados.
nova realidade, como condição de possibilidade da própria limitação.
Vista a atual incapacidade dos Estados nacionais em fazer frente efi-
Se, de um lado, não se deve abrir mão das conquistas obtidas quanto à
cazmente aos novos poderes privados, em face dos constrangimentos que
limitação do poder público, não se deve, por outro lado, permanecer inerme
estes lhes impõem, resta como desafio, especialmente ao Direito Interna-
em relação ao exercício do poder privado, fazendo-se necessária a busca,

Noções de Direito 11 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
cional Público, a limitação, em níveis global, do exercício do poder privado nhia telefônica, a teoria da Drittwirkung ganha maior aceitação.
e extra-estatal no novo contexto mundial.
Konrad Hesse, por exemplo, inicialmente cauteloso em relação à Dritt-
Por outro lado, um dos construtos teóricos que parecer constituir uma wirkung [32] assim se manifesta, ao examinar a influência do poder na rela-
das bases de uma possível resposta ao problema que ora se coloca – qual ção interprivada em questão, numa perspectiva mediata, admitindo a inci-
seja, o da limitação de um poder fora de um ambiente de subordinação dência imediata na ausência ou insuficiência da intermediação legislativa:
territorialmente delimitado – advém exatamente da teoria da constituição,
mais especificamente da teoria dos direitos fundamentais, embora não seja, Ao contrário, os direitos fundamentais influenciam as prescrições jurídi-
em absoluto, desconhecido no Direito Internacional dos Direitos Humanos. co-privadas tanto mais eficazmente quanto mais se trata da proteção da
É a tal construto que se dedicará o próximo tópico. liberdade pessoal contra o exercício de poder econômico ou social. [...] Não
é o sentido do estar livre das vinculações dos direitos fundamentais, san-
6.Drittwirkung: eficácia horizontal dos direitos humanos funda- cionar jurídico-constitucionalmente exercício destruidor de liberdade de
mentais e poderes privados ultra-estatais. poder econômico ou social. Se a legislação não, ou só incompletamente,
"Alega-se que o Direito Internacional visa somente os atos dos Estados tem em conta essa situação, então as regulações correspondentes devem
soberanos e que não prevê sanções para os delinquentes individuais. ser interpretadas ‘na luz dos direitos fundamentais’. Se não é possível
Pretende-se, ainda, que quando o ato incriminado é perpetrado em nome trazer ao efeito os direitos fundamentais por esse caminho, ou faltam até
de um Estado, os executantes não são pessoalmente responsáveis; que regulações legais, então devem os tribunais a proteção desses direitos – no
eles são cobertos pela soberania do Estado. O Tribunal não pode aceitar exercício do dever de proteção estatal (supra, número de margem 350) –
nem uma, nem outra dessas teses. Admite-se, há muito, que o Direito das garantir." [33]
Gentes impõe deveres e responsabilidades às pessoas físicas." (Anais dos
Julgamentos do Tribunal Internacional de Nuremberg). [26] Exatamente porque o exercício do poder – seja ele público, seja ele
privado – encontra-se intimamente ligado aos direitos e garantias funda-
Causou aceso debate, em tempos relativamente recentes, a afirmação mentais (e aos direitos humanos), que buscam, por definição, limitá-lo. [34]
das teorias relativas à denominada eficácia horizontal dos direitos funda-
mentais – Horizontalwirkung –, também denominada Drittwirkung, ou seja, Poder-se-ia afirmar, parafraseando até certo ponto um célebre autor
literalmente eficácia perante terceiros, ou ainda eficácia dos direitos, liber- tedesco em outro contexto, que quão mais presente estiver na relação a
dades e garantias na ordem jurídica privada (Geltung der Grundrechte in questão do exercício de poder entre um particular em relação a outro, tanto
der Privatrechtsordnung). [27] mais razão haverá para que se admita a incidência da Drittwirkung ou
eficácia horizontal dos direitos fundamentais.
A ideia propugnada por seus defensores é, essencialmente, a de que,
em sendo os direitos fundamentais o ápice normativo e axiológico das A ideia de oponibilidade de direitos fundamentais (ou humanos) a parti-
atuais cartas constitucionais e, se tendo em mente a primazia da Constitui- culares ou a agentes não-estatais não é estranha ao Direito Internacional,
ção, substância mesma do princípio da constitucionalidade, bem como a como já afirmado. Ali, tal ideia é nomeada eficácia erga omnes, ou seja,
dimensão objetiva dos direitos fundamentais, juntamente com outros fun- eficácia contra todos dos direitos humanos o que, em última análise, outra
damentos teóricos, estes impõe-se não apenas em face do Estado, impon- coisa não é senão a própria ideia de eficácia contra terceiros (literalmente,
do limites à sua atuação, mas também aos particulares em suas relações Drittwirkung), ou seja, contra terceiros que não sejam o Estado ou seus
privadas. [28] agentes.

Assim, a oponibilidade dos direitos fundamentais, sua vinculatividade, Sobre o tema, assim discorre Antônio Augusto Cançado Trindade:
dar-se-ia, figurativamente, em duas direções: verticalmente – relação Certos direitos humanos têm validade erga omnes, no sentido de que
particular x Estado – e horizontalmente – relação particular x particular. [29] são reconhecidos em relação ao Estado, mas também necessariamente
"em relação a outras pessoas, grupos ou instituições que poderiam impedir
À toda evidência a recepção de uma tal teoria variou entre posturas o seu exercício. [35]
que foram da efusiva aceitação à rejeição completa. Os detratores da ideia
da Drittwirkung baseiam-se no argumento de que tal teoria acaba por levar O autor arrola diversos instrumentos internacionais de direitos humanos
a uma concepção totalizante da ordem jurídica, sujeitando os particulares a que contêm dispositivos que sustentam a oponibilidade dos direitos huma-
restrições severas e admitindo qualquer conteúdo, bem como que seria nos neles consagrados perante particulares e observa as recentes evolu-
incompatível com outros bens ou valores constitucionalmente tutelados, tais ções doutrinária e jurisprudencial em tal sentido. [36]
quais a autonomia privada [30], havendo quem aí vislumbrasse uma colisão
de direitos fundamentais. Em outro tomo de sua obra Tratado de Direito Internacional dos Di-
reitos Humanos, Cançado Trindade conclui pela crescente conscientiza-
Com efeito, uma das principais dificuldades enfrentadas pela teoria da
ção da
Drittwirkung é o delineamento dos limites a oponibilidade dos direitos fun-
(...) necessidade premente de defender os direitos humanos contra os
damentais (Grundrechte) aos particulares, bem como das circunstâncias de
abusos do poder público, assim como de todo outro tipo de poder: os
tal oponibilidade. Em outras palavras, como (de que modo) e em que medi-
direitos humanos têm sido e devem continuar a ser consistentemente
da se dá a vinculação de particulares aos direitos fundamentais. [31]
defendidos contra todos os tipos de dominação. [37]
Cabe observar que, em sendo as circunstâncias fáticas influentes so-
bre o direito, se a teoria da oponibilidade irrestrita dos direitos fundamentais Pois bem, são construtos como o da Drittwirkung ou Eficácia erga om-
aos particulares permanece extremamente controversa, a oponibilidade de nes dos direitos humanos fundamentais, juntamente com outros, como a
tais direitos em situações de desequilíbrio ou assimetria entre os privados ideia de Jus Cogens das normas internacionais protetivas de direitos hu-
em questão – relações entre hipossuficientes e hipersuficientes – já é mais manos que se reputam, no presente trabalho, aptos a fornecer o supedâneo
tranquilamente aceita. teórico inicial para a construção de uma teoria dos direitos humanos fun-
damentais contemporizada e contextualizada no atual ambiente globaliza-
Passando, portanto, ao largo da discussão acerca da eventual vincula- do, apta a iniciar uma resposta ao crescimento vertiginoso do poder privado
ção de particulares em condições de (sempre relativa) igualdade, de se na atualidade (neo-hipertrofia esferas privadas de poder).
observar mais detidamente a plausibilidade das teses que propugnam pela
oponibilidade dos direitos e garantias fundamentais a particulares que Reputa-se, concludentemente, que os direitos humanos podem e de-
exerçam poder, de uma forma ou de outra. vem ser considerados oponíveis tanto contra o Estado – sua eficácia dita
vertical, clássica – quanto contra particulares em sede de relações interpri-
Com efeito, quando se questiona da oponibilidade dos direitos funda- vadas – sua eficácia interprivada, nova –, em face do crescimento do poder
mentais em uma relação entre um particular, v.g. um consumidor, e uma privado e da migração de parcelas consideráveis do poder outrora público
grande corporação, como, v.g., uma instituição financeira ou uma compa- para âmbitos privados de decisão, situação esta a revelar uma assimetria

Noções de Direito 12 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
entre agentes hiper-suficientes ou dominadores extra-estatais e sujeitos de ra enfrentada pelo então incipiente Direito Internacional Público, em um
direito hipossuficientes ou dominados. contexto ainda de poderes públicos encarnados em Estados nacionais, e
como aquelas até o presente momento não resolvidas, mas que, nem por
Resta saber de que forma se poderia fazer a imposição de tais direitos isso, representaram razão suficiente para o abandono da ideia de um
aos novos agentes potencialmente violadores de direitos humanos funda- controle internacional e supra-nacional do exercício do poder, sempre
mentais, em face do quadro de impotência estatal para tanto, bem como ameaçador dos direitos e liberdades, seja este poder público ou privado.
qual seria o órgão com capacidade e recursos para tanto.
Mudam os atores em cena, muda o peso de cada agente, talvez, mas a
7.Conclusão: desafios do Direito Internacional dos Direitos Huma- questão permanece a mesma, vale dizer, buscar e propugnar pela adoção
nos em face das migrações do poder. Da nova feição dos tratados de soluções para o já antigo e ainda tão atual problema do controle e da
internacionais de direitos humanos em face dos poderes privados e limitação do poder em um ambiente em que, diversamente do nacional, não
extra-estatais. vige a lógica da subordinação, mas uma lógica de coordenação.

Em síntese, resgatando o quanto visto: os sistemas de limitação do po- É fato que se deve reconhecer que hoje, ao lado do desafio dos orga-
der, consistentes basicamente em arranjos institucionais (como a democra- nismos internacionais encarregados da proteção dos direitos humanos
cia e o constitucionalismo) e limitações (consistentes em direitos, liberda- fundamentais no sentido de impor o Direito Internacional dos Direitos Hu-
des, imunidades) foi engendrado com vistas a um panorama sócio- manos a entes (ainda) não sujeitos a uma jurisdição externa de direito
econômico e político diverso do atual, profundamente alterado pela globali- público – os Estados – surge o desafio de fazê-lo, também, em relação a
zação econômica e pelo ideário neoliberal que lhe serve de sustentáculo. entes de natureza privada sem vinculação a qualquer espaço territorial
nacional definido – as transnacionais – e outros agentes extra ou ultra-
Segundo Abili Lázaro Castro de Lima, o Estado nacional territorialmen- estatais exercentes de parcelas cada vez mais crescentes de poder e cujas
te delimitado perde seu sentido como espaço de luta e conquista políticas e ações e decisões afetam e podem afetar, cada dia mais, os direitos já
de defesa de direitos, em face da nova ordem instaurada. [38] consagrados e os arranjos institucionais, como a democracia, tão dificilmen-
te burilados.
Quanto às temáticas dos direitos humanos e direitos e garantias fun-
damentais, o Direito Constitucional e o Direito Internacional dos Direitos A solução ao problema posto, em um espaço desterritorializado e privo,
Humanos acabam por revelar-se defasados. A assertiva deve ser bem portanto, de uma jurisdição propriamente dita, e ainda, envolvendo agentes
compreendida: sua atualidade e importância ímpares diante do poder tão poderosos a ponto de serem capazes de constranger e impor suas
público continuam intocadas. Apenas passa a transparecer uma insuficiên- decisões e determinações aos Estados nacionais, evidentemente não
cia quanto às respostas necessárias em face dos novos poderes (ou con- poderá ser realizada dentro de um ordenamento jurídico circunscrito a tal
trapoderes) privados e extra-estatais. espaço territorialmente delimitado e informado pela lógica, outrora válida e
hoje relativizada, dos Estados nacionais.
Antônio Augusto Cançado Trindade já havia constatado a lacuna e
chamado a atenção para a necessidade de sua resolução: Diante do quadro até aqui traçado, pode-se cogitar algumas possibili-
Com efeito, o fato de os instrumentos de proteção internacional em dades de desenvolvimento, no âmbito dos futuros tratados internacionais de
nossos dias voltarem-se essencialmente à prevenção e punição de viola- direitos humanos, de soluções ao problema que ora se buscou expor e,
ções dos direitos humanos cometidas pelo Estado (seus agentes e órgãos) dentro do possível, enfrentar.
revela uma grave lacuna: a da prevenção e punição de violações dos
direitos humanos por entidades outras que o Estado, inclusive por simples a)Novos sujeitos passivos de obrigações internacionais: os pode-
particulares e mesmo por autores não-identificados. Cabe examinar com res privados.
mais atenção o problema e preencher esta preocupante lacuna. A solução Preliminarmente, parece que a resposta à hipertrofia do poder nas es-
que se vier a dar a este problema poderá constribuir decisivamente ao feras privadas transnacionalizadas (como, e.g., as transnacionais) passa,
aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção internacional da pessoa necessariamente, pelo desenvolvimento da tendência em introduzir os
humana, tanto os de proteção dos direitos humanos stricto sensu quanto os particulares como sujeitos ativos e passivos de Direito Internacional Público
de Direito Internacional Humanitário. [39] e, notadamente pela inclusão, doravante, nos tratados internacionais de
direitos humanos, de disposições expressas e inequívocas assecuratórias
As mudanças às quais se faz referência não retiram, portanto, em nada de oponibilidade dos direitos humanos em face de agentes privados poten-
e por nada, a relevância das conquistas e dos avanços teóricos e práticos cialmente violadores de suas disposições.
no particular, antes o reafirmam e exigem atenção redobrada para sua
preservação, seu aperfeiçoamento, incremento e expansão. A ideia, quanto a este ponto, é, essencialmente, incluir os poderes pri-
vados no polo passivo das obrigações instauradas pelos instrumentos
É exatamente a necessidade de expansão, aperfeiçoamento e incre- internacionais de direitos humanos, independentemente de ratificação dos
mento, tanto da temática dos direitos humanos quanto dos direitos e garan- tratados pelos mesmos – o que seria absurdo –, o que remete, imediata-
tias fundamentais, nos âmbitos, respectivamente, do Direito Internacional mente, ao próximo tópico.
Público e do Direito Constitucional, e conjugadamente, interagindo ambos,
que se busca evidenciar com o presente trabalho. b)Direitos Humanos como Jus Cogens.
Evidentemente a oponibilidade erga omnes, em face de terceiros (a-
Todo o arcabouço teórico-prático, de teorias e instituições voltadas à
gentes não estatais), privados exercentes de poder (econômico ou de outra
limitação do poder permanece hígido e atual, mas aparece fragilizado
natureza, como midiático, e.g.) não dependeria, como salientado no item
enquanto não se desenvolver, através de teorias como a do Drittwirkung ou
precedente, de ratificação de novéis instrumentos internacionais de direitos
da oponibilidade erga omnes dos direitos humanos fundamentais, o cabedal
humanos por parte destes.
teórico e prático-jurídico para fazer face ao poder privado, prevalecente
com o advento e a afirmação do processo de globalização econômica. A ideia é a de que os direitos humanos devem ser considerados, tanto
em face dos Estados e, com razão ainda maior, em relação aos poderes
Deve ser, portanto, preocupação premente do Direito Internacional dos
privados, Jus Cogens, isto é, direito imperativo, cogente e peremptório,
Direitos Humanos, doravante, colmatar a lacuna do vazio a que se referem
independente da vigência do princípio pacta sunt servanda que informa o
Ferrajoli e Cançado Trindade, nomeado globalização, fazendo face aos
direito dos tratados.
novos megapoderes privados transnacionais e/ou extra ou ultra-estatais,
buscando impor-lhes limites. Mais uma vez, quanto ao particular, o magistério de Antônio Augusto
Cançado Trindade:
Trata-se, por evidente, de tarefa hercúlea, que não será facilmente a- Em suma e conclusão, nosso propósito deve residir em definitivo no
dimplida e que oferecerá àqueles indivíduos e organismos que a ela se desenvolvimento doutrinário e jurisprudencial das normas peremptórias do
dedicarem dificuldades incomensuráveis. Dificuldades como aquelas outro- direito internacional (jus cogens) e das correspondentes obrigações erga

Noções de Direito 13 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
omnes de proteção do ser humano. Mediante este desenvolvimento logra- ou dos ‘dominados’), e de fato as influencia de tal modo que estas ações, num
remos transpor os obstáculos dos dogmas do passado e criar uma verda- grau socialmente relevante, se realizam como se os dominados tivessem feito
deira ordre public internacional baseada no respeito e observância dos do próprio conteúdo do mandado a máxima de suas ações (‘obediência’). WE-
BER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva.
direitos humanos. Só assim nos aproximaremos da plenitude da proteção
v. 2. Trad. Regis Barbosa e Karen E. Barbosa. Brasília: Editora da Universidade
internacional do ser humano. [40] de Brasília; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004, p. 187-
191. Wilson Steinmetz, após frisar, com Bobbio, o caráter relacional do poder,
Em resumo, a ideia singela aqui contida e sustentada – de repercus- situa este como espécie do gênero influência, valendo-se das lições de Robert
sões significativas – é a de normas de direitos humanos imperativas – e Dahl: "a influência [...] é uma relação entre atores, na qual um ator induz outros
não apenas obrigatórias [41] – oponíveis a terceiros que não serão partes no atores a agirem de um modo que, em caso contrário, não agiriam", concluindo
tratado (poderes privados), oponibilidade esta sobre cuja efetividade e cujo com Bobbio, citado por Dahl: "O poder de A implica a não-liberdade de B", "a li-
sancionamento incumbirá aos Estados-partes no tratado, conforme se berdade de A implica o não-poder de B". Observa, por fim, que o poder "é um
fenômeno social em sentido amplo, porque se manifesta nas múltiplas relações
defende no item sucessivo. [42]
sociais, sejam elas verticais, sejam elas horizontais." STEINMETZ, Wilson. A
vinculação dos particulares a direitos fundamentais. São Paulo: Malheiros,
Por fim, resta enfrentar aquele que talvez constitua o ponto nevrálgico 2004, p. 86 e p. 89.
da temática ora tratada, a saber, a forma de imposição dos direitos huma- 02 É sabido que a distinção entre direito público e direito privado, central aos
nos fundamentais e de sanção por comportamentos que caracterizem sistemas de matriz romanista, é desconhecida no sistema anglo-americano, a
violação aos mesmos por parte dos poderes privados, especialmente os Common Law. Neste sentido, SGARBOSSA, Luís Fernando. JENSEN, Geziela.
transnacionais. Elementos de Direito Comparado. Ciência, política legislativa, integração e
prática judiciária. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 2008, pp. 108 e
c)Sanções coletivas pelos Estados-parte 116.
03 LIMA, Abili Lázaro Castro de. Globalização econômica, política e direito.
Como visto, o principal óbice à imposição, pelos Estados nacionais, de
Análise das mazelas causadas no plano político-jurídico. Porto Alegre: Sergio
limitações consistentes em direitos fundamentais ou direitos humanos aos Antonio Fabris Editor, 2002, p. 127.
novos poderes privados tem sido sua natureza transnacional, a qual, atra- 04 LIMA, Abili Lázaro Castro de. Idem, p. 125.
vés da repercussão pública das decisões privadas e da mobilidade espacial 05 Idem, p. 126.
tem redundado na imposição de constrangimentos à soberania estatal. 06 Ibidem.
07 Idem, p. 139.
A imposição dos direitos humanos fundamentais aos poderes privados 08 Idem, p. 156.
transnacionais somente pode se dar em um âmbito supranacional ou inter- 09 Sobre o tema do individualismo e do liberalismo, oportuna a lição de Nicholas
nacional, como, por exemplo, no âmbito do Sistema Global de Proteção dos Barr: "Por analyser l’Etat-providence, Il est utile de distinguer trois grands cou-
rants théoriques, individualiste, libéral et collectiviste. L’individualisme s’inscrit à
Direitos Humanos – onusiano – ou dos Sistemas Regionais de Proteção.
bien des égards dans la lingée directe du ‘libéralisme pur’ du XIXe siècle, mal-
gré, nous allons le constater, d’importantes différences entre les partisans des
Para tanto, pode-se cogitar a instituição, nos novéis tratados interna- ‘droits naturels’ et les individualistes ‘empiriques’. Les premiers (Nozick, par e-
cionais de direitos humanos, de órgãos especializados de fiscalização no xemple) jugent l’intervention de l’Etat moralement contreindiquée, sauf dans des
âmbito dos referidos Sistemas, dentre cujas atribuições encontrem-se circonstances très precises. Les seconds, notamment des auteurs tels que Ha-
aquelas de imposição de sanções aos agentes privados autores de condu- yek et Friedman, sont héritiers moderns, de la tradition libérale classique; ils
tas tipificadas como violadoras de direitos humanos. s’élèvent contre l’intervention de l’Etat non pas pour des raisons morales, mais
parce qu’elle conduit à une réduction globale du bien-être. Dans les deux cas, ils
A questão que se põe, nesse passo, é o tipo de sanção aplicável aos analysent la société en considerant ses membres isolément (et non en termes
poderes privados em referência para fazer valer os direitos humanos contra de groupe ou de classe sociale), donnent une large place à la liberté individuelle
os mesmos. et soutiennent résolument la propriété privée et les mécanismes du marché. Le
rôle de l’Etat en matière de fiscalité et de redistribution se trouve ainsi étroite-
As sanções devem ser compatíveis com a natureza, os interesses e as ment circonscrit." Ou seja: "Para analisar o Estado-providência é útil distinguir
três grandes correntes teóricas, a individualista, a liberal e a coletivista. O indivi-
suscetibilidades dos agentes violadores. Assim, pode-se cogitar de sanções
dualismo inscreve-se a bem dizer na linhagem direta do ‘liberalismo puro’ do
como as aplicadas pelos Estados, coletivamente, no âmbito da Organiza- Século XIX, não obstante, como nós iremos constatar, a existência de importan-
ção Mundial do Comércio, os embargos econômicos, por exemplo. tes diferenças entre os partidários dos ‘direitos naturais’ e os individualistas ‘em-
píricos’. Os primeiros (Nozick, por exemplo) julgam a intervenção do Estado mo-
Agentes econômicos privados, cujas condutas venham a ser conside- ralmente contra-indicada, exceto em circunstâncias muito precisas. Os segun-
radas como atentatórias aos direitos humanos fundamentais – como viola- dos, notadamente autores como Hayek e Friedman, são herdeiros modernos da
ções diretas ou ainda indiretas, através da imposição de constrangimentos tradição liberal clássica: eles se levantam contra a intervenção do Estado não
à soberania dos Estados onde suas unidades estejam sediadas, por exem- em nome de razões morais, mas porque ela conduz a uma redução global do
plo – parecem ser suscetíveis a sanções econômicas, aplicadas por um bem-estar. Em ambos os casos, eles analisam a sociedade considerando seus
organismo internacional e executadas obrigatoriamente por todos os Esta- membros isoladamente (e não em termos de grupo ou classe social), dão um
amplo espaço à liberdade individual e sustentam resolutamente a propriedade
dos signatários dos patos elaborados com tal finalidade.
privada e os mecanismos de mercado. O papel do Estado em matéria de fiscali-
dade e redistribuição encontra-se, assim, estritamente delimitado." Tradução li-
Esta é uma das possíveis soluções – ainda que de difícil execução, por
vre dos autores. BARR, Nicholas. Les théories politiques de la justice sociale.
óbvio – ao problema crescente da hipertrofia dos poderes privados transna- HOLCMAN, Robert. La protection sociale: príncipes, modèles, nouveaux dé-
cionais. Outras podem ser engendradas. fis. Paris: La Documentation française. Problèmes politiques et sociaux, n. 793,
14 nov 1997, pp. 29-30.
Em rápida síntese, o que se busca propor diante do problema colocado 10 Abili Lázaro Castro de. Op. cit., p. 159.
é que os poderes privados passem a ser considerados sujeitos passivos em 11 A migração do poder é uma metáfora aqui eleita que pode ser substituída, se
relação às obrigações relativas aos direitos humanos, com base na Drittwir- preferir o leitor, pela ideia de um significativo aumento do poder na esfera priva-
kung ou eficácia erga omnes destes últimos, e que a observância dos da.
direitos humanos pelos mesmos seja imposta pelo conjunto dos países 12 WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. 5. ed. Trad. Waltensir Dutra. Rio de
signatários de novos instrumentos internacionais de proteção dos direitos Janeiro: LTC Editora, 2002, p. 155 e seguintes. Em Economia e Sociedade cit.,
p. 217 e seguintes.
humanos, através da execução de sanções de natureza econômica, espe- 13 Max Weber afirma que o Estado, assim como as formações políticas que o
cialmente, impostas por um organismo internacional. precederam, é "uma relação de dominação de homens sobre homens, apoiada
no meio da coação legítima (quer dizer, considerada legítima)". Segundo Weber
Notas o Estado não é definido por aquilo que faz, mas pelo seu meio específico, qual
seja, a coação física, que, embora não seja seu meio normal ou único, é seu
01 Para Weber, dominação no sentido genérico de poder seria "a possibilidade de meio específico. Assim, Weber define Estado como "aquela comunidade huma-
impor ao comportamento de terceiros a vontade própria". Weber define domina- na que, dentro de determinado território – este, o ‘território’, faz parte da quali-
ção em sentido estrito como caso especial do poder, definindo-a como "uma si- dade característica –, reclama para si (com êxito) o monopólio da coação física
tuação de fato, em que uma vontade manifesta (‘mandado’) do ‘dominador’ ou legítima", sendo considerado "a única fonte do ‘direito’ de exercer coação". WE-
dos ‘dominadores’ quer influenciar as ações de outras pessoas (do ‘dominado’ BER, Max. Op. cit., pp. 525-526.

Noções de Direito 14 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
14 LIMA, Abili Lázaro Castro de. Op. cit., p. 163, nota de rodapé n. 385. 1º, Convenção Americana de Direitos Humanos, art. 1º (1), Convenção sobre a
15 Aqui somos instados a fazer referência a uma das teorias do governo pelo eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, art. 2º (1) (d), Con-
capital, a saber, aquela da dependência estrutural do Estado em relação ao ca- venção Europeia de Direitos Humanos, art. 17, dentre outros instrumentos.
pital: "Mas a mais ousada das teorias, por ser a menos contingente, argumenta 37 CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. Tratado de Direito Internacional
que não importa quem são os governantes, o que querem e quem representam. dos Direitos Humanos. v. II. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 1999,
Tampouco importa como o Estado é organizado e o que ele é legalmente capaz p. 413.
ou incapaz de fazer. Os capitalistas não precisam sequer se organizar e agir co- 38 LIMA, Abili Lázaro Castro de. Op. cit., p. 204.
letivamente: é suficiente que busquem cegamente seus estreitos interesses pri- 39 Idem, p. 371.
vados para levar qualquer governo a respeitar os limites impostos pelas conse- 40 CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. Op. cit. (v. II), pp. 419-420.
quências públicas de suas decisões privadas. PRZEWORSKY, Adam. Estado e 41 Sobre a noção de Jus Cogens, ver FRIEDRICH, Tatyana Scheila. As normas
Economia no Capitalismo. Trad. Angelina C. Figueiredo e Paulo Pedro Z. Bas- imperativas de Direito Internacional Público. Jus Cogens. Belo Horizonte: E-
tos. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1995, p. 88. ditora Fórum, 2004, pp. 31 e seguintes.
16 Idem, pp. 152-154. 42 Vale conferir o magistério de Tatyana Scheila Friedrich, discorrendo sobre os
17 Idem, p. 188. direitos humanos como jus cogens: "A consolidação de direitos humanos como
18 Abili Lázaro Castro de Lima quem sintetiza a questão: "Ocorre que, na maioria jus cogens, ao nosso ver, está condicionada a duas mudanças estruturais do
das vezes, o auxílio financeiro é submetido a condições específicas, prática co- cenário internacional: o reconhecimento do indivíduo como sujeito de direito in-
nhecida como ‘princípio da condicionalidade’. Contudo, tais estipulações restrin- ternacional e de sua capacidade jurídica para interpor, perante as cortes nacio-
gem sobremaneira a capacidade dos Estados definirem as suas políticas, ou se- nais ou internacionais, ação relacionada à violação de direito internacional. [...]
ja, cerceando ou restringindo a participação dos cidadãos na definição dos des- Por outro lado, assiste-se ao ressurgimento da ideia do indivíduo como sujeito
tinos da sociedade, colocando, inclusive, em risco às instituições que promovem do direito internacional, sobretudo a partir da segunda metade do século XX."
o bem-estar da população e ameaçando a soberania do Estado." Op. cit., p. 216 Vislumbra-se, desse modo, quão intimamente relacionadas estão a temática dos
e seguintes. direitos humanos como Jus cogens e a participação de entes extra-estatais e
19 STEINMETZ, Wilson. Op. cit., p. 84. privados como sujeitos ativos e passivos das obrigações decorrentes do Direito
20 "A introdução da problemática das práticas cotidianas nos leva a entender a Internacional dos Direitos Humanos. Idem, p. 106.
democracia enquanto uma prática que é transformada pelas mudanças estrutu-
rais da modernidade. Tanto a democracia quanto a cidadania passam a ser Informações bibliográficas:
consideradas enquanto rupturas com formas de poder privado incompatíveis
com a relações impessoais introduzidas no Estado moderno. Elas são parte do SGARBOSSA, Luís Fernando; JENSEN, Geziela. Globalização econômica, neo-
trade-off no qual a introdução de restrições no nível do trabalho e das práticas liberalismo e direitos humanos. Desafios diante da nova realidade global. Jus Navi-
administrativas são compensados pelo estabelecimento de limitações à ação gandi, Teresina, ano 12, n. 1716, 13 mar. 2008. Disponível em:
dos agentes econômicos e administrativos." AVRITZER, Leonardo. A moralida- <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=11044>. Acesso em: 17 maio 2009.
de da democracia. Ensaios em Teoria habermasiana e Teoria democrática.
São Paulo: Perspectiva; Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1996, p. 139.
21 WILSON STEINMETZ. Op. cit., p. 85: "Contudo, a teoria dos direitos fundamen-
tais como limites ao poder carece, em parte, de atualidade quando reduz o fe- Direitos Humanos.
nômeno do poder somente ao poder do Estado." Declaração Universal dos Direitos do Homem.
22 Abili Lázaro Castro de Lima: "No âmbito da globalização, verificamos que ocorre
uma considerável diminuição da participação popular no palco político (uma vez Adoptada e proclamada pela Assembleia Geral na sua Resolução 217A
que as decisões da política local estão cada vez mais atreladas às esferas mun- (III) de 10 de Dezembro de 1948.
dializadas) e, neste contexto, perde-se um locus para conquista, defesa e exer-
cício dos direitos que vai, progressivamente, se desvanecendo." Op. cit., p. 204.
23 FERRAJOLI, Luigi. Pasado y futuro del "Estado de Derecho" In CARBONELL,
Preâmbulo
Miguel. Neoconstitucionalismos. Madri: Editorial Trotta, 2003, p. 22. Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os
24 Ibidem. Após a passagem citada, Ferrajoli questiona-se sobre o porvir do Estado membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis consti-
de Direito e especula sobre a possibilidade de um terceiro modelo, que denomi- tui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
na modelo ampliado de Estado de Direito (p. 22), propugnando pela comple- Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do
mentação da integração econômico-política por uma integração jurídico- homem conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da
institucional, consistente no desenvolvimento de um constitucionalismo sem Es- Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos
tado, uma ordem constitucional ampliada ao nível supranacional, à altura dos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado
novos espaços supraestatais, vale dizer, um constitucionalismo europeu e um
constitucionalismo internacional (pp. 24 e 27).
como a mais alta inspiração do homem;
25 LIMA, Abili Lázaro Castro de. Op. cit., p. 199. Considerando que é essencial a proteção dos direitos do homem atra-
26 LAMBERT, Jean-Marie. Curso de Direito Internacional Público. Parte Geral. vés de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em
v. II. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2001, pp. 274-275. supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;
27 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de rela-
Constituição. 7. ed. Coimbra: Almedina, 2003, p. 1286. Ver, por todo, SARLET, ções amistosas entre as nações;
Ingo Wolfgang. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. 6. ed. rev., atual. e Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam,
ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editor, 2006, p. 392 e seguintes. de novo, a sua fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no
28 Sobre os fundamentos embasadores das teorias que propugnam pela eficácia
horizontal v. STEINMETZ, Wilson. Op. cit., p. 100 e seguintes.
valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mu-
29 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Op. cit., p. 1286. lheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instau-
30 STEINMETZ, Wilson. Op. cit., p. 189 e seguintes. rar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;
31 Idem, p. 21. Considerando que os Estados membros se comprometeram a promo-
32 "Se os direitos fundamentais, como direitos subjetivos, são direitos de defesa ver, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito
contra os poderes estatais, então isso univocamente fala contra um ‘efeito dian- universal e efetivo dos direitos do homem e das liberdades fundamentais;
te de terceiros’". HESSE, Konrad. Elementos de Direito Constitucional da Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades
República Federal da Alemanha (Grundzuge des Verfassungsrechts der Bun- é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:
desrepublik Deutschland). Trad. Luís Afonso Heck. Porto Alegre: Sergio Antonio
Fabris Editor, 1998, p. 282.
A Assembleia Geral
33 HESSE, Konrad. Idem, p. 286. Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem co-
34 São exemplos de poder privado o dos megragrupos industriais e comerciais, mo ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de
nacionais e (sobretudo) multinacionais, megagrupos financeiros, megagrupos que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constan-
midiáticos, associações e sindicatos com grande poder de barganha e organiza- temente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desen-
ções criminosas, e, até mesmo, movimentos sociais. Os exemplos são de STE- volver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas
INMETZ, Wilson. Op. cit., p. 88. progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a
35 CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. Tratado de Direito Internacional sua aplicação universais e efetivos tanto entre as populações dos próprios
dos Direitos Humanos. v. I. 2. ed. rev. e atual. Porto Alegre: Sergio Antonio
Fabris Editor, 2003, p. 375.
Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdi-
36 Idem, p. 371 e seguintes. São referidos pelo autor os seguintes documentos: ção.
Pato Internacional dos Direitos Civis e Políticos, art. 2º, 1, Convenção sobre os Artigo 1.º
Direitos da Criança, art. 2º (1), Convenção Europeia de Direitos Humanos, art. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em di-

Noções de Direito 15 A Opção Certa Para a Sua Realização


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reitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religi-
outros em espírito de fraternidade. ão. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos
Artigo 2.º iguais.
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades 2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consenti-
proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeada- mento dos futuros esposos.
mente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou 3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem di-
outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qual- reito à protecção desta e do Estado.
quer outra situação. Artigo 17.º
Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto polí- 1. Toda a pessoa, individual ou colectivamente, tem direito à proprie-
tico, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da dade.
pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou 2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
sujeito a alguma limitação de soberania. Artigo 18.º
Artigo 3.º Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de
Artigo 4.º convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção,
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino,
o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos. pela prática, pelo culto e pelos ritos.
Artigo 5.º Artigo 19.º
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o
desumanos ou degradantes. que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de
Artigo 6.º procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os luga- ideias por qualquer meio de expressão.
res da sua personalidade jurídica. Artigo 20.º
Artigo 7.º 1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação
Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual pro- pacíficas.
teção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discrimina- 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
ção que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal Artigo 21.º
discriminação. 1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negó-
cios públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de repre-
Artigo 8.º sentantes livremente escolhidos.
Toda a pessoa tem direito a recurso efetivo para as jurisdições nacio- 2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às
nais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais funções públicos do seu país.
reconhecidos pela Constituição ou pela lei. 3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públi-
Artigo 9.º cos; e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodica-
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. mente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo proces-
Artigo 10.º so equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.
Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja Artigo 22.º
equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança
que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos,
acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida. sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à coopera-
Artigo 11.º ção internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada
1. Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente país.
até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um Artigo 23.º
processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe 1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a
sejam asseguradas. condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o
2. Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento desemprego.
da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou 2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por tra-
internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a balho igual.
que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido. 3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfató-
Artigo 12.º ria, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignida-
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua de humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de pro-
família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua tecção social.
honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem
direito a protecção da lei. 4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindica-
Artigo 13.º tos e de se filiar em sindicatos para a defesa dos seus interesses.
1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua Artigo 24.º
residência no interior de um Estado. Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente,
2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encon- a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas
tra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país. pagas.
Artigo 14.º Artigo 25.º
1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de 1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe as-
beneficiar de asilo em outros países. segurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à
2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo re- alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda
almente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no
aos fins e aos princípios das Nações Unidas. desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros
Artigo 15.º casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes
1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. da sua vontade.
2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem 2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência espe-
do direito de mudar de nacionalidade. ciais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da
mesma protecção social.
Artigo 16.º Artigo 26.º
1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e 1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratui-

Noções de Direito 16 A Opção Certa Para a Sua Realização


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ta, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O caso de a violação ter sido cometida por pessoas agindo no exercício das
ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser suas funções oficiais;
generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos b) Garantir que a competente autoridade judiciária, adminis-trativa ou
em plena igualdade, em função do seu mérito. legislativa, ou qualquer outra autoridade competente, segundo a legislação
2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana do Estado, estatua sobre os direitos da pessoa que forma o recurso, e
e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve desenvolver as possibilidades de recurso jurisdicional;
favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e c) Garantir que as competentes autoridades façam cumprir os resultados de
todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das qualquer recurso que for reconhecido como justificado.
actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de Artigo 3.º
educação a dar aos filhos. Os Estados Partes no presente Pacto comprometem-se a assegurar o
Artigo 27.º direito igual dos homens e das mulheres a usufruir de todos os direitos civis
1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultu- e políticos enunciados no presente Pacto.
ral da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e
nos benefícios que deste resultam. Artigo 4.º
2. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais liga- 1. Em tempo de uma emergência pública que ameaça a existência da
dos a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria. nação e cuja existência seja proclamada por um acto oficial, os Estados
Artigo 28.º Partes no presente Pacto podem tomar, na estrita medida em que a situa-
Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano inter- ção o exigir, medidas que derroguem as obrigações previstas no presente
nacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as Pacto, sob reserva de que essas medidas não sejam incompatíveis com
liberdades enunciados na presente Declaração. outras obrigações que lhes impõe o direito internacional e que elas não
Artigo 29.º envolvam uma discriminação fundada unicamente sobre a raça, a cor, o
1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é sexo, a língua, a religião ou a origem social.
possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. 2. A disposição precedente não autoriza nenhuma derrogação aos artigos
2. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém 6.º, 7.º, 8.º, parágrafos 1 e 2, 11.º, 15.º, 16.º e 18.º.
está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusiva- 3. Os Estados Partes no presente Pacto que usam do direito de derrogação
mente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades devem, por intermédio do secretário-geral da Organização das Nações
dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem Unidas, informar imediatamente os outros Estados Partes acerca das
pública e do bem-estar numa sociedade democrática. disposições derrogadas, bem como os motivos dessa derrogação. Uma
3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos nova comunicação será feita pela mesma via na data em que se pôs fim a
contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas. essa derrogação.
Artigo 30.º
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de Artigo 5.º
maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o 1. Nenhuma disposição do presente Pacto pode ser interpretada como
direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado implicando para um Estado, um grupo ou um indivíduo qualquer direito de
a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados. se dedicar a uma actividade ou de realizar um acto visando a destruição
dos direitos e das liberdades reconhecidos no presente Pacto ou as suas
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos. limitações mais amplas que as previstas no dito Pacto.
2. Não pode ser admitida nenhuma restrição ou derrogação aos direitos
PRIMEIRA PARTE fundamentais do homem reconhecidos ou em vigor em todo o Estado Parte
Artigo 1.º no presente Pacto em aplicação de leis, de convenções, de regulamentos
1. Todos os povos têm o direito a dispor deles mesmos. Em virtude deste ou de costumes, sob pretexto de que o presente Pacto não os reconhece
direito, eles determinam livremente o seu estatuto político e dedicam-se ou reconhece-os em menor grau.
livremente ao seu desenvolvimento económico, social e cultural.
2. Para atingir os seus fins, todos os povos podem dispor livremente das TERCEIRA PARTE
suas riquezas e dos seus recursos naturais, sem prejuízo de quaisquer Artigo 6.º
obrigações que decorrem da cooperação económica internacional, fundada 1. O direito à vida é inerente à pessoa humana. Este direito deve ser prote-
sobre o princípio do interesse mútuo e do direito internacional. Em nenhum gido pela lei: ninguém pode ser arbitrariamente privado da vida.
caso pode um povo ser privado dos seus meios de subsistência. 2. Nos países em que a pena de morte não foi abolida, uma sentença de
3. Os Estados Partes no presente Pacto, incluindo aqueles que têm a morte só pode ser pronunciada para os crimes mais graves, em conformi-
responsabilidade de administrar territórios não autónomos e territórios sob dade com a legislação em vigor, no momento em que o crime foi cometido
tutela, são chamados a promover a realização do direito dos povos a dispo- e que não deve estar em contradição com as disposições do presente
rem de si mesmos e a respeitar esse direito, conforme às disposições da Pacto nem com a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de
Carta das Nações Unidas. Genocídio. Esta pena não pode ser aplicada senão em virtude de um juízo
definitivo pronunciado por um tribunal competente.
SEGUNDA PARTE 3. Quando a privação da vida constitui o crime de genocídio fica entendido
Artigo 2.º que nenhuma disposição do presente artigo autoriza um Estado Parte no
1. Cada Estado Parte no presente Pacto compromete-se a respeitar e a presente Pacto a derrogar de alguma maneira qualquer obrigação assumi-
garantir a todos os indivíduos que se encontrem nos seus territórios e da em virtude das disposições da Convenção para a Prevenção e a Re-
estejam sujeitos à sua jurisdição os direitos reconhecidos no presente pressão do Crime de Genocídio.
Pacto, sem qualquer distinção, derivada, nomeadamente, de raça, de cor, 4. Qualquer indivíduo condenado à morte terá o direito de solicitar o perdão
de sexo, de língua, de religião, de opinião política, ou de qualquer outra ou a comutação da pena. A amnistia, o perdão ou a comutação da pena de
opinião, de origem nacional ou social, de propriedade ou de nascimento, ou morte podem ser concedidos em todos os casos.
de outra situação. 5. Uma sentença de morte não pode ser pronunciada em casos de crimes
2. Cada Estado Parte no presente Pacto compromete-se a adoptar, de cometidos por pessoas de idade inferior a 18 anos e não pode ser executa-
acordo com os seus processos constitucionais e com as disposições do da sobre mulheres grávidas.
presente Pacto, as medidas que permitam a adopção de decisões de 6. Nenhuma disposição do presente artigo pode ser invocada para retardar
ordem legislativa ou outra capazes de dar efeito aos direitos reconhecidos ou impedir a abolição da pena capital por um Estado Parte no presente
no presente Pacto que ainda não estiverem em vigor. Pacto.
3. Cada Estado Parte no presente Pacto compromete-se a:
a) Garantir que todas as pessoas cujos direitos e liberdades reconhecidos Artigo 7.º
no presente Pacto forem violados disponham de recurso eficaz, mesmo no

Noções de Direito 17 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Ninguém será submetido à tortura nem a pena ou a tratamentos cruéis, 3. Os direitos mencionados acima não podem ser objecto de restrições, a
inumanos ou degradantes. Em particular, é interdito submeter uma pessoa não ser que estas estejam previstas na lei e sejam necessárias para prote-
a uma experiência médica ou científica sem o seu livre consentimento. ger a segurança nacional, a ordem pública, a saúde ou a moralidade públi-
cas ou os direitos e liberdades de outrem e sejam compatíveis com os
Artigo 8.º outros direitos reconhecidos pelo presente Pacto.
1. Ninguém será submetido à escravidão; a escravidão e o tráfico de escra- 4. Ninguém pode ser arbitrariamente privado do direito de entrar no seu
vos, sob todas as suas formas, são interditos. próprio país.
2. Ninguém será mantido em servidão.
3: Artigo 13.º
a) Ninguém será constrangido a realizar trabalho forçado ou obrigatório; Um estrangeiro que se encontre legalmente no território de um Estado
b) A alínea a) do presente parágrafo não pode ser interpretada no sentido Parte no presente Pacto não pode ser expulso, a não ser em cumprimento
de proibir, em certos países onde crimes podem ser punidos de prisão de uma decisão tomada em conformidade com a lei e, a menos que razões
acompanhada de trabalhos forçados, o cumprimento de uma pena de imperiosas de segurança nacional a isso se oponham, deve ter a possibili-
trabalhos forçados, infligida por um tribunal competente; dade de fazer valer as razões que militam contra a sua expulsão e de fazer
c) Não é considerado como trabalho forçado ou obrigatório no sentido do examinar o seu caso pela autoridade competente ou por uma ou várias
presente parágrafo: pessoas especialmente designadas pela dita autoridade, fazendo-se repre-
i) Todo o trabalho não referido na alínea b) normalmente exigido de um sentar para esse fim.
indivíduo que é detido em virtude de uma decisão judicial legítima ou que
tendo sido objecto de uma tal decisão é libertado condicionalmente; Artigo 14.º
ii) Todo o serviço de carácter militar e, nos países em que a objecção por 1. Todos são iguais perante os tribunais de justiça. Todas as pessoas têm
motivos de consciência é admitida, todo o serviço nacional exigido pela lei direito a que a sua causa seja ouvida equitativa e publicamente por um
dos objectores de consciência; tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido pela lei, que
iii) Todo o serviço exigido nos casos de força maior ou de sinistros que decidirá quer do bem fundado de qualquer acusação em matéria penal
ameacem a vida ou o bem-estar da comunidade; dirigida contra elas, quer das contestações sobre os seus direitos e obriga-
iv) Todo o trabalho ou todo o serviço formando parte das obrigações cívicas ções de carácter civil. As audições à porta fechada podem ser determina-
normais. das durante a totalidade ou uma parte do processo, seja no interesse dos
Artigo 9.º bons costumes, da ordem pública ou da segurança nacional numa socieda-
1. Todo o indivíduo tem direito à liberdade e à segurança da sua pessoa. de democrática, seja quando o interesse da vida privada das partes em
Ninguém pode ser objecto de prisão ou detenção arbitrária. Ninguém pode causa o exija, seja ainda na medida em que o tribunal o considerar absolu-
ser privado da sua liberdade a não ser por motivo e em conformidade com tamente necessário, quando, por motivo das circunstâncias parti-culares do
processos previstos na lei. caso, a publicidade prejudicasse os interesses da justiça; todavia qualquer
2. Todo o indivíduo preso será informado, no momento da sua detenção, sentença pronunciada em matéria penal ou civil será publicada, salvo se o
das razões dessa detenção e receberá notificação imediata de todas as interesse de menores exigir que se proceda de outra forma ou se o proces-
acusações apresentadas contra ele. so respeita a diferendos matrimoniais ou à tutela de crianças.
3. Todo o indivíduo preso ou detido sob acusação de uma infracção penal 2. Qualquer pessoa acusada de infracção penal é de direito presumida
será prontamente conduzido perante um juiz ou uma outra autoridade inocente até que a sua culpabilidade tenha sido legalmente estabelecida.
habilitada pela lei a exercer funções judiciárias e deverá ser julgado num 3. Qualquer pessoa acusada de uma infracção penal terá direito, em plena
prazo razoável ou libertado. A detenção prisional de pessoas aguardando igualdade, pelo menos às seguintes garantias:
julgamento não deve ser regra geral, mas a sua libertação pode ser subor- a) A ser prontamente informada, numa língua que ela com-preenda, de
dinada a garantir que assegurem a presença do interessado no julgamento modo detalhado, acerca da natureza e dos motivos da acusação apresen-
em qualquer outra fase do processo e, se for caso disso, para execução da tada contra ela;
sentença. b) A dispor do tempo e das facilidades necessárias para a preparação da
4. Todo o indivíduo que se encontrar privado de liberdade por prisão ou defesa e a comunicar com um advogado da sua escolha;
detenção terá o direito de intentar um recurso perante um tribunal, a fim de c) A ser julgada sem demora excessiva;
que este estatua sem demora sobre a legalidade da sua detenção e ordene d) A estar presente no processo e a defender-se a si própria ou a ter a
a sua libertação se a detenção for ilegal. assistência de um defensor da sua escolha; se não tiver defensor, a ser
5. Todo o indivíduo vítima de prisão ou de detenção ilegal terá direito a informada do seu direito de ter um e, sempre que o interesse da justiça o
compensação. exigir, a ser-lhe atribuído um defensor oficioso, a título gratuito no caso de
não ter meios para o remunerar;
Artigo 10.º e) A interrogar ou fazer interrogar as testemunhas de acusação e a obter a
1. Todos os indivíduos privados da sua liberdade devem ser tratados com comparência e o interrogatório das testemunhas de defesa nas mesmas
humanidade e com respeito da dignidade inerente à pessoa humana. condições das testemunhas de acusação;
2: f) A fazer-se assistir gratuitamente de um intérprete, se não compreender
a) Pessoas sob acusação serão, salvo circunstâncias excepcionais, sepa- ou não falar a língua utilizada no tribunal;
radas dos condenados e submetidas a um regime distinto, apropriado à sua g) A não ser forçada a testemunhar contra si própria ou a confessar-se
condição de pessoas não condenadas; culpada.
b) Jovens sob detenção serão separados dos adultos e o seu caso será 4. No processo aplicável às pessoas jovens a lei penal terá em conta a sua
decidido o mais rapidamente possível. idade e o interesse que apresenta a sua reabilitação.
3. O regime penitenciário comportará tratamento dos reclusos cujo fim 5. Qualquer pessoa declarada culpada de crime terá o direito de fazer
essencial é a sua emenda e a sua recuperação social. Delinquentes jovens examinar por uma jurisdição superior a declaração de culpabilidade e a
serão separados dos adultos e submetidos a um regime apropriado à sua sentença em conformidade com a lei.
idade e ao seu estatuto legal. 6. Quando uma condenação penal definitiva é ulteriormente anulada ou
quando é concedido o indulto, porque um facto novo ou recentemente
Artigo 11.º revelado prova concludentemente que se produziu um erro judiciário, a
Ninguém pode ser aprisionado pela única razão de que não está em situa- pessoa que cumpriu uma pena em virtude dessa condenação será indem-
ção de executar uma obrigação contratual. nizada, em conformidade com a lei, a menos que se prove que a não
revelação em tempo útil do facto desconhecido lhe é imputável no todo ou
Artigo 12.º em parte.
1. Todo o indivíduo legalmente no território de um Estado tem o direito de 7. Ninguém pode ser julgado ou punido novamente por motivo de uma
circular livremente e de aí escolher livremente a sua residência. infracção da qual já foi absolvido ou pela qual já foi condenado por senten-
2. Todas as pessoas são livres de deixar qualquer país, incluindo o seu. ça definitiva, em conformidade com a lei e o processo penal de cada país.

Noções de Direito 18 A Opção Certa Para a Sua Realização


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2. O exercício deste direito só pode ser objecto de restrições previstas na
Artigo 15.º lei e que são necessárias numa sociedade democrática, no interesse da
1. Ninguém será condenado por actos ou omissões que não constituam um segurança nacional, da segurança pública, da ordem pública e para prote-
acto delituoso, segundo o direito nacional ou internacional, no momento em ger a saúde ou a moralidade públicas ou os direitos e as liberdades de
que forem cometidos. Do mesmo modo não será aplicada nenhuma pena outrem. O presente artigo não impede de submeter a restrições legais o
mais forte do que aquela que era aplicável no momento em que a infracção exercício deste direito por parte de membros das forças armadas e da
foi cometida. Se posteriormente a esta infracção a lei prevê a aplicação de polícia.
uma pena mais ligeira, o delinquente deve beneficiar da alteração. 3. Nenhuma disposição do presente artigo permite aos Estados Partes na
2. Nada no presente artigo se opõe ao julgamento ou à condenação de Convenção de 1948 da Organização Internacional do Trabalho respeitante
qualquer indivíduo por motivo de actos ou omissões que no momento em à liberdade sindical e à protecção do direito sindical tomar medidas legisla-
que foram cometidos eram tidos por criminosos, segundo os princípios tivas que atentem ou aplicar a lei de modo a atentar contra as garantias
gerais de direito reconhecidos pela comunidade das nações. previstas na dita Convenção.

Artigo 16.º Artigo 23.º


Toda e qualquer pessoa tem direito ao reconhecimento, em qualquer lugar, 1. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito
da sua personalidade jurídica. à protecção da sociedade e do Estado.
2. O direito de se casar e de fundar uma família é reconhecido ao homem e
Artigo 17.º à mulher a partir da idade núbil.
1. Ninguém será objecto de intervenções arbitrárias ou ilegais na sua vida 3. Nenhum casamento pode ser concluído sem o livre e pleno consentimen-
privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua corres-pondência, nem to dos futuros esposos.
de atentados ilegais à sua honra e à sua reputação. 4. Os Estados Partes no presente Pacto tomarão as medidas necessárias
2. Toda e qualquer pessoa tem direito à protecção da lei contra tais inter- para assegurar a igualdade dos direitos e das responsabilidades dos espo-
venções ou tais atentados. sos em relação ao casamento, durante a constância do matrimónio e a-
quando da sua dissolução. Em caso de dissolução, serão tomadas disposi-
Artigo 18.º ções a fim de assegurar aos filhos a protecção necessária.
1. Toda e qualquer pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de
consciência e de religião; este direito implica a liberdade de ter ou de adop- Artigo 24.º
tar uma religião ou uma convicção da sua escolha, bem como a liberdade 1. Qualquer criança, sem nenhuma discriminação de raça, cor, sexo, língua,
de manifestar a sua religião ou a sua convicção, individualmente ou conjun- religião, origem nacional ou social, propriedade ou nascimento, tem direito,
tamente com outros, tanto em público como em privado, pelo culto, cum- da parte da sua família, da sociedade e do Estado, às medidas de protec-
primento dos ritos, as práticas e o ensino. ção que exija a sua condição de menor.
2. Ninguém será objecto de pressões que atentem à sua liberdade de ter ou 2. Toda e qualquer criança deve ser registada imediatamente após o nas-
de adoptar uma religião ou uma convicção da sua escolha. cimento e ter um nome.
3. A liberdade de manifestar a sua religião ou as suas convicções só pode 3. Toda e qualquer criança tem o direito de adquirir uma nacio-nalidade.
ser objecto de restrições previstas na lei e que sejam necessárias à protec-
ção de segurança, da ordem e da saúde públicas ou da moral e das liber- Artigo 25.º
dades e direitos fundamentais de outrem. Todo o cidadão tem o direito e a possibilidade, sem nenhuma das discrimi-
4. Os Estados Partes no presente Pacto comprometem-se a respeitar a nações referidas no artigo 2.º e sem restrições excessivas:
liberdade dos pais e, em caso disso, dos tutores legais a fazerem assegurar a) De tomar parte na direcção dos negócios públicos, directa-mente ou por
a educação religiosa e moral dos seus filhos e pupilos, em conformidade intermédio de representantes livremente eleitos;
com as suas próprias convicções. b) De votar e ser eleito, em eleições periódicas, honestas, por sufrágio
universal e igual e por escrutínio secreto, assegurando a livre expressão da
Artigo 19.º vontade dos eleitores;
1. Ninguém pode ser inquietado pelas suas opiniões. c) De aceder, em condições gerais de igualdade, às funções públicas do
2. Toda e qualquer pessoa tem direito à liberdade de expressão; este direito seu país.
compreende a liberdade de procurar, receber e expandir informações e
ideias de toda a espécie, sem consideração de fronteiras, sob forma oral ou Artigo 26.º
escrita, impressa ou artística, ou por qualquer outro meio à sua escolha. Todas as pessoas são iguais perante a lei e têm direito, sem discriminação,
3. O exercício das liberdades previstas no parágrafo 2 do presente artigo a igual protecção da lei. A este respeito, a lei deve proibir todas as discrimi-
comporta deveres e responsabilidades especiais. Pode, em conse-quência, nações e garantir a todas as pessoas protecção igual e eficaz contra toda a
ser submetido a certas restrições, que devem, todavia, ser expressa-mente espécie de discriminação, nomeadamente por motivos de raça, de cor, de
fixadas na lei e que são necessárias: sexo, de língua, de religião, de opinião política ou de qualquer outra opini-
a) Ao respeito dos direitos ou da reputação de outrem; ão, de origem nacional ou social, de propriedade, de nascimento ou de
b) À salvaguarda da segurança nacional, da ordem pública, da saúde e da qualquer outra situação.
moralidade públicas.
Artigo 20.º Artigo 27.º
1. Toda a propaganda em favor da guerra deve ser interditada pela lei. Nos Estados em que existam minorias étnicas, religiosas ou linguísticas, as
2. Todo o apelo ao ódio nacional, racial e religioso que constitua uma pessoas pertencentes a essas minorias não devem ser privadas do direito
incitação à discriminação, à hostilidade ou à violência deve ser interditado de ter, em comum com os outros membros do seu grupo, a sua própria vida
pela lei. cultural, de professar e de praticar a sua própria religião ou de empregar a
sua própria língua.
Artigo 21.º QUARTA PARTE
O direito de reunião pacífica é reconhecido. O exercício deste direito só Artigo 28.º
pode ser objecto de restrições impostas em conformidade com a lei e que 1. É instituído um Comité dos Direitos do Homem (a seguir denominado
são necessárias numa sociedade democrática, no interesse da segurança Comité no presente Pacto). Este Comité é composto de dezoito membros e
nacional, da segurança pública, da ordem pública ou para proteger a saúde tem as funções definidas a seguir.
e a moralidade públicas ou os direitos e as liberdades de outrem. 2. O Comité é composto de nacionais dos Estados Partes do presente
Pacto, que devem ser personalidades de alta moralidade e possuidoras de
Artigo 22.º reconhecida competência no domínio dos direitos do homem. Ter-se-á em
1. Toda e qualquer pessoa tem o direito de se associar livremente com conta o interesse, que se verifique, da participação nos trabalhos do Comité
outras, incluindo o direito de constituir sindicatos e de a eles aderir para a de algumas pessoas que tenham experiência jurídica.
protecção dos seus interesses. 3. Os membros do Comité são eleitos e exercem funções a título pessoal.

Noções de Direito 19 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Artigo 29.º Artigo 35.º
1. Os membros do Comité serão eleitos, por escrutínio secreto, de uma lista Os membros do Comité recebem, com a aprovação da Assembleia Geral
de indivíduos com as habilitações previstas no artigo 28.° e nomeados para das Nações Unidas, emolumentos provenientes dos recursos financeiros
o fim pelos Estados Partes no presente Pacto. das Nações Unidas em termos e condições fixados pela Assembleia Geral,
2. Cada Estado Parte no presente Pacto pode nomear não mais de dois tendo em vista a importância das funções do Comité.
indivíduos, que serão seus nacionais.
3. Qualquer indivíduo será elegível à renomeação. Artigo 36.º
O secretário-geral das Nações Unidas porá à disposição do Comité o
Artigo 30.º pessoal e os meios materiais necessários para o desempenho eficaz das
1. A primeira eleição terá lugar, o mais tardar, seis meses depois da data da funções que lhe são confiadas em virtude do presente Pacto.
entrada em vigor do presente Pacto.
2. Quatro meses antes, pelo menos, da data de qualquer eleição para o Artigo 37.º
Comité, que não seja uma eleição em vista a preencher uma vaga declara- 1. O secretário-geral das Nações Unidas convocará a primeira reunião do
da em conformidade com o artigo 34.°, o secretário-geral da Organização Comité, na sede da Organização.
das Nações Unidas convidará por escrito os Estados Partes no presente 2. Depois da sua primeira reunião o Comité reunir-se-á em todas as ocasi-
Pacto a designar, num prazo de três meses, os candidatos que eles pro- ões previstas no seu regulamento interno.
põem como membros do Comité. 3. As reuniões do Comité terão normalmente lugar na sede da Organização
3. O secretário-geral das Nações Unidas elaborará uma lista alfabética de das Nações Unidas ou no Departamento das Nações Unidas em Genebra.
todas as pessoas assim apresentadas, mencionando os Estados Partes
que as nomearam, e comunicá-la-á aos Estados Partes no presente Pacto Artigo 38.º
o mais tardar um mês antes da data de cada eleição. Todos os membros do Comité devem, antes de entrar em funções, tomar,
4. Os membros do Comité serão eleitos no decurso de uma reunião dos em sessão pública, o compromisso solene de cumprir as suas funções com
Estados Partes no presente Pacto, convocada pelo secretário-geral das imparcialidade e com consciência.
Nações Unidas na sede da Organização. Nesta reunião, em que o quórum
é constituído por dois terços dos Estados Partes no presente Pacto, serão Artigo 39.º
eleitos membros do Comité os candidatos que obtiverem o maior número 1. O Comité elegerá o seu secretariado por um período de dois anos. Os
de votos e a maioria absoluta dos votos dos representantes dos Estados membros do secretariado são reelegíveis.
Partes presentes e votantes. 2. O Comité elaborará o seu próprio regulamento interno; este deve, todavi-
a, conter, entre outras, as seguintes disposições:
Artigo 31.º a) O quórum é de doze membros;
1. O Comité não pode incluir mais de um nacional de um mesmo Estado. b) As decisões do Comité são tomadas por maioria dos membros presen-
2. Nas eleições para o Comité ter-se-á em conta a repartição geográfica tes.
equitativa e a representação de diferentes tipos de civilização, bem como
dos principais sistemas jurídicos. Artigo 40.º
1. Os Estados Partes no presente Pacto comprometem-se a apresentar
relatórios sobre as medidas que houverem tomado e dêem efeito aos
Artigo 32.º direitos nele consignados e sobre os progressos realizados no gozo destes
1. Os membros do Comité são eleitos por quatro anos. São reelegíveis no direitos:
caso de serem novamente propostos. Todavia, o mandato de nove mem- a) Dentro de um ano a contar da data de entrada em vigor do presente
bros eleitos aquando da primeira votação terminará ao fim de dois anos; Pacto, cada Estado Parte interessado;
imediatamente depois da primeira eleição, os nomes destes nove membros b) E ulteriormente, cada vez que o Comité o solicitar.
serão tirados à sorte pelo presidente da reunião referida no parágrafo 4 do 2. Todos os relatórios serão dirigidos ao secretário-geral das Nações Uni-
artigo 30.° das, que os transmitirá ao Comité para apreciação. Os relatórios deverão
2. À data da expiração do mandato, as eleições terão lugar em conformida- indicar quaisquer factores e dificuldades que afectem a execução das
de com as disposições dos artigos precedentes da presente parte do Pacto. disposições do presente Pacto.
3. O secretário-geral das Nações Unidas pode, após consulta ao Comité,
Artigo 33.º enviar às agências especializadas interessadas cópia das partes do relató-
1. Se, na opinião unânime dos outros membros, um membro do Comité rio que possam ter relação com o seu domínio de competência.
cessar de cumprir as suas funções por qualquer causa que não seja por 4. O Comité estudará os relatórios apresentados pelos Estados Partes no
motivo de uma ausência temporária, o presidente do Comité informará o presente Pacto, e dirigirá aos Estados Partes os seus próprios relatórios,
secretário-geral das Nações Unidas, o qual declarará vago o lugar que bem como todas as observações gerais que julgar apropriadas. O Comité
ocupava o dito membro. pode igualmente transmitir ao Conselho Económico e Social essas suas
2. Em caso de morte ou de demissão de um membro do Comité, o presi- observações acompanhadas de cópias dos relatórios que recebeu de
dente informará imediatamente o secretário-geral das Nações Unidas, que Estados Partes no presente Pacto.
declarará o lugar vago a contar da data da morte ou daquela em que a 5. Os Estados Partes no presente Pacto podem apresentar ao Comité os
demissão produzir efeito. comentários sobre todas as observações feitas em virtude do parágrafo 4
Artigo 34.º do presente artigo.
1. Quando uma vaga for declarada em conformidade com o artigo 33.º e se
o mandato do membro a substituir não expirar nos seis meses que seguem Artigo 41.º
à data na qual a vaga foi declarada, o secretário-geral das Nações Unidas 1. Qualquer Estado Parte no presente Pacto pode, em virtude do presente
avisará os Estados Partes no presente Pacto de que podem designar artigo, declarar, a todo o momento, que reconhece a competência do Comi-
candidatos num prazo de dois meses, em conformidade com as disposi- té para receber e apreciar comunicações nas quais um Estado Parte pre-
ções do artigo 29.º, com vista a prover a vaga. tende que um outro Estado Parte não cumpre as suas obrigações resultan-
2. O secretário-geral das Nações Unidas elaborará uma lista alfa-bética das tes do presente Pacto. As comunicações apresentadas em virtude do
pessoas assim apresentadas e comunicá-la-á aos Estados Partes no presente artigo não podem ser recebidas e examinadas, a menos que
presente Pacto. A eleição destinada a preencher a vaga terá então lugar, emanem de um Estado Parte que fez uma declaração reconhecendo, no
em conformidade com as relevantes disposições desta parte do presente que lhe diz respeito, a competência do Comité. O Comité não receberá
Pacto. nenhuma comunicação que interesse a um Estado Parte que não fez uma
3. Um membro do Comité eleito para um lugar declarado vago, em confor- tal declaração. O processo abaixo indicado aplica-se em relação às comu-
midade com o artigo 33.°, faz parte do Comité até à data normal de expira- nicações recebidas em conformidade com o presente artigo:
ção do mandato do membro cujo lugar ficou vago no Comité, em conformi- a) Se um Estado Parte no presente Pacto julgar que um outro Estado
dade com as disposições do referido artigo. igualmente Parte neste Pacto não aplica as respectivas disposições, pode

Noções de Direito 20 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
chamar, por comunicação escrita, a atenção desse Estado sobre a questão. Estado que não é parte no presente Pacto, nem de um Estado Parte que
Num prazo de três meses a contar da recepção da comunicação o Estado não fez a declaração prevista no artigo 41.°
destinatário apresentará ao Estado que lhe dirigiu a comunicação expli- 3. A Comissão elegerá o seu presidente e adoptará o seu regulamento
cações ou quaisquer outras declarações escritas elucidando a questão, que interno.
deverão incluir, na medida do possível e do útil, indicações sobre as regras 4. A Comissão realizará normalmente as suas sessões na sede da Organi-
de processo e sobre os meios de recurso, quer os já utilizados, quer os que zação das Nações Unidas ou no Departamento das Nações Unidas em
estão em instância, quer os que permanecem abertos; Genebra. Todavia, pode reunir-se em qualquer outro lugar apropriado, o
b) Se, num prazo de seis meses a contar da data de recepção da comuni- qual pode ser determinado pela Comissão em consulta com o secretário-
cação original pelo Estado destinatário, a questão não foi regulada satisfa- geral das Nações Unidas e os Estados Partes interessados.
toriamente para os dois Estados interes-sados, tanto um como o outro terão 5. O secretariado previsto no artigo 36.° presta igualmente os seus serviços
o direito de a submeter ao Comité, por meio de uma notificação feita ao às comissões designadas em virtude do presente artigo.
Comité bem como ao outro Estado interessado; 6. As informações obtidas e esquadrinhadas pelo Comité serão postas à
c) O Comité só tomará conhecimento de um assunto que lhe é submetido disposição da Comissão e a Comissão poderá pedir aos Estados Partes
depois de se ter assegurado de que todos os recursos internos disponíveis interessados que lhe forneçam quaisquer informações comple-mentares
foram utilizados e esgotados, em conformidade com os princípios de direito pertinentes.
internacional geralmente reconhecidos. Esta regra não se aplica nos casos 7. Depois de ter estudado a questão sob todos os seus aspectos, mas em
em que os processos de recurso excedem prazos razoáveis; todo o caso num prazo mínimo de doze meses após tê-la admitido, a Co-
d) O Comité realizará as suas audiências à porta fechada quando examinar missão submeterá um relatório ao presidente do Comité para transmissão
as comunicações previstas no presente artigo; aos Estados Partes interessados:
e) Sob reserva das disposições da alínea c), o Comité põe os seus bons a) Se a Comissão não puder acabar o exame da questão dentro de doze
ofícios à disposição dos Estados Partes interessados, a fim de chegar a meses, o seu relatório incluirá somente um breve apontamento indicando a
uma solução amigável da questão, fundamentando-se no respeito dos que ponto chegou o exame da questão;
direitos do homem e nas liberdades fundamentais, tais como os reconhece b) Se chegar a um entendimento amigável fundado sobre o respeito dos
o presente Pacto; direitos do homem reconhecido no presente Pacto, a Comissão limitar-se-á
f) Em todos os assuntos que lhe são submetidos o Comité pode pedir aos a indicar brevemente no seu relatório os factos e o entendimento a que se
Estados Partes interessados visados na alínea b) que lhe forneçam todas chegou;
as informações pertinentes; c) Se não se chegou a um entendimento no sentido da alínea b), a Comis-
g) Os Estados Partes interessados visados na alínea b) têm o direito de se são fará figurar no seu relatório as suas conclusões sobre todas as maté-
fazer representar, aquando do exame da questão pelo Comité, e de apre- rias de facto relativas à questão debatida entre os Estados Partes interes-
sentar observações oralmente e ou por escrito; sados, bem como a sua opinião sobre as possibilidades de uma solução
h) O Comité deverá apresentar um relatório num prazo de doze meses a amigável do caso. O relatório incluirá igualmente as observações escritas e
contar do dia em que recebeu a notificação referida na alínea b): um processo verbal das observações orais apresentadas pelos Estados
i) Se uma solução pôde ser encontrada em conformidade com as disposi- Partes interessados;
ções da alínea e), o Comité limitar-se-á no seu relatório a uma breve expo- d) Se o relatório da Comissão for submetido em conformidade com a alínea
sição dos factos e da solução encontrada; c), os Estados Partes interessados farão saber ao presidente do Comité,
ii) Se uma solução não pôde ser encontrada em conformidade com as num prazo de três meses após a recepção do relatório, se aceitam ou não
disposições da alínea e), o Comité limitar-se-á, no seu relatório, a uma os termos do relatório da Comissão.
breve exposição dos factos; o texto das observações escritas e o processo 8. As disposições do presente artigo devem ser entendidas sem prejuízo
verbal das observações orais apresentadas pelos Estados Partes interes- das atribuições do Comité previstas no artigo 41.°
sados são anexados ao relatório. 9. Todas as despesas dos membros da Comissão serão repartidas igual-
Em todos os casos o relatório será comunicado aos Estados Partes interes- mente entre os Estados Partes interessados, na base de estimativas forne-
sados. cidas pelo secretário-geral das Nações Unidas.
2. As disposições do presente artigo entrarão em vigor quando dez Estados 10. O secretário-geral das Nações Unidas está habilitado, se necessário, a
Partes no presente Pacto fizerem a declaração prevista no parágrafo 1 do prover às despesas dos membros da Comissão antes de o seu reembolso
presente artigo. A dita declaração será deposta pelo Estado Parte junto do ter sido efectuado pelos Estados Partes interessados, em conformidade
secretário-geral das Nações Unidas, que transmitirá cópia dela aos outros com o parágrafo 9 do presente artigo.
Estados Partes. Uma declaração pode ser retirada a todo o momento por
meio de uma notificação dirigida ao secretário-geral. O retirar de uma Artigo 43.º
comunicação não prejudica o exame de todas as questões que são objecto Os membros do Comité e os membros das comissões de conciliação ad
de uma comunicação já transmitida em virtude do presente artigo; nenhuma hoc que forem designados em conformidade com o artigo 42.º têm direito
outra comunicação de um Estado Parte será aceite após o secretário-geral às facilidades, privilégios e imunidades reconhecidos aos peritos em mis-
ter recebido notificação de ter sido retirada a declaração, a menos que o sões da Organização das Nações Unidas, conforme enunciados nas perti-
Estado Parte interessado faça uma nova declaração. nentes secções da Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das
Nações Unidas.
Artigo 42.º
1: Artigo 44.º
a) Se uma questão submetida ao Comité em conformidade com o artigo As disposições relativas à execução do presente Pacto aplicam-se, sem
41.° não foi regulada satisfatoriamente para os Estados Partes, o Comité prejuízo dos processos instituídos em matéria de direitos do homem, nos
pode, com o assentimento prévio dos Estados Partes interessados, desig- termos ou em virtude dos instrumentos constitutivos e das convenções da
nar uma comissão de conciliação ad hoc (a seguir denominada Comissão). Organização das Nações Unidas e das agências especializadas e não
A Comissão põe os seus bons ofícios à disposição dos Estados Partes impedem os Estados Partes de recorrer a outros processos para a solução
interessados a fim de chegar a uma solução amigável da questão, baseada de um diferendo, em conformidade com os acordos internacionais gerais ou
sobre o respeito do presente Pacto; especiais que os ligam.
b) A Comissão será composta de cinco membros nomeados com o acordo
dos Estados Partes interessados. Se os Estados Partes interessados não Artigo 45.º
conseguirem chegar a um enten-dimento sobre toda ou parte da composi- O Comité apresentará cada ano à Assembleia Geral das Nações Unidas,
ção da Comissão no prazo de três meses, os membros da Comissão relati- por intermédio do Conselho Económico e Social, um relatório sobre os seus
vamente aos quais não chegaram a acordo serão eleitos por escrutínio trabalhos.
secreto de entre os membros do Comité, por maioria de dois terços dos QUINTA PARTE
membros do Comité. Artigo 46.º
2. Os membros da Comissão exercerão as suas funções a título pessoal. Nenhuma disposição do presente Pacto pode ser interpretada em sentido
Não devem ser naturais nem dos Estados Partes interessados nem de um limitativo das disposições da Carta das Nações Unidas e das constituições

Noções de Direito 21 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
das agências especializadas que definem as respectivas responsabilidades b) Da data em que o presente Pacto entrará em vigor, em conformidade
dos diversos órgãos da Organização das Nações Unidas e das agências com o artigo 49.º, e da data em que entrarão em vigor as emendas previs-
especializadas no que respeita às questões tratadas no presente Pacto. tas no artigo 51.º
1. O presente Pacto, cujos textos em inglês, chinês, espanhol, francês e
Artigo 47.º russo fazem igualmente fé, será deposto nos arquivos da Organização das
Nenhuma disposição do presente Pacto será interpretada em sentido Nações Unidas.
limitativo do direito inerente a todos os povos de gozar e usar plenamente 2. O secretário-geral das Nações Unidas transmitirá uma cópia certificada
das suas riquezas e recursos naturais. do presente Pacto a todos os Estados visados no artigo 48.°

SEXTA PARTE
Artigo 48.º Convenção Americana de Direitos Humanos ("Pacto de San José da
1. O presente Pacto está aberto à assinatura de todos os Estados membros Costa Rica").
da Organização das Nações Unidas ou membros de qualquer das suas
agências especializadas, de todos os Estados Partes no Estatuto do Tribu- CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (1969)
nal Internacional de Justiça, bem como de qualquer outro Estado convidado PREÂMBULO
pela Assembleia Geral das Nações Unidas a tornar-se parte no presente Os Estados Americanos signatários da presente Convenção,
Pacto. Reafirmando seu propósito de consolidar neste Continente, dentro do
2. O presente Pacto está sujeito a ratificação e os instrumentos de ratifica- quadro das instituições democráticas, um regime de liberdade pessoal e de
ção serão depositados junto do secretário-geral das Nações Unidas. justiça social, fundado no respeito dos direitos humanos essenciais;
3. O presente Pacto será aberto à adesão de todos os Estados referidos no Reconhecendo que os direitos essenciais da pessoa humana não
parágrafo 1 do presente artigo. derivam do fato de ser ela nacional de determinado Estado, mas sim do fato
4. A adesão far-se-á pelo depósito de um instrumento de adesão junto do de ter como fundamento os atributos da pessoa humana, razão por que
secretário-geral das Nações Unidas. justificam uma proteção internacional, de natureza convencional,
5. O secretário-geral das Nações Unidas informará todos os Estados que coadjuvante ou complementar da que oferece o direito interno dos Estados
assinaram o presente Pacto ou que a ele aderiram acerca do depósito de americanos;
cada instrumento de ratificação ou de adesão. Considerando que esses princípios foram consagrados na Carta da
Organização dos Estados Americanos, na Declaração Americana dos
Artigo 49.º Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos do
1. O presente Pacto entrará em vigor três meses após a data do depósito Homem, e que foram reafirmados e desenvolvidos em outros instrumentos
junto do secretário-geral das Nações Unidas do trigésimo quinto instrumen- internacionais, tanto de âmbito mundial como regional;
to de ratificação ou de adesão. Reiterando que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos
2. Para cada um dos Estados que ratificarem o presente Pacto ou a ele Humanos, só pode ser realizado o ideal do ser humano livre, isento do
aderirem, após o depósito do trigésimo quinto instrumento de ratificação ou temor e da miséria, se forem criadas condições que permitam a cada
adesão, o dito Pacto entrará em vigor três meses depois da data do depósi- pessoa gozar dos seus direitos econômicos, sociais e culturais, bem como
to por parte desse Estado do seu instrumento de ratificação ou adesão. dos seus direitos civis e políticos; e
Considerando que a Terceira Conferência Interamericana
Extraordinária (Buenos Aires, 1967) aprovou a incorporação à própria Carta
Artigo 50.º da Organização de normas mais amplas sobre os direitos econômicos,
As disposições do presente Pacto aplicam-se sem limitação ou excepção sociais e educacionais e resolveu que uma Convenção Interamericana
alguma a todas as unidades constitutivas dos Estados federais. sobre Direitos Humanos determinasse a estrutura, competência e processo
dos órgãos encarregados dessa matéria;
Artigo 51.º Convieram no seguinte:
1. Qualquer Estado Parte no presente Pacto pode propor uma emenda e PARTE I - DEVERES DOS ESTADOS E DIREITOS PROTEGIDOS
depositar o respectivo texto junto do secretário-geral da Organização das Capítulo I - ENUMERAÇÃO DOS DEVERES
Nações Unidas. O secretário-geral transmitirá então quaisquer projectos de Artigo 1º - Obrigação de respeitar os direitos
emenda aos Estados Partes no presente Pacto, pedindo-lhes para indicar 1. Os Estados-partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os
se desejam a convocação de uma conferência de Estados Partes para direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno
examinar estes projectos e submetê-los a votação. Se pelo menos um terço exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição, sem
dos Estados se declararem a favor desta convenção, o secretário-geral discriminação alguma, por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião,
convocará a conferência sob os auspícios da Organização das Nações opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social,
Unidas. Qualquer emenda adoptada pela maioria dos Estados presentes e posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social.
votantes na conferência será submetida, para aprovação, à Assembleia 2. Para efeitos desta Convenção, pessoa é todo ser humano.
Geral das Nações Unidas. Artigo 2º - Dever de adotar disposições de direito interno
2. As emendas entrarão em vigor quando forem aprovadas pela Assembleia Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1 ainda
Geral das Nações Unidas e aceites, em conformidade com as suas respec- não estiver garantido por disposições legislativas ou de outra natureza, os
tivas leis constitucionais, por uma maioria de dois terços dos Estados Estados-partes comprometem-se a adotar, de acordo com as suas normas
Partes no presente Pacto. constitucionais e com as disposições desta Convenção, as medidas
3. Quando as emendas entrarem em vigor, elas são obrigatórias para os legislativas ou de outra natureza que forem necessárias para tornar efetivos
Estados Partes que as aceitaram, ficando os outros Estados Partes ligados tais direitos e liberdades.
pelas disposições do presente Pacto e por todas as emendas anteriores Capítulo II - DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS
que aceitaram. Artigo 3º - Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica
Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua personalidade
Artigo 52.º jurídica.
Independentemente das notificações previstas no parágrafo 5 do artigo Artigo 4º - Direito à vida
48.°, o secretário-geral das Nações Unidas informará todos os Estados 1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito
referidos no parágrafo 1 do citado artigo: deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção.
a) Acerca de assinaturas apostas no presente Pacto, acerca de instrumen- Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente.
tos de ratificação e de adesão depostos em conformidade com o artigo 2. Nos países que não houverem abolido a pena de morte, esta só
48.°; poderá ser imposta pelos delitos mais graves, em cumprimento de sentença
final de tribunal competente e em conformidade com a lei que estabeleça tal

Noções de Direito 22 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
pena, promulgada antes de haver o delito sido cometido. Tampouco se pessoa que se vir ameaçada de ser privada de sua liberdade tem direito a
estenderá sua aplicação a delitos aos quais não se aplique atualmente. recorrer a um juiz ou tribunal competente, a fim de que este decida sobre a
3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam legalidade de tal ameaça, tal recurso não pode ser restringido nem abolido.
abolido. O recurso pode ser interposto pela própria pessoa ou por outra pessoa.
4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada a delitos 7. Ninguém deve ser detido por dívidas. Este princípio não limita os
políticos, nem a delitos comuns conexos com delitos políticos. mandados de autoridade judiciária competente expedidos em virtude de
5. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que, no momento da inadimplemento de obrigação alimentar.
perpetração do delito, for menor de dezoito anos, ou maior de setenta, nem Artigo 8º - Garantias judiciais
aplicá-la a mulher em estado de gravidez. 1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e
6. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar anistia, dentro de um prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente,
indulto ou comutação da pena, os quais podem ser concedidos em todos os independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração
casos. Não se pode executar a pena de morte enquanto o pedido estiver de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou na determinação de
pendente de decisão ante a autoridade competente. seus direitos e obrigações de caráter civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer
Artigo 5º - Direito à integridade pessoal outra natureza.
1. Toda pessoa tem direito a que se respeite sua integridade física, 2. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua
psíquica e moral. inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. Durante o
2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratos processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes
cruéis, desumanos ou degradantes. Toda pessoa privada de liberdade deve garantias mínimas:
ser tratada com o respeito devido à dignidade inerente ao ser humano. a) direito do acusado de ser assistido gratuitamente por um tradutor ou
3. A pena não pode passar da pessoa do delinquente. intérprete, caso não compreenda ou não fale a língua do juízo ou tribunal;
4. Os processados devem ficar separados dos condenados, salvo em b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação
circunstâncias excepcionais, e devem ser submetidos a tratamento formulada;
adequado à sua condição de pessoas não condenadas. c) concessão ao acusado do tempo e dos meios necessários à
5. Os menores, quando puderem ser processados, devem ser preparação de sua defesa;
separados dos adultos e conduzidos a tribunal especializado, com a maior d) direito do acusado de defender-se pessoalmente ou de ser assistido
rapidez possível, para seu tratamento. por um defensor de sua escolha e de comunicar-se, livremente e em
6. As penas privativas de liberdade devem ter por finalidade essencial a particular, com seu defensor;
reforma e a readaptação social dos condenados. e) direito irrenunciável de ser assistido por um defensor proporcionado
Artigo 6º - Proibição da escravidão e da servidão pelo Estado, remunerado ou não, segundo a legislação interna, se o
1. Ninguém poderá ser submetido a escravidão ou servidão e tanto acusado não se defender ele próprio, nem nomear defensor dentro do
estas como o tráfico de escravos e o tráfico de mulheres são proibidos em prazo estabelecido pela lei;
todas as suas formas. f) direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no Tribunal e
2. Ninguém deve ser constrangido a executar trabalho forçado ou de obter o comparecimento, como testemunhas ou peritos, de outras
obrigatório. Nos países em que se prescreve, para certos delitos, pena pessoas que possam lançar luz sobre os fatos;
privativa de liberdade acompanhada de trabalhos forçados, esta disposição g) direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a
não pode ser interpretada no sentido de proibir o cumprimento da dita pena, confessar-se culpada; e
imposta por um juiz ou tribunal competente. O trabalho forçado não deve h) direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior.
afetar a dignidade, nem a capacidade física e intelectual do recluso. 3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma
3. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os efeitos natureza.
deste artigo: 4. O acusado absolvido por sentença transitada em julgado não poderá
a) os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa reclusa ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos.
em cumprimento de sentença ou resolução formal expedida pela autoridade 5. O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário para
judiciária competente. Tais trabalhos ou serviços devem ser executados preservar os interesses da justiça.
sob a vigilância e controle das autoridades públicas, e os indivíduos que os Artigo 9º - Princípio da legalidade e da retroatividade
executarem não devem ser postos à disposição de particulares, Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que, no
companhias ou pessoas jurídicas de caráter privado; momento em que foram cometidos, não constituam delito, de acordo com o
b) serviço militar e, nos países em que se admite a isenção por motivo direito aplicável. Tampouco poder-se-á impor pena mais grave do que a
de consciência, qualquer serviço nacional que a lei estabelecer em lugar aplicável no momento da ocorrência do delito. Se, depois de perpetrado o
daquele; delito, a lei estipular a imposição de pena mais leve, o deliquente deverá
c) o serviço exigido em casos de perigo ou de calamidade que dela beneficiar-se.
ameacem a existência ou o bem-estar da comunidade; Artigo 10 - Direito à indenização
d) o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas normais. Toda pessoa tem direito de ser indenizada conforme a lei, no caso de
Artigo 7º - Direito à liberdade pessoal haver sido condenada em sentença transitada em julgado, por erro
1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. judiciário.
2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física, salvo pelas Artigo 11 - Proteção da honra e da dignidade
causas e nas condições previamente fixadas pelas Constituições políticas 1. Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao
dos Estados-partes ou pelas leis de acordo com elas promulgadas. reconhecimento de sua dignidade.
3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento 2. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em
arbitrários. sua vida privada, em sua família, em seu domicílio ou em sua
4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da correspondência, nem de ofensas ilegais à sua honra ou reputação.
detenção e notificada, sem demora, da acusação ou das acusações 3. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou
formuladas contra ela. tais ofensas.
5. Toda pessoa presa, detida ou retida deve ser conduzida, sem Artigo 12 - Liberdade de consciência e de religião
demora, à presença de um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião.
exercer funções judiciais e tem o direito de ser julgada em prazo razoável Esse direito implica a liberdade de conservar sua religião ou suas crenças,
ou de ser posta em liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo. ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a liberdade de professar
Sua liberdade pode ser condicionada a garantias que assegurem o seu e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto
comparecimento em juízo. em público como em privado.
6. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou 2. Ninguém pode ser submetido a medidas restritivas que possam
tribunal competente, a fim de que este decida, sem demora, sobre a limitar sua liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de
legalidade de sua prisão ou detenção e ordene sua soltura, se a prisão ou a mudar de religião ou de crenças.
detenção forem ilegais. Nos Estados-partes cujas leis prevêem que toda

Noções de Direito 23 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
3. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças 4. Os Estados-partes devem adotar as medidas apropriadas para
está sujeita apenas às limitações previstas em lei e que se façam assegurar a igualdade de direitos e a adequada equivalência de
necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde ou a moral responsabilidades dos cônjuges quanto ao casamento, durante o mesmo e
públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas. por ocasião de sua dissolução. Em caso de dissolução, serão adotadas as
4. Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos disposições que assegurem a proteção necessária aos filhos, com base
e pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com unicamente no interesse e conveniência dos mesmos.
suas próprias convicções. 5. A lei deve reconhecer iguais direitos tanto aos filhos nascidos fora do
Artigo 13 - Liberdade de pensamento e de expressão casamento, como aos nascidos dentro do casamento.
1. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de Artigo 18 - Direito ao nome
expressão. Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber e difundir Toda pessoa tem direito a um prenome e aos nomes de seus pais ou
informações e ideias de qualquer natureza, sem considerações de ao de um destes. A lei deve regular a forma de assegurar a todos esse
fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, direito, mediante nomes fictícios, se for necessário.
ou por qualquer meio de sua escolha. Artigo 19 - Direitos da criança
2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar Toda criança terá direito às medidas de proteção que a sua condição
sujeito à censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser de menor requer, por parte da sua família, da sociedade e do Estado.
expressamente previstas em lei e que se façam necessárias para Artigo 20 - Direito à nacionalidade
assegurar: 1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
a) o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas; 2. Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território
b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde houver nascido, se não tiver direito a outra.
ou da moral públicas. 3. A ninguém se deve privar arbitrariamente de sua nacionalidade, nem
3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios do direito de mudá-la.
indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel Artigo 21 - Direito à propriedade privada
de imprensa, de frequências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos 1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo de seus bens. A lei pode
usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios subordinar esse uso e gozo ao interesse social.
destinados a obstar a comunicação e a circulação de ideias e opiniões. 2. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens, salvo mediante o
4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o pagamento de indenização justa, por motivo de utilidade pública ou de
objetivo exclusivo de regular o acesso a eles, para proteção moral da interesse social e nos casos e na forma estabelecidos pela lei.
infância e da adolescência, sem prejuízo do disposto no inciso 2. 3. Tanto a usura, como qualquer outra forma de exploração do homem
5. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra, bem como toda pelo homem, devem ser reprimidas pela lei.
apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitamento à Artigo 22 - Direito de circulação e de residência
discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência. 1. Toda pessoa que se encontre legalmente no território de um Estado
Artigo 14 - Direito de retificação ou resposta tem o direito de nele livremente circular e de nele residir, em conformidade
1. Toda pessoa, atingida por informações inexatas ou ofensivas com as disposições legais.
emitidas em seu prejuízo por meios de difusão legalmente regulamentados 2. Toda pessoa terá o direito de sair livremente de qualquer país,
e que se dirijam ao público em geral, tem direito a fazer, pelo mesmo órgão inclusive de seu próprio país.
de difusão, sua retificação ou resposta, nas condições que estabeleça a lei. 3. O exercício dos direitos supracitados não pode ser restringido, senão
2. Em nenhum caso a retificação ou a resposta eximirão das outras em virtude de lei, na medida indispensável, em uma sociedade
responsabilidades legais em que se houver incorrido. democrática, para prevenir infrações penais ou para proteger a segurança
3. Para a efetiva proteção da honra e da reputação, toda publicação ou nacional, a segurança ou a ordem públicas, a moral ou a saúde públicas, ou
empresa jornalística, cinematográfica, de rádio ou televisão, deve ter uma os direitos e liberdades das demais pessoas.
pessoa responsável, que não seja protegida por imunidades, nem goze de 4. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso 1 pode também ser
foro especial. restringido pela lei, em zonas determinadas, por motivo de interesse
Artigo 15 - Direito de reunião público.
É reconhecido o direito de reunião pacífica e sem armas. O exercício 5. Ninguém pode ser expulso do território do Estado do qual for
desse direito só pode estar sujeito às restrições previstas em lei e que se nacional e nem ser privado do direito de nele entrar.
façam necessárias, em uma sociedade democrática, ao interesse da 6. O estrangeiro que se encontre legalmente no território de um
segurança nacional, da segurança ou ordem públicas, ou para proteger a Estado-parte na presente Convenção só poderá dele ser expulso em
saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais decorrência de decisão adotada em conformidade com a lei.
pessoas. 7. Toda pessoa tem o direito de buscar e receber asilo em território
Artigo 16 - Liberdade de associação estrangeiro, em caso de perseguição por delitos políticos ou comuns
1. Todas as pessoas têm o direito de associar-se livremente com fins conexos com delitos políticos, de acordo com a legislação de cada Estado e
ideológicos, religiosos, políticos, econômicos, trabalhistas, sociais, culturais, com as Convenções internacionais.
desportivos ou de qualquer outra natureza. 8. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou entregue a
2. O exercício desse direito só pode estar sujeito às restrições previstas outro país, seja ou não de origem, onde seu direito à vida ou à liberdade
em lei e que se façam necessárias, em uma sociedade democrática, ao pessoal esteja em risco de violação em virtude de sua raça, nacionalidade,
interesse da segurança nacional, da segurança e da ordem públicas, ou religião, condição social ou de suas opiniões políticas.
para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades 9. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros.
das demais pessoas. Artigo 23 - Direitos políticos
3. O presente artigo não impede a imposição de restrições legais, e 1. Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e
mesmo a privação do exercício do direito de associação, aos membros das oportunidades:
forças armadas e da polícia. a) de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou por
Artigo 17 - Proteção da família meio de representantes livremente eleitos;
1. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e deve ser b) de votar e ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas
protegida pela sociedade e pelo Estado. por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a livre
2. É reconhecido o direito do homem e da mulher de contraírem expressão da vontade dos eleitores; e
casamento e de constituírem uma família, se tiverem a idade e as c) de ter acesso, em condições gerais de igualdade, às funções
condições para isso exigidas pelas leis internas, na medida em que não públicas de seu país.
afetem estas o princípio da não-discriminação estabelecido nesta 2. A lei pode regular o exercício dos direitos e oportunidades, a que se
Convenção. refere o inciso anterior, exclusivamente por motivo de idade, nacionalidade,
3. O casamento não pode ser celebrado sem o consentimento livre e residência, idioma, instrução, capacidade civil ou mental, ou condenação,
pleno dos contraentes. por juiz competente, em processo penal.

Noções de Direito 24 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Artigo 24 - Igualdade perante a lei Nenhuma disposição da presente Convenção pode ser interpretada no
Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por conseguinte, têm sentido de:
direito, sem discriminação alguma, à igual proteção da lei. a) permitir a qualquer dos Estados-partes, grupo ou indivíduo, suprimir
Artigo 25 - Proteção judicial o gozo e o exercício dos direitos e liberdades reconhecidos na Convenção
1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a ou limitá-los em maior medida do que a nela prevista;
qualquer outro recurso efetivo, perante os juízes ou tribunais competentes, b) limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liberdade que
que a proteja contra atos que violem seus direitos fundamentais possam ser reconhecidos em virtude de leis de qualquer dos Estados-
reconhecidos pela Constituição, pela lei ou pela presente Convenção, partes ou em virtude de Convenções em que seja parte um dos referidos
mesmo quando tal violação seja cometida por pessoas que estejam Estados;
atuando no exercício de suas funções oficiais. c) excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano
2. Os Estados-partes comprometem-se: ou que decorrem da forma democrática representativa de governo;
a) a assegurar que a autoridade competente prevista pelo sistema legal d) excluir ou limitar o efeito que possam produzir a Declaração
do Estado decida sobre os direitos de toda pessoa que interpuser tal Americana dos Direitos e Deveres do Homem e outros atos internacionais
recurso; da mesma natureza.
b) a desenvolver as possibilidades de recurso judicial; e Artigo 30 - Alcance das restrições
c) a assegurar o cumprimento, pelas autoridades competentes, de toda As restrições permitidas, de acordo com esta Convenção, ao gozo e
decisão em que se tenha considerado procedente o recurso. exercício dos direitos e liberdades nela reconhecidos, não podem ser
aplicadas senão de acordo com leis que forem promulgadas por motivo de
Capítulo III - DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS interesse geral e com o propósito para o qual houverem sido estabelecidas.
Artigo 26 - Desenvolvimento progressivo Artigo 31 - Reconhecimento de outros direitos
Os Estados-partes comprometem-se a adotar as providências, tanto no Poderão ser incluídos, no regime de proteção desta Convenção, outros
âmbito interno, como mediante cooperação internacional, especialmente direitos e liberdades que forem reconhecidos de acordo com os processos
econômica e técnica, a fim de conseguir progressivamente a plena estabelecidos nos artigo 69 e 70.
efetividade dos direitos que decorrem das normas econômicas, sociais e
sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Capítulo V - DEVERES DAS PESSOAS
Estados Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida Artigo 32 - Correlação entre deveres e direitos
dos recursos disponíveis, por via legislativa ou por outros meios 1. Toda pessoa tem deveres para com a família, a comunidade e a
apropriados. humanidade.
2. Os direitos de cada pessoa são limitados pelos direitos dos demais,
Capítulo IV - SUSPENSÃO DE GARANTIAS, INTERPRETAÇÃO E pela segurança de todos e pelas justas exigências do bem comum, em uma
APLICAÇÃO sociedade democrática.
Artigo 27 - Suspensão de garantias
1. Em caso de guerra, de perigo público, ou de outra emergência que PARTE II - MEIOS DE PROTEÇÃO
ameace a independência ou segurança do Estado-parte, este poderá Capítulo VI - ÓRGÃOS COMPETENTES
adotar as disposições que, na medida e pelo tempo estritamente limitados Artigo 33 - São competentes para conhecer de assuntos relacionados
às exigências da situação, suspendam as obrigações contraídas em virtude com o cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados-partes
desta Convenção, desde que tais disposições não sejam incompatíveis com nesta Convenção:
as demais obrigações que lhe impõe o Direito Internacional e não encerrem a) a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, doravante
discriminação alguma fundada em motivos de raça, cor, sexo, idioma, denominada a Comissão; e
religião ou origem social. b) a Corte Interamericana de Direitos Humanos, doravante denominada
2. A disposição precedente não autoriza a suspensão dos direitos a Corte.
determinados nos seguintes artigos: 3 (direito ao reconhecimento da
personalidade jurídica), 4 (direito à vida), 5 (direito à integridade pessoal), 6 Capítulo VII - COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS
(proibição da escravidão e da servidão), 9 (princípio da legalidade e da HUMANOS
retroatividade), 12 (liberdade de consciência e religião), 17 (proteção da Seção 1 - Organização
família), 18 (direito ao nome), 19 (direitos da criança), 20 (direito à Artigo 34 - A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compor-
nacionalidade) e 23 (direitos políticos), nem das garantias indispensáveis se-á de sete membros, que deverão ser pessoas de alta autoridade moral e
para a proteção de tais direitos. de reconhecido saber em matéria de direitos humanos.
3. Todo Estado-parte no presente Pato que fizer uso do direito de Artigo 35 - A Comissão representa todos os Membros da Organização
suspensão deverá comunicar imediatamente aos outros Estados-partes na dos Estados Americanos.
presente Convenção, por intermédio do Secretário Geral da Organização Artigo 36 - 1. Os membros da Comissão serão eleitos a título pessoal,
dos Estados Americanos, as disposições cuja aplicação haja suspendido, pela Assembleia Geral da Organização, a partir de uma lista de candidatos
os motivos determinantes da suspensão e a data em que haja dado por propostos pelos governos dos Estados-membros.
terminada tal suspensão. 2. Cada um dos referidos governos pode propor até três candidatos,
Artigo 28 - Cláusula federal nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado-membro
1. Quando se tratar de um Estado-parte constituído como Estado da Organização dos Estados Americanos. Quando for proposta uma lista de
federal, o governo nacional do aludido Estado-parte cumprirá todas as três candidatos, pelo menos um deles deverá ser nacional de Estado
disposições da presente Convenção, relacionadas com as matérias sobre diferente do proponente.
as quais exerce competência legislativa e judicial. Artigo 37 - 1. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro anos e
2. No tocante às disposições relativas às matérias que correspondem à só poderão ser reeleitos um vez, porém o mandato de três dos membros
competência das entidades componentes da federação, o governo nacional designados na primeira eleição expirará ao cabo de dois anos. Logo depois
deve tomar imediatamente as medidas pertinentes, em conformidade com da referida eleição, serão determinados por sorteio, na Assembleia Geral,
sua Constituição e com suas leis, a fim de que as autoridades competentes os nomes desses três membros.
das referidas entidades possam adotar as disposições cabíveis para o 2. Não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional de um
cumprimento desta Convenção. mesmo país.
3. Quando dois ou mais Estados-partes decidirem constituir entre eles Artigo 38 - As vagas que ocorrerem na Comissão, que não se devam à
uma federação ou outro tipo de associação, diligenciarão no sentido de que expiração normal do mandato, serão preenchidas pelo Conselho
o pato comunitário respectivo contenha as disposições necessárias para Permanente da Organização, de acordo com o que dispuser o Estatuto da
que continuem sendo efetivas no novo Estado, assim organizado, as Comissão.
normas da presente Convenção. Artigo 39 - A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á à
Artigo 29 - Normas de interpretação aprovação da Assembleia Geral e expedirá seu próprio Regulamento.

Noções de Direito 25 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Artigo 40 - Os serviços da Secretaria da Comissão devem ser c) que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de
desempenhados pela unidade funcional especializada que faz parte da outro processo de solução internacional; e
Secretaria Geral da Organização e deve dispor dos recursos necessários d) que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome, a
para cumprir as tarefas que lhe forem confiadas pela Comissão. nacionalidade, a profissão, o domicílio e a assinatura da pessoa ou pessoas
Seção 2 - Funções ou do representante legal da entidade que submeter a petição.
Artigo 41 - A Comissão tem a função principal de promover a 2. As disposições das alíneas “a” e “b” do inciso 1 deste artigo não se
observância e a defesa dos direitos humanos e, no exercício de seu aplicarão quando:
mandato, tem as seguintes funções e atribuições: a) não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar, o devido
a) estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América; processo legal para a proteção do direito ou direitos que se alegue tenham
b) formular recomendações aos governos dos Estados-membros, sido violados;
quando considerar conveniente, no sentido de que adotem medidas b) não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus direitos
progressivas em prol dos direitos humanos no âmbito de suas leis internas o acesso aos recursos da jurisdição interna, ou houver sido ele impedido de
e seus preceitos constitucionais, bem como disposições apropriadas para esgotá-los; e
promover o devido respeito a esses direitos; c) houver demora injustificada na decisão sobre os mencionados
c) preparar estudos ou relatórios que considerar convenientes para o recursos.
desempenho de suas funções; Artigo 47 - A Comissão declarará inadmissível toda petição ou
d) solicitar aos governos dos Estados-membros que lhe proporcionem comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45 quando:
informações sobre as medidas que adotarem em matéria de direitos a) não preencher algum dos requisitos estabelecidos no artigo 46;
humanos; b) não expuser fatos que caracterizem violação dos direitos garantidos
e) atender às consultas que, por meio da Secretaria Geral da por esta Convenção;
Organização dos Estados Americanos, lhe formularem os Estados- c) pela exposição do próprio peticionário ou do Estado, for
membros sobre questões relacionadas com os direitos humanos e, dentro manifestamente infundada a petição ou comunicação ou for evidente sua
de suas possibilidades, prestar-lhes o assessoramento que lhes solicitarem; total improcedência; ou
f) atuar com respeito às petições e outras comunicações, no exercício d) for substancialmente reprodução de petição ou comunicação
de sua autoridade, de conformidade com o disposto nos artigos 44 a 51 anterior, já examinada pela Comissão ou por outro organismo internacional.
desta Convenção; e Seção 4 - Processo
g) apresentar um relatório anual à Assembleia Geral da Organização Artigo 48 - 1. A Comissão, ao receber uma petição ou comunicação na
dos Estados Americanos. qual se alegue a violação de qualquer dos direitos consagrados nesta
Artigo 42 - Os Estados-partes devem submeter à Comissão cópia dos Convenção, procederá da seguinte maneira:
relatórios e estudos que, em seus respectivos campos, submetem a) se reconhecer a admissibilidade da petição ou comunicação,
anualmente às Comissões Executivas do Conselho Interamericano solicitará informações ao Governo do Estado ao qual pertença a autoridade
Econômico e Social e do Conselho Interamericano de Educação, Ciência e apontada como responsável pela violação alegada e transcreverá as partes
Cultura, a fim de que aquela zele para que se promovam os direitos pertinentes da petição ou comunicação. As referidas informações devem
decorrentes das normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e ser enviadas dentro de um prazo razoável, fixado pela Comissão ao
cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, considerar as circunstâncias de cada caso;
reformada pelo Protocolo de Buenos Aires. b) recebidas as informações, ou transcorrido o prazo fixado sem que
Artigo 43 - Os Estados-partes obrigam-se a proporcionar à Comissão sejam elas recebidas, verificará se existem ou subsistem os motivos da
as informações que esta lhes solicitar sobre a maneira pela qual seu direito petição ou comunicação. No caso de não existirem ou não subsistirem,
interno assegura a aplicação efetiva de quaisquer disposições desta mandará arquivar o expediente;
Convenção. c) poderá também declarar a inadmissibilidade ou a improcedência da
petição ou comunicação, com base em informação ou prova
Seção 3 - Competência supervenientes;
Artigo 44 - Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não- d) se o expediente não houver sido arquivado, e com o fim de
governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros comprovar os fatos, a Comissão procederá, com conhecimento das partes,
da Organização, pode apresentar à Comissão petições que contenham a um exame do assunto exposto na petição ou comunicação. Se for
denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado-parte. necessário e conveniente, a Comissão procederá a uma investigação para
Artigo 45 - 1. Todo Estado-parte pode, no momento do depósito do seu cuja eficaz realização solicitará, e os Estados interessados lhe
instrumento de ratificação desta Convenção, ou de adesão a ela, ou em proporcionarão, todas as facilidades necessárias;
qualquer momento posterior, declarar que reconhece a competência da e) poderá pedir aos Estados interessados qualquer informação
Comissão para receber e examinar as comunicações em que um Estado- pertinente e receberá, se isso for solicitado, as exposições verbais ou
parte alegue haver outro Estado-parte incorrido em violações dos direitos escritas que apresentarem os interessados; e
humanos estabelecidos nesta Convenção. f) pôr-se-á à disposição das partes interessadas, a fim de chegar a uma
2. As comunicações feitas em virtude deste artigo só podem ser solução amistosa do assunto, fundada no respeito aos direitos
admitidas e examinadas se forem apresentadas por um Estado-parte que reconhecidos nesta Convenção.
haja feito uma declaração pela qual reconheça a referida competência da 2. Entretanto, em casos graves e urgentes, pode ser realizada uma
Comissão. A Comissão não admitirá nenhuma comunicação contra um investigação, mediante prévio consentimento do Estado em cujo território
Estado-parte que não haja feito tal declaração. se alegue houver sido cometida a violação, tão somente com a
3. As declarações sobre reconhecimento de competência podem ser apresentação de uma petição ou comunicação que reúna todos os
feitas para que esta vigore por tempo indefinido, por período determinado requisitos formais de admissibilidade.
ou para casos específicos. Artigo 49 - Se se houver chegado a uma solução amistosa de acordo
4. As declarações serão depositadas na Secretaria Geral da com as disposições do inciso 1, “f”, do artigo 48, a Comissão redigirá um
Organização dos Estados Americanos, a qual encaminhará cópia das relatório que será encaminhado ao peticionário e aos Estados-partes nesta
mesmas aos Estados-membros da referida Organização. Convenção e posteriormente transmitido, para sua publicação, ao
Artigo 46 - Para que uma petição ou comunicação apresentada de Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos. O referido
acordo com os artigos 44 ou 45 seja admitida pela Comissão, será relatório conterá uma breve exposição dos fatos e da solução alcançada.
necessário: Se qualquer das partes no caso o solicitar, ser-lhe-á proporcionada a mais
a) que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição ampla informação possível.
interna, de acordo com os princípios de Direito Internacional geralmente Artigo 50 - 1. Se não se chegar a uma solução, e dentro do prazo que
reconhecidos; for fixado pelo Estatuto da Comissão, esta redigirá um relatório no qual
b) que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da exporá os fatos e suas conclusões. Se o relatório não representar, no todo
data em que o presumido prejudicado em seus direitos tenha sido notificado ou em parte, o acordo unânime dos membros da Comissão, qualquer deles
da decisão definitiva; poderá agregar ao referido relatório seu voto em separado. Também se

Noções de Direito 26 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
agregarão ao relatório as exposições verbais ou escritas que houverem 2. A Corte designará seu Secretário.
sido feitas pelos interessados em virtude do inciso 1, “e”, do artigo 48. 3. O Secretário residirá na sede da Corte e deverá assistir às reuniões
2. O relatório será encaminhado aos Estados interessados, aos quais que ela realizar fora da mesma.
não será facultado publicá-lo. Artigo 59 - A Secretaria da Corte será por esta estabelecida e
3. Ao encaminhar o relatório, a Comissão pode formular as proposições funcionará sob a direção do Secretário Geral da Organização em tudo o
e recomendações que julgar adequadas. que não for incompatível com a independência da Corte. Seus funcionários
Artigo 51 - 1. Se no prazo de três meses, a partir da remessa aos serão nomeados pelo Secretário Geral da Organização, em consulta com o
Estados interessados do relatório da Comissão, o assunto não houver sido Secretário da Corte.
solucionado ou submetido à decisão da Corte pela Comissão ou pelo Artigo 60 - A Corte elaborará seu Estatuto e submetê-lo-á à aprovação
Estado interessado, aceitando sua competência, a Comissão poderá emitir, da Assembleia Geral e expedirá seu Regimento.
pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, sua opinião e conclusões Seção 2 - Competência e funções
sobre a questão submetida à sua consideração. Artigo 61 - 1. Somente os Estados-partes e a Comissão têm direito de
2. A Comissão fará as recomendações pertinentes e fixará um prazo submeter um caso à decisão da Corte.
dentro do qual o Estado deve tomar as medidas que lhe competir para 2. Para que a Corte possa conhecer de qualquer caso, é necessário
remediar a situação examinada. que sejam esgotados os processos previstos nos artigos 48 a 50.
3. Transcorrido o prazo fixado, a Comissão decidirá, pelo voto da Artigo 62 - 1. Todo Estado-parte pode, no momento do depósito do seu
maioria absoluta dos seus membros, se o Estado tomou ou não as medidas instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em
adequadas e se publica ou não seu relatório. qualquer momento posterior, declarar que reconhece como obrigatória, de
pleno direito e sem convenção especial, a competência da Corte em todos
Capítulo VIII - CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS os casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção.
Seção 1 - Organização 2. A declaração pode ser feita incondicionalmente, ou sob condição de
Artigo 52 - 1. A Corte compor-se-á de sete juízes, nacionais dos reciprocidade, por prazo determinado ou para casos específicos. Deverá
Estados-membros da Organização, eleitos a título pessoal dentre juristas ser apresentada ao Secretário Geral da Organização, que encaminhará
da mais alta autoridade moral, de reconhecida competência em matéria de cópias da mesma a outros Estados-membros da Organização e ao
direitos humanos, que reúnam as condições requeridas para o exercício Secretário da Corte.
das mais elevadas funções judiciais, de acordo com a lei do Estado do qual 3. A Corte tem competência para conhecer de qualquer caso, relativo à
sejam nacionais, ou do Estado que os propuser como candidatos. interpretação e aplicação das disposições desta Convenção, que lhe seja
2. Não deve haver dois juízes da mesma nacionalidade. submetido, desde que os Estados-partes no caso tenham reconhecido ou
Artigo 53 - 1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e reconheçam a referida competência, seja por declaração especial, como
pelo voto da maioria absoluta dos Estados-partes na Convenção, na preveem os incisos anteriores, seja por convenção especial.
Assembleia Geral da Organização, a partir de uma lista de candidatos Artigo 63 - 1. Quando decidir que houve violação de um direito ou
propostos pelos mesmos Estados. liberdade protegidos nesta Convenção, a Corte determinará que se
2. Cada um dos Estados-partes pode propor até três candidatos, assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou liberdade violados.
nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado-membro Determinará também, se isso for procedente, que sejam reparadas as
da Organização dos Estados Americanos. Quando se propuser um lista de consequências da medida ou situação que haja configurado a violação
três candidatos, pelo menos um deles deverá ser nacional do Estado desses direitos, bem como o pagamento de indenização justa à parte
diferente do proponente. lesada.
Artigo 54 - 1. Os juízes da Corte serão eleitos por um período de seis 2. Em casos de extrema gravidade e urgência, e quando se fizer
anos e só poderão ser reeleitos uma vez. O mandato de três dos juízes necessário evitar danos irreparáveis às pessoas, a Corte, nos assuntos de
designados na primeira eleição expirará ao cabo de três anos. que estiver conhecendo, poderá tomar as medidas provisórias que
Imediatamente depois da referida eleição, determinar-se-ão por sorteio, na considerar pertinentes. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem
Assembleia Geral, os nomes desse três juízes. submetidos ao seu conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão.
2. O juiz eleito para substituir outro, cujo mandato não haja expirado, Artigo 64 - 1. Os Estados-membros da Organização poderão consultar
completará o período deste. a Corte sobre a interpretação desta Convenção ou de outros tratados
3. Os juízes permanecerão em suas funções até o término dos seus concernentes à proteção dos direitos humanos nos Estados americanos.
mandatos. Entretanto, continuarão funcionando nos casos de que já Também poderão consultá-la, no que lhes compete, os órgãos enumerados
houverem tomado conhecimento e que se encontrem em fase de sentença no capítulo X da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada
e, para tais efeitos, não serão substituídos pelos novos juízes eleitos. pelo Protocolo de Buenos Aires.
Artigo 55 - 1. O juiz, que for nacional de algum dos Estados-partes em 2. A Corte, a pedido de um Estado-membro da Organização, poderá
caso submetido à Corte, conservará o seu direito de conhecer do mesmo. emitir pareceres sobre a compatibilidade entre qualquer de suas leis
2. Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de internas e os mencionados instrumentos internacionais.
nacionalidade de um dos Estados-partes, outro Estado-parte no caso Artigo 65 - A Corte submeterá à consideração da Assembleia Geral da
poderá designar uma pessoa de sua escolha para integrar a Corte, na Organização, em cada período ordinário de sessões, um relatório sobre as
qualidade de juiz ad hoc. suas atividades no ano anterior. De maneira especial, e com as
3. Se, dentre os juízes chamados a conhecer do caso, nenhum for da recomendações pertinentes, indicará os casos em que um Estado não
nacionalidade dos Estados-partes, cada um destes poderá designar um juiz tenha dado cumprimento a suas sentenças.
ad hoc.
4. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados no artigo 52. Seção 3 - Processo
5. Se vários Estados-partes na Convenção tiverem o mesmo interesse Artigo 66 - 1. A sentença da Corte deve ser fundamentada.
no caso, serão considerados como uma só parte, para os fins das 2. Se a sentença não expressar no todo ou em parte a opinião unânime
disposições anteriores. Em caso de dúvida, a Corte decidirá. dos juízes, qualquer deles terá direito a que se agregue à sentença o seu
Artigo 56 - O quorum para as deliberações da Corte é constituído por voto dissidente ou individual.
cinco juízes. Artigo 67 - A sentença da Corte será definitiva e inapelável. Em caso
Artigo 57 - A Comissão comparecerá em todos os casos perante a de divergência sobre o sentido ou alcance da sentença, a Corte interpretá-
Corte. la-á, a pedido de qualquer das partes, desde que o pedido seja
Artigo 58 - 1. A Corte terá sua sede no lugar que for determinado, na apresentado dentro de noventa dias a partir da data da notificação da
Assembleia Geral da Organização, pelos Estados-partes na Convenção, sentença.
mas poderá realizar reuniões no território de qualquer Estado-membro da Artigo 68 - 1. Os Estados-partes na Convenção comprometem-se a
Organização dos Estados Americanos em que considerar conveniente, pela cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes.
maioria dos seus membros e mediante prévia aquiescência do Estado 2. A parte da sentença que determinar indenização compensatória
respectivo. Os Estados-partes na Convenção podem, na Assembleia Geral, poderá ser executada no país respectivo pelo processo interno vigente para
por dois terços dos seus votos, mudar a sede da Corte. a execução de sentenças contra o Estado.

Noções de Direito 27 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Artigo 69 - A sentença da Corte deve ser notificada às partes no caso e mesma e mediante aviso prévio de um ano, notificando o Secretário Geral
transmitida aos Estados-partes na Convenção. da Organização, o qual deve informar as outras partes.
2. Tal denúncia não terá o efeito de desligar o Estado-parte interessado
Capítulo IX - DISPOSIÇÕES COMUNS das obrigações contidas nesta Convenção, no que diz respeito a qualquer
Artigo 70 - 1. Os juízes da Corte e os membros da Comissão gozam, ato que, podendo constituir violação dessas obrigações, houver sido
desde o momento da eleição e enquanto durar o seu mandato, das cometido por ele anteriormente à data na qual a denúncia produzir efeito.
imunidades reconhecidas aos agentes diplomáticos pelo Direito
Internacional. Durante o exercício dos seus cargos gozam, além disso, dos Capítulo XI -
privilégios diplomáticos necessários para o desempenho de suas funções. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
2. Não se poderá exigir responsabilidade em tempo algum dos juízes Seção 1 - Comissão Interamericana de Direitos Humanos
da Corte, nem dos membros da Comissão, por votos e opiniões emitidos no Artigo 79 - Ao entrar em vigor esta Convenção, o Secretário Geral
exercício de suas funções. pedirá por escrito a cada Estado-membro da Organização que apresente,
Artigo 71 - Os cargos de juiz da Corte ou de membro da Comissão são dentro de um prazo de noventa dias, seus candidatos a membro da
incompatíveis com outras atividades que possam afetar sua independência Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O Secretário Geral
ou imparcialidade, conforme o que for determinado nos respectivos preparará uma lista por ordem alfabética dos candidatos apresentados e a
Estatutos. encaminhará aos Estados-membros da Organização, pelo menos trinta dias
Artigo 72 - Os juízes da Corte e os membros da Comissão perceberão antes da Assembleia Geral seguinte.
honorários e despesas de viagem na forma e nas condições que Artigo 80 - A eleição dos membros da Comissão far-se-á dentre os
determinarem os seus Estatutos, levando em conta a importância e candidatos que figurem na lista a que se refere o artigo 79, por votação
independência de suas funções. Tais honorários e despesas de viagem secreta da Assembleia Geral, e serão declarados eleitos os candidatos que
serão fixados no orçamento-programa da Organização dos Estados obtiverem maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos
Americanos, no qual devem ser incluídas, além disso, as despesas da representantes dos Estados-membros. Se, para eleger todos os membros
Corte e da sua Secretaria. Para tais efeitos, a Corte elaborará o seu próprio da Comissão, for necessário realizar várias votações, serão eliminados
projeto de orçamento e submetê-lo-á à aprovação da Assembleia Geral, por sucessivamente, na forma que for determinada pela Assembleia Geral, os
intermédio da Secretaria Geral. Esta última não poderá nele introduzir candidatos que receberem maior número de votos.
modificações. Seção 2 - Corte Interamericana de Direitos Humanos
Artigo 73 - Somente por solicitação da Comissão ou da Corte, conforme Artigo 81 - Ao entrar em vigor esta Convenção, o Secretário Geral
o caso, cabe à Assembleia Geral da Organização resolver sobre as pedirá a cada Estado-parte que apresente, dentro de um prazo de noventa
sanções aplicáveis aos membros da Comissão ou aos juízes da Corte que dias, seus candidatos a juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
incorrerem nos casos previstos nos respectivos Estatutos. Para expedir O Secretário Geral preparará uma lista por ordem alfabética dos candidatos
uma resolução, será necessária maioria de dois terços dos votos dos apresentados e a encaminhará aos Estados-partes pelo menos trinta dias
Estados-membros da Organização, no caso dos membros da Comissão; e, antes da Assembleia Geral seguinte.
além disso, de dois terços dos votos dos Estados-partes na Convenção, se Artigo 82 - A eleição dos juízes da Corte far-se-á dentre os candidatos
se tratar dos juízes da Corte. que figurem na lista a que se refere o artigo 81, por votação secreta dos
Estados-partes, na Assembleia Geral, e serão declarados eleitos os
PARTE III - DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS candidatos que obtiverem o maior número de votos e a maioria absoluta
Capítulo X - ASSINATURA, RATIFICAÇÃO, RESERVA, EMENDA, dos votos dos representantes dos Estados-partes. Se, para eleger todos os
PROTOCOLO E DENÚNCIA juízes da Corte, for necessário realizar várias votações, serão eliminados
Artigo 74 - 1. Esta Convenção está aberta à assinatura e à ratificação sucessivamente, na forma que for determinada pelos Estados-partes, os
de todos os Estados-membros da Organização dos Estados Americanos. candidatos que receberem menor número de votos.
2. A ratificação desta Convenção ou a adesão a ela efetuar-se-á
mediante depósito de um instrumento de ratificação ou adesão na DECRETO No 678, DE 6 DE NOVEMBRO DE 1992
Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos. Esta Promulga a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pato de
Convenção entrará em vigor logo que onze Estados houverem depositado São José da Costa Rica), de 22 de novembro de 1969.
os seus respectivos instrumentos de ratificação ou de adesão. Com Art. 1° A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pato de São
referência a qualquer outro Estado que a ratificar ou que a ela aderir José da Costa Rica), celebrada em São José da Costa Rica, em 22 de
ulteriormente, a Convenção entrará em vigor na data do depósito do seu novembro de 1969, apensa por cópia ao presente decreto, deverá ser
instrumento de ratificação ou adesão. cumprida tão inteiramente como nela se contém.
3. O Secretário Geral comunicará todos os Estados-membros da Art. 2° Ao depositar a carta de adesão a esse ato internacional, em 25
Organização sobre a entrada em vigor da Convenção. de setembro de 1992, o Governo brasileiro fez a seguinte declaração
Artigo 75 - Esta Convenção só pode ser objeto de reservas em interpretativa: “O Governo do Brasil entende que os arts. 43 e 48, alínea d ,
conformidade com as disposições da Convenção de Viena sobre o Direito não incluem o direito automático de visitas e inspeções in loco da Comissão
dos Tratados, assinada em 23 de maio de 1969. Interamericana de Direitos Humanos, as quais dependerão da anuência
Artigo 76 - 1. Qualquer Estado-parte, diretamente, e a Comissão e a expressa do Estado”.
Corte, por intermédio do Secretário Geral, podem submeter à Assembleia Art. 3° O presente decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Geral, para o que julgarem conveniente, proposta de emendas a esta
Convenção.
2. Tais emendas entrarão em vigor para os Estados que as ratificarem, 2.3. - Direito Penal.
na data em que houver sido depositado o respectivo instrumento de
ratificação, por dois terços dos Estados-partes nesta Convenção. Quanto PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO PENAL
aos outros Estados-partes, entrarão em vigor na data em que eles 1. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE - "Não há crime sem lei anterior que
depositarem os seus respectivos instrumentos de ratificação. o defina, nem pena sem previa cominação legal - nullum crimen,
Artigo 77 - 1. De acordo com a faculdade estabelecida no artigo 31, qualquer nulla poena sine lege - art 5, inciso XXXIX. Só a lei pode definir
Estado-parte e a Comissão podem submeter à consideração dos Estados-partes crimes e cominar penas, por exemplo: Medida Provisória ou Lei De-
reunidos por ocasião da Assembleia Geral projetos de Protocolos adicionais a esta legada não podem criar crimes e cominar penas. Cabe somente ao
Convenção, com a finalidade de incluir progressivamente, no regime de proteção Legislador Federal (Deputados Federais e Senadores da Repúbli-
da mesma, outros direitos e liberdades. ca) a criação de normas penais, sendo inteiramente vedado a cria-
2. Cada Protocolo deve estabelecer as modalidades de sua entrada em ção de normas penais pelos legisladores dos Estados Membros e
vigor e será aplicado somente entre os Estados-partes no mesmo. do Município.
Artigo 78 - 1. Os Estados-partes poderão denunciar esta Convenção 2. PRINCÍPIO DA EXTRA-ATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS FAVO-
depois de expirado o prazo de cinco anos, a partir da data em vigor da RÁVEL: A lei penal não retroagirá ou ultra-agirá, salvo para benefi-
ciar o réu. A lei mais favorável e pois extra ativa.

Noções de Direito 28 A Opção Certa Para a Sua Realização


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3. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA: A individualização rados por outros remédios constitucionais (mandado de segurança e habe-
da pena faz-se em três etapas: COMINAÇÃO, APLICAÇÃO E E- as data, como se verá adiante).
XECUÇÃO. COMINAÇÃO: O legislador deve criar para cada caso
uma pena. APLICAÇÃO: O juiz deve analisar o culpado, fixar uma Seu sujeito ativo é a pessoa, nacional ou estrangeiro, e pode ser impe-
pena base, entre o grau-máximo e o grau mínimo, depois analisar trado mesmo por incapaz, sendo desnecessária a intervenção de advoga-
os arts. 61 e 62 do C.P, para ver se a agravantes, e os arts. 65 e 66 do.
para ver se a atenuantes, e agravará ou atenuará a pena-base. Em
seguida, observará a existência de causas especiais de aumento Seu sujeito passivo é a autoridade responsável pela ilegalidade ou a-
ou de diminuição da pena, chegando a pena definitiva. EXECU- buso de poder, de que resulte a coação ou violência (ou a ameaça delas)
ÇÃO: A pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de a- na liberdade de locomoção. Discute-se sobre a possibilidade de particular
cordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado. vir a ser sujeito passivo de habeas corpus. A matéria não é pacífica, mas,
4. PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL OU DA PERSO- em alguns casos, os Tribunais têm concedido a ordem, como, por exemplo,
NALIDADE DA PENA: Nenhuma pena passará da pessoa do con- contra síndico de condomínio, para permitir a entrada ou a saída de pesso-
denado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do as, ou contra diretor clínico de hospital, para liberar paciente retido por falta
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos suces- de pagamento do débito hospitalar.
sores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio
transferido. A pena não pode ser estendida aos sucessores do O habeas corpus pode ser preventivo ou liberatório. No primeiro caso,
condenado. previne-se a coação, e, no segundo, é utilizado quando a coação já se
5. PRINCÍPIO DA LIMITAÇÃO DAS PENAS: No Brasil a pena máxima consumou.
e de trinta anos.
6. PRINCÍPIO DO RESPEITO AO PRESO: E assegurado aos presos Diz expressamente a Constituição que “não caberá habeas corpus em
o respeito à integridade física e moral. relação a punições disciplinares militares” (art. 142, § 2º).
7. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA: " Ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal OS VALORES CONSTITUCIONAIS EM MATÉRIA PENAL: BREVES
condenatória", todos são inocentes até que se prove o contrário. CONSIDERAÇÕES
Ninguém pode ser punido por presunções, mas apenas por fatos
reais. André Heidrich Moui - bacharel em Direito, pós-graduando em Direito
Penal Empresarial pela Univali, em Itajaí (SC) Jus Navegandi – Doutrina
Garantias criminais
Seu objeto é a tutela da liberdade pessoal, incluindo-se as constantes O objeto deste pequeno artigo é a abordagem da repercussão dos
dos seguintes incisos do art. 5º: proibição de juízes ou tribunais de exceção princípios e valores fundamentais do Estado Social Democrático de Direito,
(inciso XXXVII); julgamento dos crimes dolosos contra a vida pelo Tribunal insculpidos na Carta Constitucional de 1988, que levam a uma nova roupa-
do Júri (inciso XXXVIII), notando-se o fortalecimento da instituição do júri gem do Direito Penal e seus postulados. Para tanto, partir-se-á do conceito
pelos princípios da plenitude da defesa, sigilo das votações e soberanias e das características do Direito Constitucional Penal, imprescindíveis para
dos veredictos; garantia do juiz competente (incisos LIII e LXI); comunica- situar o leitor na abordagem do tema.
ção de toda prisão ao juiz competente (inciso LXII); o contraditório e a
ampla defesa, que se estendem ao processo administrativo (inciso LV); O presente encontra-se delimitado, precipuamente, na obra intitulada
anterioridade da lei penal (inciso XL), individualização da pena (inciso Fundamentação Constitucional do Direito Penal, de autoria de Márcia
XLVI); personalização da pena (inciso XLV); proibição de penas de bani- Dometila Lima de Carvalho, à qual unimos algumas considerações da
mento, prisão perpétua, trabalhos forçados e de morte; salvo, neste último doutrina estrangeira de Francesco C. Palazzo, mentor intelectual da nova
caso, em caso de guerra declarada (inciso XLVII); proibição de prisão civil perspectiva do Direito Penal frente ao Direito Constitucional e forte inspira-
por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescu- dor dos autores pátrios que tratam do tema.
sável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel (inciso LXVII); proibi-
ção da não-extradição de estrangeiro em razão de crime político, ou de É difícil aquilatar, em um primeiro momento, toda a extensão do tema
opinião, e em caso algum de brasileiro (incisos LI e LII); presunção de proposto, sobretudo porque essa nova perspectiva ainda é pouco explora-
inocência (inciso LVII), com a proibição de identificação criminal do civil- da no universo jurídico-científico.
mente, identificado, salvo nas hipóteses previstas em lei (inciso LVIII);
vedação e punição da tortura (inciso XLIII); vedação e punição do racismo Antes de conceituar o Direito Constitucional Penal cumpre ressaltar
(inciso XLII). que o Direito é uno, costumeiramente dividido em diversos ramos, por
Observe-se que a Constituição considera crimes imprescritíveis a práti- questões meramente didáticas, facilitando a abordagem dos seus diversos
ca do racismo e a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a subtemas.
ordem constitucional e o Estado Democrático, rompendo assim com tradi-
ção de nosso Direito, que sempre considerou o decurso do tempo como Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho, o Direito Constitucional "é o
causa de extinção da punibilidade. conhecimento sistematizado da organização jurídica fundamental do Esta-
do. Isto é, conhecimento sistematizado das regras jurídicas relativas à
Dentro das garantias criminais, avulta o habeas corpus, que, como se forma do Estado, à forma do governo, ao modo de aquisição e exercício do
viu, é considerado remédio constitucional. poder, ao estabelecimento de seus órgãos e aos limites de sua atuação" .
O habeas corpus tutela a liberdade de locomoção: “conceder-se habe- Para José Afonso da Silva, o Direito Constitucional "é o ramo do Direito
as corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer Público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e normas funda-
violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou mentais do Estado" .
abuso de poder” (art. 5º, LXVIII).
Enfim, numa concepção de caráter predominantemente jurídico, o Di-
Instituto originário da Inglaterra medieval, o habeas corpus surgiu com reito Constitucional constitui-se num conjunto de normas e princípios que,
a Magna Carta de 1215, reaparecendo depois no Bill of Rights, e no Habe- organizados sistematicamente, disciplinam a organização jurídico-política
as Corpus Act, de 1679. do Estado, e servem de paradigma à legislação infra-constitucional, que lhe
deve obediência.
No Brasil, o habeas corpus não era previsto na Constituição do Império
de 1824, tendo sido instituído pela Constituição Republicana de 1891. O Direito Constitucional Penal, por sua vez, compõe-se de regras e
princípios que, consagrados pela Lei Máxima, regem os fatos incriminados
O seu objeto é a tutela da liberdade de locomoção, ou seja, ir, vir e fi- pela lei penal e as consequências jurídicas deles decorrentes, norteando o
car, sendo excluídos de sua proteção os direitos públicos subjetivos, ampa- sistema jurídico-penal vigente.

Noções de Direito 29 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
ça".
As principais garantias constitucionais de caráter penal estão consubs-
tanciadas, precipuamente, segundo a doutrina tradicional, nas garantias da Para que isso ocorra, ela sugere que "qualquer ofensa a bem jurídico,
inexistência de crime sem lei anterior que o defina (anterioridade), bem protegido penalmente seja cotejada com os princípios constitucionais.
como na inexistência de pena sem prévia cominação legal (legalidade ou Deixa, assim, a ofensa aos citados bens, de ter relevância penal, se os
tipicidade penal), previstas no art. 5º, inciso XXXIX, da Carta Magna vigen- princípios constitucionais não restarem por ela arranhados".
te.
Assim, em última análise, uma conduta incriminada pela lei penal so-
Inegável que tais postulados constituem pressuposto necessário à se- mente será considerada crime se lesar algum dos valores constitucionais
gurança jurídica que deve permear as relações jurídicas de cunho penal. protegidos, ofendendo dessa forma a almejada justiça social.
Porém, não podemos esquecer que tais garantias são também assegu-
radas pelo próprio Código Penal, em seu artigo 1º, bem assim, o princípio Descabe, aqui, fazer maiores comentários ao conteúdo dos já mencio-
constitucional da irretroatividade da lei penal, exceto quando em benefício nados princípios e valores fundamentais do Estado Democrático de Direito,
do réu (art. 2º). modelo adotado pela atual constituição, uma vez que eles já encontram um
adequado desenvolvimento doutrinário.
Não se pretende, com o exposto, desmerecer a constitucionalização de
tais regras, fenômeno de suma importância, que inclusive tem sido adotado O que se pretende é mostrar que eles também devem ser aplicados ao
no direito estrangeiro, que de há muito nos serve de fonte inspiradora, mas Direito Penal, sob pena de inconstitucionalidade das normas penais que
sim ressaltar que ao lado desses princípios, e tanto quanto eles, também não os observarem.
merecem atenção os princípios constitucionais que informam o Direito
Penal – se é que não merecem muito maior atenção. É certo que há uma relutância doutrinária em rever os dogmas penais
à luz da nova ordem constitucional. Tal se deve, provavelmente, à biparti-
Para ser mais claro, há distinção entre os princípios constitucionais e ção inconsciente do Direito Penal, em dois setores distintos e tenuemente
as normas de direito penal constitucional. As últimas traduzem a constitu- comunicáveis, como apontado por Ramos: "há um Direito Penal ‘técnico’,
cionalização de normas de conteúdo tipicamente penal (geralmente estatu- ocupado principalmente com a teoria do crime e um Direito Penal ‘político’,
ídas pela legislação ordinária), visando a uma maior estabilidade de seu ocupado com a teoria da pena e com os princípios penais. Cada qual se
conteúdo. Aquelas (as primeiras) representam os princípios ou valores preocupa com suas tarefas, esquecido do outro" .
constitucionais que repercutem na esfera penal.
Diante da nova perspectiva apontada, mais condizente com o Estado
Sinalizando a diferença entre os "princípios de direito penal constitu- Social Democrático de Direito, sancionado pela Lei Maior, deverá haver um
cional" e "princípios (ou valores) constitucionais pertinentes à matéria processo de despenalização e outro, inverso, de penalização das condutas
penal", PALAZZO, afirma que: colidentes com os valores constitucionais tutelados.
"Os primeiros apresentam um conteúdo típico e propriamente penalís-
tico (legalidade do crime e da pena, individualização da responsabilidade Referindo-se a tal situação, Márcia Dometila Lima de Carvalho afirma
etc.) e, sem dúvida, delineiam a ‘feição constitucional’ de um determinado que devem ser banidos do Código Penal, por exemplo, tipos penais como o
sistema penal, a prescindir, eventualmente, do reconhecimento formal num de casa de prostituição (art. 229), rufianismo (art. 230), adultério (art. 240)
texto constitucional. Tais princípios, que fazem parte, diretamente, do e curandeirismo (art. 284), não condizentes com o estado de tolerância
sistema penal, em razão do próprio conteúdo, têm, ademais, características vigente no Estado Democrático de Direito, que não deve sancionar penal-
substancialmente constitucionais, enquanto se circunscrevam dentro dos mente os fatos mais afetos à moral.
limites do poder punitivo que situam a posição da pessoa humana no
âmago do sistema penal; em seguida, vincam os termos essenciais da Por outro lado, a autora afirma que "no balanço dos bens jurídicos dig-
relação entre indivíduo e Estado no setor delicado do direito penal" . nos de proteção, ganham mais força os pertinentes à defesa da ordem
econômico-social, cultural e ambiental, hierarquicamente superiores, pela
Os princípios constitucionais penais, acima referidos, são todos aque- Constituição, aos clássicos crimes contra o patrimônio, por exemplo" .
les que expressam os objetivos fundamentais do Estado Democrático de
Direito, bem como os seus valores supremos como a dignidade da pessoa Diante do que foi exposto, a visão de delito deve ser vista de uma nova
humana e a idéia de justiça social, a serem necessariamente observados forma, mais consentânea com o desiderato constitucional e, portanto, mais
pelo Direito Penal, sob pena de carecer de fundamentação constitucional. justa. Porém, há um longo caminho a ser percorrido pela doutrina penal
para que essa pretensão seja adequadamente alcançada e plenamente
Esta é a opinião de Márcia Dométila de Lima Carvalho que conclui: compreendida.
"... a não fundamentação de uma norma penal em qualquer interesse
constitucional, implícito ou explícito, ou o choque mesmo dela com o espíri- Analogia: consiste em aplicar a uma hipótese não prevista em lei a
to que perambula pela Lei Maior, deveria implicar, necessariamente, na disposição relativa a um caso semelhante; para que seja permitido o seu
descriminalização ou não aplicação da norma penal. Por outro lado, se a uso, exige-se a ocorrência dos seguintes requisitos: a) que o fato conside-
ameaça aos valores jurídicos constitucionais é que demonstra a necessi- rado não tenha sido regulado pelo legislador; b) este, no entanto, regulou
dade da repressão penal, em detrimento, mesmo, dos direitos e garantias situação que oferece relação de coincidência de identidade com o caso não
fundamentais do cidadão, assegurados também pelo texto constitucional, a regulado; c) o ponto comum às duas situações constitui o ponto determi-
hierarquia dos bens jurídicos, protegidos penalmente, não poderá deixar de nante na implantação do princípio referente à situação considerada pelo
guardar íntima relação com a hierarquia dos valores jurídico- julgador.
constitucionais. Lícito, pois, concluir que a disfuncionalidade, antinomia,
enfim, falta de harmonia entre a norma penal concretizada e a justiça Analogia legal (legis): atua quando o caso não previsto é regulado
positivada ou almejada pela Constituição, deve ser traduzida como incons- por um preceito legal que rege um semelhante; é a que compreende uma
titucionalidade". argumentação trabalhada sobre textos da norma penal, quando se verifica
a insuficiência de sua redação.
Mas, como o Direito Penal irá incorporar esse papel sem despojar-se
da sua tradicional função de tutela dos bens jurídicos protegidos? Ou seja, Analogia jurídica (juris): ocorre quando se aplica à espécie não pre-
como irá atingir a implementação dos valores constitucionais sem abrir mão vista em lei, e com a qual não há norma que apresenta caracteres seme-
de sua dogmática fechada? lhantes, um princípio geral de direito.

Segundo a autora supracitada, "o Direito não pode mais ser considera- A NORMA PENAL EM BRANCO E SEUS LIMITES TEMPORAIS
do como uma totalidade de regras postas, acabadas, mas passa a mostrar-
se como um conjunto de princípio e normas de ação, em contínua mudan- Texto extraído do Jus Navigandi

Noções de Direito 30 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7345 cional traz, em seu art. 5°, XXXIX, o Princípio da Legalidade que, aplicado
à disciplina penal, institui que todo tipo penal deve, necessariamente decor-
Danilo Von Beckerath Modesto rer de lei em sentido formal, ou seja, fruto de deliberação legislativa.
advogado em Salvador (BA), pós-graduando em Direito Penal e Pro-
cessual Penal, professor do curso IBES Não é de outro modo que se expressa o Prof. Juarez Tavares [01] ao a-
firmar que "o princípio da legalidade, inserido no art. 5°, XXXIX, da Consti-
"Quando as leis forem fixas e literais, quando só confiarem ao magis- tuição da República, pelo qual se exige uma exata descrição da conduta
trado a missão de examinar os atos dos cidadãos, para decidir se tais atos criminosa, tem por escopo evitar possa o direito penal transformar-se em
são conformes ou contrários à lei escrita; quando, enfim, a regra do justo e instrumento arbitrário, orientado pela conduta de vida ou pelo ânimo".
do injusto, que deve dirigir em todos os seus atos o ignorante e o homem
instruído, não for um motivo de controvérsia, mas simples questão de fato, Ademais, isso só não basta, é necessário que a lei seja clara, sob pena
então não mais se verão os cidadãos submetidos ao jugo de uma multidão de violação do princípio da taxatividade. Tal princípio, na visão de Luis
de pequenos tiranos, tanto mais insuportáveis quanto menor é a distância Regis Prado [02], "significa que o legislador deve redigir a disposição legal
entre o opressor e o oprimido; tanto mais cruéis quanto maior resistência de modo suficientemente determinado para uma mais perfeita descrição do
encontram, porque a crueldade dos tiranos é proporcional, não às suas fato típico (lex certa)". E conclui sua lição dizendo que "tem ele, assim, uma
forças, mas aos obstáculos que se lhes opõem; tanto mais funestos quanto função garantista, pois o vínculo do Juiz a uma lei taxativa o bastante
ninguém pode livrar-se do seu jugo senão submetendo-se ao despotismo constitui uma autolimitação do poder punitivo-judiciário e uma garantia de
de um só." (Beccaria, Cesare. Dos delitos e das Penas). igualdade".

INTRODUÇÃO. Portanto, a escorreita definição das condutas criminosas é dever de


Cuidaremos, aqui, de tema delicado na doutrina e jurisprudência pá- um Estado Democrático de Direito justo e que queira atender os mais
trias, qual seja, a questão referente às alterações da lei penal em branco e lídimos anseios de segurança jurídica.
de sua norma complementadora e seus reflexos na aplicabilidade da lei
penal no tempo. No entanto, a completa definição da conduta criminosa é tarefa árdua
atribuída à pena do legislador, e que muitas vezes é inatingível, como
Várias correntes existem sobre o tema, tentando de alguma forma es- ocorre, exempli gratia, quando o Direito Penal é utilizado em matéria ina-
tabelecer critérios para que se possa aplicar ou não as regras gerais de dequada a seus objetivos, utilizado mais como prima ratio que como ultima
retroação a uma modalidade de norma tão repleta de particularidades. ratio.

Cumpre-nos, inicialmente, formar alguns conceitos, fundamentais para E, quando não se atinge este desiderato, caem por terra as garantias
a boa apreensão do tema que ora se discute. constitucionais e abrem-se as raias para o arbítrio estatal, com a criação
excessiva de normas penais abertas e tipos incompreensíveis.
Deste modo, estabeleceremos, dentre outras, o que se deve entender
por norma penal em branco, bem como, qual é o atual sistema de validade 2. A NORMA PENAL EM BRANCO.
temporal da norma penal incriminadora. 2.1. Conceito.
Não obstante, existem situações em que, seja pelo caráter da conduta
Atentos para os novos paradigmas do Direito Penal, cuja inauguração que se quer regular, seja por questão de técnica legislativa, não se pode
em nosso ordenamento em muito se deve à Constituição Federal de 1988, descrever exaustivamente todas a descrição da norma incriminadora.
iniciamos a explanação tratando da necessidade de que a norma incrimi-
nadora seja bem redigida, de modo que represente instrumento de garanti- Tal fato ocorre quando existem particularidades na conduta desvalora-
a, mormente se considerarmos que a norma penal em branco, se mal da que a classificam como de contínua mutação. Deste modo, não se pode
utilizada, pode escapar deste preceito. empregar, simplesmente, uma norma legal (em sentido formal) para sua
regulação que, pela sua própria origem, é naturalmente engessada.
Enfim, não se pode olvidar da necessidade premente de se aplicar o
Direito Penal sempre sob uma ótica garantista, buscando afinar a ciência É o caso por exemplo das normas penais que regulam os crimes con-
com os ditames da nova ordem constitucional. tra a economia popular (Lei 1.521/51) que se submetem à contínua flutua-
ção dos preços. É cediço que um tipo penal descritivo de um crime contra a
1.A NECESSIDADE DE UM TIPO PENAL BEM DEFINIDO. economia popular pode rapidamente ficar ultrapassado, bastando, para
Em 1764, Cesare Bonesana, Marquês de Beccaria, já vislumbrava, de- isso, uma mera alteração na situação econômica do país. E, uma atualiza-
certo influenciado pelos ideais iluministas de sua época, a necessidade de ção legislativa, de tão delongada, certamente seria inócua.
que as normas proibitivas fossem descrições precisas e pormenorizadas
das condutas tidas como ilícitas, no intento de impedir a submissão do Para corrigir estas distorções, criou-se o que se denomina de norma
povo ao despotismo de um Estado opressor. penal em branco, alcunha dada pela primeira vez por Karl Binding (blan-
kettstrafgesetze), ao identificar normas que possuíam sanções previstas
De fato, tal preocupação adquire, na época contemporânea, importân- mas cuja incriminação dependiam da existência de outra norma.
cia sempre presente, mormente diante do que se convencionou chamar de
"Direito Penal de Garantia", que se preocupa, em síntese, com a defesa do De fato, nada mais é que um tipo penal incompleto, carente de aplica-
status libertatis do jurisdicionado, na tentativa do controle dos mecanismos ção por si só, que busca sua completude em outra norma. Nesta modalida-
de coerção estatais. de de normas, apenas se depreende o sentido exato da descrição da
conduta ali contida quando conhecemos a norma complementar.
Neste contexto, devemos entender o tipo penal como opção de um po-
vo em vedar determinada conduta considerada nociva aos bens comuns, Sua importância, como se demonstrou, é a manutenção do preceito
devendo possuir, sempre que possível, a mais límpida redação, a fim de básico, que pode ser adaptado a novas realidades apenas com a modifica-
impedir a ambiguidade e a multiplicidade de interpretações que, decerto, ção da norma complementar, geralmente sujeita a processo elaborativo
poderiam ser usadas contra este próprio povo. mais simplificado.

Neste jaez, exsurge aqui uma das mais importantes funções da norma Não se pode confundir norma penal em branco com a norma penal a-
incriminadora, qual seja, a função de garantia, expressa na possibilidade berta, que, no dizer de Damásio de Jesus [03] é aquela "que não apresenta
que todo cidadão tem de saber previamente qual conduta sua, e de que a descrição típica completa e exige uma atividade valorativa do Juiz. Nele,
modo, pode vir a ser alvo da sanção estatal. o mandamento proibitivo inobservado pelo sujeito não surge de forma
clara, necessitando ser pesquisado pelo julgador no caso concreto". Seriam
Ainda como expressão do garantismo, a nossa atual ordem constitu- tipos penais abertos, por exemplo, os delitos culposos.

Noções de Direito 31 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
atividade, ou seja, aplica-se a fatos futuros, se lhe sobrevier lei mais gravo-
Vale ressaltar, também, a diferença entre norma penal em branco e as sa, ou retroage, caso substitua uma lex severior.
leis penais incompletas ou imperfeitas, que são aquelas que possuem, Pode ocorrer, ainda, durante a sucessão das leis penais no tempo, que
apenas, o preceito incriminador (conduta proibida), remetendo o intérprete determinada conduta deixe de ser considerada crime, fenômeno este ao
a outra norma para se conhecer a sanctio juris. Luis Regis Prado cita como qual se dá o nome de abolitio criminis, que tem o condão de extirpar todos
exemplo de norma penal imperfeita a contida na Lei 2.889/56 – Lei do os efeitos penais da sentença condenatória. No entanto, continuam subsis-
Genocídio [04]. tindo seus efeitos civis, mormente o direito à reparação (art. 2°,CP).

2.2. Classificação das normas penais em branco. 3.2. Disciplina diversa: a lei penal excepcional ou temporária.
As normas penais em branco podem ser classificadas, segundo a me- Lei penal excepcional é aquela que se destina a regular situações ex-
lhor doutrina, em normas penais em branco em sentido lato (impróprias ou traordinárias da vida em social, como revoluções, calamidades públicas, ou
homogêneas) e em sentido estrito (próprias ou heterogêneas). mesmo guerras. Seu período de vigência é dependente da duração do
fenômeno anormal que se propôs a regular.
As primeiras são aquelas cuja norma complementadora advém da
mesma instância legislativa do tipo penal. Ou seja, como a definição dos Lei temporária, segundo a lição de Adilson Mehmeri [07], "é a que nasce
crimes é de competência legislativa privativa da União (art. 22, I, da Consti- com período de vigência pré-fixado, para o tempo necessário de duração
tuição Federal) e vige em nosso sistema o princípio da reserva legal (art. do objeto a que ela se destina. Por isso ela tem que ser específica, enunci-
5°, XXXIX, CF), forçoso admitirmos que a norma penal em branco em ando o prazo de sua vitalidade".
sentido lato é aquela cuja norma complementadora é uma Lei Federal.
As leis penais excepcionais ou temporárias, justamente por sua natu-
O exemplo mais citado na doutrina é o do art. 237, do Código Penal reza de transitoriedade, são submetidas a uma disciplina especial quanto à
Pátrio, que tem a seguinte redação: "contrair casamento, conhecendo a sua vigência temporal.
existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena –
detenção, de três meses a um ano". Consoante o art. 3°, do Código Penal Pátrio, são aplicáveis aos fatos
praticados durante a sua vigência, mesmo após a sua revogação. São
Percebe-se, portanto, que a subsunção deste tipo penal a uma conduta exceções, portanto, à regra da retroatividade da lex mitior posterior.
criminosa exige a precisa compreensão do que é considerado causa de
nulidade absoluta do matrimônio, circunstância que somente pode ser Tal regime especial, longe de constituir ofensa ao art. 5, XL, da Consti-
respondida se visitarmos o art. 1.521, da Lei 10.406/02 (novel Código Civil) tuição da República, é uma necessidade imposta para regulação de deter-
que descreve os impedimentos matrimoniais. minadas condutas.

Por sua vez são consideradas normas penais em branco em sentido De fato, elas perderiam toda a utilidade se lhe fossem aplicadas as re-
estrito (heterogêneas ou próprias) aquelas em que a norma complementa- gras gerais de retroação. Bastaria pensar que, como são normas com
dora é oriunda de uma outra fonte legiferante, seja o Poder Executivo vigência determinada, para escapar da sanção, o réu apenas precisaria
(regulamentos, instruções, etc.), ou os Poderes Legislativo Estaduais, atrasar o curso processual de modo que somente fosse condenado após
Municipais, etc. sua revogação [08].

O exemplo clássico é do art. 12, da Lei 6368/76, que incrimina a con- Partilha do mesmo entendimento Celso Delmanto [09], quando afirma
duta de tráfico ilícito de entorpecentes. A definição do que é ou não subs- que "elas perderiam toda a sua força intimidativa, caso o agente já soubes-
tância entorpecente e estabelecida por Portaria da DIMED, vinculada ao se, de antemão, que, após cessada a anormalidade (no caso das leis
Ministério da Saúde. excepcionais) ou findo o período de vigência (das leis temporárias), acaba-
ria impune pela aplicação do principio da retroatividade".
São tidas por próprias porque efetivamente atendem a finalidade das
normas penais em branco, qual seja, a de adequar o tipo penal sem neces- Na realidade, não se vislumbra ofensa ao princípio da retroação mais
sidade de um vagaroso processo legiferante. benéfica (art. 5°, XL, CF), de modo que nos filiamos ao magistério de
Guilherme de Souza Nucci [10] e Damásio de Jesus [11], que pregam que a
3. BREVE ESCORÇO SOBRE A NORMA PENAL E SEUS LIMITES norma penal excepcional ou temporária possui, como elemento do tipo, o
TEMPORAIS. fator "tempo", de modo que, ao deixar de viger, não lhe sucede nenhuma
3.1. A Extra-atividade, ultratividade e retroatividade da norma penal. lei nova, mas apenas existe o retorno daquela que regulava a situação
A retroatividade ocorre quando uma norma penal vigente no presente anteriormente. Por serem normas diferentes, não incidiria a regra constitu-
alcança situações passadas, o que a difere da ultratividade, que se dá cional. [12]
quando uma lei penal continua sendo aplicada a uma conduta, mesmo
após ter cessado sua vigência. Por outro lado, ocorre o fenômeno da extra- 4. O PROBLEMA DA NORMA PENAL EM BRANCO E SEUS LIMI-
atividade quando uma norma penal reúne as duas características esposa- TES TEMPORAIS.
das. Não se encontra uniformidade, entre os autores brasileiros, acerca da
validade temporal da norma penal em branco.
A regra geral, insculpida no art. 5°, XL, da CF, que foi adotada pelo
Código Penal, em seu art. 2°, é que a lei penal nunca retroagirá salvo para Alguns são defensores da impossibilidade absoluta de retroação da
beneficiar o réu. É o que se denomina correntemente na doutrina de retroa- norma complementadora, outros se posicionam pela necessidade imperio-
tividade da lex mitior, que se aplica aos fatos pretéritos mesmo não sendo sa de retroatividade, quando a norma tiver conteúdo mais benéfico.
a lei da data do fato.
Por outro lado, há quem postule por uma solução intermediária, ora
Nem a coisa julgada é empecilho, pois já decidiu o Colendo STF que pregando a retroação, ora negando-a, muito embora assim procedam sob
"a lei nova se aplica, no que favorecer o agente, até mesmo já havendo premissas díspares.
condenação transitada em julgado" [05].
Em verdade, percebe-se, na doutrina, duas espécies de critérios: os
O fenômeno da retroação, por óbvio, não se aplica às leis mais gravo- que trabalham apenas sobre a possibilidade de retroação ou não, e aque-
sas. Nestes casos, a regra é a irretroatividade, aplicando-se a lei mais les que admitem a retroação, porém com ressalvas ou justificativas diver-
antiga, muito embora esteja revogada, pois "não pode haver retroatividade gentes.
prejudicial ao réu" [06].
4.1. A questão da retroatividade.
Percebe-se, destarte, que a lex mitior é a única que tem extra- O primeiro ponto que se impõe é o que tange a possibilidade de retro-

Noções de Direito 32 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
ação das normas penais em branco, em virtude da mudança de seus Segundo tais autores, a alteração de um complemento de uma norma
complementos. penal em branco homogênea sempre teria efeitos retroativos, vez que, a
No Brasil, Paulo José da Costa Jr. [13] e Basileu Garcia [14] postulam que norma complementar, como lei ordinária que é, também foi submetida a
o complemento da norma penal em branco deve sempre retroagir, desde rigoroso e demorado processo legislativo.
que mais benéfica para o acusado, tendo em vista o mandamento constitu-
cional e o direito de liberdade do cidadão. A situação, contudo, se inverte quando se tratar de norma penal em
branco heterogênea.
Em sentido contrário, surge a lição de Frederico Marques [15], para
quem a alteração da norma complementadora terá, sempre, efeitos irre- Neste caso, "a situação se modifica para comportar duas soluções.
troativos, por não admitir a revogação das normas em consequência da Quando a legislação complementar não se reveste de excepcionalidade e
revogação de seus complementos. nem traz consigo a sua auto-revogação, como é caso das portarias sanitá-
rias estabelecedoras das moléstias cuja notificação é compulsória, cujo
A nosso sentir, nenhuma das soluções é satisfatória. prazo para cumprimento da determinação legal é variável consoante a
A primeira peca por retirar do Estado, por exemplo, importante meca- gravidade da moléstia, que, v.g., no caso do cólera, deve ser imediata, mas
nismo de controle, capaz de regular situações gravosas na economia, que em relação a outras doenças pode ser feita ate os três meses comple-
tornado inócua qualquer intervenção penal do Estado nesta seara. Nesta tados, a legislação complementar, então, pela sua característica, se revo-
mesma linha é a lição de Pierangeli [16], que afirma que sua adoção "deixa- gada ou modificada, poderá conduzir também à descriminalização" [21].
ria o consumidor inteiramente desprotegido e o Estado sem meio idôneo
para combater a perniciosa especulação, em detrimento da comunidade." Apesar do brilhantismo da lição dos supracitados mestres, verifica-se
que esta não seria a melhor solução.
A segunda corrente claudica por não emprestar relevância penal à
norma complementadora, de modo que desconsidera a possibilidade desta Quanto ao critério da excepcionalidade do complemento, nada temos a
influir definitivamente sobre a criminalização da conduta, a ponto de gerar emendar. De fato, sem dúvida, tal critério nos parece o mais consentâneo
um abolitio criminis. com a realidade, sendo, inclusive, o esposado pelo Colendo STF.

Por outro lado, a irretroatividade, como já exposto (v. 4.2, supra), não No entanto, nada impede o legislador de, numa situação de excepcio-
fere o regramento constitucional, vez que o fator tempo é elemento inte- nalidade, criar uma norma penal em branco homogênea, que seja marcada
grante do tipo da norma penal em branco, de modo que a norma que lhe pela temporariedade. Deste modo, estaríamos diante de uma norma penal
sucede é diversa e não regulará exatamente a mesma matéria, não crian- em branco homogênea e irretroativa. Falha o critério, portanto, neste as-
do, pois, uma "exceção" a exceção da retroatividade benéfica. pecto.

Por isso, nossa opinião é intermediária. Posicionamos-nos pela admis- Partindo do mesmo entendimento, se manifesta Fernando Capez [22],
são da ultratividade da norma penal em branco, somente em determinados ao discorrer que "não interessa se o complemento advém de lei ou de ato
casos, que adiante se aclarará, aplicando-se aos demais a regra geral do infralegal, pois a retroatividade depende exclusivamente do caráter tempo-
art. 5°, XL, da Constituição Federal, numa espécie de retroação condicio- rário ou definitivo da norma."
nada.
4.2.3. Nossa posição.
4.2. Critérios para a adoção da retroatividade da norma penal em bran- Partindo do entendimento de que a norma complementadora, sem
co. sombra de dúvida, integra o tipo penal e tem natureza penal, devemos
4.2.1. O critério de Mirabete e Damásio de Jesus. entender que qualquer alteração no complemento da norma altera a si
Feito o posicionamento acerca da possibilidade condicionada de retro- própria. Resta contudo, definir em que circunstância se dá a retroação.
ação da norma penal em branco, cabe-nos, agora, identificar os critérios
que permitem diferenciar as normas penais em branco que podem retroagir A melhor opção é entender que a norma penal em branco retroagirá
com a alteração dos seus complementos. sempre, independentemente de sua natureza homogênea ou heterogênea,
se for mais benéfica ao réu e não contiver essência de norma excepcional
A primeira acepção sobre o tema nos é dada pelo Prof. Damásio de ou temporária.
Jesus [17], referendado por Mirabete [18].
Em verdade, existem normas incriminadoras, carentes de complemen-
Aduzem que somente tem influência a alteração do complemento se to, que nitidamente, tem características de norma excepcional (v. supra,
importar em modificação substantiva do tipo penal e não quando modifique item 3.2), devendo-lhes, pois, serem submetidas à disciplina do art. 3°, do
circunstância que não comprometa a norma em branco. Código Penal.

De forma mais esclarecedora, Mirabete salienta que "de acordo, com Partilhando deste entendimento, o STF assim já se manifestou, muito
Soler, só tem importância a variação da norma complementar na aplicação embora utilize outras premissas: "em princípio, o art. 3° do Código Penal se
retroativa da lei penal em branco quando esta provoca uma real modifica- aplica à norma penal em branco, na hipótese de o ato normativo que a
ção da figura abstrata do direito penal, e não quando importe a mera modi- integra ser revogado ou substituído por outro mais benéfico ao infrator, não
ficação de circunstância que, na realidade, deixa subsistente a norma se dando, portanto, a retroatividade. Essa aplicação só não se faz quando
penal." a norma, que complementa o preceito penal em branco, importa real modi-
ficação da figura abstrata nele prevista ou se assenta em motivo perma-
Data venia, o conceito de alteração da figura do tipo penal é deveras nente, insusceptível de modificar-se por circunstâncias temporárias ou
fluido e de difícil aplicação, mormente se partirmos da premissa que a excepcionais, como sucede quando do elenco de doenças contagiosas se
norma complementadora sempre faz parte do tipo penal. Sempre que retira uma por se haver demonstrado que não tem ela tal característica" [23]
houver alteração da norma complementadora, estaremos alterando a (grifo nosso).
definição da conduta tida como criminosa.
O que se pretende, em verdade, demonstrar é que a regra geral da re-
Ademais, parece-nos que não existe base legal para se pensar desta troação benéfica é perfeitamente aplicável às normas penais em branco,
forma. desde que, não possuam caráter excepcional ou temporário.

4.2.2. O critério de Pierangeli e Alberto Silva Franco. Por exemplo, a norma do art. 237, do Código Penal Pátrio, que tem a
Outra acepção é a defendida por Pierangeli [19] e Alberto Silva Franco seguinte redação: "contrair casamento, conhecendo a existência de impe-
[20]. dimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena – detenção, de três
meses a um ano". O preceito complementador não possui, de forma algu-

Noções de Direito 33 A Opção Certa Para a Sua Realização


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ma, natureza excepcional. Desta forma, alguém que contraiu casamento xatividade.
conhecendo de impedimento que, hoje, não mais é causa de anulação do 2. Existem situações em que, seja pelo caráter da conduta que se
matrimônio, teve sua punibilidade extinta pelo art. 107, III, do Código Penal quer regular, seja por questão de técnica legislativa, não se pode
Pátrio. descrever exaustivamente todas a descrição da norma incrimina-
dora. Nestas circunstâncias o legislador se vale de um tipo penal
No entanto, aquele que violou tabela de preços, esteve sujeito a uma incompleto denominado de norma penal em branco.
norma excepcional, e, consoante art. 3°, CP, será punido por esta, não 3. Norma penal em branco é um tipo penal incompleto, carente de a-
obstante tal tabelamento possa já ter sido revogado ou substituído por plicação por si só, que busca sua completude em outra norma, e
outro com valores reduzidos. apenas se depreende o sentido exato da descrição da conduta ali
contida quando conhecemos a norma complementar.
No sentido que vai no texto, o STF já decidiu que é "complemento da 4. Sua importância é a manutenção do preceito básico, que pode ser
norma penal em branco passa a integrar, indubitavelmente, o conteúdo da adaptado a novas realidades apenas com a modificação da norma
conduta censurada, formando um todo, de forma que a alteração de uma complementar, geralmente sujeita a processo elaborativo mais
parte, como resultado de uma nova valoração jurídica do mesmo fato, tem simplificado.
repercussão total e imediata, não se aplicando, ao caso em exame, a 5. Podem ser classificadas em normas penais em branco em sentido
solução que a jurisprudência vem dando às hipóteses de tabelamento de lato (impróprias ou homogêneas) e em sentido estrito (próprias ou
preços, já que estas têm realmente caráter excepcional, vez que são edita- heterogêneas). Aquelas ocorrem quando o complemento advém da
das como forma de disciplinar o mercado em situações especiais, revelan- mesma esfera legislativa da norma principal, estas, quando a nor-
do que se trata mesmo da hipótese prevista no art. 3° do CP. [24]" ma complementar é oriunda de instância diversa, como o Poder
Executivo ou o Poder Legislativo dos Estados e Municípios.
4.5. A questão do Cloreto de Etila. 6. A retroatividade de uma norma penal ocorre quando está vigente
Discussão acalorada sobre o tema diz respeito ao Cloreto de Etila, ma- no presente e alcança situações passadas, o que difere da ultrati-
téria-prima do lança-perfume, que, pelo curto período de oito dias, foi vidade, que se dá quando uma lei penal continua sendo aplicada a
retirada da lista F2 – Lista das Substâncias Psicotrópicas de uso proscrito uma conduta, mesmo após ter cessado sua vigência.
no Brasil, e incluída na Lista D2 – Lista de Insumos Químicos Utilizados 7. Lei penal excepcional é aquela que se destina a regular situações
como Precursores para Fabricação e Síntese de Entorpecentes e/ou Psico- extraordinárias da vida em social, enquanto lei temporária é aquela
trópicos. que contém prazo certo de duração.
8. A lei penal excepcional ou temporária tem efeito ultrativo, ou seja,
O Cloreto de Etila foi retirado da lista no dia 7 de dezembro de 2000, se aplica no futuro, muito embora possa não mais estar vigendo
data da publicação da resolução RDC n° 104, e recolocado pela publicação (art. 3°, do Código Penal).
do Diário Oficial do dia 15 de dezembro de 2000. 9. Com relação às normas penais em branco, percebe-se, na doutri-
na, duas espécies de critérios: os que trabalham apenas sobre a
Em suma, tal substância química deixou de ser considerada entorpe- possibilidade de retroação ou não, e aqueles que admitem a retro-
cente, embora durante um curto período de tempo, de modo que, todos ação, porém com ressalvas ou justificativas divergentes.
aqueles condenados pelo art. 12, da lei 6368/76, flagrados portando lança- 10. A melhor opção é pela admissão da ultratividade da norma penal
perfume, tiveram sua punibilidade extinta. em branco, somente em determinados casos, aplicando-se aos
demais a regra geral do art. 5°, XL, da Constituição Federal, numa
Outra conclusão não se pode ter. espécie de retroação condicionada.
Como a norma insculpida no art. 12, da lei 6368/76 não contém precei- 11. Dentre os critérios de aplicação da retroação da norma penal em
to excepcional ou temporário algum, se aplica perfeitamente o fenômeno branco, destacam-se os de Mirabete e Damásio, que pregam so-
da abolito criminis, descriminalizando todos os fatos precedentes. mente tem influência a alteração do complemento se importar em
modificação substantiva do tipo penal e não quando modifique cir-
Neste jaez, Guilherme de Souza Nucci [25] verbera que "durante, apro- cunstância que não comprometa a norma em branco. Por sua vez,
ximadamente, uma semana, no final de 2000, o cloreto de etila foi retirado aduzem Pierangeli e Alberto Silva Franco que a alteração de um
da relação de substâncias de uso proibido, por razões de incentivo a outros complemento de uma norma penal em branco homogênea sempre
setores da indústria, que utilizariam o produto. Foi o suficiente para gerar a teria efeitos retroativos, ao invés da norma heterogênea, que retro-
aplicação retroativa da abolitio criminis verificada." agiria a depender de seu caráter excepcional.
12. A melhor opção, contudo, é entender, em síntese, que a norma
No mesmo sentido, Luis Flávio Gomes ressalta que "a republicação da penal em branco retroagirá sempre, independentemente de sua
Resolução 104 alterou completamente o texto anterior. Logo, é uma verda- natureza homogênea ou heterogênea, se for mais benéfica ao réu
deira lei nova. Sendo mais severa, vale tão-somente para fatos ocorridos a e não contiver essência de norma excepcional ou temporária.
partir dela. A republicação evidentemente não tem eficácia retroativa por- 13. O Cloreto de Etila foi retirado da lista no dia 7 de dezembro de
que é prejudicial aos réus" [26]. Segue sua exposição afirmando que "todos 2000, data da publicação da resolução RDC n° 104, e recolocado
os fatos envolvendo lança-perfume ocorridos no nosso país até 14.12.2000 pela publicação do Diário Oficial do dia 15 de dezembro de 2000.
estão completamente fora de qualquer consequência jurídico-penal relacio- Deste modo, sem sombra de dúvidas, ocorreu a extinção da puni-
nada com a Lei de Tóxicos. Pode eventualmente a conduta configurar bilidade de todos aqueles condenados pelo tráfico desta substân-
contrabando, caso se comprove a importação do produto. Mas droga ilícita cia.
não pode ser considerada (até 14.12.00)." [27] 14. Tal fato se deu, por óbvio, porque a norma do art. 12, da lei
6368/76, não tem caráter excepcional ou temporário.
Pode-se até argumentar que houve falha na publicação da Resolução,
mas o fato é que o cidadão não pode responder pelos equívocos do Esta- NOTAS
do, muito menos diante de uma perspectiva garantista. Além do mais,
como se veda a revisão pro societate, uma vez extinta a punibilidade não 01 TAVARES, Juarez. Teoria do Injusto Penal. 3.ed. Belo Horizonte:
existe mais possibilidade de se punir o acusado pelo mesmo crime. Del Rey, 2003.
02 PRADO, Luis Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. vol 1, parte
CONCLUSÃO. geral. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2002
Do exposto, podemos extrair as seguintes conclusões: 03 JESUS, Damásio E. de. Normas penais em branco, tipos abertos e
1. Devemos entender o tipo penal como opção de um povo em vedar elementos normativos. Jus Navigandi, Teresina, a. 5, n. 51, out.
determinada conduta considerada nociva aos bens comuns, de- 2001. Disponível em: . Acesso em: 04 set. 2005.
vendo possuir, sempre que possível, a mais límpida redação, a fim 04 Ob. Cit.
de impedir a ambiguidade, a multiplicidade de interpretações, res- 05 STF, RE 102.932, DJU 10.5.85, p. 6855.
saltar a função garantista do tipo penal e atender o principio da ta- 06 TACrSP, Ap. 384.807, j. 23.1. 85.

Noções de Direito 34 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
07 MEHMERI, Adilson. Noções Básicas de Direito Penal. São Paulo: fato, retroage para alcança-lo.
Ed. Saraiva, 2000.
08 No mesmo sentido: Exposição de Motivos do Código Penal de Não há abolitio criminis se a conduta praticada pelo acusado e prevista
1940, n° 08. na lei revogada e ainda submissível a outra lei penal em vigor. Pela abolitio
09 DELMANTO, Celso, et alii. Código Penal Comentado. 6ª ed. Rio de criminis se fazem desaparecer o delito e todos os seus reflexos penais,
Janeiro: Ed. Renovar, 2002. permanecendo apenas os civis.
10 Nesse sentido: NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Co-
mentado. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2003. NOVATIO LEGIS IN PEJUS
11 JESUS, Damásio E. Direito Penal. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002. A terceira hipótese refere-se à nova lei mais severa a anterior. Vige, no
12 Em sentido contrário: ZAFFARONI, Eugenio Raúl. PIERANGELI, caso, o princípio da irretroatividade da lei penal "a lei penal não retroagirá,
José Henrique. Manual de Direito Penal Brasileiro. São Paulo: Ed. salvo para beneficiar o réu".
Revista dos Tribunais, 2002 - que defendem que a disposição legal
do art. 3°, do CP, é de duvidosa constitucionalidade, posto que a NOVATIO LEGIS IN MELLIUS
exceção do art. 5°, XL, da Carta Magna tem caráter absoluto e não A última hipótese é a da lei nova mais favorável que a anterior. Além
admite outras exceções. da abolitio criminis, a lei nova pode favorecer o agente de várias maneiras.
13 COSTA JR., Paulo José da. Comentários ao Código Penal. São "A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos
Paulo: Ed. Saraiva, 2002. fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada
14 GARCIA, Basileu. Instituições de Direito Penal. São Paulo: Max em julgado
Limonad, 1980.
15 MARQUES, José Frederico. Tratado de Direito Penal. São Paulo: LEI INTERMEDIÁRIA
Saraiva, 2000. Em caso de vigência de três leis sucessivas, deve-se ressaltar que
16 PIERANGELI, José Henrique. Escritos jurídico-penais. São Paulo: sempre será aplicada a lei mais benigna, entre elas: a posterior será retroa-
Editora Revista dos Tribunais, 1999. tiva quando às anteriores e a antiga será ultrativa em relação àquelas que
17 Ob. Cit. a sucederem. Se, entre as leis que se sucedem, surge na intermediária
18 MIRABETE, Julio Fabrinni. Manual de Direito Penal – Parte Geral. mais benigna, embora não seja nem a do tempo do crime nem daquele em
São Paulo: Atlas, 2003. que a lei vai ser aplicada, essa lei intermediária mais benévola aplicada,
19 Ob. Cit. segundo art. 2º do CP.
20 FRANCO, Alberto Silva, et al. Código Penal e sua Interpretação Ju-
risprudencial. São Paulo: Ed. RT, 2004. CONJUGAÇÃO DE LEIS
21 Ob. Cit. Com a aplicação hipotética das duas leis em confronto, se poderá es-
22 CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal. Vol 1. São Paulo: Ed. colher a mais benigna.
Saraiva, 2004.
23 STF – HC 73.168-6 – Rel. Min. Moreira Alves, DJU 15.03.1996, p. COMPETÊNCIA PARA A APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA
7.204. A aplicação da lei mais favorável cabe ao magistrado que presidir o
24 STF, Lex 164/331, Rel. Min. Carlos Velloso, 2ª Turma. processo enquanto não houver proferido sentença, ou, se o feito já estiver
25 Ob. Cit. sentenciado, ao Tribunal que julgar eventual recurso.
26 GOMES, Luis Flávio. Descriminalização do Cloreto de Etila. Dispo-
nível em: LEIS TEMPORÁRIAS E EXCEPCIONAIS
http://www.proomnis.com.br/public_html/article.php?story=2004101 De acordo com o art. 3º do CP, a lei excepcional ou temporária embora
1090629544. Acessado em: 12 de setembro de 2005. decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que as
27 Ob. Cit. determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.

Informações bibliográficas: Leis temporárias são as que possuem vigência previamente fixada pelo
legislador.
MODESTO, Danilo Von Beckerath. A norma penal em branco e seus
limites temporais . Jus Navigandi, Teresina, ano 9, n. 817, 28 set. 2005. Leis excepcionais são as que vigem durante situações de emergência.
Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7345>. Acesso
em: 27 mar. 2008. Essas espécies de lei tem ultratividade, ou seja, aplicam-se ao fato
cometido sob o seu império, mesmo depois de revogadas pelo decurso do
tempo ou pela superação do estado excepcional.
A lei penal no tempo.
A RETROATIVIDADE E A LEI PENAL EM BRANCO
Revogada a norma complementar (decreto, portaria, regulamento,
INTRODUÇÃO etc.), não desaparecerá o crime. O que foi revogado ou alterado é a norma
De acordo com o princípio tempus regit actum, a lei rege, em geral, os complementar e não a lei. Para os que entendem a norma complementar
fatos praticados durante a sua vigência. Não pode, em tese, alcançar fatos integra a lei penal, sendo ela excepcional ou temporária possui também o
ocorridos em período anterior ao início de sua vigência nem ser aplicada caráter de ultratividade diante do art. 3º do CP.
àqueles ocorridos após a sua revogação. Entretanto, por disposição ex-
pressa do próprio diploma legal, é possível a ocorrência da retroatividade e Assim, pode-se concluir que há de se fazer uma distinção: a) se a
da ultratividade da lei. Denomina-se retroatividade o fenômeno pelo qual norma penal em branco tem caráter excepcional ou temporário, aplica-se o
uma norma jurídica é aplicada a fato ocorrido antes do início de sua vigên- art. 3º do CP, sendo a norma complementar ultrativa; b)se, ao contrário,
cia e ultratividade à aplicação dela após a sua revogação. não tem ela caráter temporário ou excepcional, aplica-se o art. 2º, parágra-
fo único, ocorrendo a abolitio criminis.
PRINCÍPIOS DA LEI PENAL NO TEMPO
NOVATIO LEGIS INCRIMINADORA TEMPO DO CRIME
A primeira hipótese trata da lei nova que torna típico fato anteriormente Necessário se torna saber qual é o tempo do crime, ou seja, a ocasião,
não incriminado. Nessa hipótese a lei penal e irretroativa. o momento, a data em que se considera praticado o delito para a aplicação
da lei penal a seu autor.
ABOLITIO CRIMINIS
Ocorre a chamada abolitio criminis quando a lei nova já não incrimina Três são as teorias a respeito da determinação do tempo do crime. Pe-
fato que anteriormente era considerado como ilícito penal. A nova lei, que la teoria da atividade, considera-se como tempo do crime o momento da
se presume ser mais perfeita que a anterior, demonstrando não haver conduta (ação ou omissão). Pela teoria do resultado (ou do efeito), consi-
mais, por parte do estado, interesse na punição do autor de determinado
Noções de Direito 35 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
dera-se tempo do crime o momento de sua consumação, não se levando  a teoria do resultado (ou do efeito), em que se considera para a a-
em conta a ocasião em que o agente praticou a ação. Por fim, a teoria plicação da lei o local da consumação (ou do resultado) do crime;
mista considera como tempo do crime tanto o momento da conduta como o  a teoria da ubiquidade (ou da unidade mista), pela qual se entende
d resultado. como lugar do crime tanto o local da conduta como o do resultado.

Art. 4º "Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omis- EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA


são, ainda que outro seja o momento do resultado". O art. 7º do CP prevê a aplicação da lei brasileira a crimes cometidos
no estrangeiro. São os casos de extraterritorialidade da lei penal.
Quanto ao termo inicial do prazo de prescrição, determina-se que a
prescrição começa a correr do dia em que o crime se consumou. Na deca- O inciso I refere-se aos casos de extraterritorialidade incondicionada,
dência, o prazo é contado do dia em que o ofendido veio a saber quem é o uma vez que é obrigatória a aplicação da lei brasileira ao crime cometido
autor do crime ou, em se tratando de ação privada subsidiária, do dia em fora do território brasileiro.
que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia.
As hipóteses direito inciso I, com exceção da última (d), fundadas no princípio
de proteção, são as consignadas nas alíneas a seguir enumeradas:
A lei penal no espaço.  Contra a vida ou a liberdade do presidente da república.
 Contra o patrimônio ou a fé pública da União, do distrito federal, de
INTRODUÇÃO estado, de território, de município, de empresa pública, sociedade
Pode um crime violar interesses de dois ou mais países, quer por ter de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo poder
sido a ação praticada no território de um e a consumação dar-se em outro. público;
 Contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
PRINCÍPIOS DE APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO ESPAÇO  De genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no
O princípio da territorialidade prevê a aplicação da lei nacional ao fato Brasil. Nesta última hipótese adotou-se o princípio da justiça ou
praticado no território do próprio país. competência universal.

O princípio da nacionalidade (ou de personalidade) cogita da aplicação Em todas essas hipóteses o agente é punido segundo a lei brasileira,
da lei do país de origem do agente, pouco importando o local onde o crime ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.
foi praticado. O estado tem o direito de exigir que o seu cidadão no estran-
geiro tenha determinado comportamento (nacionalidade ativa - somente se EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA
considera, se o autor do delito é nacional, sem se cogitar da vítima; nacio- O inciso II, do art. 7º, prevê três hipóteses de aplicação da lei brasileira
nalidade passiva - exige, para a aplicação da lei penal, que sejam nacio- a autores de crimes cometidos no estrangeiro. São os casos de extraterrito-
nais o autor e o ofendido do ilícito penal. rialidade condicionada, pois dependem dessas condições:
 Crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a repri-
Pelo princípio da proteção (da competência real, de defesa), aplica-se mir. Utilizou-se o princípio da justiça ou competência universal;
a lei do país ao fato que atinge bem jurídico nacional, sem qualquer consi-  Crimes praticados por brasileiro. Tendo o país o dever de obrigar o
deração a respeito do local onde foi praticado o crime ou da nacionalidade seu nacional a cumprir as leis, permite-se a aplicação da lei brasi-
do agente. leira ao crime por ele cometido no estrangeiro. Trata-se do disposi-
tivo da aplicação do princípio da nacionalidade ou personalidade
Pelo princípio da competência universal (ou da justiça cosmopolita), o ativa;
criminoso deve ser julgado e punido onde for detido, segundo as leis deste  Crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mer-
país, não se levando em conta o lugar do crime, a nacionalidade do autor cantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro
ou o bem jurídico lesado. e aí não sejam julgados. Inclui-se no CP o princípio da representa-
ção.
Por fim há o princípio da representação, subsidiário, que determina a
aplicação da lei do país quando, por deficiência legislativa ou desinteresse A aplicação da lei brasileira, nessas três hipóteses, fica subordinada a
de outro que deveria reprimir o crime, este não o faz, e diz respeito aos todas as condições estabelecidas pelo § 2º do art. 7º. Depende, portanto,
delitos cometidos em aeronaves ou embarcações. das condições a seguir relacionadas:
 Entrada do agente no território nacional;
TERRITORIALIDADE  Ser o fato punível também no país em que foi praticado. Na hipóte-
Prevê o art. 5º do CP: "aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de con- se de o crime ter sido praticado em local onde nenhum país tem ju-
venções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no risdição (alto mar, certas regiões polares), é possível a aplicação
território nacional". É evidente, portanto, que a nossa legislação consagra, da lei brasileira.
como base para a aplicação da lei penal no espaço, o princípio da territoria-  Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira au-
lidade. toriza a extradição.
 Não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro moti-
CONCEITO DE TERRITÓRIO
vo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
Em sentido estrito (material), território abrange o solo (e subsolo) sem
solução de continuidade e com limites reconhecidos, as águas interiores, o
O art. 7º, § 3º, prevê uma última hipótese da aplicação da lei brasileira:
mar territorial, a plataforma continental e o espaço aéreo.
a do crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. É ainda
um dispositivo calcado na teoria de proteção, além dos casos de extraterri-
Território por extensão (ou ficção) - para os efeitos penais, consideram-
torialidade incondicionada. Exige o dispositivo em estudo, porém, além das
se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves
condições já mencionadas, outras duas:
brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro, onde
- que não tenha sido pedida ou tenha sido negada a extradição (po-
quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasi-
de ter sido requerida, mas não concedida;
leiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectiva-
- que haja requisição do ministro da justiça.
mente, no espaço aéreo correspondente ou em alto mar.
PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO
LUGAR DO CRIME
Considerando que, sendo possível a aplicação da lei brasileira a cri-
Para a aplicação da regra da territorialidade é necessário entretanto,
mes cometidos em território de outro país, ocorrerá também a incidência da
que se esclareça qual é o lugar do crime:
lei estrangeira, dispõe o código como se deve proceder para se evitar a
 teoria da atividade (ou da ação), em que o lugar do crime é o local dupla posição. Cumprida a pena pelo sujeito ativo do crime no estrangeiro,
da conduta criminosa (ação ou omissão);

Noções de Direito 36 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
será ela descontada na execução pela lei brasileira, quando forem idênti- Penal, que fala em “artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.
cas, respondendo efetivamente o sentenciado pelo saldo a cumprir se a
pena imposta no Brasil for mais severa. Se a pena cumprida no estrangeiro Há diferença, portanto, entre analogia e interpretação analógica. A
for superior à imposta no país, é evidente que esta não será executada. analogia é o intuito de abranger fatos semelhantes, não previstos na lei, o
que é vedado em Direito Penal. A interpretação analógica, ao contrário,
No caso de penas diversas, aquela cumprida no estrangeiro atenuará a decorre da própria vontade e indicação da lei penal.
aplicada no Brasil, de acordo com a decisão do juiz no caso concreto, já
que não há regras legais a respeito dos critérios de atenuação que devem A segunda espécie de interpretação extensiva permitida é a
ser obedecidos. interpretação analógica extensiva in bonam partem, ou seja, a favor do réu.
Assim, por exemplo, tem-se admitido a concessão de perdão judicial na
contravenção de falta de habilitação para dirigir veículo (art. 32 da LCP),
Interpretação da lei penal. embora sem previsão legal, por analogia com o crime de lesões corporais
culposas (art. 129, § 8°, do CP).
Quanto ao sujeito, ou seja, quanto à origem de que provém, a interpretação
pode ser autêntica, doutrinária ou jurisprudencial. A maioria dos autores concorda em que, persistindo dúvida irredutível,
depois de aplicados todos os meios de interpretação, deve a questão ser
A interpretação autêntica é dada pela própria lei, a qual no seu texto, resolvida em favor do réu (in dubio pro reo).
num dos seus dispositivos, explica como deve ser entendido determinado
assunto (interpretação autêntica contextual). Resumindo:
 Interpretação da norma penal: o intérprete é o mediador entre o
Assim, por exemplo, o art. 150 do Código Penal diz o que se deve texto da lei e a realidade; a interpretação consiste em extrair o sig-
entender pela palavra “casa” (art. 150, § 4°), ou o que não se deve nificado e a extensão da norma em relação à realidade; é uma o-
entender pela palavra “casa” (art. 150, § 5°). peração lógico-jurídica que se dirige a descobrir a vontade da lei,
em função de todo o ordenamento jurídico e das normas superio-
A interpretação autêntica pode também ser dada por uma outra lei, de res de cultura, a fim de aplicá-las aos casos concretos da vida real.
edição posterior (interpretação autêntica não contextual), embora essa  Interpretação autêntica: diz-se autêntica a interpretação quando
forma não seja usual. procede do próprio órgão de que emana; parte do próprio sujeito
que elaborou o preceito interpretado.
A interpretação autêntica é a única obrigatória, vez que dada por lei.  Interpretação doutrinária: é feita pelos escritores de direito, em
seus comentários às leis.
Outra forma de interpretação, quanto ao sujeito, é a interpretação  Interpretação judicial: é a que deriva dos órgãos judiciários (juí-
doutrinária, que é dada pelos estudiosos, professores e profissionais do zes e tribunais); não tem força obrigatória senão para o caso con-
Direito, através da publicação de artigos, conferências, teses e livros. creto (sobrevindo a coisa julgada).
 Interpretação gramatical, literal ou sintática: é a primeira tarefa
A interpretação jurisprudencial é dada pelos tribunais, através da que deve fazer quem procura interpretar a lei, no sentido de aflorar
reiteração de seus julgamentos. a sua vontade, recorrendo ao que dizem as palavras.
 Interpretação lógica ou telelógica: é a que consiste na indaga-
Quanto ao modo, a interpretação pode ser gramatical, fundada nas ção da vontade ou intenção objetivada pela lei; se ocorrer contradi-
regras gramaticais; teleológica, que visa a descobrir a finalidade com que a ção entre as conclusões da interpretação literal e lógica, deverá a
lei foi editada; lógica, que procura reconstruir o pensamento do legislador; desta prevalecer, uma vez que atenda às exigências do bem co-
histórica, que avalia a conjuntura em que a lei foi editada e as mum e aos fins sociais que a lei se destina.
circunstâncias que provocaram a sua criação; sistemática, que procura a  Interpretação declarativa: a interpretação é meramente declarati-
harmonização da norma com o sistema jurídico como um todo; progressiva, va quando a eventual dúvida se resolve pela correspondência en-
em que se procura compreender a norma levando em conta as tre a letra e a vontade da lei, sem conferir à formula um sentido
transformações havidas não só no direito mas também na sociedade e na mais amplo ou mais estrito.
ciência; de direito comparado, em que se tenta esclarecer melhor o sentido  Interpretação restritiva: se restringe ao alcance das palavras da
da lei através da comparação com a legislação estrangeira. lei até o sentido real; ocorre quando a lei diz mais do que o preten-
dido pela sua vontade.
A interpretação sociológica, como ensina Franco Montoro, “baseia-  Interpretação extensiva: diz-se extensiva a interpretação quando
se na adaptação do sentido da lei às realidades e necessidades sociais”. o caso requer seja ampliado o alcance das palavras da lei para que
Essa adaptação está prevista no art. 5° da Lei de Introdução ao Código a letra corresponda à vontade do texto; ocorre quando o texto legal
Civil, que prescreve: Na aplicação da lei o juiz atenderá aos fins sociais a não expressa a sua vontade em toda a extensão desejada; diz
que ela se dirige e às exigências do bem comum” (Introdução à Ciência do menos do que pretendia dizer.
Direito, v. 11/126).  Interpretação analógica: é permitida toda vez que uma cláusula
genérica se segue a uma forma casuística, devendo entender-se
Quanto aos resultados, a interpretação pode ser declarativa, quando que aquela só compreende os casos análogos aos mencionados
se conclui que a letra da lei corresponde exatamente ao pensamento do por esta.
legislador; extensiva, quando se conclui que a lei diz menos do que queria
dizer o legislador; e restritiva, quando se conclui que a lei diz mais do que
queria dizer o legislador, ou quando se procura conter a interpretação
Infração penal: elementos, espécies. Erro de tipo; erro de proibição.
estritamente nos limites da norma.

As leis penais devem ser interpretadas de forma declarativa estrita, ou Infração penal - elementos, espécies
até com preocupação restritiva. Não devem nunca ser interpretadas de 1 - Definição
forma ampliativa ou extensiva, a fim de não se ferir o princípio da Ocorre quando uma pessoa pratica qualquer conduta descrita na lei e,
legalidade dos delitos e das penas (nullum crimen, nulla poena sine lege). através dessa conduta, ofende um bem jurídico de uma terceira pessoa.
Ou seja, as infrações penais constituem determinados comportamentos
Mas há duas espécies permitidas de interpretação extensiva.
humanos proibidos por lei, sob a ameaça de uma pena.
A primeira é a interpretação analógica intra legem, ou seja, dentro da
lei, em que o próprio texto legal indica a aplicação da analogia em relação Sujeito Ativo ou agente: é aquele que ofende o bem jurídico protegido
a alguma circunstância. Exemplo é o art. 28, II, do Código Penal, que fala por lei. Em regra só o ser humano maior de 18 anos pode ser sujeito
em “álcool ou substância de efeitos análogos”, ou o art. 171 do Código ativo de uma infração penal. A exceção acontece nos crimes contra o

Noções de Direito 37 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
meio ambiente onde existe a possibilidade da pessoa jurídica ser anos.
sujeito ativo, conforme preconiza o Art. 225, § 3º da Constituição Federal. d) Reincidência: de acordo com o Art. 7º do Decreto-Lei 3.688/41, é
Art. 225 [...]. possível a reincidência nas contravenções. Ou seja, a reincidência ocorrerá
§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente após a prática de crime ou contravenção no Brasil e após a prática de crime
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais no estrangeiro. Não há reincidência após a prática de contravenção no
e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os da- estrangeiro.
nos causados. “Art. 7º Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contra-
Sujeito Passivo: pode ser de dois tipos. O sujeito passivo formal é venção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado,
sempre o Estado, pois tanto ele como a sociedade são prejudicados quan- no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de
do as leis são desobedecidas. O sujeito passivo material é o titular do bem contravenção.”
jurídico ofendido e pode ser tanto pessoa física como pessoa jurídica. 4 – Semelhança no estudo dos crimes e contravenções.
OBS.: É possível que o Estado seja ao mesmo tempo sujeito pas- Vimos que em termos práticos existem algumas diferenças entre crime
sivo formal e sujeito passivo material. Como exemplo, podemos citar o e contravenção, porém, não podemos falar o mesmo sobre a essência
furto de um computador de uma repartição pública. dessas infrações. Tanto a contravenção como o crime, substancialmente,
OBS.: Princípio da Lesividade: uma pessoa não pode ser, ao são fatos típicos, ilícitos e, para alguns, culpáveis.
mesmo tempo, sujeito ativo e sujeito passivo de uma infração penal. Ou seja, possuem a mesma estrutura.
O princípio da lesividade diz que, para haver uma infração penal, a le- 5 – Crimes Hediondos
são deve ocorrer a um bem jurídico de alguém diferente do seu causador, Diferente do que costuma se pensar no senso comum, juridicamente,
ou seja, a ofensa deva extrapolar o âmbito da pessoa que a causou. crime hediondo não é o crime praticado com extrema violência e com
Dessa forma, se uma pessoa dá vários socos em seu próprio rosto (au- requintes de crueldade e sem nenhum senso de compaixão ou misericórdia
tolesão), não há crime de lesão corporal (Art. 129 do CP), pois não foi por parte de seus autores, mas sim um dos crimes expressamente
ofendido o bem jurídico de uma terceira pessoa. previstos na Lei nº 8.072/90. Portanto, são crimes que o legislador
Entretanto, a autolesão pode caracterizar o crime de fraude para rece- entendeu merecerem maior reprovação por parte do Estado.
bimento de seguro (Art. 171, § 2o, V do CP) ou criação de incapacidade Os crimes hediondos, do ponto de vista criminológico, são os crimes
para se furtar ao serviço militar (Art. 184 do CPM). que estão no topo da pirâmide de desvaloração criminal, devendo, portanto,
2 – Espécies de Infração Penal ser entendidos como crimes mais graves ou revoltantes, que causam maior
A legislação brasileira, ao definir as espécies de infração penal, apre- aversão à coletividade.
sentou um sistema bipartido. Ou seja, existem apenas duas espécies Do ponto de vista semântico, o termo hediondo significa ato
(crime = delito ≠ contravenção). Situação diferente ocorre com alguns profundamente repugnante, imundo, horrendo, sórdido, ou seja, um ato
países tais como a França e a Espanha que adotaram o sistema tripartido indiscutivelmente nojento, segundo os padrões da moral vigente.
(crime ≠ delito ≠ contravenção). O crime hediondo é o crime que causa profunda e consensual
As duas espécies são: o crime, considerado o mesmo que delito, e a repugnância por ofender, de forma acentuadamente grave, valores morais
contravenção. Entretanto, apesar de existirem duas espécies, os conceitos de indiscutível legitimidade, como o sentimento comum de piedade, de
são bem parecidos, diferenciando-se apenas na gravidade da conduta e no fraternidade, de solidariedade e de respeito à dignidade da pessoa humana.
tipo (natureza) da sanção ou pena. Ontologicamente, o conceito de crime hediondo repousa na idéia de
Com relação à gravidade da conduta, os crimes e delitos se distinguem que existem condutas que se revelam como a antítese extrema dos
por serem infrações mais graves, enquanto que a contravenção refere-se padrões éticos de comportamento social, de que seus autores são
às infrações menos graves, sendo, inclusive, chamadas pelo Direito italiano portadores de extremo grau de perversidade, de perniciosa ou de
de delito anão. periculosidade e que, por isso, merecem sempre o grau máximo de
Referente ao tipo da sanção, a diferença tem origem no Art. 1º da Lei reprovação ética por parte do grupo social e, em consequência, do próprio
de Introdução ao Código Penal (Decreto-Lei 3.914/41). sistema de controle.
Art. 1º - Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de Foi aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados um projeto
reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cu- de lei que restringe o benefício da progressão de regime para os presos
mulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal condenados por crimes hediondos. O projeto foi apresentado no início de
a que a lei comina, isoladamente, penas de prisão simples ou de 2006, mas a votação só foi retomada por conta da comoção causada com a
multa, ou ambas. Alternativa ou cumulativamente. morte do menino João Hélio Vieites, no Rio de Janeiro.
Por serem os crimes condutas mais graves, então eles são repelidos A lei 11.464/07 mudou a progressão de regime, no caso dos condena-
através da imposição de penas mais graves (reclusão ou detenção e/ou dos aos crimes hediondos e equiparados, dar-se-á após o cumprimento de
multa). As contravenções, por serem condutas menos graves, são sancio- 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário, e de 3/5 (três quin-
nadas com penas menos graves (prisão simples e/ou multa). tos), se reincidente.
A escolha se determinada infração penal será crime/delito ou contra- São considerados como crimes hediondos:
venção é puramente política, da mesma forma que o critério de escolha dos 1. Homicídio simples, quando em atividade típica de grupo de ex-
bens que devem ser protegidos pelo Direito Penal. Além disso, o que hoje é termínio
considerado crime pode vir, no futuro, a ser considerada infração e vice- (art. 121);
versa. O exemplo disso aconteceu com a conduta de portar uma arma 2. Homicídio qualificado
ilegalmente. Até 1997, tal conduta caracterizava uma mera contravenção, (art. 121, § 2o, I, II, III, IV e V);
porém, com o advento da Lei 9.437/97, esta infração passou a ser conside-
rada crime/delito. 3. Latrocínio
3 – Diferenças práticas entre crimes e contravenções (art. 157, § 3o);
a) Tentativa: no crime/delito a tentativa é punível, enquanto que na 4. Extorsão qualificada pela morte
contravenção, por força do Art. 4º do Decreto-Lei 3.688/41, a tentativa não (art. 158, § 2o);
é punível. 5. Extorsão mediante sequestro simples e na forma qualificada
b) Extraterritorialidade: no crime/delito, nas situações do Art. 7º do (art. 159, caput, e §§ 1o, 2o e 3o);
Código Penal, a extraterritorialidade é aplicada, enquanto que nas contra- 6. Estupro
venções a extraterritorialidade não é aplicada. (art. 213 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único);
c) Tempo máximo de pena: no crime/delito, o tempo máximo de cum- 7. Atentado violento ao pudor
primento de pena é de 30 anos, enquanto que nas contravenções, por
(art. 214 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único);
serem menos graves, o tempo máximo de cumprimento de pena é de 5

Noções de Direito 38 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
8. Epidemia com resultado morte trabalho como um todo; quando individual a afetação jurídica, a competên-
(art. 267, § 1o); cia é da Justiça Comum.
9. Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto Ao não se acatar a posição que defendemos, o crime seria de menor
destinado a fins terapêuticos ou medicinais potencial ofensivo na primeira hipótese, em face de ser da competência da
(art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o B, redação dada pela Lei no Justiça Federal (art. 2.º da Lei n. 10.259/01); e não seria de menor potencial
9.677/98); ofensivo no segundo caso, por ser competente para sua apreciação a
Justiça Comum (art. 61 da Lei n. 9.099/95).
10. Genocídio
De modo que o delito mais grave, por atingir um bem jurídico coletivo,
(art.(s). 1o, 2o e 3o da Lei no 2.889/56, tentado ou consumado). seria absurdamente considerado de menor potencial ofensivo; enquanto o
Existem crimes que não são hediondos, todavia equiparados a esses e outro, de menor lesividade objetiva, por afetar bem jurídico individual, teria
submetidos, portanto, ao mesmo tratamento penal mais severo reservado a a qualificação de crime de maior potencial ofensivo.
esta espécie de delito: Curioso notar que o crime de assédio sexual (art. 216-A do CP), punido
1. Terrorismo; com o máximo de dois anos de detenção, adotada a posição liberal que
2. Tortura e; aqui defendemos, passa a ser da competência do Juizado Especial Crimi-
3. Tráfico ilícito de entorpecentes nal, à revelia da lei que o instituiu (Lei n. 10.224, de 15.5.2001), que, inega-
6 – Crimes de Menor Potencial Ofensivo – segundo Damásio velmente, pretendia não o considerar de menor potencial ofensivo.
Para que as considerações acerca do item anterior tornem de límpida 7 – As Excludentes de Ilicitude da Infração Penal
compreensão, vejamos a posição de Damásio de Jesus acerca dos crimes De forma sintética, podemos verificar que as excludentes de ilicitude
de menor potencial ofensivo: são aplicadas a prática de infração penal – já estudado –, o qual engloba os
De acordo com a Lei dos Juizados Especiais Criminais (Lei n. conceitos de crime e contravenção.
9.099/95), consideram-se infrações de menor potencial o- A posição doutrinária majoritária exige que a infração penal seja
fensivo, sujeitando-os à sua competência, os crimes aos um fato típico e antijurídico, desta forma as excludentes de ilicitude visam
quais a lei comine pena máxima não superior a um ano (art. retirar o segundo elemento, sopesando bens jurídicos que estejam em
61). conflito ou afastando a culpabilidade e/ou a punibilidade.
Não tínhamos ainda, no âmbito da Justiça Federal, a instituição dos Ju- A antijuridicidade consiste na falta de autorização da ação típica.
izados Especiais Criminais, prevista no art. 98, parágrafo único, da CF, com Damásio diz que a antijuricidade é sempre material, constituindo a le-
redação da EC n. 22, de 18.3.1999. são de um interesse penalmente protegido.
Os Juízes Federais podiam, entretanto, aplicar os institutos da concilia- A antijuricidade pode ser subjetiva e objetiva. Pode ser subjetiva, de
ção civil e criminal (arts. 74 e 76), da representação (art. 88) e da suspen- acordo com essa teoria, pois o ordenamento jurídico é composto de ordens
são condicional do processo (art. 89), todos disciplinados pela Lei n. e proibições, constituindo fato ilícito a desobediência a tais normas. Essas
9.099/95. ordens e proibições são dirigidas à vontade das pessoas imputáveis.
A Lei n. 10.259, de 12.7.2001, criou os Juizados Especiais Criminais na A antijuricidade objetiva, a ilicitude corresponde à qualidade que possui
Justiça Federal, dispondo aplicar-se a eles a Lei n. 9.099/95 (art. 1.º), o fato de contrariar uma norma.
obedecidas duas regras determinadas em seu art. 2.º, caput e parágrafo 7.1 – Causas de Exclusão de Antijuridicidade
único: Júlio Fabbrini Mirabete nos diz que: "a exclusão da antijuridicidade não
1.a) Os Juizados Especiais Criminais Federais somente julgam infra- implica o desaparecimento da tipicidade, devendo-se falar em conduta
ções da competência da Justiça Federal (caput); típica justificada".
2.a) Somente são de sua competência as infrações penais de menor 7.2 – Legítima Defesa
potencial ofensivo (caput). Mirabete define claramente o que seja legítima defesa: "Entende-se em
Conceituando os crimes de menor potencial ofensivo, reza o parágrafo legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários,
único do mencionado dispositivo: repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem".
‘Consideram-se infrações de menor potencial ofensivo, para os efeitos São requisitos:
desta Lei, os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois a) Agressão injusta, atual ou iminente;
anos, ou multa’.
b) Direitos do agredido ou de terceiro, atacado ou ameaçado de da-
As duas disposições tratam do mesmo tema, qual seja, conceituação no pela agressão;
legal de crime de menor potencial ofensivo. Adotando critério de classifica-
ção de acordo com a quantidade da pena, observa-se que empregam c) Repulsa com os meios necessários;
valorações diversas. d) Uso moderado de tais meios;
Diante disso, de prevalecer a posterior, inegavelmente de direito penal e) Conhecimento da agressão e da necessidade da defesa (vontade
material. Mais benéfica, ampliando o rol dos crimes de menor potencial de defender-se).
ofensivo, derroga a anterior (CF, art. 5.º, XL; CP, art. 2.º, parágrafo único). a) Agressão injusta, atual ou iminente;
Em face disso, entendemos que o parágrafo único do art. 2.º da Lei n. Agressão é o ato que lesa ou ameaça um direito. Implica a idéia de
10.259/01 derrogou o art. 61 da Lei dos Juizados Especiais Criminais (Lei violência. Mas nem sempre, nos delitos omissivos não há violência, e
n. 9.099/95). mesmo em certos crimes comissivos, como o furto com destreza, pode
Em consequência, sejam da competência da Justiça Comum ou Fede- inexistir violência.
ral, devem ser considerados delitos de menor potencial ofensivo aqueles Deve a agressão ser atual ou iminente. Não existe legítima defesa
aos quais a lei comine, no máximo, pena detentiva não superior a dois contra agressão futura nem contra a que já cessou. É compreensível a
anos, ou multa; de maneira que os Juizados Especiais Criminais da Justiça legítima defesa nos delitos permanentes.
Comum passam a ter competência sobre todos os delitos a que a norma de Ex.: Sequestro.
sanção imponha, no máximo, pena detentiva não superior a dois anos (até
dois anos) ou multa. Deve também a agressão ser injusta, contra o direito, contra o que é
lícito ou permitido. Opondo-se ao que é ilícito, o defendente atua consoante
Ao não se adotar essa orientação, absurdos poderão ocorrer na práti- o direito. A reação do agredido é sempre preventiva: impede o início da
ca, em prejuízo de princípios constitucionais, como da igualdade e da ofensa ou sua continuidade, que iria produzir maior lesão.
proporcionalidade. Vejamos um exemplo.
b) Direitos do agredido ou de terceiro, atacado ou ameaçado de
Imagine o crime de paralisação de trabalho (art. 201 do CP), ao qual se dano pela agressão;
impõe pena máxima de dois anos de detenção. Como tem entendido a
jurisprudência, o delito só é da competência da Justiça Federal – nos Em relação ao titular do bem jurídico à agressão, há duas formas de
termos do art. 109, VI, da CF – quando o fato atinge a organização do legítima defesa:
i) própria, quando o autor da repulsa é o próprio titular do bem jurídico

Noções de Direito 39 A Opção Certa Para a Sua Realização


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atacado ou ameaçado; às regras do jogo, os seus autores não respondem por crime.
ii) de terceiro, quando a repulsa visa a defender interesse de terceiro. 7.5 – Estrito cumprimento do dever Legal;
Qualquer bem jurídico pode ser protegido através da ofensa legítima, Determina o art.23, III, do CP, que não há crime quando o sujeito
sem distinção entre bens pessoais ou impessoais (vida, honra, patrimônio, pratica o fato em estrito cumprimento de dever legal. É causa de exclu-
etc.). são de antijuricidade.
c) Repulsa com os meios necessários; Há casos em que a lei impõe determinado comportamento, em face do
Somente ocorre a causa de justificação quando a conduta de defesa é que, embora típica a conduta, não é ilícita.
necessária para repelir a agressão. Ex.: prisão em flagrante realizada pelo policial.
A medida da repulsa deve ser encontrada pela natureza da agressão A excludente só ocorre quando há um dever imposto pelo direito objeti-
em face do valor do bem atacado ou ameaçado, circunstâncias em que se vo. O dever pode ser imposto por qualquer lei, seja penal, seja extra penal.
comporta o agente e os meios à sua disposição para repelir o ataque. O A atividade pode ser pública ou privada.
meio escolhido deixará de ser necessário quando se encontrarem à sua É necessário que o sujeito pratique o fato no estrito cumprimento do
disposição outros meios menos lesivos. O sujeito que repele a agressão dever legal. E exige-se que o sujeito tenha conhecimento de que está
deve optar pelo meio produtor do menor dano. praticando o fato em face de um dever imposto pela lei.
d) Uso moderado de tais meios; OBS.: Consentimento do ofendido
O requisito da moderação na reação necessária é muito importante Outros bens jurídicos existem que não são lesados desde que haja
porque delimita o campo em que pode ser exercida a excludente, sem que consentimento do ofendido.
se possa falar em excesso. Encontrado o meio necessário para repelir a
injusta agressão, o sujeito deve agir com moderação. Assim, no furto, a subtração de coisa alheia só se dá contra a vontade
do dono. O dissenso é elemento típico. Faltando ele, não tem o fato típico.
e) Conhecimento da agressão e da necessidade da defesa (querer
defender-se) 7.6 – O excesso Punível (Legítima Defesa);
A legítima defesa exige requisitos de ordem subjetiva: é preciso que o Ao reagir à agressão injusta que está sofrendo, ou em vias de sofrê-la,
sujeito tenha conhecimento da situação de agressão injusta e da necessi- em relação ao meio usado o agente pode encontrar-se em três situações
dade da repulsa. Assim, a repulsa legítima deve ser objetivamente neces- diferentes:
sária e subjetivamente conduzida pela vontade de se defender. Aquele que i) usa de um meio moderado e dentro do necessário para repelir à
se defende tem de conhecer a agressão atual e ter vontade de defesa. A agressão;
falta de requisitos de ordem subjetiva leva à ilicitude da repulsa (fica excluí- Haverá necessariamente o reconhecimento da legítima defesa.
da a legítima defesa). ii) de maneira consciente emprega um meio desnecessário ou usa
Tipos de Legítima Defesa (Subjetiva, Sucessiva e Putativa) imoderadamente o meio necessário;
Legítima defesa subjetiva é o excesso por erro de tipo escusável, que A legítima defesa fica afastada por excluído um dos seus requisitos es-
exclui o dolo e a culpa (CP, art.20, §1o, 1a parte). senciais.
Legítima defesa sucessiva é a repulsa contra o excesso. - imoderação quanto ao uso do meio;
Ex.: A, defendendo-se de agressão injusta praticada por B, comete ex- - emprego de um meio desnecessário.
cesso. Então, de defendente passa a agressor injusto, permitindo a defesa iii) após a reação justa (meio e moderação) por imprevidência ou
legítima de B. conscientemente continua desnecessariamente na ação.
Legítima defesa putativa quando o agente, por erro de tipo ou de pro- No terceiro agirá com excesso, o agente que intensifica demasiada e
ibição plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe encontrar-se em desnecessariamente a reação inicialmente justificada. O excesso poderá
face de agressão injusta. Na legítima defesa putativa, o agente supõe a ser doloso ou culposo. O agente responderá pela conduta constitutiva do
existência da agressão ou sua injustiça. excesso.
7.3 – Estado de necessidade; 7.7 – O excesso Punível (Estado de Necessidade);
Estado de necessidade é uma situação de perigo atual de interesses Não há de falar-se em excesso punível quando em Estado de Necessi-
protegidos pelo Direito, em que o agente, para salvar um bem próprio ou de dade, pois a elementar dessa excludente consiste no fato do agente não
terceiro, não tem outro caminho senão o de lesar o interesse de outrem. possuir outro meio para execução da conduta.
Diferenças em Legítima Defesa e Estado de Necessidade Desta forma, a condição de estado de necessidade cessa quando o
Legítima Defesa Estado de Necessidade bem jurídico próprio ou de terceiro estão salvaguardados, as condutas
Há ataque ou ameaça de lesão Há conflito entre bens jurídicos posteriores não possuem nexo causal com a primeira, relembremos:
a um bem jurídico “... o agente, para salvar um bem próprio ou de terceiro, não tem
O bem jurídico sofre uma O bem jurídico é exposto a outro caminho senão o de lesar o interesse de outrem”.
agressão perigo 7.8 – O excesso Punível (Estrito Cumprimento do Dever Legal);
Oriundo de agressão humana O perigo pode advir de conduta O excesso também abrange as hipóteses do exercício regular de direi-
humana, força da natureza ou to e do estrito cumprimento do dever legal, embora a realidade prática
de ataque de irracional indique uma raridade fática.
O agredido deve dirigir seu O necessitado pode dirigir sua No estrito cumprimento do dever legal, a construção é a mesma dos
comportamento contra o agres- conduta contra terceiro alheio casos anteriores. Na hipótese da obediência hierárquica o elemento chave
sor ao fato está na "estrita obediência", agindo o subordinado com excesso e por ele
respondendo se for além do determinado pelo superior.
A agressão deve ser injusta Pode ocorrer lesões recíprocas
7.9 – O excesso Punível (Exercício Regular de Direito)
7.4 – Exercício regular do Direito;
No exercício regular do direito o elemento chave está no "exercício
O art.23, parte final, do CP determina que não há crime quando o a-
regular", pelo que deverá atender aos requisitos objetivos traçados pelo
gente pratica o fato no exercício regular de direito.
poder público.
Ex.: Direito de correção do pai em relação ao filho.
OBS.: A excludente ficará afastada se houver uso irregular ou a-
Desde que a conduta se enquadre no exercício de um direito, embora buso de direito e haverá excesso se for além do preconizado. Em
típica, não apresenta o caráter de antijurídica. Exige-se também o requisito ambas as hipóteses o excesso poderá ser doloso ou culposo.
subjetivo: conhecimento de que o fato está sendo praticado no exercício www.jurisway.org.br,
regular de um direito.
Outros exemplos de exercício regular do direito são: intervenções mé-
CLASSIFICAÇÃO DE ALGUNS CRIMES
dicas e cirúrgicas; violência esportiva desde que haja à obediência irrestrita
CRIME MATERIAL

Noções de Direito 40 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Crime material é aquele em que é necessário além da ação, a preceito proibitivo. A maioria dos tipos penais são comissivos. Exemplo:
ocorrência do resultado naturalístico para que ocorra a sua consumação. furto.
Exemplo: homicídio, estelionato. CRIMES OMISSIVOS
AÇÃO + RESULTADO - CONSUMAÇÃO São os praticados pela abstenção (não fazer) de comportamento
CRIME FORMAL exigido pela norma. E o não fazer o que a lei manda
Crime formal é aquele que se consuma com a simples ação, CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS
independentemente da ocorrência do resultado naturalístico; basta a ação (ou CRIME OMISSIVO PURO)
do agente e a sua vontade de alcançar o resultado. Exemplo: a ameaça Tais crimes somente podem ser praticados mediante um não-fazer o
consuma-se no momento em que a vítima toma o conhecimento da que a lei manda, como por exemplo, o crime de omissão de socorro (CP,
ameaça. artigo 135). Portanto, o omitente só praticará o crime se houver tipo
AÇÃO = CONSUMAÇÂO incriminador descrevendo a omissão como infração formal ou de mera
CRIMES DE MERA CONDUTA conduta.
São aqueles em que a figura típica não contém mais que a descrição CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS OU
da conduta, por não existir explicitamente qualquer referência ao resultado C0MISSIVOS POR OMISSÃO (ART. 13, § 2º, CP)
(naturalístico). São também chamados de crimes de simples atividade. São aqueles em que o agente, por deixar de fazer o que estava obriga-
Exemplo: crime de omissão de notificação de doença (CP, artigo 269). do por lei, produz o resultado. Exemplo: a mãe que deixa de alimentar seu
CRIMES COMUNS filho em face de amamentação (CP, artigo 13, § 2º,”a” - obrigação de
São aqueles que podem ser praticados por qualquer pessoa. A lei não cuidado, proteção ou vigilância).
exige requisito especial. Exemplo: homicídio, furto. Estes crimes só podem ser praticados pela pessoa que tiver, por lei, o
CRIMES PRÓPRIOS dever de evitar o resultado, ou ainda, por aquela que se encontra na
São aqueles que exigem do sujeito ativo determinada condição ou denominada posição de garantidor (garante),que também possui o dever
qualidade, geralmente de ordem funcional, familiar, condição jurídica etc. legal, por força do artigo 13,5 20, “b”, do Código Penal. Como exemplo,
Exemplo: advogado — patrocínio infiel; maternidade — infanticídio; podemos citar o caso da enfermeira paga, ou aquela vizinha que
funcionário público — peculato. voluntariamente se ofereceu para cuidar do recém-nascido. Temos ainda,
CRIMES DE MÃO PRÓPRIA na alínea “c” do § 2º do artigo 13, o dever de agir e evitar o resultado
daquele que criou o risco da ocorrência do resultado. Como exemplo
São chamados crimes de atuação pessoal, aqueles em que todos os clássico, citamos o nadador profissional que convida o banhista bisonho
elementos do tipo penal devem ser realizados pessoalmente pelo agente para uma travessia e não o socorre quando este está se afogando.
(ação personalíssima). Exemplo: falso testemunho (apenas, se admite o
concurso de agentes na modalidade da participação). CRIME PUTATIVO
CRIMES HABITUAIS É o crime imaginário. O sujeito imagina estar praticando uma conduta
ilícita, porém, sua conduta é lícita. Como exemplo, podemos citar o caso da
São aqueles que exigem a habitualidade, e não se consumam a não mulher que ingere substância abortiva, supondo estar grávida. Neste caso
ser por reiteradas violações. Neste caso, a realização isolada da conduta estamos diante de um delito putativo por erro de tipo, que é o crime
descrita no tipo penal não é considerada delituosa. Exemplo: manter casa impossível pela impropriedade absoluta do objeto.
de prostituição, curandeirismo.
CRIME FALHO OU TENTATIVA PERFEITA
CRIMES PERMANENTES
É aquele em que o agente realiza todos os elementos do tipo, mas o
São aqueles em que a consumação de uma única ação ou omissão se resultado acaba não acontecendo por circunstâncias alheias à sua vontade.
prolonga no tempo. Embora já realizada, continua se renovando enquanto o Ex.: o atirador descarrega todas as balas da arma sem atingir a vítima.
agente não cessar a situação ilícita. Exemplo: sequestro.
CRIMES PROGRESSIVOS
O agente encontra-se em permanente estado de flagrância e a
prescrição não flui enquanto durar a permanência. São aqueles que apresentam uma figura típica mais grave em que se
inclui outra menos grave, ou seja, o crime menos grave está contido no de
CRIMES INSTANTÂNEOS maior gravidade. Ex.: homicídio. Não é possível o crime de “matar alguém”
São aqueles que se exaurem no momento em que são consumados, sem que antes exista o de “ofender a integridade corporal ou a saúde de
sem continuidade no tempo. Exemplo: furto, homicídio. outrem” (CP, artigos 121 e 129).
CRIMES INSTANTÂNEOS DE EFEITOS PERMANENTES Neste caso aplica-se princípio da consunção, respondendo o agente
São aqueles em que o resultado da ação ou da omissão são apenas pelo crime de homicídio e não também pelo crime de lesão
irreversíveis, permanecendo no tempo. Assim, o crime consuma-se em um corporal.
momento específico, mas seus efeitos se perpetuam no tempo. Exemplo: CRIMES DE RESPONSABILIDADE
homicídio, sedução. São aqueles que são praticados por agentes que detêm poder político.
CRIMES COMPLEXOS Exemplo: responsabilidade administrativa e penal de prefeitos e
São aqueles que contêm duas ou mais figuras típicas penais; ofendem vereadores.
mais de um bem jurídico. Exemplo: latrocínio roubo + homicídio; Roubo = CRIME A PRAZO
furto + ameaça. A consumação depende de um determinado lapso de tempo, por
CRIMES DE AÇÃO MULTIPLA exemplo, artigo 129,§ 1º, I, do Código Penal, (mais de 30 dias).
São aqueles em que se encontram descritas no tipo duas ou mais CRIMES DE DANO
condutas, ou seja, encontram-se previstas alternativas de condutas, só São aqueles que exigem uma real lesão ao bem juridicamente
havendo necessidade da prática de uma para se realizar o delito. Exemplo: protegido para a sua consumação. Exemplos: homicídio, dano, etc.
induzimento, auxilio e instigação ao suicídio.
CRIMES DE PERIGO
CRIMES UNISSUBJETIVOS
Para que sejam consumados basta a simples possibilidade de causar
São aqueles nos quais a totalidade dos atos típicos pode ser praticada dano. Exemplo: periclitação da vida ou saúde de outrem (CR artigo 132).
por um único agente. Exemplo: homicídio.
São subdivididos em:
CRIMES PLURISSUBJETI VOS
a) crime de perigo concreto: ocorre quando a realização do tipo
São aqueles em que a lei exige mais de um agente para que seja exige uma situação de perigo efetivo;
consumado o delito; são também chamados de crimes de concurso
necessário. Exemplo: quadrilha ou bando; rixa. b) crime de perigo abstrato: ocorre quando a situação de perigo
éabstrata;
CRIMES COMISSIVOS
c) crime de perigo individual: é aquele que atinge apenas uma
São aqueles em que há uma ação positiva (fazer). A ação viola um pessoa ou um número determinado de pessoas, por exemplo,

Noções de Direito 41 A Opção Certa Para a Sua Realização


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perigo de contágio venéreo; VÁRIAS AÇÕES = VÁRIOS RESULTADOS
d) crime de perigo comum ou coletivo: é aquele que somente se Aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que
consuma se for atingido um número indeterminado de pessoas, haja incorrido o agente. No caso de aplicação cumulativa de penas de
por exemplo, incêndio; reclusão e detenção, executa-se primeiro aquela (CR artigo 69, caput). Se
e) crime de perigo atual: é aquele que está acontecendo; forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá
f) crime de perigo iminente: é aquele que está prestes a acontecer; simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as
demais (CP, artigo 69, § 2º).
g) crime de perigo futuro ou mediato: é aquele que pode advir da
conduta, por exemplo, porte de arma de fogo. Já, em se tratando de pena privativa de liberdade, não suspensa por
um dos crimes, ou seja, caso seja fixada uma pena em regime fechado
CRIME ACESSÓRIO (impossibilidade da concessão de sursis) e ao mesmo tempo outra, na
É aquele que depende de outro crime para existir. Como exemplo, mesma sentença, em que será perfeitamente cabível a substituição da
podemos citar o crime de receptação (CP, artigo 180). pena por pena restritiva de direitos, incabível será a aplicação do artigo 44
CRIME PRINCIPAL do CP (art.69,5 10); em contrapartida, este mesmo parágrafo estabelece a
É aquele que existe independentemente de outros. Exemplo: furto. viabilidade de se cumular, quando do reconhecimento do concurso material,
CRIMES DE CONCURSO NECESSÁRIO OU PLURISSUBJETIVO uma pena privativa de liberdade, com suspensão condicional da pena
(sursis) ou mesmo regime aberto (prisão domiciliar) com uma restritiva de
São aqueles que exigem pluralidade de sujeitos ativos, por exemplo,
direitos, isto é, tal parágrafo permite que o condenado cumpra as condições
crime de rixa.
do sursis ao mesmo tempo em que efetua o pagamento da prestação
CRIME MULTITUDINÁRIO pecuniária.
É aquele cometido por influência de multidão, por exemplo, Assim, as penas são somadas aritmeticamente.
linchamento.
CONCURSO FORMAL (ou IDEAL) (ART. 70 CP)
CRIME HEDIONDO (LEI Nº 8.072/90)
Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão (idênticas ou
São considerados hediondos os seguintes crimes, tentados ou não), acarreta dois ou mais resultados. Exemplo: o agente atira em “A” e
consumados: Homicídio, quando praticado em atividade típica de grupo de mata “A” e “B”.
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado;
- UMA AÇÃO = VÁRIOS RESULTADOS
latrocínio; extorsão qualificada pela morte; extorsão mediante sequestro e
na forma qualificada; estupro; atentado violento ao pudor; epidemia com Em se tratando de aplicação de pena, aplica-se a mais grave das
resultado morte; falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de penas cabíveis, ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em
produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto,
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes
Parágrafo único. Considera-se hediondo o crime de genocídio previsto
resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo 69 do
nos artigos 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1956, tentado ou consumado.
Código Penal (concurso material).
Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de
Assim, se dois crimes forem frutos de desígnios autônomos, há a
entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:
somatória de penas, e, em hipótese alguma a pena pode exceder aquela
I - Anistia, graça e indulto; cabível no caso de concurso material (CP, artigo 70, parágrafo único)
II - Fiança e liberdade provisória. CRIME CONTINUADO (ou CONTINUIDADE DELITIVA)
Com relação à liberdade provisória e tráfico de drogas na Lei n.0 8.072/ (ART. 71 CP)
90, há entendimento no sentido contrário:
Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou
Admite-se, uma vez que o artigo 20, II, é inconstitucional (CF, artigo 5º, mais crimes da mesma espécie, e, pelas condições de tempo, lugar,
LXVI): TJSP, HC 113.259, 6ª Câmara, 28.08.91, Rel. Des. Luiz Betanho; maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes
HC 105.484, RT671/323. serem havidos como continuação do primeiro...
Em caso de condenação, se o acusado estiver preso em decorrência Há várias ações, sendo cada uma um delito já consumado, mas que se
de flagrante, prisão temporária ou preventiva, não se admite a apelação em mostram unidas por uma homogeneidade circunstancial que as transforma,
liberdade, em face da proibição de liberdade provisória. Se o acusado por ficção, em realização de um só crime em desenvolvimento continuado.
encontra-se solto, o juiz pode conceder, fundamentadamente, que o réu re-
Será aplicada a pena de um só dos crimes se idênticas ou a do mais
corra em liberdade.
grave se diversas; aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois
Cabe prisão temporária por 30 (trinta) dias, prorrogáveis por mais 30 terços.
(trinta), se comprovada extrema necessidade.
Trata-se de um benefício ao réu que visa à diminuição do tempo de
A pena deve ser cumprida integralmente em regime fechado. condenação.
DELAÇÃO PREMIADA Parágrafo único: nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes,
O artigo 7º, da Lei n0 8.072/90, com nova redação dada pelo artigo 1º, § cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz,
4º da Lei n0 9.269/96, acrescentou ao artigo 1º, §4º, segundo o qual, no considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
crime de extorsão mediante sequestro, caso o mesmo seja praticado em personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias,
concurso, e o concorrente denunciar o fato à autoridade, possibilitando a aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se
liberação do sequestrado, será beneficiado com uma redução de pena que diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do artigo 70
será de um a dois terços. e do artigo 75 do Código Penal.
Não há necessidade de se indagar a motivação da informação remeti- DOLO
da, se arrependimento, remorso, medo, temor, ou qualquer outro, bastando Dolo é a vontade livre e consciente de realizar o comportamento típico,
notícias a respeito do cativeiro e que elas alcancem sucesso. Foi instituída, ou seja, quando o agente quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo.
assim, a figura da delação no direito penal brasileiro. É, portanto, a intenção inequívoca de produzir o resultado. Crimes dolosos
CONCURSO DE CRIMES são os crimes intencionais.
O concurso de crimes ocorre quando um agente pratica duas ou mais Temos três teorias relacionadas ao dolo, quais sejam: teoria da
infrações penais. vontade, teoria da representação e teoria do assentimento.
Ternos três espécies de concurso de crimes: concurso formal, concurso Para a teoria da vontade o dolo consiste na vontade e na consciência
material e crime continuado. Diz-se também concurso de penas. de praticar o fato típico. Para a teoria da representação, a essência do dolo
CONCURSO MATERIAL (ou REAL) (ART. 69 CP) não estaria tanto na vontade, mas principalmente, na previsão do resultado.
Quando o agente, mediante duas ou mais ações ou omissões Já para a teoria do assentimento, o dolo consistiria no assentimento do
(idênticas ou não), acarreta dois ou mais resultados. Exemplo: furta o carro resultado, isto é, a previsão do resultado com a aceitação dos riscos de
e atropela, por imprudência, terceira pessoa. produzi-lo.

Noções de Direito 42 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
O nosso Código Penal (CP, artigo 18,I), adotou a teoria da vontade e a ESPËCIES DE CULPA
teoria do assentimento: diz-se o crime doloso quando o agente quis o a) Culpa inconsciente: o agente não prevê o resultado, porém, este
resultado (teoria da vontade) ou assumiu o risco de produzi-lo (teoria do era previsível;
assentimento). b) Culpa consciente: o agente prevê o resultado, mas espera sincera-
Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato mente que este não ocorra. Há no agente a representação da
previsto como crime senão quando o pratica dolosamente (CP, artigo 18, possibilidade do resultado, mas ele a afasta, de pronto, por
parágrafo único). entender que a evitará e que sua habilidade impedirá o evento
ELEMENTOS DO DOLO lesivo previsto;
Os elementos do dolo são: a consciência e a vontade. c) Culpa imprópria (ou por extensão, por equiparação ou por
ESPËCIES DE DOLO assimilação): é aquela em que o agente, por erro de tipo
a) Dolo direto ou determinado: quando o agente visa a determinado inescusável, imagina praticar a conduta licitamente, ou seja, o
resultado. Exemplo: o agente atira com a intenção de matar. agente supõe estar acobertado por uma das excludentes de
ilicitude ou antijuridicidade (legitima defesa, estado de
b) Dolo indireto ou indeterminado: Quando o agente não visa a necessidade, estrito cumprimento do dever legal ou exercício
resultado certo, determinado. O dolo indireto é subdividido em: regular do direito). Contudo, esse erro poderia ter sido evitado pelo
b. 1) eventual: quando o agente não quer diretamente o resultado, mas emprego de diligência mediana, e, assim, subsiste o
assume o risco de produzi-lo, ou seja, o agente prevê o resultado comportamento culposo;
de sua conduta e não deseja diretamente esse resultado, mas d) culpa presumida: trata-se de uma forma de responsabilidade
segue em frente na conduta assumindo a possibilidade de alcançar objetiva e, portanto, não é prevista na legislação penal. Já o
certo resultado ilícito; Código Penal de 1940, contrariamente, previa a punição por crime
b.2) alternativo: quando a vontade do agente se dirige a um ou outro culposo quando o agente causasse o resultado apenas por ter
resultado. Exemplo: quando o agente dispara uma arma para ferir infringido uma disposição regulamentar, como, por exemplo, dirigir
ou matar. sem habilitação legal, ainda que não houvesse imprudência,
c) Dolo de dano: Quando o agente quer o dano ou assume o risco de negligência ou imperícia;
produzi-lo (causar dano efetivo). e) culpa mediata ou indireta: nesta espécie de culpa, o agente
d) Dolo de perigo: Quando o agente quer ou assume o risco de indiretamente produz o resultado; é o caso de uma pessoa que
colocar a vítima em perigo. A conduta se orienta apenas para a atropela uma criança e, em razão disso, o pai atravessa a rua para
criação de um perigo. Exemplo: crime de perigo de contágio prestar socorro e acaba atropelado por outro veículo.
venéreo (artigo 130 do Código Penal). GRAUS DE CULPA
e) Dolo específico: Quando existe a vontade de produzir um fim Temos três graus de culpa: culpa grave, culpa leve e culpa levíssima.
especial, específico. Exemplo: alteração de limites para o fim de Não há compensação de culpas em Direito Penal.
apropriar-se.
CULPA CONSCIENTE E DOLO EVENTUAL
f) Dolo genérico: Quando há vontade de praticar o fato descrito no
tipo, ou seja, quando a intenção do agente se esgota na produção Na culpa consciente, embora seja o resultado previsto pelo agente,
do fato típico. É o dolo comum. este espera, sinceramente, que jamais irá ocorrer, confiando, destarte, na
sua habilidade. Já, no dolo eventual, o agente também prevê o resultado
CULPA (embora não o deseja), contudo, dá seu assentimento ao resultado. Isto
Segundo Paulo José da Costa Júnior, a culpa é a prática voluntária de posto, tanto na culpa consciente como no dolo eventual o resultado é
urna conduta, sem a devida atenção ou cuidado, da qual deflui um previsível pelo agente, porém, no dolo eventual o agente diz: “tanto faz”,
resultado previsto na lei como crime, não desejado nem previsto, mas enquanto na culpa consciente supõe: “é possível, mas não vai acontecer de
previsível. forma alguma”.
A culpa consiste na prática não intencional do delito, faltando, porém, DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ (ART. 15
ao agente, um dever de atenção, cuidado. Na culpa o agente produz o CP)
resultado por negligência, imprudência ou imperícia. Como estudado anteriormente, dá-se a tentativa quando o resultado
MODALIDADES DE CULPA não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente. Contudo, o
a) negligência: a falta de atenção devida é a desatenção. Exemplo: próprio agente, após iniciada a execução, voluntariamente, pode desistir de
dirigir olhando para a calçada ao invés da rua; passear com prosseguir na mesma (desistência voluntária), ou ainda, pode evitar,
cachorro bravio sem focinheira; também voluntariamente, que o resultado ocorra (arrependimento eficaz).
b) imprudência: quando existe a inobservância da cautela comum, Na desistência voluntária o agente interrompe o processo de execução
exigida em determinados atos. É a prática de ato perigoso. que iniciara, porque assim o quis. Deve a desistência ser voluntária,
Exemplo: dirigir em velocidade superior à permitida no local; embora não necessite ser espontânea, podendo ser provocada por temor,
c) imperícia: é a inobservância dos cuidados específicos a que vergonha, etc.
deveria estar habilitado o agente por falta de aptidão, insuficiência Se o crime for consumado, não há que falar em desistência voluntária.
de conhecimentos técnicos ou teóricos. Exemplo: sair dirigindo Assim, se o agente já realizou todo o processo de execução, mas
sem estar devidamente habilitado. Alguns doutrinadores não impede que o resultado ocorra, estamos diante do arrependimento eficaz.
aceitam este exemplo como sendo imperícia. O arrependimento eficaz também deve ser voluntário, embora não
Em geral os tipos culposos são abertos e, sendo assim, não descrevem necessite ser espontâneo.
a conduta culposa, limitando-se a dizer: “se o crime é culposo, a pena será A maioria dos doutrinadores entende ser tanto a desistência voluntária
de.. como o arrependimento eficaz, causa de exclusão de punibilidade mas, se
Para se saber se houve ou não culpa, necessariamente deverá se os atos anteriores forem típicos, o agente responde por eles.
proceder a um juízo de valor, fazendo-se uma comparação entre a conduta Se o crime for consumado, não há que se falar em arrependimento
do agente no caso concreto e a que um homem de prudência média teria eficaz.
na mesma situação.
ARREPENDIMENTO POSTERIOR (ART. 16 CP)
ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO
Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
Os elementos do crime culposo são: conduta (sempre voluntária), reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou
resultado involuntário, nexo causal, tipicidade, previsibilidade objetiva, queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois
ausência de previsão (não existe esse elemento na culpa consciente), terços.
quebra do dever objetivo de cuidado (pela imprudência, imperícia ou
negligência). Para Celso Delmanto, trata-se de causa obrigatória de redução depena
e não mera atenuante e, por isso, pode ocorrer redução de modo a pena

Noções de Direito 43 A Opção Certa Para a Sua Realização


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ficar abaixo do mínimo previsto e influir no cálculo da prescrição penal.52 subjetivos e normativos do tipo.
Já ensina Waléria G. Loma Garcia que o arrependimento posterior, Explicamos como exemplo a descrição do crime de furto: subtrair para
atendido seus requisitos, é uma causa obrigatória de redução depena, entre si ou para outrem, coisa alheia móvel (CP, artigo 155).
determinados limites.53 a) elemento objetivo: subtrair coisa móvel;
O ato de reparar ou restituir precisa ser voluntário, embora possa não b) elemento normativo: desconhecer o alcance de expressões usadas,
ser espontâneo. “coisa alheia móvel”;
Assim, os requisitos do arrependimento posterior são: c) elemento subjetivo: para si ou para outrem.
a) ausência de violência ou grave ameaça à pessoa; Ainda, como elementos constitutivos do tipo legal do crime devem ser
b) reparação do dano ou restituição da coisa (na sua integralidade e entendidos, além dos já supracitados, outros, quais sejam: as causas ou
até o recebimento da denúncia ou queixa); circunstâncias que qualificam o crime ou aumentam a pena.56
c) voluntariedade. ESPECIES DE ERRO
Caso a reparação do dano ou a restituição da coisa seja parcial, será O erro de tipo pode ser:
considerada apenas como atenuante conforme preceitua o artigo 65,III, b, a) acidental: refere-se a dados acessórios ou secundários do crime. É
do Código Penal. irrelevante para o tipo penal; não beneficia o agente.
CRIME IMPOSSÍVEL (ART. 17 CP) Exemplo: se o agente pretende furtar uma mala cheia de jóias e, por
Tem-se crime impossível quando, por ineficácia absoluta do meio ou erro, subtrai uma mala cheia de roupas, seu erro é acidental já que, tanto
por absoluta impropriedade do objeto, torna-se impossível a consumação faz subtrair jóias ou roupas, pois ambas as ações caracterizam o crime de
do delito. furto.
O crime impossível é também chamado de tentativa inidônea ou b) essencial: sempre afasta o dolo; refere-se a dados elementares do
inadequada, tentativa impossível ou quase-crime. crime. Pode ser:
Ineficácia absoluta do meio: o meio empregado é absolutamente b.1) Erro essencial inevitável (ou invencível): afasta o dolo e a culpa.
ineficaz. Exemplos: disparar revólver sem munição (é meio absolutamente Nele o sujeito errou, porém, tomou todas as precauções exigíveis dentro
inidôneo para matar alguém); já o revólver com balas velhas (pode ou não dos limites em que se encontrava (CP, artigo 20, la parte);
disparar) é meio relativamente inidôneo e seu uso permite caracterizar a b.2) Erro essencial evitável (ou vencível): afasta o dolo, mas permite a
tentativa de crime. punição a título de culpa caso o fato seja punível também na modalidade da
Impropriedade absoluta do objeto: o objeto material do crime é culpa. Neste caso, o sujeito, embora não agindo com dolo, poderia ter
absolutamente impróprio para que o crime se consume. Exemplos: evitado o erro se tivesse agido tomando os cuidados objetivos necessários
esfaquear cadáver; bater carteira de quem não possui dinheiro; práticas (CR artigo 20, última parte).
abortivas em mulheres não grávidas. Assim, caso o sujeito, por ausência de cuidado, venha a matar uma
O crime impossível está sempre ligado à tentativa, não sendo esta pessoa em vez de um animal, responderá por crime de homicídio culposo,
punida em face da impossibilidade de consumação da infração penal. já que é prevista tal figura delitiva. Contrariamente, se o sujeito
Duas teorias existem a respeito de crime impossível: equivocadamente leva uma mala alheia supondo ser sua, não responderá
a) teoria subjetiva: segundo ela, o que importa é a intenção do agente, por crime algum,já que inexiste a figura culposa do crime de furto.
responsabilizando-o mesmo que o meio ou objeto sejam ineficazes; DESCRIMINANTES PUTATI VÁS (ART. 20, §1º, CP)
b) teoria objetiva: entende ser impossível a tentativa apenas quando o Trata-se de erro de tipo permissivo, ou seja, erro sobre os requisitos
meio ou objeto forem absolutamente impróprios para a consumação. Esta fáticos de uma causa excludente de ilicitude. Neste caso, o agente supõe
teoria é a adotada pelo Código Penal. estar agindo amparado por uma das excludentes de ilicitude ou
Porquanto, uma vez presente a figura do crime impossível, haverá antijuridicidade (legítima defesa, estado de necessidade, estrito
Isenção de pena, sendo portanto, uma exceção à regra da punibilidade da cumprimento do dever legal, exercício regular do direito).
tentativa de crime. Torna-se o fato atípico. Se o erro era inevitável, invencível, não há dolo nem culpa (CP, artigo
AGRAVAÇÃO PELO RESULTADO (ART. 19 CP) 20, §1º, 1ª parte).
O artigo 19 do Código Penal visa a impedir a punição de alguém por Se o erro era evitável, vencível, poderá haver punição a título de culpa
simples responsabilidade objetiva (ausência de dolo ou culpa). Para isso, (CP, artigo 20, § 1º, última parte).
determina que, pelo resultado que agrava especialmente a pena, só Fernando Capez cita como exemplo: o sujeito está assistindo à
responde o agente que o houver causado ao menos culposamente. Isto televisão quando um primo brincalhão surge à sua frente disfarçado de
posto, além do dolo e da culpa, temos uma outra forma de culpabilidade: o assaltante Imaginando uma situação de fato, na qual se apresenta uma
preterdolo ou preterintenção. agressão iminente a direito próprio, o agente dispara contra o colateral,
Assim, o crime qualificado pelo resultado também é denominado crime pensando estar em legítima defesa. A situação justificante só existe em sua
preterdoloso, ou ainda preterintencional. cabeça; por isso diz-se legítima defesa imaginária ouputativa57.
No dizer de Magalhães Noronha, há dois crimes na figura preterdolosa: ERRO DETERMINADO POR TERCEIRO (ART. 20, § 2º, CP)
o minusdelictum (o que o delinquentequeriapraticar), atribuível a título de Neste caso, o erro é causado por terceiro e, sendo assim, este
dolo, e o majus delictum (o que realmente se vem a verificar), imputado a responderá pelo crime.
título de culpa. Caso o terceiro tenha agido dolosamente, quer dizer intencionalmente,
Portanto, temos o crime preterdoloso quando o agente, por ação ou responderá a título de dolo; se agiu culposamente, poderá responder a
omissão, provoca, por culpa (negligência, imprudência ou imperícia), um título de culpa.
resultado mais grave que o pretendido. Dolo no antecedente e culpa no O provocado, ou seja, o sujeito que agiu pela provocação de terceiro,
consequente. Exemplo: lesão corporal seguida de morte (CR artigo 129, § estará isento de pena caso o erro seja inevitável; se evitável, responderá a
3º). título de culpa por ter deixado de tomar os cuidados objetivos necessários.
Neste caso, o agente é punido pela lesão corporal a título de dolo e ERRO SOBRE A PESSOA (ART. 20, §3º, CP)
pela morte a título de culpa. O erro versa sobre a pessoa: o agente atira em “A” por supor tratar-se
ERRO DE TIPO (ART. 20 CP) de “B”. Neste caso, não ocorre a isenção de pena e, para efeito de
Ignorar é não saber; errar é saber mal (Paulo José da Costa Júnior). qualificadoras, atenuantes, privilégios e agravantes, deve-se considerar
Trata-se do erro (engano, desconhecimento) sobre elemento que constitua a pessoa que o agente pretendia atingir e não a pessoa que foi vitimada.
o tipo (descrição legal do comportamento proibido) penal. Tal fato exclui o ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO OU ERRO DE PROIBIÇÃO (ART.
dolo, mas permite a punição por culpa se houver previsão legal de conduta 21 CP)
culposa. Preceitua o artigo 21 do Código Penal: o desconhecimento da lei é
O erro pode ocorrer sobre os aspectos (elementos) objetivos, inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena;

Noções de Direito 44 A Opção Certa Para a Sua Realização


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se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um terço. culpabilidade (entre elas não haveria nenhuma relação). Trata-se de
Porquanto, o erro sobre a ilicitude do fato, advém de uma equivocada elemento valorativamente neutro. Sua concepção não admitia o
compreensão da lei, levando o agente a pensar erroneamente que o fato é reconhecimento de elementos normativos ou subjetivos do tipo.
permitido. Exemplo: eutanásia. 2ª) Fase do caráter indiciário da ilicitude ou da “ratio cognoscendi”
Se o erro for inevitável, será causa de isenção de pena. Caso o erro (Mayer — 1915): a tipicidade deixa de ter função meramente descritiva,
seja evitável, ou seja, caso haja possibilidade do agente, em virtude das representando um indício da antijuridicidade. Embora se mantenha a
circunstâncias, ter a consciência da ilicitude, a pena será diminuída de um independência entre tipicidade e antijuridicidade, admite-se ser uma indício
sexto a um terço. da outra. Pela teoria de Mayer, praticando-se um fato típico ele se presume
O mero desconhecimento da lei não é causa de isenção de pena. ilícito. Essa presunção, contudo, é relativa, pois admite prova em contrário.
Além disso, a tipicidade não é valorativamente neutra ou descritiva, de
No caso de apropriação de coisa achada, é possível alegar erro de modo que se toma admissível o reconhecimento de elementos normativos e
proibição, em face do desconhecimento geral quanto à tipicidade de tal subjetivos do tipo penal.
conduta; ‘achado não é roubado”.
3ª) Fase da “ratio essendi” da ilicitude (Mezger — 1931): Mezger atribui
ERRO NA EXECUÇÃO (ABERRATIO ICTUS) (ART. 73 CP) ao tipo função constitutiva da ilicitude, de tal forma que se o fato for lícito,
Opera-se o erro na execução quando o agente, por inabilidade ou será atípico. A ilicitude faz parte da tipicidade. O tipo penal do homicídio
acidente, atinge pessoa diversa da pretendida. Neste caso, apesar do erro, não seria matar alguém, mas matar alguém fora das hipóteses de legítima
não muda o interesse ou o bem protegido pela norma penal. Trata-se de defesa, estado de necessidade etc.
erro de pontaria. Concepção dominante: a de Mayer.
Face ao erro de execução, o agente responde como se tivesse atingido Adequação típica
a pessoa que tencionava atingir e, caso além da vítima equivocada, a
pretendida também seja atingida, aplica-se a regra do concurso formal (CR E o mesmo que tipicidade, ou seja, a relação de subsunção entre o fato
artigo 70). e a norma penal. Há quem pense de modo diverso, afirmando que
tipicidade seria a mera correspondência formal entre o fato e a norma,
RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO (ABERRATIO DELICTI) enquanto a adequação típica, a correspondência que levaria em conta não
(ART. 74 CP) apenas uma relação formal de justaposição, mas a consideração de outros
Ocorre quando o agente, por inabilidade ou acidente, atinge bem requisitos, como o dolo ou a culpa.
jurídico diverso do pretendido. Se é atingida apenas a coisa que não foi Há duas modalidades de adequação típica:
visada, o agente responde por culpa, na hipótese do delito admitir forma
culposa. Caso também ocorra o resultado originariamente pretendido, 1ª) Adequação típica por subordinação imediata ou direta: dá-se
haverá concurso formal. Exemplo: o agente quer quebrar, com uma quando a adequação entre o fato e a norma penal incriminadora é imediata,
pedrada, uma vitrine e atinge a balconista. direta; não é preciso que se recorra a nenhuma norma de extensão do tipo.
Exemplo: alguém efetua dolosamente vários disparos contra a vítima —
este fato se amolda diretamente ao tipo penal incriminador do art. 121 do
CP.
Sujeito ativo e sujeito passivo da infração penal.
2ª) Adequação típica por subordinação mediata ou indireta: o
enquadramento fato/norma não ocorre diretamente, exigindo-se o recurso a
Sujeito ativo (ou agente) é quem pratica a infração penal (o fato). uma norma de extensão para haver subsunção total entre fato concreto e
Sujeito passivo é a pessoa ou entidade que sofre os efeitos da prática da lei penal. Exemplo: se alguém, com intenção homicida, efetua vários
infração. Ë o titular do direito lesado (a vítima), podendo ser pessoa natural disparos de arma de fogo contra outrem e foge, sendo a vítima socorrida e
ou jurídica ou ainda o Estado (crimes contra administração pública). salva a tempo, esse fato não se amolda ao tipo penal do art. 121 (não
Somente o ser humano pode ser sujeito ativo de crime (em princípio). houve morte). Também não se enquadra no art. 129 (lesões corporais)
Os menores de dezoito anos são penalmente inimputáveis. Estes ficam sob porque o sujeito agiu com animus necandi (o art. 129 pressupõe animus
a proteção integral do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n0 laedendi). Seria o fato atípico? Não. Para que ocorra o perfeito
8.069/90), e, quando ferem direitos juridicamente tutelados (crime ou enquadramento da conduta com a norma, contudo, será preciso recorrer a
contravenção penal), praticam atos infracionais. uma norma de extensão; no caso, o art. 14, II, que descreve a tentativa. O
Excepcionalmente, pessoas jurídicas podem ser sujeito ativo de crime, mesmo se verifica quando alguém empresta arma de fogo a um homicida,
porém, atualmente, só ocorre quando se tratar de infrações contra o meio que a utiliza posteriormente para cometer o crime. Sua conduta não
ambiente, cometidas por decisão dos dirigentes, no interesse ou benefício encontra correspondência direta com o art. 121 do CP. Novamente é
das mesmas (Lei n.0 9.605/98; CF, artigos 225, § 3º e 173, § 5º). preciso, então, socorrer-se de uma norma de extensão; nesse caso, o art.
29, caput, que pune a participação
Porém, o conceito de culpa, no dizer de Maggiore, é estritamente
pessoal: e a única, verdadeira e não fictícia personalidade é aquela do Tipicidade conglobante (Zaffaroni)
homem, que tem um corpo e uma alma, há uma vontade, uma liberdade, Trata-se de um dos aspectos da tipicidade penal, que se subdividiria
uma responsabilidade, Todo o resto é senão metáfora e ficção. em tipicidade legal (adequação do fato com a norma penal, segundo uma
análise estritamente formal) e tipicidade conglobante. Por meio desta, deve-
se verificar se o fato, que aparentemente viola uma norma penal proibitiva,
não é permitido ou mesmo incentivado por outra norma jurídica (como no
Conceito de crime, fato típico, ilicitude, culpabilidade, punibilidade. caso das intervenções médico-cirúrgicas, violência desportiva, estrito
cumprimento de um dever legal etc.). Não teria sentido, dentro dessa
Tipicidade perspectiva, afirmar que a conduta do médico que realiza uma cirurgia no
Conceito paciente viola a norma penal do art. 129 do CP (não ofenderás a
É a relação de subsunção entre um fato concreto e um tipo penal previsto integridade corporal alheia) e, ao mesmo tempo, atende ao preceito
abstratamente na lei. Trata-se de uma relação de encaixe, de enqua- constitucional segundo o qual a saúde é um direito de todos (não é lógico
dramento. É o adjetivo que pode ou não ser dado a um fato, conforme dizer que ele viola uma norma e obedece a outra, ao mesmo tempo).
ele se enquadre ou não na lei penal. Por meio da tipicidade conglobante (análise conglobada do fato com
O conceito de tipicidade, como se concebe modernamente, passou a todas as normas jurídicas, inclusive extrapenais), situações consideradas
ser estruturado a partir das lições de Beling (1906), cujo maior mérito foi tradicionalmente como típicas, mas enquadráveis nas excludentes de
distingui-la da antijuridicidade e da culpabilidade. Seus ensinamentos, ilicitude (exercício regular de um direito ou estrito cumprimento de um dever
entretanto, foram aperfeiçoados até que se chegasse à concepção vigente. legal), passariam a ser tratadas como atípicas, pela falta de tipicidade
Jiménez de A sua sistematizou essa evolução, dividindo-a em três fases: conglobante. Com a adoção da teoria da imputação objetiva, tais resultados
(atipicidade de fatos então considerados típicos, porém lícitos) são
1ª) Fase da independência (Beling — 1906): a tipicidade possuía
atingidos sem necessidade dessa construção, que se toma supérflua.
função meramente descritiva, completamente separada da ilicitude e da
Ilicitude

Noções de Direito 45 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Os autores falam normalmente em antijuridicidade. Mas, o que seria Pela teoria psicológico-normativa (Frank, 1907), o dolo e a culpa
antijuridicidade? A resposta é simples, decorre da própria formação da deixam de ser espécies da culpabilidade e passam a ser elementos da
palavra, que é contrariedade ao direito. Assim, para que haja crime, além mesma. Com o acréscimo de mais um elemento, a censurabilidade ou
de típico, o fato deve ser antijurídico. Porém, a denominação não é a mais reprovabilidade, que consiste num juízo de desvalor da conduta.
feliz, visto que todo fato típico é contrário ao direito, portanto, antijurídico. A censurabilidade ou reprovabilidade, por sua vez, para a teoria
Daí a preferência pela denominação ilicitude. psicológico-normativa, tem como seus elementos a imputabilidade, a
A ilicitude pode ser material ou formal. A primeira é dada pelos concei- consciência potencial da ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa,
tos sociais, enquanto que a segunda é dada pela lei. Excluir a ilicitude, fatores sem os quais a conduta não é considerada reprovável.
segundo a noção material, importa em excluir o próprio fato típico, visto que A teoria normativa pura (ou teoria da culpabilidade) corres-ponde aos
o fato não é socialmente reprovável. De outro modo, adotando a noção ensinamentos da escola finalista. Dolo e culpa migram da culpabilidade
formal, é possível que se exclua a ilicitude sem excluir o fato típico, existin- para o tipo, através da conduta. E o conteúdo da culpabilidade,”assim
do, portanto, fato típico que não é antijurídico. esvaziada, passa a ser apenas a censurabilidade, cujos requisitos são a
Foi desenvolvido o princípio da adequação social, classificando a imputabilidade, a consciência potencial da ilicitude e a exigibilidade de
adequação social como causa excludente da ilicitude. Como corolário, os conduta diversa.
autores falam em causa supralegal excludente da ilicitude. No entanto, só o O dolo e a culpa como integrantes da culpabilidade
que pode excluir a ilicitude é a lei. Dessa forma, só existem causas exclu- Como já falava Nietzsche, é bom dizer logo duas vezes a mesma coisa,
dentes da ilicitude legais. dando-lhe um pé direito e um pé esquerdo. Pois com uma perna só a
Só é possível falar em análise da ilicitude de determinada conduta, pa- verdade fica de pé, mas com duas ela poderá andar e correr por ai.
ra fins de direito penal, se for típica. Uma vez averiguado tratar-se de A teoria clássica colocava o dolo e a culpa dentro do conceito da
conduta típica, devemos passar apurar se também é ilícita, isto é, se há culpabilidade. O dolo e a culpa em sentido estrito constituíam as duas
uma relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico. espécies da culpabilidade (ou da culpa em sentido amplo). Acrescentava-se
Conforme acima já exposto, somente interessa estudar a ilicitude de um ainda, ao conceito de culpabilidade, a imputabilidade, como pressuposto do
determinado comportamento se, antes de tudo, for típico. Como a aná- dolo e da culpa, e também, segundo alguns autores, a exigibilidade de
lise da ilicitude recai apenas sobre fatos típicos, não podemos esque- conduta diversa.
cer que somente os fatos mais graves para preservação da sociedade A teoria finalista da ação retirou o dolo e a culpa do conceito da
são reprimidos pelo direito penal, segundo princípio da Intervenção Pe- culpabilidade, inserindo-os na ação e em consequência no tipo, vez que a
nal Mínima. ação é o primeiro elemento do tipo. A culpabilidade, esvaziada do dolo e da
Ora, como bem ensinado por Max Ernst Mayer, citado por Damásio de culpa, passou a ter o sentido de censurabilidade, de reprovabilidade, de
Jesus, se determinada conduta é sancionada pelo ordenamento jurídico a desvalor da conduta.
ponto de ser prevista em um tipo penal, quer dizer que uma vez realizado o Os fatores sobre os quais se apóia a censurabilidade são a
fato típico, surge indícios que a conduta viola o ordenamento jurídico, posto imputabilidade, a consciência potencial da ilicitude e a exigibilidade de
que em todos os tipos penais incriminadores existem mandamentos proibi- conduta diversa.
tivos implícitos.
A teoria social da ação, por sua vez, coloca o dolo e a culpa tanto na
Pelo princípio da reserva legal ( nullum crimen, nulla poena sine lege), ação (e no tipo) como na culpabilidade, passando a haver, portanto, o dolo
o que deve vir expresso pela norma penal é a conduta e a pena abstrata- do tipo e o dolo da culpabilidade. O dolo do tipo é indiciério e o dolo da
mente prevista para ela. Assim, por exemplo, o tipo de furto previsto no Art. culpabilidade é a medida do desvalor da intenção. O dolo é o mesmo, visto,
155 do Código Penal consiste em “subtrair, para si ou para outrem, coisa porém, de momentos ou ângulos diversos.
alheia móvel”, sendo que o mandamento proibitivo implícito ou oculto é o
de “ não furtarás”, o mesmo ocorre no exemplo de um sujeito vir a matar A escola clássica adotava a teoria psicológica, enquanto que a escola
alguém, pois sua conduta é prevista no tipo do Art. 121, sendo que este finalista adota a teoria normativa pura. A escola social da ação identifica-se
artigo do Código Penal contém uma regra proibitiva implícita consistente em até certo ponto com a teoria psicológico-normativa de Frank. Mas a dupla
“não matarás”. função do dolo e da culpa, no tipo e na culpabilidade, pertence apenas à
escola social da ação.
Se todo o tipo penal incriminador prevê implicitamente um mandamento
proibitivo, uma vez realizado o tipo, consequentemente o mandamento Imputabilidade
proibitivo de imediato também foi violado. Daí porque, uma vez realizado o A imputabilidade refere-se à capacidade do agente de se lhe atribuir o
comportamento típico, surge indícios de que a conduta realizada era veda- fato e de ser penalmente responsabilizado. Se não houver essa
da pelo ordenamento jurídico, sendo certo falar-se então que o tipo penal, atribuibilidade, considera-se que o indivíduo é inimputável. Imputável,
uma vez realizado no mundo concreto apresenta indícios de ilicitude, ou portanto, é o autor que, no momento da ação, é capaz de entender o
seja, apresenta indícios de que o comportamento fere ou põe em perigo um caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento.
interesse tutelado pela norma. A imputabilidade tem a ver com a menoridade penal (idade inferior a 18
Não é correto afirmar que todo fato típico é ilícito, pois na verdade, o ti- anos), com a doença mental, bem como com a embriaguez, assuntos,
po penal apenas apresenta indícios, tendências, de que determinada con- esses, que examinaremos mais adiante.2
duta seja ilícita, pois é possível que o causador do fato típico tenha atuado Consciência potencial da ilicitude
amparado por uma causa excludente de ilicitude (estado de necessidade, A consciência da ilicitude ou da antijuridicidade é outro elemento da
legítima defesa, exercício regular do direito e estrito cumprimento do dever culpabilidade, na teoria finalista e na teoria social da ação. A teoria
legal), quando então o fato, embora típico, foi licito. tradicional, ao contrário, colocava a consciência da ilicitude como parte
Culpabilidade integrante do dolo.
Para a existência do crime bastam o fato típico e a antijuridicidade. A impo- A consciência da ilicitude não precisa ser efetiva, bastando que seja
sição da pena, como consequência do crime, é que depende ainda da potencial, ou seja, deve-se chegar à conclusão de que o agente, com algum
avaliação da culpabilidade, da questão de dever ou não o agente res- esforço ou cuidado, poderia saber que o fato é ilícito.
ponder pelo fato. Onde fica a consciência da ilicitude?
O conceito de culpabilidade foi se modificando através dos tempos, A sede da consciência da ilicitude varia conforme a escola.
destacando-se três teorias sobre o assunto: a teoria psicológica, a teoria Para a escola tradicional ficava no dolo. Por isso, a teoria tradicional
psicológico-normativa e a teoria normativa pura (ou teoria da culpabilidade). sobre a consciência da ilicitude tem o nome de teoria do dolo. Essa teoria
Pela teoria psicológica, a culpabilidade é a relação psíquica do agente se subdivide em teoria extremada do dolo e teoria limitada do dolo.
com o fato, na forma de dolo ou de culpa, que são as duas espécies da Para o finalismo, porém, a consciência da ilicitude não está no dolo,
culpabilidade. Pressuposto do dolo e da culpa é a imputabilidade mas na culpabilidade. Daí falar-se em teoria da culpabilidade, extremada ou
(compreensão e autodeterminação). Alguns autores dessa escola limitada, como veremos a seguir.
acrescentam também a exigibilidade de outra conduta como parte
Localização da consciência da ilicitude.
integrante da culpabilidade.

Noções de Direito 46 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Teoria extremada do dolo. Teoria limitada do dolo. punível quando ameaçado com pena. Punibilidade, destarte, nesse sentido,
Teoria extremada da culpabilidade. não tem nada a ver com as consequências jurídicas do crime. Faz parte
Teoria limitada da culpabilidade dele, desde que entendido como fato punível.
A teoria extremada do dolo (a mais antiga) colocava o dolo como espécie O fato pode não ser punível abstratamente ou concretamente.
da culpabilidade (culpabilidade = dolo ou culpa em sentido estrito). A Se o legislador, em abstrato, descrever uma conduta típica e não comi-
consciência da ilicitude fazia parte do dolo, devendo essa consciência nar nenhuma pena (isso ocorria com várias hipóteses que estavam descri-
ser efetiva ou atual e não meramente potencial (Binding, Mezger). tas no art. 95 da Lei 8.212/91), não se trata de crime (porque não existe
A teoria limitada do dolo era semelhante à anterior. Com a diferença de crime no Direito penal brasileiro sem a ameaça de uma pena). Fato sem
que a consciência da ilicitude podia ser potencial, não precisando ser cominação de pena não é (nem sequer abstratamente) crime (porque a
efetiva ou atual. Bastava a mera possibilidade de que o agente pudesse punibilidade faz parte do seu conceito).
obter a consciência da ilicitude com um esforço ou através de atenção mais Pode dar-se que o fato não seja punível concretamente. Exemplo: filho
cuidadosa (Mezger — 2ª fase). que furta pai. Nesse caso, incide a escusa absolutória do art. 181, do CP. O
A teoria extremada da culpabilidade corresponde aos ensinamentos da furto, abstratamente, é crime. Mas concretamente, tendo em vista que foi
escola finalista. O dolo deixa a culpabilidade e migra para o tipo. A cometido pelo filho contra o pai, não é punível. Instaura-se inquérito policial
consciência potencial da ilicitude, que antes fazia parte do dolo, destaca-se (para se registrar o fato), mas não há que se falar em indiciamento. De
dele e passa a integrar o juízo de censura da culpabilidade. outro lado, cabe ao MP pedir o arquivamento (porque não há fato punível
em concreto). Não há que se falar no nascimento do ius puniendi nessa
A teoria limitada da culpabilidade é semelhante à anterior. Com a única situação. Houve um fato (típico e antijurídico), mas falta o terceiro requisito
diferença de divergir no tratamento do erro sobre uma causa de justificação. do fato punível, que é justamente a punibilidade.
Para a teoria extremada da culpabilidade o erro sobre uma causa de Injusto penal, fato punível e culpabilidade: o injusto penal é compos-
justificação é sempre um erro de proibição. to de dois requisitos: fato já valorado como materialmente típico e antijurídi-
Para a teoria limitada da culpabilidade, porém, o erro sobre uma causa co. O fato punível, por seu turno, exige três requisitos: fato materialmente
de justificação tanto pode ser erro de tipo como erro de proibição, típico, antijurídico e punível. A culpabilidade, como se nota, definitivamente,
dependendo da sede em que se localiza o erro, se num elemento do tipo não integra o conceito de crime em nenhum dos dois sentidos expostos.
permissivo3 ou sobre a existência ou limites da causa de justificação. Não pertence à teoria do delito. Mas como pressuposto indeclinável da
Esse detalhe será examinado mais adiante, ao tratarmos do erro sobre pena, é ela que faz a ligação (o elo, ol vínculo) entre a teoria do delito e a
excludente putativa. teoria da pena. Como valoração do objeto, é juízo de reprovação que recai
Exigibilidade de conduta diversa sobre o agente do fato punível.
Outro requisito da culpabilidade é a exigibilidade de conduta diversa. O crime, como se vê, não exprime um conceito unívoco. Pode e deve
Refere-se ao fato de se saber se, nas circunstâncias, seria exigível que ser compreendido ora como injusto penal, ora como fato punível. O primeiro
o acusado agisse de forma diversa. Não haverá pena se, nas tem dois requisitos. O segundo tem três requisitos. De qualquer modo, dele
circunstâncias, foi impossível para o acusado agir de outra forma. não faz parte a culpabilidade (que cumpre no Direito penal o papel de elo
de ligação entre a teoria do delito e a teoria da pena, leia-se, entre o crime
A avaliação deve ser feita em função de um acusado concreto diante
e a pena).
das circunstâncias concretas, com base nos padrões sociais vigentes.
Advertência e re melior perpensa: nos meus trabalhados e escritos
Alguns autores entendem que a exigibilidade de conduta diversa não é
anteriores cheguei em algum momento admitir a culpabilidade como requi-
uma causa geral (ou supralegal) de exclusão da culpabilidade, restringindo-
sito do fato punível. Na verdade, podemos ver esse tema de modo diverso.
se apenas aos casos expressos em lei, como a coação moral irresistível ou
Ela não faz parte do "fato" nem da "punibilidade". Está fora do injusto penal
a obediência hierárquica a ordem não manifestamente ilegal.
assim como do fato punível. Vem, cronologicamente falando, depois dos
Outros autores, porém, como Damásio e Toledo, admitem a três requisitos que compõem o fato punível (fato materialmente típico,
exigibilidade de conduta diversa como causa supralegal de exclusão de antijuridicidade e punibilidade). A ela está destinada a função de vincular a
culpabilidade, a ser aplicada de forma excepcional, mas de modo teoria do delito com a teoria da pena (leia-se: o crime com a pena).
independente de previsão legal expressa.
Da punibilidade como expressão do primeiro momento do ius pu-
Parece acertada a segunda corrente. Não há sentido em colocar a niendi: ainda que se trate de fato materialmente típico e antijurídico, não
exigibilidade de outra conduta como requisito da culpabilidade se nunca havendo ameaça de pena, não há que se falar em fato punível. Nessa
puder ser aplicada de forma autônoma. categoria do fato punível, portanto, entram condições ulteriores e externas
Um acórdão entendeu não caracterizado o porte ilegal de arma (art. 19 em relação ao injusto penal (leia-se: ao fato materialmente típico e antijurí-
da LCP) por ser o acusado pessoa de idade avançada e por residir em local dico), que fundamentam ou suspendem ou extinguem o ius puniendi. Quem
infestado de marginais e malfeitores (RT 60 1/329). delibera sobre a oportunidade de se ameaçar com pena ou não um injusto
Tecnicamente, não se poderia invocar o estado de necessidade, pois o penal é o legislador. Da punibilidade, como requisito do fato punível, assim,
perigo não era atual ou iminente, mas apenas latente (possível ou quem cuida é o legislador (que, às vezes, remete ao juiz o encargo de
provável). E nem a absolvição se embasou nessa justificativa. verificar no caso concreto se ela deve persistir, ou não. Isso se dá, por
Diante das circunstâncias, entenderam os julgadores não ser possível exemplo, com o perdão judicial).
exigir que o réu andasse desarmado, aplicando, assim, de modo autônomo, Em regra o injusto penal é ameaçado com pena (é punível). Mas quem
o princípio da inexigibilidade de outra conduta. exerce o juízo de oportunidade sobre isso, como salientamos, são os
Num outro caso, o tribunal entendeu não exigível conduta diversa representantes diretos da soberania popular, que podem afastar essa
quando o acusado derivou seu veículo para a “contramão”, ao se deparar ameaça por razões de política criminal, fundado em critérios de merecimen-
com um veículo tombado na pista, vindo a colidir com um caminhão to de pena e necessidade de pena.
(JTACrimSP 84/270). O ius puniendi (como direito subjetivo do Estado) possui três momen-
Punibilidade tos: (a) direito de ameaçar com pena; (b) direito de aplicar a pena; (c) direito
de executá-la.
Autor: Luiz Flávio Gomes;
A punibilidade, como requisito do fato punível, corresponde ao primeiro
Terceiro requisito do fato punível: a punibilidade (apesar de toda re-
momento e consiste no direito de o Estado (em razão da sua soberania e
sistência da doutrina penal majoritária - Roxin, v.g.) não pode deixar de ser
da sua competência para legislar em matéria penal), por meio de lei (elabo-
admitida como o terceiro requisito do crime, desde que entendido como fato
rada com todas as garantias constitucionais), ameaçar o cidadão com uma
punível. Há um mundo de problemas e questões no Direito penal que só
pena, com a finalidade de evitar que ele venha a violar a norma penal
podem ser resolvidos dentro dessa categoria. De outro lado, tanto nossa
respectiva.
Constituição como nossas leis penais a ela fazem referência em todo
momento (CP, art. 31, 97 etc.). Punibilidade, pretensão punitiva e pretensão executória: compro-
vado que o fato é ameaçado (em tese) com pena, assim como a ausência
Consiste no seguinte: o fato (materialmente típico e antijurídico) só é
de causas de impunibilidade, estamos diante de um fato punível. Em tese,

Noções de Direito 47 A Opção Certa Para a Sua Realização


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cuida-se de fato punível. Mas isso não permite desde logo qualquer atua- plo, a ausência de uma condição objetiva de punibilidade. Cuida-se de
ção do Estado contra um agente concreto. condição exigida pelo legislador para que o fato se torne punível e que está
Seu direito de perseguir ou de apurar o fato bem como o de aplicar a fora do injusto penal (logo, fora do dolo do agente). Chama-se condição
pena respectiva (esse constitui o segundo momento do ius puniendi) só objetiva justamente porque independe do dolo ou da culpa do agente.
passa a existir concretamente quando alguém viola a norma penal. Dito de Exemplo: no art. 7º, § 2º, "b" está dito que a lei penal brasileira aplica-se
outra maneira: com a violação da norma penal o direito de punir em abstra- para fato ocorrido no exterior se descrito como crime no país em que acon-
to (só previsto em lei) transforma-se em direito concreto de punir. teceu. Estar o fato descrito como crime no país que foi palco do ocorrido é
Em linguagem processual, surge para o Estado (nesse instante) uma condição objetiva de punibilidade. Se ausente, o fato deixa de ser punível
pretensão punitiva concreta (para os que admitimos que se possa falar em (no Brasil).
pretensão punitiva no âmbito criminal). O Estado, a partir do momento da Causas suspensivas da punibilidade (da pretensão punitiva): as
violação punível de uma norma penal (desde que constatado um fato causas suspensivas da pretensão punitiva (leia-se: da punibilidade entendi-
materialmente típico, antijurídico e punível) conta com o direito de colocar da como direito de aplicar a pena) só podem acontecer até o trânsito em
em marcha o seu aparato para a investigação do crime e abertura do julgado. Isso se deu, por exemplo, com as Leis 9.964/00 (Refis I) e
devido processo (respeitando-se todas as regras e limitações que o orde- 10.684/03 (Refis II). Todos que ingressaram no Refis (Programa de parce-
namento jurídico impõe). Por meio do devido processo legal (ou, mais lamento de débitos fiscais) contaram com o direito de suspensão da preten-
precisamente, do devido processo penal) pode impor ao responsável a são punitiva (isto é, direito de ver interrompida a atividade persecutória
pena cominada para o delito. estatal, suspendendo-se também a contagem do prazo prescricional).
Aplicada a pena e havendo trânsito em julgado definitivo, fala-se agora Causas extintivas da punibilidade (da pretensão punitiva ou da
não mais em pretensão punitiva, senão em pretensão executória (esse é o pretensão executória): as causas extintivas da punibilidade, que não se
terceiro momento do ius puniendi). confundem com as causas de impunibilidade nem com as suspensivas, ou
A doutrina penal ainda confunde os três momentos do ius puniendi. A eliminam a pretensão punitiva do Estado ou sua pretensão executória. São
punibilidade, entendida como possibilidade de aplicação de um pena, muitas as causas extintivas, sendo que a maior parte delas está prevista no
refere-se à pretensão punitiva (que é o segundo momento do ius puniendi). art. 107 do CP (morte do agente, anistia, abolitio criminis etc.).
A punibilidade compreendida como direito de ameaçar com pena constitui o Podem ocorrer antes do trânsito em julgado final ou após. Se ocorrem
primeiro momento. Nesse sentido não é efeito do crime ou consequência do antes, são causas extintivas da pretensão punitiva. Se se dão depois, são
crime (como alguns autores afirmam), senão parte integrante dele (quando causas extintivas da pretensão executória. A morte do agente, por exemplo,
concebido como fato punível, repita-se). Punibilidade não é a mesma coisa pode dar-se em qualquer um desses momentos. Diga-se o mesmo quanto à
que "pena". A pena é consequência do crime, não a punibilidade (entendida prescrição.
como possibilidade de ameaçar um fato com pena). Punibilidade e condições de procedibilidade: a primeira pertence ao
As causas de extinção da punibilidade (leia-se: da pretensão punitiva fato punível (ao Direito penal). As segundas integram o Direito processual
ou da pretensão executória) não afetam o injusto penal (isto é, o fato mate- penal. São condições exigidas para o regular exercício do direito de ação.
rialmente típico e antijurídico), mas sem sombra de dúvida eliminam o São genéricas ou específicas. As primeiras são exigidas em todas as ações
terceiro requisito do fato punível (a punibilidade), não podendo o Estado a (possibilidade jurídica do pedido, legitimidade para agir, interesse de agir e
partir daí praticar qualquer ato persecutório contra o agente. Ocorrida uma justa causa).