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Direitos da Personalidade

Professor: Sylvio Motta


Evolução Histórica

I- Roma Antiga – “PERSONA”: personagem – sentido jurídico: ser humano


com capacidade.

II- Magna Carta Inglesa (1215) liberdade física.

III- Revolução Francesa (1789) – Declaração Universal dos Direitos do


Homem e do Cidadão – Pessoa X Estado (liberdades públicas).
Evolução Histórica

IV- Século XIX – GIERKE individualiza direitos da personalidade: vida,


honra, liberdade física e nome.

V- CC/1916: “todo homem”.

VI- CF/88: DIGNIDADE da Pessoa Humana é fundamento da República


(art. 1º, III). Direitos fundamentais (art. 5º).

VII- Código Civil inovou ao dar ênfase específica aos DIREITOS DA


PERSONALIDADE E SUA COMPLETUDE.
Direitos da Personalidade

 CONCEITO:
 É a aptidão para titularizar direitos e contrair obrigações, ou seja,
ser sujeito de direito.

 Direito da personalidade pode ser definido por uma metodologia


Civil-Constitucional, onde prevê uma junção entre o Principio
Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana e os conceitos e
características previstas nos cap. I e II do Código Civil de 2002.
Personalidade Jurídica da Pessoa
Natural

 Segundo o art. 2º do Código Civil , podemos afirmar que a


personalidade começa com o nascimento com vida. Este
confirmado com o funcionamento do sistema cardiorrespiratório.
Verifica-se se o feto respirou pelo exame docimasia hidroestática
de Galleno.

 Tal conceito passa por ampla discussão no meio jurídico, uma vez
que, existem três teorias principais sobre o assunto. São elas:
Personalidade Jurídica da Pessoa
Natural

 Teoria Natalista (Adotada pelo CC/02)


Para essa teoria, a personalidade jurídica é adquirida a partir do
nascimento com vida. Desta forma, o nascituro não seria considerado
pessoa, gozando apenas de expectativas de direito;
Personalidade Jurídica da Pessoa
Natural

 Teoria da Personalidade Condicional:


Defende que o nascituro teria uma personalidade jurídica
formal, já que possui direitos em condição suspensiva de
nascer com vida.
Personalidade Jurídica da Pessoa
Natural

 Teoria Concepcionista:
Com grande influencia do direito francês, defende que o nascituro é a
pessoa desde a concepção, isto é, o nascituro é sujeito de direitos
para fins patrimoniais. Logo entende-se que para esta teoria o
nascimento com vida apenas reafirma a personalidade, que já era
existente desde a concepção.
A Capacidade Jurídica

Capacidade:

1. Capacidade de direito ou de gozo (capacidade


de aquisição de direitos)

2. Capacidade de fato, de exercício (capacidade de


ação)
A Capacidade Jurídica

 Capacidade de Direito

 É reconhecida a todo ser humano, sem qualquer distinção.


Estende-se aos privados do discernimento e aos infantes em
geral, independente de seu grau de desenvolvimento mental.
Ex: podem receber herança, doações, etc.
A Capacidade Jurídica

 Capacidade de Fato:

 É a aptidão para exercer, por si só, os atos da vida


civil. Assim, requisitos como maioridade, saúde,
desenvolvimento mental, etc, limitarão as pessoas
envolvidas. Será sempre necessária a participação de
uma outra pessoa que as represente ou assista,
conforme o caso.
A Capacidade Jurídica

Capacidade Capacidade Capacidade


de Direito de fato Plena
Direitos da Personalidade em
Espécie

 Direito a Vida (ART. 5º CF/88);

 Direito a Integridade Físico-Psíquica (13-15 CC/02);

 Direito a Imagem (ART. 20 CC);

 Direito aos Escritos Pessoais (ART. 20 CC);

 Direito a Intimidade/Vida Privada (ART. 21 CC).


Direito a Vida

 Existência biológica;

 Direito essencial;

 Inviolabilidade: CF/88 e Tratados Internacionais;

 Da concepção à morte;

 Irrenunciável;
Direito a Integridade Físico-
Psíquica

 Presença integral dos atributos físicos e psíquicos.

 Art. 5º, XLIX, da CF garante ao preso integridade física e moral.

 Uso dos bens inatos da integridade física.

 Preservação dos seguintes elementos: partes e atributos físicos do


corpo; aparência física; estado de saúde física e mental do ser
humano.
Direito a Imagem

 Figura, representação, retrato ou imagem física, podendo-se proibir sua


reprodução em representações (figura, semelhança ou aparência).

 Em regra, só titular autoriza a divulgação ou exige que cesse a


reprodução.

 Exceções: administração da Justiça ou manutenção da ordem pública.

 Imagem de pessoa morta – legitimidade processual dos herdeiros.

 Não se confunde com fama e honra, mas pode haver intimidade ou honra
envolvida. Art. 5º, V, da CF “é assegurado o direito de resposta,
proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou
à imagem”.
Direito aos Escritos Pessoais

 Não podem ser divulgados devassando a vida do autor.

 Todas as formas de manifestação escrita, como cartas, memórias, e-mail, etc.

 Cartas não confidenciais: só se exige que não se fira as expectativas do autor.

 Só o autor autoriza divulgação, ou, morto, seus herdeiros (art. 20, § único).

 Art. 5º, XII, CF: sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de


dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial,
para investigação criminal ou instrução processual penal” (Lei 9.296/96).

 Carta é do destinatário, mas o conteúdo é do emitente, resguardando para si os


direitos autorais e a proteção aos direitos da personalidade.
Direito a Intimidade

 Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a


requerimento do interessado, adotará as providências necessárias
para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma.

 Privacidade está fora do controle público (pertence só à pessoa).

 Autonomia humana (liberdade de decisão em assuntos íntimos)

 Independência e inviolabilidade da pessoa e de sua casa.


Súmula 403 do STJ

Independe de prova do prejuízo a


indenização pela publicação não autorizada
de imagem de pessoa com fi ns econômicos
ou comerciais.
1ª QUESTÃO:

 Z, com 12 anos de idade, estudante de instituição de ensino


particular, relatou a sua mãe estar sendo vítima de agressões
verbais, inclusive pela internet, por parte de um colega de sala.
Após comunicação formal à direção do colégio, as providências
tomadas não foram suficientes, e Z passou a sofrer também
agressões físicas. Por tal motivo, antes mesmo do término do ano
letivo, a mãe de Z decidiu transferi-lo para outro colégio. Ato
contínuo, Z, representado por sua mãe, ajuizou ação de
indenização por danos morais em face da instituição de ensino,
tendo comprovado a ocorrência das agressões narradas. Z faz jus à
indenização pleiteada? Responda, fundamentadamente, em até 15
linhas.
1ª QUESTÃO:

 -APELAÇÃO CÍVEL
 - ABALOS PSICOLÓGICOS DECORRENTES DE VIOLÊNCIA ESCOLAR
 - BULLYING
 - ESTABELECIMENTO DE ENSINO
 - RESPONSABILIDADE OBJETIVA
 - FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO
 - OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA
 - DANO MORAL CONFIGURADO
 - REFORMA DA SENTENÇA

 TJMG. Processo: Apelação Cível: 1.0024.10.142345-7/002. 1423457-21.2010.8.13.0024 (1). Relator:


Des. (a) Tibúrcio Marques. Data de Julgamento: 25/04/2013. Data da publicação : 03/05/2013.
2ª QUESTÃO

 JOANA propõe demanda em face de sociedade que explora o


ramo de televisão, pois a emissora promoveu uma entrevista,
amplamente divulgada por este meio de comunicação e com
expressiva audiência, com o autor do crime de homicídio praticado
contra a filha da autora, crime este que causou grande comoção à
época (20 anos atrás), uma vez que a vítima era vista com muito
carinho pela sociedade. Aduz que o nome de sua filha fora citado
por diversas vezes na entrevista, e que, por se tratar de fato que
ainda lhe causa muita dor e angústia, o mesmo não deveria mais ser
lembrado, de modo que a prévia autorização da autora seria
cabível no caso. Dessa forma, JOANA requer indenização por danos
morais e materiais, bem como a retirada de qualquer acesso à
referida entrevista por todos os meios de comunicação. Responda,
fundamentadamente, como deve ser julgado o caso.
2ª QUESTÃO

 - RESPOSTA: REsp 1.631.329-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel.
Acd. Min. Nancy Andrighi, por maioria, julgado em 24/10/2017, DJe
31/10/2017 Ação de indenização por danos materiais e compensação por
danos morais. Reportagem jornalística. Divulgação de imagem sem
autorização. Fatos históricos de repercussão social. Direito à memória.
Prévia autorização. Desnecessidade. A Súmula 403/STJ é inaplicável às
hipóteses de divulgação de imagem vinculada a fato histórico de
repercussão social. Ademais, importante ressaltar que o Plenário do STF
(ADI 4.815), à unanimidade, estabeleceu interpretação conforme a
Constituição ao art. 20 do CC/02, para declarar inexigível autorização de
pessoa biografada relativamente a obras biográficas literárias ou
audiovisuais e pessoas retratadas como coadjuvantes - o que legitima,
ainda mais, a análise por esta Corte sobre a necessidade de autorização
prévia para divulgação de imagem vinculada a fato histórico de
repercussão social.
2ª QUESTÃO

 No caso, por meio da conjuntura fática cristalizada pelo acórdão


recorrido, pode-se concluir que:
 a matéria jornalística possui cunho informativo, sem denotação
vexatória ou que denigra a imagem da autora ou de sua filha;
 não há destaque para a intimidade da vítima ou de sua mãe;
 as imagens divulgadas na reportagem se limitam a noticiar o fato
histórico de repercussão social;
 o fato já foi ampla e notoriamente divulgado desde a sua
ocorrência;
 não há exploração comercial.
3ª QUESTÃO
 Patrícia e André propuseram demanda indenizatória por danos materiais e morais
decorrentes de uso indevido de imagem em face de determinada Editora, sob o
argumento de que, em 2000, a ré teria publicado matéria relativa a gravidez de Patrícia
em uma de suas revistas, utilizando fotografias dos autores, sem que houvesse
autorização expressa para tanto. Aduzem estar configurado o ato ilícito em razão da falta
de autorização expressa para o uso da imagem dos recorrentes em publicação de
reportagem de revista de grande circulação e com nítido caráter lucrativo, ainda que a
matéria tenha sido respeitosa, inteligente, bem redigida e primorosamente produzida.
Afirmam que "a revista, com as fotografias dos autores, teve circulação nacional, com
mais de 50.000 tiragens, com valor unitário da ordem de R$ 3,90 (três reais e noventa
centavos) à época, obtendo uma receita de aproximadamente R$ 195.000,00 (cento e
noventa e cinco mil reais), o que, significa que houve obtenção de manifesta vantagem
econômica à ré ora recorrida". Em sua defesa, a ré afirma e produz farto material
probatório no sentido de que a autora Patrícia, durante a sua gravidez, efetuou algumas
fotografias, sozinha e com o autor André, a partir do que, por intermédio de uma amiga, a
gestante foi posta em contato com a jornalista Rosana, a qual, por sua vez, precisava de
material fotográfico dessa natureza para reportagem a ser publicada na Revista, editada
pela ré. As fotografias foram entregues pela autora Patrícia à jornalista, sem que se
tivesse formalizado, por escrito, autorização para o uso do material na reportagem.
Posteriormente, os autores tomaram conhecimento de que as fotografias em questão
foram, de fato, veiculadas na publicação referida. Responda, fundamentadamente, como
deve ser julgado o caso.
3ª QUESTÃO

 RECURSO ESPECIAL Nº 1.384.424 - SP, rel Min Luis Felipe Salomão


Órgão Julgador: T4 - QUARTA TURMA Data do Julgamento:
11/10/2016 Data da Publicação/Fonte: DJe 21/11/2016 Ementa
RECURSO ESPECIAL. DIREITO DE IMAGEM. POSSIBILIDADE DE
CONSENTIMENTO TÁCITO, DESDE QUE INTERPRETADO DE FORMA
RESTRITA E EXCEPCIONAL. USO INDEVIDO. INDENIZAÇÃO POR
MATERIAIS CONFIGURADA. DANO MORAL. INOCORRÊNCIA NA
ESPÉCIE.